LECCIONES SOBRE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA Vol. II/III – Hegel (trad. Wenceslao Roces), Fondo de Cultura Económica (1833, 1955, México)

PRIMERA PARTE:

LA FILOSOFÍA GRIEGA (cont.)

SECCIÓN PRIMERA:

PRIMER PERÍODO: DE TALES A ARISTÓTELES (cont.)

Se nos atemos exclusivamente ao fato de que o eu é aquele que estabelece, teremos o mau idealismo dos tempos modernos; nos tempos antigos os pensadores não se aferravam ao fato de se o pensado fôra ou não baseado num eu.”

O conceito é, cabalmente, esta transitoriedade fluente de Heráclito, este movimento, esta causticidade (corrosão, decomposição) a que nada pode resistir. O conceito, que se encontra a si mesmo, se encontra como o poder absoluto perante o qual tudo desaparece; com ele se fluidifica todo o existente, tudo o que se tinha por firme e sólido. O que se reputava firme – trate-se da firmeza do ser natural ou da firmeza de determinados conceitos, princípios, costumes e leis – vacila e perde sua estabilidade. Como algo geral, estes princípios, etc., são também, indubitavelmente, parte do conceito [o conceito é parte do conceito], mas sua generalidade não é mais que sua forma; seu conteúdo impõe-se como algo determinado, em movimento. Este movimento vemo-lo manifestar-se nos chamados sofistas

O nome sofista se o deram eles mesmos, como mestres de sabedoria, mestres que se propunham a tornar sábios quem quer que eles ensinassem. O sofista é o antípoda do erudito moderno (…) que se preocupa em descobrir um novo verme ou inseto (reter o conhecimento para si).” “o comum dos mortais, quando suas essências, que ele crê firmes, começam a vacilar, se indigna; e o conceito, formado nesta sua realização perante as verdades vulgares e correntes, atrai sobre si o ódio e os insultos.” “Aqui apreciaremos o lado positivo da sofistaria

Chamamos cultura, de fato, precisamente o conceito aplicado na realidade, contanto que não se manifeste puramente em sua abstração, senão em unidade com o conteúdo múltiplo de todas as representações.”

A cultura assim entendida (no sentido moderno de ilustração) se converte na finalidade geral do ensino; por isso é que surgiu, de contínuo, uma vastidão de mestres de sofística.” Novos pais da Grécia, em sucessão aos poetas e rapsodos. Pitágoras esclarecidos.

Toda nova classe de grande homem tem de começar sendo peregrina? Poetas, médicos e professores diletantes, todos itinerantes…

COMO FAZER AMIGOS E INFLUENCIAR PESSOAS: “La elocuencia, que apela a la cólera y a las pasiones de los hombres para conseguir algo, enseña la reducción de las circunstancias a estos poderes. (…) Esto presupone, naturalmente, la existencia de un régimen político democrático, en que los ciudadanos sean los llamados a decidir.”

Esto es también, en efecto, lo que se propone la Tópica¹ de Aristóteles, al señalar las categorías o criterios que es necesario tener presentes para aprender a hablar.”

¹ Retórica?

el Protágoras de Platón nos traza un cuadro bastante completo.”

Para el hombre inculto resulta incómodo tener trato con estos hombres que saben abordar y exponer fácilmente todos los aspectos de un problema. Los franceses tienen el don de saber expresarse, aunque nosotros, los alemanes, los llamemos por ello charlatanes.” “cuando se aprende francés, no es solamente para hablar este idioma, sino para adquirir a través de él la cultura francesa.”

Y, en efecto, cuando uno se propone estudiar filosofía, tampoco sabe, por el momento, lo que la filosofía es, pues si lo supiera, no necesitaría estudiarla.”

Yo siempre he creído que la virtud política no es susceptible de ser enseñada” Sócrates apud Pl. Prot.

DÉJÀ VU GENÉTICO: E Hermes (por procuração de Zeus) infundiu o pudor…

Cuando alguien se hace pasar por un maestro en el arte de la flauta sin poseer experiencia alguna acerca de ello, se le tiene, con razón, por loco. No sucede así, en cambio, en lo tocante a la justicia”

Em todo ato, por mau que seja, vai implícito um ponto de vista essencial em si: basta com destacar este ponto de vista para que o ato fique desculpado e defendido.” “desde Adão, tudo o que se fez de mau no mundo já foi justificado com boas razões.”

lo mismo que, hace unos 50 años, la enseñanza fundamental del pueblo, entre nosotros, consistía aún en la historia sagrada y una serie de sentencias y pasajes de la Biblia.”

Não confiar muito, já que detalhes biográficos procedem de Diógenes Laércio: “Protágoras siguió la misma suerte de Anaxágoras, al ser desterrado más tarde de Atenas. La causa de esta condena fue un escrito suyo, que comenzaba así: ‘Acerca de los dioses, no sabría decir si existen o no, pues hay muchas cosas que impiden este conocimiento, tanto la oscuridad del asunto mismo como la vida del hombre, que es tan breve.’ Este libro fue quemado en Atenas, por orden del Estado; fue, por lo menos en cuanto sabemos, la primera obra con la que sucedió esto.”

El principio de Protágoras, si se le da el verdadero sentido que tiene, es una gran frase, pero es, al mismo tiempo, una frase equívoca, pues la medida de las cosas puede ser el hombre indeterminado y multifacético, cada hombre según su particularidad específica, este hombre fortuito; pero puede tratarse también de que la razón consciente de sí misma que hay en el hombre, de que el hombre concebido como naturaleza racional y sustancialidad general, sea medida absoluta.” A este respeito, ver a elucidação de Hannah Arendt, procurando por Protágoras na busca: https://seclusao.art.blog/2018/04/26/a-condicao-humana/.

Dios, el Bien platónico, es, en primer lugar, un producto del pensamiento; pero, en segundo lugar, es también en y para sí. En cuanto que sólo reconozco como ente, fijo y eterno aquello que es, en cuanto a su contenido, lo general, tenemos que ese algo es, tal y como ha sido asentado por mí, al mismo tiempo, como lo objetivo en sí, algo que yo no siento.”

O ANTI-KANT: “Deus, o Bem platônico, é, em primeiro lugar, um produto do pensamento; (SUBJETIVO, SENSÍVEL) porém, em segundo lugar, é também em e para si (SUBJETIVO e OBJETIVO). Ora: 1) Eu somente reconheço (POSSO PENSAR) o ente (fixo e eterno, ESSÊNCIA OBJETIVA) enquanto aquilo que é geral em seu conteúdo. 2) Esse geral em seu conteúdo é também o objetivo em si, (ESSENCIAL) algo que eu não sinto.”

O MONÓLOGO-DIÁLOGO ILUSTRADO

Kant: O conceito é pensável porque é antes de tudo sensível…

Hegel: O conceito é sensível porque é antes de tudo pensável!!!

Kant & Hegel: O conceito só pode ser pensado porque é essência-e-aparência!

Kant: Sim, finalmente estamos de acordo em alguma coisa!…

Hegel: No que mais poderíamos concordar?

Kant: Hm, deixe-me ver… Se eu fosse você, acho que me aprazeria me exprimir assim: o não-conceito não pode ser pensado, pois ou é só essência ou é só aparência.

Hegel: Com efeito! E você, Kant, escreve frases tais quais: o não-conceito pode ser sentido quando é só aparência; o não-conceito não pode ser sentido quando é só essência (sua coisa-em-si!). Ou seja, o conceito é sentido como não-conceito (apenas como aparência)…

Kant: Ficamos bons na arte de invertermos os papéis! E assim você concluiria, Hegel: a essência pura é inacessível enquanto não integrar um conceito.

Falsa comparação entre Protágoras e Kant. Falsa porque resulta em detrimento do Kantismo.

Vemos en Protágoras una gran reflexión; concretamente, es la reflexión sobre la conciencia la que cobra conciencia en Protágoras. Pero esto no es sino la forma del fenómeno, recogida y desarrollada por los escépticos posteriores. El fenómeno, la apariencia, no es el ser sensible, sino que, al establecer esto como lo que aparece, establezco, al mismo tiempo, su no ser. Ahora bien, la tesis de que ‘lo que es es solamente para la conciencia’, o bien: ‘la verdad de todas las cosas es la manifestación de estas cosas para la conciencia y en ella’, parece contradecirse por completo a sí misma. Parece, en efecto, que en ella va implícita, al mismo tiempo, la afirmación opuesta: de una parte, la de que nada es en sí tal y como aparece y, de otra parte, la de que todo es verdaderamente tal y como aparece.”

Vemos em Protágoras uma grande reflexão; concretamente, é a reflexão sobre a consciência aquilo que cobra consciência em Protágoras (seu pensamento único). Mas isto não é senão a forma do fenômeno, retomada e desenvolvida pelos céticos posteriores. O fenômeno, a aparência, não é o ser sensível, senão que, ao estabelecer isto como aquilo que aparece, estabeleço, ao mesmo tempo, seu não-ser. A tese de que ‘o que é, é somente para a consciência’, ou esta outra: ‘a verdade de todas as coisas é a manifestação destas coisas na e para a consciência’, parece contradizer-se por completo a si mesma. Parece, de fato, que nela vai implícita, simultaneamente, a afirmação exatamente oposta: por um lado, nada é em si como aparece e, por outro, tudo é verdadeiramente assim como aparece.”

Refutação de Hegel: A aparência é o ser sensível, o ser mesmo. O que é não é de forma alguma o mesmo para o outro. Essência e aparência coincidem no sujeito. Porém, cada sujeito é um mundo fenomênico à parte. Portanto, como Protágoras não considera o absoluto, seu raciocínio é impecável.

O momento da consciência, que Protágoras põe de manifesto e segundo o qual o geral desenvolvido traz implícito o momento negativo do ser-para-outro, deve ser afirmado também como um momento necessário

El fuerte de este pensador [Górgias] era la dialéctica de la elocuencia; sin embargo, se destacaba por su dialéctica pura, que giraba en torno a las categorías absolutamente generales del ser y el no-ser y se apartaba, por tanto, de la manera de los sofistas.”

Gorgias sostiene, de una parte, una polémica certera contra el realismo absoluto, que, al representarse una cosa, cree poseer la cosa misma, cuando se trata, en realidad, de algo puramente relativo. Pero, por otra parte, se deja llevar al idealismo malo de los tiempos modernos, con arreglo al cual lo pensado es siempre simplemente subjetivo, es decir, no es el ente mismo, ya que el pensamiento convierte el ente en algo pensado.” “De este modo, la dialéctica de Gorgias se aferra a esta distinción exactamente lo mismo que, andando el tiempo, habrá de volver a manifestarse en Kant; claro está que quien se aferre a esta distinción, jamás podrá llegar al conocimiento de lo que es.”

Esta libertad [socrática], que se cifra en el postulado de que la consciencia, en todo lo que piense, debe hallarse sencillamente presente y cabe sí(*)

(*) Hemos traducido bei sich selbst como ‘cabe sí’ a fin de distinguirlo del in sich, tan usado por Hegel.” Mas não distingue um do outro. Por si mesmo e em si (mesmo) são rigorosamente a mesma coisa. Filigranas lingüísticas capazes de convulsionar um Schopenhauer! Cabe sí é só mais um sinônimo que os tradutores preciosistas usam no lugar de de suyo.

Nos tempos modernos muito se fala do saber imediato e da fé, mas não se deve crer que seu conteúdo, quer dizer, Deus,¹ o bem, a justiça, etc., tenha como fonte exclusivamente os sentimentos e a imaginação, pois é, em realidade, algo puramente espiritual, quer dizer, um conteúdo procedente do pensamento.” Hegel é o mais grosseiro dos maus leitores de Kant!

¹ Vazio; ex nihilo, regressão a antes mesmo de Tales de Mileto!

[O passo dado por Sócrates] é, de fato, o verdadeiro, a unidade do subjetivo e do objetivo na terminologia moderna; diferente do ideal kantiano, que não é senão um fenômeno, que não é objetivo em si mesmo.”

O PROBLEMA DA ÉTICA DIVINA

Partamos de duas premissas: 1) o homem é burro, isto é, vil demais para criar-se uma ética. 2) o homem é sábio, isto é, virtuoso o bastante para criar-se uma ética. Ponto de vista da religião monoteísta: o homem só pode ser burro demais, do contrário não haveria religiões nem necessidade de religiões. Deus precisa ensinar a ética ao homem, eis o fundamento e o fim último da crença. Porém, se o homem é burro demais para criar-se uma ética, ele também é vil demais para aprender uma ética, incapaz que é de entender os desígnios de deus. Não está à altura de uma ética divina para os homens.

Posto que sabemos o que é ética, ela deve ser atingível. Posto que há religiões, é seguro dizer que via de regra prescinde-se de ética. Posto que há religiões há muito tempo, porém, e sua presença milenar não demonstra a aquisição da virtude pela humanidade como um todo, conclui-se que: poucos notáveis são virtuosos, a maioria é tola. Alguns notáveis assumiram papéis de pregadores, profetas, sacerdotes religiosos. Alguns notáveis seguiram o caminho da autoformação. A grande massa se subdivide igualmente entre os dois caminhos. Muitos crêem-se éticos (sábios) sem sê-lo. Sábios autointitulados, intitulados pela comunidade laica ou sancionados por aqueles que controlam os dogmas espirituais. Se a virtude fosse passível de se ensinar, não só Deus como os sábios ensiná-la-iam.

As gerações da humanidade repetem a proporção entre sábios e tolos. Desde sempre, para sempre. De qualquer modo, apenas uma pimenta para a discussão: não é possível conhecer-se a si mesmo. O sábio não se conhece; vive sempre na berlinda entre uma pretensa sabedoria e a estultícia. O muito burro vive na vaidade, crendo-se sábio. Ao notar esse comportamento dos muito estultos, o sábio aprende que ter certeza sobre sua própria sabedoria é um indício pouco auspicioso. Ele sempre oscila entre considerar-se um hipócrita ou um tolo, não importa como conduza sua vida, e a reputação que obtém entre “os outros homens”. Sua vida é uma comédia, pois só é possível agir com ética inconscientemente. Os autointitulados tolos podem ser considerados uma multitude de coisas: sábios (e portanto suscetíveis de ser tolos debaixo do véu), hipócritas que desejariam o status da sabedoria empregando uma falsa modéstia para enganar os homens, um espírito que conhece suas limitações; mas não muda o fato de que todas essas possibilidades não são dignas de crédito. Não se confia no tolo só porque ele assume sua tolice. E o parâmetro para o sábio, por mais que sábios existam, não é deste mundo. Permanece como mistério insondável da existência. Como num jogo de pega-pega entre a cabeça e a cauda, aporia.

* * *

Esculpir bebês para parir estátuas.

Los atenienses anteriores a Sócrates eran hombres Morales, pero no éticos, pues practicaban lo que había de racional en sus relaciones sin saber que eran, en verdad, hombres buenos.” “este modo [socrático] de conducirse ha vuelto a cobrar vida, modernamente, con la filosofía kantiana, que es ética.”

Conta-se que um ateniense chamado Críton ajudou Sócrates a cobrir os seus gastos para que pudesse ser iniciado pelos mestres em todas as artes.” Nem Soc. foi um self-made man às antigas!

A ironia socrática não é o método socrático, mas o destino inelutável e externo do filósofo: jovem soldado, serviu três vezes. Três vezes regressou triunfante do Peloponeso, e ao cumprir regiamente seu dever para com sua pátria, ajudou a consumar o desfecho da cultura grega. Da própria cultura, da cultura socrático-platônica, modelo dos modelos de homem.

Os generais recompensaram a façanha de Sócrates com uma coroa, que era o prêmio dos valentes; mas ele se negou a recebê-la, negociando com êxito sua entrega a Alcibíades, de quem salvara a vida em Potidéia.”

nós propendemos a ver nas virtudes, como realmente são hoje, antes aspectos dos dotes ou do temperamento do homem, ou a revesti-las sob a forma do genérico e necessário; em Sócrates, no entanto, não apresentam a forma dos bons costumes, do temperamento do homem ou de uma necessidade qualquer, senão a forma de uma determinação independente. É sabido que a fisionomia de Sócrates indicava um temperamento dominado pelas paixões feias e baixas, que seu espírito soube refrear e governar, como ele mesmo nos diz em algum lugar.” Além de tudo que aqui afirma, tece depois que o belo é o santo e o sábio — mas que doutrina esta do Romantismo europeu!! Hegel, horroroso, não podia dominar nada e seria, de acordo consigo mesmo, um grande mandrião! Porém, Sócrates nunca afirmou que conseguiu voluntariamente contrariar sua má natureza; o fato de ele ser feio e de Alcebíades ser belo nada tem que ver com ambos os temperamentos. Lição primária, na qual sou obrigado a reprovar o aluno extravagante Hegel.

Esta classe de trato social que chamamos de ‘o ócio dos atenienses’ só era possível graças às características especiais da vida da polis, em que a maioria dos trabalhos que hoje realiza um cidadão livre de qualquer país – ainda que falemos de um burguês e não só dos empregados – era efetuada, então, por meio de escravos, já que se consideravam como indignos dos homens livres. Não era proibido ao cidadão livre ateniense ser artesão, mas mesmo os artesãos dispunham de escravos, seus ajudantes de ofício.”

Es ésta la famosa ironía socrática, que no es sino un modo especial de comportarse en el trato de persona a persona, es decir, una forma subjetiva de la dialéctica únicamente, en tanto que la verdadera dialéctica versa siempre sobre los fundamentos de la cosa misma.”

Hace 10 años, un famoso teólogo sentó 90 tesis sobre la razón, tesis que encierran problemas muy interesantes, pero que no han dado resultado alguno, a pesar de haberse discutido mucho en torno a ellas, ya que, mientras el uno se situaba en el punto de vista de la fe, el otro argumentaba desde el punto de vista de la razón, y cada cual se mantenía aferrado a su criterio propio, sin que fuese posible saber qué era lo que entendían el uno por fe y el otro por razón.”

Los personajes encargados de formular las respuestas en los diálogos de Sócrates son semejantes a títeres, ya que sólo contestan a aquellas preguntas formuladas de tal modo que facilitan notablemente la respuesta y excluyen toda arbitrariedad propia.”

Os personagens encarregados de formular as respostas nos diálogos de Sócrates são semelhantes a títeres, já que só respondem àquelas perguntas formuladas de tal modo que facilitam notavelmente a contra-resposta socrática e excluem toda arbitrariedade própria.”

Para nosotros, que estamos acostumbrados a representarnos lo abstracto y que desde la temprana juventud nos educamos en torno a principios generales, el método socrático de la llamada condescendencia, con su locuacidad, resulta a menudo cansado, aburrido y tedioso.”

Para nós, que estamos acostumados a nos representar o abstrato e que desde a tenra juventude nos educamos em torno de princípios gerais, o método socrático da chamada condescendência, com sua loquacidade, resulta o mais das vezes, cansativo, aborrecido, tedioso.”

¿Cómo puedes ponerte a indagar lo que afirmas que no sabes? ¿Cómo puedes sentir apetencia de lo que no conoces? Y si por casualidad das con ello, ¿cómo puedes saber que es realmente lo que buscas, si confiesas que no lo sabes?”

tudo se encontra já no espírito do homem, ainda que pareça que este tenha de aprender tudo de fora.”

Ahora bien, esto es solamente uno de los lados, en el que Sócrates hace caso omiso de todo lo que sea contradicción y presenta como contenido afirmativo las leyes, es decir, el derecho, tal y como cada cual se lo representa. Ahora bien, si preguntamos cuáles son estas leyes, veremos que son precisamente aquellas que rigen, tal y como se hallan presentes en el Estado y en la representación de las gentes y que, llegado el momento, son levantadas [suspensas] como algo determinado, lo que quiere decir que no son absolutas.” O que ainda é melhor que afirmar numa Filosofia do Direito que o Estado da monarquia constitucional é o non plus ultra do Espírito!

Vemos, assim, como um signo infeliz do desconcerto, como os grandes favoritos de Sócrates, os dotados de atitudes mais geniais, p.ex. um Alcibíades, este gênio da frivolidade, para quem o povo de Atenas nada era senão um brinquedo, e Crítias, o mais eficiente dos Trinta Tiranos, desempenham mais tarde, em sua pátria, um papel que os leva a ser julgados, o primeiro como inimigo e traidor de seus concidadãos, o segundo como opressor e tirano de seu povo. Ambas as figuras viveram se ajustando ao princípio do conhecimento subjetivo, e arrojaram, assim, má luz sobre Sócrates; através delas revela-se como o princípio socrático, ao assumir uma forma distinta, levou a vida grega à ruína. (Xenofonte, Memorabilia, cap. 2)”

O demônio de Sócrates é (…) a individualidade do espírito” Belo sinônimo para inconsciente!

O general, antes de dar uma batalha devia ater-se, para tomar uma decisão, ao que lhe dissessem as entranhas dos animais sacrificados, como com tanta freqüência o vemos na Anábase de Xenofonte; e Pausânias se atormenta um dia inteiro, antes de dar a ordem de lançar-se ao combate. (Heródoto)”

no fim das contas os oráculos são sempre necessários ali onde o homem não se considera ainda tão livre e independente em seu foro íntimo que se sinta capaz de adotar suas determinações a partir de si mesmo, como nós o fazemos. É a esta liberdade subjetiva, que os gregos ainda não conheciam, que queremos nos referir quando falamos, atualmente, de liberdade” “Isso de responder pelo que fazemos, de buscar nos atos do indivíduo sua própria inspiração pessoal, é algo próprio dos tempos modernos”

quem se casa com uma mulher formosa não sabe se isso consumará sua felicidade ou será, ao contrário, fonte de pena e aflição; nem quem tem parentes poderosos no Estado pode saber se não será isso precisamente o que implique, um dia, o ver-se desterrado. (…) E para Sócrates este oráculo [sacrifícios, o vôo das aves, etc.] era seu demônio interior.” Xenofonte

o demônio socrático ocupa um lugar intermediário entre o lugar externo do oráculo e o lugar puramente interior do espírito; é interior, mas distinto da vontade humana e ainda menos preponderante que a inteligência e as deliberações do indivíduo Sócrates.”

TEMPOS DE MESMERISMO: “com efeito, em Sócrates parece que se dava, já, expressamente, algo disso que chamamos estado magnético (…) o mesmo estado do êxtase epiléptico ou da catalepsia [catatonia, histeria, hipnose, etc.].”

Hegel é ainda muito primitivo no tocante ao julgamento de Sócrates.

A aparição da comédia aristofânica é, por si mesma, um ingrediente tão essencial ao povo ateniense e Aristófanes uma figura tão necessária no panorama de Atenas quanto a do augusto Péricles, a do frívolo Alcibíades, a do divino Sófocles e a do ético Sócrates, pois ele forma parte, também, das estrelas deste firmamento.”

Nossa seriedade germânica não compreende como Aristófanes podia representar personagens que representavam, por sua vez, homens de carne e osso da nação ateniense, chamando-os pelos seus nomes reais, a fim de pô-los em ridículo, e sobretudo um homem tão austero e honrado como Sócrates.”

um povo que sabe rir de si” “essa certeza diáfana de si mesmo”

devemos admirar a profundidade de Aristófanes em ver o lado negativo da dialética socrática e destacá-lo com cores tão enérgicas.”

Sócrates foi condenado à morte por se negar a reconhecer a competência e soberania do povo sobre um acusado.”

A [acusação da] perversão da juventude consistia em fazê-la vacilar com respeito ao dotado de vigência imediata.”

As duas Apologias. Falta-me ler a de Xen..

Ninguém jamais viu ou ouviu Sócrates fazer ou dizer qualquer coisa ímpia ou contrária à religião, pois jamais pôs-se ele a investigar acerca da natureza do universo, como tantos outros, dedicados a indagar como havia nascido o que os sofistas chamam de o mundo.” X.

A esta primeira parte da defesa os juízes se mostraram descontentes, ou por não darem credibilidade ao dito por Sócrates ou por inveja (o crer que Sócrates era um favorito dos deuses) (a bibliografia é Xen.). O argumento de que o piedoso aceita Jesus, mas não um segundo Jesus (qualquer um no presente que se proclame Jesus): “Por que ele e não outro?”

Además, para los griegos aquellas revelaciones tenían que revestir necesariamente un determinado modo de ser, pues existían oráculos que podríamos llamar oficiales (no subjetivos), como la pitonisa, los árboles sagrados, etc. Por eso, cuando la revelación cobra cuerpo en este algo particular y concreto que es el ciudadano corriente, se la considera como algo increíble y falso; el demonio socrático era, en realidad, una modalidad distinta de la que hasta entonces venía rigiendo en la religión griega.” “Sócrates es, de este modo, el héroe que proclama, para desplazar al dios délfico, el principio de que el hombre debe mirar dentro de sí para saber qué es lo verdadero.”

Anito le había tomado animadversión a Sócrates porque éste le había dicho que el hijo de un hombre prestigioso como él no debía consagrarse al oficio de la tenería, sino a una profesión digna de un hombre libre. Anito mismo era curtidor de oficio y, aunque estos trabajos corriesen, por regla general, a cargo de esclavos, no eran, en sí, nada denigrante; la expresión de Sócrates no era justa, por ello; aunque ya hemos visto (supra, p. 50) que este juicio encajaba perfectamente dentro del espíritu y la mentalidad de los griegos. Sócrates añade que ha trabado conocimiento con este hijo de Anito y que no ha descubierto en él ninguna cualidad mala; profetiza, sin embargo, que no se mantendrá fiel a este trabajo servil a que su padre se empeña en sujetarlo. Y como no tiene a su lado ninguna persona razonable que se ocupe de él, se dejará llevar de malas apetencias y llegará muy lejos por los caminos de la ociosidad y la disipación. Jenofonte añade por su cuenta que la predicción de Sócrates se confirmó al pie de la letra, pues el joven de referencia se entregó a la bebida y se pasaba los días y las noches emborrachándose, habiéndose convertido en un hombre completamente indigno. Cosa perfectamente comprensible, ya que un hombre que se considera (con razón o sin ella) apto para llegar a ser algo mejor de lo que es y que se siente descontento en su interior con el estado de cosas dentro del que vive, pero sin poder alcanzar otro mejor, se ve arrastrado por este disgusto consigo mismo a la mediocridad, primero, y luego a la maldad, por el camino que tantas veces arruina a los hombres. La profecía de Sócrates es, por esto, perfectamente natural.”

Anito havia tomado aversão a Sócrates porque este lhe havia dito que o filho de um homem prestigioso como ele não devia se consagrar ao ofício do curtume, mas a uma profissão digna de um homem livre. O próprio Anito era curtidor e, ainda que de uso esses trabalhos corressem a cargo de escravos, essa não era uma vocação degradante em si; a expressão de Sócrates não seria justa; em que pese termos visto também que este juízo encaixava-se perfeitamente no espírito e na mentalidade gregos. Sócrates acrescenta que travou conhecimento com este filho de Anito e que não descobriu nele nenhuma má qualidade; profetiza, entretanto, que não se manterá fiel a este trabalho servil em que seu pai se empenha tanto em sujeitá-lo. E como não tem a seu lado nenhuma pessoa razoável para dele se ocupar, deixar-se-á levar por más apetências e chegará muito longe nos caminhos do ócio e da dissipação. Xenofonte acrescenta que a predição de Sócrates se confirmou ao pé da letra, pois o jovem se entregou ao álcool e passava dia e noite embebedando-se, havendo-se convertido num homem completamente indigno. Coisa perfeitamente compreensível, já que um homem que se considera (com ou sem razão) apto a ser algo melhor do que é e que se sente descontente em seu interior com o estado de coisas no qual vive, sem poder contudo alcançar outro melhor, vê-se arrastado por este desgosto consigo mesmo à mediocridade, primeiro, e logo à maldade, pelo caminho que tantas vezes arruína os homens. A profecia de Sócrates é, portanto, perfeitamente natural.”

Los hijos deben tener la sensación de formar una unidad con sus padres, siendo ésta la primera relación moral inmediata; todo educador debe respetarla, mantenerla pura y desarrollar la sensación de esta unidad.”

Os filhos devem ter a sensação de formar uma unidade com seus pais, sendo esta a primeira relação moral imediata; todo educador deve respeitá-la, mantê-la pura e desenvolver a sensação desta unidade.”

Ahora bien, para referirnos al ejemplo de Sócrates, todo parece indicar que éste, con sus ingerencias, inducía a los jóvenes a un sentimiento de descontento con la situación en que vivían. Es posible que el hijo de Anito no se sintiera, en general, atraído por el trabajo; pero una cosa es esto y otra muy distinta que esta sensación de descontento cobre conciencia de sí misma y se vea confirmada por la autoridad de un hombre como Sócrates.”

Tudo parece indicar que Sócrates, com suas ingerências, induzia os jovens a um sentimento de descontentamento com a situação em que viviam. É possível que o filho de Anito não se sentisse, em geral, atraído pelo trabalho; mas isto é uma coisa, e outra muito distinta que esta sensação de descontentamento cobre consciência de si mesma e se veja confirmada pela autoridade de um homem como Sócrates.”

Dentro de nuestras leyes, el primer punto de la acusación, el referente a la adivinación, sería inadmisible, como se ha visto, por ejemplo, en el caso de Cagliostro; esta clase de actos eran perseguidos en otro tiempo por la Inquisición.”

Dentro de nossas leis, o primeiro ponto da acusação, o referente à adivinhação, seria inadmissível, como já se viu, p.ex., no caso de Cagliostro; esta classe de atos era perseguida em outro tempo pela Inquisição.”

A <ESCLARECIDA> EUROPA DE HEGEL: “Sin embargo, si un profesor desde la cátedra o un predicador desde el púlpito atacase, por ejemplo, a una determinada religión, no cabe duda de que el gobierno se daría por enterado y tendría perfecto derecho a intervenir, por grande que fuese el clamor que su intervención levantara.”

Se um professor de cátedra ou um predicador do púlpito atacasse, p.ex., uma determinada religião, não resta dúvida de que o governo se daria por inteirado e teria o perfeito direito de intervir, por maior que fosse o clamor que sua intervenção gerasse.”

Según las leyes atenienses, el acusado, después de ser declarado culpable por los heliastas, como hoy en Inglaterra ante el tribunal del jurado, tenía derecho a oponer a la pena propuesta por el acusador una contrapropuesta de pena, que representaba una atenuación, sin ser una apelación formal; era ésta, sin duda, una excelente institución del derecho procesal ateniense, que acredita un gran sentido de humanidad. No se trataba de la pena en general, sino de la tasación, de la clase de pena que había de imponerse; el fallo de los jueces había decidido ya que Sócrates era culpable y, por tanto, merecedor de una pena. Ahora bien, el hecho de que se dejara al culpable un margen de libertad para fijar o proponer la pena que consideraba justa, no quiere decir que su propuesta pudiera ser arbitraria, sino, por el contrario, adecuada al delito ya reconocido, bien con el carácter de multa o de pena corporal (Meier y Schönemann, Der Attische Process). El hecho de que el culpable o declarado tal se constituyese en juez de sí mismo implicaba ya de suyo que se sometía al fallo del tribunal y reconocía su culpa. Pues bien, Sócrates se negó a señalar para sí una pena, que habría podido consistir en una multa o en el destierro, lo que le permitía optar entre esta pena o la de muerte, que los acusadores proponían.”

Segundo as leis atenienses, o acusado, depois de ser declarado culpado pelos heliastas, como hoje na Inglaterra perante o tribunal do júri, tinha direito a opor à pena proposta pelo acusador uma contraproposta de pena, que representava uma atenuação, sem ser uma apelação formal; era esta, sem dúvida, uma excelente instituição do direito processual ateniense, que transmite um grande sentimento de humanidade. Não se trata da pena em geral, senão da apreciação da classe de pena que dever-se-ia impor; a sentença dos juízes já havia decidido que Sócrates era culpado e, assim, merecedor de uma pena. O fato de que se deixava ao culpado uma margem de liberdade para fixar ou propor a pena que considerasse justa não quer dizer que sua proposta pudesse ser arbitrária, mas, ao contrário, devia ser adequada ao delito já reconhecido, fosse sob o caráter de multa ou de pena corporal. O fato de que o culpado ou assim declarado se constituísse em juiz de si implicava por si só que se submetia à sentença do tribunal e reconhecia sua culpa. Pois bem: Sócrates se negou a escolher uma pena, que teria consistido ou em multa ou no desterro, o que permitia, na prática, que o réu optasse, inclusive, entre o banimento e a pena de morte, que os acusadores propuseram.”

Enfatuadas casuísticas de H….

Un verdadero Estado no puede tolerar en su seno, por ejemplo, a gentes como los cuáqueros, los anabaptistas, etc., que desconocen y rechazan determinados derechos del Estado, como es el de la defensa de la patria. Esta miserable libertad de pensar y creer lo que a cada cual le parezca mejor no puede admitirse, como tampoco el que cada cual se acoja a la conciencia de su deber.”

Um verdadeiro Estado não pode tolerar em seu seio, p.ex., gentes como os quakers, os anabatistas, etc., que desconhecem e rechaçam determinados direitos do Estado, como é o da defesa da pátria. Esta miserável liberdade de pensar e crer o que a cada qual lhe pareça melhor não se pode admitir, nem tampouco que cada qual se refugie na consciência de seu dever.”

De un hombre como Sócrates no podía esperarse otra actitud que la de marchar hacia la muerte del modo más sereno y más varonil. El relato que Platón nos hace de las bellas escenas de las últimas horas de su maestro, aunque no haya en él, por su contenido, nada de extraordinario, quedará para siempre como la imagen grandiosa y el relato ejemplar de un hecho noble.”

De um homem como Sócrates não se podia esperar outra atitude senão a de marchar em direção à morte do modo mais sereno e varonil. O relato que Platão nos faz das belas cenas das últimas horas de seu mestre, ainda que nada haja nesse conteúdo de extraordinário, ficará para sempre como a imagem grandiosa e o relato exemplar de um fato nobre.”

os heróis aparecem como a violência que infringe a lei.”

Os atenienses se arrependeram, mais tarde, da condenação de Sócrates e castigaram a seus acusadores, a uns com a morte e a outros com o desterro. Pois era uma lei ateniense que quem formulava uma acusação se submetia, se a denúncia resultasse falsa, à mesma pena que em caso contrário sofreria o delinqüente. Este é o último ato do drama.”

Sócrates foi condenado à morte porque descobriu o inconsciente. 2200 anos depois um austríaco fraudulento vai criar uma associação internacional para enganar a civilização dizendo que ele descobriu o inconsciente!

O inocente que se vê condenado é, simplesmente, um néscio; por isso são absurdas e insubstanciais essas tragédias em que se enfrentam tiranos e vítimas inocentes, pois não são senão contingências vazias.”

A consecuencia del proceso y la muerte de Sócrates, el puñado de sus amigos y discípulos huyó de Atenas a Megara; entre ellos, Platón. Euclides, que residía allí, se hizo cargo, en la medida de lo posible, de los fugitivos. (Laercio) Al levantarse el fallo dictado contra Sócrates y castigarse a sus acusadores, parte de los socráticos retornó a Atenas y las cosas recobraron su equilibrio. La influencia de Sócrates fue vastísima y determinante en el mundo del pensamiento; y no hay mérito comparable en un maestro al de lograr tan grande influjo y ejercer tal sugestión.”

Una parte de ellos se mantuvo absolutamente fiel a la manera inmediata de Sócrates, sin pasar de ahí. Tal es el caso de una serie de amigos suyos que, en la medida en que fueron escritores, se contentaron con componer diálogos a la manera socrática, bien registrando con la mayor fidelidad histórica posible los sostenidos por ellos mismos con el maestro o los escuchados a otros, bien elaborando estos diálogos a su modo, pero absteniéndose, por lo demás, de toda clase de investigaciones especulativas y manteniéndose, en lo que a su conducta práctica se refiere, firmes y fieles a los deberes de su clase y situación y llevando, así, una vida tranquila y apacible. El más famoso y destacado, entre ellos, es Jenofonte. Pero hubo muchos otros que se dedicaron a escribir diálogos socráticos. Las fuentes mencionan los nombres de Esquines, algunos de cuyos diálogos han llegado a nosotros, Fedón, Antístenes y otros, entre ellos el de un zapatero llamado Simón ‘en cuya taller solía entrar Sócrates a platicar y que más tarde se dedicó a registrar por escrito sus charlas con el maestro’. Los títulos de sus diálogos, así como los de los otros socráticos que dejaron escritas obras de esta clase, aparecen citados en Diógenes Laercio (II, 122 s., 60 s., 105; VI, 15-18). Sin embargo, estas obras no tienen más que un interés puramente literario”

A verdade e a essência não são o mesmo; a verdade é a essência pensada, enquanto que a essência é o em si simples.” “A consciência de si mesmo se manifesta nestes, [no conhecer e no saber] de uma parte, como o ser para si e, de outra parte, como o ser: uma vez consciente desta diferença, retorna dela à unidade de ambos. Esta unidade, o resultado, é o sabido, o consciente, o verdadeiro.”

Los socráticos que presentan un valor peculiar pueden agruparse, según esto, en 3 escuelas: la primera es la de los megáricos, al frente de la cual se halla Euclides de Megara; la segunda, la de los cirenaicos; la tercera, la de los cínicos. Ya el mismo hecho de que difieran considerablemente entre sí las doctrinas de estas 3 escuelas socráticas indica claramente que Sócrates, maestro e inspirador de las 3, no llegó a tener un sistema positivo.” “El principio de los cirenaicos se desarrolla más tarde, de un modo científico, en el epicureísmo y el de los cínicos es desarrollado por los estoicos.”

Este Euclides, que no debe confundirse con el matemático del mismo nombre, es aquel de quien se cuenta que, reinando una gran tirantez de relaciones entre Atenas y su patria, Megara, en los momentos de mayor hostilidad se deslizaba en la ciudad de Atenas disfrazado de mujer y exponiéndose a ser condenado a muerte, sólo por el gusto de escuchar a Sócrates y estar cerca de él. Parece que este Euclides, pese a su manera de discutir y hasta en sus disputas mismas, era el más pacífico de los hombres. Cuéntase que, en una discusión, su contrincante se excitó tanto, que exclamó, en un arrebato de indignación: ‘¡Que me caiga muerto si no me vengo de ti!’. Y que Euclides replicó, con la mayor tranquilidad del mundo: ‘!Y yo me caiga muerto si no soy capaz de aplacar tu cólera con la dulzura de mis palabras, para que sigas amándome como hasta aquí!’

Se han conservado muchas anécdotas acerca del arte de discutir de estos pensadores, por las cuales vemos que lo que a nosotros nos parecen bromas eran, para ellos, problemas muy serios.”

Algunos de los innumerables giros a que aquellos pensadores se entregaban para embrollar la conciencia en las categorías han llegado hasta nosotros con sus nombres; son, principalmente, los sofismas cuya invención se atribuye a Eubúlides de Mileto, discípulo de Euclides.”

la seriedad alemana destierra todo lo que sean juegos de vocablos como vanos entretenimientos ingeniosos.” Até os anglófonos têm um Joyce, vocês não! Mas o que dizer de quem nunca possuiu nem de longe um Shakespeare?

Para ellos, [os gregos em geral, não só os megáricos] en los casos de antagonismo entre la palabra y la cosa, debía darse preferencia a la palabra; las cosas no expresadas son, en rigor, cosas irracionales, ya que lo racional existe solamente como lenguaje.

En los Elencos sofísticos de Aristóteles encontramos muchos ejemplos de éstos, tomados de los antiguos sofistas y de los erísticos [sinónimo de megáricos], así como las soluciones correspondientes.”

También en Platón encontramos juegos de palabras y frases de doble sentido de éstas, empleados con el fin de ridiculizar a los sofistas y poner de manifiesto en qué nimiedades paraban su atención. Pero los erísticos fueron aún más allá por este camino, llegando incluso a convertirse, como Diodoro, en una especie de bufones de las cortes, por ejemplo en la de los Tolomeos”

“— ¿Quién es eso?

Es Corisco.

¿Pero Corisco no es del género masculino?

Sí.

Eso es del género neutro, de modo que eso no puede ser Corisco” Aristóteles, De soph. elench., cap. 14

En otro lugar, desarrolla Aristóteles el argumento de ‘tienes por padre un perro’, lo que vale tanto como decir que tú mismo eres un perro; argumento que Platón, como veíamos más arriba atribuye a un sofista.” A.k.a., formalmente a mãe pode chamar o filho de ‘filho da puta’, não vemos nenhum óbice a isso (ela continuará íntegra, o filho será reputado mau caráter, etc.).

En la invención de juegos sutiles de éstos fueron verdaderamente inagotables los griegos de aquel tiempo y de una época posterior. Cuando estudiemos los escépticos, veremos cómo se desarrolla en ellos y se eleva a un punto superior el lado dialéctico.”

He aquí otra anécdota que se cuenta de Estilpón, en el mismo sentido. ‘Estaba platicando con Crates, un cínico, e interrumpió la plática para comprar pescado. Crates, su interlocutor, le dijo: ¿Cómo, abandonas el discurso? (en el sentido en que, en la vida corriente, nos reímos o pensamos que es incapaz quien, al parecer, no sabe replicar a lo que se le dice, considerando el discurso como algo tan importante, que se considera mejor contestar algo, lo que sea, que guardar silencio, es decir, dejar sin respuesta una pregunta.) A lo que contestó Estilpón: Nada de eso, no abandono el discurso, sino que te abandono a tí, pues el discurso queda, pero el pescado se vende.’”

yo soy algo mentado, [já mencionado] y no puedo precisarme a mí mismo.”

Si preguntamos: ¿quién está ahí?, la respuesta rezará: yo, todos los yos.”

Tengo ahora tantos años; pero este ahora de que hablo no es solamente éste, sino que son todos los ahoras.”

Ahora tengo 35 años, y ahora vivimos en el año 1805 del nacimiento de Cristo; ambos momentos se determinan solamente entre sí, pero la totalidad aparece indeterminada. Que ahora hayan transcurrido 1805 años desde el nacimiento de Cristo es una verdad que pronto carecerá de sentido; y la determinabilidad del ahora tiene un antes y un después de determinaciones sin principio ni fin.” Tenho a idade de Cristo e vivo agora no ano 2021 de seu nascimento. Mais de 200 anos desde que Hegel dava suas aulas…

Nunca tinha ouvido falar de Estilpo.

En efecto, si hombre y bueno o caballo y carrera fuesen uno y lo mismo, no podría decirse que el pan y la medicina son buenos o que el león y el perro corren” Plutarco

“Pero, ¿acaso algún hombre ha vivido peor a causa de esto? ¿Quién que escuche estas palabras no se dará cuenta de que se trata simplemente de un culto juego de ingenio?” Eu, que me ponho a ler isso!

Los cirenaicos toman su nombre de Aristipo de Cirene, en África, que fue el fundador y jefe de esta escuela.” “Los cirenaicos expresaban con ello su especial subjetividad, y lo mismo hacían los cínicos; ambas escuelas persiguen, por tanto, en el fondo, una y la misma finalidad: la libertad y la independencia del individuo.” “Fue el primer socrático que cobró dinero por sus enseñanzas; fiel a este criterio, había enviado dinero a Sócrates para pagarle lo que había aprendido de él, pero sin que Sócrates lo aceptase.”

En Aristipo [o jovem, discípulo de Sócrates e do primeiro Aristipo], lo más importante es su carácter, su personalidad; los rasgos que de él se han conservado corresponden más bien a su tipo de vida que a sus doctrinas”

Cuando se nos dice que alguien hace del placer su principio, tenemos inmediatamente la impresión de que ese hombre es, en el disfrute del placer, un hombre dependiente y el placer, por tanto, contrario al principio de la libertad. Pero no es así como debemos representarnos ni la escuela cirenaica ni la escuela epicúrea, que mantienen, en conjunto, el mismo principio. Pues, por sí misma, bien podemos afirmar que la determinación del placer es un principio opuesto a la filosofía; pero, en cuanto que se hace de la formación del pensamiento la única condición bajo la que puede alcanzarse el placer, se mantiene a salvo la completa libertad del espíritu, ya que es inseparable de la formación de éste.”

Aristipo gozó, dice de él Diógenes [Laércio], del placer del presente, sin preocuparse de lo que no formaba parte de éste; sabía acomodarse a todas las situaciones, se encontraba bien en todas las circunstancias, lo mismo en las cortes de los reyes que en las más míseras condiciones de vida. Cuéntase que Platón le dijo una vez: sólo tú eres capaz de vestir lo mismo la púrpura que los andrajos. Pasó algún tiempo en la corte de Dionisio, donde gozaba de grandes simpatías, pero dando pruebas de una independencia cada día mayor; por eso Diógenes el Cínico le daba el nombre del ‘perro real’.” HAHAHA

Como una persona que quería confiarle la educación de su hijo encontrara demasiado elevada la suma de 50 dracmas que le pedía por sus enseñanzas y le dijera que con ese dinero podía comprar un esclavo, Aristipo le replicó: Hazlo, y así tendrás 2 esclavos, en vez de 1. Un día, le preguntó Sócrates: ¿de dónde tienes tanto dinero? A lo que replicó Aristipo: ¿y de dónde tienes tú tan poco? A una hetaira que le anunció que iba a tener un hijo de él, le contestó con estas palabras: es tan poco seguro que sea mío, como si, atravesando por un seto [uma cerca] de espinas, aseguraras saber cuál espina te ha picado.”

Habiéndole escupido Dionisio, lo soportó pacientemente y, a quienes le censuraban por ello, les dijo: si los pescadores dejan que les moje el mar para pescar unos cuantos pececillos, ¿cómo no voy a mojarme yo para pescar esta ballena? Como quiera que Dionisio lo invitara a elegir una hetaira entre 3, se quedó con las 3, diciendo que hasta Paris había arrostrado grandes riesgos por elegir de 3 una, pero al llegar al dintel de la casa, las dejó marchar a las 3.”

Se cuenta que llegó a pagar 50 dracmas (cerca de 20 florines) por una perdiz. A alguien que se burlaba de él, le preguntó: ¿no la habrías comprado tú por un óbolo? Sí, le contestó el otro, a lo que replicó Aristipo: pues bien, para mí 50 dracmas valen lo mismo. En una travesía al África, vio que a su esclavo se le hacía demasiado duro cargar con una determinada cantidad de dinero, y le dijo: arroja lo que te sobre y transporta solamente lo que puedas.”

A quienes, dedicándose al cultivo de otras ciencias, descuidaban la filosofía, los comparaba Aristipo a los pretendientes de Penélope en la Odisea, que podían llegar a poseer a Melanto y a las demás criadas, pero que jamás se adueñaron de la reina.”

Entramos con ello en un campo en el que 2 clases de determinaciones constituyen el interés fundamental en torno al cual giran las muchas escuelas socráticas que se forman, con excepción de las de Platón y Aristóteles, y principalmente las de los estoicos, los neoacadémicos, etc. (…) Y surge así la noción del sabio: lo que el sabio hace, lo que el sabio es, etc.”

SÉCULOS JOGADOS FORA: “Esta retórica acerca del sabio como ideal es muy general entre los estoicos, los epicúreos, etc., pero carece de sentido. Pues no se trata del hombre sabio, sino de la sabiduría del universo, de la razón real.” Talvez alguns homens devessem permanecer apenas nos jogos de linguagem!

Entre los cirenaicos de un período posterior hay que citar, en primer lugar, a Teodoro, quien se hizo célebre al negar la existencia de los dioses, lo que le valió el ser desterrado de Atenas. Ahora bien, este dato no tiene, en realidad, mayor interés, ni entraña tampoco ninguna significación especulativa, pues los dioses positivos cuya existencia negaba Teodoro no son tampoco, en cuanto tales, objeto de la razón especulativa.”

La rareza, la novedad o la saciedad del placer engendra en algunos placer, en otros fastidio o malestar. La pobreza y la riqueza no influyen para nada en lo agradable o lo desagradable, pues no vemos que los ricos gocen más o mejor que los pobres. También son indiferentes, en cuanto a ese resultado, la esclavitud y la libertad, la nobleza o falta de nobleza del nacimiento, la fama o la carencia de ella. Sólo al necio le importa vivir, al sabio le es indiferente” Heguesías, espécie de elo perdido entre os cirenaicos, cínicos e estóicos.

El sabio obra solamente en gracia a sí mismo; no considera igualmente digno de él a ningún otro. Por grandes que sean los beneficios que de otros reciba, nunca podrán igualarse a los que a sí mismo se debe.” (Estes trechos são paráfrases de Laércio)

Cuéntase que a Heguesías, que vivía en la ciudad de Alejandría, le fue prohibida la enseñanza por el Tolomeo que a la sazón ocupaba el trono, porque inculcaba a sus oyentes una indiferencia y un fastidio de la vida tan grandes que muchos de ellos se la quitaban.”

La amistad no debe cultivarse solamente por el provecho que pueda reportar, sino en gracia a la benevolencia a que ello conduzca; y, por amor hacia el amigo, deben aceptarse también las cargas y las molestias consiguientes” Aniceris

CÍCERO O REI DO POP: “la doctrina de los cirenaicos decae y se convierte más y más en una doctrina popular. Es éste, pues, el segundo viraje que se advierte en la trayectoria de la escuela cirenaica, ya que el primero consistió en saltar el principio mismo. Surge así un tipo de filosofía moral que más tarde predominará también en Cicerón y en los peripatéticos de su tiempo; no se conserva ya interés alguno en lo tocante a la consecuencia del pensamiento.”

Poco es lo que hay que decir acerca de los cínicos, ya que no imprimieron gran desarrollo a la filosofía ni supieron crear tampoco un sistema de las ciencias; fue más tarde cuando los estoicos se encargaron de elevar sus proposiciones a una disciplina filosófica.”

En este sentido, los cínicos se enfrentan, a primera vista, con los cirenaicos, pues mientras que éstos consideran el sentimiento como principio, aunque ampliado en términos de generalidad y de perfecta libertad en cuanto que tiene que ser determinado por el pensamiento, aquéllos arrancan de la libertad e independencia completas como determinación del hombre. Sin embargo, como esto es, en realidad, la misma indiferencia de la conciencia de sí mismo que Heguesías proclamara como la esencia, tenemos que los extremos del pensamiento cínico y del cirenaico se levantan por obra de su propia consecuencia, convirtiéndose en fases de transición del mismo pensamiento.”

La actitud negativa ante eso es, aquí, lo determinante, y este mismo antagonismo entre los cínicos y los cirenaicos lo veremos manifestarse, más tarde, entre los estoicos y los epicúreos.” “La escuela cínica no reviste importancia científica alguna; constituye solamente un momento histórico que tiene que darse necesariamente en la conciencia de lo general, a saber: el momento que consiste en que la conciencia, en su individualidad, se sepa libre de toda dependencia con respecto a las cosas y al disfrute.”

El primer cínico fue Antístenes, ateniense y amigo de Sócrates. Vivía en Atenas y enseñaba en un gimnasio llamado el Cinosargo; a este pensador se le conocía por el nombre del Simple Perro.” Os cínicos têm alguma fixação pelos cães!

La virtud se basta a sí misma y sólo necesita una cosa: la fuerza de carácter de un Sócrates. El bien es bello y el mal feo. La virtud consiste en obras y no necesita de muchas razones ni de doctrinas. El destino del hombre es llevar una vida virtuosa. El sabio se contenta consigo mismo, pues posee cuanto los demás parecen poseer. Le basta con su propia virtud; tiene por casa el mundo entero. Si no le rodea la fama, esto debe considerarse más bien como un beneficio que como un mal.” De novo a fonte é Laércio

Es, de nuevo, la aburrida retórica acerca del sabio, que más tarde recibirá nuevo incremento, hasta el fastidio, con los estoicos y los epicúreos. En este ideal, en que se trata del destino del sujeto, se considera como el camino hacia su consecución la mayor simplificación posible de sus necesidades.”

Antístenes es todavía una figura noble dentro del campo de la filosofía cínica. Pero no están ya lejos de ella la tosquedad, la vulgaridad de la conducta, el impudor que caracterizarán a los cínicos de una época posterior.”

La indumentaria del cínico era extraordinariamente sobria: un grueso garrote de olivo silvestre, un manteo agujereado y lleno de remiendos sin más ropa debajo y que, por las noches, hacía además de cama, un saco de mendigo para guardar los víveres más indispensables y un vaso para beber agua: tal era, sobre poco más o menos, el atuendo de los cínicos.” Se Laércio erra ou mente, nunca ficaremos sabendo como eram realmente os cínicos…

ya Sócrates considerara como una manifestación de vanidad la buscada pobreza de los cínicos en el vestir. ‘Como Antístenes pusiera al descubierto uno de los agujeros de su manteo, Sócrates le dijo estas palabras: <por el agujero de tu manteo veo tu vanidad.>’

El corte de mi levita se halla determinado por la moda, pero de ello se encarga el sastre; no es misión mía meterme a inventar en esta materia, pues hay, gracias a Dios, otros que lo hagan.”

Se le llamaba ‘el perro’, lo mismo que él había llamado a Aristipo ‘el perro real’, pues a Diógenes le ocurría con los muchachos de la calle lo mismo que a Aristipo con los reyes.”

Sabido es que arrojó para siempre el vaso, cuando vio a un muchacho beber en las manos.”

Este filósofo rondaba por todas partes, viviendo a la ventura: en las calles y plazas de Atenas, en un tonel; ordinariamente, pasaba el tiempo e instalábase a dormir en la Stoa de Júpiter, en Atenas, diciendo que los atenienses le habían construido una magnífica residencia.”

Antístenes y Diógenes vivieron en Atenas, y sólo podían existir allí. Pero, en general, para que haya cultura es necesario que el espíritu se oriente hacia la más grande variedad de necesidades y de modos de satisfacerlas. Las necesidades se han multiplicado mucho en los tiempos modernos, y esto hace que las necesidades generales se dividan en muchas necesidades especiales y en muchos modos especiales de satisfacerlas; esto forma parte también de las actividades del entendimiento, entre las cuales encuentra cabida el lujo.”

Lo único que de Diógenes podemos referir son anécdotas. En un viaje por mar a Egina cayó en poder de los piratas, quienes decidieron venderlo como esclavo en Creta. Preguntado acerca de lo que sabía hacer, contestó: ‘mandar sobre hombres’ y pidió al heraldo que pregonase: ¿quién quiere comprar amo? Lo compró un tal Jeníades de Corinto, cuyos hijos recibieron sus enseñanzas.”

Diógenes estaba, un día, lavando una col [couve] cuando acertó a pasar por delante de él Aristipo, y le gritó a éste: si supieses lavar tú mismo la col, como yo lo hago, no andarías corriendo detrás de los reyes.”

Cuando le daban una paliza, [surra] lo que debía ocurrir con harta frecuencia, a juzgar por las muchas anécdotas que acerca de ello circulaban, se ponía grandes parches sobre las heridas y escribía encima los nombres de los agresores, para exponerlos de este modo a la censura de todos. Cuando los muchachos de la calle le rodeaban y le decían, para irritarlo: ‘tenemos miedo a que nos muerdas’, les replicaba: ‘no tengáis cuidado, pues los perros no comen acelgas.’ En una comida, uno de los comensales se dedicó a arrojarle huesos, como a los perros; entonces, el filósofo se fue hacia él, levantó la pierna y lo meó, como un can.”

Antístenes y Diógenes eran, como hemos visto, hombres de espíritu muy cultivado. Los cínicos que vienen después producen también indignación por sus extremos de desenfado; no son, por lo demás, sino repugnantes mendigos a quienes produce indecible satisfacción irritar a los demás con sus desvergüenzas. No hay para qué tenerlos en cuenta en una historia de la filosofía, y merecen en el pleno sentido de la palabra el nombre de ‘perros’ que en tiempos se dio a esta escuela filosófica, pues el perro, esta bestia desvergonzada, caracteriza plenamente su modo de ser.” Parte talvez mais inútil, mas a mais engraçada do livro!

Era tío suyo, hermano de su madre por línea paterna, aquel famoso Critias, que había mantenido también trato con Sócrates durante largo tiempo y que era, sin duda alguna, el más inteligente, el más espiritual y, por tanto, el más peligroso y el más odiado de los Treinta Tiranos de Atenas. Los antiguos suelen citar el nombre de Critias al lado de los del cirenaico Teodoro y de Diágoras de Melos, entre los de los que negaban a los dioses (…) A un hombre como Platón, nacido en el seno de tan noble familia, no podían faltarle los medios necesarios para su educación. Recibió de los más prestigiosos sofistas de su tiempo una enseñanza que desarrolló en él todas las aptitudes que cumplían a un ateniense. El nombre de Platón lo recibió más tarde, de su maestro; su familia le había dado el de Aristocles.”

Después de ahondar en el estudio de la filosofía, perdió el interés por la poesía y los negocios públicos y los abandonó totalmente para dedicarse por entero a las ciencias. Cumplió con sus deberes militares como ateniense; al igual que Sócrates, se dice que tomó parte en 3campañas.”

La Academia era un bosquecillo o paseo consagrado al héroe Academo, en el cual se levantaba un gimnasio. Pero el verdadero héroe de la Academia acabó siendo Platón, quien desplazó el antiguo significado del nombre de este lugar y oscureció al héroe a quien estaba consagrado, haciendo que pasara a la posteridad bajo la égida y la gloria del suyo propio.”

El tirano de Siracusa era uno de esos hombres mediocres que aunque, en su medianía, aspiren a la gloria y a los honores, no llegan a ser nunca profundos ni son capaces de nada serio, sino que aparentan, simplemente, serlo y carecen de toda firmeza de carácter; un querer y no poder, como esos personajes que la ironía moderna lleva a la escena, que creen ser virtuosos y excelentes y que no son, a la verdad, más que bribones. Una relación como la que Platón se proponía era irrealizable, pues sólo las medianías se dejan guiar por otros, pero, al mismo tiempo que dan pie para la realización de tales planes, los llevan siempre al fracaso.”

Platón abandonó, pues, la corte de Siracusa; sin embargo, después de la separación ambos sintieron la necesidad de volver a verse. Dionisio llamó de nuevo a su corte al filósofo, pues no podía hacerse a la idea de no haber sabido ganarlo por entero para sí; encontraba insoportable, sobre todo, el hecho de que Platón no quisiera abandonar la amistad de Dión. Platón cedió a las instancias tanto de su propia familia y de Dión, como, principalmente, a las de Arquitas y otros pitagóricos de Tarento, a quienes había recurrido Dionisio y que se interesaban por lograr una reconciliación entre el tirano, Dión y Platón; salieron, incluso, garantes de su seguridad y libertad, decidiendo, así, al filósofo a ponerse de nuevo en viaje. § Dionisio no podía soportar ni la presencia ni la ausencia de Platón, y no cabe duda de que la primera le producía embarazo.”

En nuestro tiempo, en estos últimos 30 años, se han redactado también muchas constituciones nuevas; es ésta una tarea fácil de realizar para quien se halle habituado a esta clase de trabajos. Sin embargo, el talento teórico no basta para redactar una constitución viable, pues los que las hacen no son los individuos, sino algo espiritual, algo divino, que se realiza a través de la historia.”

Platón vivió honrado en todas partes, sobre todo en Atenas, hasta el primer año de la 108ª Olimpíada (348 a.C.). Murió el día en que cumplía años, en un banquete de bodas, a los 81 de edad.”

esta filosofía ha sido concebida en cada época de distinto modo y ha sufrido, sobre todo, las ingerencias y tergiversaciones de manos muy torpes en los tiempos modernos, que no han tenido inconveniente en introducir en estos escritos sus propias concepciones, incapaces de captar espiritualmente lo espiritual, o considerando como lo más esencial y más notable de la filosofía platónica lo que, en realidad, no pertenece al campo de la filosofía, sino al modo de pensar o de representarse las cosas; pero, en rigor, es el desconocimiento de la filosofía lo que entorpece la comprensión de la filosofía platónica.” Que ironia, já que Hegel põe Platão abaixo de Aristóteles e não reconhece sua verdadeira grandeza!

Hacer de él algo insuperable, como el punto de vista en que nosotros mismos deberíamos situarnos, es una de las debilidades propias de nuestro tiempo.” Basta substituir debilidades por forças ou qualidades e vemos o quanto H. acertaria em cheio! A roda do tempo não perdoa, e hoje gostaríamos de poder ter ao menos a força de suportar esse pensamento: usar Platão como uma estrela-guia. O pós-modernismo é fraco demais, mas tem, melhor que a época de Hegel, esse arrependimento vivo no lugar da hipocrisia etnocêntrica.

Así como en pedagogía algunos aspiran a educar al hombre para precaverlo contra el mundo, es decir, para que se encierre en un círculo aparte —por ejemplo, en un despacho, o viva idílicamente plantando y cultivando habas—, en el que no sepa nada de lo que pasa en el mundo ni tome conocimiento de él, así también en la filosofía se ha retornado a la fe religiosa y a la filosofía platónica.

Estaría justificado el tratar de retornar a Platón para volver a aprender de él (la idea de la filosofía especulativa); pero es una tontería expresarse en términos tan hermosos, a gusto y antojo del que escribe, acerca de la belleza y la excelencia de estos escritos.”

Sobre todo, las disquisiciones literarias del señor Schleiermacher, [justo as que Luisa Buarque recomendou] los sondeos críticos que se hacen para averiguar si estos o los otros diálogos secundarios son auténticos o apócrifos (pues acerca de los principales apenas dejan lugar a dudas los testimonios de los autores antiguos), son absolutamente superfluos en filosofía y nacen, en realidad, de ese espíritu hipercrítico tan característico de nuestra época.”

DESCONSTRUINDO O MITO DOS <DOIS PLATÕES>: “Para comunicar algo puramente externo no se necesita mucho, pero para transmitir a otro una idea hace falta habilidad, y ésta es siempre algo esotérico; por eso los filósofos no son ni pueden ser nunca simplemente exotéricos. Estas no pasan de ser nociones puramente superficiales.”

La filosofía no es, pues, algo individual, como una obra de arte; y tampoco de ésta puede decirse que lo sea nunca en absoluto, pues también el artista recibe de otros y desarrolla por cuenta propia, al ejercerlas, las aptitudes artísticas. La invención del artista, su inspiración, es el pensamiento de su todo y la inteligente aplicación de los medios con que se encuentra, ya preparados; los motivos directos de inspiración y las verdaderas invenciones pueden ser infinitos.”

La forma externa incluye, en primer lugar, la escenografía y el elemento dramático. Platón sitúa sus diálogos en un ambiente de realidad, en lo tocante al medio en que se desenvuelven y a los personajes que en ellos intervienen, y toma siempre como punto de partida un motivo individual, que reúne a los personajes y da un carácter de verosimilitud muy agradable y abierto a sus coloquios. El personaje principal, en estos diálogos, es Sócrates; entre los demás interlocutores aparecen muchas primeras figuras conocidas de nosotros, tales como Agatón, Zenón, Aristófanes, etc. El autor nos sitúa, además, en un lugar concreto: el Fedro (p. 229 Steph., p. 6 Bekk.) se desarrolla a la sombra de un plátano junto a las claras aguas del Iliso, que Sócrates y Fedro cruzan; otros diálogos tienen por escenario los pórticos de los gimnasios, la Academia, la sala en que se celebra un banquete. Mediante el recurso de no intervenir nunca personalmente, poniendo siempre sus pensamientos en boca de otros personajes, Platón logra suprimir totalmente en sus diálogos lo que pudiera haber en ellos de tesis, de elemento dogmático. Tampoco aparece en los diálogos platónicos un sujeto encargado de narrar, como en la historia de Tucídides o en los poemas de Homero. Jenofonte

aparece, a veces, en persona y, a veces, deja traslucir claramente su intención de justificar por medio de ejemplos la doctrina y la vida de Sócrates. En Platón, por el contrario, todo es absolutamente objetivo y plástico, y le vemos desplegar un gran arte para evitar todo lo que sea puramente expositivo, desplazándolo a veces, incluso, a la tercera o cuarta persona.”

Pero esta urbanidad no debe confundirse con el temor a herir susceptibilidades, sino que lleva consigo, por el contrario, una gran valentía y una gran franqueza, y es esto precisamente lo que constituye el encanto de los diálogos platónicos.”

Ocurre aquí como en el repaso del catecismo: las respuestas están establecidas de antemano, sin el menor margen de sorpresa, pues el autor hace que los personajes contesten como él cree que deben contestar. Y las preguntas suelen estar formuladas en un tono tan perfilado, tan tajante, que sólo pueden contestarse en términos muy simples; y en esto estriba precisamente la grandeza y la belleza de este arte literario del diálogo, que es, al mismo tiempo, lo que lo hace aparecer tan sencillo.”

A época de Hegel não tinha os pré-requisitos para entender a Idéia.

A CRÍTICA QUE VIROU ELOGIO: “Sin embargo, en los conceptos platónicos puros no aparece superada la representación como tal: o bien no se dice que estos conceptos sean su esencia, o no son, para Platón, otra cosa que una representación, y no algo esencial”

El concepto adulto no necesita ya apoyarse en el mito.”

SOBRE O ‘GOVERNO DOS FILÓSOFOS’ (OU RUDIMENTOS DE UMA CIÊNCIA POLÍTICA AINDA NÃO INICIADA EM 2021): “Y Platón pone en boca de Glaucón la siguiente réplica: ‘Has pronunciado, ¡oh Sócrates!, palabras tales y has expresado cosas, que necesariamente debes suponer que una muchedumbre de hombres, y no malos, están dispuestos a arrojar sus mantos y echar mano de la primera arma que tengan a su alcance para marchar en filas cerradas contra tí; y, como no consigas aplacarlos con razones, te aseguro que lo pagarás muy caro.’ (libro V).

Platón proclama aquí, pura y simplemente, la necesidad de unificar la filosofía y el gobierno. Puede considerarse, sin duda, como una gran arrogancia esto de postular que se confíe a los filósofos el gobierno de los Estados, pues una cosa es el terreno de la historia y otra cosa muy distinta el terreno de la filosofía. Es cierto que en la historia debe manifestarse la idea como el poder absoluto; dicho en otras palabras: Dios gobierna el universo. Pero la historia es la idea realizada por la vía natural, no con la conciencia de la idea. Es verdad que se obra con arreglo a los pensamientos generales del derecho, de la moral, de lo grato a Dios; pero no hay que olvidar tampoco que, en sus actos, el sujeto busca también, como tal, la consecución de sus particulares fines. La realización de la idea se lleva a cabo, por tanto, mediante una mezcla de pensamientos y conceptos con fines inmediatos y particulares, de tal modo que esa realización sólo se produce, de una parte, mediante el pensamiento y, de otra parte, a través de las circunstancias, de los actos humanos, en cuanto medios. Con frecuencia, estos medios parecen ser contrarios a la idea, pero esto no perjudica en nada a su realización, pues todos aquellos fines determinados y concretos no son sino los medios empleados para producir la idea, ya que ésta es el poder absoluto. Por tanto, la idea acaba realizándose en el mundo, quiérase o no; pero para ello no hace falta que los gobernantes obren movidos por una idea.

Sin embargo, para poder juzgar el postulado platónico de que los regentes de los pueblos deben ser filósofos hay que tener en cuenta, indudablemente, qué hay que entender por filosofía en sentido platónico, y en general, en el sentido de aquel tiempo. (…) la filosofía platónica es, por tanto, la conciencia de lo verdadero y justo, en y para sí, la conciencia y la vigencia de fines generales dentro del Estado.”

COMO SEMPRE, PORÉM, HEGEL TIRA 10 NOS PROLEGÔMENOS E UM 0 NOS FINALMENTES: “Ahora bien, a lo largo de toda la historia, a partir de las grandes migraciones de los pueblos, en que la religión cristiana se convirtió en la religión universal, no ha habido otra preocupación que la de implantar en la realidad el reino de lo suprasensible, el reino de lo que empezó existiendo solamente para sí, este algo general y verdadero en y para sí, y la de determinar la realidad con arreglo a ello.”

ESCRAVO DA ADMINISTRAÇÃO GERMÂNICA: “Un ejemplo de lo que, en su tiempo, podía hacer un filósofo en el trono lo tenemos en Marco Aurelio; lo único que ha quedado de él en la historia son actos de carácter privado, y no puede decirse que el imperio romano haya ganado nada con el gobierno de este emperador. Federico II, en cambio, ha sido llamado con razón el rey-filósofo.”

Y si se le sacara de la caverna, quedaría cegado por la luz del sol y, deslumbrado con tanta claridad, no podría ver las cosas que llamamos reales y odiaría a quien le hubiese arrastrado hasta la luz, como se odia a quien nos ha arrebatado la verdad, deparándonos en cambio sólo dolor y pena.” Ao invés de mero joguete de uma má consciência (como é levado a crer freqüentes vezes em seus primeiros encontros com o absurdo e o tragicômico, principalmente na infância, adolescência e juventude), o filósofo é o único que vive verdadeiramente. Quantos milhares de seres humanos eu já não conheço com alguma certidão que vivem apenas nas aparências mais foscas?

Hay hombres que gustan de mirar y escuchar, que aman las bellas voces y las formas y colores bellos y todo lo formado por ellos, pero cuyo pensamiento es incapaz de ver y amar lo que hay de bello en la naturaleza.”

¿Qué es la vida para el hombre que, aun reputando las cosas por bellas, no es capaz de captar la belleza misma ni de seguir a quien quiera iniciarle en el conocimiento de ella? ¿Una realidad o un sueño? Fíjate bien. ¿Qué es soñar? ¿No es, ya se duerma o se esté despierto, tomar la imagen de una cosa por la cosa misma?”

La obra iniciada por Sócrates fue llevada a cabo por Platón, quien sólo reconoce como esencial lo general, la idea, lo bueno. Mediante la exposición de sus ideas, Platón puso al descubierto el mundo intelectual, pero sin ver en él un mundo situado más allá de la realidad, en el cielo, en un lugar distinto, sino el mundo real, del mismo modo que Leucipo había acercado lo ideal a la realidad, sin colocarlo—metafísicamente—detrás de la naturaleza. La esencia de la teoría de las ideas ha de buscarse, por tanto, en la concepción de que lo verdadero no es lo que existe para nuestros sentidos, sino que el verdadero y único ser del mundo está en lo determinado de suyo, en lo general en y para sí: el mundo intelectual es, por tanto, lo verdadero, lo digno de ser conocido, lo eterno, lo divino en y para sí. Las diferencias no son esenciales, sino simplemente transitorias; sin embargo, lo que Platón llama absoluto es, al mismo tiempo, como algo único e idéntico consigo mismo, algo concreto de suyo, en cuanto que es un movimiento que retorna a sí mismo y que permanece eternamente cabe sí. Y el amor por las ideas es lo que Platón llama entusiasmo.” Um lugar aqui mesmo, no mundo das aparências, em que os sábios podem conferenciar entre si, sem medo de estarem falando com espectros (solipsistas em alucinação): o termo médio em que os privilegiados realmente se entendem, porque a natureza do saber é Una.

El segundo error con que nos encontramos, en lo tocante a las ideas, consiste, no en situarlas fuera de nuestra conciencia, sino en considerarlas como ideales necesarios para nuestra razón, pero cuyos productos ni tienen realidad ahora, ni pueden llegar a adquirirla nunca.” Aí já depende, meu caro Hegel: do que estamos falando? De simples ‘discussões triviais entre filósofos’ (sobre um mundo-verdade e um mundo das aparências)a – o que é relativamente simples de imaginar que se possa ter cotidianamente, pois muitos são os filósofos, embora sejam minoria, e qualquer filósofo concebe esta distinção bem, ou não seria, por definição, filósofo –; ou do Bem e da Justiça? Porque estes seriam sóis, realmente meras figuras de linguagem, inobteníveis a não ser que estejamos falando de seres muito crédulos e supersticiosos, pasme, maioria deles filósofos!

a Quem está acostumado com a refutação nietzschiana de um mundo-verdade pode ter ficado confuso com este parágrafo – mas alto lá! Um mundo-verdade cristalizado e eterno na acepção chinfrim de frades, é a isto que Nie. objetava! (‘Chega deste Bem, unilateral, estilizado! Para esta concepção ultrapassada, ofereço uma nova discussão, que vá além deste bem e deste mal, mal condicionado por esta visão de bem tão limitada, mal que está prestes a se tornar universal no meio acadêmico ocidental! Só assim é que poderemos recomeçar com coisas sérias! Os idiotas saturaram o nosso meio, o nosso mundo-verdade vivo, precisamos recolher o lixo – são 23:59, mas amanhã é um novo dia!’ – Esta é uma paráfrase bem realista de um Nie. mais direto ainda do que estamos acostumados a ler, se explicando para quem tiver olhos e ouvidos.) Mas o mundo-verdade exclusivo da mentalidade dos filósofos (dos filósofos verdadeiros, palavra tão desvalorizada com o tempo!) nada tem de ossificado e estável – simplesmente porque é orgânico e cambiante enquanto o filósofo vive individualmente e enquanto a raça dos filósofos vive coletivamente, jamais sendo igual a si mesmo – isso! –, um mundo-verdade riacho heraclítico! Uma verdadeira imagem do inferno para o ante-filósofo, um quadro expressionista, tolices e nada mais (estou falando novamente daquele que não tem acesso ao privilégio, o prisioneiro da caverna de Platão). Exemplo: Posso discutir com o Pablo (outro esclarecido) sobre o ser-do-ente e o ser-aí, mas nunca poderemos propor uma síntese da condição humana ou um propósito para a existência – essa faculdade está além de qualquer evento da existência, de qualquer conciliábulo entre os grandes filósofos da História mesmo que se pudessem reunir num auditório além do tempo. De tal encontro nada sairia além do que sói acontecer nas noitadas de bar das gentes mais simples. Mas Hegel imaginou que continha esta sementinha em suas mãos, quanta candura! O girassol escolhido pelo Espírito do Mundo – perfume dos perfumes, essência das essências! ‘Não pedi para nascer no lugar e no tempo certos, mas nasci…’, seria mais ou menos o que ele teria a dizer a respeito de tão imensa (e grata, para ele mesmo) coincidência… O primeiro falastrão europeu a poder dizê-lo, bem como o último!

Parafraseando Górgias, ainda que fosse possível combinar entre alguns entes um propósito para a existência, este acordo simplesmente não seria fechado nem posto em prática! Mas a verdade é que faltam inclusive as condições de possibilidade dessa suposta negociação – mesmo que houvesse um ente em algum ponto capaz de levantar um propósito universal (o que já seria absurdo), ele sequer saberia como formulá-lo em sua mente; e se, mais incrível ainda, houvesse dois desses seres, separados por várias gerações e milhares de quilômetros, e mesmo se eles pudessem conversar fluentemente num mesmo idioma numa representação miraculosa em que coabitariam o mesmo universo, digo, o mesmo cômodo, e poderiam até se tocar, conversar por alguns instantes –– mesmo assim, ainda assim, esses dois seres acabariam apenas gastando saliva, quem sabe brigando feio, indo às vias de fato! Supondo que se concedesse ainda o fato de ambos estarem munidos da idéia perfeita e entrarem em harmonia absoluta entre si, ainda assim eles se esfumariam de sua sala metafísica logo após este evento único da ‘pós-História universal hegeliana’ e não poderiam contar as novas para a humanidade – QUE PENA! Não estava na lista das coisas que as Parcas coseriam, definitivamente… Não, o jogo do filosofar é infinito, e Platão o sabia.

A forma ansiosa do filósofo é como ele se apresenta externamente, no mundo das aparências. O “ser” do filósofo é o anti-ansioso por excelência: ele não quer se apressar a um fim, a conclusões, ele aproveita as raquetadas do jogo! Legislador ou não (de toda forma no capitalismo é impossível), o filósofo sempre foi e sempre será pelo menos o que hoje se convenciona chamar de artista em sua arte do filosofar… É sem dúvida um jogo que se joga a sua maneira, mas essa maneira, essas regras, são idênticas para todo filósofo sério, que joga. E ainda há espaço de sobra para idiossincrasias nesses torneios e nessas justas: Roger Federer, Nadal, Sampras, Rod Laver, Borg, John McEnroe, todos eles tinham suas técnicas e estilos bem diferentes, embora compartilhassem um mesmo fim enquanto dentro da quadra… Como tenista metafísico, Hegel é um menino mimado que perde para o paredão, seu único adversário. Como poderia ele superar Platão só de boca, sem experimentar jogar contra ele? O engraçado é que os piores filósofos foram os únicos que tiveram match points. Todos perderam, entretanto…

É preciso imaginar um jogo de reflexão cansativo, mas em que a massagem poderia nos restituir à partida, sem que jamais abandonássemos o confronto… Seria este o Sísifo contente que Camus figurou?! E mesmo ele passou o jogo inteiro pensando que o principal era definir se desistia ou não…

Falando em existencialistas, esse podia muito bem ser o parágrafo que inspirou Sartre a intitular sua magnum opus: “La opinión [quando, na história da metafísica, a metafísica essencial começa a ficar chata, e o tenista prefere se desconectar do jogo, dar uma viajada, i.e., dar maior peso às aparências] es, por tanto, lo intermedio entre la ignorancia y la ciencia [o impossível] y su contenido una mezcla del ser y la nada.” Chamemos esse tênis espiritual de LIMBOBOL! Seria, para continuar nesta alegoria que acabo de inventar, como se alguém da arquibancada se levantasse e desafiasse um tenista profissional – e para calamidade de todos conseguisse fazer frente a ele, por um set inteiro! Filosofar com opiniões… Uma tarde (Zeitgeist) bem atípica, daquelas de que se poderá dizer: há tempo e lugar para tudo nesse mundo ao menos uma vez…

Pensamento único como lobby único do jogador! Você pode até ter e tentar outros, mas é aquele que o levará mais longe, e entrará para a história como sua marca registrada

el Menón, donde afirma (pp. 81, 84 Steph.; pp. 349, 355-356 Bekk.) que, en rigor, no puede aprenderse nada, sino que el aprender es siempre, simplemente, recordar lo que ya sabíamos, sin que la perplejidad en que la conciencia se ve sea otra cosa que el excitante para ello.”

HEGEL NÃO ENTENDEU QUE A REMINISCÊNCIA É OUTRA FIGURA DE LINGUAGEM PLATÔNICA (de todo modo, não seria tabula rasa, mas tabula funda, assim como a intelecção em Kant): “Esta relación puramente externa, en que el alma aparece como tabula rasa, algo así como el proceso de vida, en que se representa el crecimiento por incorporación de nuevas partículas, es algo muerto y no cuadra a la naturaleza del espíritu, que es subjetividad, unidad, ser cabe sí [Beisich-Sein] y permanencia.”

el aprender es este movimiento, en el que no se incorpora a él nada extraño sino que es su propia esencia la que cobra ser para él o se eleva a su conciencia.”

Claro está que la palabra ‘recuerdo’(*) es, en un sentido, una expresión poco afortunada:¹ concretamente, en el sentido en que alude a la reproducción de una representación que se ha tenido ya en otro tiempo

(*) “Hegel analiza aquí el término Erinnerung, que sí tiene el origen que él le atribuye, [o 2º sentido, após o 1º sentido evidenciado nesta passagem, o de mergulhar em si mesmo] implícito también en el prefijo ‘re’ del término castellano [E.].”

¹ É uma expressão muito afortunada, H.!

² Implicações ‘reminiscência – eterno retorno’. Não existe um Espírito que começou ex nihilo e ainda não se desenvolveu completamente. O mundo já é perfeito e tudo é ‘sabido’ no fenômeno, não importa se no ‘passado’ ou no ‘futuro’, já que o tempo em si não existe (apenas para o indivíduo em questão). Só que o indivíduo não é o filósofo, i.e., é só o recipiente carnal do conhecimento filosófico, objetivo, uno.

Sin embargo, no puede negarse que, en Platón, la palabra ‘recuerdo’ presenta con frecuencia el primero de los dos sentidos, o sea el sentido empírico. Ello se debe a que Platón expone, a veces, por vía de representación y de un modo mítico el verdadero concepto de que la conciencia es, en sí misma, el contenido del saber, por donde se presenta precisamente aquí la confusión entre la representación y el concepto a que nos referíamos antes.”

El esclavo hace, simplemente, que la conciencia brote de su interior, como si se limitara a recordar algo que ya sabía y que había olvidado.

Ahora bien, cuando Platón llama recuerdo a este hecho de que la ciencia brote de la conciencia, va implícito en ello el criterio de que este saber tiene que haber existido realmente, alguna vez, en esta conciencia, es decir, de que la conciencia concreta tiene por contenido este saber no solamente en sí, por su esencia, sino también en cuanto tal conciencia concreta, y no como conciencia general. Pero este momento de lo concreto forma simplemente parte de la representación, y el recuerdo no es pensamiento, pues el recuerdo se refiere al hombre como a un éste sensible, no de un modo general.” Hegel se atém a detalhes técnicos de zero importância. E é surpreendente que leve tão a sério o signo lingüístico nesta ocasião, quando constatamos o que escreveu na Enciclopédia (ver post anterior estrelando Derrida)…

Representa, por tanto, aquel ser en sí del espíritu bajo la forma de un ser antes en el tiempo, como si lo verdadero hubiese existido ya para nosotros en un tiempo anterior. Pero, al mismo tiempo, hay que advertir que Platón no presenta esto como una doctrina filosófica, sino bajo la forma de una leyenda recibida por él de algunos sacerdotes y sacerdotisas, es decir, de gentes que conocen lo que es lo divino.

Este mito se desarrolla de un modo brillante en otros diálogos. Es siempre, evidentemente, el mismo sentido usual del recuerdo, según el cual el espíritu del hombre ha visto en el pasado lo que ahora se revela a su conciencia como algo verdadero, que es en y para sí. Pero, aquí, Platón se esfuerza fundamentalmente en demostrar, mediante esta tesis de la reminiscencia, que el espíritu, el alma, el pensamiento son libres en y para sí; y esto, entre los antiguos y principalmente en la representación platónica, guarda una relación directa con lo que nosotros llamamos la inmortalidad del alma.”

En el Fedro (p. 245 Steph.; p. 38 Bekk.) habla Platón de esto, para demostrar que el eros es una divina locura que nos ha sido dada para nuestra mayor dicha. Trátase de un entusiasmo que entraña una poderosa orientación hacia la idea, tan fuerte que lo domina todo: pero no entusiasmo del pecho y de la sensación, no una intuición, sino una conciencia y un saber de lo ideal.”

Para Platón la inmortalidad del alma se halla directa e indisolublemente relacionada con el hecho de que el alma es, de suyo, [cabe sí!] lo pensante; por donde el pensamiento no es una cualidad del alma, sino su sustancia. Ocurre como con el cuerpo, en que la gravedad no es tampoco una cualidad, sino su sustancia: así como el cuerpo deja de existir si se le quita la gravedad, el alma ya no existe cuando cesa en ella el pensamiento.” “Así, la inmortalidad no tiene, en Platón, el interés que tiene para nosotros desde un punto de vista religioso (…) en él, se halla relacionada más bien con la naturaleza del pensamiento, con esta libertad interior del mismo”

Se parece el alma a una fuerza nacida en dos: en un tronco de alígeros caballos y en un cochero.”

Un alma total tiene a su cuidado todo lo inanimado, hace la ronda en todo el cielo y nace en diversas partes con diversas formas visibles. Cuando está en forma perfecta y alada, marcha por las alturas y gobierna todo el universo; mas cuando se le caen las alas, va atraída hasta que se apodere de ella algo sólido. Ahí pone casa, toma térreo cuerpo que parecerá moverse a sí mismo en virtud de la fuerza del alma; a este conjunto total de alma y cuerpo compacto se le dio el nombre de viviente y recibió el apelativo de mortal.”

HEGEL MUTILA PLATÃO PARA SEUS PROPÓSITOS (no self-service, escolhe apenas o que gosta, não o que seria nutritivo): “Es ésta una gran definición de Dios, una gran idea, que no es, por lo demás, otra cosa sino la definición de los tiempos modernos: la identidad de lo subjetivo y lo objetivo, la inseparabilidad de lo ideal y lo real, es decir, concretamente, del alma y el cuerpo.”

Ahora bien, al caer en este estado, el alma conserva un recuerdo de lo que ha visto, y cuando contempla algo bello, justo, etc., se deja arrebatar por el entusiasmo. Las alas recobran su fuerza, y el alma, sobre todo la del filósofo, se acuerda de su estado anterior, en el que no contempló simplemente algo bello, algo justo, etc., sino la belleza y la justicia misma.”

Pero cuando Platón habla de la ciencia como de un recuerdo, lo hace con la conciencia expresa de que esto no pasa de ser símiles y metáforas; no como los teólogos, quienes tomaban muy en serio la pregunta de si el alma habría tenido una existencia anterior a su nacimiento, y dónde. (…) ni se refiere tampoco a una caída de un estado perfecto, como si el hombre hubiese de considerar esta vida como una prisión, etc., sino que lo que Platón expresa como lo verdadero es que la conciencia es en él mismo, en la razón, la esencia y la vida divinas, que el hombre la contempla y conoce en el pensamiento puro y que este conocimiento es, precisamente, esta misma estancia y este mismo movimiento divinos.”

Lo que en el Fedro aparece nítidamente deslindado como mito y como verdad, no aparece del mismo modo en el Fedón, el famoso diálogo en que Platón hace hablar a Sócrates de la inmortalidad del alma. Siempre se ha considerado como algo verdaderamente admirable el hecho de que Platón anude esta investigación a la historia de la muerte de Sócrates.”

al hombre que va a morir es al que mejor que a nadie le cuadra ocuparse de sí mismo en vez de pensar acerca de lo general, de esta certeza de sí mismo, como de un éste concreto, en vez de ocuparse de la verdad. Por eso, aquí vemos cómo se separan menos que en parte alguna los caminos de la representación y del concepto; sin embargo, la representación con que aquí nos encontramos dista mucho de descender hasta ese nivel de tosquedad en que se representa el alma como una cosa y en que se pregunta, como si se tratara, en efecto, de una cosa, por su duración o su existencia.”

una armonía que escuchamos no es otra cosa que un algo general, un algo simple, formado por la unidad de elementos distintos; pero esta armonía se halla vinculada a una cosa sensible y desaparece con ella, como la música de la lira al desaparecer este instrumento. (…) La armonía sensible presenta, además, distintos grados de afinación y, en cambio, la armonía del alma no revela ninguna diferencia cuantitativa.”

Por lo que se refiere ahora a la educación y formación del alma, es éste un punto que guarda relación con lo anterior. Es necesario, sin embargo, no concebir el idealismo de Platón como un idealismo subjetivo, como aquel idealismo malo que, sin duda, se presenta en los tiempos modernos, como si el hombre no fuese capaz de aprender nada ni fuese determinado exteriormente, sino que todas las representaciones emanasen del sujeto.” H. pensa que está se referindo a Kant, mas não está.

Sobre o conteúdo do parágrafo acima referente unicamente à formação do filósofo em Platão: há um Estado em que essa formação é facilitada, mas esse Estado nunca aconteceu historicamente (e não estamos aqui repetindo Platão, afirmando que até sua Atenas isso não ocorrera – estamos dizendo que nenhum Estado-nação moderno o logrou). A República de Platão é este Estado.

Esta noción, según la cual el saber viene íntegramente de fuera, aparece sostenida en los tiempos modernos por ciertos filósofos empíricos completamente abstractos y toscos, quienes han afirmado que todo lo que el hombre sabe de lo divino lo sabe por obra de la educación y del hábito y que el espíritu no es, por tanto, sino una posibilidad totalmente indeterminada. El punto extremo de esto es la doctrina de la revelación, según la cual todo es infundido desde fuera.” Já aqui H. fala de forma tão áspera que só posso imaginar que se refira aos ingleses e escoceses, e não a Kant, sem sequer dar-se ao trabalho de citar nomes!

AUTOJUSTIFICATIVA DE H. SE DECLARAR UM CALVINISTA: “En la religión protestante, no existe esta tosca noción, por lo menos de este modo abstracto; la fe requiere aquí, esencialmente, el testimonio del espíritu, es decir, que el espíritu subjetivo individual, en y para sí, contenga y establezca de suyo esta determinación, que sólo se le inculca bajo la forma de un algo exteriormente dado.”

DE VOLTA AO VII DA REPÚBLICA: “La razón enseña que en cada cual vive la capacidad inmanente de su alma y el órgano por medio del cual aprende. En efecto, como si el ojo sólo fuese capaz de volverse de las sombras a la luz con todo el cuerpo, así debe volverse el hombre con todo el alma de lo que acaece hacia el ser, hasta que sea capaz de resistirlo y contemplar la suprema claridad del ser.”

El equívoco está en que un contenido no es el verdadero por el mero hecho de que se incorpore a nuestro sentimiento. Por eso, la gran enseñanza de Platón consiste en sostener que el contenido sólo se llena a través del pensamiento, puesto que es lo general, que sólo puede captarse mediante la actividad del pensamiento. Este contenido general es precisamente lo que Platón determina como la idea.” Feuerbach se sentiria devastado caso H. fosse vivo e o rebatesse com este parágrafo.

La otra especie, [la de lo pensado en el alma misma] es aquélla en que el alma parte de una hipótesis y recorre el camino hasta un principio libre de toda hipótesis, sin necesitar de las imágenes como en el primer caso y procediendo únicamente mediante las ideas mismas”

Aquellas figuras que los geómetras dibujan y describen y que se reproducen también ya en su sombra ya en las aguas, las emplean como otras tantas imágenes y tratan de conocer por ellas los originales, que sólo pueden ser vistos por medio de la inteligencia.”

mundo verdade, mundo-vedado.

Acima da ciência baconiana, o axioma; acima do axioma, a ontologia sábia.

Conhecimento que necessite e possa ser provado é um degrau muito inferior quando o assunto é Primeira Filosofia. Quando notamos a importância que os geômetras gregos tinham para Platão, notamos por que a matemática não pode ser considerada uma ciência moderna, embora seja o protótipo para todos os campos empíricos da atualidade. Além das formas e figuras abstratas, entretanto, jaz o que só aqueles capacitados para explorar o mundo-verdade podem acessar. É por isto que a comunicação do filósofo, do saber, não existe, a rigor, com os mortais (aprendizes); eles só podem se comunicar entre si, e quem queira se comunicar com eles deve se elevar. O legado deles é meramente para almas gêmeas, nunca para ‘o populacho’. Eles não enriquecem o mundo, quer dizer, pelo menos não diretamente.

ESCADA DO MUNDO-VERDADE À PURA REPRESENTAÇÃO: “— Comprendo algo, pero no lo bastante. Me parece que quieres afirmar que el conocimiento que de los seres inteligibles se adquiere por la dialéctica es más claro que el que se adquiere por medio de aquellas ciencias para las cuales las hipótesis son principios y están obligadas a valerse de la inteligencia y no de los sentidos, pero, como especulan a partir de supuestos y no se elevan hasta el principio absoluto, parece que no se da en ellas el pensamiento que se daría si se tratase de entes pensados según un principio. Me parece que llamas intelectivo al modo de proceder de la geometría y de las ciencias afines a ella, y de tal modo que ocupa un lugar intermedio entre la razón y la representación.

Has comprendido perfectamente mi pensamiento. Con arreglo a estas 4 distinciones, indicaré ahora cuáles son las 4 maneras de comportarse del alma: el pensamiento comprensivo tiende a lo supremo; la inteligencia a lo segundo; lo tercero se llama fe [onde estaria o método científico moderno no nosso esquema], la última es el saber figurado [la opinión]. Ordénalas según su mayor o menor evidencia, según que sus objetos participen más o menos de la verdad.”

Los antiguos daban a la lógica el nombre de dialéctica, cuya incorporación atribuyen expresamente a Platón los antiguos historiadores de la filosofía. No se trata de una dialéctica como la que vimos más arriba, al tratar de los sofistas, que sirva para embrollar todas las representaciones, sino que esta primera rama de la filosofía platónica es la dialéctica que se mueve a través de conceptos puros”

Engraçado como até agora As Leis não estão nem en passant no escopo das lições de H.! P.S.: E realmente ficaram de fora, como se fosse obra não-canônica!

El Timeo completábase con el Critias en el sentido de que mientras el primero trataba del origen especulativo del hombre y de la naturaleza, el Critias pretendía ofrecer la historia ideal de la formación del hombre, una historia filosófica del género humano, que era lo que aspiraba a ser la historia antigua de los atenienses, tal y como se conservaba entre los egipcios; pero sólo la primera parte de este diálogo ha llegado a nosotros. Si a La República y el Timeo añadimos el Parménides, tenemos en estos diálogos juntos, en realidad, todo el cuerpo de la filosofía platónica.”

PREVENÇÕES CONTRA O NIILISMO (Emergindo do reino das sombras): “Por eso Platón, en su República VII, aconseja que los ciudadanos sólo sean admitidos a la dialéctica a los 30 años cumplidos, ya que alguno podría convertir por su medio en algo ignominioso las cosas bellas escuchadas a los maestros.”

DEPOIS QUE O PUPILO JÁ SE ACOSTUMOU À CLARIDADE: “Lo general se determina, por tanto, como aquello en que se disuelven y se han disuelto ya las contradicciones y, por tanto, como lo concreto de suyo; por donde este levantamiento [suspensão] de las contradicciones es lo afirmativo.”

Esta dialéctica especulativa, que arranca de él, es, por tanto, lo más interesante, pero también lo más difícil en las obras de Platón; es, así, lo que generalmente no se llega a conocer cuando se estudian las obras de este autor.” Especulativo é um nome horrível que está manchado, para um processo tão nobre!

SAPO NO TENNEMANN: “Apenas puede concebirse mayor ausencia de espíritu en un historiador de la filosofía, que el no ver, tratándose de una figura tan gigantesca como ésta, sino lo que concuerde con el modo de ver de quien hace la historia.”

La grandeza verdaderamente especulativa de Platón, aquello por lo que hace época en la historia de la filosofía y, por tanto, en la historia universal, consiste en haber determinado y precisado lo que es la idea: este conocimiento estaba llamado, en efecto, a ser, a la vuelta de algunos siglos, el elemento fundamental en la fermentación de la historia universal y en la nueva estructuración del espíritu humano.”

CONSTRUÇÃO DO MUNDO-VERDADE NO SEIO DO MUNDO DAS APARÊNCIAS: “[Platão,] en general, concibe lo absoluto como la unidad del ser y el no-ser en el devenir, según dice Heráclito, como la unidad de lo uno y lo múltiple. Además, Platón incorpora a la dialéctica objetiva de Heráclito la dialéctica eleática, que consiste en la acción exterior del sujeto encaminada a poner de manifiesto la contradicción, de tal modo que la mutabilidad externa de las cosas es sustituida ahora por su trueque interior en sí mismas, es decir, en sus ideas, que son, aquí, sus categorías.” “Los sofistas limítanse a considerar lo fenoménico, cuya sede es la opinión: también ellos toman, pues, como base evidentemente pensamientos, pero no los pensamientos puros o lo que es en y para sí. § Es éste uno de los motivos que hacen que algunos salgan insatisfechos del estudio de las obras platónicas. Cuando comienza uno a leer uno de estos diálogos, encuentra en esta manera libre de expresarse de Platón bellas escenas naturales, una maravillosa introducción que promete guiarnos a la filosofía —a la más alta de todas, a la filosofía platónica— a través de praderas cubiertas de flores. Descubrimos aquí cosas sublimes, cosa de la que gusta siempre mucho la juventud; pero esta primera impresión no tarda en desaparecer.” Hahaha, estranha coincidência com a crítica que Platão põe na boca de Sócrates sobre o nous de Anaxágoras!

al llegar al campo de lo verdaderamente dialéctico y especulativo, el lector tiene que marchar por ásperos y empinados senderos, dejándose pinchar por las espinas de la metafísica.”

De las más profundas investigaciones dialécticas, Platón pasa de nuevo a las representaciones y las imágenes, a la pintura de escenas en que aparecen dialogando unos cuantos hombres sutiles e ingeniosos: tal, por ejemplo, en el Fedón, modernizado por Mendelssohn y convertido en metafísica wolffiana; el comienzo y el final de este diálogo son hermosísimos, sublimes, mientras que en el cuerpo central impera la dialéctica.”

AH, O AGRIDOCE! “Así, pues, para recorrer los diálogos de Platón tienen que darse estados de espíritu muy heterogéneos y quien se entregue al estudio de ellos debe dar pruebas de una gran independencia de espíritu ante los diversos intereses. Quien lea estos diálogos movido exclusivamente por el interés de la especulación, pasará por alto lo que pasa por ser lo más bello; en cambio, quien proceda tan sólo por el interés de elevarse a lo sublime, por motivos edificantes, etc., omitirá lo especulativo, como algo inadecuado a su interés. Le ocurre a uno como a aquel joven de la Biblia que había hecho esto y lo otro y que preguntaba a Cristo qué debía hacer para seguirle. Pero, cuando el Señor le ordenó: despréndete de tus cosas y entrégalas a los pobres, el joven se retiró triste y cariacontecido, pues no era aquello lo que él había creído que debía hacer. Lo mismo les ha ocurrido a muchos con la filosofía: se han dedicado a estudiar a Fries¹ y Dios sabe a quién más. Sienten el pecho rebosante de lo verdadero, lo bueno y lo bello, querrían conocerlo y poder contemplar lo que debe hacer el hombre; pero de lo que su pecho está rebosante es sólo de buena voluntad.”

¹ Figura hoje completamente desconhecida. A não ser por estudos muito detalhistas, como a crítica de Kaufmann ao desastrado Popper! Esse tal Fries era um anti-semita deplorável, como se vê em https://seclusao.art.blog/2021/08/09/the-hegel-myth-and-its-method-ataque-a-popper-kaufmann-1959/.

cuando Platón habla de la justicia, de lo bello, de lo bueno o de lo verdadero, no muestra sus orígenes; esas ideas no aparecen como una conclusión, sino como una premisa directamente establecida.” Com efeito, Platão é tão à frente de seu tempo que hoje só podemos entendê-lo usando filósofos modernos de prefácio!

los diálogos (…) más difíciles de todos: nos referimos al Sofista, al Filebo y, sobre todo, al Parménides. [e não esqueça do Timeu]” “La condensación de las contradicciones en la unidad y la proclamación de esta unidad no aparecen en el Parménides, el cual llega, por tanto, al igual que aquellos otros diálogos, a un resultado más bien negativo. En cambio, esta unidad aparece proclamada claramente en el Sofista y también en el Filebo. § No obstante, la verdadera dialéctica, tal como queda esbozada, se contiene en el Parménides, la más famosa de las obras maestras de la dialéctica platónica.”

PARMÉNIDES: Observo que tú, al igual que Aristóteles, te ejercitas, platicando, en determinar dónde reside la naturaleza de lo bello, de lo justo, de lo bueno y de cada una de estas ideas. Este intento tuyo es bello y divino. Pero procura extenderte y ejercitarte más aún en estos al parecer inútiles juegos de palabras, como las gentes los llaman, mientras seas aún joven, pues de otro modo se te escapará la verdad.

SÓCRATES: ¿En qué consiste esta clase de ejercicios?

PARMÉNIDES: Me gustó ya de ti el que dijeses antes que no se debía uno detener en el examen de lo sensible y de sus ilusiones, sino fijarse en aquello que sólo capta el pensamiento, lo único que es.”

en el devenir se contienen en inseparable unidad el ser y el no ser; y, sin embargo, aparecen aquí, al mismo tiempo, como cosas distintas, pues el devenir sólo existe cuando lo uno se trueca en lo otro.”

O UM É A LUZ (ONDA E PARTÍCULA): “no devir se contêm em inseparável unidade o ser e não-ser; e, no entanto, aparecem aqui, ao mesmo tempo, como coisas distintas, pois o devir só existe quando o um permuta com o outro.”

Hegel se embaralha metendo Deus no bagulho do Um!

O único espelho do mundo é o mundo mesmo.

Portanto, desça do púlpito e volte ao mundo-verdade verdadeiro!

Perceba o que deixaste para trás na primeira olhada abstrato-panorâmica do cenário!

Platón refuta, de este modo, de una parte lo sensible y, de otra parte, las ideas mismas.”

La primera de estas concepciones es la que más tarde se llamará materialismo, a saber: que lo sustancial no es otra cosa que lo corporal y que sólo tiene realidad lo que puede tocarse con las manos, como los árboles y las piedras.” “Lo segundo contra lo que se manifiesta Platón es la dialéctica de los eléatas y su tesis (…) sólo el ser es; el no ser no es, en absoluto.” H. o diz porque não compreendeu Parmênides.

En el Filebo investiga Platón la naturaleza del placer. El problema principal que aquí se plantea es el de la antítesis entre lo infinito y lo finito, o entre lo ilimitado y lo limitativo.” “Lo infinito es lo carente de forma; la forma libre como actividad es lo finito, que encuentra en lo infinito la materia para realizarse. De este modo, Platón determina el placer de los sentidos como lo ilimitado, que no se determina; sólo la razón es la determinación activa.”

Platón maneja, pues, 4 determinaciones: la 1ª es lo ilimitado, lo indeterminado; la 2ª lo limitado, la medida, la proporción, de que forma parte la sabiduría; la 3ª, la mezcla de las 2 anteriores, el producto; la 4ª, la causa. Ésta es, en sí misma, la unidad de lo distinto, la subjetividad, el poder sobre las contradicciones, lo que tiene la fuerza para soportar las contradicciones dentro de sí; sólo lo espiritual tiene esta fuerza para soportar dentro de sí la contradicción, la suprema antítesis: lo corporal débil perece tan pronto se ve abordado por otro factor más fuerte.” Este é realmente o diálogo mais truncado de ler, dentre os não-matemáticos!

Cuando Platón habla, en estos términos, de lo bello y lo bueno, se trata de ideas concretas; o, mejor dicho, de una idea solamente. Pero, para llegar a estas ideas concretas, hay todavía un gran trecho que recorrer, si arrancamos de abstracciones tales como el ser, el no-ser, la unidad, la pluralidad. Ahora bien, aunque Platón no desarrolle estos pensamientos abstractos, devanando la madeja [o emaranhado] más y más hasta llegar a la belleza, la verdad y la moralidad, ya en el conocimiento de aquellas determinaciones abstractas se contienen, por lo menos, el criterio y la fuente de lo concreto. § El Filebo nos ofrece, pues, esta transición a lo concreto, al exponerse aquí el principio de la sensación, el principio del placer.” Esclarecimentos paupérrimos de sua parte, H.. Aposto que encontrá-los-ei aperfeiçoados nos comentários de minha própria tradução ao Filebo de janeiro do ano passado! Cf. https://seclusao.art.blog/2020/01/07/filebo-ou-dos-prazeres-da-inteligencia-e-do-bem/

Mucho fue lo que Platón tomó de los pitagóricos, aunque no sea posible discernir hoy, exactamente, cuánto pertenece a sus predecesores y cuánto fue puesto por él de su propia cosecha. Ya hubimos de observar que el Timeo es, en rigor, la refundición de una obra compuesta por un pitagórico. Es cierto que algunos intérpretes excesivamente agudos han dicho que este diálogo es sólo un extracto hecho por un pitagórico de una obra más extensa de Platón; pero la primera hipótesis es la más probable. § El Timeo ha sido considerado siempre como el más difícil y oscuro de los diálogos platónicos. Sus dificultades y oscuridades estriban, en parte, en la mescolanza externa, ya observada, del conocer comprensivo y el representarse, y en seguida veremos cómo se mezclan en el diálogo los números pitagóricos” “lo que en seguida llama nuestra atención es que Platón interrumpa varias veces el hilo de su exposición y, a veces, parezca volver atrás y empezar de nuevo por el principio. Esto ha movido a ciertos críticos, por ejemplo al mismo Augusto Wolf y a otros que no saben abordar el problema filosóficamente, a ver en el Timeo un conglomerado y una compilación de fragmentos o de varias obras distintas, compaginadas tan sólo desde un punto de vista externo, o donde aparecen incorporados a la obra platónica muchos elementos extraños.” “Sin embargo, aunque la ilación de la obra no sea muy metódica (y el propio Platón da, de vez en cuando, disculpas al lector por estas complicaciones), hemos de ver, en su conjunto, cómo el desarrollo del tema sigue, aquí, un curso necesario y cuál es el profundo fundamento interior que impone, varias veces, el retorno al punto de partida.”

AFUNDA DO NADA NA TEOLOGIA / A FUNDA NO NADA DA TEOLOGIA (Prepare-se para imergir na floresta amazônica de citações verdes por um tempo)! “Eso de que Dios no conoce la envidia es, evidentemente, un pensamiento grande, bello, verdadero y candoroso.” “El pensamiento platónico, en este punto, raya a mayor altura que la concepción de la mayoría de los pensadores modernos, quienes, al decir que Dios es un Dios abscóndito, un Dios no revelado, del cual, por tanto, no es posible saber nada, atribuyen también a la divinidad el atributo de la envidia.” “Pero esta humildad es un crimen y un pecado contra el Espíritu Santo.”

“‘Como el universo había de ser corpóreo, visible y tangible, y sin fuego no es posible ver nada, ni sin algo sólido, sin tierra, no es posible tocar nada, Dios creó antes de nada el fuego y la tierra.’ Véase de qué modo tan simplista introduce Platón estos extremos de lo sólido y lo animado. ‘Pero dos cosas solas no pueden unirse sin una tercera, sino que tiene que existir un nexo entre ellas que las mantenga en cohesión’—es ésta una de las expresiones puras de Platón—; ‘ahora bien, el más bello de los nexos es aquel que se convierte en suprema unidad a sí mismo y, con él, a lo que mantiene unido.’ Es éste un juicio muy profundo, en el que va implícito el concepto; el nexo es lo subjetivo, lo individual, el poder que trasciende sobre lo otro y se identifica con ello.” Ok, me lembrem depois que nunca mais devo usar H. como guia de leitura novamente! De fato, H. emulará esse estilo por toda sua obra clássica que publicou em vida…

Al convertirse la del centro en la primera y en la última y la última y la primera, a su vez, ambas en centrales, tendremos que todas ellas son necesariamente la misma; ahora bien, si se convierten en la misma, todas ellas serán una.” Ok, hora de ir para o quarto!

Esta dirección de que Platón parte es una conclusión que conocemos de la lógica; se presenta bajo la forma de un silogismo corriente, pero en el que se contiene, por lo menos externamente, toda la racionalidad de la idea.”

HEGELICES & CABALAGENS, CABALICES & HEGELAGENS: “Es ilícito,¹ por tanto, hablar mal de la conclusión y no reconocerla como la forma absoluta suprema;² en cambio, hay razón para rechazar la conclusión intelectiva.³”

¹ E vai fazer o quê, me prender?

² Esse é o tipo de coisa que fazia de H. um priápico de primeira linha!

³ H. sempre refuta (simplesmente alega que é ilícito) tudo aquilo que não pode acoplar a seu sisteminha ESTATAL…

ZZZZZZZ: “Es así como los Padres de la Iglesia descubren en Platón la idea de la Trinidad, que se esfuerzan en captar por medio del pensamiento y en probarla; en realidad, la verdad responde, en Platón, a la misma determinación que la Trinidad. Pero, desde Platón, estas formas permanecieron baldías por espacio de 2 mil años, pues no se incorporaron a la religión cristiana como pensamientos; más aún, se las vio como nociones recibidas sin razón alguna, hasta que en estos últimos tiempos se ha comenzado a comprender que en estas determinaciones se encierra un concepto y que de este modo es posible llegar a conocer la naturaleza y el espíritu.” “y el número 4, que aquí aparece, es un número fundamental en la naturaleza.”

Podríamos, pues, poner de manifiesto en estas representaciones la confusión en que Platón incurre; pero no es eso lo que interesa aquí, sino simplemente hacer ver qué es lo que él reputa como lo verdadero.” Sí, pues lo que interesa acá es refrendar mi punto de vista!

Cuando nosotros decimos: ‘Dios, lo absoluto, es la identidad de lo idéntico y de lo no idéntico’, hay quien pone el grito en el cielo clamando ¡barbarie!, ¡escolasticismo! Gentes que hablan en este tono tan despectivo son capaces de poner por las nubes a Platón; y, sin embargo, éste determina del mismo modo lo verdadero.”

Dios, mezclando lo idéntico y lo otro con la esencia y haciendo de los tres uno, divide de nuevo este todo en partes, en tantas como juzga conveniente.”

Ahora bien, el modo de clasificación de esta subjetividad contiene los famosos números platónicos, cuyos orígenes han de buscarse, sin duda alguna, en los pitagóricos, en torno a los cuales han desplegado grandes esfuerzos los pensadores antiguos y los modernos e incluso el propio Keplero, en su Harmonía mundi, pero sin que nadie llegase a comprenderlos exactamente.” Convenhamos: nem os pitagóricos entendiam a si mesmos, trabalho inútil aqui!

El estudio más a fondo que acerca de él poseemos es el de Böckh, Über die Bildung der Weltseele im Timäos des Platón, que figura en el tomo tercero de las investigaciones de Daub y Creuzer (pp. 66ss ).” NÃO, OBRIGADO.

pasamos por alto, aquí, cómo determina las figuras de los elementos y las combinaciones de los triángulos” Agradecido!

Se ha querido hacer de Platón el santo patrono de los estados de entusiasmo y arrobamiento; pero ello es, como vemos, completamente falso.” Platão atribui as adivinhações e as profecias apenas à parte ‘má’ do organismo, a jocosa, a excretória, particularmente o fígado, na anatomia de seu tempo; daí a fascinação da consulta às vísceras de animais, entre os antigos, e, em todos os tempos, a fascinação pelos padrões aleatórios e gesltálticos (mais propriamente falta de qualquer padrão) das borras do café, etc.

(RE)VOLTANDO À REPÚBLICA: “y reconocía y proclamaba que la naturaleza moral (la libre voluntad en su carácter racional) sólo podía llegar a imponer sus derechos y cobrar realidad dentro de un verdadero pueblo.” O qual ainda não presenciamos na Terra.

Obviamente, aqui começa a exposição a dos erros de H. a olho nu, confundindo eternamente cultura e natureza, principalmente o estado de natureza ou direito natural, concepções arbitrárias e no entanto universais no tempo de H.. Naturalizando (fetichizando, Marx) o Estado jurídico-moderno, imaginando a natureza enquanto oposto da cultura letrada e filistéia exatamente como esse puro arbitrário e negativo pertencente aos primórdios do homem (sempre uma inferência nesses autores, sem qualquer base) que em realidade já vemos hoje como o próprio jogo de forças inútil e paralisante dos Estados-nações. H. serve no máximo como cura de um ultra-romantismo desenvolvido após a leitura descuidada de Rousseau, mas sua Teoria do Estado chega a ser tão fabulosa quanto qualquer outra meta-narrativa antitética do período.

Estamos acostumbrados a partir de la ficción de un estado natural, el cual no es, en realidad, un estado del espíritu, de la voluntad racional, sino de los animales entre sí. Por eso Hobbes observaba, con razón, que el verdadero estado de naturaleza es la guerra de todos contra todos.” Como pode demonstrar tamanha lucidez ao mesmo tempo em que diz que o que vê (um número 4 gigantesco!) é tudo menos aquilo que vê (um 5 indesmentível)?!? Pois é isso que Hegel faz nessa passagem: reconhece que o estado natural é mero folclore, mas dá razão ao folclorista Hobbes! Animais não vivem em guerra; a cadeia alimentar não pode ser comparada ao instituto-cultura humano(a) do conflito organizado. Essa analogia é desastrosa. Nada há de qualitativamente diferente entre o homem pré-histórico e nós. A estrondosa ingenuidade hegeliana se torna mais palpável quando se percebe seus 2 componentes principais: um biologismo rústico aplicado a um humanismo muito mal-concebido e distorcido (excessivamente confiante no Direito, no direito burguês, que é o mesmo que cria a ilusão do indivíduo livre, que ele tanto ataca como concepção desviante da legitimidade coletiva do Estado!), posto que estruturado à imagem e semelhança daquele primeiro, ainda que, nas piruetas sucessivamente negadoras do ‘Espírito’, pareça sua brilhante correção, i.e., o contrário.

Por eso se ha formulado acerca de La República de Platón el juicio de que su autor traza en ella el llamado ideal de una constitución política, que queda luego como un sobrenombre proverbial, en el sentido de que esta concepción no pasa de ser una quimera, que puede, sin duda, pensarse y que sería también, tal como Platón la describe, excelente y verdadera, e incluso realizable, pero sólo a condición de que los hombres fuesen excelentes, como tal vez puedan serlo en la luna, pero no como son los de la tierra, con respecto a los cuales es irrealizable.” Esse juízo de H. é correto: realmente é assim que a República é vista genericamente; e claro está que não pode ser chamado de um tratado político (empírico), muito menos ainda de uma projeção de um ESTADO IDEAL! Esse é, porém, um preconceito entranhado demais para se desfazer a essa altura. Enxergá-lo como um tratado ético do e para o filósofo, sem para isso tocar em nada que seja do Estado, é o mais raro entre nós.

HEGEL MIRAVA NOUTRO ALVO QUANDO ACERTOU COM A DESCRIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA ATUAIS: “Aunque este tipo de hombre se dé en los monjes o en los cuáqueros o en otras gentes piadosas por el estilo, un puñado de hombres de éstos jamás sumará un pueblo, del mismo modo que los piojos o las plantas parasitarias no pueden existir por sí solos, sino solamente adheridos a un cuerpo orgánico. Si tales gentes constituyeran un pueblo, se acabarían esa mansedumbre de cordero, esa vanidad que no sabe ocuparse más que de la propia persona y del cuidado de ella, teniendo siempre delante la imagen y la conciencia de su propia bondad.”

Por consiguiente, La República de Platón sería una quimera, no porque la humanidad no fuese demasiado buena para ella, sino porque esta bondad de los hombres sería excesivamente mala para ese ideal.” “La superficie de lo moral, la conducta de los hombres, deja mucho que desear, mucho en ella podría ser mejor; los hombres serán siempre viciosos y corrompidos, pero eso no es la idea.” “Lo temporal, lo perecedero, existe, indudablemente, y no cabe duda de que puede ser fuente de grandes problemas y dificultades; pero, a pesar de ello, no se trata de una verdadera realidad, como no lo son tampoco la particularidad del sujeto, sus deseos y sus inclinaciones.”

Por lo que a esta observación se refiere, debe tenerse presente la diferencia que más arriba señalábamos, [incrivelmente parece que não foi uma total perda de tempo toda aquela exposição do Timeu!] al tratar de la filosofía platónica de la naturaleza: el mundo eterno, como el Dios bienaventurado en sí, es la realidad, no en el más allá, no en la otra vida, sino en el mundo presente considerado en su verdad, y no del modo que se ofrece a los sentidos de quienes lo ven, lo escuchan, etc. Si consideramos así el contenido de la idea platónica, veremos que Platón expone, en realidad, la moralidad de los griegos en su modo sustancial, pues es la vida del Estado griego¹ y no otra lo que forma el verdadero contenido de La República de Platón. Platón no es hombre que se pierda en teorías y principios abstractos; su espíritu verdadero sabe reconocer y exponer lo verdadero.”

¹ Só um ligeiro corretivo: a vida dos espartanos, no máximo.

Nadie puede saltar por encima de su tiempo; el espíritu de su tiempo es también su espíritu; pero de lo que se trata es de reconocerlo con arreglo a su contenido.”

Los hombres no permanecen tal y como son, sino que cambian, se hacen de otro modo: y lo mismo acontece con sus constituciones; se trata de saber cuál es la verdadera constitución que se debe dar a un pueblo, como se trata, en otro orden de cosas, de saber cuál es la verdadera ciencia de la matemática u otra cualquiera, y no de si los niños o los muchachos deben poseer ahora esta ciencia, ya que antes de nada es necesario educarlos para que sean capaces de asimilársela.

Así, pues, el pueblo histórico hace surgir siempre la verdadera constitución, la que cuadra a sus necesidades. Con el transcurso del tiempo todo pueblo tiene que someter su constitución vigente a los cambios necesarios para ponerla cada vez más a tono con la verdadera.”

Cuando el en sí, que la constitución le presenta como verdadero, ya no es verdad, cuando son distintos su conciencia o el concepto y su realidad, el espíritu del pueblo se convierte en una esencia desgarrada y dividida. Pueden, entonces, ocurrir 2 cosas: o que el pueblo rompa, con una explosión interior y más poderosa, este derecho que se empeña en seguir rigiendo o que vaya modificando, tranquila y lentamente, el derecho, la ley vigente, cuando dejan de corresponder a la verdadera costumbre, cuando el espíritu se sale ya de sus marcos. O bien que no tenga la inteligencia y la fuerza necesarios para ello, sino que siga ateniéndose a la ley inferior, o que otro pueblo haya alcanzado una constitución superior, haciéndose con ello un pueblo mejor, en cuyo caso aquél dejará de ser un pueblo y tendrá, necesariamente, que sucumbir ante éste.” Torçamos para que o Brasil (um não-povo) seja anexado por um povo melhor! Aqui temos que relativizar qualquer implicação de “destino manifesto” do historicismo hegeliano…

las instituciones desaparecen, se pierden, no se sabe cómo: cada cual se resigna a la suerte de ver cómo se pierden sus derechos. Y el gobierno debe saber cuándo ha llegado ese momento; si, ignorando lo que es la verdad, se aferra a las instituciones temporales, si toma bajo su protección lo que rige de un modo no esencial frente a lo esencial (y lo que esto es va implícito en la idea), llegará un momento en que caerá bajo los embates incontenibles del espíritu, y la desintegración del gobierno hace que se desintegre el propio pueblo: surge un nuevo gobierno, o bien se imponen el gobierno anterior y lo no esencial.”

La determinación que se enfrenta a esta actitud sustancial de los individuos ante la costumbre es la libre voluntad subjetiva de los individuos, la ética, es decir, el que los individuos no obren movidos del respeto y el temor a las instituciones del Estado, de la patria, sino por su propia convicción, adoptando una decisión, después de haber meditado éticamente, y obrando en consecuencia.”

Pues bien, Platón supo captar y concebir el verdadero espíritu de su mundo y desarrollarlo con arreglo al preciso criterio de hacer imposible este nuevo principio en su República. Platón abraza, pues, un punto de vista sustancial, en cuanto toma como base lo sustancial de su tiempo; sin embargo, ese punto de vista sólo es relativamente sustancial, ya que es solamente un punto de vista griego y el principio posterior es conscientemente postergado.” Indefinidamente.

Platón no predica moral; limítase a poner de relieve cómo lo moral arraigado en las costumbres vive y se mueve dentro de sí mismo; pone de manifiesto, por tanto, sus funciones, sus entrañas.”

Enumera 3 estamentos: a) el de los gobernantes, los sabios, los instruidos; b) el de los guerreros; c) el de los que se dedican a satisfacer las necesidades, o sean los agricultores y los artesanos.”

Al primer estamento da también Platón el nombre de los guardianes; son los estadistas, de formación esencialmente filosófica, los depositarios y poseedores de la verdadera ciencia; los guerreros aparecen a su lado como ejercicio [exército?], pero de tal modo que no se separen el estamento civil y el militar, sino que ambos aparezcan unidos, siendo los guardianes los más antiguos.” Raro caso em que um militar se torna algo melhor no futuro, e não o contrário, pois bate continência ao seu superior!

En seguida, Platón pasa a exponer una serie de normas de detalle, algunas de ellas bastante mezquinas y de las que habría sido mejor que hubiese prescindido: así, por ejemplo, establece incluso títulos especiales para el primer estamento, habla de cómo deben comportarse las amas, etc.” Ora, Hegel! Mas este é o espírito grego – o que você queria que ele descrevesse? Comércio exterior? Vida monacal? Também não sei sobre a Prússia dos 1700, mas até para o proto-feminista Platão as amas deveriam ser educadas como qualquer outro cidadão!

DAS QUATRO VIRTUDES

A primeira virtude da República, obviamente: a sabedoria, monopólio da minoria no píncaro da formação estratificada.

La segunda virtud es la valentía, que es, según la define Platón, la firmeza en la afirmación de las opiniones justas y conformes a la ley, sin dejarse llevar de ninguna clase de temores y sin que el fuerte ánimo vacile por las sugestiones de los apetitos o los placeres. Esta virtud es la que corresponde al estamento de los guerreros.” Fecho do Laques, que havia chegado apenas a uma conclusão negativa, no senso hegeliano.

la templenza [ou terceira virtude] (…) es, además, en rigor, la virtud propia del tercer estamento, del que tiene por cometido satisfacer las necesidades materiales y realizar el trabajo necesario para ello, si bien a primera vista no parece ser la virtud propia de este estamento.” “Pues bien, el trabajo es precisamente este momento de la actividad limitada a lo individual, pero que se retrotrae a lo general y tiende a ello. Por tanto, aunque también esta virtud sea general, tiene su campo especial de acción en el tercer estamento, en el cual sólo debe reinar, de momento, la armonía, aun cuando no se manifieste en él la armonía absoluta que los demás estamentos llevan de suyo.”

La cuarta y última virtud es la justicia, en torno a la cual gira todo desde un principio. En el Estado, esta virtud consiste (como honradez) en que cada uno se preocupe solamente de una cosa, que se refiere al Estado, para lo que le haga especialmente apto su naturaleza, de tal modo que cada cual se dedique, no a muchas cosas, sino a las que a él le competen: jóvenes y viejos, muchachos y mujeres, libres y esclavos, artesanos, autoridades y gobernados.” “es ella, la justicia, la que infunde a las otras 3, a la templanza, a la valentía y a la sabiduría la fuerza necesaria para que existan y puedan mantenerse.” Sabedoria não é nada sem valentia. Valentia não é nada sem temperança. E temperança não é nada sem justiça.

De donde se deduce, en segundo lugar, que Platón no entiende por justicia precisamente el derecho de propiedad, como suele entenderse en la jurisprudencia, sino el estado en que el espíritu, en su totalidad, impone su derecho como la existencia de su libertad.”

Donde se deduz, em 2º lugar, que Platão não entende por justiça precisamente o direito de propriedade, como sói se entender na jurisprudência, senão o estado em que o espírito, em sua totalidade, impõe seu direito como a existência de sua liberdade.”

Es cierto que también en él nos encontramos con leyes acerca de la propiedad, de la policía, etc.; ‘pero no vale la pena prescribir leyes acerca de esto a hombres bellos y nobles’. Y, en realidad, ¿cómo descubrir leyes divinas acerca de esto allí donde la materia no contiene en sí más que contingencias?”

No momento em que é preciso começar a ensinar que não se devem cometer homicídios, já não há nobreza e justiça no coração dos homens. No momento em que se codificam as horas de lazer e as vestimentas, já nada há. Nem mesmo merece-se o qualificativo de escravo nessa situação.

¿no se inflama inmediatamente su cólera y no se pone al lado de lo que cree ser justo? Y por más hambre, frío o cualquier otro mal trato que haya de padecer, todo lo padece y no cesa en sus nobles esfuerzos hasta que ha obtenido satisfacción o ha encontrado la muerte, o la razón, siempre presente en nosotros, le ha apaciguado como un pastor tranquiliza a su perro.”

La cólera corresponde al estamento de los valientes defensores del Estado: cuando éstos, para defender la razón del Estado, echan mano de las armas, la cólera asiste a la razón, siempre y cuando que no se halle corrompida por una mala educación.”

Tal es, pues, el modo como Platón presenta la disposición del conjunto; el modo como la desarrolla es, simplemente, un detalle carente de interés.”

¿cómo consigue Platón que cada cual haga su propio ser del asunto que le está destinado y que este asunto se convierta en la actividad y la voluntad morales de los individuos todos; que cada cual abrace, con arreglo a la templanza, el puesto que le corresponde?

Lo fundamental es educar a los individuos para ello. Platón aspira a producir esta costumbre directamente en los individuos y sobre todo en los guardianes, cuya formación es, por tanto, la parte más importante y la base de todo. Estando encomendado a los guardianes precisamente el cuidado de producir esta costumbre mediante la conservación de las leyes, éstas deben preocuparse también, muy especialmente, de la educación de los gobernantes, así como de la de los guerreros. En cambio, al Estado no le preocupa gran cosa lo que ocurra en el estamento de la industria, ‘pues no es ninguna desgracia para el Estado el que los zapateros remendones sean malos y corrompidos y sólo aparenten lo que debieran ser, en realidad’.”

* * *

En aquel tiempo se empezaba ya, en efecto, a tomar en serio lo relacionado con la fe en Júpiter y en las historias homéricas”

En una determinada fase de la formación del hombre son inocuas las fábulas infantiles; pero cuando se trata de hacer de ellas la base de la verdad de lo moral, de tomarlas por leyes actuales —como ocurre en los escritos de los israelitas, en el Antiguo Testamento, en la exterminación de los pueblos como pauta del derecho de gentes, en las innumerables infamias cometidas por David, el hombre de Dios, y en las crueldades que el sacerdocio perpetra y hace valer a través de Samuel contra Saúl—, entonces, ha llegado el momento de reducir esas fábulas al papel de algo pasado, de rebajarlas al nivel de algo puramente histórico.”

Em uma determinada fase da formação do homem são inócuas as fábulas infantis; mas quando se trata de fazer delas a base da verdade do moral, de tomá-las por leis atuais – como ocorre nos escritos dos israelitas, no Antigo Testamento, na exterminação dos povos como pauta do direito das gentes, nas inumeráveis infâmias cometidas por Davi, o homem de Deus, e nas crueldades que o sacerdócio perpetra e faz valer através de Samuel contra Saul –, aí então é chegado o momento de reduzir essas fábulas ao papel de algo passado, de rebaixá-las ao nível de algo puramente histórico.”

Las costumbres no deben ser independientes de las instituciones; es decir, las instituciones no deben dirigirse simplemente a las costumbres por medio de establecimientos educativos, de la religión, etc. Las instituciones deben considerarse como lo primordial, como aquello que hace nacer las costumbres, ya que éstas no son sino el modo como cobran las instituciones una existencia subjetiva. El propio Platón da a entender hasta qué punto espera encontrar contradictores. Y todavía hoy se suele encontrar como defecto suyo el de ser demasiado idealista: sin embargo, si algún defecto cabe encontrarle es, cabalmente, el de no ser lo bastante idealista.” O que Hegel quer dizer é: Platão tem consciência de que nenhum Estado subsiste historicamente desta forma pela eternidade; há um apogeu, e há uma decadência, por mais que se tente preservar os costumes mediante as instituições, e as instituições espelhadas nos costumes.

así, se limita a considerar cuál es la mejor organización del Estado, sin preocuparse en lo más mínimo de la individualidad subjetiva.”

Platón no permite al individuo elegir un estamento, cosa que para nosotros es un postulado inseparable de la libertad. No es, sin embargo, el nacimiento lo que separa entre sí los estamentos y destina a ellos a los individuos: cada cual es examinado por los regentes del Estado, como los más viejos del primer estamento, que son los encargados de educar a los individuos y, según sus dotes y aptitudes naturales, aquéllos se encargan de hacer la selección y clasificación correspondiente, asignando a cada individuo al estamento que, a su juicio, le corresponda. (Rep. III)”

Como no sirves para nada mejor, te dedicarás a la profesión de artesano.” (guardião)

Me dedicaré a estudiar.” (pensamento – e liberdade subjetiva – moderno(a))

SEMPRE ESSA PATACOADA LIBERALÓIDE: “No se nos dice, sin embargo, cómo en el desarrollo de la industria tendrán los hombres un incentivo que los mueva a desplegar sus actividades si se les priva de toda esperanza de llegar a adquirir una propiedad privada, toda vez que el hecho de ser una persona activa y laboriosa lleva ya implícita mi aptitud para adquirir propiedad.”

Por la misma razón, declara Platón abolido, por último, el matrimonio, por ser una unión en que una persona de un sexo se entrega a otra del sexo contrario en permanente vinculación, y ésta a aquélla, incluso al margen de las relaciones puramente naturales. Platón no permite que en su Estado se manifieste la vida familiar—peculiar institución en que la familia es considerada como un todo—, pues la familia no es sino la personalidad ampliada

Platón (…) hace que el Estado arrebate a las madres sus hijos inmediatamente después de nacer, los reúna en un establecimiento especial, los nutra por medio de amas salidas de entre las madres que acaban de dar a luz, y los someta a una educación común, de tal modo que ninguna madre pueda reconocer a su propio hijo.”

La mujer, cuyo destino esencial es la vida de familia, carece aquí de este terreno natural para desenvolverse. Resultado de ello, en La República platónica, es que, al ser abolida la familia y no pertenecer las mujeres a la casa, éstas dejen de ser personas privadas y se vean enteramente equiparadas al hombre como el individuo general dentro del Estado.”

SIM & NÃO: “Lo opuesto al principio platónico es el principio de la libre y consciente voluntad del individuo, principio que más tarde habría de colocarse a la cabeza con Rousseau, y según el cual la libre voluntad del individuo como tal, su afirmación, es algo necesario.”

lo que es bello en lo sensible es precisamente espiritual. Tal es, en efecto, su idea estética, como su idea en general. Así como la esencia y la verdad de lo que se manifiesta es la idea en general, así también la verdad de lo bello en sus manifestaciones es, precisamente, esta idea.”

Pero este algo general no conserva tampoco la forma de la generalidad, sino que lo general es el contenido que tiene como forma el modo sensible; y en esto precisamente estriba la determinación de lo bello. En la ciencia, lo general asume de nuevo la forma de lo general o del concepto; lo bello, en cambio, se presenta como una cosa real o como una representación en forma de lenguaje, qué es el modo en que lo real vive en el espíritu. La naturaleza, la esencia y el contenido de lo bello sólo pueden ser conocidos y enjuiciados por la razón, pues se trata del mismo contenido que tiene la filosofía. Pero, como la razón en lo bello [o a priori] se manifiesta también de un modo real, [no fenômeno] tenemos que también lo bello cae bajo el prisma del conocimiento. [sensibilidade]” Só repisa Kant e Schopenhauer com palavras do seu sistema, ou seja, está correto aqui!

Con lo dicho, queda expuesto el contenido fundamental de la filosofía platónica. El punto de vista de Platón es éste: en primer lugar, aparece la forma fortuita del diálogo, en el que aparecen hablando unos cuantos hombres nobles y libres, sin otro interés que el de la vida espiritual de la teoría; en segundo lugar, a medida que van ahondando en el contenido, descubren los más profundos conceptos y los más bellos pensamientos, como piedras preciosas con que se tropezase, no digamos en un desierto, pero sí, desde luego, en un camino seco y pedregoso; en tercer lugar, no encontraremos aquí ninguna conexión sistemática, aunque todo emane y fluya de un solo interés” Hegel ainda nos dá mais duas etapas, mas elas não nos interessam.

Nos separamos, con esto, de Platón, a quien abandona uno, en verdad, de mala gana. Al pasar a su discípulo Aristóteles nos gana aún más la preocupación de tener que ser demasiado prolijos, pues no en vano se trata de uno de los más ricos y profundos genios científicos que jamás hayan existido: un hombre que nunca ha podido ser igualado.”

Tendremos, por fuerza, que limitarnos a dar una noción general de su filosofía y señalar solamente, de un modo especial, hasta qué punto su filosofía desarrolló y llevó adelante la obra iniciada por el principio platónico, tanto en lo tocante a la profundidad de las ideas como en lo que se refiere a su extensión”

Sin embargo, aunque el sistema de Aristóteles no aparezca como desarrollado en sus partes partiendo del concepto mismo, sino que las partes se presentan las unas al lado de las otras, no cabe duda de que forman una totalidad de filosofía esencialmente especulativa.” E aí está seu maior defeito, que culmina em você.

Una razón para ser prolijo, tratándose de Aristóteles, la tenemos en que ningún otro filósofo ha sido objeto de tanta injusticia por parte de las tradiciones totalmente huérfanas de pensamiento que se mantuvieron al margen de su filosofía y que todavía se hallan a la orden del día hoy, a pesar de haber sido este pensador, durante largos siglos, el maestro de todos los filósofos.” “Y, mientras que a Platón se le lee mucho, el tesoro de la obra aristotélica permaneció poco menos que ignorado a lo largo de los siglos, hasta llegar a los tiempos más recientes, reinando en torno a él los más falsos prejuicios.” Totalmente ao revés! A Escolástica bebeu de Aristóteles; Platão era um anexo turvo para todo um milênio!

Es, por ejemplo, una opinión muy generalizada la de que la filosofía aristotélica y la platónica se enfrentan y oponen la una a la otra, concibiéndose ésta como basada en el idealismo y aquélla, por el contrario, como construida sobre el realismo, el realismo más trillado y trivial.Opinião generalizada corretíssima!

en Aristóteles, el alma es una tabula rasa, que recibe pasivamente sus determinaciones del mundo exterior: la filosofía aristotélica es, por tanto, empirismo, un lockeanismo

A los 17 años de edad, se trasladó Aristóteles a Atenas, donde permaneció por espacio de 20, en contacto con Platón. Tuvo, pues, la más propicia de las ocasiones para poder estudiar la filosofía platónica en sus propias fuentes. No importa que alguien diga que no acertó a entenderla”

Hermias, príncipe independiente, fue sojuzgado por un sátrapa persa, siguiendo la suerte de tantos otros príncipes absolutos y de tantas repúblicas griegas del Asia Menor; y no paró ahí su mala fortuna, pues fue enviado en calidad de prisionero a Jerjes, quien, sin más contemplaciones, lo mandó crucificar. Para no exponerse a una suerte semejante, Aristóteles huyó de aquellas tierras en unión de Pitias, una hija de Hermias, a la que hizo su esposa, refugiándose en Mitilene, donde vivió durante algún tiempo. Erigió a Hermias una estatua en Delfos, cuya inscripción ha llegado a nosotros; de ella se deduce que el desventurado príncipe cayó en poder de los persas por alevosía y a traición.”

Has de saber que he tenido un hijo; y doy gracias a los dioses, no tanto porque me lo hayan dado como porque lo hayan hecho nacer en esta época en que tú vives. Pues confío en que tus cuidados y tu sabiduría harán que sea digno de mí y de su futuro reino.”

en aquella corte, Aristóteles llegó a gozar del más alto de los favores y el respeto de Filipo, el monarca, y Olimpia, su consorte.”

Alejandro, cuando en medio de sus conquistas y hallándose ya muy dentro del Asia, se enteró de que Aristóteles había dado a conocer en obras especulativas (metafísicas) la parte acroamática [¿?] de su filosofía, le envió una carta reconviniéndole por dar a conocer al pueblo vulgar los frutos de los trabajos y las investigaciones de ambos; a lo que Aristóteles replicó que, a pesar de haberlos dado a conocer, esos resultados seguirían tan desconocidos como antes. (Aulo Gelio)”

[¿?] Refere-se ao mito – já comentado na seção sobre Platão – de que haja uma vertente esotérica (de elite, filosófica, propriamente dita) e outra popular ou vulgar de Aristóteles, em que a gente comum pudesse lê-lo e entendê-lo. A acromática seria esta “filosofia” vulgar (exotérica) para iniciantes. Talvez a origem do termo seja a constatação pejorativa de que esses trechos são sem cor e sem vida, inertes, desbotados? Hahaha! (acromatia: aquilo que não tem cor)

Lo que en la educación de este personaje puede ser atribuido a la enseñanza filosófica de Aristóteles es el haber sabido libertar interiormente sus talentos naturales, la peculiar grandeza de las dotes de su espíritu, elevándolas a un plano de completa independencia consciente de sí misma, como lo vemos comprobado mejor que por nada por sus propios fines y sus propios hechos. Alejandro alcanzó, en efecto, esa absoluta certeza de sí mismo que sólo da la intrepidez infinita de pensamiento y la independencia del espíritu con respecto a los planes especiales, pequeños y limitados para remontarse a la finalidad perfectamente general que lo animaba: la ambición de organizar el mundo en una vida y en un intercambio comunes y colectivos, mediante la fundación de Estados sustraídos a la individualidad contingente y fortuita.

Alejandro puso en práctica, de este modo, el plan que ya concibiera su padre sin haber podido llegar a realizarlo: el de colocarse a la cabeza de los griegos para vengar a Europa en el Asia y someter el Asia a Grecia; de tal modo que, así como al comienzo de la historia de Grecia los griegos habían marchado unidos en la guerra contra Troya, esta unión sirviese ahora de final y de remate al verdadero mundo helénico.” Tem certeza que os motivos de Filipe e Alexandre eram tão coletivos e étnicos e, o que é pior, alheios à própria dinastia? Seria único na História do Mundo, efetivamente.

Alejandro vengaba con ello, al propio tiempo, la perfidia y la crueldad cometidas por los persas contra Hermias, el amigo de Aristóteles. Pero, además, el monarca macedonio expandía la cultura griega por las tierras del Asia, en un intento para elevar al plano del mundo griego aquella trama salvaje, puramente negativa y desintegrada de la más alta tosquedad, aquel conjunto de países hundidos en la apatía, la negación y la decadencia.” É bom não FORÇAR tanto, ó tetravô da Antropologia!

Es verdad que las conquistas de Alejandro no quedaron dentro de su familia, de su propia dinastía, pero sí se incorporaron permanentemente a Grecia. Alejandro no instauró un vasto imperio asegurado para su propia familia, pero sí fundó el imperio del pueblo griego sobre el Asia, pues gracias a él la cultura y la ciencia griegas echaron raíces en aquellas tierras. Los reinos griegos del Asia Menor y principalmente Egipto, fueron durante siglos centros de ciencia, y los resultados de esto se extendieron, probablemente, hasta la India y la China.”

Fue el reino sirio, que se extendía hasta muy dentro del Asia, hasta lindar con un reino griego en la Bactriana, el que, gracias a las colonias griegas allí establecidas, hizo llegar hasta el corazón de Asia y hasta la China los pocos conocimientos científicos que se han conservado allí como una tradición, aunque sin procrear. Los chinos son, por ejemplo, tan torpes que no han sido capaces de crear un calendario y parecen ser, de suyo, reacios a todo concepto.”

En el oriente, el nombre de Alejandro tiene todavía hoy un brillo divino, como Ispandro o Dul-k-ar-nein, que quiere decir el hombre de los dos cuernos: no en vano la imagen del Júpiter Ammón es un antiguo héroe oriental. No está excluida, pues, la posibilidad de que los reyes macedonios, haciéndose descender de ciertos linajes de héroes de la antigua India, reivindicasen para sí los derechos de soberanía sobre aquellas tierras, que es lo que explica también la difusión del Dionysos tracio por los parajes de la India.” Isso é mito, H., e você tinha prometido deixar mitografia de fora de sua história espiritual da Filosofia!

SUPERESTIMA ARISTÓTELES A PONTO DE CONCEBÊ-LO COMO MASTERMIND POR TRÁS DAS AÇÕES DE ALEJANDRO: “primero visitó y consultó el oráculo de los amonitas (hoy, Siwa), procediendo luego a destruir el reino persa e incendiando Persépolis, la vieja enemiga de la teología india, para vengarse así de todas las tropelías cometidas por Darío contra los hindúes y sus hermanos de religión.”

todavía hoy adoran los hindúes al Dalai-Lama, y en la concepción de aquellos pueblos no existe tanta distancia entre Dios y el hombre.” Um tanto superficial, mas, sim, prossiga…

no en vano un Demetrio Falereo y otros habrían de ser adorados poco después, en Atenas, como dioses.”

E O QUE O ESPÍRITO DO MUNDO GANHA COM ESSA VINGANÇA GELADA DE ICEBERG ANTÁRTICO? “es lo más probable que los budistas no le interesasen a Alejandro en lo más mínimo; por lo menos, en su expedición india no hay muchos indicios de ello; por otra parte, la destrucción de Persépolis se halla suficientemente justificada como venganza griega por la destrucción de los templos llevada a cabo por Jerjes en su invasión de Grecia, sobre todo en Atenas.”

A DUPLA PERFEITA – DR. JEKYLL AND MR. HYDE? “Lo mismo que en los tiempos modernos conocemos ejemplos de guerreros que en sus campañas piensan en el arte y la ciencia, Alejandro tomó las medidas necesarias para que los nuevos animales y plantas encontrados en el Asia le fuesen enviados a Aristóteles, bien en forma de ejemplares, bien por medio de dibujos y descripciones.”

Después de haber partido Alejandro para su expedición al Asia, Aristóteles regresó a Atenas y se estableció como profesor público en el Liceo, un lugar que Pericles había mandado acondicionar para la instrucción de los reclutas. Este lugar constaba de un templo consagrado a Apolo Liceos y de paseos sombreados por árboles y adornados con fuentes y columnatas.” Tudo isso já foi muito repisado, mas é muito bom reler mesmo assim (piada enviada pelo internauta Heráclito!).

A la muerte de Alejandro, se desencadenó una tormenta que, al parecer, venía formándose contra él desde antes y que sólo el miedo a su protector había impedido que estallase: el filósofo fue acusado y perseguido por el delito de impiedad. Los detalles de esto aparecen relatados de diferente modo según las diversas versiones; entre otros datos, encontramos en las fuentes el de que le fueron imputados, como fundamentos de la acusación, su himno a Hermias y la inscripción colocada en la estatua erigida en honor de este príncipe. [estranho que a inscrição tenha sido preservada, portanto.] Al ver la tormenta que sobre él se cernía, Aristóteles huyó a la ciudad de Calcis, en Eubea, el actual Negroponto, para no dar a los atenienses, según sus propias palabras, ocasión de atentar por 2ª vez contra la filosofía. Allí murió al año siguiente, a los 63 años de edad” Moral da História: todo mecenas fervoroso é eterno enquanto dura.

Diógenes Laercio (V, 21-27) cita un número crecidísimo de obras de Aristóteles, aunque sus títulos no siempre indican las obras a que corresponden y que han llegado a nosotros, ya que los títulos de éstas son, a veces, completamente distintos. Diógenes enumera 445.270 líneas; si contamos 10 mil líneas por alfabeto, esto nos daría 44 alfabetos, pero lo que se ha conservado no pasa de 10, de modo que sólo tenemos una cuarta parte.” Já disse para não dar muito crédito a Laércio?

La suerte de los manuscritos aristotélicos aparece descrita de tal modo, que podría fácilmente llegarse a la conclusión de que es punto menos que imposible el llegar a tener uno de los escritos del Estagirita en un texto auténtico y sin corrupciones.” O Espírito não quis imortalizá-lo como quis a Platão!

Pularei o relato de que foi o dono da primeira biblioteca do mundo, pois toda essa história já está muito detalhada em meu post Hipócrates Obras Completas Vol. I nos prefácios de Littré (https://seclusao.art.blog/2021/04/07/les-oeuvres-completes-dhippocrate-tome-premier-trad-classica-de-littre/).

ARISTOTELISMOS: “Por lo que se refiere a las otras formas de la filosofía aristotélica, vemos, en segundo lugar, que en la época de Cicerón, principalmente bajo el nombre de filosofía peripatética, asume más bien la forma de una filosofía popular proyectada principalmente sobre problemas de historia natural y de moral”

Una tercera forma de la filosofía aristotélica la tenemos en la filosofía altamente especulativa de la época alejandrina, conocida también con los nombres de filosofía neopitagórica o neoplatónica, aunque debería llamarse también, con idéntica razón, filosofía neoaristotélica. Otra acepción fundamental, la cuarta, es la que la expresión filosofía aristotélica cobra en la Edad Media, cuando un conocimiento impreciso hace que sea denominada ‘filosofía aristotélica’ lo que no era, en realidad, sino la filosofía escolástica.”

Al hacerse más conocidas las obras de Aristóteles en el Occidente se formó una quinta filosofía aristotélica opuesta, en parte, a la escolástica: al final de la época del escolasticismo y con la restauración de las ciencias, pues sólo después de la Reforma se remontaron los estudiosos, en rigor, a las fuentes mismas de Aristóteles. La sexta acepción de la filosofía aristotélica la tenemos en las novísimas ideas y concepciones torcidas acerca de ella, tal y como las encontramos, por ejemplo, en Tennemann, intérprete dotado de un espíritu filosófico demasiado pobre para poder penetrar en la filosofía de Aristóteles.” Nesse ritmo, erá que já não chegamos ao nono Aristóteles?

Tiene ante sí la intuición en su integridad y plenitud, y nada pasa por alto, por muy vulgar que ello sea.” Deveríamos criar o termo endução para explicar os casos de indução e dedução (ou endo-ção, de fora) indistintos (raciocínios perfeitos que são ambos e nenhum, não são de dentro nem de fora, apenas são).

Resulta fatigoso, a veces, seguirle en estas simples enumeraciones, que se desarrollan sin ninguna necesidad y en las que la serie de las acepciones o los significados parece concebirse solamente en cuanto a su esencia, que se presenta como común, y no en cuanto a sus determinabilidades, es decir, solamente en lo externo. Sin embargo, esta manera de proceder representa, de una parte, una enumeración lo más completa posible de los momentos de una cosa y, de otra parte, incita al investigador a buscar y encontrar por cuenta propia la necesidad.”

ORA, ORA, SE NÃO É DEUS! “Al enfocar todos los momentos contenidos en la representación, como si formasen una unidad, no prescinde de ninguna determinabilidad, no se atiene primero a una determinación y luego a otra, sino que las afronta todas a un tiempo, mientras que la reflexión intelectiva, que tiene como regla la identidad, sólo puede salir adelante con ella por la sencilla razón de que, al afirmar una determinación, olvida la otra y prescinde de ella.” Infelizmente, ainda que fosse verdade, precisamos de novos deuses e novas verdades…

Y es que el empirismo de Aristóteles es un empirismo total, pues le lleva de nuevo, constantemente, a la especulación; podemos, pues, decir que, como empírico consumado, es, al mismo tiempo, un empírico pensante.” Já vimos esse movimento se consumar umas 300x na História, estou nauseado…

Conceptos como cáscaras vacías del Ser.

Y si se tomase verdaderamente en serio el estudio de la filosofía, nada habría más digno que explicar desde la cátedra las doctrinas de Aristóteles, pues no hay entre los filósofos antiguos ninguno que tanto merezca la pena de ser estudiado como éste.”

Y, así como decimos que es hombre libre aquel que es en gracia a sí mismo y no en gracia a otro, así también podemos decir que la filosofía es la única ciencia libre, ya que es la única que existe en gracia a sí misma, como el conocimiento del conocimiento.”

Su tarea cotidiana versa sobre lo que es, lo mismo que la labor de un profesor es su curso semestral; y aunque para ello recorra toda la masa del mundo de las representaciones, sólo parece buscar lo verdadero en lo particular, sólo parece reconocer una serie de verdades particulares.”

Lo que a Aristóteles le preocupa, fundamentalmente, es descubrir la determinación de lo que es esta sustancia (ousia) [essência, em-si, ser] (Metaf. VII, 1).”

Aristóteles distingue, más de cerca, dos formas fundamentales: la de la potencia y la del acto.” GROSSO MODO, podemos dizer que a fonte de toda a concepção da síntese hegeliana está aqui, conforme destaque no Vol. I: essência e aparência, racional e real, em-si e para-si. Importante frisar que o segundo, embora o fenômeno não seja o principal de Hegel, posto que seu “deus”, por assim dizer, é a Razão, é importantíssimo como esteio da essência compreendida no mundo antigo como enteléquia e hoje como teleologia ou ciência dos fins. Devemos entender o fenômeno nesse mais nobre sentido, em que participa da dialética da enteléquia, para não gerar mais dúvida, como o nível de realidade consumada ou efetiva, ou seja, em que o Espírito exerce toda sua potência, no que Hegel chama de O CONCRETO ELEVADO A CONCEITO (e Aristóteles de substantia, mas ambos são o mesmo); e no que eu chamaria de ‘fenômeno sagrado’, se posso ‘blasfemar’ o vocabulário hegeliano e neologizar à minha maneira e à minha conveniência para facilitar meu trabalho e a compreensão que o leitor deve ter de Hegel ao fim desta excursão.

Curiosamente, Hegel é o acme do Idealismo e seu centro nevrálgico é o concreto ou empírico. Na filosofia subsecutiva, que teve de reparar seus pontos de vista, temos o império da Fenomenologia, em que o centro tem de ser a própria potência ou vontade (a substância pós-moderna), que havia sido menosprezada como provocadora última da realidade. Fazendo uma última simplificação, podemos assinalar a filosofia pós-platônica e pré-marxnietzscheana como excessivamente preocupada com o começo e o fim; e as filosofias DE PLATÃO SOMENTE NA ANTIGUIDADE INTEIRA e de Marx e Nietzsche EM DIANTE como aquelas atentas ao devir. Não preciso, espero, ter de ressalvar que a genealogia e a teleologia continuam sendo tratados dentro da fenomenologia do séc. XX em diante e que o devir já era “conhecido” e tratado até mesmo pelos insofisticados pré-socráticos. O que eu quis dizer é que o eixo de preocupação de primeira plana sofreu uma inversão quase simétrica em termos do que é o objeto da filosofia. Numa sentença, regressamos a Platão e reiniciamos de onde ele havia parado, com alguns conselhos muito úteis achados no caminho do calvário que antecedeu nossa chegada ao deserto chamado fim do milênio. (!!!)

INFINITO É O FENÔMENO (A AÇÃO): “cuando decimos: la esencia, no establecemos todavía con ello la actividad, pues la esencia es solamente el en sí, la potencia, sin forma infinita.”

Por tanto, mientras que lo predominante, en Platón, es el principio afirmativo, la idea, como algo sólo idéntico consigo mismo en lo abstracto, en Aristóteles predomina el momento de la negatividad, pero no como cambio, ni tampoco como la nada, sino como distinción, como determinación, destacado por él en cuanto tal. Este principio de la individuación, no en el sentido de una subjetividad contingente, particular, sino en el sentido de la subjetividad pura, es característico de Aristóteles.” O principium individuationis como o erro do milênio ou, antes, dos últimos três milênios.

El devenir de Heráclito es una determinación certera y esencial; pero el cambio carece todavía de la determinación de la identidad consigo mismo, de la firmeza de la generalidad. El río cambia constantemente, pero se mantiene también perenne y tiene, más aún, una existencia general.¹ De donde se deduce inmediatamente que Aristóteles (Metaf. IV, 3-6) polemiza principalmente contra Heráclito y otros cuando dice que el ser y el no-ser no son uno y lo mismo, fundamentando así aquella famosa tesis de la contradicción de que un hombre no es al mismo tiempo un barco.” Hahaha?!

¹ Quando Nietzsche diz que Heráclito poderia ter enunciado o eterno retorno, o que quer dizer é: faltava-lhe a condição subjetiva para afirmar a figura de linguagem do rio (o eterno, a essência) como aquilo que também se desdobra sobre si mesmo em fenômeno, repetindo-se como aparência e transitoriedade finita (além das águas deste rio, o próprio rio, que no fim de contas é apenas um subterfúgio para se referir ao universo).

Se ve inmediatamente que Aristóteles no comprende el ser o el no-ser puro, esta abstracción que no es, esencialmente, sino la transición de lo uno a lo otro, sino que entiende por lo que es, esencialmente, la sustancia, la idea, la razón, pero al mismo tiempo como fin que mueve.”

TUDO ISSO PARA DIZER <PRESENTE>: “Pero el punto supremo es más bien aquel en que se unen la potencia, la actividad y la entelequia: la sustancia absoluta, que Aristóteles (Metaf. XII, 6-7; IX, 8) determina, en general, diciendo que es lo inmóvil en y para sí, pero que, al mismo tiempo, infunde movimiento y cuya esencia es actividad pura, sin tener materia. Pues la materia como tal es lo pasivo, aquello en que se opera el cambio y que, por tanto, no se identifica simplemente con la actividad pura de esta sustancia.”

PRESENTE ETERNO (Conceito escolástico influenciado por Arist.): “Dios es la sustancia [ponto de encontro] en cuya potencia va también implícito, como algo inseparable, el acto; en ella, la potencia no se distingue de la forma, ya que produce a partir de sí misma sus determinaciones de contenido.” Aristóteles cria que a Idéia de Platão estava situada fora do tempo, portanto do presente, do movimento e da realidade; por isso achava ter reparado Platão. Tão ingênuo quanto parece! Nível de argumentação: “Meu absoluto é melhor que o seu! Crê em Deus-Pai!”.

Debe considerarse como la verdadera esencia, prosigue Aristóteles (Metaf. XII, 7) lo que se mueve en sí mismo, lo que ‘se mueve en círculo; y esto no debe buscarse solamente en la razón pensante [principium cognoscendi], sino también en el hecho’. (…) Como lo igual a sí mismo y como algo visible, esta esencia absoluta es ‘el cielo eterno’; 2 dos modos de representación de lo absoluto son, por tanto, la razón pensante y el cielo eterno.” Formulação superingênua do eterno retorno.

CURIOSA NOTA DE RODAPÉ, DEMONSTRANDO QUE AS AULAS DE HEGEL ERAM PESADAS, INSOSSAS E CONFUSAS, E QUE O FORMATO FINAL DO LIVRO É MAIS LEVE DEVIDO À INTERFERÊNCIA DOS DISCÍPULOS: (*) “Como esta explicación hegeliana del famoso pasaje de Aristóteles tiene en su favor el testimonio de tantas autoridades, el editor no puede seguir aquí, como tantas otras veces en el transcurso de estas Lecciones, la norma establecida por la sociedad de amigos de Hegel a cuyo cargo corre la edición de sus obras, que es la de corregir tácitamente los errores e inexactitudes que hayan podido deslizarse en la exposición del autor. Es evidente, de todos modos, que Aristóteles habla de 3 sustancias: de un mundo sublunar, que mueve el firmamento; del firmamento mismo, como el centro, que es a la par el motor y lo movido, y de Dios, como el motor inmóvil.” Frase original de Hegel, para contrastar: “El cielo es algo movido y es también, al mismo tiempo, algo que mueve. Y siendo, así, lo esférico algo a la par moviente y movido, tiene que haber necesariamente un centro que mueva, pero sea de suyo inmóvil y, al mismo tiempo, eterno y una sustancia y la energíaSuas sentenças não são pontuadas, e vai elencando sinónimos após as conjunções de ligação como se enriquecesse a exposição (por si inócua) acrescentar mais nomes e sinônimos ao que já tinha nome (Deus), e aumentando a barafunda do que é, pois que estas coisas são também outras coisas: enfim, que o primum mobile ou deus aristotélico é também ETERNO (Qual a definição de eternidade? Há algum deus que seja mortal ou limitado?), é também SUBSTÂNCIA (Qual a definição de substância? Por que não é redundante ser Deus e substância ao mesmo tempo?), é também ENERGIA (Qual é a definição de energia? Por que não é redundante ser Deus, substância e energia tudo ao mesmo tempo? No que deus ficaria pior se fosse retirado algum desses sinônimos arbitrários?)!… Uma absoluta perda de tempo – e energia!

Deus como uma rodinha de skate.

Por tanto, según Aristóteles, el concepto, principium cognoscendi, es también el motor, el principium essendi; lo proclama como Dios y señala su relación con la conciencia individual.” Revolucionário – só que não!

Me parece incrível, fabuloso até, que nem Ar. nem H. tenham percebido que só estão reescrevendo Platão sem o mesmo talento literário (ou percebem-no, mas fazem disso, dessa redação tecnicista, seu cínico ganha-pão): “Este sistema dura eternamente. ‘Pero a nosotros [como individuos] sólo por un breve tiempo nos está reservada una residencia en él que es la más excelente que apetecer podamos.’E ainda mais: o “filósofo da ação” (Ar., segundo a introdução de H.) é o mais contemplativo de todos! “el pensamiento es fin último y absoluto para sí mismo.”

El momento fundamental de la filosofía aristotélica consiste, por tanto, en que la energía del pensamiento y lo pensado objetivo sean una y la misma cosa” Ironia: Aristóteles cobra o por quê do Bem, p.ex., de Platão e Leucipo, mas tampouco dá o seu por quê energético. Não que seja um defeito seu; a energia é a mera referência de uma força física, e portanto um não-conceito, filosoficamente falando; o simples infundamentado e inessencial sobre o qual não se deve falar. O que pega mal é a hipocrisia do Estagirita: o parco entendimento dos outros (hipercrítica que exerce sobre o próprio mestre) e a excessiva indulgência em relação a si mesmo (a própria filosofia não é depurada e desenvolvida como seu lado crítico da tradição nos faz pensar). Nesse sentido ele é o pai ancestral de filósofos como Deleuze!

BLÁ, BLÁ, BLÁ… “En nuestro lenguaje, designamos lo absoluto, lo verdadero, como la unidad de lo subjetivo y lo objetivo que, por tanto, no es lo uno ni lo otro, aun siendo ambas cosas a la vez; pues bien, Aristóteles se debatió con estas formas especulativas, que aún hoy siguen siendo las más profundas, y las expresó con la mayor claridad. (…) Unidad es, por tanto, una expresión mala, antifilosófica, y la verdadera filosofía no es el sistema de la identidad, sino que su principio ha de buscarse en una unidad que es actividad, movimiento, repulsión y, en la distinción, algo idéntico a: sí mismo.” Tudo isso nos mostra que, se queremos derrubar Hegel de vez, devemos levar também tudo de aristotélico a pique!

el pensamiento divino tiene necesariamente que pensarse a sí mismo (puesto que es la más excelente de las cosas)”

Último abacate que vou postar. Pularei e eximirei o leitor de qualquer outro trecho degradante desse oceano de obviedades mixurucas!

La primera obra de Aristóteles sobre la materia es la Teoría física o de los principios, en 8 libros. Versa esta obra sobre el concepto de la naturaleza en general, sobre el movimiento y sobre el espacio y el tiempo, como debe de ser.”

Entre las obras relacionadas con la anatomía figuran sus tratados Sobre los órganos motores de los animales y Sobre las partes de los animales. Se refieren a la fisiología las siguientes obras: De la generación de los animales y Sobre el movimiento común de los animales. En seguida, Aristóteles pasa a tratar de la diferencia entre la juventud, y la vejez, entre el sueño y la vigilia y habla de la respiración, de los sueños, de la brevedad y la longitud de la vida, etc., materias todas de las que trata, en parte, de un modo empírico y, en parte, en un sentido más bien especulativo. Finalmente, escribe una Historia de los animales, pero no sólo como una historia natural en general, sino también como un estudio general de los animales, una especie de anatomía anatómico-fisiológica, si se quiere. Se le atribuye, asimismo, una obra de botánica titulada Sobre las plantas.”

Este pensamiento, añade Aristóteles, fue formulado preferentemente por Empédocles, quien presenta los primeros orígenes como un mundo de las más variadas monstruosidades, por ejemplo, animales con forma de toro y cabeza humana, las cuales, sin embargo, no podían conservarse, sino que perecieron todas, porque no estaban destinadas originariamente a perpetuarse, hasta que, por último, fueron reuniéndose los elementos con arreglo a un fin: y así, sin necesidad de recurrir a los fabulosos monstruos de los antiguos, nosotros mismos conocemos una serie de especies animales que se han extinguido por la sencilla razón de que no podían perpetuarse. También la actual filosofía de la naturaleza emplea la expresión de ‘surgir’ (que implica un desarrollo ajeno a todo pensamiento). Es una idea a que puede fácilmente verse conducida la filosofía de la naturaleza la de que los primeros productos de la naturaleza son a manera de intentos, de los cuales sólo pueden prevalecer aquellos que demuestren responder a un fin.”

de una parte, por obra de una filosofía mecánica que basa todo en la presión, el impulso, las combinaciones químicas, las fuerzas, es decir, en relaciones de orden externo, inmanentes sin duda a la naturaleza, pero que no parecen emanar de la naturaleza de los cuerpos, sino que son un aditamento extraño a ella, como el color en un líquido; de otra parte, bajo el influjo de una física teológica que establece como causas los pensamientos de una inteligencia exterior al mundo. Fue la filosofía kantiana la que hizo revivir entre nosotros aquel concepto, por lo menos para lo orgánico, enjuiciando por tanto lo vivo como un fin de sí mismo.” “El hecho de que la época más reciente haya traído de nuevo al recuerdo lo racional acerca de esto no es, pues, otra cosa que la justificación de la idea aristotélica.”

Aristóteles (Física IV, 6-7) pasa a hablar del espacio vacío, antiguo problema, que todavía no ha sido resuelto satisfactoriamente por los físicos de hoy. Si estudiasen a Aristóteles, sabrían a qué atenerse; pero, al parecer, es como si para ellos no existieran en el mundo ni el pensamiento en general ni Aristóteles en particular. ‘El vacío, según la manera corriente de pensar de los hombres, es un espacio en que no existe ningún cuerpo; y, como para ellos lo corpóreo es lo existente, llaman espacio vacío a aquel en que no existe absolutamente nada. La hipótesis de un espacio vacío tiene su razón de ser principalmente de una parte en que se considera el vacío’ —lo negativo de un modo existente— ‘como necesario para el movimiento, ya que los cuerpos no pueden moverse en el espacio lleno’ y, por consiguiente, allí donde se muevan no tiene que haber nada. ‘El otro argumento en favor del vacío se encuentra en la compresión de los cuerpos, en que las partes penetran en los poros vacíos.’

INTUIÇÃO DA LEI DA INÉRCIA: “En efecto, demuestra de una parte que el vacío anula más bien el movimiento y que equivaldría, por consiguiente, a una quietud general: es la total indiferencia con respecto al sentido en que se mueve más o menos algo; en el vacío quedan suprimidas todas las diferencias. Es la pura negación: ni objetos ni diferencias; por tanto, no hay razón alguna para permanecer quietos ni para seguir adelante. Ahora bien, los cuerpos se hallan en movimiento y, además, como cuerpos distintos los unos de los otros: tienen pues una relación positiva y no simplemente una relación con la nada.”

La diferencia de velocidad guarda la misma proporción con la diversidad del peso específico del medio, aire o agua, de tal modo que cuando el medio es la mitad menos denso aumenta la velocidad al doble.”

Por lo que se refiere al otro caso, o sea a la diferencia entre lo pesado y lo ligero, que se aprecia en los cuerpos mismos, tenemos que aquello se mueve más ligeramente que esto a través del mismo espacio; ‘pero esta diferencia se da solamente en el espacio lleno, pues el cuerpo pesado separa más rápidamente lo lleno, gracias a su fuerza’. Esta concepción es absolutamente exacta y va dirigida principalmente contra una serie de representaciones que hacen estragos en nuestra física. Estas representaciones [fenômeno observável] acerca del movimiento igual de lo pesado y lo ligero, como las que se refieren a la gravedad pura, [una] al peso puro, a la materia pura, etc., son una abstracción, como si se tratase de cosas iguales en sí y diferentes solamente por la resistencia casual del aire. [múltipla]¹Aristóteles não tem ‘culpa’ alguma de não conhecer a aceleração da gravidade em uma mesma pressão atmosférica, mas Hegel não deveria ignorar Newton! Lembrando que nesta parte não se procede exatamente à história da filosofia, mas da própria física…

¹ Hegel confunde os reinos da aparência e da essência, como se a essência fosse figurada na própria representação! Mas, apesar do modo oblíquo que elegeu para se expressar, Hegel não colide aqui com o modelo da física experimental (contra o que ele mesmo pensa): o que ele quis dizer é simplesmente que não existe o vácuo perfeito, então, na prática, se um bloco compacto de uma liga metálica muito pesada, digamos, de 1 tonelada, cai retilineamente por um abismo ao lado de uma pessoa de 80kg, por mais que essa pessoa seja maior que o bloco e possua ‘mais superfície’ (sofrendo a resistência do vento oposto em uma área maior que a do bloco), não significa que ambos chegariam ao fim do abismo – que deveria ser profundo o suficiente – simultaneamente (após o fim da aceleração da gravidade e o começo da trajetória em que ambos cairiam a 10m/s, uniformemente), pois a resistência do ar ainda seria maior contra o bloco de metal, mais ‘pesada’, anulando sua massa gravitacional. Um tubo de ensaio em que o vácuo perfeito fosse possível seria contraditório com o célebre modelo das ‘quedas idênticas’ porque aí já nem haveria possibilidade de queda dos corpos, apenas repouso.

Cuando el agua se convierte en aire, gana en extensión; pero la materia sigue siendo la misma, sin que a ella se sume ninguna otra cosa distinta: lo que ocurre es que lo que antes era en potencia lo es ahora en acto.” Também é incrível como o mundo moderno levou tantos séculos para chegar ao mesmo entendimento formal. Dito isto, Arist. continua péssimo metafísico; mas exímio cientista natural!

Aristóteles, por el contrario, concibe esto en un sentido totalmente dinámico, claro está que no con el significado que hoy suele darse a la palabra ‘dinámico’, es decir, como una mayor intensidad o un grado mayor, sino que se refiere a la intensidad certeramente como una posibilidad general.”

O ponto euclidiano como patas de uma aranha em eterno debate descoordenado.

SEMPRE ESBARRAM EM KANT (TEMPO E ESPAÇO SÃO AS MODALIDADES SINE QUA NON DA REPRESENTAÇÃO): “cuando colocan el vacío antes del principio de la generación, esto no es otra cosa que lo quieto, lo igual a sí, es decir, la materia eterna, establecida ya, por tanto, antes de la generación; pues no hacen honor a su palabra cuando dicen que antes de la generación sólo existe la nada.”

Este éter parece ser la materia eterna, pero que no aparece expresado de un modo tan claro, sino que parece detenerse como el cielo en nuestras representaciones: y, en general, es aquí donde empieza a revelarse más y más la yuxtaposición.”

Acerca de esto, hay que hacer notar que, aunque estas determinaciones fundamentales sean muy poco exhaustivas, Aristóteles va, sin embargo, mucho más allá que los modernos, ya que no profesaba este concepto de los elementos que se hace valer en los tiempos actuales, según el cual el elemento, como algo simple, está llamado a permanecer. Ahora bien, semejante determinabilidad simple del ser es una abstracción y no tiene ninguna realidad, ya que entonces no sería susceptible de movimiento ni cambio alguno; el elemento mismo debe tener realidad; está, por tanto, sujeto a disolución como la unidad de lo contrapuesto.”

He ahí por qué se pasan de listos quienes nos reprochan el que incluyamos entre los elementos el agua, el aire, etc. Ni siquiera bajo el nombre de ‘neutralidad’ han llegado los físicos modernos a una generalidad concebida como unidad, como la que Aristóteles atribuye a los elementos; en realidad, el hidrógeno, cuando se combina con una base, no sigue existiendo como tal, según a veces se afirma, dentro de la nueva combinación.” É verdade que o modo descritivo moderno é pobre, mas H. se esforça além do aceitável para encimar Arist. sobre a física moderna, vendo em sua física algo mais do que é.

De hecho, en la Meteorología pasa Aristóteles a estudiar el proceso general de la naturaleza. Pero, en este punto, llegamos con él al límite. Aquí, en el proceso de la naturaleza, la determinación simple como tal —esta manera de la determinación progresiva— deja de regir y pierde todo su interés.” “El fenómeno sensible empieza a cobrar primacía aquí, pues lo empírico presenta precisamente la naturaleza del distinto modo de dispersarse. El fenómeno empírico va escapándose así del pensamiento, el cual sólo registra por doquier el cuño de la toma de posesión, pero sin poder ya penetrarlo por sí mismo, puesto que retrocede del campo de lo ideal, donde aún existían el tiempo, el espacio y el movimiento.”

En cuanto a la contraparte de la filosofía de la naturaleza, o sea la filosofía del espíritu, encontramos señalada también en Aristóteles, en una serie de obras que citaremos, la diferencia entre las diversas ciencias especiales.

En primer lugar, sus 3 libros Sobre el alma estudian la naturaleza general abstracta del alma, principalmente a modo de refutación, aunque tratan también, de un modo más difícil y especulativo, de su naturaleza en sí misma; no de su ser, sino de la determinada manera y posibilidad de su efectividad, en lo que consiste, según Aristóteles, su ser y su esencia.”

Finalmente, nos lega, con su Política, una exposición de las constituciones esenciales de los Estados y de los diversos tipos de constitución, que va examinando por el método empírico” Atingindo, por sinal, péssimos resultados.

De una parte, [hoje,] la cólera, por ejemplo, se considera como un deseo de venganza o como algo por el estilo; de otra parte, como una irritación de la sangre del corazón o del calor dentro del hombre. Aquél es el punto de vista racional, éste el punto de vista material ante la cólera. Es algo así como si, de una parte, se definiese la casa como un abrigo contra el viento, la lluvia y otros accidentes y, de otra parte, como una construcción hecha de madera y de piedras: el primer criterio busca, en efecto, la determinación y la forma, o sea el fin de la cosa; el segundo, su materia y su necesidad.”

El alma es la sustancia como forma del cuerpo orgánico físico, que tiene vida en potencia, pero su sustancia es efectividad, y concretamente, la acción de un cuerpo así [es decir, animado].”

No porque el alma sea la forma se debe preguntar si el alma y el cuerpo forman una unidad, del mismo modo que no se pregunta si forman una unidad la cera y su forma, ni si la materia y sus formas, en general, forman una unidad.”

En efecto, si consideramos el alma y el cuerpo como una unidad, al modo de una casa, formada por una multitud de partes, o como la cosa y sus cualidades, el sujeto y el predicado, etc., seguiremos la senda del materialismo, en que ambos elementos son considerados como cosas. Semejante identidad constituye una determinación completamente abstracta y, por tanto, superficial y vacía, que no puede predicarse, ya que la forma y la materia no tienen el mismo rango de dignidad en lo que al ser se refiere; la identidad verdaderamente digna solo puede concebirse como tal entelequia.

Sólo cabe, pues, preguntarse si la actividad forma una unidad con su órgano; y nuestra idea es, desde luego, que esa pregunta debe ser contestada afirmativamente.”

ROLA UMA BRIGUINHA ENTRE EDITORES, TRADUTORES E DEMAIS ENVOLVIDOS NA EXECUÇÃO DA OBRA ATRAVÉS DAS NOTAS DE RODAPÉ: “El alma es la sustancia, pero sólo en cuanto al concepto; pero esto no es sino la forma sustancial(*) de semejante cuerpo.

(*) El editor se ha creído autorizado a introducir aquí esta traducción, usual entre los escolásticos y recogida por Leibniz (Cfr. Michelet, Examen critique).” HAHAHA!

Por consiguiente, a la pregunta de ¿cuál es la sustancia del ojo?, ¿son acaso los nervios, los humores, las membranas, esa sustancia?, contesta Aristóteles: por el contrario; la visión misma es la sustancia; aquellas materias no son sino un vacuo nombre.”

la vida vegetal es el concepto de lo orgánico.”

Ó! EUREKA! “En efecto, es de todo punto indiferente el que nos encontremos determinados subjetiva u objetivamente” Mas isso Platão já o sabia!

Es cierto que la mónada leibniziana parece ser una representación opuesta a ésta, en cuanto que toda mónada, todo punto de mi dedo, como átomo o individuo, es un universo entero en el que todo se desarrolla dentro de sí mismo, sin relación con otras mónadas.”

Es un falso idealismo el que sostiene que la pasividad y la espontaneidad del espíritu dependen de que la determinabilidad dada sea interior o exterior” “…al modo como lo entiende Fichte, quien considera ya parte suya la chaqueta que viste, por el mero hecho de vestirla, o simplemente por considerarla.” Hahaha!

quien tiene la facultad de oír no siempre oye”

Existen dos palabras para expresar el oír y el resonar, pero no así para expresar el ver; el ver es la actividad del que ve, pero la actividad del color carece de nombre.” Ouvi sem escutar, escutei distintamente suas palavras sem nada ouvir.

En lo corpóreo, por tanto, se contraponen entre sí la materia, como potencia, y la forma externa, como acto; pero el alma es, por el contrario, la potencia general misma, sin materia, porque su esencia es la efectividad.”

RESERVATÓRIO: “El pensamiento se convierte en entendimiento pasivo, es decir, en algo objetivo; y así se aclara ahora hasta qué punto es el nihil est in intellectu, quod non fuerit in sensu el sentido de la filosofía de Aristóteles.” Não pode ser pensado aquilo que não foi sentido Não pode ser pensado aquilo que não foi pensado. Tudo que foi pensado foi sentido, etc., etc.. E implicações com os trechos destacados por Derrida na Enciclopédia.

Es, como se ve, una actitud altamente idealista; a pesar de lo cual hay quienes se empeñan en ver en Aristóteles un pensador empírico.” Duro é pensar que elogiam Fraud tanto tempo depois dizendo a mesma coisa (‘ele é empírico!’).

El término técnico para expresar esto es la conocida tabula rasa, con la que nos encontramos dondequiera que se habla de Aristóteles: Aristóteles quiere decir, según quienes así interpretan su pensamiento, que el espíritu es como una hoja en blanco sobre la cual se escribe acerca de los objetos exteriores, lo que vale tanto como decir que el pensamiento viene de fuera. Pues bien, eso es cabalmente lo contrario de lo que Aristóteles sostiene. La representación, en vez de atenerse al concepto, concibe estos símiles fortuitos como si expresaran la cosa misma. Sin embargo, Aristóteles no pretende, ni mucho menos, que este símil se tome en todo su alcance, al pie de la letra: el entendimiento no es, ni mucho menos, una cosa, ni tiene la pasividad de una tablilla de cera sobre la que se escriba; el entendimiento es la efectividad misma, que no está, como en el caso de la tablilla de cera para escribir, fuera de ella. El símil se limita, por tanto, a indicar que el alma sólo tiene un contenido en cuanto realmente se piense. Cuando dice que el alma es este libro en blanco quiere decir, por tanto, que lo es todo en sí, pero que no es de suyo esta totalidad; lo mismo que, en potencia, un libro lo contiene todo, pero en acto no contiene nada antes de estar escrito. La actividad real, y sólo ella, es lo verdadero”

O termo técnico para expressar isto é a conhecida tabula rasa, com que nos encontramos onde quer se fale de Aristóteles: Aristóteles quer dizer, segundo quem assim interpreta seu pensar, que o espírito é como uma folha em branco sobre a qual se escreve acerca dos objetos exteriores, o que vale tanto quanto dizer que o pensamento vem de fora. Pois bem, isso é cabalmente o contrário do que Aristóteles sustenta. A representação, em vez de se ater ao conceito, concebe estes símiles fortuitos como se expressassem a coisa mesma. Contudo, Aristóteles não pretende, na outra mão, que este símile seja tomado em todo o seu alcance, ao pé da letra: o entendimento não é tampouco uma coisa, nem tem a passividade de uma tabuleta de cera sobre a qual se escreva; o entendimento é a efetividade (realidade) mesma, não está, como no caso da tábua de cera que serve para escrever, fora do real. O símile se limita, portanto, a indicar que a alma só tem um conteúdo enquanto realmente se pensa. Quando diz que a alma é este livro em branco, Aristóteles quer dizer, por conseguinte, que ela é tudo em si, mas que não é para si mesma esta totalidade; o mesmo que, em potência, um livro contém tudo, mas em ato não contém nada antes de estar escrito. A atividade real, e somente ela, é o verdadeiro.”

El séptimo y octavo capítulo se dedican a explicar ciertas tesis de los capítulos cuarto y quinto; comienzan recapitulando las tesis en cuestión y parecen glosas de un comentador. ‘El alma —dice Aristóteles (De anima, III, 8)— es, en cierto modo, todo lo que es. Pues lo que es es una de dos cosas: lo sentido o lo pensado. La ciencia misma es, en cierto modo, lo sabido, y la sensación lo sentido. Ahora bien, estas cosas sabidas y sentidas son o bien ellas mismas o bien las formas. La ciencia y la sensación no son las cosas mismas (la piedra no se halla en el alma), sino su forma; por donde el alma es como la mano. Ésta es el instrumento de los instrumentos: el entendimiento, por su parte, es la forma de las formas, y la sensación la forma de lo sensible.’”

O 7º e o 8º capítulos se dedicam a explicar certas teses dos capítulos 4 e 5; começam recapitulando as teses em questão à guisa de glosa de um comentador. ‘A alma – diz Aristóteles em De Anima, vol. III, c. 8 – é, de certo modo, tudo o que é. Pois o que é é uma de duas coisas: o sentido ou o pensado. A ciência mesma é, de certa forma, o sabido, e a sensação o sentido. Ora, estas coisas sabidas e sentidas são ou bem elas mesmas, ou bem as formas. A ciência e a sensação não são as coisas mesmas (a pedra não se acha na alma), senão sua forma; daí que a alma é como a mão. Esta é o instrumento dos instrumentos: o entendimento, por sua vez, é a FORMA DAS FORMAS, e a sensação a forma do sensível.’

deste modo, Ar. não é realista” Às vezes H. devia apenas citar e calar o bico – assim não tinha chance de falar tanta asneira!

A PONTA DO NARIZ E ARISTÓTELES (ALMA VII): “O entendimento pensa o abstrato como se a conformação do nariz não fosse a conformação do nariz, inseparável da carne, senão algo vazio.”

“‘quem nada sente, nada aprende nem nada entende; se conhece algo, necessariamente tem que conhecê-lo também como representação, pois as representações são como as sensações, só que sem matéria. Pois bem, e em que se distinguem os pensamentos originários das representações? Ou bem não são inclusive os outros pensamentos nenhuma classe de representação, mesmo que sempre impliquem uma representação?’ Como aquilo que segue no livro não responde estas perguntas, isso parece ser mais uma indicação de que estes fragmentos têm origem apenas posterior.”

QUANTA AFETAÇÃO! “Esta identidade do subjetivo e do objetivo, que existe no entendimento ativo, enquanto que as coisas e os estados finitos do espírito são o separado de ambos, já que neles o entendimento só existe em potência, representa o cume mais alto a que pode chegar a especulação, e Aristóteles retorna assim a seus princípios metafísicos, nos quais chamava à razão que se pensa a si mesma o pensamento absoluto, o entendimento divino ou o espírito no plano do absoluto.”

Tres grandes obras éticas se han conservado de Aristóteles: la Ética Nicomaquea, en 10 libros, la Gran Ética, en 2 libros, y la Ética Eudemia, en 7 libros; la última se refiere más bien a las virtudes especiales, mientras que las 2 primeras contienen, preferentemente, investigaciones generales en torno a los principios.

Así como lo mejor que poseemos acerca de los problemas de psicología, hasta estos últimos tiempos, es lo que hemos recibido de Aristóteles, es también excelente lo que nos ha legado acerca de la voluntad real, la libertad, acerca de las determinaciones ulteriores de la imputación, la intención, etc. Lo que ocurre es que hay que imponerse el trabajo de estudiarlo y conocerlo, traduciéndolo a nuestro propio modo de hablar y de pensar, lo que naturalmente no es fácil. También aquí, como en lo físico, procede Aristóteles analizando uno tras otro, del modo más concienzudo y verdadero, los diversos momentos que se dan en la voluntad: el propósito, la resolución, el obrar voluntario o forzado, el obrar por ignorancia, la culpa, la imputabilidad, etc. No hemos de detenernos en este estudio, de carácter más bien psicológico”

Aristóteles no se da por satisfecho con la idea platónica del bien, por ser solamente lo general, sino que plantea el problema de su determinabilidad.” Problema dele.

Cuando el conocimiento es malo o incluso inexistente, pero el corazón, a pesar de ello, se comporta bien, podrá según Aristóteles existir bondad, pero no virtud, ya que falta el fundamento, o sea la razón, sin el que la virtud no puede existir.” Sempre traduzir conhecimento na Ética de Aristóteles como sabedoria no sentido schopenhaueriano, para facilitar. E coração como o verdadeiro ethos contemporâneo. O mito do burro bom (na verdade ele pode ser no máximo inofensivo). Falo em Schopenhauer, porque ambos são concordes neste aspecto. Já eu descartaria a existência de um burro bom, ou dum inteligente mau.

De ahí que Aristóteles, según veíamos, censure a Sócrates por cifrar la virtud exclusivamente en el conocimiento.” Naturalmente, pois não entendeu Sócrates. Aristóteles endeusou (literalmente!) a Razão, mas não entendeu tampouco a razão socrático-platônica: não significa usar o pensamento ou acumular informações. Significa ser sábio. Logicamente, o sábio socrático é virtuoso. Não existe inteligência, para Sócrates, dissociada de caráter! Arist. entende que aquele que possui a ciência filosófica alcançaria como por milagre noções éticas. É muito fácil estereotipar esse entendimento, dizendo que para Sócrates a virtude era uma iluminação individual. Mas esta não é a correta leitura da doutrina platônica. A ocorrência moderna que chamamos de “erudito” que na verdade não passa de velhaco não refuta ‘a ingenuidade socrática’: ele é um erudito, pois que seja, porquanto querem chamá-lo de erudito, ou permitem que se chame a si de erudito; isto não importa para nós. Ele é um hipócrita que nada tem que ver com a figura do sábio. Tampouco pode-se chegar a essa condição por esforço. Daí a força atual que conserva a metáfora da reminiscência em Platão. Outro exemplo: um político maquiavélico é tolo, pois não compreende que tudo é vaidade. No tomo I eu fui mais específico a este respeito.

Por consiguiente, en la virtud, en cuanto ésta tiende a la realización y es atributo del individuo, no puede decirse que sea la razón el principio único, sino que es la inclinación el elemento propulsor, concreto, el que precisamente en lo práctico y en el sujeto tiende a la realización.” Hegel descreve apropriadamente Arist.. O grifo verde se destina a criticar a compreensão aristotélica da moral: ele decompõe a conduta ética em teórica e prática. Sua delimitação ética é sem dúvida a que norteia a disciplina Ética moderna. Porém, isso é um mal, um retrocesso em relação a Platão. Nietzsche foi o primeiro filósofo a apontar tal erro. A virtude é um atributo inato do indivíduo. Não se pode realizar a virtude quando é-se dela carente, daí a ilusão de que alguém dotado da capacidade teórica (todo homem) de ser virtuoso falha na execução (só executa a virtude aquele que nasceu virtuoso e sábio). Ter conhecimento teórico da virtude e não aplicá-lo na prática é o mesmo que dizer que é-se meio-virtuoso, virtuoso incompleto. Ora, ou é-se virtuoso ou não se o é. É redundante falar em virtude não-realizada, por isso Aristóteles discorda de Platão – pois crê que vale a pena falar desse tipo de meia-virtude. A razão é o princípio único, porém não a razão aristotélica. Isso faz com que Aristóteles tenha de recorrer à ‘inclinação’ como elemento propulsor. Essa inclinação é inata à razão corretamente compreendida no platonismo, e não existe tal decomposição em 2 palavras ou conceitos, em que um se subordina aleatoriamente ao outro. Assim, não é que a Ética seja uma disciplina voltada à prática; ela é teórico-prática, uma unidade, desde o início. Mas o homem moderno não enxerga a validade do teórico, preferindo expulsá-lo do campo ético.

aunque se haya censurado como algo muy insuficiente e indeterminado al hecho de que Aristóteles determine la virtud más bien como una diferencia de grado, hay que reconocer que esto es algo que va implícito en la naturaleza misma de la cosa. La virtud, y más que ninguna otra la virtud determinada, entra en una órbita en que ocupa un lugar lo cuantitativo; el pensamiento aquí no permanece ya cabe sí como tal, siendo indeterminado el límite cuantitativo.” Essa definição é satisfatória no mundo dos moralistas e autores de auto-ajuda, no mundo dos comuns e plebeus. Para um filósofo, é um achado muito aquém do desejável.

Aristóteles dábase cuenta, más o menos claramente, de que la sustancia positiva, la necesaria organización y realización del espíritu práctico es el Estado, que es realizado por medio de la actividad subjetiva de tal modo que ésta encuentra en él su determinación. Por eso también Aristóteles ve en la filosofía política toda la filosofía práctica y el fin del Estado como la felicidad general.” De novo, o mesmo erro. Não existe política apenas prática. A ciência política moderna é Aristóteles desenvolvido: é o que temos, mas não é ciência nem um conhecimento sobre política, ainda.

Aunque el supremo bien es el mismo para el individuo que para el Estado en su conjunto, parece que es, desde luego, más grande y más digno el conquistar y conservar ese bien para un Estado; cierto que es ya meritorio el conquistarlo para un individuo, pero es más bello y más divino el hacerlo para todo un pueblo y para Estados enteros. Pues bien, la ciencia práctica aspira a eso y forma, por tanto, en cierto modo, parte de la política.” Ética a Nicômaco, citação que cai como uma luva para Hegel.

Pero quien es incapaz de vivir en sociedad o no necesita de ella por considerarse independiente y superior, sólo puede ser una de 2 cosas: o un animal salvaje o un dios.”

[e]l principio moderno, según el cual la voluntad particular del individuo se erige, como lo absoluto, en el punto de partida; [a revolução francesa] y así, todos contribuyen, por medio de la emisión de sus sufragios, a decidir lo que ha de regir como ley, estableciendo la comunidad sobre estas bases. En Aristóteles, por el contrario, como en Platón, el Estado¹ es el prius, lo sustancial, lo fundamental, pues su fin es el más alto de todos, desde el punto de vista de lo práctico.”²

¹ Essa generalização de H. pode custar muito caro em mal-entendidos: “Estado” significa coisas diferentes para Platão, Aristóteles e para o próprio Hegel.

² O leitor fica tentado a se perguntar: se o princípio moderno é o individual e o princípio antigo é o coletivo, qual deve prevalecer, qual é o melhor? A resposta curta e grossa é: nenhum. Não podemos mais defender uma Teoria do Estado, nem tampouco continuar com os pressupostos do Liberalismo, que institui o Homo oeconomicus atomizado, um inútil político.

Ningún país como Grecia abundaba tanto en múltiples constituciones como en cambios dentro de cada una de ellas en un solo Estado, a pesar de lo cual los griegos no llegaron a conocer en ningún momento ese derecho abstracto de los Estados modernos que aísla al individuo, lo deja hacer como tal y, sin embargo, los mantiene en cohesión a todos como un espíritu invisible, de tal modo que en ninguno se dé ya ni la conciencia ni la actividad con vistas al conjunto, sino que cada cual actúa para el todo, sin saber cómo, tan sólo en la medida en que se le reconoce esencialmente como persona y en que sólo se preocupa de la protección de su individualidad. Es una actividad dividida, de la que cada uno sólo tiene en sus manos un fragmento: del mismo modo que, en una fábrica, nadie forma un todo, sino solamente una parte y no posee las demás habilidades necesarias, ya que solamente algunos determinan la cohesión del conjunto.” Trecho fundamental para a funda(menta)ção do Marxismo.

La libertad burguesa, en este sentido, consiste precisamente en la carencia de lo general, en el principio del aislamiento; pero esta libertad constituye un momento necesario que los antiguos Estados no conocían” É como dizer que Diógenes o Cínico era uma existência necessária – quase uma confissão de mesianismo!

sólo ahora se hace posible la consistencia interior y la indestructible generalidad, real y consolidada en sus partes.” O Estado moderno é realmente muito consistente – como exemplifica muito bem a arbitrariedade racional-legal chamada Israel –; só esperamos que não seja exatamente indestrutível! Felizmente, entretanto, Hegel não perde muitas páginas comentando a Política.

Al otro lado de la filosofía del espíritu se halla la ciencia aristotélica del pensamiento abstracto, la lógica, que aún nos queda por examinar, ciencia venerada por espacio de siglos y de milenios con la misma fuerza con que hoy se la desprecia. Aristóteles está considerado como el padre de la lógica: sus obras sobre esta materia son la fuente y el tratado de los estudios lógicos de todos los tiempos, que no eran, en parte, otra cosa que desarrollos especiales de los principios sentados por el Estagirita, lo que necesariamente hacía de ellos proyecciones secas, opacas, imperfectas y puramente formales; todavía en los tiempos más recientes habría de decir Kant que la lógica era, desde Aristóteles, como la geometría pura desde Euclides, una ciencia acabada que había venido manteniéndose hasta nuestros días sin experimentar el más pequeño mejoramiento científico ni enriquecerse con ninguna aportación nueva.”

Así como en la historia natural se examinan y describen los animales, por ejemplo, el unicornio, el mamut, esta o aquella clase de escarabajos o de moluscos, etc., Aristóteles traza también, en cierto modo, la descripción natural de estas formas espirituales del pensamiento; pero, en estas deducciones de unas cosas a otras, Aristóteles se limita a exponer y precisar el pensamiento en su aplicación finita: su lógica es, por tanto, una historia natural del pensamiento finito.” “hay que reconocer que esta conciencia es verdaderamente admirable, y más admirable aún el desarrollo de esta conciencia; y esta lógica, por tanto, una obra que hace honor en el más alto grado a la profundidad de espíritu de su inventor y a su gran capacidad de abstracción.”

Las categorías, de las que trata la primera de estas 5 obras, son las determinaciones generales, lo que se predica del ser: tanto lo que hoy llamamos conceptos intelectivos como las cualidades simples de las cosas. Podríamos llamar a esto una ontología, una parte de la metafísica; estas determinaciones aparecen también, por tanto, en la metafísica aristotélica.” Diz-se, ademais, que a parte das categorias na Lógica arist. está incompleta.

Los conceptos determinados se predican con unión o sin unión: así por ejemplo, cabe decir: el hombre vence, el buey anda, o bien: el hombre, el buey, vencer, andar.”

As determinações da lógica aristotélicas já foram há muito tempo absorvidas por todos os que filosofam. Quatro noções básicas (abaixo) são o gênero, o geral, o particular e o individual.

El concepto es una realidad lógica y, por tanto, algo en sí puramente pensado, es decir, posible. En el juicio, postula el concepto A como un sujeto real y combina con él a otro algo real, como concepto B; se trata de que B sea el concepto y de que A se halle dotado de ser con respecto a él, pero B es solamente el concepto más general. En el silogismo, trata de imitarse la necesidad: ya en el juicio se contiene la síntesis de un concepto y un deber ser: en el silogismo se trata de dar a esa síntesis la forma de la necesidad, equiparando ambos términos contrapuestos dentro de un tercero como a través del término medio de la razón, por ejemplo en el justo medio de la virtud. La premisa mayor expresa un ser lógico, la menor una posibilidad lógica, pues Cayo es, para la lógica, un algo simplemente posible; la conclusión sirve de lazo de unión entre ambos términos.”

EXPLICAÇÃO CONTIDA NA DEFINIÇÃO DE GÊNERO: “O conceito é uma realidade lógica e, portanto, algo em si puramente pensado, i.e., possível. No juízo, postula-se o conceito A como um sujeito real e se o combina com outro algo real, como conceito B; trata-se de que B seja o conceito e de que A se ache dotado de ser com respeito àquele, mas B é somente o conceito mais geral. No silogismo, trata-se de imitar a necessidade: ao passo que no juízo contém-se a síntese de um conceito e um dever-ser, no silogismo dá-se a tal síntese a forma da necessidade, equiparando ambos os termos contrapostos dentre de um terceiro como através do termo-médio da razão, p.ex. no justo meio da virtude. A premissa maior expressa um ser lógico, a menor uma possibilidade lógica, uma vez que Caio é, para a lógica, um algo simplesmente possível; a conclusão serve de laço de união entre ambos os termos.” Parece muito mais difícil do que é pela explicação.

Há um problema com a Lógica aristotélica quando avaliada por Hegel, pois falta-lhe a noção do Absoluto, presente na lógica hegeliana. Por isso, o “geral” em Ar. é uma determinação “pobre”, aquém do “geral moderno”, ou geral em H. Veja abaixo:

O GERAL: Aquilo que não é nem ser em si (essência, potência, abstrato) sem ser para si (aparência, ato, concreto).

O PARTICULAR: O concreto, partícipe do geral, a aparência que o sujeito pode nomear como momento seu. O predicado determinado-com-referência-a. Poderíamos dizer que se houvesse a reflexão sobre a reflexão nesse processo, seria o Absoluto hegeliano (o ser em e para si); mas aqui não há este desdobrar e retornar a si mesmo da consciência individual, então o processo é incompleto.

O INDIVIDUAL: A aparência pura (fenômeno, representação). O predicado indeterminado. Chamado, em outro tópico do livro, de categoria da substância. Como é mera ação cega, um nível abaixo da concretude, mal é conceito.

Enfim, ‘memorizar’ essas sutilezas a nada leva, senão que o raciocínio filosófico e o pensamento lógico se formam naturalmente no filósofo. O acrescer o tempo todo homônimos só confunde a cabeça dos neófitos.

La segunda obra es la que versa sobre la interpretación

Provavelmente o que hoje ensina-se como RACIOCÍNIO LÓGICO propriamente dito. Proposições, verdade ou falsidade (inferência e juízo do contéudo que se contradiz).

Forman la tercera parte los libros analíticos, que son 2 obras, los primeros y los posteriores: [¿?] tratan con bastante detalle de la prueba y de los silogismos.”

La cuarta obra es la llamada Tópicos, que trata de los lugares (topoi)” “Esta parte de la lógica aristotélica fue desarrollada por Cicerón [¡!] y Giordano Bruno.” “Ahora bien, esto, según Aristóteles, forma parte de la dialéctica, que él llama un instrumento para descubrir proposiciones y conclusiones, partiendo de lo probable.” “Y distingue también los silogismos dialécticos y probatorios de los retóricos y de toda clase de medios de persuasión, incluyendo entre los retóricos la inducción.”

Finalmente, la quinta obra es la llamada Refutaciones sofísticas o De los giros, en la que, en el desarrollo inconsciente del pensamiento en sus categorías, por lo que se refiere a la parte material de las representaciones, cae en constantes contradicciones consigo mismo.” “los que más se distinguieron en el estudio de estas contradicciones fueron los megáricos”

Pues, por muy árida y carente de contenido que pueda parecernos la enumeración de las distintas clases de juicios y silogismos y sus múltiples entrelazamientos y camino poco adecuado para llegar a la verdad, no es posible levantar, por vía de contradicción, otra ciencia frente a ésta. Si, por ejemplo, se considera como una aspiración legítima y digna llegar a conocer, en la entomología erudita, la indecible cantidad de animales que existen, por ejemplo, las 167 especies de cuclillos, diferenciadas a veces solamente por un mechoncito de plumas en la cabeza, una miserable especie nueva de musgo dentro del miserable género musgo, un insecto, una hormiga, una chinche, etc., no cabe duda de que es mucho más importante conocer las diversas modalidades del movimiento del pensar.” Bom ponto, H.! Mas a Lógica aristotélica não deixará de ser chata por isso!

su defecto no consiste, por tanto, en que sean simplemente formas, sino por el contrario en que carecen de forma y en que hay en ellas demasiado contenido.” Em vez de o Estagirita, o Enciclopédico como epíteto!

A pesar de que esta lógica de lo finito es, por naturaleza, muy poco especulativa, no hay más remedio que conocerla, pues la encontramos por todas partes en las relaciones de lo finito. Hay muchas ciencias, conocimientos, etc., que no conocen ni aplican más formas del pensamiento que estas formas del pensar finito, que en realidad constituyen el método general de las ciencias finitas. Las matemáticas, por ejemplo, son un proceso constante de deducciones; y la jurisprudencia consiste en la subsunción de lo particular bajo lo general, en la unión de estos dos aspectos.

Dentro de estas relaciones de determinaciones finitas, el silogismo es indudablemente por la trinidad de sus términos, la totalidad de estas determinaciones, razón por la cual ha sido llamado por Kant (Crítica de la razón pura, p. 261) el silogismo racional” Os doidos entendem-se entre si. H. e K. seriam amissíssimos se contemporâneos, com toda a certeza. Acontece que quando Hegel entrava na idade para filosofar, Kant já era um octogenário.

La lógica de Aristóteles, al igual que toda su filosofía, necesita esencialmente ser sometida a esta refundición, para que la serie de sus determinaciones pueda reducirse a un todo sistemático necesario: no a un todo sistemático en que todas las partes aparecen exactamente clasificadas, sin olvidar ninguna, y colocadas por su orden debido, sino a un todo orgánico vivo, en que cada parte valga como parte y sólo el todo, como tal, tenga verdad.”

Y con lo dicho ponemos fin a nuestro resumen de la filosofía aristotélica, de la que no es fácil por cierto desprenderse, pues cuanto más entra uno en detalles de ella más interesante resulta y más cohesión encuentra uno en los temas.” “Esto hace que no podamos decir gran cosa de los discípulos de Aristóteles, ni de Teofrasto ni de muchos otros (por ejemplo, de Dicearco de Mesina), el más famoso de los cuales fue Estratón de Lampsaco, sucesor de Teofrasto.”

El triunfo celebrado al renacer las ciencias por el hecho de que la filosofía aristotélica fuese desplazada de las escuelas, de las ciencias y principalmente de la teología, como la filosofía sobre la esencia absoluta, tiene este doble aspecto: de una parte, el de que lo que se desplazaba no era tanto la filosofía aristotélica como el principio de la ciencia teológica basado en ella y con arreglo al cual la primera verdad es una verdad dada, revelada, una premisa sentada de una vez por todas, dotada de fuerza y de razón y en torno a la cual se mueven de un lado para otro, solamente de un modo superficial, la razón y el pensamiento.” “Pero otro de los aspectos de este triunfo fue el triunfo de la vulgaridad, que se emancipó del concepto y sacudió el yugo del pensamiento. Antes se hablaba mucho, como sigue hablándose aún hoy, de las sutilezas escolásticas de Aristóteles; cree haberse encontrado en este nombre un derecho para ahorrarse las molestias de la abstracción y huir del concepto, entregándose a las sensaciones de la vista y del oído y a lo que se llama sano sentido común.” “los escarabajos, las especies de aves, se distinguen hoy con la misma sutileza con que en otros tiempos los conceptos y los pensamientos. Si una especie de pájaros tiene el plumaje rojo o verde, tal o cual forma de cola, etc., son sutilezas con las que es más fácil encontrarse hoy que con las distinciones que afectan al pensamiento” Mas pensé bem: se os alemães tivessem se atido à ornitologia não teríamos tido duas guerras mundiais…

El defecto de la filosofía aristotélica estriba en que —después de haberse elevado, por medio de ella, la multiplicidad de los fenómenos al plano del concepto y de haberse descompuesto éste en una serie de conceptos determinados— no se hizo valer la unidad del concepto que la unificaba de un modo absoluto: y esto es precisamente lo que habrán de llevar a cabo los tiempos posteriores.” Tempos posteriores, leia-se: eu.

Pero la unidad como concepto, la unidad general y negativa en sí, el tiempo como tiempo, absolutamente cumplido y en su cumplimiento como unidad, es la conciencia pura de sí mismo.”

Ponemos fin, así, a la primera sección de la filosofía griega para pasar en seguida al segundo período de ella.” “La necesidad inmediata, lo inmediatamente necesario, tiene que contenerse en aquello que la filosofía había llegado a ser con Platón y Aristóteles.”

A FRANÇA COMO O ANTÍDOTO DA SISTEMOFILIA HEGELIANA: “así también, los franceses llaman a lo dogmático systématique y dan el nombre de systéme a aquel conjunto de representaciones en el que todas tienen que emanar consecuentemente de una determinación; y por eso también systématique es, para ellos, sinónimo de unilateral.”

Y si en el estudio de este primer período nos hemos detenido demasiado, podremos recobrar el espacio en el examen del segundo, en el que ya no tenemos para qué extendernos tanto.”

SECCIÓN SEGUNDA:

SEGUNDO PERÍODO: EL DOGMATISMO Y EL ESCEPTICISMO

Dentro del funesto mundo romano, se borra con mano áspera todo lo que había de bello y de noble en la individualidad espiritual. En este estado de divorcio del mundo, en que el hombre se ve empujado a su interior, esfuérzase en buscar por la vía de lo abstracto la unidad y la satisfacción que ya no acierta a encontrar en el mundo. Por eso precisamente el mundo romano es el mundo de la abstracción, en el que se extiende una fría dominación sobre el mundo culto. Las individualidades vivas de los espíritus de los pueblos se ven reprimidas y son asesinadas; un poder extraño viene a pesar, como lo general abstracto, sobre el individuo.”

No cabe duda de que el mundo romano dio vida a un patriotismo formal y a sus virtudes correspondientes, así como a un sistema de derecho muy desarrollado; pero de una muerte así no podía surgir una filosofía especulativa, sino solamente buenos abogados y la moral de un Tácito. Por eso estas filosofías, con excepción del estoicismo, se manifestaron entre los romanos en oposición con su antigua fe supersticiosa; y en general la filosofía pasa a ocupar ahora el lugar de la religión.”

la imperturbabilidad y la igualdad del espíritu consigo mismo, al que nada hace sufrir, ni la alegría ni el dolor, y que no se halla determinado por ningún otro nexo, es el punto de vista común y la meta común de todas estas filosofías”

El fundador de la escuela estoica es un Zenón que no debe confundirse con el de Elea: Zenón, de Cirio, ciudad de la isla de Chipre, que nació alrededor de la 109ª Olimpíada. Su padre era comerciante y en sus viajes comerciales le llevó de Atenas —que era y habría de seguir siendo durante mucho tiempo la sede de la filosofía y de gran número de filósofos— algunos libros, compuestos principalmente por los socráticos, lo que despertó en aquel joven el afán y el amor por la ciencia.”

Zenón visitó en Atenas a varias clases de socráticos, principalmente a Jenócrates, figura de la escuela platónica que había llegado a hacerse muy famoso por el rigor de sus costumbres y por la gran seriedad de su conducta, habiendo sido sometido a pruebas semejantes a las que se vio sometido San Francisco de Asís, saliendo también triunfante de ellas.” “La filosofía estaba considerada entonces como un asunto de la vida, y de la vida en su totalidad; no era una enseñanza que se cursase en tantas o cuantas lecciones, para pasar en seguida, corriendo, a otra materia.” “hasta que por último actuó por cuenta propia como maestro en un pórtico o stoa, decorada con la colección de pinturas de Polígnoto, y de aquí tomó su escuela el nombre de escuela estoica.”

Por su cultivo de la ciencia, hízose más célebre que Cleanto [discípulo de Zenão de Círio] su discípulo Crisipo de Cilicia, que nació en la Ol. 125,1 (280 a.C.), quien vivía también en Atenas y fue seguramente el que más hizo por el desarrollo y la difusión de la filosofía estoica en todos sus aspectos. Le hizo famoso, sobre todo, su lógica y su dialéctica, hasta el punto de que se llegara a decir: si los dioses se dedicasen a la dialéctica, no se valdrían para ello de otra que de la de Crisipo. Sus contemporáneos admiraban también su laboriosidad como escritor; el número de sus obras ascendía en efecto, como indica Diógenes Laercio, a la cifra de 750. Cuéntase de él, en relación con esto, que escribía unas 500 líneas diarias. Sin embargo, la manera de componer sus escritos neutraliza bastante todo lo que tenía de admirable esta laboriosidad como escritor y revela que la mayoría de sus obras eran simples compilaciones o repeticiones. Escribía con frecuencia acerca de los mismos temas; llevaba al papel todo lo que se le ocurría y fue acumulando así una multitud de noticias y testimonios; copiaba a veces libros casi enteros de otros, y alguien llegó a decir, juzgando su obra, que si se le quitara todo lo que en ella pertenecía a otros, apenas quedaría más que el papel en blanco. Claro está que este juicio es bastante exagerado, como lo revelan las muchas citas de los estoicos, en las que Crisipo figura siempre a la cabeza, utilizándose en ellas, de preferencia, sus definiciones y explicaciones. Pero sus obras, de las que Diógenes Laercio trae una copiosa lista, se han perdido en su totalidad para nosotros; podemos, sin embargo, asegurar que desarrolló principalmente la lógica estoica. Si es de lamentar que no se conservasen algunas de sus mejores obras, tal vez sea una suerte que no se conservaran todas; pero, puestos a elegir entre todas o ninguna, nos veríamos en duro trance.” Hahahaha!

TODOS OS DIÓGENES DO MUNDO SÃO FILÓSOFOS GREGOS: “Después de él, se destacó Diógenes de Seleucia, en Babilonia, con quien debió de aprender dialéctica Carneades, el famoso académico. Diógenes es también una figura notable por haber sido enviado como embajador ateniense a Roma en tiempo de Catón el Mayor, en la Ol. 156,2 (156 a.C.), en unión de este mismo Carneades y de Critolao, un pensador peripatético; esta embajada empezó a iniciar a los romanos, en la misma Roma, en los estudios de la filosofía, la dialéctica y la elocuencia griegas, a través de las conferencias explicadas allí por los citados embajadores-filósofos.”

Más tarde, vemos cómo la filosofía estoica pasa a manos de los propios romanos; es decir, se convierte en la filosofía de muchos romanos, pero sin que esta filosofía salga, con ello, ganando mucho como ciencia: por el contrario, con Séneca y los estoicos posteriores, Epicteto y Antonino [Marco Aurélio], pierde en realidad todo su interés especulativo para convertirse en una doctrina más bien retórica y parenética, que no hay por qué incluir en la historia de la filosofía, como no habría por qué incluir en ella tampoco los sermones de nuestros días.”

A base de sus lecciones compuso Arriano las prolijas Dissertationes Epicteteae, que aún poseemos, y el compendio del estoicismo. (Aulo Gélio, Noites Áticas)

Del emperador Marco Aurelio Antonino, que reinó primero (de 161 a 169 d.C.) junto con Lucio Aurelio Vero y luego (de 169 a 180) solo, habiendo conducido la guerra contra los marcomanos, poseemos todavía sus Pensamientos, en 12 libros, en los que se habla continuamente a sí mismo; pero estas meditaciones no tienen ningún carácter especulativo, sino que son simples exhortaciones, por ejemplo, la de que el hombre debe formarse en todas las virtudes.”

Por lo que se refiere a la filosofía de los estoicos, éstos la dividían claramente en 3 partes con las que ya nos encontrábamos anteriormente y que seguirán siendo, en general, las mismas: primero, la lógica; segundo, la física o filosofía de la naturaleza; y, tercero, la ética, la filosofía del espíritu, principalmente desde el punto de vista práctico.”

Su filosofía es panteísmo. Pero toda filosofía es, en rigor, panteísta, ya que pone de manifiesto que el concepto racional existe en el universo.”

Nada acaece en el mundo sin ti, ¡oh demonio!, ni en el polo etéreo del cielo, ni en el mar, fuera de lo que los malos hacen por su propia falta de entendimiento. Pero tú sabes también enderezar lo torcido, ordenar lo desordenado y convertir lo hostil en amistoso. Pues así has sabido armonizarlo todo en unidad, lo bueno y lo malo, de tal modo que sólo existe en todo un concepto (logos), que siempre existe y del que huyen los malos entre los mortales. ¡Desgraciados aquellos que, clamando siempre por la posesión de lo bueno, no comprenden la ley general de Dios ni dan oídos a aquel a quien si escuchasen con la razón les haría llevar una vida buena!” Cleanto apud Estobeu, Éclogas

Heráclito y el estoicismo conciben, pues, certeramente este proceso como un proceso general y eterno. La idea se adocena ya en Cicerón, quien ve falsamente, detrás de este pensamiento, la combustión del universo en el tiempo y el fin del mundo, lo cual tiene ya un sentido completamente distinto.” “para los estoicos todo es devenir.”

La simiente que hace nacer algo racional es ella misma racional. El universo hace brotar la simiente de lo racional y es, por tanto, racional de suyo”

sólo los estoicos de la primera época tenían en su filosofía una parte física; los posteriores desdeñaban totalmente la física para atenerse exclusivamente a la lógica y a la moral.” Movimento correto.

Los estoicos se atienen, pues, a la representación general según la cual todo lo individual se halla encuadrado en un concepto y éste, a su vez, en un concepto general que es el universo mismo.”

Ahora bien, el que unas veces los dioses hagan conocer a los hombres el futuro e intervengan y otras veces se abstengan de ello es una inconsecuencia, es decir, algo incomprensible; pero en esta incomprensibilidad, precisamente, en este elemento irracional, estriba el triunfo del modo religioso usual de concebir. Por eso, toda la superstición de los romanos encontraba en los estoicos sus más firmes patronos; los estoicos toman bajo su tutela y justifican toda la superstición de los romanos.”

La mera representación por sí misma era, según ellos, una figuración, a la que Crisipo daba el nombre de cambio.”

esta retórica en torno al sabio sólo tiene su fundamento en la indeterminabilidad de los criterios, que no permite avanzar hasta llegar a la determinación del contenido.”

la razón se encarga en el hombre de convertir en una obra de arte lo que en el animal sólo es un instinto.”

La virtud es predicada de un modo enérgico, estimulante, edificante; pero no se nos ofrecen las determinaciones necesarias para saber en qué consiste esta ley general de la virtud.”

Un acto bueno que no fuese útil no sería tal acto, ni tendría realidad. Lo inútil en sí de lo bueno es su abstracción, como la negación o la ausencia de la realidad. No sólo se puede, sino que se debe tener la conciencia de la utilidad, pues es verdad que lo bueno sabe siempre, además, ser útil. La utilidad quiere decir simplemente que se abriga una conciencia de los propios actos. Si esta conciencia es censurable, aún lo es en mayor medida saber mucho de la bondad de sus actos y considerarlos menos desde el punto de vista de la necesidad” Tudo derivação da perseguição da Idéia de Platão…

Por tanto, este comportarse-exclusivamente-con-arreglo-a-la-razón entraña, visto más de cerca, la concentración abstracta del hombre dentro de sí mismo, que lleva consigo la conciencia de lo verdadero, renunciando con ello a todo lo que guarde relación con los impulsos inmediatos, las sensaciones, etc.” “satisfacerse en sí mismo y no en algo exteriormente condicionado.” “Los escritos de Séneca y Marco Aurelio contienen mucho de verdad en este sentido, y pueden servir de eficaz punto de apoyo al hombre que no haya sido capaz de remontarse aún a una convicción superior.” “Quien siente apetencia de gloria para después de su muerte no se da cuenta de que cuantos a él puedan recordarle están sujetos también a morir y también los que a ellos les sigan, hasta que toda memoria se borre con estos hombres que, admirándolo, están llamados a desaparecer.” “Es en este criterio de la independencia y la libertad interiores abstractas del carácter mismo donde radica precisamente la fuerza que caracterizaba a los estoicos” “Aquella libertad que los estoicos atribuyen al hombre no carece de relación con otra cosa; se halla más bien supeditado [subordinado] a ella, y en este aspecto reside precisamente la felicidad. Mi independencia no es más que uno de los lados, al que no corresponde, por tanto, por ello sólo, el otro lado, el lado especial de mi existencia.” “el ethos contiene esencialmente mi convicción subjetiva de que lo que hago se halla a tono con las determinaciones racionales de la voluntad, con los deberes generales.” “Los estoicos dicen, en este respecto: sólo debe buscarse la virtud, pues la virtud lleva aparejada siempre, por sí misma, la felicidad. Y esta felicidad es la verdadera, la inconmovible, aunque al hombre pueda ocurrirle cualquier otra desdicha.”

Lo grande de la filosofía estoica es, por tanto, que nada puede hacer flaquear la voluntad si se mantiene firme de este modo, que todo lo que no sea esto se mantiene fuera de ella, ya que ni siquiera el alejamiento del dolor puede ser considerado como un fin. Los estoicos viéronse expuestos a las burlas de las gentes por decir que el dolor no era ningún mal. Claro está que, al decir esto, no querían referirse, ni mucho menos, a los dolores de muelas o a otros dolores físicos por el estilo. El hombre se halla necesariamente expuesto a esta clase de dolores; pero una cosa son estos dolores y otra cosa distinta la desdicha.” “Es, pues, totalmente exacto que los sufrimientos, los dolores, etc., no son ningún mal que pueda venir a perturbar la igualdad conmigo mismo, mi libertad; en cuanto me siento en consonancia conmigo mismo, me hallo por encima de todas esas cosas y, aun cuando las sienta, no abren dentro de mí ninguna separación. Esta unidad interior conmigo mismo, en cuanto sentida, es la felicidad; la cual no se ve destruida ni perturbada por causas de orden exterior.”

Otra contraposición es la que se da dentro de la virtud misma. Por cuanto que se debe tomar como pauta de la conducta la ley general de la razón certera, es como si no existiera, en rigor, ninguna determinación fija; pues todo deber es siempre un contenido particular, aunque se lo pueda concebir bajo una forma general, pero sin que esto modifique para nada el contenido.” “en cuanto que no puede establecerse un criterio último y decisivo acerca de lo que puede llamarse bueno, sino que el principio carece de determinación, la última decisión corresponde al sujeto.” “En efecto, desde Sócrates ya había dejado de ser la instancia inapelable de lo justo en Atenas la costumbre; con los estoicos desaparece, por tanto, toda determinación exterior, y lo decisivo sólo puede situarse en el sujeto como tal, que es de suyo el que en última instancia determina, en cuanto conciencia.”

En efecto, si los estoicos se remontaran sobre el simple concepto del obrar al servicio del fin que es en sí y penetraran en el conocimiento del contenido, no necesitarían expresar esto como un sujeto. La propia conservación racional del hombre es, para ellos, la virtud.” “La realidad moral consiste precisamente en esto, en ser; pues del mismo modo que la naturaleza es un sistema permanente y ente, también lo espiritual tiene que ser eso: un mundo objetivo. Pero a esta realidad no llegaron los estoicos. Y este pensamiento podría expresarse también así: su realidad moral es sólo el modo, un ideal y no una realidad” A.k.a. Platão, principalmente n’O Banquete e no Fédon. Afinal, quem nunca foi queimado dentro dum cavalo de madeira nem cortou a própria jugular a mando do imperador nem tomou de livre e espontânea vontade a cicuta após ser condenado na assembléia ateniense nada pode discorrer sobre essas três consumações: não pode dizer que morrer queimado vivo é em si pior ou melhor do que infligir-se um corte ou tomar veneno, ou mesmo que ser banido de sua polis. O sábio resigna-se ao seu fado, e é só.

debe luchar, en efecto, contra la individualidad de su existencia o ser indiferente a ella, y también contra la consonancia y la falta de consonancia con lo individual, así como ser capaz de renunciar a la felicidad o sentirse libre de ella, suponiendo que la posea; pues de lo que se trata es simplemente de la consonancia consigo mismo como con algo general.” “Ahora bien, si podemos llamar a esta felicidad la felicidad verdadera, para distinguirla de la otra, esto quiere decir solamente una cosa: que la palabra felicidad es poco acertada.” “La tendencia a la felicidad, a los goces espirituales, y las chácharas en torno a las excelencias de los goces de la ciencia y el arte, etc., son, por consiguiente, algo vacuo, pues la cosa misma de que aquí se trata no presenta ya, en efecto, la forma del disfrute o, mejor dicho, supera incluso esa representación.” “La más alta idea de Aristóteles, el pensamiento del pensamiento, se conserva también en el estoicismo, pero de tal modo que aquello no aparece aquí aislado, como parece estarlo en Aristóteles, con otras cosas al lado de ello, sino que es lo único.” “Por tanto, la descripción del ideal, por parte de los estoicos, es una retórica general y, por ello mismo, carente de interés; o solamente es notable en ella lo negativo.”

Vemos proclamada aquí la autonomía y la autocracia del sabio, quien, obligado a seguir tan sólo los dictados de la razón, se declara libre del deber de ajustarse a todas las leyes determinadas que rigen y que no puedan invocar en su apoyo un fundamento racional o parezcan descansar más bien sobre el temor natural o sobre el instinto.” “si a primera vista el incesto, la pederastia, la antropofagia, etc., sólo parecen estar vedadas por el instinto natural del hombre, es lo cierto que tampoco pueden mantenerse ante el foro de la razón.”

H. começa a especular, p.ex., se estaria vivendo estoicamente um estóico que declarasse que é irracional, em que pese de certa forma natural, respeitar a propriedade privada, para polemizar com os apologistas do ideal estóico (já que isso não parece ter importância alguma no estoicismo concreto ou histórico): “Tratar de justificar por medio de un fundamento semejante contenido es, por tanto, confundir el conocimiento de las cosas en detalle con el conocimiento de toda la realidad; es la superficialidad del conocimiento que se niega a reconocer algo por no reconocerlo desde tal o cual punto de vista o en tal o cual aspecto, y única y exclusivamente porque sólo indaga y conoce las razones inmediatas, sin que pueda saber si existen también otros aspectos y otras razones.”

O ETHOS DO ESTOICISMO MADURO OU TARDIO: “Llegan a deducciones basadas en circunstancias, en conexiones, en consecuencias, descubriendo así contradicciones o contraposiciones: así proceden Marco Aurelio y Séneca, con gran ingenio y de un modo edificante.”

soy yo, entonces, quien hago surgir estas razones sabias y buenas. No son las razones mismas la cosa, lo objetivo, sino que son obra de mi libre voluntad, de mi capricho, algo de que me valgo yo para justificar ante mí mismo mis nobles intenciones” Para o sábio, isto faz sentido e é seu mundo – para a maioria massacrante da população, não.

En el propio Séneca encontramos más lastre y hojarasca de reflexiones morales que verdadera solidez: y así, vemos que se le echan en cara, de una parte, sus riquezas y el lujo de su vida, siendo verdad que Nerón le había regalado riquezas inmensas; del mismo modo que, por otra parte, podría reprochársele su discípulo, Nerón, quien también pronunciaba discursos morales, redactados para él por Séneca.

Esta manera de razonar es a veces brillante, como en Séneca: encontramos en él muchas cosas estimulantes y fortalecedoras para el ánimo, ingeniosas antítesis, retórica; pero estos discursos morales nos producen, al mismo tiempo, frío y fastidio. Se siente uno estimulado, pero con frecuencia insatisfecho: muchos de estos razonamientos podrían ser calificados de sofísticos; y, aunque no haya más remedio que reconocer en ellos la sutileza de las distinciones y las opiniones honradas, el fondo del convencimiento resulta siempre un tanto defectuoso.”

CRÍTICA DA CRÍTICA DA RAZÃO PRÁTICA: “En segundo lugar, el punto de vista estoico lleva implícito el principio superior, aunque negativo y formal, de que lo pensado es, simplemente por serlo, un fin y algo bueno, por lo cual en esta forma del pensamiento abstracto, lo mismo que en el principio kantiano del deber, se contiene ya aquello en que el hombre basa y tiene necesariamente que basar el fundamento de su conciencia de sí mismo, de tal modo que no tiene por qué tener en cuenta ni perseguir, de suyo, nada que ofrezca otro contenido, cualquiera que él sea.”

La firmeza formal del espíritu que se abstrae de todo no plantea ante nosotros ninguna evolución de principios objetivos, sino un sujeto que se mantiene en pie en esta inmutabilidad y en esta indiferencia, no ciega, sino querida; y en esto consiste la infinitud de la conciencia de sí mismo.” “La fuerza de la repulsa a la existencia es grande y la energía de esta actitud negativa, sublime.” “Por eso, al desaparecer la existencia política y la realidad moral de Grecia y cuando más tarde tampoco el imperio romano pudo encontrar satisfacción en el presente, este mundo se replegó hacia sí mismo, buscando dentro de sí lo justo y lo moral que había desaparecido ya de la vida general exterior. § Platón proclamó el ideal de una república, es decir, de una vida racional de los hombres dentro del Estado, pues esta vigencia del derecho, la moralidad y la costumbre era, para él, lo fundamental, lo que forma el lado de la realidad de lo racional; y sólo por medio de este estado racional del mundo podía, según él, existir la armonía de lo exterior y lo interior, en este sentido concreto.” Você superestima a esperança platônica de que teríamos o Estado do sábio, que fosse um programa para seguir, ainda que não fosse uma utopia no sentido de Thomas More. Como o próprio H. determinou no lugar certo, tratava-se de uma “Esparta melhorada”, concebível, ao menos, no mundo grego, antes do ocaso completo de Atenas. Ainda assim, não há nada de histórico na República. É realmente muito mais um subterfúgio para imaginar onde e quando um autoeducado sábio poderia viver para sua máxima plenitude, ao lado de outros raros como ele.

TUDO SÃO CASOS ISOLADOS: “En lo tocante a la moral, a la fuerza de la buena voluntad, no es posible leer nada mejor que lo escrito por Marco Aurelio en sus meditaciones acerca de sí mismo. Este hombre reinaba sobre toda la tierra entonces conocida y cultivada, habiéndose comportado también noble y rectamente como particular. Sin embargo, este emperador filosófico no hizo cambiar en lo más mínimo el estado del imperio romano; y su sucesor, hombre de carácter totalmente distinto, no se sentía obligado por nada a poner trabas a un estado tan malo como el que radicaba en su propia maldad y arbitrariedad.”

En la medida en que yo puedo hablar de derecho, debo decir que no he sido capaz de encontrar en el derecho romano nada que guarde alguna relación con el pensamiento, con la filosofía, con el concepto. Podríamos, sí, llamar filósofos a los juristas romanos si entendiéramos por pensamiento lógico la consecuencia intelectiva; pero ésta la encontramos también en el señor Hugo,(*) quien, sin embargo, no creemos que tenga la pretensión de pasar por filósofo.

(*) Hegel se refiere a Gustav von Hugo (1764-1844), jurista alemán que fue el fundador de la escuela histórica del derecho, continuada y desarrollada por Savigny [E.].”

Así como los estoicos no centraban en las necesidades sino en la razón general el principio de los cínicos, según el cual el hombre debía limitarse a la simple naturaleza, Epicuro eleva también al plano del pensamiento el principio de que el placer constituye un fin, buscando lo placentero en un algo general, determinado por el pensamiento. Ahora bien, aunque con ello se asimile la doctrina de los cirenaicos, llevándola a un alto grado de cientificidad, ya de suyo se comprende, desde el momento en que el ser sentido rige como lo verdadero, que con ello se supera de un modo general la necesidad del concepto, todo se dispersa sin ningún interés especulativo y, en realidad, las cosas se degradan hasta el punto de vista del sano sentido común.”

Sus padres eran pobres; su padre, Neocles, era maestro de escuela de aldea y su madre, Querestrata, se dedicaba a las artes de la brujería, es decir, ganaba algún dinero, como muchas mujeres de Tracia y de Tesalia, con fórmulas de encantamiento y hechicería, muy usuales en aquella época. Su padre —y con él Epicuro— emigró con una colonia ateniense a Samos, pero también allí hubo de seguir dedicándose a la enseñanza de los niños, ya que el pedazo de tierra de que disponía para su cultivo no le bastaba para cubrir las necesidades de la familia.” “dedicóse principalmente al estudio de la filosofía de Demócrito. Mantuvo además trato personal con algunos de los filósofos de aquel tiempo, tales como Jenócrates, el platónico, y Teofrasto, el discípulo de Aristóteles. A los 12 años leía en unión de su maestro a Hesíodo, el que lo hace nacer todo del caos, lo cual no dejó de influir seguramente en sus propias concepciones filosóficas. Por lo demás, se llamó siempre un autodidacta, en el sentido de que había producido su filosofía por sí solo, sin ayuda de nadie; pero sin que de ello deba deducirse, en modo alguno, que no siguió las enseñanzas de otros filósofos ni estudió tampoco los escritos de otros pensadores.”

O JARDIM DAS DELÍCIAS ERUDITAS: “Epicuro empezó actuando como profesor de su propia filosofía en Lesbos (Mitilene) y más tarde en Lampsaco, en el Asia Menor, aunque sin llegar a reunir muchos oyentes. Después de haber pasado allí varios años, a los 36 de edad aproximadamente, regresó a Atenas, es decir, al verdadero centro de la filosofía y, al poco tiempo, adquirió un jardín, donde vivía entre sus discípulos, dedicado a la enseñanza.

A pesar de la debilidad de su cuerpo, que le tenía sujeto a un sillón, sin permitirle levantarse de él durante varios años, llevaba un régimen de vida absolutamente regular y de una frugalidad extraordinaria, consagrándose por entero y sin ningún otro negocio ni ocupación alguna al cultivo de la ciencia. El mismo Cicerón, a pesar de lo insulsamente que habla de él, reconoce que era, desde luego, un amigo fiel y cariñoso, y añade que nadie podría negar que era un hombre bueno y dulce, amante del prójimo.”

Probablemente no habrá habido maestro tan querido y venerado por sus discípulos como Epicuro; era tan grande la intimidad de su convivencia, que concibieron el propósito de reunir sus bienes para seguir viviendo en permanente comunidad, como en una especie de Liga pitagórica. Sin embargo, el propio Epicuro les prohibió que lo hiciesen, por entender que ya esto mismo representaba cierta desconfianza en cuanto a su mutua buena voluntad y porque entre quienes abrigaban o podían abrigar recelos de este género era difícil que reinasen la amistad, la unión y la lealtad mutua.

Después de su muerte, sus discípulos veneraron fiel y constantemente su memoria; lucían su imagen por todas partes en anillos y en copas, y era tal la fidelidad que profesaban a las doctrinas de su maestro que se tenía entre ellos por una especie de transgresión el tratar de modificarlas en lo más mínimo (a diferencia de lo que ocurría con los estoicos, que laboraban incesantemente por desarrollar las doctrinas de su fundador), por lo que su escuela era una especie de Estado amurallado en lo tocante a la doctrina.”

la ausencia de pensamiento se ve siempre trastornada por el concepto” Muito do que acontece com o Marxismo, p.ex.

la actividad filosófica de Epicuro consiste precisamente en volverse de espaldas al concepto, que es lo que trastorna y embrolla lo sensible.”

sólo un tal Metrodoro parece que llegó a desarrollar algunos aspectos de ella. Dícese también, en elogio de la filosofía de Epicuro, que este Metrodoro fue el único discípulo del maestro que se pasó al campo de Carneades; fuera de este caso, el epicureísmo sobrepuja a todas las demás filosofías por su sucesión ininterrumpida de doctrina y persistencia, ya que todas las demás desaparecieron o sufrieron interrupciones, mientras que ella se mantuvo constantemente en pie, sin sufrir cambios.”

Los hombres pueden convertirse en castrados, pero los castrados jamás vuelven a ser hombres.” Arcesilao

Epicuro escribió a lo largo de su vida una enorme cantidad de obras, pudiendo considerársele como un autor aún más fecundo que Crisipo, pues aunque éste rivalizó con él como escritor, hay que descontar de su obra lo que tomó de otros. Dícese que el número de sus obras llegó a sumar 300. Estas obras no han llegado a nosotros, y a la verdad que no hay por qué lamentarlo. Lejos de ello, debemos dar gracias a Dios de que no se hayan conservado; los filólogos, por lo menos, habrían pasado grandes fatigas con ellas.

La fuente principal para el conocimiento de Epicuro es todo el libro décimo de Diógenes Laercio; pero, a pesar de la prolijidad con que habla de este pensador, esta fuente no puede ser más vacua; [¡!] evidentemente, la doctrina de Epicuro mismo debe haber sido mejor; conocemos por fortuna lo bastante acerca de él para poder enjuiciarlo en conjunto. Es mucho lo que acerca de la filosofía de Epicuro nos dicen Cicerón, Sexto Empírico y Séneca, y tan certeras son sus exposiciones, que el fragmento de una obra del propio Epicuro descubierta hace algunos años en Herculano y que Orelli ha incluido en su edición napolitana (Epicuri Fragmenta libri II et XI, De natura, illustr. Orellius, Leipzig, 1818) no ha venido en realidad a decirnos nada nuevo”

Por lo que se refiere a la filosofía de Epicuro, no debemos ver en ella, en realidad, la afirmación de un sistema de conceptos, sino, por oposición a ello, la afirmación de un sistema de representaciones

Lo que es en rigor una lógica es lo que Epicuro llama canónica, es decir, el conjunto de cánones en que expone los criterios de la verdad, con vistas a lo teórico, así como las sensaciones en general, y en seguida como las representaciones o anticipaciones

La sensación carece de fundamento, [p]ues no es movida por sí misma, ni aunque sea movida por otro factor, puede quitar ni añadir nada” “Ni una sensación extraña puede enjuiciar a otra extraña, pues debemos tomarlas en cuenta todas. Tampoco el pensamiento puede criticar las sensaciones, pues todo pensamiento depende, a su vez, de la sensación” “Y así, todos los pensamientos han tenido como punto de partida las sensaciones, tanto con arreglo al carácter casual de su nacimiento como en cuanto a la relación, a la semejanza y a la combinación; a lo cual contribuye también algo el pensamiento” “También las figuraciones de la locura o del sueño son verdaderas, puesto que mueven al hombre, y nada que mueve es inexistente.”

lo que veo u oigo, la intuición sensible en general contiene lo que es; todo lo sensiblemente intuido es algo por sí mismo, lo uno no contradice a lo otro, sino que todas estas sensaciones rigen las unas al lado de las otras y son indiferentes entre sí. Para el pensamiento mismo, estas cosas intuidas son la materia y el contenido, en cuanto que aquél se sirve siempre, a su vez, de las imágenes de estas cosas.”

La representación es, en cierto modo, el concepto, la opinión certera, el pensamiento o el pensamiento implícito general; es, en efecto, la reminiscencia de lo que frecuentemente acaece.” “A través de esta repetición, la sensación se convierte en mí en una representación permanente que se corrobora; tal es el firme fundamento de todo lo que tenemos por verdad.”

Toda cosa recibe su evidencia por medio del nombre que primeramente recibe.”

Es aquella anuencia con que nos encontrábamos en los estoicos como el asentimiento que el pensamiento daba a un contenido; sin embargo, el pensamiento que reconoce la cosa como algo suyo y lo incorpora a sí no pasa de ser en los estoicos algo puramente formal. En Epicuro, en cambio, también la unidad de la representación del objeto consigo misma se halla presente en la conciencia como un recuerdo, pero este recuerdo tiene como punto de partida lo sensible; la imagen, la representación, es el asentimiento prestado a una sensación.” “El nombre es ciertamente algo general, pertenece al pensamiento, hace de lo múltiple una cosa simple, es incluso lo más ideal que cabe concebir: pero de tal modo que su significación y su contenido son lo sensible y no deben valer como este algo simple, sino como lo sensible. La cual nos lleva, no al saber, sino a la opinión.” “La opinión es, en efecto, una representación como aplicación de la misma en cuanto ya tenida, es decir, una aplicación del tipo a un objeto presente, que se investiga para ver si la representación de él coincide con él o no.” Opinião como representação fundamentada. Isto é: representação pura é apresentação. Opinião é que é re-presentação. Que são as estrelas, o firmamento? Uma apresentação à qual damos fé em virtude de nossas representações terrenas. Uma quase opinião.

Tales son los puntos fundamentales de la canónica de Epicuro, la pauta general para la verdad; es tan simple que no puede haber nada más simple, pero es también muy abstracta. Son representaciones psicológicas corrientes, justas en su conjunto, pero completamente superficiales; es sencillamente la mecánica de la representación desde el punto de vista de las primeras manifestaciones de la percepción.” Acontece que a filosofia voltará a essa ‘simplicidade’ depois da derrocada do Idealismo universalista.

Hoy hasta los escépticos hablan de los hechos de la conciencia; claro está que lo que ellos nos dicen no va tampoco más allá que la canónica epicúrea que acabamos de exponer.” Céticos: menos céticos que os cínicos; cínicos: mais cínicos que os céticos.

De la superficie de las cosas —dice en primer lugar Epicuro— arranca un constante fluir que la sensación no percibe y que es muy sutil; y ocurre así porque, por razón del cumplimiento opuesto, la cosa misma retiene firmemente durante largo tiempo esta misma ordenación y disposición de los átomos; y el movimiento de estas superficies que se desprenden es extraordinariamente rápido en el aire, ya que no es necesario que lo desprendido tenga una profundidad.”

Epicuro opta por el criterio más fácil y que sigue siendo hoy el criterio usual y corriente de la verdad, en tanto no se ve: el de que lo que nos representamos no se halla en contradicción con lo que vemos u oímos.”

Jamás podría corroborarse la verdad ni la semejanza de las representaciones que llegan a nosotros en imágenes o en sueños o de otro modo cualquiera, si no existiese algo sobre lo que, en cierto modo, proyectamos nuestras percepciones. (…) Por tanto, según Epicuro, el error sólo es un desplazamiento de las imágenes dentro de nosotros mismos, desplazamiento que no nace del movimiento de las sensaciones, sino más bien del hecho de que entorpecemos su acción por medio de un movimiento iniciado dentro de nosotros mismos”

A estos escasos y pobres pasajes, expuestos en parte de un modo oscuro o torpemente extractados por Diógenes Laercio,¹ se reduce la teoría epicúrea del conocimiento; difícilmente podría concebirse otra más pobre.”

¹ Quase um Karnal da época.

en cuanto que Epicuro considera las cosas, según acabamos de ver, como llenas de multitud de átomos, tenemos que el pensamiento es el otro momento además de los átomos, lo vacío, los poros, lo que permite poner un dique a esta riada [enxurrada] de los átomos.” “apartamos la vista de algo, es decir, que interrumpimos precisamente este fluir.” Princípio da individuação e coerência – ou viver tornar-se-ia impossível. Um filósofo do momento presente.

Los átomos, en cuanto tales, deben permanecer indeterminados; pero los atomistas viéronse arrastrados a la inconsecuencia de atribuirles cualidades” Surpreendentemente contemporâneo.

Toda cualidad se halla expuesta a cambio; pero los átomos no cambian. En toda disolución de lo compuesto tiene que haber necesariamente algo que permanezca firme e indisoluble, que no cambie a lo que no es ni de la nada al ser. Este algo inmutable es, por tanto, algunos cuerpos y figuraciones. Las cualidades representan cierta relación de los átomos entre sí.”

Todas las formas específicas, todos los objetos, la luz, el color, etc., e incluso el alma, no son otra cosa que una cierta ordenación de estos átomos. Así lo ha dicho también Locke; y todavía hoy afirma la física que la base de las cosas la forman las moléculas ordenadas de cierto modo dentro del espacio.” Locke só é citado por H. da forma mais detratora!

El pensamiento es en el hombre precisamente lo que los átomos y el vacío son en las cosas, a saber: su interior, es decir, el átomo y el vacío forman parte justo del movimiento del pensar o son para éste como las cosas son en sí. El movimiento del pensar corresponde, pues, a los átomos del alma, de tal modo que en ello se opera al mismo tiempo una interrupción frente a los átomos que afluyen desde el exterior. No puede, por consiguiente, verse en ello nada más que el principio general de lo positivo y lo negativo; esto quiere decir que también el pensamiento lleva consigo un principio negativo, que es el momento de la interrupción. Este fundamento del sistema epicúreo, al seguirse aplicando a las diferencias de las cosas y al desarrollarse, es lo más arbitrario y, por tanto, lo más aburrido que imaginarse pueda.” Falou o filósofo interessantíssimo de ler!

ERRADO NÃO ESTÁ! “Aparte de distintas figuras, los átomos tienen también distinto movimiento, debido concretamente a su gravedad que es su afecto fundamental; pero este movimiento difiere algo, en su dirección, de la línea recta. En efecto, Epicuro les atribuye un movimiento curvilíneo, ya que de otro modo no podrían entrechocarse. Esto hace nacer una serie innumerable de aglutinaciones y conformaciones especiales; y éstas son las cosas.”

La transición a la manifestación concreta de los cuerpos, o bien no aparece para nada en Epicuro, o bien lo que nos dice acerca de ella es de la más extrema pobreza.” Ou bem é inútil perder tempo com o inefável.

A birra-mor de H. com o epicurismo é que seu sistema não pode ser teleologizado! “consecuente con esto, Epicuro se declara inmediatamente en contra de la existencia de un fin último general del universo y de toda relación de fin en general, como, por ejemplo, de la finalidad de lo orgánico en sí mismo, así como también es contrario a las representaciones teleológicas de la sabiduría de un creador del universo, de su gobierno del mundo, etc.; y su actitud en esto no puede ser más lógica consigo misma, ya que en su concepción queda eliminada toda unidad, cualquiera que sea el modo como ésta se represente, ya como fin de la naturaleza en ella misma, ya como un fin que, aun residiendo en otra cosa, se hace valer en la naturaleza; en los estoicos, por el contrario, encontramos este punto de vista teleológico y, además, muy desarrollado.”

inconsecuencia que es la primera y la única de Epicuro y la de todos los empíricos.”

a partir de lo conocido podemos deducir lo desconocido.” Que é o homem?, teria perguntado Drácula. E ele mesmo respondeu, sem aguardar seu estupefato interlocutor, mero humano que não filosofava: É alguém incapaz de seguir Hegel! É alguém que prefere seguir pelas sendas de Epicuro e Kant para conhecer a natureza e aquilo que excede à natureza! E Drácula estava correto em seu juízo sobrenatural, i.e., de semideus que refletia nessas coisas…

Grosso modo, podemos ainda dizer: Hegel é aquele para quem o desconhecido é aquilo que podemos deduzir do conhecido – nenhum descalabro maior!

es en realidad el mismo principio que sigue rigiendo hoy en la ciencia natural común y corriente.” Só bastaria, aliás, mais tato aos físicos quânticos: se não imaginassem demais, deduziriam coisas mais fidedignas e modestas, longe de buracos de minhoca e que-tais…

Se llega, así, a la noción de representaciones, de leyes y fuerzas generales, tales como la electricidad y el magnetismo, las cuales se aplican después a los objetos y actividades no susceptibles de ser directamente percibidos por nosotros. Así, por ejemplo, sabemos de la existencia de los nervios y de su interdependencia con el cerebro; y decimos que las sensaciones, etc., se transmiten desde la punta del dedo, supongamos, hasta el cerebro mismo. (…) La anatomía puede descubrirnos los nervios, pero no su modo de actuar; pues bien, no hay sino representarse éste por analogía con otros fenómenos, por ejemplo, con las vibraciones de una cuerda tensa, equiparando a ellas las vibraciones de los nervios hasta llegar a los centros cerebrales. O como en el conocido fenómeno que se observa, sobre todo, en una serie de bolas de billar colocadas muy juntas las unas a las otras, en que la última de la fila avanza cuando se empuja la primera, mientras que las intermedias, cada una de las cuales impulsa a la que le sigue, parece que apenas se mueven; no hay, pues, sino imaginarse los nervios como formados por bolitas pequeñísimas, invisibles aun a través de la más poderosa lente de aumento, la última de las cuales salta al contacto con ella y toca el alma. Del mismo modo, la luz se concibe como una serie de hilos o rayos, como vibraciones del éter o como bolitas etéreas que chocan las unas con las otras. [¡!]” Espantosamente, H. sabia muito bem no que o epicurismo repercutia em nossa epistemologia atual – mas decidia jogar tudo no lixo, enquanto se trata de hegelianismo decantado de ‘impurezas indesejáveis’. Se soubeste descrever a luz antes do séc. XX, este é um sinal de que acertaste!

Hay que advertir que, en esta clase de explicaciones, Epicuro es expresamente muy liberal, equitativo y tolerante, puesto que dice que las diversas representaciones que se formen en nosotros con relación a los objetos sensibles —todas ellas, por muchas que sean— pueden ser aplicadas a lo que no podemos observar directamente por nosotros mismos; que no puede afirmarse un solo modo como el acertado, sino que puede llegarse al resultado que se busca por muchos caminos.”

El rayo puede explicarse por medio de toda una serie de posibles representaciones, por ejemplo1 por medio del frotamiento y la colisión de las nubes, que producen la figuración del fuego y provocan el rayo.” “Es exactamente el mismo método a que recurren nuestros físicos, todavía hoy, para explicar cómo se produce la chispa eléctrica en las nubes, al chocar entre sí. En efecto, como tanto en el rayo como en la electricidad se observa una chispa, se toma este elemento común como base para llegar a conclusiones acerca de la analogía entre ambos fenómenos, afirmándose que también el rayo es un fenómeno eléctrico. Ahora bien, las nubes no son cuerpos duros, y la humedad, lejos de producir la electricidad, lo que hace es dispersarla; por eso estas chácharas de los físicos de hoy son en realidad tan vacuas como la representación de Epicuro.” Tá bom, Hegel, doutor em física fenomenológica (física do mundo experimental)!

Podemos elegir uno de estos procedimientos y rechazar los otros, sin pararnos a pensar lo que al hombre le es posible conocer y lo que no está al alcance de su conocimiento, empeñándonos, por tanto, en conocer lo imposible.”

Se ha atacado y querido poner en ridículo este método de Epicuro; pero no es por esta razón por lo que hay que avergonzarse de él, ni los físicos modernos tienen derecho a repudiarlo, por otra parte, pues lo que Epicuro dice no desmerece en nada de lo que sostienen los modernos investigadores de la naturaleza. Además, en Epicuro se da la atenuante de que obra con la conciencia limpia, puesto que la ausencia de testimonios de los sentidos le autoriza, según cree, a atenerse a las analogías. Y tampoco, como veíamos, toma la cosa muy en serio, desde el momento en que dice que unos admiten una posibilidad y otros otra: él admira la sutileza de los demás y no trata de imponer a la fuerza la explicación propia; las cosas, nos dice, pueden ocurrir así o de otro modo.”

Ahora bien, si la física consiste o se cree que consiste en atenerse, de una parte, a la experiencia inmediata y, de otra parte, en aquello que no cae dentro de la experiencia directa, en la aplicación de lo primero a base de la analogía con lo que la experiencia no revela, no cabe duda de que Epicuro puede ser considerado, si no como el iniciador, por lo menos como el principal representante de este método, y concretamente como el pensador que sostiene que en ello consiste realmente el conocer.”

El a priori es, en Aristóteles por ejemplo, algo excelente, pero no basta, porque se echa de menos en ello el lado de su articulación y cohesión con la observación y la experiencia.”

Esta reducción de lo particular a lo general es el descubrimiento de las leyes, de las fuerzas naturales, etc. Cabe pues afirmar, sin miedo a equivocarse, que Epicuro es el inventor de la ciencia empírica de la naturaleza, de la psicología empírica. Por oposición a los fines de los estoicos y a los conceptos intelectivos, la experiencia es el presente sensible: de una parte, nos encontramos con la inteligencia abstracta limitada, sin verdad de suyo y, por tanto, sin presente ni realidad de la naturaleza; de otra parte, con este sentido de la naturaleza, más verdadero que aquellas simples hipótesis.

Los mismos efectos producidos en el mundo moderno por la aparición del conocimiento de las leyes de la naturaleza, etc., los produjo la filosofía epicúrea en su tiempo y dentro de su círculo, en tanto iba dirigida contra todo lo que fuese invención fantástica y arbitraria de causas.” “Y el método de Epicuro, sobre todo, iba enderezado, por su tendencia, contra las supersticiones absurdas de la astrología, etc., cuya manera no se apoya tampoco en nada racional”

La filosofía epicúrea dio al traste con todas aquellas creencias supersticiosas en torno al vuelo de las aves en un sentido o en otro, a la significación de la liebre que cruzaba el camino, a la inspección de las entrañas de los animales, a la alegría o la tristeza de las gallinas, etc.” Agora entendo melhor a acusação de ateísmo e heresia a E.!

la física de Epicuro es desde luego contraria a todo esto, ya que se mantiene, en lo tocante a lo finito, dentro del círculo de lo finito, admitiendo solamente causas finitas; pues las mentes ilustradas lo son precisamente por no salirse jamás del campo de lo finito. El entronque con otras cosas finitas, con condiciones que son, a su vez, algo condicionado, se busca y procura encontrarse sin salirse de ese campo”

Para que el hombre pueda librarse de la superstición, Epicuro predica también especialmente la ciencia física, por ser ésta a su juicio la que libra al hombre de todas las opiniones y creencias que más lo inquietan y perturban: de las creencias acerca de los dioses, de sus castigos y, principalmente, de la muerte.”

Sin embargo, mi juicio es, y lo digo en parte contra muchos de mis compatriotas, que los preceptos morales de Epicuro prescriben al hombre, cuando se los examina con cuidado, una conducta sagrada y justa, e incluso triste. Pues, si bien se mira, el placer de Epicuro se reduce a algo muy pequeño y muy pobre, y apenas es posible decir lo mesurado y seco que es. La misma ley que nosotros prescribimos para la virtud es la que él traza para el placer: exige que el placer se ajuste a la naturaleza, y esto reduce el placer a límites muy estrechos. ¿Qué quiere decir esto? Quien llame feliz a una vida podrida, llena de fango y licenciosa, buscará en Epicuro una buena autoridad al servicio de una cosa mala; y cuando, dejándose fascinar por brillantes nombres, se dirija hacia los sitios en que oye elogiar lo agradable, no se entregará precisamente a los placeres que Epicuro predica, sino a los que él mismo apetece. Lo que ocurre es que esos hombres entregados al vicio sólo tratan de encubrir su propia maldad con el manto de la filosofía y de dar a sus libertinajes y desenfrenos un pretexto y una salida. Y así, ni siquiera a la juventud le es lícito tomar vuelos en este sentido mediante el procedimiento de dar un honroso título a lo que no es más que un inadmisible desmadejamiento.” Sêneca, o “honrado adversario”!

No existe, pues, ninguna diferencia esencial entre el tipo de vida del estoico y el del verdadero epicúreo que se ajuste a las normas y a los preceptos de su maestro. § Sin embargo, aunque a primera vista parezca que ya los cirenaicos proclamaban el mismo principio moral que más tarde habían de preconizar los epicúreos, Diógenes Laercio (X, 139, 136-137) se encarga de señalar la diferencia en los siguientes términos:¹ los cirenaicos proponíanse como fin más bien el placer como algo concreto, mientras que Epicuro lo predica como un medio, en cuanto que afirma como placer la ausencia de dolor, sin admitir ningún estado intermedio.” Talvez Nietzsche tenha compreendido mal o epicurismo e o estoicismo. Bom, não é impossível: julgo que compreendeu mal Parmênides, ao não alçá-lo à altura de um Heráclito… Ausência de dor não é um critério nobre, supra-hominídeo.

¹ Finalmente uma contribuição conceitual de Laércio!

Además, los cirenaicos tenían los dolores del cuerpo como peores que los del alma, mientras que el punto de vista de Epicuro era el contrario.” Dor física é bom demais! No pain, no g…

Los dioses existen, y el conocimiento de ellos es evidente; no son, sin embargo, como las gentes suelen creer. El impío, por tanto, no es el que niega los dioses del vulgo, sino quien se empeña en atribuirles las opiniones del vulgo.” Epicuro, um dos fragmentos preservados

Los hombres deben tributar honores a los dioses por razón de la excelencia de su naturaleza y de su dicha, pero no para obtener de ellos nada especial, ni buscando este o el otro beneficio.” Aqui não aceitamos cegos, mancos nem leprosos!

En relación con esto se halla también la circunstancia de que Epicuro asigne a los dioses el espacio vacío, los intersticios del universo como morada, donde no se hallan expuestos, según él, a las lluvias, a los vientos, a la nieve ni a otros accidentes de esta clase”

Epicuro quiere que el hombre se forme una noción exacta de la muerte, para que ésta no turbe su tranquilidad. (…) ‘En seguida, acostúmbrate a pensar que la muerte no debe preocuparnos en lo más mínimo, pues todo lo bueno y lo malo reside en las sensaciones, y la muerte es el despojo de toda sensación. De aquí que el pensamiento certero de que la muerte no nos afecta haga del carácter mortal de la vida una fuente de goce, ya que este pensamiento nos aparta de la infinitud y del ansia de la inmortalidad. Pues nada hay de temible en la vida para quien ha llegado verdaderamente a conocer que el no vivir no tiene nada de temible.’Famoso trecho que, creio, Sartre citou n’O Ser e o Nada e eu cheguei a anotar num papelito que guardava na carteira, coisa de 10 anos atrás – até as chuvas brasilienses esfarelarem o pobre material!

La satisfacción la consideramos como un bien, no simplemente para optar por lo más pequeño, como los cínicos, sino para darnos por contentos, aunque no obtengamos lo mucho: a sabiendas de que quienes logran el mayor disfrute de lo abundante son los que no lo necesitan y que lo natural es fácil de poseer, mientras que lo vacío resulta difícil de adquirir.”

Por tanto, cuando hacemos del placer el fin del hombre, no nos referimos a los placeres orgiásticos, como a veces se entiende falsamente, sino a un estado en que el hombre no sufre padecimientos físicos ni nada que inquiete su espíritu.”

Es preferible ser desgraciado con arreglo a la razón que feliz en contra de ella, pues vale más que el hombre enjuicie certeramente sus actos a que sea favorecido por la suerte.”

Lo que ocurre es que la exposición epicúrea del sabio, en Diógenes Laercio (X, 117-121), tiene un carácter de mayor mansedumbre; el sabio aquí se atiene más a las leyes establecidas, a diferencia del sabio estoico, a quien no se le da un ardite de ellas. El sabio epicúreo es menos terco que el estoico, pues mientras que éste parte del pensamiento de la autarquía, que, negándose, se comporta activamente, los epicúreos, por el contrario, arrancan del pensamiento del ser, que deja mayor margen a la realidad y no proyecta esta actividad hacia el exterior, sino que busca más bien la quietud interior, la cual no se adquiere por el embotamiento, sino por medio de la más alta formación del espíritu.”

El escepticismo representa, en verdad, el levantamiento de las dos unilateralidades que han sido puestas de relieve más arriba; pero este algo negativo sigue siendo negativo en él, y no sabe trocarse en algo afirmativo.”

O ceticismo representa, na verdade, a suspensão das duas unilateralidades que pusemos em relevo acima; só que este algo negativo segue sendo negativo dentro desta escola, e não sabe permutar-se em positivo.”

Frente al dogmatismo estoico y epicúreo, aparece en primer lugar la Nueva Academia, continuación de la Academia platónica, ya que los sucesores de Platón suelen clasificarse en tres grupos: la Academia antigua, la media y la nueva; algunos autores admiten además una cuarta Academia e incluso una quinta.” VIROU PASSEIO!

La fundación de la Academia media se atribuye a Arcesilao, mientras que la nueva gira en torno a los pensamientos de Carneades; pero esta distinción no significa nada.” “El escepticismo incluye a aquellas 2 figuras entre los filósofos escépticos, pero llamándolos los académicos, con lo cual hacen resaltar una distinción con respecto a la pureza del escepticismo que en realidad es puramente formal y quiere decir poco” “Vemos, pues, que en lo tocante a lo positivo Arcesilao no avanza gran cosa en general, y dice lo mismo que los estoicos; lo único que cambia es la forma, en cuanto que Arcesilao llama simplemente bien razonado o verosímil lo que los estoicos expresan como verdad.”

El conocimiento, que es un momento necesario en la formación de los pueblos, aparece así como pecado original y corrupción.”

son aproximadamente las mismas fases con que nos encontramos en Wolff, cuando habla de la representación clara, distinta y adecuada.” Talvez nem valha a pena tocar nesse Wolff. Os neoacadêmicos são fraquíssimos!

Ahora bien, si llevamos este punto de vista de los académicos a sus últimas consecuencias, la conclusión a que llegamos es que sencillamente todo existe sólo para la conciencia, con lo cual desaparece la forma de un ser en general, y también el saber de lo que es, en cuanto forma; lo cual no es otra cosa que el escepticismo.” “El escepticismo corona la concepción de la subjetividad de todo saber, al sustituir en términos generales el ser del saber por la expresión de la apariencia.”

ADOLESCÊNCIA DA FILOSOFIA (OU DO ESPÍRITO EM H.) – GÓRGIAS II: “En todos los tiempos, y todavía hoy, ha sido considerado como el más temible adversario de la filosofía, teniéndolo incluso por invencible, en cuanto el arte que consiste en disolver todo lo determinado, demostrando su nulidad; tal parece, en efecto, como si se lo reputase incontrovertible y como si la diferencia entre las convicciones estribase solamente en saber si el individuo optaba por esta actitud o por una filosofía positiva y dogmática.” “No hay más remedio que reconocer, en verdad, la invencibilidad del escepticismo, aunque sólo desde el punto de vista subjetivo con respecto al individuo, que puede adoptar evidentemente la actitud del hombre que no quiere saber nada de la filosofía y que sólo afirma lo negativo. El escepticismo parece ser, de este modo, algo a lo que uno tiene que rendirse, y tiene uno la sensación de que es inútil tratar de rescatar de esta actitud a quien decide echarse en sus brazos, mientras que los otros pueden aferrarse tranquilamente a su filosofía por la sencilla razón de que se vuelven de espaldas al escepticismo sin querer saber nada de él, en la imposibilidad de hacerle frente para refutarlo.”

Claro está que quien se empeñe en ser simplemente un escéptico jamás se dará por vencido ni se verá reducido a las posiciones de la filosofía positiva,(*) del mismo modo que no es posible echar a andar a quien sufre parálisis de todos sus miembros.

(*) (…) al mismo tiempo, esta expresión, tal como Hegel la emplea, con su doble acepción, no tiene absolutamente nada que ver, por supuesto, con ese positivismo que tantos vuelos está tomando en los últimos tiempos y que, por huir de la necesidad del conocimiento pensante, cae a la postre en los brazos de la revelación y de la simple fe, aunque se adorne con el nombre de pensamiento libre [M.].” Uma nota de rodapé que hoje é supérflua – sim, já sabíamos.

Seria o niilismo apenas um subconjunto do hegelianismo? A exportação lenta e gradualíssima de um mal da intelligentsia ao “povão”? A história desse espraiamento?

BATALHA DO “MAS!” CONTRA O “MAS…”: “La filosofía positiva puede tener la conciencia de que lleva dentro de sí misma la negación del escepticismo, de que éste, por tanto, no se contrapone a ella, ni existe fuera de ella, sino que es simplemente un momento suyo; pero de tal modo que esta filosofía encierra dentro de sí lo negativo en su verdad, cosa que no hace el escepticismo.”

el escepticismo se comporta solamente como un entendimiento abstracto. Desconoce que también esta negación es de suyo un determinado contenido afirmativo, puesto que es, en cuanto negación de la negación, la negatividad referida a sí misma y, más precisamente, la afirmación infinita.”

Hay que distinguir, además, entre el escepticismo antiguo y el nuevo escepticismo; a nosotros aquí sólo nos interesa el primero: sólo él presenta una naturaleza verdadera y profunda, puesto que el nuevo es más bien epicureísmo. [¿?] Así, en estos últimos tiempos, Schulze viene predicando en Gotinga su escepticismo y ha escrito un libro titulado Enesidemo, para de este modo compararse con este escéptico, interpretando además en otras obras el escepticismo contra las doctrinas de Leibniz y Kant.” “Éste y otros autores toman como base de su concepción la creencia de que se debe tener por verdad el ser sensible, lo que la conciencia sensible nos entrega, dudando en cambio de todo lo demás. Lo que opinamos es lo último, los hechos de la conciencia.” Algo me diz que estamos todos em Schulze no momento…

El nuevo escepticismo se dirige solamente contra el pensamiento, contra el concepto y la idea y, por tanto, contra lo filosófico superior; deja, pues, que la realidad de las cosas subsista intacta e indubitada, y afirma solamente que partiendo de ella no es posible deducir nada en cuanto al pensamiento.” Quiçá minha primeira compreensão ao ler a Dialética do EsclarecimentoMuito jovem ainda!

El escepticismo moderno es la subjetividad y la vanidad de la conciencia, evidentemente insuperable, pero no para la ciencia y la verdad, sino solamente para aquélla, para la misma subjetividad.” Não sejais cético; sede ético!

Por tanto, aunque por una parte se diga que la verdad es solamente la convicción de los otros y, de otra parte, se ensalce también la propia convicción, que al igual que aquélla no pasa de ser un ‘solamente’, no hay manera de sacar a este sujeto de lo que es a la par su soberbia y su humildad. Y así, el resultado del escepticismo antiguo es simplemente la subjetividad del saber; pero este resultado descansa sobre la anulación pensante y desarrollada de todo lo que pasa por ser verdadero y válido, haciendo de este modo que todo sea inconstante.”

La duda, sin embargo, no es sino la incerteza, la indecisión, la irresolución, el pensamiento que se opone a algo válido. Dudar, dubitare, viene de duos, 2: es un ir y venir entre dos cosas o varias, ninguna de las cuales acaba de satisfacernos, aunque necesariamente tenemos que decidirnos por la una o por la otra.” “Esto presupone un profundo interés por un contenido y el anhelo espiritual de que este contenido sea consolidado en sí mismo o no lo sea, ya que el espíritu necesita encontrar la quietud de un modo o de otro. Estas dudas no tienen más remedio que ser expresadas por los pensadores finos y sagaces; son, sin embargo, simple vanidad, ganas de torturarse, o bien responden a un desmadejamiento [vertigem, decadência, neste caso] que no conduce a nada.”

CONSUMISMO E CETICISMO ABSOLUTO: Falta de ética

O consumismo é o ceticismo individual levado a modo de produção. Mero deixar-passar hesitante robótico. Hiato indefinido de cultura e humanidade. Recesso da História. Se o momento pode ser procrastinado por meio de simulações, há de haver uma pane da engrenagem de simulação, da matriz simulacional. Do motor que emite todos os simulacros, a simulação das simulações. Há de vir, porém são séculos de filme mudo enquanto isso…

NADA MAIS ANTI-HISTÓRICO DO QUE UMA HISTÓRIA BEM CONTADA! “Los escépticos tratan de demostrar históricamente su actitud y afirman que ya Homero abrazaba el escepticismo, por cuanto que habla de las mismas cosas en sentidos opuestos.”

La historia del llamado escepticismo se inicia de ordinario con Pirrón, a quien se considera como el fundador de esta tendencia, y de él proceden también los nombres de pirronismo y pirronianos.” “Por lo que se refiere a la vida de Pirrón, la contemplamos con el mismo escepticismo que su doctrina, pues lo que acerca de ella sabemos no presenta la menor cohesión y es muy poco seguro.” Hahaha! Pitágoras Segundo…

Finalmente, se cuenta de él que acompañó a Alejandro Magno en su expedición al Asia, donde al parecer se dedicó intensamente al estudio de los magos y los brahmanes. Dícese que Alejandro lo mandó ejecutar por haber exigido la muerte de un sátrapa persa y que perdió la vida de este modo a la edad de 90 años. Suponiendo que todo esto sea cierto y teniendo en cuenta que Alejandro pasó en el Asia unos 12 o 14 años, resultaría que Pirrón emprendió este viaje en el séquito del monarca macedonio cuando contaba 78 años, o incluso más.” “Como Pirrón afirmaba, entre otras cosas, que la realidad de las cosas sensibles no encerraba verdad alguna, se cuenta de él, por ejemplo, que en la calle no se retiraba para dejar pasar a los carruajes, los caballos y demás objetos que venían frente a él y que marchaba directamente contra las paredes, perfectamente convencido de la falta de realidad de las percepciones sensibles, teniendo sus amigos y las gentes que le rodeaban que retirarlo de los peligros en que de este modo se colocaba, con gran riesgo de su vida.” O verdadeiro Pirro seria apenas um ator pornô (seu estoicismo estaria em que desprezaria as dores provocadas pela sífilis!)…

Talvez o maior livro de meta-dados que se pudesse escrever fosse uma biografia de Diógenes Laércio! Fonte: Diog. Laér.

Os maiores rivais dos escépticos eram os assépticos, pois gostavam de ter uma discussão muito limpa!…

para que el escepticismo aparezca con la dignidad propia de la filosofía es necesario que él mismo se desarrolle en su aspecto filosófico; y esto fue, en efecto, lo que hizo Enesidemo.”

6º “EMPÍRICO” ERA CÉTICO, GRANDE TIRADA! “Sexto vivió y enseñó aproximadamente a mediados del siglo II d.C.. (Brucker) Sus obras se dividen en 2 partes: 1) Sus Pyrrhoniae Hypotyposes, en 3 libros, nos ofrecen, en cierto modo, una exposición general del escepticismo en su conjunto; 2) de sus libros Adversus Mathematicos —es decir, contra la ciencia en general y especialmente contra los geómetras, aritméticos, gramáticos, músicos, lógicos, físicos y éticos—, que forman 11 en total, hay 6 dirigidos realmente contra los matemáticos, pues los 5 restantes se dedican a polemizar contra los filósofos.”

Quien busca un objeto tiene o bien que encontrarlo o bien negar que pueda encontrarse, o bien seguir buscándolo. Otro tanto acontece con las investigaciones filosóficas: unos afirman haber encontrado lo verdadero; otros niegan que sea posible llegar a captarlo; los terceros, por fin, perseveran en su búsqueda. Los primeros, tales como Aristóteles, Epicuro, los estoicos y otros, son los llamados dogmáticos; quienes afirman la imposibilidad de llegar a captar la verdad son los académicos; los escépticos siguen buscando. Existen, pues, 3 filosofías: la dogmática, la académica y la escéptica.” Neste conceito Platão é o rei dos céticos, e com Razão!

El escéptico no dogmatiza, sino que se limita a asentir involuntariamente a las afecciones a que se ve forzado por las representaciones; así, por ejemplo, cuando siente calor o frío, no dirá que no parece sentir frío o calor. Si se nos pregunta si el sujeto es tal y como aparece, reconocemos la apariencia, pero no nos ponemos a investigar la cosa aparente, sino solamente el predicado que de lo aparente se dice. Por tanto, el que algo sea dulce sólo lo investigamos con respecto al concepto; pero esto no es lo que aparece, sino lo que se predica de lo aparente. Pero, cuando nos ponemos a investigar directamente sobre lo aparente, no lo hacemos para destruir lo aparente, sino para refutar la precipitación de los dogmáticos.” “Por consiguiente, en todas las tesis escépticas debemos tener presente que no afirmamos en modo alguno que esas tesis sean verdaderas, puesto que decimos que pueden destruirse a sí mismas, puesto que se hallan limitadas por aquello de que se predican.”

É essencial que saibas que a essência não existe!

El principio eficiente del escepticismo es la esperanza de la imperturbabilidad.” É como dar-se por vencedor hoje de todas as tribulações do amanhã. O amanhã já foi, mas que importa ser um perdedor?

Tens que ter um prato de comida preferido, uma banda favorita e, claro, hobbies, ou serás só um vento mau!

Contra el concepto como concepto, es decir, contra el concepto absoluto, no se dirige para nada el escepticismo; el concepto absoluto es más bien su arma, aunque el escepticismo no tenga conciencia de ello.”

Así, pues, aunque el escepticismo se expresa siempre en el sentido de que todo es pura apariencia, los escépticos van más allá que los partidarios del moderno idealismo puramente formal, pues se enfrentan con el contenido y muestran cómo todo contenido es un contenido sentido o un contenido pensado, teniendo por tanto algo contrapuesto. Así, pues, ponen de manifiesto la contradicción que se encierra en el contenido mismo, de tal modo que de todo lo que se predica cabe predicar, al mismo tiempo, lo contrario; tal es lo objetivo del escepticismo en su apariencia, lo que hace que no sea un idealismo subjetivo.”

OS 15 GIROS OU TROPOS DOS CÉTICOS (MANUAL DO MUNDO DAS APARÊNCIAS), OU OS 5 GIROS QUE REALMENTE IMPORTAM.

A) DO SUBJETIVO

1. Nada é, pois reina o múltiplo. Cada animal enxerga diferente dos demais. Protoperspectivismo e as cores para si, jamais em si. (juiz: o animal)

2. Cada indivíduo é diferente dos demais homens. Sentimos sempre singularmente. Nem mesmo o veneno é algo objetivo e universal, pois alguns podem sobreviver ou não sentir os seus efeitos. Nunca houve nem haverá uma só religião sobre a terra. Bem como filosofia(s)… A falha do ceticismo em ser hegemônico provaria a tese! (juiz: o homem)

Não que seja necessário, mas neste ponto H. joga objeções: “Por muy distintos que los sistemas filosóficos puedan ser, jamás serán tan distintos como lo blanco y lo dulce, lo verde y lo áspero”; se fossem tão díspares entre si, não seria possível reuni-los num subcampo do saber e escrever uma História da Filosofia coerente, etc.

3. Os sentidos discordam entre si. A vista engana o tato e vice-versa. (juiz: os sentidos do homem; os vários homens unilaterais na unidade chamada homem, no qual, claro os céticos não acreditam!)

4. O mesmo nunca é o mesmo para o mesmo: um homem recebe algo diferente conforme se movimenta, está em repouso, dorme, está irado, está com medo, está sereno, é jovem, é velho, etc. (juiz: os humores e estados do homem, o homem-no-tempo)

5. O grande é relativo, o pequeno é relativo. Sempre há uma posição em que o grande se torna nanico e o nanico se torna gigantesco. O mesmo para claridade e escuridão. “La contradicción más conocida es la que se refiere a la rotación del sol en torno a la tierra o de la tierra alrededor del sol.” (juiz: o homem-no-espaço)

6. (mais como 1.2) Não há pureza, apenas misturas num devir. (juiz: o ‘suposto’ Um? A própria aparência? Ou antes ‘a relação’)

7. (mais como 4.2) O mesmo não é o mesmo (excluindo a consciência ou o ‘para o mesmo’: areiavidro, etc. A verdade do vinho é ao mesmo tempo a confiança e a completa impotência, conforme se tome 2 goles ou 2 garrafas. (juiz: o objeto, ou a relação, seja de qualidade ou quantidade.)

8. A direita e a esquerda sempre variarão. Não é possível se colocar no lugar do outro. “La relatividad en general lo es en relación con lo que se supone ser absoluto, pues la relación misma es una relación consigo mismo y no con otra cosa.” Traduzindo, tudo é relativo; aliás, até o relativo é relativo. O absoluto existe sob a forma intangível da relatividade ubíqua. Tudo é para si, mas não sabemos o que é para si. (juiz: a relação ou o princípio de causalidade, fechando as 3 categorias kantianas da apercepção imediata: tempo, espaço, causa.)

9. (mais como 4.3) Mesmo que todos os pontos anteriores não existissem, um dia, uma hora, um momento tudo se modifica. O contingente é uma constante, mas a constância em si é contingente. (juiz: homem-no-tempo ou a relação)

10. (mais como 4.4 ou 4.3.2!) A ciência jurídica é diferente em cada ponto da terra e varia sempre no mesmo ponto da terra. Tudo é arbitrariedade e absurdo. Combinação com os pontos 5º, 8º e 9º, para sermos kantianos mais uma vez. (juiz: o homem-no-tempo, o homem-no-espaço, a relação e o princípio de causalidade ao mesmo tempo; grosso modo, os “costumes” enquanto objeto, i.e. a cultura panoramicamente falando.)

Por razón de su simpleza, nosotros no estamos acostumbrados a dar gran importancia a esta manera de proceder [com os 10 primeiros tropos ou giros da razão] ni a atenernos a ella, pero no cabe duda de que son absolutamente certeros en lo que tienen de reacción contra el dogmatismo del sentido común.”

PRÓ-NOME: “Por tanto, el sentido de estos tropos conserva todavía su vigencia. Si se trata de fundamentar por medio de un sentimiento la fe o el derecho, este sentimiento se da en mí, pero siempre puede haber otro que diga: ‘en mí no se da esto’.”

B) DO OBJETIVO

11. As opiniões divergem. Não as ‘opiniões’ (sensações) animais nem as opiniões do simples ‘homem’. Mas as opiniões dos sábios! O argumento poderia ser resumido da forma seguinte: “Se fosse possível um consenso filosófico e uma filosofia universal, este consenso e esta universalidade já teriam sido alcançados.” – espécie de extensão do argumento 2. Implicações, se não se refuta o ponto: Hegel tenta a Síntese Suprema; falha; Nietzsche, a Escola Crítica & os pós-modernos insistem em acusar o erro. Ainda estamos recolhendo os cacos e estilhaços em que a Filosofia Continental se partiu então. De fato só o ceticismo chega a sua meta em cada geração.

12. O axioma da queda no progresso infinito. Cada afirmação necessita um princípio ou axioma; cada princípio ou axioma necessita de uma nova fundação; que necessita de um novo dogma assentador, etc. Um sério inimigo do Idealismo Romântico; mas Kant, p.ex., parece nada sofrer com este tipo de refutação!

13. “Zagallo”: Nenhum juiz é isento para julgar o que quer que seja, pois só ocupa um lugar relativo, e portanto errado de acordo com todo outro juiz. Com efeito é um argumento muito sagaz contra patriotas de última ocasião e/ou numerólogos maníacos! Falando mais sério, significa que nem mesmo se se admitisse em geral que Platão é ‘o filósofo’ e encontrou a Verdade, por exemplo, até isto é recusado pelos céticos.

14. Este argumento é engenhoso porque parece uma refutação cética contra os próprios argumentos 11-12-13: Existe sim este Absoluto do qual derivam todas as causas. Ex: Euclides. Ou seja, é possível aceitar um princípio sem prova. Mas o hic salta é: o cético se beneficiaria da mesma regra. Significa parar de remar e aceitar que tudo é água. A opinião do sábio aplanada, nivelada à opinião vulgar. (Argumento engenhoso, porém já desesperado.)

15. Prova circular. Variante do tropo décimo segundo, mas em que em vez de derivar-se de axioma em axioma em linha reta ao infinito, deriva-se em um círculo vicioso. Situação do viajante no tempo e do destino inalterável: tudo é a causa de tudo, nada é a causa de nada. A e B se sobredeterminam. Aporia. É um infinito-no-finito.

Esses últimos 5 pontos seriam os Elementos ou a Bíblia dos Céticos. Atemporais e independentes de demonstrações no mundo fenomênico.

De modo que os adversários de Sexto Empírico se vêem forçosamente na situação do ladrão que perdeu já antes de empreender sua fuga, pois não conseguem abstrair até que ponto vai a malícia e a antecipação do daimon de seu rival, o captor:

Supondo que o ladrão antecipasse que, na única via que pode usar para fazer a travessia, o amontoado de moitas estranhamente situado sobre a grama ou a estrada na verdade ocultam um insidioso alçapão, e pule para a esquerda ou para a direita, rente ao muro, para tentar atravessar pelo estreito umbral que lhe resta, eis que descobre que o umbral era a verdadeira armadilha, pois aciona uma corrente que o prende ou então uma bigorna que cai do céu em sua cabeça; não que a moita realmente não cobrisse um buraco, mas ela servia apenas para dar confiança ao suposto astuto ladrão e forçá-lo ao xeque-mate (distração antecipada). Uma amarelinha maldosa em que o jogador já perdeu antes de começar.

Para el criticismo, que no conoce en sí alguno, nada absoluto, todo saber sobre lo que es en sí como tal es dogmatismo, cuando en realidad es él el más furioso de los dogmatismos, en cuanto que asegura que el Yo, la unidad de la conciencia de sí mismo, opuesta al ser, es en y para sí y que al margen de ella queda el en sí, como dos factores que no pueden, en absoluto, coincidir.”

O engraçado é que Hegel vê em Kant tudo que nós não vemos: uma repulsão extrema ao Absoluto. Quando o que mais se critica na epistemologia kantiana é seguir se referindo ao que não existe como se existisse! Ou seja: Hegel tacha Kant de radical; nós de carola! Ainda era possível ir além.

Honra al escepticismo el haber llegado a adquirir esta conciencia acerca de lo negativo, concibiendo las formas de lo negativo de este modo determinado.” Em si o ceticismo está correto – era uma piada!! Cof, cof… A evolução final do sofista, o SUPERSOFISTA.

Sexto Empírico, por ejemplo, va repasando de un modo concreto las distintas ciencias con una gran fuerza de abstracción y revelando en todas sus determinaciones los otros aspectos de ellas. Así, se opone a las determinaciones de las matemáticas, y no exteriormente, sino dentro de sí; ataca, por ejemplo (Adv. Math. III, 20-22), la afirmación de quienes sostienen que hay un punto, una línea, un espacio, una superficie, etc.”

SPOILER: Quem é o super-herói que salva o dia? A NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO.

Si, no obstante, el escepticismo se atreve a enfrentarse con este algo propiamente especulativo, no podrá atentar contra él en nada; su procedimiento contra lo racional consiste, pues, en general en hacer de ello algo determinado, introduciendo en ello una determinación finita del pensamiento o un concepto de relación al que se atiene, pero que no reside, ni mucho menos, en lo infinito, argumentando luego contra él; es decir, consiste en concebirlo de un modo falso, refutándolo así. O bien arma él mismo a lo infinito con las uñas con que ha de arañarlo.” The dog that bites the hand that feeds.

Hoy hasta lo especulativo se convierte en algo tosco; puede uno atenerse a la palabra y, sin embargo, aparece invertida la cosa, al despojarse a lo especulativo de la identidad de lo determinado.” Convenhamos que não teria graça refutar Max Stirner pela lógica.

Ahora bien, el saber de lo especulativo requiere, además de la disyuntiva, un tercer término; es un tanto esto como lo otro y un ni esto ni lo otro.”

Um todo, ou o Um, não é só Um, embora não seja dois. É que o Um é a negação de si. Neste sentido é que H. prefacia sua história com a estranha terminologia “o Um se (des)dobra”, a consciência, o filosofar, se duplica sobre si mesmo(a). O todo é sempre o todo em relação consigo. A consciência é sempre a consciência de si mesma (consciência x consciência, onde ‘x’ é o terceiro termo ou a ‘relação’ – relação-com-a-consciência é uma contradição ou insuficiência, pois só pode haver relação-com-a-consciência-e-a-consciência, desdobramento ensimesmado). Toda consciência necessariamente se nega, porém necessariamente apenas para se afirmar no fim do processo. “El comprenderse a sí misma de la razón es precisamente el modo como el todo comprende todas sus partes, cuando se lo enfoca en su verdadero sentido especulativo, y sólo en este sentido puede hablarse aquí de esta relación.”

Começam a subir os créditos da segunda parte da trilogia, deixando todos os asistentes decepcionados no escurinho do cinema: “Con esto, creemos haber dicho ya bastante acerca de la esencia científica del escepticismo y con ello hemos puesto fin a la sección segunda de la historia de la filosofía griega.”

El escepticismo pertenece, por tanto, al período de decadencia de la filosofía y del mundo.” A Roma nossa de todos os dias. O Protestantismo da Filosofia procrastina a morte da Filosofia, para o mal de todos… Rola-se a dívida especulativa (duplo sentido desdobrado, arrotado e peidado em si mesmo saindo como suor pelos poros respirados em seqüência)…

FIM DO SEGUNDO VOLUME

DIC:

ajetreo: agitação

bucear: mergulhar

por doquier: por procuração, indiretamente

verbigracia: por exemplo

O PROBLEMA DA ÉTICA DIVINA

Partamos de duas premissas: 1) o homem é burro, isto é, vil demais para criar-se uma ética. 2) o homem é sábio, isto é, virtuoso o bastante para criar-se uma ética. Ponto de vista da religião monoteísta: o homem só pode ser burro demais, do contrário não haveria religiões nem necessidade de religiões. Deus precisa ensinar a ética ao homem, eis o fundamento e o fim último da crença. Porém, se o homem é burro demais para criar-se uma ética, ele também é vil demais para aprender uma ética, incapaz que é de entender os desígnios de deus. Não está à altura de uma ética divina para os homens.

Posto que sabemos o que é ética, ela deve ser atingível. Posto que há religiões, é seguro dizer que via de regra prescinde-se de ética. Posto que há religiões há muito tempo, porém, e sua presença milenar não demonstra a aquisição da virtude pela humanidade como um todo, conclui-se que: poucos notáveis são virtuosos, a maioria é tola. Alguns notáveis assumiram papéis de pregadores, profetas, sacerdotes religiosos. Alguns notáveis seguiram o caminho da autoformação. A grande massa se subdivide igualmente entre os dois caminhos. Muitos crêem-se éticos (sábios) sem sê-lo. Sábios autointitulados, intitulados pela comunidade laica ou sancionados por aqueles que controlam os dogmas espirituais. Se a virtude fosse passível de se ensinar, não só Deus como os sábios ensiná-la-iam.

As gerações da humanidade repetem a proporção entre sábios e tolos. Desde sempre, para sempre. De qualquer modo, apenas uma pimenta para a discussão: não é possível conhecer-se a si mesmo. O sábio não se conhece; vive sempre na berlinda entre uma pretensa sabedoria e a estultícia. O muito burro vive na vaidade, crendo-se sábio. Ao notar esse comportamento dos muito estultos, o sábio aprende que ter certeza sobre sua própria sabedoria é um indício pouco auspicioso. Ele sempre oscila entre considerar-se um hipócrita ou um tolo, não importa como conduza sua vida, e a reputação que obtém entre “os outros homens”. Sua vida é uma comédia, pois só é possível agir com ética inconscientemente. Os autointitulados tolos podem ser considerados uma multitude de coisas: sábios (e portanto suscetíveis de ser tolos debaixo do véu), hipócritas que desejariam o status da sabedoria empregando uma falsa modéstia para enganar os homens, um espírito que conhece suas limitações; mas não muda o fato de que todas essas possibilidades não são dignas de crédito. Não se confia no tolo só porque ele assume sua tolice. E o parâmetro para o sábio, por mais que sábios existam, não é deste mundo. Permanece como mistério insondável da existência. Como num jogo de pega-pega entre a cabeça e a cauda, aporia.

SPEECH AND WRITING ACCORDING TO HEGEL – Derrida, 1971 (in: W.F. Hegel, Critical Assessments, ed. Robert Stern, 1993).

INTRODUCTION TO HEGEL’S SEMIOLOGY

For the moment let us see here the indication or the incitation to recognise that the essential place of semiology is at the centre, not on the margin or as an appendix to Logic.”

metaphysics could only consider the sign as a passage, a place of passage, a passage-way (passerelle) between two moments of presence, the provisional reference from one presence to the other. The passage-way can be lifted.” Suspensa ou levantada, um dos problemas centrais da tradução da terminologia hegeliana para o Português: de preferência deve-se usar suspensão; ao mesmo tempo que um elemento “des-aparece”, isso não implica que ele suma da representação fenomênica ou seja aniquilado para não-mais-voltar. A suspensão mantém o vetor de lift (elevador, idéia de ascensão, subida, erguida, alavancagem) e ao mesmo tempo a noção do objeto da representação que fica em suspenso, i.e., desaparece para depois eventualmente re-aparecer (ascende, mas pode descender na seqüência, após momentos da representação).

time itself is but the referring of presence to itself. As such signification, the sign procedure is, to be sure, the moment of presence lost; but it is a presence lost by the very time that engages it in the movement of its reappropriation.” A suspensão é um momento necessário da dialética hegeliana.

The ‘in view’ designates the theoretical pre-eminence of the gaze, as well as the authority of the final aim, the telos of reappropriation of full presence, the ordination of the theory of signs to the light of parousia.” Parousia (grego): presença, aterrissagem (descida, chegada, retorno no sentido de reapropriação, no sentido mítico de Ulisses voltando à sua casa e também do passageiro que parte em viagem mas retorna, arrive back home, o contrário de arise, erguer-se, levantar-se, partir, que bem podia ser usado no lugar de lift). Ousia, sem par-, é Ser.

It could be shown that this very general necessity governs metaphysics in its essence and in its totality – which is one with its history, and, I would even go so far as to say: with history as such.

We should then expect Hegelianism, which is so generally said to represent the completion of metaphysics, both in the sense of accomplishment and in the sense of end, to give the most systematic and powerful, the most ingathered, ingathering, assembled, assembling form to this metaphysical gesture. We should find a primary index of this in an architectonic reading that aims to locate the place Hegel assigns to the theory of signs in the system. For such an architectonic reading it would doubtless be best to consult here the Encyclopaedia of Philosophical Sciences (1817).”

The theory of signs is inscribed in the 3rd part of the Encyclopaedia, that is in the Philosophy of Mind, following the Science of Logic (Lesser Logic) and the Philosophy of Nature. What does this division answer to? To briefly collect its meaning it is enough that we refer to what Hegel himself says at the end of the Introduction to the Encyclopaedia, § 18: [Os parentêses na citação são de Derrida]

As the whole science, and only the whole, can exhibit what the Idea or system of reason is, it is impossible to give in a preliminary way (or precursorily) a general impression of a philosophy. Nor can a division ( distribution) of philosophy into its parts be intelligible, except in connection with the system. A preliminary division, like the limited conception from which it comes, can only be an anticipation (something anticipated). Here, however, it is premised that the Idea turns out to be the thought which is completely (simply) identical with itself, and not identical simply in the abstract, but also in its action of setting itself over against itself, so as to gain a being of its own, and yet a being in full possession of itself while it is in this other.¹”

¹ Não só em potência, essência (em-si) mas também em ato, aparência (para-si), e conseqüentemente ao mesmo tempo em e para si, unidade sujeito-objeto (consciência em Hegel).

Em seguida H. divide a Filosofia em 3 momentos, esclarecendo que é uma divisão didática e nunca um momento subsiste ):

1. Lógica, o conhecimento da essência isolada, em-si, a Idéia.

2. Filosofia da Natureza, o conhecimento da aparência isolada, para-si, o Outro. (momento provisório da separação sujeito-mundo)

3. Filosofia da Mente (consciência), o conhecimento da descida ou chegada da Idéia ou essência ao se manifestar (do em si que se acopla ao para si, da etapa ou processo consumado descrito acima). Identidade final da diferença (Idéia e Outro no Um).

Grosso modo: ESSÊNCIA CARENTE OUTRO SER (ESSÊNCIA PERFEITA ou O ABSOLUTO).

A Filosofia da Mente pode ser subdividida em 3 momentos:

3.1. A mente subjetiva: abstração da auto-relação, a liberdade absoluta da Idéia consigo mesma (no arbitrário), mas falsa, pois “fora do mundo”.

3.2. A mente objetiva: a abstração da objetividade material do mundo, enquanto algo alheio à Idéia. A liberdade é entendida como necessidade, pura causalidade cega.

3.3 A menta absoluta: a unidade realmente existente, concreta, da consciência como objetividade e idealidade, a liberdade como tal. A “verdade” em sua dinamicidade, como compreendida por Hegel.

Por que o momento 3.1 está negritado acima? Porque Derrida entende a teoria do signo lingüístico como o equivalente a esta etapa. Um “modo” ou “determinação finita”, “transição ou etapa necessária da auto-superação”. Derrida chama o 3.1 ou signo de “transição da transição”. A Idéia auto-suficiente é negada, suprimida pelo Outro (próxima etapa afirmativa).

Derrida subdividirá, ainda, o 3.1, seu objeto de interesse neste texto, em:

3.1.1. O imediato: o Espírito-na-natureza (Naturgeist), o objeto do ponto de vista da Antropologia (do tempo de Hegel, mero modo de expressar a relação de alteridade homem vs. natureza, não a Antropologia científica que estuda a diferença cultural entre culturas ou homens diferentes – está muito mais para ciência exata que para um campo social, pois abarca até a fisiologia humana, como teremos a oportunidade de ver mais abaixo).

3.1.2. O mediato: reflexão no sentido comum. A consciência abstraída, tratando-se como objeto exterior (o objeto do ponto de vista da Fenomenologia da Mente).

3.1.3. Objeto-de-si-mesmo: o objeto do ponto de vista da Psicologia (hegeliana), reconhecendo-se idêntico ao que era outro (reincorporando-se).

Para Derrida, a teoria do signo pertence em sua delimitação, mais precisamente, ao momento da Psicologia (3.1.3), “definida como ciência da Mente determinando a si mesma em si mesma como objeto para si mesma”.

A semiologia, como parte da ciência do objeto para si mesmo, não pertence à ciência da consciência, isto é, à fenomenologia [3.1.2].” “Esta psicologia está divorciada da natureza. Estamos não só referidos aqui a todas as tentativas semiológicas do séc. XVIII, que eram todas psicologizantes, mas referidos, em última instância, a Aristóteles, o patrono que Hegel invoca em sua Psicologia da Mente quando, na Introdução acima, descreve:

Os livros de Aristóteles Da Alma (Peri Psychis) … são por isso e ainda, de longe, o trabalho especulativo de valor mais admirável, talvez o único de valor, neste tópico. A principal meta de uma filosofia da mente só pode ser reintroduzir o conceito no conhecimento-da-mente, o que quer dizer redescobrir a lição destes livros de Aristóteles.

Define Aristóteles, em outro livro:

A palavra falada (ta en tiphoni) é o símbolo de afecções ou estados da alma, e a palavra escrita é o símbolo da palavra falada. Assim como nem todo homem tem a mesma escrita, nem todo homem tem o mesmo som da voz, mas os estados da alma, de que essas expressões são o signo imediato ou primário (semeia protos) são os mesmos para todos, assim como as coisas, de que esses estados são apenas a imagem.”

Mas quando afirmo [Derrida] que é tradicional fazer da semiologia dependente da psicologia, não penso apenas no Hegelianismo do passado, mas no que se revela como além do Hegelianismo, isto é, superação do Hegelianismo, e não só algo derivativo e compreendido no Hegelianismo. Porque essa é uma tradição metafísica, ininterrompida pelas ciências humanas contemporâneas. Nos seus Cursos de Lingüística Geral, Saussure traça duas vezes o plano para uma semiologia geral juridicamente [?] dependente da psicologia.”

A Lingüística é só uma parte da ciência geral da semiologia; as leis descobertas pela semiologia serão aplicáveis à lingüística, e esta última será circunscrita em limites bem-definidos dentro da massa de fatos antropológicos.” Saussure

Uma observação: hoje entendo a Lingüística como uma Semiologia no sentido saussureano, e a lingüística de Saussure como uma subdivisão desta. Isto é, entendo que nunca houve esta expansão desejada por Ferdinand de Saussure.

Hjelmslev, apesar de reconhecer a importância da herança saussureana, levantou a questão da crítica aos pressupostos dessa mesma herança, i.e., criticou a autoridade atribuída à psicologia e o privilégio acordado à ‘substância expressiva’ sonora ou fônica.” Nesse tocante, creio que Saussure ainda siga atual e não procede a crítica hjelmsleviana: a lingüística segue sendo o estudo do signo psíquico, em clara antecipação à consideração de que surdos-mudos aprendem a língua sem prejuízo (o processo mental incorpora a questão da escuta e da fala, não havendo quebra epistemológica dos pressupostos de Saussure).¹ Por outro lado, a fala continua sendo a instância privilegiada em detrimento da escrita, como se vê no princípio da arbitrariedade das mudanças lingüísticas (sobre as quais a literatura não têm nenhum controle, uma vez que a língua se desenvolve organicamente no cotidiano do universo dos falantes totais daquela língua).

¹ Muitos estudantes de lingüística de nosso tempo querem desqualificar Saussure no trecho em que ele se refere ao ‘signo acústico’, porém o sentido mais correto do que ele quis expressar em sua época teria de ser retraduzido nas atuais edições de sua obra clássica como ‘psíquico’ no lugar de acústico, porque se refere a um processo interior, mental.

Veremos como a excelência psíquica e a preeminência fônica andam juntas também em Hegel, por razões que são histórica e essencialmente metafísicas.”

A psicologia estuda as faculdades ou modos gerais da atividade mental enquanto atividade mental – intuição, representação, rememoração, etc., desejos, etc.” H.

A teoria dos signos, consistindo essencialmente numa teoria da fala e da escrita, está contida em duas notas de rodapé bastante extensas de H., notas estas mais longas que os próprios parágrafos aos quais estão subordinadas, no sub-tópico intitulado ‘Imaginação’ [na Enciclopédia]. A Semiologia seria, portanto, um desenvolvimento pertencente à teoria da imaginação, e mais especificamente, à Fantasiologia ou Fantástica¹ [Phantasiology ou Phantastics] hegeliana.”

¹ Ainda não li o original (a Enciclopédia). Talvez Fantasística ou mesmo Phantasística, com ‘ph’, sejam traduções mais acertadas.

O que é imaginação? Representação (Vorstellung) é intuição relembrada-interiorizada (erinnerte). Pertence à inteligência (Intelligenz), que consiste em interiorizar a imediatidade sensível, ‘para apresentar a si mesmo como possuidor da intuição de si mesmo’ (in sich selbst anschauend zu setzen) – para suspender e conservar, no duplo movimento da negação (Aufhebung), a subjetividade pertencente à interioridade,¹ para que seja exteriorizada em si mesma e ‘esteja em si mesma em sua própria exterioridade’ (in ihrer eigenen Ausserlickhkeit in sich zu sein). Na lembrança temos o movimento decisivo da representação em que a inteligência é chamada de volta a si, e está em si mesma em sua exterioridade. Na lembrança o conteúdo da intuição se torna uma imagem – está livre da imediatidade e individualidade a fim de permitir a transição para a representação conceitual objetiva. E a imagem lembrada e interiorizada na memória não é mais uma ‘existência’, i.e., presente, na memória, mas depositada fora da consciência (bewusstlos aufbewahrt), retida numa morada inconsciente. A inteligência pode ser concebida como essa reserva, essa capa escura no fundo da qual as imagens enterradas são escavadas.² Hegel também chama essa instância ou reserva de ‘abismo noturno’ ou ‘abismo inconsciente’.”

¹ O texto em inglês de Derrida traz “inferiority”, inferioridade. Pode ser um jogo semântico de Hegel sobre ascender e baixar, também; mas como está em oposição a exterioridade aqui, acho mais provável que seja só erro de digitação.

² Fuck Freud!

Que a rota que vamos percorrer seja circular e que esse abismo seja em verdade uma pirâmide é um enigma sobre o qual devemos perguntar se ele deve ser suspendido como uma verdade que estava no fundo de um poço e devemos trazer à luz ou então decifrado como inscrição que adorna o monumento.” Os próprios verbos interiorizar e recordar em alemão têm a mesma raiz. Sobre a pergunta retórica de Derrida, veremos que é um pouco dos dois.

A síntese dessa imagem interna com a existência relembrada é ela mesma o conceito de representação: mediante esta síntese o interno agora tem a qualificação para aparecer diante da inteligência e existir propriamente, estar-aí (Dasein)” H. § 454

Esta explicação de H. serve para a memória re-produtiva, passiva, que não cria suas próprias memórias, apenas recebe dados do exterior. É só a primeira etapa da explicação da faculdade da memória.

O que é produzido e exteriorizado no momento seguinte (a segunda etapa da faculdade da memória) e espelhado (simétrico, contrário) é o signo. Ele é emitido pela imaginação produtiva ou criativa. Nossa capacidade de fantasiar, no sentido hegeliano.

Uma existência imaginada é uma imagem existenciada.

O que é internalizado se torna universal para si mesmo, e logo é expelido como intuição concreta (“an affirmation that may appear abusive or unintelligible”, D.) ou coisa. Nesse esquema H. não omite que é tributário de Kant.

Finalmente, notemos que a imaginação transcendental é também o movimento de temporalização que Heidegger repetiu tão admiravelmente em seu Kant e o Problema da Metafísica

A união dos contrários e a semio-poiesis. “Productive imagination is the MittelpunktH.

Ao final do texto vamos finalmente entender o que significam essas aspas!

O signo em si mesmo não é nada.

A imaginação, quando percebida como a agência dessa unificação, é razão (Vernunft), mas só razão formal, porque a matéria ou o tema que encapsula é para a imaginação enquanto (qua) imaginação uma matéria indiferente; ao passo que a razão enquanto (qua) razão determina também o conteúdo com vistas à verdade.” § 457

O signo só é um ponto-médio do caminho para a verdade da consciência (fica a meio caminho), e no entanto ele não é um acidente (arbitrário), no sentido de ser um momento, embora abstrato (nisso, ele é arbitrário), necessário no desenvolvimento da racionalidade e da aparição da verdade.

Por que a verdade independe do, ou melhor, depende da ausência do, signo?”

Por que o signo é só um momento inferior, um conceito metafísico menor?” (Neste sentido talvez o ‘interior’ lá em cima fosse mesmo inferior!)

Por que a verdade não se expressa (em signos)?”

Then ‘Why’ (Pourquoi) here no longer indicates a question about the in-view-of-what? (pour quoi), about the telos or the eschaton of the movement of signification; nor does it indicate a question about an origin: ‘Why?’ taken as ‘because of what?’ ‘Starting with what?’ etc. ‘Why’ is then the still metaphysical name for a question about the metaphysical system that links the sign to the concept and to truth. But this question can break through and penetrate only in freeing itself from even this Why-form, undetermined as it may seem.”

O signo só é o que é hoje no campo do conhecimento porque a metafísica foi encerrada ou arrematada – ele se beneficiou disso.”

O signo é, na definição de Hegel, portanto, a unidade de uma ‘representação independente’ e de uma ‘intuição’. Porém, na identidade da representação e da intuição, algo excepcional sucede: essa intuição não é uma simples intuição, como a intuição em geral. Um ser é dado, uma coisa é apresentada, apresentada para imediata recepção no presente. Exemplo: a cor dum chapéu está-lá para a intuição. Porém, como é indissociável da representação (Vorstellung) essa presença representa, i.e., reapresenta algo que não é em si mesmo, ou não é o mesmo, mesmidade, mas diferença. É colocada (a cor) no lugar de algo outro (etwas anderes vorstellend), um representativo representacional de algo mais (aqui Vorstellung não é só apresentação, é representação no sentido literal, pois indica o papel de mediação). O quê representa? Do quê o significante apresentado à intuição é significante? Como H. determina o representado ou o significado? É claramente uma idealidade contrastada com a real corpo-realidade (ou corporeidade) do significante. H. chama esse significado do signo, o Bedeutung (geralmente traduzido como ‘significação’; eu, por outro lado, prefiro traduzir como content de vouloir-dire).¹”

¹ O conteúdo-significado; seguindo a estranha expressão francesa, o conteúdo do querer-dizer.

Corpo-significante e alma/idealidade-significado

O signo é, pois, uma encarnação.” “Isso segue válido em Saussure e Husserl. Para este último o signo é animado pela intenção de significações como corpo (Körper) tornando-se ou devindo corpo-próprio (Leib) animado por Geist (alma, espírito). Para Husserl a palavra viva é uma espiritualidade corporificada.”

Mas Hegel enfatiza não só a aquisição do corpo-próprio, mas o lado inerte e inanimado, tumba.” Há um trocadilho em grego, usado por Platão, entre soma e sema (corpo e tumba, o corpo é uma prisão da alma).

O corpo do signo é aquele monumento no qual a alma vai ser silenciada e confinada, guardada, mantida, conservada, tornada presente.” pirâmide-embalsamamento-monumento-inscrição

trabalho da morte”

H. usa deliberadamente o signo pirâmide, ou diríamos o símbolo piramidal, para designar ou para significar o signo.” “H. vê no hieróglifo egípcio uma espécie de paralisia da dialética.”

O “algo mais” acima é justamente o negativo. Todas as cores que não são a cor do chapéu. A intuição-do-ausente.

A alma consignada na pirâmide é estrangeira. Se a alma é transposta, transferida, transplantada no monumento-significado, é de outra ordem que a pedra-significante, do intuitivo dado. E essa heterogeneidade é, primeiro, a irredutibilidade da alma e do corpo, do inteligível e sensível, do conceito (idealidade-significado) e do corpo sensível do significante. (representação) H.

Há um abismo ou alteridade intransponível aí. Para H., essa é a distinção entre signo e SÍMBOLO. Um símbolo simboliza naturalmente algo que se lhe assemelha. Um signo é totalmente convencionado, não há ligação natural entre significante e significado.

Essa teoria da natureza arbitrária do signo e essa distinção entre signo e símbolo é retomada em extenso e de modo mais claro na Introdução à primeira seção da Estética (‘Do símbolo em geral’).”

Se ainda havia alguma dúvida de que todo o sistema conceitual que domina a assim chamada revolução da lingüística – quero dizer, a lingüística saussureana – usa como modelo explícito a metafísica, precisamente a metafísica que opõe conceitos entre si, a da semiologia hegeliana, creio que agora essa dúvida não pode mais se colocar.”

A palavra símbolo foi utilizada por vários autores para designar o signo lingüístico, ou mais especificamente o que aqui se chama significante. O princípio da arbitrariedade do signo que acabo de explicitar é totalmente contrário à persistência desse uso. Uma característica do símbolo é que ele nunca é inteiramente arbitrário; não é inócuo, porque há indícios de uma conexão natural entre significante e significado. O símbolo da justiça, um par de balanças, não pode ser substituído impunemente, p.ex., por um tanque.” Saussure

the production of arbitrary signs manifests the freedom of mind.” O telos da Psicologia hegeliana, a aquisição da liberdade.

Na atribuição de significados, portanto, a inteligência manifesta uma liberdade e uma maestria incomparáveis no uso de intuições que não são nunca manifestas nas simbolizações.” H., § 458

Aí vemos concluída a pirâmide de Hegel.” É como se o ‘espaço arquitetônico’ escolhido por H. para representar a aquisição de, por um lado, uma razão vazia (ainda uma razão incompleta) e, por outro, uma liberdade irrestrita pela consciência, em uma de suas etapas, fosse exatamente a parte que cabe deixar oca nas construções, para que a distensão dos metais e outros sólidos não comprometesse todo o esqueleto da construção.

This sign-creating activity may be distinctively named ‘<productive> memory’ (produktive Gedächtnis) (the primarily abstract ‘Mnemosyne’); and since ‘memory’ (Gedächtnis), which in ordinary life is often used as interchangeable and synonymous with ‘remembrance’ (recollection) (Erinnerung), and even with ‘conception’ and ‘imagination’, has always to do with signs only.” (Remark, § 458)

In his fine essay on Proust, G. Deleuze has shown very well that the Remembrance of Things Past was less an exercise of memory than a semiotic activity or experience. You see that Hegel does not distinguish between the two, and that there is here another occasion to underline an affinity between Proust and Hegel.”

ONDE GERALMENTE OS MATEMÁTICOS PARAM DE TENTAR DESAFIAR HEGEL: “É a minha tese [Derrida] a do privilégio do sistema lingüístico – que é fônico – sobre todos os demais sistemas semióticos. Um privilégio, destarte, também da fala sobre a escrita; e da escrita fonética sobre qualquer outro sistema de notação ou qualquer outro tipo de inscrição, em particular os hieróglifos ou a escrita ideográfica. Mas também da escrita fonética perante a escrita matemática formal (qualquer que seja ela), a álgebra, a pasigrafia [uma espécie de Esperanto taquigráfico] e outros projetos de escritura universal do tipo leibniziano (fracassados), sobre o qual Leibniz gabou-se de ‘não necessitar, por princípio, referir-se à voz (vox) ou à palavra’.”

That is if one accepts, and in the measure that one accepts considering Hegelianism as the completion of Western metaphysics, the pre-eminence of the phoni is one with the essence of metaphysics. And thus whatever in certain modern sciences – for example in a certain work of glossematics carried out by Hjelmslev, but this is but one example – scientifically questions this privilege of the vox, both as voice and as word, in some measure trangresses the metaphysical closure itself.”

no signo a intuição sensível-espacial é sublimada temporariamente” Mas o que entra no lugar do espaço ao ser negado é o tempo, que em si é (o lado oculto do) espaço. O signo como temporalização em Heidegger (acima).

a fase mais verdadeira da intuição usada como signo é a existência no tempo (Dasein – o sendo-aí em intuição – in der Zeit: uma fórmula que devemos considerar ao mesmo tempo como dizendo que o tempo é o Dasein do conceito).” “Por que é a da intuição sublimada a sua fase mais verdadeira? Porque o tempo é o espaço sublimado.” O MEIO É A MENSAGEM: É a única forma do corpo (significante) desaparecer conservando-se a si mesmo na forma da idealidade (significado, conceito), ou seja, como outro. “But what is the signifying substance, what glossematicians call the expressive substance, most proper to be thus produced as time itself? It is sound, sound lifted from its naturalness and bound to the mind’s relation with itself, to the psychi as subject for itself and auto-affecting itself – the animated sound, the phonic sound, the voice, the Ton.” O homem é o único animal que vive-no-tempo porque ele fala (e compreende a fala).

The voice is what unites the anthropological naturalness of the (natural) sound with the psychic-semiotic ideality, what consequently joins the Philosophy of Mind to the Philosophy of Nature, and within the Philosophy of Mind joins anthropology to psychology between which, I recall, phenomenology, the science of consciousness, is inscribed.”

This means, in Hegelian language, that it is the essence of time as existence of the concept. But at the same time (so to speak) language, inasmuch as it interiorises and temporalises Dasein as it was in the given of sensible-spatial intuition, elevates existence itself, sublates (relève) it in its truth, at its highest level. It makes the sensible existence pass to representational or intellectual existence, to the existence of the concept. And this transition is precisely the moment of articulation that transforms the sound into voice and noise into language – a theme that would also merit a whole comparison with De Saussure.” O pensamento se materializa e a vida (fenomênica) fica em suspenso. Pode-se dizer que é a versão hegeliana da Idéia de Platão: acima do reino da Representação, no reino da representação, ao mesmo tempo, sem contradição, ou suportando a contradição (um em- como se não fosse em-, e sim num ‘além-tempo’: uma transcendência imanente).

But he contents himself with this systematics or architectonics. He does not fill out the field whose limits and topography he delineates. There are, none the less, indications of the lineaments of such a linguistics. For example, he admits that linguistics must be distinguished into a formal (grammatical) element and a material (lexicological) element.”

Ideality in general is, in Hegelian terms, ‘the negation of the real, which is none the less at the same time conserved, virtually retained (virtualiter erhalten), even if it does not exist’. But ideality as an element of language since the sign is the sublation (relève) of the sensible intuition of the real – has its own sense organs, its own elements of sensibility. Two senses share physical ideality between them: the sense for light and the sense for sound. These two elements have a privilege to which Hegel devotes numerous and splendid analyses in the Encyclopaedia and in the Aesthetics.

In so far as sound is concerned, it is noteworthy that linguistics refers us from psychology to anthropology (psycho-physiology), and that this latter refers us to physics. It is the reverse route of the teleology and movement according to which the Idea is reappropriated to itself as mind by rising from and sublating the nature [en (se) relevant (de) la nature] in which it was lost while being betokened therein. But at the beginning of the Physics light is posited as the first but abstract manifestation, an undifferentiated identity of qualified prime matter. It is through the light that nature refers to itself, manifests itself to itself. As is said in the Aesthetics, ‘light is the first ideality, the first auto-affirmation of nature. In light nature for the first time becomes subjective.’E fez-se Luz, e fez-se o Verbo (a Voz).

Signs, Hegel reflects, are not consumed. And this is to be related to the fact that the signifying matter is for Hegel always sound or light. We should have to ask if there is no other, and even whether audible or visible signs are not in some way eaten or consumed.

In any case, if sight is ideal, hearing, Hegel notes, is even more so; it as it were sublates (relève) sight.” Espaço Tempo. As artes visuais em geral, e os túmulos e inscrições egípcias em particular, negam a negação, tentam paralisar a dialética.

Há uma interseção astuciosa entre consumar (a metafísica) e consumir (a luz e o som) aqui (pois comer, devorar é acabar, completar). Afinal essa construção hegeliana é eterna ou está sofrendo erosão? Derrida encerra o ensaio falando da possibilidade de outra metafísica se – e somente se – alguém for pelo caminho da diferença (e não pelo da indiferença totalizante hegeliana), ou seja, alguma tentativa no sentido do que Hjelmslev empreendeu por volta dos anos 50.

HEGEL & O ESPÍRITO DA MÚSICA (Como que para comprovar que, procurando bem, todos os grandes filósofos, mesmo se odiando e discordando uns dos outros, chegam a conclusões fundamentais em comum – sobre a música, Hegel, Schopenhauer e Nietzsche são o consenso em contínuo – uma faixa de música alemã bastante longa): “since the calm, disinterested contemplation of works of art, far from seeking to suppress objects, lets them subsist as they are and where they are, what is conceived by sight is not the ideal in itself, but on the contrary perseveres in its sensible experience. But the ear, on the contrary, without practically (praktisch) turning to objects, perceives the result of the interior trembling (innern Erzitterns) of the body by which not the calm material figure, but a first ideality coming from the soul is manifested and revealed. As, on the other hand, the negativity in which the vibrant matter (schwingende Materia) enters constitutes a sublation (Aufheben of the spatial state, which sublation is in its turn sublated by the reaction of the body, the exteriorisation of this double negation, the sound (Ton) is an exteriorisation which is in its upsurge annihilated again by its own being-there, and vanishes by itself. By this double negation of exteriority inherent in the principle of sound, sound corresponds to the internal subjectivity in that sonority (Klingen), which of itself already is more ideal than real corporeality, renounces even this ideal existence and thus becomes a mode of expression of pure interiority.”²

¹ Entender sublimação do modo mais físico-químico possível – sem a interferência da hedionda psicanálise! Por isso eu prefiro sempre traduzir sublimação como simples negação quando posso – já que em Hegel a negação é sempre transitória (toda evaporação de matéria sólida é cíclica – cf. o motto marxista mais famoso!).ª De fato quando se diz que o tempo é o espaço sublimado, é o espaço negado, sem mais, nem menos do que isso.

ª Nada obsta o capitalismo (o real mais real) evaporar no ar!

² Aqui de novo o texto traz inferiority: agora estou certo de que era erro tipográfico: há a simetria corporeidade real (espaço puro) – pura interioridade (negação total do espaço).

This decisive concept of vibration, of trembling (Erzittern) as a physical transition from space to time, as sublation of the visible in the audible, the real in the ideal, this teleological concept of sound as a movement of idealisation and of Aufhebung of natural exteriority, is also explicated in the Encyclopaedia in the Physics (§ 300). We must then come back to it if we wish to account for the material part of language, that is lexicology.”

Thus in the linguistic part of semiology Hegel can make the move he advises against in general semiology: he can make of the question of writing an accessory question treated as an appendix, an excursus, a supplement. This move, we know, was made by Plato and Rousseau; it will also be made by De Saussure.”

It is from the province of immediate spatial intuition to which written language proceeds that it takes and produces the signs.” H.

Alphabetic writing is in and for itself the most intelligent’, says Hegel. Inasmuch as it respects, conveys and transcribes the voice as idealisation and movement of mind relating itself to its own interiority, phonetic writing is the most historical element of culture, most open to infinite development. ‘Learning to write an alphabetic writing must be considered a means of infinite culture (unendliche Bildungsmittel).’Um meio de imagem infinito, ‘diz’-nos a língua alemã! Sobre o negrito: de fato nós definimos nossa História pela escrita (mesmo quando esquecemos de definir que é a escrita fonética): antes da escrita, era a pré-História. Resta a pergunta: abriremos mão da cultura, ou ainda viveremos dentro da História? Mesma pergunta, em roupagem diferente, sobre o fim da Metafísica em H..

History as history of mind, the development of the concept as logos, the onto-theological deployment of parousia, is not hindered, limited, interrupted by alphabetical writing, which, on the contrary, inasmuch as it better effaces its own spacing, is the highest, the most sublating mediation.” Através do registro escrito (e amplio: da notação musical) podemos trazer de volta à memória qualquer momento sublime, ou idealidade, negação do real, do espaço ao menos, enquanto sobrevivemos na nossa forma fundamental que é o tempo, e vivenciar o Absoluto (em Hegel). Podemos, em suma, transcender a mundanidade. A pós-modernidade não vem destruindo a cultura, mas apenas jogando no mesmo terreno. Agora entendo por que Jean Baudrillard levanta a hipótese de que essa condição pode durar indefinidamente…

In effect, as everyone knows, and as Hegel recognises with a lucidity very rare in this domain, there is no purely phonetic writing; the alphabetical system we use is not and cannot be completely phonetic. A writing can never be penetrated and sublated completely by the voice. And the non-phonetic functions, the so to speak – silences, of alphabetic writing are not factual accidents or by-products one might hope to eliminate (punctuation, numbers, spacing). Hegel recognises this in passing in a parenthesis he quickly closes, and in which we read, concerning hieroglyphic writing: ‘(and hieroglyphics are used even where there is alphabetic writing, as in our signs for the numbers, the planets, the chemical elements etc.)’.”

Speaking of the hieroglyphic or Chinese writing, Hegel notes (as he does in other texts, notably in the Logic): ‘this feature of hieroglyphic – the analytic designation of representations – which misled Leibniz to regard it as preferable to alphabetic writing is rather in antagonism with the fundamental desideratum of language – the name’.

In assigning limits to universal, that is mute writing, writing not bound to the voice and to natural languages, in assigning limits to the function of the mathematical symbolism and calculus, considered as the work of the formal understanding, Hegel wishes to show that such a reduction of speech would interrupt the movement of Aufhebung, which is the movement of idealisation, of the history of mind and the reappropriation of logos in the presence to itself and infinite parousia. What is most written, most spaced, least vocal and internal in writing is what resists dialectics and history. We then cannot question the Hegelian concept of writing without questioning the whole history of metaphysics. For it is not a question of returning to Leibniz, concerning whom I have endeavoured elsewhere to show that his project remained metaphysical, and is fundamentally accessory to the system on the basis of which Hegel addresses his objections to him.

The writing from which metaphysics is to be questioned in its closure is then not writing such as metaphysics had itself determined it, that is such as our history and our culture enable us to think it, in the most familiar evidence of what is obvious. This writing in which the outside of metaphysics is announced could have, among other names, that of difference.”

THE HEGEL MYTH AND ITS METHOD (ATAQUE A POPPER) – Kaufmann, 1959

Today Marx’s dialectic dominates a large part of the total population of the globe, while Kierkegaard’s has been adapted by some of the most outstanding thinkers of the free world, notably Heidegger and Tillich, Barth and Niebuhr.

Two later revolts against Hegelianism dominate English and American philosophy in the twentieth century: pragmatism and analytic philosophy. William James, though occasionally he attacked Hegel himself, reconstructed Hegel somewhat in the image of his Harvard colleague, Royce, who was then the outstanding American idealist; while Moore, at Cambridge, who was joined by Russell, led the fight against the influence of Bradley and McTaggart.”

One of the few things on which the analysts, pragmatists, and existentialists agree with the dialectical theologians is that Hegel is to be repudiated: their attitude toward Kant, Aristotle, Plato, and the other great philosophers is not at all unanimous even within each movement; but opposition to Hegel is part of the platform of all four, and of the Marxists, too. Oddly, the man whom all these movements take to be so crucially important is but little known to most of their adherents; very few indeed have read as many as 2 of the 4 books that Hegel published.

Hegel is known largely through secondary sources and a few incriminating slogans and generalizations. The resulting myth, however, lacked a comprehensive, documented statement till Karl Popper found a place for it in his widely discussed book, The Open Society and Its Enemies. After it had gone through three impressions in England, a revised one-volume edition was brought out in the United States in 1950, five years after its original appearance.

Forward-looking liberals and even believers in ‘piecemeal social engineering’, like Popper, often distort history, too. And so, alas, did Hegel.”

The calamity in our case is twofold. First, Popper’s treatment contains more misconceptions about Hegel than any other single essay. Secondly, if one agrees with Popper that ‘intellectual honesty is fundamental for everything we cherish’ (p. 253), one should protest against his methods; for although his hatred of totalitarianism is the inspiration and central motif of his book, his methods are unfortunately similar to those of totalitarian ‘scholars’ — and they are spreading in the free world, too.”

Although the mere presence of nineteen pages of notes suggests that his attack on Hegel is based on careful scholarship, Popper ignores the most important works on his subject. This is doubly serious because he is intent on psychologizing the men he attacks: he deals not only with their arguments but also — if not altogether more — with their alleged motives. This practice is as dangerous as it is fashionable, but in some cases there is no outright evidence to the contrary: one can only say that Popper credits all the men he criticizes, except Marx, with the worst possible intentions. (Marx he credits with the best intentions.)

beginning with Dilthey’s pioneering study of 1906 and the subsequent publication of Hegel’s early writings, ample material has been made available concerning the development of his ideas. There is even a two-volume study by Franz Rosenzweig, the friend of Martin Buber, that specifically treats the development of those ideas with which Popper is concerned above all: Hegel und der Staat.

Furthermore, Popper has relied largely on Scribner’s Hegel Selections, a little anthology for students that contains not a single complete work. Like Gilson in The Unity of Philosophical Experience (p. 246), Popper takes over such a gross mistranslation as ‘the State is the march of God through the world’, although the original says merely that it is the way of God with the world that there should be the State, and even this sentence is lacking in the text published by Hegel and comes from one of the editor’s additions to the posthumous edition of The Philosophy of Right — and the editor admitted in his Preface that, though these additions were based on lecture notes, ‘the choice of words’ was sometimes his rather than Hegel’s. ”

The passage on war in Hegel’s Phenomenology of the Spirit, in the section on ‘The Ethical World’, was written when Hegel — a Swabian, not a Prussian — admired Napoleon and was published in 1807, a year after Prussia’s devastating defeat at Jena.Não em subserviência ao império prussiano, como alega Popper.

QUILT QUOTATIONS (COLAGEM OU COLCHA DE ASPAS):Sentences are picked from various contexts, often even out of different books, enclosed by a single set of quotation marks, and separated only by three dots, which are generally taken to indicate no more than the omission of a few words. Plainly, this device can be used to impute to an author views he never held.

Here, for example, is a quilt quotation about war and arson: ‘Do not think that I have come to bring peace on earth; I have not come to bring peace, but a sword… . I came to cast fire upon the earth… . Do you think that I have come to give peace on earth? No, I tell you… . Let him who has no sword sell his mantle and buy one.’ This is scarcely the best way to establish Jesus’ views of war and arson. In the works of some philosophers, too — notably, Nietzsche — only the context can show whether a word is meant literally.”

Popper writes like a district attorney who wants to persuade his audience that Hegel was against God, freedom, and equality — and uses quilt quotations to convince us.

No conception is bandied about more unscrupulously in the history of ideas than ‘Influence’. Popper’s notion of it is so utterly unscientific that one should never guess that he has done important work on logic and on scientific method. At best, it is reducible to post hoc, ergo propter hoc. Thus he speaks of ‘the Hegelian Bergson (p. 256 and n. 66) and assumes, without giving any evidence whatever, that Bergson, Smuts, Alexander, and Whitehead were all interested in Hegel, simply because they were ‘evolutionists’ (p. 225 and n. 6).

His Hegel chapter is studded with quotations from recent German writers, almost all of which are taken from The War Against the West by Kolnai. In this remarkable book Friedrich Gundolf, Werner Jaeger (Harvard), and Max Scheler are pictured as ‘representative of Nazism or at least its general trend and atmosphere’. Kolnai is also under the impression that the men who contributed most ‘to the rise of National Socialism as a creed’ were Nietzsche ‘and Stefan George, less great but, perhaps because of his homosexuality, more directly instrumental in creating the Third Reich’ (…) that the great racist H.S. Chamberlain ‘was a mellow Englishman tainted by noxious German influences’ ; and that Jaspers is a ‘follower’ of Heidegger. It would seem advisable to check the context of any quotations from Kolnai’s book before one uses them, but Kolnai generally gives no references.

Of the goods that man has cherished
Not one is as high as fame;
When the body has long perished
What survives is the great name.

For every Nazi who knew Hegel’s remarks about fame there must have been dozens who knew these lines. Does that prove Schiller a bad man? Or does it show that he was responsible for Nazism?”

he constantly makes common cause with Schopenhauer against the allegedly proto-fascist Hegel, whom he blames even for the Nazis’ racism — evidently unaware that Fries and Schopenhauer, unlike the mature Hegel, were anti-Semites.

Hegel’s earliest essays, which he himself did not publish, show that he started out with violent prejudices against the Jews. (…) When Hegel later became a man of influence, he insisted that the Jews should be granted equal rights because civic rights belong to man because he is a man and not on account of his ethnic origins or his religion.”

It does not follow that Fries influenced the Nazis. [Ele deu idéias proféticas como marcar os judeus com símbolos nas roupas; disse, não muito diferente de Wagner e tantos outros em seu século, que a Judeidade deveria ser exterminada, mas que não tinha nada contra judeus específicos, isto é, homens concretos conhecidos, amigos até…] He was soon forgotten, till, in the twentieth century, Leonard Nelson, a Jewish philosopher, founded a neo-Friesian school that had nothing to do with Fries’s racial prejudices.” As voltas que o mundo (e o espectro político) dá!

Popper, though he has written an important book on Die Logik der Forschung, The Logic of Research, does not find it necessary to check his hunches by research when he is concerned with influences in his Hegel chapter.”

Hegel was rarely cited in the Nazi literature, and, when he was referred to, it was usually by way of disapproval. The Nazis’ official ‘philosopher’, Alfred Rosenberg, mentioned, and denounced, Hegel twice in his best-selling Der Mythus des Zwanzigsten jahrhunderts. [O Mito dos Anos 1920] Originally published in 1930, this book bad reached an edition of 878,000 copies by 1940. In the same book, a whole chapter is devoted to Popper’s beloved Schopenhauer, whom Rosenberg admired greatly.”

Plato, unlike Hegel, was widely read in German schools, and special editions were prepared for Greek classes in the Gymnasium, gathering together allegedly fascist passages. In his introduction to one such selection from the Republic, published by Teubner in the series of Eclogae Graecolatinae, Dr. Holtorf helpfully listed some of his relevant articles on Plato, including one in the Völkischer Beobachter, which was Hitler’s own paper. Instead of compiling a list of the many similar contributions to the Plato literature, it may suffice to mention that Dr. Hans F.K. Günther, from whom the Nazis admittedly received their racial theories, also devoted a whole book to Plato — not to Hegel — as early as 1928. In 1935, a 2nd edition was published.”

Hegel certainly has grievous faults. Among these is his obscure style, but it is dry and unemotional in the extreme. A detailed account of his almost incredibly unemotional style as a lecturer has been given by one of his students, H.G. Hotho, and is quoted in Hermann Glockner’s Hegel (1, 440 ff.), and in Kuno Fischer’s Hegel, too. If ‘hysterical’ means, as Webster says, ‘wildly emotional’, Popper deserves this epithet much more than Hegel.”

the critical and rational methods of science’ could hardly establish Popper’s contention that the philosophy of Jaspers is a ‘gangster’ philosophy (p. 272 ).”

In the name of ‘the critical and rational methods of science’, one must also protest against such emotional ad hominem arguments as that Heidegger’s philosophy must be wrong because he became a Nazi later on (p. 271), or that Haeckel can hardly be taken seriously as a philosopher or scientist. He called himself a free thinker, but his thinking was not sufficiently independent to prevent him from demanding in 1914 <the following fruits of victory …>’ (n. 65).”

Popper’s occasional references to ‘the doctrine of the chosen people’, which he associates with totalitarianism, show little knowledge of the prophets though a great deal of emotion, and his references to Christianity are also based on sentiment rather than the logic of research. He is ‘for’ Christianity, but means by it something that is utterly at variance with the explicit teachings of Paul, the Catholic Church, Luther, and Calvin.” “Julius Streicher, in his violently anti-Semitic paper, Der Stürmer, constantly quoted the Gospel according to St. John.”

These simple sentences have seemed striking to some and have excited hostility — even from people who would not wish to deny some understanding of philosophy, not to speak of religion… . When I have spoken of actuality, one might have inquired, without being told to do so, in what sense I use this expression; after all, I have treated actuality in an elaborate Logic and there distinguished it precisely not only from the accidental, which, of course, has existence, too, but also, in great detail, from being there, existence, and other concepts.” Hegel, na Enciclopédia, sobre o mal-entendido de sua famosa citação “todo racional é real”, aludindo ao conceito de realidade efetiva, sem dúvida…

It would prevent some confusion if Hegel’s term wirklich were translated actual, seeing that he opposed it to potential rather than to unreal or nonexistent.”

Hegel would consider rational the conscience of an opponent of Hitler who recognized his own absolute right to make himself free and to realize his unalienable rights — but not the conscience of a fanatic impelled by personal motives or perhaps by an equally objectionable ideology.

It is no wonder that the Nazis found small comfort in a book that is based on the conviction that ‘the hatred of law, of right made determinate by law, is the shibboleth [estrangeirismo, anomalia, exceção] which reveals, and permits us to recognize infallibly, fanaticism, feeble-mindedness, and the hypocrisy of good intentions, however they may disguise themselves’ (§258 n.).”

Success is not the standard invoked in the Philosophy of Right when Hegel speaks of ‘bad states’.”

Hegel’s philosophy is open to many objections, but to confound it with totalitarianism means to misunderstand it. Ernst Cassirer puts the matter very clearly in The Myth of the State (1946), a book dealing with much the same material as Popper’s, but in a much more scholarly manner. His Hegel chapter ends: ‘Hegel could extol and glorify the state, he could even apotheosize it. There is, however, a clear and unmistakable difference between his idealization of the power of the state and that sort of idolization that is the characteristic of our modern totalitarian systems.’

Hegel, like Augustine, Lessing, and Kant before him and Comte, Marx, Spengler, and Toynbee after him, believed that history has a pattern and made bold to reveal it. All these attempts are controversial in detail and questionable in principle; but a sound critique of Hegel should also take into account his remarkable restraint: he did not attempt to play the prophet and was content to comprehend the past.”

His attitude depends on his religious faith that in the long run, somewhere, somehow freedom will and must triumph: that is Hegel’s ‘historicism’.”

Philosophy of Right (§258). Throughout, he tries to avoid the Scylla of that revolutionary lawlessness that he associates with Fries and the Wartburg festival and the Charybdis of conservative lawlessness that he finds in Von Haller’s Restauration der Staatswissenschaft.”

Hegel’s notion [de que em cada época reinava um povo] was surely suggested to him by the way in which the Romans succeeded the Greeks — and perhaps also the Greeks, the Persians; and the Persians, the Babylonians.” “Hegel’s conception is dated today: we know more than he did about the history of a great number of civilizations. We can no longer reduce world history to a straight line that leads from the Greeks via the Romans to ourselves; nor can we dispose of ancient Asia as ‘The Oriental Realm’ and understand it simply as the background of the Greeks. We are also aware of ambiguities in the conception of a Volk or nation and should not apply such terms to the carriers of Greek or Roman civilization.”

There is no single plan into which all data can be fitted, and Hegel was certainly something of a Procrustes.”

Public opinion contains everything false and everything true, and to find what is true in it is the gift of the great man. Whoever tells his age, and accomplishes, what his age wants and expresses, is the great man of his age.”

from Hegel’s contention that ‘there is an ethical element in war, which should not be considered an absolute evil’ (§324), Popper deduces that Hegel considered war ‘good in itself.’

For in Europe every people is now limited by another and may not, on its part, begin a war against another European people. If one now wants to go beyond Europe, it can only be to America.” Curso de Estética. Interessante. Hegel diz que acabou o material para poesia épica ou epopéias no solo europeu, e que novas histórias só poderiam ser contadas, com base em fatos reais, no Novo Continente, que progrediria…

NOW THE LAND OF THE PAST: “In his lectures on the philosophy of history, Hegel also hailed the United States as ‘the land of the future’. Plainly, he did not believe that world history would culminate in Prussia. His lectures on history do not lead up to a prediction but to the pronouncement: ‘To this point consciousness has come.’

When philosophy paints its grey on grey, a form of life has grown old, and with grey on grey it cannot be rejuvenated, but only comprehended. The owl of Minerva begins its flight only at dusk.”

Quando a filosofia retrata o grisalho, uma forma de vida se tornou velha demais, e o que é reconhecido como grisalho não pode rejuvenescer, só ser compreendido. A coruja de Atena só alça seu vôo na escuridão.”

A análise filosófica sempre chega tarde. O que chegou a conceito já é História, não mais efetividade (ato, presente). Mas é para isso que serve o olhar filosófico: para momentos de crise, não para o auge da civilização. Ressaca da cultura. A coruja é por si só um animal de fábula, velho, astuto, sábio; a coruja de Minerva é o mascote da própria Deusa da Sabedoria e da Justiça, e portanto está a seu serviço, mas também sob sua proteção. Poder-se-ia dizer, com qualquer outro pássaro, que levanta vôo e canta alegre na aurora, mas esse pássaro filósofo não é. Sombra e noite. Retorno à caverna. Liberdade póstuma.

P.S.: Quase toda tradução para português que vejo deixou de me agradar de um tempo pra cá… Por isso resolvi eu mesmo traduzir o trecho.

Antídotos para Popper e que não sejam ao mesmo tempo apologias do Nacionalismo, preceituados por Kaufmann, sob a forma de 2 obras de um mesmo autor (na verdade 1 obra e 1 capítulo):

Hans Kohn, The Idea of Nationalism (1944) / “Nationalism and the Open Society” in: The Twentieth Century (1949). Com certeza a expressão “Open Society” estava de moda!

Popper’s use of ‘tribalism’ and ‘nationalism’ is emotional rather than precise, and he accuses Hegel of both. Even so he must admit that Hegel ‘sometimes attacked the nationalists’ (p. 251).”

Aparentemente, H. contrasta Estado e nação: para ele, nação é a barbárie ‘burocratizada’. Uma não-unidade territorial, a despeito de unitária formalmente. Parece falar de uma terra abandonada por Deus, pelos sabiás e pelas palmeiras, sem aurora, crepuscular, mas também sem filosofia, como o Brasil…

DO TREAD ON US, PLEASE!

The state was to be built from ‘below’, through the sheer enthusiasm of the masses, and the ‘natural’ unity of the Volk was to supersede the stratified order of state and society.”

The Nazis did find some support for their racism in Schopenhauer, with whom Popper constantly makes common cause against Hegel, and in Richard Wagner, who Popper eccentrically insinuates was something of a Hegelian (p. 228) though he was, of course, a devoted disciple of Schopenhauer.”

Popper offers us the epigram: ‘Not <Hegel + Plato>, but <Hegel + Haeckel> is the formula of modern racialism’ (p. 256). Why Haeckel rather than Bernhard Förster, Julius Langbehn, Hofprediger Stöcker, Chamberlain, Gobineau, or Wagner? Why not Plato, about whose reflections on breeding the Nazis’ leading race authority, Dr. Günther, wrote a whole book — and Günther’s tracts on race sold hundreds of thousands of copies in Germany and went through several editions even before 1933? And why Hegel?”

The transubstantiation of Hegelianism into racialism or of Spirit into Blood does not greatly alter the main tendency of Hegelianism’ (p. 256). Perhaps the transubstantiation of God into the Führer does not greatly alter Christianity?”

One can sympathize with G.R.G. Mure when he says that the increasingly violent and ill-informed attacks on Hegel have reached a point in Popper’s Hegel chapter where they become ‘almost meaninglessly silly’. But familiarity with Hegel has waned to the point where reviewers of the original edition of The Open Society and Its Enemies, while expressing reservations about the treatment of Plato and Aristotle, have not generally seen fit to protest against the treatment of Hegel; and on the jacket of the English edition Bertrand Russell [certamente o ‘filósofo’ mais burro de todos os tempos] actually hails the attack on Hegel as ‘deadly’ — for Hegel. Since the publication of the American edition in 1950, John Wild and R.B. Levinson have each published a book to defend Plato against the attacks of Popper and other like-minded critics, and Levinson’s In Defense of Plato goes a long way toward showing up Popper’s methods. But Popper’s 10 chapters on Plato, although unsound, contain many excellent observations, and his book is so full of interesting discussions that no exposé will relegate it to the limbo of forgotten books. The Open Society will be around for a good long while, and that is one reason why its treatment of Hegel deserves a chapter.”

Ironicamente, a citação que fecha o texto é de Popper, comentando sobre Toynbee. Mas, numa daquelas divertidas inversões dialéticas, serve como uma luva para quem deve emitir um juízo sobre A Sociedade Aberta e Seus Inimigos (embora ache que ainda é dar bola demais para Popper):

I consider this a most remarkable and interesting book… . He has much to say that is most stimulating and challenging… . I also agree with many of the political tendencies expressed in his work, and most emphatically with his attack upon modern nationalism and the tribalist and ‘archaist’, i.e., culturally reactionary tendencies, which are connected with it. The reason why, in spite of this, I single out … (this) work in order to charge it with irrationality, is that only when we see the effects of this poison in a work of such merit do we fully appreciate its danger (pp. 435 f.).”

THE DIALECTIC OF THE REAL AND THE PHENOMENOLOGICAL METHOD IN HEGEL – Kojève

The Hegelian method, therefore, is not at all ‘dialectical’: it is purely contemplative and descriptive, or better, phenomenological in Husserl’s sense of the term.”

Conceito & conceito: “Like the Spirit or the Idea, each Concept is hence double and single at the same time; it is both ‘subjective’ and ‘objective’, both real thought of a real entity and a real entity really thought. The real aspect of the Concept is called ‘object’ (Gegenstand), ‘given-Being’ (Sein), ‘entity that exists as a given-Being’ (Seiendes), ‘In-itself’ (Ansich), and so on. (…) [e agora as coisas menos importantes em H.] and occasionally ‘concept’ (Begriff) in the common sense (when Hegel says: nur Begriff).” “in the Truth — Knowledge is purely passive adequation to essential-Reality.”

When all is said and done, the ‘method’ of the Hegelian Scientist consists in having no method or way of thinking peculiar to his Science. The naive man, the vulgar scientist, even the pre-Hegelian philosopher — each in his way opposes himself to the Real and deforms it by opposing, his own means of action and methods of thought to it. The Wise Man, on the contrary, is fully and definitively reconciled with everything that is: he entrusts himself without reserve to Being and opens himself entirely to the Real without resisting it. His role is that of a perfectly flat and indefinitely extended mirror: he does not reflect on the Real; it is the Real that reflects itself on him, is reflected in his consciousness, and is revealed in its own dialectical structure by the discourse of the Wise who describes it without deforming it.

If you please, the Hegelian ‘method’ is purely ‘empirical’ or ‘positivist’: Hegel looks at the Real and describes what he sees, everything that he sees, and nothing but what he sees. In other words, he has the ‘experience’ (Erfahrung) of dialectical Being and the Real, and thus he makes their ‘movement’ pass into his discourse which describes them.”

science is born from the desire to transform the World in relation to Man; its final end is technical application. That is why scientific knowledge is never absolutely passive, nor purely contemplative and descriptive. Scientific experience perturbs the Object because of the active intervention of the Subject, who applies to the Object a method of investigation that is his own and to which nothing in the Object itself corresponds.”

EXPLICAÇÃO DADA AO CHOQUE: “And we can even say that, in a certain way, Hegel was the first to abandon Dialectic as a philosophic method. He was, at least, the first to do so voluntarily and with full knowledge of what he was doing.”

In Aristotle the dialectical method is less apparent than in Plato. But it continues to be applied. It becomes the aporetic method: the solution of the problem results from a discussion (and sometimes from a simple juxtaposition) of all possible opinions — that is, of all opinions that are coherent and do not contradict themselves. And the dialectical method was preserved in this ‘scholastic’ form until our time in both the sciences and philosophy.”

It was in the form of Cartesian meditation that the dialectical method was used by the authors of the great philosophical ‘systems’ of the 17th and 18th centuries: from Descartes to Kant-Fichte-Schelling.”

Thus, Hegel’s Science is ‘dialectical’ only to the extent that the Philosophy which prepared it throughout History has been (implicitly or explicitly) dialectical.”

History is what judges men, their actions and their opinions, and lastly their philosophical opinions as well.”

RIDÍCULA HAGIOGRAFIA: “He can find it all alone, while sitting tranquilly in the shade of those ‘trees’ which taught Socrates nothing, but which teach Hegel many things about themselves and about men.”

In short, Hegel does not need a dialectical method because the truth which he incarnates is the final result of the real or active dialectic of universal History, which his thought is content to reproduce through his discourse.”

Tem de ser um ensaio irônico…

1841: THE WORLD-HISTORIC SPLIT IN WESTERN PHILOSOPHY – Andy Blunden

The 10 years after Hegel’s death were the apogee of Hegelianism. His students, who had lived under the master’s spell during his lifetime, went out and popularised his teachings and translated them into the language of politics – or much more correctly, translated politics into the language of Hegelianism.

In 1841, the establishment deliberatively moved to ‘expunge the dragon’s seed of Hegelian pantheism’ from the minds of Prussian youth. A newly-appointed Minister for Culture mobilised Friedrich Schelling to come to Berlin and do the job. Friedrich Schelling was the second, and in 1841, the only living representative of Classical German Philosophy. The former Professor of Philosopher at Jena after Fichte’s dismissal for heresy, who as a youth had been a close friend of Hegel, had both encouraged Hegel and enlisted his support in his struggle against Fichte.”

Two old friends of younger days, room mates at the Tübingen theological seminary, are after 40 years meeting each other again face to face as opponents; one of them 10 years dead but more alive than ever in his pupils; the other, as the latter say, intellectually dead for 3 decades, but now suddenly claiming for himself the full power and authority of life. Anybody who is sufficiently ‘impartial’ to profess himself equally alien to both, that is, to be no Hegelian, for surely nobody can as yet declare himself on the side of Schelling after the few words he has said – anybody then, who possesses this vaunted advantage of ‘impartiality’ will see in the declaration of Hegel’s death pronounced by Schelling’s appearance in Berlin, the vengeance of the gods for the declaration of Schelling’s death which Hegel himself pronounced in his time” Engels, Schelling on Hegel, December 1841

Old doctors and ecclesiastics, the jubilee of whose matriculation can soon be celebrated feel the long-forgotten student haunting their minds again and are back in college. Judaism and Islam want to see what Christian revelation is all about: German, French, English, Hungarian, Polish, Russian, modern Greek and Turkish, one can hear them all spoken together – then the signal for silence sounds and Schelling mounts the rostrum. [púlpito]”

The audience also included the Russian anarchist, Mikhail Bakunin, and Søren Kierkegaard, who was to be the founder of Existentialism. Schelling’s proposition was that Hegel had confused ‘essence’ and ‘existence’, and what was required was a return to a philosophy of existence. Kierkegaard ridiculed Hegel for ‘reconstructing’ history in retrospect, ‘but history has to be lived forwards, not backwards’. For his part, Engels insisted that the youth and all enemies of the autocracy must rally to the defence of Hegel. He characterised Schelling’s proposition as a ‘philosophy of revelation’, or ‘positivism’ (as opposed to the ‘negative’ standpoint of Reason).

Schelling did not, as it turned out, win much support for his position, but the young Danish theologian Kierkegaard, declaring the bankruptcy of Reason, can be seen as the founder of Existentialism, which is continued through Friedrich Nietzsche, Edmund Husserl, Martin Heidegger and through Heidegger is a significant component of today’s philosophical cloudscape.” Um tanto simplificador, mas ok.

Arthur Schopenhauer, who had taught at the University of Berlin for 24 semesters, and had spoken regularly to an empty lecture hall, next door and at the same hour when Hegel lectured to a large and ever-growing audience, renounced, in May 1825, his career to live as a recluse. In 1844, an obscure Berlin bookseller accepted the manuscript of Schopenhauer’s oft-rejected The World as Will and Idea without remuneration; and this book (…) gained Schopenhauer worldwide recognition”

The emergence of labour as a conscious social force puts a final end to the classical period of bourgeois epistemology. The explosion of 1841 anticipates this explosion and the irreversible sea-change which follows. ‘Nature’ has spoken. For bourgeois philosophy prior to this time, the labouring masses (or what the post-moderns call the ‘sub-altern’ – the ‘congregation’ who get spoken of and to, but have themselves no right to speak) were like Nature, something ‘beyond sensation’, the unconscious.”

The figures who launch the initial attack on Hegel, Feuerbach and Schelling, did not gather around them a substantial and lasting following. John Stuart Mill and Auguste Comte were already well-known by the end of the 1830s, and as it turns out, the principal figures of the first period immediately following 1841 are Mill, Comte and later Herbert Spencer (Positivists), Søren Kierkegaard and Arthur Schopenhauer (the precursors to Existentialism), the Anarchist Mikhail Bakunin and Communists Karl Marx and Frederick Engels.” “Despite the mutual hostility which is a professional prerequisite and despite the political diversity within each camp, we have on the one hand, the ‘sociologists’ Comte, Mill and Spencer, and on the other hand, the ‘psychologists’ Kierkegaard and Schopenhauer.”

The problem is that Comte’s solution (which was probably the dominant one) led to a further shattering of the unity of human labour, with 1,001 ‘specialists’ beavering away in their own little area. Thus, the great synthesis which Hegel achieved, albeit idealistically, was lost on the very people who most needed it.”

[Kierkegaard’s] whole thing about moods is a knife aimed at the whole basis of Logic, [and] ‘Rationalism’” “Kierkegaard goes on to say that Ethics is also not the correct science to deal with sin as ‘Ethics is after all an ideal science, … Ethics bring ideality into reality; on the other hand its movement is not designed to raise reality up into ideality.’ So it is only ‘dogmatics’, i.e. Christian dogma, which is capable of dealing with sin: ‘While psychology is fathoming the real possibility of sin, dogmatics explains original sin, which is the ideal possibility of sin’.”

Schopenhauer’s philosophy is (…) given the name of Voluntarism, seeking to resolve the scepticism of Kant by identifying the thing-in-itself with Will (rather than Ego as with Fichte or Nature as in the earlier Schelling).” “However, within of the secular religious mentality of classical epistemology, this subjective idealism is invariably reactionary in its political implications because it belittles the creative function of labour and promotes the unrestricted action of the rulers.”

Both these tendencies have inspired and attracted the political right, and there is certainly nothing progressive or optimistic about them. Both were religious but non-conformist, Kierkegaard a devout Lutheran at war with the established Church, Schopenhauer a respectable German bourgeois, with a somewhat ‘New Age’ interest in Hinduism.”

The name of Irrationalism which we can attach to Existentialism and Voluntarism and to a certain extent also Pragmatism, should not be taken as a term of abuse.”

The period following the expurgation of Hegelianism in Germany has John Stuart Mill the leading figure of philosophy in Britain and Auguste Comte in France. Both were great synthesisers and reflected the scientific optimism of the bourgeoisie of their time, taking their inspiration from Kant and Hume, seemingly unmoved by either Hegelianism or its condemnation in Germany. Each, however, respond to the changed social conditions of Europe by the promotion of Ethics.” “Jeremy Bentham, renowned for his theories of prison reform, should properly be given credit as originator of Utilitarianism, but it was Mills that systematically elaborated the theory and did so in conjunction with political economy and his theoretical work on the foundations of the British political system.”

Comte was no democrat however. His notion of social organisation imitated the hierarchy and discipline of the Catholic church. From various Enlightenment philosophers he adopted the notion of historical progress, and from Saint-Simon he drew the need for a basic and unifying ‘sociology’ to explain existing social organisations and guide social planning for a better future.” “Both men [Comte & Mill] assisted in promoting women’s suffrage in the wake of the tragic death of the love of their life, and both were advocates of reform of various kinds within their own country.” “In these two ‘progressive’ bourgeois gentlemen, we see in classic form the national characteristics of British and French philosophy: Mill, an ethic based on the laws of the political economy of laissez faire capitalism, Comte, an ethic of the benign dictatorship of Reason based on laws of socio-historical formation of knowledge and belief.”

Human society was long, long ago shattered by the social division of labour, and the transcendence of this rupture is a long drawn out historical struggle. The mystical character of the process follows from the limitations imposed on professional thinkers under conditions where the real contact with Nature, real production and the real satisfaction of natural human needs is unspoken and unconscious because the producing class itself is silent.”

The period of transformation of bourgeois ideology we are looking at is the period, in Britain, from the publication of the People’s Charter in 1838 which continued up to the final Chartist demonstrations in 1848, the same year which saw the popular uprising in Paris in February, bringing down the July Monarchy, the rioting in Vienna which led to the fall of Metternich and the emancipation of the peasantry, the nationalist uprisings in Hungary, the movement for representative government in Germany and the publication of the Communist Manifesto, and leads up to the founding of the First International and The American Civil War in 1863 and the Paris Commune in 1871. The uprisings and revolutions of 1848 are all defeated but all in one way or another see many of their objectives achieved during the period of relative stability and prosperity which followed.”

The Origin of Species is not to be published until 1859, while the science of psychology is still embroiled in mysticism. Helmholtz formulates the law of conservation of energy in 1847 and his work on nerve signals and body heat during the 1850s cut the ground away from vitalism. The sciences of anthropology and sociology begin from this period.”

In a sense, one must give Comte his due: in declaring the end of the period of metaphysical speculation and the beginning of the period of natural scientific investigation with sociology at the centre, he stated with fair accuracy exactly what was taking place.”

British political economy and French social theory have the elements of the puzzle, but they cannot put it all together. The German bourgeoisie has suffered humiliating defeat at the hands of the Junkers, and German Idealism has been debunked.”

Revolutionary socialist ideology also developed in a struggle. Both theoretical anarchism and modern socialism sprung from the dissolution of the Young Hegelians and drew upon the whole of bourgeois culture. The struggle between Anarchism (Bakunin, Proudhon, and others) and Communism (Marx and Engels) was the principal axis of development of the workers’ movement throughout the next two generations including the First International, the Paris Commune and the Russian Revolution.”

WHAT IS LIVING AND WHAT IS DEAD ON HEGEL TODAY? – Howard Kainz, (in: Hegel, The Philosophical System, 1996)

Croce also indulged in a psychoanalytic speculation that Hegel’s 19th-century adversaries – Schopenhauer, Janet, and others – hated him because they saw him as the symbol of philosophy itself, ‘which is without heart and without compassion for the feeble-minded and for the lazy: Philosophy, which is not to be placated with the specious offerings of sentiment and of fancy, nor with the light foods of half-science’.”

A phenomenon that would lead us to believe such a renaissance is in progress is the constant increase of books on Hegel in the last four decades. What are the reasons for this continually growing interest in Hegel? One obvious reason is pragmatic: the necessity for understanding Hegel in order to assess Kierkegaard’s reaction against him, Marx’s and Sartre’s use of Hegelian concepts in developing their own positions, Heidegger’s interpretation of Hegel, and Derrida’s attack on Hegelian ontotheology. A second reason is that in some quarters, interest in Hegel is concomitant with a reaction against analytic philosophy.” “[On the other hand,] Richard Bernstein broaches this third possibility, arguing that analytical philosophers are finding more and more that single and discrete analyses ‘spill over to other issues’ (as happens in Hegel’s analyses), that progress on epistemological issues requires confrontation with metaphysical issues (a requirement Hegel insisted on), that one can’t deal effectively with reference and denotation without getting into ontology (another Hegelian insight), and so forth. A fourth reason, also noted by Bernstein, has to do with developments in philosophy of science that seem to reflect Hegelian themes – e.g., theories about the evolution of scientific paradigms and recognition of the influence of social contexts on scientific theories (Bernstein, 39). A fifth reason has to do with Hegel’s political theory: in 1989, renewed interest in this aspect of his work was generated when Francis Fukuyama published an article in The National Interest, portraying Hegel as a prophet of the triumph of liberalism over communism.”

A few decades ago, [Mortimer] Adler looked to scholastic realism as an anchor of sanity in a philosophical world gone adrift in sectarian rivalry and undisciplined individualism.” “For those still seeking a perennial philosophy but disenchanted with the scholastic model, Hegel may seem an improvement, if not the ultimate answer. For Hegel saw all philosophical schools and systems as the unfolding of one central problematic – the relationship of being to thought – and he also managed to synthesise the ‘transcendental turn’ (Kant’s ‘Copernican revolution’) into his overall schema (something scholastic realism was constitutionally unable to accomplish). The synthesising power of the Hegelian system is of course challenged to the utmost in an intellectual world grown accustomed to evolution, relativity, the demise of monarchical political systems, the decline of the west, and multi-valued logics.”

HISTORICISMO-HISTORIOGRAFIA: “This renewed interest in history may quite conceivably have been brought about by the very pluralism and factionalism of contemporary philosophy, much as a society in times of confusion or anarchy may grope for stability by studying its own history and heritage. Those who seek in the history of philosophy some illumination about contemporary philosophical goings-on will find a kindred spirit in G.W.F. Hegel; for Hegel, perhaps more than any other modern philosopher, emphasised the history of philosophy, and in a very real sense even identified philosophy with its history.”

After all, philosophy, following the example of science, has become extremely specialised and compartmentalised, and in these days of a never-ending ‘knowledge explosion’, who would seriously lay claim to knowing ‘all things’ – the whole universe or even its infinite ‘areas of discourse’? But for one disgruntled underground species of philosophers, those who can’t quite give up that grandiose aspiration, the study of Hegel allows them to do something of this sort, with a certain degree of respectability and without having to put on airs of being geniuses.” “I should re-emphasise that Hegel himself did not claim to ‘know all things’; he claimed only to have uncovered the ‘absolute standpoint’ making possible a balanced, no longer one-sided perspective, on perennial philosophical issues.”

The most serious and most important inducement to study Hegel, in my opinion, is an interest in, and a need for, metaphilosophy.” “For those who understand ‘metaphilosophy’ in the fourth sense [I exposed] – as a study of philosophical discourse – it becomes the study of philosophical discourse about ‘philosophical discourse’.”

One salutary result of the study of Hegel has been a holistic view. One cannot read Hegel seriously and sympathetically without beginning to view the specialisation and prima facie autonomy of various branches of philosophy as unnecessary (ontologically or otherwise) and even counterproductive.”

Hegel had no patience with the idea that the formula ‘one man, one vote would guarantee political self-determination’.” “At a time when Hitler’s election on the basis of the ‘one man, one vote’ is still a fairly recent memory – and when ‘control’ over the federal government by average American working people is often reduced to perilous choices, every few years, between congressional or presidential candidates neither of whom is thought satisfactory – it would be appropriate for us to ask whether there is any more natural way to ensure constant participation by and representation of citizens in a free state. Especially with today’s revolutionary advances in communication technologies, the possibilities of full democratic participation have to be rethought.”

The existence of paradoxes puts to the test our linguistic and logical conventions regarding univocity and non-contradiction, but we should not dismiss them simply on this ground. Dismissing paradox for such a is reason would be analogous to, say, Einstein‘s dismissing the change of mass of subatomic particles at high speeds because it flouted Newtonian physics. It was by going beyond this apparent contradiction that Einstein arrived at new paradoxical insights; analogously, it may just so happen that some philosophical truths are apparent contradictions on the level of ordinary logic, but paradoxical truths nevertheless. When we think of the consensus among physicists, biologists, and chemists on many foundational issues and, by contrast, the lack of consensus – and the many contradictions – among philosophers on every issue, it may not seem unlikely that paradox, which incorporates oppositions and contradictions but also surpasses them, may be the most appropriate mode of expression in philosophy.”

Hegel’s theology is speculative and patristic, rather than biblical or ‘systematic’ in the current theological sense; but it offers intensive examination of many important theological issues. Karl Barth suggests in one place that Hegel is the Thomas Aquinas of Protestantism; and the Catholic theologian Hans Küng devotes a book to a constructive elaboration of Hegel’s Christology. But the conflict between leftist and rightist interpretations of Hegel, begun after his death, is still going strong.”

H.S. Harris suggests that Hegel’s description of his Philosophy of History as a ‘theodicy’ was a ploy to distract attention from the revolutionary social theory of the Phenomenology.”

Let me now balance this account of the positive aspects of Hegelianism with an appraisal of some of Hegel’s more salient deficiencies and errors.”

Marx tried to use Hegel’s dialectical methodology without succumbing to Hegel’s ontology; Kierkegaard in his ‘aesthetic’ works reinterprets or reapplies many ideas from Hegel’s phenomenology. Others exonerate Hegel’s system but consider his dialectic the drawback. I side with the former group. Hegel’s system is obviously patterned after Fichte’s and Schelling’s attempts to build systems and is thus ‘dated’. Although Hegel’s system provides a wealth of insights, it would not be worthwhile to follow in his footsteps by philosophising in sets of intertwining and nested triads.”

For one thing, in line with the Hellenist sentiment of his era, he idolised the Greeks, but he saw fit to characterise the Romans – of the republic and the empire – as essentially a band of robbers who got together and then required strong, practical laws and eventually tyranny to keep them from turning on each other.”

In the Philosophy of History, Hegel not only writes off China as being outside history but refuses to give any serious attention to Russia or the other Slavic countries because they contributed nothing important to (European) history.”

Hegel, like Kant, seemed to think of Negroes as a definitely inferior race. He theorised that although they were stronger and more educable than American Indians, Negroes represented the inharmonious state of ‘natural man’, before humans’ attainment of consciousness of God and their own individuality”

Hegel’s ideas of women similarly reflect ‘scientific’ attitudes that prevailed at the time but would now be considered sexist. For example, in his treatment of the family in the Philosophy of Right, he generalises that women are ruled by feeling, can be educated only by something like osmosis, and should never be put in charge of a state (PR, §166, Zusatz).

Hegel’s praise of war and overall militarism (PR, §324), even though it was tempered by his opposition to nationalism (Hösle 582n), strongly influenced 19th-and-20th-century war ideologies, up to and including Nazism (Hösle 581).”

I am sure that Hegel himself, who insisted strongly on the historical and cultural limitations of any philosophy, would not be a Hegelian now – if by ‘Hegelian’ is meant someone who champions monarchy, systems built out of triads, outdated scientific ideas, and so forth.”

MATHEMATICAL PHYSICS VS PHILOSOPHY: Hegel, Pythagorean triples, Spinors and Clifford Algebras – Daniel Parrochia, 2020.

HAL Id: hal-02613438

https://hal.archives-ouvertes.fr/hal-02613438

Preprint submitted on 20 May 2020

HAL is a multi-disciplinary open access archive for the deposit and dissemination of scientific research documents, whether they are published or not. The documents may come from teaching and research institutions in France or abroad, or from public or private research centers.”

It is well known that Hegel had a bad opinion of mathematics. Even if, over time, and under the pressure of facts (notably the expansion of differential calculus and Gauss’s arithmetic research) this opinion has changed, it remains that his initial view was negative. This has never been more clearly expressed than in the famous text of the preface to the Phenomenology of Spirit (1807) which takes for example the famous demonstration by Euclid of the Pythagorean theorem.”

Considering this demonstration, Hegel states the following thesis:

1. The process of mathematical proof does not belong to the ob-ject(*); it is a function that takes place outside the matter in hand.

(*) The English word ‘object’ is the translation of the German word Gegenstand, which literally means ‘what is posed in front’. This is why the French translator of the Phenomenology of Spirit B. Bourgeois suggests writing ‘object’ with a hyphen, in order to recall that this word ‘designates the content that the spirit, splitting up inside its primary unity (the soul) opposes objects to itself, to become properly consciousness’. (…)

2. In mathematics, construction and proof contain, no doubt, true propositions, but the content, for Hegel, is ‘false’. (…) <Thus we find negativity of content coming in here too, a negativity which would have to be called falsity, just as much as in the case of the movement of the notion where thoughts that are taken to be fixed pass away and disappear.>¹.”

¹ Tradução minha abaixo.

Assim, encontramos a negatividade do conteúdo sobrevindo nesta proposição, uma negatividade que deverá ser chamada falsidade, bem como no caso do movimento da noção em que pensamentos que são tomados como fixos passam e desaparecem.”

(continuação da tese hegeliana)

3. The real defect of this kind of knowledge affects its process of knowing as much as its material. As to that process, one does not see any necessity in the construction. An external purpose controls it. Concerning the material, it only consists of space and numerical units (das Eins)¹.”

¹ Literalmente “os Uns”. Em alemão a pronúncia é idêntica a “daseins”, vir-a-ser no plural, devires (existências ou seres no sentido mais dinâmico).

4. For all that, philosophy has nothing to do with mathematics. (…) <does not attain to essential opposition or unlikeness; and hence involves no transition of one opposite element into its other, no qualitative, immanent movement, no self-movement.> [H.]

5. (…) <It does not consider, for example, the relation of line to surface, and when it compares the diameter of a circle with its circumference, it runs up against their incommensurability, i.e. a relation in terms of the notion, an infinite element, that escapes mathematical determination.>

6. Even applied mathematics does not take in account true concrete realities.” (Aplica relações conceituais – meramente abstratas – expressas em fórmulas)

7. (…) The abstract or unreal is not [philosophy’s] element and content, but the real, what is self-establishing, has life within itself, existence in its very notion.” (O todo do movimento, do processo, constitui a positividade) “This movement includes, therefore, within it the negative factor as well, the element which would be named falsity if it could be considered one from which we had to abstract. The element that disappears has rather to be looked at as itself essential, not in the sense of being something fixed, that has to be cut off from truth and allowed to lie outside it, heaven knows where” “Appearance is the process of arising into being and passing away again, a process that itself does not arise and does not pass away, but is per se, and constitutes reality and the life-movement of truth. <The truth is thus the bacchanalian revel, where not a member is sober>

A verdade é, assim, o êxtase bacanaliano, em que nenhum membro é sóbrio”

8. In consequence, mathematics cannot be a useful model for philosophy. <It is not difficult to see that the method of propounding a proposition, producing reasons for it and then refuting its opposite by reasons too, is not the form in which truth can appear. (…) Hence it is peculiar to mathematics and must be left to mathematics, which, as already indicated, takes for its principle the relation of quantity, a relation alien to the notion, and gets its material from lifeless space, and the equally lifeless numerical unit.>

9. Generally speaking, Hegel protests against any schematizing formalism. However, it will allow himself to make use of triplicity <now that the triplicity, adopted in the system of Kant… has been raised to its significance as an absolute method> so that true form is thereby set up in its true content, and the conception of science has come to light.”

9. Genericamente falando, H. protesta contra qualquer formalismo esquematizante. E no entanto, esse mesmo formalismo esquematizante facultará a H. o uso da triplicidade <agora que a triplicidade, adotada no sistema de Kant …. foi elevada a sua significância como um método absoluto>, [!] de modo que a forma verdadeira é doravante estabelecida em seu verdadeiro conteúdo, e o conceito de ciência veio à luz.”

Hegel’s criticism against mathematical thought, which was already beginning to meet limits in its time, is no longer in season today (see Larvor 1999, 24). But it has, in fact, never really been admissible.” carece de fundamentação

Some of the Euclid’s proofs of the famous proposition I. 47 in the Elements (see [Euclid 56], 349) are classified as:

1. Proofs by rearrangement (see, for example, Heath’s proof as reported in [Euclid 56], 354-355 or in [Benson 99], 172-173)).

2. Proofs by dissection without rearrangement (like Einstein’s proof (see [Schroeder 12], 3-4)).

3. Proofs using similar triangles (already known in the Antiquity).”

Algumas das provas de Euclides da famosa proposição I.47 nos Elementos são classificadas como:

1. Provas por rearranjo (vd., p.ex., a prova de Heath como relatada em (…) Benson 1999, 172-3).

2. Provas por dissecção sem rearranjo (como a prova de Einstein, vd. Schroeder 1212, 3-4).

3. Provas utilizando triângulos análogos (já conhecidas na Antiguidade).”

In all these proofs, the initial triangle is either divided into other triangles, or inserted into a more complex figure in which it disappears or, let’s say, only occupies an inessential place.”

We know that there are in fact hundreds of proofs of Pythagoras’ theorem, not to say thousands. In his famous book The Pythagorean proposition, Elisha Scoot Loomis presents a collection of 370 proofs, grouped into the 4 following categories: Algebraic (109 proofs), Geometric (255), Quaternionic (4); and those based on mass and velocity, Dynamic (2). This author even asserts that the number of algebraic proofs is limitless – as is also the number of geometric proofs (see Loomis 1968, viii).

For many of these proofs, Hegel’s reasoning does not hold water.”

For example, in a certain number of ‘algebraic’ proofs, the triangle is not dismembered, but multiplied.”

 

As we can see, the theorem can be proved algebraically using 4 copies of a right triangle with sides a; b and c, arranged inside a square with side c (…)

.

.

.

c² = a² + b².

This proof (or similar proof) would have already been known from the Hindu mathematician Bhaskara (12th century) and would not be much different from much older proof, which can be found in the Chinese classic Zhoubi Suanjing (The Arithmetical Classic of the Gnomon and the Circular Paths of Heaven), which gives a reasoning for the (3, 4, 5) triangle. In China, it is called the ‘Gougu theorem’

But we can also make use of certain advances in mathematics, which have occurred since antiquity, for example, differential calculus, moreover known from Hegel.”

The triangle ABC is a right triangle, as shown in the upper part of the diagram, with BC the hypotenuse. At the same time the triangle lengths are measured as shown, with the hypotenuse of length y, the side AC of length x and the side AB of length a, as seen above.

If x is increased by a small amount dx by extending the side AC slightly to D, then y also increases by dy. These form 2 sides of a triangle, CDE, which (with E chosen so CE is perpendicular to the hypotenuse) is a right triangle approximately similar to ABC. Therefore, the ratios of their sides must be the same, that is, dy/dx = x/y.” etc. etc. y² = x² + C . . . “The constant can be deduced from x = 0, then we can pose y = a and obtain the equation: y² = x² + a².

Maybe one would say that this is more of an intuitive proof than a formal one. But it can be made more rigorous if proper limits are used in place of dx and dy.” O que ele não entende é que intuitiva ou formal, ambas são apenas provas matemáticas

In all these demonstrations, the triangle is by no means dismembered and Hegelian criticism does not apply. But we can go even further by showing that in reality, what is in question behind Pythagoras’ statement refers to synthetic physico-mathematical structures much deeper than the simple figure of the triangle, which is only an appearance.”

In fact, what Hegel has not seen – maybe he could not – is that the most important in the Pythagorean formula is not the triangle in itself but the relation between the 3 quantities a; b and c, which constitute what we call now a «triple», and in our case a «Pythagorean triple».”

It is also possible that an intuitive knowledge of Pythagoras’ relationship would be much older than Chinese mathematics, since it could have its roots in ancient Mesopotamia and, beyond, in the Egypt of the pyramids. As Thom has shown, the cuneiform tablet known as Plimpton 322 from Mesopotamia enlists 15 Pythagorean triples and is dated for almost 2000 BCE. The second pyramid of Giza is based on the 3-4-5 triangle quite perfectly and was build before 2500 BCE. <It has also been argued that many megalithic constructions include Pythagorean triples> (see Kocik 2007).”

In a previous work, I quoted a lecture pronounced by Trautman 1990 in Belgium in 1987. This text explained that the Pythagorean equation, in the interpretation of Diophante, enveloped in itself an extraordinarily modern synthetic notion, the notion of spinor.”

But let us remain, for the moment, inside the Euclid’s Elements, even if the existence of Pythagorean triples, that is triples of natural numbers (a; b; c) satisfying:

a² + b² = c²;

has been known, in fact, for thousands of years.”

Spinors: excedem completamente o meu métier, então sequer me darei ao trabalho de insertar imagens!… Só vou continuar citando o que pode ser considerado “história da matemática” e compreensível para nós de humanas!

Though Cartan 1938 described this kind of structure long before, the explicit notion of ‘spinor’ appears in 1931 in Physical Review.”

* * *

So, as it appears, we are very far from the simple geometric characterization of the right triangle, to which Hegel’s understanding was limited.

But we can go further.”

* * *

In conclusion, behind Pythagoras theorem and the demonstration of the right triangle, exists a very deep rational organization with complex synthetic structures like Clifford algebras, rotations in space and spinors. Who could contest that there are here, with those structures, dialectical syntheses (geometric algebra), self-movement and ‘life’ which place mathematics far beyond the (fairly negative) view that Hegel had of it?”

Parrochia é matemático, então ele não entendeu que a “prova” hegeliana não pode ser “provada” matematicamente. O que se pode provar em matemática é conteúdo do campo matemático; o que H. objetava é que provas matemáticas tenham qualquer conotação metafísica; portanto, H. continua com razão nesse tocante (afinal é impossível “desprová-lo” não-metafisicamente). O que Parrochia chama de ‘vida’ é um estereótipo barroco-jornalístico: da perspectiva da filosofia, por mais que suas equações sejam belíssimas, continua não havendo “vida” em sua “dialética geométrica euclidiana/pós-euclidiana”, porque faltou-lhe entender o sentido da expressão viva empregada pelo filósofo alemão. “Negativo” também parece ter sido entendido por ele como “depreciativo”, “o que faz mal, o que é de qualidade baixa”. Não é esse o sentido do negativo em Hegel, mas ele deve ser buscado na lógica aristotélica do princípio de não-contradição, e guarda relação com o que a filosofia posterior denomina de “nada”, “império do niilismo”, etc., sempre em relação com o Ser.

Não sou sequer partidário de Hegel e sua teleologia hoje está morta, mas tenho de defendê-lo quando uma suposta crítica a seus postulados parte de um ponto de vista injusto pré-hegeliano mesmo. A diferença entre o filósofo de primeira linha e o mero “diletante” é que não se deve assumir a priori o significado de uma expressão (vida ou, neste caso, mais detalhadamente no que ele crítica em Hegel como sendo “o trabalho do negativo”) pelo dicionário, o que é outra ingenuidade para-além da crítica a um filósofo que ainda filosofava ‘em sistema’, e só quem leu os filósofos da linguagem do séc. XX e se deu conta da limitação da linguagem para produzir enunciados mais que arbitrários pode entender quão precária é a posição de Parrochia neste artigo (pequeno e ‘grosso’ até para a mídia artigo, em minha opinião).

Não entendo como o autor pode pensar que a matemática do século XXI refuta o texto da Fenomenologia do Espírito (que de qualquer modo já se tornou superável filosoficamente no séc. XIX). Ao pesquisar sobre as relações hegelianas com Pitágoras e as exatas, imaginei que encontraria um artigo de um matemático filósofo (ou vice-versa), mas este artigo resulta inútil aos meus propósitos de entender melhor a “fixação hegeliana” pelo triplete, ou pela tríade, pitagórico e pelo Timeu de Platão, além de seu fetiche pelo número 3 que é cerne em sua dialética (vide afirmação sobre Kant contida no início).

No fim do artigo, quase esquecido do tema da introdução, Parrochia diz que Lakatos “se tornou um hegeliano através da matemática, porém sem os erros de Hegel”. Ora, Lakatos não é um metafísico (filósofo na verdadeira acepção da palavra), apenas um epistemólogos de sua disciplina, i.e., um filósofo da matemática. Ainda assim, outra figura conhecida criticou o alcance de Lakatos, o “ídolo de Parrochia”, com propriedade:

wiki:

Paul Feyerabend argued that Lakatos’s methodology was not a methodology at all, but merely ‘words that sound like the elements of a methodology’. He argued that Lakatos’s methodology was no different in practice from epistemological anarchism, Feyerabend’s own position. He wrote in Science in a Free Society (after Lakatos’s death) that:

Lakatos realized and admitted that the existing standards of rationality, standards of logic included, were too restrictive and would have hindered science had they been applied with determination. He therefore permitted the scientist to violate them (he admits that science is not <rational> in the sense of these standards). However, he demanded that research programmes show certain features in the long run — they must be progressive… I have argued that this demand no longer restricts scientific practice. Any development agrees with it.’

Lakatos and Feyerabend planned to produce a joint work in which Lakatos would develop a rationalist description of science, and Feyerabend would attack it. The correspondence between Lakatos and Feyerabend, where the two discussed the project, has since been reproduced, with commentary, by Matteo Motterlini.”

Em suma, Parrochia usou um “alvo fácil” ou um simples outsider e figura histórica como trampolim para “brilhar em seu campo”, provavelmente para conseguir mais repercussão em seu artigo; mas é sem fundamento que o faz ao buscar (ou apenas ‘maquiar’) uma pseudo-interdisciplinaridade com a filosofia. De todo modo, a sinopse do livro de Parrochia que encontrei não parece de todo mal. Aos interessados, vale a pena se arriscar: https://www.amazon.com.br/Mathematics-Philosophy-Daniel-Parrochia/dp/1786302098.

BIBLIOGRAFIA CITADA NAS PASAGENS:

Benson, The Moment of Proof : Mathematical Epiphanies, Oxford University Press, Oxford, 1999.

Cartan, E., Leçons sur la théorie des spineurs vol. 1 and 2, Hermann, Paris, 1938.

Kocik, J., ‘Clifford Algebras and Euclid’s Parameterization of Pythagorean Triples’, Advances in Applied Clifford Algebras 17 (2007), 71-93.

Larvor, B., ‘Lakatos’s Mathematical Hegelianism’, The Owl of Minerva Vol 31, Issue 1, 23-44, 1999. https://doi.org/10.5840/owl199931119

Loomis, E.S., The Pythagorean Proposition: Its Demonstration Analyzed and Classified and Bibliography of Sources for Data of the Four Kinds of ‘Proofs’ (1940), National Council of Teachers of Mathematics, Washington, DC, 1968.

Schroeder, M.R., Fractals, Chaos, Power Laws: Minutes from an Infinite Paradise, Courier Corporation, New York, 2012.

Thom, A., Megalithic Sites in Britain, Oxford University Press, Oxford, 1967.

Trautman, A., ‘L’échiquier spinoriel’, Bulletin de la Classe des Sciences, Académie Royale de Belgique, 6e série, tome 1, 6-9, 187-194, 1990.

DO ERRO PROVISÓRIO OU METAFÍSICA DA INVEJA

A única a existir. Produzida pelo desacordo, temporário, de menor ou maior duração, entre nosso corpo e uma nova maneira de pensar que adquirimos com a idade, i.e., no nosso devir: não o por que existimos ou não deveríamos existir? mas algo totalmente mais simplório e cabível, menos melodramático: por que esta é minha vida, e não a do que trabalha somente porque quer, do que não trabalha porque não precisa, ou do que tem um emprego em que se auto-realiza? Do que possui a mulher mais bela e condizente com seu temperamento, etc.? Porque no fundo esta é a única questão metafísica, que não pode ser resolvida, a menos que esse desacordo alma-corpo, FALSO, finalmente passe, de alguma forma. Eu só posso ser eu, e não aceitaria ser outra coisa. Na saúde ou na doença, minha saúde e minha doença, em minhas restrições, em minha miopia literal, que o vulgo não consegue suportar ou preferiria qualquer coisa a ter de hospedar… Só a pergunta: por que eles são tão tolos? faz algum sentido, provisório. O avesso por que não correspondo às expectativas deles? é tão absurdo quanto qualquer credo espírita ou imaginar-me fora do meu próprio corpo: este, único mundo, sou eu. Uma férdade, fusão última de verdade e fé. Porque não existe, nem nas leis materiais, algo diferente do que aquilo a que me dedico e aquilo que sofro. Acostumar-se a isso é tautologia e jogo de palavras.

SPEC.1

Deus é o método e a estética antes da ciência e do belo. É a boca sábia que entoará todos os poemas da História… É Kant antes do lunático que se estrepa e cai no fosso… É um Newton (Oldton)  precoce e bizarro que fala em aceleração antes de pomares, precipícios, e aliás, pecado original (A Queda)… É um metal extremo antes de Woodstock. Uma Madonna antes de da Vinci. Um filho do Átomo antes de Rutherford, Niels Bohr ou mesmo Demócrito! Sou eu descobrindo aos 17 anos que não deveria cursar Ciências Sociais, antes mesmo de pensar em desistir de Jornalismo… Enfim, se o Deus cristão ainda fosse honesto como os fundadores do credo, talvez decretasse Moratória. Mas, se seguirmos a lógica, deixaremos de ser homens antes de acabarmos como espécie…

O QUE ARISTÓTELES E STEPHEN HAWKING TÊM EM COMUM? Um pouco sobre a contenda edipiana Física x Metafísica: Mal-entendidos comuns entre uma e outra, do ponto de vista filosófico, passando por figuras ilustríssimas como Von Humboldt, Freud e Alfred Jarry!

A razão, as leis, etc., são algo abstrato, mas o racional, como algo que se realiza, é reconhecido por nós como necessário, e por isso não damos grande importância a tais leis gerais.” Hegel

A física aristotélica é o que os físicos de hoje chamariam metafísica da natureza, pois nossos físicos só nos falam do que viram e dos finos e delicados instrumentos que construíram, mas não do que pensaram.” Hegel

Se aquilo que investigo é uma causa situada no mesmo campo do condicionado e dou Deus como resposta, digo mais do que me proponho a dizer, ainda que esta resposta sirva para tudo, já que a causa de tudo é, evidentemente, Deus; mas o que eu me proponho é a descobrir o entroncamento determinado entre os fenômenos que investigo. Por outro lado, neste campo já o próprio conceito é algo de superior; este ponto de vista superior com que nos encontramos em filósofos anteriores [os pré-socráticos, para quem Física e Metafísica eram uma só e a mesma coisa, e que se interessavam por especular sobre as causas primeiras da criação do mundo] aparece completamente abandonado por Epicuro [séculos IV e III a.C.], já que este pensador, ao voltar as costas à superstição, desdenha também de outras conexões fundadas por si mesmas e pelo reino das idéias em sua totalidade.”

Hegel, acusando Epicuro de não ser um filósofo, mas sim um físico (com efeito, o pai da física moderna – e essa atribuição é justíssima). É que Hegel estava mais interessado no suprassensível (ou em uma de suas modalidades, a Metafísica). Podemos igualmente dizer que físicos que especulam sobre Deus se comportam como Hegels no tempo e no campo errados – desrespeitam, assim, o legado de seu mentor indireto, Epicuro.

IMPORTANTES DISTINÇÕES PRÉVIAS À LEITURA:

Filosofia, Filosofia Continental, Primeira Filosofia ou Metafísica: tudo isso são palavras para uma mesma coisa. São hoje consideradas ou uma visão clássica da filosofia, aquela que nasceu primeiro, ou um de seus campos atuais, o tronco principal de que emanam as inúmeras ramificações contemporâneas.

filosofia, em inicial minúscula, servirá aqui para eu me referir à: 1) filosofia como um todo, quando quiser falar ao mesmo tempo da filosofia antiga e da filosofia do tempo presente; 2) filosofia como praticada pelo menos a partir de Descartes (século XVII), não sendo Metafísica propriamente dita, ou seja, uma filosofia secundária, menos importante.

Irei me referir à Física, em letra maiúscula, quando falar especificamente da Física clássica (que aprendemos na escola), e à física, em minúscula, no sentido mais lato de qualquer física, ou então da física atual, a partir da relatividade geral e especial de Einstein (iniciadas no ano de 1905).

Um último dado preliminar: a Física moderna nasceu como um dos ramos da Filosofia Primeira, a filosofia da natureza, na época epicuréia. Como nem todos conhecem Epicuro, vale também dizer: Aristóteles, que dedicou vários livros ao que ele já chamava de Física, exerceu grande influência sobre Epicuro e poderia sem escândalo dividir a honra de “Pai da Física” com este.

* * *

Nas três passagens acima, que traduzi de Hegel (séculos XVIII e XIX) em suas Lições sobre a História da Filosofia, o autor alemão fala da nulidade da importância dos conceitos de forças da natureza (como a gravidade ou o eletromagnetismo) para a Filosofia, tanto na Metafísica de Aristóteles, o primeiro a realmente abordar o assunto (forças físicas) de um modo que ainda repercute na modernidade, quanto em si mesmo (e passando, entre um e outro, por toda tentativa séria de filosofar, em verdade). Ambas as disciplinas, a Filosofia e a Física, já estiveram bem-delimitadas uma em relação à outra, coexistindo mais ou menos harmoniosamente por séculos. Mas o que acontece hoje com a física e a Metafísica, que mais do que nunca as pessoas parecem confundir e permutar o tempo todo?

Poderíamos facilmente ilustrar esse mal-entendido grosseiro, tão típico de nossos dias, citando aqueles que tentam filosofar através da física, chegando a resultados risíveis de ambos os lados. Einstein e Stephen Hawking, por exemplo: eles não chegam à compreensão do que seja Metafísica em nenhum de seus trabalhos ou declarações em que se aventuraram fora da física (ainda que não tenham chegado a saber disso). Nem avançaram um milímetro que fosse no conhecimento da física através dessas excursões em relação ao seu ofício cotidiano, por mais que tenham imaginado que abandonar por um instante os experimentos e os cálculos matemáticos e aventar hipóteses sem fundamento fosse de algum modo enriquecer o conhecimento científico da humanidade e arejar as próprias cabeças um pouquinho.

Sim, estes senhores, para não falar em outros, se puseram a teorizar e especular de rédea solta, sem muito compromisso nem método, sem medo também de esbarrar no terreiro dos vizinhos… Mas que tem de mal nisso? Deixem os cientistas se divertirem em seu tempo livre – afinal, não é essa a idéia que se faz do filósofo metafísico? A de alguém que viaja na maionese, sem critério, sem rigor, sem acabrunhamentos e tensões, num passatempo tão leve e arbitrário que nos parece incrível que alguns seres humanos sejam até mesmo pagos para isso?! Seria grave que físicos dessem seu juízo acerca “dessas coisas”, ou pelo menos tão grave quanto quando um filósofo desavisado desembestasse por um laboratório de ciência empírica de ponta, a ele cem por cento estranho, tentando resolver problemas complicados de verdade, como os físicos? Será que procede essa caricatura da Metafísica?

Primeiro, voltemos aos físicos Einstein e Stephen Hawking. O primeiro deles afirmou que “não faz sentido que a matéria ou energia subatômica apresente comportamentos aleatórios ou irracionais (como descobriu a física quântica de seu tempo), pois Deus não joga dados” – e por isso ganhou pôsters, flashes e louvores. Trocou cartas com Sigmund Freud, um “especialista nas forças morais do inconsciente humano” sobre a paz mundial e o fim das guerras em plena década de 1940. Sigmund Freud, chamado de Pai da Psicanálise e Descobridor do Inconsciente, que por sinal se tornou um dos maiores, senão o maior, ícones dentre os pensadores do século XX. Hoje muito mais que nos anos 50 discute-se seriamente seu status. A palavra inconsciente, (re)descobriu-se, é imemorial nas línguas conhecidas; e até mesmo o sentido particular de parte oculta da consciência no homem foi sendo (re)descoberto em autores cada vez mais recuados, até mesmo em Homero ou Sófocles, por exemplo. Mas, para ficarmos apenas com aqueles que entraram em bastantes detalhes técnicos a respeito, temos Platão, que até escreveu um livro sobre as vontades inconscientes de seu mestre Sócrates reveladas à própria consciência em sonhos à véspera de sua morte! Acontece que no princípio do século XX se dizia que Freud desvendou pela primeira vez o mecanismo dos sonhos; nunca antes na História um homem atribuíra significado racional às representações oníricas! Mitos à parte, estamos nos afastando cada vez mais do mundo real, perdão, da celeuma entre físicos e metafísicos, que é o tema do ensaio. Enfim, podemos dizer que Einstein recebeu crédito exagerado por contribuições um tanto pobres no assunto “divagações metafísicas”, ou pelo menos o que ele mesmo e os jornais chamariam de Metafísica. Tampouco é nosso objetivo incluir a religião na discussão, então deixemos o Deus de Albert Einstein que nunca jogou RPG de lado até onde pudermos e comentemos um pouco sobre o outro sujeito, Hawking.

Uma das personalidades mais conhecidas deste século tão eclético que nos deixou há 20 anos (o século, não o cientista, que morreu mais recentemente), Hawking era, paradoxalmente, um daqueles de quem se poderia dizer que “ninguém sabe direito o que ele faz”; mas todos diziam, ao mesmo tempo, sem constrangimento: “O que ele faz é ótimo; ele é como nenhum outro nisso que faz!”. Autor de alguns livros best-sellers para leigos como O Universo numa casca de noz e Uma breve história do tempo, este senhor – conhecido por ter vivido quase toda sua vida de contribuição à ciência hardcore confinado à cadeira de rodas, em luta contra uma doença degenerativa, e retratado comicamente com voz de robô e um QI astronômico (com o perdão do trocadilho) no inconfundível tom de pele amarelo (em mais de um episódio!) d’Os Simpsons – resolveu se arriscar até além de seu antecessor e colega de profissão Einstein: afirmou textualmente que “os filósofos deviam abandonar suas investigações sobre o universo e conceitos complexos como o tempo e o espaço, que a física de hoje demonstrou serem muito mais complexos que a percepção cotidiana permite julgar, relegando este tipo de conhecimento profundo exclusivamente aos verdadeiros especialistas.

Não é irônico que a mãe da Física seja assim (re)tratada pela nova física (a do século XX)? Não diria irônico, socrático e mordaz, mas trágico: numa reedição de folhetim do Édipo-Rei de Sófocles, desta vez transgênero para ser mais inclusivo e combinar com a pós-modernidade! Eis o enredo: A tirânica e esclerosada Rainha Sofia, que em seus anos áureos havia dado a luz a sua filha Neon Physis, vê-se agora vítima de um assassinato a sangue frio perpetrado pela própria princesa, que quer ascender ao trono, já madura o suficiente para expor suas justas razões e executar o ato sangrento que estava prescrito como bula de remédio nas estrelas (ato desta vez deliberado, ao contrário da cena na peça grega, em que Édipo ignorava a identidade de seu pai; talvez o único homem da peça revisitada seja, aliás, um acelerador de partículas, que podia fazer a voz do Coro; e não há nenhum sexo, afinal estamos falando de físicos e filósofos). A física não precisa mais de sua mãe, ela apenas tolheria suas possibilidades infinitas!

Hawking declamou muitas outras besteiras, mas não só contra os filósofos: no próprio reino da física. E tantas que eu jamais sonharia enumerá-las todas num só artigo: disse que provavelmente depois da explosão final do universo tudo voltaria a acontecer ao contrário, como uma fita rebobinando, e depois desdisse o que disse; escreveu que deve haver túneis por aí chamados buracos de minhoca que possibilitem viagens no tempo; calculou que há umas 22, 23, talvez menos, talvez mais, mas dificilmente mais do que umas 28 ou 29 dimensões enroladas, além das 4 em que vivemos (comprimento, largura, altura e tempo)… Recomendo que googlem se quiserem saber de mais dessas curiosidades mórbidas que figurariam tranqüilamente num excelente episódio de Arquivo X. Enquanto ainda temos estômago, entretanto, deveríamos nos perguntar: como ele chegou à exatidão-nem-tão-exata-assim destas “20 e poucas dimensões invisíveis e indetectáveis”? Ele não questionou a origem de dados observados, instrumentos de mensuração, os limites atuais dos milagres detectáveis em seu laboratório? Afinal, ele ainda deveria basear suas hipóteses superiores à mundana mente filosofal em ocorrências do mundo real, traduzíveis em certos números registrados por sofisticados equipamentos, e em posteriores e exaustivas equações que trabalham a conjugação de vários desses números, de forma dinâmica e sem dúvida bastante nuançada, mas… – nem é exatamente essa a questão aqui! Stephen Hawking foi um grande profissional em sua área (física teórica) apesar das saídas de tom, e até um brilhante matemático (eis aí duas especialidades, um flagra de proto-polimatismo!), e não queremos insinuar que tenha enganado dolosamente toda a comunidade científica (e leiga) ao longo de todos esses anos, como sem dúvida fez Freud. Hawking enganava-se a si mesmo quando dizia mais do que os dados permitiam…

Só o que eu queria é relembrar como algumas figuras pitorescas são tratadas por meios de comunicação de massa como “grandes filósofos” sem que a própria imprensa e seus receptores parem para pensar direito no que é que está sendo veiculado! O que sabemos do status cult ou lendário destes neo-gurus midiáticos que vêm das ciências exatas mais criptografadas ao leigo é que a palavra “sábio” ainda dá conta de resumir este fenômeno. E eles não são chamados apenas de físicos sábios, senão de sábios no sentido antigo, mais amplo e nobre da expressão, abarcando em suas mentes supostos conhecimentos completos acerca de toda a existência, ou pelo menos de muitas das ciências reunidas. Esse tratamento é, aliás, inevitável, haja vista que não há filósofos – no verdadeiro sentido da palavra – no jornalismo, nem no público leitor ou expectador da imprensa popular. Falamos aqui do leitor que participa, se engaja, aceita. Não se trata de que metafísicos não assistam TV, não leiam reportagens bobinhas. Não critiquem quando lhes dá na telha, ou finjam aprovação tácita, indiferença, ou incompreensão o tempo todo. Não, todos possuem reações demasiado humanas. Mas se eles realmente fossem o público visado, certas empresas estariam com sérios problemas financeiros. O metafísico está entre nós, ele vê o que nós vemos, ele reage!… Mas metafisicamente falando, será que ele está mesmo presente na discussão? Ou ele deixa que estas coisas o atravessem, e passa adiante, igualmente despercebido por todos nós?

A rigor, gênios, cunhados corretamente e no sentido de polivalente e imensamente sábios, não podem mais existir desde um certo consenso no meio erudito de que tornou-se impossível, de um tempo para cá, o surgimento de novos polímatas. Eu citei “proto-polimatismo” há dois parágrafos. O que viria a ser isso? Polimatia é o domínio de vários campos do conhecimento simultaneamente pelo mesmo sujeito. As duas principais razões para eles terem sido extintos como os dinossauros seriam: a) o afastamento cada vez maior e mais acelerado entre ciências exatas e humanas; e b) o enorme volume de informação, metodologias e técnicas acumulado em cada macroesfera do saber, o que veio a tornar quase impraticável a competência simultânea em, digamos, 2 ou 3 sub-áreas ou especialidades de uma mesma profissão, quem dirá de outras. Um bom exemplo: um doutor em sociologia da arte está virtualmente fadado a pesquisar só em sociologia da arte sua carreira inteira, o que seria bastante eclético até, se considerarmos que poderíamos estar falando de um doutor em sociologia da arte renascentista exclusivamente devotado a Dante e Petrarca!

Algum debate há se Von Humboldt – contemporâneo da Revolução Francesa – foi um gênio, talvez uma palavra um pouco forte para usar sem reservas. Mas decerto ele foi um polímata com todas as letras, que é um “gênio atenuado”. Leonardo da Vinci, p.ex., é um gênio de fato, canonizado pela historiografia. Viveu mais de 200 anos antes de Humboldt. Desnecessário demonstrar que, se polímatas não mais existem, gênios também não passam de artigos de museu para nós. Já era algo raro além da conta até o Renascimento italiano! Einstein e Stephen Hawking – olha eles de novo! – definitivamente não pertencem a esse panteão sagrado: são tipos completamente diferentes de ocorrências individuais muito mais inofensivas (proeminentes apenas no seu único campo de origem), cuja fama histriônica, em comparação com os gênios (quando essa palavra não tinha sido completamente corrompida) só se justifica por vivermos numa sociedade da informação e da popularização de clichês e do besteirol com selo de credibilidade.

Houve já, para não dizer que se trata de uma crítica assimétrica e parcial de um filósofo analisando essa dicotomia, filósofos que tentaram devorar a Física por meio da filosofia, despindo-a de qualquer propósito ou função num mundo conhecível sob diferentes formas: o positivismo comteano é o melhor exemplo que poderíamos encontrar. Hoje ninguém em condições aceitáveis de saúde mental lê Auguste Comte a sério (virou curiosidade pitoresca, entretenimento excêntrico).

Via de regra, o que se estuda do fenômeno (realidade observável) do ponto de vista da Filosofia (a quem não interessa o como nem o quê) não tem qualquer relação com as leis da Física, assim como o que se estuda na física que não tenha a ver com a realidade observável (matéria escura ou fenômenos que a física não compreende até o momento) não passa de pseudometafísica até se fundamentar descritivamente. Não há o instrumental para responder a perguntas tais quais por quê? e para quê? em larga escala na disciplina. “Como é?” Pode-se responder por que um lápis cai da mesa na velocidade e na trajetória em que cai quando projetado por uma força determinada, sem dúvida. Mas nada se tem a dizer sobre o relojoeiro deste mundo mecânico (a causa primeira). Existe o modelo, fundamento e completo, mas nada fora dele. A Física aceita-se como cápsula do real: por contrato, não pode exceder esses limites e continuar sendo chamada de Física, fora da cápsula.

O achatamento do debate e a autocensura gradual neste terreno epistemológico (discutir o que a Física está destinada a responder ou não, o que estou fazendo aqui) levam, inclusive, à falsa convicção, por parte, digamos, de colegiais, de que só há duas possibilidades para descrever a chamada causa primeira: ou o Big Bang ou o Gênese bíblico. Pré-formatam todo o horizonte cósmico-cognitivo do indivíduo. Ou mecânica ou fé na revelação. Enunciar que um deles é apenas um modelo teórico implicaria em ser um retrógrado fundamentalista religioso; negar a Criação divina, por outro lado, implicaria em defender a tese de homens de jaleco que fazem o que ninguém na vida cotidiana compreende ao certo… Percebe onde eu quero chegar?

Não se trata meramente de “não invadir espaços” entre um campo e outro, e que filósofos e físicos devam “saber se respeitar”, mas do enraizamento de um estereótipo, que acaba por contaminar até mesmo grandes físicos ou metafísicos. Cria-se a ilusão de que um dos lados pode acessar a causa primeira sem qualquer ajuda externa. Como disse, vou deixar a religião de lado neste ensaio. Quanto à Física, ela jamais se propôs a responder aos para quê? fundamentais. Alguns físicos (cada vez mais deles) se esquecem disso! Passam a estudar de forma completamente outra (desautorizados pelo método) todas as coisas que um campo tende a especificar em sua definição precisa como seu interesse (usam o método da Física fora do que o próprio método da Física prescreve que deveria ser estudado, transgridem sua ética, violam um tabu). Trocando em miúdos, usam o método objetivo criado a duras penas por várias gerações como bem entendem (física freestyle, sem Leis da Física)!

A rigor, a Física e a Metafísica são investigações que não guardam, desde a Antiguidade, qualquer analogia entre si, porém estarão sempre em justaposição e invadindo uma o terreno da outra, se por “terreno alheio” considerarmos “a realidade observável e as hipóteses de fundo dessa mesma realidade”. Para explicar de forma mais simples (ou não!): o físico pode pensar que raciocina de forma puramente “científica” ou “exata” sobre o espaço (seu objeto de estudo) mas, se houver um resquício de vício que seja em sua noção, interpretará que um filósofo que raciocine sobre o espaço estará invadindo sua competência. Ora, sobre o que o filósofo poderia raciocinar se “tudo” é espaço? No mesmo sentido, quando um físico elabora hipóteses baseado em implicações indiretas do estudo do espaço, é fácil dar uma de Hawking e avançar para especulações que não tem nada de metódicas – o filósofo teria o direito de chamá-lo de desavisado invasivo, porque também tece hipóteses cuja base só pode ser a realidade observável. Então o que o físico hipotetizaria, se tudo além da simples aparência se baseia em abstrações?!

Resumindo, o “espaço” faz parte tanto da Física quanto da Filosofia; e o “não-espaço” é divagado pela Física em sua metodologia limitada, tanto quanto é o cerne ancestral da Metafísica, mas, entendendo-se bem, o tempo e o espaço da filosofia não têm qualquer relação com o espaço-tempo físico. O difícil é “entender bem”! As abstrações da ciência física acerca do que jaz além do mundo observável também não guardam qualquer relação com o conceito de essência na Filosofia. Teorias sobre forças unificadoras das equações da física ou da origem dos buracos negros, ou hipóteses que ensaiem a comprovação ou a refutação da termodinâmica, e suas implicações,¹ são apenas metateorias da física, que não são desautorizadas nem autorizadas pela Filosofia.

¹ Propositalmente não desci às ilustrações mais imbecis e charlatãs: entre aquelas divulgações de avanços na física – que em realidade eu atribuo mais aos departamentos de física legitimamente incompetentes ou ‘colunas de fofoca’ da imprensa de divulgação científica marrom, e isento o pesquisador individual do papelão – consideras rainhas da comédia, a ganhar repercussão em manchetes sensacionalistas, incluo as habituais (acho que já li 3 vezes em 10 anos coisas assim) “descobertas sem precedentes da última semana” como: “Nosso Prof. Dr. X. de Harvard (ou Oxford?) chegou ao veredicto de que ‘o tempo não existe’!”; “Veja como o Instituto de Física de Bruxelas descobriu que o universo roda exatamente como um filme!”… Ora, os físicos quânticos são muito ingênuos: desde o começo dos tempos se afirma que o tempo não existe! É tempo de parar com esses passatempos!

Ao mesmo tempo, a Filosofia séria não se mete a cálculos de Física e, se ultimamente se embrenha em paradoxos da física quântica¹ e da química contemporânea, ela o faz tão-somente da perspectiva de sua própria agenda. Qualquer um que transgrida esses limites em seu ofício de origem será censurado pelos especialistas atentos do “outro lado” (acusado de fazer pseudofísica ou pseudometafísica), ou, felizmente e o mais das vezes, pelos próprios colegas de disciplina. Só não entendo como ainda hoje vejo tão poucos físicos levantando a voz contra Stephen Hawking! Quem sabe com o tempo…

¹ Nem tudo é descascamento e destruição de reputações: esta nota de rodapé vai em homenagem a alguns dos grandes físicos recentes que souberam derivar, com dignidade e brilhantismo, conclusões filosóficas de suas descobertas experimentais, como Werner Heisenberg, Max Planck e Erwin Schrödinger! Só não esperem que eles respondam qual é o sentido da vida!

O escritor francês Alfred Jarry, morto aos 34 anos em 1907, cunhou o termo patafísica. Ele corresponde estranhamente bem ao estereótipo que se tem da Metafísica nos séculos XX e XXI: patafisicar é viajar na maionese, sem peso na consciência nem troca de jaleco, a “ciência das soluções imaginárias”, com ou sem conotações políticas, inclusive! Todos nós estamos convidados a patafisicar sem medo nem contra-indicações! Alguns usam o tubo, eu uso o ensaio, poderia dizer um reencarnado Jarry. A Metafísica, ao contrário, ainda que muitos leigos “não saibam o que os metafísicos façam” segue como um importante terreno de estudo e discussão da condição humana e dos ingredientes fundamentais desta: ética, estética, e a própria crítica do sentido da filosofia.

Sem dúvida o dano colateral causado por físicos pseudofilosóficos é relativo: nenhum estrago sensível, apenas certa erosão cultural após grande acumulação de besteiróis isolados. Que fique bem claro, porém: filósofos também não conseguiriam produzir nem detonar nenhuma bomba nuclear ao meterem o nariz longe de sua própria seara – jogo empatado, no fim de contas! O mundo não vai girar melhor nem se comportar diferente amanhã, a grama do vizinho não estará mais cinza ou mais vivaz por conta dessas intromissões, ou ao cessarem essas intromissões. Mas, graças a esse texto, quem não sabia, agora soube: deuses físicos jogam dados, sim senhor; deuses metafísicos? há que perguntar-lhes primeiro!; enrolar ou desdobrar dimensões conceituais é coisa para especialistas (hegelianos e afins); físico não é chefe de seção no “IML dos cadáveres epistemológicos”, decidindo quem ou o quê morreu e distribuindo competências ao deus-dará à sociedade inteira; e, por fim, você soube também – ou relembrou – que Freud foi uma fraude.

Mas e quanto à pergunta inaugural – esqueci-me de a responder? O que Aristóteles e Stephen Hawking têm em comum? Eles não têm nada – era só um título bonito e chamativo.

PROVA DA INEXISTÊNCIA DE DEUS!

“Deus” é sinônimo de onipotência, o conceito humano para o uno, ilimitado e intangível, uma chave de acesso ao transcendental via linguagem: quatro letras que encerram a idéia de tudo que está por trás da existência e da possibilidade de se ter qualquer idéia. Como tal, “Deus” cresceu com o homem. É seu mito, sua raiz. A determinado ponto foi sistematizado em escrituras – o que não o desvencilha do paradigma panteísta, não obstante: panteísmo é a crença de Deus sendo tudo e todas as coisas. O universo, a natureza. Aqui está o ponto a que desejava chegar para comprovar a inexistência de Deus, se é que o leitor não preferirá legitimá-lo de uma forma diferente… (vide adiante) Serei lógico; acompanhe:

O caráter de onipotência de Deus é sua definição pura. Significa que para tal entidade inexiste o impossível. A realidade inteira é o desenrolar de sua vontade. Como tal, só pode ser ele mesmo (o que é vontade de Deus é deus, e não há o que não seja): voltamos ao Panteísmo, ainda que sejais cristãos. Se tudo é deus, eu também sou deus. Afirmar deus é negar-me a mim mesmo. Penso que sou livre para escrever que sou livre. Tenho autonomia na decisão. A simples crença na assertiva basta ao leitor a fim de negar Deus. Porém, sigamos adiante, rumo aos limites da argumentação: se se aceita que eu sou Deus para não negá-lo, eu me anulo. Eu existo – o leitor existe – e aceitar-se como Deus representando a própria impossibilidade do Ser de existir é pífio. Existo e por isso automaticamente Deus deve ser negado.

Ainda que eu fosse Deus – esse é o único método, entenda o leitor, de poder afirmá-lo (a legitimação em “forma diferente” supracitada) –, ou tudo sou eu (tudo que acontece é minha vontade – sua liberdade acabou de ser formalmente morta), ou eu sou uma PARTÍCULA de Deus. Mas um poder infinito não se divide: a principal característica divina é a unidade, é ser a arrumação coerente do todo. Não existe, portanto, essa conveniente solução intermediária. Retomando, há dois (ou três) paradigmas: 1) TUDO é Deus (e sua Vontade), sob o alto preço de não existirmos (nossas individualidades não passam de ilusão, falsas consciências de Deus regidas por uma, e só uma, verdadeira consciência); 2) NADA é Deus. Esta possibilidade permanece de pé, pois permite que existamos; 3) O indivíduo é DEUS. Incabível. Porém, interessante observar que “3)” não existe senão como subconjunto de “1)”. Deus não pode ser um subconjunto, nem mesmo possuir um subconjunto! Deus não pode existir se há no universo qualquer consciência que levante o problema. Perdemos um deus no momento em que passamos a acreditar nele.

16/08/2008

POR QUE VOCÊ NÃO LUTA?

A visão de que cada nação possui o governo que merece é ilusória e precisa ser abolida. Sequer há o que se pode chamar de nação, e não porque o Estado-nação não respeite nações, mas porque o próprio conceito de nação está seriamente em xeque. Não existe o povo, por mais que o tópico-frasal da sociologia coaja qualquer sociólogo incipiente a dizer o contrário. O que acontece em um país como o nosso é a tendência auto-implosiva do Capital: uma plutocracia que impede o movimento revolucionário, porquanto este só representa perigo sendo massivo. Uma vez que estão destruídas as condições para que ele o seja (tome como base a mídia brasileira, que impossibilita o menor pensamento transgressor), fica na mão do indivíduo consciente a decisão: dada a impossibilidade democrática de atingir minhas metas e a inviabilidade de qualquer negociação pacífica com o Estado e demais forças, baluartes da moral do Ocidente, diria um Nietzsche, eu devo lutar e arriscar a piorar ainda mais drasticamente minhas condições de existência neste mundo ou eu devo me conformar, manter minha propriedade, minha liberdade, enfim, meus direitos civis, minha relação com a família, meus estudos e meu emprego? Parece que, diante de impasse de tal ordem, sempre escolheremos a segunda opção. Mas, para ser auxiliado por um provérbio simples contudo verdadeiro, “nada é eterno”. O que se depreende disso? Aparentemente, o momento da luta pela ruptura irreversível do sistema é invariavelmente empurrado para frente e jamais concretizado. Não há como imaginarmos, de fato, que poderia haver uma “anarquização” da sociedade moderna a ponto de transformar poderios incalculáveis como o produto nacional bruto e o exército americanos em cenários tão imprevisíveis quanto as Farc no território colombiano ou as milícias mexicanas em guerra de trincheiras com o Estado. A própria constituição do rebelde como exceção é a quase refutação de qualquer esperança. Para a vida dos ainda vivos no momento deste texto, e do seu autor, o cenário é tão ou mais desanimador: escolho minha profissão estável, minha ficha criminal limpa e meu conhecimento socrático-cristão a contragosto, mesmo ciente de que são postulados inversamente proporcionais à “sociedade” como se constitui de fato (não passando de idealismos vis, disfarçáveis para alguns, mas intransponíveis para todos), por julgar que só encurtaria minha vida se lutasse contra tudo e todos, ou reduziria cabalmente meu já ridículo quinhão. Faticamente, assim funcionam as coisas. Onde está, então, a mágica que torna o inimigo invencível do homem um respeitante do ditado de que “nada seja eterno”? Nele próprio. O invencível (figura sem corpo, apenas a idéia que temos enquanto somos escravos do próprio Ideal) é a vítima derradeira de seu próprio sucesso. As contradições do Capitalismo tornam-se mais agudas à medida que seu êxito se torna mais inquestionável. Há um ponto de ruptura nas auto-vitórias do maleável Capital e da casca de todo seu conteúdo, a moral do Ocidente. As fendas já aparecem. Existe um momento em que as condições de existência do regime não podem ser mantidas nem que se o almejasse: contramedidas apenas aceleram o colapso, e por mais que tal lição seja aprendida o colapso, em si, não pode ser evitado. Não procede a crítica de Marx de que “o que um homem vê, os outros vêem, ou o vêem vendo”, apontando para o fato de que, se o homem faz sua História, então ao se corrigir o rumo da História que Marx queria levar a cabo, a história realizada é o Capitalismo (Fim da História, no qual já depositei minhas fichas). Digamos que apenas se espera pelo inevitável. Longe de uma visão de espírito (neo-hegeliana), trata-se da constatação, pelo homem que se enrolou no pólo natureza-cultura, de que ele, o homem, junto de seus produtos, é a natureza. E pulsa. Como vida, não pode se negar a vivê-la excedendo o limite “x”. Esse limite “x” é o dia da derrocada do sistema capitalista em decorrência das próprias ultra-contradições e da soma das vontades individuais da grande maioria de manter o sistema intacto (o que implodirá as últimas ilusões de chances que tais grupos poderiam possuir). Não me encarem como um profeta, mas como um bom leitor. Sigamos…: a saturação da moral do Ocidente se avizinha. O tal dilema da escolha pessoal, lutar ou se conformar, deixará de fazer sentido. Será o momento de cada um agarrar sua oportunidade. Obviamente, muitos se recusarão a agarrá-la, mas cada fracasso terá seu papel: amantes da vida precisam de seres humanos inferiores para exercerem sua dominação (paradigma natural). Não desejo ser mal-interpretado. Significa que o homem moderno não rompe integralmente com seu passado, uma vez que coexistirá (e coexiste, pois há homens modernos hoje, embora não no comando do que quer que seja) com os pseudo-modernos, criaturas que atualmente parecem ditar a História e que no entanto não compreendem ou não podem evitar o problema futuro de ter compreendido hoje que não se tratam de indivíduos modernos, mas entes mais fracos, pré-modernos, pré-históricos. A diferença fundamental é que no leme da embarcação histórica encontraremos, na coexistência reformulada do fim do Capital, os modernos. Lembre-se que, coletivamente, ao olhar ao redor, jamais fomos modernos. Se você é um moderno e guarda seu tesouro, sua vida pré-moderna será transcendida e transvalorada logo. É bem verdade que muitos nessas circunstâncias morreram sem ver a verdadeira Aufklärung sangrenta. E outros vão morrer. Mas isso fazia parte da modernidade deles. Há alguns modernos que vêm antes dos outros. Nem por isso são menos modernos. A História está sendo feita, não há Idealismo em minha convicção: é que os modernos dão suas parcelas de contribuição desde muito antes deste texto, que aliás nasceu de seus esforços; e embora isoladamente esses esforços não consigam vencer o inimigo chamado de “o invencível”, quem está tramando, neste exato minuto, em laboratório, a própria e inaudita morte são os pré-modernos, figuras que já divisam sua extinção no horizonte (nenhuma contramedida pode surtir efeito se se permanece no âmbito da visão progressista autofágica). Se há algo de desesperador na vida, é a vida, aquela mesma que cria o sentimento do desespero (e já é um privilégio usufruí-lo!), que recai no auto-perceptível fatalismo. Alguns andam lendo meu blog e me apelidando de oráculo. Porém, eu sou o oráculo do fim dos oráculos: a única e caprichosa meta-tendência quem traça são vocês. A tendência do auto-expurgo do mundo. O Ocidente é um monstro que se come a si mesmo e quanto mais come mais julga o prato delicioso sendo portanto apenas bom senso e não qualquer dom premonitório que me permite asseverar que ele nunca deixará de se comer até que suas funções vitais sejam desligadas – porque ele acredita piamente que está cada vez mais corpulento, quando seu aspecto ao observador alheio (o moderno, imerso no estômago do monstro e que pode ser ejetado na ocasião oportuna) é o do definhamento. E não há meios de um monstro que só triturou tudo com seus dentes de repente aprender a fazer outra coisa… É a natureza desse bicho que se crê anti-natural e imortal. Mas o que é a imortalidade? Tem-se de estar vivo para não estar morto, ou para pensar nesses dilemas. E a vida não pode ser anti-natural, posto que da natureza provém. Portanto, sem sentido, o monstro explode. Esse bicho acredita no Fim da História. Mas a natureza não acredita em equilíbrios…

27/07/2008

LECCIONES SOBRE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA Vol. I/III – Hegel (trad. Wenceslao Roces), Fondo de Cultura Económica (1833, 1955, México)

PRESENTACIÓN

en la actualidad faltan traducciones españolas integras, directas y correctas de algunas de las obras absolutamente capitales de la historia universal de la filosofía: sea totalmente, por no haberse hecho nunca, sea prácticamente, por no ser las hechas asequibles ya en el comercio, ni siquiera en todas las bibliotecas donde debieran serlo.”

La serie se inicia con la presente traducción de las Lecciones sobre la historia de la filosofía de Hegel, a la que seguirán (…) Locke (…) y Spinoza (…)”

el Dr. Wenceslao Roces es bien conocido por el público culto en todo el mundo de habla española como especialista en la traducción de obras alemanas, habiendo merecido su labor el público elogio agradecido del propio e ilustre autor de la obra original en un caso como el de la Paideia de Werner Jaeger

José Gaos

ADVERTENCIA SOBRE LA PRESENTE EDICIÓN

por tratarse de una obra que no fue escrita por el propio Hegel, sino redactada por Michelet a partir de algunos papeles manuscritos y de los apuntes de clase de sus alumnos, fueron surgiendo, al avanzar el trabajo, diversos problemas.” “a pesar de todo esto, la forma que Michelet dio a la Historia de la filosofía de H. es, hasta ahora, la única y de ella se han servido los alemanes por más de un siglo.”

Es indiscutible la superioridad de la edición crítica de Johannes Hoffmeister sobre la de Michelet, pero por desgracia esta edición quedó incompleta, pues según la propia casa editorial presenta dificultades tan especiales que no puede precisarse en qué fecha aparecerán los otros volúmenes.”

Michelet (…) aspiraba a entregar un texto que pareciera haber sido escrito de una sola tirada por el autor; en tanto que Hoffmeister, comprendiendo que las libertades de un discípulo directo – como lo fue Michelet – no pueden justificarse en nadie más y considerando que las diferencias entre las distintas versiones (Hoffmeister dispuso de un nuevo material que le permitió obtener un texto completo de 4 cursos) son tan grandes que no permiten la unión, intenta dar todo el texto hegeliano en el orden en que fue expuesto, sin que se pierda una sola línea. [Sinceramente, já achei o texto tão repetitivo da forma como foi editado que não consigo conceber o tédio desta versão mais integral!]

Hemos de reconocer también que la mayor parte de los errores que Hoffmeister señala a la edición de Michelet son reales. (…) es posible ver claramente que hay capítulos muy poco preparados en los que pueden apreciarse grandes lagunas, p.ej., en la parte dedicada a la filosofía medieval. Si éste es o no un defecto de la exposición hegeliana o si se debe a una mala reelaboración de Michelet, es cosa difícil de decidir y más difícil aún de remediar sin contar con los originales necesarios.” “en la cita de textos kantianos encontré varios errores”

Por lo que respecta a Platón, la traducción usada como base – pues Hegel lo parafrasea también – fue la de García Bacca y en aquellos casos en que el diálogo citado no estuviera traducido por él, la versión castellana es el resultado de un cotejo entre el texto griego, la versión alemana y las españolas que hubiera disponibles.”

El lector advertirá, además, que a veces aparece en el cuerpo de una cita una explicación encerrada entre corchetes; esta explicación es, desde luego, de Hegel y le di esta forma a fin de facilitar na lectura.” Como é muito comum que eu intervenha nas aspas do Seclusão com []’s também, reservo-me ao direito de fazê-lo em português, quando for o caso; se o texto entre colchetes estiver em espanhol, o autor é Hegel, na tradução.

La Historia (…) no deja de ser una de las grandes hazañas del pensamiento alemán y, hasta ahora, la obra máxima sobre historia de la filosofía; la 1ª que hizo justicia a las filosofías precedentes al considerarlas como momentos necesarios en una y la misma evolución: la del Espíritu.”

Elsa Cecilia Frost (ed.)

PRÓLOGO DEL EDITOR A LA 1ª EDICIÓN

Hegel dio en total 9 cursos sobre esta materia en las distintas universidades en las que trabajó. La 1ª vez durante el invierno de 1805-6 en Jena; las 2 ocasiones siguientes en Heidelberg durante los semestres de invierno de 16-17 y 17-18; las 6 restantes en esta universidad (Berlín) en el verano de 1819 y en los semestres de invierno de 1820-1, 23-4, 25-6,27-8 y 29-30. Había empezado sus cursos de invierno (entre ellos el 10º de historia de la filosofía) el 10 de noviembre de 1831, habiendo dado ya 2 clases sobre historia de la filosofía con gran fluidez y amenidad, cuando fue alcanzado por la muerte.

De todos estos años sólo poseemos el cuaderno de Jena, en cuarto, escrito de su puño y letra y revisado casi totalmente por lo que se refiere al estilo; en aquella época no se atrevía aún a confiar sus lecciones a la memoria.” “Todas las adiciones hechas en los cursos posteriores están, en parte, escritas o esbozadas al margen del cuaderno de Jena o del resumen, y en parte en una serie de hojas sueltas que añadió a éstos.”

Alguns dos cadernos de alunos utilizados: Kampe, von Griesheim, Michelet (editor).

Las fuentes para la Introducción, en particular, además de los apuntes de clase, son una parte muy lograda del manuscrito de Hegel, parte en cuarto y parte en folio, escrita casi toda en Berlín, salvo una pequeña parte escrita en Heidelberg.” “Hegel reelaboraba siempre más las introducciones de sus cursos que estos mismos.”

La exposición de la filosofía oriental, tomada de los apuntes de clase, se complementa con una rica serie de colecciones y recopilaciones de obras francesas e inglesas sobre el Oriente en general. Hegel solía llevar las obras correspondientes, anotadas brevemente al margen, a su cátedra, para basar su exposición en ellas, traduciendo directamente en parte y, en parte, intercalando sus observaciones y juicios.”

SÓ LENDO PRA CRER! “Su forma escrita sólo rara vez es difícil y a menudo bella. En general, podemos decir que estas lecciones sorprenden con frecuencia por la pureza de su forma, en la que podemos ver la certeza y claridad con que se presentaba el pensamiento en el espíritu del autor”

se encuentra en el cuaderno de Jena la que yo he llamado en otro lugar la primera terminología de Hegel, comprendiendo bajo este título tanto esta terminología propiamente dicha como la transición a la de la Fenomenología, frente a la terminología más lograda de los años posteriores.” Espero que a Ciência da Lógica seja mais fácil de ler…

las conocidas anomalías y anacolutos de la forma hegeliana.”

Hegel dio siempre cinco horas semanales sobre historia de la filosofía, número de horas que aumentaba siempre al final del curso—lo que hacía también, pero en menor medida, en las otras materias—, como se desprende, entre otras cosas, de sus observaciones manuscritas al final del cuaderno.”

Hegel acostumbraba decir que a los demás se les había facilitado el estudio de Aristóteles, en tanto que para él fue muy difícil, pues había tenido que usar la ilegible edición de Basilea, sin traducción latina, y extraer así el significado profundo de Aristóteles. Sin embargo, fue precisamente él quien volvió a llamar la atención sobre esta profundidad y quien descubrió y corrigió la ignorancia y las malas interpretaciones de quienes deseaban pasar por sutiles eruditos.”

CRÍTICA DOS FILOSOFASTROS CONTEMPORÂNEOS DE HEGEL: “el absurdo intento de destacar en tal forma a Anaximandro que se le ha llegado a colocar después de Heráclito, como si su pensamiento fuese más maduro que el de éste.” “Así, cuando Hegel no considera a Heráclito entre los primeros jonios, sino que lo coloca después de los pitagóricos y los eléatas, no se encuentra en la cúspide de la erudición de nuestros días que ha decidido qué lugar le corresponde a Heráclito de acuerdo con relaciones puramente superficiales.” Porém Hegel comete o erro de superestimar, p.ex., Anaxágoras em relação ao mesmo Heráclito.

Me chamou a atenção, no índice, a completa ausência de Parmênides. Hegel o situou entre os eleatas, mas felizmente soube dar-lhe destaque.

Pero ¿acaso no es este carácter intermedio lo peculiar de todas las conferencias impresas, aun cuando sean publicadas por el propio autor?” “Solamente en manos de su autor podían haberse convertido estas Lecciones en un verdadero libro, como la Filosofía del derecho.” “¿Acaso no se formó así una gran parte de la obra del viejo Aristóteles, sin que a nadie se le haya ocurrido disputar la veracidad del contenido?” “En mi posterior escrito premiado, Examen critique de l’ouvrage d’Aristote intitulé Metaphysique, lo he demostrado suficientemente.” “¿Acaso no tenemos varias versiones suyas de la Ética? Bien pudiera ser que Nicómaco y Eudemo fueran los nombres de quienes copiaron e hicieron públicas 2 de estas versiones.”

<MAL DE EDSON>: “Entre otras causas, esta Historia de la filosofía de Hegel conservó el carácter de conferencia por la falta de tiempo del autor, que tuvo que ser mucho más breve al final del curso que al principio. Así, a partir de Aristóteles, cuya exposición, a juzgar por las anotaciones del cuaderno, entraba en la 2ª mitad del semestre (lo que no es tan desproporcionado como parece a primera vista), no se extendía ya tanto. En especial el último período, a partir de Kant, se encuentra expuesto con mucha brevedad, sobre todo en los cursos posteriores en los que una introducción muy desarrollada y la exposición de la filosofía oriental se llevaban la mayor parte del tiempo. [Suspeito! Talvez H. não se sentisse à vontade discorrendo sobre Kant!]

Esto me dio ocasión de preparar, inmediatamente después de la edición completa de estas Lecciones, una historia de los últimos sistemas filosóficos en Alemania, de Kant a Hegel, que debe añadirse a ellas.” E há algum (que valha o meu tempo)? Cf. Geschichte der letzten Systeme der Philosophie in Deutschland von Kant bis Hegel

Karl Ludwig Michelet

PRÓLOGO DEL EDITOR A LA 2ª EDICIÓN

Con frecuencia cambié algunas frases o pasajes de lugar y di otro orden a los temas, suprimí algunos períodos largos y algunas repeticiones o, cuando menos, traté de acortarlos. Y, por último, metí las notas al pie de página dentro del texto mismo—como parece más correcto—, ya fueran ulteriores reflexiones aforísticas o citas de los filósofos tratados; de este modo sólo se conservaron como notas las anotaciones imprescindibles del editor, que se refieren a la redacción, y las citas o referencias muy largas que entorpecerían la lectura del texto.”

DISCURSO INAUGURAL – Pronunciado en la Universidad de Heidelberg, el 28 de octubre de 1816

El Espíritu del Mundo, ocupado en demasía con esa realidad, no podía replegarse hacia adentro y concentrarse en sí mismo. Pero ahora que esta corriente de la realidad ha encontrado un dique, que la nación alemana ha sabido irse modelando sobre la tosca materia, que ha salvado su nacionalidad, raíz y fundamento de toda vida viva, tenemos razones para confiar en que, al lado del Estado, en que se concentraba hasta hace poco todo el interés, se levante también la Iglesia; que, al lado del reino de la tierra, hacia el que se encauzaban hasta ahora todos los pensamientos y todos los esfuerzos, vuelva a pensarse también en el reino de Dios; dicho en otros términos, que, al lado del interés político y de otros intereses vinculados a la mezquina realidad, florezca de nuevo la ciencia, el mundo racional y libre del espíritu.

La historia de la filosofía nos revelará cómo en los otros países de Europa en los que con tanto celo y prestigio se cultivan las ciencias y la formación del entendimiento, la filosofía, excepción hecha del nombre, decae y desaparece para quedar convertida tan sólo en un recuerdo, en una vaga idea, y únicamente se conserva como una peculiaridad característica de la nación alemana. La naturaleza nos ha asignado la alta misión de ser los guardianes de este fuego sagrado” “como el Espíritu del Mundo cultivó y salvaguardó en la nación judaica una conciencia superior a la de otros pueblos, para que pudiera surgir de ella, convertido en un nuevo Espíritu. § La nación alemana ha logrado llegar hoy, en general, a un grado tal de seriedad y de elevación de conciencia, que ante nosotros sólo pueden valer ya las ideas y lo que demuestre sus títulos de legitimidad ante el foro de la razón; y va acercándose más y más la hora del Estado prusiano basado en la inteligencia.” Não é assim que se conquistam 4 Copas do Mundo, amado Hegel!

Nosotros, los hombres de la generación que se ha desarrollado bajo el embate de los tiempos, podemos considerar dichosos a quienes, como a vosotros, ha tocado vivir su juventud en estos días en que podéis consagraros por entero a la ciencia y a la verdad.”

O CREPÚSCULO DO OTIMISMO: “La esencia del universo, al principio cerrada y oculta, no encierra fuerza capaz de resistir al valor de un espíritu dispuesto a conocerla: no tiene más remedio que ponerse de manifiesto ante él y desplegar ante sus ojos, para satisfacción y disfrute suyo, sus profundidades y sus riquezas.”

en efecto, de la historia de la filosofía se extrae, ante todo, una prueba muy clara de la nulidad de esta ciencia.”

Y así, según la idea que se tenga de lo que es el Estado, puede muy bien ocurrir que un lector no descubra en la historia política de un país absolutamente nada de lo que busca en ella.”

En efecto, cuando se trata de pensamientos, sobre todo de pensamientos especulativos, el comprender es algo muy distinto del captar simplemente el sentido gramatical de las palabras, asimilándolo indudablemente, pero sin pasar de la región de las representaciones.” “Por eso abundan las historias de la filosofía, compuestas de numerosos volúmenes y hasta, si se quiere, llenas de erudición y en las que, sin embargo, brilla por su ausencia el conocimiento de la materia misma sobre la que versan.”

En esta Introducción habrá de darse por supuesto, igualmente, el concepto de filosofía, o sea el del objeto sobre el que versa su historia. Pero al mismo tiempo ocurre, en su conjunto, con esta Introducción—que habrá de circunscribirse a la historia de la filosofía—lo que ocurre con la filosofía misma según acabamos de decir. Lo que en esta Introducción pueda decirse, más que algo que podamos sentar de antemano, será algo que sólo el estudio de la historia misma pueda probar y justificar.”

INTRODUCCIÓN A LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA

lejos de ello, aquí las creaciones son tanto mejores cuanto menos imputables son, por sus méritos o su responsabilidad, al individuo, cuanto más corresponden al pensamiento libre, al carácter general del hombre como tal hombre, cuanto más se ve tras ellas, como sujeto creador, al pensamiento mismo, que no es patrimonio exclusivo de nadie.” Pouco importa. O método socrático é universal, mas foi um homem chamado Sócrates que o pariu. Alexandre o Grande tem tanto de pessoal quanto tinha Sócrates: era um homem, um tipo de homem, uma síntese especial de vários indivíduos, historicamente marcada – e por isso atemporal.

Herder, Ideas para la filosofía de la historia de la humanidad

El espíritu universal no se está quieto; y es este espíritu universal lo que nos interesa examinar aquí. Puede ocurrir que en una nación cualquiera permanezcan estacionarios la cultura, el arte, la ciencia, el patrimonio espiritual en su conjunto; tal parece ser, por ejemplo, el caso de los chinos, quienes probablemente se hallen hoy, en todo, como hace 2 mil años.”

Por donde lo que cada generación crea en el campo de la ciencia y de la producción espiritual es una herencia acumulada por los esfuerzos de todo el mundo anterior, un santuario en el que todas las generaciones humanas han ido colgando, con alegría y gratitud, cuanto les ha sido útil en la vida, lo que han ido arrancando a las profundidades de la naturaleza y del espíritu.” Só mesmo a idéia de filogênese da psicanálise consegue ser mais tacanha do que esse evolucionismo-atavismo megalomaníaco cultural!

el curso de la historia no nos revela precisamente el devenir de cosas extrañas a nosotros, sino nuestro propio devenir, el devenir de nuestra propia ciencia.”

Es un viejo prejuicio el de que lo que distingue al hombre del animal es el pensamiento; pero nos atendremos a esto.” “la historia que tenemos ante nosotros es la historia de la búsqueda del pensamiento por el pensamiento mismo.” “Estas manifestaciones del pensamiento en las que éste se encuentra a sí mismo, son las filosofías; y la cadena de estos descubrimientos, de los que parte el pensamiento a descubrirse a sí mismo, es la obra de 3500 años.” Milenarismo 2.0.

los árboles no nos dejarán ver el bosque, las filosofías nos impedirán ver la filosofía.”

esta concepción no puede satisfacernos ni siquiera en lo que se refiere a la historia política; ya en ella reconocemos, o intuimos por lo menos, un entronque necesario entre los diversos acaecimientos, que hace que éstos ocupen un lugar especial, en relación con una meta o con un fin, adquiriendo con ello su verdadera significación.”

DA INTUIÇÃO À INSTITUIÇÃO: “Desde luego, la religión y los pensamientos contenidos en ella o que giran en torno a ella, principalmente, el que adopta la forma de mitología, se hallan ya por su materia—como por su forma los demás desenvolvimientos de las ciencias, sus pensamientos acerca del Estado, los deberes, las leyes, etc.—, tan cerca de la filosofía, que tal parece como si fuesen una prolongación más o menos vaga de la historia de la ciencia filosófica, como si la historia de la filosofía estuviese obligada a tomar en consideración todos estos pensamientos.”

A) CONCEPTO DE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA

Y si partimos de la premisa de que la verdad es eterna, ¿cómo incluirla en la órbita de lo pasajero, cómo relatar su historia? Y, por el contrario, si tiene una historia y la historia consiste en exponer ante nosotros una serie de formas pasadas de conocimiento, ¿cómo encontrar en ella la verdad, es decir, algo que no es nunca pasado, pues no pasa?”

El cristianismo tiene una historia que se refiere a su difusión, a las vicisitudes por que pasaron sus creyentes, etc.; al convertir su existencia en una Iglesia, ésta es, a su vez, una existencia exterior del cristianismo, la cual, al verse enclavada en los más diversos contactos con el tiempo, presenta múltiples vicisitudes y tiene, esencialmente, su historia propia. Tampoco la doctrina cristiana, por sí misma, carece, naturalmente, de historia; pero ésta alcanza pronto y de un modo necesario su desarrollo y se plasma en la forma determinada que le corresponde. Y esta antigua profesión de fe ha regido en todo tiempo, y debe seguir rigiendo todavía hoy, sin cambio alguno, como la verdad, aunque su vigencia no fuese ya más que una apariencia sin sustancia y las palabras hubiesen quedado reducidas a una fórmula vacua pronunciada por nuestros labios. Ahora bien, el contenido ulterior de la historia de esta doctrina lleva consigo dos cosas: de una parte, las múltiples adiciones y aberraciones de aquella verdad fija; de otra, la lucha contra estas aberraciones y la purificación del fundamento perenne, eliminando de él las adiciones superpuestas y volviendo a su original simplicidad.

Una historia externa como la de la religión la tienen también las otras ciencias, incluyendo la filosofía.”

¿cómo explicarse que, siendo la filosofía la doctrina de la verdad absoluta, se circunscriba a un número tan reducido de individuos, a determinados pueblos, a ciertas épocas; del mismo modo que, con respecto al cristianismo—o sea, a la verdad bajo una forma mucho más general—, se ha planteado la dificultad de si no será una contradicción en sí que esta religión haya aparecido tan tarde en el tiempo y haya permanecido durante tantos siglos, y todavía permanezca en la actualidad, limitada a determinados pueblos? Pero este problema y otros por el estilo son ya demasiado especiales como para depender solamente de la contradicción general a que veníamos refiriéndonos; sólo cuando hayamos entrado más de lleno en la naturaleza peculiar del conocimiento filosófico, podremos referirnos más a fondo a los aspectos que guardan mayor relación con la existencia exterior”

En una ciencia como la matemática, la historia, por lo que al contenido se refiere, se limita, preferentemente, a la grata tarea de registrar una serie de ampliaciones; y la geometría elemental, por ejemplo, puede considerarse como una realidad ahistórica en la extensión que Euclides supo darle.”

quienes creen poder exteriorizar un juicio más a fondo, llaman a esta historia una galería de las necedades o, por lo menos, de los extravíos del hombre que se adentra en el pensamiento y en los conceptos puros. Este punto de vista no sólo lo expresan quienes confiesan su ignorancia en materia de filosofía (la confiesan, puesto que esta ignorancia no es, según la concepción corriente, obstáculo para emitir un juicio acerca de lo que es la filosofía; por el contrario, todo el mundo se cree autorizado a dar su juicio acerca del valor y la esencia de ella, sin saber absolutamente nada de lo que es), sino también algunos de los que escriben o han escrito acerca de la historia de la filosofía. Esta historia, convertida así en un relato de diversas opiniones, no pasa de ser, concebida de este modo, materia de ociosa curiosidad o, si se quiere, de erudición.” Ex: Diógenes Laércio.

¿Puede haber algo más inútil que conocer una serie de simples opiniones? Semejante conocimiento es de todo punto indiferente.”

una opinión es un pensamiento mío, no un pensamiento general, que es en y para sí.”

no existen opiniones filosóficas.”

Esta llamada razón, de una parte, combatía la fe religiosa en nombre y en virtud de la razón pensante, pero, al mismo tiempo, se volvió en contra de la razón misma y se convirtió en enemiga de la verdadera razón; afirma en contra de ésta los derechos de la intuición interior, del sentimiento, convirtiendo con ello lo subjetivo en pauta de lo válido e imponiendo, de este modo, la fuerza de la propia convicción, tal y como cada cual se la puede llegar a formar, en sí y a partir de sí, en su propia subjetividad. Pues bien, estas convicciones propias no son otra cosa que las opiniones, convertidas así en el supremo criterio del hombre.”

Es frecuente también ver que la teología se cultiva históricamente, atribuyendo a la ciencia teológica el interés de conocer las distintas opiniones, y uno de los primeros frutos de este conocimiento consiste en honrar y respetar todas las opiniones, considerándolas como algo de lo que no se tiene por qué dar cuentas a nadie, sino solamente a sí mismo.”

La antítesis entre la opinión y la verdad, que de un modo tan nítido se destaca ahora, se trasluce ya en las nociones de la época socrático-platónica, época de desintegración de la vida griega, en la antítesis platónica entre la opinión (doxa) y la ciencia (episteme). Es la misma contraposición con la que nos encontramos en el período de decadencia de la vida pública y política de Roma bajo Augusto y en los tiempos siguientes, en que hacen estragos el epicureísmo y la indiferencia ante la filosofía. Es el sentido en que Pilato replica a Cristo, cuando Éste le dice que ha venido al mundo para proclamar la verdad: ‘¿Qué es la verdad?’. Lo que vale tanto como decir: ‘Este concepto de la verdad es un concepto convencional acerca del cual estamos al cabo de la calle; hoy, sabemos ya más, sabemos que ya no hay para qué hablar de conocer la verdad; eso se ha quedado atrás.’” Bom insight.

En cuanto a la afirmación de que no es posible, conocer la verdad, nos encontraremos con ella en la historia misma de la filosofía, donde tendremos ocasión de examinarla con cierto cuidado. Aquí, sólo diremos que quienes, por ejemplo Tennemann, parten de esta premisa, harían mucho mejor, evidentemente, en no ocuparse para nada de filosofía, pues toda opinión afirma y pretende, aunque sea sin razón, poseer la verdad.”

En efecto, ante el espectáculo de tan múltiples opiniones, de tan numerosos y diversos sistemas filosóficos, se siente uno arrastrado por la confusión, sin encontrar un punto firme de apoyo para sustraerse a ella. Vemos cómo, en torno a las grandes materias por las que se ve solicitado el hombre y cuyo conocimiento trata de suministrar la filosofía, los más grandes espíritus yerran, puesto que han sido refutados o contradichos por otros. ‘¿Y si esto ocurre a tan insignes espíritus, cómo puedo, ego homuncio, tener la pretensión de decidir tales problemas?’

Esta conclusión, que se extrae de la gran diversidad de los sistemas filosóficos, es considerada como dañina, pero representa, al mismo tiempo, una ventaja subjetiva.” “…Todas aseguran que son las verdaderas, todas indican signos y criterios distintos por medio de los cuales se ha de reconocer la verdad; por eso, el pensamiento sobrio y sereno tiene que sentir, por fuerza, grandes escrúpulos antes de decidirse por una.

Éste es el interés mayor a que debe servir la historia de la filosofía.”

Uma premissa correta, porém impossível de ser praticada – sem severos danos – durante a era sistemática. Heidegger teria algo a dizer sobre isso…

Todos queriam ser Hegel.

Todos queriam estar depois de Hegel.

Não, todos queriam estar depois deste sujeito pós-hegeliano!

Eis o pau que não matará nenhuma cobra

Nem mostrará o instrumento homicida a ninguém!

Quem chegar por último…

Morre nauseado e solteiro.

Cicerón (De natura deorum, I, 8ss.) nos ofrece una historia, extraordinariamente superficial, de los pensamientos filosóficos acerca de Dios, inspirada precisamente en esa intención. Es cierto que la pone en labios de un epicúreo, pero sin que él mismo sepa decirnos nada mejor, lo que indica que las nociones expuestas por su personaje son las suyas propias.” Não diga! Logo Cícero, este EXCELSO filósofo?!

El epicúreo dice que no ha sido posible llegar a un concepto determinado. La prueba de que son vanos los esfuerzos de la filosofía se desarrolla en seguida a base de una concepción genérica superficial de la historia de la filosofía misma: el resultado de esta historia no es otro que la aparición de los más diversos y dispares pensamientos de las múltiples filosofías, contrapuestas las unas a las otras y que se contradicen y refutan entre sí.”

Según esto, la historia de la filosofía no sería otra cosa que un campo de batalla cubierto de cadáveres, un reino no ya solamente de individuos muertos, físicamente caducos, sino también de sistemas refutados, espiritualmente liquidados, cada uno de los cuales mata y entierra al que le precede.”

Por lo que se refiere a este tópico de la sobriedad del pensamiento, sabemos por la sobriedad de la experiencia diaria que, cuando estamos en ayunas, nos sentimos al mismo tiempo, o poco después, hambrientos. Sin embargo, ese pensamiento sobrio tiene el talento y la habilidad de no sentirse impulsado al hambre, a la apetencia, sino, por el contrario, saciado y satisfecho.”

Pero la vida física, como la vida del espíritu, no se da por satisfecha con la sobriedad, sino que es, esencialmente, impulso, acicate, siente hambre y sed de verdad, de conocimiento de la verdad, pugna por aplacarlas y no se da por satisfecha, por alimentada, con reflexiones del género de ésta a que nos estamos refiriendo.”

Es menester que comprendamos que esta variedad entre las muchas filosofías no sólo no perjudica a la filosofía misma—a la posibilidad de la filosofía—, sino que, por el contrario, es y ha sido siempre algo sencillamente necesario para la existencia de la propia ciencia filosófica, algo esencial a ella.”

SE NO VINHO ESTÁ A VERDADE, OFEREÇO MEIA TAÇA: “Las hazañas de que nos habla la historia de la filosofía no tienen nada de aventuras, del mismo modo que la historia universal no es algo puramente romántico.”

Dom Quixote tem uma história. Não existe um Dom Quixote que se olvide.

Filósofos não tem o direito de censurar seus amigos por esquecerem que ele existe! Esse é um problema muito pessoal

lo más esencial de todo es conocer que la verdad única no es solamente un pensamiento simple, vacuo, sino un pensamiento determinado de suyo.”

CUIDADO COM SEUS ARTIGOS DE FÉ DE ÉPOCA: “Más aún, podríamos, incluso, resumir lo que aquí interesa en el solo criterio de la evolución, pues si acertamos a ver claro en él, todo lo demás se desprenderá y deducirá por sí mismo.”

Seu erro consistiu em imaginar-se mais qualificado que Platão. Hierarquia entre IDÉIA-CONCEITO: “El producto del pensamiento es lo pensado en general; pero el pensamiento es todavía algo formal, el concepto es ya el pensamiento más determinado y la idea, finalmente, el pensamiento en su totalidad y determinado como el ser en y para sí. Por consiguiente, la idea es lo verdadero y solamente lo verdadero; la naturaleza de la idea consiste, esencialmente, en desenvolverse y en llegar a comprenderse solamente por obra de la evolución, en llegar a ser lo que es.” A IDÉIA NÃO EXISTE – ERA UMA METÁFORA. CONSELHO SÉRIO: Eis porque não se deve levar a filosofia tão a sério! O alemão: sujeito sem senso de humor. Destarte: Incompleto.

Reflexões inadvertidas devido ao Zeitgeist.

La ciencia de la lógica es la encargada de explicar ampliamente estos conceptos.” (Evolução, concreto & outros)

ponto nevrálgico do hegelianismo:

la posibilidad [o] (…) ser en sí” ESSENTIA

la realidad (entelequia) [o] ser para sí” IN CONCRETO

Cuando decimos, por ejemplo, que el hombre es un ser racional por naturaleza, la razón vive en él solamente en potencia, como una posibilidad, en embrión” “Pero, en cuanto que el niño sólo posee la capacidad o la posibilidad real de la razón, es lo mismo que si no tuviese razón alguna; ésta no existe aún en él, puesto que no puede hacer aún nada racional ni posee una conciencia racional. Sólo a partir del momento en que lo que el hombre es en sí deviene para él, en que, por tanto, la razón pasa a ser una razón para sí; sólo a partir de entonces puede decirse que el hombre cobra realidad en una dirección cualquiera, que es un ser realmente racional, que vive para la razón.”

Elucidação da frase da Fenomenologia “todo real é racional”:

Todo ser-para-si é ser-em-si, porém nem todo ser-em-si é ser-para-si. Toda aparência (ato) é essência (realização de potência). Mas a essência não está em todas as fases (faces) da aparência.

O real de Hegel não é real. A razão de Hegel é onipresente (o deus operando a máquina). Todo acontecer é deus, mas deus é algo mais que a soma dos aconteceres.

Fases de curto-circuito da verdade.

Tudo tem um propósito, o resto é garmonbozia.

O real é uma parte pequena do meu feudo. O contrato ideal.

INÍCIO DA TRADUÇÃO DE ALGUNS PARÁGRAFOS

Lo que es en sí necesariamente tiene que convertirse en objeto para el hombre, que cobrar conciencia en él; de este modo, deviene para el hombre.”

O que é possível (essencial) tem de se converter por necessidade em objeto para o homem, tem de cobrar consciência nele; dessa forma, devém (aparece) para o homem.”

Hegel é um teleólogo. O mundo se revela com uma epifania. A própria realidade (fenômeno) é epifenômeno. O mundo é mero sintoma do Espírito.

mediante la objetivación de este ser en sí, el hombre se convierte en ser para sí, se duplica, se conserva, no se convierte en otro.”

mediante a objetivação deste ser em si (o que é possível), o homem se converte em ser para si (real), se duplica, se conserva, não se converte em outro.”

Se desdobra, realiza o que é em essência, não é estranho ao homem mesmo atingindo algo de diferente ou pioneiro em sua vida: o filósofo tem de ser homem; nem todo homem é filósofo; todo filósofo nasce homem e devém filósofo eventualmente. Agora ele é filósofo e homem.

en el pensamiento sólo el pensamiento es objeto, la racionalidad produce lo racional y su objeto propio es la razón.”

no pensamento só o pensamento é objeto, a racionalidade produz o racional e seu objeto próprio é a razão.”

No pensamento, só o pensamento pode ser pensado, se pensar. Mesmidade. REAL.

A razão é o pensamento do Espírito. Ele se pensa através da racionalidade. POSSÍVEL.

Que el pensamiento puede degenerar también en lo irracional es una consecuencia ulterior, en la que no tenemos por qué entrar aquí.”

Que o pensamento também pode degenerar no irracional é uma conseqüência ulterior, na qual não temos por que entrar aqui.”

Ahora bien, si el hombre, que es en sí un ser racional, no parece poder ir más allá después de convertirse en un ser racional para sí, ya que el ser en sí sólo se ha conservado, la diferencia es, sin embargo, inmensa; no se desprende de aquí ningún contenido nuevo, pero esta forma del ser para sí implica una diferencia muy grande.”

Ora, se o homem, que é essencialmente um ser racional, não parece poder ir mais além após se converter em ser racional para si (efetivamente), já que ele não mudou de natureza (não se duplicou), conservando a essência, a diferença é, não obstante, imensa (do filósofo ao leigo); não se depreende daqui nenhum conteúdo novo, mas esta forma do ser para si (reflexivo) implica uma diferença enorme.”

Sobre esta diferencia descansa toda la que se aprecia en los desarrollos de la historia universal. Sólo así puede explicarse por qué, siendo todos los hombres racionales por naturaleza y estribando lo que hay de formal en esta racionalidad precisamente en el hecho de ser libres, ha existido en muchos pueblos, y en parte todavía sigue existiendo, la esclavitud, sin que los pueblos considerasen esto como algo intolerable.”

Sobre esta diferença descansa toda diferença que se aprecia nos desenvolvimentos da história universal. Só aí se pode explicar por quê, sendo todos os homens racionais por natureza e estribando o que há de formal nesta racionalidade precisamente no fato de serem livres, existiu em muitos povos, e em parte segue existindo, a escravidão, sem que os povos a considerassem intolerável.”

Hegel parte do princípio que o senhor, a casta que escraviza, é constituída originalmente de filósofos? Ou bem que o escravo submisso é mais como um animal?

A única diferença que se aprecia entre os povos da África e da Ásia, de uma parte, e de outra os gregos, os romanos e o mundo moderno, consiste em que estes sabem por que são livres, enquanto que aqueles o são sem saber que o são e, portanto, sem existir como povos livres. E isto representa uma mudança imensa quanto à condição. O conhecer e o aprender, a ciência e mesmo a ação não perseguem, em seu conjunto, nada senão extrair de si mesmo o que é interno ou em si (essencial), convertendo-o em algo objetivo (fenomênico).”

La razón de este brotar a la existencia es que el embrión no puede resistirse a dejar de ser un ser en sí, pues siente el impulso de desarrollarse, por ser la viviente contradicción de lo que solamente es en sí y no debe serlo. Pero este salir fuera de sí se traza una meta y la más alta culminación de ella, el final predeterminado, es el fruto; es decir, la producción de la semilla, el retorno al estado primero. El embrión sólo aspira a producirse a sí mismo, a desdoblar lo que vive en él, para luego retornar a sí mismo y a la unidad de que partió. Claro está que en las cosas de la naturaleza se da el caso de que el sujeto, por donde se comienza, y lo existente, lo que pone punto final—allí la simiente, aquí el fruto—son dos individuos distintos; la duplicación se traduce en el resultado aparente de desdoblarse en dos individuos, que son, sin embargo, en cuanto al contenido se refiere, uno y lo mismo.”

A razão deste brotar à existência é que o embrião não pode resistir a deixar de ser um ser em si, pois sente o impulso de desenvolver-se, por ser a contradição vivente do que somente é em si e não deve sê-lo. Mas este sair fora de si se traça uma meta e a mais alta culminação dela, o final predeterminado, é o fruto; isto é, a produção da semente, o retorno ao estado primeiro. O embrião só aspira a se produzir a si mesmo, a desdobrar o que vive nele, para logo retornar a si mesmo e à unidade de que partira. Claro está que nas coisas da natureza se dá o caso de que o sujeito, por onde se começa, e o existente, o que põe ponto final – ali a semente, aqui o fruto – são dois indivíduos distintos; a duplicação se traduz no resultado aparente de desdobrar-se em dois indivíduos, que são, sem embargo, quanto ao conteúdo, um e o mesmo.”

Otra cosa acontece en el mundo del espíritu. El espíritu es conciencia y, por tanto, libre de que en él coincidan el principio y el fin. Como el embrión en la naturaleza, también el espíritu, después de haberse hecho otro, retorna a su unidad; pero lo que es en sí deviene para el espíritu y deviene, por consiguiente, para sí mismo. En cambio, el fruto y la nueva simiente contenida en él, no devienen para el primer embrión, sino solamente para nosotros”

Outra coisa acontece no mundo do espírito. O espírito é consciência e, portanto, livre de que nele coincidam o princípio e o fim. Como o embrião na natureza, também o espírito, depois de ter-se feito outro, retorna a sua unidade; mas o que é em si devém para o espírito e devém, por conseguinte, para si mesmo. Já o fruto e a nova semente contida nele não devêm para o 1º embrião, mas somente para nós

Aquello para lo que lo otro es, es lo mismo que lo otro; sólo así puede ocurrir que el espíritu viva consigo mismo al vivir en el otro. La evolución del espíritu consiste, por tanto, en que, en él, el salir fuera y el desdoblarse sean, al mismo tiempo, un volver a sí.”

Aquilo para o que o outro é, é o mesmo que o outro; só assim pode ocorrer que o espírito viva consigo mesmo ao viver no outro. A evolução do espírito consiste, portanto, em que, nele, o sair e desdobrar-se sejam, ao mesmo tempo, um voltar a si.”

Todo lo que acaece en el cielo y en la tierra —lo que acaece eternamente—, la vida de Dios y todo lo que sucede en el tiempo, tiende solamente hacia un fin: que el espíritu se conozca a sí mismo, que se haga objeto para sí mismo, que se encuentre, devenga para sí mismo, que confluya consigo mismo; empieza siendo duplicación, enajenación, pero sólo para encontrarse a sí mismo, para poder retornar a sí.”

Tudo o que acontece no céu e na terra – o que acontece eternamente –, a vida de Deus e tudo o que sucede no tempo, tende somente a um fim: que o espírito se conheça a si mesmo, que se faça objeto para si mesmo, que se encontre, devenha para si mesmo, que conflua consigo mesmo; começa sendo duplicação, alienação, mas só para se encontrar a si mesmo, para poder retornar a si.”

Muito bonito, porém sem fundamento. Ou melhor dizendo, irreal.

en todo lo que no sea el pensamiento no conquista el espíritu esta libertad.”

em tudo que não seja pensamento, não conquista o espírito esta liberdade.”

cuando intuimos, cuando sentimos, estamos determinados, no somos libres; sólo lo somos cuando adquirimos la conciencia de estas sensaciones.”

quando intuímos, quando sentimos, estamos determinados, não somos livres; só o somos quando adquirimos a consciência destas sensações.”

Sólo en el plano del pensamiento desaparece, se evapora todo lo extraño, el espíritu, aquí, es absolutamente libre. Con lo cual queda proclamado, al mismo tiempo, el interés de la idea, de la filosofía.”

Só no plano do pensamento desaparece, se evapora todo o estranho, o espírito, aqui, é absolutamente livre. Com o quê fica proclamado, ao mesmo tempo, o interesse da idéia, da filosofia.”

¿qué evoluciona?, ¿qué es el contenido absoluto? Nos representamos la evolución como una actividad formal sin contenido. Pues bien, la acción no tiene otra determinación que la actividad y ésta determina ya la naturaleza general del contenido. El ser en sí y el ser para sí son los momentos de la actividad; en la acción se encierran, por consiguiente, estos dos momentos distintos. La acción es, así, una unidad esencial; y esta unidad de lo distinto es precisamente lo concreto. No sólo se concreta la acción; también lo es el ser en sí, el sujeto de la actividad de la que ésta arranca.”

o quê evolui?, qual é o conteúdo absoluto? Nos representamos a evolução como uma atividade formal sem conteúdo. Pois bem, a ação não tem outra determinação que a atividade e esta determina já a natureza geral do conteúdo. O ser em si e o ser para si são os momentos da atividade; na ação se encerram, por conseguinte, estes dois momentos distintos. A ação é, assim, uma unidade essencial; e esta unidade do distinto é precisamente o concreto. Não só se concreta a ação; também é concreto o ser em si, o sujeito da atividade de quem esta parte.”

La trayectoria de la evolución es también el contenido, la idea misma, la cual consiste precisamente en que tengamos lo mismo y lo otro y en que ambas cosas sean una sola, que es la tercera, en cuanto que lo uno es en lo otro consigo mismo y no fuera de sí.”

A trajetória da evolução é também o conteúdo, a idéia mesma, a qual consiste precisamente em que tenhamos o mesmo e o outro e em que ambas as coisas sejam uma só, que é a terceira, enquanto que o um é no outro consigo mesmo e não fora de si.”

Es un prejuicio corriente creer que la ciencia filosófica sólo maneja abstracciones, vacuas generalidades; que, por el contrario, la intuición, la conciencia empírica de nosotros mismos, el sentimiento de nosotros mismos y el sentimiento de la vida, es lo concreto de suyo, el reino determinado de suyo.”

O ÚLTIMO CONTRA-ATAQUE DO OBJETIVISMO: “É um preconceito corrente crer que a ciência filosófica só maneja abstrações, vácuas generalidades; (ou então,) pelo contrário, que a intuição, a consciência empírica de nós mesmos, o sentimento de nós mesmos e o sentimento da vida, são seu (terreno) concreto, seu reino determinado.”

Eis um exemplo da péssima escrita de Hegel. Havia a possibilidade de traduzir “concreto por si só”, “reino determinado por si só”, mas isso aumenta o nonsense do parágrafo e não é fundamental neste caso. Preferi manter a sintaxe mais óbvia ao leitor: remetendo o objeto ao sujeito inicial da frase. Se se quer que o pronome da terceira pessoa do singular “seu” se refira a algo, tem de ser, pelo contexto, a “ciência filosófica”. A segunda metade da frase, após o sinal de ponto-e-vírgula, consiste naturalmente na enumeração de elementos do método hume-kantiano (empirismo, ceticismo, criticismo subjetivistas), tudo aquilo a que Hegel faz dura oposição. O conhecimento mais elevado, para ele, só pode ser mediado pelo Espírito. Como Kant era o maior nome da filosofia na juventude de Hegel, era sobre ele que se deveria centrar o ataque. Expressões como “abstrações, vácuas generalidades” já resumem numa carapuça todo o objetivismo incompetente anterior a Hegel (e Kant). Quanto ao postulado da apercepção imediata de Kant, o “real adversário”, nas linhas seguintes Hegel proporá sua síntese, “sua versão” (antípoda) do a priori sintético daquele filósofo.

A luta transcendental e absoluta do século moderno! No corner esquerdo, pesando 70kg, o conceito é uma espécie de intuição X no corner direito, pesando 154,324 libras, a intuição é uma espécie de conceito! Valendo o cinturão do Continente (até o fim do século pelo menos…)!

Pero, de suyo, la idea es algo esencialmente concreto, puesto que es la unidad de distintas determinaciones. En esto es en lo que el conocimiento racional se distingue del conocimiento

puramente intelectivo; y la tarea del filosofar, a diferencia del entendimiento, consiste precisamente en demostrar que la verdad, la idea, no se cifra en vacuas generalidades, sino en un algo general que es, de suyo, lo particular, lo determinado. Cuando la verdad es abstracta, no es tal verdad. ”

REBOLANDO ENTRE <INDUÇÃO> E <MATERIALISMO>: “Por si só, a idéia é algo essencialmente concreto, posto que é a unidade de distintas determinações. Nisto é que o conhecimento racional se distingue do conhecimento puramente intelectivo; e a tarefa do filosofar, diferente do (mero) entendimento, consiste precisamente em demonstrar que a verdade, a idéia, não se (de)cifra via vácuas generalidades, mas via algo geral que é, de per se, o particular, o determinado. Quando a verdade é abstrata, não é tal verdade.”

sólo la reflexión del entendimiento es teoría abstracta, no verdadera, exacta solamente en la cabeza y, entre otras cosas, no práctica; la filosofía huye de lo abstracto como de su gran enemigo y nos hace retornar a lo concreto.”

sozinha, a reflexão do entendimento (?) é teoria abstrata, não-verdadeira, exata somente na cabeça, e, entre outras coisas, não-prática; a filosofia foge do abstrato como de seu grande inimigo e faz-nos retornar ao concreto.”

O que K. escreveu não é filosofia! O que eu escrevo o é!

Si combinamos el concepto de lo concreto con el de la evolución, obtenemos el movimiento de lo concreto. Como el ser en sí es ya concreto de suyo y nosotros no establecemos más que lo que ya existe en sí, resulta que sólo se añade la nueva forma de que aparezca ahora como algo distinto lo que ya antes estaba contenido en lo uno originario.”

Se combinamos o conceito do concreto com o da evolução, obtemos o movimento do concreto. (?) Como o ser em si é já concreto por si e nós não estabelecemos mais que o que já existe em si, resulta que só se acrescenta a nova forma, sob a qual aparece agora como algo distinto o que já antes estava contido no um originário.”

Si la idea fuese abstracta no sería otra cosa que la suprema Esencia, [suprema coisa-em-si] de la que ninguna otra cosa cabe decir; pero semejante Dios no es sino un producto del entendimiento del mundo moderno. La verdad es, por el contrario, movimiento, proceso y, dentro de él, quietud; la diferencia, allí donde existe, tiende siempre a desaparecer, produciendo así la unidad total y concreta.”

“‘La materia tiene que ser una de dos cosas: o un todo continuo o formada por puntos’, se dice; y, sin embargo, vemos cómo obedece a los dos criterios.” O inteligente expresso de forma que hoje nos soa burra: o ponto é uma convenção abstrata; porém se se dissera ‘a matéria enquanto onda (contínua) ou a matéria enquanto partícula (reduzida a elementos distinguíveis)’, como na Física do séc. XX, aí teria acertado em cheio. Visionário, portanto.

Aqui Hegel faz o Kantismo (quando diz “o entendimento”, inferior ao saber, ao verdadeiro pensar) consistir num jogo de eleição estereotipado entre sim/não, ‘isto ou aquilo’, generaliza a Crítica como uma mera retórica ou erudição binária, escrava do PRINCÍPIO DA NÃO-CONTRADIÇÃO, enquanto arroga ao seu sistema Espiritual a supremacia por comportar dentro de si o sim e o não em simultâneo (a síntese totalizante).

Este movimiento encierra, por ser concreto, una serie de evoluciones que debemos representarnos, no como una línea recta que se remonta hacia el infinito abstracto, sino como una circunferencia que tiende, como tal, a volver sobre sí misma y que tiene como periferia una multitud de circunferencias que forman, en conjunto, una gran sucesión de evoluciones que vuelven hacia sí mismas.”

Este movimento (evolucionário) encerra, por ser concreto, uma série de evoluções que devemos representar-nos, não como uma linha reta que remonta ao infinito abstrato, mas como uma circunferência que tende, como tal, a voltar sobre si mesma e que tem como periferia uma multitude de circunferências que formam, em conjunto, uma grande sucessão de evoluções que voltam sobre si mesmas.”

La extensión en cuanto evolución no es dispersión ni disgregación; es también cohesión, tanto más vigorosa e intensiva cuanto más rica y amplia sea la extensión de lo coherente.”

A extensão enquanto evolução não é dispersão nem desagregação; é também coesão, tanto mais vigorosa e intensiva quanto mais rica e ampla seja a extensão do coerente.”

Me pergunto de onde ele tirou essas coisas… Muito provavelmente de João (Apocalipse)!

Es cierto, sin embargo, que, en un aspecto, la sucesión histórica en el tiempo se distingue de la sucesión en la ordenación de los conceptos; pero no nos detendremos a examinar aquí, de cerca, qué aspecto es ése, pues ello nos desviaría demasiado de nuestro fin.” Gostaria de saber como raios você compararia alhos e bugalhos.

Quien estudia la historia de la física, de la matemática, etc., traba al mismo tiempo conocimiento con la física y la matemática mismas.”

Cuando digo que existo, de un modo inmediato, existo solamente como organismo vivo; en cuanto espíritu, sólo existo en la medida en que me conozco.”

Quando digo que existo, de um modo imediato, existo somente como organismo vivo; enquanto espírito, só existo na medida em que me conheço.”

Ahora bien, una de las modalidades de la exterioridad es el tiempo, forma que ha de ser explicada de cerca tanto en la filosofía de la naturaleza como en la del espíritu finito.”

Pois bem, uma das modalidades da exterioridade é o tempo, forma que será explicada de perto na filosofia da natureza como na do espírito finito.”

a filosofia pura aparece no pensamento como uma existência que progride no tempo.”

Podría decirse que la forma es indiferente y lo fundamental el contenido, la idea; y se cree hacer una concesión muy equitativa cuando se dice que las distintas filosofías contienen todas ellas la idea, aunque bajo diversas formas, dando a entender que estas formas son algo puramente fortuito. Sin embargo, tienen importancia, pues estas formas no son otra cosa que las diferencias originarias de la idea misma, que sólo en ellas es lo que es; son, pues, esenciales a ella y constituyen, en realidad, el contenido mismo de la idea, el cual, al desdoblarse, se convierte en forma.”

Poder-se-ia dizer que a forma é indiferente e o fundamental é o conteúdo, a idéia; e crê-se fazer uma concessão muito equitativa quando se diz que as distintas filosofias contêm todas elas a idéia, ainda que sob diversas formas, dando a entender que estas formas são algo puramente fortuito. Não obstante, têm importância, pois estas formas não são nada além das diferenças originárias da idéia mesma, que só nelas é o que é; são, pois, essenciais a ela e constituem, em realidade, o conteúdo mesmo da idéia, o qual, ao se desdobrar, se converte em forma.”

Necessariamente tem que se produzir o destino destas determinações, o qual consiste, precisamente, em que se enlacem e somem todas elas, descendendo assim ao nível de simples momentos. A modalidade em que cada momento se estabelecia como algo próprio e independente se vê, por sua vez, suspensa (no sentido físico e topográfico e no sentido legal do adjetivo); após a expansão vem a contração – a unidade de que todos aqueles momentos partiram. E este terceiro termo só pode ser, por sua vez, o começo de uma nova evolução. Poder-se-ia pensar que este processo se desenvolve ao infinito; mas não é assim; pois também ele tem uma meta absoluta, que mais tarde saberemos qual é; têm que se produzir, contudo, muitas viragens antes de que o espírito cobre sua liberdade, ao adquirir a consciência de si mesmo.” Mero messianismo travestido.

A grande premissa, a de que também no mundo seguiram as coisas um curso racional, o que dá verdadeiro interesse à história da filosofia, não é outra coisa senão a fé na Providência, unicamente que noutra forma.” Ao menos o reconhece (que não passa de um messias imanente).

Quem, nos acontecimentos que se produzem no campo do espírito, nas filosofias, só veja contingências, não leva a sério a fé num governo divino do universo e tudo que diga sobre isso não passará de simples palavreado.”

ESPÍRITO, O ENROLÃO: “não há dúvida de que para quem medite à primeira vista acerca do problema pode parecer surpreendente a duração do tempo, assim como a magnitude dos espaços de que nos fala a astronomia. Porém, no tocante à lentidão do Espírito do Mundo, há de se ter em conta que ele não necessita se apressar – ‘mil anos são para Ti tanto quanto um único dia’ –; tem tempo de sobra, precisamente porque vive à margem do tempo, porque é eterno. Os efêmeros seres que vivem da noite à manhã não dispõem de tempo bastante para realizar tantos de seus fins. Quem é que não morre antes de haver cumprido tudo aquilo a que se propunha? O Espírito do Mundo não só dispõe de tempo bastante: não é somente tempo o que se tem de investir na aquisição de um conceito; custa, ademais, muitas outras coisas. Tampouco lhe preocupa que tenha de empregar tantas e tantas gerações humanas até chegar a cobrar consciência de si mesmo, que tenha de percorrer um caminho extraordinariamente longo de nascimentos e mortes; é rico o bastante para se permitir essas jactâncias, promove sua obra de forma perdulária e dispõe de nações e indivíduos em abundância para utilizar em seus fins. Diz-se, se é uma informação exata, (!!) ainda que trivial, que a natureza chega a sua meta pelo caminho mais curto. Em compensação, o caminho do espírito é o caminho da mediação e do rodeio; o tempo, o esforço, a dilapidação, são critérios da vida finita que para nada nos interessam aqui. E não devemos nos sentir impacientes tampouco, ao ver que tais ou quais desígnios concretos não se realizam no instante mesmo, que tal ou qual coisa não é já realidade; na história universal os progressos se realizam lentamente.”

É tempo de um cochilo, pois.

O contingente deve ser abandonado às portas da filosofia.” “uma filosofia que não apresente uma forma absoluta, idêntica a seu conteúdo, tem necessariamente de passar, não pode permanecer, porque sua forma não é a verdadeira.” “toda filosofia foi necessária e segue sendo, portanto” “Os princípios se mantêm; a novíssima filosofia não é senão o resultado de todos os princípios precedentes; neste sentido, pode-se dizer que nenhuma filosofia foi jamais refutada. O que foi refutado não se tratava de princípio algum, tão-só a pretensão de que este princípio fosse a determinação última e absoluta.”

as determinações de Descartes são de tão gênero que bastam para explicar o mecanismo, mas nada mais; a exposição das outras concepções do universo, p.ex. as da natureza vegetal e animal, é, neste filósofo, insuficiente e, portanto, carente de interesse.”

o Timeu de Platão contém uma filosofia da natureza cujo desenvolvimento é muito pobre, inclusive empiricamente, pois seu princípio não é suficiente para levar a nada; e os insights porventura penetrantes, que não estão ausentes, não se devem exatamente ao princípio.” Análise atomizada.

Poderia pensar-se que o primeiro é o concreto, que a criança, p.ex., é mais concreta que o homem, quem imaginamos que é mais limitado, que não vive esta totalidade, senão uma vida mais abstrata.” “Devemos, pois, distinguir o natural concreto do concreto do pensamento, que, por sua vez, é pobre em sensibilidade.”

as primeiras filosofias são as mais pobres e mais abstratas de todas”

Já se perguntou, p.ex., se a filosofia de Tales de Mileto deve ser considerada, em rigor, teísmo ou ateísmo, se este filósofo da antiguidade afirmava a existência de um Deus pessoal ou simplesmente uma essência geral e impessoal.” Anacronismo, de fato.

Não se trata, como à primeira vista poder-se-ia pensar, de uma atitude de soberba da filosofia de nosso tempo” Não, que isso – imagina, meu caro, imagina!

na grande História da filosofia de Bruckner (parte I) cita-se uma série de 30, 40, até 100 filosofemas postos na boca de Tales e de outros e dos quais nem um só pensamento se encontrou historicamente nestes homens: teses, acompanhadas mesmo de citações e de raciocínios de igual cariz, entre os que em vão nos esforçaremos por descobrir qualquer índice genuíno. O procedimento seguido por Bruckner consiste em adornar qualquer filosofema de um pensador antigo de todas as conseqüências e premissas que, segundo as concepções da metafísica wolffiana, deveriam ser as premissas e conseqüências daquele filosofema, citando o que não passa de pura invenção com a mesma espontaneidade de como se tratasse de um fato histórico comprovado. Atribui-se a Tales o apotegma Ex nihilo fit nihil, sob a justificativa de que o pensador de Mileto diz que a água é eterna! Nada indica que Tales tenha dado tal salto.

Também o senhor professor Ritter, cuja História da filosofia jônica é resultado de um paciente estudo e que, em geral, procura não atribuir aos pensadores pensamentos estranhos, imputa a Tales mais do que talvez se possa imputar-lhe historicamente: ‘Daí devermos considerar, num todo, como dinâmica a concepção da natureza que encontramos em Tales. Este pensador concebia o universo ao modo de um animal vivo que o abarcava por completo e que nascera de um embrião, como todos os animais, e, como todos eles, igualmente, era parcialmente feito de água. A concepção fundamental do universo, em Tales, é portanto a de um todo vivo que se desenvolvera de um embrião e que, como os animais, sustenta-se por meio de uma alimentação adequada a sua natureza’” (!!)

Aristóteles não afiança esta citação, tampouco qualquer outro dentre os antigos.”

Como se poderia pensar que se poderia pensar exatamente o que Tales pensou?! Tendo uma auto-estima de mil Budas, talvez, ou nem assim!

Eu escrevo que Hegel escreveu que Aristóteles escreveu que Tales disse (escreveu, por suposto, mas este escrito não sobreviveu) que o princípio (não no sentido de começo mas de importância) de todas as coisas era a água. Ironicamente qualquer manuscrito único, por mais importante que fosse, não poderia dar notícias ao futuro se fosse umedecido.

Para começo de conversa parece que o primeiro a cunhar a palavra equivalente a princípio fora Anaximandro, posterior a Tales. A não ser que estejamos falando do sentido de começo no tempo deste termo. Porém, Tales jamais enuncia o conceito de causa; mal poderia, portanto, enunciar o de causa primeira.” Biblicamente e até darwinianamente falando, entretanto, Tales é irretocável!

Existem, ainda hoje, povos inteiros que não conhecem até agora esse conceito, pois para a ele chegar é necessário um grau muito alto de evolução.”

Um elo entre um nada e outro nada ainda menor.

hoje já não podem haver platônicos, aristotélicos, estóicos ou epicuristas; querer ressuscitar estas filosofias equivaleria a fazer regredir a uma etapa anterior ao espírito mais desenvolvido, mais imerso em si.” Não deviam. Mas não poder é um pouco de autoritarismo, você não acha?!

Deve ser quase impossível conceber a tormenta mental que explicar o período medieval devia provocar nos evolucionistas!

Marsilio Ficino era platônico; Cosme de Médicis chegou inclusive a fundar uma Academia de filosofia platônica, dotada de professores, à cabeça dos quais estava Ficino. Haviam também aristotélicos puros, como Pomponazzi; Gassendi reviveu mais tarde a filosofia epicuréia, ao filosofar como um epicurista em torno dos problemas da física; Lipsius tratava de ser um estóico, e assim por diante.”

pensava-se que era impossível que o cristianismo chegasse a desenvolver uma filosofia própria” (!!!) O mais cretino é imaginar que pudesse.

Analogamente, pessoas cultas de nossa sociedade aconselham-nos a voltar aos costumes e ao modo de pensar dos selvagens dos bosques da América do Norte; e Fichte (Las características de la edad contemporánea) recomenda a religião de Melquisedeque como a mais pura e mais simples de todas, à qual seria o ideal voltarmo-nos hoje.”

Em Platão não se encontra uma solução filosófica definitiva para os problemas referentes à natureza da liberdade, à origem do bem e do mal, à Providência.” Quem está sendo anacrônico agora?

B) RELACIÓN ENTRE LA FILOSOFÍA Y LOS DEMÁS CAMPOS

esta exposición debe eliminar de su seno todo lo que sea historia externa de la época, para recordar solamente el carácter general del pueblo y del tiempo y el estado general de cosas. En realidad, la historia de la filosofía revela ya, de suyo, este carácter y, además, en su grado supremo; guarda la más íntima relación con él, y la forma determinada de la filosofía correspondiente a una época no es más que un lado, un momento de él.”

Esta conexión, [filosofia e história] esencial, presenta 2 lados. El 1º es el propiamente histórico; el 2º, el que se refiere (…) a las relaciones entre la filosofía y la religión, etc.; [improcedente: num estudo de história da filosofia, investigar relações da filosofia com a religião do seu tempo não tem primazia, e estas relações poderiam ser apuradas residualmente no 1º lado, o puramente histórico] lo que nos ayudará, al mismo tiempo, a determinar con mayor precisión lo que la filosofía es.”

A velha teoria civilização-cultura: sempre que a primeira se funda a segunda ainda mal começou a se consolidar. Quando a última está em seu auge, a civilização já está em decadência. E é só em períodos de efervescência cultural e, portanto, ruína civilizacional, que um povo filosofa. Sócrates-Platão-Aristóteles e o mundo heleno em desagregação; São Tomás e o mundo pós-Império Romano do Ocidente sem esteio, ao mesmo tempo em que o Estado-moderno está na pré-História; Schopenhauer, Nietzsche e a desagregação da civilização ocidental, ou pelo menos da Europa como protagonista; a Escola Crítica e a falência do Socialismo Real; os franceses loucos anos 60 e avante em plena inércia pós-modernista… Curiosamente, Hegel não parece participar de um desses momentos, mas está integrado na Prússia fortalecendo-se nacionalmente. Não há cultura, há apenas filisteus (Hegel admite-o). Sempre que é necessário, nessa época, citar a cosmovisão de um grande homem, recorrem a Goethe, que foi da geração anterior.

A avant-garde do Nada. A retaguarda do império.

Los filósofos griegos manteníanse al margen de los negocios del estado y el pueblo los tildaba de ociosos, por haberse retirado de la realidad al mundo del pensamiento.” “La filosofía jonia surge al sobrevenir la decadencia de los estados jónicos en el Asia Menor.” “En Roma, la filosofía no empieza a difundirse hasta que no se hunde la auténtica vida romana, la de la República, bajo el despotismo de los emperadores”

Las ciencias naturales reciben en Inglaterra el nombre de filosofía. Y hay una Revista filosófica inglesa, dirigida por Thomson, en que se publican estudios sobre química, agricultura, abonos, economía e industria” “Los ingleses dan el nombre de ‘instrumentos filosóficos’ a los que son, en realidad, instrumentos puramente físicos, como el barómetro y el termómetro. Y llaman, asimismo, filosofía a teorías como, principalmente, la moral y las ciencias morales, derivadas de los sentimientos del corazón humano o de la experiencia; y también, finalmente, a las teorías y los principios relacionados con la economía política.” Um erro fatal que seria sentido em todo o mundo!

Esta mescolanza de filosofía y cultura general se presenta con cierta frecuencia en el período inicial de la cultura.”

Así, ya en los comienzos mismos de la filosofía griega aparecen los Siete Sabios y los filósofos jonios.”

Los monarcas, considerados como los ungidos del Señor, en el sentido de los reyes de Judea, recibían su poder de Dios y, como la autoridad emanaba de lo alto, sólo a Dios tenían que dar cuenta de sus actos.”

Federico Schlegel dio nueva vida a este apodo de la filosofía, queriendo significar con ello que su misión no consistía en tratar de problemas superiores a los del mundo, por ejemplo los de la religión; y encontró muchos que lo siguieran por este camino.”

Lo que la filosofía tiene de común con el arte y, principalmente, con la religión son los problemas absolutamente generales que constituyen su contenido”

De aquí que debamos, por encima de todo, enfocar la religión lo mismo que enfocamos la filosofía, es decir, conocerla y reconocerla como racional, puesto que es obra de la razón que se revela, su producto más alto y más conforme a razón. Son, por tanto, nociones absurdas las de quienes creen que los sacerdotes inventan las religiones para defraudar al pueblo y en provecho propio, etc.; es algo tan superficial como equivocado ver en la religión el producto de la arbitrariedad o del engaño.”

Y es también una leyenda propagada por doquier la de que Pitágoras, por ejemplo, sacó su filosofía de la India y el Egipto: es muy antigua la fama de la sabiduría de estos pueblos, en la que se considera también implícita la filosofía.”

¿cómo se distingue la filosofía de la teología, el saber de la religión, o más concretamente, de la religión en cuanto conciencia?”

la pobreza mental de los indios antiguos y modernos, que siguen adorando como seres divinos a las vacas y a los monos”

el arte se convierte en el maestro de los pueblos, como en Homero y Hesíodo, quienes, según Herodoto (II, 53), ‘crearon la teogonía de los griegos’, al convertir en imágenes y representaciones claras y firmes toda una serie de nociones y tradiciones confusas, conservadas y reunidas como fuese, en consonancia con el espíritu de su pueblo.”

Curiosamente já antecipa a principal crítica anti-hegeliana de Feuerbach: “Ahora bien, aunque en la verdadera religión se haya revelado y se revele el pensamiento infinito, el espíritu absoluto, el vaso en que se vierte es el corazón, la conciencia representativa y la inteligencia de lo finito. La religión no sólo se dirige a toda modalidad de cultura—‘el Evangelio se predica a los pobres’—, sino que, como religión, debe ir dirigida expresamente al corazón y al ánimo, penetrar en la esfera de la subjetividad y, con ello, en el campo de las representaciones finitas.”

Dá sempre a impressão, lendo Hegel falar do “entendimento” e da religião, que para ele Kant não passava de um Padre…

El carácter de la religión positiva se cifra en que sus verdades existen, sin que se sepa de dónde provienen; por lo cual su contenido es un algo dado superior a la razón y situado más allá de ella.”

lo mismo que los griegos veneraban a Ceres y a Triptolemo por haber traído a los hombres la agricultura y el matrimonio, los pueblos guardan gratitud a Moisés y Mahoma.”

Si Cristo sólo fuese, para los cristianos, un maestro al modo de Pitágoras, de Sócrates o de Cristóbal Colón, no tendríamos ante nosotros un contenido divino general, una revelación o una doctrina acerca de la naturaleza de Dios, que es, cabalmente, lo que nos interesa aquí.”

El hombre tiene que abrazar una religión; cabe, pues, preguntarse: ¿cuál es el fundamento de su fe? La religión cristiana contesta: el testimonio del espíritu acerca de este contenido. Cristo les echa en cara a los fariseos el que pidan milagros”

Esta presencia del espíritu percibido es lo que se llama fe, pero no es una fe histórica; nosotros, los luteranos—pues yo lo soy y quiero seguirlo siendo—poseemos solamente aquella fe originaria. Esta unidad no es la sustancia al modo de Spinoza, sino la sustancia cognoscente de la conciencia de sí, en su actitud finita ante lo general. Todo lo que se dice acerca de los límites del pensamiento humano es algo puramente superficial; conocer a Dios: tal es la finalidad única de la religión.”

AUTOGÊNESE DA BÍBLIA: “El espíritu se engendra a sí mismo, al atestiguarse; sólo existe en cuanto que se engendra, se atestigua y se revela o manifiesta.”

La esencia es, de suyo, un contenido esencial, no lo carente de contenido, lo indeterminado”

A essência é um conteúdo essencial, não o carente de conteúdo, o indeterminado”

Não só mataram Deus como transaram com seu cadáver.

la filosofía es justificada por la devoción y por el culto y se limita a hacer lo mismo que éstos hacen.”

La filosofía, al pensar su objeto, tiene la ventaja de que las dos fases de la conciencia religiosa, que en la religión representan momentos distintos, forman en el pensamiento filosófico una unidad.”

Por eso la filosofía empieza presentándose a nosotros vinculada y prisionera dentro del círculo del paganismo griego; más tarde, apoyándose en sí misma, se enfrenta a la religión popular y asume una actitud hostil, hasta que logra comprender su contenido y reconocerse en él.”

FILOPÊNDULO: Na época de Hegel o ateísmo estava “datado”. Dataria de novo logo depois o teísmo.

sabemos que las últimas palabras de Sócrates fueron para suplicar a sus amigos que sacrificasen un gallo a Esculapio, deseo que se avenía muy mal, por cierto, con los pensamientos sostenidos por Sócrates acerca de la esencia de Dios y, principalmente, acerca de la ética. Platón predica apasionadamente contra los poetas y sus dioses.” O Sócrates “do galo” é Platão.

Por misterios se entiende, en una interpretación superficial, lo misterioso, lo que, como tal, no puede llegar a ser conocido. Sin embargo, en los misterios eleusinos no había nada desconocido; todos los atenienses estaban iniciados en ellos; el único que no quiso estarlo fue Sócrates. Sólo se prohibía darlos a conocer a los no atenienses, y algunos de sus fieles fueron acusados de este delito. No debía hablarse de ellos, por tratarse de algo sagrado.” “En la religión cristiana se da el nombre de misterios a los dogmas, es decir, a lo que se sabe acerca de la naturaleza de Dios. No se trata tampoco de nada misterioso, todos los fieles de esta religión lo conocen, y es precisamente ello lo que los distingue de los de otras religiones; por tanto, tampoco aquí significa el misterio algo desconocido, pues todos los cristianos se hallan iniciados en él.” Misterioso é macumbeiro!

El entendimiento no capta lo especulativo, que es precisamente lo concreto”

La filosofía es opuesta, en cambio, al llamado racionalismo de la moderna teología, el cual no se quita de los labios la razón, a pesar de lo cual no es más que seco entendimiento; lo único que en él se descubre de razón es el momento del pensar por sí mismo, pero sin que esto pase de ser un pensamiento puramente abstracto. Cuando el entendimiento que no llega a captar las verdades de la religión se llama, como en el Siglo de las Luces, razón y se quiere hacer pasar por señor y dueño, se equivoca. El racionalismo es lo opuesto a la filosofía, por el contenido y por la forma, pues vacía el contenido, despuebla el cielo y lo degrada todo a relaciones finitas; y su forma es un razonar no libre, no un comprender.” Até a luz enjoa, não é, obscuro e tétrico Hegel?

las puertas de la razón son más fuertes que las puertas del infierno, no para prevalecer contra la Iglesia, sino para conciliarse con ella. La filosofía, en cuanto pensamiento comprensivo de este contenido, tiene, en lo tocante a las creencias de la religión, la ventaja de que comprende ambas cosas: está en condiciones de comprender a la religión, del mismo modo que comprende al racionalismo y al supranaturalismo, y se comprende también a sí misma.”

La mitología puede ser estudiada desde el punto de vista del arte, etc.; pero el espíritu pensante debe esforzarse en descubrir el contenido sustancial, el pensamiento, el filosofema implícitamente contenido en ella; del mismo modo que descubre la razón en el seno de la naturaleza.”

Este modo de tratar la mitología es combatido y condenado por otros, quienes sostienen que se la debe abordar solamente de un modo histórico y que es contrario al criterio histórico tratar de deslizar dentro de un mito un filosofema que los antiguos no pusieron en él, o derivarlo a la fuerza de tal mito. Y no cabe duda de que esto es, por una parte, absolutamente verdadero, y no es otro, por cierto, el punto de vista en que se sitúa Creuzer(*) y en que se situaban los alejandrinos que se ocupaban de estas cosas.

(*) [Michelet] Georg Friedrich Creuzer (1771-1858), filólogo y arqueólogo. Es conocido, principalmente, por su obra Symbolik und Mythologie der alten Völker, besonders der Griechen, en la que sostiene que la mitología de Homero y Hesíodo proviene, a través de los pelasgos, de una fuente oriental y es el resto conocido de una antigua revelación.”

Sin embargo, lo mitológico debe quedar excluido de nuestra historia de la filosofía. La razón de ello está en que la filosofía, tal como nosotros la concebimos, no versa precisamente sobre los filosofemas, es decir, sobre pensamientos que sólo de un modo implícito se contienen en una exposición, sino sobre pensamientos explícitos, expresados, y solamente en la medida en que lo son; es decir, solamente en la medida en que el contenido de la religión se revela a la conciencia bajo la forma del pensamiento”

Zoroastro presenta esto de un modo excelente: uno de los principios (Ormuz) es el de la luz, el otro (Ahrimán) el de las tinieblas, y el centro entre ambos lo ocupa Mitra, al que por ello dan los persas el nombre de mediador.” Plutarco

No actúa de mediador entre Ormuz y Ahrimán a la manera de un pacificador, dejando subsistentes ambas fuerzas; no participa del bien y del mal, como un lamentable ser híbrido, sino que se coloca resueltamente del lado de Ormuz y pelea con él contra el mal. Ahrimán es llamado, a veces, el hijo primogénito de la luz, pero sólo Ormuz permaneció en ella. Al ser creado el mundo visible, Ormuz se encargó de tender sobre la tierra, en su incomprensible reino luminoso, la firme bóveda del cielo, circundada todavía, por la parte de arriba, por la primera luz primigenia. En el centro de la tierra está la montaña Albordi, tan alta, que alcanza la luz primigenia. El reino luminoso de Ormuz campea sin que nada lo empañe sobre la firme bóveda celeste y en lo alto de la montaña Albordi; campeó también sobre la tierra hasta llegar a la tercera época de ella. Dentro de ella, Ahrimán, cuyo reino de la noche se hallaba hasta ahora escondido debajo de la tierra, extiende sus dominios al mundo de Ormuz y reina conjuntamente con él. El espacio que separa al cielo de la tierra se divide por mitades entre la luz y la noche. Como Ormuz, hasta ahora, sólo gobernaba sobre un reino de espíritus de la luz, Ahrimán gobernaba solamente sobre un reino de espíritus tenebrosos; pero ahora, al extender su reino, Ahrimán opone a la creación luminosa de la tierra una creación de la tierra tenebrosa. Se contraponen, así, desde este momento, dos mundos, un mundo puro y bueno y otro impuro y malo, y esta contraposición se extiende a través de toda la naturaleza.

En lo alto del Albordi, Ormuz crea a Mitra como mediador para la tierra; el fin de la creación del mundo físico no es otro que el de volver a su punto de partida, a la esencia, desviada de su creador, hacerla de nuevo buena y desterrar así, para siempre, el mal.” Toda a sua filosofia jaz no Zend-Avesta, ó Hegel!

lo único que, desde este punto de vista, puede interesarnos y parecernos digno de ser tenido en cuenta es el carácter general de este dualismo que lleva consigo, necesariamente, el concepto, pues éste es, justo en sí, directamente lo contrario de sí mismo, y en el otro la unidad de éste consigo mismo” “Como de los dos principios solamente el principio de la luz es, en rigor, la esencia y el principio de las tinieblas la nada, tenemos que el principio de la luz coincide, a su vez, con Mitra, llamado anteriormente el Ser Supremo.” “Estos criterios se hallan mucho más cerca del pensamiento, no son simples imágenes; sin embargo, tampoco estos mitos tienen nada que ver con la filosofía.”

Y lo mismo ocurre, sobre poco más o menos, entre los fenicios, con la cosmogonía de Sancuniaton. Estos fragmentos, con que nos encontramos en Eusebio (Praepar. Evang., I, 10), están tomados de una traducción de Sancuniaton hecha del fenicio al griego por el gramático Filón de Biblos; este Filón, que vivió en tiempo de Vespasiano, atribuye a Sancuniaton una extrema ancianidad.”

O ar engravidou o caos e engendrou uma matéria viscosa, que levava em si o germe da vida, forças naturais e as sementes dos animais. A mistura da matéria viscosa e do caos fez com que se separassem todos os elementos. As partes de fogo se elevaram e se tornaram as estrelas (o que é muito mais sábio que nossa visão até Ptolomeu de que as estrelas são pontos frios de luz). As estrelas em interação com o ar produziram as nuvens. A terra foi fecundada. Da terra e da água, formando matéria putrefata, a substância viscosa fez nascerem os animais, ainda imperfeitos e sem sentidos. Mas estes deram a luz a descendentes mais perfeitos que eles mesmos, dotados de sentidos. Foi a explosão do trovão na tormenta que deu vida aos primeiros animais, que estavam dormentes, envolvidos em suas cascas ou sementes. Para mais sobre a mitologia fenícia, cf. Sanchuniathonis Fragmenta ed. Rich. Cumberland, Londres, 1720.

Los fragmentos de Beroso, referentes a los caldeos, fueron reunidos, a base de las obras de Josefo, Sincelo y Eusebio, por Escalígero, bajo el título de Beroisi Chaldaica, como apéndice a su obra De emendatione temporum, y figuran íntegros en la ‘Biblioteca Griega’ de Fabricio (t. XIV, pp. 175-211). Beroso vivió en tiempo de Alejandro, fue, al parecer, sacerdote de Bel [Baal; Belus em latim; originalmente significava Senhor em acádio] y debió de sacar sus datos de los archivos del templo de Babilonia.”

El dios originario era Bel, la diosa Omoroca [el mar]; pero había además otros dioses. Bel cortó por el medio a Omoroca para formar con sus partes el cielo y la tierra. Después de ello, se cortó a sí mismo la cabeza, y de las gotas de su divina sangre nació el género humano. Después de crear al hombre, Bel ahuyentó a las tinieblas, separó el cielo de la tierra y dio al mundo su forma natural. Pareciéndole que ciertas regiones de la tierra no se hallaban bastante pobladas, obligó a otro dios a hacer lo mismo que él, y de la sangre de este otro dios nacieron nuevos hombres y otras especies animales. Los hombres, al principio, vivían como salvajes, sin la menor cultura, hasta que vino un monstruo [al que Beroso llama Oannes], que los enseñó y los educó en la humanidad. Este monstruo salió, para ello, del mar, con la aurora, y al ponerse el sol volvió a perderse entre las olas.” Beroso

Es cierto que a Platón se le ensalza no pocas veces por razón de sus mitos, y se dice que da pruebas, con ello, de un genio superior al de la generalidad de los filósofos. Se entiende, al decir eso, que los mitos de Platón están por encima de la manera abstracta de expresarse; y no cabe duda de que este pensador se expresa con gran belleza.” No geral, entretanto, Hegel não compreende bem Platão.

Así, por ejemplo, puede decirse que la eternidad es un círculo, una serpiente que se muerde la cola; esto no pasa de ser una imagen, y el espíritu no necesita valerse de semejantes símbolos.” Pelo contrário, idiota: é muito diferente afirmar que o universo é infinito e eterno simplesmente ou compará-lo à cobra que se digere a si mesma, a Ouroboros: significa que há um fim e uma genealogia determinados, que podem, no entanto, ser qualquer ponto do círculo, e que o caminho do círculo não deixa por isso de ser infinito. Isso traz conseqüências extremamente importantes para a consideração do conceito de causa e efeito na filosofia. Atende ao requisito fundamental de todo filosofar numa só imagem, também: o Um no múltiplo e o múltiplo no Um. Ao contrário do Espírito, a Vontade se alimenta de si mesma, ferindo-se mortalmente, condição sine qua non de sua própria perpetuidade canibal. O Espírito não tem carne, nada sofre ao se desenrolar, entrar em sínteses e voltar a si mesmo; é morto, não é a ‘vida viva’ (Hegel) – ao contrário de Ouroboros, que sente cada etapa da eterna criação/destruição na carne. Quem mata, morre, quem morre mata e participam ambos da dança e do jogo inelutável. Todo lixo é luxo e todo luxo é lixo a seu tempo.

Del mismo modo que los francmasones manejan símbolos considerados como una profunda sabiduría —profunda al modo de un pozo al que no se le ve el fondo—, el hombre se inclina fácilmente a considerar profundo lo oculto, como si por debajo de ello hubiese algo verdaderamente profundo.” Ao chato, o abismo não parece profundo.

Se habla también de la filosofía de los chinos, del foï, que consiste en expresar los pensamientos por medio de números. Sin embargo, también ellos explican sus símbolos, con lo cual ponen de manifiesto la determinación.”

en la religión india, sobre todo, estos pensamientos aparecen clara y manifiestamente expresados, pero entre los indios todo se presenta mezclado y revuelto.”

Es bien conocida la imagen del fénix, que ha llegado a nosotros desde el Oriente.”

En la religión griega, nos encontramos con la determinación conceptual de la ‘eterna necesidad’; es ésta una relación absoluta, sencillamente general.”

También en los Padres de la Iglesia y los escolásticos, y no sólo en la religión india, encontramos profundos pensamientos especulativos acerca de la naturaleza de Dios mismo. En la historia de la dogmática es de esencial interés conocer esta clase de pensamientos, pero en la historia de la filosofía no tienen cabida. Sin embargo, los escolásticos deberán ser tenidos más en cuenta que la patrística.” [¿?] “estos pensamientos [dos Padres da igreja, i.e., do Novo Testamento até antes de Agostinho] descansan sobre una premisa y no sobre el pensamiento mismo; no son, en consecuencia, verdadera filosofía, es decir, el pensamiento en sí mismo, sino que sirven a una representación de la que se parte como de algo establecido, ya sea para refutar a otras representaciones y otros filosofemas, ya sea para defender filosóficamente, en contra de ellos, la propia doctrina religiosa, de tal modo que el pensamiento no se reconoce y expresa como lo último, como la culminación absoluta del contenido, como el pensamiento que interiormente se determina a sí mismo.” “Y lo mismo ocurre con los escolásticos: tampoco en ellos se construye el pensamiento a base del pensamiento mismo, sino con vistas a las premisas de que parte, aunque aquí tenga ya más base propia que en los Padres de la Iglesia; pero sin llegar a enfrentarse nunca con la doctrina de ésta”

Sobre a FILOSOFIA POPULAR. Eu consideraria, a priori, 3 grandes figuras deste fenômeno: Diógenes Laércio (conforme mais acima), Cícero e Montaigne. Aristóteles está meio enquadrado aqui.

En las obras de un Pascal, principalmente en sus Pensées, descubrimos los más profundos atisbos. § Pero esta filosofía lleva adherido aún el defecto de que lo último a que apela (como vemos también en estos últimos tiempos) es que estos pensamientos han sido inculcados en el hombre por la naturaleza; en Cicerón abunda esto.” “Cicerón habla frecuentemente del consensus gentium; el modo moderno prescinde más o menos de esta invocación, ya que se trata de que el sujeto descanse sobre sí mismo.” “En la filosofía popular, la fuente es el corazón, son los impulsos, las dotes, es nuestro ser natural, mi sentimiento del derecho, de Dios; el contenido se presenta aquí bajo una forma que es simplemente natural.” Temos aí, pois, Feuerbach!

El verdadero punto de arranque de la filosofía debe buscarse allí donde lo absoluto no existe ya como representación y donde el pensamiento libre no piensa simplemente lo absoluto, sino que capta la idea de ello; es decir, allí donde el pensamiento capta como pensamiento el ser (que puede ser también el pensamiento mismo), conocido por él como la esencia de las cosas, como la totalidad absoluta y la esencia inmanente de todo, aunque no sea, por lo demás, más que un ser exterior.” “Este criterio general, el del pensamiento que se piensa a sí mismo, es una determinabilidad abstracta; es el comienzo de la filosofía, el cual es, a su vez, un algo histórico, la forma concreta de un pueblo, cuyo principio se cifra en lo que acabamos de decir.”

Se não fôramos capazes de dizer por nós próprios que só os gregos foram filósofos, esta afirmação seria verdadeira. Como podemos enunciá-lo, deve ser possível a nós o filosofar.

Nem todo humanismo é uma filosofia, mas toda filosofia é um humanismo.

A PEDRA CHINESA: “Por razón de esta conexión general de la libertad política con la libertad de pensamiento, la filosofía sólo aparece en la historia allí donde y en la medida en que se crean constituciones libres. Como el espíritu sólo necesita separarse de su voluntad natural y de su hundirse natural en la materia cuando pretende filosofar, no puede hacerlo todavía bajo la forma con que comienza el Espíritu del Mundo y que precede a la fase de aquella separación. Esta fase de la unidad del espíritu con la naturaleza, fase que, como inmediata que es, no es el estado verdadero y perfecto, es la esencia oriental en general; por eso la filosofía no comienza hasta llegar al mundo griego.”

en cambio, cuando un pueblo quiere lo moral, cuando se rige por leyes de derecho, su voluntad descansa ya sobre el carácter de lo general.”

Por eso sólo existe, en esos pueblos, el estado del señor y el del siervo, y dentro de esta órbita del despotismo, es el miedo la categoría gobernante en general.”

El hombre que vive bajo el miedo y el que domina por el miedo a otros hombres ocupan, ambos, la misma fase; la diferencia no es otra que la mayor energía de la voluntad, la cual puede tender a sacrificar todo lo finito a un fin especial.” “de la pasividad de la voluntad, como esclavitud, se pasa en la práctica a la energía de la voluntad, pero sin que tampoco ésta sea otra cosa que arbitrariedad. También en la religión nos encontramos con el imperio absoluto de los sentidos en forma de culto religioso y, como reacción contra esto, se da asimismo, entre los orientales, la evasión a la más vacua de las abstracciones como infinito, la sublimidad de la renuncia a todo, principalmente entre los indios, quienes por medio del tormento se remontan a la abstracción más íntima; hay hindúes que se pasan 10 años seguidos mirándose fijamente a la punta de la nariz, alimentados por los circunstantes, sin ningún otro contenido espiritual que el de la abstracción consciente, cuyo contenido es, por tanto, totalmente finito. No es éste, por tanto, el terreno en que puede brotar la libertad.” Curioso como o abaixo-de-zero de Hegel é o fim-final para Schopenhauer, a liberdade fenomênica perante uma agora-tida-como-tirânica Vontade!

Es cierto que el espíritu nace en el Oriente, pero de tal modo que el sujeto, aquí, no existe todavía como persona, sino en lo sustancial objetivo, que en parte se representa de un modo suprasensible y en parte también de un modo más bien material, como algo negativo y que tiende a desaparecer.” Porém, se o Espírito deverá retornar a si mesmo…

El sujeto oriental tiene, de este modo, la ventaja de la independencia, ya que nada hay fijo; la vaguedad que caracteriza la sustancia de los orientales hace que su carácter pueda ser igualmente indeterminado, libre e independiente. Lo que es para nosotros el derecho y la moralidad lo es también allí, en el Estado, pero de un modo sustancial, natural, patriarcal, no en forma de libertad subjetiva.” R.I.P. Filosofia alemã 1932

Antes, se exageraba la importancia de la sabiduría india, aunque sin saber qué había detrás de eso; ahora sí lo sabemos, y tenemos razones para afirmar que no es, si nos atenemos al carácter general, una sabiduría filosófica.” A força do pêndulo não perdoa ninguém: como moda, o hinduísmo vai e volta na Europa…

Dormir, vivir, ser funcionarios: no consiste en esto nuestro ser esencial, pero sí consiste en no ser esclavos; esto ha cobrado la significación de un ser natural.”

En Grecia vemos florecer la libertad real, aunque prisionera todavía, al mismo tiempo, de una determinada forma y con una clara limitación, puesto que en Grecia existían aún esclavos y los estados griegos se hallaban condicionados por la institución de la esclavitud.” No superexigente molde hegeliano, a dialética do senhor-escravo nunca tem fim.

INGENUIDADE ILIMITADA: “en el Oriente sólo es libre un individuo, el déspota; en Grecia, son libres algunos individuos; en el mundo germánico, rige la norma de que todos sean libres, es decir, de que el hombre sea libre como tal.”

En Grecia, donde rige una norma particular, son libres los atenienses y los espartanos, pero no lo son, en cambio, los mesenios ni los ilotas. Hay que ver dónde reside el fundamento de este ‘algunos’; en él se encierran ciertas modificaciones particulares de la concepción griega que debemos examinar con vistas a la historia de la filosofía.” A Europa espoliou para sempre a possibilidade das Américas, da África e da Oceania filosofarem.

C) DIVISIÓN, FUENTES Y MÉTODO DE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA

En general, sólo cabe distinguir, en rigor, 2 épocas de la historia de la filosofía: la filosofía griega y la filosofía germánica, división equivalente a la que se establece entre el arte antiguo y el arte moderno. La filosofía germánica es la filosofía dentro del cristianismo, en la medida en que éste pertenece a las naciones germánicas, es decir, a los pueblos cristianos de Europa pertenecientes al mundo de la ciencia y que forman, en su conjunto, la cultura germánica, pues Italia, España, Francia, Inglaterra, etc., han recibido a través de las naciones germánicas una nueva fisonomía. El helenismo penetra también en el mundo romano, y así debe enfocarse la filosofía dentro del marco de este mundo. Los romanos no produjeron una verdadera filosofía, del mismo modo que no tuvieron nunca verdaderos poetas. No hicieron otra cosa que recibir e imitar, aunque, con frecuencia, muy ingeniosamente; su misma religión procede de la griega y lo que en ella hay de propio y peculiar no la acerca a la filosofía y al arte, sino que es, por el contrario, antifilosófico y antiartístico.”

El mundo griego desarrolló el pensamiento hasta llegar a la idea; el mundo cristiano-germánico, por el contrario, concibe el pensamiento como espíritu; idea y espíritu son, por tanto, los criterios diferenciales. Más precisamente, esta trayectoria estriba en lo siguiente. En tanto que lo general todavía indeterminado e inmediato, Dios, el ser, el pensamiento objetivo que, celosamente, no deja que nada coexista con él, es la base sustancial de toda filosofía, base que no cambia, sino que se adentra más y más profundamente en sí misma y se manifiesta y cobra conciencia a través de este desarrollo de las determinaciones, podemos señalar el carácter especial del desarrollo en el primer período de la filosofía diciendo que este desarrollo es una libre manifestación de las determinaciones, las figuraciones y las cualidades abstractas, por la sencilla razón de que, en sí, lo contiene ya todo.

La segunda fase sobre este fundamento general es la síntesis de estas determinaciones que así se desprenden en una unidad ideal, concreta, al modo de la subjetividad.” “con el nous de Anaxágoras y, más aún, con Sócrates comienza, de este modo, una totalidad subjetiva en que el pensamiento se capta a sí mismo y la actividad pensante es el fundamento.”

La tercera fase consiste en que esta totalidad primeramente abstracta, al ser realizada mediante el pensamiento activo, determinante, diferencial, se establezca a sí misma en sus criterios diferenciados, que forman parte de ella en cuanto determinaciones ideales.”

Las formas completamente generales de la contraposición son lo general y lo particular; o, en otra forma, el pensamiento como tal y la realidad exterior, la sensación, la percepción. El concepto es la identidad de lo general y lo particular” “La unidad se establece, por tanto, en ambas formas, y los momentos abstractos sólo pueden cumplirse por medio de esta unidad misma; nos encontramos, pues, con que aquí las mismas diferencias se ven elevadas a un sistema de totalidad y se enfrentan como la filosofía estoica y la epicúrea.”

Lo general absolutamente concreto es, ahora, el espíritu; lo particular absolutamente concreto, la naturaleza: en el estoicismo se desarrolla el pensamiento puro hasta llegar a la totalidad; cuando el otro aspecto se convierte en espíritu y el ser natural, la sensación, en totalidad, tenemos el epicureísmo. Toda determinación se desarrolla hasta la totalidad del pensamiento; y, según el modo de espontaneidad de estas esferas, estos principios aparecen como 2 sistemas de filosofía independientes por sí mismos que pugnan y chocan el uno con el otro.”

Lo superior es la unión de estas diferencias. Puede ocurrir esto bajo la forma de la destrucción, como en el escepticismo; pero lo superior es lo afirmativo, la idea puesta en relación con el concepto. Así, pues, si el concepto es lo general, que además se determina a sí mismo, pero sin perder su unidad en la idealidad y la transparencia de sus determinaciones que no cobran sustantividad, y lo ulterior es, por el contrario, la realidad del concepto, en el que las mismas diferencias se elevan al plano de totalidades, la cuarta fase consiste en la unificación de la idea, en la que todas estas diferencias, en cuanto totalidades, se esfuman, al mismo tiempo, en la unidad concreta del concepto.”

El mundo griego progresó hasta llegar a esta idea, desarrollando para ello un mundo intelectual ideal; fue esto lo que hizo la filosofía alejandrina, con la que la filosofía griega llega a término y realiza su destino.”

PÉSSIMA METÁFORA: “La fase ulterior consiste en que, mientras dejamos que se convierta de nuevo en superficie cada una de las líneas que cierran el triángulo, cada una de ellas se desarrolle para formar la totalidad del triángulo, la figura total de que forma parte; tal es la realización del todo en los lados, como se nos revela en el escepticismo o en el estoicismo.” “la determinación espacial perfecta, que representa una duplicación del triángulo; pero este ejemplo ya no sirve, desde el momento en que el triángulo que tomamos como base queda fuera de la pirámide.”

El remate de la filosofía griega en el neoplatonismo es el reino perfecto del pensamiento, de la bienaventuranza, un mundo de los ideales con existencia propia, pero irreal, ya que el todo sólo se halla, en absoluto, en el elemento de la generalidad.”

Es decir, los dos triángulos que se hallan en la parte de arriba y en la parte de abajo del prisma no deben ser dos como duplicados, sino que deben formar una unidad entrelazada; o, dicho de otro modo, con el cuerpo nace la diferencia entre el centro y el resto de la periferia corporal.”

La idea es, entonces, esta totalidad, y la idea consciente de sí misma algo esencialmente distinto de la sustancialidad”

A través de esta subjetividad y de esta unidad negativa, a través de esta negatividad absoluta, el ideal, ahora, no es objeto solamente para nosotros, sino para sí mismo; este principio se inicia con el mundo cristiano.”

<BÁRBARO!>: “Dios es conocido como espíritu que se duplica por sí mismo, pero que, al mismo tiempo, levanta esta diferencia, para adquirir, en ella, el ser en y para sí. La misión del mundo consiste, siempre, en reconciliarse con el espíritu, en llegar a conocerse en él, y esta misión es conferida al mundo germánico.”

HEGEL’S PREACHING: “En la religión cristiana, este principio vive más bien como sentimiento y como representación: lleva implícito el destino del hombre como llamado a gozar de la eterna bienaventuranza, como objeto de la gracia y la caridad divinas, del interés divino, es decir, como dotado de un valor infinito en cuanto hombre; y se precisa, dicho principio, en el dogma de la unidad de la naturaleza divina y humana revelado por Cristo a los hombres, según el cual la idea subjetiva y objetiva, el hombre y Dios, forman una unidad.”

Vemos por ello que las representaciones religiosas y la especulación no se hallan tan alejadas entre sí como suele pensarse; y hago referencia a estas nociones para que no nos avergoncemos de seguir dándoles, a pesar de todo, oídos, aunque estemos ya muy por encima de ellas, para que no nos avergoncemos de nuestros antepasados cristianos, que con tanto respeto las escuchaban.” Desculpe, mas eu me envergonho sim.

Esta contraposición, cuyos extremos aparecen agudizados, concebida en su más general significación es la contraposición entre el pensar y el ser, entre la individualidad y la sustancialidad, de tal modo que, dentro del sujeto mismo, su libertad se mueva nuevamente dentro del círculo de la necesidad; es la contraposición entre sujeto y objeto, entre naturaleza y espíritu, en cuanto que éste, como algo finito, se contrapone a la naturaleza.”

Es cierto que nos encontramos con ciertas fases de la filosofía griega que parecen situarse ya en el mismo punto de vista de las filosofías cristianas, como ocurre, por ejemplo, con la filosofía sofística, la neoacadémica y la escéptica, cuando proclaman la doctrina de que no es posible llegar al conocimiento de la verdad: esta doctrina parece, en efecto, coincidir con las modernas filosofías de la subjetividad en que todas las determinaciones del pensamiento tienen un carácter puramente subjetivo, sin que sea posible emitir fallo alguno sobre la objetividad.”

Los filósofos antiguos no sentían semejante nostalgia, sino, por el contrario, una perfecta satisfacción y quietud dentro de aquella certeza que les llevaba a ver un conocimiento en lo que no era más que una apariencia.”

¡PUES VIVA EL CANDOR! “El candor de la filosofía antigua, que hacía pasar lo aparente por la esfera total, alejaba en aquellos pensadores toda duda acerca del pensamiento de lo objetivo.”

la fe en sentido eclesiástico o la fe en el sentido moderno, que consiste en rechazar la razón para dar oídas a una revelación interior a que se da el nombre de certeza o intuición inmediata, de un sentimiento descubierto en uno mismo.”

Quando você desenvolve uma dialética só para poder ser autocontraditório à vontade (e se masturbar para o número 3): “La historia de la filosofía se divide, pues, en 3 períodos: el de la filosofía griega, el de la filosofía del período intermedio y el de la filosofía de la época moderna.”

Primer período. Va desde Tales de Mileto, alrededor del año 600 a.C., hasta el florecimiento de la filosofía neoplatónica mediante Plotino en el siglo III d.C., y su desarrollo y prosecución por Proclo, en el siglo V, hasta la desaparición de toda filosofía. La filosofía neoplatónica pasa luego al cristianismo, y muchas filosofías cristianas tienen por única base esta filosofía. Este período abarca unos mil años, cuyo final coincide con las grandes migraciones de los pueblos y con la desaparición del Imperio romano.

Segundo período. Es el período de la Edad Media. Pertenecen a él los escolásticos e, históricamente, hay que mencionar también dentro de él a los árabes y los judíos, si bien esta filosofía se desarrolla, principalmente, dentro de la Iglesia; se trata de un período que abarca más de mil años.

Tercer período. La filosofía de los tiempos modernos sólo se manifiesta por sí misma después de la guerra de los Treinta años, con Bacon, Jacob Böhme y Descartes; este último comienza con la distinción del cogito, ergo sum. Trátase de un período de un par de siglos; por tanto, esta filosofía es todavía algo nuevo.”

El nombre de historia tiene, en efecto, un doble sentido: expresa, de una parte, los hechos y acontecimientos mismos y, de otra parte, estos mismos hechos y acontecimientos convertidos ya en representaciones y con destino a la representación.

En cambio, en la historia de la filosofía no sirven de fuente los historiadores, sino que tenemos ante nosotros los hechos mismos, y son éstos, o sean las obras filosóficas mismas, las verdaderas fuentes; quien quiera estudiar seriamente la historia de la filosofía no tiene más remedio que ir directamente a estas fuentes.”

Con respecto a muchos filósofos es inexcusablemente necesario, ciertamente, referirse a sus obras mismas; pero hay ciertos períodos cuyas fuentes no han llegado a nosotros, como ocurre, por ejemplo, con la filosofía griega más antigua, y en los que, por consiguiente, no tenemos más remedio que recurrir a los historiadores y a otros escritores.”

La mayor parte de los escolásticos dejaron escritas obras en 16, 24 y hasta 26 volúmenes infolio; para llegar a su conocimiento, no hay más remedio que apoyarse en el trabajo que otros han realizado. Hay, además, muchas obras filosóficas rarísimas y muy difíciles de conseguir. Algunos filósofos sólo tienen, en gran parte, un interés histórico y literario y esto nos autoriza a recurrir, para estudiarlos, a las colecciones en que se han recogido sus doctrinas.”

cuando Tennemann incurre en este defecto, su obra es casi inservible. Su tergiversación de Aristóteles, por ejemplo, es tan grande, que Tennemann casi le hace decir lo contrario de lo que en realidad pensaba este filósofo, de tal modo que si queremos formarnos un concepto más o menos certero de la filosofía aristotélica no tenemos más que pensar lo contrario de lo que este autor dice de ella; [HAHAHAHA!] no obstante, Tennemann es tan sincero, tan honrado, que coloca los pasajes de Aristóteles al pie de su texto, lo que hace que, no pocas veces, se contradigan el original y la traducción. Tennemann opina que es esencial que el historiador de la filosofía no tenga una filosofía propia y se jacta, por lo que a él se refiere, de ello; pero en el fondo también él tiene su sistema, que es el de la filosofía crítica. Este historiador de la filosofía alaba a los filósofos, su estudio, su genio, pero termina, en realidad, censurando a todos los que incurren en la falta de no ser todavía filósofos kantianos, de no haber investigado aún la fuente del conocimiento; lo cual da, sobre poco más o menos, el resultado de que la verdad no es cognoscible.”

Herodoto y Tucídides, como hombres libres, dejan que el mundo objetivo marche libremente, sin añadir nada de su cosecha ni avocar ante su tribunal, para enjuiciarlos, los actos de los hombres. Y, sin embargo, también en la historia política se desliza muy pronto un fin por parte del historiador. Para Tito Livio, lo fundamental es la dominación romana, su expansión, el desarrollo de la constitución, etc.; en su Historia, vemos a Roma crecer, defenderse y ejercer su imperio.”

LA FILOSOFÍA ORIENTAL

Así como entre los griegos se habla de Urano, de Cronos—es decir, del Tiempo, pero ya individualizado—, entre los persas existe una deidad llamada Zervana Acarena, pero es el Tiempo ilimitado.” “De aquí que, en los orientales, no encontremos más que un entendimiento seco, una simple enumeración de determinaciones, una lógica al modo de la vieja lógica wolffiana.”

La gran cultura de estos pueblos se refiere a la religión, a la ciencia, a la administración pública, a la constitución del Estado, a la poesía, a la técnica de las artes, al comercio, etc. Pero, cuando comparamos las instituciones jurídicas y la organización del Estado en China con la de cualquier país europeo, vemos que esta comparación sólo puede referirse al aspecto formal, pues el contenido es muy dispar.”

Otro tanto acontece cuando se compara la poesía india con la europea; no cabe duda de que, considerada como un simple juego de la fantasía, la poesía india es extraordinariamente brillante, rica y desarrollada, como la que más; pero en la poesía importa, también, el contenido y es necesario tomarlo en serio. Pues bien, ni siquiera tomamos en serio los poemas de Homero, por eso no podría surgir en nuestros países una poesía de este tipo.”

Lo primero que hay que registrar, entre los chinos, es la doctrina de Con-fut-see [Confucio], que vivió unos 500 años antes de Cristo, doctrina que causó gran sensación en la época de Leibniz y que es, en rigor, una ética. Confucio comentó, además, las antiguas obras maestras tradicionales de los chinos, principalmente las de carácter histórico. Fue, sin embargo, su desarrollo de la doctrina moral lo que le valió su mayor fama, y es la más respetada autoridad de los chinos.” “el De officiis de Cicerón, manual de pláticas morales, contiene más cosas, y mejores, que todos los libros de Confucio.”

Una segunda circunstancia que conviene tener presente es que los chinos se ocuparon también de pensamientos abstractos, de categorías puras. Servíales de base para ello el antiguo libro llamado Yi-King [I-Ching] o Libro de los Principios; esta obra contiene la sabiduría de los chinos y su origen se atribuye a Fohi.” “Lo fundamental es que se le atribuye la invención de una tabla con ciertos signos o figuras (Ho-tu), que el autor decía haber visto sobre el lomo de un dragón, al emerger éste del río.”

Las 2 figuras fundamentales están representadas por una raya horizontal (yang) y por una línea quebrada en dos, que suman la longitud de la primera (yin): la primera simboliza lo perfecto, el padre, lo masculino, la unidad, como en los pitagóricos, la afirmación; la segunda, lo imperfecto, la madre, lo femenino, la dualidad, la negación. Estos signos son objeto de una gran veneración, como principios de las cosas.”

En una fase ulterior, se combinan estas rayas en grupos de 3, y surge así una serie de 8 figuras, a que se da el nombre de kua” “Indicaremos el significado simbólico de estos 8 kua, para que se vea cuán superficial es. El primer signo, que agrupa al gran yang y el yang, es el cielo (tien), el éter, que penetra y lo envuelve todo. El cielo es, para los chinos, lo más alto de todo, lo supremo; entre los misioneros, se discute interminablemente si se debe dar el nombre de tien, o no, al Dios cristiano. El segundo signo es el agua pura (tui), el tercero el fuego puro (li), el cuarto el trueno (tschin), el quinto el viento (siun), el sexto el agua corriente (kan), el séptimo la montaña (ken) y el octavo la tierra (kuen).”

En el Chu-king nos encontramos también con un capítulo sobre la sabiduría china en el que aparecen los 5 elementos de los que sale todo: el fuego, el agua, la madera, el metal y la tierra, revueltos en abigarrada mescolanza y que, precisamente por ello, no podemos considerar tampoco como verdaderos principios.”

Existe, además, una secta especial, taoísmo, cuyos adeptos no son mandarines ni pertenecen a la religión del Estado, ni tampoco budistas, según la religión del Lama. El fundador de esta filosofía y del sistema de vida íntimamente relacionado con ella fué Lao-Tsé (que nació a fines del siglo VII a.C.)”

Del propio Lao-Tsé decían sus adeptos que era Buda en persona, es decir, el mismo Dios que seguía viviendo en figura de hombre. Todavía poseemos su obra principal, que ha sido traducida en Viena, donde yo he tenido ocasión de leerla. He aquí uno de sus principales pasajes, citado con frecuencia: ‘Sin nombre, Tao es el principio del cielo y de la tierra; con nombre, es la madre del universo. El hombre con pasiones sólo la ve en su estado imperfecto; quien quiera conocerla, tiene que curarse de todas las pasiones.’

La lectura de este pasaje trae al recuerdo, naturalmente, a Jahweh y el nombre real africano Juba, y también el de Jovis. Este J-hi-wei o J-H-W significa también, al parecer, algo así como el abismo absoluto o la nada: lo supremo, el origen de todas las cosas es, para los chinos, la nada, el vacío, lo totalmente indeterminado, lo general abstracto, a que se da también el nombre de Tao o la razón.”

Así como antes se sentía cierta complacencia en atribuir una gran antigüedad a la sabiduría india y en tributarle una gran veneración, el conocimiento de las grandes obras astronómicas de los indios ha revelado ahora cuán poco rigor hay en las grandes cifras que en ellas se manejan. No cabe imaginar nada más confuso, nada más imperfecto que la cronología de los indios; ningún pueblo cultivado en la astronomía, en la matemática, etc., ha dado muestras de tanta incapacidad para la historia: los antiguos indios no son capaces de encontrar, en ella, el menor punto de apoyo, la menor conexión.” “Los hindúes manejan, en su cronología, series de reyes y cantidades inmensas de nombres; pero todo es muy vago.”

Sabemos que la antiquísima fama de este país había penetrado profundamente hasta los griegos; y sabemos también que éstos conocían a los gimnosofistas, hombres entregados como nadie a la devoción, consagrados a una vida contemplativa, abstraídos de la vida exterior y que, viviendo y peregrinando en hordas, renunciaban, como los cínicos, a todas las necesidades materiales.”

del mismo modo que sus libros religiosos, los Vedas, sirven también de fundamento general para su filosofía.” “Estos libros sagrados están formados por partes procedentes de las más diversas épocas; muchas de ellas datan de tiempos remotísimos; otras, en cambio, proceden de una época posterior, como ocurre, por ejemplo, con la que se refiere al rito de Vishnú. Los Vedas sirven, incluso, de base a la filosofía atea de los hindúes; también los ateos tienen sus dioses y toman muy en cuenta las doctrinas de los Vedas.”

Às premissas, mas sem pressa.

La mitología presenta el aspecto especial de la encarnación, de la individualización, de la que podría pensarse que era contraria a lo general y a la modalidad de la idea propia de la filosofía; sin embargo, esta encarnación no es tomada al pie de la letra, casi todo se considera como tal y lo que parece determinarse como individualidad desaparece en seguida entre el humo de lo general.”

Hace poco tiempo que hemos llegado a adquirir un conocimiento preciso de la filosofía india; antes, entendíamos por tal, en conjunto, las representaciones de carácter religioso, pero en estos últimos tiempos se han descubierto obras verdaderamente filosóficas. Colebrooke, [mesma fonte de Schopenhauer] sobre todo, nos ha dado a conocer los extractos de 2 obras filosóficas hindúes, que es, en realidad, lo primero que sabemos acerca de esta filosofía.” “Schlegel fue uno de los primeros alemanes que se ocuparon de la filosofía hindú; sin embargo, sus esfuerzos no fueron muy fructíferos, en este sentido, pues sus lecturas sobre la materia apenas si pasaron del índice del Ramayana.”

La parte esencialmente ortodoxa no tiene otra finalidad que la de facilitar la explicación de los Vedas o deducir del texto de estos libros fundamentales una psicología más sutil. Este sistema recibe el nombre de Mimansa, y se citan 2 escuelas adscritas a él. Difieren de él otros sistemas, 2 de los cuales, los principales, se llaman Samk’hya y Nyaya: el primero de éstos se divide, a su vez, en 2 partes, las cuales, sin embargo, sólo difieren entre sí en cuanto a la forma; el Nyaya es especialmente complicado, desarrolla principalmente las reglas del razonamiento y podría compararse a la Lógica de Aristóteles. Colebrooke nos ofrece extractos de estos 2 sistemas, y nos dice que existen muchas obras antiguas acerca de ellos y que abundan los versus memoriales en torno a estos 2 sistemas filosóficos.”

Los Vedas dicen: ‘Lo que ha de conocerse es el alma, la cual debe separarse de la naturaleza, para que no retorne’; es decir, hay que librarla de la metempsicosis y, por tanto, de la corporeidad, con lo cual no volverá a albergarse en otro cuerpo, después de la muerte.” “Indra, por ejemplo, el dios del cielo visible, se halla, según ellos, en un plano mucho más bajo que el alma cuando ha alcanzado este estado de vida contemplativa; muchos miles de Indras, se nos dice, han perecido, mientras que el alma se halla sustraída a todo cambio.”

El sistema Samk’hya se divide en 3 partes: el modo del conocer, el objeto del conocimiento y la forma determinada del conocimiento de los principios.”

Hay, en esta idea, algo de nuestro ideal, de nuestro ser en sí: del mismo modo que la flor se contiene ya en la simiente de un modo ideal, pero no de un modo activo y real; la expresión empleada para expresar esto es la de lingam, la fuerza procreadora, la capacidad de acción de lo natural, que los hindúes tienen siempre en alta estima.”

Los primeros 8 órdenes ostentan nombres que aparecen en la mitología india: Brahma, Prajapatis, Indra, etc.; son tanto dioses como semidioses, y el propio Brahma se representa aquí como una criatura. Los 5 órdenes inferiores son los animales: los cuadrúpedos forman 2 clases, las aves la 3ª, los reptiles, los peces y los insectos la 4ª; y la 5ª las plantas y la naturaleza inorgánica.”

Se mencionan 62 determinaciones entorpecedoras: 8 clases de error; otras tantas de opiniones o engaños; 10 clases de pasiones, que representan el punto extremo del engaño; 18 de odio o tenebrosidad, y otras tantas de pena. En este punto, se nos revela un método seguido más bien por vías empírico-psicológicas.” 8 + 8 + 10 + 18 + 18 = 62

DE NOVO A TARA PELO TRÊS: “Es curioso que entre dentro de la conciencia observadora de los hindúes el que lo verdadero, que es en y para sí, contiene tres determinaciones y que el concepto de la idea encierra, para ser completo, 3 momentos. Esta alta conciencia de la trinidad, con que nos encontramos también en Platón y en otros pensadores, se pierde luego en la región de la contemplación pensante y se conserva solamente en la religión, pero como un más allá; el entendimiento va a sus alcances y lo considera como un absurdo, hasta que viene Kant y allana el camino hacia su conocimiento.” “En las concepciones religiosas de los Vedas, en que estas cualidades reciben también el nombre de trimurti, se habla de ellas como de modificaciones sucesivas: ‘primeramente, todo era tinieblas, hasta que recibió la orden de transformarse, revistiendo así la modalidad del impulso, de la acción (foulness), y por último reviste, por orden de Brahma, la forma de la bondad.’

La Yoga-sastra cita, en uno de sus 4 capítulos, multitud de prácticas por medio de las cuales es posible adquirir tal poder: por ejemplo, profundas meditaciones, acompañadas de la retención del aliento y la paralización de los sentidos, a la par que se conserva inalterablemente una postura prescrita. El adepto logra, por medio de estas prácticas, el conocimiento de todo lo pasado y de todo lo futuro; adquiere el poder de descubrir los pensamientos de los otros; se siente dotado de la fuerza del elefante, de la bravura del león, de la rapidez del viento; puede volar en el aire, nadar en el agua, sumergirse en la tierra; es capaz de abarcar con la mirada, en un instante, todos los mundos y de realizar muchas otras hazañas portentosas. Pero el modo más rápido de alcanzar la beatitud por medio de la profunda contemplación consiste en aquella forma de devoción de musitar continuamente el nombre místico de Dios, Om.” Colebrooke

Mientras que en el sistema teísta se admite la existencia de Iswara, el supremo gobernante del universo, como un alma o un espíritu distinto de las demás almas, en el Samk’hya ateo Kapila niega la existencia de este Iswara, creador del mundo, y la niega con voluntad consciente (by volition), alegando que no hay ninguna prueba de la existencia de Dios; que la percepción no la revela, ni es posible llegar tampoco a esa conclusión por el razonamiento.”

los efectos son, según ellos, más bien eductos que productos”

Una consecuencia obligada de ella es la de la eternidad del mundo, pues la tesis de que de la nada no sale nada, recordada también, a este propósito, por Colebrooke, contradice a la creación del mundo partiendo de la nada, según nuestra concepción religiosa.”

La naturaleza, aunque inanimada, cumple la misión de preparar al alma para liberarse, del mismo modo que la función de la leche—sustancia carente de sensaciones— tiene por función alimentar al ternerillo.”

Por tanto, el alma, según la concepción de los hindúes, ya no tiene nada que ver con el cuerpo, y su relación con él es, por consiguiente, superflua.”

La filosofía de Gautama y Kanada forman una unidad. La filosofía de Gautama se llama Nyaya (razonante), la de Kanada Vaiseshika (particular). La primera es una especie de dialéctica, peculiarmente desarrollada; la segunda, en cambio, se ocupa de la física, es decir, de los objetos particulares o sensibles.”

Ningún campo de la ciencia o la literatura ha atraído tanto la atención de los hindúes como el Nyaya, y fruto de estos estudios es la innumerable cantidad de obras en torno a estos problemas, entre las que figuran trabajos de muy famosos eruditos.” “el lenguaje se considera como algo que le ha sido revelado al hombre.” “Gautama aduce aquí 16 puntos, entre los que se destacan como los principales la prueba, la evidencia [lo formal] y aquello que se trata de demostrar; los demás puntos son simplemente subsidiarios y accesorios, como elementos que contribuyen al conocimiento y la certeza de la verdad. El Nyaya coincide con las demás escuelas psicológicas en que promete la dicha, la excelencia final y la liberación de todo mal como recompensa por el conocimiento perfecto de los principios profesados por ella, es decir, como recompensa de la verdad, entendiendo por tal la convicción acerca de la eterna existencia del alma, como algo separable del cuerpo.”

El primer punto fundamental, o sea la evidencia de la prueba, presenta 4 modalidades: la primera es la percepción; la segunda la deducción (inference), la cual puede ser de 3 modos: del efecto a la causa, de la causa al efecto o por analogía; el tercer tipo de evidencia es la comparación; el cuarto la seguridad, que abarca tanto la tradición como la revelación. Estos diversos tipos de prueba aparecen muy desarrollados, tanto en el antiguo tratado que se le atribuye a Gautama como por innumerables comentadores.”

La pupila no es, dicen estos pensadores, el órgano de la visión, ni el oído el órgano de la audición, sino que el órgano de la vista es el rayo luminoso que parte del ojo y se proyecta sobre el objeto, y el órgano del oído el éter, que en la caja auditiva se comunica con el objeto escuchado por medio del éter intermedio. Aquel rayo luminoso es, por lo general, invisible, exactamente lo mismo que una luz es invisible bajo el sol de mediodía y, en cambio, se deja ver en otras circunstancias. El órgano del gusto es algo acuoso, como la saliva, y así sucesivamente.

Algo parecido a lo que aquí se dice de la visión es lo que dice Platón en el T¡meo; y en el estudio de Schultz que figura en la Morfología de Goethe encontramos interesantes observaciones acerca del fósforo en el ojo. [¿?] Ejemplos de hombres que han podido ver en medio de las sombras de la noche, lo que prueba que es su ojo el que ilumina el objeto, los tenemos a montones; claro está que, para que este fenómeno se dé, tienen que concurrir circunstancias especiales.” HAHAHAHA

Los elementos fundamentales de las sustancias materiales son concebidos por Kanada como átomos originarios, que se combinan luego para formar cuerpos complejos; este autor afirma la eternidad de los átomos, a propósito de lo cual aduce muchas cosas acerca de la combinación de los átomos, entre las cuales aparece también el polvillo del sol.”

La tercera categoría es la de la acción; la cuarta, la de la comunidad; la quinta, la de la diferencia; la sexta, la de la agregación (aggregation), la última que señala Kanada, pues otros autores añaden, además, como séptima cualidad, la de la negación.”

El desarrollo del razonamiento es igual al de nuestros silogismos; pero de tal modo que lo que se trata de demostrar figura a la cabeza.”

SOU HINDU: “La sustancialidad intelectual es lo contrario de la reflexión, del entendimiento, de la individualidad subjetiva de los europeos. Para nosotros, es importante el que yo quiera, sepa, crea, opine algo, basándome para ello en las razones que yo tenga para ello, con arreglo a mi propia y personal voluntad; a esto le concedemos nosotros un inmenso valor. La sustancialidad intelectual es el extremo opuesto a esto, en el que desaparece toda la subjetividad del yo: para ésta, todo lo objetivo se ha convertido en algo vano, no existe para ella verdad objetiva, deberes ni derechos objetivos; por donde la vanidad subjetiva es lo único que queda en pie.”

PRIMERA PARTE:(*)

LA FILOSOFÍA GRIEGA

(*) A organização desse livro é bizarra: estamos quase na metade do tomo (exatamente 42% do PDF) e agora é que escapamos da Introdução. Ou, na verdade, a Filosofia Oriental era o 1º capítulo, pós-introdução; mas seu caráter absolutamente subsidiário para Hegel relega os sistemas chinês-hindu a ser “menos que um capítulo”, uma espécie de pré-História ou aquecimento filosófico. O irônico é que o tamanho da exposição garante que ele “perca” uma aula de seu precioso curso fornecendo detalhes do que ele julga ser apenas abstração ou intelecção inócuas, posto que não tomam por objetivo o pensamento!

INTRODUCCIÓN A LA FILOSOFÍA GRIEGA(*)

(*) E lá vamos nós a outra introdução maciça!

El nombre de Grecia tiene para el europeo culto, sobre todo para el alemán, una resonancia familiar. Los europeos han recibido su religión, las concepciones del más allá, de lo remoto, no de Grecia, sino de más lejos, del Oriente y, concretamente, de Siria. Pero las concepciones del más acá, de lo presente, la ciencia y el arte, lo que satisface, dignifica y adorna nuestra vida espiritual, tuvo como punto de partida a Grecia, bien directamente, bien indirectamente, a través de los romanos.”

La densidad germánica necesitó pasar, para disciplinarse, por la dura escuela de la Iglesia y el derecho romanos; sólo de este modo se ablandó el carácter europeo y se capacitó para la libertad.”

Dejemos a la Iglesia y a la jurisprudencia su latín y su romanismo. Nuestra ciencia superior, libre y filosófica, como nuestro arte libre y bello, y el gusto y el amor por una y por otro, sabemos que tienen sus raíces en la vida griega y que derivan de ella su espíritu. Y si nos fuese lícito sentir alguna nostalgia, sería la de haber vivido en aquella tierra y en aquel tiempo.”

La trayectoria y el despliegue del pensamiento se manifiestan en los griegos partiendo de sus elementos protoriginarios; y, para comprender su filosofía, podemos permanecer dentro de ellos mismos, sin necesidad de buscar ninguna otra clase de motivos externos.”

Los griegos parten de una premisa histórica, por la misma razón por la que han brotado de sí mismos; y esta premisa histórica, concebida a través del pensamiento, es la de la sustancialidad oriental de la unidad natural del espíritu y la naturaleza.”

Los griegos ocupan el bello punto intermedio entre ambas posiciones extremas, que es el centro de la belleza por ser, al mismo tiempo, algo natural y algo espiritual, pero de tal modo que la espiritualidad es y sigue siendo, en él, el sujeto dominante, determinante.”

La riqueza del mundo griego consiste solamente en una muchedumbre infinita de detalles bellos, agradables y graciosos, en esta alegría de todo lo que sea existencia; lo más grande, entre los griegos, son las individualidades, estos virtuosos del arte, de la poesía, de la canción, de la ciencia, de la honestidad, de la virtud.”

“‘De tus pasiones has sacado, ¡oh hombre! la materia para tus dioses’, dice un antiguo; los orientales, en cambio, principalmente los indios, los sacaron de los elementos naturales, de las fuerzas y las formas de la naturaleza”

Por lo que se refiere al estado histórico externo de Grecia en esta época, diremos que los comienzos de la filosofía griega caen en el siglo VI antes del nacimiento de Cristo, en tiempo de Ciro, en la época del ocaso de los estados jónicos libres del Asia Menor. En el momento en que desaparece este hermoso mundo, que había logrado conquistar por sí mismo un elevado nivel de cultura, surge la filosofía. Creso y los lidios fueron los primeros que pusieron en peligro la libertad de los jonios; pero fue, más tarde, la dominación persa la que la destruyó totalmente, obligando a la mayoría de los habitantes a abandonar aquellas tierras y a fundar colonias, sobre todo en la parte occidental.

Y, al mismo tiempo que se hundían las ciudades jónicas, la otra Grecia dejaba de ser gobernada por las dinastías de los antiguos príncipes; habían desaparecido los Pelópidas y los otros linajes regios, extranjeros en su mayoría. Grecia había establecido, en parte, múltiples contactos con el exterior y, en parte, esforzábase por encontrar un vínculo social dentro de sí misma; la vida patriarcal había pasado a la historia, y en muchos estados sentíase la necesidad de constituirse libremente, con arreglo a normas e instituciones legales.” Aqui é-se forçado a perguntar: que conceito de patriarcado era esse dos alemães, para julgar que justamente quando o homem se distancia mais e mais do matriarcado e sedimenta o patriarcado ele estaria fugindo do que era patriarcal?!

Vemos aparecer muchos individuos que no gobiernan ya a sus conciudadanos por virtud de su linaje, de su nacimiento, sino que son honrados y enaltecidos por los méritos de su talento, de su imaginación, de su ciencia. Estos individuos ocupan diferentes puestos de superioridad con respecto a sus conciudadanos. Unas veces, son consejeros, aunque sus buenos consejos no siempre sean seguidos por los demás; otras veces, se ven odiados y despreciados por sus conciudadanos y obligados a retirarse de la actuación pública; otras veces, se erigen en violentos, aunque no crueles, dominadores de sus conciudadanos, y otras, finalmente, en legisladores de la libertad. § A esta categoría de hombres que acabamos de caracterizar pertenecen los llamados siete sabios, a quienes en estos últimos tiempos se tiende a excluir de la historia de la filosofía.”

Los nombres de los siete sabios varían, según los casos; generalmente, se indican los de Tales, Solón, Periandro, Cleóbulo, Quilón, Bías y Pitaco. Hermipo, en Diógenes Laercio (I, 42) señala 17, entre los cuales seleccionan otros autores 7, de diversos modos, según sus preferencias. Según el propio Diógenes Laercio (I, 42), ya un autor antiguo, Dicearco, mencionaba solamente 4 a quienes los antiguos incluían unánimemente entre los 7: Tales, Bías, Pitaco y Solón. Otros nombres que también aparecen, de vez en cuando, son los de Misón, Anacarsis, Acusilao, Epiménides, Ferécides, etc.”

eran hombres prácticos, peto no en el sentido en que esta palabra suele interpretarse entre nosotros, que tendemos a considerar la actividad práctica como una rama especial de la administración del Estado, de la industria, de la economía, etc.” “No eran estadistas al modo de las grandes personalidades griegas de que nos habla la historia, un Milcíades, un Temístocles, un Pericles, un Demóstenes, sino estadistas de una época en que se trataba de la salvación y el establecimiento, de la ordenación y la organización y hasta diríamos que de la instauración de la vida del Estado, o, por lo menos, de la instauración de situaciones regidas por la ley.”

la fama de Solón, en este respecto, sólo es compartida por la de un Moisés, un Licurgo, un Zaleuco, un Numa, etc. En los pueblos germánicos no encontramos ninguna figura que llegara a disfrutar de esta fama, como legislador de su pueblo. Y, en nuestros días, ya no puede haber legisladores; las instituciones legales y las condiciones jurídicas de vida han sido establecidas ya de antiguo, y lo poco que los legisladores y las asambleas legislativas pueden hacer es, si acaso, ampliar algún que otro detalle o promulgar normas complementarias muy poco importantes.”

Y, sin embargo, tampoco Solón ni Licurgo hicieron otra cosa que reducir a la forma de la conciencia, uno el espíritu jónico y otro el carácter dórico que tenían ante sí y que no era sino algo existente en sí, contrarrestando por medio de leyes reales los desastrosos males de la desintegración. Solón no fue, ni mucho menos, un estadista perfecto, como lo demuestra el curso mismo de su historia: una constitución como la que permitió a Pisístrato erigirse en tirano en vida del propio Solón, lo que quiere decir que era, de suyo, tan poco vigorosa y tan poco orgánica que no tenía fuerzas para oponerse a su propio derrocamiento (¿con qué poderes?), adolecía, evidentemente, de un defecto intrínseco.”

Nada ilustra mejor la conducta de los llamados tiranos que las relaciones entre Solón y Pisístrato.” “La ley, como norma general, se le antojaba al individuo, y se le sigue antojando hoy, como una violencia, sobre todo cuando no ve la ley o no la comprende; se le antojaba así al pueblo todo, primero, y luego solamente al individuo; y fue, como sigue siendo hoy, necesario empezar haciendo violencia al individuo hasta que llega a comprender, hasta que ve en la ley su propia ley y deja de ver en ella algo extraño e impuesto desde fuera. § La mayoría de los legisladores y organizadores de los Estados asumieron la obra de hacer a los pueblos, por sí mismos, esta violencia, convirtiéndose en tiranos. Y cuando no lo eran ellos mismos, tenían que encargarse de hacerlo otros individuos, realizando esa obra dentro de sus Estados, por tratarse de algo necesario, inevitable. Según las noticias de Diógenes Laercio (I, 48-50), vemos a Solón, a quien sus amigos aconsejaban que se adueñase del poder, ya que el pueblo se agrupaba en torno a él y habría visto de buen grado que se hiciese cargo de la tiranía, rechazar esta misión y evitar, además, que otro la asumiera, cuando Pisístrato empezó a serle sospechoso por ello. En efecto, cuando se dio cuenta de cuáles eran las intenciones de Pisístrato, se presentó en la asamblea del pueblo armado de escudo y lanza, lo que ya por aquel entonces era algo extraordinario (pues Tucídides, I, 6, indica que los griegos y los bárbaros se distinguían, entre otras cosas, en que los griegos, y sobre todo los atenienses, jamás tomaban las armas en tiempo de paz), y anunció al pueblo lo que Pisístrato se proponía.”

¡Hombres de Atenas! Soy más sabio que algunos y más valiente que otros. Soy más sabio que quienes no se dan cuenta del fraude de Pisístrato y más valiente que quienes, dándose cuenta de él, callan por miedo.

Al no lograr nada, abandonó Atenas.”

É sempre assim mesmo!


“Ni soy el único que entre los griegos se haya apoderado de la tiranía ni, al hacerlo, me he adueñado de algo que no me pertenezca, pues pertenezco al linaje de Codro. No he hecho, pues, más que rescatar para mí lo que los atenienses habían jurado conservar a Codro y a sus descendientes, arrebatándoselo después. Por lo demás, no cometo ninguna injusticia contra los dioses ni contra los hombres, sino que, ateniéndome a las leyes que tú, Solón, has dado a los atenienses, procuro que se mantengan dentro de las normas de una vida civil.” Pisístrato apud D. Laércio

Lo mismo hace, agrega, su hijo Hipias.”

Cada ateniense entrega el diezmo de sus ingresos, pero no para mí, sino para contribuir a las costas de los banquetes, rituales públicos, al sostenimiento de la comunidad y para el caso de una guerra. No te guardo rencor por haber descubierto mis designios, pues sé que lo hiciste movido más bien por amor al pueblo que por odio contra mí, y porque no sabías tampoco cómo había de regentar yo el gobierno; pues si lo hubieses sabido, te habrías avenido a ello y no habrías huido…”

Solón, en la respuesta que Diógenes (I, 66-67) recoge, dice que ‘no abriga ningún resentimiento personal contra Pisístrato, a quien tendría que llamar el mejor de los tiranos; pero que no cree que deba regresar (a Atenas)’.”

El gobierno de Pisístrato, sin embargo, acostumbró a los atenienses a las leyes de Solón y convirtió estas leyes en costumbres; de tal modo que este hábito, una vez impuesto, hizo superflua la tiranía y los hijos de Pisístrato fueron expulsados de la ciudad, y a partir de entonces la Constitución solónica rigió por su propia virtud, sin la ayuda de la fuerza.”

Y lo que aparece desdoblado en las figuras de Solón y Pisístrato lo vemos reunido, en Corinto, en la figura de Periandro y en Mitilene en la de Pitaco. § Lo anterior creemos que basta, por lo que se refiere a las vicisitudes externas de la vida de los Siete Sabios. Éstos son también famosos por la sabiduría de las sentencias que de ellos se han conservado, a pesar de que a nosotros nos parezcan, en parte, muy superficiales y trilladas. Ello se debe a que nuestra reflexión se halla ya familiarizada con las tesis generales, del mismo modo que en las sentencias de Salomón hay mucho que se nos antoja hoy superficial y hasta vulgar. Pero no debemos perder de vista lo que significa el haber exteriorizado por vez primera estas tesis generales bajo una forma general.”

Una de las más famosas sentencias de los Siete Sabios es la que se atribuye a Solón en su plática con Creso, que Herodoto (I, 30-33) relata, según su estilo propio, muy prolijamente y que puede resumirse así: ‘Que nadie puede considerarse feliz antes de su muerte.’Nem Deus escapa!

antes de la filosofía kantiana, la ética tenía como base, en efecto, el eudemonismo, la aspiración a la felicidad.” E depois de Kant não? Após ler a Crítica da Razão Prática é realmente o que você pensa??

El eudemonismo implica la felicidad como un estado para toda la vida y representa una totalidad de disfrute que es algo general y da una norma para los goces sueltos, que no se entrega al placer momentáneo, sino que sabe tener a raya los apetitos y no pierde nunca de vista la pauta general.” Você resumiu o correto entendimento do epicurismo!

Comparado con la filosofía india, el eudemonismo es, cabalmente, lo contrario a ésta. En ella, el destino del hombre es la liberación del alma de lo corporal, la abstracción perfecta, el alma como algo que vive exclusivamente para sí.” Cabe ainda o questionamento: no Ocidente pós-moderno, o que devemos buscar prioritariamente, sendo na prática impossível qualquer um dos dois de forma autêntica? A fuga ascética ou esse contentamento no sereno fenomênico?

En el estudio de la filosofía griega, debemos distinguir, concretamente, 3 períodos principales: el primero va de Tales de Mileto a Aristóteles; el segundo comprende la filosofía griega en el mundo romano; el tercero es el de la filosofía neoplatónica.” Na realidade, após Platão já podemos dizer que não há filosofia grega.

SECCIÓN PRIMERA:

PRIMER PERÍODO: DE TALES A ARISTÓTELES

Dentro de este primer período establecemos, a su vez, 3 subdivisiones” Chega de esqueminhas e divisões tripartites mal-feitas, irmão!

Platón gastó mucho dinero en procurarse las obras de los filósofos antiguos y, dado el estudio profundo que de ellos hizo, sus citas revisten gran importancia.”

Y aunque una sutileza que pretende ser erudita habla en contra de Aristóteles y pretende que éste no supo comprender certeramente a Platón, podemos objetar a esto que tal vez nadie le conociera mejor que él, ya que fue, personalmente, discípulo suyo y porque la profundidad de su espíritu concienzudo nos garantiza la fidelidad de su pensamiento.” Um filósofo que subestima Platão NÃO é um filósofo.

Sexto Empírico, un escéptico de la última época, tiene importancia como fuente, por sus escritos titulados Hypotyposis Pyrrhonicae y Adversus Mathematicos. Y como, en cuanto escéptico, combate en parte las filosofías dogmáticas y en parte cita a otras filosofías como testimonios en favor del escepticismo (por lo que la mayor parte de sus obras está llena de doctrinas de otros filósofos), tenemos en él la fuente más fecunda para la historia de la filosofía antigua, y a través de él han llegado a nosotros muchos valiosos fragmentos.” Isso é bem dúbio. Confiramos!

El libro de Diógenes Laercio (De vitis etc. Philosophorum, libri X, ed. Meibom, c. notis Menagii, Amsterdam, 1692) es una importante compilación; sin embargo, muchas veces cita a sus testigos sin mucha crítica. A este autor no es posible reconocerle espíritu filosófico; generalmente, se limita a manejar unas cuantas anécdotas malas y puramente externas; se le puede utilizar en lo referente a las vidas de los filósofos y, de vez en cuando, para sus filosofemas.”

Finalmente, debemos citar a Simplicio, griego de Cilicia que vivió bajo el reinado de Justiniano, a mediados del siglo VI, el más erudito y sutil de los comentadores griegos de Aristóteles, del que existen aún varias obras inéditas y al que debemos algunas cosas meritorias.”

Según Tucídides (I, 2 y 12), las colonias jonias del Asia Menor y de las islas del archipiélago procedían, en su mayor parte, de Atenas, pues los atenienses viéronse obligados a emigrar a aquellas tierras a causa de la superpoblación del Ática.” Para alguém que leva em conta só o Espírito, demonstra preocupação excessiva com o externo!

En el Asia Menor y también, en parte, en las islas del archipiélago, surgen las figuras de Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Leucipo, Demócrito, Anaxágoras y Diógenes de Creta. En las tierras helenizadas de Italia aparecen las de Pitágoras, natural de Samos, pero que vivió en Italia, Jenófanes, Parménides, Zenón y Empédocles; y en Italia vivieron también algunos sofistas. Anaxágoras es el primer filósofo que se desplaza a Atenas.”

ESQUEMATISMO ABORRECEDOR: “Habremos de examinar de cerca y por separado los siguientes puntos: 1) los jonios: Tales, Anaximandro, Anaxímenes; 2) Pitágoras y los pitagóricos; 3) los eléatas: Jenófanes, Parménides, etc.; 4) Heráclito; 5) Empédocles, Leucipo y Demócrito; 6) Anaxágoras.”

De la filosofía jónica antigua sólo ha llegado a nosotros una media docena de pasajes; es éste, por tanto, un estudio fácil.” “cuanto menos se sabe de una cosa mayor erudición se puede desplegar acerca de ella.” Um tanto autocriticobiográfico, não, Hegel?!

OS PEDREIROS E O CIMENTO FRESCO: “La gente suele reírse de cosas por el estilo, y tiene la ventaja de que los filósofos no puedan pagarle en la misma moneda; pero no se dan cuenta de que los filósofos se ríen, a su vez, de quienes no pueden caer en una zanja por la sencilla razón de que están metidos siempre en ella, sin acertar a levantar los ojos para mirar hacia arriba.”

frente a los demás elementos, el agua presenta la determinabilidad de lo que carece de forma, de lo simple, mientras que la tierra es la continuidad, el aire el elemento de todo cambio y el fuego lo que cambia de suyo absolutamente. Así, pues, si la necesidad de la unidad nos obliga a reconocer un algo general en las cosas particulares, fácilmente se nos ofrece el agua, aunque tenga también el inconveniente de ser una cosa particular, como lo unitario, tanto por su neutralidad como porque tiene, al mismo tiempo, una materialidad más fuerte que el aire.” “La tesis de Tales es, pues, filosofía de la naturaleza, puesto que esta esencia general se determina como algo real y, por tanto, lo absoluto como unidad del pensamiento y del ser.”

Es necesario que lo que ha de ser un principio verdadero no presente una forma unilateral, particular, sino que la diferencia ha de tener, de suyo, un carácter general, mientras que aquellos principios no son otra cosa que formas especiales. El hecho de que lo absoluto sea algo que se determina a sí mismo es ya algo concreto; esto es la actividad y la alta conciencia de sí mismo del principio espiritual a través de la cual la forma se eleva a un plano que le permite ser la forma absoluta, la totalidad de la forma.”

Tiedemann (t. I, p. 38) cita, además, otras autoridades, y dice que fueron autores de una época posterior quienes atribuyeron a Tales esta distinción.”

La diferencia en lo tocante al concepto no tiene ningún significado físico, sino que las diferencias o el simple desdoblamiento de la forma en las 2 partes de su contraposición son precisamente las que deben considerarse como las diferencias generales del concepto. Por eso también no se debe atribuir un significado sensible a las materias, es decir, a las determinabilidades, como cuando se dice, más concretamente, que el agua diluida se convierte en aire, el aire diluido en éter ígneo y el agua condensada en limo, primero, y luego en tierra; y, por consiguiente, que el aire es la evaporación de la primera agua, el éter la evaporación del aire, la tierra y el limo la sedimentación del agua.”

Diógenes Laércio e Plutarco só servem para confundir as gerações futuras. São ilegíveis hoje!

De Anaximandro [O filósofo da Dinâmica] se cuenta que vivió en la isla de Samos, bajo el tirano Polícrates, a cuya protección se acogieron también Pitágoras y Anacreonte. Temistio (en Brucker, t. I, p. 478) refiere de él que fue el primero que recogió por escrito sus pensamientos filosóficos, pero esto mismo se cuenta de otros pensadores, por ejemplo de Ferécides, que era anterior a Anaximandro.” “se dice que compuso, además, una especie de carta geográfica, representando el perímetro de la tierra y el mar. Se le atribuyen, asimismo, otros inventos matemáticos, por ejemplo el de un reloj de sol construido por él en Lacedemonia, el de algunos instrumentos para medir el curso del sol y determinar el equinoccio y el de una esfera armilar.”

De lo uno, o sea de lo infinito, elimina Anaximandro los antagonismos que lleva dentro, lo mismo que Empédocles y Anaxágoras: por donde, aunque en esta mezcla todo se halle completo, todo es, al mismo tiempo, indeterminado”

Ese algo es infinito en cuanto a la magnitud, pero no en cuanto al número; y en esto, Anaximandro se distingue de Anaxágoras, de Empédocles y de los otros atomistas, quienes postulan la discreción absoluta de lo infinito, mientras que Anaximandro estatuye su absoluta continuidad. (Simplicio)”

Ahora bien, el progreso en cuanto a la determinación del principio como la totalidad infinita estriba en que, aquí, la esencia absoluta no es algo simple, sino una generalidad que equivale a la negación de lo finito. Al mismo tiempo, desde el punto de vista material, Anaximandro supera la concreción del elemento agua: su principio objetivo no presenta ningún carácter material y se lo puede considerar como un pensamiento; por lo demás, se comprende claramente que Anaximandro no pudo tener presente otra cosa que la materia misma, la materia en general. (Estobeo)” “la materia, determinada como algo infinito, consiste en el movimiento que establece las determinabilidades y en que desaparecen, a su vez, los desdoblamientos. En esto debe verse el verdadero ser infinito, y no en la ausencia negativa de límites. Pero esta generalidad y esta negatividad de lo finito es solamente nuestro movimiento”

Por lo que se refiere al criterio concreto de cómo lo infinito determina, en su desdoblamiento, lo antagónico, Anaximandro parece compartir con Tales la determinación de la diferencia cuantitativa de la condensación y la dilución. Los autores posteriores designan el proceso de eliminación del seno de lo infinito como una generación, y dicen que Anaximandro hace al hombre nacer de un pez, pasar del agua a la tierra (Plutarco). Este criterio de la generación se presenta también recientemente como una simple sucesión en el tiempo; es una forma con la que se cree, frecuentemente, decir cosas brillantes”

De lo infinito se separaron infinitas esferas celestes y mundos infinitos; pero estos mundos llevan su ruina dentro de sí, ya que sólo existen por medio de una continua eliminación.” Eusebio

Mientras que los antiguos colocaban a las estrellas en nuestra atmósfera y hacían que el sol brotase más bien de la tierra, nosotros, por el contrario, hacemos del sol la esencia y el lugar de nacimiento de la tierra y ponemos a las estrellas en una relación directa con nosotros, haciéndolas brillar para nosotros mismos, como los dioses de Epicuro. [¿?]”

Nos queda todavía por hablar de Anaxímenes, que apareció entre la 55ª y la 58ª Ol. (560-548 a.C.), natural también de Mileto y contemporáneo y amigo de Anaximandro.” Seria esse o começo do procedimento acadêmico <me cita que eu te cito>?

O JOGO DE PETECA DOS ANTIGOS: “Donde Anaximandro. colocaba la materia indeterminada, pone Anaxímenes, de nuevo, un elemento natural determinado, es decir, restablece lo absoluto en una forma real, que ahora, en vez del agua de Tales, es el aire.” “el aire tiene, al mismo tiempo, la ventaja de poseer una mayor ausencia de forma: tiene menos de cuerpo que el agua, pues no lo vemos, sino que nos damos cuenta solamente de sus movimientos.” Chegamos mais perto do vácuo e, com isso, do nada.

Anaxímenes señala muy bien la naturaleza de su esencia a la luz del alma, con lo que, en cierto modo, viene a poner de manifiesto el tránsito de la filosofía de la naturaleza a la filosofía de la conciencia o la aparición de la modalidad objetiva de la esencia primigenia.” “el alma es este medio general, una multitud de representaciones que desaparecen y se manifiestan sin que cesen esta unidad y esta continuidad; es tanto activa como pasiva, hace que las representaciones se dispersen de su unidad y se levanten y se hagan presentes en su infinitud, de tal manera que el significado negativo y positivo coinciden. Esta naturaleza de la esencia primigenia es proclamada más precisamente y no sólo a modo de un símil por Anaxágoras, discípulo de Anaxímenes.

Asimismo aparecen citados entre los filósofos jonios un Diógenes de Apolonia,¹ un Hípaso y un Arquelao; pero lo único que de ellos conocemos son sus nombres y su adscripción a tal o cual principio.”

¹ Primeira citação deste que é, dentre os 4 filósofos/historiadores chamadas Diógenes e que se conhecem, do mundo antigo, o mais obscuro de todos. Do quarteto, o cínico é o mais célebre (ele é citado mais abaixo).

Pero ninguno—dice Aristóteles (Metafísica, I, 8)—señala como principio la tierra, por considerarla como el más complejo de los elementos.”

Es cierto que la materia misma es inmaterial, como esta reflexión en la conciencia; pero aquéllos no saben que lo que ellos proclaman es una esencia de la conciencia.”

Esta crítica sigue siendo valedera todavía hoy, cuando lo absoluto se concibe como una sustancia rígida. Aristóteles dice que a base de la materia como tal, a base del agua como algo que no se mueve a sí mismo, no es posible llegar a comprender el cambio como tal; y reprocha, concretamente, a los filósofos antiguos el no haber investigado el principio del movimiento, que es el que inmediatamente hay que indagar. Se echa totalmente de menos, en esta concepción, el fin remoto y, en general, el criterio de la actividad”

Hesíodo dice que la tierra fue el primer elemento corpóreo, lo que indica cuán antigua y verdaderamente popular es esta concepción.” Arist.

ADENTRA EM CENA O PERSONAGEM MAIS CRÍPTICO E MISTERIOSO: “Los neopitagóricos de tiempos posteriores escribieron muchas y extensas biografías de Pitágoras, extendiéndose con gran prolijidad en lo tocante a la Liga pitagórica; pero hay que proceder con gran prudencia, no dando crédito como históricas a estas noticias, muchas veces desfiguradas. La vida de Pitágoras se presenta ante nosotros, en la historia, a través de las representaciones de los primeros siglos posteriores al nacimiento de Cristo, más o menos en el mismo estilo en que es relatada la vida del propio Jesucristo, sobre el terreno de la realidad vulgar y no en una atmósfera poética, como una mezcla de muchas fábulas maravillosas y llenas de aventuras, como una trama híbrida de representaciones orientales y occidentales.” “Su figura aparece ante nosotros adornada con todas las cualidades de la magia, como una mezcla de dotes naturales y sobrenaturales, como un revoltijo misterioso de turbias y confusas representaciones imaginativas y de sueños absurdos propios de cerebros trastornados.

Y tan tergiversada como la historia de su vida llega a nosotros su filosofía, con la que aparecen mezcladas y revueltas todas las turbias cavilaciones del confusionismo y el alegorismo cristianos. La incorporación de Platón al mundo cristiano presenta, en cambio, un carácter muy nítido y totalmente distinto.”

Así considerada, la filosofía pitagórica, vista a través de las noticias que de ella recibimos, puede ser reputada, asimismo, como un engendro oscuro e inseguro de cerebros turbios y vacuos. Pero, afortunadamente, [será?] conocemos el lado teórico-especulativo de ella, y lo conocemos a través de las obras de Aristóteles y Sexto Empírico, quienes se ocuparon mucho de esta filosofía. Y aunque los pitagóricos de una época posterior insulten a Aristóteles por la exposición que hace del pitagorismo, no cabe duda de que aquel gran pensador está muy por encima de este griterío”

Pero, en primer lugar, no ha llegado a nosotros ninguna obra de Pitágoras y, en segundo lugar, es dudoso que llegara realmente a escribir algunaÀs vezes era só uma pegadinha de estudantes, e deram o nome de Pitágoras a um burro que era o mascote oficial da seita!

Diógenes Laercio (VIII, 1-3, 45) nos dice que floreció alrededor de la 60ª Olimpíada (540 a.C.): su nacimiento se sitúa, generalmente, en la 49ª o 50ª Olimpíada (584 a.C.), aunque Larcher, en Tennemann (t. I, pp. 413-414) lo coloca bastante antes, en la 43ª Olimpíada (43, 1, es decir, en el año 608 a.C.)”

Este Zalmoxis [pai de Pitágoras, o primeiro troll] se hizo construir, al parecer, una morada subterránea, en la que se sustrajo a las miradas de sus súbditos, reapareciendo al cabo de 4 años, (Porfirio) con lo cual hizo que los getas creyeran en la inmortalidad.”

Los relatos de otros viajes al interior del Asia, a las tierras de los magos persas y de los indios, parecen tener un carácter completamente fabuloso, aunque los viajes eran considerados en aquel entonces, igual que ahora, como un medio de procurarse cultura. Y como Pitágoras viajaba con propósitos científicos, se cuenta de él que se hizo iniciar en casi todos los misterios de los griegos y los bárbaros y que fue recibido, asimismo, en la orden o la casta de los sacerdotes egipcios.” HAHAHAHAHA – O PAN-POLITEÍSTA

COM O PERDÃO DO TROCADILHO ÀS AVESSAS, MAS O ITALIANO É MUITO CRENTE! “En efecto, los milagros que cuentan de Pitágoras se asemejan mucho, en parte al menos, a los del Nuevo Testamento, con la notoria intención de mejorarlos; y hay que reconocer que, muchos de ellos, se acreditan por su mal gusto.”

Aseguran que Pitágoras produjo una impresión tan poderosa y general sobre los espíritus de los itálicos, que todas las ciudades, siguiendo sus consejos, se prestaron a corregir sus costumbres licenciosas y corrompidas, y los tiranos depusieron voluntariamente su poder o fueron desalojados de él. Y estos biógrafos incurren en errores e inexactitudes históricos tan burdos como el de convertir a Carondas y Zaleuco en discípulos de Pitágoras, a pesar de haber vivido mucho tiempo antes que éste”

Me deparei com um parágrafo em que Hegel de repente solta, quase literalmente: seguir a última moda do vestuário (“as normas externas do igual e do geral”) é (o) racional, a propósito de uma certa fama dândi de Pitágoras!

Los miembros de la orden eran sometidos a una educación especial y se establecía entre ellos una división en la que se separaban los exotéricos de los esotéricos: los segundos estaban ya iniciados en los más altos principios de la ciencia y también en las actividades políticas, ya que los planes políticos no eran ajenos a la sociedad pitagórica; los primeros tenían que pasar por un noviciado que duraba 5 años.”

HEGEL ON EDUCATION: “En general, podemos afirmar que este deber de abstenerse de charlatanerías es condición esencial de toda formación espiritual y de todo aprendizaje; es necesario empezar por saber asimilarse los pensamientos de otros, renunciando de momento a tener ideas propias. Suele decirse que la inteligencia se desarrolla por medio de preguntas, objecciones y respuestas, etc.; en realidad, no se desarrolla así, sino que se exterioriza de este modo. [A ‘má-fé’ da postura do estudante atento em Sartre!] La interioridad del hombre se adquiere y desarrolla a través de la formación; por el hecho de que el hombre se atenga silenciosamente a sí mismo, no se empobrecen sus pensamientos ni se amortigua la vivacidad de su espíritu.”

Por lo demás, no existían, entonces, ciencias de ninguna clase, ni una filosofía, ni una matemática, ni una jurisprudencia, ni ciencia alguna, sino solamente tesis y conocimientos sueltos. Las enseñanzas de la época versaban solamente sobre cómo se debían manejar las armas, sobre tales o cuales filosofemas, sobre la música, sobre el modo de cantar los poemas de Homero o Hesíodo, los cantos en versos de tres pies, etc., o en torno a otras artes; enseñanza organizada de un modo muy distinto. § Por eso, cuando se dice que Pitágoras introdujo la enseñanza de las ciencias en un pueblo científicamente inculto, pero nada romo, sino, por el contrario, extraordinariamente despierto, naturalmente culto y muy comunicativo, como eran los griegos, habría que señalar las circunstancias externas de esta enseñanza”

Esto obligaba a Pitágoras a recurrir a una forma especial, pues era la primera vez que un maestro, en Grecia, aspiraba a una totalidad, a inculcar a sus discípulos un nuevo principio mediante la educación de la inteligencia, del ánimo y de la voluntad. Por eso, esta convivencia no abarcaba solamente el lado de la enseñanza y del adiestramiento en las capacidades y aptitudes exteriores, sino también el referente a la formación moral del hombre práctico. Ahora bien, todo lo que se refiere a lo moral, mejor dicho siempre y cuando que se conciba conscientemente en este sentido, parece algo formal o se convierte efectivamente en algo formal, pues lo formal es algo general que se enfrenta al individuo. Así le parece, especialmente, a quien compara lo general con lo particular y reflexiona conscientemente acerca de uno y otro; pero esta diferencia desaparece para quien vive dentro de ello, para aquel que hace de ello una costumbre.”

En primer lugar, se nos dice que vestían todos del mismo modo, túnicas blancas de lino, como Pitágoras. Sus actos se ajustaban a un determinado reglamento o plan de distribución del tiempo, en que cada hora tenía su trabajo marcado: por la mañana temprano, inmediatamente después de levantarse, debían evocar rápidamente lo que habían hecho el día anterior, ya que esto se halla estrechamente entrelazado a las tareas del nuevo día; esta reflexión acerca de sí mismos o este examen de conciencia era también tarea vespertina: al atardecer, los alumnos debían recapacitar acerca de lo hecho durante el día y reflexionar si habían obrado mal o bien.”

al parecer, los alimentos principales de los pitagóricos eran la miel y el pan y la bebida predilecta y casi única el agua; todo parece indicar que no probaban la carne, abstinencia esta que se pone en relación con la teoría de la transmigración de las almas; y entre los alimentos vegetales establecían también algunas distinciones, absteniéndose, por ejemplo, de comer judías. [vagem] El respeto que sentían por esta planta hacíales objeto de burlas, pero sabemos que, al ser destruida la Liga pitagórica, varios miembros de ella, perseguidos, prefirieron dejarse matar antes que pisotear un plantío de judías. (Porfirio; Jámblico; Diógenes Laercio)”

Dícese que Pitágoras suscitó las envidias de los poderosos y fue acusado de tener segundas intenciones; no podía admitirse que los miembros de su sociedad no perteneciesen por entero a la ciudad de que formaban parte, sino a otra especie de ciudad creada en el seno de ella.” Poxa, por que não tentou uma PPP (parceria público-privada)?

en Egipto y en Asia, el aislamiento y la influencia de la casta sacerdotal eran lo natural, pero un país como la libre Grecia se avenía mal con este régimen oriental de castas.”

Dentro de la vida colectiva del Estado griego no pueden surgir o mantenerse individuos o grupos aparte, que profesen principios especiales y, mucho menos, misterios propios, que se diferencien de los demás por su modo exterior de vivir o por su modo de vestir, pues el Estado helénico es una asociación abierta y común, que se cifra precisamente en la comunidad de los principios y del régimen de vida”

Pero lo fundamental, para nosotros, es la filosofía pitagórica, no tanto la del propio Pitágoras como la de los pitagóricos, tal como se expresan Aristóteles y Sexto; claro está que hay que distinguir entre ambas cosas, y el cotejo de lo que pasa por ser la doctrina pitagórica revela inmediatamente una serie de diferencias y discrepancias, con las que nos encontraremos en su momento.” Me parece mais difícil determinar um Pitágoras histórico do que um Sócrates histórico… Há casos em que menor número de fontes é salutar, na contra-mão do senso comum; ainda mais quando dentre os poucos indivíduos encarregados de perfilar Sócrates temos Platão e Xenofonte; ainda que tenham distorcido ou caricaturado alguns pontos, estão longe de ser fanáticos. Platão, ao menos, tem uma agenda própria, o que permite certo nível de isenção e distanciamento em relação ao outrora mestre.

La historia nos habla de muchos continuadores de Pitágoras, como Alcmeón y Filolao, que introdujeron nuevos criterios en la doctrina de su maestro; y en muchas otras exposiciones resaltan los rasgos de lo simple, lo no desenvuelto, comparadas con otras ulteriores y más desarrolladas, en las que el pensamiento se manifiesta ya de un modo más claro y poderoso. No es necesario, sin embargo, que entremos a analizar lo que hay de histórico en estas diferencias, sino que bastará con que examinemos la filosofía pitagórica en su conjunto. Asimismo, debemos prescindir de lo que procede, manifiestamente, de los neoplatónicos y los neopitagóricos; para ello, disponemos de fuentes anteriores a este período, sobre todo las detalladas exposiciones con que nos encontramos en Aristóteles y en Sexto.” O método é o mesmo de Littré em relação a Hipócrates.

A primera vista, tiene que parecernos, por fuerza, sorprendente la audacia de semejante afirmación, por la que se echa por tierra de golpe todo lo que viene considerándose como verdadero y esencial, anulándose de pronto la esencia sensible, para convertirla, sencillamente, en la esencia del pensamiento. La esencia es expresada, aquí, como algo ajeno a los sentidos, y se proclama como sustancia y ser verdadero algo completamente heterogéneo con respecto a lo sensible, a lo que suele considerarse como esencial. Pero por esta vía, precisamente, se establece la necesidad tanto de convertir en concepto el número mismo como de representar el movimiento de su unidad con el ente, ya que el número no se nos presenta como algo que forma una unidad inmediata con el concepto.”

Este sistema de enseñanza por medio de los números, por tratarse de la primera filosofía, acabó desapareciendo por los misterios que encierra; más tarde, Platón, Espeusipo, Aristóteles y otros arrebataron sus frutos a los pitagóricos por medio de aplicaciones más fáciles.” Moderato

Los números aritméticos corresponden a determinaciones del pensamiento, ya que el número tiene por elemento y principio la unidad, y ésta es una categoría del ser para sí, de lo que es, por tanto, idéntico consigo mismo y que, por ello, excluye de su seno a todo lo demás y es indiferente ante ello.”

el concepto en su más alta exterioridad, en la modalidad de lo cuantitativo, de la diferencia indiferente; la unidad abriga, en ese sentido, tanto el principio del pensamiento como el de la materialidad o la determinación de lo sensible.” “en el número 3, por ejemplo, hay siempre tres unidades, cada una de las cuales es independiente con respecto a las otras dos; y en esto reside lo defectuoso y lo misterioso.”

Ahora bien, ¿cómo dieron en la ocurrencia de considerar los números como la esencia primigenia o como los conceptos absolutos? Nos lo indica con cierta precisión lo que Aristóteles dice acerca de esto en su Metafísica (I, 5), si bien se expresa aquí de un modo resumido, remitiéndose a lo que acerca de esto dice en otro lugar (Metaf. I, 9; v. infra, p. 196): ‘Creían ver en los números una semejanza mayor con lo que es y lo que acaece que en el fuego, el agua y la tierra, ya que la justicia constituye una cierta cualidad de los números, y lo mismo el alma, el entendimiento, otra la oportunidad, y así sucesivamente. Y como, además, veían en los números las cualidades y las proporciones de las cosas, lo armónico, y los consideraban como lo primordial en todas las cosas de la naturaleza, acabaron considerándolos como los elementos de todo y al cielo, en su conjunto, como armonía y número.’

Según Heráclito, todo lo sensible fluye, razón por la cual no puede haber una ciencia de lo sensible; de esta convicción nació la teoría de las ideas. Sócrates fue el primero que determinó lo general por medio de inducciones; antes, los pitagóricos tocaron solamente unas cuantas cosas, reduciendo sus conceptos a números: por ejemplo, el concepto de la oportunidad,¹ el del derecho, el del matrimonio, etc.” Metafísica XIII

¹ Em números? Jogo do bicho? Hahaha…

La primera determinación es la unidad en general, la segunda la dualidad o la contraposición. Es extraordinariamente importante reducir la infinita variedad de las formas y determinaciones de lo finito a sus pensamientos generales como a los principios más simples de toda determinación; no se trata, aquí, de diferencias de las cosas entre sí, sino de diferencias esenciales y generales de suyo. Los objetos empíricos se distinguen por su forma externa: este trozo de papel se distingue por ella de otro trozo de papel, los colores por sus matices, los hombres por sus diferencias de temperamento, de individualidad. Pero estas determinaciones no representan diferencias esenciales; podrán ser esenciales en cuanto a determinadas particularidades de estas cosas, pero estas particularidades absolutamente determinadas no representan una existencia esencial en y para sí; solamente lo general es lo sustancial, lo que se mantiene a sí mismo.”

Las determinaciones generales se descubren y establecen solamente a base de un procedimiento totalmente dogmático; son, por ello, determinaciones secas, desligadas de todo proceso, no dialécticas, sino inertes.”

Todos los números entran de suyo en el concepto de la unidad, pues la dualidad es una dualidad, la trinidad una trinidad y el número 10 un grupo de números. Esto movió a Pitágoras a ver en la unidad el principio de todas las cosas, viendo en cada una de ellas, por participar de este concepto, una unidad.” Sexto E.

Esta curiosa relación de la unidad totalmente abstracta con la existencia concreta de las cosas es lo que los pitagóricos expresan con el término de imitación.”

Fueron ellos quienes determinaron y precisaron, aunque de un modo inadecuado, los conceptos abstractos y simples, ofreciendo en su tabla de las categorías una mezcla de contraposiciones de la representación y del concepto, sin ninguna deducción ulterior.”

Lo especulativo se manifiesta, aquí, como especulativo; quien no conozca lo especulativo jamás podrá comprender que mediante la expresión de conceptos tan simples se proclame la esencia absoluta. Lo uno, lo múltiple, lo igual, lo desigual, el más, el menos, son momentos triviales, vacíos, secos; a quien se halle habituado a verlo todo a través de representaciones, a quien no sepa remontarse de la esencia sensible al pensamiento, no le parecerá que en sus relaciones se hallen comprendidas la esencia absoluta, la riqueza y la organización tanto del mundo de la naturaleza como del mundo del espíritu”

Este concepto simple y esencial de la realidad es la exaltación al plano del pensamiento, pero no como una evasión de lo real, sino expresando lo real mismo en su esencia.” Ó, grandes pitagóricos! Deixaram os hindus comendo poeira!… E no entanto muitos ascetas vivem de menos do que isso…

De 2 decimos que son ambos, pero no todos; para que podamos decir todos, tiene que haber 3.” Arist.

“…Si así lo haces,

Te guiará por la senda de la virtud divina. Lo juro

Por Aquel que ha infundido a nuestro espíritu el tetraktis

En cuyo seno se hallan las fuentes y las raíces de la eterna naturaleza.”

Poema de um neófito Empédocles, antes de abandonar o pitagorismo

El número divino sigue desarrollándose,

Hasta que de la santidad no consagrada del Uno

Llega al divino Cuatro, que engendra a la madre de Todo,

A la que concibe el Todo, la antigua frontera del Todo,

Infatigable e inagotable; a ésta se la llama el sagrado Diez.” Proclo

Es cierto que existen también diferencias cualitativas, por ejemplo entre los tonos del metal y las cuerdas de tripa, entre las voces humanas y los instrumentos de viento; pero la verdadera relación musical entre los diversos tonos de un mismo instrumento, sobre lo que descansa la armonía, es, indudablemente, una relación numérica.

Partiendo de aquí, los pitagóricos entran en ulteriores desarrollos de la teoría musical, en los que no hemos de seguirlos. La ley apriorística del desarrollo y la necesidad del movimiento en las relaciones numéricas es algo que permanece completamente en la sombra y en lo que sólo pueden andar a tientas los cerebros turbios: por todas partes se vislumbran los conceptos y las consonancias superficiales entre ellos, pero para esfumarse de nuevo.”

ya en tiempo de Cicerón se habían convertido en algo proverbial por su oscuridad, y es muy poco lo que en ellos podamos considerar como verdaderamente antiguo.”

Así como consideraban el número 10 como el número perfecto, como la suma y compendio de toda la naturaleza de los números, decían que eran también 10 las esferas que se movían en el cielo, y no siendo visibles más que 9, inventaban, para que fueran 10, la llamada antitierra.” Metafísica

Estas 10 esferas de que habla Aristóteles son: la Vía Láctea o las estrellas fijas, los 7 astros conocidos entonces, todos ellos, como planetas: Saturno, Júpiter, Marte, Venus, Mercurio, el sol y la luna y, por último, en noveno lugar, la tierra; la 10ª era, pues, la ‘antitierra’

Los pitagóricos colocaban en el centro el fuego y veían en la tierra una estrella que se movía circularmente en torno a aquel fuego central” De coelo, II

un gran coral armónico del universo.” Bolas do meu pau de ábaco sonoro…

Se apunta aquí la idea de un sistema del universo; para nosotros, sólo el sistema solar es racional, mientras que a las demás estrellas no se les puede reconocer dignidad alguna.”

habituados a sus sones como el herrero a su martilleo”

conocemos, a través de Keplero, las leyes, la excentricidad y cómo se relacionan entre sí las distancias y los tiempos de la rotación; pero todavía las matemáticas no han sido capaces de determinar la ley de desarrollo con arreglo a la cual se determinan estos intervalos.” “la astronomía no ha podido descubrir todavía en ello una serie consecuente, racional; lejos de ello, mira con desprecio a la exposición regular de esa serie, que es por sí misma un punto extraordinariamente importante, que no debe ser abandonado.”

CAPACHO DOS GUILHERMES: “Hoy se pretende, por el contrario, mantener la educación libre del espíritu de la época; pero el hombre no puede sustraerse a este supremo poder del Estado, sino que se halla, por mucho que trate de aislarse, sometido inconscientemente a esto general.”

un formalismo parecido, en cierto modo, a los esquemas de la electricidad, el magnetismo, el galvanismo, la condensación y la expansión, lo masculino y lo femenino, en que algunos quieren basarlo, hoy, todo: una determinabilidad puramente vacua, cuando de lo que se trata o debe tratarse es de lo real.” Por supuesto: del Estado!

ELEATAS: “Encontramos aquí el punto de arranque de la dialéctica, o sea de lo que constituye precisamente el movimiento puro del pensamiento en conceptos: y, con ello, el comienzo de la contraposición del pensamiento frente al fenómeno o al ser sensible, de lo que es en sí frente al ser para otro de este en sí: y en la esencia objetiva, la contradicción que en sí mismo entraña y que es la verdadera dialéctica.”

La determinación del ser es, para nosotros, algo conocido y trivial”

Inmóvil es lo que no es, pues en ello no se da otra cosa alguna, ni se convierte tampoco en ninguna otra cosa; sólo lo vario es móvil, pues para ello hace falta que lo uno se mueva hacia lo otro.”

Jamás nació ni nacerá varón alguno

que conozca de vista cierta lo que yo digo

sobre los dioses y sobre las cosas todas;

porque, aunque acierte a declarar las cosas

de la más perfecta manera,

él, en verdad, nada sabe de vista.

Todas las cosas ya por el contrario

Con Opinión están prendidas.”

Citação de Sexto, provavelmente corruptela de Parmênides.

Uno de los datos más importantes que de su vida conocemos es el viaje que hizo con Zenón a Atenas, donde Platón los presenta, en uno de sus diálogos, conversando con Sócrates.” E tomas tal poema como a verdade absoluta? Pois acertaste em cheio: nada mais sensato!

Conviene advertir que Platón, cuando habla concretamente de la escuela de los eléatas, no se refiere nunca a Jenófanes, sino solamente a Meliso y Parménides. Por lo demás, al asignar a Parménides el papel principal del diálogo que lleva por título su nombre, poniendo en boca de este pensador eleático la más sublime dialéctica, Platón obra movido por consideraciones que no son de este lugar.” Que lugar?

El primer fragmento largo que encontramos en Sexto (Adv. Math. VII, 111) es una introducción alegórica a su poesía sobre la naturaleza. Esta introducción tiene un tono mayestático, nos revela la manera literaria de aquel tiempo y denota, en su conjunto, un alma enérgica y violenta, que lucha con la esencia, en un formidable esfuerzo por captarla y proclamarla.”

la verdadera filosofía comienza, en rigor, con Parménides.” Pouco cito Parmênides aqui, em que pese ser O MAIS IMPORTANTE DOS PRÉ-SOCRÁTICOS, por já ter publicado no blog posts dedicados ao autor.

Zenão era supervalorado pela filosofia e historiografia da época de Hegel.

Las circunstancias de la conducta final del filósofo, que fueron las de una violenta y colérica reacción de los sentidos, aparecen relatadas de diversos modos. Se dice que, haciendo ademán de querer decir algo al oído al tirano, le mordió en la oreja, sin soltarlo, hasta que los demás le dieron muerte.” “Otros relatos dan la versión de que, al ser sometido a los más espantosos martirios después de aquella respuesta, se amputó la lengua de una dentellada y se la escupió a la cara al tirano, como para decirle que no conseguiría arrancarle una sola palabra, después de lo cual se dice que su cuerpo fue aplastado en un mortero.”

[he] escrito esto más bien contra quienes tratan de ridiculizar la tesis de Parménides, poniendo de manifiesto qué ridículos y contradicciones se desprenden contra ellos mismos de su afirmación; combato, por tanto, a aquellos que predican el ser de lo múltiple, para demostrar que, partiendo de aquí, se llega a consecuencias mucho más disparatadas que arrancando de la proposición de Parménides.”

AO MENOS H. SOUBE PENSAR O <PARADOXO>: “Cuando Aristóteles dice que Zenón negaba el movimiento porque éste encerraba una contradicción interna, no debe interpretarse esto en el sentido de que el movimiento no sea en absoluto.” “el movimiento tiene certeza sensible, tan cierto como que hay elefantes: en este sentido, no podía ocurrírsele a Zenón negar el movimiento.” “Desde este punto de vista deben interpretarse las proposiciones de Zenón, y no como objeciones contra la realidad del movimiento, aunque a primera vista parezcan eso, sino como una manera necesaria de determinar el movimiento y cómo se debe proceder para ello.”

Es sabido con qué sencillez refutaba estas pruebas de la contradicción del movimiento Diógenes de Sinope, el cínico: se levantaba sin decir una palabra y se ponía a pasearse silenciosamente de arriba abajo, refutando así semejantes argumentaciones con hechos.”

Vemos aquí ante nosotros lo infinito malo o la manifestación pura, cuya esencia simple pone de relieve la filosofía como concepto general, manifestarse en primer lugar desarrollado en su contradicción, y a su historia adquirir la conciencia de esta contradicción; el movimiento, esta misma manifestación pura, aparece como algo pensado, puesto con arreglo a su esencia, a saber: en lo que lo diferencia de la pura identidad consigo mismo y de la pura negatividad, del punto frente a la continuidad. Para nosotros, no envuelve contradicción alguna en la representación el que el aquí del espacio o el ahora del tiempo se establezcan como una continuidad y una longitud; pero su concepto es algo contradictorio consigo mismo.”

o ponto é o puro ser para si (pura aparência)”

Al decir ‘hasta el infinito’, nos representamos un más allá, fuera de nuestra representación, al que no es posible llegar. Trátase, indudablemente, de un trascender sin fin, infinito, pero presente en el concepto: un trascender de una determinabilidad contrapuesta a otra, de la continuidad a la negatividad, de la negatividad a la continuidad, pero ambas se hallan ante nosotros.”

Bayle (tomo IV, art. Zénon, nota E), dice, refiriéndose a la respuesta [refutação] de Aristóteles que es pitoyable.”

En eso consiste precisamente lo infinito: en que ninguno de sus momentos tiene realidad.”

Lo representado como tal o en cuanto imagen de la representación no es una cosa; no tiene ser alguno, ni es tampoco la nada.” “La división del espacio como ser dividido no es absoluta puntualidad, ni la continuidad pura lo indiviso e indivisible; del mismo modo, el tiempo no es la negatividad o puntualidad pura, sino que es también continuidad.”

el movimiento mismo no es otra cosa que esta unidad real en la contraposición y el desdoblamiento de ambos momentos en esta unidad.”

Se concede como indiscutible que no hay más remedio que llegar a la mitad; pero, con ello, se ha concedido todo lo que se postula, es decir, el no llegar, pues una vez dicho aquello, es como si se dijera infinidad de veces.” “en la hipótesis de la mitad va ya implícita la interrupción de la continuidad.” “La continuidad se atomiza en lo contrario de ella, en la cantidad indeterminada”

el moverse quiere decir encontrarse en este lugar y no encontrarse en él, es decir, encontrarse en los 2 lugares al mismo tiempo; es la continuidad del espacio y del tiempo, sin la cual el movimiento no sería posible.”

tanto da que, dentro del espacio absoluto, el ojo se mueva o se esté quieto.”

las antinomias de Kant no son otra cosa que lo ya expresado aquí por Zenón.”

el contenido de la conciencia sólo es un fenómeno, nada verdadero”

¿Acaso no valéis vosotros más que los gorriones?”

Abandonamos aquí la escuela eleática, que se continúa en Leucipo y, de otra parte, con los sofistas, quienes hacen extensivos a toda la realidad los conceptos de los eléatas y señalan la actitud que la conciencia adopta ante ella, mientras que aquél, como continuador tardío del concepto en su abstracción, adopta una actitud física frente a la conciencia.”

Dejando a un lado a los jonios, quienes aún no concebían lo absoluto como pensamiento, y a los pitagóricos, nos encontramos con el ser puro de los eléatas y con la dialéctica, que destruye y supera todas las relaciones finitas: para los eléatas, el pensamiento es el proceso de tales fenómenos, el mundo en sí mismo lo que se manifiesta y sólo el ser puro lo verdadero. La dialéctica de Zenón capta, pues, las determinaciones que van implícitas en el mismo contenido; pero puede ser llamada también dialéctica subjetiva en cuanto que corre a cargo del sujeto pensante y en cuanto que lo uno, sin este movimiento de la dialéctica, no es más que intensidad abstracta.”

O OCIDENTAL OBSCURO COM RETINTOS ORIENTAIS: “Heráclito, por su parte, concibe lo absoluto mismo como este proceso de la dialéctica.”

El progreso necesario realizado por Heráclito consiste en haber pasado del ser como primer pensamiento inmediato a la determinación del devenir, como el segundo”

Divisamos, por fin, tierra; no hay, en Heráclito, una sola proposición que nosotros no hayamos procurado recoger en nuestra Lógica.”

con él comienza la separación y el retraimiento del filósofo de los negocios públicos y los intereses de la patria, para entregarse por entero, en una vida de soledad, a la filosofía.”

Bien merecido les estaría a los efesios en la edad adulta ahorcarse y abandonar a los niños la ciudad, a ellos que han expulsado a Hermodoro, el varón más eficaz de los suyos, diciendo: ‘no haya entre nosotros ninguno más eficaz; si lo hay, que sea en otra parte y entre otros’ Heráclito apud Cicerón, Diógenes Laercio

Sus conciudadanos lo invitaron a participar en los negocios públicos de la ciudad, pero él se negó a hacerlo, por no aprobar su constitución, sus leyes ni su gobierno.” Diógenes

La única obra compuesta por este filósofo y que, según nos informa Diógenes (IX, 12 y 6), llevaba por título, según unos, Las musas y, según otros, Sobre la naturaleza, fue depositada por él en el templo de la Diana de Éfeso. Parece que esta obra existía aún en tiempos posteriores; los fragmentos que han llegado a nosotros aparecen reunidos en la Poësis philosophica de Stephanus (pp. 129 ss.).” “Creuzer nos había hecho concebir la esperanza de estudiar a este filósofo con mayor sentido crítico y un conocimiento más a fondo de su lenguaje, a base de una colección de textos más completa, tomada principalmente de los gramáticos; pero, habiendo encomendado este trabajo, por falta de tiempo, a un erudito joven, que fue sorprendido por la muerte, el estudio proyectado no ha llegado al público. Semejantes colecciones suelen ser demasiado prolijas; contienen una gran masa de erudición, y es más fácil, por lo general, escribirlas que leerlas.”

Pero esto de escribir oscuro deliberadamente no sería más que una necedad; es, sin embargo, simplemente la necedad del propio Cicerón, que trata de imputarla al filósofo de Éfeso.”

No hay manera de saber cuándo una palabra pertenece a la oración anterior o a la posterior.” Aristóteles, Ret. III, 5.

Sin embargo, lo que hay de oscuro en esta filosofía se debe, principalmente, a que se expresa en ella un pensamiento profundo, especulativo; el concepto, la idea, se escapan al entendimiento, no pueden ser captadas por él; en cambio, la matemática la comprende con gran facilidad.”

En Heráclito vemos ahora la consumación de la conciencia anterior, el perfeccionamiento de la idea hasta la totalidad, que es el comienzo de la filosofía, en cuanto que este comienzo proclama la esencia de la idea, el concepto de lo infinito, del ser en y para sí, como lo que es, a saber: como la unidad de lo contrapuesto. De Heráclito data la idea permanente, que es la misma en todos los filósofos hasta nuestros días”

Gran pensamiento este de pasar del ser al devenir, aun cuando, por ser la primera unidad de determinaciones opuestas, sea todavía un pensamiento abstracto. Aquí, estas determinaciones aparecen como algo inquieto y llevan consigo, por tanto, el principio de la vida, con lo cual queda superada la falta de movimiento que Aristóteles ponía de relieve en las filosofías anteriores, y el movimiento mismo se eleva a principio. Por tanto, esta filosofía no se proyecta sobre el pasado, su principio es esencial y por eso figura en nuestra Lógica al comienzo, inmediatamente después del ser y de la nada.”

El entendimiento aísla tanto al ser como al no ser como verdaderos y válidos; la razón, por el contrario, conoce al uno en el otro, ve al otro contenido en el uno. Si no tomamos la representación del ente lleno, vemos que el ser puro es el pensamiento simple, en el que se niega todo lo determinado, lo absolutamente negativo; la nada, en cambio, es lo mismo, precisamente este algo igual a sí mismo.”

O entendimento isola tanto o ser como o não-ser como (conteúdos) verdadeiros e válidos; a razão, ao contrário, conhece o um no outro, vê o outro contido no um. Se não tomamos a representação do ente cheio (pleno), vemos que o ser puro é o pensamento simples, no qual se nega todo o determinado, o absolutamente negativo; o nada, em compensação, é o mesmo, precisamente este algo igual a si mesmo.”

Estamos ante el tránsito absoluto a lo opuesto, al que Zenón no llegó, puesto que se detuvo en la tesis de que ‘de la nada no se genera nada’; en cambio, en Heráclito el momento de la negatividad es inmanente, y en torno a ello gira el concepto de toda la filosofía.”

Estamos diante do trânsito absoluto ao oposto, ao que Zenão não chegou, posto que se deteve na tese de que ‘do nada não se gera nada’; em Heráclito o momento da negatividade é imanente, e em torno dele gira o conceito de toda a filosofia.”

O contrário reside no mesmo, e assim, p.ex., o mel é doce e amargo.”

o infinito morto é uma abstração ruim, comparada com esta profundidade com que nos encontramos em Heráclito.”

EU VEJO POR TRÁS DE TUA ASTÚCIA DE MAIA, H.! “La subjetividad, por ejemplo, es lo otro con respecto a la objetividad y no con respecto a un pedazo de papel, supongamos, lo cual sería absurdo”

claro está que esto resulta siempre difícil y oscuro para el entendimiento, que tiende a considerar por sí mismo y separadamente el ser y el no ser, lo subjetivo y lo objetivo, lo real y lo ideal.” Premissa ensaboada.

además de esta forma general en que expresa su principio, sabe dar a su idea una forma más real, más natural; de aquí que, a veces, se le incluya todavía entre los pensadores de la escuela jónica de filósofos de la naturaleza.”

o tempo é o não-ser imediatamente no ser e o ser imediatamente no não-ser” “No tempo não é o passado nem o futuro, senão que o agora: e isto é precisamente para não ser como algo já passado; e este não ser permuta também em ser, enquanto futuro.”

FIERCE FIRE: “El fuego es el tiempo físico, la movilidad absoluta, la disolución absoluta de lo existente: la destrucción de lo otro, pero también de sí mismo; y así, podemos comprender por qué Heráclito, partiendo de su determinación fundamental, afirma con toda consecuencia el fuego como el concepto del proceso.” “he aquí por qué Heráclito emplea también, para designar este proceso, la palabra precisa de evaporación, aunque la expresión más exacta sería la de tránsito.”

Así, pues, en la hostilidad entre los hombres se impone uno como independiente frente a los demás, o es para sí, se realiza en general; en cambio, la armonía y la paz es el hundirse del ser para sí en la indiferenciabilidad o en la no-realidad. Todo es trinidad y, al mismo tiempo, sin embargo, unidad esencial” Na hora de tirar um 10, Hegel viaja.

Tenemos, pues, ante nosotros, en general, una metamorfosis del fuego. Pero estas expresiones orientales, figuradas, no deben tomarse, tal como Heráclito las emplea, en un sentido directo, toscamente sensorial, como si estos cambios se manifestasen a la percepción externa, sino que forman la naturaleza de estos elementos, con arreglo a la cual la tierra crea eternamente su sol y sus cometas.”

Este mundo, el mismo para todos, no lo hizo ninguno de los dioses ni de los hombres, sino que ha sido eternamente y es y será un fuego eternamente viviente, que se enciende según medidas y se apaga según medidas.” apud Clemente de Alexandria, Stromata

La extinción del alma, del fuego en el agua, la combustión que se convierte en producto aparece falsamente explicada por algunos, por ejemplo por Diógenes Laercio, Eusebio y Tennemann como una combustión del universo. Pero nos parece que es más bien una figura de la fantasía lo que Heráclito dice, según se nos cuenta, de un incendio del universo, de que el mundo habrá de convertirse en fuego al cabo de cierto tiempo (…) A la luz de los pasajes más concretos, (Estobeo) podemos afirmar que Heráclito no se refiere, en realidad, a este incendio del universo, sino más bien a esta continua combustión como el proceso del devenir de la amistad, la vida general y el proceso general del universo.”

Nos detendremos un momento en este punto, ya que con esto se expresa, de un modo general, todo concepto de la consideración especulativa de la naturaleza.” “Es falso ver en lo especulativo algo que sólo existe en el pensamiento o en el interior de nosotros, no se sabe dónde.”

SOBRE O EMPIRISMO FÍSICO-QUÍMICO: “Como ocurre siempre que se expresan los resultados de la percepción y la experiencia, cuando el hombre los proclama, hay en ellos un concepto; concepto que no es posible descartar, sino que se mantiene siempre en la conciencia, con un tinte de generalidad y de verdad. La esencia no es, precisamente, otra cosa que el concepto; pero este concepto sólo se revela como concepto absoluto a la razón formada, y no cuando, como aquí sucede, permanece prisionero dentro de una determinabilidad.” A seguir, polêmicas de experimentos de época, ininteligíveis para nós hoje: “los higrómetros, botellas llenas de aire que se hacen descender de las regiones altas por medio de un globo, no lo revelan [ao hidrogênio] como existente. Y, del mismo modo, el agua cristalizada no se les manifiesta como agua, sino ya convertida, transformada en tierra”

Es cierto que Heráclito dice que todo fluye, que nada persiste, que sólo lo uno permanece; pero esto no es sino el concepto de la unidad que solamente existe en la contraposición, no de la que se refleja en sí misma. Este uno, en su unidad con el movimiento de los individuos, es el género o el concepto simple en su infinitud como pensamiento; como tal, habrá de determinarse aún la idea, tal como volveremos a encontrarla en el nous de Anaxágoras. Lo general es la unidad simple inmediata en la contraposición, que retorna a sí misma como proceso de lo diferenciado; pero también esto se encuentra en Heráclito: esta unidad en la contraposición es lo que él llama destino o necesidad. Y el concepto de la necesidad consiste precisamente en esto: en que la determinabilidad constituye la esencia de lo que es como algo individual, pero refiriéndose cabalmente, a través de ello, a lo opuesto: la absoluta ‘relación que pasa a través del ser del todo’.”

Sólo nos resta, ahora, examinar qué relación guarda, según Heráclito, esta esencia con la conciencia. La filosofía heracliteana presenta, en su conjunto, la modalidad de una filosofía natural, en cuanto que el principio, aunque lógico, es concebido como el proceso general de la naturaleza.”

Es un modo hermoso, espontáneo, infantil, de expresar la verdad en términos verdaderos. Se presenta aquí por vez primera lo general y la unidad de la esencia de la conciencia y del objeto, y la necesidad de la objetividad.” “El verdadero ser no es este ser inmediato, sino la mediación absoluta, el ser concebido, el pensamiento.” Aqui se diluem as fronteiras do que é Heráclito e do que é superinterpretação à la Hegel.

Sexto aduce en los siguientes términos la determinación de este criterio: ‘Todo lo que nos rodea es, de suyo (a juicio de Heráclito), lógico y racional’, pero no por ello dotado de conciencia. ‘Cuando nos asimilamos por la inspiración esa esencia general, nos convertimos en seres racionales; pero sólo despiertos lo somos, pues cuando estamos dormidos eso queda sepultado en el olvido’.”

O EGRESSO DA CAVERNA DE PLATÃO: “En el hombre despierto, en cambio, el entendimiento, mirando hacia más allá por los caminos del sentimiento como por ventanas y entrelazado con lo que lo rodea, se halla sostenido por una fuerza lógica.”

muchos viven como si tuviesen su propio entendimiento; sin embargo, el entendimiento no es otra cosa que la interpretación (la conciencia), el modo de la ordenación del todo.” “El hombre suele inclinarse a creer que, cuando piensa algo, debe ser algo especial, propio; pero esto es un error.”

Podemos decir de Heráclito algo parecido a lo que se cuenta que dijo Sócrates [acerca do próprio Her.]: lo que de él se ha conservado es magnífico; en cuanto a lo que no ha llegado a nosotros, hay que suponer que nos parecería igualmente magnífico, si lo conociéramos.”

A la par con Empédocles, estudiaremos las figuras de Leucipo y Demócrito, en las que se revela la idealidad de lo sensible y, al mismo tiempo, la determinabilidad general o la transición a lo general.”

Leucipo es anterior a Demócrito, y éste no hace sino continuar y perfeccionar la obra iniciada por aquél, pero sin que sea fácil discernir históricamente su parte original dentro de ella. Las fuentes nos dicen, ciertamente, que se limitó a desarrollar los pensamientos de Leucipo, y algo se ha conservado de su obra, pero sin que nos sea posible hacer ninguna cita literal o precisa de pasajes suyos.”

Diógenes (IX, 35s.) dice que Demócrito gastó su crecida fortuna en sus viajes a Egipto y a los países del interior del Oriente; pero esto es bastante inverosímil. Su patrimonio aparece tasado en unos 100 talentos, y si suponemos que un talento ático valía de 1,000 a 1,200 táleros, es evidente que, con aquella fortuna, habría podido pasarse la vida viajando.”

Lo lleno tiene como principio el átomo: lo absoluto, lo que es en y para sí es, pues, el átomo y lo vacío; es ésta una determinación de gran importancia, sin duda, pero insuficiente. No es en los átomos, por ejemplo en los que nos representamos flotantes en el aire, donde reside, exclusivamente, el principio, sino que es igualmente necesaria la nada que entre ellos existe; tal es, pues, la primera manifestación del sistema atomístico.”

es Leucipo quien introduce la determinación del ser para sí [aparência].”

Así concebido, el principio atomístico no ha sido superado, ni puede serlo, sino que permanece para siempre; el ser para sí tiene que presentarse necesariamente en toda filosofía lógica como un momento esencial, aunque no como momento último.” Para quem ainda tinha dúvidas, essa é uma História da Filosofia Hegeliana (todos os autores que me influenciaram) e não uma história da filosofia…

Por consiguiente, si el desarrollo de la filosofía en la historia ha de corresponder al desarrollo de la lógica, necesariamente tendrá que haber en ésta pasajes que en el desarrollo histórico desaparezcan. Si, por ejemplo, quisiéramos erigir la existencia en principio, esa existencia sería lo que nosotros tenemos en la conciencia: existen cosas, estas cosas son finitas y se hallan relacionadas entre sí; pero esto no pasa de ser una categoría de nuestra conciencia sin pensamiento, de la apariencia.”

Como negación de la alteridad, que es, a su vez, negación contra mí, el ser para sí es negación de la negación y, por tanto, afirmación; y ésta es, según la llamo yo, la negatividad absoluta, en la que se contiene, sin duda, cierta mediación, pero una mediación que está ya también levantada.”

Como negação da alteridade, que é, por sua vez, negação contra mim, o ser-para-si é negação da negação e, portanto, afirmação; e esta é, segundo eu a batizo, a negatividade absoluta, a qual contém, sem dúvida, certa mediação, mas uma mediação que está já, também, suspensa.”

O princípio do um é um princípio totalmente ideal, pertence por inteiro ao mundo do pensamento, e assim seria ainda que quisera afirmar-se que os átomos existem. O átomo pode ser concebido num sentido material, mas é, apesar disso, algo não-sensível, puramente intelectual. (…) Mas os átomos de Leucipo não são as molécules, as partículas de que nos fala a física.” “O um não pode ser visto nem apreciado mediante retortas nem aparatos de medição, já que se trata de uma abstração do pensamento; o que se mostra é sempre matéria condensada. E, ainda assim, é um esforço vão o daqueles que, hoje, com a ajuda do microscópio, tratam de escrutar o interior do orgânico, a alma, e de descobri-lo por meio da vista e do tato. O princípio do um é, pois, um princípio totalmente ideal, mas não no sentido de que só exista no pensamento, na cabeça, e sim no sentido de que o pensamento é a verdadeira essência das coisas. Assim o entendia também Leucipo; destarte sua filosofia não tem absolutamente nada de empírica.”

Dentro da esfera do Estado, pode manifestar-se o ponto de vista de que a vontade individual, enquanto átomo, é o absoluto; tais são, no fundo, as novas teorias sobre o Estado, que se fazem valer também na prática.” Trecho inócuo seguido de uma crítica ao Contrato Social.

Portanto, os átomos, inclusive quando aparecem unidos no que chamamos coisas, acham-se separados entre si pelo vazio, que é, para eles, algo puramente negativo e estranho; quer dizer, sua relação não se dá neles mesmo, mas é algo distinto do que eles são. Este vazio, o negativo diante do afirmativo, é também o princípio do movimento dos átomos; estes vêem-se solicitados, digamos assim, pelo vazio, a preencherem-no e negarem-no.”

elementos puramente independentes aparecem unidos a outros igualmente independentes, sem perder sua independência, o que quer dizer que se trata de uma união simplesmente mecânica.”

E, no entanto, não nos é lícito acrescentar a isto tudo o que a imaginação dos tempos modernos acrescenta às vezes, a saber: que o universo foi, em tempos remotos, algo assim como um caos, um vazio cheio de átomos, que logo se uniram e ordenaram para dar nascimento a este mundo em que vivemos; hoje e sempre, o ser-em-si (a essência) é e segue sendo o vazio e o cheio.”

Aristóteles (e, quase, por isso Hegel) considera o finalista Anaxágoras o primeiro filósofo “profissional”, comparado ao amadorismo anterior.

La unidad retorna a sí misma, como algo general, de la contraposición; al contrario de lo que ocurre en la síntesis de Empédocles, en que lo contrapuesto todavía separado y para sí, y no el pensamiento mismo, es el ser; aquí, en cambio, el pensamiento es, como proceso puro y libre de suyo, lo general que se determina a sí mismo, sin distinguirse del pensamiento consciente.”

Aristóteles dice que Anaxágoras fue el primero que expresó la determinación de la esencia absoluta como entendimiento.” Hegel é apenas “o” Aristóteles moderno.

Con él vemos a la filosofía instalada en la verdadera Grecia, que hasta entonces no había tenido filosofía alguna, y, concretamente, en Atenas” Perfeito para o seu sistema de “razão da História”…

Durante este período fijan su residencia en Atenas los artistas más prestigiosos y los más famosos filósofos y sofistas, una pléyade de luminarias de las artes y las ciencias, como Ésquilo, Sófocles, Aristófanes, Tucídides, Diógenes de Apolonia, Protágoras, Anaxágoras y otros talentos oriundos del Asia Menor. Estaba por aquel entonces al frente del estado ateniense Pericles, quien lo elevó a su máximo esplendor. Anaxágoras, aunque vivió todavía en este período de máximo florecimiento de la vida ateniense y griega, toca ya a los años de decadencia o, por mejor decir, de tránsito a la decadencia, a la muerte de la hermosa vida de Atenas.”

Mérito de Atenas para H.: ciência e belas-artes; a filosofia.

Mérito de Esparta para H.: subsumir as individualidades na idéia de Estado.

Un pueblo en que imperaba una unidad tan recia y tan firme, en el que la voluntad del individuo había desaparecido totalmente en rigor, representaba por fuerza una cohesión insuperable; así se explica que Lacedemonia se pusiera a la cabeza de los griegos y conquistase la hegemonía de Grecia, como llegaron a alcanzarla los argivos en tiempo de Troya. Es éste, sin duda, un gran principio, sin el que no puede existir ningún verdadero Estado, pero que entre los lacedemonios no llegó a perder nunca su unilateralidad.”

En Lacedemonia, la personalidad propia y peculiar llegó a pasar a tal punto a segundo plano, que el individuo no podía vivir, bajo ningún concepto, entregado a su libre desarrollo ni a las manifestaciones de su personalidad; allí no se reconocía la individualidad ni, por tanto, se la coordinaba o armonizaba con los fines generales del Estado. Esta abolición del derecho de la subjetividad, que a su modo proclama también La República de Platón, llegaba muy lejos entre los lacedemonios.”

Así como la individualidad que se separa de lo general cae en la impotencia y perece, tampoco puede mantenerse en pie lo unilateralmente general, la costumbre de la individualidad.” Obviamente, para H., a Prússia era a síntese de Esparta-Atenas.

TOLO AQUELE QUE LIGA AVANÇO E FILOSOFIA AO PODER DO COMÉRCIO: “cada familia conservaba inalienablemente sus bienes hereditarios, y la prohibición de toda clase de dinero en sentido estricto y de cambios y negocios cerraba el paso a la posibilidad de las desigualdades de la riqueza”

Sua brutalidade é música para meus ouvidos.

En una organización racional, se dan todos los momentos de la idea; si el hígado se aislase como bilis, no funcionaría por ello ni más ni menos que antes, pero, en cambio, se aislaría como un órgano hostil a la economía vital del organismo.”

VACILANTE: “Gracias a ello, pudo alumbrar, al plasmar el genio libremente sus concepciones, las grandes obras de arte de las artes plásticas y las obras inmortales de la poesía y la historia. El principio de la subjetividad no había revestido aún, por tanto, la forma en que lo particular, como tal, queda en libertad y confiado a su propio albedrío y en que también su contenido adquiere una particularidad subjetiva y propia, por lo menos a diferencia de la base general, de la moralidad general, de la religión general y de las leyes generales.”

Pero fue Pericles quien tuvo la dicha de ser el primero dentro del Estado, en este pueblo noble, libre y culto de los atenienses; y esta circunstancia le confiere en la valoración de la individualidad un rango tan alto como pocos hombres han llegado a alcanzar. De cuanto hay de grande entre los hombres, nada más grande que el poder sobre la voluntad de los hombres que tienen una voluntad, pues la individualidad que disfruta de este poder tiene que ser necesariamente, para llegar a alcanzarlo, la más general y la más viva de todas; pocos mortales hay ya, suponiendo que haya alguno, dignos de gozar esta suerte.”

Poco después, la individualidad se desmanda, su vitalidad se deja arrastrar al extremo, pues el Estado no se halla aún organizado como tal, independientemente y de suyo.” É a vida! Ou, antes, diria: é a polis!…

en que el espíritu no vive en cuanto concepto, como en nuestros Estados.”

Más importante que esto es el dato de que, más tarde, Anaxágoras, como ocurriría, andando el tiempo, a Sócrates y a muchos otros filósofos, fue acusado de despreciar a los dioses adorados por el pueblo; es el antagonismo de la prosa del entendimiento contra la concepción poético-religiosa de la vida.”

existe también en la naturaleza, cierto es, como esencia objetiva, pero no de un modo puro y para sí, sino llevando consigo como inmediato un algo particular.”

INSTINTO X VONTADE: “Como alma, lo que se mueve a sí mismo es sólo algo inmediatamente individual, mientras que el nous, como algo simple, es lo general.”

con el nous aparece el para qué, la determinación del fin” Um para quê órfão.

El nous no es, por tanto, una esencia pensante exterior que organice el universo; concebirlo así, equivaldría a echar a perder por completo el pensamiento de Anaxágoras y privarlo de todo interés filosófico.” O nous é o daimon deus que está em nós.

una llamada esencia pensante ha dejado de ser un pensamiento, para convertirse en un sujeto.”

BASTARIA, NO LUGAR, FAZER UMA METAFÍSICA DA OBRA DE ARTE: “El fin empieza siendo, en cuanto yo lo tengo, mi propia representación, la cual es para sí y cuya realización depende de mi voluntad; cuando lo pongo en práctica, debo procurar, sí no soy muy torpe, que el objeto producido sea conforme al fin y no contenga otra cosa que no sea él.”

Descontento con que mi fin sea puramente subjetivo, mi actividad consiste en curarlo de este defecto, convirtiéndolo en un fin objetivo.”

OS SECRETOS DESÍGNIOS DO NADA: “Así, por ejemplo, en la idea de que Dios, por su sabiduría, gobierna el universo con arreglo a fines, el fin se establece para sí en una esencia representativa, sabia. Pero lo general del fin consiste en que, siendo una determinación fija para sí, que domina la existencia, el fin sea lo verdadero, el alma de una cosa. Lo bueno encuentra su contenido en el fin mismo, de tal modo que, actuando con este contenido y después de manifestarse al exterior, no brote ningún otro contenido sino el que ya existía con anterioridad.” Seu fim era procurar seu conceito de fim perfeito, a Idéia – o que não logrou H…

El ejemplo más importante de esto nos lo ofrece la vida misma. La vida es movida por impulsos, y estos impulsos son sus fines; pero, en cuanto algo vivo simplemente, no tiene la menor noción de estos fines, los cuales son, simplemente, determinaciones primarias e inmediatas, fijas. El animal labora para satisfacer estos impulsos, es decir, para cumplir el fin; se comporta ante las cosas exteriores mecánicamente, unas veces, y otras veces químicamente. Pero la relación de su actividad no es algo puramente mecánico o químico; el producto es más bien el animal mismo, el cual sólo se produce a sí mismo como fin de sí mismo en su actividad en cuanto que destruye e invierte aquellas relaciones mecánicas o químicas.” “La propia conservación es un producir constante, en el que no nace nada nuevo, sino que sólo renace, continuamente, lo viejo; es un constante retorno de la actividad a sí misma, encaminada a su propia producción.” Marx saberia retirar de tudo isso conseqüências melhores…

Los predicados señalados más arriba que Anaxágoras atribuye al nous son, por tanto, indudablemente, predicados que pueden enunciarse, pero que, por sí mismos, no pasan tampoco de ser simples predicados unilaterales.”

Las homeomerías aparecen más claramente cuando las comparamos con las ideas de Leucipo, Demócrito y otros filósofos. Esta materia o lo absoluto como esencia objetiva lo encontramos ya en Leucipo y en Demócrito, lo mismo que en Empédocles, con tal claridad que los átomos simples—en Empédocles los 4 elementos, en aquellos otros dos pensadores un número infinito de ellos— sólo se concebían como distintos en cuanto a la forma, y de su síntesis, de sus combinaciones, surgían las cosas existentes.”

Anaxágoras, por el contrario, establece como materias simples lo formado por partes iguales, por ejemplo la carne, los huesos, etc.; en cambio, las cosas como el agua y el fuego son una mezcla de estos elementos originarios.” Ar.

El principio era, para Anaxágoras, el mismo que para los eléatas: ‘Lo igual se genera solamente de lo igual; no es posible un tránsito a lo opuesto, ni es posible tampoco la unión de los contrarios.’

Por eso, todo cambio es, para Anaxágoras, solamente una separación y una unión de lo igual, pues el cambio como verdadero cambio sería, en realidad, un devenir partiendo de la nada de sí mismo.”

El primero admite un cambio de estos estados, el segundo solamente una aparición que sólo se da una vez.” Aristóteles (Empédocles X Anaxágoras)

De aquí que Anaxágoras diga, según Aristóteles (De gen. anim. I, 18): ‘La carne se convierte, mediante la nutrición, en carne’. La digestión no es, desde este punto de vista, otra cosa que la absorción de lo homogéneo y la eliminación de lo heterogéneo y, por tanto, toda nutrición y todo crecimiento no son verdadera asimilación, sino solamente incremento, desde el momento en que todas las vísceras del animal extraen sus partículas de las distintas hierbas, de los distintos cuerpos, etc. de que el animal se alimenta. La muerte es, por el contrario, la eliminación de lo igual y la mezcla con lo heterogéneo. La actividad del nous, considerada como eliminación de lo homogéneo de entre el caos y como unión de lo homogéneo, así como la disolución o desintegración de este algo homogéneo, es, ciertamente, algo simple y relacionado consigo mismo, pero también algo puramente formal y carente, por tanto, de contenido.”

La química dice: para saber lo que son real y verdaderamente la carne, la madera, la piedra, etc., es necesario descomponerlos en sus elementos simples, los cuales son los componentes últimos a que es posible reducir esos cuerpos. Además, reconoce que hay muchas cosas que sólo son relativamente simples, y así, por ejemplo, el platino está formado por 3 y hasta por 4 metales. También el agua y el aire han sido considerados durante mucho tiempo como cuerpos simples, hasta que ha venido la química a analizarlos y descomponerlos.”

El en sí [a essência] no es, para él, ciertamente, un verdadero ser sensible; las homeomerías son lo no sensible, es decir, lo que no puede verse, oírse, etc. Es la máxima exaltación de los físicos vulgares por encima del ser sensible hasta el plano de lo no sensible, como lo meramente negativo del ser para nosotros [do ser como aparência]; pero lo positivo consiste en que la propia esencia que es sea lo general. [se a essência coincidisse com a aparência]”

El vous no es, así, más que lo que une y lo que separa, lo diacosmizante.”

por muy fácilmente que las homeomerías de Anaxágoras puedan mover a confusión, no cabe duda de que debe mantenerse en pie la determinación fundamental.”

En ninguna otra parte se ha explicado con mayor detalle que el vous de Anaxágoras no pasó nunca de ser algo puramente formal que en el conocido pasaje del Fedón de Platón que tanto interés encierra en cuanto a la filosofía de Anaxágoras. En este diálogo de Platón, Sócrates indica del modo más claro y preciso qué es lo importante para ambos, en qué consiste para ellos lo absoluto y por qué el principio de Anaxágoras no podía satisfacerles.”

Platón presenta a Sócrates en su prisión, una hora antes de su muerte, y le hace hablar prolijamente acerca de sus relaciones con Anaxágoras:

Oyendo leer a alguien en un libro, que dijo ser de Anaxágoras, que la inteligencia es la regla y causa de todos los seres, quedé encantado; me pareció admirable que la inteligencia fuera la causa de todo, porque pensé que si ella había dispuesto todas las cosas las habría arreglado del mejor modo. Si alguien, pues, quiere saber la causa de alguna cosa, lo que hace que nazca y perezca, debe buscar la mejor manera de que aquélla pueda ser. (…) Y me pareció que de este principio se deducía que la única cosa que el hombre debe buscar, tanto por él como por los otros, es lo mejor y más perfecto, porque en cuanto lo haya encontrado conocerá necesariamente lo que es lo peor, ya que para lo uno y lo otro no hay más que una ciencia. Reflexionando así, sentía una alegría muy grande por haber encontrado en Anaxágoras un maestro que me explicaría, según yo deseaba, la causa de cuanto es y que, después de haberme dicho, por ejemplo, si la tierra es redonda o plana, me explicaría la causa y la necesidad de que sea como es y me diría qué es aquí lo mejor y por qué lo es. Y también si creía que está en el centro del universo, y esperaba me dijera por qué es mejor que estuviera allí. Y, después de haber recibido de él todas estas aclaraciones, estaba dispuesto a no buscar jamás otra clase de causa. Me proponía también interrogarle acerca del sol, de la luna y de las demás estrellas, a fin de conocer las razones de sus revoluciones, de sus movimientos y de todo lo que les sucede, y sobre todo, para saber por qué es lo mejor que cada uno de ellos haga lo que hace. Porque no podía imaginar que, después de haber dicho que la inteligencia había dispuesto las cosas, pudiera darme otra causa de su disposición sino ésta: que aquello era lo mejor. Y me lisonjeaba de que, después de haber asignado esta causa en general y en particular a todo, me haría conocer en qué consiste lo bueno de cada cosa en particular y lo bueno de todas ellas en común. Por mucho que me hubiesen prometido, no habría dado mis esperanzas a cambio. Cogí, pues, estos libros con el mayor interés y empecé su lectura lo más pronto que me fue posible, para saber cuanto antes lo bueno y lo malo de todas las cosas; mas no tardé en perder la ilusión de tales esperanzas, porque desde que hube adelantado un poco en la lectura, vi un hombre que en nada hacía intervenir la inteligencia, que no daba razón alguna del orden de las cosas, y que, en cambio, sustituía al intelecto por el aire, el fuego, el agua y otras cosas igualmente disparatadas.’

Ver minha tradução deste trecho em https://seclusao.art.blog/2019/01/25/fedon-ou-da-alma/.

chama-se, pois, fim ao que se produz a si mesmo e que já em seu devir é como um ente em si.”

El género se enfrenta a sí mismo como lo individual y lo general; de este modo, el género se realiza en lo vivo a través del antagonismo entre los sexos, cuya esencia es, sin embargo, el género común.”

O gênero se enfrenta a si mesmo como o individual e o geral; deste modo, o gênero se realiza no vivo através do antagonismo entre os sexos, cuja essência é, porém, o gênero comum.”

El fin de la procreación es el levantamiento de la individualidad del ser”

O fim da procriação é a suspensão da individualidade do ser”

Pues toda idea es un círculo cerrado y perfecto, pero cuya perfección es, asimismo, un tránsito a otro círculo: un torbellino cuyo centro, al que retorna, se encuentra directamente en la periferia de un círculo superior que lo devora. Así y sólo así, llegamos a la determinación de un fin último del universo, como inmanente a él.”

Pois toda idéia é um círculo fechado e perfeito, mas cuja perfeição é, ainda assim, um trânsito a outro círculo: um torvelinho cujo centro, ao que retorna, se encontra diretamente na periferia de um círculo superior que o devora. Assim, e somente assim, chegamos à determinação de um fim último do universo, como imanente a ele.”

todo mundo sabe do geral; mas não o sabe enquanto essência.”

é até aqui, e somente até aqui aonde chega a concepção comum de nossos dias. [o sensível indeterminado negativo, o absoluto carente de predicado ou absoluto relativo]”

Con este descubrimiento del pensamiento ponemos fin a la sección primera de nuestra historia, y entramos en el segundo período de ella.”

El espíritu no tiene ya por qué buscar la esencia fuera de él, sino dentro de sí mismo, pues lo que parecía algo extraño se revela ahora como pensamiento, es decir, la conciencia tiene esta esencia en sí misma.”

O espírito não tem já por que buscar a essência fora de si, senão dentro de si mesmo, pois o que parecia algo estranho se revela agora como pensamento, quer dizer, a consciência tem esta essência em si mesma.”

Esta evolución de lo general, en la que la esencia se pasa por entero al lado de la conciencia, la encontraremos en la tan denostada filosofía de los sofistas; podemos enfocar esto en el sentido de que es aquí donde se desarrolla la naturaleza negativa de lo general.”

Esta evolução do geral, em que a essência passa por inteiro para o lado da consciência, encontrá-la-emos na tão criticada (e com razão) filosofia dos sofistas; podemos enfocar isto no sentido de que é aqui onde se desenvolve a natureza negativa do geral (o sensível determinado negativo, para usar a nomenclatura da citação anterior).”

FIM DO PRIMEIRO VOLUME

DIC:

al buen tuntún: inadvertidamente

atisbo: insight, vislumbre de algo maior

cifrar: inscrever

de suyo: de per se, por si só

lienzo: tela, pintura

CHASING LOLITA: How popular culture corrupted Nabokov’s little girl all over again – Graham Vickers, 2008.

Chasing Lolita, published on the 50th anniversary of Lolita’s American publication, is an essential contemporary companion to Vladimir Nabokov’s great novel. It establishes who Lolita really was back in 1958, explores her predecessors of all stripes, and examines the multitude of movies, theatrical shows, literary spin-offs, artifacts, fashion, art, photography, and tabloid excesses that have distorted her identity and stolen her name. It considers not just the ‘Lolita effect’ but shifting attitudes toward the always volatile mix of sex, children, and popular entertainment—from Victorian times to the present. And it also looks at some real-life cases of young girls who became the innocent victims of someone else’s obsession—unhappy sisters to one of the most affecting heroines in American fiction, and one of the most widely misunderstood.”

INTRODUCTION

The original spark of inspiration for this book was a little less ambitious. It came from a moment in a BBC television documentary that was originally broadcast to coincide with the release of the 1997 film version of Lolita. Adrian Lyne’s movie (the second of 2 film adaptations) had, to the surprise of many, enjoyed the willing consultative participation of Dmitri Nabokov, the author’s dauntingly accomplished son, a famously rigorous critic of any attempts to fool around with his father’s masterpiece.”

Nabokov I foi também um “lepidopterist”: especialista em borboletas e mariposas!

Lolita and her story were just one of these dazzling inventions, completed and put away in late 1953 and at once, in its author’s mind, displaced by the next pressing project.”

Fame is of assistance only to people who make their work, not celebrity status, the point of their endeavors. ‘It is Lolita, not I, who is famous’, Nabokov once said, when pressed, but her fame brought him wealth and independence, and if the suspicion remains that he would have preferred to have been rewarded earlier and more evenly for a lifetime of remarkable literary achievement, he was philosophical about the irony.

The German poet Rainer Maria Rilke defined fame as ‘the sum total of all the misunderstandings that can gather around one name’.”

1. THE REAL LIFE OF DOLORES HAZE: Just the facts

Humbert Humbert is a middle-aged, fastidious college professor. He also likes little girls. And none more so than Lolita, who [sic] he’ll do anything to possess. Is he in love or insane, a silver-tongued¹ poet or a pervert, a tortured soul or a monster—or is he all of these!

¹ [Persuasivo, eloqüente.]

The above summary—either supplied by the publisher or staffers at the amazon.co.uk Web site on which it appears, promoting a Penguin Modern Classics edition of the novel—illustrates the difficulty of synopsizing the plot of Lolita. The book does not lend itself to literal précis. Most attempts to summarize it make it sound melodramatic or even absurd.”

The colorful memoir is prefaced with a straitlaced introduction by the fictitious John Ray Jr., who claims to be its appointed editor. The novel’s action takes place in various U.S. locations in the late 1940s and early 1950s and presents Humbert and Lolita’s story exclusively from Humbert’s point of view and in his own often florid literary language.

So far, so good. It is when we come to summarize the book’s nature and texture that this infinitely subtle, allusive, comic, and grotesque love story defeats us. A black comedy about a middle-aged man’s obsession with a young girl is the line most frequently taken by movie listings journalists whom space compels to encapsulate the plot of either of the two film versions of Lolita in around a dozen words. Such doomed exercises recall a sketch from the cult 1970s comedy TV series Monty Python’s Flying Circus where, in the setting of a televised competition, contestants are challenged to give a 15-second summary of Proust’s one-and-a-half-million word À la recherche du temps perdu.”

today, in the age of the sound bite, the elliptical impressionism of Humbert’s account leaves the heroine of Lolita even more susceptible to grotesque misinterpretations.”

The public, they reasoned, wanted cartoonish representatives of complicated things. Accordingly, in the popular imagination wild-haired Albert Einstein became the Wacky European Scientist, surly Marlon Brando the Mumbling Ambassador of Inarticulate Youth, pneumatic Marilyn Monroe the paradigmatic Hollywood Pinup, mad-eyed bald man Pablo Picasso the Famous Modern Artist, and so on. It was a kind of visual shorthand, and it was often accompanied by editorial to match. If this trend did not actually discourage serious debate about science, acting, stardom, and modern art, neither did it do much to promote it. In this breezy spirit Lolita would gradually exemplify the Sultry Teenage Temptress. It was a travesty from the start.

In the first place, Lolita was a 12-year-old child—not a teenager—when she first succumbed to the middle-aged man who subsequently narrated the saga of his infatuation with her. In the second place, she was not equipped, in any sense, to be an iconic temptress. The novel’s descriptions of her stress her physical appeal but only in relation to Humbert’s appetites.”

In short, far from being overt, Lolita’s sex appeal would have been elusive to all but a pedophile with a very specific shopping list of expectations. For Humbert, the first wave of desire for Lolita derived from her resemblance to a particular girl who obsessed him when he was 14 and whose loss, he fancies, froze his sexual ideal forever, just as a snapshot freezes its subject in time as well as space.”

It was not until a publicity poster appeared for Stanley Kubrick’s 1962 film of Lolita that we first encounter a color photograph of an entirely bogus Lolita (Sue Lyon) wearing red heart-shaped sunglasses while licking a red lollipop (love and fellatio, get it?). Lolita’s sunglasses in Kubrick’s (black-and-white) film sport regular frames and at no point does she suck that kind of lollipop, so the poster makes false promises on every level. The same synthetic image subsequently graced many international paperback editions of the novel. Yet before Lolita’s first American publication in 1958, Nabokov had insisted that there should be no little girl at all on the book’s cover because he was in the business of writing about subjective rapture, not objective sexualization.”

A grande ironia é que eu tenho um exemplar de Pnin em português com a seguinte chamada de capa: do mesmo autor de Lolita!

Tensions between fact and fiction, real names and aliases, evocation and invention, description and advocacy, confession and fantasy not only run through Lolita from start to finish but also precede and postdate the novel in a sometimes extraordinary series of foreshadowings, overlaps, and echoes.”

2. CASEBOOKS AND FANTASIES: Dolores Haze’s oft-told tale

by casting himself alongside poets like Dante and Petrarch—not to mention Edgar Allan Poe—Humbert Humbert seeks somehow to glamorize his wretched appetites by implying that his perversion is one to which artists and visionaries are particularly susceptible.

When Humbert makes a passing reference to Dante’s ‘love’ for the child Beatrice, he is being entirely misleading, implying that Dante Alighieri was an adult when he met the 8-year-old Beatrice Portinari in 1274. Since Dante was only 9 at the time (and there is no historical record of an affair between the couple at any point anyway), this is a dishonest ploy, to say the least. His Francesco Petrarch reference is even less persuasive, asserting that Petrarch fell madly in love with Laureen when she was a fair-haired child of 12. The poet was 23 when he first became enamored of the mysterious Laura in Avignon’s Église de Sainte Claire during the spring of 1327. Although evocatively immortalized in Petrarch’s verse, historically speaking Laura remains an entirely unknown quantity. It is only some scholars’ guess that she was in reality one Laura de Noves, the wife of Hugues de Sade. And even if this were true, then she was not only already married but also a mere 6 years younger than Petrarch, making her 17 at the time of their meeting in that French church.” “Humbert is, however, quite right when he says that Virginia Clemm was only 13 when she married her 27-year-old cousin, the poet and mystery writer Edgar Allan Poe, in 1836.

Poe is something of an éminence grise always present in the shadows of Lolita. Humbert appropriates his first name as a decorative addition to his own when the fancy suits him (‘Edgar H. Humbert’ is how he signs in at the Enchanted Hunters Hotel).”

Poe’s 1849 poem Annabel Lee supplies the plot and the seaside imagery, as well as the girl’s name for young Humbert’s ill-fated affair with his half-English, half-Dutch Annabel in the fateful summer of 1923.” “In Poe’s poem Annabel finally succumbs to a fatal chill right there in their ‘kingdom by the sea’. Death also overtakes Humbert’s Annabel, but not until after they have parted, and not in the Riviera sun—not until 4 months later when she dies of typhus in Corfu.”

Neither the angels in Heaven above,

Nor the demons down under the sea,

Can ever dissever my soul from the soul

Of the beautiful Annabel Lee.” E.A.P.

Leaving Humbert’s own very selective literary and historical apologists to one side, we may, to use a Humbertian turn of phrase, ‘tom-peep’ into the lives of a few more proto-Lolitas. The sexual appetites of Charles Lutwidge Dodgson, who under the name of Lewis Carroll found lasting fame as the author of Alice’s Adventures in Wonderland, remain mired in ambiguity (the book was translated into Russian, incidentally, by a young Vladimir Nabokov, a daunting task for which he allegedly received the equivalent of $5).”

A verdadeira Alice Lidell, que não era loira, como muitos pensam.

Dodgson died a bachelor in 1898, his reputation intact, perhaps because his fondness for young children was more commonplace than we might like to think and existed in an ambiguous Victorian moral climate where even honest attempts to protect children were based upon a very formal concept of sexual purity. In his book Child-Loving: The Erotic Child and Victorian Culture, James R. Kincaid went so far as to link our contemporary cultural preoccupations with pedophilia back to 19th-century ‘child protection’ reforms that took the form of compulsory schooling, age of consent laws, and the formation of anticruelty societies.”

Early in the 20th century came one of Lolita’s almost forgotten progenitors. She was not famous at first and only attracted widespread attention in recent years—and then only because of the existence of her more famous successor. Heinz von Eschwege, a German author who wrote under the pen name of Heinz von Lichberg, invented his Lolita in 1916 in a short story of that name, which, in Carolyn Kunin’s English translation, runs to a little under 350 words. The coincidences beyond the title name are surprising, even though von Lichberg’s tale is very unlike Nabokov’s and his short but convoluted narrative resembles a set of those hollow Russian dolls that keep revealing ever smaller replicas of themselves stashed within. It begins with an account of a social gathering in Germany at which a professor tells the assembled company a story drawn from his own experience (or perhaps his reveries, he freely admits). This story is characterized by dreams and supernatural trans-generational coincidences. The German professor, traveling in Spain, is introduced to an Alicante innkeeper’s daughter called Lolita, who ‘by our northern standards . . . was terribly young. . . . Her body was boyishly slim and supple and her voice was full and dark. But there was something more than her beauty that attracted me—there was a strange mystery about her that troubled me often on those moonlit nights’. The couple have a sexual encounter and a brief affair and then part, but the story is really about the narrator’s strange nocturnal fantasies that began at home in southern Germany and, in the light of his subsequent meeting with Lolita, seem to have let him glimpse mysterious

events from the history of her family, the female line of which is apparently doomed to suffer madness and death shortly after giving birth. The story is essentially a curio, but its rediscovery naturally raised the question of whether or not Nabokov—who actually lived in the same Berlin district as von Eschwege in the mid-1930s—could have read it and been influenced by it, however subliminally.”

Dmitri Nabokov claims any influence is unlikely since his father hardly read German at all at the time. Even so it is eerie to think that Dolores Haze, conceived in Mexico, might have had a spiritual ancestor with Hispanic connections, a woman famous for her reputation for tempting men and someone for whom pregnancy would mean inevitable death.

Hindsight is a fine thing, and it is sometimes possible to see patterns and connections where none exist. The question of what, if anything, Nabokov owed to von Eschwege caused a literary stir when the first Lolita was unearthed and subsequently discussed in Michael Marr’s book The Two Lolitas. Marr, however, concluded that ‘nothing of what we admire in Nabokov’s Lolita is already to be found in the tale; the former is in no way deducible from the latter’.

A more questionable although undeniably fascinating claim of inspiration came from Charlie Chaplin’s biographer Joyce Milton, who maintained in her biography Tramp: The Life of Charlie Chaplin that Chaplin’s 1924 marriage at the age of 35 to 16-year-old Lillita Grey was Nabokov’s real inspiration. The name ‘Lillita’ is certainly a temptation to rush to judgment (after one film appearance as Lillita McMurray, the young actress in question later variously appeared as Lita Grey and Lita Grey Chaplin).”

Curiosamente:

lilt (ENG) (subst. ou verbo) alto-astral, animado, eufórico.

It is hard to see any real parallels between Humbert and Chaplin, apart from their shared ‘Europeanness’ and the latter’s well-known fondness for very young girls, a tendency that, like Charles Dodgson, he seemed to always find convenient to believe was essentially innocent and nonsexual.”

Imagine this kind of thing: an old dog—but still in his prime, fiery, thirsting for happiness—gets to know a widow, and she has a daughter, still quite a little girl—you know what I mean—when nothing is formed yet, but already she has a way of walking that drives you out of your mind. A slip of a girl, very fair, pale, with blue under the eyes—and of course she doesn’t even look at the old goat. What to do? Well, not long thinking, he ups and marries the widow. Okay. They settle down the three of them. Here you can go on indefinitely—the temptation, the eternal torment, the itch, the mad hopes. And the upshot—a miscalculation. Time flies, he gets older, she blossoms out—and not a sausage. Just walks by and scorches you with a look of contempt. Eh? D’you feel here a kind of Dostoevskian tragedy?” Nabokov, Dar (The Gift)

Almost immediately after the completion of Dar, in Paris in the autumn of 1939, Nabokov wrote his Russian novella Volshebnik (The Enchanter), which uses the first part of the above narrative premise. Unpublished, the story was assumed lost after Nabokov and his family relocated to the United States in 1940 (in point of fact the author mistakenly recalled destroying it). Unexpectedly, Volshebnik resurfaced among some papers in February 1959, and its author, more often than not a man impatient with his own failings as a young artist, found himself not entirely displeased by the rediscovered piece.

I have reread Volshebnik with considerably more pleasure than I experienced when recalling it as a dead scrap during my work on Lolita, Nabokov wrote in a letter” “(It was not to appear until 1986, almost a decade after Vladimir Nabokov’s death, in a translation by his son, Dmitri.) The original Russian version was at last published in 1991, half a century after it was written. Unlike Lolita, Volshebnik is easily summarized: A middle-aged pedophile marries an ailing woman in order to be near her 12-year-old daughter. When the woman finally dies he takes the girl on a vacation, planning to establish a sexual relationship with her over time while dressing up this protracted seduction as a game of make-believe. In their hotel room, however, he is too impatient and fondles her once she goes to sleep. When she awakes and begins screaming, the man knows all is lost and runs panic-stricken from the hotel in suicidal search of ‘a torrent, a precipice, a railroad track’. A thundering, heavy vehicle obligingly supplies the deus ex machina and the story’s ending. Compared to the infinitely richer Lolita, Volshebnik seems a rather mechanical trifle and, although beautifully written and translated, does not make us care much about any of the participants in Nabokov’s miniature Dostoevskian tragedy. Only in the occasional fleeting detail does there seem to be any live connecting tissue to Lolita, as in the introduction of Volshebnik’s nameless nymphet (who incidentally shares Lolita’s pale gray eye color) in a park on roller skates. She is ‘leaning well-forward and rhythmically swinging her relaxed arms’

SAN JOSE, Calif., March 22—(AP)—A plump [rechonchuda] little girl of 13 told police today she accompanied a 52-year-old man on a 2-year tour of the country, in fear he would expose her as a shop-lifter.

The girl, Florence Sally Horner of Camden, N.J., was found here last night after she appealed to Eastern relatives ‘send the FBI for me, please?’

Her companion, Frank La Salle, an unemployed mechanic, was said by County Prosecutor Michael H. Cohen in Camden to be under indictment for her abduction.

Officers said the girl told them La Salle had forced her to submit to sexual relations.

The nice looking youngster, with light brown hair and blue-green eyes, attributed her troubles to a Club she joined in a Camden school. One of the requirements, she said, was that each member steal something from a 10-cent store.

She stole an article, she related, and La Salle happened to be watching her. She said he told her he was an FBI Agent; that ‘We have a place for girls like you.’

Sally said she went away with him, under his threat that unless she did, he would have her placed in a reform school.” Associated Press, 1950

Nabokov uses an even more devious documentary device when he has Humbert refer to and relate another true-life crime of the day, that of G. Edward Grammar, a 35-year-old New York office manager arraigned for murdering his wife and trying to make her death look like a car accident.”

A creative writer, Nabokov wrote in his own memoir, Strong Opinions, must study carefully the works of his rivals, including the Almighty.”

Automobiles, it turned out, were clearly bad news in the short, sad life of Sally Horner, because less than 2 years after her liberation from Frank LaSalle’s mobile prison, she was killed in an unrelated road accident.”

So Sally Horner’s case brought the 20th-century casebook history of real-life pedophilia up-to-date with the time frame of Lolita, even overtaking the action by a couple of years.”

The world’s news media still intermittently highlight certain such cases. A 10-year-old Japanese girl, Fusako Sano, was kidnapped and held captive by Nobuyuki Sato for 9 years, from

1990 to 2000. Teenager Tanya Kach, of Pittsburgh, Pennsylvania, was confined against her will at the home of 37-year-old Thomas Hose from 1996 to 2006.”

Natascha Kampusch, born in 1988 in Austria, grew up fatherless like Lolita even though her mother, Brigitta Sirny, did enjoy a fairly stable relationship with another man. When Natascha was 10 she was abducted while walking to school alone after an argument with her mother (shades of Charlotte Haze’s daily domestic battles with her daughter). Her abductor, Wolfgang Priklopil, imprisoned her in a small, secretly constructed room in his house for most of the 8 years of her confinement. Although she refused to discuss ‘personal or intimate details’ after she finally escaped in 2006, the tacit assumption is that Priklopil used her as a sex slave, and Kampusch did admit to a media advisor, although not in front of the TV cameras (hers was a very structured reintroduction to society), that Priklopil beat her badly from time to time. Perhaps of particular interest to those unimaginative souls who persist in seeing Lolita’s dull cooperation with Humbert’s exploitative regime as complicity pure and simple is the fact that Priklopil once took his prisoner on a skiing holiday in Vienna and would even take her shopping occasionally. The complexities of their enforced relationship are still not fully explained and may eventually yield some awkward truths, but in 2006 the case provided an eerie echo of both Sally and Lolita, neither of whom could ever have been guarded night and day, every day, but both of whom somehow lacked the spur or spirit to escape their captors until much later than they might have been expected to do. This phenomenon now has a name, courtesy of a 1973 bank siege at Norrmalmstorg, Stockholm, Sweden, in which the robbers held employees hostage from August 23 to August 28.”

Natascha Kampusch’s wild escape through suburban gardens and streets, during which she completely failed to interest anyone she met in her plight, has itself a dark Nabokovian tinge of farce”

3. A VERY 1950s SCANDAL: Hurricane Lolita

For a time, 20th-century America did have a written moral code, and although it was intended to control only the movies, it reflected much broader establishment concerns about the general threats posed by artists to society in general. It was the Motion Picture Production Code of 1930, better known as the Hays Code, named for ex-Republican politician and ex-postmaster general [president dos Correios] Will H. Hays, who was appointed the first president of the Motion Picture Producers and Distributors Association and therefore became the nominal father of the code. The Hays Code was bold enough to set down its guidelines and exclusion zones in full literal foolishness. Although it was in operation for only 30 years or so, the code neatly set out the establishment view of what was thought admissible to depict—at least on the screen—during the period leading up to and beyond the time of Lolita’s publication.”

Though regarding motion pictures primarily as entertainment without any explicit purpose of teaching or propaganda, producers know that the motion picture within its own field of entertainment may be directly responsible for spiritual or moral progress, for higher types of social life, and for much correct thinking.” Mais lendária que a mula sem-cabeça essa mitologia hollywoodiana ianque!

The sanctity of the institution of marriage and the home shall be upheld. Pictures shall not infer that low forms of sex relationship are the accepted or common thing.” Este é o mundo livre que venceria os comedores de criancinhas soviéticos!

Sex perversion or any inference to it is forbidden”

Miscegenation (sex relationships between the white and black races) is forbidden.”

Children’s sex organs are never to be exposed.”

His moral reign, however, happened at a time when image was deemed less important than it is now; one parenthetically wonders whether saturnine [sardônico] 50s TV personality Ed Sullivan would even get a job reading the local news in front of today’s cameras.”

So Hays became the unlovely and unloved poster boy of a notorious code that was often booed when a summary of its principles appeared on the movie screen prior to the feature film—hardly the sign of a regulatory body in touch with the public.

The code was right about one thing, however: books, for whatever reason, were indeed somewhat ahead of movies in the frankness stakes, even if James Joyce’s Ulysses (1922) did run into censorship trouble in the United States during its prepublication serialization in The Little Review magazine. The finished novel was duly banned from U.S. publication until the 1930s, when Random House finally engineered the importation of a French edition with the full knowledge that it would be seized by customs. It was, and the ensuing trial—United States v. One Book Called Ulysses¹—resulted in U.S. District Judge John M. Woolsey ruling that the book was not pornographic and so could not be classed as obscene.”

¹ Essa forma de batizar julgamentos em que o réu ENFRENTA O ESTADO NOMINALMENTE sempre me soou como a coisa mais babaca do sistema judicial gringo. E, voilà, o irlandês deu um direto na fuça do Tio Sam!

Scandalous writing of a less high-flown sort next tested the would-be book banners and came in the shape of Kathleen Winsor’s proto-bodice-ripper Forever Amber (1944), which immediately stimulated a popular appetite for erotic fiction. Her impressively researched book was set in Restoration England and concerned a female social climber with a pragmatic moral sense and an eye on bedding the king; it triggered several charges of pornography and calls for bans across America. The Massachusetts attorney general found in it 70 instances of sexual intercourse, 39 illegitimate pregnancies, 7 abortions, 10 descriptions of women undressing in front of men, and many ‘miscellaneous objectionable passages’, and so prosecuted.”

the Massachusetts Supreme Court eventually concluded that Winsor’s historical research was thorough and resulted in an honest portrayal of the mores of the time and place in which the book was set.”

In 1946, literary critic Edmund Wilson published his second book of fiction, Memoirs of Hecate County. Wilson was at the time a friend and supporter of Vladimir Nabokov, although eventually the two men of letters would fall out, partly over Wilson’s low opinion of Lolita. Published by Doubleday, Memoirs of Hecate County received good reviews and sold almost 60,000 copies before the Society for the Suppression of Vice [vice fuder!] brought suit against the publisher in July 1946, on the grounds of objecting to a number of frank but otherwise unexceptionable heterosexual sex scenes.”

Will H. Hays, who died in 1954, might well have entered his grave already spinning after learning that according to Kinsey and his team at their Institute of Sexual Research, sexual orientation was a far more complex issue than The Adventures of Ozzie and Harriet¹ might have Middle America believe.”

¹ “The Adventures of Ozzie and Harriet is an American television sitcom, which aired on ABC from October 3, 1952, to April 23, 1966, and starred the real-life Nelson family. After a long run on radio, the show was brought to television, where it continued its success, initially running simultaneously on radio and TV. It was the longest running live-action sitcom in television history until It’s Always Sunny in Philadelphia replaced it on May 26, 2020, when that series got renewed for a 15th season. The series starred the entertainment duo of Ozzie Nelson and his wife, singer Harriet Nelson, and their sons, David and Ricky. Don DeFore had a recurring role as the Nelsons’ neighbor ‘Thorny’.”

Whatever the validity of Kinsey’s methods and statistics—and these were certainly controversial—the very fact that such taboos were being discussed openly seemed to cause as much outrage as the findings they unearthed. Surely America did not behave like this behind closed doors—and if it did, surely no one should ever talk about it so frankly.”

With its lively litany of social injustice, murder, adultery, and abortion, Peyton Place would remain on the New York Times’ best-seller list for over a year and seemed to mark an emphatic rejection of any hopes of art encouraging ‘correct thinking’. One episode in Metalious’ novel originally had a character named Selena Cross murder her father because he had been sexually abusing her for years. The real-life inspiration was 20-year-old Jane Glenn, a New Hampshire girl who, in 1947, confessed to the same crime—and to burying the corpse beneath a sheep pen with the help of her younger brother. Metalious’ editor changed Selena Cross’ victim to stepfather, feeling that murder was acceptable but incest was a vice too far. This assumption finds an echo in Humbert’s own moral prioritizing when he notes from his prison cell that, sitting in judgment on himself, he would dismiss the murder charge and give himself at least 30 years for rape.

Before the American public would be allowed to read these words and the rest of Lolita, Nabokov’s book would have to make its way through a maze of obstacles. When it had done so, it unleashed a scandal to overshadow all of its recent predecessors. Since it involved scholarly, retiring 59-old Vladimir Nabokov (a man whose substantial body of fiction contained no obscene words and bore eloquent testimony to his total indifference toward books with social or moral messages), it was somehow fitting that this chronicler of unexpected coincidences and unintended consequences should find himself at the center of an international uproar about morality, social responsibility, and obscenity. Nabokov had placed at the heart of his greatest novel something that Joyce had not touched upon and Hays had not even dared to articulate in order to forbid: pedophilia.

The journey toward scandal was slow and complex. Lolita’s first publishing house, the Paris-based Olympia Press, had been inherited by Maurice Girodias from his father, who had published Henry Miller’s Tropic of Cancer and Tropic of Capricorn in the 1930s. Girodias junior, falling on hard times in 1953, resolved to make money by publishing, in English, every book he could acquire that had fallen foul of Anglo-American censorship. The censor’s thumbs down was his only criterion; good, bad, or indifferent, if it had been banned, Girodias wanted it. To be fair, Girodias had also published some respectable authors (including Lawrence Durrell, J.P. Donleavy, and Samuel Beckett) and at least one notable piece of erotica, L’histoire d’O by Anne Desclos (who wrote such books either anonymously or pseudonymously as Pauline Réage while enjoying rather a good reputation under another literary pseudonym, Dominique Aury). Nabokov, however, knew little of Girodias and was guided by his French agent and friends in Paris. Since Girodias had until recently owned another imprint, a prestigious art book subsidiary called Éditions du Chêne, this further seemed to enhance his reputation as a serious publisher. So when he offered to publish Lolita, Nabokov (who had already had the novel rejected by Viking, dubbed ‘pure pornography’ by Simon & Schuster, and further rejected by 3 more American publishers) jumped at the chance.”

The final 3 months of 1955 were stressful for the author, who, having just recovered from a serious bout of lumbago, was now having difficulty finding a publisher for his next novel, Pnin (or My Poor Pnin as it was titled at the time).”

In December of the same year the French Ministère de l’Intérieur banned 25 English-language Olympia titles, Lolita among them.” Mal tinham sido salvos dos nazistas e já andavam tão ingratos!!

The French press was immediately up in arms at what it saw as a betrayal of France’s traditional cultural freedom; it identified Nabokov’s book as the true cause of the blanket ban and, by January 57, had elevated the legal dispute into ‘l’affaire Lolita’.”

France’s highly regarded publishing house Gallimard arranged to publish a French-language edition, which would be very well received—a particular fan was Raymond Queneau, a longtime Gallimard employee whose own linguistically playful novel Zazie dans le métro (1959) would transpose something of Lolita’s nymphet feistiness to another little girl, this time in a Parisian setting.”

Lolita took off, selling 100,000 copies in 3 weeks. When Putnam’s took out an ad in the New York Times Book Review of August 21, there was no shortage of rave reviews to cite. Graham Greene, William Styron, and Lionel Trilling all praised it fulsomely, and even Dorothy Parker seemed to acknowledge that for once her tendency to deploy her vitriolic wit even when reviewing things she liked had no place here. ‘A fine book, a distinguished book—all right, then—a great book’, she wrote.”

“‘V. serenely indifferent’ was Véra Nabokov’s diary entry about her husband’s reaction to finally hitting the commercial jackpot after a lifetime of poorly paid literary toil.

Lolita was never prosecuted in the United States, a source of great satisfaction to Nabokov, who passionately loved his adopted homeland. Ironically, the many delays to publication had probably helped matters since the incremental efforts of many liberal-minded publishers had recently contributed to a more mature climate surrounding literary censorship.” “As soon as the Cincinnati Public Library banned it, Lolita immediately reached the top of the best-sellers list. When the Los Angeles Public Library was ‘exposed’ for circulating a copy, the only result was a boom in sales of the book in California. The Texas town of Lolita gravely debated whether it should change its name to Jackson, presumably in case it was mistaken for a little girl.” HAHAHAHAHA!!!

Again America was absorbing something controversial into its popular culture instead of subjecting it to a witch hunt. Mainstream comedians all had a Lolita gag, the unspoken basis of the joke being that Lolita was a dirty book.” Imagina o DE NÓBREGA mandando essa!

I’ve put off reading Lolita for 6 years, till she’s 18.”

Groucho Marx

All this playfulness marked the beginning of Lolita Haze’s disparagement; the advance guard of what would prove to be a legion of faux Lolitas would soon start to emerge. Perhaps the very first was the ponytailed little girl who, incredibly, on Halloween came to the Nabokovs’ door looking for treats while dressed (by her parents!) as Lolita; the famous name was spelled out on a sign she bore and—even more sinister, since it betrayed a detailed knowledge of the book—she carried a tennis racket. Nabokov was quite shocked. If only he had known what lay in store for his nymphet.” Esses pais são o que eu chamaria de the original pranksters!

Nabokov had sold the film rights of his book to James B. Harris and Stanley Kubrick, so now Lolita Haze and Humbert Humbert were about to make the fraught transition from what Hays had called ‘the cold page’ to embodiment by ‘apparently living people’. For a middle-aged actor to impersonate Humbert might be seen as no more than a risky professional challenge, but for a prepubescent girl to embody Lolita on-screen looked like a decidedly dangerous prospect. We may charitably assume that Nabokov’s otherwise absurd suggestion that a ‘dwarfess’ be hired to play Lolita was simply a comment designed to avert any charge of being implicated in the corrupting of a living, breathing child. He had no need to worry; others would take care of the corrupting. They had been doing it in Hollywood for years.”

4. LOLITA IN MOVIELAND 1: Little Victims and Little Princesses

As with Dickens’s Little Nell, Little Emily, and Little Dorrit, that emotionally loaded word ‘little’ was to feature frequently in the promotional screen name of many a child actress (Little Mary Pickford and Little Blanche Sweet, for example), as well as in the titles of their films (The Little Princess, Little Annie Rooney, The Poor Little Rich Girl, and so on). Usually helming these enterprises and guiding their young stars’ careers were 40-something men about whose sexual inclinations we are entitled to wonder.”

it was pointed out as long ago as 1920, in the movie magazine Photoplay, that the father of film D.W. Griffith seemed to have an ‘obsession with scenes in which women and girls are beaten or attacked’.” “As in the case of Alfred Hitchcock’s well-known obsessive tendency to put his ice-cool blonde heroines through the physical or emotional mill, it could be that Griffith’s fixation was nothing more than the public sublimation of dark fantasy. He is now best remembered for directing the sprawling epics Birth of a Nation (1915) and Intolerance (1916), but Griffith also has the distinction of giving the movies their first recognizable prototype nymphet. To be sure, his version was a composite model, most often portrayed by Lillian Gish¹ and later played by actresses like Carol Dempster, Colleen Moore, and Mae Marsh, but it had been Griffith’s idea to create the character in the first place. He was certainly not alone in his interests.”

¹ Algum parentesco com Annabeth Gish? De qualquer maneira, Lillian viveu 100 anos (!) e começou a carreira de atriz já maior de idade. Dedicou ¾ de sua longa vida às telas!

In his Foolish Wives (1922), Stroheim’s character fakes love in order to try to seduce his maid, an ambassador’s wife, and a simpleminded 14-year-old girl (reenter the damaged little girl stereotype).”

In Queen Kelly, Stroheim directed like a man who knew that this might be his last film, and at one point Gloria Swanson had to cable Joe Kennedy, begging him to come and stop the ‘madman’ who was blowing the budget. Needless to say, Kennedy’s financial investment in the movie did not pay off, although it did allow his 32-year-old mistress to play convent girl Kelly, a lead part for which she was clearly far too old.”

Only one actress had miraculously spanned the entire life of the phenomenon, sustaining a little girl image that began under the guidance of D.W. Griffith in 1909 and served her well for the next 20 years. She was Gladys Marie Smith from Toronto, Canada, reinvented as Little Mary Pickford for the American movies, a highly durable nymphet who, professionally at least, would have laughed at Humbert’s age boundaries of 9 and 14.” “When her legions of loyal fans were asked by a movie magazine in 1925 whom Little Mary should play next, Alice in Wonderland and Heidi were among the top choices.” “Her protracted adult depiction of a childhood that she had never personally experienced now looks rather grotesque, and her performances come over as skillful but cloying [enjoativas] and arch [velhacas, com o perdão do trocadilho]. To her credit, Pickford did not think much of them herself (‘I can’t stand that sticky stuff’), and by the start of the 30s she knew it was all over. Her fans would simply not let her grow up. When she had the temerity to bob her hair in 1929 they had been outraged.”

By the 30s Dickensian waifs [magricelas dickensianas seria a tradução mais próxima] were on their way out. Adults impersonating children were also passé, but children impersonating adults were becoming very popular indeed. In This Is the Life (1935), 9-year-old Jane Withers mimicked Marlene Dietrich’s knowing top-hat-and-tails routine from Blonde Venus with disturbing skill.”

One scene in the movie Gold Diggers of 1933 features a midget, Billy Barty, disguised as a child of indeterminate sex, lasciviously raising a translucent curtain that has previously been displaying only the shapely silhouettes of scantily clad showgirls.”

The camp charm of a movie like 42nd Street (1933) is still enjoyable today, but our indulgent smile fades when the young ‘Chubby’ Chaney passionately kisses a cardboard cutout of Greta Garbo stationed in a movie theater lobby in a 1931 Our Gang two-reeler.”

It was Shirley Temple who set the standard, whether, at 5 years old, impersonating Marlene Dietrich (incredibly redubbed ‘Morelegs Sweettrick’) in Kid in Hollywood, a 1933 Baby Burlesk short, or matching top adult dancers step for step as she became a seasoned trouper of 8 years. Temple was not a nymphet, and neither were her contemporary child stars for that matter, but her precocity still posed an unsettling question about the sexual implications of the burlesque this particular baby was putting on. It was a matter that no one dared to raise in public until 1937.

Graham Greene’s infamous review of the 1937 Shirley Temple movie Wee Willie Winkie in the urbane but obscure British magazine Night and Day cast an intentional slur on a star Hollywood promoted as the embodiment of innocent cuteness. (…) He wrote that 9-year-old Temple displayed ‘a certain adroit coquetry which appealed to middle-aged men’.”

A swift libel suit by Twentieth Century Fox was successful and subsequently bankrupted the magazine, although it did little lasting harm to Greene, who swiftly decamped to Mexico, wrote The Power and the Glory, and, nearly 20 years later, became the first literary champion of a sensational American novel featuring a middle-aged man with a fatal taste for nymphets.

Greene’s trenchant observations about Temple’s sexualization were well founded but perhaps poorly targeted. Wee Willie Winkie was, after all, only one in a flood of similar films that adhered to a familiar convention, and it was perhaps selected for Greene’s critical attention simply because it was directed by John Ford, already regarded as a serious director. On the other hand, Greene already seemed familiar with Temple in Captain January, which boasted a less exalted directorial hand.

The child-star movies of the 30s can be partially excused because they were part of a general climate in which the sexual tensions between middle-aged men and much younger women or girls were broadly accepted as moral-free dramatic conventions of the time.”

The Major and the Minor (1942) was something of a wild card for the period, revisiting the silent cinema’s adult-imitating-a-child convention but this time seen through the caustic eye of Billy Wilder. Wilder was an Austrian expatriate who in many ways shared Stroheim’s dark perspective but usually managed to channel it into very funny if sometimes cruel satire. The Major and the Minor revolves around mid-western innocent Susan Applegate (Ginger Rogers), who needs to get home to Iowa from New York but cannot afford the train fare. Disguising herself as a 12-year-old in order to travel half price, she becomes involved with a short-sighted military man (Ray Milland) who finds himself strangely drawn to her. She feels the same, and the playing out of this apparently illicit romance lets Wilder have it both ways. The movie remains a very funny, out-of-time curio.

Otherwise, by the 1940s, the child-star syndrome had itself started to give way to a new type—adolescent girls who were sweet but not provocative, resourceful but not rebellious.” “Temple was the first to discover her babyish talent might not be automatically parlayed into puberty and beyond. She never really made it past 12 and was finished by the time she was a teenager. Elizabeth Taylor, Judy Garland, and Deanna Durbin personified the older girl-child stereotype, more demure but certainly not without an appeal to middle-aged men” “Garland, meanwhile, brought a no-nonsense, clean-pinafore [vestido feminino] charm to many films spanning the 30s and 40s. She might have been the least sexy of that particular trio, but it was 14-year-old Garland upon whom MGM decided to bestow a crush for their 35-old leading man Clark Gable.” “Garland’s blossoming figure was strapped down and she was given diet pills, so starting her out on a lifetime of drug dependency that would end in despair and death at 47. Durbin tried to make the transition to adult actress without success, despite her considerable beauty, and her career did not last beyond the 1940s; she went on to enjoy a long life away from Hollywood. Only Taylor made the breakthrough to an adult career, leaving behind a veritable menagerie of costars—dogs, horses, cats—as well as those men of a certain age. She had always looked older than her years, and her beauty when young was legendary.”

With the sweeter adolescent girls taking over in the mainstream family entertainment movies, it was left to these shadowy crime movies to give house room to the occasional Lolita of the day, and those characters were usually one-offs—kid sisters or daughters whom circumstance and their own sex drive put on the horns of a moral dilemma that was usually not the main concern of the movie.”

Errol Leslie Thomson Flynn started life in Hobart, Tasmania, and was something of an adventurer before he arrived in Hollywood by way of the provincial British stage in 1935. The 1940s proved to be Errol Flynn’s golden decade, and he appeared in a series of swashbuckling period movies that included The Adventures of Robin Hood and The Adventures of Don Juan while living the life of the Hollywood playboy to the hilt. Good-looking and with a rakish good humor, he enjoyed enormous success—indeed, it would be hard to find anyone who enjoyed it more. His taste for underage girls was well known around town and eventually well known in the world’s tabloids. Two teenagers, Peggy Satterlee and Betty Hansen, accused him of statutory rape in 1942, but Flynn was eventually acquitted after a 21-day trial. Wives came and went, but Flynn’s taste for young girls would continue unchallenged until the end of the 1940s, when he was again involved in a statutory rape case, this time of a 15-year-old girl. Again he was acquitted. Flynn never sought to disguise his tastes, and one of the things that had counted against him in the 42 rape case had been Peggy Satterlee’s evidence that he called her ‘J.B.’ (‘jail bait’) and ‘S.Q.Q.’ (‘San Quentin quail’)—proof, it was submitted, that he knew she was a juvenile. That time he got off because his accusers were eventually shown to be less than inexperienced before they met Flynn, further evidence that men could expect to get away with more than women in such matters.

It seemed the movies’ preoccupation with children and light family comedies was beginning to wane at the end of the 40s. It may have been due to nothing more than overexposure, or it may have been that the sobering experience of World War II—even if that experience was only tasted by some through the movie theater newsreels—had encouraged a taste for grittier fare than recycled Victorian dimples and ringlets.”

Then again, it may have been nothing more than that the postwar baby boom starting to populate America’s homes with large numbers of real children made movies starring unreal children seem suddenly less appealing.”

Marooned in a fairytale world of studio-funded special tutors and voice coaches, and rubbing shoulders with some of the biggest stars of the day, Gloria Jean gave her all to a style of sweet adolescent musical film fantasy that was in terminal decline but the production of which still represented the only reality she had ever known. She might have gotten a reality check from the star of the one bracing film she did appear in—Never Give a Sucker an Even Break (1941), where she played the niece of morose child hater W.C. Fields—but Gloria Jean had started too late, and when the end came it came abruptly. She moved into television and then into obscurity. Soon she was earning a living as a receptionist. The sweet-voiced little movie princesses had not made it into the next decade, and Gloria Jean had been the last one to leave, and it fell to her to turn out the light.”

5. LOLITA IN MOVIELAND 2: “Pedophilia is a hard sell”

From John Huston’s The Asphalt Jungle it looked as if Monroe might progress toward a serious, if limited, acting career. Instead, about half of the 22 films she appeared in during the 50s helped to define her as the ultimate Hollywood sex goddess and one whose erotic charge was indivisible from what would become one of the decade’s chief preoccupations: childish feminine innocence wrapped up in an adult body.”

As Clive James once noted, European movie sirens like Greta Garbo and Sophia Loren might look as if they were unashamedly thinking about sex, but ‘Monroe looked as if sex was something that might easily happen to her while she was thinking about something else’.”

Ginger Rogers is terrific at metamorphosing into a kid, but a childish Monroe does not behave all that differently from the adult model that she was already refining in 1952 and that would soon become iconic.”

Monroe had the 50s version of the damaged little Victorian girl syndrome and projected it with an impersonation of mental vacuity, physical vulnerability, and a constant need for a father figure to look after her. Because hers was an image based on reality, Monroe was the one who caught the public’s imagination; in real life she was a little brighter than she pretended to be on-screen and she could throw off the perilously high heels when she got home, but the deep-seated need for a daddy was genuine and would be evidenced by the men she sought and occasionally married.”

Judy Holliday, who was to die young, reprised variants of Billie Dawn in a handful of less satisfactory films, but her signature performance as a not-so-dumb blonde still stands as a classic example of how to make a cliché live and breathe.”

A few movies tentatively tried to absorb rock ‘n’ roll, but apart from the diverting The Girl Can’t Help It (1956) they were almost without exception embarrassing demonstrations that mainstream movies and rebellious rock were worlds apart.”

The film’s notoriety (emblemized by an iconic still showing Baby Doll (Carroll Baker) wearing the short nightgown that would henceforth carry her name, sucking her thumb, and sleeping on a child’s crib with the slats down) was enough to prompt fainthearted Warner Bros. into withdrawing the film from national release during its pre-Christmas 1956 run. Half a century after the furor it caused, Baby Doll looks better than ever, an edgy mix of comedy and drama, adult sexual promise and adolescent teasing, shadows and sunlight, tragedy and farce, all presented in ravishing black-and-white cinematography.” “In an interesting footnote, when Pennsylvanian Carroll Baker made the trip to Mississippi to star in the film, she found that ‘baby doll’ was a universal form of address for young women there, a sobriquet that seemed to combine the familiar ‘baby’ with a built-in reminder of women’s essentially passive, not to say submissive, role.”

One can only wonder where the Catholic Legion of Decency and all the other right-wing moral guardians were when, in CinemaScope and with a G rating, Maurice Chevalier, a musical Humbert if ever there was one, celebrated the unripe appeal of Caron’s pubescent whore-in-training with his lasciviously delivered song Thank Heaven for Little Girls.”

The Bad Seed marks a groundbreaking Hollywood depiction of the darker side of a female child who uses her stereotypically cute looks and presumed innocence to deceive. Shirley Temple, after all, would never have played a pint-sized ax murderer.”

Made in the same year as the first movie version of Lolita, the original film version of Cape Fear, directed by J. Lee Thompson, featured Robert Mitchum as Max Cady, a vindictive ex-prisoner intent upon exacting revenge from the lawyer who helped to put him away for attacking a woman 8 and a half years before. It contained particularly graphic scenes of Cady attacking both his enemy’s wife and young daughter. (…) Thompson was a lifelong opponent of censorship and battled spiritedly with the American censor who sought to reduce the general violence and tone down Cady’s obvious intention to rape the lawyer’s teenage daughter. Thompson had originally wanted 16-year-old Hayley Mills to play the daughter (‘because she was a very sexual girl’), but ironically enough the very sexual girl was under contract to Disney. Thompson wound up with the rather more anodyne Lori Martin instead. Although far less forthright than Martin Scorsese’s 1991 version of the story (where the daughter actually appears to be aroused by stalker Cady and at one point shares an open-mouth kiss with him), Thompson’s film, aided by a superb Bernard Herrmann score, manages to suggest extreme menace where it cannot be explicit.” “At one point Cady snatches up an egg from a counter and violently crushes it in his fist, spraying yolk and white on his victim’s chest and shoulders and then smearing the mess with the palm of his hand. Not for the first time a determined director discovered that when the censor obliged oblique methods instead of obvious ones, the result could be just as disturbing.”

Everybody would be troubled by the one biggest—and certainly the longest-running—sex-with-a-minor Hollywood story to dominate the headlines since the passing of Errol Flynn. Started in 1977, it centered on film director Roman Polanski, and its reverberations still continue to be felt over 30 years later.” “In a piece of fatal bad timing, the family returned to Poland just before the Nazis invaded; his mother was to die in Auschwitz, his father barely survived another concentration camp, and the young Roman only just escaped the Jewish ghetto. With such a traumatic start to his life, the various tragedies that he was to encounter later are put into a salutary perspective. Even so, when, in 1969, his pregnant wife Sharon Tate was murdered in the most grotesque and sensational circumstances at their house in the Hollywood Hills, Polanski—who had been absent at the time—was totally devastated and entered a phase that saw him shuttling between the United States and Europe until, in 77, he met the 13-year-old Samantha Geimer.”

Perhaps the most revealing of Polanski’s Freudian movies is, however, one of the least known. Variously titled What? and (in a censored U.S. version) Diary of Forbidden Dreams, this 1972 film is nothing less than a loose erotic reworking of Alice’s Adventures in Wonderland, in which young American tourist Nancy (Sydne Rome) has some very strange adventures of her own in an Italian coastal town. A disjointed film even before the censor got at it, What? transforms Alice’s rabbit hole into a strange villa peopled with nightmarish inhabitants, one of whom is a retired pimp played by Marcello Mastroianni. A scene in which he interrogates Nancy with all the logic of the Black Queen and then shackles her wrists to her ankles and whips her with a switch is the main reason this film never received a mainstream theatrical release and is still little seen; the handling of the scene is kinky and jokey, and its presence offers further evidence that Polanski’s sexual ideal was a young girl upon whom male dominance could be played out in ritualistic sex games.” Desculpem-me os criminologistas adiantados ou psicanalistas (esses sempre adiantados e sempre equivocados), mas não creio que se possa determinar condição psiquiátrica de perversão sádica e pedofílica via criações artísticas! Estamos em 2008 (data do livro) e isso deveria estar mais claro… Não há relação de causa-efeito entre Polanski diretor e Polanski estuprador, nem “raio X” da vida privada em seus filmes. Antes, como bem antecipou Vickers, o assassinato de sua primeira esposa, sim, foi macabro como uma ficção de mau gosto, esse o paralelo mais visível entre sétima arte e vida real.

Even Polanski’s late-blooming film noir masterpiece, Chinatown (1974), turns on the childhood sexual trauma of Faye Dunaway’s character, Evelyn Mulwray.” Um dos 10 maiores filmes da História. Ainda sobre o “reflexo da vida pessoal nas criações cinematográficas”, tem aquela piada sobre um matemático que lê um romance vanguardista e pergunta ao final: “Mas o que é que isso prova?”.

Once raped by her father (John Huston), she continues to protect the identity of a mysterious young girl called Katherine until, in response to a series of face slaps from Jack Nicholson’s exasperated private eye, she finally answers alternately, ‘My sister. My daughter. My sister. My daughter . . . she’s my sister and my daughter’.” Uma das cenas mais impactantes do cinema.

The implication of the film’s somber ending is that he now wants to gain control of Katherine, his daughter/granddaughter, in order to repeat the abuse” Desculpem o spoiler, mas ainda assim não perderão nada do senso trágico ao assistirem!

Polanski’s version was that Geimer’s mother had effectively entrapped him with a view to blackmail. Fearing that the plea bargain would not be honored, Polanski left the United States before trial, never to return. He is a French citizen, and France has no extradition agreement with the United States. He remains a European director who has never since set foot in the United States or any country that has extradition agreements with the United States.” Um ano depois deste livro, Polanski foi preso na Suíça, porém foi solto em cerca de 2 semanas diante de pendência documental e irregularidades por parte da justiça americana (source: Wikipédia!).

Preteen prostitution featured in Martin Scorsese’s Taxi Driver (1976), with Jodie Foster causing a minor stir with her portrayal of 12-year-old whore Iris Steensma.”

Also in 1976, heavily disguised as a Hitchcockian thriller, came the ultimate daddy’s little girl movie, Brian de Palma’s Obsession. Paul Schrader’s tour de force script has a successful New Orleans businessman lose his wife and young daughter in a kidnapping when he refuses to pay the ransom and a police rescue attempt goes fatally wrong. Ten years later, he meets a girl in Italy who looks exactly like his dead wife. He becomes obsessed with her, they have an affair, and he makes plans to take her back to New Orleans and marry her. Eventually the whole Italian episode is revealed to be an elaborate revenge plan: the born-again wife is actually the daughter who, unknown to everyone, survived the kidnapping and is now intent on exacting revenge from her neglectful daddy. In a Freudian nightmare of a scene, the daughter/lover, played by Geneviève Bujold, is shown toggling between her two roles (high camera angle/low camera angle, little girl’s voice/woman’s voice) during the course of a single breathless walk along an airport corridor. In Schrader’s original script incest took place, but by the time the film was shot and edited, de Palma decided to fudge the issue.”

In 1978, Louis Malle directed Pretty Baby, an ambivalent soft-focus movie in which 13-year-old Brooke Shields went topless as child prostitute Violet in early 20th-century New Orleans. (…) It seems safe to assume that such a movie might not be made today. The photographer, Ernest J. Bellocq (played by Keith Carradine), evokes shades of Charles L. Dodgson and his photographic studies of little girls previously discussed.”

In the late 70s, Woody Allen was in the middle of one of his most productive periods of moviemaking. Critics sometimes argued that he kept making the same movie over and over again, a variable celebration of loves found and loves lost from the same neurotic New York perspective of an intellectual with doubts about everything, especially mothers, psychoanalysis, and Judaism. Even for the most skeptical critics however, Manhattan (1979) represented one of Allen’s most satisfying variants on the theme. With its sumptuous black-and-white photography, Allen’s love affair with New York City featured the usual character list of literati and well-heeled academics but this time introduced a new element, a 17-year-old girlfriend for Allen’s mid-40s character. This age discrepancy is a central concern of the movie, never better highlighted than in the scene where Allen, Diane Keaton, and Michael Murphy are walking down the street having a very pretentious discussion about art while the 17-year-old girlfriend, Tracy (Mariel Hemingway), tags along. ‘What do you do, Tracy?’ asks Keaton’s character suddenly, in the middle of talking about the latest profile she has been commissioned to write for an arts magazine.

I go to high school’, Tracy replies innocently.

Suppressing a smile, Keaton turns aside to Murphy and says in a barely audible undertone, ‘Somewhere Nabokov is smiling, if you know what I mean’.

No one was smiling when, 13 years later, Allen’s relationship with his girlfriend’s adopted daughter was revealed. Now the age difference was 35 years, and the good-natured, liberal Manhattan was suddenly looked at in a new light by a moralizing press and public. It remains, however, one of the few examples of an American movie—a comedy to boot—that takes an adult, bittersweet approach to such relationships.”

Adrian Lyne’s 1997 attempt to cinematize Lolita is discussed in detail later, but in the present context it is worth noting that the thoughtful adaptation written by Stephen Schiff was greeted by a reactionary response that shrieked disapproval long before the film was completed or, in some cases, even begun. It was symptomatic of a new unwillingness to address stories focusing on pedophilia that would persist into the next millennium. The news media’s increasingly emotive and sensationalist treatment of child abuse cases in the 90s had helped to create a popular mood of national outrage at not only any actual instances of pedophilia but also at any film, TV program, play, or book that dared to explore the topic. (…) The resulting film ‘censorship’ was less a case of official proscription, more an informal outcome of a mixture of moral cowardice and commercial timidity shown by movie producers and studio executives who feared that acknowledging child abuse in a movie would automatically result in catastrophic box office returns.”

A vengeful Lolita for the 21st century. In Hard Candy (Menina Má.com, 2005), Ellen Page plays Hayley Stark (a.k.a. thonggrrrl14) who has no intention of becoming the 14-year-old victim of the 32-year-old man who believes he is grooming her on the Internet.” Curiosamente, Ellen virou Elliot – teria algum fundo traumático em sua decisão? Foi Kitty Pride na trilogia X-Men agora clássica. W.: “Page publicly came out as a gay woman in February 2014 and subsequently as transgender in December 2020. In March 2021, Page became the first openly trans man to appear on the cover of Time magazine.”

The twist comes early, when Hayley encourages Jeff to take her back to his isolated bachelor pad where it is she who spikes his drink and then takes him prisoner before subjecting him to a regime of physical and psychological torture based on her conviction that he is a pedophile and a murderer.” “Canadian actress Ellen Page’s stunning metamorphosis from breathless young teen to self-assured psychopath in the space of a couple of hours surely draws a definitive line under those early movies in which youngsters were admired for successfully aping the manners and mannerisms of adults.”

“‘You used all the same phrases to talk about Goldfrapp as they use in the reviews on amazon.com’ Here is a pleasing inversion of Humbert’s aloof tendency to use arcane Eurocentric cultural references, a private lexical amusement arcade that is largely meaningless to Lolita but that identifies Humbert as a man of the world, in every sense.” Hard Candy’s inspiration apparently came from Japanese news reports of girls ambushing men seeking underage dates on the Internet. Their tactic and Hard Candy’s reductio ad absurdum of it looks, in the end, less like female empowerment and more like the sort of warfare that brings both parties down into the mud, so rendering them indistinguishable from one another.”

When Dolores Haze sentenced Humbert to death she did it not with a noose but by accident, through her complete indifference to his late-blooming love and by divulging Quilty’s identity. The melancholic scene where she waves homicidal Dad goodbye one last time from the step of her sad Coalmont home can have only one outcome. Yet Lolita was only ever carelessly, thoughtlessly unkind, whereas thonggrrrl14 (and that snarling spelling, if nothing else in Hard Candy, would surely have been enjoyed by wordsmith Nabokov) is a self-appointed vigilante with a solemn cause, exactly the kind of political character Lolita’s creator famously abhorred.”

6. ON THE ROAD: Lolita’s Moving Prison

Crucial to any understanding of Nabokov’s nymphet is one of the most exuberant parts of Nabokov’s novel: the year-long road trip. This 11,500 word-section comes at the middle of the book and marks the point of no return for Humbert. It also contains some of the novel’s most revealing details about Lolita herself, details that frequently emerge not in the course of one of Humbert’s typically solipsistic character assessments but very much in the margins of their 27,000 miles journey. [mais que a volta ao mundo!]”

On the move, Lolita will not be able to make regular friends (in whom she might confide and thus betray him), and there will be no schools, psychologists, or social workers. Instead there will just be a year in limbo, disguised as a vacation for a child who has recently lost her mother in tragic circumstances.”

It is perhaps tempting to think of this tour—in however debased a form—as being in the general spirit of the Great American Road Trip, that iconic celebration of freedom, optimism, and exploration expressed by driving across a geographically varied nation.” Com efeito, um dos maiores mitos ou lendas urbanas do conto de fadas americano.

As Lolita’s self-appointed jailer, Humbert is in his own way as much a prisoner of their odyssey as she is.”

Henry Miller’s dyspeptic tour of 40s America, The Air-Conditioned Nightmare, amounts to little more than a litany of complaints about capitalism, mass media, rapacious industry, easy credit, misinformation, and what Miller called ‘the divorce between man and nature’.”

Humbert and Lolita’s tragedies are personal ones, not symbolic ones. Nabokov loved America and was distressed by those critics who saw malice or contempt in Humbert’s ironic observations about their ‘lovely, trustful, dreamy, enormous country’. Taylor Caldwell, for instance, praised Lolita but saw it as aiming its destructive fire at the ‘puerile materialistic and sickening fun of the perpetually adolescent American people’.

If Lolita’s road trip has any spiritual cousins, they can be found neither in the political invective of Miller’s prose nor in the morose beauty of Frank’s intentionally bleak photographs but rather in the canon of film noir, where it was almost always personal tragedies that provided the impetus.”

The widescreen color landscapes that would characterize the next generation of Hollywood road-movie fugitives—Butch Cassidy and the Sundance Kid, Bonnie and Clyde, or Thelma and Louise—were something different again.”

Jack Kerouac’s novel On the Road was put together and published at approximately the same time as Nabokov’s Lolita. Both books were begun in 1950. Nabokov’s was completed by the start of 1954 while Kerouac’s would not be ready for press until 1957. Stylistically worlds apart, both novels ended up hitting the headlines in the United States at about the same time.”

Kerouac’s famous book conflated and lightly fictionalized the 1946-50 real-life road trips undertaken by the author and his inspirational buddy Neal Cassady. (By revealing coincidence, Cassady’s interest in an underage girl was one of the things that Kerouac’s circumspect Viking Press editor Malcolm Cowley chose to excise from the manuscript.) Recasting Kerouac as Sal Paradise and Cassady as Dean Moriarty, On the Road expressed in loose, spontaneous prose all the excitement and adventure inherent in breaking the taboos of the day through a series of wild automobile trips dedicated to unrestrained indulgence in sex, drugs, and experimental spirituality. Lolita, by contrast, featured not only elegantly structured prose (the kind Kerouac and Cassady considered sterile) but also a more strategically considered itinerary, one that was designed to divert and restrain a child while camouflaging the sort of taboo breaking that even On the Road’s editor balked at seeing in print.”

the motel cabins change, but the car always stays the same. Long after Lolita has left Humbert, it is in the recesses of the car that painful souvenirs will turn up unbidden: a 3-year-old bobby pin discovered in the depths of the glove compartment after he has found and lost Lolita for the last time filled Humbert with particularly acute pain.”

With no new vehicles to buy it was quite usual for 40s cars to put in uncommonly long service with one owner, gradually becoming familiar, battered, and even anthropomorphized extensions of their occupants.”

Despite Humbert’s bored lack of interest in the American popular music of the day, we learn, by inference, that Lolita favors Jo Stafford, Tony Bennett, Sammy Kaye, Peggy Lee, Guy Mitchell, and Patti Page. This mix does not sit particularly well with Humbert’s assertion that she likes ‘hot, sweet jazz’—these were, after all, mainstream pop musicians, several of whom had hits with smooth metropolitan versions of country songs. Although his loose grasp of genres is quite plausible, Humbert’s boredom with popular music is frustrating; it would somehow have been nice to learn that Lolita sings along to, say, Patti Page’s Confess, and surely even Humbert himself might have found amusing traces of Little Carmen in Peggy Lee’s cheerfully racist ditty Mañana (Is Soon Enough for Me), another jukebox favorite of 1948. We are also told that Lo likes square dancing (no hot, sweet jazz there either), although it is far from clear how Humbert’s strict isolationist regime would allow her to participate in what at the time was essentially a couples community event usually organized by local dance clubs. Perhaps she simply admires square dancing as a spectator.”

Nothing will dispel Humbert’s fear that he will be found out. Even his enduring confidence in the anonymous privacy of the motel cabin proves misplaced when one night he discovers that their sexual activities must be clearly audible in the neighboring room from which there comes, too late, a clearly audible cough. Yet despite such reminders of the danger he courts, Humbert persists with their aimless tour as the seasons change and Lolita grows slowly more indifferent and then hostile toward him.”

Nabokov similarly listened to schoolgirl conversations on buses, pouncing on what, even to a man with his prodigious linguistic skills, must sometimes have sounded like a wildly exotic patois.”

As their Great American Road Trip draws to a close, Lolita is 13 years old, 8 pounds heavier, 2 inches taller, sexually active, reluctantly accomplished at trading physical favors for treats, and well established in the habit of crying herself to sleep on a nightly basis.”

7. TAKE ONE: “How did they ever make a film of Lolita?”

The 1962 film of Lolita was to give the world its first physical incarnation of Dolores Haze. There were some 800 applicants for the job, and sifting through them took producer James B. Harris and director Stanley Kubrick so long as to threaten to delay the start of shooting. Meanwhile, Vladimir Nabokov was vacillating about becoming involved in the reimagining of his own novel for the screen. Director Kubrick and producer Harris had bought the rights to the book from Nabokov for $150,000 (plus a share of the profits) in 1958, and their first attempt to get the author to write a screenplay had come in July 1959; it amounted to nothing. Although tempted, Nabokov turned them down after a discouraging meeting in Beverly Hills during which Kubrick’s concern about censorship—a concern that was in the end to handicap the film considerably—prompted his suggestion that the screenplay might somehow imply at the end of the story that Humbert and Lolita had been secretly married all along. It was an absurd and unworthy idea, but the author’s initial rejection of the screenwriting job stemmed not just from fears of this sort of compromise but from misgivings about his own role. A novelist, not a scenarist, Nabokov was the first to admit that he had comparatively little aptitude for writing for what he called the ‘talking’ screen.

I am no dramatist’, Nabokov conceded in the introduction to his eventually published screenplay, going on to say that if he were he would be a tyrant who demanded control of every single detail of the production, from costumes to sets.”

Despite declining the initial offer, in late 1959 the chronically insomniac author had subsequently been amused to find himself idly cinematizing certain scenes from his novel in ‘a small nocturnal illumination’. When, early in 60, a renewed and improved offer with the promise of a freer hand came from Harris and Kubrick, he accepted. His fee was to be US$40,000 plus an additional US$35,000 if he received sole credit for the script.

On March 1, 1960, Nabokov met with Kubrick at Universal City to map out some scenes in ‘an amiable battle of suggestion and counter-suggestion’. Then on March 9, both men met the frontrunner for the all-important role of Lolita. She came in the shape of 17-year-old actress Tuesday Weld. Nabokov called her ‘a graceful ingénue but not my idea of Lolita’. For once the novelist with a reputation for selecting the exact word to convey his precise shade of meaning had seemingly made a bad choice. Whatever else she was, Susan Ker Weld, initially nicknamed Tu-Tu, and later Tuesday, was not ingenuous. She was born in New York in 1943 and her father died when she was 3. Although the fascinatingly named Lothrop Motley Weld had come from a wealthy Boston family, his widow and 3 children were left with very little money after his death. Susan started working as a child model at an early age and soon became the family’s sole breadwinner. At 9 she suffered (she later claimed) a nervous breakdown, at 10 she began smoking and drinking, at 11 she started to have sex, at 12 she acted on TV, and at 13 she appeared in a small part in Hitchcock’s movie The Wrong Man. She then attempted suicide after embarking on a series of disastrous affairs with a series of much older men, including 44-year-old Frank Sinatra; she was 14 at the time of that relationship. Here—or so the cynic might think—was the perfect proto-Lolita, at 17 already so sexually experienced that she might safely be considered immune to any further corruption if she impersonated Nabokov’s nymphet. It turned out Weld herself felt much the same way but came to a different conclusion. ‘I didn’t have to play Lolita’, she claimed. ‘I was Lolita.’ So she turned Kubrick down, announced a move away from teen roles altogether, and went to study at the Actors Studio. She went on to have sexual liaisons with Elvis Presley, Albert Finney, Terence Stamp, George Hamilton, Gary Lockwood, and a number of other male actors considerably older than herself. Her movie career eventually turned out to be uneven and largely disappointing, even though she did earn some credit for appearing in a number of offbeat or risky movies. Among these were George Axelrod’s bracing satire of teen culture Lord Love a Duck (1966) and Noel Black’s chillingly effective Pretty Poison (1968), a kind of contemporary variant of Bonnie and Clyde in which Anthony Perkins’s lethal sociopath proves no match for Weld’s deceptively innocent-looking all-American high schooler. Eventually her career disintegrated, and despite a 1984 appearance in Serge Leone’s Once Upon a Time in America, Tuesday Weld is most usually remembered as a feisty, gap-toothed, 1960s teen sex kitten, a living precursor of the popular Lolita stereotype. But what if she had played Lolita, one wonders? Would her own wild young life have fused with Lolita’s fictional one to inject some authentic whiff of sex and experience into the role? Or would things have turned out much the same as they eventually did in Kubrick’s film? We cannot know, but it seems a pity that this always-interesting actress was not the first to flesh out Lolita for the screen. She might have been good.”

Tuesday Weld

By September 25, 1960, the question of casting had been settled without any further consultation with Nabokov. On that date, at Kubrick’s Beverly Hills house, the director showed the author some photographs of Sue Lyon (‘a demure nymphet of 14 or so’ was Nabokov’s neutral verdict) whom, Kubrick assured him, could easily be made to look younger and grubbier for the part.” “After Kubrick cast her, Lyon issued a conventional kind of Hollywood press release with a few innocuous details about herself: she was ‘just an ordinary, typical sort of grown-up American girl’, she claimed, and playing Lolita, she felt certain, would not change her. As things turned out, it was an optimistic prediction. At 14, Sue Lyon had a pretty face and a shapely figure that combined to give her an intermittently adult look, albeit one so bland that Kubrick had felt the need to reassure Nabokov that this blonde teenager could somehow be dirtied up to resemble his tomboyish, chestnut-haired little girl. She never was, and in most scenes of the film she would look closer to 21 than 12.”

When exactly is Kubrick’s Lolita set? The 40s of the novel? Apparently not. The 50s? The early 60s? In terms of sexual behavior (and quite a lot of other things) these were very different decades, so it is extremely strange not to have the period clearly identified from the start. Kubrick’s film looks strangely adrift in both time and space. While the novel was happy to ‘fictionalize’ place-names as part of its conceit about protecting the innocent, the locales Nabokov created were all diligently observed, and in terms of geography and dates, the book is extremely precise and specific. Those scholars who have taken the trouble to deconstruct Humbert’s many schedules and itineraries have found the novel’s internal topography and calendar to be carefully planned”

In the course of the film it slowly emerges that Kubrick seems to have set the action about 10 years later than the novel—although deducing even this much requires some distracting detective work on the part of the audience.”

Lolita was shot in and around Elstree Studios a few miles north of London.” “This results in the complete absence of any authentic sense of place. In another pragmatic ploy, Kubrick cast an informal repertory of expatriate Canadian supporting actors (Cec Linder, Lois Maxwell, Jerry Stovin, Shirley Douglas, Isabelle Lucas) and so introduced accents that, while not those of old England, hardly suggested New England either. Of course, such practices were not uncommon in low-budget movies of the time, but they were more likely to be seen in modest British supporting features than a high-profile MGM production.”

The embossed legend on the cover of Humbert’s pivotal diary clearly reads ‘This Year’ instead of an actual year (1947, we are specifically told in the novel). Lolita’s begging letter to Humbert is dated with the month and day, yet it too omits the year. Again, this looks like an intentional ploy to be vague. No authentic contemporary popular music is featured at any point in the film, despite Lolita’s jukebox mania that Nabokov so lovingly addressed in the book—all that research into the names of late 40s pop singers. All we get is a rather syrupy Nelson Riddle score, a vapid song, specially written and best forgotten (There’s No You), and an insistent instrumental theme tune that rings out randomly from a radio, a band at the prom, and other places—music in a vacuum to match the ersatz locations. Inevitably, though, there are one or two period clues. Lolita plays with a hula hoop on the Ramsdale lawn (the hula hoop craze dates from 1957) and joins Charlotte and Humbert at a drive-in to watch the Hammer movie The Curse of Frankenstein, also 1957 vintage. [primeiro filme de horror a cores – mas obviamente preto e branco nos frames de Lolita…]”

The film opens with the book’s climax: Humbert’s tragicomic murder of Quilty. We do not know why this urbane English-sounding man (James Mason) has come to a stranger’s ornate and cluttered house to commit a murder, but commit it he does after a series of comic delaying tactics from his victim, played—overplayed, some would say—by Peter Sellers. Buying time, a drugged or drunk Quilty assumes the identity of Spartacus (a nod to Kubrick’s previous film) while wearing a dust sheet as a toga and orchestrates a surreal, one-sided Ping-Pong match. He goes on to approximate the twangy accent of the archetypal old Western sidekick—a Gabby Hayes or a Walter Brennan—to read aloud an accusatory poem that Humbert hands him. The poem is a parody of T.S. Eliot’s Ash Wednesday, and this arcane literary touch, lifted from the novel, surely sits uncomfortably in a mainstream movie. Quilty then puts on boxing gloves and immediately takes them off again when Humbert begins firing his pistol in an unintentional echo of the amateurish marksmanship in the Western movies that he, Charlotte, and Lolita once sat through. Quilty goes on to pretend to compose a song at the piano before making a run for it and finally gets fatally shot while cowering behind a large framed reproduction of an 18th-century portrait of a woman.” “A close-up of the bullet-riddled painting marks the end of a spirited opening sequence that nonetheless denies us any hint of the gory and surreal horror of Quilty’s death as depicted in the book. Nabokov portrays him as an assassinated tyrant, a fallen king who is ‘bleeding majestically’ in his slow retreat to the master bedroom, suddenly developing ‘a burst of royal purple’ where his ear had been. Here his death is, literally, stylized out of sight.”

Much has been omitted, some of it disastrously. We do not see or hear anything of Annabel Leigh, and we learn hardly anything at all about Humbert’s lifelong obsession with nymphets.”

Here she is at last: Lolita made flesh. What, contemporary audiences might have asked themselves, was all the fuss about? Sue Lyon simply looked like a slightly more sophisticated version of Sandra Dee, the blue-eyed blonde who, in her Gidget persona, was the epitome of naughty-but-nice late 50s teen sex appeal. Certainly Kubrick had a vested interest in making his Lolita look as old as possible on the grounds that a teenager was less likely to fall foul of the Production Code Authority than might an ostensible 12-year-old. In keeping with the general calculated vagueness of the film, however, Lolita’s age is never actually given at all on-screen.”

In response to its rhetorical tagline ‘How did they ever make a movie out of Lolita?’ the June 14, 1962, New York Times review supplied a neat and obvious answer: they didn’t. Instead, ‘they made a movie from a script in which the characters have the same names as the characters in the book, the plot bears a resemblance to the original and some of the incidents are vaguely similar’, Bosley Crowther wrote. ‘But the Lolita that Vladimir Nabokov wrote as a novel and the Lolita he wrote to be a film, directed by Stanley Kubrick, are two conspicuously different things’.”

In truth, Nabokov can hardly be said to have written the finished film’s screenplay at all, although he certainly wrote a screenplay, a version of which was eventually published in 1973.”

Knowing the difficulties Kubrick eventually experienced in faking a plausible Ramsdale in England, one can only smile at the alarm he must have felt upon being required by Nabokov’s prologue to simulate the following: the French Riviera, Paris, a voyage into New York Harbor (Humbert, ‘Dramatically Standing on a Liner’s Deck’, sees ‘The towers of New York looming in the autumnal mist’), and a nursing home, a library, and assorted exteriors for the retrospective parade of European nymphets. Kubrick’s solution was to cut the entire prologue and, after Quilty’s murder, begin the story in flashback with Humbert’s arrival at Charlotte’s house 4 years earlier.”

Nabokov, who regarded Kubrick as an artist, was initially very disappointed when he finally saw the movie that used only odd scraps of his screenplay (rumor has it that Kubrick and Calder Willingham cooked up the eventual screenplay between them, but Kubrick would never be drawn on the matter, and it was Nabokov who was nominated for an Oscar for best screenplay).”

Revisiting Lolita now, the viewer may find that Sue Lyon comes out of it rather well, delivering the best and least stagy performance, but the plaudits belatedly given to James Mason’s Humbert, Shelley Winters’s Charlotte, and Peter Sellers’s Quilty seem more generous than accurate. Winters was certainly in top form as the overbearing, sexually frustrated, culturally pretentious Charlotte, but in the end her character comes over as nothing more than a grotesque at whom it is easy to laugh but about whom it is hard to care. Mason, meanwhile, is forced to underplay Humbert with a good deal of dry comedy, as if taking part in a dark sitcom. In the end his Humbert comes over as a good-looking but ineffectual rogue who suffers from occasional bouts of bad temper as he seeks to seduce a pretty teenager while living in a decidedly tense domestic situation.” “Deprived of the novel’s inner voice and hamstrung by a timid script, the actor cannot begin to hint at take one Humbert’s haunted past, his eviscerating humor, his awful sexual obsession, his calculating cruelty.” “There is little doubt that Kubrick’s decision to give Quilty so much screen time and Sellers so little direction imbalances the film badly. A figure that should be a malign, shifting shadow keeps taking center stage and doing cabaret turns.”

He shot Killer’s Kiss himself on location in New York City in 1955, and although it obviously suffered from a very low budget and was forced to use largely unknown actors, most of whom were destined to stay that way, it does contain some fine visual material with bright, monochrome vérité footage of Times Square and dramatic waterfront skylines offsetting the mean warehouses and hotel room interiors. Kubrick explored film noir again in his next picture, the celebrated 1956 racetrack heist movie The Killing, and again seemed very much at home with it. It is a shame that he did not revisit the genre—even in a spirit of parody—for his treatment of Lolita, a novel that positively bristles with both literal and oblique references to such films”

Lyon’s brief 1950s TV apprenticeship seems to have prepared her well to give what is the film’s only truly unaffected performance.” “Ironically, it is in such automobile sequences that she seems closest to Nabokov’s Lolita—because it is those sequences that represent the film’s most conspicuous betrayal of the book after its denial of pedophilia. Incredibly, the novel’s epic road trip, that beautifully evoked yearlong, looping journey to nowhere that forms the centerpiece of the novel, is effectively omitted from the film altogether. Gone is the vast promise of the U.S. highways, the idiosyncrasies of the roadside lodgings, the elegant irony of a perpetually moving prison set in a limitless landscape, and the full rotation of the seasons through August 1947 to August 1948. It is replaced with two shorter trips, each with its own specific destination and each staged here in a series of static tableaux showing Lolita and Humbert sitting in their studio-bound car with only back-projected scenery for context. The first trip is from eastern summer camp to Idaho, where Beardsley College awaits them (the institution has been transplanted from its eastern location in the novel, presumably to enable this revised cinematic schedule); the second is from Beardsley to points south, in what Humbert believes to be a mutually agreed bid to escape to Mexico, although this trip has actually been surreptitiously proposed and stage-managed by Clare Quilty. Here, though, on Elstree’s virtual road, Sue Lyon’s Lolita is at her most plausible and sympathetic. The enclosure of the car, with both passengers in the shot, gives Lyon and Mason a chance to spark off each other at close quarters without distractions. Freed of those aging fashion accessories, Lyon even looks closer to her actual age as she sucks on a soda straw, chews gum, pulls faces, and alternates between bright acquiescence and whining protestation with a palette of expressions that ranges from diffuse prettiness to slack-mouthed vulgarity—probably a pretty good approximation of what Nabokov had in mind. But because we don’t fully grasp that Mason’s Humbert is a pedophile, we can only really see these scenes as conventional father/daughter sparring matches, not unlike those traditionally practiced on-screen by everyone from Spencer Tracy and Elizabeth Taylor to Ryan and Tatum O’Neal. This couple may be sharing motel bedrooms, but the audience might be forgiven for thinking that the most intimate thing that happens there is what was shown behind the film’s opening credits: Humbert solicitously painting Lolita’s toenails.

Stanley Kubrick’s perennial defense of the absence of sex in his Lolita was that in the early 60s censorship simply made it impossible to do justice to Nabokov’s theme. His justification, often repeated and paraphrased, was ‘because of all the pressure over the Production Code and the Catholic Legion of Decency at the time, I believe I didn’t sufficiently dramatize the erotic aspect of Humbert’s relationship with Lolita. If I could do the film over again, I would have stressed the erotic component of their relationship with the same weight Nabokov did’. Yet, as Elizabeth Power pointed out in her 1999 article ‘The Cinematic Art of Nympholepsy: Movie Star Culture as Loser Culture in Nabokov’s Lolita, ‘Other contemporary and even earlier films suggest that Kubrick’s placement of blame on censors is not particularly accurate or convincing’. It is true to say that, by the 1960s, pedophilia was very occasionally starting to be acknowledged in mainstream films. Samuel Fuller’s The Naked Kiss demonstrates the early difficulties of depicting it. A serious but wildly expressive filmmaker rarely given to understatement, Fuller has his heroine, reformed call girl Kelly (Constance Towers), discover her society fiancé molesting a little girl in his own home. The film deals with the moment of discovery so oddly that at first it is hard to understand what is going on. A little girl emerges from a corner of the living room and runs out dutifully as if to play. Only then do we see Kelly’s grim-faced fiancé also emerging from the shadows. We are left to infer what was going on from Kelly’s hysterical response, which involves clubbing and killing her intended with a heavy telephone. Awkwardly presented as the scene is, The Naked Kiss does at least try to address the hot issue head-on and, in doing so, is one of several films of the time to undermine Stanley Kubrick’s routine defense of the complete absence of sex in his Lolita by citing the censor as an immovable force. The Naked Kiss was made in 1963 and released in 1964. Two years later, Kubrick’s Lolita, actress Sue Lyon, would give a far sexier performance as a jailbait teen Charlotte Goodall to Richard Burton’s disgraced preacher in John Huston’s movie of Tennessee Williams’s The Night of the Iguana.”

Taking a broader view of Kubrick’s work, the director seemed to have a pathologically uneasy relationship with the forces of censorship, whether applied externally or, more usually, by himself. He effectively withdrew his own Fear and Desire (1953) from circulation by buying up all known prints. He blocked any rerelease of A Clockwork Orange (1971) in Britain after its initial showing there, allegedly because of fear of copycat crimes of violence; it was then not seen in Britain for 30 years and only reemerged after Kubrick’s death. Despite scant evidence of undue censorial interference with any of his work prior to Lolita, he seemed hamstrung by worry about the censor even before the screenplay was written. His line seems to have been not that the censor demanded cuts but that he himself did not venture to risk a confrontation. A difficult and complex man, Kubrick has been the subject of many studies, but the rest of his odd movie career lies outside the orbit of this book.” “In what Nabokov might have called a thoughtful Hegelian synthesis, Kubrick’s final movie, the disastrous Eyes Wide Shut, involved the elaborate replication of Manhattan streets on the lot at Elstree Studios. This time it was rather more persuasively done.”

Ten years later, Sue Lyon’s life was a mess. It emerged that even the innocuous press release she had issued on getting the part had been a lie—this normal American girl had come from a deeply troubled background. Now she claimed her mother had driven her father to suicide when she was just 10 months old. Penniless, they took in lodgers, one of whom tried to rape 8-year-old Sue at knifepoint. She first had sex at the age of 12, became a model, and at 17 entered into the first of 4 marriages. She was diagnosed as bipolar and put it all down to Lolita. Sue Lyon may have been dramatizing and transferring blame for her bad luck, bad judgment, or bad behavior, but then again she may not. In the days when she still talked about her Lolita experience at all she said, ‘I defy any pretty girl who is rocketed to world stardom at 15 in a sex-nymphet role to stay on the level path thereafter’. By the time Adrian Lyne’s film of Lolita came out in 1997, Lyon, it seems, could no longer even consider the dreaded name rationally. ‘I am appalled they should revive the film that caused my destruction as a person’, she told Reuters news agency in a by now rare public statement. Lyne’s film would be no revival, it would be a completely fresh cinema treatment of the novel, but Lyon was beyond such distinctions in her hatred of Lolita, the poisonous name of her nemesis.”

The book Zazie dans le métro, as mentioned in chapter 3, was written by Raymond Queneau, who greatly admired Nabokov’s Lolita and gave his own child heroine her looks as well as her mix of innocence and cheerful vulgarity. Visiting Paris, provincial Zazie wants nothing more than to ride the metro of the title, the city’s subway system, but it is immobilized by a strike. So she shakes off her dubious guardian, a female-impersonator uncle, and explores Paris on foot. The book makes playful use of phonetically spelled French slang, much of it vulgar, in an episodic, literary tale that Malle’s 1960 color movie recast as a fast-moving farce with silent movie gags and Road Runner references instead of the linguistic allusions. Malle cast young Catherine Demongeot as Zazie. Demongeot, it has to be said, would have made the perfect Lolita: 12 years old, chestnut hair, slangy speech, mischievous and rebellious, she is also sexually neutral in a way that means any middle-aged man shown to be attracted to her would be immediately identified by his singular craving and not excused as having a more conventional appetite for pretty young girls. Demongeot (who would jokily reprise her Zazie role in Jean-Luc Godard’s Une femme est une femme one year later) is perhaps the ideal screen Lolita who never was.”

It would be 35 years before the next movie of Lolita appeared. In that period the Lolita brand would take off in a giddying multiplicity of directions. Yet the enduring irony of Stanley Kubrick’s film was that it in no way added to the popular myth of Lolita as promiscuous seductive teen.”

A further irony: a complete absence of sex was one of the few criticisms that could not be leveled at Lolita’s next two incarnations, both of which would be on the stage. A legendary lyricist felt he could do justice to the story in a musical setting, and then one of America’s leading playwrights took it on himself to pay his own theatrical tribute to Nabokov’s heroine. Subsequently, each might have had grounds for joining with Sue Lyon in identifying Lolita as a force for evil.”

8. DRAMATIC ART: Lolita Center Stage

The novel Lolita, heavily dependent on a narrator’s internal monologue, does not seem to lend itself well to stage presentation—even less so than film presentation, which leaves open the possibility of voice-over. It does present one advantage over a film treatment, however: the cinema’s troubling demand that only a little girl can plausibly play Lolita is potentially eased.” “Without close-ups, a theatrical performance does not necessarily need a very young girl, just one who can play young; this freedom also makes the later depiction of a 17-year-old Lolita a lot easier.” “The first attempt to put Lolita onstage, however, did not take advantage of this option with regard to age. It was one misjudgment among many in what was to become a resounding commercial (if not an artistic) disaster. Helmed by talented people, this venture was doomed to fail before it began. It was Lolita, the musical.”

Lyricist Alan Jay Lerner was a Harvard-educated man, a student friend of John F. Kennedy who had progressed through Harvard’s Hasty Pudding musicals to become a writer of continuity scripts for the long-running NBC/CBS radio show Your Hit Parade.”

Nabokov had only been persuaded to give his approval to the project because, as in the case of Stanley Kubrick, he was always sympathetic to those whom he considered serious artists even when he knew little about their chosen medium. Nabokov had already demonstrated, with his elephantine screenplay for Lolita, that he had no real idea how films were written, let alone made; now his often-admitted lack of appreciation for music disqualified him from assessing anything but Lerner’s impressive track record of writing intelligent, literate musical books.”

Richard Burton turned down the role of Humbert, so British Shakespearean actor John Neville (much later of The X-Files [um dos velhos do círculo conspiratório do Smoking Man]) was cast in the key role.” “The reviews were so bad that producer Norman Twain closed immediately for a complete overhaul. Annette Ferra, the 15-year-old originally cast to play Lolita, was replaced. They would try out again in Boston, premiering at the Shubert Theatre on March 15, 1971, for an intended run of 3 weeks. The cast now included a new Lolita, 13-year-old Denise Nickerson.” “The revamped show won some qualified plaudits from the critics in Boston, mainly for Lerner’s lyrics and John Neville’s Humbert, a portrayal apparently distinguished not only by a good performance but also by a strong vocal contribution. Dorothy Loudon’s Charlotte was colorful enough to be sorely missed when she died at the end of the first act. The public, however, did not really miss her because they never came in the first place. Lolita, My Love closed after only 9 poorly attended performances and never made it to New York.” “The show lost $900,000.” “What remains of Lolita, My Love? The poor quality audio recording, probably taken from the soundboard during rehearsals, still exists.”

In the end, Lolita, My Love disappeared into the well-populated Hall of Shame of failed musicals, along with the now-legendary Carrie, a musical version of the Stephen King/Brian de Palma horror-fest that faithfully included the film version’s opening shower room scene in which Carrie is taunted for being terrified by the onset of her first period.”

Perhaps, after all, the show was as good as it could have been, but the faulty foundation upon which it was built was the assumption that the public was ready for a musical about a child molester. The presence of a 13-year-old leading lady probably made it an even more distasteful prospect for its presumed audience.”

A happy-ending footnote was that, in contrast to Sue Lyon’s experience, the Curse of Lolita did not ruin Denise Nickerson’s life; after a good run in film and TV (including a stint on The Brady Bunch), she moved to Colorado and became an accountant. In the same year Lolita, My Love flopped she also appeared in the film Willie Wonka & the Chocolate Factory and was thus fondly remembered by a whole generation not as a sexualized child in a musical but as Violet Beauregarde, the gum-snapping kid who turns into a blueberry in Roald Dahl’s famous morality tale.”

Albee’s body of work already included The Zoo Story (1959), The American Dream (1961), and Who’s Afraid of Virginia Woolf? (1962), so his reputation seemed secure, and few had demurred when he was dubbed one of the few genuinely great living American dramatists.

Albee’s Lolita made its debut at the Brooks Atkinson Theatre in New York City on March 19, 1981, almost exactly 10 years to the day after Lolita, My Love folded in Boston.”

this time Lolita was played by 25-year-old Blanche Baker, whose mother, Carroll Baker—at about the same age—had played Tennessee Williams’s Baby Doll Meighan. [ver acima]”

Donald Sutherland, the Canadian movie star who had not acted on stage for 17 years but who could offer an approximation of the British accent he mastered during his extended 60s sojourn in London, was Humbert Humbert.”

it was a total disaster.”

Retracing the texture of an ephemeral event like a theatrical performance over a quarter of a century later is not an exact science. We have the reviews (in this case universally damning), but we cannot revisit what they were reviewing. We do, however, have Albee’s published play, presently included in volume 3 of his collected works. A caveat from the author suggests that, as with most of his plays, he has, in new collections, tweaked a few things with the benefit of hindsight. (This was a liberty upon which Nabokov would have frowned; once the piece was written, that was it as far as he was concerned—it was time to burn the rough drafts and alternative versions and move on.)

Its most daring device is that of introducing a detached authorial voice, embodied by the character of A Certain Gentleman who provides an ironic, Olympian commentary on the proceedings, often bantering with exasperated Humbert (who is given to complaining about the way the action is turning out and even the quality of the writing) and generally reminding the audience that this story has a puppeteer for an author. This is a strangely dated 60s device redolent of those fleetingly modish TV plays that would reveal the camera crew to remind the audience that it was watching a TV play, or new-wave movies like Jean-Luc Godard’s Le Mépris, where the mechanics of moviemaking self-consciously intrude at every turn.”

Humbert obliquely mocks the author’s decision to give Annabel a surname that so obviously evokes Poe’s doomed heroine; he finds the device of Charlotte coming upon Humbert’s incriminating diary corny.” Divertido.

The robe falls, Lolita is naked onstage, and her popular reputation as a brazen tramp is further advanced. The plot grinds on, more or less faithful to the letter of the novel but missing its bittersweet spirit entirely; fellatio and cunnilingus are simulated; the epic road trip (now meaninglessly inflated to 500 days) is included but can only be suggested by fragmented scenes in stylized motel rooms; Clare Quilty is represented in a manner that apes Peter Sellers’s disruptive chameleonic turns in Kubrick’s movie; Lolita leaves, Humbert grieves, and the play ends as does the book with Quilty’s murder and Lolita’s death in childbirth.”

“‘No one who saw the execrable production the play received on Broadway could penetrate through to the homage I was paying to Nabokov’, wrote Albee in a 2005 introduction to the play.”

(Blanche) Baker, chosen after a long talent hunt for prepubescent sexpots, is disappointing as Lolita. She begins as a little girl with a lollipop and swiftly becomes a brat with a staff sergeant’s mouth and no trace of dreamy allure.”

Albee, it seemed, was now yesterday’s man, a remnant of the 60s completely out of place in the new, Reaganite 1980s.” Stephen Bottoms

The film based on Albee’s play was never made, although the contract held good and Albee’s camp actually collected on Adrian Lyne’s 1997 film that bore absolutely no relation to Albee’s drama. The intended opera, slated to be co-written by Leonard Bernstein, also failed to materialize after the drubbing the play received. Eventually, however, another opera did surface, this time rather unexpectedly in the Swedish language. Having seen how Alan Jay Lerner and Edward Albee fared, one might have expected Rodion Schedrin to demur, but late in 1994 the Russian composer premiered his 4-hour opera of Lolita at Stockholm’s Royal Opera. Due to another wrangle with the Nabokov estate (Schedrin had written the libretto but neglected to secure the rights), it was not possible to perform it in Russian or English, so it was translated into Swedish. There were 8 Stockholm performances spread across December 1994 and January 1995, and critics found little to admire in Schedrin’s words or music, although soprano Lisa Gustaffson’s portrayal of Lolita was praised, as was the production in general and John Conklin’s boldly stylized stage design, replete with imaginative icons, symbols and logos of 50s America.”

These extreme examples of dramatic disaster would seem to suggest that no sane person would ever again try to put Lolita on the stage. Yet it is in the nature of theater to revive and rework past failures to see if it was the times or something more intrinsic that defeated them first time around.”

In 1999, the 100th anniversary of Nabokov’s birth, the International Theatre Workshop tackled it at Lower Manhattan’s Gene Frankel Theatre. In the opinion of Zembla, an admirable Web site for Nabokov fans, Russian director Slava Stepnov’s vision of Lolita here was ‘less about sex and pedophilia than . . . about being a slave to one’s own ego’.”

A 2003 Oxford University student version also produced for Edinburgh was adapted by Aidan Elliott and had Lolita ‘clambering all over Humbert with an offensive and almost comical lack of subtlety’ according to one critic.”

Dmitri Nabokov has praised a ‘truly fine’ Milan theatrical production of Lolita by Luigi Ronconi that was based not on Albee’s play but on Stephen Schiff’s screenplay for Adrian Lyne’s 1997 film.”

9. THE SPIRIT OF FREE ENTERPRISE: Every foul poster

Lolita, although too young to be socially aspirational in that particular way, does seem to have inherited her mother’s touching trust in the heady promises of lifestyle magazines and adds an insatiable consumer’s appetite for the dreams such magazines promote. America’s golden period of consumerism might still be 2 or 3 years in the future, but even during the relative austerity of the late 1940s, the constant allure of consumer goods and services is already a potent force in Lolita’s young life. Modern kids usually want the same toys, clothes, and gadgets that their friends have, but Lolita’s constrained circumstances meant that she did not even have friends for much of her meager childhood.”

Rachel Bowlby, in her essay ‘Lolita and the Poetry of Advertising’, writes: ‘It is Lolita who is the poetic reader, indifferent to things in themselves and entranced by the words that shape them into the image of a desire that consumption then perfectly satisfies. Appearing under the sign of <novelties and souvenirs>, anything can be transmuted . . . into an object of interest, worth attention.’

It all began with that 1962 movie poster featuring a stylized Lolita sucking a scarlet lollipop and peeping over the lenses of sunglasses equipped with red heart-shaped frames. Her flirty gaze is contained, top and bottom, by the out-of-focus horizontals of a car window frame (although these were sometimes airbrushed out in the innumerable variants used for international posters and paperback book covers). Fashion photographer Bert Stern, who took the picture, seems to have toyed with the idea of making Sue Lyon into an adolescent Marilyn Monroe, an aim more obvious in another color shot from the same sessions.”

At the time, Stern was already fascinated by Monroe, of whom he would soon take some 2,500 photographs in a 3-day session shortly before she died in 1962.”

heart-shaped glasses and other items were to become a loose trademark vaguely suggestive of very young, sexually available girls. In this way a counterfeit Lolita fashion was founded upon an accessory that had nothing whatever to do with the Lolita that Nabokov had realized in such precise detail and diligently accoutred with all those faded blue jeans, plaid shirts, tartan skirts, gingham frocks, and sneakers. Worse was to come.

Nabokov was still alive when, to his amused revulsion, life-size Lolita sex dolls first became available, fully equipped with the appropriate apertures. Now, in the 21st century, the Bratz range of sexy, Barbie-with-attitude dolls for girls is rarely discussed without some passing reference to Lolita.”

Both commentators took the view that targeting very young girls was mainly a commercial decision undertaken by companies who were running out of female teenage consumers and who saw not only an immediate impressionable preteen market to exploit but also a valuable recruitment platform for tomorrow’s teenage customers.”

It has also lent itself to fashion styles and trends as far removed from 40s Ramsdale as Mars or Venus.”

British artist Graham Ovenden’s series of Lolita paintings and prints from the mid-70s caused a minor scandal when they were first exhibited, but they were defended as art rather than pornography, just as Nabokov’s book had been—although in this case perhaps with less demonstrable justification. A vague adherence to certain locales of the novel (Lolita at the Lake, for example) and Ovenden’s obvious skill as a draftsman could not change the fact that his artfully undraped Lolita owed rather more to some Pre-Raphaelite erotic stereotype (long luxuriant hair, a fey self-absorption) than to Dolores Haze. Some of Ovenden’s other works, such as those depicting Lewis Carroll’s Alice or 5 seminude contemporary girl children only identified by their first names, seemed to reinforce a legitimate suspicion that a graphic talent and the fame of others were being used to legitimize a personal obsession. Another Briton, David Hamilton, also courted controversy in the 70s with his numerous soft-focus nude photographic studies of girls in their early teens. Despite a credible early career as a 60s fashion photographer for Vogue, Elle, and other upscale glossy magazines, Hamilton always remained a suspect cultural figure in the United States and Britain, and his reputation was not helped when he directed a clutch of soft-core porn movies of which Bilitis (1977) remains the best known.”

New York City–born photographer Jock Sturges has also faced repeated charges that his work was child pornography masquerading as fine art. In 1990, his studio was raided by the FBI, who confiscated much of his work and equipment. The offending images were of children of both sexes, most of whom were characterized by their nakedness, their physical beauty, and the kind of untroubled, eyes-straight-to-the-camera gaze that in itself seemed to be challenging and confrontational to the forces of conservatism.”

Many of his images were certainly of very young girls, and in their studied informality, it could be argued that they were hardly any less contrived than Charles Dodgson’s Victorian tableaux. The difference was that these were pictures of modern young girls who were growing up in a knowing culture of sophisticated magazines, movies, and TV commercials, the beneficiaries of late 20th-century health care and nutrition posing naked on the recognizable beaches of west coast America or France. Without the distancing effect of yesterday’s technology and dated visual manners—dubious excuses to be sure—to some this looked like conceited pornography. To others it was a celebration of the female body’s beauty at its most striking. After a year, that FBI raid resulted in a grand jury throwing out the child pornography case. The public trial of a photographer, who had been born in the year of Lolita’s Great Road Trip, had given a new generation, too young to remember the public outcries about Nabokov’s novel, a minor child pornography debate of its own.

Sally Mann’s photographs incited similar divisions in the late 80s, particularly with her second published collection of pictures, At Twelve: Portraits of Young Women.” “Occasionally cropping her subjects in ways that might invite the charge of fetishizing certain body parts, At Twelve: Portraits of Young Women seemed to up the ante by going out of its way to draw attention to the blurriness of the line between childhood and adulthood, innocence and experience, pornography and art. When her next collection turned the lens on her own children, it caused a new outcry. Immediate Family (1992) contained what Art in America critic Ken Johnson called ‘luminously beautiful black-and-white images of mysteriously elfin children’, while other observers considered it further evidence of Mann’s fondness for sexualizing children, now with a suspicion of incest thrown in.”

A fair-minded reviewer might have disentangled this cultural muddle, but Blundell (who does not let the fact that she never even read all of Lolita prevent her from offering the absurd assertion that its author concluded that the molestation of girls turns them into sexy, self-sufficient women) simply co-opts Mann’s images as an excuse to air her own feelings about child abuse. Her review is worth dwelling on only because it is typical of many responses to this particular subject. When it comes to discussions of child abuse, sociological or artistic, there always seems to be people for whom the very idea is so incendiary that they cannot wait to begin with their own moral conclusion and then work backward to try to make the facts support it. They always seem content never to have read the book or seen the movie or play that is central to the debate; moral certainty, it seems, makes the gathering of supporting evidence unnecessary.”

One of Lolita’s more high-profile instances of commercial fame has come from having her name adopted by a Japanese youth fashion. Lolita Fashion in general connotes a frilly fantasy in which Japanese teen or preteen girls dress in a wildly stylized approximation of Western Victorian or Edwardian girls, often complete with lacy parasol, teddy bear, and Little Bo Peep hat or frilly headdress—Alice Liddell on LSD. More famous still is the Lolita Fashion subcategory Elegant Lolita Gothic, usually shortened to Lolita Gothic, ELG, Loligoth or GothLoli. Extrapolating conclusions from all of this is inherently problematic, since delving into Japanese popular culture at all is fraught with pitfalls for most Western commentators. It seems even the most innocent assumptions about shared societal values cannot be made when it comes to Japan. In the present context it may be plausibly argued that Japan actually sanctions, or at least broadly tolerates, a national male obsession with schoolgirls. The sexual politics of the Japanese Gothic Lolita phenomenon is therefore something of a minefield.”

In Japan that look has been traditionally based on a school uniform of the sailor fuku style (white blouse, blue collar, red tie, short blue pleated skirt), although an auxiliary range of fetishized school outfits also exists in the various forms of navy blue one-piece swimsuits, gym clothes comprising tight white top and navy blue tights, and schoolgirl variants of traditional Japanese martial art clothing. On the face of it, this would seem to be comparable to American male fantasy fetishes for schoolgirl, Girl Scout, or cheerleader outfits. Yet in Japan the Lolita Gothic fashion phenomenon—which might at first be considered nothing more than another variant of the school-age girl fantasy—is also part of modern Japanese youth’s own fondness for Visual Kei and CosPlay, role-playing that uses elaborate costumes, hairstyles, and makeup to create fantasy personae.

Attracting boys as well as girls, Visual Kei finds a distant Western echo in the British glam rock era of the 70s, a movement that spawned David Bowie, Queen, and Roxy Music. It was mainly androgynous-looking males who dominated, but the symbiosis between the music and the elaborate theatrical costumes adopted by performers and fans alike seems to prefigure Visual Kei. Certainly there has been a Japanese rock music connection in the form of bands such as Rentrer en Soi and MUCC (ムック), who adopted role-model outfits to inspire their fans to imitate and compete.

By being part of the Visual Kei movement, Lolita Fashion and Lolita Gothic have therefore come to represent a particular form of self-expression for young Japanese girls that seems poised between the traditional role-playing of Kabuki and the elaborate sartorial confection of the geisha, which—at least in the form of oiran geisha—has clear associations with prostitution. So here is a stylized hybrid movement of rebellion and self-expression based on an image that seems to derive from a Japanese male erotic stereotype and is therefore overloaded with cultural and sexual references that leave journalists groping for plausible sound-bite descriptions. French maid meets Alice in Wonderland. Shirley Temple meets Morticia Addams. Victorian frills with glam rock platform shoes. Baby Doll as a Black Sabbath groupie. No words can quite do justice to the impact of Japanese Lolita Gothic, not least because it very much depends upon whom it is having an impact. Lolita Gothic has been adopted by young Japanese women whose slight physiques tend to evoke childlike or even doll-like associations—although these associations tend to exist mainly in the minds of Westerners.”

Gothic” Rei Ayanami do anime Neon Genesis Evangelion, exemplificando bem a descrição de Vickers: vão-se os cabelos azuis originais e o fan artwork toma conta da internet.

Courtney Love, in her early days with alternative rock band Hole, was occasionally hailed as the first bona fide American Loligoth, but despite her contrived look of depraved innocence, achieved through torn baby doll dresses and makeup that looked as if it had been applied by a 9-year-old with little mirror experience, Love was no elfin Japanese girl, so the overall effect came out rather differently.

Yet Lolita Gothic has been successfully exported through other media, ever since it seeped into the iconography of Japanese manga (comic and newspaper cartoons), anime (animation), and bishōjo (a type of video game¹ based on interaction with stylized young girls depicted in the styles of manga and anime).”

¹ O autor se equivocou, pois jogos são só uma parte do conceito. Wiki: “Although bishōjo is not a genre but a character design, series which predominantly feature such characters, such as harem anime and visual novels, are sometimes informally called bishōjo series. The characters and works referred to by the term bishōjo are typically intended to appeal to a male audience. [Sailor Moon – que carrega bishoujo no título original e é formalmente considerado shoujo anime – seria focado em homens ou mulheres?!] Since one of the main draws of these series is typically the art and the attractive female characters, the term is occasionally perceived negatively, as a genre which is solely dependent on the marketability of beautiful characters rather than the actual content or plot.

The word bishōjo is sometimes confused with the similar-sounding shōjo (‘girl’) demographic, but bishōjo refers to the gender and traits of the characters it describes, whereas shōjo refers to the gender and age of an audience demographic – manga publications, and sometimes anime, described as ‘shōjo’ are aimed at young female audiences.”

All of these media trade in variants of the Lolicon (and how Nabokov, the lover of portmanteau words, would have squirmed to hear that one),¹ the Lolicon being a sexually explicit graphic depiction of a stylized prepubescent girl character. The traditional Lolicon has huge eyes, a preteen physique, skimpy clothes, and some (usually) pastel accessories of childhood (hair in beribboned bunches and bangs, popsicles, toys, and so on).”

¹ Lolita + complex

Bishōjo, the video medium, has met with most resistance to export because of the overtly sexual and sometimes pornographic nature of the player’s possible interaction with the characters. Manga and anime, usually more mainstream, have therefore been the leading channels by which this particular life of Lolita has become well known outside of Japan.

What does the Loligoth phenomenon add to the sum of misunderstandings that have accumulated around Lolita’s name? If in Japan its resonances are singularly domestic, in the West it has perhaps vaguely reinforced the idea of Lolita as a proactive coconspirator in her own exploitation. The spectacle of young girls publicly affecting costumes that contrive to blend the childlike with the enticing—and doing it, however unconsciously, in Lolita’s name—only strengthens the general suspicion that somehow Dolores Haze was asking for it. It is an unworthy but widespread suspicion and one that finds its logical conclusion in the ultimate commercialization of Lolita’s name: the Internet trade in pornography where 3 trips of the tongue down the palate—Lo-Lee-Ta—signify the sexual exploitation of underage girls who are often coerced to simulate enjoyment of their ordeal.”

The world of Internet Lolitas is in fact a rather more complex one than it may seem at first glance. As with everything else, the Internet has complicated traditional perceptions of how information is delivered and received. In the pre-computer days when Lolita was first conjured into being in Nabokov’s neat hand on a series of index cards (an analog cut-and-paste system of the author’s own devising), trafficking in pornographic material of any sort was still a comparatively risky business for both supplier and consumer, involving shady bookshops, mail-order services, and the black market. As a movie like Hard Candy demonstrates, by 2006 Internet pornography had bred sophisticated new protocols involving grooming and impersonation, bringing with them new generations of clued-up children and adults as well as a highly efficient transglobal distribution channel so complex that policing it has been reduced to a series of high-profile law enforcement gestures rather than any real control.”

By the early 70s, much of Western Europe was taking a far more liberal attitude toward pornography, the trend being led by Denmark, which, in 1969, had legalized the production of all kinds of erotic material. The earliest child pornography movies were marketed under the name ‘Lolita’ and were made by a Copenhagen-based company called Color Climax. It is estimated that a minimum of 36 10-minute films were produced under this catchall title between 1971 and 1979. Pornographic magazine spin-offs drew upon these movies for still photographs. The ‘Lolita’ films featured young girls, typically between the ages of 7-11, being sexually abused mainly, but not exclusively, by men. Meanwhile, in the United States, the commercial production and distribution of child pornography also began to flourish in a parallel climate of (comparatively) lax national law enforcement, often with linkups to European producers, sharing material and sometimes even sending images from the United States to Europe for initial publication prior to importing the resulting magazines. Amsterdam became the hub of this publishing trade, and it featured material with names that included Lollitots, Lolita Color Specials, and Randy Lolitas.”

One of the more grotesque by-products of today’s Internet distribution of child pornography is that a large proportion of it actually dates from 20 or 30 years ago, those old movies and still images now having been digitized. (…) For those abused children who are still alive, those filmed episodes from their grim childhoods are still being efficiently cataloged and sold.”

Perhaps this is a good point at which to recall that in 1949 Quilty throws out adoring Lolita because she flatly refuses to participate in his pornographic movies. ‘I said no, I’m just not going to (blow) your beastly boys, because I want only you’, Lolita tells Humbert at their last meeting, explaining why Quilty dumped her.”

Of course, had Lolita’s name remained the fairly common Spanish diminutive it had been before Nabokov bestowed fantastic fame upon it, the pornographers would simply have found another generic label to identify their images of molested and beaten kids. But perhaps it is grimly fitting that those traders in abuse should have knocked off a name so mellifluous and rich in associations, since the theft is appropriate to the practice it describes: the stealing of childhoods to realize dark adult fantasies.”

10. TABLOIDS AND FACTOIDS: The Press and Lolita

Tabloids in the United States date from the launch of the New York Daily News in 1919, a paper today locked in rivalry with the New York Post, which, under the ownership of Rupert Murdoch’s News Corporation, has taken on many of the characteristics of the famously cutthroat British tabloids.”

The Pall Mall Gazette was founded in London in February 1865 by Frederick Greenwood and George Smith and began as an interesting example of life imitating art. It was the actualization of a fictitious paper dreamed up by William Makepeace Thackeray for his 1850 novel The History of Pendennis. That novel explored Thackeray’s favorite theme of the green but ambitious youngster on the make, an idea he also used in Vanity Fair and The Luck of Barry Lyndon. The real-life Gazette’s original tone had been unashamedly elitist, fully in keeping with Thackeray’s editorial prescription (the Pall Mall Gazette would be ‘written by gentlemen for gentlemen’, Pall Mall being a London street famous for its exclusive gentlemen’s clubs). In 1880, however, the actual Gazette passed from conservative to liberal ownership, and between 1883 and 1889, under editor William Thomas Stead, it became a vigorous campaigning newspaper. The fully illustrated publication now covered human interest stories and became much more accessible, featuring banner headlines and short paragraphs. Traditionalists deplored what they saw as the degradation of news journalism, and there was particular resistance to Stead’s fondness for ‘the interview’, a journalistic innovation that, a rival complained, indiscriminately gave voice to any ‘politician, religionist, social reformer, man of science, artist, tradesman, rogue, (or) madman’ whose ramblings might offer titillation to readers.

Then in 1883 the Pall Mall Gazette published a series of articles on the subject of child prostitution, a practice that it labeled ‘the white slave trade’. Sales of the paper increased from 8,000 to 12,000. Two years later, Stead joined with Josephine Butler and Florence Booth of the Salvation Army for an exposé of child prostitution that was to represent the Gazette’s finest hour. In July 1885, Stead arranged the purchase, for a sum of around $8, of Eliza Armstrong, the 13-year-old daughter of a chimney sweep, in order to demonstrate how easy it was to procure young girls for prostitution. Stead then published an account of his investigations under the rather biblical title of ‘Maiden Tribute of Modern Babylon’ and made it a Pall Mall Gazette extra. Although his motives were clearly benign and the purchase of the girl obviously an intrinsic part of the exposé, the editor, along with accomplices, was charged and briefly imprisoned for procurement. Even so, the storm of publicity he stirred up was instrumental in forcing a change in the law that same year, and the age of consent was raised from 13 to 16. It was a remarkable demonstration of the power of the popular press. Stead had, in effect, turned a patrician publication into a tabloid that not only attracted many more readers with its human interest stories and accessible layout but also demonstrated that it was not afraid to take on the establishment.” “Ironically, today’s traders in child pornography and prostitution have little to fear from the hollow cries of moral outrage about pedophilia from the pragmatic descendants of the Pall Mall Gazette. Current tabloid editors, both British and American, know a sensational story when they smell one and have long since mastered the art of pandering to the worst instincts of a prurient readership while piously sermonizing in the margins. Few editors are willing to go to prison for practicing what they preach.”

the boundary between factual reportage and titillating documentary-style fantasy was defined by the existence of publications like Real Confessions, Real Romances, and Crime Confessions; these were fact-derived entertainment.”

the word ‘factoid’ was coined by Norman Mailer in his 1973 Marilyn Monroe biography to denote a ‘fact’ that does not actually exist before being reported in a magazine or newspaper”

Post-Lolita, the newspapers found they had a new shorthand label—and they could not have wished for a better one. ‘Lolita’ was short, distinctive, easily pronounced, and rapidly acquired a meaning that was internationally understood—or rather misunderstood.” “This Lolita was a factoid, a fabrication presented by the print media as a fact, thus acquiring a bogus new reality of its own.”

At the time of this writing, half a century since the first American publication of Lolita, the world’s current number one female tennis star, at least as far as the press is concerned, is the California-based Russian Maria Yurievna Sharapova. No doubt Nabokov would have derived some enjoyment from the spectacle of a prodigiously talented expatriate Russian girl excelling at one of his favorite sports in his beloved adopted country, but he would also have groaned at the press epithets deemed suitable for someone whose only misdemeanor was to start out as a bratty-looking teenager: the red-hot Russian… the Lolita of women’s tennis… Lolita with a racket… and so on. Did Sharapova have a precursor? Indeed she did: fellow Russian Anna Kournikova was frequently dubbed the ‘Lobbing Lolita’ in the press, but her retirement from competition—as well as her more conventional type of beauty—meant that journalists soon sought a successor and found her in the sometimes petulant young Sharapova, whose occasional teen sulkiness combined with her lithe physique made her an even better expression of the Lolita fantasy cliché.”

That nymphet’s beauty lay less on her bones

Than in her name’s proclaimed two allophones.” Anthony Burgess

When I saw that Fox’s coverage was titled ‘Where Is Elizabeth Smart?’ my thought was well, you know, who killed Laura Palmer? It’s like Twin Peaks in that you have sort of a blonde vision of innocence, of maidenhood… it plays into the JonBenét story. Jon Benét was, you know, this sort of Lolita-ish beauty pageant contestant and what makes it even more sort of archetypal is that Elizabeth Smart played the harp. You can’t get more angelic than that.” James Wolcott, Vanity Fair

Gone are the days when tame TV movies like Lethal Lolita cannot include the scandalous details; HBO and the Internet can show pretty much anything.” “Kampusch (chapter 2) is turning her experience—and the notes she made in captivity—into what will surely be a best-seller.”

Since the whole business was clearly a farrago fueled by the imaginations of children who had been browbeaten by suggestible parents, the only verity upon which everyone could agree was that child abuse was a very bad thing and demanded extreme reactions, even when nothing had happened. This, of course, is the unwelcome outcome when real life fails to conform to the easy characterizations of pulp fiction or tabloid simplification.”

Nothing much changes. Lyne, however, was relentless in his efforts to bring Nabokov’s tale of infinite desire to the screen in a way that would, after Kubrick’s patchy misfire, do it some sort of justice.”

11. TAKE TWO: Once more, with feeling

The climate of public opinion toward any debate about pedophilia was now deeply hostile, far more so than in the 70s or 80s, let alone the early 60s. This was bad enough, but it was not all. Lyne’s first (and some would say his biggest) obstacle to making a distinguished movie of one of the 20th century’s greatest and most allusive novels was his own track record.”

O DIRETOR DE <FILMES DO CANAL TCM>: “Next came Flashdance (1984), an urban fairy tale about a dancing welder from Pittsburgh (Jennifer Beals) who Has a Dream. It was a hit and was followed by a trio of even more successful but rather shallow erotic movies: Nine 1/2 Weeks (1986), Fatal Attraction (1987), and Indecent Proposal (1993). Admittedly Jacob’s Ladder (1990) was in there too, and that was a very well-handled post-Vietnam psychological tour de force that in some ways foreshadowed M. Night Shyamalan’s hit of 1999, The Sixth Sense. Otherwise Lyne’s movie career seemed to be dogged by his roots in advertising—plenty of style but little substance.”

Approaching his 50th birthday, Lyne was therefore understandably inclined to take on the formidable challenge of Lolita, a literary work of art he had long adored and that was finally optioned to him in 1990, prior to the shooting of Indecent Proposal. It was to prove a case of excruciatingly bad timing.

At this time, the protracted McMartin Pre-School affair was reaching the end of its second and final trial, and Amy Fisher would soon make her first fateful visit to Joseph Buttafuoco’s car repair shop in Long Island, ensuring that Lolita’s name would stay in the headlines for years for all the wrong reasons.”

The independent U.S. production company Carolco Pictures, Inc. expressed interest in bankrolling the project. Carolco had enjoyed great success with the Rambo movies and Terminator 2 and also produced Alan Parker’s Angel Heart and Sir Richard Attenborough’s Chaplin. Lyne now wrote a 35-page outline titled ‘Preparatory Notes on Nabokov’s Novel’.”

Pinter had made a creditable screenwriting job of everything from The Last Tycoon and The French Lieutenant’s Woman to The Quiller Memorandum and The Handmaid’s Tale, so he might perhaps do Lolita proud. Unfortunately, Pinter was always virulently anti-American in his politics as well as socially subversive in his film adaptations, at least whenever he could get away with it. One suspects he did not much care for Nabokov anyway. Was Pinter, after all, the best man to render the greatest novel of an apolitical, pro-America, non-satirical writer for the screen?”

Charm was not really what was required, and even the proposed casting of Hugh Grant as a lightweight and too-young Humbert [Hugh tinha 30 anos em 1990] (a serious suggestion at one point) was not going to salvage an icy script characterization. Harold Pinter was out.”

Schiff too was asked if he could set the film in the present day, an absurd idea that he sensibly rebuffed, arguing that Lolita’s story was inseparable from the context of its time.

Nabokov set his novel in 1947’, Schiff later wrote, ‘a singular moment in American cultural history—years before the finny, funny 50s; before the invention of the great American teenager and the distinct consumer culture that sprang up to serve it.’ A pointless 10-year time lag had helped to rob Kubrick’s film of any authentic context, and a 40-year dislocation would surely have rendered Lolita’s plot, as written by Nabokov, entirely meaningless.”

Dominique Swain was another novice. Born in Malibu, California, in 1980, the same year Adrian Lyne made his Hollywood debut with Foxes, she had little acting experience before getting the part of Lolita. She had failed an audition for Neil Jordan’s Interview with the Vampire (Kirsten Dunst eventually won the part of Claudia) and made a brief uncredited appearance in a film written by Ian McEwan and directed by Joseph Rubin, The Good Son (1993). Sporty, outgoing, artistic, and a straight-A high school student, Swain at 14 was an interesting-looking girl rather than a conventionally pretty one. She was clearly intelligent and seemingly undaunted by the audition process. In a riveting videotape of her audition for the part of Lolita, with Jeremy Irons playing Humbert, she is no showbiz show-off kid but still comes over as precociously witty and self-assured. At one point she mimics Lyne’s English accent, which, she suggests, is so much more sinister than an American one for delivering a line like ‘You murdered my mother’. If Swain’s physical development could have been arrested at the time of that audition, she would have been even better than she eventually was in the movie. But by the time they started shooting she was already looking older and more strapping and can actually be seen to be growing up during the film… albeit out of sequence due to the dislocated nature of shooting schedules. It hardly matters. After beating a reported 2,500 applicants to the part, Swain turned out to be the film’s undisputed success story. She would be a wonderful Lolita: rude, loud, childlike, touching, dreamy, goofy, cruel, sad, feisty, sexy, and funny. She would do it by channeling her own personality into the part and in this was expertly guided by Adrian Lyne, the father of two daughters. Dominique Swain actually seemed to thrive on a lack of acting experience. Not knowing how to do it right can, with careful guidance and good luck, sometimes have the benign opposite effect too—not knowing how to do it wrong. Journalist Stephen Schiff was already proof of this, having turned in the excellent script Lyne needed.”

Humbert’s eyes, no longer the distorting lenses through which everything is seen, now have to be shown on-screen, along with the rest of him. This was the fundamental, perhaps irresolvable problem of Lolita—this and finding an actor possessing both the skill and the nerve to play him. Unknown 14-year-old actresses have no established career to compromise, but middle-aged actors do. Jeremy Irons, being a well-respected if not exactly beloved actor in his homeland of Britain, first balked at the risk (and this despite Harold Pinter’s sweeping recommendation: ‘If you want an actor who isn’t afraid to look bad, get Jeremy Irons’).”

Irons’s personal challenge was immense: he had to perform in several sexually charged scenes with a 14-year-old girl who was constantly being attended on set by her mother, a tutor, and a body double. (…) No matter what the level of professionalism, an uneasy personal chemistry would ensue because it is hard for a 48-year-old man to play out violent arguments and sexual shenanigans with a high school girl.”

Melanie Griffith, a tinny-voiced actress not without her detractors, was cast as Charlotte Haze. This news was seen as another unpromising signal by many movie fans who were also admirers of the book, who were hoping for the best while fearing the worst. More positively Frank Langella, a fine and imposing actor, was cast as Quilty.”

On location in the South, Lyne said he frequently half expected some redneck sheriff to burst in at any moment to close down the proceedings before the movie was even shot. As for sexual impropriety, all due care was taken, some of it risible. When Swain sat on Irons’s lap, a cushion or board was placed between them. When it was necessary for Lolita to run a hand up Humbert’s thigh or vice versa, the body double took over. The weather, doing what weather does, delayed things. Melanie Griffith fell sick. The original cinematographer had to be replaced after shooting began. Jeremy Irons had real problems with some of the sex scenes. And the only person to sail through the experience with any degree of equanimity was Dominique Swain. Happy to be the center of attention and untroubled by the one aspect of things that troubled everybody else, she burst into tears only when Irons snapped at her for ill-advisedly telling him what to do.”

They wrapped in late 1995. They started editing in 1996. Then the real battles began.” “As bankruptcy loomed, Carolco sold Lolita to a big French corporation, Chargeurs, that had already acquired the movie production and distribution company Pathé back in 1992. Now, in 96, Chargeurs was demerging Pathé, an outfit for which, it was assumed, Lolita would be an ideal property. After the deal was done, Pathé’s optimism soon turned to concern (and Lyne’s hope to despair) when a new law, the Child Pornography Prevention Act of 1996, was enacted in the United States. Aimed at Internet pornographers who used computer graphics to simulate images of children having sex (even when no real children were involved), it threw up a potential killer obstacle to distributing the new Lolita at all in the United States. The reason was that the act proscribed any visual depiction that was ‘or appeared to be’ a child having explicit sex. This scattergun definition, although perhaps worthy in original intention, had huge potential ramifications for a wide range of mainstream media. An act that would retrospectively ban Volker Schlöndorff’s The Tin Drum (1979) outright or remove the Claire Danes/Leonardo DiCaprio bedroom scene from Romeo + Juliet (1996) looked likely to be challenged in the courts, but no one was eager to be the first challenger.”

Had we released Lolita in the ‘70s or ‘80s, Schiff said, I believe it would have easily made its way into distribution. But the culture has contracted since then. And even if it hasn’t, its gatekeepers believe it has.”

In a strange echo of what happened to Nabokov’s novel back in the 50s, Pathé effectively gave up on distributing it in the United States at all and looked to Europe. They perhaps hoped that a critical success there might kick-start its prospects on this side of the Atlantic. This seemed unlikely, despite the recent precedent of John Dahl’s The Last Seduction (1994), a cable TV movie that was shown on HBO and forgotten until it wowed European audiences in theaters, subsequently earning a U.S. theatrical release and rumors of a thwarted Academy Award nomination for star Linda Fiorentino (not permitted because the movie had premiered on TV) and becoming a neo-noir classic.

Adrian Lyne’s Lolita eventually premiered in Spain, at the 1997 San Sebastian Film Festival. It received mixed reviews and subsequently fared poorly in Spain. Italy loved it. In Germany it stirred up many public protests and was subsequently hard to see in that country. In Britain it received a certificate with no trouble whatsoever, something that stirred up tabloid outrage (Jeremy Irons was reported as saying he would leave the country if it were banned).”

In the end, the cable network Showtime bought the U.S. rights to the movie and broadcast it to any American household that subscribed to their channel in the summer of 1998. Despite limited screenings in New York, Los Angeles, and a few other cities, the movie—40 years after the novel was freely published—was to all intents and purposes banned from theatrical release in the United States, not by the censor but by the movie industry itself.”

He even adds a very Nabokovian touch that does not come from the book. When 13-year-old Humbert is preparing (alas, in vain) to possess Annabel in the long-lost world of the 1920s Riviera, he takes as a souvenir a bit of ribbon trim from the broderie anglaise of her long underpants. How many members of the movie audience recognize that ribbon when it reappears, unannounced, as a bookmark in middle-aged Humbert’s diary in Ramsdale? Perhaps as many as the number of readers who identify some of Humbert’s more arcane literary references in the novel. Everyone does not need to get the more obscure allusions, but it is nice if those references make artistic sense when they are spotted.

The film score and the featured music are particularly successful. Ennio Morricone’s score underpins the film’s shifting moods hauntingly, particularly in Humbert’s last desolate hours of freedom. Lolita’s enthusiastic if tuneless sing-along participation with contemporary novelty records on the radio—songs such as Louis Prima’s Civilization, Jack McVea’s Open the Door, Richard, and, perhaps most memorably, Tim-Tay-Shun (Jo Stafford’s redneck reworking of Temptation)—seem somehow even more fitting than the jukebox hits of mainstream crooners hinted at in the book.”

12. BLOOD SISTERS: Some responses to Lolita

Vladimir Nabokov finished writing Lolita on December 6, 1953. In France earlier that same year, Françoise Quoirez, the 18-year-old daughter of a wealthy Parisian industrialist, had just failed her examinations at the Sorbonne and subsequently spent the summer writing a novella. She decided to call it Bonjour Tristesse and herself Sagan after Princesse de Sagan in Proust’s À la recherche du temps perdu. Her book was published in 1954. Its success was considerable and international, and by 1959 it had sold 850,000 copies in France alone.”

Françoise Sagan had cast herself as Cécile, a spoiled 17-year-old whose intimate relationship with her 40-year-old Don Juan of a father seemed to have all but one of the characteristics of an incestuous affair. On an extended summer vacation with him at a villa in the Riviera, she amuses herself by playing malicious cupid as Daddy juggles two women: an empty-headed young mistress whom he believes helps him cling to his vanishing youth and a more mature woman who perhaps ought to suit him better. As her father prepares to announce that he is at last taking the sensible course, Cécile, with a recently acquired summer boyfriend of her own, petulantly manipulates everyone like chess pieces, conspiring to make the woman her father now intends to marry believe that he is deceiving her. This causes the distraught woman to drive blindly from the villa to die in the kind of portentous road accident often featured in books like this. Cécile’s harsh discovery that her game has resulted in irreversible tragedy is presented as a moral awakening and a rite of passage rolled into one. She starts out sounding like an old child, winds up sounding like a young woman; the collateral damage is one dead body.”

Sagan’s book scandalized family-loving France because of the iconoclastic attitudes behind this story of a daddy’s girl for whom sex was a game and traditional notions of love and marriage represented nothing more than routine and boredom. Tame as it may seem now, Bonjour Tristesse also rang alarm bells because it was a precocious broadside from a member of a young generation whose growing cultural clout threatened to spread far beyond the realm of pop music and fashion. The intimate father-daughter relationship added an extra sense of illicit danger, but perhaps most shockingly of all, the book was written by an obviously experienced young girl who seemed to know a great deal about sex and power.”

Bonjour Tristesse and Lolita have almost nothing in common apart from having both made their debuts in the mid-50s and sharing any sociological similarities we may choose to infer from each. Their telling difference, though, is that Sagan’s narrator relates everything from a very young woman’s point of view, while Nabokov’s Humbert is a middle-aged male who allows his leading lady no real voice of her own. The controlling effect of Humbert’s oppressive viewpoint was to feature in 40 years of feminist discussion about Lolita, in which the most commonly recurring complaint was that we simply never get to hear the girl’s point of view—she is effectively gagged by the man in charge. The wider implications of this in a male-dominated society, for those who wanted to point them out, were resonant with accusation.”

In Pera’s book (Lo’s Diary), Dolores Schlegel, née Maze, does not perish in a remote Northwest territory but lives on into adulthood and actually turns up in person at a fictionalized Olympia Press in Paris, accompanied by deaf husband Dick, during a visit to the French capital. Working at this reconstituted Olympia is John Ray Jr., the original novel’s foreword writer to whom Dolores gives her own ‘childish’ diary as a corrective to Humbert’s version of things. Humbert’s ‘real’ name is now revealed as Humbert Guibert. ‘Maybe you’d take a look at my own impressions of that time’, she says, handing over the diary to the bemused Ray. ‘They’re definitely less literary’.” “Only in 1995 does he finally edit and publish it, whereupon we learn that Lolita, in Pera’s hands, certainly does have a voice, even if it sounds suspiciously like the voice of a 42-year-old Italian woman working in the same medium—but hardly at the same level—as Vladimir Nabokov.” “Any expectation that there might emerge a Lolita sympathetically informed by a perceptive feminist awareness seems doomed to disappointment. In short, Dolores Maze comes across as being gratuitously unpleasant even before Humbert gets his hooks into her.” “The book was written in Italian and translated into English by Anna Goldstein, but even making allowances for the inherent problems of translation, this Lolita’s thoughts are rendered in a vernacular considerably less authentic-sounding than Nabokov’s laboriously researched attempts to reproduce the speech patterns of American kids of the 1940s.”

Throughout, Lo’s Diary runs similarly dreary attempts to depict Lolita as a sexual punk for the postwar years, a crude proto-feminist given to expressing opinions like ‘You have to keep a firm hand on a man, just like a horse’, and a budding sadist who tortures her pet hamster to death, heaps unremitting abuse and hatred on her ‘Shitmom’ Isabel (as Charlotte is redubbed), and decides to ensnare Humbert Guibert as ‘Daddy 2’ from the moment they first meet in the garden of 341 Grassy Street.”

To readers very familiar with Lolita there is perhaps a certain morbid fun to be had in seeing which of the book’s scenes are revisited from the viewpoint of this newly vicious and venomous Lolita, but in the end Lo’s Diary comes over as a rather sterile conceit with a lifeless narrator working to an obscure purpose. It is a shame, because all those voices calling out for Lolita’s point of view might reasonably have expected something better”

“‘Is the innocence of one girl so important next to Alice in Wonderland? Does it matter if it wasn’t quote soooo wonderful for her? A hundred years of beautifully bound editions? Can anyone honestly say they would save the child and lose the book?’ This thought, intentionally or otherwise, reverses the sentiment of a 1925 Russian poem by Vladimir Nabokov, ‘The Mother’, that explored weeping Mary’s grief after the execution of Jesus.

What if her son had stayed home with her,

And carpentered and sung? What if those tears

Cost more than redemption?”

In recent years some women authors have brought particularly chilling insights and perspectives to sadly familiar scenarios featuring girl-child victims. A.M. Homes’s The End of Alice seems at its start to be promising some sort of evenhanded correspondence or dialog between a 19-year-old woman and an imprisoned male pedophile, but things soon turn out to be disturbingly otherwise.”

One of the most unexpected Lolita spinoffs, however, was neither a borrowing nor a variant; it was not even, strictly speaking, a fiction. It was a celebration in the form of a memoir in which fictional Western women—among them Elizabeth Bennet, Catherine Sloper, Daisy Buchanan, Emma Bovary, Daisy Miller, and Dolores Haze—were introduced to real Eastern women in a weekly discussion group surreptitiously held in the capital city of the Islamic Republic of Iran, right at the end of the 20th century.

Reading Lolita in Tehran: A Memoir in Books is Azar Nafisi’s account of an undercover book discussion group she organized for a handful of female students after resigning her teaching post at Iran’s University of Allameh Tabtabai. Born in the old Iran in the days of the shah but educated in England and the United States, Nafisi had returned to teach in her native country in the late 70s, just in time for the Iranian Revolution, the rise of Ayatollah Khomeini, and, among other things most unwelcome from her point of view, a sustained erosion of personal liberties that proved especially harsh for women. Nafisi was first fired from the University of Tehran in 1981 for refusing to wear the veil and ultimately given no option but to resign from Allameh Tabtabai by the ever more rigorous restrictions placed upon what she could teach there. Allameh Tabtabai still had a reputation as the country’s most liberal university at the time, but all things are comparative and she found the university regime intolerable. So the secretive book group was in effect a gift from an international academic to 7 of her brightest female students. It took place covertly on Thursday mornings at Nafisi’s home, a sanctuary where those young women could shed not only their outdoor robes and scarves to reveal a lively selection of jeans, T-shirts, and other informal items worn beneath but also divest themselves of any restrictions forbidding what they might discuss. They used the sessions, guided by Nafisi, to discuss the unique potency of literature, as well as comparing and contrasting the travails of some of fiction’s most memorable heroines with their own lives and straitened circumstances.”

If it seems strange for such an embattled group of women to have embraced a hard-to-get book that had inflamed public opinion even in comparatively liberal America, it was not quite as it seemed.” “In the Islamic Republic of Iran, where the age of consent had been summarily lowered from 18 to 9, the sense of shock about a middle-aged man having sex with a 12-year-old girl was, shall we say, considerably less potent than in most Western countries.”

To the most rebellious of her students, a young woman she calls Yassi, Nafisi explains that ‘the desperate truth of Lolita’s story is not the rape of a 12-year-old by a dirty old man, but the confiscation of one individual’s life by another’. She goes on to argue that, although we cannot know what Lolita’s life might have been like had Humbert not hijacked it, ‘the novel, the finished work, is hopeful, beautiful even, a defense not just of beauty but of life, ordinary everyday life, all the normal pleasures that Lolita, like Yassi, was deprived of’.

Philistines are ready-made souls in plastic bags.” Nabokov

Carol gave me a copy of Lolita instead of a sermon. And that is how I came to read it, in two rainy summer afternoons, when I was 12. And when I emerged tearfully from the bedroom, she just nodded and opened her arms, for I was a sensitive kid. ‘Poor, poor Humbert!’ I cried. ‘Lolita was so mean!’ Justine Brown, exemplificando, depois de adulta, o perigo de fazer pré-púberes lerem o livro para convencê-las do perigo dos predadores pedófilos – elas não entenderão, elas se situarão ao lado de Humbert, confundirão a relação abusiva com amor romântico, o amor hollywoodiano e, doravante, ocidental, e o propósito pedagógico-moral do adulto terá escorrido pelo ralo com esta criança.

Despite the young Justine Brown’s unexpected loyalties and Pia Pera’s dubious advocacy, Lolita Haze has usually found her most sympathetic champions in women. None of them has been more quietly persuasive than Vladimir Nabokov’s extraordinary wife and collaborator Véra. The acute accent on the e, by the way, was a rare instance of her own literary invention. She added it to help with the correct pronunciation of her name when the Nabokovs first moved to America—it is Vay-rah, not Veer-a. Otherwise, Véra Nabokov, née Slonim, a highly cultured Russian Jew, a great beauty with a sophisticated taste in literature and a talent for languages, wrote hardly anything but diaries and letters, dedicating her life to the role of uber-assistant to a husband whose legendary absentmindedness and impracticality in the real world contrasted comically with his genius at creating and organizing exquisitely detailed fantasy worlds.

Véra was an aristocratic woman who made a dramatic escape from Bolshevik Russia in 1920, eventually arriving in that émigrés’ favorite city, Berlin, where she was still to be found supporting husband Vladimir and young son Dmitri as late as 1938, a date whose resonance now makes this sound like an insanely risky dalliance for a Jewish woman. She was the life partner who battled with publishers when the Nabokovs lived in poverty and the one who beat off the unwanted fans when Lolita made her husband notorious. She was the steel-willed woman who carried the licensed handgun when they toured remote territories on entomological excursions. She was the practical one who drove their Oldsmobile in a mixed spirit of exhilaration and heroic martyrdom because Vladimir could not drive at all.”

I have upwards of 200,000 miles under my belt, but each time I get behind the wheel I hand my soul over to God.” Véra Nabokov

She typed everything Vladimir wrote. She delivered his lectures at Cornell when he was too ill to do it himself. Without her, there would have been no Lolita; many who knew the couple went so far as to say that without her, there would have been no Vladimir Nabokov.”

Véra not only enabled a great literary career, she literally saved Lolita’s life when she snatched the novel’s pages from a sacrificial bonfire started by her husband in the yard of a rented house in East Seneca Street in Ithaca. There were to be several subsequent bids at immolation by an author beset with what he saw as insurmountable doubts about his masterwork, but the first and most famous attempt had a witness, one of Nabokov’s own students, a senior named Dick Keegan who had surely been handed a poisoned chalice when he was recruited as his professor’s personal driving instructor. (This exercise was an unqualified disaster; it remains one of American literature’s great ironies that the man who created that magnificent road trip right in the center of that magnificent novel was always utterly unable to master the controls of an automobile.)”

Also, Vladimir had entertained vague ambitions to write a comic article for The New Yorker about the trials and tribulations of Lolita’s publication, so it is possible that Véra’s notes might have been designed to help inform that. Yet a more personal tone emerges in this rare instance of Véra seemingly writing as herself rather than as her husband’s coconspirator and administrative alter ego.”

I wish, wrote Véra, someone would notice the tender description of the child’s helplessness, her pathetic dependence upon the monstrous HH, and her heartrending courage all along, culminating in that squalid but essentially pure and healthy marriage, and her letter, and her dog. And that terrible expression on her face when she had been cheated by HH out of some little pleasure that had been promised. They all miss the fact that ‘the horrid little brat’ Lolita is essentially very good indeed—or she would not have straightened out after being crushed so terribly, and found a decent life with poor Dick more to her liking than the other kind.”

CONCLUSION

At the time of this writing a Bollywood movie, Nishabd (2007), has just been released. It is advertised as a remake of the 1962 Lolita, [por que um remake de um filme ruim do Kubrick, e não do filme de 97 ou, enfim, outra adaptação do livro?!] and rumor has it that Indian audiences have not warmed to the film. Another smile.”

Histoire de Melody Nelson was a themed album from French singer-songwriter Serge Gainsbourg in 1971 and is generally accepted to have been inspired by Lolita. Melody is an androgynous 15-year-old red-haired girl whom Gainsbourg’s alter ego accidentally knocks off her bicycle with his Rolls-Royce. He takes her to a hotel to recover and promptly seduces her in one of its rococo bedrooms. Soon accident-prone Melody will die in a mystical plane crash over New Guinea, and, as Jean-François Brieu’s album liner notes rather colorfully put it, ‘Between these two blood lettings, she will be deflowered by the hero: a little trickle of hemoglobin, tribute paid to an initiation into pleasure’ (the translation from French is mine but the sanguinary imagery is Brieu’s). The sumptuous key track of the album, Ballade de Melody Nelson, was actually recorded before the other songs. It featured vocal interjections from Gainsbourg’s English girlfriend, Jane Birkin, who also impersonates Melody on the album sleeve—red wig, rouged cheeks, toy monkey clutched to her bare bosom, and crotch-hugging jeans. She also appeared with Gainsbourg in a 28-minute 1971 French TV special, Melody, directed by Jean- Christophe Averty. It promoted the album in what now looks like a narrative sequence of primitive music videos.”

Kitsch of the highest order, Melody the TV special manages to detract from, rather than add to, the drama of the songs.”

In 1975, Birkin would make her own cult album, Lolita Go Home, the title song being a cri de coeur from a nubile schoolgirl badmouthed by women and drooled over by men; it was co-written by Serge Gainsbourg and Philippe Labro. A year later Birkin would reincarnate a variant of Melody Nelson in Gainsbourg’s movie Je t’aime, moi n’en plus alongside Joe Dallesandro.”

“…Two: doesn’t discussing Lolita—doesn’t the very existence of the book—make pedophilia more socially acceptable?

The second question is so stupid that it does not really deserve an answer, since to confuse discussion with endorsement seems to suggest a complete absence of critical intelligence. It is also perhaps helpful to remember Alfred Hitchcock’s response when told that a serial killer had murdered for the 3rd time after seeing Psycho: ‘What movies did he see before the other two?’

Is it possible to depict circumstances and emotions that you have not personally experienced? Well, does anyone ask Hannibal Lecter’s creator Thomas Harris how many people he ate by way of injecting credibility into his blockbuster? Was Bret Easton Ellis only able to write American Psycho by means of strict empirical research? And what chance would Quentin Tarantino have of remaining at liberty if his films were assumed to be autobiographical? Need we ask? Need we answer? If you want to tell the truth, write a novel; if you want to tell a lie, write nonfiction.”

Writing a biography is a notoriously tricky and subjective business that never fails to offend someone. There can be few more diligently evenhanded biographers than Stacy Schiff, whose book Véra (Mrs. Vladimir Nabokov) stands as an elegant example of the genre, yet Ms. Schiff (no relation to Adrian Lyne’s scriptwriter, although the name does seem to be a lucky one for Nabokovian projects) has said that ‘anyone who has ever taken a cat to a vet in a carrying case, and extracted the animal in a blur of claw and hackles and muscle, knows what it is to write about Mrs. Nabokov.’

Admittedly, the artist who created the original might have cause for regret to see his creation embellished by a contingent comprising largely hawkers, impresarios, and assorted opportunists, but the phantom creatures they all conjure are still bona fide inhabitants of the world of human imagination. Every time we choose to believe in one of them instead of the original, it surely tells us something about ourselves and our times. That too I found an interesting aspect of delving into the lives of Lolita: she has been corrupted in a variety of ways, but each corruption tells us something not about her but about us.

Happily, the ‘real’ Lolita can always be perfectly restored for anyone who cares to read or reread Nabokov’s novel. That experience is its own high reward as well as the most dependable antidote to the latest brazen, short-skirted, man-eating, teen mutant dreamed up and labeled with the L-word for screen, page, or stage.”

INFÂNCIA – Graciliano Ramos

O outro visitante apareceu duas ou três vezes, cochichou demorado no copiar e sumiu-se levando algumas dezenas de mil-réis. Esse dinheiro significava o imposto dos proprietários rurais aos numerosos grupos de cangaceiros que percorriam o sertão, pouco exigentes comparados aos posteriores. Mediante algumas cédulas, uma novilha ou marra, obtinham-se dedicações, amizades proveitosas. Quando nos mudamos para a vila, 5 ou 6 bandoleiros que transitavam pelos arredores saíram do caminho, embrenharam-se na caatinga, para não assustar a mulher e as crianças.

Ausentes os hóspedes e os passageiros, caíamos no ramerrão fastidioso. Os mesmos trabalhos de pega, ferra, ordenha; ferrolhos rangendo pela madrugada e ao escurecer; vozes ásperas, exigências curtas, ordens incompreensíveis. Por toda a parte despojos de animais: ossos branquejando nas veredas, caveiras de bois espetadas em estacas, couros espichados, malas de couro, surrões de couro, roupas de couro suspensas em tornos, chocalhos com badalos de chifre, montes de látegos, relhos, arreios, cabrestos de cabelo.”

As meninas arrastavam-se no alpendre e na cozinha. O moleque José começava a revelar-se. Minha irmã natural se desenvolvia, recebendo com freqüência arranhões nos melindres. A aversão que inspirava traduzia-se em remoques e muxoxos; quando tomava feição agressiva, fazia ricochete e vinha atingir-nos. Se não existisse aquele pecado, estou certo de que minha mãe teria sido mais humana.”

Dificilmente pintaríamos um verão nordestino em que os ramos não estivessem pretos e as cacimbas vazias.”

Findaram as longas conversas no alpendre, as visitas, os risos sonoros, os negócios lentos; surgiram rostos sombrios e rumores abafados. Enorme calor, nuvens de poeira. E no calor e na poeira homens indo e vindo sem descanso, molhados de suor, aboiando monotonamente.”

A boca enxuta, os beiços gretados, os olhos turvos, queimaduras interiores. Sono, preguiça — e estirei-me num colchão ardente. As pálpebras se alongavam, coriáceas, o líquido obsessor corria nas vozes que me acalentavam, umedecia-me a pele, esvaía-se de súbito. E em redor os objetos se deformavam, trêmulos. Veio a imobilidade, veio o esquecimento. Não sei quanto durou o suplício.”

Eu era ainda muito novo para compreender que a fazenda lhe pertencia. Notava diferenças entre os indivíduos que se sentavam nas redes e os que se acocoravam no alpendre. O gibão de meu pai tinha diversos enfeites; no de Amaro havia numerosos buracos e remendos. As nossas roupas grosseiras pareciam-me luxuosas comparadas à chita de Sinhá Leopoldina, à camisa de José Baía, sura, de algodão cru. Os caboclos se estazavam, suavam, prendiam arame farpado nas estacas. Meu pai vigiava-os, exigia que se mexessem desta ou daquela forma, e nunca estava satisfeito, reprovava tudo, com insultos e desconchavos.”

Aperreava o devedor e afligia-se temendo calotes. Venerava o credor e, pontual no pagamento, economizava com avareza. Só não economizava pancadas e repreensões. Éramos repreendidos e batidos.”

Eu devia ter quatro ou cinco anos, por aí, e figurei na qualidade de réu. Certamente já me haviam feito representar esse papel, mas ninguém me dera a entender que se tratava de julgamento. Batiam-me porque podiam bater-me, e isto era natural.

Os golpes que recebi antes do caso do cinturão, puramente físicos, desapareciam quando findava a dor. Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal — e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó. Se não fosse ele, a flagelação me haveria causado menor estrago. E estaria esquecida. A história do cinturão, que veio pouco depois, avivou-a.”

Onde estava o cinturão? Hoje não posso ouvir uma pessoa falar alto. O coração bate-me forte, desanima, como se fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida agita coisas adormecidas cá dentro. A horrível sensação de que me furam os tímpanos com pontas de ferro.”

Pareceu-me que a figura imponente minguava — e a minha desgraça diminuiu. Se meu pai se tivesse chegado a mim, eu o teria recebido sem o arrepio que a presença dele sempre me deu. Não se aproximou: conservou-se longe, rondando, inquieto. Depois se afastou.”

Foi esse o primeiro contato que tive com a justiça.”

Quem me deu o primeiro cálice de licor foi a morena vistosa, mas não sei quem deu o segundo. Bebi vários, bebi o resto da garrafa. Comportei-me indecentemente, perdi a vergonha, achei-me à vontade, falando muito, desvariando e exigindo licor. Uma das moças trouxe-me um copo de vinho com mel. Minha mãe enferrujou a cara, estirou o braço enérgico, mas naquele momento eu desafiava as oposições. Através de uma neblina, distinguia formas vagas e inconsistentes. Repeli a mão que avançava para mim, tomei o copo. Daí em diante, até que adormeci, o tempo desapareceu. Certos pormenores avultaram, com certeza se dissiparam casos apreciáveis. Ganhei coragem de supetão, os perigos se esvaíram. Fortaleci-me, percebi aliados nas criaturas que me rodeavam.”

A literatura popular e os cancioneiros matutos gastar-se-ão repisando camponeses brabos e vingativos, donzelas ingênuas, puras demais. Engano. Senhorinha, educada perto do curral, conhecia os mistérios da procriação e era simples. Filha de proprietário, submeteu-se à honestidade e aguardou casamento. Mas as dívidas se avolumaram, a fazenda se despovoou, tombaram as cercas, o coronel, sem correntão nem guarda-chuva, aderiu à canalha — e Senhorinha renunciou à virtude, infringiu a moral, curvou-se à lei do instinto.

Bonitona. Avizinhei-me dela com impudência camarada, esfreguei-me. Essa precisão de receber carícias de uma pessoa do outro sexo surgiu-me de golpe, estimulada pelo álcool.

Suponho que não foi a primeira vez que me embriagaram. As sertanejas do Nordeste entorpecem os filhos à noite com uma garrafa de vinho forte. Meus irmãos ingeriram isso e procederam bem: não choraram, não gritaram, não manifestaram nenhuma exigência. Acordavam quietinhos, moles, bestas, bons como uns santos. Umedeciam as cobertas, mais isto não os incomodava: dormiam no líquido. E, longe deles, D. Maria sossegava. Quando apurei o olfato e a vista, percebi que os lençóis de meus irmãos eram fétidos, horríveis. Os meus deviam ter sido assim.”

Estranha loquacidade inutilizava o silêncio obtuso que me haviam imposto. O animalzinho bisonho papagueava, e gargalhadas estrugiam na sala, abafando a quizília [zanga] de minha mãe. Essa potência baqueava. Não me ocorria que ela se restabelecesse, voltasse comigo à casa triste, me fustigasse e puxasse as orelhas. Parecia-me que as moças ruidosas e a senhora encanecida iriam, no futuro, trazer-me a garrafinha, os cálices e a bandeja, escutar-me os devaneios.”

E os sapatos me incomodavam os dedos, esfolavam os calcanhares. Onde estariam as minhas alpercatas? Na roupa estreita, movia-me com dificuldade. Em geral eu usava camisa, saltava e corria como um bichinho, trepava nas pernas de José Baía, que nascera de sete meses e fora criado sem mamar. José Baía era ótimo, talvez por não ter mamado e haver nascido de sete meses, o que devia ser uma exceção. Se José Baía aparecesse ali, explicar-me-ia o papa-lagartas. A calça, o paletó e os sapatos pressagiavam acontecimentos volumosos.”

De ordinário a gente da rua, excetuados os três meses de safra, descansava seis dias na semana. Em negócios raros buscava-se lucro exorbitante.”

Debatiam-se Canudos, a Revolta da Armada, a Abolição e a Guerra do Paraguai como acontecimentos simultâneos. A república, no fim do segundo quadriênio, ainda não parecia definitivamente proclamada. Realmente não houvera mudança na vila. Os mesmos jogos de gamão e solo transmitiam-se de geração a geração; as mesmas pilhérias provocavam as mesmas risadas. Certas frases decoravam-se, achavam meio de arranjar-se com outras de sentido contrário — e essas incompatibilidades firmavam-se nas mentes como artigos de fé.”

Deodoro é que havia procedido mal. No começo da vida era um pobrezinho, e D. Pedro o recolhera, educara, dera-lhe posição e dragonas. Em paga de lautos favores, uma rasteira no protetor bambo. Ingrato. Devia ter esperado que o velhinho desse o couro às varas.”

o sapo-boi, bicho terrível que morde como cachorro e, se pega um cristão, só o larga quando o sino toca.”

Cocheiro devia tratar de cochos, objetos que não se viam no livro. Tudo ali discordava da nossa linguagem familiar. ‘Um grupo estranho e por igual vistoso.’ Parecia cantiga.”

A existência ordinária, entregue a negócios terrestres e caseiros, durava duas, três semanas, até o correio trazer o fornecimento mensal de literatura religiosa. Surgiam as beatas estigmatizadas, D. Bosco, diálogos singelos, casos edificantes, delícias vagas do céu e torturas minuciosas do inferno.”

limitando a mancha vermelha da testa, uma veia engrossava. Diversas pessoas da família tinham a mancha curiosa. Em momentos de excitação ela se avivava, quase roxa, da sobrancelha à raiz do cabelo — e essas criaturas se enfureciam, avizinhavam-se da loucura.”

Ia acabar. Estava escrito nos desígnios da Providência, trazidos regularmente pelo correio. Na passagem do século um cometa brabo percorreria o céu e extinguiria a criação: homens, bichos, plantas. Riachos e açudes se converteriam em fumaça, as pedras se derreteriam. Antigamente a cólera de Deus exterminara a vida com água; determinava agora suprimi-la a fogo.”

Quem tinha contado ao sujeito do livro que Deus resolvera matar Padre João Inácio? Padre João Inácio era poderoso. Recusei o vaticínio, firme.”

Esteve alguns dias apreensiva, folheando a brochura, os olhos arregalados, séria. Enfim abandonou o cataclismo, embrenhou-se em novos temores. O cometa veio ao cabo de uns dois anos e comportou-se bem. Minha mãe foi observá-lo da porta da igreja, sem nenhum receio, esquecida inteiramente da predição.”

Às vezes minha mãe perdia as arestas e a dureza, animava-se, quase se embelezava. Catorze ou quinze anos mais moço que ela, habituei-me, nessas tréguas curtas e valiosas, a julgá-la criança, uma companheira de gênio variável, que era necessário tratar cautelosamente. Sucedia desprecatar-me e enfadá-la. Os catorze ou quinze anos surgiam entre nós, alargavam-se de chofre — e causavam-me desgosto.”

Minha mãe estranhou a curiosidade: impossível um menino de seis anos, em idade de entrar na escola, ignorar aquilo. Realmente eu possuía noções. O inferno era um nome feio, que não devíamos pronunciar.”

Com certeza Padre João Inácio havia perdido um olho no inferno e de lá trouxera aquele mau costume. A resposta de minha mãe desiludiu-me, embaralhou-me as idéias. E pratiquei um ato de rebeldia:

Não há nada disso.”

Minha mãe curvou-se, descalçou-se e aplicou-me várias chineladas. Não me convenci. Conservei-me dócil, tentando acomodar-me às esquisitices alheias. Mas algumas vezes fui sincero, idiotamente. E vieram-me chineladas e outros castigos oportunos.”

Luísa era intratável e vagabunda. Em tempo de seca e fome chegava-se aos antigos senhores, instalava-se na fazenda, resmungona, malcriada, a discutir alto, a fomentar a desordem. Ao cabo de semanas arrumava os picuás e entrava na pândega, ia gerar negrinhos, que desapareciam comidos pela verminose ou oferecidos, como crias de gato.”

Haviam obrigado o moleque a tratar-me por senhor, não admitiam que me reconhecesse indigno, me privasse voluntariamente daquele respeito miúdo.”

Se os fregueses andavam direito na loja, obtínhamos generosidades imprevistas; se não andavam, suportávamos rigor. Provavelmente é assim em toda a parte, mas ali essas viravoltas se expunham com muita clareza.”

Quando meu pai se tinha irado bastante, segurou o moleque, arrastou-o à cozinha. Segui-os, curioso, excitado por uma viva sede de justiça. Nenhuma simpatia ao companheiro desgraçado, que se agoniava no pelourinho, aguardando a tortura. Nem compreendia que uma intervenção moderada me seria proveitosa, originaria o reconhecimento de um indivíduo superior a mim. Conservei-me perto da lei, desejando a execução da sentença rigorosa. Não me afligiam receios, porque ninguém me acusava, ninguém me bulia a consciência.”

Jazia ali um ser humano. Logo recusava a proposição insensata. Nada de humano: tinha a aparência vaga de um rolo de fumo. Isto, rolo de fumo, semelhante aos que meu pai guardava no armazém, umedecidos em líquido viscoso, empacavirados em bananeira. Apenas aquele não estava úmido nem coberto: estava nu e torrado. Um rolo de fumo ordinário, dos que se vendem nas barracas de feira, pelando-se, esfarelando-se ao sol. Difícil atribuir-lhe nome de mulher, existência de mulher. Contudo as exclamações reiteradas, fragmentos de asserções contínuas, desbarataram a evidência, deram-me afinal a certeza de que se achavam no terreiro porções da negra morta. Forçava-me a não perceber nexo entre aquela espécie de barrote queimado e a sujeita valente que se mexera, defendendo os trens domésticos, a ausência de braços e de pernas. A energia mencionada e a inércia visível debatiam-se dentro de mim.”

Curvei-me num arremesso de coragem. Faltava-lhe o cabelo, faltava a pele — e não havendo seios nem sexo, perdiam-se os restos de animalidade. A superfície vestia-se de crostas, como a dos metais inúteis, carcomidos no abandono e na ferrugem. Em alguns pontos semelhava carne assada, e havia realmente um cheiro forte de carne assada; fora daí ressecava-se demais. Nesse torrão cascalhoso sobressaía a cabeça, o que fôra cabeça, com as órbitas vazias, duas fileiras de dentes alvejando na devastação, o buraco do nariz, a expelir matéria verde, amarelenta.”

Se não me houvesse rendido à tentação, aquela imundície não existiria, pelo menos não existiria no meu espírito.”

Deus era misericordioso: contentava-se com uma habitação miserável, situada longe da rua, e com o sacrifício de uma preta anônima. Não me convenci. A loja de Seu Quinca Epifânio e a igreja não tinham nada com o negócio. Eu não vira incêndio na igreja nem na loja de Seu Quinca Epifânio: vira uma choupana destruída, e a choupana crescia, igualava-se às construções de tijolo. Seu Quinca Epifânio e Padre João Inácio estavam vivos. Se tivessem morrido no fogaréu, não seriam mais nojentos que a negra.”

A lembrança infeliz me atormentava: necessário que os outros soubessem isto e me censurassem. Tinham sido sempre rigorosos em demasia, e agora me deixavam com aquele peso no interior. A argüição e o castigo me dariam talvez um pouco de calma: eu esqueceria, nos lamentos e na zanga, a visagem terrível. Não me puniram, quiseram transformar aquele horror num fato ordinário.”

Em noites comuns, para escapar aos habitantes da treva, eu envolvia a cabeça. Isto me resguardava: nenhum fantasma viria perseguir-me debaixo do lençol. Agora não conseguia preservar-me. O tição apagado avizinhava-se, puxava a coberta, ligava-se ao meu corpo, sujava-me com a salmoura que vertia de gretas profundas. As órbitas vazias espiavam-me, a lama do nariz borbulhava num estertor, os dentes se acavalavam e queriam morder-me. Encolhia-me, escondia o rosto no travesseiro, e a visão continuava a atenazar-me. Os arrepios que me agitavam mudaram-se em tremor violento. Não resisti ao suplício, gritei como um doido, alarmei a família. Vieram buscar-me, tentaram varrer-me o espectro da imaginação, acomodaram-me aos pés da cama do casal. Aí me abati, no círculo de luz da lamparina, ouvindo o canto dos galos, até que a madrugada me trouxe uma ligeira modorra cheia de sonhos ruins. Adormeci com a figura asquerosa, despertei com ela.” “A negra tivera sorte. Provavelmente já estava no céu, diante de Jesus, misturada aos serafins. Essa esquisita benevolência deixou-me perplexo. Calei-me, prudente”

C.I.U.: “Vestindo o uniforme, eram insolentes e agressivos, apagavam as humilhações antigas afligindo outros infelizes. Bebiam cachaça, malandravam, torvos, importantes, vagarosos, e o desmazelo — cinto frouxo, quepe de banda, topete ameaçador — dava-lhes consideração. Arredios, oblíquos, promoviam sambas e furdunços em casas de palha, onde as violências passavam despercebidas e ninguém se queixava.”

Em geral os militares inferiores arrastam a voz na primeira sílaba de serviço quando se referem às ocupações da caserna, que deste modo se distinguem das civis e ordinárias, sem vogal modificada.”

Não me havendo chegado notícia das viagens de Gulliver, penso que a minha gente liliputiana teve origem nas baratas e nas aranhas. Esse povo mirim falava baixinho, zumbindo como as abelhas. Nem palavras ásperas nem arranhões, cocorotes e puxões de orelhas.”

Ótimo professor. Acho, porém, que era um mau funcionário. O Estado não lhe pagava etapa e soldo para desviar-se dos colegas, sujos e ferozes, encher com lorotas as cabeças das crianças. Um anarquista.”

Isto me pareceu absurdo: os traços insignificantes não tinham feição perigosa de armas. Ouvi os louvores, incrédulo.” “Não me sentia propenso a adivinhar os sinais pretos do papel amarelo?” Outra vítima das listas telefônicas? Haha, com certeza ainda não havia telefones…

A liberdade que me ofereciam de repente, o direito de optar, insinuou-me vaga desconfiança. Que estaria para acontecer? Mas a pergunta risonha levou-me a adotar procedimento oposto à minha tendência. Receei mostrar-me descortês e obtuso, recair na sujeição habitual. Deixei-me persuadir, sem nenhum entusiasmo, esperando que os garranchos do papel me dessem as qualidades necessárias para livrar-me de pequenos deveres e pequenos castigos. Decidi-me.”

Admirei-me. Esquisito aparecerem, logo no princípio do caderno, sílabas pronunciadas em lugar distante, por pessoa estranha. Não haveria engano? Meu pai asseverou que as letras eram realmente batizadas daquele jeito.

No dia seguinte surgiram outras, depois outras — e iniciou-se a escravidão imposta ardilosamente. Condenaram-me à tarefa odiosa, e como não me era possível realizá-la convenientemente, as horas se dobravam, todo o tempo se consumia nela. Agora eu não tocava nos pacotes de ferragens e miudezas, não me absorvia nas estampas das peças de chita: ficava sentado num caixão, sem pensamento, a carta sobre os joelhos.” Como é possível que alguém se lembre de quando e como foi alfabetizado?!

Enfim consegui familiarizar-me com as letras quase todas. Aí me exibiram outras 25, diferentes das primeiras e com os mesmos nomes delas. Atordoamento, preguiça, desespero, vontade de acabar-me. Veio 3º alfabeto, veio 4º, e a confusão se estabeleceu, um horror de quiproquós. Quatro sinais com uma só denominação. Se me habituassem às maiúsculas, deixando as minúsculas para mais tarde, talvez não me embrutecesse. Jogaram-me simultaneamente maldades grandes e pequenas, impressas e manuscritas. Um inferno.”

Muitas infelicidades me haviam perseguido. Mas vinham de chofre, dissipavam-se. Às vezes se multiplicavam. Depois, longos períodos de repouso. Em momentos de otimismo supus que estivessem definitivamente acabadas. Agora não alcançava esse engano. As 3 manchas verticais, úmidas de lágrimas, estiravam-se junto à mão doída, as letras renitentes iriam afligir-me dia e noite, sempre. As réstias que passeavam no tijolo e subiam a parede marcavam a aproximação do suplício. Dentro de algumas horas, de alguns minutos, a cena terrível se reproduziria: berros, cólera imensa a envolver-me, aniquilar-me, destruir os últimos vestígios de consciência, e o pedaço de madeira a martelar a carne machucada.”

Mocinha, quem é o Terteão?

Mocinha estranhou a pergunta. Não havia pensado que Terteão fosse homem. Talvez fosse. “Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém.”

Mocinha, que quer dizer isso?

e as duas consoantes inimigas dançavam: d. t.

Foi por esse tempo que o negro velho apareceu, limpo, de colarinho, gravata, botinas, roupa de cassineta, óculos. Estranhei, pois não admitia tal decência em negros, e manifestei a surpresa em linguagem de cozinha. Meu pai achou a observação original, enxergou nela intenções inexistentes em mim, referiu-a na loja aos fregueses, aos parceiros do gamão e do solo. Ouvia-a recomposta por Seu Afro, completamente desfigurada, com palavras que não me aventuraria a pronunciar.”

SUPERFÍCIE TRIDIMENSIONAL

raso, tudo é raso

rasura

de pensamento

anulado

recomeçado

reiterado?

uma coisa é outra coisa, a mesma coisa, ao mesmo tempo três vezes!

va(r)i(e)dade

O culpado era meu pai. (…) negociante não tem os escrúpulos comuns das pessoas comuns. Tanto elogiara as mercadorias chinfrins expostas na prateleira que sem dificuldade esquecia as minhas falhas evidentes e me transformava numa espécie de fechadura garantida, com boas molas.” “desagradava-me ouvir meu pai alinhavar opiniões contraditórias.”

A notícia veio de supetão: iam meter-me na escola. Já me haviam falado nisso, em horas de zanga, mas nunca me convencera de que realizassem a ameaça. A escola, segundo informações dignas de crédito, era um lugar para onde se enviavam as crianças rebeldes.” “A escola era horrível — e eu não podia negá-la, como negara o inferno.” “Iria o professor mandar-me explicar Terteão e a chave? Enorme tristeza por não perceber nenhuma simpatia em redor.”

Lavaram-me, esfregaram-me, pentearam-me, cortaram-me as unhas sujas de terra. E, com a roupa nova de fustão branco, os sapatos roxos de marroquim, o gorro de palha, folhas de almaço numa caixa, penas, lápis, uma brochura de capa amarela, saí de casa, tão perturbado que não vi para onde me levavam. Nem tinha tido a curiosidade de informar-me: estava certo de que seria entregue ao sujeito barbado e severo, residente no largo, perto da igreja.” Sujo pode, conquanto que as visitas não olhem.

Não me seria possível espernear, berrar daquele jeito, exibir força, escoicear, utilizar os dentes, cuspir nas pessoas, espumante e selvagem. Tinham-me domado. Na civilização e na fraqueza, ia para onde me impeliam, muito dócil, muito leve, como os pedaços da carta de ABC”

As pessoas comuns exalavam odores fortes e excitantes, de fumo, suor, banha de porco, mofo, sangue. E bafos nauseabundos. Os dentes de Rosenda eram pretos de sarro de cachimbo; André Laerte usava um avental imundo; por detrás dos baús de couro, brilhantes de tachas amarelas, escondiam-se camisas ensangüentadas.”

A escola exigia palmatória, mas não consta que o modesto emblema de autoridade e saber haja trazido lágrimas a alguém. D. Maria nunca o manejou. Nem sequer recorria às ameaças. Quando se aperreava, erguia o dedinho, uma nota desafinava na voz carinhosa — e nós nos alarmávamos.” “A excelente criatura logo se fatigava da severidade, restabelecia a camaradagem, rascunhava palavras e algarismos, que reproduzíamos.”

Lavou as orelhas hoje?

Lavei o rosto, gaguejei atarantado.

Perguntei se lavou as orelhas.

Então? Se lavei o rosto, devo ter lavado as orelhas.

Lembro-me de ter ouvido alguém condenar certa hóspeda que, antes de ir para a cama, pretendia banhar-se:

Moça porca.”

Continuei a asseá-las rigoroso, e ao cabo de uma semana surgiram nelas esfoladuras e gretas que dificultaram as esfregações. A professora notou o exagero, segredou-me que deixasse as orelhas em paz. Desobedeci: havia contraído um hábito e receava outra admoestação, pior que insultos e gritos.”

De quem seria o defeito, do Barão de Macaúbas ou meu? Devia ser meu. Um homem coberto de responsabilidades com certeza escrevia direito. Não havia desordem na composição. Só eu me atrapalhava nela, os meninos comuns viam facilmente o fugitivo esconder-se na gruta, a aranha fabricar a teia. Humilhava-me — e na horrível cartonagem só percebia uma confusão de veredas espinhosas. Não valia a pena esforçar-me por andar nelas. Na verdade nem tentava qualquer esforço: o exercício me produzia enjôo.”

E se o catecismo tivesse para mim algum significado, pegar-me-ia a Deus, pedir-lhe-ia que me livrasse do Barão de Macaúbas. Nenhum proveito a libertação me daria: os outros organizadores de histórias infantis eram provavelmente como ele. Em todo o caso ambicionei afastar a mosca, a teia de aranha, o pássaro virtuoso.”

Desse objeto sinistro guardo a lembrança mortificadora de muitas páginas relativas à boa pontuação. Avizinhava-me dos 7 anos, não conseguia ler e os meus rascunhos eram pavorosos. Apesar disso emaranhei-me em regras complicadas, resmunguei expressões técnicas e encerrei-me num embrutecimento admirável.”

Sete vezes nove?

Sessenta, pouco mais ou menos. A exigência de D. Maria não se inquietava com unidades.

Foi por esse tempo que me infligiram Camões, no manuscrito. Sim senhor: Camões, em medonhos caracteres borrados — e manuscritos. Aos sete anos, no interior do Nordeste, ignorante da minha língua, fui compelido a adivinhar, em língua estranha, as filhas do Mondego, a linda Inês, as armas e os barões assinalados. Um desses barões era provavelmente o de Macaúbas, o dos passarinhos, da mosca, da teia de aranha, da pontuação. Deus me perdoe. Abominei Camões. E ao Barão de Macaúbas associei Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque, o gigante Adamastor, barão também, decerto.”

AFASTOU-ME da escola, atrasou-me, enquanto os filhos de Seu José Galvão se internavam em grandes volumes coloridos, a doença de olhos que me perseguiu na meninice. Torturava-me semanas e semanas, eu vivia na treva, o rosto oculto num pano escuro, tropeçando nos móveis, guiando-me às apalpadelas, ao longo das paredes. As pálpebras inflamadas colavam-se. Para descerrá-las, eu ficava tempo sem fim mergulhando a cara na bacia de água, lavando-me vagarosamente, pois o contacto dos dedos era doloroso em excesso. Finda a operação extensa, o espelho da sala de visitas mostrava-me dois bugalhos sangrentos, que se molhavam depressa e queriam esconder-se.” “Voltava a abrigar-me sob o pano escuro, mas isto não atenuava o padecimento. Qualquer luz me deslumbrava, feria-me como pontas de agulhas. E as lágrimas corriam, engrossavam, solidificavam-se na pele vermelha e crestada. Necessário mexer-me à toa, em busca da bacia de água.”

Minha mãe tinha a franqueza de manifestar-me viva antipatia. Dava-me dois apelidos: bezerro-encourado e cabra-cega. Bezerro-encourado é um intruso. Quando uma cria morre, tiram-lhe o couro, vestem com ele um órfão, que, neste disfarce, é amamentado. A vaca sente o cheiro do filho, engana-se e adota o animal. Devo o apodo ao meu desarranjo, à feiúra, ao desengonço.” “Essa injúria revelou muito cedo a minha condição na família: comparado ao bicho infeliz, considerei-me um pupilo enfadonho, aceito a custo. Zanguei-me, permanecendo exteriormente calmo, depois serenei.”

Se a oftalmia desaparecesse, a expressão vexatória desapareceria também, eu regressaria ao catecismo, às histórias do Barão de Macaúbas.” “Na escuridão percebi o valor enorme das palavras. Em dias de claridade e movimento entretinha-me a observar a loja e o armazém, percorria alguns metros do largo e alguns metros da Rua da Palha, de casa para a escola, da escola para casa.”

Os passos revelavam as criaturas, quase se confundiam com elas: para bem dizer tinham forma, feições, e era-me possível saber de longe se estavam zangados ou satisfeitos.”

Mas, D. Maria, a velha professora quase analfabeta, aproximava-se da santidade. Os outros viventes possuíam virtudes e defeitos, com desvios e oscilações. Chico Brabo parecia-me dois seres incompatíveis. Em vão tentei harmonizá-los. As lembranças multiplicavam-se, exageravam-se. Arriado na cama de lona, as pálpebras coladas, via distintamente um deles. Os ouvidos excitados na cegueira fixavam-me na imaginação o segundo.”

Eu não supunha que existissem pessoas tão cabeludas.”

Os fazendeiros da região submetiam-se a alternativas: anos de abundância e anos de penúria. Às vezes a terra produzia em excesso, outras vezes não produzia nada. Dissipação, mesquinharia. E contra isso qualquer esforço era inútil.”

Nunca me havia ocorrido que as rapaduras fossem conseqüência de trabalho humano. Encaixadas, nas bodegas, não pareciam exigir tantos preparos. Aquilo era uma diversão curiosa. Bonitas, cor de ouro, empilhavam-se ainda quentes. E desejei permanecer ali, ao calor da fornalha, vendo a cana esmagar-se, o líquido borbulhar nas talhas, engrossar, solidificar-se.”

Mudei-me, fui viver na cidade. A pedra faiscante sumiu-se — e o meu quarto, rezadas as orações, apagado o candeeiro de querosene, escureceu.”

A pessoa que desapareceu da família foi Mocinha. Não sei bem se desapareceu da família, mas é certo que nos deixou. Talvez não a julgassem parenta: as relações dela conosco eram imprecisas. Antes de meu pai casar, Mocinha lhe fôra enviada por portas travessas, passara às mãos de tia Dona, viúva pobre que vivia com êle e tinha duas filhas novas. Viera o casamento, viera a mudança, tia e primas se haviam distanciado e Mocinha nos acompanhara ao sertão.

Era branca e forte, de olhos grandes, cabelos negros, tão bonita que duvidei ser do meu sangue. Parece que não queriam tomar conhecimento dela. Aferrolhavam-na em camarinha tenebrosa. Natural: sempre tivemos camarinhas úmidas, tristes, seguras, fechadas, para as mulheres. Sentava-se a um canto da mesa, rezava, comia de cabeça baixa. O constrangimento devia torturá-la, pois no quintal, na cozinha, no alpendre, ria, cantava, entendia-se com Rosenda lavadeira. Do corredor para a sala de visitas encolhia-se, reprimia expansões, anulava-se.”

À Mocinha não chegavam dissabores. Era como estranha, hóspeda permanente, embora se entretivesse em serviços leves: bordava palmas e florinhas lentas em pedaços de morim estendidos em grades, remendava camisas, endurecia saias brancas na goma anilada, alisava-as a ferro numa tábua vestida em lençol, suspensa nos encostos de duas cadeiras.”

Provavelmente a situação do negócio (gado a morrer, pano barato na prateleira) não lhe permitia engendrar filhos em muitas barrigas, fortalecer-se com o trabalho deles. Reprodutor mesquinho, sujeitava-se à moral comum — e naquela bênção engrolada ao amanhecer e ao cair da noite havia a confissão de que lhe faltava o direito de cobrir muitas mulheres, gerar descendência numerosa. Cobria e gerava, mas devagar e com método. Era um patriarca refletido e oblíquo, escriturava zeloso os seus escorregos sentimentais. Mocinha não representava utilidade. Valor estimativo, de origem pecaminosa. E meu pai tentava convencer os outros de que ela não existia.

Difícil. A intrusa se encorpava e embelezava, alargava a roupa, namorava-se ao espelho da sala. E do espelho saltou à janela, onde Miguel lhe foi segredar ternuras ao lusco-fusco.

Miguel, indivíduo importante, dos mais importantes do lugar, não podia ligar-se decentemente a uma filha das ervas. A gente dele, proprietária da casa de azulejos, motivo do meu assombro ao apear-me na vila, estrilou. E meu pai estrilou também, considerável e cheio de prosápias, orgulhando-se daquela preferência, mas rigoroso, intransigente. Fecharam-se e fiscalizaram-se as venezianas; estorvaram-se as relações com o exterior; a menina, elevada à categoria de pessoa, ouviu grilos, censuras ásperas, e as duas bênçãos diárias nunca mais lhe foram concedidas.

Pensei mais tarde nas razões que levaram meu pai a repelir um sujeito de boa raça, influente na política local. Talvez desejasse evitar falatórios, que lhe causavam medo. Talvez receasse assumir responsabilidade, ir até o fim do caminho. Nunca se comportava assim. Ordinariamente parava, ocupado com minúcias, e no jogo do solo, o seu divertimento no inverno, passava demais, enchia o pires de tentos, só se arriscava quando os trunfos lhe choviam nas mãos. Temia vantagens, desconfiava dos lucros rápidos e fáceis, que exigem capital e coragem — e após o desastre na fazenda, bichos famintos, morrinha, destruição, tornara-se precavido em excesso. Realmente era ambicioso, mas a sua ambição voava curto. Leve amor às aventuras e riscos, aventuras e riscos medianos, o induzia a vender fiado. Tomava todas as precauções, estudava o freguês pelo direito e pelo avesso, duplicava o preço da mercadoria, e se a fatura se elevava um pouco, suava numa angústia verdadeira. Findos os 90 dias do prazo, esfolava o devedor com juro de 2%a.m.. É possível que, nesse caso afetivo, ele haja, adotando os seus hábitos comerciais, procedido economicamente. Se acolhesse as boas intenções de Miguel, precisaria mandar fazer enxoval, comprar malas, realizar uma festa com anúncio em banhos, cerimônia de igreja, música, jantar para dezenas de convidados. Viriam Padre João Inácio, o Comendador Badega, Seu Félix Cursino, Teotoninho Sabiá, Filipe Benício. Teríamos discursos, teríamos dança. Esses desarranjos, além de caros, não estavam na índole de meu pai.”

Meu pai detestava a dança, formalidade necessária em bodas. Certamente se lembrava de culpas nascidas na valsa e na quadrilha — e daí o horror. Havia na existência dele, no escuro do passado, uma Deolinda, a que minha mãe se referia com inveja. Deolinda surgira escandalosamente na quadrilha e na valsa, traíra o marido — e, em conseqüência, meu pai reprovava com energia o exercício abominável. Minha mãe esqueceu a reprovação e cometeu uma falta: dançou com um primo barbado, em casa de meu avô. Arrependeu-se, achegou-me ao peito magro, pediu-me que não revelasse a ninguém o desgraçado sucesso. Comprometi-me. Quando nos desaviemos, ameacei-a. Não ligou importância às ameaças: puxou-me as orelhas. Senti a perfídia, mas fui generoso, guardei o segredo. E a paz do casal não se alterou.”

O nosso governo totalitário admitia Adélia e D. Rufo, mas não admitia Miguel. Não tentava suprimir a ficção contida nos volumes sujos. Consentia a leitura, reconhecendo a inutilidade dela fora do artigo político e dos lançamentos do borrador. Mas, deixando à menina o direito de pensar em tipos de histórias, decidiu conservá-la na virgindade. Obrigava-se a alimentá-la por largos anos, vesti-la, calçá-la. Isto representava uma despesa pingada, quase insensível.”

Fervia nela, porém, o sangue materno, a solidão afligia-a. E Miguel não queria ser figura de romance. Entenderam-se, apesar da proibição, inflamaram-se, cambiaram acenos e bilhetes. E tudo se resolveu.”

estabeleceu-se que moça fugida é moça avariada.”

Mocinha casou silenciosamente, sem música e sem dança, na missa das sete. E teve alguns anos de equilíbrio e felicidade.” “Miguel abandonou-a, ligou-se a outra, no civil. Se não me engano, ligou-se também a uma índia, na lei dos índios, para as bandas do Amazonas. Mocinha desapareceu e não deixou vestígio.”

Tinham-se sumido os grandes espaços alvacentos, de areia e cascalho, despovoados, o mato franzino, bancos de macambira, cercas de pedra, chiqueiros e currais, dias luminosos riscados pelo vôo das arribações. Veredas subiam, desciam, torciam-se, e à beira delas arrumavam-se casas, jardins, hortas. Os transeuntes não se vestiam de couro.”

Chegamos ao município de Viçosa, em Alagoas. Antes de estabelecer-se na cidade, meu pai se hospedou num engenho de fogo morto.”

Objetos e palavras inexistentes no sertão originavam incerteza, e a maneira de falar me chocava os ouvidos. As pessoas e as relações me desnorteavam: não podia saber se me comportava direito com a parentela confusa e respeitável.”

Matricularam-me na escola pública da professora Maria do Ó, mulata fosca, robusta em demasia, uma das criaturas mais vigorosas que já vi.”

surgiu uma novidade que me levou a desconfiar da instrução de Alagoas: no interior de Pernambuco havia 1899 depois dos nomes da terra e do mês; escrevíamos agora 1900, e isto me embrulhou o espírito. Faltou-me a explicação necessária. Como a doce mestra sertaneja, clara, de belos caracóis imaculados, superava a outra, escura, agreste, de músculos rijos, nos olhos raivosos estrias amarelas, considerei a nova data um erro.”

Uma vez, notando-me o desânimo diante da folha machucada, Dondom tomou a pena, traçou vários caracteres em caligrafia direita, emagrecendo-os, engordando-os convenientemente, e induziu-me a prosseguir daquela maneira. Conselho perdido: as garatujas de 1900 eram iguais às de 1899. E quando a professora foi julgar as escritas e viu o dolo, chamou-me, exigiu esclarecimento. Desejei mentir, responsabilizar-me. Impossível. Olhei desesperado a minha cúmplice. D. Maria do Ó envolveu a mão nos cabelos da menina, deixando livres o indicador e o polegar, com que me agarrou uma orelha. E, tendo-nos seguros, agitou o braço violentamente: rodopiamos como dois bonecos e aluímos sobre os bancos.”

permaneci obtuso, odiando as vírgulas e o catecismo, só abrindo os volumes sujos à hora da lição. Felizmente escapava entre dezenas de garotos rudes.”

Na sala, vendo a mulata ou cafuza brandir a palmatória, precisaria comportar-me bem, simular atenção, molhar de saliva as páginas detestáveis. Ali, no encolhimento e na insignificância, os livros fechados, embrutecia-me em leves cochilos, quase só. Desperto, bocejava, examinava o quintal estreito, que subia o morro do cemitério, argiloso e resvaladiço.”

Constrangida no espartilho, branqueada a pó-de-arroz, D. Maria do Ó fingia humanizar-se lá fora: a voz amansava, a carne se reprimia, doméstica, os bugalhos amarelentos se ocultavam sob as pálpebras roxas — e a fera metia as garras nos cabelos das crianças, adulando.

Entre as vítimas desse diabo, a mais infeliz era minha prima Adelaide. Os pais não queriam separar-se dela. E, ricos, podendo confiá-la a estabelecimento que ensinasse línguas difíceis, tinham resolvido instruí-la sem perdê-la de vista. Os colégios mais ou menos europeus ficavam longe. Iriam soltá-la por este mundo, sujeita a inconveniências? Não.”

Uma Adelaide letrada, não muito letrada, com as inovações e as letras necessárias. Uma Adelaide que se banhasse no riacho e falasse francês.”

E a infeliz, vergando sob a cólera despropositada, ia buscar a vassoura, limpar o tijolo, havia-se reduzido à condição de criada. Na labuta doméstica, sofria a birra das três velhas miúdas e cor de piche. Essas fúrias boçais vinham de classe muito baixa, tinham decerto adquirido em senzalas o veneno que destilavam. Da subserviência, antiga, passavam às ordens brutais, vingavam-se numa possível descendente de senhores remotos. Adelaide curvava o espinhaço, calejava na obediência, esmorecia nos trabalhos mais humildes.”

Não me parecia que Adelaide pudesse reabilitar-se, recuperar a alma de proprietária, dominar os cambembes esvaídos no eito. O engenho perdera a grandeza, era uma sombra de engenho, e a sinhá-moça arrastaria anos de vexame, até o fim da vida.”

As tias da professora haviam sido mucamas de luxo, sem dúvida, antes da maluqueira de uma princesa odiosa. Ingratas. Não me ocorria que alguém manejara a enxada, suara no cultivo do algodão e da cana: as plantas nasciam espontaneamente.”

Coitada de minha prima, tão boa, tão débil, suportando as enxaquecas das miseráveis. Lugar de negro era a cozinha. Por que haviam saído de lá, vindo para a sala, puxar as orelhas de Adelaide? Não me conformava.”

A imobilidade e a indiferença me atraíam. Tentei invocar as almas penadas, os diabos que se agitam nas chamas eternas. Essas criaturas me inspiravam piedade ou terror. Diante das carcaças nuas, era impossível comover-me. Loucura supor que mangassem de mim.

Longamente estive a contemplar as ruínas, ignoro como e quando me retirei. Decerto os colegas foram buscar-me. Não me recordo.

Entrei em casa mergulhado numa sombra espessa. À mesa, repeli a comida.”

Imundície. As pálpebras e o globo iam apodrecer, estavam apodrecendo. Só o esqueleto resistiria. Ossos. Aquela miséria segurava-se a mim, e não havia jeito de eliminá-la. Uma caveira me acompanharia por toda a parte, estaria comigo na cama, nas horas de brinquedo, nos desalentos, curvar-se-ia sobre páginas enfadonhas e agüentaria cocorotes. Ia encher-se de noções e de sonhos, esvaziar-se, descansar num ossuário, ao sol, à chuva, mostrar os dentes às crianças. Acabar-me-ia assim. Não interrompia o exame das órbitas, e as cavidades horríveis se alargavam e aprofundavam, semelhantes aos dois buracos que me haviam observado no cemitério.”

Os duendes e os gigantes eram só palavras, os inimigos indeterminados que vivem na treva se dispersaram. Intentei recordar-me deles, assustar-me. Debalde. Lá fora cantavam grilos, o vento zumbia nos ramos das laranjeiras e na cerca de pau-a-pique, vaga-lumes e baratas começavam a manifestar-se, os moleques cochichavam. Apenas. E cá dentro — um feixe de ossos. Apenas. A carne se eriçava, o sangue badalava na artéria. Isso tudo seria gasto pelos vermes. A imagem horrorosa se obstinava. As imagens também seriam gastas pelos vermes. Então para que me fatigar, rezar, ir à loja e à escola, receber castigos da mestra, escaldar os miolos na soma e na diminuição? Para quê, se os miolos iam derreter-se, abandonar a caixa inútil? O que mais me impressionava eram as órbitas: a pesquisa minuciosa prosseguia e achava-as desertas. Ocas e sombrias, como as outras. E o resto? Não havia resto. Ali não havia nada. Aqui não haveria nada. O velho Simeão habituara-se a dormir à luz dos fogos-fátuos, que já não eram amantes falecidos em incesto, perseguindo-se, repelindo-se, entre as sepulturas. Libertara-se de crenças, fugira ao sobrenatural. E resignava-se. Eu não podia resignar-me. As almas do outro mundo e os lobisomens adquiriam muito valor, faziam-me falta.

Estas letras me pareceriam naquele tempo confusas e pedantes. Mas o artifício da composição não exclui a substância do fato. Esforcei-me por destrinçar as coisas inomináveis existentes no meu espírito infantil, numa balbúrdia. É por terem sido inomináveis que agora se apresentam duvidosas. Afinal não me surgiam dificuldades. Haviam-me exposto várias lendas. Vencida a resistência inicial, pusera-me a confirmá-las. Negava-as de repente em globo, sem análises. Não me embaraçava em dúvidas. Tinha dito sim; entrava a dizer não: uma caveira motivava o desmoronamento.

Não pretendo insinuar, porém, que me haja encerrado no ateísmo, diferençando-me dos meninos vulgares. Nem sequer pensei em Deus. O que me inquietava eram as almas. E a minha não morreu de todo. Aquele enorme desengano passou. Os fantasmas voltaram, abrandaram-me a solidão. Sumiram-se pouco a pouco e foram substituídos por outros fantasmas.”

TIRARAM-ME da escola da mestiça, puseram-me na de um mestiço, não porque esta se avantajasse àquela, mas porque minha família se mudou para a Rua da Matriz, e D. Maria do Ó, no Juazeiro, ficava longe, graças a Deus.”

Um irmão dele, claro e simpático, certo dia me apareceu zangado no armazém de Seu Costa, sentou-se num fardo de algodão, abriu um jornal, fechou-o, encarou-me e rugiu:

Tenho o meu lugar definido na sociedade.

Não o contrariei. Admirava-lhe a caligrafia, os discursos na Loja Maçônica e a linguagem nas conversas. Desejaria falar tão facilmente, rir como ele. Mas naquela hora o homem não queria falar nem rir. Bêbedo, espumava, recordando alguma ofensa:

Tenho o meu lugar definido.

Provavelmente alguém o molestara, alguém que não recebera a resposta adequada e ali, na perturbação da embriaguez, se confundia comigo.

Sem dúvida.

O sujeito desdenhou a confirmação: bateu na coxa e martelou, reimoso, disposto a luta, babando-se:

Tenho o meu lugar definido.

Mas isso foi muito depois de eu entrar na escola do irmão. Este não tinha lugar definido na sociedade. Para bem dizer, não tinha lugar definido na espécie humana: era um tipo mesquinho, de voz fina, modos ambíguos, e passava os dias alisando o pixaim com uma escova de cabelos duros. Azeite e banha não domavam a carapinha — e o dono teimava, esfregava-a constantemente, mirando-se num espelho, namorando-se, mordendo a ponta da língua. Era feio, quase negro — e a feiúra e o pretume o afligiam. Porque tinha senso de beleza, mas procurava-a loucamente no seu corpo mofino. Friccionava-se, empoava-se, arrebicava-se, examinava-se no vidro, entortando os bugalhos estriados de vermelho.”

fantasiava em sossego um livro diferente, sem explicações confusas, sem lengalengas cheias de moral. Uma interjeição me puxava à realidade, esfriava-me o sangue; a falta se revelava, erguia-me o rosto alarmado. Nenhum castigo. O professor andava no mundo da lua, as pálpebras meio cerradas, mexendo-se devagar na cadeira, como sonâmbulo. Não se espantara, não se indignara: a exclamação traduzia algum sentimento nebuloso, estranho à leitura. Findo o susto, considerava-me isolado, continuava nas infrações sem nenhuma vergonha.”

Segurava a palmatória como se quisesse derrubar com ela o mundo. E nós, meia dúzia de alunos, tremíamos da cólera maciça, tentávamos esconder-nos uns por detrás dos outros. Daríamos os nossos cabelos, trocaríamos as nossas figuras por aquela miséria que se acabrunhava junto à mesa. Por que se aperreava tanto? Insignificâncias. Eu dizia comigo que o professor, como o irmão, poderia recitar discursos brilhantes e crescer. Tornar-se um homem.”

Os olhos ensangüentavam-se, os dentes rangiam. E consertava-nos furiosamente a pronúncia, obediente a vírgulas e pontos, forçava-nos a repetir uma frase dez vezes, punha notas baixas nas escritas, rasgando o papel, farejava as contas até que o erro surgia e se publicava com estridência arrepiada. Nesse policiamento súbito acuávamos — e as folhas virgens endureciam.

Desalentava-me no banco, os miolos a arder, zonzo. Quando se acabaria aquele horrível estrupício? Evidentemente não se acabaria: precisava habituar-me a ele, gostar da insipidez. Voltava à obrigação, reduzida por bocejos e cochilos.

Felizmente a exigência durava pouco. O sujeito melindroso enxergava no vidro uma cara atraente, alvoroçava-se, deixava-me em paz. As complicações do livro adelgaçavam, perdiam-se, enquanto o meu espírito vagaroso andava longe, pezunhando nos atoleiros que se espalhavam na cidade. Ia à estação da estrada de ferro, apreciava locomotivas, fumaça, apitos, vagões, passageiros e carregadores, trilhos, dormentes, rapaduras de carvão; detinha-se no mercado, que aos sábados se povoava de matutos ruidosos; visitava lojas, armazéns, a agência do correio; subia e descia ladeiras, passeava nos montes verdes, nas margens do rio largo e pedregoso. Assim divagando, sapequei o resto das histórias espessas, surdo aos conselhos que havia nelas. Nem me inteirava da existência dos conselhos.

Despedi-me enfim do Barão de Macaúbas, larguei a cartonagem, respirei. Mas a satisfação foi rápida: meteram-me noutra escola ruim e adquiri uma seleta clássica. [antologias didáticas]”

SEU Nuno quis transformar-me em ajudante de missa, e isto me atraiu, deixei-me sugestionar, embora ignorando que esforços a novidade exigiria de mim. De fato o catecismo não me inspirava simpatia, mas a aritmética e a seleta clássica eram piores — e imaginei, com a preferência, libertar-me delas. É possível que muitas vocações comecem desse jeito.”

Assim me edifiquei, a princípio moderadamente, depois excessivo e entusiasmado. Afeiçoei-me aos toques de sino, ao cheiro de incenso, decorei as frases do ritual, e, de casa para a loja, da loja para casa, ao passar diante da igreja, tirava o chapéu, rezava um padre-nosso e uma ave-maria.” “Adiantava-me, atrasava-me, escorregava no tapete, confundia a epístola com o evangelho, não segurava direito o missal, nos momentos mais sérios distraía-me olhando os vitrais. No manejo das galhetas [‘Cada um dos recipientes em que se guardam a água ou o vinho para a missa.’ // Também se usa para recipientes de restaurante ou de laboratórios químicos.] fui tão inábil que retrogradei. Cassaram-me funções, nem o turíbulo me deixaram, porque não consegui alongar ou encurtar as correntes, e nas minhas mãos o objeto, em vez de lançar fumaça, lançava cinza.” “E a minha fé pouco a pouco arrefeceu: a liturgia encrencada afastou da igreja um ministro.”

Findara o tempo dos eclesiásticos soltos, numerosos no século passado. Entravam no rigor. Padre João Inácio e Padre Loureiro viviam com feias e honestas parentas idosas. Em conseqüência, esmorecimento, deserções. Fazendeiros, senhores de engenho e negociantes metiam os filhos em colégios leigos, formavam-nos em academias liberais. Ou largavam-nos na bagaceira, se a rudeza era grande, prendiam-nos ao balcão.”

Um dia, no quintal, descobri uma de minhas irmãs vestida na batina, mascarada, fazendo carnaval. Indignei-me, depois encolhi os ombros, insensível à profanação. A batina envelhecia, desfiava-se nos bolsos e nas extremidades, cobria-se de nódoas. Esfarrapou-se nos brinquedos — e esquecia-a.”

Padre Pimentel era uma santa criatura e insinuou-me alguns conhecimentos, os primeiros que aceitei com prazer. Narrou-me a viagem de Abraão, a vida nas tendas, a chegada à Palestina. Usava linguagem simples, comparações que atualizavam os acontecimentos. Não hesitei, ouvindo a mudança de homens e gado, com certeza tangidos pela seca, em situar a Caldéia no interior de Pernambuco. E Canaã, terra de leite e mel, aproximava-se dos engenhos e da cana-de-açúcar. Mantive essa localização arbitrária, útil à verossimilhança do enredo, espalhei seixos, mandacarus e xiquexiques no deserto sírio, e isto não desapareceu inteiramente quando os mapas vieram.

Padre Pimentel admitia dúvidas e aclarava os pontos obscuros. Realmente não explicou direito o holocausto goro de Isaac e disfarçou, para evitar-me transtorno, o procedimento das filhas de Lot, mas os outros casos se desenrolaram fáceis e naturais. Jacob brigou com Esaú por causa de herança, coisa vulgar entre pessoas ricas, fugiu, foi protegido e enganado por um tio, tomou-lhe um rebanho e casou com duas mulheres. Uma delas tinha olhos de sapiranga [a mesma blefarite ciliar de capítulos atrás!]. A poligamia, o furto e as safadezas não me espantavam. Onze malvados se desembaraçaram de um irmão.

Até aí, tudo razoável. Em seguida enxerguei na história certo exagero. Moisés era um grande chefe, mas teria vencido os egípcios, atravessado o mar a pé enxuto, recebido alimento do céu, tirado água das pedras, visto Deus? Pedi confirmação. Havia prova de que o Judeu realizara tantos milagres? Padre Pimentel não se enfadava. Claro que tinha realizado.

Ia refugiar-me, zonzo, na companhia das moças. Conversavam demais. Discutiam, graves, um corte de vestido, parando em cada prega, analisando fitas e botões, discordavam, criticavam-se, enfim se combinavam. O que me surpreendia nelas era a ausência de pressa. Uma estava noiva, quase noiva. Adiava-se a resolução — e na sala de jantar havia sobre o assunto vivas cavaqueiras, em que todas pareciam ter igual interesse. Somavam as conveniências, as inconveniências, e isto às vezes favorecia o pretendente, outras vezes o desfavorecia. Enquanto buscavam decisão, iam preparando o enxoval. Fôra dada uma anuência tácita, mas os debates prosseguiam, com o arranjo das fronhas e dos lençóis. Mediam tudo, pesavam tudo, para não surgirem decepções.

Essas moças tinham o vezo de afirmar o contrário do que desejavam. Notei a singularidade quando principiaram a elogiar o meu paletó cor de macaco. Examinavam-no sérias, achavam o pano e os aviamentos de qualidade superior, o feitio admirável. Envaideci-me: nunca havia reparado em tais vantagens. Mas os gabos se prolongaram, trouxeram-me desconfiança. Percebi afinal que elas zombavam, e não me susceptibilizei. Longe disso: julguei curiosa aquela maneira de falar pelo avesso, diferente das grosserias a que me habituara. Em geral me diziam com franqueza que a roupa não me assentava no corpo, sobrava nos sovacos. Os defeitos eram evidentes, e eu considerava estupidez virem indicá-los. Dissimulavam-se agora num jogo de palavras que encerrava malícia e bondade. Essa mistura de sentimentos incompatíveis assombrava-me — e pela primeira vez ri de mim mesmo. A doçura picante não me reformava, é claro, mas exibia-me como eu poderia ter sido se a natureza e o alfaiate me houvessem dado os recursos indispensáveis. Satisfazia-me a idéia de que a minha figura não provocava inevitavelmente irritação ou desdém, e as novas amigas surgiram-me compreensivas e caridosas.

Guardei a lição, conservei longos anos esse paletó. Conformado, avaliei o forro, as dobras e os pospontos das minhas ações cor de macaco. Paciência, tinham de ser assim. Ainda hoje, se fingem tolerar-me um romance, observo-lhe cuidadoso as mangas, as costuras, e vejo-o como ele é realmente: chinfrim e cor de macaco.”

Aos 9 anos, eu era quase analfabeto. E achava-me inferior aos Mota Lima, nossos vizinhos, muito inferior, construído de maneira diversa. Esses garotos, felizes, para mim eram perfeitos: andavam limpos, riam alto, freqüentavam escola decente e possuíam máquinas que rodavam na calçada como trens. Eu vestia roupas ordinárias, usava tamancos, enlameava-me no quintal, engenhando bonecos de barro, falava pouco.”

O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: 5 horas de suplício, uma crucificação. Certo dia vi moscas na cara de um, roendo o canto do olho, entrando no olho. E o olho sem se mexer, como se o menino estivesse morto. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me aterraram. Abandonei os cadernos e as auréolas, não deixei que as moscas me comessem. Assim, aos 9 anos ainda não sabia ler.”

Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas e repisando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. Parei surpreendido, virei a folha, continuei a arrastar-me na gemedeira, como um carro em estrada cheia de buracos.

Com certeza o negociante recebera alguma dívida perdida: no meio do capítulo pôs-se a conversar comigo, perguntou-me se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava de uma história, um romance, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno, perseguido por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr, essas criaturas chegavam à cabana de um lenhador. Era ou não era? Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Animei-me a parolar. Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo.

Alinhavei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa, aventurando-me às vezes a inquirir. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito. Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs, à tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas.”

Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso.

E no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo. Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais para mim e não podiam durar.”

Quando falei a Emília, porém, ignorava que houvesse pessoas tão rudes quanto Eusébio e admitia facilmente as aureólas da professora. Em conformidade com a opinião de minha mãe, considerava-me uma besta. Assim, era necessário que a priminha lesse comigo o romance e me auxiliasse na decifração dele. Emília respondeu com uma pergunta que me espantou. Por que não me arriscava a tentar a leitura sozinho?”

Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam no céu, percebiam tudo quanto há no céu. Não no céu onde moram Deus Nosso Senhor e a Virgem Maria. Esse ninguém tinha visto. Mas o outro, o que fica por baixo, o do Sol, da Lua e das estrelas, os astrônomos conheciam perfeitamente. Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, porque não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras?”

E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as partes que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros.” “Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes, em que há homens perseguidos, mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes.”

Em aritmética eu era um selvagem, pouco mais ou menos um selvagem, mas fui tolerado, e creio que devo isto a Samuel Smiles.

Essa professora atrasada possuía raro talento para narrar histórias de Trancoso. Visitava-nos, prendia-nos até meia-noite com lendas e romances, que estirava e coloria admiravelmente. Nada me ensinou, mas transmitiu-me afeição às mentiras impressas.”

Imaginei um engano: tinha por erro o que divergia da minha maneira habitual de falar. Realmente pronunciara Smiles de vários modos, mas supunha que alguns deles estivesse direito. Julguei o professor uma besta — e meu primo José concordou.

Finda, porém, essa manifestação de rebeldia, chegaram-me dúvidas, grande espanto em seguida, por fim mistura vaga de resistência e admiração àquele homem que alterava as letras. A firmeza séria me deu a suspeita de que me achava na presença de uma autoridade. E como não me seria possível discernir razões profundas, contentei-me com as aparências — e a suspeita se transformou em convicção.” “Procurei outras palavras em que o i se pronunciasse daquele jeito. Inutilmente. Apesar de tudo Smiles era Smailes, e ninguém me tirava daí.”

Talvez a necessidade de mistério e grandeza me tenha levado a acreditar nos santos e nos heróis, que se desenvolveram simultaneamente. Houve, porém, um desequilíbrio: os primeiros subiram muito, enquanto os segundos desciam; em seguida os que estavam embaixo começaram a levantar-se, alcançaram os outros e ganharam a dianteira. Essas coisas, lentas, quase insensíveis, passaram-se num espírito nebuloso. Para bem dizer, não havia tempo. Na sombra avultavam figuras luminosas. Mas entre elas ficavam espaços vazios, que novas imagens vieram preencher.

Por que brigaram no meu interior esses entes de sonho não sei. Julgo que foi por causa de uma proibição, terrível proibição, relativa à brochura de capa amarela. Alguém a deixou na loja. Folheei-a devagar, soletrando, consultando o dicionário, sentado num caixão de velas. Os livros do estabelecimento eram o razão, o diário, o caixa, outros que José Batista manejava. Entre as mercadorias, porém, existia meia dúzia de dicionários. Examinei com algum proveito esses gêneros, que não achavam comprador. Tinham as bandeiras de todos os países (aí comecei a minha geografia) e retratos de figurões (origem da pouca história que sei). Meu pai me permitiu as consultas, pois a encadernação vermelha, as bandeiras e os retratos não representavam nenhum valor: era até bom que se estragassem, poupassem ao comerciante a lembrança de um mau negócio. Mercadorias. A mim revelaram pedaços do folheto amarelo, que se chamava O Menino da Mata e o seu Cão Piloto.

Arranjava-me lentamente, procurando as definições de quase todas as palavras, como quem decifra uma língua desconhecida. O trabalho era penoso, mas a história me prendia, talvez por tratar de uma criança abandonada. Sempre tive inclinação para as crianças abandonadas. No princípio do romance longo achei garotos perdidos numa floresta, ouvindo gritos de lobos. As narrativas de D. Agnelina referiam-se a pequenos maltratados que se livravam de embaraços, às vezes venciam gigantes e bruxas.

Em casa mostrei o achado a Emília, descrevi o menino, a mata e o cachorro. Nenhum sinal de aprovação. Emília arregalou os olhos, atentou horrorizada no folheto, pegou-o com as pontas dos dedos, soltou-o, como se ele estivesse sujo, aconselhou-me a não o ler. Aquilo era pecado. Aventurei-me a discutir. Minha prima se enganava: no conto havia um menino e um cachorro excelentes. Recuou, muito pálida, receosa de se contaminar, e virou o rosto. Pecado.

Pecado por que, Emília?

Porque o livro era excomungado, escrito por um sujeito ruim, protestante, para enganar os tolos. Objetei que o menino e o cachorro procediam como cristãos. Respondeu que o perigo estava aí: quando o diabo queria tentar as pessoas, simulava boa aparência, escondia os pés de pato e dava conselhos razoáveis. Depois mostrava as unhas e o rabo, cheirava a enxofre, levava a gente para o inferno. Ignorante e novo, eu não sabia o que era certo ou errado, mas se o livro tinha procedência má, boa coisa não podia ser. Afirmei que ele não tinha má procedência; Emília espiou de longe as letras da capa, discordou, afastou-se cheia de repugnância.”

Proibiam-me rir, falar alto, brincar com os vizinhos, ter opiniões. Eu vivia numa grande cadeia. Não, vivia numa cadeia pequena, como papagaio amarrado na gaiola.”

Chorei, o folheto caído, inútil. O menino da mata e o cão Piloto morriam. E nada para substituí-los. Imenso desgosto, solidão imensa. Infeliz o menino da mata, eu infeliz, infelizes todos os meninos perseguidos, sujeitos aos cocorotes, aos bichos que ladram à noite.

Os caixeiros, ouvindo-me, resmungariam ou soltariam gargalhadas; Fernando me insultaria; minha mãe me trataria com indiferença ou aspereza. E eu ficaria só no mundo. Um pecado a apertar-me como prensa. Eu era um pouco de algodão comprimido na prensa.”

Se se dirigia a mim, largava alguma frase contundente. Às vezes, atentando na significação dela, eu não achava motivo para me ofender, mas o jeito como ele se expressava, a sobrancelha carregada, o ar de suficiência e impostura, o riso brusco, um erguer de ombros, um balançar de cabeça, tudo me produzia mal-estar. Era como se ele me quisesse cortar com lâminas de gelatina.

Cresci ouvindo as piores referências a Fernando. Se fosse tão mau como afirmavam, não existia patife igual. Era parente do chefe político, e um chefe político da roça naquele tempo mandava mais que um soba,¹ dispunha das pessoas e manipulava as autoridades, bonecos miseráveis. Vivíamos num grande cercado de engenho, e só tinha sossego quem adulava o senhor. Os jornais da capital noticiavam horrores, mas ninguém se atrevia a assinar uma denúncia. Qualquer indiscrição podia originar incêndios, bordoadas, prisões ou mortes.”

¹ “Chefe de tribo ou régulo africano.”

O velho Frade, influente num município vizinho, dizia que nunca matara um homem. Matava cabra ruim, muito cabra ruim. No meu município também se assassinavam homens, embora se preferissem os cabras ruins. Quando um proprietário governista queria molestar um adversário, mandava suprimir-lhe alguns moradores — e a pessoa ameaçada vendia-lhe a terra por menos do valor. Se não vendia logo, novos moradores iam desaparecendo, até que a transação se efetuava. Só raramente, em casos de ofensas pessoais, questões de família, se eliminavam membros da classe elevada.”

Regime forte. O chefe conversava direito, falava na Coréia, torcia pelo Japão contra a Rússia em 1905, discutia gramática às vezes.” “As surras em tipos indesejáveis e o aparecimento de caboclos mortos eram fatos vulgares, mal justificavam a indignação impressa. O Coronel se defendia aos gritos, espumava; os aderentes, medrosos, balbuciavam, tentavam descobrir os autores das infames acusações. Fervilhavam suspeitas. E dias depois era certo alguém ser agredido em público, a chicote ou cacete. Nunca vi regime tão forte.

Amigo pequeno, Fernando recebia as iras destinadas a outros e não reagia. Numa reviravolta política, expôs claramente a sua natureza de tabela de bilhar: agüentou sova. Mas naquele tempo só o patrão, dono dos corpos e das almas, tinha o poder de humilhá-lo. Ouvidos os insultos, Fernando se recompunha, tornava-se insolente, apavorava os infelizes das pontas de ruas. Especializara-se em desgraçar meninas pobres, que se rendiam por medo ou eram violentadas. Algumas vezes as próprias mães iam levá-las ao sacrifício.

Lembro-me da Ratinha, linda criatura. Em noites de festa vestia roupas vermelhas, mostrava duas rosas vermelhas nas bochechas, sorria com um sorriso vermelho, era toda uma vermelhidão triunfante — e isto a perdeu. A Rata velha tinha olhos de rato, dedos finos de rato, focinho de rato, modos de rato. O Rato irmão era um rapaz miúdo, narigudo, inquieto. A Ratinha se diferençava da família, não se distinguia das moças de consideração. Engelhou e envelheceu num beco escuro.”

E lendo no dicionário encarnado, onde existiam bandeiras de todos os países e retratos de personagens vultosas, que Nero tinha sido o maior dos monstros, duvidei. Maior que Fernando? A afirmação do livro me embaraçava. Como seria possível medir por dentro as pessoas? E senti pena de Nero, que nunca me havia feito mal. Fernando me atormentava e era péssimo.” “O sujeito se tornou para mim um símbolo — e pendurei nele todas as misérias.”

Foi aí que veio o grande sucesso. Uma das tábuas ficara no chão, crivada de pregos. Fernando levantou-se, apanhou-a, agarrou um martelo, pôs-se a entortar os bicos agudos, a rosnar. Desleixo. Se uma criança descalça pisasse naquilo? Eu não acreditava nos meus olhos nem acreditava nos meus ouvidos. Então Fernando não era mau? Pensei num milagre. Julguei ter sido injusto. Fernando, o monstro, semelhante a Nero, receava que as crianças ferissem os pés. Esqueci as torpezas cochichadas, condenei o dicionário vermelho que tinha bandeiras e retratos. Talvez Nero, o pior dos seres, envergasse os pregos que poderiam furar os pés das crianças.”

APARECEU uma dificuldade, insolúvel durante meses. Como adquirir livros? No fim da história do lenhador, dos fugitivos e dos lobos havia um pequeno catálogo. Cinco, seis tostões o volume. Tencionei comprar alguns, mas José Batista me afirmou que aquilo era preço de Lisboa, em moeda forte. E Lisboa ficava longe.”

Emília tentou auxiliar-me, contou pelos dedos os possuidores prováveis de bibliotecas, sisudos, inacessíveis: Dr. Mota Lima, Professor Rijo, Padre Loureiro. Não me arriscaria a chateá-los. Mais próximo, havia o tabelião Jerônimo Barreto. Diariamente, percorrendo a Ladeira da Matriz, demorava-me em frente do cartório dele, enfiava os olhos famintos pela janela, via numa estante, em fileiras densas, bonitas encadernações de cores vivas. À mesa larga, em mangas de camisa, o funcionário manejava instrumentos jurídicos. E um respeito cheio de inveja me detinha na calçada. Atribuí àquele rapaz moreno ciência poderosa, estranhei vê-lo, simples e calmo, juntar-se aos freqüentadores da loja, onde metia na conversa Robespierre e Marat, dois tipos que venerei antes de me chegar qualquer notícia de revolução e da França.”

Foi uma inexplicável desaparição da timidez, quase a desaparição de mim mesmo. Expressei-me claro, exibi os gadanhos limpos, assegurei que não dobraria as folhas, não as estragaria com saliva. Jerônimo abriu a estante, entregou-me sorrindo O Guarani, convidou-me a voltar, franqueou-me as coleções todas.” Honestamente, se eu recebesse justo O Guarani aos 11 anos, teria desistido da literatura!

Jerônimo Barreto me desviou para as obras de carregação. Viajei bastante, abeirei-me de condessas. Mas permaneci no desalinho, esgueirando-me pelos cantos, e o juízo severo da família se agravava. Apenas meu primo José, ouvindo-me descrever uma casa queimada, resmungou:

Falante como o diabo.”

Surgiu na cidade uma espécie de colégio e introduziram-me nele. Quando cheguei, o diretor, insinuante, macio, ditou meia dúzia de linhas a diversos novatos. Emendou e classificou os ditados; pegou o meu, horrorizou-se, escreveu na margem larga do almaço: incorrigível. Esta dura sentença não me abalou. Até que me envaideci um pouco vendo a minha escrita diferente das outras.” Todo escritor se lembra de ter tido professores de português os mais mesquinhos na escola…

Dias depois o sujeito me pediu a constituição do Brasil e uma gramática. Levei a gramática, mas embirrei com a constituição, mudei-a numa história do Brasil de perguntas e respostas. Assim, não analisei o estatuto do meu país e dei a Jovino Xavier uma impressão miserável. Recebendo as cartonagens, Jovino travou comigo um diálogo: espantou-se, franziu os beiços, machucou o bigode, cocou a cabeça, entalado. E deixou-me em paz, esteve semanas sem me dirigir palavra, certamente julgando-me imbecil, o que muito me serviu.”

Jerônimo Barreto me fazia percorrer diversos caminhos: revelara-me Joaquim Manuel de Macedo, Júlio Verne, afinal Ponson du Terrail, em folhetos devorados na escola, debaixo das laranjeiras do quintal, nas pedras do Paraíba, em cima do caixão de velas, junto ao dicionário que tinha bandeiras e figuras.” Todo diferenciado precisa de seu mecenas e patrono.

Os meus colegas se afastavam de mim, declamavam as capitais, os rios da Europa. E eu mascava os prolegômenos: 24 horas, 365 dias, raça branca, raça negra. Quando tomei pé na Europa, eles exploravam outras partes do mundo. Surdo às explicações do mestre, alheio aos remoques dos garotos, embrenhava-me na leitura do precioso fascículo, escondido entre as folhas de um atlas. Às vezes procurava na carta os lugares que o ladrão terrível percorrera. E o mapa crescia, povoava-se, riscava-se de estradas por onde rodavam caleças e diligências.

Conheci desse jeito várias cidades, vivi nelas, enquanto os pequenos em redor se esgoelavam, num barulho de feira. O rumor não me atingia. Em vão me falavam. Sacudido, sobressaltava-me, as idéias ausentes, como se me arrancassem do sono. Olhavam-me estupefatos, devagar me inteirava da realidade.

Governadores-gerais, holandeses e franceses começavam a importunar-me. Esquartejavam-se períodos, subdividiam-se e rotulavam-se as peças em medonha algazarra. Os meus novos amigos guardavam maquinalmente façanhas portuguesas, francesas e holandesas, regras de sintaxe — e brilhavam nas sabatinas. Segunda-feira estavam esquecidos, e no fim da semana precisavam repetir o exercício, decorar provisoriamente toda a matéria. À medida que avançavam, a tarefa se ia tornando mais penosa: ficavam apenas, algum tempo, as últimas lições.

Eu achava estupidez pretenderem obrigar-me a papaguear de oitiva. Desonestidade falar de semelhante maneira, fingindo sabedoria. Ainda que tivesse de cor um texto incompreensível, calava-me diante do professor — e a minha reputação era lastimosa.”

Napoleão se estrepara na campanha da Rússia, logo nas primeiras páginas do Rocambole. Num desconchavo, referi-me à catedral de Notre-Dame e ao Vesúvio familiarmente, como se os tivesse visto. Além disso, arrolei plantas e animais exóticos: carvalhos e pinheiros, vinhedos e trigais, lobos e javalis, melros e rouxinóis.

Finda a novidade, os meus conhecimentos originaram desconfiança e algum desdém: Versalhes, Notre-Dame e os rouxinóis tinham aparência de contrabando. E eram inúteis, com certeza. Mas serviam para a composição de narrativas — e fora daí não me inspiravam interesse.

A existência comum se distanciava e deformava; conhecidos e transeuntes ganhavam caracteres das personagens do folhetim. Descurei as obrigações da escola e os deveres que me impunham na loja. Algumas disciplinas, porém, me ajudavam a compreensão do romance e tolerei-as — bocejei e cochilei buscando penetrá-las.

Em poucos meses li a biblioteca de Jerônimo Barreto. Mudei hábitos e linguagem. Minha mãe notou as modificações com impaciência. E Jovino Xavier também se impacientou, porque às vezes eu revelava progresso considerável, outras vezes manifestava ignorância de selvagem. Os caixeiros do estabelecimento deixaram de afligir-me e, pelos modos, entraram a considerar-me um indivíduo esquisito.”

OFERECERAM a meu pai o emprego de juiz substituto e ele o aceitou sem nenhum escrúpulo. Nada percebia de lei, possuía conhecimentos gerais muito precários. Mas estava aparentado com senhores de engenho, votava na chapa do governo, merecia a confiança do chefe político — e achou-se capaz de julgar.

Naquele tempo, e depois, os cargos se davam a sequazes dóceis, perfeitamente cegos. Isto convinha à justiça. Necessário absolver amigos, condenar inimigos, sem o que a máquina eleitoral emperraria.

Os magistrados de anel e carta diligenciavam acomodar-se, encolher-se, faziam vista grossa a muita bandalheira. De repente acuavam, tinham melindres que o mandão local não entendia e lançava à conta de má vontade. E lá vinham rixas, viagens rápidas, afrontas, um libelo contestado a punhal ou cacete. Enfim os bacharéis se agüentavam mal. Dispensavam-lhes obséquios, salamaleques — e desviavam-nos. Subsistia o Juiz de Direito, que ordinariamente se ausentava da comarca.”

A fome, a seca, noites frias passadas ao relento, a vagabundagem, a solidão, todas as misérias acumuladas num horrível fim de existência haviam produzido aquela paz. Não era resignação. Nem parecia ter consciência dos padecimentos: as dores escorregavam nele sem deixar mossa.”

Restos de felicidade esvaíam-se nas feições tranqüilas. O aió sujo pesava-lhe no ombro; o chapéu de palha esburacado não lhe protegia a cabeça curva; o ceroulão de pano cru, a camisa aberta, de fralda exposta, eram andrajos e remendos.”

Uma sexta-feira Venta-Romba nos bateu à porta. Deve ter batido: não ouvimos as pancadas. Achou o ferrolho e entrou, surgiu de supetão na sala de jantar, os dedos bambeando no cajado. As moças assustaram-se, os meninos caíram em grande latomia. [ruído]”

À distância, esse tratamento de meu senhor a uma criatura em farrapos soa mal. Era assim que minha mãe se expressava dirigindo-se a qualquer desconhecido. Trouxera o hábito da fazenda, e isto às vezes não revelava polidez. Em tons vários, meu senhor traduzia respeito, desdém ou enfado. Agora, com estridência e aspereza, indicava zanga, e a frase significava, pouco mais ou menos:

Vá-se embora, vagabundo.”

Está preso, gaguejou, nervoso, porque nunca se exercitara naquela espécie de violência.

Espalhou a vista em roda: o barulho das crianças fora substituído por uma curiosidade perversa; as moças tremelicavam na costura; a face de minha mãe expunha indiferença imóvel; um sujeito passeava na sala de visitas, exibindo pedaços da farda vistosa. Claro que não era brincadeira, mas o velho, estonteado, não alcançava o desastre. Arredou-se da porta, encostou-se à parede, esboçou um movimento de defesa. Se não fosse banguelo, rangeria os dentes; se os músculos não estivessem lassos, endureceria as munhecas, levantaria o cajado. Impossível morder ou empinar-se; o gesto maquinal de bicho acuado esmoreceu; devagar, a significação da palavra rija furou, como pua, o espírito embotado. E emergia da trouxa de molambos uma pergunta flácida:

Por que, seu Major?”

Por quê? Como se prendia um vivente incapaz de ação? Venta-Romba movia-se de leve. Não podendo fazer mal, tinha de ser bom. Difícil conduzir aquela bondade trôpega ao cárcere, onde curtiam pena os malfeitores.

Por que, seu Major?”

Assombrara-se, recorrera à força pública e receava contradizer-se. Talvez sentisse compaixão e se reconhecesse injusto. Enraivecia, acusava-se, e despejava a cólera sobre o infeliz, causa do desarranjo. Em desespero, roncou injúrias. O polícia que pigarreava na sala se avizinhou, a blusa desabotoada, faca de ponta à cintura, as reiúnas [coturno] de vaqueta ringindo.

Vinte e quatro horas de cadeia, uma noite na esteira de pipiri, remoques dos companheiros de prisão, gente desunida. Perdia-se a sexta-feira, esfumava-se a beneficência mesquinha. Como havia de ser? Como havia de ser o pagamento da carceragem?”

Eu experimentava desgosto, repugnância, um vago remorso. Não arriscara uma palavra de misericórdia. Nada obteria com a intervenção certamente prejudicial, mas devia ter afrontado as conseqüências dela. Testemunhara uma iniqüidade e achava-me cúmplice. Covardia.

Mais tarde, quando os castigos cessaram, tornei-me em casa insolente e grosseiro — e julgo que a prisão de Venta-Romba influiu nisto. Deve ter contribuído também para a desconfiança que a autoridade me inspira.”

E alguém afirmou na loja que estava ali um sujeito profundo, colaborador de jornais, autor de livros, o diabo. As maneiras esquivas e torcidas exprimiam vida interior, desprezo ao senso comum, inspiração de poeta. Em geral os poetas tinham aparência maluca e usavam cabelos assim compridos, escondendo as orelhas.

Aproximei-me desse curioso indivíduo no colégio, onde nos apareceu lecionando geografia. Não era a especialidade dele: ajustou-se à matéria como se ajustaria a qualquer outra, apenas para aliviar o trabalho de Jovino Xavier. Pouco a pouco abandonou os mapas, as listas de mares e de rios. Insinuou-nos a fundação de um periódico.

A idéia, aceita com entusiasmo, ao cabo de uma semana esfriou, teria morrido se eu e meu primo Cícero não a resguardássemos. Aferramo-nos a ela e, vencendo embaraços e canseiras, tornamo-nos diretores do Dilúculo, [Aurora] folha impressa em Maceió, com 200 exemplares de tiragem quinzenal, trazidos pelo estafeta Buriti, que vendia revista e declamava pedaços do Moço Louro. O desgraçado título foi escolha do nosso mentor, fecundo em palavras raras.”

Estabeleceu-se a redação na agência do correio, logo convertida em asilo de doidos. À tarde reuniam-se lá os membros da Escola Dramática Pedro Silva, os da Instrutora Viçosense, sociedade que dormia o ano inteiro, acordava na posse da diretoria e, concluídos os discursos, tornava ao sono. Essa gente fazia um barulho que assustava os transeuntes, afligia os vizinhos, atraía caixeiros tímidos, emaranhados nos cipoais da concordância e da métrica. Sem apanhar direito o sentido das conversas, apoderava-me de alguns vocábulos, estudava-os no dicionário, empregava-os com energia.”

“— O naturalismo…

Perplexo, eu examinava as pessoas em redor, procurava distinguir nelas o efeito da arenga difícil. Estariam compreendendo? Às vezes me assustavam discussões embrulhadas: rapazes silenciosos animavam-se, discorriam com exagero e ódio, religiosamente. Isso me dava tontura e enjôo. Uma idéia clara me surgia: os romances agradáveis eram bugigangas. Em troca, exibiam-me insipidez e obscuridade. Ali é que estava a beleza, especialmente na prosa de Coelho Neto.

Não me importava a beleza: queria distrair-me com aventuras, duelos, viagens, questões em que os bons triunfavam e os malvados acabavam presos ou mortos. Incapaz de revelar a preferência, resignei-me e agüentei as Baladilhas, o Romanceiro, outros aparatos elogiados, que me revolveram o estômago. Cochilei em cima deles, devolvi-os receando que me forçassem a comentá-los. Para mim eram chinfrins, mas esta opinião contrariava a experiência alheia.”

O Pequeno Mendigo e várias artes minhas lançadas no Dilúculo saíram com tantos arrebiques e interpolações que do original pouco se salvou. Envergonhava-me lendo esses excessos do nosso professor: toda a gente compreenderia o embuste.

Mário Venâncio fabricava artigos e notícias, reduzia os diretores a simples testas-de-ferro. Ornou de contos sérios as páginas mesquinhas. Assim principiava um deles, admirado na Instrutora Viçosense e na Escola Pedro Silva: ‘Jerusalém, a deicida, dormia sossegadamente à luz pálida das estrelas. Sobre as colinas pairava uma tênue neblina, o hálito da grande cidade adormecida. Nos casais dos cabreiros, cães de vigília ululavam lugubremente.’ Os nossos ouvidos eram insensíveis a colisões. E a brisa do monte das Oliveiras, a torrente do Cédron, lugares bíblicos, valorizavam o trabalho.

Mas não ficávamos na torrente e na brisa. Descíamos o monte das Oliveiras, caíamos na planície nacional, visitávamos a Casa de Pensão e O Coruja. Da cópia saltávamos ao modelo, invadíamos torpezas dos Bougon-Macquart, publicadas em Lisboa.”

Esquecia Zola e Victor Hugo, desanuviava-me. Havia sido ingrato com os meus pobres heróis de capa e espada. Não me atrevia a exibi-los agora. Disfarçava-os cuidadoso e, fortalecido por eles, submetia-me de novo ao pesadume, ia buscar o artifício v. a substância, em geral muito artifício e pouca substância.”

O funcionário postal facilitou-me a correspondência com livrarias: obtive catálogos da Garnier e da Francisco Alves, escrevi cartas, recebi faturas e pacotes. Não possuindo recursos, habituei-me a furtar moedas na loja, guardá-las num frasco bojudo oculto sob fronhas e toalhas no compartimento superior da cômoda. Entre níqueis e pratas surgiram cédulas — e enchi as prateleiras da estante larga, presente de aniversário. Esses delitos não me causavam remorso. Cheguei a convencer-me de que meu pai, encolhido e avaro por natureza, os aprovava tacitamente. Desculpava-me censurando-lhe a sovinice, tentando agarrar esperanças absurdas.

Mário Venâncio me pressagiava bom futuro, via em mim sinais de Coelho Neto, de Aluísio Azevedo — e isto me ensoberbecia e alarmava. Acanhado, as orelhas ardendo, repeli o vaticínio: os meus exercícios eram composições tolas, não prestavam. Sem dúvida, afirmava o adivinho. Ainda não prestavam. Mas eu faria romances. Gastei meses para certificar-me de que o palpite não encerrava zombaria. Depois a vaidade esmoreceu, foi substituída por uma vaga aflição. Que teria o homem percebido nos meus escritos? Se me decidisse a confiar nele, amargaria a vida inteira o provável engano. Examinei-me por dentro e julguei-me vazio. Não me achava capaz de conceber um daqueles enredos ensangüentados, férteis em nobres valorosos e donzelas puras. E, desatento, andava na rua aos encontrões, meio cego, meio surdo. Nunca descreveria um candeeiro como o de metal amarelo que iluminava, com azeite e difíceis pavios, duas páginas das Cenas da Vida Amazônica. Os candeeiros me passavam despercebidos. E seriam necessários? Os debates na agência não tinham fim. Lembrava-me dos governistas e oposicionistas espalhados, rancorosos, nas esquinas da cidadezinha e nos jornais da capital. Assombrava-me o partidarismo exaltado, a minha colaboração no Dilúculo era terrivelmente eclética. Mário Venâncio continuava a animar-me, eu desviava pretensões arriscadas.

Esse amável profeta bebeu ácido fênico. Levantei-me da espreguiçadeira, onde me seguravam as novidades e os sofrimentos da artrite e de uma novela russa, fui encontrar o infeliz amigo estirado no sofá, junto à mesa coberta de papéis, brochuras, pedaços de lacre, almofadas e carimbos. Um emissário da administração, feita a sindicância, redigiu necrológio pomposo, enterrou o cadáver sob a folhagem de salgueiros, entre raízes de ciprestes, vegetais desconhecidos no lugar.

O Dilúculo também morreu logo. Distanciei-me da crítica. E não me entendi com o público, muito incerto. No colégio, na Escola Pedro Silva, na Instrutora Viçosense, toleravam-me. Em casa, sem exame, detestavam as minhas novas ocupações.”

Minha família não era rigorosamente cristã: fugia do confessionário, rezava pouco, ia à igreja com temperança, nas festas. Mas admirava as procissões, jejuava na semana santa e sabia perfeitamente que os pedreiros-livres dão sangue ao diabo, obtêm fortuna e condenam-se. O velho Pedro Rico, nosso parente afastado, procedera desse jeito e estava no inferno. Sem dúvida. Percorria a vizinhança dos lugares mal-assombrados, vagava pelos caminhos, galopando num cavalo negro, pedindo missas e gemendo:

Sou a alma do finado Pedro Rico.

Seu Ramiro percebia as dificuldades e foi cauteloso, não revelou de supetão os seus desígnios sinistros. Fez diversas viagens e, com persistência e manha, declarando-se religioso em demasia, iniciou uma propaganda tímida, fortaleceu-se, conseguiu prosélitos e inaugurou a loja Mensageiros da Fé, que teve como venerável o chefe político. Na estréia, pomposa, tipos sérios, de Maceió, declamaram longos discursos.”

Findas as lições, espaçou as visitas, sumiu-se afinal. Meu pai emprestou-lhe 100 mil réis e perdeu-o de vista. Desiludiu-se, conteve imenso rancor. Certamente os irmãos deviam auxiliar-se, mas aquela maneira de arrancar auxílio era safadeza. Calou-se, roendo a indignação. Foi por isso, creio, que repugnou os três pontinhos, as brochuras misteriosas, ou triângulos, os compassos e o Supremo Arquiteto do Universo.”

A palmatória figurava em nosso código. Nas sabatinas, questões difíceis percorriam as filas — e o aluno que as adivinhava punia os ignorantes. Os amigos da justiça batiam com vigor, dispostos a quebrar munhecas; outros, como eu, surdos ao conselho do mestre, encostavam de leve o instrumento às palmas. Isto não nos trazia vexame: foi costume até que se usaram cartões relativos às notas boas. Desde então pagamos os nossos enganos com essa moeda, chegamos a emprestá-la a colegas necessitados.”

Assistíamos a uma pena estranha, infligida sem processo. A acusação se desenvolvera em segredo. No decurso da tortura, o diretor rosnava, e pelo mover dos beiços percebíamos a injúria murmurada no recreio. Não havia defesa. Nenhuma interferência.”

Em casa, o pai martelava-o sem cessar, inventava suplícios: amordaçava-o, punha-lhe as costas das mãos sobre a mesa da sala de jantar, malhava nas palmas, quase lhe triturava as falanges; prendia-lhe os rejeitos, pendurava-o num caibro, deixava-o de cabeça para baixo, como carneiro em matadouro. Fatigando-se das inovações, recorria às sevícias habituais: murros e açoites. O irmão presenciava as cenas aterrado, expandia-se em descrições torvas. E durante semanas o pobre repuxava as mangas, abotoava-se, endireitava a gola, para encobrir equimoses, sinais vermelhos, cinzentos, negros.

Apesar de tudo, a escola era um refúgio. Canseiras, adulações à mulher e aos filhos do diretor, rendiam pelo menos alguma indiferença. E isto convinha. Se o rapaz, findas as obrigações, se aquietasse, facilmente escaparia, anônimo e incolor. Não podia esconder-se. Precisava convívio, estava sempre ensaiando camaradagens que se malogravam.”

Deixei-o no colégio, perdi-o de vista. E reencontrei-o modificado. Ao iniciar-se no crime, andaria talvez pelos 15 anos. Atirou num homem à traição, homiziou-se em casa do chefe político e foi absolvido pelo júri. Realizou depois numerosas façanhas; respeitaram-lhe a violência e a crueldade. Sapecou os preparatórios num liceu vagabundo. Na academia obteve aprovação ameaçando os examinadores. Bacharelou-se, fundou um jornal. Como o velho diretor, seu carrasco, fechara o estabelecimento e curtia privações, deu-lhe um emprego mesquinho e vingou-se. Caprichou no vestuário: desapareceram as nódoas, a formiga, o mofo. E teve muitas mulheres. Foi em casa de uma que o assassinaram. Deitou-se na espreguiçadeira, adormeceu. Um inimigo, no escuro da noite, crivou-o de punhaladas.”

Aos 11 anos experimentei grave desarranjo. Atravessando uma porta, choquei no batente, senti dor aguda. Examinei-me, supus que tinha no peito dois tumores. Nasceram-me pêlos, emagreci — e nos banhos coletivos do Paraíba envergonhei-me da nudez. Era como se o meu corpo se tivesse tornado impuro e feio de repente. Percebi nele vagas exigências, alarmei-me, pela primeira vez me comparei aos homens que se lavavam no rio.”

Nunca usara franqueza com meus parentes: não me consentiam expansões. Agora a timidez se exagerava, o caso me parecia inconfessável. E se me atrevesse a falar ao Dr. Mota, ele iria dizer que o mal não tinha cura.”

à noite ficava horas pensando maluqueiras, rolava no colchão, contava as pancadas do relógio da sala, buscava o sono debalde. Levantava-me, acendia a lâmpada de querosene, pegava um romance, estirava-me na rede, lia até cansar. O espírito fugia do livro: necessário reler páginas inteiras. Inquietação inexplicável, depois meio explicável. O diagnóstico pouco a pouco se revelava, baseado em pedaços de conversas, lembranças de leituras, frases ambíguas que de chofre se esclareciam e me davam tremuras.

Aquilo ia passar: os outros rapazes certamente não viviam em tal desassossego. MAS a ansiedade aumentava, as horas de insônia dobravam-se, e de manhã o espelho me exibia olheiras fundas, uma cara murcha e pálida.”

Não me animava a exigir mais de uma gravata: meu pai só me permitia, rigoroso, o suficiente. Isso bastava à minha representação — no colégio, no quinzenário, nas seções da Instrutora Viçosense, da Amor e Caridade, que me elegeu para segundo secretário.” Diria que no teu tempo as crianças não tinham infância!

Foi então que vi Laura, num exame. Jovino Xavier fez-lhe perguntas comuns; notando-lhe a fortaleza, puxou por ela e declarou a análise sem jaca. Ouviu os discursos, recebeu os agradecimentos da professora e elogiou em demasia a inteligência e o progresso de Laura. Concordei. Invadiu-me súbita admiração, que em breve se mudou numa espécie de culto.”

Laura não possuía o azul e o ouro convencionais, mas dividia períodos, classificava orações com firmeza, trabalho em que as meninas vulgares em geral se espichavam. Imaginei-a compondo histórias curtas, a folhear o dicionário, entregue a ocupações semelhantes às minhas — e aproximei-a; encareci-lhe depois o mérito — e afastei-a. Se ela estivesse próxima, não me seria possível concluir a veneração que se ia maquinando.”

um mês a arrastar-me no Sonho de Zola, sem nenhum desejo de chegar ao fim, interpretando a narrativa a meu jeito.”

Quando Mário Venâncio teimava em reputar-me um embrião de novelista, retraía-me duvidoso: não seria capaz de arranjar um diálogo.”

Laura não tinha corpo — e aí se originou o meu tormento. Eu suprimira as indecências. Embrulhara com ódio O Cortiço em muitas dobras de papel grosso, amarrara-o em muitas voltas de barbante forte, escondera-o por detrás dos outros volumes, na prateleira inferior da estante.”

O Cortiço (…) História razoável, com alguma safadeza para atrair leitores.”

e não queria supor, com Mário Venâncio, que a bordadeira de paramentos fosse degenerada.”

Laura surgia de novo, não a figurinha transparente: um ser membrudo e espesso, todo carne e osso. Os braços rijos seguravam-me, o peito largo caía sobre o meu, achatava-me, e era inútil qualquer esforço para desprender-me. Eu desejava acordar, fugir ao pesadelo, restituir à criança as qualidades anteriores: de algum modo me sentia responsável pela medonha substituição. Angústia, arrepios.”

Devia ser efeito do café, um excitante. Abstive-me dele e bebi chá de folhas de laranja, sem proveito.”

estranharam na Escola Pedro Silva a assiduidade, o esquisito amor ao teatro, que eu revelava dando as costas à cena, os cotovelos fincados no peitoril de um janela. Assustei-me. Iriam conhecer o meu segredo?”

Otília da Conceição, à beira da cama, esperava em silêncio. Arriei sobre a mala pequena e, em silêncio também, comecei a descalçar-me. A vista se turvou, os dedos tímidos tremeram, o cordão do sapato deu um nó cego. Esforcei-me por desatá-lo: molhava-se de suor, cada vez mais se complicava. E o meu desgosto era imenso.

Entrei em casa nauseado, engolindo soluços.”

A artrite amarrou-me à espreguiçadeira, o meu desgraçado corpo se cobriu de manchas.” “Embrenhava-me agora em novelas russas. Entrevado, submerso na lona da cadeira, tentava erguer um braço doído, mexer os dedos, volver as páginas.” Estragado muy temprano. À metade do caminho…

* * *

GRACILIANO RAMOS E O SENTIDO DO HUMANO (POSFÁCIO) – Octavio de Faria

Se Infância me parece ser o livro mais importante de Graciliano Ramos — não o melhor, que certamente é Angústia — é que só vejo um caminho seguro para a compreensão do fenômeno literário chamado Graciliano Ramos, a criação levando ao criador e o criador levando à criança, ao menino que existiu nele e nunca morreu inteiramente. Em Graciliano Ramos, o menino Graciliano é tudo. Seus heróis são o menino, sua timidez é a do menino, seu pessimismo é o do menino, sua revolta é a do menino.”

é sempre o mesmo quadro cinzento e triste, quase asfixiante, o que encontramos disseminado em toda a sua obra.” Se quem leu um, leu todos…

O VICE-CAMPEONATO MAIS ARDIDO DE TODOS OS TEMPOS

Originalmente publicado em 3 de julho de 2008. Auspiciosamente republicado hoje para comemorar uma derrota brasileira no Maracanã!

Na virada do dia 2 para o dia 3 de julho de 2008 o futebol se deparou com um dos resultados mais justos de que já se teve notícia ao cabo de uma competição de suma importância, neste caso a glória máxima das equipes sul-americanas, a única escola que realmente importa quando se fala na modalidade, paradoxal e curiosamente, criada pelos sensaborões ingleses.

O Fluminense sucumbiu diante da Liga Deportiva Universitaria de Quito. Esperou-se ansiosamente para que o mundo da bola voltasse a seu estado de coerência habitual (ainda que este seja permeado de caixinhas e mais caixinhas de surpresas!). Explica-se: a própria galgada do time das Laranjeiras à decisão da Libertadores da América foi a mais infamante injúria, um descaminho que nem cem Sobrenaturais de Almeida poderiam explicar. Não foi apenas sorte, uma cadeia de eventos fortuitos. As leis da termodinâmica precisaram ser estilhaçadas durante vários minutos das rodadas de quartas e semi-finais, o que obviamente favoreceu o time que levaria franca desvantagem nos seguintes confrontos: Os Badalados do Rio de Janeiro X São Paulo FC e Os Badalados do Rio de Janeiro X Boca Juniors. Dissequemos a quase-desgraça que se anunciava e que só deixou de se abater sobre o planeta (ou a América, o Planeta Bola) no último instante, roteiro muito semelhante, aliás, a um drama hollywoodiano, em que o final é inevitavelmente a felicidade geral. (Exclui-se da conta os condoídos da longa noite.)

O CAPITÓLIO DA JUSTIÇA

A mídia não merecia. A imprensa nacional – vendida a interesses escusos, que variam de sediar uma competição de envergadura, tal qual uma Copa do Mundo, algo totalmente descabido para nosso patamar civilizatório, à manipulação de horários de jogos e sabotagem moral de equipes estrangeiras – não merecia. A Globo, sobretudo, não merecia – e quebrou a cara (ou as lentes tão caras de suas câmeras pouco ou nada imparciais, se é que é possível divagar sobre níveis de imparcialidade… Não percamos tempo com a raça dos jornalistas!). O Fluminense – de história microscópica diante de outros Golias brasileiros – não merecia. Renato Gaúcho, o técnico mais prepotente do novo milênio, não merecia. Washington, um atacante com dificuldades visíveis de domínio de bola abençoado em uma série de lances pela eliminação temporária das leis da Física, merecia ainda menos. A Unimed e seu patrocínio desmedido – somas desproporcionais aplicadas em uma instituição duvidosa – tampouco merecia. O presidente do Fluminense, Horcades, envolto em corrupção, não o merecia. O FUTEBOL, Ó DEUS DO CÉU, LOUVADOS SEJAM PELÉ, OS DRIBLES BEM-FEITOS, A SEMPRE BEM-VINDA COMPETÊNCIA, A BOLA REDONDA… NÃO MERECIA VER UM TIME RECALCITRANTE SE SAGRAR CAMPEÃO CONTINENTAL! Se me perguntarem “entre a mídia e o Fluminense, fica com quem?”, respondo que ambos se merecem.

A única concessão a essas entidades, retirando-se, claro, o futebol, é o direito ao choro copioso. Quem diria: botafoguenses, vascaínos (estes sempre na sarjeta) e flamenguistas (acometidos de um terrível desastre no meio do torneio), além de muitas outras torcidas, se é que não todas (exasperadas com o pedantismo sem-fim do sr. Renato), são os que deitam e rolam ao mirar a desolação vizinha. O chororô já deu muito o que falar em 2008, mas ainda não tinha assumido PROPORÇÕES OCEÂNICAS como nesta madrugada! O pior é que para as vítimas ainda não foi decretado o desfecho: este poderá vir de forma sobretudo lancinante, à última rodada do Campeonato Brasileiro. A tabela dirá por mim… As promissórias da ascensão precoce do time de Magno Alves à série A no triênio 99-2000-2001, fiada pelo Diabo, vencem em dezembro.

CASUALIDADES QUE ENCERRAVAM UM “MALDOSO” PROPÓSITO FINAL

Um acidente aos 48 do segundo tempo que de repente assume, nas bocas dos fanfarrões, aspecto de “superioridade técnica e tática inquestionáveis”. Massacres, domínios plenipotentes de um time sobre o outro no transcorrer de etapas inteiras, que redundam na ausência de gols, fosse por chutes tortos, fosse por defesas não mais que estupidamente improváveis de um goleiro sem um pingo de talento. Gols nascidos absolutamente no reino do absurdo, sempre um ou dois ou três minutos em seqüência a gols legítimos, auferidos pelos oponentes, equipes verdadeiramente qualificadas (gols que o Fluminense sofria e que devolvia, em surtos de loucura e histeria indizíveis, o que em circunstâncias normais seria um suicídio tático – ataques infecundos seguidos por contra-ataques mortais). Eis aí ingredientes que, detonados pela pólvora da vontade de ser macho de um indivíduo rabugento no comando de onze panacas, fazem explodir o Maracanã: para variar, no sentido negativo. Esses latinos de “abroad” muito se comprazem em murchar nossas surreais ostentações. O Brasil nunca foi o melhor em nada. Apenas em “colocar a culpa em alguém”. Essa é uma especialidade ibérica que migrou para a “nação da cana”.

A pronunciada “sorte de campeão”, que acompanhava o Fluminense há 5 rodadas (que eu chamo de “ruptura das forças forte, fraca, eletromagnética, gravitacional e do que mais a Física um dia descobrir”), se tornou o mais trucidante azar de vice, confirmando a aura maldita do Mário Filho. Tudo conspirou, afinal, para que a soberba do Renatão grassasse a cada dia, para que o time chegasse inesperadamente aonde chegou… até tudo escapar pelos dedos num chute da marca da cal. O próprio Washington, fonte de piadinhas geográficas endereçadas aos são-paulinos (a escala antes de Tokyo onde acabaram por interromper a viagem), foi quem sepultou, ironia das ironias, o “sonho”. Alguém duvida da incapacidade de sonhos que desrespeitam a Física tornarem-se reais? Não preciso prosseguir com a humilhação. Há silêncios que ferem como adagas. Calar-me-ei até o epílogo do ano, quando duas autênticas potências do futebol se confrontarão em busca de um título do mundo: quem ganhar será um campeão válido! Por ora, o simples desenrolar da realidade já se encarregou de sobrepujar a injustiça das últimas semanas…

LA CRÓNICA UNIVERSAL DE ISIDORO DE SEVILLA: Circunstancias históricas e ideológicas de su composición y traducción de la misma – Jose Carlos Martín, 2002., Seguido de: CLÁSSICO É CLÁSSICO E VICE-VERSA, da autoria do Autor (e de quem mais?).

Isidoro, obispo de Sevilla desde el año 600 aproximadamente y hasta su muerte en abril de 636, fue autor de numerosas obras de carácter gramatical, espiritual, apologético, exegético, enciclopédico e histórico. Si nos centramos en estas últimas, Isidoro escribió una Crónica Universal desde la creación del mundo hasta su época y unas Historias de los godos, suevos e vándalos, especie de historia nacional de gran valor para los historiadores del período visigodo.”

CI fue editada por última vez hace ya más de 100 años (1894) por Th. Mommsen, MGH, cm 2, PP. 424-81. Apenas ha merecido un gran interés por parte de los estudiosos. Sobresale el magnífico trabajo que dedicó a esta obra Reydellet, Les intentions idéologique; cf. además Galán Sánchez, El género historiográfico, pp. 173-208. Recientemente he dado término a una nueva edición crítica de esta obra junto con un amplio estudio de la misma: J.C. Martín, La Chronique d’Isidore de Séville. Édition critique et commentaire, 2000, Tesis Doctoral dirigida por François Dolbeau (que se puede consultar en la Biblioteca de la École Pratique des Hautes Études, IVe Section, Sciences Historiques et Philologiques, de París). HG (la Historia de los godos) fue críticamente traducida en 1975 por Rodríguez Alonso, Las Historias. De esta última obra existe además una reciente traducción inglesa acompañada de notas: Wolf, Conquerors, pp. 79-109.”

se deduce que el reino de los godos ha durado, con el favor de Dios, 256 años” Menor que muitas tartartugas.

Mais nota de rodapé que dedo na mão

La Crónica de Isidoro no aporta apenas nada a la historiografía, ni desde el punto de vista formal, ni desde el punto de vista del contenido, ni desde el punto de vista ideológico.” Galán Sánchez

Desde el punto de vista ideológico, la Crónica de Isidoro no presenta tampoco ningún relieve especial. Políticamente hablando, es una historia ‘neutra’… Isidoro no se pone a escribir a raíz de ningún acontecimiento histórico extraordinario, ni para sustentar ninguna ideología política concreta. Fuera del providencialismo religioso típico del género, la obra de Isidoro presenta una rara y aséptica neutralidad ideológica.” ibid.

Isidore does not write national but royal history.” Sánchez Salor, El providencialismo

Ainsi unifiée et considérée dans son ensemble, l’Hispania est prête à devenir le territoire du regnum Gothorum. De fait, le regnum Gothorum se confond désormais avec le regnum Hispaniae… De cette fusion entre le regnum barbare et la grande province hispanique est né, la première en Europe, la ‘nation’ d’Espagne, l’Hispania.” Teillet, Des Goths

aunque provisigodo, Juan de Bíclaro no se muestra hostil hacia Bizancio, a diferencia de Isidoro.” Álvarez García, Tiempo

Los visigodos eran, probablemente, a los ojos de Isidoro, los bárbaros que habían sido conquistados por los vencidos, como antaño había ocurrido a los romanos al apoderarse éstos de Grecia. Así, los hispanorromanos habían conseguido conquistar a sus invasores gracias a su cultura, por un lado, pero sobre todo gracias a su religión, pues sin ninguna duda fue la conversión de los visigodos al catolicismo en 589 que hizo posible el nacimiento de la nueva nación hispanogoda.”

Isidoro y sus intelectuales cercanos, en su calidad de escritores y eruditos, eran conscientes del devenir histórico, del nacimiento y del fin de los imperios, como los de los persas, egipcios, griegos o romanos. Sabían asimismo como lectores que la gloria de los reinos continúa más allá del fin de éstos y que es mucho más perdurable si ha sido fijada por escrito. Por ello, me parece altamente verosímil que Sisebuto propusiese a Isidoro la redacción de las dos principales obras históricas del sevillano, y que éste pudo escribirlas a fin de dejar eterno testimonio del esplendor y de la grandeza del reino hispanovisigodo de comienzos del siglo VII.”

Así también parece que Casiodoro nada más finalizar la redacción de su Crónica hacia 519, concibió la idea de escribir su Historia de los godos, hoy perdida, y a la que acabó entregándose entre 519 a 523 y 533 a 537-8”

Parece evidente que Isidoro no pudo escribir su obra durante esas rápidas y turbulentas semanas que constituyen el efímero reinado de Recaredo II, el hijo de Sisebuto.”

Los historiadores se preguntan incluso por qué Sisebuto puso punto final en el año 615 a la campaña contra los últimos emplazamientos bizantinos en la Península cuando todo parecía indicar que iba a obtener una rápida y fácil victoria sobre éstos. Vid. García Moreno, Historia, p. 149; Vallejo Girvés, Bizancio.”

Sin duda, precisamente la muerte de Sisebuto en las sospechosas circunstancias aludidas decidió a Isidoro a difundir rápidamente manuscritos que contuviesen HG, y ello pese a que probablemente no había finalizado satisfactoriamente su redacción o no había podido, al menos, revisarla con esmero. El trabajo que por esas mismas fechas el hispalense había dedicado a las Etimologías, su enorme enciclopedia, que conoció una primera redacción en vida de Sisebuto, hacia 620, debe de haber retrasado la composición de HG.”

COMIENZA LA CRÓNICA DE ISIDORO (SEGUIDO DA HISTÓRIA DO MUNDO POR RAFAEL DE ARAÚJO AGUIAR QUANDO O TEXTO ORIGINAL COMEÇAR A FICAR MUITO CHATO)

Primera edad del mundo.”

[Ano do Mundo] 1454 – En esta generación nacieron los gigantes.”

Nasce também a Música e a Metalurgia, no mesmo ano – que coincidência!

2242 – Escrito está que el diluvio aconteció a los 600 años de edad de Noé, cuya arca cuenta Josefo que se halla en un monte de Armenia llamado Ararat.

(…)

Segunda edad del mundo.”

2643 – En tiempos de Falec se edificó la Torre y se produjo la división de las lenguas.”

3035 Tuvo entonces su principio el reino de los egipcios”

3114 (…) Reinó el primero entre los asirios Belo, a quien algunos consideran Saturno.

(…)

Tercera edad del mundo [¿??]”

3184 (…) Nino reinó como rey de los asirios, el cual inició las guerras el primero e inventó las armas.” Para desgosto de Hobbes, o Homem viveu 3184 anos em estado de natureza (e outros!!!) e não produziu uma só guerrinha…

Ainda neste GRANDE ANO! “Zoroastro, inventor de la magia, es asesinado por el rey Nino.”

3344 (…) En este tiempo comienza el reino de los griegos” Uau, como não mais se sentiam tão superiores os egípcios, só 300 anos mais velhos que estas crianças, conforme descobrimos que mentiu Platão!

A deusa Atena habitava entre os homens.

3434 (…) Serapis, hijo de Zeus [mais um dos adultérios que Hera teve de suportar, tsc!] y rey de los egipcios (…) muere.”

Atena inventa a costura – ó! E o escudo e o arco também!

3688 (…) Se dice que en estos tiempos vivió Prometeo, de quien cuentan (…) que formó a los hombres del lodo.” Bom pra ele, mas já não havia homens?

Algum grego doido inventa a astrología.

3688 Zzzzzzzz… Os judeus são escravizados no Egito e Deucalião sobrevive ao segundo Dilúvio… Já tá ficando repetitivo, Jeová! Ah, não foi Jeová, foi Poseidon (Posidônio)!

3915 Inventam a medicina (um MÚSICO inventa a medicina)

Nem os Irmãos Certos, nem Santos du Monte, mas Dédalo e Ícaro!

En esta época reina el primero entre los latinos Pico, hijo de Saturno.”

Já inventaram a harpa umas 30 vezes!

Acho que as Musas gostam é do Olvido, com o perdão do trocadilho!

3955 Funda-se Tiro (Porrada & Bomba)

4003 Primeiras Olimpíadas!

4009 Fred Flintstone come seu primeiro sauroburger

Burro! Diz que Tróia foi conquistada em 3 anos! Não leu Homero!

4044 Samson faz seu primeiro concerto – as primeiras divas pop!

/ Joyce escreve o Ulisses

Quarta idade, ronc, ronc….

Dildo manda construírem a cidade Pênis.

4221 O Retorno dos Reis

Sauron tá fodido!

A média de idade dos homens começa a cair porque ainda não inventaram a quiropraxia. Nem mesmo Quíron!

Nasce o Clube de Regatas Remo da Rômula

Ozéias faz seu primeiro gol contra.

Rômulo tanta eleger os homens mais dignos de sua cidade para fundar o Senado – mas, decepcionado, acaba mesmo nomeando 101 dálmatas.

4543 Governou Numa Pompílio esse ano – a fonte é Plutarco, pode confiar!

Agora os anos demoram mais para passar, porque antes só tinham 10 meses.

Mas ninguém fazia porra nenhuma nesses 2 meses, só orgia, carnaval e putaria! Enquanto Roma era Roma…

Sócrates nem tinha nascido e a República Romana já prosperava…

Mas como Isidoro me ouviu, agora ele começou a remediar o fato, já que não havia se prevenido, e colocou Tales na parada.

Safo meteu fogo em Babilônia

Retiram Desmond Prometeu de um poço, uma estória mal contada…

Pitágoras inventa Euclides e o Triângulo Isósceles das Bermudas (mais conhecido como Sunga).

Dario imperador uruguaio por 30 Copas.

Funda-se a Charrete Olímpica, mãe do Gol Olímpico.

Os primeiros dinossauros abandonam a Terra devido à poluição, surfando num cometa.

Ésquilo e Eurípedes são o primeiro casal gay da Grécia – Aristófanes faz bullying com eles.

Diz, por exemplo, que Ésquilo tem a voz muito fina. Vaticina que essa relação inominável terminará em Tragédia e que todos estão cegos por não se banharem uma vez no único rio.

Heródoto mata o Mito

Um Leão faminto ressuscita Zorastuto.

Wolverine é visto por alguns com a aparência de sempre (primeiro viajante do tempo, porque foi quem viajou mais para trás, mesmo não tendo criado a máquina).

Hipócrates manda Lísias calar a boca e funda a sofisteria.

Platão descobriu qual é o bronze e o fator de proteção solar ideais.

Artaxerxes, o Rei cabeça Oca da vila secreta, reina como Hokage por 26 anos.

Demóstenes engole várias pedras e finalmente aprende a gaguejar.

Aristóteles mata seu mestre com um golpe de dialética (nome mais feio para raquete de tênis).

O Immolation grava seu melhor álbum. Baal-DJbub o produziu.

Alexandre o Maconheiro morre de enfisema pulmonar aos 33 anos.

Lady Gaga grava seu clipe no local da morte.

Vasco da Gama descobre o continente asiático.

Não perca a conta, estamos no ano 7×1.

Ptolomeu transforma a Filadélfia na cidade de economia mais pujante do Meio-Oeste.

Inventam o jogo da cara ou coroa e a hiper-inflação dispara porque todos os plebeus ficam viciados.

Os gregos afundam Atlântida e se mudam para lá, cansados.

Ênio, meu professor da quinta série, funda a Geografia.

Sasuke Bruto Kun Uchiha vinga seu clã e funda um reino sanguinário no deserto da Tartária.

Não se vêem mais Trácios da peste bubônica.

Mustaine compõe Lucretia

Sai lava do estádio Cícero Pompeu de Toledo

Júlio César é capa da primeira G-magazine, editada, numa plot twist, por Aristófanes, agora defensor dos direitos LGB.

Jesus Cristo nasce na Virgínia. Anda pregando a Palavra: todos precisamos de armas para nos defender da Rainha Elizabeth II no final dos tempos que virá nos puxar pelo pé para o inferno ver jogos de críquete em câmera lenta.

Belmont inventa o crucifixo para invadir o castelo de Tepes.

O Rei Nero mija na cama.

Sêneca leva a arte pela arte longe demais…

Fazem um filme sobre ele que é censurado na parte em que seu arqui-inimigo Epicuro come apenas uma fatia de um enorme bolo. Hegemonia do cinema chinês.

Tite é demitido da seleção brasileira.

Reinado de Nerva Ótica. Começam a usar lentes transitions.

Galiano cura 3 epilépticos no CT do Palmeiras.

Constantine exorciza Roma para que parem de queimá-la.

Aproveita e converte logo todo mundo ao Cristianismo.

Cobra um cachê muito elevado e torna Roma presa fácil para os bárbaros bancários, enriquecidos.

Prisciliano funda uma seita herege que leva seu nome: queimado na fogueira por ousar fundar uma seita com um nome tão horrível.

Jerônimo Jackson é o principal artista do período. Canta em todas as línguas.

Agostinho larga o táxi e se converte num bom homem.

Os godos invadem a Itália, os vândalos picham todos os muros e os alanos se fixam nos álamos, engrandecendo um pouco seus nomes e etnia.

Em troca da Queda do Império Romano do Ocidente, os godos aceitam ter a letra ‘r’ inserida entre as duas sílabas de seus nomes.

Pelágio posa na G-magazine, ainda a revista mais lida do planeta.

Os vândalos migram para a África e arrancam-lhe todos os diamantes.

Maomé choca o mundo ao ser visto várias vezes com mulheres muito mais velhas.

Zenão finalmente atinge seu alvo com sua flecha.

Começam a fazer Igrejas quadradas com encanamento, porque o estilo anterior era muito feio e ostentatório.

Os longobardos são os primeiros a navegar em cima de seus próprios paus.

Lutero é internado no hospício antes que conseguisse chegar à Espanha e enlouquecer Sanho Pança com suas histórias de moinhos e rodas trituradoras.

Heráclito consegue calcular a área do delta do Nilo.

Heidegger fica famoso ao divulgar em panfletos que o mundo não acabará no ano 5900 porque como é sabido até lá ele não será, mas estará sendo, exceção que confirma a regra dos Ônticos (povo que migrou da Birmânia).

Spinoza e Will Smith prometem fazer uma turnê mundial gravando filmes e escrevendo livros, alternadamente.

David Lynch escreve um epílogo que ninguém entende mas todo mundo aplaude.