MATRIZES DO PENSAMENTO PSICOLÓGICO – Luís Cláudio Figueiredo

I. A CONSTITUIÇÃO DO ESPAÇO PSICOLÓGICO

PEIRCE, O que é o pragmatismo. Em: PEIRCE, Semiótica. DEWEY, The development of American pragmatism. Em: RUNES, D.D. (org.) Living schools of philosophy.

II. A OCUPAÇÃO DO ESPAÇO PSICOLÓGICO

Os vitalistas tomam partido: são a favor da ‘vida’ e contra a razão.” “a inteligência conceitual deve ser substituída pela intuição, pela apreensão imediata da natureza ‘naturante’ [capaz de autocriação] das coisas” “mística da vivência autêntica” “No lugar do interesse tecnológico domina aqui o interesse estético” “a obra da decrepitude de W. Reich (…) a terapia gestáltica e outras técnicas corporais”

Os estruturalismos são de fato reações anti-românticas de índole tendencialmente cientificista, enquanto a fenomenologia é um dos coroamentos da tradição filosófica racionalista, iluminista e, portanto, anti-romântica.” “as três matrizes se inscrevem n…a problemática da expressão.”

O problema de difícil solução para o historicismo ideográfico é o do método.”

operacionalização de uma antecipação de compreensão.”

círculo hermenêutico”

A grande preocupação dos estruturalismos é a de elaborar métodos e técnicas de interpretação que conquistem o mesmo grau de segurança e objetividade que o obtido pelas ciências da natureza.”

estruturas profundas da vida simbólica”

Finalmente, encontramos na fenomenologia uma tentativa de superação tanto do cientificismo como do historicismo.”

DESDE KANT, O TEMPO ESTÁ EM NÓS: “A legitimação naturalista do conhecimento – como ocorre no empirismo – é inadequada porque as formas do mundo se apresentar à consciência não são oriundas da própria experiência, senão que a precedem e estabelecem suas condições de possibilidade.”

É necessário supor, para não cair no ceticismo, que todo conhecimento ou juízo empírico retire sua certeza de uma estrutura cognitiva apriorística que defina as formas, as categorias e os mecanismos da cognição de acordo com os quais as evidências possam se constituir e validar.”

O fundamento deve ser procurado do lado da consciência pura, do sujeito transcendental que determina as condições de existência para a consciência de todos os objetos da vida espiritual.”

A fenomenologia (ciência eidética)”—por causa do “de”: consciência (de algo). Consciência disso e daquilo…

Eidética no dicionário: “[Filosofia] Pertencente à essência abstrata das coisas, dos sentidos idealizados, por oposição ao que existe realmente.” Ironicamente, o que existe realmente é somente a essência abstrata das coisas.

Significado de Noese

substantivo feminino

[Filosofia] Na fenomenologia, aspecto subjetivo da vivência, constituído por todos os atos tendentes a apreender o objeto: o pensamento, a percepção, a imaginação etc.”

Não podemos admitir a completa irredutibilidade das épocas” Bem como seu inverso (estruturalismo).

O paradoxo de todo historicismo é negar-se à época que lhe sucede. “Em outras palavras, o ceticismo seria a conseqüência direta do relativismo radical historicista.”

A fenomenologia da consciência transcendental, confluindo com outras tradições filosóficas, e literárias, está na origem dos existencialismos, cujas repercussões no pensamento psicológico são mais profundas que as diretamente provenientes da filosofia fenomenológica.”

A antropologia fenomenológica existencialista dá o quadro de referências (os elementos e a norma, o ‘modelo’ de sujeito) que será investigado pelas ciências humanas empíricas.”

o que há de mais subjetivo, i.e., o projeto”

ideologias pararreligiosas”

Se nada me prende e minha vida é meu projeto, a solução é minha e para mim.”

retraimento do sujeito sobre si mesmo numa inflação inconseqüente da subjetividade”

Do behaviorismo tosco de J.B. Watson ao sofisticado de B.F. Skinner, à Psicanálise e a toda a obra de Jean Piaget reflete-se a mesma intenção.”

grandes tentativas de síntese, gestaltismo.”

psicologia social… recentemente … Harré e Hecord” + S. Koch + Nuttin + Howarth “senso comum”

Harré, Making social psychology scientific. Em: GILMOUR, DUCK (org.), The development of social psychology, 1980.

KOCH, Psicologia e ciências humanas. Em: GADAMER, VOGLER (org.), Nova antropologia, 1977.

NUTTIN, O comportamento humano: o homem e seu mundo fenomenal. EM: GADAMER, VOGLER (org.) op. cit.

Este texto de Nuttin é extremamente claro e penetrante. O que, somado ao seu fácil acesso ao leitor brasileiro, o torna uma indicação obrigatória para leitura”

HOWARTH, The structures of effective psychology. Em: CHAPMAN, JONES (org.) Models of man, 1980.

Wundt naturalmente listado como impressionante pioneiro do ecletismo epistemológico maduro e atual.

(*) “A irrelevância dos objetos e resultados de grande parte da pesquisa básica em psicologia é um dos principais alvos de seus detratores.” “função crítica da irrelevância” “O leigo acaba vendo no difícil de entender [hermético] um sinal de profunda sabedoria e alta ciência. Para uma boa aparência de cientificidade, quanto mais irrelevante melhor.”

(*) “A duplicidade e a complexidade do projeto de Wundt, durante muito tempo confundido com o de E.B. Titchener, vem sendo recentemente o tema de vários trabalhos, entre os quais se recomendam: BLUMENTAHL, A reappraisal of Wilhelm Wundt, American psychologist, 1975. … DANZIGER, The positivist repudiation of Wundt, Journal of the History of the Behavioral Sciences, 1979. LEAHEY, The mistaken mirror: on Wundt’s and Titchener’s psychologies, Journal of the History of the Behavioral Sciences, 1981.

III. MATRIZ NOMOTÉTICA E QUANTIFICADORA

BACON: “A emergência da ‘metodologia científica’ corresponde exatamente a um estágio em que a auto-reflexão das práticas produtivas já permite que a estrutura do trabalho seja posta a serviço da produção e validação de conhecimentos. As idéias de caráter preditivo chamar-se-ão hipóteses, e suas origens serão atribuídas a processos denominados indução, abdução ou invenção; as práticas produtivas serão os procedimentos de observação controlada e, em especial, os procedimentos experimentais de teste; o resultado obtido será confrontado com o resultado esperado – que, na medida do possível, deve ser rigorosamente [palavra que não combina] deduzido das hipóteses iniciais; a finalidade deste processo é a de, com base neste confronto, aceitar ou refutar as hipóteses.”

O positivismo foi concebido e desenvolvido não pelos filósofos do séc. XIII mas pelos astrônomos gregos que, tendo elaborado e aperfeiçoado o método do pensamento científico – observação, teoria hipotética, dedução e, finalmente, verificação por novas observações –, encontraram-se na incapacidade de penetrar no mistério dos movimentos verdadeiros dos corpos celestes e que, conseqüentemente, limitaram suas ambições à salvação dos fenômenos, isto é, a um tratamento puramente formal dos dados da observação. Tratamento que lhes permitia previsões válidas, mas cujo preço era a aceitação de um divórcio definitivo entre a teoria matemática e a realidade subjacente” KOYRÉ, Les étapes de la cosmologie scientifique. + Do mundo fechado ao universo infinito

As hipóteses descritivas e explicativas, como pretendem representar a essência dos fenômenos naturais, devem convergir para um sistema e, de preferência, ser dedutíveis de alguns poucos axiomas – o que foi finalmente alcançado no séc. XVIII por Isaac Newton.”

Quando as grandes conquistas da física moderna, nos sécs. XIX e XX, revelaram-se como meras hipóteses que exigiam correções radicais, abateu-se sobre a comunidade um certo descrédito diante da atitude realista que vê nas funções matemáticas expressões objetivas da ordem natural. Reanimaram-se, então, as posições instrumentalistas

Em momento algum, todavia, deixou de progredir a matematização da física e o distanciamento entre a experiência científica e a experiência leiga.”

A química enterrou definitivamente a alquimia quando Lavoisier – versado em lógica, matemática, física e astronomia – trouxe para a nova ciência o espírito de exatidão, da mensuração e da análise experimental. Os estudos biológicos, a partir da fisiologia, diretamente tributária da mecânica e da química, e dos empreendimentos taxonômicos de Lineu, também avançaram na direção da biologia científica.”

o cálculo de probabilidades e os procedimentos estatísticos em geral que, no campo das ciências não-exatas, asseguram a ligação entre o domínio empírico – marcado por uma certa margem de variabilidade intrínseca – e o domínio racional.”

A possibilidade de submeter os fenômenos psíquicos aos procedimentos matemáticos, de forma a criar-se uma psicologia empírica, foi expressamente negada por Kant com a alegação de que estes fenômenos não se prestavam à análise e à observação e só tinham uma dimensão, a temporal, quando a mensuração de um processo exige duas dimensões, a temporal e a espacial. Não obstante, o projeto de uma psicometria apareceu já no séc. XVIII na obra do filósofo alemão Christian Wolff, que esperava desta nova ciência a mensuração dos graus de prazer e desprazer, perfeição e imperfeição, certeza e incerteza.”

o mesmo fizeram outros autores como De Maupertuis, Buck, Mendelssohn, Ploucquet, Mérian e Lambert. (…) Nenhum deles, porém, dedicou ao tema mais que algumas páginas marginais de suas obras de matemáticos, filósofos e naturalistas. No séc. XVIII apenas Hagen, Krüger e Körber trataram com mais detalhe do assunto.”

a psicofísica de Weber e Fechner … Ebbinghaus”

O modelo de Herbart se propõe a representar a estática e a dinâmica dos processos mentais a partir da idéia de conflito entre representações (todos os fenômenos, conscientes ou inconscientes, são denominados representações).”

Hoje a construção de modelos matemáticos e lógicos não encontra a resistência que a partir do final do séc. XIX o positivismo opôs à pretensão de apreender os mecanismos, indo além das leis empíricas. Ainda assim, a prática da construção de modelos é apenas um dos momentos do procedimento científico, momento aliás subordinado ao de teste: a partir de um modelo devem-se atribuir valores plausíveis às variáveis quantitativas nele implicadas para em seguida – freqüentemente através de simulação computadorizada em que se variam parametricamente estes valores – deduzir os comportamentos do modelo nas diferentes condições programadas. Finalmente, confrontam-se os comportamentos do modelo com os do organismo nele representado. Convém assinalar que dificilmente o comportamento do modelo será idêntico ao do seu original, o que conduzirá a um processo infinito de ajuste com a introdução de novas variáveis e/ou com a postulação de novas relações funcionais entre elas. A psicologia matemática de Herbart carece completamente desta possibilidade de autocorreção” “É necessário que se mencione, a propósito, a semelhança entre o modelo de Herbart e o que veio a ser proposto por Freud.”

a dinâmica herbartiana é puramente mecanicista e a análise se orienta para a identificação das relações de causalidade eficiente; já na dinâmica freudiana há presença da intencionalidade.” Conversão para as ciências humanas, para nunca sair da preferência – tão prejudicial! – dos cientistas sociais…

O estudo dos limiares diferenciais – diferenças apenas perceptíveis – foi a área pioneira na concretização do ideal de quantificação em psicologia.”

dR/R=C, em que R é o estímulo-padrão com o que os outros devem ser comparados, dR é o incremento mínimo de R para que a diferença seja percebida, e C é uma constante.”

S=ClogR, em que S é a sensação, R o estímulo e C uma constante a ser obtida empiricamente. Esta função descreve os desvios sistemáticos da subjetividade em relação às mudanças do mundo exterior”

O estudo experimental das sensações permaneceu na segunda metade do séc. XIX e continua até hoje uma área de pesquisa muito ativa e rigorosa, aonde (sic) a matriz nomotética e quantificadora tem produzido alguns de seus melhores resultados.”

Com freqüência esta psicologia das diferenças individuais – ou psicologia diferencial – [McKeen Cattel, Galton, Binet, Thorndike] estava claramente empenhada em tarefas práticas no âmbito da escola, da indústria e da burocracia civil e militar, classificando a situando os sujeitos em escalas numéricas de acordo com medidas de inteligência geral, capacidades cognitivas específicas, velocidade de aprendizagem e desempenho de diferentes tipos de tarefas.”

não arrefeceu em momento algum o impulso nomotético e quantificador.”

GARRET, Grandes experimentos da psicologia, 1979.

IV. MATRIZ ATOMICISTA E MECANICISTA

A física do impetus ao final da Idade Média havia crescido a ponto de desalojar a física de Aristóteles, explicando em termos de impulso impresso também os movimentos ‘naturais’.”

A lei da inércia [de Galileu] atribui o mesmo valor e as mesmas propriedades ao repouso e ao movimento e libera este último da dependência de qualquer motor externo.”

Na química a análise elementar foi uma constante desde os trabalhos pioneiros de Priestley e Cavendish até a sistematização de Lavoisier. A subdivisão dos elementos em átomos progrediu no século XIX sob a direção de Dalton e Mendeleiev.”

a química é testemunha das transformações de qualidade produzidas por diferenças estruturais. Contudo, ao final do século passado, ainda era o procedimento analítico da química, e não seus resultados[,] que punham em questão o atomicismo físico, que servia de guia e exemplo para as demais ciências, entre as quais a psicologia.”

Os estudos de Pavlov, principalmente, são a contraparte fisiologizante e mais rigorosa dos estudos experimentais da associação iniciados por Ebbinghaus.”

Não se pode assim concordar com a idéia, amplamente divulgada, que associa o behaviorismo, fundamentalmente, ao mecanicismo e ao atomicismo. De qualquer forma, a sobrevivência de vestígios elementaristas e mecanicistas na psicologia behaviorista exigirá que no próximo capítulo uma atenção especial seja dada às combinações das duas matrizes.”

V. MATRIZ FUNCIONALISTA E ORGANICISTA NA PSICOLOGIA AMERICANA

A referência inicial e obrigatória é a chamada psicologia funcional8 que se desenvolveu nos EUA no final do século XIX e início do XX. Representantes notáveis desta corrente são J. Dewey (1859-1952), J. Angell (1869-1949), J.M. Baldwin (1861-1934) e, como grande precursor, William James (1842-1910).”

O estudo do comportamento animal com o objetivo de ‘conhecer o desenvolvimento da vida mental na escala filogenética e buscar a origem da inteligência humana’, tal como se expressa Thorndike em 1898, foi iniciada por Darwin e continuada por Romanes (1848-1894), Morgan (1852-1936), Thorndike (1874-1949) e Jennings (1868-1947), para ficar apenas com os pioneiros.”

Dois autores modernos assumiram integralmente, embora de formas muito diversas, o legado funcionalista: E.C. Tolman (1886-1959) e B.F. Skinner (1904-[1990]).”

Tolman, além de condensar e elevar a um nível superior todo o movimento da psicologia funcional, antecipou o movimento cognitivista americano.”

A solução mais original, contudo, foi elaborada por Skinner e batizada por ele de behaviorismo radical. Não me proponho aqui dar conta do conjunto desta obra que, pela extraordinária riqueza e penetração, é uma das mais notáveis realizações intelectuais da nossa época.”

VI. MATRIZ FUNCIONALISTA E ORGANICISTA NA PSICOLOGIA EUROPÉIA, NA PSICANÁLISE E NA PSICOSSOCIOLOGIA

Na obra de Jean Piaget—um dos mais completos, consistentes e articulados representantes da matriz funcionalista e organicista em psicologia—ficam dissolvidos os limites entre filosofia, psicologia e biologia, mas serão os métodos e conceitos da última que dominarão ao longo de toda a sua fecundíssima carreira.”

<A psicanálise é uma ciência natural—o que mais poderia ser?>, diz Fraud em 1925.”

VII. SUBMATRIZES AMBIENTALISTA E NATIVISTA NA PSICOLOGIA

(…)

VIII. MATRIZ VITALISTA E NATURISTA

Talvez seja necessário novamente esclarecer que não há relações diretas entre Bergson e os autores que serão nomeados neste capítulo. Na filosofia bergsoniana estão reunidos, isto sim, temas e atitudes que caracterizam muito do senso comum psicológico e que se encontram dispersos em várias orientações, escolas e seitas contemporâneas. Nenhuma delas, todavia, pode ser apresentada como uma ‘psicologia bergsoniana’ e em muitas há também vestígios de outras matrizes.”

IX. MATRIZES COMPREENSIVAS: HISTORICISMO IDIOGRÁFICO E SEUS IMPASSES

Hegel e Marx, cujas contribuições para o desenvolvimento da psicologia e das demais ciências empíricas foram negligenciáveis”

esta maneira dissecadora de lidar com a natureza provavelmente não atrai o leigo. Eu argúo que esta maneira pode ser inadequada mesmo para os iniciados e que, talvez, haja lugar para um outro método, um que não ataque a natureza dissecando e particularizando, mas a mostre viva e operante, manifestando se em sua totalidade em cada parte do seu ser.” Goethe

… devo-lhe confidenciar que estou muito perto de descobrir o segredo da criação e organização das plantas… A Urpflanze é a mais extraordinária criatura do mundo; a própria natureza a invejará. A partir deste modelo será possível inventar plantas ad infinitum e todas serão consistentes, isto é, todas poderiam existir, ainda que de fato não existam; elas não seriam meros sonhos ou sombras poéticas ou figuradas, mas possuiriam uma verdade interna e uma necessidade.” Goethe a Herder

A verdade é uma revelação que emerge no ponto em que o mundo interno do homem encontra a realidade externa”

Os românticos opõem-se fundamentalmente a todo revolucionarismo progressista que pretenda subverter a ordem natural da sociedade, rompendo com suas origens e tradições. A filosofia de Schelling condensa toda a temática romântica, e todas as soluções românticas e anti-racionalistas numa grande cosmovisão e numa teoria do conhecimento. Schelling constrói uma filosofia da totalidade, que é aí dotada de um movimento próprio, criativo e autônomo no qual o espírito, através da intuição, reconhece sua própria atividade criadora. O motor deste movimento é o conflito.”

a natureza desta totalidade (organismo, comunidade, nação, espírito popular, ou que outro nome receba) é tal que não a subordina às leis da sobrevivência e da adaptação, antes exibindo um caráter essencialmente produtor e criativo.”

O romantismo, de fato, é antes de tudo uma filosofia da expressão, da representação simbólica. Assim, enquanto a intuição de Bergson se move numa imediaticidade natural que visa unir o sujeito à vida pré-simbólica, dissolver o indivíduo no élan vital, a intuição romântica procura apreender a imediaticidade simbólica estabelecendo uma relação empática entre formas expressivas e comunicativas. Ora, esta apreensão imediata de uma forma expressiva, esta compreensão dos símbolos exige um esforço intelectual desconhecido tanto de Bergson como de todas as matrizes cientificistas: o esforço de interpretação.”

A preocupação em definir uma metodologia para as ciências morais manifestou-se durante todo o séc. XIX, sobressaindo as contribuições de Schleiermacher para a arte da compreensão—a hermenêutica—aplicada à filosofia e à teologia e as de historiadores como Ranke e Droysen. Foi, entretanto, o filósofo Wilhelm Dilthey (1833-1911) quem se propôs a desempenhar em relação às ciências morais o papel que Kant havia representado no âmbito das ciências naturais do séc. XVIII”

A preocupação com a verdade não costuma ser muito acentuada em vários arraiais psicológicos, e, desta maneira, variantes do discurso diltheyano aparecem com freqüência na psicologia clínica. Os chamados humanistas, p.ex., usam e abusam desta terminologia (compreensão, significado, etc.), reduzindo quase sempre estes conceitos ao nível de Bergson, ao vitalismo pré-crítico.”

A afirmação de Spranger de haver encontrado as leis universais da produção e da interpretação do sentido não encontrou muito eco no desenvolvimento posterior da psicologia.”

(*) “Convém, talvez, assinalar que embora use o termo com esta acepção ampla e acompanhe os autores em muitos pontos da análise, não encampo o enfoque pessimista, aterrorizante e algo obscurantista de Horkheimer e Adorno.” HAHAHA

HELLER, E. The Disinherited mind

(*) “Acerca da ideologia política romântica, ver ROMANO, R. Conservadorismo romântico. Origem do totalitarismo. São Paulo, Brasiliense, 1981.

X. MATRIZES COMPREENSIVAS: OS ESTRUTURALISMOS

A grande dificuldade era encontrar para estas ciências critérios positivos cuja aplicação discriminasse o verdadeiro do falso. Os estruturalismos nasceram no contexto desta problemática e formam o conjunto de soluções mais rigoroso, do ponto de vista metodológico. As totalidades simbólicas são submetidas a uma investigação imanente que as objetiviza e desprende tanto das conexões subjetivas, que as constituíram (intenções comunicativas), como das que as interpretam (intenções compreensivas). A neutralização do sujeito caracteriza o ideal científico dos estruturalismos e os coloca como uma espécie de positivismo das ciências humanas.”

Há assim dois níveis de organização: um, empírico, em que a organização aparece nas interconexões das ocorrências do mundo fenomenal, nas formas que se oferecem à consciência; um outro, teórico e construído (jamais vivenciado) em que a organização se manifesta no processo de dotação de forma e sentido. E a este nível – profundo e inconsciente – que se voltam preferencialmente os estruturalismos, ainda quando, como ocorre na psicologia da gestalt, as formas fenomenais da vivência espontânea dão o fio da meada para a investigação científica.”

Nas origens da matriz estruturalista encontramos movimentos intelectuais que no final do século XIX e no início do XX revolucionaram a psicologia, a teoria da literatura e a lingüística. No campo da psicologia foi a chamada psicologia da forma, ou da gestalt, que ofereceu a mais consistente alternativa européia à velha psicologia elementarista, associacionista e introspeccionista (nos EUA coube ao funcionalismo e ao behaviorismo esta missão).”

Ampliando ainda mais o foco de suas preocupações, o gestaltismo se projetou como uma filosofia geral das ciências e como uma fundamentação da ética e da estética. Grande parte desta imensa contribuição foi sistematizada nos Princípios da psicologia da gestalt, redigidos por K. Koffka (1886-1941) na década de 30. Outros nomes de primeiro plano são os do pioneiro Max Wertheimer (1880-1943), o de Wolfgang Koehler (1887-1949) e o de Kurt Lewin (1890-1947).”

O dado básico da psicologia da forma é a experiência imediata. Só que, ao contrário de Wundt, ao invés de dissecar esta experiência para identificar as suas unidades mínimas e, em seguida, reconstituir os fenômenos complexos, tratava-se para os gestaltistas, antes de mais nada, de descrever e compreender os fenômenos que espontaneamente se ofereciam na experiência dos sujeitos e dos seus observadores.”

Os psicólogos da forma, contudo, estão convencidos de que é possível superar o nível da pura compreensão e elaborar leis gerais explicativas.”

Enquanto a noção de forma contemplada pelos gestaltistas exerceu notável influência sobre a teoria das artes plásticas, simultaneamente desenvolvia-se na Rússia uma teoria da literatura também formalista e estruturalista. Para os formalistas russos colocava-se a tarefa de proceder a uma leitura das obras literárias que, pondo de parte o psicologismo e o sociologismo, visasse a obra mesma de maneira a captar nela, não as intenções do autor ou o efeito das pressões sociais, mas a sua estrutura imanente e os seus procedimentos constitutivos.”

(*) “Uma ótima apresentação e crítica do gestaltismo é encontrada em MERLEAU-PONTY, M. A estrutura do comportamento. Belo Horizonte, Inter livros, 1975.

XI. MATRIZ FENOMENOLÓGICA E EXISTENCIALISTA

(…)

XII. CONSIDERAÇÕES FINAIS E PERSPECTIVAS

Este livro nasceu das aulas que dava na disciplina História da psicologia. Convinha, então, no término do semestre, justificar o porquê de, no final das contas, não ter oferecido nada que parecesse com a história da psicologia. Tenho para mim que história da psicologia, como talvez também a de outras disciplinas que visam a vida em sociedade, não se pode nortear pelos modelos disponíveis de historiografia das ciências naturais. No conjunto da disciplina não encontramos, seja a acumulação regular de fatos e teorias, seja as revisões radicais e revolucionárias dos paradigmas dominantes, seja o confronto crítico de enfoques alternativos em condições de testes cruciais.”

EL ASALTO A LA RAZÓN: La trayectoria del irracionalismo desde Schelling hasta Hitler – Lukács (trad. Wenceslao Roces)

SOBRE EL IRRACIONALISMO COMO FENÓMENO INTERNACIONAL

El desprecio del entendimiento y la razón, la glorificación lisa y llana de la intuición, la teoría aristocrática del conocimiento, la repulsa del progreso social, la mitomanía, etc., son otros tantos motivos que podemos descubrir sin dificultad, sobre poco más o menos, en todo irracionalista.”

Para los hegelianos, la filosofía alemana termina con Hegel; para los neokantianos culmina con Kant, y el desconcierto llevado a ella por sus sucesores sólo puede superarse con el retorno al filósofo de Königsberg. Eduard von Hartmann trata de llegar a una ‘síntesis’ de Hegel y el irracionalismo (el Schelling de la última época y Schopenhauer), y así sucesivamente.”

Hay un libro reciente en que se hace, por lo menos, un intento de penetrar en la problemática de la trayectoria filosófica alemana: nos referimos a la documentada obra de K. Löwith titulada Von Hegel zu Nietzsche. En ella se intenta por vez primera, en la historia burguesa de la filosofía alemana, [pedante classificar tudo que não é ‘totalmente concorde com meu espectro’ como burguês] incorporar orgánicamente a la trayectoria histórica la disolución del hegelianismo y la filosofía del joven Marx. § Pero el solo hecho de que el autor de este libro haga culminar el proceso en Nietzsche —y no precisamente para desenmascarar lo que en él se encierra— demuestra claramente que no comprende los problemas reales del período estudiado y que, allí donde da de bruces con ellos, los vuelve decididamente del revés.”

El auge imperialista del irracionalismo revela de un modo muy palmario el papel dirigente de Alemania en este terreno. Y, al decir esto, nos referimos, naturalmente, a Nietzsche, que se convirtió en modelo y guía de la reacción filosófica irracionalista, tanto en cuanto al contenido como en cuánto al método, desde los Estados Unidos hasta la Rusia zarista, habiendo llegado a adquirir una influencia con la que no puede compararse ni de lejos ningún otro ideólogo de la reacción. Más tarde, fue Spengler el modelo internacional de las concepciones irracionalistas en lo tocante a la filosofía de la historia, hasta llegar a Toynbee. Heidegger, por su parte, es el guía del existencialismo francés, habiendo llegado a influir decisivamente, ya desde mucho antes, en Ortega y Gasset y ejerciendo una influencia cada vez más profunda y peligrosa sobre el pensamiento burgués de América, etc., etc.”

En una palabra, Croce crea un ‘sistema’ del irracionalismo apto para el uso decadente burgués del parasitismo en el período imperialista. Claro está que este irracionalismo fue considerado como insuficiente por parte de la extrema reacción, ya antes de la primera Guerra Mundial, como lo demuestra la oposición de derecha contra Croce por parte de Papini y otros. Y es muy significativo —como contraste con Alemania— que este irracionalismo liberal-reaccionario de Croce haya podido mantenerse hasta hoy como una de las ideologías, predominantes de Italia.”

Mientras que Croce continúa aparentemente las tradiciones de Hegel (y de Vico), para encauzarlas en realidad hacia el irracionalismo, James declara una guerra abierta a estas tradiciones de los países anglosajones.”

La mitomanía no se manifiesta nunca en James con un contenido tan claro como en un Nietzsche, por ejemplo, quien en su teoría del conocimiento y en su ética revela, por lo demás, muchos rasgos pragmáticos, pero el norteamericano sienta uña base epistemológica y hasta proclama un deber moral que permite y obliga a todos los Babbits¹ a crear o aceptar en todos los órdenes de la vida los mitos que les convengan para su uso personal, los que más útiles les parezcan: el pragmatismo se encarga de tranquilizar, en este punto, su conciencia intelectual. Por su misma carencia de contenido y su superficialidad, el pragmatismo es una especie de bazar de ideologías, el que necesitaba cabalmente la Norteamérica de la anteguerra con su perspectiva de una prosperidad y una seguridad ilimitadas.”

¹ Sinclair Lewis, Babbitt

la obra de Bergson radica en haber descubierto una imagen del mundo que, por debajo de la cautivadora apariencia de una movilidad viva, viene a restaurar en realidad el estatismo reaccionario.”

Mientras que la mayoría de los anteriores ideólogos reaccionarios de Francia dirigían casi siempre estos tiros en nombre del realismo y el ultramontanismo, lo que los condenaba de antemano a influir solamente en los círculos decididamente reaccionarios, la filosofía bergsoniana apela ahora también a los intelectuales descontentos de la corrupción capitalista de la Tercera República que comienzan a orientarse también, en la izquierda, hacia el socialismo.”

En este sentido, podemos decir que Bergson ejerció en Francia, durante el período de crisis, a finales del siglo XIX y comienzos del XX (affaire Dreyfus, etc.), una influencia semejante a la de Nietzsche en Alemania, por los días de la derogación de la ley contra los socialistas. La diferencia estriba también aquí en que la filosofía irracionalista de la vida de Nietzsche era un llamamiento franco a la actividad antiimperialista reaccionaria, antidemocrática y antisocialista, mientras que Bergson no proclamaba abiertamente estas metas, sino que se limitaba a predicarlas bajo una forma ideológica general, y hasta adoptando una posición neutralista.”

El tardío desarrollo del capitalismo alemán y la instauración de la unidad nacional bajo la forma reaccionario-aristocrática del imperio bismarckiano trajeron, incluso, como consecuencia el que la sociología, como ciencia típica del período apologético de la burguesía, sólo pudiera imponerse en Alemania a duras penas, después de vencer los grandes obstáculos interpuestos en su camino por la ideología de los vestigios feudales.”

La deseconomización de la sociología entraña, al mismo tiempo, su deshistorización: de este modo, pueden los criterios determinantes de la sociedad capitalista —expuestos bajo una deformación apologética— presentarse como categorías ‘eternas’ de toda sociedad en general. Y no creemos que valga la pena pararse a demostrar que semejante metodología no persigue otro fin que el de hacer ver, directa o indirectamente, la imposibilidad del socialismo y de toda revolución.”

Entre la muchedumbre temática casi inabarcable de la sociología occidental, destacaremos aquí solamente dos motivos, muy importantes para el desarrollo filosófico. Uno de ellos determina la aparición de una ciencia especial, la ‘psicología de las masas’. Su representante más caracterizado, Le Bon, contrapone, brevemente resumido su pensamiento, la psicología de la masa, como la de lo puramente instintivo y bárbaro de la racionalidad, al pensamiento civilizado del individuo. Por tanto, cuanto más influyan las masas en la vida pública, más en peligro se hallarán los resultados del desarrollo cultural de la humanidad. Y, al paso que estas doctrinas llaman a la lucha contra la democracia y el socialismo en nombre de la ciencia, otro destacado sociólogo del período imperialista, Pareto, entona un himno consolatorio inspirado en la misma sociología. Si la historia de todos los cambios sociales —diremos, resumiendo también muy someramente su pensamiento— no es más que el relevo de una élite vieja por otra nueva, podemos llegar a la conclusión de que los fundamentos ‘eternos’ de la sociedad capitalista están sociológicamente a salvo y no hay ni que hablar de un tipo fundamentalmente nuevo de la sociedad, de la sociedad socialista.”

Una posición especial ocupa en la filosofía y la sociología occidentales G. Sorel. Lenin le llamó una vez, de pasada, ‘el conocido confusionista’. Y con toda razón. En él se mezclan y confunden, en efecto, las premisas y las conclusiones más burdamente contradictorias entre sí.” “Acepta, tanto en el terreno económico como en el filosófico, la revisión bernsteiniana de Marx.”

Por eso, cuando su odio y su desprecio pugnan por cobrar expresión, el resultado no puede ser otro que un salto irracionalista a lo totalmente desconocido, a la nada pura. Lo que Sorel llama ‘proletario’ no es más que la negación abstracta de todo lo burgués, sin contenido concreto alguno.” “La intuición bergsoniana, el irracionalismo de la durée réelle, cobra en él, por tanto, el acento de una utopía de la más acabada desesperación. Y esta carencia abstracta de todo contenido se expresa, cabalmente, en el mito soreliano [da greve geral].”

el mito sin contenido forjado por él, se halla totalmente al margen de la realidad social tangible, y no es otra cosa que un salto estático al reino de la nada.”

Y si el realismo de Sorel no fue más que un episodio, no cabe duda de que no puede considerarse ya como algo puramente episódico el que, al producirse la gran crisis revolucionaria, al final de la primera Guerra Mundial, pudiera este confusionista entusiasmarse simultáneamente por un Lenin, un Mussolini y un Ebert.” “El mito de Sorel es algo tan exclusivamente emocional y carente de contenido, que podía convertirse sin esfuerzo alguno en el mito demagógicamente explotado por el fascismo. Cuando Mussolini dice: ‘Hemos creado nuestro mito. El mito es una fe, una pasión. No es necesario que sea una realidad. Lo que le infunde realidad es el hecho de que estimula, da fe e inculca valor’, estamos oyendo hablar al mismo Sorel”

CAPÍTULO I. ACERCA DE ALGUNAS CARACTERÍSTICAS DEL DESARROLLO HISTÓRICO DE ALEMANIA

La idea de que el movimiento religioso de la Reforma se halla íntimamente relacionado con el proceso histórico del capitalismo no es, ni mucho menos, patrimonio exclusivo de los marxistas, sino que constituye moneda circulante y hasta un lugar común entre los sociólogos burgueses, desde Max Weber y Troeltsch. Sin embargo, la forma occidental, calvinista de la Reforma se convirtió en bandera de las primeras grandes revoluciones burguesas, las de Holanda e Inglaterra, en la ideología predominante del primer período del auge capitalista, al paso que, en Alemania, al imponerse el luteranismo, predicó y transfiguró religiosamente la sumisión al absolutismo de los pequeños Estados, dando un fondo espiritual, una base moral, al atraso económico, social y cultural de Alemania.”

El particularismo puramente feudal fue sustituido por un feudalismo modernizado: los pequeños príncipes, como vencedores y usufructuarios de las luchas de clases, fueron los encargados de estabilizar la desmembración de Alemania.”

Los poderosos Estados nacionales (España, Francia, Inglaterra), la dinastía de los Habsburgos en Austria, de vez en cuando, transitoriamente, algunas grandes potencias incipientes como Suecia y, desde el siglo XVIII, la Rusia zarista, disponen a su antojo acerca de los destinos del pueblo alemán. Y, como Alemania, objetivo de la política de estos países, es, al mismo tiempo, un botín útil para ellos, procuran mantener la desmembración nacional del país.”

Napoleón logró encontrar partidarios y aliados en el occidente y el sur de Alemania, y en parte también en la Alemania central (en Sajorna). Y se dio cuenta de que esta alianza —la Confederación del Rin— sólo podría llegar a adquirir cierta vitalidad a condición de que se encauzase, por lo menos, la liquidación del feudalismo en los Estados adheridos a ella. Esta obra se lleva a cabo, en efecto, en gran escala, en los territorios del Rin, y en proporciones mucho más modestas en los demás Estados de la Confederación renana.”

Pero, como el poder de Napoleón no bastaba para convertir a toda Alemania en una dependencia del Imperio francés, lo único que con ello se consiguió fue acentuar y ahondar todavía más la desmembración nacional. Los extensos sectores del pueblo sentían la dominación napoleónica como una humillante opresión extranjera, contra la que se desató, sobre todo en Prusia, un movimiento popular de carácter nacional, que culminó en las llamadas guerras de liberación.”

Los ideólogos progresivos más descollantes de la época, sobre todo un Goethe y un Hegel, no recatan sus simpatías por la unificación napoleónica de Alemania, por la liquidación de los vestigios feudales a cargo de Francia. Y a la problemática interior de semejante concepción responde el hecho de que el concepto de nación palidezca, en estos pensadores, hasta convertirse en un concepto puramente cultural, como se revela con mayor claridad que en ningún otro lugar en la Fenomenología del espíritu.”

Fácilmente se comprende que, al plantearse de otro modo el problema central de la revolución democrático-burguesa en Alemania, tenía que traer consigo todo un cúmulo de circunstancias desfavorables. La revolución alemana veíase obligada a arrancar de cuajo instituciones que en Francia, por ejemplo, habían ido siendo minadas y socavadas por varios siglos de luchas de clases; y tenía que instaurar de golpe, de la noche a la mañana, órganos e instituciones nacionales que en Inglaterra o en Rusia habían sido producto de un proceso histórico de varios siglos de duración.”

La existencia especial de Prusia constituyó siempre, objetivamente, el mayor de los obstáculos para la verdadera unidad nacional y, sin embargo, esta unidad se lleva a cabo gracias a las bayonetas prusianas. Y, desde las guerras de liberación hasta la creación del Imperio alemán, no dejó de torturar a los revolucionarios burgueses la pregunta desconcertante y desorientadora de si la unidad nacional se alcanzaría con ayuda del poder militar de Prusia o, por el contrario, mediante su destrucción.” “para ciertos sectores decisivos de la burguesía alemana, especialmente para la de Prusia, ofrecíase el camino más cómodo del compromiso de clases, que permitía sustraerse a las consecuencias plebeyas extremas de la revolución democrático-burguesa y les brindaba, por tanto, la posibilidad de alcanzar sus objetivos económicos sin necesidad de revolución, aunque fuese a costa de renunciar a la hegemonía política en el nuevo Estado.”

el postulado de la unidad nacional como problema central de la revolución burguesa presupone por parte de las masas plebeyas un grado de conciencia y de sensibilidad mucho más alto que el problema campesino, por ejemplo, en el que saltan incomparablemente más a la vista las contradicciones económicas entre las diversas clases”

La posibilidad de que el patriotismo revolucionario se trueque en chovinismo contrarrevolucionario es más factible aquí que en otras transformaciones democrático-burguesas”

Y huelga decir que siempre se encuentran pretextos plausibles para mantener a las masas, incluso a veces a las masas de sentimientos democrático-revolucionarios, alejadas de estas decisiones de ‘política exterior’, envolviéndolas en las redes de un ciego chovinismo (francofobia de 1870).” Resta claro que para a burguesia alemã (prussiana e de outros estados futuramente alemães), era prioritária a criação da Alemanha, à solidariedade internacional da burguesia, fortalecendo assim as relações do Capital.

La Renania, la región más adelantada de Alemania tanto en lo económico como en lo social, aunque formaba parte de Prusia, constituía una especie de cuerpo extraño dentro de ella, se hallaba lejos del centro de las decisiones políticas, del Berlín cortesano y pequeño-burgués y, habiendo destruido allí la dominación napoleónica los últimos restos del feudalismo, se movía por intereses inmediatos muy distintos de los que animaban a las partes rezagadas de la verdadera Prusia, que seguía conservando su estructura marcadamente feudal.”

La Asamblea Nacional celebraba sus sesiones en Francfort, Colonia era el centro de la democracia revolucionaria. Las luchas decisivas libradas en Berlín y en Viena seguían un curso espontáneo, carentes de una clara dirección ideológica, y después de las derrotas infligidas al movimiento democrático en las capitales, no resultó difícil aplastar también, una por una, las acciones que surgieron en Dresde, en el Palatinado, en Basilea y en otros lugares.”

También Federico Guillermo IV era austrófilo, sentía mayor entusiasmo por Austria que por su propio Estado; y, sin embargo, bajo su reinado, siguió inconteniblemente su curso la fusión de intereses de los Estados alemanes, con excepción de Austria, con Prusia. Aunque después de 1851 los Estados del centro de Alemania habrían destruido de buena gana a Prusia, ninguno se atrevió a hacer saltar la Liga aduanera, pues ya no podían deshacerse de estos lazos.” Treitschke

Y esta situación, nacida del retraso en el desarrollo capitalista de Alemania, donde existía ya un proletariado que actuaba por su cuenta, pero que no estaba aún en condiciones de influir decisivamente en los acontecimientos (como el de Rusia en 1917), vino a complicarse todavía más con la influencia de los acontecimientos internacionales de la lucha de clases. Aunque la revolución de Febrero en París ayudó, de una parte, a desencadenar la revolución en Berlín y en Viena, de otra parte la enconada lucha de clases que allí se libraba entre la burguesía y el proletariado asustaba a la burguesía alemana y contribuía con ello a acelerar decididamente la tendencia a la transacción con los ‘viejos poderes’” “Faltó aquí, desde el primer momento, aquella irresistible unidad del pueblo antifeudal que había dado su empuje a la Revolución francesa” “Podemos decir que el año de 1848 fue el 1789 de los alemanes; sin embargo, la correlación entre la burguesía y las clases bajas de Alemania correspondía más bien a las condiciones francesas de 1830 y 1848 que a las de 1789.”

En la Revolución francesa, sobre todo, asistimos a una trayectoria que va hasta los límites extremos de la pura democracia burguesa (1793-94); la lucha contra el radicalismo plebeyo de izquierda significa, por tanto, simplemente la reacción contra el intento de llevar la revolución más allá de dichos límites.” “En Alemania, por el contrario, y no sólo en 1848, sino también en 1918, la lucha inicial contra el radicalismo democrático-proletario de izquierda muestra la tendencia a dejar en pie, intacto o con reformas no esenciales y puramente externas, todo lo posible del viejo orden, bajo las formas de la democracia engendrada por la revolución.”

“‘absorción de Prusia en el seno de Alemania’ o ‘prusianización de Alemania’. La derrota de la revolución de 1848 hizo que ambos problemas se resolvieran en el segundo sentido.”

En Francia, el bonapartismo es un retroceso reaccionario, al comienzo del cual aparece la derrota de Junio del proletariado francés, cuyo ignominioso descalabro habrá de conducir, más tarde, a la gloriosa Comuna de 1871. Y, con la Tercera República, Francia se encamina de nuevo por los derroteros normales del desarrollo democrático-burgués. La Alemania bismarckiana es, en muchos aspectos, como certeramente señala Engels, una copia de la Francia bonapartista. Pero el propio Engels hace constar, al mismo tiempo, categóricamente, que la ‘monarquía bonapartista’, en Prusia y Alemania, representó objetivamente un progreso con respecto a la situación anterior a 1848, puesto que, dentro de los marcos de aquel régimen, se veían satisfechas las exigencias económicas de la burguesía, abriéndose más anchos cauces al desarrollo de las fuerzas productivas. Ahora bien, estos progresos económicos se lograron sin que mediara una revolución burguesa victoriosa”

El pueblo más gobernable del mundo son los alemanes…, en el sentido de un pueblo activo y dinámico, con una habilidad y una inteligencia superiores en general a lo corriente y con una tendencia crítica bastante desarrollada para todo lo que sea razonar; pueblo, sin embargo, que, en lo tocante a los asuntos públicos, no está habituado, ni tampoco lo quiere, a obrar espontáneamente sin las órdenes de la superioridad o en contra de ellas y que, por tanto, se siente perfectamente ensamblado y casi actúa bajo la dirección de la autoridad como si obrase por su propia voluntad colectiva. Y esta aptitud para dejarse organizar, unida a aquellas excelentes cualidades, ofrece en realidad un material extraordinariamente bueno para cualquier organización, pero sobre todo para la de tipo más puro que es la militar.” Hugo Preuss

La ‘política realista’ y sin principios de Bismarck contribuyó en mucho, con sus éxitos iniciales (hasta la fundación del Imperio), al desarrollo de este irracionalismo; la esterilidad y los fracasos de la política bismarckiana de allí en adelante se consideran como una ‘tragedia’ irracional, cuando no se las convierte por arte de magia en otros tantos éxitos, logrados mediante el aprovechamiento ‘genial’ de ‘constelaciones’ irracionales por el ‘genio’ del ‘político realista’. El período del imperialismo alemán franco y descarado del reinado de Guillermo II es explicado por sus adoradores como obra de la ‘genial personalidad’ del emperador y por sus críticos como resultado de la desaparición de Bismarck sin haber dejado un sucesor digno de él.”

Cierto es que ya entonces nació también —en el romanticismo y en sus productos accesorios— aquella idealización del atraso alemán que, para defender esta posición, se veía obligada a interpretar de un modo radicalmente irracional la marcha del mundo, combatiendo el concepto del progreso como una concepción supuestamente superficial, trivial y errónea. Nadie fue tan allá, en este punto, como Schopenhauer; y ello explica la falta total de influencia de este filósofo antes de 1848 y la influencia mundial alcanzada por él, después de derrotada dicha revolución.”

en el período imperialista, vemos cómo el capitalismo alemán deja atrás al inglés, que hasta ahora marchaba a la cabeza en Europa; y Alemania se convierte —junto a los Estados Unidos— en el país capitalista más desarrollado y típico del mundo. Pero, a la par con ello, se afianza, como hemos visto, su estructura social y política democráticamente atrasada (régimen agrario, pseudoparlamentarismo, ‘gobierno personal’ del emperador, supervivencias del régimen territorial de los pequeños Estados, etc.).”

Lassalle, con quien comenzó el movimiento de masas de la clase obrera alemana después de la revolución de 1848, se hallaba ganado por la influencia ideológica de la tendencia bonapartista imperante, en un grado mucho mayor que el que registran las historias del movimiento obrero de Alemania.”

Al convertirse Alemania en una gran potencia capitalista, el reparto del mundo colonial tocaba ya a su fin, lo que hacía que la Alemania imperialista, si quería llegar a adquirir un imperio colonial a tono con su poderío económico, sólo pudiera lograrlo por medio de la agresión, arrebatando a otros sus colonias.”

Una mezcla característica de una actitud crítica certera y tendencias confusas y reaccionarias podemos observarla también en Bernard Shaw. Pero la amalgama más complicada de estas tendencias y la más influyente, durante algún tiempo, la personifica G. Sorel, el ideólogo del sindicalismo.”

Y también en Thomas Mann podemos observar, mutatis mutandis, una tendencia parecida. En sus Reflexiones de un apolítico, los aspectos legítimos de esa crítica de la democracia burguesa aparecen todavía encubiertos y desfigurados por un anticapitalismo romántico a la alemana. Cuando, ya en el período de Weimar, Thomas Mann se orienta realmente por el camino democrático, vemos cómo su actitud escéptica ante la democracia burguesa occidental comienza a producir frutos sazonados en su obra, por ejemplo, en la figura de Settembrini en La montaña mágica, en la que la crítica irónica de la típica limitación de horizontes de la democracia burguesa y de su incapacidad total para resolver los problemas fundamentales de la sociedad moderna, se combina con la constante afirmación del relativo sentido progresivo de Settembrini, en comparación con las ideas mistificadoras prefascistas de Naphta y con la inercia política de Hans Castorp.”

El hundimiento del sistema guillermino en la primera Guerra Mundial imperialista y la instauración de la república de Weimar no traen tampoco consigo ningún cambio radical en cuanto a la democratización de Alemania ni en cuanto a la creación de tradiciones democráticas profundamente arraigadas en las grandes masas, aun fuera del proletariado con conciencia de clase. En primer lugar, esta democratización política del país no se debe tanto a la plenitud interior de las fuerzas del pueblo como a un descalabro militar; amplios círculos de la burguesía alemana aceptan la república y la democracia, en parte como algo inevitable y forzoso, y en parte porque esperan de ellas ventajas de orden político exterior, condiciones de paz más favorables logradas con ayuda de Wilson, etc.”

De aquí que la república de Weimar fuese, en lo esencial, una república sin republicanos, una democracia sin demócratas, como lo había sido —claro está que en circunstancias históricas completamente distintas— la república francesa entre los años 1848 y 1851.”

En estas circunstancias, nada tiene de extraño que las masas populares, que, como hemos visto, no habían recibido nunca una educación democrática y en las que la tradición democrática no tenía la menor raíz, se sintieran en seguida profundamente desengañadas de la democracia y se apartaran relativamente pronto de ella. Y este proceso se aceleró y ahondó de un modo especial, porque la democracia de Weimar se vio obligada a aceptar y a llevar a la práctica la más profunda humillación nacional sufrida por Alemania desde los tiempos napoleónicos, la paz imperialista de Versalles. Para las masas populares, no educadas en la democracia, la república de Weimar era, pues, el órgano ejecutivo de esta humillación nacional, en contraste con los tiempos de grandeza y expansión nacional, que iban unidos para ellas a los nombres de Federico II de Prusia, Blücher y Moltke, es decir, a los recuerdos monárquicos y autocráticos.”

No obstante todo esto, es un hecho que las intentonas descaradas de restauración de la monarquía de los Hohenzollern fracasaron (revuelta de Kapp, en 1920). El partido que encabezaba esta restauración del partido ‘nacional-alemán’, no llegó a convertirse nunca en un partido de masas verdaderamente grande y decisivo, a pesar de que sus representantes seguían conservando la mayoría de sus puestos en la administración civil y militar, al amparo de las tendencias antiproletarias y antirrevolucionarias de la república de Weimar.”

Se trata, pues, de esbozar en estas consideraciones preliminares los rasgos ideológico-sociales que hicieron posible la cruzada triunfal del fascismo en Alemania, de un modo tan vergonzosamente rápido y más vergonzoso todavía por lo duradero; de señalar brevemente cómo el fascismo alemán brotó, bajo la acción de una cierta necesidad, de la trayectoria anterior del país, apuntando al mismo tiempo en qué consisten sus cualidades específicamente nuevas y por qué, al mismo tiempo, estas características nuevas no representaban, en realidad, más que una exaltación cualitativa de tendencias ya existentes con anterioridad.”

En los sectores de ideas revolucionarias, de izquierda, de la clase obrera, sobre todo, va afianzándose una actitud de hostilidad frente al sistema weimariano, que se plasma al caer asesinados los más grandes héroes del movimiento revolucionario alemán, Carlos Liebknecht y Rosa Luxemburg.”

Claro está que, dada la especial receptividad de la burguesía alemana para todo lo que fuese irracionalismo, en la época que media entre las dos guerras mundiales, tenía que contribuir no poco a ‘educarlo’ en este sentido el irracionalismo tradicional. Pero, si queremos comprender socialmente la difusión vehemente y en masa de la nueva variedad, de la variedad fascista del irracionalismo, tenemos que fijarnos en algunos nuevos fenómenos ideológico-sociales.”

Y es precisamente en este sector de gentes, que han recibido del reformismo su educación teórica y práctica, donde la crisis abre la posibilidad de que se dejen arrastrar de buena gana, en su concepción del mundo, por las modernas tendencias del antirracionalismo, del desprecio a la razón y a la ciencia, para entregarse de lleno a la milagrería del mito.

No quiere esto decir, naturalmente, que estos jóvenes obreros, amargados y desesperados, se conviertan en lectores y admiradores de Nietzsche o Spengler. Pero, como en las masas la contraposición entre la inteligencia y el sentimiento parecía brotar de la vida misma, necesariamente tenía que manifestarse en ellos, también desde el punto de vista ideológico, la actitud de asimilación de esta doctrina.”

Cuando, antes de la primera guerra imperialista mundial, se era pesimista, sobre todo en relación con la cultura, esta actitud tenía un carácter de quietud contemplativa, sin la menor mira de una posible acción; sintiendo el individuo asegurada su propia existencia, en lo material y en lo social, espiritual y humanamente, aquellas actitudes filosóficas podían mantenerse en el plano de lo puramente teórico, sin llegar a influir esencialmente en la conducta, en la posición interior de vida de los interesados. Pero la cosa cambia al cesar la sensación de ‘seguridad’: el peligro constante en que se hallan tanto la existencia interior como la exterior, hace que este pesimismo irracionalista se trueque en algo práctico.”

Hitler y Rosenberg se encargaron de llevar a la calle, desde la cátedra, el salón intelectual y el café, todo lo que encontraron de pesimismo irracional en la trayectoria de la filosofía que va desde Nietzsche y Dilthey hasta Heidegger y Jaspers.”

CAPÍTULO II. LA FUNDAMENTACIÓN DEL IRRACIONALISMO EN EL PERÍODO DE UNA A OTRA REVOLUCIÓN (1789-1848)

La tendencia que señalamos se acusa con mayor claridad todavía en el entronque entre la guerra imperialista y las ciencias naturales. De una parte, esto provoca un desarrollo superior y a saltos de determinados aspectos técnicos; de otra parte, las mismas tendencias vienen a acentuar la crisis general de la física moderna, metiendo a ésta, como ciencia teórica, cada vez más en el atolladero.”

La posibilidad científica de explicar el universo por sí mismo se agranda cada vez más, y en nuestros días se halla a punto de alcanzar su cúspide, al acercarse nuestros conocimientos a las transiciones concretas entre la naturaleza orgánica y la inorgánica. Las hipótesis astronómicas de Kant-Laplace, los descubrimientos de la geología, el darwinismo, el análisis de la sociedad primitiva por Morgan, la teoría establecida por Engels sobre el papel del trabajo en la transformación del mono en hombre, la teoría de Pavlov acerca de los reflejos condicionados e incondicionados y del sistema secundario de señales, el desarrollo del darwinismo por Mitchurin-Lysenko, las investigaciones sobre el nacimiento de la vida por Oparin y Lepechínskaia, etc., son algunos de los jalones más importantes que señalan este camino.”

En este sentido, podemos considerar a ciertas figuras de la etapa de desarrollo a que nos referimos, como la de Pascal en relación con el cartesianismo o la F.H. Jacobi con respecto a la Ilustración y a la filosofía clásica alemana, como precursores del moderno irracionalismo.”

Pascal hace una ingeniosa y aguda descripción crítica de la sociedad formada por la nobleza cortesana y de las consecuencias morales nihilistas que necesariamente se desprenden de los claros signos iniciales de descomposición. Estas páginas de Pascal presentan no pocos puntos de afinidad con las de La Rochefoucauld y La Bruyére. Pero, mientras que estos autores abordan valientemente los problemas morales, Pascal sólo los plantea para crear un estado de espíritu a tono con su tiempo que le sirva de trampolín para dar el salto mortal a lo religioso. Mientras que en La Rochefoucauld y en La Bruyére, aunque bajo una forma puramente aforística o descriptiva-razonadora, nos encontramos con una notable aproximación a la dialéctica de la moral en el seno de la naciente sociedad capitalista, en Pascal estas contradicciones se presentan de antemano como insolubles para la vida humana sobre la tierra, como síntomas del desamparo y la soledad desesperados e incurables del hombre atenido a sí mismo en un mundo abandonado por Dios.”

Así pues, lo que hace de Pascal uno de los antepasados del irracionalismo moderno no es tanto el contenido que afirma como su método, la fenomenología aforística de la vivencia religiosa de la desesperación.”

en Kierkegaard, domina hasta tal punto la fenomenología de la desesperación, que la tendencia hacia su consecución y superación religiosas, modifica decisivamente, contra la voluntad del propio Kierkegaard, el objeto de la intención religiosa; es decir, lleva a una desintegración de los contenidos religiosos, que convierte las tendencias cristianas, muy marcadamente, en algo puramente optativo, postulativo, acercando toda su filosofía a un ateísmo religioso, a un nihilismo existencialista.”

Aunque Burke no tuviera nada de romántico, de él arranca, indudablemente, el seudohistoricismo romántico: la demolición del desarrollo histórico, del progreso histórico, en nombre de una concepción supuestamente más profunda, irracionalizada, de la historicidad.”

la mística de Jacobo Böhme, cada vez más de moda bajo el romanticismo, comienza a ejercer sobre Schelling una acusada influencia

Es absurdo para el hombre pensar o esperar que pueda surgir un día un Newton que pueda hacer comprensible el nacimiento de un tallo de hierba con arreglo a leyes naturales no ordenadas por ninguna intención…” Kant

Como es natural, Schelling se percata con relativa claridad de la diferencia y el antagonismo entre la lógica formal y la lógica dialéctica, entre el pensamiento metafísico y el pensamiento dialéctico. Dice, refiriéndose a la primera: ‘Es, por tanto, una doctrina totalmente empírica, que se representa como absolutas las leyes del entendimiento común y corriente, por ejemplo la de que de dos conceptos contrapuestos entre sí como contradictorios sólo puede corresponder uno a cada ser, lo que es perfectamente cierto en la esfera de lo finito, pero no en el plano de la especulación, que arranca siempre de la equiparación de los términos contrapuestos.’

Claro está que, al abandonar Schelling, a la entrada de su verdadero santuario, el camino que podía conducirle a sus descubrimientos y a su exposición racionales, el camino de la lógica dialéctica, sólo tenía ya a su disposición las herramientas de la lógica formal, que —y no de un modo casual, ni mucho menos—, mediante un tratamiento subjetivista y arbitrario de los problemas, suscitaban en él la apariencia de este poder genial de la intuición. Y no deja de ser significativo el importante papel que la analogía desempeña, en el desarrollo práctico de la Lógica de la filosofía del joven Schelling.”

Não há irracionalismo dialético?

Precisamente por eso es la Fenomenología una obra dirigida esencialmente contra Schelling. Y, de una manera bastante destacada, contra el aristocratismo de su teoría del conocimiento.”

El carácter declarativo de la filosofía de Schelling y el modo brusco y a saltos como se aparta de todo lo que sean conceptos, no permite hablar de una fundamentación filosófica, en este autor.”

Esta objetividad general de la intuición intelectual, generalmente reconocida y que no puede descartarse por medio de ninguna negación, es el arte mismo. Pues la intuición estética es, cabalmente, la intuición intelectual objetivada.” Schelling

El arte es lo más alto para el filósofo, porque abre, ante sus ojos, por así decirlo, el sagrario en el que arde, fundido como una llama perenne y originaria, lo que vive por separado en la naturaleza y en la historia, lo que eternamente se esfumará en la vida y en la conducta. La idea que el filósofo se forma artificialmente de la naturaleza es, para el arte, la idea originaria y natural.”

Y estas posiciones aristocráticas aparecen todavía más acusadas y cobran un carácter más abiertamente reaccionario en la filosofía de Schopenhauer que en la del joven Schelling. Más adelante, veremos cómo esta tendencia se acentúa todavía más en Nietzsche y en los filósofos del período imperialista que se hallan bajo su influencia.”

Poco después, veía la luz su obra titulada Filosofía y religión (1804), que marca el cambio de rumbo manifiesto de su carrera de pensador y abre su segundo período, inequívocamente reaccionario. El nuevo sesgo consiste ‘sencillamente’ en que, a partir de ahora, el ‘organon’ de la filosofía no es ya el arte, sino la religión.”

Esta forma de la filosofía hegeliana llegó a ser la predominante en Alemania, principalmente en Prusia. Cierto es que este predominio sólo llega hasta los días de la revolución de Julio. Al estallar en Francia la revolución de Julio, Alemania entra en una nueva etapa de la lucha de clases, cuyo reflejo filosófico tenía necesariamente que hacer estremecerse, primero el sistema de Hegel y, después, su método dialéctico idealista. Este proceso de desintegración del hegelianismo se inicia ya en vida del propio filósofo, en la controversia mantenida por Hegel acerca de la revolución de Julio, con Eduard Gans, que hasta entonces había venido siendo su discípulo fiel.”

La ideología de la Restauración aspira a la vuelta al antiguo régimen prerrevolucionario y algunos de sus portavoces sueñan, incluso, con un retorno a la Edad Media. Nadie expresa con tanta claridad esta tendencia como Novalis, en un ensayo titulado Europa y la cristiandad.”

Restáuranos, Señor, en toda su plenitud,

nuestro Viejo Sacro Romano Imperio,

sácanos del desván los trastos apolillados,

con todo su boato sempiterno.

Devuélvenos, ¡oh, Señor!, cueste lo que costare,

nuestra querida y verdadera Edad Media,

la necesitamos, y queremos que la salves

de los embates de esta feroz tormenta.

De esos tristes caballeros de polainas

de ese repugnante conglomerado

de gótica locura y de mentira moderna,

que no es carne ni es tampoco pescado.

Arroja a palos. Señor, a esos comediantes

y clausura la escena del teatro

en que tan mal parodian las épocas pasadas…”

Heine

con Nietzsche comienza la verdadera lucha defensiva del irracionalismo burgués contra las ideas socialistas.”

A SUPER TRÍADE: “Como es natural, esta capacidad de anticiparse a su tiempo revela cierto rango en el plano del pensamiento. Y no puede dudarse que tanto Schopenhauer como Kierkegaard y Nietzsche poseen considerables dotes filosóficas: una alta capacidad de abstracción, y no en un sentido puramente formalista, sino como la capacidad para reducir a conceptos los fenómenos de la vida, para tender un puente especulativo entre la vida directa y el pensamiento más abstracto, para dar relieve filosófico a los fenómenos del ser que en su tiempo no existían más que como gérmenes, como tendencias que apenas apuntaban y que sólo décadas más tarde habrían de convertirse en síntomas generales de un período.”

Es un gran burgués, por oposición a la condición pequeño-burguesa de éstos, que en un Fichte desciende casi hasta la situación semiproletaria. Esto hace que Schopenhauer no se vea obligado a recorrer el acostumbrado camino de sufrimientos del intelectual alemán (a ganarse la vida como preceptor, etc.), sino que pase gran parte de su juventud viajando por toda Europa. Y, tras un breve período de meritorio comerciante, lleva una tranquila vida de rentista, en la que sus relaciones con la universidad —desempeño de una cátedra en Berlín— no tienen tampoco más que una importancia puramente episódica.”

(Y no deja de ser significativo el hecho de que también Kierkegaard y Nietzsche gozaran, en muchos aspectos, de una independencia de rentistas semejante a la de Schopenhauer.)”

En la magnífica película soviética Chapaiev, la figura del general contrarrevolucionario, hombre zoológicamente cruel, mima y acaricia a un canario, al que se considera cósmicamente unido —al modo auténticamente schopenhaueriano—, y se sienta al piano, en sus horas de ocio, a tocar sonatas de Beethoven, cumpliendo por tanto con todos los ‘sublimes’ postulados de la moral de Schopenhauer. Y el propio filósofo, como hemos visto, era en lo personal un ejemplo elocuente de esta moral predicada por él.”

el mundo es, para ellos, un ‘fin en sí’ y, por tanto, se halla por sí mismo, es decir, en cuanto a su constitución natural, perfectamente organizado y es la verdadera morada de la felicidad. Los gigantescos males del mundo que claman en contra de eso se los atribuyen por entero a los gobiernos: si éstos cumplieran con su deber descendería el cielo sobre la tierra, es decir, todo el mundo podría, sin el menor esfuerzo, comer y beber hasta hartarse, propagarse y reventar, pues no es otra la paráfrasis de su ‘fin en sí’ y la meta del ‘progreso infinito de la humanidad’, que ellos no se cansan de propagar en pomposas frases.” Schopenhauer, Parerga e Paralipomena

el bestialismo (al que ciertas gentes llaman humanismo)”

(*) “Se equivoca, pues, Mehring al considerar a Schopenhauer como un ‘librepensador’”.

Por oposición a Goethe, con el que parece mostrarse de acuerdo en todos los problemas, es, en el campo de las ciencias naturales, un admirador de Linneo y de Cuvier y no se da por enterado de los intentos de sus grandes coetáneos de descubrir un desarrollo histórico en la naturaleza.”

La nada, como perspectiva del pesimismo, como horizonte de vida, no puede impedir en modo alguno al individuo, según la ética schopenhaueriana, ya expuesta, llevar una vida contemplativa placentera, ni siquiera estorbarle a que lo haga. Por el contrario. El abismo de la nada, el fondo sombrío de la carencia de sentido de la existencia, es como el condimento picante que da sabor y encanto a este goce de la vida. Goce que aún se realza y condimenta por el hecho de que el sentido aristocrático fuertemente marcado de la filosofía schopenhaueriana a que aludíamos eleva a sus partidarios —en su imaginación— muy por encima de aquella chusma miserable cuya limitada inteligencia la lleva a luchar y a sufrir por el mejoramiento de la situación social.”

La filosofía de Kierkegaard, como la de Schopenhauer y la de Nietzsche, tardó en adquirir resonancia mundial. No se puso de moda hasta llegar al período del imperialismo o, más exactamente, entre la primera Guerra Mundial y la segunda. Cierto es que Kierkegaard no era, en su patria y durante su actuación como escritor, una figura tan ignorada, ni mucho menos, como la de Schopenhauer en la Alemania de antes de 1848. Sus primeras obras importantes, las únicas decisivas desde el punto de vista filosófico, las obras publicadas bajo seudónimo, produjeron en seguida cierta conmoción, y tampoco careció de ciertos elementos sensacionales su actitud franca y abierta posterior en contra de la Iglesia protestante oficial. Algunas décadas más tarde, llegó a ser, incluso, temporalmente, decisiva su influencia en los países escandinavos. No sólo tenemos un ejemplo de ello en el poema dramático de Ibsen titulado Brand, sino que su influencia se percibe también en la literatura escandinava posterior. (Bastará con citar, en apoyo de ello, la novela de Pontoppidan, La tierra prometida.)”

Su gran lucha filosófica va dirigida contra Hegel, que también en la Dinamarca de aquel tiempo representaba la corriente dominante en filosofía, y en estrecha relación con ello combate también Kierkegaard, constantemente, a Goethe. Su pensamiento presenta muchos puntos de afinidad con los románticos alemanes, con Schleiermacher y con Baader, se traslada ex profeso a Berlín para seguir las lecciones del viejo Schelling y, aunque le producen un profundo desengaño después de la primera sensación arrolladora de entusiasmo, no dejan de imprimir una honda huella en su mundo de pensamientos la nueva posición filosófica de Schelling y su modo de criticar a Hegel.”

De entre la copiosa literatura de esta época, sólo nos referiremos, por vía de ejemplo, a un autor, a la crítica contra Hegel de Adolf Trendelenburg. No sólo porque este autor presenta, relativamente, con la mayor claridad la situación del problema para nosotros, aquí, central, sino, además, porque Trendelenburg llegó a ejercer, como éste mismo reconoce, una gran influencia sobre Kierkegaard.”

Su ajuste de cuentas con la dialéctica hegeliana y su liquidación de la dialéctica es, intrínsecamente, tan completa como la de Schopenhauer, con la diferencia de que éste califica la dialéctica, en bloque, como una ‘charlatanería’, mientras que Kierkegaard le opone, aparentemente, otra que se presenta con la arrogante pretensión de ser una dialéctica más alta, la llamada dialéctica ‘cualitativa’, pero de la que se ha procurado extirpar radicalmente todos los criterios decisivos que forman el método dialéctico.”

Kierkegaard se esfuerza aquí, al igual que en otros lugares, en presentar la dialéctica espontánea de los griegos como único modelo, valedero también y decisivo para el presente, lo que equivale a tratar de anular históricamente todos los progresos logrados por la dialéctica en la filosofía clásica alemana, y principalmente en Hegel.”

Se alguém me perguntasse ‘como você consegue ler um autor de que discorda veementemente ao longo de 700 páginas?’, eu responderia que sempre que Lukács acha algo irracional isso deve ser tomado como o mais alto elogio: “Mientras que Marx y Lenin descubrieron y desarrollaron los conatos de dialéctica contenidos en Aristóteles, Trendelenburg y Kierkegaard se esfuerzan por encuadrarlos de nuevo dentro de los marcos de la lógica formal, para borrar del mundo las conquistas hegelianas de la dialéctica.”

(*) “Destacado representante de esta aproximación de Hegel a Kierkegaard es J. Wahl, quien considera como la clave para comprender todo el mundo discursivo de Hegel el capítulo de la Fenomenología del espíritu sobre ‘la conciencia desgraciada’, que él descoyunta de todo su entronque, interpretándolo como si en él terminase o culminase la fenomenología, hasta el punto de que el lector podría, incluso, fácilmente, sospechar que el intérprete no ha pasado, en su lectura de la fenomenología, más allá de dicho capítulo. J. Wahl, Le malheur de la conscience de la phénomenologie de Hegel. París, 1929.”

En su empeño por desarrollar revolucionariamente la dialéctica hegeliana, Bruno Bauer cae en el idealismo subjetivista extremo de una ‘filosofía de la autoconciencia’. Y, al caricaturizar así, como ya por entonces hizo notar el joven Marx, los aspectos subjetivistas de la Fenomenología del espíritu y retornar de Hegel a Fichte, aleja de la dialéctica los motivos sociales e históricos, dándoles un carácter más abstracto del que ya tenían en el mismo Hegel (…) Y esta tendencia llega a su punto culminante, llevado hasta el absurdo y lo paradójico, con Stirner.”

El drama de la historia universal se desarrolla con una lentitud infinita: ¿por qué Dios no se apresura, si quiere hacerlo? ¡Qué lentitud tan poco dramática o, mejor dicho, qué prosaica y fastidiosa lentitud! Y si realmente quiere que sea así, ¡qué espantosa tiranía la suya, al despilfarrar miríadas de vidas humanas!” K.

Permitidme poner ahora de relieve, plásticamente, por medio de una imagen, la diferencia entre la ética y la historia universal, entre la actitud ética del individuo ante Dios y la actitud ante Dios de la historia universal. . . Diríamos, pues, que el desarrollo ético del individuo es como el pequeño teatro privado en que el espectador es Dios, pero también, a veces, el hombre individual, aunque el papel de éste consiste, esencialmente, en ser actor… La historia universal, en cambio, es el teatro real de Dios, en el que éste, y no por casualidad, sino esencialmente, contempla el espectáculo como único espectador, por ser el único que puede hacerlo. A este teatro no tiene acceso ningún espíritu existente. Y si éste se imagina ser espectador en él, es sencillamente porque olvida que su misión consiste en moverse en la escena como actor, incluso en aquel pequeño teatro de que hablábamos, dejando que el regio espectador y dramaturgo lo utilice en el drama regio… como mejor le parezca.”

Kierkegaard se da clara cuenta de que ya no es posible defender la historicidad real de Cristo, según la tradición de los Evangelios, situándose en el plano de un examen más o menos científico de la historia. Por eso no se lanza a polemizar directamente contra las teorías de Strauss o Bauer, para salvar de ellas esta historicidad misma, en el sentido de una objetividad científica, sino que procura desarrollar su metodología filosófica para desprestigiar y difamar en cuanto a su valor filosófico de conocimiento todo aquel tipo de conocimiento histórico que conduce a semejantes resultados.”

El agnosticismo histórico de Kierkegaard es, por tanto, un intento, como ya antes de él el de Schleiermacher, por abandonar a la ciencia todos los puestos de la explicación del universo que no pueden ya defenderse y encontrar en la pura vida interior del hombre el terreno en que todavía es posible, a su modo de ver, salvar y restaurar la religión.”

“…aunque no es menos cierto que Kierkegaard deforma siempre caricaturescamente los puntos de vista de Hegel y borra por completo las oscuras alusiones de su filosofía de la historia a la práctica.” Como um certo autor faz com todos aqueles que ele considera irracionalistas, ou seja, todos os não-marxistas?

Y, de otra parte, la realización de lo general viene a ser, para el hombre religioso de Kierkegaard, una especie de máscara irónica, un comportamiento encubridor, externamente filisteo, bajo el que eternamente se envuelve y oculta el pathos del individuo religioso, del ‘caballero de la fe’.”

En Feuerbach, el descubrimiento del carácter subjetivo de la religión lleva aparejada la disolución de ésta, y la estética queda en pie como una parte importante de la vida terrenal del hombre. El contacto entre una a otra, a que más arriba nos referíamos, sólo tiene validez dentro de esta premisa. Kierkegaard, por el contrario, pretende que la subjetivación extremadamente consecuente de lo religioso brinde el fundamento filosófico para la religión misma, que la sustantividad y la validez absoluta de ésta encuentren su fundamentación en la dialéctica cualitativa. No cabe duda de que, en estas condiciones, el deslinde entre la religión y la esfera de lo estético era para Kierkegaard un problema filosófico de vida o muerte.”

En este problema fundamental de su filosofía, Kierkegaard presenta puntos muy íntimos de contacto metodológico con el filósofo moral del temprano romanticismo, con el Schleiermacher de los Discursos sobre la religión y las Cartas confidenciales sobre la Lucinda de Friedrich Schlegel.”

En este respecto, podemos decir, pues, que Kierkegaard representa el miércoles de ceniza del carnaval romántico, a la manera como Heidegger, en un período posterior, habrá de representar el miércoles de ceniza del parasitismo imperialista de la crisis general del capitalismo”

lo que en el sacrificio de Isaac por Abraham diferencia a Abraham del héroe trágico (es decir, del héroe estético o ético) reside precisamente en la inconmensurabilidad absoluta y de principio de los móviles de su conducta, en la imposibilidad sustancial de comunicar a nadie sus verdaderas y decisivas vivencias. Lo que expresa, en rigor, una total extinción (y no una superación) de lo general de la ética en la esfera religiosa. Y, cuando compara el sacrificio de Abraham con el conflicto, exteriormente parecido, pero, visto en lo interior, puramente trágico de Agamenón, cuando se le pide el sacrificio de Ifigenia, dice Kierkegaard: ‘También el héroe trágico concentra lo ético, sobre lo que se remonta teleológicamente, en un momento; pero, al hacerlo, se apoya en lo general. En cambio, el caballero de la fe se atiene única y exclusivamente a sí mismo, y esto es lo espantoso.’

Esta desesperada posición filosófica de su filosofía de la desesperación es la que, a nuestro juicio, obliga a Kierkegaard a proclamar de un modo vacuo una relación, que jamás existe en él, entre la ética y la religión. No tenía más remedio que proceder a esta declaración carente de todo contenido, a menos de querer confesar la verdad objetiva de que su religión no era otra cosa que un asilo para estetas decadentes salvados del naufragio. Y, como Kierkegaard, gracias al período en que vivía, no era todavía ningún Huysmans,¹ y no digamos un Camus, capaces de encontrar en la desesperación misma una vana y coqueta autosatisfacción, no tenía otro camino que recurrir a aquellas huecas construcciones, reconociendo con ello, inconscientemente y de mala gana, que la desocialización conceptual del hombre entraña, al mismo tiempo, la anulación de toda ética.”

¹ Joris-Karl Huysmans, novelista e crítico de arte francês da segunda metade do XIX.

Pero, mientras que en Schopenhauer la nada es el contenido real de su mito budista, en Kierkegaard, la nada, al irrumpir y hacerse valer necesariamente, refuta y disuelve el mito cristiano.”

Pero, mientras que Kierkegaard saca de ello la única consecuencia posible de que por este camino no es posible llegar a ninguna clase de conocimiento, los existencialistas posteriores suprimen los ‘paréntesis’ entre los que —de un modo real o imaginario— colocaban el mundo objetivo, siguiendo el método de la fenomenología husserliana, al reflexionar sobre la subjetividad del acto, y aseguran llegar de este modo a una ‘ontología’, a una verdadera objetividad.”

Por otra parte, vemos a un espíritu satírico atacar a la religión y, al mismo tiempo, exponerla de modo tan excelente, que constituye un placer leerle, y quien se halla en perplejidad de verla expuesta de un modo concreto, casi necesita recurrir a él.”

Jamás he encontrado un solo hombre cuya vida, según la impresión recibida por mí de ella (prescindiendo de sus ‘afirmaciones’, sobre las cuales hay que pasar una tachadura), pueda asegurar ni de lejos que había muerto para convertirse en espíritu (como tampoco podría asegurarlo de mí mismo). ¿Cómo explicarse, pues, que todos los Estados y países del mundo enteros elijan profesar el cristianismo y que haya entre nosotros, como hombres, tantos millones de cristianos?”

Nos remitiremos simplemente, de pasada, a Dostoyevski quien, en condiciones sociales concretas completamente distintas y persiguiendo fines y empleando medios totalmente diferentes, adopta a veces una posición muy parecida en cuanto a la confluencia de religión y ateísmo.” “Nos limitaremos a señalar que, en los ‘santos’ de Dostoyevsky, el ateísmo se manifiesta, cabalmente, como ‘la penúltima fase hacia la fe completa’.”

L’atheisme n’est qu’une des expériences dont se decompose la vie de l’homme, un moment dialectique de la connaissance de Dieu. Le passage par le stade de l’atheisme peut signifier l’épuration de l’idée de Dieu, la délivrance de l’homme du mauvais sociomorphisme.” Berdiaeff

el moderno existencialismo —gracias al método fenomenológico de Husserl— dispone de métodos más refinados de los que manejaba en su día el propio Kierkegaard, para amputar los criterios sociales concretos.” “Por tanto, la práctica existencialista no contrapone ya, como hacía Kierkegaard, la vacua, ociosa y antiética actividad de la ‘historia universal’ al puro preocuparse interior por la salvación de la propia alma, sino que trata de dar a entender, falsamente, que es en la ‘verdadera’ realidad, ontológicamente depurada, en la ‘situación’, donde el hombre puede elegir libremente, llevar a cabo sus ‘proyectos’ (Sartre). La amputación existencialista de los contenidos, de las tendencias del desarrollo, etc., que los criterios sociales llevan consigo ha permitido, por ejemplo, que, puesto ante la ‘libertad de elegir’, Heidegger optase por Hitler.”

Pero, ¿qué es lo que distingue a Schopenhauer del profesor? Sólo una cosa, en rigor: el ser un hombre rico.” Kierkegaard

Si me he hecho escritor, ello se debe, principalmente, a mi melancolía y a mi dinero.”

Tiene su interés histórico señalar esto, porque la línea ascendente de la filosofía burguesa produjo pensadores que supieron llevar a cabo en una vida llena de sacrificios esta actitud ante el ‘oficio’ —ciertamente que no partiendo de premisas irracionalistamente reaccionarias y para llegar a conclusiones del mismo carácter: baste citar los nombres de Spinoza, de Diderot y Lessing.”

El hecho de que el ascetismo encuentre acogida y sitio en su sistema, ¿no es un signo indirecto de que ya su época ha pasado? Hubo un tiempo en que se era asceta en el carácter. Vino luego otro en que se relegó al pasado todo lo referente al ascetismo. Y he aquí que adviene uno que se jacta de ser el primero que le ha asignado un lugar en el sistema. Pero, precisamente esto, el ocuparse del ascetismo de este modo, demuestra que no existe para él, en el verdadero sentido. . . Muy lejos de ser propiamente un pesimista, Schopenhauer representa en grado sumo lo interesante; hace interesante en cierto modo el ascetismo, lo más peligroso que pueda haber para una época ávida de goces, a la que puede dañar más que nada el destilar goce incluso del ascetismo, es decir, el considerar el ascetismo sin carácter alguno, asignándole un sitio en el sistema.” K., novamente sobre Schopenhauer

El burgués adopta ante las instituciones de su régimen la misma actitud que el judío ante la Ley; las viola cuantas veces puede, como éste la Ley, pero quiere que todos los demás las acaten.” Marx

CAPÍTULO III. NIETZSCHE, FUNDADOR DEL IRRACIONALISMO DEL PERIODO IMPERIALISTA

En estas circunstancias, ¿con qué derecho podemos afirmar que toda la obra de Nietzsche es una polémica constante contra el marxismo, contra el socialismo, cuando es claro y evidente que no llegó a leer nunca una sola línea de Marx o de Engels?”

le toca también vivir los tiempos de la Comuna de París, del nacimiento del gran partido de masas del proletariado, de la ley contra los socialistas y de la heroica lucha que los obreros libran en contra de ella; pero, al mismo tiempo, y por otra parte, no llega ya a alcanzar, personalmente, el período imperialista.”

No cabe duda de que éste poseía un sentido muy sutil para anticiparse a los acontecimientos, una sensibilidad especial, en el campo de la problemática, para percibir aquello que la intelectualidad parasitaria necesitaba en el período imperialista, lo que la agitaba e inquietaba, el tipo de soluciones que más podían satisfacerla. Ello le permitió abarcar campos muy amplios de la cultura, iluminar sus problemas candentes con ingeniosos aforismos, satisfacer los instintos de descontento, y a veces hasta de rebeldía, de estos círculos intelectuales parasitarios con gestos aparentemente hiperrevolucionarios y fascinadores, a la par que daba a todos estos problemas, o por lo menos la sugería, una solución atenta a todos los matices y sutilezas del contenido robusto-reaccionario de clase de la burguesía imperialista.”

La política aparece ante él como un horizonte cada vez más desdibujado, más abstracto y más envuelto en el mito, y en materia de economía la ignorancia de Nietzsche es tan supina como la del intelectual medio de su tiempo. Mehring tiene razón cuando hace notar que los argumentos de Nietzsche contra el socialismo no rebasan nunca el nivel de un Leo, de un Treitschke, etc.”

Esta influencia va desde Georg Brandes y Strindberg y la generación de Gerhart Hauptmann hasta Gide y Malraux. Y no se limita, ni mucho menos, a los representantes reaccionarios de la intelectualidad. Escritores decididamente progresivos, si nos fijamos en el conjunto de su obra, como Thomas y Heinrich Mann o Bernard Shaw, se dejaron también influir por Nietzsche.”

No cabe duda de que los libros de Nietzsche ejercen un efecto seductor sobre los contados jóvenes de descollante talento literario que pueden surgir todavía en los medios burgueses y que se hallan aún cautivos de los prejuicios de clase de la burguesía. Pues bien, para ellos, Nietzsche no es sino el punto de transición hacia el socialismo” Mehring

Para mim funcionou exatamente assim!

Para darnos cuenta de su talla, en este punto, no tenemos más que compararlo con su coetáneo Eduard von Hartmann. Como filósofo, éste se limita a compendiar los prejuicios reaccionario-burgueses usuales y corrientes de la época posterior a 1870, los prejuicios del burgués ‘sano’ (es decir, harto). Esto explica por qué, al principio, tuvo mucho más éxito que Nietzsche, pero también por qué cayó en un completo olvido, al llegar el período imperialista.”

Si las circunstancias sociales hacen necesario un viraje en la interpretación —como ocurrió, por ejemplo, en el período de preparación inmediata del hitlerismo y ocurre en la actualidad, después del derrocamiento de Hitler—, la reelaboración del contenido permanente no tropieza aquí con obstáculos como los que ofrecen otros pensadores, preocupados de exponer en forma sistemática la cohesión de sus pensamientos.”

Son muchos los profesores de filosofía que reprochan a este pensador el no haber llegado a construir un sistema, razón por la cual se niegan a incluirlo entre los filósofos.”

Es un hecho generalmente observado en la historia de las ideologías el que los pensadores que no alcanzan a percibir un desarrollo social sino en sus gérmenes, pero viendo ya en ellos lo nuevo, lo que nace y esforzándose, ante todo, por captarlo mediante conceptos en el campo de la moral, recurren a las formas ensayísticas y aforísticas, porque estas formas brindan la expresión más adecuada a la mezcla de lo que es la simple intuición de una trayectoria futura y de la aguda observación y valoración de sus síntomas. Una prueba de ello la tenemos en Montaigne y en Mandeville y en los moralistas franceses, desde La Rochefoucauld hasta Vauvenargues y Chamfort.”

Veremos, en las páginas siguientes, cómo por debajo de los pensamientos de Nietzsche, expresados bajo una forma aforística, puede descubrirse también, en efecto, una cohesión sistemática.”

Fantasmas como los de la dignidad del hombre y la dignidad del trabajo son los frutos mezquinos de una esclavitud que se esconde de sí misma. ¡Desventurados tiempos, éstos en los que el esclavo emplea tales conceptos, en que se le acicatea a meditar acerca de sí mismo y por encima de él! ¡Desdichados seductores, estos que han echado a perder el estado de inocencia del esclavo con los frutos del árbol del conocimiento!”

Su aversión contra la ‘seguridad’ va unida también a la glorificación de Bismarck, a quien Nietzsche, en su último período, parangona casi siempre con Wagner, para combatir a los dos.”

“La explotación del obrero era, ahora nos damos cuenta de ello, una estupidez, un cultivo desfalcador a costa del futuro, un peligro para la sociedad. Ya casi estamos en guerra, y no cabe duda de que las costas para salvar la paz, concertar tratados y ganar la confianza tendrán que ser muy grandes, porque la necedad de los explotadores fue también muy grande y duró demasiado tiempo.”

Una cultura superior —escribe— sólo puede surgir allí donde haya dos castas distintas en el seno de la sociedad: la de los trabajadores y la de los ociosos, capacitados para disfrutar verdaderamente de su ocio; o, para decirlo con palabras más fuertes, la casta del trabajo forzado y la del trabajo libre.”

El pueblo es el que más alejado se halla del socialismo, como doctrina de la transformación del régimen de la propiedad; y, si alguna vez llega a tener en sus manos el torniquete de los impuestos, gracias a las grandes mayorías de sus parlamentos, procurará irles a la mano, con el impuesto progresivo sobre las rentas, a los capitalistas, los comerciantes y los príncipes de la bolsa, para crear en realidad una clase media a la que le será dado ya olvidarse del socialismo como de una enfermedad superada.”

Para llegar a tener completa claridad acerca de la línea político-social de Nietzsche, queda sólo por esclarecer su posición ante Bismarck. Es ésta cuestión que no carece de importancia. En realidad, la actitud de Nietzsche ante la política bismarckiana ocupa un lugar central tanto en lo que se refiere a la influencia de este pensador sobre círculos de opinión en el fondo izquierdistas como en lo tocante a la importancia que Nietzsche habría de adquirir para la ideología del fascismo.”

Bismarck es, en el fondo, un diplomático del período bonapartista, que sólo por breve tiempo lleva el movimiento de la unidad alemana más allá de las estrechas miras de la política reaccionaria prusiana. No alcanza, sin embargo, a comprender las aspiraciones imperialistas de la burguesía alemana, que van surgiendo con fuerza cada vez mayor sobre la base de la fundación reaccionaria del Imperio.”

Los tiempos de la política menuda, han pasado: el siglo venidero traerá ya consigo la lucha por la dominación sobre la tierra, la coacción de la gran política.”

Nietzsche, sin embargo, actúa ya en el período posterior a la primera toma del Poder por el proletariado, a la Comuna de París. La crisis y la disolución del romanticismo, la evolución del anticapitalismo romántico hacia la apologética capitalista, las vicisitudes de Carlyle durante la revolución del Cuarenta y ocho y después de ella, quedan ya muy atrás de Nietzsche, como un pasado envejecido. Por eso, mientras el joven Carlyle ensalzaba todavía la Edad Media como la época de la felicidad de los trabajadores, contraponiéndola a la crueldad inhumana del capitalismo, Nietzsche comienza ya, como hemos visto, exaltando la esclavitud antigua como modelo y como ideal. De aquí que la utopía reaccionaria del Carlyle posterior al año 1848 sea para él algo simplista, desde hace mucho tiempo superado.”

Con respecto a la filosofía del comportamiento humano (en Nietzsche, confluyen constantemente la ética, la psicología y la filosofía de la sociedad) nos vemos llevados, por tanto, a remontarnos al período de preparación del ascenso de la burguesía, al Renacimiento, al clasicismo francés y a la Ilustración. Y estas simpatías de Nietzsche tienen su importancia, porque en ellas se contienen los puntos de apoyo tanto para sus admiradores del campo de la izquierda burguesa como para su actualización con vistas a la preparación ideológica de la tercera Guerra Mundial imperialista.”

La falta de ingenio y el eclecticismo de los positivistas se manifiestan también, entre otras cosas, en que estos pensadores son incapaces de adoptar una posición clara y unívoca ante el problema del egoísmo. Su posición es la de una mescolanza que todo lo emborrona y confunde.”

De aquí la importancia tan grande que tiene para Nietzsche el reconocimiento del tipo criminoso. También en este punto existe en apariencia cierta afinidad con algunas tendencias que se manifiestan en la literatura del período ascensional de la burguesía (los bandidos del joven Schiller, el Michael Kohlhaas de Kleist, el Dubrowsky de Pushkin, los Vautrin de Balzac, etc.), pero con un contenido igualmente antitético.”

leyendo a estos intérpretes, llega uno a tener, incluso, la sensación de que el concepto de la ‘bestia rubia’, por ejemplo, no pasa de ser una metáfora inofensiva, perdida entre las refinadas elucubraciones de la crítica de la cultura.” “(El hecho de que, en sus obras juveniles, y a veces en las posteriores, hable también de la barbarie en sentido peyorativo, nada tiene que ver con este problema, ya que en tales expresiones quiere referirse al ‘filisteísmo de la cultura’, al filisteísmo en general, etc.)”

la teoría del ‘eterno retorno’. Esta teoría, en la que la seudocientificidad se mezcla con la fantasía desbocada, causa no pocos quebraderos de cabeza a muchos intérpretes de Nietzsche.” Segundo Lukács o III Reich descartou o eterno retorno do sistema nietzscheano pervertido que usaram no nazismo, pois o império da raça ariana deveria se constituir como algo inédito e imutável, inamovível, na História.

Nos abstenemos de usar el concepto de fuerza infinita, como incompatible con el concepto de ‘fuerza’. El mundo carece, asimismo, de la capacidad de innovar eternamente”

Nadie es responsable de que el hombre exista y de que sea tal y como es, de que viva bajo tales circunstancias y rodeado de tal medio. La fatalidad de su naturaleza no puede desligarse de la fatalidad de todo lo que ha sido y será. . . Se es necesariamente, se es un fragmento de lo fatal, se forma parte del todo, se es en el todo; no hay nada que pueda enjuiciar, medir, comparar o condenar nuestro ser, pues ello equivaldría a enjuiciar, medir, comparar y condenar el todo. . . Y fuera del todo no existe nada. . . Y así, y solamente así, se restaura la inocencia del devenir…” Crepúsculo dos Ídolos

El neokantismo y el machismo [Ernst Mach] son las corrientes fundamentales en este nuevo rumbo filosófico, que se desarrolla paralelamente a las actividades de Nietzsche.”

El solo hecho de que la filosofía burguesa se vea obligada a abrazar —en defensa del idealismo contra el materialismo— una ‘tercera vía’,¹ es decir, de darse aires de criticar y rechazar desde una ‘atalaya superior’ tanto el idealismo como el materialismo, revela que esta filosofía se ve ya forzada —en una dimensión histórico-mundial— a colocarse a la defensiva, que los problemas por ella planteados, sus métodos, etc., tienen más de recursos defensivos que de medios para interpretar en su propio sentido la realidad objetiva.”

¹ Assim Lukács batiza, p.ex., a filosofia de Schopenhauer, como um “idealismo subjetivista” que não passaria de uma terceira via do saber.

(*) “es cierto que las obras filosóficas más importantes de Mach vieron la luz algo más tarde, pero también él se reveló como teórico en las décadas del setenta y del ochenta, al igual que Schuppe, el guía de la llamada ‘filosofía de la inmanencia’; Vaihinger, el más cercano a esta corriente entre los kantianos, publicó su Philosopbie des Als ob un poco más tarde, ciertamente, pero la escribió, en lo esencial, ya entre los años 1876 y 1878. El que toda esta corriente de pensadores reivindique más tarde a Nietzsche como uno de los suyos —comenzando por Vaihinger— no quiere decir que traten de poner de manifiesto su influencia directa sobre él (pues es notorio que Nietzsche ni siquiera llegó a tomar en las manos la mayoría de estas obras), sino simplemente una afinidad esencial de tendencias en lo tocante a la teoría del conocimiento, provocada por las nuevas necesidades ideológicas de la burguesía.”

(*) “Que Nietzsche no tiene la menor idea de la diferencia entre entendimiento y razón y emplea ambos términos como sinónimos, lo demuestra, no solamente su ignorancia de los filósofos más importantes, que reconoce incluso Jaspers, sino también, lo que tiene mucha más importancia, la ignorancia todavía más tosca del irracionalismo imperialista, que desciende a un bajísimo nivel en cuanto a la cultura del pensamiento. Kierkegaard, por ejemplo, combatía a Hegel con un aparato discursivo mucho más sutil.” A questão aqui seria desejar desconhecer a diferença entre razão e entendimento, que realmente não existe.

CAPÍTULO IV. LA FILOSOFÍA DE LA VIDA EN LA ALEMANIA IMPERIALISTA

Antes de la guerra, por ejemplo, el único neokantiano decidido partidario de la filosofía de la vida era Simmel; en cambio, después de la guerra, tanto el neohegelianismo como la trayectoria ulterior de la escuela husserliana caen totalmente bajo la dirección de la filosofía de la vida.” “La influencia de la filosofía de la vida se extiende a todas las ciencias sociales, desde la psicología hasta la sociología, y muy especialmente a la historiografía y a la historia de la literatura y del arte (…) la filosofía universitaria; así, la publicística filosófica libre, que tanto influye precisamente en los grandes círculos sigue resueltamente, ya desde muy pronto, los rumbos de la filosofía de la vida. Lo cual se debe, no. sólo a la influencia sin cesar creciente que Nietzsche ejerce sobre amplios círculos de escritores, sino también a la repercusión relativamente temprana que Dilthey, por ejemplo, logra sobre Weini[n]ger, (sic) Simmel sobre Rathenau y ambos sobre la escuela poética de Stefan George. Podemos afirmar que, en el período de posguerra, virtualmente, toda la literatura burguesa leída por los grandes círculos y relacionada con los problemas de la conciencia del mundo se mueve por los carriles de la filosofía de la vida.”

(…explicaremos por qué la filosofía imperialista recurre más tarde, de nuevo, a Schelling, y más aún a Kierkegaard.)”

el reconocimiento y la consagración cada vez más señalados de Nietzsche como filósofo en toda la extensión de la palabra, y no simplemente como ‘poeta’.”

¡Vuelta a Kant!: he ahí la divisa de la filosofía. (Liebmann, Kant y los epígonos, 1865.)”

La vivencia y su ‘organon’, la intuición, y lo irracional como su objeto ‘natural’, podían hacer brotar como por encanto todos los elementos necesarios de la ‘concepción del mundo’, sin tener que renunciar por ello de facto y no declarativamente al agnosticismo de la filosofía idealista subjetiva, a la negación de una realidad independiente de la conciencia, irrenunciable como defensa contra el materialismo.”

Este ‘objetivismo’ mítico, que encubre siempre una teoría subjetivista-agnosticista del conocimiento, responde exactamente a las necesidades ideológicas de la reacción imperialista. Se tiene la sensación general de que se avecina un período de grandes decisiones históricas interiores y exteriores (Nietzsche es el primero que proclama abiertamente esta sensación).”

Al principio, la filosofía oficial de la cátedra y las autoridades del Estado adoptan ante estas tendencias una actitud de escepticismo. Pero, poco a poco, la filosofía de la vida va abriéndose paso e infiltrándose en todo el pensamiento de la Alemania imperialista. El más importante precursor y fundador de la filosofía imperialista de la vida, Wilhelm Dilthey, se expresa a veces en términos marcadamente programáticos acerca de esta situación. Señala la gran misión que la concepción filosófica del mundo ha cumplido en las luchas político-sociales del pasado. Y añade: ‘¡Gran enseñanza para el político! Por mucho que quiera darse aires distinguidos la aversión de los funcionarios actuales y de nuestra burguesía por las ideas y su expresión filosófica, no es precisamente un signo del sentido de la realidad, sino de la pobreza de espíritu: no son solamente los sentimientos naturales, sino también un sistema cerrado de pensamientos, los que aseguran la superioridad de la socialdemocracia y del ultramontanismo sobre las demás fuerzas políticas de nuestro tiempo.’

Sería ridículo empeñarse en ver en un Dilthey o en un Simmel los precursores conscientes del fascismo, pues no llegaron a serlo ni siquiera en el sentido en que podemos llamar sus antecesores a un Nietzsche o un Lagarde.”

Dilthey arranca de un punto de partida psicológico e histórico. La obra a que se proponía consagrar su vida era, en rigor, una ‘Crítica de la razón histórica’; aspiraba a acomodar la doctrina de Kant a las necesidades del presente y a desarrollar la filosofía kantiana de tal modo que pudiera servir de fundamentación a las ciencias del espíritu y, muy esencialmente, a la historia (concebida, evidentemente a la manera de un Ranke o de un Jakob Burckhardt, y no como la historia del período progresivo de la burguesía).”

Dilthey, al igual que todos los kantianos modernos, liquida de raíz las vacilaciones del maestro ante el materialismo en la teoría de la ‘cosa en sí’.”

y es, al mismo tiempo, una corriente paralela a la escuela fenomenológica, a cuyo ulterior desarrollo en la filosofía de la vida se adelanta precisamente Dilthey, influyendo en él”

Si existe un conocimiento de la realidad, es solamente porque en la vida y en la experiencia se contiene toda la concatenación que se manifiesta en las formas, los principios y las categorías del pensamiento, solamente porque esa concatenación puede mostrarse analíticamente en la experiencia y en la vida.”

Se trata de lo opuesto a la anterior psicología ‘explicativa’ (causal, indagadora de leyes): de una psicología ‘descriptiva’ o ‘comprensiva’. Ciencia nueva que deberá servir de fundamento a todas las ‘ciencias del espíritu’ (término empleado por Dilthey para designar las ciencias sociales) y, principalmente, a la historia.”

la nueva psicología constituye de antemano, según Dilthey, un privilegio, la doctrina secreta de una determinada aristocracia espiritual, estético-historicista.”

De la misma fuente histórica que la psicología ‘descriptiva’ de Dilthey brota también, paralela pero independientemente, la fenomenología de Husserl, que tantos puntos de afinidad muestra con ella. Dilthey la saluda inmediatamente como algo que ‘hace época’. Husserl, por su parte, se limita por el momento al tratamiento descriptivo de problemas que se mantienen en el terreno de la lógica formal. Pero sus discípulos más influyentes (Scheler y Heidegger) se remontan ya por encima de estos problemas, bajo la influencia de Dilthey, como pondremos de manifiesto más adelante, y aspiran, lo mismo que Dilthey, a establecer sobre esta base un método filosófico universal.”

Los trabajos históricos de Dilthey son importantes y llegan a ejercer una gran influencia. Dilthey fue —con Nietzsche y Eduard von Hartmann— uno de los primeros en romper el fuego contra la gran filosofía racionalista orientada hacia las ciencias naturales y que arranca de Descartes. Con su biografía de Schleiermacher y sus trabajos sobre Novalis, Hölderlin y otros, fue uno de los iniciadores del renacimiento del romanticismo, en el período imperialista. Su descubrimiento de los manuscritos inéditos del joven Hegel y sus comentarios en torno a ellos fueron decisivos para la interpretación de la doctrina hegeliana en el período de la posguerra, a tono con la filosofía de la vida. Su estudio sobre Goethe encarriló, asimismo, la interpretación del gran poeta y pensador alemán por los derroteros de la filosofía de la vida, que más tarde llevarían a cabo desde Simmel y Gundolf hasta Klages.”

Al final de su vida, nos dice con toda franqueza que admira, a veces, profundamente a personalidades como Rousseau o Carlyle, que se atreven a manifestar abiertamente sus convicciones, sin detenerse ante ninguna clase de escrúpulos científicos.”

Pero el positivismo de que arranca Simmel es el de una época más avanzada, y ya no el de un Comte, un Taine o un Buckle, como en Dilthey. Simmel se halla muy marcadamente influido por Nietzsche; se ha formado en la lucha contra las consecuencias filosóficas y sociales del materialismo histórico, y su pensamiento presenta desde el primer momento un paralelismo espontáneo con el pragmatismo inglés y norteamericano y marcha hacia una estrecha afinidad con las tendencias bergsonianas.”

La vida parece ser la más extrema objetividad a que podemos llegar como sujetos anímicos, la más amplia y más firme objetivación del sujeto. La vida nos sitúa en la posición intermedia entre el yo y la idea, entre el sujeto y el objeto, entre la persona y el cosmos.”

En apoyo de la astrología y las curaciones milagrosas, de las brujerías y la eficacia de las oraciones se adujeron en su tiempo pruebas no menos ‘efectivas’ y ‘convincentes’ que las que hoy se invocan en pro de la vigencia de las leyes generales de la naturaleza, y no doy por descartada,, ni mucho menos, la posibilidad de que, a la vuelta de los siglos o de los milenios, cuando se reconozca como el meollo y la esencia de todo fenómeno concreto su individualidad insolublemente unitaria y no reductible en modo alguno a ‘leyes generales’, lleguen a considerarse tales generalidades como una superstición, ni más ni menos que hoy hacemos nosotros con aquellas creencias consideradas en otro tiempo como artículo de fe. Si un día se renuncia a la idea de la ‘verdad absoluta’, que no es tampoco, en rigor, más que una creación histórica, se podrá dar en la idea paradógica de que, en el proceso continuo del conocer, la cantidad de verdades corresponde exactamente a la cantidad de errores despejados; de que, como en un sube y baja incesante, son tantos los ‘conocimientos verdaderos’ que suben por la escalera delantera como los ‘errores’ arrojados a patadas por la escalera de atrás.”

y esta tendencia, que en Spengler se revelará de un modo claro y franco, como veremos, se contiene ya implícita en la filosofía de Simmel.”

El polo del nihilismo desesperado no se convertirá en centro de la concepción del mundo (Heidegger) sino cuando la primera guerra imperialista venga a conmover sensiblemente, para todos, los cimientos establecidos y cuando la gran crisis económica de 1929 eche por tierra las esperanzas cifradas en la constancia de una ‘estabilización relativa’.”

Simmel expresa, aquí, la tónica fundamental del período imperialista anterior, a la primera Guerra Mundial: se hace ya sentir la problemática insoluble de la vida, pero en medio de esta problemática se puede vivir agradablemente, le puede ir a uno bien; y la filosofía de la vida se encarga de dar al hombre la tranquilidad de conciencia necesaria para ello, de infundir a su espíritu el confort de una concepción del mundo adecuada.”

Mientras que a Dilthey le eran totalmente ajenas todavía la sociología moderna y la economía, estas disciplinas ocupan ya un lugar central en el primer período de Simmel y siguen presentes en su obra hasta el final. (…) De aquí que Simmel ya no ignore, como los pensadores anteriores a él, el materialismo histórico.”

Simmel formula esta tarea en la introducción a su Filosofía del dinero, al decir que se trata de ‘construir un piso debajo del materialismo histórico, de tal modo que, conservando su valor explicativo el encuadramiento de la vida económica entre las causas de la cultura espiritual, se reconozca en aquellas mismas formas económicas el resultado de valoraciones y corrientes más profundas y de premisas psicológicas y hasta metafísicas’

La igualdad social y moral de los hombres aparece, pues, vista así, como un momento puramente condicionado por el tiempo y ya anticuado de la ética de Kant.”

Para el hombre profundo, no hay otra posibilidad de soportar la vida que una cierta dosis de superficialidad. Si se empeñara en pensar tan a fondo y en sentir de un modo tan profundo y hasta el final, como la naturaleza de ellos y la suya propia lo reclama, los impulsos, los deberes, los afanes y los anhelos antagónicos e irreconciliables, saltaría hecho añicos, se volvería loco, tendría que huir de la vida. Más allá de cierto límite de profundidad, chocan de un modo tan radical y tan violento las líneas del ser, del querer y del deber ser, que tendrían necesariamente que desgarrarnos. Sólo evitando que desciendan por debajo de aquel límite, podemos mantenerlas lo suficientemente separadas para que sea posible la vida.”

Este cinismo involuntario de Simmel conducirá, en Spengler, a un frívolo diletantismo elevado a metodología, que luego corroerá el espíritu científico en el campo de la filosofía.”

Al estallar la primera guerra imperialista, se interrumpe bruscamente la trayectoria de la filosofía de la vida. Tal parece como si el mismo día en que fue declarada la guerra, casi toda la Alemania del espíritu hubiese aprendido la ‘nueva lección’: enmudecen las voces entre resignadas y contemplativas de la filosofía de la vida (como también las del resto de la filosofía, la oficial y la no oficial), surgiendo de inmediato una filosofía publicística encaminada a justificar la agresión imperialista y los objetivos de conquista mundial de la Alemania de Guillermo II.”

Lo vivo es, ahora naturalmente, ‘lo alemán’, lo que ‘curará’ al mundo, y lo muerto y lo inerte la peculiaridad nacional de los demás pueblos (sobre todo, de las democracias occidentales, y muy especialmente, de Inglaterra).”

La crisis de la pérdida de la guerra se encarga de enterrar bajo sus escombros toda esta charlatanería. Esta literatura del día, carente de valor filosófico, encierra ya, sin embargo, un importante preludio al segundo viraje decisivo de la filosofía de la vida, a su viraje hacia el fascismo.”

Donde más claramente se revela cuán grande es este viraje y en qué consisten sus consecuencias metodológicas e intrínsecas más importantes es en la famosa obra de Oswald Spengler, La decadencia de Occidente (1919-1922). El hecho de que Spengler expresara este giro del modo más radical es lo que valió a su obra una influencia tan considerable y tan sostenida; el libro de Spengler es un documento en verdad representativo de esta etapa y, al mismo tiempo, el preludio real y directo de la filosofía del fascismo.

El nivel filosófico de Spengler es esencialmente más bajo que el de los representantes anteriores más descollantes de la filosofía de la vida. Y ello no tiene nada de extraño. Ya en el curso de la exposición anterior hemos podido observar cómo el nivel filosófico iba descendiendo cada vez más. A medida que el nuevo adversario principal, el socialismo, va destacándose como el blanco central de la polémica, los irracionalistas se ven obligados más y más a enfrentarse con un problema cuyo contenido real ignoran totalmente y, en su mayoría, no quieren tampoco entender, y va desapareciendo de sus debates el conocimiento científico real del tema y, en la mayoría de los casos, hasta la honradez, la buena fe, para tratarlo.”

El medio para comprender las formas muertas es la ley matemática. El medio para comprender las formas vivas, la analogía.”

Desde Darwin, más aún, desde la teoría de Kant-Laplace, venía planteándose el problema de un tratamiento histórico de la naturaleza (con sujeción, claro está, a sus leyes objetivas); la filosofía de la naturaleza del joven Schelling y la de Hegel eran audaces intentos encaminados a resolverlo, aunque cierto es que con medios muy insuficientes. Pues bien, Spengler vuelve las cosas del revés, desde el punto de vista subjetivista de la filosofía de la vida: ignora el desarrollo objetivamente histórico de la naturaleza y, en cambio, ‘historiza’ el conocimiento de la naturaleza misma, al convertirlo en simple función del carácter esencial del ‘ciclo cultural’ concreto en que se vive.”

Existen varios mundos de números, porque existen varias culturas. Así, encontramos un tipo de número índico, otro arábigo, otro antiguo, otro occidental, cada uno de los cuales constituye fundamentalmente algo único y es expresión de otro acaecer universal… Existe, por tanto, más de una matemática.”

La historia es, pues, la forma universal originaria y la naturaleza una forma posterior, asequible solamente a los hombres de cultura más desarrollada, y no a la inversa, según el supuesto a que se inclina el prejuicio del intelecto científico urbano.”

El átomo, la velocidad de la luz, la gravitación, son otras tantas categorías míticas del ‘hombre fáustico’, lo mismo que los espíritus de las tormentas o los demonios de los campos fueron categorías del período mágico.”

Libra una apasionada polémica contra la periodización de la historia en Antigüedad, Edad Media y Edad Moderna. Y es cierto que esa división tradicional en períodos se convierte en algo puramente convencional si el historiador, como suele ocurrir, no encuentra su fundamento objetivo real en las grandes formaciones económicas, esclavitud, servidumbre de la gleba y trabajo asalariado.”

En Dilthey (y más resueltamente todavía, por ejemplo, en Max Weber), la tipología era, sencillamente, un medio auxiliar del conocimiento histórico, cuyo valor se acreditaba solamente en la explicación de la realidad histórica. Spengler, al dar a sus tipos el nombre de ‘fenómenos primigenios’ hace algo más que introducir una innovación terminológica: proclama la ‘fisonomía’ de cada cultura como fundamento real de todas sus manifestaciones concretas, tanto las intrínsecas como las formales, las estructurales como las dinámicas; la construcción científica auxiliar se convierte, así, en un fundamento real, aunque en un fundamento real irracionalista por principio y que sólo puede captarse por la vía de la intuición.”

Cabe, por ejemplo, establecer una analogía entre la geometría euclidiana, como manifestación de la cultura antigua, y la geometría no euclidiana, como exponente de la cultura occidental.”

Llamo simultáneos a dos hechos históricos cada uno de los cuales se produce dentro de su cultura en una situación —relativa— exactamente igual y que tienen, por tanto, un significado exactamente análogo.”

después de nosotros, el diluvio; tal es el —eficaz— canto consolatorio de Spengler.”

Otra de las causas eficientes de la gran influencia alcanzada por la obra de Spengler está en la consecuencia con que mantiene una concepción total que coloca en el centro mismo la supuesta antítesis entre cultura y civilización. Esta antítesis hacía mucho tiempo que venía desempeñando importante papel en la filosofía reaccionaria alemana de la historia. La lucha ideológica contra la democratización de Alemania se lleva a cabo bajo la bandera de esa antítesis, entendiendo por ‘civilización’ todo lo malo del capitalismo, incluida sobre todo la democracia occidental, y oponiendo a ello la autóctona, orgánica y auténtica ‘cultura’ alemana. Spengler aúna aquí las tendencias reaccionarias prusianas con una forma moderna deliberadamente paradógica. Da de nuevo al problema de la civilización un giro a tono con la filosofía de la vida: es, según él, el problema de la muerte, por oposición a la vida floreciente, a la cultura. No otro es el problema de la decadencia de Occidente: ‘Toda cultura tiene su propia civilización. . . La civilización es el destino inexorable de una cultura. . . La civilización son los estados más extremos y artificiales de que es capaz un tipo superior de hombre. Son un resultado; siguen al devenir como lo que ha devenido, a la vida como la muerte, al desarrollo como el anquilosamiento. . . son un final, irrevocable, pero han sido alcanzados siempre por la fuerza de la más íntima necesidad.’

No en vano la forma predominante de la civilización es, para Spengler, la del cesarismo. Es éste, según él, el régimen informe de dominación de toda cultura agonizante, de toda civilización. El pueblo se convierte, al llegar esta fase, en una masa ahistórica de fellahs sobre la que los Césares instauran su dominación, con la cual ‘la historia retorna de nuevo a lo ahistórico, al ritmo primitivo de los primeros tiempos’.” Um Guilherme II nada é diante da concentração de poder de um Elon Musk.

Spengler concreta esta perspectiva, nacida del análisis pesimista del presente y tan simpática a los ojos de la reacción, en una obra especial, bastante importante para la ideología del fascismo: la titulada Prusianismo y socialismo.” “Toda civilización tiene, según Spengler, su socialismo (los estoicos, el budismo, etc.; el socialismo actual es la forma fáustica de estas mismas manifestaciones). Pero, al afán spenglariano de las analogías no le basta con esta generalización. Necesita descubrir, además, el ‘verdadero’ socialismo, el cual no es otro que el prusianismo: los tipos del oficial, el empleado y el obrero.” (Spengler desarrolla aquí las ideas de los folletos de guerra de Scheler y Sombart, el concepto de ‘los mercaderes y los héroes’, etc.)” “La clase obrera alemana se convencerá de que sólo este ‘socialismo’ cuenta con posibilidades reales. Para ello, no hace falta ninguna ideología, sino que basta con ‘un valiente escepticismo’ y con ‘una clase de caracteres señoriales socialistas’.” De fato, falou muita merda.

El hecho de que la perspectiva histórica que aquí se pinta sea esencialmente distinta de la trazada en La decadencia de Occidente sólo interesa a quienes se empeñan en ver en Spengler un pensador con un sistema coherente.”

No es difícil percatarse de cuán cerca de la ideología fascista se halla este preludio reaccionario de la filosofía de la vida, convertida ya en una filosofía militante, en el período de la crisis inmediata de la posguerra.”

La figura más importante de este período de transición es la de Max Scheler. Se trata de un pensador ingenioso, dinámico y multifacético, sin convicciones firmes y que se deja llevar demasiado de las corrientes en boga en cada momento, pero en el que se destaca, a pesar de todo, una línea fundamental: la de salir fuertemente al paso de las exigencias que plantea la ‘estabilización relativa’. Su deseo es fundamentar una concepción del mundo intrínsecamente acusada, que se remonte sobre el formalismo de los neokantianos, una firme jerarquía de los valores apta para desempeñar un papel importante en la consolidación de la sociedad burguesa alemana.”

Scheler comparte con Dilthey, a quien trata de desarrollar y fundamentar con los métodos discursivos de la fenomenología husserliana, la convicción de que las categorías, las normas, los valores, etc., han de obtenerse y desarrollarse orgánicamente, a base de la objetividad vivida de los objetos filosóficos, por medio de la ‘intuición eidética’.”

No debe exagerarse, claro está, el valor de esta repudiación de la filosofía de la vida por Husserl. Éste aparenta no querer mezclarse en los excesos agnosticistas de la filosofía de la vida. Pero, cuando entra a tratar los problemas fundamentales de la teoría del conocimiento, en seguida se ve que se halla muy cerca del machismo.”

El problema de la existencia y la naturaleza del ‘mundo exterior’ es un problema metafísico. La teoría del conocimiento, como explicación general acerca del ser ideal y el sentido valedero del pensamiento cognosciente, abarca, cierto es, el problema general de si es posible, y hasta qué punto, un saber o un conjeturar racional de objetos o de cosas ‘reales’ que trascienda por principio de las vivencias cognoscientes y a cuyas normas tenga que acomodarse el verdadero sentido de tal saber; pero no el problema empíricamente planteado de si nosotros, los hombres, a base de los datos de hecho que nos son dados, podemos alcanzar realmente semejante saber, ni mucho menos la tarea de llevarlo a cabo. La teoría del conocimiento, tal como nosotros la concebimos, no es, propiamente hablando, ninguna teoría. No es una ciencia, en el sentido acusado de una unidad basada en la explicación teórica.” Husserl

Mientras que al principio sus ideas acerca de Dios eran casi una reminiscencia de las de Tomás de Aquino, ahora su filosofía de la religión va convirtiéndose poco a poco casi en un completo ateísmo, al proclamar en el plano de la filosofía de la religión un Dios que se desarrolla paralelamente con el hombre, doctrina que en su último período se trueca poco menos que en una autodeificación del hombre religioso-ateísta.”

El carácter apodíctico ‘intemporal’ de la fenomenología (la herencia de Bolzano y Brentano) se revela como mera apariencia, tan pronto como Scheler aplica el método al estudio de los fenómenos histórico-sociales concretos: se pone de manifiesto la profunda afinidad con el relativismo de Dilthey y Simmel.”

Y polemiza contra la conocida crítica que Guillermo Wundt hace a Husserl, en la que aquél satiriza el tipo husserliano de exposición, diciendo que Husserl da una larga serie de definiciones sobre lo que un concepto no es, para acabar estableciendo una pura tautología, al decir, por ejemplo, que ‘el amor es el amor’.”

El nacimiento del irracionalismo guarda siempre una estrecha relación con los límites de la captación del mundo desde el punto de vista de la lógica formal. (…) Y es precisamente característico de las formas de transición al extremo irracionalismo el hecho de que esta antítesis, que antes se manifestaba, históricamente, como el antagonismo de dos corrientes enfrentadas, desempeñe ahora un papel decisivo en la estructura interna de esta filosofía.”

Sin embargo, el ‘poner entre paréntesis’ descarta radicalmente esta cuestión; la ‘eidética’ no sólo puede proyectarse sobre un entronque de significados, sino también sobre una imagen puramente fantasmal, lo mismo que sobre un reflejo (exacto o falso) de la realidad.”

Todo consiste, sencillamente, en declarar los objetos fenomenológicos como objetos de la ontología, transformando así la ‘eidética’, insensiblemente, en una renovación de la ‘intuición intelectual’.”

Não existe floresta desabitada pelo homem.

Scheler cree sobreponerse a su relativismo cada vez más extremo inventando una nueva terminología para designarlo; la nueva palabra mágica es, ahora, la de ‘perspectivismo’. (Del mismo modo cree Mannheim ‘superar’ el relativismo recurriendo a la palabra mágica de ‘relacionismo’.)”

Scheler aspira, aquí, como hará poco después de él Mannheim, a que el relativismo se supere a sí mismo, precisamente al ser llevado hasta sus consecuencias más extremas, hasta el final.”

La forma sociológica de la democracia ‘desde abajo’… es, en general, más bien enemiga que amiga de todas las formas superiores del saber. Son los demócratas de origen liberal quienes, sobre todo, han mantenido en alto y desarrollado la ciencia positiva.”

El Miércoles de Ceniza del subjetivismo parasitario (Heidegger, Jaspers)”

No tiene, pues, nada de extraño que ahora, al imponerse este estado de ánimo depresivo, ya unos cuantos años antes de que estallara la crisis, en forma de presentimiento de los sombríos acontecimientos que se avecinaban, los pensadores guías de la nueva etapa, el husserliano Heidegger y el en otro tiempo psiquiatra Karl Jaspers, proclamaran el renacimiento de la filosofía kierkegaardiana.”

los renovadores de la filosofía existencial se preocupan ya de luchar, principalmente, contra el marxismo, aunque en sus obras rara vez lo mencionen por su nombre y directamente”

No es, naturalmente, un azar ni un detalle puramente terminológico el hecho de que la divisa de la ‘vida’, enfáticamente tremolada por aquella filosofía se sustituya ahora, con no menos énfasis, por la consigna de la ‘existencia’.”

La palabra ‘vida’, en que se hacía antes tanto hincapié, alude a la conquista del mundo por la subjetividad; esto explica por qué los activistas fascistas de la filosofía de la vida que habrán de relevar en seguida a Heidegger y Jaspers, ponen de nuevo en circulación aquella divisa, aunque dándole, a su vez, un contenido nuevo. El término de ‘existencia’, como leit motiv de la filosofía entraña la repudiación de mucho de lo que la filosofía de la vida afirmara en otro tiempo como vivo y que ahora se considera accidental, no existencial.”

mientras que antes —a tono con la teoría aristocrática del conocimiento a que necesariamente conducía este camino— se dividían los hombres, hasta cierto punto, en dos clases, los que vivían la vida y los que quedaban al margen de ella, ahora se considera en peligro la vida de todos, la vida en general.”

Pese a esta exaltación de las tendencias subjetivistas, en Heidegger se destaca tal vez con mayor fuerza todavía que en sus predecesores la ‘tercera vía’ filosófica: la pretensión de sobreponerse a la antítesis de idealismo y materialismo (él lo llama realismo)”

si bien su ‘ser ahí’ no significa, cabalmente, otra cosa que la misma existencia humana y, en definitiva, más aún, simplemente su manifestación en la conciencia.”

“‘Pero si la interpretación tiene en cada caso ya que moverse dentro de lo comprendido y alimentarse de ello ¿cómo va a dar resultados científicos sin moverse en un círculo, sobre todo moviéndose, encima, la comprensión presupuesta dentro del conocimiento vulgar del mundo y de los hombres?’ Pero, mientras que Dilthey, movido por un miedo científicamente honrado, se detenía ante este círculo vicioso, Heidegger corta resueltamente el nudo gordiano con ayuda de la intuición eidética (con la que, gracias a su irracionalista arbitrariedad, puede descubrirse lo que se quiera, sobre todo si se da el paso ontológico hacia el ser): pues el comprender ‘se revela’ (?) como ‘la expresión de la existenciaria estructura del <previo> peculiar al <ser ahí> mismo… los supuestos ontológicos del conocimiento historiográfico superan radicalmente la idea del rigor de las más exactas ciencias.’

Fenomenología es la forma de acceder a lo que debe ser tema de la ontología y la forma demostrativa de determinarlo. La ontología sólo es posible como fenomenología.”

Las leyes de Newton, el principio de contradicción, cualquier verdad sólo es verdad mientras el ‘ser ahí’ es. Antes de que todo ‘ser ahí’ fuese y después de que todo ‘ser ahí’ haya dejado de ser, ni fue ni será verdad alguna, porque la verdad, en cuanto es el ‘estado de abierto’, el descubrimiento y el ‘estado de descubierto’ que es, no puede ser en tales circunstancias.”

Heidegger, que se esfuerza por fundamentar una teoría objetiva del ser, una ontología objetiva, se ve obligado por ello a deslindar nítidamente este campo del de la antropología. Pero, cuando pasa a hablar de sus problemas centrales y no se limita a tratar desde lejos cuestiones de pura metodología, resulta que su ontología no es, en rigor, otra cosa que una antropología basada en la filosofía de la vida, disfrazada bajo ropaje objetivista.” “Es característico, por ejemplo, que trate de poner de relieve la fundamental tendencia antropológica de la ‘lógica trascendental’ de Kant, para hacer de este filósofo un precursor del existencialismo, lo mismo que Simmel trataba de hacer de él un precursor de la filosofía de la vida.”

Por tanto, lo que Heidegger llama fenomenología y ontología no es, en realidad, otra cosa que una descripción antropológica de la existencia humana con tendencias abstractas hacia el mito, lo que en sus descripciones fenomenológicas concretas se convierte insensiblemente en una pintura —no pocas veces interesante y hasta cautivadora— de la existencia del filisteo intelectual en la época de crisis del período imperialista. Y, hasta cierto punto, el propio Heidegger lo reconoce así. Su programa es mostrar el ser ‘tal como es <inmediata y regularmente>, en su <cotidianidad> <de término medio>.’ Y lo que hay, en rigor, de interesante en el modo de filosofar de Heidegger es, en efecto, esa descripción extraordinariamente pormenorizada de cómo ‘el hombre’, el sujeto portador de la existencia, se desintegra y se pierde a sí mismo, ‘inmediata y regularmente’, en esta cotidianidad.”

El ‘uno’, con el que se responde a la pregunta acerca del ‘quién’ del ‘ser ahí’ cotidiano, es el ‘nadie’, al que se ha entregado en cada caso ya todo ‘ser ahí’ en el ‘ser uno entre otros’. (…) Este modo de ser no significa menoscabo alguno de la facticidad del ‘ser ahí’, como tampoco el ‘uno’ es, por ser el ‘nadie’, una nada.”

Pero no se crea que Heidegger, con estas tendencias, se halla solo, en su época; tendencias parecidas a éstas aparecen expresadas, no sólo en la filosofía de Jaspers, sino también en gran parte de la literatura del mismo período (bastará, en apoyo de ello, con citar la novela de Céline, Voyage au bout de la nuit y los casos de Joyce, Gide, Malraux y otros).”

En este sentido, podríamos decir que Heidegger prosigue la tendencia de Simmel cuando hablaba de ‘construir un piso debajo del materialismo histórico’, para poner de relieve, al parecer, las premisas filosóficas y hasta metafísicas de esta teoría.”

El ser y el tiempo no sólo se cuida de omitir sistemáticamente el nombre de Marx, incluso en las alusiones que se hacen manifiestamente a su doctrina, sino que borra también, intrínsecamente, todas las categorías objetivas de la realidad económica.”

La interioridad del individuo ha renunciado ya, de largo tiempo atrás, a todos los planes de conquista del mundo;¹ ya no considera el mundo social en torno como algo, sin duda problemático, pero en el que todavía puede desplegarse libremente, a pesar de todo, la pura interioridad, sino como una amenaza constante, pavorosa e inaprensible, que se cierne sobre todo lo que daría su razón esencial de ser a la subjetividad.”

¹ Curiosamente é isso que Heidegger nega em sua questão da técnica.

Heidegger no combate explícitamente las teorías económicas del marxismo-leninismo, ni las consecuencias políticas derivadas de ellas —pues no es capaz de eso, como no lo es tampoco el sector por él representado—, sino que intenta más bien esquivar la necesidad de sacar las obligadas consecuencias sociales, difamando ‘ontológicamente’ como ‘no verdadera’ toda actividad pública del hombre.”

Heidegger predica la repulsa de toda actuación social, como en su tiempo había proclamado Schopenhauer su aversión a la idea burguesa del progreso, a la transformación democrática. Sin embargo, la repulsa de Heidegger lleva implícita una actitud reaccionaria todavía más marcada que el quietismo de Schopenhauer.” “Podríamos decir sin incurrir en una gran exageración que, en el período de lucha de la burguesía imperialista contra el socialismo, Heidegger es a Hitler y Rosenberg lo que en su tiempo había sido Schopenhauer con respecto a Nietzsche.”

Heidegger carece, de una parte, de la posibilidad de recurrir a categorías abiertamente teológicas y le falta, de otra parte, el valor necesario para preconizar francamente el irracionalismo. Sin embargo, todas las descripciones ontológicas de Heidegger demuestran que la desobjetivación de todos los criterios de la objetividad conduce en realidad al irracionalismo, aunque las palabras quieran dar a entender otra cosa, pues el papel lo soporta todo.”

Como se ve, la ontología heideggeriana se convierte insensiblemente en una moral y casi en una prédica religiosa; y también en este sesgo religioso-moral de la teoría del conocimiento se revela la influencia determinante de Kierkegaard sobre el planteamiento del problema y el método de Heidegger. El tenor de esta prédica es que el hombre debe ‘esencializarse’, prepararse a escuchar y comprender ‘la voz de la conciencia’, para ir madurando así hacia el ‘estado de resuelto’. Y también este proceso aparece muy detalladamente descrito por él. Aquí, como en el caso anterior, no podemos hacer otra cosa que esbozar muy a grandes rasgos el meollo de él. El descubrimiento de la nulidad de la existencia oculta en el ‘ser caído’ lo revela la ontología: ‘La esencia de la nada originariamente anuladora radica en que coloca al <ser ahí> lo primero de todo ante el ente en cuanto tal. . . <Ser ahí> significa: encuadramiento en la nada. . .’

El ‘estado de no resuelto’ del uno conserva sin embargo el predominio, limitándose a no poder atacar a la existencia resuelta” Outra filosofia da vida aristocrática, para uns poucos privilegiados. “Por muy difícil que resulte comprender a Heidegger, este pensamiento contenido en su filosofía sí fue captado certeramente.”

Esta teología heideggeriana sin religión positiva ni un Dios personal tiene que encerrar, evidentemente, como toda filosofía de la vida, una nueva y propia teoría del tiempo. Es ésta también una necesidad metodológica. No en vano la rígida contraposición de espacio y tiempo constituía uno de los lados más endebles del racionalismo no dialéctico. Ahora bien, mientras que la superación real de esta falla sólo puede encontrarse en la interdependencia de espacio y tiempo basada en la realidad objetiva, la filosofía irracionalista de la vida dirige desde hace mucho tiempo, desde siempre, sus más enconados ataques contra el concepto de tiempo del racionalismo, y —lo mismo que en el campo de la filosofía social contrapone la cultura y la civilización—, nos presenta el tiempo y el espacio como dos principios diametralmente opuestos y hasta enemigos entre sí. La conquista del tiempo tiene, en un sentido positivo, mucha importancia para la filosofía de la vida —tal es el reverso de aquella intención polémica— porque la identificación de vivencia y vida (existencia), indispensable para su seudoobjetivismo, sólo puede lograrse mediante una concepción subjetivada e irracionalista del tiempo que responde a esa exigencia.”

Bergson, a quien condena —juntamente con Aristóteles y Hegel— como representante de la concepción ‘vulgar’ del tiempo.”

El advenir no es posterior al sido y éste no es anterior al presente. La temporalidad se tempora como advenir presente que va siendo sido.”

Lo que ocurre es que en Bergson, que en la parte esencial de su teoría del conocimiento era un fenómeno de anteguerra y cuya filosofía presentaba muchos puntos de afinidad con Simmel y el pragmatismo, el tiempo vivido era un órgano de la conquista subjetivista-individualista del universo, mientras que en la filosofía de Heidegger, la filosofía del amargo despertar después de la embriaguez, el tiempo ‘real’ se desmundiza, se convierte en algo teológico y carente de contenido, se concentra exclusivamente en el momento de la decisión interior. He ahí por qué Bergson dirige sus tiros, sobre todo, contra el tiempo ‘espacial’ y contra la formación de conceptos en las ciencias exactas y por qué su tiempo ‘real’ se orienta hacia la vida artística, mientras que en Heidegger el tiempo ‘vulgar’ corresponde a la existencia del ‘ser caído’ en el ‘uno’ y el tiempo ‘real’ apunta en dirección de la muerte.”

Heidegger ‘descubre’ que el tiempo desempeña una función central, hasta ahora inadvertida, en la Crítica de la razón pura de Kant, sobre todo en el capítulo sobre el esquematismo.” “Heidegger, por tanto, incluye a Kant entre los padres del irracionalismo moderno.”

Ahora bien, según la concepción heideggeriana de la historia, resulta que la historia real es la ‘impropia’, lo mismo que el tiempo real era el ‘vulgar’.”

Vemos, pues, que lo que Heidegger llama la historia ‘impropia’ no da mucho más de sí que la ‘historicidad’ spengleriana; pero, mientras que en Spengler esta ‘historicidad’ forma parte integrante orgánica de su concepción, en Heidegger viene a estorbar a la idea central y constituye, en última instancia, un lastre inútil. Nace, en parte, de la repugnancia de Heidegger a avenirse al irracionalismo radical, a la repulsa radical de toda cientificidad y, en parte, es una herencia —convertida ahora en elemento inorgánico— de la concepción teológica fundamental que guía el camino heideggeriano hacia la salvación del alma, [o evento?] principio en el que la filosofía heideggeriana —una filosofía sin Dios y sin alma— pierde los principios que le servían anteriormente de pauta y de orientación.”

Después de este análisis de la filosofía existencial de Heidegger, podemos ya resumir en sus líneas más generales la de Jaspers. Una y otra son extraordinariamente parecidas, así en cuanto al punto de partida como en cuanto a las consecuencias a que llegan. Y no deja de ser interesante e instructivo el hecho de que Jaspers se presente abiertamente como psicólogo, ya que ello, unido al desarrollo de la fenomenología en Scheler y en Heidegger y a la influencia cada vez mayor de la psicología descriptiva de Dilthey, viene a coronar el desenmascaramiento de su originaria seudoobjetividad.

La primera obra filosófica influyente de Jaspers, la Psicología de las concepciones del mundo (publicada en 1919), es un intento de ejecución del programa diltheyano de una tipología de las maneras de concebir el universo. Claro está que en ella se renuncia ya por entero al sueño de Dilthey de que la tipología abriera el camino hacia la concepción filosófica objetiva del mundo. Antes al contrario. Bajo la influencia de Kierkegaard y Nietzsche, en quienes Jaspers ve los filósofos de nuestro tiempo, así como bajo la acción del relativismo sociológico de Max Weber, la tipología jasperiana proclamará cabalmente la total repudiación de la posibilidad y del valor de un conocimiento filosófico objetivo.”

Toda teoría formulada sobre la totalidad se convierte en un habitáculo, despojado de la vivencia original de las situaciones liminares y entorpece el nacimiento de las fuerzas que, dinámicamente, buscan el sentido de la existencia futura en la propia experiencia querida, para poner en su lugar la quietud de un mundo penetrado por la visión y perfecto, de un sentido eternamente presente de satisfacer al alma.”

La filosofía existencial se perdería inmediatamente, si creyese saber de nuevo lo que es el hombre. Volvería a suministrarnos los planos para investigar en sus tipos la vida humana y la vida animal, se convertiría de nuevo en antropología, psicología y sociología. Aquella filosofía sólo puede tener un sentido siempre y cuando que carezca de base en su objetividad. Despierta lo que no sabe; ilumina y mueve, pero no plasma nada…”

Como la marcha del mundo es impenetable y hasta hoy ha fracasado lo mejor y puede volver a fracasar; como, por tanto, la marcha del mundo, a la larga, no es en modo alguno lo único que importa que sea, debemos abandonar todos los planes y toda la actuación en torno al remoto porvenir, para dedicarnos aquí y ahora a crear y animar la existencia. . . Hacer al presente lo auténtico es, en fin de cuentas, lo único que con certeza me es dable hacer.”

Jaspers, en cambio, ha publicado un gran sistema de la filosofía en tres volúmenes, con el título entre orgulloso y modesto de Filosofía.”

Heidegger y Jaspers llevan a sus consecuencias más extremas el relativismo y el irracionalismo radicalmente individualistas y filisteamente aristocráticos. Allí donde llegan estas doctrinas encontramos la época glacial, el Polo Norte, un mundo deshabitado, un caos carente de sentido, la nada como en torno del hombre, y el contenido interior de esta filosofía es la desesperación y la soledad irremediable del hombre mismo. Con ello, trazan estos filósofos una imagen bastante fiel de lo que realmente vivía en el interior de extensos círculos de la intelectualidad alemana a comienzos de la década del treinta.”

El hecho de que Heidegger actuase abiertamente como fascista, mientras que Jaspers, por razones puramente particulares, no pudo llegar a tanto y se las arregló para mantener bajo Hitler su otium cum dignitate, para luego, al caer el régimen, mientras el viento parecía soplar de la izquierda, dárselas temporalmente de antifascista, no altera en lo más mínimo la realidad de las cosas.”

es Jünger el primero que interpreta desde el punto de vista de la filosofía de la vida la antítesis de burguesía y proletariado, con objeto de obtener la amplia base social necesaria para la ansiada nueva guerra imperialista”

Es cierto que, personalmente, predomina en Hitler el nihilismo cínico. Por sus conversaciones con Rauschning, sabemos que hasta la teoría racista era considerada por él como un engaño, utilizado sin escrúpulos para sus fines de bandidaje imperialista. La atmósfera general de la agitación hitleriana es, simplemente, una edición popular y vulgar de las tendencias fundamentales de la filosofía de la vida: Hitler rechaza, en la agitación, toda convicción intelectiva, pues para él sólo se trata de producir y mantener en pie un estado de embriaguez”

CAPÍTULO V. EL NEOHEGELIANISMO

HEGEL SEM HEGEL: “la repulsa del método dialéctico, sea expresa o tácitamente, se convertirá, en efecto, en un rasgo constante de toda la renovación de la filosofía de Hegel.” “Siguen manteniéndose en el punto de vista neokantiano, modificado a tono con las condiciones del período imperialista; es decir, siguen separando mecánicamente el fenómeno de la esencia, negándose a reconocer la cognoscibilidad de la realidad objetiva.”

Esta base gnoseológica se revela con gran nitidez en el librito de Julius Ebbinghaus (Relativer und absoluter Idealismus, 1910), obra que, aunque no llegó a ser conocida en amplios círculos de opinión, influyó, sin embargo, de un modo decisivo en el método y las concepciones de los neohegelianos relevantes que vendrían después. La idea central de Ebbinghaus puede resumirse en pocas palabras, diciendo que Hegel no hizo otra cosa que llevar consecuentemente hasta el final todas las consecuencias contenidas en el método trascendental de Kant, al paso que éste se quedó a medio camino con respecto a las consecuencias finales que se desprendían de su propio método. El hegelianismo no es, pues, según esto, sino un kantismo realmente consecuente consigo mismo.”

El libro más importante en relación con el ‘renacimiento hegeliano’ en Alemania es la obra de los últimos años de Dilthey titulado La historia juvenil de Hegel (1907).”

Cierto que también el neohegelianismo es, resueltamente, bastante reaccionario, pero expresa tendencias más moderadas, más reaccionariamente eclécticas, más ‘consolidadas’, de la burguesía”

Hegel —dice Kroneres sin duda el más grande irracionalista que conoce la historia de la filosofía. Ningún pensador antes de él había llegado a iluminar el concepto como él lo ha hecho… Hegel es irracionalista, porque hace valer lo irracional en el pensamiento y porque irracionaliza el pensamiento mismo… Es irracionalista, porque es dialéctico, porque la dialéctica es el irracionalismo convertido en método, el irracionalismo racionalizado, porque el pensamiento dialéctico es un pensamiento racional-irracional.”

Hegel intentó pensar concretamente, filosofar objetivamente, existir como filósofo sustancialmente, dejar que la cosa imperase por sí misma, situarse del lado de acá del realismo y el idealismo, y todo esto es también lo que nosotros queremos hoy.” Glockner

Todo el que haya leído realmente la Fenomenología del espíritu y haya estudiado un poco la historia de su elaboración debe saber que esta cualidad que Hartmann atribuye a la dialéctica hegeliana como algo no susceptible de ser aprendido y su comparación con el genio del artista caracteriza precisamente la concepción schellingiana de la dialéctica, mientras que la metodología de la Fenomenología del espíritu se dirige con una gran fuerza polémica contra tal interpretación, proclamando cabalmente todo lo contrario: la asequibilidad de la esencia de la dialéctica a todos.”

los neohegelianos, por su parte, eran suficientemente conocidos como reaccionarios para merecer que el nacionalsocialismo victorioso los tolerase. (Únicamente se vieron obligados a emigrar los neohegelianos ‘no arios’, como Kroner.) El neohegelianismo siguió, pues, vegetando bajo el Poder nazista; incluso llegó a surgir en Gotinga una especial escuela neohegeliana de filósofos del derecho (Binder, Busse, Larenz y otros); y siguieron editándose colecciones de materiales, monografías, etc., orientadas en esta dirección.”

podemos decir que la trayectoria del neohegelianismo es bastante aleccionadora, como imagen filosófica refleja del papel que el liberalismo, cada vez más decadente (con sus diversas variantes), ha desempeñado en la historia de los avances reaccionarios, del proceso de fascización, y del que está llamado a desempeñar también en el futuro.”

“(Ciertas reminiscencias de este cambio de actitud del pensamiento burgués con respecto a Hegel las encontramos con frecuencia entre los socialdemócratas del período de Weimar.)”

“Muchos siguieron desarrollando sus actividades, y en Berlín siguió existiendo durante largo tiempo una asociación de hegelianos, que publicaba incluso una revista propia (Der Gedanke, 1860-1884). Pero eran contados los que, como Adolf Lasson, por ejemplo, se mantenían fieles al hegelianismo ortodoxo. Cierto es que esta ortodoxia debe interpretarse de un modo históricamente certero.”

CAPÍTULO VI. LA SOCIOLOGÍA ALEMANA DEL PERÍODO IMPERIALISTA

La sociología, como disciplina independiente, surgió en Inglaterra y en Francia al disolverse la economía política clásica y el socialismo utópico, que eran ambos, cada uno a su modo, doctrinas que abarcan la vida social y que se ocupaban, por tanto, de todos los problemas esenciales de la sociedad, en relación con las cuestiones económicas condicionantes. Al crearse la sociología como disciplina aparte, se afronta en ella el estudio de los problemas de la sociedad prescindiendo de su base económica; la supuesta independencia de los problemas sociales con respecto a los económicos es, en efecto, el punto de partida metodológico de la sociología.”

Y, así, surge en uno de los polos la economía burguesa vulgar y, más tarde, la llamada economía subjetiva, disciplina profesional de estrecha especialización y temática muy limitada, que renuncia de antemano a explicar los fenómenos sociales y se propone como su misión esencial hacer desaparecer del campo de la economía el problema de la plusvalía, y en el otro polo nace como ciencia del espíritu al margen de la economía, la sociología.”

con Fourier, se revela ya claramente el carácter internamente contradictorio de la economía capitalista; y, al disolverse la escuela ricardiana, incluso en Proudhon, este problema se manifiesta como el problema central de toda la economía, aunque las diversas soluciones propuestas deban ser reputadas como falsas.”

Es verdad que, al comienzo, principalmente entre sus fundadores, la sociología abraza el partido del progreso social, y el demostrar científicamente éste es cabalmente uno de sus fundamentales propósitos. Pero se trata de un progreso a tono con la burguesía que comienza a deslizarse por la pendiente del declive ideológico: de un progreso que conduce a una sociedad capitalista idealizada, en la que se ve la cúspide del desarrollo de la humanidad. En tiempo de Comte, y no digamos en el de Spencer, no era posible ya llegar a este resultado por el camino de la economía. De aquí que los primeros sociólogos vayan a buscar el fundamento para sus doctrinas a la ciencia de la naturaleza, aplicada por analogía a la sociedad y, de este modo, por tanto, más o menos mitologizada.”

No puede ya, por tanto, cumplir la misión que primeramente se había asignado: la de demostrar el carácter progresivo de la sociedad burguesa, demostración inasequible ahora en el terreno económico, y la de defenderla ideológicamente contra la reacción feudal y el socialismo.”

Alemania carece de una ciencia económica propia y original. En 1875, caracterizaba Marx esta situación en los términos siguientes: ‘La economía política ha sido siempre y sigue siendo en Alemania una ciencia extranjera… Esta ciencia se importaba de Inglaterra y de Francia como un producto elaborado; los profesores alemanes de economía seguían siendo simples discípulos. La expresión teórica de una realidad extraña se convertía en sus manos en un catálogo de dogmas, que ellos interpretaban, o mejor dicho deformaban, a tono con el mundo pequeñoburgués en que vivían… Desde 1848, la producción capitalista comenzó a desarrollarse rápidamente en Alemania, y ya hoy da su floración de negocios turbios. Pero la suerte seguía siendo adversa a nuestros economistas. Cuando habían podido investigar libremente la economía política, la realidad del país aparecía vuelta de espaldas a las condiciones económicas modernas. Al aparecer estas condiciones, surgieron en circunstancias que no consentían ya un estudio imparcial de aquéllas sin remontarse sobre el horizonte de la burguesía’

En esta nueva situación, un grupo de economistas alemanes (Brentano, Schmoller, Wagner y otros) trata de extender los dominios de la economía nacional, hasta convertirla en una ciencia de la sociedad. Se aspira a crear una economía nacional puramente ateórica, empírica, histórica y, al mismo tiempo, ‘ética’ que, repudiando la economía clásica, pueda a la par abordar los problemas de la sociedad.” “No tiene, pues, nada de extraño que el neokantismo positivista por entonces en boga viniera a reforzar estas concepciones en el sentido del agnosticismo empirista.”

(La misma actitud posterior de Dilthey ante Simmel y otros sociólogos del período imperialista es totalmente distinta; más aún, su propia concepción de la historia, tal como va desarrollándose con el tiempo, habrá de convertirse en uno de los factores determinantes de la sociología alemana posterior.)”

Nos referimos a la llamada ‘escuela austríaca’ de Menger, Böhm-Bawerk y otros. Su subjetivismo es tan radical como el de la ‘escuela histórica’. Pero en ella se manifiesta, en vez de la confusa y untuosa tendencia moralizante, un puro psicologismo: la disolución de todas las categorías objetivas de la economía en la casuística de la contraposición abstracta entre lo agradable y lo desagradable. Surgen, así, una serie de seudoteorías que buscan su fundamento exclusivo en los fenómenos superficiales de la vida económica (la oferta y la demanda, el costo de producción, la distribución, etc.) y formulan, a base de ellos, las seudoleyes de las reacciones subjetivas (la de ‘utilidad-límite’, por ejemplo). La ‘escuela austríaca’ se atribuye (Böhm-Bawerk) el mérito de haber superado las ‘enfermedades de infancia’ de los clásicos y también, al mismo tiempo, del marxismo, de una parte, y de otra las de la ‘escuela histórica’. Con lo cual la nueva economía vulgar que así nace deja, lo mismo que en el Occidente, el campo libre a una ciencia especial de la sociología, aparte de la economía y que viene a servirle de ‘complemento’.”

Sin que, aparentemente, guarde ninguna conexión estrecha con estas luchas, aparece en 1887 el libro de la nueva sociología alemana llamado a tener mayor influencia: Comunidad y sociedad (Gemeinschaft und Gesellschaft) de Ferdinand Toennies. Esta obra ocupa un lugar especial en el desarrollo de la sociología alemana. Merece señalarse, ante todo, que la vinculación ideológica de su autor con las tradiciones alemanas clásicas es más acusada que la de los sociólogos posteriores. (…) (Vale la pena indicar, en relación con esto, que más tarde escribirá una biografía de Hobbes que habrá de adquirir notoriedad internacional.) Añádase a esto que Toennies es el primero, en Alemania, que se asimila los resultados de la investigación en torno a la comunidad primitiva, sobre todo los de Morgan y, al mismo tiempo, el primer sociólogo alemán que no rechaza a limine a Marx, sino que trata de reelaborarlo, poniéndolo a contribución para sus fines burgueses. Así, abraza abiertamente el punto de vista de la teoría del valor por el trabajo y desecha la crítica burguesa usual que cree descubrir contradicciones insolubles entre los tomos primero y tercero del Capital. Lo cual no significa, ni mucho menos, que Toennies reconozca el marxismo ni lo comprenda.”

el formular, en términos, absolutos esa falsa contraposición entre civilización y cultura parece ser, a los ojos de muchos intelectuales, un arma eficaz contra el socialismo: puesto que éste lleva adelante el desarrollo de las fuerzas productivas materiales (mecanización, etc.), no es apto tampoco para resolver el pretendido conflicto entre la civilización y la cultura, sino que, lejos de ello, lo perpetúa; por tanto, no vale la pena que los intelectuales, víctimas de dicho supuesto conflicto, combatan al capitalismo en aras del socialismo.”

Marx ha puesto de manifiesto con referencia a la poesía épica, y Engels con respecto a los períodos de florecimiento de la filosofía moderna en las distintas naciones que marchan a la cabeza, como en ciertas y determinadas circunstancias, las situaciones menos desarrolladas son más favorables, para un florecimiento parcial de la cultura, que las que muestran un desarrollo más avanzado.”

El sorprendente antagonismo entre el rápido desarrollo de las fuerzas materiales de la producción y el fenómeno paralelo de las corrientes de decadencia que se revelan en los campos del arte, la literatura, la filosofía, la moral, etc., ha dado pie para que muchos, como hemos visto, desdoblen en dos, desgarrándolo, el campo de la cultura humana, que forma en sí una unidad orgánica y traten de contraponer los elementos que el capitalismo impulsa y desarrolla, bajo el nombre de civilización, a los de la cultura (en el sentido estricto y específico de la palabra), puesta en peligro, hasta el punto de ver en esta antítesis nada menos que la signatura esencial de nuestra época y hasta de toda la trayectoria de la humanidad.”

Cuanto mayor es la influencia que las tendencias de la filosofía de la vida, principalmente las de Nietzsche, ejercen sobre la sociología y las reflexiones en torno a la sociedad en general, con mayor fuerza se afirma el antagonismo entre cultura y civilización, más enérgico y rotundo es el cambio de rumbo hacia el pasado, más ahistórico y antihistórico se torna este planteamiento del problema.”

La ‘comunidad’ se convierte, así, en la categoría que abarca el campo de todo lo precapitalista, en la glorificación de los estados ‘orgánicos’ primitivos y, al mismo tiempo, en la consigna contra la acción mecanizadora y anticultural del capitalismo.”

Las grandes ciudades y la sociedad son, por tanto, la ruina y la muerte del pueblo, que en vano se esfuerza en hacerse fuerte por medio de su número y que, según su modo de pensar, sólo puede valerse de su poder para sublevarse, si quiere verse libre de sus desdichas… Se eleva de la conciencia de clase a la lucha de clases. Y la lucha de clases destruye la sociedad y el Estado que se propone transformar. Y, como toda la cultura se ha trocado en la civilización de la sociedad y del Estado, bajo esta forma metamorfoseada perece la cultura misma…”

Y también podemos considerar a Toennies como antecesor de la sociología posterior en cuanto que se apoya en su crítica de la cultura para apoyar ideológicamente el reformismo en el movimiento obrero; tal, por ejemplo, cuando ve en las cooperativas un triunfo del principio de la comunidad dentro de la sociedad capitalista, etc.” Irônico que o cooperativismo seja ensinado no próprio curso de marxismo (no lugar de Lukács!), que não deveria aceitar essas “respostas a meias”…

Max Weber esboza una historia universal de las religiones, para demostrar que sólo el protestantismo (y, dentro de él, principalmente, las sectas) poseía la ideología favorable a esta racionalización y capaz de estimularla, al paso que todas las demás religiones orientales y antiguas crearon éticas económicas que representaban un entorpecimiento para la racionalización de la vida diaria.”

Para ello, es decir, para que las ambiciones imperialistas de Alemania sean realizables, debe procederse a la democratización interior del país y profundizarla todo lo necesario para alcanzar aquella meta. § Esta posición de Max Weber entraña una repulsa categórica del ‘régimen personal’ de los Hohenzollern y del poder de la burocracia, íntimamente vinculado a él.”

Parece como sí de este modo se asignase a la sociología la importante función de explicar por su parte, en términos concretos, estos procesos genéticos. Pero no hay tal cosa, en realidad. ¿Qué es lo que, en rigor, nos ofrecen los sociólogos? Sus sublimaciones igualmente formalistas conducen a analogías puramente formales, y no a explicaciones causales.”

Max Weber polemiza, a veces, con el exagerado formalismo de Simmel, pero su propia sociología está llena también de este tipo de analogías formalistas. Max Weber establece, por ejemplo, un paralelismo formalista entre la antigua burocracia egipcia y el socialismo, o entre los soviets y los estamentos feudales; y, al hablar de la consagración irracional del Führer (carisma), traza una analogía entre el chamán y el dirigente socialdemócrata Kurt Eisner, etc.”

Por donde Max Weber sólo expulsa al irracionalismo de la metodología, del análisis de los hechos concretos, para introducirlo como la base filosófica de su concepción del mundo, con una decisión hasta entonces desconocida en Alemania. Por otra parte, esta eliminación del irracionalismo del campo de la metodología no es tampoco, ni mucho menos, total.”

cuán indefensos se hallaban, pues, los mejores intelectuales de Alemania ante el asalto del irracionalismo, lo demuestra —para poner solamente un ejemplo— el siguiente pasaje de una carta de Walter Rathenau: ‘Queremos llegar con el lenguaje y las imágenes del intelecto hasta las puertas de la eternidad; no para derribarlas, sino para acabar con el intelecto, al realizarlo.’

El más caracterizado representante de esta forma de transición es Alfred Weber, hermano de Max y más joven que éste.”

El democratismo tantas veces proclamado se ve traicionado ignominiosamente por el miedo a las posibilidades socialistas de una democracia llevada hasta sus últimas consecuencias.”

Alfred Weber, que en su enjuiciamiento de la historia de Alemania coincidía en lo esencial con su hermano, se desvía de este camino de la apreciación sobria y serena de la realidad precisamente cuando se trata de extraer las consecuencias decisivas, y capitula ante la concepción reaccionario-chovinista, a la que hace importantes concesiones.”

La tendencia a excluir a Marx y al marxismo de la cultura alemana era, desde el primer momento, una tendencia aparejada a toda reacción antidemocrática, aunque cualquiera que estudiase el problema con cierta imparcialidad tenía que convencerse necesariamente de cuán profundamente enlazado se hallaba el marxismo con la ideología del período de florecimiento de la cultura alemana, con el período que va de Lessing a Heine y de Kant a Hegel y a Feuerbach.”

Toda evolución es racionalista y sólo tiene un sentido metodológico fuera del campo de la cultura; la cultura no conoce ninguna clase de desarrollo, de progreso; sólo hay en ella una ‘corriente viva’, entendida a la manera auténticamente bergsoniana. Alfred Weber rechaza, aquí, toda perspectiva, todo ‘pronóstico de la cultura’ del porvenir; el futuro es —visto de un modo consecuentemente irracionalista— un misterio.”

CONTRA O <CARISMA> DE WEBER: “Entretanto, el materialismo histórico se había encargado de esclarecer el problema mismo hasta mucho más allá del límite a que había llegado Hegel. El análisis de las luchas de clases y de la diversa composición y estructura de las clases, que varía, además, con arreglo a los distintos períodos históricos, países y grados de desarrollo, ofrece la posibilidad metodológica de plantear y resolver con toda claridad aquello que en este problema es auténticamente científico y susceptible de solución, en el sentido de que la lucha económica y política de una clase va siempre unida al desarrollo de una capa de dirigentes cuyo tipo, composición, selección, etc., hay que explicarse científicamente partiendo de las condiciones de la lucha de clases, de la composición, el grado de desarrollo, etc., de la clase, de la acción mutua entre la masa y los dirigentes, etc. En la obra de Lenin titulada ¿Qué hacer? tenemos el modelo de este tipo de análisis, en cuanto al contenido y al método.”

El más caracterizado representante de estas tendencias, entre la joven generación de los sociólogos alemanes, es Karl Mannheim. En la formación de sus concepciones tuvieron las influencias de la ‘estabilización relativa’ un papel más decisivo aún que en la formación de las ideas de Alfred Weber, que pertenecía a una generación anterior. Esto explica por qué, en vez de la sociología de la cultura abiertamente mística e intuicionista de éste, nos encontramos en Mannheim con una ‘sociología del saber’ escépticamente relativista y que coquetea con la filosofía existencia!.”

Después de debatirse desesperadamente contra el hecho de que el ser social determina la conciencia, la teoría del conocimiento y la sociología burguesas se ven obligadas a capitular ante el materialismo histórico en este problema.”

Y esta tendencia abstracta de la tipología va tan allá, en Mannheim, que sus diversos tipos abarcan las tendencias más heterogéneas y contradictorias entre sí, solamente para poder poner de manifiesto en la realidad histórico-social un número resumido y limitado de tipos. Así, vemos cómo identifica, para hacerlos encajar en tipos únicos, la socialdemocracia y el comunismo, de una parte, y de otra el liberalismo y la democracia. En este punto, le aventajará considerablemente, como veremos, un reaccionario tan descarado como C. Schmitt, quien pone de manifiesto cómo la contraposición entre democracia y liberalismo entraña un problema importante de nuestro tiempo.”

Ahora bien, por qué el pensamiento de la ‘intelectualidad libre’ no se halla ya ‘vinculado a una situación’, por qué el ‘relacionalismo’ no se aplica, por lo que a él se refiere, a sí mismo, como exige que lo haga el materialismo histórico, constituye un misterio de la sociología del saber.”

Puede llegar a crecer tanto el temor a una guerra futura, con su espantosa potencia de destrucción, que funcione exactamente lo mismo que el miedo a un enemigo real de fuera. En este caso, y por el temor a la futura destrucción general, se impondrían las soluciones generales de avenencia y todos se someterían a una organización central de cobertura, encargada de llevar a cabo la planificación para todos.”

Indefensión que, como demuestra el ejemplo del propio Mannheim, no es superada por las mismas experiencias del fascismo. Sus ideas, tal como en este libro quedan esbozadas, representan la ideología de la capitulación indefensa ante la ola reaccionaria de la posguerra, ni más ni menos que su sociología del saber había representado dicha capitulación en el período anterior a la guerra.”

Característico de esta situación es el papel episódico que desempeñó en la sociología alemana un reaccionario tan descarado como Othmar Spann. Ya mucho antes de que Hitler tomara el poder, vemos a Spann compartir la mayoría de las concepciones sociales del fascismo. Sus principales adversarios son las ideas liberales de 1789 y, sobre todo, las ideas marxistas de 1917. Es el antecesor de aquellas demagogias del nacionalsocialismo que acusan de marxismo a todo el que no sea un reaccionario redomado; acusación que Spann formula incluso contra los dirigentes de la economía alemana, y de un modo especialmente enconado contra Max Weber.”

Finalmente, en la jerarquía escolástico-católica de Spann no hay lugar ni para el racismo ni para la mística irracionalista del Führer. Spann estuvo muy de moda durante algún tiempo entre todos los oscurantistas alemanes por razón de sus tendencias generales reaccionarias, pero se vio desplazado más tarde por el fascismo hitleriano.”

[la historia de la decadencia es] la historia de la economización… Cuando se viene por tierra un estilo, resulta verdad aquello de que la historia universal es la historia de las luchas de clases” Freyer

La categoría capital es una especificación de la trascendente categoría decadencia, categoría filosófico-cultural-metafísica y sociológica. El capital es la forma de decadencia de la vida económica. El error fundamental en que incurren el marxismo y el propio Marx consiste en considerar la decadencia como una forma del capitalismo, en vez de ver en el capitalismo una forma de la decadencia.” Hugo Fischer, discípulo de Freyer

La filosofía materialista, aunque sea ‘un mito loco’, ‘una especie loca de quiliasmo’ [¿?] ‘es la primera que ha comprendido íntegramente la revolución desde la izquierda’. Pero la revolución no se produjo. El siglo XIX ‘se liquidó a sí mismo’.”

El principio revolucionario inherente a una época no es, por su esencia, una estructura, una ordenación, una construcción, sino simplemente fuerza, explosión, protesta… Pues de lo que se trata, cabalmente, es de que el nuevo principio se atreva a permanecer como la nada activa en la dialéctica del presente, como la pura fuerza del Estado; de otro modo, se verá trabado de la noche a la mañana y jamás se manifestará en su acción” Freyer

En Carl Schmitt se revela todavía con mayor claridad, si cabe, cómo la sociología alemana desemboca en el fascismo. Este autor es un jurista o, mejor dicho, un filósofo y un sociólogo del derecho.”

Esta actitud metodológica, este interés apasionado por la teoría de la dictadura guarda relación, en Schmitt, con el hecho de que se muestra desde el primer momento irreductiblemente hostil frente al sistema weimariano. Al comienzo, esta hostilidad se manifiesta en él como una crítica científica, como la exposición de la crisis de la ideología liberal y, en relación con ello, del sistema parlamentario. Por oposición a Karl Mannheim, quien, como veíamos, identificaba sencillamente el liberalismo y la democracia, Schmitt incorpora a su sistema toda la polémica antidemocrática del siglo XIX, para poner de relieve el irreductible antagonismo entre el liberalismo y la democracia y demostrar cómo la democracia de las masas se convierte necesariamente en la dictadura.”

Así, después de haber sido exterminados implacablemente los partidarios de la ‘segunda revolución’ (1934), Schmitt escribió un estudio titulado El Führer defiende el derecho (Der Führer schützt das Recht), con el que trataba de justificar las formas más descaradas de la arbitrariedad jurídica fascista, abogando resueltamente en pro de la idea de que el Führer era el único llamado a ‘distinguir entre los amigos y los enemigos…’

Es en la guerra donde se contiene el meollo de las cosas. El tipo de la guerra total determina el tipo y la estructura de la totalidad del Estado. Y la guerra total deriva su sentido del enemigo total.”

Como se ve, Schmitt no se limita a apoyar la bestial dictadura hitleriana en el terreno de la política interior, sino que, ya antes de que estalle la segunda Guerra Mundial, durante el período de su preparación, se convierte en el ideólogo jurídico más descollante de los planes de conquista mundial de la Alemania de Hitler.”

De este reparto del mundo que garantizara a Alemania y al Japón sus ‘grandes zonas’ correspondientes, debería arrancar, según Schmitt, el nuevo y más alto estado del derecho internacional, en el que ya no había, como antes, simplemente Estados, sino ‘Imperios’.”

De los profesores alemanes se dijo una vez que eran la guardia de corps espiritual de los Hohenzollern; en este período a que nos referimos, se convirtieron en los S.A. y los S.S. intelectuales.”

CAPÍTULO VII. EL DARWINISMO SOCIAL, EL RACISMO Y EL FASCISMO

Los ideólogos de la nobleza comienzan a defender las desigualdades estamentales entre los hombres con el argumento de que estos privilegios no son sino la expresión jurídica de la desigualdad que la propia naturaleza establece entre las diversas clases de hombres, entre las razas, razón por la cual forman parte de la ‘naturaleza’ misma, contra la que ninguna institución puede atentar sin atentar, al mismo tiempo, contra los más altos valores de la humanidad.”

Ya a comienzos del siglo XVIII escribió el conde de Boulainvilliers (1727) un libro tratando de demostrar que la nobleza francesa era la descendiente de la antigua raza dominante de los francos, al paso que el resto de la población llevaba en sus venas la sangre de los galos sometidos.”

Pero, casi por los mismos años en que se publicaba el libro del citado profesor de Magdeburgo veía la luz una obra llamada a colocar —poco a poco— la idea de la raza en un plano primordial, y no en un país solamente, sino en el mundo entero: el Ensayo sobre la desigualdad de las razas humanas, del francés Gobineau.”

mientras que, aquí, los junkers poseían las posiciones políticas de poder sin que nadie se las disputara, de tal modo que la capitalización de Alemania no podía llevarse a cabo más que sometiéndose a sus intereses, en Francia la reacción del Segundo Imperio trajo una desilusión para los círculos legitimistas-feudales que en los años de la crisis revolucionaria, habían hecho posible la subida al poder de Luis Napoleón, como parte integrante que eran del ‘partido del orden’.”

En sus cartas a Tocqueville, se queja de que los franceses silencian su libro y de que éste no ha alcanzado verdadera influencia más que en los Estados Unidos. Tocqueville, que en lo personal se muestra amigo de Gobineau, pero que rechaza las ideas mantenidas en su obra, hace notar que aquella influencia se debe, sencillamente, a que el libro favorece los intereses de los esclavistas del Sur.”

Lo que quiere decir que, en las condiciones del siglo XIX y XX, la teoría racista sólo puede hacerse revivir eficazmente siempre y cuando que se la convierta en un arma ideológica puesta en manos de la burguesía reaccionaria. También la teoría racista, desde Gobineau hasta Rosenberg, hubo de seguir la misma trayectoria de aburguesamiento por la que, según hemos visto, pasó el irracionalismo filosófico general, partiendo de Schelling y pasando por Schopenhauer, Nietzsche, etc.”

El activismo de la teoría racista posterior brota, por tanto, de la misma raíz pesimista, anti-evolucionista, que en Gobineau. Lo que ocurre es que la desesperación fatalista deja el puesto a un activismo aventurero y desesperado.”

La vieja teoría racista no puede ser más simple, y hasta podría afirmarse que apenas es una teoría; parte del hecho de que todo el mundo sabe quién es aristócrata. El aristócrata, por serlo, pertenece a la raza pura y desciende de una raza superior (de los francos, por ejemplo, en contraposición a los celtas plebeyos de las Galias). La teoría racista moderna no puede mantener ya, a la vista del desarrollo de la ciencia, estas posiciones tan simples. Se ve obligada a hacer un repliegue táctico. Hoy, es un hecho generalmente conocido de la ciencia que no hay ni ha habido nunca (por lo menos, en los tiempos históricos) una sola raza pura. Y asimismo sabe y reconoce ya hoy todo el mundo que las características objetivas para distinguir unas de otras las diversas razas forman un número extraordinariamente limitado y que, además, estos criterios fallan totalmente cuando se trata de la determinación racial de un pueblo histórico, de una nación, y no digamos de un individuo.”

Chamberlain, que por lo demás toma mucho de Gobineau sin decirlo, rechaza categóricamente la obra de este autor, a quien echa en cara no tener ni la más remota idea de lo que es la ciencia natural. He aquí las palabras de Chamberlain: ‘Una teoría de la raza realmente útil y digna de ser tomada en serio no puede construirse sobre las fábulas de Sem, Cam y Jafet ni sobre una serie de intuiciones, por muy ingeniosas que ellas sean, mezcladas con hipótesis absurdas, sino solamente sobre los conocimientos extensos y a fondo que nos suministran las ciencias naturales.’

El negro posee . . . en grado muy alto aquellas dotes sensuales sin las que el arte sería inconcebible. Pero, de otra parte, la carencia de dotes espirituales lo incapacita para el refinamiento de las artes… Para que aquellos talentos puedan dar frutos, necesita mezclarse con una raza dotada de otro modo.”

por un lado, Gobineau sostiene que el cristianismo constituye la manifestación más alta de la cultura y que todos los hombres, cualquiera que sea la raza a que pertenezcan, son capaces de participar de esta cultura superior, mientras que, por otro lado y al mismo tiempo, sostiene que las razas inferiores no son, por principio, susceptibles de abrazar la civilización, y sólo sirven para trabajar como esclavos, como máquinas animadas, como bestias de tiro, al servicio de las razas superiores.”

Las diferencias en cuanto a las fases de cultura no significan ya, para las teorías raciales, etapas de desarrollo recorridas sucesivamente por el mismo pueblo y la misma sociedad, sino que cada una de estas fases se equipara a determinadas razas y se entrelaza con ellas de un modo perenne, metafísico. Ciertas razas son siempre bárbaras, mientras que otras no han pasado jamás por la fase del salvajismo o la barbarie. Así, para Gobineau, el paso de la edad de piedra a la edad de bronce significa, sencillamente, un cambio de razas.”

Gobineau afirma que las razas blancas pelearon desde el primer momento contra sus enemigos con carros de guerra y que conocieron desde el primer día la elaboración de los metales, de la madera y del cuero. ‘Las razas blancas primitivas sabían tejer telas para vestirse. Vivían en grandes aldeas, adornadas con pirámides, obeliscos y túmulos de tierra o piedras. Domaron el caballo… Sus riquezas consistían en copiosos rebaños de toros y vacas.’

Pasa cerca de medio siglo antes de que la nueva teoría racista encuentre en Chamberlain un teórico tan descollante como la antigua, al declinar, lo había encontrado en Gobineau.”

Por lo demás, te diré que Darwin, a quien estoy leyendo, es verdaderamente magnífico. La teleología, que aún no había sido destruida en uno de sus aspectos, cae ahora por tierra. Además, jamás habíamos asistido a un intento tan grandioso de demostrar el desarrollo histórico en la naturaleza, o, por lo menos, con tanto éxito.” Engels a Marx

Aunque desarrollado en un tosco inglés, es éste el libro en que se contienen los fundamentos de nuestra concepción en el terreno de la historia natural.” O sempre mais esperto Marx, a Engels.

No son las doctrinas de Buda, ni las palabras de Cristo, ni los ‘principios’ de la Revolución francesa las que resuenan por sobre el estrépito de las luchas de los pueblos; el grito que aquí se escucha es este otro: ¡Aquí los arios, aquí los semitas, aquí los mongoles, aquí los europeos, aquí los asiáticos, aquí los blancos, aquí la gente de color, aquí los cristianos, aquí los musulmanes, aquí los germanos, aquí los latinos, aquí los eslavos! Y así sucesivamente, en mil variaciones distintas. Bajo estos gritos de batalla se hace la historia, se derrama a torrentes la sangre de los hombres, para que se cumpla una ley natural histórico-universal que todavía estamos muy lejos de haber llegado a conocer.” Gumplowicz

De cuán triste papel hacen todas esas mediciones de cráneos de los antropólogos y otras cosas por el estilo ha podido convencerse todo el que haya tratado ir a buscar a semejantes investigaciones elementos de juicio acerca de los diferentes tipos de la humanidad. Todo aparece, aquí, revuelto y confuso, y las cifras y ‘medidas medias’ no acusan ningún resultado tangible. Lo que un antropólogo considera como el tipo germánico encaja, según otro, en el tipo eslavo. Hay entre los ‘arios’ tipos mongoles, y a cada momento se expone uno, siguiendo los criterios ‘antropológicos’, a confundir a los ‘arios’ con los semitas, y viceversa.”

Los jefes de la revolución eran casi todos ellos germanos. . . La revolución elevó al Poder simplemente a otra capa de la raza germánica. Sería un error creer que en Francia fue a parar el poder a manos del ‘tercer estado’. Sólo subió al poder la burguesía, es decir, la capa germánica alta de los burgueses, del mismo modo que en el movimiento obrero actual, considerado desde el punto de vista antropológico, se abren paso, simplemente, hacia el poder y la libertad, las capas germánicas superiores de la clase obrera.” Woltmann

Estas vacilaciones e inconsecuencias hicieron de la teoría racista de Woltmann un episodio puramente pasajero, aunque muchas de sus sugestiones habrían de ser recogidas más tarde por el fascismo.”

Todos los elementos primigenios arios y germánicos que dormitaban en mí, poderosamente sedimentados y que iban abriéndose paso, poco a poco, en dura lucha, se revelaban abiertamente contra lo ‘tradicional’, manifestándose no pocas veces bajo formas muy peregrinas, con frecuencia de un modo informe, ya que apenas se trataba más que de oscuras intuiciones, a veces agitándose inconscientemente dentro de mí y pugnando por encontrar un camino. Hasta que llega usted y, con un golpe de su varita mágica, pone orden en el caos y hace luz en las tinieblas; metas por las que hay que luchar y trabajar; esclarecimiento de los caminos antes vagamente intuidos que deben seguirse, en bien de los alemanes y, por ello mismo, en bien de la humanidad.” Carta do imperador Guilherme II a Chamberlain

Mi fe en la causa alemana no había decaído jamás, aunque sí debo reconocer que mi esperanza había sufrido una depresión profunda. Mi estado de ánimo se siente ahora renacer, de pronto, gracias a usted. El hecho de que Alemania haya podido engendrar, en la hora de máximo peligro, un Hitler, es una prueba de su vitalidad; y lo mismo las consecuencias que de él emanan, pues ambas cosas, la personalidad y las consecuencias, forman una unidad. ¡Y qué maravillosa confirmación de esto el hecho de que el grandioso Ludendorff se adhiera abiertamente a usted y abrace el movimiento que usted encabeza!” Carta de Chamberlain a Hitler, 1923

Lagarde sostenía que todo el Antiguo Testamento debiera eliminarse de la doctrina cristiana, ya que, según él, ‘su influencia ha hecho fracasar el Evangelio, en cuanto ello era posible.’

La posesión de la ‘raza’ tiene una fuerza de convicción inmediata como ninguna otra cosa, en la propia conciencia. Quien pertenezca a una raza marcadamente pura, lo sentirá cotidianamente.”

(Y no resulta difícil darse cuenta de cuán íntimos son los contactos entre las tendencias metodológicas de Chamberlain y Nietzsche, de una parte, y de otra, la teoría de la intuición de la ‘psicología descriptiva’ diltheyana y de la ‘eidética’ fenomenológica.)”

Aristóteles se limitó a sustituir un mito por otro. … sencillamente porque ninguna concepción del mundo puede arreglárselas sin mitos, los cuales no son simplemente un recurso para salir del paso y llenar lagunas, aquí y allá, sino el elemento fundamental, que lo informa todo.”

los filósofos indios sabían exactamente que sus mitos eran mitos.” “Kant es el primero que infunde al hombre la conciencia de sus propias creaciones de mitos.” Mitos perdem sua eficácia numa idade em que o homem os pensa como involuntários, herdados, e não autocriados.

lo que Max Weber había hecho con muchas reservas, lo hace ahora sin el menor escrúpulo Chamberlain, como antes de él lo hiciera Nietzsche: crea el mito, como el terreno en que pueden brotar de un modo natural las respuestas que se buscan.”

La línea chamberlainiana de la ‘auténtica’ religión ario-germánica va de la antigua India a Cristo y de Cristo a Kant. La antigua India, antes de hundirse por la mezcla de razas, tenía, en este respecto, una situación mucho más favorable: ‘La religión era allí, a la par, la portadora de la ciencia . . .; entre nosotros, por el contrario, toda auténtica ciencia se ha hallado siempre en lucha con la religión.’

Esta mentira, que envenena la vida del individuo y de la sociedad. . ., proviene solamente del hecho de que nosotros, los indoeuropeos. . ., nos hemos humillado hasta el punto de aceptar la historia judía como el fundamento y la magia sirio-egipcia como el remate de nuestra supuesta ‘religión’.”

Nadie podría probar que el predominio del germanismo represente una dicha para todos los habitantes de la tierra; desde el primer momento y hasta el día de hoy, vemos a los germanos pasar a cuchillo tribus y pueblos enteros… para poder ensancharse en el mundo.”

Talvez o mais perigoso seja não olhar no fundo de abismo algum, por covardia, e fugir sempre do inexorável niilismo, sendo desonesto, escapando sempre do confronto consigo mesmo.

La gran hazaña del Cristo ario, del cristianismo, vióse ya completamente desfigurada por el semijudío Pablo, y sobre todo por Agustín, el hijo del caos de los pueblos. Surge así en la Iglesia romana, como paralelo y antítesis del materialismo abstracto de los judíos, un ‘materialismo mágico’, tan peligroso para la propia y específica concepción germánica del mundo como el otro.”

E MORREU: “Lo que se ventila en esta lucha, según Chamberlain, es la dominación del mundo o la muerte: la Alemania que él se representa sólo puede ser un Estado imperialista agresivo: ‘o domina el mundo. . . o desaparece del mapa; se trata de vencer o de morir’.”

Las viejas formas y las viejas consignas (‘Por Dios, por el Rey y por la Patria’; ‘La esencia alemana curará al mundo’; hay que plegarse a la ortodoxia protestante, etc.) se mantienen en pie hasta en plena República de Weimar y conservan su fuerza en determinados círculos, cuantitativamente limitados, de la pequeña burguesía.”

La ‘nación’ es una expresión política de la democracia y del liberalismo. Tenemos que desembarazarnos de esta falsa construcción y sustituirla por la concepción de la raza, que aún no está desgastada políticamente. … Yo sé perfectamente… que, científicamente hablando, no existe tal cosa… Lo que ocurre es que, como político, necesito una idea que permita acabar con los fundamentos históricos anteriores, para implantar en vez de ellos un orden antihistórico completamente nuevo y dar a este orden una base intelectual” Hitler

No. Si los suprimiéramos, tendríamos que volver a inventarlos. Es importante tener siempre delante un enemigo visible, corpóreo, y no simplemente abstracto.” Hitler, sobre se realmente exterminaría todos os judeus

La ‘originalidad’ de Hitler consiste en haber sido el primero a quien se le ocurrió aplicar la técnica de la publicidad norteamericana a la política y la propaganda alemanas.”

Todo intento de concebir el hitlerismo como la renovación de cualquier vieja barbarie pasa por alto los que constituyen precisamente los rasgos esenciales específicos y decisivos del fascismo alemán.” Algo muito técnico e essencialmente novo.

Hitler y Rosenberg toman de Chamberlain tres puntos de vista fundamentales: en primer lugar, el concepto del caos de pueblos y de la lucha en contra de él; en segundo lugar, la capacidad de regeneración de las razas, y, en tercer lugar, la teoría racista como un sustitutivo de la religión a tono con los nuevos tiempos.”

Ya en Chamberlain vemos que los judíos son los portadores de la funesta idea de la igualdad. Ahora, se equiparan el capitalismo y el socialismo como emanaciones de esta perniciosa idea y contra ambos se dirigen los tiros, como los exponentes actuales del caos de los pueblos.”

como el socialismo trata de vencer al capitalismo en un camino reservado al futuro, es decir, progresivamente, en la línea de un desarrollo superior de las fuerzas productivas, problemas que estos ideólogos sólo enfocan desde el punto de vista de la técnica y, cuando mucho, en el plano de la división del trabajo, fácilmente se llega por aquí a la identificación del capitalismo (rechazado) y el socialismo.”

Uno de los primeros que formuló esta identificación, y de un modo impresionante por cierto, fue Dostoyevski (en su obra De entre las sombras de una gran ciudad). [¿??] Y, en el campo filosófico, también Nietzsche hubo de proclamar con mucha eficiencia esta idea, al englobar bajo el nombre de democracia todo lo que había de reprobable en el capitalismo.”

La autoridad arracial reclama la anarquía de la libertad. Roma y el jacobinismo, bajo sus formas antiguas y en sus manifestaciones posteriores más puras, en Babeuf y en Lenin, se condicionan, en su interior, mutuamente.” Rosenberg

apenas se la puede considerar ya como un Estado europeo, pues es más bien, hoy, una prolongación del África, gobernada por judíos” Sobre a França.

Quando a Alemanha pensava ainda em estabelecer uma união de potências européias contra a União Soviética: “de pronto, la Francia a la que quería atraerse como aliado circunstancial había dejado de ser un país ‘bastardeado’ para convertirse en un país de campesinos, cuyo rasgo fundamental y decisivo era ‘la adoración de la tierra’, es decir, algo francamente positivo, a los ojos de la ‘concepción del mundo nacionalsocialista’.”

Cuando se propaga la teoría racista en los grandes mítines, es conveniente operar con las características raciales ‘exactas’, discernibles por los sentidos y fácilmente comprensibles. En cambio, para el aparato gubernamental del despotismo fascista, el criterio más indicado, precisamente por ser el más arbitrario, es aquel criterio ‘interior’, señalado por Krieck.”

Rosenberg afirma que en Alemania existen, por lo menos, cinco razas, pero que sólo ‘la raza nórdica’ es la que ‘da auténticos frutos culturales’.”

La concepción hitleriana del Führer es, sencillamente, la variante modernizada y plebiscitaria de la vieja concepción prusiana del rey, de la teoría del ‘gobierno personal’ del monarca, responsable de sus actos solamente ante Dios.”

Toda verdadera decisión se halla en manos del Führer; y si éste decide de otro modo que como se expone en esta obra —de carácter oficial— no es que el nacionalsocialismo haya cambiado de manera de pensar, sino que los autores no han sabido interpretar bien la verdadera posición nacionalsocialista ante estos problemas concretos.”

La brutalidad inspira respeto… El hombre común y corriente de la calle sólo respeta la fuerza brutal y la falta de conciencia. . . El pueblo necesita ser mantenido en un saludable temor. Desea temer a algo. . . ¿Por qué murmurar acerca de la brutalidad e indignarse ante las torturas? Las masas lo desean. Desean algo que les infunda el escalofrío del pánico.” Hitler

Tanto da que el suicidio del criminal contra el mundo, de Hitler, se interprete o no como una capitulación. Lo que sí puede asegurarse es que el año 1945 no ha sido un nuevo 1918. El derrumbamiento de la Alemania hitleriana no es una simple derrota, por muy grave que ella sea, un simple cambio de sistema, sino el final de toda una trayectoria. Ha venido a dar al traste con la falsa instauración de la unidad alemana que comenzó inmediatamente después de derrotada la revolución de 1848, para consumarse en 1870-71, y replantea en términos completamente nuevos este problema central de la nación alemana. Más aún, puede afirmarse que toda la historia frustrada de Alemania se pone ahora a revisión. Un hombre que tenía tan poco de extremista radical como Alejandro de Humboldt lo decía ya hace unos cien años: Alemania equivocó su camino con la derrota de la guerra de los campesinos; y a ella hay que retrotraerse para encontrar el rumbo certero; lo que ha sucedido de entonces acá ha sido una consecuencia necesaria.”

Hitler, como el realizador práctico del irracionalismo, fue el ejecutor testamentario de Nietzsche y de toda la trayectoria filosófica posterior a él y que arranca de él.”

Tras Pushkin y Gogol, vienen los grandes teóricos democrático-revolucionarios, Belinski y Herzen, Chernichevski y Dobroliubov. La obra de estos pensadores hizo posible que el país de Tolstoi pudiera asimilarse, incorporándolo también a la propia cultura nacional, el pensamiento de Lenin y Stalin, como grandes figuras fecundadoras y señaladoras de caminos. Para los rusos, el socialismo y la compenetración con la propia cultura nacional representa una unidad orgánica, y no un doloroso antagonismo, como para tantos y tantos entre los mejores alemanes del siglo pasado.” Porém a decadência da intelligentsia russa será de ordem similar à alemã.

EPÍLOGO. SOBRE EL IRRACIONALISMO EN LA POSGUERRA

el final de la guerra no ha sido sino la preparación de otra contra la Unión Soviética y la acción ideológica sobre las masas, con vistas a esta guerra, es un problema capital para el mundo imperialista.”

La coalición antifascista se desmorona rápidamente, y las potencias ‘democráticas’ se entregan con energía cada vez mayor a la ‘cruzada’ contra el comunismo, recogiendo sin pérdida de momento la bandera central de la propaganda hitleriana.”

la apariencia de seguir luchando contra el ‘totalitarismo’, pero englobando ahora bajo este nombre el fascismo y el comunismo, a los que se considera como la misma y única cosa.” Né, Hannah Arendt?

Después de la victoria del socialismo en las democracias populares del centro de Europa y en China y a la vista del auge de los poderosos partidos comunistas de masas, sobre todo en Francia y en Italia, es natural que todo grupo del capitalismo monopolista considere una aventura demasiado temeraria el lanzar de nuevo la consigna de ‘otro’ socialismo, como maniobra para desviar del comunismo a las masas.”

La energía cinética de un país es la organización, el esfuerzo concentrado; el fascismo, como ustedes lo llaman. El plan del fascismo es, bien considerada la cosa, mucho más sano que el del comunismo, ya que se basa reciamente en la verdadera naturaleza del hombre; lo que ocurre es que se ha puesto en marcha en un país poco apto para ello, que no posee bastante verdadero poder potencial para desarrollarse íntegramente. En Alemania, que adolece de una escasez fundamental de recursos naturales, tenían que producirse necesariamente excesos, pero la idea y el plan eran buenos… En el siglo pasado, todo el proceso histórico fue desarrollándose en el sentido de crear concentraciones de poder cada vez mayores. El siglo en que vivimos alumbra nuevas fuentes de energía física y trae consigo la expansión de nuestro universo, las fuerzas políticas y la organización necesarias para hacer posible esto, por vez primera. Por primera vez en nuestra historia tienen los poderosos hombres de Norteamérica, os lo aseguro, la conciencia de sus verdaderas metas. Fíjese usted bien: después de la guerra, nuestra política exterior será mucho más descarnada y menos hipócrita que antes.” General Cummings, personagem fictício de Mailer

El degaulista Raymond Aron señala en algún lugar, deplorándola profundamente, la ineficacia de la propaganda norteamericana entre la intelectualidad francesa e incluso la actitud hostil de ésta frente a ella, aduciendo como razón la de que ‘para la mayoría de los intelectuales europeos, el anticapitalismo es mucho más que una simple teoría económica: es un artículo de fe’.”

Es perfectamente natural, a tono con esto, que también en la filosofía predomine, no ya el tipo alemán del irracionalismo, sino el tipo machista pragmático. Toda la semántica de los Estados Unidos, el neomachismo de Wittgenstein y Carnap y el desarrollo ulterior del pragmatismo por Dewey se hallan determinados en su integridad, socialmente, por este cambio de rumbo.”

Se mantiene en pie, intacta, la vieja postura machista de la ‘rigurosa cientificidad’, pero, a la par con ella, se acentúa el alejamiento de la realidad objetiva, llevándolo hasta mucho más allá de los límites anteriores. La misión de la filosofía no consiste ya en un ‘análisis de las sensaciones’, sino simplemente en el del significado de las palabras y la estructura de las frases.”

El marxista inglés Cornforth muestra muy claramente esto; he aquí las palabras por él citadas del libro de Barrows Dunham, Man against Myth: ‘Vemos, pues, claramente, que no existen perros en general, que no existe el género humano, ni el sistema de ganancias, ni partidos, ni fascismo, ni gentes desnutridas, ni vestidos hechos de harapos, ni verdad, ni justicia social. Y, así las cosas, no existe un problema económico, ni un problema político, ni un problema del fascismo, ni un problema alimenticio, ni un problema social… En un abrir y cerrar de ojos —concluye—, estos filósofos borran del mundo, como por ensalmo, todos los problemas importantes que han torturado al género humano a todo lo largo de la historia de la humanidad.’

Heidegger, Sartre, Kafka y Camus nos permiten todavía seguir viviendo con la confianza puesta en la existencia de un mundo. La ruptura proclamada por ellos, por muy espantosa que resulte, no es todavía una ruptura radical. El suelo sobre el que pisan todavía se sostiene. El terremoto que nos estremece reduce a escombros nuestras antiguas moradas, pero también entre las ruinas se puede seguir viviendo, y se puede reconstruir lo destruido. Wittgenstein, en cambio, nos deja, después de estas tristes pérdidas, en la más completa orfandad. Pues si con las ruinas desaparece el suelo sobre el que descansan y con el árbol derribado toda su raigambre, ya no tendremos nada sobre que apoyamos, ya no podremos reclinarnos siquiera contra la nada o hacer frente, con claridad de espíritu, al absurdo, sino que tendremos que desaparecer totalmente.” Ferrater Mora

La victoriosa resistencia del Ejército soviético frente a la potencia militar más fuerte del mundo y su victoria aplastante sobre Hitler, las gigantescas obras pacíficas del período de posguerra, la capacidad de la U.R.S.S. de producir también bombas atómicas, etc., etc., ponen de manifiesto irrefutablemente ante el mundo entero el alto nivel económico y técnico de la economía socialista y su curva de desarrollo sin cesar ascendente.”

Nada revela mejor que la polémica mantenida entre Camus y Sartre cuán profundamente ha calado el ‘principio Krawtschenko’¹ en las discusiones filosóficas que podrían parecer más abstractas. El último libro de Camus fue analizado en una crítica muy severa, pero objetiva, de Francis Jeanson, publicada en la revista de Sartre. Camus escribió una respuesta llena de encono, en la que se rehuyen todas las argumentaciones sustanciales, principalmente en torno al problema de la historicidad, sobre el que volveremos brevemente más adelante, para colocar en el centro de un debate filosófico la cuestión Krawtschenko y el tema de los campos de trabajo punitivo en la Unión Soviética; y esto, en una polémica sobre Hegel y Marx, sobre la revolución, sobre la necesidad histórica y la libertad del individuo. En su réplica, Sartre se niega, y con razón, a entrar en los dislates demagógicos de Camus. Refuta serenamente sus argumentos, y se contenta, en este punto, con desenmascarar la mala fe moral de Camus y de sus congéneres. ‘Hablemos en serio, Camus —le dice—, y dígame usted, por favor, qué sentimientos suscitan las revelaciones de Rousset en un anticomunista. ¿Son, acaso, sentimientos de desesperación o de amargura? ¿Es un sentimiento de vergüenza de ser hombre? ¡Nada de eso!… La única sensación que esa clase de informaciones despiertan en él —trabajo me cuesta decirlo— es la de alegría. Alegría de tener, por fin, en la mano la deseada prueba, de tener ante los ojos lo que se deseaba ver.’

¹ “Victor Kravchenko was a Soviet official who defected to the West in 1944 and published the book I Chose Freedom, detailing the horrors of Soviet life, forced collectivization, and the Gulag system. His personal account was seen as a powerful indictment of Stalinism.”

El más conocido y eficiente intento de encontrar una base teórica nueva y más sugestiva mediante el cambio de rumbo hacia la apologética indirecta tan eficazmente manejada por Hitler y sus ideólogos es The Managerial revolution de Burnham. (…) Burnham no trata de negar las contradicciones del capitalismo monopolista, ni pretende siquiera tomarlas a la ligera, como un ‘obstáculo’ fácil de vencer. Por el contrario, toma estas contradicciones, exactamente lo mismo que Hitler, como punto de partida y, a base de su análisis, se esfuerza por ofrecernos una nueva y sugestiva perspectiva demagógico-social. Como se trata de un renegado trotskista, le resulta muy fácil operar con la equiparación del bolchevismo y el fascismo. Y a esto hay que añadir un complemento tomado directamente de la tecnocracia (y que, en germen, se contenía ya en Thorstein Veblen): el que consiste en sostener que también bajo el capitalismo normal se opera un proceso análogo, a saber: que los propios capitalistas, poseedores legales de los medios de producción, van alejándose cada vez más de ésta, participan cada vez menos activamente en su dirección, para ir dejando el puesto a los altos funcionarios o gerentes, a los managers de Burnham.”

Burnham, como en su día el hoy convertido en clásico Malthus, no sólo es un sicofante sin escrúpulos, sino que es, además, un descarado saqueador de la literatura económica caída en el olvido.”

Por muy cínico que fuera Hitler —y lo era mucho— como jefe de propaganda y máximo verdugo del capitalismo monopolista, podía contar con que la predicación de su mito arrastraría tras sí a las masas desesperadas. ¿Pero, qué podía esperar de su mito Burnham? La apologética indirecta del capitalismo monopolista, como cuyo profeta actúa, sólo puede conducir, en el mejor de los casos, a una ‘circulación de la élite’ (Pareto).”

Es cierto que, en los últimos años, hemos tenido ocasión de ver y de vivir muchas cosas; hemos podido conocer, entre otras, las conversaciones de Hitler con Rauschning. Pero el libro de Burnham rebasa todas las medidas: es algo así como si Rosenberg hubiese puesto como apéndice a su Mito del siglo XX, a manera de comentario explicativo, el texto de aquellas conversaciones. Burnham, como profeta de la nueva apologética indirecta, es, por así decirlo, su propio Rauschning.” Burnham defende que a casta dirigente deve se dirigir à massa dizendo que <age no interesse das massas>, quando na verdade age no interesse evidente de manter-se a si mesma no poder.

Burnham, en cambio, se contenta con la receta cínicamente esbozada de una ideología eficaz, dando como pretexto de ello el que la ‘ciencia’ mantenida por él es demasiado buena para fabricar ideologías.”

El reproche que Burnham hace a los tecnócratas cuando les dice que han pregonado demasiado abiertamente sus fines se le puede aplicar, por tanto, a él mismo.”

los ideólogos del imperialismo norteamericano, y sobre todo Burnham, no consideran en primer término a la Unión Soviética como la potencia política rival de los Estados Unidos —pues ellos mismos se ven, con frecuencia, como hemos dicho, obligados a reconocer que no existe, en modo alguno, por parte de la Unión Soviética, semejante rivalidad estatal en torno a la hegemonía sobre el mundo—, sino que el verdadero peligro reside, para ellos, en la difusión del comunismo, en que ven en éste, y no en el Estado socialista, su verdadero adversario.”

En su día, Hitler incurrió en el error de confundir a sus Quislings con los pueblos; hoy, muchos ideólogos de la apologética directa confunden a los pueblos con las ‘quintas columnas’. La razón es en ambos casos la misma: el desprecio que se siente por las masas y, por tanto, la miopía o la ceguera que impide ver la voluntad real de éstas.”

el aparato de propaganda del Vaticano se halla tan estrechamente vinculado a la ‘Voz de América’ como la Banca di Santo Spirito a Wallstreet.”

El llamado agnosticismo de una parte de la intelectualidad ‘petulante’ (highbrow) fue siempre algo bastante innocuo, si se lo compara con las crisis ideológicas europeas.”

Esta actitud [de agnosticismo religioso] la encontramos sostenida con un cinismo verdaderamente insólito por Aldous Huxley, quien en los últimos tiempos se ha convertido en un profeta de la mística; no cree, por supuesto, ni remotamente, en lo que es el verdadero meollo de cualquier mística auténtica, en la unión mística con Dios, pero añade: ‘Ello no menoscaba en lo más mínimo el valor de la mística como el camino hacia la salud del alma. Nadie sostendría que la gimnasia sueca o el limpiarse los dientes sean el camino que lleva directamente a Dios. Pero cuando adquirimos el hábito de estos ejercicios físicos o del empleo de un dentífrico, lo hacemos en gracia a la salud. Por la misma razón debemos convertir en un hábito la mística y la virtud moral.’

para pensadores como Russell la muerte de la humanidad es una perspectiva más soportable que la del triunfo del régimen socialista.”

Toynbee es, en todos los problemas fundamentales, un simple epígono de la filosofía de la vida, de Spengler. Todas sus concepciones esenciales: su actitud en contra de la unidad de la historia, la equiparación valorativa de todas las civilizaciones, la explicación del progreso como una ilusión, etc., están tomadas de aquél. Su llamada originalidad se manifiesta solamente en detalles puramente secundarios, pues la diferencia entre el número de ‘ciclos culturales’ de estos construidos por uno u otro autor —tan arbitrariamente por el uno como por el otro— es una diferencia tan poco real como la que, según la frase de Lenin, puede mediar entre un diablo rojo y un diablo amarillo; es decir, una diferencia que pesa bien poco.”

Koestler. Este recibió, después de publicar una de sus novelas anticomunistas, una serie de cartas de estudiantes, de entre las que Rougemont entresaca las siguientes significativas palabras: ‘Creo que pinta usted muy bien lo que es el stalinismo. Tan bien, que voy a darme de alta [registrar-se] en el Partido Comunista, pues una disciplina así es la que yo he buscado siempre.’

Si éste fuese un problema puramente estético, no tendríamos por qué ocuparnos de él aquí. Pero, ¿acaso es una pura coincidencia que Paul Ernst acabase su carrera de escritor en las filas de Hitler, que Ortega y Gasset, como apóstol principal contra la ‘rebelión de las masas’, se convirtiera en el típico antidemócrata de nuestros días, o que Malraux pasara a ser el Goebbels del degaullismo?”

Cuando se desenmascara públicamente uno de estos casos de corrupción, se revela que había desde hacía mucho tiempo gran número de gentes iniciadas en el secreto, pero que tenían sus razones para callarse. Pero los ‘enlaces transversales’ con el mundo gangsteril tienen, además, la ventaja ‘política’ de que, en casos difíciles, se cuenta siempre con organizaciones terroristas dispuestas a intimidar y, si necesario fuere, a eliminar a los elementos molestos. En tiempos ‘normales’ de paz, se dispone, así, de una reserva para lo que en guerra queda encuadrado en la disciplina militar.”

Ya conocíamos, del periodo que medió entre las dos guerras, la actividad internacional de propaganda y provocación de Trotski, de donde salieron los diferentes Eastmans, Doriots, etc.. Pero, hoy, no sólo se coloca ante las candilejas de la publicidad a los vulgares agentes de la policía por el estilo de Krawtschenko, Ruth Fischer y otros, sino que incluso los más festejados escritores, como Dos Passos, Silone, Koestler, Malraux, políticos descollantes como Ernst Reuter, publicistas como Burnham, y así sucesivamente, proceden del campo de los renegados del comunismo.”

Al parecer, el estudio del marxismo, por muy superficial que sea, aventaja con mucho a la más concienzuda cultura universitaria burguesa, sobre todo en los campos de la economía y la política. Pues hay que decir que la inmensa mayoría de los renegados que han llegado a hacerse famosos sólo se han acercado momentáneamente a la periferia del movimiento comunista. Como consigna otro renegado, Borkenau, solamente Silone y Reuter habían llegado a ser funcionarios responsables del Partido Comunista. (No vale la pena entrar aquí en las diferencias en cuanto a los talentos, si bien Silone, por ejemplo, era en su época de comunista un realista digno de ser tomado en consideración, mientras que Koestler, en sus célebres novelas psicológico-sociológicas por entregas, sigue siendo el mismo periodista superficial de los primeros días, etc., etc.)”

A esto hay que añadir la ‘autenticidad’ de sus revelaciones acerca del comunismo, cuyo valor de propaganda aprecian los imperialistas sin pararse a pensar si el renegado en cuestión, por su posición puramente periférica en el movimiento, está realmente en condiciones de hallarse informado acerca de éste. Como la propaganda anticomunista ha descendido, según hemos dicho, al bajo nivel de los Krawtschenko, toda mentira y toda calumnia son buenas para ella, aunque aparezcan aderezadas de la manera más burda.”

El verdadero ex-comunista —afirma Crossman— ya no puede volver a ser nunca una personalidad coherente.”

Un cine tan altamente desarrollado como el italiano y el francés tiene que librar, en sus propios países, una lucha desesperada por la existencia contra la sucia competencia de los Estados Unidos, protegida por el Estado.”

¿cuál es el no conformismo que prácticamente se consiente en el ‘mundo libre’? Sartre, por ejemplo, fue un héroe de la ‘libertad de pensamiento’ mientras empleó su pluma contra el comunismo; desde que, en 1952, tomó parte en el Congreso de los Pueblos por la Paz, celebrado en Viena, se ha convertido en un sujeto despreciable para el ‘mundo libre’. A la pregunta de ¿conforme con quién y con qué?, el ‘mundo libre’ da una respuesta categórica: se puede (y se debe) profesar audazmente su ‘no conformismo’ manifestándose, en los Estados Unidos, en la Alemania de Adenauer, etc., en contra de la Unión Soviética y en contra del socialismo. Hay, incluso, libertad para emplear, al hacerlo, toda suerte de argumentos, los que se desee. Pero siempre y cuando que se marche de acuerdo con el capitalismo monopolista y con su política imperialista de agresión: sólo quienes estén conformes con esto son reconocidos y respetados como ‘no conformistas’ que marchan por el camino derecho.”

ya hemos visto cuán cerca se halla, por ejemplo considerada la cosa desde este punto de vista, un Wittgenstein de un Heidegger, a pesar de no mediar entre ellos ninguna clase de influencias mutuas. Y exactamente lo mismo ocurre en el campo de la ética, en el de la historiografía, en la posición ante la sociedad y en la estética. Y, naturalmente, también en el propio campo de la literatura y el arte.”

El coito entre Eneas y Dido no se diferencia gran cosa de la unión carnal entre Romeo y Julieta; en cambio ¡qué individualidades tan auténticas e imperecederas crean las diferencias entre los sentimientos amorosos de una y otra pareja, condicionados por las diferencias sociales y culturales!”

El margen de la libertad de movimientos es, en este mundo, cada vez más estrecho, y el contenido prescrito y que se obliga a proclamar, cada vez más pobre y más mentiroso. Parece increíble, pero es verdad. La ideología de la guerra fría ha traído consigo un descenso del nivel, incluso con respecto a Hitler. Para convencerse de ello, no hay más que comparar a un Hans Grimm con un Koestler, o a un Rosenberg con un Burnham.”

Huelga decir que también en la Alemania occidental encontramos todas estas tendencias que hasta aquí hemos venido esbozando y que se dan, sobre todo, en la ideología dominante en los Estados Unidos. Con determinadas variaciones, naturalmente, en las que vale la pena detenerse un poco, dado el papel tan importante y tan actual que Alemania está llamada a desempeñar en el mundo de hoy.”

Donde aparece más sencilla la situación es en aquellos que, si bien, objetivamente, en lo ideológico, por haber llevado al extremo el irracionalismo, prepararon espiritualmente el camino a Hitler y disfrutaron bajo su régimen de una vida asegurada y tranquila, no participaron, sin embargo, directamente —por su propia voluntad o por razones personales de otro orden— ni en el régimen ni en el movimiento hitlerianos.

Representante típico de esta categoría de ideólogos es, sobre todo, Jaspers. Todavía hoy se hace valer el principio de su filosofía, tan viejo y tan acreditado: compartir plenamente, en cuanto al contenido, las tendencias reaccionarias de moda, pero procurando, al mismo tiempo, adaptarlas al tibio y moderado ‘justo medio’ de los salones de la pequeña-burguesía intelectual. Fiel a esta norma, Jaspers fue existencialista, irracionalista, kierkegaardiano y nietzscheano, sin que nadie, por tanto, bajo Hitler, tuviera nada que reprocharle. Pero ahora, después de la caída de Hitler, Jaspers descubre, de pronto, la razón.”

Lo destructor es lo creador. Evoco la nada, y tengo delante de mí el ser. No es, en realidad, tanto en los conceptos como en los actos, más que la repetición de la magia, disfrazada de seudociencia. Y a la magia corresponde también, en los marxistas, la afirmación de poseer un saber superior.” J.

Fuera de esto, es la misma argumentación que Dühring empleara hace ¾ de siglo y cuya refutación puede encontrar cualquiera, sin tomarse grandes molestias, en el Anti-Dühring de Engels. Lo que ocurre es que Jaspers ignora el Abc del marxismo, y refuta triunfalmente lo que no son más que fantasmas creados por él mismo.”

El mito es, pues, el lenguaje inexcusable de la verdad trascendente. La creación del auténtico mito es el verdadero esclarecimiento. Este mito alberga dentro de sí la razón y se halla bajo el control de la razón. Por medio del mito, por medio del símbolo y la imagen, adquirimos nuestra conciencia más profunda del límite.”

Lo que, de este modo, entiende Jaspers por filosofía de la razón es, sencillamente, el viejo irracionalismo, bajo un ropaje acomodado a las necesidades norteamericanas de hoy: la misma filosofía de antes que exaltaba la falta de salidas y adaptada, lo mismo que antes, al ‘confort’ moral-espiritual de una intelectualidad que, a la manera pequeño-burguesa, cree bastarse a sí misma.”

¿Cómo sale Heidegger airoso de este tan difícil empeño? No olvidemos que el arsenal kierkegaardiano encierra un arma excelente para estos casos: la del incógnito. (…) Heidegger —los filósofos retraídos del mundo y misántropos suelen ser gentes muy prácticas en la organización de su vida privada— sabe perfectamente que en la época de la alianza del Vaticano y Wallstreet el ateísmo no es una mercancía de fácil cotización. Y saca de esto las consecuencias oportunas. No, ciertamente, en la forma de una ruptura abierta con el ateísmo y el nihilismo de El ser y el tiempo, sino contentándose con declarar apodícticamente que su obra principal no es atea ni nihilista.”

El ser se sustrae, al entregarse de prestado al ente. De este modo, extravía el ser, iluminándolo, el ente con el extravío. El ente acaece en el extravío, por el que el ser vaga extraviado, creando así… el error. Este es el espacio esencial de la historia. En él vaga extraviado lo esencial de la historia por delante de lo igual a sí mismo… De la época del ser surge la esencia epocal de su destino, en la que es la verdadera historia universal. Cada vez que el ser se atiene a sí mismo en su destino, se produce, bruscamente y de improviso, un mundo. Toda época de la historia universal es una época de extravío.”

¿quién podría saber lo que aquellos discípulos de Heidegger embriagados por Hölderlin ‘pensarían y vivirían’ al arrear a las mujeres y a los niños, como ganado, a las cámaras letales de Auschwitz? Como nadie podría saber tampoco lo que ‘pensaría y viviría’ el propio Heidegger cuando arreaba a los estudiantes de Freiburg a votar por Hitler.”

Su antiguo discípulo Karl Löwith ha puesto de manifiesto la estafa en la Neue Rundschau: ‘Una contradicción no puede despejarse ni por una diferencia de perspectiva en cuanto al punto de vista, ni por una correspondencia dialéctica. En el epílogo a la cuarta edición de Was ist Metaphysik? [¿Qué es metafísica?] se dice, refiriéndose a la verdad del ser, que el ser es, ‘probablemente’ sin el ente, ‘pero’ que el ente no es nunca sin el ser. En la quinta edición de la misma obra, publicada seis años después, desaparece el ‘pero’ con el que se subrayaba la contraposición y se sustituye el ‘probablemente’ por un ‘nunca’, con lo que todo el sentido anterior de la frase se vuelve del revés, y además sin dar a conocer ni explicar el cambio. ¿Qué diríamos del teólogo que afirmase, primero, que Dios puede existir probablemente sin la creación y, más tarde, que no puede existir nunca sin ella? ¿Cómo explicarse que un pensador centrado en el lenguaje y que sopesa tan cuidadosamente sus palabras como Heidegger introduzca un cambio tan radical y en un pasaje tan decisivo? Es evidente que la fórmula verdadera y adecuada tiene que ser una de las dos, pero no pueden ser ambas al mismo tiempo.”

Al parecer, Heidegger no está todavía satisfecho con haberse puesto en evidencia bajo Hitler y aspira, incondicionalmente, a un segundo fiasco. El cual sería, sin duda, la adecuada realización de su filosofía de la historia, concebida como la teoría del ‘extravío’.”

El ser y el tiempo es todo él, en esencia, una gran polémica contra el marxismo, pero sin descubrir este carácter ni a través de una sola alusión clara; pero, ahora, Heidegger se siente ya obligado a llamar a Marx por su nombre. ‘Lo que Marx —dice—, en un sentido especial e importante reconocía, partiendo de Hegel, como la enajenación del hombre, tiene sus raíces más profundas en la carencia de patria del hombre de los tiempos modernos… La concepción marxista de la historia es superior a todas las demás, porque Marx, al experimentar la enajenación, penetra en una dimensión esencial de la historia.’ § Claro está que, en seguida —como todos los vulgarizadores burgueses del conocimiento histórico—, reduce el marxismo a la técnica.”

La conciencia de la continuidad lleva consigo una marcada superioridad y hasta un monopolio de los autores comunistas con respecto a los otros historiadores que no se orientan en los acontecimientos de 1848 y pierden, a consecuencia de ello, el derecho a emitir un juicio acerca del presente. La perplejidad de los historiadores burgueses es grande. De una parte, condenan la represión de la revolución, pues no quieren pasar por reaccionarios, mientras, por otra parte, saludan la restauración de la paz y la seguridad como una victoria del orden.” Schmitt

Su gran importancia teórica [la de Donoso Cortés] para la historia de la teoría contrarrevolucionaria radica en que abandona la argumentación legitimista, para ofrecernos, no ya una filosofía de Estado de la restauración, sino una teoría de la dictadura.’ Y Schmitt, dejándose arrastrar por el entusiasmo de esta perspectiva ahora descubierta, rasga su incógnito y proclama ya sin tapujos lo que su héroe ideológico había puesto de manifiesto ante él con colores tan fascinantes: ‘Su desprecio por el hombre no conoce ya límites; la ciega inteligencia de éste, su pobre voluntad y el ridículo impulso de sus apetitos carnales, le parecen algo tan lamentable, que las palabras de las lenguas humanas reunidas serían pocas para expresar toda la vileza de esta criatura.”

En cambio, Ernst Jünger, cuyo Arbeiter [El trabajador], como es sabido, contribuyó mucho más al nacimiento de la ideología nazi que los escritos marginalistas de un Salomon, participó, de una parte, mucho más intensamente en el régimen hitleriano, aunque casi siempre en puestos de representación puramente decorativos y, de otra parte, ha procurado subrayar mucho más ostensiblemente, después, su actitud de ‘oposición’. Pero también ésta adopta la línea de una protesta aristocrática contra la populachería de la demagogia hitleriana, y no contra su contenido social; y sólo se distingue de Schmitt en que él, Jünger, destaca abiertamente y en primer plano el papel de la nobleza de nacimiento de los junkers prusianos en la dictadura abierta (la ‘fortaleza’ de su novela Heliópolis).”

Lo característico del espíritu del siglo XIX es el haber pasado por alto esta actitud de la razón ante lo profundo. Creyendo bastarse a sí mismo, creía que el desarrollo avanzaba sobre una superficie determinada por él, en un justo medio por él deslindado, creado y controlado, que llamaba la conciencia. En estas condiciones, no podía por menos de producirse un despertar. Y éste se produjo en el mismo momento en que las raíces racionales llegaron a la hondura del mito. No es difícil comprobar esto en las palabras, en las imágenes, en los pensamientos y hasta en las ciencias. Todas ellas fueron adquiriendo un vigor mayor del que correspondía a las medidas humanas, a la modestia del hombre. Las figuras míticas comenzaron a lanzarse, en una serie de formidables torneos, contra lo racional, y entre los resplandores de los incendios brillaron los nuevos mundos del mito, del sueño, de la magia nocturna.”

EXCESSO DE OTIMISMO? —“Hacia 1848, se puso en pie el adversario realmente decisivo de los destructores de la razón: el marxismo. Desde 1917, no sólo ha avanzado hasta convertirse en la concepción del mundo de los pueblos de la sexta parte de la Tierra, sino que ha pasado, además, a ocupar, espiritualmente, un nivel más alto, bajo la forma del marxismo-leninismo, como el desarrollo ulterior del marxismo en el período de las guerras y las revoluciones mundiales. El Manifiesto Comunista era ya de largo tiempo atrás una de las obras más leídas y más traducidas de la literatura universal. Después de 1917, aparecieron también —junto a una mayor difusión de los libros de Marx y Engels— las obras de Lenin y Stalin. Pero el período posterior a 1945 marca también desde este punto de vista un cambio cualitativo. Pocos serán los países en los que la traducción y difusión de estas obras no avancen a saltos. Sin hablar ya de China y de las nuevas repúblicas populares, ni de países como Francia e Italia, donde los partidarios del comunismo representan más de la tercera parte de la población, incluso allí donde la fuerza organizada de los comunistas es todavía relativamente pequeña, se registra un ascenso intensivo del conocimiento del marxismo-leninismo, y la influencia de la concepción marxista del mundo llega hasta mucho más allá de estas fronteras. Tampoco en este problema nos interesa aquí más que el aspecto ideológico. Pero debemos, no obstante, consignar que, en estos países, no asistimos ya solamente a la traducción y difusión de los clásicos del marxismo-leninismo, sino al rápido auge de una investigación marxista original, a una elaboración científica de los problemas actuales y de la historia del propio país a la luz del marxismo-leninismo, de la lucha contra la reacción librada con armas espirituales propias.”

Las reacciones anteriores de éstas contra la guerra surgían, por lo general, al tercero o cuarto año de comenzar la guerra, eran por lo común secuelas de grandes derrotas y se desencadenaban casi siempre directamente como consecuencia de las insoportables cargas impuestas por la economía de guerra. Pero hoy, este movimiento de masas surge antes de la guerra, aunque ya durante la guerra fría; tiene, por tanto, un carácter preventivo y es mucho más que una mera reacción a hechos históricos ya consumados. Y esto por sí solo hace que el movimiento se destaque del campo de la simple espontaneidad o emocionalidad. Todo intento preventivo contiene un poderoso elemento de voluntad racional consciente encaminada a dominar y a dirigir los acontecimientos del futuro. En esta espontaneidad de hoy se acumulan las experiencias de dos guerras mundiales. Y muestra una fisonomía fundamentalmente nueva: la de la razón en la espontaneidad.”

Stalin ha determinado claramente el límite hasta donde puede llegar el movimiento de la paz. No pudiendo tener, como no tiene, como meta el derrocamiento del capitalismo, no puede tampoco borrar del mundo la causa fundamental de las guerras.”

Es evidente que el arma de la crítica no puede suplir la crítica de las armas, que el poder material tiene que ser derrocado por el poder material, pero también la teoría se convierte en un poder material, siempre y cuando que se adueñe de las masas.” Carlo Marx

GLOSSÁRIO

añejo: envelhecido

anquilosar: endurecer

ardite: nada, insignificância

arrear: arrebanhar

atalaya: torre de observação; sentinela.

aunar: unificar

avenencia: acordo

burdo: desajeitado

calaña: espécie, raça

capa: camada, estrato

conato: inato, concrescente

consigna: slogan

darse de alta: registrar-se

derrotero: rota

empacho: estorvo

endeblez: precariedade

engreído: vaidoso

ensancharse: inchar-se, estender-se

escueto: sucinto, sóbrio

gazúa: usuário de gazuas, i.e., chaves-falsas, ou seja: arrombador

hincapié: ênfase

indefensión: desamparo

plañirse: lamuriar-se

plática: conversação, palestra

recatar: resguardar, esconder

reciedumbre: vigor, pujança

rezagado: retardatário

romo: obtuso

sagrario: sacrário, santuário

supeditación: submissão

tornasolada: iridescente, reflexiva, multicores

tozudez: obstinação

trabazón: união

trueque: permuta

MELANCOLOGY: Black Metal Theory & Ecology – Scott Wilson (ed.), 2014.

The theorist who connects the energetic model of the material universe with its atheological double is, of course, Georges Bataille whose system of general economy relates cosmic forces to human societies, inner experience and evil.”

The founder of the idea of acoustic ecology in the 1970s is the composer and theorist F. Murray Schafer. In a chapter called ‘The Music of the Environment’, Schafer refers to two apparently contrary Greek myths concerning the origin of music. The most familiar myth, from Homer, accounts for the invention of the lyre by Hermes when he discovers that a turtle shell can produce sound.” “The contrary myth, from Pindar’s Twelfth Pythian Ode, concerns Pallas Athena who, upon hearing of Perseus’s slaying of Medusa, attempts to ‘connect’ with ‘the sorrowful lamentations’ of her sisters, and ‘framed the full-sounded harmony of the reeds that she might imitate with instruments the deep groans proceeding from Euryale’s fell cheeks’ (…)All music, according to this myth, is infused with death and mourning.”

Imagine the agonies of Christ on the Cross multiplied to infinite proportions, the maximum of tragic intensity giving rise to measureless expenditures of energy in the form of sonic vibrations. This is the sound of the universe, the melancholic sound that constitutes the universe, the cosmic noise from which all form and structure derives as oscillations coalesce into dark matter, atomic matter and light producing the stars from which life ultimately, derives, a universe in which, with supreme irony, human forms of life will perceive divine harmony and mathematical consistency, the very image of creation that God sought to avoid, but through avoiding, in his tragic stupidity brings about.”

This domain of excess (the excessive negation of being) and of absolute evil is therefore exactly the same as the absolute good of black metal itself: the expenditure of a sonic drive that propels a blackened self-consciousness, a melancological consciousness without being that is necessarily prior to any positive ‘ecological’ intervention in the ‘environment’ that could only repeat the process of its human exploitation and subjugation.”

It is perhaps appropriate here to emphasise what the ethos of melan-cology is not: it is not a form of morality; it is not a set of rules relating to social behaviour, civic duty, code of conduct, biopolitical governance, nor does it relate to any form of socio-political order dedicated to organizing and improving human survival or the survival of any other form of (inter-)planetary life.”

Ecology and economy are virtually the same word and when the former becomes the basis of the latter there is always the serious danger of a drift towards fascism because it is always a question of deciding who or what lives and dies usually on an aesthetic/utilitarian (or ends/means) basis.”

For the entrenched and domestic Werther-ism of so-called ‘depressive/suicidal black metal’ risks collapse into the perfect commodity-form of private, solitary, defeatist quietism, leaving black metal ripe for critical re-territorialization as nothing more than ambient shoegaze dressed up with gothic posturing (something for lone wolves rather than for packs). In his polemic of 1931, ‘Left Wing Melancholy’, Walter Benjamin long ago flagged the quietistic implications of this emotion, lambasting the ultimately harmless and conciliatory aura of ‘tortured stupidity’ that it proffers as an inadequate response to capitalism.”

Badiou, Lógica dos Mundos

The black metal kvltist chooses to drown the present in a fog of black bile, offering what Badiou terms ‘the paradox of an occultation of the present which is itself in the present’.”

melancholy, melaina khole, or black bile, the humor associated in Hippocratic medicine and its Galenic, medieval and early modern inheritors with autumn, cold, solitude, night-time, old age, and a wildly variant affective spectrum: sorrow and anxiety above all, but also rage, lycanthropy, psychotic hallucinations, religious devotion, sexual jealousy, artistic inspiration, catatonia and mania.”

To move from Exodus’s ‘Bonded by Blood’ to Beherit’s ‘The Oath of Black Blood,’ is to reject the jocular and homosocial bonds of friendship in favor of the sorrowful, creaturely solidarity of melancholy suffering.”

Bracketing this personal hit parade, the Encyclopaedia Metallum indicates at least five bands simply called Melancholy from Greece, Mexico, Lebanon, Poland and Russia, not to mention Czech Republic’s Melancholy Pessimism.” Lituânia, não Líbano. Há ainda, em 19/11/2025: Beyond Melancholy (DSBM, Itália), Enthroned Melancholy (atmospheric black metal, Suécia), Evil Melancholy (black metal, Áustria), Forgotten Melancholy (gothic/doom metal, Romênia), Martyr’s Melancholy (deathdoom, EUA), Melancholy Cry (doom metal, Polônia), Oppressive Melancholy (experimental BM, Finlândia), Starlit Melancholy (atmospheric BM, EUA), Autumn Rain Melancholy (gothic/doom, Rússia), Blood of Melancholy (black metal, México), Meadows of Melancholy (atmospheric BM, EUA), Melancholy of Evil (BM, Brasil), Morose Months of Melancholy (BM, Ucrânia), Shores of Melancholy (BM, EUA), Tears of Melancholy (gothic, Suécia), Veiled in Melancholy (atmospheric post-BM, Dinamarca) e Void of Melancholy (atmospheric BM, Finlândia). Há ainda uma Melankoly black metal sinfônico do Líbano (op. cit.), Melancholie, atmospheric/ambiente holandesa, e Melancolie, gótico italiana.

If we look at Melencolia I (1514), we see that Dürer’s angel has a noticeably dark face: she is not, as it were, ‘white’ but is quite literally a dark angel. This is because the blood within the body of a melancholy person was imagined to run black. As Marsilio Ficino puts it in the chapter of De Vita Libri Tres (1489) titled ‘How Many Things Cause Learned People Either to Be Melancholy or to Become So’, this is a result of a drying of the brain caused by agitation”

As melancholy lost its humoral meaning and became an elite aesthetic mode of ‘sadness’, what was bleached away, literally, was its association with dark-skinned faces.”

This achieves its zenith in the romantic cult of languid pallor and the crypto-sexualization of the symptoms of tuberculosis. Tom Moore, visiting Lord Byron in Patras in 1828, hears the poet declare ‘I look pale. I should like to die of consumption’; taking the bait and asking why, he is told ‘because the ladies would all say Look at that poor Byron, how interesting he looks in dying.’”

Pythagorean worship of the numeral 4 begat the Empedoclean combinatorial model of the elemental composition of the universe out of earth, air, fire and water, and this led in turn to a Galenic medical practice fashioned after this Pythagorean/Empedoclean image, populated by 4r broad types of human beings: sanguine, phlegmatic, choleric and melancholic.”

The mainstream media, predictably ravenous in its cool hunting search for hotzones radioactive with even the most notional cachet of authenticity, has predictably fastened onto the comedic potential of corpsepaint as a means to both co-opt and condescend to black metal as an extremist sub-culture. Exhibit A of this process is the thinly veiled transposition of Immortal’s Abbath into the avatar Lars Umlaut in the Guitar Hero video game franchise. Current retail for this series is over 2 billion dollars, and with more than 25 million units sold, it is safe to say that Guitar Hero constitutes the most widely disseminated representation of a black metal musician on this planet.”

take a press photo of Immortal, replace battle axes with kittens, and you’ve got yourself a hilarious new image to use as an online avatar which shows that you’re aware of ‘that stuff but that you don’t take it too seriously.’”

Through corpsepaint, black metal achieves the re-occultation of black blood as an immanent experience of asymmetric struggles between life and death, dark and light, then and now.”

This transformation of the face of the entertainer into a cartoonishly legible form thus recalls the minstrelsy tradition of white European and American entertainers ‘blacking up’ so that they can look like African-Americans, a dialectical process that foregrounds the artificiality of race as a construction while still effectively reinforcing that construction’s normative force.”

black metal theory awaits its rendezvous with both queer theory and critical race theory.”

Obsessed as it is with thinking negation, negativity, hostility and failure, recent queer theory might yet constitute a particularly generative lens through which to think about the fetishistic circulation of the Third Reich as a ‘lost cause – melancholically embraced because it is lost – within black metal aesthetics.”

At the level of scene politics, if the commentary of its pioneers is any indication, the Ursprung of corpsepaint may not lie in Norway, Finland, or Sweden but in Brazil: whenever the origins of this makeup style are discussed, mention is swiftly made of the foundational influence of Sarcofago’s debut album ‘I.N.R.I.’ (1987) upon the visual presentation of the first wave of Scandinavian black metal artists, who more or less copied the signature look from these citizens of Belo Horizonte: spiked bracelets, bullet belts, white cheeks, black circular eye makeup. Corpsepaint might well have been required in order for South American musicians to look sufficiently ‘vampiric’ and ‘ghoulish’, i.e. white—but even if corpsepaint is quite specifically about looking like a dead white person, its ultimate horizon gestures beyond racial legibility towards the species-being based project of turning the human face – any human face – into a skull.”

In a dynamic of impurity familiar from the theorization of drag performance, this very falseness offers a violation of a boundary that reifies the very line that it also subverts through crossing.”


I had a dream, which was not all a dream.
The bright sun was extinguish’d, and the stars
Did wander darkling in the eternal space,
Rayless, and pathless, and the icy earth
Swung blind and blackening in the moonless air

Lord Byron,
‘Darkness’
(1816).

Stanton Marlan in The Black Sun: The Alchemy and Art of Darkness (2005) approaches the notion of a black sun or Sol Niger and blackness not as a representation of the nigredo or blackness phase in the process of the alchemical opus that disappears when the work is completed, or in terms of Jungian psychology where the black sun of the nigredo phase is associated with suffering and the melancholic soul’s struggles with this shadow of darkness.”

The Burkean sublime shares much with the darkness and terror of black metal’s arctic gothic atmospheres and resonates with what Eugene Thacker calls ‘the world-without-us’; a world neutral to humans which can be found ‘in the very fissures, lapses, or lacunae in the World and the Earth’, in ‘a nebulous zone that is at once impersonal and horrific’.”

Kali, who represents the process of dying and is the ‘terrible Mother of the cremation ground’, is worshipped by the Tantrics who believed that, ‘sitting next to corpses and other images of death, one is able to transcend the pair of opposites (i.e., good-bad, love-hate, etc.)’”

This essay focuses primarily on examining black metal’s presence in photographic images, drawings, and sculptural installations by three American artists: Grant Willing, Terence Hannum, and Banks Violette. It argues for a black metal art history that may be used to articulate how the language of black metal is used by artists to construct meanings.”

The chorus, that is so common in classic rock, is rejected in many black metal songs in favour of a symphonic quality of alteration that forces the listener to constantly renegotiate their experience. Riffs repeat, but transform over the length of a track—which commonly reigns closer to ten minutes than the three minutes of pop music, long enough to build a dense and complex sonic landscape. The double bass drum frequently sounds like a racing heartbeat or blood rushing through my body.”

Seen only from the back of the head, her hair is messed in a head banging nod to the speakers. In the distance where the two rows of amplifiers might meet there are no musicians mediating between the amps and the single audience member. In fact, the details between the individual and the technology in both ‘Black Diadum’ and ‘Descension’ appear to sink into the material of the pitch-black paper itself. It is formless: it looks like empty space. Yet here, exemplified by the texture within the ground of the paper substrate, Hannum allows the physicality of the media to resonate throughout the drawing, suggesting the artwork itself as a space charged with intense sonic activity.”


Caminhante sobre o mar de névoa

Burke

This skeletal structure was a direct reference to both the Fantoft stave church’s burning in 1992 and the photographic representation of its charred ruins featured on the cover of Burzum’s 1992 album Aske.”

Violette’s 2006 exhibition at the Maureen Paley gallery was initiated with an hour-long performance by the drone metal band Sunn O))) which took place on the ground floor of the gallery during opening night” “To attend a Sunn O))) performance is to experience a deep, pressure-filled amplifier massage penetrating your entire body as the band builds a dark, atmospheric, resonating sonic landscape felt long before and after it is heard. Adding to Sunn O)))’s performance at Maureen Paley was a vocal performance by Mayhem’s Attila Csihar, conducted entirely from within a sealed coffin made by Violette out of salt and resin. When the concert ended, the musicians exited unseen and viewers were finally admitted, like forensics, to witness the afterbirth.”

We are left wanting […] for the sculptures raise expectations of sound, movement, fury, fame, only to render such prospects void by the absence of any.”

Doom metal presents a music of tempo that is so grave that it negates tempo. Finally, drone metal, with its minimalist dissipation of all music into a monolithic, dense line of sound, presents us with the whittling away of all harmony into a single, thick, absolute tone, collapsing the musical spectrum into a dense black hole.”

To give us an idea of how this unsound is different from an anti-sound or a super-sound, we could consider a number of examples in contemporary sound art, examples that cross genres, from black metal to avant-garde to dark ambient. Each can be understood as effecting different strategies that point to, but never, of course, arrive at, the unsound.”

In one group would be works that utilize what we might call a strategy of invocation. Lustmord’s Black Star (from 2000 album Purifying Fire), Keiji Haino’s Milky Way (1973), Striborg’s Spiritual Catharsis (2004) [‘coldwave’], and Darkspace’s Darkspace II (2005) might be cited as examples.”

In another group would be works that utilize a strategy of darkening. Raison d’Être’s Metamorphyses (2007), Nurse With Wound’s Soliloquy for Lilith (1988), Francisco Lopez’s Untitled series, and Thomas Köner’s Permafrost (1993) are examples.”

In a third group would be those works that use a strategy of density. Sunn O)))’s Grimm Robe Demos (1988), Wold’s Screech Owl (2007), Winterkälte’s Structures of Destruction (1997), and Merzbow’s Merzbuddha (2005) are examples. Rather than adopt a subtractive approach, these works do the opposite, condensing, congealing, and clustering sound beyond its audible, or indeed, acoustic, capacity.”

A final group would comprise works that utilize a strategy of writhing. Iancu Dumitrescu’s Medium II (1978-79; for double-bass), György Ligeti’s Ramifications (1968-69), Iannis Xenakis’ Syrmos (1959), as well as the spectralist work of composers such as Tristan Murail, and Gérard Grisey, might be cited as examples. In these works sound becomes sculptural, writhing, indefinite, flailing and formless. While the techniques may range from ‘micropolyphony’ (Ligeti) to stochastic mathematics (Xenakis), the result is that of acoustic metamorphosis, the continual undoing of sonic form. Xenakis’s scores, in particular, display this forming and de-forming quality of sound (indeed many of his sketches for sound installations look like the black avatar of Fludd’s celestial monochord). Here the abyss is the absolute writhing of sonic form, sound as the writing of the abyss”

Botanist

THE ROOTS OF VEDANTA – Sudhakshina Rangaswami

This book is an edited selection of Śakara’s writings with the objective of presenting the salient concepts of Advaita Vedānta according to Śakara. While there is a rich corpus of books available in this genre, this differs from them in that it presents the teachings of Vedānta in Śakara’s own words. Swami Atmananda’s Sri Sankara’s Teachings in His Own Words and A.J. Alston’s 6-volume A Śakara Source-book, both published several decades ago, were undertaken with a similar purpose. While the former is a handy volume mainly intended for the spiritual seeker, the latter is a very comprehensive manual suitable for intensive study and research. This attempt, on the other hand, strives to find the middle ground so that it can serve the interests of both the student of Vedānta and the modern reader, for whom studying the original works of Śakara may be daunting. Besides, with Śakara being the pre-eminent and central figure in the Advaita lineage, it is necessary for the discerning reader of Vedānta to distinguish and appreciate the differences between and the nuances of pre-Śakara and post-Śakara thought and developments, for which grounding in Śakara Vedānta becomes all the more necessary, and this book will meet with this need.”

The general introduction by itself is a standalone summary of the life, mission, works and teachings of Śakara, and it also offers a bird’s-eye view of what is explained in the chapters that follow.” Quase a única porção obrigatória (boa) do livro.

6 October 2011

1. INTRODUCTION

I.1. BACKGROUND

In the days of yore lived Satyakāma and, true to his name, the yearning to learn the Absolute Truth impelled him one day to ask his mother Jābāla, ‘Venerable mother! I wish to live as a celibate in a teacher’s house. To which lineage (gotra) do I belong?’ The poor mother’s heart missed a beat, for she had only her son left after her husband’s departure. Seeing his thirst for knowledge, she knew the time had come to send him away to a Guru. How long could she hold on to him? But she did not know their antecedents. In her youth, she had been busy serving everyone in her husband’s house, and it had not occurred to her that destiny would deal a cruel blow to her and that she would be left all alone to fend for her child and herself, for which she had to know the ways of the world.

It is customary in tradition to introduce oneself by mentioning one’s parentage and gotra, more so while seeking formal spiritual instruction under a Guru. Explaining her predicament, Jābāla told Satyakāma to introduce himself as Satyakāma Jābāla, and gave him her blessings. The boy went post-haste to the hermitage of the renowned sage Gautama, and expressed his longing to become his disciple. The teacher, as expected, asked him his lineage. Without hesitation, he repeated what his mother had told him, ‘Honourable Sir! I do not know my lineage. I asked my mother, and she told me that she had had me in her youth when she was preoccupied with service. Her name is Jābāla and my name is Satyakāma. Sir, such as I am, I am Satyakāma Jābāla.’ His eagerness for acceptance was echoed by the ring of honesty in his answer. Gautama told him, ‘Fetch faggots for sacrifice, dear boy. I shall initiate you, for you did not swerve from truth.’

Sanātana Dharma, the tradition or way of life based on the Vedas, is popularly known as Hinduism. The Vedic vision is holistic, encompassing the religious, spiritual, philosophical, and socio-cultural aspects of human life. There are 4 Vedas: the g, Sāma, Yajur and Atharvaa. Each Veda is divided into 2 sections: the kārma-kāṇḍa, which is the ritualistic portion, and the jñāna-kāṇḍa, which deals with philosophy.” “This division represents a progressive evolution from karma (ritual and sacrifices) to jñāna (meditation and knowledge). Together, they enable a human being to realize all the puruārthās—dharma, artha, kāma and moka—to lead a fulfilled life here in this world, and liberation from transmigration, which is the summum bonum of human life.”

Há consumação do apocalipse em todas as religiões?

The other basic text of Vedānta is the Bhagavad-gītā, which occurs in the Mahābhārata, also written by Vyāsa.”

As the prasthānatraya texts are difficult to comprehend, and also lend themselves to different interpretations, different schools of Vedānta came into being as systematic presentations of their viewpoints.”

The advent of Śakara (known reverentially as Śakarācārya and Śakara Bhagavatpāda) was a time in the history of Sanātana Dharma when emphasis on rituals (karma) had overwhelmed the Vedic philosophical vision on the one hand and, on the other, the heterodox religions, especially Buddhism, were spreading their wings across the land, thereby posing a challenge to Vedic tradition.”

he was convincing to the orthodox and yet he was an idealistic philosopher who could carry the intellectual with him. Also, he was a fervent devotee and mystic who could speak with the certitude of experience, which enabled him to bring about the much-needed reforms to streamline the various religious sects within the fold of Sanātana Dharma.”

The difference of over 12 centuries between the traditional and the modern approaches in fixing his date is yet another pointer to the difficulties that arise when the tools of historical dating are applied to religious personalities even as late as the early medieval period, because biographical accounts tend to become hagiographical when faith takes centre stage.” “All the biographical accounts on which tradition relies belong to a period much later than Śakara.”

Wilhelm Halbfass (ed.), Philology and Confrontation: Paul Hacker on Traditional and Modern Vedānta, The State University of New York Press, 1995.

That these lineages are current is enough to infer that Śakara’s direct disciples were entrusted with the responsibility of furthering the mission undertaken by him.” Até aqui, nada diferente de todas as religiões.

Next, he undertook the task of writing commentaries on the prasthānatraya (the Brahma-sūtra, the major Upaniads(*) and the Bhagavad-gītā). This was the most important task in his mission as these 3 genres together provide a holistic methodological approach of interpreting the import of the Vedas.

(*) The Bhadārayaka, Chāndogya, Īśa, Kena, Kaha,¹ Taittirīya, Aitareya, Muṇḍaka, ṇḍūkya (and Gauapāda’s) Kārikā on it, and the Praśna Upaniads, (henceforth Br.U., Ch.U., Is.U., Ka.U., Ke.U., [provavelmente o autor inverteu o Kena e o Katha por erro na enumeração] Ta.U., Ai.U., Mu.U., Ma.U., Ma.Ka., Pr.U., respectively).”

¹ Extremamente importante. Vide https://seclusao.art.blog/2023/06/19/o-katha-upanishad-e-sua-antecipacao-das-ultimas-consequencias-da-filosofia-ocidental/.

All accounts are unanimous in that he lived to the age of 32, but there are two versions about his siddhi (end). One states that he went into samādhi after ascending the sarvajñapīha (seat of omniscience) at Kāñchī; the other states that he ascended the seat of omniscience in Kashmir, and disappeared into a cave at Kedara in the Himalayas. [provável inspiração da estória do Shangri-La]

On the religious front, Śakara is hailed as the one who unified the different theistic sects within the fold of Hinduism, Samata, worship of the 6 deities—Viṣṇu, śiva, śakti, Gaapati, Sūrya and Kumāra—as the forms of the non-dual Absolute, a practical application of his philosophy based on the g Vedic pronouncement, ‘Truth is one; the wise call it by many names’. This was indeed a stroke of genius because it not only brought together the splintered sects within Hinduism, but also endowed a catholic spirit [no sentido de universal] in the practitioners so that differing philosophical views did not result in dissension in the practice of religion in society. This was to earn him the honorific ‘Samata sthāpanācārya’. His mission thus encompassed the twofold Vedic ideal he spells out in his preface to the Bhagavad-gītā—pravtti-dharma or the religion of works (karma), and nivtti-dharma, the religion of renunciation.”

No ocidente diríamos, respectivamente, religião das obras e religião da fé, mas no sentido védico é o exato oposto: karma é a parte ritual, a renúncia é a parte ativa (a renúncia é o mais difícil, nada há de passivo na meditação bramânica).

Sobre a religião “cristã apostólica romana”: aquilo que é reformado não é ecumênico. Toda verdadeira crença é final e não pode ser desmentida pela História. O Ocidente é desmentido pela História. A pós-modernidade é esse desmentido. Nesse sentido, até o cristianismo ortodoxo (russo, ‘primitivo’, oriental) é uma comprovação da farsa dos irmãos: ele se susteve puro e decantado até os dias atuais, na parte leste do mundo.

Śakara’s holistic vision thus encompassed the philosophical, religious, spiritual, and socio-cultural aspects of human life in the world, and to neglect his contributions in these spheres of human engagement to the exclusion of philosophy would be doing a gross injustice to his multifaceted personality.”

I.2. WORKS OF ŚAKARA

If an attempt to sift the authentic biographical information about Śakara from the mass of literature is beset with difficulties, an effort to list his genuine works from the hundreds of works ascribed to him is an even more stupendous task.” Há coisas em comum com qualquer monoteísmo ocidental, entretanto!

The 20-volume edition of Śakara’s writings published by Vani Vilas Press on the basis of the Śigeri tradition, which has been revised and published by Samata Books in 10 volumes, comprises 117 works. (G.C. Pande) The list of works given in the Śakara Grantha Ratnavali in Bengali script totals 153 works. (Swami Mukhyananda) S. Sankaranarayanan’s compilation lists 167 works which, he says, is not exhaustive.” etc.

A.J. Alston largely subscribes to Hacker’s philological approach to distinguish the authentic from the unauthentic ones. After considering these analyses, one can see that all are in agreement about the authenticity of Śakara’s prasthānatraya commentaries (bhāyas).” “Among the independent works (prakaraa), the Upadeśa Sāhasri, his commentary on the Adhyātmapaala of the Āpastamba-dharma-sūtra and the Yoga-sūtra-bhāya-vivaraa also meet with approval by the majority.”

A DOUTRINA ESOTÉRICA DOS ELEITOS E A POPULAR OU EXOTÉRICA ECUMÊNICA: “Another argument, adduced to counter Hacker’s and Mayeda’s method of repetition of stylistic and doctrinal features to assess the authenticity, is that Śakara need not necessarily have used the same words and phrases in his prakaraas and stotras that he did in his prasthānatraya commentaries because that would have imposed a restriction on his felicity of expression and his versatility.”

II. VEDĀNTA TRADITION

II.1. THE ROOTS OF VEDĀNTA

The Vedas are known as śruti because they are revelations, and all the works of sages, like the dharma-śāstras, purāas and the epics, are known as smti (meaning ‘remembered’), and they expound the Vedas only.”

The Upaniads are the fountainhead of Vedic vision and wisdom, and can thus be said to be the grand finale of the Vedas.”

Since language becomes inadequate in articulating what is essentially experiential, the sages have resorted to myth and symbol and, sometimes, purely negative terms, to convey their intuitions of the Absolute.” Essa descrição poderia ser perfeitamente a da Filosofia ocidental.

So, plurality is real from the empirical standpoint while, at the transcendental level, the Reality is non-dual. There were several Vedāntins before him who professed the monistic view, especially his own Guru Govinda, and his preceptor Gauapāda on whose work, the Māṇḍūkya Kārikā, Śakara commented. Śakara thus belongs to a hoary lineage of preceptors traced to Vyāsa himself in tradition, which can be interpreted in the Vedānta context to mean the Upaniads themselves because Vyāsa was the one who codified the Vedas.”

So, the Upaniads are the primary scriptures (śruti prasthāna) to know the Absolute Reality. There are over 100 Upaniads, and the ten on which Sankara commented are considered the classical ones.” Como “qualquer sentença” da bíblia é sagrada, chega-se à idiotia de considerar que Paulo falando sobre levar um agasalho a um amigo é tão importante quanto qualquer outro ensinamento! Os crentes são péssimos, é impossível entrar em defesa deles ou não atacá-los frontalmente a cada passo, mesmo que simpatizemos (ou simpatizássemos) com a correta interpretação de seu credo.

Śakara considers the Bhagavad-gītā next in order of priority.” Minha incursão no hinduísmo foi um tanto estranha e confusa para o leitor externo: iniciei pelos intermináveis Bharatas… Para cair nos Upanishads e seus comentários, sem ter ido ainda ao Bhagavad, mas talvez tendo lido porções suas que estão disseminadas pelos Bharatas do Mahabharata que li (o Adi Parva)!

It is smti prasthāna because it occurs in the Mahābhārata, the epic written by Sage Vyāsa.” Aqui está. Não importa o ponto do círculo em que se ingressa, agora é só seguir o circuito.

It is necessary to understand why Śakara ranks it next in importance, and not the Brahma-sūtra, which is by far the most rigorous presentation of the import of the Upaniads.”

For one, the Gītā, hailed popularly as a spiritual classic, is considered the quintessence of the Upaniads. Śakara, in fact, describes it as the epitome of the teaching of the entire Veda. Its purport is spiritual, and so it leads to experience (anubhava) of Brahman. Right at the outset, Śakara states that the Lord (Hirayagarbha, Īśvara) is the Absolute (Nirgua-Brahman), and identifies Him with Nārāyaa and Viṣṇu, who incarnated as Kṛṣṇa, and taught this scripture. This is perhaps the most important reference in Śakara’s works equating the Lord (Sagua-Brahman) with the Absolute Reality.”

Unlike the Upaniads—which emphasize renunciation and meditation on Brahman as the spiritual discipline leading to liberation—the Gītā, by prescribing the path of action (karma-yoga) with a spirit of detachment culminating in jñāna-yoga, and also the path of devotion (bhakti-yoga) to a personal form of God, opens the doors of liberation even to those unable to renounce the world (householders).” Atenção na interpretação! Como tudo que se aproxima mais e mais do saber absoluto, há que inverter o sentido literal das palavras. É um axioma do saber que não se pode chegar à correta compreensão do Absoluto com uma exposição direta e popular (paradigma da alegoria da caverna).

the path of action with a spirit of detachment”: em última instância, essa afirmação equivale a “como filosofar com o martelo”. É ela de ponta-cabeça, mas não negando-a, e sim reafirmando-a. Através dos fenômenos, experiências e aparências chegamos enfim àquilo que não é passível de ser pronunciado com suficiência de sentido (a Idéia). Quer dizer, o ioga é visto pelos ocidentais como um exercício de relaxamento e de renúncia (vulgar), passividade e inação. Esta é a aparência do ioga e do iogue (praticante). O termo praticante mesmo levaria à conclusão: ele pratica, ele age, o ioga é uma ação – contradição de sentido com a visão exotérica ocidental sobre o ioga. Ação que sufoca a ação através do controle da respiração. Depois de compreender o ioga como ação, entretanto, é hora de compreender o ioga num nível ainda mais esotérico: fazer um “U”, porque não é ação no sentido contumaz da palavra. E contudo não é a inação ou renúncia conhecidas do público. O que se faz aqui é exatamente o proceder dinâmico de Hegel, se tivermos que pensar não mais em Platão, mas no primeiro filósofo moderno de importância que podemos usar para nos auxiliar na compreensão do hinduísmo (não é que o hinduísmo deva ser analisado filosoficamente, nem a filosofia moderna ‘superada’ ou sentida religiosamente pelo guru capacitado por Brahma, mas constata-se: as duas vias são o Um e o Mesmo). Tese (popular) – antítese (começo crítico do aprendizado) – síntese (consumação, sabedoria).

O que é o karma-yoga? A trajetória da compreensão pelo sujeito aspirante ao saber de que o mundo das experiências é nosso meio (técnica) para alcançar o Absoluto. E alcançar o Absoluto no sentido carma-iogue é: compreendo que participo de um destino em perfeita harmonia com todo o universo (a prática é em verdade esta compreensão, fusão-com). Karma deve ser interpretado pelo estudante dos Vedas como destino, mas nesse sentido citado. Quando o destino não é um peso ou um castigo (compreensão popular de carma). O eterno retorno de Nietzsche explicado com outras palavras. O saber é sempre recursivo. Estou explicando estas mesmas equivalências pela terceira ou quarta vez no Seclusão Anagógica. Mas isso é uma virtude, não um defeito: a sabedoria é esse ir e vir pelos mesmos pensamentos, até solidificar o conhecimento adquirido. Eu aprendo enquanto ensino; não importa de onde parti, nem onde chego; percorro círculos; não importa se o leitor me lê pela primeira vez agora ou acessa esse texto depois de ler outras explicações anteriores (ou futuras). Ele se junta ao círculo seleto.

the path of devotion to a personal form of God opens the doors of liberation even to those unable to renounce the world (householder).”: O caminho da devoção (a prática da devoção, a fé ligada) a uma forma pessoal de um deus abre as portas da liberação mesmo para aqueles incapazes da renúncia material (da renúncia deste mundo), o inquilino. Atenção nas escolhas de palavras que fiz para a tradução: A primeira vantagem do hinduísmo sobre o credo cristão (sempre citarei o cristianismo, mas a rigor me refiro a todas as religiões de massa por metonímia) é que não é um ateísmo, não é um monoteísmo e não é um politeísmo, apesar de ser todos os três ao mesmo tempo (aparências divergem das idéias). O caminho da devoção seria interpretado como oração no Ocidente. Está no limiar do que seria a passividade – ajoelhar-se, entregar-se, pedir socorro, etc. – e do que seria a atividade – executar um rito por volição própria, aliar-se ao seu deus, ser ativo na transformação do mundo ao estar apto a ser instrumento material para manifestação da vontade divina que altera a realidade, etc. –. Em outros termos: ajoelhar-se (símbolo da submissão) e performar são sinônimos. Entregar-se, desistir, dar por encerrado, passar a responsabilidade, ser o forjador de uma aliança, puxar para si a responsabilidade, iniciar a resolução de um problema concreto são sinônimos. Pedir socorro e socorrer, ser o agente de alguém, representar algo maior do que si mesmo são sinônimos. É natural vulgarmente separar todo fenômeno em “ação” ou “renúncia”, inação. Porém, as fronteiras entre essas categorizações arbitrárias são enganosas.

Indo além: renunciar ao mundo, seria uma ação ou uma desistência? O discípulo de Cristo, que no ato de se tornar discípulo distribui todas as suas riquezas para peregrinar com Cristo, não age? Aquele que renuncia ao mundo, não desiste da vida, se entrega, se anula? Ambas as perspectivas estão corretas. Covarde ou corajoso? O debate ou simpósio seria eterno. Há aqueles formatados para o que o mundo chama de ação; há aqueles formatados para o que o mundo chama de inação. Todos são, não obstante, homens, e muito mais parecidos em essência do que revelam as simples aparências. Assim como o ioga pode ser ação, inação, o que é ação e inação e o que não é ação nem inação ao mesmo tempo, o mesmo se aplica à intervenção militante no mundo. Cristo é reconhecido por qualquer cristão, do papa ao mais tímido e “ignorante” dos fiéis, tanto como aquele que disse: “Dai a César o que é de César, meu reino não está neste mundo”; como aquele que militou fervorosamente (veja o advérbio), com bastante ênfase e barulho, no seio do judaísmo: curar os doentes, ensinar a verdade, acusar os fariseus, destruir ídolos, arregimentar um exército de apóstolos. Portanto, tanto o reacionário político quanto o comunista clássico da guerra de guerrilha poderão dizer, com acerto, tanto que:

a) Cristo era, mesmo que de carne, Deus ou o Espírito Santo (mistério triplo, imagens que não correspondem às idéias), a manifestação ativo-passiva (tanto faz) de Deus, o Único, na Terra, com “destino selado”, ao mesmo tempo que dirigente autônomo das próprias ações, para o cumprimento final da Palavra e do Evento. Em última instância, a apologia mais completa de tudo que aconteceu, acontece e acontecerá. O pregador de que “não importa o Estado, nos preparemos para o outro, o verdadeiro Reino”.

b) Cristo foi o comunista consumado. Revolucionário, transformador, ativista-modelo para a humanidade póstuma. Mártir, lutou por um futuro melhor para seus camaradas, derramando sangue para que seus filhos (o Filho do Homem, que é Cristo e é tudo menos Cristo simultaneamente) pudessem sorrir, viver a vida, sem carregar nenhuma cruz. Um libertador das condições materiais opressoras, desafiador de César e do templo dos hipócritas, instaurador de boas-novas, de uma nova verdade, de novos valores. O mundo se divide em dois, afinal – como negá-lo? Antes de Cristo e depois de Cristo; pelo menos pode-se generalizar dessa forma contanto que não levemos em conta a Ásia. (Curiosamente, de onde vêm os três reis magos? Folclore popular que se integra com o que existe no Novo Testamento.)

Renunciar ao mundo não é nem uma ação nem uma renúncia. Cristo não foi nem um corajoso herói nem um herege tumultuador e covarde. Ecce homo: Eis o homem. Cristo foi um homem. A única unidade entre esses pólos fictícios que traçamos é nossa própria condição e convivência no mesmo planeta.

A esse ponto, já ficou muito claro, após uma exposição tão numerosa em exemplos, que não importa a estrada, a esotérica ou a exotérica, a crença num panteão, num Deus único e supremo, o panteísmo ou o ceticismo extremos, o acolhimento do budismo ou do ateísmo clássico no seio da modernidade pós-Revolução Francesa (a negação do Deus cristão, que após Jesus Cristo, para os fiéis, nada quer dizer para o indivíduo senão “condenar-se ao inferno”)… Todos os caminhos levam ao mesmo caminho, ao mesmo ponto de chegada. É claro – no hinduísmo, a religião mais antiga e perfeita, este caminho é explicado, e desde sempre foi ensinado o método mais econômico para percorrê-lo.

Seja pela compreensão e estudo aplicado dos Vedas em alto nível de abstração, seja pela crença popular nos avatares de Brahman, o hinduísmo permite o ecumenismo: quem desejar segui-lo poderá atingir o mesmo efeito (em última instância, a fusão com Brahman, a renúncia ao mundo ou a completa inserção no mundo, no real, conforme o próprio indivíduo interprete e descreva o próprio credo). A velha polêmica (tão recente, se comparada com todo o sistema hindu!) entre Calvino e Lutero sobre a salvação via fé ou via obras é uma bobagem, uma dialética de boteco entre os dois mais importantes cristãos da Europa do período.

Para voltarmos ao hinduísmo: As portas da liberação são abertas, sem olhar a quem. O ser humano é um inquilino no mundo. Ou antes: o corpo é o inquilino da alma, que é Brahman. As aparências estão de passagem no seio do Absoluto, que as contém e é o dono do espaço que elas ocupam. Toda morada é temporária, por isso a expressão inquilino: nosso corpo não é o dono do imóvel. O homem é, apesar de tudo, nômade, no sentido espiritual, mesmo o mais sedentário: ele chegou e irá partir. Ser provisório.

O householder, o chefe de família ou dono do seu lar, no sentido empregado na frase, é o meu inquilino, é o corpo e não a alma. Como posso estar tão certo, pois, de traduzir desta maneira? No próprio inglês haveria um termo muito mais inequívoco para descrever um householder que não é apenas um sujeito de ocasião (um inquilino, que mora no mundo apenas de aluguel, no sentido cotidiano). Este termo é o landlord, aquele que aluga para os outros. O único landlord num sentido metafísico (e quem é Senhor da terra é Senhor do tempo e de tudo que ambos contêm) é Brahma. Mesmo Vishnu e os outros deuses citados, os sábios inspirados que escreveram, sistematizaram e interpretaram os Vedas numa linha hierárquico-sucessória, todos estes são apenas manifestações de aluguel, procuradores do Um. A explicação, pelo menos para mim, é muito mais intelectiva, simples, que o mistério da Santíssima Trindade, e nem por isso o hinduísmo deixa de ser uma religião, isto é, vira apenas um sistema de regras e saberes secular. Toda religião tem seus mistérios, é um sine qua non. Os do Cristianismo, entretanto, podem e devem no mais longo prazo levar todos à vertigem, à estupefação, à incompreensão completa e duradoura.

O hinduísmo, pelo contrário, é explícito e honesto: enquanto alguém que não crê em Cristo é sempre alguém que não crê no Deus-Pai (e vice-versa) conforme o cânone cristão, um hindu poderá dizer: eu só acredito neste mundo, no meu lar e em minha família; isso não interessa a Brahman. Caso siga sua crença aparentemente simplória da maneira correta, este hindu (consciente ou inconsciente de sê-lo) entenderá eventualmente que tudo (sua casa, sua família, seu mundo) é real, e que no entanto, apesar disso, tudo isso é Brahman, oriundo de Brahman. Não crer no ‘divino’ ou crer demasiado no ‘divino’ são uma e a mesma coisa para o hinduísmo: seja um indivíduo como Platão, seja um venerador público de Vishnu, seja um venerador secreto de Indra, seja um ‘venerador’ ou venerador de Brahma… (Quem põe as aspas? Responde-se no fim do raciocínio.) Se ele sabe quem é Brahma, as portas estão abertas para ele. Brahma é apenas uma palavra.

Quem acredita em Brahma como um acima dos outros, que vive em relação com eles, sendo um outro para eles, como por exemplo Zeus ou o general de seu exército, é um herege, herege no sentido absoluto do bramanismo, pois não é isto que Brahma é (malversação das escrituras). E no entanto, Platão, que viveu sob a religião ateniense, onde Zeus presidia, onde isso era um fato, parte da cidadania, inegável para os homens ali existentes, chegou à Verdade, “apenas” trocando de palavra. Aquele que jejua hipocritamente, ritualiza apenas teatralmente e diviniza ou amaldiçoa erradamente (não chega a Brahman embora pareça ser do credo de Brahman; amaldiçoa em verdade o mundo, que é Brahman, enquanto alega que o faz por Brahman, não entendendo o vínculo entre aparência e Verdade), esse não compreendeu Brahman, então não importa que seja um devoto no sentido clássico ou popular (um asceta que se conduz de modo perfeito). Pois este que desrespeita tanto a casa em que mora de aluguel quanto as portas da libertação da frase traduzida acima, a única verdade é que se encontra fora da doutrina hindu, condenado à eterna imanência. E este que respeita sua moradia passageira e conduz-se às portas de Brahman, é Um com Brahman. E é impossível desrespeitar a casa (o material) respeitando o que é mais importante que o material ao mesmo tempo (pois a casa é a via de acesso ao que é invisível, a senda espiritual), como é uma situação impossível desprezar as portas da libertação, a Idéia, ao passo que respeita concomitantemente as aparências. (Respeitar as aparências não é ser materialista – é tratar aparências como aparências! Respeitar é entender.) Não! Não existe distinção final ou factual entre corpo e alma, entre casa e portas supremas, do ângulo hindu: ou se está com Brahman, ou não se está com Brahman, de corpo e de alma.

Estar com Brahman é um conceito, portanto não pode ser determinado por um observador externo, o mais zeloso: não é uma opinião, não é aparência. O conceito é Idéia. Que segundo os outros homens alguém esteja ou não com Brahman, e pratique ou não o bramanismo, isto é indiferente no tocante à vida deste homem determinado (e à resposta para a pergunta: ele está com Brahman?). Pois as aparências enganam, e enganam todos os observadores do sensível sem exceção. Enganam até quando enganam ou “não enganam”: o asceta hipócrita, o asceta legítimo, o homem conhecido por seus pares como mau, o homem conhecido por seus pares como bom, todos estes são aparência, mas quem haverá de dizer se correspondem ou não em essência? Quem determina com infalibilidade a hipocrisia? Quem está acima do conceito de legitimidade, de bem e de mal? Quem no mundo das aparências não é apenas joguete dessas noções humanas, demasiado humanas? Quem será o juiz temporal da transcendentalidade de um ser? O cristianismo cavou a própria cova quando erigiu a Igreja, matéria-carne que proclama o monopólio do espírito. É a infância do ser humano em forma institucional: comete os erros mais fundamentais a respeito das aparências e do caminho ao mundo-verdade. E quando a religião definhava e foi reformada, os juízes saíram das igrejas e se instalaram por todo o mundo debaixo do céu, como câmeras de vigilância de um panóptico da Torre de Babel, tão onipotentes quanto inúteis, pois os reformadores, tanto quanto os iniciadores, não reconheceram o princípio exposto pelos Vedas: não há juízo temporal da transcendentalidade alheia. Não se julga do sagrado (verdadeiro) com opinião (aparência). Ninguém nega boas intenções onde há. Ninguém nega má-fé onde há. Mas no caso do Ocidente as boas intenções dos tradutores, disseminadores e pastores, “democratas do espírito”, geraram o mesmo mal-entendido que a má-fé pura: povoou-se o mundo de sacerdotes, em vez de eliminá-los, tal qual o bramanismo, que já nasceu onisciente e infalível por um simples motivo: uma religião sem sacerdotes. É por isso que a origem dos Vedas é tão remota que só pode ser falada em termos de fábulas, mitos e lendas, pois o que já não fosse transcendental não podia gerar transcendência. Indivíduos não autorizam (no sentido tanto de autorização quanto de serem os autores) religiões.

O mundano só existe “em-transcendência”, não é possível tratar uma Revelação como aparência, experiência dos sentidos – mesmo os eventos geradores ou supostamente geradores de transcendência que se localizem após a pré-história (i.e., numa cronologia humana consciente) são fabulosos: Cristo existiu? Onde ele foi crucificado? Qual era sua aparência (ironia tríplice)? Quem hoje tem parentesco mais próximo com ele? Ele ressuscitou? Por que ele ressuscitou em segredo diante de seus mais próximos e de Maria Madalena, e não diante de toda a cidade, de toda a colônia, de toda a civilização romana (a mesma pergunta da crônica esportiva: por que ele não calou os críticos?)? Por que milagres não são fatos científicos (ambos são conceitos mutuamente contraditórios)? Por que cada apóstolo conta um evento de forma diferente, tendo Cristo no mesmo instante pronunciado algo distinto conforme a testemunha? Porque não seria fato gerador de uma religião de massa nada que não suscitasse tantas perguntas sem resposta! Somente havendo tantas dúvidas sobre a identidade ou mesmo a existência de Cristo é que foi possível tornar fascículos sabidamente escrito pelos homens chamados X., Y., Z. e K., depois reunidos necessariamente em uma outra geração por outro homem que jamais conheceu Cristo a não ser por relatos, Paulo, ele mesmo santificado (num tempo em que santificavam pessoas apenas após a morte; é constrangedor ter de incluir essas ressalvas em parênteses!), somente por toda essa via errática é que o Cristianismo pôde nascer como uma fé. Tudo isso apenas gerará pano para manga enquanto coserem-se hábitos, panos com manchas misteriosas e enquanto átomos não puderem ser fotografados. (Um exemplo prosaico da transcendentalidade de todo o mundano fora do tema religioso: é fisicamente impossível, e isto foi declarado pela própria Física, que o principal objeto de estudo da ciência chamada Física seja fotografado, ou, de forma ainda mais astuciosa podemos dizer, no lugar de fotografado: comprovado. (Requisito mínimo da cientificização de um conhecimento, qualquer que seja ele, e razão precípua de dizermos que “as ciências exatas estão em crise”, e de essa crise ser administrada – e sem dúvida ao longo de muitos séculos ainda por vir – desde há não muito tempo pelo inteligente expediente da troca da denominação “exatas” por “naturais”, o que certamente dissipa ao menos parcialmente o constrangimento, o escândalo e a sangria mais explícitos que ocorreriam, tendo em vista a denominação antiga, caso contrastassem diariamente o termo exato ou hard com a patente inexatidão atual (e necessária graças a seu próprio progresso) da ‘tradutibilidade’ de nossos conhecimentos tecnológicos, pois os dados não são mais o que costumavam ser, e é preciso refundar o conceito de lógica para acomodar resultados de observações e experimentos, vd. física quântica. E é exatamente por isso que as pessoas leigas ficam cada vez mais insatisfeitas com os resultados das ciências, e que cientistas não dão entrevistas em grandes jornais, porque há uma longa cadeia de pessoas que precisa processar e filtrar a informação emanada pelas maiores autoridades em determinado assunto, reformatando a informação para que ela seja recebida pelo grande público em palavras finalmente para ele compreensíveis.

A quem se pergunta, ‘compreensíveis’ acima significa, no sentido mais sincero possível, que, na verdade, nada de significativo está sendo dito ou veiculado, e talvez devêssemos agradecer por isso, se pensarmos exclusivamente na preservação de nossa saúde mental em uma sociedade tão complexa, e se desprezarmos o outro lado da questão e que é a pior parte disso tudo, ou seja, que evidências socialmente verificáveis não cessam de indicar que um público necessariamente cada dia mais ignorante passará a exibir comportamentos negacionistas de manada mais e mais aleatórios, ridículos e perigosos – sem que se conheça por ora o limite macabro desta ‘torção cognitivo-coletiva’ –, recusando-se, por exemplo, para nos resumirmos à época atual e não sucumbirmos à tristeza tentando prever o que virá a seguir, a tomar vacinas que facilmente previnem doenças graves e que são muito transmissíveis, a ponto de que os próprios cientistas de ‘médio escalão’ poderão estar mais e mais sujeitos a esta mesma lei (da involução cognitiva pari passu à evolução do compartimento das ciências em múltiplos e pequeníssimos nichos mais e mais ‘intraduzíveis’ ao cidadão comum), havendo alguns que, não por charlatanismo ou qualquer intenção de ganho pessoal, repercutem os mesmos discursos de manada, genuinamente convencidos por ele, até que num dia não muito distante os físicos, biomédicos e bacteriologistas mais especializados em seus sub-sub-sub-ramos venham a se encontrar mais isolados de qualquer contato humano que K., o agrimensor, no livro O Castelo, ponto em que já não haverá possibilidade de retorno (fratura do campo científico como jamais se viu, mesmo durante a sofrida transição da opulenta Idade Antiga para a fervilhante Idade Moderna). Corre-se o risco do turismo espacial se tornar realidade simultaneamente a quebras de recordes para a resposta ‘sim’ em enquetes como ‘você acredita que vive num mundo que tem o formato de um tabuleiro?’ (obviamente que até lá a palavra usada não será tabuleiro, pois esse termo tão complicado terá caído em desuso), e o risco conseqüente de que esse contraste absurdo nada cause em termos de convívio social, pois cidadãos dos espectros mais afastados coexistirão harmoniosamente dentro de suas culturas e subculturas (cada qual enterrado em sua própria bolha inexpugnável, chamando tudo o mais de falso e conspiratório, já incapaz, porém, de se incomodar de verdade com isso, apenas reproduzindo comportamentos automáticos como dizer no elevador que ‘parece que vai chover’), mesmo que sejam colegas de trabalho ou roommates ou parentes próximos ou marido e mulher (imagine: um funcionário de agência espacial e uma atleta que vem se preparando para a expedição de exploração das cachoeiras infinitas das bordas do tabuleiro terrestre).

Recuando um pouco, tudo isso é a razão precípua, ainda, da filosofia ser a mãe de todas as ciências mas de forma nenhuma nem sequer uma meia-ciência (ou seja, um título honorífico), porque ela fala do transcendental, que o mundo moderno aprendeu a considerar não só inecessário como até mesmo inexistente, em vez de vital. Dada a própria natureza indeterminável do objeto teórico ‘átomo’, vulgar “menor partícula da matéria”, que na verdade nem é matéria, podemos dizer que toda a decadência do saber transcendental no Ocidente é, que ironia, uma questão de lógica aristotélica da mais rapace. Por outro lado, que se pense na implicação do átomo como partícula dual: é um sintoma de que mundo das aparências (a matéria, o real, o perceptível, é feito de átomos, e está toda aí para fruição imediata de nossos sentidos) e a verdade invisível (o átomo é um modelo, não pode ser provado, significando que nós mesmos, que sabemos que existimos enquanto aparência, átomos que somos, pressentimos que somos, embora também átomo e matéria, algo mais, que não conseguimos definir com palavras, i.e., opera-se uma crescente necessidade de revitalização do transcendental, muito lenta e imperceptível para os desatentos, a bem da verdade) são agora aceitos sem contradição até pelo positivismo ultimado (o crivo do método científico). Trocando em miúdos, em uma sociedade em que todos andam com uma câmera no bolso, capaz de registrar coisas instantaneamente, a fim de convencer os ausentes de coisas improváveis, desconfiamos da própria realidade dos entes, da própria acepção de prova e coisa. Duvidamos do que está aí, presente, e por uma questão até de sobrevivência cada indivíduo-coisa se vê, embora não veja, obrigado a perguntar por sua própria essência e considerar o que não está aí para nenhum dos cinco sentidos, procurando um sentido metafísico para sua existência e presença, um caminho que seja, diferente de coisa.

Mas poxa, um átomo? Como fomos desviar tanto de assunto?! Um exemplo de por que não há novas religiões a partir da modernidade, nem pode haver: Napoleão Bonaparte gerou partidários, admiradores e fanáticos, mas não uma religião. Quem sabe em outro milênio uma figura tornada finalmente mitológica chamada Napoleão, de quem pouco se sabe de concreto, venha a inspirar um novo credo transcendental, o Napoleonismo! Mas isso seria impossível para a França que tanto sabe sobre ele, para o Ocidente inteiro agora. O pior tirano imaginável sobre a Terra não poderia fundar uma religião e ser bem-sucedido; mas uma miríade infinita de tiranos de esquina poderia se perpetuar no poder firmemente falando em nome do deus estabelecido. De fato o Ocidente se tornou tão desconfiado que a própria noção de Deus em sua cultura vive no fio da navalha, e seguirá se complicando cada vez mais, enquanto o Ocidente for Ocidente, e não uma cultura nova e reoxigenada, alimentada pelo intercâmbio com o Oriente, o único lugar do universo que hoje pode ressuscitar o sagrado da outra metade do globo mortificada e anestesiada, mundanizada.

E no entanto, a despeito da superioridade metafísica do hinduísmo, percebida tautologicamente apenas pelos próprios adeptos do hinduísmo, o mundo segue seu curso histórico sem nenhuma modificação fundamental até agora quanto à dimensão de alcance e prevalência das grandes religiões. A despeito da fraude autodemonstrada da religião cristã, a humanidade está e é livre para ter sacerdotes. Se no Oriente, por hipótese, o povo viesse a desejar de forma inédita o sacerdócio em nossos moldes, haveria o sacerdócio! Haveria a hipocrisia, e, aliás, há a hipocrisia entre “hindus” como há dentro de qualquer outro credo (e como os outros credos apresentam seus Platões, brâmanes inconscientes). O que se pode afirmar, percorrendo a História, entretanto, é que o hinduísmo prevalece internamente imutável – sem necessidade de um movimento ou clamor popular por uma Reforma nas práticas e nos Vedas – porque como é e como está ele conduz à Idéia. Já os pressupostos das religiões monoteístas que conhecemos não resistem a uma análise bramânica ou filosófica pós-moderna, i.e., o próprio Ocidente veio a negar sua religião (suas religiões) em tempos relativamente recentes. No Oriente, semelhante acontecimento ‘mundano’ não teve lugar. Nele, filosofia e religião são Um só. Entre nós verificamos dolorosamente o contrário, e a dor é mútua e equivalente: a dos Escolásticos (quando a religião se dizia a própria filosofia) e a dos sábios laicos (quando a filosofia emancipou-se e após caminhar certo tempo com as próprias pernas descobriu sobre a calamidade da morte de Deus e sobre a inevitabilidade do transcendental da condição humana, logo, tragicamente, no momento em que via essa transcendentalidade escorrer pelo ralo – cenário este que, a filosofia pós-moderna o sabe, inviabiliza a própria continuidade da filosofia e, destarte, da vida).

Coming to the third of the triple canon, the Brahma-sūtra, which is nyāya prasthāna (reason), Śakara’s commentary on this text is an exegesis expounding the philosophy of Advaita as the import of the Upaniads.” “The Brahma-sūtra comprises 555 aphorisms (sūtras), divided into 4 chapters each, which are, in turn, divided into 4 sections each.” Aforismo aqui não tem nem de perto a mesma significação que para nós (um aforismo é uma frase curta e auto-suficiente, normalmente muitos conhecimentos já maduros condensados pela pragmática da linguagem). Da forma como foi descrito o Brahma-sutra, que tem nitidamente fixação pelo número 4, este catatau tem 8.880 seções, o que deve equivaler a milhares ou dezenas de milhares de páginas (a conferir). Se fosse no formato de aforismos, por curiosidade, haveria espaço para milhões deles. Às vezes um bom aforismo já enche nossa cabeça por um dia!

Śakara’s preamble to the Brahma-sūtra, the Adhyāsabhāya, is a masterpiece in itself. He is at his scintillating best while delineating his premise for the non-dual nature of the Reality (Advaita), by pinpointing superimposition (adhyāsa) of the not-Self on the Self as the reason for the experience of duality (subject–object distinction), and tracing the cause of superimposition to nescience (avidyā).”

The second chapter is essentially a defence of the objections that can be raised against the metaphysics of Advaita which holds that Brahman is the source of the world.”

These are essentially the 4 broad themes that the Upaniads purport to teach, but as they do not expound them methodically, Bādarāyaa composed the Brahma-sūtra to present them in a systematic manner.”

II.2. ADVAITA VEDĀNTA

It needs to be reiterated that Śakara was only one of the preceptors of the Advaita Vedānta school—although certainly its central figure—because it is very easy to lose sight of the other Vedāntins of the school considering the status he enjoys in it. He never claimed originality as an Advaitin and was an uncompromising traditionalist, quite vociferous in condemning those who did not conform to tradition.”

So the division of pre- and post-Śakara Advaita becomes necessary to understand how classical Vedānta from the time of the Upaniads was systematized by Śakara. The works of Maṇḍana Miśra (Sureśvara?) are also important in the history of Advaita as he was a contemporary.” “Śakara is a legend in the annals of Vedānta because his versatility enabled him to command leadership in all spheres of the Vedic tradition: philosophy, religion, spirituality.”

The Upaniads, being the śruti, are the primary scriptural authority. They lend themselves to different metaphysical views of the Absolute Reality classified as follows: difference (bheda), non-difference (abheda), difference-cum-non-difference (bhedābheda) and a variation of abheda which is qualified non-difference (viśiṣṭa) called Viśiṣṭādvaita.” “The writing of the Brahma-sūtra was a logical development in the history of Vedānta and it is a presentation of the teachings of the Upaniads according to Bādarāyaa. Though they differ in their metaphysics, all the Vedānta schools are in agreement that the Brahma-sūtra best presents the central teaching of the Upaniads systematically. The same unanimity extends to the Bhagavad-gītā among smtis, which is a pointer to the evolution of the Vedānta tradition itself. There were Vedāntins upholding the different philosophical views before Śakara, too. Śakara’s interpretation of the prasthānatraya texts is from the Advaita standpoint.”

A philosophy of non-difference or non-duality of the Absolute Reality (Brahman), naturally necessitates an explanation for the duality that is the fact of the empirical level of human experience.”

AS DUAS VIAS DE PARMÊNIDES: “Reality is non-dual at the absolute level (pāramārthika), which is transcendental or beyond sensory perception and intellectual understanding. The empirical level of reality (vyāvahārika) is the world of human engagement with which we are familiar.”

Thus, the philosophy of Advaita is one of standpoints,¹ and these two are further enlarged to include illusion (prātibhasika, which is apparent reality), seen only by the perceiver, as in the case of mistaking a rope for a snake in darkness, or objects seen in a dream.”

¹ É uma tentação nossa enxergar algo do perspectivismo nietzschiano nesta fala, mas o que torna o dualismo sujeito-objeto insustentável na metafísica nietzschiana é a co-relação milenar decadente e conducente ao niilismo do mundo verdadeiro-mundo das aparências; aqui, trata-se de ilusões no sentido mais estrito do termo (sentidos são capazes de engodos, mesmo falando-se do mundo das aparências apenas: uma cobra não é uma corda; em N. dir-se-ia: nem a corda é uma corda, é pura aparência, mas é uma verdade útil, que no entanto só subjaz enquanto existem sujeitos para utilizar tal relação identitária como útil na vida comum).

To Śakara, the empirical world is similarly a chimera from the transcendental level.” Igualmente aqui: não é nível transcendental, acesso a outro mundo, no acabamento da filosofia ocidental.

It must not be misunderstood that Śakara dismisses the empirical world of insentient and sentient beings as an illusion. It is real as long as avidyā lasts (empirical level), and so, this is stated from the absolute standpoint. Hence, the absolute and relative standpoints keep surfacing throughout the discussion of Advaita.” “At some point then the philosopher has to confront the Ultimate Reality, which eludes reason and, therefore, logic. This involves a quantum leap in consciousness from the intellectual to the intuitive level of experience. It is to enable the mind to transcend the intellectual barrier that Vedānta turns to scripture as the authority in matters trans-empirical—beyond the senses and the mind. It is essential, and customary, to begin with epistemology in philosophy, and also consider the methods that Vedānta adopts to arrive at Truth”

Similarly, the characteristics of the not-Self (anātman) are superimposed on the Self (Ātman), which is eternal, and of the nature of existence, consciousness and bliss, as a consequence of which, the infinite Self appears as the embodied soul (jīva) subject to the limitations of the empirical world. Brahman, which is non-dual, appears as the world of plurality of insentient and sentient beings because of adhyāropa [engano]. It is due to adhyāropa that the Real appears as the unreal, and the unreal appears as the Real. By adopting the method of negation (apav-ā-da), which involves discrimination, the attributes of the not-Self are eliminated to reveal the Self. Superimposition is only an appearance; therefore, the Self is unaffected by the attributes of the not-Self imposed on it.”

The concept of superimposition (adhyāsa) is the basis of Śakara’s philosophical deliberation, as is evident in its elaboration in his preface to his commentary on the Brahmasūtra, the Adhyāsa-bhāya.”

Śakara defines adhyāsa as ‘the apparent presentation, in the form of remembrance, to consciousness of something previously observed, in some other thing’.”

it is the empirical level—the world of duality—as pointed out earlier, that is the arena for human enterprise, both secular and sacred.” Para tentar discriminar os erros básicos (p.ex., corda não é cobra).

TRANSPLANTANDO PARA O METAFÍSICO: “It is logical if one questions whether the example of superimposition of an attribute of one object on another—as in the case of silver seen in mother-of-pearl—can be applicable to the mutual superimposition of the not-Self and the Self because Ātman is not an object of knowledge. It is true that Ātman is not an object of knowledge but adhyāsa is the basis of empirical existence and hence, Vedānta has to proceed from avidyā, which is present, to vidyā.” “Though Vedānta is spiritual knowledge, the process of inquiry has to begin and proceed at the level of duality. Śakara states that the perception of subject–object distinction (duality) involved in the process of knowledge is due to superimposition of the not-Self (object) on the Self (subject).” Aqui já entramos na epistemologia da filosofia continental final.

This marks the transition from epistemology to metaphysics in the philosophical quest.” Exato.

Metaphysics is the investigation into the nature of the Absolute Reality and, to Śakara, superimposition is the key not only to metaphysics but also to spiritual discipline.” Razão e suas contradições sempre conduzem às perguntas em Ética e Moral.

It is as a result of superimposition that the non-dual Reality is perceived as the phenomenal world of diversity and as the plurality of the individual souls (jīva),¹ and their state of bondage in worldly life.”

¹ O erro fundamental do ‘eu’ ou da ‘mônada’ na filosofia moderna. Desbaratamento da filosofia mecanicista.

Superimposition is described by Śakara as being due to ignorance (avidyā); and as avidyā is without beginning, only knowledge of the nature of the Self as non-dual can destroy it.” Também resume os achados de Platão.

Just as the mistaken perception of snake is negated with the knowledge that it is rope, so also the world of phenomena will be experienced as non-dual with the dawn of Self-knowledge. Avidyā is described as neither real (sat) nor unreal (asat) because its effect is seen in the phenomenal world. Hence, it is said to be indeterminable (anirvacanīya) because it defies categorization.”

Epistemology is the study of the mechanism of knowledge. The process of knowledge involves the triad of the inquiring subject, the object to be known, and the means of knowledge (pramāa).”

The Upaniads, therefore, make a distinction between transcendental knowledge (parā vidyā), which is knowledge of Brahman, and relative knowledge (aparā vidyā), which subsumes all other knowledge.”

So, all knowledge, except Self-knowledge, is relative in nature, and mastery of any number of them will not bestow Self-knowledge on the knower. Knowledge of the Self is called ‘Upaniad’, because the root ‘sad’, prefixed by ‘upa’ and ‘ni’, means that the relative knowledge of the world is removed by the absolute knowledge.”

Every system of philosophy has to state the pramanas [método] by which epistemology is discussed.”

– perception (pratyaka);

– inference (anumāna);

– scriptural testimony (śruti). [Veda, Primeira Filosofia, Brahman]

This is experiential in nature when the Self (Ātman) becomes identified with Brahman.” Através do (mais correto e conseqüente dos) empirismo(s) o próprio empirismo é refutado.

“‘Thus true knowledge of all existing things depends on the things themselves, and hence the knowledge of Brahman also depends altogether on the thing, the Brahman Itself. Therefore, the sūtra under discussion is not meant to propound inference (as the means of knowing Brahman), but rather to set forth a Vedānta text’, but after studying the scripture, the seeker must apply the other two to realize the truth of the scriptural teaching.”

The pramāas are pertinent only till the Self is known when even śruti becomes superfluous because Truth has been experienced, in which case there is no longer any duality. śruti, therefore, only removes the wrong notion caused by superimposition, which results in mistaking the not-Self for the Self.”

Superimposition thus bridges epistemology, metaphysics, and also spiritual discipline because bondage is also perceived due to avidyā.”

VÉU DE MAYA (O VÉU QUE EM VERDADE ESCONDE APENAS MAIS VÉU, OU SEJA, NADA): “Māyā (nescience, ignorance, illusion) is responsible for the one appearing as the many and so it is the principle of objectivity.”

The non-dual Brahman which is unmanifest becomes manifest in association with māyā.” Mas não via objetivismo.

Māyā is defined as the power (Śakti) of Īśvara as it brings about the manifestation of the universe.” A culminância do empírico (empiricismo, como vício). Materialismo (mecânico), como vício.

Śakara uses the term prakti also for māyā when it is described as being made up of the three qualities (guas)—sattva, rajas, and tamas. Prakti is responsible for the materiality of the universe.”

What then is the nature of māyā if the non-dual Brahman alone is real? Certainly it cannot be real from the absolute standpoint. Nor can it be unreal because its effect is seen in the existence of the world of plurality—both insentient matter and sentient beings. It is then different from real and unreal. Thus, its nature cannot be determined because it eludes description by known categories.” Excede as categorias da razão da filosofia até-aquele-ponto (filosofia mecanicista vs. filosofia dinâmica ou dialética, não-dualista).

Falso ou erro como diferente de irreal (Nie.). Falsidade e erro como aspectos e/ou etapas necessárias no devir: “Therefore, the world that appears due to māyā is also mithyā according to Śakara, and in the context of causation it is explained as vivarta (appearance) because both Brahman and māyā are involved in creation. Māyā does not have an existence apart from Brahman. Māyā thus brings about superimposition of the not-Self on the Self, thereby resulting in all the phenomena in the empirical world, including bondage and liberation of the soul. As Brahman’s power, it becomes the material cause of the universe at the objective level, while at the subjective level, it makes the one Self (Brahman, Ātman) appear as the innumerable individual souls (jīva). Subject to avidyā, the jīva suffers bondage and loses sight of the fact that it is the Ātman.” “…so also, when avidyā, which is responsible for bondage, is removed, the Self becomes known in its original nature as non-dual consciousness.” Trecho interessante: supressão da alienação (Marx); transmutação da escala de valores (do valor que valora os valores) (Nietzsche); liberação no hinduísmo.

That the rope was perceived as a snake can be seen from the person’s fright and it is only after he realizes that it was an illusion does he regain his former composure. Similarly, the effects of māyā/avidyā are seen in the world and they have an empirical validity. Māyā’s operation can be discerned only from its effects in the world. It is only from the absolute standpoint when avidyā is destroyed that the world can be dismissed as an illusion.”

Brahman, according to Śakara, has two aspects: without attributes (nirgua), and with attributes (sagua) or Īśvara. (…) Nirgua-Brahman, which is indeterminate, appears as the determinate Sagua-Brahman due to māyā. This can be understood from the example of the light from the sun or moon assuming the shape of the object on which it falls. (…) This phenomenon is akin to the sun appearing as many when reflected in different water bodies. So, it is the adjuncts that are responsible for the diversity.”

“‘cause’ of the world (jagat)”

A definition of Brahman is attempted first by describing Its incidental features (taastha lakaa), which exist only temporarily. One example is, pointing to a house by showing a crow sitting on its roof to distinguish it from others. The next is an attempt to pinpoint the essential features of the Reality (svarūpa lakaa). The third method is by way of negation to enable the mind to transcend duality.”

That Brahman is the source of this creation is adduced by Śakara on the basis of the Upaniads to describe It by Its incidental feature. Its essential nature is best described by the paradigmatic statement of the Taittirīya Upaniad: ‘Brahman is existence, knowledge, and infinite.’

Existence (Sat) is therefore the essence of Reality. It is consciousness or supreme intelligence, and it is eternal and therefore infinite. Śakara states that these are not characteristics of Brahman [itself] but Its essential nature. This is similar to the light of the sun or the heat of fire.”

Brahman is also described as bliss, and the same Upaniad has an entire chapter devoted to explaining that Brahman is bliss per se, and that all joys worldly and heavenly are but a particle of the bliss that is Brahman. [Chandogya]”

How then is Brahman to be known? By adopting a synthesis of the objective and the subjective approaches, śruti tries to make it easier to transcend the subject–object distinction to grasp the non-dual nature of Brahman. Almost at the end of the teaching, the Taittirīya Upaniad declares, ‘This being that is in the human personality and the being that is there in the sun are one.’” “The Upaniad, therefore, takes the subjective approach to Reality, which is essentially showing the identity of Brahman and Ātman by such a declaration as ‘tat tvam asi’.”

By adopting the method of negation on the basis of śruti, Śakara shows that through negating (apavāda) the superimposition (adhyāropa), the Self will stand revealed. This is the popular neti neti method, an example of which is as follows: ‘It is neither gross nor minute; neither short nor long; neither red in colour or oilness; neither shadow nor darkness; neither air nor ether; unattached; with neither savour nor odour; without eyes and ears; without the vocal organ or mind; non-luminous; without the vital force or mouth; not a measure; and without interior or exterior. It does not eat anything, nor is it eaten by anybody.’ Negation is only the preliminary step to enable the mind to see the limitations of reason, and then go beyond it to the level of intuition when the final teaching of the identity of Brahman and Ātman is taken up.”

PROBLEMA DE MENOR ORDEM (GENEALOGIA): “The metaphysical category of jagat is taken up next for consideration to explain Brahman as the cause of creation (taastha lakaa).” “Brahman is the Lord of māyā, its controller and cause, both material and efficient. It is māyā that is the stuff of the material universe and by becoming tripartite—as it comprises the three guas, sattva, rajas and tamas—names and forms become manifest. Creation can then be defined as the process of the unmanifest name and form becoming manifest.”

This may give the impression that māyā alone can bring about the phenomenon of plurality. It is to remove any such wrong notion that the Lord is described as the wielder of māyā with which He creates. Īśvara is the efficient cause, the intelligence behind the universe.” Para teimosos filósofos kantianos.

the inner controller (antaryāmin) of all”

Commenting on the opening verse of the Īśāvāsya Upaniad, Śakara says, ‘He who is the Supreme Ruler and Supreme Self of all is the Lord (Īśa).…’”

Śakara’s causation is, therefore, an appearance (vivarta) because Brahman does not undergo transformation as in the case of clay which becomes a pot.” “This is analogous to the case of foam and water. Foam is denoted by the single word and concept of ‘water’ before the manifestation of its name and form as distinct from water.”

The concept of vivarta, therefore, enables Brahman to be the substratum of the phenomenal universe by preserving Its non-dual nature.”

How then does Śakara explain the relationship between Brahman and māyā since this has been posited as an eternal metaphysical category? Māyā cannot be real (sat) as Brahman is the only Reality, and it cannot be unreal (asat) either, as its effect is seen in the world of diversity, which is the realm of human experience. That is why māyā is said to be mithyā (false) and anirvacanīya (indeterminable), as it is neither real nor unreal. The relationship between Brahman and māyā too is indeterminable. Besides, the proposition of vivarta to explain causation has its bearing on the status of the creation. Thus, the world, too, is only an appearance. It is real at the empirical level but from the absolute standpoint it is false, or mithyā. When creation and its cause, māyā, are negated, only the non-dual Brahman remains.”

This brings us to the third of the triad in metaphysics—the individual soul (jīva). While the objective approach to Brahman is through understanding it as the substratum of the jagat, the subjective approach is by an analysis of the jīva. The Upaniad states that the jīva is a conglomerate of the five sheaths (pañcakośas) that envelop and conceal the Self (Ātman) and, by a process of negation of these sheaths, one by one, it unravels the Self (Ātman) within, and identifies the Self as Brahman.”

It is due to mistaken identity with this not-Self that the jīva suffers bondage, and subsequently strives to be liberated from this predicament.”

AS 5(3) CAMADAS DA CEBOLA-HOMEM (Só as duas primeiras – a primeira – fazem chorar): “The gross physical body corresponds to the food and the vital sheaths; the subtle body to the mental and the knowledge sheaths; and the causal body to the blissful sheath. Death is only to the gross body, and it is the subtle body along with the causal body that is subject to transmigration.” “Since Ātman is described as bliss, the blissful sheath must not be mistaken to be the Ātman because the Upaniad states clearly that the Ātman transcends all the five sheaths.”

This is akin to the case of a group of ten boys who, after swimming across a river, counted themselves to find out whether they had all reached the other bank safely. One of them, while counting, left himself out and found to his dismay that they were only nine. Only when he was told that he was the tenth did he realize he had forgotten to count himself. So also is man’s predicament in samsāra.” Aquilo que todos sabem, todos esquecem.

OUTRO MÉTODO SUBJETIVO PARA CHEGAR AO ATMAN: “waking (jāgrat); dream (svapna); and sleep (suupti)” “Avasthā literally means state of existence, and hence it refers to the state of the human consciousness in these three states.” Cada um desses tem um “nome de Self”, por sua vez (totalizando 6 novas terminologias para nosso longo léxico hindu!): “The Self that identifies itself with the subtle body in dream is called Taijasa.[, etc.]” “Śakara (…) undertakes an analysis of these three states to show the nature of the Self vis-à-vis the not-Self, and that the Self is the witness-consciousness in all these three states.” “Just as an emerald or an other gem dropped for testing into milk imparts its lustre to it, so also does the Self illumine the body, mind and intellect. § The Self is unaffected by them all, and transcends the three states of waking, dream and sleep, and this state of consciousness is called turīya. Metaphorically, it is called the fourth state to distinguish it from the other three.”

Knowledge of the Self can only be discussed from the standpoint of ignorance, for, with the dawn of knowledge, no duality remains. It is this paradox that Yajñavalkya expressed when he took leave of his wife Maitreyī after imparting Self-knowledge: ‘When, to the knower of Brahman, everything has become the Self, through what, O Maitreyī, should one know the knower?”

Īśvara, jagat and jīva are interlinked in the phenomenal world, and all are appearances of Brahman due to māyā/avidyā. But it must be remembered that, though Brahman and Ātman are shown to be one in the final teaching of the śruti (tat tvam asi), Īśvara and jīva are not the same. Brahman appears as Īśvara (sagua) because of māyā, which is pure sattva, and He has total control over it, whereas Ātman appears as the jīva because of avidyā.”

Metaphysics logically leads the inquirer to consider next the means to liberation because Vedānta is not armchair speculation. In fact, it is only with the objective of finding a way out of samsāra that one engages in Vedānta and, therefore, it is the moral and spiritual disciplines that are important from the practical standpoint, and the human being becomes the focus of this deliberation.”

Avidyā is eternal, and it is difficult to explain how the individual soul became caught up in this cycle of transmigration.” “Spiritual discipline, therefore, is intrinsically connected to metaphysics in Advaita, as the seeker must first understand his predicament before he can adopt whatever means he must to gain Self-knowledge to overcome his bondage.” Eterno debate consciência x inconsciência do prisma ocidental: esclarecimento é não-esclarecimento ou vice-versa?

how then does he [the commentator Sankara] accommodate the paths of action (karma-yoga) and devotion (bhakti-yoga), which are also the recommended means to liberation according to śruti, which is the final authority on Brahman? (…) Śakara accommodate all spiritual paths as being intrinsically valid as long as they are oriented properly.”

UMA TERCEIRA VIA! CAUGHT IN BETWEEN TWO ROADS! “The rationale of the karma, jñāna, and bhakti-yogas elaborated in the Bhagavad-gītā is to enable human beings to choose the one most suited to their disposition—karma-yoga for one who has the proclivity to action; jñāna-yoga for one who has a penchant for knowledge; and bhakti-yoga for one who is by nature emotional. [natureza emocional no sentido mais ocidental do termo: necessitar uma divindade literal, uma religião oficial]

Não somos práticos, nem somos reféns da ordem estabelecida. Nós, filósofos pós-continentais do XXI no sentido correto e mais nobre do termo.

The crux of the famous Gītā verse is nikāma karma: ‘Thy concern is with action alone, never with results. Let not the fruit of action be thy motive, nor let thy attachment be for inaction.’

karma which was performed with the intention of enjoying worldly and heavenly joys would not result in spiritual progress.” “There are differences between the karma-kāṇḍa and the jñāna-kāṇḍa, which are the same as between the Pūrva-mīmāsā and the Uttara-mīmāsā (Vedānta) because their contents and their objectives vary.”

While karma-yoga is preparatory to jñāna-yoga, bhakti-yoga leads to liberation in two ways. The devotee who worships Īśvara reaches the world of Hirayagarbha after death, and is finally liberated during the cosmic dissolution; [uma espécie de espera pelo apocalipse, tempo após o fim do tempo] one who is devoted to Nirgua-Brahman is blessed with knowledge by the grace of God, and thereby attains liberation here itself. [aqui e agora, hic et nunc]

As for jñāna-yoga, this is the direct means to liberation, and Śakara elaborates on the fourfold requirement (sādhana catuṣṭaya) that a seeker of liberation (mumuku) should fulfil to pursue scriptural study.”

He will not get carried away by anything in the world if he develops the discriminating sense to see all worldly things—which are impermanent (anitya)—as the not-Self.” “Developing the quality of detachment is essentially switching from doing karma to karma-yoga, which is performing the same action with detachment, without a motive for result.”

O segundo requerimento é “não querer nenhuma recompensa no final”. A liberação nada é, a rigor. Nem hedonista nem franciscano. Apenas a apologia do que se é.

Renunciation and an intense desire for liberation¹ are the fundamental requisites for this effort to bear fruit, without which, the virtues will only be a façade in a spiritual seeker.”

¹ Desejo muito ambíguo, talvez além da compreensão da maioria absoluta, mesmo entre os que abraçam o hinduísmo.

According to Śakara, spiritual discipline is essentially the pursuit of the last of the threefold approach (śruti, yukti, anubhava) to Brahman. The Reality that the scriptures delineate must be followed by yukti, which is intellectual deliberation on the truth of the scriptural teachings. But that will not lead to Self-realization, and it is with the objective of experiencing the veracity of the teachings that the inquiry now proceeds to the final stage.” Conhecimento e fé. Terreno kierkegaardiano.

Most people, however, arrive at this step as a consequence of developing detachment (vairāgya) after experiencing the torments of samsāra at firsthand, in which case, the threefold approach need not necessarily be a gradual trajectory towards the goal of liberation.” Constatar que “tudo é vaidade” pelo sofrimento equiparável à fé nas escrituras?

Since mere assertion that the world is an illusion may not help the seeker develop detachment, scriptural texts resort to analogies to depict that samsāra is unreal.” Só pelo sofrimento se descobre que o sofrimento “não existe”. Nietzsche e Platão concordariam com essa afirmação.

ignorance (superimposition)” O nosso filisteísmo.

The tender sprouts of this tree are the objects of the senses, the leaves are the Vedas, the smtis, logic, learning, and instruction. Its lovely flowers are the many meritorious deeds; its various tastes, the experiences of joy and sorrow; its fruits, the subsistence of living beings. The nests in this tree are the seven worlds beginning from the one called Satya. The birds who build these nests are the living beings from the creator Brahma down. There is a tumultuous uproar induced both by mirth and grief from the enjoyment and the pain of living beings. This tree can be felled by the weapon of detachment, leading to realization of Brahman as explained in Vedānta. This tree is said to be an aśvattha because its nature is always unsteady like the pipal tree shaken by the wind of desire and deeds. Its branches are downward and consist of heaven and hell. It exists from time immemorial and has no beginning. The root of this tree of the world is white, pure and resplendent that is Brahman which is called indestructible by nature because it is true.” O homem elegeu a árvore como símbolo universal da existência, de seu ser-neste-mundo.

Whatever may be the reason that spurs an individual to turn away from the world and develop an intense yearning for liberation, and whichever route he takes to arrive at the last lap of this difficult path is relevant for him. This might have spread over countless lives, there would have been ups and downs, yet, the jīva, in the last of its births, has to arrive at this destination in order to go forward and take the direct path which, according to śruti, is one-way for it promises that there is no return to samsāra after liberation. The arduous nature of the spiritual path is not intended to dissuade the seeker. On the contrary, it is to invest him with a sense of urgency to achieve the goal without further delay that it is said that human birth, desire for liberation and association with realized souls are rare to obtain.” Curioso: a pressa não irá ajudar, mas o indivíduo apressado é incapaz de transcender e chegar a esse entendimento. A lassidão niilista seria o extremo oposto, igualmente infrutífero. Kairos.

Scriptural study is also a threefold discipline that comprises listening to the exposition of the scriptures by the teacher (śravaa); then constantly reflecting on the teachings to get conviction (manana); and finally contemplating (nididhyāsana) on Brahman as taught in the final teaching of the identity of the Self and Brahman (mahāvākyas) of the Upaniads.” Saber ouvir: do que o ocidental está destituído.

A doubt that is bound to arise is this: if only meditation on Brahman (parā vidyā) is the direct means to liberation, why have several other upāsanas or vidyās (aparā vidyā) been elaborated on in the Upaniads?” “Upāsanas are intertwined with karma [ações, ações rituais muitas vezes] throughout the Vedas.” “upāsanas, which are essentially meditations on these sacrifices [meditações acerca do karma, karma-yoga].”

Śakara’s interpretation of these meditations, as also other spiritual aids like japa, is one of accepting their utility for attaining cittaśuddhi leading to jñāna.” Etapa não-obrigatória. Nós filósofos já nascemos isolados na floresta e descrentes de “punições divinas”, por assim dizer.

Among the meditations, the one on the praava (Om) mantra, also called the udgītha, is vital because praava is the nearest symbol of Brahman, and therefore, represents an intermediary between the manifest and the unmanifest, between meditation on Īśvara (saguopāsanā) and Nirgua-Brahman (nirguopāsanā) [o Brahman não-manifesto, que não pode ser representado por maya, que não tem forma] respectively.”

Samādhi [a auto-realização do Um; auto porque só pode ser auto, não havendo realização impessoal] is of two kinds: meditation on Nirgua-Brahman results in nirvikalpaka samādhi, while meditation on Sagua-Brahman leads to savikalpaka samādhi.”

Samsāra is called a tree because it can be felled, which is the objective of Vedānta. This tree grows from the seed of ignorance (superimposition), desire, action, and the Unmanifested (Brahman).”

The enlightened one who continues to live after Self-realization is known as a jīvanmukta—liberated while still embodied. Jīvanmukti is a unique concept in Śakara’s philosophy.”

He also distinguishes between perception and inference on the one hand, and scriptural testimony on the other, as the former can give only knowledge pertaining to the world, while the latter alone can give rise to knowledge of the Self. The origin of scripture is Brahman and the scripture is revelatory in nature. As Brahman is beyond the senses and the mind, scripture alone can reveal Brahman to the seeker.”

It is to be understood right at the outset that scripture has to be accepted with faith as it expounds knowledge which is beyond the ken of the senses and the mind, but that does not invalidate the necessity of perception and inference while undertaking scriptural study because, until the dawn of spiritual knowledge subject–object duality persists—metaphysical inquiry is possible only at the level of duality.”

Self-knowledge is a threefold process: it begins with faith in scriptural testimony (śruti); it then proceeds through reasoning (yukti) during scriptural study and, through spiritual discipline, it must culminate in the experience of the truth (anubhava).”

superimposition is the starting point in Self-inquiry and spans the entire gamut of Śakara’s philosophical deliberation till it is transcended when Self-knowledge dawns.”

Scriptural study cannot be pursued on one’s own, as Self-knowledge is a quest of the unknown when embarked on, which is the reason why śruti is the pramāa in this matter. One has to study under a preceptor, and then repeatedly reflect upon the teachings, as it is a process of enquiry.” O que anularia todos os meus esforços…

The Vedas, along with their six ancillaries, are empirical in nature, and it is in the Upaniads that Self-knowledge is taught. The Muṇḍaka and the Chāndogya Upaniads state this succinctly.”

Even if a spiritual seeker has mastered all the Vedas, and all the arts and the sciences, he should approach a preceptor, who is a man of Self-realization with humility, and learn Self-knowledge from him, because only such a man of wisdom can guide him from his experience.” Me parece mais uma desculpa esfarrapada para uma gerontocracia corrupta e decadente…

Superimposition thus is the underlying thread that connects epistemology, metaphysics and spiritual discipline—from bondage to liberation—spanning the entire gamut of philosophical inquiry in Śakara’s Vedānta.”

2. MĀYĀ/AVIDYĀ (NESCIENCE)

Though māyā and avidyā are used synonymously, there is distinction between them when seen in their correspondence to Īsvara and jīva. While Brahman and Ātman are one and the same, Īśvara (Brahman+māyā) and jīva (Ātman+avidyā) are different because of the adjuncts of māyā and avidyā, respectively. Māyā is universal; it is the adjunct of Brahman responsible for the appearance of the manifold creation within the framework of space–time causation, and Brahman is not in any way affected by it. Avidyā has an epistemological implication and, at the subjective level, afflicts the mind of the jīva, imposing several limitations on its self-identity, and in its interactions with the world projected by māyā.”

It is from the empirical level that the effect of māyā is discernible as the world of plurality, but from the absolute standpoint, it does not have any locus standi.”

3. REALITY (BRAHMAN)

The Upaniads describe the Absolute Reality, Brahman, as non-dual, without form or attributes (nirgua) but there are statements about Brahman with form and attributes too (sagua). This is necessary because it is possible to relate to Brahman only from the empirical level. The Absolute is thus spoken of as two according to whether it is from the transcendental level (nirgua) or the relative, worldly level (sagua). They are also referred to as Para Brahman and Apara Brahman, respectively, and correspond to the acosmic and cosmic aspects of the Reality. Sagua Brahman, also known as Iśvara, is for all practical purposes important as the cause and controller of the universe, and as God of religion. Form and attributes are essential in worship and meditation.”

The corollary of stating that Brahman defies description can be seen in the other way to which the Upaniads resort to describe it by negating what It is not—the famous ‘neti neti’ (not this, not this) method—so that the mind is able to transcend relativity, and make the transition to the intuitive level. Any knowledge is possible only because of the Self, the knower, and as Brahman is not an object to be known, It reveals Itself to the seeker as the innermost Self (Ātman), the I-witness within, directly and intuitively.”

4. JAGAT (WORLD), JAGAT MITHYA

When scriptures teach the existence of Brahman as the cause of the universe, do they imply that Brahman is actively involved in the process of creation, or that It is just the substratum on which all these phenomena take place through the agency of māyā? Śakara holds that, from the standpoint of the Absolute, there is no plurality, and hence, a creator and a universe become redundant. But from the empirical standpoint, duality is an experienced fact, and so all this can be explained only as the work of māyā. In that case, is it not preposterous to state that māyā alone is responsible for the world process without the control of the conscious principle, Brahman? It is to set this doubt at rest that the Upaniad also speaks of the conscious Absolute as the omnipotent and omniscient Lord (Īśa) who is the controller and the inner ruler.” Raciocínios ad infinitum…

So, it is not possible to establish Brahman as the cause of the world through reasoning”

Brahman is both the material and the efficient cause of the universe. The conscious Absolute as the efficient cause is understandable, but how can Brahman be the source of materiality of the world for, in our experience, the cause should have the same nature as the effect, as in the case of the clay (cause) and pot (effect)? The Upaniad declaration that the Absolute is non-dual—‘One only without a second’—rules out a second principle that can function as the material cause.”

So, māyā is the material cause of the world, and Brahman’s non-duality is not compromised in any manner. Like a magician, Īśvara brings forth the world like an illusion with His power of māyā, and keeps the world process under His control.”

5. SOUL (JĪVA), JĪVO BRAHMAIVA NĀPARA?

(…)

6. PATH TO PEFECTION

(…)

7. LIBERATION

(…)

QUEM FOI O IDIOTA QUE COMEÇOU O MITO DE QUE GRACILIANO RAMOS NÃO ADJETIVA SUA PROSA? // MEMÓRIAS DO CÁRCERE: Vol. I – Graciliano Ramos

PRIMEIRA PARTE – VIAGENS

Também me afligiu a idéia de jogar no papel criaturas vivas, sem disfarces, com os nomes que têm no registro civil. Repugnava-me deformá-las, dar-lhes pseudônimo, fazer do livro uma espécie de romance; mas teria eu o direito de utilizá-las em história presumivelmente verdadeira? Que diriam elas se se vissem impressas, realizando atos esquecidos, repetindo palavras contestáveis e obliteradas?

Restar-me-ia alegar que o DIP, a polícia, enfim, os hábitos de um decênio de arrocho, me impediram o trabalho. Isto, porém, seria injustiça. Nunca tivemos censura prévia em obra de arte. Efetivamente se queimaram alguns livros, mas foram raríssimos esses autos-de-fé. Em geral a reação se limitou a suprimir ataques diretos, palavras de ordem, tiradas demagógicas, e disto escasso prejuízo veio à produção literária.

Certos escritores se desculpam de não haverem forjado coisas excelentes por falta de liberdade – talvez ingênuo recurso de justificar inépcia ou preguiça. Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer.”

Não caluniemos o nosso pequenino fascismo tupinambá: se o fizermos, perderemos qualquer vestígio de autoridade e, quando formos verazes, ninguém nos dará crédito. De fato ele não nos impediu escrever. Apenas nos suprimiu o desejo de entregar-nos a esse exercício.”

De alguma forma nos acanalhamos. Por que foi que um dos meus livros saiu tão ruim, pior que os outros? pergunta o crítico honesto. E alinha explicações inaceitáveis. Nada disso: acho que é ruim porque está mal escrito. E está mal escrito porque não foi emendado, não se cortou pelo menos a terça parte dele.”

Quem dormiu no chão deve lembrar-se disto, impor-se disciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas.”

Fisicamente estamos em repouso. Engano. O pensamento foge da folha meio rabiscada. Que desgraças inomináveis e vergonhosas nos chegarão amanhã?”

O receio de cometer indiscrição exibindo em público pessoas que tiveram comigo convivência forçada já não me apoquenta.”

Omitirei acontecimentos essenciais ou mencioná-los-ei de relance, como se os enxergasse pelos vidros pequenos de um binóculo; ampliarei insignificâncias, repeti-las-ei até cansar, se isto me parecer conveniente.”

Mas que significa isso? Essas coisas verdadeiras podem não ser verossímeis. E se esmoreceram, deixá-las no esquecimento: valiam pouco, pelo menos imagino que valiam pouco.”

Desgosta-me usar a primeira pessoa. Desculpo-me alegando que ele me facilita a narração.”

NO COMEÇO de 1936, funcionário na Instrução Pública de Alagoas, tive a notícia de que misteriosos telefonemas, com veladas ameaças, me procuravam o endereço. Desprezei as ameaças: ordinariamente o indivíduo que tenciona ofender outro não o avisa. Mas os telefonemas continuaram. Mandei responder que me achava na repartição diariamente, das nove horas ao meio-dia, das duas às cinco da tarde.”

Algum tempo depois um amigo me procurou com a delicada tarefa de anunciar-me, gastando elogios e panos mornos, que a minha permanência na administração se tornara impossível. Não me surpreendi. Pelo meu cargo haviam passado em dois anos oito sujeitos. Eu conseguira agüentar-me ali mais de três anos, e isto era espantoso.”

não tivera a habilidade necessária de prestar serviços a figurões, havia suprimido nas escolas o Hino de Alagoas, uma estupidez com solecismos, e isto se considerava impatriótico. O aviso que me traziam era, pois, razoável, e até devia confessar-me grato por me haverem conservado tanto tempo.”

Findo o expediente, sucedia retardar-me ali, a escrever, esquecia-me do tempo, e às vezes, meia-noite, o guarda vinha dizer-me que iam fechar o portão do Palácio. Parte do meu último livro fora composto no bureau largo, diante de petições, de números do Literatura Internacional.”

Rubem me explicava que Osman Loureiro, o governador, se achava em dificuldade: não queria demitir-me sem motivo, era necessário o meu afastamento voluntário. Ora, motivo há sempre, motivo se arranja. Evidentemente era aquilo início de uma perseguição que Osman não podia evitar”

Os integralistas serravam de cima, era o diabo. Demissão ninguém me forçaria a pedir. Havia feito isso várias vezes, inutilmente; agora não iria acusar-me. Dessem-na de qualquer jeito, por conveniência de serviço.

Despedi-me de Rubem Loureiro e deixei sobre o bureau os volumes do Literatura Internacional. Essa matéria, na safadeza e na burrice dominantes naquela época, render-me-ia talvez um processo. Iriam dr. Sidrônio e Luccarini, meus companheiros de trabalho, passar vexames por minha causa? Não. Dr. Sidrônio era católico, não escrevia, como eu, livros perigosos nem se gastava em palestras inconvenientes nos cafés. Provavelmente me substituiria. Luccarini tinha sido meu inimigo. Apanhado certa vez em falta e censurado, replicara-me:

Eu também já mandei. Mas quando queria dizer isso que o senhor está dizendo, chamava o sujeito particularmente. – Ora essa! O senhor chega tarde, larga a banca e vive passeando pelas seções alheias em público.

Luccarini voltara ao seu lugar e durante três meses fôra de uma pontualidade irritante. Era o primeiro a chegar, o último a sair, não se levantava nem para ir ao mictório. Também não fazia nada, inércia completa.”

E dera graças a Deus quando Luccarini se ausentara, passara seis meses no Recife, curando uma sinusite, com todos os vencimentos. Ao voltar, agradecera-me um obséquio não-feito, apresentara-me um relatório não-encomendado, insinuara-me a compra de um fichário e o abandono daqueles horríveis calhamaços onde o registro das professoras se fragmentava e confundia. Agora trabalhava demais, em poucos meses corrigira aquela balbúrdia.”

Sentia desgosto e vergonha, desejava ausentar-me para muito longe, não pensar em despachos e informações. Andei pelas ruas, tomei o bonde. Transeuntes e passageiros pareciam conhecer o desagradável sucesso, ler-me no rosto a inquietação. Evitava considerar-me vítima de uma injustiça: deviam ter razão para repelir-me. Seria bom que ela se publicasse no jornal, isto desviaria comentários maliciosos. Esforçava-me por julgar aquilo uma insignificância. Já me havia achado em situação pior, sem emprego, numa cama de hospital, a barriga aberta, filhos pequenos, o futuro bem carregado. Tinha agora uns projetos literários, indecisos. Certamente não se realizariam, mas anulavam desavenças conjugais intempestivas, que se vinham amiudando e intensificando sem causa. A lembrança dessas querelas, somada aos telefonemas e à demissão, azedou-me a viagem a Pajuçara. Indispensável refugiar-me no romance concluído, imaginá-lo na livraria, despertando algum interesse, possibilitando ainda uma vez mudança de profissão. A última, encerrada meia hora antes, tinha sido um horror: o regulamento, o horário, o despacho, o decreto, a portaria, a iniqüidade, o pistolão, sobretudo a certeza de sermos uns desgraçados trambolhos, de quase nada podermos fazer na sensaboria da rotina. Se não me houvessem despedido assim de chofre, com um recado, humilhantemente, poderia até julgar aquilo um benefício.”

Necessário meter-me no interior, passar meses trancado, riscando linhas, condensando observações espalhadas. Não, porém, no interior de Alagoas: indispensável fugir a indivíduos que me conhecessem. Era pouco não tornar a pôr os pés no Palácio dos Martírios: queria evitar indiscretos que me houvessem visto manuseando os horríveis papéis sujos.”

O emburramento era necessário. Sem ele, como se poderiam agüentar políticos safados e generais analfabetos? Necessário reconhecer que a professora mulata não havia sido transferida e elevada por mim: fôra transferida por uma idéia, pela idéia de aproveitar elementos dignos, mais ou menos capazes. Isso desaparecia. E os indivíduos que haviam concorrido para isso desapareciam também. Excelente que Osman, em cima, e Luccarini, embaixo, continuassem. Não continuariam muito tempo.”

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas. Para que meter semelhante burrice na cabeça das crianças, Deus do céu?”

De certo modo as ameaças dos telefonemas me agradavam: embora indeterminadas, indicavam mudanças, forçar-me-iam a azeitar as articulações perras. Conservara-me regulamentar e besta mais de 3 anos, numa cadeira giratória, manejando carimbos, assinando empenhos, mecânico, a deferir e indeferir de acordo com as informações de seu Benedito, realmente obedecendo a seu Benedito.”

Osman me perguntara certa vez:

Você anda desarmado? Em que é que você confia, criatura?

Depois disso José Auto me emprestara um revólver, mas o revólver tinha apenas três balas e de ordinário ficava nas gavetas, era difícil encontrá-lo. Fôra um alívio a restituição. Ia fazer-me falta quando me agredissem. Foi o que imaginei: uma agressão pública, muitos integralistas atacando-me, furando-me, partindo-me as costelas, os braços e a cabeça. Recolhi-me.”

Na casinha de Pajuçara fiquei até a madrugada consertando as últimas páginas do romance. Os consertos não me satisfaziam: indispensável recopiar tudo, suprimir as repetições excessivas. Alguns capítulos não me pareciam muito ruins, e isto fazia que os defeitos medonhos avultassem. O meu Luís da Silva [Angústia] era um falastrão, vivia a badalar à toa reminiscências da infância, vendo cordas em toda a parte. Aquele assassinato, realizado em vinte e sete dias de esforço, com razoável gasto de café e aguardente, dava-me impressão de falsidade. Realmente eu era um assassino bem chinfrim. O delírio final se atamancara numa noite, e fervilhava de redundâncias. Enfim não era impossível canalizar esses derramamentos. O diabo era que no livro abundavam desconexões, talvez irremediáveis. Necessário ainda suar muito para minorar as falhas evidentes. Mas onde achar sossego? Minha mulher vivia a atenazar-me com uma ciumeira incrível, absolutamente desarrazoada. Eu devia enganá-la e vingar-me, se tivesse jeito para essas coisas. Agora, com a demissão, as contendas iriam acirrar-se, enfurecer-me, cegar-me, inutilizar-me dias inteiros, deixar-me apático e vazio, aborrecendo o manuscrito. Largara-o duas vezes, estivera um ano sem vê-lo, machucara folhas e rasgara folhas. As interrupções e as discórdias sucessivas deviam ser causa daqueles altos e baixos, daquelas impropriedades. Conveniente isolar-me, a idéia da viagem continuava a perseguir-me. De que modo realizá-la? Havia uma penca de filhos, alguns bem miúdos. E restava-me na carteira um conto e duzentos. Apenas.”

NO DIA seguinte, 3 de março, entreguei pela manhã os originais a d. Jeni, datilógrafa. Ao meio-dia uma parenta me visitou – e este caso insignificante exerceu grande influência na minha vida, talvez haja desviado o curso dela. Essa pessoa indiscreta deu-me conselhos e aludiu a crimes vários praticados por mim. Agradeci e pedi-lhe que me denunciasse, caso ainda não o tivesse feito. A criatura respondeu-me com quatro pedras na mão e retirou-se. Minha mulher deu razão a ela e conseguiu arrastar-me a um dos acessos de desespero que ultimamente se amiudavam. Como era possível trabalhar em semelhante inferno? Nesse ponto surgiu Luccarini. Entrou sem pedir licença, atarantado, cochichou rapidamente que iam prender-me e era urgente afastar-me de casa, recebeu um abraço e saiu.

Ótimo. Num instante decidi-me. Não me arredaria, esperaria tranqüilo que me viessem buscar.”

Expliquei em voz alta que não valia a pena. Entrei na sala de jantar, abri uma garrafa de aguardente, sentei-me à mesa, bebi alguns cálices, a monologar, a dar vazão à raiva que me assaltara. Propriamente não era monólogo: minha mulher replicava com estridência. Escapava-me a significação da réplica, mas a voz aguda me endoidecia, furava-me os ouvidos. Não conheço pior tortura que ouvir gritos.”

Naquele momento a idéia da prisão dava-me quase prazer: via ali um princípio de liberdade.” Realmente: o que não é uma mulher que não nos compreende, e com quem somos forçados a conviver!

Que diabo ia fazer, perseguido, a rolar de um canto para outro, em sustos, mudando o nome, a barba longa, a reduzir-me, a endividar-me?”

Além disso eu estava curioso de saber a argüição que armariam contra mim. Bebendo aguardente, imaginava a cara de um juiz, entretinha-me em longo diálogo, e saía-me, perfeitamente, como sucede em todas as conversas interiores que arquiteto. Uma compensação: nas exteriores sempre me dou mal. Com franqueza, desejei que na acusação houvesse algum fundamento.”

A cadeia era o único lugar que me proporcionaria o mínimo de tranqüilidade necessária para corrigir o livro. O meu protagonista se enleara nesta obsessão: escrever um romance além das grades úmidas e pretas. Convenci-me de que isto seria fácil: enquanto os homens de roupa zebrada compusessem botões de punho e caixinhas de tartaruga, eu ficaria largas horas em silêncio, a consultar dicionários, riscando linhas, metendo entrelinhas nos papéis datilografados por d. Jeni. Deixar-me-iam ficar até concluir a tarefa? Afinal a minha pretensão não era tão absurda como parece. Indivíduos tímidos, preguiçosos, inquietos, de vontade fraca habituam-se ao cárcere.”

É desagradável representarmos o papel de vítima.

Coitado!

É degradante.”

ambicionara com fúria ver a desgraça do capitalismo, pregara-lhe alfinetes, únicas armas disponíveis, via com satisfação os muros pichados, aceitava as opiniões de Jacob.”

Tinha o direito de insurgir-me contra os depoimentos venenosos? De forma nenhuma. Não há nada mais precário que a justiça. E se quisessem transformar em obras os meus pensamentos, descobririam com facilidade matéria para condenação. Não me repugnava a idéia de fuzilar um proprietário por ser proprietário. Era razoável que a propriedade me castigasse as intenções.

Fui ao banheiro, tomei um longo banho. Tolice vivermos a apurar responsabilidades. Muitas coisas nos acontecem por acaso, e às vezes nos chegam vantagens por acaso. Julgava é que não me deteriam nem uma semana. Dois ou três dias depois me mandariam embora, dando-me explicações. Um engano. Findo o banho, preparei-me para sair. Em seguida meti alguma roupa branca na valise, mandei comprar muito cigarro e fósforo.”

O senhor tem coragem de me dar a mão? Estou suja. Desde a manhã aqui pegando os pés destes moleques!

Quatro dessas criaturinhas arrebanhadas nesse tempo, beiçudas e retintas, haviam obtido as melhores notas nos últimos exames.

Que nos dirão os racistas, d. Irene?

Afinal, cerca de sete horas, um automóvel deslizou na areia, deteve-se à porta – e um oficial do exército, espigado, escuro, cafuz ou mulato, entrou na sala.”

Vai apenas essa maleta? Aqui entre nós posso dizer: acho bom levar mais roupa. É um conselho.

Obrigado, tenente.

Beijei as crianças, sossegadas. Procurei na cara de minha mulher sinal de medo. Em vão: nem dessa vez nem de outras lhe percebi nenhum receio. Nos momentos mais difíceis sempre a vi corajosa, e isto a diferençava dos parentes, em geral pusilânimes. Depois do conflito da manhã serenara, assistira calada aos preparativos, sem acreditar talvez na realização”

por que vinha prender-me o sujeito que um mês antes me fôra amolar com insistências desarrazoadas?” “Certo, ele não havia determinado a minha prisão, mas era curioso encarregar-se de efetuá-la. Sem me incomodar com essa pequena vingança, pensei noutras, vi o país influenciado pelos tenentes que executam piruetas, pelas sobrinhas dos tenentes que executam piruetas. Desejariam os poderes públicos que eu mandasse aprovar com dolo a sobrinha do tenente, em Penedo?”

energúmenos microcéfalos vestidos de verde a esgoelar-se em discursos imbecis, a semear delações.”

tínhamos a impressão de viver numa bárbara colônia alemã. Pior: numa colônia italiana. Mussolini era um grande homem, e escritores nacionais celebravam nas folhas as virtudes do óleo de rícino. A literatura fugia da terra, andava num ambiente de sonho e loucura, convencional, copiava figurinos estranhos, exibia mamulengos que os leitores recebiam com bocejos e indivíduos sagazes elogiavam demais. O romance abandonava o palavrão, adquiria boas maneiras, tentava comover as datilógrafas e as mocinhas das casas de quatro mil e quatrocentos. Uma beatice exagerada queimava incenso defumando letras e artes corrompidas, e a crítica policial farejava quadros e poemas, entrava nas escolas, denunciava extremismos. Um professor era chamado à delegacia: – Esse negócio de africanismo é conversa. O senhor quer inimizar os pretos com a autoridade constituída.”

e vivíamos de fato numa ditadura sem freio. Esmorecida a resistência, dissolvidos os últimos comícios, mortos ou torturados operários e pequeno-burgueses comprometidos, escritores e jornalistas a desdizer-se, a gaguejar, todas as poltronices a inclinar-se para a direita, quase nada poderíamos fazer perdidos na multidão de carneiros.”

Se todos os sujeitos perseguidos fizessem como eu, não teria havido uma só revolução no mundo. Revolucionário chinfrim. Desculpava-me a idéia de não pertencer a nenhuma organização, de ser inteiramente incapaz de realizar tarefas práticas. Impossível trabalhar em conjunto. As minhas armas, fracas e de papel, só podiam ser manejadas no isolamento.”

Logo ao chegar, notei que me despersonalizavam. O oficial de dia recebera-me calado. E a sentinela estava ali encostada ao fuzil, em mecânica chateação, como se não visse ninguém.”

Nada afinal do que eu havia suposto: o interrogatório, o diálogo cheio de alçapões, alguma carta apreendida, um romance com riscos e anotações, testemunhas sumiram-se. Não me acusavam, suprimiam-me. Bem. Provavelmente seria inquirido no dia seguinte, acareado, transformado em autos. Que horas seriam? Estirei-me no colchão, vestido, o livro de José Geraldo aberto sobre o estômago vazio.”

Sentava-me, acendia um cigarro. Naturalmente não havia cinzeiro, esses luxos de civilização tinham desaparecido. Burlesco.”

E ali estava com sentinela à vista. Para quê? Não era mais simples trancarem a porta? Aquele dispêndio inútil de energia corroborava o desfavorável juízo que eu formara da inteligência militar.” “O sujeito firme, encostado ao fuzil. Iria passar ali a noite, dormir em pé?” “Pretenderiam manifestar-me deferência, considerar-me um sujeito pernicioso demais, que era preciso vigiar, ou queriam apenas desenferrujar as molas de um recruta desocupado? Compreenderia ele que era uma excrescência, ganhava cãibras à toa, equilibrando-se ora numa perna, ora noutra? Se não fosse obrigado a desentorpecer-se e dar-me um tiro em caso de fuga, aquela extensa vigília só tinha o fim de embrutecê-lo na disciplina.” “Seria o mesmo do começo ou teria vindo outro durante os cochilos? Havia-me escapado a substituição. Também me escapavam próximos rumores possíveis: gemidos do vento nas árvores do pátio, a marcha lenta da ronda.”

Ter-me-ia revelado inquieto? Pouco me importava o conceito que a sentinela pudesse ter dos meus movimentos excessivos, nem me ocorria que o infeliz, tão parado, tivesse conceitos. Mas na verdade a inquietação era puramente física: difícil permanecer num lugar; precisão de levantar-me, sentar-me, deitar-me. fumar; a ligeira sonolência perturbada vezes sem conta e a leitura das mesmas páginas de José Geraldo Vieira. Parecia-me faltar a um dever.”

Picadas no estômago. Fome. Não, não era fome: nem conseguiria mastigar qualquer coisa. Só pensar em comida me dava enjôo. Interiormente achava-me tranqüilo. Ou antes, achava-me indiferente. Sumia-se até a curiosidade inicial. Que peça me iriam pregar no dia seguinte?”

E não me espantei quando, manhãzinha, me vieram tirar de uma leve modorra:

Prepare-se para viajar.

Saltei da cama; utilizando o copo e a moringa, escovei os dentes, lavei o rosto, molhei os cabelos; penteei-me, agarrei a valise e os três volumes:

Está bem.”

À SAÍDA encontrei o Tavares, conhecido velho do tempo de rapaz, agora investigador da polícia. Disse-me que tinha ordem de levar-me ao Recife e perguntou-me se queria um carro. A pergunta revelava estranha sovinice: pareceu-me que, preso, não me cabia pagar transporte; e, se fôssemos a pé, não alcançaríamos o trem. Senti-me lesado, mas respondi afirmativamente – e foi esta a última relação que tive com os poderes públicos de Alagoas.”

Outro conhecido, também visto de relance numa estação, foi o deputado José da Rocha. Ao ter conhecimento da infeliz notícia, recuou, temendo manchar-se, exclamou arregalado: – Comunista!” 100 anos e nada mudou…

ESCRITOR APOLÍTICO”: “Absurdo: eu não podia considerar-me comunista, pois não pertencia ao Partido; nem era razoável agregar-me à classe em que o bacharel José da Rocha, usineiro, prosperava. Habituara-me cedo a odiar essa classe, e não escondia o ódio. Embora isto não lhe causasse nenhum prejuízo, era natural que, em hora de paixões acirradas, ela quisesse eliminar-me.”

Uma palavra apenas, e nela indignação, asco, uma raiva fria manifesta em rugas ligeiras:

Comunista!

Este resumo aniquilava-me. Ingrato. E qualquer acréscimo, gesto ou vocábulo era redundância.”

em 1936 esse desrespeito podia considerar-se uma espécie de comunismo.”

Fumava sem descontinuar, a provisão do tabaco sumia-se rapidamente na valise.”

e se Tavares não fosse da polícia, agradar-me-ia conversar com ele, recordar as sobrinhas do padre Raul, Pontal-da-Barra, casos da mocidade. O que fiz foi confiar-lhe um bilhete para minha mulher. Na atrapalhação da partida, esquecera-me de um aviso importante.”

Quais seriam os meus crimes? Não havia reparado nos enxertos em 1935 arrumados na constituição. Num deles iria embrulhar-me.”

Bem, os célebres mocambos que José Lins havia descrito em Moleque Ricardo. Conheceria José Lins aquela vida? Provavelmente não conhecia. Acusavam-no de ser apenas um memorialista, de não possuir imaginação, e o romance mostrava exatamente o contrário. Que entendia ele de meninos nascidos e criados na lama e na miséria, ele, filho de proprietários? Contudo a narração tinha verossimilhança. Eu seria incapaz de semelhante proeza: só me abalanço a expor a coisa observada e sentida.”

Temos a impressão de que apenas desejam esmagar-nos, pulverizar-nos, suprimir o direito de nos sentarmos ou dormir se estamos cansados. Será necessária essa despersonalização? Depois de submeter-se a semelhante regime, um indivíduo é absolvido e mandam-no embora. Pouco lhe serve a absolvição: habituado a mover-se como se o puxassem por cordéis, dificilmente se libertará. Condenaram-no antes do julgamento, e nada compensa o horrível dano. Talvez as coisas devam ser feitas assim, não haja outro meio de realizá-las. De qualquer modo isso é uma iniqüidade – e a custo admitiremos que uma iniqüidade seja indispensável. Aonde me transportariam? Aquela hora muitos indivíduos suspeitos estavam sendo paralisados, rolavam sobre pneumáticos silenciosos, navegavam do norte para o sul e do sul para o norte, resvalavam como sombras em longos corredores úmidos. E as autoridades resvalavam também, abafando os passos, oblíquas, tortuosas, com aparência de malfeitores.”

Na verdade me achava num mundo bem estranho. Um quartel. Não podia arrogar-me inteira ignorância dos quartéis, mas até então eles me haviam surgido nas relações com o exterior, esforçando-se por adotar os modos e a linguagem que usávamos lá fora. Aparecia-me de chofre interiormente, indefinido, com seu rígido simbolismo, um quadro de valores que me era impossível recusar, aceitar, compreender ao menos.”

Habituara-me cedo a considerar o exército uma inutilidade. Pior: uma organização maléfica. Lembrava-me dos conquistadores antigos, brutos, bandidos, associava-os aos generais modernos, bons homens, excelentes pais de família, em todo o caso brutos e bandidos teóricos, mergulhados numa burocracia heróica e dispendiosa. Mais tarde, numa prefeitura da roça, percebera que os melhores trabalhadores, os mais capazes, tinham sido soldados – e aquele ninho de parasitas se revelara incongruente. Uma idéia preconcebida, rigorosa, esbarrava com a observação. Nada mais besta que as generalizações precipitadas. A antipatia que os militares me inspiravam com certeza provinha de nos separarmos. Eu achava as fórmulas deles, os horríveis lugares-comuns, paradas, botões, ordens do dia e toques de corneta uma chatice arrepiadora; se algum deles atentasse nas minhas ocupações, provavelmente as julgaria bem mesquinhas.”

Como era possível em tão grande estabelecimento não haver cela onde se alojassem dois indivíduos? Não se tratava disso, foi o que me pareceu: não se procurava uma cela, mas uma determinada espécie de cela.”

Obrigado, tenente.

Não senhor, sou apenas sargento.

Perdão. Com essa luz tão fraca, difícil notar.

Iria qualquer informação doida transformar-me em delator, levar à cadeia rapazes inofensivos que tencionavam eliminar a burguesia distribuindo às escondidas nos cafés papéis mimeografados? Um deles, Jacob, figurava no meu último livro, com o nome de Moisés.”

É desses pequeninos grãos que a polícia constrói os seus monumentos de misérias. Qual seria a minguada contribuição que exigiriam de mim? Esforçava-me por adivinhá-la e guardá-la com avareza: no interrogatório, desviar-me-ia das ciladas, referir-me-ia com ar culposo, misteriosamente, a casos diversos e inofensivos. Difícil era descobrir aonde me queriam levar, que valor me atribuíam. Inadmissível achar-me ali por vingança de um energúmeno qualquer: isto seria antieconômico, disparatado, e sem dúvida o país ainda não chegara a tal grau de estupidez e malandragem.”

Quando me viesse calma, aventurar-me-ia a fazer um livro, lentamente, livre das aporrinhações normais. Viria a calma? E quantos dias ou meses me deixariam naquela situação?”

a certeza de que o meu trabalho de indivíduo solitário, na ditadura mal-disfarçada por um congresso de sabujos, seria pouco mais ou menos inútil. Preferível o cativeiro manifesto ao outro, simulado, que nos ofereciam lá fora.” “Até certo ponto podia considerar-me uma espécie de revolucionário, teórico e chinfrim. Sorria-me a perspectiva de olhar de perto revolucionários de verdade, que ultimamente eram presos em magotes.”

Enfim, como os senhores estão aqui de passagem, podem agüentar uns dias de maus tratos.

Aludiu outra vez, num vago oferecimento, às coisas que nos faltavam, despediu-se e retirou-se. Bem. Tínhamos uma indicação: estávamos ali de passagem. Para onde?

Indispensável estarem os sapatos cuidadosamente engraxados, os fuzis brilhantes à custa de lixa e azeite, os colarinhos mais ou menos limpos, todos os botões metidos nas casas, os espinhaços tesos. As pernas direitas devem mover-se simultaneamente, depois as pernas esquerdas, e nenhum dedo se afasta dos outros na continência. É preciso olhar vinte passos em frente, e os passos, em conformidade com a marcha, têm o mesmo número de centímetros. Certo, há outros deveres, mas desse gênero, tendentes à mecanização do recruta. Decoradas certas fórmulas, aprendidos os movimentos indispensáveis, pode o soldado esquecer obrigações, até princípios morais aprendidos na vida civil. O essencial é ter aparência impecável. Desapareceu-lhe o cinturão? Falta grave, embora ele em vão remexa os miolos para saber como a desgraçada correia se sumiu. É obrigado a apresentar-se com ela na formatura. Com ela ou com outra qualquer. Nesse ponto convém desapertar, isto é, agarrar o cinturão do vizinho, que, sendo inábil, será punido, pois o maior defeito do soldado é ser besta. Desenvolvem-se a dissimulação, a hipocrisia, um servilismo que às vezes oculta desprezo ao superior, se este se revela incapaz de notar a fraude ou tacitamente lhe oferece conivência. As minhas observações foram completadas pelos informes do capitão Mata, que, percebendo-me a ignorância, desvendava paciente mistérios simples. Divergimos à hora do almoço, mas logo chegamos a acordo. Diante da bandeja, recuei: diabo, a comida era pavorosa, o comandante tinha razão.”

Respeito as suas idéias. Não concordo com elas, mas respeito-as.

Quais são as minhas idéias? sorri. Ainda não me expliquei. Estamos a comentar as suas.

Ora! ora! ora! resmungou o capitão num tom indefinível.

E nada acrescentou. Escusavam-se explicações. A minha estada ali marcava-me. Sem alegar motivos, emprestavam-na certo número de qualidades e tendências.

O meu companheiro Mata ia muito além: confessava-me a sua ignorância em revolução (fora preso injustamente, não se cansava de afirmar isto), considerava-me um técnico neste assunto e pedia-me que o instruísse com rapidez. Se me acontecia alegar incompetência, achava-me discreto e modesto. Um fato nesse dia 6 abalou-me, o único de que tenho lembrança clara. À hora do café abri um jornal do Recife e li, em telegrama do Rio, a notícia arrasadora: Prestes havia sido preso na véspera.

Com todos os diabos!”

Que significava aquilo? Um protesto, nada mais. Se por milagre a coluna alcançasse vitória, seria um desastre, pois nem ela própria sabia o que desejava. Sabia é que estava tudo errado e era indispensável fazer qualquer coisa. Já não era pouco essa rebeldia sem objetivo, numa terra de conformismo e usura, onde o funcionário se agarrava ao cargo como ostra, o comerciante e o industrial roíam sem pena o consumidor esbrugado, o operário se esfalfava à toa, o camponês agüentava todas as iniqüidades, fatalista, sereno. Com certeza essa gente arregalava os olhos espantada – e nos de cima o espanto se mudava em ódio, nos de baixo começava a surgir uma indecisa esperança. Às portas das farmácias, nas vilas, discutia-se com entusiasmo o caso extraordinário.”

Seria possível uma associação, embora contingente e passageira, entre as duas classes? Isso me parecia jogo perigoso. Os interesses da propriedade, grande ou pequena, a lançariam com certeza no campo do fascismo, quando esta miséria ganhava terreno em todo o mundo. Em geral a revolução era olhada com medo ou indiferença. Os habitantes da cidade contentavam-se com discursos idiotas, promessas irrealizáveis e artigos safados, animavam-se à toa e depressa desanimavam, seriam capazes de aplaudir demagogos como os que, no princípio do século, defendiam a peste bubônica, a febre amarela e a varíola; as populações da roça distanciavam-se enormemente do litoral e animalizavam-se na obediência ao coronel e a seu vigário, as duas autoridades incontrastáveis.”

Lembrava-me de um desses conselhos, negro, a piche: <índios, uni-vos>. Nunca vi maior disparate, pois naquele arrabalde de capital pequena não vivia nenhum índio.” “E para que nos serviria a união dos índios, santo Deus? Absurdos semelhantes pressupunham desorientação.”

A divisão da terra, por exemplo, seria um desastre na zona de criação do nordeste. Aí a terra vale pouco e praticamente não tem dono; a riqueza é constituída por açudes, casas, currais, gado. O espaço que um animal necessita para alimentar-se na vegetação rala de cardo e favela que veste a planície queimada é enorme. E a madeira indispensável para estabelecer limites escasseia: as raras cercas são de ordinário feitas de ramos secos ou de pedras soltas. Quase nenhuma lavoura: apenas touceiras de milho peco, um triste feijoal e aboboreiras amarelando na vazante dos rios periódicos.”

Esperava enfim um triunfo casual. Viera a derrota – e agora queria persuadir-me de que findara um episódio e a luta ia continuar. Certamente haveria mais precaução no desempenho do segundo ato. E aquele revés tinha sido conveniente, pois não existia probabilidade de se agüentar no Brasil uma revolução verdadeira. Se ela vencesse internamente, os nossos patrões do exterior fariam a intervenção.”

Realmente não me envolvera em nenhum barulho, limitara-me a conversas e escritas inofensivas, e imaginara ficar nisso. A convicção da própria insuficiência nos leva a essas abstenções; um mínimo de honestidade nos afasta de empresas que não podemos realizar direito. Mas as circunstâncias nos agarram, nos impõem deveres terríveis.”

Anos perdidos. E se a agressão fascista continuasse lá fora, teríamos aqui medonhas injustiças e muita safadeza.”

O faxina trouxe-me as encomendas, entre elas cuecas ordinárias, provavelmente iguais às usadas na caserna, duras como pau. Como vestir aquele suplício? Resignei-me.”

O cigarro era insuficiente. Vivia a encher-me de fumaça e arrancava a custo algumas linhas por dia, em letrinhas acavaladas, economizando papel, utilizando o espaço todo, para que o manuscrito fizesse um volume pequeno e pudesse esconder-se em momento de busca. A atenção se desviava do trabalho moroso, buscava o abscesso que se desenvolvia debaixo da unha do indicador.”

A secura da boca e a dormência do estômago desapareciam, o aspecto desagradável da comida já não me provocava náuseas. Tentei alimentar-me, venci a tontura, a memória ressurgiu, o nevoeiro mental se adelgaçou e as figuras em redor se destacaram. Mas a deficiência interior persistia, desânimo, indecisão e a certeza de que os papéis laboriosamente rabiscados não teriam préstimo.”

Dizia a significação dos toques de corneta, explicava-me que, para fixá-los, os recrutas decoravam versos grotescos. Estes correspondiam à meia-volta:

Quantos dentes tem sagüi

Na boca?

E também estes:

Nunca vi mulher parir

Sem homem.”

Mata receava o aparecimento de um general no quartel. Apenas. Estranhei ver homem tão loquaz, tão alegre, amofinar-se à toa. Não havia razão, supus. Em seguida modifiquei o juízo. Para um capitão de polícia a vista de um general, em carne e osso, deve ser caso importante demais.” “Essa autoridade invisível, remota, com um rápido mandado nos cortara a vida social, nos trancara, a nós e a Sebastião Hora, que a alguns passos mofava numa prisão de sargentos, com vários outros. Começávamos a perceber que dependíamos exclusivamente da vontade desse cavalheiro.” “Um tribunal safado sempre vale qualquer coisa, um juiz canalha hesita ao lançar uma sentença pulha: teme a opinião pública, em última análise o júri razoável. É esse medo que às vezes anula as perseguições. Não davam mostra de querer submeter-nos a julgamento. E era possível que já nos tivessem julgado e cumpríssemos pena, sem saber. Suprimiam-nos assim todos os direitos, os últimos vestígios deles. Desconhecíamos até o foro que nos sentenciava. Possivelmente operava nisso uma cabeça apenas: a do general. E capitão Mata, ouvindo a corneta, se alvoroçava.”

No desembarque fôramos recebidos por um subalterno – e eu o tomara por oficial, tão cortês se revelara. Todas as manhãs recebíamos a visita do comandante e escutávamos, com ligeiras alterações, as mesmas palavras de amabilidade fria. Capitão Lobo continuava a divergir das minhas idéias, que nunca cheguei a mencionar. Também não consegui entender bem as dele. Agradava-me, porém, vê-lo, sentir-lhe a franqueza meio rude, a voz clara, o gesto rápido e incisivo, no olhar agudo uma faísca a indicar tendência para descarrilamentos e doidices necessárias.”

Muito grave. Na sua chegada eu lhe disse que usasse o banheiro dos oficiais. O senhor ontem tomou banho no banheiro dos sargentos.

Era verdade, mas achei graça na repreensão e sosseguei:

Ora, capitão! Foi essa a falta grave? Julguei que se tratasse de coisa séria, assustei-me.

O oficial acolheu minha resposta com indignação muda, repetiu depois o que havia dito, enérgico. Tentei justificar-me:

Encontrei um banheiro ocupado e entrei noutro.

De fato o que mais nos choca não é a sinceridade, às vezes impertinente: é a arranhadela feita com mão de gato, a perfídia embrulhada num sorriso, a faca de dois gumes, alfinetes espalhados numa conversa. Agora não podia molestar-me.”

Ofereciam-me na verdade uma cela confortável, mas isto era casual e, para ser franco, nunca desejei conforto: suponho até que ele nos prejudica.”

PELA manhã, de volta do banheiro, atravessando um corredor, avistamos o comandante em companhia de um homem alto, magro, sério. Enviamos-lhe um cumprimento, e ele nos deteve, nos apresentou:

General, estes senhores…

Finda a apresentação, o homem alto pregou-me um olho irritado:

Comunista, hem?

Atrapalhei-me e respondi:

Não.

Não? Comunista confesso.

De forma nenhuma. Não confessei nada.

Espiou-me um instante, carrancudo, manifestou-se:

Eu queria que o governo me desse permissão para mandar fuzilá-lo.

Oh! General! murmurei. Pois não estou preso?”

Estava ali um período conveniente, dos que devemos emitir num quartel. Não me aventuraria a semelhante declaração. Poderia julgar-me um bom patriota? Realmente nem me considerava patriota, seria desonestidade falar daquela maneira. Mas determinadas palavras acalmam determinados espíritos, sem que seja necessário demonstrar a veracidade delas.”

Não, ninguém tinha interesse em fuzilar-me. Além disso quando um vivente quer extinguir outro, não lhe vai revelar este desejo: extingue-o, se pode. Recurso ingênuo ameaçar as pessoas à toa, sem saber se elas se apavoram. No Brasil não havíamos atingido a sangueira pública. Até nos países inteiramente fascistas ela exigia aparência de legalidade, ainda se receava a opinião pública. Entre nós execuções de aparato eram inexeqüíveis: a covardia oficiai restringia-se a espancar, torturar prisioneiros, e de quando em quando se anunciavam suicídios misteriosos. Isso se aplicava a sujeitos mais ou menos comprometidos no barulho de 1935. Mas que diabo tinha eu com ele? Certamente não me pregariam agulhas nas unhas nem me fariam saltar de uma janela de andar alto. Quanto a mim achava-me tranqüilo. E não me recordava de haver piado uma sílaba que ofendesse a autoridade.”

Era uma história repisada, com voltas infinitas em redor do mesmo ponto, literatura de peru. Como arte e como política valia bem pouco, mas talvez enxergassem nela dinamite. A crítica policial era tão estúpida que julgava a produção artística não pelo conteúdo, mas pelo nome do autor. Eu vivera numa sombra razoável, quase anônimo: dois livros de fôlego curto haviam despertado fraco interesse e alguma condescendência desdenhosa. Era um rabiscador provinciano detestado na província, ignorado na metrópole. Iriam analisar-me os romances, condená-los, queimá-los, chamar para eles a atenção da massa? Ou lançar-me-iam, tacitamente culpado, no meio de criminosos, indivíduos que sempre desejei conhecer de perto? O mais provável era jogarem-me entre rebeldes de Natal, do 3° Regimento, da Escola de Aviação. De qualquer jeito me apresentariam sociedade nova, me proporcionariam elementos para redigir qualquer coisa menos inútil que os dois volumes chochos encalhados nas prateleiras dos editores. Essa afirmação presunçosa esbarrava com as dificuldades imensas que me surgiam quando buscava utilizar o papel trazido pelo faxina.”

Prosa de noticiarista vagabundo. Tropeços horríveis para alinhavar um simples comentário.”

Excetuando-se a ameaça de fuzilamento, reduzível, com esforço e boa vontade, a um conselho enérgico, fórmula viva para nos reeducar, tudo corria numa chateação razoável. As caretas da sentinela, o serviço do faxina, o alimento desenxabido na hora certa, idas e vindas de oficiais no alpendre, os toques da corneta, as vozes de comando.”

o bacharel Nunes Leite não suportava a cadeia. Horrível sujeitar-se ao mesmo regime naturezas diversas. Capitão Mata nada sofria.” “A administração pública não atenta nessas ninharias, tende a uniformizar as pessoas. Somos grãos que um moinho tritura – e ninguém quer saber se resistimos à mó ou se nos pulverizamos logo.”

Certo, as ordens sempre tinham sido aparentes: a judicatura servia de espantalho, e na farda havia muque bastante para desobediência. Apenas isto não convinha. E os atores representavam seus papéis, às vezes se identificavam com eles. A repetição de minúcias, a sisudez, a lentidão, a redundância, a língua arcaica davam àquilo um ar de velhice e estabilidade. E Nunes Leite se sentia bem requerendo ao poder competente, ao colendo tribunal, ao meritíssimo juiz. Se essas coisas se houvessem dissolvido aos poucos, ele se acomodaria a novas formalidades legais, dirigir-se-ia a forças diversas, meritíssimas e colendas. Isto não se dera. Nunes Leite se movera entre firmes pedregulhos, julgara-os eternos; esses blocos não se haviam liquefeito: tinham-se evaporado – e ele se achava num deserto.” “Impossível defender o direito de alguém. Propriamente, já não havia direito. A lei fôra transgredida, a lei velha e sonolenta, imóvel carrancismo exposto em duros volumes redigidos em língua morta. Em substituição a isso, impunha-se uma lei verbal e móvel, indiferente aos textos, caprichosa, sujeita a erros, interesses e paixões. E depois? Que viria depois? O caos, provavelmente. Se os defensores da ordem a violavam, que devíamos esperar? Confusão e ruína. Desejando atacar a revolução, na verdade trabalhavam por ela.”

Sou forçado a pedir-lhe que abra o envelope na minha presença.

Estou satisfeito. Desculpe. É uma formalidade.

Era realmente levar muito longe o ramerrão obrigar um sujeito a fazer qualquer coisa e logo afirmar que aquilo não tinha valor, era uma exigência à-toa. Desperdício de tempo. Com semelhante proceder, chegaríamos a supor que ali não havia ocupação e se desmandavam inutilmente.” “Sou forçado a pedir-lhe … Desculpe. É uma formalidade. Aquilo não me entrava no entendimento. Poderiam julgar que no quadrilátero de vinte centímetros, de espessura insignificante, houvesse armas, dinamite ou veneno, disfarçados numa escrita e em pedaços de cartão?”

De fato ainda não me assaltara o medo, faltava razão para isto; vinha-me, porém, às vezes o receio de experimentá-lo. Sensação angustiosa e absurda: medo de sentir medo.”

O conto, vagabundo e mal escrito, havia sido enviado a Benjamin Garay, que, francamente, eu nem sabia quem era. Um indivíduo que se oferecera para lançar na Argentina negócios do Brasil. Quem diabo seria Benjamin Garay?” “Referia-se a tradutores qualificados, supondo-me talvez bicho razoável, propenso à glória, à Academia.”

Estava ali apenas para dar ao burguês a impressão de que havia muitos elementos perniciosos e o capital corria perigo.”

Não lhe estou oferecendo dinheiro, bradou capitão Lobo, adivinhando-me talvez o sentimento infeliz. Não se oferece dinheiro a homem. Estou facilitando-lhe um empréstimo. E não é lá grande coisa, as minhas reservas são pequenas. Se aceita, o senhor mesmo determina, vê quanto lhe posso emprestar. Naturalmente não há prazo: paga-me lá fora quando se libertar. Sai logo, isso não há de ser nada. Também já estive preso e vivi no exílio: viajei num porão de São Paulo à Europa.

Gostamos de um gato, de um cachorro, de um papagaio, mas não suportaríamos esses bichos se eles pensassem de maneira diferente da nossa. Sei bem que sou ilógico, pois o pensamento é conseqüência; a conseqüência tornou-se causa, leva-me a proceder desta ou daquela maneira, desejar mortandades. Se o capitalista fosse um bruto, eu o toleraria. Aflige-me é perceber nele uma inteligência, uma inteligência safada que aluga outras inteligências canalhas.”

Infelizmente não havia a pena de morte – e o general se lastimava por não conseguir usá-la a torto e a direito.”

Afinal capitão Lobo devia ser muito mais revolucionário que eu. Tinha-me alargado em conversas no café, dissera cobras e lagartos do fascismo, escrevera algumas histórias. Apenas. Conservara-me na superfície, nunca fizera à ordem ataque sério, realmente era um diletante.”

Realmente a desgraça nos ensina muito: sem ela, eu continuaria a julgar a humanidade incapaz de verdadeira nobreza. Eu passara a vida a considerar todos os bichos egoístas e ali me surgia uma sensibilidade curiosa, diferente das outras, pelo menos uma nova aplicação do egoísmo, vista na fábula, mas nunca percebida na realidade.”

Por que à direita? Por que à esquerda? O sargento não sabe: indicou uma direção por ser preciso variar: fazia dois minutos que marchávamos em linha reta e não devíamos continuar assim, indefinidamente.”

Permaneceremos civilizados vestindo pijama, calçando chinelos, deixando a barba crescer, palitando os dentes com fósforo? Pouco a pouco vamos caindo no relaxamento. Erguemos a voz, embrutecemos, involuntariamente expomos a rudeza natural. Ignoramos que isto acontece, suprimem-nos meios de comparação – e quando voltarmos estaremos transformados. Afinal a transferência não era ruim: quebrava a monotonia.”

Um governador de Alagoas me dissera anos atrás:

Você, escrevendo literatura de ficção, morre de fome. Os romances lhe renderão 200 mil réis por mês. Faça artigos sobre economia e ganhará contos.”

Duzentos mil-réis por mês, bela perspectiva. Dois romances quase desconhecidos, o terceiro inédito, um conto, vários produtos inferiores – de fato isso me daria duzentos mil-réis mensais. E não me sentia capaz de progresso; talvez nem chegasse a fazer coisa igual.”

O que eu desejava era a morte do capitalismo, o fim da exploração. Ideal? De forma nenhuma. Coisa inevitável e presente: o caruncho roía esteios e vigas da propriedade, de pouco serviam os meus livros e as divagações de Xavier.”

E assim decorreu o dia: bilhetes de um lado para o outro. A sentinela se distraía observando a inofensiva brincadeira. Se um intruso surgisse no alpendre, ela daria aviso. Evidentemente a proibição só se fizera para ser violada.”

Quando a nossa revolução triunfar, ateus assim como o senhor serão fuzilados.

Homem de religião, homem de fanatismo, desejando eliminar ateus, preso como inimigo da ordem. Contra-senso.”

Aquelas pessoas urinavam no chão, a um canto; o mijo corria, alagava tudo, arrastando cascas de frutas, vômitos, outras imundícies. Com as oscilações da infame arapuca, a onda suja não descansava, dificilmente se acharia um lugar enxuto.”

Espantava-me conseguir uma pessoa mastigar qualquer coisa diante das imundícies que se agitavam e decompunham na vaga de mijo. O fedor horrível, confusão de cheiros com predominância de amoníaco, já não me afligia: habituara-me a ele e envenenava-me sem perceber isto. Fumava sem descanso, e temia que me chegasse o momento de abandonar o vício.

No escotilhão estabelecera-se um pequeno comércio. Foi ali com certeza que achei meio de renovar a minha provisão de fósforos e cigarros. Não me recordo. Também não sei como nos forneciam água.”

Queria atordoar-me, sem dúvida. As letras se acavalavam, miúdas, para economizar espaço, e as entrelinhas eram tão exíguas que as emendas se tornavam difíceis. Realmente nem me lembrava de corrigir a prosa capenga.”

Fumava o dia todo e assaltavam-me às vezes ligeiras vertigens. Encaminhei-me ao lugar onde bebíamos e não achei água, fiz demoradas buscas inutilmente. A lembrança da noite, do pesadelo extenso, do calor, do negro a coçar as pelancas nojentas, afligiu-me. Naquele estado, o estômago vazio, a garganta seca, ia estirar-me novamente na tábua suja, asfixiar-me, ouvir gemidos, roncos, pragas, borborigmos, delirar, avizinhar-me outra vez da loucura. À medida que o tempo se passava os meus receios cresciam. Tentava iludir-me: ambientado, não experimentaria as ânsias da véspera; na verdade as causas do tormento haviam sido o colarinho, a gravata, a roupa grossa de lã”

Na véspera outro desconhecido, negro também, me havia encostado um cano de arma à espinha e à ilharga; e qualquer gesto de revolta ou defesa passaria despercebido. Esquisito. Os acontecimentos me apareciam desprovidos de razão, as coisas não se relacionavam. A violência fôra determinada apenas pela grosseria existente no primeiro negro; o ato caridoso pela bondade que havia no coração do segundo. Ausência de motivo fôra isso, eu não merecia nenhum dos dois tratamentos.”

Ilusão pequeno-burguesa.

A porcaria aumentava consideravelmente. Se não viessem fazer baldeação, dentro em pouco não teríamos um pedaço de tábua limpa.”

O sujeito que me ficara a dever 5 mil-réis desapareceu, não sei como achou meio de ocultar-se. Às vezes eu o enxergava de longe. Aproximava-me, e o focinho escuro, carrancudo, se desviava, baixava, tinha jeito de farejar-me para dissimular-se nos grupos.”

Despertara-me a curiosidade uma família de mulatos, cinco irmãos de cores variadas: havia um sujeito mascavo, de carapinha, beiçudo, e uma louraça bonita, perfeitamente branca.”

estava ali um negrinho bem-vestido a espiar-nos, curioso, a beiçorra contraindo-se num sorriso infantil. Não nos trazia nenhum aviso, claro: afastei a possibilidade remota e vacilante. Certifiquei-me, porém, de que ele poderia mostrar lá fora pedaços da nossa existência no sepulcro. Aferrei-me à convicção e, não sei por que extravagância, imaginei-o próximo de Edison Carneiro, capaz de se avistar no mesmo dia com este amigo, com quem me correspondia. Depois de muitos acenos, gritei com toda a força dos pulmões débeis:

Conhece Edison Carneiro?

A interrogação abafada perdeu-se; repeti-a diversas vezes, até julgá-la compreendida. O tipinho balançou a cabeça afirmativamente. Considerei absurdo jogar semelhante frase numa cidade populosa e sobrestive; passados minutos, inquiri novamente:

Sabe onde fica a Rua dos Barris?

Outra afirmação, o risinho inexpressivo colado nos beiços grossos. Bem. Nenhum disparate: pisávamos o terreno firme das probabilidades: andar nas vias públicas, olhar as placas, era exercício de qualquer transeunte. Do navio para a terra estabeleceu-se um diálogo que supus bastante claro: berros de um lado, gestos, aprovações silenciosas do outro. Perguntei ao sujeito se ele queria ser portador de uma carta. Consentiu. Sem dúvida: agitava o crânio mirim com doçura a tudo quanto ouvia, e nem me vinha a suspeita de não me fazer entender. Fui abrir a valise, retirei o bloco de papel, escrevi a lápis um bilhete narrando o miserável estado em que nos achávamos. Evitava pensar que o escrito não chegaria ao destino; e caso chegasse, o meu distante camarada nenhum recurso tinha para auxiliar-nos; contudo afligia-me a necessidade urgente de enviar-lhe aquela exposição. Rabisquei à pressa, interrompendo-me a cada instante para examinar o negrinho, receando que ele se ausentasse. Falava-lhe nesses intervalos, embaralhava explicações. Descasquei em seguida uma laranja, cuidadosamente. Lancei na água o fruto, e a casca, uma longa fita em espiral, foi enrolada com jeito, afinal se tornou uma esfera oca. No interior pus a folha dobrada. Fiz algumas recomendações ao negro, medi atento a distância que nos separava, meti o braço pela vigia, arremessei a bola com vigor desesperado. Atingiu o cais, rolou, estacou a dois metros da borda. Apesar de haver traçado o endereço bem nítido, em caracteres graúdos, comecei a esgoelar-me, repetindo com insistência:

Edison Carneiro. Rua dos Barris – 68

O rapaz olhava-me perplexo e interrogava-me sacudindo a cara chata. Só então me veio a certeza de que ele não havia percebido as minhas falas. Expliquei-lhe aos berros que ali havia um papel e continuei a dar-lhe as indicações precisas: o nome e a residência do escritor baiano. Mas já não tinha nenhuma confiança no resultado: ou a minha voz fraca desfalecia no burburinho, nos rumores da carga e da descarga, ou me achava diante de uma estupidez maciça.

Trabalho perdido. Inúteis os brados e os acenos. Calei-me zangado comigo, por me haver iludido à toa, furioso com o animal, que não me entendera e, alheio ao guindaste, aos visitantes, aos passageiros, aos carregadores, continuava a farejar o porão, como um rato, erguendo o focinho, dirigindo-nos os bugalhos claros.”

Numa das viagens encontrou no caminho o objeto dos meus cuidados. Parou, deu-lhe um pontapé, jogou-o na água. Durante algum tempo o bilhete e o invólucro meio desfeito boiaram na onda, sacudiram-se, bateram no muro esverdeado. E desapareceram.”

Excelente padre Falcão. Durante o resto da viagem notei-o mais de uma vez em ronda ao nosso curral. O olhar grave se adoçava, os lábios firmes se entreabriam num sorriso bom, exibindo enormes dentes. Era pouco mais ou menos o que poderíamos desejar, ver alguém interessar-se por nós, demonstrar-nos uma solidariedade comprometedora. Isso lá fora passaria despercebido; ali tinha valor imenso: é de coisas semelhantes que fazemos as nossas construções subterrâneas.”

A verdade é que não consegui escrever. Deitei-me cedo, sem tirar os sapatos, como no dia anterior. Realmente não havia lugar onde colocá-los: se os largasse no chão, amanheceriam com certeza molhados de mijo; ou talvez o gatuno de cara enferrujada os levasse. Necessário vigiar a maleta, a calça e o paletó bem visíveis na ponta do estrado. A chavezinha estava comigo, dentro do porta-moedas; nos bolsos da roupa não havia nada suscetível de furto. Apesar disso, a bagagem não me parecia segura. Se não fosse o receio de molestar os companheiros, tê-la-ia levado para dentro da rede. Ser-me-ia então possível dormir livre de cuidados. A vigilância pouco a pouco se tornava maquinal: embrenhando-me em pensamentos confusos, às vezes despertava erguendo-me sobre o cotovelo, curvando-me sobre a varanda para examinar os troços, a esquina da tábua suja.”

Quel pays, mon Dieu!” “provavelmente argentinas e polacas airadas já não vinham cavar a vida no Brasil.”

Fumei o último cigarro, lembrei-me de haver esgotado o sortimento da valise. Calculara mal as exigências do vício e achava-me em dificuldade. Passaria o resto da noite sem fumar, não me chegaria o sono. Levava a mão ao bolso, mecanicamente, irritava-me, quando vi, por cima da minha cabeça, o negro que me havia matado a sede. Sem refletir, fiz o pedido:

O senhor me arranja, por obséquio, três maços de cigarros e fósforos?

Que marca? perguntou o soldado.

Qualquer uma.

Pareceu-me que indicar a marca era demasiada exigência. Quis designar a que habitualmente usava; talvez não fosse achada, e acanhar-me-ia ver o rapaz ir duas vezes ao bar por encargo tão insignificante. Julgava-me sem direito de escolher, temia que o homem se impacientasse. Era um acaso feliz encontrar quem me valesse em tal dificuldade. Retirei uma cédula da carteira, segurei-me à corda, alcancei os varões de ferro, como na véspera, entreguei o dinheiro ao polícia, jurando no íntimo não tornar a incomodá-lo, voltei a estirar-me, cansado. Em conseqüência da inércia obrigatória, ou por falta de alimentação, qualquer esforço me abatia. Ao cabo dez minutos o misericordioso preto ressurgiu:

Abra a rede.

Afastei as varandas, recebi em cima do peito os objetos da encomenda, as pratas e os níqueis do troco.

Muito obrigado.

Pus-me a fumar, embalado por uma doce tontura. Com o navio atracado, as oscilações que experimentávamos eram quase insensíveis. Sentia-me realmente bem. As pessoas e as coisas em redor esmoreciam na fumaça do cigarro, as idéias escassas decompunham-se, volatizavam-se, e afinal eu já nem sabia se aquela tênue neblina estava dentro ou fora de mim. Adormecia, acordava, a brasa do cigarro cobria-se de cinza e avivava-se. As pálpebras uniam-se, descerravam-se penosamente, nos vaivéns dos cochilos a figura do negro desaparecia, reaparecia, e isto me reconciliava com a humanidade. Uma grande paz me envolvia, ausência completa das complicações que me aperreavam. A dorzinha aguda que o abscesso da unha me causava extinguia-se, era apenas um leve torpor. Nem picadas no estômago nem contrações nos intestinos: era como se estes órgãos não existissem. Nada havia ingerido ultimamente, impossível até pensar em comer. Ia com certeza prolongar-se a medonha sitiofobia, mas a perspectiva de nenhum modo me assustava. Indiferença. Tanto rendia estar ali como acolá, viver de uma forma como de outra, ou não viver. Não me desgostava acabar suavemente, escorregar aos poucos na eternidade, envolto em sentimentos generosos, levar comigo a recordação do negro que velava a minha fraqueza, firme e sério, de braços cruzados. A visão benigna desmaiou e sumiu-se, as trevas do sono cobriram-me, foram-se adensando.”

da coberta jogavam no porão cascas de tangerina, que me vinham cair dentro da rede. Procediam exatamente como se as lançassem num chiqueiro. Protestei furioso, mas o protesto e a fúria desanimaram, a voz fraca deve ter morrido a poucos metros. Resignei-me em seguida. Inútil gritar. Um chiqueiro, evidentemente. Era como se fôssemos animais.”

Tais desencontros amargam em demasia, enchem-nos de fel: queremos expressar agradecimento sincero – e verificamos que o nosso salvador é um patife.”

Enojava-me ter as mãos sujas e não poder lavá-las: o suco da manga colava-me os dedos, a umidade pegajosa me desagradava em excesso.” Seu humor rabugento me desagrada em excesso. E é assim tanto fora quanto enjaulado, tanto em dias “felizes” quanto na pior, sr. Graciliano! Me lembra até um colega de repartição que tudo desaprova… com ou sem razão!

A mudança daquele dia nos agravou o desassossego. A gente da primeira classe matava o tempo rondando no convés, agrupava-se, estacionava; enchia-me de vergonha, imaginava estarmos a servir de motivo à pasmaceira; com certeza olhares oblíquos, gestos de rancor e desprezo, se dirigiam a nós. Achavam-me objeto de análise e cotejos humilhantes: viam-me nos olhos baços, na cara pálida, na magreza, no encolhimento, sinais de criminosos. O desespero de Manuel Leal por não se poder manifestar, declarar-se vítima, dizer aos passageiros bem vestidos que gostava deles e abominava revoluções devia ser tremendo.”

E não avistávamos faixa de praia, ave ou barco. A imensidão vazia, o alto céu azul, as plantas invariáveis, vermelhas, ferrugentas, espalhando na água o estranho lençol cheio de rasgões.

Duas horas de compridos bocejos. E obrigaram-nos a descer. Recebemos então uma agradável surpresa: durante a nossa ausência haviam feito baldeação na cafua, as porcarias tinham desaparecido, esgotara-se o poço de mijo, nas tábuas úmidas espalhava-se uma camada fina de areia. Bem. Alargava-se o espaço transitável, conseguíamos agora mexer-nos sem receio da onda pútrida. Acomodaram-se as bagagens, corpos fatigados estenderam-se com desafogo no chão limpo. E destravaram-se as línguas. Já não nos sufocávamos respirando amoníaco, estávamos quase alegres. Um operário de Rio Grande pôs-se a cantar uma lengalenga chatíssima que findava neste pavoroso estribilho:

Chenhenhen, chenhenhen, chenhenhen, chenhenhen.”

Mas foi um breve intervalo. À hora do almoço novos resíduos se acumularam no chão. E como havia sempre alguns homens de costas junto ao camarote do padeiro, o líquido marejou, filetes engrossaram na areia.”

O mundo se tornava fascista. Num mundo assim, que futuro nos reservariam?” “desejaríamos enlouquecer, recolher-nos ao hospício ou ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço e dar o mergulho decisivo.” “Afligia-me especialmente supor que não me seria possível nunca mais trabalhar; arrastando-me em ociosidade obrigatória, dependeria dos outros, indigno e servil.”

27 dias de esforço para matar uma personagem, amarrar-lhe o pescoço, elevá-la a uma árvore, dar-lhe aparência de suicida.”

O maço de cigarros ao alcance da mão, o café e a aguardente em cima do aparador. Estirava-me às vezes pela madrugada, queria abandonar a tarefa e obstinava-me nela, as idéias a pingar mesquinhas, as mãos trêmulas.”

Seria melhor que ele se calasse, mas na verdade a tagarelice não me perturbava a recordação”

Abrira-me com o editor: afirmara-lhe, em carta, que ele não venderia cem exemplares da história.”

TIVE uma forte hemorragia intestinal, coisa rápida, imprevista. Nenhuma dor, nenhum indício de que um vaso fosse rebentar. O estômago e a barriga não funcionavam desde a minha chegada: provavelmente estavam secos, as glândulas preguiçosas recusando-se ao trabalho. Era como se esses órgãos não existissem: admirava-me de achá-los entorpecidos, de não sentir neles um movimento, uma ligeira contração. Insensibilidade completa. Ainda se mexiam no começo, uma picada me fazia pensar no alimento, ocasionava a repulsa invencível; estavam agora em repouso de morte. Havia em mim, do tórax ao abdômen, uma sepultura. A boca estava queimada, as gengivas ardiam, o cigarro colava-se aos beiços, arrancava películas, deixando marcas de sangue; necessário escovar os dentes com muito cuidado: o dentifrício, chegando-me às feridas, semelhava cautério. A falta de salivação produzia-me a necessidade freqüente de molhar a língua e as mucosas: refrescava-as com bochechos de água, depois gargarejava.”

De pé, encostado ao umbral, confundindo pessoas e acontecimentos do Rio Grande, as pernas abertas para evitar alguma cambalhota, distraía-me olhando a escada, as viagens incessantes dos companheiros à latrina. Foi a curiosidade que me fez imitá-los. Isso e também a lembrança de viver entre eles cinco ou seis dias, sem ter ido ali uma só vez. A imobilidade esquisita das vísceras começava a alarmar-me.

Subi, entrei num quarto imundo. Paredes nojentas, papéis sujos a amontoar-se, a espalhar-se no chão, ausência de água, o ambiente mais sórdido que se possa imaginar. Difícil tratar desse ignóbil assunto, nunca em livro se descerram certas portas. Arrisquei-me a abrir aquela porta por me haver surgido o acidente: quando menos esperava, um jato de sangue. Num minuto estancou; mas o líquido viscoso, os coágulos, provocaram-me a necessidade urgente de banhar-me.”

Dois volumes publicados e um inédito eram mesquinhos, o primeiro um horror, o último precisando emendas e cortes, o bom-senso me afirmava isto”

Tencionava experimentar-me, saber se a máquina combalida suportaria segunda carga de álcool A prova falhou. Distribuí, como da primeira vez, uma parte da aguardente com várias pessoas, tomei porção razoável e escondi a garrafa debaixo do colchão do padeiro. Uma hora depois achei-a vazia: Mário Paiva, aquele ingrato, abusando torpemente da minha hospitalidade, tinha bebido o resto.”

Apesar da indiferença, espantava-me ignorarem completamente onde ficaríamos, andarem à toa em busca de cárceres para nós. Essa desordem me causou vago prazer.”

Religião.

Pode inutilizar esse quesito.

É necessário responder, engrolou, na sua língua avariada, o homem trigueiro.

Bem. Então escreva. Nenhuma.

Não posso fazer isso. Todos se explicam.

De fato muitos companheiros se revelavam católicos, vários se diziam espíritas.

Percorrendo o sertão, muitas vezes, quando a noite descia, amarrei o cavalo a uma árvore, envolvi-me na capa, estirei-me na terra e dormi, tranqüilo e só. Não seriam piores que as cobras e outros bichos do mato os habitantes da prisão.”

Onde estaria o sem-vergonha carrancudo que me furtara 5 mil-réis e estivera uma semana a esconder-se?” Um obsessivo-compulsivo idiota…

Exposição humilhante era a sórdida latrina, completamente visível. Sobre o vaso imundo havia uma torneira; recorreríamos a ela para lavar as mãos e o rosto, escovar os dentes. As dejeções seriam feitas em público. A ausência de porta, de simples cortina, só se explicava por um intuito claro da ordem: vilipendiar os hóspedes.”

Fulano, Beltrano, Sicrano estiveram aqui presos, em tal data, como comunistas.” O exército brasileiro tem sérios traumas libidinais com o “comunismo”.

A segunda idéia que me veio foi uma pergunta: como haviam conseguido escrever a tão grande altura, onde o braço não chegava? No compartimento nem vestígio de mobília.”

O MULATO DE GRACILIANO É SEMPRE O ESTEREÓTIPO DO BANZO PREGUIÇOSO: “Acerquei-me, vi no corredor um mulato claro vestido no uniforme de riscas, a zebra dos penitenciários. Tinha um dente de ouro, ar de suficiência e pimponice. Ao ver-me, declarou, a fala branda, mole, viscosa” “As mulheres fugiriam à triste carne do pulha, ao canino amarelo, à voz cantada e bamba.” As mulheres prefeririam o sedutor Graciliano “Gable” Ramos…

longa reserva encolhia os nordestinos suspeitosos. Não nos fiaríamos em gente desconhecida.”

Todos se enganavam, só a criatura estigmatizada me via por dentro; o hábito de examinar minúcias, em permanência longa na prisão, certamente lhe desenvolvera a sagacidade.”

Faz favor de me dizer para onde vamos?

Pavilhão dos Primários, informou o sujeito.

Melhor ou pior que isto aqui?

Melhor, melhor. Vivem lá cantando e berrando como uns doidos.


SEGUNDA PARTE – PAVILHÃO DOS PRIMÁRIOS

Quem seria o monstro familiar à teoria da relatividade, aos horrores onde a minha escassa inteligência naufraga?” “E decidir afastar-me cuidadoso de Sérgio, bruxo amigo de Einstein e do infinito: a presença dele seria um alfinete para minha ignorância.”

Sérgio de quê? perguntei. Qual é o seu sobrenome?

Isto é pseudônimo. Eu me chamo Rafael Kamprad.

Alemão? Pelo jeito de falar, parece alemão.

Russo, do Cáucaso.

Ainda criança, perdera a família na Guerra Civil, conseguira chegar à Alemanha, onde estranhara o silêncio, a falta dos tiros de canhão. Estudante de filosofia e matemática numa universidade, fugira perseguido pelo nazismo, fôra terminar o curso na Estônia. Daí o expulsaram. Tinha parentes na China e no Brasil: uma avó no Rio de Janeiro, um tio em Cantão, rico em negócios de petróleo com os americanos.

Optara pelo Brasil. E vivia de ensinar quando rebentara a bagunça de 1935. Previdente, desviara de casa objetos nocivos, confiara a um aluno cartas de Trotski, mas com tanta infelicidade que num instante haviam caído os papéis nas mãos da polícia. No interrogatório quisera defender-se:

Por essa correspondência, os senhores vêem a minha posição, nada tenho com o barulho daqui.

Que sujeito agourado!

Na brancura doentia de nata, no olho azul cinzento, serenidade completa. Indiquei figuras que divisávamos dali; algumas já me haviam provocado a atenção. O sujeito de blusa russa e cachimbo era José Medina, com certeza o mencionado na inscrição vista na parede, em cima da barra. O rapaz simpático e franzino, de cueca e tamancos, era Rodolfo Ghioldi.

Italiano?

Argentino, Secretário do Partido Comunista Argentino.

Sim senhor, achava-me entre indivíduos importantes, que me espicaçavam a curiosidade. Percebi um moço alto, magro, de cabeça pequena, vago feitio de pernalta, escrevi o nome dele: Benjamin Schneider. Sérgio corrigiu a grafia: Snaider. Achei esquisita a emenda:

Não é alemão?

É um judeu romeno.”

Em quê é que vocês se ocupavam lá fora?, indaguei.

Eu trabalhava com ele, respondeu Newton designando o outro.

E ele?

Ele trabalhava comigo.

Sim. Mas que é que faziam?

Ah! Não fazíamos nada.

Deitava-me afinal como gente, na aparência. O colchão era tão delgado que não me deixava em sossego, um varão do lastro magoava-me o espinhaço. Virei-me para um lado e para outro, avancei, recuei, e sempre a infeliz haste de metal a chocar-me os ossos. Alojei-a por fim entre as últimas costelas e o ilíaco, adormeci ouvindo a esfrega nas camisas do capitão, o esguicho da torneira.”

os nervos dóceis” Acaso jamais fará sentido que um dia chamem este prosador de cáustico em adjetivos? Essa compreensão de Graciliano Ramos é ainda inferior à da antropologia de um Sérgio Buarque… Quem chamaria nervos de dóceis senão o maior adjetivador da língua? Não satisfeitos? Vamos destacar os adjetivos de uma passagem mais larga e nos convencer, enfim: “O gesto de prestidigitador firme [aqui um combo!] no seu ofício. Conservou-nos atentos meia hora, o prazo marcado para a conferência. Tê-la-ia, como depois notei, desenvolvido em sessenta minutos ou resumido em quinze, expondo a matéria toda, sem esquecer um ponto. Capaz de, com destreza, analisar ou sintetizar.” Talvez não seja maior adjetivador que ninguém, não se enganem, mas o menor é que não é!

o Hino do Brasileiro Pobre:

Do norte, das florestas amazônicas,

Ao sul, onde a coxilha a vista encanta…”

E resmungara chateado:

Fui oficial de Bela Kun. Iam fazer aqui revolução com estas bestas?”

Jornalista, desenfastiava-se na prisão redigindo novelas. Exibiu-me um conto bem chocho, amostra das suas possibilidades literárias.” Bem chocho.

“– A Beatriz não vai querer cantar? disse alguém.

Ir querer, fala estranha, feriu-me o ouvido nordestino.”

Para um narrador cáustico, é muito refinado e cheio de fita.

um surdo rumor de máquina zumbia monótono.” Por que não um rumor de máquina zumbia? Porque Cagliostro tem que adjetivar, adjetivar tudo em dobro!

De ordinário a expressão me fugia, decompunha-se o pensamento, e era uma tortura vencer a estupidez, procurar dizer qualquer coisa gaguejando um vocabulário escasso, miserável. Na manhã luminosa, olhando postes e fios, prédios cinzentos, arvoredo e morro, ainda uma vez me aniquilei no pasmo que a palavra falada sempre me causa.”

Desprezando a Europa, detinha-se em louvores minuciosos à sabedoria asiática. Não se julgava europeu. Nascido no Cáucaso, mestiço de eslavo e tártaro, só achava firmeza e vida no Oriente. Quando me falou pela primeira vez nos canados, não o entendi: a pronúncia gutural deformava inteiramente a palavra.”

Desdenhando gramáticas e dicionários, entrava na sintaxe e enriquecia o vocabulário por meio de leituras e consultas. O que entrava ali ficava, não repetia perguntas. Fez uma síntese da filosofia de Hegel, num caderno, a lápis, o começo em alemão, o fim em português.”

Esforçava-se por trasladar-me versos de Puchkine, desistia:

É inútil. Só podemos sentir e compreender esta balada em russo.”

meu novo amigo vinha de grandes culturas, não iria fingir apreço às miudezas nacionais.”

Ainda não conheço o Brasil. Leviandade manifestar-me sobre ele.

Sem dúvida, somos bichos de espécies diferentes. Faço um livro, gasto meses a espremer os miolos, compondo, eliminando, consertando, fico a remoer cada frase com paciência de boi, e consumo para entender isso o duplo do tempo necessário a você. É inacreditável.

Afirmava-me não ser difícil percorrermos um texto, apreendendo a essência e largando o pormenor. Isso me desagradava. São as minúcias que me prendem, fixo-me nelas, utilizo insignificâncias na demorada construção das minhas histórias.

Sem dúvida isso o ajudou a ler Hegel.

Julguei Sérgio isento de emoção, e isto me aterrou. Comovo-me em excesso, por natureza, e por ofício, acho medonho alguém viver sem paixões. Imaginei-me diante de um cérebro, cérebro enorme. O resto do corpo minguava, tinha fracas exigências, funcionava para levar um pouco de sangue à poderosa máquina.”

Ouvindo isso, falei no ódio que ele devia experimentar. Olhou-me atônito:

Ódio? A quem?

Aos indivíduos que o supliciaram, já se vê.

Mas são instrumentos, sussurrou a criatura singular.

Aos que os dirigem. Aos responsáveis por isso.

Não há responsáveis, todos são instrumentos.

Na verdade ele tinha razão. Contudo, se me houvessem atormentado, não me livraria da cólera, pediria todas as desgraças para os meus carrascos.”

(…) Você é civilizado, civilizado até demais. Diga-me cá. Admitamos que o fascismo fosse pelos ares, rebentasse aí uma revolução dos diabos e nos convidassem para julgar sujeitos que nos tivessem flagelado ou mandado flagelar. Você estaria nesse júri? Teria serenidade para decidir?

Por que não? Que tem a justiça com os meus casos particulares?

Se você acaso chegasse ao poder, conservaria os seus inimigos nos cargos, Sérgio?

Não tenho inimigos. Conservaria os que se revelassem úteis.

Bem. Essa impassibilidade me assusta. Apesar de sermos antípodas, fizemos boa camaradagem. Mas suponho que você não hesitaria em mandar-me para a forca se considerasse isto indispensável.

Efectivamente, respondeu Sérgio carregando com força no c. Boa noite. Vou dormir.

Estendeu-se na cama agreste, enfileirada com a minha junto ao muro, cruzou as mãos no peito. Ao cabo de um minuto ressonava leve, a boca descerrada a exibir os longos dentes irregulares. Nunca vi ninguém adormecer daquele jeito. Conversava abundante, sem cochilos nem bocejos; decidia repousar e entrava no sono imediatamente.

Deixando a Alemanha, Sérgio casara e enviuvara, na Estônia. Não lhe notei saudade, era como se casamento e viuvez se referissem a outra pessoa.” “A moça da Estônia fôra colega de universidade, e Emilie, suponho, dera-lhe as primeiras lições de português. No começo presumi Sérgio indiferente à beleza física, só interessado nas relações intelectuais, a carecer de sexo. Depois modifiquei o juízo. Também comigo se passava qualquer anormalidade. Surgiu-me de repente anafrodisia completa. Súbita desaparição dos desejos eróticos e um resfriamento geral, espécie de anestesia (…) Deram-me um princípio de esclarecimento, e não liguei importância a ele. Eu abusava do café.

(…)

o faxina me proporcionou este aviso:

Se o senhor soubesse o que há nisto, não bebia tanto.

Indaguei, o tipo encolheu os ombros e ficou por aí. Desatento ao conselho, não me abstive do líquido enjoativo, adocicado. E nem de longe suspeitei que o gostinho de formiga tivesse ligação com o prolongado esmorecimento.”

Correram semanas. Repetidamente ouvi Apporelly desenvolver o seu projeto, modificá-lo, narrando minúcias. Não se resolvia, porém, a iniciar a obra, coordenar as ironias abundantes que fervilhavam no interior. Absorvia-se na improvisação, exibia fragmentos já lançados no hebdomadário. Impossível dedicar-se a tarefa longa, julguei. Depois imaginei-o vítima de incapacidade transitória. Na extensa inércia, o pensamento esmorecia, os desígnios murchavam. Raros ali conservavam a lucidez e a firmeza de Sérgio, de Rodolfo Ghioldi. Trabalhos descontínuos, aulas vagas falhando, recomeçando sem programa, tudo me fazia supor que desejávamos atordoar-nos. Tentei aprender russo com Benjamin Snaider: peguei o alfabeto e meia dúzia de palavras. Exigiram de mim uma conferência a respeito do nordeste. Alarmei-me:

Estão doidos?”

As folhas e os lápis dormiam na valise. O abscesso da mão secou e cicatrizou, a unha caiu, veio outra: findava o pretexto com que me iludia para ficar inativo.”

VALDEMAR BIRINYI introduziu o jogo de xadrez no Pavilhão dos Primários. Vivia num isolamento profundo, necessitava comunicar-se. Por desgraça menoscabara os hinos e largara a frase inconveniente à chegada: ‘Querem fazer revolução com essas bestas?’ Em conseqüência o antigo oficial de Bela Kun fôra posto de banda. Tentava conversar e ninguém o compreendia direito.” “referiu-me que na polícia lhe haviam tomado oito malas, 25 mil francos suíços e, perda irremediável, uma preciosa coleção de selos, a terceira do mundo. Fora anos atrás à Inglaterra exibir essa maravilha ao rei, também filatelista. Narrou-me a viagem com segurança, a visita, bastante vaidoso. Certo dia traçou numa folha de almaço um tabuleiro de xadrez, fabricou peões, torres, cavalos, bispos, reis e rainhas com miolo de pão, coloriu de azul as peças e as casas pretas. Desde então aquele divertimento nos encheu as horas, venceu as lições, as cantigas da Rádio Libertadora. Ao cabo de algum tempo houve um desastre.”

Concluímos facilmente que as baratas haviam estragado as figuras. Esse contratempo não causou prejuízo sério.”

Prestes e Berger estavam no isolamento, e o segundo perdia a razão sob torturas multiplicadas.”

Aqui no Brasil há uma birra como a sua: ninguém quer ser literato, não sei porquê. [sic] Eu me confesso literato, literato ordinário.” Graciliano a Ghoeldi

Você acha que Birinyi foi realmente oficial de Bela Kun, Rodolfo?

Talvez. Quem sabe? Os oficiais de Bela Kun não deviam ser muito diferentes daquilo.

Zangado? Não. Por quê?

Está sim. Por causa do xadrez.

­– Que idéia, Birinyi! Quem lhe falou nisso?

Snaider.

É brincadeira dele.

O colosso ficou um momento indeciso, estendeu-me o braço peludo:

A mão.

Apertei-lhe os dedos, rindo.

Agora, exclamou desanuviado. Agora sim. Amigo.

A terceira do mundo. Verdade, verdade. – Naquele tempo ele não era rei.

OS PERCEVEJOS da Detenção eram na verdade uma praga, e em vão tentávamos saber onde se escondiam. No prédio novo, de muros lisos, chão encerado, parecia não haver ambiente para a medonha proliferação. Deviam alojar-se nos ferros das grades, nas juntas das camas, nas gretas dos guarda-ventos. Examinávamos pacientemente os lugares suspeitos, esmiuçávamos a roupa, as cobertas, os colchões, os travesseiros. Nenhum sinal dos miseráveis; durante o dia era possível esquecê-los, jogar xadrez, ler, escrever, ouvir discursos, lições, hinos, sambas. À noite deixavam-nos repousar alguns minutos: era como se calculassem o tempo, soubessem a hora de atormentar-nos.”

A trave de ferro já não me incomodava: habituara-me depressa a arrumar os ossos no colchão.”

E a luz era escassa, a lâmpada muito alta iluminava fracamente a página. Sem dúvida a leitura me arruinaria a vista. Assim me conservava, bocejando, fumando, até não resistir ao sono.” “despertava coberto de salpicos vermelhos. § Os médicos do Pavilhão, atentos à higiene, muito se preocuparam com o flagelo: Valdemar Bessa, Isnar Teixeira, Sebastião Hora, Campos da Paz novo e Campos da Paz velho, magro e taciturno, que se assinava Campos da Paz M.V.” “Ainda não estavam secos os tamancos deixados a aquecer numa faixa de sol, e uma lancetada rija nos despertava. A indignação nos enchia de raiva. Trabalho perdido. Como se incêndio, ao dilúvio? Patifes. Zombavam dos nossos desgraçados esforços e vingavam-se. Iriam assanhar-se, não nos deixariam tranqüilos. Canseiras inúteis, aniquilados os desígnios mortíferos de Valério Konder.”

Admirei Ivan. E, enquanto não lhe soube o nome, ele foi, para mim, apenas o tenente que sabia sintaxe.”

Estremeci, apertei as mãos com raiva. Anos atrás encolerizava-me facilmente, cegava, fazia imenso esforço para não me perceberem a zanga, a violência interior, movimentos dos punhos contraídos no desespero. Freqüentemente explodia a fúria bestial e desmandava-me em desatinos que me enchiam de vergonha. Sentia-me fraco, bicho inferior, invejava as pessoas calmas, não conseguia iludir-me com a manifestação parva de coragem falsa. Às vezes me dominava, recompunha-me, a tremura desaparecia, os dedos se estiravam. Sinais de unhas nas palmas suadas, as juntas a doer; a respiração era um sopro cansado. Naquele dia a ira velha, recalcada nos subterrâneos do espírito, veio à luz e sacudiu-me: desejei torcer o pescoço do insolente. Na surpresa, recusei o testemunho dos olhos e dos ouvidos.”

Sou um espião, tornou Lauro Fontoura. É o que esses moços espalham por aí. Não lhe disseram? Pois fique sabendo. Um sujeito andou cochichando nos cubículos e encheu as cabeças desses idiotas. Reparou no oficial da venta grande?”

É claro, respondeu Lauro Fontoura. Você o conhece? Nem eu. Ninguém o conhece. Não entrou em nenhum barulho. Donde veio? Apareceu de repente, semeou brigas e escapuliu-se. Nem sabemos se o excluíram do exército. Excluir, tinha graça. Veio aqui desempenhar uma tarefa e será promovido.

Impossível conjeturar se a explicação era verdadeira ou falsa; de qualquer modo o homem se mostrava leviano fazendo comentários imprudentes a um desconhecido.”

Consideravam-nos trotskistas, ofensa máxima imputável a qualquer de nós. Sem se examinar idéia ou procedimento conferia-se o labéu a torto e a direito, apoiado em motivos frívolos ou sem nenhum apoio. Difamavam-se os caracteres arredios, infensos ao barulho, às cantigas, às aulas interrompidas, recomeçadas, ao jogo de xadrez; as índoles solitárias, propensas à leitura, à divagação, inspiravam desconfiança.”

Entretanto não nos era possível suprimir a monogamia. Onde achar remédio contra as mesquinharias pingadas na rotina como gotas de azeite? Numa sucessão de estados monogâmicos, talvez. Os norte-americanos estavam certos. Um basbaque nos ouvia atento, no fim da conversa intrometeu-se nela:

Mas isso não é dialético.”

Quem falou em trotskismo? Internacionalismo foi o que eu disse.

É a mesma coisa.

Está bem.

Quase todos se julgavam revolucionários, embora cantassem o Hino Nacional e alguns descambassem num patriotismo feroz.”

materialistas de meia-tigela, camada flutuante, sem nenhuma consistência”

Sebastião Félix realizava sessões espíritas.”

Ouvidas as excelentes conferências de Rodolfo, limitar-me-ia a parolar com duas ou três pessoas, encaracolar-me-ia depois.”

Mas quando Pais Barreto chegou, achei-me diante de uma realidade, caso concreto, insofismável. Era um rapaz alto, desempenado, falador, transbordante. Veio ocupar a célula fronteira à minha. Vi-o dias inteiros curvado sobre papéis, escrevendo. Escrevendo informações à polícia, cochicharam-me – e não disseram em que se baseavam, nenhum fato mencionaram.”

ofereciam-nos avisos sibilinos” “só me restava guardar silêncio e suspender qualquer juízo.” “Sentia-me enervado, propenso a aceitar qualquer boato. Preguiça de refletir. Em conseqüência, afirmei a mim mesmo o contrário do que me diziam: Pais Barreto não era traidor. Mas em nada me baseava para assim pensar. De fato não pensava, faltavam-me recursos indispensáveis a uma conclusão, desconhecia os antecedentes daqueles homens e era forçado a orientar-me pelas aparências.”

MAIS OU MENOS COMO NO TRABALHO: “Em tal situação invade-nos um mal-estar desconhecido cá fora, vivemos à espera de ameaças indeterminadas e, reconhecendo ser impossível conjurá-las, não nos resignamos a capacitar-nos disto: buscamos isolar-nos na multidão, permanecemos de sobreaviso, reduzimos o vocabulário e estudamos as caras e os gestos.”

jogando xadrez, remoendo as conseqüências de um lance arriscado, estamos sem querer a observar os movimentos do parceiro. Com certeza ele notará isso e nos julgará indiscretos, fará conosco o jogo que fazemos com ele.”

A recordação de um nariz bicudo persegue-nos, a toda hora esperamos vê-lo ressurgir, farejando.” “Ignorando até que ponto os carrascos estão seguros, os padecentes se desnorteiam nessa brincadeira de gato com rato, deixam escapar um gesto, uma imprudência necessária à clareza do processo. E o embuste avança, pouco a pouco se fabricam as malhas de uma vasta rede, outras pessoas vêm complicar-se nela, trazer novos subsídios ao inquérito.”

SOB TORTURA: “A palavra solta entre o suplício material e o suplício moral tem semelhança de voluntária, e se prejudicou alguém, podemos julgá-la delação.” “Teria dito realmente aquilo? Jura que não. Mas a frase foi composta, redigida com bastante veneno, alguns acusados a ouviram” “Se, com desesperado esforço, em arrecuas violentas, dá alguns passos, consegue chegar-se ao ponto de partida, os antigos camaradas o empurram. Está de costas voltadas para eles, não se equilibra, forçam-no a descer, em pouco tempo se acha longe.” “Antes de se arvorar em dirigente, devia balancear as suas forças, avaliar se elas eram suficientes para guardar um segredo em qualquer circunstância. Teve a desgraça de ser fraco e isto o inutiliza. É um desertor, tem de asilar-se no campo inimigo; aí lhe darão as tarefas mais repugnantes.”

As pessoas que se demoraram junto de nós cochichando expressões cabalísticas aparecem-nos grandes em excesso.”

estamos de olhos e ouvidos muito bem abertos para fechá-los às mais simples inconveniências.” Ambíguo.

De qualquer forma, é indispensável guardarmos reserva. O que antigamente nos seduzia agora é motivo de calafrios.” “E nem é preciso usarem conosco rigores de técnica: não ficaremos três dias pisando em cima de alçapões: em menos de uma hora largaremos diversas incongruências, esvaziar-nos-emos por inteiro, soltaremos a frase de relance ouvida, que não compreendemos bem e talvez vá causar a ruína de outras pessoas.” “mas o pior é não sabermos se isso aconteceu, ignorarmos as nossas ações, sermos um joguete das circunstâncias. … estamos incomunicáveis e ninguém nos diz se mostramos covardia ou bravura.”

Um entusiasmo de fogo de palha às vezes me levava a retirar os papéis da valise, insinuava-me a esperança de arrumar observações razoáveis sobre a vida na cadeia, mas o trabalho avançava lento demais, o jogo de xadrez e a vagabundagem nos cubículos me absorviam.”

Quando nos abrirem as portas, chegaremos à rua machucados, bambos, secos, acharemos a vida amarga, cansar-nos-emos facilmente, qualquer esforço nos parecerá vão. Se alguma coisa nos prender, serão resquícios dessa estranha solidariedade. Certamente eles nos acompanharão sempre.”

Pelo menos Graciliano Ramos reconhecia que não escrevia bem.

Esqueci a presença de Hora e Sérgio, num instante as crianças me apareceram vivas e fortes: tinham deixado a praia, a areia branca de Pajuçara, feito longa viagem, transposto diversas grades – e estavam no cubículo 35.”

Nem selo nem carimbos do correio: alguém da minha família arriscara-se a meter a mão na engrenagem policial e deixara na secretaria aqueles retratos, sem nenhuma indicação. Quem teria sido o intermediário? Não atinei com amigo ou parente capaz de aceitar a incumbência.” Tu não confias na tua mulher, ó imbecil?

Que diabo vem fazer no Rio essa criatura?

Era uma quinta-feira, princípio de maio: algumas letras e algarismos me trouxeram de relance a noção do tempo esquecido. Minha mulher chegara e prometia visitar-me na segunda-feira, entre dez e onze horas.

Que estupidez!

NÓS FUMANTES TEMOS UM ESTILO DE VIDA CARO! “E dela me chegariam decerto preocupações insolúveis, novas cargas de embaraços. Alarmava-me sobretudo o esgotamento dos recursos guardados no porta-níqueis. As vezes retirava as notas escondidas no compartimento mais secreto, desamassava-as, contava-as, recontava-as e nessas operações assustava-me com freqüência a falta de alguns mil-réis.”

Movia-me talvez menos a certeza de não poder auxiliá-la nas dificuldades e tropeços que o desaparecimento inexplicável dos desejos sexuais. Para nada, para nada. Repetia esta convicção obtusa. Nenhuma recordação amável.”

É que a artéria femural está descoberta, meu filho. Se metessem o canivete, você era um homem perdido. Horrível saber anatomia. Se Afrânio não me tivesse dito aquilo, deixar-me-ia tranqüilamente operar, morreria ou viveria, confiado na ciência. Não morrera. Dr. José Carneiro fôra pago, indevidamente, na minha opinião. Quarenta dias numa cama, um tubo de borracha atravessando-me o ventre, o coração fatigado a subir, a descer

Depois a convalescença, a vida estreita, a composição de um romance na sacristia de uma igreja do interior. A garota que ali estava no cartão, de pernas à mostra e fita no cabelo, nascera quando se findava essa história rude e agreste.

Dois filhos gêmeos – uma criança viva, de olhos claros, e um fazendeiro rijo, assassino e ladrão. Rememorar isso não me dava prazer.”

Regressar àquilo, afundar outra vez na água espessa, amarga.

Que estupidez!”

Egoísta, ingrato, idéias deste gênero, pouco mais ou menos. Percebi-lhe no rosto uma longa censura e não tentei desculpar-me.”

E desgostava-me expor aos outros as minhas desgraças interiores, ver nas fisionomias traços de piedade superficial. Encolhi-me, sentado na cama, a acender cigarros, verrumando o futuro, revolvendo o passado, numa confusão. Impossível dormir.”

A criatura tinha vendido os móveis e o resto, cedera tudo às cegas e naturalmente se embrulhara. As suas contas andavam sempre numa complicação. O dinheiro tinha para ela uma significação muito relativa. Ouvindo-a, inteirava-me daquele negócio. Compreendia que estávamos pelados, reduzidos à penúria. Bem. Não valia a pena discutir. As nossas desavenças não tinham base econômica: a causa ordinária delas era um ciúme desarrazoado que a levava ao furor.”

Hospedara-se em casa de uns tios, no Méier. Estivera no Ministério da Guerra, no Ministério da Justiça, no Palácio do Catete, na Chefatura de Polícia, falara a deputados e a generais, largava rápido a língua do nordeste e começava a adotar uma gíria burocrática singular, enganando-se às vezes no sentido de algumas expressões.” “Entendera-se com José Olímpio e combinara com ele mandar buscar por via aérea uma das cópias do romance. Aquela hora a papelada estava decerto voando para o Rio.”

Agildo Barata e outros andavam sempre a redigir misteriosos resumos das longas discussões murmuradas nos fundos do cubículos”

A correspondência com pessoas insuspeitas lá fora engordava debaixo dos colchões; emagrecia à hora das visitas: cartas e relatórios, escondidos em bolsas de mulheres, passavam as grades, espalhavam-se em ônibus e bondes, chegavam à Câmara dos Deputados. Nova balela, novo escarcéu, baldava a matéria semanal dessa fadiga sub-reptícia: papéis queimados, carvões leves pulverizando-se no chão vermelho. As minhas notas difíceis acumulavam-se na valise. Não me resolvera a inutilizá-las. Pouco me importava que as vissem. Indiferença. Resistira, esperara que as viessem descobrir e inutilizar; persistiam, mal escritas, a lápis, em cima do guarda-vento, narrando a figura burlesca do general (…) Preguiça. Não me arriscaria a trazer para o cubículo, por intermédio de minha mulher, o romance falho. (…) O original e a outra cópia recomendada existiriam? Afinal o romance valia pouco. Ser-me-ia talvez possível, com dificuldade, fazer outro menos ruim.”

Remoí a proposta de José Olímpio. O conserto do romance, no futuro, estava excluído, pois ele nunca se reeditaria: a convicção de que não se venderiam cem exemplares cada vez mais se firmava.”

Recomendei a minha mulher que procurasse os editores Schmidt e Gastão Cruls, recebesse o dinheiro relativo aos direitos autorais dos meus dois primeiros romances.”

Nem tive tempo de pensar. Entrei na célula, apanhei o jantar nojento, arremessei-o por cima do parapeito. Mais tarde uma pergunta me verrumou: como sucedeu que, tendo sido tão rápida a minha ação – entrar no cubículo, apanhar a bóia, num instante jogada no andar térreo – diversas criaturas houvessem feito o mesmo anteriormente? Acompanhei durante um minuto a ruidosa manifestação. Figuras ativas apareciam nas soleiras; de toda a parte, em cima, embaixo, projéteis saíam, rebentavam com fragor no cimento. Avolumaram-se depressa as ruínas; houve silêncio – e fiquei longo tempo debruçado à viga negra do parapeito a indagar como o excessivo estrago se tinha realizado e quais seriam as conseqüências dele. Estranho contágio: a inesperada proposta se erguera, breve, firme, crespa, aceita sem exame, por unanimidade.”

Andava entre nós, imperceptível, mesquinho, e revelava-se de chofre, dominador. Por quê? Revolvi os miolos indagando a causa do poder tão inesperadamente revelado, julguei enxergar uma clareira no fato obscuro. Segundo imaginei, Agildo conseguia discernir a alma alheia. Individualmente isso não constitui nenhum dom especial. Em convivência prolongada, as caras das pessoas, uma ruga, piscadelas, sobressaltos, lábios contraídos, sorrisos, palidez, rubor, ligeiros sinais quase indistintos, conjugam-se, combinam-se com situações anteriores, oferecem-nos a instantânea percepção de sentimentos e pensamentos. Não se tratava disso. Pareceu-me que o sujeitinho moreno e exíguo possuía a qualidade rara de apreender num instante as disposições coletivas; rancores indeterminados, esperanças, receios, desejos, comprimidos nos subterrâneos das consciências, chegavam-lhe às antenas. Esse radiotelegrafista recebia estranhas comunicações, relacionava-as, concluía, marchava direito a um fim desconcertante: ignorávamos tudo e, surpresos, executávamos ordens, mas isto era tão normal, tão razoável, como se nos dirigíssemos pelas nossas cabeças.”

Debruçado ao parapeito, descuidava-me a observar os faxinas que recolhiam destroços no rés-do-chão. As vassouras chiavam no cimento, os cacos tiniam. Dançavam-me na mente as conseqüências da nossa brutalidade. Com certeza nos iriam dar comida em horríveis marmitas de folha, como as do porão do Manaus. Privar-nos-iam das visitas, da correspondência, do banho de sol. E os estrangeiros seriam os mais lesados; transferência de Rodolfo Ghioldi, Sérgio, Birinyi, Benjamin Snaider para as galerias.” Que nada: “patriota” gosta mesmo é de se vingar em patriota!

à hora do almoço, a grade se descerrou como se o acontecimento da véspera não tivesse nenhuma importância; a refeição, menos ruim que as habituais, surgiu em louça nova. As colheres velhas e ordinárias haviam desaparecido. Junto aos sacos de laranjas e bananas percebi uma grande caixa. Abriram-na. E na distribuição da comida ofereceram-nos talheres decentes.”

As unhas de Benjamin Snaider tinham caído, nasciam outras: sabíamos a causa e guardávamos silêncio. Assunto realmente desagradável. Ninguém se inferiorizava lembrando as violências animais; seria absurdo, porém, imaginar uma pessoa vangloriar-se com elas. Víamos agora um sujeito alardear os sinais do vilipêndio, tão satisfeito que supus achar-se entre nós um profissional da bazófia.” “Enjoei num instante a nossa piedade, fácil e imaginosa: estivéramos a conceber suplícios longos, requintes de malvadez, agulhas penetrando carnes, nádegas queimadas a maçarico, e aparecia-nos uma criatura jovial, buliçosa, a envaidecer-se de pequenas manchas azuis, traços insignificantes na pele clara.”

A impressão que Miranda me deixou persistiu e acentuou-se no correr de dias: inconsistência, fatuidade, pimpanice. Vivia a mexer-se, a falar demais, numa satisfação ruidosa, injustificável. Incrível haver ganho fama, inspirado confiança e admiração. Com o tempo deixei de espantar-me, julguei entrever o mecanismo que impulsiona esquisitas celebridades vazias.”

O singular dirigente achava que, para ser um bom revolucionário, lhe bastava conhecer o ABC de Bukharin. Solecismos e silabadas também se originavam de um preconceito infantil em voga naquele tempo: deformando períodos e sapecando verbos, alguns tipos imaginavam adular o operário, avizinhar-se dele.” “Esnobismo de algum modo semelhante ao dos nossos modernistas, vários anos no galarim, a receber encômios deste gênero: – ‘Como eles sabem escrever mal!’

Dissidente, considerado trotskista, fugia às discussões, aos banhos de sol, ao jogo de xadrez, simulava não perceber remoques e grosserias.”

A entrega dos envelopes exigia prestidigitação: ligeiros, diante de funcionários, deixavam as mangas dos presos, mergulhavam entre páginas de revistas, escondiam-se por baixo de lenços pequenos caídos no cimento. É possível que os guardas percebessem esses manejos e encolhessem os ombros com indiferença, não sendo obrigados a intervir; em alguns achei mais tarde cegueira voluntária e conselhos oportunos.”

A minha situação não melhorava nem piorava. Ausência de processo, nenhuma testemunha; adiava-se, provavelmente não se realizaria o interrogatório longamente esperado.”

Já um fanático me havia chamado trotskista.”

éramos cupim no edifício burguês e aplicavam-nos inseticida.”

Um mês antes, de passagem pelo Rio, padre José Leite perdera alguns dias procurando avistar-se comigo; tentara vencer a resistência da autoridade jurando que eu não era comunista. Essa imprudência me comoveu e assustou. Se o meu excelente amigo tentasse de novo aproximar-se da ratoeira, arriscar-se-ia a ficar nela.”

O mal existia, sem dúvida, mas era abstrato. O comunismo, um fato mau, idéia má, desligava-se dos homens, criaturas de Deus, pelo menos das pessoas conhecidas”

Mas o Presidente da República era um prisioneiro como nós; puxavam-lhe os cordões e ele se mexia, títere, paisano movido por generais.”

Isso é crime! vociferava o militar. Não faz nada? O senhor é um monstro. Deixa uma pessoa a perder sangue, à míngua.

Julguei perceber a réplica: os nossos receios eram exagerados e, além disso, não estava na hora de fazer exigências. Isso me arrepiou: o burocrata se mecanizava, cumpria funções mínimas, entrincheirado no regulamento.

Vai sair? esganiçava-se Agildo. Abandona a criatura esvaindo-se? Nem uma injeção!

A farmácia estava fechada, foi a última desculpa.

O senhor é um assassino, bradou o oficial.

Diversas invectivas se seguiram, enérgicas, inúteis. O indivíduo, impassível, deu as costas, alcançou o fim da plataforma, desceu a escada, sumiu-se. Ranger de chave na porta da frente foi o sinal para um charivari louco.

Isso me atraía. Às vezes não queremos saber se nos comportamos bem ou mal; procedemos assim por não nos ser possível proceder de outra maneira; a violência animal nos impele e domina.”

Em conseqüência duas ou três fechaduras rebentaram, e surgiram rebeldes no passadiço e no rés-do-chão, a animar a desordem. As portas avariadas, desengonçadas, começaram a bater rijo nos umbrais, faziam depois de abertas um estrondo horrível.”

O locutor da Rádio Libertadora indicava os novos prisioneiros, advogados, médicos, oficiais do exército, e salvas de palmas acolhiam essa gente”

Hermes Lima foi a pessoa mais civilizada que já vi. Naquele ambiente onde nos movíamos em cuecas, meio nus, admitindo linguagem suja e desleixo, vestia pijama – e parecia usar traje rigoroso. Amável, polido, correto, de amabilidade, polidez e correção permanentes.”

Eram engraçadas as suas indiscrições. Revelou-me que se havia metido a conspirar estupidamente com dois figurões do exército. No dia da revolta se dirigira ao ponto combinado para receber ordens dos chefes. Um estava inteiramente bêbedo, o outro chorava como um desgraçado.”

Não me sentia lesado no porão do Manaus. Apesar daquela miséria, o jejum completo, a asfixia, o calor do inferno, a imundície, não percebera ali nenhum dolo: a desgraça atingia todos como praga ou inundação. Ninguém se revolta contra essas forças brutas. A dispnéia, a escuridão leitosa, o horrível cheiro de amoníaco, o soldado negro empurrando-me com a pistola, ao descer a escada, eram coisas fatais, no medonho pesadelo. Na verdade éramos bichos. Regressávamos à condição humana, impunham-nos um castigo – e percebíamos que ele era embuste. Esse procedimento insidioso me atormentava mais que as humilhações e o desconforto.”

Donde diabo vem você, homem? Ainda acredita nessas bobagens? Vai sair daqui marcado. E lá fora, quando houver uma greve de barbeiros, agarram-no.

Pois sim. Eu embrulhar-me no sindicato dos barbeiros. Tem graça.

­– Por que não? Antes que você prove que não é barbeiro, corre o tempo.

É um tipo escrachado.

Depois de ligeira dúvida, o nome estranho se definiu: o ladrão estava nas fichas da polícia, tinha deixado lá o retrato e as marcas digitais, de nenhum modo chegaria a livrar-se disso. Escrachado. Bem.

Exclui-se a idéia de arranjar outro ofício – Em primeiro lugar nada sabe fazer além de abrir portas ou embromar otários repisando velhas, estafadas parolagens; valoriza enormemente as suas pequenas habilidades, gosta delas, aos íntimos agrada-lhe referi-las com vaidade e exagero. E depois, ainda que desejasse trabalhar, não o conseguiria: negam-lhe a mínima confiança, ninguém lhe aceita os propósitos de regeneração, em qualquer parte julga perceber olhares suspeitosos. Cumprida a sentença, verrumam-lhe o espírito esses desajustamentos, a liberdade chega a apavorá-lo.”

Os gritos daquela noite eram de um garoto violado. Essa declaração me estarreceu. Como podia suceder tal coisa sem que atendessem aos terríveis pedidos de socorro? Muitos guardas eram cúmplices, ouvi dizer, e alguns vendiam pequenos delinqüentes a velhos presos corrompidos – vinte, trinta, cinqüenta mil-réis, conforme a peça.” “Na ausência de mulheres, consente-se o homossexualismo tacitamente.”

Os assassinos, criminosos fortuitos, em geral os sujeitos chegados maduros, conseguem livrar-se do contágio: têm a preservá-los costumes diversos, princípios, a repugnância que nos leva a desviar os olhos se vemos uma dessas criaturas, lavar as mãos se a tocamos. Esse nojo e esses escrúpulos esmorecem com o tempo: refletindo, alinhando motivos, inclinamo-nos a uma indecisa piedade, afinal até isto míngua e desaparece: achamos aqueles invertidos pessoas vulgares submetidas a condições especiais: semelhantes aos que perderam em acidente olhos ou braços.”

têm voz dulçurosa, gestos lânguidos e caminham rebolando os quadris. Nem todos são assim, de ordinário não se distinguem por nenhum sinal particular. Nada que mereça desprezo. Como se iniciaram? Os angustiosos e inúteis apelos noturnos davam a resposta.”

Preliminarmente lançamos opróbrio àqueles indivíduos. Por quê? Porque somos diferentes deles. Seremos diferentes, ou tornamo-nos diferentes? Além de tudo ignoramos o que eles têm no interior. Divergimos nos hábitos, nas maneiras, e propendemos a valorizar isto em demasia. Não lhes percebemos as qualidades, ninguém nos diz até que ponto se distanciam ou se aproximam de nós.” “Será um nojo natural ou imposto? Quem sabe se ele não foi criado artificialmente, com o fim de preservar o homem social, obrigá-lo a fugir de si mesmo?”

Tinham sido eliminados do exército, mas ainda vestiam fardas, guardavam hábitos da caserna.” Olha só! Quando é por comunismo, eles expulsam mesmo da corporação!

Moésia Rolim, Walter Pompeu e Lauro Fontoura, expulsos da Escola Militar em 1922 ou 1924, tinham-se metido em leis e eram advogados. Com o movimento de 1930 haviam regressado ao exército. Insatisfeitos, embrulhados em nova conspiração, outra vez eram demitidos.”

Picolés, milicos. Não se ofendiam com esses epítetos. Milico no extremo sul é qualquer soldado. Aplicando-lhes a designação de picolés, talvez quisessem dizer que eles tinham na caserna a resistência do sorvete, iam derreter-se depressa. Alguns, como Agildo, eram considerados mortos para a vida militar; Maria Barata recebia no tesouro o dinheiro das viúvas, e visitava o defunto uma vez por semana.”

De repente veio a degringolada metódica, primeira de uma série que nos iria causar graves inquietações. As mudanças até então se faziam sem alarde, quase sub-reptícias: pareciam atos ilegais, determinados e executados na sombra por malfeitores. Os cubículos enchiam-se, esvaziavam-se moderadamente, e às vezes nem percebíamos a ausência de algum hóspede incolor; em conversas, lembrávamos o sumiço de indeterminadas feições; e com freqüência nos causava espanto o regresso desses fantasmas. A retirada em massa nos surpreendeu, nos mergulhou em presságios escuros.”

Pertencíamos a essa camada fronteiriça, incongruente e vacilante, a inclinar-se para um lado, para outro, sem raízes. Isso determinava opiniões inconsistentes e movediças, fervores súbitos, entusiasmos exagerados, e logo afrouxamentos, dúvidas, bocejos.”

Em comuna aqui ninguém toca.

Alongou o braço, indicou uma linha indecisa, a limitar os dois campos:

Este pedaço é dos comunas, o resto é nosso. Aqui ninguém bole com eles. Agora se algum passar para lá, não garanto nada.

As mais altas autoridades lá de cima não teriam meio de fazer-se respeitar assim. Capoeiragem sábia, um gesto – e a resolução clara.”

Na verdade Moleque Quatro não bazofiara ao condenar friamente o delator: se o tivesse liquidado, não lhe viriam pedir contas, pois a eliminação de uma vida pouco influiria no cadastro policial: uma ficha a menos. E as sindicâncias não teriam resultado: o crânio partido e o cérebro exposto serviam de exemplo, atavam as línguas, a indicar as represálias em caso de traição. Ninguém se arriscaria a depor. Insignificância. Iriam remeter o corpo ao necrotério ou jogá-lo na água?”

A idéia de moscas tontas a desfalecer no inseticida, batendo as asas lânguidas, vinha-me com insistência.”

Conseguiria um sujeito livre, em casa, diante de uma folha de papel, adivinhar como nos comportávamos entre aquelas paredes escuras? Tipos iguais a mim seriam incapazes disso. Não se tratava, porém, da minha incapacidade; outros dispensariam exames e sondagens, criariam mentiras de vulto, superiores ao que me caía na pena, mentiras também, povoadas de minúcias rigorosas, exatas.

Seu Quatro, pelo amor de Deus, tenha pena de meus filhos.”

Sentia-me duramente ofendido – e arreliava-me em despropósitos cegos. Esforçara-me longos anos por vencer esses impulsos; conseguira abafar a voz estridente e coibir o pestanejar excessivo; a obrigação de escrever levara-me a expressar-me com atenção, analisar as frases antes de largá-las. Os efeitos custosos da paciência demorada num instante se perdiam.”

Já me haviam feito andar em três estados e conhecer cinco prisões. Novas mudanças arbitrárias, inexplicáveis, chegariam.”

Em que mês nos achávamos? Esquecia-me às vezes. Mas contando as laranjas era-me possível saber quantos dias mediavam entre duas turmas que vinham da Colônia Correcional.”

Dois bichos de pensamento não se deviam casar, refleti mais de uma vez notando pedaços da conversa longa.”

aqui os modos afáveis e protetores de Adolfo; ali a brutalidade rija do estivador Desidério. Isso me excitava a desconfiança, levava-me a examinar as pessoas com frieza, e qualquer mostra de solidariedade me surpreendia.”

Alarmava-me a esquisitice do rapaz. Como diabo se desperdiçavam momentos preciosos debatendo a questão social com uma pessoa tão bonita? Se ele tivesse bom senso, limitar-se-ia a admirar pedaços da moça: um olho brilhante, uma nesga de bochecha corada, os beiços muito vermelhos.”

FIM DO VOLUME I


GLOSSÁRIO

capiongo = piongo: triste, melancólico

casquete: tipo de gorro

charivari: tumulto

colendo: respeitável

engrolar: pronunciar imperfeitamente; enganar.

esbrugado = esburgado: descascado, desossado

esgrouviado: esguio e alto, parecido com um grou!

galarim: opulência, grandeza

infenso: adverso

niquice: ninharia

prognata: “adjetivo, substantivo masculino e feminino. Que ou aquele que tem as maxilas alongadas e proeminentes. adjetivo. Forma de crânio que apresentam certas raças humanas da África e Austrália.” Deixa fora de dúvida o racismo de Graciliano Ramos ao descrever as pessoas – e enterra esse mito idiota de que ele “não usa adjetivos”. É o que ele mais usa.

prosápia: vaidade

VIENA FIN-DE-SIÈCLE: Política e cultura – Carl E. Schorske (tradução de Denise Bottmann)

INTRODUÇÃO

A arquitetura moderna, a música moderna, a filosofia moderna, a ciência moderna – todas se definem não a partir do passado, e na verdade nem contra o passado, mas em independência do passado. A mentalidade moderna tornou-se cada vez mais indiferente à história porque esta, concebida como uma tradição nutriz contínua, revelou-se inútil para ela.” “a indiferença por qualquer relação com o passado libera a imaginação, permitindo que proliferem novas formas e novas construções.”

Viena no fin-de-siècle, sentindo profundamente os abalos da desintegração social e política, revelou-se um dos terrenos mais férteis para a cultura a-histórica do nosso século.”

I

meu curso de história das idéias seguiu bastante bem – até Nietzsche.” “As diversas categorias elaboradas para definir ou orientar qualquer uma das correntes na cultura pós-nietzschiana – irracionalismo, subjetivismo, abstracionismo, angústia, tecnicismo – não tinham a virtude de se prestar a generalizações, e tampouco permitiam qualquer integração dialética convincente com o processo histórico, tal como era entendido antes.” “a própria multiplicidade de categorias analíticas com que os movimentos modernos se definiam tinha se convertido, para empregar a expressão de Arnold Schoenberg, em ‘uma dança fúnebre dos princípios’.”

Em economia, os teóricos de orientação matemática ampliaram seu domínio em detrimento dos institucionalistas mais antigos, de orientação social, e keynesianos de orientação política. Mesmo num campo como a música, uma nova cerebralidade, inspirada por Schoenberg e Schenker, começou a destruir as preocupações históricas da musicologia. Sobretudo em filosofia, disciplina outrora marcada por uma grande consciência do seu caráter e continuidade históricos, a escola analítica contestou a validade das questões tradicionais que, desde a antiguidade, tinham interessado aos filósofos.”

Os historiadores tinham-se contentado, por demasiado tempo, em usar os artefatos da alta cultura como meros reflexos ilustrativos de desenvolvimentos políticos ou sociais, ou como elementos ideológicos.” “A noção, amplamente aceita, de um processo histórico estruturado na vida cultural – principalmente o fundado sobre o conceito de progresso, como no séc. XIX – permitia ao historiador que ele se apropriasse de materiais culturais condizentes com a idéia que tinha acerca da direção geral seguida pela história.”

Assim como é necessário conhecer os métodos críticos da ciência moderna para interpretá-la historicamente, da mesma forma é preciso conhecer os tipos de análise empregados pelos estudiosos modernos de humanidades para abordar a produção cultural não-científica do séc. XX.”

Ao que o historiador deve renunciar agora, [anos 70] e principalmente ao enfrentar o problema da modernidade, é a postulação prévia de uma categoria geral abstrata – o que Hegel chamou de Zeitgeist, e Mill de ‘a característica da época’.”

II

No decênio que se seguiu a 1947, finalmente faliu o otimismo histórico e social associado ao New Deal e à luta contra os nazistas. É inegável que os EUA tiveram, antes, ondas de pessimismo e dúvida, com porta-vozes tão eloqüentes como Poe, Melville ou Henry Adams. Mas elas não tinham se imprimido muito profundamente na cultura de uma nação cujos intelectuais se integravam intimamente à sua vida pública.” “Em suma, liberais e radicais, quase que inconscientemente, adaptaram suas visões de mundo a um declínio das expectativas políticas. Liberais que passaram a vida indiferentes à religião foram atraídos para um protestantismo neo-ortodoxo; passou-se a invocar Kierkegaard. Entre as referências intelectuais dos estudantes universitários, a sapiência aristocrática e resignada de um Jakob Burckhardt passou a responder mais aos problemas culturais e políticos do que o racionalismo ético, antes empolgante, de John Stuart Mill, ou a sólida visão sinóptica de Karl Marx.”

Gustav Mahler, por muito tempo tido como compositor banal e até tedioso, subitamente virou nome popular obrigatório nos programas sinfônicos.” “Gustav Klimt, Egon Schiele e Oskar Kokoschka, pintores vienenses da vida sensorial e psíquica, saíram da obscuridade para o que só podemos chamar de moda.”

III

O governo efetivamente constitucional durou, num cálculo otimista, 4 décadas (1860-1900). Mal comemorou-se a vitória e vieram os recuos e derrotas. Todo o processo se passou em tempo exíguo, numa densidade desconhecida em todos os outros países europeus.”

IV

Pular o 4º capítulo (Fraud).

I. POLÍTICA E PSIQUE: SCHNITZLER E HOFMANNSTHAL

A valsa, por tanto tempo símbolo da alegre Viena, converteu-se nas mãos do compositor Maurice Ravel, numa desvairada danse macabre.”

Desde o início, os liberais tiveram de partilhar o poder com a aristocracia e burocracia imperiais. Mesmo durante os seus 20 anos de governo a base social dos liberais continuou frágil, restrita aos alemães e judeu-alemães de classe média urbana.” “Mesmo os que recebiam título de nobreza não eram admitidos, como na Alemanha, à vida da côrte imperial.”

A cultura austríaca tradicional, ao contrário da alemã, não era moral, filosófica ou científica, mas basicamente estética.”

A nova haute bourgeoisie de Viena pode ter começado a patrocinar o teatro e a música clássica à imitação dos Lobkowitze e Rasoumowsky, mas no final do século é inegável que seu entusiasmo por essas artes era mais autêntico do que o das outras burguesias européias.” “Se os burgueses vienenses tinham começado por sustentar o templo da arte como um sucedâneo da assimilação à aristocracia, terminaram por encontrar nele uma válvula de escape, um refúgio fora do desagradável mundo da realidade política cada vez mais ameaçadora.” “Em outras partes da Europa, a defesa da arte pela arte implicava no retraimento dos seus devotos frente a uma classe social; só em Viena ela reivindicava a fidelidade de uma classe praticamente inteira, à qual pertenciam os artistas.”

Ao tentar-se assimilar à velha cultura aristocrática da elegância, a burguesia educada se apropriou da sensibilidade estética e sensual, mas sob forma secularizada, distorcida e altamente individualizada. As conseqüências foram o narcisismo e a hipertrofia da vida dos sentimentos.” “A catástrofe do liberalismo metamorfoseou ainda mais a herança estética em cultura de nervos sensíveis, hedonismo inquieto e, muitas vezes, franca ansiedade.”

O pai de Schnitzler, médico de renome, encaminhou Arthur à sólida carreira médica, que o rapaz seguiu por mais de dez anos. Compartilhando do entusiasmo vienense pelas artes de espetáculo, o pai de Schnitzler orgulhosamente contava com grandes artistas vienenses entre seus pacientes e amigos. Mas quando Arthur contraiu uma febre estética tão aguda que sentiu a premência de uma vocação literária, o pai se revelou um moralista de meados do século, opondo-se firmemente às intenções do rapaz.”

Der We ins Freie [O caminho para o aberto]

Como psicólogo e observador do social, Schnitzler desenhou o mundo que via como um mundo necessário, mas não justificado. … Aspirando à tragédia, Schnitzler só alcançou a melancolia.”

Apenas Karl Kraus, o moralista mais corrosivo da cidade, verteu o seu fel ‘naquele colecionador de gemas’ que ‘foge da vida e ama as coisas que a embelezam’ (Hofmannsthal).” “Em O louco e a morte [Der Tor und der Tod, 1893], Hofmannsthal explorou as devastações causadas pelo ceticismo, perda de vitalidade e indiferença ética que resultavam para o adepto da ‘atitude de colecionar gemas’.”

Und uns’re Gegenwart ist trüb und leer,

Kommt uns die weihe nicht von aussen her.”

Schnitzler abordou o problema do lado moral e científico da tradição liberal vienense. Sua percepção sociológica era maior que a de Hofmannsthal, mas seu comprometimento com a cultura agonizante levou-o a um pessimismo crepuscular que privou a sua obra de uma força trágica.”

Hofmannsthal observou, certa vez, que a atividade dos poetas modernos ‘está sob o decreto da necessidade, como se todos estivessem a construir uma pirâmide, residência gigantesca para um rei morto ou um deus não-nascido’.”

II. A RINGSTRASSE, SEUS CRÍTICOS E O NASCIMENTO DO MODERNISMO URBANO

Desde que ascenderam ao poder, os liberais começaram a remodelar a cidade à sua própria imagem e, quando foram expulsos no final do século, em larga medida tinham conseguido: a face de Viena estava transformada. O centro dessa reconstrução urbana foi a Ringstrasse. Vasto complexo de edifícios públicos e residências particulares, ela ocupava uma ampla faixa de terra, que separava a antiga cidade interna e os subúrbios. … equivalente à noção do ‘vitoriano’ para os ingleses, ‘Gründerzeit’ para os alemães ou ‘Segundo Império’ para os franceses.”

Mais especificamente, foi na forja da Ringstrasse que 2 pioneiros do pensamento moderno sobre a cidade e sua arquitetura, Camillo Sitte e Otto Wagner, moldaram as idéias sobre a vida e forma urbana, cuja influência ainda vigora entre nós.”

Os liberais que governaram Viena dedicaram alguns dos seus esforços mais bem-sucedidos à tarefa técnica, sem expressividade dramática, que permitiu à cidade acomodar, em condições razoáveis de saúde e segurança, uma população em rápido crescimento.”

O Danúbio foi canalizado, para se proteger a cidade contra as inundações que tinham-na atormentado durante séculos.”

Em 1873, com a inauguração do 1º hospital da cidade, a municipalidade liberal assumiu, em nome da medicina, as responsabilidades tradicionais que, antes, a Igreja cumprira em nome da caridade.”

Ao contrário de Berlim e das cidades industriais do norte, a Viena em expansão manteve, em termos gerais, seu compromisso barroco com os espaços abertos.”

O termo mais comumente empregado para descrever o grande programa dos anos 1860 não era ‘renovação’ nem ‘redesenvolvimento’, e sim ‘embelezamento da imagem da cidade’ [Verschönerung des Stadtbildes].”

A estátua de Palas de Kundmann, embora fizesse parte do projeto de Hansen, só foi erguida em 1902, quase 20 anos depois da conclusão do edifício, e muito depois que o espírito de racionalidade abandonara o Reichsrat.”

Um rapaz provinciano, Adolf Hitler, que fôra a Viena porque, como disse, ‘queria ser alguma coisa’, caiu sob o feitiço da Ringstrasse da mesma forma que Friedjung: ‘De manhã até tarde da noite passei de um a outro objeto de interesse, mas foram sempre os edifícios que atraíram meu maior interesse. Eu poderia ficar horas na frente do Ópera, poderia contemplar por horas o Parlamento; todo o bulevar Ring me pareceu um encantamento saído d’As mil e uma noites’.”

O alto aristocrata, o grande comerciante, a viúva com renda fixa ou o médico que podia se permitir esse luxo, foram todos levados a comprar um prédio de apartamentos, morando numa unidade e recebendo a renda do aluguel das outras. Na casa da Ringstrasse, o prestígio social e o lucro assim se reforçaram mutuamente.”

Os aristocratas não eram simples senhores ausentes: metade deles morava nas casas de aluguel que tinham construído. Embora as várias espécies de nobreza titulada ainda em 1914 também possuíssem muitas propriedades em toda a Ring (cerca de 1/3 de todas as casas particulares), foi só no bairro Schwarzenberg que tenderam a morar nos edifícios de sua propriedade.”

Não se permitia que as necessidades comerciais dominassem a face dos quarteirões residenciais, nem a função social de representação que os edifícios deveriam preencher.”

Longe de combater o historicismo, Sitte queria estendê-lo – do edifício individual para seu entorno espacial. O arquiteto moderno imita o grego, o romano e o gótico nos seus edifícios, mas onde estão os cenários apropriados: a ágora, o fórum e a praça do mercado?” “As críticas de Sitte rescendiam a nostalgia por um passado desaparecido. Também traziam exigências sócio-psicológicas singularmente modernas, que partilhava com críticos contemporâneos da cultura, e em especial com Richard Wagner, seu herói.”

Sitte afirmava que vinha se formando uma nova neurose: a agorafobia (Platzscheu), o medo de atravessar vastos espaços urbanos. As pessoas se sentiam diminuídas pelo espaço, impotentes frente aos veículos a que ele fôra entregue.”

Para reformadores ingleses da época, como Ruskin e Morris, a questão era reviver a cultura morta do artesão e do ofício. Na Áustria atrasada, a questão não era reviver, mas sobreviver: preservar uma sociedade artesanal ainda viva, mas mortalmente ameaçada. Sitte proveio dessa classe artesã.”

Depois de 1870, na esteira da vitória prussiana sobre a França e da unificação alemã, o nacionalismo de Wagner difundiu-se rapidamente entre jovens intelectuais austríacos, ao passo que a crise de 1873 deu um encanto particularmente atraente a sua glorificação da comunidade artesã medieval alemã, em oposição à sociedade capitalista moderna.”

Em 1876, ano em que Richter regeu a 1ª apresentação completa do Nibelungenring em Bayreuth, nasceu o 1º filho de Sitte: deu à criança o nome de Siegfried.”

Para a Ringstrasse, as propostas de Sitte, embora modestas, vieram tarde demais. (…) O impacto da visão comunitária de Sitte de um espaço urbano reumanizado teve de aguardar uma aversão à megalópole mais generalizada do que a que poderia ser gerada pela sociedade austríaca anterior à guerra.”

Sitte, lutando contra a anomia, utilizava a praça para deter o fluxo dos homens em movimento; Wagner usou-a para dar ao fluxo direção e objetivo. A perspectiva do veículo dominava nas concepções urbanas de Wagner, da mesma forma como a perspectiva do pedestre governava as de Sitte.”

O racionalismo de Wagner não deixava lugar para a natureza romântica. Seus próprios desenhos mostram claramente que sua cidade ilimitada não só engolfaria a terra, mas converteria toda a vegetação em esculturas arquitetônicas verdes.”

Pode haver algo mais degenerado do que pegar a forma natural livre das árvores, que justamente na cidade invocariam a magia da natureza aberta, e arranjá-las em alturas idênticas, a intervalos matematicamente regulados […] e, ainda por cima de tudo, em mera extensão interminável? Fica-se literalmente com dor de cabeça devido a esse tédio opressivo. E esta é a principal forma artística dos nossos planejadores urbanos de princípios geométricos!”

Camillo Sitte

III. POLÍTICA EM NOVO TOM: UM TRIO AUSTRÍACO

A sociedade austríaca não conseguiu respeitar essas coordenadas liberais de ordem e progresso. No último quarto do século XIX, o programa elaborado pelos liberais contra as classes superiores provocou a explosão das inferiores.” “Quando os liberais atenuaram seu germanismo em favor do Estado multinacional, foram rotulados de traidores do nacionalismo por uma petite bourgeoisie alemã antiliberal.” “O catolicismo (…) voltou como a ideologia dos camponeses e artesãos, para os quais o liberalismo significava capitalismo, e o capitalismo significava judeus.” “Portanto, ao invés de unir as massas contra a velha classe dirigente do alto, os liberais involuntariamente convocaram, das profundezas sociais, as forças de uma desintegração geral.” “Os novos movimentos de massa antiliberais – o nacionalismo tcheco, o pangermanismo, o socialismo cristão, a social-democracia e o sionismo – surgiram de baixo para desafiar a tutela da classe média cultivada, paralisar seu sistema político e minar sua confiança na estrutura racional da história.”

eram os social-democratas que apresentavam os traços paternos mais acentuados. Sua retórica era racionalista, seu secularismo militante, sua fé na educação praticamente ilimitada.” “Embora se possa discordar da posição de um socialista, pode-se discutir com ele na mesma linguagem. Para a mentalidade liberal, o social-democrata era irrazoável, mas não irracional.”

Dois virtuoses principais do novo tom – Georg von Schönerer dos pangermânicos e Karl Lueger dos social-cristãos – tornaram-se os inspiradores e modelos políticos de Adolf Hitler. Um terceiro, Theodor Herzl, forneceu antecipadamente às vítimas de Hitler a resposta política atraente e poderosa já formulada contra o reinado gentio do terror.”

Georg von Schönerer (1842-1921) (…) embora nunca tenha conseguido formar um partido forte, converteu o anti-semitismo numa grande força disruptiva na vida política austríaca. Talvez mais do que qualquer outra figura, foi responsável pela nova estridência na política austríaca, pelo ‘tom mais agudo’ no debate áspero e nas brigas de rua que marcaram a última década do séc. XIX.” “O enérgico engenheiro tornou-se um homem rico, colaborador de banqueiros, liberais, judeus, corretores e burocratas imperiais: todos aqueles tipos sociais cuja destruição viria a ser o objetivo da vida política do seu filho Georg – depois da morte do pai.”

Como membro da comunidade teatral austríaca cosmopolita, que contava com muitos judeus, Alexandrine repudiou explicitamente a política anti-semita do seu irmão. Defensora entusiasta do teatro-entretenimento e dotada de espírito empresarial, manteve-se leal à cultura do liberalismo médio vienense.”

Assim como, no seu pangermanismo, Schönerer fôra antecipado pelas agremiações estudantis nacionalistas, da mesma forma, no seu anti-semitismo, ele foi antecipado pelo movimento artesão.”

O camelô judeu era o análogo pobre do dono judeu da loja de departamentos: ambos ameaçavam o lojista tradicional; ambos atraíam a hostilidade, mas também o hábito do pequeno consumidor.”

Se o imperador era supranacional, os judeus eram subnacionais, a substância popular onipresente do Império, com representantes em todos os grupos nacionais e todos os grupos ideológicos. Em qualquer grupo que se encontrassem, os judeus nunca lutaram para desmembrar o Império. Foi por isso que se converteram nas vítimas de todas as forças centrífugas” “Prometeu ao Reichsrat, em 1887, que, se o seu movimento não vencesse agora, ‘os vingadores nascerão do nosso sangue’ e, ‘para o terror dos opressores semitas e seus enforcadores’, aplicariam o princípio ‘Olho por olho, dente por dente’.”

A agressão, que lhe trouxe tantos adeptos, finalmente foi sua ruína. (…) O ataque de Schönerer contra o escritório da redação, porém, foi a 1ª vez em que o novo estilo na política assumiu a forma de um processo por agressão física. (…) O tribunal condenou Schönerer (…) a uma suspensão dos direitos políticos por 5 anos. (…) Com isso, o Cavaleiro de Rosenau perdeu a única herança do seu pai que verdadeiramente prezava. [título aristocrático]” “Aspirando desesperadamente à aristocracia, poderia ter conseguido como um junker prussiano, mas jamais como um cavaleiro austríaco. Isso porque a tradição nobiliárquica austríaca exigia uma elegância, uma plasticidade e, poder-se-ia acrescentar, uma tolerância para com os erros e males deste mundo totalmente estranhas à constituição de Sch.” “Sua carreira de destruição política parece encontrar sua fonte pessoal na ambição frustrada de filho pouco educado e superestimado de um pai novo-rico.” “Era coerente que o Cavaleiro de Rosenau, profundamente classe média, um dom Quixote tardio e violento, encontrasse em artesãos e adolescentes um séquito pseudofeudal com o qual ensaiaria sua farsa brutal. Um dia essa farsa ocuparia o palco como tragédia, tendo Hitler, admirador de Schönerer, no papel principal.”

Karl Lueger (1844-1910) tinha muito em comum com o Cavaleiro de Rosenau.” “Lueger fez o inverso: transformou uma ideologia da velha direita – o catolicismo político austríaco – em uma ideologia de uma nova esquerda, o socialismo cristão.” “No ano de 1897, quando o imperador relutante finalmente ratificou a eleição de Lueger como prefeito [de Viena], a era da ascendência liberal clássica na Áustria chegou formalmente ao seu fim.” “Mais oportunista que Sch. e menos escravo dos seus intensos sentimentos pessoais, Lueger tardou mais a se comprometer com uma postura anti-semita. Lueger, em suas posições públicas nos fluidos anos 1880, refletia a sombria transição da política democrática para o protofascismo.” “O catolicismo ofereceu a Lueger uma ideologia que conseguiria integrar os elementos antiliberais dispersos que vinham se movendo em direções díspares, à medida que sua carreira se desenvolvia: a democracia, a reforma social, o anti-semitismo e a lealdade aos Habsburgo.”

Theodor Herzl (1860-1904) (…) Protótipo do liberal cultivado, formulou uma abordagem criativa da questão judaica, não por mergulhar na tradição judaica, mas por se esforçar inutilmente em deixá-la para trás.” “A fé dos pais diminuía à medida que o status dos filhos aumentava.” “Quando Theodor nasceu, em 1960, sua família estava bem longe do gueto: economicamente estabelecida, religiosamente ‘esclarecida’, politicamente liberal e culturalmente germânica.”

Nos inícios dos anos 1890, a França parecia se dissolver num caos pior, se possível, que o da Áustria. A república sofria de todas as doenças sociais da época: decadência aristocrática, corrupção parlamentar, guerra de classes de caráter socialista, terror anarquista e barbárie anti-semita.”


A poesia trata de uma abstração mais elevada que a política: o mundo. E como aquele que é capaz de apreender o mundo seria incapaz de compreender a política?”

Em 1892, Herzl fez reportagens sobre os anarquistas, cujos assassinatos e bombas vinham espalhando um frêmito de pavor por toda a Europa.”

O que engajou Herzl no socialismo marxista não foram as suas reivindicações econômicas, mas a dinâmica psicológica que o impelia.”


Indiscerníveis como indivíduos, juntos são como um grande animal que começa a distender seus membros, ainda apenas semiconscientes da sua força. […] Este é apenas um bairro em uma cidade da França.”

Finalmente, irromperam à superfície os mais novos inimigo da república: os anti-semitas. Herzl assistiu ao drama, enquanto explodia todo o sistema político, enquanto as ferventes tensões internas da sociedade francesa rompiam os majestosos freios da lei e da moralidade.” “A terra natal do liberalismo estava doente, em seu centro vital do parlamentarismo. Para um intelectual austríaco, isso significava mais do que uma simples experiência política nova; era a destruição da confiança na viabilidade do liberalismo político, pois ele agora sucumbia até no seu próprio local de origem”

Édouard Drumont, em La France juive (1885), responsabilizou a comunidade judaica internacional pelo declínio da França e exigiu a retratação da emancipação e a expropriação do capital judaico.”

Em 1893, ele concluiu que os judeus, ‘pressionados contra a parede, não terão outra alternativa senão o socialismo’.” “Com isso, a ‘questão judaica’, no seu pensamento, deixou de ser um sintoma do mal-estar social europeu – um pára-raios para a descarga de frustrações gentias –, e se transformou numa questão de vida ou morte para as vítimas.” “Ele não tinha nada a fazer na Sociedade para a Defesa contra o Anti-Semitismo, fundada por eminentes intelectuais alemães e austríacos. (…) o argumento raciocinado era inútil: ‘Há muito já se foi o tempo em que era possível realizar alguma coisa por meios polidos e moderados.”

Com o auxílio dos príncipes austríacos da Igreja, Herzl conseguiria chegar ao Santo Papa, dizendo:


Se o senhor nos ajudar contra os anti-semitas, eu liderarei um grande movimento pela conversão livre e decente dos judeus à Cristandade. (…) não envergonhados como os convertidos individuais até agora […] cuja conversão tem-se mostrado covarde ou oportunista.”

Assimilação dos judeus através da Igreja de Roma – que proposta estranha para um liberal secular!” “Ainda isolado dos próprios judeus, repudiando alguns como Geldjuden e outros como Ghettojuden, alguns como racionalistas excessivamente otimistas e outros como crentes excessivamente primitivos, Herzl assim começava a reunir para os judeus os elementos da política em novo tom” “Numa época em que a culpa de Dreyfus era aceita praticamente por todos, Herzl duvidava dela, apesar da falta de provas.” “Isso não acontecera na Rússia, nem mesmo na Áustria, mas na França, ‘a republicana, moderna, civilizada França, cem anos depois da Declaração dos Direitos do Homem’.”

Não sendo nenhum wagneriano fanático, e nem mesmo um freqüentador de óperas além da média vienense, Herzl desta vez ficou eletrizado por Tannhäuser. Chegou em casa exaltado e sentou-se para esboçar, num acesso de entusiasmo próximo a uma possessão, seu sonho da secessão judaica em relação à Europa. Que tenha sido Wagner a acionar a liberação das energias intelectuais de Herzl numa torrente criativa: quão irônico, mas quão psicologicamente apropriado!” “Herzl teria sentido na volta moralmente liberadora de Tannhäuser à gruta um paralelo da sua própria volta ao gueto?” “O movimento sionista seria uma espécie de Gesamtkunstwerk da nova política. Herzl o sentiu ao dizer: ‘O êxodo de Moisés é comparável ao meu…’


Ninguém pensou em procurar a terra prometida onde ela está, e no entanto está tão próxima. Ei-la: dentro de nós mesmos!”

Para o barão Hirsch, filantropo sóbrio e prudente, Herzl apresentou o modelo da unificação germânica como prova do primado do irracional na política.”


O senhor sabe de onde saiu o Império Germânico? De sonhos, canções, fantasias e fitas tricolores em preto, vermelho e dourado.”

Com uma bandeira, pode-se levar os homens para onde se quiser, até para a terra prometida. Uma bandeira é praticamente a única coisa pela qual os homens estão dispostos a morrer em massa, se educados para isso.”

UM PROTOSSIONISTA HETERODOXO: “Embora Herzl acenasse à aspiração religiosa arcaica, não confiava totalmente nela: nem sequer queria situar a terra natal judaica na Palestina” “Da estrela de Davi ou qualquer outro símbolo judaico, Herzl não fez nenhuma menção.”

* * *

Os três fracassaram. Os três organizaram suas comunidades não só à revelia dos liberais entre elas, mas também sem o apoio das autoridades superiores externas a que apelaram.”

O novo Estado teria um ‘federalismo lingüístico’, onde cada um falaria a língua que ainda amasse (…) Só o iídiche, ‘a linguagem estropiada e reprimida do gueto’, ‘a fala roubada dos prisioneiros’, seria deixado de lado.”

O clero, ainda que honrado, ficaria confinado aos seus templos, como o exército aos quartéis, de modo que não causem problemas a um Estado comprometido com o livre pensamento.” Que diferença para os dias atuais, que diferença!


O povo é sentimental; as massas não vêem com clareza. Está começando a surgir em torno de mim uma leve bruma que talvez se converta na nuvem em que andarei. É talvez a coisa mais interessante que registro nesses diários: como cresce minha lenda.”

Política é magia. Quem sabe invocar as forças das profundezas, a este seguirão.”

Hofmannsthal

V. GUSTAV KLIMT: PINTURA E CRISE DO EGO LIBERAL

Klimt saiu da escola como decorador arquitetônico no exato momento em que o grande programa Ringstrasse de construção monumental vinha ingressando em sua fase final. Ele encontrou ocasião de empregar seu talento versátil em pinturas históricas para dois dos últimos grandes edifícios, o Burgtheater e o Museu de História da Arte.” “Gustav Klimt, embora fosse um jovem mestre da velha escola, cedo assumiu a liderança na revolta de die Jungen nas artes visuais.”

Marx observou certa vez que, quando os homens estão prestes a fazer uma revolução, eles se fortalecem agindo como se estivessem restaurando um passado desaparecido. A Secessão definiu-se não como um mero salon des réfusés, mas como uma nova secessio plebis romana, onde os plebeus, repudiando desafiadoramente o mau governo dos patrícios, retiravam-se da república. A formulação da ideologia romana da Secessão foi elaborada por Max Burckhard (1854-1912), nietzschiano, progressista em termos políticos, e um dos grandes reformadores do direito administrativo, que em 1890 renunciou a sua carreira político-jurídica para virar diretor do Burgtheater, cargo que acabara por perder quando passou a co-editar a revista da Secessão, Ver Sacrum.”

Peter Vergo sugeriu que Klimt compreendeu Schopenhauer através de Wagner, especialmente com a súmula concisa de Wagner sobre o pensamento do filósofo em seu ensaio largamente difundido Beethoven, e que tanto a iconografia como a mensagem de ‘Filosofia’ mostravam a influência da Das Rheingold.”

O pintor da frustração psicológica e do mal-estar metafísico tornou-se o pintor da vida bela da classe superior, afastada e isolada do destino comum numa bela casa geométrica.”

VI. A TRANSFORMAÇÃO DO JARDIM

Sempre que os artistas europeus procederam à difícil tentativa de enfrentar uma ordem existente, como ocorreu com tanta freqüência no séc. XIX, o realismo social [hoje a distopia] se apresentou como modalidade literária dominante.”

Os austríacos prontamente captaram a sensibilidade langorosa de um Baudelaire ou de um Paul Bourget, mas não alcançaram a sensualidade dolorosa e autodilaceradora dos decadentes franceses, nem a sua visão da beleza cruel do cenário urbano. Os pré-rafaelitas ingleses inspiraram o movimento art nouveau (com o nome de Secessão) (…) mas nem a sua espiritualidade pseudomedieval nem o seu forte impulso reformista social penetraram nos discípulos austríacos.”

Nem dégagés nem engagés, os estetas austríacos estavam alienados, não da sua classe, mas juntamente com ela, de uma sociedade que frustrou suas expectativas e renegou seus valores. Dessa forma, o jardim da beleza da jovem Áustria era um retiro dos beati possidentes, um jardim estranhamente suspenso entre a realidade e a utopia.”


Arte é arte e vida é vida, mas viver a vida artisticamente: eis a arte da vida.”

Pelo fato mesmo de representar a vida, a arte nos separa dela. É por isso que, ao se destacar dos outros valores e se tornar um valor em si mesma, a arte gerou nos seus devotos aquele sentimento de eterno espectador que, por sua vez, alimenta a introversão.”

Como Marcel Proust, as recordações de Erwin se converteram em sua vida.”

VII. EXPLOSÃO NO JARDIM: KOKOSCHKA E SCHOENBERG

O professor Franz Cizek, que organizou a mostra, era o chefe do departamento pedagógico na Escola de Artes e Ofícios onde Kokoschka estudava, para ser professor de artes. A modéstia da opção do rapaz merece nossa atenção. Se Kokoschka tivesse aspirado à carreira, menos segura e mais prestigiosa, de pintor, teria freqüentado a Academia de Belas-Artes. Ao invés disso, ele optou pela via mais humilde, mais condizente com a classe artesã de que provinha.” “Enquanto as gerações anteriores tinham insistido em levar a criança à estética adulta através do desenho de cópias, Cizek incentivava a livre atividade criativa. (…) Meninos de 5 a 9 anos iam uma vez por semana às aulas de Cizek, ‘para se expressarem’. (…) Aqui, só o não-inibido, o instintivo se torna luminoso como (o) essencialmente humano’” “Mesmo o júri da Kunstschau, presidido por Gustave Klimt, foi indulgente com os caprichos contestadores de Kokoschka.” “Com efeito, Kokoschka inverteu o desenvolvimento que, de modo apenas semiconsciente, os mais velhos tinham experimentado, ao passarem das belas-artes para atividades nas artes e ofícios. Eles tinham retirado à arte secessionistas dos anos 90 a sua função original – dizer a verdade psicológica –, e adaptaram sua linguagem visual a finalidades puramente decorativas. Kokoschka tomou a linguagem ornamental madura dos seus professores, e tornou a desenvolver o seu potencial simbólico”

Kokoschka, Os meninos sonhadores, 1908

Heinrich Kleist já ressuscitara o antigo entrelaçamento de amor e guerra em sua Pentesiléia – um marco no retorno do reprimido na alta cultura européia.”

E uma obra dessas [poema + peça de teatro + ilustrações = obra-de-arte total à la Wagner?!?] foi encenada no encantador jardim de Kunstschau! Um público que mal acabara de aprender a refinar seus receptores sensoriais e psicológicos, para reagir às delicadas nuanças de O aniversário da infanta de Oscar Wilde, tinha agora de exorcizar a selvageria crua da peça de Kokoschka.” “O pintor escreveu que uma tempestade de protestos desabou sobre ele na noite de estréia, mas essa sua lembrança foi contestada por Peter Vergo, com algumas sólidas provas em contrário.” “Por instigação do Ministério da Cultura e Instrução, o diretor da Escola de Artes e Ofícios, Alfred Roller, tirou a bolsa de Kokoschka. Felizmente, a explosão também atraiu a atenção do crítico mais frio e categórico do esteticismo vienense, o arquiteto Adolf Loos.”

Assim como Kraus procurava restaurar a pureza do meio lingüístico do homem, removendo todas as pretensões estéticas da prosa expositiva, também Loos tentou purificar o meio visual – cidade, moradia, vestuário, mobília –, abolindo todos os embelezamentos. A arquitetura, disse ele taxativamente, não era arte: ‘Tudo o que serve a uma finalidade deve ser excluído do âmbito da arte. […] Só teremos uma arquitetura do nosso tempo quando o termo mentiroso <arte aplicada> for banido do vocabulário das nações’.”

Pode parecer coincidência demais que Schoenberg também tenha realizado sua ruptura, passando para a atonalidade, a partir do tema de um despertar sexual adolescente ocorrido num jardim. Mas é assim que foi. Formal e psicologicamente, o ciclo de canções de Schoenberg O livro dos jardins suspensos é um análogo musical muito próximo de Os meninos sonhadores de Kokoschka.”

Schoenberg, Teoria da harmonia, 1911.

um processo que vinha desde Beethoven: a erosão da antiga ordem na música, o sistema harmônico diatônico.” “Desde a Renascença, a música ocidental tinha sido concebida na base de uma ordem tonal hierárquica, a escala diatônica, cujo elemento central era a tríade tônica, a tonalidade definida. A tríade era o elemento de autoridade, estabilidade e, sobretudo, repouso. Mas a música é movimento; se a consonância é tida apenas como um quadro em repouso, todo movimento será dissonante.” “A modulação – a passagem de uma a outra tonalidade – era um momento de ilegitimidade permitida, um estado acentuado de ambigüidade, a ser resolvido por uma nova orientação numa nova modalidade, ou pelo retorno a uma anterior. Assim o pianista Alfred Brendel identificou os usos do cromatismo, uma das principais soluções da tonalidade, aplicados por Liszt em suas Variações sobre Bach, e por Haydn” “Não por acaso foi Rameau, o músico de côrte de Luís XV, o teórico mais claro e inflexível das ‘leis’ da harmonia.”

Tristão e Isolda de Wagner como o primeiro passo para o atonalismo.

(*) “Tão forte era o apelo do Pelléas und Mélisande de Maeterlinck aos músicos da época que 4 grandes compositores lhe dedicaram obras suas: Fauré (1901), Debussy (1902), Schoenberg (1903) e Sibelius (1905).”

Em Verklärte Nacht, ele mostrou que o ‘abismo intransponível entre Brahms e Wagner não era mais um problema’.”


todo grande artista é um impressionista: sua reação acurada ao mais débil impulso revela-lhe o inaudito, o novo”

Os versos de Stefan George prestavam-se particularmente bem à ousada tarefa musical em que agora o compositor se empenhara”


Wer di Wahl hat, hat die Qual”

Por trás da Erwartung encontrava-se uma experiência pessoal arrasadora, que Schoenberg projetou dentro da obra: a mulher que o abandonou por um dos seus melhores amigos, o artista Richard Gerstl, que logo a seguir se suicidou.”

Nesse espírito crítico, Schoenberg trabalhou de 1912 a 1914 no projeto de uma grande sinfonia para celebrar a morte do Deus burguês. A sinfonia nunca foi concluída, pois veio a guerra.”

na Sinfonia da dança de morte, ele escreveu o seu 1º tema dodecafônico. [uma nova ordem, após o caos do atonalismo]” “sua democracia dos 12 tons”

NOTAS

Mahler, originalmente, deu à sua Terceira sinfonia o título, extraído do ensaio de Nietzsche, de Die fröhliche Wissenschaft. Para uma análise profundamente esclarecedora da obra e do papel de Mahler como ‘cosmólogo metamusical’, no contexto do culto nietzschiano austríaco, ver McGrath, Dionysian Art and Populist Politics in Austria.”

A CONDIÇÃO PÓS-MODERNA – Jean François de Lyotard

Musil, O homem sem qualidades

Broch, Sonâmbulos

Esta lógica do melhor desempenho (…) quer, simultaneamente, menos trabalho (para baixar os custos de produção) e mais trabalho (para aliviar a carga social da população inativa). Mas a incredulidade resultante é tal que não se espera destas contradições uma saída salvadora, como pensava Marx.” Não há uma resposta lógica para o dilema do “mais robôs e mais desemprego” ou “sociedade informatizada do desemprego zero”. O trabalho cria a robótica; a robótica cria trabalho não-robótico.

NEM O FIM DO MUNDO TAL COMO O CONHECEMOS NEM UM PALCO ESPETACULAR PARA ATORES: “A condição pós-moderna é, portanto, tão estranha ao desencanto [desistência, niilismo] como à positividade cega da deslegitimação. [lei da selva, frenesi da ação pura]”

INOVAÇÃO, INOVAÇÃO, INOVAÇ…: “E a invenção se faz sempre no dissentimento. (…) O saber pós-moderno não encontra sua razão de ser na homologia dos experts, mas na paralogia dos inventores.”

O Estado começará a aparecer como um fator de opacidade e de ‘ruído’ para uma ideologia da ‘transparência’ comunicacional, que se relaciona estritamente com a comercialização dos saberes.”

A idéia de que a sociedade forma um todo orgânico, sem o que deixa de ser uma sociedade (e a sociologia não tem mais objeto), dominava o espírito dos fundadores da escola francesa; torna-se mais precisa com o funcionalismo; assume uma outra modalidade quando Parsons, nos anos 50, compara a sociedade a um sistema auto-regulável. O modelo teórico e mesmo material não é mais o organismo vivo [Durkheim]; ele é fornecido pela cibernética que lhe multiplica as aplicações durante e ao final da II Guerra.”

mesmo quando suas disfunções, como as greves, as crises, o desemprego ou as revoluções políticas podem fazer acreditar numa alternativa e levantar esperanças, não se trata senão de rearranjos internos e seu resultado só pode ser a melhoria da ‘vida’ do sistema, sendo a entropia a única alternativa a este aperfeiçoamento das performances, i.e., o declínio.”

(*) “A bibliografia da teoria marxista da sociedade contemporânea ocuparia mais de 50 páginas. Pode-se consultar a útil catalogação feita por P. Souyri, Le marxisme après Marx, 1970.”

Uns e outros são julgados ‘bons’ porque estão de acordo com os critérios pertinentes (respectivamente, de justiça, beleza, verdade e eficiência) admitidos no meio formado pelos interlocutores daquele que sabe (sachant). Os primeiros filósofos chamaram de opinião este modo de legitimação dos enunciados.”

a preeminência da forma narrativa na formulação do saber tradicional.”

Antes de se chegar à inversão que alguns chamam de positivismo, o saber científico pesquisou outras soluções.”

Este retorno do narrativo [ideologias, pré-positivismo] ao não-narrativo [positivismo, e ao mesmo tempo empiria pura do homem primata ideal, i.e., antes mesmo das mitologias!] não deve ser considerado como ultrapassado para sempre.”

que fazem os cientistas entrevistados após alguma ‘descoberta’? Eles contam a epopéia de um saber que, entretanto, é totalmente não-épica.” “O Estado pode despender muito para que a ciência possa figurar como uma epopéia: através dela ele ganha credibilidade, cria o assentimento público de que seus próprios decisores têm necessidade.” Não existe colisor de partículas sem Newton e a maçã.

Desde os seus inícios, o jogo de linguagem apresenta o problema de sua própria legitimidade, como em Platão. (…) O jogo do diálogo, com suas exigências específicas, resume a pragmática da ciência, incluindo em si mesmo a dupla função de pesquisa e ensino.”

PRESSUPOSTOS DO “JOGO DE PLATÃO:

  • Homologia (a argumentação visa a um consenso)

  • O referente é uma unidade que não se questiona (ou as palavras seriam jogadas ao vento – já que o objetivo é alcançado via homologia) – em outras palavras: ambos (mesmo que sejam mais de dois, um diálogo é sempre dual) concordam em discordar apenas, no fundo, concordando com os conceitos-base.

  • Os participantes são isonômicos (ambos podem chegar à verdade, não há hierarquia, ambos ensinam e aprendem; até mais do que ‘ambos podem chegar à verdade’, a verdade é uma obra conjunta e somente conjunta).

  • Derivado do 2º e do 3º ponto, principalmente: é uma justa, uma disputa, um jogo. Regras idênticas para 2 jogadores, sem vantagem para qualquer lado, e exclusão dos que não aceitarem a homologia, a unidade do referente e a isonomia. Como em todo jogo, o final está em aberto.

Que a história do debate seja mais mostrada do que relatada, mais encenada do que narrada, e assim refira-se mais ao trágico que ao épico, importa pouco aqui.” Não há dúvida que é um formato preferível aos relatórios da Royal Society.

Discurso do Método como um (chato) Bildungsroman.

Aristóteles sem dúvida foi um dos mais modernos [bem no sentido latouriano] isolando a descrição das regras às quais é preciso submeter os enunciados que se declaram como científicos (o Organon) da pesquisa de sua legitimidade num discurso sobre o Ser (a Metafísica). E mais ainda sugerindo que a linguagem científica, inclusive em sua pretensão de definir o ser do referente, não é feita senão de argumentações e de provas, i.e., de dialética.” // Coaduna com o que li hoje mesmo em Schopenhauer, A Raiz Quádrupla do Princípio de Razão Suficiente.

Este apelo explícito ao relato na problemática do saber é concomitante à emancipação dos burgueses em relação às autoridades tradicionais.”

A TRAGÉDIA DE PLATÃO, O ARISTOCRATA, QUE AO VENCER, PERDEU: “o nome do herói [desta epopéia chamada ciência] é o povo, o sinal da legitimidade seu consenso, a deliberação seu modo de normativação.”

o povo acumula as leis civis, como os cientistas acumulam as leis científicas”

Não deve causar espanto que os representantes da nova legitimação pelo ‘povo’ [Ocidente] sejam também os destruidores ativos dos saberes tradicionais dos povos, percebidos de agora em diante como minorias ou como separatismos potenciais cujo destino não pode ser senão obscurantista.”

herói do conhecimento vs. herói da liberdade

(política universitária do auge do Idealismo Alemão) vs. (política escolar da III República francesa)

(fim em si mesmo) vs. (pelo progresso da nação)

(Fichte, Schleiermacher, von Humboldt) vs. (Kant) [sempre alemães!!]

Reencontra-se o recurso ao relato das liberdades cada vez que o Estado toma diretamente a si o encargo da formação do ‘povo’ sob o nome de nação e sua orientação no caminho do progresso.”

O OUTRO LADO (heroísmo elitista): “É o que se deu quando da fundação da Universidade de Berlim, entre 1807 e 1810.”

metanarração racional. A Enciclopédia de Hegel”

essa organização universitária serviu de modelo para a constituição ou a reforma dos cursos superiores nos sécs. XIX e XX em muitos países, a começar pelos Estados Unidos.”

O famoso discurso de Heidegger de maio de 33: “A ciência especulativa tornou-se o questionamento do ser.” “destino” [oposto de Platão]

Esta inserção do relato da raça e do trabalho no relato do espírito é duplamente infeliz: teoricamente inconsistente, bastaria, contudo, para encontrar no contexto político um eco desastroso.”

Ora, Gödel estabeleceu de maneira efetiva a existência, no sistema aritmético, de uma proposição que não é nem demonstrável nem refutável no sistema; donde se segue que o sistema aritmético não satisfaz à condição da completude.”

Basta que esta mais-valia seja realizada, quer dizer, que o produto da performance seja vendido. E pode-se bloquear o sistema da seguinte maneira: uma parte do produto desta venda é absorvida pelo fundo de pesquisa destinado a melhorar ainda mais a performance. É neste momento preciso que a ciência torna-se uma força de produção, i.e., um momento na circulação do capital.”

No modelo humboldtiano de universidade, cada ciência ocupa seu lugar num sistema dominado pela especulação. A invasão de uma ciência no campo de uma outra não pode provocar senão confusões, ‘ruídos’, no sistema.”

Pode-se encontrar uma repercussão dos trabalhos de Thom nas pesquisas da escola de Palo Alto, notadamente na aplicação da paradoxologia ao estudo da esquizofrenia, que é conhecida com o nome de Double Bind Theory.”

não parece possível, nem mesmo prudente, orientar, como faz Habermas, a elaboração do problema da legitimação no sentido da busca de um consenso universal em meio ao que ele chama o Diskurs, i.e., o diálogo das argumentações.”

EXTREME METAL: Music and Culture on the Edge, Keith Kahn-Harris

For example, the US band Cannibal Corpse had to produce ‘censored’ versions of their cover art in order for their albums to be stocked in various countries. The Christian right has occasionally and erratically attacked extreme metal. For example, one Christian schoolteacher in Germany made a concerted attempt to ban Cannibal Corpse from playing certain venues during their 1995 tour. In 1996, in a speech that received some media coverage, US presidential candidate Bob Dole attacked Cannibal Corpse as part of a general attack on the media. The attack rebounded when Dole admitted he had never heard the band. In 1999, presidential candidate Gary Bauer attacked a number of ‘anti-Catholic’ artists, including ‘the homosexual music group Rotting Christ’. Rotting Christ is a Greek black metal band with no known connections to homosexuality.” HA-HA-HA!

The history of extreme metal music represents a radical and systematic process of removing metal from this kind of cultural dialogue. The blues roots of metal are virtually imperceptible in extreme metal. Additionally, the connection with baroque music has been weakened (although not severed) as the importance of guitar solos has declined. While, as we shall see in Chapter 6, extreme metal has increasingly reinstituted a dialogue with a number of other kinds of music, the principal musical trajectory of the scene in its formative period in the 1980s was to close itself off in a self-conscious attempt to explore the radical potential of metal.”

Modes are eight-note, one-octave scales featuring particular arrangements of tones and semitones. Walser points out that: ‘Most heavy metal is either Aeolian or Dorian, for example, although Speed Metal is usually Phrygian or Locrian; most pop songs are either major (Ionian) or Mixolydian’ (1993: 46).”

The Locrian is the only mode to contain a flattened fifth – the so-called ‘tritone’. Famously, the use of this interval was discouraged by the medieval Catholic Church and referred to as the diabolus in musica.”

One common metal guitar technique is downtuning, in which the pitch of the guitar is lowered by one or two steps. Extreme metal bands have taken downtuning to extremes, with the bottom E string often tuned as low as B or A. This level of downtuning requires the use of a heavier string gauge, together with specialist amplification and production techniques. Different extreme metal sounds are put together in different ways. Some may be based on extremely ‘clear’, compressed but still heavily distorted sounds, such as the famous ‘Florida sound’ of death metal, developed in the late 1980s at Morrissound Studios, Tampa, by the producer Scott Burns with bands such as Deicide and Obituary.”

Black metal guitars are generally not downtuned and are often played at a higher register and produced with considerable treble.”

Extreme metal voices are also overdriven, but vocalists generally do not use sustain or vibrato, neither is there any ‘brightness’ in their vocals.”

Generally speaking, death metal bands use growled vocals and black metal bands use screamed vocals. Vocals may also be semi-spoken, chanted or simply shouted.”

Tempo is one of the most transgressive elements of extreme metal. Songs often range between 150 and 250 beats per minute (BPM). Extreme metal bands also pioneered the ‘blast beat’, drumming at 300–400 BPM and above.”

Conversely, guitarists may play ‘tremolo’ riffs of 500–600 BPM while the drummer plays at slower tempos. The use of tempos of 200 BPM and above can create an odd effect of stasis in the music. This paradoxical stasis, together with the simultaneous combination of fast and slow tempos on drums and guitar, can make the music seem both fast and slow.”

For all its exploration of transgressive sounds, the scene constantly emphasizes musical control. Extreme metal bands almost never improvise on stage and strictly control guitar feedback. They also set strict limits on the use of solos, never letting them dominate the songs themselves.”

This constant flirtation with the formless sonic abject produces dominance of the abject. In doing so, extreme metal is associated with a form of masculinity that is based on a fear of feminine weakness. The ‘musical fundamentalism’ that Deena Weinstein identifies in extreme metal can be seen in its strict discipline, and its obsessiveness. The abject cannot simply be controlled once; dominance has to be proven again and again. This obsessiveness produced extreme metal as its logical conclusion and produces thousands of identical-sounding recordings to this day.”

Nick Terry (1998) has argued that extreme metal and hardcore in the 1990s are characterized by an obsession with the apocalypse and millenarianism. War, particularly nuclear war, has long been an obsession in all forms of metal.”

Estrangement from non-metal friends can make it difficult for some members to find sexual partners. Since the scene is male dominated, heterosexual scene members are forced to look outside the scene for a partner, which can be a difficult process”

While bands do send unsolicited CDs and demos to large metal labels, this is almost never successful.”

More prevalent, in fact, is a ready display of affection for parents and family, even from those who produce highly transgressive music. Acknowledgements on album sleeves frequently contain expressions of musicians’ gratitude to parents, as in the following example from Cult Of The Initiated by the US satanic death metal band Pessimist (1997):

I endlessly and profusely thank ‘Pessi-Mom’ and the ‘Big Guy’ for putting up with practice three times a week, for sleeping through countless parties and noisy late-night load-ins, for feeding and providing a crash pad for countless bands and other assorted derelicts . . . and for always supporting me 100% in everything I do . . . I love you both

Even those parents who disapproved of extreme metal themes offered support in other ways, a testimony to the efforts made by scene members not to antagonize them.” Estranho, pelo menos no Brasil!

Many scene members are married and have children. The support for the family within the scene is conceivably part of the ambivalence towards sexual excess and women that I discussed in the previous chapter. Certainly, including the family in extreme individualist and satanic discourses creates surprisingly few problems. For example, one Swedish black metal musician explained to me that having a family did not contradict his individualism as he aimed to be like an animal and animals have ‘hoards’ that they protect.”

A solipsistic outlook or, at the very least, a capacity to be alone, is an important element of a reflexively managed scenic career. Unlike other scenes, the extreme metal scene is not based on collective experiences involving gatherings of large numbers of people. Of course, in many parts of the world, there are frequent gigs and some members do interact within the scene with small groups of friends. But, as we shall see in the next chapter, the scene is so diffuse that its institutions have developed in such a way that isolated members can easily participate.”

With few exceptions, bands cannot get a recording deal or sell their recordings solely by playing live. Live performance can help a band to develop musically and to solidify a reputation, but it is not the principal route to a scenic career. Similarly, a non-musician within the scene quickly finds that greater involvement within and enjoyment from the scene cannot come without writing letters, contributing to bulletin boards, writing fanzines and hunting them down.”

This discourse of professionalism is not, perhaps, what we might expect from a scene so devoted to the production of transgression. Other scenes frequently emphasize opposition towards the mundane world of work. For example, a frequently reported element of punk discourse is its concern about ‘selling out’ and negative attitudes to those who make a living from music (Fox 1987). Making a living from the scene is problematized much less in the extreme metal scene than in other scenes.”

For Tony, the pleasure of contributing to the scene fades as it becomes simply routine. The pleasure that many scene members feel when they start to write letters and receive demos is threatened when letter writing becomes a daily chore. There is a danger that a scenic career may simply become a job like any other. This is particularly the case for those who earn a living from the scene, who may be unable to simply leave:

KKH: What do you listen to at home? Do you listen to death metal?

R: I don’t listen to anything any more because you used to sit here eight hours or ten hours and –

KKH: You got fed up with it?

R: Yeah. You know before I started with this thing, I played in four bands in the same time, one after the other just, well I stopped playing because it was too much, so I miss that part of it. Actually you shouldn’t work with the thing you love . . . But I don’t know what I would do otherwise so. I don’t want to stand in the car factory. (Goran)”

In music making, very few all-female bands exist. Female musicians tend to be vocalists or, more rarely, keyboard players or bass guitarists and tend to be more numerous in bands playing more melodic forms of extreme metal.”

While loose groupings of gay heavy metal fans occasionally emerge (such as the satirical glam metal act Pink Stëël), there has been absolutely no overt organization of gay and lesbians within the extreme metal scene.”

At gigs they see other women with their partners or female friends, often dressed glamorously, but they see few autonomous women who are not defined by their sexuality. Women who enter the scene with partners are often subtly marginalized in scenic interaction.”

As Walser argues (1993), a key element of metal is the misogynist fantasy of a world without women. Metal masculinity is founded on notions of strength and power, embodied, as Weinstein shows, in the ‘pumped up’ torso that many scene members aspire to.”

Black metal sem black people.

There was a brief period in the early 1990s when a few bands were signed to ‘major’ labels, such as Morbid Angel who were signed to Giant/Warner in the USA, and the British label Earache even had a short-lived licensing deal with the American giant Columbia. However, there was never any major commercial breakthrough and today only a small number of extreme metal bands such as Slayer are signed to major labels.”

For example, the Swedish death metal band Entombed issued three demo tapes (two of which appeared under their former name, Nihilist) before the release of their debut album, Left Hand Path (1990). Today, with the erosion of tape trading and with bands selling their recordings from an early stage, scenic activity involves an earlier and greater engagement with capital. Bands and labels have adopted business practices drawn from the wider music industry. Larger labels generally behave like large independent labels in any other scene. Bands sign a contract for one or a number of albums and are either paid an advance, from which recording costs must be met, or have their recording costs paid for them in return for a lower royalty rate.”

the highly influential US death metal band Morbid Angel were signed in 1989 by the prominent UK label Earache on the basis of the personal recommendations of members of a number of bands already associated with the label.”

The structure of extreme metal bands varies greatly. Some resemble the traditional stereotype of the rock band: a gang of close male friends playing together for years. More commonly, extreme metal bands are characterized by a great fluidity of personnel, with members continually dropping in and out. In contrast to Bennett’s (1980) argument that the identity of rock musician is only possible inside a rock group, the identity of the extreme metal musician does not necessarily have to involve being in a group.”

Scandinavian bands, for example, are notorious for their constantly revolving lineups. Scandinavian musicians are often associated with three or four bands simultaneously. For example, the Swedish guitarist Michael Aamodt used to play in the death metal bands Carcass and Carnage. He now plays in the death metal band Arch Enemy and the psychedelic doom metal band Spiritual Beggars. He has also played as a ‘session’ member of a number of other bands. Within the scene there is a strong culture of relocation. Many of the personnel in the bands that developed the influential death metal scene in Florida in the 1980s had moved from other parts of the country. International collaboration is also common (for example, Michael Aamodt’s previous band, Carcass, was based in the UK).”

Demos are often indistinguishable from ‘proper’ releases in terms of sound quality, and this was frequently true even in the 1980s. Bands generally pay for as much time as possible in the most expensive studio they can afford. Although the scene contains an aesthetic of fast and ‘dirty’ production, particularly within black metal, this aesthetic is fairly marginal. Extreme metal is a difficult music to record and, as a result, certain studios and producers have come to specialize in its production such as Fred Nordstrom’s Studio Fredman in Gothenburg.”

The number of recordings that bands need to sell to make a living varies. However, most musicians I have spoken to generally agreed that bands needed to sell at the very least 60,000–100,000 CDs to make even a subsistence living and few bands are able to achieve this.”

Many tours do not visit Scandinavia or the UK, owing to the extra travel expenses involved. In areas marginal to the scene, the scarcity of live performances may ensure relatively large audiences.”

Big summer outdoor European festivals such as Wacken (Germany), Fury Fest (France) and Graspop (Belgium) bring fans from across Europe in their tens of thousands. Their line-ups also tend to contain heavy metal, nu metal and sometimes punk bands as well, but extreme metal tends to dominate the running order, even if the headliners are from more popular genres.”

Some prominent fanzines that developed in the 1990s, such as Finland’s Isten and Norway’s Nordic Vision became as likely to criticize bands as they are to encourage them. In this way, fanzines have come to resemble the wider music press (Toynbee 1993).”

Magazines differ from fanzines in that they use telephone or face-to-face interviews, have paid staff and are available from a wide selection of outlets.”

For a long time, most extreme metal bands never made videos. This may have been partly an ideological decision (despite their popularity Metallica never made a video until ‘One’ in 1988) but there were few outlets for extreme metal on television until the 1990s. Until its cancellation in 1995, MTV’s ‘Headbanger’s Ball’ did show some extreme metal videos, live shows and interviews (particularly on its ‘Into The Pit’ feature).”

Even if sales of downloaded music have as yet not replaced sales of CDs and other formats, online file sharing systems such as Soulseek contain a vast array of extreme metal recordings, including notable rarities and demos.” Up to this day!

Extreme metal tends to be most popular and productive in provincial areas within powerful countries. In the UK, extreme metal has always been much more important in the Midlands and South Yorkshire than in London. Similarly, in the USA, the most important extreme metal scene has been in Tampa, Florida, rather than Los Angeles. Globally, extreme metal is similarly important in countries that are close but not too close to global centres of power; so Norway and Sweden are superpowers in extreme metal terms.”

Although bands have continued to emerge sporadically from the Bay Area, the scene has lost its productive, genre-defining edge. In truth though, the Bay Area scene was a product of a set of bands and live shows and lacked enduring and globally extensive institutions such as fanzines, distros and record labels.” É engraçado pensar em Metallica e Megadeth como extreme metal.

An important part of the Tampa scene was the bands’ use of Morrissound Studios and the engineers Tom Morris and Scott Burns. Albums produced at this studio by Morris and (particularly) by Burns had a highly distinctive sound – highly ‘produced’, clean and ‘middle range’ with crisp, drum sounds and an almost inaudible bass. The prestige of the Tampa bands gave impetus to another generation of Tampa and Florida bands, such as Malevolent Creation and Cannibal Corpse, which were quickly signed to record labels. Further, Morrissound Studios attracted bands from across the world and in doing so helped to standardize death metal in the late 1980s and early 1990s.”

The great attention given to Tampa in the late 1980s and early 1990s resulted in a greater number of bands from the area being signed to labels and although this may have acted as a stimulus to local musical production, it was not necessarily a sign that the Tampa scene was any more popular or more vibrant than anywhere else. Indeed, gigs appear to have been no more frequent in Tampa than anywhere else in the USA. But more importantly, the Tampa scene was not especially institutionally productive. No long-standing or influential fanzines, labels or distros came out of it and even Morrissound was never primarily a metal studio.”

The history of the Tampa scene illuminates the coexistence of vibrant musical creativity with weak institutional creativity that characterizes most American extreme metal scenes. There has been no shortage of important and popular American extreme metal bands and at times these bands have been concentrated in particular local scenes. But the development of key scenic institutions has been much more erratic. Important American fanzines such as Grimoire of Exalted Deeds and important labels such as Relapse, have largely developed completely unconnected from any kind of local scenic anchor.”

An exception is the New York scene, which has historically benefited from the city’s strong punk and hardcore scenes to develop a productive and long-lasting extreme metal scene, based largely around death metal. The New York scene is also an exception to the rule that global metropolises are relatively unimportant in extreme metal.”

America’s weak welfare system and massive divides between the rich and the poor make it more difficult than in some other countries for members to find the time and resources to devote to the scene. The history of persecution of American youth cultures, including metal, and the relative disenfranchisement of American youth (high drinking ages, youth curfews, etc.) only reinforce this difficulty.”

The American scene remained musically conservative, tied to death metal until the end of the 1990s, only slowly and erratically adopting black metal. Black metal emphasizes austerity, self-control and solipsism whereas American metal culture emphasizes partying and live performance. Black metal emphasizes ethnicity and national identity. American metal culture is so much at the heart of global music culture that it has found it hard to see itself as ‘different’ in any way. Interestingly, two of the American bands that have been most interested in drawing on ideas of ethnicity and difference have drawn on heritages entirely alien to them: Absu, who have drawn on a bizarre mixture of Scottish and Mesopotamian mythology, and Nile, who draw on Egyptian mythology.”

Since the turn of the century, the American scene has produced a new distinctive subgenre sometimes called the new wave of American heavy metal. Bands such as Killswitch Engage and God Forbid have drawn on metalcore (a cross between metal and hardcore) and Swedish death metal to create a music that is becoming increasingly popular worldwide. Yet it is unlikely to become globally dominant in the way that nu metal or 1980s American metal was. Rather, the new wave of American heavy metal perhaps represents the American scene coming to terms with its position as just another scene and concentrating on producing interesting new takes on extreme metal rather than dominating the global scene.”

In the early 1990s a number of bands in Gothenburg emerged playing a highly distinctive form of death metal featuring noticeably melodic rhythm guitar patterns. From the mid 1990s a number of these bands, particularly In Flames, Dark Tranquillity and At The Gates, rose to global prominence.”

Musicians will often play in several bands at once, playing different forms of music in each. One example of this is Peter Tägtgren who plays in the death metal band Hypocrisy and the industrial metal band Pain.”

As Robert Burnett argues, Sweden’s music industry is a ‘substantial earner of foreign exchange for the Swedish economy’ (2001: 16) and ‘this makes Sweden one of the largest net exporters of popular music, after the US and the UK’ (2001: 18). Part of the reason for the strength of the Swedish music industry is the country’s high level of support for musicians. Music education, both in schools and municipal music schools is strongly supported financially by the state. Estimates from the 1980s suggested that 200,000 young were studying music in schools at any one time,1 and Burnett states that 400,000 people sing in choirs.”

Unlike in the UK, for example, metal bands are often found on national television and bands with extreme metal roots such as In Flames have been nominated for Swedish Grammie awards. Indeed, metal can come close to being part of the Swedish establishment – in 2006 the popular power metal band Hammerfall recorded a video with the Swedish women’s Olympic curling team! While the more difficult forms of extreme metal are much less visible, there are many exceptions to this. For example, in 1998 the black metal band Dark Funeral played the large annual Hultsfred music festival.”

Some ‘serious’ UK bands such as Carcass and Gorerotted have had a markedly tongue-in-cheek attitude to some of the more outrageous aspects of extreme metal.”

Black metal’s ‘no fun’ slogan was always out of step with UK metal culture and UK black metal bands such as Cradle of Filth have emphasized irony and an earthy normality in interviews.”

The Jerusalem scene in particular has thrived off the seeming contradiction of its location within a ‘holy’ city, producing amongst other things, the black metal band Arallu’s iconoclastic Satanic War in Jerusalem (2002). In contrast, the Tel Aviv scene benefits from its location in the heart of secular Israel in a city with a vibrant alternative music culture.”

Metal is very popular in a number of South-East Asian countries, particularly Malaysia, Singapore, and Indonesia, with active scenes producing the full range of musics and institutions. (…) Few bands from this region have ever made more than a minimal impression on the global scene (Singapore’s Impiety and Indonesia’s Kekal being rare exceptions).”

Japan has long provided a lucrative market for some bands and has also produced a number of influential bands such as S.O.B., Sigh and Loudness.”

Deranged

Some extreme metal bands have also refined their sound in less esoteric ways, coming close to producing a new form of ‘alternative rock’. For example, the UK’s Anathema were originally a doom metal band, but went on to develop a form of music with strong similarities to Pink Floyd and Radiohead. The Gathering from the Netherlands, also previously a doom/death metal band, now play a form of psychedelic/gothic rock.”

Other bands such as Sunn0))) or Blut Aus Nord play music at the fringes of the avant-garde. The music of such bands still circulates almost exclusively within the extreme metal scene.”

Nu metal has become an ‘other’ against which subcultural capital can be claimed”

One reason for nu metal’s pariah status is its perceived ‘trendiness’, particularly regarding its emphasis on visual image.”

Within the scene sexuality is something to be ignored, or conquered with an excessive masculinity. The fact that nu metal bands often conceal a rampant misogyny and fear of femininity behind their anxiety does not matter – the presence of femininity in any shape or form cannot be tolerated within the extreme metal scene.”

Partly in response to the rise of nu metal, the extreme metal scene has, since the mid 1990s, begun to (re-)incorporate elements of traditional heavy metal.” “This nostalgic tendency was consolidated by subsequent revivals of thrash and power metal. By the late 1990s, power and heavy metal bands such as Iced Earth, Nevermore and Hammerfall had achieved great popularity within the scene and some 1980s bands that had lost popularity in the 1990s, such as Manowar, became popular again.”

In my research into the extreme metal scene I have encountered many apparently baffling instances of unreflexivity in which the practice of reflexivity seemed to be absent or limited. For example, I met an ex-punk scene member who claims to be committed to anti-fascism who also told me that ‘Enoch Powell was right’. There is the strange case of the prominent Norwegian black metal musician who has made many racist comments, but is, in fact, of Moroccan descent.”

Susan Sontag defined camp as the ‘love of the unnatural: of artifice and exaggeration’ (1982: 105), as ‘art that proposes itself seriously, but cannot be taken altogether seriously because it is <too much>’ (1982: 112).”

I always had a tongue in cheek attitude towards it [black metal]. When it first started out I just couldn’t believe these things that these people were saying and that other people actually thought that they really seriously meant what they were saying half the time, like Euronymous saying I wouldn’t care if all my friends died and they just didn’t, they just made me laugh, these sort of things. I didn’t take them seriously. (Tony)”

Metal parody bands such as Insidiöus Törment, Pink Stëël and Nanowar, generally parody the conventions of mainstream heavy metal (such as the ‘heavy metal Umlaut’ in the case of the first two bands – see the Wikipedia entry of the same name).”

Another black metal parody, Impaled Northern Moon Forest, a side project of the grindcore band Anal Cunt, play songs with titles such as ‘Gazing At The Blasphemous Moon While Perched Atop A Very Very Very Very Very Very Very Forsaken Crest Of The Northern Mountain’.”

So highly developed is the practice of reading elements of extreme metal as comic that some scene members initially had difficulty in reading Norwegian black metal as serious. For example, Digby Pearson, manager of the British label Earache, initially could not believe on meeting him that Varg Vikernes was a Nazi as he claimed to be, only realizing that he was sincere when his activities in Norway were later revealed (Mudrian 2004).

Yet why attempt to avoid controversy at all? Why not embrace fascism and racism? If Darkthrone had gone down this route, the band would have become enmeshed in public controversy within and outside the extreme metal scene. Moreover, their ‘attitudes’ would have been foregrounded at the expense of their music and this is anathema to most extreme metal musicians.”

Transgression of anti-sexist and anti-racist discourses would perhaps not be so problematic if it were to take place within a project of ‘total’ transgression (perhaps similar to the ‘aesthetic terrorism’ advocated by Parfrey 1990). Such a project would undoubtedly be nihilistic, in that it would render every discourse worthless and all politics impossible. However, nihilism does at least provide a continuous revelation of the fragile discursive underpinnings of the world. This is a similar project to poststructuralism, which has been accused of being nihilistic but, nonetheless, provides one of the most searching critiques of existence ever produced, providing a powerful antidote to intellectual arrogance and essentialism. Moreover, the work of post-structuralist feminists has shown that reclaiming an anti-essentialist politics is still possible (e.g. Butler & Scott 1992).”

Einstürzende Neubauten

The suspicion that scene members have of the political is widely shared throughout popular music culture. For example, No Direction Home (2005), the acclaimed documentary on Bob Dylan, shows the singer repeatedly denying that there was any political relevance to his work, despite the evident impact that his music had on the politics of the 1960s. It may be that the de-politicization of the extreme metal scene is simply part of a wider problem with music itself.”

Extreme metal has always walked a knife-edge – between destruction and continuity, between obscurity and popularity, between unity and fragmentation, between radicalism and conservatism.”

ÉTICA – Spinoza (ver. e intr. Francisco Larroyo; trad. esp. . 8ª ed. Porrúa, 2007.)

PRELIMINAR. SPINOZA, FIGURA CONTROVERTIDA

Pocas, muy pocas filosofías, en verdad, han suscitado a lo largo de la historia tanto entusiasmo y tanta censura, a la vez.”

La no aceptación de un Dios personal y trascendente trajo consigo los epítetos violentos.” “Identificar Dios y naturaleza (Deus sive natura) le granjeó mayormente el ser calificado de ateo.”

Dentro del movimiento del romanticismo alemán surge el panegírico interminable. Jacobi califica la doctrina de Spinoza como ‘una doctrina del Ser Supremo y de las revelaciones del hombre con ese Ser’. Es famosa la sentencia de Novalis: ‘Spinoza es un hombre ebrio de Dios’. (…) Ernesto Renán cree que ‘Spinoza ha visto lo más profundo que hay en Dios’.”

Para Leibniz, la doctrina de Spinoza es un ‘cartesianismo desbordado’. (…) Hay quienes asimilan las fundamentales ideas de la concepción del mundo de Spinoza a doctrinas neoplatónicas, recibidas a través de filósofos del Renacimiento (Cusa, León Hebreo, Ficino, Bruno…)”

Para Vidal I. Peña García, Spinoza es precursor de un materialismo crítico e iniciador, a su manera, de una dialéctica materialista. (…) Bergson: ‘Se podría decir que todo filósofo tiene 2 filosofías: la suya y la de Spinoza’.”

ESTUDIO INTRODUCTIVO. LA FILOSOFÍA DE SPINOZA

Desde otro ángulo, el abate Pedro Gassendi (1592-1655), enemigo al par de Descartes y de Santo Tomás, trató de rehabilitar la filosofía de Epicuro, bien que tratando de conciliarla con la dogmática del cristianismo.”

los filósofos de la comunidad de vida y de trabajo de la abadía de Port-Royal. De estos últimos, particularmente es importante Antonio Arnauld (1612-1694), quien junto con Pedro Nicole escribió la célebre Lógica de Port-Royal, concebida desde el punto de vista del cartesianismo.”

En Holanda y Bélgica el espíritu cartesiano fue llevado por Arnulfo Geulincx (1625-1669), cuyas obras (Ética, 1665; Metafísica, 1695), fueron objeto de ruda crítica por parte de los pensadores.”

Más importante en la dirección cartesiana es el oratoriano Nicolás Malebranche (1638-1715). ” “El medular problema de la metafísica de Malebranche, es el de las relaciones entre el alma y el cuerpo, o sea el de la comunicación de las sustancias. Para resolverlo, formula 2 teorías: la de las causas ocasionales y la de la visión de Dios.”

En Blas Pascal (1623-1662) toma el cartesianismo su expresión mística. Formó parte de los jansenistas de Port-Royal. Escribió: Cartas a un provincial de uno de sus amigos respecto a las disputas sostenidas en la Sorbona, 1656-1657; Pensamientos sobre la religión, 1660; Sobre el vacío, 1651; Sobre el espíritu de la geometría, 1652.”

Baruch Spinoza nace en 1632 en Amsterdam, de una familia de judíos sefarditas, ello es, oriunda de España y trasladada a Portugal, de donde emigra a Holanda debido a la persecución religiosa. De comerciantes, su familia, económicamente acomodada, disfruta de merecida estima en la comunidad judía, de la cual fue jefe varias veces su padre.”

Menasech ben Israel le inicia en la Cábala, que lo condujo a la lectura de antiguos filósofos judíos. Francisco Van den Enden, expulsado de la Compañía de Jesús, antes de ser ordenado, le enseña latín y filosofía escolástica, acaso también el racionalismo. Por entonces, desde los 20 años de edad, frecuenta círculos mal vistos por la comunidad judía. Sus amigos más próximos eran simpatizadores del racionalismo.”

mientras vivió su padre, sigue frecuentando la sinagoga y cumple por lo menos de manera externa las prácticas rituales del judaísmo.”

En 1656, cifrando en los 24 años, se le excomulga y expulsa de la sinagoga. No asiste a la ceremonia, en donde se dicta la sentencia, cuya parte inicial reza: ‘Según el juicio de los ángeles y de los santos, excomulgamos, maldecimos y separamos a Baruch de Spinoza, con el consentimiento de Dios bendito y con el de toda la comunidad.’”

Excluido del mundo judío, su destino queda trazado: la soledad, de una parte, pero, de otra, la libertad incondicionada, por la cual luchó tanto.” “Desde entonces, se gana la vida dedicado al oficio de pulir vidrios ópticos.”

Termina en 1660 el Tractatus brevis de Deo, homine, eiusque felitate (Tratado breve acerca de Dios, el hombre y la beatitud) que había iniciado en 1658. En 1661, redacta De intellectus emmendatione (De la reforma del entendimiento, inconcluso).” “También entonces comienza a escribir su Ethica more geometrico demonstrata. En esta época tuvo relaciones crecientes con librepensadores (Jan Rieuwert, D. Tydemann, E. Oldenburg…).”

Spinoza toma el partido de la libertad de creencias; lo que trata de justificar filosóficamente en su Tractatus theologico-politicus, impreso en 1670. El libro provoca una reacción violenta. Guillermo de Orange lo prohíbe en 1674.”

Le visitan sabios como el físico Huygens; filósofos, como Leibniz y Pufendorf. La Universidad de Heidelberg le ofrece una cátedra, que rehúsa para no comprometer su libertad.” “En 1676 compone su última obra, el Tractatus politicus.”

La muerte le sorprende el 21 de febrero de 1677.” 45 – ao menos 7 anos mais que Blaise Pascal…

Recientemente; P. Siwek S.I., en su libro Spinoza et le pantheisme religieux, París, 1950, trata de confirmar la hipótesis de suicidio. Los más, en cambio, consideran que la enfermedad incurable que padecía [tuberculose] tuvo su trágico fin. Sus amigos Meyer y Schuller recogieron los manuscritos encontrados, que el mismo año se dieron a la estampa en Amsterdam por Jan Rieuwert, bajo el título B. de S. Opera posthuma y que compendian: La Ética, el Tratado político, el Tratado de la reforma del entendimiento, 74 Cartas y el Compendio de gramática hebrea. (Chartier, 1935)”

El concienzudo historiador de la filosofía Guillermo Fraile cree difícil señalar de manera precisa, fuera de Descartes, las fuentes de la doctrina de Spinoza. En sus escritos, dice, ‘alude vagamente’ a ‘los antiguos hebreos’, ‘los antiguos filósofos’, ‘los metafísicos’, ‘los escolásticos’, pero sin concretar las referencias. Algo puede orientarnos el examen de los 161 volúmenes de su biblioteca, entre los que figuran 8 obras de Descartes, Hobbes, Maquiavelo, Grocio, la Utopía de Tomás Moro, la Institución de Calvino, la Retórica de Aristóteles, el Manual de Epicteto, la Guía de perplejos de Maimónides, los Diálogos de amor de León Hebreo, la Lógica de Clauberg, el Arte de pensar de Port Royal, un Epítome de las obras de San Agustín y clásicos de la literatura latina. No es admisible el juicio de Trendelenburg: ‘Spinoza ha pensado mucho, pero ha leído poco’. Pudo haber leído y, desde luego, leyó muchos más libros de los que figuran en su pequeña biblioteca personal.”

El hombre ha de realizar su naturaleza: quiere ser libre y dichoso; y sólo puede lograrlo amando, uniéndose a Dios. Tal es el punto de partida de Spinoza. § Es significativo el hecho de intitular Ética a su obra fundamental y mejor lograda: una obra, por cierto, que comprende todo su sistema (teología, gnoseología, cosmología, antropología, mística…); que se inicia con la idea de Dios y que culmina en la doctrina del amor intelectual de Dios, ello es, en un tratado de mística.”

Acerca de la evolución interna de la doctrina, puede leerse V.I. Peña García. El materialismo de Spinoza. Madrid, 1974.”

Descartes creó la geometría analítica, e hizo posible el análisis matemático. Spinoza pone en práctica el método sintético, a la manera de Euclides. Esta vía parte de enunciados dados en definiciones, axiomas y postulados fiando en su evidencia, a manera de intuición inmediata. De ahí deriva los conocimientos más complejos, sintéticos, dados en teoremas, demostrados por los precedentes.”

Por causa de sí entiende aquello cuya esencia envuelve su existencia.¹ La sustancia se define como aquello que es en sí y puede ser concebido por sí mismo, es decir, cuyo concepto no depende de ningún otro. Las cosas todas pueden ser sólo propiedades (atributos) o modos (modi) en los que se revela la sustancia. Atributo se llama a aquello que el intelecto comprende en la sustancia como constituyendo la esencia de ésta; modos son las afecciones por las cuales los atributos se expresan de una manera concreta. [fenomenológica, imediata – em Heidegger, o inessencial]”

¹ Foi tomado literalmente do texto do primeiro parágrafo do livro. Mais intelectivo é dizer: tudo o que existe pode ser considerado causa de si, e tem igualmente uma essência.

La sustancia es causa de sí (último fundamento) indivisible y eterna.” “La sustancia, o Dios, posee infinitos atributos.” Elemento tautológico da filosofia de Spinoza.

Atributos: pensamento e extensão (abstração e materialidade), parte racional da substância. (oximoro)

Sólo en los atributos existe la sustancia, sólo en los modos existen los atributos.”

ESQUEMA-RESUMO

Em realidade todos os círculos possuem o mesmo tamanho e os termos são intercambiáveis. O que Spinoza faz é uma simplificação didática.

Como portador, por igual, de los atributos de conciencia y extensión, Dios es una cosa pensante, sí, pero también una cosa espacial. La filosofía anterior enseñó que el espíritu es cualidad y el cuerpo cantidad. (…) En Spinoza desaparece tal oposición. La materia es realidad metafísica. Lo corporal es una constante de la existencia.” Primeira contradição: o modo não precisa ser corporal (ter uma extensão).

Un conjunto, mayor o menor, de individuos, [grosso modo, células, neste contexto] constituye un organismo viviente, cuya unidad resulta de una forma común, invariable, que permanece a través de todas las mutaciones. La materia puede cambiar, aumentar o disminuir, sin que por ello se altere la naturaleza del individuo, y sin mutación de su forma. Los cuerpos se distinguen por su mayor o menor magnitud, y pueden moverse con mayor o menor celeridad, pero todos convienen en que son modos del atributo de extensión.”

No hay sustancias creadas ni sustancias increadas. Aceptarlo es un contrasentido.”

Desde siempre y por toda la eternidad Dios y mundo constituyen una radical unidad.”

No es concebible algo fuera de Dios. No es concebible a Dios fuera del mundo.”

¡Hecho singular! Spinoza mismo no acuñó el término panteísmo. Parece ser que el vocablo panteísta, del cual se le derivó, fue usado por primera vez por J. Toland en su obra Socianism Truly Stated, editada en 1705.”

La religatio, el acto religioso del hombre de entrar en contacto con su creador, toma la forma de un vínculo consigo mismo.”

natura naturata: física mecânica, atributos, modos dos atributos de Deus

natura naturans: Deus, saber divino

natura naturata = natura naturans

No hay finalidad en la naturaleza a manera de objetivo o meta preconcebida, y por un acto libre de la voluntad.” “Tal ser libre no existe.”

La inteligencia divina es sólo el atributo pensamiento desplegado en ideas, no el mismo atributo en sí, y, por tanto, debe ser adscrita a la región de la natura naturata [pensamento lógico]. Pero, en cuanto las ideas de Dios pertenecen a la natura naturata, son modos que no preceden a los modos de los restantes atributos, si no marchan paralelamente a ellos. Así, no existe una inteligencia divina anterior a las cosas; antes bien, Dios engendra las cosas al mismo tiempo que las va entendiendo.”

Ordo idearum idem est ac ordo rerum”, derivação direta de natura naturata = natura naturans.

El hombre no es una sustancia, pues en la sustancia la esencia implica necesariamente la existencia; la esencia del hombre, ser derivado, no la contiene.” Definição absurda: Deus está em tudo, é o homem.

El cuerpo es un modo del atributo divino de extensión, y el alma un modo del atributo de pensamiento.” Segundo Spinoza, somos mutilados, há uma “falta” (idéia do pecado original que se meteu sub-repticiamente em sua ontologia) que nos torna incompletos. Por isso nossos únicos atributos seriam o pensamento e o corpóreo. Os sentidos e a consciência. Sem essência-existência. = organismo composto. Um caso particular da divindade, modo limitado temporalmente (Heidegger levaria essa definição ao acabamento)

pensar = idéia (essência) de corpo

ação, movimento = corpo

corpo = (existência da) alma = consciência = pensar

El vocablo pasión (de passio) es el acto de padecer, ello es, un estado pasivo del sujeto. Afecto (de affectus), en cambio, tiene, a veces, sentido activo, a veces pasivo; justamente el doble carácter considerado en la elucidación moral spinoziana.”

Puede hablarse de una geometría de las pasiones (o de los afectos), que en términos éticos equivale a la doctrina de la servidumbre y libertad humanas.”

Una pasión no se vence por medio de preceptos abstractos, sino con otra pasión más fuerte. La razón, al descubrir el orden natural y necesario de las pasiones hace que, por así decirlo, se supriman las unas y las otras.” Abbagnano, Historia de la Filosofía, III, 1970.

Conservarnos en nuestra esencia: éste es el primero y único fundamento de la virtud.” = Torna-te aquilo que tu és.

Diz-se que o amor racional a Deus é o atingimento da liberdade pelo homem. Mas se nem Deus é livre no sistema spinozista!

El amor intelectual de Dios es el máximo don de la libertad humana. Es el mismo amor con que Dios se ama a sí mismo. Es la beatitud y la libertad del hombre que supera las pasiones particulares y el temor a la muerte, asegurando su integridad.” Nada diferente dos Vedas.

Cabe decir que la doctrina de Spinoza acerca de la religión y de la política se articulan a dos ideas íntimamente vinculadas: la tolerancia religiosa y la libertad de pensamiento; dos ideas, de cierto, que representan un hito en el desarrollo cultural de Occidente.”

Spinoza huye de toda utopía. Acaso aquí influye Maquiavelo en su doctrina, pero asimismo se aparta del pesimismo de Hobbes. El hombre, es cierto, se ve constreñido al pacto social por temor y esperanza, pero también es cierto que la razón, en virtud de esa misma convivencia, llega a apreciar las excelencias del Estado civil: habiéndose librado de la ley de la selva, comprende ahora cuánto le favorece la ley de la colaboración y el amor (homo homini Deus).”

Paradoja: el filósofo de la identidad de Dios y Razón (amor Dei intellectualis), del determinismo inexcepcional y de la necesidad geométrica del universo es el filósofo de la exégesis y crítica de las Sagradas Escrituras, de la libertad de pensamiento y de la tolerancia religiosa.”

ÉTICA, DEMOSTRADA SEGÚN EL ORDEN GEOMÉTRICO Y DIVIDIDA EN 5 PARTES

ANÁLISIS

desejo (esforço espiritualmente nobre) X cupidez (materialismo sórdido)

Ambas as expressões têm etimologia no cupiditas latino.

per bonum ad intelligam, quod certo scimus nobis esse utile, per malum autem id, quod certo scimus impedire, quod minus boni alicujus simus compotes”

Bueno y malo no son valores absolutos, incondicionados.” Já um ganho em relação à filosofia moderna anterior (e em relação a muitos filósofos posteriores).

PRIMERA PARTE. DE DIOS [DEL MUNDO]

Se llamará libre aquella cosa que existe por la sola necesidad de su naturaleza y es determinada a obrar por sí sola;” No Ocidente cristão nada é livre senão o próprio Deus.

Importante para a compreensão do fim do “período metafísico” da filosofia ocidental:

VIII. Entiendo por eternidad la existencia misma en tanto que es concebida como consecuencia necesariamente de la sola definición de una cosa eterna. [aparentemente ininteligível {define a eternidade condicionada à existência de uma coisa eterna, i.e., não esclarece o conceito}, mas felizmente sucedido por uma…]

Explicación

En efecto, una existencia tal [onde haja qualquer coisa que seja eterna] se concibe como una verdad eterna, lo mismo que la esencia de la cosa, [fusão de existência com essência] y por esta razón no puede explicarse por la duración o el tiempo, [eternidade não tem aqui o significado de sem começo nem fim na extensão temporal, somente, mas de uma verdade absoluta imutável durante todos os momentos determinados de uma série no tempo] aun cuando la duración se conciba no teniendo principio ni fin.”

una verdad eterna es una verdad terna.

La esencia de toda cosa que puede concebirse como no existente, [não-aparente] no envuelve la existencia. [aparência]”

A mania dos filósofos de não serem claros deliberadamente:

PROPOSICIÓN VII

Pertenece a la naturaleza de una sustancia existir.

Demostración

Una sustancia no puede ser producida por otra cosa (Corolario de la proposición precedente); tiene que ser, pues, causa de sí misma, es decir (Definición 1), que su esencia envuelve necesariamente la existencia, o dicho de otro modo, que pertenece a su naturaleza existir. C. Q. F. D.”

los que confunden la naturaleza divina con la humana, atribuyen fácilmente a Dios las afecciones del alma humana, sobre todo durante el tiempo en que ignoran aún como se producen

estas afecciones.”

PROPOSICIÓN XI

Dios, es decir, una sustancia constituida por una infinidad de atributos de los que cada uno expresa una esencia eterna e infinita, existe necesariamente.”

si no puede darse razón o causa alguna que impida que Dios exista o destruya su existencia, no se podrá evitar del todo deducir que existe necesariamente. Pero, para que pueda darse tal razón o causa, deberá estar contenida, o bien en la naturaleza misma de Dios, o fuera de esta naturaleza, es decir, en otra sustancia de naturaleza distinta. Porque si fuese de igual naturaleza, con esto mismo estaría demostrado que Dios existe. Pero una sustancia que fuese de distinta naturaleza, no podría tener nada común con Dios (Proposición 2) y por consiguiente no podría favorecer ni impedir su existencia.” Como teria morrido aquilo que inexiste?

Poder no existir significa impotencia, y, por el contrario, poder existir significa poder (como se demuestra por sí mismo). Si lo que existe necesariamente en el instante actual son sólo seres finitos, los seres finitos serán más poderosos que un Ser absolutamente infinito; esto (como se demuestra por sí solo) es absurdo; por consiguiente, o no existe nada, o existe también necesariamente un Ser absolutamente infinito.”

Sin embargo, quizás no verán fácilmente muchos lectores la evidencia de esta demostración, porque están acostumbrados a considerar solamente las cosas que provienen de causas exteriores; y entre estas cosas, las que se forman rápidamente, es decir, las que existen fácilmente, las ven perecer también fácilmente, mientras que las que conciben como más ricas en posesiones, las juzgan más difíciles de hacer, es decir, no creen que existen tan fácilmente.”

los modos (Definición 5) no pueden existir ni ser concebidos sin una sustancia (…) Nada existe fuera de las sustancias y de los modos (Axioma 1).”

ESCOLIO

Hay quien se forja un Dios compuesto, como un hombre, de un cuerpo y de un alma, sometido a pasiones; las demostraciones precedentes bastan para establecer hasta qué punto están alejados los que así piensan del verdadero conocimiento de Dios. Dejo a un lado esta clase de hombres, porque los que han considerado un poco la naturaleza divina están de acuerdo en negar que Dios tenga figura corporal.”

Puesto que no hay vacío en la naturaleza (nos hemos explicado en otra parte anteriormente), sino que todas las partes deben convenir entre sí de modo que no exista, se sigue de aquí que dichas partes no pueden distinguirse realmente, es decir, que la sustancia corporal, en tanto que es sustancia, no puede dividirse.”

el agua, considerada como agua, se engendra y se corrompe; pero, considerada como sustancia, ni se engendra ni se corrompe.”

Es como si dijesen: Dios puede hacer que no se siga de la naturaleza del triángulo que sus tres ángulos igualen a dos rectos; o que de una causa dada no se siga el efecto, lo que es absurdo. Además, demostraré más adelante y sin auxilio de esta Proposición que ni el entendimiento ni la voluntad pertenecen a la naturaleza de Dios.” Se a natureza de Deus é infinita, absolutamente infinita, não há de haver vontade nem entendimento: esta é a conseqüência spinozista última.

Sin embargo, aunque conciben a Dios como un ser soberanamente consciente no creen a pesar de ello que pueda hacer existente todo aquello de que tiene un conocimiento actual, porque creerían destruir de este modo el poder de Dios. Si hubiese creado, dicen, todo lo que está en su entendimiento, no hubiera podido crear más, lo que a su entender repugna a la omnipotencia divina;”

si crease todo aquello de que tiene idea, agotaría, según ellos, todo su poder y se volvería imperfecto.”

un hombre es causa de la existencia, pero no de la esencia de otro hombre, porque esta esencia es una verdad eterna” O orgulho do pai se funda no mito de que isso não é verdade: que o outro homem seja sua obra.

por consiguiente, el entendimiento de Dios en tanto se le concibe como constituyendo la esencia divina, difiere de nuestro entendimiento tanto respecto de la esencia como en lo que se relaciona con la existencia, y no puede convenir en nada con él, a no ser en el nombre” Pois Deus é causa suficiente de tudo o mais, e tudo é obra sua.

PROPOSICIÓN XVIII

Dios es causa inmanente, pero no transitiva, de todas las cosas.

Demostración

Todo lo que es, es en Dios y debe ser concebido por Dios (Proposición 15), y así (Corolario 1 de la Proposición 16) Dios es causa de cosas que son en Él mismo, lo que forma el primer punto. Fuera de Dios no puede ser dada ninguna sustancia (Proposición 14), es decir, ninguna cosa que sea en sí misma[,] lo que era el segundo punto. Dios es, pues, causa inmanente y no transitiva de todas las cosas.”

Mal-demonstrada, porque não explica o que é transitiva. A menos que queira dizer que são dois os pontos que decorrem de Deus ser o absoluto infinito – de toda forma, carece de sentido a proposição. Ou transitiva vem no sentido de transcendente, como parece iluminar o prefácio: Deus é tudo, nada há fora dele; logo, tudo segue no reino da imanência. Ou seja, deus é sinônimo para mundo, que é Uno.

A existência e a essência estão mortos. Como sair daí?

PROPOSICIÓN XXI

Todo lo que es consecuencia de la naturaleza de un atributo de Dios, tomado absolutamente, ha debido existir siempre y es infinito, o dicho de otro modo, es infinito y eterno por la virtud de este atributo.”

PROPOSICIÓN XXIV

La esencia de las cosas producidas por Dios no envuelve la existencia.”

O significado dessa proposição um tanto esdrúxula, e esdrúxula porque o verbo envolver não lhe quadra bem, é que não somos responsáveis por nossa própria existência, i.e., nossa essência emana da única existência causada por si mesma.

Las cosas particulares no son nada más que afecciones de los atributos de Dios, o dicho de otra manera, modos, mediante los cuales se expresan los atributos de Dios de una manera cierta y determinada.” Quando é conveniente, os conjuntos mudam de extensão: modos, atributos, conforme no nosso esquema mais acima.

Pero lo que es finito y tiene una existencia determinada, no ha podido ser producido por la naturaleza de un atributo de Dios, tomado absolutamente; porque todo lo que es consecuencia de la naturaleza de un atributo de Dios tomado absolutamente, es infinito y eterno (Proposición 21).” “afectado de cierta modificación” com esta expressão S. achou sua muleta que explica o salto do infinito ao finito.

por mediación” Aqui, sempre, os filósofos começam a se complicar. Cfr. Crítica da Filosofia do Direito de Hegel!

causa próxima, pero no en su género”

HIC SALTA: “Se deduce: 2º que Dios no puede ser llamado propiamente causa lejana de las cosas singulares, si no es quizás para distinguirlas de aquellas que ha producido inmediatamente, o más bien, que se siguen de su naturaleza tomada absolutamente.” “causa remota”

PROPOSICIÓN XXXI

El entendimiento en acto, ya sea finito o infinito, como también la voluntad, el deseo, el amor, etcétera, deben referirse a la Naturaleza Naturada y no a la Naturante.”

ESCOLIO

La razón porque hablo aquí de un entendimiento en acto no es que yo conceda la existencia de algún entendimiento en potencia; sino que, deseando evitar toda confusión, sólo he querido hablar de la cosa percibida por nosotros con mayor claridad, a saber: la acción misma de conocer, que es lo que percibimos más claramente. Porque no podemos conocer nada que no conduzca a un conocimiento mayor de la acción de conocer.”

no se puede decir que Dios obra por la libertad de su voluntad; así como no se puede decir, porque del movimiento y del reposo se sigan ciertas cosas (y porque estos efectos sean también innumerables), que Dios obra por la libertad del movimiento y del reposo”

PROPOSICIÓN XXXIII

Las cosas no han podido ser producidas por Dios de ninguna otra manera y en ningún otro orden que de la manera y en el orden en que han sido producidas.”

Os perigos (spinozistas e) hegelianos de fazer a apologia suprema do que é.

la existencia de una cosa se sigue necesariamente, o bien de su esencia y de su definición, o bien de una causa eficiente dada.”

una cosa de cuya esencia ignoramos si envuelve contradicción, o de la que no sabemos bien que no envuelve contradicción alguna, sin poder afirmar con certidumbre su existencia, porque ignoramos el orden de las causas, una cosa tal, digo, no puede aparecer ni como necesaria ni como imposible, y, por consecuencia, la llamamos contingente o posible.”

dicen que Dios ha hecho todo para el hombre y que ha hecho al hombre para que le rinda culto. Este es, pues, el solo prejuicio; que consideraré desde luego, buscando: primo, por qué causa se atienen a él la mayor parte de los hombres y se inclinan naturalmente a abrazarle. En segundo lugar demostraré su falsedad, y para terminar haré ver cómo han salido de él los prejuicios relativos al bien y al mal, al mérito y al pecado, a la alabanza y a la censura, al orden y a la confusión, a la belleza y a la fealdad y a otros objetos de igual especie.”

los hombres se figuran ser libres, porque tienen conciencia de sus voliciones y de su apetito, y no piensan, ni aun en sueños, en las causas que les disponen a apetecer y a querer, no teniendo conciencia alguna de ellas.”

Como, además, encuentran en sí mismos y fuera de sí un gran número de medios que contribuyen grandemente a la obtención de lo útil, como, por ejemplo, los ojos para ver, los dientes para mascar, las hierbas y los animales para la alimentación, el sol para alumbrar, el mar para nutrir los pescados, llegan a considerar todas las cosas existentes en la naturaleza como medios para su uso.”

No han podido, efectivamente, después de haber considerado las cosas como medios, creer que se han hecho por sí solas, sino que, sacando sus conclusiones de los medios que acostumbran a procurarse, han tenido que persuadirse de que existían uno o varios directores de la naturaleza, dotados de la libertad humana, que proveían a todas sus necesidades y todo lo habían hecho para su uso.”

y así han admitido que los Dioses dirigen todas las cosas para uso de los hombres a fin de atraérselos y de ser considerados por ellos con el mayor honor”

dicho prejuicio se tornó en superstición y echó profundas raíces en las almas”

tratando de demostrar que la naturaleza no hace nada en vano (es decir, nada que no sea para uso de los hombres), parece que no han demostrado otra cosa sino que la naturaleza y los dioses están atacados de igual delirio que los hombres.”

Entre tantas cosas útiles ofrecidas por la naturaleza, no han podido dejar de encontrar buen número de cosas nocivas, tales como las tempestades, las enfermedades, los temblores de tierra, etc., y han admitido que dichos hallazgos tenían por origen la cólera de Dios excitada por las ofensas de los hombres hacia él o por los pecados cometidos en el culto”

Para demostrar ahora que la naturaleza no tiene fin alguno prescrito a ella y que todas las causas finales sólo son ficciones de los hombres, no serán necesarios largos discursos.”

y cuanto más necesita una cosa de causas intermedias para ser producida, tanto más perfecta es.” Não há qualquer fundamento para essa afirmação.

si Dios obra por un fin, apetece necesariamente alguna cosa de que está privado.”

Si, por ejemplo, se ha caído una piedra de un tejado sobre la cabeza de alguno y le ha matado, demostrarán de la manera siguiente que la piedra ha caído para matar a este hombre.”

¿por qué soplaba el viento en ese instante? ¿Por qué pasaba por allí el hombre en ese mismo momento? Si respondéis entonces: el viento se ha levantado porque el mar, hasta entonces en calma, había comenzado a agitarse el día antes; el hombre había sido invitado por un amigo, insistirán de nuevo, porque no acaban de exponer preguntas: ¿por qué estaba el mar agitado? ¿Por qué el hombre fue invitado para ese momento? Y continuarán así interrogándoos sin interrupción sobre la causa de los acontecimientos, hasta que os refugiéis en la voluntad de Dios, ese asilo de la ignorancia. De igual modo, cuando ven la estructura del cuerpo humano, les sobrecoge una admiración imbécil, y de su ignorancia de las causas de una disposición tan bella deducen que no está formada mecánicamente, sino por un arte divino y sobrenatural, y de tal modo que ninguna parte de él perjudica a otra. Y así sucede que todo el que busca las verdaderas causas de los prodigios y se aplica a conocer como sabio las cosas de la naturaleza, en vez de maravillarse de ellas como un tonto, es tenido frecuentemente por hereje e impío y proclamado tal por aquellos que la vulgaridad adora como intérpretes de los dioses y de la naturaleza. Saben que destruir la ignorancia es destruir el asombro imbécil, es decir, su único medio de razonamiento y la salvaguardia de su autoridad. Pero dejemos ya esta cuestión; paso al tercer punto que he resuelto tratar.”

Los hombres han llamado bien todo lo que contribuye al bienestar y al culto de Dios.”

Cuando están dispuestas de modo que, representándonosla por medio de los sentidos, podamos fácilmente imaginarlas y, por consecuencia, recordarlas con más facilidad, decimos que están bien ordenadas

Dicen aún que Dios ha creado todas las cosas con orden, y de esta suerte, sin saberlo, atribuyen a Dios imaginación; a menos quizás que no quieran que Dios, previendo la imaginación humana, haya dispuesto todas las cosas de modo que puedan imaginarlas de la manera más fácil; y probablemente no se detendrían ante la objeción de que se encuentran una infinidad de cosas que sobrepujan con mucho nuestra imaginación, y un gran número que la confunden a causa de su debilidad.”

Si, por ejemplo, el movimiento que reciben los nervios de los objetos que nos son representados por los ojos, conviene a la salud, los objetos que son causa de él se llaman hermosos, y se llaman feos los que excitan un movimiento contrario.”

Y de aquellos, en fin, que hieren el oído, se dice que producen un rumor, un son o una armonía, y con respecto a esta última cualidad la extravagancia de los hombres ha llegado hasta creer que Dios se complace también con la armonía. No faltan filósofos que están persuadidos de que los movimientos celestes componen una armonía. Todo esto demuestra bastante que cada uno juzga de las cosas según la disposición de su cerebro o más bien les ha dejado sustituirse a las maneras de ser de su imaginación. No hay, pues, que extrañarse (observémoslo de pasada) de que se hayan elevado tantas controversias entre los hombres y de que el escepticismo haya sobrevenido al fin.”

O LIVRO PODIA SE CHAMAR ‘ESTÉTICA’: “uno juzga ordenado lo que otro encuentra confuso; lo que es del agrado de uno, es desagradable para otro, y así todo lo demás.” “Todos repiten: tantas cabezas, tantos pareceres; cada uno abunda en su sentido; no hay menos diferencia entre los cerebros que entre los palacios.”

Muchos acostumbran a argumentar así: si todas las cosas se han seguido de la necesidad de la naturaleza de un Dios perfecto del todo, ¿de dónde vienen tantas imperfecciones en la naturaleza?; es decir, de dónde viene que las cosas se corrompan hasta la fetidez, que sean repugnantes hasta producir náuseas, de dónde provienen la confusión, el mal, el pecado, etc. Acabo de decir que es fácil responder a esto.” O que não é fácil é responder de onde vem e para onde vai o niilismo.

En cuanto a los que preguntan por qué Dios no ha creado a todos los hombres de manera que únicamente la razón les condujese y gobernase, sólo respondo que esto proviene de que no ha carecido de materia para crear toda clase de cosas, a saber: desde el más alto hasta el más ínfimo grado de perfección o, para hablar más propiamente, de que las leyes de la naturaleza han sido bastante amplias para bastar a la producción de todo lo que puede concebir un entendimiento infinito, como he demostrado en la Proposición 16.” Hahaha.

SEGUNDA PARTE. DE LA NATURALEZA Y DEL ORIGEN DEL ALMA

Entiendo por idea un concepto del alma que el alma forma y por el que ella es una cosa pensante.” Agora defina alma!

Digo concepto con preferencia a percepción porque la palabra percepción parece indicar que el alma es pasiva con relación a un objeto, mientras que concepto parece expresar una acción del alma.”

Entiendo por idea adecuada una idea que, en tanto se la considera en sí misma, sin relación al objeto, tiene todas las propiedades o denominaciones intrínsecas de una idea verdadera.” Hm.

Digo intrínseca para excluir la que es extrínseca, a saber, la conformidad de la idea con el objeto cuya idea es.”

La duración es una continuación indefinida de la existencia.

Digo indefinida porque no puede jamás ser determinada por la naturaleza misma de la cosa existente, ni tampoco por la causa eficiente, que asiente necesariamente la existencia de la cosa, pero que no la destruye.”

Por realidad y por perfección entiendo la misma cosa.” Mala!

AXIOMAS

I. La esencia del hombre no envuelve la existencia necesaria, es decir, puede suceder asimismo, según el orden de la naturaleza, que este o aquel hombre exista, o que no exista.

II. El hombre piensa. [ou seja, tem alma]

III. No hay modos de pensar, tales como el amor, el deseo, o cualquier otro que pueda ser designado con el nombre de afección del alma, más que en tanto es dada en el mismo individuo una idea de la cosa amada, deseada, etc. Pero una idea puede ser dada sin que sea dado ningún otro modo de pensar. [não se ama sem predicado – o objeto amado; porém há um equívoco quando se pensa que o conhecimento pode ter um modo puro e sem objeto, a não ser como discriminado na Razão Pura de Kant, i.e., o espaço, o tempo e o princípio da causalidade.]

IV. Comprendemos que un cuerpo determinado es afectado de muchas maneras.

V. No comprendemos ni percibimos más cosas singulares que los cuerpos y los modos de pensar.”

PROPOSICIÓN II

La extensión es un atributo de Dios, [mundo] o, dicho de otro modo, Dios [mundo] es cosa extensa.”

Se compara también muy a menudo el poder de Dios [mundo] con el de los reyes.” “Dios [El mundo] obra por la misma necesidad porque forma idea de sí mismo; es decir; lo mismo que se sigue de la necesidad de la naturaleza divina [mundana] (como admiten todos a una voz) que Dios [el mundo] forma una idea de sí mismo, se sigue también con la misma necesidad que Dios [el mundo] produce una infinidad de acciones en una infinidad de modos.”

nos es, pues, tan imposible concebir a Dios [al mundo] sin obrar como sin existir.”

la vulgaridad concibe a Dios [al mundo] como un hombre o semejante a un hombre”

Lo mismo también un modo de lo extenso y la idea de ese modo, es una sola y misma cosa, pero expresada en 2 maneras; esto parecen haberlo visto algunos hebreos como a través de una niebla. Hablo de aquellos que admiten que Dios, [mundo] el entendimiento de Dios [mundo] y las cosas de que él forma idea, son una sola y misma cosa. Por ejemplo, un círculo existente en la naturaleza y la idea del círculo existente, idea que existe también en Dios, [mundo] es una sola y misma cosa que se explica por medio de atributos diferentes”

el único motivo que me impulsó a usar este lenguaje fue que no se puede percibir el ser formal de la idea del círculo más que por medio de otro modo de pensar, que es como la causa próxima de él, y este otro a su vez sólo puede percibirse por medio de otro también y así hasta lo infinito”

Esta Proposición se demuestra también por la Proposición 5, parte I, a saber: que no existen dos sustancias de igual naturaleza. Puesto que varios hombres pueden existir, lo que constituye la forma del hombre no es el ser de la sustancia.”

Se deduce de aquí que un cuerpo en movimiento se mueve hasta que otro le determina a detenerse; y que un cuerpo en reposo permanece en reposo hasta que otro le determina al movimiento.”

Cuando un cuerpo en movimiento se encuentra otro en reposo que no puede mover, es reflejado de modo que continúa moviéndose, y en el ángulo que forma con la superficie del cuerpo en reposo encontrado, la línea del movimiento de reflexión es igual al ángulo que forma con esta misma superficie la línea del movimiento de incidencia.”

Cuando algunos cuerpos del mismo tamaño o de tamaño distinto sufren por parte de otros cuerpos una presión que les mantiene aplicados unos sobre otros o, si se mueven con el mismo grado o con grados diferentes de rapidez, les hace comunicarse unos a otros su movimiento siguiendo cierta relación, decimos que esos cuerpos están unidos entre sí y que todos juntos componen un mismo cuerpo, es decir, un individuo que se distingue de los demás por medio de esta unión de cuerpos.” Já seria capaz de ensinar sobre a conservação da energia (experimento do pêndulo) e a lei da inércia antes de Newton. Ou, dizendo melhor, independentemente de Newton (posto que não está estabelecido que o tenha lido), uma vez que nasceu dez anos antes, o que não é o suficiente para ser um predecessor de outro numa ciência. Compartilharam o mesmo espírito do tempo iluminista.

Y continuando así hasta lo infinito, concebiremos que la naturaleza entera es un solo individuo cuyas partes, es decir, todos los cuerpos, varían de una infinidad de maneras, sin cambio alguno del individuo total.” Infelizmente(?) o mundo é um sujeito degradável.

Si el cuerpo humano ha sido afectado una vez por cuerpos exteriores, podrá considerar el alma esos cuerpos, aunque no existan y no estén presentes, como si lo estuvieran.”

Además conocemos con claridad qué diferencia existe entre la idea de Pedro, por ejemplo, que constituye la esencia del alma de Pedro, y la idea del mismo Pedro, que existe en otro hombre, llamémosle Pablo. En efecto, la primera expresa directamente la esencia del cuerpo de Pedro, y no envuelve la existencia más que durante el tiempo que Pedro existe; la segunda indica más bien el estado del cuerpo de Pablo que la naturaleza de Pedro, y, por consecuencia, mientras dura ese estado del cuerpo de Pablo, su alma considera Pedro como si estuviese presente, aunque no exista ya. Para emplear ahora términos en uso, llamaremos imágenes de las cosas o las afecciones del cuerpo humano cuyas ideas nos representan las cosas exteriores como si estuvieran presentes ante nosotros, aunque no reproduzcan las figuras de las cosas.”

las imaginaciones del alma consideradas en sí mismas no contienen error alguno; o dicho de otro modo, que el alma no padece error porque imagine; pero sí le padece en tanto se la considera como privada de una idea que excluye la existencia de esas cosas que imagina como si estuvieran presentes.”

por ejemplo, un romano pasará acto continuo de la idea de la palabra pomum, a la de un fruto que no tiene semejanza alguna con este articulado, no habiendo nada común entre estas cosas, a no ser que el cuerpo de ese romano ha sido afectado frecuentemente por las dos, es decir, que el mismo hombre ha sido [¿lido?] a menudo la palabra pomum mientras veía la fruta, y así, cada uno pasará de una idea a otra según haya ordenado la costumbre en sus respectivos cuerpos las imágenes de las cosas.”

Porque, en realidad, la idea del alma, es decir, la idea de la idea, no es otra cosa que la forma de la idea, en tanto ésta es considerada como un modo del pensar sin relación con el objeto”

El alma humana no percibe cuerpo alguno exterior como existente en acto, a no ser por las ideas de las afecciones de su propio cuerpo.” = O indivíduo (para-si) não percebe nenhum outro para-si, a não ser mediante os conceitos produzidos na própria consciência (inferência).

SÓCRATES POR UMA OUTRA VIA: “La falsedad consiste en una privación de conocimiento que envuelve las ideas inadecuadas, es decir, incompletas y confusas.”

Dicen que las acciones humanas dependen de la voluntad, y estas son palabras de que no tienen idea alguna, porque todos ignoran lo que es la voluntad, y cómo puede mover el cuerpo. Los que tienen más pretensiones y forjan una residencia o morada del alma, excitan habitualmente la risa o el hastío. De igual modo, cuando miramos el Sol, imaginamos que está distante de nosotros doscientos pies aproximadamente, y el error no consiste aquí en la acción de imaginar tomada en sí misma, sino en que, mientras imaginamos esto, ignoramos la verdadera distancia del Sol y la causa de esta imaginación que tenemos.”

a fin de no omitir nada que sea preciso saber, añadiré algunas palabras respecto de las causas de que han provenido los términos llamados Trascendentales, como Ser, Cosa, Alguna cosa. Estos términos nacen de que, a causa de ser limitado el cuerpo humano, sólo es capaz de formar distintamente en sí mismo cierto número de imágenes a la vez”

sólo la imaginación puede hacer consideremos las cosas, tanto en lo que se refiere al pasado como relativamente al futuro, como contingentes.” A imaginação, em Spinoza, é uma faculdade burra.

No entiendo aquí por existencia la duración, es decir, la existencia en tanto se concibe abstractamente y como una especie de cantidad. Hablo de la naturaleza misma de la existencia atribuida a las cosas singulares, por la razón de que una infinidad de cosas se siguen de la necesidad eterna de Dios [del mundo] en una infinidad de modos”

La mayor parte de los errores consisten solamente en que no aplicamos correctamente los nombres a las cosas.” No caso de Spinoza, deus//mundo.

conviene advertir aquí que entiendo por voluntad la facultad de negar o de afirmar, no el deseo”

Es ocasión, repito, de investigar si se da en el alma otra afirmación o negación que la que envuelve la idea, en tanto que es idea; y a este objeto se verá la Proposición siguiente [49], y también la Definición 3, parte 11, para evitar se piense en pinturas. Porque no entiendo por ideas de las imágenes aquellas que se forman en el fondo del ojo o, si se quiere, en medio del cerebro, sino las concepciones del pensamiento.”

Por fuertemente que queramos suponer se adhiere un hombre a lo falso no diremos nunca que tiene certidumbre de ello, porque por certidumbre entendemos algo positivo y no la privación de duda.”

Los que hacen consistir las ideas en las imágenes que se forman en nosotros por el encuentro de los cuerpos, se persuaden de que las ideas de las cosas, a semejanza de las cuales no podemos formar imagen alguna, no son ideas, sino solamente ficciones que forjamos por el libre arbitrio de la voluntad; miran, pues, las ideas como las mudas pinturas de un lienzo, y ocupado el espíritu con este prejuicio, no ven que una idea, en tanto que lo es, envuelve una afirmación o una negación.” Como socrático que é, a explicação desse trecho de Spinoza se torna menos espinhosa (sic!): idéia é o máximo da equiparação com a Verdade no sistema spinozista; daí que imagem, por extensão, nesse contexto, seja apenas a formulação de um conceito que ao final pode estar correta ou ser falseada (imagem da idéia), não de acordo com a vontade humana, mas de acordo com a capacidade de seu entendimento (pois pode ser que as aparências conduzam ao erro, maus conceitos). Como conceitos são forjados com palavras, seria recair no niilismo metodológico julgar que todo conceito não passa de invenção arbitrária do espírito humano.

la esencia de las palabras y la de las imágenes es constituida solamente por los movimientos corporales, que no envuelven en modo alguno el concepto del pensamiento.”

En cuanto a la razón porque se piensa que la voluntad se extiende más lejos que el entendimiento, se funda en que según se dice se sabe por experiencia que no se tiene necesidad de una facultad de asentir, es decir, de afirmar y de negar, mayor que la que tenemos, para asentir a una infinidad de cosas que no percibimos, mientras que necesitaríamos de una facultad mayor para conocer.” “la experiencia, pues, parece demostrar claramente que la voluntad, es decir, la facultad de asentir, es libre y distinta de la facultad de conocer.”

TERCERA PARTE. DEL ORIGEN DE LA NATURALEZA DE LAS AFECCIONES

Creen, efectivamente, que el hombre turba el orden de la naturaleza en vez de seguirle, que tiene sobre sus propias acciones un poder absoluto y sólo toma de sí mismo su determinación.” “el que censura con más elocuencia o mayor sublimidad la impotencia del alma humana es considerado como un ser divino.” “nadie ha intentado, que yo sepa, determinar la naturaleza y la fuerza de las afecciones, y lo que puede el alma por su parte para gobernarlas.”

A estos parecerá ciertamente sorprendente que me proponga tratar de los vicios de los hombres y de sus enfermedades a la manera de los geómetras y que quiera demostrar por medio de un razonamiento riguroso lo que no cesan de proclamar contrario a la razón, vano, absurdo y digno de horror.”

Por consiguiente, las afecciones del odio, de la cólera, de la envidia, etc., consideradas en sí mismas, se siguen de la misma necesidad y de la misma virtud de la naturaleza como las demás cosas singulares (…) y consideraré las acciones y los apetitos humanos como si se tratase de líneas, de superficies y de cuerpos sólidos.”

Entiendo por afecciones las afecciones del cuerpo por medio de las cuales se acrecienta o disminuye, es secundada o reducida, la potencia de obrar de dicho cuerpo, y a la vez las ideas de esas afecciones.”

Se deduce de aquí que el alma está sometida a tantas más pasiones cuanto mas ideas inadecuadas tiene, y, por el contrario, es tanto más activa cuanto posee más ideas adecuadas.”

Um sistema “de emoções” bem estúpido e inadequado!

Nadie ha determinado hasta el presente lo que puede el cuerpo, es decir, la experiencia no ha enseñado a nadie hasta ahora lo que, únicamente por las leyes de la naturaleza, considerada sólo como corporal, puede hacer el cuerpo y lo que no puede hacer a menos de ser determinado por el alma.”

De donde se deduce que los hombres, cuando dicen que tal o cual acción del cuerpo proviene del alma, y que ésta tiene imperio sobre el cuerpo, no saben lo que se dicen, y no hacen otra cosa que confesar en un lenguaje especioso su ignorancia de la verdadera causa de una acción que no exista en ellos asombro.”

nada está menos en poder de los hombres que contener su lengua y nada pueden hacer menos que dirigir sus apetitos”

el apetito no es, pues, otra cosa que la esencia misma del hombre y de la naturaleza de dicha esencia” “el deseo es el apetito con consciencia de sí mismo.”

MUITO AQUÉM DO BEM E DO MAL: “Por gozo entenderé, por consecuencia, una pasión por la que el alma pasa a una perfección más grande. Por tristeza, una pasión por la que pasa a una perfección menor.”

De donde se deduce que la existencia presente del alma y su potencia de imaginar son destruidos tan pronto como el alma cesa de afirmar la existencia presente del cuerpo.” O néscio perdeu a identidade.

EXISTENCIALISMO DO AVESSO: “La causa porque el alma afirma la existencia del cuerpo, no es que el cuerpo haya comenzado a existir; por la misma razón, no cesa de afirmar la existencia del cuerpo porque éste cese de ser”

Comprendemos por esto cómo puede suceder que amemos ciertas cosas o las tengamos odio sin que reconozcamos causa alguna para ello, sino solamente por simpatía (según se dice) o por antipatía. Dichos objetos nos afectan de gozo o de tristeza porque tienen algún rasgo semejante con los objetos que nos afectan habitualmente de esos sentimientos”

Sé que los autores que introdujeron los nombres de simpatía y antipatía, quisieron significar con ello ciertas cualidades ocultas de las cosas; sin embargo, creo que es lícito entender también por esas palabras cualidades conocidas o manifiestas.”

Ese estado del alma, que nace de dos afecciones contrarias, se llama fluctuación del alma; es, con respecto a la afección, lo que la duda a la imaginación”

El hombre experimenta ante la imagen de una cosa pasada o futura la misma afección de gozo o tristeza que ante la imagen de una cosa presente.”

ocurrirá fácilmente que el glorioso sea orgulloso e imagine agradar a todos cuando les es insoportable.”

Ese esfuerzo para conseguir que todos aprueben el objeto de nuestro amor o de nuestro odio, es, en realidad, ambición; vemos de este modo que cada uno tiene, por naturaleza, el apetito de ver vivir a los demás según la propia complexión, y como todos tienen apetito igual, se estorban los unos a los otros, y queriendo todos ser alabados o amados por todos, llegan a un odio mutuo.”

Si imaginamos que alguno halla gozo en una cosa que sólo uno puede poseer, nos esforzaremos en conseguir que no tenga más la posesión de ella.”

la misma propiedad de la naturaleza humana de que se sigue sean misericordiosos, hace también que sean envidiosos y ambiciosos.”

Ese odio hacia una cosa amada unido a la envidia se llama celos y así los celos, no son más que una fluctuación del alma nacida de que hay en ella a la vez odio y amor, acompañados de la idea de otro que nos inspira envidia. (…) el que imagina que la mujer amada se entrega a otro estará contristado, no solamente porque es reducido su propio apetito, sino también porque se ve obligado a unir la imagen de la cosa amada a las partes vergonzosas y a las excreciones del otro, y siente aversión por ella” Olha o linguajar!

El que odia a alguno se esforzará en hacerle mal, a menos que tema que por esto nazca para él un mal mayor”

El avaro piensa que la abundancia de dinero es lo que hay mejor en el mundo, y la pobreza lo que hay peor.” Mas se é justamente o contrario!

El amor recíproco, y, por consecuencia, el esfuerzo para hacer bien al que nos ama y se esfuerza en hacernos bien, se llama reconocimiento o gratitud; es manifiesto que los hombres están mucho más dispuestos a la venganza que a devolver los beneficios.” Com que autoridade se o diz?

Si se pudiera concebir que un hombre desease tener odio a alguno a fin de experimentar en seguida por él un amor más grande, anhelaría entonces tenerle odio siempre. Porque cuanto mayor fuese el odio, tanto más grande sería el amor, y, por consecuencia, desearía siempre que el odio se acrecentase cada vez más; y, por la misma causa, se esforzaría un hombre cada vez más en estar enfermo a fin de disfrutar en seguida de un gozo más grande por el restablecimiento de su salud; se esforzaría, pues, en estar enfermo siempre, lo que es absurdo.” Sim, nós doentes crónicos e agudos sabemos o quanto é absurdo.

Si alguno ha sido afectado por otro, perteneciente a una clase o a una nación distinta, de gozo o de tristeza a que acompañe como causa la idea de ese otro bajo el nombre genérico de la clase o de la nación, no solamente amará u odiará a ese otro, sino también a todos aquellos de la misma clase o de la misma nación.” Odeio evangélicos e espíritas!

Así como el fervor nace del asombro causado por una cosa que amamos, la irrisión nace del desprecio de la cosa odiada o temida”

La tristeza que acompaña la idea de nuestra debilidad se llama humildad.”

cada uno se apresura a narrar sus hechos y hazañas y a ostentar las fuerzas tanto de su cuerpo como de su espíritu, y por este motivo los hombres son mutuamente insoportables.”

la consideración de nosotros mismos nos producirá la más alta satisfacción, si advertimos en nosotros algo que no exista en los demás. Pero si lo que afirmamos de nosotros se relaciona con la idea general del hombre o del ser viviente, no experimentaremos tanta satisfacción”

Se ve, pues, que los hombres se inclinan por naturaleza al odio y a la envidia, y a esta inclinación natural se añade también la educación.”

El caballo y el hombre son impulsados sin duda a procrear por la lujuria; pero el primero lo es por una lujuria de caballo, el segundo por una lujuria de hombre.”

no es pequeña la diferencia que existe entre la satisfacción cuyo atractivo sufre, por ejemplo, un borracho, y la que logra un filósofo” Distinção que foi se estreitando ao longo dos séculos modernos…

tenga o no tenga el hombre conciencia de su apetito, ese apetito permanece siempre el mismo; y así, para no incurrir en una tautología, no he querido explicar el deseo por medio del apetito, pero he tratado de definirle de modo que quedasen comprendidos en él todos los esfuerzos de la naturaleza humana que designamos con los nombres de apetito, voluntad, deseo e impulso.”

Esta Definición explica con bastante claridad la esencia del amor, la de los autores que han definido el amor como la voluntad que tiene el amante de unirse a la cosa amada, no expresa la esencia del amor, sino su propiedad; y no habiendo esos autores comprendido bien la esencia del amor, no han podido tampoco tener concepto alguno claro de su propiedad; así ha sucedido que su definición ha parecido a todos extremadamente oscura. Es preciso observar, sin embargo, que al decir que esta propiedad consiste en la voluntad que tiene el amante de unirse a la cosa amada, no entiendo por voluntad un consentimiento, o una deliberación, es decir, un libre decreto (hemos demostrado en la Proposición 48, parte II, que esto es una cosa ficticia), tampoco un deseo de unirse a la cosa amada cuando está ausente o de perseverar en su presencia cuando está ante nosotros; el amor se puede concebir sin ambos deseos. Por voluntad entiendo el contento que produce en el amante la presencia de la cosa amada, contento que fortifica, o al menos alimenta el gozo del amante.”

La inclinación es un gozo que acompaña la idea de una cosa que es causa de gozo por accidente.”

vemos, pues, que la afección del fervor puede degenerar fácilmente en amor simple.” Ídolos que se casam com fãs.

mientras está pendiente de la esperanza, teme que el acontecimiento no se realice.”

La indignación es un odio hacia alguno que hace mal a otro.

Explicación

Sé que esas palabras tienen en el uso ordinario otro sentido. Pero mi intento es explicar la naturaleza de las cosas y no el sentido de las palabras, y designar las cosas por medio de vocablos cuyo sentido usual no se aleje por completo de aquel en que las empleo.”

La humanidad es una tristeza nacida de que el hombre considera su impotencia o su debilidad.” Erro de grafia: humildad.

la costumbre y la religión no son las mismas en todos los lugares, sino que, por el contrario, lo que es sagrado para unos es profano para otros, lo que es honrado en una parte, es vil en otra, etc. Conforme, pues, ha sido educado cada uno, se arrepiente o se enorgullece de una acción ejecutada por él.”

llamamos orgulloso al que se envanece demasiado, sólo habla de sus virtudes y de los vicios de los demás, quiere ser preferido a todos y se presenta con la misma gravedad e igual aparato que usan habitualmente las personas colocadas muy por encima de él. Por el contrario, llamamos humilde al que enrojece con facilidad, confiesa sus vicios y habla de las virtudes ajenas, se anonada ante todos y va, en fin, con la cabeza baja, desdeñando la compostura. Las afecciones de la humildad y del menosprecio propio son, por otra parte, muy raras. Porque la humana naturaleza considerada en sí misma, les opone la mayor resistencia que puede, y así aun aquellos que juzgamos más llenos de falta de estimación propia y de humildad, son generalmente los que sienten mayor ambición y envidia.”

DEFINICIÓN GENERAL DE LAS AFECCIONES

Una afección, llamada pasión del alma, es una idea confusa por medio de la cual afirma el alma una fuerza de existir de su cuerpo, o de una parte de él, mayor o menor que anteriormente, y por cuya presencia es determinada el alma a pensar en tal cosa más bien que en tal otra.”

CUARTA PARTE. DE LA SERVIDUMBRE O DE LA FUERZA DE LAS AFECCIONES

El dicho vulgar de que la naturaleza peca a veces y produce obras imperfectas, le coloco en el número de los prejuicios que he examinado en el apéndice de la primera parte. Por consiguiente, la perfección y la imperfección no son, en realidad, más que modos de pensar, quiero decir nociones que acostumbramos a forjar porque comparamos entre sí los individuos de igual especie o del mismo género, y por este motivo dije anteriormente (Definición 6, parte II) que entendía una misma cosa por perfección y realidad.”

Por ejemplo la música es buena para el melancólico, mala para el afligido; para el sordo, no es ni buena ni mala.”

Entenderé, pues, por bueno, en adelante, lo que sabemos con certidumbre es un medio de acercarnos cada vez más al modelo de la naturaleza humana que nos proponemos. Por el contrario, entenderé por malo lo que sabemos con certidumbre nos impide reproducir modelo.”

la duración de las cosas no puede ser determinada por su esencia, puesto que la esencia de las cosas no envuelve tiempo alguno cierto y determinado de existencia.”

Entiendo por virtud y potencia una misma cosa; es decir (Proposición 7, parte III), la virtud, en tanto se relaciona con el hombre, es la esencia misma o la naturaleza del hombre en tanto tiene el poder de hacer ciertas cosas que se pueden conocer sólo por las leyes de su naturaleza.”

“…lo que hizo decir al poeta: Veo lo mejor y lo apruebo, pero hago lo peor. El eclesiástico parece haber tenido el mismo pensamiento al exclamar: El que acrecienta su ciencia acrecienta su dolor.

Nada, pues, más útil al hombre que el hombre; no pueden desear los hombres nada más valioso para la conservación de su ser que hallarse todos de acuerdo en todas las cosas, de modo que las almas y los cuerpos de todos compongan en alguna manera una sola alma y un solo cuerpo, esforzarse todos juntos en conservar su ser y buscar todos reunidos la utilidad común a todos; de donde se deduce que los hombres que son gobernados por la razón, es decir, aquellos que buscan lo que les es útil bajo la dirección de la razón, no apetecen nada para ellos mismos que no deseen también para los demás hombres, y son así justos, de buena fe y honrados.”

unos se matan obligados por otro que les desvía la mano, armada casualmente de una espada, y les fuerza a dirigir esta arma contra su propio corazón; otros, como Séneca, obligado por la orden de un tirano a abrirse las venas, es decir, tratando de evitar un mal mayor por medio de otro menor; otros, en fin, obedeciendo a causas exteriores ignoradas que disponen la imaginación y afectan el cuerpo de tal modo que a su naturaleza sustituye una naturaleza nueva y contraria cuya idea no puede existir en el alma.”

COROLARIO

El esfuerzo para conservarse es el primero y único origen de la virtud.”

quien dice que el blanco y el negro concuerdan solamente en que ni el uno ni el otro es rojo, afirma en absoluto que ambos colores no concuerdan en nada. (…) porque las cosas que concuerdan solamente en una negación, es decir, en lo que no tienen, no concuerdan en nada en realidad.”

Se puede ver por esto que la ley que prohíbe inmolar los animales se funda más bien en una vana superstición y en una misericordia femenil que en la sana razón.” “No niego, sin embargo, que los animales sientan; pero niego que esta razón impida considerar nuestro interés, usar de ellos y tratarlos conforme mejor nos convenga, puesto que no concuerdan en naturaleza con nosotros y puesto que sus afecciones difieren en naturaleza de las afecciones humanas.” Ou seja: demonstra uma crueldade sem par.

Ninguna razón me obliga a admitir que un cuerpo no muere hasta que se cambia en cadáver; la experiencia misma parece persuadir de lo contrario. En efecto, a veces sufre el hombre tales cambios que sería difícil decir de él que es el mismo; he oído hablar particularmente de cierto poeta español que, atacado de una enfermedad, aunque curó de ella, permaneció en un olvido tal de su vida pasada que no creía suyas las comedias y tragedias que había compuesto, habiéndosele podido tener por un niño adulto si hubiese olvidado también su lengua materna. Y si esto parece increíble, ¿qué decir de los niños? Un hombre de edad avanzada cree su naturaleza tan distinta de la suya que no podría persuadirse de que ha sido niño alguna vez si no hubiese, por lo que observa en los demás, una conjetura sobre sí mismo. Pero, para no dar a los supersticiosos materia de nuevas cuestiones, prefiero no hablar más sobre este punto.”

Divinidad alguna, nadie más que un envidioso, puede gozar con nuestras lágrimas, nuestros sollozos, nuestro temor y otras señales de interior impotencia; por el contrario, cuanto mayor es el gozo que nos afecta, más grande es la perfección que conseguimos y más necesario que participemos de la naturaleza divina. Es, pues, propio de un hombre sabio usar de las cosas y disfrutar de ellas en lo posible (sin llegar hasta el hastío, que no es ya gozar placer).”

El arrepentimiento no es una virtud es decir, no tiene su origen en la razón; el que se arrepiente de lo que ha hecho, es dos veces miserable o impotente.”

La muchedumbre es terrible cuando carece de temor; no debe, pues, extrañarnos que los profetas, atendiendo a la utilidad común, no a la de algunos, hayan recomendado tanto la humildad, el arrepentimiento y el respeto.” A curto prazo.

El más alto grado de orgullo o de menosprecio propio es la más completa ignorancia de sí mismo.”

Sin embargo, la falta de estimación propia se puede corregir con más facilidad que el orgullo; en efecto, este último es una afección de gozo, la primera, una afección de tristeza; por tanto es menos fuerte que el orgullo.”

Lo que se llama vanagloria es un contento de sí mismo alimentado solamente por la opinión de la muchedumbre; cuando esta opinión ya no existe, el contento de sí mismo desaparece, es decir el bien supremo amado por todos; de donde proviene que el que sólo adquiere su gloria de la opinión de la muchedumbre, atormentado de un temor cotidiano, se esfuerza, se agita y se causa perjuicio para conservar su renombre.”

QUINTA PARTE. DE LA POTENCIA DEL ENTENDIMIENTO O DE LA LIBERTAD DEL HOMBRE

Los estoicos creyeron que las afecciones dependían absolutamente de nuestra voluntad y que podíamos mandar sobre ellas absolutamente. Las protestas de la experiencia, no ciertamente sus propios principios, les obligaron, sin embargo, a reconocer la necesidad de un asiduo ejercicio y de un largo estudio para reducir y gobernar las afecciones. Uno de ellos se esforzó en demostrarlo (si no recuerdo mal) por medio del ejemplo de dos perros, uno doméstico y otro de caza; el ejercicio, decía él, puede conseguir que el perro doméstico se acostumbre a cazar, y que, por el contrario, el de caza se abstenga de perseguir las liebres. Esta opinión hubiera sido muy bien acogida por Descartes, puesto que el alma o el pensamiento está unida principalmente a cierta parte del cerebro, a saber: la pequeña glándula llamada pineal; mediante ella tiene el alma la sensación de todos los movimientos excitados en el cuerpo y de los objetos exteriores, y puede moverla en diversos sentidos cuando así lo desee. Esta pequeña glándula está suspendida según él en medio del cerebro de tal modo que puede ser movida por el menor movimiento de los espíritus animales. Además, esta glándula, suspendida en medio del cerebro, ocupa tantas posiciones distintas como maneras tiene de recibir el choque de los espíritus animales, y además se imprimen en ella tantas señales diferentes como objetos exteriores diversos impulsan hacia ella los espíritus animales; de esta suerte, si más tarde se encuentra la glándula, por la voluntad del alma que la mueve diversamente, ocupando tal o cual posición que ocupó anteriormente bajo la acción de los espíritus animales, agitados de modo distinto, les impulsará y les dirigirá de la misma manera que fueron rechazados cuando la glándula ocupaba esta misma posición. (…) Pero, puesto que podemos unir a una voluntad cualquiera un movimiento cualquiera de la glándula y, por consecuencia, de los espíritus, y como la determinación de la voluntad depende sólo de nuestro poder, si determinamos nuestra voluntad por medio de juicios firmes y seguros con arreglo a los cuales queramos dirigir las acciones de nuestra vida, y unimos a esos juicios los movimientos de las pasiones que deseamos tener, adquiriremos un imperio absoluto sobre nuestras pasiones. Tal es la manera de ver de ese hombre célebre (según he podido conjeturar por sus palabras) y me hubiera causado pena pensar que provenía de un hombre semejante, si fuese menos sutil. En verdad, no puedo asombrarme lo bastante de que un filósofo, después de estar firmemente resuelto a no deducir nada más que de principios conocidos por sí solos, y a no afirmar nada que no percibiera clara y distintamente, después de haber reprochado tan a menudo a los escolásticos querer explicar las cosas oscuras por medio de las cualidades ocultas, admita una hipótesis más oculta aún que toda cualidad oculta.”

¿Qué concepto claro y distinto tiene de un pensamiento estrechamente ligado a cierta pequeña parte de la extensión?” “Pero dicho filósofo había concebido el alma distinta del cuerpo, de tal modo, que no pudo asignar causa alguna singular ni de esta unión ni del alma misma” “Quisiera saber, además, cuántos grados de movimiento puede imprimir el alma a esa glándula pineal y con qué fuerza tenerla suspendida.”

no habiendo medida alguna común entre el movimiento y la voluntad, no hay comparación ninguna entre la potencia —o la fuerza— del alma y la del cuerpo”

Añádase que se busca en vano una glándula situada en medio del cerebro de tal modo que pueda ser movida aquí y allí con tanta facilidad y de tantas maneras, y que todos los nervios no se prolongan hasta las cavidades del cerebro. Dejo a un lado, en fin, todo lo que afirmó Descartes sobre la voluntad y su libertad, una vez que he demostrado superabundantemente la falsedad, de ello.”

la potencia del alma se define solamente por el conocimiento que existe en la misma”

Vemos en efecto que la tristeza causada por la pérdida de un bien se suaviza tan pronto como considera el que ha experimentado la pérdida que ese bien no podía ser conservado por medio alguno. De igual modo, vemos que nadie compadece a un niño porque no sabe andar, hablar, razonar y vive tantos años casi sin conciencia de sí mismo. Si, por el contrario, la mayor parte de los hombres naciesen adultos y fuese raro el que naciese niño, todos le compadecerían porque entonces se consideraría la infancia no como una cosa necesaria y natural, sino como un vicio o pecado de la naturaleza, y podríamos hacer muchas observaciones de esta especie.”

Dios [El mundo] no tiene pasiones y no experimenta afección alguna de gozo o de tristeza.”

PROPOSICIÓN XVIII

Nadie puede odiar a Dios [al mundo].”

en la medida en que conocemos que Dios [el mundo] es causa de la tristeza, estamos gozosos.”

PROPOSICIÓN XIX

El que ama a Dios, [al mundo] no puede esforzarse en que Dios [el mundo] le ame a su vez.”

PRECEDENTE DO MODO DE PENSAR ‘PSICANALÍTICO’ DE ÊNFASE EXAGERADA NA INTERPRETAÇÃO DO AFETO: “Vemos, pues, que la potencia del alma sobre las afecciones consiste: 1º en el conocimiento mismo de las afecciones” Forja do dogma de que <conhecer é libertar>, <auto-conhecer-se é libertar-se> (dogma falso).

La potencia del alma se define sólo por el conocimiento, y su impotencia o su pasión sólo por la privación de conocimiento, es decir, se estima, por lo que hace que las ideas sean llamadas inadecuadas.”

Es imposible sin embargo tengamos el recuerdo de haber existido el cuerpo anteriormente, puesto que no puede haber en el cuerpo vestigio alguno de esta existencia, puesto que la eternidad no puede definirse por el tiempo ni tener relación ninguna con él. Comprendemos, sin embargo, y sabemos por experiencia, que somos eternos, porque el alma no comprende menos las cosas que concibe por un acto del entendimiento que las tiene en la memoria.” “Por consiguiente, no se puede decir que el alma dura, ni puede definirse su existencia por un tiempo determinado más que en tanto envuelve la existencia actual del cuerpo; y solamente en esta medida tiene la potencia de determinar temporalmente la existencia de las cosas y de concebirlas en la duración.”

Del tercer género de conocimiento nace necesariamente un amor intelectual de Dios [del mundo], porque de ese género de conocimiento nace un gozo a que acompaña como causa la idea de Dios [del mundo]”

Aun cuando no supiéramos que nuestra alma es eterna no dejaría de ser para nosotros lo primero entre todas las cosas la moralidad y la religión”

creen que la moralidad y la religión, y absolutamente hablando, todo lo que se relaciona con la fuerza del alma, son cargas de que esperan verse libres después de la muerte para recibir el premio de la servidumbre, es decir, de la moralidad y de la religión, y no es solamente esta esperanza, sino también y principalmente el temor de ser castigados con terribles suplicios después de la muerte, lo que les induce a vivir conforme a las prescripciones de la ley divina, hasta donde permiten su pequeñez y su impotencia interior; y si los hombres no tuvieran esa esperanza y este temor, si creyesen, por el contrario, que las almas perecen con el cuerpo y que los desgraciados, extenuados por la carga de la moralidad, no tienen ante sí vida alguna venidera, recaerían en su complexión y querrían gobernarlo todo con arreglo a su apetito sensual y obedecer a la fortuna más bien que a sí mismos. Lo que no me parece menos absurdo que si cualquiera, porque no creyese poder nutrir su cuerpo con buenos alimentos en la eternidad, prefiera saturarse de venenos y de sustancias mortíferas; o porque creyese que el alma no es eterna e inmortal, prefiriera ser demente y vivir sin razón; absurdos tales que merecen apenas ser refutados.”

TRATADO TEOLÓGICO-POLÍTICO

Versión española de Julián de Vargas y Antonio Zozaya.

1. PREFACIO DEL AUTOR

Nadie, repito, ha podido ver los hombres sin observar que, cuando prósperos viven, se jactan todos, aun los más ignorantes, de tan grande sabiduría, que les rebajaría recibir un consejo. Sorpréndeles la adversidad; hállanse indecisos; piden consejo a cualquiera, y por absurdo, frívolo e irracional que sea, síguenle ciegamente.”

los adivinos sólo han gozado crédito durante las grandes calamidades de los imperios, siendo entonces especialmente temibles para los reyes.”

Agréguese a esto que el vulgo siempre igualmente miserable nunca puede vivir tranquilo, siempre corre a las cosas nuevas que aún no le han engañado, y esa inconstancia ha sido la causa de tantas guerras y tan grandes tumultos.”

Para obviar ese mal se ha cuidado mucho de rodear de grande aparato y culto pomposo a toda religión falsa o verdadera, para darle constante gravedad y producir en todos un profundo respeto; lo que, dicho sea de paso, ha hecho que entre los turcos toda discusión sea un sacrilegio, y lo que ha llenado el espíritu individual de tantas preocupaciones que no dejan sitio en él a la razón ni aun a la misma duda.”

Habiéndome cabido en suerte vivir en una república en que cada uno dispone de perfecta libertad para adorar a Dios a su modo, y en que nada es más caro a todos ni más dulce que la libertad, he creído hacer una cosa, acaso de cierta utilidad, demostrando que la libertad de pensar, no solamente puede conciliarse con la conservación de la paz y la salud del Estado, sino que no puede destruirse sin destruir al mismo tiempo la paz del Estado y la piedad misma.”

Sorprendióme muchas veces ver hombres que profesan la religión cristiana, religión de amor, de bondad, de paz, de continencia, de buena fe, combatirse mutuamente con tal violencia, y perseguirse con saña tan fiera que más hacen distinguida su religión por éstos que por los otros caracteres antes enumerados. Que a tal extremo han llegado las cosas, que nadie puede distinguir un cristiano y un turco, un judío y un pagano si no es por la forma exterior y el vestido, por saber qué iglesia frecuenta, por conocer su adhesión a tal o cual sentimiento, o por seguir la opinión de tal o cual maestro.”

Así se han introducido tantos abusos en la Iglesia; así se ha visto a los hombres más ínfimos animados de prodigiosa ambición apoderarse del sacerdocio, trocar en ambición y sórdida avaricia el celo por la propagación de la fe, convertirse el templo en teatro donde no se oye a doctores eclesiásticos sino a oradores que se cuidan muy poco de instruir al pueblo, y mucho de hacerse aplaudir por él, cautivándole con la doctrina común, enseñándole novedades y cosas extraordinarias que sorprenden su admiración.”

La piedad y la religión se han convertido en un cúmulo de misterios absurdos, y resulta que los que más desprecian la razón, que los que rechazan al entendimiento acusándole de corrompido en su naturaleza, son, raro prodigio, justamente los que se dicen más iluminados por la divina luz.”

¿Qué es la profecía? ¿Cómo se reveló Dios a los profetas? ¿Por qué los escogió Dios? ¿Acaso porque tenían sublimes ideas de Dios y de la naturaleza, o solamente en razón de su propiedad? Resueltas estas cuestiones, fácil me será establecer que la autoridad de los profetas no tiene verdadero peso sino en lo que toca a la práctica de la vida y a la virtud.”

Inmediatamente me he preguntado por qué a los hebreos se les llamó elegidos de Dios. Y convencido de que esto únicamente significa que Dios les había escogido una región en que pudieran vivir cómoda y seguramente, deduje también que las leyes inspiradas por Dios a Moisés no son otra cosa sino el derecho particular de la nación hebraica, el cual, por consiguiente, sólo a los judíos puede aplicarse, y al cual tampoco ellos mismos se hubieran sometido sino por la duración de su imperio.”

Y como en los milagros de que habla la Escritura nada encontré que no esté de acuerdo con la razón o que la repugne; y como veo además que los profetas no han referido sino cosas muy triviales y al alcance de todo el mundo, que solamente las explicaron por determinados motivos y que las embellecieron con su estilo para llevar el ánimo del vulgo a la devoción, llegué a esta conclusión: que la Sagrada Escritura deja a la razón en completa libertad; que nada tiene de común con la filosofía, y que una y otra deben sostenerse por los medios que les son más adecuados.”

Reconocidos así los fundamentos de la fe, vine a concluir que la revelación divina no tiene más objeto que la obediencia; que, por consiguiente, es distinta del conocimiento natural, así por su objeto como por sus bases y sus medios; que, por lo tanto, nada tienen entre sí de común; que cada una de ellas puede, sin dificultad, reconocer los derechos de la otra, sin que por eso sea su dueña ni su sierva.”

que entienda cada uno la religión como le plazca y que no juzgue de la impiedad o piedad de los demás sino por sus obras.”

Por consiguiente, los que ocupan el poder tienen un derecho absoluto sobre todas las cosas; son los únicos depositarios del Derecho y de la libertad, y los demás hombres no deben obrar sino por sus propias voluntades.”

Paso después a la república de los hebreos para demostrar cómo y por qué autoridad comenzó la religión a tener fuerza de ley, y de paso me extendí a otras muchas cosas, que me parecieron dignas de esclarecimiento.”

algo dejo por decir, pero no quiero que este Prólogo forme un libro.”

No invito, pues, al vulgo, ni a los que de sus pasiones participan, a leer este Tratado; deseo que le olviden antes que interpretarle con su ordinaria perversidad puesto que no ha de redundarles provecho buscar en él la ocasión de dañar y atormentar a los amantes de la filosofía.”

1. DE LA PROFECÍA

el conocimiento natural puede también llamarse profecía, porque todas las cosas que sabemos por la luz natural dependen completamente del conocimiento de Dios y de sus eternos secretos”

Y como hoy no tenemos, que yo sepa, profetas, róstanos únicamente examinar los libros sagrados que nos dejaron los antiguos profetas; sin embargo, nos imponemos prudentemente una condición: la de no establecer nada por nosotros sobre este punto, ni atribuir a los profetas cosa que claramente no resulte de sus propias manifestaciones.”

Una observación esencial debemos hacer de antemano: los judíos nunca mencionan causas medias o particulares. Por religión, por piedad, o por devoción, siempre recurren a Dios. La ganancia que les redunda su comercio es un regalo de Dios; experimentan un deseo porque Dios manda en su corazón; conciben una idea porque Dios les ha hablado. No es, pues, verosímil que haya profecía o conocimiento sobrenatural, siempre que la Escritura dice que Dios habló; es necesario que el hecho de la revelación divina esté expresamente marcado o que resulte de las circunstancias de la narración.”

Que la revelación no se ha hecho sino por imágenes resulta evidente del libro I de los Paralipomenos, capítulo XXII, en que Dios manifiesta su cólera a David por un ángel que empuña una espada. Otro tanto ocurre con Balaam. Y aunque Maimónides, y otros con él, se han imaginado, estas cosas y todas las demás en que se habla de la aparición de los ángeles, como la de Abraham cuando iba a inmolar su hijo y otras, son narraciones de sueños, porque es imposible ver naturalmente un ángel, esta explicación es un artificio de los que a todo trance quieren hallar en la Escritura las alucinaciones de Aristóteles y sus propias extravagancias, lo cual me parece soberanamente ridículo.”

Debo advertir aquí que no pretendo sostener ni refutar las opiniones de ciertas iglesias acerca de Jesucristo; porque, confieso francamente que no las comprendo.”

Digo, pues, que nadie, excepto Jesucristo, recibió revelaciones divinas ajenas a la imaginación, es decir, mediante palabras o imágenes; y que así, para profetizar, no era necesario tener un espíritu más perfecto que el de los demás hombres, sino una imaginación más viva, como demostraré con mayor claridad en el capítulo próximo.”

2. DE LOS PROFETAS

Hernán, Derda y Kalchol eran hombres de profunda erudición, y sin embargo no eran profetas, mientras que hombres incultos y groseros, y aun mujeres como Agar, la esclava de Abraham, gozaron don de profecía.”

Sí, es verdad que ha llegado el caso, de que hombres que no tienen idea de Dios, ni le conocen sino por las cosas creadas, cuya causa le es desconocida, no se avergüencen de acusar de ateísmo a los filósofos.”

Leitura interrompida (livro inútil).

[ARQUIVO] O SER E O NADA: Ensaio de Ontologia Fenomenológica, Jean-Paul Sartre

Originalmente publicado em 16 de abril de 2010. Lido entre 30 de abril e 23 de julho de 2009.

Ensaio de ontologia não-ontológica.

INTRODUÇÃO

se nos desvencilharmos do que Nietzsche chamava ‘a ilusão dos trás-mundos’ e não acreditarmos mais no ser-detrás-da-aparição, esta se tornará, ao contrário, plena positividade, e sua essência um ‘parecer’ que já não se opõe ao ser, mas ao contrário, é sua medida”

O fenômeno aqui trabalhado é o relativo-absoluto. Tudo o que é, o que passa, é autêntico, porém o é para o observador.

Série”, “cadeia” em oposição à rigidez e à fixidez de uma “sina” pessoal. A palavra “teimosia” e minha pessoa. Isso é “intuição de essência” em Husserl.

Quando se for mais velho e se puder contemplar a morte de perto, aí então eu saberei o que é a iminência do colapso do universo. Nada espetacular, eu responderia, 15 anos depois.

Não é possível que minha vida vá se resumir a divagar sobre o que é a vida!

Nada mais incompreensível que o princípio da inércia”

PRIMEIRA PARTE – O PROBLEMA DO NADA

CAPÍTULO 1 – A ORIGEM DA NEGAÇÃO

CAPÍTULO 2 – A MÁ-FÉ

SEGUNDA PARTE – O SER-PARA-SI

CAPÍTULO 1 – ESTRUTURAS IMEDIATAS DO PARA-SI

O fenomenismo de Husserl beira a toda hora o idealismo kantiano”

um dos postulados de Husserl, o ‘Eu penso’, é uma viscosa e fascinante ‘armadilha para cotovias’” Heidegger

A realidade humana, por natureza, é consciência infeliz, sem qualquer possibilidade de superar o estado de infelicidade.”

o esgar inconsciente de quem dorme”

o valor pode ser considerado a unidade incondicionada de todos os transcenderes do ser” “é o faltado de todas as faltas, não o faltante”

há uma total contingência do ser-para-o-valor, que recairá imediatamente sobre toda moral para trespassá-la e torná-la relativa – e, ao mesmo tempo, uma livre e absoluta necessidade.”

Denominaremos ‘Circuito da ipseidade’ a relação do Para-si com o possível que ele é, e ‘mundo’, e ‘mundo’ a totalidade de ser na medida em que é atravessada pelo circuito da ipseidade”

CAPÍTULO 2 – A TEMPORALIDADE

Representação e vontade são ídolos inventados pelos psicólogos”

CAPÍTULO 3 – A TRANSCENDÊNCIA

TERCEIRA PARTE – O PARA-OUTRO

CAPÍTULO 1 – A EXISTÊNCIA DO OUTRO

o realismo não deixa qualquer lugar à intuição do outro

Se os animais são máquinas, por que não o seria o homem que vejo passando na rua? Por que não seria válida a hipótese radical dos behavioristas?”

Mas como um instante de meu tempo poderá estar em relação de simultaneidade ou sucessão com um instante do tempo do outro?”

Estava justamente pensando nisso hoje: eu não coexisto com meus pais, no sentido em que o valentão, p.ex., se depara com meu despeito “em fase final da carreira”, décadas e décadas depois de tantos obstáculos, me vê como um literal grão-de-arroz. De minha parte, esse colosso invencível não passa da miragem de uma juventude, prestes a se tornar um borrão num baú. Não existe “neste momento” para eles! Existe o meu-momento-deste-momento-deles.¹

¹ (P.S. 2024) Embora concorde com essa definição (e tenha sempre relembrado desse parágrafo que escrevi), o conteúdo de Sartre é ainda mais profundo que isso. Meu tempo está separado de outros tempos por um abismo intransponível mesmo se falarmos de tempos de coetâneos, ou do tempo da alma gêmea.

Solipsismo: o que eu um dia batizei de “ultra-existencialismo” como atitude corriqueira de desprezo.

o idealista, sem se dar conta, recorre a um ‘terceiro homem’ para fazer surgir esta negação de exterioridade.”

Irracionalismo materialista? VIDISMO! Existencialismo… Apodrecimento de “HUMANISMO, EMPIRISMO, NATURALISMO, MODERNISMO”…

O deus-homem – produto da superação do binômio SOLIPSISMO (esquizofrenia auto-criacionista) & PANTEÍSMO (fusão com deus num sintoma correlato de fraqueza). (Meu duelo de forças! Concepção definitiva do universo.)

Linguajar empolado e desonestidade bibliográfica: não foi o primeiro, não será o último.

A tragédia dos solipsistas é que eles precisam aprender a doutrina de outros solipsistas.

ANTI-HEGEL: “Com efeito, esqueceu sua própria consciência; ele é o Todo, e, nesse sentido, se tão facilmente resolve o problema das consciências, é porque, para ele, nunca houve verdadeiro problema a esse respeito.” “posso, sem dúvida, transcender-me rumo a um todo, mas não me estabelecer nesse todo para me contemplar e contemplar o outro.”

O livro me decepcionou. Eis que os filósofos voltam a “não ter músculos”! Cheiro de Kant, Hegel, poeira e livro velho – quanto a TODOS os hommes de letres do século XX, sei-o. Marinetti está certo…

Com seu modo brusco e algo rude de romper os nós górdios antes de tentar desatá-los, Heidegger responde à questão colocada com uma pura e simples definição.”

O ‘ser-com’ concebido como estrutura de meu ser é algo que isola de modo tão inegável como os argumentos do solipsismo [confradismo alemão]. É porque a a transcendência heideggeriana é um conceito de má-fé.” “o idealismo assim superado não passa de uma forma bastarda de idealismo, uma espécie de psicologismo empiriocriticista.”

seria inútil buscar em Ser e Tempo a superação simultânea de todo idealismo e todo realismo.”

A solidão humana sempre vence.

pelo olhar do outro, tenho a prova concreta de que há um para-além do mundo.”

o olhar, por sua vez, será que não irá se tornar provável pelo fato de que posso constantemente supor estar sendo visto sem sê-lo?” (“MEU ALÉM”, necessidade de “viver para meus entes passados” – simulação)

se ocorre de aparecermos ‘em público’ para interpretar um papel ou dar uma conferência, não esquecemos o fato de que somos vistos e executamos o conjunto dos atos que viemos fazer em presença do olhar, ou melhor, tentamos constituir um ser e um conjunto de objetos para esse olhar. Mas não enumeramos o olhar. Enquanto falamos, atentos apenas às idéias que queremos desenvolver, a presença do outro permanece indiferenciada”

A vergonha é sentimento de pecado original (…) simplesmente pelo fato de [eu] ter ‘caído’ no mundo.”

CAPÍTULO 2 – O CORPO

não vejo minha mão de modo diferente de como vejo esse tinteiro.”

a [teoria da] relatividade não é um ‘relativismo’”

a famosa ‘sensação de esforço’, com que Maine de Biran tentava responder ao desafio de Gume, é um mito psicológico. Jamais temos a sensação de nosso esforço, mas tampouco temos sensações periféricas, musculares, ósseas, tendinosas ou cutâneas, pelas quais tentou-se substituí-la: percebemos a resistência das coisas.”

coeficiente de adversidade dos objetos” Bachelard

A finitude é condição necessária do projeto original do Para-si.”

o corpo é a forma contingente que a necessidade de minha contingência assume.”

sinestesia, cinestesia, cenestesia

“‘esqueço’ minha dor (o que de modo algum significa que esta tenha desaparecido, uma vez que, se venho a conhecê-la em um ato reflexivo posterior, dar-se-á como havendo estado sempre aí).”

Crise”: minha projeção das consciências terceiras sobre o que leio – atuando agora! [agora!]¹ –, minhas neuroses antes de passear-fumar-escutar, minha motricidade irritável (dedos, suor, orelhas, caspa). Parte marginal e instigante da obra: e aquelas – essas! – malditas dores espontâneas que irradiam de todos os lugares?² Analogia musical para a dor o latejo ritmado, as notas e o silêncio.

¹ (P.S. 2024) Agora!!

² (P.S. 2024) Ampliei contudo minha consciência mental-corporal. Entendo a origem dessas dores: falta de manutenção. Bem como sei perfeitamente que todos os sinais de irritabilidade (o que, ademais, muito óbvio!) eram parte de uma ansiedade não-tratada e não de uma singularidade atípica do meu ser de 2009.

Esta perpétua captação por meu Para-si de um gosto insípido e sem distância, que me acompanha até em meus esforços para livrar-me dele e que é meu gosto, é o que descrevemos em outro lugar com o nome de Náusea“Longe de tomarmos esse termo náusea como metáfora tomada de nossos mal-estares fisiológicos, é, ao contrário, sobre o fundamento desta náusea que se produzem todas as náuseas concretas e empíricas (náuseas ante a carne putrefata, o sangue fresco, os excrementos, etc.) que nos impelem ao vômito.” O normal é que não sintamos náusea com relação a nosso próprio sangue, somente o alheio. Igualmente, ninguém sente o “fedor” das próprias fezes, mesmo quando o sente!

O que é gosto de si para o outro converte-se para mim em carne do outro.” “e esta apreensão é um tipo particular de náusea.”

A anatomia é o estudo da exterioridade que subentende sempre a facticidade, enquanto tal exterioridade jamais é perceptível, salvo no cadáver. A fisiologia é a reconstituição sintética do vivente a partir dos cadáveres.”

anatomofisiologia” como ciência incapaz de descrever a vida. Em realidade, fala dos livros-textos de biologia (confusão terminológica).

CAPÍTULO 3 – AS RELAÇÕES CONCRETAS COM O OUTRO

o Para-si é perseguidor-perseguido.”

sedução: brincar-de-ser-coisa

É claro que entendemos por linguagem todos os fenômenos de expressão, e não a palavra articulada.”

Cada um quer que o outro o ame, sem se dar conta de que amar é querer ser amado e que, desse modo, querendo que o outro o ame, quer apenas que o outro queira que ele o ame.”

Daí esta psicologia ‘moralista’ que o século XVII francês nos legou.”

encontro-me comprometido em uma busca que perdeu seu sentido (…) exatamente como quando tento reaver a lembrança de um sonho e essa lembrança se liquefaz entre meus dedos, deixando uma vaga e exasperante impressão de conhecimento total e sem objeto; ou exatamente como quando tento explicar o conteúdo de uma falsa reminiscência e a própria explicação faz com que ela se dissolva em translucidez.”

as filosofias existenciais não acreditaram na necessidade de se preocupar com a sexualidade.” Heidegger, o frígido!

O fato de poder dispor de um órgão sexual apto a fecundar e buscar o prazer só representa uma fase e um aspecto de nossa vida sexual.”

O homem comum, por preguiça de espírito e conformismo, também não pode conceber para seu desejo outra meta que não seja a ejaculação.” O homem de 13 a 15 anos no Ocidente, no século XX, no seu final: não há criatura mais patética e previsível. Paradigma American Pie: a vida antes e depois da cópula.

em última instância, o desajeitado é injustificável”

estamos já lançados no mundo diante do outro; nosso surgimento é livre limitação de sua liberdade, e nada, sequer o suicídio, pode modificar esta situação originária; quaisquer que sejam nossos atos, com efeito, cumprimo-los em um mundo onde já há o outro e onde sou supérfluo com relação ao outro.”

a ocasião que solicita a ira é simplesmente o ato do outro que me colocou em estado de padecer sua liberdade. Este ato é humilhante em si mesmo: é humilhante na medida em que é revelação concreta de minha objetividade instrumental diante da liberdade do outro”

numa conversa a três, um está sempre sobrando.”

A essência das relações entre consciência não é o ser-com, mas o conflito.”

Se lemos Heidegger, chama a atenção a insuficiência de suas descrições hermenêuticas.”

QUARTA PARTE – TER, FAZER E SER

CAPÍTULO 1 – SER E FAZER A LIBERDADE

concepção instantaneísta da consciência da qual Husserl não pode sair”

mesmo se eu fosse imrtal, me seria vedado ‘ter minha segunda chance’; é a irreversibilidade da temporalidade que me impede isso.”

Show de obviedades.

CAPÍTULO 2 – FAZER E TER

Todos esses hermeneutas da modernidade, aí incluído Marx, captaram a mesma coisa com palavras diferentes.

o materialista (…) sequer encara mais a possibilidade de sair do mundo, pois deu a si próprio o tipo de existência do rochedo.”

Exemplos de viscosidade: aperto de mão do Tartas. Sexo, depois do auge do tesão; caminhar sob o sol de Brasília sem barba feita, e de preto; coca-cola, pirulito.¹

¹ (P.S. 2024) Hilário!

CONCLUSÃO

acontecerá que o quietismo do bêbado solitário prevalecerá sobre a vã agitação do líder dos povos.”

ESSAYS ON SUICIDE AND THE IMMORTALITY OF THE SOUL – Hume, 1755 (1783, edição comentada de um eclesiástico desocupado!). BÔNUS: fragmentos da ELOISE de Rousseau, em inglês.

NOTA DO EDITOR

Hume’s essays on the suicide and the immortality of the soul were completed around 1755 and printed as part of a book of essays titled Five Dissertations. When pre-release copies of Five Dissertations provoked controversy among influential readers, Hume and his printer Andrew Millar agreed to have the 2 essays physically removed from the printed copies. (…) Rumours about the 2 withdrawn essays circulated for years, and clandestine copies appeared anonymously in French (1770) and later in English (1777). In 1783 the 2 essays were published more openly, and this time with Hume’s name attached. Like the 1770 and 1777 publications, the 1783 publication was not authorized by Hume. [e quem disse que precisava?] Along with Hume’s 2 essays, the anonymous editor of the 1783 edition included his own critical notes to Hume’s 2 pieces, and excerpts from Rousseau’s La Nouvelle Heloise on the subject of suicide.” “A copy of the original 2 essays as they were printed in Five Dissertations is in the possession of the National Library of Scotland. That copy contains 19 corrections in Hume’s hand and is Hume’s final surviving revision of the essays. None of these corrections appear in the 1783 edition.” Mau trabalho, editor! Aliás, veremos quão ruim é esse editor que sabia quão pouco “valia” ao ocultar seu nome no devido tempo!

ON SUICIDE

IF Suicide be criminal, it must be a transgression of our duty either to God, our neighbour, or ourselves. — To prove that suicide is no transgression of our duty to God, the following considerations may perhaps suffice.”

Every event is alike important in the eyes of that infinite being, who takes in at one

glance the most distant regions of space, and remotest periods of time.” Tudo importa. Até Hume viu isso. Schopenhauer, que elogiou este artigo, não o viu! Não importa que um cristão ou um fenomenólogo o diga.

judgement” “judgment”

burden” “burthen”

Formas americana e britânica da ortografia, respectivamente. Realmente faltou uma revisão minimamente competente do material!

What is the meaning then of that principle, that a man who tired of life, and hunted by pain and misery, bravely overcomes all the natural terrors of death, and makes his escape from this cruel scene: that such a man I say, has incurred the indignation of his Creator by encroaching on the office of divine providence, and disturbing the order of the universe? Shall we assert that the Almighty has reserved to himself in any peculiar manner the disposal of the lives of men, and has not submitted that event, in common with others, to the general laws by which the universe is governed? This is plainly false; the lives of men depend upon the same laws as the lives of all other animals; and these are subjected to the general laws of matter and motion. The fall of a tower, or the infusion of a poison, will destroy a man equally with the meanest creature; an inundation sweeps away every thing without distinction that comes within the reach of its fury.”

In order to destroy the evidence of this conclusion, we must shew a reason why this particular case is excepted; is it because human life is of such great importance, that ‘tis a presumption for human prudence to dispose of it? But the life of a man is of no greater importance to the universe than that of an oyster.” “If I turn aside a stone which is falling upon my head, I disturb the course of nature, and I invade the peculiar province of the Almighty, by lengthening out my life beyond the period which by the general laws of matter and motion he had assigned it.” “It would be no crime in me to divert the Nile or Danube from its course, were I able to effect such purposes. Where then is the crime of turning a few ounces of blood from their natural channel? — Do you imagine that I repine at Providence or curse my creation, because I go out of life, and put a period to a being, which, were it to continue, would render me miserable? Far be such sentiments from me; I am only convinced of a matter of fact, which you yourself acknowledge possible, that human life may be unhappy, and that my existence, if further prolonged, would become ineligible; but I thank Providence, both for the good which I have already enjoyed, and for the power with which I am endowed of escaping the ill that threatens me.”

When I fall upon my own sword, therefore, I receive my death equally from the hands of the Deity as if it had proceeded from a lion, a precipice, or a fever.” Suponho que tal ‘panteísmo’ fosse inaceitável em sua época, daí a censura!

JESUS CRISTO ESCOLHEU O SUICÍDIO, i.e., previu sua morte e não resistiu a ela (seria blasfemo que imitássemos o ato de Deus-enquanto-homem?): “If my life be not my own, it were criminal for me to put it in danger, as well as to dispose of it; nor could one man deserve the appellation of hero, whom glory or friendship transports into the greatest dangers, and another merit the reproach of wretch or miscreant¹ who puts a period to his life, from the same or like motives.”

¹ A edição traz “misereant”. Misery ant!

“‘Tis impious, says the old Roman superstition, to divert rivers from their course, or

invade the prerogatives of nature.¹ ‘Tis impious, says the French superstition, to inoculate for the small-pox,² or usurp the business of providence by voluntarily producing distempers and maladies. ‘Tis impious, says the modern European superstition, to put a period to our own life, and thereby rebel against our Creator; and why not impious, say I, to build houses, cultivate the ground, or fail upon the ocean?”

¹ Verdade seja dita, isso hoje seria um crime ecológico hediondo, a menos que estudos mostrassem de forma incondicional que isso beneficiaria a natureza e as populações em torno do curso original e do novo curso do rio!

² Resta-nos saber o que seria inocular a varíola…

But you are placed by providence, like a sentinel,¹ in a particular station, and when you desert it without being recalled, you are equally guilty of rebellion against your almighty sovereign, and have incurred his displeasure.”

¹ “Centinal” no original.

I ask, why do you conclude that providence has placed me in this station?” “But providence guided all these causes, and nothing happens in the universe without its consent and co-operation. If so, then neither does my death, however voluntary, happen without its consent; and whenever pain or sorrow so far overcome my patience, as to make me tired of life, I may conclude that I am recalled from my station in the clearest and most express terms.” De fato, o suicida seria especial nesse sentido: estaria em maior comunhão com deus no momento de seu ato supremo: poderia até se comunicar com ele, como uma sibila.

The difference to the whole will be no greater than betwixt my being in a chamber and in the open air. The one change is of more importance to me than the other; but not more so to the universe.” Lição de humildade, verdadeiramente.

A man may disturb society[,] no doubt, and thereby incur the displeasure of the Almighty: But the government of the world is placed far beyond his reach and violence.”

A MAN who retires from life does no harm to society: He only ceases to do good; which, if it is an injury, is of the lowest kind. — All our obligations to do good to society seem to imply something reciprocal. I receive the benefits of society, and therefore ought to promote its interests; but when I withdraw myself altogether from society, can I be bound any longer? But allowing that our obligations to do good were perpetual, they have certainly some bounds; I am not obliged to do a small good to society at the expense¹ of a great harm to myself; why then should I prolong a miserable existence, because of some frivolous advantage which the public may perhaps receive from me? If upon account of age and infirmities, I may lawfully resign any office, and employ my time altogether in fencing against these calamities, and alleviating, as much as possible, the miseries of my future life: why may I not cut short these miseries at once by an action which is no more prejudicial to society?”

¹ “Expence” no original.

A MAN is engaged in a conspiracy for the public interest; is seized upon suspicion; is threatened with the rack; and knows from his own weakness that the secret will be extorted from him: Could such a one consult the public interest better than by putting a quick period to a miserable life? This was the case of the famous and brave Strozi of Florence.”¹

¹ Strozzi, família itálica, rival dos Médici ou Medici. Banqueiros e posteriormente financistas e políticos. Tendo perdido na luta civil pelo controle de Florença, foram banidos e arruinados em 1434. Os Strozzi se recompuseram e posteriormente governaram Siena; houve então uma guerra entre Florença e Siena. Depois as famílias tiveram casamentos entre si – a família Médici, considera-se, teve mais benefícios dessa união que a primeira família. O evento a que alude David Hume é provavelmente este: “After the republic was overthrown in 1530 Alessandro de’ Medici attempted to win Filippo Strozzi’s support, but Strozzi declined and instead, retired to Venice. After the murder of Alessandro in 1537, Strozzi assumed leadership of a group of republican exiles with the object of re-entering the city but having been captured and subsequently tortured he committed suicide.”

He invades the business of providence no more than the magistrate did, who ordered his execution; and his voluntary death is equally advantageous to society, by ridding it of a pernicious member.”

I believe that no man ever threw away life, while it was worth keeping. For such is our natural horror of death, that small motives will never be able to reconcile us to it; and though perhaps the situation of a man’s health or fortune did not seem to require this remedy, we may at least be assured that any one who, without apparent reason, has had recourse to it, was curst with such an incurable depravity or gloominess of temper as must poison all enjoyment, and render him equally miserable as if he had been loaded with the most grievous misfortunes.” Um problema congênito no cérebro, diria Sakyo, O Apostador.

Um ensaio muito mais morno do que o esperado, mas pelo menos mantém Hume no esquadrão dos filósofos ocidentais que realmente merecem ser lidos, nem que uma só vez!

ON THE IMMORTALITY OF THE SOUL

Matter and spirit are at bottom equally unknown, and we cannot determine what qualities inhere in the one or in the other.” “Abstract reasonings cannot decide any question of fact or existence.”

As the same material substance may successively compose the bodies of all animals, the same spiritual substance may compose their minds” “The most positive asserters of the mortality of the soul never denied the immortality of its substance. And that an immaterial substance, as well as a material, may lose its memory or consciousness, appears in part from experience, if the soul be immaterial.”

what is incorruptible must also be ingenerable. The Soul therefore[,] if immortal, existed before our birth; and if the former existence no ways concerned us, neither will the latter.”

But if any purpose of nature be clear, we may affirm, the whole scope and intention of man’s creation, so far as we can judge by natural reason, is limited to the present life.” Se intenção houvesse, seria esse o caso. Acontece que não há nenhuma finalidade preconcebida (assada no forno para nosso consumo) na existência humana – o que não nos impede de viver o presente como finalidade.

WHAT cruelty, what iniquity, what injustice in nature, to confine all our concern, as well as all our knowledge, to the present life, if there be another scene still waiting us, of infinitely greater consequence?” Hume quer dizer, em poucas palavras: não haver céu e inferno não é objeção à imortalidade d’alma, se os padrecos insistem tanto em que a alma TEM de ser imortal; logo, não estou sendo um herege ao dizê-lo.

A pair of shoes perhaps was never yet wrought to the highest degree of perfection which that commodity is capable of attaining. Yet it is necessary, at least very useful, that there should be some politicians and moralists, even some geometers, poets, and philosophers among mankind.” Sócrates se sentiria orgulhoso da analogia!

ON the theory of the Soul’s mortality, the inferiority of women’s capacity is easily accounted for. Their domestic life requires no higher faculties, either of mind or body. This circumstance vanishes and becomes absolutely insignificant, on the religious theory: the one sex has an equal task to perform as the other; their powers of reason and resolution ought also to have been equal, and both of them infinitely greater than at present.”

Shall we therefore erect an elysium for poets and heroes like that of the ancient¹ mythology?”

¹ “Antient”

Punishment, according to our conception, should bear some proportion to the offence. Why then eternal punishment for the temporary offences of so frail a creature as man? Can any one approve of Alexander’s rage, who intended to exterminate¹ a whole nation because they had seized his favorite horse Bucephalus?”

¹ “Extirminate”

CILA OU CARIBDE: “HEAVEN and Hell suppose 2 distinct species of men, the good and the bad; but the greatest part of mankind float betwixt vice and virtue. — Were one to go round the world with an intention of giving a good supper to the righteous, and a sound drubbing to the wicked, he would frequently be embarrassed in his choice, and would find that the merits and the demerits of most men and women scarcely amount to the value of either.”

By the Roman law those who had been guilty of parricide and confessed their crime, were put into a sack alone with an ape, a dog, and a serpent, and thrown into the river. Death alone was the punishment of those who denied their guilt, however fully proved. A criminal was tried before Augustus, and condemned after a full conviction, but the humane emperor, when he put the last interrogatory, gave it such a turn as to lead the wretch into a denial of his guilt. ‘You surely (said the prince) did not kill your father.’ This lenity suits our natural ideas of right even towards the greatest of all criminals, and even though it prevents so inconsiderable a sufferance.¹ Nay[,] even the most bigotted priest would naturally without reflection approve of it, provided the crime was not heresy or infidelity; for as these crimes hurt himself in his temporal² interest and advantages, perhaps he may not be altogether so indulgent to them.”

¹ “Sufference”.

² O grifo em “temporal” é do próprio Hume.

The damnation of one man is an infinitely greater evil in the universe, than the subversion of a thousand millions of kingdoms. Nature has rendered human infancy

peculiarly frail and mortal, as it were on purpose to refute the notion of a probationary state; the half of mankind die before they are rational creatures. Muito bom – e lamentável sabermos sobre a alta taxa de mortandade infantil à época (ou queria Hume dizer que maioria dos adultos não passava de crianças grandes?)!

THE Physical arguments from the analogy of nature are strong for the mortality of the soul, and are really the only philosophical arguments which ought to be admitted with regard to this question, or indeed any question of fact.” Porque se uma “alma” reencarna ou transmigra, não faz sentido falar que é uma alma, se a memória lhe é extirpada.

The last symptoms which the mind discovers are disorder, weakness, insensibility, and stupidity, the forerunners of its annihilation.”

Trees perish in the water, fishes in the air, animals in the earth. Even so small a difference as that of climate is often fatal. What reason then to imagine that an immense alteration, such as is made on the soul by the dissolution of its body and all its organs of thought and sensation, can be effected without the dissolution of the whole?” “yet no one rejects the argument drawn from comparative anatomy. The Metempsychosis is therefore the only system of this kind that philosophy can harken to.”

NOTHING in this world is perpetual, every thing however seemingly firm is in continual flux and change, the world itself gives symptoms of frailty and dissolution. How contrary to analogy, therefore, to imagine that one single form, seemingly the frailest of any, and subject to the greatest disorders, is immortal and indissoluble?”

How to dispose of the infinite number of posthumous existences ought also to embarrass the religious theory. Every planet in every solar system we are at liberty to imagine peopled with intelligent mortal beings, at least we can fix on no other supposition. For these then a new universe must every generation be created beyond the bounds of the present universe, or one must have been created at first so prodigiously wise as to admit of this continual influx of beings.” E quanto gasto energético – um universo não é coisa barata! Mas é o religioso que estiola até o zero o valor deste único universo conhecível…

When it is asked whether Agamemnon, Thersites, Hannibal, Varro, and every stupid clown that ever existed in Italy, Scythia, Bactria or Guinea, are now alive; can any man think, that a scrutiny of nature will furnish arguments strong enough to answer so strange a question in the affirmative? The want of argument without revelation sufficiently establishes the negative.” Ri demais do trecho, pois Hume enfia no mesmo saco romanos e bárbaros, como que para despeitar os eclesiásticos de seu tempo, e junta numa fila só Agamêmnon, herói mitológico (embora seja uma figura homérica cinza, trágica, num sentido bem inferior a Aquiles…), com Térsites, o “palhaço” do mito – embora não respaldado por Homero ele mesmo, mas por modificações futuras, como a de Shakespeare –, quase “térmites”, aliás, e conquistadores da historiografia, como Aníbal, e, por fim, intelectuais inofensivos, legíveis até (estou estudando latim por ele): Varro, o “maníaco da etimologia” (conquanto todo homem das artes daquele tempo participasse também da política)!

Were our horrors of annihilation an original passion, not the effect of our general love of happiness, it would rather prove the mortality of the soul. For as nature does nothing in vain, she would never give us a horror against an impossible event.” Só o que protege a imortalidade da alma é a convicção na imortalidade da alma. Essa sim será imortal, quanto dure o homem! Wishful thinking arquetípico.

“‘TIS an infinite advantage in every controversy to defend the negative. If the question be out of the common experienced course of nature, this circumstance is almost, if not altogether, decisive.”

Some new species of logic is requisite for that purpose, and some new faculties of the mind, that may enable us to comprehend that logic.”

Como seria de esperar, essa “edição crua” não viria à luz, mesmo em tempos pós-censura (brincadeira, esses tempos são uma fábula!) sem os obrigatórios comentários morais e “atenuadores”, objetando o autor original… E aqui vamos nós a esses anexos, para um tico de diversão!…

ANTI SUICIDE

Organizado em notas, entre parênteses, ao artigo ON SUICIDE…

(1) “THIS elaborate eulogium on philosophy points obliquely at religion, which we Christians consider as the only sovereign antidote to every disease incident to the mind of man.”

Neither priestcraft, nor magisterial powers, however, cramped the progress of improving reason, or baffled the genius of enquiring man.” Hahaha! A ousadia

In truth, the superior advantage and necessity of the Christian religion seems manifest from this particular circumstance, that it has taken away every possible restraint from natural religion, allowing it to exert itself to the utmost in finding out the fundamental truths of virtue,¹ and in acquiescing in them, in openly avowing and acknowledging them when revealed, in extending the views and expectations of men, in giving them more just and liberal sentiments,² and in publickly and uniformly disclaiming any intention of establishing a kingdom for its votaries or believers in this world.” O argumento mais estúpido que já li: o cristianismo é uma forma superior de moral porque veio depois dos antigos, i.e., os antigos eram o cume da filosofia – que razão Deus teria para suprimi-los senão para colocar em seu lugar o que vem a ser melhor na seqüência – a fé cristã?! Argumento “histórico” e uma imbecil faca de dois gumes: tudo o que acontece, deve acontecer!… inclusive a MORTE DE DEUS, no futuro de Hume e desse editor…

¹ Como se por séculos não matassem na fogueira qualquer um que se desviasse 1mm das poderosas e absurdas constrições do monoteísmo mais tirânico! Como o helenismo foi livre, talvez unicamente livre acima de qualquer outro modo de vida possível, só podemos tentar entender por contraste com nossa própria servidão voluntária…

² Justamente com o enfraquecimento da religião… Que grande coincidência! Mas, ó!, era tudo parte do plano divino!

They tally exactly with the present circumstances of mankind, and are admirably adapted to cure every disease, every disorder of the human mind, to beget, to cherish, and confirm every pure, every virtuous, every pious disposition.” Não creio que agüentarei mais muito tempo lendo essas groselhas velhas!

MANKIND are certainly at present in a state of the deepest corruption and depravity, and at the same time apt to continue strangely insensible of the misery and danger to which, under the government of infinite wisdom, it necessarily renders them.” Sou obrigado a concordar que essa insensibilidade estranha não é só muito estranha como um tanto mórbida! Que ratos religiosos como esse ainda vivam entre nós após a força civilizacional, em 300 anos, ter finalmente descrido da autenticidade transcendental dessas velhas escrituras, no entanto, é algo que me tira do sério a cada dia!… Porque que quisessem ser idiotas no século XVIII inglês não me afeta no mais mínimo… mas outro papo é continuar com esse discurso, num mundo igualmente corrupto e depravado (porque ainda e persistentemente cristão)!

(2) CLEOMENES, king of Sparta, when suffering under misfortune, was advised to kill himself by Tharyceon. ‘Thinkest thou, wicked man, to shew thy fortitude by rushing upon death, an expedient always at hand, the dastardly resource of the basest minds? Better than we, by the fortune of arms, or overpowered by numbers, have left the field of battle to their enemies; but he who, to avoid pain, or calamity, or censures of men, gives up the contest, we are to seek death, that death ought to be in action. It is base to live or die only for ourselves. All we gain by suicide is to get our own reputation, or doing the least service to our country. In hopes, then, we may yet be of some use to others, both methinks are bound to preserve life as long as we can. Whenever these hopes shall have altogether abandoned us, death, if sought for, will readily be found.’ Quanta cretinice argumentar pró-cristianismo pelas aspas de um espartano (provavelmente forjadas) – QUANTO DESPEITO A TUDO QUE É NOBRE! Além disso, curioso como os religiosos, antes de Durkheim, nunca tenham percebido um só exemplo de suicídio altruísta!

(3) “Is it possible to conceive the author of nature capable of authenticating a deed, which ultimately terminates in the total annihilation of the system?” Não, e por isso me pergunto todo santo dia: como foi o cristianismo possível?

IMMORTALITY OF THE SOUL [comments]

Uma pergunta, antes de tudo: nós filósofos não nos queremos meter em escolástica – por que então os escolásticos insistem em meter o pé na filosofia? Exigem dos filósofos uma lógica sobre-humana, eu diria in-umana! Por que os comentam e criticam, então, em vez de relegá-los ao ostracismo? Deve se explicar por um sentimento cruel de inveja irreprimível

(1) “How many live and die in this salutary conviction, to whom these refined speculations must forever remain as unintelligible as if they had never been formed!” E ainda assim temos aqui um refinado crítico de tais opiniões refinadas!

(2) “The substance of the soul we do not know, but are certain her ideas must be immaterial.” Idéias materiais?! Coisa nova!

(3) “Whoever, yet, of all the assertors of the soul’s immortality, presumed to make a monopoly of this great privilege to the human race? Who can tell what another state of existence may be, or whether every other species of animals may not possess principles an immortal as the mind of man?” Olha, muitos e muitos eclesiásticos já excluíram os animais do paraíso (ou do inferno)! Aposto que a maioria veio até antes de seus comentários, senhor apócrifo!

(4) “There is not a single word in all this elaborate and tedious deduction, which has not been urged and refuted five hundred times.” Cuidado com a postura de atacar não prestando atenção aos próprios flancos – pode ser um ataque suicida (no Brittish pun intended)! Se um curto artigo de um mero cético é tão tedioso, vá ler a bíblia, ora pois!

(5) “The truth is, that form which all mankind have deemed immortal, is so far from being the frailest, that it seems in fact the most indissoluble and permanent of any other we know. All the rational and inventive powers of the mind happily conspire to proclaim her infinitely different in nature, and superior in dignity to every possible modification of pure matter.” “Que a vida não tenha se extinguido no planeta – este é meu divino argumento de por que a alma é indubitavelmente imortal!”, diz esse paspalho.

What judgement should we form of that principle which informed and enlightened a Galileo, a Copernicus, or a Newton?” Que ele era natural, pagão, conseqüente, imanente (não insipirado!). E não vamos esquecer que todos eles foram perseguidos pela Igreja – porque deus quis, na sua opinião! Strange ways… até mesmo para Jeová! Fora que os artistas mais inspirados também o foram…

Antes de abandonar esse mar de merda aos 70% da extensão do documento (anexos que, confesso, não li por inteiro), chequemos, ao menos, algo literariamente elogiável, i.e., as visões antitéticas de Rousseau (que não é nenhum santo, acrescentemos, o que aumenta a hipocrisia do editor que resolveu utilizar um filósofo mundano para atacar outro, só porque aquele concordava consigo!).

The following Letters on SUICIDE are extracted from Rousseau’s ELOISA. LETTER CXIV. To Lord B——-.

I will never dispose of it, till I am certain that I may do it without a crime, and till I have not the least hope of employing it for your service.” Como é tolo(a) – pare de hamletianizar sobre isso e faça-o de uma vez!

I adore the supreme Being — I owe every thing to you; I have an affection for you; you are the only person on earth to whom I am attached.” O(a) autor(a) da carta se dirige com efeito a um humano (o que é óbvio – mas poderia ser uma “carta de suicídio endereçada a Deus”, numa hipótese excepcional).

Roebeck¹ [sic] wrote an apology for suicide before he put an end to his life. I will not, after his example, write a book on the subject, neither am I well satisfied with that which he has penned, but I hope in this discussion at least to imitate his moderation.”

¹ “Johan Robeck (1672–1739) was a Swedish-German theologian and philosopher who justified and committed suicide.” O mais interessante do verbete na wikipedia: “He wrote a book permitting suicide from a theological point of view, entitled Exercitatio philosophica de morte voluntaria (A philosophical exercise about voluntary death, 1736). His book started a debate among Europeans of his time, which included Rousseau and Voltaire, especially after he himself committed suicide by drowning in the river Weser near Bremen, Germany. Robeck’s argument is based upon the idea of life as a gift, given by God, who therefore gave up for his rights in the gift. Anyone can destroy a gift, according to Robeck’s argument; therefore, suicide is legitimate. (…) (…) Robeck’s suicide is referenced in the old woman’s story at the end of chapter XII in Voltaire’s 1759 novel Candide, ‘…but I have met only 12 who have voluntarily put an end to their misery—3 negroes, 4 Englishmen, 4 Swiss, and a German professor called Robeck.’ [Cândido ou O Otimismo: leitura muito melhor que A Nova Heloísa, pelo visto…]

if I sacrifice my arm to the preservation of something more precious, which is my body, I have the same right to sacrifice my body to the preservation of something more valuable, which is the happiness of my existence.”

They consider a man living upon earth as a soldier placed on duty. God, say they, has fixed you in this world, why do you quit your station without his leave? But you, who argue thus, has he not stationed you in the town where you was born, why therefore do you quit it without his leave? is not misery, of itself, a sufficient permission? Whatever station Providence has assigned me, whether it be in a regiment, or on the earth at large, he intended me to stay there while I found my situation agreeable, and to leave it when it became intolerable.”

I agree that we must wait for an order; but when I die a natural death, God does not order me to quit life, he takes it from me; it is by rendering life insupportable, that he orders me to quit it. In the first case, I resist with all my force; in the second, I have the merit of obedience.”

This is one of the quibbles of the Phaedo, which, in other respects, abounds with sublime truths. If your slave destroys himself, says Socrates to Cebes, would you not punish him, for having unjustly deprived you of your property. § Prithee, good Socrates, do we not belong to God after we are dead? The case you put is not applicable; you ought to argue thus: if you encumber¹ your slave with a habit which confines him from discharging his duty properly, will you punish him for quitting it, in order to render you better service? the grand error lies in making life of too great importance; as if our existence depended upon it, and that death was a total annihilation. Our life is of no consequence in the sight of God; it is of no importance in the eyes of reason, neither ought it to be of any in our sight; when we quit our body, we only lay aside an inconvenient habit.”

¹ “incumber”.

Socrates being condemned, by an unjust judgment, to lose his life in a few hours, had no occasion to enter into an accurate enquiry whether he was at liberty to dispose of it himself. Supposing him really to have been the author of those discourses which Plato ascribes to him, yet believe me, my lord, he would have meditated with more attention on the subject, had he been in circumstances which required him to reduce his speculations to practice; and a strong proof that no valid objection can be drawn from that immortal work against the right of disposing of our own lives, is, that Cato read it twice through the very night that he destroyed himself.”

What is the fate of those sons of sensuality, who indiscreetly multiply their torments by their pleasures? they in fact destroy their existence by extending their connections in this life; they increase the weight of their crimes by their numerous attachments; they relish no enjoyments, but what are succeeded by a thousand bitter wants; the more lively their sensibility, the more acute their sufferings; the stronger they are attached to life, the more wretched they become.”

It would be as ridiculous to suppose that life can be a blessing to such men, as it was absurd in the sophister Possidonius to deny that is was an evil, at the same time that he endured all the torments of the gout.”

We drag a painful and melancholy life, for a long time before we can resolve to quit it; but when once life becomes so insupportable as to overcome the horror of death, then existence is evidently a great evil, and we cannot disengage ourselves from it too soon.”

This is not all. After they have denied that life can be an evil, in order to bar our right of making away with ourselves; they confess immediately afterwards that it is an evil, by reproaching us with want of courage to support it.”

O Rome, thou victrix of the world, what a race of cowards did thy empire produce! Let ArriaEponina,² Lucretia,³ be off the number; they were women. But Brutus, Cassius, and thou great and divine Cato, who didst share with the gods the adoration of an astonished world, thou whose sacred and august presence animated the Romans with holy zeal, and made tyrants tremble, little did thy proud admirers imagine that paltry rhetoricians, immured in the dusty corner of a college, would ever attempt to prove that thou wert a coward, for having preferred death to a shameful existence.”

¹ “Árria era casada com o cônsul romano Aulo Cecina Peto. Quando o marido e o filho ficaram gravemente doentes ao mesmo tempo e a criança morreu, ela fez todos os preparativos para o funeral e compareceu pessoalmente, sem que o marido soubesse de nada. Toda vez que visitava o marido, Árria dizia-lhe que o menino estava melhorando. Quando a emoção ameaçava denunciá-la, ela se desculpava, saía do quarto e, nas palavras de Plínio, o Jovem, ‘entregava-se à dor’, em seguida, retornava para o marido com um comportamento mais calmo. (…) Escriboniano foi morto e Peto foi levado para Roma de navio. Árria queria embarcar no navio como escrava, o que não lhe foi permitido fazer. Então ela alugou um barco de pesca e nessa pequena embarcação seguiu o grande navio. (…) Na presença do imperador Cláudio, Árria atacou abertamente a esposa do líder da rebelião, Escriboniano, por fornecer voluntariamente provas à acusação, gritando: ‘Ouço-a dizer que poderia continuar vivendo após Escriboniano ter morrido em seus próprios braços?’ Foi esta a frase que alertou a todos sobre sua intenção de morrer ao lado de Peto. § Seu genro, Trásea, tentou convencê-la a viver, perguntando se ela iria querer que sua própria filha se matasse caso ele fosse condenado à morte. Árria insistiu que ela não se oporia, contanto que sua filha (também chamada Árria) tivesse pelo menos vivido muitos anos felizes com Trásea antes do eventual suicídio, assim como ela mesma tinha vivido com Peto. (…) Essa resposta aumentou a ansiedade dos parentes e ela foi observada com mais atenção. Percebendo isso, Árria disse que eles não poderiam impedi-la de se matar. Enquanto falava, pulou da cadeira e bateu a cabeça com grande força contra a parede, caindo inconsciente. Quando voltou a si, disse: ‘Eu disse a vocês que encontraria uma maneira difícil de morrer se vocês me negassem uma maneira fácil.’ § Quando o marido hesitou em se suicidar, Árria pegou a adaga, enfiou-a no peito e devolveu-a ao marido com as palavras ‘Paete, non dolet’ (‘Peto, não dói.’).” Grande mulher! Cf. John Nicholson, Paetus and Arria. A tragedy, in five acts. Lackington, Allen, and Co., Londres, 1809.

² Esta é figura mais obscura e não consegui apanhar detalhes diretos de seu êxito: Júlio Sabino escondeu-se com sua esposa Eponina ou Peponila por 9 anos, mas seria posteriormente capturado e levado à capital imperial, onde foi executado em 78 sob ordens do imperador Vespasiano (r. 69–79). A história do casal, e principalmente a figura de Eponina, tornar-se-ia popular na França durante os séculos XVIII e XIX.”

³ Lucrécia é o exemplo mais famoso de mulher suicida da Roma antiga, por isso não deslindei o verbete.

but tell me, thou great and valiant hero, who dost so courageously decline the battle, in order to endure the pain of living somewhat longer; when spark of fire lights upon your hand, why do you withdraw it in such haste? how? are you such a coward that you dare not bear the scorching of fire? nothing, you say, can oblige you to endure the burning spark; and what obliges me to endure life? was the creation of a man of more difficulty to Providence, than that of a straw? and is not both one and the other equally the work of his hands?”

none but a fool will voluntarily endure evils which he can avoid without a crime; and it is very often a great crime to suffer pain unnecessarily.” Maldito seja o dogma do “arrependimento”, manhoso dispositivo milenar de tortura psicológica de povos inteiros!

cut off this leg, which endangers my life. I will see it done without shrinking, and will give that hero leave to call me coward, who suffers his leg to mortify, because he dares not undergo the same operation.”

let a magistrate on whom the welfare of a nation depends, let a father of a family who is bound to procure subsistence for his children, let a debtor who might ruin his creditors, let these at all events discharge their duty; admitting a thousand other civil and domestic relations to oblige an honest and unfortunate man to support the misery of life, to avoid the greater evil of doing injustice; is it, therefore, under circumstances totally different, incumbent on us to preserve a life oppressed with a swarm of miseries, when it can be of no service but to him who has not courage to die?” Considerando o sexo de Eloísa/Heloísa, em tempos tão machistas, de “mulheres serem menos que homens” (e, o que é mais, considerando o Cristianismo como inerentemente machista), me admira que ainda quisessem condená-la ao inferno eterno só por se matar!

Though hunger, sickness, and poverty, those domestic plagues, more dreadful than savage enemies, may allow a wretched cripple to consume, in a sick bed, the provisions of a family which can scarce subsist itself, yet he who has no connections, whom heaven has reduced to the necessity of living alone, whose wretched existence can produce no good, why should not he, at least, have the right of quitting a station, where his complaints are troublesome, and his sufferings of no benefit?”

In fact, why should we be allowed to cure ourselves of the gout, and not to get rid of the misery of life? do not both evils proceed from the same hand?” A gota e a vida. A água. Poético.

let them shew how it can be less criminal to use the bark for a fever, than to take opium for the stone. (…) if we regard the means, both one and the other are equally natural”

are we then to make no alteration in the condition of things, because every thing is in the state he appointed? must we do nothing in this life, for fear of infringing his laws, or is it in our power to break them if we would? no, my lord, the occupation of man is more great and noble.” = It is not against law to kill yourself.

THE CRUX: “My lord, I appeal to your wisdom and candour; what more infallible maxims can reason deduce from religion, with respect to suicide? If Christians have adopted contrary tenets, they are neither drawn from the principles of religion, nor from the only sure guide, the Scriptures, but borrowed from the Pagan philosophers. Lactantius and Augustine, the first who propagated this new doctrine, of which Jesus Christ and his apostles take no notice, ground their arguments entirely on the reasoning of Phaedo, which I have already controverted” “In truth, where do we find, throughout the whole bible, any law against suicide, or so much as a bare disapprobation of it; and is it not very unaccountable, that among the instances produced of persons who devoted themselves to death, we do not find the least word of improbation against examples of this kind? nay, what is more, the instance of Samson’s voluntary death is authorized by a miracle” “would this man, who lost his strength by suffering himself to be seduced by the allurements of a woman, have recovered it to commit an authorised crime, as if God himself would practice deceit on men?” Parece que o europeu-médio da época odiava Sansão pela sua “fraqueza feminil”, outro indício de misoginia neste livro.

Thou shalt do no murder, says the decalogue; what are we to infer from this? if this commandment is to be taken literally, we must not destroy malefactors, nor our enemies: and Moses, who put so many people to death, was a bad interpreter of his own precept. If there are any exceptions, certainly the first must be in favour of suicide, because it is exempt from any degree of violence and injustice, the two only circumstances which can make homicide criminal; and because nature, moreover, has, in this respect, thrown sufficient obstacles in the way.”

True repentance is derived from nature; if man endures whatever he is obliged to suffer, he does, in this respect, all that God requires of him; and if any one is so inflated with pride, as to attempt more, he is a madman, who ought to be confined, or an impostor, who ought to be punished.”

If we would offer a sacrifice to the supreme Being, is it nothing to undergo death?” “Such are the liberal precepts which good sense dictates to every man, and which religion authorises.”

you do not endure less than myself; and your troubles, like mine, are incurable; and they are the more remediless, as the laws of honour are more immutable than those of fortune. You bear them, I must confess, with fortitude. Virtue supports you; advance but one step farther, and she disengages you. You entreat¹ me to suffer; my lord, I dare importune you to put an end to your sufferings;² and I leave you to judge which of us is most dear to the other. Why should we delay doing that which we must do at last? shall we wait till old age and decrepit baseness attach us to life, after they have robbed it of its charms, and till we are doomed to drag an infirm and decrepit body with labour, and ignominy, and pain? We are at an age when the soul has vigour to disengage itself with ease from its shackles, and when a man knows how to die as he ought; when farther advanced in years, he suffers himself to be torn from life, which he quits with reluctance. Let us take advantage of this time, when the tedium of life makes death desirable; and let us tremble for fear it should come in all its horrors, at the moment when we could wish to avoid it. I remember the time, when I prayed to heaven only for a single hour of life, and when I should have died in despair if it had not been granted. Ah! what a pain it is to burst asunder the ties which attach our hearts to this world, and how advisable it is to quit life the moment the connection is broken!” Não pense que você é um deus ou um Átlas que pode carregar tudo nas costas! A mente doentia de Rousseau fazia com que ele cancelasse todas as suas conclusões perfeitas, mas não importa a antítese, com tamanha tese que se auto-sustenta! Ou seja: dane-se o que diz a carta de resposta mais abaixo, esta primeira é a melhor e mais ética delas, com toda certeza.

¹ “intreat”

² Esse trecho me fazia pensar, à primeira leitura, que a autora era a própria Heloísa, e que essa fosse a correspondência de um casal apaixonado. Como veremos abaixo esta não é a interpretação correta! Ainda mantenho, no entanto, meu elogio aos “casais suicidas perfeitos”, da ficção ou da História, como Árria e Peto mais acima, em outra nota deste artigo.

May the friendship which invites us preserve our union to the latest hour! O what a pleasure for 2 sincere friends voluntary to end their days in each others arms, to intermingle their latest breath, and at the same instant to give up the soul which they shared in common! What pain, what regret can infect their last moments?” Romeu e Julieta, Meruem & Komugi. E todos os casais perfeitos. Belo e moral.

LETTER CXV. ANSWER.

I am an Englishman, and not afraid to die” Then die already! E se parece infantil de minha parte dizê-lo, saibam que assim R. terminará essa carta fictiva de resposta a alguém meditando o suicídio: “If it has no power to restrain you, die! you are below my care.”

Thou art no man; thou art nothing; and if I did not consider what thou mightest be, I cannot conceive any thing more abject.”

It is certainly most probable that the life of man is not without some design, some end, some moral object.” E se você não criar os seus próprios objetos morais, passará toda a vida ensinando aos outros aquilo que nem sequer sabe ou tem (predicadores religiosos, os “virtuosos” da modernidade!).

Is it lawful for you therefore to quit life? I should be glad to know whether you have yet begun to live?” Cuidado, você acabará incitando seu interlocutor ao suicídio falando dessa forma, caro “cavalheiro”!

Thou unhappy wretch! point out to me that just man who can boast that he has lived long enough”

You are not ashamed to exhaust common-place topics, which have been hackneyed over a hundred times” Todos nós fazemos isso, porque nunca houve nada de novo sob o sol da eternidade, idiota! Ei, o que é que há com esses europeus centuplicadores que sequer entendem o Um (a inexistência do indivíduo, ou seja, a inaplicabilidade da moral cristã)? Todos censuram seus antípodas com “isso já foi dito 100, 500 vezes”, mas isso também já foi dito infinitas vezes!!

Life is an evil to a wicked man in prosperity, and a blessing to an honest man in distress: for it is not its casual modification, but its relation to some final object which makes it either good or bad.” Essa sentença só admite algum grau de aceitabilidade após o marxismo: temos pelo que lutar quando somos uns miseráveis!

I have lost all hope of seducing a modest woman, I am obliged therefore to be a man of virtue; I had much rather die.” Ou essa é uma novela moral lésbica da época do Iluminismo (impossível!) ou eu errei: o autor da primeira carta não era Eloísa/Heloísa; talvez da segunda? Mas não, o escritor foi identificado no cabeçalho da 1ª carta como Lord B. Portanto, não se trata de um ataque misoginista repentino entre um “casal de amigos-amantes”, pelo menos – é uma carta misoginista, com certeza, mas falando da categoria mulher em geral, não a uma mulher em específico, o que não ajuda muito Rousseau quando consideramos sua obra como um todo (cria-se um educador sem preconceitos)! Agora vejo cem por cento justificado o juízo nietzschiano de que Rousseau era uma tarântula moral. Moral da história, enfim: deixa teu amigo sofrer pela mulher que ele quiser, não o menoscabes!

correct your irregular appetites” Uau, que profundas palavras! Se apenas todos as sorvessem! A panacéia universal!

Grief, disquietude, regret, and despair, are evils of short duration, which never take root in the mind”

Reflect thoroughly, young man; [cry baby na linguagem hodierna] what are ten, 20, 30 years, in competition with immortality? Pain and pleasure pass like a shadow; life slides away in an instant; it is nothing of itself; its value depends on the use we make of it.” Muito bem-dito, mas isso não é em nada um argumento anti-suicídio!

The good that we have done is all that remains, and it is that alone which marks its importance.” O final do parágrafo é que é hediondo: quem disse que o bem que fazemos remanesce? Falta-lhe niilismo!, diria um irmão mais velho de Rousseau ou Senhor B., se ele tivesse nascido na Vila da Folha! Os amigos são o bem que fazemos pelo caminho!… ops, espera aí…

Your death does injury to no one? I understand you! You think the loss I shall sustain by your death of no importance; you deem my affliction of no consequence.” Não, imbecil – teu amigo até te convidou para te matares junto com ele; não sejas tão presunçoso!

Are not you apprehensive left your death should be attended with a loss more fatal, which would deprive the world and virtue itself of its brightest ornament?” Tudo isso de uma pessoa que você acaba de chamar de wretched?! O que é um fodido para o mundo, se talvez nem Platão tivesse sido nada de mais? Deixe que os outros trabalhem e superem cristianamente sua perda – ou não seriam ovelhinhas dignas de seu bom pastor!

And if she should survive you, are not you afraid to rouse up remorse in her bosom, which is more grievous to support than life itself?” Mais uma vez subestimando a força mental feminina, Rousseau, apenhei-o no pulo! Ou era só um tique de um de seus personagens?! Mas cuidado quando, ao redigir uma ficção, não acabe recheando a trama apenas de elementos do mundo real – como essa podre religião milenarista que é o alvo de toda a discussão pelo correio! Ou vai acabar estragando a própria “coisa real”, os resquícios de dignidade que ainda pudessem haver em ser cristão!

do you owe nothing to your native country, and to those unhappy people who may need your existence!” Ah sim, sempre somos mais úteis como potenciais soldadinhos que levarão canhonadas no bucho à próxima briguinha de príncipes que surgir no “jardim Europa”!

The laws, the laws, young man! did any wise man ever despise them? Socrates, though innocent, out of regard to them refused to quit his prison.” Errado: Sócrates seria muito mais obediente à lei se aceitasse o exílio. Ele foi egoísta e anti-ateniense. Não só isso, mas seu ato de fato derrubou Atenas, iniciou sua lenta decadência… Poder-se-ia inverter a sentença rousseuana com total certeza de não incorrer em erro algum: algum homem sábio já deixou de desprezar as leis de seu país? E é Rousseau quem fala aqui, um revolucionário, ou pelo menos um dos antepassados dos revolucionários europeus que conhecemos e enaltecemos… que ironia repulsiva!

Thou weak and abject man! what resemblance is there between Cato and thee?” Agora o cristão está fazendo acepção de pessoas? Quando antes não fazia nem entre humanos e pulgas!

Ah vain wretch! hold thy peace: I am afraid to profane his name by a vindication of his conduct. At that august and sacred name every friend to virtue should bow to the ground, and honour the memory of the greatest hero in silence.” Parece que CATO, O SUICIDA era inexoravelmente adorado pelos moralistas de Pla(n)tão do século de Rousseau! Sendo assim, não é o suicídio que irá macular a imagem de ninguém para as gerações futuras, estou correto?!

When Rome was no more, it was lawful for the Romans to give up their lives” Cada um tem seu conceito privado de Roma – interessante, pois eu tenho também o meu!

But thou, what art thou? what hast thou done?” Ainda bem que isso é ficção. Mas estou com medo – extemporâneo, embora – da possibilidade de Rousseau ter induzido mais de um de seus “amigos” à auto-supressão após a leitura de suas delicadas cartinhas, em sua vida pessoal! “Você é um verme, você não tem a grandeza necessária para recorrer ao suicídio” – é como pedir a prova, chamar ao desafio! Imagine o estado de espírito de alguém já muito aflito lendo tais “exortações”!

Know, that a death, such as you meditate, is shameful and surreptitious. It is a theft committed on mankind in general.” Foda-se! A humanidade nada tem a ver com a droga do suicida, ESSE É TODO O DEBATE, e isso não devia escapar à pena do mais sensaborão dos romancistas! Ajuste a perspectiva, pare de falar da grandeza do mundo, reduza-a até os olhos de uma mosca – ou de um depressivo – se preciso!

distribute my fortune; make me rich.” Melhor frase de Rousseau em todos esses fragmentos! Enfim, na escala “evolucionária” R. é o elo perdido entre os padrecos metafísicos que escreviam para o público em vez de apenas meditar de si para si mesmos (sem importunar ninguém) e “os filósofos”, no sentido clássico. Rousseau era uma aranha que não suportava tecer teias, e odiava os filósofos mais do que qualquer filósofo médio já os odeia, por necessidade da vocação… Com um ódio não-justificável, isto é! Porque a postura de Hume, Kant ou Schopenhauer contra a filosofia é bem diferente, bem mais digna…

NOTAS ACERCA DAS “CARTAS”

Surpreendentemente os autores das notas a Rousseau parecem não ter relação com os autores das notas a Hume (autênticos padrecos de paróquia), ou então eram os mesmos sujeitos em dias muito mais bem-humorados ou ensolarados de suas vidas, porque não grifei nenhuma passagem em verde, nada li de absurdo nessas linhas finais!

Is the letter a forgery, or does the author reason only with an intent to be refuted? [toda ficção é forjada, ora] What makes our opinion in this particular dubious, is the example of Robeck, which he cites, and which seems to warrant his own. Robeck deliberated so gravely that he had patience to write a book, a large, voluminous, weighty, and dispassionate book; and when he had concluded, according to his principles, that it was lawful to put an end to our being, he destroyed himself with the same composure that he wrote.” O que dizer desse tal Robeck ou Roebeck ou Röbeck? Nem o conheço e já o estimo tanto, muito mais que Tertuliano (autor de uma homília chamada Sobre a virtude da paciência)!

how many instances are there, well attested, of men, in every other respect perfectly discreet, who, without remorse, rage, or despair, have quitted life for no other reason than because it was a burden to them, and have died with more composure than they lived?”

The power of committing suicide is regarded by Pliny as an advantage which men possess even above the Deity himself.

Deus non sibi potest mortem consciscere si velit quod homini dedit optimum in tantis vitae paenis.’

Lib. II. Cap. 7”

THE RADICAL CASE – Tom O’Carroll, 1980, 2013.

LEGENDA:

vermelho e negrito – trechos mais importantes, cerne do livro.

verde – desaprovo a idéia exposta

azul – meus comentários

PREFACE

I am a paedophile, and in the chapters that follow it will become apparent why I have felt it necessary to crash through the barriers of societal disapproval by speaking out. The fact that I have been able to do so owes much to the work, described in Part Three, of the Paedophile Information Exchange (PIE), a group with which I have been closely connected, which has been campaigning since its inception in 1974 for the open discussion of paedophilia, and for abolition of the laws against consensual sexual acts between children and adults.

PIE’s struggle has been a tough one. There have been threats, and violence, against us. Members’ careers have been shattered following ‘exposure’ in the press, and now, thanks to charges of ‘conspiracy to corrupt public morals’ levelled against PIE’s organisers (including myself), this struggle is about to see us into the dock at the Old Bailey. The writing of this book has been jeopardised on 2 occasions, in 1978 and 1979, when police raided my house, along with those of other PIE members, and seized a large quantity of research material. By the merest good fortune, the material seized on each occasion consisted largely of papers I had already studied and used in the draft of my book.

Such pressures are the penalty to be paid for speaking the unspeakable. And yet it is arguable that the ‘radical’ case presented here is not so radical at all. There are elements of our case on which PIE and myself no longer stand alone, and cannot easily be dismissed as a libertarian ‘lunatic fringe’: the recent report of the National Council for One Parent Families, Pregnant at School, has called for the abolition of the age of consent, for reasons which are completely in line with those advanced in relation to sex education, contraception and pregnancy in this hook, and there are other, equally ‘respectable’, bodies that now support the abolition, or lowering, of the age of consent. In the Netherlands, as readers unfamiliar with developments in Europe will discover in the coming pages, even major church organisations and political parties are coming to the conclusion that the laws designed to ‘protect’ children from sexual experiences actually do them more harm than good.”

families which deny children their sexual life, including the possibility of sexual contact with adults, are profoundly limited, however good they may be in other respects.”

As a lover of boys, I find myself tending to write more about relationships between boys and men than other forms of paedophilic encounters, including the apparently far more numerous contacts between girls and men. I have made a determined effort, however, to write a book on ‘paedophilia’, rather than on ‘boy-love’. There are already a number of books about the latter which strike me as far too parochial. Some boy-lovers write as though girls did not exist – especially as they fail to address themselves to the all-important question of consent, which can only be fully answered by reference to the impact that adults of either sex can have on children of either sex in sexual encounters. Unfortunately, a book on general ‘paedophilia’ runs the risk of obscuring important psychological differences, at least so far as male paedophilia is concerned, between boy-love and girl-love – differences which have major implications, especially for feminist critiques of paedophilia, which are sometimes over-reliant on a unitary view of the male sexual psyche.”

I find it irritating to write about ‘the penis’, ‘the vagina’, ‘masturbation’ and ‘sexual intercourse’. To use the 4-letter equivalents of these words – providing it is not done in an aggressive, expletive way – enables one to de-medicalise sex, to talk about it in the enthusiastic way that healthy folk think about it.”

Surprisingly enough, the point has been well taken by at least one group of relatively enlightened psychiatrists, Kraemer et al., in their book The Forbidden Love. Nevertheless, I have deferred to the view of my publisher, who feels that what I have to say is already controversial enough, and that any use of four-letter words could alienate otherwise sympathetic readers. I have at all points referred to ‘children’ rather than ‘kids’. Personally, I like the word ‘kids’. I find it attractive in the same way that it is pleasant to call a friend ‘Bill’ instead of ‘William’, or ‘tu’ instead of ‘vous’: it implies closeness, familiarity, friendly regard. But I also recognise that the word ‘kids’ is not a million miles from the idea of ‘mere kids’, or ‘little nuisances’. As readers will discover, this is not an idea I would wish to reinforce. Hence I have felt a formal designation to be appropriate.”

real names have not, for obvious reasons, been used.”

1. THE SEEDS OF REBELLION

It has always been hard for me to believe that there are children, boys or girls, who actually like erotic involvement with people much older than themselves. Harder for me, probably, than for a lot of those who so violently denounce paedophilia. So throughout my early adult years, that so many boys were on account of this was almost too good to me to be true, an impossible dream; although I learned to talk to them, shyly, tentatively, I never came even remotely close to sexual involvement.”

As an individual, I didn’t personally feel any need for non–parental adult affection, still less adult sexuality, any expression of which would have distressed me.”

Like many another child, when I was first told the facts of life (at school), my reaction was ‘My Mum and Dad couldn’t possibly do anything as dirty as that!’

There are those who will detect in all this the aetiology of my ‘perversion’. Let them. I am not interested in why I am a paedophile, any more than others are interested in why they are ‘normal’.”

But there are also plenty of children whose parents, fortunately, have a relatively healthy, animalistic view of sex. Their children grow up curious about it, wanting to know more about what Mum and Dad get up to, wanting to join in themselves, not being terrified of it, eager to involve themselves sexually with peers and adults alike.”

I was engaged to be married, for a while. She liked me well enough, and would have gone through with the marriage, given an ounce of encouragement. I told myself I loved her, in a Gideon,¹ cerebral way at least, and I tried to fool myself that I would come to love her body with more familiarity. Or rather I would lose my revulsion for it, just as a loathing for spiders can be mastered if one grits one’s teeth and makes a determined effort to get close to the little beasts.”

¹ Figura bíblica

after only a few months the engagement was broken. My few belaboured, pitiful performances between the sheets, all role-playing and false passion, should have told me the inevitable fate of any future such liaisons, but that did not prevent me trying again, many times.”

My hope was to find someone who wanted a man about the place to be a father and a breadwinner (or else house-husband to a career woman), rather than a giver of sexual love. At first I coyly described myself in the ads as ‘fond of children’, and met a number of divorcees and separated women, some of whom already had delightful children of their own.

In fact all sorts of women answered my ads, including, for no reason I could fathom, lots of nurses. One of these was a Chelsea swinger, who insisted on fellating me within an hour of meeting. It was a sort of sexual first aid, because I had told her I wasn’t very good at making love.”

astonishingly they accepted an ad in which I described myself as ‘crazy about choirboys, cub scouts and Alice-In-Wonderland little girls’. Even more astonishingly 7 women replied to it, though not one of them had taken what I said literally. Yet again I found myself faced with a dreary round of explanation and failure.”

If I had only lied my way out of it, all would have been well. The Head all but invited me to. ‘What’s all this about you telling a boy you love him?’ he said. ‘Surely it’s just a misunderstanding, isn’t it? You didn’t actually say that did you? Or maybe it was a joke of some sort?’

My suspension was to be lifted, and I was to receive sick pay for an indefinite period, under psychiatric attention, until such time as I was deemed medically fit to work again. At that point I was to be transferred to a teaching post elsewhere in the city.”

In some ways I was lucky. Despite everything, I had the unfailing, and doubtless ill-deserved, support of my parents. I had friends: old, loyal friends from my own schooldays. My staffroom colleagues were good to me too: they still made me feel welcome of an evening, over a beer at the local teacher’s club. Even the lonely daytime hours were less barren than they might have been, for I was at least able to apply myself to writing a novel with a paedophilic theme.”

That was my nadir. My time of total despair. Against the backcloth of all that had happened to me I couldn’t be relaxed, and cheerful and spontaneous with lads, as one needs to be. Instead I made a nervous, dry-mouthed, guilty, almost totally out-of-the-blue pass at the paper boy – whose own conversation had never been at all earthy or overtly sexual. The tension in my manner transmitted itself to him. I was behaving like a classic Strange Man, the kind of guy the poor child might have expected to leave him strangled in a ditch. Not surprisingly, he was terrified, and the more I tried to sound kind and reassuring, the more inescapably I knew I was sounding – and indeed behaving – like the loony I appeared to be.”

I had built my life on the belief that I loved boys. Yet for the sake of my lust there I was, large as life, terrifying a poor child out of his wits. There was no way in which I could fail to accept total culpability. It was different with Chris. I could blame all the trouble on the parents who were poisoning his mind, or the school who had sacked me for no more than being in love with a boy and saying so. But as I stood there face to face with Kevin, looking into those frightened eyes, I felt that every last shred of my integrity lay in tatters. I was nothing. Just a shit. Just a child molester.”

In fact I had neither the gun nor the courage, and although I went so far as to hack away at myself somewhat ineffectually with a blunt kitchen knife, I accepted my father’s timely intrusion without demur. I felt pathetic, gutless and lost. There seemed no move to make that could possibly make things better, and existence just drifted on, from one numb day to another.”

Why am I saying all this? What can be the point of rattling the skeletons in my own cupboard so publicly? There are several reasons, but perhaps the most important is that in doing so I will have given quite a powerful indication that it is not my intention to dodge any issues, or overlook any unpalatable truths. I know from my own life that there are problems, immense problems, in paedophilia” “People do not turn to paedophilia to avoid the responsibilities of an adult relationship, as some would have it believed – it seems to me that the responsibilities of a relationship with a child are in any case more onerous than one with an adult, not less.”

2. CHILDREN’S SEXUALITY: WHAT DO WE MEAN?

Não é o melhor caminho citar Psicanálise se se pretende um estudo sério!

Some even hide behind Freud to do so. Mary Whitehouse, leading British campaigner for so-called ‘morality’, talks of ‘the latency period’ when she wants to convey the idea of childish innocence.”

It is now medically recognised that masturbation, for instance, is entirely harmless, but most parents and teachers still steer children away from it and from any other expression of sexuality.”

The orgasm in an infant or other young male is, except for the lack of ejaculation, a striking duplicate of orgasm in an older adult . . . the behaviour involves a series of gradual physiologic changes, the development of rhythmic body movements with distinct penis throbs and pelvic thrusts, an obvious change in sensory capacities, a final tension of muscles, especially of the abdomen, hips and back, a sudden release with convulsions, including rhythmic anal contractions followed by the disappearance of all symptoms.”

Kinsey, Sexual Behaviour in the Human Male

In 5 cases of young pre-adolescents, observations were continued over periods of months or years, until the individuals were old enough to make it certain that true orgasm was involved; and in all of these cases the later reactions were so similar to the earlier behaviour that there could be no doubt of the orgastic nature of the first experience.” Como raios fizeram esse acompanhamento? Qual foi a metodologia ‘íntima’??

In the volume on the female, Kinsey reports the ‘typical reactions of a small girl in orgasm, made by an intelligent mother who had frequently observed her 3-year-old in masturbation’ [!!]. The mother had reported:

Lying face down on the bed, with her knees drawn up, she started rhythmic pelvic thrusts, about one second or less apart. The thrusts were primarily pelvic, with the legs tensed in a fixed position. The forward components of the thrusts were in a smooth and perfect rhythm which was unbroken except for momentary pauses during which the genitalia were readjusted against the doll on which they were pressed; the return from each thrust was convulsive, jerky. There were 44 thrusts in unbroken rhythm, a slight momentary pause, 87 thrusts followed by a slight momentary pause, then 10 thrusts, and then a cessation of all movement.

There was marked concentration and intense breathing with abrupt jerks as orgasm approached. She was completely oblivious to everything during these later stages of the activity. Her eyes were glassy and fixed in a vacant stare. There was noticeable relief and relaxation after orgasm. A second series of reactions began 2 minutes later with series of 48, 18 and 57 thrusts, with slight momentary pauses between each series. With the mounting tensions, there were audible gasps, but immediately following the cessation of pelvic thrusts there was complete relaxation and only desultory movements thereafter.”

Most of the activity occurred between the ages of 8 and 13, though there was some activity at every age.”

The cessation of pre-adolescent sex play in the later pre-adolescent years was taken by Fraud and many of his followers to represent a period of sexual latency. On the contrary, it seems to be a period of inactivity which is imposed by the culture upon the socio-sexual activities of a maturing child, especially if the child is female.

Pre-adolescent masturbation is, on the other hand, usually carried over from the pre-adolescent to the adolescent and adult years, probably because it does not fall under the restraints which are imposed on a socio-sexual activity.”

The most remarkable aspect of the pre-adolescent population is its capacity to achieve repeated orgasm in limited periods of time. This capacity definitely exceeds the capacity of teenage boys who, in turn, are much more capable than any older males.”

His work was undertaken among a sample of the white population in the United States, and although it is remarkable that so much pre-adolescent sexual activity was found to occur in such a society, which like our own has been traditionally divided between attempts on the one hand to deny that it exists and on the other to stamp it out, it is probable that much more sexual expression would be found in a similar survey undertaken in a sexually freer culture.”

Just as the homosexual activities of the Ancient Greeks were carefully censored from the attention of generations of schoolboys by Christian pedagogues, so there has been a similar conspiracy of silence on sexual behaviour in other cultures. Have you ever seen a TV documentary on child sex? Cameras and crews have been to all the right places, deep up the Amazon and into the Australian outback, but they never report on what the scholars know about juvenile sex.”

In a few permissive societies adults participate actively in the sexual stimulation of infants and young children. Hopi and Siriono parents masturbate their youngsters frequently.” Clellan S. Ford & Frank A. Beach, Patterns of Sexual Behaviour, 1951

Among the Kazak, adults who are playing with small children, especially boys, excite the young one’s genitals by rubbing and playing with them. In this society autogenital stimulation on the part of young children is accepted as a normal practice. Mothers in Alorese society occasionally fondle the genitals of their infant while nursing it. During early childhood Alorese boys masturbate freely and occasionally they imitate intercourse with a little girl. As the children grow older, however, sexual activity is frowned upon and during late childhood such behaviour is forbidden to both boy and girl. Actually, however, they continue their sexual activity, but in secret.”

Simulated coitus? At this point Ford and Beach slip into the same error as Malinowski, on whose famous study of the Trobriands they were relying. When Malinowski heard about real intercourse between quite small children, he simply couldn’t believe his ears, as might be expected in anyone with a Western background”

Some of my informants insisted that such small female children actually have intercourse with penetration. Remembering, however, the Trobriander’s very strong tendency to exaggerate in the direction of the grotesque, a tendency not altogether devoid of a certain malicious Rabelaisian humour, [!] I am inclined to discount those statements of my authorities. If we place the beginning of real sexual life at the age of 6 to 8 in the case of girls, and 10 to 12 in the case of boys, we shall probably not be erring very greatly in either direction”

B.M., The Sexual Life of Savages in North West Melanesia

There are, indeed, some societies in which enforcement of the prevailing incest regulations is the only major restriction on sexual activity among adolescents”

Ford and Beach report a number of institutionalized child-adult sexual contacts:

Among the Siwans (Siwa Valley, North Africa), all men and boys engage in anal intercourse.”

Among the Aranda aborigines (Central Australia), ‘pederasty’ is a recognised custom . . . Commonly a man, who is fully initiated but not yet married, takes a boy of 10 to 12, who lives with him as his wife for several years, until the older man marries.” Exemplo famoso.

They are convinced that boys can become pregnant as a result of sodomy, and a lime-eating ceremony is performed periodically to prevent such conception.

Of course, boys do not become pregnant. The Keraki got it monumentally wrong, and factors such as this make it all too easy for ‘advanced’, ‘superior’ westerners to assume that the customs of ‘primitive’ peoples can teach us nothing.” Quando há relato etnográfico de ingenuidade tão tocante, é quase certo que se trata de erro do próprio antropólogo, inclusive!

I do not feel we should ‘single out as peculiar’ men who fail to engage in anal intercourse, nor do I think fathers should push their children into unwanted sexuality, any more than they should prevent their sexual expression. Nevertheless, these accounts indisputably show us that given the opportunity children do develop a sexual life of their own, in which there is no ‘latency period’.”

AS LIMITAÇÕES DA RAÇA (CHAMADA HOMEM!):‘it may be thought that the need for continual sexual expression is only felt compulsively from adolescence onwards (and even then perhaps more in males than females), possibly due to the biologic, hormonal changes that occur around and immediately prior to puberty. Studies have revealed many cases in which the absence of hormones, following castration in men, and the menopause in women, makes no difference, or very little difference, to the continuance of pre-existing levels of sexual activity.’ Sexual feelings and behaviour patterns appear to depend on a much wider variety of factors than hormones alone.”

Kinsey points out that the average frequency of sexual outlet between adolescence and the age of 30 is 3 times per week. However, ‘There are a few males who have gone for long periods of years without ejaculating: there is one male who, although apparently sound physically, has ejaculated only once in 30 years. There are others who have maintained average frequencies of 10, 20, or more per week for long periods of time’

Perhaps the most famous study, even now, is that of 1937 by Bender and Blau, in which the authors stated:

This study seems to indicate that these children do not deserve completely the cloak of innocence with which they have been endowed by moralists, social reformers and legislators. The history of the relationship in our cases usually suggested at least some co-operation of the child in the activity, and in some cases the child assumed an active role in initiating the relationship.’

Interestingly, Bender and Blau’s attitude was highly traditional. They considered it their task to stop children from having an interest in sex. Their hospital ‘therapy’ was designed deliberately to crush sexual expression and to divert attention to more ‘normal’ childish interests.”

In many of the sexually freer cultures described earlier children were allowed to watch their parents’ intercourse, or were masturbated by their parents, without any discernible adverse effects in terms of creating anxiety or emotional disturbance.” “One should also add that children who come to the attention of psychiatrists account for only a proportion of those who have sex with adults – a very tiny proportion at that. Others, with more satisfactory home backgrounds, are far more likely to have undetected relationships.”

One wonders what ‘political’ motives J. Weiss et al. (‘A study of girl sex victims’, Psychiatric Quarterly, Vol. 29, 1955) would have come up with to explain Virginia’s sex play with a dog, without twigging the simple possibility that it turned her on!”

3. THE ‘MOLESTER’ AND HIS ‘VICTIM’

Take, for instance, the little girl who will happily smile at and chatter to a ‘nice man’, and will sit across his knee with her legs apart. If the man is susceptible to paedophilic feelings, he may be tempted to see this as ‘seductive’ behaviour, when the child in fact may be quite unaware of the way he is interpreting events – she may be exhibiting, in the traditional sense, all the ‘innocence’ of childhood (even though, quite independently, she may also be highly sexed and know how to give herself an orgasm).”

The various ‘participant victim’ studies reveal that children in this category are, typically, affection-seeking. In the bodily closeness of a caressing and touching relationship, it is exactly this sought-after affection that the paedophile provides.”

That there are men – particularly men – in our society who are presumptuous in matters of sex is all too obvious: nearly every woman is familiar with having to run an uncomfortable gauntlet of male presumptions, from wolf-whistling and ‘flashing’ to bum smacking and, for an unfortunate few, rape. As feminists have pointed out, some of this behaviour may spring not just from false presumptions as to what is acceptable to women, but from utter indifference to what is acceptable, or even from outright hostility.

At any rate, the fact is that we do live in a sexist society. Men are encouraged by their social and sexual upbringing towards exactly the attitudes of arrogant, aggressive, flesh-consumerism of which they stand accused.”

What I hope to show, however, is that there is much in consensual paedophilia, as opposed to child molesting, that presupposes a gentle, almost feminine type of sexual expression, rather than one which conforms to the masculine stereotype of dominance and aggression. Many people do not realise that there are consensual paedophilic acts, precisely because society makes no distinction between these acts and aggressively imposed ones. This absurdity is reflected in the legal phrase ‘indecent assault’, which covers not only cases of assault in the usual sense of that word, but acts which the child agreed to and perhaps, as is often the case, initiated.”

Far from being unrestrained sex maniacs their approaches to children are almost always affectionate and gentle, and the sex acts which occur, mostly mutual display and fondling, resemble the sexual behaviour that goes on between children.”

D.J. West

Miriam Darwin in the survey of 74 child victims in the California study was unable to show a case in which violence was used.”

Despite half a century of Fraudian indoctrination about infantile sexuality and despite changes of attitude concerning most other sexual deviations, abhorrence and fear of paedophilia have not decreased. Through parents and schools and other community groups children are constantly warned to look out for ‘The Stranger’ and to distrust anybody they do not know. Unfortunately the picture presented usually does not fit the facts of most cases and therefore affords little protection to the child. The danger of creating paranoid and xenophobic (fear of strangers) attitudes can be more damaging to child-rearing in general than paedophilic occurrences.”

Mohr & Turner

Although repeated researches (see Radzinowicz, 1957) have shown with great consistency that sexual offenders tend to keep to one particular type of sexual behaviour, often of a very partial kind, and very rarely gravitate to more serious types, this fact is strongly resisted by even the informed public. The rare exceptions receive great publicity, and in a population of 50 million even a rare event occurs somewhere every month or so. Such stereotypes profoundly affect the attitude of parents.”

I feel that children are likeable to paedophiles in ways that are not purely physical; this would be consistent with the idea that the paedophilic offender may actually feel affection for his victim. Lest you feel it is self-evident that someone committing a sexual assault likes his victim, I would point out that in a previous study I found results which suggested that some rapists, for example, commit offences in states of heightened anger arousal and appear to be concerned to hurt rather than to achieve sexual gratification.”

For a variety of good reasons, many sexual radicals completely reject medically-derived means of categorisation, which since Krafft-Ebing’s day have built up a picture of ‘the homosexual’ and ‘the paedophile’ as clinical entities”

The Concise Oxford Dictionary defines paedophilia as ‘sexual love directed towards a child’. It is interesting that the endlessly difficult word ‘love’ should find a niche in this definition. I am glad that it has. I find it more appealing, more related to my own sentiments than the more colourless alternative ‘sexual attraction towards a child’, and the inclusion of the word ‘love’ automatically excludes the possibility of ‘paedophilia’ being used in the context of ‘sexual hate directed towards a child’, i.e. sex based on hostility, such as that involved in the sadistic rape or murder of a child.” “What is being described here is what David Swanson calls ‘the classic paedophile’, whose other predominant characteristic is that he has a consistent and often exclusive interest in children as sexual partners. What is meant by ‘co-operation’ here is that the paedophile is ‘turned on’ by situations in which the child is erotically active. As long ago as 1912 this was pointed out in an important and sometimes overlooked work by Moll, who wrote: ‘handling the child’s genitals plays the chief part, frequently because the offender can himself obtain sexual gratification only through inducing sexual excitement in the child and watching this excitement.’” “All in all, he will want to be liked by children, and is likely to regard them as what the sociologists call ‘significant others’ – ones who count.”

In symbolic interactionist terms, some adults see children as ‘significant others’ whose judgements and appreciation are crucial for the adult’s self-concepts. Such adults would not jeopardise their self-concepts by committing acts which would detract from the child’s regard for them. We suggested, therefore, that among molesters who regard children as significant others, the offence would be of a nature not likely to alienate or harm the child.”

Charles McCaghy

It is a view widely held and one which found favour among our police and legal witnesses, that seduction in youth is the decisive factor in the production of homosexuality as a condition, and we are aware that this view has done much to alarm parents and teachers. We have found no convincing evidence in support of this contention.”

Wolfenden Report

Gagnon and Simon have pointed out that psychosexual orientation and responses are not learned in specifically sexual situations anyway, but rather through non-sexual interactions in early childhood. By around the age of 6, children have already developed ideas about what is ‘male’ and ‘female’ behaviour, and what is the ‘right’ behavioural pattern for them.”

More general anxieties on behalf of ‘the victim’, particularly the question of whether she or he will suffer psychological damage as a result of the experiences in question, are at least partly derived from the imposition of the very term ‘victim’ onto all child-adult sex relations, irrespective of whether they are forceful or gentle, unacceptable or acceptable to the child. The ultimate absurdity in clinging to the false distinction between ‘molester’ and ‘victim’ is to be found in a term encountered earlier, that of the ‘participant victim’. Those researchers who adopted this curious term presumably felt they had to make some concession to orthodox thinking: society could not all at once be expected to understand the idea of child-adult sex in which there was no victimisation.

Perhaps because ‘men’ are assumed to be the victimisers, I find that women are more apt to cling to the image of the child as a victim. Yet, ironically, it is 2 women researchers who have done much to dispel this myth.

Lauretta Bender was one of them. Her description of a group of sexually active children was followed up 16 years later by a further study of the same children, which looked into the question of whether there had been any discernible psychological damage evidenced in failure to develop a satisfactory adult life, both sexually and generally. She found no problems which she felt could reasonably be attributed to the sexual experiences. Remember 7-year-old Virginia, who had sex with a janitor? The experience neither put her off sex for life, nor made a nymphomaniac of her. She became a nurse, married at 21 and, in the words of the study, ‘became a happy wife and mother’.”

The psychological effects of sexual ‘assault’ on children have been researched on a scientifically rigorous basis (in a way which Bender’s studies never pretended to be) by Lindy Burton. Although Burton’s study included cases which could properly be called ‘assaults’, she is at pains to emphasise the consensuality often present in others.”

“‘Perhaps the most significant single characteristic of sexually assaulted children is their tendency to seek affection. The characteristic was noted by teachers (who did not know of their sexual experience) on both year’s testings. The most frequent comment regarding their behaviour was that they tended to sidle up to and hang around the teacher. In addition they were described as very anxious to bring objects to the teacher, always finding excuses for engaging him, very anxious to be in with the gang, trying to become the centre of attention, and tending to flashy dressing.’

While she suggests the possibility that the affection-seeking may represent a need to cling to familiar adults following an unsettling experience, Burton also recognises a totally different alternative (which is supported, as she says, by other studies), that children who need affection meet their sexual experiences in the course of their search for it. Burton even concedes that a further possibility cannot be ignored: ‘The affection seeking behaviour observed in this study might also indicate an attempt on the part of the child to replace the adult with whom he had a sexual relationship.’

Burton’s work was not designed to test the motive behind affection-seeking behaviour, however; so far as her study is concerned, the above comments are only speculations.”

Interestingly enough, some studies have indicated that those children who appear to make the quickest ‘recovery’ from sexual ‘assault’, are not the ‘participant victims’ but the ‘accidental’ ones: the minority who are molested in the true sense, in public parks, playgrounds and so on. Yet the paradox is easily explained. The ‘accidental’ victim is likely to receive a great deal of parental sympathy and support in relation to the incident. On the other hand, the child who is ‘found out’ having a relationship with an adult is likely to be made to feel guilty about it – especially by parents struggling to repress any unwelcome thoughts that their own inadequacies (especially in failing to give their child affection) could be responsible for the relationship developing in the first place. The issue is complicated slightly by the fact that some ‘participant victims’ come from homes which show no sensitivity at all to the prevailing sexual mores of society.”

The real disturbance may be much greater, however, in cases where the parents are very strong on ‘morals’, but not so good at being warm and loving towards their children.”

Take the case of an 11-year-old boy whose parents overheard him tell his brother about a man who was ‘having sex’ with him. There was a family scene, mother crying, father pacing up and down and vowing he would ‘kill the bastard’. The police were called in. The boy was interrogated over and over again by both parents and police.

The boy was taken to the police station where he was told to lower his trousers. A doctor examined his penis, retracting the foreskin. The boy was made to bend down while the doctor put a lubricated rubber sheath on his finger which he inserted into the boy’s rectum. The man was charged, denied it, and the boy was examined by the magistrates. The man was remanded on bail, so in order to prevent the boy meeting him again, he was sent to stay with relatives in Ireland until the trial 3 months later.

What seems to have happened was that the boy was rather deprived of affection from his parents who were cold and undemonstrative. He had often allowed the man to cuddle him, and this sometimes led to the man feeling him inside his trousers. If one can make a strong attempt to master the disgust this might evoke, and consider the possible damage done to the boy by being starved of love at home, by enduring the anger, fearful interrogation, and most of all by submitting to the formal repetition by the doctor of the acts which were causing all the trouble, one can see that the offender was the last one from whom the boy needed protection. As a psychiatrist involved in the case put it, ‘If he hadn’t been buggered by the man, he certainly had been by the doctor.’ I think Ingram’s point is not so much that the doctor’s, ‘buggery’ was awful as an act, but that in the circumstances it was necessarily carried out formally, with cold, clinical indifference to the boy’s feelings. While anal intercourse can itself be experienced as pleasant, within a loving relationship, a doctor’s examination is scarcely likely to be so.” “Nine years later the boy is now 20, cold, repressed, afraid of sex, isolated and friendless, depending on anti-depressants to make his moods tolerable.”

Only 3 years ago in our own country, [Holland] a 13-year-old boy was questioned from 9 A.M. until 5 P.M. in a small barred cell in a police station in order to extract evidence from him. He stubbornly maintained that nothing had happened, until the examiner said, ‘Good. If you keep on lying we will have to turn your friend loose. But your father has told me that he will waylay the fellow and kill him. Then your friend will be dead and your father will get 15 years in the clink for murder. And all because you persist in lying.’ Thereupon the young boy told everything, after which he went into a total psychological collapse.”

Strange, isn’t it, that society professes a concern for the child and obsessively keeps her/him away from adult sexuality as an expression of this concern, yet when – for whatever reasons – sexual contacts are found to have occurred, the child’s real interests fly out of the window. She or he may then be harangued by parents and the police, subjected to medical examination, dragged through the courts and debarred from seeing the adult friend in question. Some concern!”

Paederasty’, an older but not ancient word (first recorded literary usage in 17th century), is unequivocally sexual, by virtue of incorporating the Greek ‘erastes’, meaning (sexual) lover. It has been defined, pejoratively, as ‘sodomy with a boy’ (Concise Oxford Dictionary), and thus denotes a specific act, rather than a predilection or orientation. The word is less in use now than of old, particularly in the last century, when it was virtually a synonym of ‘sodomy’, as the ‘boy’ in question could be a youth or even a young man. The first part of both words comes from ‘pais’, meaning ‘boy’, but only in the case of ‘paedophilia’ has this first part been generalised to include children of either sex.” Curiosa inversão lingüística do grego ao português, em que pais é o exato oposto!

I am often asked what proportion of the adult population is paedophilic and whether more are attracted to boys than to girls, or vice versa. The answer to either question involves definitional problems and the practical difficulty of obtaining accurate data. Is a woman a paedophile if she gets a ‘buzz out of parenthood’? What about those mothers who report genital arousal while breast-feeding? Or fathers who think they are conventionally heterosexual, but who find to their alarm (as sometimes happens) that cuddling a young son can bring on an erection? Do people have to be exclusively attracted to children, or self-defined as paedophilic, for the label to be appropriate? And what do we mean by a ‘child’? Do we take puberty as the upper edge of childhood, or is the word ‘paedophilia’ to embrace the love of pubescent youngsters as well? Finally, in view of all these ambiguities, does the labelling process itself give a false impression of separable categories of people, when in fact the differences between them may be less important than the similarities? The problem of obtaining reliable data is even more difficult. Adults can be asked about their sexual preferences by means of a confidential questionnaire. Or inferences can be drawn about the sexual tastes of those whose behaviour leads them to court appearances for paedophilic offences. Or we can be guided by the professional experience of the psychiatrists to whom paedophiles go for ‘treatment’. None of these methods, or any others I have seen discussed, is at all satisfactory, for a variety of reasons. In particular, it cannot be over-emphasised that criminal statistics are misleading: a high percentage of those convicted of sexual offences involving children are not ‘classic’ paedophiles, i.e., they prefer an adult partner. In addition, only a small proportion of paedophiles have relationships which surface in the law courts. Of the practising paedophiles interviewed by Rossman, only 1% had ever been arrested (Parker Rossman, Sexual Experience Between Men and Boys: Exploring the Pederast Underground, p. 13). Dr. Edward Brongersma has written, ‘In a recently published French study, 129 men (average age 34 years) said they had had sexual contact with a total of 11,007 boys (an average of 85 different boys per man).[!] The laws which make such contact criminal are thus in practice ineffective. This enormously high dark number shows that the law has degenerated to pure arbitrariness against a few unlucky individuals.’

In response to an inquiry conducted among students at Nijmegen Catholic University in Holland, 13% of the boys and 18% of the girls reported that, as children, they had had at least one sexual contact with an adult” “Kinsey had data from 4,441 women, of whom 24% reported that they had been approached while they were pre-adolescent by adult males who appeared to be making sexual advances, or who had made sexual contacts with them. Half of these cases (52%) were of exhibitionism by the adult, and less than a quarter (22%) resulted in specifically genital contact with the child. At the University of California, 35% of the female students reported having had, as children, sexual relations with adults.”

The criminal statistics for England and Wales (…) found that in the year under study (1973) 88% male partners/victims and about 70% of female partners/victims in cases of indecent assault were under 16. In this year, 802 persons (8 of them female) were convicted of indecent assault on a male, and 3,006 (6 of them female) were convicted of indecent assault on a female.”

At the Old Bailey, in 1979, a defendant, Roger Moody, was acquitted of a charge of attempted buggery on a 10-year-old boy, on the directions of the judge, after it emerged that improper police questioning of the boy had yielded an unsound statement by the youngster. A further charge of indecent assault on the same boy was thrown out by the jury after only a 15-minute retirement. Both charges related to one alleged incident when the boy was sleeping on an adjacent mattress to the man during a holiday. The most important single feature of the proceedings was the testimony of the young ‘victim’ in court that he had not made a complaint against the man, but merely accepted the allegations as a possibility, when put to him by the police 18 months after the ‘offence’, and then without a parent being present, as required by the proper procedure for questioning children of that age. In other words – so the jury must have accepted – the police had got him to state that a crime with a maximum sentence of life imprisonment had been attempted, and that one carrying a maximum of 10 years’ prison had actually taken place, even though he eventually accepted in court that whatever he thought had touched him might have been a hand, and it might have been accidental, and it was as he was just waking up anyway. Interestingly, Roger Moody had freely admitted to being a paedophile and that he had a great deal of affection for the boy. The fact that, in the full knowledge of this, both judge and jury were unhesitatingly in favour of acquittal, amounts to a massive indictment of police handling of the case.”

4. PAEDOPHILIA IN ACTION

Sometimes he had fits of being playful, or when he wanted to kiss me he liked to pull my pigtails or tickle me in the ribs or give me a big cuddle. Once I saw him looking down my blouse as I was stooping to pick strawberries, and that is quite a discovery for a rather slim lass of that age, especially when you, as I was then, are terribly proud of the little breasts already beginning to form.

I well remember that I went red but carried on as if I hadn’t noticed, but felt like undoing my blouse to let Uncle Herman see even better that I was a growing girl. First I didn’t dare, but later about midday when we were hoeing I said that the heat was stifling (it was a very hot day) and, very bravely, took off my blouse so as to be just like Uncle Herman and looked very sportsmanlike showing my naked torso. I was, of course, too young for a bra.

The way he looked at me standing there in my jeans! But, funnily enough, I wasn’t shy any more. The hoeing was soon finished and we suddenly felt like a drink of lemonade, logically because the little drawing room in the summer house that Uncle Herman had built could not be seen from the other allotments.

He was just different from other occasions and I remember that he was flattering me terribly; that I was so big and that he had no idea (as if I didn’t know better) that I already had a bust, and whether growing didn’t hurt, and whether I knew they were not often so big to start with. . . . It was just small talk, but naturally I lapped it all up.

And I didn’t mind at all him squatting in front of me, when I was sitting on a tree stump, and feeling my small breasts and rubbing his fingers over my nipples. It was not nasty, dirty or repulsive because, well, because it was Uncle Herman. This is something that can never be explained, naturally, but can only be felt if you knew him as we children did. There was no question of a schoolgirl ‘crush’.

As always, one thing led to another, as far as I can remember it was hardly 10 minutes before I was standing stark naked in front of him, but well inside the house, safely behind the curtains. And even that seemed to happen of its own accord. When I folded my arms behind my head, because I had discovered in the mirror at home that it made my breasts look bigger, Uncle Herman said that I would soon be getting hairs too under my armpits, and I proudly blurted that I had some ‘down below’. This he would not believe (or pretended not to) because my armpits were still bare and, when I insisted, he of course dared me to prove it. When I began to take off my jeans he drew me further indoors, I knew that I had not planned to undress completely but, when I had taken my jeans down far enough to show him a few blonde hairs, I suddenly became very daring and stripped them off.

Naturally I knew that my little naked body didn’t look like anything, but then I felt almost like a film star, for Uncle Herman looked at me as if I were Sophia Loren. It was, of course, a funny feeling standing there naked, but not at all nasty, as it had been shortly before at the sports examination for basketball, when I had to take my knickers down. I was quite at ease with Uncle Herman and I remember vaguely that he said that he felt it was such a pity that he hadn’t got such a nice daughter (Uncle Herman and Aunt Koosje had no children). In any case he was being paternal, but not for long, for when I sat on his knee he began to kiss me and to stroke my breasts, belly and thighs with his big hands. Very soon his fingers were busy between my legs.

I experienced this as a tremendous sensation, not so much from what I felt, but from what he did. I think that I understood that he liked young girls and had grasped his chance and I willingly allowed him to do what he wanted. He was so dear to me and said such nice loving things. I look back on it now as an odd but fine first experience; in fact I liked it so much that, when I went home, I asked if I could come and ‘play Eva’ (as he called it) again. Uncle Herman wanted that, too, and we arranged to go to the allotment on the following day after the evening meal. Uncle Herman often worked there, but now no work was going to be done.

I wanted to pull off my dress at once but he pulled me towards him and began to talk to me terribly seriously and to say that we couldn’t do it any more and that he could be put in prison for what he had already done; that my parents would never forgive him if they discovered what had happened and so on.

But when I said that I enjoyed his seeing me naked and being stroked all over, we became sort of blood brothers in order to share our secret.

Then he undressed me and laid me on the old battered sofa and kissed me all over. I found it was a wonderful sensation. Gradually this summer I was being completely initiated and ‘woken up’, and soon Uncle Herman took off his clothes too and taught me how a girl can satisfy a man. He taught me all kinds of positions and the pleasures of licking and sucking but he kept himself completely in control (that I find a real achievement) and did not have actual sexual intercourse with me.

He found it, sometimes, sufficient just to look at me, especially when I was doing naked gymnastics for him (I was and still am very supple); then I saw his member get stiff in his trousers. One day we did something really crazy and ran, stark naked except for our rubber boots, through the pouring rain, to pick berries. We had wonderful fun and there was nobody to see us and when, dripping wet, we took refuge indoors again, we dried each other and had sex.

Once again I don’t want to defend what Uncle Herman did and certainly don’t want to praise paedophilia highly, but I spent just as fine a summer as he did. It came suddenly to an end when Daddy, who is a station master, was transferred again and perhaps that was a good thing.”

I myself have spoken to a number of prisoners and ex-prisoners who readily tell me that they can see nothing wrong with an attraction to little boys or girls, as long as any relationship is based on consent – but that they wouldn’t dream of saying the same thing to a prison psychiatrist.”

In the same way that countless women grow up, are married and go through their whole lives without realising that the attraction they feel for other women is, in fact, sexual and that they are really gay, many women do not identify their feeling of love and attraction to children as sexual. Perhaps they don’t really enjoy sex with men, but get enormous pleasure from cuddling, caressing and bathing children. They get satisfaction from this but don’t see their natural spontaneous feelings as anything to do with paedophilia. A friend of mine, whose girlfriend had a baby, enjoyed a close loving relationship with the child and did see it as sexual – they had a lot of fun together.

In Mexico, mothers and grandmothers often lick their babies’ genitals to soothe them to sleep. The babies obviously like it. Is this a sexual assault? Should they all be arrested? It’s well known that babies and small children need to be touched and held a lot, otherwise they suffer severe emotional problems that can continue throughout their lives. So when do we define a touch as sexual? And indeed should we make that distinction at all?

Some would define the sexuality or otherwise of a touch in terms of its effect on the toucher, i.e. if the touch is accompanied by specifically genital arousal in the toucher, then it is a sexual touch. So when the correspondent talks about the ‘enormous pleasure’ women get from cuddling and caressing children, it is a moot point whether this pleasure is genital. In terms both of semantic precision and of the clarity of thought which such precision implies, the distinction as to what is, and is not, sexual pleasure is important. On the other hand, we should not lose sight of the fact that the effect on the child is the important thing in the last analysis. Does it really make any difference to the baby whether the adult who gives it delight by licking its genitals is definitely turned on sexually, or turned on from a more generalised sensuality, or even from the ‘pure’ non-sexual motive of deriving satisfaction from the pleasure given to the child? As the correspondent rightly says, should we bother to make the distinction at all?

Her comments go a long way to explaining why female paedophilia, like lesbianism, is largely invisible in our society. Women have a licence to be intimate with children, and their motives for doing so are invariably interpreted as non-sexual, in all but undeniably sexual situations, chiefly coitus. Thus occasionally a woman appears before the courts if she has allowed or encouraged boys to have intercourse with her. By contrast, in the absence of coitus as a possibility, sexual acts between women and girls are rarely proceeded against. I imagine most people think they never happen and that women just do not want them – yet I personally know women who feel that a major part of their sexual response is towards little girls.

The following account of lesbian paedophilia appeared in Body Politic, the Canadian gay magazine, and relates a story from the youngster’s point of view. As will be seen, concern over the effects of a relationship need not be all one way.

Donna lives in a small town in staunch Presbyterian Ontario where everyone knows everyone else, and where <it’s difficult to be unconventional and almost impossible to be lesbian.>’

Sharon was a teacher at her public school.

She first taught me 6th grade. I guess I was attracted to her then though I didn’t think of it in sexual terms. But then I didn’t think of anything in sexual terms at the time.’

Sharon was a married woman – her husband was also a teacher – and she had 2 children. At the time, she was more than twice Donna’s age. The first woman Donna was actually involved with, however, was Jean.

I worked away from home the summer I was 14. I met Jean and was really impressed by her. But it’s hard to imagine going to bed with a schoolfriend’s mother. It was the next summer before I actually had the nerve to do it. I was 15 – she was 43. She was a beautiful woman, but our relationship was fraught with contradictions. I wanted it and initiated it, but I also felt guilty and fearful; I knew Jean’s life as a 43-year-old wife and mother of 7 children was complicated enough without the added burden of a lesbian relationship with a 15-year-old kid.’

Meanwhile, Donna had maintained a regular correspondence with Sharon.

It seems quite strange, looking back on it, the way we cultivated our friendship. Real child-adult friendships are probably quite rare. We wrote letters even though we only lived a few miles apart; that made it seem a bit furtive, too. I guess we had to be content with melodrama when we had so few opportunities to see each other and when there were no acceptable forms for expressing what we felt for each other. That is, until I came out for the first time.’

By the following summer, Sharon and Donna had been able to contrive some way of spending time together.

I had just turned 16 when I told her about Jean and me. In retrospect my big confession seems sort of unreal. We had been out canoeing and had gone ashore on a small island. It sounds very romantic, doesn’t it? I was a regular little Conspirator. Only it didn’t turn out exactly the way I had planned. I was more or less saying to Sharon <All right, if you feel the same way about me as I feel about you, don’t be afraid. You aren’t leading me astray. You aren’t taking me anywhere I haven’t already been.> Her reaction seemed mostly to be shock. I guess I wasn’t the most tactful 16-year-old.’

But Donna’s coming out about her relationship with Jean eventually did have the desired effect.

Sharon later told me that she felt strongly, almost magnetically drawn to me for those few minutes on the island and that her own responses were what really shocked her. Ours was her first lesbian relationship and seemed, for her, to carry all the significance of a first exploration of her sexual identity. But again I felt guilty. Partly because of society’s condemnation, should the nature of our relationship ever become known. But more because, although Sharon’s sexual orientation is to other women, she has chosen to live a heterosexual lifestyle. And I was a threat to her family – her security. Again, I wondered if maybe I wasn’t taking more from her in emotional support and understanding than I could return.’

In many people’s eyes, it would be inappropriate to say that Donna was a ‘child’ at the time of her association with Jean and Sharon. But what about Beth Kelly, now mature in years, and a radical lesbian feminist, who, as a ‘precocious’ 8-year-old, developed a relationship with a grown woman? She writes:

The first woman I ever loved sexually was my great-aunt; our feelings for each other were deep strong, and full. The fact that she was more than 50 years older than I did not affect the bond that grew between us. And, yes, I knew what I was doing – every step of the way – even though I had not, at the time, learned many of the words with which to speak of these things.

Aunt Addie was a dynamic, intelligent, and creative woman – who refused, all her life, to be cowed by convention. In an extended family where women played out <traditional> housewifely roles to the hilt, she stood out, a beacon of independence and strength. She was a nurse in France during the I World War, had travelled, read books, and lived for over 20 years in a monogamous relationship with another woman. Her lover’s death pre-dated the start of our sexual relationship by about 2 years. But we had always been close and seen a great deal of each other. In the summers, which my mother, brother and I always spent at her seashore home, we were together daily. In other seasons, she would drive to visit us wherever we were living, and often stayed for a month or so at a time…

I adored her; that’s all there was to it. I had never been taught at home that heterosexual acts or other body functions were dirty or forbidden, and I’d been isolated enough from other children to manage to miss a lot of the usual sexist socialisation learned in play.

It never occurred to me that it might be considered <unnatural> or <antisocial> to kiss or touch or hold the person I loved, and I don’t think that Addie was terribly concerned by such things either. I do know that I never felt pressured or forced by any sexual aspects of the love I felt for her. I think I can safely say, some 20 years later, that I was never exploited – physically emotionally, or intellectually – in the least.’

Eglington, Greek Love, Neville Spearman, London, 1971.

https://www.amazon.com/Greek-Love-J-Z-Eglinton/dp/1589636376

5. DO CHILDREN NEED SEX?

The difficulty of getting love and lust together again after they have been firmly severed in childhood is at the root of almost every problem of erotic relations between 2 people.”

James Prescott, an American neuropathologist, has gone so far as to suggest that sexual satisfaction early in life, and sensual – specifically, tactile – pleasuring in infancy, are a direct antidote to violence in adulthood. His theory is based on correlations between levels of violence in 49 pre-literate cultures for which data were available, and certain variables reflecting physical affection – such as the extent in each of the cultures to which infants were cuddled, caressed and played with, and the permitted levels of pre-marital and extramarital sex.

The method of measuring levels of ‘affection’ or ‘violence’ in any particular culture will of course always be open to dispute, but it is worthwhile pointing out that the scales used by Prescott were developed independently, by anthropologists.”

Six societies, apparent exceptions, were characterized by both high infant affection and high violence. But in five of these cultures a high value was placed on virginity and pre-marital sexual repression was the rule. On the other hand, 7 societies were characterized by both low infant physical affection and low adult physical violence. All of these were permissive towards early sexual behaviour – which tends to confirm the therapeutic value noted by some observers of the hugging and caressing of otherwise emotionally deprived children in paedophilic relationships.”

Prescott points to laboratory experiments with animals which are consistent with his theory. ‘A raging, violent animal,’ he says, ‘will abruptly calm down when electrodes stimulate the pleasure centres of the brain. Likewise, stimulating the violence centres of the brain can terminate the animal’s sensual pleasure and peaceful behaviour.’

6. TOWARDS MORE SENSIBLE LAWS

It is now over 4 years since PIE [ver a história do PIE nos capítulos finais] formulated its proposals on the age of consent, in the form of legal recommendations made to the Home Office Criminal Law Revision Committee. At the time, the proposals were received in total silence by the press, although we understand that at least one cabinet minister was impressed.”

7. THE PHILOSOPHY OF CHILDREN’S RIGHTS

The idea that children can have rights in any matter, never mind the contentious area of sexuality, is a new one, and at this stage in history it is still considered incumbent on those who talk of ‘children’s rights’ to provide some philosophical justification of their position.”

This paternalistic conception of children’s rights represents what is now entrenched, traditional thinking, at least in the Western democracies. It is to be seen most clearly set out in the United Nations Declaration of the Rights of the Child, which has its origin in a League of Nations declaration of 1924.” De fato, difícil de imaginar que algo emanado da Liga das Nações, em pleno entreguerras, que só jogou mais sal na ferida, seja sensato.

Thus in Principle 6 it is stated that ‘The child, for the full and harmonious development of his personality, needs love and understanding. He shall, wherever possible, grow up in the care and under the responsibility of his parents.’

Also in Principle 7, on education, it is stated: ‘The best interests of the child shall be the guiding principle of those responsible for his education and guidance; that responsibility lies in the first place with his parents.’Só hipocrisias. Pode-se mesmo dizer de algum indivíduo até hoje que ele teve jamais pais genuinamente sábios e ponderados?

The phrase ‘best interests of the child’ is one we shall be considering a lot during this chapter, for in it is embodied the assumption that the benevolent exercise of control of the child by its parents, or sometimes by the State, is incontestably the correct, indeed the only, way to secure the ‘best interests of the child’.”

When intervention occurs, bureaucratic discretion takes the place of family discretion. The statutes allowing for State intervention imply that the State’s representative will know what is in the child’s ‘best interests’.”

In addition to acts which are criminal for adults (e.g. armed robbery), children may be accused of delinquency for misbehaviour that is not criminal for adults. The so-called status offences, incorrigibility, truancy, running away, sexual precociousness, represent a confused mixture of social control and preventive care that has resulted in the confinement of thousands of children for the crime of having trouble growing up.” Rodham

The classic case of Maria Colwell illustrates the point perfectly. 7-year-old Maria’s stepfather, William Kepple, was found guilty of beating her to death, not long after a court had decided she must leave her foster home to live with him and her natural mother, Mrs. Pauline Kepple. Her natural father died when she was a baby.

Maria had been taken into local authority care when she was 6 months old, after an NSPCC investigation had revealed neglect by her mother. In the years that followed she was fostered with relatives in what was by all accounts a good and loving home, until Mrs. Kepple exercised her parental ‘right’ to the return of the child, unopposed by the local authority social worker in charge of the case.” Cf. https://en.wikipedia.org/wiki/Killing_of_Maria_Colwell.

The bureaucratic view, based on the dogma that every conceivable effort should be made to have the child brought up by its natural mother, was woefully doctrinaire and unsuited to the circumstances of the case. If only the law had had available some mechanism by which Maria’s own views could have been made known – she wanted to stay with her foster parents – the whole ghastly business need never have happened.

Fortunately, publicity surrounding the Colwell case, and others like it, contributed to the success of Dr. David Owen’s Parliamentary Bill which introduced provisions for children to be represented in court by advocates who would represent their interests separately from those of either the parents or the local authorities”

Richard Farson, author of Birthrights, published in the United States in 1974, is perhaps the most famous of them. John Holt, of Escape From Childhood renown, is another, and both owe a debt to the French historian Philippe Ariés, whose book Centuries of Childhood was the first in the field with a coherent development of the idea that the whole concept of ‘childhood’ – of children as necessarily ‘innocent’ and incapable beings – is a relatively recent invention.”

Before the 17th century, children were not thought of as innocent. Only then did innocence become the idea of childhood. It was at that time that children were no longer given indecent books to read and life began to be hidden from them. Previously, adults in the presence of children had talked and acted openly about sex and every other ‘adult’ matter. There was considerable sexual precocity. Louis XIV was in his wife’s bed at age 14. Girls often married at 13.”

(And one must bear in mind that the age of puberty was much higher then than now.)”

Farson rightly points to the power politics of religion coming to take the child’s mind as a battlefield: religion as a factor in education had been a matter of earnest theorizing since Plato, but the stressing of the peculiar importance of the child’s mind, especially the young child, because of his impressionability, was the preserve of the Jesuits of the Counter-Reformation. Hence their well-known saying: ‘Give me a child for the first 7 years, and you may do what you like with him afterwards.’

If it was felt that the child’s mind was a blank, it was at least conceded that his heart, or soul, was another matter. Those who fought for the control of the child’s mind, and through it for his heart and soul, at least began to take the child seriously as a person, even if it was only to mould and change him to a particular straight and narrow development.

Thus we have a curious, and paradoxical state of affairs in which 2 apparently mutually-exclusive views of the child develop hand in hand. One is that of the stern religionist who feels that as we are all ‘conceived in sin’, we are by nature sinful. We are imbued from the start with a devilish, lustful will, which has to be broken; hence the belief that children should be made from the earliest stages of life to feel tortured by guilt about masturbation: it had to be eliminated with the utmost ferocity. It was this doctrine which gave impetus from the 18th century onwards to all those stories about masturbation making one go blind or insane, and which meant that any discovered transgressions would be punished by the whip, or by locking up the child’s genitalia in absurd and obscene chastity devices designed to prevent self-manipulation.

Yet this very restriction of the child, this ferocious insistence that all his sexual feelings be repressed, was – at the same time – used to reinforce the sentimental notion of childhood ‘innocence’: not only is the child forced to be unsexual, but he is then praised for the ‘innocence’ of his nature, which is totally unnatural to him.”

Farson’s view of history, à la Ariés, is that a proper view of the child was held in former times and that we lost it. Others have found this ‘golden age’ idea rather simplistic, or at least insupportable in view of the grossness of child abuse in practically every era of history, including those eras before the ideas of ‘innocence’ and ‘protection’ took a hold.”

in the most advanced societies, particularly in the United States, young people can spend an extended adolescence of non-paying college work, during which they are economically dependent on parental support, right into their mid-20s or beyond. And if they don’t make it, if they leave high school, or the comprehensive, at the earliest opportunity, they remain similarly alienated by joining the dole queue, or going to a low-grade, low-income job in which their alienation from full adult status is similarly complete.” Bear the criminal, bear the criminal until it’s time to shine and to avenge your offended spirit! With hate, TO Jesus!

QUANDO OS SIONISTAS ERAM COMUNISTAS ELES ERAM MELHORES

Farson addresses his attentions to the merits of that-most-examined-of-all commune arrangement, the Israeli kibbutz. He points to a number of factors about the kibbutz which reduce parent-child conflict:

1) The child, supported by the kibbutz, is economically independent of his parents;

2) equality of the sexes eliminates the patriarchal family system;

3) the importance of the nurse allows the child to love someone other than his parents;

4) because nurses handle the primary discipline, the daily visits of parents and children can take place under ideal conditions;

5) jealousy and anger that have to be expressed in the family can be expressed in the kibbutz because the child can find more legitimate objects of aggression among peers; and

6) the collective framework shields the child from overprotective or domineering parents who might block his efforts to become independent.”

Underlying all these questions is a yet more fundamental range of questions about society’s expectations of its children: about the implicit, or explicit, aims of child rearing and of education, about each generation’s expectations for its children as they grow up, not only as individuals, but in terms of the future nature and achievements of society as a whole – though it is even an assumption to suppose that all societies have any expectations of their offspring: there are some happy-go-lucky peoples (or irresponsible, unimaginative ones?) who do not consciously impose values or goals of any sort, beyond what can be summarized in the slogan ‘Do your own thing’ (if by sheer chance, you happen to have developed one!).” Have money, be like me! Win, you fool! Said J.

The Israeli sense of purpose lies in fairly crude, but clearly defined, nationalism. Other examples of such a strong communal purpose can be found in a variety of religious communes, in Plato’s education of the ‘guardians’, and indeed in their ideological descendant, the English public school system (not, one would have thought, the most fruitful place at which to start the quest for children’s rights!).

But we must be careful that in any such quest we do not put the cart before the horse: we must first, like Plato, look to the nature of ‘the good’, and of a ‘just’ social order, before we can proceed to the issue of whether the idea of children’s rights is at all appropriate.”

John Rothchild & Susan Wolf , Children of the Counterculture, 1976.

The authors, themselves high-achieving, middle-class parents, admit to having ambitions for their own children, and make no bones about it. But at the same time they point out that the social ‘education’ of the counter-culture children was not nearly as disastrous as might be supposed. Despite their immensely dangerous surroundings, and their lack of formal education, or guidance of any sort, these children seemed to be growing up to be much more pleasant and self-reliant than conventional middle-class children. There appeared to be amongst them a sort of new breed of Noble Savage, like 12-year-old Andy Peyote, whom the authors met when he was hitch-hiking, alone, on a Californian highway. The son of a famous commune pioneer from the New Mexico hills, young Peyote – courteous, clean, intelligent, competent in the practical business of looking after himself, and neither a deadbeat nor a rebel (there being no rules or rule enforcers to rebel against) – clearly struck a romantic chord in the hearts of Rothchild and Wolf.” Um Tom Sawyer do mundo real?

I must admit it: letting children do what they want makes me nervous. I’m scared of anarchy. I used to like a reasonably orderly classroom, full of well-behaved children who put their hand up to ask questions one at a time, who paid attention to what I told them and didn’t give too much trouble. Even now, if I’m chatting to children who don’t know who I am, even if I’m being friendly and relaxed and informal, I tend to give the impression, despite myself, that I’m a schoolteacher. I don’t boss children around, but just in small things – like suggesting that they put their lollipop wrappers in a waste bin – I automatically find myself modelling their behaviour. This being the case, I find the romantic freedoms of the counter-culture completely hair-raising and devoutly to be avoided. On the other hand the freedom of A.S. Neill’s Summerhill: A Radical Approach to Education is a different matter.”

However, I cannot help but agree with the view of Paul Goodman, author of Growing Up Absurd, when he asserts that Neill, in encouraging children to govern themselves, was to some extent falsely imposing adult ideas: one man one vote, the social contract, political democracy, can be taken much too seriously.”

No geral o autor começa com gás seus capítulos, mas logo se torna um debate insosso de minúcias como “hora de ir para a cama”, citando sem descanso seu material bibliográfico. Além disso, quando chega, por exemplo, a citar Rawls ou feministas, eu preferiria ter contato com estas fontes na origem primeiro, para não corer o risco de estar sendo mal-conduzido por outras lentes. Destarte, me obrigo a praticamente pular para o próximo capítulo mais ou menos na metade do anterior. Em quase todos acabei por fazê-lo, até quase o fim do livro, em que O’Carroll (pseudônimo?) retoma vários pontos interessantes do início da obra!

8. ‘CONSENT’ AND ‘WILLINGNESS’

Basic elements constituting freedom of choice arguably include:

(i) a full knowledge of all the short- and long-term consequences to which participation in a sexual act could lead;

(ii) a developed notion of which sexual activities (and partners) are exciting and desirable;

(iii) control over the situation, so that withdrawal from it can be made at any point, if so wished.

These factors may prompt some approving nods as criteria for consent, if only because they appear to rule out most, if not all, children. Giving it a moment’s more thought, however, a problem arises: even adults, in embarking on a sexual encounter or relationship, cannot be sure ‘where it will all end’; nor do most people enter adulthood with a fixed idea as to the activities, and people, that might turn them on – the scope for experiment and discovery is a lifelong one. Only the third factor, that of control over the situation, appears to maintain its crucial importance when viewed in an adult context.

The usual mistake is to believe that sexual activity, especially for children, is so alarming and dangerous that participants need to have an absolute, total awareness of every conceivable ramification of taking part before they can be said to give valid consent. What there most definitely needs to be, is the child’s willingness to take part in the activity in question; whatever social or legal rules are operated, they must not be such as to allow unwilling children to be subjected to sexual acts. But there is no need whatever for a child to know ‘the consequences’ of engaging in harmless sex play, simply because it is exactly that: harmless.

Sex, especially the non-penetrative sex play to which child-adult activity is almost entirely confined in the case of younger children (i.e. those children of whom it can most readily be said that ‘They don’t know what they are doing’), is not in itself remotely dangerous – unlike playing in a busy road. Nor do children need firm ideas of what a particular new experience will be like, any more than do adults trying, say, ‘69’ for the first time: the activity may prove more, or less, exciting than they suppose, but as it is completely harmless there is no reason why it cannot be safely explored.

It will of course be pointed out that children who enter a sexual relationship blissfully and innocently unaware of sexual shame and guilt, could be in for a rude awakening when a relationship is discovered. This leaves a question. Should we protect children from sex (to avoid the consequences of the guilt and social retribution arising from it) or, alternatively, should we make the reduction of guilt a priority? Knowing the hideous consequences of guilt, and the harmlessness of sex per se, I myself don’t find it a particularly difficult question to answer.

In a nutshell, there is no reason why the same criteria of ‘consent’ that we would apply to a young adult signing on for a 9-year term in the Army, or for a life-long commitment in marriage, should operate at all: such criteria, which hang on mature judgement, are not necessary for the protection of the child’s best interests.” Discurso generalizado: Agora que você já é um hominho, pode morrer por nosso país; ou trabalhar no McDonald’s e ralar para sustentar novas crianças que deverão esperar 18 anos até cuidarem do próprio nariz (ou jogarem a vida no lixo)!

A lack of ability to ‘read’ an adult’s (possibly disguised) sexual wishes and intentions, and a failure to understand that their own (merely) friendly behaviour may be interpreted as intentionally seductive, could result in children allowing things to happen ‘before they know where they are’. Eager friendliness with an adult could quickly turn to apprehension, and perhaps to passive compliance in sexual acts which were not desired. Such a situation would plainly be unsatisfactory, for although the child might theoretically be able to say ‘no’, she or he might (perhaps through sudden fear of the adult, as a result of his unexpected behaviour) find herself or himself in practice unable to do so.”

The possibility that adults may tend to ‘engineer’ the willingness of children, that they may ‘manipulate’ their consent, gives rise to a great deal of unease, and needs to be considered at some length. It might be suggested, for instance, that no matter how precocious a young child’s sex education has been, there has to be a first time for all her/his experiences, and at this point the child is not in a position critically to evaluate whatever an adult partner says an experience will be like, or what it will lead to.” “In our culture, the words ‘disadvantage’, ‘manipulation’ and ‘vulnerability’ immediately spring to mind as concomitants of the younger partner’s lack of experience; in the pro-sexual cultures examined earlier, ideas roughly corresponding to our words ‘guidance’, ‘showing how’, or ‘initiation’, represent the prevailing way of thinking.”

In Britain it is enshrined in the 1944 Education Act that all children in all schools shall begin the day with an act of worship – the only element in the curriculum which is insisted upon by statute. This being the case – religion being considered to be of vital importance – one might have expected that there would be an equal concern in Government, at least as great as that in relation to sex, that children should not be subjected to ‘manipulation’ by ruthless adult salesmen offering every kind of creed; that these people should not be free to exploit the vulnerable minds of children. If it is true that children are incapable of making judgements about sexual relationships, how much more adept are they likely to be at judging the rival claims of Protestant and Catholic, or Jehovah’s Witnesses and the Exclusive Brethren?” “But no. Even though this is an important issue, adults are free to fill a child’s mind with any prejudice or bigotry they like, without any danger of facing a sentence for corrupting a minor, assault on a child’s mind, or anything else. Children are seen as fair game for the imposition of any religious belief or value system that the adult, particularly the parents, cares to impose.” Uma religião falocêntrica. Que ironia!

Why does society tolerate this? Partly, there is a vague feeling that it is better for a child to have some religion than none at all – not least because most religions emphasize a restrictive sexual ‘morality’!”

By a draconian anti-sexual emphasis of this sort, however, society would achieve (as it in fact does) a lasting repression of sexuality in children, and destructive feelings of sexual guilt lasting throughout life – exactly the vicious circle from which I am suggesting society should try to break free. Less heavy-handed measures might include support for extended, non-nuclear family arrangements, in which the infant’s upbringing would be less monopolized by one person than at present, and thus less subject to the idiosyncratic needs and projections of any one person.”

corporal punishment. There is no shortage of school teachers ready to beat out the fantasized ‘badness’ of their charges, largely for their own gratification. It is curious that this rates as such an unobjectionable activity in our society, especially among those who furiously oppose the sexual ‘corruption’ of children.”

Young children above the age of infancy become susceptible to manipulation of a less direct kind, characterized by deception. When children acquire language, they can be told untruths, from the relatively (though not entirely) benign Father Christmas myth, to the pernicious threat of the ‘bogeyman’, who comes to take away naughty children. Sexual myths usually fall into the pernicious category, alas, so that the whole area of sexuality becomes poisonously invested with mystery and darkness – and the perpetrators, far from being paedophiles, are usually ordinary parents who, because of their own sexual anxieties and conflicts, are inclined to deceive children with such classics of deception as the idea that babies are brought by the stork.”

A paedophile who concocts a non-sexual ‘reason’ for he and a small child to strip naked together, say, may succeed in arousing the child’s sexual curiosity and excitement. This would quite clearly be manipulation, based on exploiting the ignorance of the child as to the adult’s motives. Supposing, by contrast, the paedophile had been scrupulously non-manipulative. Supposing, instead of playing tricks, he had simply, and openly, invited the child to ‘play’ sexually. Both approaches would require for their success the child’s willing involvement and participation at all stages. The fact that in the more manipulative case the participation is induced by sleight of hand [destreza, astúcia] is really less important than the fact that the child is relaxed and enjoying the situation. Indeed, the sleight of hand may be an effective means of enabling the situation to occur ‘naturally’, so far as the child is concerned, without any embarrassment or uncertainty on the adult’s part.”

9. POWER AND EQUALITY

Not all women see this power relationship as necessarily a problem though. Having researched paedophilia for a higher degree thesis, Jane Gale has written (‘Paedophilia’, MA thesis for the University of Kent, 1978):¹

Sexual acts between children are often considered exploratory and are consequently acceptable. Between child and adult the act is not considered exploratory, but rather a power relationship as the adult has a greater life experience and a greater propensity for evil and by his superior physical and mental strength may harm the child far more than another child could. It must be remembered that the adult, if he has a greater propensity for evil; also has a greater propensity for good.¹ If a relationship should be deemed unacceptable because of the unequal distribution of power, then most heterosexual adult relationships are unacceptable.³ The greater life experience of the adult may be more beneficial to the child than a relationship with someone of his own age.’

¹ Essas bibliografias são impossíveis de encontrar.

² Argumento muito falacioso e conveniente, embora filosoficamente correto.

³ Correto. Aliás, maioria das homossexuais e parafílicas também.

Another model, made much of in J.Z. Eglington’s Greek Love (op. cit.), is that of teacher-pupil – the mentor relationship.”

The phrase ‘a woman trying to catch a man’ is much more familiar. Traditionally, it means trying to catch a man in marriage; to inveigle him into committing himself into a life-long contract, to lure him into providing her with emotional and economic security. Jill Richard¹ (‘Children’s sexuality’, Radical Therapist, Vol. 5, No. 1, 1976) and other feminists would doubtless agree that the politics of ‘catching your man’ are self-defeating, leading the woman into self-imposed bondage, dependency and inferior status. The implications for the man of the woman’s success in making her catch are also a matter of male regret: in winning a woman’s love, in winning regular sex, he pays the heavy price (usually too heavy, he feels) of being responsible or having commitments.

¹ [Da autora, um artigo mais contemporâneo – envolvendo a polêmica do retrocesso da prática do aborto legal nos EUA –: https://www.academia.edu/32396125/Pussy_Wars.]

Responsibility’ and ‘commitment’ are in fact distinctively key words of adult life and often relate to matters outside personal relationships (…) a priest may have a ‘great sense of commitment’ to the Church.” Compromisso e responsabilidade laboral – para o resto temos zero energia!

Faced with a woman who uses her personal-political art to get a man to sign on the dotted line of a life-long marriage contract, a man does need such maturity (and often hasn’t got it). He needs to be able to make subtle judgements about whether he and she are going to be suited to each other even when, in years to come, they may find each other a little less physically compelling. Notoriously, when people are romantically in love they are incapable of making such decisions sensibly: they become blind to the fact that because they ‘love’ each other now, this happy state may not last indefinitely. As Denis de Rougement (Love in the Western World, Anchor, New York, 1957) has eloquently argued, marriages based on the ideal of romantic love are built on shaky foundations, and the mere fact that a couple are adult when they make their decision does not alter this.”

Marriage is not so different from a hire-purchase contract. You don’t sign unless you can keep up the payments. And you don’t know your capacity for keeping up the payments unless you first have experience in handling money (or in marriage, the opposite sex) and your judgement is mature. Insufficiently mature judgement, it hardly needs saying, can land one with a great deal of misery and hardship.”

In the 60s and early 70s, it was the height of fashion to be a sexual revolutionary, a ‘swinger’, a wife or husband swapper, a group-sex, happy-go-lucky all-round fun-lover. The name of the game was to have sex without guilt. To enjoy the bodies of others, and let others enjoy one’s own, without the essentially selfish aspect of trying to own the person inside the body, without trying to trap her or him into a ‘heavy’, committed relationship, which would serve only to shackle a partner in a physical and emotional chastity belt for much of the time. If only people would let their partners go when they wanted to, instead of expending a lot of emotional energy on keeping them away from rivals, then all would be OK. Everyone would have a lot of sex fun. Everyone would be spontaneously warm and loving to everyone else, not exclusively to one closely-guarded body-and-soul mate. [Bom demais para ser verdade!]

The trouble is that in an adult context the issues are not nearly as simple as many people liked to pretend they were, or really thought they were. Some genuine, truly generous-hearted people, believed that the selfish aspects of possessive love could be broken if only people would trust each other: trust the stranger as much as the known quantity: trust the wife’s newly acquired boyfriend to be as unpossessive as oneself, so that one would not be in danger of ‘losing’ her, only ‘sharing’ her. [E se o commitment fosse tão sério: e daí se a perdesse? Outras andorinhas viriam…] Some people managed to make it work. Others saw the pitfalls, the potential for betrayal, the double-dealing in sexual diplomacy. They saw the fact that smooth and cynical operators of the new freedom could get themselves a lot of sex all over the place and still keep one person as their special possession. (…) And then, what about the need for stability and commitment in bringing up a family?” Quase a mesma coisa que um burocrata liberal inserido num regime de autogestão socialista!

The men in boy-man relationships know that most of the boys are not going to grow up gay: they are Ariel spirits, happy for the moment to give and receive affection and sex play, but soon they will fly away to girls and adulthood. One might as soon try to catch the wind as tie them down in a heavy, exclusive, jealous relationship. They’d be off and away before you could say ‘sexual politics’.” “What about the 13-year-old girl who falls desperately in love with an older man? Aren’t they all vulnerable to the adult’s sexual politics?” “Personally, I wouldn’t like to be a parent responsible for coldly squashing such a young love. I wouldn’t want to say to a 13-year-old daughter, ‘What do you see in the old goat? He’s only after one thing, and I’m not going to let you see him again!’

A friend of mine – we’ll call him Bill – went for a long holiday in Malta. Bill is a very likeable and perfectly ‘normal’ heterosexual, whose main passion in life is angling [fishing, no sentido social ou figurado, fisgar – aqui, me parecia o sentido mais literal e ‘inocente’ possível]. In the first week of Bill’s stay on the island, a boy of 9 or 10 came to watch him fishing. Over the next 6 weeks or so the lad was his constant companion. When the time came for Bill to return to England, the child wanted to go with him. When told this was impossible, he did everything in his power to persuade Bill to stay. There was a scene that was not merely tearful, but anguished – hysterical even – like those harrowing scenes we associate with a court that awards custody of a child to the ‘wrong’ parent. Bill was astonished and appalled. He had no idea how much the boy had fallen for him. One does not know why he felt such a bond with Bill, or what deep need inside the boy Bill was at least partly fulfilling. What is clear is that the trauma of parting cannot be attributed to the effects of sexual seduction, or to any ‘manipulation’ by the adult. There had been none of either.”

10. CHILDREN IN EROTICA AND PORNOGRAPHY

Child pornography and child prostitution are matters which provoke an even greater sense of outrage, if that is possible, than child-adult sexual relations as such, and with some good reason.

Whereas a paedophilic relationship may depend for its existence simply on sexual and emotional ties between the child and adult involved, both pornography and prostitution appear to have their primary raison d’être in the pursuit of money. Sometimes the child makes money on his own account, sometimes it finds its way into the hands of parents, almost always porn producers are motivated by profit.”

For most youth, it’s the only way to get exposed, the only way to get sex with men … I knew I was a homosexual at 9 years old, I knew what I wanted, but the only way I knew how to get it was to go to the theatre and ask for money. Maybe that’s hustling, but it was very fulfilling – it served its purpose.”

Richi McDougall

Exploitation of this sort is essentially a problem associated with poverty, such as that in Victorian England and many parts of the Third World today. The answer accordingly lies more in the elimination of poverty than in law enforcement. But it should also be realized that prostitution is to a great extent rooted in sexual restriction, not in sexual freedom: as Engels said, the price paid by Victorian society for its official code of strict monogamy was that prostitution flourished alongside it.”

It is in any case more than a little ironic that the anti-pornographers should be the ones to express anxiety on this score: the more God-fearing among them usually make no bones about beating the fear of God into their own children, and commend the use of corporal punishment in schools.”

“‘Pornography’, like ‘fornication’, is a term heavily laden with overtones of shame and degradation. There may indeed be a place for such a word, if we want to talk about depictions or descriptions of sex which is itself in some way shameful or degrading (such as the rape scene from the film Straw Dogs [Sob o Domínio do Medo, 1971],¹ or sexist representations which cast women as the mere playthings of men), but we need a positive word as well, to describe the joyous or beautiful representation of the human body and happy sexual acts – and we have such a word: ‘erotica’.

¹ [E observe: hoje um filme classificado para +16 apenas (essas classificações são sempre histéricas e reacionárias – significa: normalização do estupro)!]

The question of when a representation is degrading and when it is beautiful is of course massively subjective; but we cannot possibly move towards a society with a healthily guilt-free attitude towards sex if we continue to insist on defining all representations of sexuality as degrading rather than beautiful. Nor should the depiction of nude children, or children engaging in pleasurable sexual acts, necessarily call for the use of the word ‘pornography’ rather than ‘erotica’. We have already discussed the devastating consequences of taking a negative attitude to the sexual development of children: joyous erotica featuring children can be beneficial in contributing to a more positive, healthy attitude.

Having made this distinction, the words ‘soft core’ and ‘hard core’ become redundant. These terms are used by the police, and others whose job it is to distinguish not between ‘erotica’ and ‘pornography’, not between good and bad representations of sex, but between degrees of badness – usually between what is legally permissible (just about) and what is not.¹ This distinction – between, for instance, showing a non-erect penis (soft core) and an erect one (hard core)² – is a dimension of concern only for those who feel there is something intrinsically ‘worse’ about overtly depicted eroticism than, say, mere nudity, i.e. for those who start with a shame-faced attitude to sex.”

¹ Nos anos 90 foi vista uma revolução: a hardcore pornography se tornou mainstream.a E há HCP em todos os espectros: dos exploiters de extrema direita à “esquerda florida do amor livre” ressuscitada: idols de Bruna Surfistinha – cujo protótipo seria Deborah Secco, que certamente não rejeitaria o rótulo de ‘feminista’ sob a égide da ‘liberdade do que fazer com meu corpo’ – aí se enquadram. Infindas discussões, mas diria que esta última vertente não entende que em seu jogo de autoliberação acaba recaindo num perde-perde, e não num ganha-ganha, da velha desigualdade de gênero… A hipocrisia nesse campo vai longe, com trocadilhos de linguagem flertando com a “barreira da legalidade”: atrizes pornô de 18 anos são chamadas de barely legal. Publicações impressas do fim dos anos 90 tinham essa alcunha!

a Com algumas concessões da legislação: nada de sexo com animais nem coprofilia, p.ex., aspectos banidos do PornHub, a verdadeira meca virtual da “pornografia legalizada”.

² Claramente o discurso dos anos 70 sobre essa dicotomia nada tem a ver com os mesmos vocábulos… em 2023.

Traditionally, arguments against erotica have been directed towards the effect on the consumer.¹ Only recently, with the discovery of child erotica, has emphasis shifted to the production side. As it happens, the change of emphasis is justified: undoubtedly the strongest arguments against child erotica relate to the effects on the children involved in its production. However, it is worth bearing in mind that for the most part those who in the past have been most vocal against erotica – Lord Longford² is a good example – found themselves up against all sorts of evidential difficulties in trying to work out a clear case for clamping down on erotica, purely on the basis of arguments related to the consumer; one senses that many of the ‘antis’ were all but leaping around with glee to find that the involvement of children had given them a new angle, a new set of arguments.

¹ [Mesma discussão improfícua acerca dos videogames e violência (e, finalmente, pornografia, ainda mais agora que existe o ultra-realismo gráfico).]

² [Nulidade atual, se pensarmos que o google mal reconhece sua existência.]

There is still plenty of life in consumer-based arguments, despite the fact that trying to prove whether a book, or magazine, or whatever, tends to ‘deprave and corrupt’ has become a long-running legal farce. Trial after trial of books since the passing of the Obscene Publications Act 1959 in Britain has shown that it cannot be easily established, at least to a jury’s satisfaction, what effect erotic literature is likely to have on people, in any ‘moral’ sense.” Mas os neocons nunca desistirão desse projeto político fadado ao fracasso. A não ser que igrejas comecem a lucrar com a violência ou eroticidade das mídias e obras de arte… aí talvez tenhamos uma trégua!

A more serious argument for the intervention of the law would exist if it could be shown that exposure to sexual material tended to increase the consumer’s likelihood to commit sex crimes. Scientific approaches to the effects of erotica have been addressed both specifically to this question and to other defined behavioural effects (including measurable changes in social and moral attitudes). Much of the work has been poor in quality, including a number of the studies undertaken for the massive and much-vaunted American Presidential Commission Report of 1970 (Report on Pornography and Obscenity, American Government Printing Office, Washington, D.C., 1970).

One recent addition to the canon, Eysenck and Nias’s Sex, Violence and the Media makes a more valuable contribution. This work has done much to clarify the issues, by making sensible distinctions regarding the type of erotica in question and the disposition of the viewer. Unlike the American Commission, which adopted a ‘permissive’ approach on the basis that they could find no proof for any dangerous effects of erotica, Eysenck and Nias adopted the firm conclusion that both violent representations and certain types of pornography (here I use the word advisedly) do have deleterious effects. But they also agree that what they call good pornography (erotica) is harmless and can even be used profitably in therapy.

Having said this, I should point out that in the one country – Denmark – where the level of sex crimes has been minutely analysed since the abolition of all censorship, there has been an actual fall in some reported sex offences, including ‘child molesting’. It is only fair to add that the figures are hotly disputed on a number of grounds, but on any interpretation of the evidence to date it is hard to believe that the Danes are being turned into a nation of sex maniacs.”

They cite John Cleland’s Fanny Hill [Memórias de uma Mulher de Prazer, 1748¹] as their ‘good’ example:

¹ [‘it is considered <the first original English prose pornography, and the first pornography to use the form of the novel>. It is one of the most prosecuted and banned books in history. § The text has no swearing or explicit scientific terms for body parts, but uses many literary devices to describe genitalia. For example, the vagina is sometimes referred to as <the nethermouth>, which is also an example of psychological displacement. § A critical edition by Peter Sabor includes a bibliography and explanatory notes. The collection Launching Fanny Hill contains several essays on the historical, social and economic themes underlying the novel.’

Leia em https://gutenberg.org/cache/epub/25305/pg25305-images.html.]

Fanny Hill is perhaps as erotic a book as one could wish to read; it contains detailed descriptions of sexual intercourse in a great variety of positions, pre- and extra-marital sex, promiscuity and ‘unnatural’ [a palavra da época para homossexualidade] sexual behaviours. Yet the tone is one of enjoyment, women are not degraded by the men they consort with, and there is no violence to destroy this sense of good humour and enjoyment.’

If the book were to be filmed, [foi, e muito] they say,

We know of no evidence that such a presentation would do harm, and indeed there is evidence … that the effect on attitudes towards the other sex might be positive.’

By contrast, many commercially available films are not of this wholesome type:

Even when they do not overtly depict scenes of violence and degradation of women at the hands of men, such as rape, beatings and subordination, the tone is consistently anti-feminist, with women only serving to act as sexual slaves to men, being made use of, and ultimately being deprived of their right to a sexual climax – in the majority of such films, the portrayal ends with the men spraying their semen over the faces and breasts of the women …. The intention would seem to be simply to degrade women, and it is noteworthy that in many cases of rape the men involved either act in the same manner, or else urinate all over the women involved ….

(…)

The amount of overt sex in such films may not differ in any way from that shown in our hypothetical Fanny Hill film; what is important in marking the difference is the context, which is pro-love, pro-sex, and pro-women, in the one case, but anti-women, anti-love, and even anti-sex [fascist] (in the sense of gentle, pleasant, co-operative sex) in the other.’

It is claimed that those who start out by masturbating to ‘soft’ material inevitably find after a while that their response to it diminishes, and in the search for a more effective ‘kick’ they gravitate towards something more potent. An article in The Guardian (Lynn Owen, ‘Taboo or not taboo?’, 16 September, 1977, p. 11) drew attention to this theory in 1977 and made much of its alarming implications:

Judith Reisman, a media researcher from Ohio, traced how saturation with straightforward female stimulus like The Sun’s page 3 leads slowly but inevitably to the need for, and acceptance of, such things as paedophilia and incest and sexual violence. An acceptance not just among minorities, but among the general population …. Judith Reisman says <media conditioning into paedophilia and incest> is now leading, according to her researches, into child sadism.’

Fosse isso verdade o matrimônio clássico já teria sido banido como a ‘maconha’ como porta de entrada das outras drogas (sexuais) pesadas!! Imagine só o que Reisman não diria do instagram e do tiktok hoje, para ficarmos nas ‘redes sociais estritamente legais’… Tsc! Terceiro ponto: se todos são afetados, a pesquisadora deveria ter se tornado depravada para provar a própria tese… Não só eu mas o próprio autor percebeu essa contradição: “Strong stuff. As the perils of porn involve, in Ms Reisman’s view, the general population, not just those with a particular psychological disposition, no doubt everyone reading this will be asking themselves how far their own response to erotica substantiates the theory.”

Fosse essa lei verdadeira, eu não ouviria mais rock clássico: apenas metal extremo. Fosse essa lei verdadeira, eu não tiraria mais férias de 30 dias – tentaria tirar licenças remuneradas de 2 a 4 anos ou praticaria o suicídio ao não consegui-las. Fosse essa lei verdadeira, não assistiria mais séries ou animes, nem leria livros, já que já perscrutei Nietzsche, Dostoievski, Togashi, Oda, e não encontrei nada que a eles se equipare até o dia atual. Ao contrário, nossa existência funciona em ciclos, como os do corpo humano. Não há clínica de reabilitação para os inocentes e homeopáticos prazeres da vida… Talvez as academias de ginástica funcionem sob esse princípio: quem continua puxando a mesma carga de peso ou não começa a correr 15km, se satisfazendo com 10, seja tachado de um grande preguiçoso que deixou de ser fitness junkie…¹

Firstly, the half truth. I know that my own response to erotica, and that of a numbers of paedophile acquaintances, is indeed subject to the Law of Diminishing KicksWhereas at one time, when they first became available to me, pictures of (merely) nude boys were a powerful stimulus to masturbation, the response gradually wore off; after this, only ‘stronger’ pictures, showing boys engaged in masturbation, or fellatio with other boys, were capable of reproducing a comparably powerful masturbation stimulus to that which I had felt on my first exposure to nudes. Even the response to these stronger pictures diminished slightly with familiarity, but another new stimulus – pictures showing anal intercourse with boys – revived the response.

¹ [Me deu até saudade de ler Burroughs!]

Interestingly enough, I have never felt any urge to practise anal intercourse, actively or passively, and erotica has not turned me on to it as something to do myself. I have no idea what other new depiction, if any, would turn me on, but I am quite sure it would not involve violence. [o que seria um salto quântico ou qualitativo e não quantitativo] How can I be sure, you may ask? Well, I have seen sadomasochistic material involving adults, and I find it very much of a turn-off rather than a turn-on, compared to other types of adult erotica, some of which do produce a mild positive response in me.” A moda do ASMR no mundo erótico parece comprovar que depois de um clímax (orgasmo?) vem um declínio… Ninguém quer ver gang bangs ou bukkakes a vida inteira – há um momento em que se torna efetivamente nojento e a pessoa sente falta de relações teatralmente amorosas e “clássicas” em “vídeos pornô” (se por clássico quer-se dizer monogâmicas ou heteronormativas, não tenho a capacidade de dizer, já que sou hetero, mas certamente o monogâmico tem fetiches ficcionais, que nunca põe em prática, e mesmo assim enjoa de seus fetiches ficcionais com o tempo)…

Homosexuals can be exposed to any amount of ‘straight’ heterosexual erotica without it having the slightest appeal to them. It certainly doesn’t turn them on to ‘straight’ sex. Similarly, ‘straights’ who are exposed to homosexual erotica have generally been left cold.” Se os teóricos da extrema direita querem convencê-lo do contrário – que ver casais gays se beijando na rua os incomoda –, o problema está estritamente na segurança e convicção da autodefinição sexual dessas pessoas, eu diria…

To envisage erotica as a tool in the sexual revolution may seem odd to those feminists and others who see it as an agency for the reinforcement of existing social roles and states of oppression, and as a blatant expression of profiteering capitalism. It may even seem a slightly old-fashioned view, echoing the anti-censorship, liberal tide of the 1960s. Indeed, the anti-porn, and in fact anti-erotic, element in feminism is now a major component in its radical thinking.

As an antidote, it is worth noting that not all radicals, even among feminists, are anti-erotica. The following is from an interview Germaine Greer, the celebrated and controversial feminist, gave with the American magazine Evergreen in 1971:

Claudia Dreifus: You are an editor of the European pornzine SUCK – a rather unusual position for one of Britain’s leading feminists. In America, I couldn’t conceive of a leading Women’s Liberationist sitting on the editorial committee of a pornsheet. Do you see a conflict between your feminist ideals and your involvement with SUCK?

Germaine: I see no conflict at all. SUCK is not a pornzine in the American sense of the word. SUCK as a matter of fact is no more the equivalent of SCREW than I am the equivalent of Al Goldstein (editor of SCREW)SCREW is a sadistic paper. Its emphasis is completely masculine and it treats female flesh like it was so much butcher meat. It’s completely unerotic – very American. It makes me puke. SUCK, on the other hand, is a completely different kettle of fish. The key-note of SUCK is that sexual relationships should be open and unpossessive. We are anti-possession, anti-conquest, and anti-demanding of the sexual object, be it male or female. We are pro-pleasure.’

¹ [‘Alvin Goldstein (January 10, 1936 – December 19, 2013) was an American pornographer. He is known for helping normalize hardcore pornography in the United States.’ – como eu narrei acima em nota de rodapé, fenômeno precípuo dos anos 90, que me afetou, como expectador, apenas retroativamente, já que sou de 1988.]”

The approved sexual relationship in all Western societies is exclusive, possessive, colonizing, exploitary; sex is recognized as intimately connected with violence, for the power of the one over the other must be enforced and enforceable. Butch rules bitch, pimp rules whore, man rules wife, queer rules queen. Like the most insidious tyrannies, it is spoken of as a natural law, nature red in tooth and claw. This organization, which is as clear and universal as if it were indeed the expression of an irrefragable law, has as its central pole pain instead of pleasure. The pain of sexual frustration, of repressed tenderness, of denied curiosity, of isolation in the ego, of greed, suppressed rebellion, of hatred poisoning all love and generosity permeates our sexuality. What we love we destroy.”

On the other hand, it does not follow as a matter of logical necessity that because a woman may be represented in a passive sexual role that this makes her a ‘victim’. Such a view proceeds from a fundamentally anti-sexual (or at least anti-heterosexual) outlook, in which it is assumed that a woman could not find pleasure in such a role.” “The mere image of a woman reclining passively and nakedly provides no evidence of either the intent or successful effect of ridiculing the person depicted, or her sex. In fact, all the more emotive parts of Brownmiller’s [Against Our Will: Men, Women and Rape, Secker and Warburg, London, 1975] argument – the supposed wish to make females ‘dirty’, the alleged purpose of ridicule, the desire to see women ‘abused, broken and discarded’ – relate not to sexual representation specifically, but to the way Brownmiller believes (the ‘gut knowledge’) that men think about women. She ignores the possibility that many men may have quite different feelings than those which she infers. In other words, there is nothing intrinsic in sexual representations of women which bolsters ‘bad’ attitudes in men: no one would argue that Rubens’ classical female nudes, by depicting women as naked, and passive, were in themselves degrading to women. If they did, one could ask the further question, ‘Were Michaelangelo’s nude men degrading to the male sex?’ Presumably not.”

The person depicted in the erotic image is not ‘real’, is seen in a sexual dimension only, and is therefore capable of being considered only as an object of sexual attraction, not as a whole person. This is not a problem one can attribute to the mind of the consumer: it is inherent in the sheer fact of encapsulating just one aspect of a person in a photographic or cinematic image.”

When we purchase goods, we make the sales clerk into an object to satisfy our needs. … What is objectionable is not objectification itself but the power that exists in one person (the male) to determine the nature of the sexual and emotional relationship and retain control over it: in the family (husband/wife); in the advertising business (ad-man/nude women used to sell products) on the streets where men feel justified in whistling at women or even raping them …” Gregg Blachford, Gay Left (journal), ‘Looking at pornography: erotica and the socialist morality’

Sou, por exemplo, uma prostituta dos meus clientes (bolsistas, professores), etc. Caso fosse professor de filosofia, a libertadora filosofia!, seria ainda um objeto que cospe respostas aos alunos… Sou um autor, e me gratifico que me leiam, que considerem meu livro como meu eu total. Os inconvenientes e as utilidades de nossa enfermidade ‘Capital’…

the teenager who sticks up posters of her or his favourite rock stars on the bedroom wall is to some extent objectifying them. They become at once less, and more, than their real selves. Less, in the sense that their full humanity can never be revealed by a mere poster; they are reduced, by the functional apparatus with which they are surrounded – microphones, guitars, etc. – to the level of mere symbols of a generalized notion of excitement; and yet they become more, in so far as the particular star on the wall is a glamour figure, the subject of adulation – as well as looking at his image, the youngsters who buy the posters read long articles in the pop music press giving biographical details about the particular star’s music, love life, personality.

The same applies to the boy who puts up a picture of his favourite football team. The picture thus represented is not ‘real’: all the good, or extravagant, or flamboyant – or even downright bad and nasty (as with Sid Vicious and other ‘punk’ figures) – aspects of a person are played up, at the expense of a reality which probably includes a good deal of the merely ordinary. Does this matter? Is it an indication that the youngster who owns the poster is exploiting and degrading the rock star? Or does the rock star exploit the youngster?

And what about the widower who keeps a photo of his dear, departed wife on the mantelpiece? To him the image is invested with all sorts of memories of a real, living person: one whose full personality he probably knew in intimate detail. No objectification here, one would think.”

O OÁSIS DOS NERDS ESPINHENTOS: “In addition, Brownmiller’s critique is founded on the proposition that men are always in control, and that part of this control expresses itself in a cynical and deliberate degradation of women in pornography. While this regrettably may be true to some extent, it is worth noting that the male who most needs erotica is the one who is sexually deprived, and not in control at all. It is the adolescent who is denied the opportunity for sex; it is the man who is shy and lacks an ability to form intimate personal relationships; it is the old, the ugly and the disabled. They are people who would like to know women as full human beings, but are deprived of the opportunity for the necessary contacts. They are people who yearn for personal contact: for erotic contact, certainly, but for emotional and social contact too.”

This longing for personal contact applies perhaps even more among paedophile consumers of child erotica. Their state of deprivation from ‘real’ children is of course legally enforced, so far as the erotic element of a potential relationship is concerned. § The law-abiding teacher, or youth worker, or ‘uncle’, may be allowed to know live children up to a point – but only if his interaction with them is ‘innocent’, in a way that is just as unreal, just as denying of life and personality as any tendency erotica may have towards ‘objectification’.”

Some high-quality child erotica has been produced, though not by those who are so vocal in their denunciation of lesser-quality material. A good example is a book published in America called Show Me! A Picture Book of Sex for Children and Parents [St. Martins Press, New York, 1975], described by the publishers as a picture book of sex for children and their parents. It contains a great many large photos of children and adolescents engaged in various sexual activities, supported by a text which briefly raises a variety of subjects, including anatomical variation, circumcision, masturbation, childbirth, nursing and sexual intercourse. In other words, it is a sort of sex-education primer.

Dr. Larry Constantine, an assistant professor at Tufts University, who works on attachment to Boston State Hospital as a family counsellor, wrote a serious review of the book for the journal Family Coordinator [vol. 26, 1977], expressing the view that it was ‘a beautiful book that breaks ground by its totally explicit photographs of children and adolescents in a variety of sexual activities’. The text, he felt, was less good, being characterized by out-of-date Freudian references and sexist bias. Yet on balance he still felt the book was valuable. Why? In a nutshell because it offers a warm, positive view of eroticism.”

The reviewer’s daughter, who at the age of 6 was able to point out the flaws in the book, said ‘It turns me on!’. It is regrettable that children’s exposure to erotic love is through the distortions and deceptions of adult media.” ‘The sexual rights of children: implications of a radical perspective’, in: Larry L. Constantine and Floyd M. Martinson (eds.), Children and Sex: New Findings, New Perspectives, Little, Brown, Boston, 1980.

The topic of child erotica is a very new one in the public consciousness. For this reason there has been inadequate time for resources to be devoted into research on it, and in any case few would think this necessary, any more than they would think it necessary to research the harm done to a victim by knife attacks. Nevertheless, one needs something more positive to go on than the notion of ‘spiritual murder’.”

Child pornography is now said to be a multi-million dollar business in the United States. If this is true then it will inevitably have attracted the most ruthless people imaginable, who would think nothing of brutalizing and murdering children for money. Yet such studies as there have been of the business indicate that not all the material is produced by ruthless gangster types, even in the United States, where the worst abuses have been reported. Robin Lloyd reports that much of the material is produced by amateurs, who are themselves paedophiles: the photographs show their own little girl- and boy-friends, whom they may love dearly and be very proud of.”

Magazine pictures, and films too, often feature children sexually active with each other, with no adult involved, as though the camera were merely recording spontaneous childhood sexiness which would have been going on even if no film were being made. These are children, we are invited to suppose, who are perfectly happy to fellate and masturbate each other, and to have coitus, with a carefree disregard for their being under public scrutiny. How much of this is real, how much a counterfeit designed to ease the buyer’s conscience, it is hard to say, and only by talking to the particular children involved in each case could one be sure of the truth. I should add that I have met and spoken to some children who have been featured in erotica, and have fairly detailed knowledge, from reliable sources, of the personal circumstances and dispositions of others: in these cases, the photographer has been an ‘enthusiastic amateur’ and the children have definitely enjoyed their ‘work’.”

it is no accident that those in the forefront of the campaign against child erotica are also predominantly anti-gay, anti-heterosex-before-marriage, anti what they derisively call ‘permissive’ attitudes generally.” “They are the people who, in their anxiety to promote the ‘moral’ welfare of others, overlook the misery, the frustration, and the violence engendered by sexual ignorance and repression. For they feel that people, especially children, must be kept sexually ignorant and repressed to free them from the ‘corrupting’ effect of their own feelings.”

Were the rights claims of children in this area vigorously defended, pornography using children would undoubtedly continue, but its production could be made more accessible to policing. Children who did not wish to participate could be better protected from exploitation at the hands of parents and other adults, just as child actors are protected by the scrutiny made possible by an open legal industry in which rights to participate are also recognized. The extremes of exploitation, kidnapping, rape and other excesses of the pornographer using children now are products of the illegality and marginality of the enterprise. True concern for children would prefer to see some children participating willingly in pornography under able-to-be-monitored conditions than to have other’s brutally exploited because of their status as runaways or mere chattels of their parents.

Larry Constantine

One problem of children in erotica which does affect them more than adults, arguably, is that of blackmail. The boy who is carefree enough at the age of 12 or 13 to take part in erotic films always faces the possibility that 10 years later his attitude will have changed. He may have married. The thought of his wife finding out might be enough to make him part with money to a blackmailer.” Embora não na seara “erótica”, nessas horas sempre penso no Macauley Culkin, que se afastou completamente das lentes de cinema (seu pai era nitidamente um aproveitador).

11. THE BEGINNINGS OF RADICAL PAEDOPHILIA IN BRITAIN

The general public in the UK has long been aware of ‘child molesting’ and ‘perversion’. But only in the 1970s did it come to hear about ‘paedophilia’, a designation suddenly lifted from the obscurity of medical textbooks to become a crusading badge of identity for those whom the term had been designed to oppress.

Paedophilia’ became simultaneously a recognized word and a public issue in August and September 1977, when a series of connected events resulted in the activities of the Paedophile Information Exchange (PIE) being given prominent attention in the national press. Prior to this time, most people had no idea that an organization like PIE even existed, which is perhaps not surprising considering its tiny membership – the total at that time standing around 250 – and the fact that it had only been going since October 1974. Nor, when the dust had settled on that late summer’s attention, were they any the wiser as to the reasons for its appearance, its philosophy, its proposals: the nature of the publicity had seen to that.

It was not until PIE had been going for a number of months that I myself heard about it, or about Paedophile Action for Liberation (PAL), which was later merged with PIE. There had been virtually no newspaper coverage at that time, and the only people ‘in the know’ about paedophile groups were readers of gay newspapers and magazines, and others in gay circles who had heard by word of mouth.”

beards, I recall, were no longer just hairs growing out of a man’s face, but were now pronounced, with great solemnity, to be

the last bastion of male chauvinism.

In the same spring, I went to several meetings of PAL, which had developed as a breakaway group from South London GLF [Gay Liberation Front]. It was at these meetings that I first met other paedophiles, and experienced the sheer exhilaration and joy of suddenly finding a whole new social world – a world in which the Great Unmentionable was all at once the thing to talk about, a source of instant, garrulous rapport, between the unlikeliest combinations of people: at my first meeting there were maybe a dozen, all male, mostly young not easily pigeon-holed ‒ by either dress, accent or manner ‒ into any obvious social class stereotypes.”

It was not long that year before PAL proved itself slightly too garrulous, too open, too devil-may-care, for it became the subject of classic ‘exposé’ treatment in the Sunday press – a whole front page, plus centre-page spread, in the Sunday People, which resulted in local intimidation and lost jobs for some of those who were exposed. For a long time (though not ultimately), PIE was luckier, and better able to survive than the demoralized members – or embers – of the PAL conflagration.”

PIE had been the idea of Michael Hanson, a gay student living in Edinburgh, who became the group’s first Chairperson. He wasn’t even a paedophile, though a passing relationship with a youth whom he took to be 16, but who turned out to be a year younger, provided the mental stimulus for his deliberations on paedophilia.”

Inspired by Engels, their thinking questioned the basis of the family as an economic, social and sexual system. And well before Keith Hose’s appearance on the scene, a large contingent of GLF had favoured the abolition of the age of consent; their youth group had even staged a march in support of this.”

If GLF gays found themselves discriminated against in a pub, they would promptly stage a mass sit-in there; action which sometimes won them the respect and support of ‘straight’ locals, rather than hostility. ‘Radical drag’ was one of their more flamboyant manifestations: gays would dress in weird combinations of clothes, such as ‘butch’ pit boots worn with a ‘femme’ feathered hat, in a graphic, art-derived and powerful visual challenge to traditional assumptions – assumptions not just about dress, but about the socio-sexual roles of the wearers.”

In other words we have always intended to be a ‘self-help’ group. In this respect we have something in common with a ‘slimmers’ club, or Alcoholics Anonymous, though of course our philosophy of self-help has been vastly different to either. The point of paedophiles helping each other, as we have seen it, has not been to help each other to reform himself, that is, to try and modify his sexual identity to fit in with the demands of society. The point has been one of learning how to cope with the fact of living in a hostile society. How to be paedophile without being suicidal about it, without feeling guilty just because other people expect you to.” Me pergunto o que Foucault diria sobre isso.

How have we fared in this aim? What have we done to help paedophiles themselves?” “Obviously, we have always had to be very careful in the kind of ads we have accepted. The purpose has always been to put paedophiles in touch with each other, not with children, and once in a while we have had to turn down ads which could have implied the latter. Likewise we have been careful not to allow ads for the sale or purchase of erotica. Not surprisingly, the News of the World eventually turned its attention to our ads. These are some that caught their eye:

No. 273 Energetic middle-aged male sincere and discreet lks boys 8-15 yrs and the various ways in which they dress. Int swimming. Wld lk to hear from others with similar ints.

No. 390 Male. Interested public school type boys, 12-16, either in football shorts or corduroy trousers, wd like to meet young male, 20-30, with similar interests (S W London/Surrey).

No. 379 Male Int girls 6-13 wd lk to correspond/meet others with similar interests; music, sports, fashion, Hi-Fi, photography, dance, reading, films (Blackpool).

No. 373 Doctor, male. Poet and author, interested photos little girls in white pants and little boys out of white pants. Wd like to hear from male or female with similar interests. All letters answered. Perfect discretion (Reading, Berks).

No. 401 Anglican priest, south London, anxious to meet other paeds for friendship and help.

We have never conducted a formal survey of our members’ use of the Contact Page, but I imagine the figure would be well over 80% having written or received at least one letter during their membership. I myself used the system during the early months of my membership.”

If he were to wake up in the morning finding himself attracted to women rather than boys, would this give him joy, or distress? Would he feel still the same person essentially, or would the change have meant the death of a part of himself which he held dear, a part which was an inalienable aspect of his sense of self?” “Whether he ever took the treatment I do not know, but he did get into trouble, and is now serving a 4-year sentence. § As you may imagine, I felt dreadful about that. If I had come down firmly in favour of him doing what his doctor told him, would it have happened? I wrote, and offered to visit him in prison, but it turned out that he was being well looked after there by his family, and had a good job in the prison library – where he was able to get on with writing his novel, plus a critical edition of the works of some 18th-century poet.”

I have reluctantly come to the conclusion that I should resign from PIE. When I joined, I saw it as an organization serving the purpose of meeting friends whose sexual orientation was similar to my own. It therefore gave me: (1) a feeling of release, in that I could safely share views normally repressed; (2) a feeling of security – in that I no longer felt isolated from the world because of my sexual outlook. Speaking purely for myself, I no longer feel a sense of (1) release – in so far as our aims seem no longer the mutual discussion of views, but rather an attempt to convince the community of the rightness of our views; (2) security – in so far as I now feel much more at risk in expressing paedophile views than I did before this year’s [1977] campaigning began. (…) That is the cardinal, indisputable tragedy of our situation. There is thus no object in my remaining a member. My decision is, however, a most reluctant one, since some of the finest people I have ever met in the gay world are PIE members. I have very much enjoyed their companionship, and no doubt in leaving PIE I shall be losing that friendship. I have no doubt that my loss will be greater than theirs …”

12. THE BIG BANG

We hadn’t looked at history for any sense of dynamic, for any precise revolutionary dialectic. We just did what we felt it was in us to do, what we were bursting to do, which was to stand up and say loud and clear that we were pig sick of creeping in the shadows, of pretending to be something other than ourselves, of apologizing for feelings which within our deepest selves we knew were capable of a good and fine manifestation, not a wicked or perverted or ‘sick’ one.” “After all, look what Darwin managed to get away with. And dear old Karl Marx, who could calmly set the world alight from a comfortable chair in the Reading Room of the British Museum!” “To isolate ourselves as a focus for universal hostility was indeed irrational, even downright crazy, and yet we still felt we had to do it.” “Not secretly or stealthily at any rate. We were just not prepared to wait for decades or centuries before declaring ourselves. It just wasn’t in our nature. Instead, we naively supposed we could be both open and play the lobbying, public-relations game to some extent; we thought we could manipulate the Establishment and find allies within it, simultaneously with being the ogres of the popular press and the Church-based reactionaries like the Festival of Light.”

In the days before people had become fully alert as to our radical nature, we thought it might be possible to establish ourselves as a self-help agency, to which probation officers could refer anyone convicted of a paedophilic offence, on the (correct) principle that we could befriend and ‘counsel’ those involved more effectively than a professional with no great knowledge or understanding of the personal problems involved.”

We could see ‘the enemy’ only where it was most obviously manifest. We knew the Whitehouse lobby had a broad populist appeal among the nation’s churchgoers and was not without power and influence. We knew that most ordinary people had deep, gut feelings about the protection of children, and that many of them would see red about PIE so forcefully that they couldn’t begin to give any rational consideration to our ideas.” “Having recognized all these enemies, we mistakenly supposed that in other areas we might find, if not friends, then at least rational, liberally-minded people, who would be open to ideas. [na esquerda]

What we had failed to see was that normally intelligent, broad-minded people were just as capable of giving way to their initial, emotional sense of revulsion as anyone else: in making an appeal to their brains, to their education, we put too much faith in these factors. We were quite wrong in supposing that only religious maniacs and splenetic judges are ruled by factors outside the intellect. Of course, had we been preaching any one of dozens of other doctrines, our supposition would have been correct: there is no shortage of liberals who are prepared to take a sympathetic view of the Provisional IRA, despite their revulsion against the barbarity of kneecappings and the suffering of children who get in the way of the bullets and bombs and hatred. § Apparently violence, in the pursuit of a political end like nationalism, is somehow acceptable, no matter how horrific it may be. Yet for some reason that I cannot fathom, the non-violent love of children is regarded as more horrific, not less so.” Porque não se admite um ‘amor não-violento da criança’ como a priori sociobiológico. Entende-se-o como tática do patriarcado para reviver práticas antigas que ficavam “atrás das cortinas”. E, sobre o exemplo empregado, ironicamente o IRA abandonou sua condição de grupo terrorista em anos recentes (até onde eu sei).

One of my colleagues at the Open University, who held a senior administrative position, was a classic case in point. He was a chap with a good degree from London School of Economics, a fairly left-wing Socialist, with a fine and subtle mind. One could discuss anything with him sensibly, religion, politics, even sexual ethics, up to a point. But paedophilia? Well, when he found out about my involvement with PIE his shock was so complete as to render him literally speechless.”

We recognized that we would have to sail through stormy waters, through shock/horror headlines, perhaps through sackings of our public representatives from their jobs and other forms of intimidation. § But at the same time we would win a measure of respect for our sincerity, and with the dying down of the initial revulsion, people would ask themselves why we had put so much at risk, and would begin to consider our ideas properly. In a few years time, when the trendy liberals had caught up, the really smart thing for the fashionable Hampstead hostess would be to gently drop into the conversation some tidbit about her little Julian’s ‘sensitive’ relationship with film director X or famous artist Y!”

It would just be a mechanical matter, I supposed, of keeping the media informed as to what we were up to – of generating newsworthy events and then plugging them by means of press releases, press conferences and so on.”

Then, just at the critical moment, enter the deus ex machina, Mary Whitehouse.¹ A story appeared in the press in which she claimed that public funds were being used indirectly to subsidize ‘paedophile groups’. She said that the Albany Trust – partly government-grant-supported – was itself ‘supporting’ such groups.”

¹ Já citada nos capítulos iniciais. Uma espécie de Margaret Thatcher dos costumes.

The significance of Kemp’s article, unlike any that had appeared in The Guardian, or elsewhere, was that it was noticed. The whole of Fleet Street read it, and every paper decided there was an angle they either could, or positively had to, follow up. The following day, on holiday from my job at the Open University, I spent nearly 15 hours answering calls from the national and provincial press, and almost as long the day after that.”

The Daily Mirror ran the story as a front page lead, with the headline ‘CHILDREN IN SEX SHOCKER’, with appropriately horrified comments from the likes of Rhodes Boyson, and an editorial in which we were urged to ‘crawl back under the stone’ from which we came.”

The pressure came not only from the press. Once the hotel had been identified, the manager had to contend with threats to smash windows and disrupt the meeting. Some even threatened to burn the place down and kill the manager if the meeting went ahead, according to hotel staff I talked to.”

For a few days, incredibly, it looked as though we might find sanctuary in the most traditional, yet unlikely, source: the Church. For we had managed to get hold of a sympathetic vicar who was prepared to loan us his church hall. (…) unfortunately, the vicar in question took fright when, after seeking the advice of the Bishop of Truro, he was advised against giving us the hall.”

Red Lion Square. An evocative name, which had come to be almost synonymous with political violence. It had been the scene of famous clashes between extreme right and extreme left, and in 1974 a demonstrator had died there. Would our humble little gathering be as fraught, I wondered. There was now not the remotest chance of it going ahead quietly. PIE was big news, and our new venue had already been given out in all the national newspapers. (one thing we could be sure of: in the event of violence, it wouldn’t be a contest between the big battalions, of left versus right. For who would be the heavy infantry fighting for PIE? We could expect plenty against us.” “Did we have to prove our courage when we really wanted to show that paedophiles are often kind and gentle, loving and non-violent people?”

As the meeting began, I looked at the growing crowd (now several hundred strong) and recognized from previous demos several prominent National Front¹ thugs and sympathizers – male and female – including Dereck Day, who was featured in the Observer article on the National Front.

[¹ Eufemismo para nazis.]

In the hall we tried to listen attentively to the PIE speakers but the constant strains of ‘kill them, kill them’ from the crowd, who were beating on the door, made this difficult. I was frightened and could not concentrate properly. § The meeting ended half an hour earlier than planned in a bid to surprise the mob outside. Those who could run fast were advised to form ranks. The elderly and several disabled had to wait for further instructions. It all felt like abandoning ship into a cruel sea. § Many of us were set upon individually by the crowd. A Jewish brother, his glasses stamped on, was kicked and punched. The police, now about 30 in number, reacted lethargically. § Survival instincts are strong. I removed my gay badge and masqueraded as a het[erosexual] when challenged by a potential assailant. They seemed surprised that most of us were not old men in faded brown raincoats. We were all sorts – gay, paedophile, straight, press people, academics, coming to listen to what PIE had to say. § As I was pummelled and kicked I appealed to a policeman for help, but I was told to ‘Get the hell out of here’. Eventually 3 of us managed to stop a passing cab and escape. § To my amazement, the meeting itself went just about as well as possible in the circumstances. We had been worried about disruption inside the hall, with people storming the platform – after all, this was a public meeting, to which any of the mob outside could have come if they paid their money and showed no obvious signs of being hell-bent on disruption. But as everyone coming into the hall was being labelled by the crowd as a ‘pervert’ – including people who were trying to get into a regular Bible Class in another part of the building – there may have been an understandable reluctance to do so.”

Now, the same thing was felt about ‘paedophiles’ – to most people it was just a new word for an old vice [‘molesters’], without any understanding having been gained. In view of the nature of the press coverage, particularly in the Daily Mirror and the other ‘populars’, this was hardly surprising: it was just a catalogue of revulsion and hate, without any discussion of ideas. Now I am not quite so naive as to suppose there would have been: I was always well aware, and so were we all in PIE, that news stories cannot he used as a means of persuasion towards accepting unfamiliar, and perhaps difficult, new concepts.”

But we had hoped to achieve something just by getting people to realize that radical paedophiles exist, and that they have a philosophy – which the more thoughtful of them might ultimately read about in a book by Tom O’Carroll, or whoever. And this realization could only be achieved, by a tiny, limited-resources group like ours, not by careful, patient, secretive, high-level lobbying, but by speaking out loud in public and simply having to ride out the inevitable initial period of hysteria.”

Word reached me that at least one of those [minors] who had been shown on the Tonight programme was recognized by his schoolmates. Since then, he has been persecuted at school, and both he and his parents have been taunted so much by neighbours that the family have had to move out of the district. Does that make the ‘frank and fearless’ documentary-makers happy, as they go off on their next assignment?”

13. A WIDER PERSPECTIVE

while in the UK we have only one Mary Whitehouse, the Americans have two – Anita ‘Save Our Children’ Bryant and Judianne ‘Child Porn’ Densen-Gerber – plus a formidable supporting cast of moral crusaders, backed by mainstream news media, often as prurient and sensationalistic as the News of the World.”

Anita Bryant is chiefly famed for her attack on legislation designed to prevent discrimination against homosexuals in employment – especially against homosexual teachers in schools – whence the slogan ‘Save Our Children’, with which in 1977 she won her most notable victory, Miami in Florida.”

The backlash styled itself as ‘pro-family’, and at its heart was detestation of all lifestyles that refused to conform with the tradition roles of women and men in society, as well as of non-traditional erotic behaviour – it was thus anti-feminist as well as anti-gay. The easy targets, however, were those at the margin of public acceptability, particularly paedophiles, and most of all ‒ because of the dreaded homosexuality factor ‒ male boy-lovers. Boy-love came to be for Anita Bryant what communism was to Joe McCarthy. Like McCarthy, the new witch-hunters talked about a ‘national conspiracy’ and citizens were urged to be ever vigilant to track down and expose the conspirators. One organization, the Interfaith Committee against Child Molesters, is alleged to have offered a ‘Community Action Kit’. People have been urged to ‘shadow’ their neighbours, friends, and even relatives, and to ‘turn them in’ if they are suspected of sexual ‘irregularities’. Guidelines are apparently being published on what to look for in nailing a boy-lover. If a man is frequently seen with a lad not related to him, then that man is patently up to no good and has to be investigated.” “Punishment for male offenders would involve surgical removal of the nerves within the penis that control a man’s ability to have an erection, thus impeding his sexuality far more effectively than traditional castration. Women would have their ovaries removed. This would not prevent a woman from having sex, but a lack of hormones produced by the ovaries would cause her vagina to lose it’s elasticity, to ‘dry up’, making intercourse less satisfactory and possibly painful.”

At the same time, the word ‘backlash’ is of great significance here, for there have been in the United States extensive attitudinal changes to react against – changes which made equal rights for homosexuals acceptable to some state legislatures in the first place.”

René Guyon wrote treatises which, echoing Reich, asserted that many of the ills of civilization are products of distorted sexuality.”

John Gerassi, The Boys of Boise

How is it they could turn the tables on a District Attorney who was bent on a witch-hunt? How did they tempt a Superior Court judge into supporting such a radical cause? How was it that even some churches offered their support? Despite the fear of persecution, how on earth was it possible to get 1,500 people to turn up at a fund-raising meeting and avoid the violence that attended PIE’s debacle at the Conway Hall?

A major part of the answer is that the Boston-Boise Committee was strictly a civil liberties group, which, although it did oppose the age of consent laws in Massachusetts, took no stand on paedophilia as such. It was also far less uncompromising than PIE in that the emphasis to its public approach was consistently on the sexuality of adolescent boys, of youths, rather than children – a fact which probably enabled it to maintain support within the gay community which might otherwise have been frightened off.”

OU SIMPLESMENTE ALABAMA VIBES: “Another element perhaps lies deeper in the nature of American society, for I suspect that despite the readily whipped-up hysteria, there is also in the USA a willingness to consider new ideas that is almost wholly lacking in Britain: even the mainstream news media allowed themselves to be influenced positively by the Boston-Boise Committee’s campaign, and began to run some open-minded articles.”

The point is that Western society has undergone a revolution in sexual values, but it has tried to apply it exclusively to adults, and this rather arbitrary restriction is simply not working. How do we explain to our kids that while sex is natural, healthy, normal and good, they should refrain from enjoying it until they grow up and leave home? More to the point, how do we explain it to ourselves?”

Richard Currier

Despite everything, despite the ferocity of the Bryant/Densen-Gerber phenomenon, I feel mildly encouraged by North America’s openness to ideas – and when I say that, I include Canada, where early in 1979 a major court victory was won by the gay journal Body Politic (through a prosecution appeal is pending at the time of this writing), which had faced a charge in connection with a long, serious article called ‘Men Loving Boys Loving Men’, which was said to be ‘immoral, indecent or scurrilous’. The charge was dismissed by a judge who spoke of Body Politic as ‘a serious journal of news and opinion’ and the article as ‘a plea for understanding’ which ‘forcefully argues in favour of a particular attitude of non-condemnation of paedophiles’.” Otimismo infundado para quem vive no século XXI!

If there are small glimmers of encouragement to be detected in North America, there is by comparison a great, warm glow radiating from Holland. It has already been noted that such unlikely groups as the Netherlands Order of Attorneys and the Protestant Union for Child Protection believe that in the case of consensual child-adult sexual activity, prosecution of the adult is not justified.” Outra nação que se tornou imensuravelmente mais conservadora.

A TV programme, watched by 2 million viewers, feature a Protestant minister with positive views on paedophilia, plus an enlightened mother and a medical student who felt he had received enormous benefit from a relationship he had had with a man from the age of 12. Feedback from the public did not indicate outrage at the programme. Dr. Brongersma, who was one of the principle contributors, told me that, on the contrary, reaction was favourable from the entire press (Communist to Roman Catholic) and from the general public.

There has even been a march through the streets, with placards, banners and, yes, children too, to protest at The Hague’s Palace of Justice, during the appeal court hearing in 1978 of a 34-year-old social worker who had been given a 3 month sentence (1 month suspended) for his 3rd conviction on charges relating to sex with boys under 16. The sentence itself was lenient by UK standards, especially as the offence in question concerned not one, but 3 boys, aged 14 and 15.”

Interestingly enough, the Netherlands had no age of consent laws for many years, between the Napoleonic occupation and the passing of this article in 1886, and there is no evidence whatsoever that children were exploited more in this period than afterwards, when they became officially ‘protected’.”

After the trial signatures were collected for a petition to the Minister of Justice, calling for an end to all Dutch legislation on sexual morals. One of those gathering signatures was Gerald Zwerus, Chairperson of the National Paedophile Workgroup of the NVSH, and himself a teacher. Zwerus’ campaigning does not appear to have affected his position as a teacher, and he has even been allowed to speak at schools on the subject. Following one such talk, an initiative was taken by some pupils to collect signatures for the petition.

Since then, there has been a further petition calling for the abolition of the age of consent, presented to the Government in June 1979, and signed by the Trade Union of Teachers, the Union of Probation Officers, the Protestant Trade Union of School Teachers, and the Protestant Union for the Family; this last-mentioned group recently published a completely-positive pamphlet on paedophilia, replacing an earlier one in which the emphasis was on ‘child molesters’.

Evidently this group, concerned as it is with the family, does not see paedophilia as a threat to family life. What’s more, the largest single party in Parliament, Labour, along with smaller ones, supports abolition, and if the Liberals join them (they are presently studying the matter) there will be a Parliamentary majority.”

A German paedophile, wracked by guilt over his attraction to little girls, knew no one in his home town in whom he could confide. Then he heard that a World Sex Fair was to be held in Rotterdam, and he thought that there he might be able to meet and talk to someone from a paedophile group. Accordingly, he went along, and discovered that there was indeed an exhibition stand run by volunteers from the local NVSH group. He approached what he took to be the 2 volunteers on duty and tentatively struck up a conversation with them. They both listened sympathetically to him, and in the relaxed atmosphere he soon found himself pouring out a great many secrets about his relationships with little girls. To his surprise and pleasure neither of his newly-found confidantes seemed in the least bit shocked, or disapproving. Then one of them had to go. ‘Sorry to leave,’ he said, ‘but I am a policeman and I have to go on duty’. It was some time before the other man, who really was an NVSH volunteer, could convince the shocked German that he was not going to be arrested, or that details of his confession would not he released to police back in his home town. What the NVSH man knew, and the German did not, was that generally speaking the police in Rotterdam do not now go out of their way to concern themselves with under-age sex. Although the age of consent is 16, for both homosexual and heterosexual acts, no action is taken unless complaint is made, when the child is a girl between 12 and 16.” “My guess is that paedophilia will never be accepted, in Holland or elsewhere, by any society in which paedophiles are singled out as a minority – a minority which, like the homosexual minority, cannot help but seem bizarre and alien to even the most understanding onlookers, when the focus of attention is on the peculiar sexual orientation of the ‘problem’ group involved.”

Sexual liberation can only mean something valuable to most people in the context of their own lives, and the lives of their own children, not the lives of some minority group with whom they are asked to sympathize. This fact is recognized by those sexually progressive groups in America who encourage cross-generational sensuality [?] within the family, in a way that comes across as ‘natural’ and non-threatening, to average parents.”

Will it ever be possible for a ‘civilized’ society to totally rediscover affectivity? Will we be able to recreate the best, most sexually guilt-free elements of ‘primitive’ cultures? Why were those elements lost in the first place? Is there something in advanced societies necessarily inimical to sexual shame and guilt falling below a certain irreducible plateau level? Are we doomed to a regime of more or less continuous sexual repression, punctuated by occasional, half-hearted bouts of ‘permissiveness’?” Foucault diria que sim, mas quem diabos lê Foucault em 2023!

Are our social and sexual roles inevitably distorted, as Engels and others have suggested, by the very nature of our economic system? Or is there something about the late 20th century – the technological revolution, which promises fundamental changes in the way we live – that suggests possibilities for a completely new beginning, for a new approach to social and sexual relations?” Haha, não é por aí!

This wider revival of conservative values, in which there has been a central emphasis in the rhetoric of the major political parties on ‘the family’, may be seen as a reaction against the ‘Jenkinsite’ view of society that flourished in the reforming 1960s (which saw the liberalization of the abortion laws and the abolition of hanging, as well as the reform of the law against homosexuality).”

Germany, the country which had the world’s best established sexual reform movement in the early part of this century, where the work of Dr. Magnus Hirschfeld promised to lead the world to a new rationality about homosexual and other aberrant behaviour, was soon in the grip of a massive persecution of homosexuals.” “Political oppression cannot exist without sexual oppression. Or can it?”

Until we stop alienating children from their bodies, by cruelly binding them in swaddling clothes of shame, they will be bound to grow up deformed, as surely as if, like the Chinese of old, we were to bind their feet.”

FINIS.

40 RECOMENDAÇÕES DE BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

Bloch, I., Anthropological Studies in the Strange Sexual Practises of all Races in all Ages

Bloch, I., The Sexual Life of our Time in its Relations to Modern Civilization

Califa, Pat, Public Sex – essays on the culture of radical sex.

CAMPAIGN AGAINST PUBLIC MORALS, Paedophilia and Public Morals

Cook, M. & Howells, K. (eds.), Adult Sexual Interest in Children

Dover, K.J., Greek Homosexuality

Frankl, G., The Failure of the Sexual Revolution

Fraser, M., The Death of Narcissus

Fraser, M., ‘Paedophilia: the eighth deadly sin?’, Forum

Friedenburg, E.Z., The Vanishing Adolescent

Geddes, D.P. (ed.), An Analysis of the Kinsey Reports

Geraci, Joseph (ed.), Dares to Speak: historical and contemporary perspectives on boy-love

Goldberg, S., The Inevitability of Patriarchy

Greer, G., The Female Eunuch

Guyon, R., Sex Life and Sex Ethics

Heron, A. (ed.), Towards a Quaker View of Sex

Hirschfield, M., Sexual Anomalies and Perversions

Jenkins, Phillip, Intimate Enemies: Moral panics in contemporary Great Britain

Justice, B. & Justice, R., The Broken Taboo: Sex in the Family

Licht, H., Sexual Life in Ancient Greece

Lloyd, R., Playland: A Study of Boy Prostitution

Mead, M., Sex and Temperament in Three Primitive Societies

Mohr, J.W. & al., Paedophilia and Exhibitionism: A Handbook

Moll, A., The Sexual Life of the Child

Money, Dr. John & Lamacz, Margaret, Vandalised Lovemaps: paraphilic outcome of seven cases in pediatric sexology

Ollendorff, R., The Juvenile Homosexual Experience

Ovenden, G.& Melville, R., Victorian Children

Perry, M. (ed.), Childhood and Adolescent Sexology

Pomeroy, W.B., Boys and Sex

Pomeroy, W.B., Dr. Kinsey and the Institute for Sex Research

Pomeroy, W.B., Girls and Sex

Raile, A.L., The Defence of Uranian Love (3 vols.)

Randall, J.L., Childhood and Sexuality: a radical Christian approach

Reade, B., Sexual Heretics: Male Homosexuality in English Literature 1850-1900

Rycroft, C., Reich

Sandford, T; Brongersma, E; & van Naerssen, A. (eds.), Male Intergenerational Intimacy

Stoll, B., But Why Cancer, Sally?

Stoller, R., Perversion: The Erotic Form of Hatred

Taylor, B. (ed.), Perspectives on Paedophilia

Winnicott, D.W., The Child, the Family, and the Outside World

YOUTH LIBERATION OF ANN ARBOR, Youth Liberation of Ann Arbor

UM CURIOSO DOCUMENTO DE TEMPOS ESTRANHOS QUE ENVELHECEU MEIO BEM, MEIO MAL…

Catecismo Revolucionário por Sergey Nechayev (primavera de 1869) ou MANIFESTO DO NIILISMO POLÍTICO

“I – O revolucionário é um homem com um destino. Não tem nem negócios ou interesses pessoais, nem sentimentos ou afeições, nem propriedade, nem mesmo um nome. Nele tudo está absorvido por um só interesse exclusivo, um só pensamento, uma só paixão: A Revolução.” Pré-história da definição de revolucionário (pensando que a Revolução Francesa nada tem de revolucionária per se). Caricato.

“III – Um revolucionário despreza toda a teoria; renuncia à ciência atual e abandona-a para as gerações vindouras.” Um revolucionário sem método é um revolucionário derrotado.

“Entre ele e a sociedade, um combate de morte é travado, uma luta aberta ou clandestina, sem tréguas e sem misericórdia. Deve estar preparado para suportar todos os tormentos.” A descrição subjetiva do indivíduo é acertada.

“VII – A natureza do verdadeiro revolucionário exclui todo o romantismo, toda a sensibilidade, todo o entusiasmo, todo o impulso. Exclui também todo o sentimento de ódio ou de vinganças pessoais. A paixão revolucionária, tomada nele um hábito constante e quotidiano, deve unir-se ao cálculo frio.” Estranho desprezo pelo artista, o tipo mais revolucionário de todos.

“IX – É supérfluo falar de solidariedade entre revolucionários: é sobre ela que repousa toda força de trabalho revolucionário. (…) Logo que se trate de executar uma série de atos de destruição, cada um deve operar por sua conta e risco e não reclamar ajuda ou assistência aos seus camaradas, porque isto é absolutamente indispensável para o sucesso do empreendimento.” Insights, se otimistas em demasia, ao menos interessantes, em retrospecto…

“X – Todo o militante revolucionário deve ter à sua disposição alguns revolucionários de segunda ou terceira categoria, quer dizer, aqueles que ainda não foram admitidos em definitivo. Deve considerá-los como uma parte do capital comum posto à sua disposição. Deve gerir a sua parte de capital com economia e retirar o máximo de benefício. Deve-se considerar a si próprio como um capital necessário ao triunfo da revolução, capital que não pode, contudo, dispor sozinho e sem consentimento do conjunto dos outros camaradas.” Não deixa de ser verdadeiro. Implícito numa ditadura do proletariado.

“XI – Todas as vezes que um camarada se encontra em perigo, o revolucionário, para saber se o deve salvar ou não, não tem que consultar o seu sentimento pessoal, mas só e unicamente o interesse da causa revolucionária. Também lhe é necessário pensar por uma parte na utilidade que representa o seu camarada, por outra parte no dispêndio de forças revolucionárias que exigirá a sua libertação, e agir no sentido para onde pende a balança.” O que nem o Genei Ryodan foi capaz de fazer!

“É-lhe necessário odiar igualmente tudo e todos. O pior para ele, é de ter ainda neste mundo laços de parentesco, de amizade ou de amor: não é um revolucionário, se semelhantes laços podem prender o seu braço.” É menos difícil do que foi pintado por Nechayev, por incrível que pareça… O que é menos difícil? Dissociar-se dessas coisas que nos tornam quem somos? Não, mas que elas não sejam obstáculos absolutos da revolução.

“XIV – O revolucionário pode e deve frequentemente, viver no seio da sociedade, em vista da sua implacável destruição, e dar ilusão de ser totalmente diferente do que realmente é. Um revolucionário deve procurar entradas em toda a parte, na alta sociedade como na classe média, nos comerciantes, no clero, na nobreza, no mundo dos funcionários, dos militares e dos escritores, na polícia secreta e até no palácio imperial.” Uma espécie de início da paranóia dos tempos da Guerra Fria, a era dos super-espiões.

“Deve-se somente ter em conta o grau de utilidade que representa a morte de tal ou tal pessoa para a obra revolucionária. É necessário executar primeiramente os indivíduos mais perigosos para a organização revolucionária, e aqueles cuja morte violenta e súbita é a mais apropriada para assustar o governo e enfraquecer sua força, privando-os dos seus auxiliares mais enérgicos e mais inteligentes.

XVII – A segunda categoria compreende aqueles a quem se deixa provisoriamente a vida, e cujos atos sublevarão a indignação do povo e o conduzirão inevitavelmente à revolta.

XVIII – A terceira categoria é composta por um grande número de bestas brutas altamente colocadas, que não brilham nem pela inteligência, nem pela energia, mas que possuem, em razão da sua situação, riquezas, altas relações, de influência e de poder. É necessário explorá-los por todos os meios possíveis, agarrá-los nas nossas redes, fazer-lhes perder o controle, penetrar até o fundo dos seus segredos desonestos, e assim fazer deles os nossos escravos. Desta maneira o seu poder, as suas relações, a sua influência e a sua riqueza serão para nós um tesouro inesgotável e um precioso socorro nos múltiplos empreendimentos.” Lúcido.

PARVENUS: “XIX – A quarta categoria compreende toda a espécie de funcionários ambiciosos, assim como os liberais das diferentes tendências. Pode-se conspirar com estes últimos adotando o seu próprio programa fazendo-lhes acreditar que o seguem cegamente. É necessário tomar bem em mãos, apoderar-se dos seus segredos, comprometê-los a fundo para lhes tornar impossível qualquer retirada, e servir-se deles para provocar perturbações no Estado.

XX – A quinta categoria compreende os doutrinários, os conspiradores, os revolucionários, todas as pessoas que tagarelam nas reuniões ou escrevem no papel. É necessário, sem cessar, empurrá-los, comprometê-los com manifestações práticas e perigosas: o resultado será o desaparecimento do maior número, enquanto que alguns se revelarão os verdadeiros revolucionários.”

QUESTÃO FEMININA: “XXI – A sexta categoria é de uma grande importância: trata-se das mulheres, que convém dividir em três classes. A primeira compreende as mulheres superficiais, sem espírito e sem coração, de que é necessário servir-se da mesma maneira como os homens da terceira e quarta categorias. Incluímos na segunda classe as mulheres inteligentes, apaixonadas, prontas a dedicarem-se, que não estão ainda nas nossas fileiras, porque elas não chegam ainda a uma inteligência revolucionária prática e sem verborragia. É necessário utilizá-las como aos homens da quinta categoria. Vem enfim, as mulheres que estão completamente conosco, quer dizer, que estão totalmente integradas e aceitaram integralmente o nosso programa. Devemos considerá-las como o nosso tesouro mais precioso e a sua ajuda é indispensável em todos os nossos empreendimentos.”

“XXIII – Pelo nome de Revolução Popular a nossa sociedade não entende um movimento de tipo clássico ocidental, que não atinge em nenhum caso nem propriedade privada, nem a ordem social transmitida pela dita civilização e a pretensa moralidade, e que se limitou até agora a suprimir um sistema político para o substituir por um outro e fundar um Estado dito revolucionário. Só pode trazer a salvação ao povo uma revolução que condene absolutamente toda a idéia de Estado, perturbe completamente na Rússia as tradições, as instituições e as classes sociais do Estado.

XXIV – Neste objetivo a Associação não tem de modo algum a intenção de impor ao povo qualquer organização vinda de cima. A futura organização sairá, sem dúvida, do movimento da vida popular, mas isto será obra das gerações vindouras. A nossa tarefa é de destruir, uma destruição terrível, total, implacável, universal.” Paixão que se consumiu rapidamente.

“É necessário aliarmo-nos com o mundo dos aventureiros e dos bandidos, que são, na Rússia, os únicos verdadeiros revolucionários.”

[REPRISE] O QUE É PÓS-MODERNO? – Jair Ferreira dos Santos, 1987. Thrice is the charm, so roll the dice, it won’t harm.

Originalmente publicado em 16 de setembro de 2009.

mescla de purpurina com circuito integrado (…) Um bem? Um mal? Quem viver verá.”

CONTRACAPA

E quantos ainda vivem? E quantos não estão cegos?

índice

1. VEM COMIGO QUE NO CAMINHO EU EXPLICO

2. DO BOOM AO BLIT AO BLIP

Inclui wikia sobre John Barth

3. DO SACROSSANTO NÃO AO ZERO PATAFÍSICO

4. ANARTISTAS EM NULIVERSO [MYTHBUSTING!!]

Inclui wikia sobre o dadá Rudolf Schwarzkogler

5. ADEUS ÀS ILUSÕES

6. A MASSA FRIA COM NARCISO NO TRONO

7. DEMÔNIO TERMINAL E ANJO ANUNCIADOR

1. VEM COMIGO QUE NO CAMINHO EU EXPLICO

Menos coisas do que parece mudaram desde os anos 80: o U2 ainda faz um estrondoso sucesso e tenho um computador a minha frente. Qual a razão? O autor é um visionário ou a História está desacelerando? A fase crítica, a da elaboração do manifesto, teria passado? Agora havemos de ver mais VIDA do que MORTE?

O PRINCÍPIO DO SCAT: “A câmera adaptada ao vídeo filmou vocês enquanto faziam amor. Será o pornô que animará a próxima vez.” Sintomático dos ingleses, segundo Latour; sintomático dos franceses que fedem à bosta, segundo Henfil.

Alternativa diferente das anteriores: o Brasil sentiu isso mais tarde – o escritor captou as tendências descritas somente no Primeiro Mundo. É só pensar nas manifestações pró-aborto: nosso espectro é defasado. E agora a moda é o do contra… Retroação. (2023)

Na cama, um sentimento de vazio e irrealidade se instala em você.”

ACIMA DO BEM E DO MAL: “Por que o niilismo voltou à boca dos filósofos?” Mas quando é que saiu desde a década de 1880?!

Digamos que o dia agitado do urbanóide retratado equivalha a meu ciclo semanal… (2009, quando morava com os pais, que ‘funcionavam’ num ciclo com esta duração)

Nenhuma revolta. Entre a apatia e a satisfação, você dorme” É necessário morrer (dormir) mil vezes… O outro lado da moeda – em relação ao niilismo clássico – é oco.

A fábrica suja, feia, foi o templo moderno; o shopping, feérico em luzes e cores, é o altar pós-moderno” Já foi-se o tempo.

Os modernistas (vejam Picasso) complicaram a arte por levá-la demasiado a sério. Os pós-modernistas querem rir levianamente de tudo.” Querer não é poder.

A CRIANÇA RADIOSA vs. O ANDRÓIDE MELANCÓLICO: “o fantasma pós-moderno (…) A rigor, nada tem a ver com o Brasil, embora já se assista a um trailer desse filme por aqui”

É preciso sofrer para enxergar algum sentido. Nós, brasileiros, fomos tetracampeões em sofrimento recentemente.

(2009) Quando me torno forte e apólogo do devir, logo surgem vaidades econômicas dos pais, amigos paralisantes, universidade estressante e malditos insetos que não tratam de cessar – combinação explosiva. O clima neste deserto já está há um ano insuportável (quase dois! – 2010), e qualquer retiro imaginável é apenas para lugares piores. Não calculo a possibilidade dessa luta não dar em nada. Meu sonho é centrífugo à realidade jovem do celular-câmera-Orkut-baladas-funcionalismo. Eu quero apenas duas coisas: colchão velho¹ e distância (paradigma do conhaque e da atmosfera puída e calada). As fases passam (C. e reclamação na mesa)… O pior de todos os infernos sem dúvida é o Inferno Tecnológico. Ou o deserto do real a-tecnológico involuntário. Ridiculerói na Terra da Música.

¹ (P.S. 2023) Alergia a ácaros torna este velho ‘mandamento’ proibitivo hoje!

DO TRAILER (TEASER!) AO LONGA: O que é não fugir, Jesus? O que é não consumir, Lúcia? O que é não tratar do cabelo no salão, Nadir? O que é ter um pobre na família, Aguiares? O que é não sair de casa no sábado, Eduardo? Todos estamos no mesmo barco – inclusive eco-chatos e maconheiros, não é, G.B.? Você sai muito de casa e toma muito suquinho? O quanto isso o elevou? Ao anonimato num jardim malpodado!

(O ruim de anotar as coisas é que a gente lembra das coisas! Inconscientemente, já havíamos nos vingado há muito tempo…)

preferimos o (…) simulacro ao real. E por quê? Porque desde a perspectiva renascentista até a televisão, que pega o fato ao vivo, a cultura ocidental foi uma corrida em busca do simulacro perfeito da realidade.” “Simular por imagens como na TV, que dá o mundo acontecendo, significa apagar a diferença entre real e imaginário, ser e aparência. Fica apenas o simulacro passando por real. Mas o simulacro, tal qual a fotografia a cores, embeleza; intensifica o real. Ele fabrica um hiper-real, espetacular, um real mais interessante que a própria realidade.” Quebra da tela da TV definitiva (resolução maior que a de qualquer olho humano) e multipolaridade, o caminho.

Sua superfície é enorme, lustrosa, sedutora (…) O Danone verdadeiro é um alimento mixuruca.”

2. DO BOOM AO BIT AO BLIP

John Barth, The Floating Opera

______, Giles, o Menino Bode

______, Once Upon a Time: A Floating Opera

______, The Literature of Exhaustion, 1967 // “Barth has since insisted that he was merely making clear that a particular stage in history was passing, and pointing to possible directions from there. He later (1980) wrote a follow-up essay, The Literature of Replenishment, to clarify the point.” Curiosamente, Barth e (Roland) BarthES possuem trabalhos teóricos correlatos e coetâneos!

wiki: “Despite Barth’s influence on postmodern literature in America, his influence and publicity have decreased since his novels were published.”

Barth began his career with The Floating Opera and The End of the Road, two short realist novels that deal wittily with controversial topics, suicide and abortion respectively. They are straightforward realistic tales; as Barth later remarked, they ‘didn’t know they were novels’. § The Sot-Weed Factor (1960) was initially intended as the completing novel of a trilogy comprising his first 2 ‘realist’ novels, but, as a consequence of Barth’s maturation as a writer, it developed into a different project.”

Barth’s next novel, Giles Goat-Boy (about 800 pages), is a speculative fiction based on the conceit of the university as universe. Giles, a boy raised as a goat, discovers his humanity and becomes a savior in a story presented as a computer tape given to Barth, who denied that it was his work.”

The short story collection Lost in the Funhouse (1968) and the novella collection Chimera (1972) are even more metafictional than their 2 predecessors, foregrounding the writing process and presenting achievements such as a 7-deep nested quotation. Chimera shared the U.S. National Book Award for Fiction.”

The Floating Opera is a novel by American writer John Barth, first published in 1956 and significantly revised in 1967. Barth’s first published work, the existentialist and nihilist story is a first-person account of a day when protagonist Todd Andrews contemplates suicide. § Critics and Barth himself often pair The Floating Opera with Barth’s next novel, The End of the Road (1958); both were written in 1955, and they are available together in a one-volume edition. Both are philosophical novels; The End of the Road continues with the conclusions made about absolute values by the protagonist of The Floating Opera, and takes these ideas ‘to the end of the road’.”

EDITOR OU AÇOUGUEIRO? “After a string of publisher rejections, Appleton-Century-Crofts agreed to publish The Floating Opera in 1956, but stipulated it ‘conclude on a less nihilist note’; Barth complied and altered the ending. (…) Barth made a number of changes to the text for a revised edition from Anchor Books in 1967, including restoration of the original ending.”

Giles Goat-Boy (1966) is the 4th novel by American writer John Barth. It is a metafictional comic novel in which the universe is portrayed as a university campus in an elaborate allegory of both the hero’s journey and the Cold War. Its title character is a human boy raised as a goat, who comes to believe he is the Grand Tutor, the predicted Messiah. The book was a surprise best-seller for the previously obscure Barth, and in the 1960s had a cult status.”

Nathalie Sarraute (1900-1999), Portrait of a Man Unknown (Portrait d’un inconnu)

______, L’Ère du soupçon, 1956 (enssaio)

______, Tropismes

3. DO SACROSSANTO NÃO AO ZERO PATAFÍSICO

John Fowles, A Mulher do Tenente Francês

Donald Barthelme (1931-1989), Snow White (1967)

_____, Me and Miss Mandible (conto)

_____, The Joker’s Greatest Triumph (c.)

_____, The Balloon (c.)

4. ANARTISTAS EM NULIVERSO [MYTHBUSTING!!]

EM NOME DA ARTE: O caso que sempre recordo, mas nunca sei dizer o nome do suicida: Rudolf Schwarzkogler (1940-69), vienês, precursor da arte performática, se matou em uma exibição apoteótica em 1969.

wiki: “He was born the son of a doctor who killed himself near Dubinniskij-Stalingrad after a serious war injury in which he lost both legs. In 1951 Schwarzkogler’s mother moved with her son to Lienz, where she married the sculptor Erich Unterweger. In 1954 he moved back to Vienna to live with his paternal grandmother and in 1956 to live with his other grandmother in Vienna. He continued to attend high school and in 1956 the federal trade school for one year.

In 1960, he met Hermann Nitsch, who had graduated from the ‘Graphische’ in 1958, and became friends with him. The following year he left graphic arts without a degree and worked in the summer as a student trainee for C.F. Boehringer und Soehne GmbH in Mannheim. In October he enrolled at the Academy of Applied Arts Vienna, but only attended it briefly. He was drafted into the military. He worked as a graphic artist and took part in campaigns by Viennese actionists such as Otto Muehl and Hermann Nitsch. Shortly afterwards he started his own actions.

Schwarzkogler devoted himself entirely to free art from 1965 and quit his job. He started out with horse betting and was interested in winning systems. In 1968 he took part in film projects. In 1969, he died after falling from the window of his apartment. He was buried at the Vienna Central Cemetery.” Ou não contaram a história direito (em alguma das fontes) ou a verdadeira história suicida era unicamente a de seu pai…

The enduring themes of Schwarzkogler’s works involved experience of pain and mutilation, often in an incongruous clinical context, such as 3rd Aktion (1965) in which a patient’s head swathed in bandages is being pierced by what appears to be a corkscrew, producing a bloodstain under the bandages. They reflect a message of despair at the disappointments and hurtfulness of the world.”

His first and most famous action was performed on February 6, 1965, titled Wedding: Schwarzkogler shows a private ritual with religious, shamanistic and alchemical elements at a table covered with a white tablecloth, on which there are dead fish, a dead chicken, various animal organs, eggs, colored liquids, a knife and scissors.”

FAQUIR EUNUCH NEWS? “Chris Burden once remarked that a 1970s Newsweek article, which had mentioned himself and Schwarzkogler, had misreported that Schwarzkogler had died by slicing off his penis during a performance. (…) The castration theme in some of them — for example, in Aktion 2 he posed with a sliced open fish covering his groin — have additionally fueled this myth. Additionally, the protagonist of the Aktion in which the cutting of a penis was simulated was not Schwarzkogler himself, but his friend and model, the renowned photographer Heinz Cibulka. When Schwarzkogler died, the series of performances had long been concluded. He was found beneath a window from which he had fallen, seemingly the victim of an accident. His death generated speculations and further myths.”

Castro a sociedade e mato o Ocidente, teria dito o ditador cubano.

Kurt Vonnegut, Cat’s Cradle (já recomendado em minha resenha de Symphony of The Night).

Robert Coover, The Public Burning

Robe-Grillet, La Maison de Rendez-Vous (Encontro em Hong Kong)

Italo Calvino, Cosmicomics

______, Se um viajante numa noite de inverno… (roleplaying game)

Günter Grass, O Tambor

______, O Linguado

NACIONAIS

Osman Lins, Avalovara

Ivan Ângelo, A Festa

Rubem Fonseca, O Cobrador

Victor Giudice, Bolero

Sérgio Sant’Anna, O Concerto de João Gilberto no RJ

CINEMA

Paris-Texas, Salve-se Quem Puder

5. ADEUS ÀS ILUSÕES

Nietzsche entrou em (sic) moda nos anos 70 [na verdade dir-se-ia que na Europa entrou em moda nos 1900 e decaiu antes dos 1960!] e continua no hit-parade

A pós-modernidade é o momento em que tais valores [fim, unidade, verdade], ainda atentos e fortes durante a modernidade industrial, entram em decadência acelerada. Se isso vai dar ou não na transvaloração, no supra-homem, é outro papo.” O ‘velho’ papo: a) falta de conhecimento do método; b) imaturidade dos meios de produção.

Esse profeta, que pensava durante longas caminhadas, usaria hoje um walk-man sem som para melhor enxergar na confusão de nossa época.” Datado E adiantado.

Lyotard, A Condição Pós-moderna

(leitura atrasada!)

6. A MASSA FRIA COM NARCISO NO TRONO

Madonna como a criança radiosa.

A melancolia, sentimento frio, é o último grau da apatia – a doença da vontade – prevista por Nie. para o homem ocidental quando ele fosse o andróide programado pela tecnociência” A melancolia ainda está muito longe de ser o non plus ultra de alguma coisa séria…

(2009) Woody Allen é o arquétipo do melancólico.

(2023) E do pedófilo.

7. DEMÔNIO TERMINAL E ANJO ANUNCIADOR

Alvin & Heidi Toffler, A Terceira onda Revolutionary Wealth, 2006. (atualização tardia) – desconfiar: sociologia norte-americana

Muniz Sodré, A Máquina de Narciso: Televisão, indivíduo e poder no Brasil, 4ed., 2001.

Umberto Eco (1932-2016), Viagem na irrealidade cotidiana, 1984. (arquivo da anna, inglês)

______, O fascismo eterno, 1997 (2018, trad. de Eliana Aguiar, Record). (exemplar impresso baratinho – 50p. – na Amazon)

Baudrillard, À sombra das maiorias silenciosas

1,001 NIGHTS Ou: O Alcorão bem-escrito

 

It was this unhappy secret, said Schahzenan, which removed my despondency; as so amiable a man as my brother conld not secure to himself the possession of a woman, it convinced me that the whole sex were contaminated, and that it would be idle in me any longer to bewail so common a misfortune.”

Fool, to think that jealousy and restraint can preserve a mistress: notwithstanding thy vigilance, I find by these rings, every one of which I have received from a different gallant, that I have had fourscore and eighteen lovers since I have been in thy power.”

Every night now saw a new bride conducted to the sultan’s bed, and every morning beheld her a victim to his jealousy: the consternation was universal; there was no parent who had a young and beautiful daughter, but trembled for her life; and the sultan, instead of receiving, as before, the blessings of his people, became the object of their execrations.”

The implicit obedience which good Mussulmans owe to the commander of the Faithful, had as yet restrained the inhabitants of Bagdad from rebellion, nor had they taken any measure to preserve their children from so new a calamity; when the beauteous and accomplished Scheherazade, daughter of the grand vizier, undertook to deliver them from it, by becoming the destined bride. Her father was astonished when she declared her design. He used every argument and entreaty to persuade her from it; and agreeably to the custom of the East, he endeavored to enforce his reasoning by the following apologue”

A pretty fellow, truly, replied the cock, is this master of ours, who cannot manage one wife, when I govern 50! Let him take a good crab-stick, and use it properly, I will engage she will soon dismiss her impertinent curiosity. The honest farmer took the hint; his wife returned to her duty; and you, my daughter, if treated in the same manner, would no doubt be as conformable to my desires, and forego só desperate an experiment.”

When Scheherazade was introduced to the sultan, he was struck with her beauty and modest sensibility. Perceiving her in tears, he for a moment forgot his barbarous resolution, and endeavored to comfort her. The lovely sultaness, pleased to see she had made an impression on his savage heart, seized that moment to request that her sister, Dinarzade, might be admitted to her next morning, an hour before day, to take her last farewell. The sultan readily complied; and notice being sent to her sister accordingly, the charming Scheherazade suffered herself to be conducted to the fatal couch, and became the devoted bride to the cruel Schahriar.

At the appointed hour, Dinarzade was admitted to the nuptial chamber; when she made the strange request, that in the little time which remained, before they were to part forever, the sultaness wTould relate to her one of those many entertaining stories she had read. The sultan, wondering at so singular a request, consented, at the desire of his bride, and even expressed a wish to hear stories which must be singular, indeed, to be asked for at such a moment. Scheherazade, encouraged by this wish, began thus…”

The desire of posterity induced me to buy a slave, by whom I shortly had a son. I still lived in great harmony with my wife, who always treated the slave kindly, and appeared to be very fond of my boy. Some years after his birth, I was obliged to go a long iouruey, and on my return, my wife told me that my son and my slave were both dead. I lamented their loss very much; but the feast of Bairam approaching, I thought it my duty to overcome my sorrow, and prepare for the holy festival.”

He took me to his own habitation, and introduced me to his daughter, by her I was informed that during my journey, my wife had learned the black art; and by that means had transformed my slave into the cow we had unfortunately slaughtered the day before; and my son into the calf which had so narrowly escaped”

But not doubting my informer was able to restore my son, as she had the skill to discover his situation, I very earnestly besought her assistance. <On two conditions, replied she, I will restore him. First, that you give him me for a husband and secondly, that you permit me to punish as she deserves, the wicked enchantress who has transformed him.> I consented; she then pronounced certain words, and sprinkling my son with water, he resumed his shape. He joyfully married his fair benefactress, who changed my wicked wife into the hind you see here.”

Prince of genii, said the second old man, these dogs and myself are brothers. On the death of our father we divided the substance among us, and each received a thousand sequins. One of my brothers resolved to travel, laid out his money in goods suited to the country he intended to visit, and departed. After a year’s absence he returned in great distress, having lost all his effects. Meantime, by industry, I had acquired an additional thousand sequins, which I readily gave him. My other brother, not disheartened by the ill success of the first, pursued the same measures; very shortly he also returned entirely ruined. To him also I gave another thousand sequins; we then agreed to remain at home, and pursue our business carefully, without seeking further adventures.

Some years afterward, both my brothers besought me to join with them in a trading voyage. Their importunity prevailed. I disposed of my stock, which now produced 6,000 sequins, half of which I buried in a corner of the house, and gave each of my brothers a thousand of the remainder. We arrived safely at our destined port, where we sold our adventures to good profit.”

My wife proved to be possessed of so many good qualities that I became every day more fond of her. My unworthy brothers, envying my superior good fortune, seized us both while asleep, and threw us into the sea.” “My wife was a fairy; she conveyed me home, and conducted the vessel which had my goods on board, safe into port. Before I knew of its arrival, two black dogs came crouching to me in the most submissive manner. These, said the fairy, are your brothers. Thus is their wickedness requited; and it is one part of their punishment, that in this degraded state they must look for support and protection to the brother they so basely betrayed.”

The genie thought these adventures so singular, that he remitted the punishment of the merchant, and disappeared; and the merchant, after suitably thanking his benefactors, returned home again with joy to his family.

The sultan was delighted with these stories. He requested Scheherazade to proceed next night to another; and going into the divan, the vizier, his family, the court, and the people in general, were overjoyed to find that he gave no orders to put the beautiful sultaness to death.”

Solomon, Solomon, the great prophet! exclaimed the genie, pardon, pardon, pardon; I never more will oppose your will!; The fisherman hearing this took courage, and said, Thou proud spirit, what is it thou talkest of it is eighteen hundred years ago since the prophet Solomon died! Tell me your history, and how you came to be shut up in that vessel.

I am one of those rebellious spirits who opposed themselves to the will of Heaven. The other genii owned Solomon the great prophet, and submitted to him. Sacar and I only resisted. That potent monarch caused me to be seized and brought by force before his throne! when, as I daringly persisted in my disobedience, he shut me up in this copper vessel; and that

I might not escape, he himself stamped his seal, with the great name of God engraven on it, upon this leaden cover, and ordered it to be cast into the midst of the sea.

During the first century of my imprisonment, I swore that if any one would deliver me I would make him immensely rich. During the second, I vowed that I would open all the treasures of the earth to any one who should set me free. In the third, 1 promised to make my deliverer a mighty prince, and to be always his attendant spirit. Many centuries passed over, and I continually increased my promises to him who should render me so essential a service; but all in vain; no one was so lucky as to find the coffer, and by opening it, to obtain the rewards I had bound myself to bestow. At last, enraged and tired with so long a confinement, I vowed that if any one should set me at liberty, I would kill him without mercy; therefore, as you have this day delivered me, prepare yourself to die.”

I cannot believe, said the fisherman, that you were really confined in that vessel; it will not hold one of your feet. I adjure you, therefore, by the oath you have taken, to enter into it again, that I may be convinced, and acquit you, before I die, of ingratitude and murder.”

The fisherman instantly shut down the cover; Now, genie, it is thy turn to entreat in vain. I will return thee to the sea whence I took thee, and will erect a monument to caution other fishermen if they chance to meet with thee, that they may be aware of such a wicked genie as thou art, who has sworn to kill thy deliverer! The genie endeavored with his utmost force to get out of the vessel again; but the seal of Solomon restrained him. Dissembling, therefore, his anger, he addressed the fisherman in a more pleasant tone; begged him once more to remove the cover, and promised to reward him to his full satisfaction. Thou art a traitor, replied the fisherman, and I should deserve to lose my life, if I was so foolish as to trust thee. No doubt you would use me as the Grecian king did his physician Douban. ‘T is a story I have a mind to tell thee, before I return thee to the faithless element in which I found thee.”

The Grecian king was a very weak prince, easily irritated, and tyrannical in his disposition. His former favorites envied Douban, and seized every opportunity to excite distrust of him in the royal breast. He is become, said they, next in dignity and power to yourself; as he cured you in a manner so simple, may he not also, by methods as unsuspected, cut off your majesty; who alone stands between him and the throne.

For a long time the Grecian king repelled these insinuations. Were I to listen to you, said he to his courtiers, I should be like a certain man who had a faithful parrot, who reported to him the incontinence of his wife during his absence. The wife, enraged at the tell-tale, contrived a method of destroying the credit of the bird, and being revenged at the same time. Accordingly, when her husband went another journey, she caused a slave to scatter water over the cage all night, in the manner of rain, while others produced the appearance of thunder and lightning. The next day, when the husband returned, the parrot complained of having been exposed all night to the fury of a continual storm. As the master knew the weather had been exceedingly fine, be hastily concluded that his bird was false, and in resentment put it to death; but the future ill conduct of his wife too soon proved to him his parrot’s truth and his own rashness.”

Douban, astonished at so fatal a denunciation, solicited earnestly for mercy, but in vain.”

The king obeyed, but finding the leaves stick together, he put his finger to his mouth and wetted it to separate them. When he came to the sixth leaf, he said, <Physician, there is nothing written here!><Turn over leaf by leaf,> said the head, <till you come to the writing.> The king continued to turn over the leaves, putting his finger continually to his mouth, till the poison with which each leaf was impregnated took effect. The head, perceiving that the king had but few moments to live, exclaimed, <Tyrant, you are justly punished!> Having said this, its eyes closed, and it remained without life. The king also, in a short time, fell down and expired.”

My good friend, replied the genie, remember, revenge is forbidden; do not treat me as Imama did Atteca. How was that? asked the fisherman.Ho! replied the genie, do you think I can tell stories in this confinement? Let me out, and I will tell you as many as you please. No, said the fisherman, I will not let you out; on the contrary, I will this moment cast you back into the sea. Hear me, I charge thee, exclaimed the genie, if thou wilt deliver me, I swear, in the most solemn manner, that I will not hurt thee: on the contrary, I will teach thee how to become as rich as thou desirest to be.”

The four islands which I reigned over, are become the four hills you passed; my capital city is changed to a pond; and my people are turned into fishes, of various colors: the Mussulmans being white; the Persians, who adore fire, red; the Christians, blue; and the Jews, yellow. This I learned from her rage and reproaches; for she is not satisfied with the evils I now suffer, but every day she comes here, and gratifies her malice by invectives, and even by blows, which I have no power to resist.”

He then laid aside his upper garment, and having blackened his hands, face, and neck, and taken his scimitar with him, he lay down on the bed in the same posture in which he had found the black.”

you know the company of women without men is as dull as the company of men without women. Besides, the Bagdad proverb is allowed to be a good one, which says: One is never well at table, except there be four in company.

They sat down to their repast together. After they had eaten a little, Amine took a cup, tilled out wine, and drank first herself, according to the custom of the Arabians; she then filled the cup for her sisters, and last for the porter, who, as he received it, kissed her hand, and, before he drank, sung a song to this purpose: <That as the wind brings along with it the sweet scent of the perfumed places through which it passes, so the wine he was going to drink, coming from her fair hand, received a more exquisite taste than what it had of itself.>”

One condition you must carefully observe: that whatsoever we do in your presence, you take heed not to inquire the reason of, nor presume to dive into the motive of our actions. That you may perceive this is an invariable rule with us, rise up, and read what is written over our gate, and then you may stay.”

The caliph Haroun Alraschid was accustomed to walk abroad in disguise very often by night, accompanied by Giafar, his grand vizier, and Mesrour, chief of the eunuchs, to inspect into the order of the city, and see that the duty of the magistrates was properly executed. Passing by the palace of the ladies, he heard the sound of music and jollity; and chose to inquire into the reason of it. The vizier represented to him that it was not yet an unlawful hour, and that by disturbing their mirth, in that disguise, he would probably expose himself to insult; but the impatient caliph put an end to his remonstrances, by ordering him to knock loudly at the gate. On Safie appearing, Giafar represented to her that they were Maussol merchants, strangers in Bagdad, who having rambled a considerable way from their khan (or inn) were at a loss to find it; they therefore besought from their hospitality the favor of passing the night under their protection.

The ladies, having already admitted the calendars, made no hesitation to receive also these pretended merchants. The customary caution of the family was given to them, which they promised to observe; the diversions were resumed; the calendars arose and danced after their manner, and every one endeavored to contribute to the pleasure of the company.”

When the caliph was first introduced he was struck with the beauty and elegant manners of the ladies; the singular appearance of the calendars, all young men of polite address, and all blind of the right eye, had exceedingly engaged his attention. He was astonished at the conduct of Zobeide, in so severely whipping the two bitches, and afterward crying with them; wiping away their tears, and kissing them, though such animals are considered by the Mussulman religion as unclean; and the sight of Amine’s bosom excited his highest indignation against the person who had so cruelly abused her. Yet he still suffered himself to be restrained by the conditions imposed on him and his companions. While he was meditating on these extraordinary events, he overheard the calendars expressing to each, other their wonder also.”

Madam, these gentlemen desire you will acquaint them why you wept over your two bitches, after you had whipped them; and how that lady’s bosom, who fainted lately, became so full of scars.

Zobeide, turning to the caliph and the rest of the company, with an air of indignation asked if they had ordered the porter to make that request. On their acknowledging that they bad, she said: Before we gave you the protection of our house, you were each separately cautioned, not to speak of things which did not concern you, lest you should hear of that which would not please you; take therefore the just punishment of your impertinence and ingratitude.

As she spoke, she gave three hard knocks with her foot, and clapping her hands as often, cried, Come quick. A door immediately flew open, and seven strong slaves with scimitars in their hands, rushed in. Every one seized a man, threw him on the ground, and prepared to cut off his head. The frightened porter exclaimed aloud: For Heaven’s sake do not punish me for the crimes of others! I am innocent; they are to blame; alas! Continued he, crying, How happy were we before these blind calendars came; they are the cause of this misfortune; there is no town in the world but falls to ruin, wherever these inauspicious follows come!

The caliph, alarmed at his situation, was about to discover himeelf, when Zobeide, who, notwithstanding her anger, could scarce refrain from laughing aloud at the lamentation of the porter, thus addressed herself to them all: Your unworthy conduct convinces me that you are common fellows of no credit in your own countries. If, however, you have anything to say before you pay the penalty of your folly, we will hear you.’ At these words, one of the calendars lifted up his head, and declared that he and his brother calendars were princes, and had passed through such wonderful adventures, that, were they told, would recommend them to her pity and forgiveness.

Zobeide, having consulted with her sisters, said: Relate, then, those events which you speak of: if they are indeed singular, they may perhaps soften our resentment. The slaves then suffered them to rise, and the calendar who had thus far prevailed with the affronted lady to suspend their resentment, began his story.”

After a few days’ repose, he told me that I could render him an important service: but before he could explain himself, he must exact a solemn oath, that I would never discover what he should employ me to do, nor any measure he should take in consequence of that service. I had the greatest affection for my cousin, and doubted not but his whole conduct was regulated by virtue and honor. I made no scruple, therefore, to take the oath he required; on which he requested me to go in the evening to the gardens which were set apart for the women of the seraglio: If you are seen, said he, no one will venture to question you; and when a lady joins you, all I desire of you is, to conduct her as she shall direct you, and to keep my secret.”

When I waas a boy, I was shooting at a bird with a cross-bow, the ball unfortunately hit the vizier and put out one of his eyes. I made every apology in my power, yet he never forgave me; and now, when I was brought into his presence, he ran at me in a rage, and pulled out my right eye. But not daring to put me to death in the capital, lest he should excite an insurrection among the people, he sent me to a distant part of the country, under the care of his most trusty adherents, who had orders to destroy me.”

a criminal passion had arisen between the prince and that lady, who was his sister; he had in vain exerted the authority of a father and of a sovereign, to restrain these unworthy children; before he began his late tour, he had given an absolute order, that the prince should not be permitted to approach the women’s apartment. The wretch, continued the unhappy father, has rendered vain all my precautions. It is plain he built these subterraneous apartments for a retreat, and made use of your friendship to obtain the miserable partner of his iniquity; but God, who would not suffer such an abomination, has justly punished them both.”

I was a long time inconsolable; but time and necessity have accustomed me to receive the hateful genie. He visits me every 10thday. If I wish to see him at any other time, I touch the talisman you see there, and he presently appears. He will not be here these 5 days; if you choose to pass them with me, I will endeavor to entertain you according to your quality and merit. I embraced her proposal with the greatest joy.”

Let him come; I swear I will extirpate all the genii in the world, and him first; and for this talisman, I will break it.”

the fumes of the wine did not suffer me to hearken to her. I gave the talisman a violent kick with my foot, and broke it all to pieces.”

Was I sure, said he, that she had put a greater affront on me than in conversing with thee, thou also shouldst die; but I will be content with transforming thee into a dog, ape, lion, or bird: take thy choice.”

I will have patience till you tell me that story, replied the genie, but think not to escape unpunished.”

<Sir, replied the princess, the ape that you have by you is a young prince, transformed by enchantment. I have learned the 70 rules of magic, whence I know, at first sight, all persons who are enchanted, and how they became so.> <Have you power, also, said the sultan, to dispel the charm?> <I have,> replied the princess. <Do so then immediately, I entreat you, said the sultan; I interest myself exceedingly in this prince’s fortune; if you can restore him, I will make him my vizier, and he shall marry you.>”

When she had finished the circle she placed herself in the centre of it, where she began adjurations, and repeated verses out of the Alcoran. The air insensibly grew dark; all at once the genie appeared in the shape of a lion of a frightful size.

Wretch, said the princess to him, darest thou present thyself in that shape, thinking to frighten me? And thou, replied the lion, art thou not afraid to break the treaty which was so solemnly made between us? but thou shalt quickly have thy reward. At these words he opened his terrible jaws and ran at her to devour her; but she leaped backward, pulled out one of her hairs, and by pronouncing three or four words, changed herself into a sharp sword, and cut the lion in two.

The lion vanished, and a scorpion appeared in his room. The princess became a serpent, and fought the scorpion, who, finding himself worsted, took the shape of an eagle, and flew away. The serpent also took the same shape and pursued him, so that we lost sight of them both. Some time after the ground opened, and there eame forth a cat, with her hair standing upright, and making a fearful mewing; a black wolf followed her close, and gave her no time to rest. The cat thus hard beset, changed herself into a worm and, a pomegranate lying by the side of the canal, the worm pierced it in an instant and hid itself; but the pomegranate immediately swelled as big as a gourd [abóbora], and presently burst into several pieces. The wolf became a cock, and picked up the seeds of the pomegranate; when he could find no more, he came toward us. as if he would ask us whether he had left any. There was one lying at the brink of the canal, which we perceiving, pointed it out to the cock, which ran speedily toward it; just as he was going to pick it up, the seed rolled into the river, and became a little fish. The cock jumped into the river, and was turned into a pike, which pursued the small fish. They continued both under water about two hours, and we began to wonder what had become of them, when, on a sudden, we heard such terrible cries as made us tremble, and presently we saw the princess and the genie all in flames. They threw flashes of fire at each other so fiercely, that we apprehended chat the palace would be consumed; but we soon had more reason to be alarmed, for the genie, having got loose from the princess, came to the gallery and blew flames on us. The princess flew to our relief and beat away the genie; but in that momentary attack the sultan’s face was dreadfully scorched, the eunuch was stifled, and a spark entering my right eye it became blind. We expected nothing but death, when we heard a cry of Victory! victory! The princess appeared in her natural shape, but the genie was reduced to a heap of ashes.”

Sir, I have got the victory over the genie, but it is a victory that costs me dear, as I have but a few moments to live. This would not have been had I perceived the last of the pomegranate seeds, and swallowed it as I did the others. That oversight obliged me to have recourse to fire, and to fight with those mighty arms, as I did, between heaven and earth, in your presence. I have conquered and reduced the genie to ashes; but the fire pierced me also during the terrible combat, and I find I cannot escape death.”

Rejected, banished, thrown off by all the world, I caused my beard and eyebrows to be shaved and set off for Bagdad; lamenting more for the two unfortunate princesses than for my own wretchedness.”

The day following I renewed my inquiries in so earnest a manner, that one of them, in behalf of the rest, said: It is out of friendship to you, prince, that we have withheld from you the information you wish; but if you continue to demand it, we are not at liberty to refuse you. Know, however, that you will lose your right eye by gratifying your dangerous curiosity; and that when that misfortune hath befallen you, you cannot remain with us, as our number is complete, and no addition can be made to it.”

The roc is a white bird of enormous size and of such strength, that it takes elephants from the plains to the tops of the mountains, where he feeds on them.” Esta ave está até nos diários de Marco Polo!

This, continued she, will wholly depend upon yourself; here are the keys of 100 doors which you will find in the adjoining courts. These we are obliged to leave with you. You will find abundance of curious things within 99 of these doors to gratify and amuse you, which you may enjoy in safety; but if you open the golden door, we shall never see you again. And it is this fear lest you should be overcome by an indiscreet curiosity, that gives us so much disturbance.”

all that is beautiful in nature, or elegant in art was there, in the highest perfection and abundance. The wealth, as well in jewels as in gold, was incredible. This immense display of everything valuable and curious was so extensive, that 39 days were passed by the time I had explored the 99 apartments I was allowed to visit.”

I got up much troubled with the misfortune I had brought upon myself; I found the castle was the same from which the roc had carried me, and presently met the 10 gentlemen, who were not at all surprised to see me, as every one of them had passed through the same adventure. After condoling with me, and lamenting that it was not permitted them to add me to their number, they directed me to seek the court of Bagdad, where I would meet him that would decide my destiny. Accordingly I put on this dress; and arrived here this evening.”

Early in the morning, I heard the voice of a man reading the Alcoran, in the same tone it is read in our mosques. I arose immediately, and following the voice, I fonnd it came from an oratory, which had, as usual, a niche, that showed Avhere we must turn to say our prayers. A comely young man was sitting on a carpet reading the Alcoran with great devotion. Being curious to know why he was the only living creature in the town, I entered the oratory, and standing upright before the niche, praised God aloud for having favored us with so happy a voyage.

The young man closed his Alcoran, and coming to me, desired to know whence I came. I acquainted him; on which he proceed, ed to tell me that the city was the metropolis of a kingdom governed by his father; that the king and all his subjects were magi, worshippers of fire, and of Nardoun, the ancient king of the giants, who rebelled against God: <Though I was born, continued he, of idolatrous parents, it was my good fortune to have a woman-governess, who was a strict observer of the Mohammedan religion. She taught me Arabic from the Alcoran; by her I was instructed in the true religion, which I would never afterward renounce. (…) This voice was heard three years successively, but no one regarded it. At the end of the last year, all the inhabitants were in an instant changed into stone, every one in the posture he happened to be then in. I alone was preserved; and I natter myself, madam, that you are sent here to deliver me from a solitary life, which I must own is very irksome to me.>”

The young prince proved the most amiable and agreeable of men, He solicited me very earnestly to become his wife, which I projnised on our arrival here. But my sisters had each become enamored with him: this declaration of his reduced them to despair. Envy and jealousy took possession of their breasts, and in the night they threw us both overboard.”

<I am, said she, the serpent, Whom you so lately delivered from my mortal enemy; in return for that service, with the assistance of other fairies, my companions, I have already conveyed the valuable lading of your vessel to your store-houses in Bagdad; and to punish the cruelty and in gratitude of your sisters, I have transformed them into these two bitches.> Having said this, she took them under one arm and me under the other, and in an instant set us down in my house. Before she left me, she said: <If you would not share the fate of your wicked sisters, I command you in the name of him who governs the sea, that you every night give each of them 100 lashes with a rod.> I am obliged to obey this severe order, but my resentment having long since subsided, your majesty saw with what reluctance I comply with it.

Zobeide having finished her story, Amine rose to satisfy the inquiries of the Caliph.”

My new husband exacted a promise from me that I would not speak co or be seen by any man but himself.”

The merchant told her he would not sell them for money, but if I would permit him to kiss my cheek, he would present me with them. I directed the nurse to reprehend him for his audacity; but instead of obeying me, she remonstrated in his favor. As I was much pleased with the stuffs, which the merchant would not let me have on any other terms, I foolishly consented.

The old woman and the slaves stood up, that no one should see it; I put by my veil; but instead of a kiss, the merchant bit me till the blood came.”

When dinner was over, Sindbad began to converse with the porter; and calling him brother, after the manner of the Arabians, when they are familiar with one another, he asked him what it was he had said awhile ago in the street? for Sindbad had chanced to overhear his murmurings.”

We had not long landed, when, on a sudden, the island trembled, and shook us terribly. The people on board saw our situation, aud called out to us to re-embark directly, as what we had taken for an island, was only the back of a prodigious fish. The nimblest of us got into the sloop, others jumped into the sea, and swam toward the vessel. For my part, I was still on the back of the fish when it dived into the sea. I got hold of a piece of timber which we had brought, to make a fire with, and by this assistance was preserved from sinking, but found it impossible to recover the ship.”

(*) “Degial, with the Mohammedans, is the same as Antichrist with us. They have a tradition that he will appear about the end of the world, and conquer all the earth, except Mecca, Medina, Tarsus, and Jerusalem, which are to be preserved by angels, whom he shall set round them.”

I disposed of my merchandise to the value of 10,000 sequins. (*) I then bought slaves of both sexes, built me a fine house, resolving to forget the miseries I had suffered, and enjoy myself.”

(*) “The Turkish sequin is about 2 dollars.” Como podemos ver pela continuação do parágrafo, é bastante provável que a cotação desta edição do livro está defasada. Quiçá seja 10 ou 50x mais.

I had no intention of venturing the sea again; but I soon grew weary, and ashamed of an inactive life.”

ourobouros

Sinbad, a águia e a serpente. Ouroboros?

The rhinoceros fights with the elephant, runs his horn into his belly, and carries him off upon his head; but the blood and fat of the elephant run into his eyes, and make him blind. He falls to the ground, and what is very astonishing, the roc carries them both away in her claws, to be meat for her young ones.”

An innumerable multitude of little frightful savages covered all over with red hair, came swimming about us. They were not more than 2 feet high, but seemed uncommonly strong and nimble.”

He was a tremendous black giant, as high as a tall palm-tree, with only one eye in the middle of his forehead, which looked as red as a burning coal; his teeth and nails were long and sharp, and his mouth resembled that of a horse. The sight of so frightful a figure rendered us immovable with horror. After surveying us for some time, he took me up by the nape of the neck, and felt my body as a butcher would his sheep. Finding me very thin, he Bet rne down and took up another; at last, laying hands on our captain, who was fat, he thrust a long spit through him, and kindling a fire, he roasted and ate him. After which he retired to an adjoining room, where he slept, and snored all night like thunder. In the morning he got up, went out, and left us in his dwelling.”

Accordingly, when we heard him snore, ten of the boldest of us took each a spit, and making the points red hot in the embers of the fire where he had roasted our friends, we thrust them all at once into his eye, and blinded him. He awoke in great agonies, and making a frightful outcry, he felt about, in hopes of sacrificing us to his fury: but we took care to be out of his reach; and finding he sought for us in vain, he groped for the gate, and went out howling dreadfully.”

Day had scarcely appeared, when we found it necessary to put to sea with all possible haste; for we saw the blinded giant coming toward us, led by two others of his own species, as large and terrible as himself.”

By this time my name became celebrated as a bold navigator, and fortunate merchant. My vanity was so highly gratified by these distinctions, that I determined to support my claim to them by undertaking another voyage.”

We embarked, and got under way with all diligence; but we scarce had weighed anchor, when we saw the male and female rocs appear at a distance, like two large clouds. When they approached their egg and found it broken, the noise they made was tremendous.”

You fell, said they, into the hands of the Old Man of the Sea, and are the only one that ever escaped strangling by him; as he never left any he had once mastered till their strength was exhausted, when he failed not to destroy them.”

During this time, I made a pilgrimage to the place where Adam was confined after his banishment from paradise. The island was called Serendib; it is exceedingly pleasant and fertile. The people were hospitable, and so just that lawsuits are unknown among them. The magnificence of the palace, and the splendor of their prince, when he appears in public, are truly admirable. On this occasion, the king has a throne fixed on the back of an elephant: before him an officer carries a golden lance in his hand, and behind the throne there is another who supports a column of gold; the guard amount to a thousand men, all clad in silk and cloth of gold. While the king is on his march, the officer who carries the lance, cries out, occasionally, <Behold the great monarch; the potent and redoubtable sultan of the Indies; whose palace is covered with an 100,000 rubies, and who possesses 20,000 crowns, enriched with diamonds; behold the crowned monarch; greater than the greatest of princes!> After which the officer who is behind, cries out, <This monarch, so great, so powerful, must die, must die, must die!> The officer who is before replies, <Praise be to him who liveth forever!>”

I had now determined to go no more to sea. My wealth was unbounded, my reputation established, my curiosity amply gratified, and my years began to require rest; so that I thought only of enjoying the fruit of my former toils and dangers. But the caliph sending for me, told me he had resolved to answer the letter of the king of Serendib, and to return him a present of equal value to that which I had brought him, and that he had fixed on me to be the bearer of it.”

For two months I continued to kill an elephant every day, sometimes from one tree, sometimes from another. One morning, while I was looking out for them, I perceived they did not cross the forest as usual, but came in great numbers directly toward the tree where I was. Their approach alarmed me so much that my bow and arrows fell out of my hand; and my terror greatly increased, when one of the largest of them wound his trunk round the body of the tree in which I was, and pulled so strong that he soon tore it up by the roots, and threw it on the ground. As I was falling with the tree, I gave myself up for lost; but the elephant, wheu I reached the earth, took me up gently, and placed me on his back. He then went at the head of his companions into the heart of the forest, when stopping suddenly, he took hold of me with his trunk, and set me down on the ground. Immediately he and all his companions retired and left me.”

We buy slaves here solely for the purpose of procuring us ivory; and notwithstanding all our care, the elephants every year kill a great many of them. You have been preserved most marvellously from their fury. Think not that by restoring you to freedom, I suppose you sufficiently rewarded: when I procure you a vessel to convey you home, you will find me more substantially grateful.”

I purchased three apples, at a great price, which was all the gardener could spare me; and returned in 15 days to Bagdad, much pleased with my success. But when I came home, my wife’s desire for them had passed away. She accepted them, notwithstanding, very kindly, and though she continued sick, she did not cease to be affectionate.”

I asked him hastily how he came by it. <‘Tis a present, replied he, smiling, from my mistress: I have just been to visit her, and on taking leave, she gave me this apple, which is one of three which her kind husband has been as far as Balsora to obtain for her.>”

I demanded where the other was. My wife answered me coldly, <I know not what has become of it.> Transported with rage and jealousy, I drew my dagger, and instantly stabbed her.”

Though I did not regret having slain her, I dreaded the consequences of the act. I divided the body therefore into quarters, and packed them up in a trunk, which, as soon as it was dark, I threw into the river. When I returned home, I found the eldest of my children sitting at my gate, crying; on my asking the reason, <Father, said he, I took away this morning, unknown to my mother, one of the apples you brough to her: as I was playing with it, a tall, black slave, who was going by, snatched it from me; and though I told him how far you had been to fetch it to my mother, he would not restore it. Do not, my dear father, tell my mother of it, lest she should grieve and become worse.>

My son’s discourse overwhelmed me with the most insupportable anguish. I found I had been betrayed by the fatal lie of a vile slave into an enormous crime. At this juncture, my uncle arrived to pay a visit to me and his daughter. I concealed nothing from him; and the good old man, instead of loading me with reproaches, admitted my apology, and joined with me in lamenting the loss we had both sustained, through my rashness and the villany of the rascally black. We were yet mingling our tears, when we heard that the body was found, and that your majesty’s displeasure was raised against your faithful vizier, because the murderer was undiscovered. I resolved, therefore, to submit myself to your royal justice, the decree of which however severe, I shall not presume to murmur at.”

The story cf the unfortunate young man excited the pity of the caliph; and his indignation was turned against the slave, who had been the cause of so great a calamity.”

How is it possible, complained he, to find out this slave in a city where there are such a number of blacks? I will not attempt such so fruitless an inquiry, but will resign myself to my fate.”

The afflicted vizier took her in his arms to salute her, when perceiving something bulky in her bosom, asked her what it was. <My dear father, said she, it is an apple, which I have just bought of our slave Rahan, for two sequins.>

He inquired where he was, and was astonished when told he was at the gates of Damascus. <Sure, you mock me, exclaimed he; when I lay down to sleep, I was at Cairo.> The bystanders laughing still more, he increased their vociferous ridicule by declaring he had passed the preceding day at Balsora.”

Is that the reason, exclaimed Bedreddin, that I have been treated so severely; have my goods been destroyed, myself made a prisoner, and led away many days’ journey from my home, am I now to be be put to a cruel death; and all this for not putting pepper into a cream-tart? Are these the actions of Mussulmans, of persons professing probity and justice? Never was man used so barbivrously; cursed be all cream-tarts, and the hour in which I learned to make them.”

The recollection of what he had passed through for so many years; was too strong to be overcome by the idea of its having been a dream.”

In the capital of China there lived a tailor named Mustapha who with difficulty earned a maintenance for himself, his wife, and son, whose name was Aladdin.

The boy, though of a sprightly turn and gool natural understanding, was careless and idle. As he grew ap his laziness increased, he was continually loitering among blackguards in the street; nor could Mustapha by any means prevail with him to apply himself to some employment by which he might learn to get his bread.” “Mustapha, finding him incorrigible, was so much afflicted, that his grief brought on a fit of sickness which cost him his life.” Realmente um garoto abençoado…

Aladdin, being no longer restrained by his father, indulged his indolence to the utmost. He was not ashamed, though 15 years old, to be supported by his mother’s labor, yet ceased to pay her the respect and duty of a son.”

Aladdin did not want sense though he hated work”

Aladdin and his mother were by these means completely deceived. They never doubted but the man who heaped so many favors upon them was really their near relation, and blessed Providence for their good fortune in being found out by him.”

Though I have opened this cave, I am forbidden to enter it; that honor is permitted only to you. Go down boldly then. You will find at the bottom of these steps, three great halls, in each of which you will see a large number of coffers full of gold and silver. Be sure you do not meddle with them; nor must you suffer your very clothes to touch the walls. If you do, you will instantly perish. When you are through these halls, you will come to a garden. Here you will be perfectly safe, and may handle anything you see. At the further end of it, you will find a lamp, burning in a niche. Take that lamp down, throw away the wick, pour out the liquor, and put the lamp in your bosom to bring to me.”

Nothing could be further from the intention of the magician than to deliver Aladdin from the cave. He had found by his books that there was such a lamp concealed in a subterraneous abode in. China, which would render the possessor more powerful than any prince in the world; but as he was not permitted to enter the place himself, he resolved therefore to seduce some friendless boy to fetch him the wonderful talisman, and having gained it, to shut up the cave, and leave him to his fate. When Aladdin therefore called out for his assistance, he called as loudly for the lamp. The young man would have readily given it to him, if he had not buried it in his bosom by the quantity of jewels he had put over it; and being ashamed to own that, he entreated his supposed uncle to help him out, and he would deliver it to him immediately.”

He set off immediately for his own country, taking care not to return to the city, lest he should be questioned respecting his pretended nephew.”

Immediately an enormous genie rose out of the earth, with a torch in his hand, which illuminated the cave as though the sun had shone in it, and said to him, <What wouldst thou? I am ready to obey thee as thy slave, while thou wearest that ring; I, and the other slaves of the ring.>

What wouldst thou? I am ready to obey thee as thy slave; the slave of all those who hold that lamp in their hands; I and the other slaves of the lamp.”

When all the money was spent, Aladdin had recourse again to the lamp, and the genie supplied the table with another silver basin and the same number of covered plates equally well filled.”

<You go often, said he, to that Jew, who is the greatest cheat among his brethren; if you deal with him, he will certainly defraud you. Aladdin produced his plate, which the goldsmith weighed, and counted him down 60 pieces of gold for it. The young man thanked the honest shopkeeper, to whom he afterward sold the other plates and the basin.”

But though he found himself possessed of immense wealth, yet he persisted in living privately, even humbly; devoting his whole time to the improvement of his understanding.”

Till now he had never seen any woman’s face but his mother’s. He supposed, therefore, that all women vere like her, and thought of them with indifference. But the instant he saw the princess, who was exceedingly lovely, he felt emotions he had till then been a stranger to. When she had entered the inner doors, he returned home, pensive, yet delighted. He passed the evening in melancholy and silence, and the night in indulging the starts of a restless and disturbed imagination.”

Three months indeed seemed an age; but as he had never hoped to succeed without infinitely more difficulty, his joy was unbounded.”

He beckoned the old woman to him, and told her he was ready to give the princess to her son, provided he sent him 40 basins of massy gold, full of the same kind of stones she had given him before; each basin to be carried by a black slave, led by a young and handsome white slave, all of them magnificently dressed. <Go, said he, and tell him on these conditions I am ready to receive him as my son-in-law.>”

When he had bathed, he was quite a different man from what he had been before. His skin was clear, his complexion improved, and his whole body lightsome and easy. The genie clothed him with a most magnificent habit, and conveyed him home, where he found a number of attendants ready to wait on him and his mother to the palace.”

He was so altered that his former companions did not know him; for such were the effects of the lamp, that those who possessed it acquired by degrees perfections both of mind and person, which qualified them for the high fortune, the right use of it advanced them to.”

You must believe his riches are inexhaustible; and he thus shows us what can be done by money.”

But no situation in human life is exempt from misfortune. Several years after these events, the African magician who had undesignedly been the instrument of Aladdin’s good fortune, chanced to recollect him, and resolved to know if he had perished in the cave. He cast figures, and formed a horoscope, by which he found that Aladdin had escaped, lived splendidly, was rich, had married a princess, and was very much honored and respected.”

The natural malignity of the magician became tenfold on this discovery. He burst out in a rage, saying, Has this wretched tailor’s son discovered the virtue of the lamp? does he whom I despised and devoted to death enjoy the fruit of my labor and study? He shall not long do so. He immediately prepared for a journey; and setting off next day, travelled till he arrived again at the capital of China.”

the magician having obtained the prize he sought, returned with it, rejoicing, to his khan.”

These remarks of the vizier kindled tlie sultan’s rage against Aladdin. Where is that impostor, that vile wretch? Exclaimed the sultan. Bring him before me, and let his head pay the price for his wicked delusions.”

Aladdin was stripped, bound, and kneeling to receive the fatal stroke, when an accident happened, which obliged the sultan reluctantly to suspend his fate.”

The sultan was terrified. He ordered Aladdin to be unbound, and bad the chiaoux proclaim he had pardoned him This satLsiicd the people, who presently dispersed.”

I beseech your majesty, replied Aladdin, to give me 40 days to search for my dear princess; if at the end of that time I am unsuccessful, I do solemnly swear I will return, and deliver myself into your hands.

– Begone, then, answered the sultan; but know, that if you break this oath, you shall not escape my resentment. My rage shall pursue you, if you do not produce my daughter, in whatever part of the world you may vainly attempt to hide yourself.

In her cup was the powder procured by Aladdin. Wine being poured out. the princess told the magician, that in China, it was the custom for lovers to exchange cups, and at the same time, held out her cup to him. He eagerly made the exchange; and putting the cup he had received from her to his lips, he drank a little of the wine, and immediately expired.”

The sultan embraced Aladdin, and they forgave each other. The dead body of the magician was thrown upon a dunghill; and the whole city rejoiced at the safe return of Aladdin aid the princess.

The happiness of Aladdin was not yet secured. Though the magician was dead, he had left a brother as wicked, and as powerful as himself. It was the custom of these brethren to inform themselves by their art, once a year, where each other was. and whether either of them stood in need of the other’s assistance.”

Among other things he often heard of one Fatima, a holy woman, who resided in a hermitage near the city, and used now and then to come to it. Her piety was everywhere spoken of. They even, declared that she had the power of working miracles; and particularly that she never failed to cure any person who had the headache, by putting her hand on them.” “Being thus completely able to pass for Fatima, he, without the least regard to his oath, strangled her, and threw her into a cistern.”

I am not, replied the magician, a judge of these fine things; but I think if a roc’s egg was hung up in the midst of the dome, the whole would be complete. There is one on the top of Mount Caucasus; and the architect who built your palace can procure it for you.”

Wretch! Is it not enough that I and my companions have done so much for thee, but thou must command me to bring my master, and hang him up in thy hall? It is well for thee that thou art riot the author of this ungrateful request. Know, then, that the deviser of it is the brother of the African magician.”

3 MIL DESEJOS TÊM SEMPRE UM FIM: “After these words, the genie, snatching the lamp from Aladdin’s hand, disappeared.”

Though Aladdin was much grieved for the loss of his lamp, yet he consoled himself, as by the death of the magician his peace was secured. He succeeded some years afterward to the throne of China, on which he reigned with his princess to a good old age, and left behind him a numerous posterity.”

he that had not seen Egypt, hath not seen the greatest sight in the world.”

He was a long time opening his case, and preparing his razors; when, instead of proceeding to shave me, he took out an astrolabe, and went very gravely out of the room to the middle of the yard to take the height of the sun. Returning with the same gravity, he said, Sir, you will be pleased to know that this day is Friday, the 18th of the mouth Safar, and that the conjunction of Mars and Mercury signifies you cannot choose a better time than this very day and this very hour for being shaved. But this conjunction is also ominous to you. You will this day be in great danger, not indeed of losing your life, but of an inconvenience which will attend you as long as you live.

Do you think I am a common shaver ? You sent for a barber only; but besides having in me the best barber in Bagdad, you have also an experienced physician, a very profound chemist, an infallible astrologer, a finished grammarian, a complete orator, a subtile logician, an admirable mathematician and historian; besides, I know all parts of philosophy. I am a poet, an architect, and excel in all the sciences. Your late father, my very good friend, whose memory I revere, held me in the highest esteem. I am—

Prithee, peace, thou endless babbler, and do the business I sent for you to do.

I wonder, sir, you will not avoid those transports of rage, which come only from the devil. Besides, you ought to have more respect for a man of my age, knowledge, and many virtues. You have an engagement at noon; why, it now wants at least three hours of that time. Again he laid down his razor, and took up his astrolabe, leaving me half shaved, to go and see what time of day it was.”

A few days after the departure of the caliph, a strange whim seized the young lady. She had a desire to see the city; and besought Fatima to take her with her the next time she went thither. Fatima, little apprehending any bad consequence, fondly consented, and apprized the merchant, that on an appointed day, the caliph’s favorite would come in private to view the city and intended to repose at his house.”

The intention of viewing the city was at an end. Schemselnihar, new to love, indulged sensations so delightful, and thought only how she might make herself agreeable to Aboulhassen: who, on his part, became entirely enamored. They remained together till evening, and parted with inexpressible reluctance on both sides.

New ideas now took possession of Schemselnihar, among which none so often arose as an abhorrence of marriage with the caliph. She devoted herself to her beloved Aboulhassen; and though she saw no probability of being united to him, yet she determined to encourage that hope. The indulgent Fatima reasoned with her against so improper an attachment, but misled by her fondness for the princess, she repeatedly permitted interviews between the two lovers at the house of Ebn Thaher. The merchant, also, though he pointed out to the prince the folly and danger of his pursuit, was yet weak enough to promote the meetings of the young couple.”

In this terrestrial paradise the love-sick Schemselnihar received her equally enamored Aboulhassen, unmindful of her engagement with the commander of the faithful, whom she now began to think of with terror and abhorrence; nor did the prince suffer the fear of future evils, or of present danger, to damp the delight he felt at being received with so much distinction by the object of his vows.”

They plighted vows of unceasing constancy, and seemed, by seizing the present moment to snatch those joys from the power of fortune before a fatal interruption should put an end to them forever.”

Opposite Ebn Thaher’s house there lived a jeweller who, having little business to employ him, bestowed much of his attention on his neighbors. Shrewd, artful, and avaricious, he sought to turn everything to his own advantage, and having a pleasant carriage, which hid his vices, he was but too often successful.”

Ebn Thaher, leaving Bagdad abruptly, confirmed this sagacious fellow in his opinion, that the prince had dared to intrigue in the harem of the caliph; and that the amour was carried on by Fatima and the merchant.”

He concluded the lovers would pay more liberally for his assistance in carrying on their amour than the caliph would for a disagreeable piece of intelligence.”

For some time, by means of the zeal and activity of the new emissary, a regular correspondence took place between Aboulhassen and the princess. The avarice of the jeweller was gratified beyond his hopes; he scrupled, therefore, no danger to oblige his benefactors. Matters could not remain long in this undecided situation. Schemselnihar daily grew better; and the caliph who had been much afflicted at her illness, began to congratulate her on her recovery. The preparations for the royal marriage were no longer suspended; and to prevent its taking place the lovers resolved on elopement.”

The jeweller now found himself in a very distressed situation. Deprived of the great riches he had obtained by his intrigues; his patron dead; his hopes annihilated; an exile from his country, his avaricious spirit still remained; and he determined to hazard new dangers, in hopes of recovering what he had lost. He knew the banditti had engaged to restore what they had taken from his house; and he was not without hope that it might have been delivered to his family. The prince of Persia had a mother, who inherited his vast wealth, and he was willing to believe that she would reward his attachment to her son. On these considerations, he revealed to his host the rank of the deceased, and engaged him to deposit the body for a short time in a neighboring mosque; and, after staying a few months at Anbar, he ventured to return to Bagdad.”

I alone am to blame in this affair; I ought to have considered that, in marriage, age and youth agree but ill together. I love you, Schemselnihar, continued the generous prince, and ever shall; but in future it shall be like the love of a father, not a husband. I will myself give you to Aboulhaseen; send him word of the good fortune that awaits him.

(…) She sunk into the arms of the caliph and expired.”

Fatima, having finished her narrative, was informed by the jewellerof the death of Aboulhassen; and they joined to pay the tributeof tears to the memory of these unfortunate lovers. In the morningFatima waited on the caliph, and obtained his permission tointer the body of the prince of Persia in the same tomb with hisbeloved mistress. The mercenary jeweller was the only victim ofthe caliph’s displeasure, who was so displeased with his conduct, that he confiscated the remainder of his effects, and banished himfrom his dominions.”

Carnaralzaman had about him something more than indifference for women he heard, therefore, this desire of his father with great concern. He put it off at first by pleading youth, and desiring time. After waiting a whole year, Schahzaman, finding no disposition in his son to obey him, desired the mother of the prince to reason with him on the subject. Camaralzaman had ever behaved with the utmost duty and affection to her, and the king hoped much from her influence over him to procure a willing obedience to his commands.”

Maimoune, the fairy, soon after met a genie, named Danhasch; be was one of those geniiwho rebelled against god. The great Solomon had obliged Maimoune to conform.”

Whatever aversion, sir, said he, I formerly had to woman, this young lady has charmed me to such a degree, that I am ready to receive her as the best gift you can bestow on me.”

MEIA-VOLTA NO ORIENTE EM QUASE 80 SEMANAS… “They then set off for the capital of China, where, after travelling near 12 months, they arrived in perfect safety.”

Camaralzaman was exceedingly grieved when he saw the bird fly away with the talisman. He blamed severely his idle curiosity, by which he had lost a treasure so valued by the princess. The bird having got her prize, pitched upon the ground not far off, with the talisman in her mouth; the prince drew near, in hopes she would drop it; but as he approached, she took wing and pitched again farther off. Camaralzaman followed her and the bird, having swallowed the talisman, took a small flight faither still. The prince hoped to kill her with a stone; and as she flew but a little way at a cime, he became more and more eager in pursuing her. Thus the bird led him from hill to valley, and from valley to hill all day; and instead of perching at night on a bush, where he might probably have taken her, she roosted on a high tree, safe from his pursuit. The prince, grieved at the misfortunes of the day, would have returned to his camp, but alas! he thought of it too late. Whither shall he go? which way return? how will he be able to trace back his steps over mountains and valleys never trod before? Darkness and fatigue alike prevented him. Besides, how durst he appear before his princess without her talisman? Overwhelmed with these distressing thoughts, he sat down at the foot of a tree, and sleep gave him a short respite from his affliction.

He awoke the next morning before the bird had left the tree; and, as soon as he saw her on the wing, followed her. He continued to do so the whole day, with no better success than he had had the day before, eating nothing but herbs and fruits, which he picked as he walked. For ten days he pursued the mischievous bird, sleeping every night under the tree where she roosted. On the eleventh day, he drew near to a great city, and the bird flying over the walls, he saw her no more.”

The gardener told him it would be impossible for him to return home by land, as his way lay through so many barbarous nations. There is, continued he, a ship sails from this port once a year to the Isle of Ebene; whence you may easily convey yourself to Khaledan, but that ship sailed only a few days ago; it will of course be near a year before you will have that opportunity.”

The princess Badoura accepted the invitation, and was receivedby Armanos with much hospitality. The king was greatly pleasedwith the supposed Camaralzaman. He contrived every means ofamusing him to prevent his departure; and at length frankly offeredto give him his only daughter, Haiatalnefous, to wife, and to placethe crown of Ebene on his head, which old age had made too burdensomefor his own.

Badoura was much perplexed by this offer, which she dreadedalike to accept or reject. The inconveniences attending her becomingthe husband of the princess of Ebene were obvious; yetif she refused, she had everything to apprehend from the anger ofthe king, in whose power she was, and who no doubt would resentthe indignity. Nor durst she discover her sex, as she was unprotected by Camaralzaman, uncertain of his fate, and at such a distancefrom her father’s kingdom. She resolved, therefore, to throwherself on the generosity of the princess. She accepted the king’soffer with great apparent joy; and having given a probable reason for herconduct to such of her attendants as thought her Camaralzaman, and cautioned the few of her women who knew the secretto be faithful and silent, she prepared herself to be the bridegroomof Haiatalnefous.”

If the prince of Khaledan is living, it cannot be longbefore he will arrive here, on his way home and should you thinkhim as amiable as I do, I will consent that he shall be your husband,as well as mine, which you know is agreeably to the laws ofthe prophet. If, on the other hand, he is no more, I shall continueby your kindness, in safety here, till I can acquaint my royalfather with my situation.”

From this time the most perfect friendship took place betweenthe two princesses; and Badoura became every day moreesteemed by Armanos and his people, conducting the affairs ofthe kingdom with great ability and success.

While these things passed in tho island of Ebene, Camaralzamanremained with his friendly gardener, impatiently waiting forthe time when he should be able to set forward in search of hisbeloved Badoura,”

While he was reposinghimself under a tuft of trees, indulging his melancholyreflections, he was disturbed by two birds fighting, and making agreat noise very near him. In a little time one of them fell downdead, and the victorious bird flew away.

In a short time two other birds came, and pitched themselvesone at the head and the other at the feet of the dead bird. Afterseeming to express much concern, they dug a grave with theirtalons, and interred the defunct. This done, they flew away; butreturned in a few minutes, bringing with them the victor bird, oneholding a wing in her beak and the other a leg, the prisoner all thewhile screaming most piteously, and struggling to escape. Theycarried him to the grave of the dead bird, where they put him todeath; and tearing him to pieces with their beaks, they strewedhis remains about the place where they had buried his antagonist.

When the two avenging birds had flown away, Camaralzamandrew near the spot, and, looking on the dismembered carcase, hesaw something red hanging out of it. He took it up, and found itwas his beloved Badoura’s talisman. Nothing could exceed thejoy he felt on this happy event.He had no doubt but it was apresage of a speedy meeting with his lovely princess. He triumphedover the mischievous bird who had been the cause of hismisfortunes, and rejoiced at the vengeance which had overtakenhim, in the perpetration of a new enormity against one of his ownspecies.”

In the morning Badoura sent a message to Armanos, desiringto see him. He came immediately, and finding in the inner palacea strange lady and the lord treasurer (whose presence in thoseapartments was unlawful), was at a loss what to say. Sittingdown, he asked where the king was; to which Badoura replied,Yesterday, my lord, I was king; but now am contented to beonly princess of China, and to acknowledge that prince for myhusband.

The next year each of the princesses brought forth a son. Theprince, of whom Badoura was delivered, was named Amgrad(most glorious). The son of Haiatalnefous was called Assad (most happy). Their birth increased the friendship of their royal parents,and greatly heightened the satisfaction of the venerableking Armanos.

King Camaralzaman lived many years happily with his queensBadoura and Haiatalnefous. He had the delight to find his twosons, as they grew up, become very accomplished princes, andvery dutiful children. The most cordial friendship subsisted betweenthe two queens; and the princes having the same tutors,the same officers, the same amusements, seemed also to have the same soul, the most perfect fraternal affection binding them toeach other.”

The young princes had attainedthe age of eighteen, and the king was past the meridian of life,when he took a fancy to indulge himself with the privilege theprophet allows, and married two other wives. The ladies wereyoung and of exquisite beauty; but besides beauty they possessed nodesirable quality. Camaralzaman was so infatuated that he treatedhis two respectable queens with neglect, and attached himself tohis new wives with a fondness bordering on dotage. Far from returning this ridiculous passion, they turned their thoughts to otherobjects. The manly graces of the two young princes engagedtheir attention; and they contrived to let them know that theirvisits might be secret, and would not be unwelcome.

Amgrad and Assad had too much filial piety to receive this invitationwith patience. They rejected the offer with abhorrence,and even punished the slave severely who brought the billets.From this moment the new queens vowed their destruction. Inthe state of the king’s mind this was not difficult to effect. Theyceased not to insinuate that the young men were disgusted onbehalf of their mothers, and had ambitious designs of their own.These hints were dropped, as if given with reluctance, and extortedfrom them them through concern for the king’s safety.

By these arts Camaralzaman was led to consider his sons as hismost dangerous enemies. He would have publicly put them todeath, but that he dreaded their popularity. He directed them,therefore, to go to a distant place on the frontiers of the kingdom,pretending that their studies were interrupted by the bustle ofthe capital. An emir, of the name of Gieudar, with a few attendants,were ordered to escort them, and the princes, whose obedienceto the commands of their father was implicit, set out accordingly.When they arrived at an extensive and uncultivated forest, Giendarleft his retinue on the borders, and led the princes a considerable waywithin it, where he produced an order from the king to put themboth to death; they submitted without murmuring to this crueldecree: a contest only arose between them who should be firstsacrificed to their father’s caprice. This affecting dispute was carriedon with so much tenderness, as quite melted the emir. Atthis instant a lion jumped out of the thicket and made at Giendar, who, in his fright, dropped his scimitar and fled.”

Devout adorers offire, this is a fortunate day for us. This young Mussulman will bean acceptable sacrifice to our divinity. Gazban,continued he,addressing himself to the black slave,do you take him and preparehim, by proper chastisement for the holy festival; and letmy daughters, Bostava and Cavama, regulate his diet, that he maybe fit to be offered up when the next ship departs for the blue seaand the fiery mountain.”

Once a day Bostava and Cavama attended him with the coarsestfood; and as he was chained hands and feet, they fed him. Allthe time they reproached and mortified him. by every insult andbarbarity in their power. While they thus obeyed their father,and performed as they supposed an acceptable service to theirdeity, Cavama gratified a furious and malignant zeal; but Bostavawas of a more gentle nature, and whenever she could, with safetyto herself, she did him kind offices.”

This city iscalled the city of Magicians, because the most of the inhabitantsare of that description. They are all adorers of fire, and bear amortal hatred to the true believers. They dare not assault us of thatfaith, who are inhabitants of the city; but if a stranger Mussulmanfalls into their hands, he is seldom heard of more. Do not, however,give way to fruitless grief, you shall live with me till you havelearned the customs of the place, and then you will be in perfectsafety.”

While they were thus engaged, news came that another armystill more numerous drew near. This was led by Gaiour, king ofChina. I come, saidhe to Amgrad, in search of my daughterBadoura, whom I gave in marriage many years ago to Camaralzaman,son of Schazaman. king of Khaledan. I have heard nothingof them for a long time. I therefore have left my kingdom,thus attended, to find them out.”

A great dust was now seen to rise opposite another quarter ofthe town. The princes immediately rode thither, and found itwas Camaralzaman, their father, at the head of a third army. He had been so afflicted for the loss of his sons, that at last the emirGiendar ventured to tell him that hehad spared their lives, andthat they had set forward for the city of the Magicians.”

A fourth army approached the city. The venerable Schahzamancame thus attended, in search of Camaralzaman: the later prince was overcome withshame and grief on hearing this account: he reproached himself with his long neglect of the goodold king, who yet retained so much affection for him as to disregardthe fatigue and perils of a long and uncertain journey to findhim out.The king of Khaledan readily forgave him, and after afew days repose at the city of the Magicians (during which timeAssad espoused the queen Margiana), the princes set out for theirrespective territories, and Amgrad, at the request of the king ofthe Magicians, who was very old, ascended the throne of that empire,which he filled with great ability, distinguishing himselfparticularly by his zeal in exterminating the worship of fire, andestablishing the Mohammedan religion throughout his dominions.”

Zinchi, the king of Balsora, held that crown as tributary to the caliphs of Arabia. The vassalage was so complete, that the latter considered the sovereigns of Balsora as accountable to them for every minute regulation in their government; they were frequently, reprimanded, and sometimes dethroned, when their conduct did not please the commander of the faithful.”

and Zinchi being of an indolent disposition, divided the office of grand vizier between his two favorites, Khacan and Saouy, both men good of abilities, but of very opposite characters.”

The vizier had an only son, named Noureddin, a forward youth of good parts and handsome person, of whom his mother was so fond, that she still continued to allow him the liberty of the women’s apartments, though the time of shutting him out was several years past. Noureddin no sooner saw the beautiful Selima, than he became a captive to her charms. Though he knew his father had purchased her for the king, yet he resolved to run all hazards rather than not secure her to himself; nor did the fair Persian see Noureddin with indifference. Whatever honor or splendor she might hope from being the king’s mistress, she would gladly have renounced them to pass her life with the son of the vizier.”

He concealed himself in the women’s apartments, till Selima returned to her chamber, and his mother went to the bath. He then visited the fair Persian; and having dismissed her attendants, boldly told her that his father had altered his intention, and instead of presenting her to the king had given her to him. The lovely slave wished this to be true, and was not therefore disposed to doubt it.

Khacan was equally enraged and distressed, when he heard of the violation his sou had committed. Besides being disappointed in presenting so beautiful a slave to his master, he was terrified lest his enemy Saouy, should come to a knowledge of an affair, by which he might effect his destruction. He ordered the merchants to renew their search, declaring that the fair Persian by no means answered his expectation he frequently complained to the king of the many difficulties he found in executing his commission; in short, he managed the business with so much address, that Zinchi insensibly forgot it; and though Saouy got some imperfect information of the transaction, yet Khacan was so much in the king’s favor, that he was afraid to speak of it.”

he resolved to give her to Noureddin, if he would promise not to look upon her as a slave, but as a wife. He stipulated also with the young man that he would never be divorced from her, much less sell her. With these conditions Noureddin joyfully complied; and the peace of the vizier’s household was restored.

Very soon after these events, Khacan was seized with a dangerous illness, which soon put an end to his life.”

he dissipated his fortune with an incredible profusion.” “In vain the fair Selima (whom he continued to love with undiminished ardor) gently remonstrated with him on his too abundant generosity; in vain

his careful steward hinted to him, that such excess wronld soon empty a royal treasury.”

Whenever his steward came to lay before him a state of his disbursements, he always put him aside with a jest, or drove him away with anger.”

Of all that mass of wealth that came into your possession a year ago, the few pieces in my hand are the whole remainder; your entertainments therefore must be at an end, or you must provide me with a fresh supply.”

He determined at length to borrow a certain sum from each of his companions, with which he would go to some other city, and commence merchant. As there was not one among them who had not received tenfold more from his bounty than he meant to ask, he would not suffer the idea of a refusal to disturb him. Having thus settled a plan for his future conduct, his mind became more calm, and he withdrew to Selima’s apartment, to whom he related his situation and intention.

The day following, he set out to visit his dear and devoted friends; but was so unfortunate as not to find any of them at home. One, indeed, convinced him he was not abroad; for he heard him direct his slave to say he was not at home, adding, <whenever that extravagant fellow comes here, give him the same answer.>

Noureddin was equally enraged and ashamed. He was giving way to despair, when the fair Persian advised him to dismiss his household, sell his slaves and furniture, and try if he could not raise money enough from them to carry his plan into execution. Noureddin embraced this prudent council; but even in this commendable scheme he was disappointed. Being obliged to sell, his goods did not fetch him half their value; and a fit of sickness, the consequence of his vexation and former irregularities, held him so long, that, on his recovery, he found the whole produce of the sale was expended.”

I am your slave; you have a right to dispose of me; and how much soever I shall suffer from such an event, I advise you to sell me; and I heartily wish you may not lose much of the sum your father gave for me.”

Not only his love for the fair Persian revolted at such an idea, but the remembrance of his promise to his father never to part with her, rose in his mind, and made him think of such a measure with additional regret. But invincible necessity must be submitted to. He led her, with inexpressible reluctance, to the market where women slaves are exposed for sale, and applied to a crier, named Hagi Hassan, to sell her.”

My masters, everything that is round is not a nut; everything that is long is not a fig; all that is red is not flesh; and all egga are not freeh. You have seen and bought, no doubt, many slaves in your time: but you never saw one comparable to her I have now to sell. Follow me, and see her; and then name the price I ought to cry her at.”

It was a privilege the merchants of Balsora enjoyed, that no person should see a slave till they had offered the most they chose to give. After which any person might see her; and if the stranger offered more money than the highest bidder among the merchants, he was declared the purchaser.”

If anything could have aggravated Noureddin’s affliction, it was that Saouy should become possessed of the fair Persian. The sting of this circumstance made him quite inattentive to the low price for which she was to be sold. <I swear to you, I would sooner die than part with my slave for ten times the sum, to that enemy of our family; help me, I entreat you, good Hagi, to the means of escaping this last of misfortunes.>

<You must conduct yourself in this manner, or the vizier will insist upon his bargain. When I am about to present her to him, you must catch her by the arm before he touches her. You will then give her two or three blows, and tell her that although her bad temper made you swear that you would expose her to the indignity of being cried in the market, yet it is not your intent to sell her. Pull her then again toward you. and lead her away.>”

He called him by the most reproachful names, and riding up to the fair Persian he attempted to seize her. Noureddin wanted not this provocation to exasperate him against the vizier, he pulled him off his horse, rolled him in the kennel, and pummelled his head against the stones, till he had almost killed him. After which he conducted the fair Persian home again.”

He presented himself immediately before the king, all bloody and dirty as he was, and besought justice. On being ordered to say on what account, he reminded the king of tfie commission he had formerly given to Khacan. <I saw by accident to-day, a most beautiful slave, which the profligate Noureddin was about to sell. I had no doubt but she was the slave Khacan had bought for your majesty; and would have reclaimed her for you it was for this attempt that Noureddin has treated me thus cruelly.>

Noureddin and Selima hastened toward the river, where they found a vessel on the point of sailing; they embarked without inquiring whither she was bound, and after a short and pleasant voyage arrived safely at Bagdad.”

When they had supped, Noureddin dropped a hint that some wine would not be unacceptable; at which Ibrahim started, and said <Heaven defend me from keeping wine in my house, or going to a place where it is sold! such a man as I am, who have been 4 times on a pilgrimage to Mecca, must have renounced wine forever.>

While Ibrahim was gone, it occurred to Noureddin that all this aversion to wine was but hypocrisy, and that his host would drink his cup as heartily as he could. To try this, he instructed Selima how to act; and when the wine came, he filled three cups, and offered one to Ibrahim. The old man started back, as if with horror, on which Noureddin drank the cup, and the fair Persian presented the scheik with a slice of apple, which he received with great pleasure.”

Ibrahim for a little time resisted; but overcome with her beauty, he complied. Soon after, he drank a second cup with very little opposition. He received a third from Selima without murmur: and the fourth, he helped himself to. Noureddin seeing this, burst out a laughing, saying, <Ha! Ibrahim, you are caught; is this the way in which you abstain from wine?>; Ibrahim, warmed with what he had drauk, and loving wine, threw aside his reserve, joined in the laugh, and sat down very cordially with his guests to finish the bottle.”

As the caliph was retiring to bed, it chanced that he opened his casement [batente], and seeing the illumination, he inquired of Giafar the cause of it, in a manner sufficiently expressive of his displeasure. The vizier had a particular friendship for Scheik Ibrahim. To shield him from the anger of the caliph, Giafar invented a tale that the scheik had applied to him for leave to celebrate a religious ceremony in the pavilion, in company with the ministers of his mosque. The vizier, to secure his friend, said so much upon the subject that he excited the curiosity of the caliph; who, instead of going to rest, ordered the disguises to be brought, in which he and Giafar used to go about the city, and made him and Mesrour, with the other slaves about him, go with him to the pavilion.”

On their arrival, they found the door of the hall partly open; and the caliph approaching, was surprised to see a young man and woman of such extraordinary beauty. He was also much displeased to see Ibrahim, whom he had always considered as a grave, steady man, now drinking wine, and carousing to excess. <Are these the ministers of the mosque you told me of?>

He reproached her as the cause of all his misfortunes. The caliph was astonished at what had passed; and while the fair Persian retired to a sofa to vent her grief, he requested Noureddin to relate his story.”

He wrote an order to Zinchi to abdicate his throne, and place Noureddiu on it. He also added a set form of words in the margin of the letter, which denoted his insisting on punctual and immediate obedience. This he put into Noureddin’s hands, and advised him to return with it to Balsora. <I am not unknown, we were school-fellows: though this letter is given you by a person so obscure, yet, depend upon it, when the king receives it, he will do you justice.>

A ridiculous ecene now took place between the drunken Ibrahim and the supposed fisherman. <You have been well paid for your paltry fish by that prodigal,> said Ibrahim, u but I shall not suffer you to keep all he has given you. I am content to divide the money with you; but the beautiful slave I will keep entirely to myself.> The caliph refused him in a laughing answer, which so enraged Ibrahim, that he withdrew in haste to fetch a cane to chastise the insolent Kerim.

As soon as Ibrahim had left the hall, the caliph gave a signal for his attendants to enter. They instantly took away the fisherman’s garb, and dressed him in the royal robes; and when Ibrahim returned, staggering and muttering curses and threatenings against the unreasonable fisherman, he was amazed to find in his room the caliph, attended by his principal ofiicers.”

Noureddin had time enough during his voyage to reflect on the danger he exposed himself to by returning to Balsora; but his situation was so deplorable that he became almost indifferent to the consequence.”

What signifies dying the day after the death of one’s enemy?”

The caliph would have despatched Noureddin to take possession of the throne of Balsora; but he declared that the many calamities he had met with in that city, had made it hateful to him: the caliph, therefore, after a severe reprimand, permitted Zinchi to reassume his government; and restoring Selima to Noureddin he gave him a handsome appointment in his palace.”

My name is Gulnare, of the sea. My father was one of the most potent princes of the ocean. At his death he left his kingdom in profound peace to my brother Saleh; and I lived happily in his court, under the protection of my royal mother, who was daughter of another puissant monarch of the sea.”

In the present miserable condition of our affairs, said he, ‘ I see no probability of matching you to any of the princes of the sea; I would therefore wish you to marry one of the princes of the earth. Your beauty surpasses anything they ever saw; and a very small part of the little wealth we have left would be an inconceivable treasure to the greatest of them.”

As soon as they had left me, I gave a spring from the bottom of the sea to the island of the moon. It would be tedious if I was to relate to your majesty the many distressing consequences of this rash step. One disaster followed another, the usual and just punishmeut of indiscretion and disobedience, till I became at length a slave, and fell into your hands.”

Mirza sent immediately for the proper officers, and publicly espoused the beautiful Gulnare, causing her to be proclaimed queen of Persia, in the most solemn manner all over the kingdom.”

I have often heard that the sea was peopled, but I ever considered it as a fable, not believing it was possible for human beings to walk up and down, and live entirely in the water.”

Sir, replied the queen, we can walk at the bottom of the sea with as much ease as you do on land, and breathe in the water as you do in the air, yet it never wets our clothes. Our faculties in general are more perfect than yours. Our vulgar language is the same that was engraven upon the seal of Solomon, the Son of David.

The water does not obstruct the opening and shutting of our eyes. Our sight is sharp and piercing, and can discern any object in the deepest sea as distinctly as upon land. We have the same succession of times and seasons as you have, and enjoy the light of the same planets in as great a perfection. As the sea is much larger than the earth, so we have many more kingdoms, all of which have great cities, well peopled; and there are the same varieties of manners and customs among us, as there are among the nations of the earth.”

We have gold, as you have; but the diamonds and pearls which are in most estimation with you would scarcely be worn by the lowest order of our people. We have an incredible agility in transporting ourselves where we please, in an instant; so that we have no occasion for carriages or horses, yet we use both for splendor on public occasions.”

The king started at this proposal. <I should rejoice to receive your relations; but how can they know where you are, unless you leave me to go in search of them? That I cannot hear to think of.> <Sir, replied Gulnare, with a smile, if I have your permission to send for them, I need not stir from this room. They will be here in a very short time.>.”

Presently the sea appeared disturbed, and in a short time opened, when a tall, handsome young man, with whiskers of a sea-green color, appeared on the surface; a little behind him was one lady, advanced in years, attended by five beautiful young ones.”

Mirza expressed himself much satisfied at their arrival, but frankly owned he durst not trust himself near people who breathed forth fire so terribly. Gulnare, laughing, told him that those flames would cease when they saw him and were only a token of their unwillingness to sit down to table without him.”

Children born of parents who are not both inhabitants of the sea, have only a few moments occurring once during their early infancy, in which the privilege of descending into the regions of the water can be imparted to them. While I was playing with my nephew, I perceived those precious moments (soon to pass away) were arrived without losing them to explain myself to you, I pronounced the mysterious words which were engraven on the seal of the great Solomon, the son of David, and, taking the prince with me into the sea, I completed the necessary rites. Beder [lua cheia em árabe] will now be able, when he pleases, to plunge into the sea, and traverse the vast empires it contains at its bottom.”

As Beder grew up, he appeared to be a prince of great hopes. His temper was benevolent; his talents brilliant; and they were early called into exercise. While he was yet a youth, disease bore heavily on Mirza, and he became desirous to withdraw himself from the fatigues of royalty. He resigned, therefore, his crown to his son; and though he survived that event but a short time, yet he had the satisfaction to see the prince conduct himself with great ability, and to be treated by him with the most perfect respect and duty.”

Saleh continued the conversation, and told the queen that there was a princess of the sea, who far surpassed all others in beauty, whom he earnestly wished to be the wife of Beder, but that very considerable difficulties lay in the way of obtaining her fur him.” “She is the most beautiful and accomplished princess that ever was seen on the earth or in the waters. But as her father is insupportably proud, looking upon all others as his inferiors, it is not likely he will readily agree to the alliance.”’

But when she found he was the nephew of king Saleh, and the cause of the insult her father had received, and of her own fright andgrtef, she soon entertained very different sentiments respecting him. She gave way to the dictates of fury and revenge, which yet she had art enough to conceal. She suffered such expressions of favor toward him to escape her, seeminglv in her confusion, that the fond prince was enraptured; and by reaching forth his hand to seize that of the princess, he put himself in her power. She pushed him back, and spit at him, saying, <Wretch, quit the form of a man, and take that of a white bird with a red bill and feet>.” “Carry him now, said the revengeful Giauhara to one of her attendants, to yonder solitary rock, and let him remain there, without food or water, till he perishes.” “By virtue of the holy and mysterious words I have pronounced, resume the form in which thou wast created.”

This city is called the city of enchantments; it is governed by a queen, named Labe, who is one of the most charming and most wicked of her sex; inconstant, cruel, treacherous, and a sorceress. All those animals were once young men, strangers like you, whom she has transformed by her diabolical art. She has regular patrols who go about the avenues of the city, and seize all strangers, either coming in or going out of it. They are carried before the queen, and if she fancies either of them, he is clothed in magnificent apparel, treated as a prince, caressed by the queen, who gives him such proofs of affection as to make him conclude she loves him entirely. This happiness is not permitted to last long; for within 40 days he is sure to lose the human shape and become a brute.”

<I understand you very well, replied the queen, and swear to you by the fire and the light, and by whatsoever is sacred in my religion, that neither you nor he shall have cause to repent your compliance with my desire.> She then ordered a horse to be brought for the prince, as richly caparisoned as her own, and caused him to be placed at her left hand. As he was mounting, she asked Abdallah what was the name of his nephew; and being told Beder (the full moon), her majesty replied, <Sure it was a mistake; he ought to have been called Shems (the sun)>.”

For 39 days Beder abandoned himself to these enervating pleasures; but in the evening of the last of these days, he chanced to observe the queen mix a powder in a cup of wine, which she afterward presented to him. His suspicions were at once awakened. He contrived to change the cup unobserved; and by that means avoided drinking the potion, though he knew not for what purpose it was administered. The powder was intended to promote sleep; and when Beder and the queen retired to rest, the prince, whose mind was much disturbed, aided the deception unwittingly, by pretending to fall asleep immediately, in order to avoid conversation. Labe arose, not doubting but that her powder had taken the designed effect, proceeded to her incantations; Beder all the time observing her with the most anxious solicitude.”

Abominable sorceress, quit the form of a woman, which thy crimes so much dishonor, and become a mare.”

The old man had been witness of all that had passed. <Son, said he to Beder, it is necessary you should know one thing, which I find you are ignorant of. It is not permitted in this city for any one to tell a lie, on pain of death. As you have made a bargain with this old woman, you must not refuse to take her money and deliver your mare, or you will expose yourself to certain destruction.>”

The old woman then taking up some water that ran in the street, threw it in the mare’s face, saying, <Daughter, quit that beastly form, and reassume thine own>. The queen was immediately restored, and Beder was so terrified when he saw her, that he was unable to attempt to escape.

The old woman was the mother of Queen Labe, and had instructed her in all her magic. As soon as she had embraced her daughter, she caused a genie to arise, who, taking Beder on one shoulder, and the old woman with Queen Labe on the other, he transported them in a few minutes to the palace of the queen in the city of enchantments. When they arrived, Labe, amidst many execratious, transformed the prince into a vile owl, and delivered him to one of her attendants, with orders to shut him up in a cage, and keep him without food till he perished.””

Saleh assembled his troops, and called to his assistance the genii, his allies, who appeared with their numerous armies. Gulnare joined them, and they all lifted themselves up in the air, and soon poured down on the palace and the city of enchantments, where the magic queen, her mother, and all the other adorers of fire, were put to death. Beder was again restored to his proper form; and Abdallah, being placed on the throne of Labe, received for his queen the attendant who had preserved him and Beder.”

My name, said she, is Fetnah, which signifies a storm, and was given me because it was predicted at my birth, that the sight of me would occasion many calamities. I was, very early in my life, introduced into the palace of the caliph, who was so taken with me, that he presented me this veil; and had before now added me to the number of his wives, had not his presence been required to quell an insurrection in a distant part of his dominions. The partiality of the caliph raised me many enemies; the chief of whom is Zobeide, his first wife, and for a long time his favorite.”

Fetnah could not bear that Zobeide should triumph in the success of her barbarous arts. Without considering the consequences to herself or her protector, she determined to lay before the caliph the wickedness of that princess. She requested Ganem to inquire if the commander of the faithful was returned, and whether any notice was taken of her supposed death.

Ganem conducted these inquiries with great dexterity. He learnt that immediately after her having been disposed of in the burial-place, a report of her death had been industriously spread all over the city: that Zobeide had celebrated her obsequies with great pomp, and had erected a mausoleum to receive the body, where lighted candles were perpetually burning, and every ceremony performed which custom had appointed for the illustrious dead.”

Go to, let us take revenge on the false woman, and on that bold youth who affronts me.”

At least, said the humbled prince, I will meet that awful appeal, with having made every reparation in my power; I will cause his pardon to be published throughout my dominions, and will amply repay his losses. This is due to his innocence, and to compensate for the miseries I have caused Mm apd his family to suffer, I will give you to him for a wife, and make him wealthy beyond his hopes.”

He gave Fetnah with his own hand to her deserving lover. He dismissed Zobeide from his throne, and banished her his presence, to punish her cruelty and treachery; in her room, he received to his arms the lovely Alcolomb [Ganem’s sister], whose beauty was adorned with good qualities still more estimable.”

The king called all the astrologers of the kingdom to calculate the infant’s nativity. They found he would live long, and be very brave; but that all his courage would be little enough to support him through certain difficulties that threatened him. The king was not dismayed at this prediction. <My son, said he, is not to be pitied, since he will be brave. It is fit that princes should have a taste of misfortune; adversity tries virtue, and thence they become the fitter to reign.>

As Zeyn grew up, he discovered a very good disposition; and by the care of his father, acquired every accomplishment. He had nearly attained the age of manhood, when the good old king fell sick and died.”

We are now, said he, approaching the dreadful place where the 9th statue is kept, and shall very soon come to a lake. When we draw near the banks of it, you will see a boat approach, which is enchanted, and belongs to the king of the genii. We shall be taken into this boat, and ferried over the lake; but you must be careful not to express the least fear at the sight of the waterman, however hideous he may be, nor must you utter a single word while we are embarked, or the boat will instantly sink.”

the island was shaken by an earthquake, such as Asrayel is to cause on the day of judgment.”

<My son, I loved your father and have no less kindness for you. The statues you found were presented to him by me; and I promised him to receive you into my protection. I caused him to write, a few days before he died, that which you read on the piece of white satin. I appeared to you in your dreams as an old man and have been the cause of all that hath happened to you. I intend to give you what you seek, if you prove worthy of it; and the test must be this. You must engage on your oath to find out a maid in her 15th year, who has never known man, or desired to do so. She must be perfectly beautiful; and you so much master of yourself, as not even to wish to deprive me of her, but you must yourself conduct her hither.>

Prince Zeyn took without hesitation the oath that was required of him. <But, sir, said he, how shall I know when I have met with such a maid ?> <It is true, replied the king of the genii, that knowledge is above the sons of Adam. Take therefore this looking-glass ; if, on the maid looking at it, it appears sullied, it will be a certain sign that she has not been always undefiled, or, at least, that she has wished to cease being so. You have now a certain criterion. Be diligent in your search, and forget not the oath you have taken; but fulfil it, as becomes a man of honor.>

Zeyn, thus disappointed, resolved to seek elsewhere for that I purity which was not to be found in Cairo. He travelled to Bagdad, attended by Morabec; and as he wished to be much known, to forward his inquiries, took a handsome palace, and lived in splendor.”

Zeyn did not listen to this advice with his usual complacency. Morabec found him strangely balancing whether he should keep his engagement with that king or conduct his charming bride to Balsora in defiance of him. In vain Morabec pleaded the value of the 9th statue, which would reward his fidelity: in vain he described the power of the king, and cautioned the prince to dread the consequence of his disobedience. The charms of the lovely virgin had taken too full possession of his heart for him to be allured by avarice, or intimidated by danger; and the thought of sacrificing her to a genie, oppressed him with grief and indignation.”

I am, said he, fully satisfied with your behavior. Return to your dominions; and when you enter the subterraneous room, where the eight statues are, you shall find the 9th, which I promised you.”

but how great was their wonder, when, instead of a diamond statue, they found on the ninth pedestal a most beautiful virgin, whom the prince knew to be the same he had conducted to the island of the genii. Before they could recover their surprise, a loud clap of thunder shook the palace, and the king of the genii appeared before them.”

The ladies obeyed; but Abon Hassan [o homem que virou califa por um dia] perceiving that out of respect they did not eat, helped them himself, and urged them in the most obliging terms. When they had dined, he asked their names, which they told him were White Neck, Coral Lips, Fair Face, Sunshine, Heart’s Delight, Sweet Looks, and Sugar Cane. To every lady he returned handsome compliments, wittily adapted to her name.

After dinner, the eunuchs brought perfumed water in a golden bowl; and when Abon Hassan had washed. Mesrour, who never left him, conducted him to another hall, where he was received by seven ladies more beautiful than the former. Seven other bands began a new concert, while the imaginary caliph took part of a rich dessert of- sweetmeats, and the choicest fruits. This over, he was led to a third hall more magnificent than the other two; it was lighted up with a profusion of wax lights, in golden branches; and he was received here by seven other ladies, of still superior beauty, who conducted him to a table set out with large silver flagons full of the choicest wines, and crystal glasses placed by them.

Till this time, Abon Hassan had drank nothing but water, agreeable to the custom of Bagdad, where from the highest to the lowest, they never drink anything strong till evening; it being accounted scandalous in the highest degree for any one to be drunk in the daytime. When he placed himself at the table, he desired the seven ladies to sit down with him; and having asked their names, which were Cluster of Pearls, Morning Star, Chain of Hearts, Daylight, Bright Eyes, Fine Shape, and Silver Tongue; he called upon each in turn to bring him a glass of wine, and as each lady presented it, he said a variety of witty and gallant things to her.”

It was late the next morning before the powder ceased to operate. But at length the sleeper awakened, and looking round the room, was surprised to find himself in so different a situation. He called aloud for Cluster of Pearls, Morning Star, Coral Lips, and the other ladies, as he could recollect them. His mother hearing his voice, came in and said, ‘Son, what would you have; who are those you are calling for?’; Abon Hassan, raising himself up, looked haughtily at his mother, and said. ‘Good woman! who is it you call your son?’ ‘You, to be sure’, replied his mother; ‘are you not Abon Hassan, my son? Have you slept till you have forgot me and yourself too?’ ‘I, your son!’ answered Hassan; you are mad! I am not Abon Hassan, but the commander of the faithful.’

Heaven preserve you from the power of Satan, my dear son!’ replied she; ‘some evil genius surely possesses you. Don’t you see you are in your own room? Recollect yourself seriously, and drive away these fancies from your imagination.’ At these words Hassan became more transported with fury; he leaped from the sofa, seized a cane and running to his mother, ‘Cursed sorceress’, said he, ‘tell me instantly by what means you have conveyed me from my palace to this room.’” “He caned her severely; asking her, between every stroke, if she would yet own he was commander of the faithful; to which she continued to reply he was her beloved son.”

For three weeks the unfortunate Hassan received daily correction from the hand of his severe keeper, who never failed to remind him that he was not commander of the faithful. His mother came every day to see him; but whenever she appeared in his eight, he reproached and execrated her as the cause of all his sufferings.”

they of Moussol are not so well convinced that the devil is the cause of troublesome dreams as we are at Bagdad.”

I am fallen into the same fatal dream that happened to me a month ago; and must expect again the discipline of the mad-house. He was a wicked man whom I entertained last night; he is the cause of this illusion, and of all the miseries I must undergo. The base wretch promised to shut the door after him, and did not do it, and the devil has come in. and filled my head with this cursed dream again. Mayest thou be confounded, Satan, and crushed under some mountain.”

I opened the box, and asked him the use of the pomatum. ‘It possesses’, said he, ‘when applied by me, very opposite and wonderful qualities. If I anoint your left eye with it, you will see all the treasures contained in the bowels of the earth; if I apply it to your right eye, you will become blind.’

Your majesty, no doubt, knows that goules are wandering demons, who generally resort to decayed buildings, whence they rush on people passing by, kill them, and eat their flesh; and that in want of prey, they will go by night into the burying-grounds and feed upon the dead bodies.

I was exceedingly shocked to see my wife with this goule. They dug up a body which had been buried that day, and the goule cutting the flesh into slices, they ate together. I was too far off to hear their discourse, which no doubt was as horrid as their feast.”

I had no sooner uttered these words than she flew in a rage, her face became distorted, her eyes were ready to start from her head ; she even foamed with passion. Frightened at her appearance, I sat immovable. In the midst of the most horrid execrations, she threw some water in my face, and added, ‘Receive the reward of thy impertinent curiosity.’ I instantly became a dog.”

Saadi asserted that setting idleness and vice out of the question, any man possessing a moderate sum of money to begin the world with, must infallibly grow rich. While Saad contended that accident often prevented, and often promoted, the success of human affairs.”

I had been used, as most poor people do, when I had a little money, to put it in the foldings of my turban.”

In a town in Persia, there lived two brothers, called Cassim and Ali Baba. Their father had left the little substance he had between them but they were not equally fortunate. Cassim married a wife who had a large fortune; and became a wealthy and considerable merchant. Ali Baba married a woman as poor as himself. His whole substance consisted of three asses, which he used to drive to a neighboring forest, and loaded with wood, which he sold in the town, earning thereby a hard maintenance for his family.

One day when Ali Baba was in the forest, and had just cut wood enough to load his asses, he saw at a distance a cloud of dust which seemed to approach toward him. He observed it attentively, and distinguished a large body of horsemen. As they drew near he began to apprehend they might be thieves; he therefore climbed a tree, from whence he could sec all that passed, without being discovered.”

They were in fact a gang of banditti, who made that place their rendez-vous.”

Sesame (which is a kind of corn), open! Immediately a door opened in an adjoining rock when the captain and his troop went in; and the door shut again.”

Ali Baba stayed in the tree as long as he could see the least trace of the dust they raised. He then descended, and presently found out the door, and, remembering the words the captain had used, he said, Open, Sesame! when the door flew wide open.”

He found in the cavern a great store of rich merchandise, and such an immense quantity of gold and silver as convinced him that the cavern must have been the repository of robbers for several generations.”

When Ali Baba’s wife found the bags were full of money, she was alarmed fearing lest their poverty should have betrayed him to rob somebody. He pacified her, by relating the story of his good fortune. He then emptied the bags on the floor, which raised such a heap of gold as delighted her. Ali Baba charged her to be prudent and secret. He resolved to bury most of his treasure, arid to emerge from his apparent poverty by degrees; but his wife disappointed his prudent purpose. In the playfulness of her fancy, she would count the gold; but finding that business likely to be very tedious, resolved to measure it. She went, therefore, to Cassim’s house, who lived just by, to borrow a small measure.”

As he drew near the rook, he was much shocked to see blood spilled at the door. When he had pronounced the words, and the cavern became open, he was still more affected at seeing tho quarters of Cassim hung up on each side.”

Ali Baba received his treacherous guest with the hospitality becoming a good Mussulman.”

Morgiana soon concluded who these men were. She hastily called up another slave, named Abdallah, and bringing several jars of oil into the kitchen, they heated a part of it boiling hot. This she poured into one of the jars, by that means killing the thief that was concealed in it. She did so till she had destroyed all the seven-and-thirty thieves, when she put out her fire and went to bed.”

The captain suffered several weeks to pass by before he set about the scheme he had planned for the destruction of his enemy. By this means he hoped Ali Baba’s vengeance would relax, arid he himself should be more cool in his measures. He passed much of his time in the town, where he learned that Cassim; s son, now adopted by Ali Baba, had a very considerable shop.”

Ali Baba received, with due gratitude, this further instance of Morgiana’s attachment; and Cassim was so pleased with her spirit and good sense, that he took her to wife. The whole treasure in the cavern became now safely the property of Ali Baba. He taught his son the secret, which he handed down to posterity; and using this good fortune with moderation, they lived in great honor, serving the chief offices of the city.”

You are a rogue, said he. and ought to be hanged. The children put an end to their play, by clapping their hands with a great deal of joy, and seizing the criminal to carry him to execution.”

An examination of the quality and age of the fruit now took place: everything which had passed among the children, in their play, was repeated, seriously, before the caliph, in the divan. The treachery of Noureddin was apparent, when the child, instead of ordering him to be hanged, looked up to the caliph, and said ‘Commander of the faithful, this is not play; it is your majesty that must condemn him to death, and not me, though I did it last night among my comrades’.”

On the Nevrouz, that is to say, the new day, which is the first of the year, and the beginning of the spring, there is an ancient and solemn least observed through all Persia, which has continued from the time of idolatry; nor could the pure religion of our holy prophet prevail over that heathenish custom. Superstitious ceremonies, mixed with public rejoicings, mark the Nevrouz, which is celebrated in every town and village in that extensive kingdom.”

(…) [Interrompi a leitura e as anotações aos 70% da obra.]

VOCABULÁRIO

dervise (arcaico) ou dervixe (port.): muçulmano eremita, mendicante

hind: corça, feminino de veado

pastry-cook: confeiteiro

A QUARTA TEORIA POLÍTICA. Ou “Nunca assuma que entendeu Platão” – Alexandr Dugin

A QUARTA TEORIA POLÍTICA. Ou “Nunca assuma que entendeu Platão” – Alexandr Dugin

Observação inicial: a edição encontrável na internet em português precisa urgentemente de um revisor! Eu mesmo ‘melhorei’ muitas e muitas aspas abaixo. Às vezes demarquei minha intervenção com colchetes, às vezes não…

É significativo que o livro Contra o Liberalismo, pelo bem-sucedido intelectual francês Alain de Benoist, que também é publicado em russo pela editora Amphora, possui como subtítulo Em direção à Quarta Teoria Política.”

PRESSUPOSTO MUITO RASO E POBRE: “E se para alguém essa é uma questão de liberdade de escolha, a realização da vontade política, que sempre pode ser dirigida tanto a uma asserção e sua negação, então – para a Rússia – essa é uma questão de vida e morte, a eterna questão de Hamlet. Se a Rússia decidir ‘ser’, então isso significa automaticamente a criação de uma Quarta Teoria Política. Do contrário, para a Rússia resta apenas a opção de ‘não-ser’ e então deixar o palco histórico e mundial, e se dissolver no mundo global, nem criado nem governado por nós.”

Se, nos séculos anteriores, religião, dinastias, Estados, classes e Estados-nações desempenharam um enorme papel na vida de pessoas e sociedades, então, no século XX, a política passou a um reino puramente ideológico, tendo redesenhado o mapa do mundo, de etnias e civilizações de uma nova maneira.”

Todas as ideologias políticas, tendo alcançado o pico de sua distribuição e influência no século XX[,] foram o produto da nova Era Moderna, incorporando o espírito da modernidade, ainda que de diferentes modos e mesmo através de diferentes símbolos.”

A primeira teoria política é o liberalismo. Ele emergiu primeiro, tão cedo quanto o século XVIII[,] e acabou sendo a ideologia mais estável e bem-sucedida, tendo finalmente prevalecido sobre seus rivais nessa batalha histórica.”

…o desejo dos conservadores de liderar uma revolução ao invés de resistir a ela, levando sua sociedade na direção oposta, i.e. Arthur Moeller van den Bruck, Dmitry Merezhkovsky, etc.” Quem foram?

(*) “Arthur Wilhelm Ernst Victor Moeller van den Bruck (23 April 1876 – 30 May 1925) was a German cultural historian, philosopher and writer best known for his controversial 1923 book Das Dritte Reich (The Third Reich), which promoted German nationalism and strongly influenced the Conservative Revolutionary movement and then the Nazi Party, despite his open opposition and numerous criticisms of Adolf Hitler.” <Neocon> da época!

(**) “Merezhkovsky became a 9-time nominee for the Nobel Prize in literature, which he came closest to winning in 1933. However, because he was close to the Nazis, he has been virtually forgotten after World War II.”

Conclusão: a princípio, não nos interessam.

O fascismo emergiu depois das outras grandes teorias políticas e desapareceu antes delas. A aliança da primeira teoria política com a segunda teoria política, bem como os equívocos geopolíticos suicidas de Hitler, o derrubaram no meio do caminho.” E no entanto Hitler não era o fascismo.

DUGIN E SEU ÍMPETO DE ESCREVER UM ROMANCE (B): “Portanto, esse fantasma vampiresco sangrento, tinindo com uma aura de ‘maldade global’, é atraente aos gostos decadentes da pós-modernidade, ainda amedrontando a humanidade em grande medida.”

So far, so Fukuyama… So What?

Ele não era tão dogmático quanto o marxismo, mas não era menos filosófico, gracioso e refinado. Ideologicamente ele se opunha ao marxismo e ao fascismo, não apenas empreendendo uma guerra tecnológica pela sobrevivência, mas também defendendo seu direito de monopolizar sua própria imagem do futuro.” Até aí, nenhuma diferença em relação aos outros dois.

BOLSONARISMO: “…e a ideologia dos ‘direitos humanos’ se torna amplamente aceita, ao menos em teoria e é praticamente compulsória.” E ao menos em teoria é na prática compulsória. Vivas a Dugin ou a seu péssimo tradutor!

governo mundial” “globalismo”

grande narrativa”

identidade…até mesmo de gênero”

O ‘fim da história’ de Fukuyama chega, a economia na forma do mercado capitalista global substitui a política, e estados e nações são dissolvidas no caldeirão da globalização mundial.” “economia como destino”

A necessidade da Quarta Teoria Política deriva dessa avaliação.” Muitíssimo conveniente.

O filósofo francês Alain de Benoist chama isso de ‘la gouvernance’, ou ‘microgerenciamento’.”

Alguns poderiam argüir que os liberais mentem quando falam sobre o ‘fim da ideologia’ (este foi o tema [do] meu debate com o filósofo Aleksandr Zinoviev)” Não, eles realmente acreditam nisso.

Zinoviev: só mais um “russo propagado e ‘amado’ pelo Ocidente por ser contrário à URSS: “…was one of the symbols of the rebirth of philosophical thought in the Soviet Union. After the publication in the West of the screening book Yawning Heights, which brought Zinoviev world fame, in 1978 he was expelled from the country and deprived of Soviet citizenship. He returned to Russia in 1999. [and died in 2006]Yawning books…

ideologia fato existencial

virtualidade”

Ó, fez o dever de casa! leu Baudrillard!

ver a resenha do período soviético como uma versão ‘escatológica’ especial da sociedade tradicional por Mikhail S. Agurskii ou Sergei Kara-MurzaContemporâneos sem muita relevância.

Esse [quarto] ponto de partida é possível (…) porque ele emerge do livre-arbítrio do homem, de seu espírito, ao invés de um processo histórico impessoal.” Eu conto ou vocês contam?

Também leu Nietzsche, mas não sabe dar meio passo além (atrás sabe muitos): “Porém, essa essência é algo completamente novo, previamente desconhecido e apenas deduzido intuitiva e fragmentariamente durante as fases primitivas da história e do conflito ideológicos.”

é impossível determinar onde a Direita e a Esquerda estão localizadas em relação ao pós-liberalismo. Há apenas duas posições: conformidade (o centro) e dissenso (a periferia). Ambas as posições são globais.”

A pedra que os construtores rejeitaram veio a tornar-se pedra angular” (Marcos 12:10) Hahaha! A Bíblia, é sério isso?!

O DESAFIO FANTASMA: O INIMIGO AGORA É TODOS: “A Quarta Teoria Política lida com a nova reencarnação de um velho inimigo. Ela desafia o liberalismo, muito como a segunda e terceira teorias políticas do passado, mas ela o faz sob novas condições.”

Teoricamente, o fim da história poderia ter sido diferente: um ‘Reich planetário’, se os nazistas tivessem vencido, ou o ‘comunismo global’, se os comunistas estivessem certos.” Um filósofo juvenil. Eu poderia ter escrito isso 15 anos atrás, e nem por isso me orgulharia da ‘obra’…

Alexandre Kojève¹ foi um dos primeiros a prev[ê-lo]; suas idéias foram depois reproduzidas por Francis Fukuyama.”

¹ “Although not an orthodox Marxist, Kojève was known as an influential and idiosyncratic interpreter of Hegel, reading him through the lens of both Karl Marx and Martin Heidegger. The well-known end of history thesis advanced the idea that ideological history in a limited sense had ended with the French Revolution and the regime of Napoleon and that there was no longer a need for violent struggle to establish the ‘rational supremacy of the regime of rights and equal recognition’.” Principais obras: Introduction to the Reading of Hegel: Lectures on the Phenomenology of Spirit, Outline of a Phenomenology of Right, Carl Schmitt and Alexandre Kojève Correspondence, ‘Colonialism from a European Perspective’, Essai d’une histoire raisonée de la philosophie païenne, Kant, Le concept, Le temps et le discours.

Por essa razão, a questão da modernidade, e, incidentalmente da modernização, pode ser removida da agenda. Agora a batalha pela pós-modernidade começa.” “A ditadura das idéias é substituída pela ditadura das coisas, senhas de login e códigos de barra.” Muh…

Nós devemos apenas averiguar a localização desses novos pontos vulneráveis no sistema global e decifrar suas senhas de login de modo à hackear seu sistema.” Ele NÃO disse isso!…

Em qualquer caso, primeiro e mais importante, nós devemos entender a pós-modernidade e a nova situação não menos profundamente do que Marx entendeu a estrutura do capitalismo industrial.” Hm, boa sorte…

A segunda e terceira teorias políticas são inaceitáveis como pontos de partida para resistir ao liberalismo” Se você diz…

Perdendo, elas provaram que não pertenciam ao espírito da modernidade, o qual, por sua vez, levou à matrix pós-liberal.” Hahaha

Fazer uma leitura cruzada delas seria muito mais produtivo: ‘Marx através de uma perspectiva positiva da Direita’ ou ‘Evola através de uma perspectiva positiva da Esquerda’.” Você chegou demasiado tarde à moda dos crossovers… Isso já cheira à naftalina.

Essa fascinante iniciativa ‘nacional-bolchevique’, no espírito de Nikolai V. Ustrialov ou Ernst Niekisch, não é suficiente por si mesma.” O sufixo da segunda palavra está errado!

Esse exercício metodológico é útil como um aquecimento antes de começar uma elaboração completa da Quarta Teoria Política.” Sinto lhe dizer, mas este jogo você irá perder…

A Tradição (religião, hierarquia, família) e seus valores foram sobrepujados na aurora da modernidade.” Mesmo? Porque não parece…

Em verdade, todas as três teorias políticas foram concebidas como construções ideológicas artificiais por pessoas que compreenderam, de vários modos, ‘a morte de Deus’ (Friedrich Nietzsche), o ‘desencanto do mundo’ (Max Weber) e o ‘fim do sagrado’.” Aqui o autor se contradiz ferozmente: duas dessas teorias nasceram antes de Deus morrer… A única realmente órfã foi o fascismo.

Em qualquer caso, a era da perseguição à Tradição acabou, ainda que, seguindo a lógica do pós-liberalismo, isso provavelmente levará à criação de uma nova pseudo-religião global, baseada nos restos de cultos sincréticos disparatados, no ecumenismo caótico desenfreado e na ‘tolerância’.”

Agora é seguro instituir como programa político aquilo que foi banido pela modernidade.” Agora é seguro sair de seu quarto, seus papais não estão mais bravos…

Não é por acaso que os heróis da pós-modernidade são ‘aberrações’ e ‘monstros’, ‘travestis’ e ‘degenerados’ – essa é a lei do estilo.” Hahaha

Agora esta não é simplesmente uma metáfora capaz de mobilizar as massas, mas um fato religioso – o fato do Apocalipse.” “Se nós rejeitamos a idéia de progresso inerente à modernidade (que como nós vimos, acabou), então tudo que é antigo ganha valor e credibilidade simplesmente por ser antigo. ‘Antigo’ significa bom e quanto mais antigo – melhor.” É um niilista de capciosa má-fé que mergulha rápido em suas conclusões, com medo de tropeçar pelo caminho.

E[,] finalmente, nós podemos identificar a mais profunda – ontológica! [!] – fundação para a Quarta Teoria Política. Aqui, nós devemos prestar atenção não apenas em teólogos e mitologias, mas também na experiência filosófica reflexiva de um pensador particular que fez uma tentativa única de construir uma ontologia fundamental – o estudo mais resumido, [?] paradoxal, profundo e penetrante do Ser. Eu estou me referindo à (sic)¹ Martin Heidegger.”

¹ Um adolescente deve ter traduzido essa obra!

Uma breve descrição do conceito de Heidegger [breve, e portanto mutilada] é como segue. Na aurora do pensamento filosófico, as pessoas (mais especificamente, os europeus e, ainda mais especificamente, os gregos), [e não qualquer grego – só os filósofos, a nata da nata] levantaram a questão do Ser como ponto focal de seu pensamento. Mas, pela sua tematização, elas se arriscaram a se confundir [?] pelas nuances do relacionamento complicado entre Ser e pensamento, [caberia melhor: ser e aparência; idéia e devir, etc.] entre puro Ser (Seyn) e sua expressão na existência – um ser (Seiende), entre Ser-no-mundo (Dasein – ser-aí) e Ser-em-si (Sein). [não explica as 3 categorias – não explica porque, a seguir, Platão…] Essa falha […falhou – falhou mesmo? Ou simplesmente se deu conta e chegou ao limite possível?] já ocorreu no ensinamento de Heráclito sobre a physis e o logos. [Tampouco explica no que consistiria a falha de Her. nem detalha a natureza e a razão em Her., para não dizer em outros pré-socráticos mais importantes] Logo,” QUE LOGO, QUE NADA! Você não pode resumir 2 milênios de Ontologia em um parágrafo mesquinho. Mas ele procede a esse tipo de “se …isso e aquilo… então forçosamente e inequivocamente …isso…”, infantilmente, ao longo de toda a obra. Vá mais devagar, respire!

O Um Parmenídeo é exatamente a explicitação desse problema dualista inextricável. A via da opinião e a via da Verdade, interdependentes, embora não simetricamente. Isso Dugin passa por alto…

Logo, ela é óbvia na obra de Parmênides¹ e, finalmente, em Platão, que colocou as idéias entre o homem e a existência [difiro – grosso modo, a idéia é “deus”, enquanto o máximo, mas alcançável pelo homem, daí a problemática da palavra, que remete qualquer leitor moderno simplesmente a um Deus onipotente, em 1º lugar… A idéia não está entre, está acima, e a existência tampouco está separada do homem, como este é um contínuo com a própria idéia, que só existe por ele e para ele enquanto ele flui no tempo, a idéia sendo o que existe eternamente nesta passagem do tempo, sempre perdido mas sempre passível de ser recuperado…] e que definiu a verdade como sua correspondência, a teoria referencial do conhecimento, essa falha alcançou sua culminação.”²

¹ A falha é óbvia em Parmênides! Quem teve estatura até hoje para entender Parmênides? Apostaria que não um Dugin. Onde estão os esboços e rascunhos mais longos de onde Dugin tirou esse resumo prensado de desenvolvimentos tão complicados?

² De modo algum. A teoria referencial do conhecimento seria como Aristóteles apreendeu (mal) a filosofia de seu mestre. Em Platão há o Absoluto, deus é a medida de todas as coisas, não se trata de um reflexo, ou melhor, de uma protoforma, cujo reflexo imperfeito, o conhecimento, está relegado a se desenvolver em bases mais baixas e segregadas.

Isso deu origem a uma alienação que eventualmente levou ao ‘pensamento calculista’ (das rechnende Denken) e então ao desenvolvimento da tecnologia.” Se isso está em Heidegger, não foi desenvolvido nas obras que eu li. Mas não se pode culpar Platão por Descartes (‘calculista’) e sucessores…

Pouco a pouco, o homem perdeu de vistas o puro Ser e entrou no caminho do niilismo. A essência da tecnologia (baseada no relacionamento-técnico-com-o-mundo) expressa esse niilismo continuamente cumulativo. Na Nova Era, essa tendência alcança seu pináculo – o desenvolvimento técnico (Gestell) finalmente substitui o Ser e coroa o ‘Nada’. Heidegger odiava amargamente o liberalismo, o considerando uma expressão da ‘fonte calculista’ que reside no coração do ‘niilismo ocidental’.” Ok. Nada tenho a objetar nesta sentença. Porém, até aí ainda podemos imaginar um Heidegger – e um Nietzsche – marxistas…

A pós-modernidade, que Heidegger não viveu para ver, é, em todos os sentidos, o esquecimento último do Ser, é aquela ‘meia-noite’, quando o Nada (niilismo) começa a escorrer de todas as rachaduras.” Heidegger não viveu para ver, mas Nietzsche viu em vida (um dos grandes paradoxos de nosso bem-posicionado filósofo do séc. XIX).

Porém essa filosofia não era desesperançosamente pessimista. Ele acreditava que o próprio Nada é o outro lado do puro Ser, o qual – de modo tão paradoxal! – lembra a humanidade de sua existência.” Sim, basta ler Nie.

Se nós decifrarmos corretamente a lógica [nada aristotélica] por trás do desdobramento do Ser, então a humanidade pensante [Quem é a humanidade pensante? Uma, duas, três pessoas? O governo russo?] poderá salvar a si mesma com máxima rapidez no momento de maior risco.” A paz mundial rapidamente pactuada após a II Guerra por meio da proliferação de armas nucleares não teria sido uma rápida solução num momento de maior risco (holocausto nuclear)? E no entanto como explicar que a pós-modernidade é um fenômeno posterior a esse impasse resolvido? Enfim, o problema é que já pode ter passado muito da “meia-noite”…

Heidegger usa um termo especial, ‘Ereignis’ – o ‘Evento’, para descrever esse retorno súbito do Ser. Ele ocorre exatamente à meia-noite da noite do mundo – no momento mais escuro da história. O próprio Heidegger constantemente vacilava quanto a esse ponto já ter sido alcançado ou – ‘ainda não’. O eterno ‘ainda não’…” Como todos nós, demasiadamente humanos e filósofos.

A filosofia de Heidegger pode provar ser aquele eixo central conectando tudo ao seu redor – das segunda e terceira teorias políticas reinterpretadas ao retorno da teologia e da mitologia.” Um salto súbito, sem dúvida, bem duginiano…

Assim, no coração da Quarta Teoria Política, em seu centro magnético, está a trajetória da Ereignis (o ‘Evento’) iminente, que incorporará o retorno triunfante do Ser no exato momento em que a humanidade o esquece de uma vez por todas a ponto de que seus últimos traços desaparecem.” O advento do EVENTO não é algo hegeliano, ideal, fatídico. Não adianta ser supersticioso e otimista quanto a isso. Marx e Nietzsche não foram. Isso é Cristianismo, i.e., o Deus obsoleto está vivo demais nessa crença da iminência fatal…

Primeiro, o Estado global e o governo mundial estão gradualmente abolindo todos os Estados-nações em geral.” Não existe Estado global ou governo mundial. Hipóstase. O Estado-nação segue soberano. Para alegria do autor, um deles se chama Rússia. Só um bobo-da-côrte em aula de introdução ao pós-modernismo poderia comprar a idéia inversa.

Mais importante é o fato de que a totalidade da história russa é um argumento dialético com o Ocidente e contra a cultura ocidental, a luta pela defesa de nossa própria (muitas vezes apenas intuitivamente compreendida) verdade russa, nossa própria ideia messiânica e nossa própria versão do ‘fim da história’” A existência desse livro em um idioma não-russo é a maior das contradições. Será que a verdade russa não é exatamente a verdade platônica que quem não nasceu para entender Platão se nega (metaforicamente, claro, já que disso não é capaz, não adianta querer) a intuir?

As mentes russas mais brilhantes viram claramente que o Ocidente estava se dirigindo para o abismo.” Me parece que o ser-russo não é exatamente uma nacionalidade

Dugin acertadamente contesta que a Rússia se tornou o paraíso do neoliberalismo nos anos 90.

A atual crise econômica global é apenas o começo. O pior ainda está por vir. A inércia dos processos pós-liberais é tamanha que uma mudança de curso é impossível: para salvar o Ocidente, a ‘tecnologia emancipada’ irrestrita (Oswald Spengler) buscará por meios tecnológicos mais eficientes, porém meramente técnicos.”

a economia globalista e as estruturas da sociedade pós-industrial tornam a noite da humanidade mais e mais negra.” Mas afinal não havíamos chegado à meia-noite, ó poeta?

NOITES BRANCAS: “Ela é tão negra, na verdade, que nós gradualmente esquecemos que está de noite. ‘O que é luz?’ se perguntam as pessoas[,] jamais a tendo visto.” É isso o que acontece com quem não sabe que não sabe Platão, e volta ao início do conto da caverna…

É claro que a Rússia precisa seguir um caminho diferente. O seu próprio. Aqui está a questão e o paradoxo. Escapar da lógica da pós-modernidade em um ‘único país’ não será tão simples.” Será impossível, adolescente.

Nessa situação, o futuro da Rússia depende diretamente de nossos esforços para desenvolver a Quarta Teoria Política.” Claro. A minha idéia. A idéia que eu criei. Fichtiano!

É difícil dizer como o processo de desenvolver essa teoria acabará.”

Uma coisa é clara: não pode ser um esforço individual ou um que seja restrito a um pequeno grupo de pessoas.” Então já começou muitíssimo mal.

O esforço deve ser compartilhado e coletivo. Dessa maneira, os representantes de outras culturas e povos (tanto na Europa como na Ásia) poderão verdadeiramente nos ajudar, já que eles sentem a tensão escatológica do momento presente de um jeito igualmente agudo e estão tão desesperadamente procurando por um caminho para fora do beco sem-saída global.” Dugin comete um erro crasso: distinguir neoliberalismo de Europa. Distinguir Estados Unidos da América de Europa. União indissolúvel.

É importante lutar contra o liberalismo aqui e agora; é importante identificar suas vulnerabilidades; é importante forjar uma visão de mundo alternativa – mas o futuro está em nossas mãos e é aberto ao invés de pré-determinado.” Vejo que me leu ali em cima!

Wallerstein, em vários graus, é um mecanicista, como qualquer marxista, enquanto de Benoist é um organicista e holista, como qualquer (verdadeiro) conservador.” Palavras ao vento significando nada.

O último item ao qual eu gostaria de chamar atenção em relação às ideias de Alain de Benoist e sua relevância é a compreensão do conceito do ‘Quarto Nomos da Terra’ de Carl Schmitt – isto é, o relacionamento entre ciência política e ‘teologia política’ com geopolítica e o novo modelo da organização política do espaço.” Carl Schmitt, nazista (terceira teoria política). Conservador. E liberal. Todo liberal é conservador. Todo conservador é liberal ou produto a longo prazo do liberalismo (fascismo).

Eu realmente não compreendo por que certas pessoas, quando confrontadas com o conceito de ‘Quarta Teoria Política’, não correm imediatamente para abrir uma garrafa de champagne e não começam a dançar e se regozijar, celebrando a revelação de um novo horizonte.” Não era pra rir? Tem certeza? Isso já está mais chulo que Bukowski.

Em certo sentido, o liberalismo incorpora tudo que estava no passado. A ‘Quarta Teoria Política’ é o nome para uma descoberta, para um novo começo.” “Conservador”! Aquele que não sabe sequer nomear sua doutrina deveria saber quanto vale sua doutrina.

Os comunistas ‘não passaram’ também. Agora, o que resta é que os liberais ‘não passem’ e ‘eles não passarão!’ (No pasarán!).” Mas que porcaria eu estou lendo?

Ainda de menos (sic) úteis são as sombras escuras do Terceiro Reich, seus ‘cadáveres independentes’,(*) inspirando apenas a brutal juventude punk¹ e os sonhos perturbadores e pervertidos de adeptos do sadomasoquismo.

(*) Nota da Tradução: O autor usa a palavra nezalezhnye em referência à revolução laranja na Ucrânia e às simpatias nazistas entre certos ucranianos do oeste.” Sim, os ucranianos são uma bosta, mas era para eles serem russos, não era? Onde está o pan-eslavismo? Curiosamente, o Donbass está mais a leste

¹ Não estudou movimentos sociais. Confunde punk com oi!. Isso para um autor de mentalidade púbere é tanto mais imperdoável…

Conseqüentemente, nós [nós quem?] sugerimos avançar de modo a sairmos da fase niilista da ‘Quarta Teoria Política’ [então a própria QTP tem sua fase adolescente? onde a noite é mais e mais escura, etc.?] em direção à positividade.” De qual tipo? Coachismo quântico ou o bom e velho Comte?

O sujeito histórico da segunda teoria política é a classe. A estrutura de classes da sociedade e a contradição entre a classe exploradora e a classe explorada são o núcleo da visão da história dramática dos comunistas. História é luta de classes. A política é sua expressão. O proletariado é um sujeito histórico dialético, que é chamado a se libertar da dominação da burguesia e a construir uma sociedade sobre novas fundações. Um indivíduo singular é concebido aqui como parte de uma totalidade de classe e adquire existência social apenas no processo de aquisição de consciência de classe.” Finalmente um bom parágrafo!

No fascismo, tudo é baseado na versão direitista do hegelianismo, já que o próprio Hegel considerava o Estado Prussiano como o ápice do desenvolvimento histórico no qual o espírito subjetivo era aperfeiçoado. Giovanni Gentile,¹ um proponente do hegelianismo, aplicou esse conceito à Itália fascista.”

¹ “Described by himself and by Benito Mussolini as the ‘philosopher of Fascism’, he was influential in providing an intellectual foundation for Italian Fascism, and ghostwrote part of The Doctrine of Fascism (1932) with Mussolini.”

raça + nação = ração

Coloquemos tudo aquilo que sabemos sobre o sujeito histórico fora da estrutura das ideologias clássicas, realizando o método husserliano de epoché e tentemos definir empiricamente aquele ‘mundo vital’, que abrirá (sic) diante de nós”

Se nós considerarmos a história política no estilo da ‘Escola dos Annales’ (método de Fernand de Braudel), então nós temos a chance de descobrir uma imagem um tanto polifônica, expandindo nosso entendimento do assunto.” Vamos reinterpretar César com as fontes que temos agora?

…na área das hipóteses exóticas de Deleuze e Guattari sobre o rizoma, um ‘corpo sem órgãos’, ‘micropolítica’, etc.[,] ou sobre o horizonte da proto-história com Baudrillard e Derrida (texto, desconstrução, ‘différance’, etc.). Eles nos oferecem novas (dessa vez, totalmente não-conservadoras) capacidades. Portanto,”

Se o sujeito é Dasein, então a ‘Quarta Teoria Política’ constituiria uma estrutura ontológica fundamental que é desenvolvida sobre a base da antropologia existencial.” Se…então. Onde eu enfio o nome que invento no meio. Se Mario é Zelda, então eu sou Pikachu.

Naturalmente, este é apenas um esboço apressado das áreas de interesse na nova ciência política.” Naturalmente você deveria melhorar seu livro mais uns 20 anos para que ele ao menos merecesse se acomodar em prateleiras de livrarias.

começando a partir de certo ponto, o desenvolvimento da ‘Quarta Teoria Política’ ganhará características razoavelmente científicas e racionais, as quais, por agora, mal são discerníveis por trás da energia de intuições inovadoras e da super tarefa (sic) revolucionária [conservadora!] de destruir as velhas ideologias.” Espera, você não era o inimigo da técnica e da ideologia do progresso?

o antissemitismo de Hitler e a doutrina de que os eslavos são ‘sub-humanos’ e devem ser colonizados é o que levou a Alemanha a entrar em guerra contra a URSS (pelo que nós pagamos com milhões de vidas), bem como ao próprio fato de que os próprios alemães perderam sua liberdade política e o direito de participar na história política por um longo tempo (senão para sempre) (agora resta para elas apenas a economia e, na melhor das hipóteses, a ecologia).” A pura verdade. Mas não creio que o alemão de hoje se ressinta disso.

O racismo hitlerista, porém, é apenas um tipo de racismo – esse tipo de racismo é o mais óbvio, direto, biológico e, portanto, o mais repulsivo. Há outras formas de racismo – racismo cultural (afirmar que há culturas superiores e inferiores), civilizacional (dividir os povos entre aqueles civilizados e os insuficientemente civilizados), tecnológico (ver o desenvolvimento tecnológico como o principal critério de valor societário), social (afirmar, no espírito da doutrina protestante de predestinação, que os ricos são melhores e superiores quando comparados com os pobres), racismo econômico (em cuja base toda a humanidade é hierarquizada segundo regiões de bem-estar material) e racismo evolucionário (para o qual é axiomático que a sociedade humana é o resultado de um desenvolvimento biológico, na qual (sic) os processos básicos de evolução das espécies – sobrevivência dos mais aptos, seleção natural, etc. – continuam hoje).” Alargou demais o escopo. Não existe racismo econômico quando quem tem capital é muçulmano, etc. Não ter dinheiro não se liga à raça (fora da causalidade racista que torna a raça discriminada pobre). Racismo cultural/civilizacional ou tecnológico internacional é xenofobia. Quando há discriminação tecnológica entre pares de uma mesma comunidade, trata-se de luta de classes, nada que ver com racismo. Já o racismo ‘evolucionário’ descrito acima foi um mélange de luta de classes com racismo ortodoxo (exatamente o hitlerismo). Sequer precisou citar cizânias religiosas, porque todas elas podem ser explicadas com base em xenofobia, racismo clássico e luta de classes.

Assim, o próprio politicamente correto e suas normas são transformados em uma disciplina totalitária de exclusões políticas, puramente racistas.” Papo de racista envergonhado.

Até mesmo africanos sofrem acusações de fascismo.” Ora, ora, mas é racista alegar que só o homem branco é capaz de chafurdar na lama e propagar as maiores burrices! Quer-se dizer que o negro não pode aprender um método com um branco, no fundo! E reproduzi-lo a posteriori no próprio país, o que sem dúvida muitos tiranos africanos fizeram.

Os tipos mais novos de racismo são o glamour, a moda e seguir as últimas tendências informacionais.” Isso se chama capitalismo!

A asserção de que o presente é melhor e mais gratificante do que o passado e a garantia de que o futuro será ainda melhor do que o presente representa a discriminação do passado e do presente, a humilhação daqueles que vivem no passado e um insulto à honra e dignidade das prévias gerações, e um certo tipo de violação dos ‘direitos dos mortos’.” Para um combatente anti-direitos humanos, é bem chiliquento! Racismo contra o tempo!?! Chega!!!!…

Nós não temos preconceito quanto aos mortos, ou não viveríamos em torno de Deus.

A globalização então não é nada mais que um modelo de etnocentrismo euro-ocidental, ou melhor, anglo-saxão, globalmente distribuído, o qual é a manifestação mais pura da ideologia racista.” Uau, demorou 74 páginas!

Como uma de suas características essenciais, a ‘Quarta Teoria Política’ rejeita todas as formas e variedades de racismo e todas as formas de hierarquização normativa de sociedades com base em fundamentos étnicos, religiosos, sociais, tecnológicos, econômicos ou culturais.” Isso é que é uma aldeia global!

Esse tipo de tentativa é não[-]científico e anti-humano.” ENTÃO é um direito humano buscar progressivamente o seu fim? LOGO, pare de me confundir, seu canalha! Sempre lembrando que é o não-superior povo russo que tem a missão de liderar a nova humanidade rumo à redenção! O russo não é melhor nem pior, ele é diferente… Ponto de vista glamouroso e na moda.

se o antirracismo diretamente atinge a ideologia do nacional-socialismo (i.e., a terceira teoria política), então ele também indiretamente alcança o comunismo, com seu ódio de classeÉ uma big mula mesmo… Seria o liberalóide um racista quando chama o comunista de comedor de criancinhas? Anti-pedofilia é racismo também (a raça das crianças!)??!?

Sem o racismo, o nacional-socialismo não é mais nacional-socialismo – seja teórica ou praticamente – ele é neutralizado e descontaminado. Nós podemos agora proceder sem medo de objetivamente analisá-lo em busca daquelas idéias que podem ser integradas na ‘Quarta Teoria Política’.” Entendi. Sua salvaguarda para ser homofóbico e misógino (que, obviamente, não são racismos – o estranho é até mesmo Dugin concordar, depois de ver racismo até em objetos inanimados transparentes)!

Primeiro e mais importante, as idéias comunistas do materialismo histórico e a noção do progresso unidirecional são inaplicáveis a nossos propósitos.” 1) Explique materialismo histórico; 2) Onde e quando progresso unidirecional é aplicado por autores marxistas?

O reducionismo materialista e o determinismo econômico compreendem o aspecto mais repulsivo do marxismo.” Quando o que mais repugna numa doutrina é o que nela não existe, contra o que ela mesma luta, já se sabe o que ser, fazer e seguir: tal doutrina.

Na prática, ele se expressou pela destruição da herança espiritual e religiosa daqueles países e sociedades nos quais o marxismo venceu historicamente.” Até hoje um total de zero países. O país que mais destruiu sua própria herança teológico-espiritual foram os Estados Unidos da América. Os anglo-saxões, como você reconheceu mais acima!

Um desprezo arrogante pelo passado…” Como em sua tese da meia-noite e da Nova Era Pluriversal!

…e a idéia de classe como o único sujeito histórico” – no capitalismo!

A crítica potencial do marxismo é extremamente útil e aplicável.” Principalmente para a Casa Branca. Ou dizer isso é racismo?

O marxismo que podemos aceitar é o marxismo sociológico-mítico.” O marxismo existente na sua própria cabeça de charlatão.

A primeira e mais proeminente contradição é a previsão não cumprida de Marx sobre o tipo de sociedades que são as mais aptas para as revoluções socialistas. Ele estava confiante de que essas ocorreriam nos países industrializados europeus com elevado nível de manufatura e um alto percentual de proletariado urbano.” Não leu Marx. Marx afirmou que a Inglaterra reunia as condições para a revolução socialista em uma das infinitas passagens de sua obra. Quantas frases contraditórias e picadas eu já não contrapus, colocando Dugin contra Dugin, e vencendo-o, em exíguas 83 páginas de letra grande?

Tais revoluções eram excluídas de ocorrer em países agrários e países com o modo asiático de produção devido a sua falta de desenvolvimento.” Falso. O modo asiático de produção foi reconhecido como ‘ainda desconhecido pelo Ocidente’ e ‘inclassificável até o presente momento’ por Marx e seus sucedâneos. Marx avaliava socraticamente a epistemologia revolucionária: eu sei que nada sei, sei que nos faltam dados. A humildade do sábio – o antípoda de Dugin.

No século XX, tudo ocorreu exatamente ao contrário.” O axioma dourado de todo liberal ao “refutar” o socialismo.

o proletariado se dissolveu na classe média e desapareceu dentro da sociedade de consumo contrariamente às expectativas e projeções.” Da Internacional Comunista, que pensava impossível uma revolução meramente nacional se contrapor ao mundo inteiro. Portanto, quem nutria falsas expectativas e projeções eram os dirigentes soviéticos encastelados em seu Capitalismo de Estado sempre na defensiva num cenário de uma pré-Guerra Nuclear.

…a obra de Alain de Benoist Contra o Liberalismo: Em Direção à Quarta Teoria Política, à qual eu continuo me referindo constantemente e conscientemente em minha explicação.” Seu livro é um mero apenso ao do seu mestre.

A neurose e os medos localizados no núcleo patogênico da filosofia liberal são vistos claramente em A Sociedade Aberta e seus Inimigos, uma obra pelo clássico do neoliberalismo, Karl Popper. Ele comparou o fascismo e o comunismo precisamente com base no fato de que ambas as ideologias integram o indivíduo em uma comunidade supraindividual, em um todo, em uma totalidade, o que Popper imediatamente qualificou como ‘totalitarismo’.” Nada que feda mais a big tech!

Em qualquer caso, a ‘Quarta Teoria Política’ pode interpretar as fobias de Popper (que o levaram, e a seus seguidores, a conclusões anedóticas – bastantes reveladoras são suas críticas patéticas a Hegel no espírito de relações públicas negativas e as acusações de fascismo dirigidas a Platão e Aristóteles!) a seu favor.” Popper é de fato um grande doente.

A ‘Quarta Teoria Política’ deveria ser a teoria da liberdade absoluta, mas não como no marxismo, na qual ela coincide com necessidade absoluta (essa correlação nega a liberdade em sua própria essência).” Como ‘nega’? Liberdade absoluta e necessidade absoluta são sinônimas.

Tendo deixado os limites da individualidade, o homem pode ser esmagado pelos elementos da vida, pelo caos perigoso. Ele pode querer estabelecer ordem. E isso está inteiramente em seu direito – o direito de um grande homem (‘homo maximus’) – um homem real de Ser e Tempo.” Um facho puro e simples.

É claro, na maioria das vezes, o homem tende para a existência ‘inautêntica’ do Dasein, tentando se esquivar da questão, para sucumbir à fofoca (Gerede) e à auto-zombaria. O Dasein liberado pode não escolher o caminho para o Ser, pode se ocultar em um esconderijo, pode, novamente, desarrumar o mundo com suas alucinações e medos, suas preocupações e intenções. Escolher o Dasein pode corromper a própria ‘Quarta Teoria Política’, transformando-a em uma auto-paródia.” Portanto…

Este é um risco, mas Ser é um risco, também.” “Porém, apenas o multiplicador de liberdade fará da escolha do Ser autêntico uma realidade – apenas então as apostas serão verdadeiramente grandes, quando o perigo for infinito.” Melhor deixar isso com o capitalismo; ele está se saindo muito bem destruindo a Terra e tornando nossa extinção cem por cento certa, virtual e infinitamente iminente. Como jovens e brutais punks!

a ‘Quarta Teoria Política’ não deve se apressar de modo a se tornar um conjunto de axiomas básicos. Talvez seja mais importante deixar algumas coisas por dizer, encontradas em expectativas e insinuações, em alegações e premonições.” Em mil anos você volta…

enraizado na visão de mundo científica, societária, política e social das ciências humanas e naturais dos séculos XVIII e XIX, quando a idéia de progresso, desenvolvimento e crescimento foi tomada como um ‘axioma’ que não estava sujeito à dúvida.”

A liberal americana Ayn Rand (Greenspan foi um de seus maiores admiradores) criou toda uma filosofia (‘Objetivismo’) baseada na seguinte ideia brusca: se alguém for rico, então ele é bom. Ela alcançou os limites da idéia weberiana sobre a origem do capitalismo na ética protestante e disse que o <rico> é sempre e necessariamente o <bom>” “Pessoas como Greenspan e o atual presidente da Reserva Federal Americana, Bernanke, são ‘objetivistas’ – isto é, aqueles que interpretam a modernização, o progresso, o crescimento econômico e o desenvolvimento seguindo a veia liberal.”

Nietzsche era um evolucionista e acreditava que, com base na lógica do desenvolvimento das espécies, o homem seria substituído pelo Super-Homem” Idiota.

O cientista americano Gregory Bateson, um teórico da etnossociologia, cibernética e ecologia, psicanalista e lingüista, descreveu o processo monotônico em seu livro Mente e Natureza.” Por que não cita apenas Bateson? Qual meu interesse em saber sua profissão, formação ou nacionalidade?

Bateson concluiu que quando esse processo ocorre na natureza ele imediatamente destrói a espécie; se estivermos falando de um aparato artificial, ele quebra (explode, entra em colapso)” “Resolver o problema dos processos monotônicos foi o principal objetivo que surgiu no desenvolvimento dos motores a vapor. Acontece que a sutileza mais importante nos motores a vapor é o feedback de retransmissão. Quando o processo alcança velocidade de cruzeiro, é necessário reiniciar o abastecimento de combustível, senão o processo monotônico tem início, tudo começa a ressonar e a velocidade do motor se eleva causando sua explosão. Foi precisamente essa solução de evitar o processo monotônico na mecânica que foi o principal problema teórico, matemático, físico e de engenharia durante a primeira fase da industrialização.”

DIVERGÊNCIAS QUANTO À CLASSIFICAÇÃO <SOCIÓLOGO>: “Émile Durkheim, Pitirim Sorokin e Georges Gurvitch,¹ os maiores sociólogos do século XX, os classicistas do pensamento sociológico, [?] afirmavam que o progresso social não existe, em contraste aos sociólogos do século XIX, como Auguste Comte ou Herbert Spencer.” O único sociólogo do séc. XIX foi Marx. Os outros estão muito abaixo da crítica, ainda que em si ‘sociólogo’ nem seja uma denominação elogiosa.

¹ Nunca os li. Sorokin: tentar Sociological Theories of Today (1966). Gurvitch: arriscar The Social Frameworks of Knowledge (1972).

Em relação a estudos culturais e filosofia, Nikolai Danilevsky, Oswald Spengler, Carl Schmitt, Ernst Jünger, Martin Heidegger e Arnold Toynbee demonstraram que todos

os processos na história da filosofia e na história da cultura são fenômenos cíclicos.”

Logo que afirmemos que a cultura americana ou russa é melhor do que a dos chukchi ou dos habitantes do norte do Cáucaso nós agimos como racistas.”

No fim, mesmo Nietzsche incorporou sua idéia da vontade de poder no conceito de eterno retorno.” Uau, como você é esperto, Dugin Jones!

O liberalismo é uma ideologia igualmente ultrapassada, cruel e misantrópica como as outras duas.” Falsas simetrias tampouco são signos de qualquer “avanço”, mesmo o avanço do puro anel…

Inevitavelmente, todas as 3 teorias foram baseadas na filosofia de Hegel. Depois de Hegel, o significado da história tornou-se o fato de que o Espírito Absoluto apartou-se de si mesmo, enfatizando-se na substância, a qual se externalizou na história, dialeticamente, até se transformar na sociedade iluminada, na monarquia esclarecida.” Carroça na frente dos bois. Quem veio primeiro, Luís XIV ou Georg Wilhelm Friedrich?

Na estrutura do nacional-socialismo, o hegelianismo foi externalizado no conceito do Reich Final” “A Quarta Teoria Política descarta completamente a ideia de irreversibilidade da história.” Defina irreversibilidade.

UM GRANDE NADA: “Nós podemos definir muitos pré-conceitos com relação à reversibilidade do tempo e Dasein/Traiectum, por isso podemos definir vários conceitos políticos do tempo e cada um deles pode ser conectado em um atual projeto político, de acordo com os princípios da Quarta Teoria Política.”

Husserl propôs estudar o tempo com o exemplo da música. A consciência de ouvir uma peça musical não é baseada na estrita identificação das notas soando em um momento concreto e discreto. Ouvir música é algo diferente de ouvir uma nota que soa agora, no presente. A consciência da música é acessada relembrando as notas passadas também, que estão se dissolvendo pouco a pouco no nada, mas sua ressonância, o eco, continua na consciência e dá à frase musical o senso estético.” “Clio e Polímnia são irmãs. Essa lembrança é necessária para dar ao presente o sentido. A anamnese de Platão tinha a mesma função.”

Isso é o novum – incompreensão espontânea do que está acontecendo.”

Esse curto-circuito faz com que todo tipo de dualidades surjam – as lógicas e as temporais. A necessidade de parar esse trauma é manifesto na criação do tempo, a articulação dos três momentos do tempo. O tempo é necessário para ocultar o presente, que é a experiência traumática da autorreferência da consciência pura. A intencionalidade e os juízos lógicos estão ambos enraizados nessa evasão da consciência em relação à dor do vazio presente no qual a consciência se apresenta a si mesma.” “A tensão é imediatamente aliviada pela expansão em todos os tipos imagináveis de dualidades que constituem as texturas dos processos contínuos.” “A consciência constitui o tempo correndo do insuportável encontro consigo. Mas esse encontro é inevitável, então o presente e sua alta precisão de percepção existencial nascem.”

Se uma mente adormece a realidade carece do gosto da existência presente. Ela está completamente imersa no contínuo e ininterrupto sonho.” Sim, e daí? Por que isso implica num livro de teoria política? Isso é curso didático de ontologia existencialista!

O objeto não tem futuro. A terra, os animais, as pedras, as máquinas, não têm futuro.” “Sem a consciência autorreferente não pode haver tempo.” “O tempo é a identidade final do homem.” “Se falta o futuro, o sujeito não terá o espaço de se evadir, de fugir do encontro impossível consigo mesmo, do curto-circuito mencionado acima. O momento congelado do presente sem o futuro é o da morte.” “A crônica dessa fuga é o sentido da história.” “O futuro faz sentido. Ele possui sentido mesmo antes de se tornar presente.” “se ele não acontecer, ele também é algo carregado com sentido, e auxílio para explicar o que se passa.” “A profecia não-realizada possui exatamente a mesma importância que a realizada.” “A história não é apenas a memória do passado. Ela também é a explicação do presente e a experiência do futuro. Quando nós compreendemos bem a história e sua lógica, nós podemos facilmente adivinhar o que seguirá, o que vai acontecer, que nota [musical] será a próxima.” “O poder do trauma afasta a atenção e o mundo vital até a periferia, que se tornou o círculo-tempo com o futuro se tornando passado, e daí em diante eternamente.” “Há o tempo tomado como a espera perpétua de algo por vir. É o tempo messiânico quiliástico. [milenarista]

As histórias de diferentes sociedades são distintas. Exatamente como distintas são as peças, os músicos, os compositores, os instrumentos, o gênero musical e os tipos de notações. É por isso que a humanidade como um todo não pode ter um futuro. Ela não tem futuro. O futuro da humanidade é bastante desprovido de sentido porque carece completamente do valor semântico, do sentido.” Também não existe ‘povo russo’ algum.

O fato de que cada povo, cada cultura, cada sociedade possui sua própria história transforma o tempo em um fenômeno local. Cada sociedade possui sua própria temporalidade. Todos os momentos dela são diferentes – passado, presente e futuro.”

É duvidoso que uma sociedade seja capaz de compreender outra sociedade no mesmo nível em que ela é compreendida por seus próprios membros. Tal possibilidade pressupõe a existência da meta-sociedade, a sociedade ‘Deus’, que poderia operar com as máximas profundezas da consciência da mesma maneira que a consciência opera com a atenção, com a noesis, com a intencionalidade, com a lógica e o tempo, e finalmente com o mundo. Obviamente, a sociedade ocidental é particularmente marcada por tal abordagem etnocêntrica e pretensão universalista enraizadas no passado racista e colonialista. Mas no século XX foi certamente provado que isso é completamente infundado e falso. Os estruturalistas, os sociólogos, os antropólogos culturais, os pós-modernistas, os fenomenologistas, os lingüistas, os existencialistas e daí em diante ofertaram argumentos convincentes demonstrando a natureza interior de tal atitude enraizada na vontade de poder e na imposição paranóica de sua própria identidade sobre a do outro. É a doença chamada racismo ocidental.”

O passado, o presente e o futuro das sociedades históricas não podem ser expostos por qualquer meta-cultura: elas jazem fundo demais e são defendidas dos olhos estrangeiros pelo poder destrutivo do momento autorreferencial, pela coragem da máxima tensão.” “O fim da história é o encerramento lógico do universalismo. O fim da história é a abolição do futuro. A história prossegue e alcança seu estado terminal. Não há mais espaço para continuar. Então com o futuro toda a estrutura do tempo é abolida – não apenas o futuro, mas também o passado e o presente. Como isso pode ser possível? Nós poderíamos compará-lo com o toque simultâneo de todas as notas, sons e melodias existentes, o que nos dará cacofonia, bater e ranger de dentes. Ao mesmo tempo, provocará silêncio absoluto, surdez e acidez.” “o curto-circuito crescerá exponencialmente sem possibilidade de ser dissipado.”

De modo a prevenir a ignição e o golpe potencializado pelo encerramento da perspectiva temporal e lógica do alívio, o mundo global tentará aprisionar a consciência nas redes e na virtualidade, na qual ela poderia fugir da pressão interna

do autoencontro sem problemas. Se tiver sucesso, o novo mundo do reino das máquinas será criado.” Nada garante essa tão fetichizada autonomia e prevalência da Técnica. Parece o relato de uma outra cultura sobre o Ocidente, mas essa é a perspectiva ocidental sobre o próprio declínio.

Ao invés de fogo nós teremos eletricidade. Algumas pessoas acreditam que Fukuyama já é um robô.” Fukuyama é menos que um robô: irrelevante. É como um canal de notícias: não teve, não tem e não terá qualquer papel.

O futuro comum não é futuro. A globalidade cancela o tempo. A globalidade cancela a subjetividade transcendental de Husserl ou o Dasein de Heidegger. Não há mais tempo, nem ser.” Não havendo diferenças de tempo entre os seres, não há Ser.

O tempo durará e o mundo como a experiência do presenciamento real será apoiado pela estrutura da subjetividade profunda.”

a formalização no Estado nacional reflete correta e exaustivamente a estrutura do sujeito transcendental como criador de história? Será o tempo histórico futuro necessariamente nacional (como na modernidade), ou ele encontrará novos caminhos? Ou talvez ele retorne às formas pré-modernas?” Só se pode concordar com a sentença duginiana de que “o tempo é reversível” se com isso ele quer dizer coisas como: Hobbes é reversívil.

As civilizações são comunidades culturais e religiosas – e não nacionais. Nós poderíamos imaginar o passo para trás – na direção pré-nacional (integração islâmica); o passo para frente – na direção pós-nacional (União Europeia ou União Eurasiática)” Já acreditei que UE significasse algo distinto ou paralelo a “Estado-nação”; hoje, não mais. O –asiática de União Eurasiática tem incomensuravelmente mais peso que o Eur-.

…ou poderíamos tolerar a civilização na forma do Estado Nacional (como com a Índia, China ou Turquia).” Errado pensar que a China é um Estado como todo outro Estado moderno, ou que sempre será. Nivelar a situação do imenso país do hinduísmo e um território europeu “alienígena” como o turco é outra temeridade ou desonestidade intelectual. Tanto quanto estereotipar o homem russo e chamar esse tratado de neofascista, vendo que não é, mas também vendo que nada tem de tratado político.

Quando alguém está vivo ele pode mudar não apenas o futuro, mas também o passado. O gesto ou movimento significativo realizado no presente acrescentará novo sentido ao passado. Apenas após uma morte resoluta o passado de alguém se torna propriedade de outro. (…) Assim a história é música e obra da Musa.”

Diferença não significa automaticamente choque e conflito. A história conhece a guerra. A história também conhece a paz. Guerra e paz existiram sempre. Guerra e paz sempre existirão. Eles servem para reviver a tensão, o estresse do presente. Elas liberam e subjugam o horror e a morte.”

A segunda opção é a globalização. Ela cancela o futuro. Ela demanda a chegada do pós-humano.” Blá-blá-blá… Sabemos que isso não existe. Mesmo o supra-homem é demasiadamente humano perto do “pós-humano literal” como o Ocidente necrosado o quereria imaginar.

Ao invés do tempo, seus duplos aparecem. Os duplos do passado, presente e futuro.” O verdadeiro inverno nuclear.

O bloqueio do sujeito transcendental lhe permite mudar o passado do mesmo modo que se coloca um vídeo alternativo no tocador. Uma versão alternativa da sociedade poderia ser carregada como prequela.”

Era uma vez eu e meu duplo. Bebemos e vimos quatro de nós.

NÃO FUGIU DA LUTA DE CLASSES: “Lidar com o presente é um pouco mais complicado e sofisticado. Para removê-lo, nós devemos não apenas bloquear a subjetividade transcendental, nós devemos erradicá-la. [irreversível?] Isso presume a transição do humano ao pós-humano.”

Vamos assumir que a multipolaridade desapareceu, a história terminou e o projeto da globalização tornou-se uma realidade. Como será organizado o exorcismo final da subjetividade transcendental? Como será implementada ‘a decisão final’ sobre a abolição de Dasein? Antes de tudo, enquanto a sociedade e o homem estiverem presentes, eles devem tomar essa decisão em relação a si mesmos. É impossível fazer apelo a um outro alguém o qual poderia ser culpado por isso ou elogiado. A referência ao outro é aceitável somente quando nós temos o mesmo. Se nós estamos perdendo qualquer identidade, nós não iremos mais ter a alteridade. Então o fim da história é feito por nós e sobre nós mesmos e ninguém mais.”

Assim, com a figura do outro sendo excluída resta explicar como o homem pode realizar o último gesto de autodissolução e como ele pode transferir as iniciativas de existência para o mundo pós-humano, que desaparecerão imediatamente após o último homem – não haverá mais testemunhas.” Só se a existência for um erro. E até onde sabemos, via lógica da essência da existência, Schopenhauer estava errado. O otimismo supremo do pessimismo filosófico é que a “realidade vence”, i.e., o último homem é sempre passageiro.

A globalização e o fim da história não podem ser reduzidos à vontade de alguém que teria sido diferente daquele (sic) que é a fonte do tempo. Pelo menos nos limites de (sic) filosofia imanente.” A tradução nunca ajuda!

nas profundezas da subjetividade transcendental, há outra camada que Husserl não cavou. Husserl estava convicto de que aquela descoberta feita por ele era a última. (…) Tinha [de] haver outra dimensão (…)

Nós podemos designá-la como o Sujeito Radical. Se a subjetividade transcendental de Husserl constitui a realidade através da experiência da manifestação autorreferencial, o Sujeito Radical deve ser encontrado não no caminho para fora, mas sim no caminho para dentro.

Ele se mostra apenas no momento da máxima catástrofe histórica, na drástica experiência do curto-circuito que dura por um momento mais longo e mais poderoso do que é possível suportar.”

Para ele, o tempo – em todas as formas e configurações – não é nada mais do que uma armadilha, o truque, o artificial, atrasando a real decisão. Para o Sujeito Radical[,] não somente a virtualidade e a rede, mas a [própria] realidade já é a prisão, o campo de concentração, o sofrimento, a tortura. O levo (sic) cochilo da história é algo contrário à condição na qual ele poderia ser, completar a si mesmo, se tornar.”

O Sujeito Radical é incompatível como todos os tipos de tempo. Ele veementemente demanda o anti-tempo, baseado no fogo exaltado da eternidade transfigurada na luz radical. Quando todo mundo se foi, restarão somente aqueles que não puderam ir.” “em essência nós simplesmente lidamos com uma versão atualizada e continuada do universalismo ocidental que foi transmitido desde o Império Romano, ao cristianismo medieval, à modernidade com o Iluminismo e [à] colonização, até o atual pós-modernismo e ultra-individualismo.”

A duradoura aliança entre os EUA e a Arábia Saudita representa o exemplo perfeito desse realismo na política externa na prática.”

A economia política chinesa está tentando reestabelecer sua independência da hegemonia global dos EUA e pode tornar-se o principal fator de competição econômica. Rússia, Irã, Venezuela e alguns outros países relativamente independentes que controlam grandes reservas dos recursos naturais remanescentes do mundo colocam um limite sobre a influência econômica americana. A economia da União Européia e o potencial econômico japonês representam dois possíveis pólos de competição econômica para os EUA dentro do esquema econômico-estratégico do Ocidente.” Pode esquecer!

Os neocons proclamando o Novo Século Americano estão otimistas em relação ao futuro Império Americano, porém no caso deles é óbvio que eles têm uma clara, se não necessariamente realista, visão de um futuro domínio americano. Nesse caso a ordem mundial será uma Ordem Imperial Americana baseada na geopolítica unipolar. Pelo menos teoricamente ela tem um ponto redentor: é clara e honesta sobre seus objetivos e intenções.”

Mais nebulosa ainda é a visão extrema de governança global prevista pelos promotores da globalização acelerada. Parece ser possível para efetivamente derrubar a ordem existente dos Estados-nações soberanos, mas em muitos casos isso somente irá abrir a porta para conflitos mais arcaicos, locais, de forças religiosas ou étnicas.”

1. Aqueles Estados que tentam adaptar suas sociedades aos padrões ocidentais e manter relações amigáveis com o Ocidente e os EUA, mas tentam evitar a dessoberanização direta e total; incluindo Índia, Turquia, Brasil e até certo ponto Rússia e Cazaquistão;

2. Aqueles Estados que estão prontos para cooperar com os EUA, mas sob a condição de não-interferência em seus negócios domésticos, como Arábia Saudita e Paquistão;

3. Aqueles Estados que, enquanto cooperam com os EUA, estritamente observam a particularidade de suas sociedades pela filtragem permanente do que é compatível na cultura ocidental com suas culturas domésticas e o que não é, e, ao mesmo tempo, tentando usar os dividendos recebidos por essa cooperação para fortalecer sua independência nacional, como a China e, às vezes, Rússia; (A Rússia é secundária nessa nova geopolítica, pois a China tem maiores condições de ser estritamente deste terceiro grupo.)

4. Aqueles Estados que tentam se opor aos EUA diretamente, rejeitando os valores ocidentais, a unipolaridade e hegemonia ocidental e americana, incluindo Irã, Venezuela [meu máximo respeito] e Coréia do Norte.”

Suas posições podem ser definidas como reativas. Essa estratégia de oposição reativa, variando da rejeição à adaptação, algumas vezes é efetiva, outras não.”

o sistema vestfaliano de Estado soberano”

Outro desses projetos pode ser definido como o plano neo-socialista transnacional representado na esquerda sul-americana e pessoalmente por Hugo Chávez. Este é uma nova edição da crítica marxista do capitalismo, fortalecida pela emoção nacionalista e, em alguns casos, como com os zapatistas e na Bolívia, por sentimentos étnicos ou críticas ecológicas ambientalistas. Alguns regimes árabes, como até há pouco tempo a Jamahiriya árabe líbia sob Qaddafi, podem ser consideradas na mesma linha. (…) A transição liderada pelos EUA e pelo Ocidente é vista por esse grupo como uma encarnação do imperialismo clássico criticado por Lênin.”

Os Estados-nações carecem de visão e ideologia, e os movimentos carecem de infra-estrutura e recursos suficientes para colocar suas idéias em prática. Se em alguma circunstância fosse possível superar essa fenda, levando em consideração o crescente peso demográfico, econômico e estratégico do mundo não-ocidental ou ‘o Resto’, uma alternativa para a transição liderada pelos EUA e pelo Ocidente poderia obter forma realista e ser considerada”

A diferença entre essas duas categorias é que o conceito político do homem é o conceito do homem ‘como tal’, que está instalado em nós pelo Estado ou pelo sistema político, enquanto o homem político é um meio particular, proposto para correlacionar com esse Estado.” “Nós acreditamos que somos causa sui e somente então encontramos a nós mesmos na esfera política.”

BOOMER DUGIN: “Uma discoteca contemporânea, o caos, pode ser considerada uma metáfora para essa trans-individualidade. É possível distinguir entre pares, figuras, passos, expressões, sexos durante a quadrilha ou ainda na dança de rock ‘n’ roll, que é a recente modernidade. [Logo fará 100 anos, o que quer que se chame de ‘dança de roque & rola’… diante dum cenário de esvaziamento das artes e de tecnologias e estéticas que se super-impõem na velocidade da luz, considero um século – ou pouco mais de 70 anos, vá lá – uma verdadeira eternidade…] Mas em uma discoteca há criaturas de sexo incerto, aparência indefinida e identidade vazia, com um lento e regular balançar ao tato da música.” A homofobia é um valor completamente globalista, completamente ianque e ocidental! Não se pode ser localista sem ser homossexual, já diziam os gregos, os verdadeiros universalistas! Se, não obstante, Dugin falou do caos de maneira positiva (o que fica complicado, pois não vejo como identidade vazia pode ser olhada com bons olhos…), o que fará com mais clareza na parte final da obra, digamos que sua metáfora patentemente leiga não foi das mais felizes…

assim a antropologia política, empregando essa ou aquela constituição do indivíduo, se dissipa e se dispersa no espaço da poeira rizomática.” “para denunciar ativamente a política, a vontade política é necessária. Isso revela que a pós-modernidade está carregada de significado político. E que está carregada com uma obsessão epistemológica e imperiosa pelo significado político da apolitização. Isto é, não é pura entropia da estrutura política, é um contra-projeto revolucionário, um esquema teórico da pós-antropologia política.” = Foucault; ou seja, muito aquém do que se espera de um autor contemporâneo…

o soldado político [noção de 1930, provavelmente de Schmitt (implícito no texto)] difere do comum pelo fato de que ele mata e morre pela política. Sua matança e morte pessoal se tornam um elemento existencial da manifestação da Política, assim, para ele, a Política adquire uma dimensão existencial. O político, diferente do soldado político, trata da Política, mas não mata ou morre por ela.”

As palavras de Nietzsche podem ilustrar seu papel na história do século XX: ‘Hoje, no século XIX, as pessoas fazem guerras por recursos e valores materiais, mas prevejo um tempo em que estarão matando por ideais’. Quando é este tempo? Está no século XX.” Mais uma interpretação errônea de Nietzsche. Ele nunca escreveu sobre pequena-política. O McCarthismo, poder-se-ia pensar, é uma guerra ideológica anti-comunista – mas nada disso existiria se não fossem os poços de petróleo e as armas nucleares… Então ainda estamos muito longe da consumação desse tempo. O século XX foi um tanto superestimado por Dugin.

Nós acreditamos que ao nível (sic) da antropologia política esse soldado político está confrontando o andróide pós-humano rizomático.” Basta trocar ‘nós’ por ‘não’ e temos uma sentença impecável.

E seu espaço antropológico está sendo ocupado [pós-modernos e seus gerúndios improfícuos…] por uma nova personalidade, uma personalidade muito astuta e suspeita, que não é o soldado político, mas, ao mesmo tempo, não está relacionado (sic) ao sub-indivíduo twitteiro sibilante e rizomático. Essa personalidade é o simulacro do homem político. É algo que imita o soldado político, do mesmo modo que a pós-modernidade imita a modernidade. (…) Isso é o porquê temos esse fenômeno do fascismo contemporâneo, que é um excelente ilustrador dessa condição.” HAHAHAHAHA! Ler isso num livro é surreal – é como estar lendo um comentário de internet. Estou cercado de sub-indivíduos!

Todo pedaço do fascismo, que constituiu a estrutura do soldado político, se perdeu depois de 1945. Cada e todo fascista declarado depois de 1945 é um simulacro. Os medos dos liberais, tomando a forma dos fascistas, são uma completa paródia, eles não diferem tanto das massas decompostas e semi-dissolvidas.”

É tanto a aflição fantasmagórica, a qual Baudrillard deu, (sic) descrevendo o mundo com categorias pós-históricas radicais, quanto o sentimento de que não estamos satisfeitos com esse invólucro, [deleuziano] com essa perspectiva pós-antropológica.” “Tendo trazido a questão da antropologia, devemos procurar uma solução e ao mesmo tempo reconhecer essa pós-antropologia, que é não esperar o vindouro vir e sim considerar que está-aí.”

a teologia política pressupõe a existência do telos político, que pode ser feito por humanos, como o Leviatã de Hobbes, [uma péssima solução – além disso teologia e teleologia são duas coisas diferentes, embora se pareçam, admitamos] ou por não-humanos, como o modelo católico do ‘imperium’, que estava próximo ao coração de Schmitt.”

É impossível falar sobre antropologia política enquanto se descreve o modelo pós-antropológico da política atual.” “nós observamos epistemas paradigmáticos que são empurrados e promovidos do mesmo modo como foram em quadros da política clássica. Eles permanecem aqui, estão ficando[,] e isso significa que a Política em seu sentido mais amplo está-aí, não é apenas que nem mesmo o homem ou sequer Deus estejam lá [fora do alcance da política moderna, agora que foi suplantada pela política pós-moderna].”

NEM DEUS NEM O SOCIUS (HOMEM) – corpo sem-órgãos ou humanista, ou outro modelo qualquer –, MAS SEMIDEUSES (avaliadores de valores):[minha] Angelopoliteia (política angelical), que é uma modificação da teologia política para a angeologia política. O que queremos dizer é que a esfera da Política está começando a ser controlada por e está começando a aterrar em confronto[s] das [entre as] entidades supra-humanas.” “Realmente há um centro de comando na pós-política, há atores, há decisões, mas eles estão todos desumanizados na pós-modernidade, estão além dos quadros da antropologia.”

DESTINO VS. ATOR POLÍTICO: “O resto não dependerá do homem[;] (…) será uma guerra de anjos, guerra de deuses, um confronto de entidades, não-amarradas pelas leis e padrões históricos e econômicos, que não se identificam com certas elites políticas nem religiões.” Porém, o mesmo poder-se-ia dizer do materialismo histórico radicalmente interpretado. Somos vontades não-livres.

A angeologia política deve ser pensada como uma metáfora que é também científica e racional.” Dugin não é muito bom com metáforas!

O anjo é o gênio? Não considerado como indivíduo superior, mas como o espírito aconselhador socrático, que intervém em momentos-chave? Enfim, demonologia política seria uma nomenclatura cem vezes mais interessante…

COMING FULL CIRCLE (PLATÃO-MARX): “Não há uma palavra como ‘coisa’ em grego e isso é muito importante, porque significa que o conceito de realidade é também ausente.” “existem as palavras gregas pragma, existente e prática para o latim res. Pragma é a ação e o objeto ao mesmo tempo. § É muito interessante: a totalidade da metafísica grega evolui entre ‘teoria’ como contemplação e ‘ação’ (praxis)[,] mantendo distância da grave subjetividade latina, ‘coisificação’ escondida no termo res.”

Se ampliarmos à (sic) mencionada dualidade do gráfico supracitado nos depararíamos com o modelo guénoniano de ‘princípio-manifestação’.” René Guénon: autor relativamente desconhecido. E no entanto o que se pesquisa sobre ele não é nada auspicioso (esotérico; leitura benquista por O. de Carvalho, o câncer do Brasil, etc.)… Não existem coisas como ‘dogmas’ em metafísica, noção que nos é apresentada como sendo dele, já num primeiro resumo sobre sua obra – a não ser para os charlatães; estes definem seus dogmas tão arbitrária quanto convenientemente a fim de se tornarem best-sellers imerecidos… Se é que devemos estudar as obras de alguém antes de julgá-lo com propriedade, porém, valeria a pena, a quem interessar possa, tendo tempo, checar esta sua 1ª obra (em que pese ser um ocidental, portanto devemos ser duplamente céticos quanto à possibilidade de um westerner compreender profundamente como os orientais compreendem eles mesmos sua própria metafísca – o interesse está muito mais no tema que no escritor): “In 1921, Guénon published his first book: an Introduction to the Study of the Hindu Doctrines [procurar a versão francesa]. His goal, as he writes it, is an attempt at presenting to westerners eastern metaphysics and spirituality as they are understood and thought by easterners themselves, while pointing at what René Guénon describes as all the erroneous interpretations and misunderstandings of western orientalism and “neospiritualism’ (for the latter, notably the proponents of Madame Blavatsky’s Theosophy). Right from that time, he presents a rigorous understanding, not only of Hindu doctrines, but also of eastern metaphysics in general.” “For all his intellectual skills might be, it seems unlikely that he succeeded just by himself or with the help of a few books in getting the profound and enlightening understanding of the Vêdânta he seems to have acquired by the age of 23.” As últimas aspas são de David Bisson. Muito suspeito, realmente!

Vamos relembrar a definição grega original de mito: mito é uma história contada durante o ritual. A dualidade mito e ritual é um dos itens básicos tanto da história da religião quanto da antropologia social e é amplamente discutida. Então vamos para a filosofia e vemos¹ mentalidade-atividade (esse par de termos é muito semelhante a teoria-prática). E finalmente, a tecnologia é bastante simples [?] – esta é a dualidade do projeto e sua realização.”

¹ “vamos para a filosofia e vemos” é uma construção frasal de oitava série em português. Creio nunca ser demais expor a ruindade desse ‘escritor’. Será que apenas russos com português como 2ª língua no campo da tradução se interessam por Dugin?

<A> TAREFA: “Não é por acaso que falamos sobre Dasein como o assunto da teoria política. Dasein é o exemplo sugerido e proposto por H. como uma aspiração para superar o dualismo sujeito-objeto” “O personagem principal do Dasein é ser ‘entre’.” Todo esse ‘tempo’ de livro e só agora faz esse tipo de observação…

Não devemos usar o sistema de dualismo político clássico, a topografia cientifica tanto nova como do tempo de Aristóteles,¹ ao falar sobre a Quarta Teoria Política e presumir este fato de que o sujeito e o núcleo, o exemplo básico do pólo da Quarta Teoria Politica[,] é Dasein.” Porque seria e não seria ao mesmo tempo.

¹ O pensamento lógico deve ser superado… logicamente.

Heidegger disse que se queremos compreender o Dasein devemos perceber e formar a ontologia fundamental, que seria não perder contato com as raízes ônticas do Dasein [o ‘metafísico banal’, o presente] e não ascender ou sublimar (cedo ou tarde) a qualquer coisa relacionada com a construção filosófica geral de 2 mil anos atrás (se seguirmos o caminho de Platão ou os mais recentes filósofos pré-socráticos até Nietzsche) em que o tempo moderno se baseia.” “Do ponto de vista da análise do Dasein, ambos, sujeito e objeto, são construções ontológicas, crescidas a partir do ‘entre’, inzwischen ôntico.”

Porém, há um grande problema: implicaria que a praxis marxiana não é já esse entre entre teoria-prática, o ‘-’ do dualismo. Dugin ejeta a praxis para sinonímia de prática stricto sensu, prática revolucionária, e nesse ponto erra sua exegese de Marx, pois o subestima.

Ao contrário do Hegelianismo, do Marxismo, teoria comunicacional e toda estrutura moderna, em princípio não estamos interessados em qualquer coisa sobre a linha entre teoria e prática.” “a questão da prioridade tanto da consciência como da matéria durante o período soviético é completamente idiota.” Se se dá primazia a alguma, sim; mas não há primazia, o resto é revisionismo. Dugin age como o mais idiota da escola dos liberais, que ele mesmo já criticou e ainda criticará neste livro, como Popper, o bruxo farsesco de Hollywood (alusão a Harry Potter), mais para bufão ou ‘clown da côrte pós-moderna’,¹ ao ‘refutar’ Marx via discurso sonambúlico ‘socialismo <<<real>>> na URSS fracassou’, etc.

¹ Acho que, mesmo sem ser espetacular, sou muito melhor com metáforas que nosso querido autor russo!

DO NADA… “Assim, devemos adiar tais itens como espírito e dimensão divina, e avançar em direção ao caos e outros itens orientados profunda e verticalmente.” E como sempre, Nietzsche é citado perto da palavra caos. Como fica claro no trecho sublinhado, Dugin quer de alguma forma ver a sociedade se tornar aquela discoteca cheia de identidades vazias dançando rockabilly ou o que quer que o valha…

O “MARX” DE MARX (não funciona): “O que é a Quarta Prática Política? É uma contemplação. O que é a manifestação da Quarta Prática Política? É um princípio a ser revelado.” Dugin pensa criar algo novo, e não retroagir a Hegel, ao estipular o seguinte, após o historicamente dado: Hegel – Marx (inversão de Hegel) – Dugin (inversão de Marx). Falácia primária. Quer fugir também de Weber (gaiola de ferro) ao remar de volta ao Alemão clássico (herdeiro ao mesmo tempo do Romantismo e do zero absoluto do romantismo em Kant): “É um princípio de atitude mágica [anti-burocrática, anti-cristã, anti-moderna] para o próprio mundo baseado na idéia de que o imaginável é o único com o que nos deparamos e tudo com que nos deparamos não é nada mais que um pensamento. Que tipo de pensamento é este? O pensamento puro.” Abstração kant-hegeliana. Espero não ler elogios à alquimia nas próximas páginas, cof, cof…

tínhamos aniquilado quaisquer outros espaços antes de declararmos, não na consumação, mas logo no início, antes de declararmos num contexto pré-ontológico.” O mundo já foi conquistado (Heidegger). Só há uma geopolítica do zero em 2000.

DESTRUINDO COM O MARTELO, &C, &C… “Esse monte de sucata que tem se manifestado não é acidental e possui uma lógica profunda. Metafísica Primordial, primordialidade expressa nas técnicas, modernas e pós-modernas.” “ou nossa luta política é soteriológica [redentora] e escatológica [pós-apocalíptica, pós-escatológica, já que o apocalipse já aconteceu na Política do século XX] ou não faz sentido.”

A virtualidade [reino da mentira, distopia pós-modernista] é mais próxima do modelo mais-que-original da Quarta Teoria e Prática Política que qualquer outro elemento.” E aqui, de novo, Dugin sabe mentir ao criticar Nietzsche parecendo que não o compreendeu e usando sempre seus expedientes, sem crédito, dentre os quais, agora fica evidente, o saber mentir (“maneira divina de pensar”, Vontade de Potência, paradoxo da árvore que quanto mais cresce no firmamento mais enterra suas raízes no ‘maléfico’ do subsolo, etc.).

Podemos dizer que o rizoma de Deleuze é uma paródia pós-moderna e pós-estruturalista do Dasein de Heidegger.” “Porém, prestemos atenção ao fato de como faz o pós-modernismo para resolver o problema invertendo a ordem da coluna, através da atração para a superfície, sendo esta a idéia principal que vemos em Deleuze. Lembremo-nos de sua interpretação do ‘corpo sem órgãos’ de Artaud, da sua interpretação da necessidade da destruição, do nivelamento das estruturas e sua interpretação da capa epidérmica do homem (a pele) como base para uma tela onde as imagens são projetadas.” UMA BOLA DE CARNE QUE ATROPELARÁ O CAPITAL.

Deleuze disse: ‘Libertem o Homo demens!’.” “Aí vem a ‘máquina de desejo’, o processo rizomático, com ideias iônicas e temporalmente crônicas. Esta demência pós-moderna é muito parecida com a Quarta Teoria Política” Esquizodaseinanalyse de novo? Ou esquizod’a[sei]nalyse

Finalmente, quero dizer que o fim dos tempos e o significado escatológico da política não vão acontecer sozinhos, [ó!] vamos esperar pelo fim em vão. O fim nunca virá se esperarmos por ele e ele nunca virá se não o fizermos.” Porém, como já enunciado, ele será feito. Ele nos fará fazer.

Este é um grande arsenal do assim chamado (…) ‘noch nicht’.” De novo (estou ficando repetitivo): tirando conhecimento de Marx e Nietzsche. O problema de qualquer leitor ‘não-iniciado’ é que tomará os dizeres ao pé-da-letra. Devemos avisá-los de que nenhum botão vermelho será pressionado.

Inclusive anteriormente ao Cristianismo [a sociedade proto-européia] era também patriarcal, até nos tempos imemoriais que foram estudados no mediterrâneo por Bachofen no seu O Direito Materno.” De acordo.

Assim, nas sociedades arcaicas, somente quem sofreu a iniciação pode ser considerado como um homem, caso contrário este alguém não possui sexo social, ou seja, um gênero[;] e é privado das funções sociais masculinas (casamento, participação na caça e ritual).” Mas nessas tribos patriarcais não ter sexo é o mesmo que ser mulher, objetificado(a).

em algumas sociedades escravistas, os escravos não eram identificados com homens, eles usavam roupas de mulher.”

Para Dugin, o liberalismo é mais machista até que o fascismo.

a mulher de negócios é uma mulher que manifesta qualidade masculina, feminina – cidadã, uma mulher – branca.” A mulher negra: a última barreira.

Logo, o feminismo liberal, ou a aspiração de dar à mulher liberdade, significa identificar a mulher com o homem e equalizá-los social e politicamente, isto é, representar socialmente a mulher como um homem.” “Uma mulher que se senta ao volante é um homem ou uma caricatura de homem.”

O conceito de igualdade de gênero da segunda teoria política [socialismo] se diferencia qualitativamente da compreensão de igualdade da primeira teoria política. [liberalismo] O feminismo, o igualitarismo de gênero no marxismo, acredita que ambos, homens e mulheres, serão envolvidos na [nova] ideologia (…) como uma questão de fato, deixa de ser homens e mulheres que constituem o padrão e o imperativo de gênero do liberalismo.”

O filósofo neomarxista húngaro [Meszaros? Por que não citá-lo?] disse que ‘o proletariado é aquilo em que sujeito e objeto são os mesmos’. [correto] Partindo de tal formulação, marxistas consistentes [o que seria um marxista inconsistente?] clamam pela insanidade, [!] por uma esquizofrenia, por uma esquizo-revolucionária (sic) (Deleuze).” Não misture alhos com bugalhos.

o indiferenciado reino do trabalho, onde não há diferença qualitativa entre a ‘boa cozinheira’, o marinheiro ou o herói masculino. Vladimir Lênin uma vez disse: ‘Sob o socialismo, qualquer boa cozinheira poderia com a mesma facilidade governar um Estado’.” E Hannah Arendt acha isso ruim!

A boa cozinheira à copa não torna. Lugar de mulher é onde ela quiser.

O marxismo oferece algo ainda mais baixo, onde nada sobra das hierarquias de gênero e estratégias.” Estragou tudo, sr. Dugin!

O fascismo aceita o conhecido modelo dos citadinos, brancos, europeus, sensatos, ricos e o exalta. Se o liberalismo aceita este modelo como norma, o fascismo começa a preencher o homem com propriedades adicionais. Ele não deve ser um simples branco nórdico, não apenas racional, mas unicamente racional (da forma como somente os germânicos possuem racionalidade).” “Além disso, a masculinidade é exaltada e as mulheres eram incitadas a se envolver com KKK: Kinder, Kirchen, küchen.

Se virmos razão, riqueza, responsabilidade, cidade, pele branca, sacamos uma arma e atiramos. Este homem precisa morrer, ele não tem chance de sobreviver, pois é fechado num impasse histórico moderno, ele reproduz hierarquias pequenas e não pode ir além de suas próprias fronteiras.”

Atributos positivos do homem, para além do paradigma moderno: não-adulto. O sujeito da Quarta Teoria Política é um macho não-adulto. [péssimo, ainda como metáfora] Por exemplo, Le Grand Jeu (nome do grupo literário próximo ao surrealismo) de Gilbert-Lecomte e René Daumal, que se ofereceram para construir uma vida sem amadurecimento, para permanecerem crianças brincando. Isto pode ser considerado como um convite para desenvolver os princípios de gênero da Quarta Teoria Política” E que foi deles com essa dadaíce toda?

Aqui usamos da antropologia social e da etnologia de Lévi-Strauss, isto é, a partir da análise das experiências de muitas sociedade[s] não-brancas. Além disso, a loucura: são todas formas de transgressão intelectual, a prática da insanidade voluntária de Friedrich Hölderlin e Nietzsche até Bataille, Artaud.” Aqui há um mal-entendido e fetichização. Não há loucura voluntária. Isso até o limitado Deleuze sabia. Doido é o Dugin. Quando não inventa demais, Dugin se mostra um antropólogo razoável.

RED NECKS NOT ALLOWED: “Em geral, não-branco, insano, não-urbano ou inserido em uma paisagem. Por exemplo, o ecologista, o representante de uma comunidade, isto é, uma pessoa que não rompeu com a natureza, como Redfield em seu The Folk Society [jornal].”

A Quarta Teoria Política pode ser dirigida ao ser andrógino, e este gênero é o andrógino? Talvez, mas somente se não o projetamos nos óbvios modelos andróginos de divisão de sexo como metades.”

Quem é Gilbert Durand? Só aparecem prováveis homônimos não-relacionados no google…

Agora estamos no momento de uma reextensão e ruptura final de um gênero. Etapas dessa ruptura são o feminismo, o homossexualismo e a operação de mudança de sexo.” Não! Armadilha neoliberal… E tradutor incauto com isso de –ismo… Dugin fala tanto de raiz, cita a raiz do termo grego, radicula, mas ignora o feminismo radical… Trocando as bolas não se muda o jogo: é necessário refundá-las (profundo…)!

Esqueçam esse maldito triângulo edipiano re-re-reencarnado chamado Artaud-Foucault-Deleuze!

Elementos do fascismo na pós-modernidade são representados pela prática do BDSM.” Sim, essa frase apareceu sem qualquer transição ou contexto!

A BOMBA A-SSEXUAL

Contra a bomba de H.idrogênio, a bomba de Estrogênio…

Plantar uma sexualidade vegetal em vez de minas…

Este é o momento mais perigoso da filosofia da liberdade que começa a retirar a liberdade de dizer ‘não’ sob os auspícios da absolutização da liberdade.”

Uma máquina de corte é o argumento absoluto dos defensores do progresso.” Agora entendi a obsessão de Deleuze com ela! “Tudo poderia ser compreendido, mas uma vida sem uma máquina de corte? Esta é uma afirmação verdadeiramente não-científica: uma vida sem uma máquina de corte é impossível. Não há vida. A vida é uma máquina de corte. Este é o poder do argumento liberal em operação que se manifesta com seu lado totalitário.” HAHAHA

Isso [o grande engano sobre o ideal de liberdade] deve ser buscado não na época em que Descartes, Nietzsche ou o século XX emergiram, mas em algum lugar da filosofia pré-socrática. Heidegger viu esse momento no conceito de physis e na desvelação (sic) suficiente do estudo platônico das Idéias.” Engraçado que há algumas páginas prescrevia “parar de se preocupar com o passado de dois milênios de filosofia continental e focar no presente, no ser-aí atrás da compreensão do Dasein (o que pode até ser verdade – pun intended –, mas repetido centenas de vezes por Heidegger & sucedâneos sem qualquer indicação ou descoberta mais exata e que avance a questão já cheira a filosofia de boteco).

IRONIAS TRÁGICAS NO REINO DA CULTURA

Para Dugin, o comunismo submergiu – eia, enterro sempiterno! O conservadorismo, tradicionalismo, seja lá que nome rupestre e bucólico se dê a essa doença nostálgica, também submergiu… mas não há problema em ressuscitar esse cadáver, nenhum problema, basta querer! Os socialistas, pelo visto, não querem com a força materialista devida! Para D., aliás, os fundamentalistas islâmicos, que cavaram tão fundo que acharam petróleo, devem ter realmente encontrado a origem ontológica de todos os problemas, numa conversa com os japoneses do outro lado do túnel, digo, do poço! Agora, deixando de esquizopoetizar, é deveras trágico que os muçulmanos, que ajudaram a salvar a sabedoria antiga para que renascera entre os ocidentais, hoje sejam seus principais adversários ideológicos, pelo menos na acepção explosiva do termo (não se trata de piada ou jogo de palavras, já que a oposição chinesa é mais resignada e petrificada, durará mil anos se for preciso).

O sobrinho-neto de Jacob Burckhardt é um branco suíço neo-alquimista pseudo-polímata idiota!

Louis Pauwels e Jacques Bergier, os autores de O Amanhecer dos Mágicos escreveram: ‘O fascismo é guénonismo¹ com mais essas divisões’.”

¹ Triste (vide acima os wikia sobre Guénon). O gnosticismo e o esoterismo da antropologia da religião mediana costumam ser apenas peneiras que falham ao ocultar o sol nazi que ilumina a cena por trás.

Em um dos congressos em Roma dedicados ao vigésimo aniversário da morte de Evola, eu dei uma palestra, ‘Evola – visto da sinistra’ (Evola – uma visão desde a esquerda) na qual eu sugeri examinar Evola desde posições esquerdistas (ainda que

ele se considerasse de direita, até mesmo de extrema-direita).” Parabéns pra você! (DV) Apropriações de Evola pelo campo democrático me dão náusea.

Outra coisa que me chama a atenção: Dugin falar tanto da televisão, em termos quase que bourdieusianos, num livro da década passada! O tiktok vaporizou o campeão olímpico de zapping! Gex é um atleta de elite perto do millennial padrão. Cavando rumo ao abismo, não se pode imaginar nada mais raso: depois disso, começarão a devorar enciclopédias em mosteiros – tem de haver um ponto de inflexão em que o buraco negro começa a vomitar matéria!

Eu realmente não imagino Putin meia hora com Dugin – ou 15 minutos LENDO Dugin…

Velhos crentes parecem ‘retardados’ para nós, mas eles não o são. Eles são diferentes, eles agem dentro de outro tópico.” HAHAAHAHAHAHAHA

Eles são tão retardados que reagirão em 2050.

Lévy-Bruhl: more like Lévy-BRUH

bruhromance, o livro secreto de Bachofengshui

A MANDO DA CIA: “Primeiro, Fukuyama pensou que a política havia desaparecido e que ela estava prestes a ser substituída pelo ‘mercado global’, no qual não haverá nações, Estados, etnias, culturas ou religiões. Mas então ele decidiu que seria melhor desacelerar um pouco e implementar a pós-modernidade mais calmamente, sem revoluções. Porque revoluções podem estar acompanhadas por algo indesejável que poderia atrapalhar o plano do ‘fim da história’. Então Fukuyama começou a escrever que era necessário fortalecer os Estados-nação momentaneamente – este é o conservadorismo liberal.”

primeiro o filósofo inglês Edmund Burke simpatizava com o Iluminismo, mas após a Revolução Francesa ele o rejeitou e desenvolveu uma teoria conservadora liberal com uma crítica frontal da revolução e das esquerdas.” E hoje sabemos que ele era ignaro em relação à França.

Eles podem até mesmo gritar em algum momento: parem! Vendo o que a pós-modernidade está trazendo [mais sintaxe horrorosa…]¹ e olhando duramente para o rizoma de Deleuze, eles se sentem como se estivessem no lugar errado.² Ademais, eles temem que uma desconstrução acelerada da modernidade, despontando na pós-modernidade, possa libertar a pré-modernidade.”

¹ Experimentasse um: Ao ver o que a pós-modernidade traz, com dureza no olhar… Enfim, não se pode chamar um “tradutor em tempo real” de tradutor, ainda mais se ele tem todo o tempo do mundo para revisar o texto, diferente do tradutor oral em evento ao vivo!

² Nem sempre uma tradução precisa ser mais longa que o trecho original (o que não tenho como comparar, pois não sei russo): sentem-se no lugar errado, mais uma sugestão para o tradutor deste trabalho, se um dia puder ler-me e incorporar algumas lições! Ah, é uma profusão de eles, eles, eles… Aqui D. está falando dos liberais, para contextualizar.

Por exemplo, o liberal Habermas (An Unfinished Project?, 1992), outrora da esquerda,¹ diz que se ‘nós não salvarmos um rígido espírito do iluminismo agora, uma fidelidade aos ideais do sujeito livre, uma liberação moral, se não segurarmos a humanidade na margem, não apenas cairemos no caos, mas também voltaremos à sombra da tradição, cujo meio de enfrentamento é a própria modernidade’.”

¹ Os desistentes da esquerda são os piores dentre os reacionários.

Normalmente, conservadores liberais não fazem uma análise da correlação entre liberalismo e comunismo como a que fizemos, e assim eles continuam a temer o comunismo.” “Mas alguns liberais efetivamente crêem hoje que ‘os comunistas perderam terreno apenas temporariamente’ e ainda podem retornar. Extrapolando medos equivocados, o anticomunismo contemporâneo cria quimeras, fantasmas, simulacros em um grau ainda maior que o antifascismo contemporâneo.”

É HOLLYWOOD, E, AFINAL, ELES APRENDEM VENDO (E FAZENDO) FILMES DE TERROR: “Mas o conservadorismo liberal, em regra, é alheio a essa ironia [Che Guevara em outdoors, etc.] e não está inclinado a zombar de ‘vermelhos’ ou ‘marrons’. A razão disso é que o conservadorismo liberal teme a relativização do logos na pós-modernidade, ao mesmo tempo estando incerto de que o inimigo foi completamente destruído. Ele sonha que um cadáver estirado ainda se move e é por isso que ele não recomenda chegar muito perto, zombar e brincar com ele.” Vejo nesse ‘homem’ liberal a característica dadaísta acima: os “machos não-adultos” na arte, agora na política e economia…

UMA ETIQUETA MUITO FROUXA (E PORTANTO INSERVÍVEL): “Outros pensadores que pertencem a essa escola [‘conservadorismo revolucionário’, hahaha!]¹ são: Martin Heidegger, os irmãos Ernst & Friedrich Jünger, Carl Schmitt, Oswald Spengler, Werner Sombart, Othmar Spann, Friedrich Hielscher, Ernst Niekisch e toda uma plêiade de autores, principalmente alemães. Algumas vezes, eles são chamados de ‘os dissidentes do nacional-socialismo’² (…) Muitos deles participaram em atividades antifascistas subterrâneas e ajudaram judeus a fugir. [que bom! redimiram-se na vida privada, pelo menos…] Particularmente, Friedrich Hielscher, um conservador revolucionário de primeira linha³ e apoiador do renascimento nacional alemão[,] ajudou o famoso filósofo judeu Martin Buber a escapar.”

¹ Outros oxímoros para rir: reacionarismo avant-garde, vanguardismo gradual, radicais moderados.

² A mais pura coincidência!

³ Esse tipo de expressão devia ser banido do léxico.

Uma Play AD de autores.

Um termo geral na filosofia heideggeriana descrevendo a essência do crescente domínio da técnica é Ge-stell, isto é[,] a construção de modelos cada vez mais alienantes e niilistas.” “Mas se um homem acentua a realidade objetiva como um ‘universal’ (koinon) apenas sobre o que existe (idéia de physis), ele perde [de] vista o nada que o lembra de si mesmo, levando a filosofia ao niilismo – através do Ge-Stell.”

nothing to worry about…

No devido tempo essa lógica foi seguida por um grupo de surrealistas-dadaístas (Arthur Cravan, Jacques Rigaut, Julien Torma, Jacques Vaché) que glorificaram o suicídio. Mas os críticos [corretamente] consideravam isso uma bazófia vazia. Em dado momento eles cometeram suicídio publicamente, o que provou que arte e surrealismo eram algo tão grande para eles que por isso eles deram a vida.” L’art pour l’art = shit. E Dugin criticava o “soldado da política” previamente, lembram-se?

Aqui podemos nos lembrar de Kirillov de Os Possuídos de Dostoyevsky (título original russo ‘Besy – Бесы’) para quem o suicídio se tornou uma expressão da liberdade completa que foi revelada após a ‘morte de Deus’.” E devemos lembrar que Kirillov era um tolo!

Há mais uma orientação – o assim chamado conservadorismo de esquerda ou social-conservadorismo. Um típico representante seu é Georges Sorel (Reflexões sobre a Violência, 1906).” Dugin hipostasia centenas de categorias… Sorel é apenas um reacionário!

O conservadorismo de esquerda é próximo ao nacional-bolchevismo russo de Nikolay Ustryalov.” “o nacional-socialismo de esquerda de Strasser” Ih… que foi que eu falei?! É com esse tipo de taxonomia irresponsável que os think tanks neofascistas ianques assolaram as economias frágeis e periféricas em sua estratégia de fake news, a ponto de gente com resíduos de miolos na cabeça passarem a se perguntar (os que afirmam taxativamente não passam de isentos de qualquer resquício de miolo na cabeça) ‘nazismo era de esquerda?’. Porque quando apólogos do nazismo começam a vincular o nazismo à esquerda apenas por questões de marketing (já que o nazismo é crime na democracia saudável) significa que uma tentativa de golpe de Estado está em curso (‘acuse-os daquilo que você é/faz’).

Essa orientação está sendo desenvolvida hoje por Andrey Isaev. No outro polo da ‘Rússia Unida’, está o conservadorismo liberal de Pligin.”

eurasianistas de esquerda” Quanto mais se multiplicam os nomes, mais irrelevantes são (se não forem PERIGOSOS). Se com isso se quer dizer os pró-China e anti-imperialismo ianque, que gostariam de ver uma aliança “ilimitada” entre China e Rússia para que o mundo volte à multipolaridade, poderiam simplesmente chamá-los de “neo-comunistas”, ou defensores da causa do “comunismo 2.0” ou, francamente, Realpolitik, pois disso depende hoje, dependerá amanhã e sempre dependeu o próprio resfriamento nuclear e nossa simples sobrevivência.

SALADA DE FRUTAS PODRES: “A única coisa que não é aceitável para eurasianistas – é o conservadorismo liberal.” Diria que sentariam na mesma mesa que eu, pois da forma como Putin descreve essa ‘corrente’, são os social-democratas russos, muito distintos dos tais nacional-bolcheviques. Uma rara (?) instância em que um binômio de duas palavras deletérias (conservadorismo e liberalismo) é muito mais benquisto que um binômio aparentemente maniqueísta ou até benigno-neutro, como temos a impressão diante das palavras isoladas “nacionalismo” (soviético, por exemplo) e bolchevismo (que perde toda conotação positiva quando inscrito ‘para inglês ver’ em movimentos neofascistas, da mesma forma e usando a mesma estratégia do ‘nacional-socialismo’, que, inexoravelmente de direita desde que foi elaborado até os fins dos tempos, nada mais é do que nazismo e totalitarismo, com um nome criado para roubar os eleitores do forte partido comunista alemão e fragmentar a classe operária com a máquina de propaganda do Führer).

Este é um caráter específico do eurasianismo: ele considera a cultura ocidental como um fenômeno local e temporário.”

Coincidência nenhuma que o primeiro entre os autores russos que se referiu ao livro de Guénon Oriente e Ocidente tenha sido o eurasianista N.N. Alekseev.” Um europeu escreve sobre o Oriente. Um eurasianista então se interessa pelo tema – uau, que inusitado!

neoeurasianismo” Chega de neo- isso, neo- aquilo! Aposente o prefixo! E novamente: o problema está no uso indiscriminado. Mas para resumir essa citação na obra, Dugin dirá que neoeurasianismo = eurasianismo + Heidegger. E o mais engraçado (vide logo abaixo) é que Heidegger é na verdade anterior aos que Dugin chamará de autores eurasianistas (neodaseinismo?).

neœurasianismo

neopósestruturalismœurasiano!…

Periódicos eurasianos são publicados hoje na Itália, França, Turquia.” Isso é pouco, muito pouco.

Um distanciamento da cultura ocidental permite determinar uma distância se devendo ao fato de que é possível compreender toda a modernidade e dizer a tudo um ‘não’ fundamental.” Tudo ainda a primeira fase do Zaratustra de Nie. – ou a fase do camelo.

Aqui deve ser relembrado que os eurasianistas, os fundadores da fonologia e os maiores representantes da lingüística estrutural, Roman Jakobson(*) e Nikolay Trubetzkoy,(**) foram os mentores de Lévi-Strauss e ensinaram a ele as técnicas de análise estrutural.” Mas em que sentido eram eurasianistas? Na própria lingüística? O que quereria dizer?

(*) Role of linguistic indications in the comparative mythology – VII”

(**) “The Legacy of Genghis Khan” Autores que viveram e produziram depois da morte de Heidegger.

Assim, uma cadeia intelectual pode ser retraçada – eurasianismoestruturalismo-neoeurasianismo.”

E uma vez que estamos em um período de transição incompleta – há uma grande confusão de termos: [não use isso para justificar tanto neologismo] alguns interpretam os termos básicos de acordo com seu sentido histórico original, alguns já olham para o futuro, sentindo a necessidade de mudanças semânticas (que ainda não chegaram), alguns sonham (e podem se aproximar do futuro ou simplesmente entregar-se a alucinações individualistas irrelevantes), alguns estão simplesmente confusos.” Outros ‘ficam inventando’ (como diria o tradutor espúrio) nominhos e sinônimos que não levam a lugar algum, mas servem para passar o tempo.

Oswald Spengler em seu famoso livro O Declínio do Ocidente, opôs civilização e cultura, considerando a última como uma expressão do espírito vital orgânico da humanidade e a primeira como o esfriamento desse espírito nas formas mecânicas e tecnológicas. Para Spengler, a civilização é produto da morte cultural. No entanto, essa observação espirituosa, que interpreta corretamente algumas características da civilização ocidental, não recebeu aceitação universal e mais freqüentemente os termos civilização e cultura são usados como sinônimos.” O bom artista é o sujeito incivilizado. Finalmente uma ocasião em que faz diferença, neste livro, distinguir dois termos “parecidos”! Pena que encerra o parágrafo com chave-de-bosta: “De qualquer forma, cada pesquisador pode ter sua própria opinião.” Não é bem assim, não, amigo! O Dasein é a prova mais concreta disso: ele independe de opiniões… Ele institui toda e qualquer opinião, e não é aquilo que eu, você nem Heidegger necessariamente quer. E a cultura é o reino do Dasein.

Mas depois de Nietzsche, o assim chamados ‘filósofo da suspeita’, esse axioma otimista foi questionado.” “Na crítica pós-moderna do otimismo histórico, o universalismo e o historicismo adquiriram um caráter sistemático e criaram os pré-requisitos doutrinais para uma total revisão do aparato conceitual da Filosofia Ocidental. A revisão em si mesma não foi plenamente implementada, mas o que foi feito (Lévi-Strauss, Barthes, Ricoeur, Foucault, Deleuze, Derrida, etc.) já é suficiente para assegurar a impossibilidade de usar o Dicionário da Modernidade sem sua completa e meticulosa desconstrução.”

Ricoeur, generalizando a tese do filósofo da suspeita[,] mostra o seguinte quadro: homem e sociedade consistem em um componente racional-consciente (o que Bultmanu chamou de querigma e Marx de superestrutura) e um componente inconsciente (de fato a ‘estrutura’ no sentido estruturalista, a infra-estrutura, vontade de poder).” “Marx considerou as ‘forças produtivas’ e ‘relações produtivas’ como inconscientes.” É por isso que Marx é Marx.

Isso explica a grande diferença entre a prática histórica das nações e sociedades, cheias de guerras, violência, crueldade, desordens mentais; e a intenção de uma existência harmoniosa, pacífica e iluminada sob a sombra do progresso e do desenvolvimento. § Assim, a tradição crítica, o estruturalismo e a filosofia do pós-modernismo forçaram a mudança de uma interpretação predominantemente diacrônica [dividida em estágios] da civilização, que era norma no séc. XIX e continuou a prevalecer, [em menor medida, no século XX] para [um]a [interpretação predominantemente] sincrônica.” “Podemos agora imaginar a ‘civilização’ como o numerador e ‘selvageria-e-barbárie’ como o denominador da fração condicional.”

À primeira vista, o universalismo inclusivo parece ser uma completa antítese do particularismo exclusivo que é comum nas comunidades tribais e de clãs do período ‘pré-civilizado’. Mas, historicamente, a alegação de universalidade da civilização – ecumene e assim, singular – constantemente se depara com o fato de que, além dos povos bárbaros, além das fronteiras dessa civilização, existiam outras civilizações com sua própria e excelente versão de universalismo.” “A origem da palavra bárbaro é uma descrição de alguém cuja fala não faz sentido e é uma coleção de sons animalescos. (…) as tribos eslavas, por sinal, eram chamadas os ‘germanos’ ou ‘burros’, pois não sabiam a língua russa.”

Chegou-se ao ponto [na Pérsia antiga] das conexões endógamas absolutas e da normalização do incesto – [tudo para] o espírito solar dos Iranianos (Ahura Mazda) não ser profanado pela mistura com os filhos de Angra Manyu [diabo].”

Tribos são baseadas na iniciação, durante a qual o neófito é informado sobre a base da mitologia tribal. No nível da civilização, a mesma função é realizada pelas instituições religiosas e em tempos mais recentes por um sistema de educação universal, claramente ideológico.” “Parece que, atualmente, apenas conservadores opõem civilização e barbárie, presos no Nouveau Compte acrítico, ou nas pesquisas de Bentham.” Não faltam esquerdistas ‘formadores de opinião’ acusando ingenuamente tudo que nos é antagônico de ‘barbárie’ e proclamando amar a ‘ciência ocidental’.

Enfrentamos tal onda de ignorância acrítica quando reformistas liberais tentaram apresentar a história da Rússia como uma corrente contínua de persistência ante a barbárie. (…) o primeiro McDonald’s, bancos privados, filmes e bandas de rock na televisão soviética são percebidos como ‘objetos sagrados’.” O religioso não suporta que tenhamos vindo do macaco porque seu inconsciente sabe que é ainda “pior” (melhor, indiferente): SOMOS macacos.

Civilização no contexto do séc. XXI significa exatamente isso: uma área de influência enraizada e estável de algum estilo sociocultural, às vezes (mas não necessariamente) coincidente com as grandes religiões.”

Hoje observamos que pensar economicamente, falar sobre Estado nacional e interesses nacionais e, mais ainda, colocar no centro da análise atitudes classistas ou raciais[,] é cada vez menos aceito. Por outro lado, raramente qualquer discurso de um político é feito sem mencionar a palavra ‘civilização’ e certamente em todo texto analítico este termo é talvez o mais comum.”

Falar seriamente sobre raça não é provável depois da trágica história do fascismo europeu[; e a] análise de classe se tornou irrelevante depois do colapso do bloco soviético e da União Soviética.” Não foi por isso: se tornou irrelevante por causa da ascensão da classe média ocidental, ou seja, por conta do êxito soviético das décadas anteriores, não do seu fracasso. Como que “por coincidência” agora as classes médias de todos os países “democráticos” sofrem arrochos sem precedentes. Não há mais uma “ideologia inimiga” e a necessidade de demonstrar que ‘somos economicamente mais felizes’.

Pode parecer que o único paradigma da ciência política é o liberalismo. Isso criou a impressão de que as fronteiras dos Estados homogêneos, essencialmente liberal-democratas, não mais enfrentam nenhum outro sistema que possa alegar uma alternativa global (…) e logo seriam abolidas, para que fossem criados um governo global e um Estado mundial, uma economia de mercado homogênea, com democracia parlamentar (Parlamento Mundial), sistema liberal de valores e informação tecnológica e de infraestrutura comuns.” A incapacidade de exportar o Super Bowl por si só comprovaria o contrário para todos os liberalóides incrédulos que desejassem reduzir um grau em miopia…

ZIZEK VS. PETERSON 1990s EDITION: “O desenvolvimento dos anos 90 mostrou que Huntington estava mais perto da verdade e Fukuyama foi forçado a revisar suas visões [e reconhecer] que (…) se apressou.” “F. então fez a seguinte abordagem conceitual: ele propôs adiar o fim da história por tempo indefinido e fortalecer as estruturas sociopolíticas, que eram o núcleo da ideologia liberal em estágios anteriores.” Simples: nós também adiamos o advento do comunismo global! Enfim, cada espectro político tem a Rosa Luxemburgo que merece!

Para Thomas Burnett (e D. Bell [? Fringe??? hahaha]) ‘tecnologia é destino’ e ela incorpora a quintessência da civilização, entendida tecnicamente, quase como Spengler fez, mas com sentido positivo.” Seu cu sendo penetrado de modo inamistoso é o destino!

O próprio Fukuyama, analisando criticamente suas anteriores colocações otimistas, ocupa uma posição intermediária [perto do otimismo tecnológico do bonachão acima]Fukuyama é como um Reinaldo Azevedo? Foi ficando mais inteligente ou ‘menos vendido aos patrões’ com o tempo? A utopia fukuyamiana durou menos que o motor de um bom e velho Monza!

“‘Choque’ ou ‘diálogo’? – é uma questão secundária e o consenso principal de que ‘civilização’ é agora o principal sujeito da análise da política internacional[,] muito mais importante.” “Declarar a civilização como sujeito principal e atriz da política mundial é o curso ideológico mais promissor para aqueles que querem estimar o estado real das coisas na política mundial, para aqueles que buscam encontrar uma ferramenta adequada para generalizações da ciência política de uma nova era” “Civilização como conceito, interpretada no contexto filosófico contemporâneo, é o centro de uma nova ideologia. Essa ideologia pode ser definida com multipolaridade.” Good enough.

GRETA THUNBERG VS. GOLIAS II: “A oposição ao globalismo, que está se declarando em todos os níveis e todos os lugares do mundo, ainda não formou um sistema específico de crenças. E esta é a fraqueza do movimento antiglobalização – ele não é sistematizado, falta harmonia ideológica, nesse sistema elementos fragmentários e caóticos dominam e geralmente representam uma vaga mistura de anarquismo e esquerdismo irrelevante, ecologismo e até outras idéias mais extravagantes e marginais.” “Os 3 níveis [Jihad, tradicionalistas e países subdesenvolvidos] existentes de oposição ao globalismo e à hegemonia americana não podem liderar uma estratégia comum e uma ideologia coerente que uniria as várias e espalhadas forças, geralmente diferentes em tamanho.” “Conflitos e alianças são possíveis aqui. O mundo multipolar que surge nesse caso criará pré-requisitos reais para a continuidade da história política da humanidade, adotando uma diversidade regulatória de sistemas religiosos, econômicos, culturais, sociopolíticos e de valores.” “Fazer da civilização um sujeito na política mundial do séc. XXI permitirá a ‘globalização regional’ – uma união de países e nações pertencendo à mesma civilização. [entender civilização no sentido não-depreciativo aqui empregado simplesmente como cultura] Isso levará à vantagem da inclusão social, mas não com respeito a todos sem distinção, mas primeiramente àqueles que pertencem ao tipo comum da civilização. [todos os anti-imperialistas, anti-americanos]” “reconhecendo o direito dos europeus formarem uma nova entidade política [novas entidades políticas, pois a Europa é completamente fragmentária, caldeirão cultural – a revanche do colonialismo!] baseada em suas diferenças civilizacionais, é natural assumir processos similares na civilização islâmica, China, Eurásia, América Latina e África.”

O Grande Espaço é outro nome para o que chamamos de ‘civilização’ no seu sentido geopolítico, cultural e espacial.” “Em vários grandes espaços o fator de integração pode variar – em alguns será a religião, outros, uma origem étnica comum, outros uma forma cultural comum, em outros ainda o tipo sociopolítico ou a simples localização geográfica.”

Huntington identifica as seguintes [8 civilizações]: ocidental; confuciana (chinesa); japonesa; [tenho minhas dúvidas…] islâmica; hindu; eslavo-ortodoxa; latino-americana; e possivelmente a africana.”

Na civilização ocidental, Huntington inclui os Estados Unidos (com o Canadá) e a Europa. Historicamente isso é verdade, mas atualmente, de um ponto de vista geopolítico, eles formam na relação entre si dois ‘grandes espaços’ diferentes e seus interesses estratégicos, econômicos e até geopolíticos divergem mais e mais.” A Alemanha não soube ler a Guerra da OTAN-Ucrânia… Perdeu uma janela de oportunidade…

A Europa tem 2 identidades – ‘atlantista’ (que pode ser definida com a Europa e a América do Norte) e ‘continental’ (que tende, pelo contrário, a não ser somente o trampolim militar do ‘grande irmão’ norte-americano, mas a conduzir uma política independente e voltar a fazer da Europa um ator independente).

O euroatlantismo tem sua base no Reino Unido e nos países da Europa Oriental (direcionados pela russofobia) e o eurocontinentalismo tem sua base na França e Alemanha, com apoio da Espanha e Itália (a clássica Velha Europa).”

O mundo Islâmico (…) no entanto, é dividido em vários ‘grandes espaços’ – o ‘mundo Árabe’, a ‘zona continental do Islã’ (Irã, Afeganistão e Paquistão) e a região do Pacífico com influência muçulmana. Um lugar especial nessa situação pertence à África Muçulmana, assim como às crescentes comunidades muçulmanas na Europa e América.

É difícil estabelecer as fronteiras entre as zonas de influência das civilizações chinesa e japonesa no Pacífico, cuja identidade civilizacional continua [em] abert[o].

E claro, é difícil falar da consciência geral dos habitantes da África, ainda que [n]o futuro essa situação possa mudar, pois este processo tem pelo menos 2 precedentes históricos: a Liga das Nações Africanas e os ideais Pan-Africanos.

A reaproximação dos países latino-americanos é evidente, mas dada a pressão norte-americana nos últimos anos, não podemos falar em nenhum processo de integração ali.”

A fronteira ocidental da civilização eurasiana é em algum lugar ao leste da fronteira ocidental da Ucrânia, fazendo esse Estado ser frágil e insustentável.” Importantíssimo.

Não existirá padrão universal – nem material nem espiritual. Cada civilização finalmente proclamará que ela própria é uma medida das coisas. Em alguns lugares a medida será o homem, em outros – religião, em outros – ética, em outros – a matéria.”

O dia atual não dá oportunidade para falar de qualquer espaço estritamente definido para qualquer projeto esquerdista (social, socialista ou comunista), se comparado com o contraste da situação que por um século predominou no campo das ideias e projetos políticos.” Podemos chamar a primeira metade do século XXI de TROTSKISTA por excelência (“dividirmo-nos para sermos conquistados!”).

Primeiramente, ela foi causada pelo colapso da União Soviética e pela desintegração do campo socialista bem como pelo declínio de influência e prestígio do marxismo europeu” Como os idiotas reacionários que não entendem o niilismo, toma o efeito pela causa. É impressionante e aterrador, no pior dos sentidos, verificar que um russo tido como sábio, atuante em diversos campos das humanas, ainda que anti-propaganda ocidental, não se dê conta de que a reproduz nesses pontos mais cruciais! Está pavlovianamente condicionado a repetir, como um cão da CIA além-mar que o colapso da União Soviética isso e aquilo. Dispersar forças, causar dissensão nos tais blocos multipolares que almeja formar (chega a ser absurdo!), retardar, atrapalhar: faz tudo que o Ocidente quer e não espera que nem o melhor espião instalado na Rússia consiga!

Inicialmente, a filosofia da esquerda era considerada como sendo uma crítica fundamental, unificada e sistematizada do capitalismo liberal. Em meados do século XX um fenômeno como a crítica sistemática do projeto esquerdista emergiu (tanto dos liberais – Hayek, Popper, Aron, [a ‘bancada evangélica das ciências sociais’] etc. – quanto e dos neomarxistas e marxistas freudianos). Escolas filosóficas fizeram o mesmo à ideologia da esquerda que o projeto esquerdista fez ao capitalismo liberal 100-150 anos atrás.”

Desde a perspectiva da experiência histórica hodierna, há 3 tendências básicas na filosofia política esquerdista,¹ que ou continuam projetos ideológicos prévios em uma nova fase, ou reconsideram o passado, ou sugerem algo radicalmente novo.”

¹ O imbecil que traduziu isso fez para sacanear: “da esquerda” é a única opção não-pejorativa.

AS 3 TENDÊNCIAS DA ESQUERDA APUD DUGIN:

  • Vetero-gauchistes;

  • Nazbol; [ERRO CRASSO – DESCONSIDERAR EM UMA ANÁLISE SÉRIA]

  • Esquerda pós-moderna [deleuzianos]

Realmente estamos fodidos se acompanhados de nacionalistas e criptoliberais (o que os próprios liberais chamam de ‘identitários’, grosso modo)!

Faz ainda o desfavor de subdividir os “veteranos” (nome que não tem como não soar pejorativo também) em mais 4 ‘seitas’.

Pós-social-democratas (defensores da ‘Terceira Via’, segundo Giddens).” Isso faz um zero absoluto de sentido! Viuvinhas de Castro (no sentido de que ‘depois ele, nada será como antes’, ou seja, são apenas abutres deletérios, não veteranos clássicos)?! Como veremos mais adiante, é ainda pior do que isso, e o termo, que parece só um infeliz homônimo, realmente parece ter guiado neocons dos anos 90 (pós triunvirato do mal Reagan-Thatcher-Clinton): o herdeiro Tony Blair, o suposto criador do termo ‘terceira via’ para designar uma forma disfarçada de neoliberalismo, continuando a desmobilizar a classe trabalhadora, não instituindo o Estado do Bem-Estar, apenas que sem a mesma bala na agulha da administração da Donzela de Ferro para ferrar os britânicos populares. Bom, Giddens é inglês, devia ser o Dugin de Blair! Ou seja: o trabalhismo britânico pode ir para o inferno com seu ‘Lorde’ (título concedido a Giddens). O irônico é que, avatar da globalização (o termo neutro), ainda é considerado por D. um esquerdista, em flagrante contradição com suas invectivas antiglobalistas! Que intelectual de esquerda em sã consciência se declara pró-globalização? Alguém no poder, num país rico, é óbvio! (Portanto, pode estar à esquerda de alguns países na Europa, mas nada tem de esquerda.) Além de haver sido o braço forte de Blair, recebeu este prêmio: ‘Prémio Príncipe das Astúrias para as Ciências Sociais’. De sociólogos babacas com títulos honoríficos, já estamos cheios no Brasil, tendo um deles até ocupado o assento da presidência e retardado em mais algumas décadas qualquer colaboração regional interessante e geopoliticamente relevante com nossos vizinhos!

PÉSSIMO, PÉSSIMO, PÉSSIMO: “A inércia preserva sua existência nos países europeus, nos EUA e no Terceiro Mundo onde eles continuam a se apegar às fundações básicas da doutrina marxista. [quem dera!] Muitas vezes estando politicamente incorporados em partidos comunistas, eles professam sua ideologia relevante. [Se o Brasil tem um partido comunista funcional, será já demasiado! Quem seria capaz de apontá-lo?] Geralmente, estes marxistas ortodoxos mitigam suavemente (no espírito do eurocomunismo [nada aqui se assemelha a essa configuração muito específica, geo-histórica, européia!]) o radicalismo da doutrina marxista e rejeitam o apelo pelo levante social e pelo estabelecimento da ditadura do proletariado. [então não são ortodoxos, ó, Einstein!] O movimento trotskista (Quarta Internacional) provou ser a forma mais estável da Ortodoxia Marxista” Quem precisa de inimigos quando a Q.I. pode apunhalá-lo pelas costas? Triste afirmação a do último parágrafo. Quando o liberalismo revisionista é seriamente considerado como a raiz do marxismo atual, algo vai muito mal! E o mais irônico: Que tem a tal revolução permanente (conceito trotskista) a ver com uma suposta inércia (destacada acima)? Justamente nada; pulverizaram o marxismo.

Tipicamente, os seguidores mais ortodoxos de Marx podem ser encontrados nos países que não passaram por qualquer revolução proletária socialista” “Essa versão de Velhos Esquerdistas¹ rejeita a experiência soviética como um exagero histórico [não diria que rejeita – é menos radical do que isto] e não acreditam (sic) no sucesso das previsões marxistas. [segundo Dugin, sem base] Porém, ela continua a sustentar suas crenças como adesão a um ‘sentimento moral’ [nada como ser da minoria nutrida de caráter!] e a uma ‘tradição ideológica’ ao invés de realmente esperar uma revolta do proletariado (que parece não existir enquanto classe no mundo ocidental moderno – nesse sentido ela se fundiu com a pequena-burguesia).” Nada esperamos, realmente. Sabemos que não há condições materiais de realizá-la no cenário imperialista atual, antes de forjar as alianças multipolares de amplo alcance tão bem-enumeradas por D.

¹ Sempre detratando… É por isso que eu jamais deixo de detratar Dugin nessa análise quase parágrafo-a-parágrafo, em retaliação!

O principal defeito dos marxistas ortodoxos ocidentais é que eles continuam a usar termos da sociedade industrializada, [é verdade; porém os malefícios desse suposto atraso são superestimados] enquanto a sociedade euro-ocidental e particularmente a americana já passaram a uma nova fase – a fase da sociedade pós-industrial (de informação).¹ E ela não foi mencionada por nenhum dos clássicos marxistas,² exceto por uma vaga intuição do jovem Marx sobre ‘a dominação real do capital’. Esta – na ausência ou em caso da derrota das revoluções socialistas – pode substituir a ‘dominação formal do capital’, inerente à fase industrializada. Porém, os marxistas ortodoxos, via de regra, não têm interesse nessas menções fragmentárias.” E nem deviam. A única coisa fragmentária que vale a pena são os aforismos nietzschianos.

¹ É como dizer que se agora tudo que está na moda é o pós-estruturalismo, nunca devemos mexer com metafísica. Um comentário suicida do ‘conservador’ Dugin, que quer uma ‘revolução civilizatória tradicionalista’!!

² O “clássico”, por definição, não abordaria o pós-industrialismo!

Quase todos os aderentes dessa direção ideológica desconfiam de outras forças antiliberais, estão fechados para o diálogo e se degeneram em uma seita.” Hahahaha! Se o antifascismo é uma seita, eu quero ser carola! O ruim de Dugin é que ele parece estar descrevendo o PCO – ou melhor, ele ESTÁ descrevendo o PCO – enquanto tenta compreender amplos espectros sociais como a esquerda latino-americana, o lulismo, o petismo, o PSOLismo, os próprios sociais-democratas, que, todos, em maior ou menor medida, se uniram num pacto, demonstrando imensa capacidade de diálogo. Submetendo-se a alianças com o Centrão menos captado pelo bolsonarismo e até mesmo a antigos adversários e antíteses ideológicas como o Camarada Alckmin! Não é um feito pequeno de pé de página! Dugin, entretanto, perpassa-o com a profundidade de uma arraia…

Os social-democratas europeus são um pouco diferentes dos comunistas ortodoxos. Essa tendência política se separou do marxismo, e desde o tempo de Kautsky ela escolheu a via evolucionária ao invés da revolucionária, rejeitando o radicalismo e objetivando construir a influência da esquerda (justiça social, Estado de Bem-Estar Social – Estado-Providência e daí em diante)¹ por meios políticos e através de movimentos sindicais organizados.” Onde Dugin situaria o PT se ele estivesse na Europa – chamemos de menchevismo,² se se tratar, p.ex., de um petista anti-estalinista (o pior tipo). E parece que movimentos sindicais organizados já pressupõem a inclusão da esquerda daquele país no marxismo ortodoxo, em tempos de completa erosão da luta de classes!

¹ Desmontados a cada crise cíclica do Capital.

² MENCHEVISMO vs. TROTSKISMO E REVISIONISMO: O leitor mais crítico e desconfiado me perguntaria: Ora, e qual a diferença entre o menchevique do séc. XXI (partidos de esquerda do Terceiro Mundo da atualidade; partidos europeus da época do pós-guerra, antes da onda neoliberal) e o trotskista? É que nós não escondemos o que somos, somos sociais-democratas, a contragosto e como fato estratégico, por demasiado senso de realidade (não haverá uma revolução local enquanto os EUA derem as cartas no mundo – não diria nem que padecemos de falta de esperança ou ceticismo, somos apenas bons observadores, não pessimistas, mas sábios); os trotskistas só querem a continuação do que está aí, mas mesmo assim se chamam de bolcheviques mais autênticos que os soviéticos mais abnegados em sua época. E cá entre nós: quem não gosta de um Estado do Bem-Estar Social? O problema é que onde há uma Cuba, há Estados Unidos destruindo e boicotando tudo. A China (ou Eurásia) é sim uma boa-nova, no horizonte…

Os social-democratas defendem:

  • Imposto de renda progressivo (vs. liberais defendem uma alíquota proporcional);

  • Nacionalização dos grandes monopólios (vs. liberais – privatização); [isso por si só, na Venezuela, quase causa uma invasão direta norte-americana (diferente da ‘guerra de procuração dos 2 Vietnãs-satélites de EUA/URSS) – a primeira da História contra um país ‘comunista’ ou ‘claramente não-neoliberal’ – ainda mais quando falamos de monopólio de empresas petrolíferas!]

  • Atribuir maior responsabilidade ao Estado no setor privado;

  • Saúde, educação e aposentadoria gratuitas (vs. liberais – redução da intervenção do Estado na economia, saúde privada, educação privada e planos de aposentadoria privada). [os social-democratas representam minha visão de paraíso]

Ora, se eu não posso ter ainda os dedos, eu quero os anéis, um por um! Não vejo problema…

Os social-democratas tentam implementar essas demandas através de mecanismos eleitorais parlamentares e, se confrontados com situações críticas, através da mobilização de sindicatos e organizações públicas até a realização de greves. [ambos vêm se demonstrando ineficazes: parlamentos conservadores mesmo em governos de esquerda; desintegração dos direitos trabalhistas.]

É significativo que os social-democratas usem slogans libertários (não confundir com liberais!):

  • Legalização das drogas leves;

  • Proteção de minorias sexuais e étnicas e dos casamentos homossexuais;

  • Extensão dos direitos civis e liberdades individuais; [aborto, etc.]

  • Ecologia; [nome bonito e inofensivo para sobrevivência]

  • Mitigação da legislação (abolição da pena de morte), etc. [para casos irreversíveis de desumanização – bolsonarismo –, sou a favor da pena de morte]

Além disso, social-democratas clássicos normalmente defendem:

  • Progresso; [vago e inócuo]

  • Luta contra preconceitos arcaicos e religiosos;

  • Ciência e cultura. [Somente num país que nunca teve ciência – como nunca tivemos, não é possível exagerar nela – diferente da Alemanha do séc. XIX… Pulamos a parte da Ilustração quando conseguimos repeti-los em seu pior, o que vem depois: ascensão de um Hitler.]

São os defensores da Terceira Via que são renegados dos movimentos esquerdistas, de fato. E apenas ex-trotskistas vão mais longe do que isso (os trotskistas americanos – os principais teóricos neoconservadores; e os trotskistas europeus, por exemplo, Barroso, o presidente português da Comissão Européia), que mudaram suas visões do comunismo extremista e do socialismo revolucionário para uma igualmente radical defesa do liberalismo, do mercado e da desigualdade econômica.

O ‘Nacional-Esquerdismo’ deveria ser considerado um fenômeno muito especial. Diferentemente do marxismo ortodoxo e da social-democracia, essa tendência tem sido pouco explorada e sua interpretação correta é uma tarefa do futuro. O caso é que o próprio Nacional Esquerdismo (sic) quase nunca faz propaganda de sua idéia nacional, a oculta ou até abertamente a critica. Conseqüentemente, o estudo do discurso aberto ou direto do movimento, partidos e regimes nacional-comunistas são dificultados devido ao fato de que as teses discursadas ou correspondem com a realidade apenas parcialmente, ou de jeito algum.”

Nacional-comunistas se consideram ‘apenas comunistas’, ‘marxistas ortodoxos’, que seguem estritamente as ideias clássicas marxistas.” Achar que somente os países “não-preparados para o comunismo” efetivamente atingiram revoluções comunistas, como Dugin faz, é uma forma mal-disfarçada de acreditar no progresso e na linearidade da História: chegará o dia em que…, só deu errado porque…, nada até aqui comprova a tese do adversário…, todos os problemas serão resolvidos amanhã…, etc. Não há regras fixas e imutáveis. O pior é que Dugin tenta passar essa mesma mensagem seu livro inteiro e não percebe que recai em contradição. Cabe perguntar: para Dugin, China e Venezuela seriam nacional-comunistas? A China tenta reorganizar o mundo em frentes multipolares, como líder do movimento anti-imperialista; a Venezuela, sem forças para liderar, é no entanto agente ativo e colabora com o projeto político chinês. São realmente comunistas. O fato de não haver um comunismo mundial ou pelo menos entre os próprios vizinhos de ambas as nações em nada contraria essa classificação.

O nacional-comunismo predominou na URSS, na China comunista, na Coréia, no Vietnã, na Albânia, no Camboja e em um número de movimentos comunistas nos países do terceiro mundo – dos ‘Chiapas’ mexicanos e do ‘Sendero Luminoso’ peruano ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão e ao socialismo islâmico.” “o nacional-socialismo anti-hitlerista de esquerda dos irmãos Strasser”

Evo Morales é o primeiro líder latino-americano de origem indígena” Até Dugin reconhece o óbvio pioneirismo desta façanha.

a China, nas condições atuais, mais e mais focando no componente nacional de seu modelo social e político, prova que esta base, transformada no tempo adequado e de modo delicado, pode permanecer competitiva mesmo após o triunfo global do capitalismo liberal. Por outro lado, a experiência da Venezuela e da Bolívia demonstra que os regimes nacional-comunistas aparecem hoje em dia e demonstram sua viabilidade mesmo diante de sérias pressões.” Conclusão: não existe nacional-comunismo, apenas comunismo do século XXI.

Ausência de conceitualização e racionalização do componente nacional em toda a idéia-complexo dos movimentos e ideologias Nacional-Comunistas (a maioria dos aderentes dessa direção ideológica se considera ‘apenas marxistas’ e ‘socialistas’)” Dugin não percebe que com bastante probabilidade isso significa tão-só que não existe esse tal <nacional-comunismo>, categoria forjada dentro de sua própria cabeça.

Algo que hoje deve corresponder quase completamente com a combinação de palavras ‘projeto da esquerda’ é chamado ‘neoesquerdismo’ ou ‘pós-modernismo’. Em todo o espectro de idéias esquerdistas no início do século XXI essa direção não apenas é a mais inteligente, mas também a mais pensada, intelectualmente regulada e sistematizada.” Caiu no conto de Washington. É a idéia mais pensada (não a mais sábia!) e a menos agida, digamos assim.

Através de Sartre, clássico dos ‘novos esquerdistas’, [!] Martin Heidegger e a problemática existencialista influenciaram profundamente o movimento esquerdista.” “No sentido filosófico, os ‘novos esquerdistas’ eram estruturalistas, porém, desde meados da década de 80 eles passaram ao ‘pós-estruturalismo’, desenvolvendo ainda mais esse impulso[,] filosófico e começaram a criticar suas próprias perspectivas das décadas de 60 e 70.” O círculo se fecha sem deixar herdeiros ou legado. O círculo estéril.

Os ‘novos esquerdistas’ reduziram todas as versões do deciframento da ‘infraestrutura’ ao esquema integrante, no qual o papel da ‘infraestrutura’ enquanto tal – independentemente da tendência filosófica específica – foi transferido para o conceito de ‘estrutura’.” “Os novos esquerdistas reencarnaram as idéias de Rousseau sobre um nobre selvagem e ofereceram um panorama da sociedade ideal, na qual não se pode encontrar exploração, alienação, mentira, supressão, exclusão, em analogia com grupos arcaicos praticantes da ‘economia da dádiva’.” “O livro de A. Negri e M. Hardt, Império, no qual as teses dos novos esquerdistas são simplificadas até a primitividade, pode ser considerado um manifesto político dessas tendências.” “O movimento antiglobalização como um todo é orientado por este projeto futuro. E eventos como o Foro de SP,¹ no qual os globalistas pela primeira vez tentaram definir uma estratégia geral, indicam que o projeto da Nova Esquerda tenta formar uma implementação política específica.” “…os protestos generalizados dos novos sindicatos, mais e mais reminiscentes do carnaval…” [?]

¹ Hahaha. Em outros termos, o tal Foro de SP, bode expiatório criado pela extrema-direita, é apenas um movimento da direita (ou Velha Direita, se o Neofascismo Antiglobalista for a Nova).

Ademais, o pós-modernismo como estilo de arte, o que se tornou corrente na arte ocidental moderna, expressa simplesmente esta filosofia política da ‘Nova Esquerda’, penetrando em nossa vida quotidiana através de pintura, designs e filmes de Tarantino e Rodriguez desprovidos de análise política e filosófica preliminar, deixando para trás uma escolha consciente e se impondo contra nossa vontade.” Quem disse que toda a arte pós-moderna é de esquerda?

Na prática, nós vemos que não há ‘velhos esquerdistas’ no sentido completo nesse país, bem como no tempo soviético. O grupo dos dissidentes soviéticos (Zinoviev, Shchedrovitsky, Medvedev) não conta, na medida em que eles não conseguiram desenvolver qualquer escola notável. [seria a quarta teoria política de D. uma ‘escola notável? e se for, este é um critério válido para estabelecê-la como preferível à ideologia destes dissidentes?]

Por outro lado, os nacional-comunistas representam uma camada social, psicológica e política ampla com o Partido Comunista da Federação Russa a sua frente. Como toda a história soviética – marcada [pela] vitória do socialismo (um garantido sinal de base arcaica) – é a história do nacional-esquerdismo inconsciente, essa tendência dificilmente é surpreendente.” Haja -ente, diria Heidegger.

o social-conservadorismo da Rússia Unida e de Putin”

Enquanto [isso,] os grupos marginais que imitam o neo-nazismo europeu e tentam usar ‘nacional-socialismo’ em seus nomes jamais foram ‘nacional-esquerdistas’, já que eles imitam (como resultado de uma inferioridade mental) [hahaha!] as bugigangas do regime hitlerista, continuam a brincar de soldados e assistem à série de TV Seventeen Moments of Spring,¹ admirando o uniforme negro de Bronevoy-Mueller. [hahahahaha!] O projeto do PNB (Partido Nacional-Bolchevique), o qual ia desenvolver em um autêntico Nacional-Esquerdismo russo [enfia essa nomenclatura na bunda!] baseado nas idéias de Ustrialov, Niekisch e dos eurasianistas de esquerda, infelizmente, ao fim da década de 90[,] havia degenerado em uma formação barulhenta e insignificante[;] e depois começou a servir a forças ultraliberais antirrussas ‘laranjas’, alimentadas pelo Ocidente (contradizendo objetivos fundamentais do ‘nacional-bolchevismo’, o qual é tanto em teoria como na prática um projeto consciente de esquerda… [acabou de afirmar que a história da Rússia é a história do nacional-esquerdismo inconsciente… como conciliar ambas as passagens, tão próximas no texto?])”

¹ “Seventeen Moments of Spring (Russian: Семнадцать мгновений весны, romanized: Semnadtsat’ mgnoveniy vesny) is a 1973 Soviet 12-part television series, directed by Tatyana Lioznova and based on the novel of the same title by Yulian Semyonov. The series portrays the exploits of Maxim Isaev, a Soviet spy operating in Nazi Germany under the name Max Otto von Stierlitz, portrayed by Vyacheslav Tikhonov. Stierlitz is planted in 1927, well before the Nazi takeover of pre-war Germany. He then enlists in the NSDAP and rises through the ranks, becoming an important Nazi counterintelligence officer. He recruits several agents from among dissident German intellectuals and persecuted clergy. Stierlitz discovers, and later schemes to disrupt, the secret negotiations between Karl Wolffa and Allen Dulles taking place in Switzerland, aimed at forging a separate peace between Germany and the western Allies. Meanwhile, the Gestapo under Heinrich Müllerb searches for the unidentified Soviet resident spy and his ring. The series is considered the most successful Soviet spy thriller ever made and is one of the most popular television series in Soviet history.” “Within the novel Semyonov mentions the phrase seventeen moments of spring in reference to the lyrics of a song sung by Marika Rökk, a popular star in Nazi Germany.” “Broadcast at 19:30 by the channel Programme One between 8 July and 24 August 1973, Seventeen Moments of Spring was immensely popular in the Soviet Union: Klaus Mehnert reported that during its original run, the estimated audience for each episode was between 50 and 80 million viewers, making it the most successful television show of its time. Ivan Zasursky described the series’ reception by the public: ‘during its first showing, city streets would empty. It was a larger-than-life hit, attracting greater audiences than hockey matches.’ Crime rates dropped significantly during the broadcasts; power stations had to increase production at the same time, since the activation of many television sets caused a surge in electricity consumption. Oleg Kharkhordin wrote that Seventeen Moments of Spring became a ‘cult’ series, and Richard Stites added it was ‘a television blockbuster’. According to his personal assistant Alexei Chernayev, Leonid Brezhnev was a devoted fan of Seventeen Moments of Spring, and watched the entire series some 20 times. Author Anthony Olcott claimed that it was rumored Brezhnev moved meetings of the Central Committee of the Communist Party of the Soviet Union in order not to miss episodes. Seventeen Moments of Spring remained highly popular after its first run in 1973. It was re-aired annually until the dissolution of the USSR, usually around Victory Day, and continued to be broadcast in Russian television afterwards. In 1983, a writer of the Paris-based Polish magazine Kultura described Seventeen Moments of Spring as ‘the most successful television production in the history of the Soviet Union’. In 1995, after another re-run, Russian commentator Divanov noted: ‘Just like 20 years before, city streets were empty during the showing … A drop in the crime level almost to zero was noted in cities, which testifies to the popularity of Seventeen Moments.’“Vladimir Putin told that his decision to join the organization was motivated by the spy thrillers of his childhood, among them Lioznova’s series.”

a “He escaped prosecution at the Nuremberg Trials, apparently as a result of his participation in Operation Sunrise. In 1962, Wolff was prosecuted in West Germany for the deportation of Italian Jews, and he was sentenced to 15 years in prison for being an accessory to murder in 1964. He was released in 1971 due to his failing health, and died 13 years later.”

b “He was known as Gestapo Müller to distinguish him from another SS general named Heinrich Müller. (…) He was last seen in the Führerbunker in Berlin on 1 May 1945 and remains the most senior figure of the Nazi regime who was never captured or confirmed to have died.”

Project MKUltra (or MK-Ultra) was an illegal human experimentation program designed and undertaken by the U.S. Central Intelligence Agency (CIA), intended to develop procedures and identify drugs that could be used in interrogations to weaken individuals and force confessions through brainwashing and psychological torture. It began in 1953 and was halted in 1973. MKUltra used numerous methods to manipulate its subjects’ mental states and brain functions, such as the covert administration of high doses of psychoactive drugs (especially LSD) and other chemicals without the subjects’ consent, electroshocks, hypnosis, sensory deprivation, isolation, verbal and sexual abuse, and other forms of torture.” “In areas under American control in the early 1950s in Europe and East Asia, mostly Japan, Germany and the Philippines, the CIA created secret detention centers so that the U.S. could avoid criminal prosecution. The CIA captured people suspected of being enemy agents and other people it deemed ‘expendable’ to undertake various types of torture and human experimentation on them. The prisoners were interrogated while being administered psychoactive drugs, electroshocked and subjected to extremes of temperature, sensory isolation and the like to develop a better understanding of how to destroy and to control human minds.” “In 1973, amid a government-wide panic caused by Watergate, CIA Director Richard Helms ordered all MKUltra files destroyed. Pursuant to this order, most CIA documents regarding the project were destroyed, making a full investigation of MKUltra impossible. A cache of some 20,000 documents survived Helms’s purge, as they had been incorrectly stored in a financial records building and were discovered following a FOIA request in 1977. These documents were fully investigated during the Senate Hearings of 1977.”

The Bay of Pigs Invasion (Spanish: Invasión de Bahía de Cochinos, sometimes called Invasión de Playa Girón or Batalla de Playa Girón after the Playa Girón) was a failed military landing operation on the southwestern coast of Cuba in 1961 by Cuban exiles, covertly financed and directed by the United States. It was aimed at overthrowing Fidel Castro’s communist government. The operation took place at the height of the Cold War, and its failure influenced relations between Cuba, the United States, and the Soviet Union.”

Novos esquerdistas e pós-modernistas estão quase ausentes no espectro político russo; o discurso filosófico pós-moderno é complicado demais para eles.” “Na arte russa – em particular em Vinzavod, na galeria Guelman, bem como nos filmes russos – tendências pós-modernas são claramente visíveis, e sua expressão artística é às vezes impressionante. Os livros de Sorokin ou Pelevin representam o pós-moderno em uma forma literária.” “A Rússia desempenha um papel de consumidor inativo, que não entende o sentido político e ideológico daquilo que automaticamente consome – seguindo a moda e tendências globais”

Niekisch, Hitler: Desastre para a Alemanha: “Niekisch confrontou o Nazismo e os nazistas, e previu mais cedo e mais precisamente do que outros quais seriam as consequências de seu domínio sanguinário para a Alemanha e para a humanidade.”

Nos casos extremos, os liberais apóiam não apenas a liberdade de aborto, mas até mesmo a liberdade de diferenciação sexual (apoiando os direitos de homossexuais, transexuais e daí em diante).”

Tal Estado-Nação (État-Nation) não possuía qualquer objetivo histórico comum, qualquer missão determinada. Ela (sic) concebia a si mesma como uma ‘corporação’ ou empresa estabelecida pelo acordo recíproco de seus participantes e que teoricamente pode ser dissolvida a partir das mesmas bases.”

Na metade do século XX o filósofo francês, hegeliano de origem russa, Alexander Kojève sugeriu que o ‘fim da história’ hegeliano marcaria uma revolução comunista mundial.”

crítico francês dos EUA, Hubert Vedrin, sugeriu que os EUA deveriam daí em diante ser chamados não de uma superpotência, mas de uma hiperpotência, enfatizando sua solidão e sua superioridade assimétrica.” “Não é simplesmente colonização ou uma nova forma de imperialismo, este é um programa de implementação total do único sistema ideológico, copiado da ideologia liberal americana.” “tanto amigos como inimigos estão sujeitos à reformatação, como estão aqueles que desejam permanecer neutros. Este é o sentido do ‘século americano’: o liberalismo, tendo derrotado seus inimigos formais, penetra completamente.”

E não é acidente que os neoconservadores emergiram do trotskismo.” “São precisamente os neoconservadores, determinando o tom da política americana contemporânea, que compreendem mais profundamente o sentido ideológico do destino dos ensinamentos políticos na alvorada do século XXI.”

O princípio da separação de poderes se transmuta na idéia de um referendo eletrônico constante”

até o último momento da queda da URSS, os líderes do liberalismo russo elogiavam o Partido Comunista, as idéias de Marx, o Socialismo Planificado, enquanto os oligarcas ‘ganhavam o pão’ no Comitê dos Komsomols ou serviam na KGB.”

Quando Putin chegou ao poder e tentou reverter o processo de desintegração da Rússia, ele não encontrou, em grande medida, nenhuma oposição ideológica. Ele foi desafiado por clãs econômicos concretos, em cujos interesses ele discerniu a mais ativa agência de influência, profundamente entrincheirada na espionagem a serviço do Ocidente.” “Mesmo figuras icônicas do liberalismo russo – Gaydar, Chubais, etc. – se comportaram como oportunistas banais: eles não davam a mínima para o conteúdo ideológico das reformas de Putin.” “Intuitivamente buscando preservar e consolidar a soberania russa, Putin entrou em conflito com o Ocidente liberal e seus planos de globalização, mas sem formar suas ações em uma ideologia alternativa. Isso ocorreu principalmente porque havia muito poucos liberais convictos na Rússia.” “Se as pessoas passam a agir como liberais apenas quando o liberalismo é permitido, está na moda, ou até mesmo é obrigatório, prontos diante da primeira dificuldade para repudiar esses princípios, esse ‘liberalismo’ não tem nenhuma relação com o tipo real. Parece que Khodorkovsky, o ‘ícone’ dos russos liberais contemporâneos, entendeu isso tendo passado algum tempo na prisão. Mas nisso, me parece, ele é uma exceção entre os liberais que permanecem livres.”

A revolução é um fato empírico. Isso significa que a revolução foi, é e será.” “Em anos recentes, um paternoster sociológico, que diz que a Rússia exauriu seu limite para a revolução, se tornou bastante relevante.” “O sentido da revolução se encontra na insatisfação com o que existe, e na declaração [de] que deve haver algo mais. A revolução é uma busca pela superação do que é presente nesse momento.” “Vive-se na revolução apenas; em outros tempos se está delirando, sonhando, se vive aguardando a revolução.” “Nós somos tentados a nos convencermos de que não houve Revolução de Outubro, esta última sendo chamada de uma reviravolta, uma conspiração, uma influência de ‘forças sombrias’, com instrumentos conspiratórios sendo utilizados, com tudo sendo traduzido ao plano dos modelos econômicos.” “Apenas o tempo revolucionário é um tempo realmente, porque não possui duração, já que é tempo de mudança, uma ruptura, um tempo de aparecimento do novo, um tempo de Ereignis. Segundo Heidegger, a noção de ‘Evento’ (Ereignis)é ruptura de rotina, um encontro com algo, que não havia sido. Essa é a essência antropológica, ontológica e temporal da revolução. É por isso que o tempo da revolução é o oposto de qualquer outro tempo, porque o homem se torna ele mesmo nesse tempo. No resto do tempo o homem está essencialmente adormecido aguardando pela revolução.” “Durante esse período onírico entre duas revoluções o homem considera sua identidade como positiva, isso quer dizer que ele começa a se associar não com a deficiência, mas com algo presente (com comida, bem-estar, cuidado, detalhes pequenos da realidade). (…) O homem não vive como parte de sua existência, ele está sendo substituído por das Man, e a existência humana genuína, o Dasein, está ausente.” “Assim, a revolução é empírica, ontológica e conceitual em sua natureza. Agora nós podemos abordar a perspectiva da revolução em seu aspecto tecnológico.”

Pareto incita a deixar de lado as questões relativas à teleologia da revolução e que o foco da atenção deve ser uma fórmula segundo a qual há duas categorias: aqueles que mandam e aqueles que obedecem (…) Segundo suas teses, a elite é um mestre sociológico, um tipo social, que só pode governar, e não pode se recusar a governar” “E muito de seu trabalho foi dedicado à descrição de como as elites liberais camuflam seus verdadeiros objetivos (governar e controlar) sob os nomes de democracia, direitos humanos e liberdade econômica.” Muito mais útil como analista que 80% da “esquerda”.

alguma parte da elite não possui o poder e ocupa seu lugar (a contra-elite), o qual não é legítimo. E segundo Pareto, tal elite, desprovida de acesso ao poder, porém, não é uma massa. (…) Tal elite constantemente sente que ela não está em seu lugar de direito.”

aquele que pertence à elite é o mais próximo à categoria do Mangelwesen [homem carente, condição humana] e assim ele é mais humano. Ele quer governar sobre outros, porque ele sente repulsa por si mesmo, ele é insuficiente para si mesmo, ele precisa se expressar de algum jeito, lançar sua figura sobre a sociedade, de outro modo sua vida é inteiramente insatisfatória. A massa, por sua vez, paga por sua vida

tranqüila e relativamente segura com seu status de escrava. E a elite é o mestre, que encara uma escolha entre morte e poder”

O segundo modo de lidar com a contra-elite, segundo Pareto, é ignorá-la completamente, dando atenção apenas à massa. Esse é o caminho para o suicídio da elite governante, porque a contra-elite, estando entre as massas, começa a transformá-la, e se agrega à anti-elite. A anti-elite, por sua vez, que é um complexo de pervertidos e desviados, começa a corromper as massas.” “O próximo passo é afastar as massas da elite com a ajuda de elementos anti-elite, e a tomada do lugar da elite pela contra-elite.”

A modernidade é um regime que disse ‘sim’ à revolução, que a tornou aceitável e casual.” “Mas se a revolução foi um ponto da modernidade, na pós-modernidade ela se torna impossível, na medida em que a própria modernidade se tornou impossível.” “Ela compreende bem que, de modo a prevenir a revolução, esta deve ser simulada.” “Nas condições atuais é muito difícil chegar ao fato de que o homem é um Mangelwesen, porque a fronteira entre o que está vazio e o que não está vazio, entre presença e ausência, hoje está diluída.”

E se a elite governante se posiciona como liberal, então a contra-elite terá que ser anti-liberal. Aqui, a plataforma mais apropriada será a ideologia de Louis Dumont e sua obra Ensaios sobre o Individualismo.

Nessa obra o autor insiste que a principal força de oposição ao liberalismo não é o marxismo, mas a sociologia (holista) como disciplina científica. Nos esquemas da sociologia (holista) uma tese sobre a primazia da sociedade em relação ao indivíduo possui um potencial revolucionário.”

Em relação [à contra-revolução], nós deveríamos prestar atenção à obra de Christopher Lasch – A Revolta das Elites. Se a versão anterior do padrão sociológico de Ortega y Gasset foi o fato de que na vanguarda da sociedade apareciam novos tipos sociais, que são incapazes de fazer história, então Lasch aponta que novas elites na verdade refletem o conteúdo e as principais qualidades e características das massas.” “Nossas novas elites consistem em pessoas comuns, de classe média, da pequena-burguesia, de pessoas com uma visão de mundo medíocre. Ademais, a elite moderna evita seus deveres elitistas e se torna um duplo simulacro.” “Quando há apenas uma instância para decidir quem está certo e quem está errado e quem deveria ser punido e quem não deveria, nós temos um tipo de ditadura global. Eu estou convencido de que isso não é aceitável.” “O Império Americano deve ser destruído. E em algum ponto, ele será.”

Espiritualmente, a globalização é a criação da Grande Paródia, o reino do Anticristo. E os Estados Unidos são o centro da sua expansão.” “Nossas idéias podem ser diferentes, mas nós temos uma característica muito forte em comum: o ódio pela realidade social atual.” Diferenças entre etnias não resultam em superioridade ou inferioridade. As diferenças devem ser aceitas e afirmadas sem nenhum tipo de sentimento ou consideração racista. Não existe uma medida comum ou universal para julgar diferentes grupos étnicos. Quando uma sociedade tenta julgar a outra, ela aplica os seus próprios critérios, portanto, comete violência intelectual.”

Se nós libertarmos o socialismo das suas características materialistas, [depreendo que no sentido chulo de morte do espírito e olvido da condição da natureza, que é per se mágica, ‘não-científica’] ateístas [avatar final do monoteísmo] e modernistas, [degenerescência ocidental] e se nós rejeitarmos o racismo e os nacionalismos doutrinários (…) nós chegamos a uma ideologia política completamente nova.” Marx + Nietzsche com um deus que saiba dançar.

Mas este é apenas o primeiro passo. A adição mecânica de profundamente revisadas versões das ideologias antiliberais do passado não nos dá um resultado final.” “Aí nós temos o Estado ideal platônico, a sociedade hierárquica medieval e as visões teológicas do sistema social e normativo (cristão, islâmico, budista, judeu ou hindu). Estas fontes pré-modernas são muito importantes para desenvolver a síntese”

nós devemos rejeitar categoricamente o anti-comunismo” “Ao mesmo tempo, nós devemos nos opor fortemente a qualquer tipo de confronto entre as várias crenças religiosas – muçulmanos contra cristãos, judeus contra muçulmanos, muçulmanos contra hindus, e daí em diante.” “Não é fácil formar uma aliança tão diversificada. Mas nós devemos tentar se quisermos derrotar o inimigo.”

O que é crucial considerar, é a autenticidade ou inautenticidade da existência do Dasein. A Quarta Teoria Política insiste na autenticidade da existência. Para que ela seja a antítese de qualquer forma de alienação – social, econômica, nacional, religiosa ou metafísica.” “Valores como justiça social, soberania nacional e espiritualidade tradicional podem nos servir como fundação.”

A importância do conceito de nous (intelecto), desenvolvido pelo filósofo grego Plotino, corresponde ao nosso ideal.” “O mundo futuro precisa ser noético de algum modo – multiplicidade e diversidade deveriam ser tomadas como riquezas e como tesouro, e não como razão para o conflito inevitável”

falar sobre a Pós-Modernidade é interessante, excitante e arriscado ao mesmo tempo. É um processo com um fim desconhecido e um sentido desconhecido. Ainda é possível afetar esse fim e esse sentido. A história (aparentemente) acabou e a pós-história está apenas ‘começando’, devemos procurar nela por um espaço de luta, ganhar este espaço e expandi-lo.”

[O pós-Estado] é uma espécie de república pirata localizada no ciberespaço. Ou um carnaval brasileiro, que substituiu a rotina.” “completos idiotas são designados como acadêmicos e membros correspondentes” “no centro das atenções, incluindo o debate político, estão os mais íntimos detalhes da vida pessoal” “senadores (anciãos [etimologia da palavra]) são eleitos recém-saídos das escolas (se, por exemplo, eles são parentes de figuras influentes)” “clemência com os criminosos aumentando, atribuição da culpa para a vítima, etc.”

Não existe mais ontem e amanhã, nem mesmo hoje. Existe apenas o agora. Agora são Google e Twitter, mas em um momento estes serão eventos pré-históricos, como o processador Lexicon ou PC286.” “Revoluções pelo Twitter no Mundo Árabe ou presidentes com iPads são claros sinais de pós-antropologia política e do fenômeno do Pós-Estado. A revolta das elites e a oscilação do nível de intensidade da consciência dos grupos dominantes estão ‘próximos de zero’. Um exemplo clássico é um estrategista político viciado em drogas.” O que achou dessa, Aécio?

O soldado político é o mediastino da antropologia política da Modernidade.” “Hoje não temos a chance de conhecer um soldado político, apenas podemos conhecer seu dublê, seu simulacro, seu impostor.”

MEDIASTINO Espaço compreendido entre os dois pulmões e dividido em duas partes pelas pregas das pleuras. (O mediastino anterior encerra o coração e o timo; o mediastino posterior contém o esôfago, a aorta e o canal torácico.).”

O drama dos últimos homens lutando contra pós-homens na oposição política. Heroicamente, tragicamente, poeticamente e irremediavelmente.” “Aqui está a dobra [double bind?] (Deleuze) da antropologia pós-moderna: um simulacro se encontra com um simulacro.”

O feminismo ultra-esquerdista (gauchisme) é um programa de liberação do sexo como uma forma de construção social hierárquica. Falamos aqui não da liberação da essência feminina, mas sobre superar o sexo como ele é. Se a atenção é presa em particulares de outro sexo (por Simone de Beauvoir, Julia Kristeva ou Luce Irigaray), isso é apenas para a relativização da masculinidade no caminho para a libertação. O

desejo não tem sexo. Liberdade é uma liberdade em relação ao sexo.”

A outra direção do ultraliberalismo é a loucura sadomaso nazi-satanista; exaltação da masculinidade burguesa em uma soberania sexual individualista do indivíduo atomizado. Estes são os ‘faça o que quiser’ e ‘com quem quiser’ adicionando uma compensação financeira [?] e um princípio de voluntariedade de Crowley.” Baboseira!

O ‘neo-nazi’ hoje é uma paródia patológica que vem do pasquim barato de Visconti (Os Malditos) ou da exploração tosca e mentalmente fraca no estilo de Recepcionista da Noite. [Eu acrescentaria Venus in Furs, um dos piores livros que já li, do próprio Masoch.] Na área do gênero ‘neo-nazi’ está sempre presente um atributo de entretenimento – clubes gays [estética dos motoqueiros] e decorações clássicas de sex shop.”

Heidegger, que estava no contexto do nazismo, mas representou um molde para a Quarta Teoria Política, viu o Machenschaft [techne, o fazer do homem, o mundo social do trabalho] também naquele. E rascunhou no sentido de superá-lo e recusá-lo. Existem passagens expressivas sobre o tema em Geschichte des Seyns [História do Ser].” “A idéia de Marx de ‘mudar o mundo’ é próxima à compreensão de Heidegger do conceito marxista em sua essência tecnológica.”

P. 419: sobre o clamor heideggeriano

Heidegger pensou muito no problema ‘noch nicht’. Estamos perto do ponto da grande meia-noite.” Heidegger e Dugin: meros plagiários do acabamento da filosofia continental (ontologia clássica – Platão-Nietzsche).

Se colocarmos a quarta prática política em superar a distância intransponível (paradoxo de Zenão sobre Aquiles e a tartaruga …) do ‘ainda não’, vamos ficar para sempre no labirinto do ‘fim dos tempos infinito’.”

P. 420: Morin e o “homo demens”

et passim: nomenclaturas abstrusas à Lacan…

Segundo Heidegger, a existência é finita. Seu último e mais alto mistério está nessa finitude. A finitude se manifesta em Ereignis. Ereignis é exatamente a factualidade da praxis.”

A partir do século XIX, com os filósofos europeus mais brilhantes e importantes como Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger e depois os pós-modernistas contemporâneos, o homem europeu começa a suspeitar que o logos estava se aproximando de seu fim.”

A filosofia européia foi baseada no princípio logocêntrico correspondente ao princípio de exclusão, a diferenciação, a diaresis grega.” Aristóteles repartiu as fatias do bolo para consumo em 2500 anos. A teoria acadêmica do caos é mais do mesmo (raspagem final do logos, últimos restos do bolo no prato). Caos primitivo: não confundir origem com o resto (Baudrillard).

Por um lado temos o conceito moderno de caos que representa a pós-ordem ou uma mistura de fragmentos contraditórios sem nenhuma unidade ou ordem, ligados entre eles por correspondências e conflitos pós-lógicos altamente sofisticados. Gilles Deleuze chamou esse fenômeno de sistema não-co-possível composto por uma multidão de mônadas (usando o conceito de mônada e co-possibilidade introduzido por Leibniz). Deleuze descreve a pós-modernidade como uma soma de fragmentos não-co-possíveis que podem coexistir. Isso não era possível na visão da realidade de Leibniz, baseada no princípio de co-possibilidade.”

As mônadas não-ordenadas e não-co-possíveis enxameando ao redor poderiam parecer caóticas, e nesse sentido [é que] usamos a palavra ‘caos’ no dia-a-dia.”

A visão épica da ascensão e queda do logos no curso do desenvolvimento da filosofia ocidental e na história ocidental foi exposta por Martin Heidegger, que argumentou que no contexto da cultura européia e ocidental o logos não é somente o mais importante princípio filosófico, mas também a base da atitude religiosa, formando o núcleo da Cristandade. Podemos também notar que o conceito de kalam ou intelecto está no centro da filosofia e teologia islâmica. O mesmo é válido para o Judaísmo (ao menos na visão do judeu Fílo [neoplatônico – fi-lo porque qui-lo!] e acima de tudo no Judaísmo Medieval e na Qabballah). Logo, na alta modernidade onde vivemos, assistimos a queda do logos acompanhada pela correspondente queda da cultura clássica greco-romana e das religiões monoteístas.” “Alguma coisa deu errado no início da história ocidental e Martin Heidegger vê esse ponto errado precisamente na afirmação da posição exclusivista do logos exclusivista (sic) no pensamento enquanto tal.” Heidegger comete o erro, entretanto, de localizar o erro grego em Platão ou antes, não em Aristóteles, o formalista. Lembremos que o Absoluto em Platão ainda nos salvará do niilismo e é nossa última salvaguarda ética nessa transição epocal. O jogo do ocultamento (paradoxo da representação) inicia propriamente com o discípulo incompetente, e não foi desmanchado até depois de Schopenhauer, o último filósofo da aletheia

A explosão desenfreada da técnica moderna é seu resultado lógico. Heidegger chama isso de Ge-stell e pensa que essa é a razão da catástrofe e aniquilação da humanidade, que inevitavelmente se aproxima.” Talvez esse Evento não possa mesmo ser evitado (dizimação da grande maioria da humanidade numa conjunção de desastre ‘natural’, hecatombe climática, agência prolongada do homem industrial e agência pontual do homem bélico). “O Outro Começo” ou “origem mais originária” em sucessão a uma Escatologia quase-integral.

ENCRUZILHADA DO DESTINO: “Então o Caos como algo que precede o logos e é abolido por ele e sua exclusividade foi manifestado e negado da mesma forma.”

Esse caminho onde a técnica encontra a ordem espiritual foi fundamentalmente explorado e estudado por Ernst Jünger, amigo de Martin Heidegger. O retorno ao classicismo acompanhado pelo apelo ao progresso técnico.” Isso não é solução, é aprochegar-se e acelerar rumo ao abismo. E de que vale a informação de que Jünger era amigo de Heidegger?

A segunda maneira é aceitar as tendências correntes e seguir a direção da Confusão envolvendo-se mais e mais na dissipação das estruturas, no pós-estruturalismo e tentar conseguir prazer no confortável deslizamento para o nada.Ainda bem que oferece uma alternativa… Porém na sentença seguinte nos decepciona drasticamente com uma falsa equivalência e demonstração de que optou pelo lado errado na birfurcação decisiva: “Essa é a posição escolhida por representantes da esquerda e liberais da pós-modernidade. É niilismo em estado puro – originalmente identificado por F. Nietzsche” Não que tenhamos de fato essa alternativa, para além do mero falatório

multitudes incalculáveis das flores de putrefação.” A última hora é a que mais demora, já disse Nie.

No entanto, podemos escolher uma terceira alternativa e tentar transcender as fronteiras do logosAhá! Topou com o muro de Deleuze no caminho…

atravessar as fronteiras do ser é ontologicamente impossível.” Inferno é vertigem. “Se insistirmos, no entanto, em fazer isso devemos apelar para o Caos no seu sentido original grego, como algo que precede o ser e a ordem, algo pré-ontológico.” “Então apenas o Caos pré-ontológico pode nos sugerir como ir além da armadilha da Pós-Modernidade. Ele foi posto de lado na criação da estrutura lógica do ser como fundamento. Agora é sua vez de vir para o jogo.”

A Modernidade matou a eternidade e a Pós-Modernidade está matando o tempo.” “É um tipo de labirinto sem saída, dobrado e torcido como a fita de Möbius. [a lógica não-euclidiana ainda é um epifenômeno da lógica euclidiana] O logos que era a garantia da retitude da ordem serve aqui para fornecer a curvatura, [a razão fomenta o ‘caos’, no sentido moderno: contra-razão; tragédia.] sendo usado para preservar a impassibilidade da fronteira ontológica com o nada contra eventuais transgressores.” Nenhuma fita de Ariadne poderia nos salvar, se A. é lógica. Uma A. & uma não-A.

E no entanto, da minha perspectiva, Dugin não entendeu que a segunda e a terceira maneira são idênticas. O deslizamento na fita de Möbius é o próprio deslizar ao nada. Não significa que é um destino inevitável e passivo, mas o homem agirá de modo a concretizá-lo, forçosamente (paradoxo lógico – por isso, bom sinal).

O logos considera a si próprio como o que é e como o que é igual a si próprio. Ele pode aceitar as diferenças dentro de si porque ele exclui o que é diferente de si fora de si. Assim a vontade de poder está atuando. A lei da soberania. Para além do logos, afirma o logos, não há nada. Então o logos excluindo tudo além de si próprio exclui o Caos. (…) o inclusivo Caos inclui também o que não é inclusivo como ele e mais do que aquilo que exclui o Caos. Então o Caos não percebe o logos como outro em relação a si próprio, ou como algo não-existente. O logos como o primeiro princípio da exclusão está incluído no Caos, presente nele, envolvido por ele e possui lugar garantido nele.” Resumo: o princípio da contradição inclui o princípio da não-contradição. Era da Grande Lógica.

Assim a mãe que carrega o bebê carrega consigo o que é uma parte dela e não é uma parte dela ao mesmo tempo.” Boa metáfora. Se bem que nesse caso seria a mãe que mata a criança, e mesmo assim continua fértil e negando-se a si mesma para reafirmar novos começos (novo paradoxo lógico-aristotélico). Isto é, a Mãe originária, que mantém a primazia. Pode-se evocar este enigma-solução como a resposta afirmativa (otimista, esperançosa) para o dilema da morte de Deus. Morte temporária (a base para afirmá-lo é o próprio princípio da finitude da existência) de um (tipo de) logos.

O Caos é o eterno nascimento do outro, ou seja, do logos.” “Então chegamos à figura do muito especial logos caótico, que é o logos completamente e absolutamente fresco, sendo eternamente revivido pelas águas do Caos. Esse logos caótico é ao mesmo tempo exclusivo [co-possível] (e é por isso que é propriamente logos) e inclusivo [não-co-possível] (sendo caótico). Trata-se da igualdade e da alteridade de forma diferente.”

Eu poderia sugerir, como exemplo, a filosofia do pensador japonês Kitaro Nishida, que construiu ‘a lógica do basho’ ou a ‘lógica dos lugares’ em vez da lógica aristotélica. Devemos explorar outras culturas além do Ocidente para tentar encontrar diferentes exemplos de filosofia inclusiva, religiões inclusivas e assim por diante.” O Ocidente não é global no senso estrito do termo, e é por isso que deslizar ao nada não é fatal como parece ser: no fundo, desliza-se ao Oriente. O problema do “rústico”: é possível uma coexistência da tecnologia tal como a modernidade a entende e a não-tecnologia. Não é necessária a abolição da tecnologia no sentido moderno (o que só pode ser uma repetição da história e regresso ao primitivo, de nossa perspectiva).

Em conclusão, gostaria de dizer que não é correto conceber o Caos como algo pertencente ao passado. O Caos é eterno, mas eternamente coexistindo com o tempo. Então o Caos é sempre absolutamente novo, fresco e espontâneo. Poderia ser considerado como uma fonte para qualquer tipo de invenção e novidade[,] porque a eternidade sempre tem em si mesma algo mais do que era, é ou vai ser no tempo.” Poderia dizer que o Caos inesgotável é a Idéia de Platão, de igual maneira.

A era astronômica que está chegando ao fim é a era da constelação de Peixes. O peixe na praia. O peixe agonizante. Então precisamos muito de água.” Disso eu não entendo. Noch nicht!

Apenas uma atitude completamente nova ante o pensamento, nova ontologia e nova gnosiologia podem salvar o logos fora da água, na praia, no deserto que cresce e cresce (como Nietzsche previu).”

A Europa tem sua atitude positiva particular para com seus vizinhos do sul e do leste. Em alguns casos os benefícios econômicos, os problemas de abastecimento de energia e de defesa comum não coincidem em nada com os americanos.” “Tal e como estão as coisas atualmente, nenhum país (exceto os Estados Unidos) pode darse ao luxo de defender sua soberania real contando apenas com seus próprios recursos internos. Nenhum deles poderia ser considerado como um pólo autônomo capaz de contrabalançar o poder atlantista.”

A EUROPA NÃO QUER, NÃO TEM FORÇA PARA ISSO: “Imaginamos esta Grande Europa como um poder geopolítico soberano, com sua própria identidade cultural, com suas próprias opções políticas e sociais (sobre a base dos princípios da tradição democrática européia), com seu próprio sistema de defesa (incluídas armas nucleares), com seu próprio aceso a recursos estratégicos e minerais (tomando suas

próprias decisões independentes sobre a paz ou guerra com outros países ou civilizações), todo o anterior em função de uma vontade européia comum e um procedimento democrático para a tomada de decisões.” Além disso, mesmo que tivesse a intenção, seu racismo e xenofobia impediriam a concretização desse projeto. A islamofobia, o envelhecimento, o problema da força de trabalho composta por imigrantes. Fazem parte do curto-circuito de decadência dos americanos, são a encarnação mesma do logos não-caótico, e se tornarão periferia ou mero “pólo concorrente” no mundo, mas não como Grande Europa, apenas como co-partícipes atlânticos, como Dugin já muito bem expôs. Trocando em miúdos, a “tradição democrática européia” é uma grande farsa. E eis porque a discordância mais decisiva entre mim e Dugin permanece sendo: o fascismo não é aliado; não só porque é somente uma transmutação esporádica do Capital, como porque a Alemanha, se tivesse direto acesso a armas nucleares, seria potencialmente inimiga da humanidade outra vez. Nisso, é bom que os EUA sejam seu freio armamentista.

Wolf in Sheep’s Clothing: Extreme RightWing Ideologies in Australian Black Metal – Benjamin Philip Hillier & Ash Barnes

This paper will focus on two case studies that examine the bands Spear of Longinus and Deströyer 666. Using paratextual analysis and readings of their song lyrics and interviews, we capture and understand what ideologies are held by these artists and how these are communicated to and received by fans. This analysis specifically explores how these ideologies are expressed through music, coded language and symbols, and the personae of black metal performers. Often, this coded language takes a form colloquially referred to as ‘dog-whistling’ which refers to speaking in a way that a target audience understands your meaning while others remain unaware of the implications of your speech and symbols (Haney-Lopez 2015). Later sections of the paper will consider the interaction between ideology and genre, using a range of frameworks such as Kahn-Harris’ reflexive antireflexivity (2007) and Lesourd’s black metal as Gesamtkunstwerk (2013). These frameworks allow us to examine how such ideologies operate within their respective scenes and how the social infrastructure of the Australian black metal scene produces and sustains those who hold far right-wing political views. We will conclude by demonstrating the connection between the musical and the social through an examination of how these performers’ views are deployed by their fans, reinforcing the link between alt-right political ideology and musical expression.”

Whilst some sociologists have taken deep personal risks to interview neo-Nazis by infiltration (Hamm 1993; Hamm and Spaaij 2017), we follow the tradition of others such as Potter (2005), Cotter (1999) and Brown (2004), who focus on the lyrical and historical relevance of neo-Nazi and fascist music. However, where relevant, our reading of texts and paratexts is further supplemented by interviews with members of the Australian metal scene as identified by the authors and the authors’ own observations attending gigs and participating in metal and other alternative music scenes around Australia.”

Most notable is the subgenre National Socialist Black Metal (hereafter NSBM), which typically connotes bands who explicitly advocate for fascist politics in their music (Olsen 2011). For example, the split CD release Unsere Krieg (‘Our War’) (Acclaim Records/Ancient Legacy Productions, 2008) between the bands 88, Iron Youth 88 and Moloch features two uses of 88, with 88 being a veiled reference to ‘Heil Hitler’ (the logic behind this is that the eighth letter of the alphabet is H, therefore 88 = HH = Heil Hitler). The band 88 stylizes their name with runes that resemble the flag of the Nazi Schutzstaffel (or SS), demonstrating how explicit NSBM bands are with their affiliations with neo-Nazi movements.”

Olsen (2011) notes that whilst NSBM bands hold racist ideologies, they are not marginal but highly influential in global black metal scenes. Nazi symbolism is appropriated for a hyper-transgression, defining and redefining the boundaries of transgression within black metal.”

While there are examples of proto-metal bands in Australia, such as Buffalo in the 1970s, the first true metal scene did not emerge until the 1980s, based in Melbourne (Calpakdijan 2014, Hillier 2019a). This scene gravitated around the Metal for Melbourne record store and consisted of classic heavy metal bands such as Taipan, S.A.S, and Ion Drive, who were heavily influenced by the New Wave of British Heavy Metal (hereafter NWOBHM).”

Extreme metal developed later in the 1980s, beginning with thrash metal bands such as Renegade, Mortal Sin, and Hobbs’ Angel of Death. Similarly, Armoured Angel are frequently credited as the pioneers of Australian death metal, whilst Slaughter Lord are heavily reminiscent of the first wave black metal in the vein of Swedish band Bathory (Calpakdijan 2014; Giffin 2015).”

While there are musical, ideological, and personal links between these Australian bands and international metal scenes that have similar ideological frameworks, this article will only consider how these views manifest in Australian bands and how their manifestation affects the wider Australian metal scene.”

Hoad (2016) extends Phillipov’s points regarding race in Australian metal, looking at how whiteness is constructed in Australian metal scenes. Australian metal is characterized as ‘banal nationalism’ that fetishizes ‘white sameness’ and enables the exclusion of ‘Otherness’ from (Australian) extreme metal.”

An example of this is the expression of larrikinism within Australian surf culture, which is then embodied through metal, metalcore and hardcore bands such as Parkway Drive, who personify the ‘ideal’ image of the Australian male (Whiting, Klimentou and Rogers 2019).”

The emphasis on larrikinism is especially problematic for bands that advocate extreme-right and fascist views in their music because this gives band members a means of deniability where they can argue that their music is not completely serious.”

Many of these bands do not participate in mainstream music scenes or conventional underground metal scenes in their local area, creating a sub-underground scene, which runs parallel to local metal scenes. Our observations of the Tasmanian metal scene demonstrate that it is rare to see NSBM bands perform at mainstream community venues, due to genre crossovers with punk and metal (Hickam and Wallach 2011; Piper 2013; Kennedy 2018).”

For example, one especially puzzling example of coded language in the Australian extreme metal scene is the insistence by some Australian NSBM groups on referring to Tasmania as ‘Van Diemen’s Land’, the name used for the state from 1825-1856 (Rattenkönig 2019). The reason for this is not presently clear, though it seems to be a deliberate attempt to ground these groups’ sense of place explicitly within Australia’s colonial past. Due to the insular nature of neo-Nazi and fascist groups, band members perform in several bands at once and perform together frequently or on neo-fascist music labels (Southern Poverty Law Center 2020). Larger festivals or performances, such as the annual Recrucify the Bastard festival held in Launceston, Tasmania, are comparatively rare.”

The first case study is based around the band Spear of Longinus, who make extensive and explicit references to Nazism throughout their body of work, and are perhaps the most overt example of fascist and Nazi sentiment within the Australian metal scene”

The cover of Spear of Longinus’ demo Nazi Occult Metal (1995) invokes several common NSBM tropes (beyond the title). The album cover recalls various NSBM aesthetics, using poorly drawn figures and a colour scheme dominated by black and red. Norse runes are appropriated to spell both the bands’ initials on the horizontal sides of the tape (here as S.O.L) and the title ‘Nazi Occult Metal’ on the vertical sides, a common reference in NSBM circles to Aryan heritage and appropriated Norse and neo-pagan religious practices (Olsen 2011).” “the vocals are remarkably clear by black and war metal standards such that the lyrics are fairly easily understood.” “Given the heavily ideological content of the lyrics, this seems a deliberate choice to make the lyrics more intelligible than other examples within their subgenre, allowing the ideological content to be absorbed by the listener more easily.”

Following from this are Spear of Longinus’ albums The Yoga of National Socialism (hereafter TYONS) and …And the Swastikalotus. These albums make further references to various national socialist ideas in their titles and in their album artwork, demonstrating the ongoing pattern of infusing their political ideologies within their music”

Beyond aesthetics, the lyrics of TYONS (Vinland Winds, 2002) introduce elements of Hinduism and Buddhism. This album draws heavily from stories and symbolism of Shiva, Vishnu and Buddha in addition to the references to Norse mythology.” Todo ocidental ultimado é um plagiário do Oriente.

The Black Sun was used by the Nazis to represent divine salvation, an alternative for the swastika, carrying occult and Satanist connotations. (Goodrick-Clarke 2003). This collection includes the song World of Shit which references Nietzsche’s Thus Spake Zarathustra and concludes with the lines ‘The World has never sunk so low / Rome sank to whoredom and became a stew / The Caesars became beasts / And God a Jew’ (Vinland Winds 2004).”

This manifests as a misunderstanding of many aspects of Nietzsche’s philosophy and Spear of Longinus’ references to Nietzschean ideas should be understood within this context.”

The second case study is focused on the work of Deströyer 666. (…) While not as overt

with their fascist leanings as Spear of Longinus, several racist, nationalist, and sexist sentiments pervade both their textual and paratextual content. Notably, front man K.K. Warslut has faced several controversies for his conduct and comments at Deströyer 666 live performances. A performance in Denmark in 2016 prompted a public feud with magazine Metalsucks and their tour of Australia and New Zealand in 2019 was cancelled when their tour dates were protested. Protests arose following several magazines drawing links between the ideology professed by Deströyer 666 and that of the Christchurch Mosque Shooter (Hohen 2019; Mckenzie-King 2019)(*). In contrast to Spear of Longinus, Warslut consistently and vehemently denies that he holds or professes any views that could be considered racist, sexist, homophobic, or otherwise problematic, often immediately after detailing these views during an interview (Kristiansen 2015; Göransson 2016).

(*) The Christchurch Mosque Shooter (Brenton Tarrant), a 28-year-old Australian with no

previous criminal history who was active on extreme-right internet forums, entered the Al

Noor mosque in Christchurch, New Zealand, where he allegedly shot dead 50 people and

injured 48 (Besley and Peters, 2020; Macklin, 2019).”

It depicts a large white wolf baring its teeth and standing over the corpse of a smaller brown wolf, which has troubling implications in the context of how wolves are used by the band. Wolves are a common theme in the artwork and lyrics of Deströyer 666. Warslut has stated in an interview that the wolf on this cover represents ‘the spirit of the white man’ (Alternative Underground 2014; ‘@ndy’, 2016; Hohen 2019). In between the researching and final writing of this paper, the online copy of this interview was deleted from YouTube and is no longer available to be viewed. Several sources that linked to this interview (Alternative Underground, 2014; ‘@ndy’, 2016; Hohen, 2019) mention the specific comment about ‘the spirit of the white man’ and the authors can confirm that they have heard this interview and attest that this comment was made by Warslut. The original source appears to be the 2014 blog post on Alternative Underground, which also provides a transcript of some additional comments made by Warslut and records the blog writer’s interpretations of the interviewer’s reactions to Warslut’s statements.”

While Christian churches were certainly involved in the invasion and colonisation of Australia, it was not white people that they were targeting as organized religion was brought to Australia by British colonial forces. Indeed, many Christian organizations directly aimed to subjugate Indigenous Australians and participated in the systematic eradication of their culture and spirituality through forced assimilation on church missions (see Moses 2000).”

The first defence often made by extreme metal bands with problematic politics is to designate themselves as being apolitical, regardless of statements that they have made which are deliberately political. Ideas of reflexive, unreflexive, and anti-reflexive practices are integral to understanding how these designations operate in metal scenes.”

For example, the Facebook page of Spear of Longinus contains the disclaimer that ‘Spear Of Longinus is not politically or racially motivated’ (Spear of Longinus 2020). In effect, Spear of Longinus are attempting to construe themselves as somehow being apolitical while explicitly, deliberately, and intentionally advocating fascist views in their music. We interpret this statement to act as a token disclaimer to provide the band with deniability should they be accused of violating the Terms of Service of a platform like Facebook.”

The second manifestation of reflexive anti-reflexivity within Spear of Longinus’ body of work suggests that the elements of Gnostic Nazism are satirical or otherwise non-serious. This includes not taking themselves too seriously, an idea seemingly supported by song titles like ‘YHWH Penis Abominator’ from …And The Swastikalotus.”

One example is seen in how Warslut responds to criticism of the cover of Deströyer 666’s EP Of Wolves Women And War (Satans Metal Records 2002), which features a werewolf sodomizing a naked woman who closely resembles Australian singer Kylie Minogue. There is a range of problematic elements present on this cover, although we will focus on two. One is the issue of consent, as we doubt Kylie Minogue endorsed her likeness being used in the context of this album cover, as no mention is made of it in the liner notes and the cover puts her into an explicitly sexualized position; given these dubious issues of consent, we have elected not to include an image of this cover in this paper but instead describe the image sufficiently to explain our point. Secondly, given the previous context in which wolves have been used by Deströyer 666 to represent ‘the spirit of the white man’, this cover appears to be communicating that the white man as a wolf exists to sexually dominate women. Warslut defends this cover by arguing that such an act of ‘lycanthropic buggery’ would not be endorsed by Adolf Hitler (Göransson 2016). Warslut argues that such ‘degeneracy’ (itself a dog whistle used by fascist groups) would not be approved by the Nazis, therefore he and his band cannot be expressing Nazi sentiments at all in their work (Göransson 2016).”

There is recorded footage of Warslut [olha o nome do panaca] in 2012 at Deathkult Open Air Festival yelling to the crowd:

This one is for all the Muslim immigrants who are invading – who are invited to invade our fucking continent: fuck you Allah! Yeah, everyone’s busy being anti-Christian. Fuck being anti-Christian, let’s be fucking anti-Muslim for once! This is our fucking land! (Warslut, in GronSS 2012)”

the arguments deployed by these bands to excuse their extreme ideologies are so thin that they collapse with only the smallest interrogation, and are clearly only being accepted by fans so that they are not required to surrender music that they otherwise enjoy.”

more than a genre of music, [black metal] is a complete form of artistic and aesthetic expression, requiring musicians and artists to be inseparable from their creations.” Discordo.

In this case, the categorisation of NSBM as a separate scene and subgenre relative to normal black metal scenes suggests that the most problematic and overtly fascist bands are understood to some degree as ‘not us’ by non-NSBM black metal bands and fans”

(*) “The celebration of Australia Day on January 26th has long been controversial, though there has been increasing public awareness and discussion of the date in recent years (Morgan, 2019). January 26th commemorates the official declaration of British sovereignty in Australia in 1788 (though it is commonly and incorrectly thought to mark the arrival of the First Fleet in Sydney Cove) and has been Federally recognized as a public holiday in Australian since 1994. For Indigenous Australians, in particular, this date represents a commemoration of British invasion, and is sometimes referred to as Invasion Day, with formal protests conducted on that date since 1988 (Morgan, 2019).”

They also specifically align themselves against ‘leftist sooks’, who they construct as being the only people who care about Indigenous Australian culture (here reductively described as ‘painting dots in the dreamtime’).”

A different response is possible. An international Red and Anarchist Black Metal (hereafter RABM) movement is steadily growing, following coverage of some of the more prominent bands gaining news attention, including a congregation of like-minded black metal musicians in dedicated RABM forums (Kelly 2018). Many of these bands are explicitly critical of the current international black metal scene, with bands such as Gaylord and Neckbeard Deathcamp releasing albums respectively titled The Black Metal Scene Needs to Be Destroyed (2018) and White Nationalism is for Basement-Dwelling Losers (2018). Other bands who operate within more mainstream or conventionally underground extreme metal scenes such as Iskra, Panopticon, and Dawn Ray’d are also associated with the movement (Kelly 2018).”

WIKI: “O RABM surgiu como uma resposta ao black metal nacional-socialista, pelo grupo argentino Profecium em 1993 (que era anarquista na época) e massificado pelo grupo canadense Iskra em meados de 2000. Nasceu das mãos de bandas radicadas no crust punk.” “O som das bandas RABM aparentemente também difere do Black metal comum, em muitos casos as bandas misturam o som do crust punk (principalmente anarquista) ou ambient black metal com elementos do post-rock (Panopticon, Wheels Within Wheels, All the Cold, Skagos, Adamennon), também há bandas que incorporam elementos do pagan metal e viking metal (Sorgsvart, Lake of Blood, Borgazur) e outras que incorporam elementos do shoegaze (Violet Cold) e do death metal (Hereticae, Vociferatus).”

Mais bandas do RABM:

BR

Pessimista

Vazio (DV)

A Plague

Caos Onipresente

Ioroque

Vermgod

Heteriah

Desista

Imminent Doom

Bleak Wind

Atéia

Gomorraa

Carniçal

EUA

Feminazgul

UCR

Trespasser

ESC

Order of The Wolf

PAÍS BASCO

Etxegiña

While it is unlikely that far-right politics and NSBM will ever be completely removed from extreme metal, these are important steps in ensuring that fascist ideology within the scene is recognized and dealt with accordingly while developing a sense of social control and self-regulation within the scene.”

“NUTRINDO RAIVA, CAUSANDO DOR”, OU COMO O ROCK NEOFASCISTA TEM CONSTRUÍDO ÓDIO PELA AMÉRICA DO SUL – Pedro Carvalho Oliveira (Temáticas, Campinas, 27, (54): 39-58, ago./dez. 2019) – com comentários.

Pedro Oliveira é doutorando em História na Universidade Estadual de Maringá. Bolsista CAPES/Fundação Araucária

Foi com este espírito que os neofascismos, ou seja, a conjugação das novas formas de ação dos fascismos clássicos no presente, desembarcaram na América do Sul e ampliaram a forma de agir dos militantes neofascistas europeus. Igualmente, buscaram, assim como às suas bases políticas, readequar e reformular conceitos de nacionalismos. Estas formas de agir dos fascismos encontraram na região emblemáticas heranças da presença fascista no passado, como a Aliança Integralista Brasileira, o pioneirismo de Miguel Serrano no Chile e mesmo a Tercera Fuerza na Colômbia ou o Partido Nuevo Triunfo na Argentina. Ao mesmo tempo, adaptaram ao terreno sul-americano narrativas ideológicas que pareciam inadaptáveis, gerando, com isso, uma autenticidade bastante particular. Os neofascismos sul-americanos são tão próximos dos ideais fascistas de outrora quanto são diversos em suas peculiaridades, embrionando um caso único, distinto. Veremos isso em cada exemplo utilizado neste trabalho, analisando especialmente casos no Brasil, na Argentina e no Chile.” Ótima prosa.

Com isso, os neofascistas que produzem este tipo de música por vezes transpõem inimigos dos fascismos clássicos (como os comunistas, os liberais ou os judeus) e criam novos tendo em vista suas próprias sociedades. No Brasil, o ódio pode recair sobre os nordestinos, por exemplo, inimigo particular de parte dos neofascistas do nosso país.” Mas recai sobre o ‘comunista’ mesmo! Recai sobre o liberal, quando levamos em conta que o fascista odeia a si mesmo.

Entre os historiadores, podemos destacar os já consagrados olhares de Francisco C. Teixeira da Silva (2004) sobre a questão, além dos esforços de laboratórios como o Grupo de Estudos do Tempo Presente, da Universidade Federal de Sergipe, que há anos vem mapeando e investigando movimentos neofascistas, resultando em robustas inspeções sob a coordenação do pesquisador Dilton Maynard (2017).”

Faremos isso examinando letras das bandas Ultra Sur e Nüremberg (Argentina), Comando Blindado e Defesa Armada (Brasil) e Odal Sieg e Orgullo Sur (Chile). Assim, poderemos apresentar uma amostra de como os neofascismos sul-americanos estruturam seus discursos de ódio visando uma penetração maior no espectro social.” Essa abordagem da academia sobre grupos musicais analisando letras é muito limitada. Isso só daria conta do fenômeno se fossem poetas em vez de bandas; música não é só letra, é impossível fazer uma análise apenas escrita, a não ser que seja extremamente técnica, adorniana mesmo.

Nada de black metal aqui, apenas oi!

O rock neofascista surgiu na Inglaterra no início dos anos 1980, em meio ao boom do movimento punk e do retorno da subcultura skinhead. Devemos esclarecer que até o final dos anos 1970, a subcultura skinhead não era contaminada pelas ideias neofascistas com as quais muitos de seus integrantes passariam a se identificar. Desde os anos 1960 foi uma subcultura que incorporava elementos da cultura jamaicana e operária, não a segregação racial e nacionalista com a qual se envolveria mais tarde.” Uau. Isso é totalmente novo para mim.

No bojo desses acontecimentos, alguns skinheads foram cooptados pelos partidos neofascistas para atuarem como linha de frente da juventude, angariando possíveis eleitores e pessoas engajadas em espalhar suas ideias mesmo que pela força. Ian Stuart Donaldson foi um deles. Líder da banda londrina Skrewdriver, mudou radicalmente sua forma de compor ao passo em que mergulhou de cabeça no National Front. Suas posturas neonazistas ficaram cada vez mais claras e os discursos de ódio, em sintonia com os de seu movimento, mais acentuados. Nascia assim o rock neofascista.” grifo meu

A organização Blood & Honour, criada por Donaldson em 1987, foi fundamental para catapultar o rock neofascista pelo mundo: divulgava, produzia, organizava e distribuía material musical muito antes de a Internet se tornar um meio de comunicação comum. Quando isto ocorreu, o gênero se disseminou com maior vigor.

Organizações como a estadunidense Hammerskin e lojas virtuais como a NS88 Division organizam eventos e vendem produtos de rock neofascista desde os anos 2000 de forma simples, estando a poucos cliques de qualquer pessoa. Não estão em páginas obscuras da rede, pois podem ser facilmente encontradas em sites de busca. Redes de streaming como Spotify e Deezer abrigavam, sem saber, vastas discografias de bandas neofascistas há pouco tempo. Blogs e fóruns voltados à divulgação deste tipo de música são numerosos. Isto certamente possibilitou a amplitude do perímetro no qual [o] gênero é ouvido e produzido na América do Sul.”

Alguns autores, a exemplo de Antonio Salas (2006), referem-se a este gênero como hate music. Outros, como nós, já utilizamos o termo hate rock para reduzir sua escala de alcance e circunscrevê-lo em sua especificidade sonora. Não se trata de um gênero que abarca diversos tipos de música, mas sim um tipo específico: o rock.”

Na Argentina, a banda Comando Suicida, fundada em 1983, deixou de ser uma banda próxima à Oi! music para se converter em símbolo da penetração neofascista no país.”

Foi nos anos 1990, contudo, que vimos um crescimento assombroso do rock neofascista sul-americano. No Brasil, bandas como Locomotiva e Grupo Separatista Branco se tornaram proeminentes. A Odal Sieg deu seus primeiros passos no Chile, enquanto a Nüremberg e Ultra Sur engatinhavam na Argentina para, mais tarde, tornarem-se grandes nomes em suas respectivas cenas musicais.” Herança maldita de FhC.

Sincronicamente, nas últimas décadas do século XX, o Chile se convertia na capital sul-americana do neonazismo, sobretudo pela atuação de indivíduos como Miguel Serrano, Alex López, Ernesto Lutz e organizações como a Patria Nueva Sociedad, Frente Orden Nacional e Acción Nacional-Socialista de Chile (MOURA; MAYNARD, 2012).”

Já no México, um mapeamento da confluência de forças políticas deste tipo ainda necessita ser realizado com maior zelo, visto que ainda conhecemos muito pouco sobre eles.”

Uma das mais importantes vem do Rio Grande do Sul e se chamava Comando Blindado. Formada ainda no final dos anos 90, chegou a lançar um álbum pelo selo Zyklon-B Records, dos Estados Unidos, em 2006. Intitulado Marchando rumo à vitória, o disco tem sua capa ilustrada por soldados e bandeiras nazistas. Nele, encontramos a música ‘Nutrindo raiva, causando dor’, na qual ouvimos:

O inimigo está perto, está controlando você

Invade sua mente através do jornal e da TV

São os malditos judeus que têm o controle das massas

Que dominam a mídia e promovem tanta desgraça”

Em ‘Cada vez te odeio mais’, a banda se manifesta sobre outros alvos de seu ódio:

Cresce a violência e meu ódio aumenta mais

E o podre comunismo se alastra como doença ruim

Nordestinos vem pro Sul, que infelicidade

Estamos perdendo nossa identidade”

Constrangedor.

OS CACHORRINHOS DOS DECADENTES: “Este reducionismo, que à época era deficiente de críticas a problemática relação entre moderno-arcaico, foi amplamente utilizados por teóricos como Oliveira Viana para difundir, à luz de pseudociências eugenistas, a ideia de que o Sul-Sudeste era naturalmente superior ao Norte-Nordeste. Havia nisso uma necessidade de estabelecer vínculo com uma cultura europeia, da qual as pessoas desta região seriam majoritariamente herdeiras.”

LEITURAS RECOMENDADAS:

MAYNARD, Dilton Cândido Santo (Org.). Extremismos no Tempo Presente. Rio de Janeiro: Autografia, 2017;

SALAS, Antonio. Diário de um skinhead: um infiltrado no movimento neonazista. São Paulo: Editora Planeta, 2006.

O LEGADO DE GEORG GRODDECK: Genuinidade e Originalidade (mestrado em Psicossomática e Psicologia Hospitalar, PUC/SP, 2009, 1ª versão) – Maria Consuelo da Costa Oliveira e Silva

Escrita péssima! Mais abaixo entrarei em pormenores!

INTRODUÇÃO

O que é Psicossomática?

Como uma primeira tentativa de responder esta questão, a autora deu início ao Mestrado na área de Psicossomática e Psicologia Hospitalar. A partir deste momento, passou a se aprofundar em alguns autores, citados como referência nesta temática: Joyce McDougall, Pierre Marty, Rosine Debray, Franz Alexandre, (sic) entre outros. Porém, um autor em particular chamou a atenção, não só por ser um autor considerado como o ‘Pai da Psicossomática’, mas também, e principalmente, por sempre vê-lo citado como referência pelos autores acima mencionados.”

Os estudantes foram maçados com fórmulas e hipóteses que precisavam esquecer para poderem ajudar os seus doentes” GG

Médico, ou o Açougueiro

Este autor é de quem FRAUD tomou emprestado por sua vez o termo ‘Id’, porém caracterizando-o a seu gosto e deformando-o para que se encaixasse em suas idéias. Groddeck não pode tolerar isto e se afasta da psicanálise.” Editado onde é óbvio.

Tese baseada em fontes primárias mas que não consulta as fontes primárias (apenas traduções dos originais em alemão)!

Diferente de Freud, que estava fortemente influenciado pelas ciências naturais e seu determinismo, reducionismo e mecanicismo, Groddeck estava impregnado pelo Romantismo.” Aleksandar Dimitrijevic, 2008erro crasso: Henri Ellenberger e eu sabemos o quanto FRAUD é tributário do Romantismo em ainda mais alto grau (ampliando seus defeitos e aporias). Isso será repisado na seqüência.

Em 1909, Groddeck profere um ciclo de conferências, ‘Rumo ao Deus-Natureza’ e o nome de Goethe é mencionado como alguém que disse: Deve-se considerar cada coisa como parte de um todo. Observem o todo na parte, e a parte no todo. […] Goethe foi maior como pesquisador da natureza do que como poeta. (GRODDECK, 2001, p. 26).”

W.G., Bei Betrachtung von Schillers Schädel

Agora a atenção se desloca para outro autor, Carl Gustav Carus (médico e paisagista), não citado por Groddeck, autor de um livro sobre Goethe (1843) e cartas a respeito de Fausto (1835).”

Carus, Lições sobre psicologia

C., Psyche, Zur Entwicklungsgeschichte der Seele

É importante lembrar que ele falava de si mesmo como o ‘quinto’ Groddeck e derivou uma série de raciocínios a partir do número cinco. E o que significa esta lembrança? O período de vida deste clínico geral começa em 1866 (cinco anos antes da unificação da Alemanha) e morre em 1934 (cinco anos antes da invasão da Polônia pela Alemanha e do início da Segunda Guerra Mundial).”

É importante ressaltar que os pacientes atendidos por Groddeck padeciam, na maioria dos casos, de doenças orgânicas e que ele não era psiquiatra, mas sim clínico geral.”

(*) “Sandor Ferenczi assumiu uma posição distante e crítica às idéias do médico de Baden-Baden e mesmo assim aceitou escrever uma resenha favorável ao primeiro texto que Freud leu de Groddeck. No final de 1921, Ferenczi resolveu tratar-se no sanatório de Groddeck em Mariennhöle, sem que isso significasse que tivesse se tornado adepto das idéias proferidas neste local. Mas a partir deste instante iniciou-se uma longa amizade entre esses dois homens, com uma intensa e significativa troca de correspondência, que começa com um pedido de compreensão [??] que está presente numa carta escrita por Ferenczi no Natal de 1921. Este pedido de vínculo envolverá vários aspectos da vida amorosa de Ferenczi, sua insatisfação com Freud e com a sua análise, o pedido e a necessidade dele por análises mútuas, e como este pedido revela alto grau de honestidade

emocional, Groddeck se converte no companheiro analítico mútuo o (sic) que Freud não chegou a ser. E esta relação de amizade e confiança profunda, com visitas constantes, principalmente de Ferenczi a Baden-Baden, durará até a morte deste em 22 de maio de 1933.”

(*) “Nas suas Memórias Groddeck se refere a Keyserling como sendo […] o mais brilhante interlocutor que jamais encontrei, um completo homem do mundo no melhor sentido da palavra e um homem que sabia dar e receber. Encontram-se com bastante freqüência os que sabem dar, pelo menos se se tiver o dom de se deixar presentear; os que sabem receber já são mais raros, pois cada um se desacostuma o mais rápido e radicalmente possível do ingênuo receber da criança, para logo pisar com prazer na lama do pagar e quitar, igual a todos os outros; como se algum dia algo pudesse ser pago. […] Então, homens que sabem dar e receber quase não existem. Considero uma graça especial do destino ter conhecido Keyserling. […] Conheço muito bem a sua paixão pela sabedoria, o que se pode chamar de filosofia, e foi assim que ele a chamou. E sendo ele o único entre milhares que suspeita do que seja sabedoria, considero justo que tenha dado à instituição de Darmstadt o nome de ‘Escola de Sabedoria’. […] Estive várias vezes em Darmstadt e existe o fato de que Keyserling é capaz de harmonizar de forma perfeita os pensamentos de homens de tão diferentes correntes de espírito e índoles, como Scheler, Jung, Frobenius, de tal forma que o ouvinte, mediante um claro conhecimento de cada personalidade individual e através de um interesse atento pela lei individual sob a qual vive o orador, pode facilmente absorver e assimilar o humano em geral; este fato dá a Keyserling o direito de afirmar que, em Darmstadt, se está realizando algo de diferente que não é oferecido em nenhum outro lugar e que só pode ser realizado por ele. (GRODDECK 1970, 1994, p. 322–323).”

(*) “Em 10 de junho de 1934 morre em Zurique, com a idade de 67 anos, o médico de Baden-Baden Georg Groddeck, o único autêntico e qualificado continuador da escola de Schweninger. Com ele desapareceu um dos homens mais extraordinários que eu jamais havia encontrado. Era a única pessoa minha conhecida que sempre me fazia pensar em Lao-Tsé: seu não-fazer era criativo, a um nível inclusive mágico. Ele se atribuía o princípio de que o médico não sabe nada, nada pode fazer e pouco tem o que fazer: deverá somente, com sua presença, despertar as forças curativas inatas no paciente. Naturalmente, esta técnica de não-saber, de não fazer por si só, não lhe daria condições de manter ativa sua clínica em Baden-Baden. Portanto, ele curava fazendo uso de uma combinação de psicanálise e massagens. […] Foi assim que Groddeck me curou, em menos de uma semana, de uma flebite recorrente.¹ […] Sem dúvida, em Georg Groddeck, eu não amava e respeitava tanto o médico como o sábio paradoxal. Ele não pertencia a nenhuma escola: sobre cada coisa tinha suas opiniões estritamente pessoais e freqüentemente heréticas. E todas elas eram entendidas no sentido justo, não muito ajustadas ao literal, opiniões profundas. Não conheço nenhum filósofo da natureza que como ele tenha ressaltado a condição da infância; até quase se poderia dizer que seu ideal era o ovo, posto que nenhum organismo já formado saberia do que o ‘Isso’ é capaz. […] Porém, como acontece freqüentemente com as pessoas de vida rica, a presença pessoal de Groddeck contava muito, muito mais do que aquilo que ele expressava em suas palavras e em suas teorias. Disso puderam se interar, (sic) até agora, os participantes dos seminários da ‘Escola da Sabedoria’ em Darmstadt: onde apesar de que muitas vezes ele tomava a palavra, era sobretudo sua simplicidade, sua presença viva o que fazia de Groddeck um participante único daquelas reuniões (sic) pensar por si mesmo. […] Porém, no íntimo, foi um dos homens mais cálidos, mais carinhosos, mais preocupados pelo bem-estar alheio que jamais havia encontrado. Epílogo a El Libro del Ello, de Georg Groddeck de (sic) Hermann Keyserling”

¹ “Inflamação de uma veia, a qual geralmente afeta os membros inferiores, podendo provocar a formação de um coágulo (tromboflebite, causa de embolias). Os anticoagulantes evitam esses acidentes.”

1. OBJETIVO

O objetivo deste trabalho é fazer uma leitura detalhada da obra de Georg Groddeck, dentro de um espaço de tempo definido como período pré-psicanalítico.”

2. PANORAMA HISTÓRICO ANTERIOR À OBRA DE GRODDECK

A primeira conseqüência da Reforma foi o isolamento da Alemanha durante cerca de dois séculos, divorciando-se da cultura latina. Depois, segue-se uma série de movimentos subseqüentes, que tendem não só a integrar a Alemanha na Europa, mas sobretudo a reabilitar os seus valores. No século XVIII surge o primeiro desses movimentos, a Aufklärung que deve ser compreendida como um esforço de assimilação da cultura européia. Em seguida, o Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto), um Pré-Romantismo rebelado contra o classicismo francês e desperto aos valores germânicos. Depois o classicismo alemão, alheio a exclusivismos exacerbados, tendendo a realizar uma síntese européia da cultura. E finalmente, o Romantismo, no qual a Alemanha atinge a sua máxima maturidade cultural. Com o Romantismo, os papéis se invertem. Se a Alemanha vence o ‘obscurantismo’ graças à influência do Classicismo latino, o seu Romantismo impõe-se a toda Europa. (GERD BORNHEIM, in J. GUINSBURG, p. 78, 1997).”

A palavra deriva do francês Roman, que se refere a uma história, usualmente uma história militar de criaturas medonhas, cavaleiros heróicos e amor cavalheiresco. Quando a palavra entra na Alemanha, próximo ao final do século XVIII, ela carrega o significado de romanhaft, semelhante a uma novela, especialmente o tipo de história ou atitude típica do gênero. […] [Schlegel] deseja empregar o termo mais especificamente para descrever uma forma de literatura poética desenvolvida no período moderno que expressava os interesses subjetivos do artista” Robert Richards, 2002

a tarefa dos românticos não é a rejeição mas a transformação da ciência, ir além do estabelecido. O seu propósito tem que ser ampliado, a ciência deve se dirigir para as profundidades como também para as alturas.” Correto, pequena Gaia-Padawan!

A NEO-SEITA DA FILOSOFIA NATURAL: “Os filósofos da natureza estão associados com a filosofia idealista alemã, e abordam a natureza a partir do pólo do pensamento puro.” Zajonc, 1998

A partir de Descartes e Newton, até Hume e Kant, o mecanicismo foi empregado como o conceito básico pelo qual é possível compreender não somente o universo inanimado como também a realidade viva.”

O mecanismo do relógio em si mesmo é fundamentalmente atemporal e então a-histórico. Mas a natureza como autogerativa, como orgânica, pode ter uma história. […] A infusão do tempo na natureza não foi meramente uma condição necessária para o aparecimento das teorias evolutivas; ela constitui essas mesmas teorias durante os séculos XVIII e XIX.” Richards

1) Romantismo Inicial (Die Frühromantiker), situado em Jena. Alguns autores que canonicamente definem este primeiro romantismo: os irmãos Wilhelm e Friedrich Schlegel, suas esposas Caroline e Dorothea, o teólogo Friedrich Schleiermacher, os poetas e novelistas Ludwig Tieck e Friedrich von Hardenberg (Novalis), o teórico das artes Wilhelm Wackenroder e o filosofo Friedrich Schelling.

2) Romantismo Médio ou Segundo Romantismo, centrado em Heidelberg, inclui autores como os escritores Achim von Arnim, Clerius Brentano e o pintor Caspar David Friedrich.

3) Romantismo Tardio ou Terceiro Romantismo, ativo em Viena, Berlin e Munique. Este grupo mantém alguns membros do Primeiro Romantismo, como o crítico literário e historiador Friedrich Schlegel e o filosofo (sic) Friedrich Schelling e também novos participantes como os escritores Johann Ludwig Uhland e E.T.A. Hoffman.”

O ato de fundação da Filosofia da Natureza pode ser estabelecido em 1797 quando Schelling publica a sua obra Ideen zur einer Philosophie der Natur.”

a antiga idéia platônica de um principio (sic) vivificante que perpassaria a totalidade do mundo” interpretação não-autorizada

SÁBIO GOETHE: “Com efeito, ele disse ser ‘politeísta’ como poeta e ‘panteísta’ como cientista, mas ainda assim abria a possibilidade para um Deus pessoal”

De todos os precursores, Carus chama maior atenção da psicologia porque a sua apresentação do inconsciente mostra-o principalmente como um psicólogo. Sua idéia do inconsciente, não é nem um flash poético nem um sistema filosófico especulativo, como nas mãos do jovem von Hartmann [ou seja, já caiu nas minhas graças!] […] nem tampouco é um conceito médico heurístico, semi-neurológico e útil para explicar processos mentais desconhecidos. […] Carus descreve processos psicológicos em detalhe e ainda assim mantém uma visão holística” James Hillman, 1989

Carus nasceu em 3 de janeiro de 1789, em Leipzig. Nesta cidade cursou a Universidade, estudou medicina em função de seu interesse pela ciência da natureza, começou a dar palestras no campo da anatomia comparada, recebeu seu Doutorado (sic) com 22 anos e no mesmo ano casou-se (1811).” Ai, os românticos… Tão apressadinhos para viver!

Carus pertence à história da arte como um reconhecido pintor de paisagens, tendo deixado uma coleção de 420 pinturas e 1100 desenhos.” “Seu período de vida abrange desde a Revolução Francesa até a era do moderno positivismo, liberalismo e nacionalismo.”

Durante seus primeiros anos em Dresden, Carus primeiramente se aproximou de Goethe que, apesar de ser 40 anos mais velho que ele, muito o admirava. Carus escreveu um livro, Goethe (1843) e publicou, em 1835, uma série de cartas sobre o Fausto. Goethe refere-se a Carus em suas cartas e notas. Ele era particularmente entusiasmado com as Lectures on Psychology (1831) vendo-o como um herdeiro de sua abordagem da natureza e da vida.”

Na bibliografia de Groddeck é possível perceber que em momento algum Carus é citado. No entanto a forma como Groddeck concebe o inconsciente, principalmente a relação entre o inconsciente e a doença, e também ao reconhecer a capacidade curativa presente na natureza[,] é muito semelhante à de Carus.”

Nasa (a natureza cura) (…)

Mecu (médico cuida).

Já a Nasa americana não irá nos salvar…

3. MÉTODO

capítulo inútil

4. CRONOGRAMA DOS ESCRITOS DE GRODDECK

Somente os mais interessantes (em aparência):

Konstipation, 1896

Ein Frauenproblem, 1903

As núpcias [Hochzeit] de Dioniso, 1908 (poesia)

Tragödie oder Komödie? Eine Frage an die Ibsenleser, 1910

5. O LEGADO P.D.

5.1. GEORG GRODDECK – DO NASCIMENTO ATÉ SUA ADOLESCÊNCIA.

Eram filhos do doutor Carl Theodor Groddeck (1826-1885), epidemiólogo e posteriormente médico ‘termal’, e de Caroline Koberstein (1825-1892). Antes de prosseguir com as notas biográficas de Groddeck, é necessário fazer um breve percurso em torno da cidade onde ele nasceu e posteriormente pela biografia dos pais.”

Duvido que esmiúce a questão do protonazismo do pai de Gr.

LINDA HISTÓRIA (sem ironia!): “Isto nos faz retomar a biografia dos pais de Groddeck. O pai, Carl Groddeck, era filho de um deputado de Danzing, sua cidade natal, no norte da Alemanha. Já sua mãe, Caroline, era filha do professor August Koberstein, historiador da literatura alemã e professor em Pforte por 50 anos. Caroline e Carl se conheceram quando ele ainda era estudante em Pforte. O jovem estudante era pensionista na casa dos Koberstein e foi acometido por um distúrbio cardíaco que perduraria por toda a vida. Durante a convalescença, Carl permaneceu na casa do professor, o que proporcionou o tempo e a intimidade suficientes para que os dois jovens se apaixonassem. A Senhora Koberstein era quem se ocupava do paciente, e por este motivo Carl tinha muito apreço por ela. Por sua vez a filha, Caroline, nunca falava de sua mãe com muita admiração, diferente de como se referia a seu pai. A mãe era uma mulher totalmente comum, mas com uma facilidade para atrair pessoas, o que para a filha era um defeito. Independente de como a Senhora Koberstein era vista por sua filha, para os demais, no entanto, era uma pessoa notável.”

Em 1849, Carl Groddeck formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Berlim, com a tese com o título em latim De morbo democratico, nova insaniae forma. Em 1850, Carl apresenta-a em público, revista e ampliada, agora com o título em alemão: Die Demokratische Krankheit, Eine Neue Wahnsinnsform.” Que pretendo logo ler.

Nas suas Memórias, Groddeck escreve sobre seu pai:

[…] Como era normal na época – eram os anos em torno de 1848 – aquele que estivesse mais próximo da política se tornava o centro do círculo; era o meu pai. Tirando o fato de ter ele, como filho de um deputado, sido atraído para o movimento com mais força do que os outros, ele pusera na cabeça mostrar-se ativo e, pela necessidade de ser incomum – uma necessidade que infelizmente adotei e que levei uma grande parte da minha vida para neutralizar – ele o fez de um modo característico: escolheu para sua tese de doutoramento o tema: (…) A doença democrática, uma nova forma de loucura. Foi esta a única vez que meu pai se apresentou publicamente, e não ficou pouco orgulhoso deste grande momento; já idoso, ele me contou com grande alegria como tudo teria acontecido, como o pequeno salão não foi suficiente para a afluência do público e todos passaram para o grande salão da universidade, como foi assaltado por todos os lados e escarnecido e como a situação se tornou difícil por ter que se defender em latim, de mais a mais, contra 2 dos melhores mestres de línguas antigas. Naturalmente, tornou-se desse modo o herói de seus amigos. (GRODDECK 1929, 1994, p. 326)

Na carta ao Prof. H. Vaihinger, citada anteriormente, o editor adiciona a nota de rodapé 9 que amplia o tema da dissertação de Carl Groddeck, sua importância e relevância para a obra de Nietzsche. No prefácio à 5ª edição, de 1930, de seu livro Nietzsche als Philosoph, Vaihinger escreve:

A posição antidemocrática de Nietzsche é fortemente influenciada pela dissertação de Carl Theodor Groddeck, De modo democratico, nova insaniae forma, tese aprovada pela Faculdade de Medicina de Berlim no ano da Revolução de 1849 e famosa e muito discutida nos círculos mais amplos. […] A defesa pública da tese, em 21 de dezembro de 1849, tornou-se um acontecimento político de grandes proporções: líderes do Partido Democrático apresentaram-se como oponentes, como, por exemplo, Krüger, o importante filólogo clássico e gramático. Enquanto o original latino é encontrado em todas as bibliotecas universitárias alemães entre as teses de medicina, a edição alemã, publicada pelo próprio Groddeck em 1850, Die Demokratische Krankheit, Eine Neue Wahnsinnsform, tornou-se muito rara. […] A tese de Carl Theodor Groddeck […] é extremamente séria, e como tal deve ser considerada: em conexão com a literatura psiquiátrica da época, especialmente com a teoria de Hecker sobre as doenças mentais contagiosas, Groddeck descreve o movimento democrático espalhado por toda a Europa como uma epidemia do espírito. – O título e o assunto parecem menos escandalosos, se considerarmos que os ‘democratas’ de então não podem ser identificados ao partido político tão característico hoje em dia. Pois os ‘democratas’ de 1848 abrangiam não só os constitucionalistas e os republicanos de todas as correntes como também os socialistas, comunistas e anarquistas. [Não, é justamente por isso que o assunto parece mais escandaloso a nossos olhos!] […] Friedrich Nietzsche foi interno em Schulpforta, de 1858 a 64, onde manteve estreitas relações com o diretor Koberstein, em cuja casa conheceu também Carl. T. Groddeck. Na casa de Koberstein falou-se muito do texto sobre a doença democrática, e desse modo Nietzsche absorveu com certeza o espírito antidemocrático e provavelmente também leu o livro. Pois muita coisa que Nietzsche diz, em inúmeras passagens das suas obras, deriva[,] quase palavra por palavra, das concepções de Carl. T. Groddeck. [a conferir!] (VAIHINGER in GRODDECK 1930, 1994. p. 117/9)“

[mas] o que é possível afirmar da presença das idéias do pai no pensamento futuro do filho? A resposta a esta questão será dada por Jacquy Chemouni:

Escolhendo a mesma profissão que seu pai, Groddeck não poderia deixar de conhecer sua tese de doutorado. Sua influência direta não é possível de ser percebida, mas os problemas que ela propõe produziram efeitos alguns anos mais tarde em seu filho. No entanto, o que de fato vai marcar o futuro psicanalista é a maneira própria como seu pai praticava a medicina. (CHEMOUNI, 1984, p. 23)”

De resto[,] era tão pouco neurologista quanto eu, mas um simples médico clínico, aliás, muito avançado em relação ao seu tempo, talvez também bastante distante das opiniões remanescentes da sua época, conforme se quer. Nos seus últimos anos de vida, estudou, para uso médico particular, o livro de Rademacher, o redescobridor de Paracelso, então quase desconhecido. Eu já havia lido, no tempo do colégio, esta ‘terapêutica’ pela experiência de Rademacher; para minha formação médica e humana, foi tão importante quanto a minha relação de estudante e de amigo com Schweninger. (GRODDECK 1930, 1994, p. 118)”

Movido por um fato externo e enfrentando certa resistência da família, ambos casam-se em 14 de setembro de 1852 (RIVERAS, 2004). O fato externo que acelera o matrimônio é uma epidemia de cólera e tifo que se alastra pela Prússia, o que faz com que Carl receba o cargo de epidemiólogo na cidade de Marienburg.

O período passado em Marienburg é marcado por dois fatos importantes: em 22 de junho de 1853, a primeira filha morre um mês após seu nascimento e, em 1854, após a epidemia estar praticamente controlada, Carl contrai tifo e fica muito doente. A situação da família se torna mais equilibrada só a partir de 1855 com a mudança para Kösen, e conforme vimos, ali estabelecem uma clínica termal, que graças à atitude firme da mãe, se manteria por mais de duas décadas. Ali fixados, tiveram cinco filhos. (RIVERAS, 2004, p.23)”

Em relação ao respeito pela ciência não era possível encontrar qualquer vestígio disso em suas palavras e atos.” Quem nos dera os doutores acadêmicos de hoje assim o fossem, na prática!

Sobre o relacionamento entre seus pais, desde pequeno Georg Groddeck percebia que existia uma distância irreparável entre os dois, e discorre sobre as atitudes que o pai tinha, com o intuito de agradar a esposa: ‘Creio que tentou honradamente converter-se em um Koberstein’. (apud GROSSMAN, 1967, p.18). Por este motivo, se comportava como se a medicina significasse apenas uma forma de viver, pois para Caroline era a Literatura que valia a pena, e não a medicina.” “para Groddeck, o pai era o homem mais forte e mais sábio do mundo. Era um pai severo, porém afetuoso, que os filhos adoravam, mas que nunca encontrou a aceitação plena da esposa.”

Para Groddeck, o fato de ter sido amamentado por uma ama-de-leite e ter uma mãe verdadeira que lhe dava carinho o colocava em dúvida sobre qual das mulheres amar, dilema que tornaria todas as suas escolhas mais difíceis”

Você já imaginou as atribulações de uma criança amamentada por uma ama? É uma situação complicada, pelo menos quando a mãe verdadeira gosta da criança. De um lado a mãe, em cuja barriga a gente viveu durante nove meses, sem nenhuma preocupação[,] no quentinho, nadando na felicidade. Como não gostar dela? E depois, uma segunda pessoa, em cujo seio a gente se alimenta todo dia, cujo leite a gente bebe, sentindo sua pele fresca e respirando seu cheiro. Como não se afeiçoar por ela? E então, a quem se apegar? Alimentado pela ama, o bebê se coloca num estado de incerteza do qual nunca conseguirá sair. Sua capacidade de crença se vê abalada em suas bases e a escolha torna-se para ele mais difícil do que para os outros.” Eu, como alguém amamentado por uma “ama-de-leite”, digo: tudo isso é uma grande besteira fraudiana avant Fraud!

Próximo de completar 6 anos foi à primeira escola, juntamente com sua irmã Lina. Era uma escola de meninas, uma Mädchenschule. Na época, os filhos de pais bem situados começavam seus estudos em escolas femininas. Era uma escola dirigida por três irmãs, e foi descrita por Groddeck com riqueza de detalhes:

As três irmãs Hochbohm dirigiam a escola; cada uma era mais gorda do que a outra, e a mais magra – Marie – era a mais temida. Entre outras coisas, ela nos ensinava aritmética. Sua influência, a influência do medo, foi muito grande e ainda hoje tem vestígios […]. A irmã do meio, Emma Hochbohm, era a diretora do instituto; por causa da sua obesidade, foi apelidada de ‘carrossel de duas pernas’. […] A mais velha das irmãs Hochbohm era a mais gorda; na verdade era tão gorda que não podia lecionar, porque as crianças não queriam e não podiam ser ensinadas por ela. Diziam as más línguas que ela, com toda aquela gordura, não podia passar pelo portão da igreja, mas tinha de se lançar com o ombro à frente. (GRODDECK 1929, 1994, p. 269)” Ah, as memórias infantis!

Ao sair dessa escola, Groddeck sabia ler e escrever corretamente, embora sua letra, durante a vida, não tenha mudado muito. Como diria, sua letra se manteve como a de uma criança de 8 anos. (RIVERAS, 2004)”

Este fato parece ter incomodado Groddeck, pois ele próprio se definia como ‘um pagãozinho’, que até deixar a casa paterna nunca havia entrado em uma igreja. Mas, apesar deste fato, foi nesta escola que descobriu o verdadeiro sentido do escrever” Tantas e tantas semelhanças entre nós, sr. Groddeck Jr.!

Aos 11 anos, segundo ele próprio, a desgraça se abateu sobre sua família. Seu pai havia se envolvido em negócios imobiliários e, aparentemente devido a um golpe dado por um sócio, perdeu todas as posses. A casa onde Groddeck havia nascido e passado toda a infância foi leiloada, assim como os móveis aos quais o seu coração estava ligado. O pai, sem outra saída, resolveu deixar a cidade e tentou se estabelecer em Berlim, porém não obteve o número de pacientes que esperava. Retornou a Bad-Kösen no verão para tentar ganhar algum dinheiro. A sua mãe, no intuito de ajudar a família, empregou-se como dama de companhia. Georg Groddeck entendeu este afastamento da mãe como uma traição. Pior que tudo isso, antes da dissolução da casa e de que tomasse conhecimento da situação, sua irmã, a companheira de toda a infância, foi mandada à casa de um tio para lá viver, passando a trabalhar como babá. A ferida aberta por este fato nunca cicatrizaria. Só posteriormente Groddeck descobriria que isso havia sido, de certa forma, bom para ele. (RIVERAS, 2004)”

EIS O QUARTO OU QUINTO PONTO EM COMUM ENTRE NÓS: “Pforte resultou em tudo que ele havia temido. A escola é descrita como uma fortaleza, rodeada de muros altos feitos de pedra, uma verdadeira prisão. [também, com este nome! Rockman & Pforte!] O jovem Groddeck foi um pecador desde o início, parecia desejar tudo aquilo que estava proibido: jogos de cartas, trepar sobre os muros e fumar. E depois de ser um magnífico estudante durante anos, se tornou um estudante medíocre (GROSSMAN, 1967).”

Ouvi pela primeira vez o nome de Schweninger. Meu pai falou com entusiasmo sobre ele, que devia ser um médico sob a graça divina, pois conseguira obrigar Bismarck a obedecer. Eu nunca tinha ouvido da boca do meu pai um elogio a qualquer médico e estava sinceramente convencido de que só ele compreendia a Medicina. (GRODDECK 1929, 1994, p. 332)”

Em toda a Alemanha levantou-se um tumultuoso alarido contra a violação da liberdade científica pelo tirano Bismarck. […] A gritaria chegou até a vida tranqüila de Pforte, e mesmo um tímido como eu foi arrastado para o conflito. Tomei o partido de Schweninger, e o teria feito mesmo que não tivesse ouvido a observação do meu pai sobre a genialidade de Schweninger; pois eu estava na idade em que naturezas hipersensíveis procuram abrigo no cinismo. Esta briga de dormitório decidiu a minha vida. Sem ela, eu não teria sido capaz, sendo um rapaz ignorante, de absorver as idéias de Schweninger. Quando o conheci, já gostei dele, como se gosta de algo que se defendeu com força e sorte. E como não podia ser diferente, desde então começou a minha veneração por Bismarck. (GRODDECK 1929, 1994, p. 333 e 334)”

E quando finalmente cheguei e fui instalado em cima de um colchão, um novo medo me assaltou. Eu ainda molhava a cama na época, fi-lo até os meus 14 anos. Meu irmão me prometeu uma boa surra se eu sujasse a cama numa casa estranha. Tive sorte, todavia, à custa do melhor sono. (GRODDECK 1929, 1994, p. 287)”

5.2 FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Apesar de a escola militar ser gratuita, é necessário uma participação financeira para a manutenção do filho na escola e isto só será possível com a ajuda de alguns amigos mais abastados e próximos à família.”

aprendi a conhecer a atividade médica não com doentes, mas com pessoas sadias. Isso foi de valor inestimável para mim.”

Meu pai não percebia que eu não tinha qualquer conhecimento do latim médico, de que me eram totalmente incompreensíveis as receitas que me ditava e de que não era melhor com os nomes de doenças que eu tinha de anotar aos livros. E ficava impaciente quando eu lhe pedia que repetisse uma palavra.”

nessa época, teve lugar o acontecimento que de algum modo me tirou da minha vida de sonhos e deu a direção decisiva à minha carreira: no meio de uma consulta, meu pai sofreu um derrame. […] Na noite de 19 para 20 de setembro meu pai faleceu. (GRODDECK 1927, 1994, p. 380, 381, 385)”

Finalmente em 1° de outubro de 1885, Groddeck começa o seu curso de medicina. Um dado importante acerca do Instituto é que para poder frequentar esta instituição o aluno deveria preencher uma série de exigências, como por exemplo, ser alemão, ser filho legítimo, ter menos de 21 anos, apresentar o certificado de alistamento militar e se dispor a prestar um ano de serviço militar voluntário. Concluídos os estudos, era previsto um serviço de 8 anos como médico militar para um período de aperfeiçoamento. O estudante então, ao mesmo tempo em que assistia às aulas de seu curso de medicina, estava submetido ao regulamento militar.”

Servi sob o comando do Conde Hardenberg apenas 4 semanas. Nada sei sobre ele, nunca mais o encontrei, mas ainda assim seu nome está gravado tão profundamente na minha memória que quase diariamente penso nele. Por alguma razão totalmente injustificada, atribuo-lhe a culpa pela tosse com que eu mesmo me divirto e atormento os outros; não sei por que o faço e persisto nisso, embora saiba que não há a menor ligação entre ele e meu doce hábito de tossir claro [sic – clara] e ruidosamente a tudo o que não me agrada. (GRODDECK, 1929, 1994, p. 368)”

em Pforte ele havia sido educado dentro do espírito da cultura clássica e na tradição do humanismo, mas a partir de agora deve confrontar-se com o estudo de uma ciência com características eminentemente empíricas, permeada pelo paradigma da ciência natural (MARTYNKEWICZ, 2005). Ao perceber este choque de formação e ao mesmo tempo a permanência de Groddeck em seu esforço de se formar médico, é possível dividir este período de estudo em duas etapas. Uma primeira, na qual ocorre um encontro entre a formação e os interesses anteriores de Groddeck com esse modelo de medicina, tal como ensinado na Alemanha, encontro que, apesar das turbulências que causam, não o impedem de continuar estudando. E uma segunda etapa, que se inicia em torno da metade de seu percurso acadêmico, e que corresponde ao seu encontro com Schweninger.”

5.3 PRIMEIRA ETAPA DA FORMAÇÃO DE GRODDECK EM MEDICINA

Neste momento se faz necessário interromper a biografia de Groddeck para descrever o método de ensino da medicina da sua época e que terá influência em sua prática clínica e em sua construção teórica.”

…de um lado o hospital, principalmente os grandes hospitais públicos em Paris, e de outro o laboratório, em Berlim.” Os franceses “pouco valor deram à terapêutica”.

JACQUES LE FATALISTE: “É possível falar de uma atitude médica, que tem um tom até certo ponto fatalista, chamada de ‘niilismo terapêutico’ e que segundo Roy Porter se define como a capacidade da medicina […] em compreender as doenças de que as pessoas morriam, mas não conseguir impedi-las de morrer. (PORTER, 2004, p. 57)”

Excetue-se o ópio, excetuem-se alguns medicamentos específicos, excetue-se o vinho, que é um alimento, e os vapores que produzem o milagre da anestesia, e creio firmemente que, se toda a matéria médica, tal como é hoje usada, fosse atirada no fundo do mar, seria muito melhor para a humanidade – e muito pior para os peixes.” Oliver Wendell Holmes, Medical Essays, 1891.

para Pierre Louis e seus colegas, a medicina clínica era uma ciência da observação, a ser aprendida nos pavilhões hospitalares e nos necrotérios, através da anotação e da explicação dos fatos. A formação médica devia ser uma disciplina da explicação dos aspectos visuais, dos sons e dos odores da doença – uma educação dos sentidos.” Típico da França. Se não fede, não ensina.

isto é conhecido como teoria ontológica da doença.” Porter

a Fisiologia, que atingiu sua maioridade, como disciplina experimental de status superior. Seu pioneiro foi Johannes Muller, professor de fisiologia e anatomia em Berlim a partir de 1833. […] foi um professor inspirador, e seus alunos – Theodor Schwann, Hermann von Helmholtz, Emil Du Bois-Reymond, Karl Ludwig, Ernst Brücke, Jacob Henle, Rudolf Virchow e muitos outros – tornaram-se os dirigentes da pesquisa científica e médica no mundo alemão e ganharam fama internacional. (PORTER, 2004, p. 103)”

Com a fisiologia científica nasce um novo paradigma que se impõe sobre o conceito vitalista dominante no início do século XIX e sob a influência do naturalismo romântico de Friedrich Wilhelm Schelling. A fisiologia inspirada na filosofia da natureza de Schelling postulava a unidade da natureza e do espírito, indagava o conceito de vida e refutava qualquer descrição fisiológica isolada de um fenômeno singular.” MARTYNKEWICZ, 2005, p. 93.

Como foi dito anteriormente, um dos discípulos de Johannes Muller foi Rudolf Virchow, considerado o mais criativo dos pesquisadores médicos alemães. Virchow é conhecido, entre outros resultados, pela sua máxima Omnis cellula e cellula (todas as células provêm de células)”

O câncer, demonstrou Virchow brilhantemente, surgia de mudanças anormais nas células, que então se multiplicavam de maneira descontrolada através da divisão (metástase). (…) Assim, Virchow defendeu uma concepção interna da doença; por essa razão, em parte, ele veio depois a suspeitar da bacteriologia pasteuriana, a qual considerava muito superficial, por ela ver a doença como sendo de causa essencialmente externa.” Porter

Assim, minha mãe entrou em contato com a sociedade bom-tom de Berlim e soube angariar prestígio. Entre outros, Rudolf Virchow foi um dos seus admiradores. Quando mais tarde, fui reprovado nos exames estaduais de medicina por Virchow, por falta de conhecimento em anatomia patológica, tentei atribuir este fato à atitude pouco amável da minha mãe para com ele, uma tolice vaidosa que repeti muitas vezes em outras ocasiões e que ainda repito de tempos em tempos quando falho em alguma coisa por minha própria negligência.”

Influenciou essa postura também o fato do nome de Virchow desde muito cedo estar mencionado à Groddeck de uma forma muito negativa, seja pela posição que ele assume, contrária à nomeação de Schweninger como médico do Charité [Hospital da Universidade de Berlim], como também pelas opiniões contrárias à Virchow emitidas pelo seu pai, não só em relação aos seus métodos de cura como também por suas opiniões políticas.”

A imagem que tem do médico e da medicina foi influenciada pelo pai e pelas ideias românticas e vitalísticas. […] A cientifização da formação e a estandartização [sic – estandardização] do nível profissional foram introduzidos no início dos Oitocentos, mas se afirmaram só na segunda metade do século. Em 1861 o estudo da física foi inserido no curso de medicina em lugar da filosofia. O paradigma da ciência natural se sobrepõe ao filosófico. A linguagem do médico é separada daquela da filosofia. Isso é visível, não apenas no encontro entre o médico e o paciente: a pergunta do médico não é mais: ‘O que tens?’, mas sim ‘O que te faz mal?’. (…) O médico na tradição hipocrática era um tipo de adivinho que se aproximava do corpo à distância e o observava como uma trama, se afastando do visível e penetrando na profundidade do corpo. Muda a angulação. (…) Neste caso, Groddeck se encontra em dificuldade: como a maior parte dos estudantes de medicina daquele tempo[,] ele também chegou à universidade com uma formação humanística e que não era muito adaptada às necessidades da disciplina. Havia aprendido a interpretar, a abrir e a descrever, mas não a separar, a dividir e a fixar. O olhar anatômico, que coloca a verdade da doença no corpo morto, teve sobre ele um efeito repugnante. Ele duvida desta verdade que se manifesta somente na morte, no cadáver. Só com grande fadiga consegue assimilar o argumento da lesão e a seguir o programa. (MARTYNKEWICZ, 2005, p. 98, 99)”

5.4 SEGUNDA ETAPA DA FORMAÇÃO MÉDICA DE GRODDECK: SCHWENINGER

Ciência não é erudição, não é saber, mas aquilo que o saber cria; é o alicerce imprescindível sobre o qual se constroem saber, conhecimento e talento. E um homem de ciência é apenas aquele que lança tal alicerce ou, pelo menos, trabalha nesse alicerce. Quem compreende este sentido da palavra ciência não confunde o saber médico, a soma dos conhecimentos anatômicos, fisiológicos, diagnósticos ou terapêuticos, com ciência médica. Quando alguém é chamado um homem de ciência médica, isto significa: esse homem descobriu a essência do pensamento e do agir médico, estudou conscienciosamente a base e o terreno e, de acordo com esse terreno e conforme a finalidade do ser médico, a partir do seu espírito e pensamento traçou um plano de construção e lançou os fundamentos aos quais poderiam ater-se os mestres de obras, até que seja imaginado um plano novo, verdadeira ou aparentemente melhor. O essencial para o criador da ciência médica é, portanto, o conhecimento da finalidade do médico e o pensamento e o trabalho independentes para esta finalidade e, finalmente, o que é mais importante, o acerto desse trabalho (GRODDECK 1925, 1994, p. 139, 140).”

O nome dele não está associado a nenhuma descoberta científica significativa e dentro da história da medicina normalmente seu nome é ignorado ou pouco mencionado e isto se deve principalmente ao fato de Schweninger pouco ter produzido teoricamente; somente em 1906 publicou sua obra maior Der Arzt, livro que enfoca a questão da relação médico-paciente.”

Atualmente o nome de Schweninger parece totalmente desconhecido. As grandes enciclopédias francesas, inglesas ou americanas não o mencionam. Nós encontramos, na Der Grosse Brockhaus in Zwölf Banden (1980) três ou quatro linhas indicando, além da sua data de nascimento e do seu falecimento, sua qualidade de médico de Bismarck. Ao contrário, a grande Encyclopédie Française, do fim do século passado[,] consagrou em seu tomo 29 linhas a Schweninger: ‘Schweninger, Ernst: médico alemão contemporâneo, nascido em Freistadt (Baviera) em 15 de junho de 1850. Assistente de Buhl em Munique em 1870, torna-se professor titular em 1875. Ele conta com alguns favores especiais de Bismarck, e foi nomeado, graças a ele, professor da Universidade de Berlim em 1884, depois membro extraordinário do escritório de saúde, e diretor da clínica dermatológica no Hospital Charité. Em 1886, criou em Heidelberg um sanatório especial para a cura da obesidade’ […] Quanto aos historiadores da medicina, as diferentes obras consultadas ignoram totalmente o nome de Schweninger. (CHEMOUNI, 1984, p. 37, nota 1)”

[…] A apresentação de Schweninger, aqui no circo dos tagarelas, foi um verdadeiro desastre! Não compareci, é claro; em vez disso, presenteei-me com uma audição do nosso velho amigo Mark Twain, em pessoa, o que foi um deleite absoluto.” FRAUD, 1986, p. 300.

Sei que a máxima ‘Natura sanat, medicus curat’ não foi descoberta por Schweninger. Mas Schweninger foi o primeiro e, durante dezenas de anos, o único médico moderno a reconhecê-la como ponto de partida, barreira e objetivo da ciência médica.” GRODDECK, Nasamecu

(*) “De fato, esta sentença é muito antiga, formulada inicialmente em latim arcaico conforme podemos ler no Dicionário de Sentenças Latinas e Gregas. O seu autor, Renzo Tosi, ao comentar a sentença ‘Vis medicatrix naturae’ (‘A força saneadora da natureza’), que de acordo com ele significa que a cura só é possível pela capacidade natural de reação, escreve: […] Este conceito, porém, já se encontra em Hipócrates (por exemplo, De fractoris 1,2); ainda goza de certa fama a medieval Medicus curat, natura sanat (TOSI, 2000, p. 353).”

O relato de Groddeck sobre o tratamento de Bismarck é parcial [no sentido de pouco informativo, não de tendencioso] e isto se deve, em parte, a esta observação sobre a postura e a discrição de Schweninger:

(Schweninger) me contou alguma coisa sobre o caso Bismarck; uma coisa dessa era muito rara, pois Schweninger era a própria discrição. Nos 25 anos em que fui seu aluno predileto, não falou quase nada de suas atividades junto a Bismarck, nunca disse também a mínima coisa que estivesse fora do puramente médico. (GRODDECK 1929, 1994, p. 340)”

através da observação incansável dos hábitos de vida do Príncipe, Schweninger havia curado Bismarck de uma grave e perigosa doença, depois que cem médicos o tentaram inutilmente. O próprio Bismarck disse a sua maneira (…) como Schweninger o conseguiu: ‘Até agora eu tratei de todos os médicos; o senhor é o primeiro que trata de mim’. (GRODDECK 1929, 1994, p. 333)”

Meu príncipe – Schweninger nunca se referia a Bismarck a não ser com esta denominação – estava acostumado a grandes refeições e grande quantidade de líquidos, e como achavam que ele tinha câncer quando o conheci, reforçam a sua tendência a comer e beber muito, em vez de reprimi-la. O segredo do meu sucesso foi que lhe dei para comer somente arenques salgados¹ e contra a sede apenas a água que ele mesmo pegava do poço. Sempre se afirmou que eu o fizera emagrecer. Não é nada disso; ao contrário, com muito esforço conseguiu aumentar os seus cem quilos. Portanto, apesar de toda a comida intensa, ele emagreceu e, apesar de toda a fome, aumentou de peso. Não importa o que o homem come, mas como utiliza o que come. Desde então, os arenques de Bismarck viraram moda. Mas o que o Príncipe recebeu para comer não eram aqueles arenques artísticos já preparados, mas simples arenques salgados.”

¹ “Gênero de peixes da família dos clupeídeos, de dorso azul-esverdeado e ventre prateado, de hábitos migratórios, comum no canal da Mancha e nos mares setentrionais; reúnem-se em cardumes para pôr os ovos, sendo pesca muito procurada e apreciada. (Compr.: de 20 a 30 cm.).”

Mas antes de seguir adiante, um comentário é necessário a respeito da biografia escrita pelos Grossman. É o primeiro relato biográfico de Groddeck – a sua edição original em inglês é de 1965 e posteriormente traduzido em diversos idiomas – e, apesar da variedade e da riqueza das informações contidas, não apresenta, pelo menos nas duas edições consultadas,(*) a mínima referência bibliográfica, não citando as suas fontes; o que se (sic) faz com que qualquer citação ou referência a esta obra seja feita sob o signo da cautela.

(*) El Psicoanalista Profano, Fondo de Cultura Económica, México (1967); L’analyste sauvage, Press Universitaires de France, Paris (1978).” Por que mudar o título de um livro na sua nova edição é um mistério. A não ser que realmente tenham verificado que chamar um bom médico de pseudanalista é um grande insulto! Ou se trata tão-somente de uma localização (a França, terra da pseudanálise, oculta a parte psico- da alcunha! Além disso, profano dá a idéia de seita que tem essa… seita; o que é diminuído quando se fala simplesmente selvagem…).

Faz com que o chanceler se levante às oito da manhã para fazer exercícios com pesos; durante todo o dia o paciente não deve comer senão arenques. Quando Bismarck exclama: ‘Você deve estar completamente louco’, Schweninger responde: ‘Muito bem, Alteza, será melhor que chame a um veterinário.’ Dito isto Schweninger se vai. Este procedimento estabelece seu poder sobre Bismarck, que se submete. Agora o doutor leva 15 dias sem abandonar a casa de seu paciente. Os alimentos e a bebida, a hora de levantar-se e de deitar-se, o trabalho e o sono, são meticulosamente vigiados. Ao final deste período houve uma melhora notável. Schweninger abandona a casa pela primeira vez. Neste momento, o paciente ordena ‘uma porção tripla de creme’. Isto provoca uma violenta gastralgia, seguida de icterícia e partida para Friedrischsruh. Ali o doutor volta a vigiá-lo de perto e depois em Kissingen e Gastein não o deixa só um dia. [sic – um só dia] Depois de 2 meses, o paciente está praticamente curado e reconhece que pode voltar, rejuvenescido[,] à fadiga do trabalho. Dominando em vez de deixar-se dominar, Schweninger salva a vida de Bismarck.”

Médicos excelentes haviam fracassado com Bismarck porque se deixavam intimidar pelo paciente. Schweninger não se deixava intimidar por nada. Porém nas escolas de medicina não se fabricam autocratas: era difícil para ele ensinar seu método.” GROSSMAN & GROSSMAN, 1967

Depois de seu restabelecimento, Bismarck expressou o desejo de que Schweninger permanecesse em Berlim e primeiro tentou amistosamente conseguir para seu médico preferido um cargo de professor e uma clínica através de decisão da faculdade de medicina. Teria sido muito fácil, pois Schweninger era hábil em todas as ciências, se Bismarck não tivesse tantos inimigos entre os eruditos da universidade, sobretudo se Virchow não estivesse lá. […] Mas a sua perícia ia no máximo a odiar Bismarck e a opor-se a ele sempre que possível, [frase muito mal-traduzida] e já que o Príncipe nunca soube tratar com afabilidade os seus adversários querelantes, o erudito se enchera de tanta amargura que se aproveitou com prazer da oportunidade de frustrar o desejo ardente de Bismarck. Ele obstou, juntamente com um grande número de presunçosos moralistas, uma decisão da faculdade em favor de Schweninger. […] Talvez Bismarck tivesse encontrado outro meio para conseguir a posição para o genial salvador de sua vida; pois, na verdade, Schweninger estaria muito mal na camarilha administrativa das universidades alemães da época. Mas era teimoso, e o que não podia obter por bem, agora forçava por mal. Por um ato autoritário, Schweninger recebeu o cargo de professor de doenças dermatológicas e uma clínica para doentes de pele. (GRODDECK 1929, 1994, p. 333 e 334)”

Ele promove uma medicina da expectativa. O médico não deve intervir no processo de cura natural, mas só sustentar e reforçar as defesas. Em cada doença existe um determinismo que ao se retirar a ação médica (sic) pode levar à morte ou à cura […] Ele rejeita a procura da causa oculta de uma doença; ao centro de sua teoria (sic) não busca aquilo que produz a doença, mas aquilo que o libera dela. Não se interessa como respira uma pessoa e que coisa significa respirar bem ou normalmente, a ele interessa como ajudar e aliviar o sofrimento daquele que respira mal. Reprovará a medicina científica de estudar a gênese da doença (sic) abstraindo-a do processo vital. (MARTYNKEWICZ, 2005, p. 101, 102)”

5.4 TESE DE DOUTORADO

Em 1889, Schweninger oferece como sugestão a Groddeck uma pesquisa com um novo remédio para as doenças da pele, a Hidroxilamina,¹ e que serviria como tema para seu trabalho de doutoramento. A sugestão de Schweninger tem uma conotação no mínimo curiosa, principalmente em épocas de pesquisas e êxitos científicos:

Schweninger, porém[,] não esperava de seu formando resultados necessariamente positivos, mas uma documentação detalhada da completa ineficácia do remédio. Groddeck deve (sic – devia) escrever uma crítica destrutiva sobre o remédio e enfrenta com prazer esta tarefa. […] Tanto o orientador quanto o formando, com os resultados do trabalho[,] visavam um confronto com alguma autoridade importante do grupo de médicos que estavam sugerindo fartamente este remédio. A pesquisa sobre a hidroxilamina deve ser a ocasião para criticar em geral a produção e difusão desregrada de remédios. (MARTYNKEWICZ, 2005, p. 105)” Qualquer semelhança com o CFM em governos bolsonaristas é mera coincidência.

¹ “Base NH2OH, que se forma na redução dos nitratos.”

Executei escrupulosamente, com grande afinco, todos os experimentos, recorrendo ao pincelamento, aplicação do ungüento e sabão, e aqui percebia zero esperança de obter resultados positivos. Quando percebi que não havia me enganado me propus a estender o protocolo, que de um lado reportava um conjunto escarnecedor dos insucessos, e de outro, ao contrário, oferecia uma visão harmônica bem-exitosa da teoria de Schweninger. (Texto de Groddeck citado em: MARTYNKEWICZ, 2005, p. 105)”

Os colegas que introduziram o novo remédio acreditam poder contribuir deste modo com o progresso da nossa arte? Talvez desta maneira estejam acrescentando um nome à farmacopéia, para o horror de todos os candidatos ao exame de habilitação, mas não fornecem alguma vantagem [sic – vantagem alguma!] à medicina.”

5.6 MORTE DA MÃE DE GRODDECK E O SEU CASAMENTO COM ELSE

Neste período de trabalho como oficial médico – que vai de 28 de junho de 1891 até março de 1897 – além das obras escritas, dois fatos pessoais relevantes e suas implicações posteriores marcam esta etapa da vida de Groddeck. Antes de mencionar os acontecimentos, é importante salientar que esse período da sua vida militar não é contínuo, tendo uma interrupção de um ano, a partir de maio de 96, por conta de uma dispensa, quando Groddeck volta a trabalhar como assistente de Schweninger em sua clínica em Berlim. Uma outra observação é que neste tempo de vida militar, que se inicia no Regimento de Infantaria Real em Brandenburgo, Groddeck é transferido 3 vezes: inicialmente para Ückermunde (1892) onde vai supervisionar a higiene das embarcações fluviais; posteriormente volta para Brandenburgo[;] e por último é transferido para a escola de formação de Oficiais em Weilburg (1894), onde permanece até obter a dispensa, por motivos de saúde, em março de 1897.”

Ainda relativamente jovem, eu obtivera um posto independente na Escola de Suboficiais de Weilburg, o que eu podia e devia considerar uma distinção. Tinha pouca coisa a fazer, esse pouco eu podia organizar como quisesse, era adulado por jovens e velhos, por patentes altas e baixas, enfim, tudo poderia ter sido bom, se não fossem os relatórios. Na minha guarnição anterior, como se eu fosse totalmente incapaz de desempenhar essa tarefa, deixei-a a cargo do escriturário do hospital militar. Mas, em Weilburg, o titular desse posto era mais bobo do que eu. Não consegui uma única vez fazer um relatório sem erros, sempre recebia de volta com o amável pedido para corrigi-los. (Meu superior) me transferiu, por algumas semanas, para Frankfurt e encarregou um antigo médico do quartel de me introduzir nos segredos dos relatórios militares. O plano falhou. […] E continua assim até hoje, e se muitas vezes pensei na possibilidade de desistir do meu sanatório, a razão principal para isso é a obrigação de preencher todo ano um questionário simples – em três cópias. O estranho é que, só no ano passado, descobri que o questionário pode ser preenchido por qualquer outra pessoa que não eu. Tenho grande prazer na leitura de estatísticas; só que não acredito nelas. (GRODDECK 1929, 1994, p. 291, 292)” HHAAHAHAHA!

Depois da morte do meu pai, minha mãe tentou novamente criar para si mesma um campo de atividade: empregou uma pequena herança que recebera de uma amiga de juventude – eram apenas algumas centenas de marcos – para fundar um lar para moças; para isso, mudou-se para Ilmenau. […] Passei com ela em Ilmenau algumas semanas e lembro-me desse tempo com uma especial sensação de prazer. O natural nas relações entre mim e minha mãe voltara a ser como no tempo da infância, só que era diferente o plano em que este convívio de compreensão [???] era vivido no falar e no calar; assim continuou até a morte de minha mãe, éramos adultos dados um ao outro com caminhos próprios. (GRODDECK 1929, 1994, p. 377)”

Quando a mãe morre de infarto em 20 de setembro de 1892, Groddeck tem um forte sentimento de culpa. Exteriormente[,] isto poderia estar relacionado sobretudo à sua chegada atrasada ao funeral da mãe e ao fato de não ter conseguido vê-la mais consciente. A sua última visita apressada, as cartas escritas de forma irregular e com um longo intervalo, tudo isso serve para agravar seu ânimo. (GRODDECK in MARTYNKEWICZ, 2005, p. 117)”

Aposto diariamente sempre mais na massagem e este é o campo no qual gostaria de te ver. Talvez tenha muito sucesso porque faço tudo sozinho. E tu não tens vontade? Faz poucos anos que a massagem tem uma grande relevância na cura das doenças femininas. Uma mulher que seja capaz de fazê-la poderá contar com um ganho de muitos milhares de marcos. Deste modo serás completamente autônoma. Com cuidado posso te ensinar coisas que nenhum outro pode.” Trecho de uma carta de Georg Groddeck a Lina Groddeck, sua irmã (17 de novembro de 1892).

A mudança mais importante deste período está sem dúvida ligada ao encontro com Else von der Goltz. Groddeck a conheceu como paciente. Era a mulher do conselheiro regional Friedrich von der Goltz, 14 anos mais velho do que ela. Quando se casaram a mulher não havia ainda completado 19 anos. Do casamento nasceram 2 crianças: Ursula (11 de setembro de 1889) e Joachim (19 de março de 1892). No período no qual Else encontr[ou] Groddeck, o casamento estava em crise e a separação é [sic – foi] só uma questão de tempo. Else von der Goltz, que no diário Groddeck chama de Elfie, é de uma beleza extraordinária, é culta e possui um grande talento musical. Antes do casamento com Friedrich Von der Goltz se apresentava como pianista e cantora e os seus dotes provocavam a admiração geral.”

No dia 28 de março de 1896, Else se divorcia e em 20 de setembro do mesmo ano Else e Groddeck se casam em Berlin. Após obter a dispensa definitiva do exército e tendo aceitado o convite de Schweninger para que assumisse uma clínica que ele dirigia em Baden-Baden,(*) Groddeck, a esposa, seus enteados e sua irmã Lina mudam-se para esta cidade termal em 18 de março de 1897.

(*) Era uma clínica, o Lichtenfelder-Kreiskrankenhaus, famosa por seu atendimento e por ter bons resultados no tratamento e cura de emagrecimento.”

No final de 1897, Lina aluga a vila Monbijou, situada no número 16 da Werderstrasse e, em fevereiro de 1898, abrem um novo espaço para atendimento. Este espaço sofrerá uma nova alteração de endereço quando, em 1899, o comerciante Gustav Bazoche oferece a Lina uma casa situada na Werderstrasse 14, a pensão Marienhöhe. A irmã de Groddeck se sente encorajada a realizar a compra, mesmo não tendo os recursos necessários, tanto pela sensação de ser independente quanto pela esperança de enriquecer tendo sua própria casa. Os recursos são obtidos a partir de um empréstimo com a paciente Margarethe Hermann (50 mil marcos) e de um banco em Zurique (70 mil). Em 31 de julho, Lina assina o contrato de compra e venda e após algumas reformas, em 6 de março de 1900, a clínica Marienhöhe abre suas portas.”

5.7 ALGUNS ESCRITOS TEÓRICOS

A medicina não está à disposição do doente. O doente é que está à disposição da medicina. O trabalho segue a onda de um mal-estar geral que se percebe no século XIX no confronto do progresso científico e se utiliza de uma linguagem formal e polêmica.”

Kunst und Wissenschaft in der Medizin representa o início programático e indica a direção: em nome da totalidade, da originalidade e da naturalidade a medicina deve novamente ocupar-se do texto da vida e com isso explicar e compreender os sintomas da doença.”

Enquanto Virchow pensava poder controlar algumas doenças com uma melhora das condições de vida, das condições de higiene, da cultura e da educação, Groddeck é muito mais pessimista […] Aquilo que faz adoecer o homem depende no fundo da disposição pessoal e do caso singular. (…) No princípio da personalização emerge o ceticismo contra os métodos de cura que tendem a generalizar e a esquematizar. Na escola de Schweninger a personalização é sustentada com particular ênfase e se mescla em igual quantidade contra a medicina científica e contra a social.” Infelizmente Reich regrediu muito neste último aspecto.

Somente no trabalho sobre constipação, publicado em 1896, fala pela primeira [vez] de certo influxo do fator psíquico. (MARTYNKEWICZ, 2005, p. 115)”

A respeito de toda ‘cura’ é necessário criar uma unidade, a ‘cura personalizada’. […] É a única que tem validade geral. Essa na verdade supõe uma acurada apreciação de todos os pontos vitais acessíveis, exteriores e interiores.” GG, Kur und Kuren

O homem, segundo Groddeck, não vive daquilo que ingere, mas daquilo que digere e como digere, vive daquilo que utiliza e consome e que o seu corpo assimila. (…) No fundo, diz Groddeck, não é absolutamente importante aquilo que o homem come, mas sim com que intervalo e em qual porção assume o alimento.”

Então, segundo Martynkewicz, no texto Krankendiät Groddeck expõe algumas críticas ao modelo proposto por Schweninger, e seu escrito por sua vez é criticado por Schweninger que o considera destituído de conotações positivas. Este descompasso revela um primeiro sinal de que Groddeck começa a propor seu próprio modelo”

Ele, em cada um dos escritos[,] é extremista e dirige ataques selvagens contra a ciência e a fé na religião. Schweninger, porém não deseja uma revolução, agora pelo menos não mais, e deseja um espírito mais conciliador. No período em que esteve junto de Bismarck, havia conduzido uma batalha particular contra a medicina universitária […] Nos anos noventa a medicina científica está[va] em crise, em parte por motivos internos, e com isso perdeu (sic – perdera) um pouco do seu prestígio. As idéias de Schweninger na universidade são agora muitas vezes consideradas extravagantes, mas a sua cura e terapia se tornaram reconhecidas, sobretudo no ambiente das pessoas ricas e nobres. […] Que Schweninger consegue (sic – conseguisse) pacientes sempre mais industriais e menos no ambiente da política é [era] um fato sintomático e corresponde [correspondia] à mudança súbita da sociedade no final do século XIX. A Alemanha se transformou em uma das nações mais industrializadas, sobretudo no setor do carvão e do ferro.”

Um certo desencantamento de Groddeck com estas novas atitudes de Schweninger, que de certa maneira perdeu o espírito crítico e combativo, faz com que escreva em seu diário: ‘Schweninger está cansado e facilmente influenciável’.”

Duas são as possibilidades concretas: entrar em um ambulatório como assistente, para que um dia possa tornar-se independente, ou então, como o aconselha seu irmão Carl, afirmar-se como oficial médico em Weilburg e, talvez, esperar sem demora fazer carreira militar.

Mas a solução oferecida pela vida e pelas circunstâncias foi uma solução intermediária: ao obter uma dispensa da atividade militar em março de 1896, Groddeck vai trabalhar como médico-assistente da clínica de Schweninger em Berlim.”

5.8 MÉTODO DE TRATAMENTO MINISTRADO POR GR.

A massagem, refere-se Cohn, é aplicada três vezes ao dia pelo médico em pessoa, com ‘um método muito particular’ […] antes do café da manhã, antes do almoço e antes do jantar, cada vez durante um quarto de hora. O paciente fica deitado sob [SOB?!?] um divã, com as coxas ligeiramente levantadas contra o busto e os joelhos juntos, para forçar os músculos do abdômen, enquanto segura a cabeça com as mãos. Cohn subdivide o procedimento da massagem em três fases: na primeira o médico ‘dá dois golpes’ com punho fechado na região da fossa epigástrica, inicialmente levemente, depois pressionando sempre mais, até afundar o máximo possível o punho; tudo isto enquanto o paciente deve procurar respirar profundamente. No primeiro dia não é possível fazer mais do que cinco vezes, porque o movimento do diafragma, sob esta pressão[,] é muito cansativo. Segue depois a fase chamada por Cohn de ‘beliscar’: o médico prende com as mãos aquele estrato do abdômen, com a máxima extensão e na horizontal, apertando depois o ‘pneu’ com tal força que sob a pele se formam manchas marrons e azuis. Durante esta operação o doente chora e se lamenta: é a parte mais dolorosa de todo o tratamento. Por fim, diz Cohn, ‘o médico salta com todo seu peso sob o abdômen do paciente, de maneira tal que consegue afundar o joelho em profundidade na fossa epigástrica. O médico fica de joelho sob[re] o doente até que este faça, no início cinco, sete, depois dez respirações profundas, até chegar a trinta. […] O Doutor Groddeck é particularmente hábil e preciso neste tipo de massagem’.

Como segundo componente do tratamento vem descrito o banho quente. Não se trata aqui de banho integral, mas de banho de partes específicas do corpo. No primeiro dia, pela manhã, depois da massagem, vem prescrito o banho quente dos braços; no segundo o banho quente dos pés[;] e no terceiro o banho quente das nádegas, e assim continua cada dia nesta ordem. Schweninger havia construído vasos específicos para os braços e para os pés. Os vasos para os braços são grandes vasos de lata, colocados numa mesa, possuem uma tampa com 2 furos e são cheios com água a 36o Réamur (NB. Nesta escala térmica a temperatura de ebulição é de 80). Na parte superior existe um bocal de afluxo e ao lado um tubo ligado a uma torneira, esta à entrada de um balde grande. O doente coloca na bacia o braço até o ombro, deixando o antebraço e a mão sob a cinta esticada no interior do vaso. O braço permanece 20 minutos no banho, enquanto é colocada continuamente nova água quente, até quando a temperatura atinge lentamente os 40o Réamur. […] O vaso para os pés se distingue dos baldes pelo fato de serem em forma de bota, de modo que toda a base do pé possa pousar comodamente, enquanto a perna permanece em ângulo reto. […] No terceiro dia era realizado o banho das nádegas, à mesma temperatura.

O terceiro componente da cura de Schweninger é a dieta. Antes de falar das iguarias, Cohn relata como a massa era servida em porções pequenas e em louças pequenas. Os copos são aqueles de brinquedo que contém menos de 50 gramas de água. Mesmo os pratos são de boneca, que podem conter no máximo uma fatia de carne. A faca e o garfo são também muito pequenos. Em tudo isto há uma ação sugestiva benéfica: imagina haver bebido e comido muito quando na realidade não é tanto quanto recebeu. Além dessa forma exterior, segundo Cohn, se cuida, sobretudo[, d]o ritmo de fornecimento da massa. Com grande pontualidade, [a] cada três horas são servidas (sic – É SERVIDA) uma nova alimentação, o café da manhã às sete e meia, a segunda refeição em torno das dez e meia, a uma e meia o almoço, às quatro e meia o lanche e o jantar às sete e meia.

Com o passar do tempo, Groddeck modifica e integra a cura. A massagem e o banho quente permanecem substancialmente iguais; a importância da dieta é, no entanto, redimensionada e no final é[,] sem dúvida[,] considerada um procedimento danoso. A cura[,] no momento[,] é de tipo puramente fisioterápico, deve somente reforçar as resistências do corpo e favorecer o processo natural de cura. [REDUNDANTE] Um papel central, sobretudo para a massagem e para o banho quente, é atribuído à dor[,] tratada como [sic – com] um escopo terapêutico, que sobre o homem deverá ter valor educativo.”

5.9 TEXTOS MÉDICOS E ESCRITOS LITERÁRIOS

Ein Frauenproblem (1903) é o primeiro texto literário, não-médico de Groddeck: ‘à minha mulher, pelo Natal’ é a dedicatória[;] e como escreve Martynkewicz: ‘no caso de Groddeck[,] a dedicatória e o conteúdo do livro são extremamente correlatos. Aquilo que ele diz neste livro gira sempre em torno da mulher e […] este presente de Natal é uma carta e contemporaneamente um manifesto da misoginia. (MARTYNKEWICZ, 2005, p. 164).

Sobre a forma de apresentação dos temas deste texto e seu impacto no público, Groddeck escreve ao seu irmão Carl (24 de fevereiro de 1905): O Problema da Mulher foi mal entendido por todos que o leram. Sobre isso, eu só censuro a mim mesmo. Não se deve escrever por enigmas.’” // Outra tradução, se não conseguir encontrar no original nem em português: Un Problème de Femme.

O homem desaparecerá, mas a mulher é eterna”

tornar-se criança, condição do tornar-se ser humano”

ÚLTIMA SENTENÇA DO LIVRO: “O sol brilha unicamente para ela, as árvores carregam frutos unicamente para ela, a mãe vive unicamente para ela. A criança cria seu próprio mundo, para ser livre e liberar. […] Por eles, tu te tornarás livre, por eles, tu te tornarás uma criança, e mais ainda: um ser humano. […] Saudemos ao ser humano, à criança realizada em um mundo realizado. (GRODDECK 1903, 1992, p.117)”

Da mesma maneira que Winnicott e que a Escola Psicanalítica Húngara, mas de forma totalmente diferente, [?!] ele estabeleceu uma psicanálise centrada exclusivamente na mãe, [isso cheira mal] sobre o espaço que ela instaura durante a vida de cada ser humano” Chemouni

Não era mais possível remover Schweninger. Ele conhece o trecho que escrevi sobre ele, e eu não gostaria de magoá-lo, ele que sempre foi amável comigo, mudando agora alguma coisa.” Carta ao irmão

Em 30 de março, sai o romance em 2 volumes Ein Kind der Erde [Uma Criança da Terra] e ‘em abril a editora envia a Groddeck uma breve crítica, que poderia ser considerada como positiva. […] Em julho a editora comunica que o livro não está vendendo bem’.”

O contínuo insucesso da minha atividade literária infundiu em mim uma aversão contra este tipo de ocupação, e, como, de quebra, perdi há algum tempo a minha caneta costumeira, considerei isso um mau agouro. Talvez ela me tenha sido furtada por algum deus benevolente. Para arquivar, portanto, as atas desse período já encerrado, informo-lhe que a minha novela foi rejeitada em toda parte. Eu a havia escrito inicialmente por um prêmio de 5 mil marcos, que o Daheim tinha proposto pela melhor novela. Evidentemente, lá ela não foi lida, pelo menos é o que deduzo do estado inato do manuscrito, e teve a mesma sorte em diferentes mesas de redação. (GRODDECK 1908, 1994, p. 89-90)”

De resto, só posso repetir: essa novela é a melhor coisa que você escreveu. Não quero ir tão longe e afirmar que não há erros; na primeira versão, o final está fraco, e temo que isso não melhorou muito desde então. Mas encontrei aqui em você, pela primeira vez, um pedaço de vida, em lugar de invenções penosamente criadas.” O irmão Carl Groddeck em carta de consolo (?) ao médico diletante literato!

Em 1906, Schweninger publica Der Arzt, livro que é uma síntese de suas idéias e que pode ser visto como um guia de sua prática como médico, ou[,] ainda, como seu testamento teórico. A obra foi editada numa coleção dedicada a publicar estudos sócio-psicológicos que era dirigida por Martin Buber.”

Decididamente, nisto Schweninger tem mais sorte. Do seu O Médico foram impressos 14 mil exemplares e está esgotado. Além disso, recebeu 700 marcos como honorários pela primeira edição. O restante, o editor meteu no bolso. O mais estranho para mim é que a crítica elogia quase unanimemente O Médico. Não invejo o reconhecimento tardio do meu mestre tão difamado pelo bando científico; gostaria apenas que ele também fosse apreciado em outros campos, estritamente científicos, pelos quais tanto fez. (GRODDECK 1907, 1994, p. 87)“

A ideia central da filosofia de Schweninger é que o médico não é um cientista mas um artista. Com esclarecimentos diferentes – histórico, sociológico, filosófico, etc. – ele tenta dizer que a prática médica é uma arte. A arte é eterna. […] Em certo sentido, a arte não constitui um saber mas resulta de uma atividade inata. Ela se eleva contra a idéia, ainda prevalente, que a atividade do médico consiste essencialmente em aplicar os conhecimentos científicos. A ciência é de pouco auxílio na relação médico-doente. […] o fato de cuidar é idêntico através dos tempos. […] Hipócrates, pela sua arte de cuidar, pode ser considerado hoje em dia como médico. […] Sua arte de cuidar não é inferior à dos médicos formados na Universidade. Aquilo que o médico é capaz de aportar a seu paciente é idêntico ao longo do tempo, somente a forma muda. Não se pode imaginar melhores relações médico-paciente só porque vivemos no século XX, as condições humanas serão sempre as mesmas. […] Somente os meios colocados à disposição do médico se modificam, a qualidade de seu trabalho, essencialmente relacional, é constante. A arte do médico resulta de um saber inato: ele é inerente ao homem. A arte não é mais do que a forma visível deste saber. A riqueza técnico-científica não poderá mudá-la. […] Arte e ciência se opõe[m] como o natural ao cultural. Só a experiência serve como denominador comum.” Jacquy Chemouni

Schweninger critica a formação do médico, refutando que um diploma possa sancionar a profissão médica. […] é médico a partir da sua capacidade de estabelecer com o outro uma relação que seja a mais pessoal e íntima possível. J.C.

Natura sanat, medicus curat, isto quer dizer que a natureza [é que] cura e o médico [só] cuida.”

Mas quem foi a Senhorita G.? Será que ela existiu de fato ou ela resume vários casos tratados por Groddeck no período anterior à Primeira Guerra Mundial? Como vimos acima, este personagem só é mencionado por Groddeck algum tempo depois de ter ocorrido o processo de tratamento. A resposta a estas perguntas será dada por W. Martynkewicz:

O caso da Senhorita G. serve claramente a Groddeck para construir um novo início […] No estado atual do conhecimento do legado não se pode ainda afirmar com certeza se esta análise havia de fato ocorrido e se existia uma figura de referência real para a Senhorita G. No que diz respeito a esta última questão, venho colocando ênfase, e em parte também o próprio Groddeck, em diversos pacientes. (…) Margareth Fellinger se torna a ‘cara Grete’ (que poderia ser desdobrada na abreviação ‘G.’). Também o quadro de sintomas apresenta alguma correspondência. Mas nas cartas a Margareth Fellinger não fica claro o tipo de tratamento psicanalítico; a psicanálise não entra em jogo nem ao menos como terminologia. (MARTYNKEWICZ, 2005, p. 197)”

Que Groddeck no período que precede a Primeira Guerra Mundial havia efetuado um movimento em direção à psicanálise é, sobretudo, uma auto-mistificação na qual os seus seguidores, no entanto, prontamente acreditaram.”

Natureza! Estamos cercados e envolvidos por ela – impotentes para deixá-la e impotentes para adentrá-la mais profundamente. Sem aviso, e sem ser chamada, ela nos varre para longe nas voltas da sua dança e continua a dançar até que caiamos exaustos dos seus braços. Ela sempre gera formas novas: o que existia, nunca tinha existido antes, o que era, nunca voltará. Tudo é novo, e, no entanto, velho para sempre. […] Todos os esforços dela parecem inclinados à individualidade, e ela não se preocupa com indivíduos. Ela constrói sempre, destrói sempre, e sua área de trabalho está além do nosso alcance. […] A sua coroa é o amor. Somente através do amor nós chegamos a ela. Ela abre um abismo entre todos os seres, e um quer devorar o outro. Ela separa todos para depois juntá-los, com uns poucos goles da sua taça de amor. Ela torna boa uma vida cheia de labuta. Ela é tudo. Ela se recompensa e se pune, deleita e atormenta a si mesma. Ela é rude e gentil, agradável e terrível, impotente e toda poderosa [sic- todo-poderosa], tudo está eternamente presente nela. Ela nada sabe de passado e futuro. O presente é eternidade para ela.”

Goethe, A Natureza

(…)

5.12 O ‘ISSO’

Não existe nenhum eu, é uma mentira, uma desfiguração quando se diz: eu penso, eu vivo. Dever-se-ia dizer: isso pensa, isso vive. ‘Isso’ quer dizer o grande mistério do mundo. Não existe um eu. […] Tudo flui. Com toda a certeza não existe um eu. É um erro da linguagem e lamentavelmente um erro fatal. Porque ninguém é capaz de libertar-se dessa palavra ‘eu’.”

5.13 CÍRCULOS DE DISCUSSÃO POPULAR E A COOPERATIVA DE CONSUMO

O tradutor de Nasamecu para o francês, P.S. Vilain, faz o seguinte comentário:

Esta obra não tem nada de um tratado científico: ela é o resultado de um ciclo de conversas populares, que Groddeck […] realizou diante de um público modesto, em benefício da associação cooperativa, [para venda de alimentos, inflacionados no verão, a custo de produção] quando foi um animador despretensioso. O autor se contentou em revê-las brevemente com o propósito de publicá-las sob a forma de um livro. Assim colocado, o leitor não se surpreenderá de reencontrar em diferentes capítulos, de forma repetitiva, os temas favoritos deste clínico geral. […] A definição do homem doente, o papel e o poder do médico, a admiração diante do milagre do organismo humano; ele não se surpreenderá de encontrar, por exemplo, no capítulo que trata dos ossos, um desenvolvimento dos nervos da pele, ou, naquele que é dedicado aos músculos, as idéias de Groddeck acerca da informação sexual […] ele se esforça em ver o homem que sofre dentro do conjunto de suas condições de existência e considerar os elementos do corpo humano em suas interdependências (VILAIN in GRODDECK 1980, p. X)”

5.14. NASAMECU

O título do livro é uma fórmula abreviada, Natura sanat, Medicus curat, a mesma é a ordem inversa de uma sentença medieval: Medicus curat, Natura sanat.”

DICIONÁRIO LATIM!

Sanat: cura;

Sanativus: própria para a cura;

Sanator, -oris: o que cura.

Medicus: tratar de um enfermo, medicar, aplicar remédio.

Curat: aplicação, tratamento;

cura, curae: cuidado, diligência;

curate: com cuidado, com diligência;

Curator, Curatoris: o que tem cuidado.”

A sentença aparece três vezes ao longo do livro, sendo inclusive [su]a última frase (…) na primeira vez em que é mencionada, Groddeck explica exatamente qual é o seu significado: ‘É a natureza que cura e não mais o médico, que só cuida [presta atenção]’.”

Apesar de estar sempre procurando reconhecer e valorizar o diálogo entre o médico e a natureza, Groddeck privilegia a segunda parte da frase, ou seja, a posição e o valor do médico.”

com o Nasamecu nós estamos no coração dos ensinamentos e do pensamento de Schweninger, tudo o que é específico nesta obra […] nós o encontramos na obra de Schweninger e em particular na sua obra intitulada Der Arzt. (CHEMOUNI, 1984)”

é bem por isso, e em função da grande ignorância das pessoas, que eu escrevi este livro. É tempo de elas adquirirem algum conhecimento a fim de não mais se comportarem na vida como uma criança. O médico, sem mais razão, necessita de conhecimentos, mas ele estará mal-colocado se estes conhecimentos forem exclusivamente de ordem médica.”

A partir destas colocações, Groddeck justifica o seu modelo de trabalho, como clínico geral, não ambulatorial, mas privilegiando o internamento por um período de tempo, em um espaço terapêutico: ‘O sucesso que obtêm os hospitais, as estações termais, etc., se explica em grande parte pela mudança mais ou menos bruta e brusca de todas as condições de vida do paciente.’ (GRODDECK 1913, 1980, p. 8)” Isso se chama: férias.

O médico deve dominar seu paciente. […] O dom inato de dominar é mais indispensável que todo o resto e é seu dever desenvolver este dom. O médico deve dispor de uma personalidade, reunir em sua pessoa numerosas personalidades. […] Ele deve conhecer as inúmeras facetas das constituições possíveis do caráter humano.” Será que o vestibulando de hoje ainda consegue fazer isso depois de torrar o cérebro para entrar numa faculdade – provido do dom da cura ou não?

a tarefa do médico é outra: ele é chamado a dominar, a dirigir este mini-universo que se chama um ser humano, que se mete em seu caminho dizendo: ‘ajude-me caso eu esteja doente’”

Nestas citações sobre a natureza do médico é possível perceber que os 2 verbos preferidos por Groddeck para definir a ação do médico são: dominar e dirigir; e que a conjugação destes verbos não é algo que se aprende, é como um dom inato. Para Groddeck, a personalidade do médico é o principal elemento da relação médica, ocupando um papel preponderante sobre seus conhecimentos científicos e o método terapêutico escolhido. Outra característica é a ação do médico como arte. O exercício dessa arte faz com que o médico fique a serviço da natureza (vida) e não possa agir em oposição a ela.”

Groddeck recomenda: Cuide [sic – Cuida] da tua língua, atenção às conseqüências de tuas palavras! Essa sugestão se dirige principalmente ao que ele chama de: a mania dos diagnósticos. E à sua dúvida: em que o diagnóstico ajuda o paciente?”

Neste momento, os problemas sociais são ainda parte integrante da medicina de nossos dias.” Afasta-te do médico bolsonarista mais do que o diabo se afastaria da cruz, porque neste problema social ele é claramente o problema!

cada época é, assim, tanto saudável quanto não-saudável, da mesma maneira que cada ser humano é simultaneamente sadio e doente.” Temo que este aforismo não sobreviveria à análise de Groddeck se este ressuscitasse no séc. XXI!

o erro antigo que considera que a doença é um agente externo que agride o homem desde fora. […] é bom admitir que a doença não é jamais um elemento externo ao corpo, mas um processo da vida […] que o elemento decisivo para a evolução da vida no sentido da saúde ou da doença não é o bacilo, mas o próprio homem.” Antigo mas bem recente: data da invenção da microscopia. Hipócrates já tinha a mesma visão sistêmica da psicossomática. Não é o maldito vírus, mas o verme do vírus (o homem).

As tendências de cura estão incluídas na própria doença. Existem mesmo no câncer, mesmo na morte; a vida persegue a sua ação ordenadora, procura curar e trazer à saúde, criar, mesmo quando as condições são más, a melhor existência possível: ela comove a sensibilidade do doente.”

Quer estejamos doentes ou bem, portanto, a vida é uma aposta na ordem. Sem se cansar ela diz ao homem: ‘coloque ordem’ […] porque o caos está em você [sic – ti] mesmo, aqui está a doença que tem a missão de colocar a ordem no teu caos.” A ansiedade busca fundir o organismo humano tão previsível e estático perante o caos do capitalismo tardio num caos sui generis, numa – sem dúvida, de algum prisma possível – ordem convivível… Mas isso não podemos deixar, já vai além do propósito da vida… Seria preferível morrer em catalepsia e apatia a se adaptar a um mundo tão cruel. Diga, Groddeck, você teria se rebaixado a usar Prozac?

É doente, no meu significado, o indivíduo diminuído em seus desempenhos e que se credita como tal. Para mim, todos os outros são saudáveis, pouco me importa que a Faculdade os tenha declarado gravemente doentes.”

Qualquer um que se sinta doente é conveniente se considerar doente, mesmo que o exame não descubra nada de patológico sobre ele ou nele.”

A cada indivíduo correspondem critérios que permitem determinar ou não a existência de uma patologia. (CHEMOUNI, 1984, p. 34)”

Vale salientar que Groddeck não tinha uma teoria do psíquico, tanto em seus aspectos estruturais quanto dinâmicos. A sua noção de inconsciente era pensada dentro do espírito romântico como desconhecido, um aspecto oculto da natureza e do sujeito, material sem estrutura que se expressa principalmente na poesia, nos sonhos e na enfermidade mental. Como clínico geral, Groddeck, nesse primeiro momento, situa o inconsciente e faz seus comentários a respeito dele como o desconhecido das funções somáticas

…e, nessa ampliação é necessário que se desloque sua perspectiva do Romantismo para a Psicanálise conforme pensada por Freud.” O Fraudismo é o puro Romance (só falta o Amor, claro)… Para “se deslocar” do Romantismo das concepções simbólicas do inconsciente a uma verve mais pseudanalítica do pensamento, Groddeck não teve de dar um só passo!

Quem não estuda está condenado a repetir a História. Neste caso que nos cabe agora, quem não estuda está condenado a repetir erradamente que Fraud foi pioneiro em alguma coisa, e um escritor honesto. Alguns parágrafos ilegíveis…

Queremos a esperança da cura. Bem mais: no fundo, não esperamos, desde o primeiro momento, a ajuda, mas a certeza da cura. Não se sabe mais apreciar a sua [nossa] situação, perdeu-se [perdemos] a [nossa] confiança em si [nós]. Essas duas coisas espera-se do médico.” E isso era tudo o que a pseudanálise não podia dar. Mas a autora da tese de mestrado não sabia disso…

O médico, sem dúvida, existe para todos os que sofrem, e ele deve dar ao seu tratamento a forma mais simples possível, a fim de que todo mundo, ricos e pobres, possam (sic)¹ aproveitar; diante do médico todos os homens são iguais, ele age sem considerar a pessoa” Outro preceito NADA seguido pelos instintos semitas da fantástica arte de extirpar neuroses com a força dos fundos movimentados pelos cheques – que perdeu um pouco da parte ‘artística’ conforme as décadas foram corroendo seus métodos estelionatários…

¹ As traduções da autora também são péssimas. Deixei este trecho como lembrete, num erro de concordância primário; porém, foram muitas as instâncias em que tive de corrigir aspectos básicos como a pontuação e a sintaxe elementar, que a criatura (nunca traduzindo do alemão, o vernáculo de Groddeck, mas do italiano ou do francês!) transcrevia diretamente do idioma original, como se o português fosse acentuado como seus primos latinos, tivesse ritmo idêntico – no francês isso é particularmente bisonho, pois, sabe, os, franceses… amam, vírgulas, Paulos, Coelhos, e três… pontinhos!… e exclamações. Só à guisa de comparação vamos recitar o trecho acima conforme citado na nota de rodapé da tese, antes da versão da autora:

« le médecin, n’est ce pas, existe pour tous ceux qui souffrent, et il doit donner à sa thèrapeutique la forme la plus simple possible, afin que tout le monde, riches ou pauvres, puisse [curioso! o erro de concordância não existia aqui!] en profiter, devant le médecin, tout les hommes sont égaux, il agit san[s] considération de la personne. » Não houve o cuidado, como denota o [s], nem de copiar os trechos com 100% de fidelidade.

Antes da Psicanálise se estabelecer como modelo terapêutico hegemônico na Europa e na América, a hipnose e a sugestão eram os procedimentos terapêuticos dominantes. Foi Liébault quem estabeleceu a doutrina da sugestão terapêutica.” Verdades e mentiras mescladas numa frase mesquinha.

Os membros da família, mesmo quando estão de boa vontade e sobretudo em função das suas boas intenções, constituem um obstáculo ao tratamento. Todo mundo, desde a infância, gosta de brincar de médico, e quando um membro querido da família fica doente, desamparado, você o socorre dando conselhos a torto e a direito e, em seu zelo excessivo, acaba atrapalhando.”

EXCELENTE: “Supo[nha]mos que, a partir de agora, nós dispomos de todo o conhecimento que a humanidade acumulará nos milênios que virão; nós não seríamos capazes de curar um simples resfriado: nunca poderemos fazer mais do que tratar. Este mesmo tratamento, que é a nossa única tarefa, e privilégio só nosso, será sempre limitado pelo poder da própria vida. A vida tolera com rigor que tiremos uma articulação doente, por exemplo, do joelho, substituindo-a por outra; ma[i]s ainda, é possível pensar que ela nos permitirá um dia transplantar de um indivíduo a outro, a fim de substituir os órgãos deficientes, o[s] rins, os ovários ou os olhos saudáveis. Mas, sempre, ela [Mas ela sempre – aprender a traduzir, dona Maria Consuelo!] se reservará [a]o direito de fazer viver ou não esses órgãos, se eles serão recebidos ou não dentro da unidade do corpo humano.”¹

¹ Esta última frase, de novo, evidência cristalina dos péssimos dotes da tradutora de improviso. Eis minha versão: “Sempre, porém, é a vida quem se reservará ao direito de deixar que sobrevivam ou não estes órgãos, de recebê-los ou não na unidade do corpo humano.” O “dentro da” como tradução de dans é típico de um estudante de primeiro período de francês que nunca aprendeu o conceito-base de tradução como tradução do conteúdo global e não simples ‘termo a termo’ o que nunca existiu fora dos recônditos da subliteratura. E a subliteratura não devia estar presente em nenhuma pós-graduação; nem num modelo hiper-expansionista, tendente ao universalismo (o chinês, por exemplo).

Tive que corrigir a próxima tradução inteira, de tão capenga:

Oliveira e Silva: “Levavam, pelo contrário, mais profundamente inscrito no seu coração que nós não fazemos, esta verdade, essencial do exercício do médico: a saber que somente a vida tem o poder de curar, o fato mesmo de estar vivo, é o verdadeiro médico.”

Rafael Aguiar: Seus corações, ao contrário, traziam inscrita, mais profundamente do que nos nossos, esta verdade essencial do exercício do médico: que somente a vida tem o poder da cura; que a vida, o fato mesmo de se estar vivo, é o verdadeiro médico.

Mesmo se fosse uma noviça no francês, caso tivesse alguma noção de escrita (do próprio recurso lingüístico padrão, i.e., do português!) e um pouquinho de teoria da tradução incorporada, poderia disfarçar facilmente a falta de estilo. Mas é um estilo todo cru, cego, cheio de arestas. Se é que não é o puro suco do google translate! Depois querem que eu diga por que um homem de altas qualificações como eu não quer perder 2 anos de sua vida sendo avaliado por pares – e que pares! Olhem o que deixam entrar e, portanto, titular-se (porque ninguém reprova num mestrado a não ser por falta)! Alguém incapaz de inverter a ordem frasal na translação entre dois idiomas, porque não tem a sensibilidade DE LEITOR suficiente para notar que ao não fazê-lo o português fica severamente prejudicado! Alguém que disso não sabe não pode se meter a ensinar medicina ou psicologia. Seria confissão de charlatanismo.

Estraçalhar o estilo, retalhar seu autor favorito, remover dele toda sua poesia: é isso que você faria como “homenagem” num trabalho? Num trabalho que imortalizará seu nome, pelo menos por algumas gerações, num arquivo mofado de universidade, para consultas de olhos curiosos de uma ávida geração distante?! Sugiro destinos melhores! Mas só posso ficar na sugestão. Minha sugestão não tem poder hipnótico!

5.15 PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (?)

No dia 28 de junho, ao entrar na cidade em carro aberto, alguém jogou uma bomba contra ele. Ferdinand empurrou o artefato para perto de outro veículo. Sua sorte não durou muito. Após comparecer a uma recepção na prefeitura, o arquiduque foi visitar os feridos do atentado. O estudante bósnio Gavrilo Princip avançou em direção a seu carro e disparou 3 tiros, matando Franz Ferdinand e sua mulher, Sophie. Esse ato, que agitou as engrenagens de alianças nacionais, alimentadas por nacionalismo e temor, foi o estopim da Primeira Guerra.”

Viena exigiu que Belgrado censurasse publicações anti-austríacas e prendesse ativistas anti-monarquistas. A Sérvia rejeitou essas exigências, aceitou outras e pediu uma arbitragem internacional. As autoridades austríacas, decididas a subjugar os sérvios, recusaram a interferência externa.” The same dirty old game and tricks by the pigs, pigs, PIGS!…

Em um mês, Montenegro lutava ao lado dos sérvios, o Japão junto a sua aliada britânica e a Turquia em defesa dos germânicos.” Com essas alianças bizarras, difícil considerar a Segunda Guerra como segunda e não como parte orgânica da primeira e única guerra total da História (como Poderoso Chefão 2, nem é uma continuação, é o próprio filme original).

E o que acontece com Groddeck neste período inicial da guerra? Ele é convocado, não para atuar no front, mas para ser o diretor-médico do Hospital Militar da Cruz Vermelha em Badischer Hof.”

Para uma apresentação, causas, implicações e desdobramentos políticos e culturais da Primeira Guerra Mundial, ver: A Sagração da Primavera, Modris Eksteins. Rocco, Rio de Janeiro, 1991

Sendo fiel ao seu projeto de trabalho, Groddeck não consegue se adaptar às pressões do tempo, imposto [SIC – IMPOSTAS] pelas exigências próprias de uma guerra[; n]e[m] muito menos se adequar às características próprias de um hospital para militares feridos. Como consequência, acabou tendo problemas com o restante do corpo clínico.

Aqueles dois outros colegas do Badischer Hof assumiram uma posição completamente diversa e logo[,] em pouco tempo[,] renuncia[ra]m a colaborar naquele projeto de cura. A sua atividade está sendo [SIC – foi] considerada de modo crítico mesmo pelas autoridades médicas sanitárias. (MARTYNKEWICZ, 2005)”

Groddeck se irrita e manda¹ rapidamente uma carta de protesto à autoridade sanitária, na qual reivindica o ‘direito fundamental do médico’, que mesmo na guerra deve poder curar ‘em seu critério’ e não ser ‘influenciado por alguma ordem’. A autoridade, segundo ele, não teria direito de criticar de nenhum modo a sua ação médica ou de impor-lhe regras; como médico ele afirma não se submeter às leis da guerra. A autoridade militar não se deixa impressionar e intervém, depois de haver tomado uma outra posição, […] na metade de maio Groddeck é exonerado do cargo de diretor médico do Badischer Hof. […] O licenciamento representa uma degradação oficial e uma declaração de incompetência.” Groddeck se mostrou tão ético e íntegro que vou chamá-lo de ANTI-FREUD!

¹ Provavelmente a autora pensa que o passé literário francês é o presente do indicativo, daí tantas frases estranhas nesta linha.

Além destas questões ligadas à sua atividade como médico de um Hospital da Cruz Vermelha, 2 fatos pessoais ocorrem neste período: em setembro de 1914, morre o ‘último Groddeck’, seu irmão Hans; outro fato acontece neste período, mas que terá efeito e desdobramentos significativos pelo resto da vida de Groddeck: em maio de 15 chega ao sanatório uma viúva sueca, Emmy Martina von Voigt. Fica pouco tempo na clínica como paciente e, quando retorna em julho do mesmo ano, Groddeck a convida para ser sua colaborada e assistente; em suas memórias escreve: ‘Em 1915 conheci minha futura esposa. Isto me fez progredir rapidamente.’

E abruptamente (nessas aspas mesmo!) termina a tese. Bizarro. Capítulo fora do lugar este da 1ª guerra? Sim; mas a tese em si é fraca, então não é um erro grosseiro. Isto é, diante do quadro geral é até perdoável!

NOTAS

Para Ber[n]heim e a escola de Nancy, [a] terapia de sugestão consistia na deliberada manipulação do crédito, fé e expectativa sob a orientação da sugestão e auto-sugestão no tratamento de uma vasta gama de condições físicas e psicológicas.” Shamdasani

CONCLUSÃO

Se dermos um texto não identificado escrito por Groddeck para um estudante de medicina que esteja lendo sobre Humanização, este possivelmente acreditará se tratar de um texto contemporâneo, e não um texto escrito a mais de nove décadas.” Se aos pacientes se der tanta atenção quanto à penteada na gramática desta tese, estão bem fudidos e desumanizados! Se não tem tempo de revisar o próprio texto, saia da academia. Mas o orientador e a banca ainda conseguem ser mais malditos… Uma revisão de literatura tosca de nível de terceiro semestre de uma graduação de humanas (mesmo sendo uma especialização, aparenta generalidade total, quer em medicina, em psicologia, em história das idéias, quer em epistemologia…). Este é meu parecer honoris causa.

EL LIBRO NEGRO DEL PSICOANÁLISIS: Vivir, pensar y sentirse mejor sin Freud – Catherine Meyer (org.)

INTRODUÇÃO

En Francia, cuando los alumnos preparan el bachillerato y durante toda la formación de los maestros de escuela, las ideas de Freud – el complejo de Édipo, el desarrollo afectivo del niño en las fases oral, anal y fálica – se enseñan como verdades incontestables. Incluso entre aquellos que nunca han oído hablar de Freud, el lenguaje corriente ha adoptado numerosos conceptos freudianos, utilizados a diestro y siniestro (<un trabajo de duelo>, <rechazo>, <hacer una transferencia>, <una mujer castrante>, etc.).” Ainda é melhor do que as crendices brasileiras…

Los psicoanalistas ocupan una posición dominante en el universo de la salud mental. De un total de 13 mil psiquiatras, el 70% practican el psicoanálisis o terapias de inspiración psicoanalítica.” Acredite, podia ser MUITO pior… Podíamos estar dominados pela TCC!

La historia oficial del freudismo ha sido progresivamente cuestionada por aquellos a los que en inglés se denomina <Freud scholars>, en traducción literal, los <eruditos de Freud>. Estos han revelado muchas mentiras en la obra original. Paralelamente, el psicoanálisis en tanto que terapia ha perdido consideración. En la Europa del Norte y en los países anglosajones, prácticamente no se enseña en las facultades de psicología y ha encontrado refugio en las facultades de letras o de filosofía. En Holanda, la nación en la que se consumen menos ansiolíticos, el psicoanálisis es casi inexistente en tanto que terapia.”

La célebre Sociedad psicoanalítica de Nueva York pena a diario para reclutar candidatos. El Myers, ese manual que sirve de referencia a los estudiantes de psicología del otro lado del Atlántico, sólo consagra 11 páginas a las teorías freudianas, de un total de 740 páginas. ¿Tendrán Francia y Argentina razón, ellas solas, contra el resto del mundo?”

Las grandes figuras de los años 70 (Françoise Dolto, Bruno Bettelheim, Jacques Lacan) siguen siendo referencias incontestables, a veces incluso mitos.” “La división, particularmente violenta entre bastidores, nunca ha sido abordada de frente en la escena pública. Los insurgentes de ayer se han convertido en guardianes del templo. El psicoanálisis se vivió por la generación de Mayo del 68 como un viento de libertad; en adelante toma la forma de un dogma intocable. Los psicoanalistas más influyentes, principalmente los lacanianos, intentan sistemáticamente matar el debate antes de que nazca. Excomulgan y anatematizan, arrojando regularmente a sus detractores al terreno (a elección) ¡de la extrema derecha antisemita, los lobbies farmacéuticos o los conservadores americanos!”

Como un símbolo, los herederos de Jacques Lacan obtuvieron así, en febrero de 2005, de Philippe Douste-Blazy, entonces ministro de Sanidad, que recusara e hiciera desaparecer de la página Web de su ministerio un informe del INSERM (Institut Nacional de la Santé et des Recherches Medicales). Este organismo había realizado una evaluación de las diferentes terapias, realizada a petición de asociaciones de pacientes, cuyas conclusiones eran desfavorables al psicoanálisis.”

En Estados Unidos cualquier persona cultivada conoce la triste suerte de Emma Eckstein, una de las víctimas históricas del psicoanálisis; todos están informados de las imposturas de Bruno Bettelheim; los argumentos de los <Freud scholars> han convencido, más allá de los especialistas.”

Así, en Inglaterra, en los años 70, el filósofo Frank Cioffi, uno de los autores de nuestro Libro negro, creó una oleada de emoción considerable consagrando una memorable emisión de la BBC al siguiente tema: ¿Era Freud un mentiroso? Más recientemente, en los Estados Unidos, una gran encuesta, Freud desconocido, de Frederick Crews, que igualmente participa en nuestro libro, aparecida en la New York Review of Books provocó el envío de miles de cartas indignadas.”

Hay una cierta embriaguez y un gran consuelo en poder dar un sentido a cada pequeño momento, incluso fallido, de nuestra vida. Hay pacientes que se han sentido ventajosamente después de un análisis; algunos incluso se han curado. Hombres y mujeres inteligentes han sido conquistados por el psicoanálisis, su romanticismo y su lenguaje misterioso. Todo eso no se borra con unas líneas.” “Hay una vida después de Freud: se puede, en terapia, trabajar sobre un inconsciente no-freudiano, se puede uno también interesar en la infancia, en la sexualidad, en la historia y en las emociones de cada uno sin adherirse a los conceptos freudianos.”

Este cuarteto ha dado la tonalidad a esta obra: no-sectaria, [mais ou menos…] internacional, [mais para menos: só fala de França, França, França…] multidisciplinar, preocupada por los lectores y abierta a la crítica. Gracias a ellos y a menudo a su intermediación, he podido solicitar a los mejores expertos en estudios freudianos, que, desde hace varias decenas de años, estudian los textos del padre del psicoanálisis y ponen al descubierto, en alguna de las 6226 páginas que comporta esa obra colosal, las numerosas incoherencias y ocasiones en las que FRAUD tomó sus deseos por realidades.”

Este libro da, en fin, la palabra a los pacientes, tan frecuentemente olvidados en los debates.”

Una persona de cada 2 está confrontada o se enfrentará a lo largo de su vida con la enfermedad psíquica, y 1 de cada 5 presentará una forma grave de trastorno psicológico.” “¿A quien recurrir en caso de depresión o de trastornos ansiosos? ¿Qué tratamientos se han demostrado eficaces en la esquizofrenia? ¿Cómo enfrentarse a la anorexia? Todos estamos, de una u otra forma, concernidos por estas preguntas.”

Sigmund Freud ha influido nuestra manera de vivir, es evidente. El psicoanálisis forma parte de nuestro pasado. Moldea nuestro presente. Queda por saber en qué medida formará parte también de nuestro futuro.”

Mikkel BORCH-JACOBSEN, es danés-francés-americano. Filósofo de formación, consagró su tesis al Sujeto freudiano y enseñó brevemente en el departamento de psicoanálisis de Vincennes, bastión de Lacan. Instalado en los Estados Unidos desde 1980, donde es profesor de literatura comparada en la Universidad de Washington, es autor de 7 libros sobre el psicoanálisis y la historia de la psiquiatría, traducidos a 6 idiomas, entre los cuales Lacan, el dueño absoluto, hoy convertido en un clásico, y Anna O., una mistificación centenaria, que suscitó una viva polémica en el momento de su publicación en 1995. Sus trabajos se inscriben en la nueva historia del psicoanálisis y de la psiquiatría.”

Jean COTTRAUX, psiquiatra de hospitales, dirige la Unidad de tratamiento de la ansiedad en el CHU de Lyon. Ha consagrado más 35 años a aquellos que sufren trastornos ansiosos. Se formó en terapias comportamentales y cognitivas (TCC) en Inglaterra y Estados Unidos. Encargado de curso en la universidad de Lyon-1, ha creado un diploma de TCC gracias al cual ha formado a numerosos practicantes. Es autor de varios libros de referencia para profesionales y de obras que han tenido un gran éxito como La Repetición de escenarios de vida.”

Jacques VAN RILLAER es profesor de psicología de la universidad de Louvain-la-Neuve (Bélgica). Conoce el psicoanálisis <desde el interior> puesto que fue durante más de 10 años miembro de la Escuela belga de psicoanálisis. Durante mucho tiempo practicó el método freudiano antes de su deconversión que narró en un libro, Las ilusiones del psicoanálisis (1980), en el que reconstruye el sistema freudiano. Según él, los hijos de Freud, que se presentan como maestros-pensadores de la desmitificación, son ellos mismos, a menudo sin saberlo, propagadores de ilusiones y artesanos de alienaciones. Esta obra, convertida en un clásico [por que eu nunca ouvi falar?], marcó a numerosos psicólogos y psiquiatras. Es, desde entonces, autor de siete libros entre los cuales Psicología de la vida cotidiana [hahaha, tripudiou!].”

Jean-Jacques DÉGLON es psiquiatra, director de la Fondation Phénix en Ginebra y se consagra desde hace 35 años a los toxicómanos. Contra el parecer de los psicoanalistas franceses, luchó por los tratamientos de sustitución a base de metadona, que han permitido salvar miles de vidas.”

Violaine GUÉRITAULT es doctora en psicología, formada en la universidad de Atlanta (Estados Unidos) especialista en el síndrome del burn-out [eu gostaria de saber o que diabos é isso – especialista em burning out! Um nome chiquérrimo para depressão no capitalismo avançado…] y autora de El agotamiento emocional y físico de las madres.”

Philippe PIGNARRE es director de ediciones Les Empêcheurs de penser en rond y encargado de curso en París VIII. Trabajó cerca de 17 años en la industria farmacéutica y es autor de Cómo la depresión se ha convertido en una epidemia, y de El gran secreto de la industria farmacéutica.”

Richard POLLACK es periodista de investigación, basado en Nueva York, y autor de numerosas novelas y documentos. (…) Recientemente ha escrito un libro, Bettelheim o la fabricación de un mito, que ha tenido un gran éxito en los Estados Unidos.”

Se as psicoterapias são tão PLURAIS por que todos os co-autores desse livro só são da TCC?!?

Edward SHORTER es historiador de la medicina. Enseña en la facultad de medicina de la universidad de Toronto. Es autor de numerosas obras, entre las que se destacan una historia de las enfermedades psicosomáticas y una monumental Historia de la psiquiatría: De la era del asilo a la era del Prozac aparecida en 1998.”

Frank SULLOWAY es historiador de las ciencias en Berkeley (California). Su libro Freud, biólogo de la mente: Más allá de la leyenda psicoanalítica, aparecido en 1979, (ver no Seclusão) es un análisis radical de los orígenes y de la validez del psicoanálisis. Recibió la MacArthur Grant, más conocida como la <bolsa de los genios>. En un libro más reciente, Los niños rebeldes, estudia la forma en que la dinámica familiar afecta al desarrollo de la personalidad, incluyendo la de los genios creadores, y subraya la influencia del orden de nacimiento sobre la personalidad y el comportamiento.” Ouvi dizer que não obteve muito sucesso nessa tese… De fato não passa da fraca aplicação de um dos motes da psicologia individual adleriana…

Peter J. SWALES es una autoridad reconocida en el campo de la historia del psicoanálisis. Conocido por sus escritos sobre la vida y obra de Sigmund Freud, Marilyn Monroe, William S. Burroughs et Shirley Mason (alias Sybil)

PRIMERA PARTE

LA CARA OCULTA DE LA HISTORIA FREUDIANA

1. MITOS Y LEYENDAS DEL PSICOANÁLISIS

A) ÉRASE UNA VEZ… – BORCH-JACOBSEN

Su único amigo durante esos años terribles fue Wilhelm Fliess, un otorrinolaringólogo de Berlín que sostenía teorías estrafalarias sobre la periodicidad sexual en ambos sexos y en el que Fraud encontró, a falta de algo mejor, una escucha para los descubrimientos espectaculares que hacía cada día en su consulta.”

Fraud, confiando como siempre en su material clínico, había extraído en 1896 una teoría según la cual la histeria y la neurosis obsesiva eran invariablemente debidas a ‘seducciones’ infantiles de este tipo, para gran escándalo de sus colegas para los que una frecuencia tal de incestos en la buena burguesía vienesa era simplemente impensable. Un año más tarde, sin embargo, Freud tuvo que rendirse a la evidencia: las descripciones de incesto y de perversión de sus pacientes carecían de fundamento (…) Esta dolorosa constatación, que hubiera desanimado definitivamente a cualquier otro investigador, coincidió con el heroico autoanálisis que emprendió en agosto de 1897.”

B) LA VERDAD SOBRE EL CASO ANNA O.

Está pues completamente claro que la famosa talking cure, modelo original de todas las curas psicoanalíticas del mundo, había sido un fiasco total y que Breuer lo sabía pertinentemente. Sucede lo mismo con Freud, al que Breuer tenía al corriente de la evolución de su ex-paciente.”

Es evidentemente una conclusión muy embarazosa para el psicoanálisis, y he sido severamente atacado por los psicoanalistas desde que la avancé en mi libro. André Green, por ejemplo, me reprochó desde las columnas de Le Monde que no sabía de lo que hablaba, dado que era evidente para cualquier psiquiatra que el restablecimiento de Bertha Pappenheim había sido una curación <en diferido>.” “La verdad es que nadie sabe lo que provocó la curación de Bertha Pappenheim y que atribuirse el mérito, como lo hicieron con toda verosimilitud Breuer y Freud, es simplemente un abuso de confianza.” “Freud, por tanto, invirtió los papeles de los 2 protagonistas para sugerir la naturaleza sexual de la histeria de Anna O.”

Como buen alumno, Eitingon se empleó en demostrar que la sintomatología de Anna O. traicionaba las fantasías incestuosas de ésta con respecto a su padre, particularmente una fantasía de embarazo, que enseguida transfirió sobre Breuer, tomado como figura paternal (…) Es pues esta fantasía de embarazo, de hecho hipotético, reconstruido por alguien que no conocía a ninguno de los protagonistas del asunto, el que Fraud transformó inmediatamente en embarazo histérico real, con el fin de ridiculizar a Breuer y cerrar el pico a sus críticos.”

El procedimiento es perfectamente mezquino, y en cualquier otro terreno se calificaría de habladuría o calumnia. En psicoanálisis, a esto se le llama ‘construcción’.”

C) LA TEORÍA DE LA SEDUCCIÓN: UN MITO PARA NUESTRO TIEMPO – ESTERSON

Freud modificó retroactivamente la teoría que había defendido originalmente a fin de hacer plausible la nueva teoría, suprimiendo por ejemplo el hecho de que en 1896 había insistido en el carácter brutal de muchos de los atentados sexuales sobre los que construía su hipótesis.”

D) LA TEORÍA DE LA SEDUCCIÓN: UNA IDEA QUE NO FUNCIONÓ – ISRAËLS (entrevista)

Freud simplemente tuvo una idea, y no funcionó. Lo intentó a fondo, pero fue un fracaso. Entonces decidió abandonarla. Es tan tonto como esto.”

E) ERA FREUD UN MENTIROSO? – DUFRESNE, CIOFFI & ESTERSON

Los documentos y los análisis que en la actualidad son de dominio público hacen que no se pueda tomar en serio lo que Freud declaraba en esa época, está claro. No es sólo que sus declaraciones sean contradictorias. Igualmente están las incoherencias internas. Por ejemplo, Freud nos dice que los pacientes recibieron abusos de una forma particularmente atroz – habla en particular de penetraciones anales. Pero sostiene al mismo tiempo que, cuando recordaban esos episodios, sus pacientes pretendían no haber pensado nada en la época. ¿Cómo es posible que un niño que ha sido sodomizado no piense nada?”

Roy Porter, un historiador de la medicina universalmente conocido que acaba de morir recientemente, rehusaba admitir que los informes tradicionales del episodio de la teoría de la seducción fueran falsos. Al contrario, su último libro (póstumo) sigue vehiculando la versión tradicional del error de la teoría de la seducción. Todo esto es por supuesto muy irónico. Se supone que estas personas están liberadas de toda idealización – y sin embargo se reafirman en una visión idealizada e indefendible de Fraud y del pseudanálisis. La verdad, es que el movimiento psicoanalítico en su conjunto es uno de los movimientos intelectuales más corruptos de la historia. Es corrupto por consideraciones políticas, por opiniones indefendibles que siguen siendo repetidas únicamente a causa de relaciones personales y de consideraciones de carrera.”

Nos queda todavía por explicar por qué los mejores y los más inteligentes, dentro de nuestra cultura, han rechazado utilizar los métodos normales de investigación intelectual en lo que se refiere a Fraud. Sería un completo error creer que la presente actitud crítica con respecto a Fraud es resultado de la investigación de los últimos 20 años. Las pruebas de que el psicoanálisis no es una empresa seria existen desde hace por lo menos 50 años para cualquiera que quiera molestarse en leer de cerca los escritos del propio Freud. No se necesita nada excitante para darse cuenta – ni cartas escondidas, ni relaciones secretas con la cuñada, etc. La pregunta es pues ¿por qué? Me permitiría sugerir que es en parte porque Fraud ha tenido una influencia enormemente positiva, una influencia liberadora sobre la cultura del siglo XX. Gracias a él, podemos, por ejemplo, utilizar argumentos bidón [¿?] a propósito de los efectos nocivos de la represión sexual a fin de inducir a la gente a relajarse, a no ser tan estrictos con la vida sexual de los demás. Es muy positivo. Qué pena que haya sido necesario utilizar una teoría de neurosis de pacotilla para llegar a este fin, ¡pero el fin es cuanto menos muy deseable!”

F) FREUD RECICLADOR: CRIPTOBIOLOGÍA Y PSEUDOCIENCIA – SULLOWAY

(*) “Freud no había ‘descubierto’ nada en absoluto: había simplemente reemplazado una teoría traumática de las neurosis, inspirada en Charcot y en Janet, por otra teoría, de inspiración biológica y ‘fliessiana’: el psicoanálisis era, según el término de Sulloway, una <criptobiología>, una teoría biogenética disfrazada de psicología clínica para esconder su carácter perfectamente especulativo. Prosiguiendo sus investigaciones, Sulloway consiguió establecer que todos los elementos principales de la teoría freudiana de la sexualidad – la <bisexualidad>, las <zonas erógenas>, la <perversión polimorfa>, la <regresión>, la <libido>, la <represión primaria>, etc., provenían en línea más o menos directa de la sexología de la época (Krafft-Ebing, Albert Moll, Havelock Ellis), lo que demolía con un solo golpe el mito del aislamiento intelectual de F. y el pretendido <puritanismo> de sus colegas.”

(*) “La ley biogenética de Haeckel – según la cual <la ontogénesis resume la filogénesis> – era muy influyente en la biología y las ciencias humanas a finales del siglo XIX.”

Ernest Jones presenta a Fraud como un hombre que se había hecho muy impopular porque hablaba de sexualidad infantil, pero eso no se corresponde en absoluto con lo que se desprende de su correspondencia con Fliess. Fliess aceptaba aparentemente la sexualidad infantil como evidente y participaba sin reticencias en toda esta discusión.”

Cuando empecé el libro, abordé a Freud como la mayor parte de las gentes de la época, de la forma en que habría abordado a una de las grandes mentes del siglo XX, alguien comparable a Copérnico y a Darwin, tal como el mismo pretendía. Pero cuanto más estudiaba el desarrollo del psicoanálisis, más descubría que estaba fundado en hipótesis científicas que databan del siglo XIX y que habían sido definitivamente refutadas por el redescubrimiento de la ley de Mendel sobre la genética, por el abandono de la teoría de Lamarck por parte de la biología evolucionista, y por el rechazo de las diferentes hipótesis fisiológicas de Helmholtz, sin embargo tan decisivas para la teoría freudiana de la histeria y más en general en la formación de los síntomas neuróticos.”

Acabé, en todo caso, viendo más claramente al psicoanálisis como una especie de tragedia, como una disciplina que había pasado de una ciencia muy prometedora a una pseudociencia muy decepcionante. La ciencia es un proceso que comprende 2 etapas. La primera consiste en formular hipótesis, y, en ese momento, importa poco que las hipótesis sean verdaderas o falsas. En otros términos, Fraud podía de hecho tener hipótesis erróneas, fundadas en ideas o suposiciones corrientes en su época, pero que más adelante se demostraron falsas. Este no es el punto en el que la ciencia tropieza. Es en la segunda etapa en la que la ciencia se extravía más comúnmente, cuando se trata de poner a prueba estas hipótesis y de abandonarlas si se demuestra que son erróneas.”

¡El gran asunto es que Freud descubrió en su infancia cosas similares a las que precisamente estaba leyendo! No hay nada de espectacular, es de una banalidad sin nombre.”

Este autoanálisis está entre las más grandes leyendas de la historia de las ciencias. Incluso aunque Freud no hubiera el mismo propagado este aspecto de la leyenda freudiana, es interesante observar que no hizo nada para contradecirlo. [Em Biologist of the Mind Sulloway está muito mais ameno neste tema, curioso!… https://seclusao.art.blog/2021/06/02/freud-biologist-of-the-mind-beyond-the-psychoanalytic-legend-frank-sulloway-1983/]

Fue Fritz Wittels el primero que afirmó, en su biografía de Freud de 1924, que Freud debió de descubrir la sexualidad infantil en el curso de su autoanálisis. Freud leyó esta biografía con mucha atención y corrigió ciertos errores, pero nunca corrigió este, porque a mi manera de ver esta versión le convenía. Era completamente falsa, pero era el tipo de anécdota biográfica que habría tenido que ser verdadera en virtud de la teoría psicoanalítica.”

En tanto que historiador de las ciencias que ha estudiado los caminos de científicos eminentes como Copérnico, Galileo, Newton y Darwin, a menudo me he enfrentado a todo tipo de leyendas análogas. Desde este punto de vista, diría sin dudar que nunca en la historia de las ciencias una leyenda de orígenes ha sido desarrollada de manera tan elaborada como esta. El psicoanálisis es la única teoría en la historia de las ciencias que exige que su propia historia sea perfectamente coherente con la teoría elaborada por su inventor. (…) Desde un punto de vista historiográfico, este tipo de lógica circular puede ser muy nefasto. Si la teoría de Freud fuera cierta al cien por cien, se hubiera quizás podido hacer una buena historia con este enfoque conceptual. Pero, en la medida en que esta teoría es problemática, lo que se obtiene es forzosamente una historia en sí problemática – y más verosímilmente aun una historia complaciente y llena de defectos. Esta exigencia extraordinaria – que la historia de los orígenes de la teoría se explique por la teoría actual – ha creado a la historia del psicoanálisis un problema que nunca ha afrontado ninguna otra disciplina en la historia de las ciencias.”

El darwinismo triunfó; la gente se dio cuenta rápido de que Darwin tenía razón, y, hoy en día, ningún científico digno de ese nombre pone en cuestión la veracidad fundamental de la teoría evolucionista. Incluso si Darwin suscitó leyendas, éstas no fueron concebidas para proteger sus teorías, ni para inmunizarlas contra la crítica. En tanto que disciplina, el psicoanálisis nunca triunfó como lo hicieron las teorías de Darwin, y la leyenda freudiana ha continuado jugando un papel útil, políticamente hablando. Incluso hoy en día, los partidarios de la teoría psicoanalítica no dudan en utilizar indebidamente la historia para servir a sus propios intereses.

Sin embargo, no voy a decir que Fraud y sus discípulos se sentaran alrededor de una mesa y decidieran deliberadamente mentir sobre su historia. El proceso se hizo de manera mucho más sutil. En ciertos casos, estos diversos mitos fundadores que constituyeron la leyenda freudiana (he identificado a más de 20 en mi libro) eran casi inocentes puesto que, en el contexto de la teoría psicoanalítica, parecían perfectamente plausibles. Tales mitos, en cualquier caso, no eran en general explícitamente deshonestos. Pero sus formas de historia legendaria implicaban una ceguera masiva autoimpuesta. Desde el momento en que la ceguera autoimpuesta entra en juego, es siempre difícil estimar la parte de franca deshonestidad, como ha resaltado Allen Esterson a propósito de las conclusiones clínicas de Freud, que son a menudo de una falsedad flagrante. Es como preguntarse cual era la parte de deshonestidad en los agitados debates políticos que se mantenían en la Convención durante la Revolución francesa, cuando los diputados se caricaturizaban unos a otros y se condenaban mutuamente a la guillotina. Es importante comprender que cada parte creía en su propia propaganda. A.A. Brill describió la forma en que los primeros discípulos del hospital psiquiátrico de Burghölzli de Bleuler se analizaban entre ellos desde el momento en que uno solo de ellos hacía alguna cosa que se saliera de lo ordinario, como dejar caer una cuchara u olvidar su propio nombre.”

Los psicoanalistas parecen poseer efectivamente anticuerpos que los inmunizan a los cara a cara de la historia, sobre todo porque en psicoanálisis nada se considera que es lo que parece. El contenido <manifiesto> de los pensamientos y de los sueños, por ejemplo, nunca es más que una capa superficial y deformada del contenido <latente> u oculto. El trabajo histórico de un psicoanalista consiste a menudo en mostrar que aquello que un historiador no-psicoanalista ha podido escribir sobre tal o cual asunto – ya se trate de la historia del movimiento psicoanalítico o de cualquier otro aspecto de la psicohistoria – es erróneo.”

Si el principio fundador de un pensamiento ‘científico’ es que nada es lo que parece ser, se llega pronto a una situación en la que nada puede ser demostrado, ya que no te puedes fiar de nada (si no es lo que confirma lo que se creía ya). Supongamos que produzco un conjunto de documentos históricos sobre, digamos, una idea que Fraud habría sacado de Richard von Krafft-Ebing. Bien, el psicoanalista medio que tiende a defender la originalidad de Freud dirá: <¡Ah, esto no es más que una prueba superficial – una prueba del tipo ‘contenido manifiesto’! Freud utilizó de una forma radicalmente diferente esta idea que tomó prestada de Krafft-Ebing, puesto que Freud es un verdadero genio original, no un gorrón intelectual>.”

el psicoanálisis volvió a la escolástica y a la tradición medieval que precedían a la revolución científica, creando pequeños institutos privados en el seno de los cuales el saber podía enseñarse de forma dogmática y donde se enseñaba a los alumnos a superar sus ‘resistencias’ a la teoría.”

Es imposible esperar que un alumno, que ha pasado algunos años en las condiciones artificiales y en ocasiones confinadas del análisis didáctico y del que su carrera profesional depende del nivel de satisfacción de su analista en lo que concierne a su capacidad de superar sus ‘resistencias’, pueda tener los medios de defender su integridad científica contra las teorías y las prácticas de su analista. Cuanto más permanece en el análisis didáctico, menos es capaz de hacerlo. Puesto que según su analista, las objeciones del estudiante a sus interpretaciones revelan ‘resistencia’. En una palabra, hay una tendencia inherente a la situación del análisis didáctico a persistir en el error.”

Edward Glover

Él es directamente responsable de la privatización de la formación psicoanalítica, y esta privatización equivalía de dejar de poner a prueba la validez de sus hipótesis, en otros términos de rechazar los principios científicos conquistados tras dura lucha en el curso de los 4 últimos siglos y por tanto a rechazar las más importantes conquistas de la revolución científica.”

El psicoanálisis quizás fue una ciencia en 1895, quizás aun en 1900; pero a partir de 1915 o 1920 – es decir, en la época en la que hizo del análisis didáctico un elemento obligado de la formación psicoanalítica –, esta disciplina ya no podía pretender ser realmente científica. A partir del hecho de su modo de formación rígido, el psicoanálisis ha dejado de ser una ciencia, y cuando una disciplina deja de ser una ciencia, se convierte en una pseudo-ciencia.”

En los años 70, apareció un magnífico artículo escrito por George Weisz, consagrado a los aspectos sectarios del psicoanálisis, y creo que nadie hasta ahora ha tratado mejor este tema que este análisis penetrante. Incluso los propios discípulos de Freud, como Hanns Sachs o Max Graf, han evocado a menudo los aspectos sectarios de la comunidad psicoanalítica.”

2. LAS FALSAS CURACIONES

A) FREUD COCAÍNOTERAPEUTA – ISRAËLS

Antes de practicar el psicoanálisis, Freud realizó en efecto algunas experiencias con la cocaína: con la ayuda de este producto, intentó liberar a una persona de su dependencia de la morfina. Tenemos aquí uno de los raros casos en los que podemos controlar las afirmaciones de Freud concernientes a uno de sus tratamientos.”

algunos meses después del inicio del tratamiento, Freud escribía a su prometida que no se sentía bien y que, por esta razón, había pedido a Fleischl un poco de cocaína – una sustancia que, según Freud, su amigo consumía entonces regularmente.”

Algunos meses más tarde, Freud escribía a Martha que Fleischl había recibido una carta de un fabricante alemán de cocaína. El fabricante había constatado que Fleischl consumía mucha cocaína y le preguntaba lo que sabía de los efectos que producía. Es probable que el fabricante pensara que Fleischl la utilizaba para experiencias científicas. Fleischl había remitido al fabricante a Freud, y éste escribió a su prometida que esperaba sacar provecho de ese contacto con el fabricante. Parece que Fleischl utilizaba cantidades importantes de cocaína, pero a Freud – al decir de sus cartas – no parecía inquietarle mucho. No fue hasta 6 meses más tarde, cuando Freud escribió a su prometida que Fleischl iba muy mal. Estaba en una situación tal que Freud lo velaba de forma regular durante la noche. En mayo de 1885, un año después del inicio del tratamiento, Freud apuntaba en una carta a Martha que Fleischl sólo se mantenía con la ayuda de cocaína y morfina, y que había utilizado grandes cantidades de cocaína en los últimos meses. El consumo había sido tal que había provocado una intoxicación crónica que había acarreado un grave insomnio y una especie de delirium tremens. Fleischl sufría ataques de pánico. Creía sentir a pequeños animales circulando por su piel y se rascaba los brazos hasta sangrar. Iba tan mal que decía que se suicidaría en el momento en que sus padres murieran.”

Freud no demostraba ningún escrúpulo en presentar una terapia desastrosa como un éxito espectacular. Un investigador que comunica sus resultados de esta manera no merece ser tomado en serio.”

Gracias a las cartas de Freud a su prometida sabemos hasta qué punto embelleció sus resultados. Esas cartas se conservan en la biblioteca del Congreso en Washington, pero la mayor parte de ellas se mantuvieron en secreto hasta el principio de los años 2000. Una de las raras personas que pudo consultarlas antes de esa fecha es Ernest Jones, el biógrafo autorizado de Freud. Para conocer el tratamiento de Fleischl, puede leerse el primer tomo de su obra, aparecido en 1953.”

Freud escribió alrededor de mil cartas a su prometida. Solamente están publicadas un centenar. En éstas, no se dice nada del desarrollo dramático del tratamiento de Fleischl. Al principio de los años 90, pude leer la trascripción de 300 cartas no-publicadas. Sobre esta base, he podido reconstruir el tratamiento de Fleischl. He dado cuenta de ello, de forma detallada en mi libro Le Cas Freud, escrito en holandés, traducido al alemán y al español.”

B) EL MÉDICO IMAGINARIO – BORCH-JACOBSEN

Una de las razones por las que ha sido necesario tanto tiempo para hacerse una idea más precisa de la eficacia de los análisis practicados por Fraud es, evidentemente, que no se conocía la identidad real de sus pacientes. Protegido por el secreto médico, Freud podía pues permitirse escribir no importa qué, y sólo de forma muy progresiva la realidad ha salido a la luz, a medida que los historiadores conseguían identificar a las personas que se escondían detrás de los pintorescos nombres de Elisabeth von R., del Hombre de los lobos o del Pequeño Hans. En la actualidad es cosa hecha (sólo Miss Lucy R. sigue desafiando obstinadamente las investigaciones de los historiadores) se empezar a realizar un balance más realista de los resultados terapéuticos obtenidos por Freud.”

Anna von Lieben (…) Su hija hubo de declarar más tarde a Kurt Eissler, que la entrevistaba para los Archivos Freud, que la familia detestaba cordialmente a Freud (<lo odiamos todos>) y que la propia paciente se interesaba bastante menos por la cura catártica que por las dosis de morfina que el doctor le administraba liberalmente:”

De hecho, Ida Bauer no manifestó ningún signo de neurosis o de inestabilidad psíquica en su vida ulterior. En 1923, Felix Deutsch, el médico personal de Freud, escribía a su mujer Hélène que había encontrado a la <Dora> del Profesor y que <no tenía nada bueno que decir a propósito del análisis>

Según los cálculos de Stadlen, es <muy probable> que Ida Bauer, contrariamente a lo que escribe Freud, no tuviera más de 13 años en el momento de este episodio, lo que evidentemente convertiría su reacción en algo aun más comprensible (y los acosos pedófilos de M. Zellenka en francamente criminales a los ojos de la ley austriaca de la época); ver Anthony Stadlen, ‘Just how interesting psychoanalysis really is’, Arc de Cercle, An International Journal of the History of the Mind-Sciences. vol. 1, nº 1, 2003, p. 158, n. 29.”

La historia de la ‘enfermedad y curación’ del pequeño Herbert Graf no es una más, como la de Aurelia Kronich o la de Ida Bauer. Freud y su padre, Max Graf, derrocharon tesoros de ingeniosidad psicoanalítica para curarlo de lo que Fraud llamaba una fobia a los caballos, que se consideraba que provenía del complejo de castración del niño. Herbert, que parece haber tenido considerablemente más sentido común que sus 2 terapeutas, atribuía su miedo a los caballos y a los animales grandes a un accidente de ómnibus del que había sido testigo, en el curso del cual 2 caballos habían caído al suelo sobre sus espaldas. Con esta segunda hipótesis, bastante más simple y prosaica, no hay que sorprenderse de que las angustias con respecto a los animales del niño fueran atenuándose espontáneamente después de algún tiempo. ¡Lo sorprendente es que Herbert saliera indemne del espantoso interrogatorio edipiano-policial al que le sometieron su padre y Freud!”

sesenta años después, Pankejeff seguía siendo un sujeto con pensamientos obsesivos y accesos de depresión profunda”

Lo que es inexcusable es la constancia con la que pretendió obtener resultados profundos y duraderos mientras sabía pertinentemente que no tenía nada, incitando a innumerables pacientes a lanzarse a análisis largos y costosos en lugar de inclinarse por terapias menos ambiciosas y quizás más eficaces.”

C) ¿QUIÉN TEME AL HOMBRE DE LOS LOBOS? – SULLOWAY

Strachey dijo de este caso que era <el más documentado y sin ninguna duda el más importante de todos los casos históricos de Freud>. Es generalmente considerado por los psicoanalistas como un éxito terapéutico considerable.” “Gracias a los esfuerzos de una periodista austríaca, Karin Obholzer, que consiguió seguir el rastro del Hombre de los lobos en Viena a principio de los años 70, tenemos ahora acceso a las propias impresiones de éste sobre su análisis con Fraud.”

La teoría era, le decía a Obholzer, que Freud me había curado al cien por cien… Y por esa razón Muriel Gardiner me animó a escribir mis memorias.”

Los psicoanalistas son un problema, no hay ninguna duda en eso”

Cuando el Hombre de los lobos manifestó su deseo de emigrar a América para huir de esta situación costosa y desagradable, se le disuadió de su petición de forma repetida, aparentemente porque el movimiento psicoanalítico prefería procurarle un sostén financiero en Viena, donde vivía en el anonimato, antes de correr el riesgo de que este paciente célebre – y altamente neurótico – de Freud fuera descubierto en América. (¡Imagínenle a punto de <hablar de todo> en el plató de una de las grandes cadenas de televisión americanas!) Eissler y otros analistas desplegaron igualmente esfuerzos sostenidos para disuadir al Hombre de los lobos de que se entrevistara con Karin Obholzer, cuyos esfuerzos sólo tuvieron éxito gracias a su extraordinaria perseverancia y a la promesa que hizo a su informador, que tenía miedo, de no publicar sus entrevistas hasta después de su muerte. Estas entrevistas constituyen, podría decirse, la última protesta del Hombre de los lobos hacia las falsas promesas y las decepciones del psicoanálisis.”

Como demostró Eysenck, el fracaso del psicoanálisis en alcanzar las tasas superiores que se había fijado debería ser considerado como una prueba manifiesta de su fracaso teórico.”

D) EL ANÁLISIS INTERMINABLE, O CÓMO NO CURARSE POR MALAS RAZONES – STENGERS (entrevista em grupo)

(*) “En su libro El corazón y la razón, uno de esos raros libros que en Francia ha osado atacar de frente las pretensiones del psicoanálisis, la filósofa de las ciencias Isabelle Stengers y el psicoanalista-hipnoterapeuta [¡?] Léon Chertok han analizado el fracaso del proyecto teórico-terapéutico freudiano y la forma en que la comunidad analítica ha evitado extraer las consecuencias enorgulleciéndose de no curar a la gente de forma ilusoria (entendámonos: de forma contraria a la teoría analítica del momento).”

La grandeza de Fraud fue plantear el desafío de la ciencia en un terreno que escapaba de ella, intentando crear un fenómeno fiable a partir del cual una discusión fuera posible. Pero era aquí también donde debía forzosamente fracasar.”

En ese artículo de 37, Freud confiesa en términos muy claros el fracaso de toda su empresa, y es solamente, dicen ustedes, porque la comunidad psicoanalítica se organizó para disimular o minimizar las cosas, que no nos hemos dado cuenta de la enormidad de esa confesión del fundador del psicoanálisis.

Digamos que se puede leer esa confesión de 2 maneras. Se puede leer, y es lo que nosotros hicimos, como el último de los escritos técnicos de Freud. Desde este punto de vista, te preguntas verdaderamente por qué no figura al final del volumen que se considera que reúne en francés los escritos técnicos de Freud. Es evidente que es un texto que tiene la misma esencia, los mismos ingredientes que los demás escritos en los que Fraud presenta su técnica terapéutica. O, si se lo lee en continuidad con los demás escritos técnicos, lo único que podemos ver es una confesión de fracaso, totalmente claro y totalmente explícito. Fraud muestra con enorme insistencia que la relación de fuerza entre el paciente y el analista es desfavorable a este último, en el sentido de que todo lo que éste puede movilizar contra las resistencias del paciente no es suficiente, casi nunca para eliminarlas. Por tanto la técnica psicoanalítica no había cumplido sus promesas, decepcionó al viejo Fraud exactamente de la misma manera que la hipnosis le había decepcionado en los tiempos del inicio del psicoanálisis. Desde este punto de vista, este artículo traza una línea sobre el psicoanálisis, una línea verdaderamente final, y, si se lee desde esa perspectiva, como hicimos, es completamente evidente.”

Fue el factor cuantitativo, dicho de otra manera, la eficacia alegada de la cura psicoanalítica la que le sirvió para promocionar el análisis como una psicoterapia diferente a las demás. De repente, se dice que este ‘tenemos razón cualitativamente’ suena muy hueco. Flota en el aire, ya que ha perdido el apoyo que Fraud le había dado antes. En realidad, este ‘cualitativamente tenemos razón’ equivale simplemente a un ‘existimos y vamos a continuar existiendo’. Y es así como lo han entendido los psicoanalistas”

No se puede hablar de resistencia salvo en la medida en que se puede vencer a la resistencia, y es precisamente lo que pretendía Fraud al inicio, al hacer coincidir el análisis de transferencia, la curación y la prueba.”

Nuestra práctica es una estafa, embaucar [engañar], asombrar a la gente, deslumbrarla con palabras afectadas, o por lo menos eso que se llama habitualmente afectación. […] desde el punto de vista ético, nuestra profesión es insostenible; y desde luego por eso estoy enfermo, porque tengo, como todo el mundo, un superego. […] Se trata de saber si Fraud es o no un acontecimiento histórico. Yo creo que falló el golpe. Es como yo, en poco tiempo, todo el mundo se cachondeará [troçará] del psicoanálisis.

J. Lacan, extractos de una conferencia pronunciada en Bruselas el 26 de febrero de 1977 en Le Nouvel Observateur nº 880, septiembre 1981, p. 88. En su seminario del 15 de marzo de 1977 en París, Lacan matizaba lo que había soltado en Bruselas:

Creo que, como estáis informados por los belgas, habrá llegado a vuestros oídos que hablé del psicoanálisis como si pudiera ser una estafa. […] El psicoanálisis es quizás una estafa, pero esto no es una estafa cualquiera – es una estafa que cuadra en relación a lo que es significativo, es decir algo muy especial, que tiene efectos de sentido

in: Ornicar?”

3. LA FABRICACIÓN DE LOS DATOS PSICOANALÍTICOS

A) SCHREBER Y SU PADRE – SULLOWAY

El caso de Daniel Paul Schreber concierne a un magistrado alemán afecto de psicosis que Freud nunca contó, pero que analizó a partir de las Memorias que aquel publicó y en las que describía su enfermedad. Los numerosos defectos de su análisis han sido puestos en evidencia por los eruditos Niederland, Schatzman, Israëls y Lothane. Dos aspectos de este caso han sido significativamente reconsiderados por estos investigadores: la relación de Schreber con su padre y por otra parte su supuesta homosexualidad.”

Fraud, que ya había elaborado su teoría de la paranoia antes de tropezar con las Memorias de Schreber, ni siquiera se tomó la molestia de leer los trabajos del padre. Sin embargo, parece que hay una relación entre las alucinaciones del hijo (sensación de tener el pecho oprimido, la cabeza comprimida, los cabellos estirados) y varios aparatos cuya utilización recomendaba el padre para forzar a los niños a mantenerse derechos. Por ejemplo, Moritz Schreber alababa los méritos de un ‘enderezador’ que impedía que el niño se inclinara hacia delante cuando escribía o leía. El instrumento consistía en una barra horizontal fijada a la mesa frente al niño y que oprimía su pecho a la altura de los hombros y las clavículas. Otro aparato, el ‘soportador de cabezas’, animaba al niño a mantener derecha su cabeza tirándole del pelo cada vez que la dejaba caer. Se ignora si Daniel Paul Schreber fue alguna vez sometido a una de estas máquinas, pero Niederland y Schatzman han argumentado con razón que las alucinaciones, que Freud interpreta como signos de una homosexualidad reprimida, tienen una relación con los métodos de educación de su padre.”

Si Moritz Schreber era severo en el tema de la compostura de sus hijos y les imponía ideales sociales elevados, recomendaba también ser ‘alegre con el niño, hablarle, reír, cantar y jugar con él’, y subrayaba la importancia de hacerle a menudo elogios. Sobre todo, decía, no había que hacer del ‘niño el esclavo de una voluntad que no era la suya’. Algo que ni Niederland ni Schatzman mencionan.

Pero si Niederland y Schatzman deformaron efectivamente la figura del padre que era Moritz Schreber, Fraud fue mucho más lejos omitiendo pruebas concretas y determinantes de su personalidad y de sus convicciones pedagógicas. Si esta omisión se hubiera hecho por ignorancia, sería comprensible. Pero, en realidad, Fraud era muy consciente de ciertos hechos que contradecían sus afirmaciones con respecto al padre. En una carta notable a Sándor Ferenczi, escrita mientras trabajaba en el caso Schreber, describía a Moritz con los rasgos de un ‘tirano doméstico’. Sabía eso a través del doctor Arnold Georg Stegmann, un adepto del psicoanálisis que conocía no solamente a los diferentes psiquiatras que habían tratado a Daniel Paul Schreber, sino también a ciertos miembros de su familia. De forma sorprendente, Fraud suprimió esta información en su relato del caso, donde describe por el contrario a Moritz Schreber como un ‘padre excelente’.”

Fraud estaba deseoso de mostrar que la paranoia era causada por una homosexualidad reprimida y, en el caso preciso de Schreber, por un deseo homosexual reprimido hacia su padre. Antes de su enfermedad, Schreber no había dado prueba de inclinaciones homosexuales. Sin embargo, justo antes de una de sus hospitalizaciones, mientras estaba aun medio dormido, Schreber había sido súbitamente presa del pensamiento ‘particularmente extraño’ de que ‘debe ser muy agradable ser una mujer experimentando el acoplamiento sexual’.”

Lothane concluye después de un examen minucioso de las Memorias de Schreber que Fraud ‘manipuló los acontecimientos descritos por Schreber y los transformó para que correspondieran a su teoría’. Estas distorsiones incluían la imputación a Schreber de deseos homosexuales bajo los pretextos más dudosos y el silencio observado por Fraud sobre la rabia de Schreber contra su psiquiatra cuando éste le hizo internar en un asilo para incurables (Schreber había sido ya tratado y curado por ese mismo psiquiatra 10 años antes). Después de que su delirio se estabilizara en una serie de alucinaciones inofensivas, Schreber luchó varios años para obtener su salida del asilo. Utilizando brillantes argumentos jurídicos para su defensa, ganó finalmente la causa ante un tribunal alemán, a despecho de las protestas obstinadas del director del asilo.”

Fuera lo que fuera, Fraud evidentemente consideró que el retrato de un Moritz Schreber déspota y perseguidor de sus hijos sólo podía debilitar su hipótesis de una homosexualidad y de un complejo de Édipo invertido en el origen de la enfermedad del hijo. Un padre de tal manera superior, dice Fraud, era evidentemente propicio a su transformación en Dios en la memoria afectuosa de su hijo. En efecto, según Freud, es ‘el hecho de que la tonalidad del complejo paternal era positiva’ y ‘sin nubes’ lo que permitió finalmente a Schreber aceptar sus fantasías homosexuales y conseguir una curación parcial.”

B) EL HOMBRE DE LAS RATAS COMO ESCAPARATE DEL PSICOANÁLISIS – SULLOWAY

Incluso los relatos de casos atendidos por Freud más completos y aparentemente con éxito están manchados por ‘construcciones’ inciertas y por la ausencia de un seguimiento adecuado. El caso del hombre de las ratas ilustra particularmente bien esta afirmación. Fraud publicó esta historia porque le hacía falta demostrar al mundo que el psicoanálisis podía obtener resultados terapéuticos satisfactorios. Como el Hombre de las ratas había consultado previamente a Julius von Wagner-Jauregg, el eminente psiquiatra y colega de Fraud en la Universidad de Viena, su caso constituía una puesta a prueba decisiva de los dones terapéuticos de Freud. Antes del mes de octubre de 1908, cuando consagró una comunicación a este caso en el I Congreso de psicoanálisis de Salzburgo, no había publicado aun los resultados de un psicoanálisis con éxito. Por sorprendente que esto pueda parecer, no se sabía si había tenido éxito en los análisis después de que Dora huyera de su consulta en 1900. No tengo ningún caso terminado y que pueda ser considerado como un todo’, advertía a Carl Jung en una carta del 19 de abril de 1908, solamente una semana antes del Congreso de Salzburgo. Freud también había considerado presentar extractos del relato de caso del pequeño Hans, del que supervisaba en aquel momento el tratamiento. Pero el pequeño Hans rehusó ser curado en la fecha prevista, y el Hombre de las ratas se convirtió, parece ser que por defecto, en la primera comunicación pública de Fraud con respecto a una curación psicoanalítica.”

Lanzer – en tanto que rata y mordedor – tenía una fantasía inconsciente de relación anal con su padre y su amiguita. Este espantoso pensamiento, reprimido en el inconsciente por Lanzer, había sido la causa de sus síntomas obsesivos. Como análisis final, su motivo psicológico era la agresividad de Lanzer con respecto a su padre del que Freud pensaba, sobre la base de una reconstrucción psicoanalítica suplementaria, que había interrumpido la vida sexual precoz de su hijo y había amenazado con castrarlo. Según Freud, la comunicación de esta reconstrucción edipiana ‘había conducido a la restauración completa de la personalidad del paciente, y a la supresión de sus inhibiciones’.

Mahony ha puesto en evidencia numerosas e importantes contradicciones entre el relato de caso publicado por Fraud y sus notas de análisis encontradas entre sus papeles después de su muerte. Según Mahony, que es a su vez analista y que se adhiere a los principios del psicoanálisis, la versión del caso publicada por Freud presenta los hechos de forma ‘confusa’ e ‘inconsistente’, y comporta omisiones ‘flagrantes’. En particular, Fraud otorga una importancia exagerada al papel del padre en detrimento del de la madre. Mahony muestra además que Freud dio una apreciación engañosa de la duración del tratamiento de su paciente. Las notas del análisis revelan que Fraud siguió cotidianamente a su paciente durante apenas un poco más de 3 meses. El análisis fue irregular los 3 meses siguientes y a lo sumo esporádico después de eso. (De hecho, no hay ningún rastro de tratamiento pasados los 6 primeros meses.) Freud sin embargo pretendía haber tratado a su paciente ‘durante más de 11 meses’, lo que según Mahony es de hecho imposible y representa pues una distorsión ‘deliberada’ por su parte.”

Más bien, la relación entre la masturbación del Hombre de las ratas y la muerte de su padre fue en gran parte creada por Freud y no propuesta espontáneamente por su paciente por ‘libre asociación de ideas’. Con el fin de hacer su explicación aun más convincente, Freud suprimió la palabra ‘alrededor’ de la frase original (‘alrededor de 21 años’) e insertó las palabras ‘poco tiempo’ en la frase ‘después de la muerte de su padre’. En realidad, el padre había muerto 2 años antes, cuando Lanzer tenía 19 años.”

El Hombre de las ratas – curado o no – fue manifiestamente utilizado como un escaparate por el naciente movimiento psicoanalítico. Que le vaya bien a este título que este caso haya entrado en la historia (y que haya permanecido en los ojos de los fieles), es lo que muestra la conclusión de Peter Gay, según la cual ‘sirvió para apuntalar las teorías de Fraud, particularmente aquellas que postulaban que la neurosis está enraizada en la infancia… Fraud no era lo bastante masoquista como para no publicar más que un problema de ajedrez’.”

C) UN CIUDADANO POR ENCIMA DE TODA SOSPECHA – BORCH-JACOBSEN

Durante mucho tiempo, Fraud fue considerado como un ciudadano por encima de toda sospecha, cuya probidad y rigor no se sabría poner en cuestión. Pero, desde que la duda se instaló en cuanto a la fiabilidad de sus observaciones y relatos de casos, los historiadores no dejan de descubrir en sus textos anomalías muy alarmantes. Todo sucede como si hubiera sido necesario desembarazarse de la imagen idealizada del fundador para ver finalmente extravagancias que deberían de haber saltado a los ojos de no importa cual investigador un poco atento.”

Está claro que Fraud no dudaba un solo instante en modificar los datos a su disposición cuando éstos no coincidían con sus hipótesis, al estilo de un matemático ‘redondeando’ sus cálculos para tener un resultado justo. No es sorprendente, en estas condiciones, que sus análisis sean a menudo tan convincentes: ¡todo lo que podría contradecirlos había sido silenciosamente eliminado, o subrepticiamente modificado!”

El análisis de Fraud es muy satisfactorio para la mente, pero choca con un detallito testarudo: Fraud, que no era particularmente versado en historia del arte, verosímilmente no conocía el nombre de Boltraffio en el momento en que se dirigía en tren hacia Trebinje en Herzegovina, es decir, alrededor del 6 de septiembre de 1898. Según la minuciosa reconstrucción cronológica de Swales, no fue hasta varios días más tarde, con ocasión de una estancia en Milán entre el 14 y el 17 de septiembre, cuando pudo observar la estatua de Boltraffio bajo un monumento erigido por Magni en honor de Leonardo da Vinci, en la Piazza della Scala (se acordaba todavía en 1907 cuando el psiquiatra Paul Näcke le reprochaba, sin razón, haber deletreado mal el nombre del pintor). Fue también en Milán – exactamente el 14 de septiembre – cuando Freud adquirió el libro del famoso anatomista/historiador del arte Giovanni Morelli, Della pintura italiana, en el que se encuentra un pasaje sobre Boltraffio (al que le remite significativamente Fraud, en su respuesta a Näcke). Fue sin duda en esta ocasión cuando Fraud supo que Morelli (un autor de método con el que compararía más tarde el suyo) había legado su colección de pinturas del renacimiento a una escuela de arte de Bérgamo, ya que fue allí donde se presentó de improviso el 17 de septiembre después de dejar Milán. Entonces, recorriendo las piezas de la Galleria Morelli en el orden indicado por el catálogo, Fraud no pudo dejar de ir a parar a los números 20, 21 y 22:

Luca SIGNORELLl, Madonna col Bambino

Sandro BOTTICELLI, Ritratto di Giuliano dei Medici

Giovanni Antonio BOLTRAFFIO, Salvator Mundi

Como resalta Swales, la probabilidad de que obras de estos 3 pintores estuvieran colgadas en un mismo muro eran mínimas, dado el carácter relativamente oscuro de Boltraffio. En cuanto a las probabilidades de que Fraud reuniera en el pensamiento precisamente a esos 3 pintores 2 semanas antes de tropezar al azar con el mismo trío en Bérgamo, tienden a cero. A menos que admitamos una coincidencia tan sorprendente, debemos pensar que el episodio del olvido del nombre de ‘Signorelli’ y su reemplazo por ‘Boltraffio’ y ‘Botticelli’, si tuvo lugar como Fraud nos cuenta, data del 17 de septiembre o poco después (el 22 de septiembre, Fraud exponía ya el principio de su análisis a Fliess). Pero, si ese es el caso, la sustitución la sustitución de ‘Signorelli’ por ‘Boltraffio’ y ‘Botticelli’ se explica por simple contigüidad, sin que sea necesario hacer intervenir la compleja reflexión inconsciente alegada por Fraud. Esta es una construcción perfectamente gratuita y artificial, destinada a epatar [asombrar] a los lectores, y Fraud no podía ignorarlo en el momento en que lo comunicó a Fliess: ‘¿Cómo voy, pues, a hacer esto creíble a alguien?’. Sin duda esta es la razón por la que experimentó la necesidad de antedatar su olvido, colocándolo antes de su visita a Bérgamo: debía serle particularmente penoso reconocer que estaba inventando.”

¿pero y si Fraud y ‘Monsieur Aliquis’ fueran la misma la persona?” “El análisis de Swales fue durante tiempo (sic) muy controvertido, pero recibió recientemente una confirmación independiente de lo más sorprendente. Resulta en efecto, que el domingo 23 de septiembre de 1900, sólo un día antes de que Fraud anunciara a Fliess que iba a iniciar la redacción de la Psicopatología de la vida cotidiana, la Neue Freie Presse, el periódico que Fraud leía religiosamente todas las mañanas, había publicado un artículo del gran crítico danés Georg Brandes que evocaba largamente… la capilla de San Gennaro en Nápoles y el milagro de la licuefacción de la sangre – es decir, ¡el mismo milagro que Freud afirmaría incesantemente que había venido a la mente de un cierto ‘Monsieur Aliquis’ durante el verano anterior! Esta sorprendente coincidencia, revelada por Richard Skues, hay que ponerla en relación con el hecho de que Brandes, una de las grandes admiraciones de Fraud, había publicado una biografía de Ferdinand Lassalle a la que Fraud había tomado de prestado el epígrafe de su propia Interpretación de los sueños (Flectere si nequeo superos Acheronta movebo) y en la que se encontraba igualmente mencionado en buen lugar… el verso de Virgilio ‘Exoriar(e) aliquis…’, citado por Lassalle en uno de sus famosos discursos. Si se añade a esto el testimonio de Jung, según el cual Freud tenía la costumbre de citar este mismo verso, difícilmente podemos escapar a la conclusión de que el ‘Monsieur Aliquis’ de la Psicopatología de la vida cotidiana no es otro que el mismo Sigmund.”

Igual que en el caso del olvido del nombre ‘Signorelli’, el hecho de que Fraud omita señalar su lectura reciente del artículo de Brandes y proyecte el episodio del olvido a una fecha anterior demuestra bastante que intenta disimular la relación de otro modo flagrante entre los dos.”

Parece que pasa exactamente lo mismo con ciertas asociaciones citadas en el famoso análisis del ‘sueño de la inyección puesta a Irma’ que abre La interpretación de los sueños. Fraud había tenido ese sueño la noche del 23 al 24 de julio de 1895, y fue el primero, nos dice, que ‘sometió a una interpretación en profundidad’. Es por tanto poco probable que hiciera ese análisis ‘en profundidad’ el mismo día, ya que la interpretación de ese sueño que se encuentra en el Proyecto de una psicología enviado a Fliess 3 meses más tarde es extremadamente frustrante cuando se la compara con la propuesta en 1899 en La interpretación de los sueños. No solamente falta la teoría de la consecución del deseo, como ha observado Frank Sulloway, sino que se buscan en vano las múltiples asociaciones entrecruzadas que hacen el análisis de La Interpretación de los sueños tan eminentemente convincente.”

¿Hay que admitir entonces que añadió a posteriori asociaciones que no había hecho en 1895, con el fin de adornar su análisis y de dar una ilustración más impactante de su nuevo método de interpretación? No solamente es muy plausible, sino que Robert Wilcocks, un profesor de literatura comparada de la Universidad de Alberta, cree haber encontrado la prueba.

En el curso de su análisis del sueño, Fraud hace en efecto alusión a la difteria de su hija Mathilde, que había estado a punto de morir: ‘La mancha blanca (en la garganta de Irma) recuerda a la difteria y así la amiga de Irma, pero además la grave afección de mi hija mayor hace cerca de 2 años y todo el espanto de ese mal periodo’. Algunas líneas más adelante, Fraud asocia a su hija con una de sus pacientes, Mathilde Schleicher, a la que involuntariamente había causado la muerte al prescribirle Sulfonal. Lo que Fraud no menciona, pero que ciertamente jugó un papel en su asociación entre las dos Mathildes, es el hecho de que Mathilde Schleicher, poco antes de morir de una porfiria aguda causada por el Sulfonal, tenía la orina roja, al igual que la difteria de Mathilde Fraud había provocado albuminuria. (El tema de la albuminuria en la orina reaparece un poco más adelante en las asociaciones de Fraud, pero sin la referencia explícita a Mathilde Fraud.) ¿Entonces cuando había Mathilde Fraud había tenido una difteria seguida de una albuminuria? Gracias a la edición completa (es decir, no-censurada) de las cartas a Fliess, lo sabemos ahora: fue en marzo de 1897, es decir ¡2 años después del sueño de la inyección que le pusieron a Irma! Freud pues, interpoló en sus asociaciones un elemento que no pudo, evidentemente, jugar el menor papel en su sueño. El procedimiento es tan grosero que basta para poner en el ridículo más absoluto el método de interpretación de los sueños promovido por Fraud en sus célebres páginas.

Dada la importancia de lo que hay en juego, el hallazgo de Wilcocks fue objeto de una de esas disputas eruditas que agitan regularmente el pequeño mundo de los estudios fraudianos. Peter Swales y Richard Skues, entre otros, objetaron que no se puede excluir a priori que Mathilde Fraud hubiera estado afecta una 1ª vez de difteria (o de otra enfermedad falsamente diagnosticada como tal) en 1893, aunque no se encuentre por ninguna parte en la correspondencia de Fraud. Contrariamente a lo que afirmaba Wilcocks sobre la base de informaciones aportadas por colegas de la facultad de medicina de Alberta, es en efecto posible (aunque muy raro) reinfectarse una 2ª vez, y eso es lo que parece indicar una carta de Fraud a Fliess del 9 de noviembre de 1899, en la que escribía que ‘cuando Mathilde tuvo la difteria por 2ª vez’, un colega había preguntado al portero ‘si la hija de Fraud había muerto ya’. Esto, sin embargo, entra en conflicto con el testimonio unánime de los propios miembros de la familia Fraud.” “Si los investigadores retroceden de nuevo a partir de ahora frente a la desagradable hipótesis de la mentira, a Fraud se le concederá automáticamente el beneficio de la duda a pesar de haber equivocado a menudo a sus lectores. Por el contrario, es la desconfianza la que se convierte actualmente en la regla. Fraud ya no es un ciudadano por encima toda sospecha.”

D) EL HOMBRE DEL BUITRE: FREUD Y LEONARDO DA VINCI – ISRÄELS

Aê Urubuzada! Aê Milhafrada!

Basándose en un recuerdo de infancia, muy corto y curioso, Freud cree poder explicar varios aspectos de la personalidad de da Vinci, su genio científico y el hecho de que habría sido homosexual. [como se maioria dos italianos do renascimento não o fosse!] Después de la publicación de su libro Un recuerdo de la infancia de Leonardo da Vinci, el detalle del recuerdo sobre el que se basaba la demostración de Fraud se demostró inexacto. Sin embargo, Fraud no puso en absoluto en cuestión su interpretación. Puede deducirse que el razonamiento psicoanalítico tiene menos necesidad de material de lo que el propio analista pensaba en un principio. Incluso un pequeño detalle no es necesario: el psicoanálisis funciona igualmente bien cuando se basa en un hecho inexistente.”

Fraud no duda en hacer lo que ningún historiador del arte ha osado hacer. Afirma que da Vinci pasó los primeros años de su vida solo con su madre. Esta situación – vivir solo con una madre soltera durante los primeros años de la infancia – tuvo, según Fraud, consecuencias muy pesadas”

En el curso de un vuelo, el buitre abre su vagina y se hace fecundar por el viento. Esta leyenda egipcia fue utilizada por los Padres de la Iglesia para acreditar la creencia en la concepción de Jesús por María sin intervención de un hombre.”

Un chico que ha crecido viviendo solo con su madre se une a ella hasta un punto en que no querría, más adelante, serle infiel amando a otras mujeres. Se convertirá pues en homosexual. Fraud explica así por qué da Vinci debía ser homosexual.”

En 1923, el historiador del arte Eric Maclagan reveló que toda la construcción de Fraud se basaba en un error de traducción. Da Vinci había escrito que el ave de su recuerdo era un ‘nibio’ – que hoy en día se escribe nibbio. Resulta que un nibbio no es un buitre sino un milano. El milano no juega ningún papel en la mitología egipcia y no sirvió a los Padres de la Iglesia para hacer comprensible la concepción de Jesús por una virgen.” “En ruso, la palabra korshun designa igualmente a un buitre y a un milano. El traductor alemán había cometido el error de elegir el primero de esos dos términos. Pero poco importa, el psicoanálisis funciona incluso cuando se basa en cosas que no han tenido lugar”

Yo mismo he publicado las pruebas del hecho de que Fraud había sido perfectamente informado de la denominación correcta de la rapaz, un milano, pero no pudo por menos que continuar repitiendo la construcción elaborada sobre un buitre. Aquí como en otras ocasiones, Freud no se preocupó demasiado de la realidad de los hechos.”

E) ¿UN ERROR DE TRADUCCIÓN? – BORCH-JACOBSEN

Hasta el presente, se admitía generalmente que el error de Fraud a propósito del pretendido ‘buitre’ de Leonardo era imputable a las traducciones alemanas del pasaje sobre el nibbio a las que había tenido acceso, en particular la de Leonardo da Vinci, una novela histórica de la época próxima al siglo XV del escritor ruso Dimitri Sergeievitch Merejkovski. En esta biografía novelada que Fraud citaba en 1907 entre sus libros preferidos y que parece haber aportado el punto de partida de su investigación sobre Leonardo, nibbio en efecto había sido traducido en alemán como Geir (buitre) en lugar de Hühnergeier (milano) – un error del traductor, ya que el propio Merejkovski había traducido correctamente el término en ruso. Estamos por tanto tentados a pensar que es esta traducción de Merejkovski la que inicialmente lanzó a Fraud sobre una pista falsa. Esto, sin embargo, encaja mal con el hecho de que Fraud, en su ensayo, da su propia traducción del texto de Leonardo, citando por añadidura el original italiano en una nota, mientras que en el resto del texto cita sistemáticamente las traducciones alemanas cada vez que es posible.”

Como demostró Han Israëls en su artículo sobre Fraud y Leonardo, el pasaje de este último sobre el milano de su infancia se encuentra reproducido en 4 de las obras en alemán citadas por Fraud en su ensayo: la biografía de Merejkovski y las más académicas de Woldemar von Seidlitz, de Edmondo Solmi y de Marie Herzfeld. Si las traducciones de Merejkovki y de Solmi dan las 2 Geier, von Seidlitz y Herzfeld dan la traducción correcta”

Se sabe, en efecto, que Fraud, poco respetuoso con sus libros [haha], tenía la costumbre de señalar con un trazo vertical a lápiz verde o marrón los pasajes que le interesaban o que contaba con citar más adelante. Cualquiera puede pues, tomarse la molestia de ir al Freud Museum de Londres y consultar el ejemplar del libro de Herzfeld que se encuentra en la biblioteca de Fraud, con el fin de verificar por sí mismo si el gran hombre había o no prestado atención a la traducción propuesta por el autor. Abriendo el libro por la página V, en el lugar preciso donde se encuentra citado el pasaje de Leonardo sobre el Hühnergeier de su infancia, el escéptico podrá constatar con sus propios ojos que Freud trazó en el margen no uno, sino 2 trazos verticales con un lápiz marrón…”

El error de traducción de Fraud es un error completamente voluntario, deliberado. Al darse cuenta de que su construcción se rompía por un pequeño detalle incómodo, eligió mantenerla a despecho de todo, reescribiendo (retraduciendo) el recuerdo de Leonardo para que encajara con sus deseos teóricos. El procedimiento es tanto más extravagante en cuanto que Fraud, sin duda para cubrirse las espaldas en caso de que se le acusara de falsificación, reprodujo simultáneamente el texto original en italiano. ¿Cómo, en estas condiciones, podía esperar que su maniobra escapara durante tiempo a la detección? La impresión que se saca de este extraño episodio es la de un hombre tan firmemente convencido de su infalibilidad que no podía imaginar que la realidad se le resistiera. Difícil encontrar mejor ilustración a lo que el mismo denominaba la ‘omnipotencia de los pensamientos’…”

F) EL DIARIO DE UNA ADOLESCENTE DE LA DRA. HUG-HELLMUTH – ISRÄELS

En 1919, las Ediciones psicoanalíticas de Viena publicaban el diario de una adolescente: Tagebuch eines halbwüchsigen Mädchens. El autor permanecía en el anonimato. Igualmente, la persona que había aportado el documento a las Ediciones psicoanalíticas de Viena había deseado no desvelar su identidad. En el prefacio de la obra, esta persona citaba una carta de Fraud, que calificaba este diario de ‘pequeña joya’, porque en él, se encontraba descrito con una precisión excepcional el desarrollo de la vida sexual. La descripción, en efecto, era considerable: la evolución sexual de la joven correspondía punto por punto con la teoría fraudiana.”

En esos círculos, algunos dudaban de la autenticidad del texto, mientras que otros consideraban esas dudas totalmente fuera de lugar. Así, la célebre psicoanalista Helene Deutsch escribía, algunos años más tarde:

En lo que me concierne, estoy completamente convencida de la autenticidad del diario publicado por Hug-Hellmuth. Las descripciones son tan justas y vivas que sólo una chica joven ha podido vivir y escribir todo lo que se encuentra en él […]. El libro es de una veracidad psicológica tal que se puede decir que es una joya de la literatura psicoanalítica.”

En 22, un resumen de la traducción inglesa del Diario fue publicado en el British Journal of Medical Psychology. El autor del resumen era Cyril Burt entonces joven miembro de la Asociación inglesa de psicoanálisis. Por varias razones, emitía dudas en cuanto a la autenticidad de la obra: en ningún lugar encontraba el lector alguna dificultad de comprensión, no se revelaba necesaria ninguna nota explicativa, cada personaje era presentado brevemente cuando hacía su primera aparición, numerosos pasajes estaban hasta tal punto elaborados que el autor había tenido que consagrarles sin duda un mínimo de 5 horas diarias. Menos de 1 año después, la revista inglesa publicaba una carta de la Dra. Hermina Hug-Hellmuth. La psicoanalista revelaba que era ella quien había aportado el Diario al editor, subrayaba que era una persona respetada en el mundo del psicoanálisis y que conocía personalmente al profesor Fraud. Afirmaba con fuerza que el Diario era auténtico y que ella no había cambiado nada, aparte de nombres y lugares. Un pequeño comentario de Cyril Burt seguía a la publicación de esta carta. Burt explicaba que había escrito a Hug-Hellmuth antes de publicar su resumen y que había esperado durante mucho tiempo una respuesta. Hug-Hellmuth había terminado por escribirle que había estado ausente durante mucho tiempo, que la autora del Diario había muerto y que el manuscrito ya no estaba disponible. Esta respuesta terminó por convencer a Burt de que su resumen, entonces en la imprenta, podía aparecer sin modificaciones.

Bastantes años después, Cyril Burt se convirtió en un célebre psicólogo. No fue hasta después de su muerte cuando se desvelaron los fraudes que había cometido en investigaciones empíricas. Como en su caso, el engaño de Hug-Hellmuth no fue claramente establecido hasta después de su deceso.”

El engaño no fue definitivamente desenmascarado hasta 1926, 2 años después de la muerte trágica de la Dra. Hug-Hellmuth. Un cierto Josef Krug puso en evidencia que sucede frecuentemente, en el Diario, que entre los 2 mismos días de la semana el número de días no es un múltiplo de 7. Por otra parte, las fechas de una serie de días festivos son erróneas. Así, durante 3 años consecutivos, el día de Pascua, que se menciona, es en cada ocasión un día después del anterior. El prefacio de la 3ª edición menciona que los acontecimientos descritos se desarrollaron entre 1903 y 1907. En el Diario, el sistema de boletines escolares, que se menciona, no fue introducido en la enseñanza hasta 1908 (Josef Krug era maestro en una escuela de secundaria en Viena). El autor del Diario utiliza cabinas públicas de teléfono: en Viena, la primera de este tipo data de 1908. Está la cuestión de un grupo de oficiales de la Fuerza aérea: la primera aparición de un avión de caza austriaco data de 1909. Está aun la cuestión de un libro que no fue escrito hasta 1909. Krug podía pues concluir que el Diario ‘es solamente un documento psicológico, en el sentido en que testimonia la forma en la que muchos adultos se representan el mundo vivido por una niña que crece’.

La redacción de la revista que publicaba el artículo de Krug, señalaba que había pedido a los psicoanalistas una réplica y que su respuesta se publicaría en el número siguiente. No apareció ninguna réplica. Sin embargo, un año más tarde, las Ediciones psicoanalíticas hacían un llamamiento, en el boletín de las librerías alemanas, para recuperar todos los ejemplares de la obra aun a la venta, porque habían surgido dudas en cuanto a la autenticidad del texto.

A despecho de todo esto, la carrera del Diario no había terminado. Observemos la colección de libros de bolsillo del célebre editor alemán Suhrkamp. ¡Encontraremos desde 87 el mismo Tagebuch eines halbwüchsigen Mädchens! Si usted no conoce el libro y lo consulta, es poco probable que usted pueda descubrir que se trata de una superchería [fraude]. La portada del libro cita solamente un extracto del elogio escrito por Freud. La obra contiene un nuevo prefacio, escrito por Alice Miller, la célebre pedagoga antiautoritaria, autora de libros de éxito como el Drama del niño dotado. Según Alice Miller, los niños no son – como sugiere el psicoanálisis – pequeños monstruos del egoísmo; son los adultos los que se conducen demasiado a menudo de forma monstruosa, malsana e hipócrita. Según ella, la educación se reduce frecuentemente al aprendizaje de la hipocresía y de la mendacidad que caracterizan el mundo de los adultos.” “En el prefacio, puede leerse que la obra desapareció de las librerías alemanas en 27, pero la verdadera explicación no se aporta. Sin embargo se sugiere una razón: el autor escribe que el diario había sido ‘prohibido en Inglaterra porque constituía un peligro para las buenas costumbres’.” “En Inglaterra, la obra sobrevivió a todas las controversias. Una segunda edición vio la luz en 36 y una tercera en 52, disponible hasta los años 70. En la contraportada de esta 3ª edición puede leerse, en negrita: ‘La obra no es una novela, sino lo que pretende ser: un diario no reelaborado y no expurgado’. En esta edición, no aparece el nombre de Hug-Hellmuth, ni una evocación de las dudas concernientes a la autenticidad del Diario. Apareció en una colección donde se encuentran obras de Fraud y de otros psicoanalistas. Manifiestamente, en el mundo psicoanalítico, Hug-Hellmuth no era la única que, por una buena causa, no dudaba en engañar conscientemente al público.”

4. ¿LA ÉTICA DEL PSICOANÁLISIS?

(*) “¿por qué los psicoanalistas piden precios tan superiores a los de otras psicoterapias? ¿por qué insisten tan a menudo en cobrar en efectivo? ¿por qué el psicoanálisis ha sido siempre, en lo esencial, un asunto de gente con fortuna (y por tanto bien situada)? y ¿por qué las instituciones psicoanalíticas reciben tan a menudo legados y donaciones de pacientes reconocidos? es esta cuestión particularmente explosiva del dinero y del abuso de poder (undue influence) ejercido por los psicoanalistas el que plantea el historiador Peter Swales, destruyendo de una vez por todas el mito del desinterés del buen doctor de Viena.”

FREUD, LUCRO Y ABUSO DE PODER

Mi estado mental depende muy fuertemente de lo que gane. Para mí, el dinero es como un gas hilarante” F.

Los editores de las cartas a Fliess, Marie Bonaparte, Anna Freud y Ernst Kris, suprimieron las alusiones al ‘pescado de oro’ para designar a su paciente, y al ‘gas hilarante’ para designar al dinero – así como las citas anteriores sobre los ‘negros’ –, con el pretexto de que no tenían razón de ser en una biografía científica.”

un día conocí la extrema pobreza y tuve angustia de ella. Si esta ciudad me concede medios confortables de subsistencia, verá, mi estilo mejorará y mis ideas serán más precisas.”

Es sin duda verdad – como afirma Alexandre, el hermano más joven de Freud – que, más adelante en su vida, Freud exageró las privaciones que había sufrido en su juventud.”

intentó escapar de esa pobreza sórdida, precipitar su matrimonio y salvar su carrera en la investigación pura reclutando gloria y riqueza por sus trabajos sobre el alcaloide de la cocaína. Pero la mala suerte quiso que fracasara totalmente, de entrada cuando se vio adelantado por un colega en el importante descubrimiento de uso de la cocaína como anestésico en cirugía local, después cuando un amigo, al que había intentado deshabituar de la morfina dándole cocaína, se convirtió de hecho en dependiente de ambas sustancias.”

en 87, Freud empezó a tratar a Frau Anna von Lieben, baronesa de nacimiento y esposa de un célebre banquero, que era una de las mujeres más ricas de Viena. Aproximadamente en la misma época, parece que empezó a atender a Frau Elise Gomperz, que se había casado con un tío de Anna von Lieben y se había convertido así en miembro de una de las familias más influyentes de Viena y de la vecina Moravia. Poco después, Fraud empezó el tratamiento de Frau Fanny Moser, la viuda de un industrial de origen ruso y suizo, reputada como una de las mujeres más ricas de Europa central. Así, apenas 2 o 3 años después de haber abierto su consulta médica, Fraud se había de hecho convertido en el psicoterapeuta de algunas de las mujeres más ricas del mundo, gracias al prestigio relacionado con su asociación con Charcot, a las recomendaciones de sus padrinos Josef Breuer y Rudolf Chrobak, pero también a Hermann Nothnagel, Richard von Krafft-Ebing y Moriz Benedikt.

En otoño de 87, Anna von Lieben fue remitida a Fraud por Breuer, el médico internista de esta última, y Chrobak, su ginecólogo: para ambos había llegado el punto de no saber qué hacer con esa cuarentona obesa, histérica, a la que ningún médico había conseguido realmente satisfacer, por no hablar ya de ayudarla. Inmediatamente, el joven doctor se puso a la tarea, y le insinuó sus buenos oficios rindiéndole visitas cotidianas en su lujosa residencia del centro de la ciudad. Pero, a continuación, noche y día durante 6 años, Fraud se encontró progresivamente a las órdenes de su paciente. En efecto, 2 veces al día, estaba obligado a calmar las crisis emocionales explosivas por medio de sesiones de sugestión bajo hipnosis, conversaciones interminables, e inyecciones de morfina – hasta tal punto la paciente devoraba prácticamente a su médico, que le amenazaba con interrumpir sus vacaciones de verano en el campo con mujer e hijos. Freud expresó así sus frustraciones en una carta de 1889 a su cuñada, Minna Bernays, después de que le sacaran de la cama la noche anterior: ‘El coloso piensa siempre únicamente en sus nervios, y simplemente no entiende de otra cosa’. La sumisión crónica de Freud a su dominadora formaba parte de una dependencia simbiótica, ya que, para él, la mujer continuaba representando la gallina de los huevos de oro. En 1890, escribió a Fliess para declinar la invitación de éste para ir a Berlín explicando: ‘Mi principal cliente atraviesa justo en este momento una especie de crisis nerviosa, y puede que durante mi ausencia, su estado mejore’.”

Varios miembros del círculo familiar sospechaban desde hacía tiempo que Fraud no era más que un charlatán ávido de llenarse los bolsillos gracias a los ingresos sustanciales que le procuraba el tratamiento de una aristócrata inmensamente rica. Al no constatar ningún signo de mejoría – y temiendo que ciertamente su hipernerviosismo fuera de origen iatrogénico [culpa del propio tratamiento] –, se opusieron categóricamente a esas interminables sesiones cotidianas. Así, quizás no fue accidental que, algunos meses más tarde, dado que el estado de esta mujer no había mejorado demasiado desde su primer encuentro con Freud 6 años antes, la locura a 2 terminó, sin duda a instancias de la familia o de la propia paciente, y a pesar del consejo de Freud.”

Quemado con Breuer, sin duda el médico internista más respetado y más próspero de la ciudad, ya no podía contar con las recomendaciones de este último. No es sorprendente que a continuación, ese año, decepcionado por sus ingresos, Freud imagine poder mejorar de manera drástica su situación material con su nueva teoría según la cual la única fuente de la histeria reside en los abusos sexuales de la primera infancia. Sin embargo, demasiado pronto, debió rendirse a la evidencia de que los ensayos en los que proclamaba su gran descubrimiento eran acogidos con un silencio burlón por sus colegas médicos.”

En febrero de 97, cuando un colega de más edad le anunció que, de acuerdo con otros 2 colegas, tenía la intención de someter una demanda de promoción en su favor al ministro de Educación, tuvo razones para esperar que sus ambiciones fueran por fin a ser recompensadas. Pero, al mismo tiempo, Fraud sabía que era mejor no confiarlo todo a eso, ya que el antisemitismo se hacía cada día más fuerte y corrompía insidiosamente el clima político. Podía aparentemente ganarse aun correctamente la vida con los largos tratamientos de sus ricas pacientes neuróticas – por lo menos mientras que le pudieran llegar de países como Rusia, Polonia, Hungría y Rumania. Pero seguía inquietándose por la manera en que podría alcanzar los 2 objetivos y estaba ansioso a propósito del futuro. En verano de 98, se planteó, de forma quizás no tan frívola, ser invitado a Rusia durante 1 año para atender al zar, al que había diagnosticado a distancia como afecto de ideas obsesivas, y pensó que eso le reportaría tanto dinero que tendría la posibilidad no sólo de viajar, sino de seguir atendiendo a sus pacientes ‘por nada’.”

As confissões mais degradantes e sórdidas vêm sempre das cartas censuradas a Fliess: “El pescado de oro (Marie von Ferstel, de soltera Torsch, una pariente lejana de mi esposa) ha mordido el anzuelo, pero disfrutará aun de su libertad hasta finales de octubre, ya que por el momento se queda en el campo”

Para el hombre muy ambicioso que era Fraud, era como si la humanidad rechazara la iluminación que el ofrecía – con su Interpretación de los sueños, pero también con su teoría de la histeria –, como si hubiera fracasado en dejar su pisada en el mundo y en reclutar la gloria y la riqueza que, según él, se le debían.”

Yo mismo me sentiría extremadamente feliz cambiando 5 felicitaciones por un caso conveniente, susceptible de ser seguido de un tratamiento prolongado. He aprendido que el Viejo Mundo está gobernado por la jerarquía mientras que el Nuevo Mundo lo está por el dólar. Por primera vez, me he sometido a ella, y tengo derecho de esperar una recompensa. Si el efecto producido sobre círculos de influencia más grandes es tan prodigioso que sobre círculos restringidos, entonces tengo razones para la esperanza.”

De novo, F. a Fl.

Que Fraud pasara sus vacaciones con su mujer y sus hijos no era en sí un problema, ya que una calurosa amistad se estaba anudando entre la baronesa, su marido y los miembros de la familia Fraud, hasta tal punto que los hijos de Fraud estaban invitados a festejar la Navidad en casa de ella. Pero, según el profesor Renée Gicklhorn de la Universidad de Viena, cuya informadora era una sobrina de la paciente, al estarse enamorando la baronesa de Fraud y, actuando bajo su influencia, le había cedido, por acta notarial, una villa en el campo cerca de Viena, quizás en Perchtoldsdorf, con el fin de consolidar la seguridad financiera de sus 6 hijos. Fraud, como está documentado, revendió la villa poco tiempo después.

Según Gicklhorn, la familia de Marie von Ferstel estaba ferozmente opuesta a que su entusiasmo por Fraud continuara. Después de que ella le ofreciera la villa – que pertenecía a sus bienes personales –, sus padres le bloquearon el acceso al patrimonio inmobiliario de la familia, de tal suerte que ella ya no tuvo medio de pagar los honorarios de su tratamiento.”

Ser calumniado y consumido a causa del amor que es nuestro útil de trabajo – tales son los riesgos de nuestro oficio, que ciertamente no vamos a abandonar a causa de lo que ellas cuenten.”

En septiembre de 02, Fraud envió un ejemplar de su Interpretación de los sueños al célebre Theodor Herzl, con la esperanza de que el folletinista hiciera un comentario del libro en el importante periódico de Viena, Neue Freie Presse. Pero Herzl emitió reservas, diciendo que no se sentía competente para hacerlo.”

Fraud, el especialista en enfermedades nerviosas, se autoproclamó desde entonces psiquiatra y, como los miembros de su nuevo movimiento dirigían una campaña sistemática en su favor, afirmó su hegemonía sobre este reino – y, por extensión, sobre el campo de la psicología en su conjunto. A pesar de su éxito y del aumento significativo de sus ingresos, siguió fundamentalmente insatisfecho por su situación financiera: el dinero, como resalta en una carta de Carl G. Jung en 1909, era <el complejo que supero menos bien, por razones que se remontan a mi infancia>.”

Estoy absolutamente desolado de que no podáis estar conmigo. Pero para disfrutar de todo esto con vosotros… hubiera sido necesario que no fuera psiquiatra y que no fundara una nueva escuela, sino que fuera fabricante de productos útiles como el papel higiénico, las cerillas o los cordones para los zapatos. Es demasiado tarde ahora para cambiar de oficio, así que continúo – egoístamente pero de hecho, a disgusto – disfrutando de todo esto solo.”

Tres años más tarde, en un ensayo titulado Algunas recomendaciones sobre la técnica del psicoanálisis, Freud abordó la cuestión de los honorarios, un tema que omitirá profundizar más en la obra publicada – de una forma bastante lamentable, hay que resaltarlo, recomendaba a los practicantes adoptar desde el principio una actitud muy franca. Debían convenir expresamente, con audacia y sin escrúpulos, honorarios suficientemente elevados para que los clientes potenciales tuvieran la impresión de que la prestación que se les proponía tenía valor. A la <pregunta molesta> de la duración del tratamiento – una cuestión <a la que, de hecho, es casi imposible responder> – Fraud respondía que un analista podía solamente dar garantías del hecho de que duraría <más tiempo del que preveía el paciente>. Freud mantenía que los honorarios elevados estaban justificados por el hecho de que, independientemente de la duración del tratamiento, el psicoanálisis mantendría su promesa de partida: la curación de la neurosis. Era por tanto con consideraciones terapéuticas en mente que recomendaba esta actitud interesada; después de todo, la reducción progresiva del tamaño de la cartera o de los bolsillos del paciente podía actuar como potente motivación para sentirse mejor. En virtud de este razonamiento y de la idea de que el pago de honorarios permite mantener la relación entre el doctor y su paciente sobre un plano estrictamente profesional, el psicoanalista estaba entonces por la fuerza de las cosas ante la imposibilidad de seguir a pacientes por caridad – algo que, de todas maneras, teniendo en cuenta el tiempo empleado, hubiera sido fuertemente perjudicial para sus ingresos.”

Con la inflación y la reducción de su clientela durante la Primera Guerra Mundial, Freud perdió todas sus economías y, a pesar de las sumas de dinero enviadas por un rico cuñado de América, temió al fin de la guerra estar completamente arruinado. Preocupado esencialmente por cuestiones materiales, Fraud se puso a soñar que podría obtener el Premio Nobel. Pero, en 1919, para su sorpresa, empezó a recibir visitantes de Gran Bretaña, América, Suiza, que estaban ávidos de conocer sus teorías, y estaban dispuestos a pagar por psicoanálisis prolongados, cada uno en su moneda de origen y comparativamente no-devaluada.”

A principios del año 1921, Horace Frink, un psiquiatra muy conocido, decidió quedarse algún tiempo en Viena para seguir un psicoanálisis, y Fraud reconoció instantáneamente en él a un hombre perfectamente adaptado para tomar la dirección del movimiento psicoanalítico en el Nuevo Mundo. Frink tenía a una esposa amante y 2 hijos jóvenes, pero, después de varios años, mantenía una familiaridad indebida con una paciente, Angelika Bijur, heredera de una familia de banqueros, casada a su vez. En el curso de las primeras semanas de análisis, Fraud intentó convencer a su alumno de que estaba enamorado de su paciente. Dejando caer la amenaza de que, si no, Frink se convertiría en homosexual y que Bijur tendría una depresión nerviosa, les presionó para divorciarse de sus respectivos esposos y casarse, de manera que Frink pudiera obtener la gratificación sexual y el amor que no había podido encontrar con su mujer. Al principio, Frink se resistió a los esfuerzos de persuasión de Fraud, pero, después de transcurridos 6 meses en el diván legendario, se unió a la opinión del gran Menschenkenner. Anunciando a su mujer el fin de su matrimonio, le pidió a Bijur que se casara con él, lo que ella aceptó, con gran enfado del cornudo de su marido.”

Al rehacer una biografía de Freud más moderna, <para nuestro tiempo>, Peter Gay, el actual guardián del sueño de este mundo hinchado de sueños que es el psicoanálisis, relega lo esencial de la historia de Frink a una nota a pie de página y disculpa a Freud como actuando <con la mejor voluntad del mundo pero también con una forma de arrogancia despreocupada>, siendo esta última verosímilmente <inconsciente>. Además, en una entrevista, desaconseja juzgar demasiado severamente a Fraud a propósito de los acontecimientos de 1921-22: <La mayor parte de ellos se desarrollaron en 1923-1924 [¿?]. En esa época, Freud había sabido que tenía un cáncer y pensaba que quizás muriera.> De hecho, después del inicio del siglo, Fraud cobraba el equivalente a $10/h – unos honorarios muy elevados para la época – y veía de 8 a 10 pacientes por día, en general 6 días a la semana; después de saber que tenía un cáncer en 1923, no veía más que a 5 paciente por día, pero dobló sus honorarios hasta $20, que había que pagar en divisas extranjeras. Desde entonces, las consultas le reportaban al <león> alrededor de 500 dólares por semana – el equivalente actual a un poder adquisitivo 10x superior –, y lejos de él la idea de rehusar los demás legados y regalos de sus <negros>. Jones declara que Fraud defraudaba probablemente en sus impuestos, algo ampliamente extendido en aquella época en Austria. Lo hizo ciertamente omitiendo declarar sus honorarios y derechos de autor pagados en divisas extranjeras y depositados en 1 o 2 cuentas bancarias en la Haya, en Holanda.”

Anotações do diario de Ferenczi (aspas sempre de F.): “Los paciente son basuras (ein Gesindel)”, “buenos sólo para sacarles dinero y para ser considerados como objetos de estudio”, “no podemos un ningún caso ayudarlos”, “es posible que el psicoanálisis no tenga ningún valor terapéutico”…

Los propagandistas de la doctrina fraudiana no pusieron en cuestión, al menos oficialmente, este autorretrato altruista de Fraud. Al contrario, con el tiempo, construyeron y embellecieron el mito del héroe y trabajaron activamente en su deificación en un verdadero Moisés de la cultura moderna. Después de todo, describir a Fraud como un investigador desinteresado, de una integridad a toda prueba, servía para autentificar y legitimar la empresa psicoanalítica desde un punto de vista no solamente científico, sino también ético. Se daba así a entender al público no-iniciado que los psicoanalistas, al igual que su maestro cuyo retrato estaba habitualmente colgado en los muros de sus consultas, eran ellos también profesionales devotos de la salud mental, sin intenciones ocultas y teniendo en su corazón los intereses de sus pacientes. A la luz de los datos históricos y en particular de las informaciones contenidas en la correspondencia privada de Fraud, junto con otros documentos que fueron exhumados o que se hicieron accesibles después de su edificación, este retrato del médico y del científico con motivaciones irreprochables y con una conducta sin tacha debe ser inmediatamente descolgado. Funditus.

En efecto, el fenómeno del <abuso de poder> (undue influence) – se trate de donaciones, legados, análisis interminables, relaciones sexuales con los pacientes o de la actual imitación mutuamente consentida de recuerdos de la 1ª infancia – es virtualmente endémica en una profesión que, después de todo, debe su propia existencia y su propagación a una plétora de personas crédulas, dispuestas a pagarse el lujo de abdicar de su soberanía mental en otro y tentando demasiado a menudo desesperadamente descargarse de la responsabilidad moral del naufragio de su vida. Estas personas colaboran, de buen corazón o sin darse cuenta de lo que les pasa, con un grupo muy organizado de profesionales interesados, que están persuadidos del valor de su título, ciegamente convencidos de haber superado sus <represiones> después de años de tratamientos costosos y de tener una intuición especial de trabajo íntimo de la mente del que es privado en general, el no-iniciado. Pero una evocación así del papel profundamente nocivo del <abuso de poder> en la historia psicoanalítica moderna – un tema raramente abordado en la literatura profesional, aunque sea removido de vez en cuando por los periodistas – sobrepasaría el alcance de este ensayo, que quiere ser únicamente una contribución a los estudios freudianos. Quizás estas páginas tengan al menos algún valor para el gran público en tanto que constituyen un consejo y un cuento moral.”

SEGUNDA PARTE

¿POR QUÉ EL PSICOANÁLISIS HA TENIDO TANTO ÉXITO?

1. A LA CONQUISTA DEL MUNDO

A) ESPLENDOR Y DECADENCIA DEL PSICOANÁLISIS – EDWARD SHORTER (traducción de Violaine Guéritault)

A medida que el psicoanálisis se desarrollaba como movimiento, 2 tipos de médicos le prestaron atención: los psiquiatras, que trabajaban en asilos psiquiátricos, y los neurólogos que ejercían en privado (Prácticamente no existían psiquiatras privados antes de la I Guerra mundial; la psicoterapia dependía del terreno de competencia de los neurólogos.)”

Todo el mundo está de acuerdo en el hecho de que fue Angelo Hesnard, un estudiante de Régis, el que introdujo el psicoanálisis en Francia en 1913 publicando una serie de artículos en L’Encéphale.

El psicoanálisis estuvo de moda en París hacia 1925, en la época en que Eugène Minkowski se convirtió en uno de los fundadores de la publicación L’Évolution psychiatrique, el órgano principal del grupo vagamente pro-psicoanalítico del mismo nombre, y cuyas bases filosóficas descansaban en los escritos de Henri Bergson y en la fenomenología de Edmund Husserl.”

Desde 1914, Karl Bonhoeffer, profesor de psiquiatría en Berlín, introdujo, en los exámenes de sus estudiantes, preguntas del tipo: ‘¿Cuál es el papel que representa el psicoanálisis en la psiquiatría?’ Después de la guerra, el aprendizaje del nuevo ‘seelische Behandlung’ hacía furor entre los jóvenes psiquiatras y neurólogos. Alrededor del año 1925, estaba muy de moda hablar de su ‘Minko’ (es decir su Minderwerligkeitskomplex, o complejo de inferioridad) en las veladas de alto copete de Berlín.

Irónicamente, fue en los Estados Unidos, país habitualmente indiferente a las influencias europeas, donde el psicoanálisis se expandió más. Esta tendencia se explica fácilmente por la fuerte emigración a Nueva York, Washington y Los Ángeles de analistas alemanes y austríacos perseguidos consecutivamente en sus propios países tras el ascenso del nazismo.” “50 de los 250 psiquiatras alemanes que emigran a los Estados Unidos después de 1933 son psicoanalistas, y de gran renombre para algunos.

Un sondeo efectuado años más tarde (1980) identifica entre los 10 analistas más reputados del país a 8 emigrados entre los cuales Heinz Hartmann, Ernst Kris y Erik Erikson. Se deduce de otro sondeo realizado mucho antes que los psiquiatras interrogados sobre a qué colegas juzgaban particularmente influyentes en la profesión colocaban a Anna Freud en cabeza de la lista, sin contar que casi todos los nombre citados eran psicoanalistas.”

Todos estos programas universitarios orientados al psicoanálisis ejercieron una gran influencia sobre los psiquiatras americanos que no eran en ese momento psicoanalistas (solamente el 10% de ellos lo eran) pero cuya orientación profesional estaba basada en la psicodinámica. Dos tercios de los psiquiatras americanos en 1970 parecían utilizar el ‘Enfoque dinámico’. El psiquiatra canadiense Heinz Lehman, también emigrado, decía mucho más tarde: ‘Entre 1930 y 50, el modelo psicosocial reinaba como un dueño absoluto en los Estados Unidos. Cualquier otro enfoque había desaparecido y eras juzgado como anacrónico, simplista y sin ninguna cultura si pensabas que la fisiología, bajo la forma que fuera era capaz de aportar respuestas a las cuestiones esenciales. Eso no tenía ningún sentido, y ciertamente no osabas emitir este tipo de ideas’.”

Incluso la tradición de la patología del cuerpo, tan influyente en Europa a lo largo del siglo XIX, tenía aun su lugar después de la Segunda Guerra mundial (mientras que había desaparecido casi totalmente en los Estados Unidos) y conducía a ciertos descubrimientos como la base biológica del síndrome de La Tourette.”

Pasó en seguida una cosa sorprendente. Al final de los años 60, la corriente de pensamiento psicoanalítico conoció una verdadera recrudescencia en Francia, en Alemania, en Italia así como en otros países europeos. Los acontecimientos de mayo de 68 en Francia sirvieron de trampolín a esa recuperación del interés en el psicoanálisis. Cuando los jóvenes estudiantes de medicina furiosos ocuparon el despacho de Jean Delay, exigieron el fin de los tratamientos con electrochoques (uno de los raros tratamientos en psiquiatría verdaderamente eficaces), así como la integración del psicoanálisis en el programa de medicina y en los hospitales. En Holanda, en 65, el anuncio de que el psiquiatra Hermann Van Praag, conocido por sus trabajos en psicofarmacología, venía de los Estados Unidos para abrir un servicio de psiquiatría biológica en Groningen fue vivido como un verdadero drama por los intelectuales de la época. Cuando en 77 Van Praag, conocido con el nombre de ‘Señor Psiquiatría biológica’, se convirtió en titular de una cátedra en Utrecht, la reacción fue aun más violenta ya que recibió amenazas de muerte. En Italia, donde se mostró poco interés en enfoques del tipo ‘psicología de las profundidades’ antes de los años 60, el psicoanálisis se identificó prácticamente con la psiquiatría (y sigue siendo el caso hoy en día: Italia parece una especie de museo de la psiquiatría de los años 60, en donde se oye aun hablar de Fraud en la prensa y en donde se lee que (…) todos los hospitales psiquiátricos han cerrado sus puertas).

¿Cuál es la causa de este ascenso tardío en el poder del psicoanálisis en países que o bien habían sostenido la dictadura de Hitler, o la habían padecido? Se puede entender fácilmente el espíritu de rebelión de los años 60, marcado por el rechazo a la autoridad médica, a los asilos de alienados y al poder que tenían los psiquiatras de disponer de la libertad de sus pacientes.”

Entre los activistas de los años 60, el simple término ‘psicopatología’ inspiraba desprecio, como si la patología en cuestión residiera en la mente y no en el cuerpo del paciente. Franco Basaglia, psiquiatra italiano reputado por sus opiniones a propósito de la psiquiatría, hablaba con desdén de las corrientes ‘antropofenomenológicas’ que simbolizaban todo lo que le parecía erróneo en la psiquiatría institucional tradicional. Basaglia, adepto convencido de la psiquiatría social y comunitaria, no se adhería particularmente al psicoanálisis. Sin embargo, tanto los analistas como los activistas sociales estaban de acuerdo con el hecho de que las enfermedades psiquiátricas no existían y que sólo los problemas personales y sociales exteriores debaten a la gente entre la buena salud y la enfermedad.” “Es así como las doctrinas de Fraud conocieron un resurgimiento importante en esa época, porque representaban una terapia de elección para los intelectuales. Y los activistas de los años 60, apasionados por Marx y Marcuse, formaban ciertamente parte del grupo.”

La historia de la psicofarmacología debuta en París con el descubrimiento en 1952 en el hospital Val-de-Grâce de un compuesto químico, la clorpromazina producida por Rhône Poulenc, cuyos efectos sobre las ‘manías’ eran espectaculares. Jean Delay y su asistente Pierre Deniker sometieron a la clorpromazina, a punto de ser comercializada bajo el nombre de Largactil, a una serie de test clínicos y se dieron cuenta de la extraordinaria eficacia de este medicamento en las psicosis. La clorpromazina, el primer neuroléptico, tenía la ventaja de calmar a numerosos pacientes haciendo desaparecer sus alucinaciones sin tener que administrarles tranquilizantes. Después de 52, un amplio mercado farmacológico se abrió a la comercialización de los antidepresivos (el primero, la imipramina, hizo su aparición en 57); de ansiolíticos (el primero, la benzodiacepina, Librium, cuya apelación genérica es clordiazepóxido, se comercializó en Estados Unidos en 60 y en Francia en 61); y de los timoreguladores (el litio se comercializó en los años 60)”

La terapia por electrochoques se demostró muy eficaz en el tratamiento de los trastornos del humor.”

La primera versión de este manual que ponía el acento en las ‘reacciones’ psiquiátricas descritas por el psiquiatra Adolf Meyer de la Universidad John Hopkins apareció en 1952; una segunda edición, redactada bajo la influencia del movimiento psicoanalítico que describía todos los trastornos como ‘neurosis’, se publicó en 1968. Finalmente, en 1980, la 3ª edición del Manual diagnóstico y estadístico de los trastornos mentales, también llamado DSM-III, hizo su aparición. Al contrario que las ediciones precedentes, el DSM-III se pretendía absolutamente agnóstico en lo que concernía a las causas de los trastornos mentales.” DESCONFIE!

(Una versión francesa de la edición siguiente, DSM-III-R (1987), se publicó en 1989 bajo el nombre: Manuel diagnostique et statistique des troubles mentaux.)” Versão Remis Deluxe

A partir de 90, los analistas abandonan prácticamente por completo ciertas neurosis como los trastornos obsesivo-compulsivos (o TOC) – dejados desde entonces en manos de la psicofarmacología y de las terapias comportamentales y cognitivas – y se interesan por la patología de la personalidad, y en la ocurrencia de trastornos de la personalidad que no están reportados en el DSM.”

O resultado é que, não importa o que tenhamos, estamos todos fodidos.

Es un poco como la última persona que aprenda esperanto. ¿Quién será el último en ser psicoanalizado? Preguntaba Adam Gopnik en el New Yorker. Es parecido al cómo ‘lo vivió el primer hombre en ser hipnotizado o en ser sangrado con sanguijuelas. O aun como el último hombre… en llevarle a un alquimista un trozo de plomo con la esperanza sincera de poder transformarlo en oro’.”

Szasz, The Myth of Psychotherapy

B) PSICOANÁLISIS, MARCA REGISTRADA – SONU SHAMDASANI (traducción de Marie Olivier)

El 29 de noviembre de 93, la revista Time ponía en portada la pregunta siguiente: ¿Ha muerto Freud? Sus partidarios y sus detractores están por lo menos de acuerdo en un punto; el psicoanálisis está actualmente en declive; el lugar esencial que ocupaba en otro tiempo en la psiquiatría americana ha sido eclipsado por el auge de los medicamentos psicotropos, y cada vez más compite peor en el mercado con la plétora de psicoterapias, ayudas sociopsicológicas u medicinas alternativas.” A Time já ficou famosa por assassinar pessoas ou entidades extemporaneamente, pergunte ao Ozzy!

La publicación de la obra de Henri Ellenberger El Descubrimiento del Inconsciente constituyó el desencadenante decisivo. Pasando revista a la historia del psicoanálisis del siglo XX, nos enfrentamos a un problema: ha sido sin cesar reformulada y adaptada a las psicologías y tradiciones intelectuales de cada país, aunque a fin de cuentas a menudo no tiene gran cosa que ver con la obra de Fraud.”

en la Historia del psicoanálisis en Francia de Elisabeth Roudinesco, los psicólogos y psiquiatras no-freudianos se describen en general como oscurantistas que pasaron de lado por esa ruptura epistemológica que representaba el psicoanálisis: éste constituye para la autora una verdad con valor de axioma.”

A continuación de Ellenberger, Sulloway demostró como el movimiento freudiano había construido una leyenda heroica muy elaborada alrededor de la persona de Freud, leyenda indispensable para la ascensión del psicoanálisis.”

Freud y sus sucesores minimizaron invariablemente la herencia de la hipnosis en el psicoanálisis y se extraviaron proclamando una gran ruptura epistemológica con la era de las terapias basadas en la hipnosis y la sugestión.”

Bernheim, considerando simplemente a la hipnosis como un estado exacerbado de sugestibilidad, favorecía el uso terapéutico de la hipnosis y de la sugestión, uso que enseguida se generalizó. El término ‘psicoterapia’ se convirtió en intercambiable con el de ‘hipnosis’.”

Hay que ganarse completamente la confianza del paciente a través del afecto e inmiscuyéndose en su vida mental; hay que simpatizar con todos sus sentimientos, hacerle contar su vida, revivirla completamente con él, y ‘entrar en las emociones’ del paciente. Pero nunca hay que perder de vista el aspecto sexual, que difiere enormemente de una persona a la otra, y que puede constituir un peligro real… Hay que comprender que no es suficiente con aplicar el examen clínico clásico, que consiste en prestar atención a la emisión de esperma, al coito y al embarazo; es necesario tomar muy en cuenta todas las regiones del intelecto, del humor y de la voluntad, que están más o menos asociadas a la esfera sexual. Una vez hecho, conviene definir en grandes líneas un objetivo adecuado para el paciente, y lanzarlo por ese camino, con energía y seguridad.” Forel, Hypnotism

Las recomendaciones de Forel se parecen mucho a las que Freud llamará más adelante la regla fundamental del psicoanálisis: la libre asociación y el ‘análisis de resistencias’. Freud conocía bien la obra de Forel ya que la había compendiado.”

Bernheim puso en cuestión el estatuto ontológico de los resultados presentados por Charcot; se trataban según él de artefactos, que, en lugar de revelar la naturaleza de la hipnosis y de la histeria, eran simplemente el resultado de las sugestiones de Charcot. Para Bernheim, las experiencias de Charcot no podían reproducirse fuera de su entorno específico. Freud, que había asistido a las conferencias de Charcot durante el invierno de 1885, se aprestó a defender la objetividad de las observaciones del profesor de París” “Freud indicó en su justa medida las consecuencias que resultarían del abandono de este punto de vista: el hipnotizador podría generar cualquier sintomatología, y el estudio de la hipnosis no revelaría otra cosa que el proceso arbitrario que llevaría a la producción de las diferentes nosografías o entidades mórbidas. § El punto de vista que Freud se empleaba en descartar era precisamente la conclusión adoptada por William James en 1890. Este sostenía que las propiedades atribuidas al trance eran producto de la sugestión.”

Toda particularidad propia de un individuo, toda manipulación que se manifieste accidentalmente en un sujeto, puede, al llamar la atención, convertirse en un estereotipo y servir de modelo para ilustrar las teorías de una escuela. El primer sujeto de la experiencia ‘forma’ al hipnotizador, que a su vez forma a los sujetos siguientes, y todos contribuyen así de buena fe a la elaboración de un resultado perfectamente arbitrario.” James

James y Delboeuf estimaban que las escuelas de hipnotismo se habían convertido en verdaderas máquinas de influenciar y de generar pruebas. El hecho de que se pueda presentar con ostentación diferentes características como constitutivas de la esencia de la hipnosis y que estos resultados sean confirmados por otros indicaba que el propio modo de institucionalización estaba sometido a los efectos de la hipnosis y la sugestión, que no podían ser neutralizados. Para Delboeuf y James, los conflictos que oponían a las diferentes escuelas eran insolubles ya que ninguna de ellas podía aportar pruebas que apoyaran su propia teoría. Todas estas escuelas ‘tenían razón’ – en la medida en que podían aportar casos que justificaran sus teorías – pero eso llevaba a negar el estatuto universal reivindicado por esas teorías. Lo que se ponía en cuestión era la posibilidad de una metodología clínica que permitiera aportar bases para una psicología general.”

Freud se había extraviado cometiendo precisamente los errores predichos por Delboeuf y James. El problema no era la falta de pruebas (ni la necesidad de fabricarlas) sino el exceso de pruebas. § Sin embargo, si Freud modificó a continuación sus teorías de la histeria y de las neurosis, siguió unido a la idea de que el encuentro clínico podía aportar una base objetiva de pruebas para una psicología general.”

Las teorías freudianas no serían hoy más conocidas que las de Delboeuf si Freud no hubiera agrupado a su alrededor un grupo de discípulos. En 1902, algunos (Alfred Adler, Max Kahane, Rudolf Reitler y Wilhelm Stekel) empezaron a reunirse regularmente alrededor de Freud.” “Algunos años más tarde, la situación evolucionó. Freud supo por Eugen Bleuler, el sucesor de Forel en el Burghölzli, que estudiaban su obra. Fue con la llegada de Jung y de la escuela de Zurich cuando el movimiento psicoanalítico se hizo verdaderamente internacional.”

El modelo de enseñanza abierta practicado en el Burghölzli contribuyó mucho a la propagación del psicoanálisis. Sin embargo, escapó rápidamente a la estructura feudal que había puesto en pie Freud.”

Psiquiatras como Ludwig Frank y Dumeng Bezzola (dos estudiantes de Forel) defendieron el tratamiento catártico de Breuer y Freud contra los desarrollos ulteriores del psicoanálisis freudiano.”

Fraud pretendía que la técnica psicoanalítica no podía aprenderse en los libros y que sólo alguien competente en este terreno podía enseñarla.” Foi a primeira coisa que meu psicanalista falou quando entrei na sala, à 1ª sessão.

Como han establecido los historiadores, las nociones de discriminación o boicot contra el psicoanálisis pertenecen a la leyenda heroica del movimiento. En efecto, fue en función de la política freudiana cada vez más aislacionista frente a la psiquiatría y a la medicina en general por lo que Bleuler se dimitió de la API en 1911.”

La institución de un análisis didáctico jugó un papel crucial aportando una base financiera para la práctica privada del psicoanálisis haciendo atrayente esa profesión.”

Siegfried Bernfeld recuerda que numerosos miembros de la Asociación experimentaban la necesidad de un análisis, pero no deseaban confiar sus secretos a un analista que viviera en la misma ciudad que ellos. Así, se invitó a Hanns Sachs, que vino a Berlín a analizar a los analistas.”

Ernst Falzeder resalta que los institutos de Berlín, Budapest, Londres y Viena ‘eran dirigidos por miembros del comité secreto, que ejercían pues no sólo un control político sobre el movimiento psicoanalítico, sino también una influencia directa sobre los futuros analistas en formación’.” “Cuando alguien se alejaba de la ortodoxia, había dos formas de actuar: la expulsión pura y simple de los disidentes, o lo que se podría llamar una gestión de crisis interna: se autorizaban las innovaciones considerándolas como subcorrientes legítimas de la teoría psicoanalítica. Lo que resulta chocante es que el juicio de secesión o de subcorriente legítima, realizado sobre un desarrollo particular, no dependía en principio del alejamiento más o menos grande de la teoría psicoanalítica; en efecto, a medida que las instituciones se hicieron más sólidas, se autorizó una mayor latitud. Lo irónico del caso, en muchos aspectos, es que las posiciones heréticas defendidas por Adler, Jung, Rank y otros son mucho más acordes con la principal corriente psicoanalítica de hoy en día que con la ortodoxia de la época.” “Son las mismas ideas que permitieron a los psicoterapeutas continuar llamando a su disciplina ‘psicoanálisis’ y a la profesión subsistir, aunque Fraud los denunciara como heréticos.”

cuando se estimó que la obra de Rank se alejara demasiado de la ortodoxia psicoanalítica, fue tratado de enfermo mental por Brill, excluido de la Asociación americana y los analistas que le habían formado tuvieron que dimitirse o ser reanalizados por un analista ortodoxo”

Es la eficacia de las estructuras institucionales del psicoanálisis la que le ha otorgado una notoriedad tal que los debates culturales sobre la nueva psicología se formulan en lenguaje psicoanalítico.”

Es un desprecio al asunto de la naturaleza de estas sustituciones lo que condujo a la extrema exageración actual de la importancia del psicoanálisis en la cultura del siglo XX.”

El éxito de estas escuelas concurrentes, que adoptaron las mismas estructuras institucionales que el psicoanálisis haciéndolas más accesibles, contribuyó en gran medida al estado del psicoanálisis hoy en día: está completamente sitiado.”

el sujeto preferido de la investigación psicoanalítica es el bebé: un sujeto incapaz de testimoniar verbalmente y por tanto de contradecir las construcciones analíticas. Más en serio, las escuelas psicoanalíticas concurrentes – desde el análisis jungiano hasta la terapia de regresión a vidas anteriores – detentan por igual múltiples ‘pruebas’ en forma de testimonios en primera persona, y si se considera como válida una de ellas, difícilmente se pueden rechazar las otras formas a falta de criterios para diferenciarlas.”

Estos testimonios, subrayémoslo, no son simples relatos de sujetos sobre acontecimientos particulares que les han sucedido, sino relatos en los cuales los propios sujetos afirman haber sufrido una transformación. En este sentido, estos testimonios se parecen a los relatos de experiencias religiosas como las estudiadas por James.”

B) UNA TEORÍA CERO – BORCH-JACOBSEN

Si la validez de una teoría se midiera por el rasero de su éxito cultural, deberíamos tener en cuenta a las diversas religiones entre las teorías científicas.” “Se dirá incluso que el ascenso del psicoanálisis al principio del siglo XX correspondió a la propagación del darwinismo, o bien que aportó una ideología a la sociedad capitalista y al individualismo moderno, o bien que sirvió de refugio a los decepcionados del marxismo”

es precisamente porque está perfectamente vacía, perfectamente hueca, que esta teoría pudo propagarse como lo hizo y adaptarse a contextos tan diferentes.” “El psicoanálisis no existe – es una nebulosa sin consistencia, una diana en perpetuo movimiento.”

¿Qué tienen en común las teorías de Freud y las de Rank, de Ferenczi, de Reich, de Melanie Klein, de Karen Horney, d’Imre Hermann, de Winnicot, de Bion, de Bowlby, de Kohut, de Lacan, de Laplanche, de André Green, de Slavoj Zizek, [¡] de Julia Kristeva, de Juliet Mitchell? Mejor aun, ¿qué hay en común entre la teoría de la histeria profesada por Freud en 1895, la teoría de la seducción de los años 96-97, la teoría de la sexualidad de los años 1900, la segunda teoría de las pulsiones de 14, la segunda y la tercera teoría de las pulsiones de los años 20? Basta con consultar no importa que artículo del Diccionario del psicoanálisis de Laplanche y Pontalis (https://seclusao.art.blog/2020/02/01/glossario-psicanalitico-ou-a-fantastica-fabrica-de-casos-ou-ainda-novela-das-nojeiras-e-sujidades-das-biografias-dos-psicanalistas-ate-aqui-2001-por-falta-de-dados-mais-atuais/)¹ para darse cuenta de que el ‘psicoanálisis’ ha sido desde el inicio una teoría en renovación (o en fluctuación) permanente, capaz de tomar las curvas más inesperadas. § La única cosa que permanece constante, es la afirmación del inconsciente, acoplada con la pretensión de los psicoanalistas de interpretar sus mensajes.”

¹ É uma miscelânea de trechos marcantes tanto do DICIONÁRIO de Roudinesco quanto do dicionário (no Brasil impresso como VOCABULÁRIO DA PSICANÁLISE) de Lap. & Pont..

El analista puede por consiguiente hacer decir al inconsciente lo que quiera, sin temor a ser desmentido ya que el inconsciente no habla más que a través de él (y que el testimonio de los pacientes, en cuanto a él, se descalifica como ‘resistencia’). De ahí los múltiples conflictos de interpretación que surgieron inmediatamente entre los primeros psicoanalistas: allí donde Freud decía Edipo, otros decían Electra; allí donde decía libido, otros decían pulsión de agresión o inferioridad de órgano; allí donde decía complejo paternal, otros decían complejo maternal o traumatismo del nacimiento.”

A parte de todo esto, lo que firma el carácter pseudo-científico del psicoanálisis a los ojos de un falsacionista como Popper es precisamente la razón de su increíble éxito. La teoría psicoanalista al estar perfectamente vacía, es también a la vez, asombrosamente adaptable.”

¿Tal o cual aspecto de la teoría se demuestran difícilmente defendibles, o incluso francamente embarazosos, como la relación establecida por Freud entre neurastenia y masturbación, por ejemplo, o el ‘deseo de pene’ considerado como el rector de la sexualidad femenina, o el carácter de ‘perversión’ de la homosexualidad? Bien, basta con dejarlos caer silenciosamente y sacar un nuevo conejo teórico de la chistera inagotable del inconsciente. Esto es lo que los psicoanalistas gustan de describir como ‘progresos’ del psicoanálisis, como si cada analista se adentrara más allá en el continente del inconsciente, rectificando los errores de sus predecesores. De hecho, cada escuela de psicoanálisis tiene su propia idea de lo que es el progreso, vigorosamente contestada por las otras, y buscaríamos en vano en esas disputas lo que podría ser un desarrollo acumulativo. Desde este punto de vista, nada ha cambiado desde las monumentales disputas entre Freud y Adler, Jung, Stekel, Rank, Melanie Klein o Ferenczi. Lo que se presenta como un ‘progreso del psicoanálisis’ no es nunca más que la última interpretación hasta la fecha, es decir la más aceptable en un determinado contexto institucional, histórico y cultural.” “Al no ser nada en particular, puede evadirse de todo. El psicoanálisis es como el símbolo cero del que habla Lévi-Strauss: es un ‘truco’, una ‘máquina’ que puede servir para designar no importa qué, una teoría de la vida en la que sea lícito rellenar con lo que se quiera.”

¿Se objetaba desde todas partes a Freud su insistencia con la sexualidad? ¿Que eso no se sostiene?, desarrolla la teoría del narcisismo y del análisis del yo, tomándolas silenciosamente prestadas de algunos de sus críticos (Jung, Adler). ¿Las neurosis traumáticas de la guerra de 1914-18 había demostrado que se podían sufrir síntomas histéricos por razones no-sexuales? Freud saca inmediatamente de su chistera la teoría de la compulsión de repetición y de la pulsión de muerte. A menudo se alaba a Freud por haber cambiado sus teorías cuando se percataba de que estaban siendo invalidadas por los hechos (Clark Glymour, Adolf Grünbaum), pero se confundía el rigor falsacionista y el oportunismo teórico”

Encontramos ese mismo oportunismo en sus sucesores. Cuando los emigrados vieneses llegaron a los Estados Unidos, la primera cosa que hicieron fue enmendar la doctrina promoviendo una ego psychology compatible con la psicología del desarrollo de la época. Inversamente, cuando el positivismo de Freud se demostró difícil de vender a un público europeo imbuido de fenomenología y dialéctica, los partidarios de la reforma hermenéutica del psicoanálisis (Habermas, Ricoeur) decidieron que se trataba de una ‘automalainterpretación’ por su parte, que bastaba simplemente con rectificar. El mismo Lacan dejó caer el biologismo freudiano en provecho de un concepto de ‘deseo’ entendido como pura negatividad, adecuado para complacer a los lectores de Alexandre Kojève y a los ‘existencialistas’ de los años 50, después de lo cual mezcló eso con las teorías de Saussure y de Lévi-Strauss cuando el estructuralismo invadió las ciencias humanas. En nuestros días, los narrativistas americanos no creen en la ‘verdad histórica’ de lo que les cuentan sus pacientes, ya que se han hecho irresolublemente post-modernos y no se comprometen más que por los relatos y la ‘verdad narrativa’. Sus colegas ‘terapeutas de la memoria reencontrada’, por el contrario, vuelven a la veja teoría de la seducción del fundador y exhuman en sus pacientes recuerdos de abusos sexuales infantiles perfectamente conformes a las predicciones de las feministas americanas radicales de los años 80. En cuanto a los más astutos, esbozan en la actualidad un acercamiento entre psicoanálisis y neurociencias, con el fin de no perder el tren del siglo XXI.”

Hace decir al inconsciente lo que cada una de sus clientelas quiere escuchar, creando en cada ocasión un pequeño universo terapéutico en el que la oferta corresponde exactamente a la demanda. Que haya tantos universos de este tipo como demandas no es de ninguna manera preocupante para el psicoanálisis ya que es precisamente así como se propaga y sobrevive a su propia inconsistencia teórica. (…) nunca ha habido ‘psicoanálisis’, solamente una miríada de conversaciones terapéuticas tan diversas como sus participantes.”

C) LITERATURA, CINE Y PSIQUIATRÍA: UN JUEGO DE ESPEJOS – JEAN COTTRAUX

En otros tiempos, todo discurso de ingreso en la Academia francesa debía hacer el elogio empurpurado al cardenal Richelieu; ahora todo artista debe rendir homenaje a Freud, verdadero Danubio del pensamiento. Poco a poco, el psicoanálisis se ha convertido en el Conservatorio nacional superior de los clichés. Rindámosle, al menos, esta justicia: sólo ha conseguido imponer su manierismo a artistas que ya no saben donde buscar inspiración.”

Uno de los primeros surrealistas, Émile Malespine afirmaba: ‘Para comprender a Freud, colóquense los testículos en forma de gafas’. Numerosos surrealistas estaban próximos al Partido Comunista que consideraba al psicoanálisis como una práctica por lo demás burguesa. Tristan Tzara que había tenido contactos con la escuela psicoanalítica de Zurich escribió en el manifiesto Dada de 1918: ‘El psicoanálisis es una enfermedad peligrosa, adormece las inclinaciones antirreales del hombre y sistematiza la burguesía’. Este era el clima de atracción-repulsión que marcó las relaciones del psicoanálisis con los artistas de este movimiento particularmente inventivo.”

A partir de 1919, los surrealistas pondrán en funcionamiento los procedimientos de escritura automática originales. Al contrario que Janet, consideran la actividad automática como una actividad superior que permite alcanzar la fuente de la creación poética liberada de la tiranía de la razón.”

El psicoanálisis no sería verdaderamente comprendido hasta después de la publicación de la traducción de Psicopatología de la vida cotidiana en 1922, después de la Interpretación de los sueños traducida al francés bajo el título: La Ciencia de los sueños,¹ en 1926. Anteriormente, Breton sólo había leído documentos de segunda mano, y algunos artículos dispersos de Freud. Los surrealistas no leían alemán.”

¹ Achei que isso tinha sido idéia de Lacan…

Freud contaba mucho más con Henri René Lenormand, un escritor francés hoy olvidado, para propagar la causa freudiana en Francia. A pesar de su descontento, Breton apoyó el psicoanálisis, pero con la boca pequeña.” A propósito, o leitor está convidado aos meus destaques e à minha crítica de Breton em:

https://seclusao.art.blog/2020/12/22/manifesto-of-surrealism-andre-breton-1924/.

René Crevel, aunque psicoanalista, hizo de él una crítica virulenta: Un uniforme para un maniquí abstracto. La revista El surrealismo al servicio de la Revolución abrió una rúbrica titulada: las tonterías psicoanalíticas. Podía encontrarse allí una referencia al libro del psicoanalista René Laforgue, El Fracaso de Baudelaire, con el siguiente comentario: Predominancia de la Imbecilidad.”

René Crevel, ainda que psicanalista, fez uma crítica virulenta à psicanálise: Um uniforme para um manequim abstrato. A revista O surrealismo a serviço da Revolução abriu uma rubrica intitulada: as tolices psicanalíticas. Podia-se encontrar ali uma referência ao livro do psicanalista René Laforgue, O Fracasso de Baudelaire, com o seguinte comentário: Predominância da Imbecilidade.”

Breton tuvo también influencia sobre Lacan. Varios conceptos faro del lacanismo: la dialéctica del deseo, el imaginario y el inconsciente estructurado como un lenguaje, parecen inspirarse en 2 obras del papa del surrealismo”

La irreverencia de los surrealistas les permitió resistir a la tiranía de la teoría psicoanalítica, como a otras tiranías. Sacaron el mejor partido que pudieron de los trabajos de Janet y de Freud, para construir sus propios métodos de exploración de las fuentes escondidas de la metáfora. Hacían más bien su miel con trabajos alucinados sobre el espiritismo y dirigieron una carta de felicitaciones a los videntes. Enviaron, igualmente, una carta de insultos a los médicos de los asilos psiquiátricos, considerados incapaces de entender otra cosa en el delirio que una ensalada de palabras.” Muito bom ler ese trecho justamente ao som de Welcome Home (Sanitarium)!

Un verdadero poeta ve siempre más allá de la punta de su pluma.”

El psicoanálisis nació al mismo tiempo que el cine. La primera película que tuvo un escenario psicoanalítico vio la luz en contra de la opinión de Freud, al que el cine no le gustaba demasiado. Con la aprobación de Karl Abraham, G.W. Pabst realizó una película muda: Los Misterios de un alma (1926). En ella se cuenta la historia de un hombre obsesionado por el impulso de matar a su mujer. Esta película no tuvo éxito e implicó una ruptura entre Fraud, que aparecía en genérico en contra de su voluntad, y Karl Abraham.¹ Menos tímidos, 2 surrealistas, Luís Buñuel y Salvador Dalí realizaron un film onírico mucho más acabado: Un perro andaluz, en 1929, cuya primera imagen era la de un ojo cortado por una navaja de afeitar.”

¹ O “nervos-suscetíveis”!

La época clásica va desde la invención del cine hablado en 1929 a 1962: en esta época la imagen del psiquiatra es, en general, positiva. Es la imagen del liberador o del oráculo. Es objeto de burlas pero con ternura y sobre músicas peripuestas. El film emblemático de esta época es Amanda de Mark Sandrich (Carefree 1938). El psicoanalista, representado por Fred Astaire, es un amable charlatán que se aprovecha de su situación para seducir a sus pacientes y se encuentra atrapado en el juego del amor. Puede también tener el papel dramático de un liberador que ayuda a una paciente a salir de una situación traumática y a reencontrar su identidad: es el caso de Montgomery Clift, en De pronto el último verano de Joseph L. Mankiewicz (1959). En fin, llega a exhibir el aspecto barbudo de un clon de Freud, que parte, en compañía de su alumna Ingrid Bergman, en busca del vacío de la memoria donde se encuentra la verdad de la historia de un desdichado neurótico. Es lo que cuenta Hitchcock en La Casa del doctor Edwards (Spellbound, 1945), en la que la gran escena onírica lleva la firma de Salvador Dalí.

La época moderna debuta en los años 1960: la imagen del psiquiatra se degrada, y ya no se cuenta más que con psicoanalistas locos. Este tema se observa en Pulsiones de Brian De Palma (Dressed to Kill, 1981), donde un psicoanalista que tiene un desdoblamiento de personalidad se traviste para matar a mujeres jóvenes que se portan mal. Antes de ser desenmascarado, mata a una de sus clientes, interpretada por una Angie Dickinson madura, que le cuenta sus ‘líos’ con amantes encontrados al azar en las calles de Nueva York, algo que él no puede soportar. En esta época, aparece otro cliché en el cine americano: en diferentes escenarios, los psicoanalistas tienen relaciones sexuales con sus pacientes.

En la era postmoderna, en los años 1990, la imagen del psicoanalista de deconstruye aun más, y su identidad se hace cada vez más borrosa. Ya no es una referencia y se distingue mal de sus pacientes. A cambio, se le adjudica a menudo un policía bueno que lleva por el buen camino y juega el papel de embajador de la realidad. El psiquiatra polar a la francesa nos pasea alegremente por este juego de espejos. El mejor film de este género sigue siendo: Mortel Transfert (2001) de Jean- Jacques Beineix.”

Welcome to the Jung, le psychanaliste, sucesso da banda Édipos & neuRoses.

Paul Bourget es sin duda el primer novelista francés en hablar del psicoanálisis en Némésis, en 1918. Lenormand, en 1922, escribe una pieza sobre el psicoanálisis: El Comedor de sueños, que tuvo un gran éxito en Francia y Suiza. Roudinesco, psicoanalista e historiadora, que se tomó la molestia de leer a estos dos escritores pasados de moda, considera que han languidecido en un olvido merecido.” HAHAHA!

50 shadows of prey

Fue esta literatura barata, sin embargo, la que creó la moda del psicoanálisis en Francia, después de la Primera Guerra mundial.”

The Legend of Schizeldania

Posteriormente, el psicoanálisis ha recubierto con su exégesis, a menudo fastidiosa, a veces entretenida, todos los terrenos de la literatura desde la tragedia griega hasta los cuentos de hadas, pasando por la canción popular y las bandas sonoras.”

Ellenberger escribió que el psicoanálisis es la construcción de un mito semejante a la obra de arte. Pero, a mi manera de ver, la más bella creación de Fraud es Freíd.¹ Fabricó su imagen a través de un escenario cuyo objetivo era propagar una ideología que le permitiera influir en el destino del otro.”

¹ Fritar (freír), mais especificamente “(Vós) fritai!”

Así, durante más de 3 generaciones, se ha mantenido, frente y contra todo, un mito fundador como el que se encuentra en todas las culturas. Sigmund como el Sigfrido de la ópera de Wagner, forjó el solo una espada invencible, que los enanos de su época hubieran sido incapaces de forjar. Sigmund, en alemán, significa ‘boca victoriosa’, como resalta su biógrafo Wittels.” “Freud percibió sin duda el carácter débilmente científico de su teoría y conoció demasiado rápido la desilusión terapéutica. La única manera de salvar su obra era convertirla en una novela”

La disonancia cognitiva se presenta cuando las personas son expuestas a una información que no tiene sentido en relación a sus creencias colectivas previas. Un cierto número de personas cambian de opinión y retoman su libertad individual. Pero el núcleo duro del grupo permanece unido. Cuanto más la realidad, o el trabajo científico, pone en duda a una creencia, más considera que tiene razón el grupo que la sostiene. Se reafirma a sí mismo y se hace prosélito. El reclutamiento de nuevos adeptos se convierte, para ellos, en el único medio de perpetuar y regenerar la creencia a través de los siglos.” Certos #LulaTáPresoBabaca feelings…

Freud recibió un premio literario: el premio Goethe, bien merecido vista la amplitud de su contribución a la literatura mundial de ficción. Evidentemente se puede preferirle a su contemporáneo Marcel Proust que exploró con audacia, objetividad y sinceridad los meandros de la mente y del comportamiento humano, sin tener el recurso del sistema psicoanalítico.”

En nuestros días el falo se ha hecho doctrinario” Proust [¡!]

ELEMENTAR, MEU CARO! “Shepherd, un psiquiatra inglés, conocido por trabajos muy rigurosos en epidemiología, mostró el parentesco entre la obra de Fraud y la de Conan Doyle.”

How to overdrive yourself

Muchos analizados por Fraud han informado que soportaba mal la discusión de sus interpretaciones y se enfadaba cuando el paciente las ponía en duda. Los perros huskies que figuraban en el famoso sueño del hombre de los lobos se convirtieron en lobos, por la gracia de la interpretación freudiana”

Stephan Zweig le consagró un capítulo deslumbrante en su obra La Curación por la mente. Arthur Schnitzler, en su genial Reigen [O círculo], divinamente filmado por Max Ophuls (1950), lo hizo aun mejor. Describe con vivacidad y humor los tormentos de la sexualidad vienesa, con sus pollitas, sus cornudos, sus chicas de la calle, sus mujeres mundanas y sus oficiales que se transmiten la temida sífilis en un vals mortal, sobre el fondo de un Imperio crepuscular. En la época del SIDA, esta ronda [círculo] sigue siendo, y tristemente, de actualidad.” O Mal-estar do Círculo vienense vicioso, teria escrito o imaginativo Klossowski se tivesse o tempo!

Schnitzler, también médico, vivía a algunos cientos de metros de Freud, que le escribió un día que no quería encontrárselo, ya que tenía miedo de encontrarse cara a cara con su doble. ¿Celos literarios o ejercicio de admiración? ¿Conciencia lúcida de la debilidad literaria de una obra que oscila sin cesar entre el estilo pontificante de los medicastros de su tiempo y la libertad del verdadero escritor?”

En la sabrosa Madone des sleepings, Maurice Dekobra, en el primer capítulo, describe a un doctor Traurig que es capaz de medir las capacidades orgásmicas inconscientes de una lady cuyas aventuras amorosas y políticas se desarrollarán en un decorado ferroviario.”

Y los autores, que hacían las delicias de la abuela, encontraron una digna sucesora en Marguerite Duras, y su estilo sincopado hecho erotismo lánguido, de agujeros de memoria y de aroma exótico. Fue incapaz, sin embargo, de resistirse a una recuperación aduladora de su obra por Lacan, que veía en ella, un eco de sus teorías. Después de que un psicoanalista con el predestinado nombre de Montrelay le hiciera leer Le Ravissement de Lol V Stein, Lacan convocó a Marguerite Duras a medianoche en un bar para decirle todo lo bueno que pensaba de ella. La V del título no podía simbolizar más que las tijeras de la castración, y el encanto (ravissement) el orgasmo amnésico de la mujer a la sobra de un ausente pene. [¡!] Un poco sorprendida por este tono machista, Duras supo servirse de sus tijeras para devolver al maestro a sus fantasías.”

TorPENISso tudo que se chama vida, os psicanalistas veem pênis em absolutamente tudo.

Todo el mundo tiene derecho a escribir una novela o a construir un mito. Nadie sueña con criticar a Chateaubriand, novelista, cuando describe las cataratas del Niágara, que no había visto nunca. Nadie fustigará a la religión cristiana por servirse de Cristo para proponer una moral, que puede aceptarse o rechazarse. Pero el mito psicoanalítico se presenta como una ciencia imparable, a la que nada ni nadie podrá escapar. Da lecciones, a menudo con arrogancia, a la comunidad científica y artística desde hace un siglo.”

O ROMANTISMO FECHA O CÍRCULO DE NOVO: “Al final, Freud quedará, sin duda, como un maestro sin igual en el arte de servirse de los medios. En los años 1990 su foto era la solicitada más a menudo por las agencias de documentación. Su verdadera obra maestra fue haber construido un instrumento de poder mediático a través de la Tabla Redonda de los miércoles en la que se reunían sus primeros discípulos, los congresos, los escritos, los viajes, las conferencias y la Asociación psicoanalítica internacional. El conflicto de esta última con la Iglesia lacaniana hizo resurgir el mito en nuestro país.”

A Dialética da Igreja Redonda

Cuarenta y dos años más tarde que su muerte, se convirtió en personaje de novela en L’Hôtel Blanc (The White Hotel) de D.M. Thomas.” Engraçado, estava me lembrando neste instante do Thomas Edson!

Deus não joga dados, mas faz sentarmo-nos em seu Divã ácido e lisérgico.

Él no(s) creaba!

2. EL PODER DE SEDUCCIÓN DEL PSICOANÁLISIS

¿Por qué alguien que empieza un psicoanálisis presa de un malestar profundo puede a veces, al cabo de largos y costosos años de asiduidad, alegrarse de los beneficios de un trabajo analítico que no lo ha curado?”

A) LOS BENEFICIOS DEL PSICOANÁLISIS – JACQUES VAN RILLAER

He sido psicoanalista devoto, después psicoanalista escéptico y finalmente psicoanalista renegado. En 1972, defendí mi tesis doctoral en psicología sobre Fraud. En 1980, desconvertido, escribí Las Ilusiones del psicoanálisis para exponer las razones para abandonar el freudismo. Se me ha podido reprochar mi tono apasionado que se explicaba por el poder excesivo y la arrogancia de los psicoanalistas de mi país (Bélgica) y, en particular, en mi universidad (Louvain-la-Neuve). En la época, reaccioné como un habitante que viera a sus vecinos indicar un camino equivocado a unos extranjeros inocentes.”

Al inicio de su carrera, Freud era muy optimista. En 1895, anunció: ‘La histeria y la neurosis obsesiva son actualmente radicalmente curables y no solamente sus diversos síntomas, sino también la propia predisposición neurótica’. A continuación, se hizo cada vez más modesto y, al final de su carrera, francamente pesimista.”

Los estudios metódicos sobre los efectos de las psicoterapias muestran que su método no da mejores resultados que los demás y que, teniendo en cuenta su coste en tiempo y dinero, los beneficios son netamente menos ventajosos”

Así, Pierre Rey, al término de 10 años se sesiones cotidianas con Lacan, escribe que sus fobias sociales – el ‘síntoma’ por el que había emprendido el tratamiento – no han desaparecido”

DE F. AO TCC: “En los años 1950, Carl Rogers, un psicólogo americano que ‘derivó’ hacia una forma de tratamiento muy alejada del freudismo ortodoxo, promovió el término ‘cliente’, con vistas a subrayar el papel activo que debería jugar toda persona implicada en una relación de ayuda psicológica.” “El término está particularmente indicado cuando se trata de un análisis ‘didáctico’, es decir cuando la persona en análisis busca adquirir una competencia profesional para hacerse psicoanalista.”

Una de las satisfacciones esenciales de toda forma de psicoterapia es poder hablar libremente, de no importa qué, teniendo el sentimiento de ser escuchado atentamente, por una persona disponible, según un horario convenido.” “El que no podía, en su casa, abrir la boca sin ser desairado es por fin libre de expresarse sin ser interrumpido, sin ser por tanto juzgado. Aquí, basta de miedo a hablar: con palabras, todo está permitido, todo tiene un sentido, todo es digno de interés, todo parece instructivo o va a ocurrirte. Si el terapeuta emite regularmente signos de atención y hace algunos comentarios no críticos, el cliente se siente comprendido, reconocido, valorado. Un cierto número de personas no pide más.”

Stern, La Fiction psychanalytique

Frischer, Les analysés parlent

Fanget, Affirmez-vous!; Osez: Thérapie de la confiance en soi (TCC FEDE!!!)

Al leer las encuestas sobre psicoanalizados, se constata que su experiencia, como sucede con la de Giroud, ilustra más la concepción de Alfred Adler que la de Freud.”

Al término de su encuesta sobre la imagen del psicoanálisis en Francia, Serge Moscovici constataba que los entrevistados que conocían a analizados subrayaban frecuentemente el aumento del egocentrismo como una consecuencia del tratamiento.”

¿Olvidas el paraguas en casa de un amigo? Desea volver a su casa. ¿Tu amigo te dice que no ‘le tomes por la palabra’? ‘Entiendes’ que reprime su ‘homo’-sexualidad. ¿Reacciona mal a tu interpretación? ‘Se defiende’, se resiste al ‘ello’, que habla en él ‘a espaldas de su yo’. ¿Critica a Freud o a Lacan? Se rebela contra el Padre.”

Popper (…) recordando su encuentro, en su juventud, con el marxismo, el psicoanálisis de Freud y el de Adler, escribe:

El estudio de una u otra de estas tres teorías [descabido nivelar MARXISMO, adlerismo e fraudismo, por favor!] parece tener el efecto de una conversión intelectual o de una revelación, que te permite descubrir una verdad nueva, escondida a los ojos de aquellos que aun no han sido iniciados. [Já compactuar com o liberalismo económico é apenas seguir no mesmo estado em que nasceu: a ignorância absoluta.] Una vez que tus ojos se abran, descubrirás confirmaciones no importa donde; el mundo está lleno de verificaciones de la teoría. Todo lo que pueda suceder la confirma siempre. Su verdad es por tanto manifiesta. Los que rechazan la teoría son sin duda gente que no quiere ver la verdad evidente; la rechazan a causa de sus intereses de clase [se ao menos fosse uma crítica ao reichismo!] puestos en cuestión o a causa de sus represiones aun no analizadas que reclaman, a voz en grito, una terapia”

Otro gran filósofo y epistemólogo del siglo XX, Ludwig Wittgenstein, conoció el mismo deslumbramiento, seguido de la misma desilusión. Después de ser declarado un ‘adepto de Fraud’, no ahorró demasiadas críticas con respecto a un sistema que terminó por comparar a una mitología de aplicación fácil.”

Bouveresse, Philosophie, mythologie et pseudo-science. Wittgenstein lecteur de Freud

Dar un sentido a la vida

(…)

Esta función del psicoanálisis interesa a las personas que no sufren de un trastorno mental caracterizado, sino que viven una existencia que ellas estiman monótona, poco interesante. Al ser el inconsciente fraudiano ‘campo infinito’, el análisis da de que ocuparse [bastante heideggeriano: esquecer a preocupação existencial mergulhado em ocupações comezinhas da circuvizinhança do ‘manual’] indefinidamente.”

Desde que Lacan abolió la separación entre análisis ‘didácticos’ y ‘terapéuticos’, muchos pacientes han acabado engordando la cohorte de analistas lacanianos.” “Se puede ganar mucho más dinero siendo psicoanalista que profesor de instituto o asistente social en un hospital. Entonces, desde los años 60, muchos diplomados en filosofía, sacerdotes que se han desacralizado, artistas sin renombre y cantidad de otras personas han hecho del psicoanálisis su modo de sustento.”

Cuando el cliente hace preguntas embarazosas, basta con devolvérselas: ‘¿Por qué hace usted esa pregunta?’, ‘Qué es lo que está interpelando?’, etc. Estas críticas y sus oposiciones se interpretan como ‘resistencias’, ‘denegaciones’ o manifestaciones de una ‘transferencia hostil’. Nunca ponen en cuestión al analista.”

A parte de estos motivos teóricos, es forzoso reconocer que los análisis didácticos, para los que los dirigen, son a menudo los tratamientos más rentables y siempre los más cómodos: los alumnos analistas no tienen en principio grandes problemas, llegan siempre a la hora, pagan religiosamente, no osan interrumpir el tratamiento ni criticar el comportamiento del docente, se convierten generalmente en celosos discípulos y aportan nuevos clientes.

Los primeros análisis didácticos realizados por Fraud, el de Ferenczi por ejemplo, no duraron más que algunas horas. A partir de los años 20, se hicieron cada vez más largos: 12 años en el caso de Dorothy Burlingham (cuyo hijo mayor, analizado por Anna Freud, se envenenaría acostado en la cama de ésta); 16 años para Ruth Mack-Brunswick (que murió prematuramente de politoxicomanía).”

Roudinesco escribió que ‘todos los psicoanalistas han seguido los mismos estudios de psicología’, en Pourquoi la psychanalyse?, París. Fayard, 1999, p. 193. Es falso. Incluso los psicoanalistas reconocidos como miembros efectivos por su asociación – por no hablar de los que ejercen el psicoanálisis de manera ‘salvaje’, es decir, sin ninguna formación – no tienen necesariamente un diploma de psicología o de psiquiatría. Los principales líderes de opinión en materia de psicoanálisis en los medios franceses son una historiadora, É. Roudinesco precisamente, e intelectuales, como los hermanos Miller, Catherine Clément, Bernard-Henri Lévy y Philippe Sollers.”

La forma en la que Lacan dirigía sus análisis didácticos muestra hasta donde puede llegar el poder de aquellos que otorgan el título de psicoanalista de su asociación. A lo largo de las sesiones, el presidente de la Escuela freudiana de París se permitía echar un sueño o leer los periódicos sin decir una palabra. Este es el testimonio de Jean-Guy Godin, ‘autorizado’ psicoanalista gracias a su paso por el diván de Lacan (la portada de su libro, en el que cuenta su análisis didáctico, no menciona ningún otro título que el de psicoanalista)”

Tenía miedo de Fraud; temía que descubriera mi agresividad oculta. Hice pues una alianza muda con él: ‘Yo seguiré siendo dócil siempre que usted me otorgue su protección’. Si me rechazaba, perdía para siempre toda posibilidad de entrar en ese círculo mágico de la profesión.” Kardiner

En Bélgica, no hay asignatura de filosofía en la enseñanza secundaria. Son los enseñantes de Francés, de moral y de religión católica los que difunden la doctrina fraudiana, en ocasiones con un celo considerable. (…) Es mucho más estimulante hablar de Fraud, Dolto y Marie Cardinal(*) que de Platón o Kant.”

SEMPRE OS MESMOS ESQUEMAS, NÃO ENJOAM, NÃO CANSAM, NÃO SE CONSTRANGEM: (*) “Recordemos que el célebre libro de Marie Cardinal Las plabras para decirlo no es el relato de su cura, sino una novela inspirada en ella. La palabra ‘novela’ aparecía en la portada de la primera edición (Grasset, 1975), pero desapareció con ocasión de las reediciones de bolsillo.

El psicoanálisis tiene la enorme ventaja de aparecer a la vez como una ciencia empírica – que sería ‘verificada’ por hechos –, una antropología – en la que los conceptos tienen la misma ‘profundidad’ que las nociones fundamentales de la filosofía – y una técnica que libera de sufrimientos a la condición humana”

Hacer investigación empírica de calidad en el terreno de las ciencias humanas es una empresa compleja y exigente. Es mucho más fácil acceder al título de doctor o de agregado de enseñanza superior escribiendo un texto a partir de textos psicoanalíticos.” “Si quien presenta la tesis prevé un jurado compuesto de lacanianos, puede parlotear sin preocuparse del sentido de sus palabras. Para una demostración de las posibilidades de hacer pasar malabarismos verbales por una teoría psicoanalítica sofisticada, cf. A. Sokal & J. Bricmont, Les Impostures intellecluelles, 1997. Una vez nombrado, el enseñante puede continuar discurriendo y publicando sin que nadie en el mundo se preocupe de la relación con la realidad empírica y la eficacia práctica – siendo esta última preocupación calificada de ‘tecnocrática’, ‘neo-liberal’ [¿??¿] o ‘neo-higienista’.”

Esta laxitud en el otorgamiento de los títulos requeridos para el profesorado universitario tuvo su época en las universidades anglosajonas y del norte de Europa (incluida la Bélgica flamenca), al menos en los departamentos de psicología y psiquiatría. (En ciertos departamentos de filosofía y letras, la especulación psicoanalítica sigue siendo admitida en la confección de una tesis). En los países latinos (incluida la Bélgica francófona), el psicoanálisis sigue marcando la pauta, en todos los sentidos de la expresión: menos para el bienestar de los pacientes que el de los analistas, enseñantes, editores y periodistas.”

B) LA MITOLOGÍA DE LA TERAPIA EN PROFUNDIDAD – JACQUES VAN RILLAER

No hay un artículo de psicoanálisis sobre las terapias que no aseste como una evidencia que las demás disciplinas atenderían solamente a los ‘síntomas’, la parte visible del iceberg, exponiendo al paciente al riesgo de ver reaparecer la enfermedad exposant ‘en otro lugar’, mientras que el psicoanálisis, más largo, más exigente, trataría al paciente en profundidad. De hecho, la idea en gran parte ha trascendido al gran público que piensa que, si se atiende a una fobia por ejemplo, se corre el riesgo de tener asma o eccema, como si una enfermedad subterránea viajara por el interior del ser humano. ningún estudio ha podido jamás demostrar este prodigio, pero las ilusiones del psicoanálisis son… profundas.”

En 1890, cuando aun no se hablaba de psicoanálisis, William James, en su monumental tratado de psicología (Principles of Psychology, 1400 páginas)(*), examinaba las formas con las que Schopenhauer, von Hartmann,¹ Janet, Binet y otros habían utilizado los términos ‘inconsciente’ y ‘subconsciente’.” “James admitía de hecho la existencia de procesos inconscientes, pero denunciaba las explicaciones comodín [coringas] por el inconsciente.

(*) Ver ainda Whyte, The Unconscious before Freud, 1960

¹ Embora do mais baixo nível literário.

Esa distinción entre los estados inconscientes y conscientes del psiquismo es el medio soberano para creer todo lo que se quiera en psicología” William James

La palabra ‘inconsciente’ se utiliza desde hace más de 250 años, pero la afirmación de la existencia de procesos no-conscientes se encuentra ya en los filósofos y místicos de la antigüedad. La noción del inconsciente tomó un giro decisivo con Leibniz y se desarrolló en los siglos XVIII y XIX. Hacia 1880, era banal para muchos filósofos, para psiquiatras – como Benedikt en Viena, Bernheim o Charcot en Francia – y para los primeros psicólogos científicos.”

A partir del siglo XVII, filósofos y moralistas, desarrollaron esquemas de interpretación de las motivaciones ocultas o inconscientes. Uno de los pioneros de esta corriente es La Rochefoucauld.” “Recordemos que, en el vocabulario de hoy, los ‘moralistas’ de época son más fisiólogos que gentes que hacen moral. Estos moralistas escriben sobre ética, pero predominantemente de las costumbres de su tiempo (‘moralista’ viene del adjetivo latino moralis, ‘relativo a las costumbres’) y, más generalmente, sobre el funcionamiento de las conductas humanas.”

Arthur Schopenhauer, Karl Marx y Friedrich Nietzsche cada uno a su manera, también creyeron poner al día un mecanismo fundamental que daría cuenta de una infinidad de conductas humanas, por no decir de toda acción.”

Si comprendiéramos fácilmente los mecanismos y las razones de todas nuestras conductas, no quedaría lugar para los investigadores en psicología.”

SOA FAMILIAR? “Encontramos ya en los magnetizadores del siglo XVII relatos de curaciones a continuación de la revelación de secretos penosos, pero hay que esperar hasta los años 1860 para que Moritz Benedikt, un neurólogo austriaco, elabore un tratamiento psicológico basado en la exploración de secretos y de acontecimientos traumatizantes del pasado.

A partir de 1864, Benedikt, jefe de servicio de neurología de la policlínica general de Viena, emitió la idea de que la histeria a menudo es causada por una perturbación psicológica de la vida sexual y no, como se creía en la época, por una disfunción somática del útero o de la sexualidad. A continuación, desarrolló la tesis de que no solamente la histeria, sino todos los trastornos mentales e incluso ciertas enfermedades psíquicas encuentran su origen en ‘secretos patógenos’ tales como los traumatismos sexuales de la infancia, las frustraciones sexuales, las pasiones contrariadas, las ambiciones decepcionadas.”

En un primer momento, Benedikt utiliza la hipnosis para facilitar la exploración de los acontecimientos pasados que son la fuente de los trastornos mentales. Algunos años más tarde, abandona esta técnica. Como otros investigadores de su época, constató que la hipnosis favorecía sugestiones y mistificaciones, y que los resultados eran efímeros.”

La teoría y la práctica de Benedikt jugaron un papel capital en las concepciones de su amigo Joseph Breuer – en la época en la que éste trataba a la célebre paciente Anna O. –, de Freud – que recibió de Benedikt su carta de presentación para su estancia con Charcot – y de Adler – que trabajó a su servicio.”

En sus primeras publicaciones, Freud reconoce su deuda con respecto a Benedikt en cuanto a la explicación de los trastornos por conflictos interiores enraizados en el pasado, la terapia por la rememoración de conflictos y la importancia de analizar las fantasías y ensoñaciones diurnas. Si no continuó citándolo, es quizás por parecer el mismo más original de lo que era y sin duda porque Benedikt había publicado una crítica acerva del libro de Fliess, Les Relations entre le nez et les organes génitaux féminins, del que Freud había dicho, con ocasión de su publicación, que constituía ‘el propio zócalo del psicoanálisis’.”

A título de ejemplo, tomemos un comportamiento adoptado por alrededor de una cuarta parte de la población: el tabaquismo. Según Freud, esta toxicomanía, de la que intentó en varias ocasiones liberarse, es el sustituto inconsciente de la masturbación.”

Según la psicoanalista Odile Lesourne, Freud fumaba ‘con el fin de controlar a la muerte’, con el fin de ‘no dejarse tomar por la muerte, sino de hacerla entrar en sí lenta y metódicamente para controlarla y observar los efectos’.”

C) PSICOANÁLISIS POPULAR Y PSICOANÁLISIS PARA INICIADOS – JACQUES VAN RILLAER

La atracción que usted siente por la cultura y la mística hindú corresponde a un carácter anal, evidente, es muy típico.

Lo que decía aquí Françoise Dolto, sin ninguna sombra de reserva, es típico de lo que se escucha en las conversaciones entre freudianos, se enseña en las asociaciones de psicoanálisis y se escribe en las revistas especializadas o confidenciales.”

Una gran parte de la población ignora que hay 2 formas de psicoanálisis: el psicoanálisis popular, constituido principalmente por ideas de sentido común traducidas al vocabulario freudiano, y la forma intransigente reservada a los iniciados.”

La moderadora – una psiquiatra que era ‘la’ psicoanalista de niños de mi universidad – explicaba, sin la menor reserva, que los niños que miran la televisión tienen de hecho deseos de descubrir la ‘escena primitiva’, es decir el coito parental. Su afirmación se fundaba en el texto de Melanie Klein fechado en 1923, es decir antes de la aparición de la pequeña pantalla.”

Así aprendí que existían 2 doctrinas muy distintas: de una parte, el psicoanálisis destinado a un público al que no se puede asustar, el que había abordado a través de las Cinco Lecciones sobre el psicoanálisis y otras obras ad usum delphini, y, por otra parte, la doctrina de los psicoanalistas que ofician en ese Sancta Sanctorum que es su Sociedad de psicoanálisis. Entre ellos, los iniciados pueden decirse que Jung escribió a Fread: ‘Es un cruel disfrute estar Dios sabe cuantos decenios por delante del ganado’ (11-8-1910).”

Diciendo que ‘no hay relación sexual’, Lacan quiere quizás decir (aunque con él nada es nunca seguro) que inconscientemente nuestras relaciones sexuales son siempre incestuosas.”

Hoy en día, buen número de Occidentales cultivados, que oyen a un niño pequeño decir ‘cuando sea mayor, me casaré con mamá’, piensan que Freud tenía razón al afirmar la universalidad del complejo de Édipo. De hecho, lo que escribe Freíd es de otro orden: entre los 3 y los 5 años, el niño desea verdaderamente ‘matar a su padre y tener relaciones sexuales con su madre’.”

En cuanto a hacer del complejo de Edipo el fons et origo de la cultura, de la conciencia moral, de los trastornos mentales, etc., sólo es posible en el marco de un pensamiento mítico.”

Los freudianos que quieren a toda costa salvar el ‘complejo nuclear’ sólo han podido hacerlo ‘domesticándolo’ y ‘esterilizándolo’. Así, el deseo de ‘acostarse con su madre’ ha dado lugar a la ‘fusión con el objeto natural’ o a ‘la inmersión en la Naturaleza’

Ya en 1912, Jung concebía el complejo de Édipo de forma metafórica o simbólica: la ‘Madre’ significaba lo Inaccesible al que el individuo debe renunciar en función de la Cultura; el ‘Padre’ muerto por Édipo era el ‘padre interior’ del que el sujeto debe liberarse para ser autónomo, etc.”

Uma inusitada tabela à p. 160 contendo “expressões psicanalíticas” e sua “decodificação para normies” (esq. dir.):

Transferência Afeto (amor) pelo psiquiatra

Supereu Consciência moral

Narcisismo Egocentrismo

Exibicionista Extrovertido [HAHAHAHAHAHA!]

Fulano fantasiou Fulano imaginou

Castração Proibição de um prazer

Cicrano desenvolve seu Édipo Cicrano quer sua mamãe / Cicrano se rebela contra seu papai

Mãe castrante Mãe superprotetora

Mãe fusional Mãe afetuosa

Histérica Paciente irritante

Obsessivo Pessoa muito pontual

Caráter anal Avaro

Sofia tem vontade de pênis Sofia quer um filho

Paulo exterioriza sua pulsão de morte Paulo está puto

Posta em ação Soco, bofetada [HAHAHAHAHAHA]

Léo não admite a castração Léo tem medo de morrer

Fazer o luto Esquecer

Reprimir Discordar [HAHAHAHAHAHAHAAHA]

Isto me pergunta/chama minha atenção Eu me pergunto se…

O Outro me fez atuar Não compreendo por que fiz isso

etc.

3. LA EXCEPCIÓN FRANCESA

A) CRÓNICA DE UNA GENERACIÓN: CÓMO TOMÓ EL PSICOANÁLISIS EL PODER EN FRANCIA – JEAN COTTRAUX

Este relato empieza en 1967. En aquel momento, bajo el reino de Charles de Gaulle, Francia era próspera, casi sin parados, sin televisión en color, sin coches quemados en los extrarradios, sin radares para cazar a los delincuentes de la carretera, sin reality shows, ni teléfonos móviles para vender viento. Cada uno debía estar en su lugar. El Rey despreciaba a la Corte, de la que el Canard enchainé [¿] contaba escrupulosamente, cada semana, la historia vacía de ruido y de furor. La Corte despreciaba a la Ciudad, que a su vez despreciaba las Provincias. Se frecuentaba poco a los psicoanalistas; era una marca indefendible de debilidad. Y los psicoanalistas no eran las estrellas de la tele: no hubiera sido conveniente.”

Desde la ‘Nouvelle Vague’ cinematográfica, todo debía ser nuevo: la novela, la cocina, la izquierda, la derecha, la música, los padres, los hijos e incluso el Espíritu Santo. Sin embargo, nada cambiaba a parte de la longitud del cabello, y el corte de los pantalones que ahora desplegaban amplias patas de elefante. En resumen, te aburrías de firme.”

La Iglesia psicoanalítica era el camino para conquistar el Estado psiquiátrico a través de su intermediación y del ejemplo que daban a los demás.” “‘Buscad en el diván vuestro destino de analista’ era la frase habitual. Y estábamos todos, después de esos 2 años, persuadidos de su valor.” “Era la época de reuniones improvisada en las que cada grupo de presión manipulaba al movimiento estudiantil para hacer progresar sus ambiciones. Los psicoanalistas no se quedaban atrás. Tenían el viento en popa, ya que el psicoanálisis era percibido como una práctica contestataria de la sociedad y tenía sus aficionados entre los líderes del movimiento.” “En ese tiempo, un analista didáctico tenía valor de obispo y distribuía sin reparos el agua bendita de Palacio, en bien de sus interese. El juego era tanto más cómico al observar que los psicoanalistas se servían del movimiento izquierdista, mientras ellos eran más bien de derechas. Que importa.”

Los acontecimientos de mayo de 1968 dieron lugar a que la psiquiatría fuera finalmente separada de la neurología, algo que representaba un progreso. Pero esta separación se hizo en nombre del psicoanálisis. En el espíritu del ministro de Educación nacional Edgar Faure y de su consejera, su hija Sylvie Faure, psicoanalista, y también del gran público, los 2 estaban relacionados. La psiquiatría se liberaba de la tutela neurológica, para someterse a la guía más sutil de la corriente psicoanalítica. Los nuevos universitarios de psiquiatría, que habían sentido el ruido de las balas, cortejaron a los psicoanalistas a los que distribuyeron púlpitos, puestos de profesores asociados, o la dirección de seminarios de formación en los diplomas de psiquiatría. Les proporcionaron así una inmensa esfera de influencia: la posibilidad de impregnar a la juventud con su catecismo.”

Lacan, en 1963, había dejado la Asociación psicoanalítica internacional para fundar una escuela de psicoanálisis ‘galicana’ y contestaría del establishment psicoanalítico. Era marginal. Mayo de 1968 fue su revancha. Los ex-izquierdistas deprimidos por el fracaso de su movimiento se arrojaron con los brazos abiertos al psicoanálisis lacaniano considerado más de ‘izquierdas’ que el psicoanálisis clásico. Hay que decir que Lacan se benefició de una gigantesca metedura de pata de los psicoanalistas de la sociedad psicoanalítica de París. Dos de ellos, bajo el seudónimo de André Stéphane, habían publicado, en 1969, un libro titulado El Universo contestatario que afirmaba, entre otras cosas, que el movimiento de mayo de 1968 representaba una puesta en práctica de la pulsión anal entre sus participantes. [HAHAHAHA!] Esta obra decía, en un estilo menos gráfico, lo mismo que el general Gaulle que hablaba de ‘cagacamas’ a propósito de los acontecimientos de mayo de 1968. Veamos un pasaje que parece beneficiarse, igualmente, de la influencia del pensamiento de Salvador Dalí dado que en él la analidad se hace ‘cósmica’.”

El lacanismo alcanzó entonces su cenit. Por medio del Maestro en la Escuela normal superior, de Serge Leclaire en Nanterre y en la televisión, y de Françoise Dolto en la radio, Francia se lacanizó insensiblemente. Todos los niveles del público estaban cubiertos por este trío carismático, que progresivamente impuso un psicoanálisis a la francesa. Éste achacaba a los escritores católicos franceses clásicos un estilo pomposo, a los poetas simbolistas oscuridades sabias, y al grupo surrealista, del que Lacan formaba parte en su juventud, un agudo sentido de la provocación. Estaba todo servido con consideraciones abstractas que iban de la lingüística a las matemáticas modernas pasando por una relectura de los Evangelios freudianos. Lo tenía todo para seducir.

El evangelio se expandió a las facultades de letras y ciencias humanas. Muchos enseñantes tomaron como segunda profesión la de psicoanalista lacaniano, y, al igual que sus homólogos psiquiatras o psicólogos, tuvieron las mismas motivaciones económicas para que la ideología analítica perdurara el mayor tiempo posible. Así, hacia el año 2000, se alcanzó la cifra record de más de 3000 psicoanalistas lacanianos contra cerca 700 psicoanalistas ‘clásicos’.

Ya no era concebible hacer una tesis de filosofía sin lacanizar. No se podía enseñar inglés de hecho sin solicitar una interpretación lacaniana de James Joyce. Una tesis sobre Céline debía preocuparse del vacío significante del enunciado sobre renunciación.”

En 1967, Lyon había recibido la visita de Jacques Lacan que impartió una conferencia titulada: ‘Lugar, origen y fin de mi enseñanza’. Lacan hizo una llegada de estrella a la estación de Perrache, sacó lentamente una moneda del bolsillo de su chaleco para dársela al mozo de cuerda: ‘Ten mi valiente’, luego se dirigió hacia el comité de recepción dirigido por Gilles Deleuze, entonces profesor de filosofía en la facultad de letras, que lo acogió con fervor: ‘Ah, querido maestro, no puede saber la importancia de su visita a Lyon’. ‘Lo sé, lo sé…’, respondió Lacan, noblemente.

La visita de Françoise Dolto, algunos años más tarde, se saldó más bien con un vacío en Bourgen-Bresse. Nos había contado una bonita historia, pero totalmente inverosímil. En el curso de un análisis una mujer joven de origen indio se pone a hablar en indostaní, lengua que la paciente nunca había hablado y de la que ignoraba el sentido. Françoise Dolto anota fonéticamente esa frase que confía a un traductor y, divina sorpresa: se trata de un diálogo entre el padre y la madre de la paciente que ella escuchó el día de su nacimiento. (…) Sin embargo, nadie osó contradecir a una mujer tan calurosa como Françoise Dolto, que tenía el aire de una buena mamá que ofrece confituras a los niños. Pero nos pareció que, ese día, había ido un poco lejos.”

Una visita muy esperada fue la de Bruno Bettelheim en 1975. Su libro La Fortaleza vacía había sido un gran éxito en las librerías, se le había consagrado una emisión de televisión. En un film de François Truffaut: L’Argent de poche (1976), se puede ver a un valeroso maestro leer La Fortaleza vacía para comprender mejor a los niños.”

Bettelheim tenía entonces 71 años. Se expresaba en un francés perfecto. En esa época, no daba la imagen de un hombre arrogante. Confesó que no tenía más diploma que uno de estética de la universidad de Viena y presentó su trabajo con niños autistas, con simplicidad, en una discusión a calzón quitado. No era reconocido como psicoanalista por la Asociación psicoanalítica internacional. La impresión que dejó a nuestro pequeño grupo fue la de un super-educador. He guardado en la memoria una de sus reflexiones prácticas que estaba marcada por el buen sentido: ‘La mejor manera de juzgar el valor de una institución psiquiátrica es visitar sus cuartos de baño’.”

Lo que me sorprende, retrospectivamente, es el encanto de esas 3 personas que conseguían finalmente hacer pasar no importa qué idea, fuera azarosa, errónea, o representara una contraverdad. Su talento era grande, así como su poder de convicción, pero también la fe de los espectadores.”

La propagación de la fe psicoanalítica existiría sin recordar los métodos del doctor Knock, de la obra de Jules Romains, que mete en la cama a toda la población de un pueblo persuadiéndola de ‘que un hombre sano es un enfermo sin diagnosticar’.”

Pensaba a la vez en encontrar en el psicoanálisis algunas revelaciones sobre lo que yo era, y acrecentar mi capacidad de tratar a los pacientes. Mi análisis se desarrolló entre 1972 y 1976 mientras el movimiento analítico estaba en plena ascensión en Francia, en las universidades, los hospitales, los medios y las editoriales. Salía aproximadamente un libro nuevo cada semana, lo que bastaba ampliamente para ocupar mi tiempo de lectura. En ese tiempo, la marea de la fe era alta, y era legítimo pensar que el psicoanálisis iba a reformar duraderamente la práctica de la psicología y de la psiquiatría: era necesario pues investirlo todo tanto en la comprensión de textos como en el desarrollo personal en el diván.

Pero progresivamente perdería la fe. La fe no se pierde como se olvida un paraguas. Es un proceso lento en el que los acontecimientos exteriores fueron más importantes que lo que se decía o se callaba, en el análisis. Para empezar, al cabo de un año me di cuenta de que había repasado los problemas potenciales y que manifiestamente estaba dando vueltas en círculo. Pero eso no fue lo más grave. En los 3 años siguientes, hubo en Lyon, en el pequeño mundo de los analizantes, una epidemia de suicidios o de descompensaciones psicóticas: 2 mujeres jóvenes se suicidaron de manera inopinada, otra hizo un episodio delirante, uno hizo un intento de suicidio muy grave, y finalmente un joven colega en análisis en París con Jacques Lacan se suicidó.

Las reacciones en el medio me chocaron más aun que los propios hechos. Los comentarios eran de decepción no a propósito del psicoanálisis, sino de los suicidas: ‘Eran psicóticos sin duda’, cuando nada permitía afirmarlo. Esta sustitución de síntomas no implicaba ninguna puesta en cuestión del propio método.”

Por supuesto, sería excesivo cargar sobre el psicoanálisis toda la responsabilidad de esas muertes prematuras: se sabe que el grupo de los psicoanalistas es globalmente un grupo de riesgo. Numerosos compañeros de Freud se suicidaron igualmente. Sin embargo, no conozco ninguna encuesta epidemiológica seria que haya abordado el problema, para extraer enseñanzas que eviten la repetición de tales catástrofes.

También es cierto que el psicoanálisis, incluso en personas inicialmente con buena salud, implica fases depresivas relacionadas con la frustración, al silencio y al desarrollo de fenómenos transferenciales que llevan al analizante a funcionar sobre un modelo cada vez más irracional. Es entonces más frágil frente a acontecimientos de la vida que hubiera soportado mejor de otra manera. Para ciertos analistas, la depresión es incluso una fase necesaria para el buen desarrollo de la cura ya que permite la maduración psicológica. Sin embargo nadie advierte al futuro analizante del riesgo. Como mínimo, al hacer balance de estos suicidios, yo podría llegar a la conclusión provisional de que el psicoanálisis no es un método con resultados particularmente brillantes para prevenir los riesgos de la depresión.”

Le prescribió un antidepresivo que produjo una mejoría significativa. Sin embargo ella deseaba curar por el psicoanálisis y sólo con él. Le sugerí consultar con otro analista, y lo hizo. Pero, presa de la dependencia de su transferencia, volvió al primer analista que le aconsejó seguir, en paralelo, un grupo de terapia del que era director, algo que es una práctica muy poco habitual. Ella decidió interrumpir el antidepresivo y seguir ese plan terapéutico: se suicidó. Todo sucedió como si hubiera preferido matarse antes que matar la teoría de su analista pasando a otra forma de tratamiento o a otro analista.”

Habiendo pasado 4½ años sobre un diván, puedo dar testimonio del aburrimiento mortal que me inspiraba el redescubrimiento simulado de las teorías de Freud, conocidas con antelación tan bien por el analista como por el analizante.”

Cada vez que vuelvo a Viena, no pienso demasiado en Freud o aun menos en mi estancia sobre el diván de la que tengo muy pocos recuerdos. Escucho en mi cabeza la música de Alban Berg: los cromatismos descendientes al final de concierto A la memoria de un ángel. O incluso Abendstern de Schubert. La música de una ciudad persiste más que sus palabras.”

En 1979, había publicado el primer libro escrito por un francés sobre las terapias comportamentales: Les Thérapies comportementales, stratégies du changement. En el deslicé algunas insolencias juveniles sobre la eficacia del psicoanálisis y sus derivados. Tuve el honor en el que nunca pude pensar; el de tener una crítica en la Revista Francesa de psicoanálisis, de Jacques Hochmann, profesor de paidopsiquiatría en Lyon, que terminaba así un texto, que sonaba como una llamada al orden e indicaba a todos donde estaba la verdad y el camino correcto:

(…) A falta de saber realizar el sueño de Freud de una aleación del oro y el cobre, ¿hay que prever una terapia idiota para los idiotas, es decir una terapia ‘idiotizante’ evitando a los hombres el esfuerzo de pensar? El comportamentalismo tendrá el mérito de la franquicia, mostraría a cara descubierta lo que otros enfoques más o menos codificados disimulan bajo una máscara humanista o personalista, cuando no es todo estúpidamente farmacológico.” ‘Aspects d’un scientisme: les thérapies comportementales’

Concordo em absoluto: TCC é um cientismo barato. Os franceses, coitados, correm do bicho-papão mas caem na frigideira… Hopeless!

Francia está en el vigésimo lugar en materia de publicaciones científicas psiquiátricas. Descorazonados por un sistema intangible, investigadores de valor han dejado Francia por el Canadá o los Estados Unidos. Pero los pacientes son cada vez menos pacientes y están mejor informados: todo el saber científico está, hoy en día, disponible en tiempo real en Internet.

Los psicoanalistas, aunque aun muy numerosos y siempre influyentes, han perdido mucho. Son cada vez menos creíbles, e incluso los medios que les son favorables osan decirlo. Les corresponde modificar sus ideas y sus prácticas, algo que hacen ya sus colegas anglosajones.”

Con mis colegas de escritura, acababa de realizar el sueño de todo intelectual francés: escribir un libro censurado por un ministro de derechas. Encontrándonos en compañía de Flaubert, Baudelaire, Aragon, Vercors y Henri Alleg, que habían sufrido la misma suerte aunque en circunstancias mucho más dramáticas, podíamos sentirnos orgullosos. Incluso me planteé, un instante, dar gracias al ministro por su solicitud, ya que remitía nuestro modesto informe a su verdadero destinatario: el público que siempre ha sabido que se aprende mucho en los libros que se le quieren esconder.” “Toda ideología triunfalista acaba por encontrar una realidad, que un día desbaratará sus ilusiones.” “En la Antigüedad, cuando un general romano conseguía una gran victoria, el Senado y el pueblo de Roma organizaban un triunfo a su vuelta a la ciudad. El general victorioso desfilaba a la cabeza de la parada, pero, dos pasos por detrás de él, un esclavo repetía sin cesar: ‘La gloria es efímera’. (…) Gurú, mito, impostor, genio… Las palabras tienen prisa cuando se trata de Lacan.”

B) LACAN VENTRÍLOCUO – BORCH-JACOBSEN


“Jacques Lacan no publicó su primer libro hasta los 65 años… Son en primer lugar 30 años de enseñanza (…) que le permitieron marcar profundamente las mentes. El guión de sus cursos se fue estableciendo progresivamente bajo el nombre de Seminario, que sigue publicándose más de 20 años después de su muerte.”

El lacanianismo es una maravillosa ilustración del carácter oportunista y camaleónico del psicoanálisis.” “Sin embargo, basta con leer no importa cual de sus escritos para darse cuenta de que su ‘Freíd’ no tiene rigurosamente nada que ver con el Freud histórico e incluso lo contradice en puntos de hecho esenciales (algo que sus colegas y rivales no dejaron de revelar, por supuesto).”

Freud daba un sustrato biogenético a sus teorías, Lacan recusaba todo biologismo. Freud concebía el narcisismo como un amor al yo, Lacan como una alienación en un alter ego imaginario. Freud hablaba de ‘pulsiones’, Lacan se reía de la noción de ‘instinto’. Freud hablaba de ‘satisfacción del deseo’, Lacan afirmaba que el deseo no se satisfacía más que en la insatisfacción, la carencia y el fracaso. Freud hablaba del ‘objeto’ de la pulsión, a Lacan sólo se le conocía un objeto básicamente ‘perdido’. Freud veía en la prohibición paterna un obstáculo al deseo edípico, Lacan al contrario de la ley hacía de aquella su propia condición.”

STONKS MÁXIMO: DIZER-SE PSICANALISTA PARA DESTRUIR A PSICANÁLISE POR DENTRO (PARTE NOBRE) E LUCRAR COMO UM PSICANALISTA AO MESMO TEMPO: “Sin embargo, Lacan afirmaba con el mayor aplomo sacar sus teorías de los textos del propio Freud, lanzando a sus discípulos a una búsqueda cómica del pasaje preciso en el que Freud habría hablado de la ‘forclusion’, del ‘significante’ o del ‘objeto a minúsculo’. Podrían buscar durante tiempo. Los conceptos de Lacan no vienen de F., sino de hecho de otros: de Hegel, de Kojève, de Heidegger, de Sartre, de Blanchot, de Bataille – entre otros. No hay que buscar en otra parte la razón de su extraordinario éxito en Francia (y de su fracaso en los países anglosajones, poco dados a la ‘filosofía continental’). Si Lacan fascinó y reclutó a tantos intelectuales franceses, es porque les sirvió, bajo la etiqueta ‘psicoanalista’, ideas procedentes de su propio Zeitgeist (espíritu del tiempo) filosófico. Sorprendente jugarreta, de la que muchos aun no se han dado cuenta. Lacan, al ser un intelectual perpetuamente al acecho de lo que de nuevo se hacía, comprendió muy pronto que el psicoanálisis no tenía ninguna posibilidad de ‘prender’ en Francia si no se le sometía a un revocado filosófico integral, susceptible de atraer a una clientela formada con las ‘tres H’ (Hegel, Husserl, Heidegger) y alérgica a toda forma de biologismo, de positivismo o de ‘cientismo’.

Lean sus textos de los años 1930-40, consagrados a la elaboración de la teoría del ‘estadio del espejo’ u de la constitución imaginaria del yo: no podrán dejar de sorprenderse de sus

resonancias hegelianas: el yo que se constituye por reflexión especular, que se aliena en un alter ego imaginario con el cual entra inmediatamente en una ‘lucha de puro prestigio’, etc. Todo esto es una reescritura de la dialéctica del reconocimiento hegeliano, mezclada con elementos procedentes de la psicología del niño (Henri Wallon, Charlotte Bühler). En cuanto a la idea de que el yo es un objeto, viene directamente del ensayo de Sarte (el mismo profundamente hegeliano) sobre La Trascendencia del ego: la conciencia, al ser siempre ‘conciencia de’, no puede asirse más que a distancia de ella misma, bajo la forma de un ego-objeto trascendente que la inmoviliza. Nada que ver, evidentemente, con el inocente ‘narcisismo’ de F., para el que el yo era un regalo, un ‘reservatorio’ de libido cedida y retirada a los objetos.

Sucede lo mismo con los textos de los años 1950-60, en los que aparecen los conceptos de ‘sujeto’, de ‘deseo’, de ‘incapacidad de ser’, de ‘palabra plena’, de ‘Simbólico’, de ‘Real’, de ‘gozo’. Todas estas nociones se enraízan en una filosofía del sujeto entendido como negatividad radical que Lacan sacaba, como tantos otros de la época, de los cursos de Alexandre Kojève sobre la Fenomenología del espíritu de Hegel, cursos que Raymond Queneau había publicado en 1947 (Lacan había asistido a esos cursos en los años 30, pero no parece haber sacado verdaderamente provecho más que a partir de ese momento). Esto vale fundamentalmente para el ‘deseo’ lacaniano, que no tiene nada que ver con el ‘Wunsch’ (deseo) fraudiano y traduce de hecho la ‘Begierde’ (otra palabra para deseo) hegeliana, corregida y revisada por Kojève en su comentario de la dialéctica del Maestro y el Esclavo.”

El deseo humano es un deseo del deseo del otro, dicho de otra manera un deseo puro, vacío, sin objeto, y por eso no puede manifestarse y hacerse reconocer como tal más que en una ‘lucha a muerte por el prestigio’ donde el hombre pone en juego su vida biológica de forma puramente gratuita y ‘soberana’, como decía también Bataille, por nada.”

<…El sujeto del deseo (es decir el sujeto simple, el ‘para-sí’) es una negatividad-trascendencia radical que se niega y se sobrepasa constantemente como objeto ‘en-sí’, no es lo que es y es lo que no es> (Hegel citado por Kojève y por Sartre). En cuanto al lenguaje, hacia el que se vuelve Lacan cada vez más a partir del inicio de los años 50 releyendo a Saussure a la luz, una vez más, de Hegel, Kojève y Blanchot, es la paradójica manifestación de esta negatividad, en tanto que abole y ‘mata’ la cosa (lo ‘Real’) de la que habla, incluido el propio sujeto parlante. Cuanto más el sujeto intenta decirse su verdad, más se equivoca, se falta y se ausenta, y más manifiesta que la verdad es esa misma equivocación. El lenguaje es la Verdad (Heidegger) del sujeto, su abismal aparición-desaparición: ‘Yo, la verdad, hablo’.”

Borch-Jacobsen, Lacan, Le Maître absolu, 1990 (1995).

Nadie sueña con reprochar a Lacan que le gustara la filosofía y haberse inspirado en aquellas las cosas más agudas que se hacían en el pensamiento de su tiempo, aunque tuviera tendencia a no citar las fuentes. [¡!!] Nadie le reprocha no haber sido fiel a F. (en todo caso yo no). Lo que hay que reprocharle, es por el contrario haber pretendido ser fiel a Freud y haber presentado su filosofía abigarrada como la verdad del psicoanálisis. Una cosa en efecto es avanzar ideas y liberarlas a la apreciación del público, como hace cualquier filósofo: a este respecto Lacan aparecería como un simple epígono. Otra cosa diferente es hacer hablar a la ‘boca sombría’ del inconsciente y hacerle pronunciar tesis que se acaban de leer en el último libro de Heidegger o de Blanchot: ‘Yo, la verdad, hablo’, etc. La posición del discurso es evidentemente completamente diferente. En un caso, el autor firma sus propias ideas, tomando una responsabilidad. En el otro, el ventrílocuo, toma una idea cualquiera de otro, negando serlo para nada: procedimiento de clérigo y fundador de religión.

Lacan afirmaba: ‘F. nos decía que x’ – después de lo cual proponía una interpretación de su credo, muy a menudo influenciada por la última filosofía del momento. O bien declaraba: ‘La práctica psicoanalítica nos enseña que y’, ‘Todo analista, entrado en años, sabe bien que z’ – después de los cuales deslizaba como una carta en el correo no importa que nuevo concepto.” “misma proyección especulativa, misma propensión a presentar ideas e hipótesis bajo la forma de ‘hechos observados’ o de ‘práctica analítica’ (desde este punto de vista por lo menos, Lacan habría sido el fiel discípulo del fundador).”

¿cómo no iban a estar convencidos de que esta era la ciencia de las ciencias, ya que parecía haber ya anticipado los avances más recientes del pensamiento? El ‘psicoanálisis’ lo era todo, lo invadía todo – pero era, también aquí, porque Lacan rellenaba con él no importa qué.”

Los intelectuales franceses hubieran pagado ese precio tan caro para buscar la verdad de su deseo en su diván si hubieran sabido que podían encontrar la misma sabiduría en las ediciones de bolsillo de Kojève, de Heidegger o de Blanchot?”

C) ¿POR QUÉ LACAN ES TAN OSCURO? – FILIP BUEKENS (TRAD. DO HOLANDÊS DE VAN RILLAER)

(*) “El presente texto es un extracto de un libro que aparecerá en holandés, Ensayo sobre el vacío: la irrelevancia filosófica de Lacan y del lacanianismo

S. Barnard y B. Fiak (eds.), Reading Seminar XX. Lacan’s Major Work on Love, Knowledge, and Feminine Sexuality. Albany, State University of New York Press, 2002.

El sueño es un jeroglífico, dice Freud. ¿Qué hubiera sido necesario que añadiera para que no esperáramos las palabras del alma?”

Judith Gurewich no duda en hablar del carácter ‘revolucionario’ de Lacan. Si sus ‘brillantes’ formulaciones no son comprendidas, es simplemente a causa de ‘prejuicios’. (…) ¿Se puede decir que una crítica razonable es ipso facto la puesta en acción de prejuicios?”

La lógica y la teoría de conjuntos son disciplinas perfectamente transparentes… salvo en la versión lacaniana. Incluso entre los interpretadores experimentados de Lacan reina una total disparidad concerniente a la significación de sus formalizaciones lógicas.”

¿por qué aquel que tiene la ambición explícita de elaborar una teoría sobre un tema, intrínsecamente difícil e incluso oscuro, tendría que escribir de una forma oscura?” “Existe cantidad de teorías filosóficas concernientes a cosas vagas y a conceptos imprecisos que no dejan de estar presentadas de forma clara y bien argumentada.” “El argumento lacaniano implica que F., por el mismo hecho de escribir de forma comprensible, ¡no hubiera entendido nada del inconsciente!” “Suponer que el estilo barroco de Lacan sea una imitación del inconsciente o, más fuerte aun, que el inconsciente enuncie el mismo su teoría (¿Lacan sería un desagüe acústico de una teoría del inconsciente, formulada por su propio inconsciente?), eso no basta para justificar su estilo y sus extraños razonamientos.” “Y puesto que Lacan tiene la intención de presentar su teoría de una forma barroca, su elección se basa en consideraciones racionales, u no puede decirse, en este caso, que sea su inconsciente quien tiene la palabra.” “Si el contenido de una teoría no se comprende salvo que el lector acepte que es verdadera, el lector puede considerase con toda justicia inmovilizado.”

Una cuestión notablemente difícil es establecer de forma precisa la significación, en la teoría de Lacan, del término significante.” “Poco importa la energía consumida en ‘articular el deseo’ – digamos en construir una teoría –, el deseo escapa siempre a las frases, a los diagramas y a las ecuaciones. Pero, insiste Lacan, las teorías no deben ser silenciosas sobre aquello que se les escapa!” “La actitud hostil de Lacan con respecto al discurso teórico está además en contradicción con sus ambiciones ‘científicas’ explícitas.” “Si el segundo argumento es correcto, sólo los psicoanalistas expertos tienen acceso al significado oculto de los textos lacanianos, y los demás lectores, por definición, no pueden entrar en este proceso.” “La objeción según la cual Lacan no presenta una teoría es contradicha por el propio Maestro, pero también por el estatus que dan los interpretadores de los textos lacanianos: incluso cuando empiezan por decir que Lacan habla en tanto que terapeuta, terminan siempre con una explicación de la teoría, que se encuentra en la base de su discurso.” “Este problema atraviesa toda la obra de Lacan; por una parte, sería preciso escapar a las convenciones del lenguaje teórico; por otra parte, todos los medios son buenos para hacer del psicoanálisis una ciencia de todas.”

¿Tiene Lacan necesidad de nuevos conceptos? Teniendo en cuenta que su objeto de estudio, el inconsciente, es relativamente nuevo, se cree obligado a ello. Quien lee a Lacan debe aprender un nuevo idioma: el ‘Otro’, lo ‘real’, ‘el significante’, etc.” “Todo desarrollo de un nuevo campo teórico se acompaña de la introducción de conceptos o de nuevas significaciones de los conceptos al uso. En la práctica, eso no debería plantear grandes problemas: basta con trabajar cuidadosamente, evitar las ambigüedades y hablar de forma coherente. Lacan no tiene en cuenta estos principios. Veamos una comparación: se puede perfectamente comprender las teorías de Newton y de Einstein, aunque se sitúen en paradigmas diferentes. Afirmar que Lacan se refiere a un ‘paradigma único’ no excusa su oscuridad.

Concluyo: los elogios ditirámbicos dirigidos a Lacan no tienen justificaciones racionales. Los argumentos de los lacanianos son, como muchos de los razonamientos del propio Maestro, conceptualmente incoherentes y, para toda persona dotada de razón, completamente rechazables.”

TERCERA PARTE

EL PSICOANÁLISIS FRENTE A SUS IMPASES

1) EL PSICOANÁLISIS ¿ES UNA CIENCIA?

A) EPISTEMOLOGÍA Y MALA FE: EL CASO DEL FRAUDISMO – CIOFFI (TRAD. DEL INGLÉS POR ANNE-CAROLE GRILLOT)

(*) “Se puede demostrar que la tolerancia creciente con respecto a la homosexualidad en nuestras sociedades no se traduce en una disminución de la tasa de pacientes atendidos con delirio de persecución, lo que invalida la tesis freudiana”

(*) “la astrología, por ejemplo, ha sido mil veces refutada, y sin embargo, sus adeptos continúan encontrando miles de confirmaciones de sus teorías.”

(*) “El psicoanálisis es una pseudociencia porque es una teoría de mala fe. Las tesis de Freud, observa Cioffi, han sido invalidadas hace mucho tiempo, y los historiadores han puesto en evidencia las manipulaciones de los datos a las que F. se entregaba, pero los defensores del psicoanálisis siguen obstinadamente encerrados en su jaula de cristal.”

(*) “cuando se ha revelado un error o una manipulación experimental, como en el caso de los ‘rayos N’ de Blondlot(**) o el fraude perpetrado por Cyril Burt para promocionar sus trabajos sobre la herencia de la inteligencia, esto basta de ordinario para dejar de considerar de una vez por todas a la teoría que se apoya sobre esas experiencias. No en psicoanálisis.

(**) Ver M.J. Nye, ‘N-Rays: An episode in the history and psychology of science’, Historical Studies in the Physical Science, vol. 2 (1980), p. 125-155”

(*) “Frank Cioffi no se hace ilusiones sobre la buena fe de sus interlocutores. Denuncia con audacia a los ‘perros guardianes del psicoanálisis’. Con una energía poco común en Francia, compara la mala fe de los fraudianos con la de todos los creyentes obstinados de los totalitarismos del siglo XX, a los que ninguna prueba ni ningún argumento racional apartaba del dogma.”

Sigmund Fraud fue quizás un gran hombre, pero sin embargo no era un hombre honorable. Grande por la imaginación y la elocuencia, se deshonró dirigiendo un movimiento dogmático en cuyo interés no dejó de perjurar.” “¿En qué criterios nos basamos para afirmar que Fraud no es que simplemente se equivocara sino que se trataba de un hipócrita y un mentiroso? ¿Por qué es importante, y no solamente para sus biógrafos? Porque el psicoanálisis es una ciencia testimonial. El crédito que se le concede a F. y a los analistas no descansa en las garantías que ofrecen sino en las que pretenden tener.”

A History of Medical Psychology, de Gregory Zilboorg, ilustra bien el enraizamiento de la tradición hagiográfica concerniente a la honestidad de F.. Zilboorg, no contento con relatar el mito convencional de ‘el inmenso deseo de Freud de conocer la verdad’, lo reforzó con el testimonio de un profesor de teología de la Universidad de Friburgo: ‘Freud es un buscador fanático de la verdad y creo que no dudaría en desvelarla aunque eso le costara la vida’.”

En La Vida y la Obra de Sigmund Freud, Ernest Jones evoca ‘la absoluta honestidad y la total integridad’ del padre del psicoanálisis, cuando sabía con certeza que esas cualidades estaban lejos de ser absolutas y totales, ya que su propio relato de la vida de Freud lo prueba.”

En 1992, el filósofo de las ciencias popperiano¹ J.O. Wisdom escribió: ‘Un hombre más honesto que Freud raramente ha pisado el suelo de nuestra tierra’.

¹ Eufemismo para idiota.

Mentira nº 1: Freud descubrió el complejo de Édipo sobre la base de falsos recuerdos de seducción parental”

Si numerosos admiradores de F. conocen la teoría de la seducción y saben que éste reconoció que se trataba de un error, no se han percatado de las implicaciones desastrosas de este error, ya que han creído la falsa historia que contó F. sobre las razones que le llevaron a cometer ese error. Lo que es falso, es que se basara en una convicción errónea, según la cual sus pacientes habían sido objeto de agresiones sexuales durante su infancia, sobre los recuerdos que éstas parecían haber reencontrado en el curso del tratamiento. En realidad, F. no basó estas escenas de agresión sexual en recuerdos de sus pacientes sino en su interpretación de sus sueños, sus asociaciones libres e imágenes fragmentarias de las que formaron parte en el curso del análisis.”

¿Por qué son desastrosas las implicaciones de esta falsa declaración en cuanto a la pretensión de F. de poder reconstruir los años perdidos de la infancia? Porque, cuando se comprende que, reemplazando los abusos sexuales sufridos durante la infancia por fantasías perversas e incestuosas, Freud ha utilizado exactamente el mismo material, adquirido por el mismo método, que el que le había conducido a las falsas conclusiones de abusos sexuales infantiles, la teoría de la sexualidad infantil pierde toda credibilidad.”

A finales del siglo XX, Kurt Eissler, fundador y secretario de los Archivos Freud, escribió un libro sobre la teoría de seducción que contiene un capítulo titulado: ‘Incoherencias e incongruencias en los artículos de 1896 de Freud sobre la teoría de la seducción’. Para aquellos que no conozcan su reputación de defensor eminente de la rectitud de F. en el seno de la comunidad psicoanalítica, diré simplemente que es como si el papa hubiera difundido una encíclica titulada ‘Incoherencias e incongruencias de los relatos de los Evangelios’. Una de las conclusiones de Eissler consiste en decir que ‘F. fue injusto con sus antiguos pacientes. En ninguna parte de sus publicaciones de la época se encuentra a mujeres acusando a su padre’, y ‘Freud había olvidado los casos o había ejercido una presión sobre ellos para obligarles a aceptar sus interpretaciones’. Eissler había comentado en varias ocasiones la teoría de la seducción sin apartarse de la opinión general y se sintió por tanto obligado a explicar el aspecto tardío de esta súbita severidad. Este es su argumento: ‘Estos tres artículos están escritos con tanta brillantez, convicción y persuasión que hay que leerlos varias veces con cuidado para descubrir las contradicciones que encierran y las debilidades de su fundamento’.”

Mentira n° 2: érase una vez una chica llamada Anna O.”

En un artículo de la Partisan Review, que toma partido por F., el historiador del psicoanálisis Nathan Hale respondió a las acusaciones formuladas en Souvenirs d’Anna O., de Borch-Jacobsen. Negó que F. hubiera mentido diciendo que Anna O. estaba curada. F. había dicho simplemente que Anna O. se había liberado de algunos de sus síntomas. Cuando Borch-Jacobsen protestó diciendo que esta construcción era simplemente incompatible con los textos, la Partisan Review decretó que el tema era demasiado abstruso para interesar a sus lectores y rechazó publicar su carta. Esta anécdota ¿no responde en parte a la pregunta plateada por Elaine Showalter en su crítica de The Memory Wars, de Frederick Crews, a saber: ¿por qué se considera que los defensores de Freud no sólo simplemente se equivocaron sino que son ‘hipócritas e impertinentes’? Aunque a algunos les pueda parecer oblicuo, Nathan Hale es un modelo de simplicidad comparado con Elisabeth Roudinesco, cuyo truco de jugarreta posmodernista desfigura el análisis de Anna O.. Así es como Roudinesco concilia la falsedad de la historia del tratamiento de Anna O. con su propagación por los freudianos. Esta historia aunque ficticia,

testimonia una verdad histórica a la que no puede oponerse la simple argumentación de una ‘realidad’ de los hechos. En efecto, cuando se cree demasiado en la transparencia del evento, se corre el riesgo de denunciar la actividad fabuladora como una intencionalidad mentirosa […]. La verdad de esta historia se atiene a la leyenda y remite a la manera en que el movimiento psicoanalítico se cuenta a sí mismo las fantasías iniciales de un nacimiento.” Histoire de la psychanalyse en France, p. 31

Mentira n° 3: la teoría de la sexualidad infantil de F. ha sido confirmada por la observación directa de niños”

Servirse de ello con ese fin, es hacer como el hombre de la petaca de Wittgenstein que intenta tener confirmación de lo que dice el periódico comprando otro ejemplar del mismo periódico.”

Un día, Ernest Jones excusó un olvido tácticamente ventajoso de Jung señalando que era

probablemente ‘inconsciente’. F. respondió que ‘un hombre honorable no sabría tener un inconsciente así’.”

¡Conozco casos de neurosis en los que el complejo de castración no juega ningún papel patógeno o no aparece en absoluto!’ F. Y sin embargo, cuando Adler fue puesto en jaque, el complejo de castración fue restablecido en su posición central, y F. olvidó que había tratado a pacientes en los que el ‘complejo de castración no jugaba ‘ningún papel patógeno’.”

Mentira nº 4: F. no tenía ninguna idea preconcebida en cuanto a la influencia de la sexualidad cuando empezó a analizar a sus pacientes, de suerte que la aparente corroboración no podía ser debida a la sugestión.”

* * *

Só 4 mentiras? Achei que seriam 40!…

Un historiador americano, indignado por el rechazo de Speer a admitir que estaba al corriente de la ‘solución final’ y persuadido de que mentía cuando rechazó asistir a una conferencia sobre ese tema, habría modificado los resúmenes de los debates de forma que Himmler parece dirigirse directamente a Speer.”

ARGUMENTO DA AUTOCORREÇÃO GRADUAL: “¿La decisión de Hitler de elevar a los Japoneses al rango de los Arios rubios prueba que la versión nazi de la teoría racista no era pseudo-científica?”

Un día, escuché una anécdota de J. Edgar Hoover, el fundador del FBI, según la cual, cuando decidía someter a escuchas a una persona sospechosa de subversión, preparaba 2 informes, uno titulado ‘subversivo’ – para el caso en que las conversaciones escuchadas fueran comprometedoras –, y otro titulado ‘subversivo astuto’ – para el caso en que no lo fueran.”

2. ¿EL PSICOANÁLISIS ES UNA PSICOTERAPIA?

A) ¿EL PSICOANÁLISIS CURA? – COTTRAUX

La propia palabra de ‘psicoanálisis’ no designa de ninguna manera el tipo de atención, ya que se trata de analizar el psiquismo disolviendo las resistencias que impedirían a un sujeto conocerse a sí mismo. Esta tradición se remonta, por lo demás, al budismo Zen, a Platón y a los presocráticos. Sería vano por tanto hacer un proceso al psicoanálisis en nombre del orden médico, ya que su intención no es cuidar y mucho menos curar. Nadie le pide a un filósofo o a un sacerdote que cure. Si todo esto fuera cierto, mi capítulo habría terminado. Pero el problema se basa en una doble ambigüedad: el psicoanálisis pretende en ocasiones tratar en el sentido médico del término, y las filosofías y las religiones pueden tener efectos terapéuticos, aunque no tengan, en principio, intención de tratar.”

A ÉTICA CATÓLICA E O ESPÍRITO PSICANALÍTICO? “No ha sucedido lo mismo en Francia, que ha seguido siendo, con Argentina y Brasil, uno de los bastiones de una influencia psicoanalítica casi sin comparación hasta una fecha reciente.”

Hay un problema ético: ¿con qué derecho vamos a transformar un simple problema psicológico en una neurosis de transferencia que corre el riesgo de durar años y con qué beneficios?”

El psicoanálisis lacaniano agrupa alrededor de 3 mil pseudoanalistas en el mundo, principalmente en Francia y América del Sur. Esta distribución no es debida al azar: se trata de países en los que la fe católica sigue siendo fuerte.” Já que estamos nos protestantizando, AO MENOS a psicanálise está com os días contados por aquí!

Syntoma: es la ortografía antigua de la palabra síntoma. Es lo que relaciona lo imaginario, lo real y lo simbólico (el lenguaje) en la última teoría lacaniana. Para él el ‘syntoma’ es el nombre del padre; el que conserva a través de un nudo sutil, el nudo borromeano, tanto lo imaginario, como lo simbólico y lo real. El padre se convierte así en el hombre santo. No es preciso aferrarse al síntoma sino buscar en él al padre.”

Lacan en El Triunfo de la religión se definía a sí mismo como ‘un niño de cura’. Hacia el final de su recorrido terrestre, sucedió que atacó sin misericordia al psicoanálisis, del que ridiculizaba sus pretensiones terapéuticas.”

Como ha demostrado sobradamente un tal Karl Popper, no es una ciencia en absoluto, porque es irrefutable. Es una práctica, una práctica que durará lo que durará. Es una práctica de charlatanería.”

Lacan, de hecho, en El Triunfo de la religión no se priva de tachar a F. de ‘grosero materialista’, para ganarse los aplausos de un auditorio bienpensante.”

en la época de los PACS (Pacto civil de solidaridad), de las familias monoparentales, el Orgullo Gay y de las madres solteras ha sido recientemente subrayado por psicoanalistas más en sintonía con los problemas de este tiempo.”

La ANAES (Agence nationale d’accréditation et d’évaluation en santé), convertida actualmente en Alta Autoridad de la Salud, ha propuesto 3 niveles de pruebas. El grado A que corresponde a una eficacia demostrada. El grado B que refleja la presunción de eficacia. Y, finalmente, el grado C que no manifiesta más que un débil nivel de pruebas. Existen sistemas de clasificación análogos en los países anglosajones.” “Las terapias psicoanalíticas han sido testadas en ciertas indicaciones, aunque en ensayos controlados poco numerosos o estudios de cohortes que hacen imposibles conclusiones positivas en los trastornos ansiosos, la depresión y los estados psicóticos. En cambio, existen datos positivos en el stress postraumático en un único estudio (presunción de eficacia).”

B) ANÁLISIS TERMINABLE – CREWS (TRAD. DEL INGLÉS POR AGNÈS FONBONNE)

La curación por la fe existe igualmente, como admitía tristemente F., frente a los prodigios Lourdes. Al igual que una milagrosa imposición de manos no prueba nada en cuanto a la piedad de Cristo, el contenido posicional del psicoanálisis sigue no demostrado por una o incluso varias historias de casos con éxito. Si el psicoanálisis debe justificar el exotismo de su teoría, debe, para empezar, probar que sus características únicas están bien autentificadas por hechos que a su vez no se presten a ninguna otra explicación más simple.”

Las investigaciones han demostrado que los individuos aceptan con entusiasmo falsas interpretaciones como descripciones precisas de sus propias personalidades”

Relacionando el éxito terapéutico con factores inespecíficos o falaces, el psicoanálisis no es más deshonesto que no importa cual de las numerosas terapias que invitan al cliente a fusionarse con el inconsciente colectivo, a regresar a la infancia, a revivir su nacimiento o a identificar sus reencarnaciones precedentes.”

el cliente freudiano es el único que prolonga su tratamiento y lo paga religiosamente para tener el simple privilegio de ver algunas de sus objeciones arrojadas a la basura” “Si el psicoanálisis es realmente LA cura de los trastornos de la personalidad, como pretenden sus más fervientes admiradores, hay que preguntarse por qué sus beneficios sólo se extienden a una clientela relativamente sana y más bien rica. Según los investigadores freudianos antes mencionados, el retrato del cliente susceptible de beneficiarse de un psicoanálisis es ‘joven, educado, inteligente, motivado, con tiempo disponible, dinero y un trastorno de la personalidad relativamente ligero’.”

3. ¿EL PSICOANÁLISIS ES UN INSTRUMENTO DE CONOCIMIENTO DEL YO?

A) DESAFÍOS A LA METODOLOGÍA DEL PSICOANÁLISIS – MACMILLAN (TRAD. DE AGNÈS FONBONNE)

El psicoanálisis nos ofrece una multitud de teorías, cada una de ellas esforzándose en obtener el puesto de vedette, y todas ellas bailando con músicas diferentes la mayor parte de las cuales no se parecen para nada al tema original de Freud. ¿Cómo hacer para elegir una? Si estas teorías son guías más o menos aceptables de una realidad verdadera – y, en ese caso, la realidad verdadera es la realidad de las gentes –, ¿cómo elegir aquella de la que podamos sacar un verdadero alimento intelectual?”

Deus eu não sei, mas o analisando com certeza joga dados!”, teria dito Einstein!

Que no haya ninguna respuesta clara a la pregunta: ¿para qué sirve el saber psicoanalítico? Es una consecuencia de los defectos fundamentales e irremediables relacionados con las técnicas de recolección de datos u sus interpretaciones, consecuencia común a todas las escuelas del psicoanálisis.”

Bremer enuncia que la construcción de Freud está basada ‘en varias ideas fundamentalmente erróneas’, la más importante de las cuales es que utiliza el relato de la primera ascensión de Moisés al monte Sinai, después de la cual rompió las Tablas de la Ley, en lugar de la segunda ascensión, al término de la cual Moisés recibió las segundas Tablas de la Ley. Bremer remarca que ninguno de los aspectos de la estatua está en contradicción con la segunda ascensión, pero que en cambio hay muchos con la primera. Ese mismo año, Bergmann observa casi por azar que es una pena, para la interpretación de F., que el Moisés de Miguel Ángel posea cuernos, ya que, según el Éxodo, solamente los habría adquirido en la segunda ascensión, después de que se le apareciera Dios. Al igual que las Tablas vírgenes que sostiene Moisés, esos cuernos indican que Miguel Ángel representó a Moisés durante la segunda ascensión.”

Miguel Ángel probablemente representó a Moisés con cuernos porque, según la traducción latina del Éxodo que hizo San Jerónimo (a partir del hebreo), es así como fue glorificado. La interpretación de San Jerónimo seguramente no es errónea como se ha dicho en ocasiones. Años antes, Áquila había hecho la misma elección en su traducción en griego, y Jerónimo y él eran reconocidos como expertos hebraicos por sus trabajos. Pero el hebreo es tan particular y tan ambiguo que no hay ninguna certeza en cuanto al sentido literal de las frases en hebreo y aun menos en su traducción. J. Bowker, The Targums and Rabbinic Literature: An Introduction to Jewish Interpretations of Scripture. ed. cor., Cambridge, Cambridge University Press, 1969, 1979; R. Mellinkoff, The Horned Moses in Medieval Art and Thought.“La cuestión no es saber si la interpretación del Moisés de Bremer es más plausible o convincente que la de Freud, sino que la suya es más fiel a los hechos. La posición es parecida a las construcciones psicoanalíticas propiamente dichas. Sin criterio exterior, no hay ningún medio de juzgar si ofrecen un informe completo y honesto de la historia del paciente, eso que Freud consideraba como el objetivo del análisis.”

No existe por ejemplo, ningún hecho que aporte la evidencia de que las niñas se masturban de otra manera que frotando su clítoris o que el superyo femenino sea más o menos rígido que el superyo masculino.” “No se ha propuesto ninguna solución a estas cuestiones, incluso por esos psicoanalistas y sus simpatizantes que califican de ‘problemática’ la teoría de Freud sobre la sexualidad femenina.”

El conflicto que enfrentó a Freud con Rank a propósito de la tesis de este último sobre el traumatismo de nacimiento aporta quizás el caso más claro sobre la forma en que los hechos reflectados por la asociación libre se generan por las diferencias de técnica y la orientación teórica.”

4. LOS CLARIVIDENTES

A) UNA EPIDEMIA ENTRE LOS PSIQUIATRAS – HOCHE (TRAD. DEL ALEMÁN POR BORCH-JACOBSEN)

De forma sorprendente, un gran número de discípulos, en parte resueltamente fanáticos, se han alistado con F. y le siguen a donde les ordene. Hablar a ese propósito de una ‘escuela’ freudiana estaría en realidad completamente fuera de lugar, en la medida en que no es cuestión de hechos científicamente probables, sino de artículos de fe; en realidad, si exceptúo algunas cabezas más ponderadas, se trata de una comunidad de creyentes, de una especia de secta (eine Art von Sekte) con todas las características de éstas.”

Lo que es común a todos los miembros de la secta es el alto grado de veneración por el maestro, que quizás no tenga otro análogo que el culto a la personalidad del círculo de Bayreuth.

El movimiento freudiano es en fin, el retorno, bajo una forma moderna, a una Medicina mágica, una especie de enseñanza secreta (Geheimlehre) que sólo puede ser practicada por adivinos cualificados.”

B) UNA SUPERCHERÍA PARA NUESTRO SIGNO – ALDOUS HUXLEY (1925) (TRAD. POR AGNÈS FONBONNE)

(*) “Según Huxley, cada época sucumbe al poder explicativo de una teoría seductora que desaparece pronto, más o menos rápidamente, más o menos profundamente, en los limbos de la historia del pensamiento: astrología, magnetismo, fisiognomía. El siglo XX será percibido un día como el siglo de una nueva superchería, tan popular como estrafalaria: el psicoanálisis.”

La frenología, la fisiognomía y el magnetismo nos parecen hoy en día ciencias bastante cómicas y extrañas. Hemos perdido nuestra fe en la protuberancia de las protuberancias; y para dar una explicación a los fenómenos del hipnotismo y de la sugestión, ya no tenemos necesidad de recurrir a la caricatura de la teoría del magnetismo. Sin embargo, hace un siglo, la gente que aportaba a la ciencia lo que se denomina – sin ironía alguna – un interés esclarecido eran en su mayor parte fervientes admiradores de Lavater, de Gall y de Mesmer(*). Balzac, por ejemplo, creía muy sinceramente en sus doctrinas, y su Comedia humana rebosa de presentaciones pseudocientíficas de la teoría de las protuberancias y fosas craneales y de otros fluidos magnéticos.

(*) Lavater fue un célebre fisiognomista del siglo XVIII; Gall fue el fundador de la frenología, y Mesmer, el autor de la doctrina del magnetismo animal.

Al releerlas ahora uno se sorprende – una sonrisa condescendiente en los labios – de que un hombre tan sensato como Balzac, por no decir un hombre de genio, haya podido creer tan inverosímiles tonterías, y más extravagante aun, pensar que hayan podido tener alguna relación con la ciencia. En nuestro siglo tan esclarecido, este tipo de cosas no podrían suceder, no decimos con suficiencia.

Pero, lamentablemente, sí, es posible. Algunas vagas mentes diletantes y bien pensantes, que en 1925 se veían como seres particularmente esclarecidos sobre cuestiones científicas, descubrieron con la más gran delectación una cosa casi tan estúpida, fácil e inexacta, una cosa casi tan divertida, excitante e irresistiblemente ‘filosófica’ como las teorías de Gall o de Mesmer. La frenología y el magnetismo se unieron a la magia negra, la alquimia y la astrología. Pero no hay ninguna necesidad de lamentar su pérdida; los fantasmas de nuestros antepasados no tienen ninguna razón para compadecerse de nosotros. En realidad, casi podrían envidiarnos. Ya que hemos puesto la mano sobre una cosa más divertida que la frenología. Hemos inventado el psicoanálisis.

Dentro de 50 años, ¿adivinan cual será la pseudociencia preferida del novelista, de la mujer mundana y del investigador cándido pero sin suficiente rigor científico para proseguir después del primer ‘eureka’? Será algo, podemos estar seguro, que, un siglo más tarde, parecerá tan grotesco como nos parece hoy en día la frenología y como parecerá el psicoanálisis a su vez a la próxima generación.”

De la magia al magnetismo pasando por la astrología y hasta el psicoanálisis, el objeto de todas las pseudociencias ha sido siempre el Hombre – y el Hombre en su naturaleza moral, el Hombre en tanto que ser que sufre y disfruta. La razón no es difícil de encontrar. El Hombre, que es el centro, por no decir el creador de nuestro universo, sigue siendo el más espectacular y apasionante de los temas de estudio. Quien más, quien menos, conocemos todos al Hombre o, al menos, lo pensamos; ninguna necesidad de formación previa para aplicarse a su estudio. Una ciencia del Hombre se presenta como el atajo más rápido hacia el saber absoluto – tal es pues la invariable materia de las pseudociencias.

Los métodos de todas estas ‘ciencias’ desprenden un mismo aire de familia: utilización de argumentos basados en la analogía en lugar de razonamientos lógicos, aprobación de todo tipo de evidencias útiles sin verificación experimental, elaboración de hipótesis consideradas en seguida como hechos, deducción de leyes a partir de un único caso mal observado, transformación de connotaciones de determinados términos cuando mejor conviene y apropiación espontánea del sofisma post hoc ergo propter hoc – después de esto luego a causa de esto. Así actúan las mentes no-científicas que buscan la verdad para montar el extraño y formidable edificio de sus doctrinas.

Algunas de estas pseudociencias han disfrutado en el pasado, incluso durante milenios, de una gran popularidad. Pero el desarrollo de ciencias auténticas, la generalización de la educación y el acceso al conocimiento han acelerado considerablemente el proceso de su nacimiento y declive. La astrología y la magia perduraron durante decenas de siglos en las antiguas naciones civilizadas, pero el magnetismo no duró más que una generación antes de desaparecer. La frenología no vivió mucho más tiempo, y, de todas las prometedoras estrellas pseudocientíficas del siglo XX, los Caballos sabios de Elberfeldt(*) no consiguieron salir en la prensa más que 2 o 3 años; los sublimes rayos N de Nancy no ondularon demasiado tiempo hacia la nada después de un estallido popular que, aunque intenso, fue de breve duración. El psicoanálisis ha durado y, podemos estar seguros, va a durar mucho más tiempo por la simple razón de que su carácter erróneo no puede ser probado de forma concluyente por un único experimento, como sucedió con los rayos N. Sin embargo, como todas las otras grandes pseudociencias del pasado, la seguridad del absurdo aparecerá y crecerá poco a poco en la mente de sus adeptos, hasta que al fin incluso aquellos lucen una mirada inteligente con respecto a la ciencia y lo consideren demasiado manifiestamente absurdo como para ser creído. De aquí a entonces, algún nuevo genio anticientífico habrá hecho su aparición con una nueva pseudociencia, y los ex-fanáticos de F. no estarán de duelo.

(*) Cuatro caballos que eran capaces, se dice, de calcular, gracias a poderes de telepatía.”

Para empezar, trata del Hombre en su naturaleza moral. A continuación, a sus estudiantes no se les exige ninguna formación particular o inteligencia relevante. Ningún doloroso esfuerzo intelectual a aportar para seguir sus argumentos; los cuales, por otra parte, sólo se presentan en pequeño número en el sentido estricto del término.” “Quien sienta una atracción por retorcer la lógica que representa la deducción analógica puede estudiar el psicoanálisis.” “es, como siempre ha sido, una medicina patentada para las clases distinguidas.” “Si solamente pudiera incorporar un método para predecir el futuro o incluso una receta milagrosa para ganar millones sin trabajar, el psicoanálisis se convertiría en una pseudociencia tan completa como lo fueron la astrología, la magia o la alquimia.” “Por el momento, incluso tomándolo como es, sigue siendo incomparablemente superior al magnetismo, a la frenología y a los rayos N, e inferior solamente a las creaciones más grandiosas del espíritu anticientífico.”

Mi profunda incredulidad con respecto al psicoanálisis nació hace ahora varios años con la lectura de la teoría freudiana de la interpretación de los sueños. Fue el mecanismo de lo simbólico, a través del cual el analista transforma los datos evidentes para convertirlos en el contenido de un sueño oculto, lo que quebrantó la poca fe que le hubiera podido conceder al sistema. Me pareció, mientras recorría esas listas de símbolos y esas obscenas interpretaciones alegóricas de sueños por lo demás simples, que ya conocía este tipo de proceder de antemano.” “los encantadores bestiarios de los que nuestros antepasados de la Edad Media se servían para aprender las grandes lecciones de ética contenidas en la historia natural me vienen a la memoria. Siempre he dudado de que el leopardo sea verdaderamente un símbolo viviente de Cristo (o, como afirman otros bestiarios, del Diablo).”

¿Por qué debería aceptar como válido el simbolismo del doctor Fraud? No hay más razones para creer que subir unas escaleras o volar en el cielo sean sueños equivalentes al coito que para creer que la chica del Cantar de los cantares representa a la Iglesia de Cristo. Por una parte, nos encontramos con la afirmación de algún piadoso teólogo de que una canción de amor aparentemente escandalosa es de hecho, si aceptamos interpretarla en el sentido correcto, la expresión de una inocente y efectivamente loable aspiración hacia Dios. Por otro, tenemos a un médico sosteniendo que una inocente acción hecha en un sueño es, cuando se la interpreta de la forma adecuada, el símbolo del acto sexual. Ninguna de estas 2 explicaciones aporta la menor prueba; cada una por el contrario nos abandona en manos de una afirmación tan plana como infundada. En todos los casos, sólo los que tienen la voluntad de creer son los que tienen necesidad de creer, y no hay ninguna prueba que permita obtener el asentimiento del escéptico. Que una cosa tan fantasiosa como esta teoría de la interpretación por el sesgo de los símbolos (que están prestos a significarlo absolutamente todo según el humor del analista) haya podido un día ser considerada como poseedora de siquiera una onza de valor científico, es verdaderamente increíble. Observaremos de paso que mientras todos los psicoanalistas están de acuerdo en decir que los sueños tienen la más alta importancia, difieren profundamente en sus métodos de interpretación. F. descubre deseos sexuales reprimidos en todos los sueños; Rivers ve la resolución de un conflicto mental; Adler, la voluntad de poder; y Jung, un poco de todo mezclado. Los psicoanalistas dan la impresión de vivir en el maravilloso universo trascendental de los filósofos, en el que todo el mundo tiene razón, donde todo es verdad, donde toda contradicción se tranquiliza.”

Fue la interpretación simbólica de los sueños la que quebrantó en primer lugar mi fe en el psicoanálisis. Pero una crítica sistemática de la teoría debería empezar por poner en cuestión sus doctrinas aun más fundamentales. Está la hipótesis, por ejemplo, que quiere que los sueños sean siempre profundamente significativos.” “La hipótesis psicoanalítica según la cual los sueños tienen el más alto valor significativo se hizo de hecho necesaria por esa otra hipótesis aun más fundamental que es la existencia del inconsciente fraudiano.” “El inconsciente, nos explican, es una especie de antro o de infierno a donde son enviados todos los malos pensamientos y los deseos villanos que entran en conflicto con nuestros deberes sociales del mundo exterior.”

Las 2 partes recurren a las estratagemas más extraordinarias y más ingeniosas: los malos pensamientos se disfrazan, toman el aspecto de vírgenes asustadizas y surgen como inofensivos pensamientos; eso es lo que sucede en los sueños. De ahí el significado de los sueños y la necesidad de interpretarlos simbólicamente, con el fin de alcanzar su sentido oculto, es decir, descubrir cual es el mal pensamiento que se oculta bajo sus disfraces.” “Los pensamientos reprimidos y el censor dan prueba de una increíble ingeniosidad en la

invención de estratagemas. Da la impresión de que son mucho más malignos que la pobre y estúpida mente consciente, que, a menos que sea la de un psicoanalista sería incapaz de imaginar fintas y combinaciones tan ingeniosas. La autenticidad de este apasionante mito antropomórfico es asumida alegremente por todos los psicoanalistas que se aplican a basar en él sus argumentos, como si se tratara de un hecho científicamente probado.”

En su excelente libro, Psychoanalysis Analysed, el doctor McBride relata casos de fobias, que supuestamente son particularmente receptivos al tratamientos por métodos psicoanalíticos, que sin embargo fueron curados por el simple procedimiento del razonamiento con el paciente sobre sus propios miedos.” “Por supuesto, los psicoanalistas repudian con indignación esta noción y declaran a coro que la sugestión es absolutamente extraña a sus procederes y que no la practican por supuesto nunca. La publicación de sus relatos de casos muestra con bastante claridad que la sugestión es, evidentemente, empleada, sea de forma intencionada o no.” “Y el depresivo está curado. Pero la curación probablemente se hubiera efectuado de una forma mucho más expeditiva si se hubiera empleado directamente la sugestión y el hipnotismo desde el principio.”

5. COMO SE IMUNIZÓ EL PSICOANÁLISIS CONTRA LA CRÍTICA

El inconsciente es un arma temible, que funciona a la manera de un proceso inmunitario, destruyendo toda objeción que amenace al sistema. así, es probable que ciertos freudianos denuncien este libro porque revela la ‘resistencia’ y por lo tanto la neurosis de sus autores que rehúsan aceptar las ‘revelaciones’ freudianas.”

A) LOS MECANISMOS DE DEFENSA DE LOS FREUDIANOS – VAN RILLAER

F. presenta características de una personalidad paranoide y contribuyó al desarrollo de una psicología que sospecha, por no decir paranoide (cf. John Farrell, Freud’s Paranoid Quest: Psychoanalysis and Modern Suspicion. New York, New York University Press). Él mismo reconoció la analogía de los sistemas interpretativos del psicoanalista y del paranoico: en ambos casos, escribe, pequeños indicios se explotan y combinan para formar explicaciones. Añade con sagacidad: Sólo pueden preservarnos de tales peligros el amplio asentamiento de nuestras observaciones, la repetición de impresiones similares procedentes de los terrenos más diversos de la vida del alma.

neurastenias (aproximadamente el equivalente a lo que hoy llamamos ‘depresiones’)”

Krafft-Ebing, el célebre sexólogo, objeta que el factor sexual juega ciertamente un gran papel en los trastornos mentales, pero que no se puede generalizar a todos los casos; Hollander dice igualmente que la sexualidad es muy importante, pero que otros factores pueden entrar en juego, por ejemplo el agotamiento en los casos de neurastenia.”

No es necesario ser un experto en epistemología para comprender que ni el éxito de una teoría ni las resistencias que suscita son en sí pruebas de validez o error. Sin embargo, el argumento de la ‘resistencia a la verdad’ se convirtió en la principal defensa de F. y de sus discípulos.”

Freud se presentó a sí mismo como el punto culminante de las revoluciones intelectuales que van desde Copérnico hasta él mismo pasando por Darwin.”

Varias contribuciones a la presente obra demuestran que F. no es el descubridor del inconsciente. Desde hace alrededor de 300 años, filósofos y luego psicólogos han admitido que nuestras conductas participan de procesos en los cuales no reflexionamos o de los que ignoramos”

El más grave de estos errores es creer que el inconsciente es otro Yo; un Yo que tiene sus prejuicios, sus pasiones y sus ardides.” Alain, Élements de philosophie, París, Gallimard, 1941.

Henri Ellenberger demostró que en la época de Freud se interesaban mucho por los problemas sexuales.” “Las críticas no vienen todas de individuos pudibundos ni de reprimidos sexuales. Algunas emanan de psicólogos y de sexólogos que tienen un vivo interés por la sexualidad de la que hablan sin ninguna verguenza.” “Sin la insistencia sobre la sexualidad, el psicoanálisis sin duda hubiera conocido un éxito considerablemente menor. El placer sexual es uno de los más intensos que existen.” “La versión fraudiana del determinismo es criticable porque desemboca siempre sobre los mismos determinantes (la sexualidad y el esquema familiarista) y que supone un inconsciente que elabora contenidos muy complicados a espaldas de la persona que sería su teatro.” “Los psicoanalistas cometen ‘el error del homúnculo’; postulan un ser en nuestro interior, que sin que sepamos nada, tiene sus propios deseos, desarrolla intenciones propias, piensa cosas muy complicadas y hace operaciones aritméticas.”

Sólo los raros privilegiados, que pueden pagarse una larga cura fraudiana, se convertirán en clarividentes en cuanto a los mecanismos del inconsciente y podrán liberarse de automatismos alienantes.

Es sin duda para enmascarar esta fuente legítima de crítica al psicoanálisis que ciertos fraudianos son hoy en día una versión ‘liberadora’ de la doctrina. En la jerga de Élisabeth Roudinesco, esto se convierte en:

El sujeto fraudiano es un sujeto libre, dotado de razón, pero cuya razón vacila en el interior de ella misma. […] F. hizo de la sexualidad y del inconsciente el fundamento de la experiencia subjetiva de la libertad.”

Los psicoanalistas formados en epistemología moderna han abandonado la idea de defender la cientificidad del psicoanálisis. Es la posición de Lacan a finales de los años 1970.”

Entre los psicoanalistas que no entendieron los principios elementales de la epistemología, citamos a É. Roudinesco, la más mediática de los defensores del freudismo.

Uno de los principales argumentos opuestos al sistema fraudiano, particularmente por Karl Popper y sus herederos, es su carácter infalsacionable, inverificable o irrefutable. Incapaz de poner en cuestión sus propios fundamentos, el psicoanálisis no respondería a criterios que le hicieran entrar en el mundo de las ciencias.”

André Green, antiguo director del Instituto de Psicoanálisis de París, decía: ‘Roudinesco se dice historiadora y psicoanalista. […] Temo que no sea más psicoanalista que historiadora’. Diría en este sentido que no es más epistemóloga que psicóloga.”

F., Adler, Stekel, Jung, Rank, Reich, Ferenczi y otros eran ante todo clínicos. Todos construyeron teorías que se contradicen mutuamente. Sólo la investigación científica permite retener, entre las hipótesis, aquellas que encajan mejor con la realidad.”

En 1914, F. escribía que Rank era ‘su más fiel colaborador’ y manifestaba ‘una comprensión extraordinaria del psicoanálisis’. El 8 de abril de 1923, escribe aun a Abraham: ‘Estoy muy contento al convencerme de que mis paladines, es decir usted, Ferenczi y Rank, se aplican siempre en sus trabajos a cosas fundamentales’. Desgraciadamente, al año siguiente, Rank publica su propia versión del psicoanálisis. F. le dice que no habría escrito nunca El Traumatismo del nacimiento si hubiera sido psicoanalizado. Rank responde: ‘En cualquier caso, después de todos los resultados que he visto en los analistas analizados, sólo puedo calificar este hecho como una suerte’. F., furioso, exclama: ‘Esto lo sobrepasa todo’. Ferenczi – en ese momento aun amigo de Rank – escribe al maestro: ‘Lo que no puedo aprobar en ningún caso es la propuesta de Rank con respecto a las ventajas de no estar analizado. Esta frase contradice todo el psicoanálisis y, si es admitida, lo reduciría a una especie de adivinación poética. Entre los primeros psicoanalistas, varios – como el fiel Abraham – no fueron analizados, mientras que otros – Stekel, Ferenczi – sólo lo fueron durante unas horas.”

PEGA FOGO, DIVÃ DO CABARÉ (O TIPO DE BRIGA EM QUE TORCEMOS PELA BRIGA)! “Sabiendo que Jones continuaba criticando a su hija, Sigmund le escribe el 23 de septiembre: ‘Está usted poniendo en pie en Londres una campaña en modo y forma con el análisis de niños de Anna, en la que le hace usted el reproche de no haber sido ella misma suficientemente analizada, reproche que me repite usted en una carta. Me he visto obligado a hacerle ver que esta crítica es tan peligrosa como ilícita. ¿Quién, a decir verdad, estará entonces suficientemente analizado? Puedo asegurarle que Anna por ejemplo ha sido analizada durante más tiempo y con más profundidad que usted mismo’.”

En Las Ilusiones del psicoanálisis, consagré 5 páginas a ejemplos de ‘diagnósticos’ concedidos por F.a discípulos disidentes (Adler, Stekel, Jung, Bleuler, Hirschfeld) y a psiquiatras o psicólogos que emitían críticas (Bratz, Morton, Prince, Heltpach y otros). Me contento aquí con citar brevemente algunas de estas etiquetas: resistencia homosexual, ambivalencia obsesiva, inconsciente perverso, yo paranoico, imbecilidad afectiva, tonto arrogante, rabieta homosexual, delirio de grandeza, loco rematado.”

Por ejemplo, se puede explicar la omnipresencia del tema de la sexualidad en la teoría fraudiana por el hecho de que F., a partir de 1893, sufre importantes frustraciones sexuales, pero sólo observaciones metódicas permiten validar o refutar esta teoría.” HAHAHAHA!

F. publicó resultados falsos. Los fraudianos minimizan esas mentiras, declaran que muchos otros investigadores cometieron fraude y que, de todas formas, F. sigue siendo un genial descubridor.”

en los años 1880, Hans Gross, el padre de la psicología judicial, daba una serie de ejemplos de acusados y de falsos testimonios que se habían traicionado por lapsus y otros actos fallidos. En 1895, Rudolf Meringer, un filólogo, y Karl Mayer, un psiquiatra, publicaban una obra completa sobre los lapsus. El célebre lapsus, citado por F., del presidente de la Cámara austríaca de diputados diciendo ‘Señores, constato la presencia de tantos diputados y declaro, por consiguiente, cerrada la sesión!’ es precisamente un ejemplo dado previamente por otros autores.” “Heath Bawden explicaba, apoyándose en la teoría de Herbart, que los lapsus resultan de un ‘conflicto de sistemas mentales’. El libro de F. sobre los actos fallidos no aparecería hasta 1901. Su originalidad consiste en producir asociaciones de ideas, a partir de los lapsus, hasta llegar a un contenido sexual incluso cuando éste no parezca tener nada que ver.”

F. no era particularmente demócrata. Escribió que ‘no puede evitarse la dominación de la masa por una minoría, ya las masas son inertes y desprovistas de discernimiento’ y que ‘los hombres son, por término medio y en gran parte, una miserable canalla’ (esta última palabra fue muy utilizada por Lacan y luego por su yerno J.A. Miller). Su sistema de pensamiento favorece una ‘subjetivización’ o ‘sobreindividualización’ de todos los problemas psicológicos: la explicación final se encuentra siempre en la vida ‘interior’, los eternos elementos del ‘alma’ (libido, pulsiones de vida y muerte, complejos de Édipo y de castración, deseo de pene) y las vivencias de la primera infancia.” “Se comprenden por tanto las críticas de los psicólogos científicos (que conceden importancia a las interacciones con el entorno y no solamente con las de la primera infancia), los sociólogos y los marxistas.”

En junio de 1949, la revista marxista Nouvelle Critique publicaba un texto, que se hizo célebre: ‘El psicoanálisis, ideología reaccionaria’. Se explicaba que el psicoanálisis, bajo su cubierta de cientificidad, es en realidad un instrumento político. Despolitiza al individuo, hace del revolucionario un ‘neurótico’ y sirve de opio para las clases medias. ‘El psicoanálisis viene a reforzar la psicotécnica ordinaria en un trabajo policial que funciona al servicio del patrono y del ocupante americano con vistas a la eliminación de los no dóciles y de los resistentes.’ Es divertido constatar que, desde la publicación del informe del INSERM sobre las psicoterapias en 2004, los lacanianos utilizaron sin cesar el mismo vocabulario contentándose con reemplazar ‘psicoanálisis’ por ‘TCC’.

En el curso de los años 70, Lacan consiguió interesar a los intelectuales marxistas. Una de las razones se relacionaba con su discurso anti-institucional, que Turkie llamó ‘el protestantismo psicoanalítico’. Para Lacan, ‘la única regla debe ser que no hay reglas establecidas […] el analista no se autoriza más que a sí mismo. […] El psicoanálisis es más una vocación que una carrera y ninguna institución puede garantizar la fuerza que ejerce interiormente la llamada de una vocación en un individuo’.”

Hoy en día, un cierto número de lacanianos presentan al psicoanálisis como la muralla contra el totalitarismo. [Infelizmente vemos a refutação desse pressuposto na França de Le Pen] Si se les cree, los psicoanalistas serían en todo y siempre los héroes de la libertad y de la resistencia a la opresión. Élisabeth Roudinesco llega decir que ‘el pseudoanálisis siempre y en todo lugar ha visto prohibida su enseñanza y práctica por parte de todos los poderes dictatoriales, empezando por el que pusieron en pie los nazis. [… ] Varios representantes [del psicoanálisis] fueron perseguidos, exterminados, torturados a causa de sus ideas’ Olvida lo que escribía 5 años antes: ‘Las dictaduras militares no han impedido la expansión del psicoanálisis en América latina (particularmente en Brasil y Argentina)’. En efecto, Argentina, bajo el régimen de los generales, era nada menos, según la expresión de Serge Leclaire, que el ‘Eldorado del psicoanálisis’. É. Roudinesco no cita un solo nombre de pseudoanalista exterminado o torturado únicamente a causa de su calificación de pseudoanalista (evidentemente hubo pseudoanalistas judíos exterminados, porque eran judíos). Recordemos también que varios pseudoanalistas – por ejemplo Boehm y Müller-Braunschweig – se unieron a la causa nazi y continuaron trabajando como pseudoanalistas en el seno del Instituto Göring.”

El pseudoanálisis molesta al poder absoluto, pero no más, o quizás mucho menos, que algunos hombres de Iglesia incapaces de soportar la esclavitud, que un sindicato movido por la justicia, que un grupúsculo de estudiantes decididos que no temen a la muerte” François Roustang

CUARTA PARTE

LAS VÍCTIMAS DEL PSEUDOANÁLISIS

1. LAS VÍCTIMAS HISTÓRICAS

A) LA HISTORIA TRÁGICA Y VERÍDICA DE HORACE FRINK, MANIPULADO POR LAS NECESIDADES DE LA CAUSA – EDMUNDS (trad. Agnès Fonbonne)

En febrero de 1921, Horace Frink parte hacia Europa con el fin de iniciar un análisis con F.. Tenía entonces 38 años, formaba parte de esa multitud de jóvenes intelectuales irresistiblemente atraídos por el 19 Berggasse en Viena, para estudiar allí, bajo la férula del ‘maestro’, como le llamaban sus aprendices. Frink es de esos que aspiran a formarse en la Maestría del Arte pagando 10 dólares la hora de diván, para deshojar sueños y fantasías. Freud enseña en parte el pseudoanálisis aplicándolo simplemente a sus estudiantes.” “Además, subraya Roazen, Frink no es judío, una particularidad que F., que si lo es, encuentra importante si quiere sobrepasar las fronteras de los intelectuales de Nueva York.”

Cuando conocí a Fraud, me aconsejó que me divorciara en nombre de mi propia existencia que no estaba terminada… y porque si dejaba al doctor Frink ahora, no conseguiría nunca volver a la normalidad y desarrollaría probablemente una homosexualidad extremadamente reprimida.”

Angelika Frink

Pero, tan rápidamente como se había calentado, el proyecto de Frink y de Angelika empieza a torcerse. Tanto el uno como la otra dudan de lo bien fundado que sería dejar a sus parejas respectivas, su compatibilidad de pareja y la sombra amenazante de la salud mental de Frink”

No creo que sea útil que prosiga usted su análisis… Su trabajo está terminado…” Carta de Fraud

Angie querida, te mando una copia del correo de Fraud que, espero, te aliviará tanto como me ha aliviado a mí. Quiero conservar el original, podría un día interesar a nuestros hijos. Soy tan, tan feliz.”

Desgraciada e inocente, Doris Best no dice siquiera a sus vecinos a donde huye. Su matrimonio está destruido, Horace la ha abandonado por una relación sin futuro, y ella ha rechazado embarcarse en un análisis con él. Deprimida pero conciliadora, Doris debe asumir la ruptura, el traslado y el arte de economizar, viviendo en hoteles y pensiones, flanqueada de Helen aun bebé, y de Jack, su hijo mayor.”

Dr. Fraud,

Recientemente, 2 de sus pacientes, un hombre y una mujer, me han informado de que fueron a verle con el fin de que usted diera claramente su acuerdo o su rechazo a su matrimonio. Por el momento, ese hombre está casado con otra mujer, padre de 2 hijos y ligado a la ética de una profesión que exige no sacar ningún privilegio de la confidencialidad debida a sus pacientes y a su descendencia inmediata. La mujer con la que quiere casarse ahora es una de sus antiguas pacientes. El sostiene que usted autoriza ese divorcio y ese nuevo matrimonio, aunque usted nunca haya visto a su esposa legítima ni analizado sus sentimientos, sus intereses, incluidos sus deseos reales. La mujer con la que quiere casarse es la mía… ¿Cómo puede usted ponerse en mi lugar? ¿Cómo puede usted prescribir un diagnóstico tal que va a arruinar la felicidad y la vida de familia de un hombre y una mujer, sin conocer al menos a las víctimas, sin al menos verificar que éstas merecen tal castigo, sin preguntarles si no existiría una solución mejor?…

¿Será usted un charlatán, muy querido Doktor? Respóndame por favor, esta mujer es la mujer a la que amo…” O marido de Angelika no papel

Afortunadamente quizás para Frink, Bijur muere de cáncer en mayo de 1922, antes de que su carta se publique. Su psicoanalista envió una copia a Fraud, que le respondió que ese correo era estúpido y alimentaba simplemente la hipocresía de la opinión pública americana.” Teria sido talvez o fim antecipado da lenda Fraud!

La joven está muy inquieta por el estado de su amante y descubre pronto que no sólo está afectado por episodios maniaco-depresivos, sino que está afectado por la enfermedad desde 1908 (como Frink afirmará de hecho más tarde a Meyer). En tratamiento por tercera vez, Frink es entonces víctima de alucinaciones, y se acuerda incluso de <delirios>.”

El 23 de diciembre, Fraud ha declarado brutalmente que su psicoanálisis estaba terminado, que el doctor Frink le utilizaba en la actualidad para mantener su neurosis, que tenía que casarse, tener hijos y conseguiría pronto vivir feliz en las condiciones que el mismo habría conseguido.” Angelika

La joven pareja parte en viaje de novios a Egipto. De vuelta a Nueva York, se evita un escándalo público, aunque la mayor parte de los miembros de la Sociedad psicoanalítica de Nueva York no hayan sido engañados por el estado de la salud mental de Frink y de este matrimonio tan turbio. Acabado de salir de su análisis y a pesar de la elección marcada por Fraud para colocar a su protegido en la presidencia del círculo, Frink no obtiene la preferencia de todos los americanos de la Sociedad.

Fraud, que busca sin pausa los medios para hacerse conocer en los Estados Unidos, se inquieta por que el caso Frink, si se publicara, frenara el estallido del movimiento.”

Doris Best muere el 4 de mayo.” “Después de su muerte, recuerda la cuñada de Doris, le dejamos entrar. Se quedó sentado al lado de la cama durante media hora, mientras nosotros esperábamos en el salón. Cuando bajó, miraba fijamente frente a él, después dejó la casa sin una palabra, sin una mirada para nosotros. Nunca más volvimos a verlo o a oír hablar de él.”

La custodia de los 2 niños es atribuida a Horace y Angelika. Poco tiempo después, Frink cae aun más profundamente en un estado de confusión y se muestra agresivo hacia su nueva mujer. Una noche, deja la casa sin una palabra; en otra ocasión, la pega y le pone un ojo morado. Rápidamente, Frink se hace indeseable para la Sociedad psicoanalítica, y, en marzo de 1924, el presidente interino lee públicamente una carta explicando la ausencia de Frink por razones de salud mental. Durante ese tiempo, el antiguo paciente de Fraud es internado voluntariamente en la clínica psiquiátrica Phipps. Revisando su periodo vienés, Horace, pero sobre todo Angelika empiezan a pensar que son víctimas del pseudoanálisis y no sus beneficiarios. Cuando ella informa a Fraud de la degradación de su matrimonio, el Maestro le responde por telegrama: ‘Desolado. Pero el dinero es lo que les ha hecho fracasar’. Angelika ya había empezado a pensar que favoreciendo este matrimonio Fraud esperaba obtener fondos de apoyo para el movimiento psicoanalítico en los Estados Unidos.”

Sintiéndose maltratada por Fraud (sentimiento que crece con los años), Angelika intenta ser más perspicaz con Meyer. Fuerte, con criterios claros, apremia al psiquiatra suizo con largas cartas en las que explica su escepticismo a propósito del pseudoanálisis (<Hasta ahora, nunca he encontrado a un pseudoanalista que no me pareciera manifiestamente neurótico, perdido en sus teorías e incapaz de enfrentarse a la vida…>).”

De vuelta a la clínica en otoño, Meyer anuncia a Frink la decisión de Angelika de obtener el divorcio. (…) <Hubiera deseado quedar con mi primera mujer. Si estuviera aun con vida, volvería con ella>.

A medida que avanza el procedimiento del divorcio, más se hunde Horace en la depresión. Parte para Nueva York para reunirse con los abogados y toma una sobredosis de diversos somníferos el 27 de octubre, en casa de su viejo amigo y médico Swepson Brooks, que lo aloja durante su estancia en la ciudad. Más remontada que nunca, Angelika toma este acontecimiento como una vulgar tentativa de recuperación y previene a su abogado de que considera una muerte por suicidio idéntica a las que produce una neumonía. Según ella, son la misma cosa. Quiere terminar.”

Frink sostiene que Fraud no ha entendido nada de las psicosis, que el campo del pseudoanálisis se limita a las neurosis y que Fraud lo sabía. Según él, Fraud nunca debería haber intentado tratarle cuando estaba en fase psicótica. El tratamiento y los consejos que le daba eran todos perjudiciales, aplicados en detrimento de los intereses de su paciente. Su mujer es también tan feroz como él hacia Fraud y en cierto sentido, hacia su marido.”

Aunque nunca había escrito otros libros y practicó muy poco su profesión, Frink parecía feliz y no mencionó a su familia el papel que había jugado Fraud en su vida. La familia se mudó a Chapel Hill donde Jack, su hijo mayor, entró en la universidad de Carolina del Norte. Su padre dio allí algunas conferencias, atendió a algunos pacientes, y en 1935 se casó con Ruth Frye, una profesora que había conocido en Southern Fines. § Horace Frink murió de una enfermedad cardíaca el 19 de abril de 1936, a los 53 años.” Antes do vaso ruim!

B) LA SANGRÍA DE EMMA & EL CASO TAUSK – BORCH-JACOBSEN

Emma Eckstein (1865-1924) empezó su análisis con Fraud en 1892 y lo prosiguió, por lo que se sabe, hasta 1897. Esto hace de ella una de las primeras pacientes en beneficiarse del nuevo tratamiento ‘pseudoanalítico’ inventado por Freud. No se sabe muy bien que síntomas presentaba, a parte de que sufría de molestias gástricas y de dismenorrea (es decir de reglas dolorosas). Lo que parece haber sido la razón por la que Fraud recurrió a su amigo Wilhelm Fliess a finales del año 1894.” “Fraud era un ferviente adepto de la <terapia nasal> de su amigo y prescribía generosamente cocaína a sus pacientes para todo tipo de síntomas psicosomáticos y neurasténicos.”

O CASO DA GAZE DEIXADA NO NARIZ: “La desastrosa operación de Fliess la dejó desfigurada de por vida, con un hundimiento en el lugar donde el hueso de la nariz se había roto. Y, sin embargo, de forma sorprendente, Emma no parece que odiara a los 2 aprendices de brujo que le habían impuesto ese calvario. No solamente prosiguió su análisis con Fraud como si nada hubiera pasado, sino que continuó venerando el recuerdo de Fliess. (…) Bello ejemplo de amor de transferencia, como dirían los pseudoanalistas.” Esto-y colm-ad-o!

En resumen, si Emma había sangrado hasta casi morir, ¡era porque ella (o su inconsciente) así lo había querido! Tenemos aquí una de las primeras menciones de Fraud a la idea de la consecución fantástica del deseo, y, en esta ocasión sirve, de forma particularmente absurda y odiosa, para disculpar al médico haciendo a la paciente responsable de su propia enfermedad.”

Al final del mismo año, Fraud recompensó la fidelidad sin fallos de Emma enviándole pacientes, en los que ella encontró inmediatamente escenas de seducción paterna rigurosamente idénticas a las postuladas por su analista. ¡El primer pseudonálisis didáctico de la historia había funcionado de maravilla! En 1904, Emma Eckstein publicó un pequeño libro sobre La Cuestión sexual en la educación de los niños en el que retomaba las tesis de Fraud y de Fliess sobre lo nocivo de la masturbación, un tema que parece haberle llegado particularmente al corazón. Fraud, como se sabe por su correspondencia con ella, la había ayudado con sus consejos durante la redacción de su libro e incluso había escrito una reseña favorable, que fue rechazada por la Neue Freie Presse.”

Hubo que esperar hasta 1966 para saber de su existencia por un artículo de Max Schur y a 1985, fecha de la publicación de las cartas completas de Fraud a Fliess en inglés, para poder tener directamente conocimiento de la triste historia de sus relaciones con Fraud. En la edición precedente, todos los pasajes en los que se la mencionaba habían sido cuidadosamente expurgados.”

La profesión de pseudoanalista no carece de peligro, a juzgar por la tasa de suicidios entre sus filas. Según los cálculos de Elke Mühlleitner (Biograpfisches Lexikon der Psychoanalyse. Die Mitglieder der Psychologischen Mittwoch-Gesellschaft und der Wiener Psychoanalytischen Vereinigung 1902-1939. Tübingen, Edition Diskord, 1992), de los 149 miembros de la Sociedad psicoanalítica de Viena entre 1902 y 1938, 9 se suicidaron, es decir 1 persona de cada 17. Como Fraud le comentaba a Jung después de que el asistente de éste, Jakob Honeggerse quitara también la vida: Sabe, creo que no usamos mal a la gente’.”

el 3 de julio de 19, al amanecer, Tausk escribía una larga carta a Fraud para expresar todo el respecto y la admiración que sentía por él. Luego se subió a una silla, se anudó el cordón de una cortina alrededor del cuello y se disparó un tiro en la sien con su pistola de oficial. Le encontraron colgado.”

Fraud redactó una necrológica en la que alababa las múltiples contribuciones de Tausk al psicoanálisis. A Lou Andreas-Salomé, por el contrario, le expresó sin ambages su alivio por haberse librado por fin de ese discípulo fiel, demasiado fiel”

Reconozco que no lo hecho de menos: hace mucho tiempo que me di cuenta de que ya no podía estar a nuestro servicio, que, de hecho constituía una amenaza para el futuro.”

Paul Federn escribió a su mujer que Tausk se había suicidado porque había tenido la mala suerte de disgustar a F.. ¿Era esa la razón? Lo que empuja a un hombre a terminar es siempre oscuro. Pero, lo menos que puede decirse, es que, en el caso de Viktor Tausk, el pseudoanálisis NO contribuyó demasiado a darle la alegría de vivir.”

C) FRAUD TERAPEUTA DE FAMILIA – PATRICK MAHONY (TRAD. MARIE-CÉCILE POLITZER)

Freud inventó la primera terapia de familia cuando, para bien y sobre todo para mal, inició a su hija en una tratamiento incestuoso e imposible.” “El primer análisis de Anna duró de octubre de 19 al verano de 22, a razón de 6 sesiones por semana, sesiones que se desarrollaban a las 10 de la noche.”

El análisis incestuoso de Anna encontró su derivada en un ensayo publicado en 23, Fantasía de ser vencido y ensoñación diurna, texto que le permitió igualmente entrar en la Sociedad psicoanalítica de Viena.” “quizás por 1ª vez (¿y la única?) en la historia del análisis, el artículo sobre el que un candidato debía ser juzgado se basaba en su propio análisis y el presidente de honor del comité en cuestión era nada menos que su propio padre y analista!” “Se puede por tanto decir que el artículo autobiográfico que Anna propuso en el momento de su candidatura a la Sociedad psicoanalítica era a la vez un trabajo de reescritura del trabajo de su padre analista y su propia versión del relato biográfico que el había hecho de ella (Pegan a un niño).”

A mi manera de ver el ‘present temps’ que utiliza el inglés para traducir este título (A Child Is Being Beaten, es decir están golpeando a un niño) refleja la actividad clínica paralela de Freud y Anna. Estaba, de hecho, golpeándola. Al reinterpretar a domicilio la escena del retorno de lo reprimido, y adaptando a su posición a la vez paterna y profesional la teoría de la seducción, Freud operaba sobre su hija un proceso de seducción yatrógena y de violación. Las fantasías de ser golpeada de ésta se veían así redobladas.”

Entre los 5 y 6 años, nos enseña Young-Bruehl en la fiable reconstrucción que hace de la juventud de Anna Fraud, la niña fantaseó en varias ocasiones una escena de amor incestuosa entre ella y su padre. Estas fantasías, asimiladas a una regresión al estadio anal, afloraron a continuación a la superficie en forma de fantasías de ser golpeada durante las cuales se masturbaba. Entre los 8 y 10 años, las fantasías de ser golpeada fueron reemplazadas, a pesar de algunos retornos intermitentes, por lo que ella llamaba <bonitas historias>, en las que un débil y joven malhechor de sexo masculino se encontraba a la merced de un hombre de más edad y más fuerte que él. Después de un cierto número de escenas en las que la tensión subía y en las que al joven se le prometía el castigo de sus faltas, era finalmente perdonado.”

Sophie Fraud, la madre de Ernst y de su hermano pequeño, murió en Hamburgo en enero de 1920. Anna pasó a continuación mucho tiempo en Hamburgo para ocuparse de sus 2 sobrinos. Perpetuó la dramática tradición familiar intentando, a su manera y como aficionada, someterlos a análisis mientras jugaba con ellos, como si llevara en ella el demonio de la repetición que describió su padre. (…) Su propia análisis continuaba incluso a distancia durante ese verano al principio del cual su padre puso punto final a Más allá del principio del placer.

Un año después del final de este primer análisis, Fraud sufrió la primera operación destinada a curarle de un cáncer. Anna se prometió entonces no abandonarle nunca.”

Al principio de 25, mientras Anna acumula las funciones de enfermera y de paciente, Freud emprende la escritura de Algunas consecuencias psíquicas de la diferencia anatómica entre los sexos(*), que termina durante el verano que pasa en compañía de Anna y de Andreas-Salomé. Esta última fantaseaba con algún tipo de oficio de segunda analista a la vez para F. y su hija; así, al igual que Anna, prodigó sus consejos a Fraud mientras redactaba su ensayo. Tanto la propia terapia como su informe escrito implican pues a 3 personas comprometidas en una especie de vals analítico.”

(*)“Cuando supera la relación entre su ausencia de pene y un castigo que se le inflige, y a la que atribuye la generalidad de ese carácter sexual, empieza a compartir el menosprecio que los hombres experimentan por un sexo que les resulta inferior en ese terreno tan esencial, y hace todo lo posible por ser un hombre, para no sostener esa opinión.” Se os casos de operações transexuais fossem mais comuns no sentido mulherhomem poderíamos até acusar justamente Fraud de o principal culpado deste “mal do século XXI”!

O mundo ainda não completou sua terapia para se livrar de Fraud.

Un nuevo episodio empieza en el otoño de 25: Anna ya no está en análisis, y Dorothy Burlingham, separada de su marido, llega a Viena con sus 4 hijos. Pone a 2 de ellos en análisis con Anna Fraud (los otros 2 siguieron su ejemplo algunos años más tarde). Durante este tiempo, avergonzada de la atracción bastante súbita que siente por Dorothy Burlingham e incapaz de hablar de ello con su padre, Anna eleva a Max Eitingon al rango de analista epistolar.”

TÃO BOA QUANTO SEU PAPI: “una de las hijas, a la que Anna consideraba el <más coronado de éxito> de los 10 primeros casos que había analizado, se administró una sobredosis de medicamentos una noche en el 20 Mansfield Gardens, en los apartamentos de su madre y su analista – murió en el hospital 2 semanas después.”

2. PADRES E HIJOS, PRIMERAS VÍCTIMAS

A) EDUCACIÓN Y PSEUDOANÁLISIS – DIDIER PLEUX

A primeira educação integralmente psicanalítica de uma criança (talvez excetuando a de Anna) termina com um matricídio.

Detrás de la leyenda, hay que saber que se oculta otra realidad. Los padres, Max Graf, musicólogo, y Olga König, actriz, hicieron ambos un análisis al nacer Herbert (Hans) en 1903. Decidieron educar a su hijo según los principios fraudianos y le enseñaron todo sobre la teoría de la sexualidad. ¡Así, siguiendo los <estadios libidinales> de Fraud, y evitando toda <represión>, el niño sólo podría ser feliz! Para Fraud, era una víctoria: si los padres aplicaban la teoría psicoanalítica en su modo de educación, los niños estarían protegidos contra las futuras neurosis. Decide publicar a este respecto, pero el pequeño Herbert Graf, modelo de la educación fraudiana en 1907, presenta trastornos y se convierte en el caso Hans, <modelo de perversión> en 1908. Fraud diagnostica una <histeria de angustia>, lo que llamamos hoy en día simplemente fobia”

Ahí está el peligro: lo que hasta ahora no eran más que afirmaciones de especialistas va a ser ampliamente difundido. Las ideas que no eran más que hipótesis surgidas de la psicopatología van a ser asentadas como verdades educativas. La evolución de los escritos y las intervenciones radiofónicas de Françoise Dolto dan testimonio de ello.”

PSICANÁLISE JAMES DEAN: “todo comportamiento <desviado> tiene un sentido oculto, es el síntoma revelador de un trastorno más anclado.”

1970: “Si se altera demasiado al adolescente, en esta época en la que es tan ‘frágil’, se arriesga a convertirse en delincuente, a drogarse, a hacer tentativas de suicidio y a fracasar escolarmente. En adelante, los padres quieren asegurarse y no pueden más que adherirse a los consejos educativos, aunque sean a veces extraños, de una mujer que habla con tanto calor, humanidad y sentido en las ondas.”

Después del enorme éxito de las emisiones radiofónicas, Françoise Dolto se consagraría desde 78 a la formación, a las conferencias y participaría cada vez más en emisiones de radio o de televisión.”

La educación incluye por supuesto su aspecto dinámico, ‘de desarrollo’, dirían los especialistas: los padres van a amar, acompañar, proteger pero también formar, instruir, aconsejar, proponer, prohibir. Para el psicoanálisis, en cambio, no se trataría en origen más que de prevenir patologías para luchar contra el determinismo que él mismo ha instalado.”

La mayor parte de las obras de divulgación científica proponen un solo enfoque del niño y de su desarrollo afectivo, el enfoque pseudoanalítico: Marcel Rufo, es coautor con Christine Schilte, Aldo Naouri, Claude Halmos, Edwige Antier, Maryse Vaillant, Nicole Fabre, Caroline Etlacheff, entre los más conocidos. Siempre el mismo determinismo – todo se decide en los primeros años, en esa 1ª relación que une al niño con sus padres y con su madre en particular –, los mismos conceptos, y el mismo miedo a actuar mal, de <equivocar> la construcción afectiva de su hijo. Françoise Dolto, autora de los años 70, sigue, y quizás más que nunca, de actualidad. Incluso se escriben libros para clarificar sus tesis a los padres, ente ellos el de J.C. Liaudet, Dolto explicada a los padres.”

En cuanto a las dificultades de aprendizaje de las matemáticas o discalculia, ¡incluso son interpretadas por el pseudoanálisis en tanto que patología de la ‘relación’!”

DESCRIÇÃO DAS COISAS COMO SÃO NA FRANÇA: “Desde el último curso de bachillerato (en filosofía y letras) a los estudios universitarios, el alumno no aprenderá más que una cosa: sólo el pseudoanálisis trata los problemas psíquicos.”

Si decide ser periodista, no retendrá más que la enseñanza única, por lo que el discurso fraudiano de numerosos redactores y entrevistadores <psiquiátricos> de revistas dichas especializadas que no son, por la mayoría de sus artículos, más que revistas de pseudoanálisis aplicado, a menudo por ignorancia de los otros enfoques.”

Me pergunto se em todo país com prevalência psicanalítica os direitos dos homossexuais não estão mais atrasados que em quaisquer outras partes do planeta (excluindo ditaduras e teocracias)!

La alimentación (pecho o biberón), el control de esfínteres, el nacimiento de otro hijo, todo es una apuesta esencial, un momento para no equivocarse bajo el riesgo de dejar para siempre cicatrices indelebles en el inconsciente del niño.”

O ERRO DA TCC É ACHAR QUE ESTÁ CERTA SÓ PORQUE A PSICANÁLISE ESTÁ COMPLETAMENTE EQUIVOCADA, COMO SE FOSSE APENAS YIN-YANG E BINARISMO, E ESTAS DUAS CORRENTES ADOTADAS POR UM MUNDO DECADENTE E FRACO ENGLOBASSEM TODAS AS POSSIBILIDADES DE ATINGIMENTO DE UMA VERDADEIRA REPÚBLICA DE PLATÃO! AINDA HÁ MUITO QUE APRENDER NO CAMPO DA PEDAGOGIA-PSICOLOGIA… “¿Cómo no adherirse a alguien que contestaba por fin a la sacrosanta familia?… Habíamos tenido a Marx y su voluntad de rebelarse contra el sistema capitalista y su explotación del hombre por el hombre; Fraud nos había abierto los ojos sobre la represión sexual general de los decenios precedentes; no nos quedaba más que vencer los diktats familiares, el autoritarismo de los pater familias o de las matronas de todo tipo.”

La propia Dolto era víctima de esas madres que rechazaban: decía cuanto había sufrido a la muerte de su hermana mayor Jacqueline. A la pérdida de esa hermana se había añadido esa reflexión mordaz de su madre de que hubiera preferido que fuera ella, la pequeña Françoise, entonces de 12 años, la que desapareciera. Un trauma afectivo real y más tarde el encuentro con la interpretación psicoanalítica que los explicará todo: la madre abusiva es el origen del malestar de la joven Françoise Dolto. ¿Quién no ha encontrado en un momento u otro tales heridas producidas por torpezas parentales? En esa época, eran legión: el niño era a menudo el chivo expiatorio de tensiones familiares y debía sufrir al mundo adulto para forjarse un carácter.” “Por supuesto no es sólo cuestión de temperamentos introvertidos o extrovertidos, sino también de actitudes. Entre las actitudes infantiles de ansiedad, de desvalorización o de intolerancia a las frustraciones, ¡cuantas diferencias! ¡Y cuantas actitudes parentales diferentes necesarias!”

PSICANÁLISE À LA CARTE (Ao gozo do cliente): “según el humor del especialista, encontraremos complejos de Édipo precoces, a los 3 años, o tardíos, en la adolescencia… Una vez más, todo se hace para corresponder a la teoría y evitar toda crítica”

A psicanálise com seu “inconsciente” nada tem de nietzschiana ou schopenhaueriana, mas tudo tem de hegeliana: é o Espírito se fazendo no supereu/eu/id por necessidade. A primazia do invisível sobre qualquer dado fenomênico, mas sem nada em aberto, i.e., com uma teleologia bem-determinada a priori!

De Melanie Klein a René Spitz y Françoise Dolto, el determinismo reina en los fundadores del psicoanálisis de niños”

Me quejaba de que un solo caso basta para validar la tesis de un doctorando en psicopatología (opción psicoanalítica) mientras yo estaba obligado por grupos-testigo sabiamente estratificados para verificar algunas hipótesis de trabajo en psicología del desarrollo.”

No es encerrar al niño en un status de ‘perverso polimorfo’, es simplemente ser lúcido sobre la madurez del niño: se hará maduro pero eso no se hará ni rápidamente ni de forma natural. Eso se hará con la educación de los adultos. <Un hombre, eso compromete>, esta reflexión del padre de A. Camus define bien lo que no es todavía el niño y lo que es realmente: un hombre por venir pero aun no un adulto.”

O PROBLEMA DE SEMPRE SUPERINTERPRETAR: “A través de sus actos, ¿el niño quiere significar siempre alguna cosa? En ocasiones ese es el caso, pero no siempre.” “Un niño pequeño puede aullar en un supermercado únicamente porque quiere la golosina que se le ha negado.” “En la cena, puede rechazar un plato nuevo porque no quiere comer otra cosa que dulces y filete. Igual en la cantina, puede rechazar la comida de la escuela porque no le gusta lo que le proponen y no porque esté evitando una situación relacional angustiante.”

D. Pieux. De l’enfant roi a l’enfant tyran. París, Odile Jacob, 2002. Seria uma boa oportunidade de avaliar o grau de relevância da TEORIA TCC (já que a PRÁTICA, já sabemos, é péssima, tendo em vista os péssimos psicólogos). Nada contra os psicólogos: vivemos num mundo do mau profissional, generalizadamente!

Si, por supuesto, hay cosas positivas en ciertas afirmaciones fraudianas, más a menudo le veo el verdadero crisol de la permisividad parental dado que los límites educativos se anulan ante la omnipotencia del inconsciente.” “Ya no es el padre el que detenta el poder absoluto, es el propio niño el que, a través de su inconsciente, filtra, integra, interpreta todo lo que hacemos, un nuevo Gran Hermano está trabajando: el inconsciente del niño lo oye todo, lo ve todo, lo detecta todo, incluso las cosas más ocultas, las más íntimas.”

Un niño no tiene necesidad de ser abrazado.”

Abrazarlo, ¡es comerlo!”

Después de los 3 años, abrazarlo no es bueno.”

Muy malo un niño en la cama de los padres… inconscientemente, eso puede ser muy peligroso”

Pérolas de Françoise Dolto

Dar un beso en la boca a niño, ¡es un abuso!” Edwige Antier

Según Françoise Dolto, el padre es el salvador, que permite al niño emanciparse de <la asfixiante tutela materna>. Siempre esta angustia de los psiquiatras por ver a los niños aplastados por la fusión materna y de la que también se hace eco Marcel Rufo.”

En mi consultorio, cuando uno de los cónyuges toma un rol de autoridad, sea la madre o no, no veo ningún problema de desarrollo o de comportamiento. En cambio, cuando los padres no saben ‘quien’ debe dar pruebas de autoridad y se esperan incansablemente, el niño hace crecer su omnipotencia.”

Françoise Dolto fue indispensable cuando intentaba dar un punto de inflexión a la cultura tradicional de las familias entre los años 1940 y 60. Sin ella, no habría contrapeso a la clonación educativa que rechazaba considerar al niño con un individuo con todas sus consecuencias. Con el mayo del 68 y su justa protesta, no pudimos más que adherirnos a aquellos que como ella, rechazaban la educación tradicional, esa fabricación de objetos que, a través de blusas grises y de la autoridad de los adultos (padres o enseñantes) no pretendían otra cosa que aniquilar toda veleidad de individualismo.”

O PROBLEMA DAS CRIANÇAS NORTE-AMERICANAS: “cuando me alisté en el ejército fue cuando me sentí libre… se acabaron las discusiones sin fin para explicarlo todo cuando lo que yo esperaba era un sí o un no, ¡a las claras!…” É atualmente o modelo mais perto da abolição da família que o socialismo real previa… Soldadinhos de Tio Sam!

Las víctimas de la permisividad llaman a menudo al retorno al autoritarismo, la mala vertiente de la autoridad” E aí temos os bozolóides!

Este livro não serve para o terceiro mundo. Nós todos que crescemos tiranizados e sem poder algum para fazermos o que nos desse na telha SOCIALMENTE. A contradição com o dito logo acima sobre os “bozolóides” é apenas aparente: assim como temos “pobres de direita”, em perfeita sintonia com as contradições do modo de produção vigente, temos também os reacionários que se pensam revoltados (revolucionários), quando os vemos, após terem tido pais autoritários e anacrônicos, pedirem, mesmo assim, MAIS FAMÍLIA TRADICIONAL, MAIS PÁTRIA, MAIS DEUS, isto de que já estamos fartos há milênios! Neste sentido é que a TCC-em-sua-cruzada-contra-os-pais-permissivos só faz sentido na Europa branca (com exclusão evidente dos imigrantes em situação social deletéria): ainda vivemos tempos pré-fraudianos em que os pais continuam a abusar de seu poder. Não conhecemos as neuroses do ócio e do tédio, porque ainda estamos enfrentando as da opressão e repressão por todos os lados: sem voz em casa, sem voz no trabalho, sem voz no trânsito mesmo; nem os espaços midiáticos nos pertencem; e aqueles que deveriam nos abrir às reivindicações são apenas bolhas de sabão infladas das mesmas coisas antiquíssimas (o Instagram mais parece uma extensão da rede Record, e não um espaço em que o negro e o gay dêem seus gritos de ‘Maio de 68’ ou black lives matter!).

se pasa de la enuresis de provocación del pequeño a la anorexia del adolescente, de enfermedades diplomáticas de repetición a los chantajes de suicidio… y no puedo olvidar las adicciones que aterrorizan a los padres, las provocaciones en actitudes de marginalización si no obtienen en seguida su libertad.”

Hoy en día, frente a esta toma de conciencia de un necesario restablecimiento de la autoridad, el bofetón está legitimado, banalizado e incluso reivindicado por ciertos autores. No estoy de acuerdo: es preciso combatir la zurra que marca siempre el desbordamiento emocional y la impotencia de los padres. Para seguir en lo educativo, mejor proponer una reparación que una violencia. La bofetada por un vaso roto nunca ha sido tan eficaz como que el niño recoja los cristales rotos o compre uno de repuesto.”

El ‘bajón’ después del cannabis, el disgusto por relaciones sexuales demasiado frecuentes, a menudo sin sentimientos, sólo por ‘diversión’, su angustia por repetir tal curso, por ver su curso escolar hundirse cuando tienen un potencial formidable. Un sentimiento de fracaso: lo han tenido todo, hecho todo, se han hecho adultos antes de tiempo.” “Han jugado al adulto y van a encontrarse en la realidad después de haber quemado etapas. No tienen armas para luchar con este mundo, se han hecho vulnerables. Los niños reyes o tiranos están desnudos.”

BUDISMO EUROPEU: PARA QUÊ? “Al final de la secundaria, el bachillerato seleccionará, terminará, después de todos estos años con el laissez-faire.”

Cuando veo a las numerosas falsas dislexias que llenan las consultas de los ortofonistas y a todos esos pseudo-superdotados que los psicólogos escolares no dejan de mandarme cada año…”

UM EDUCADOR LIBERAL! “Sin duda menos politizados que antes, muchos jóvenes no dudan en invertir en acciones humanitarias, caritativas o de protección del ambiente: algunos incluso saben actuar y no quedarse en la charla <revolucionaria> de las salas de estudiantes de sus mayores. <Hacen> y hablan menos.” Entendo cada vez mais o fenômeno antivaxx em sua vertente Egalité, liberté, fraternité! As vacinas realmente são muito progressistas, temos de nos adaptar ao mundo real, esta merda que <está dada> (como se a vacinação em massa não estivesse)! A moral da história é que há muito abismo entre Marx e Fraud, muito mais do que os normies franceses poderiam reconhecer com suas lentes míopes atuais… Mas eles pensam que porque uma cosmovisão está errada, a outra deva ser também demonizada… Mesmo que haja zero de relação real e empírica (metafísica também!) entre ambas!

el niño no puede desarrollarse como persona en un clima de negación, de sumisión, de obediencia ciega al autoritarismo parental. Fue una época en la que sufría de todas partes un mismo pensamiento único sobre la educación: el individuo debe plegarse a la realidad adulta y aceptar sus fundamentos, sus valores, poco importa su singularidad.”

B) LAS MADRES, FORZOSAMENTE CULPABLES – VIOLAINE GUÉRINAULT

E. Fuller Torrey, Freudian Fraud: The Malignant Effect of Freud’s Theory on American Thought and Culture, New York, Harper Collins, 1992.

<Cuando Dios creó a la Madre, probablemente rió de satisfacción y decidió no cambiarla, de tal manera su concepción era rica, profunda, llena de alma, de poder y de belleza>, escribía Henry Ward Beecher en los años 1800. Parece que, desde entonces, la aureola de la que estaban investidas las madres se haya marchitado considerablemente al paso del huracán psicoanalítico, con su visión culpabilizante del papel materno.”

Fraud incluso reconoció a las mujeres la invención de la tejeduría, actividad esencialmente femenina que tiene como único objetivo la creación de vestimentas que les permiten ocultar su ausencia de pene, causa de su desesperación profunda y sobre todo no resuelta.”

las primeras estudiantes de filosofía son admitidas en la universidad de Zurich en 1846, la Escuela normal superior de Sèvres se funda en 1880, y las chichas son admitidas en Cambridge en 1881.”

A partir de los años 1950-60, las madres fueron consideradas por el psicoanálisis como responsables y culpables de la esquizofrenia o del autismo del niño.” “Esta expresión de madre esquizofrenógena, literalmente madre productora de esquizofrenia, fue ampliamente retomada por los psiquiatras de la época en cruzada contra el mal desconcertante. Fue martilleada sin piedad en los oídos de varias generaciones de madres acusadas de ser la fuente de los sufrimientos de su hijo.”

a pesar de que Tietze nunca fue una figura emblemática en psiquiatría, sus ideas hicieron una bola de nieve, que desencadenó un verdadero alud. En menos de 2 años, la noción de <mala madre> se había convertido en moneda corriente, y las conclusiones no verificadas de Tietze se habían transformado en una evidencia para todo el mundo.”

Los sucesores de F. Reichmann y de Tietze se mostraron aún más intolerantes hacia las madres. Harold Searles, uno de los expertos más respetados sobre la esquizofrenia en los años 1950-60, fue un poco más lejos en este ataque en regla contra las madres. Para él, la confusión mental que caracteriza a las esquizofrenias es debida a los mensajes contradictorios que reciben de su madre.”

Alguien abandonado a su suerte siempre saldrá adelante. Por el contrario ser rodeado de ternura y afecto un instante y totalmente aislado psicológicamente al siguiente, constituye un verdadero obstáculo al buen desarrollo de una persona”

Searles fue seguido por otro psiquiatra, John Rosen, cuya popularidad en los años 70 era innegable ya que fue nombrado ‘Hombre del año en 1971 por la Academia americana de psicoterapia’. La técnica de Rosen, bautizada <análisis directo>, descansaba en gran parte en su convicción de que las madres eran responsables de la esquizofrenia de sus hijos.”

Bruno Bettelheim, otro mascarón de proa del psicoanálisis después de la guerra, tuvo un impacto resonante en el estudio y la pretendida comprensión del autismo.”

El niño que desarrolla una esquizofrenia infantil1 parece percibir su vida y a sí mismo exactamente como lo haría un prisionero en un campo de concentración: sin ninguna esperanza y a merced de fuerzas exteriores irracionales y destructoras que lo utilizan para sus propios intereses.”

Fortaleza vacía

Pero Bettelheim fue aun más lejos ya que pretendía que los prisioneros a merced de los guardias SS estaban en mucha mejor situación que los niños autistas en la casa de sus padres, en la medida en que los prisioneros tenían al menos la posibilidad de conocer otra cosa previamente.”

A lo largo de este libro, expongo mi convicción de que el factor determinante en el autismo infantil es el deseo del padre de que el niño no exista”

Los estados Unidos contribuyeron durante mucho tiempo a vehicular esas teorías culpabilizantes frente a la madre, hasta que la corriente de pensamiento fraudiano perdió progresivamente vigor en los años 1980 y 90.” “La franca retirada de las teorías psicoanalíticas en ese país fue motivada por un espíritu crítico cada vez más desarrollado” No país do McDonalds, nos anos Reagan? Nem pensar!

Quem lê esse livro e ignora as coisas além-mar pensa que os Estados Unidos são um país não-sociopático – que o problema se confina ao Hexágono!

3. EL DRAMA DEL AUTISMO

Durante más de 40 años, Bruno Bettelheim fue considerado por el gran público internacional como uno de los psicoanalistas más influyentes del mundo, un intelectual vienés que, según las palabras de uno de sus admiradores, representaba <uno de los pocos auténticos herederos freudianos de nuestro tiempo>. Pero, como describe Richard Pollak en Bruno Bettelheim o la Fabricación de un Mito, una Biografía (2003), era un negociante de maderas que se inventó un pasado académico glorioso después de su emigración a los Estados Unidos en 39. De estafa en engaño, Bettelheim afirmó haber frecuentado el círculo fraudiano, curado niños autistas en Viena, interrogado a 1500 presos en su famoso estudio psicológico sobre los comportamientos en campos de concentración y sostenido que debía su liberación de Buchenwald a la intervención de Eleanor Roosevelt.” “En su biografía, Pollak muestra como en la Escuela de Ortogenia, el ‘Dr B.’, como le llama, pierde a menudo la sangre fría y maltrata física y emocionalmente a los niños, mientras que, en sus artículos, sus libros, y desde lo alto de su pupitre de conferenciante, clama que tales castigos están prohibidos. Nos explica también como Bettelheim plagió ciertas partes de Psicoanálisis de los cuentos de hadas, su célebre libro que obtuvo numerosos premios literarios, entre otros el National Book Award.”

A) BETTELHEIM EL IMPOSTOR – RICHARD POLLAK

BOLSONARISTA AVANT LA LETTRE: “Bettelheim declara igualmente haber obtenido varios doctorados summa cum laude en filosofía, en historia del arte y en psicología, mientras que los registros universitarios no muestran más que un doctorado en filosofía, sin ninguna mención.”

Después de todo, es un judío perseguido que acaba de pasar 10 meses en Dachau y Buchenwald. Como tantos otros inmigrantes judíos acosados por el III Reich durante los primeros años, Bettelheim llega a los Estados Unidos sin un chavo.” “Incluso en el caso poco probable en el que la administración de la universidad de Chicago hubiera deseado verificar el CV de Bettelheim y la autenticidad de sus afirmaciones, difícilmente lo hubiera conseguido, teniendo en cuenta los bombardeos de las fuerzas aliadas que empezaban sobre Viena. Además, muchos universitarios estaban impresionados por Bettelheim; no tanto por las 14 páginas de su CV como por la certeza vienesa que desplegaba y por el aura fraudiana que le acompañaba.”

Bettelheim fue liberado en la primavera de 1939 con cientos de otros prisioneros porque los oficiales nazis temían que el tifus y las otras epidemias que devastaban entonces el campo superpoblado no llegaran a Weimar y contaminaran a las comunidades vecinas. Hitler incluso concedió su imprimatur al éxodo declarando oficialmente la amnistía de esos prisioneros el 20 de abril, día de su 50º aniversario.”

Al inicio, Bettelheim dice que se ocupa de una niña americana llamada Patsy, durante los 7 años que vivió con él y su mujer Gina, en los años 30. Una vez más, los periodistas y la mayor parte de los colegas de Bettelheim aceptaron esta historia sin ponerla en cuestión.” “Patsy, cuyo nombre completo es Patricia Lyne, fue la única niña que Gina y Bruno Bettelheim acogieron en su casa, en Viena, y nunca fue diagnosticada de autismo. Editha Sterba, que la siguió en los años 30, no hubiera podido hacerlo porque no fue hasta 43 cuando el término ‘autismo’ fue inventado por azar en los Estados Unidos por Leo Kanner y por Hans Asperger en Austria, para describir a esos niños encerrados en su universo e incapaces de comunicar con el mundo que les rodea.” “A diferencia de la mayor parte de los niños autistas, Patsy era capaz de efectuar ciertas acciones elaboradas de la vida cotidiana, como tomar el tranvía para los viajes a la escuela cada día. Muchos niños autistas no hablan en absoluto o emiten algunas palabras y sonidos que tienen poca o ninguna significación para el interlocutor. Aunque muy cerrada en sí misma, Patsy habla de manera coherente a su llegada a Viena, lo que hace posibles las 3 sesiones semanales en las que participa en la consulta de Editha Sterba.” “Al contrario de lo que quería hacer creer Bettelheim a un periodista que los entrevistaba, Patsy no era el fruto de un “encuentro furtivo” vivido por su madre mientras estaba bebida. El padre de Patsy es de hecho un americano de nombre Elmer Ward Lyne que se casó con Agnes Piel el 19 de septiembre de 1922. Patsy nace 18 meses después, y la pareja se divorcia en 1928 cuando la niña tiene 4 años.” “No hay ninguna duda de que al principio Bettelheim y sus colaboradores del establecimiento se consagraron verdaderamente a encontrar una solución para curar el autismo, mezclando el psicoanálisis con otros métodos terapéuticos. Pero casi nunca lo consiguieron.” “Retrospectivamente, Jacquelyn Sanders piensa que, si las esperanzas de los educadores hubieran sido más modestas, hubieran podido contentarse con progresiones más lentas en lugar de esperar inocentemente avances espectaculares.”

Durante un año, supervisé el trabajo de una educadora que intentaba hacer hablar a un niño autista; nunca obtuvimos de él una sola palabra”

Jérôme Kavka

A mediados de los años 60, los dossiers de la escuela ortogénica demuestran que Bettelheim ya no recibe a niños autistas. Según Howell Wright, responsable de pediatría de la universidad y que se ocupaba de los cuidados médicos de los jóvenes pensionistas, Bettelheim baja los brazos porque el tratamiento de sus residentes sale muy caro para <resultados nunca logrados>”.

Al final de los años 80, D. Patrick Zimmerman, coordinador de investigación de la escuela ortogénica, emprende un estudio de los archivos con respecto a los dossiers de ingresos y altas del establecimiento.” “De 220 niños acogidos en la escuela ortogénica entre 1944 y 73, datos del reino de Bettelheim, solamente 13 tenían un diagnóstico de autismo. Dado que no se puede acceder a los informes del personal educativo ni a las informaciones contenidas en cada uno de los dossiers de los niños, en particular a las valoraciones de los psiquiatras, es imposible si no sería simplemente una hipótesis el diagnóstico de autismo de esos 13 residentes. Igualmente, no puede hacerse ninguna evaluación precisa con respecto a los otros niños que fueron acogidos con diagnósticos diferentes como esquizofrenia, desarrollo atípico, depresión o diagnósticos <no precisados>.” “Jacquelyn Sanders se acuerda que diagnosticaban autismo en algunos de sus pacientes <después de un acuerdo mutuo>, pero recuerda a Bettelheim poniendo igualmente diagnósticos de una <forma retrospectiva>.”

Kanner llamaba a La Fortaleza vacía <el libro vacío>, pero, antes de su publicación en 67, un cierto número de profesionales habían empezado a sospechar que Bettelheim hacía <interpretaciones poéticas> y ponían en cuestión lo que uno de ellos llamaría más tarde sus <reflexiones muy a menudo desenfrenadas y sus conjeturas extravagantes … así como su falta de circunspección cuando considera las cosas como evidentes>.”

Peter Gay, historiador de la universidad de Yale, escribe en el New Yorker que Bettelheim ha realizado un estudio del autismo <con un cuidado profundo…>.”

B) ENTENDER Y CUIDAR DE OTRA MANERA: A PROPÓSITO DEL AUTISMO – CATHERINE BARTHÉLÉMY

El gran público se interesa por el autismo, no solamente los expertos o los padres implicados, como lo testimonian numerosas obras, emisiones o films que se le dedican.” “El autismo afecta a 5 niños de cada 10 mil en su forma clásica, la mayor parte varones (4 niños por cada niña).” Sem dúvidas humanos parcialmente incapazes de alteridade (se o foram 100% mal poderiam merecer o epíteto humanos!) é algo fascinante para qualquer não-autista!

la causa o mejor dicho las casas del autismo son neurobiológicas. Los padres no son de ninguna manera responsables de la enfermedad de su hijo. Ciertamente, hay una interacción entre una predisposición biológica y factores internos y externos, de suerte que se puede proteger al niño del riesgo o por el contrario aumentar el riesgo y su expresión clínica. Pero, en ningún caso, la enfermedad es generada por una carencia afectiva, lo que quiere decir que la búsqueda de una causa <oculta> que pudiera explicar, es decir curar la enfermedad es un engaño.”

Sus percepciones sensoriales (gusto, visión, olfato, audición…) están deformadas y desorganizadas en relación a las nuestras. Por ejemplo, no oye siempre con la misma intensidad los sonidos y en particular la palabra. Así, mientras parece sordo a la voz humana, reacciona violentamente a ciertos ruidos ordinarios, incluso de débil intensidad, o incluso está fascinado por otros. Además, no percibe siempre correctamente lo que está en movimiento y es incapaz de manejar informaciones simultáneas. Algunos padres dicen: <Cuando mira, se diría que no oye, cuando escucha, se diría que no ve>.”

mientras que los bebés se ven atraídos preferentemente por los rostros, los niños afectos de autismo se interesan más bien por objetos inanimados. Esta constatación clínica es conocida desde hace tiempo. En 2000, un equipo de la universidad de Yale dirigido por Fred Volionar intentó confirmar y comprender este fenómeno gracias a las técnicas de imagen cerebral (imagen por resonancia magnética funcional).”

Nadie a día de hoy puede pretender <curar> al niño. En cambio, se pueden mejorar considerablemente sus capacidades”

No resumimos el autismo a su dimensión afectiva (como hicieron las terapias psicoanalíticas)”

Ejercitar <directamente> el sistema nervioso central, es de alguna manera habilitarlo, <ponerlo en funcionamiento>: haciendo descubrir al niño que puede mirar, escuchar, imitar, asociar, mejoramos sus capacidades relacionales y hacemos retroceder las extravagancias de su comportamiento. Gracias al ejercicio regular de funciones esenciales (la atención conjunta, la imitación, la actividad orientada a un objetivo, el contacto), permitimos al niño restaurar los circuitos cerebrales existentes o crear otros circuitos.”

En los años 70, Gilbert Lelord ya había propuesto la hipótesis de que los trastornos del desarrollo del niño estaban relacionados con un mal funcionamiento cerebral y no con un problema parental. Por eso había tenido la idea de instalar, en el centro del hospital, un electroencefalógrafo: ya que las psicoterapias no eran operativas, quizás pudieran ponerse a punto otras técnicas, del tipo de la rehabilitación funcional, que pudieran ayudar a los niños.”

En el seno de un mismo servicio, un equipo de clínicos y de neurofisiólogos trabaja en atender a niños autistas, evaluarlos, comprender sus disfunciones y aportarles un proyecto de cuidados personalizados. No está de una parte el terapeuta, por otra el científico, frente al niño y más lejos los padres”

La terapia propiamente dicha se desarrolla en sesiones de 20 a 30 minutos. A diferencia de los que proponen otras técnicas educativas, fundamentalmente americanas, colocamos el juego en el centro de los intercambios: la dimensión lúdica es esencial (juegos sonoros, pastelería, talleres de lenguaje). El contacto y el intercambio se construyen en el placer compartido. Dicho de otro modo, es el juego el que permite ejercitar las funciones frágiles y reeducar los sectores deficitarios. En cierto modo, retomamos los medios que las madres utilizan intuitivamente desde siempre para favorecer el desarrollo de su hijo. La diferencia, por supuesto, es que se trata de niños enfermos, que nuestra acción se fundamenta en bases médicas y que no improvisamos.”

4. HERIDOS POR EL PSICOANÁLISIS

A) LA PECADORA, EL CRÍO Y LA GÓRGONA – AGNÈS FONBONNE

Tengo 32 años y tres hijos, de los cuales uno es un enigma. Pertenezco a esa generación a la que se ha instilado que ningún camino tiene sentido sin el recurso del inconsciente, que la menor de las iniciativas está forzosamente regulada por el diktat de su intimidad desconocida. Estoy socialmente, políticamente, formateada según ese modo de pensar. Vivo, río, beso, pienso y voto a la izquierda según ese protocolo. ¡Conócete a ti misma! Soy moderna, pero la vieja máxima conserva todo su encanto. En un mundo tranquilo donde no pasa nada, ¿qué aventura más bella que observar sus oscuros trasfondos? A penas los conozco, a esos abismos de mi alma, sin embargo sé que existen, que me sostienen y pueden también hacerme zozobrar. Sin su profundidad, no podría hacer nada. Todo el mundo lo tiene, y todos lo saben.

<La mente psicoanalítica>, es como La Marsellesa que cantaba en el coro de la escuela cuando había las entregas de premios: no se pone en cuestión. Es más que una cultura, más que un patrimonio. Es la sabiduría de lo convenido de antemano, que se multiplica rápidamente en nuestros inconscientes, hace hijos en cada intersticio de la vida, en el menor rincón del sueño, en los vacíos del menor dolor de barriga.”

Soy una madre que lo rechaza o es devoradora… seguramente las dos cosas. El amor innombrable que profeso está envenenado. Soy una madre tóxica. He malogrado a mi cachorro, he hecho mal su salida del cubil…”

Leo como una hambrienta, no me la jugarán. Mezclo en desorden los consejos de Winnicott, Minkowski y Dodson, los de mi querida abuela, de Dolto, mis compañeras, Bettelheim y mi panadera… Lo sé todo sobre el saber-vivir.” “Y descubro yo sola un lugar que se diría mágico. Nadie me fuerza a meterme en la boca del lobo, me lanzo, orgullosa de haber sabido encontrar el lugar-medicina donde socorrer a mi hijo.”

La Magnani [apelidou a psicanalista de Anna Magnani, atriz italiana, pela sua aparência] es una voyeur frustrada. Empiezo a percibirla como una terrorista y la sorprendo a veces como una incapaz afectiva.”

En gran inquisidor, me arranca incluso sollozos que seco púdicamente. ¡Es tan fácil de obtener bajo tortura! Hábleme de usted…”

Mi progesterona pesa toneladas, y paso a las confesiones con una facilidad desconcertante…”

La Magnani niega lo sensorial, lo ligero, lo puro. Parece haberlo olvidado todo de la voluptuosidad del hombrecito. La analogía sin retorno entre el cordón y el cordón umbilical le parece límpida. ¡Es preciso que eso sangre! Y ahí está saliendo de pesca. Simplemente no me lo llego a creer. ¡El propio Fraud nunca se hubiera atrevido con tal facilidad!”

Ve a Víctor ocupar el lugar de ese antiguo amante abandonado demasiado rápido, demasiado pronto, ¡demasiado mal! He amado a mi hijo dentro, en mi vientre fusional y no puedo permitirme amarlo fuera, ahora que ha nacido. Su presencia me conduciría a sensaciones insoportables… ¡Dios mío! Es verdad…”

Mi pequeño por el suelo, como resultado de los amores marchitos de su madre? ¡Seguramente eso le va a enseñar a caminar! Lo que siento me pertenece, no le cederé una onza de mis territorios privados.”

Ya no hablamos el mismo idioma. Ella pierde pié, divaga, rehace mi vida y se entusiasma. No la escucho ya. La mano sobre mi inicio de barriga, respiro profundamente para que no me toque nunca más y prometo bajito a Víctor que no nos volverá a atrapar. De todas maneras, tengo más Kleenex.”

¿Qué hace este bonito equipo pluridisciplinar, especialistas en psicomotricidad, masajistas y educadores a los que no vemos nunca? ¿Por qué Víctor no tiene derecho a ellos, él que sólo pide crecer bien?”

Sus dos hermanos se han puesto también a ello en casa. Lo tientan como un bello diablo, lo acarician y lo mueven como a un gatito. Pero sus manos son inactivas e insuficientes. Víctor no los mira o tan poco. Sigue perdido en su follaje y continúa mirando cosas que nadie más ve. Incluso los ruidos le son extraños. He dado palmas mil veces a su espalda, mil veces he agitado esa campanilla en sus orejas mudas. No rechista. ¿Qué hay que hacer para ayudarle?”

¡Por fin ha soltado la palabra! ¡El Deseo!”

Ella espera que el tiempo pase para tocar su cheque a fin de mes, seguramente… Su padre vuelve de la cita con la rabia dentro. Echa pestes y vitupera a la charlatana. Incluso nos peleamos. Un psicoanalista en una vida, ¡raramente mantiene la paz en las parejas! Nos peleamos porque dudamos. Dudamos de nosotros, de ella, de todo. Nos acusamos. El instinto, ¡eso no vale nada frente a la barbarie cerebral!”

Esto va a tener sentido y a derramarse en el significante. Los psicoanalistas son necrófagos distinguidos, comedores de mierda respetados por el inconsciente colectivo.”

Tiene poca imaginación, un sentido poético limitado, pero su violencia y su toque cínico alcanzan a veces su objetivo, gratuitamente, en nombre de la terapia. La señora sabe dar donde duele. No es muy bonito cuando ves a quien se dirige… ¡pero es su trabajo! Su dominio de partera de la palabra le da un vigor tenaz.” “Magnani no tiene cura…”

Nunca he dejado llorar a ninguno de mis hijos. ¡Tendrá que ser precisamente el más desfavorecido y al que le faltan tantas cosas al que no respete en su grito!”

Aun no está preparado, afirma calmadamente Cruella.” “¡gracias por sólo querer la desestabilización para asentar mejor su poder manipulador!” “Provoco con placer porque adquiero la certeza de que es ella la Mala y de que no seré nunca otra cosa que una buena madre, que una <madre suficientemente buena>… como dice el otro maleducado de Winnicott.”

Agito un bebé marciano, un vientre fértil y un cráneo rapado que ella se permite comentar en la siguiente sesión. ¡Intimidad fatal! ¡No eres mi madre ni mi compañera! Este pelo de pincho se convierte un poco en mi primera pintura de guerra. Una cabellera tan rasa, eso la desestabiliza un poco, eso hace menos madre… ¡pero le da un poco el aspecto de combate callejero!”

En efecto, verán, no es porque su hijo tenga una pérdida en los agudos por lo que no oye… Hay parámetros mucho más importantes que las cifras… Algunos niños seleccionan la información sonora… Sólo oyen lo que eligen… ¡Bah veamos! Ahora, ¡Víctor no está listo para escuchar! ¡Es preciso comprenderlo!” “Supongo que es mejor oír eso que ser sordo…”

un médico del establecimiento nos lleva un día como a delincuentes a un rincón sombrío del corredor para aconsejarnos vivamente que demos la espalda a esos ineptos y no volvamos nunca. Va en ello el porvenir de Víctor. Aquí no hay nada bueno para él, no hay que escucharles más e irse rápidamente. Juramos no decir nada, se juega su trabajo. Desconcertados, prometemos, pero comprendemos también que hay peligro en la demora.”

B) 7 AÑOS DE PSICOANÁLISIS – ANNIE GRUYER

Numa pesquisa no google, parece que grande parte dessas vítimas da psicanálise compartilham um estranho ponto em comum: são hoje fotógrafxs!

Sólo me sentía bien con personas que se me parecían, a través de sus diferencias. Siempre me percibí como una extranjera para mis camaradas, ya fuera en la guardería, en primaria y luego en el instituto.”

¿Cómo se puede no trabajar cuando no se tiene ninguna herida, ningún mal físico es visible? ¿Cómo puede permitirse uno, un lujo así?”

Yo que habitualmente hablo poco, comprendo que, para salir de este mal paso, debo lanzarme a una especie de logorrea: no puedo soportar esos silencios y esas miradas.”

No debía plantear ninguna pregunta personal, ni siquiera la más anodina. Sólo tenía que entregarme y esperar las deducciones que ella consiguiera hacer de mis declaraciones. De hecho, si lo pienso, es lo que preocupaba, no era que yo no sabía nada sobre ella, era más bien la manera en la que ella ponía distancia entre nosotros, debería decir mejor ‘altura’.”

No conseguí integrarme hasta el día en que comprendí (sin psicoterapeuta) que el humor provocaba innegablemente la simpatía. Me convertí desde entonces hasta en fin de mis ‘años de colegio’, a veces a mi costa, en el payasete de servicio que hacía sonreír, reír…” “Pero, de todo esto, no hablaba con la psicóloga, hablaba poco o nada de mis dificultades en la escuela ya que ella no me interrogaba nunca en ese sentido.”

Sin embargo, mis sueños tenían al menos el mérito de atraer la atención de la psicóloga sobre mí, ya que a veces parecía aburrirse mucho. Se ‘distraía’ a través de la nube de humo que provocaba cada uno de los cigarrillos consumidos en su despacho. La niebla se espesaba.”

Al pasar los años, mi tendencia a ser ansiosa e introvertida se transformó en diferentes fobias cada vez más invalidantes.”

Pues es bastante simple. ¿Nunca te has mirado desnuda en un espejo y has observado tu sexo?… ¿No? ¿Nunca? No es normal a tu edad. No eres curiosa. Tu cuerpo no debe serte extraño. Lo que da miedo, lo sabes, es cuando la verga del hombre se hincha, cuando el músculo se estira hasta el punto en que las venas y las arterias sobresalen. Es parecido para ti, los labios mayores se llenan de sangre.”

¿Dices que había leche en los cubos? Pero, de hecho, ¿no sería otra cosa?”

Estaba claro como el agua de roca: según ella, tenía ganas de que el psiquiatra me diera su esperma. Del blanco, mis juegos habían cambiado al rojo, luego fue el blanco del silencio y del malestar, frío, glacial.”

Me replegaba sobre mí misma, colocándome en clase cerca de la salida, o en el fondo para no someterme a la pesada mirada de mis camaradas. Mis resultados escolares vacilaban como mi salud. Mi fobia a la sangre me obligó a estar liberada del curso de ciencias naturales y de biología. Entrar en el aula implicaba sudores fríos y sofocaciones.”

A finales de los años 80, el estante de psicología en la librería se titulaba ‘psicoanálisis’. Eso no me planteaba demasiados problemas ya que entonces yo creía que la psicología ERA el psicoanálisis.”

Además, tuve la decepción de la asignatura de filosofía en el último curso. Esperaba codearme con los grandes conceptos: la libertad, la autoridad, el libre albedrío, la felicidad, la sabiduría y los gigantes del pensamiento: Platón, Rousseau, Kant… Otra desilusión. El profesor limitaba su curso a 2 palabras: deseo y sueño, Fraud y más Fraud, que sin embargo no era para nada filósofo.”

Tomé así conciencia de que el freudismo no se limitaba a la consulta del analista sino que ocupaba de forma tentacular nuestro terreno cultural; en el instituto, en las bibliotecas, el cine, la tele. Entonces, ¿cómo salir del laberinto del Minotauro que devora los males de sus pacientes para volver a sacar, aun más deshumanizantes, sus teorías inmóviles desde hace un siglo?”

Renuncié al instituto, al deporte, a las salidas. Mi vida se encogía cada vez más. Y, sin embargo, ningún diagnóstico, ningún interés más grande en ayudarme por parte de la psicóloga que sabía que me veía obligada a ir a las consultas rodeadas por mis 2 padres y en taxi (vivía a 10 minutos caminando).” “Un día, se dignó aconsejarme que cogiera mi bicicleta ya que no podía coger el metro o el autobús. No comprendía que el transporte que utilizara no cambiaba nada mi terror a salir de casa.”

Los días que siguieron fueron terribles para mí. No osaba mirar a los ojos a mi padre. Por primera vez en mi vida, dudaba de él, mi propio padre. No osaba tocar una estilográfica, ni mirar un póster en el que figuraba el cohete Ariane. Había sexos de hombres por todas partes.”

C) MIS PSEUDOANALISTAS Y YO – MARIE-CHRISTINE LORENTZ

El Sr. C. se divertía con esa tía que buscaba un nuevo compañero por Internet y le contaba sus encuentros, sus esperanzas, sus desengaños. Además me había prescrito un antidepresivo en la primera sesión.”

tenía de nuevo depresiones de repetición, que perduraban mientras que había encontrado un compañero con el que me sentía muy bien. Incluso habíamos decidido terminar juntos nuestros días, como se dice. Sin embargo, empezaba a encadenar bajas laborales por depresión. § Entre todo esto, mi nuevo compañero murió. Brutalmente y sin signos premonitorios, mientras yo dormía.

Y he aquí que no reacciono exactamente como podría esperarse. <Pensaba encontrarla postrada, me dice el Sr. C., y la veo muy agitada. Duerme demasiado poco, hay que prestar atención, sino va a hacer usted una depresión severa.>

Entre mediados de julio y final de agosto, ente 2 crisis de desesperación, estaba en un estado de euforia nunca visto antes, hablando a todo el mundo – yo la tímida –, arreglando el menor problema sin ningún esfuerzo.

Como dormía 2 horas por la noche, me recetaron un regulador del humor. Ignoraba lo que era, pero el efecto fue radical. En unos días, me puse a llorar y entré en un periodo de depresión intensa.”

Tengo 2 grandes reproches con respecto al Sr. C.: por una parte no haberme dicho de lo que sufría, por otra no haber respetado el protocolo de tratamiento de esa enfermedad dejándome suspender el Tegretol, mi timoregulador.”

Luego un Sr. E. entró en el paisaje. Pienso que voy a poder dejar de agotar el alfabeto: es un especialista reconocido en bipolaridad. En el momento en el que escribo estas líneas, 4 meses después del inicio de mi nuevo tratamiento, únicamente medicamentoso, siento volver la alegría de vivir que me ha faltado desde hace tantos años.” Hmmm.

Texto muito ruim! Pular os próximos 3 micro-relatos é imprescindível a fim de continuar a suportar a leitura deste livro. Não é que seu conteúdo seja inaproveitável, pelo contrário: toda antipseudanálise é útil! Mas seu estilo é horrendo, sua escrita é escabrosa!

5. UN CASO EJEMPLAR: LA TOXICOMANÍA

A) COMO LAS TEORÍAS PSEUDOANALÍTICAS BLOQUEARON EL TRATAMIENTO EFICAZ DE LOS TOXICÓMANOS Y CONTRIBUYERON A LA MUERTE DE MILES DE INDIVIDUOS – JEAN-JACQUES DÉGLON

Apenas déjà vu sobre a hegemonia da psicanálise na França.

QUINTA PARTE

UNA VIDA DESPUÉS DE FRAUD

1. LA REVOLUCIÓN DE LAS NEUROCIENCIAS [se foi a própria limitação desta ciência que nos brindou com a pseudanálise!!!]

A) EL MODELO FRAUDIANO DE LOS SUEÑOS NO ES PLAUSIBLE (1992) – ALLAN HOBSON

Se puede continuar interpretando los sueños como metáforas, o incluso en términos de inconsciente dinámicamente reprimido, si nos empeñamos. Pero semejante cuestión ya no es ni necesaria ni suficiente para explicar tanto el origen como la naturaleza del sueño.

A diferencia de Fraud, pienso que la mayoría de los sueños no son ni oscuros ni expurgados, sino, al contrario, claros y de fabricación en bruto. Contienen pulsiones altamente conflictivas, sin disfrazar y perfectamente comprensibles, que merecen la pena que sean anotadas por el soñador (y por cualquier participante en la interpretación). Mi concepto se hace eco del de Jung de un sueño claramente comprensible. Se desembaraza de toda distinción entre contenido manifiesto y contenido latente. Mientras que los psicoanalistas conservadores continúan defendiendo y aplicando, sin modificación seria, la teoría de Fraud sobre el sueño, otros, más liberales (los de la <hermenéutica>), se separan explícitamente de la neurología y del paradigma de causa, procedente de las ciencias físicas.”

AMBIÇÃO DE SOBRA, COMPETÊNCIA DE MENOS: “El punto de partida de Fraud en sus Apuntes de una psicología científica es rigurosamente científico. Expresa claramente su ambición de construir una teoría de la mente que sería una junto con su teoría del cerebro. La teoría del sueño no es más que una traducción de las nociones derivadas de la neurobiología que utiliza en sus Apuntes.

La teoría psicoanalítica del sueño se apoya en la idea errónea de que el sistema nervioso, a falta de una energía propia, encuentra su energía en dos fuentes no neuronales: el mundo exterior y los impulsos somáticos. Sabemos hoy en día que el cerebro produce su propia energía y, al hacerlo, no es dependiente ni del mundo exterior ni de los impulsos somáticos.”

La potencia exigida al sistema energético es relativamente débil; Fraud, por el contrario, la creía elevada. Además, el psicoanálisis considera la forma del contenido onírico como procedente principalmente de las ideas (los pensamientos latentes del sueño); la hipótesis de activación-síntesis tiene una fuerte influencia sensorio-motora (no hay diferencia entre el contenido latente y el contenido manifiesto).”

La activación-síntesis no tiene ninguna necesidad de un postulado de regresión: afirma que es una característica intrínseca del estado onírico de tener primero un carácter sensorial, porque los sistemas sensoriales del cerebro están intrínseca y primordialmente activados. Y considero ese aspecto sensorial como progresivo más que regresivo, porque el sistema es autoactivo y autocreativo.” O sistema é sem-tempo, não é progressivo tampouco!

El contenido de la mayor parte de los sueños es directamente leíble sin decodificación. Al ser el estado onírico abierto, los sueños de los individuos pueden efectivamente revelar estilos de conocimiento, aspectos de la visión que un individuo tiene del mundo y de las experiencias históricas específicas de ese individuo.”

3. LAS PSICOTERAPIAS DE HOY [TCC, TCC E MAIS TCC…]

(…)

* * *

À página 536 (a 3 do fim!) cita-se como que em nota de pé-de-página a Gestalt: “Fundada por Fritz Perls, representa sin duda la forma más sofisticada del enfoque humanista.” E não diz mais do que 3 frases além disso…