A única a existir. Produzida pelo desacordo, temporário, de menor ou maior duração, entre nosso corpo e uma nova maneira de pensar que adquirimos com a idade, i.e., no nosso devir: não o por que existimos ou não deveríamos existir? mas algo totalmente mais simplório e cabível, menos melodramático: por que esta é minha vida, e não a do que trabalha somente porque quer, do que não trabalha porque não precisa, ou do que tem um emprego em que se auto-realiza? Do que possui a mulher mais bela e condizente com seu temperamento, etc.? Porque no fundo esta é a única questão metafísica, que não pode ser resolvida, a menos que esse desacordo alma-corpo, FALSO, finalmente passe, de alguma forma. Eu só posso ser eu, e não aceitaria ser outra coisa. Na saúde ou na doença, minha saúde e minha doença, em minhas restrições, em minha miopia literal, que o vulgo não consegue suportar ou preferiria qualquer coisa a ter de hospedar… Só a pergunta: por que eles são tão tolos? faz algum sentido, provisório. O avesso por que não correspondo às expectativas deles? é tão absurdo quanto qualquer credo espírita ou imaginar-me fora do meu próprio corpo: este, único mundo, sou eu. Uma férdade, fusão última de verdade e fé. Porque não existe, nem nas leis materiais, algo diferente do que aquilo a que me dedico e aquilo que sofro. Acostumar-se a isso é tautologia e jogo de palavras.
MALDADE DA PEDRA
A pedra não é má,
Mas quebra o aquário,
ó Cabeça-de-Afresco!
Peixe dentro d’Água salada,
És tu, vítreo e ferrenho;
E de Deus a essência
estás tão perto quanto do aço
O Vitral partido em pedaços.
SPEC.1
Deus é o método e a estética antes da ciência e do belo. É a boca sábia que entoará todos os poemas da História… É Kant antes do lunático que se estrepa e cai no fosso… É um Newton (Oldton) precoce e bizarro que fala em aceleração antes de pomares, precipícios, e aliás, pecado original (A Queda)… É um metal extremo antes de Woodstock. Uma Madonna antes de da Vinci. Um filho do Átomo antes de Rutherford, Niels Bohr ou mesmo Demócrito! Sou eu descobrindo aos 17 anos que não deveria cursar Ciências Sociais, antes mesmo de pensar em desistir de Jornalismo… Enfim, se o Deus cristão ainda fosse honesto como os fundadores do credo, talvez decretasse Moratória. Mas, se seguirmos a lógica, deixaremos de ser homens antes de acabarmos como espécie…
MAS É LÓGICO!
Indução analítica
Dedução sintética
Expansão ao absurdo
Ab and 1 4 v1d4
Redução ao claro
Carbonoriginal
Realidade virtual
Sucção centrífuga
O QUE ARISTÓTELES E STEPHEN HAWKING TÊM EM COMUM? Um pouco sobre a contenda edipiana Física x Metafísica: Mal-entendidos comuns entre uma e outra, do ponto de vista filosófico, passando por figuras ilustríssimas como Von Humboldt, Freud e Alfred Jarry!
“A razão, as leis, etc., são algo abstrato, mas o racional, como algo que se realiza, é reconhecido por nós como necessário, e por isso não damos grande importância a tais leis gerais.” Hegel
“A física aristotélica é o que os físicos de hoje chamariam metafísica da natureza, pois nossos físicos só nos falam do que viram e dos finos e delicados instrumentos que construíram, mas não do que pensaram.” Hegel
“Se aquilo que investigo é uma causa situada no mesmo campo do condicionado e dou Deus como resposta, digo mais do que me proponho a dizer, ainda que esta resposta sirva para tudo, já que a causa de tudo é, evidentemente, Deus; mas o que eu me proponho é a descobrir o entroncamento determinado entre os fenômenos que investigo. Por outro lado, neste campo já o próprio conceito é algo de superior; este ponto de vista superior com que nos encontramos em filósofos anteriores [os pré-socráticos, para quem Física e Metafísica eram uma só e a mesma coisa, e que se interessavam por especular sobre as causas primeiras da criação do mundo] aparece completamente abandonado por Epicuro [séculos IV e III a.C.], já que este pensador, ao voltar as costas à superstição, desdenha também de outras conexões fundadas por si mesmas e pelo reino das idéias em sua totalidade.”
Hegel, acusando Epicuro de não ser um filósofo, mas sim um físico (com efeito, o pai da física moderna – e essa atribuição é justíssima). É que Hegel estava mais interessado no suprassensível (ou em uma de suas modalidades, a Metafísica). Podemos igualmente dizer que físicos que especulam sobre Deus se comportam como Hegels no tempo e no campo errados – desrespeitam, assim, o legado de seu mentor indireto, Epicuro.
IMPORTANTES DISTINÇÕES PRÉVIAS À LEITURA:
Filosofia, Filosofia Continental, Primeira Filosofia ou Metafísica: tudo isso são palavras para uma mesma coisa. São hoje consideradas ou uma visão clássica da filosofia, aquela que nasceu primeiro, ou um de seus campos atuais, o tronco principal de que emanam as inúmeras ramificações contemporâneas.
filosofia, em inicial minúscula, servirá aqui para eu me referir à: 1) filosofia como um todo, quando quiser falar ao mesmo tempo da filosofia antiga e da filosofia do tempo presente; 2) filosofia como praticada pelo menos a partir de Descartes (século XVII), não sendo Metafísica propriamente dita, ou seja, uma filosofia secundária, menos importante.
Irei me referir à Física, em letra maiúscula, quando falar especificamente da Física clássica (que aprendemos na escola), e à física, em minúscula, no sentido mais lato de qualquer física, ou então da física atual, a partir da relatividade geral e especial de Einstein (iniciadas no ano de 1905).
Um último dado preliminar: a Física moderna nasceu como um dos ramos da Filosofia Primeira, a filosofia da natureza, na época epicuréia. Como nem todos conhecem Epicuro, vale também dizer: Aristóteles, que dedicou vários livros ao que ele já chamava de Física, exerceu grande influência sobre Epicuro e poderia sem escândalo dividir a honra de “Pai da Física” com este.
* * *
Nas três passagens acima, que traduzi de Hegel (séculos XVIII e XIX) em suas Lições sobre a História da Filosofia, o autor alemão fala da nulidade da importância dos conceitos de forças da natureza (como a gravidade ou o eletromagnetismo) para a Filosofia, tanto na Metafísica de Aristóteles, o primeiro a realmente abordar o assunto (forças físicas) de um modo que ainda repercute na modernidade, quanto em si mesmo (e passando, entre um e outro, por toda tentativa séria de filosofar, em verdade). Ambas as disciplinas, a Filosofia e a Física, já estiveram bem-delimitadas uma em relação à outra, coexistindo mais ou menos harmoniosamente por séculos. Mas o que acontece hoje com a física e a Metafísica, que mais do que nunca as pessoas parecem confundir e permutar o tempo todo?
Poderíamos facilmente ilustrar esse mal-entendido grosseiro, tão típico de nossos dias, citando aqueles que tentam filosofar através da física, chegando a resultados risíveis de ambos os lados. Einstein e Stephen Hawking, por exemplo: eles não chegam à compreensão do que seja Metafísica em nenhum de seus trabalhos ou declarações em que se aventuraram fora da física (ainda que não tenham chegado a saber disso). Nem avançaram um milímetro que fosse no conhecimento da física através dessas excursões em relação ao seu ofício cotidiano, por mais que tenham imaginado que abandonar por um instante os experimentos e os cálculos matemáticos e aventar hipóteses sem fundamento fosse de algum modo enriquecer o conhecimento científico da humanidade e arejar as próprias cabeças um pouquinho.
Sim, estes senhores, para não falar em outros, se puseram a teorizar e especular de rédea solta, sem muito compromisso nem método, sem medo também de esbarrar no terreiro dos vizinhos… Mas que tem de mal nisso? Deixem os cientistas se divertirem em seu tempo livre – afinal, não é essa a idéia que se faz do filósofo metafísico? A de alguém que viaja na maionese, sem critério, sem rigor, sem acabrunhamentos e tensões, num passatempo tão leve e arbitrário que nos parece incrível que alguns seres humanos sejam até mesmo pagos para isso?! Seria grave que físicos dessem seu juízo acerca “dessas coisas”, ou pelo menos tão grave quanto quando um filósofo desavisado desembestasse por um laboratório de ciência empírica de ponta, a ele cem por cento estranho, tentando resolver problemas complicados de verdade, como os físicos? Será que procede essa caricatura da Metafísica?
Primeiro, voltemos aos físicos Einstein e Stephen Hawking. O primeiro deles afirmou que “não faz sentido que a matéria ou energia subatômica apresente comportamentos aleatórios ou irracionais (como descobriu a física quântica de seu tempo), pois Deus não joga dados” – e por isso ganhou pôsters, flashes e louvores. Trocou cartas com Sigmund Freud, um “especialista nas forças morais do inconsciente humano” sobre a paz mundial e o fim das guerras em plena década de 1940. Sigmund Freud, chamado de Pai da Psicanálise e Descobridor do Inconsciente, que por sinal se tornou um dos maiores, senão o maior, ícones dentre os pensadores do século XX. Hoje muito mais que nos anos 50 discute-se seriamente seu status. A palavra inconsciente, (re)descobriu-se, é imemorial nas línguas conhecidas; e até mesmo o sentido particular de parte oculta da consciência no homem foi sendo (re)descoberto em autores cada vez mais recuados, até mesmo em Homero ou Sófocles, por exemplo. Mas, para ficarmos apenas com aqueles que entraram em bastantes detalhes técnicos a respeito, temos Platão, que até escreveu um livro sobre as vontades inconscientes de seu mestre Sócrates reveladas à própria consciência em sonhos à véspera de sua morte! Acontece que no princípio do século XX se dizia que Freud desvendou pela primeira vez o mecanismo dos sonhos; nunca antes na História um homem atribuíra significado racional às representações oníricas! Mitos à parte, estamos nos afastando cada vez mais do mundo real, perdão, da celeuma entre físicos e metafísicos, que é o tema do ensaio. Enfim, podemos dizer que Einstein recebeu crédito exagerado por contribuições um tanto pobres no assunto “divagações metafísicas”, ou pelo menos o que ele mesmo e os jornais chamariam de Metafísica. Tampouco é nosso objetivo incluir a religião na discussão, então deixemos o Deus de Albert Einstein que nunca jogou RPG de lado até onde pudermos e comentemos um pouco sobre o outro sujeito, Hawking.
Uma das personalidades mais conhecidas deste século tão eclético que nos deixou há 20 anos (o século, não o cientista, que morreu mais recentemente), Hawking era, paradoxalmente, um daqueles de quem se poderia dizer que “ninguém sabe direito o que ele faz”; mas todos diziam, ao mesmo tempo, sem constrangimento: “O que ele faz é ótimo; ele é como nenhum outro nisso que faz!”. Autor de alguns livros best-sellers para leigos como O Universo numa casca de noz e Uma breve história do tempo, este senhor – conhecido por ter vivido quase toda sua vida de contribuição à ciência hardcore confinado à cadeira de rodas, em luta contra uma doença degenerativa, e retratado comicamente com voz de robô e um QI astronômico (com o perdão do trocadilho) no inconfundível tom de pele amarelo (em mais de um episódio!) d’Os Simpsons – resolveu se arriscar até além de seu antecessor e colega de profissão Einstein: afirmou textualmente que “os filósofos deviam abandonar suas investigações sobre o universo e conceitos complexos como o tempo e o espaço, que a física de hoje demonstrou serem muito mais complexos que a percepção cotidiana permite julgar, relegando este tipo de conhecimento profundo exclusivamente aos verdadeiros especialistas”.
Não é irônico que a mãe da Física seja assim (re)tratada pela nova física (a do século XX)? Não diria irônico, socrático e mordaz, mas trágico: numa reedição de folhetim do Édipo-Rei de Sófocles, desta vez transgênero para ser mais inclusivo e combinar com a pós-modernidade! Eis o enredo: A tirânica e esclerosada Rainha Sofia, que em seus anos áureos havia dado a luz a sua filha Neon Physis, vê-se agora vítima de um assassinato a sangue frio perpetrado pela própria princesa, que quer ascender ao trono, já madura o suficiente para expor suas justas razões e executar o ato sangrento que estava prescrito como bula de remédio nas estrelas (ato desta vez deliberado, ao contrário da cena na peça grega, em que Édipo ignorava a identidade de seu pai; talvez o único homem da peça revisitada seja, aliás, um acelerador de partículas, que podia fazer a voz do Coro; e não há nenhum sexo, afinal estamos falando de físicos e filósofos). A física não precisa mais de sua mãe, ela apenas tolheria suas possibilidades infinitas!
Hawking declamou muitas outras besteiras, mas não só contra os filósofos: no próprio reino da física. E tantas que eu jamais sonharia enumerá-las todas num só artigo: disse que provavelmente depois da explosão final do universo tudo voltaria a acontecer ao contrário, como uma fita rebobinando, e depois desdisse o que disse; escreveu que deve haver túneis por aí chamados buracos de minhoca que possibilitem viagens no tempo; calculou que há umas 22, 23, talvez menos, talvez mais, mas dificilmente mais do que umas 28 ou 29 dimensões enroladas, além das 4 em que vivemos (comprimento, largura, altura e tempo)… Recomendo que googlem se quiserem saber de mais dessas curiosidades mórbidas que figurariam tranqüilamente num excelente episódio de Arquivo X. Enquanto ainda temos estômago, entretanto, deveríamos nos perguntar: como ele chegou à exatidão-nem-tão-exata-assim destas “20 e poucas dimensões invisíveis e indetectáveis”? Ele não questionou a origem de dados observados, instrumentos de mensuração, os limites atuais dos milagres detectáveis em seu laboratório? Afinal, ele ainda deveria basear suas hipóteses superiores à mundana mente filosofal em ocorrências do mundo real, traduzíveis em certos números registrados por sofisticados equipamentos, e em posteriores e exaustivas equações que trabalham a conjugação de vários desses números, de forma dinâmica e sem dúvida bastante nuançada, mas… – nem é exatamente essa a questão aqui! Stephen Hawking foi um grande profissional em sua área (física teórica) apesar das saídas de tom, e até um brilhante matemático (eis aí duas especialidades, um flagra de proto-polimatismo!), e não queremos insinuar que tenha enganado dolosamente toda a comunidade científica (e leiga) ao longo de todos esses anos, como sem dúvida fez Freud. Hawking enganava-se a si mesmo quando dizia mais do que os dados permitiam…
Só o que eu queria é relembrar como algumas figuras pitorescas são tratadas por meios de comunicação de massa como “grandes filósofos” sem que a própria imprensa e seus receptores parem para pensar direito no que é que está sendo veiculado! O que sabemos do status cult ou lendário destes neo-gurus midiáticos que vêm das ciências exatas mais criptografadas ao leigo é que a palavra “sábio” ainda dá conta de resumir este fenômeno. E eles não são chamados apenas de físicos sábios, senão de sábios no sentido antigo, mais amplo e nobre da expressão, abarcando em suas mentes supostos conhecimentos completos acerca de toda a existência, ou pelo menos de muitas das ciências reunidas. Esse tratamento é, aliás, inevitável, haja vista que não há filósofos – no verdadeiro sentido da palavra – no jornalismo, nem no público leitor ou expectador da imprensa popular. Falamos aqui do leitor que participa, se engaja, aceita. Não se trata de que metafísicos não assistam TV, não leiam reportagens bobinhas. Não critiquem quando lhes dá na telha, ou finjam aprovação tácita, indiferença, ou incompreensão o tempo todo. Não, todos possuem reações demasiado humanas. Mas se eles realmente fossem o público visado, certas empresas estariam com sérios problemas financeiros. O metafísico está entre nós, ele vê o que nós vemos, ele reage!… Mas metafisicamente falando, será que ele está mesmo presente na discussão? Ou ele deixa que estas coisas o atravessem, e passa adiante, igualmente despercebido por todos nós?
A rigor, gênios, cunhados corretamente e no sentido de polivalente e imensamente sábios, não podem mais existir desde um certo consenso no meio erudito de que tornou-se impossível, de um tempo para cá, o surgimento de novos polímatas. Eu citei “proto-polimatismo” há dois parágrafos. O que viria a ser isso? Polimatia é o domínio de vários campos do conhecimento simultaneamente pelo mesmo sujeito. As duas principais razões para eles terem sido extintos como os dinossauros seriam: a) o afastamento cada vez maior e mais acelerado entre ciências exatas e humanas; e b) o enorme volume de informação, metodologias e técnicas acumulado em cada macroesfera do saber, o que veio a tornar quase impraticável a competência simultânea em, digamos, 2 ou 3 sub-áreas ou especialidades de uma mesma profissão, quem dirá de outras. Um bom exemplo: um doutor em sociologia da arte está virtualmente fadado a pesquisar só em sociologia da arte sua carreira inteira, o que seria bastante eclético até, se considerarmos que poderíamos estar falando de um doutor em sociologia da arte renascentista exclusivamente devotado a Dante e Petrarca!
Algum debate há se Von Humboldt – contemporâneo da Revolução Francesa – foi um gênio, talvez uma palavra um pouco forte para usar sem reservas. Mas decerto ele foi um polímata com todas as letras, que é um “gênio atenuado”. Leonardo da Vinci, p.ex., é um gênio de fato, canonizado pela historiografia. Viveu mais de 200 anos antes de Humboldt. Desnecessário demonstrar que, se polímatas não mais existem, gênios também não passam de artigos de museu para nós. Já era algo raro além da conta até o Renascimento italiano! Einstein e Stephen Hawking – olha eles de novo! – definitivamente não pertencem a esse panteão sagrado: são tipos completamente diferentes de ocorrências individuais muito mais inofensivas (proeminentes apenas no seu único campo de origem), cuja fama histriônica, em comparação com os gênios (quando essa palavra não tinha sido completamente corrompida) só se justifica por vivermos numa sociedade da informação e da popularização de clichês e do besteirol com selo de credibilidade.
Houve já, para não dizer que se trata de uma crítica assimétrica e parcial de um filósofo analisando essa dicotomia, filósofos que tentaram devorar a Física por meio da filosofia, despindo-a de qualquer propósito ou função num mundo conhecível sob diferentes formas: o positivismo comteano é o melhor exemplo que poderíamos encontrar. Hoje ninguém em condições aceitáveis de saúde mental lê Auguste Comte a sério (virou curiosidade pitoresca, entretenimento excêntrico).
Via de regra, o que se estuda do fenômeno (realidade observável) do ponto de vista da Filosofia (a quem não interessa o como nem o quê) não tem qualquer relação com as leis da Física, assim como o que se estuda na física que não tenha a ver com a realidade observável (matéria escura ou fenômenos que a física não compreende até o momento) não passa de pseudometafísica até se fundamentar descritivamente. Não há o instrumental para responder a perguntas tais quais por quê? e para quê? em larga escala na disciplina. “Como é?” Pode-se responder por que um lápis cai da mesa na velocidade e na trajetória em que cai quando projetado por uma força determinada, sem dúvida. Mas nada se tem a dizer sobre o relojoeiro deste mundo mecânico (a causa primeira). Existe o modelo, fundamento e completo, mas nada fora dele. A Física aceita-se como cápsula do real: por contrato, não pode exceder esses limites e continuar sendo chamada de Física, fora da cápsula.
O achatamento do debate e a autocensura gradual neste terreno epistemológico (discutir o que a Física está destinada a responder ou não, o que estou fazendo aqui) levam, inclusive, à falsa convicção, por parte, digamos, de colegiais, de que só há duas possibilidades para descrever a chamada causa primeira: ou o Big Bang ou o Gênese bíblico. Pré-formatam todo o horizonte cósmico-cognitivo do indivíduo. Ou mecânica ou fé na revelação. Enunciar que um deles é apenas um modelo teórico implicaria em ser um retrógrado fundamentalista religioso; negar a Criação divina, por outro lado, implicaria em defender a tese de homens de jaleco que fazem o que ninguém na vida cotidiana compreende ao certo… Percebe onde eu quero chegar?
Não se trata meramente de “não invadir espaços” entre um campo e outro, e que filósofos e físicos devam “saber se respeitar”, mas do enraizamento de um estereótipo, que acaba por contaminar até mesmo grandes físicos ou metafísicos. Cria-se a ilusão de que um dos lados pode acessar a causa primeira sem qualquer ajuda externa. Como disse, vou deixar a religião de lado neste ensaio. Quanto à Física, ela jamais se propôs a responder aos para quê? fundamentais. Alguns físicos (cada vez mais deles) se esquecem disso! Passam a estudar de forma completamente outra (desautorizados pelo método) todas as coisas que um campo tende a especificar em sua definição precisa como seu interesse (usam o método da Física fora do que o próprio método da Física prescreve que deveria ser estudado, transgridem sua ética, violam um tabu). Trocando em miúdos, usam o método objetivo criado a duras penas por várias gerações como bem entendem (física freestyle, sem Leis da Física)!
A rigor, a Física e a Metafísica são investigações que não guardam, desde a Antiguidade, qualquer analogia entre si, porém estarão sempre em justaposição e invadindo uma o terreno da outra, se por “terreno alheio” considerarmos “a realidade observável e as hipóteses de fundo dessa mesma realidade”. Para explicar de forma mais simples (ou não!): o físico pode pensar que raciocina de forma puramente “científica” ou “exata” sobre o espaço (seu objeto de estudo) mas, se houver um resquício de vício que seja em sua noção, interpretará que um filósofo que raciocine sobre o espaço estará invadindo sua competência. Ora, sobre o que o filósofo poderia raciocinar se “tudo” é espaço? No mesmo sentido, quando um físico elabora hipóteses baseado em implicações indiretas do estudo do espaço, é fácil dar uma de Hawking e avançar para especulações que não tem nada de metódicas – o filósofo teria o direito de chamá-lo de desavisado invasivo, porque também tece hipóteses cuja base só pode ser a realidade observável. Então o que o físico hipotetizaria, se tudo além da simples aparência se baseia em abstrações?!
Resumindo, o “espaço” faz parte tanto da Física quanto da Filosofia; e o “não-espaço” é divagado pela Física em sua metodologia limitada, tanto quanto é o cerne ancestral da Metafísica, mas, entendendo-se bem, o tempo e o espaço da filosofia não têm qualquer relação com o espaço-tempo físico. O difícil é “entender bem”! As abstrações da ciência física acerca do que jaz além do mundo observável também não guardam qualquer relação com o conceito de essência na Filosofia. Teorias sobre forças unificadoras das equações da física ou da origem dos buracos negros, ou hipóteses que ensaiem a comprovação ou a refutação da termodinâmica, e suas implicações,¹ são apenas metateorias da física, que não são desautorizadas nem autorizadas pela Filosofia.
¹ Propositalmente não desci às ilustrações mais imbecis e charlatãs: entre aquelas divulgações de avanços na física – que em realidade eu atribuo mais aos departamentos de física legitimamente incompetentes ou ‘colunas de fofoca’ da imprensa de divulgação científica marrom, e isento o pesquisador individual do papelão – consideras rainhas da comédia, a ganhar repercussão em manchetes sensacionalistas, incluo as habituais (acho que já li 3 vezes em 10 anos coisas assim) “descobertas sem precedentes da última semana” como: “Nosso Prof. Dr. X. de Harvard (ou Oxford?) chegou ao veredicto de que ‘o tempo não existe’!”; “Veja como o Instituto de Física de Bruxelas descobriu que o universo roda exatamente como um filme!”… Ora, os físicos quânticos são muito ingênuos: desde o começo dos tempos se afirma que o tempo não existe! É tempo de parar com esses passatempos!
Ao mesmo tempo, a Filosofia séria não se mete a cálculos de Física e, se ultimamente se embrenha em paradoxos da física quântica¹ e da química contemporânea, ela o faz tão-somente da perspectiva de sua própria agenda. Qualquer um que transgrida esses limites em seu ofício de origem será censurado pelos especialistas atentos do “outro lado” (acusado de fazer pseudofísica ou pseudometafísica), ou, felizmente e o mais das vezes, pelos próprios colegas de disciplina. Só não entendo como ainda hoje vejo tão poucos físicos levantando a voz contra Stephen Hawking! Quem sabe com o tempo…
¹ Nem tudo é descascamento e destruição de reputações: esta nota de rodapé vai em homenagem a alguns dos grandes físicos recentes que souberam derivar, com dignidade e brilhantismo, conclusões filosóficas de suas descobertas experimentais, como Werner Heisenberg, Max Planck e Erwin Schrödinger! Só não esperem que eles respondam qual é o sentido da vida!
O escritor francês Alfred Jarry, morto aos 34 anos em 1907, cunhou o termo patafísica. Ele corresponde estranhamente bem ao estereótipo que se tem da Metafísica nos séculos XX e XXI: patafisicar é viajar na maionese, sem peso na consciência nem troca de jaleco, a “ciência das soluções imaginárias”, com ou sem conotações políticas, inclusive! Todos nós estamos convidados a patafisicar sem medo nem contra-indicações! Alguns usam o tubo, eu uso o ensaio, poderia dizer um reencarnado Jarry. A Metafísica, ao contrário, ainda que muitos leigos “não saibam o que os metafísicos façam” segue como um importante terreno de estudo e discussão da condição humana e dos ingredientes fundamentais desta: ética, estética, e a própria crítica do sentido da filosofia.
Sem dúvida o dano colateral causado por físicos pseudofilosóficos é relativo: nenhum estrago sensível, apenas certa erosão cultural após grande acumulação de besteiróis isolados. Que fique bem claro, porém: filósofos também não conseguiriam produzir nem detonar nenhuma bomba nuclear ao meterem o nariz longe de sua própria seara – jogo empatado, no fim de contas! O mundo não vai girar melhor nem se comportar diferente amanhã, a grama do vizinho não estará mais cinza ou mais vivaz por conta dessas intromissões, ou ao cessarem essas intromissões. Mas, graças a esse texto, quem não sabia, agora soube: deuses físicos jogam dados, sim senhor; deuses metafísicos? há que perguntar-lhes primeiro!; enrolar ou desdobrar dimensões conceituais é coisa para especialistas (hegelianos e afins); físico não é chefe de seção no “IML dos cadáveres epistemológicos”, decidindo quem ou o quê morreu e distribuindo competências ao deus-dará à sociedade inteira; e, por fim, você soube também – ou relembrou – que Freud foi uma fraude.
Mas e quanto à pergunta inaugural – esqueci-me de a responder? O que Aristóteles e Stephen Hawking têm em comum? Eles não têm nada – era só um título bonito e chamativo.
PROVA DA INEXISTÊNCIA DE DEUS!
“Deus” é sinônimo de onipotência, o conceito humano para o uno, ilimitado e intangível, uma chave de acesso ao transcendental via linguagem: quatro letras que encerram a idéia de tudo que está por trás da existência e da possibilidade de se ter qualquer idéia. Como tal, “Deus” cresceu com o homem. É seu mito, sua raiz. A determinado ponto foi sistematizado em escrituras – o que não o desvencilha do paradigma panteísta, não obstante: panteísmo é a crença de Deus sendo tudo e todas as coisas. O universo, a natureza. Aqui está o ponto a que desejava chegar para comprovar a inexistência de Deus, se é que o leitor não preferirá legitimá-lo de uma forma diferente… (vide adiante) Serei lógico; acompanhe:
O caráter de onipotência de Deus é sua definição pura. Significa que para tal entidade inexiste o impossível. A realidade inteira é o desenrolar de sua vontade. Como tal, só pode ser ele mesmo (o que é vontade de Deus é deus, e não há o que não seja): voltamos ao Panteísmo, ainda que sejais cristãos. Se tudo é deus, eu também sou deus. Afirmar deus é negar-me a mim mesmo. Penso que sou livre para escrever que sou livre. Tenho autonomia na decisão. A simples crença na assertiva basta ao leitor a fim de negar Deus. Porém, sigamos adiante, rumo aos limites da argumentação: se se aceita que eu sou Deus para não negá-lo, eu me anulo. Eu existo – o leitor existe – e aceitar-se como Deus representando a própria impossibilidade do Ser de existir é pífio. Existo e por isso automaticamente Deus deve ser negado.
Ainda que eu fosse Deus – esse é o único método, entenda o leitor, de poder afirmá-lo (a legitimação em “forma diferente” supracitada) –, ou tudo sou eu (tudo que acontece é minha vontade – sua liberdade acabou de ser formalmente morta), ou eu sou uma PARTÍCULA de Deus. Mas um poder infinito não se divide: a principal característica divina é a unidade, é ser a arrumação coerente do todo. Não existe, portanto, essa conveniente solução intermediária. Retomando, há dois (ou três) paradigmas: 1) TUDO é Deus (e sua Vontade), sob o alto preço de não existirmos (nossas individualidades não passam de ilusão, falsas consciências de Deus regidas por uma, e só uma, verdadeira consciência); 2) NADA é Deus. Esta possibilidade permanece de pé, pois permite que existamos; 3) O indivíduo é DEUS. Incabível. Porém, interessante observar que “3)” não existe senão como subconjunto de “1)”. Deus não pode ser um subconjunto, nem mesmo possuir um subconjunto! Deus não pode existir se há no universo qualquer consciência que levante o problema. Perdemos um deus no momento em que passamos a acreditar nele.
16/08/2008
POR QUE VOCÊ NÃO LUTA?
A visão de que cada nação possui o governo que merece é ilusória e precisa ser abolida. Sequer há o que se pode chamar de nação, e não porque o Estado-nação não respeite nações, mas porque o próprio conceito de nação está seriamente em xeque. Não existe o povo, por mais que o tópico-frasal da sociologia coaja qualquer sociólogo incipiente a dizer o contrário. O que acontece em um país como o nosso é a tendência auto-implosiva do Capital: uma plutocracia que impede o movimento revolucionário, porquanto este só representa perigo sendo massivo. Uma vez que estão destruídas as condições para que ele o seja (tome como base a mídia brasileira, que impossibilita o menor pensamento transgressor), fica na mão do indivíduo consciente a decisão: dada a impossibilidade democrática de atingir minhas metas e a inviabilidade de qualquer negociação pacífica com o Estado e demais forças, baluartes da moral do Ocidente, diria um Nietzsche, eu devo lutar e arriscar a piorar ainda mais drasticamente minhas condições de existência neste mundo ou eu devo me conformar, manter minha propriedade, minha liberdade, enfim, meus direitos civis, minha relação com a família, meus estudos e meu emprego? Parece que, diante de impasse de tal ordem, sempre escolheremos a segunda opção. Mas, para ser auxiliado por um provérbio simples contudo verdadeiro, “nada é eterno”. O que se depreende disso? Aparentemente, o momento da luta pela ruptura irreversível do sistema é invariavelmente empurrado para frente e jamais concretizado. Não há como imaginarmos, de fato, que poderia haver uma “anarquização” da sociedade moderna a ponto de transformar poderios incalculáveis como o produto nacional bruto e o exército americanos em cenários tão imprevisíveis quanto as Farc no território colombiano ou as milícias mexicanas em guerra de trincheiras com o Estado. A própria constituição do rebelde como exceção é a quase refutação de qualquer esperança. Para a vida dos ainda vivos no momento deste texto, e do seu autor, o cenário é tão ou mais desanimador: escolho minha profissão estável, minha ficha criminal limpa e meu conhecimento socrático-cristão a contragosto, mesmo ciente de que são postulados inversamente proporcionais à “sociedade” como se constitui de fato (não passando de idealismos vis, disfarçáveis para alguns, mas intransponíveis para todos), por julgar que só encurtaria minha vida se lutasse contra tudo e todos, ou reduziria cabalmente meu já ridículo quinhão. Faticamente, assim funcionam as coisas. Onde está, então, a mágica que torna o inimigo invencível do homem um respeitante do ditado de que “nada seja eterno”? Nele próprio. O invencível (figura sem corpo, apenas a idéia que temos enquanto somos escravos do próprio Ideal) é a vítima derradeira de seu próprio sucesso. As contradições do Capitalismo tornam-se mais agudas à medida que seu êxito se torna mais inquestionável. Há um ponto de ruptura nas auto-vitórias do maleável Capital e da casca de todo seu conteúdo, a moral do Ocidente. As fendas já aparecem. Existe um momento em que as condições de existência do regime não podem ser mantidas nem que se o almejasse: contramedidas apenas aceleram o colapso, e por mais que tal lição seja aprendida o colapso, em si, não pode ser evitado. Não procede a crítica de Marx de que “o que um homem vê, os outros vêem, ou o vêem vendo”, apontando para o fato de que, se o homem faz sua História, então ao se corrigir o rumo da História que Marx queria levar a cabo, a história realizada é o Capitalismo (Fim da História, no qual já depositei minhas fichas). Digamos que apenas se espera pelo inevitável. Longe de uma visão de espírito (neo-hegeliana), trata-se da constatação, pelo homem que se enrolou no pólo natureza-cultura, de que ele, o homem, junto de seus produtos, é a natureza. E pulsa. Como vida, não pode se negar a vivê-la excedendo o limite “x”. Esse limite “x” é o dia da derrocada do sistema capitalista em decorrência das próprias ultra-contradições e da soma das vontades individuais da grande maioria de manter o sistema intacto (o que implodirá as últimas ilusões de chances que tais grupos poderiam possuir). Não me encarem como um profeta, mas como um bom leitor. Sigamos…: a saturação da moral do Ocidente se avizinha. O tal dilema da escolha pessoal, lutar ou se conformar, deixará de fazer sentido. Será o momento de cada um agarrar sua oportunidade. Obviamente, muitos se recusarão a agarrá-la, mas cada fracasso terá seu papel: amantes da vida precisam de seres humanos inferiores para exercerem sua dominação (paradigma natural). Não desejo ser mal-interpretado. Significa que o homem moderno não rompe integralmente com seu passado, uma vez que coexistirá (e coexiste, pois há homens modernos hoje, embora não no comando do que quer que seja) com os pseudo-modernos, criaturas que atualmente parecem ditar a História e que no entanto não compreendem ou não podem evitar o problema futuro de ter compreendido hoje que não se tratam de indivíduos modernos, mas entes mais fracos, pré-modernos, pré-históricos. A diferença fundamental é que no leme da embarcação histórica encontraremos, na coexistência reformulada do fim do Capital, os modernos. Lembre-se que, coletivamente, ao olhar ao redor, jamais fomos modernos. Se você é um moderno e guarda seu tesouro, sua vida pré-moderna será transcendida e transvalorada logo. É bem verdade que muitos nessas circunstâncias morreram sem ver a verdadeira Aufklärung sangrenta. E outros vão morrer. Mas isso fazia parte da modernidade deles. Há alguns modernos que vêm antes dos outros. Nem por isso são menos modernos. A História está sendo feita, não há Idealismo em minha convicção: é que os modernos dão suas parcelas de contribuição desde muito antes deste texto, que aliás nasceu de seus esforços; e embora isoladamente esses esforços não consigam vencer o inimigo chamado de “o invencível”, quem está tramando, neste exato minuto, em laboratório, a própria e inaudita morte são os pré-modernos, figuras que já divisam sua extinção no horizonte (nenhuma contramedida pode surtir efeito se se permanece no âmbito da visão progressista autofágica). Se há algo de desesperador na vida, é a vida, aquela mesma que cria o sentimento do desespero (e já é um privilégio usufruí-lo!), que recai no auto-perceptível fatalismo. Alguns andam lendo meu blog e me apelidando de oráculo. Porém, eu sou o oráculo do fim dos oráculos: a única e caprichosa meta-tendência quem traça são vocês. A tendência do auto-expurgo do mundo. O Ocidente é um monstro que se come a si mesmo e quanto mais come mais julga o prato delicioso sendo portanto apenas bom senso e não qualquer dom premonitório que me permite asseverar que ele nunca deixará de se comer até que suas funções vitais sejam desligadas – porque ele acredita piamente que está cada vez mais corpulento, quando seu aspecto ao observador alheio (o moderno, imerso no estômago do monstro e que pode ser ejetado na ocasião oportuna) é o do definhamento. E não há meios de um monstro que só triturou tudo com seus dentes de repente aprender a fazer outra coisa… É a natureza desse bicho que se crê anti-natural e imortal. Mas o que é a imortalidade? Tem-se de estar vivo para não estar morto, ou para pensar nesses dilemas. E a vida não pode ser anti-natural, posto que da natureza provém. Portanto, sem sentido, o monstro explode. Esse bicho acredita no Fim da História. Mas a natureza não acredita em equilíbrios…
27/07/2008
LECCIONES SOBRE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA Vol. I/III – Hegel (trad. Wenceslao Roces), Fondo de Cultura Económica (1833, 1955, México)
PRESENTACIÓN
“en la actualidad faltan traducciones españolas integras, directas y correctas de algunas de las obras absolutamente capitales de la historia universal de la filosofía: sea totalmente, por no haberse hecho nunca, sea prácticamente, por no ser las hechas asequibles ya en el comercio, ni siquiera en todas las bibliotecas donde debieran serlo.”
“La serie se inicia con la presente traducción de las Lecciones sobre la historia de la filosofía de Hegel, a la que seguirán (…) Locke (…) y Spinoza (…)”
“el Dr. Wenceslao Roces es bien conocido por el público culto en todo el mundo de habla española como especialista en la traducción de obras alemanas, habiendo merecido su labor el público elogio agradecido del propio e ilustre autor de la obra original en un caso como el de la Paideia de Werner Jaeger”
José Gaos
ADVERTENCIA SOBRE LA PRESENTE EDICIÓN
“por tratarse de una obra que no fue escrita por el propio Hegel, sino redactada por Michelet a partir de algunos papeles manuscritos y de los apuntes de clase de sus alumnos, fueron surgiendo, al avanzar el trabajo, diversos problemas.” “a pesar de todo esto, la forma que Michelet dio a la Historia de la filosofía de H. es, hasta ahora, la única y de ella se han servido los alemanes por más de un siglo.”
“Es indiscutible la superioridad de la edición crítica de Johannes Hoffmeister sobre la de Michelet, pero por desgracia esta edición quedó incompleta, pues según la propia casa editorial presenta dificultades tan especiales que no puede precisarse en qué fecha aparecerán los otros volúmenes.”
“Michelet (…) aspiraba a entregar un texto que pareciera haber sido escrito de una sola tirada por el autor; en tanto que Hoffmeister, comprendiendo que las libertades de un discípulo directo – como lo fue Michelet – no pueden justificarse en nadie más y considerando que las diferencias entre las distintas versiones (Hoffmeister dispuso de un nuevo material que le permitió obtener un texto completo de 4 cursos) son tan grandes que no permiten la unión, intenta dar todo el texto hegeliano en el orden en que fue expuesto, sin que se pierda una sola línea. [Sinceramente, já achei o texto tão repetitivo da forma como foi editado que não consigo conceber o tédio desta versão mais integral!]
Hemos de reconocer también que la mayor parte de los errores que Hoffmeister señala a la edición de Michelet son reales. (…) es posible ver claramente que hay capítulos muy poco preparados en los que pueden apreciarse grandes lagunas, p.ej., en la parte dedicada a la filosofía medieval. Si éste es o no un defecto de la exposición hegeliana o si se debe a una mala reelaboración de Michelet, es cosa difícil de decidir y más difícil aún de remediar sin contar con los originales necesarios.” “en la cita de textos kantianos encontré varios errores”
“Por lo que respecta a Platón, la traducción usada como base – pues Hegel lo parafrasea también – fue la de García Bacca y en aquellos casos en que el diálogo citado no estuviera traducido por él, la versión castellana es el resultado de un cotejo entre el texto griego, la versión alemana y las españolas que hubiera disponibles.”
“El lector advertirá, además, que a veces aparece en el cuerpo de una cita una explicación encerrada entre corchetes; esta explicación es, desde luego, de Hegel y le di esta forma a fin de facilitar na lectura.” Como é muito comum que eu intervenha nas aspas do Seclusão com []’s também, reservo-me ao direito de fazê-lo em português, quando for o caso; se o texto entre colchetes estiver em espanhol, o autor é Hegel, na tradução.
“La Historia (…) no deja de ser una de las grandes hazañas del pensamiento alemán y, hasta ahora, la obra máxima sobre historia de la filosofía; la 1ª que hizo justicia a las filosofías precedentes al considerarlas como momentos necesarios en una y la misma evolución: la del Espíritu.”
Elsa Cecilia Frost (ed.)
PRÓLOGO DEL EDITOR A LA 1ª EDICIÓN
“Hegel dio en total 9 cursos sobre esta materia en las distintas universidades en las que trabajó. La 1ª vez durante el invierno de 1805-6 en Jena; las 2 ocasiones siguientes en Heidelberg durante los semestres de invierno de 16-17 y 17-18; las 6 restantes en esta universidad (Berlín) en el verano de 1819 y en los semestres de invierno de 1820-1, 23-4, 25-6,27-8 y 29-30. Había empezado sus cursos de invierno (entre ellos el 10º de historia de la filosofía) el 10 de noviembre de 1831, habiendo dado ya 2 clases sobre historia de la filosofía con gran fluidez y amenidad, cuando fue alcanzado por la muerte.
De todos estos años sólo poseemos el cuaderno de Jena, en cuarto, escrito de su puño y letra y revisado casi totalmente por lo que se refiere al estilo; en aquella época no se atrevía aún a confiar sus lecciones a la memoria.” “Todas las adiciones hechas en los cursos posteriores están, en parte, escritas o esbozadas al margen del cuaderno de Jena o del resumen, y en parte en una serie de hojas sueltas que añadió a éstos.”
Alguns dos cadernos de alunos utilizados: Kampe, von Griesheim, Michelet (editor).
“Las fuentes para la Introducción, en particular, además de los apuntes de clase, son una parte muy lograda del manuscrito de Hegel, parte en cuarto y parte en folio, escrita casi toda en Berlín, salvo una pequeña parte escrita en Heidelberg.” “Hegel reelaboraba siempre más las introducciones de sus cursos que estos mismos.”
“La exposición de la filosofía oriental, tomada de los apuntes de clase, se complementa con una rica serie de colecciones y recopilaciones de obras francesas e inglesas sobre el Oriente en general. Hegel solía llevar las obras correspondientes, anotadas brevemente al margen, a su cátedra, para basar su exposición en ellas, traduciendo directamente en parte y, en parte, intercalando sus observaciones y juicios.”
SÓ LENDO PRA CRER! “Su forma escrita sólo rara vez es difícil y a menudo bella. En general, podemos decir que estas lecciones sorprenden con frecuencia por la pureza de su forma, en la que podemos ver la certeza y claridad con que se presentaba el pensamiento en el espíritu del autor”
“se encuentra en el cuaderno de Jena la que yo he llamado en otro lugar la primera terminología de Hegel, comprendiendo bajo este título tanto esta terminología propiamente dicha como la transición a la de la Fenomenología, frente a la terminología más lograda de los años posteriores.” Espero que a Ciência da Lógica seja mais fácil de ler…
“las conocidas anomalías y anacolutos de la forma hegeliana.”
“Hegel dio siempre cinco horas semanales sobre historia de la filosofía, número de horas que aumentaba siempre al final del curso—lo que hacía también, pero en menor medida, en las otras materias—, como se desprende, entre otras cosas, de sus observaciones manuscritas al final del cuaderno.”
“Hegel acostumbraba decir que a los demás se les había facilitado el estudio de Aristóteles, en tanto que para él fue muy difícil, pues había tenido que usar la ilegible edición de Basilea, sin traducción latina, y extraer así el significado profundo de Aristóteles. Sin embargo, fue precisamente él quien volvió a llamar la atención sobre esta profundidad y quien descubrió y corrigió la ignorancia y las malas interpretaciones de quienes deseaban pasar por sutiles eruditos.”
CRÍTICA DOS FILOSOFASTROS CONTEMPORÂNEOS DE HEGEL: “el absurdo intento de destacar en tal forma a Anaximandro que se le ha llegado a colocar después de Heráclito, como si su pensamiento fuese más maduro que el de éste.” “Así, cuando Hegel no considera a Heráclito entre los primeros jonios, sino que lo coloca después de los pitagóricos y los eléatas, no se encuentra en la cúspide de la erudición de nuestros días que ha decidido qué lugar le corresponde a Heráclito de acuerdo con relaciones puramente superficiales.” Porém Hegel comete o erro de superestimar, p.ex., Anaxágoras em relação ao mesmo Heráclito.
Me chamou a atenção, no índice, a completa ausência de Parmênides. Hegel o situou entre os eleatas, mas felizmente soube dar-lhe destaque.
“Pero ¿acaso no es este carácter intermedio lo peculiar de todas las conferencias impresas, aun cuando sean publicadas por el propio autor?” “Solamente en manos de su autor podían haberse convertido estas Lecciones en un verdadero libro, como la Filosofía del derecho.” “¿Acaso no se formó así una gran parte de la obra del viejo Aristóteles, sin que a nadie se le haya ocurrido disputar la veracidad del contenido?” “En mi posterior escrito premiado, Examen critique de l’ouvrage d’Aristote intitulé Metaphysique, lo he demostrado suficientemente.” “¿Acaso no tenemos varias versiones suyas de la Ética? Bien pudiera ser que Nicómaco y Eudemo fueran los nombres de quienes copiaron e hicieron públicas 2 de estas versiones.”
<MAL DE EDSON>: “Entre otras causas, esta Historia de la filosofía de Hegel conservó el carácter de conferencia por la falta de tiempo del autor, que tuvo que ser mucho más breve al final del curso que al principio. Así, a partir de Aristóteles, cuya exposición, a juzgar por las anotaciones del cuaderno, entraba en la 2ª mitad del semestre (lo que no es tan desproporcionado como parece a primera vista), no se extendía ya tanto. En especial el último período, a partir de Kant, se encuentra expuesto con mucha brevedad, sobre todo en los cursos posteriores en los que una introducción muy desarrollada y la exposición de la filosofía oriental se llevaban la mayor parte del tiempo. [Suspeito! Talvez H. não se sentisse à vontade discorrendo sobre Kant!]
Esto me dio ocasión de preparar, inmediatamente después de la edición completa de estas Lecciones, una historia de los últimos sistemas filosóficos en Alemania, de Kant a Hegel, que debe añadirse a ellas.” E há algum (que valha o meu tempo)? Cf. Geschichte der letzten Systeme der Philosophie in Deutschland von Kant bis Hegel
Karl Ludwig Michelet
PRÓLOGO DEL EDITOR A LA 2ª EDICIÓN
“Con frecuencia cambié algunas frases o pasajes de lugar y di otro orden a los temas, suprimí algunos períodos largos y algunas repeticiones o, cuando menos, traté de acortarlos. Y, por último, metí las notas al pie de página dentro del texto mismo—como parece más correcto—, ya fueran ulteriores reflexiones aforísticas o citas de los filósofos tratados; de este modo sólo se conservaron como notas las anotaciones imprescindibles del editor, que se refieren a la redacción, y las citas o referencias muy largas que entorpecerían la lectura del texto.”
DISCURSO INAUGURAL – Pronunciado en la Universidad de Heidelberg, el 28 de octubre de 1816
“El Espíritu del Mundo, ocupado en demasía con esa realidad, no podía replegarse hacia adentro y concentrarse en sí mismo. Pero ahora que esta corriente de la realidad ha encontrado un dique, que la nación alemana ha sabido irse modelando sobre la tosca materia, que ha salvado su nacionalidad, raíz y fundamento de toda vida viva, tenemos razones para confiar en que, al lado del Estado, en que se concentraba hasta hace poco todo el interés, se levante también la Iglesia; que, al lado del reino de la tierra, hacia el que se encauzaban hasta ahora todos los pensamientos y todos los esfuerzos, vuelva a pensarse también en el reino de Dios; dicho en otros términos, que, al lado del interés político y de otros intereses vinculados a la mezquina realidad, florezca de nuevo la ciencia, el mundo racional y libre del espíritu.
La historia de la filosofía nos revelará cómo en los otros países de Europa en los que con tanto celo y prestigio se cultivan las ciencias y la formación del entendimiento, la filosofía, excepción hecha del nombre, decae y desaparece para quedar convertida tan sólo en un recuerdo, en una vaga idea, y únicamente se conserva como una peculiaridad característica de la nación alemana. La naturaleza nos ha asignado la alta misión de ser los guardianes de este fuego sagrado” “como el Espíritu del Mundo cultivó y salvaguardó en la nación judaica una conciencia superior a la de otros pueblos, para que pudiera surgir de ella, convertido en un nuevo Espíritu. § La nación alemana ha logrado llegar hoy, en general, a un grado tal de seriedad y de elevación de conciencia, que ante nosotros sólo pueden valer ya las ideas y lo que demuestre sus títulos de legitimidad ante el foro de la razón; y va acercándose más y más la hora del Estado prusiano basado en la inteligencia.” Não é assim que se conquistam 4 Copas do Mundo, amado Hegel!
“Nosotros, los hombres de la generación que se ha desarrollado bajo el embate de los tiempos, podemos considerar dichosos a quienes, como a vosotros, ha tocado vivir su juventud en estos días en que podéis consagraros por entero a la ciencia y a la verdad.”
O CREPÚSCULO DO OTIMISMO: “La esencia del universo, al principio cerrada y oculta, no encierra fuerza capaz de resistir al valor de un espíritu dispuesto a conocerla: no tiene más remedio que ponerse de manifiesto ante él y desplegar ante sus ojos, para satisfacción y disfrute suyo, sus profundidades y sus riquezas.”
“en efecto, de la historia de la filosofía se extrae, ante todo, una prueba muy clara de la nulidad de esta ciencia.”
“Y así, según la idea que se tenga de lo que es el Estado, puede muy bien ocurrir que un lector no descubra en la historia política de un país absolutamente nada de lo que busca en ella.”
“En efecto, cuando se trata de pensamientos, sobre todo de pensamientos especulativos, el comprender es algo muy distinto del captar simplemente el sentido gramatical de las palabras, asimilándolo indudablemente, pero sin pasar de la región de las representaciones.” “Por eso abundan las historias de la filosofía, compuestas de numerosos volúmenes y hasta, si se quiere, llenas de erudición y en las que, sin embargo, brilla por su ausencia el conocimiento de la materia misma sobre la que versan.”
“En esta Introducción habrá de darse por supuesto, igualmente, el concepto de filosofía, o sea el del objeto sobre el que versa su historia. Pero al mismo tiempo ocurre, en su conjunto, con esta Introducción—que habrá de circunscribirse a la historia de la filosofía—lo que ocurre con la filosofía misma según acabamos de decir. Lo que en esta Introducción pueda decirse, más que algo que podamos sentar de antemano, será algo que sólo el estudio de la historia misma pueda probar y justificar.”
INTRODUCCIÓN A LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA
“lejos de ello, aquí las creaciones son tanto mejores cuanto menos imputables son, por sus méritos o su responsabilidad, al individuo, cuanto más corresponden al pensamiento libre, al carácter general del hombre como tal hombre, cuanto más se ve tras ellas, como sujeto creador, al pensamiento mismo, que no es patrimonio exclusivo de nadie.” Pouco importa. O método socrático é universal, mas foi um homem chamado Sócrates que o pariu. Alexandre o Grande tem tanto de pessoal quanto tinha Sócrates: era um homem, um tipo de homem, uma síntese especial de vários indivíduos, historicamente marcada – e por isso atemporal.
Herder, Ideas para la filosofía de la historia de la humanidad
“El espíritu universal no se está quieto; y es este espíritu universal lo que nos interesa examinar aquí. Puede ocurrir que en una nación cualquiera permanezcan estacionarios la cultura, el arte, la ciencia, el patrimonio espiritual en su conjunto; tal parece ser, por ejemplo, el caso de los chinos, quienes probablemente se hallen hoy, en todo, como hace 2 mil años.”
“Por donde lo que cada generación crea en el campo de la ciencia y de la producción espiritual es una herencia acumulada por los esfuerzos de todo el mundo anterior, un santuario en el que todas las generaciones humanas han ido colgando, con alegría y gratitud, cuanto les ha sido útil en la vida, lo que han ido arrancando a las profundidades de la naturaleza y del espíritu.” Só mesmo a idéia de filogênese da psicanálise consegue ser mais tacanha do que esse evolucionismo-atavismo megalomaníaco cultural!
“el curso de la historia no nos revela precisamente el devenir de cosas extrañas a nosotros, sino nuestro propio devenir, el devenir de nuestra propia ciencia.”
“Es un viejo prejuicio el de que lo que distingue al hombre del animal es el pensamiento; pero nos atendremos a esto.” “la historia que tenemos ante nosotros es la historia de la búsqueda del pensamiento por el pensamiento mismo.” “Estas manifestaciones del pensamiento en las que éste se encuentra a sí mismo, son las filosofías; y la cadena de estos descubrimientos, de los que parte el pensamiento a descubrirse a sí mismo, es la obra de 3500 años.” Milenarismo 2.0.
“los árboles no nos dejarán ver el bosque, las filosofías nos impedirán ver la filosofía.”
“esta concepción no puede satisfacernos ni siquiera en lo que se refiere a la historia política; ya en ella reconocemos, o intuimos por lo menos, un entronque necesario entre los diversos acaecimientos, que hace que éstos ocupen un lugar especial, en relación con una meta o con un fin, adquiriendo con ello su verdadera significación.”
DA INTUIÇÃO À INSTITUIÇÃO: “Desde luego, la religión y los pensamientos contenidos en ella o que giran en torno a ella, principalmente, el que adopta la forma de mitología, se hallan ya por su materia—como por su forma los demás desenvolvimientos de las ciencias, sus pensamientos acerca del Estado, los deberes, las leyes, etc.—, tan cerca de la filosofía, que tal parece como si fuesen una prolongación más o menos vaga de la historia de la ciencia filosófica, como si la historia de la filosofía estuviese obligada a tomar en consideración todos estos pensamientos.”
A) CONCEPTO DE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA
“Y si partimos de la premisa de que la verdad es eterna, ¿cómo incluirla en la órbita de lo pasajero, cómo relatar su historia? Y, por el contrario, si tiene una historia y la historia consiste en exponer ante nosotros una serie de formas pasadas de conocimiento, ¿cómo encontrar en ella la verdad, es decir, algo que no es nunca pasado, pues no pasa?”
“El cristianismo tiene una historia que se refiere a su difusión, a las vicisitudes por que pasaron sus creyentes, etc.; al convertir su existencia en una Iglesia, ésta es, a su vez, una existencia exterior del cristianismo, la cual, al verse enclavada en los más diversos contactos con el tiempo, presenta múltiples vicisitudes y tiene, esencialmente, su historia propia. Tampoco la doctrina cristiana, por sí misma, carece, naturalmente, de historia; pero ésta alcanza pronto y de un modo necesario su desarrollo y se plasma en la forma determinada que le corresponde. Y esta antigua profesión de fe ha regido en todo tiempo, y debe seguir rigiendo todavía hoy, sin cambio alguno, como la verdad, aunque su vigencia no fuese ya más que una apariencia sin sustancia y las palabras hubiesen quedado reducidas a una fórmula vacua pronunciada por nuestros labios. Ahora bien, el contenido ulterior de la historia de esta doctrina lleva consigo dos cosas: de una parte, las múltiples adiciones y aberraciones de aquella verdad fija; de otra, la lucha contra estas aberraciones y la purificación del fundamento perenne, eliminando de él las adiciones superpuestas y volviendo a su original simplicidad.
Una historia externa como la de la religión la tienen también las otras ciencias, incluyendo la filosofía.”
“¿cómo explicarse que, siendo la filosofía la doctrina de la verdad absoluta, se circunscriba a un número tan reducido de individuos, a determinados pueblos, a ciertas épocas; del mismo modo que, con respecto al cristianismo—o sea, a la verdad bajo una forma mucho más general—, se ha planteado la dificultad de si no será una contradicción en sí que esta religión haya aparecido tan tarde en el tiempo y haya permanecido durante tantos siglos, y todavía permanezca en la actualidad, limitada a determinados pueblos? Pero este problema y otros por el estilo son ya demasiado especiales como para depender solamente de la contradicción general a que veníamos refiriéndonos; sólo cuando hayamos entrado más de lleno en la naturaleza peculiar del conocimiento filosófico, podremos referirnos más a fondo a los aspectos que guardan mayor relación con la existencia exterior”
“En una ciencia como la matemática, la historia, por lo que al contenido se refiere, se limita, preferentemente, a la grata tarea de registrar una serie de ampliaciones; y la geometría elemental, por ejemplo, puede considerarse como una realidad ahistórica en la extensión que Euclides supo darle.”
“quienes creen poder exteriorizar un juicio más a fondo, llaman a esta historia una galería de las necedades o, por lo menos, de los extravíos del hombre que se adentra en el pensamiento y en los conceptos puros. Este punto de vista no sólo lo expresan quienes confiesan su ignorancia en materia de filosofía (la confiesan, puesto que esta ignorancia no es, según la concepción corriente, obstáculo para emitir un juicio acerca de lo que es la filosofía; por el contrario, todo el mundo se cree autorizado a dar su juicio acerca del valor y la esencia de ella, sin saber absolutamente nada de lo que es), sino también algunos de los que escriben o han escrito acerca de la historia de la filosofía. Esta historia, convertida así en un relato de diversas opiniones, no pasa de ser, concebida de este modo, materia de ociosa curiosidad o, si se quiere, de erudición.” Ex: Diógenes Laércio.
“¿Puede haber algo más inútil que conocer una serie de simples opiniones? Semejante conocimiento es de todo punto indiferente.”
“una opinión es un pensamiento mío, no un pensamiento general, que es en y para sí.”
“no existen opiniones filosóficas.”
“Esta llamada razón, de una parte, combatía la fe religiosa en nombre y en virtud de la razón pensante, pero, al mismo tiempo, se volvió en contra de la razón misma y se convirtió en enemiga de la verdadera razón; afirma en contra de ésta los derechos de la intuición interior, del sentimiento, convirtiendo con ello lo subjetivo en pauta de lo válido e imponiendo, de este modo, la fuerza de la propia convicción, tal y como cada cual se la puede llegar a formar, en sí y a partir de sí, en su propia subjetividad. Pues bien, estas convicciones propias no son otra cosa que las opiniones, convertidas así en el supremo criterio del hombre.”
“Es frecuente también ver que la teología se cultiva históricamente, atribuyendo a la ciencia teológica el interés de conocer las distintas opiniones, y uno de los primeros frutos de este conocimiento consiste en honrar y respetar todas las opiniones, considerándolas como algo de lo que no se tiene por qué dar cuentas a nadie, sino solamente a sí mismo.”
“La antítesis entre la opinión y la verdad, que de un modo tan nítido se destaca ahora, se trasluce ya en las nociones de la época socrático-platónica, época de desintegración de la vida griega, en la antítesis platónica entre la opinión (doxa) y la ciencia (episteme). Es la misma contraposición con la que nos encontramos en el período de decadencia de la vida pública y política de Roma bajo Augusto y en los tiempos siguientes, en que hacen estragos el epicureísmo y la indiferencia ante la filosofía. Es el sentido en que Pilato replica a Cristo, cuando Éste le dice que ha venido al mundo para proclamar la verdad: ‘¿Qué es la verdad?’. Lo que vale tanto como decir: ‘Este concepto de la verdad es un concepto convencional acerca del cual estamos al cabo de la calle; hoy, sabemos ya más, sabemos que ya no hay para qué hablar de conocer la verdad; eso se ha quedado atrás.’” Bom insight.
“En cuanto a la afirmación de que no es posible, conocer la verdad, nos encontraremos con ella en la historia misma de la filosofía, donde tendremos ocasión de examinarla con cierto cuidado. Aquí, sólo diremos que quienes, por ejemplo Tennemann, parten de esta premisa, harían mucho mejor, evidentemente, en no ocuparse para nada de filosofía, pues toda opinión afirma y pretende, aunque sea sin razón, poseer la verdad.”
“En efecto, ante el espectáculo de tan múltiples opiniones, de tan numerosos y diversos sistemas filosóficos, se siente uno arrastrado por la confusión, sin encontrar un punto firme de apoyo para sustraerse a ella. Vemos cómo, en torno a las grandes materias por las que se ve solicitado el hombre y cuyo conocimiento trata de suministrar la filosofía, los más grandes espíritus yerran, puesto que han sido refutados o contradichos por otros. ‘¿Y si esto ocurre a tan insignes espíritus, cómo puedo, ego homuncio, tener la pretensión de decidir tales problemas?’
Esta conclusión, que se extrae de la gran diversidad de los sistemas filosóficos, es considerada como dañina, pero representa, al mismo tiempo, una ventaja subjetiva.” “…Todas aseguran que son las verdaderas, todas indican signos y criterios distintos por medio de los cuales se ha de reconocer la verdad; por eso, el pensamiento sobrio y sereno tiene que sentir, por fuerza, grandes escrúpulos antes de decidirse por una.
Éste es el interés mayor a que debe servir la historia de la filosofía.”
Uma premissa correta, porém impossível de ser praticada – sem severos danos – durante a era sistemática. Heidegger teria algo a dizer sobre isso…
Todos queriam ser Hegel.
Todos queriam estar depois de Hegel.
Não, todos queriam estar depois deste sujeito pós-hegeliano!
Eis o pau que não matará nenhuma cobra
Nem mostrará o instrumento homicida a ninguém!
Quem chegar por último…
Morre nauseado e solteiro.
“Cicerón (De natura deorum, I, 8ss.) nos ofrece una historia, extraordinariamente superficial, de los pensamientos filosóficos acerca de Dios, inspirada precisamente en esa intención. Es cierto que la pone en labios de un epicúreo, pero sin que él mismo sepa decirnos nada mejor, lo que indica que las nociones expuestas por su personaje son las suyas propias.” Não diga! Logo Cícero, este EXCELSO filósofo?!
“El epicúreo dice que no ha sido posible llegar a un concepto determinado. La prueba de que son vanos los esfuerzos de la filosofía se desarrolla en seguida a base de una concepción genérica superficial de la historia de la filosofía misma: el resultado de esta historia no es otro que la aparición de los más diversos y dispares pensamientos de las múltiples filosofías, contrapuestas las unas a las otras y que se contradicen y refutan entre sí.”
“Según esto, la historia de la filosofía no sería otra cosa que un campo de batalla cubierto de cadáveres, un reino no ya solamente de individuos muertos, físicamente caducos, sino también de sistemas refutados, espiritualmente liquidados, cada uno de los cuales mata y entierra al que le precede.”
“Por lo que se refiere a este tópico de la sobriedad del pensamiento, sabemos por la sobriedad de la experiencia diaria que, cuando estamos en ayunas, nos sentimos al mismo tiempo, o poco después, hambrientos. Sin embargo, ese pensamiento sobrio tiene el talento y la habilidad de no sentirse impulsado al hambre, a la apetencia, sino, por el contrario, saciado y satisfecho.”
“Pero la vida física, como la vida del espíritu, no se da por satisfecha con la sobriedad, sino que es, esencialmente, impulso, acicate, siente hambre y sed de verdad, de conocimiento de la verdad, pugna por aplacarlas y no se da por satisfecha, por alimentada, con reflexiones del género de ésta a que nos estamos refiriendo.”
“Es menester que comprendamos que esta variedad entre las muchas filosofías no sólo no perjudica a la filosofía misma—a la posibilidad de la filosofía—, sino que, por el contrario, es y ha sido siempre algo sencillamente necesario para la existencia de la propia ciencia filosófica, algo esencial a ella.”
SE NO VINHO ESTÁ A VERDADE, OFEREÇO MEIA TAÇA: “Las hazañas de que nos habla la historia de la filosofía no tienen nada de aventuras, del mismo modo que la historia universal no es algo puramente romántico.”
Dom Quixote tem uma história. Não existe um Dom Quixote que se olvide.
Filósofos não tem o direito de censurar seus amigos por esquecerem que ele existe! Esse é um problema muito pessoal…
“lo más esencial de todo es conocer que la verdad única no es solamente un pensamiento simple, vacuo, sino un pensamiento determinado de suyo.”
CUIDADO COM SEUS ARTIGOS DE FÉ DE ÉPOCA: “Más aún, podríamos, incluso, resumir lo que aquí interesa en el solo criterio de la evolución, pues si acertamos a ver claro en él, todo lo demás se desprenderá y deducirá por sí mismo.”
Seu erro consistiu em imaginar-se mais qualificado que Platão. Hierarquia entre IDÉIA-CONCEITO: “El producto del pensamiento es lo pensado en general; pero el pensamiento es todavía algo formal, el concepto es ya el pensamiento más determinado y la idea, finalmente, el pensamiento en su totalidad y determinado como el ser en y para sí. Por consiguiente, la idea es lo verdadero y solamente lo verdadero; la naturaleza de la idea consiste, esencialmente, en desenvolverse y en llegar a comprenderse solamente por obra de la evolución, en llegar a ser lo que es.” A IDÉIA NÃO EXISTE – ERA UMA METÁFORA. CONSELHO SÉRIO: Eis porque não se deve levar a filosofia tão a sério! O alemão: sujeito sem senso de humor. Destarte: Incompleto.
Reflexões inadvertidas devido ao Zeitgeist.
“La ciencia de la lógica es la encargada de explicar ampliamente estos conceptos.” (Evolução, concreto & outros)
ponto nevrálgico do hegelianismo:
“la posibilidad [o] (…) ser en sí” ESSENTIA
“la realidad (entelequia) [o] ser para sí” IN CONCRETO
“Cuando decimos, por ejemplo, que el hombre es un ser racional por naturaleza, la razón vive en él solamente en potencia, como una posibilidad, en embrión” “Pero, en cuanto que el niño sólo posee la capacidad o la posibilidad real de la razón, es lo mismo que si no tuviese razón alguna; ésta no existe aún en él, puesto que no puede hacer aún nada racional ni posee una conciencia racional. Sólo a partir del momento en que lo que el hombre es en sí deviene para él, en que, por tanto, la razón pasa a ser una razón para sí; sólo a partir de entonces puede decirse que el hombre cobra realidad en una dirección cualquiera, que es un ser realmente racional, que vive para la razón.”
Elucidação da frase da Fenomenologia “todo real é racional”:
Todo ser-para-si é ser-em-si, porém nem todo ser-em-si é ser-para-si. Toda aparência (ato) é essência (realização de potência). Mas a essência não está em todas as fases (faces) da aparência.
O real de Hegel não é real. A razão de Hegel é onipresente (o deus operando a máquina). Todo acontecer é deus, mas deus é algo mais que a soma dos aconteceres.
Fases de curto-circuito da verdade.
Tudo tem um propósito, o resto é garmonbozia.
O real é uma parte pequena do meu feudo. O contrato ideal.
INÍCIO DA TRADUÇÃO DE ALGUNS PARÁGRAFOS
“Lo que es en sí necesariamente tiene que convertirse en objeto para el hombre, que cobrar conciencia en él; de este modo, deviene para el hombre.”
“O que é possível (essencial) tem de se converter por necessidade em objeto para o homem, tem de cobrar consciência nele; dessa forma, devém (aparece) para o homem.”
Hegel é um teleólogo. O mundo se revela com uma epifania. A própria realidade (fenômeno) é epifenômeno. O mundo é mero sintoma do Espírito.
“mediante la objetivación de este ser en sí, el hombre se convierte en ser para sí, se duplica, se conserva, no se convierte en otro.”
“mediante a objetivação deste ser em si (o que é possível), o homem se converte em ser para si (real), se duplica, se conserva, não se converte em outro.”
Se desdobra, realiza o que é em essência, não é estranho ao homem mesmo atingindo algo de diferente ou pioneiro em sua vida: o filósofo tem de ser homem; nem todo homem é filósofo; todo filósofo nasce homem e devém filósofo eventualmente. Agora ele é filósofo e homem.
“en el pensamiento sólo el pensamiento es objeto, la racionalidad produce lo racional y su objeto propio es la razón.”
“no pensamento só o pensamento é objeto, a racionalidade produz o racional e seu objeto próprio é a razão.”
No pensamento, só o pensamento pode ser pensado, se pensar. Mesmidade. REAL.
A razão é o pensamento do Espírito. Ele se pensa através da racionalidade. POSSÍVEL.
“Que el pensamiento puede degenerar también en lo irracional es una consecuencia ulterior, en la que no tenemos por qué entrar aquí.”
“Que o pensamento também pode degenerar no irracional é uma conseqüência ulterior, na qual não temos por que entrar aqui.”
“Ahora bien, si el hombre, que es en sí un ser racional, no parece poder ir más allá después de convertirse en un ser racional para sí, ya que el ser en sí sólo se ha conservado, la diferencia es, sin embargo, inmensa; no se desprende de aquí ningún contenido nuevo, pero esta forma del ser para sí implica una diferencia muy grande.”
“Ora, se o homem, que é essencialmente um ser racional, não parece poder ir mais além após se converter em ser racional para si (efetivamente), já que ele não mudou de natureza (não se duplicou), conservando a essência, a diferença é, não obstante, imensa (do filósofo ao leigo); não se depreende daqui nenhum conteúdo novo, mas esta forma do ser para si (reflexivo) implica uma diferença enorme.”
“Sobre esta diferencia descansa toda la que se aprecia en los desarrollos de la historia universal. Sólo así puede explicarse por qué, siendo todos los hombres racionales por naturaleza y estribando lo que hay de formal en esta racionalidad precisamente en el hecho de ser libres, ha existido en muchos pueblos, y en parte todavía sigue existiendo, la esclavitud, sin que los pueblos considerasen esto como algo intolerable.”
“Sobre esta diferença descansa toda diferença que se aprecia nos desenvolvimentos da história universal. Só aí se pode explicar por quê, sendo todos os homens racionais por natureza e estribando o que há de formal nesta racionalidade precisamente no fato de serem livres, existiu em muitos povos, e em parte segue existindo, a escravidão, sem que os povos a considerassem intolerável.”
Hegel parte do princípio que o senhor, a casta que escraviza, é constituída originalmente de filósofos? Ou bem que o escravo submisso é mais como um animal?
“A única diferença que se aprecia entre os povos da África e da Ásia, de uma parte, e de outra os gregos, os romanos e o mundo moderno, consiste em que estes sabem por que são livres, enquanto que aqueles o são sem saber que o são e, portanto, sem existir como povos livres. E isto representa uma mudança imensa quanto à condição. O conhecer e o aprender, a ciência e mesmo a ação não perseguem, em seu conjunto, nada senão extrair de si mesmo o que é interno ou em si (essencial), convertendo-o em algo objetivo (fenomênico).”
“La razón de este brotar a la existencia es que el embrión no puede resistirse a dejar de ser un ser en sí, pues siente el impulso de desarrollarse, por ser la viviente contradicción de lo que solamente es en sí y no debe serlo. Pero este salir fuera de sí se traza una meta y la más alta culminación de ella, el final predeterminado, es el fruto; es decir, la producción de la semilla, el retorno al estado primero. El embrión sólo aspira a producirse a sí mismo, a desdoblar lo que vive en él, para luego retornar a sí mismo y a la unidad de que partió. Claro está que en las cosas de la naturaleza se da el caso de que el sujeto, por donde se comienza, y lo existente, lo que pone punto final—allí la simiente, aquí el fruto—son dos individuos distintos; la duplicación se traduce en el resultado aparente de desdoblarse en dos individuos, que son, sin embargo, en cuanto al contenido se refiere, uno y lo mismo.”
“A razão deste brotar à existência é que o embrião não pode resistir a deixar de ser um ser em si, pois sente o impulso de desenvolver-se, por ser a contradição vivente do que somente é em si e não deve sê-lo. Mas este sair fora de si se traça uma meta e a mais alta culminação dela, o final predeterminado, é o fruto; isto é, a produção da semente, o retorno ao estado primeiro. O embrião só aspira a se produzir a si mesmo, a desdobrar o que vive nele, para logo retornar a si mesmo e à unidade de que partira. Claro está que nas coisas da natureza se dá o caso de que o sujeito, por onde se começa, e o existente, o que põe ponto final – ali a semente, aqui o fruto – são dois indivíduos distintos; a duplicação se traduz no resultado aparente de desdobrar-se em dois indivíduos, que são, sem embargo, quanto ao conteúdo, um e o mesmo.”
“Otra cosa acontece en el mundo del espíritu. El espíritu es conciencia y, por tanto, libre de que en él coincidan el principio y el fin. Como el embrión en la naturaleza, también el espíritu, después de haberse hecho otro, retorna a su unidad; pero lo que es en sí deviene para el espíritu y deviene, por consiguiente, para sí mismo. En cambio, el fruto y la nueva simiente contenida en él, no devienen para el primer embrión, sino solamente para nosotros”
“Outra coisa acontece no mundo do espírito. O espírito é consciência e, portanto, livre de que nele coincidam o princípio e o fim. Como o embrião na natureza, também o espírito, depois de ter-se feito outro, retorna a sua unidade; mas o que é em si devém para o espírito e devém, por conseguinte, para si mesmo. Já o fruto e a nova semente contida nele não devêm para o 1º embrião, mas somente para nós”
“Aquello para lo que lo otro es, es lo mismo que lo otro; sólo así puede ocurrir que el espíritu viva consigo mismo al vivir en el otro. La evolución del espíritu consiste, por tanto, en que, en él, el salir fuera y el desdoblarse sean, al mismo tiempo, un volver a sí.”
“Aquilo para o que o outro é, é o mesmo que o outro; só assim pode ocorrer que o espírito viva consigo mesmo ao viver no outro. A evolução do espírito consiste, portanto, em que, nele, o sair e desdobrar-se sejam, ao mesmo tempo, um voltar a si.”
“Todo lo que acaece en el cielo y en la tierra —lo que acaece eternamente—, la vida de Dios y todo lo que sucede en el tiempo, tiende solamente hacia un fin: que el espíritu se conozca a sí mismo, que se haga objeto para sí mismo, que se encuentre, devenga para sí mismo, que confluya consigo mismo; empieza siendo duplicación, enajenación, pero sólo para encontrarse a sí mismo, para poder retornar a sí.”
“Tudo o que acontece no céu e na terra – o que acontece eternamente –, a vida de Deus e tudo o que sucede no tempo, tende somente a um fim: que o espírito se conheça a si mesmo, que se faça objeto para si mesmo, que se encontre, devenha para si mesmo, que conflua consigo mesmo; começa sendo duplicação, alienação, mas só para se encontrar a si mesmo, para poder retornar a si.”
Muito bonito, porém sem fundamento. Ou melhor dizendo, irreal.
“en todo lo que no sea el pensamiento no conquista el espíritu esta libertad.”
“em tudo que não seja pensamento, não conquista o espírito esta liberdade.”
“cuando intuimos, cuando sentimos, estamos determinados, no somos libres; sólo lo somos cuando adquirimos la conciencia de estas sensaciones.”
“quando intuímos, quando sentimos, estamos determinados, não somos livres; só o somos quando adquirimos a consciência destas sensações.”
“Sólo en el plano del pensamiento desaparece, se evapora todo lo extraño, el espíritu, aquí, es absolutamente libre. Con lo cual queda proclamado, al mismo tiempo, el interés de la idea, de la filosofía.”
“Só no plano do pensamento desaparece, se evapora todo o estranho, o espírito, aqui, é absolutamente livre. Com o quê fica proclamado, ao mesmo tempo, o interesse da idéia, da filosofia.”
“¿qué evoluciona?, ¿qué es el contenido absoluto? Nos representamos la evolución como una actividad formal sin contenido. Pues bien, la acción no tiene otra determinación que la actividad y ésta determina ya la naturaleza general del contenido. El ser en sí y el ser para sí son los momentos de la actividad; en la acción se encierran, por consiguiente, estos dos momentos distintos. La acción es, así, una unidad esencial; y esta unidad de lo distinto es precisamente lo concreto. No sólo se concreta la acción; también lo es el ser en sí, el sujeto de la actividad de la que ésta arranca.”
“o quê evolui?, qual é o conteúdo absoluto? Nos representamos a evolução como uma atividade formal sem conteúdo. Pois bem, a ação não tem outra determinação que a atividade e esta determina já a natureza geral do conteúdo. O ser em si e o ser para si são os momentos da atividade; na ação se encerram, por conseguinte, estes dois momentos distintos. A ação é, assim, uma unidade essencial; e esta unidade do distinto é precisamente o concreto. Não só se concreta a ação; também é concreto o ser em si, o sujeito da atividade de quem esta parte.”
“La trayectoria de la evolución es también el contenido, la idea misma, la cual consiste precisamente en que tengamos lo mismo y lo otro y en que ambas cosas sean una sola, que es la tercera, en cuanto que lo uno es en lo otro consigo mismo y no fuera de sí.”
“A trajetória da evolução é também o conteúdo, a idéia mesma, a qual consiste precisamente em que tenhamos o mesmo e o outro e em que ambas as coisas sejam uma só, que é a terceira, enquanto que o um é no outro consigo mesmo e não fora de si.”
“Es un prejuicio corriente creer que la ciencia filosófica sólo maneja abstracciones, vacuas generalidades; que, por el contrario, la intuición, la conciencia empírica de nosotros mismos, el sentimiento de nosotros mismos y el sentimiento de la vida, es lo concreto de suyo, el reino determinado de suyo.”
O ÚLTIMO CONTRA-ATAQUE DO OBJETIVISMO: “É um preconceito corrente crer que a ciência filosófica só maneja abstrações, vácuas generalidades; (ou então,) pelo contrário, que a intuição, a consciência empírica de nós mesmos, o sentimento de nós mesmos e o sentimento da vida, são seu (terreno) concreto, seu reino determinado.”
Eis um exemplo da péssima escrita de Hegel. Havia a possibilidade de traduzir “concreto por si só”, “reino determinado por si só”, mas isso aumenta o nonsense do parágrafo e não é fundamental neste caso. Preferi manter a sintaxe mais óbvia ao leitor: remetendo o objeto ao sujeito inicial da frase. Se se quer que o pronome da terceira pessoa do singular “seu” se refira a algo, tem de ser, pelo contexto, a “ciência filosófica”. A segunda metade da frase, após o sinal de ponto-e-vírgula, consiste naturalmente na enumeração de elementos do método hume-kantiano (empirismo, ceticismo, criticismo subjetivistas), tudo aquilo a que Hegel faz dura oposição. O conhecimento mais elevado, para ele, só pode ser mediado pelo Espírito. Como Kant era o maior nome da filosofia na juventude de Hegel, era sobre ele que se deveria centrar o ataque. Expressões como “abstrações, vácuas generalidades” já resumem numa carapuça todo o objetivismo incompetente anterior a Hegel (e Kant). Quanto ao postulado da apercepção imediata de Kant, o “real adversário”, nas linhas seguintes Hegel proporá sua síntese, “sua versão” (antípoda) do a priori sintético daquele filósofo.
A luta transcendental e absoluta do século moderno! No corner esquerdo, pesando 70kg, o conceito é uma espécie de intuição X no corner direito, pesando 154,324 libras, a intuição é uma espécie de conceito! Valendo o cinturão do Continente (até o fim do século pelo menos…)!
“Pero, de suyo, la idea es algo esencialmente concreto, puesto que es la unidad de distintas determinaciones. En esto es en lo que el conocimiento racional se distingue del conocimiento
puramente intelectivo; y la tarea del filosofar, a diferencia del entendimiento, consiste precisamente en demostrar que la verdad, la idea, no se cifra en vacuas generalidades, sino en un algo general que es, de suyo, lo particular, lo determinado. Cuando la verdad es abstracta, no es tal verdad. ”
REBOLANDO ENTRE <INDUÇÃO> E <MATERIALISMO>: “Por si só, a idéia é algo essencialmente concreto, posto que é a unidade de distintas determinações. Nisto é que o conhecimento racional se distingue do conhecimento puramente intelectivo; e a tarefa do filosofar, diferente do (mero) entendimento, consiste precisamente em demonstrar que a verdade, a idéia, não se (de)cifra via vácuas generalidades, mas via algo geral que é, de per se, o particular, o determinado. Quando a verdade é abstrata, não é tal verdade.”
“sólo la reflexión del entendimiento es teoría abstracta, no verdadera, exacta solamente en la cabeza y, entre otras cosas, no práctica; la filosofía huye de lo abstracto como de su gran enemigo y nos hace retornar a lo concreto.”
“sozinha, a reflexão do entendimento (?) é teoria abstrata, não-verdadeira, exata somente na cabeça, e, entre outras coisas, não-prática; a filosofia foge do abstrato como de seu grande inimigo e faz-nos retornar ao concreto.”
O que K. escreveu não é filosofia! O que eu escrevo o é!
“Si combinamos el concepto de lo concreto con el de la evolución, obtenemos el movimiento de lo concreto. Como el ser en sí es ya concreto de suyo y nosotros no establecemos más que lo que ya existe en sí, resulta que sólo se añade la nueva forma de que aparezca ahora como algo distinto lo que ya antes estaba contenido en lo uno originario.”
“Se combinamos o conceito do concreto com o da evolução, obtemos o movimento do concreto. (?) Como o ser em si é já concreto por si e nós não estabelecemos mais que o que já existe em si, resulta que só se acrescenta a nova forma, sob a qual aparece agora como algo distinto o que já antes estava contido no um originário.”
“Si la idea fuese abstracta no sería otra cosa que la suprema Esencia, [suprema coisa-em-si] de la que ninguna otra cosa cabe decir; pero semejante Dios no es sino un producto del entendimiento del mundo moderno. La verdad es, por el contrario, movimiento, proceso y, dentro de él, quietud; la diferencia, allí donde existe, tiende siempre a desaparecer, produciendo así la unidad total y concreta.”
“‘La materia tiene que ser una de dos cosas: o un todo continuo o formada por puntos’, se dice; y, sin embargo, vemos cómo obedece a los dos criterios.” O inteligente expresso de forma que hoje nos soa burra: o ponto é uma convenção abstrata; porém se se dissera ‘a matéria enquanto onda (contínua) ou a matéria enquanto partícula (reduzida a elementos distinguíveis)’, como na Física do séc. XX, aí teria acertado em cheio. Visionário, portanto.
Aqui Hegel faz o Kantismo (quando diz “o entendimento”, inferior ao saber, ao verdadeiro pensar) consistir num jogo de eleição estereotipado entre sim/não, ‘isto ou aquilo’, generaliza a Crítica como uma mera retórica ou erudição binária, escrava do PRINCÍPIO DA NÃO-CONTRADIÇÃO, enquanto arroga ao seu sistema Espiritual a supremacia por comportar dentro de si o sim e o não em simultâneo (a síntese totalizante).
“Este movimiento encierra, por ser concreto, una serie de evoluciones que debemos representarnos, no como una línea recta que se remonta hacia el infinito abstracto, sino como una circunferencia que tiende, como tal, a volver sobre sí misma y que tiene como periferia una multitud de circunferencias que forman, en conjunto, una gran sucesión de evoluciones que vuelven hacia sí mismas.”
“Este movimento (evolucionário) encerra, por ser concreto, uma série de evoluções que devemos representar-nos, não como uma linha reta que remonta ao infinito abstrato, mas como uma circunferência que tende, como tal, a voltar sobre si mesma e que tem como periferia uma multitude de circunferências que formam, em conjunto, uma grande sucessão de evoluções que voltam sobre si mesmas.”
“La extensión en cuanto evolución no es dispersión ni disgregación; es también cohesión, tanto más vigorosa e intensiva cuanto más rica y amplia sea la extensión de lo coherente.”
“A extensão enquanto evolução não é dispersão nem desagregação; é também coesão, tanto mais vigorosa e intensiva quanto mais rica e ampla seja a extensão do coerente.”
Me pergunto de onde ele tirou essas coisas… Muito provavelmente de João (Apocalipse)!
“Es cierto, sin embargo, que, en un aspecto, la sucesión histórica en el tiempo se distingue de la sucesión en la ordenación de los conceptos; pero no nos detendremos a examinar aquí, de cerca, qué aspecto es ése, pues ello nos desviaría demasiado de nuestro fin.” Gostaria de saber como raios você compararia alhos e bugalhos.
“Quien estudia la historia de la física, de la matemática, etc., traba al mismo tiempo conocimiento con la física y la matemática mismas.”
“Cuando digo que existo, de un modo inmediato, existo solamente como organismo vivo; en cuanto espíritu, sólo existo en la medida en que me conozco.”
“Quando digo que existo, de um modo imediato, existo somente como organismo vivo; enquanto espírito, só existo na medida em que me conheço.”
“Ahora bien, una de las modalidades de la exterioridad es el tiempo, forma que ha de ser explicada de cerca tanto en la filosofía de la naturaleza como en la del espíritu finito.”
“Pois bem, uma das modalidades da exterioridade é o tempo, forma que será explicada de perto na filosofia da natureza como na do espírito finito.”
“a filosofia pura aparece no pensamento como uma existência que progride no tempo.”
“Podría decirse que la forma es indiferente y lo fundamental el contenido, la idea; y se cree hacer una concesión muy equitativa cuando se dice que las distintas filosofías contienen todas ellas la idea, aunque bajo diversas formas, dando a entender que estas formas son algo puramente fortuito. Sin embargo, tienen importancia, pues estas formas no son otra cosa que las diferencias originarias de la idea misma, que sólo en ellas es lo que es; son, pues, esenciales a ella y constituyen, en realidad, el contenido mismo de la idea, el cual, al desdoblarse, se convierte en forma.”
“Poder-se-ia dizer que a forma é indiferente e o fundamental é o conteúdo, a idéia; e crê-se fazer uma concessão muito equitativa quando se diz que as distintas filosofias contêm todas elas a idéia, ainda que sob diversas formas, dando a entender que estas formas são algo puramente fortuito. Não obstante, têm importância, pois estas formas não são nada além das diferenças originárias da idéia mesma, que só nelas é o que é; são, pois, essenciais a ela e constituem, em realidade, o conteúdo mesmo da idéia, o qual, ao se desdobrar, se converte em forma.”
“Necessariamente tem que se produzir o destino destas determinações, o qual consiste, precisamente, em que se enlacem e somem todas elas, descendendo assim ao nível de simples momentos. A modalidade em que cada momento se estabelecia como algo próprio e independente se vê, por sua vez, suspensa (no sentido físico e topográfico e no sentido legal do adjetivo); após a expansão vem a contração – a unidade de que todos aqueles momentos partiram. E este terceiro termo só pode ser, por sua vez, o começo de uma nova evolução. Poder-se-ia pensar que este processo se desenvolve ao infinito; mas não é assim; pois também ele tem uma meta absoluta, que mais tarde saberemos qual é; têm que se produzir, contudo, muitas viragens antes de que o espírito cobre sua liberdade, ao adquirir a consciência de si mesmo.” Mero messianismo travestido.
“A grande premissa, a de que também no mundo seguiram as coisas um curso racional, o que dá verdadeiro interesse à história da filosofia, não é outra coisa senão a fé na Providência, unicamente que noutra forma.” Ao menos o reconhece (que não passa de um messias imanente).
“Quem, nos acontecimentos que se produzem no campo do espírito, nas filosofias, só veja contingências, não leva a sério a fé num governo divino do universo e tudo que diga sobre isso não passará de simples palavreado.”
ESPÍRITO, O ENROLÃO: “não há dúvida de que para quem medite à primeira vista acerca do problema pode parecer surpreendente a duração do tempo, assim como a magnitude dos espaços de que nos fala a astronomia. Porém, no tocante à lentidão do Espírito do Mundo, há de se ter em conta que ele não necessita se apressar – ‘mil anos são para Ti tanto quanto um único dia’ –; tem tempo de sobra, precisamente porque vive à margem do tempo, porque é eterno. Os efêmeros seres que vivem da noite à manhã não dispõem de tempo bastante para realizar tantos de seus fins. Quem é que não morre antes de haver cumprido tudo aquilo a que se propunha? O Espírito do Mundo não só dispõe de tempo bastante: não é somente tempo o que se tem de investir na aquisição de um conceito; custa, ademais, muitas outras coisas. Tampouco lhe preocupa que tenha de empregar tantas e tantas gerações humanas até chegar a cobrar consciência de si mesmo, que tenha de percorrer um caminho extraordinariamente longo de nascimentos e mortes; é rico o bastante para se permitir essas jactâncias, promove sua obra de forma perdulária e dispõe de nações e indivíduos em abundância para utilizar em seus fins. Diz-se, se é uma informação exata, (!!) ainda que trivial, que a natureza chega a sua meta pelo caminho mais curto. Em compensação, o caminho do espírito é o caminho da mediação e do rodeio; o tempo, o esforço, a dilapidação, são critérios da vida finita que para nada nos interessam aqui. E não devemos nos sentir impacientes tampouco, ao ver que tais ou quais desígnios concretos não se realizam no instante mesmo, que tal ou qual coisa não é já realidade; na história universal os progressos se realizam lentamente.”
É tempo de um cochilo, pois.
“O contingente deve ser abandonado às portas da filosofia.” “uma filosofia que não apresente uma forma absoluta, idêntica a seu conteúdo, tem necessariamente de passar, não pode permanecer, porque sua forma não é a verdadeira.” “toda filosofia foi necessária e segue sendo, portanto” “Os princípios se mantêm; a novíssima filosofia não é senão o resultado de todos os princípios precedentes; neste sentido, pode-se dizer que nenhuma filosofia foi jamais refutada. O que foi refutado não se tratava de princípio algum, tão-só a pretensão de que este princípio fosse a determinação última e absoluta.”
“as determinações de Descartes são de tão gênero que bastam para explicar o mecanismo, mas nada mais; a exposição das outras concepções do universo, p.ex. as da natureza vegetal e animal, é, neste filósofo, insuficiente e, portanto, carente de interesse.”
“o Timeu de Platão contém uma filosofia da natureza cujo desenvolvimento é muito pobre, inclusive empiricamente, pois seu princípio não é suficiente para levar a nada; e os insights porventura penetrantes, que não estão ausentes, não se devem exatamente ao princípio.” Análise atomizada.
“Poderia pensar-se que o primeiro é o concreto, que a criança, p.ex., é mais concreta que o homem, quem imaginamos que é mais limitado, que não vive esta totalidade, senão uma vida mais abstrata.” “Devemos, pois, distinguir o natural concreto do concreto do pensamento, que, por sua vez, é pobre em sensibilidade.”
“as primeiras filosofias são as mais pobres e mais abstratas de todas”
“Já se perguntou, p.ex., se a filosofia de Tales de Mileto deve ser considerada, em rigor, teísmo ou ateísmo, se este filósofo da antiguidade afirmava a existência de um Deus pessoal ou simplesmente uma essência geral e impessoal.” Anacronismo, de fato.
“Não se trata, como à primeira vista poder-se-ia pensar, de uma atitude de soberba da filosofia de nosso tempo” Não, que isso – imagina, meu caro, imagina!
“na grande História da filosofia de Bruckner (parte I) cita-se uma série de 30, 40, até 100 filosofemas postos na boca de Tales e de outros e dos quais nem um só pensamento se encontrou historicamente nestes homens: teses, acompanhadas mesmo de citações e de raciocínios de igual cariz, entre os que em vão nos esforçaremos por descobrir qualquer índice genuíno. O procedimento seguido por Bruckner consiste em adornar qualquer filosofema de um pensador antigo de todas as conseqüências e premissas que, segundo as concepções da metafísica wolffiana, deveriam ser as premissas e conseqüências daquele filosofema, citando o que não passa de pura invenção com a mesma espontaneidade de como se tratasse de um fato histórico comprovado. Atribui-se a Tales o apotegma Ex nihilo fit nihil, sob a justificativa de que o pensador de Mileto diz que a água é eterna! Nada indica que Tales tenha dado tal salto.
Também o senhor professor Ritter, cuja História da filosofia jônica é resultado de um paciente estudo e que, em geral, procura não atribuir aos pensadores pensamentos estranhos, imputa a Tales mais do que talvez se possa imputar-lhe historicamente: ‘Daí devermos considerar, num todo, como dinâmica a concepção da natureza que encontramos em Tales. Este pensador concebia o universo ao modo de um animal vivo que o abarcava por completo e que nascera de um embrião, como todos os animais, e, como todos eles, igualmente, era parcialmente feito de água. A concepção fundamental do universo, em Tales, é portanto a de um todo vivo que se desenvolvera de um embrião e que, como os animais, sustenta-se por meio de uma alimentação adequada a sua natureza’” (!!)
“Aristóteles não afiança esta citação, tampouco qualquer outro dentre os antigos.”
Como se poderia pensar que se poderia pensar exatamente o que Tales pensou?! Tendo uma auto-estima de mil Budas, talvez, ou nem assim!
Eu escrevo que Hegel escreveu que Aristóteles escreveu que Tales disse (escreveu, por suposto, mas este escrito não sobreviveu) que o princípio (não no sentido de começo mas de importância) de todas as coisas era a água. Ironicamente qualquer manuscrito único, por mais importante que fosse, não poderia dar notícias ao futuro se fosse umedecido.
“Para começo de conversa parece que o primeiro a cunhar a palavra equivalente a princípio fora Anaximandro, posterior a Tales. A não ser que estejamos falando do sentido de começo no tempo deste termo. Porém, Tales jamais enuncia o conceito de causa; mal poderia, portanto, enunciar o de causa primeira.” Biblicamente e até darwinianamente falando, entretanto, Tales é irretocável!
“Existem, ainda hoje, povos inteiros que não conhecem até agora esse conceito, pois para a ele chegar é necessário um grau muito alto de evolução.”
Um elo entre um nada e outro nada ainda menor.
“hoje já não podem haver platônicos, aristotélicos, estóicos ou epicuristas; querer ressuscitar estas filosofias equivaleria a fazer regredir a uma etapa anterior ao espírito mais desenvolvido, mais imerso em si.” Não deviam. Mas não poder é um pouco de autoritarismo, você não acha?!
Deve ser quase impossível conceber a tormenta mental que explicar o período medieval devia provocar nos evolucionistas!
“Marsilio Ficino era platônico; Cosme de Médicis chegou inclusive a fundar uma Academia de filosofia platônica, dotada de professores, à cabeça dos quais estava Ficino. Haviam também aristotélicos puros, como Pomponazzi; Gassendi reviveu mais tarde a filosofia epicuréia, ao filosofar como um epicurista em torno dos problemas da física; Lipsius tratava de ser um estóico, e assim por diante.”
“pensava-se que era impossível que o cristianismo chegasse a desenvolver uma filosofia própria” (!!!) O mais cretino é imaginar que pudesse.
“Analogamente, pessoas cultas de nossa sociedade aconselham-nos a voltar aos costumes e ao modo de pensar dos selvagens dos bosques da América do Norte; e Fichte (Las características de la edad contemporánea) recomenda a religião de Melquisedeque como a mais pura e mais simples de todas, à qual seria o ideal voltarmo-nos hoje.”
“Em Platão não se encontra uma solução filosófica definitiva para os problemas referentes à natureza da liberdade, à origem do bem e do mal, à Providência.” Quem está sendo anacrônico agora?
B) RELACIÓN ENTRE LA FILOSOFÍA Y LOS DEMÁS CAMPOS
“esta exposición debe eliminar de su seno todo lo que sea historia externa de la época, para recordar solamente el carácter general del pueblo y del tiempo y el estado general de cosas. En realidad, la historia de la filosofía revela ya, de suyo, este carácter y, además, en su grado supremo; guarda la más íntima relación con él, y la forma determinada de la filosofía correspondiente a una época no es más que un lado, un momento de él.”
“Esta conexión, [filosofia e história] esencial, presenta 2 lados. El 1º es el propiamente histórico; el 2º, el que se refiere (…) a las relaciones entre la filosofía y la religión, etc.; [improcedente: num estudo de história da filosofia, investigar relações da filosofia com a religião do seu tempo não tem primazia, e estas relações poderiam ser apuradas residualmente no 1º lado, o puramente histórico] lo que nos ayudará, al mismo tiempo, a determinar con mayor precisión lo que la filosofía es.”
A velha teoria civilização-cultura: sempre que a primeira se funda a segunda ainda mal começou a se consolidar. Quando a última está em seu auge, a civilização já está em decadência. E é só em períodos de efervescência cultural e, portanto, ruína civilizacional, que um povo filosofa. Sócrates-Platão-Aristóteles e o mundo heleno em desagregação; São Tomás e o mundo pós-Império Romano do Ocidente sem esteio, ao mesmo tempo em que o Estado-moderno está na pré-História; Schopenhauer, Nietzsche e a desagregação da civilização ocidental, ou pelo menos da Europa como protagonista; a Escola Crítica e a falência do Socialismo Real; os franceses loucos anos 60 e avante em plena inércia pós-modernista… Curiosamente, Hegel não parece participar de um desses momentos, mas está integrado na Prússia fortalecendo-se nacionalmente. Não há cultura, há apenas filisteus (Hegel admite-o). Sempre que é necessário, nessa época, citar a cosmovisão de um grande homem, recorrem a Goethe, que foi da geração anterior.
A avant-garde do Nada. A retaguarda do império.
“Los filósofos griegos manteníanse al margen de los negocios del estado y el pueblo los tildaba de ociosos, por haberse retirado de la realidad al mundo del pensamiento.” “La filosofía jonia surge al sobrevenir la decadencia de los estados jónicos en el Asia Menor.” “En Roma, la filosofía no empieza a difundirse hasta que no se hunde la auténtica vida romana, la de la República, bajo el despotismo de los emperadores”
“Las ciencias naturales reciben en Inglaterra el nombre de filosofía. Y hay una Revista filosófica inglesa, dirigida por Thomson, en que se publican estudios sobre química, agricultura, abonos, economía e industria” “Los ingleses dan el nombre de ‘instrumentos filosóficos’ a los que son, en realidad, instrumentos puramente físicos, como el barómetro y el termómetro. Y llaman, asimismo, filosofía a teorías como, principalmente, la moral y las ciencias morales, derivadas de los sentimientos del corazón humano o de la experiencia; y también, finalmente, a las teorías y los principios relacionados con la economía política.” Um erro fatal que seria sentido em todo o mundo!
“Esta mescolanza de filosofía y cultura general se presenta con cierta frecuencia en el período inicial de la cultura.”
“Así, ya en los comienzos mismos de la filosofía griega aparecen los Siete Sabios y los filósofos jonios.”
“Los monarcas, considerados como los ungidos del Señor, en el sentido de los reyes de Judea, recibían su poder de Dios y, como la autoridad emanaba de lo alto, sólo a Dios tenían que dar cuenta de sus actos.”
“Federico Schlegel dio nueva vida a este apodo de la filosofía, queriendo significar con ello que su misión no consistía en tratar de problemas superiores a los del mundo, por ejemplo los de la religión; y encontró muchos que lo siguieran por este camino.”
“Lo que la filosofía tiene de común con el arte y, principalmente, con la religión son los problemas absolutamente generales que constituyen su contenido”
“De aquí que debamos, por encima de todo, enfocar la religión lo mismo que enfocamos la filosofía, es decir, conocerla y reconocerla como racional, puesto que es obra de la razón que se revela, su producto más alto y más conforme a razón. Son, por tanto, nociones absurdas las de quienes creen que los sacerdotes inventan las religiones para defraudar al pueblo y en provecho propio, etc.; es algo tan superficial como equivocado ver en la religión el producto de la arbitrariedad o del engaño.”
“Y es también una leyenda propagada por doquier la de que Pitágoras, por ejemplo, sacó su filosofía de la India y el Egipto: es muy antigua la fama de la sabiduría de estos pueblos, en la que se considera también implícita la filosofía.”
“¿cómo se distingue la filosofía de la teología, el saber de la religión, o más concretamente, de la religión en cuanto conciencia?”
“la pobreza mental de los indios antiguos y modernos, que siguen adorando como seres divinos a las vacas y a los monos”
“el arte se convierte en el maestro de los pueblos, como en Homero y Hesíodo, quienes, según Herodoto (II, 53), ‘crearon la teogonía de los griegos’, al convertir en imágenes y representaciones claras y firmes toda una serie de nociones y tradiciones confusas, conservadas y reunidas como fuese, en consonancia con el espíritu de su pueblo.”
Curiosamente já antecipa a principal crítica anti-hegeliana de Feuerbach: “Ahora bien, aunque en la verdadera religión se haya revelado y se revele el pensamiento infinito, el espíritu absoluto, el vaso en que se vierte es el corazón, la conciencia representativa y la inteligencia de lo finito. La religión no sólo se dirige a toda modalidad de cultura—‘el Evangelio se predica a los pobres’—, sino que, como religión, debe ir dirigida expresamente al corazón y al ánimo, penetrar en la esfera de la subjetividad y, con ello, en el campo de las representaciones finitas.”
Dá sempre a impressão, lendo Hegel falar do “entendimento” e da religião, que para ele Kant não passava de um Padre…
“El carácter de la religión positiva se cifra en que sus verdades existen, sin que se sepa de dónde provienen; por lo cual su contenido es un algo dado superior a la razón y situado más allá de ella.”
“lo mismo que los griegos veneraban a Ceres y a Triptolemo por haber traído a los hombres la agricultura y el matrimonio, los pueblos guardan gratitud a Moisés y Mahoma.”
“Si Cristo sólo fuese, para los cristianos, un maestro al modo de Pitágoras, de Sócrates o de Cristóbal Colón, no tendríamos ante nosotros un contenido divino general, una revelación o una doctrina acerca de la naturaleza de Dios, que es, cabalmente, lo que nos interesa aquí.”
“El hombre tiene que abrazar una religión; cabe, pues, preguntarse: ¿cuál es el fundamento de su fe? La religión cristiana contesta: el testimonio del espíritu acerca de este contenido. Cristo les echa en cara a los fariseos el que pidan milagros”
“Esta presencia del espíritu percibido es lo que se llama fe, pero no es una fe histórica; nosotros, los luteranos—pues yo lo soy y quiero seguirlo siendo—poseemos solamente aquella fe originaria. Esta unidad no es la sustancia al modo de Spinoza, sino la sustancia cognoscente de la conciencia de sí, en su actitud finita ante lo general. Todo lo que se dice acerca de los límites del pensamiento humano es algo puramente superficial; conocer a Dios: tal es la finalidad única de la religión.”
AUTOGÊNESE DA BÍBLIA: “El espíritu se engendra a sí mismo, al atestiguarse; sólo existe en cuanto que se engendra, se atestigua y se revela o manifiesta.”
“La esencia es, de suyo, un contenido esencial, no lo carente de contenido, lo indeterminado”
“A essência é um conteúdo essencial, não o carente de conteúdo, o indeterminado”
Não só mataram Deus como transaram com seu cadáver.
“la filosofía es justificada por la devoción y por el culto y se limita a hacer lo mismo que éstos hacen.”
“La filosofía, al pensar su objeto, tiene la ventaja de que las dos fases de la conciencia religiosa, que en la religión representan momentos distintos, forman en el pensamiento filosófico una unidad.”
“Por eso la filosofía empieza presentándose a nosotros vinculada y prisionera dentro del círculo del paganismo griego; más tarde, apoyándose en sí misma, se enfrenta a la religión popular y asume una actitud hostil, hasta que logra comprender su contenido y reconocerse en él.”
FILOPÊNDULO: Na época de Hegel o ateísmo estava “datado”. Dataria de novo logo depois o teísmo.
“sabemos que las últimas palabras de Sócrates fueron para suplicar a sus amigos que sacrificasen un gallo a Esculapio, deseo que se avenía muy mal, por cierto, con los pensamientos sostenidos por Sócrates acerca de la esencia de Dios y, principalmente, acerca de la ética. Platón predica apasionadamente contra los poetas y sus dioses.” O Sócrates “do galo” é Platão.
“Por misterios se entiende, en una interpretación superficial, lo misterioso, lo que, como tal, no puede llegar a ser conocido. Sin embargo, en los misterios eleusinos no había nada desconocido; todos los atenienses estaban iniciados en ellos; el único que no quiso estarlo fue Sócrates. Sólo se prohibía darlos a conocer a los no atenienses, y algunos de sus fieles fueron acusados de este delito. No debía hablarse de ellos, por tratarse de algo sagrado.” “En la religión cristiana se da el nombre de misterios a los dogmas, es decir, a lo que se sabe acerca de la naturaleza de Dios. No se trata tampoco de nada misterioso, todos los fieles de esta religión lo conocen, y es precisamente ello lo que los distingue de los de otras religiones; por tanto, tampoco aquí significa el misterio algo desconocido, pues todos los cristianos se hallan iniciados en él.” Misterioso é macumbeiro!
“El entendimiento no capta lo especulativo, que es precisamente lo concreto”
“La filosofía es opuesta, en cambio, al llamado racionalismo de la moderna teología, el cual no se quita de los labios la razón, a pesar de lo cual no es más que seco entendimiento; lo único que en él se descubre de razón es el momento del pensar por sí mismo, pero sin que esto pase de ser un pensamiento puramente abstracto. Cuando el entendimiento que no llega a captar las verdades de la religión se llama, como en el Siglo de las Luces, razón y se quiere hacer pasar por señor y dueño, se equivoca. El racionalismo es lo opuesto a la filosofía, por el contenido y por la forma, pues vacía el contenido, despuebla el cielo y lo degrada todo a relaciones finitas; y su forma es un razonar no libre, no un comprender.” Até a luz enjoa, não é, obscuro e tétrico Hegel?
“las puertas de la razón son más fuertes que las puertas del infierno, no para prevalecer contra la Iglesia, sino para conciliarse con ella. La filosofía, en cuanto pensamiento comprensivo de este contenido, tiene, en lo tocante a las creencias de la religión, la ventaja de que comprende ambas cosas: está en condiciones de comprender a la religión, del mismo modo que comprende al racionalismo y al supranaturalismo, y se comprende también a sí misma.”
“La mitología puede ser estudiada desde el punto de vista del arte, etc.; pero el espíritu pensante debe esforzarse en descubrir el contenido sustancial, el pensamiento, el filosofema implícitamente contenido en ella; del mismo modo que descubre la razón en el seno de la naturaleza.”
“Este modo de tratar la mitología es combatido y condenado por otros, quienes sostienen que se la debe abordar solamente de un modo histórico y que es contrario al criterio histórico tratar de deslizar dentro de un mito un filosofema que los antiguos no pusieron en él, o derivarlo a la fuerza de tal mito. Y no cabe duda de que esto es, por una parte, absolutamente verdadero, y no es otro, por cierto, el punto de vista en que se sitúa Creuzer(*) y en que se situaban los alejandrinos que se ocupaban de estas cosas.
(*) [Michelet] Georg Friedrich Creuzer (1771-1858), filólogo y arqueólogo. Es conocido, principalmente, por su obra Symbolik und Mythologie der alten Völker, besonders der Griechen, en la que sostiene que la mitología de Homero y Hesíodo proviene, a través de los pelasgos, de una fuente oriental y es el resto conocido de una antigua revelación.”
“Sin embargo, lo mitológico debe quedar excluido de nuestra historia de la filosofía. La razón de ello está en que la filosofía, tal como nosotros la concebimos, no versa precisamente sobre los filosofemas, es decir, sobre pensamientos que sólo de un modo implícito se contienen en una exposición, sino sobre pensamientos explícitos, expresados, y solamente en la medida en que lo son; es decir, solamente en la medida en que el contenido de la religión se revela a la conciencia bajo la forma del pensamiento”
“Zoroastro presenta esto de un modo excelente: uno de los principios (Ormuz) es el de la luz, el otro (Ahrimán) el de las tinieblas, y el centro entre ambos lo ocupa Mitra, al que por ello dan los persas el nombre de mediador.” Plutarco
“No actúa de mediador entre Ormuz y Ahrimán a la manera de un pacificador, dejando subsistentes ambas fuerzas; no participa del bien y del mal, como un lamentable ser híbrido, sino que se coloca resueltamente del lado de Ormuz y pelea con él contra el mal. Ahrimán es llamado, a veces, el hijo primogénito de la luz, pero sólo Ormuz permaneció en ella. Al ser creado el mundo visible, Ormuz se encargó de tender sobre la tierra, en su incomprensible reino luminoso, la firme bóveda del cielo, circundada todavía, por la parte de arriba, por la primera luz primigenia. En el centro de la tierra está la montaña Albordi, tan alta, que alcanza la luz primigenia. El reino luminoso de Ormuz campea sin que nada lo empañe sobre la firme bóveda celeste y en lo alto de la montaña Albordi; campeó también sobre la tierra hasta llegar a la tercera época de ella. Dentro de ella, Ahrimán, cuyo reino de la noche se hallaba hasta ahora escondido debajo de la tierra, extiende sus dominios al mundo de Ormuz y reina conjuntamente con él. El espacio que separa al cielo de la tierra se divide por mitades entre la luz y la noche. Como Ormuz, hasta ahora, sólo gobernaba sobre un reino de espíritus de la luz, Ahrimán gobernaba solamente sobre un reino de espíritus tenebrosos; pero ahora, al extender su reino, Ahrimán opone a la creación luminosa de la tierra una creación de la tierra tenebrosa. Se contraponen, así, desde este momento, dos mundos, un mundo puro y bueno y otro impuro y malo, y esta contraposición se extiende a través de toda la naturaleza.
En lo alto del Albordi, Ormuz crea a Mitra como mediador para la tierra; el fin de la creación del mundo físico no es otro que el de volver a su punto de partida, a la esencia, desviada de su creador, hacerla de nuevo buena y desterrar así, para siempre, el mal.” Toda a sua filosofia jaz no Zend-Avesta, ó Hegel!
“lo único que, desde este punto de vista, puede interesarnos y parecernos digno de ser tenido en cuenta es el carácter general de este dualismo que lleva consigo, necesariamente, el concepto, pues éste es, justo en sí, directamente lo contrario de sí mismo, y en el otro la unidad de éste consigo mismo” “Como de los dos principios solamente el principio de la luz es, en rigor, la esencia y el principio de las tinieblas la nada, tenemos que el principio de la luz coincide, a su vez, con Mitra, llamado anteriormente el Ser Supremo.” “Estos criterios se hallan mucho más cerca del pensamiento, no son simples imágenes; sin embargo, tampoco estos mitos tienen nada que ver con la filosofía.”
“Y lo mismo ocurre, sobre poco más o menos, entre los fenicios, con la cosmogonía de Sancuniaton. Estos fragmentos, con que nos encontramos en Eusebio (Praepar. Evang., I, 10), están tomados de una traducción de Sancuniaton hecha del fenicio al griego por el gramático Filón de Biblos; este Filón, que vivió en tiempo de Vespasiano, atribuye a Sancuniaton una extrema ancianidad.”
O ar engravidou o caos e engendrou uma matéria viscosa, que levava em si o germe da vida, forças naturais e as sementes dos animais. A mistura da matéria viscosa e do caos fez com que se separassem todos os elementos. As partes de fogo se elevaram e se tornaram as estrelas (o que é muito mais sábio que nossa visão até Ptolomeu de que as estrelas são pontos frios de luz). As estrelas em interação com o ar produziram as nuvens. A terra foi fecundada. Da terra e da água, formando matéria putrefata, a substância viscosa fez nascerem os animais, ainda imperfeitos e sem sentidos. Mas estes deram a luz a descendentes mais perfeitos que eles mesmos, dotados de sentidos. Foi a explosão do trovão na tormenta que deu vida aos primeiros animais, que estavam dormentes, envolvidos em suas cascas ou sementes. Para mais sobre a mitologia fenícia, cf. Sanchuniathonis Fragmenta ed. Rich. Cumberland, Londres, 1720.
“Los fragmentos de Beroso, referentes a los caldeos, fueron reunidos, a base de las obras de Josefo, Sincelo y Eusebio, por Escalígero, bajo el título de Beroisi Chaldaica, como apéndice a su obra De emendatione temporum, y figuran íntegros en la ‘Biblioteca Griega’ de Fabricio (t. XIV, pp. 175-211). Beroso vivió en tiempo de Alejandro, fue, al parecer, sacerdote de Bel [Baal; Belus em latim; originalmente significava Senhor em acádio] y debió de sacar sus datos de los archivos del templo de Babilonia.”
“El dios originario era Bel, la diosa Omoroca [el mar]; pero había además otros dioses. Bel cortó por el medio a Omoroca para formar con sus partes el cielo y la tierra. Después de ello, se cortó a sí mismo la cabeza, y de las gotas de su divina sangre nació el género humano. Después de crear al hombre, Bel ahuyentó a las tinieblas, separó el cielo de la tierra y dio al mundo su forma natural. Pareciéndole que ciertas regiones de la tierra no se hallaban bastante pobladas, obligó a otro dios a hacer lo mismo que él, y de la sangre de este otro dios nacieron nuevos hombres y otras especies animales. Los hombres, al principio, vivían como salvajes, sin la menor cultura, hasta que vino un monstruo [al que Beroso llama Oannes], que los enseñó y los educó en la humanidad. Este monstruo salió, para ello, del mar, con la aurora, y al ponerse el sol volvió a perderse entre las olas.” Beroso
“Es cierto que a Platón se le ensalza no pocas veces por razón de sus mitos, y se dice que da pruebas, con ello, de un genio superior al de la generalidad de los filósofos. Se entiende, al decir eso, que los mitos de Platón están por encima de la manera abstracta de expresarse; y no cabe duda de que este pensador se expresa con gran belleza.” No geral, entretanto, Hegel não compreende bem Platão.
“Así, por ejemplo, puede decirse que la eternidad es un círculo, una serpiente que se muerde la cola; esto no pasa de ser una imagen, y el espíritu no necesita valerse de semejantes símbolos.” Pelo contrário, idiota: é muito diferente afirmar que o universo é infinito e eterno simplesmente ou compará-lo à cobra que se digere a si mesma, a Ouroboros: significa que há um fim e uma genealogia determinados, que podem, no entanto, ser qualquer ponto do círculo, e que o caminho do círculo não deixa por isso de ser infinito. Isso traz conseqüências extremamente importantes para a consideração do conceito de causa e efeito na filosofia. Atende ao requisito fundamental de todo filosofar numa só imagem, também: o Um no múltiplo e o múltiplo no Um. Ao contrário do Espírito, a Vontade se alimenta de si mesma, ferindo-se mortalmente, condição sine qua non de sua própria perpetuidade canibal. O Espírito não tem carne, nada sofre ao se desenrolar, entrar em sínteses e voltar a si mesmo; é morto, não é a ‘vida viva’ (Hegel) – ao contrário de Ouroboros, que sente cada etapa da eterna criação/destruição na carne. Quem mata, morre, quem morre mata e participam ambos da dança e do jogo inelutável. Todo lixo é luxo e todo luxo é lixo a seu tempo.
“Del mismo modo que los francmasones manejan símbolos considerados como una profunda sabiduría —profunda al modo de un pozo al que no se le ve el fondo—, el hombre se inclina fácilmente a considerar profundo lo oculto, como si por debajo de ello hubiese algo verdaderamente profundo.” Ao chato, o abismo não parece profundo.
“Se habla también de la filosofía de los chinos, del foï, que consiste en expresar los pensamientos por medio de números. Sin embargo, también ellos explican sus símbolos, con lo cual ponen de manifiesto la determinación.”
“en la religión india, sobre todo, estos pensamientos aparecen clara y manifiestamente expresados, pero entre los indios todo se presenta mezclado y revuelto.”
“Es bien conocida la imagen del fénix, que ha llegado a nosotros desde el Oriente.”
“En la religión griega, nos encontramos con la determinación conceptual de la ‘eterna necesidad’; es ésta una relación absoluta, sencillamente general.”
“También en los Padres de la Iglesia y los escolásticos, y no sólo en la religión india, encontramos profundos pensamientos especulativos acerca de la naturaleza de Dios mismo. En la historia de la dogmática es de esencial interés conocer esta clase de pensamientos, pero en la historia de la filosofía no tienen cabida. Sin embargo, los escolásticos deberán ser tenidos más en cuenta que la patrística.” [¿?] “estos pensamientos [dos Padres da igreja, i.e., do Novo Testamento até antes de Agostinho] descansan sobre una premisa y no sobre el pensamiento mismo; no son, en consecuencia, verdadera filosofía, es decir, el pensamiento en sí mismo, sino que sirven a una representación de la que se parte como de algo establecido, ya sea para refutar a otras representaciones y otros filosofemas, ya sea para defender filosóficamente, en contra de ellos, la propia doctrina religiosa, de tal modo que el pensamiento no se reconoce y expresa como lo último, como la culminación absoluta del contenido, como el pensamiento que interiormente se determina a sí mismo.” “Y lo mismo ocurre con los escolásticos: tampoco en ellos se construye el pensamiento a base del pensamiento mismo, sino con vistas a las premisas de que parte, aunque aquí tenga ya más base propia que en los Padres de la Iglesia; pero sin llegar a enfrentarse nunca con la doctrina de ésta”
Sobre a FILOSOFIA POPULAR. Eu consideraria, a priori, 3 grandes figuras deste fenômeno: Diógenes Laércio (conforme mais acima), Cícero e Montaigne. Aristóteles está meio enquadrado aqui.
“En las obras de un Pascal, principalmente en sus Pensées, descubrimos los más profundos atisbos. § Pero esta filosofía lleva adherido aún el defecto de que lo último a que apela (como vemos también en estos últimos tiempos) es que estos pensamientos han sido inculcados en el hombre por la naturaleza; en Cicerón abunda esto.” “Cicerón habla frecuentemente del consensus gentium; el modo moderno prescinde más o menos de esta invocación, ya que se trata de que el sujeto descanse sobre sí mismo.” “En la filosofía popular, la fuente es el corazón, son los impulsos, las dotes, es nuestro ser natural, mi sentimiento del derecho, de Dios; el contenido se presenta aquí bajo una forma que es simplemente natural.” Temos aí, pois, Feuerbach!
“El verdadero punto de arranque de la filosofía debe buscarse allí donde lo absoluto no existe ya como representación y donde el pensamiento libre no piensa simplemente lo absoluto, sino que capta la idea de ello; es decir, allí donde el pensamiento capta como pensamiento el ser (que puede ser también el pensamiento mismo), conocido por él como la esencia de las cosas, como la totalidad absoluta y la esencia inmanente de todo, aunque no sea, por lo demás, más que un ser exterior.” “Este criterio general, el del pensamiento que se piensa a sí mismo, es una determinabilidad abstracta; es el comienzo de la filosofía, el cual es, a su vez, un algo histórico, la forma concreta de un pueblo, cuyo principio se cifra en lo que acabamos de decir.”
Se não fôramos capazes de dizer por nós próprios que só os gregos foram filósofos, esta afirmação seria verdadeira. Como podemos enunciá-lo, deve ser possível a nós o filosofar.
Nem todo humanismo é uma filosofia, mas toda filosofia é um humanismo.
A PEDRA CHINESA: “Por razón de esta conexión general de la libertad política con la libertad de pensamiento, la filosofía sólo aparece en la historia allí donde y en la medida en que se crean constituciones libres. Como el espíritu sólo necesita separarse de su voluntad natural y de su hundirse natural en la materia cuando pretende filosofar, no puede hacerlo todavía bajo la forma con que comienza el Espíritu del Mundo y que precede a la fase de aquella separación. Esta fase de la unidad del espíritu con la naturaleza, fase que, como inmediata que es, no es el estado verdadero y perfecto, es la esencia oriental en general; por eso la filosofía no comienza hasta llegar al mundo griego.”
“en cambio, cuando un pueblo quiere lo moral, cuando se rige por leyes de derecho, su voluntad descansa ya sobre el carácter de lo general.”
“Por eso sólo existe, en esos pueblos, el estado del señor y el del siervo, y dentro de esta órbita del despotismo, es el miedo la categoría gobernante en general.”
“El hombre que vive bajo el miedo y el que domina por el miedo a otros hombres ocupan, ambos, la misma fase; la diferencia no es otra que la mayor energía de la voluntad, la cual puede tender a sacrificar todo lo finito a un fin especial.” “de la pasividad de la voluntad, como esclavitud, se pasa en la práctica a la energía de la voluntad, pero sin que tampoco ésta sea otra cosa que arbitrariedad. También en la religión nos encontramos con el imperio absoluto de los sentidos en forma de culto religioso y, como reacción contra esto, se da asimismo, entre los orientales, la evasión a la más vacua de las abstracciones como infinito, la sublimidad de la renuncia a todo, principalmente entre los indios, quienes por medio del tormento se remontan a la abstracción más íntima; hay hindúes que se pasan 10 años seguidos mirándose fijamente a la punta de la nariz, alimentados por los circunstantes, sin ningún otro contenido espiritual que el de la abstracción consciente, cuyo contenido es, por tanto, totalmente finito. No es éste, por tanto, el terreno en que puede brotar la libertad.” Curioso como o abaixo-de-zero de Hegel é o fim-final para Schopenhauer, a liberdade fenomênica perante uma agora-tida-como-tirânica Vontade!
“Es cierto que el espíritu nace en el Oriente, pero de tal modo que el sujeto, aquí, no existe todavía como persona, sino en lo sustancial objetivo, que en parte se representa de un modo suprasensible y en parte también de un modo más bien material, como algo negativo y que tiende a desaparecer.” Porém, se o Espírito deverá retornar a si mesmo…
“El sujeto oriental tiene, de este modo, la ventaja de la independencia, ya que nada hay fijo; la vaguedad que caracteriza la sustancia de los orientales hace que su carácter pueda ser igualmente indeterminado, libre e independiente. Lo que es para nosotros el derecho y la moralidad lo es también allí, en el Estado, pero de un modo sustancial, natural, patriarcal, no en forma de libertad subjetiva.” R.I.P. Filosofia alemã 1932
“Antes, se exageraba la importancia de la sabiduría india, aunque sin saber qué había detrás de eso; ahora sí lo sabemos, y tenemos razones para afirmar que no es, si nos atenemos al carácter general, una sabiduría filosófica.” A força do pêndulo não perdoa ninguém: como moda, o hinduísmo vai e volta na Europa…
“Dormir, vivir, ser funcionarios: no consiste en esto nuestro ser esencial, pero sí consiste en no ser esclavos; esto ha cobrado la significación de un ser natural.”
“En Grecia vemos florecer la libertad real, aunque prisionera todavía, al mismo tiempo, de una determinada forma y con una clara limitación, puesto que en Grecia existían aún esclavos y los estados griegos se hallaban condicionados por la institución de la esclavitud.” No superexigente molde hegeliano, a dialética do senhor-escravo nunca tem fim.
INGENUIDADE ILIMITADA: “en el Oriente sólo es libre un individuo, el déspota; en Grecia, son libres algunos individuos; en el mundo germánico, rige la norma de que todos sean libres, es decir, de que el hombre sea libre como tal.”
“En Grecia, donde rige una norma particular, son libres los atenienses y los espartanos, pero no lo son, en cambio, los mesenios ni los ilotas. Hay que ver dónde reside el fundamento de este ‘algunos’; en él se encierran ciertas modificaciones particulares de la concepción griega que debemos examinar con vistas a la historia de la filosofía.” A Europa espoliou para sempre a possibilidade das Américas, da África e da Oceania filosofarem.
C) DIVISIÓN, FUENTES Y MÉTODO DE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA
“En general, sólo cabe distinguir, en rigor, 2 épocas de la historia de la filosofía: la filosofía griega y la filosofía germánica, división equivalente a la que se establece entre el arte antiguo y el arte moderno. La filosofía germánica es la filosofía dentro del cristianismo, en la medida en que éste pertenece a las naciones germánicas, es decir, a los pueblos cristianos de Europa pertenecientes al mundo de la ciencia y que forman, en su conjunto, la cultura germánica, pues Italia, España, Francia, Inglaterra, etc., han recibido a través de las naciones germánicas una nueva fisonomía. El helenismo penetra también en el mundo romano, y así debe enfocarse la filosofía dentro del marco de este mundo. Los romanos no produjeron una verdadera filosofía, del mismo modo que no tuvieron nunca verdaderos poetas. No hicieron otra cosa que recibir e imitar, aunque, con frecuencia, muy ingeniosamente; su misma religión procede de la griega y lo que en ella hay de propio y peculiar no la acerca a la filosofía y al arte, sino que es, por el contrario, antifilosófico y antiartístico.”
“El mundo griego desarrolló el pensamiento hasta llegar a la idea; el mundo cristiano-germánico, por el contrario, concibe el pensamiento como espíritu; idea y espíritu son, por tanto, los criterios diferenciales. Más precisamente, esta trayectoria estriba en lo siguiente. En tanto que lo general todavía indeterminado e inmediato, Dios, el ser, el pensamiento objetivo que, celosamente, no deja que nada coexista con él, es la base sustancial de toda filosofía, base que no cambia, sino que se adentra más y más profundamente en sí misma y se manifiesta y cobra conciencia a través de este desarrollo de las determinaciones, podemos señalar el carácter especial del desarrollo en el primer período de la filosofía diciendo que este desarrollo es una libre manifestación de las determinaciones, las figuraciones y las cualidades abstractas, por la sencilla razón de que, en sí, lo contiene ya todo.
La segunda fase sobre este fundamento general es la síntesis de estas determinaciones que así se desprenden en una unidad ideal, concreta, al modo de la subjetividad.” “con el nous de Anaxágoras y, más aún, con Sócrates comienza, de este modo, una totalidad subjetiva en que el pensamiento se capta a sí mismo y la actividad pensante es el fundamento.”
“La tercera fase consiste en que esta totalidad primeramente abstracta, al ser realizada mediante el pensamiento activo, determinante, diferencial, se establezca a sí misma en sus criterios diferenciados, que forman parte de ella en cuanto determinaciones ideales.”
“Las formas completamente generales de la contraposición son lo general y lo particular; o, en otra forma, el pensamiento como tal y la realidad exterior, la sensación, la percepción. El concepto es la identidad de lo general y lo particular” “La unidad se establece, por tanto, en ambas formas, y los momentos abstractos sólo pueden cumplirse por medio de esta unidad misma; nos encontramos, pues, con que aquí las mismas diferencias se ven elevadas a un sistema de totalidad y se enfrentan como la filosofía estoica y la epicúrea.”
“Lo general absolutamente concreto es, ahora, el espíritu; lo particular absolutamente concreto, la naturaleza: en el estoicismo se desarrolla el pensamiento puro hasta llegar a la totalidad; cuando el otro aspecto se convierte en espíritu y el ser natural, la sensación, en totalidad, tenemos el epicureísmo. Toda determinación se desarrolla hasta la totalidad del pensamiento; y, según el modo de espontaneidad de estas esferas, estos principios aparecen como 2 sistemas de filosofía independientes por sí mismos que pugnan y chocan el uno con el otro.”
“Lo superior es la unión de estas diferencias. Puede ocurrir esto bajo la forma de la destrucción, como en el escepticismo; pero lo superior es lo afirmativo, la idea puesta en relación con el concepto. Así, pues, si el concepto es lo general, que además se determina a sí mismo, pero sin perder su unidad en la idealidad y la transparencia de sus determinaciones que no cobran sustantividad, y lo ulterior es, por el contrario, la realidad del concepto, en el que las mismas diferencias se elevan al plano de totalidades, la cuarta fase consiste en la unificación de la idea, en la que todas estas diferencias, en cuanto totalidades, se esfuman, al mismo tiempo, en la unidad concreta del concepto.”
“El mundo griego progresó hasta llegar a esta idea, desarrollando para ello un mundo intelectual ideal; fue esto lo que hizo la filosofía alejandrina, con la que la filosofía griega llega a término y realiza su destino.”
PÉSSIMA METÁFORA: “La fase ulterior consiste en que, mientras dejamos que se convierta de nuevo en superficie cada una de las líneas que cierran el triángulo, cada una de ellas se desarrolle para formar la totalidad del triángulo, la figura total de que forma parte; tal es la realización del todo en los lados, como se nos revela en el escepticismo o en el estoicismo.” “la determinación espacial perfecta, que representa una duplicación del triángulo; pero este ejemplo ya no sirve, desde el momento en que el triángulo que tomamos como base queda fuera de la pirámide.”
“El remate de la filosofía griega en el neoplatonismo es el reino perfecto del pensamiento, de la bienaventuranza, un mundo de los ideales con existencia propia, pero irreal, ya que el todo sólo se halla, en absoluto, en el elemento de la generalidad.”
“Es decir, los dos triángulos que se hallan en la parte de arriba y en la parte de abajo del prisma no deben ser dos como duplicados, sino que deben formar una unidad entrelazada; o, dicho de otro modo, con el cuerpo nace la diferencia entre el centro y el resto de la periferia corporal.”
“La idea es, entonces, esta totalidad, y la idea consciente de sí misma algo esencialmente distinto de la sustancialidad”
“A través de esta subjetividad y de esta unidad negativa, a través de esta negatividad absoluta, el ideal, ahora, no es objeto solamente para nosotros, sino para sí mismo; este principio se inicia con el mundo cristiano.”
<BÁRBARO!>: “Dios es conocido como espíritu que se duplica por sí mismo, pero que, al mismo tiempo, levanta esta diferencia, para adquirir, en ella, el ser en y para sí. La misión del mundo consiste, siempre, en reconciliarse con el espíritu, en llegar a conocerse en él, y esta misión es conferida al mundo germánico.”
HEGEL’S PREACHING: “En la religión cristiana, este principio vive más bien como sentimiento y como representación: lleva implícito el destino del hombre como llamado a gozar de la eterna bienaventuranza, como objeto de la gracia y la caridad divinas, del interés divino, es decir, como dotado de un valor infinito en cuanto hombre; y se precisa, dicho principio, en el dogma de la unidad de la naturaleza divina y humana revelado por Cristo a los hombres, según el cual la idea subjetiva y objetiva, el hombre y Dios, forman una unidad.”
“Vemos por ello que las representaciones religiosas y la especulación no se hallan tan alejadas entre sí como suele pensarse; y hago referencia a estas nociones para que no nos avergoncemos de seguir dándoles, a pesar de todo, oídos, aunque estemos ya muy por encima de ellas, para que no nos avergoncemos de nuestros antepasados cristianos, que con tanto respeto las escuchaban.” Desculpe, mas eu me envergonho sim.
“Esta contraposición, cuyos extremos aparecen agudizados, concebida en su más general significación es la contraposición entre el pensar y el ser, entre la individualidad y la sustancialidad, de tal modo que, dentro del sujeto mismo, su libertad se mueva nuevamente dentro del círculo de la necesidad; es la contraposición entre sujeto y objeto, entre naturaleza y espíritu, en cuanto que éste, como algo finito, se contrapone a la naturaleza.”
“Es cierto que nos encontramos con ciertas fases de la filosofía griega que parecen situarse ya en el mismo punto de vista de las filosofías cristianas, como ocurre, por ejemplo, con la filosofía sofística, la neoacadémica y la escéptica, cuando proclaman la doctrina de que no es posible llegar al conocimiento de la verdad: esta doctrina parece, en efecto, coincidir con las modernas filosofías de la subjetividad en que todas las determinaciones del pensamiento tienen un carácter puramente subjetivo, sin que sea posible emitir fallo alguno sobre la objetividad.”
“Los filósofos antiguos no sentían semejante nostalgia, sino, por el contrario, una perfecta satisfacción y quietud dentro de aquella certeza que les llevaba a ver un conocimiento en lo que no era más que una apariencia.”
¡PUES VIVA EL CANDOR! “El candor de la filosofía antigua, que hacía pasar lo aparente por la esfera total, alejaba en aquellos pensadores toda duda acerca del pensamiento de lo objetivo.”
“la fe en sentido eclesiástico o la fe en el sentido moderno, que consiste en rechazar la razón para dar oídas a una revelación interior a que se da el nombre de certeza o intuición inmediata, de un sentimiento descubierto en uno mismo.”
Quando você desenvolve uma dialética só para poder ser autocontraditório à vontade (e se masturbar para o número 3): “La historia de la filosofía se divide, pues, en 3 períodos: el de la filosofía griega, el de la filosofía del período intermedio y el de la filosofía de la época moderna.”
“Primer período. Va desde Tales de Mileto, alrededor del año 600 a.C., hasta el florecimiento de la filosofía neoplatónica mediante Plotino en el siglo III d.C., y su desarrollo y prosecución por Proclo, en el siglo V, hasta la desaparición de toda filosofía. La filosofía neoplatónica pasa luego al cristianismo, y muchas filosofías cristianas tienen por única base esta filosofía. Este período abarca unos mil años, cuyo final coincide con las grandes migraciones de los pueblos y con la desaparición del Imperio romano.
Segundo período. Es el período de la Edad Media. Pertenecen a él los escolásticos e, históricamente, hay que mencionar también dentro de él a los árabes y los judíos, si bien esta filosofía se desarrolla, principalmente, dentro de la Iglesia; se trata de un período que abarca más de mil años.
Tercer período. La filosofía de los tiempos modernos sólo se manifiesta por sí misma después de la guerra de los Treinta años, con Bacon, Jacob Böhme y Descartes; este último comienza con la distinción del cogito, ergo sum. Trátase de un período de un par de siglos; por tanto, esta filosofía es todavía algo nuevo.”
“El nombre de historia tiene, en efecto, un doble sentido: expresa, de una parte, los hechos y acontecimientos mismos y, de otra parte, estos mismos hechos y acontecimientos convertidos ya en representaciones y con destino a la representación.
En cambio, en la historia de la filosofía no sirven de fuente los historiadores, sino que tenemos ante nosotros los hechos mismos, y son éstos, o sean las obras filosóficas mismas, las verdaderas fuentes; quien quiera estudiar seriamente la historia de la filosofía no tiene más remedio que ir directamente a estas fuentes.”
“Con respecto a muchos filósofos es inexcusablemente necesario, ciertamente, referirse a sus obras mismas; pero hay ciertos períodos cuyas fuentes no han llegado a nosotros, como ocurre, por ejemplo, con la filosofía griega más antigua, y en los que, por consiguiente, no tenemos más remedio que recurrir a los historiadores y a otros escritores.”
“La mayor parte de los escolásticos dejaron escritas obras en 16, 24 y hasta 26 volúmenes infolio; para llegar a su conocimiento, no hay más remedio que apoyarse en el trabajo que otros han realizado. Hay, además, muchas obras filosóficas rarísimas y muy difíciles de conseguir. Algunos filósofos sólo tienen, en gran parte, un interés histórico y literario y esto nos autoriza a recurrir, para estudiarlos, a las colecciones en que se han recogido sus doctrinas.”
“cuando Tennemann incurre en este defecto, su obra es casi inservible. Su tergiversación de Aristóteles, por ejemplo, es tan grande, que Tennemann casi le hace decir lo contrario de lo que en realidad pensaba este filósofo, de tal modo que si queremos formarnos un concepto más o menos certero de la filosofía aristotélica no tenemos más que pensar lo contrario de lo que este autor dice de ella; [HAHAHAHA!] no obstante, Tennemann es tan sincero, tan honrado, que coloca los pasajes de Aristóteles al pie de su texto, lo que hace que, no pocas veces, se contradigan el original y la traducción. Tennemann opina que es esencial que el historiador de la filosofía no tenga una filosofía propia y se jacta, por lo que a él se refiere, de ello; pero en el fondo también él tiene su sistema, que es el de la filosofía crítica. Este historiador de la filosofía alaba a los filósofos, su estudio, su genio, pero termina, en realidad, censurando a todos los que incurren en la falta de no ser todavía filósofos kantianos, de no haber investigado aún la fuente del conocimiento; lo cual da, sobre poco más o menos, el resultado de que la verdad no es cognoscible.”
“Herodoto y Tucídides, como hombres libres, dejan que el mundo objetivo marche libremente, sin añadir nada de su cosecha ni avocar ante su tribunal, para enjuiciarlos, los actos de los hombres. Y, sin embargo, también en la historia política se desliza muy pronto un fin por parte del historiador. Para Tito Livio, lo fundamental es la dominación romana, su expansión, el desarrollo de la constitución, etc.; en su Historia, vemos a Roma crecer, defenderse y ejercer su imperio.”
LA FILOSOFÍA ORIENTAL
“Así como entre los griegos se habla de Urano, de Cronos—es decir, del Tiempo, pero ya individualizado—, entre los persas existe una deidad llamada Zervana Acarena, pero es el Tiempo ilimitado.” “De aquí que, en los orientales, no encontremos más que un entendimiento seco, una simple enumeración de determinaciones, una lógica al modo de la vieja lógica wolffiana.”
“La gran cultura de estos pueblos se refiere a la religión, a la ciencia, a la administración pública, a la constitución del Estado, a la poesía, a la técnica de las artes, al comercio, etc. Pero, cuando comparamos las instituciones jurídicas y la organización del Estado en China con la de cualquier país europeo, vemos que esta comparación sólo puede referirse al aspecto formal, pues el contenido es muy dispar.”
“Otro tanto acontece cuando se compara la poesía india con la europea; no cabe duda de que, considerada como un simple juego de la fantasía, la poesía india es extraordinariamente brillante, rica y desarrollada, como la que más; pero en la poesía importa, también, el contenido y es necesario tomarlo en serio. Pues bien, ni siquiera tomamos en serio los poemas de Homero, por eso no podría surgir en nuestros países una poesía de este tipo.”
“Lo primero que hay que registrar, entre los chinos, es la doctrina de Con-fut-see [Confucio], que vivió unos 500 años antes de Cristo, doctrina que causó gran sensación en la época de Leibniz y que es, en rigor, una ética. Confucio comentó, además, las antiguas obras maestras tradicionales de los chinos, principalmente las de carácter histórico. Fue, sin embargo, su desarrollo de la doctrina moral lo que le valió su mayor fama, y es la más respetada autoridad de los chinos.” “el De officiis de Cicerón, manual de pláticas morales, contiene más cosas, y mejores, que todos los libros de Confucio.”
“Una segunda circunstancia que conviene tener presente es que los chinos se ocuparon también de pensamientos abstractos, de categorías puras. Servíales de base para ello el antiguo libro llamado Yi-King [I-Ching] o Libro de los Principios; esta obra contiene la sabiduría de los chinos y su origen se atribuye a Fohi.” “Lo fundamental es que se le atribuye la invención de una tabla con ciertos signos o figuras (Ho-tu), que el autor decía haber visto sobre el lomo de un dragón, al emerger éste del río.”
“Las 2 figuras fundamentales están representadas por una raya horizontal (yang) y por una línea quebrada en dos, que suman la longitud de la primera (yin): la primera simboliza lo perfecto, el padre, lo masculino, la unidad, como en los pitagóricos, la afirmación; la segunda, lo imperfecto, la madre, lo femenino, la dualidad, la negación. Estos signos son objeto de una gran veneración, como principios de las cosas.”
“En una fase ulterior, se combinan estas rayas en grupos de 3, y surge así una serie de 8 figuras, a que se da el nombre de kua” “Indicaremos el significado simbólico de estos 8 kua, para que se vea cuán superficial es. El primer signo, que agrupa al gran yang y el yang, es el cielo (tien), el éter, que penetra y lo envuelve todo. El cielo es, para los chinos, lo más alto de todo, lo supremo; entre los misioneros, se discute interminablemente si se debe dar el nombre de tien, o no, al Dios cristiano. El segundo signo es el agua pura (tui), el tercero el fuego puro (li), el cuarto el trueno (tschin), el quinto el viento (siun), el sexto el agua corriente (kan), el séptimo la montaña (ken) y el octavo la tierra (kuen).”
“En el Chu-king nos encontramos también con un capítulo sobre la sabiduría china en el que aparecen los 5 elementos de los que sale todo: el fuego, el agua, la madera, el metal y la tierra, revueltos en abigarrada mescolanza y que, precisamente por ello, no podemos considerar tampoco como verdaderos principios.”
“Existe, además, una secta especial, taoísmo, cuyos adeptos no son mandarines ni pertenecen a la religión del Estado, ni tampoco budistas, según la religión del Lama. El fundador de esta filosofía y del sistema de vida íntimamente relacionado con ella fué Lao-Tsé (que nació a fines del siglo VII a.C.)”
“Del propio Lao-Tsé decían sus adeptos que era Buda en persona, es decir, el mismo Dios que seguía viviendo en figura de hombre. Todavía poseemos su obra principal, que ha sido traducida en Viena, donde yo he tenido ocasión de leerla. He aquí uno de sus principales pasajes, citado con frecuencia: ‘Sin nombre, Tao es el principio del cielo y de la tierra; con nombre, es la madre del universo. El hombre con pasiones sólo la ve en su estado imperfecto; quien quiera conocerla, tiene que curarse de todas las pasiones.’”
“La lectura de este pasaje trae al recuerdo, naturalmente, a Jahweh y el nombre real africano Juba, y también el de Jovis. Este J-hi-wei o J-H-W significa también, al parecer, algo así como el abismo absoluto o la nada: lo supremo, el origen de todas las cosas es, para los chinos, la nada, el vacío, lo totalmente indeterminado, lo general abstracto, a que se da también el nombre de Tao o la razón.”
“Así como antes se sentía cierta complacencia en atribuir una gran antigüedad a la sabiduría india y en tributarle una gran veneración, el conocimiento de las grandes obras astronómicas de los indios ha revelado ahora cuán poco rigor hay en las grandes cifras que en ellas se manejan. No cabe imaginar nada más confuso, nada más imperfecto que la cronología de los indios; ningún pueblo cultivado en la astronomía, en la matemática, etc., ha dado muestras de tanta incapacidad para la historia: los antiguos indios no son capaces de encontrar, en ella, el menor punto de apoyo, la menor conexión.” “Los hindúes manejan, en su cronología, series de reyes y cantidades inmensas de nombres; pero todo es muy vago.”
“Sabemos que la antiquísima fama de este país había penetrado profundamente hasta los griegos; y sabemos también que éstos conocían a los gimnosofistas, hombres entregados como nadie a la devoción, consagrados a una vida contemplativa, abstraídos de la vida exterior y que, viviendo y peregrinando en hordas, renunciaban, como los cínicos, a todas las necesidades materiales.”
“del mismo modo que sus libros religiosos, los Vedas, sirven también de fundamento general para su filosofía.” “Estos libros sagrados están formados por partes procedentes de las más diversas épocas; muchas de ellas datan de tiempos remotísimos; otras, en cambio, proceden de una época posterior, como ocurre, por ejemplo, con la que se refiere al rito de Vishnú. Los Vedas sirven, incluso, de base a la filosofía atea de los hindúes; también los ateos tienen sus dioses y toman muy en cuenta las doctrinas de los Vedas.”
Às premissas, mas sem pressa.
“La mitología presenta el aspecto especial de la encarnación, de la individualización, de la que podría pensarse que era contraria a lo general y a la modalidad de la idea propia de la filosofía; sin embargo, esta encarnación no es tomada al pie de la letra, casi todo se considera como tal y lo que parece determinarse como individualidad desaparece en seguida entre el humo de lo general.”
“Hace poco tiempo que hemos llegado a adquirir un conocimiento preciso de la filosofía india; antes, entendíamos por tal, en conjunto, las representaciones de carácter religioso, pero en estos últimos tiempos se han descubierto obras verdaderamente filosóficas. Colebrooke, [mesma fonte de Schopenhauer] sobre todo, nos ha dado a conocer los extractos de 2 obras filosóficas hindúes, que es, en realidad, lo primero que sabemos acerca de esta filosofía.” “Schlegel fue uno de los primeros alemanes que se ocuparon de la filosofía hindú; sin embargo, sus esfuerzos no fueron muy fructíferos, en este sentido, pues sus lecturas sobre la materia apenas si pasaron del índice del Ramayana.”
“La parte esencialmente ortodoxa no tiene otra finalidad que la de facilitar la explicación de los Vedas o deducir del texto de estos libros fundamentales una psicología más sutil. Este sistema recibe el nombre de Mimansa, y se citan 2 escuelas adscritas a él. Difieren de él otros sistemas, 2 de los cuales, los principales, se llaman Samk’hya y Nyaya: el primero de éstos se divide, a su vez, en 2 partes, las cuales, sin embargo, sólo difieren entre sí en cuanto a la forma; el Nyaya es especialmente complicado, desarrolla principalmente las reglas del razonamiento y podría compararse a la Lógica de Aristóteles. Colebrooke nos ofrece extractos de estos 2 sistemas, y nos dice que existen muchas obras antiguas acerca de ellos y que abundan los versus memoriales en torno a estos 2 sistemas filosóficos.”
“Los Vedas dicen: ‘Lo que ha de conocerse es el alma, la cual debe separarse de la naturaleza, para que no retorne’; es decir, hay que librarla de la metempsicosis y, por tanto, de la corporeidad, con lo cual no volverá a albergarse en otro cuerpo, después de la muerte.” “Indra, por ejemplo, el dios del cielo visible, se halla, según ellos, en un plano mucho más bajo que el alma cuando ha alcanzado este estado de vida contemplativa; muchos miles de Indras, se nos dice, han perecido, mientras que el alma se halla sustraída a todo cambio.”
“El sistema Samk’hya se divide en 3 partes: el modo del conocer, el objeto del conocimiento y la forma determinada del conocimiento de los principios.”
“Hay, en esta idea, algo de nuestro ideal, de nuestro ser en sí: del mismo modo que la flor se contiene ya en la simiente de un modo ideal, pero no de un modo activo y real; la expresión empleada para expresar esto es la de lingam, la fuerza procreadora, la capacidad de acción de lo natural, que los hindúes tienen siempre en alta estima.”
“Los primeros 8 órdenes ostentan nombres que aparecen en la mitología india: Brahma, Prajapatis, Indra, etc.; son tanto dioses como semidioses, y el propio Brahma se representa aquí como una criatura. Los 5 órdenes inferiores son los animales: los cuadrúpedos forman 2 clases, las aves la 3ª, los reptiles, los peces y los insectos la 4ª; y la 5ª las plantas y la naturaleza inorgánica.”
“Se mencionan 62 determinaciones entorpecedoras: 8 clases de error; otras tantas de opiniones o engaños; 10 clases de pasiones, que representan el punto extremo del engaño; 18 de odio o tenebrosidad, y otras tantas de pena. En este punto, se nos revela un método seguido más bien por vías empírico-psicológicas.” 8 + 8 + 10 + 18 + 18 = 62
DE NOVO A TARA PELO TRÊS: “Es curioso que entre dentro de la conciencia observadora de los hindúes el que lo verdadero, que es en y para sí, contiene tres determinaciones y que el concepto de la idea encierra, para ser completo, 3 momentos. Esta alta conciencia de la trinidad, con que nos encontramos también en Platón y en otros pensadores, se pierde luego en la región de la contemplación pensante y se conserva solamente en la religión, pero como un más allá; el entendimiento va a sus alcances y lo considera como un absurdo, hasta que viene Kant y allana el camino hacia su conocimiento.” “En las concepciones religiosas de los Vedas, en que estas cualidades reciben también el nombre de trimurti, se habla de ellas como de modificaciones sucesivas: ‘primeramente, todo era tinieblas, hasta que recibió la orden de transformarse, revistiendo así la modalidad del impulso, de la acción (foulness), y por último reviste, por orden de Brahma, la forma de la bondad.’”
“La Yoga-sastra cita, en uno de sus 4 capítulos, multitud de prácticas por medio de las cuales es posible adquirir tal poder: por ejemplo, profundas meditaciones, acompañadas de la retención del aliento y la paralización de los sentidos, a la par que se conserva inalterablemente una postura prescrita. El adepto logra, por medio de estas prácticas, el conocimiento de todo lo pasado y de todo lo futuro; adquiere el poder de descubrir los pensamientos de los otros; se siente dotado de la fuerza del elefante, de la bravura del león, de la rapidez del viento; puede volar en el aire, nadar en el agua, sumergirse en la tierra; es capaz de abarcar con la mirada, en un instante, todos los mundos y de realizar muchas otras hazañas portentosas. Pero el modo más rápido de alcanzar la beatitud por medio de la profunda contemplación consiste en aquella forma de devoción de musitar continuamente el nombre místico de Dios, Om.” Colebrooke
“Mientras que en el sistema teísta se admite la existencia de Iswara, el supremo gobernante del universo, como un alma o un espíritu distinto de las demás almas, en el Samk’hya ateo Kapila niega la existencia de este Iswara, creador del mundo, y la niega con voluntad consciente (by volition), alegando que no hay ninguna prueba de la existencia de Dios; que la percepción no la revela, ni es posible llegar tampoco a esa conclusión por el razonamiento.”
“los efectos son, según ellos, más bien eductos que productos”
“Una consecuencia obligada de ella es la de la eternidad del mundo, pues la tesis de que de la nada no sale nada, recordada también, a este propósito, por Colebrooke, contradice a la creación del mundo partiendo de la nada, según nuestra concepción religiosa.”
“La naturaleza, aunque inanimada, cumple la misión de preparar al alma para liberarse, del mismo modo que la función de la leche—sustancia carente de sensaciones— tiene por función alimentar al ternerillo.”
“Por tanto, el alma, según la concepción de los hindúes, ya no tiene nada que ver con el cuerpo, y su relación con él es, por consiguiente, superflua.”
“La filosofía de Gautama y Kanada forman una unidad. La filosofía de Gautama se llama Nyaya (razonante), la de Kanada Vaiseshika (particular). La primera es una especie de dialéctica, peculiarmente desarrollada; la segunda, en cambio, se ocupa de la física, es decir, de los objetos particulares o sensibles.”
“Ningún campo de la ciencia o la literatura ha atraído tanto la atención de los hindúes como el Nyaya, y fruto de estos estudios es la innumerable cantidad de obras en torno a estos problemas, entre las que figuran trabajos de muy famosos eruditos.” “el lenguaje se considera como algo que le ha sido revelado al hombre.” “Gautama aduce aquí 16 puntos, entre los que se destacan como los principales la prueba, la evidencia [lo formal] y aquello que se trata de demostrar; los demás puntos son simplemente subsidiarios y accesorios, como elementos que contribuyen al conocimiento y la certeza de la verdad. El Nyaya coincide con las demás escuelas psicológicas en que promete la dicha, la excelencia final y la liberación de todo mal como recompensa por el conocimiento perfecto de los principios profesados por ella, es decir, como recompensa de la verdad, entendiendo por tal la convicción acerca de la eterna existencia del alma, como algo separable del cuerpo.”
“El primer punto fundamental, o sea la evidencia de la prueba, presenta 4 modalidades: la primera es la percepción; la segunda la deducción (inference), la cual puede ser de 3 modos: del efecto a la causa, de la causa al efecto o por analogía; el tercer tipo de evidencia es la comparación; el cuarto la seguridad, que abarca tanto la tradición como la revelación. Estos diversos tipos de prueba aparecen muy desarrollados, tanto en el antiguo tratado que se le atribuye a Gautama como por innumerables comentadores.”
“La pupila no es, dicen estos pensadores, el órgano de la visión, ni el oído el órgano de la audición, sino que el órgano de la vista es el rayo luminoso que parte del ojo y se proyecta sobre el objeto, y el órgano del oído el éter, que en la caja auditiva se comunica con el objeto escuchado por medio del éter intermedio. Aquel rayo luminoso es, por lo general, invisible, exactamente lo mismo que una luz es invisible bajo el sol de mediodía y, en cambio, se deja ver en otras circunstancias. El órgano del gusto es algo acuoso, como la saliva, y así sucesivamente.
Algo parecido a lo que aquí se dice de la visión es lo que dice Platón en el T¡meo; y en el estudio de Schultz que figura en la Morfología de Goethe encontramos interesantes observaciones acerca del fósforo en el ojo. [¿?] Ejemplos de hombres que han podido ver en medio de las sombras de la noche, lo que prueba que es su ojo el que ilumina el objeto, los tenemos a montones; claro está que, para que este fenómeno se dé, tienen que concurrir circunstancias especiales.” HAHAHAHA
“Los elementos fundamentales de las sustancias materiales son concebidos por Kanada como átomos originarios, que se combinan luego para formar cuerpos complejos; este autor afirma la eternidad de los átomos, a propósito de lo cual aduce muchas cosas acerca de la combinación de los átomos, entre las cuales aparece también el polvillo del sol.”
“La tercera categoría es la de la acción; la cuarta, la de la comunidad; la quinta, la de la diferencia; la sexta, la de la agregación (aggregation), la última que señala Kanada, pues otros autores añaden, además, como séptima cualidad, la de la negación.”
“El desarrollo del razonamiento es igual al de nuestros silogismos; pero de tal modo que lo que se trata de demostrar figura a la cabeza.”
SOU HINDU: “La sustancialidad intelectual es lo contrario de la reflexión, del entendimiento, de la individualidad subjetiva de los europeos. Para nosotros, es importante el que yo quiera, sepa, crea, opine algo, basándome para ello en las razones que yo tenga para ello, con arreglo a mi propia y personal voluntad; a esto le concedemos nosotros un inmenso valor. La sustancialidad intelectual es el extremo opuesto a esto, en el que desaparece toda la subjetividad del yo: para ésta, todo lo objetivo se ha convertido en algo vano, no existe para ella verdad objetiva, deberes ni derechos objetivos; por donde la vanidad subjetiva es lo único que queda en pie.”
PRIMERA PARTE:(*)
LA FILOSOFÍA GRIEGA
(*) A organização desse livro é bizarra: estamos quase na metade do tomo (exatamente 42% do PDF) e agora é que escapamos da Introdução. Ou, na verdade, a Filosofia Oriental era o 1º capítulo, pós-introdução; mas seu caráter absolutamente subsidiário para Hegel relega os sistemas chinês-hindu a ser “menos que um capítulo”, uma espécie de pré-História ou aquecimento filosófico. O irônico é que o tamanho da exposição garante que ele “perca” uma aula de seu precioso curso fornecendo detalhes do que ele julga ser apenas abstração ou intelecção inócuas, posto que não tomam por objetivo o pensamento!
INTRODUCCIÓN A LA FILOSOFÍA GRIEGA(*)
(*) E lá vamos nós a outra introdução maciça!
“El nombre de Grecia tiene para el europeo culto, sobre todo para el alemán, una resonancia familiar. Los europeos han recibido su religión, las concepciones del más allá, de lo remoto, no de Grecia, sino de más lejos, del Oriente y, concretamente, de Siria. Pero las concepciones del más acá, de lo presente, la ciencia y el arte, lo que satisface, dignifica y adorna nuestra vida espiritual, tuvo como punto de partida a Grecia, bien directamente, bien indirectamente, a través de los romanos.”
“La densidad germánica necesitó pasar, para disciplinarse, por la dura escuela de la Iglesia y el derecho romanos; sólo de este modo se ablandó el carácter europeo y se capacitó para la libertad.”
“Dejemos a la Iglesia y a la jurisprudencia su latín y su romanismo. Nuestra ciencia superior, libre y filosófica, como nuestro arte libre y bello, y el gusto y el amor por una y por otro, sabemos que tienen sus raíces en la vida griega y que derivan de ella su espíritu. Y si nos fuese lícito sentir alguna nostalgia, sería la de haber vivido en aquella tierra y en aquel tiempo.”
“La trayectoria y el despliegue del pensamiento se manifiestan en los griegos partiendo de sus elementos protoriginarios; y, para comprender su filosofía, podemos permanecer dentro de ellos mismos, sin necesidad de buscar ninguna otra clase de motivos externos.”
“Los griegos parten de una premisa histórica, por la misma razón por la que han brotado de sí mismos; y esta premisa histórica, concebida a través del pensamiento, es la de la sustancialidad oriental de la unidad natural del espíritu y la naturaleza.”
“Los griegos ocupan el bello punto intermedio entre ambas posiciones extremas, que es el centro de la belleza por ser, al mismo tiempo, algo natural y algo espiritual, pero de tal modo que la espiritualidad es y sigue siendo, en él, el sujeto dominante, determinante.”
“La riqueza del mundo griego consiste solamente en una muchedumbre infinita de detalles bellos, agradables y graciosos, en esta alegría de todo lo que sea existencia; lo más grande, entre los griegos, son las individualidades, estos virtuosos del arte, de la poesía, de la canción, de la ciencia, de la honestidad, de la virtud.”
“‘De tus pasiones has sacado, ¡oh hombre! la materia para tus dioses’, dice un antiguo; los orientales, en cambio, principalmente los indios, los sacaron de los elementos naturales, de las fuerzas y las formas de la naturaleza”
“Por lo que se refiere al estado histórico externo de Grecia en esta época, diremos que los comienzos de la filosofía griega caen en el siglo VI antes del nacimiento de Cristo, en tiempo de Ciro, en la época del ocaso de los estados jónicos libres del Asia Menor. En el momento en que desaparece este hermoso mundo, que había logrado conquistar por sí mismo un elevado nivel de cultura, surge la filosofía. Creso y los lidios fueron los primeros que pusieron en peligro la libertad de los jonios; pero fue, más tarde, la dominación persa la que la destruyó totalmente, obligando a la mayoría de los habitantes a abandonar aquellas tierras y a fundar colonias, sobre todo en la parte occidental.
Y, al mismo tiempo que se hundían las ciudades jónicas, la otra Grecia dejaba de ser gobernada por las dinastías de los antiguos príncipes; habían desaparecido los Pelópidas y los otros linajes regios, extranjeros en su mayoría. Grecia había establecido, en parte, múltiples contactos con el exterior y, en parte, esforzábase por encontrar un vínculo social dentro de sí misma; la vida patriarcal había pasado a la historia, y en muchos estados sentíase la necesidad de constituirse libremente, con arreglo a normas e instituciones legales.” Aqui é-se forçado a perguntar: que conceito de patriarcado era esse dos alemães, para julgar que justamente quando o homem se distancia mais e mais do matriarcado e sedimenta o patriarcado ele estaria fugindo do que era patriarcal?!
“Vemos aparecer muchos individuos que no gobiernan ya a sus conciudadanos por virtud de su linaje, de su nacimiento, sino que son honrados y enaltecidos por los méritos de su talento, de su imaginación, de su ciencia. Estos individuos ocupan diferentes puestos de superioridad con respecto a sus conciudadanos. Unas veces, son consejeros, aunque sus buenos consejos no siempre sean seguidos por los demás; otras veces, se ven odiados y despreciados por sus conciudadanos y obligados a retirarse de la actuación pública; otras veces, se erigen en violentos, aunque no crueles, dominadores de sus conciudadanos, y otras, finalmente, en legisladores de la libertad. § A esta categoría de hombres que acabamos de caracterizar pertenecen los llamados siete sabios, a quienes en estos últimos tiempos se tiende a excluir de la historia de la filosofía.”
“Los nombres de los siete sabios varían, según los casos; generalmente, se indican los de Tales, Solón, Periandro, Cleóbulo, Quilón, Bías y Pitaco. Hermipo, en Diógenes Laercio (I, 42) señala 17, entre los cuales seleccionan otros autores 7, de diversos modos, según sus preferencias. Según el propio Diógenes Laercio (I, 42), ya un autor antiguo, Dicearco, mencionaba solamente 4 a quienes los antiguos incluían unánimemente entre los 7: Tales, Bías, Pitaco y Solón. Otros nombres que también aparecen, de vez en cuando, son los de Misón, Anacarsis, Acusilao, Epiménides, Ferécides, etc.”
“eran hombres prácticos, peto no en el sentido en que esta palabra suele interpretarse entre nosotros, que tendemos a considerar la actividad práctica como una rama especial de la administración del Estado, de la industria, de la economía, etc.” “No eran estadistas al modo de las grandes personalidades griegas de que nos habla la historia, un Milcíades, un Temístocles, un Pericles, un Demóstenes, sino estadistas de una época en que se trataba de la salvación y el establecimiento, de la ordenación y la organización y hasta diríamos que de la instauración de la vida del Estado, o, por lo menos, de la instauración de situaciones regidas por la ley.”
“la fama de Solón, en este respecto, sólo es compartida por la de un Moisés, un Licurgo, un Zaleuco, un Numa, etc. En los pueblos germánicos no encontramos ninguna figura que llegara a disfrutar de esta fama, como legislador de su pueblo. Y, en nuestros días, ya no puede haber legisladores; las instituciones legales y las condiciones jurídicas de vida han sido establecidas ya de antiguo, y lo poco que los legisladores y las asambleas legislativas pueden hacer es, si acaso, ampliar algún que otro detalle o promulgar normas complementarias muy poco importantes.”
“Y, sin embargo, tampoco Solón ni Licurgo hicieron otra cosa que reducir a la forma de la conciencia, uno el espíritu jónico y otro el carácter dórico que tenían ante sí y que no era sino algo existente en sí, contrarrestando por medio de leyes reales los desastrosos males de la desintegración. Solón no fue, ni mucho menos, un estadista perfecto, como lo demuestra el curso mismo de su historia: una constitución como la que permitió a Pisístrato erigirse en tirano en vida del propio Solón, lo que quiere decir que era, de suyo, tan poco vigorosa y tan poco orgánica que no tenía fuerzas para oponerse a su propio derrocamiento (¿con qué poderes?), adolecía, evidentemente, de un defecto intrínseco.”
“Nada ilustra mejor la conducta de los llamados tiranos que las relaciones entre Solón y Pisístrato.” “La ley, como norma general, se le antojaba al individuo, y se le sigue antojando hoy, como una violencia, sobre todo cuando no ve la ley o no la comprende; se le antojaba así al pueblo todo, primero, y luego solamente al individuo; y fue, como sigue siendo hoy, necesario empezar haciendo violencia al individuo hasta que llega a comprender, hasta que ve en la ley su propia ley y deja de ver en ella algo extraño e impuesto desde fuera. § La mayoría de los legisladores y organizadores de los Estados asumieron la obra de hacer a los pueblos, por sí mismos, esta violencia, convirtiéndose en tiranos. Y cuando no lo eran ellos mismos, tenían que encargarse de hacerlo otros individuos, realizando esa obra dentro de sus Estados, por tratarse de algo necesario, inevitable. Según las noticias de Diógenes Laercio (I, 48-50), vemos a Solón, a quien sus amigos aconsejaban que se adueñase del poder, ya que el pueblo se agrupaba en torno a él y habría visto de buen grado que se hiciese cargo de la tiranía, rechazar esta misión y evitar, además, que otro la asumiera, cuando Pisístrato empezó a serle sospechoso por ello. En efecto, cuando se dio cuenta de cuáles eran las intenciones de Pisístrato, se presentó en la asamblea del pueblo armado de escudo y lanza, lo que ya por aquel entonces era algo extraordinario (pues Tucídides, I, 6, indica que los griegos y los bárbaros se distinguían, entre otras cosas, en que los griegos, y sobre todo los atenienses, jamás tomaban las armas en tiempo de paz), y anunció al pueblo lo que Pisístrato se proponía.”
“¡Hombres de Atenas! Soy más sabio que algunos y más valiente que otros. Soy más sabio que quienes no se dan cuenta del fraude de Pisístrato y más valiente que quienes, dándose cuenta de él, callan por miedo.
Al no lograr nada, abandonó Atenas.”
É sempre assim mesmo!
“Ni soy el único que entre los griegos se haya apoderado de la tiranía ni, al hacerlo, me he adueñado de algo que no me pertenezca, pues pertenezco al linaje de Codro. No he hecho, pues, más que rescatar para mí lo que los atenienses habían jurado conservar a Codro y a sus descendientes, arrebatándoselo después. Por lo demás, no cometo ninguna injusticia contra los dioses ni contra los hombres, sino que, ateniéndome a las leyes que tú, Solón, has dado a los atenienses, procuro que se mantengan dentro de las normas de una vida civil.” Pisístrato apud D. Laércio
“Lo mismo hace, agrega, su hijo Hipias.”
“Cada ateniense entrega el diezmo de sus ingresos, pero no para mí, sino para contribuir a las costas de los banquetes, rituales públicos, al sostenimiento de la comunidad y para el caso de una guerra. No te guardo rencor por haber descubierto mis designios, pues sé que lo hiciste movido más bien por amor al pueblo que por odio contra mí, y porque no sabías tampoco cómo había de regentar yo el gobierno; pues si lo hubieses sabido, te habrías avenido a ello y no habrías huido…”
“Solón, en la respuesta que Diógenes (I, 66-67) recoge, dice que ‘no abriga ningún resentimiento personal contra Pisístrato, a quien tendría que llamar el mejor de los tiranos; pero que no cree que deba regresar (a Atenas)’.”
“El gobierno de Pisístrato, sin embargo, acostumbró a los atenienses a las leyes de Solón y convirtió estas leyes en costumbres; de tal modo que este hábito, una vez impuesto, hizo superflua la tiranía y los hijos de Pisístrato fueron expulsados de la ciudad, y a partir de entonces la Constitución solónica rigió por su propia virtud, sin la ayuda de la fuerza.”
“Y lo que aparece desdoblado en las figuras de Solón y Pisístrato lo vemos reunido, en Corinto, en la figura de Periandro y en Mitilene en la de Pitaco. § Lo anterior creemos que basta, por lo que se refiere a las vicisitudes externas de la vida de los Siete Sabios. Éstos son también famosos por la sabiduría de las sentencias que de ellos se han conservado, a pesar de que a nosotros nos parezcan, en parte, muy superficiales y trilladas. Ello se debe a que nuestra reflexión se halla ya familiarizada con las tesis generales, del mismo modo que en las sentencias de Salomón hay mucho que se nos antoja hoy superficial y hasta vulgar. Pero no debemos perder de vista lo que significa el haber exteriorizado por vez primera estas tesis generales bajo una forma general.”
“Una de las más famosas sentencias de los Siete Sabios es la que se atribuye a Solón en su plática con Creso, que Herodoto (I, 30-33) relata, según su estilo propio, muy prolijamente y que puede resumirse así: ‘Que nadie puede considerarse feliz antes de su muerte.’” Nem Deus escapa!
“antes de la filosofía kantiana, la ética tenía como base, en efecto, el eudemonismo, la aspiración a la felicidad.” E depois de Kant não? Após ler a Crítica da Razão Prática é realmente o que você pensa??
“El eudemonismo implica la felicidad como un estado para toda la vida y representa una totalidad de disfrute que es algo general y da una norma para los goces sueltos, que no se entrega al placer momentáneo, sino que sabe tener a raya los apetitos y no pierde nunca de vista la pauta general.” Você resumiu o correto entendimento do epicurismo!
“Comparado con la filosofía india, el eudemonismo es, cabalmente, lo contrario a ésta. En ella, el destino del hombre es la liberación del alma de lo corporal, la abstracción perfecta, el alma como algo que vive exclusivamente para sí.” Cabe ainda o questionamento: no Ocidente pós-moderno, o que devemos buscar prioritariamente, sendo na prática impossível qualquer um dos dois de forma autêntica? A fuga ascética ou esse contentamento no sereno fenomênico?
“En el estudio de la filosofía griega, debemos distinguir, concretamente, 3 períodos principales: el primero va de Tales de Mileto a Aristóteles; el segundo comprende la filosofía griega en el mundo romano; el tercero es el de la filosofía neoplatónica.” Na realidade, após Platão já podemos dizer que não há filosofia grega.
SECCIÓN PRIMERA:
PRIMER PERÍODO: DE TALES A ARISTÓTELES
“Dentro de este primer período establecemos, a su vez, 3 subdivisiones” Chega de esqueminhas e divisões tripartites mal-feitas, irmão!
“Platón gastó mucho dinero en procurarse las obras de los filósofos antiguos y, dado el estudio profundo que de ellos hizo, sus citas revisten gran importancia.”
“Y aunque una sutileza que pretende ser erudita habla en contra de Aristóteles y pretende que éste no supo comprender certeramente a Platón, podemos objetar a esto que tal vez nadie le conociera mejor que él, ya que fue, personalmente, discípulo suyo y porque la profundidad de su espíritu concienzudo nos garantiza la fidelidad de su pensamiento.” Um filósofo que subestima Platão NÃO é um filósofo.
“Sexto Empírico, un escéptico de la última época, tiene importancia como fuente, por sus escritos titulados Hypotyposis Pyrrhonicae y Adversus Mathematicos. Y como, en cuanto escéptico, combate en parte las filosofías dogmáticas y en parte cita a otras filosofías como testimonios en favor del escepticismo (por lo que la mayor parte de sus obras está llena de doctrinas de otros filósofos), tenemos en él la fuente más fecunda para la historia de la filosofía antigua, y a través de él han llegado a nosotros muchos valiosos fragmentos.” Isso é bem dúbio. Confiramos!
“El libro de Diógenes Laercio (De vitis etc. Philosophorum, libri X, ed. Meibom, c. notis Menagii, Amsterdam, 1692) es una importante compilación; sin embargo, muchas veces cita a sus testigos sin mucha crítica. A este autor no es posible reconocerle espíritu filosófico; generalmente, se limita a manejar unas cuantas anécdotas malas y puramente externas; se le puede utilizar en lo referente a las vidas de los filósofos y, de vez en cuando, para sus filosofemas.”
“Finalmente, debemos citar a Simplicio, griego de Cilicia que vivió bajo el reinado de Justiniano, a mediados del siglo VI, el más erudito y sutil de los comentadores griegos de Aristóteles, del que existen aún varias obras inéditas y al que debemos algunas cosas meritorias.”
“Según Tucídides (I, 2 y 12), las colonias jonias del Asia Menor y de las islas del archipiélago procedían, en su mayor parte, de Atenas, pues los atenienses viéronse obligados a emigrar a aquellas tierras a causa de la superpoblación del Ática.” Para alguém que leva em conta só o Espírito, demonstra preocupação excessiva com o externo!
“En el Asia Menor y también, en parte, en las islas del archipiélago, surgen las figuras de Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Leucipo, Demócrito, Anaxágoras y Diógenes de Creta. En las tierras helenizadas de Italia aparecen las de Pitágoras, natural de Samos, pero que vivió en Italia, Jenófanes, Parménides, Zenón y Empédocles; y en Italia vivieron también algunos sofistas. Anaxágoras es el primer filósofo que se desplaza a Atenas.”
ESQUEMATISMO ABORRECEDOR: “Habremos de examinar de cerca y por separado los siguientes puntos: 1) los jonios: Tales, Anaximandro, Anaxímenes; 2) Pitágoras y los pitagóricos; 3) los eléatas: Jenófanes, Parménides, etc.; 4) Heráclito; 5) Empédocles, Leucipo y Demócrito; 6) Anaxágoras.”
“De la filosofía jónica antigua sólo ha llegado a nosotros una media docena de pasajes; es éste, por tanto, un estudio fácil.” “cuanto menos se sabe de una cosa mayor erudición se puede desplegar acerca de ella.” Um tanto autocriticobiográfico, não, Hegel?!
OS PEDREIROS E O CIMENTO FRESCO: “La gente suele reírse de cosas por el estilo, y tiene la ventaja de que los filósofos no puedan pagarle en la misma moneda; pero no se dan cuenta de que los filósofos se ríen, a su vez, de quienes no pueden caer en una zanja por la sencilla razón de que están metidos siempre en ella, sin acertar a levantar los ojos para mirar hacia arriba.”
“frente a los demás elementos, el agua presenta la determinabilidad de lo que carece de forma, de lo simple, mientras que la tierra es la continuidad, el aire el elemento de todo cambio y el fuego lo que cambia de suyo absolutamente. Así, pues, si la necesidad de la unidad nos obliga a reconocer un algo general en las cosas particulares, fácilmente se nos ofrece el agua, aunque tenga también el inconveniente de ser una cosa particular, como lo unitario, tanto por su neutralidad como porque tiene, al mismo tiempo, una materialidad más fuerte que el aire.” “La tesis de Tales es, pues, filosofía de la naturaleza, puesto que esta esencia general se determina como algo real y, por tanto, lo absoluto como unidad del pensamiento y del ser.”
“Es necesario que lo que ha de ser un principio verdadero no presente una forma unilateral, particular, sino que la diferencia ha de tener, de suyo, un carácter general, mientras que aquellos principios no son otra cosa que formas especiales. El hecho de que lo absoluto sea algo que se determina a sí mismo es ya algo concreto; esto es la actividad y la alta conciencia de sí mismo del principio espiritual a través de la cual la forma se eleva a un plano que le permite ser la forma absoluta, la totalidad de la forma.”
“Tiedemann (t. I, p. 38) cita, además, otras autoridades, y dice que fueron autores de una época posterior quienes atribuyeron a Tales esta distinción.”
“La diferencia en lo tocante al concepto no tiene ningún significado físico, sino que las diferencias o el simple desdoblamiento de la forma en las 2 partes de su contraposición son precisamente las que deben considerarse como las diferencias generales del concepto. Por eso también no se debe atribuir un significado sensible a las materias, es decir, a las determinabilidades, como cuando se dice, más concretamente, que el agua diluida se convierte en aire, el aire diluido en éter ígneo y el agua condensada en limo, primero, y luego en tierra; y, por consiguiente, que el aire es la evaporación de la primera agua, el éter la evaporación del aire, la tierra y el limo la sedimentación del agua.”
Diógenes Laércio e Plutarco só servem para confundir as gerações futuras. São ilegíveis hoje!
“De Anaximandro [O filósofo da Dinâmica] se cuenta que vivió en la isla de Samos, bajo el tirano Polícrates, a cuya protección se acogieron también Pitágoras y Anacreonte. Temistio (en Brucker, t. I, p. 478) refiere de él que fue el primero que recogió por escrito sus pensamientos filosóficos, pero esto mismo se cuenta de otros pensadores, por ejemplo de Ferécides, que era anterior a Anaximandro.” “se dice que compuso, además, una especie de carta geográfica, representando el perímetro de la tierra y el mar. Se le atribuyen, asimismo, otros inventos matemáticos, por ejemplo el de un reloj de sol construido por él en Lacedemonia, el de algunos instrumentos para medir el curso del sol y determinar el equinoccio y el de una esfera armilar.”
“De lo uno, o sea de lo infinito, elimina Anaximandro los antagonismos que lleva dentro, lo mismo que Empédocles y Anaxágoras: por donde, aunque en esta mezcla todo se halle completo, todo es, al mismo tiempo, indeterminado”
“Ese algo es infinito en cuanto a la magnitud, pero no en cuanto al número; y en esto, Anaximandro se distingue de Anaxágoras, de Empédocles y de los otros atomistas, quienes postulan la discreción absoluta de lo infinito, mientras que Anaximandro estatuye su absoluta continuidad. (Simplicio)”
“Ahora bien, el progreso en cuanto a la determinación del principio como la totalidad infinita estriba en que, aquí, la esencia absoluta no es algo simple, sino una generalidad que equivale a la negación de lo finito. Al mismo tiempo, desde el punto de vista material, Anaximandro supera la concreción del elemento agua: su principio objetivo no presenta ningún carácter material y se lo puede considerar como un pensamiento; por lo demás, se comprende claramente que Anaximandro no pudo tener presente otra cosa que la materia misma, la materia en general. (Estobeo)” “la materia, determinada como algo infinito, consiste en el movimiento que establece las determinabilidades y en que desaparecen, a su vez, los desdoblamientos. En esto debe verse el verdadero ser infinito, y no en la ausencia negativa de límites. Pero esta generalidad y esta negatividad de lo finito es solamente nuestro movimiento”
“Por lo que se refiere al criterio concreto de cómo lo infinito determina, en su desdoblamiento, lo antagónico, Anaximandro parece compartir con Tales la determinación de la diferencia cuantitativa de la condensación y la dilución. Los autores posteriores designan el proceso de eliminación del seno de lo infinito como una generación, y dicen que Anaximandro hace al hombre nacer de un pez, pasar del agua a la tierra (Plutarco). Este criterio de la generación se presenta también recientemente como una simple sucesión en el tiempo; es una forma con la que se cree, frecuentemente, decir cosas brillantes”
“De lo infinito se separaron infinitas esferas celestes y mundos infinitos; pero estos mundos llevan su ruina dentro de sí, ya que sólo existen por medio de una continua eliminación.” Eusebio
“Mientras que los antiguos colocaban a las estrellas en nuestra atmósfera y hacían que el sol brotase más bien de la tierra, nosotros, por el contrario, hacemos del sol la esencia y el lugar de nacimiento de la tierra y ponemos a las estrellas en una relación directa con nosotros, haciéndolas brillar para nosotros mismos, como los dioses de Epicuro. [¿?]”
“Nos queda todavía por hablar de Anaxímenes, que apareció entre la 55ª y la 58ª Ol. (560-548 a.C.), natural también de Mileto y contemporáneo y amigo de Anaximandro.” Seria esse o começo do procedimento acadêmico <me cita que eu te cito>?
O JOGO DE PETECA DOS ANTIGOS: “Donde Anaximandro. colocaba la materia indeterminada, pone Anaxímenes, de nuevo, un elemento natural determinado, es decir, restablece lo absoluto en una forma real, que ahora, en vez del agua de Tales, es el aire.” “el aire tiene, al mismo tiempo, la ventaja de poseer una mayor ausencia de forma: tiene menos de cuerpo que el agua, pues no lo vemos, sino que nos damos cuenta solamente de sus movimientos.” Chegamos mais perto do vácuo e, com isso, do nada.
“Anaxímenes señala muy bien la naturaleza de su esencia a la luz del alma, con lo que, en cierto modo, viene a poner de manifiesto el tránsito de la filosofía de la naturaleza a la filosofía de la conciencia o la aparición de la modalidad objetiva de la esencia primigenia.” “el alma es este medio general, una multitud de representaciones que desaparecen y se manifiestan sin que cesen esta unidad y esta continuidad; es tanto activa como pasiva, hace que las representaciones se dispersen de su unidad y se levanten y se hagan presentes en su infinitud, de tal manera que el significado negativo y positivo coinciden. Esta naturaleza de la esencia primigenia es proclamada más precisamente y no sólo a modo de un símil por Anaxágoras, discípulo de Anaxímenes.”
“Asimismo aparecen citados entre los filósofos jonios un Diógenes de Apolonia,¹ un Hípaso y un Arquelao; pero lo único que de ellos conocemos son sus nombres y su adscripción a tal o cual principio.”
¹ Primeira citação deste que é, dentre os 4 filósofos/historiadores chamadas Diógenes e que se conhecem, do mundo antigo, o mais obscuro de todos. Do quarteto, o cínico é o mais célebre (ele é citado mais abaixo).
“Pero ninguno—dice Aristóteles (Metafísica, I, 8)—señala como principio la tierra, por considerarla como el más complejo de los elementos.”
“Es cierto que la materia misma es inmaterial, como esta reflexión en la conciencia; pero aquéllos no saben que lo que ellos proclaman es una esencia de la conciencia.”
“Esta crítica sigue siendo valedera todavía hoy, cuando lo absoluto se concibe como una sustancia rígida. Aristóteles dice que a base de la materia como tal, a base del agua como algo que no se mueve a sí mismo, no es posible llegar a comprender el cambio como tal; y reprocha, concretamente, a los filósofos antiguos el no haber investigado el principio del movimiento, que es el que inmediatamente hay que indagar. Se echa totalmente de menos, en esta concepción, el fin remoto y, en general, el criterio de la actividad”
“Hesíodo dice que la tierra fue el primer elemento corpóreo, lo que indica cuán antigua y verdaderamente popular es esta concepción.” Arist.
ADENTRA EM CENA O PERSONAGEM MAIS CRÍPTICO E MISTERIOSO: “Los neopitagóricos de tiempos posteriores escribieron muchas y extensas biografías de Pitágoras, extendiéndose con gran prolijidad en lo tocante a la Liga pitagórica; pero hay que proceder con gran prudencia, no dando crédito como históricas a estas noticias, muchas veces desfiguradas. La vida de Pitágoras se presenta ante nosotros, en la historia, a través de las representaciones de los primeros siglos posteriores al nacimiento de Cristo, más o menos en el mismo estilo en que es relatada la vida del propio Jesucristo, sobre el terreno de la realidad vulgar y no en una atmósfera poética, como una mezcla de muchas fábulas maravillosas y llenas de aventuras, como una trama híbrida de representaciones orientales y occidentales.” “Su figura aparece ante nosotros adornada con todas las cualidades de la magia, como una mezcla de dotes naturales y sobrenaturales, como un revoltijo misterioso de turbias y confusas representaciones imaginativas y de sueños absurdos propios de cerebros trastornados.
Y tan tergiversada como la historia de su vida llega a nosotros su filosofía, con la que aparecen mezcladas y revueltas todas las turbias cavilaciones del confusionismo y el alegorismo cristianos. La incorporación de Platón al mundo cristiano presenta, en cambio, un carácter muy nítido y totalmente distinto.”
“Así considerada, la filosofía pitagórica, vista a través de las noticias que de ella recibimos, puede ser reputada, asimismo, como un engendro oscuro e inseguro de cerebros turbios y vacuos. Pero, afortunadamente, [será?] conocemos el lado teórico-especulativo de ella, y lo conocemos a través de las obras de Aristóteles y Sexto Empírico, quienes se ocuparon mucho de esta filosofía. Y aunque los pitagóricos de una época posterior insulten a Aristóteles por la exposición que hace del pitagorismo, no cabe duda de que aquel gran pensador está muy por encima de este griterío”
“Pero, en primer lugar, no ha llegado a nosotros ninguna obra de Pitágoras y, en segundo lugar, es dudoso que llegara realmente a escribir alguna” Às vezes era só uma pegadinha de estudantes, e deram o nome de Pitágoras a um burro que era o mascote oficial da seita!
“Diógenes Laercio (VIII, 1-3, 45) nos dice que floreció alrededor de la 60ª Olimpíada (540 a.C.): su nacimiento se sitúa, generalmente, en la 49ª o 50ª Olimpíada (584 a.C.), aunque Larcher, en Tennemann (t. I, pp. 413-414) lo coloca bastante antes, en la 43ª Olimpíada (43, 1, es decir, en el año 608 a.C.)”
“Este Zalmoxis [pai de Pitágoras, o primeiro troll] se hizo construir, al parecer, una morada subterránea, en la que se sustrajo a las miradas de sus súbditos, reapareciendo al cabo de 4 años, (Porfirio) con lo cual hizo que los getas creyeran en la inmortalidad.”
“Los relatos de otros viajes al interior del Asia, a las tierras de los magos persas y de los indios, parecen tener un carácter completamente fabuloso, aunque los viajes eran considerados en aquel entonces, igual que ahora, como un medio de procurarse cultura. Y como Pitágoras viajaba con propósitos científicos, se cuenta de él que se hizo iniciar en casi todos los misterios de los griegos y los bárbaros y que fue recibido, asimismo, en la orden o la casta de los sacerdotes egipcios.” HAHAHAHAHA – O PAN-POLITEÍSTA
COM O PERDÃO DO TROCADILHO ÀS AVESSAS, MAS O ITALIANO É MUITO CRENTE! “En efecto, los milagros que cuentan de Pitágoras se asemejan mucho, en parte al menos, a los del Nuevo Testamento, con la notoria intención de mejorarlos; y hay que reconocer que, muchos de ellos, se acreditan por su mal gusto.”
“Aseguran que Pitágoras produjo una impresión tan poderosa y general sobre los espíritus de los itálicos, que todas las ciudades, siguiendo sus consejos, se prestaron a corregir sus costumbres licenciosas y corrompidas, y los tiranos depusieron voluntariamente su poder o fueron desalojados de él. Y estos biógrafos incurren en errores e inexactitudes históricos tan burdos como el de convertir a Carondas y Zaleuco en discípulos de Pitágoras, a pesar de haber vivido mucho tiempo antes que éste”
Me deparei com um parágrafo em que Hegel de repente solta, quase literalmente: seguir a última moda do vestuário (“as normas externas do igual e do geral”) é (o) racional, a propósito de uma certa fama dândi de Pitágoras!
“Los miembros de la orden eran sometidos a una educación especial y se establecía entre ellos una división en la que se separaban los exotéricos de los esotéricos: los segundos estaban ya iniciados en los más altos principios de la ciencia y también en las actividades políticas, ya que los planes políticos no eran ajenos a la sociedad pitagórica; los primeros tenían que pasar por un noviciado que duraba 5 años.”
HEGEL ON EDUCATION: “En general, podemos afirmar que este deber de abstenerse de charlatanerías es condición esencial de toda formación espiritual y de todo aprendizaje; es necesario empezar por saber asimilarse los pensamientos de otros, renunciando de momento a tener ideas propias. Suele decirse que la inteligencia se desarrolla por medio de preguntas, objecciones y respuestas, etc.; en realidad, no se desarrolla así, sino que se exterioriza de este modo. [A ‘má-fé’ da postura do estudante atento em Sartre!] La interioridad del hombre se adquiere y desarrolla a través de la formación; por el hecho de que el hombre se atenga silenciosamente a sí mismo, no se empobrecen sus pensamientos ni se amortigua la vivacidad de su espíritu.”
“Por lo demás, no existían, entonces, ciencias de ninguna clase, ni una filosofía, ni una matemática, ni una jurisprudencia, ni ciencia alguna, sino solamente tesis y conocimientos sueltos. Las enseñanzas de la época versaban solamente sobre cómo se debían manejar las armas, sobre tales o cuales filosofemas, sobre la música, sobre el modo de cantar los poemas de Homero o Hesíodo, los cantos en versos de tres pies, etc., o en torno a otras artes; enseñanza organizada de un modo muy distinto. § Por eso, cuando se dice que Pitágoras introdujo la enseñanza de las ciencias en un pueblo científicamente inculto, pero nada romo, sino, por el contrario, extraordinariamente despierto, naturalmente culto y muy comunicativo, como eran los griegos, habría que señalar las circunstancias externas de esta enseñanza”
“Esto obligaba a Pitágoras a recurrir a una forma especial, pues era la primera vez que un maestro, en Grecia, aspiraba a una totalidad, a inculcar a sus discípulos un nuevo principio mediante la educación de la inteligencia, del ánimo y de la voluntad. Por eso, esta convivencia no abarcaba solamente el lado de la enseñanza y del adiestramiento en las capacidades y aptitudes exteriores, sino también el referente a la formación moral del hombre práctico. Ahora bien, todo lo que se refiere a lo moral, mejor dicho siempre y cuando que se conciba conscientemente en este sentido, parece algo formal o se convierte efectivamente en algo formal, pues lo formal es algo general que se enfrenta al individuo. Así le parece, especialmente, a quien compara lo general con lo particular y reflexiona conscientemente acerca de uno y otro; pero esta diferencia desaparece para quien vive dentro de ello, para aquel que hace de ello una costumbre.”
“En primer lugar, se nos dice que vestían todos del mismo modo, túnicas blancas de lino, como Pitágoras. Sus actos se ajustaban a un determinado reglamento o plan de distribución del tiempo, en que cada hora tenía su trabajo marcado: por la mañana temprano, inmediatamente después de levantarse, debían evocar rápidamente lo que habían hecho el día anterior, ya que esto se halla estrechamente entrelazado a las tareas del nuevo día; esta reflexión acerca de sí mismos o este examen de conciencia era también tarea vespertina: al atardecer, los alumnos debían recapacitar acerca de lo hecho durante el día y reflexionar si habían obrado mal o bien.”
“al parecer, los alimentos principales de los pitagóricos eran la miel y el pan y la bebida predilecta y casi única el agua; todo parece indicar que no probaban la carne, abstinencia esta que se pone en relación con la teoría de la transmigración de las almas; y entre los alimentos vegetales establecían también algunas distinciones, absteniéndose, por ejemplo, de comer judías. [vagem] El respeto que sentían por esta planta hacíales objeto de burlas, pero sabemos que, al ser destruida la Liga pitagórica, varios miembros de ella, perseguidos, prefirieron dejarse matar antes que pisotear un plantío de judías. (Porfirio; Jámblico; Diógenes Laercio)”
“Dícese que Pitágoras suscitó las envidias de los poderosos y fue acusado de tener segundas intenciones; no podía admitirse que los miembros de su sociedad no perteneciesen por entero a la ciudad de que formaban parte, sino a otra especie de ciudad creada en el seno de ella.” Poxa, por que não tentou uma PPP (parceria público-privada)?
“en Egipto y en Asia, el aislamiento y la influencia de la casta sacerdotal eran lo natural, pero un país como la libre Grecia se avenía mal con este régimen oriental de castas.”
“Dentro de la vida colectiva del Estado griego no pueden surgir o mantenerse individuos o grupos aparte, que profesen principios especiales y, mucho menos, misterios propios, que se diferencien de los demás por su modo exterior de vivir o por su modo de vestir, pues el Estado helénico es una asociación abierta y común, que se cifra precisamente en la comunidad de los principios y del régimen de vida”
“Pero lo fundamental, para nosotros, es la filosofía pitagórica, no tanto la del propio Pitágoras como la de los pitagóricos, tal como se expresan Aristóteles y Sexto; claro está que hay que distinguir entre ambas cosas, y el cotejo de lo que pasa por ser la doctrina pitagórica revela inmediatamente una serie de diferencias y discrepancias, con las que nos encontraremos en su momento.” Me parece mais difícil determinar um Pitágoras histórico do que um Sócrates histórico… Há casos em que menor número de fontes é salutar, na contra-mão do senso comum; ainda mais quando dentre os poucos indivíduos encarregados de perfilar Sócrates temos Platão e Xenofonte; ainda que tenham distorcido ou caricaturado alguns pontos, estão longe de ser fanáticos. Platão, ao menos, tem uma agenda própria, o que permite certo nível de isenção e distanciamento em relação ao outrora mestre.
“La historia nos habla de muchos continuadores de Pitágoras, como Alcmeón y Filolao, que introdujeron nuevos criterios en la doctrina de su maestro; y en muchas otras exposiciones resaltan los rasgos de lo simple, lo no desenvuelto, comparadas con otras ulteriores y más desarrolladas, en las que el pensamiento se manifiesta ya de un modo más claro y poderoso. No es necesario, sin embargo, que entremos a analizar lo que hay de histórico en estas diferencias, sino que bastará con que examinemos la filosofía pitagórica en su conjunto. Asimismo, debemos prescindir de lo que procede, manifiestamente, de los neoplatónicos y los neopitagóricos; para ello, disponemos de fuentes anteriores a este período, sobre todo las detalladas exposiciones con que nos encontramos en Aristóteles y en Sexto.” O método é o mesmo de Littré em relação a Hipócrates.
“A primera vista, tiene que parecernos, por fuerza, sorprendente la audacia de semejante afirmación, por la que se echa por tierra de golpe todo lo que viene considerándose como verdadero y esencial, anulándose de pronto la esencia sensible, para convertirla, sencillamente, en la esencia del pensamiento. La esencia es expresada, aquí, como algo ajeno a los sentidos, y se proclama como sustancia y ser verdadero algo completamente heterogéneo con respecto a lo sensible, a lo que suele considerarse como esencial. Pero por esta vía, precisamente, se establece la necesidad tanto de convertir en concepto el número mismo como de representar el movimiento de su unidad con el ente, ya que el número no se nos presenta como algo que forma una unidad inmediata con el concepto.”
“Este sistema de enseñanza por medio de los números, por tratarse de la primera filosofía, acabó desapareciendo por los misterios que encierra; más tarde, Platón, Espeusipo, Aristóteles y otros arrebataron sus frutos a los pitagóricos por medio de aplicaciones más fáciles.” Moderato
“Los números aritméticos corresponden a determinaciones del pensamiento, ya que el número tiene por elemento y principio la unidad, y ésta es una categoría del ser para sí, de lo que es, por tanto, idéntico consigo mismo y que, por ello, excluye de su seno a todo lo demás y es indiferente ante ello.”
“el concepto en su más alta exterioridad, en la modalidad de lo cuantitativo, de la diferencia indiferente; la unidad abriga, en ese sentido, tanto el principio del pensamiento como el de la materialidad o la determinación de lo sensible.” “en el número 3, por ejemplo, hay siempre tres unidades, cada una de las cuales es independiente con respecto a las otras dos; y en esto reside lo defectuoso y lo misterioso.”
“Ahora bien, ¿cómo dieron en la ocurrencia de considerar los números como la esencia primigenia o como los conceptos absolutos? Nos lo indica con cierta precisión lo que Aristóteles dice acerca de esto en su Metafísica (I, 5), si bien se expresa aquí de un modo resumido, remitiéndose a lo que acerca de esto dice en otro lugar (Metaf. I, 9; v. infra, p. 196): ‘Creían ver en los números una semejanza mayor con lo que es y lo que acaece que en el fuego, el agua y la tierra, ya que la justicia constituye una cierta cualidad de los números, y lo mismo el alma, el entendimiento, otra la oportunidad, y así sucesivamente. Y como, además, veían en los números las cualidades y las proporciones de las cosas, lo armónico, y los consideraban como lo primordial en todas las cosas de la naturaleza, acabaron considerándolos como los elementos de todo y al cielo, en su conjunto, como armonía y número.’”
“Según Heráclito, todo lo sensible fluye, razón por la cual no puede haber una ciencia de lo sensible; de esta convicción nació la teoría de las ideas. Sócrates fue el primero que determinó lo general por medio de inducciones; antes, los pitagóricos tocaron solamente unas cuantas cosas, reduciendo sus conceptos a números: por ejemplo, el concepto de la oportunidad,¹ el del derecho, el del matrimonio, etc.” Metafísica XIII
¹ Em números? Jogo do bicho? Hahaha…
“La primera determinación es la unidad en general, la segunda la dualidad o la contraposición. Es extraordinariamente importante reducir la infinita variedad de las formas y determinaciones de lo finito a sus pensamientos generales como a los principios más simples de toda determinación; no se trata, aquí, de diferencias de las cosas entre sí, sino de diferencias esenciales y generales de suyo. Los objetos empíricos se distinguen por su forma externa: este trozo de papel se distingue por ella de otro trozo de papel, los colores por sus matices, los hombres por sus diferencias de temperamento, de individualidad. Pero estas determinaciones no representan diferencias esenciales; podrán ser esenciales en cuanto a determinadas particularidades de estas cosas, pero estas particularidades absolutamente determinadas no representan una existencia esencial en y para sí; solamente lo general es lo sustancial, lo que se mantiene a sí mismo.”
“Las determinaciones generales se descubren y establecen solamente a base de un procedimiento totalmente dogmático; son, por ello, determinaciones secas, desligadas de todo proceso, no dialécticas, sino inertes.”
“Todos los números entran de suyo en el concepto de la unidad, pues la dualidad es una dualidad, la trinidad una trinidad y el número 10 un grupo de números. Esto movió a Pitágoras a ver en la unidad el principio de todas las cosas, viendo en cada una de ellas, por participar de este concepto, una unidad.” Sexto E.
“Esta curiosa relación de la unidad totalmente abstracta con la existencia concreta de las cosas es lo que los pitagóricos expresan con el término de imitación.”
“Fueron ellos quienes determinaron y precisaron, aunque de un modo inadecuado, los conceptos abstractos y simples, ofreciendo en su tabla de las categorías una mezcla de contraposiciones de la representación y del concepto, sin ninguna deducción ulterior.”
“Lo especulativo se manifiesta, aquí, como especulativo; quien no conozca lo especulativo jamás podrá comprender que mediante la expresión de conceptos tan simples se proclame la esencia absoluta. Lo uno, lo múltiple, lo igual, lo desigual, el más, el menos, son momentos triviales, vacíos, secos; a quien se halle habituado a verlo todo a través de representaciones, a quien no sepa remontarse de la esencia sensible al pensamiento, no le parecerá que en sus relaciones se hallen comprendidas la esencia absoluta, la riqueza y la organización tanto del mundo de la naturaleza como del mundo del espíritu”
“Este concepto simple y esencial de la realidad es la exaltación al plano del pensamiento, pero no como una evasión de lo real, sino expresando lo real mismo en su esencia.” Ó, grandes pitagóricos! Deixaram os hindus comendo poeira!… E no entanto muitos ascetas vivem de menos do que isso…
“De 2 decimos que son ambos, pero no todos; para que podamos decir todos, tiene que haber 3.” Arist.
“…Si así lo haces,
Te guiará por la senda de la virtud divina. Lo juro
Por Aquel que ha infundido a nuestro espíritu el tetraktis
En cuyo seno se hallan las fuentes y las raíces de la eterna naturaleza.”
Poema de um neófito Empédocles, antes de abandonar o pitagorismo
“El número divino sigue desarrollándose,
Hasta que de la santidad no consagrada del Uno
Llega al divino Cuatro, que engendra a la madre de Todo,
A la que concibe el Todo, la antigua frontera del Todo,
Infatigable e inagotable; a ésta se la llama el sagrado Diez.” Proclo
“Es cierto que existen también diferencias cualitativas, por ejemplo entre los tonos del metal y las cuerdas de tripa, entre las voces humanas y los instrumentos de viento; pero la verdadera relación musical entre los diversos tonos de un mismo instrumento, sobre lo que descansa la armonía, es, indudablemente, una relación numérica.
Partiendo de aquí, los pitagóricos entran en ulteriores desarrollos de la teoría musical, en los que no hemos de seguirlos. La ley apriorística del desarrollo y la necesidad del movimiento en las relaciones numéricas es algo que permanece completamente en la sombra y en lo que sólo pueden andar a tientas los cerebros turbios: por todas partes se vislumbran los conceptos y las consonancias superficiales entre ellos, pero para esfumarse de nuevo.”
“ya en tiempo de Cicerón se habían convertido en algo proverbial por su oscuridad, y es muy poco lo que en ellos podamos considerar como verdaderamente antiguo.”
“Así como consideraban el número 10 como el número perfecto, como la suma y compendio de toda la naturaleza de los números, decían que eran también 10 las esferas que se movían en el cielo, y no siendo visibles más que 9, inventaban, para que fueran 10, la llamada antitierra.” Metafísica
“Estas 10 esferas de que habla Aristóteles son: la Vía Láctea o las estrellas fijas, los 7 astros conocidos entonces, todos ellos, como planetas: Saturno, Júpiter, Marte, Venus, Mercurio, el sol y la luna y, por último, en noveno lugar, la tierra; la 10ª era, pues, la ‘antitierra’”
“Los pitagóricos colocaban en el centro el fuego y veían en la tierra una estrella que se movía circularmente en torno a aquel fuego central” De coelo, II
“un gran coral armónico del universo.” Bolas do meu pau de ábaco sonoro…
“Se apunta aquí la idea de un sistema del universo; para nosotros, sólo el sistema solar es racional, mientras que a las demás estrellas no se les puede reconocer dignidad alguna.”
“habituados a sus sones como el herrero a su martilleo”
“conocemos, a través de Keplero, las leyes, la excentricidad y cómo se relacionan entre sí las distancias y los tiempos de la rotación; pero todavía las matemáticas no han sido capaces de determinar la ley de desarrollo con arreglo a la cual se determinan estos intervalos.” “la astronomía no ha podido descubrir todavía en ello una serie consecuente, racional; lejos de ello, mira con desprecio a la exposición regular de esa serie, que es por sí misma un punto extraordinariamente importante, que no debe ser abandonado.”
CAPACHO DOS GUILHERMES: “Hoy se pretende, por el contrario, mantener la educación libre del espíritu de la época; pero el hombre no puede sustraerse a este supremo poder del Estado, sino que se halla, por mucho que trate de aislarse, sometido inconscientemente a esto general.”
“un formalismo parecido, en cierto modo, a los esquemas de la electricidad, el magnetismo, el galvanismo, la condensación y la expansión, lo masculino y lo femenino, en que algunos quieren basarlo, hoy, todo: una determinabilidad puramente vacua, cuando de lo que se trata o debe tratarse es de lo real.” Por supuesto: del Estado!
ELEATAS: “Encontramos aquí el punto de arranque de la dialéctica, o sea de lo que constituye precisamente el movimiento puro del pensamiento en conceptos: y, con ello, el comienzo de la contraposición del pensamiento frente al fenómeno o al ser sensible, de lo que es en sí frente al ser para otro de este en sí: y en la esencia objetiva, la contradicción que en sí mismo entraña y que es la verdadera dialéctica.”
“La determinación del ser es, para nosotros, algo conocido y trivial”
“Inmóvil es lo que no es, pues en ello no se da otra cosa alguna, ni se convierte tampoco en ninguna otra cosa; sólo lo vario es móvil, pues para ello hace falta que lo uno se mueva hacia lo otro.”
“Jamás nació ni nacerá varón alguno
que conozca de vista cierta lo que yo digo
sobre los dioses y sobre las cosas todas;
porque, aunque acierte a declarar las cosas
de la más perfecta manera,
él, en verdad, nada sabe de vista.
Todas las cosas ya por el contrario
Con Opinión están prendidas.”
Citação de Sexto, provavelmente corruptela de Parmênides.
“Uno de los datos más importantes que de su vida conocemos es el viaje que hizo con Zenón a Atenas, donde Platón los presenta, en uno de sus diálogos, conversando con Sócrates.” E tomas tal poema como a verdade absoluta? Pois acertaste em cheio: nada mais sensato!
“Conviene advertir que Platón, cuando habla concretamente de la escuela de los eléatas, no se refiere nunca a Jenófanes, sino solamente a Meliso y Parménides. Por lo demás, al asignar a Parménides el papel principal del diálogo que lleva por título su nombre, poniendo en boca de este pensador eleático la más sublime dialéctica, Platón obra movido por consideraciones que no son de este lugar.” Que lugar?
“El primer fragmento largo que encontramos en Sexto (Adv. Math. VII, 111) es una introducción alegórica a su poesía sobre la naturaleza. Esta introducción tiene un tono mayestático, nos revela la manera literaria de aquel tiempo y denota, en su conjunto, un alma enérgica y violenta, que lucha con la esencia, en un formidable esfuerzo por captarla y proclamarla.”
“la verdadera filosofía comienza, en rigor, con Parménides.” Pouco cito Parmênides aqui, em que pese ser O MAIS IMPORTANTE DOS PRÉ-SOCRÁTICOS, por já ter publicado no blog posts dedicados ao autor.
Zenão era supervalorado pela filosofia e historiografia da época de Hegel.
“Las circunstancias de la conducta final del filósofo, que fueron las de una violenta y colérica reacción de los sentidos, aparecen relatadas de diversos modos. Se dice que, haciendo ademán de querer decir algo al oído al tirano, le mordió en la oreja, sin soltarlo, hasta que los demás le dieron muerte.” “Otros relatos dan la versión de que, al ser sometido a los más espantosos martirios después de aquella respuesta, se amputó la lengua de una dentellada y se la escupió a la cara al tirano, como para decirle que no conseguiría arrancarle una sola palabra, después de lo cual se dice que su cuerpo fue aplastado en un mortero.”
“[he] escrito esto más bien contra quienes tratan de ridiculizar la tesis de Parménides, poniendo de manifiesto qué ridículos y contradicciones se desprenden contra ellos mismos de su afirmación; combato, por tanto, a aquellos que predican el ser de lo múltiple, para demostrar que, partiendo de aquí, se llega a consecuencias mucho más disparatadas que arrancando de la proposición de Parménides.”
AO MENOS H. SOUBE PENSAR O <PARADOXO>: “Cuando Aristóteles dice que Zenón negaba el movimiento porque éste encerraba una contradicción interna, no debe interpretarse esto en el sentido de que el movimiento no sea en absoluto.” “el movimiento tiene certeza sensible, tan cierto como que hay elefantes: en este sentido, no podía ocurrírsele a Zenón negar el movimiento.” “Desde este punto de vista deben interpretarse las proposiciones de Zenón, y no como objeciones contra la realidad del movimiento, aunque a primera vista parezcan eso, sino como una manera necesaria de determinar el movimiento y cómo se debe proceder para ello.”
“Es sabido con qué sencillez refutaba estas pruebas de la contradicción del movimiento Diógenes de Sinope, el cínico: se levantaba sin decir una palabra y se ponía a pasearse silenciosamente de arriba abajo, refutando así semejantes argumentaciones con hechos.”
“Vemos aquí ante nosotros lo infinito malo o la manifestación pura, cuya esencia simple pone de relieve la filosofía como concepto general, manifestarse en primer lugar desarrollado en su contradicción, y a su historia adquirir la conciencia de esta contradicción; el movimiento, esta misma manifestación pura, aparece como algo pensado, puesto con arreglo a su esencia, a saber: en lo que lo diferencia de la pura identidad consigo mismo y de la pura negatividad, del punto frente a la continuidad. Para nosotros, no envuelve contradicción alguna en la representación el que el aquí del espacio o el ahora del tiempo se establezcan como una continuidad y una longitud; pero su concepto es algo contradictorio consigo mismo.”
“o ponto é o puro ser para si (pura aparência)”
“Al decir ‘hasta el infinito’, nos representamos un más allá, fuera de nuestra representación, al que no es posible llegar. Trátase, indudablemente, de un trascender sin fin, infinito, pero presente en el concepto: un trascender de una determinabilidad contrapuesta a otra, de la continuidad a la negatividad, de la negatividad a la continuidad, pero ambas se hallan ante nosotros.”
“Bayle (tomo IV, art. Zénon, nota E), dice, refiriéndose a la respuesta [refutação] de Aristóteles que es pitoyable.”
“En eso consiste precisamente lo infinito: en que ninguno de sus momentos tiene realidad.”
“Lo representado como tal o en cuanto imagen de la representación no es una cosa; no tiene ser alguno, ni es tampoco la nada.” “La división del espacio como ser dividido no es absoluta puntualidad, ni la continuidad pura lo indiviso e indivisible; del mismo modo, el tiempo no es la negatividad o puntualidad pura, sino que es también continuidad.”
“el movimiento mismo no es otra cosa que esta unidad real en la contraposición y el desdoblamiento de ambos momentos en esta unidad.”
“Se concede como indiscutible que no hay más remedio que llegar a la mitad; pero, con ello, se ha concedido todo lo que se postula, es decir, el no llegar, pues una vez dicho aquello, es como si se dijera infinidad de veces.” “en la hipótesis de la mitad va ya implícita la interrupción de la continuidad.” “La continuidad se atomiza en lo contrario de ella, en la cantidad indeterminada”
“el moverse quiere decir encontrarse en este lugar y no encontrarse en él, es decir, encontrarse en los 2 lugares al mismo tiempo; es la continuidad del espacio y del tiempo, sin la cual el movimiento no sería posible.”
“tanto da que, dentro del espacio absoluto, el ojo se mueva o se esté quieto.”
“las antinomias de Kant no son otra cosa que lo ya expresado aquí por Zenón.”
“el contenido de la conciencia sólo es un fenómeno, nada verdadero”
“¿Acaso no valéis vosotros más que los gorriones?”
“Abandonamos aquí la escuela eleática, que se continúa en Leucipo y, de otra parte, con los sofistas, quienes hacen extensivos a toda la realidad los conceptos de los eléatas y señalan la actitud que la conciencia adopta ante ella, mientras que aquél, como continuador tardío del concepto en su abstracción, adopta una actitud física frente a la conciencia.”
“Dejando a un lado a los jonios, quienes aún no concebían lo absoluto como pensamiento, y a los pitagóricos, nos encontramos con el ser puro de los eléatas y con la dialéctica, que destruye y supera todas las relaciones finitas: para los eléatas, el pensamiento es el proceso de tales fenómenos, el mundo en sí mismo lo que se manifiesta y sólo el ser puro lo verdadero. La dialéctica de Zenón capta, pues, las determinaciones que van implícitas en el mismo contenido; pero puede ser llamada también dialéctica subjetiva en cuanto que corre a cargo del sujeto pensante y en cuanto que lo uno, sin este movimiento de la dialéctica, no es más que intensidad abstracta.”
O OCIDENTAL OBSCURO COM RETINTOS ORIENTAIS: “Heráclito, por su parte, concibe lo absoluto mismo como este proceso de la dialéctica.”
“El progreso necesario realizado por Heráclito consiste en haber pasado del ser como primer pensamiento inmediato a la determinación del devenir, como el segundo”
“Divisamos, por fin, tierra; no hay, en Heráclito, una sola proposición que nosotros no hayamos procurado recoger en nuestra Lógica.”
“con él comienza la separación y el retraimiento del filósofo de los negocios públicos y los intereses de la patria, para entregarse por entero, en una vida de soledad, a la filosofía.”
“Bien merecido les estaría a los efesios en la edad adulta ahorcarse y abandonar a los niños la ciudad, a ellos que han expulsado a Hermodoro, el varón más eficaz de los suyos, diciendo: ‘no haya entre nosotros ninguno más eficaz; si lo hay, que sea en otra parte y entre otros’” Heráclito apud Cicerón, Diógenes Laercio
“Sus conciudadanos lo invitaron a participar en los negocios públicos de la ciudad, pero él se negó a hacerlo, por no aprobar su constitución, sus leyes ni su gobierno.” Diógenes
“La única obra compuesta por este filósofo y que, según nos informa Diógenes (IX, 12 y 6), llevaba por título, según unos, Las musas y, según otros, Sobre la naturaleza, fue depositada por él en el templo de la Diana de Éfeso. Parece que esta obra existía aún en tiempos posteriores; los fragmentos que han llegado a nosotros aparecen reunidos en la Poësis philosophica de Stephanus (pp. 129 ss.).” “Creuzer nos había hecho concebir la esperanza de estudiar a este filósofo con mayor sentido crítico y un conocimiento más a fondo de su lenguaje, a base de una colección de textos más completa, tomada principalmente de los gramáticos; pero, habiendo encomendado este trabajo, por falta de tiempo, a un erudito joven, que fue sorprendido por la muerte, el estudio proyectado no ha llegado al público. Semejantes colecciones suelen ser demasiado prolijas; contienen una gran masa de erudición, y es más fácil, por lo general, escribirlas que leerlas.”
“Pero esto de escribir oscuro deliberadamente no sería más que una necedad; es, sin embargo, simplemente la necedad del propio Cicerón, que trata de imputarla al filósofo de Éfeso.”
“No hay manera de saber cuándo una palabra pertenece a la oración anterior o a la posterior.” Aristóteles, Ret. III, 5.
“Sin embargo, lo que hay de oscuro en esta filosofía se debe, principalmente, a que se expresa en ella un pensamiento profundo, especulativo; el concepto, la idea, se escapan al entendimiento, no pueden ser captadas por él; en cambio, la matemática la comprende con gran facilidad.”
“En Heráclito vemos ahora la consumación de la conciencia anterior, el perfeccionamiento de la idea hasta la totalidad, que es el comienzo de la filosofía, en cuanto que este comienzo proclama la esencia de la idea, el concepto de lo infinito, del ser en y para sí, como lo que es, a saber: como la unidad de lo contrapuesto. De Heráclito data la idea permanente, que es la misma en todos los filósofos hasta nuestros días”
“Gran pensamiento este de pasar del ser al devenir, aun cuando, por ser la primera unidad de determinaciones opuestas, sea todavía un pensamiento abstracto. Aquí, estas determinaciones aparecen como algo inquieto y llevan consigo, por tanto, el principio de la vida, con lo cual queda superada la falta de movimiento que Aristóteles ponía de relieve en las filosofías anteriores, y el movimiento mismo se eleva a principio. Por tanto, esta filosofía no se proyecta sobre el pasado, su principio es esencial y por eso figura en nuestra Lógica al comienzo, inmediatamente después del ser y de la nada.”
“El entendimiento aísla tanto al ser como al no ser como verdaderos y válidos; la razón, por el contrario, conoce al uno en el otro, ve al otro contenido en el uno. Si no tomamos la representación del ente lleno, vemos que el ser puro es el pensamiento simple, en el que se niega todo lo determinado, lo absolutamente negativo; la nada, en cambio, es lo mismo, precisamente este algo igual a sí mismo.”
“O entendimento isola tanto o ser como o não-ser como (conteúdos) verdadeiros e válidos; a razão, ao contrário, conhece o um no outro, vê o outro contido no um. Se não tomamos a representação do ente cheio (pleno), vemos que o ser puro é o pensamento simples, no qual se nega todo o determinado, o absolutamente negativo; o nada, em compensação, é o mesmo, precisamente este algo igual a si mesmo.”
“Estamos ante el tránsito absoluto a lo opuesto, al que Zenón no llegó, puesto que se detuvo en la tesis de que ‘de la nada no se genera nada’; en cambio, en Heráclito el momento de la negatividad es inmanente, y en torno a ello gira el concepto de toda la filosofía.”
“Estamos diante do trânsito absoluto ao oposto, ao que Zenão não chegou, posto que se deteve na tese de que ‘do nada não se gera nada’; em Heráclito o momento da negatividade é imanente, e em torno dele gira o conceito de toda a filosofia.”
“O contrário reside no mesmo, e assim, p.ex., o mel é doce e amargo.”
“o infinito morto é uma abstração ruim, comparada com esta profundidade com que nos encontramos em Heráclito.”
EU VEJO POR TRÁS DE TUA ASTÚCIA DE MAIA, H.! “La subjetividad, por ejemplo, es lo otro con respecto a la objetividad y no con respecto a un pedazo de papel, supongamos, lo cual sería absurdo”
“claro está que esto resulta siempre difícil y oscuro para el entendimiento, que tiende a considerar por sí mismo y separadamente el ser y el no ser, lo subjetivo y lo objetivo, lo real y lo ideal.” Premissa ensaboada.
“además de esta forma general en que expresa su principio, sabe dar a su idea una forma más real, más natural; de aquí que, a veces, se le incluya todavía entre los pensadores de la escuela jónica de filósofos de la naturaleza.”
“o tempo é o não-ser imediatamente no ser e o ser imediatamente no não-ser” “No tempo não é o passado nem o futuro, senão que o agora: e isto é precisamente para não ser como algo já passado; e este não ser permuta também em ser, enquanto futuro.”
FIERCE FIRE: “El fuego es el tiempo físico, la movilidad absoluta, la disolución absoluta de lo existente: la destrucción de lo otro, pero también de sí mismo; y así, podemos comprender por qué Heráclito, partiendo de su determinación fundamental, afirma con toda consecuencia el fuego como el concepto del proceso.” “he aquí por qué Heráclito emplea también, para designar este proceso, la palabra precisa de evaporación, aunque la expresión más exacta sería la de tránsito.”
“Así, pues, en la hostilidad entre los hombres se impone uno como independiente frente a los demás, o es para sí, se realiza en general; en cambio, la armonía y la paz es el hundirse del ser para sí en la indiferenciabilidad o en la no-realidad. Todo es trinidad y, al mismo tiempo, sin embargo, unidad esencial” Na hora de tirar um 10, Hegel viaja.
“Tenemos, pues, ante nosotros, en general, una metamorfosis del fuego. Pero estas expresiones orientales, figuradas, no deben tomarse, tal como Heráclito las emplea, en un sentido directo, toscamente sensorial, como si estos cambios se manifestasen a la percepción externa, sino que forman la naturaleza de estos elementos, con arreglo a la cual la tierra crea eternamente su sol y sus cometas.”
“Este mundo, el mismo para todos, no lo hizo ninguno de los dioses ni de los hombres, sino que ha sido eternamente y es y será un fuego eternamente viviente, que se enciende según medidas y se apaga según medidas.” apud Clemente de Alexandria, Stromata
La extinción del alma, del fuego en el agua, la combustión que se convierte en producto aparece falsamente explicada por algunos, por ejemplo por Diógenes Laercio, Eusebio y Tennemann como una combustión del universo. Pero nos parece que es más bien una figura de la fantasía lo que Heráclito dice, según se nos cuenta, de un incendio del universo, de que el mundo habrá de convertirse en fuego al cabo de cierto tiempo (…) A la luz de los pasajes más concretos, (Estobeo) podemos afirmar que Heráclito no se refiere, en realidad, a este incendio del universo, sino más bien a esta continua combustión como el proceso del devenir de la amistad, la vida general y el proceso general del universo.”
“Nos detendremos un momento en este punto, ya que con esto se expresa, de un modo general, todo concepto de la consideración especulativa de la naturaleza.” “Es falso ver en lo especulativo algo que sólo existe en el pensamiento o en el interior de nosotros, no se sabe dónde.”
SOBRE O EMPIRISMO FÍSICO-QUÍMICO: “Como ocurre siempre que se expresan los resultados de la percepción y la experiencia, cuando el hombre los proclama, hay en ellos un concepto; concepto que no es posible descartar, sino que se mantiene siempre en la conciencia, con un tinte de generalidad y de verdad. La esencia no es, precisamente, otra cosa que el concepto; pero este concepto sólo se revela como concepto absoluto a la razón formada, y no cuando, como aquí sucede, permanece prisionero dentro de una determinabilidad.” A seguir, polêmicas de experimentos de época, ininteligíveis para nós hoje: “los higrómetros, botellas llenas de aire que se hacen descender de las regiones altas por medio de un globo, no lo revelan [ao hidrogênio] como existente. Y, del mismo modo, el agua cristalizada no se les manifiesta como agua, sino ya convertida, transformada en tierra”
“Es cierto que Heráclito dice que todo fluye, que nada persiste, que sólo lo uno permanece; pero esto no es sino el concepto de la unidad que solamente existe en la contraposición, no de la que se refleja en sí misma. Este uno, en su unidad con el movimiento de los individuos, es el género o el concepto simple en su infinitud como pensamiento; como tal, habrá de determinarse aún la idea, tal como volveremos a encontrarla en el nous de Anaxágoras. Lo general es la unidad simple inmediata en la contraposición, que retorna a sí misma como proceso de lo diferenciado; pero también esto se encuentra en Heráclito: esta unidad en la contraposición es lo que él llama destino o necesidad. Y el concepto de la necesidad consiste precisamente en esto: en que la determinabilidad constituye la esencia de lo que es como algo individual, pero refiriéndose cabalmente, a través de ello, a lo opuesto: la absoluta ‘relación que pasa a través del ser del todo’.”
“Sólo nos resta, ahora, examinar qué relación guarda, según Heráclito, esta esencia con la conciencia. La filosofía heracliteana presenta, en su conjunto, la modalidad de una filosofía natural, en cuanto que el principio, aunque lógico, es concebido como el proceso general de la naturaleza.”
“Es un modo hermoso, espontáneo, infantil, de expresar la verdad en términos verdaderos. Se presenta aquí por vez primera lo general y la unidad de la esencia de la conciencia y del objeto, y la necesidad de la objetividad.” “El verdadero ser no es este ser inmediato, sino la mediación absoluta, el ser concebido, el pensamiento.” Aqui se diluem as fronteiras do que é Heráclito e do que é superinterpretação à la Hegel.
“Sexto aduce en los siguientes términos la determinación de este criterio: ‘Todo lo que nos rodea es, de suyo (a juicio de Heráclito), lógico y racional’, pero no por ello dotado de conciencia. ‘Cuando nos asimilamos por la inspiración esa esencia general, nos convertimos en seres racionales; pero sólo despiertos lo somos, pues cuando estamos dormidos eso queda sepultado en el olvido’.”
O EGRESSO DA CAVERNA DE PLATÃO: “En el hombre despierto, en cambio, el entendimiento, mirando hacia más allá por los caminos del sentimiento como por ventanas y entrelazado con lo que lo rodea, se halla sostenido por una fuerza lógica.”
“muchos viven como si tuviesen su propio entendimiento; sin embargo, el entendimiento no es otra cosa que la interpretación (la conciencia), el modo de la ordenación del todo.” “El hombre suele inclinarse a creer que, cuando piensa algo, debe ser algo especial, propio; pero esto es un error.”
“Podemos decir de Heráclito algo parecido a lo que se cuenta que dijo Sócrates [acerca do próprio Her.]: lo que de él se ha conservado es magnífico; en cuanto a lo que no ha llegado a nosotros, hay que suponer que nos parecería igualmente magnífico, si lo conociéramos.”
“A la par con Empédocles, estudiaremos las figuras de Leucipo y Demócrito, en las que se revela la idealidad de lo sensible y, al mismo tiempo, la determinabilidad general o la transición a lo general.”
“Leucipo es anterior a Demócrito, y éste no hace sino continuar y perfeccionar la obra iniciada por aquél, pero sin que sea fácil discernir históricamente su parte original dentro de ella. Las fuentes nos dicen, ciertamente, que se limitó a desarrollar los pensamientos de Leucipo, y algo se ha conservado de su obra, pero sin que nos sea posible hacer ninguna cita literal o precisa de pasajes suyos.”
“Diógenes (IX, 35s.) dice que Demócrito gastó su crecida fortuna en sus viajes a Egipto y a los países del interior del Oriente; pero esto es bastante inverosímil. Su patrimonio aparece tasado en unos 100 talentos, y si suponemos que un talento ático valía de 1,000 a 1,200 táleros, es evidente que, con aquella fortuna, habría podido pasarse la vida viajando.”
“Lo lleno tiene como principio el átomo: lo absoluto, lo que es en y para sí es, pues, el átomo y lo vacío; es ésta una determinación de gran importancia, sin duda, pero insuficiente. No es en los átomos, por ejemplo en los que nos representamos flotantes en el aire, donde reside, exclusivamente, el principio, sino que es igualmente necesaria la nada que entre ellos existe; tal es, pues, la primera manifestación del sistema atomístico.”
“es Leucipo quien introduce la determinación del ser para sí [aparência].”
“Así concebido, el principio atomístico no ha sido superado, ni puede serlo, sino que permanece para siempre; el ser para sí tiene que presentarse necesariamente en toda filosofía lógica como un momento esencial, aunque no como momento último.” Para quem ainda tinha dúvidas, essa é uma História da Filosofia Hegeliana (todos os autores que me influenciaram) e não uma história da filosofia…
“Por consiguiente, si el desarrollo de la filosofía en la historia ha de corresponder al desarrollo de la lógica, necesariamente tendrá que haber en ésta pasajes que en el desarrollo histórico desaparezcan. Si, por ejemplo, quisiéramos erigir la existencia en principio, esa existencia sería lo que nosotros tenemos en la conciencia: existen cosas, estas cosas son finitas y se hallan relacionadas entre sí; pero esto no pasa de ser una categoría de nuestra conciencia sin pensamiento, de la apariencia.”
“Como negación de la alteridad, que es, a su vez, negación contra mí, el ser para sí es negación de la negación y, por tanto, afirmación; y ésta es, según la llamo yo, la negatividad absoluta, en la que se contiene, sin duda, cierta mediación, pero una mediación que está ya también levantada.”
“Como negação da alteridade, que é, por sua vez, negação contra mim, o ser-para-si é negação da negação e, portanto, afirmação; e esta é, segundo eu a batizo, a negatividade absoluta, a qual contém, sem dúvida, certa mediação, mas uma mediação que está já, também, suspensa.”
“O princípio do um é um princípio totalmente ideal, pertence por inteiro ao mundo do pensamento, e assim seria ainda que quisera afirmar-se que os átomos existem. O átomo pode ser concebido num sentido material, mas é, apesar disso, algo não-sensível, puramente intelectual. (…) Mas os átomos de Leucipo não são as molécules, as partículas de que nos fala a física.” “O um não pode ser visto nem apreciado mediante retortas nem aparatos de medição, já que se trata de uma abstração do pensamento; o que se mostra é sempre matéria condensada. E, ainda assim, é um esforço vão o daqueles que, hoje, com a ajuda do microscópio, tratam de escrutar o interior do orgânico, a alma, e de descobri-lo por meio da vista e do tato. O princípio do um é, pois, um princípio totalmente ideal, mas não no sentido de que só exista no pensamento, na cabeça, e sim no sentido de que o pensamento é a verdadeira essência das coisas. Assim o entendia também Leucipo; destarte sua filosofia não tem absolutamente nada de empírica.”
“Dentro da esfera do Estado, pode manifestar-se o ponto de vista de que a vontade individual, enquanto átomo, é o absoluto; tais são, no fundo, as novas teorias sobre o Estado, que se fazem valer também na prática.” Trecho inócuo seguido de uma crítica ao Contrato Social.
“Portanto, os átomos, inclusive quando aparecem unidos no que chamamos coisas, acham-se separados entre si pelo vazio, que é, para eles, algo puramente negativo e estranho; quer dizer, sua relação não se dá neles mesmo, mas é algo distinto do que eles são. Este vazio, o negativo diante do afirmativo, é também o princípio do movimento dos átomos; estes vêem-se solicitados, digamos assim, pelo vazio, a preencherem-no e negarem-no.”
“elementos puramente independentes aparecem unidos a outros igualmente independentes, sem perder sua independência, o que quer dizer que se trata de uma união simplesmente mecânica.”
“E, no entanto, não nos é lícito acrescentar a isto tudo o que a imaginação dos tempos modernos acrescenta às vezes, a saber: que o universo foi, em tempos remotos, algo assim como um caos, um vazio cheio de átomos, que logo se uniram e ordenaram para dar nascimento a este mundo em que vivemos; hoje e sempre, o ser-em-si (a essência) é e segue sendo o vazio e o cheio.”
Aristóteles (e, quase, por isso Hegel) considera o finalista Anaxágoras o primeiro filósofo “profissional”, comparado ao amadorismo anterior.
“La unidad retorna a sí misma, como algo general, de la contraposición; al contrario de lo que ocurre en la síntesis de Empédocles, en que lo contrapuesto todavía separado y para sí, y no el pensamiento mismo, es el ser; aquí, en cambio, el pensamiento es, como proceso puro y libre de suyo, lo general que se determina a sí mismo, sin distinguirse del pensamiento consciente.”
“Aristóteles dice que Anaxágoras fue el primero que expresó la determinación de la esencia absoluta como entendimiento.” Hegel é apenas “o” Aristóteles moderno.
“Con él vemos a la filosofía instalada en la verdadera Grecia, que hasta entonces no había tenido filosofía alguna, y, concretamente, en Atenas” Perfeito para o seu sistema de “razão da História”…
“Durante este período fijan su residencia en Atenas los artistas más prestigiosos y los más famosos filósofos y sofistas, una pléyade de luminarias de las artes y las ciencias, como Ésquilo, Sófocles, Aristófanes, Tucídides, Diógenes de Apolonia, Protágoras, Anaxágoras y otros talentos oriundos del Asia Menor. Estaba por aquel entonces al frente del estado ateniense Pericles, quien lo elevó a su máximo esplendor. Anaxágoras, aunque vivió todavía en este período de máximo florecimiento de la vida ateniense y griega, toca ya a los años de decadencia o, por mejor decir, de tránsito a la decadencia, a la muerte de la hermosa vida de Atenas.”
Mérito de Atenas para H.: ciência e belas-artes; a filosofia.
Mérito de Esparta para H.: subsumir as individualidades na idéia de Estado.
“Un pueblo en que imperaba una unidad tan recia y tan firme, en el que la voluntad del individuo había desaparecido totalmente en rigor, representaba por fuerza una cohesión insuperable; así se explica que Lacedemonia se pusiera a la cabeza de los griegos y conquistase la hegemonía de Grecia, como llegaron a alcanzarla los argivos en tiempo de Troya. Es éste, sin duda, un gran principio, sin el que no puede existir ningún verdadero Estado, pero que entre los lacedemonios no llegó a perder nunca su unilateralidad.”
“En Lacedemonia, la personalidad propia y peculiar llegó a pasar a tal punto a segundo plano, que el individuo no podía vivir, bajo ningún concepto, entregado a su libre desarrollo ni a las manifestaciones de su personalidad; allí no se reconocía la individualidad ni, por tanto, se la coordinaba o armonizaba con los fines generales del Estado. Esta abolición del derecho de la subjetividad, que a su modo proclama también La República de Platón, llegaba muy lejos entre los lacedemonios.”
“Así como la individualidad que se separa de lo general cae en la impotencia y perece, tampoco puede mantenerse en pie lo unilateralmente general, la costumbre de la individualidad.” Obviamente, para H., a Prússia era a síntese de Esparta-Atenas.
TOLO AQUELE QUE LIGA AVANÇO E FILOSOFIA AO PODER DO COMÉRCIO: “cada familia conservaba inalienablemente sus bienes hereditarios, y la prohibición de toda clase de dinero en sentido estricto y de cambios y negocios cerraba el paso a la posibilidad de las desigualdades de la riqueza”
Sua brutalidade é música para meus ouvidos.
“En una organización racional, se dan todos los momentos de la idea; si el hígado se aislase como bilis, no funcionaría por ello ni más ni menos que antes, pero, en cambio, se aislaría como un órgano hostil a la economía vital del organismo.”
VACILANTE: “Gracias a ello, pudo alumbrar, al plasmar el genio libremente sus concepciones, las grandes obras de arte de las artes plásticas y las obras inmortales de la poesía y la historia. El principio de la subjetividad no había revestido aún, por tanto, la forma en que lo particular, como tal, queda en libertad y confiado a su propio albedrío y en que también su contenido adquiere una particularidad subjetiva y propia, por lo menos a diferencia de la base general, de la moralidad general, de la religión general y de las leyes generales.”
“Pero fue Pericles quien tuvo la dicha de ser el primero dentro del Estado, en este pueblo noble, libre y culto de los atenienses; y esta circunstancia le confiere en la valoración de la individualidad un rango tan alto como pocos hombres han llegado a alcanzar. De cuanto hay de grande entre los hombres, nada más grande que el poder sobre la voluntad de los hombres que tienen una voluntad, pues la individualidad que disfruta de este poder tiene que ser necesariamente, para llegar a alcanzarlo, la más general y la más viva de todas; pocos mortales hay ya, suponiendo que haya alguno, dignos de gozar esta suerte.”
“Poco después, la individualidad se desmanda, su vitalidad se deja arrastrar al extremo, pues el Estado no se halla aún organizado como tal, independientemente y de suyo.” É a vida! Ou, antes, diria: é a polis!…
“en que el espíritu no vive en cuanto concepto, como en nuestros Estados.”
“Más importante que esto es el dato de que, más tarde, Anaxágoras, como ocurriría, andando el tiempo, a Sócrates y a muchos otros filósofos, fue acusado de despreciar a los dioses adorados por el pueblo; es el antagonismo de la prosa del entendimiento contra la concepción poético-religiosa de la vida.”
“existe también en la naturaleza, cierto es, como esencia objetiva, pero no de un modo puro y para sí, sino llevando consigo como inmediato un algo particular.”
INSTINTO X VONTADE: “Como alma, lo que se mueve a sí mismo es sólo algo inmediatamente individual, mientras que el nous, como algo simple, es lo general.”
“con el nous aparece el para qué, la determinación del fin” Um para quê órfão.
“El nous no es, por tanto, una esencia pensante exterior que organice el universo; concebirlo así, equivaldría a echar a perder por completo el pensamiento de Anaxágoras y privarlo de todo interés filosófico.” O nous é o daimon deus que está em nós.
“una llamada esencia pensante ha dejado de ser un pensamiento, para convertirse en un sujeto.”
BASTARIA, NO LUGAR, FAZER UMA METAFÍSICA DA OBRA DE ARTE: “El fin empieza siendo, en cuanto yo lo tengo, mi propia representación, la cual es para sí y cuya realización depende de mi voluntad; cuando lo pongo en práctica, debo procurar, sí no soy muy torpe, que el objeto producido sea conforme al fin y no contenga otra cosa que no sea él.”
“Descontento con que mi fin sea puramente subjetivo, mi actividad consiste en curarlo de este defecto, convirtiéndolo en un fin objetivo.”
OS SECRETOS DESÍGNIOS DO NADA: “Así, por ejemplo, en la idea de que Dios, por su sabiduría, gobierna el universo con arreglo a fines, el fin se establece para sí en una esencia representativa, sabia. Pero lo general del fin consiste en que, siendo una determinación fija para sí, que domina la existencia, el fin sea lo verdadero, el alma de una cosa. Lo bueno encuentra su contenido en el fin mismo, de tal modo que, actuando con este contenido y después de manifestarse al exterior, no brote ningún otro contenido sino el que ya existía con anterioridad.” Seu fim era procurar seu conceito de fim perfeito, a Idéia – o que não logrou H…
“El ejemplo más importante de esto nos lo ofrece la vida misma. La vida es movida por impulsos, y estos impulsos son sus fines; pero, en cuanto algo vivo simplemente, no tiene la menor noción de estos fines, los cuales son, simplemente, determinaciones primarias e inmediatas, fijas. El animal labora para satisfacer estos impulsos, es decir, para cumplir el fin; se comporta ante las cosas exteriores mecánicamente, unas veces, y otras veces químicamente. Pero la relación de su actividad no es algo puramente mecánico o químico; el producto es más bien el animal mismo, el cual sólo se produce a sí mismo como fin de sí mismo en su actividad en cuanto que destruye e invierte aquellas relaciones mecánicas o químicas.” “La propia conservación es un producir constante, en el que no nace nada nuevo, sino que sólo renace, continuamente, lo viejo; es un constante retorno de la actividad a sí misma, encaminada a su propia producción.” Marx saberia retirar de tudo isso conseqüências melhores…
“Los predicados señalados más arriba que Anaxágoras atribuye al nous son, por tanto, indudablemente, predicados que pueden enunciarse, pero que, por sí mismos, no pasan tampoco de ser simples predicados unilaterales.”
“Las homeomerías aparecen más claramente cuando las comparamos con las ideas de Leucipo, Demócrito y otros filósofos. Esta materia o lo absoluto como esencia objetiva lo encontramos ya en Leucipo y en Demócrito, lo mismo que en Empédocles, con tal claridad que los átomos simples—en Empédocles los 4 elementos, en aquellos otros dos pensadores un número infinito de ellos— sólo se concebían como distintos en cuanto a la forma, y de su síntesis, de sus combinaciones, surgían las cosas existentes.”
“Anaxágoras, por el contrario, establece como materias simples lo formado por partes iguales, por ejemplo la carne, los huesos, etc.; en cambio, las cosas como el agua y el fuego son una mezcla de estos elementos originarios.” Ar.
“El principio era, para Anaxágoras, el mismo que para los eléatas: ‘Lo igual se genera solamente de lo igual; no es posible un tránsito a lo opuesto, ni es posible tampoco la unión de los contrarios.’
Por eso, todo cambio es, para Anaxágoras, solamente una separación y una unión de lo igual, pues el cambio como verdadero cambio sería, en realidad, un devenir partiendo de la nada de sí mismo.”
“El primero admite un cambio de estos estados, el segundo solamente una aparición que sólo se da una vez.” Aristóteles (Empédocles X Anaxágoras)
“De aquí que Anaxágoras diga, según Aristóteles (De gen. anim. I, 18): ‘La carne se convierte, mediante la nutrición, en carne’. La digestión no es, desde este punto de vista, otra cosa que la absorción de lo homogéneo y la eliminación de lo heterogéneo y, por tanto, toda nutrición y todo crecimiento no son verdadera asimilación, sino solamente incremento, desde el momento en que todas las vísceras del animal extraen sus partículas de las distintas hierbas, de los distintos cuerpos, etc. de que el animal se alimenta. La muerte es, por el contrario, la eliminación de lo igual y la mezcla con lo heterogéneo. La actividad del nous, considerada como eliminación de lo homogéneo de entre el caos y como unión de lo homogéneo, así como la disolución o desintegración de este algo homogéneo, es, ciertamente, algo simple y relacionado consigo mismo, pero también algo puramente formal y carente, por tanto, de contenido.”
“La química dice: para saber lo que son real y verdaderamente la carne, la madera, la piedra, etc., es necesario descomponerlos en sus elementos simples, los cuales son los componentes últimos a que es posible reducir esos cuerpos. Además, reconoce que hay muchas cosas que sólo son relativamente simples, y así, por ejemplo, el platino está formado por 3 y hasta por 4 metales. También el agua y el aire han sido considerados durante mucho tiempo como cuerpos simples, hasta que ha venido la química a analizarlos y descomponerlos.”
“El en sí [a essência] no es, para él, ciertamente, un verdadero ser sensible; las homeomerías son lo no sensible, es decir, lo que no puede verse, oírse, etc. Es la máxima exaltación de los físicos vulgares por encima del ser sensible hasta el plano de lo no sensible, como lo meramente negativo del ser para nosotros [do ser como aparência]; pero lo positivo consiste en que la propia esencia que es sea lo general. [se a essência coincidisse com a aparência]”
“El vous no es, así, más que lo que une y lo que separa, lo diacosmizante.”
“por muy fácilmente que las homeomerías de Anaxágoras puedan mover a confusión, no cabe duda de que debe mantenerse en pie la determinación fundamental.”
“En ninguna otra parte se ha explicado con mayor detalle que el vous de Anaxágoras no pasó nunca de ser algo puramente formal que en el conocido pasaje del Fedón de Platón que tanto interés encierra en cuanto a la filosofía de Anaxágoras. En este diálogo de Platón, Sócrates indica del modo más claro y preciso qué es lo importante para ambos, en qué consiste para ellos lo absoluto y por qué el principio de Anaxágoras no podía satisfacerles.”
“Platón presenta a Sócrates en su prisión, una hora antes de su muerte, y le hace hablar prolijamente acerca de sus relaciones con Anaxágoras:
‘Oyendo leer a alguien en un libro, que dijo ser de Anaxágoras, que la inteligencia es la regla y causa de todos los seres, quedé encantado; me pareció admirable que la inteligencia fuera la causa de todo, porque pensé que si ella había dispuesto todas las cosas las habría arreglado del mejor modo. Si alguien, pues, quiere saber la causa de alguna cosa, lo que hace que nazca y perezca, debe buscar la mejor manera de que aquélla pueda ser. (…) Y me pareció que de este principio se deducía que la única cosa que el hombre debe buscar, tanto por él como por los otros, es lo mejor y más perfecto, porque en cuanto lo haya encontrado conocerá necesariamente lo que es lo peor, ya que para lo uno y lo otro no hay más que una ciencia. Reflexionando así, sentía una alegría muy grande por haber encontrado en Anaxágoras un maestro que me explicaría, según yo deseaba, la causa de cuanto es y que, después de haberme dicho, por ejemplo, si la tierra es redonda o plana, me explicaría la causa y la necesidad de que sea como es y me diría qué es aquí lo mejor y por qué lo es. Y también si creía que está en el centro del universo, y esperaba me dijera por qué es mejor que estuviera allí. Y, después de haber recibido de él todas estas aclaraciones, estaba dispuesto a no buscar jamás otra clase de causa. Me proponía también interrogarle acerca del sol, de la luna y de las demás estrellas, a fin de conocer las razones de sus revoluciones, de sus movimientos y de todo lo que les sucede, y sobre todo, para saber por qué es lo mejor que cada uno de ellos haga lo que hace. Porque no podía imaginar que, después de haber dicho que la inteligencia había dispuesto las cosas, pudiera darme otra causa de su disposición sino ésta: que aquello era lo mejor. Y me lisonjeaba de que, después de haber asignado esta causa en general y en particular a todo, me haría conocer en qué consiste lo bueno de cada cosa en particular y lo bueno de todas ellas en común. Por mucho que me hubiesen prometido, no habría dado mis esperanzas a cambio. Cogí, pues, estos libros con el mayor interés y empecé su lectura lo más pronto que me fue posible, para saber cuanto antes lo bueno y lo malo de todas las cosas; mas no tardé en perder la ilusión de tales esperanzas, porque desde que hube adelantado un poco en la lectura, vi un hombre que en nada hacía intervenir la inteligencia, que no daba razón alguna del orden de las cosas, y que, en cambio, sustituía al intelecto por el aire, el fuego, el agua y otras cosas igualmente disparatadas.’”
Ver minha tradução deste trecho em https://seclusao.art.blog/2019/01/25/fedon-ou-da-alma/.
“chama-se, pois, fim ao que se produz a si mesmo e que já em seu devir é como um ente em si.”
“El género se enfrenta a sí mismo como lo individual y lo general; de este modo, el género se realiza en lo vivo a través del antagonismo entre los sexos, cuya esencia es, sin embargo, el género común.”
“O gênero se enfrenta a si mesmo como o individual e o geral; deste modo, o gênero se realiza no vivo através do antagonismo entre os sexos, cuja essência é, porém, o gênero comum.”
“El fin de la procreación es el levantamiento de la individualidad del ser”
“O fim da procriação é a suspensão da individualidade do ser”
“Pues toda idea es un círculo cerrado y perfecto, pero cuya perfección es, asimismo, un tránsito a otro círculo: un torbellino cuyo centro, al que retorna, se encuentra directamente en la periferia de un círculo superior que lo devora. Así y sólo así, llegamos a la determinación de un fin último del universo, como inmanente a él.”
“Pois toda idéia é um círculo fechado e perfeito, mas cuja perfeição é, ainda assim, um trânsito a outro círculo: um torvelinho cujo centro, ao que retorna, se encontra diretamente na periferia de um círculo superior que o devora. Assim, e somente assim, chegamos à determinação de um fim último do universo, como imanente a ele.”
“todo mundo sabe do geral; mas não o sabe enquanto essência.”
“é até aqui, e somente até aqui aonde chega a concepção comum de nossos dias. [o sensível indeterminado negativo, o absoluto carente de predicado ou absoluto relativo]”
“Con este descubrimiento del pensamiento ponemos fin a la sección primera de nuestra historia, y entramos en el segundo período de ella.”
“El espíritu no tiene ya por qué buscar la esencia fuera de él, sino dentro de sí mismo, pues lo que parecía algo extraño se revela ahora como pensamiento, es decir, la conciencia tiene esta esencia en sí misma.”
“O espírito não tem já por que buscar a essência fora de si, senão dentro de si mesmo, pois o que parecia algo estranho se revela agora como pensamento, quer dizer, a consciência tem esta essência em si mesma.”
“Esta evolución de lo general, en la que la esencia se pasa por entero al lado de la conciencia, la encontraremos en la tan denostada filosofía de los sofistas; podemos enfocar esto en el sentido de que es aquí donde se desarrolla la naturaleza negativa de lo general.”
“Esta evolução do geral, em que a essência passa por inteiro para o lado da consciência, encontrá-la-emos na tão criticada (e com razão) filosofia dos sofistas; podemos enfocar isto no sentido de que é aqui onde se desenvolve a natureza negativa do geral (o sensível determinado negativo, para usar a nomenclatura da citação anterior).”
FIM DO PRIMEIRO VOLUME
DIC:
al buen tuntún: inadvertidamente
atisbo: insight, vislumbre de algo maior
cifrar: inscrever
de suyo: de per se, por si só
lienzo: tela, pintura
CHASING LOLITA: How popular culture corrupted Nabokov’s little girl all over again – Graham Vickers, 2008.
“Chasing Lolita, published on the 50th anniversary of Lolita’s American publication, is an essential contemporary companion to Vladimir Nabokov’s great novel. It establishes who Lolita really was back in 1958, explores her predecessors of all stripes, and examines the multitude of movies, theatrical shows, literary spin-offs, artifacts, fashion, art, photography, and tabloid excesses that have distorted her identity and stolen her name. It considers not just the ‘Lolita effect’ but shifting attitudes toward the always volatile mix of sex, children, and popular entertainment—from Victorian times to the present. And it also looks at some real-life cases of young girls who became the innocent victims of someone else’s obsession—unhappy sisters to one of the most affecting heroines in American fiction, and one of the most widely misunderstood.”
INTRODUCTION
“The original spark of inspiration for this book was a little less ambitious. It came from a moment in a BBC television documentary that was originally broadcast to coincide with the release of the 1997 film version of Lolita. Adrian Lyne’s movie (the second of 2 film adaptations) had, to the surprise of many, enjoyed the willing consultative participation of Dmitri Nabokov, the author’s dauntingly accomplished son, a famously rigorous critic of any attempts to fool around with his father’s masterpiece.”
Nabokov I foi também um “lepidopterist”: especialista em borboletas e mariposas!
“Lolita and her story were just one of these dazzling inventions, completed and put away in late 1953 and at once, in its author’s mind, displaced by the next pressing project.”
“Fame is of assistance only to people who make their work, not celebrity status, the point of their endeavors. ‘It is Lolita, not I, who is famous’, Nabokov once said, when pressed, but her fame brought him wealth and independence, and if the suspicion remains that he would have preferred to have been rewarded earlier and more evenly for a lifetime of remarkable literary achievement, he was philosophical about the irony.
The German poet Rainer Maria Rilke defined fame as ‘the sum total of all the misunderstandings that can gather around one name’.”
1. THE REAL LIFE OF DOLORES HAZE: Just the facts
“Humbert Humbert is a middle-aged, fastidious college professor. He also likes little girls. And none more so than Lolita, who [sic] he’ll do anything to possess. Is he in love or insane, a silver-tongued¹ poet or a pervert, a tortured soul or a monster—or is he all of these!
¹ [Persuasivo, eloqüente.]
The above summary—either supplied by the publisher or staffers at the amazon.co.uk Web site on which it appears, promoting a Penguin Modern Classics edition of the novel—illustrates the difficulty of synopsizing the plot of Lolita. The book does not lend itself to literal précis. Most attempts to summarize it make it sound melodramatic or even absurd.”
“The colorful memoir is prefaced with a straitlaced introduction by the fictitious John Ray Jr., who claims to be its appointed editor. The novel’s action takes place in various U.S. locations in the late 1940s and early 1950s and presents Humbert and Lolita’s story exclusively from Humbert’s point of view and in his own often florid literary language.
So far, so good. It is when we come to summarize the book’s nature and texture that this infinitely subtle, allusive, comic, and grotesque love story defeats us. A black comedy about a middle-aged man’s obsession with a young girl is the line most frequently taken by movie listings journalists whom space compels to encapsulate the plot of either of the two film versions of Lolita in around a dozen words. Such doomed exercises recall a sketch from the cult 1970s comedy TV series Monty Python’s Flying Circus where, in the setting of a televised competition, contestants are challenged to give a 15-second summary of Proust’s one-and-a-half-million word À la recherche du temps perdu.”
“today, in the age of the sound bite, the elliptical impressionism of Humbert’s account leaves the heroine of Lolita even more susceptible to grotesque misinterpretations.”
“The public, they reasoned, wanted cartoonish representatives of complicated things. Accordingly, in the popular imagination wild-haired Albert Einstein became the Wacky European Scientist, surly Marlon Brando the Mumbling Ambassador of Inarticulate Youth, pneumatic Marilyn Monroe the paradigmatic Hollywood Pinup, mad-eyed bald man Pablo Picasso the Famous Modern Artist, and so on. It was a kind of visual shorthand, and it was often accompanied by editorial to match. If this trend did not actually discourage serious debate about science, acting, stardom, and modern art, neither did it do much to promote it. In this breezy spirit Lolita would gradually exemplify the Sultry Teenage Temptress. It was a travesty from the start.
In the first place, Lolita was a 12-year-old child—not a teenager—when she first succumbed to the middle-aged man who subsequently narrated the saga of his infatuation with her. In the second place, she was not equipped, in any sense, to be an iconic temptress. The novel’s descriptions of her stress her physical appeal but only in relation to Humbert’s appetites.”
“In short, far from being overt, Lolita’s sex appeal would have been elusive to all but a pedophile with a very specific shopping list of expectations. For Humbert, the first wave of desire for Lolita derived from her resemblance to a particular girl who obsessed him when he was 14 and whose loss, he fancies, froze his sexual ideal forever, just as a snapshot freezes its subject in time as well as space.”
“It was not until a publicity poster appeared for Stanley Kubrick’s 1962 film of Lolita that we first encounter a color photograph of an entirely bogus Lolita (Sue Lyon) wearing red heart-shaped sunglasses while licking a red lollipop (love and fellatio, get it?). Lolita’s sunglasses in Kubrick’s (black-and-white) film sport regular frames and at no point does she suck that kind of lollipop, so the poster makes false promises on every level. The same synthetic image subsequently graced many international paperback editions of the novel. Yet before Lolita’s first American publication in 1958, Nabokov had insisted that there should be no little girl at all on the book’s cover because he was in the business of writing about subjective rapture, not objective sexualization.”

“Tensions between fact and fiction, real names and aliases, evocation and invention, description and advocacy, confession and fantasy not only run through Lolita from start to finish but also precede and postdate the novel in a sometimes extraordinary series of foreshadowings, overlaps, and echoes.”
2. CASEBOOKS AND FANTASIES: Dolores Haze’s oft-told tale
“by casting himself alongside poets like Dante and Petrarch—not to mention Edgar Allan Poe—Humbert Humbert seeks somehow to glamorize his wretched appetites by implying that his perversion is one to which artists and visionaries are particularly susceptible.
When Humbert makes a passing reference to Dante’s ‘love’ for the child Beatrice, he is being entirely misleading, implying that Dante Alighieri was an adult when he met the 8-year-old Beatrice Portinari in 1274. Since Dante was only 9 at the time (and there is no historical record of an affair between the couple at any point anyway), this is a dishonest ploy, to say the least. His Francesco Petrarch reference is even less persuasive, asserting that Petrarch fell madly in love with Laureen when she was a fair-haired child of 12. The poet was 23 when he first became enamored of the mysterious Laura in Avignon’s Église de Sainte Claire during the spring of 1327. Although evocatively immortalized in Petrarch’s verse, historically speaking Laura remains an entirely unknown quantity. It is only some scholars’ guess that she was in reality one Laura de Noves, the wife of Hugues de Sade. And even if this were true, then she was not only already married but also a mere 6 years younger than Petrarch, making her 17 at the time of their meeting in that French church.” “Humbert is, however, quite right when he says that Virginia Clemm was only 13 when she married her 27-year-old cousin, the poet and mystery writer Edgar Allan Poe, in 1836.
Poe is something of an éminence grise always present in the shadows of Lolita. Humbert appropriates his first name as a decorative addition to his own when the fancy suits him (‘Edgar H. Humbert’ is how he signs in at the Enchanted Hunters Hotel).”
“Poe’s 1849 poem Annabel Lee supplies the plot and the seaside imagery, as well as the girl’s name for young Humbert’s ill-fated affair with his half-English, half-Dutch Annabel in the fateful summer of 1923.” “In Poe’s poem Annabel finally succumbs to a fatal chill right there in their ‘kingdom by the sea’. Death also overtakes Humbert’s Annabel, but not until after they have parted, and not in the Riviera sun—not until 4 months later when she dies of typhus in Corfu.”
“Neither the angels in Heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.” E.A.P.
“Leaving Humbert’s own very selective literary and historical apologists to one side, we may, to use a Humbertian turn of phrase, ‘tom-peep’ into the lives of a few more proto-Lolitas. The sexual appetites of Charles Lutwidge Dodgson, who under the name of Lewis Carroll found lasting fame as the author of Alice’s Adventures in Wonderland, remain mired in ambiguity (the book was translated into Russian, incidentally, by a young Vladimir Nabokov, a daunting task for which he allegedly received the equivalent of $5).”

“Dodgson died a bachelor in 1898, his reputation intact, perhaps because his fondness for young children was more commonplace than we might like to think and existed in an ambiguous Victorian moral climate where even honest attempts to protect children were based upon a very formal concept of sexual purity. In his book Child-Loving: The Erotic Child and Victorian Culture, James R. Kincaid went so far as to link our contemporary cultural preoccupations with pedophilia back to 19th-century ‘child protection’ reforms that took the form of compulsory schooling, age of consent laws, and the formation of anticruelty societies.”
“Early in the 20th century came one of Lolita’s almost forgotten progenitors. She was not famous at first and only attracted widespread attention in recent years—and then only because of the existence of her more famous successor. Heinz von Eschwege, a German author who wrote under the pen name of Heinz von Lichberg, invented his Lolita in 1916 in a short story of that name, which, in Carolyn Kunin’s English translation, runs to a little under 350 words. The coincidences beyond the title name are surprising, even though von Lichberg’s tale is very unlike Nabokov’s and his short but convoluted narrative resembles a set of those hollow Russian dolls that keep revealing ever smaller replicas of themselves stashed within. It begins with an account of a social gathering in Germany at which a professor tells the assembled company a story drawn from his own experience (or perhaps his reveries, he freely admits). This story is characterized by dreams and supernatural trans-generational coincidences. The German professor, traveling in Spain, is introduced to an Alicante innkeeper’s daughter called Lolita, who ‘by our northern standards . . . was terribly young. . . . Her body was boyishly slim and supple and her voice was full and dark. But there was something more than her beauty that attracted me—there was a strange mystery about her that troubled me often on those moonlit nights’. The couple have a sexual encounter and a brief affair and then part, but the story is really about the narrator’s strange nocturnal fantasies that began at home in southern Germany and, in the light of his subsequent meeting with Lolita, seem to have let him glimpse mysterious
events from the history of her family, the female line of which is apparently doomed to suffer madness and death shortly after giving birth. The story is essentially a curio, but its rediscovery naturally raised the question of whether or not Nabokov—who actually lived in the same Berlin district as von Eschwege in the mid-1930s—could have read it and been influenced by it, however subliminally.”
“Dmitri Nabokov claims any influence is unlikely since his father hardly read German at all at the time. Even so it is eerie to think that Dolores Haze, conceived in Mexico, might have had a spiritual ancestor with Hispanic connections, a woman famous for her reputation for tempting men and someone for whom pregnancy would mean inevitable death.
Hindsight is a fine thing, and it is sometimes possible to see patterns and connections where none exist. The question of what, if anything, Nabokov owed to von Eschwege caused a literary stir when the first Lolita was unearthed and subsequently discussed in Michael Marr’s book The Two Lolitas. Marr, however, concluded that ‘nothing of what we admire in Nabokov’s Lolita is already to be found in the tale; the former is in no way deducible from the latter’.
A more questionable although undeniably fascinating claim of inspiration came from Charlie Chaplin’s biographer Joyce Milton, who maintained in her biography Tramp: The Life of Charlie Chaplin that Chaplin’s 1924 marriage at the age of 35 to 16-year-old Lillita Grey was Nabokov’s real inspiration. The name ‘Lillita’ is certainly a temptation to rush to judgment (after one film appearance as Lillita McMurray, the young actress in question later variously appeared as Lita Grey and Lita Grey Chaplin).”
Curiosamente:
lilt (ENG) (subst. ou verbo) alto-astral, animado, eufórico.
“It is hard to see any real parallels between Humbert and Chaplin, apart from their shared ‘Europeanness’ and the latter’s well-known fondness for very young girls, a tendency that, like Charles Dodgson, he seemed to always find convenient to believe was essentially innocent and nonsexual.”
“Imagine this kind of thing: an old dog—but still in his prime, fiery, thirsting for happiness—gets to know a widow, and she has a daughter, still quite a little girl—you know what I mean—when nothing is formed yet, but already she has a way of walking that drives you out of your mind. A slip of a girl, very fair, pale, with blue under the eyes—and of course she doesn’t even look at the old goat. What to do? Well, not long thinking, he ups and marries the widow. Okay. They settle down the three of them. Here you can go on indefinitely—the temptation, the eternal torment, the itch, the mad hopes. And the upshot—a miscalculation. Time flies, he gets older, she blossoms out—and not a sausage. Just walks by and scorches you with a look of contempt. Eh? D’you feel here a kind of Dostoevskian tragedy?” Nabokov, Dar (The Gift)
“Almost immediately after the completion of Dar, in Paris in the autumn of 1939, Nabokov wrote his Russian novella Volshebnik (The Enchanter), which uses the first part of the above narrative premise. Unpublished, the story was assumed lost after Nabokov and his family relocated to the United States in 1940 (in point of fact the author mistakenly recalled destroying it). Unexpectedly, Volshebnik resurfaced among some papers in February 1959, and its author, more often than not a man impatient with his own failings as a young artist, found himself not entirely displeased by the rediscovered piece.
‘I have reread Volshebnik with considerably more pleasure than I experienced when recalling it as a dead scrap during my work on Lolita’, Nabokov wrote in a letter” “(It was not to appear until 1986, almost a decade after Vladimir Nabokov’s death, in a translation by his son, Dmitri.) The original Russian version was at last published in 1991, half a century after it was written. Unlike Lolita, Volshebnik is easily summarized: A middle-aged pedophile marries an ailing woman in order to be near her 12-year-old daughter. When the woman finally dies he takes the girl on a vacation, planning to establish a sexual relationship with her over time while dressing up this protracted seduction as a game of make-believe. In their hotel room, however, he is too impatient and fondles her once she goes to sleep. When she awakes and begins screaming, the man knows all is lost and runs panic-stricken from the hotel in suicidal search of ‘a torrent, a precipice, a railroad track’. A thundering, heavy vehicle obligingly supplies the deus ex machina and the story’s ending. Compared to the infinitely richer Lolita, Volshebnik seems a rather mechanical trifle and, although beautifully written and translated, does not make us care much about any of the participants in Nabokov’s miniature Dostoevskian tragedy. Only in the occasional fleeting detail does there seem to be any live connecting tissue to Lolita, as in the introduction of Volshebnik’s nameless nymphet (who incidentally shares Lolita’s pale gray eye color) in a park on roller skates. She is ‘leaning well-forward and rhythmically swinging her relaxed arms’”
“SAN JOSE, Calif., March 22—(AP)—A plump [rechonchuda] little girl of 13 told police today she accompanied a 52-year-old man on a 2-year tour of the country, in fear he would expose her as a shop-lifter.
The girl, Florence Sally Horner of Camden, N.J., was found here last night after she appealed to Eastern relatives ‘send the FBI for me, please?’
Her companion, Frank La Salle, an unemployed mechanic, was said by County Prosecutor Michael H. Cohen in Camden to be under indictment for her abduction.
Officers said the girl told them La Salle had forced her to submit to sexual relations.
The nice looking youngster, with light brown hair and blue-green eyes, attributed her troubles to a Club she joined in a Camden school. One of the requirements, she said, was that each member steal something from a 10-cent store.
She stole an article, she related, and La Salle happened to be watching her. She said he told her he was an FBI Agent; that ‘We have a place for girls like you.’
Sally said she went away with him, under his threat that unless she did, he would have her placed in a reform school.” Associated Press, 1950
“Nabokov uses an even more devious documentary device when he has Humbert refer to and relate another true-life crime of the day, that of G. Edward Grammar, a 35-year-old New York office manager arraigned for murdering his wife and trying to make her death look like a car accident.”
“A creative writer, Nabokov wrote in his own memoir, Strong Opinions, must study carefully the works of his rivals, including the Almighty.”
“Automobiles, it turned out, were clearly bad news in the short, sad life of Sally Horner, because less than 2 years after her liberation from Frank LaSalle’s mobile prison, she was killed in an unrelated road accident.”
“So Sally Horner’s case brought the 20th-century casebook history of real-life pedophilia up-to-date with the time frame of Lolita, even overtaking the action by a couple of years.”
“The world’s news media still intermittently highlight certain such cases. A 10-year-old Japanese girl, Fusako Sano, was kidnapped and held captive by Nobuyuki Sato for 9 years, from
1990 to 2000. Teenager Tanya Kach, of Pittsburgh, Pennsylvania, was confined against her will at the home of 37-year-old Thomas Hose from 1996 to 2006.”
“Natascha Kampusch, born in 1988 in Austria, grew up fatherless like Lolita even though her mother, Brigitta Sirny, did enjoy a fairly stable relationship with another man. When Natascha was 10 she was abducted while walking to school alone after an argument with her mother (shades of Charlotte Haze’s daily domestic battles with her daughter). Her abductor, Wolfgang Priklopil, imprisoned her in a small, secretly constructed room in his house for most of the 8 years of her confinement. Although she refused to discuss ‘personal or intimate details’ after she finally escaped in 2006, the tacit assumption is that Priklopil used her as a sex slave, and Kampusch did admit to a media advisor, although not in front of the TV cameras (hers was a very structured reintroduction to society), that Priklopil beat her badly from time to time. Perhaps of particular interest to those unimaginative souls who persist in seeing Lolita’s dull cooperation with Humbert’s exploitative regime as complicity pure and simple is the fact that Priklopil once took his prisoner on a skiing holiday in Vienna and would even take her shopping occasionally. The complexities of their enforced relationship are still not fully explained and may eventually yield some awkward truths, but in 2006 the case provided an eerie echo of both Sally and Lolita, neither of whom could ever have been guarded night and day, every day, but both of whom somehow lacked the spur or spirit to escape their captors until much later than they might have been expected to do. This phenomenon now has a name, courtesy of a 1973 bank siege at Norrmalmstorg, Stockholm, Sweden, in which the robbers held employees hostage from August 23 to August 28.”
“Natascha Kampusch’s wild escape through suburban gardens and streets, during which she completely failed to interest anyone she met in her plight, has itself a dark Nabokovian tinge of farce”
3. A VERY 1950s SCANDAL: Hurricane Lolita
“For a time, 20th-century America did have a written moral code, and although it was intended to control only the movies, it reflected much broader establishment concerns about the general threats posed by artists to society in general. It was the Motion Picture Production Code of 1930, better known as the Hays Code, named for ex-Republican politician and ex-postmaster general [president dos Correios] Will H. Hays, who was appointed the first president of the Motion Picture Producers and Distributors Association and therefore became the nominal father of the code. The Hays Code was bold enough to set down its guidelines and exclusion zones in full literal foolishness. Although it was in operation for only 30 years or so, the code neatly set out the establishment view of what was thought admissible to depict—at least on the screen—during the period leading up to and beyond the time of Lolita’s publication.”
“Though regarding motion pictures primarily as entertainment without any explicit purpose of teaching or propaganda, producers know that the motion picture within its own field of entertainment may be directly responsible for spiritual or moral progress, for higher types of social life, and for much correct thinking.” Mais lendária que a mula sem-cabeça essa mitologia hollywoodiana ianque!
“The sanctity of the institution of marriage and the home shall be upheld. Pictures shall not infer that low forms of sex relationship are the accepted or common thing.” Este é o mundo livre que venceria os comedores de criancinhas soviéticos!
“Sex perversion or any inference to it is forbidden”
“Miscegenation (sex relationships between the white and black races) is forbidden.”
“Children’s sex organs are never to be exposed.”
“His moral reign, however, happened at a time when image was deemed less important than it is now; one parenthetically wonders whether saturnine [sardônico] 50s TV personality Ed Sullivan would even get a job reading the local news in front of today’s cameras.”
“So Hays became the unlovely and unloved poster boy of a notorious code that was often booed when a summary of its principles appeared on the movie screen prior to the feature film—hardly the sign of a regulatory body in touch with the public.
The code was right about one thing, however: books, for whatever reason, were indeed somewhat ahead of movies in the frankness stakes, even if James Joyce’s Ulysses (1922) did run into censorship trouble in the United States during its prepublication serialization in The Little Review magazine. The finished novel was duly banned from U.S. publication until the 1930s, when Random House finally engineered the importation of a French edition with the full knowledge that it would be seized by customs. It was, and the ensuing trial—United States v. One Book Called Ulysses¹—resulted in U.S. District Judge John M. Woolsey ruling that the book was not pornographic and so could not be classed as obscene.”
¹ Essa forma de batizar julgamentos em que o réu ENFRENTA O ESTADO NOMINALMENTE sempre me soou como a coisa mais babaca do sistema judicial gringo. E, voilà, o irlandês deu um direto na fuça do Tio Sam!
“Scandalous writing of a less high-flown sort next tested the would-be book banners and came in the shape of Kathleen Winsor’s proto-bodice-ripper Forever Amber (1944), which immediately stimulated a popular appetite for erotic fiction. Her impressively researched book was set in Restoration England and concerned a female social climber with a pragmatic moral sense and an eye on bedding the king; it triggered several charges of pornography and calls for bans across America. The Massachusetts attorney general found in it 70 instances of sexual intercourse, 39 illegitimate pregnancies, 7 abortions, 10 descriptions of women undressing in front of men, and many ‘miscellaneous objectionable passages’, and so prosecuted.”
“the Massachusetts Supreme Court eventually concluded that Winsor’s historical research was thorough and resulted in an honest portrayal of the mores of the time and place in which the book was set.”
“In 1946, literary critic Edmund Wilson published his second book of fiction, Memoirs of Hecate County. Wilson was at the time a friend and supporter of Vladimir Nabokov, although eventually the two men of letters would fall out, partly over Wilson’s low opinion of Lolita. Published by Doubleday, Memoirs of Hecate County received good reviews and sold almost 60,000 copies before the Society for the Suppression of Vice [vice fuder!] brought suit against the publisher in July 1946, on the grounds of objecting to a number of frank but otherwise unexceptionable heterosexual sex scenes.”
“Will H. Hays, who died in 1954, might well have entered his grave already spinning after learning that according to Kinsey and his team at their Institute of Sexual Research, sexual orientation was a far more complex issue than The Adventures of Ozzie and Harriet¹ might have Middle America believe.”
¹ “The Adventures of Ozzie and Harriet is an American television sitcom, which aired on ABC from October 3, 1952, to April 23, 1966, and starred the real-life Nelson family. After a long run on radio, the show was brought to television, where it continued its success, initially running simultaneously on radio and TV. It was the longest running live-action sitcom in television history until It’s Always Sunny in Philadelphia replaced it on May 26, 2020, when that series got renewed for a 15th season. The series starred the entertainment duo of Ozzie Nelson and his wife, singer Harriet Nelson, and their sons, David and Ricky. Don DeFore had a recurring role as the Nelsons’ neighbor ‘Thorny’.”
“Whatever the validity of Kinsey’s methods and statistics—and these were certainly controversial—the very fact that such taboos were being discussed openly seemed to cause as much outrage as the findings they unearthed. Surely America did not behave like this behind closed doors—and if it did, surely no one should ever talk about it so frankly.”
“With its lively litany of social injustice, murder, adultery, and abortion, Peyton Place would remain on the New York Times’ best-seller list for over a year and seemed to mark an emphatic rejection of any hopes of art encouraging ‘correct thinking’. One episode in Metalious’ novel originally had a character named Selena Cross murder her father because he had been sexually abusing her for years. The real-life inspiration was 20-year-old Jane Glenn, a New Hampshire girl who, in 1947, confessed to the same crime—and to burying the corpse beneath a sheep pen with the help of her younger brother. Metalious’ editor changed Selena Cross’ victim to stepfather, feeling that murder was acceptable but incest was a vice too far. This assumption finds an echo in Humbert’s own moral prioritizing when he notes from his prison cell that, sitting in judgment on himself, he would dismiss the murder charge and give himself at least 30 years for rape.
Before the American public would be allowed to read these words and the rest of Lolita, Nabokov’s book would have to make its way through a maze of obstacles. When it had done so, it unleashed a scandal to overshadow all of its recent predecessors. Since it involved scholarly, retiring 59-old Vladimir Nabokov (a man whose substantial body of fiction contained no obscene words and bore eloquent testimony to his total indifference toward books with social or moral messages), it was somehow fitting that this chronicler of unexpected coincidences and unintended consequences should find himself at the center of an international uproar about morality, social responsibility, and obscenity. Nabokov had placed at the heart of his greatest novel something that Joyce had not touched upon and Hays had not even dared to articulate in order to forbid: pedophilia.
The journey toward scandal was slow and complex. Lolita’s first publishing house, the Paris-based Olympia Press, had been inherited by Maurice Girodias from his father, who had published Henry Miller’s Tropic of Cancer and Tropic of Capricorn in the 1930s. Girodias junior, falling on hard times in 1953, resolved to make money by publishing, in English, every book he could acquire that had fallen foul of Anglo-American censorship. The censor’s thumbs down was his only criterion; good, bad, or indifferent, if it had been banned, Girodias wanted it. To be fair, Girodias had also published some respectable authors (including Lawrence Durrell, J.P. Donleavy, and Samuel Beckett) and at least one notable piece of erotica, L’histoire d’O by Anne Desclos (who wrote such books either anonymously or pseudonymously as Pauline Réage while enjoying rather a good reputation under another literary pseudonym, Dominique Aury). Nabokov, however, knew little of Girodias and was guided by his French agent and friends in Paris. Since Girodias had until recently owned another imprint, a prestigious art book subsidiary called Éditions du Chêne, this further seemed to enhance his reputation as a serious publisher. So when he offered to publish Lolita, Nabokov (who had already had the novel rejected by Viking, dubbed ‘pure pornography’ by Simon & Schuster, and further rejected by 3 more American publishers) jumped at the chance.”
“The final 3 months of 1955 were stressful for the author, who, having just recovered from a serious bout of lumbago, was now having difficulty finding a publisher for his next novel, Pnin (or My Poor Pnin as it was titled at the time).”
“In December of the same year the French Ministère de l’Intérieur banned 25 English-language Olympia titles, Lolita among them.” Mal tinham sido salvos dos nazistas e já andavam tão ingratos!!
“The French press was immediately up in arms at what it saw as a betrayal of France’s traditional cultural freedom; it identified Nabokov’s book as the true cause of the blanket ban and, by January 57, had elevated the legal dispute into ‘l’affaire Lolita’.”
“France’s highly regarded publishing house Gallimard arranged to publish a French-language edition, which would be very well received—a particular fan was Raymond Queneau, a longtime Gallimard employee whose own linguistically playful novel Zazie dans le métro (1959) would transpose something of Lolita’s nymphet feistiness to another little girl, this time in a Parisian setting.”
“Lolita took off, selling 100,000 copies in 3 weeks. When Putnam’s took out an ad in the New York Times Book Review of August 21, there was no shortage of rave reviews to cite. Graham Greene, William Styron, and Lionel Trilling all praised it fulsomely, and even Dorothy Parker seemed to acknowledge that for once her tendency to deploy her vitriolic wit even when reviewing things she liked had no place here. ‘A fine book, a distinguished book—all right, then—a great book’, she wrote.”
“‘V. serenely indifferent’ was Véra Nabokov’s diary entry about her husband’s reaction to finally hitting the commercial jackpot after a lifetime of poorly paid literary toil.
Lolita was never prosecuted in the United States, a source of great satisfaction to Nabokov, who passionately loved his adopted homeland. Ironically, the many delays to publication had probably helped matters since the incremental efforts of many liberal-minded publishers had recently contributed to a more mature climate surrounding literary censorship.” “As soon as the Cincinnati Public Library banned it, Lolita immediately reached the top of the best-sellers list. When the Los Angeles Public Library was ‘exposed’ for circulating a copy, the only result was a boom in sales of the book in California. The Texas town of Lolita gravely debated whether it should change its name to Jackson, presumably in case it was mistaken for a little girl.” HAHAHAHAHA!!!
“Again America was absorbing something controversial into its popular culture instead of subjecting it to a witch hunt. Mainstream comedians all had a Lolita gag, the unspoken basis of the joke being that Lolita was a dirty book.” Imagina o DE NÓBREGA mandando essa!
“I’ve put off reading Lolita for 6 years, till she’s 18.”
Groucho Marx
“All this playfulness marked the beginning of Lolita Haze’s disparagement; the advance guard of what would prove to be a legion of faux Lolitas would soon start to emerge. Perhaps the very first was the ponytailed little girl who, incredibly, on Halloween came to the Nabokovs’ door looking for treats while dressed (by her parents!) as Lolita; the famous name was spelled out on a sign she bore and—even more sinister, since it betrayed a detailed knowledge of the book—she carried a tennis racket. Nabokov was quite shocked. If only he had known what lay in store for his nymphet.” Esses pais são o que eu chamaria de the original pranksters!
“Nabokov had sold the film rights of his book to James B. Harris and Stanley Kubrick, so now Lolita Haze and Humbert Humbert were about to make the fraught transition from what Hays had called ‘the cold page’ to embodiment by ‘apparently living people’. For a middle-aged actor to impersonate Humbert might be seen as no more than a risky professional challenge, but for a prepubescent girl to embody Lolita on-screen looked like a decidedly dangerous prospect. We may charitably assume that Nabokov’s otherwise absurd suggestion that a ‘dwarfess’ be hired to play Lolita was simply a comment designed to avert any charge of being implicated in the corrupting of a living, breathing child. He had no need to worry; others would take care of the corrupting. They had been doing it in Hollywood for years.”
4. LOLITA IN MOVIELAND 1: Little Victims and Little Princesses
“As with Dickens’s Little Nell, Little Emily, and Little Dorrit, that emotionally loaded word ‘little’ was to feature frequently in the promotional screen name of many a child actress (Little Mary Pickford and Little Blanche Sweet, for example), as well as in the titles of their films (The Little Princess, Little Annie Rooney, The Poor Little Rich Girl, and so on). Usually helming these enterprises and guiding their young stars’ careers were 40-something men about whose sexual inclinations we are entitled to wonder.”
“it was pointed out as long ago as 1920, in the movie magazine Photoplay, that the father of film D.W. Griffith seemed to have an ‘obsession with scenes in which women and girls are beaten or attacked’.” “As in the case of Alfred Hitchcock’s well-known obsessive tendency to put his ice-cool blonde heroines through the physical or emotional mill, it could be that Griffith’s fixation was nothing more than the public sublimation of dark fantasy. He is now best remembered for directing the sprawling epics Birth of a Nation (1915) and Intolerance (1916), but Griffith also has the distinction of giving the movies their first recognizable prototype nymphet. To be sure, his version was a composite model, most often portrayed by Lillian Gish¹ and later played by actresses like Carol Dempster, Colleen Moore, and Mae Marsh, but it had been Griffith’s idea to create the character in the first place. He was certainly not alone in his interests.”
¹ Algum parentesco com Annabeth Gish? De qualquer maneira, Lillian viveu 100 anos (!) e começou a carreira de atriz já maior de idade. Dedicou ¾ de sua longa vida às telas!
“In his Foolish Wives (1922), Stroheim’s character fakes love in order to try to seduce his maid, an ambassador’s wife, and a simpleminded 14-year-old girl (reenter the damaged little girl stereotype).”
“In Queen Kelly, Stroheim directed like a man who knew that this might be his last film, and at one point Gloria Swanson had to cable Joe Kennedy, begging him to come and stop the ‘madman’ who was blowing the budget. Needless to say, Kennedy’s financial investment in the movie did not pay off, although it did allow his 32-year-old mistress to play convent girl Kelly, a lead part for which she was clearly far too old.”
“Only one actress had miraculously spanned the entire life of the phenomenon, sustaining a little girl image that began under the guidance of D.W. Griffith in 1909 and served her well for the next 20 years. She was Gladys Marie Smith from Toronto, Canada, reinvented as Little Mary Pickford for the American movies, a highly durable nymphet who, professionally at least, would have laughed at Humbert’s age boundaries of 9 and 14.” “When her legions of loyal fans were asked by a movie magazine in 1925 whom Little Mary should play next, Alice in Wonderland and Heidi were among the top choices.” “Her protracted adult depiction of a childhood that she had never personally experienced now looks rather grotesque, and her performances come over as skillful but cloying [enjoativas] and arch [velhacas, com o perdão do trocadilho]. To her credit, Pickford did not think much of them herself (‘I can’t stand that sticky stuff’), and by the start of the 30s she knew it was all over. Her fans would simply not let her grow up. When she had the temerity to bob her hair in 1929 they had been outraged.”
“By the 30s Dickensian waifs [magricelas dickensianas seria a tradução mais próxima] were on their way out. Adults impersonating children were also passé, but children impersonating adults were becoming very popular indeed. In This Is the Life (1935), 9-year-old Jane Withers mimicked Marlene Dietrich’s knowing top-hat-and-tails routine from Blonde Venus with disturbing skill.”
“One scene in the movie Gold Diggers of 1933 features a midget, Billy Barty, disguised as a child of indeterminate sex, lasciviously raising a translucent curtain that has previously been displaying only the shapely silhouettes of scantily clad showgirls.”
“The camp charm of a movie like 42nd Street (1933) is still enjoyable today, but our indulgent smile fades when the young ‘Chubby’ Chaney passionately kisses a cardboard cutout of Greta Garbo stationed in a movie theater lobby in a 1931 Our Gang two-reeler.”
“It was Shirley Temple who set the standard, whether, at 5 years old, impersonating Marlene Dietrich (incredibly redubbed ‘Morelegs Sweettrick’) in Kid in Hollywood, a 1933 Baby Burlesk short, or matching top adult dancers step for step as she became a seasoned trouper of 8 years. Temple was not a nymphet, and neither were her contemporary child stars for that matter, but her precocity still posed an unsettling question about the sexual implications of the burlesque this particular baby was putting on. It was a matter that no one dared to raise in public until 1937.
Graham Greene’s infamous review of the 1937 Shirley Temple movie Wee Willie Winkie in the urbane but obscure British magazine Night and Day cast an intentional slur on a star Hollywood promoted as the embodiment of innocent cuteness. (…) He wrote that 9-year-old Temple displayed ‘a certain adroit coquetry which appealed to middle-aged men’.”
“A swift libel suit by Twentieth Century Fox was successful and subsequently bankrupted the magazine, although it did little lasting harm to Greene, who swiftly decamped to Mexico, wrote The Power and the Glory, and, nearly 20 years later, became the first literary champion of a sensational American novel featuring a middle-aged man with a fatal taste for nymphets.
Greene’s trenchant observations about Temple’s sexualization were well founded but perhaps poorly targeted. Wee Willie Winkie was, after all, only one in a flood of similar films that adhered to a familiar convention, and it was perhaps selected for Greene’s critical attention simply because it was directed by John Ford, already regarded as a serious director. On the other hand, Greene already seemed familiar with Temple in Captain January, which boasted a less exalted directorial hand.
The child-star movies of the 30s can be partially excused because they were part of a general climate in which the sexual tensions between middle-aged men and much younger women or girls were broadly accepted as moral-free dramatic conventions of the time.”
“The Major and the Minor (1942) was something of a wild card for the period, revisiting the silent cinema’s adult-imitating-a-child convention but this time seen through the caustic eye of Billy Wilder. Wilder was an Austrian expatriate who in many ways shared Stroheim’s dark perspective but usually managed to channel it into very funny if sometimes cruel satire. The Major and the Minor revolves around mid-western innocent Susan Applegate (Ginger Rogers), who needs to get home to Iowa from New York but cannot afford the train fare. Disguising herself as a 12-year-old in order to travel half price, she becomes involved with a short-sighted military man (Ray Milland) who finds himself strangely drawn to her. She feels the same, and the playing out of this apparently illicit romance lets Wilder have it both ways. The movie remains a very funny, out-of-time curio.
Otherwise, by the 1940s, the child-star syndrome had itself started to give way to a new type—adolescent girls who were sweet but not provocative, resourceful but not rebellious.” “Temple was the first to discover her babyish talent might not be automatically parlayed into puberty and beyond. She never really made it past 12 and was finished by the time she was a teenager. Elizabeth Taylor, Judy Garland, and Deanna Durbin personified the older girl-child stereotype, more demure but certainly not without an appeal to middle-aged men” “Garland, meanwhile, brought a no-nonsense, clean-pinafore [vestido feminino] charm to many films spanning the 30s and 40s. She might have been the least sexy of that particular trio, but it was 14-year-old Garland upon whom MGM decided to bestow a crush for their 35-old leading man Clark Gable.” “Garland’s blossoming figure was strapped down and she was given diet pills, so starting her out on a lifetime of drug dependency that would end in despair and death at 47. Durbin tried to make the transition to adult actress without success, despite her considerable beauty, and her career did not last beyond the 1940s; she went on to enjoy a long life away from Hollywood. Only Taylor made the breakthrough to an adult career, leaving behind a veritable menagerie of costars—dogs, horses, cats—as well as those men of a certain age. She had always looked older than her years, and her beauty when young was legendary.”
“With the sweeter adolescent girls taking over in the mainstream family entertainment movies, it was left to these shadowy crime movies to give house room to the occasional Lolita of the day, and those characters were usually one-offs—kid sisters or daughters whom circumstance and their own sex drive put on the horns of a moral dilemma that was usually not the main concern of the movie.”
“Errol Leslie Thomson Flynn started life in Hobart, Tasmania, and was something of an adventurer before he arrived in Hollywood by way of the provincial British stage in 1935. The 1940s proved to be Errol Flynn’s golden decade, and he appeared in a series of swashbuckling period movies that included The Adventures of Robin Hood and The Adventures of Don Juan while living the life of the Hollywood playboy to the hilt. Good-looking and with a rakish good humor, he enjoyed enormous success—indeed, it would be hard to find anyone who enjoyed it more. His taste for underage girls was well known around town and eventually well known in the world’s tabloids. Two teenagers, Peggy Satterlee and Betty Hansen, accused him of statutory rape in 1942, but Flynn was eventually acquitted after a 21-day trial. Wives came and went, but Flynn’s taste for young girls would continue unchallenged until the end of the 1940s, when he was again involved in a statutory rape case, this time of a 15-year-old girl. Again he was acquitted. Flynn never sought to disguise his tastes, and one of the things that had counted against him in the 42 rape case had been Peggy Satterlee’s evidence that he called her ‘J.B.’ (‘jail bait’) and ‘S.Q.Q.’ (‘San Quentin quail’)—proof, it was submitted, that he knew she was a juvenile. That time he got off because his accusers were eventually shown to be less than inexperienced before they met Flynn, further evidence that men could expect to get away with more than women in such matters.
It seemed the movies’ preoccupation with children and light family comedies was beginning to wane at the end of the 40s. It may have been due to nothing more than overexposure, or it may have been that the sobering experience of World War II—even if that experience was only tasted by some through the movie theater newsreels—had encouraged a taste for grittier fare than recycled Victorian dimples and ringlets.”
“Then again, it may have been nothing more than that the postwar baby boom starting to populate America’s homes with large numbers of real children made movies starring unreal children seem suddenly less appealing.”
“Marooned in a fairytale world of studio-funded special tutors and voice coaches, and rubbing shoulders with some of the biggest stars of the day, Gloria Jean gave her all to a style of sweet adolescent musical film fantasy that was in terminal decline but the production of which still represented the only reality she had ever known. She might have gotten a reality check from the star of the one bracing film she did appear in—Never Give a Sucker an Even Break (1941), where she played the niece of morose child hater W.C. Fields—but Gloria Jean had started too late, and when the end came it came abruptly. She moved into television and then into obscurity. Soon she was earning a living as a receptionist. The sweet-voiced little movie princesses had not made it into the next decade, and Gloria Jean had been the last one to leave, and it fell to her to turn out the light.”
5. LOLITA IN MOVIELAND 2: “Pedophilia is a hard sell”
“From John Huston’s The Asphalt Jungle it looked as if Monroe might progress toward a serious, if limited, acting career. Instead, about half of the 22 films she appeared in during the 50s helped to define her as the ultimate Hollywood sex goddess and one whose erotic charge was indivisible from what would become one of the decade’s chief preoccupations: childish feminine innocence wrapped up in an adult body.”
“As Clive James once noted, European movie sirens like Greta Garbo and Sophia Loren might look as if they were unashamedly thinking about sex, but ‘Monroe looked as if sex was something that might easily happen to her while she was thinking about something else’.”
“Ginger Rogers is terrific at metamorphosing into a kid, but a childish Monroe does not behave all that differently from the adult model that she was already refining in 1952 and that would soon become iconic.”
“Monroe had the 50s version of the damaged little Victorian girl syndrome and projected it with an impersonation of mental vacuity, physical vulnerability, and a constant need for a father figure to look after her. Because hers was an image based on reality, Monroe was the one who caught the public’s imagination; in real life she was a little brighter than she pretended to be on-screen and she could throw off the perilously high heels when she got home, but the deep-seated need for a daddy was genuine and would be evidenced by the men she sought and occasionally married.”
“Judy Holliday, who was to die young, reprised variants of Billie Dawn in a handful of less satisfactory films, but her signature performance as a not-so-dumb blonde still stands as a classic example of how to make a cliché live and breathe.”
“A few movies tentatively tried to absorb rock ‘n’ roll, but apart from the diverting The Girl Can’t Help It (1956) they were almost without exception embarrassing demonstrations that mainstream movies and rebellious rock were worlds apart.”
“The film’s notoriety (emblemized by an iconic still showing Baby Doll (Carroll Baker) wearing the short nightgown that would henceforth carry her name, sucking her thumb, and sleeping on a child’s crib with the slats down) was enough to prompt fainthearted Warner Bros. into withdrawing the film from national release during its pre-Christmas 1956 run. Half a century after the furor it caused, Baby Doll looks better than ever, an edgy mix of comedy and drama, adult sexual promise and adolescent teasing, shadows and sunlight, tragedy and farce, all presented in ravishing black-and-white cinematography.” “In an interesting footnote, when Pennsylvanian Carroll Baker made the trip to Mississippi to star in the film, she found that ‘baby doll’ was a universal form of address for young women there, a sobriquet that seemed to combine the familiar ‘baby’ with a built-in reminder of women’s essentially passive, not to say submissive, role.”
“One can only wonder where the Catholic Legion of Decency and all the other right-wing moral guardians were when, in CinemaScope and with a G rating, Maurice Chevalier, a musical Humbert if ever there was one, celebrated the unripe appeal of Caron’s pubescent whore-in-training with his lasciviously delivered song Thank Heaven for Little Girls.”
“The Bad Seed marks a groundbreaking Hollywood depiction of the darker side of a female child who uses her stereotypically cute looks and presumed innocence to deceive. Shirley Temple, after all, would never have played a pint-sized ax murderer.”
“Made in the same year as the first movie version of Lolita, the original film version of Cape Fear, directed by J. Lee Thompson, featured Robert Mitchum as Max Cady, a vindictive ex-prisoner intent upon exacting revenge from the lawyer who helped to put him away for attacking a woman 8 and a half years before. It contained particularly graphic scenes of Cady attacking both his enemy’s wife and young daughter. (…) Thompson was a lifelong opponent of censorship and battled spiritedly with the American censor who sought to reduce the general violence and tone down Cady’s obvious intention to rape the lawyer’s teenage daughter. Thompson had originally wanted 16-year-old Hayley Mills to play the daughter (‘because she was a very sexual girl’), but ironically enough the very sexual girl was under contract to Disney. Thompson wound up with the rather more anodyne Lori Martin instead. Although far less forthright than Martin Scorsese’s 1991 version of the story (where the daughter actually appears to be aroused by stalker Cady and at one point shares an open-mouth kiss with him), Thompson’s film, aided by a superb Bernard Herrmann score, manages to suggest extreme menace where it cannot be explicit.” “At one point Cady snatches up an egg from a counter and violently crushes it in his fist, spraying yolk and white on his victim’s chest and shoulders and then smearing the mess with the palm of his hand. Not for the first time a determined director discovered that when the censor obliged oblique methods instead of obvious ones, the result could be just as disturbing.”
“Everybody would be troubled by the one biggest—and certainly the longest-running—sex-with-a-minor Hollywood story to dominate the headlines since the passing of Errol Flynn. Started in 1977, it centered on film director Roman Polanski, and its reverberations still continue to be felt over 30 years later.” “In a piece of fatal bad timing, the family returned to Poland just before the Nazis invaded; his mother was to die in Auschwitz, his father barely survived another concentration camp, and the young Roman only just escaped the Jewish ghetto. With such a traumatic start to his life, the various tragedies that he was to encounter later are put into a salutary perspective. Even so, when, in 1969, his pregnant wife Sharon Tate was murdered in the most grotesque and sensational circumstances at their house in the Hollywood Hills, Polanski—who had been absent at the time—was totally devastated and entered a phase that saw him shuttling between the United States and Europe until, in 77, he met the 13-year-old Samantha Geimer.”
“Perhaps the most revealing of Polanski’s Freudian movies is, however, one of the least known. Variously titled What? and (in a censored U.S. version) Diary of Forbidden Dreams, this 1972 film is nothing less than a loose erotic reworking of Alice’s Adventures in Wonderland, in which young American tourist Nancy (Sydne Rome) has some very strange adventures of her own in an Italian coastal town. A disjointed film even before the censor got at it, What? transforms Alice’s rabbit hole into a strange villa peopled with nightmarish inhabitants, one of whom is a retired pimp played by Marcello Mastroianni. A scene in which he interrogates Nancy with all the logic of the Black Queen and then shackles her wrists to her ankles and whips her with a switch is the main reason this film never received a mainstream theatrical release and is still little seen; the handling of the scene is kinky and jokey, and its presence offers further evidence that Polanski’s sexual ideal was a young girl upon whom male dominance could be played out in ritualistic sex games.” Desculpem-me os criminologistas adiantados ou psicanalistas (esses sempre adiantados e sempre equivocados), mas não creio que se possa determinar condição psiquiátrica de perversão sádica e pedofílica via criações artísticas! Estamos em 2008 (data do livro) e isso deveria estar mais claro… Não há relação de causa-efeito entre Polanski diretor e Polanski estuprador, nem “raio X” da vida privada em seus filmes. Antes, como bem antecipou Vickers, o assassinato de sua primeira esposa, sim, foi macabro como uma ficção de mau gosto, esse o paralelo mais visível entre sétima arte e vida real.
“Even Polanski’s late-blooming film noir masterpiece, Chinatown (1974), turns on the childhood sexual trauma of Faye Dunaway’s character, Evelyn Mulwray.” Um dos 10 maiores filmes da História. Ainda sobre o “reflexo da vida pessoal nas criações cinematográficas”, tem aquela piada sobre um matemático que lê um romance vanguardista e pergunta ao final: “Mas o que é que isso prova?”.
“Once raped by her father (John Huston), she continues to protect the identity of a mysterious young girl called Katherine until, in response to a series of face slaps from Jack Nicholson’s exasperated private eye, she finally answers alternately, ‘My sister. My daughter. My sister. My daughter . . . she’s my sister and my daughter’.” Uma das cenas mais impactantes do cinema.
“The implication of the film’s somber ending is that he now wants to gain control of Katherine, his daughter/granddaughter, in order to repeat the abuse” Desculpem o spoiler, mas ainda assim não perderão nada do senso trágico ao assistirem!
“Polanski’s version was that Geimer’s mother had effectively entrapped him with a view to blackmail. Fearing that the plea bargain would not be honored, Polanski left the United States before trial, never to return. He is a French citizen, and France has no extradition agreement with the United States. He remains a European director who has never since set foot in the United States or any country that has extradition agreements with the United States.” Um ano depois deste livro, Polanski foi preso na Suíça, porém foi solto em cerca de 2 semanas diante de pendência documental e irregularidades por parte da justiça americana (source: Wikipédia!).
“Preteen prostitution featured in Martin Scorsese’s Taxi Driver (1976), with Jodie Foster causing a minor stir with her portrayal of 12-year-old whore Iris Steensma.”
“Also in 1976, heavily disguised as a Hitchcockian thriller, came the ultimate daddy’s little girl movie, Brian de Palma’s Obsession. Paul Schrader’s tour de force script has a successful New Orleans businessman lose his wife and young daughter in a kidnapping when he refuses to pay the ransom and a police rescue attempt goes fatally wrong. Ten years later, he meets a girl in Italy who looks exactly like his dead wife. He becomes obsessed with her, they have an affair, and he makes plans to take her back to New Orleans and marry her. Eventually the whole Italian episode is revealed to be an elaborate revenge plan: the born-again wife is actually the daughter who, unknown to everyone, survived the kidnapping and is now intent on exacting revenge from her neglectful daddy. In a Freudian nightmare of a scene, the daughter/lover, played by Geneviève Bujold, is shown toggling between her two roles (high camera angle/low camera angle, little girl’s voice/woman’s voice) during the course of a single breathless walk along an airport corridor. In Schrader’s original script incest took place, but by the time the film was shot and edited, de Palma decided to fudge the issue.”
“In 1978, Louis Malle directed Pretty Baby, an ambivalent soft-focus movie in which 13-year-old Brooke Shields went topless as child prostitute Violet in early 20th-century New Orleans. (…) It seems safe to assume that such a movie might not be made today. The photographer, Ernest J. Bellocq (played by Keith Carradine), evokes shades of Charles L. Dodgson and his photographic studies of little girls previously discussed.”
“In the late 70s, Woody Allen was in the middle of one of his most productive periods of moviemaking. Critics sometimes argued that he kept making the same movie over and over again, a variable celebration of loves found and loves lost from the same neurotic New York perspective of an intellectual with doubts about everything, especially mothers, psychoanalysis, and Judaism. Even for the most skeptical critics however, Manhattan (1979) represented one of Allen’s most satisfying variants on the theme. With its sumptuous black-and-white photography, Allen’s love affair with New York City featured the usual character list of literati and well-heeled academics but this time introduced a new element, a 17-year-old girlfriend for Allen’s mid-40s character. This age discrepancy is a central concern of the movie, never better highlighted than in the scene where Allen, Diane Keaton, and Michael Murphy are walking down the street having a very pretentious discussion about art while the 17-year-old girlfriend, Tracy (Mariel Hemingway), tags along. ‘What do you do, Tracy?’ asks Keaton’s character suddenly, in the middle of talking about the latest profile she has been commissioned to write for an arts magazine.
‘I go to high school’, Tracy replies innocently.
Suppressing a smile, Keaton turns aside to Murphy and says in a barely audible undertone, ‘Somewhere Nabokov is smiling, if you know what I mean’.
No one was smiling when, 13 years later, Allen’s relationship with his girlfriend’s adopted daughter was revealed. Now the age difference was 35 years, and the good-natured, liberal Manhattan was suddenly looked at in a new light by a moralizing press and public. It remains, however, one of the few examples of an American movie—a comedy to boot—that takes an adult, bittersweet approach to such relationships.”
“Adrian Lyne’s 1997 attempt to cinematize Lolita is discussed in detail later, but in the present context it is worth noting that the thoughtful adaptation written by Stephen Schiff was greeted by a reactionary response that shrieked disapproval long before the film was completed or, in some cases, even begun. It was symptomatic of a new unwillingness to address stories focusing on pedophilia that would persist into the next millennium. The news media’s increasingly emotive and sensationalist treatment of child abuse cases in the 90s had helped to create a popular mood of national outrage at not only any actual instances of pedophilia but also at any film, TV program, play, or book that dared to explore the topic. (…) The resulting film ‘censorship’ was less a case of official proscription, more an informal outcome of a mixture of moral cowardice and commercial timidity shown by movie producers and studio executives who feared that acknowledging child abuse in a movie would automatically result in catastrophic box office returns.”
“A vengeful Lolita for the 21st century. In Hard Candy (Menina Má.com, 2005), Ellen Page plays Hayley Stark (a.k.a. thonggrrrl14) who has no intention of becoming the 14-year-old victim of the 32-year-old man who believes he is grooming her on the Internet.” Curiosamente, Ellen virou Elliot – teria algum fundo traumático em sua decisão? Foi Kitty Pride na trilogia X-Men agora clássica. W.: “Page publicly came out as a gay woman in February 2014 and subsequently as transgender in December 2020. In March 2021, Page became the first openly trans man to appear on the cover of Time magazine.”
“The twist comes early, when Hayley encourages Jeff to take her back to his isolated bachelor pad where it is she who spikes his drink and then takes him prisoner before subjecting him to a regime of physical and psychological torture based on her conviction that he is a pedophile and a murderer.” “Canadian actress Ellen Page’s stunning metamorphosis from breathless young teen to self-assured psychopath in the space of a couple of hours surely draws a definitive line under those early movies in which youngsters were admired for successfully aping the manners and mannerisms of adults.”
“‘You used all the same phrases to talk about Goldfrapp as they use in the reviews on amazon.com’ Here is a pleasing inversion of Humbert’s aloof tendency to use arcane Eurocentric cultural references, a private lexical amusement arcade that is largely meaningless to Lolita but that identifies Humbert as a man of the world, in every sense.” “Hard Candy’s inspiration apparently came from Japanese news reports of girls ambushing men seeking underage dates on the Internet. Their tactic and Hard Candy’s reductio ad absurdum of it looks, in the end, less like female empowerment and more like the sort of warfare that brings both parties down into the mud, so rendering them indistinguishable from one another.”
“When Dolores Haze sentenced Humbert to death she did it not with a noose but by accident, through her complete indifference to his late-blooming love and by divulging Quilty’s identity. The melancholic scene where she waves homicidal Dad goodbye one last time from the step of her sad Coalmont home can have only one outcome. Yet Lolita was only ever carelessly, thoughtlessly unkind, whereas thonggrrrl14 (and that snarling spelling, if nothing else in Hard Candy, would surely have been enjoyed by wordsmith Nabokov) is a self-appointed vigilante with a solemn cause, exactly the kind of political character Lolita’s creator famously abhorred.”
6. ON THE ROAD: Lolita’s Moving Prison
“Crucial to any understanding of Nabokov’s nymphet is one of the most exuberant parts of Nabokov’s novel: the year-long road trip. This 11,500 word-section comes at the middle of the book and marks the point of no return for Humbert. It also contains some of the novel’s most revealing details about Lolita herself, details that frequently emerge not in the course of one of Humbert’s typically solipsistic character assessments but very much in the margins of their 27,000 miles journey. [mais que a volta ao mundo!]”
“On the move, Lolita will not be able to make regular friends (in whom she might confide and thus betray him), and there will be no schools, psychologists, or social workers. Instead there will just be a year in limbo, disguised as a vacation for a child who has recently lost her mother in tragic circumstances.”
“It is perhaps tempting to think of this tour—in however debased a form—as being in the general spirit of the Great American Road Trip, that iconic celebration of freedom, optimism, and exploration expressed by driving across a geographically varied nation.” Com efeito, um dos maiores mitos ou lendas urbanas do conto de fadas americano.
“As Lolita’s self-appointed jailer, Humbert is in his own way as much a prisoner of their odyssey as she is.”
“Henry Miller’s dyspeptic tour of 40s America, The Air-Conditioned Nightmare, amounts to little more than a litany of complaints about capitalism, mass media, rapacious industry, easy credit, misinformation, and what Miller called ‘the divorce between man and nature’.”
“Humbert and Lolita’s tragedies are personal ones, not symbolic ones. Nabokov loved America and was distressed by those critics who saw malice or contempt in Humbert’s ironic observations about their ‘lovely, trustful, dreamy, enormous country’. Taylor Caldwell, for instance, praised Lolita but saw it as aiming its destructive fire at the ‘puerile materialistic and sickening fun of the perpetually adolescent American people’.
If Lolita’s road trip has any spiritual cousins, they can be found neither in the political invective of Miller’s prose nor in the morose beauty of Frank’s intentionally bleak photographs but rather in the canon of film noir, where it was almost always personal tragedies that provided the impetus.”
“The widescreen color landscapes that would characterize the next generation of Hollywood road-movie fugitives—Butch Cassidy and the Sundance Kid, Bonnie and Clyde, or Thelma and Louise—were something different again.”
“Jack Kerouac’s novel On the Road was put together and published at approximately the same time as Nabokov’s Lolita. Both books were begun in 1950. Nabokov’s was completed by the start of 1954 while Kerouac’s would not be ready for press until 1957. Stylistically worlds apart, both novels ended up hitting the headlines in the United States at about the same time.”
“Kerouac’s famous book conflated and lightly fictionalized the 1946-50 real-life road trips undertaken by the author and his inspirational buddy Neal Cassady. (By revealing coincidence, Cassady’s interest in an underage girl was one of the things that Kerouac’s circumspect Viking Press editor Malcolm Cowley chose to excise from the manuscript.) Recasting Kerouac as Sal Paradise and Cassady as Dean Moriarty, On the Road expressed in loose, spontaneous prose all the excitement and adventure inherent in breaking the taboos of the day through a series of wild automobile trips dedicated to unrestrained indulgence in sex, drugs, and experimental spirituality. Lolita, by contrast, featured not only elegantly structured prose (the kind Kerouac and Cassady considered sterile) but also a more strategically considered itinerary, one that was designed to divert and restrain a child while camouflaging the sort of taboo breaking that even On the Road’s editor balked at seeing in print.”
“the motel cabins change, but the car always stays the same. Long after Lolita has left Humbert, it is in the recesses of the car that painful souvenirs will turn up unbidden: a 3-year-old bobby pin discovered in the depths of the glove compartment after he has found and lost Lolita for the last time filled Humbert with particularly acute pain.”
“With no new vehicles to buy it was quite usual for 40s cars to put in uncommonly long service with one owner, gradually becoming familiar, battered, and even anthropomorphized extensions of their occupants.”
“Despite Humbert’s bored lack of interest in the American popular music of the day, we learn, by inference, that Lolita favors Jo Stafford, Tony Bennett, Sammy Kaye, Peggy Lee, Guy Mitchell, and Patti Page. This mix does not sit particularly well with Humbert’s assertion that she likes ‘hot, sweet jazz’—these were, after all, mainstream pop musicians, several of whom had hits with smooth metropolitan versions of country songs. Although his loose grasp of genres is quite plausible, Humbert’s boredom with popular music is frustrating; it would somehow have been nice to learn that Lolita sings along to, say, Patti Page’s Confess, and surely even Humbert himself might have found amusing traces of Little Carmen in Peggy Lee’s cheerfully racist ditty Mañana (Is Soon Enough for Me), another jukebox favorite of 1948. We are also told that Lo likes square dancing (no hot, sweet jazz there either), although it is far from clear how Humbert’s strict isolationist regime would allow her to participate in what at the time was essentially a couples community event usually organized by local dance clubs. Perhaps she simply admires square dancing as a spectator.”
“Nothing will dispel Humbert’s fear that he will be found out. Even his enduring confidence in the anonymous privacy of the motel cabin proves misplaced when one night he discovers that their sexual activities must be clearly audible in the neighboring room from which there comes, too late, a clearly audible cough. Yet despite such reminders of the danger he courts, Humbert persists with their aimless tour as the seasons change and Lolita grows slowly more indifferent and then hostile toward him.”
“Nabokov similarly listened to schoolgirl conversations on buses, pouncing on what, even to a man with his prodigious linguistic skills, must sometimes have sounded like a wildly exotic patois.”
“As their Great American Road Trip draws to a close, Lolita is 13 years old, 8 pounds heavier, 2 inches taller, sexually active, reluctantly accomplished at trading physical favors for treats, and well established in the habit of crying herself to sleep on a nightly basis.”
7. TAKE ONE: “How did they ever make a film of Lolita?”
“The 1962 film of Lolita was to give the world its first physical incarnation of Dolores Haze. There were some 800 applicants for the job, and sifting through them took producer James B. Harris and director Stanley Kubrick so long as to threaten to delay the start of shooting. Meanwhile, Vladimir Nabokov was vacillating about becoming involved in the reimagining of his own novel for the screen. Director Kubrick and producer Harris had bought the rights to the book from Nabokov for $150,000 (plus a share of the profits) in 1958, and their first attempt to get the author to write a screenplay had come in July 1959; it amounted to nothing. Although tempted, Nabokov turned them down after a discouraging meeting in Beverly Hills during which Kubrick’s concern about censorship—a concern that was in the end to handicap the film considerably—prompted his suggestion that the screenplay might somehow imply at the end of the story that Humbert and Lolita had been secretly married all along. It was an absurd and unworthy idea, but the author’s initial rejection of the screenwriting job stemmed not just from fears of this sort of compromise but from misgivings about his own role. A novelist, not a scenarist, Nabokov was the first to admit that he had comparatively little aptitude for writing for what he called the ‘talking’ screen.
‘I am no dramatist’, Nabokov conceded in the introduction to his eventually published screenplay, going on to say that if he were he would be a tyrant who demanded control of every single detail of the production, from costumes to sets.”
“Despite declining the initial offer, in late 1959 the chronically insomniac author had subsequently been amused to find himself idly cinematizing certain scenes from his novel in ‘a small nocturnal illumination’. When, early in 60, a renewed and improved offer with the promise of a freer hand came from Harris and Kubrick, he accepted. His fee was to be US$40,000 plus an additional US$35,000 if he received sole credit for the script.
On March 1, 1960, Nabokov met with Kubrick at Universal City to map out some scenes in ‘an amiable battle of suggestion and counter-suggestion’. Then on March 9, both men met the frontrunner for the all-important role of Lolita. She came in the shape of 17-year-old actress Tuesday Weld. Nabokov called her ‘a graceful ingénue but not my idea of Lolita’. For once the novelist with a reputation for selecting the exact word to convey his precise shade of meaning had seemingly made a bad choice. Whatever else she was, Susan Ker Weld, initially nicknamed Tu-Tu, and later Tuesday, was not ingenuous. She was born in New York in 1943 and her father died when she was 3. Although the fascinatingly named Lothrop Motley Weld had come from a wealthy Boston family, his widow and 3 children were left with very little money after his death. Susan started working as a child model at an early age and soon became the family’s sole breadwinner. At 9 she suffered (she later claimed) a nervous breakdown, at 10 she began smoking and drinking, at 11 she started to have sex, at 12 she acted on TV, and at 13 she appeared in a small part in Hitchcock’s movie The Wrong Man. She then attempted suicide after embarking on a series of disastrous affairs with a series of much older men, including 44-year-old Frank Sinatra; she was 14 at the time of that relationship. Here—or so the cynic might think—was the perfect proto-Lolita, at 17 already so sexually experienced that she might safely be considered immune to any further corruption if she impersonated Nabokov’s nymphet. It turned out Weld herself felt much the same way but came to a different conclusion. ‘I didn’t have to play Lolita’, she claimed. ‘I was Lolita.’ So she turned Kubrick down, announced a move away from teen roles altogether, and went to study at the Actors Studio. She went on to have sexual liaisons with Elvis Presley, Albert Finney, Terence Stamp, George Hamilton, Gary Lockwood, and a number of other male actors considerably older than herself. Her movie career eventually turned out to be uneven and largely disappointing, even though she did earn some credit for appearing in a number of offbeat or risky movies. Among these were George Axelrod’s bracing satire of teen culture Lord Love a Duck (1966) and Noel Black’s chillingly effective Pretty Poison (1968), a kind of contemporary variant of Bonnie and Clyde in which Anthony Perkins’s lethal sociopath proves no match for Weld’s deceptively innocent-looking all-American high schooler. Eventually her career disintegrated, and despite a 1984 appearance in Serge Leone’s Once Upon a Time in America, Tuesday Weld is most usually remembered as a feisty, gap-toothed, 1960s teen sex kitten, a living precursor of the popular Lolita stereotype. But what if she had played Lolita, one wonders? Would her own wild young life have fused with Lolita’s fictional one to inject some authentic whiff of sex and experience into the role? Or would things have turned out much the same as they eventually did in Kubrick’s film? We cannot know, but it seems a pity that this always-interesting actress was not the first to flesh out Lolita for the screen. She might have been good.”

“By September 25, 1960, the question of casting had been settled without any further consultation with Nabokov. On that date, at Kubrick’s Beverly Hills house, the director showed the author some photographs of Sue Lyon (‘a demure nymphet of 14 or so’ was Nabokov’s neutral verdict) whom, Kubrick assured him, could easily be made to look younger and grubbier for the part.” “After Kubrick cast her, Lyon issued a conventional kind of Hollywood press release with a few innocuous details about herself: she was ‘just an ordinary, typical sort of grown-up American girl’, she claimed, and playing Lolita, she felt certain, would not change her. As things turned out, it was an optimistic prediction. At 14, Sue Lyon had a pretty face and a shapely figure that combined to give her an intermittently adult look, albeit one so bland that Kubrick had felt the need to reassure Nabokov that this blonde teenager could somehow be dirtied up to resemble his tomboyish, chestnut-haired little girl. She never was, and in most scenes of the film she would look closer to 21 than 12.”
“When exactly is Kubrick’s Lolita set? The 40s of the novel? Apparently not. The 50s? The early 60s? In terms of sexual behavior (and quite a lot of other things) these were very different decades, so it is extremely strange not to have the period clearly identified from the start. Kubrick’s film looks strangely adrift in both time and space. While the novel was happy to ‘fictionalize’ place-names as part of its conceit about protecting the innocent, the locales Nabokov created were all diligently observed, and in terms of geography and dates, the book is extremely precise and specific. Those scholars who have taken the trouble to deconstruct Humbert’s many schedules and itineraries have found the novel’s internal topography and calendar to be carefully planned”
“In the course of the film it slowly emerges that Kubrick seems to have set the action about 10 years later than the novel—although deducing even this much requires some distracting detective work on the part of the audience.”
“Lolita was shot in and around Elstree Studios a few miles north of London.” “This results in the complete absence of any authentic sense of place. In another pragmatic ploy, Kubrick cast an informal repertory of expatriate Canadian supporting actors (Cec Linder, Lois Maxwell, Jerry Stovin, Shirley Douglas, Isabelle Lucas) and so introduced accents that, while not those of old England, hardly suggested New England either. Of course, such practices were not uncommon in low-budget movies of the time, but they were more likely to be seen in modest British supporting features than a high-profile MGM production.”
“The embossed legend on the cover of Humbert’s pivotal diary clearly reads ‘This Year’ instead of an actual year (1947, we are specifically told in the novel). Lolita’s begging letter to Humbert is dated with the month and day, yet it too omits the year. Again, this looks like an intentional ploy to be vague. No authentic contemporary popular music is featured at any point in the film, despite Lolita’s jukebox mania that Nabokov so lovingly addressed in the book—all that research into the names of late 40s pop singers. All we get is a rather syrupy Nelson Riddle score, a vapid song, specially written and best forgotten (There’s No You), and an insistent instrumental theme tune that rings out randomly from a radio, a band at the prom, and other places—music in a vacuum to match the ersatz locations. Inevitably, though, there are one or two period clues. Lolita plays with a hula hoop on the Ramsdale lawn (the hula hoop craze dates from 1957) and joins Charlotte and Humbert at a drive-in to watch the Hammer movie The Curse of Frankenstein, also 1957 vintage. [primeiro filme de horror a cores – mas obviamente preto e branco nos frames de Lolita…]”
“The film opens with the book’s climax: Humbert’s tragicomic murder of Quilty. We do not know why this urbane English-sounding man (James Mason) has come to a stranger’s ornate and cluttered house to commit a murder, but commit it he does after a series of comic delaying tactics from his victim, played—overplayed, some would say—by Peter Sellers. Buying time, a drugged or drunk Quilty assumes the identity of Spartacus (a nod to Kubrick’s previous film) while wearing a dust sheet as a toga and orchestrates a surreal, one-sided Ping-Pong match. He goes on to approximate the twangy accent of the archetypal old Western sidekick—a Gabby Hayes or a Walter Brennan—to read aloud an accusatory poem that Humbert hands him. The poem is a parody of T.S. Eliot’s Ash Wednesday, and this arcane literary touch, lifted from the novel, surely sits uncomfortably in a mainstream movie. Quilty then puts on boxing gloves and immediately takes them off again when Humbert begins firing his pistol in an unintentional echo of the amateurish marksmanship in the Western movies that he, Charlotte, and Lolita once sat through. Quilty goes on to pretend to compose a song at the piano before making a run for it and finally gets fatally shot while cowering behind a large framed reproduction of an 18th-century portrait of a woman.” “A close-up of the bullet-riddled painting marks the end of a spirited opening sequence that nonetheless denies us any hint of the gory and surreal horror of Quilty’s death as depicted in the book. Nabokov portrays him as an assassinated tyrant, a fallen king who is ‘bleeding majestically’ in his slow retreat to the master bedroom, suddenly developing ‘a burst of royal purple’ where his ear had been. Here his death is, literally, stylized out of sight.”
“Much has been omitted, some of it disastrously. We do not see or hear anything of Annabel Leigh, and we learn hardly anything at all about Humbert’s lifelong obsession with nymphets.”
“Here she is at last: Lolita made flesh. What, contemporary audiences might have asked themselves, was all the fuss about? Sue Lyon simply looked like a slightly more sophisticated version of Sandra Dee, the blue-eyed blonde who, in her Gidget persona, was the epitome of naughty-but-nice late 50s teen sex appeal. Certainly Kubrick had a vested interest in making his Lolita look as old as possible on the grounds that a teenager was less likely to fall foul of the Production Code Authority than might an ostensible 12-year-old. In keeping with the general calculated vagueness of the film, however, Lolita’s age is never actually given at all on-screen.”
“In response to its rhetorical tagline ‘How did they ever make a movie out of Lolita?’ the June 14, 1962, New York Times review supplied a neat and obvious answer: they didn’t. Instead, ‘they made a movie from a script in which the characters have the same names as the characters in the book, the plot bears a resemblance to the original and some of the incidents are vaguely similar’, Bosley Crowther wrote. ‘But the Lolita that Vladimir Nabokov wrote as a novel and the Lolita he wrote to be a film, directed by Stanley Kubrick, are two conspicuously different things’.”
“In truth, Nabokov can hardly be said to have written the finished film’s screenplay at all, although he certainly wrote a screenplay, a version of which was eventually published in 1973.”
“Knowing the difficulties Kubrick eventually experienced in faking a plausible Ramsdale in England, one can only smile at the alarm he must have felt upon being required by Nabokov’s prologue to simulate the following: the French Riviera, Paris, a voyage into New York Harbor (Humbert, ‘Dramatically Standing on a Liner’s Deck’, sees ‘The towers of New York looming in the autumnal mist’), and a nursing home, a library, and assorted exteriors for the retrospective parade of European nymphets. Kubrick’s solution was to cut the entire prologue and, after Quilty’s murder, begin the story in flashback with Humbert’s arrival at Charlotte’s house 4 years earlier.”
“Nabokov, who regarded Kubrick as an artist, was initially very disappointed when he finally saw the movie that used only odd scraps of his screenplay (rumor has it that Kubrick and Calder Willingham cooked up the eventual screenplay between them, but Kubrick would never be drawn on the matter, and it was Nabokov who was nominated for an Oscar for best screenplay).”
“Revisiting Lolita now, the viewer may find that Sue Lyon comes out of it rather well, delivering the best and least stagy performance, but the plaudits belatedly given to James Mason’s Humbert, Shelley Winters’s Charlotte, and Peter Sellers’s Quilty seem more generous than accurate. Winters was certainly in top form as the overbearing, sexually frustrated, culturally pretentious Charlotte, but in the end her character comes over as nothing more than a grotesque at whom it is easy to laugh but about whom it is hard to care. Mason, meanwhile, is forced to underplay Humbert with a good deal of dry comedy, as if taking part in a dark sitcom. In the end his Humbert comes over as a good-looking but ineffectual rogue who suffers from occasional bouts of bad temper as he seeks to seduce a pretty teenager while living in a decidedly tense domestic situation.” “Deprived of the novel’s inner voice and hamstrung by a timid script, the actor cannot begin to hint at take one Humbert’s haunted past, his eviscerating humor, his awful sexual obsession, his calculating cruelty.” “There is little doubt that Kubrick’s decision to give Quilty so much screen time and Sellers so little direction imbalances the film badly. A figure that should be a malign, shifting shadow keeps taking center stage and doing cabaret turns.”
“He shot Killer’s Kiss himself on location in New York City in 1955, and although it obviously suffered from a very low budget and was forced to use largely unknown actors, most of whom were destined to stay that way, it does contain some fine visual material with bright, monochrome vérité footage of Times Square and dramatic waterfront skylines offsetting the mean warehouses and hotel room interiors. Kubrick explored film noir again in his next picture, the celebrated 1956 racetrack heist movie The Killing, and again seemed very much at home with it. It is a shame that he did not revisit the genre—even in a spirit of parody—for his treatment of Lolita, a novel that positively bristles with both literal and oblique references to such films”
“Lyon’s brief 1950s TV apprenticeship seems to have prepared her well to give what is the film’s only truly unaffected performance.” “Ironically, it is in such automobile sequences that she seems closest to Nabokov’s Lolita—because it is those sequences that represent the film’s most conspicuous betrayal of the book after its denial of pedophilia. Incredibly, the novel’s epic road trip, that beautifully evoked yearlong, looping journey to nowhere that forms the centerpiece of the novel, is effectively omitted from the film altogether. Gone is the vast promise of the U.S. highways, the idiosyncrasies of the roadside lodgings, the elegant irony of a perpetually moving prison set in a limitless landscape, and the full rotation of the seasons through August 1947 to August 1948. It is replaced with two shorter trips, each with its own specific destination and each staged here in a series of static tableaux showing Lolita and Humbert sitting in their studio-bound car with only back-projected scenery for context. The first trip is from eastern summer camp to Idaho, where Beardsley College awaits them (the institution has been transplanted from its eastern location in the novel, presumably to enable this revised cinematic schedule); the second is from Beardsley to points south, in what Humbert believes to be a mutually agreed bid to escape to Mexico, although this trip has actually been surreptitiously proposed and stage-managed by Clare Quilty. Here, though, on Elstree’s virtual road, Sue Lyon’s Lolita is at her most plausible and sympathetic. The enclosure of the car, with both passengers in the shot, gives Lyon and Mason a chance to spark off each other at close quarters without distractions. Freed of those aging fashion accessories, Lyon even looks closer to her actual age as she sucks on a soda straw, chews gum, pulls faces, and alternates between bright acquiescence and whining protestation with a palette of expressions that ranges from diffuse prettiness to slack-mouthed vulgarity—probably a pretty good approximation of what Nabokov had in mind. But because we don’t fully grasp that Mason’s Humbert is a pedophile, we can only really see these scenes as conventional father/daughter sparring matches, not unlike those traditionally practiced on-screen by everyone from Spencer Tracy and Elizabeth Taylor to Ryan and Tatum O’Neal. This couple may be sharing motel bedrooms, but the audience might be forgiven for thinking that the most intimate thing that happens there is what was shown behind the film’s opening credits: Humbert solicitously painting Lolita’s toenails.
Stanley Kubrick’s perennial defense of the absence of sex in his Lolita was that in the early 60s censorship simply made it impossible to do justice to Nabokov’s theme. His justification, often repeated and paraphrased, was ‘because of all the pressure over the Production Code and the Catholic Legion of Decency at the time, I believe I didn’t sufficiently dramatize the erotic aspect of Humbert’s relationship with Lolita. If I could do the film over again, I would have stressed the erotic component of their relationship with the same weight Nabokov did’. Yet, as Elizabeth Power pointed out in her 1999 article ‘The Cinematic Art of Nympholepsy: Movie Star Culture as Loser Culture in Nabokov’s Lolita’, ‘Other contemporary and even earlier films suggest that Kubrick’s placement of blame on censors is not particularly accurate or convincing’. It is true to say that, by the 1960s, pedophilia was very occasionally starting to be acknowledged in mainstream films. Samuel Fuller’s The Naked Kiss demonstrates the early difficulties of depicting it. A serious but wildly expressive filmmaker rarely given to understatement, Fuller has his heroine, reformed call girl Kelly (Constance Towers), discover her society fiancé molesting a little girl in his own home. The film deals with the moment of discovery so oddly that at first it is hard to understand what is going on. A little girl emerges from a corner of the living room and runs out dutifully as if to play. Only then do we see Kelly’s grim-faced fiancé also emerging from the shadows. We are left to infer what was going on from Kelly’s hysterical response, which involves clubbing and killing her intended with a heavy telephone. Awkwardly presented as the scene is, The Naked Kiss does at least try to address the hot issue head-on and, in doing so, is one of several films of the time to undermine Stanley Kubrick’s routine defense of the complete absence of sex in his Lolita by citing the censor as an immovable force. The Naked Kiss was made in 1963 and released in 1964. Two years later, Kubrick’s Lolita, actress Sue Lyon, would give a far sexier performance as a jailbait teen Charlotte Goodall to Richard Burton’s disgraced preacher in John Huston’s movie of Tennessee Williams’s The Night of the Iguana.”
“Taking a broader view of Kubrick’s work, the director seemed to have a pathologically uneasy relationship with the forces of censorship, whether applied externally or, more usually, by himself. He effectively withdrew his own Fear and Desire (1953) from circulation by buying up all known prints. He blocked any rerelease of A Clockwork Orange (1971) in Britain after its initial showing there, allegedly because of fear of copycat crimes of violence; it was then not seen in Britain for 30 years and only reemerged after Kubrick’s death. Despite scant evidence of undue censorial interference with any of his work prior to Lolita, he seemed hamstrung by worry about the censor even before the screenplay was written. His line seems to have been not that the censor demanded cuts but that he himself did not venture to risk a confrontation. A difficult and complex man, Kubrick has been the subject of many studies, but the rest of his odd movie career lies outside the orbit of this book.” “In what Nabokov might have called a thoughtful Hegelian synthesis, Kubrick’s final movie, the disastrous Eyes Wide Shut, involved the elaborate replication of Manhattan streets on the lot at Elstree Studios. This time it was rather more persuasively done.”
“Ten years later, Sue Lyon’s life was a mess. It emerged that even the innocuous press release she had issued on getting the part had been a lie—this normal American girl had come from a deeply troubled background. Now she claimed her mother had driven her father to suicide when she was just 10 months old. Penniless, they took in lodgers, one of whom tried to rape 8-year-old Sue at knifepoint. She first had sex at the age of 12, became a model, and at 17 entered into the first of 4 marriages. She was diagnosed as bipolar and put it all down to Lolita. Sue Lyon may have been dramatizing and transferring blame for her bad luck, bad judgment, or bad behavior, but then again she may not. In the days when she still talked about her Lolita experience at all she said, ‘I defy any pretty girl who is rocketed to world stardom at 15 in a sex-nymphet role to stay on the level path thereafter’. By the time Adrian Lyne’s film of Lolita came out in 1997, Lyon, it seems, could no longer even consider the dreaded name rationally. ‘I am appalled they should revive the film that caused my destruction as a person’, she told Reuters news agency in a by now rare public statement. Lyne’s film would be no revival, it would be a completely fresh cinema treatment of the novel, but Lyon was beyond such distinctions in her hatred of Lolita, the poisonous name of her nemesis.”
“The book Zazie dans le métro, as mentioned in chapter 3, was written by Raymond Queneau, who greatly admired Nabokov’s Lolita and gave his own child heroine her looks as well as her mix of innocence and cheerful vulgarity. Visiting Paris, provincial Zazie wants nothing more than to ride the metro of the title, the city’s subway system, but it is immobilized by a strike. So she shakes off her dubious guardian, a female-impersonator uncle, and explores Paris on foot. The book makes playful use of phonetically spelled French slang, much of it vulgar, in an episodic, literary tale that Malle’s 1960 color movie recast as a fast-moving farce with silent movie gags and Road Runner references instead of the linguistic allusions. Malle cast young Catherine Demongeot as Zazie. Demongeot, it has to be said, would have made the perfect Lolita: 12 years old, chestnut hair, slangy speech, mischievous and rebellious, she is also sexually neutral in a way that means any middle-aged man shown to be attracted to her would be immediately identified by his singular craving and not excused as having a more conventional appetite for pretty young girls. Demongeot (who would jokily reprise her Zazie role in Jean-Luc Godard’s Une femme est une femme one year later) is perhaps the ideal screen Lolita who never was.”
“It would be 35 years before the next movie of Lolita appeared. In that period the Lolita brand would take off in a giddying multiplicity of directions. Yet the enduring irony of Stanley Kubrick’s film was that it in no way added to the popular myth of Lolita as promiscuous seductive teen.”
“A further irony: a complete absence of sex was one of the few criticisms that could not be leveled at Lolita’s next two incarnations, both of which would be on the stage. A legendary lyricist felt he could do justice to the story in a musical setting, and then one of America’s leading playwrights took it on himself to pay his own theatrical tribute to Nabokov’s heroine. Subsequently, each might have had grounds for joining with Sue Lyon in identifying Lolita as a force for evil.”
8. DRAMATIC ART: Lolita Center Stage
“The novel Lolita, heavily dependent on a narrator’s internal monologue, does not seem to lend itself well to stage presentation—even less so than film presentation, which leaves open the possibility of voice-over. It does present one advantage over a film treatment, however: the cinema’s troubling demand that only a little girl can plausibly play Lolita is potentially eased.” “Without close-ups, a theatrical performance does not necessarily need a very young girl, just one who can play young; this freedom also makes the later depiction of a 17-year-old Lolita a lot easier.” “The first attempt to put Lolita onstage, however, did not take advantage of this option with regard to age. It was one misjudgment among many in what was to become a resounding commercial (if not an artistic) disaster. Helmed by talented people, this venture was doomed to fail before it began. It was Lolita, the musical.”
“Lyricist Alan Jay Lerner was a Harvard-educated man, a student friend of John F. Kennedy who had progressed through Harvard’s Hasty Pudding musicals to become a writer of continuity scripts for the long-running NBC/CBS radio show Your Hit Parade.”
“Nabokov had only been persuaded to give his approval to the project because, as in the case of Stanley Kubrick, he was always sympathetic to those whom he considered serious artists even when he knew little about their chosen medium. Nabokov had already demonstrated, with his elephantine screenplay for Lolita, that he had no real idea how films were written, let alone made; now his often-admitted lack of appreciation for music disqualified him from assessing anything but Lerner’s impressive track record of writing intelligent, literate musical books.”
“Richard Burton turned down the role of Humbert, so British Shakespearean actor John Neville (much later of The X-Files [um dos velhos do círculo conspiratório do Smoking Man]) was cast in the key role.” “The reviews were so bad that producer Norman Twain closed immediately for a complete overhaul. Annette Ferra, the 15-year-old originally cast to play Lolita, was replaced. They would try out again in Boston, premiering at the Shubert Theatre on March 15, 1971, for an intended run of 3 weeks. The cast now included a new Lolita, 13-year-old Denise Nickerson.” “The revamped show won some qualified plaudits from the critics in Boston, mainly for Lerner’s lyrics and John Neville’s Humbert, a portrayal apparently distinguished not only by a good performance but also by a strong vocal contribution. Dorothy Loudon’s Charlotte was colorful enough to be sorely missed when she died at the end of the first act. The public, however, did not really miss her because they never came in the first place. Lolita, My Love closed after only 9 poorly attended performances and never made it to New York.” “The show lost $900,000.” “What remains of Lolita, My Love? The poor quality audio recording, probably taken from the soundboard during rehearsals, still exists.”
“In the end, Lolita, My Love disappeared into the well-populated Hall of Shame of failed musicals, along with the now-legendary Carrie, a musical version of the Stephen King/Brian de Palma horror-fest that faithfully included the film version’s opening shower room scene in which Carrie is taunted for being terrified by the onset of her first period.”
“Perhaps, after all, the show was as good as it could have been, but the faulty foundation upon which it was built was the assumption that the public was ready for a musical about a child molester. The presence of a 13-year-old leading lady probably made it an even more distasteful prospect for its presumed audience.”
“A happy-ending footnote was that, in contrast to Sue Lyon’s experience, the Curse of Lolita did not ruin Denise Nickerson’s life; after a good run in film and TV (including a stint on The Brady Bunch), she moved to Colorado and became an accountant. In the same year Lolita, My Love flopped she also appeared in the film Willie Wonka & the Chocolate Factory and was thus fondly remembered by a whole generation not as a sexualized child in a musical but as Violet Beauregarde, the gum-snapping kid who turns into a blueberry in Roald Dahl’s famous morality tale.”
“Albee’s body of work already included The Zoo Story (1959), The American Dream (1961), and Who’s Afraid of Virginia Woolf? (1962), so his reputation seemed secure, and few had demurred when he was dubbed one of the few genuinely great living American dramatists.
Albee’s Lolita made its debut at the Brooks Atkinson Theatre in New York City on March 19, 1981, almost exactly 10 years to the day after Lolita, My Love folded in Boston.”
“this time Lolita was played by 25-year-old Blanche Baker, whose mother, Carroll Baker—at about the same age—had played Tennessee Williams’s Baby Doll Meighan. [ver acima]”
“Donald Sutherland, the Canadian movie star who had not acted on stage for 17 years but who could offer an approximation of the British accent he mastered during his extended 60s sojourn in London, was Humbert Humbert.”
“it was a total disaster.”
“Retracing the texture of an ephemeral event like a theatrical performance over a quarter of a century later is not an exact science. We have the reviews (in this case universally damning), but we cannot revisit what they were reviewing. We do, however, have Albee’s published play, presently included in volume 3 of his collected works. A caveat from the author suggests that, as with most of his plays, he has, in new collections, tweaked a few things with the benefit of hindsight. (This was a liberty upon which Nabokov would have frowned; once the piece was written, that was it as far as he was concerned—it was time to burn the rough drafts and alternative versions and move on.)”
“Its most daring device is that of introducing a detached authorial voice, embodied by the character of A Certain Gentleman who provides an ironic, Olympian commentary on the proceedings, often bantering with exasperated Humbert (who is given to complaining about the way the action is turning out and even the quality of the writing) and generally reminding the audience that this story has a puppeteer for an author. This is a strangely dated 60s device redolent of those fleetingly modish TV plays that would reveal the camera crew to remind the audience that it was watching a TV play, or new-wave movies like Jean-Luc Godard’s Le Mépris, where the mechanics of moviemaking self-consciously intrude at every turn.”
“Humbert obliquely mocks the author’s decision to give Annabel a surname that so obviously evokes Poe’s doomed heroine; he finds the device of Charlotte coming upon Humbert’s incriminating diary corny.” Divertido.
“The robe falls, Lolita is naked onstage, and her popular reputation as a brazen tramp is further advanced. The plot grinds on, more or less faithful to the letter of the novel but missing its bittersweet spirit entirely; fellatio and cunnilingus are simulated; the epic road trip (now meaninglessly inflated to 500 days) is included but can only be suggested by fragmented scenes in stylized motel rooms; Clare Quilty is represented in a manner that apes Peter Sellers’s disruptive chameleonic turns in Kubrick’s movie; Lolita leaves, Humbert grieves, and the play ends as does the book with Quilty’s murder and Lolita’s death in childbirth.”
“‘No one who saw the execrable production the play received on Broadway could penetrate through to the homage I was paying to Nabokov’, wrote Albee in a 2005 introduction to the play.”
“(Blanche) Baker, chosen after a long talent hunt for prepubescent sexpots, is disappointing as Lolita. She begins as a little girl with a lollipop and swiftly becomes a brat with a staff sergeant’s mouth and no trace of dreamy allure.”
“Albee, it seemed, was now yesterday’s man, a remnant of the 60s completely out of place in the new, Reaganite 1980s.” Stephen Bottoms
“The film based on Albee’s play was never made, although the contract held good and Albee’s camp actually collected on Adrian Lyne’s 1997 film that bore absolutely no relation to Albee’s drama. The intended opera, slated to be co-written by Leonard Bernstein, also failed to materialize after the drubbing the play received. Eventually, however, another opera did surface, this time rather unexpectedly in the Swedish language. Having seen how Alan Jay Lerner and Edward Albee fared, one might have expected Rodion Schedrin to demur, but late in 1994 the Russian composer premiered his 4-hour opera of Lolita at Stockholm’s Royal Opera. Due to another wrangle with the Nabokov estate (Schedrin had written the libretto but neglected to secure the rights), it was not possible to perform it in Russian or English, so it was translated into Swedish. There were 8 Stockholm performances spread across December 1994 and January 1995, and critics found little to admire in Schedrin’s words or music, although soprano Lisa Gustaffson’s portrayal of Lolita was praised, as was the production in general and John Conklin’s boldly stylized stage design, replete with imaginative icons, symbols and logos of 50s America.”
“These extreme examples of dramatic disaster would seem to suggest that no sane person would ever again try to put Lolita on the stage. Yet it is in the nature of theater to revive and rework past failures to see if it was the times or something more intrinsic that defeated them first time around.”
“In 1999, the 100th anniversary of Nabokov’s birth, the International Theatre Workshop tackled it at Lower Manhattan’s Gene Frankel Theatre. In the opinion of Zembla, an admirable Web site for Nabokov fans, Russian director Slava Stepnov’s vision of Lolita here was ‘less about sex and pedophilia than . . . about being a slave to one’s own ego’.”
“A 2003 Oxford University student version also produced for Edinburgh was adapted by Aidan Elliott and had Lolita ‘clambering all over Humbert with an offensive and almost comical lack of subtlety’ according to one critic.”
“Dmitri Nabokov has praised a ‘truly fine’ Milan theatrical production of Lolita by Luigi Ronconi that was based not on Albee’s play but on Stephen Schiff’s screenplay for Adrian Lyne’s 1997 film.”
9. THE SPIRIT OF FREE ENTERPRISE: Every foul poster
“Lolita, although too young to be socially aspirational in that particular way, does seem to have inherited her mother’s touching trust in the heady promises of lifestyle magazines and adds an insatiable consumer’s appetite for the dreams such magazines promote. America’s golden period of consumerism might still be 2 or 3 years in the future, but even during the relative austerity of the late 1940s, the constant allure of consumer goods and services is already a potent force in Lolita’s young life. Modern kids usually want the same toys, clothes, and gadgets that their friends have, but Lolita’s constrained circumstances meant that she did not even have friends for much of her meager childhood.”
“Rachel Bowlby, in her essay ‘Lolita and the Poetry of Advertising’, writes: ‘It is Lolita who is the poetic reader, indifferent to things in themselves and entranced by the words that shape them into the image of a desire that consumption then perfectly satisfies. Appearing under the sign of <novelties and souvenirs>, anything can be transmuted . . . into an object of interest, worth attention.’”
“It all began with that 1962 movie poster featuring a stylized Lolita sucking a scarlet lollipop and peeping over the lenses of sunglasses equipped with red heart-shaped frames. Her flirty gaze is contained, top and bottom, by the out-of-focus horizontals of a car window frame (although these were sometimes airbrushed out in the innumerable variants used for international posters and paperback book covers). Fashion photographer Bert Stern, who took the picture, seems to have toyed with the idea of making Sue Lyon into an adolescent Marilyn Monroe, an aim more obvious in another color shot from the same sessions.”

“At the time, Stern was already fascinated by Monroe, of whom he would soon take some 2,500 photographs in a 3-day session shortly before she died in 1962.”
“heart-shaped glasses and other items were to become a loose trademark vaguely suggestive of very young, sexually available girls. In this way a counterfeit Lolita fashion was founded upon an accessory that had nothing whatever to do with the Lolita that Nabokov had realized in such precise detail and diligently accoutred with all those faded blue jeans, plaid shirts, tartan skirts, gingham frocks, and sneakers. Worse was to come.
Nabokov was still alive when, to his amused revulsion, life-size Lolita sex dolls first became available, fully equipped with the appropriate apertures. Now, in the 21st century, the Bratz range of sexy, Barbie-with-attitude dolls for girls is rarely discussed without some passing reference to Lolita.”
“Both commentators took the view that targeting very young girls was mainly a commercial decision undertaken by companies who were running out of female teenage consumers and who saw not only an immediate impressionable preteen market to exploit but also a valuable recruitment platform for tomorrow’s teenage customers.”
“It has also lent itself to fashion styles and trends as far removed from 40s Ramsdale as Mars or Venus.”
“British artist Graham Ovenden’s series of Lolita paintings and prints from the mid-70s caused a minor scandal when they were first exhibited, but they were defended as art rather than pornography, just as Nabokov’s book had been—although in this case perhaps with less demonstrable justification. A vague adherence to certain locales of the novel (Lolita at the Lake, for example) and Ovenden’s obvious skill as a draftsman could not change the fact that his artfully undraped Lolita owed rather more to some Pre-Raphaelite erotic stereotype (long luxuriant hair, a fey self-absorption) than to Dolores Haze. Some of Ovenden’s other works, such as those depicting Lewis Carroll’s Alice or 5 seminude contemporary girl children only identified by their first names, seemed to reinforce a legitimate suspicion that a graphic talent and the fame of others were being used to legitimize a personal obsession. Another Briton, David Hamilton, also courted controversy in the 70s with his numerous soft-focus nude photographic studies of girls in their early teens. Despite a credible early career as a 60s fashion photographer for Vogue, Elle, and other upscale glossy magazines, Hamilton always remained a suspect cultural figure in the United States and Britain, and his reputation was not helped when he directed a clutch of soft-core porn movies of which Bilitis (1977) remains the best known.”
“New York City–born photographer Jock Sturges has also faced repeated charges that his work was child pornography masquerading as fine art. In 1990, his studio was raided by the FBI, who confiscated much of his work and equipment. The offending images were of children of both sexes, most of whom were characterized by their nakedness, their physical beauty, and the kind of untroubled, eyes-straight-to-the-camera gaze that in itself seemed to be challenging and confrontational to the forces of conservatism.”
“Many of his images were certainly of very young girls, and in their studied informality, it could be argued that they were hardly any less contrived than Charles Dodgson’s Victorian tableaux. The difference was that these were pictures of modern young girls who were growing up in a knowing culture of sophisticated magazines, movies, and TV commercials, the beneficiaries of late 20th-century health care and nutrition posing naked on the recognizable beaches of west coast America or France. Without the distancing effect of yesterday’s technology and dated visual manners—dubious excuses to be sure—to some this looked like conceited pornography. To others it was a celebration of the female body’s beauty at its most striking. After a year, that FBI raid resulted in a grand jury throwing out the child pornography case. The public trial of a photographer, who had been born in the year of Lolita’s Great Road Trip, had given a new generation, too young to remember the public outcries about Nabokov’s novel, a minor child pornography debate of its own.
Sally Mann’s photographs incited similar divisions in the late 80s, particularly with her second published collection of pictures, At Twelve: Portraits of Young Women.” “Occasionally cropping her subjects in ways that might invite the charge of fetishizing certain body parts, At Twelve: Portraits of Young Women seemed to up the ante by going out of its way to draw attention to the blurriness of the line between childhood and adulthood, innocence and experience, pornography and art. When her next collection turned the lens on her own children, it caused a new outcry. Immediate Family (1992) contained what Art in America critic Ken Johnson called ‘luminously beautiful black-and-white images of mysteriously elfin children’, while other observers considered it further evidence of Mann’s fondness for sexualizing children, now with a suspicion of incest thrown in.”
“A fair-minded reviewer might have disentangled this cultural muddle, but Blundell (who does not let the fact that she never even read all of Lolita prevent her from offering the absurd assertion that its author concluded that the molestation of girls turns them into sexy, self-sufficient women) simply co-opts Mann’s images as an excuse to air her own feelings about child abuse. Her review is worth dwelling on only because it is typical of many responses to this particular subject. When it comes to discussions of child abuse, sociological or artistic, there always seems to be people for whom the very idea is so incendiary that they cannot wait to begin with their own moral conclusion and then work backward to try to make the facts support it. They always seem content never to have read the book or seen the movie or play that is central to the debate; moral certainty, it seems, makes the gathering of supporting evidence unnecessary.”
“One of Lolita’s more high-profile instances of commercial fame has come from having her name adopted by a Japanese youth fashion. Lolita Fashion in general connotes a frilly fantasy in which Japanese teen or preteen girls dress in a wildly stylized approximation of Western Victorian or Edwardian girls, often complete with lacy parasol, teddy bear, and Little Bo Peep hat or frilly headdress—Alice Liddell on LSD. More famous still is the Lolita Fashion subcategory Elegant Lolita Gothic, usually shortened to Lolita Gothic, ELG, Loligoth or GothLoli. Extrapolating conclusions from all of this is inherently problematic, since delving into Japanese popular culture at all is fraught with pitfalls for most Western commentators. It seems even the most innocent assumptions about shared societal values cannot be made when it comes to Japan. In the present context it may be plausibly argued that Japan actually sanctions, or at least broadly tolerates, a national male obsession with schoolgirls. The sexual politics of the Japanese Gothic Lolita phenomenon is therefore something of a minefield.”
“In Japan that look has been traditionally based on a school uniform of the sailor fuku style (white blouse, blue collar, red tie, short blue pleated skirt), although an auxiliary range of fetishized school outfits also exists in the various forms of navy blue one-piece swimsuits, gym clothes comprising tight white top and navy blue tights, and schoolgirl variants of traditional Japanese martial art clothing. On the face of it, this would seem to be comparable to American male fantasy fetishes for schoolgirl, Girl Scout, or cheerleader outfits. Yet in Japan the Lolita Gothic fashion phenomenon—which might at first be considered nothing more than another variant of the school-age girl fantasy—is also part of modern Japanese youth’s own fondness for Visual Kei and CosPlay, role-playing that uses elaborate costumes, hairstyles, and makeup to create fantasy personae.
Attracting boys as well as girls, Visual Kei finds a distant Western echo in the British glam rock era of the 70s, a movement that spawned David Bowie, Queen, and Roxy Music. It was mainly androgynous-looking males who dominated, but the symbiosis between the music and the elaborate theatrical costumes adopted by performers and fans alike seems to prefigure Visual Kei. Certainly there has been a Japanese rock music connection in the form of bands such as Rentrer en Soi and MUCC (ムック), who adopted role-model outfits to inspire their fans to imitate and compete.
By being part of the Visual Kei movement, Lolita Fashion and Lolita Gothic have therefore come to represent a particular form of self-expression for young Japanese girls that seems poised between the traditional role-playing of Kabuki and the elaborate sartorial confection of the geisha, which—at least in the form of oiran geisha—has clear associations with prostitution. So here is a stylized hybrid movement of rebellion and self-expression based on an image that seems to derive from a Japanese male erotic stereotype and is therefore overloaded with cultural and sexual references that leave journalists groping for plausible sound-bite descriptions. French maid meets Alice in Wonderland. Shirley Temple meets Morticia Addams. Victorian frills with glam rock platform shoes. Baby Doll as a Black Sabbath groupie. No words can quite do justice to the impact of Japanese Lolita Gothic, not least because it very much depends upon whom it is having an impact. Lolita Gothic has been adopted by young Japanese women whose slight physiques tend to evoke childlike or even doll-like associations—although these associations tend to exist mainly in the minds of Westerners.”

“Courtney Love, in her early days with alternative rock band Hole, was occasionally hailed as the first bona fide American Loligoth, but despite her contrived look of depraved innocence, achieved through torn baby doll dresses and makeup that looked as if it had been applied by a 9-year-old with little mirror experience, Love was no elfin Japanese girl, so the overall effect came out rather differently.
Yet Lolita Gothic has been successfully exported through other media, ever since it seeped into the iconography of Japanese manga (comic and newspaper cartoons), anime (animation), and bishōjo (a type of video game¹ based on interaction with stylized young girls depicted in the styles of manga and anime).”
¹ O autor se equivocou, pois jogos são só uma parte do conceito. Wiki: “Although bishōjo is not a genre but a character design, series which predominantly feature such characters, such as harem anime and visual novels, are sometimes informally called bishōjo series. The characters and works referred to by the term bishōjo are typically intended to appeal to a male audience. [Sailor Moon – que carrega bishoujo no título original e é formalmente considerado shoujo anime – seria focado em homens ou mulheres?!] Since one of the main draws of these series is typically the art and the attractive female characters, the term is occasionally perceived negatively, as a genre which is solely dependent on the marketability of beautiful characters rather than the actual content or plot.
The word bishōjo is sometimes confused with the similar-sounding shōjo (‘girl’) demographic, but bishōjo refers to the gender and traits of the characters it describes, whereas shōjo refers to the gender and age of an audience demographic – manga publications, and sometimes anime, described as ‘shōjo’ are aimed at young female audiences.”
“All of these media trade in variants of the Lolicon (and how Nabokov, the lover of portmanteau words, would have squirmed to hear that one),¹ the Lolicon being a sexually explicit graphic depiction of a stylized prepubescent girl character. The traditional Lolicon has huge eyes, a preteen physique, skimpy clothes, and some (usually) pastel accessories of childhood (hair in beribboned bunches and bangs, popsicles, toys, and so on).”
¹ Lolita + complex
“Bishōjo, the video medium, has met with most resistance to export because of the overtly sexual and sometimes pornographic nature of the player’s possible interaction with the characters. Manga and anime, usually more mainstream, have therefore been the leading channels by which this particular life of Lolita has become well known outside of Japan.
What does the Loligoth phenomenon add to the sum of misunderstandings that have accumulated around Lolita’s name? If in Japan its resonances are singularly domestic, in the West it has perhaps vaguely reinforced the idea of Lolita as a proactive coconspirator in her own exploitation. The spectacle of young girls publicly affecting costumes that contrive to blend the childlike with the enticing—and doing it, however unconsciously, in Lolita’s name—only strengthens the general suspicion that somehow Dolores Haze was asking for it. It is an unworthy but widespread suspicion and one that finds its logical conclusion in the ultimate commercialization of Lolita’s name: the Internet trade in pornography where 3 trips of the tongue down the palate—Lo-Lee-Ta—signify the sexual exploitation of underage girls who are often coerced to simulate enjoyment of their ordeal.”
“The world of Internet Lolitas is in fact a rather more complex one than it may seem at first glance. As with everything else, the Internet has complicated traditional perceptions of how information is delivered and received. In the pre-computer days when Lolita was first conjured into being in Nabokov’s neat hand on a series of index cards (an analog cut-and-paste system of the author’s own devising), trafficking in pornographic material of any sort was still a comparatively risky business for both supplier and consumer, involving shady bookshops, mail-order services, and the black market. As a movie like Hard Candy demonstrates, by 2006 Internet pornography had bred sophisticated new protocols involving grooming and impersonation, bringing with them new generations of clued-up children and adults as well as a highly efficient transglobal distribution channel so complex that policing it has been reduced to a series of high-profile law enforcement gestures rather than any real control.”
“By the early 70s, much of Western Europe was taking a far more liberal attitude toward pornography, the trend being led by Denmark, which, in 1969, had legalized the production of all kinds of erotic material. The earliest child pornography movies were marketed under the name ‘Lolita’ and were made by a Copenhagen-based company called Color Climax. It is estimated that a minimum of 36 10-minute films were produced under this catchall title between 1971 and 1979. Pornographic magazine spin-offs drew upon these movies for still photographs. The ‘Lolita’ films featured young girls, typically between the ages of 7-11, being sexually abused mainly, but not exclusively, by men. Meanwhile, in the United States, the commercial production and distribution of child pornography also began to flourish in a parallel climate of (comparatively) lax national law enforcement, often with linkups to European producers, sharing material and sometimes even sending images from the United States to Europe for initial publication prior to importing the resulting magazines. Amsterdam became the hub of this publishing trade, and it featured material with names that included Lollitots, Lolita Color Specials, and Randy Lolitas.”
“One of the more grotesque by-products of today’s Internet distribution of child pornography is that a large proportion of it actually dates from 20 or 30 years ago, those old movies and still images now having been digitized. (…) For those abused children who are still alive, those filmed episodes from their grim childhoods are still being efficiently cataloged and sold.”
“Perhaps this is a good point at which to recall that in 1949 Quilty throws out adoring Lolita because she flatly refuses to participate in his pornographic movies. ‘I said no, I’m just not going to (blow) your beastly boys, because I want only you’, Lolita tells Humbert at their last meeting, explaining why Quilty dumped her.”
“Of course, had Lolita’s name remained the fairly common Spanish diminutive it had been before Nabokov bestowed fantastic fame upon it, the pornographers would simply have found another generic label to identify their images of molested and beaten kids. But perhaps it is grimly fitting that those traders in abuse should have knocked off a name so mellifluous and rich in associations, since the theft is appropriate to the practice it describes: the stealing of childhoods to realize dark adult fantasies.”
10. TABLOIDS AND FACTOIDS: The Press and Lolita
“Tabloids in the United States date from the launch of the New York Daily News in 1919, a paper today locked in rivalry with the New York Post, which, under the ownership of Rupert Murdoch’s News Corporation, has taken on many of the characteristics of the famously cutthroat British tabloids.”
“The Pall Mall Gazette was founded in London in February 1865 by Frederick Greenwood and George Smith and began as an interesting example of life imitating art. It was the actualization of a fictitious paper dreamed up by William Makepeace Thackeray for his 1850 novel The History of Pendennis. That novel explored Thackeray’s favorite theme of the green but ambitious youngster on the make, an idea he also used in Vanity Fair and The Luck of Barry Lyndon. The real-life Gazette’s original tone had been unashamedly elitist, fully in keeping with Thackeray’s editorial prescription (the Pall Mall Gazette would be ‘written by gentlemen for gentlemen’, Pall Mall being a London street famous for its exclusive gentlemen’s clubs). In 1880, however, the actual Gazette passed from conservative to liberal ownership, and between 1883 and 1889, under editor William Thomas Stead, it became a vigorous campaigning newspaper. The fully illustrated publication now covered human interest stories and became much more accessible, featuring banner headlines and short paragraphs. Traditionalists deplored what they saw as the degradation of news journalism, and there was particular resistance to Stead’s fondness for ‘the interview’, a journalistic innovation that, a rival complained, indiscriminately gave voice to any ‘politician, religionist, social reformer, man of science, artist, tradesman, rogue, (or) madman’ whose ramblings might offer titillation to readers.
Then in 1883 the Pall Mall Gazette published a series of articles on the subject of child prostitution, a practice that it labeled ‘the white slave trade’. Sales of the paper increased from 8,000 to 12,000. Two years later, Stead joined with Josephine Butler and Florence Booth of the Salvation Army for an exposé of child prostitution that was to represent the Gazette’s finest hour. In July 1885, Stead arranged the purchase, for a sum of around $8, of Eliza Armstrong, the 13-year-old daughter of a chimney sweep, in order to demonstrate how easy it was to procure young girls for prostitution. Stead then published an account of his investigations under the rather biblical title of ‘Maiden Tribute of Modern Babylon’ and made it a Pall Mall Gazette extra. Although his motives were clearly benign and the purchase of the girl obviously an intrinsic part of the exposé, the editor, along with accomplices, was charged and briefly imprisoned for procurement. Even so, the storm of publicity he stirred up was instrumental in forcing a change in the law that same year, and the age of consent was raised from 13 to 16. It was a remarkable demonstration of the power of the popular press. Stead had, in effect, turned a patrician publication into a tabloid that not only attracted many more readers with its human interest stories and accessible layout but also demonstrated that it was not afraid to take on the establishment.” “Ironically, today’s traders in child pornography and prostitution have little to fear from the hollow cries of moral outrage about pedophilia from the pragmatic descendants of the Pall Mall Gazette. Current tabloid editors, both British and American, know a sensational story when they smell one and have long since mastered the art of pandering to the worst instincts of a prurient readership while piously sermonizing in the margins. Few editors are willing to go to prison for practicing what they preach.”
“the boundary between factual reportage and titillating documentary-style fantasy was defined by the existence of publications like Real Confessions, Real Romances, and Crime Confessions; these were fact-derived entertainment.”
“the word ‘factoid’ was coined by Norman Mailer in his 1973 Marilyn Monroe biography to denote a ‘fact’ that does not actually exist before being reported in a magazine or newspaper”
“Post-Lolita, the newspapers found they had a new shorthand label—and they could not have wished for a better one. ‘Lolita’ was short, distinctive, easily pronounced, and rapidly acquired a meaning that was internationally understood—or rather misunderstood.” “This Lolita was a factoid, a fabrication presented by the print media as a fact, thus acquiring a bogus new reality of its own.”
“At the time of this writing, half a century since the first American publication of Lolita, the world’s current number one female tennis star, at least as far as the press is concerned, is the California-based Russian Maria Yurievna Sharapova. No doubt Nabokov would have derived some enjoyment from the spectacle of a prodigiously talented expatriate Russian girl excelling at one of his favorite sports in his beloved adopted country, but he would also have groaned at the press epithets deemed suitable for someone whose only misdemeanor was to start out as a bratty-looking teenager: the red-hot Russian… the Lolita of women’s tennis… Lolita with a racket… and so on. Did Sharapova have a precursor? Indeed she did: fellow Russian Anna Kournikova was frequently dubbed the ‘Lobbing Lolita’ in the press, but her retirement from competition—as well as her more conventional type of beauty—meant that journalists soon sought a successor and found her in the sometimes petulant young Sharapova, whose occasional teen sulkiness combined with her lithe physique made her an even better expression of the Lolita fantasy cliché.”
“That nymphet’s beauty lay less on her bones
Than in her name’s proclaimed two allophones.” Anthony Burgess
“When I saw that Fox’s coverage was titled ‘Where Is Elizabeth Smart?’ my thought was well, you know, who killed Laura Palmer? It’s like Twin Peaks in that you have sort of a blonde vision of innocence, of maidenhood… it plays into the JonBenét story. Jon Benét was, you know, this sort of Lolita-ish beauty pageant contestant and what makes it even more sort of archetypal is that Elizabeth Smart played the harp. You can’t get more angelic than that.” James Wolcott, Vanity Fair
“Gone are the days when tame TV movies like Lethal Lolita cannot include the scandalous details; HBO and the Internet can show pretty much anything.” “Kampusch (chapter 2) is turning her experience—and the notes she made in captivity—into what will surely be a best-seller.”
“Since the whole business was clearly a farrago fueled by the imaginations of children who had been browbeaten by suggestible parents, the only verity upon which everyone could agree was that child abuse was a very bad thing and demanded extreme reactions, even when nothing had happened. This, of course, is the unwelcome outcome when real life fails to conform to the easy characterizations of pulp fiction or tabloid simplification.”
“Nothing much changes. Lyne, however, was relentless in his efforts to bring Nabokov’s tale of infinite desire to the screen in a way that would, after Kubrick’s patchy misfire, do it some sort of justice.”
11. TAKE TWO: Once more, with feeling
“The climate of public opinion toward any debate about pedophilia was now deeply hostile, far more so than in the 70s or 80s, let alone the early 60s. This was bad enough, but it was not all. Lyne’s first (and some would say his biggest) obstacle to making a distinguished movie of one of the 20th century’s greatest and most allusive novels was his own track record.”
O DIRETOR DE <FILMES DO CANAL TCM>: “Next came Flashdance (1984), an urban fairy tale about a dancing welder from Pittsburgh (Jennifer Beals) who Has a Dream. It was a hit and was followed by a trio of even more successful but rather shallow erotic movies: Nine 1/2 Weeks (1986), Fatal Attraction (1987), and Indecent Proposal (1993). Admittedly Jacob’s Ladder (1990) was in there too, and that was a very well-handled post-Vietnam psychological tour de force that in some ways foreshadowed M. Night Shyamalan’s hit of 1999, The Sixth Sense. Otherwise Lyne’s movie career seemed to be dogged by his roots in advertising—plenty of style but little substance.”
“Approaching his 50th birthday, Lyne was therefore understandably inclined to take on the formidable challenge of Lolita, a literary work of art he had long adored and that was finally optioned to him in 1990, prior to the shooting of Indecent Proposal. It was to prove a case of excruciatingly bad timing.
At this time, the protracted McMartin Pre-School affair was reaching the end of its second and final trial, and Amy Fisher would soon make her first fateful visit to Joseph Buttafuoco’s car repair shop in Long Island, ensuring that Lolita’s name would stay in the headlines for years for all the wrong reasons.”
“The independent U.S. production company Carolco Pictures, Inc. expressed interest in bankrolling the project. Carolco had enjoyed great success with the Rambo movies and Terminator 2 and also produced Alan Parker’s Angel Heart and Sir Richard Attenborough’s Chaplin. Lyne now wrote a 35-page outline titled ‘Preparatory Notes on Nabokov’s Novel’.”
“Pinter had made a creditable screenwriting job of everything from The Last Tycoon and The French Lieutenant’s Woman to The Quiller Memorandum and The Handmaid’s Tale, so he might perhaps do Lolita proud. Unfortunately, Pinter was always virulently anti-American in his politics as well as socially subversive in his film adaptations, at least whenever he could get away with it. One suspects he did not much care for Nabokov anyway. Was Pinter, after all, the best man to render the greatest novel of an apolitical, pro-America, non-satirical writer for the screen?”
“Charm was not really what was required, and even the proposed casting of Hugh Grant as a lightweight and too-young Humbert [Hugh tinha 30 anos em 1990] (a serious suggestion at one point) was not going to salvage an icy script characterization. Harold Pinter was out.”
“Schiff too was asked if he could set the film in the present day, an absurd idea that he sensibly rebuffed, arguing that Lolita’s story was inseparable from the context of its time.
‘Nabokov set his novel in 1947’, Schiff later wrote, ‘a singular moment in American cultural history—years before the finny, funny 50s; before the invention of the great American teenager and the distinct consumer culture that sprang up to serve it.’ A pointless 10-year time lag had helped to rob Kubrick’s film of any authentic context, and a 40-year dislocation would surely have rendered Lolita’s plot, as written by Nabokov, entirely meaningless.”
“Dominique Swain was another novice. Born in Malibu, California, in 1980, the same year Adrian Lyne made his Hollywood debut with Foxes, she had little acting experience before getting the part of Lolita. She had failed an audition for Neil Jordan’s Interview with the Vampire (Kirsten Dunst eventually won the part of Claudia) and made a brief uncredited appearance in a film written by Ian McEwan and directed by Joseph Rubin, The Good Son (1993). Sporty, outgoing, artistic, and a straight-A high school student, Swain at 14 was an interesting-looking girl rather than a conventionally pretty one. She was clearly intelligent and seemingly undaunted by the audition process. In a riveting videotape of her audition for the part of Lolita, with Jeremy Irons playing Humbert, she is no showbiz show-off kid but still comes over as precociously witty and self-assured. At one point she mimics Lyne’s English accent, which, she suggests, is so much more sinister than an American one for delivering a line like ‘You murdered my mother’. If Swain’s physical development could have been arrested at the time of that audition, she would have been even better than she eventually was in the movie. But by the time they started shooting she was already looking older and more strapping and can actually be seen to be growing up during the film… albeit out of sequence due to the dislocated nature of shooting schedules. It hardly matters. After beating a reported 2,500 applicants to the part, Swain turned out to be the film’s undisputed success story. She would be a wonderful Lolita: rude, loud, childlike, touching, dreamy, goofy, cruel, sad, feisty, sexy, and funny. She would do it by channeling her own personality into the part and in this was expertly guided by Adrian Lyne, the father of two daughters. Dominique Swain actually seemed to thrive on a lack of acting experience. Not knowing how to do it right can, with careful guidance and good luck, sometimes have the benign opposite effect too—not knowing how to do it wrong. Journalist Stephen Schiff was already proof of this, having turned in the excellent script Lyne needed.”
“Humbert’s eyes, no longer the distorting lenses through which everything is seen, now have to be shown on-screen, along with the rest of him. This was the fundamental, perhaps irresolvable problem of Lolita—this and finding an actor possessing both the skill and the nerve to play him. Unknown 14-year-old actresses have no established career to compromise, but middle-aged actors do. Jeremy Irons, being a well-respected if not exactly beloved actor in his homeland of Britain, first balked at the risk (and this despite Harold Pinter’s sweeping recommendation: ‘If you want an actor who isn’t afraid to look bad, get Jeremy Irons’).”
“Irons’s personal challenge was immense: he had to perform in several sexually charged scenes with a 14-year-old girl who was constantly being attended on set by her mother, a tutor, and a body double. (…) No matter what the level of professionalism, an uneasy personal chemistry would ensue because it is hard for a 48-year-old man to play out violent arguments and sexual shenanigans with a high school girl.”
“Melanie Griffith, a tinny-voiced actress not without her detractors, was cast as Charlotte Haze. This news was seen as another unpromising signal by many movie fans who were also admirers of the book, who were hoping for the best while fearing the worst. More positively Frank Langella, a fine and imposing actor, was cast as Quilty.”
“On location in the South, Lyne said he frequently half expected some redneck sheriff to burst in at any moment to close down the proceedings before the movie was even shot. As for sexual impropriety, all due care was taken, some of it risible. When Swain sat on Irons’s lap, a cushion or board was placed between them. When it was necessary for Lolita to run a hand up Humbert’s thigh or vice versa, the body double took over. The weather, doing what weather does, delayed things. Melanie Griffith fell sick. The original cinematographer had to be replaced after shooting began. Jeremy Irons had real problems with some of the sex scenes. And the only person to sail through the experience with any degree of equanimity was Dominique Swain. Happy to be the center of attention and untroubled by the one aspect of things that troubled everybody else, she burst into tears only when Irons snapped at her for ill-advisedly telling him what to do.”
“They wrapped in late 1995. They started editing in 1996. Then the real battles began.” “As bankruptcy loomed, Carolco sold Lolita to a big French corporation, Chargeurs, that had already acquired the movie production and distribution company Pathé back in 1992. Now, in 96, Chargeurs was demerging Pathé, an outfit for which, it was assumed, Lolita would be an ideal property. After the deal was done, Pathé’s optimism soon turned to concern (and Lyne’s hope to despair) when a new law, the Child Pornography Prevention Act of 1996, was enacted in the United States. Aimed at Internet pornographers who used computer graphics to simulate images of children having sex (even when no real children were involved), it threw up a potential killer obstacle to distributing the new Lolita at all in the United States. The reason was that the act proscribed any visual depiction that was ‘or appeared to be’ a child having explicit sex. This scattergun definition, although perhaps worthy in original intention, had huge potential ramifications for a wide range of mainstream media. An act that would retrospectively ban Volker Schlöndorff’s The Tin Drum (1979) outright or remove the Claire Danes/Leonardo DiCaprio bedroom scene from Romeo + Juliet (1996) looked likely to be challenged in the courts, but no one was eager to be the first challenger.”
“Had we released Lolita in the ‘70s or ‘80s, Schiff said, I believe it would have easily made its way into distribution. But the culture has contracted since then. And even if it hasn’t, its gatekeepers believe it has.”
“In a strange echo of what happened to Nabokov’s novel back in the 50s, Pathé effectively gave up on distributing it in the United States at all and looked to Europe. They perhaps hoped that a critical success there might kick-start its prospects on this side of the Atlantic. This seemed unlikely, despite the recent precedent of John Dahl’s The Last Seduction (1994), a cable TV movie that was shown on HBO and forgotten until it wowed European audiences in theaters, subsequently earning a U.S. theatrical release and rumors of a thwarted Academy Award nomination for star Linda Fiorentino (not permitted because the movie had premiered on TV) and becoming a neo-noir classic.
Adrian Lyne’s Lolita eventually premiered in Spain, at the 1997 San Sebastian Film Festival. It received mixed reviews and subsequently fared poorly in Spain. Italy loved it. In Germany it stirred up many public protests and was subsequently hard to see in that country. In Britain it received a certificate with no trouble whatsoever, something that stirred up tabloid outrage (Jeremy Irons was reported as saying he would leave the country if it were banned).”
“In the end, the cable network Showtime bought the U.S. rights to the movie and broadcast it to any American household that subscribed to their channel in the summer of 1998. Despite limited screenings in New York, Los Angeles, and a few other cities, the movie—40 years after the novel was freely published—was to all intents and purposes banned from theatrical release in the United States, not by the censor but by the movie industry itself.”
“He even adds a very Nabokovian touch that does not come from the book. When 13-year-old Humbert is preparing (alas, in vain) to possess Annabel in the long-lost world of the 1920s Riviera, he takes as a souvenir a bit of ribbon trim from the broderie anglaise of her long underpants. How many members of the movie audience recognize that ribbon when it reappears, unannounced, as a bookmark in middle-aged Humbert’s diary in Ramsdale? Perhaps as many as the number of readers who identify some of Humbert’s more arcane literary references in the novel. Everyone does not need to get the more obscure allusions, but it is nice if those references make artistic sense when they are spotted.
The film score and the featured music are particularly successful. Ennio Morricone’s score underpins the film’s shifting moods hauntingly, particularly in Humbert’s last desolate hours of freedom. Lolita’s enthusiastic if tuneless sing-along participation with contemporary novelty records on the radio—songs such as Louis Prima’s Civilization, Jack McVea’s Open the Door, Richard, and, perhaps most memorably, Tim-Tay-Shun (Jo Stafford’s redneck reworking of Temptation)—seem somehow even more fitting than the jukebox hits of mainstream crooners hinted at in the book.”
12. BLOOD SISTERS: Some responses to Lolita
“Vladimir Nabokov finished writing Lolita on December 6, 1953. In France earlier that same year, Françoise Quoirez, the 18-year-old daughter of a wealthy Parisian industrialist, had just failed her examinations at the Sorbonne and subsequently spent the summer writing a novella. She decided to call it Bonjour Tristesse and herself Sagan after Princesse de Sagan in Proust’s À la recherche du temps perdu. Her book was published in 1954. Its success was considerable and international, and by 1959 it had sold 850,000 copies in France alone.”
“Françoise Sagan had cast herself as Cécile, a spoiled 17-year-old whose intimate relationship with her 40-year-old Don Juan of a father seemed to have all but one of the characteristics of an incestuous affair. On an extended summer vacation with him at a villa in the Riviera, she amuses herself by playing malicious cupid as Daddy juggles two women: an empty-headed young mistress whom he believes helps him cling to his vanishing youth and a more mature woman who perhaps ought to suit him better. As her father prepares to announce that he is at last taking the sensible course, Cécile, with a recently acquired summer boyfriend of her own, petulantly manipulates everyone like chess pieces, conspiring to make the woman her father now intends to marry believe that he is deceiving her. This causes the distraught woman to drive blindly from the villa to die in the kind of portentous road accident often featured in books like this. Cécile’s harsh discovery that her game has resulted in irreversible tragedy is presented as a moral awakening and a rite of passage rolled into one. She starts out sounding like an old child, winds up sounding like a young woman; the collateral damage is one dead body.”
“Sagan’s book scandalized family-loving France because of the iconoclastic attitudes behind this story of a daddy’s girl for whom sex was a game and traditional notions of love and marriage represented nothing more than routine and boredom. Tame as it may seem now, Bonjour Tristesse also rang alarm bells because it was a precocious broadside from a member of a young generation whose growing cultural clout threatened to spread far beyond the realm of pop music and fashion. The intimate father-daughter relationship added an extra sense of illicit danger, but perhaps most shockingly of all, the book was written by an obviously experienced young girl who seemed to know a great deal about sex and power.”
“Bonjour Tristesse and Lolita have almost nothing in common apart from having both made their debuts in the mid-50s and sharing any sociological similarities we may choose to infer from each. Their telling difference, though, is that Sagan’s narrator relates everything from a very young woman’s point of view, while Nabokov’s Humbert is a middle-aged male who allows his leading lady no real voice of her own. The controlling effect of Humbert’s oppressive viewpoint was to feature in 40 years of feminist discussion about Lolita, in which the most commonly recurring complaint was that we simply never get to hear the girl’s point of view—she is effectively gagged by the man in charge. The wider implications of this in a male-dominated society, for those who wanted to point them out, were resonant with accusation.”
“In Pera’s book (Lo’s Diary), Dolores Schlegel, née Maze, does not perish in a remote Northwest territory but lives on into adulthood and actually turns up in person at a fictionalized Olympia Press in Paris, accompanied by deaf husband Dick, during a visit to the French capital. Working at this reconstituted Olympia is John Ray Jr., the original novel’s foreword writer to whom Dolores gives her own ‘childish’ diary as a corrective to Humbert’s version of things. Humbert’s ‘real’ name is now revealed as Humbert Guibert. ‘Maybe you’d take a look at my own impressions of that time’, she says, handing over the diary to the bemused Ray. ‘They’re definitely less literary’.” “Only in 1995 does he finally edit and publish it, whereupon we learn that Lolita, in Pera’s hands, certainly does have a voice, even if it sounds suspiciously like the voice of a 42-year-old Italian woman working in the same medium—but hardly at the same level—as Vladimir Nabokov.” “Any expectation that there might emerge a Lolita sympathetically informed by a perceptive feminist awareness seems doomed to disappointment. In short, Dolores Maze comes across as being gratuitously unpleasant even before Humbert gets his hooks into her.” “The book was written in Italian and translated into English by Anna Goldstein, but even making allowances for the inherent problems of translation, this Lolita’s thoughts are rendered in a vernacular considerably less authentic-sounding than Nabokov’s laboriously researched attempts to reproduce the speech patterns of American kids of the 1940s.”
“Throughout, Lo’s Diary runs similarly dreary attempts to depict Lolita as a sexual punk for the postwar years, a crude proto-feminist given to expressing opinions like ‘You have to keep a firm hand on a man, just like a horse’, and a budding sadist who tortures her pet hamster to death, heaps unremitting abuse and hatred on her ‘Shitmom’ Isabel (as Charlotte is redubbed), and decides to ensnare Humbert Guibert as ‘Daddy 2’ from the moment they first meet in the garden of 341 Grassy Street.”
“To readers very familiar with Lolita there is perhaps a certain morbid fun to be had in seeing which of the book’s scenes are revisited from the viewpoint of this newly vicious and venomous Lolita, but in the end Lo’s Diary comes over as a rather sterile conceit with a lifeless narrator working to an obscure purpose. It is a shame, because all those voices calling out for Lolita’s point of view might reasonably have expected something better”
“‘Is the innocence of one girl so important next to Alice in Wonderland? Does it matter if it wasn’t quote soooo wonderful for her? A hundred years of beautifully bound editions? Can anyone honestly say they would save the child and lose the book?’ This thought, intentionally or otherwise, reverses the sentiment of a 1925 Russian poem by Vladimir Nabokov, ‘The Mother’, that explored weeping Mary’s grief after the execution of Jesus.
What if her son had stayed home with her,
And carpentered and sung? What if those tears
Cost more than redemption?”
“In recent years some women authors have brought particularly chilling insights and perspectives to sadly familiar scenarios featuring girl-child victims. A.M. Homes’s The End of Alice seems at its start to be promising some sort of evenhanded correspondence or dialog between a 19-year-old woman and an imprisoned male pedophile, but things soon turn out to be disturbingly otherwise.”
“One of the most unexpected Lolita spinoffs, however, was neither a borrowing nor a variant; it was not even, strictly speaking, a fiction. It was a celebration in the form of a memoir in which fictional Western women—among them Elizabeth Bennet, Catherine Sloper, Daisy Buchanan, Emma Bovary, Daisy Miller, and Dolores Haze—were introduced to real Eastern women in a weekly discussion group surreptitiously held in the capital city of the Islamic Republic of Iran, right at the end of the 20th century.
Reading Lolita in Tehran: A Memoir in Books is Azar Nafisi’s account of an undercover book discussion group she organized for a handful of female students after resigning her teaching post at Iran’s University of Allameh Tabtabai. Born in the old Iran in the days of the shah but educated in England and the United States, Nafisi had returned to teach in her native country in the late 70s, just in time for the Iranian Revolution, the rise of Ayatollah Khomeini, and, among other things most unwelcome from her point of view, a sustained erosion of personal liberties that proved especially harsh for women. Nafisi was first fired from the University of Tehran in 1981 for refusing to wear the veil and ultimately given no option but to resign from Allameh Tabtabai by the ever more rigorous restrictions placed upon what she could teach there. Allameh Tabtabai still had a reputation as the country’s most liberal university at the time, but all things are comparative and she found the university regime intolerable. So the secretive book group was in effect a gift from an international academic to 7 of her brightest female students. It took place covertly on Thursday mornings at Nafisi’s home, a sanctuary where those young women could shed not only their outdoor robes and scarves to reveal a lively selection of jeans, T-shirts, and other informal items worn beneath but also divest themselves of any restrictions forbidding what they might discuss. They used the sessions, guided by Nafisi, to discuss the unique potency of literature, as well as comparing and contrasting the travails of some of fiction’s most memorable heroines with their own lives and straitened circumstances.”
“If it seems strange for such an embattled group of women to have embraced a hard-to-get book that had inflamed public opinion even in comparatively liberal America, it was not quite as it seemed.” “In the Islamic Republic of Iran, where the age of consent had been summarily lowered from 18 to 9, the sense of shock about a middle-aged man having sex with a 12-year-old girl was, shall we say, considerably less potent than in most Western countries.”
“To the most rebellious of her students, a young woman she calls Yassi, Nafisi explains that ‘the desperate truth of Lolita’s story is not the rape of a 12-year-old by a dirty old man, but the confiscation of one individual’s life by another’. She goes on to argue that, although we cannot know what Lolita’s life might have been like had Humbert not hijacked it, ‘the novel, the finished work, is hopeful, beautiful even, a defense not just of beauty but of life, ordinary everyday life, all the normal pleasures that Lolita, like Yassi, was deprived of’.
“Philistines are ready-made souls in plastic bags.” Nabokov
“Carol gave me a copy of Lolita instead of a sermon. And that is how I came to read it, in two rainy summer afternoons, when I was 12. And when I emerged tearfully from the bedroom, she just nodded and opened her arms, for I was a sensitive kid. ‘Poor, poor Humbert!’ I cried. ‘Lolita was so mean!’” Justine Brown, exemplificando, depois de adulta, o perigo de fazer pré-púberes lerem o livro para convencê-las do perigo dos predadores pedófilos – elas não entenderão, elas se situarão ao lado de Humbert, confundirão a relação abusiva com amor romântico, o amor hollywoodiano e, doravante, ocidental, e o propósito pedagógico-moral do adulto terá escorrido pelo ralo com esta criança.
“Despite the young Justine Brown’s unexpected loyalties and Pia Pera’s dubious advocacy, Lolita Haze has usually found her most sympathetic champions in women. None of them has been more quietly persuasive than Vladimir Nabokov’s extraordinary wife and collaborator Véra. The acute accent on the e, by the way, was a rare instance of her own literary invention. She added it to help with the correct pronunciation of her name when the Nabokovs first moved to America—it is Vay-rah, not Veer-a. Otherwise, Véra Nabokov, née Slonim, a highly cultured Russian Jew, a great beauty with a sophisticated taste in literature and a talent for languages, wrote hardly anything but diaries and letters, dedicating her life to the role of uber-assistant to a husband whose legendary absentmindedness and impracticality in the real world contrasted comically with his genius at creating and organizing exquisitely detailed fantasy worlds.
Véra was an aristocratic woman who made a dramatic escape from Bolshevik Russia in 1920, eventually arriving in that émigrés’ favorite city, Berlin, where she was still to be found supporting husband Vladimir and young son Dmitri as late as 1938, a date whose resonance now makes this sound like an insanely risky dalliance for a Jewish woman. She was the life partner who battled with publishers when the Nabokovs lived in poverty and the one who beat off the unwanted fans when Lolita made her husband notorious. She was the steel-willed woman who carried the licensed handgun when they toured remote territories on entomological excursions. She was the practical one who drove their Oldsmobile in a mixed spirit of exhilaration and heroic martyrdom because Vladimir could not drive at all.”
“I have upwards of 200,000 miles under my belt, but each time I get behind the wheel I hand my soul over to God.” Véra Nabokov
“She typed everything Vladimir wrote. She delivered his lectures at Cornell when he was too ill to do it himself. Without her, there would have been no Lolita; many who knew the couple went so far as to say that without her, there would have been no Vladimir Nabokov.”
“Véra not only enabled a great literary career, she literally saved Lolita’s life when she snatched the novel’s pages from a sacrificial bonfire started by her husband in the yard of a rented house in East Seneca Street in Ithaca. There were to be several subsequent bids at immolation by an author beset with what he saw as insurmountable doubts about his masterwork, but the first and most famous attempt had a witness, one of Nabokov’s own students, a senior named Dick Keegan who had surely been handed a poisoned chalice when he was recruited as his professor’s personal driving instructor. (This exercise was an unqualified disaster; it remains one of American literature’s great ironies that the man who created that magnificent road trip right in the center of that magnificent novel was always utterly unable to master the controls of an automobile.)”
“Also, Vladimir had entertained vague ambitions to write a comic article for The New Yorker about the trials and tribulations of Lolita’s publication, so it is possible that Véra’s notes might have been designed to help inform that. Yet a more personal tone emerges in this rare instance of Véra seemingly writing as herself rather than as her husband’s coconspirator and administrative alter ego.”
“I wish, wrote Véra, someone would notice the tender description of the child’s helplessness, her pathetic dependence upon the monstrous HH, and her heartrending courage all along, culminating in that squalid but essentially pure and healthy marriage, and her letter, and her dog. And that terrible expression on her face when she had been cheated by HH out of some little pleasure that had been promised. They all miss the fact that ‘the horrid little brat’ Lolita is essentially very good indeed—or she would not have straightened out after being crushed so terribly, and found a decent life with poor Dick more to her liking than the other kind.”
CONCLUSION
“At the time of this writing a Bollywood movie, Nishabd (2007), has just been released. It is advertised as a remake of the 1962 Lolita, [por que um remake de um filme ruim do Kubrick, e não do filme de 97 ou, enfim, outra adaptação do livro?!] and rumor has it that Indian audiences have not warmed to the film. Another smile.”
“Histoire de Melody Nelson was a themed album from French singer-songwriter Serge Gainsbourg in 1971 and is generally accepted to have been inspired by Lolita. Melody is an androgynous 15-year-old red-haired girl whom Gainsbourg’s alter ego accidentally knocks off her bicycle with his Rolls-Royce. He takes her to a hotel to recover and promptly seduces her in one of its rococo bedrooms. Soon accident-prone Melody will die in a mystical plane crash over New Guinea, and, as Jean-François Brieu’s album liner notes rather colorfully put it, ‘Between these two blood lettings, she will be deflowered by the hero: a little trickle of hemoglobin, tribute paid to an initiation into pleasure’ (the translation from French is mine but the sanguinary imagery is Brieu’s). The sumptuous key track of the album, Ballade de Melody Nelson, was actually recorded before the other songs. It featured vocal interjections from Gainsbourg’s English girlfriend, Jane Birkin, who also impersonates Melody on the album sleeve—red wig, rouged cheeks, toy monkey clutched to her bare bosom, and crotch-hugging jeans. She also appeared with Gainsbourg in a 28-minute 1971 French TV special, Melody, directed by Jean- Christophe Averty. It promoted the album in what now looks like a narrative sequence of primitive music videos.”

“Kitsch of the highest order, Melody the TV special manages to detract from, rather than add to, the drama of the songs.”
“In 1975, Birkin would make her own cult album, Lolita Go Home, the title song being a cri de coeur from a nubile schoolgirl badmouthed by women and drooled over by men; it was co-written by Serge Gainsbourg and Philippe Labro. A year later Birkin would reincarnate a variant of Melody Nelson in Gainsbourg’s movie Je t’aime, moi n’en plus alongside Joe Dallesandro.”
“…Two: doesn’t discussing Lolita—doesn’t the very existence of the book—make pedophilia more socially acceptable?
The second question is so stupid that it does not really deserve an answer, since to confuse discussion with endorsement seems to suggest a complete absence of critical intelligence. It is also perhaps helpful to remember Alfred Hitchcock’s response when told that a serial killer had murdered for the 3rd time after seeing Psycho: ‘What movies did he see before the other two?’”
“Is it possible to depict circumstances and emotions that you have not personally experienced? Well, does anyone ask Hannibal Lecter’s creator Thomas Harris how many people he ate by way of injecting credibility into his blockbuster? Was Bret Easton Ellis only able to write American Psycho by means of strict empirical research? And what chance would Quentin Tarantino have of remaining at liberty if his films were assumed to be autobiographical? Need we ask? Need we answer? If you want to tell the truth, write a novel; if you want to tell a lie, write nonfiction.”
“Writing a biography is a notoriously tricky and subjective business that never fails to offend someone. There can be few more diligently evenhanded biographers than Stacy Schiff, whose book Véra (Mrs. Vladimir Nabokov) stands as an elegant example of the genre, yet Ms. Schiff (no relation to Adrian Lyne’s scriptwriter, although the name does seem to be a lucky one for Nabokovian projects) has said that ‘anyone who has ever taken a cat to a vet in a carrying case, and extracted the animal in a blur of claw and hackles and muscle, knows what it is to write about Mrs. Nabokov.’”
“Admittedly, the artist who created the original might have cause for regret to see his creation embellished by a contingent comprising largely hawkers, impresarios, and assorted opportunists, but the phantom creatures they all conjure are still bona fide inhabitants of the world of human imagination. Every time we choose to believe in one of them instead of the original, it surely tells us something about ourselves and our times. That too I found an interesting aspect of delving into the lives of Lolita: she has been corrupted in a variety of ways, but each corruption tells us something not about her but about us.
Happily, the ‘real’ Lolita can always be perfectly restored for anyone who cares to read or reread Nabokov’s novel. That experience is its own high reward as well as the most dependable antidote to the latest brazen, short-skirted, man-eating, teen mutant dreamed up and labeled with the L-word for screen, page, or stage.”
INFÂNCIA – Graciliano Ramos
“O outro visitante apareceu duas ou três vezes, cochichou demorado no copiar e sumiu-se levando algumas dezenas de mil-réis. Esse dinheiro significava o imposto dos proprietários rurais aos numerosos grupos de cangaceiros que percorriam o sertão, pouco exigentes comparados aos posteriores. Mediante algumas cédulas, uma novilha ou marra, obtinham-se dedicações, amizades proveitosas. Quando nos mudamos para a vila, 5 ou 6 bandoleiros que transitavam pelos arredores saíram do caminho, embrenharam-se na caatinga, para não assustar a mulher e as crianças.
Ausentes os hóspedes e os passageiros, caíamos no ramerrão fastidioso. Os mesmos trabalhos de pega, ferra, ordenha; ferrolhos rangendo pela madrugada e ao escurecer; vozes ásperas, exigências curtas, ordens incompreensíveis. Por toda a parte despojos de animais: ossos branquejando nas veredas, caveiras de bois espetadas em estacas, couros espichados, malas de couro, surrões de couro, roupas de couro suspensas em tornos, chocalhos com badalos de chifre, montes de látegos, relhos, arreios, cabrestos de cabelo.”
“As meninas arrastavam-se no alpendre e na cozinha. O moleque José começava a revelar-se. Minha irmã natural se desenvolvia, recebendo com freqüência arranhões nos melindres. A aversão que inspirava traduzia-se em remoques e muxoxos; quando tomava feição agressiva, fazia ricochete e vinha atingir-nos. Se não existisse aquele pecado, estou certo de que minha mãe teria sido mais humana.”
“Dificilmente pintaríamos um verão nordestino em que os ramos não estivessem pretos e as cacimbas vazias.”
“Findaram as longas conversas no alpendre, as visitas, os risos sonoros, os negócios lentos; surgiram rostos sombrios e rumores abafados. Enorme calor, nuvens de poeira. E no calor e na poeira homens indo e vindo sem descanso, molhados de suor, aboiando monotonamente.”
“A boca enxuta, os beiços gretados, os olhos turvos, queimaduras interiores. Sono, preguiça — e estirei-me num colchão ardente. As pálpebras se alongavam, coriáceas, o líquido obsessor corria nas vozes que me acalentavam, umedecia-me a pele, esvaía-se de súbito. E em redor os objetos se deformavam, trêmulos. Veio a imobilidade, veio o esquecimento. Não sei quanto durou o suplício.”
“Eu era ainda muito novo para compreender que a fazenda lhe pertencia. Notava diferenças entre os indivíduos que se sentavam nas redes e os que se acocoravam no alpendre. O gibão de meu pai tinha diversos enfeites; no de Amaro havia numerosos buracos e remendos. As nossas roupas grosseiras pareciam-me luxuosas comparadas à chita de Sinhá Leopoldina, à camisa de José Baía, sura, de algodão cru. Os caboclos se estazavam, suavam, prendiam arame farpado nas estacas. Meu pai vigiava-os, exigia que se mexessem desta ou daquela forma, e nunca estava satisfeito, reprovava tudo, com insultos e desconchavos.”
“Aperreava o devedor e afligia-se temendo calotes. Venerava o credor e, pontual no pagamento, economizava com avareza. Só não economizava pancadas e repreensões. Éramos repreendidos e batidos.”
“Eu devia ter quatro ou cinco anos, por aí, e figurei na qualidade de réu. Certamente já me haviam feito representar esse papel, mas ninguém me dera a entender que se tratava de julgamento. Batiam-me porque podiam bater-me, e isto era natural.
Os golpes que recebi antes do caso do cinturão, puramente físicos, desapareciam quando findava a dor. Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal — e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó. Se não fosse ele, a flagelação me haveria causado menor estrago. E estaria esquecida. A história do cinturão, que veio pouco depois, avivou-a.”
“Onde estava o cinturão? Hoje não posso ouvir uma pessoa falar alto. O coração bate-me forte, desanima, como se fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida agita coisas adormecidas cá dentro. A horrível sensação de que me furam os tímpanos com pontas de ferro.”
“Pareceu-me que a figura imponente minguava — e a minha desgraça diminuiu. Se meu pai se tivesse chegado a mim, eu o teria recebido sem o arrepio que a presença dele sempre me deu. Não se aproximou: conservou-se longe, rondando, inquieto. Depois se afastou.”
“Foi esse o primeiro contato que tive com a justiça.”
“Quem me deu o primeiro cálice de licor foi a morena vistosa, mas não sei quem deu o segundo. Bebi vários, bebi o resto da garrafa. Comportei-me indecentemente, perdi a vergonha, achei-me à vontade, falando muito, desvariando e exigindo licor. Uma das moças trouxe-me um copo de vinho com mel. Minha mãe enferrujou a cara, estirou o braço enérgico, mas naquele momento eu desafiava as oposições. Através de uma neblina, distinguia formas vagas e inconsistentes. Repeli a mão que avançava para mim, tomei o copo. Daí em diante, até que adormeci, o tempo desapareceu. Certos pormenores avultaram, com certeza se dissiparam casos apreciáveis. Ganhei coragem de supetão, os perigos se esvaíram. Fortaleci-me, percebi aliados nas criaturas que me rodeavam.”
“A literatura popular e os cancioneiros matutos gastar-se-ão repisando camponeses brabos e vingativos, donzelas ingênuas, puras demais. Engano. Senhorinha, educada perto do curral, conhecia os mistérios da procriação e era simples. Filha de proprietário, submeteu-se à honestidade e aguardou casamento. Mas as dívidas se avolumaram, a fazenda se despovoou, tombaram as cercas, o coronel, sem correntão nem guarda-chuva, aderiu à canalha — e Senhorinha renunciou à virtude, infringiu a moral, curvou-se à lei do instinto.
Bonitona. Avizinhei-me dela com impudência camarada, esfreguei-me. Essa precisão de receber carícias de uma pessoa do outro sexo surgiu-me de golpe, estimulada pelo álcool.
Suponho que não foi a primeira vez que me embriagaram. As sertanejas do Nordeste entorpecem os filhos à noite com uma garrafa de vinho forte. Meus irmãos ingeriram isso e procederam bem: não choraram, não gritaram, não manifestaram nenhuma exigência. Acordavam quietinhos, moles, bestas, bons como uns santos. Umedeciam as cobertas, mais isto não os incomodava: dormiam no líquido. E, longe deles, D. Maria sossegava. Quando apurei o olfato e a vista, percebi que os lençóis de meus irmãos eram fétidos, horríveis. Os meus deviam ter sido assim.”
“Estranha loquacidade inutilizava o silêncio obtuso que me haviam imposto. O animalzinho bisonho papagueava, e gargalhadas estrugiam na sala, abafando a quizília [zanga] de minha mãe. Essa potência baqueava. Não me ocorria que ela se restabelecesse, voltasse comigo à casa triste, me fustigasse e puxasse as orelhas. Parecia-me que as moças ruidosas e a senhora encanecida iriam, no futuro, trazer-me a garrafinha, os cálices e a bandeja, escutar-me os devaneios.”
“E os sapatos me incomodavam os dedos, esfolavam os calcanhares. Onde estariam as minhas alpercatas? Na roupa estreita, movia-me com dificuldade. Em geral eu usava camisa, saltava e corria como um bichinho, trepava nas pernas de José Baía, que nascera de sete meses e fora criado sem mamar. José Baía era ótimo, talvez por não ter mamado e haver nascido de sete meses, o que devia ser uma exceção. Se José Baía aparecesse ali, explicar-me-ia o papa-lagartas. A calça, o paletó e os sapatos pressagiavam acontecimentos volumosos.”
“De ordinário a gente da rua, excetuados os três meses de safra, descansava seis dias na semana. Em negócios raros buscava-se lucro exorbitante.”
“Debatiam-se Canudos, a Revolta da Armada, a Abolição e a Guerra do Paraguai como acontecimentos simultâneos. A república, no fim do segundo quadriênio, ainda não parecia definitivamente proclamada. Realmente não houvera mudança na vila. Os mesmos jogos de gamão e solo transmitiam-se de geração a geração; as mesmas pilhérias provocavam as mesmas risadas. Certas frases decoravam-se, achavam meio de arranjar-se com outras de sentido contrário — e essas incompatibilidades firmavam-se nas mentes como artigos de fé.”
“Deodoro é que havia procedido mal. No começo da vida era um pobrezinho, e D. Pedro o recolhera, educara, dera-lhe posição e dragonas. Em paga de lautos favores, uma rasteira no protetor bambo. Ingrato. Devia ter esperado que o velhinho desse o couro às varas.”
“o sapo-boi, bicho terrível que morde como cachorro e, se pega um cristão, só o larga quando o sino toca.”
“Cocheiro devia tratar de cochos, objetos que não se viam no livro. Tudo ali discordava da nossa linguagem familiar. ‘Um grupo estranho e por igual vistoso.’ Parecia cantiga.”
“A existência ordinária, entregue a negócios terrestres e caseiros, durava duas, três semanas, até o correio trazer o fornecimento mensal de literatura religiosa. Surgiam as beatas estigmatizadas, D. Bosco, diálogos singelos, casos edificantes, delícias vagas do céu e torturas minuciosas do inferno.”
“limitando a mancha vermelha da testa, uma veia engrossava. Diversas pessoas da família tinham a mancha curiosa. Em momentos de excitação ela se avivava, quase roxa, da sobrancelha à raiz do cabelo — e essas criaturas se enfureciam, avizinhavam-se da loucura.”
“Ia acabar. Estava escrito nos desígnios da Providência, trazidos regularmente pelo correio. Na passagem do século um cometa brabo percorreria o céu e extinguiria a criação: homens, bichos, plantas. Riachos e açudes se converteriam em fumaça, as pedras se derreteriam. Antigamente a cólera de Deus exterminara a vida com água; determinava agora suprimi-la a fogo.”
“Quem tinha contado ao sujeito do livro que Deus resolvera matar Padre João Inácio? Padre João Inácio era poderoso. Recusei o vaticínio, firme.”
“Esteve alguns dias apreensiva, folheando a brochura, os olhos arregalados, séria. Enfim abandonou o cataclismo, embrenhou-se em novos temores. O cometa veio ao cabo de uns dois anos e comportou-se bem. Minha mãe foi observá-lo da porta da igreja, sem nenhum receio, esquecida inteiramente da predição.”
“Às vezes minha mãe perdia as arestas e a dureza, animava-se, quase se embelezava. Catorze ou quinze anos mais moço que ela, habituei-me, nessas tréguas curtas e valiosas, a julgá-la criança, uma companheira de gênio variável, que era necessário tratar cautelosamente. Sucedia desprecatar-me e enfadá-la. Os catorze ou quinze anos surgiam entre nós, alargavam-se de chofre — e causavam-me desgosto.”
“Minha mãe estranhou a curiosidade: impossível um menino de seis anos, em idade de entrar na escola, ignorar aquilo. Realmente eu possuía noções. O inferno era um nome feio, que não devíamos pronunciar.”
“Com certeza Padre João Inácio havia perdido um olho no inferno e de lá trouxera aquele mau costume. A resposta de minha mãe desiludiu-me, embaralhou-me as idéias. E pratiquei um ato de rebeldia:
— Não há nada disso.”
“Minha mãe curvou-se, descalçou-se e aplicou-me várias chineladas. Não me convenci. Conservei-me dócil, tentando acomodar-me às esquisitices alheias. Mas algumas vezes fui sincero, idiotamente. E vieram-me chineladas e outros castigos oportunos.”
“Luísa era intratável e vagabunda. Em tempo de seca e fome chegava-se aos antigos senhores, instalava-se na fazenda, resmungona, malcriada, a discutir alto, a fomentar a desordem. Ao cabo de semanas arrumava os picuás e entrava na pândega, ia gerar negrinhos, que desapareciam comidos pela verminose ou oferecidos, como crias de gato.”
“Haviam obrigado o moleque a tratar-me por senhor, não admitiam que me reconhecesse indigno, me privasse voluntariamente daquele respeito miúdo.”
“Se os fregueses andavam direito na loja, obtínhamos generosidades imprevistas; se não andavam, suportávamos rigor. Provavelmente é assim em toda a parte, mas ali essas viravoltas se expunham com muita clareza.”
“Quando meu pai se tinha irado bastante, segurou o moleque, arrastou-o à cozinha. Segui-os, curioso, excitado por uma viva sede de justiça. Nenhuma simpatia ao companheiro desgraçado, que se agoniava no pelourinho, aguardando a tortura. Nem compreendia que uma intervenção moderada me seria proveitosa, originaria o reconhecimento de um indivíduo superior a mim. Conservei-me perto da lei, desejando a execução da sentença rigorosa. Não me afligiam receios, porque ninguém me acusava, ninguém me bulia a consciência.”
“Jazia ali um ser humano. Logo recusava a proposição insensata. Nada de humano: tinha a aparência vaga de um rolo de fumo. Isto, rolo de fumo, semelhante aos que meu pai guardava no armazém, umedecidos em líquido viscoso, empacavirados em bananeira. Apenas aquele não estava úmido nem coberto: estava nu e torrado. Um rolo de fumo ordinário, dos que se vendem nas barracas de feira, pelando-se, esfarelando-se ao sol. Difícil atribuir-lhe nome de mulher, existência de mulher. Contudo as exclamações reiteradas, fragmentos de asserções contínuas, desbarataram a evidência, deram-me afinal a certeza de que se achavam no terreiro porções da negra morta. Forçava-me a não perceber nexo entre aquela espécie de barrote queimado e a sujeita valente que se mexera, defendendo os trens domésticos, a ausência de braços e de pernas. A energia mencionada e a inércia visível debatiam-se dentro de mim.”
“Curvei-me num arremesso de coragem. Faltava-lhe o cabelo, faltava a pele — e não havendo seios nem sexo, perdiam-se os restos de animalidade. A superfície vestia-se de crostas, como a dos metais inúteis, carcomidos no abandono e na ferrugem. Em alguns pontos semelhava carne assada, e havia realmente um cheiro forte de carne assada; fora daí ressecava-se demais. Nesse torrão cascalhoso sobressaía a cabeça, o que fôra cabeça, com as órbitas vazias, duas fileiras de dentes alvejando na devastação, o buraco do nariz, a expelir matéria verde, amarelenta.”
“Se não me houvesse rendido à tentação, aquela imundície não existiria, pelo menos não existiria no meu espírito.”
“Deus era misericordioso: contentava-se com uma habitação miserável, situada longe da rua, e com o sacrifício de uma preta anônima. Não me convenci. A loja de Seu Quinca Epifânio e a igreja não tinham nada com o negócio. Eu não vira incêndio na igreja nem na loja de Seu Quinca Epifânio: vira uma choupana destruída, e a choupana crescia, igualava-se às construções de tijolo. Seu Quinca Epifânio e Padre João Inácio estavam vivos. Se tivessem morrido no fogaréu, não seriam mais nojentos que a negra.”
“A lembrança infeliz me atormentava: necessário que os outros soubessem isto e me censurassem. Tinham sido sempre rigorosos em demasia, e agora me deixavam com aquele peso no interior. A argüição e o castigo me dariam talvez um pouco de calma: eu esqueceria, nos lamentos e na zanga, a visagem terrível. Não me puniram, quiseram transformar aquele horror num fato ordinário.”
“Em noites comuns, para escapar aos habitantes da treva, eu envolvia a cabeça. Isto me resguardava: nenhum fantasma viria perseguir-me debaixo do lençol. Agora não conseguia preservar-me. O tição apagado avizinhava-se, puxava a coberta, ligava-se ao meu corpo, sujava-me com a salmoura que vertia de gretas profundas. As órbitas vazias espiavam-me, a lama do nariz borbulhava num estertor, os dentes se acavalavam e queriam morder-me. Encolhia-me, escondia o rosto no travesseiro, e a visão continuava a atenazar-me. Os arrepios que me agitavam mudaram-se em tremor violento. Não resisti ao suplício, gritei como um doido, alarmei a família. Vieram buscar-me, tentaram varrer-me o espectro da imaginação, acomodaram-me aos pés da cama do casal. Aí me abati, no círculo de luz da lamparina, ouvindo o canto dos galos, até que a madrugada me trouxe uma ligeira modorra cheia de sonhos ruins. Adormeci com a figura asquerosa, despertei com ela.” “A negra tivera sorte. Provavelmente já estava no céu, diante de Jesus, misturada aos serafins. Essa esquisita benevolência deixou-me perplexo. Calei-me, prudente”
C.I.U.: “Vestindo o uniforme, eram insolentes e agressivos, apagavam as humilhações antigas afligindo outros infelizes. Bebiam cachaça, malandravam, torvos, importantes, vagarosos, e o desmazelo — cinto frouxo, quepe de banda, topete ameaçador — dava-lhes consideração. Arredios, oblíquos, promoviam sambas e furdunços em casas de palha, onde as violências passavam despercebidas e ninguém se queixava.”
“Em geral os militares inferiores arrastam a voz na primeira sílaba de serviço quando se referem às ocupações da caserna, que deste modo se distinguem das civis e ordinárias, sem vogal modificada.”
“Não me havendo chegado notícia das viagens de Gulliver, penso que a minha gente liliputiana teve origem nas baratas e nas aranhas. Esse povo mirim falava baixinho, zumbindo como as abelhas. Nem palavras ásperas nem arranhões, cocorotes e puxões de orelhas.”
“Ótimo professor. Acho, porém, que era um mau funcionário. O Estado não lhe pagava etapa e soldo para desviar-se dos colegas, sujos e ferozes, encher com lorotas as cabeças das crianças. Um anarquista.”
“Isto me pareceu absurdo: os traços insignificantes não tinham feição perigosa de armas. Ouvi os louvores, incrédulo.” “Não me sentia propenso a adivinhar os sinais pretos do papel amarelo?” Outra vítima das listas telefônicas? Haha, com certeza ainda não havia telefones…
“A liberdade que me ofereciam de repente, o direito de optar, insinuou-me vaga desconfiança. Que estaria para acontecer? Mas a pergunta risonha levou-me a adotar procedimento oposto à minha tendência. Receei mostrar-me descortês e obtuso, recair na sujeição habitual. Deixei-me persuadir, sem nenhum entusiasmo, esperando que os garranchos do papel me dessem as qualidades necessárias para livrar-me de pequenos deveres e pequenos castigos. Decidi-me.”
“Admirei-me. Esquisito aparecerem, logo no princípio do caderno, sílabas pronunciadas em lugar distante, por pessoa estranha. Não haveria engano? Meu pai asseverou que as letras eram realmente batizadas daquele jeito.
No dia seguinte surgiram outras, depois outras — e iniciou-se a escravidão imposta ardilosamente. Condenaram-me à tarefa odiosa, e como não me era possível realizá-la convenientemente, as horas se dobravam, todo o tempo se consumia nela. Agora eu não tocava nos pacotes de ferragens e miudezas, não me absorvia nas estampas das peças de chita: ficava sentado num caixão, sem pensamento, a carta sobre os joelhos.” Como é possível que alguém se lembre de quando e como foi alfabetizado?!
“Enfim consegui familiarizar-me com as letras quase todas. Aí me exibiram outras 25, diferentes das primeiras e com os mesmos nomes delas. Atordoamento, preguiça, desespero, vontade de acabar-me. Veio 3º alfabeto, veio 4º, e a confusão se estabeleceu, um horror de quiproquós. Quatro sinais com uma só denominação. Se me habituassem às maiúsculas, deixando as minúsculas para mais tarde, talvez não me embrutecesse. Jogaram-me simultaneamente maldades grandes e pequenas, impressas e manuscritas. Um inferno.”
“Muitas infelicidades me haviam perseguido. Mas vinham de chofre, dissipavam-se. Às vezes se multiplicavam. Depois, longos períodos de repouso. Em momentos de otimismo supus que estivessem definitivamente acabadas. Agora não alcançava esse engano. As 3 manchas verticais, úmidas de lágrimas, estiravam-se junto à mão doída, as letras renitentes iriam afligir-me dia e noite, sempre. As réstias que passeavam no tijolo e subiam a parede marcavam a aproximação do suplício. Dentro de algumas horas, de alguns minutos, a cena terrível se reproduziria: berros, cólera imensa a envolver-me, aniquilar-me, destruir os últimos vestígios de consciência, e o pedaço de madeira a martelar a carne machucada.”
— Mocinha, quem é o Terteão?
Mocinha estranhou a pergunta. Não havia pensado que Terteão fosse homem. Talvez fosse. “Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém.”
— Mocinha, que quer dizer isso?
“e as duas consoantes inimigas dançavam: d. t.”
“Foi por esse tempo que o negro velho apareceu, limpo, de colarinho, gravata, botinas, roupa de cassineta, óculos. Estranhei, pois não admitia tal decência em negros, e manifestei a surpresa em linguagem de cozinha. Meu pai achou a observação original, enxergou nela intenções inexistentes em mim, referiu-a na loja aos fregueses, aos parceiros do gamão e do solo. Ouvia-a recomposta por Seu Afro, completamente desfigurada, com palavras que não me aventuraria a pronunciar.”
SUPERFÍCIE TRIDIMENSIONAL
raso, tudo é raso
rasura
de pensamento
anulado
recomeçado
reiterado?
uma coisa é outra coisa, a mesma coisa, ao mesmo tempo três vezes!
va(r)i(e)dade
“O culpado era meu pai. (…) negociante não tem os escrúpulos comuns das pessoas comuns. Tanto elogiara as mercadorias chinfrins expostas na prateleira que sem dificuldade esquecia as minhas falhas evidentes e me transformava numa espécie de fechadura garantida, com boas molas.” “desagradava-me ouvir meu pai alinhavar opiniões contraditórias.”
“A notícia veio de supetão: iam meter-me na escola. Já me haviam falado nisso, em horas de zanga, mas nunca me convencera de que realizassem a ameaça. A escola, segundo informações dignas de crédito, era um lugar para onde se enviavam as crianças rebeldes.” “A escola era horrível — e eu não podia negá-la, como negara o inferno.” “Iria o professor mandar-me explicar Terteão e a chave? Enorme tristeza por não perceber nenhuma simpatia em redor.”
“Lavaram-me, esfregaram-me, pentearam-me, cortaram-me as unhas sujas de terra. E, com a roupa nova de fustão branco, os sapatos roxos de marroquim, o gorro de palha, folhas de almaço numa caixa, penas, lápis, uma brochura de capa amarela, saí de casa, tão perturbado que não vi para onde me levavam. Nem tinha tido a curiosidade de informar-me: estava certo de que seria entregue ao sujeito barbado e severo, residente no largo, perto da igreja.” Sujo pode, conquanto que as visitas não olhem.
“Não me seria possível espernear, berrar daquele jeito, exibir força, escoicear, utilizar os dentes, cuspir nas pessoas, espumante e selvagem. Tinham-me domado. Na civilização e na fraqueza, ia para onde me impeliam, muito dócil, muito leve, como os pedaços da carta de ABC”
“As pessoas comuns exalavam odores fortes e excitantes, de fumo, suor, banha de porco, mofo, sangue. E bafos nauseabundos. Os dentes de Rosenda eram pretos de sarro de cachimbo; André Laerte usava um avental imundo; por detrás dos baús de couro, brilhantes de tachas amarelas, escondiam-se camisas ensangüentadas.”
“A escola exigia palmatória, mas não consta que o modesto emblema de autoridade e saber haja trazido lágrimas a alguém. D. Maria nunca o manejou. Nem sequer recorria às ameaças. Quando se aperreava, erguia o dedinho, uma nota desafinava na voz carinhosa — e nós nos alarmávamos.” “A excelente criatura logo se fatigava da severidade, restabelecia a camaradagem, rascunhava palavras e algarismos, que reproduzíamos.”
— Lavou as orelhas hoje?
— Lavei o rosto, gaguejei atarantado.
— Perguntei se lavou as orelhas.
— Então? Se lavei o rosto, devo ter lavado as orelhas.
“Lembro-me de ter ouvido alguém condenar certa hóspeda que, antes de ir para a cama, pretendia banhar-se:
— Moça porca.”
“Continuei a asseá-las rigoroso, e ao cabo de uma semana surgiram nelas esfoladuras e gretas que dificultaram as esfregações. A professora notou o exagero, segredou-me que deixasse as orelhas em paz. Desobedeci: havia contraído um hábito e receava outra admoestação, pior que insultos e gritos.”
“De quem seria o defeito, do Barão de Macaúbas ou meu? Devia ser meu. Um homem coberto de responsabilidades com certeza escrevia direito. Não havia desordem na composição. Só eu me atrapalhava nela, os meninos comuns viam facilmente o fugitivo esconder-se na gruta, a aranha fabricar a teia. Humilhava-me — e na horrível cartonagem só percebia uma confusão de veredas espinhosas. Não valia a pena esforçar-me por andar nelas. Na verdade nem tentava qualquer esforço: o exercício me produzia enjôo.”
“E se o catecismo tivesse para mim algum significado, pegar-me-ia a Deus, pedir-lhe-ia que me livrasse do Barão de Macaúbas. Nenhum proveito a libertação me daria: os outros organizadores de histórias infantis eram provavelmente como ele. Em todo o caso ambicionei afastar a mosca, a teia de aranha, o pássaro virtuoso.”
“Desse objeto sinistro guardo a lembrança mortificadora de muitas páginas relativas à boa pontuação. Avizinhava-me dos 7 anos, não conseguia ler e os meus rascunhos eram pavorosos. Apesar disso emaranhei-me em regras complicadas, resmunguei expressões técnicas e encerrei-me num embrutecimento admirável.”
— Sete vezes nove?
Sessenta, pouco mais ou menos. A exigência de D. Maria não se inquietava com unidades.
“Foi por esse tempo que me infligiram Camões, no manuscrito. Sim senhor: Camões, em medonhos caracteres borrados — e manuscritos. Aos sete anos, no interior do Nordeste, ignorante da minha língua, fui compelido a adivinhar, em língua estranha, as filhas do Mondego, a linda Inês, as armas e os barões assinalados. Um desses barões era provavelmente o de Macaúbas, o dos passarinhos, da mosca, da teia de aranha, da pontuação. Deus me perdoe. Abominei Camões. E ao Barão de Macaúbas associei Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque, o gigante Adamastor, barão também, decerto.”
“AFASTOU-ME da escola, atrasou-me, enquanto os filhos de Seu José Galvão se internavam em grandes volumes coloridos, a doença de olhos que me perseguiu na meninice. Torturava-me semanas e semanas, eu vivia na treva, o rosto oculto num pano escuro, tropeçando nos móveis, guiando-me às apalpadelas, ao longo das paredes. As pálpebras inflamadas colavam-se. Para descerrá-las, eu ficava tempo sem fim mergulhando a cara na bacia de água, lavando-me vagarosamente, pois o contacto dos dedos era doloroso em excesso. Finda a operação extensa, o espelho da sala de visitas mostrava-me dois bugalhos sangrentos, que se molhavam depressa e queriam esconder-se.” “Voltava a abrigar-me sob o pano escuro, mas isto não atenuava o padecimento. Qualquer luz me deslumbrava, feria-me como pontas de agulhas. E as lágrimas corriam, engrossavam, solidificavam-se na pele vermelha e crestada. Necessário mexer-me à toa, em busca da bacia de água.”
“Minha mãe tinha a franqueza de manifestar-me viva antipatia. Dava-me dois apelidos: bezerro-encourado e cabra-cega. Bezerro-encourado é um intruso. Quando uma cria morre, tiram-lhe o couro, vestem com ele um órfão, que, neste disfarce, é amamentado. A vaca sente o cheiro do filho, engana-se e adota o animal. Devo o apodo ao meu desarranjo, à feiúra, ao desengonço.” “Essa injúria revelou muito cedo a minha condição na família: comparado ao bicho infeliz, considerei-me um pupilo enfadonho, aceito a custo. Zanguei-me, permanecendo exteriormente calmo, depois serenei.”
“Se a oftalmia desaparecesse, a expressão vexatória desapareceria também, eu regressaria ao catecismo, às histórias do Barão de Macaúbas.” “Na escuridão percebi o valor enorme das palavras. Em dias de claridade e movimento entretinha-me a observar a loja e o armazém, percorria alguns metros do largo e alguns metros da Rua da Palha, de casa para a escola, da escola para casa.”
“Os passos revelavam as criaturas, quase se confundiam com elas: para bem dizer tinham forma, feições, e era-me possível saber de longe se estavam zangados ou satisfeitos.”
“Mas, D. Maria, a velha professora quase analfabeta, aproximava-se da santidade. Os outros viventes possuíam virtudes e defeitos, com desvios e oscilações. Chico Brabo parecia-me dois seres incompatíveis. Em vão tentei harmonizá-los. As lembranças multiplicavam-se, exageravam-se. Arriado na cama de lona, as pálpebras coladas, via distintamente um deles. Os ouvidos excitados na cegueira fixavam-me na imaginação o segundo.”
“Eu não supunha que existissem pessoas tão cabeludas.”
“Os fazendeiros da região submetiam-se a alternativas: anos de abundância e anos de penúria. Às vezes a terra produzia em excesso, outras vezes não produzia nada. Dissipação, mesquinharia. E contra isso qualquer esforço era inútil.”
“Nunca me havia ocorrido que as rapaduras fossem conseqüência de trabalho humano. Encaixadas, nas bodegas, não pareciam exigir tantos preparos. Aquilo era uma diversão curiosa. Bonitas, cor de ouro, empilhavam-se ainda quentes. E desejei permanecer ali, ao calor da fornalha, vendo a cana esmagar-se, o líquido borbulhar nas talhas, engrossar, solidificar-se.”
“Mudei-me, fui viver na cidade. A pedra faiscante sumiu-se — e o meu quarto, rezadas as orações, apagado o candeeiro de querosene, escureceu.”
“A pessoa que desapareceu da família foi Mocinha. Não sei bem se desapareceu da família, mas é certo que nos deixou. Talvez não a julgassem parenta: as relações dela conosco eram imprecisas. Antes de meu pai casar, Mocinha lhe fôra enviada por portas travessas, passara às mãos de tia Dona, viúva pobre que vivia com êle e tinha duas filhas novas. Viera o casamento, viera a mudança, tia e primas se haviam distanciado e Mocinha nos acompanhara ao sertão.
Era branca e forte, de olhos grandes, cabelos negros, tão bonita que duvidei ser do meu sangue. Parece que não queriam tomar conhecimento dela. Aferrolhavam-na em camarinha tenebrosa. Natural: sempre tivemos camarinhas úmidas, tristes, seguras, fechadas, para as mulheres. Sentava-se a um canto da mesa, rezava, comia de cabeça baixa. O constrangimento devia torturá-la, pois no quintal, na cozinha, no alpendre, ria, cantava, entendia-se com Rosenda lavadeira. Do corredor para a sala de visitas encolhia-se, reprimia expansões, anulava-se.”
“À Mocinha não chegavam dissabores. Era como estranha, hóspeda permanente, embora se entretivesse em serviços leves: bordava palmas e florinhas lentas em pedaços de morim estendidos em grades, remendava camisas, endurecia saias brancas na goma anilada, alisava-as a ferro numa tábua vestida em lençol, suspensa nos encostos de duas cadeiras.”
“Provavelmente a situação do negócio (gado a morrer, pano barato na prateleira) não lhe permitia engendrar filhos em muitas barrigas, fortalecer-se com o trabalho deles. Reprodutor mesquinho, sujeitava-se à moral comum — e naquela bênção engrolada ao amanhecer e ao cair da noite havia a confissão de que lhe faltava o direito de cobrir muitas mulheres, gerar descendência numerosa. Cobria e gerava, mas devagar e com método. Era um patriarca refletido e oblíquo, escriturava zeloso os seus escorregos sentimentais. Mocinha não representava utilidade. Valor estimativo, de origem pecaminosa. E meu pai tentava convencer os outros de que ela não existia.
Difícil. A intrusa se encorpava e embelezava, alargava a roupa, namorava-se ao espelho da sala. E do espelho saltou à janela, onde Miguel lhe foi segredar ternuras ao lusco-fusco.
Miguel, indivíduo importante, dos mais importantes do lugar, não podia ligar-se decentemente a uma filha das ervas. A gente dele, proprietária da casa de azulejos, motivo do meu assombro ao apear-me na vila, estrilou. E meu pai estrilou também, considerável e cheio de prosápias, orgulhando-se daquela preferência, mas rigoroso, intransigente. Fecharam-se e fiscalizaram-se as venezianas; estorvaram-se as relações com o exterior; a menina, elevada à categoria de pessoa, ouviu grilos, censuras ásperas, e as duas bênçãos diárias nunca mais lhe foram concedidas.
Pensei mais tarde nas razões que levaram meu pai a repelir um sujeito de boa raça, influente na política local. Talvez desejasse evitar falatórios, que lhe causavam medo. Talvez receasse assumir responsabilidade, ir até o fim do caminho. Nunca se comportava assim. Ordinariamente parava, ocupado com minúcias, e no jogo do solo, o seu divertimento no inverno, passava demais, enchia o pires de tentos, só se arriscava quando os trunfos lhe choviam nas mãos. Temia vantagens, desconfiava dos lucros rápidos e fáceis, que exigem capital e coragem — e após o desastre na fazenda, bichos famintos, morrinha, destruição, tornara-se precavido em excesso. Realmente era ambicioso, mas a sua ambição voava curto. Leve amor às aventuras e riscos, aventuras e riscos medianos, o induzia a vender fiado. Tomava todas as precauções, estudava o freguês pelo direito e pelo avesso, duplicava o preço da mercadoria, e se a fatura se elevava um pouco, suava numa angústia verdadeira. Findos os 90 dias do prazo, esfolava o devedor com juro de 2%a.m.. É possível que, nesse caso afetivo, ele haja, adotando os seus hábitos comerciais, procedido economicamente. Se acolhesse as boas intenções de Miguel, precisaria mandar fazer enxoval, comprar malas, realizar uma festa com anúncio em banhos, cerimônia de igreja, música, jantar para dezenas de convidados. Viriam Padre João Inácio, o Comendador Badega, Seu Félix Cursino, Teotoninho Sabiá, Filipe Benício. Teríamos discursos, teríamos dança. Esses desarranjos, além de caros, não estavam na índole de meu pai.”
“Meu pai detestava a dança, formalidade necessária em bodas. Certamente se lembrava de culpas nascidas na valsa e na quadrilha — e daí o horror. Havia na existência dele, no escuro do passado, uma Deolinda, a que minha mãe se referia com inveja. Deolinda surgira escandalosamente na quadrilha e na valsa, traíra o marido — e, em conseqüência, meu pai reprovava com energia o exercício abominável. Minha mãe esqueceu a reprovação e cometeu uma falta: dançou com um primo barbado, em casa de meu avô. Arrependeu-se, achegou-me ao peito magro, pediu-me que não revelasse a ninguém o desgraçado sucesso. Comprometi-me. Quando nos desaviemos, ameacei-a. Não ligou importância às ameaças: puxou-me as orelhas. Senti a perfídia, mas fui generoso, guardei o segredo. E a paz do casal não se alterou.”
“O nosso governo totalitário admitia Adélia e D. Rufo, mas não admitia Miguel. Não tentava suprimir a ficção contida nos volumes sujos. Consentia a leitura, reconhecendo a inutilidade dela fora do artigo político e dos lançamentos do borrador. Mas, deixando à menina o direito de pensar em tipos de histórias, decidiu conservá-la na virgindade. Obrigava-se a alimentá-la por largos anos, vesti-la, calçá-la. Isto representava uma despesa pingada, quase insensível.”
“Fervia nela, porém, o sangue materno, a solidão afligia-a. E Miguel não queria ser figura de romance. Entenderam-se, apesar da proibição, inflamaram-se, cambiaram acenos e bilhetes. E tudo se resolveu.”
“estabeleceu-se que moça fugida é moça avariada.”
“Mocinha casou silenciosamente, sem música e sem dança, na missa das sete. E teve alguns anos de equilíbrio e felicidade.” “Miguel abandonou-a, ligou-se a outra, no civil. Se não me engano, ligou-se também a uma índia, na lei dos índios, para as bandas do Amazonas. Mocinha desapareceu e não deixou vestígio.”
“Tinham-se sumido os grandes espaços alvacentos, de areia e cascalho, despovoados, o mato franzino, bancos de macambira, cercas de pedra, chiqueiros e currais, dias luminosos riscados pelo vôo das arribações. Veredas subiam, desciam, torciam-se, e à beira delas arrumavam-se casas, jardins, hortas. Os transeuntes não se vestiam de couro.”
“Chegamos ao município de Viçosa, em Alagoas. Antes de estabelecer-se na cidade, meu pai se hospedou num engenho de fogo morto.”
“Objetos e palavras inexistentes no sertão originavam incerteza, e a maneira de falar me chocava os ouvidos. As pessoas e as relações me desnorteavam: não podia saber se me comportava direito com a parentela confusa e respeitável.”
“Matricularam-me na escola pública da professora Maria do Ó, mulata fosca, robusta em demasia, uma das criaturas mais vigorosas que já vi.”
“surgiu uma novidade que me levou a desconfiar da instrução de Alagoas: no interior de Pernambuco havia 1899 depois dos nomes da terra e do mês; escrevíamos agora 1900, e isto me embrulhou o espírito. Faltou-me a explicação necessária. Como a doce mestra sertaneja, clara, de belos caracóis imaculados, superava a outra, escura, agreste, de músculos rijos, nos olhos raivosos estrias amarelas, considerei a nova data um erro.”
“Uma vez, notando-me o desânimo diante da folha machucada, Dondom tomou a pena, traçou vários caracteres em caligrafia direita, emagrecendo-os, engordando-os convenientemente, e induziu-me a prosseguir daquela maneira. Conselho perdido: as garatujas de 1900 eram iguais às de 1899. E quando a professora foi julgar as escritas e viu o dolo, chamou-me, exigiu esclarecimento. Desejei mentir, responsabilizar-me. Impossível. Olhei desesperado a minha cúmplice. D. Maria do Ó envolveu a mão nos cabelos da menina, deixando livres o indicador e o polegar, com que me agarrou uma orelha. E, tendo-nos seguros, agitou o braço violentamente: rodopiamos como dois bonecos e aluímos sobre os bancos.”
“permaneci obtuso, odiando as vírgulas e o catecismo, só abrindo os volumes sujos à hora da lição. Felizmente escapava entre dezenas de garotos rudes.”
“Na sala, vendo a mulata ou cafuza brandir a palmatória, precisaria comportar-me bem, simular atenção, molhar de saliva as páginas detestáveis. Ali, no encolhimento e na insignificância, os livros fechados, embrutecia-me em leves cochilos, quase só. Desperto, bocejava, examinava o quintal estreito, que subia o morro do cemitério, argiloso e resvaladiço.”
“Constrangida no espartilho, branqueada a pó-de-arroz, D. Maria do Ó fingia humanizar-se lá fora: a voz amansava, a carne se reprimia, doméstica, os bugalhos amarelentos se ocultavam sob as pálpebras roxas — e a fera metia as garras nos cabelos das crianças, adulando.
Entre as vítimas desse diabo, a mais infeliz era minha prima Adelaide. Os pais não queriam separar-se dela. E, ricos, podendo confiá-la a estabelecimento que ensinasse línguas difíceis, tinham resolvido instruí-la sem perdê-la de vista. Os colégios mais ou menos europeus ficavam longe. Iriam soltá-la por este mundo, sujeita a inconveniências? Não.”
“Uma Adelaide letrada, não muito letrada, com as inovações e as letras necessárias. Uma Adelaide que se banhasse no riacho e falasse francês.”
“E a infeliz, vergando sob a cólera despropositada, ia buscar a vassoura, limpar o tijolo, havia-se reduzido à condição de criada. Na labuta doméstica, sofria a birra das três velhas miúdas e cor de piche. Essas fúrias boçais vinham de classe muito baixa, tinham decerto adquirido em senzalas o veneno que destilavam. Da subserviência, antiga, passavam às ordens brutais, vingavam-se numa possível descendente de senhores remotos. Adelaide curvava o espinhaço, calejava na obediência, esmorecia nos trabalhos mais humildes.”
“Não me parecia que Adelaide pudesse reabilitar-se, recuperar a alma de proprietária, dominar os cambembes esvaídos no eito. O engenho perdera a grandeza, era uma sombra de engenho, e a sinhá-moça arrastaria anos de vexame, até o fim da vida.”
“As tias da professora haviam sido mucamas de luxo, sem dúvida, antes da maluqueira de uma princesa odiosa. Ingratas. Não me ocorria que alguém manejara a enxada, suara no cultivo do algodão e da cana: as plantas nasciam espontaneamente.”
“Coitada de minha prima, tão boa, tão débil, suportando as enxaquecas das miseráveis. Lugar de negro era a cozinha. Por que haviam saído de lá, vindo para a sala, puxar as orelhas de Adelaide? Não me conformava.”
“A imobilidade e a indiferença me atraíam. Tentei invocar as almas penadas, os diabos que se agitam nas chamas eternas. Essas criaturas me inspiravam piedade ou terror. Diante das carcaças nuas, era impossível comover-me. Loucura supor que mangassem de mim.
Longamente estive a contemplar as ruínas, ignoro como e quando me retirei. Decerto os colegas foram buscar-me. Não me recordo.
Entrei em casa mergulhado numa sombra espessa. À mesa, repeli a comida.”
“Imundície. As pálpebras e o globo iam apodrecer, estavam apodrecendo. Só o esqueleto resistiria. Ossos. Aquela miséria segurava-se a mim, e não havia jeito de eliminá-la. Uma caveira me acompanharia por toda a parte, estaria comigo na cama, nas horas de brinquedo, nos desalentos, curvar-se-ia sobre páginas enfadonhas e agüentaria cocorotes. Ia encher-se de noções e de sonhos, esvaziar-se, descansar num ossuário, ao sol, à chuva, mostrar os dentes às crianças. Acabar-me-ia assim. Não interrompia o exame das órbitas, e as cavidades horríveis se alargavam e aprofundavam, semelhantes aos dois buracos que me haviam observado no cemitério.”
“Os duendes e os gigantes eram só palavras, os inimigos indeterminados que vivem na treva se dispersaram. Intentei recordar-me deles, assustar-me. Debalde. Lá fora cantavam grilos, o vento zumbia nos ramos das laranjeiras e na cerca de pau-a-pique, vaga-lumes e baratas começavam a manifestar-se, os moleques cochichavam. Apenas. E cá dentro — um feixe de ossos. Apenas. A carne se eriçava, o sangue badalava na artéria. Isso tudo seria gasto pelos vermes. A imagem horrorosa se obstinava. As imagens também seriam gastas pelos vermes. Então para que me fatigar, rezar, ir à loja e à escola, receber castigos da mestra, escaldar os miolos na soma e na diminuição? Para quê, se os miolos iam derreter-se, abandonar a caixa inútil? O que mais me impressionava eram as órbitas: a pesquisa minuciosa prosseguia e achava-as desertas. Ocas e sombrias, como as outras. E o resto? Não havia resto. Ali não havia nada. Aqui não haveria nada. O velho Simeão habituara-se a dormir à luz dos fogos-fátuos, que já não eram amantes falecidos em incesto, perseguindo-se, repelindo-se, entre as sepulturas. Libertara-se de crenças, fugira ao sobrenatural. E resignava-se. Eu não podia resignar-me. As almas do outro mundo e os lobisomens adquiriam muito valor, faziam-me falta.
Estas letras me pareceriam naquele tempo confusas e pedantes. Mas o artifício da composição não exclui a substância do fato. Esforcei-me por destrinçar as coisas inomináveis existentes no meu espírito infantil, numa balbúrdia. É por terem sido inomináveis que agora se apresentam duvidosas. Afinal não me surgiam dificuldades. Haviam-me exposto várias lendas. Vencida a resistência inicial, pusera-me a confirmá-las. Negava-as de repente em globo, sem análises. Não me embaraçava em dúvidas. Tinha dito sim; entrava a dizer não: uma caveira motivava o desmoronamento.
Não pretendo insinuar, porém, que me haja encerrado no ateísmo, diferençando-me dos meninos vulgares. Nem sequer pensei em Deus. O que me inquietava eram as almas. E a minha não morreu de todo. Aquele enorme desengano passou. Os fantasmas voltaram, abrandaram-me a solidão. Sumiram-se pouco a pouco e foram substituídos por outros fantasmas.”
“TIRARAM-ME da escola da mestiça, puseram-me na de um mestiço, não porque esta se avantajasse àquela, mas porque minha família se mudou para a Rua da Matriz, e D. Maria do Ó, no Juazeiro, ficava longe, graças a Deus.”
“Um irmão dele, claro e simpático, certo dia me apareceu zangado no armazém de Seu Costa, sentou-se num fardo de algodão, abriu um jornal, fechou-o, encarou-me e rugiu:
— Tenho o meu lugar definido na sociedade.
Não o contrariei. Admirava-lhe a caligrafia, os discursos na Loja Maçônica e a linguagem nas conversas. Desejaria falar tão facilmente, rir como ele. Mas naquela hora o homem não queria falar nem rir. Bêbedo, espumava, recordando alguma ofensa:
— Tenho o meu lugar definido.
Provavelmente alguém o molestara, alguém que não recebera a resposta adequada e ali, na perturbação da embriaguez, se confundia comigo.
— Sem dúvida.
O sujeito desdenhou a confirmação: bateu na coxa e martelou, reimoso, disposto a luta, babando-se:
— Tenho o meu lugar definido.
Mas isso foi muito depois de eu entrar na escola do irmão. Este não tinha lugar definido na sociedade. Para bem dizer, não tinha lugar definido na espécie humana: era um tipo mesquinho, de voz fina, modos ambíguos, e passava os dias alisando o pixaim com uma escova de cabelos duros. Azeite e banha não domavam a carapinha — e o dono teimava, esfregava-a constantemente, mirando-se num espelho, namorando-se, mordendo a ponta da língua. Era feio, quase negro — e a feiúra e o pretume o afligiam. Porque tinha senso de beleza, mas procurava-a loucamente no seu corpo mofino. Friccionava-se, empoava-se, arrebicava-se, examinava-se no vidro, entortando os bugalhos estriados de vermelho.”
“fantasiava em sossego um livro diferente, sem explicações confusas, sem lengalengas cheias de moral. Uma interjeição me puxava à realidade, esfriava-me o sangue; a falta se revelava, erguia-me o rosto alarmado. Nenhum castigo. O professor andava no mundo da lua, as pálpebras meio cerradas, mexendo-se devagar na cadeira, como sonâmbulo. Não se espantara, não se indignara: a exclamação traduzia algum sentimento nebuloso, estranho à leitura. Findo o susto, considerava-me isolado, continuava nas infrações sem nenhuma vergonha.”
“Segurava a palmatória como se quisesse derrubar com ela o mundo. E nós, meia dúzia de alunos, tremíamos da cólera maciça, tentávamos esconder-nos uns por detrás dos outros. Daríamos os nossos cabelos, trocaríamos as nossas figuras por aquela miséria que se acabrunhava junto à mesa. Por que se aperreava tanto? Insignificâncias. Eu dizia comigo que o professor, como o irmão, poderia recitar discursos brilhantes e crescer. Tornar-se um homem.”
“Os olhos ensangüentavam-se, os dentes rangiam. E consertava-nos furiosamente a pronúncia, obediente a vírgulas e pontos, forçava-nos a repetir uma frase dez vezes, punha notas baixas nas escritas, rasgando o papel, farejava as contas até que o erro surgia e se publicava com estridência arrepiada. Nesse policiamento súbito acuávamos — e as folhas virgens endureciam.
Desalentava-me no banco, os miolos a arder, zonzo. Quando se acabaria aquele horrível estrupício? Evidentemente não se acabaria: precisava habituar-me a ele, gostar da insipidez. Voltava à obrigação, reduzida por bocejos e cochilos.
Felizmente a exigência durava pouco. O sujeito melindroso enxergava no vidro uma cara atraente, alvoroçava-se, deixava-me em paz. As complicações do livro adelgaçavam, perdiam-se, enquanto o meu espírito vagaroso andava longe, pezunhando nos atoleiros que se espalhavam na cidade. Ia à estação da estrada de ferro, apreciava locomotivas, fumaça, apitos, vagões, passageiros e carregadores, trilhos, dormentes, rapaduras de carvão; detinha-se no mercado, que aos sábados se povoava de matutos ruidosos; visitava lojas, armazéns, a agência do correio; subia e descia ladeiras, passeava nos montes verdes, nas margens do rio largo e pedregoso. Assim divagando, sapequei o resto das histórias espessas, surdo aos conselhos que havia nelas. Nem me inteirava da existência dos conselhos.
Despedi-me enfim do Barão de Macaúbas, larguei a cartonagem, respirei. Mas a satisfação foi rápida: meteram-me noutra escola ruim e adquiri uma seleta clássica. [antologias didáticas]”
“SEU Nuno quis transformar-me em ajudante de missa, e isto me atraiu, deixei-me sugestionar, embora ignorando que esforços a novidade exigiria de mim. De fato o catecismo não me inspirava simpatia, mas a aritmética e a seleta clássica eram piores — e imaginei, com a preferência, libertar-me delas. É possível que muitas vocações comecem desse jeito.”
“Assim me edifiquei, a princípio moderadamente, depois excessivo e entusiasmado. Afeiçoei-me aos toques de sino, ao cheiro de incenso, decorei as frases do ritual, e, de casa para a loja, da loja para casa, ao passar diante da igreja, tirava o chapéu, rezava um padre-nosso e uma ave-maria.” “Adiantava-me, atrasava-me, escorregava no tapete, confundia a epístola com o evangelho, não segurava direito o missal, nos momentos mais sérios distraía-me olhando os vitrais. No manejo das galhetas [‘Cada um dos recipientes em que se guardam a água ou o vinho para a missa.’ // Também se usa para recipientes de restaurante ou de laboratórios químicos.] fui tão inábil que retrogradei. Cassaram-me funções, nem o turíbulo me deixaram, porque não consegui alongar ou encurtar as correntes, e nas minhas mãos o objeto, em vez de lançar fumaça, lançava cinza.” “E a minha fé pouco a pouco arrefeceu: a liturgia encrencada afastou da igreja um ministro.”
“Findara o tempo dos eclesiásticos soltos, numerosos no século passado. Entravam no rigor. Padre João Inácio e Padre Loureiro viviam com feias e honestas parentas idosas. Em conseqüência, esmorecimento, deserções. Fazendeiros, senhores de engenho e negociantes metiam os filhos em colégios leigos, formavam-nos em academias liberais. Ou largavam-nos na bagaceira, se a rudeza era grande, prendiam-nos ao balcão.”
“Um dia, no quintal, descobri uma de minhas irmãs vestida na batina, mascarada, fazendo carnaval. Indignei-me, depois encolhi os ombros, insensível à profanação. A batina envelhecia, desfiava-se nos bolsos e nas extremidades, cobria-se de nódoas. Esfarrapou-se nos brinquedos — e esquecia-a.”
“Padre Pimentel era uma santa criatura e insinuou-me alguns conhecimentos, os primeiros que aceitei com prazer. Narrou-me a viagem de Abraão, a vida nas tendas, a chegada à Palestina. Usava linguagem simples, comparações que atualizavam os acontecimentos. Não hesitei, ouvindo a mudança de homens e gado, com certeza tangidos pela seca, em situar a Caldéia no interior de Pernambuco. E Canaã, terra de leite e mel, aproximava-se dos engenhos e da cana-de-açúcar. Mantive essa localização arbitrária, útil à verossimilhança do enredo, espalhei seixos, mandacarus e xiquexiques no deserto sírio, e isto não desapareceu inteiramente quando os mapas vieram.
Padre Pimentel admitia dúvidas e aclarava os pontos obscuros. Realmente não explicou direito o holocausto goro de Isaac e disfarçou, para evitar-me transtorno, o procedimento das filhas de Lot, mas os outros casos se desenrolaram fáceis e naturais. Jacob brigou com Esaú por causa de herança, coisa vulgar entre pessoas ricas, fugiu, foi protegido e enganado por um tio, tomou-lhe um rebanho e casou com duas mulheres. Uma delas tinha olhos de sapiranga [a mesma blefarite ciliar de capítulos atrás!]. A poligamia, o furto e as safadezas não me espantavam. Onze malvados se desembaraçaram de um irmão.
Até aí, tudo razoável. Em seguida enxerguei na história certo exagero. Moisés era um grande chefe, mas teria vencido os egípcios, atravessado o mar a pé enxuto, recebido alimento do céu, tirado água das pedras, visto Deus? Pedi confirmação. Havia prova de que o Judeu realizara tantos milagres? Padre Pimentel não se enfadava. Claro que tinha realizado.
Ia refugiar-me, zonzo, na companhia das moças. Conversavam demais. Discutiam, graves, um corte de vestido, parando em cada prega, analisando fitas e botões, discordavam, criticavam-se, enfim se combinavam. O que me surpreendia nelas era a ausência de pressa. Uma estava noiva, quase noiva. Adiava-se a resolução — e na sala de jantar havia sobre o assunto vivas cavaqueiras, em que todas pareciam ter igual interesse. Somavam as conveniências, as inconveniências, e isto às vezes favorecia o pretendente, outras vezes o desfavorecia. Enquanto buscavam decisão, iam preparando o enxoval. Fôra dada uma anuência tácita, mas os debates prosseguiam, com o arranjo das fronhas e dos lençóis. Mediam tudo, pesavam tudo, para não surgirem decepções.
Essas moças tinham o vezo de afirmar o contrário do que desejavam. Notei a singularidade quando principiaram a elogiar o meu paletó cor de macaco. Examinavam-no sérias, achavam o pano e os aviamentos de qualidade superior, o feitio admirável. Envaideci-me: nunca havia reparado em tais vantagens. Mas os gabos se prolongaram, trouxeram-me desconfiança. Percebi afinal que elas zombavam, e não me susceptibilizei. Longe disso: julguei curiosa aquela maneira de falar pelo avesso, diferente das grosserias a que me habituara. Em geral me diziam com franqueza que a roupa não me assentava no corpo, sobrava nos sovacos. Os defeitos eram evidentes, e eu considerava estupidez virem indicá-los. Dissimulavam-se agora num jogo de palavras que encerrava malícia e bondade. Essa mistura de sentimentos incompatíveis assombrava-me — e pela primeira vez ri de mim mesmo. A doçura picante não me reformava, é claro, mas exibia-me como eu poderia ter sido se a natureza e o alfaiate me houvessem dado os recursos indispensáveis. Satisfazia-me a idéia de que a minha figura não provocava inevitavelmente irritação ou desdém, e as novas amigas surgiram-me compreensivas e caridosas.
Guardei a lição, conservei longos anos esse paletó. Conformado, avaliei o forro, as dobras e os pospontos das minhas ações cor de macaco. Paciência, tinham de ser assim. Ainda hoje, se fingem tolerar-me um romance, observo-lhe cuidadoso as mangas, as costuras, e vejo-o como ele é realmente: chinfrim e cor de macaco.”
“Aos 9 anos, eu era quase analfabeto. E achava-me inferior aos Mota Lima, nossos vizinhos, muito inferior, construído de maneira diversa. Esses garotos, felizes, para mim eram perfeitos: andavam limpos, riam alto, freqüentavam escola decente e possuíam máquinas que rodavam na calçada como trens. Eu vestia roupas ordinárias, usava tamancos, enlameava-me no quintal, engenhando bonecos de barro, falava pouco.”
“O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: 5 horas de suplício, uma crucificação. Certo dia vi moscas na cara de um, roendo o canto do olho, entrando no olho. E o olho sem se mexer, como se o menino estivesse morto. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me aterraram. Abandonei os cadernos e as auréolas, não deixei que as moscas me comessem. Assim, aos 9 anos ainda não sabia ler.”
“Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas e repisando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. Parei surpreendido, virei a folha, continuei a arrastar-me na gemedeira, como um carro em estrada cheia de buracos.
Com certeza o negociante recebera alguma dívida perdida: no meio do capítulo pôs-se a conversar comigo, perguntou-me se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava de uma história, um romance, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno, perseguido por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr, essas criaturas chegavam à cabana de um lenhador. Era ou não era? Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Animei-me a parolar. Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo.
Alinhavei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa, aventurando-me às vezes a inquirir. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito. Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs, à tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas.”
“Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso.
E no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo. Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais para mim e não podiam durar.”
“Quando falei a Emília, porém, ignorava que houvesse pessoas tão rudes quanto Eusébio e admitia facilmente as aureólas da professora. Em conformidade com a opinião de minha mãe, considerava-me uma besta. Assim, era necessário que a priminha lesse comigo o romance e me auxiliasse na decifração dele. Emília respondeu com uma pergunta que me espantou. Por que não me arriscava a tentar a leitura sozinho?”
“Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam no céu, percebiam tudo quanto há no céu. Não no céu onde moram Deus Nosso Senhor e a Virgem Maria. Esse ninguém tinha visto. Mas o outro, o que fica por baixo, o do Sol, da Lua e das estrelas, os astrônomos conheciam perfeitamente. Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, porque não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras?”
“E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as partes que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros.” “Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes, em que há homens perseguidos, mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes.”
“Em aritmética eu era um selvagem, pouco mais ou menos um selvagem, mas fui tolerado, e creio que devo isto a Samuel Smiles.
Essa professora atrasada possuía raro talento para narrar histórias de Trancoso. Visitava-nos, prendia-nos até meia-noite com lendas e romances, que estirava e coloria admiravelmente. Nada me ensinou, mas transmitiu-me afeição às mentiras impressas.”
“Imaginei um engano: tinha por erro o que divergia da minha maneira habitual de falar. Realmente pronunciara Smiles de vários modos, mas supunha que alguns deles estivesse direito. Julguei o professor uma besta — e meu primo José concordou.
Finda, porém, essa manifestação de rebeldia, chegaram-me dúvidas, grande espanto em seguida, por fim mistura vaga de resistência e admiração àquele homem que alterava as letras. A firmeza séria me deu a suspeita de que me achava na presença de uma autoridade. E como não me seria possível discernir razões profundas, contentei-me com as aparências — e a suspeita se transformou em convicção.” “Procurei outras palavras em que o i se pronunciasse daquele jeito. Inutilmente. Apesar de tudo Smiles era Smailes, e ninguém me tirava daí.”
“Talvez a necessidade de mistério e grandeza me tenha levado a acreditar nos santos e nos heróis, que se desenvolveram simultaneamente. Houve, porém, um desequilíbrio: os primeiros subiram muito, enquanto os segundos desciam; em seguida os que estavam embaixo começaram a levantar-se, alcançaram os outros e ganharam a dianteira. Essas coisas, lentas, quase insensíveis, passaram-se num espírito nebuloso. Para bem dizer, não havia tempo. Na sombra avultavam figuras luminosas. Mas entre elas ficavam espaços vazios, que novas imagens vieram preencher.
Por que brigaram no meu interior esses entes de sonho não sei. Julgo que foi por causa de uma proibição, terrível proibição, relativa à brochura de capa amarela. Alguém a deixou na loja. Folheei-a devagar, soletrando, consultando o dicionário, sentado num caixão de velas. Os livros do estabelecimento eram o razão, o diário, o caixa, outros que José Batista manejava. Entre as mercadorias, porém, existia meia dúzia de dicionários. Examinei com algum proveito esses gêneros, que não achavam comprador. Tinham as bandeiras de todos os países (aí comecei a minha geografia) e retratos de figurões (origem da pouca história que sei). Meu pai me permitiu as consultas, pois a encadernação vermelha, as bandeiras e os retratos não representavam nenhum valor: era até bom que se estragassem, poupassem ao comerciante a lembrança de um mau negócio. Mercadorias. A mim revelaram pedaços do folheto amarelo, que se chamava O Menino da Mata e o seu Cão Piloto.
Arranjava-me lentamente, procurando as definições de quase todas as palavras, como quem decifra uma língua desconhecida. O trabalho era penoso, mas a história me prendia, talvez por tratar de uma criança abandonada. Sempre tive inclinação para as crianças abandonadas. No princípio do romance longo achei garotos perdidos numa floresta, ouvindo gritos de lobos. As narrativas de D. Agnelina referiam-se a pequenos maltratados que se livravam de embaraços, às vezes venciam gigantes e bruxas.
Em casa mostrei o achado a Emília, descrevi o menino, a mata e o cachorro. Nenhum sinal de aprovação. Emília arregalou os olhos, atentou horrorizada no folheto, pegou-o com as pontas dos dedos, soltou-o, como se ele estivesse sujo, aconselhou-me a não o ler. Aquilo era pecado. Aventurei-me a discutir. Minha prima se enganava: no conto havia um menino e um cachorro excelentes. Recuou, muito pálida, receosa de se contaminar, e virou o rosto. Pecado.
— Pecado por que, Emília?
Porque o livro era excomungado, escrito por um sujeito ruim, protestante, para enganar os tolos. Objetei que o menino e o cachorro procediam como cristãos. Respondeu que o perigo estava aí: quando o diabo queria tentar as pessoas, simulava boa aparência, escondia os pés de pato e dava conselhos razoáveis. Depois mostrava as unhas e o rabo, cheirava a enxofre, levava a gente para o inferno. Ignorante e novo, eu não sabia o que era certo ou errado, mas se o livro tinha procedência má, boa coisa não podia ser. Afirmei que ele não tinha má procedência; Emília espiou de longe as letras da capa, discordou, afastou-se cheia de repugnância.”
“Proibiam-me rir, falar alto, brincar com os vizinhos, ter opiniões. Eu vivia numa grande cadeia. Não, vivia numa cadeia pequena, como papagaio amarrado na gaiola.”
“Chorei, o folheto caído, inútil. O menino da mata e o cão Piloto morriam. E nada para substituí-los. Imenso desgosto, solidão imensa. Infeliz o menino da mata, eu infeliz, infelizes todos os meninos perseguidos, sujeitos aos cocorotes, aos bichos que ladram à noite.
Os caixeiros, ouvindo-me, resmungariam ou soltariam gargalhadas; Fernando me insultaria; minha mãe me trataria com indiferença ou aspereza. E eu ficaria só no mundo. Um pecado a apertar-me como prensa. Eu era um pouco de algodão comprimido na prensa.”
“Se se dirigia a mim, largava alguma frase contundente. Às vezes, atentando na significação dela, eu não achava motivo para me ofender, mas o jeito como ele se expressava, a sobrancelha carregada, o ar de suficiência e impostura, o riso brusco, um erguer de ombros, um balançar de cabeça, tudo me produzia mal-estar. Era como se ele me quisesse cortar com lâminas de gelatina.
Cresci ouvindo as piores referências a Fernando. Se fosse tão mau como afirmavam, não existia patife igual. Era parente do chefe político, e um chefe político da roça naquele tempo mandava mais que um soba,¹ dispunha das pessoas e manipulava as autoridades, bonecos miseráveis. Vivíamos num grande cercado de engenho, e só tinha sossego quem adulava o senhor. Os jornais da capital noticiavam horrores, mas ninguém se atrevia a assinar uma denúncia. Qualquer indiscrição podia originar incêndios, bordoadas, prisões ou mortes.”
¹ “Chefe de tribo ou régulo africano.”
“O velho Frade, influente num município vizinho, dizia que nunca matara um homem. Matava cabra ruim, muito cabra ruim. No meu município também se assassinavam homens, embora se preferissem os cabras ruins. Quando um proprietário governista queria molestar um adversário, mandava suprimir-lhe alguns moradores — e a pessoa ameaçada vendia-lhe a terra por menos do valor. Se não vendia logo, novos moradores iam desaparecendo, até que a transação se efetuava. Só raramente, em casos de ofensas pessoais, questões de família, se eliminavam membros da classe elevada.”
“Regime forte. O chefe conversava direito, falava na Coréia, torcia pelo Japão contra a Rússia em 1905, discutia gramática às vezes.” “As surras em tipos indesejáveis e o aparecimento de caboclos mortos eram fatos vulgares, mal justificavam a indignação impressa. O Coronel se defendia aos gritos, espumava; os aderentes, medrosos, balbuciavam, tentavam descobrir os autores das infames acusações. Fervilhavam suspeitas. E dias depois era certo alguém ser agredido em público, a chicote ou cacete. Nunca vi regime tão forte.
Amigo pequeno, Fernando recebia as iras destinadas a outros e não reagia. Numa reviravolta política, expôs claramente a sua natureza de tabela de bilhar: agüentou sova. Mas naquele tempo só o patrão, dono dos corpos e das almas, tinha o poder de humilhá-lo. Ouvidos os insultos, Fernando se recompunha, tornava-se insolente, apavorava os infelizes das pontas de ruas. Especializara-se em desgraçar meninas pobres, que se rendiam por medo ou eram violentadas. Algumas vezes as próprias mães iam levá-las ao sacrifício.
Lembro-me da Ratinha, linda criatura. Em noites de festa vestia roupas vermelhas, mostrava duas rosas vermelhas nas bochechas, sorria com um sorriso vermelho, era toda uma vermelhidão triunfante — e isto a perdeu. A Rata velha tinha olhos de rato, dedos finos de rato, focinho de rato, modos de rato. O Rato irmão era um rapaz miúdo, narigudo, inquieto. A Ratinha se diferençava da família, não se distinguia das moças de consideração. Engelhou e envelheceu num beco escuro.”
“E lendo no dicionário encarnado, onde existiam bandeiras de todos os países e retratos de personagens vultosas, que Nero tinha sido o maior dos monstros, duvidei. Maior que Fernando? A afirmação do livro me embaraçava. Como seria possível medir por dentro as pessoas? E senti pena de Nero, que nunca me havia feito mal. Fernando me atormentava e era péssimo.” “O sujeito se tornou para mim um símbolo — e pendurei nele todas as misérias.”
“Foi aí que veio o grande sucesso. Uma das tábuas ficara no chão, crivada de pregos. Fernando levantou-se, apanhou-a, agarrou um martelo, pôs-se a entortar os bicos agudos, a rosnar. Desleixo. Se uma criança descalça pisasse naquilo? Eu não acreditava nos meus olhos nem acreditava nos meus ouvidos. Então Fernando não era mau? Pensei num milagre. Julguei ter sido injusto. Fernando, o monstro, semelhante a Nero, receava que as crianças ferissem os pés. Esqueci as torpezas cochichadas, condenei o dicionário vermelho que tinha bandeiras e retratos. Talvez Nero, o pior dos seres, envergasse os pregos que poderiam furar os pés das crianças.”
“APARECEU uma dificuldade, insolúvel durante meses. Como adquirir livros? No fim da história do lenhador, dos fugitivos e dos lobos havia um pequeno catálogo. Cinco, seis tostões o volume. Tencionei comprar alguns, mas José Batista me afirmou que aquilo era preço de Lisboa, em moeda forte. E Lisboa ficava longe.”
“Emília tentou auxiliar-me, contou pelos dedos os possuidores prováveis de bibliotecas, sisudos, inacessíveis: Dr. Mota Lima, Professor Rijo, Padre Loureiro. Não me arriscaria a chateá-los. Mais próximo, havia o tabelião Jerônimo Barreto. Diariamente, percorrendo a Ladeira da Matriz, demorava-me em frente do cartório dele, enfiava os olhos famintos pela janela, via numa estante, em fileiras densas, bonitas encadernações de cores vivas. À mesa larga, em mangas de camisa, o funcionário manejava instrumentos jurídicos. E um respeito cheio de inveja me detinha na calçada. Atribuí àquele rapaz moreno ciência poderosa, estranhei vê-lo, simples e calmo, juntar-se aos freqüentadores da loja, onde metia na conversa Robespierre e Marat, dois tipos que venerei antes de me chegar qualquer notícia de revolução e da França.”
“Foi uma inexplicável desaparição da timidez, quase a desaparição de mim mesmo. Expressei-me claro, exibi os gadanhos limpos, assegurei que não dobraria as folhas, não as estragaria com saliva. Jerônimo abriu a estante, entregou-me sorrindo O Guarani, convidou-me a voltar, franqueou-me as coleções todas.” Honestamente, se eu recebesse justo O Guarani aos 11 anos, teria desistido da literatura!
“Jerônimo Barreto me desviou para as obras de carregação. Viajei bastante, abeirei-me de condessas. Mas permaneci no desalinho, esgueirando-me pelos cantos, e o juízo severo da família se agravava. Apenas meu primo José, ouvindo-me descrever uma casa queimada, resmungou:
— Falante como o diabo.”
“Surgiu na cidade uma espécie de colégio e introduziram-me nele. Quando cheguei, o diretor, insinuante, macio, ditou meia dúzia de linhas a diversos novatos. Emendou e classificou os ditados; pegou o meu, horrorizou-se, escreveu na margem larga do almaço: incorrigível. Esta dura sentença não me abalou. Até que me envaideci um pouco vendo a minha escrita diferente das outras.” Todo escritor se lembra de ter tido professores de português os mais mesquinhos na escola…
“Dias depois o sujeito me pediu a constituição do Brasil e uma gramática. Levei a gramática, mas embirrei com a constituição, mudei-a numa história do Brasil de perguntas e respostas. Assim, não analisei o estatuto do meu país e dei a Jovino Xavier uma impressão miserável. Recebendo as cartonagens, Jovino travou comigo um diálogo: espantou-se, franziu os beiços, machucou o bigode, cocou a cabeça, entalado. E deixou-me em paz, esteve semanas sem me dirigir palavra, certamente julgando-me imbecil, o que muito me serviu.”
“Jerônimo Barreto me fazia percorrer diversos caminhos: revelara-me Joaquim Manuel de Macedo, Júlio Verne, afinal Ponson du Terrail, em folhetos devorados na escola, debaixo das laranjeiras do quintal, nas pedras do Paraíba, em cima do caixão de velas, junto ao dicionário que tinha bandeiras e figuras.” Todo diferenciado precisa de seu mecenas e patrono.
“Os meus colegas se afastavam de mim, declamavam as capitais, os rios da Europa. E eu mascava os prolegômenos: 24 horas, 365 dias, raça branca, raça negra. Quando tomei pé na Europa, eles exploravam outras partes do mundo. Surdo às explicações do mestre, alheio aos remoques dos garotos, embrenhava-me na leitura do precioso fascículo, escondido entre as folhas de um atlas. Às vezes procurava na carta os lugares que o ladrão terrível percorrera. E o mapa crescia, povoava-se, riscava-se de estradas por onde rodavam caleças e diligências.
Conheci desse jeito várias cidades, vivi nelas, enquanto os pequenos em redor se esgoelavam, num barulho de feira. O rumor não me atingia. Em vão me falavam. Sacudido, sobressaltava-me, as idéias ausentes, como se me arrancassem do sono. Olhavam-me estupefatos, devagar me inteirava da realidade.
Governadores-gerais, holandeses e franceses começavam a importunar-me. Esquartejavam-se períodos, subdividiam-se e rotulavam-se as peças em medonha algazarra. Os meus novos amigos guardavam maquinalmente façanhas portuguesas, francesas e holandesas, regras de sintaxe — e brilhavam nas sabatinas. Segunda-feira estavam esquecidos, e no fim da semana precisavam repetir o exercício, decorar provisoriamente toda a matéria. À medida que avançavam, a tarefa se ia tornando mais penosa: ficavam apenas, algum tempo, as últimas lições.
Eu achava estupidez pretenderem obrigar-me a papaguear de oitiva. Desonestidade falar de semelhante maneira, fingindo sabedoria. Ainda que tivesse de cor um texto incompreensível, calava-me diante do professor — e a minha reputação era lastimosa.”
“Napoleão se estrepara na campanha da Rússia, logo nas primeiras páginas do Rocambole. Num desconchavo, referi-me à catedral de Notre-Dame e ao Vesúvio familiarmente, como se os tivesse visto. Além disso, arrolei plantas e animais exóticos: carvalhos e pinheiros, vinhedos e trigais, lobos e javalis, melros e rouxinóis.
“Finda a novidade, os meus conhecimentos originaram desconfiança e algum desdém: Versalhes, Notre-Dame e os rouxinóis tinham aparência de contrabando. E eram inúteis, com certeza. Mas serviam para a composição de narrativas — e fora daí não me inspiravam interesse.
A existência comum se distanciava e deformava; conhecidos e transeuntes ganhavam caracteres das personagens do folhetim. Descurei as obrigações da escola e os deveres que me impunham na loja. Algumas disciplinas, porém, me ajudavam a compreensão do romance e tolerei-as — bocejei e cochilei buscando penetrá-las.
Em poucos meses li a biblioteca de Jerônimo Barreto. Mudei hábitos e linguagem. Minha mãe notou as modificações com impaciência. E Jovino Xavier também se impacientou, porque às vezes eu revelava progresso considerável, outras vezes manifestava ignorância de selvagem. Os caixeiros do estabelecimento deixaram de afligir-me e, pelos modos, entraram a considerar-me um indivíduo esquisito.”
“OFERECERAM a meu pai o emprego de juiz substituto e ele o aceitou sem nenhum escrúpulo. Nada percebia de lei, possuía conhecimentos gerais muito precários. Mas estava aparentado com senhores de engenho, votava na chapa do governo, merecia a confiança do chefe político — e achou-se capaz de julgar.
Naquele tempo, e depois, os cargos se davam a sequazes dóceis, perfeitamente cegos. Isto convinha à justiça. Necessário absolver amigos, condenar inimigos, sem o que a máquina eleitoral emperraria.
Os magistrados de anel e carta diligenciavam acomodar-se, encolher-se, faziam vista grossa a muita bandalheira. De repente acuavam, tinham melindres que o mandão local não entendia e lançava à conta de má vontade. E lá vinham rixas, viagens rápidas, afrontas, um libelo contestado a punhal ou cacete. Enfim os bacharéis se agüentavam mal. Dispensavam-lhes obséquios, salamaleques — e desviavam-nos. Subsistia o Juiz de Direito, que ordinariamente se ausentava da comarca.”
“A fome, a seca, noites frias passadas ao relento, a vagabundagem, a solidão, todas as misérias acumuladas num horrível fim de existência haviam produzido aquela paz. Não era resignação. Nem parecia ter consciência dos padecimentos: as dores escorregavam nele sem deixar mossa.”
“Restos de felicidade esvaíam-se nas feições tranqüilas. O aió sujo pesava-lhe no ombro; o chapéu de palha esburacado não lhe protegia a cabeça curva; o ceroulão de pano cru, a camisa aberta, de fralda exposta, eram andrajos e remendos.”
“Uma sexta-feira Venta-Romba nos bateu à porta. Deve ter batido: não ouvimos as pancadas. Achou o ferrolho e entrou, surgiu de supetão na sala de jantar, os dedos bambeando no cajado. As moças assustaram-se, os meninos caíram em grande latomia. [ruído]”
“À distância, esse tratamento de meu senhor a uma criatura em farrapos soa mal. Era assim que minha mãe se expressava dirigindo-se a qualquer desconhecido. Trouxera o hábito da fazenda, e isto às vezes não revelava polidez. Em tons vários, meu senhor traduzia respeito, desdém ou enfado. Agora, com estridência e aspereza, indicava zanga, e a frase significava, pouco mais ou menos:
— Vá-se embora, vagabundo.”
— Está preso, gaguejou, nervoso, porque nunca se exercitara naquela espécie de violência.
“Espalhou a vista em roda: o barulho das crianças fora substituído por uma curiosidade perversa; as moças tremelicavam na costura; a face de minha mãe expunha indiferença imóvel; um sujeito passeava na sala de visitas, exibindo pedaços da farda vistosa. Claro que não era brincadeira, mas o velho, estonteado, não alcançava o desastre. Arredou-se da porta, encostou-se à parede, esboçou um movimento de defesa. Se não fosse banguelo, rangeria os dentes; se os músculos não estivessem lassos, endureceria as munhecas, levantaria o cajado. Impossível morder ou empinar-se; o gesto maquinal de bicho acuado esmoreceu; devagar, a significação da palavra rija furou, como pua, o espírito embotado. E emergia da trouxa de molambos uma pergunta flácida:
— Por que, seu Major?”
“Por quê? Como se prendia um vivente incapaz de ação? Venta-Romba movia-se de leve. Não podendo fazer mal, tinha de ser bom. Difícil conduzir aquela bondade trôpega ao cárcere, onde curtiam pena os malfeitores.
— Por que, seu Major?”
“Assombrara-se, recorrera à força pública e receava contradizer-se. Talvez sentisse compaixão e se reconhecesse injusto. Enraivecia, acusava-se, e despejava a cólera sobre o infeliz, causa do desarranjo. Em desespero, roncou injúrias. O polícia que pigarreava na sala se avizinhou, a blusa desabotoada, faca de ponta à cintura, as reiúnas [coturno] de vaqueta ringindo.
Vinte e quatro horas de cadeia, uma noite na esteira de pipiri, remoques dos companheiros de prisão, gente desunida. Perdia-se a sexta-feira, esfumava-se a beneficência mesquinha. Como havia de ser? Como havia de ser o pagamento da carceragem?”
“Eu experimentava desgosto, repugnância, um vago remorso. Não arriscara uma palavra de misericórdia. Nada obteria com a intervenção certamente prejudicial, mas devia ter afrontado as conseqüências dela. Testemunhara uma iniqüidade e achava-me cúmplice. Covardia.
Mais tarde, quando os castigos cessaram, tornei-me em casa insolente e grosseiro — e julgo que a prisão de Venta-Romba influiu nisto. Deve ter contribuído também para a desconfiança que a autoridade me inspira.”
“E alguém afirmou na loja que estava ali um sujeito profundo, colaborador de jornais, autor de livros, o diabo. As maneiras esquivas e torcidas exprimiam vida interior, desprezo ao senso comum, inspiração de poeta. Em geral os poetas tinham aparência maluca e usavam cabelos assim compridos, escondendo as orelhas.
Aproximei-me desse curioso indivíduo no colégio, onde nos apareceu lecionando geografia. Não era a especialidade dele: ajustou-se à matéria como se ajustaria a qualquer outra, apenas para aliviar o trabalho de Jovino Xavier. Pouco a pouco abandonou os mapas, as listas de mares e de rios. Insinuou-nos a fundação de um periódico.
A idéia, aceita com entusiasmo, ao cabo de uma semana esfriou, teria morrido se eu e meu primo Cícero não a resguardássemos. Aferramo-nos a ela e, vencendo embaraços e canseiras, tornamo-nos diretores do Dilúculo, [Aurora] folha impressa em Maceió, com 200 exemplares de tiragem quinzenal, trazidos pelo estafeta Buriti, que vendia revista e declamava pedaços do Moço Louro. O desgraçado título foi escolha do nosso mentor, fecundo em palavras raras.”
“Estabeleceu-se a redação na agência do correio, logo convertida em asilo de doidos. À tarde reuniam-se lá os membros da Escola Dramática Pedro Silva, os da Instrutora Viçosense, sociedade que dormia o ano inteiro, acordava na posse da diretoria e, concluídos os discursos, tornava ao sono. Essa gente fazia um barulho que assustava os transeuntes, afligia os vizinhos, atraía caixeiros tímidos, emaranhados nos cipoais da concordância e da métrica. Sem apanhar direito o sentido das conversas, apoderava-me de alguns vocábulos, estudava-os no dicionário, empregava-os com energia.”
“— O naturalismo…
Perplexo, eu examinava as pessoas em redor, procurava distinguir nelas o efeito da arenga difícil. Estariam compreendendo? Às vezes me assustavam discussões embrulhadas: rapazes silenciosos animavam-se, discorriam com exagero e ódio, religiosamente. Isso me dava tontura e enjôo. Uma idéia clara me surgia: os romances agradáveis eram bugigangas. Em troca, exibiam-me insipidez e obscuridade. Ali é que estava a beleza, especialmente na prosa de Coelho Neto.
Não me importava a beleza: queria distrair-me com aventuras, duelos, viagens, questões em que os bons triunfavam e os malvados acabavam presos ou mortos. Incapaz de revelar a preferência, resignei-me e agüentei as Baladilhas, o Romanceiro, outros aparatos elogiados, que me revolveram o estômago. Cochilei em cima deles, devolvi-os receando que me forçassem a comentá-los. Para mim eram chinfrins, mas esta opinião contrariava a experiência alheia.”
“O Pequeno Mendigo e várias artes minhas lançadas no Dilúculo saíram com tantos arrebiques e interpolações que do original pouco se salvou. Envergonhava-me lendo esses excessos do nosso professor: toda a gente compreenderia o embuste.
Mário Venâncio fabricava artigos e notícias, reduzia os diretores a simples testas-de-ferro. Ornou de contos sérios as páginas mesquinhas. Assim principiava um deles, admirado na Instrutora Viçosense e na Escola Pedro Silva: ‘Jerusalém, a deicida, dormia sossegadamente à luz pálida das estrelas. Sobre as colinas pairava uma tênue neblina, o hálito da grande cidade adormecida. Nos casais dos cabreiros, cães de vigília ululavam lugubremente.’ Os nossos ouvidos eram insensíveis a colisões. E a brisa do monte das Oliveiras, a torrente do Cédron, lugares bíblicos, valorizavam o trabalho.
Mas não ficávamos na torrente e na brisa. Descíamos o monte das Oliveiras, caíamos na planície nacional, visitávamos a Casa de Pensão e O Coruja. Da cópia saltávamos ao modelo, invadíamos torpezas dos Bougon-Macquart, publicadas em Lisboa.”
“Esquecia Zola e Victor Hugo, desanuviava-me. Havia sido ingrato com os meus pobres heróis de capa e espada. Não me atrevia a exibi-los agora. Disfarçava-os cuidadoso e, fortalecido por eles, submetia-me de novo ao pesadume, ia buscar o artifício v. a substância, em geral muito artifício e pouca substância.”
“O funcionário postal facilitou-me a correspondência com livrarias: obtive catálogos da Garnier e da Francisco Alves, escrevi cartas, recebi faturas e pacotes. Não possuindo recursos, habituei-me a furtar moedas na loja, guardá-las num frasco bojudo oculto sob fronhas e toalhas no compartimento superior da cômoda. Entre níqueis e pratas surgiram cédulas — e enchi as prateleiras da estante larga, presente de aniversário. Esses delitos não me causavam remorso. Cheguei a convencer-me de que meu pai, encolhido e avaro por natureza, os aprovava tacitamente. Desculpava-me censurando-lhe a sovinice, tentando agarrar esperanças absurdas.
Mário Venâncio me pressagiava bom futuro, via em mim sinais de Coelho Neto, de Aluísio Azevedo — e isto me ensoberbecia e alarmava. Acanhado, as orelhas ardendo, repeli o vaticínio: os meus exercícios eram composições tolas, não prestavam. Sem dúvida, afirmava o adivinho. Ainda não prestavam. Mas eu faria romances. Gastei meses para certificar-me de que o palpite não encerrava zombaria. Depois a vaidade esmoreceu, foi substituída por uma vaga aflição. Que teria o homem percebido nos meus escritos? Se me decidisse a confiar nele, amargaria a vida inteira o provável engano. Examinei-me por dentro e julguei-me vazio. Não me achava capaz de conceber um daqueles enredos ensangüentados, férteis em nobres valorosos e donzelas puras. E, desatento, andava na rua aos encontrões, meio cego, meio surdo. Nunca descreveria um candeeiro como o de metal amarelo que iluminava, com azeite e difíceis pavios, duas páginas das Cenas da Vida Amazônica. Os candeeiros me passavam despercebidos. E seriam necessários? Os debates na agência não tinham fim. Lembrava-me dos governistas e oposicionistas espalhados, rancorosos, nas esquinas da cidadezinha e nos jornais da capital. Assombrava-me o partidarismo exaltado, a minha colaboração no Dilúculo era terrivelmente eclética. Mário Venâncio continuava a animar-me, eu desviava pretensões arriscadas.
Esse amável profeta bebeu ácido fênico. Levantei-me da espreguiçadeira, onde me seguravam as novidades e os sofrimentos da artrite e de uma novela russa, fui encontrar o infeliz amigo estirado no sofá, junto à mesa coberta de papéis, brochuras, pedaços de lacre, almofadas e carimbos. Um emissário da administração, feita a sindicância, redigiu necrológio pomposo, enterrou o cadáver sob a folhagem de salgueiros, entre raízes de ciprestes, vegetais desconhecidos no lugar.
O Dilúculo também morreu logo. Distanciei-me da crítica. E não me entendi com o público, muito incerto. No colégio, na Escola Pedro Silva, na Instrutora Viçosense, toleravam-me. Em casa, sem exame, detestavam as minhas novas ocupações.”
“Minha família não era rigorosamente cristã: fugia do confessionário, rezava pouco, ia à igreja com temperança, nas festas. Mas admirava as procissões, jejuava na semana santa e sabia perfeitamente que os pedreiros-livres dão sangue ao diabo, obtêm fortuna e condenam-se. O velho Pedro Rico, nosso parente afastado, procedera desse jeito e estava no inferno. Sem dúvida. Percorria a vizinhança dos lugares mal-assombrados, vagava pelos caminhos, galopando num cavalo negro, pedindo missas e gemendo:
— Sou a alma do finado Pedro Rico.
Seu Ramiro percebia as dificuldades e foi cauteloso, não revelou de supetão os seus desígnios sinistros. Fez diversas viagens e, com persistência e manha, declarando-se religioso em demasia, iniciou uma propaganda tímida, fortaleceu-se, conseguiu prosélitos e inaugurou a loja Mensageiros da Fé, que teve como venerável o chefe político. Na estréia, pomposa, tipos sérios, de Maceió, declamaram longos discursos.”
“Findas as lições, espaçou as visitas, sumiu-se afinal. Meu pai emprestou-lhe 100 mil réis e perdeu-o de vista. Desiludiu-se, conteve imenso rancor. Certamente os irmãos deviam auxiliar-se, mas aquela maneira de arrancar auxílio era safadeza. Calou-se, roendo a indignação. Foi por isso, creio, que repugnou os três pontinhos, as brochuras misteriosas, ou triângulos, os compassos e o Supremo Arquiteto do Universo.”
“A palmatória figurava em nosso código. Nas sabatinas, questões difíceis percorriam as filas — e o aluno que as adivinhava punia os ignorantes. Os amigos da justiça batiam com vigor, dispostos a quebrar munhecas; outros, como eu, surdos ao conselho do mestre, encostavam de leve o instrumento às palmas. Isto não nos trazia vexame: foi costume até que se usaram cartões relativos às notas boas. Desde então pagamos os nossos enganos com essa moeda, chegamos a emprestá-la a colegas necessitados.”
“Assistíamos a uma pena estranha, infligida sem processo. A acusação se desenvolvera em segredo. No decurso da tortura, o diretor rosnava, e pelo mover dos beiços percebíamos a injúria murmurada no recreio. Não havia defesa. Nenhuma interferência.”
“Em casa, o pai martelava-o sem cessar, inventava suplícios: amordaçava-o, punha-lhe as costas das mãos sobre a mesa da sala de jantar, malhava nas palmas, quase lhe triturava as falanges; prendia-lhe os rejeitos, pendurava-o num caibro, deixava-o de cabeça para baixo, como carneiro em matadouro. Fatigando-se das inovações, recorria às sevícias habituais: murros e açoites. O irmão presenciava as cenas aterrado, expandia-se em descrições torvas. E durante semanas o pobre repuxava as mangas, abotoava-se, endireitava a gola, para encobrir equimoses, sinais vermelhos, cinzentos, negros.
Apesar de tudo, a escola era um refúgio. Canseiras, adulações à mulher e aos filhos do diretor, rendiam pelo menos alguma indiferença. E isto convinha. Se o rapaz, findas as obrigações, se aquietasse, facilmente escaparia, anônimo e incolor. Não podia esconder-se. Precisava convívio, estava sempre ensaiando camaradagens que se malogravam.”
“Deixei-o no colégio, perdi-o de vista. E reencontrei-o modificado. Ao iniciar-se no crime, andaria talvez pelos 15 anos. Atirou num homem à traição, homiziou-se em casa do chefe político e foi absolvido pelo júri. Realizou depois numerosas façanhas; respeitaram-lhe a violência e a crueldade. Sapecou os preparatórios num liceu vagabundo. Na academia obteve aprovação ameaçando os examinadores. Bacharelou-se, fundou um jornal. Como o velho diretor, seu carrasco, fechara o estabelecimento e curtia privações, deu-lhe um emprego mesquinho e vingou-se. Caprichou no vestuário: desapareceram as nódoas, a formiga, o mofo. E teve muitas mulheres. Foi em casa de uma que o assassinaram. Deitou-se na espreguiçadeira, adormeceu. Um inimigo, no escuro da noite, crivou-o de punhaladas.”
“Aos 11 anos experimentei grave desarranjo. Atravessando uma porta, choquei no batente, senti dor aguda. Examinei-me, supus que tinha no peito dois tumores. Nasceram-me pêlos, emagreci — e nos banhos coletivos do Paraíba envergonhei-me da nudez. Era como se o meu corpo se tivesse tornado impuro e feio de repente. Percebi nele vagas exigências, alarmei-me, pela primeira vez me comparei aos homens que se lavavam no rio.”
“Nunca usara franqueza com meus parentes: não me consentiam expansões. Agora a timidez se exagerava, o caso me parecia inconfessável. E se me atrevesse a falar ao Dr. Mota, ele iria dizer que o mal não tinha cura.”
“à noite ficava horas pensando maluqueiras, rolava no colchão, contava as pancadas do relógio da sala, buscava o sono debalde. Levantava-me, acendia a lâmpada de querosene, pegava um romance, estirava-me na rede, lia até cansar. O espírito fugia do livro: necessário reler páginas inteiras. Inquietação inexplicável, depois meio explicável. O diagnóstico pouco a pouco se revelava, baseado em pedaços de conversas, lembranças de leituras, frases ambíguas que de chofre se esclareciam e me davam tremuras.
Aquilo ia passar: os outros rapazes certamente não viviam em tal desassossego. MAS a ansiedade aumentava, as horas de insônia dobravam-se, e de manhã o espelho me exibia olheiras fundas, uma cara murcha e pálida.”
“Não me animava a exigir mais de uma gravata: meu pai só me permitia, rigoroso, o suficiente. Isso bastava à minha representação — no colégio, no quinzenário, nas seções da Instrutora Viçosense, da Amor e Caridade, que me elegeu para segundo secretário.” Diria que no teu tempo as crianças não tinham infância!
“Foi então que vi Laura, num exame. Jovino Xavier fez-lhe perguntas comuns; notando-lhe a fortaleza, puxou por ela e declarou a análise sem jaca. Ouviu os discursos, recebeu os agradecimentos da professora e elogiou em demasia a inteligência e o progresso de Laura. Concordei. Invadiu-me súbita admiração, que em breve se mudou numa espécie de culto.”
“Laura não possuía o azul e o ouro convencionais, mas dividia períodos, classificava orações com firmeza, trabalho em que as meninas vulgares em geral se espichavam. Imaginei-a compondo histórias curtas, a folhear o dicionário, entregue a ocupações semelhantes às minhas — e aproximei-a; encareci-lhe depois o mérito — e afastei-a. Se ela estivesse próxima, não me seria possível concluir a veneração que se ia maquinando.”
“um mês a arrastar-me no Sonho de Zola, sem nenhum desejo de chegar ao fim, interpretando a narrativa a meu jeito.”
“Quando Mário Venâncio teimava em reputar-me um embrião de novelista, retraía-me duvidoso: não seria capaz de arranjar um diálogo.”
“Laura não tinha corpo — e aí se originou o meu tormento. Eu suprimira as indecências. Embrulhara com ódio O Cortiço em muitas dobras de papel grosso, amarrara-o em muitas voltas de barbante forte, escondera-o por detrás dos outros volumes, na prateleira inferior da estante.”
“O Cortiço (…) História razoável, com alguma safadeza para atrair leitores.”
“e não queria supor, com Mário Venâncio, que a bordadeira de paramentos fosse degenerada.”
“Laura surgia de novo, não a figurinha transparente: um ser membrudo e espesso, todo carne e osso. Os braços rijos seguravam-me, o peito largo caía sobre o meu, achatava-me, e era inútil qualquer esforço para desprender-me. Eu desejava acordar, fugir ao pesadelo, restituir à criança as qualidades anteriores: de algum modo me sentia responsável pela medonha substituição. Angústia, arrepios.”
“Devia ser efeito do café, um excitante. Abstive-me dele e bebi chá de folhas de laranja, sem proveito.”
“estranharam na Escola Pedro Silva a assiduidade, o esquisito amor ao teatro, que eu revelava dando as costas à cena, os cotovelos fincados no peitoril de um janela. Assustei-me. Iriam conhecer o meu segredo?”
“Otília da Conceição, à beira da cama, esperava em silêncio. Arriei sobre a mala pequena e, em silêncio também, comecei a descalçar-me. A vista se turvou, os dedos tímidos tremeram, o cordão do sapato deu um nó cego. Esforcei-me por desatá-lo: molhava-se de suor, cada vez mais se complicava. E o meu desgosto era imenso.
Entrei em casa nauseado, engolindo soluços.”
“A artrite amarrou-me à espreguiçadeira, o meu desgraçado corpo se cobriu de manchas.” “Embrenhava-me agora em novelas russas. Entrevado, submerso na lona da cadeira, tentava erguer um braço doído, mexer os dedos, volver as páginas.” Estragado muy temprano. À metade do caminho…
* * *
GRACILIANO RAMOS E O SENTIDO DO HUMANO (POSFÁCIO) – Octavio de Faria
“Se Infância me parece ser o livro mais importante de Graciliano Ramos — não o melhor, que certamente é Angústia — é que só vejo um caminho seguro para a compreensão do fenômeno literário chamado Graciliano Ramos, a criação levando ao criador e o criador levando à criança, ao menino que existiu nele e nunca morreu inteiramente. Em Graciliano Ramos, o menino Graciliano é tudo. Seus heróis são o menino, sua timidez é a do menino, seu pessimismo é o do menino, sua revolta é a do menino.”
“é sempre o mesmo quadro cinzento e triste, quase asfixiante, o que encontramos disseminado em toda a sua obra.” Se quem leu um, leu todos…
O VICE-CAMPEONATO MAIS ARDIDO DE TODOS OS TEMPOS
Originalmente publicado em 3 de julho de 2008. Auspiciosamente republicado hoje para comemorar uma derrota brasileira no Maracanã!
Na virada do dia 2 para o dia 3 de julho de 2008 o futebol se deparou com um dos resultados mais justos de que já se teve notícia ao cabo de uma competição de suma importância, neste caso a glória máxima das equipes sul-americanas, a única escola que realmente importa quando se fala na modalidade, paradoxal e curiosamente, criada pelos sensaborões ingleses.
O Fluminense sucumbiu diante da Liga Deportiva Universitaria de Quito. Esperou-se ansiosamente para que o mundo da bola voltasse a seu estado de coerência habitual (ainda que este seja permeado de caixinhas e mais caixinhas de surpresas!). Explica-se: a própria galgada do time das Laranjeiras à decisão da Libertadores da América foi a mais infamante injúria, um descaminho que nem cem Sobrenaturais de Almeida poderiam explicar. Não foi apenas sorte, uma cadeia de eventos fortuitos. As leis da termodinâmica precisaram ser estilhaçadas durante vários minutos das rodadas de quartas e semi-finais, o que obviamente favoreceu o time que levaria franca desvantagem nos seguintes confrontos: Os Badalados do Rio de Janeiro X São Paulo FC e Os Badalados do Rio de Janeiro X Boca Juniors. Dissequemos a quase-desgraça que se anunciava e que só deixou de se abater sobre o planeta (ou a América, o Planeta Bola) no último instante, roteiro muito semelhante, aliás, a um drama hollywoodiano, em que o final é inevitavelmente a felicidade geral. (Exclui-se da conta os condoídos da longa noite.)
O CAPITÓLIO DA JUSTIÇA
A mídia não merecia. A imprensa nacional – vendida a interesses escusos, que variam de sediar uma competição de envergadura, tal qual uma Copa do Mundo, algo totalmente descabido para nosso patamar civilizatório, à manipulação de horários de jogos e sabotagem moral de equipes estrangeiras – não merecia. A Globo, sobretudo, não merecia – e quebrou a cara (ou as lentes tão caras de suas câmeras pouco ou nada imparciais, se é que é possível divagar sobre níveis de imparcialidade… Não percamos tempo com a raça dos jornalistas!). O Fluminense – de história microscópica diante de outros Golias brasileiros – não merecia. Renato Gaúcho, o técnico mais prepotente do novo milênio, não merecia. Washington, um atacante com dificuldades visíveis de domínio de bola abençoado em uma série de lances pela eliminação temporária das leis da Física, merecia ainda menos. A Unimed e seu patrocínio desmedido – somas desproporcionais aplicadas em uma instituição duvidosa – tampouco merecia. O presidente do Fluminense, Horcades, envolto em corrupção, não o merecia. O FUTEBOL, Ó DEUS DO CÉU, LOUVADOS SEJAM PELÉ, OS DRIBLES BEM-FEITOS, A SEMPRE BEM-VINDA COMPETÊNCIA, A BOLA REDONDA… NÃO MERECIA VER UM TIME RECALCITRANTE SE SAGRAR CAMPEÃO CONTINENTAL! Se me perguntarem “entre a mídia e o Fluminense, fica com quem?”, respondo que ambos se merecem.
A única concessão a essas entidades, retirando-se, claro, o futebol, é o direito ao choro copioso. Quem diria: botafoguenses, vascaínos (estes sempre na sarjeta) e flamenguistas (acometidos de um terrível desastre no meio do torneio), além de muitas outras torcidas, se é que não todas (exasperadas com o pedantismo sem-fim do sr. Renato), são os que deitam e rolam ao mirar a desolação vizinha. O chororô já deu muito o que falar em 2008, mas ainda não tinha assumido PROPORÇÕES OCEÂNICAS como nesta madrugada! O pior é que para as vítimas ainda não foi decretado o desfecho: este poderá vir de forma sobretudo lancinante, à última rodada do Campeonato Brasileiro. A tabela dirá por mim… As promissórias da ascensão precoce do time de Magno Alves à série A no triênio 99-2000-2001, fiada pelo Diabo, vencem em dezembro.
CASUALIDADES QUE ENCERRAVAM UM “MALDOSO” PROPÓSITO FINAL
Um acidente aos 48 do segundo tempo que de repente assume, nas bocas dos fanfarrões, aspecto de “superioridade técnica e tática inquestionáveis”. Massacres, domínios plenipotentes de um time sobre o outro no transcorrer de etapas inteiras, que redundam na ausência de gols, fosse por chutes tortos, fosse por defesas não mais que estupidamente improváveis de um goleiro sem um pingo de talento. Gols nascidos absolutamente no reino do absurdo, sempre um ou dois ou três minutos em seqüência a gols legítimos, auferidos pelos oponentes, equipes verdadeiramente qualificadas (gols que o Fluminense sofria e que devolvia, em surtos de loucura e histeria indizíveis, o que em circunstâncias normais seria um suicídio tático – ataques infecundos seguidos por contra-ataques mortais). Eis aí ingredientes que, detonados pela pólvora da vontade de ser macho de um indivíduo rabugento no comando de onze panacas, fazem explodir o Maracanã: para variar, no sentido negativo. Esses latinos de “abroad” muito se comprazem em murchar nossas surreais ostentações. O Brasil nunca foi o melhor em nada. Apenas em “colocar a culpa em alguém”. Essa é uma especialidade ibérica que migrou para a “nação da cana”.
A pronunciada “sorte de campeão”, que acompanhava o Fluminense há 5 rodadas (que eu chamo de “ruptura das forças forte, fraca, eletromagnética, gravitacional e do que mais a Física um dia descobrir”), se tornou o mais trucidante azar de vice, confirmando a aura maldita do Mário Filho. Tudo conspirou, afinal, para que a soberba do Renatão grassasse a cada dia, para que o time chegasse inesperadamente aonde chegou… até tudo escapar pelos dedos num chute da marca da cal. O próprio Washington, fonte de piadinhas geográficas endereçadas aos são-paulinos (a escala antes de Tokyo onde acabaram por interromper a viagem), foi quem sepultou, ironia das ironias, o “sonho”. Alguém duvida da incapacidade de sonhos que desrespeitam a Física tornarem-se reais? Não preciso prosseguir com a humilhação. Há silêncios que ferem como adagas. Calar-me-ei até o epílogo do ano, quando duas autênticas potências do futebol se confrontarão em busca de um título do mundo: quem ganhar será um campeão válido! Por ora, o simples desenrolar da realidade já se encarregou de sobrepujar a injustiça das últimas semanas…
LA CRÓNICA UNIVERSAL DE ISIDORO DE SEVILLA: Circunstancias históricas e ideológicas de su composición y traducción de la misma – Jose Carlos Martín, 2002., Seguido de: CLÁSSICO É CLÁSSICO E VICE-VERSA, da autoria do Autor (e de quem mais?).
“Isidoro, obispo de Sevilla desde el año 600 aproximadamente y hasta su muerte en abril de 636, fue autor de numerosas obras de carácter gramatical, espiritual, apologético, exegético, enciclopédico e histórico. Si nos centramos en estas últimas, Isidoro escribió una Crónica Universal desde la creación del mundo hasta su época y unas Historias de los godos, suevos e vándalos, especie de historia nacional de gran valor para los historiadores del período visigodo.”
“CI fue editada por última vez hace ya más de 100 años (1894) por Th. Mommsen, MGH, cm 2, PP. 424-81. Apenas ha merecido un gran interés por parte de los estudiosos. Sobresale el magnífico trabajo que dedicó a esta obra Reydellet, Les intentions idéologique; cf. además Galán Sánchez, El género historiográfico, pp. 173-208. Recientemente he dado término a una nueva edición crítica de esta obra junto con un amplio estudio de la misma: J.C. Martín, La Chronique d’Isidore de Séville. Édition critique et commentaire, 2000, Tesis Doctoral dirigida por François Dolbeau (que se puede consultar en la Biblioteca de la École Pratique des Hautes Études, IVe Section, Sciences Historiques et Philologiques, de París). HG (la Historia de los godos) fue críticamente traducida en 1975 por Rodríguez Alonso, Las Historias. De esta última obra existe además una reciente traducción inglesa acompañada de notas: Wolf, Conquerors, pp. 79-109.”
“se deduce que el reino de los godos ha durado, con el favor de Dios, 256 años” Menor que muitas tartartugas.
Mais nota de rodapé que dedo na mão
“La Crónica de Isidoro no aporta apenas nada a la historiografía, ni desde el punto de vista formal, ni desde el punto de vista del contenido, ni desde el punto de vista ideológico.” Galán Sánchez
“Desde el punto de vista ideológico, la Crónica de Isidoro no presenta tampoco ningún relieve especial. Políticamente hablando, es una historia ‘neutra’… Isidoro no se pone a escribir a raíz de ningún acontecimiento histórico extraordinario, ni para sustentar ninguna ideología política concreta. Fuera del providencialismo religioso típico del género, la obra de Isidoro presenta una rara y aséptica neutralidad ideológica.” ibid.
“Isidore does not write national but royal history.” Sánchez Salor, El providencialismo
“Ainsi unifiée et considérée dans son ensemble, l’Hispania est prête à devenir le territoire du regnum Gothorum. De fait, le regnum Gothorum se confond désormais avec le regnum Hispaniae… De cette fusion entre le regnum barbare et la grande province hispanique est né, la première en Europe, la ‘nation’ d’Espagne, l’Hispania.” Teillet, Des Goths
“aunque provisigodo, Juan de Bíclaro no se muestra hostil hacia Bizancio, a diferencia de Isidoro.” Álvarez García, Tiempo
“Los visigodos eran, probablemente, a los ojos de Isidoro, los bárbaros que habían sido conquistados por los vencidos, como antaño había ocurrido a los romanos al apoderarse éstos de Grecia. Así, los hispanorromanos habían conseguido conquistar a sus invasores gracias a su cultura, por un lado, pero sobre todo gracias a su religión, pues sin ninguna duda fue la conversión de los visigodos al catolicismo en 589 que hizo posible el nacimiento de la nueva nación hispanogoda.”
“Isidoro y sus intelectuales cercanos, en su calidad de escritores y eruditos, eran conscientes del devenir histórico, del nacimiento y del fin de los imperios, como los de los persas, egipcios, griegos o romanos. Sabían asimismo como lectores que la gloria de los reinos continúa más allá del fin de éstos y que es mucho más perdurable si ha sido fijada por escrito. Por ello, me parece altamente verosímil que Sisebuto propusiese a Isidoro la redacción de las dos principales obras históricas del sevillano, y que éste pudo escribirlas a fin de dejar eterno testimonio del esplendor y de la grandeza del reino hispanovisigodo de comienzos del siglo VII.”
“Así también parece que Casiodoro nada más finalizar la redacción de su Crónica hacia 519, concibió la idea de escribir su Historia de los godos, hoy perdida, y a la que acabó entregándose entre 519 a 523 y 533 a 537-8”
“Parece evidente que Isidoro no pudo escribir su obra durante esas rápidas y turbulentas semanas que constituyen el efímero reinado de Recaredo II, el hijo de Sisebuto.”
“Los historiadores se preguntan incluso por qué Sisebuto puso punto final en el año 615 a la campaña contra los últimos emplazamientos bizantinos en la Península cuando todo parecía indicar que iba a obtener una rápida y fácil victoria sobre éstos. Vid. García Moreno, Historia, p. 149; Vallejo Girvés, Bizancio.”
“Sin duda, precisamente la muerte de Sisebuto en las sospechosas circunstancias aludidas decidió a Isidoro a difundir rápidamente manuscritos que contuviesen HG, y ello pese a que probablemente no había finalizado satisfactoriamente su redacción o no había podido, al menos, revisarla con esmero. El trabajo que por esas mismas fechas el hispalense había dedicado a las Etimologías, su enorme enciclopedia, que conoció una primera redacción en vida de Sisebuto, hacia 620, debe de haber retrasado la composición de HG.”
COMIENZA LA CRÓNICA DE ISIDORO (SEGUIDO DA HISTÓRIA DO MUNDO POR RAFAEL DE ARAÚJO AGUIAR QUANDO O TEXTO ORIGINAL COMEÇAR A FICAR MUITO CHATO)
“Primera edad del mundo.”
“[Ano do Mundo] 1454 – En esta generación nacieron los gigantes.”
Nasce também a Música e a Metalurgia, no mesmo ano – que coincidência!
“2242 – Escrito está que el diluvio aconteció a los 600 años de edad de Noé, cuya arca cuenta Josefo que se halla en un monte de Armenia llamado Ararat.
(…)
Segunda edad del mundo.”
“2643 – En tiempos de Falec se edificó la Torre y se produjo la división de las lenguas.”
“3035 Tuvo entonces su principio el reino de los egipcios”
“3114 (…) Reinó el primero entre los asirios Belo, a quien algunos consideran Saturno.
(…)
Tercera edad del mundo [¿??]”
“3184 (…) Nino reinó como rey de los asirios, el cual inició las guerras el primero e inventó las armas.” Para desgosto de Hobbes, o Homem viveu 3184 anos em estado de natureza (e outros!!!) e não produziu uma só guerrinha…
Ainda neste GRANDE ANO! “Zoroastro, inventor de la magia, es asesinado por el rey Nino.”
“3344 (…) En este tiempo comienza el reino de los griegos” Uau, como não mais se sentiam tão superiores os egípcios, só 300 anos mais velhos que estas crianças, conforme descobrimos que mentiu Platão!
A deusa Atena habitava entre os homens.
“3434 (…) Serapis, hijo de Zeus [mais um dos adultérios que Hera teve de suportar, tsc!] y rey de los egipcios (…) muere.”
Atena inventa a costura – ó! E o escudo e o arco também!
“3688 (…) Se dice que en estos tiempos vivió Prometeo, de quien cuentan (…) que formó a los hombres del lodo.” Bom pra ele, mas já não havia homens?
Algum grego doido inventa a astrología.
3688 Zzzzzzzz… Os judeus são escravizados no Egito e Deucalião sobrevive ao segundo Dilúvio… Já tá ficando repetitivo, Jeová! Ah, não foi Jeová, foi Poseidon (Posidônio)!
3915 Inventam a medicina (um MÚSICO inventa a medicina)
Nem os Irmãos Certos, nem Santos du Monte, mas Dédalo e Ícaro!
“En esta época reina el primero entre los latinos Pico, hijo de Saturno.”
Já inventaram a harpa umas 30 vezes!
Acho que as Musas gostam é do Olvido, com o perdão do trocadilho!
3955 Funda-se Tiro (Porrada & Bomba)
4003 Primeiras Olimpíadas!
4009 Fred Flintstone come seu primeiro sauroburger
Burro! Diz que Tróia foi conquistada em 3 anos! Não leu Homero!
4044 Samson faz seu primeiro concerto – as primeiras divas pop!
/ Joyce escreve o Ulisses
Quarta idade, ronc, ronc….
Dildo manda construírem a cidade Pênis.
4221 O Retorno dos Reis
Sauron tá fodido!
A média de idade dos homens começa a cair porque ainda não inventaram a quiropraxia. Nem mesmo Quíron!
Nasce o Clube de Regatas Remo da Rômula
Ozéias faz seu primeiro gol contra.
Rômulo tanta eleger os homens mais dignos de sua cidade para fundar o Senado – mas, decepcionado, acaba mesmo nomeando 101 dálmatas.
4543 Governou Numa Pompílio esse ano – a fonte é Plutarco, pode confiar!
Agora os anos demoram mais para passar, porque antes só tinham 10 meses.
Mas ninguém fazia porra nenhuma nesses 2 meses, só orgia, carnaval e putaria! Enquanto Roma era Roma…
Sócrates nem tinha nascido e a República Romana já prosperava…
Mas como Isidoro me ouviu, agora ele começou a remediar o fato, já que não havia se prevenido, e colocou Tales na parada.
Safo meteu fogo em Babilônia
Retiram Desmond Prometeu de um poço, uma estória mal contada…
Pitágoras inventa Euclides e o Triângulo Isósceles das Bermudas (mais conhecido como Sunga).
Dario imperador uruguaio por 30 Copas.
Funda-se a Charrete Olímpica, mãe do Gol Olímpico.
Os primeiros dinossauros abandonam a Terra devido à poluição, surfando num cometa.
Ésquilo e Eurípedes são o primeiro casal gay da Grécia – Aristófanes faz bullying com eles.
Diz, por exemplo, que Ésquilo tem a voz muito fina. Vaticina que essa relação inominável terminará em Tragédia e que todos estão cegos por não se banharem uma vez no único rio.
Heródoto mata o Mito
Um Leão faminto ressuscita Zorastuto.
Wolverine é visto por alguns com a aparência de sempre (primeiro viajante do tempo, porque foi quem viajou mais para trás, mesmo não tendo criado a máquina).
Hipócrates manda Lísias calar a boca e funda a sofisteria.
Platão descobriu qual é o bronze e o fator de proteção solar ideais.
Artaxerxes, o Rei cabeça Oca da vila secreta, reina como Hokage por 26 anos.
Demóstenes engole várias pedras e finalmente aprende a gaguejar.
Aristóteles mata seu mestre com um golpe de dialética (nome mais feio para raquete de tênis).
O Immolation grava seu melhor álbum. Baal-DJbub o produziu.
Alexandre o Maconheiro morre de enfisema pulmonar aos 33 anos.
Lady Gaga grava seu clipe no local da morte.
Vasco da Gama descobre o continente asiático.
Não perca a conta, estamos no ano 7×1.
Ptolomeu transforma a Filadélfia na cidade de economia mais pujante do Meio-Oeste.
Inventam o jogo da cara ou coroa e a hiper-inflação dispara porque todos os plebeus ficam viciados.
Os gregos afundam Atlântida e se mudam para lá, cansados.
Ênio, meu professor da quinta série, funda a Geografia.
Sasuke Bruto Kun Uchiha vinga seu clã e funda um reino sanguinário no deserto da Tartária.
Não se vêem mais Trácios da peste bubônica.
Mustaine compõe Lucretia
Sai lava do estádio Cícero Pompeu de Toledo
Júlio César é capa da primeira G-magazine, editada, numa plot twist, por Aristófanes, agora defensor dos direitos LGB.
Jesus Cristo nasce na Virgínia. Anda pregando a Palavra: todos precisamos de armas para nos defender da Rainha Elizabeth II no final dos tempos que virá nos puxar pelo pé para o inferno ver jogos de críquete em câmera lenta.
Belmont inventa o crucifixo para invadir o castelo de Tepes.
O Rei Nero mija na cama.
Sêneca leva a arte pela arte longe demais…
Fazem um filme sobre ele que é censurado na parte em que seu arqui-inimigo Epicuro come apenas uma fatia de um enorme bolo. Hegemonia do cinema chinês.
Tite é demitido da seleção brasileira.
Reinado de Nerva Ótica. Começam a usar lentes transitions.
Galiano cura 3 epilépticos no CT do Palmeiras.
Constantine exorciza Roma para que parem de queimá-la.
Aproveita e converte logo todo mundo ao Cristianismo.
Cobra um cachê muito elevado e torna Roma presa fácil para os bárbaros bancários, enriquecidos.
Prisciliano funda uma seita herege que leva seu nome: queimado na fogueira por ousar fundar uma seita com um nome tão horrível.
Jerônimo Jackson é o principal artista do período. Canta em todas as línguas.
Agostinho larga o táxi e se converte num bom homem.
Os godos invadem a Itália, os vândalos picham todos os muros e os alanos se fixam nos álamos, engrandecendo um pouco seus nomes e etnia.
Em troca da Queda do Império Romano do Ocidente, os godos aceitam ter a letra ‘r’ inserida entre as duas sílabas de seus nomes.
Pelágio posa na G-magazine, ainda a revista mais lida do planeta.
Os vândalos migram para a África e arrancam-lhe todos os diamantes.
Maomé choca o mundo ao ser visto várias vezes com mulheres muito mais velhas.
Zenão finalmente atinge seu alvo com sua flecha.
Começam a fazer Igrejas quadradas com encanamento, porque o estilo anterior era muito feio e ostentatório.
Os longobardos são os primeiros a navegar em cima de seus próprios paus.
Lutero é internado no hospício antes que conseguisse chegar à Espanha e enlouquecer Sanho Pança com suas histórias de moinhos e rodas trituradoras.
Heráclito consegue calcular a área do delta do Nilo.
Heidegger fica famoso ao divulgar em panfletos que o mundo não acabará no ano 5900 porque como é sabido até lá ele não será, mas estará sendo, exceção que confirma a regra dos Ônticos (povo que migrou da Birmânia).
Spinoza e Will Smith prometem fazer uma turnê mundial gravando filmes e escrevendo livros, alternadamente.
David Lynch escreve um epílogo que ninguém entende mas todo mundo aplaude.
CAPITVLACIONES QUE SE PIDEN POR EL EXCELENTISSIMO Señor Don Francisco Antonio Fernandez de Velasco y Tovar, Virrey, y Capitàn General del Principado, y Exercito de Cataluña, al Excelentissimo Señor Milord Conde de Peterborov, Capitàn General de las Tropas de Desembarco, de las Armadas, Inglesa, y Olandesa, como teniendo amplio poder de los Aliados, para la entrega de la Plaça, y Ciudad de Barcelona.
“Que la Ciudad de Barcelona se entregará al Exercito de los Aliados, quatro días después de firmadas las presentes Capitulaciones (…) y que en el interin no se pueda hazer hostilidad de una ni otra parte por los Soldados, ni por los Paysanos”
“Que los Ingenieros, Minadores, Artilleros, Bombarderos, y todos demàs que asisten, y sirven en estos oficios puedan salir el dicho dia por la Brecha, cada uno con sus insignias, con diez y seis Piezas de Artilleria de Bronze de diferentes calibres, tres Morteros de Bronze de Bombas, con todo el Tren, y Municiones para servirla, y poder disparar veinte y cinco tiros con cada Pieza, y Mortero, con un afuste¹ de reserva para cada calibre, y seis Carros cubiertos, que no puedan ser reconocidos, à cuyo fin aya de mandar el Señor Conde de Peterborovv, se dé el carruage necessario, hasta el lugar destinado para esta Guarnicion.
Que en caso de romperle alguno, ò algunos afustes en el camino, se tenga la facultad de bolver por ellos à esta Plaça, sin mas Passaporte que esta Capitulacion.”
¹ Espécie de tripé ou suporte de artilharia pesada, que possibilita o giro e realinhamento do canhão de disparo.
“Que los desertores de entrambas partes sean perdonados, y que los de los Aliados puedan salir libremente con la Guarnicion, y los de la Guarnicion entrar con el Exercito de los Aliados, aunque sean criados de Oficiales, o tengan otro exercito.”
“XV. Que con la Guarnicion puedan salir algunos disfrazados, sin que los puedan reconocer por qualquier sospecha que tuvieren de ellos.
XVI. Que se dexen passar libremente todos los Cavallos que se huvieren comprado à los Soldados desertores, ù de presas.”
“…despues del dia primero de Noviembre, que senecerà la suspension de Armas.”
PROPOSICIONES, Para la Ciudad, Diputacion, Braço Militar, Eclesiastico, y demás Comunes, y Particulares.
“XXII. QVe queden salvas, y seguras las vidas, y haciendas de todos los Naturales, Franceses, y el Consul de esta Nacion que reside en esta Ciudad, y demás Estrangeros, assi vezinos, y abitadores de esta Ciudad, como de qualesquier otros Lugares, y parages del Principado de Cathaluña, sin que se haga daño à sus Personas, y Familias, ni de saqueo, ni de hostilidad alguna en sus Casas, y bienes por Soldados ni Paysanos, deviendoseles dar Passaporte en caso que quisieren ausentarse de esta Provincia, y passar à Francia, ú otros Parages, y tambien Escolta, en caso que fuere menester para su mayor seguridad.”
“…tanto los que fueron provistos en tiempo del Reynado de la Magestad de el Señor Rey Carlos Segundo (que Dios haya) como despues de su muerte que salieren de Barcelona, no se les pueda hazer hostilidad ni vexacion alguna, por las Tropas de los Aliados, ni por los Paysanos, assi respeto de sus Personas, como ni en los Equipages, y bienes, que quisieren sacar y llevar al lugar destinado, ni ser detenidos ellos ni sus familias, por ningún pretexto, por lo que han obrado en el nuevo Reynado, ni por razon de deudas, quedando solo en obligacion de deverlas satisfacer de los bienes raìzes que tuvieren, como por otro qualquier motivo, encargando á los Paysanos la exacta, y puntual observancia de lo contenido en esta, y demás Capitulos, con apercevimiento de que seràn severamente castigados si faltaren á ello.”
“XXXII. Que en quanto á la moneda usual, no pueda correr otra, sino los Ardites, y Realillos de plata, que fabrica la Ciudad, conservando el Privilegio de fabricarla, pudiendo correr solamente la moneda de oro, y plata de España, y de los Aliados, sin que el precio del oro, y plata se pueda alterar.
XXXIII. Que los Conselleres, Clavario, y demás Oficiales de la Ciudad, sean conservados en los Oficios que oy posseen, con la misma autoridad, y preheminencias; y que se ayan de hazer las Insiculaciones de los Conselleres, Clavario, y demàs Oficios de la Ciudad, como hasta oy, y mantener los Inseculados cada uno en sus Bolsas.
XXXIV. Que en la Ciudad no entre el Exercito, sino la Guarnicion competente, y que los Oficiales y Soldados, no ayan de ser alojados en las casas de los Ciudadanos, y habitantes, sino en los Quarteles, ò casas que alquilaren, dándoles lo mismo que hasta aora se ha estilado dar a los Oficiales de la Guarnicion.”
“XXXVI. Que la Universidad Literaria se conserve con los mismos Privilegios, y assistencia de Maestros, y Cathedras, como se ha gobernado hasta oy.”
“XXXX. Que no se haga pagar cosa alguna à las Iglesias, assi Cathedral, como Parroquias, Conventos, Monasterios, Oratorios, Hospitales, ni de los demás Lugares Pios, y Sagrados, por razon de composicion de las Campanas, ni de qualquiera otros metales, sino que queden libres de todos los derechos, que por dicha razon se pudieren pretender.”
“XXXXVIII. Que se permita, y continue el Tribunal de la Santa Inquisicion, como se ha hecho hasta aora con las mismas Prerogativas, Iurisdiccion, y Privilegios, dexando à la elección de los Inquisidores, y demás Oficiales actuales, que componen aquel Tribunal, que en caso de no querer permanecer en esta Ciudad, puedan salirse de ella, gozando de las mismas immunidades, que los demás, assi respeto à sus Personas, como de sus Bienes en la conformidad, que està expressado en los Capitulos antecedentes, en lo tocante á los Ministros de la Real Audiencia.”
“no puede aver interpretacion, ni equivoco, sino que se aya de entender como està escrito, y á la letra.”
“Barcelona á nueve de Octubre de 1705.
Don Francisco de Velasco.
Peterborovv.”
Petersbourg?
“3 Que assi mismo se observen, y hagan observar al General, y Deputacion del Principado de Cathaluña, y á todos los dichos Comunes, y particulares de Cathaluña, y sus Condados, todos los Privilegios, Gracias, y Honores concedidos despues del referido año de 1639 por las Magestades de los Señores Reyes Don Felipe III de Aragon, IV de Castilla; La Señora Reyna Doña Mariana, su consorte, Tutora, y Governadora del Señor Rey D. Carlos II y por su Magestad mismo, y por sus Lugar-Tenientes Generales, revocados todos abusos.”
“Que (…) se observe perpetuamente todo lo que se ha hecho, y executado, segun lo dispuesto, establecido, y ordenado por Constituciones, Titulos de Corte, Privilegios (…) aunque sea en fuerça de lo establecido, y ordenado en las ultimas Cortes, celebradas en los años de 1701 y 1702”
“7. Que todos los Naturales (…) residentes en la presente Ciudad (…) que no quisieren vivir en ellos puedan llevarse sus familias, con toda su ropa, y dinero, y que dentro del termino de 6 meses, puedan vender, dar, enagenar, y beneficiar sus bienes, mmuebles, é inmuebles, y llevarse su dinero, sin que se les pueda poner embaraço”
A PROVISIONAL PARTIAL DECODING OF THE VOYNICH SCRIPT – Stephen Bax, 2014.
“there was more than one individual involved, and (…) there is more than one ‘language’ involved” (Currier 1976:np). “In fact, to anyone familiar with scribal practice in mediaeval manuscripts, all of Currier’s examples can be explained straightforwardly as no more than idiosyncratic scribal differences when writing the same language, of a kind and a degree typical of the period.
The variation Currier identified in the VM, in other words, is commonplace in medieval manuscripts with languages which were not yet standardized. For example, in one mediaeval English manuscript no fewer than 6 different scribes using 6 different dialects have been identified, each using idiosyncratic conventions of spelling and grammar, yet all in the same language, namely English (Runde 2010). (…) for example in some Chaucerian manuscripts where the same page written by the same scribe contains diverse spellings such as dreem/dremes, seith/sey/seyn, blak/blake and so on (Yule 2001 and cf. Hans 1999).”
“the single word ‘though’ has survived from Middle English texts in no fewer than 500 variants (Markus 2000).”
“Taiz and Taiz have recently offered a convincing argument that the ‘Biological’ or ‘Balneological’ section (folios 75r-84v) possibly offers an account of mediaeval plant physiology following the philosophy of Aristotle and Nicolaus Damascenus (Taiz & Taiz 2011). Another recent insight was provided at the seminar to commemorate the 100th anniversary of Voynich’s rediscovery of the manuscript, when Johannes Albus presented a convincing argument that the last page of the manuscript is written in Latin and German, with two ‘Voynichese’ words, and contains a medical prescription (Albus 2012). Such advances are encouraging; however, none has yet resulted in a convincing decoding of a single word of the manuscript, without which further progress will inevitably be limited.”
“This failure to decode any part of the text has led, perhaps inevitably, to rather defeatist suggestions that the whole manuscript is an elaborate 15th century hoax. Despite the fact that different scribes seem to have been involved in its construction, which would seem curious in a hoax, such theorists have pointed to a number of statistical and other properties of the Voynich text which they claim could not be found in natural languages, and argue that the best explanation is that of a ‘a tidy-minded hoaxer’, possibly using mechanical tools to reproduce sets of apparently realistic scripts in order to fool readers for malicious or monetary reasons (Rugg 2004, Rugg 2013, Schinner 2007).
“However, as the same authors go on to explain, several natural language do in fact exhibit ‘narrow binomial distribution of word lengths’, in particular languages such as Arabic which use ‘Abjad’ scripts which omit most vowels, as will be discussed further below.
Hoax theorists also note that the VM often has the same or similar words repeated in one line, a feature noted earlier by D’Imperio (1978). However, this property could equally be used as evidence against a hoax, since any ‘tidy-minded hoaxer’ seeking to sell the manuscript would surely avoid such obvious and odd repetitions.”
“In its entry on linguistic reduplication, the Encyclopedia Britannica cites the Turkic word ‘kara’ meaning ‘black’, which can be repeated to form an ‘intensive adjective’ meaning ‘pitch black’. (Encyclopedia Brittanica 2012b). In short, hoax theorists appear to neglect features of genuine natural languages which may be present in the VM.”
“A further reason to set aside hoax theories is methodological. Not only is the hoax interpretation a sterile one, since logically it would stop all further research on the text completely, it also falls foul of a crucial scientific maxim in theory-building, namely to avoid multiplying complexities unnecessarily. Hoax theories typically contravene this by depending on many rather fantastical scenarios, devices and characters to explain why such a hoax might have been fabricated.”
“all features of the VM script so far mentioned can be fully explained in terms of natural languages encoded in scripts devised for communication rather than obfuscation.”
“Indeed, a major methodological danger of starting with such a ‘big-theory’ approach is that the analyst inevitably feels obliged to select and even massage some of the facts to fit the theory, in an attempt to persuade and convince, rather than letting the evidence speak for itself in a more neutral way.”
“using computers to find large patterns in the text as a whole (e.g. Stolfi 2000). In this article by contrast I adopt what we could call a ‘small data’ or ‘bottom-up’ approach, identifying individual linguistic patterns piece by piece, and gradually building up our decoding of the text sign by sign. One reason for this is because previous examples through history of significant decipherment have successfully adopted a similar ‘bottom-up’ approach, while few if any have ever succeeded through the use of computers alone.”
“Young and Champollion’s decipherment of Egyptian hieroglyphs, and also Ventris’ decipherment of Cretan Linear B with the help of Chadwick, both made successful use of essentially the same systematic ‘bottom-up’ approach: finding individual proper names in the data and gradually building up from them a set of letter-sound correspondences, then finally identifying the underlying languages as Coptic and Greek respectively.
By contrast, earlier attempts to decode Linear B using ‘big data’ computational techniques were unproductive, Chadwick having tried ‘techniques he had learnt while working on military codes’ (Singh 1999, page 238). One possible reason for this failure of top-down computational techniques in the case of Linear B is that the script in question did not present a one-to-one correspondence of sound to letter, because it used syllables, among other things. This might arguably be a reason why computational approaches have likewise failed with the VM, i.e. because the sound-letter correspondence is partially unsystematic, as indeed it is in most natural languages and scripts. In the case of Egyptian hieroglyphs this was clearly the case as well: it became apparent to Champollion that ‘the scribes were not fond of using vowels, and would often omit them; the scribes assumed that readers would have no problem filling in the missing vowels’ (Singh 1999:214), the relative paucity of vowels being a common feature also of Abjad scripts such as Arabic.
Champollion discovered this through the successful identification of the known proper names of Pharaohs, and on that foundation gradually worked out the full details of the symbol-sound system piece by piece, in effect filling in the vowels himself. In the case of Linear B also, although each symbol represented not a single phoneme but a syllable, Michael Ventris similarly worked from known proper names, in this case of prominent towns in Crete such as Knossos (ko-no-so), and through a systematic and intuitive process of elimination and comparison, used what he found as the basis for reconstructing the script’s full symbol-sound relationship (Singh 1999:235). The 19th century explorer and linguist Henry Rawlinson likewise described the importance of identifying proper names in deciphering the cuneiform inscriptions at Behistun (Rawlinson 1846:6). In all 3 cases, then, this focus on proper names and sound-symbol matching, in a step-by-step comparison and elimination process, was the crucial basis for the final leap, which came with the identification of Coptic, Greek and Old Persian as the respective underlying languages.”
“Although unfortunately the VM does not seem to offer us the proper names of pharaohs or towns, it does instead include a host of plants, for example, from which we could arguably make progress if only we could succeed in first identifying any plants and plant names with confidence, and then matching them with words in the corresponding VM text”
“In order to succeed with this approach it is important to study herbal manuals contemporary with the VM, and to analyse the names used historically for the plants they identify. Although numerous writers have examined the plants in the VM, many have dismissed them as inventions, even deriding them as of poor quality, ‘crudely executed … and stylized’ (Taiz & Taiz 2011:19). With the notable exception of Zandbergen (2012), it is surprising how few scholars have seriously researched herbal manuscripts contemporary with the VM, and most significantly, none has made any progress in identifying plant names in any language to match any of the pictures convincingly. One reason for this – a suggestion which I aim to substantiate in this paper – is that scholars have tended to focus almost exclusively on European herbals and European languages, and ignored the potential value of herbal manuscripts from other cultures, for example in the Near East.”
“herbals very frequently draw on the work of classical writers such as the famous herbalist Dioscorides, often copying text and pictures directly from earlier authorities rather than from life. For this reason the plants are sometimes very difficult to identify and also vary widely in different herbals”
“In the analysis which follows I aim to demonstrate, then, that in the Voynich manuscript the first word of a number of the plant pages typically encodes the name of the plant on that same or the adjacent page, and that the text discusses the plant in question, and probably gives the aetiology as well. I identify 5 plants with some confidence, with their accompanying names as the first word on the same page, and make tentative identification of 2 more.”
“A question still unresolved is why the writers of the VM used this script at all instead of another which might have been available to them (such as Latin or Arabic), and then how this particular script was devised. A common reason for devising a new script, if it is not for purely economic reasons, is to support a new national and/or religious identity or to support new cultural elements in a society, as in the case of Armenian for example (Parsumean-Tatoyean 2011).”
“Another fascinating example is that of the Glagolitic Slavic alphabet created in the 9th century. In this case a script was devised for a language which had no script by a small group of people, supposedly two brothers, using signs adapted from Greek, Hebrew, Coptic, Armenian and Samaritan (Sussex, Cubberley 2006, Auty 1968). The most famous document in this invented script, the Kiev Missal, was probably written in Bohemia in the 10th century but was then found in the 19th century as far away as Jerusalem (Vlasto 1970). On the basis of examples such as these, it is well within the bounds of possibility that the VM script could similarly have been developed from a mix of existing scripts by a small group of individuals, aiming to encode an existing language which had no previous script, the manuscript then being transported long distances by circumstance.”
“When the Greeks borrowed their writing system from the Phoenicians, it was an Abjad, meaning that it encoded consonants only and perhaps some long vowels, leaving the reader to fill in the remaining vowels from prior knowledge of the word. The Greeks’ significant contribution was then to devise a fuller vowelling system in their developed script, from which we get the vowels in Latin and in many other European scripts.”
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“In fact, recent statistical analysis of the manuscript has explicitly suggested that the letter and word quantities and distribution do indicate an Abjad (e.g. Reddy, Knight 2011, Jaskiewicz 2011); this paper will argue that some plant names clearly use the Abjad principle in part, with the reader required to provide some of the vowels – an approach which directly imitates the practice in contemporary Arabic herbal manuscripts. In addition, some elements will be seen possibly to resemble Abugida script principles, in which the consonant is understood to have an inclusive vowel, often ‘a’”
“It should also be remembered that a ‘script’ and a ‘language’ are not the same thing. In theory any script could be used, with adaptation, to write any language. An interesting example is ‘Arebica’, which for historical reasons used Arabic script to write (Serbo-Croatian) Bosnian. Such examples alert us to the fact that although the script of the language in the VM could be borrowed in part from Indo-European languages such as Latin, and could be acting in part as an Abjad, like Arabic and other Semitic scripts, the underlying language could nevertheless be from a completely different language family again, such as Turkic.”
“Through analysis of a number of illustrations in the manuscript including one constellation (Taurus) and 7 plants, and drawing on mediaeval manuscripts and contemporary nomenclature so as to match the illustrations with proper names within the text, I propose the identification of a total of 10 words in the manuscript consisting of 14 of the Voynich symbols and clusters, some more tentatively than others.”
“In 2012 I prepared an informal paper for circulation to a few Voynich specialists in which I discussed the pattern in the manuscript transcribed as OROR (as transcribed in the EVA transcription system developed by Zandbergen and Landini). I proposed that OROR could be a possible plant name, and could represent the word ‘arar’, perhaps borrowed from the Arabic/Hebrew word ‘arar’ for Juniper or Juniper Berry.¹”
¹ “Baga de zimbro” seria uma tradução para o Português. Dessa planta vêm o gosto do gim, algumas essências de perfume e condimentos como pimenta.
“Note that the letter A in this transcription from Arabic/Hebrew stands for the semitic guttural consonant AYIN, and not a vowel. Of course the Arabic and Hebrew are read from right to left, unlike the Voynich script.”
“My argument in that paper drew in part on the distribution of the pattern OROR throughout the VM, but mainly on the identification of the plant on page 16r as Juniperus oxycedrus.(*) On the facing pages 15v and 16r of the VM, the pattern OROR appears twice, once as part of the first word (on the far left) and again as part of the first word of the last paragraph (on the right hand page) (…) This is interesting, since it has long been thought that the name of the plant might be the first word of the accompanying text (Zandbergen 2004-2013), but no-one has so far been able to substantiate the idea.
(*) a plant common throughout the Mediterranean west to the Apennines and east to Iran. The plant is distinctive for its spiky leaves and red berries, which both appear clearly in the VM picture. Sara Peterson, an art historian specialising in plants, was invited to consider whether the picture might represent Juniperus oxycedrus and agreed that it could be possible. At the same time she drew attention to the depiction of Juniperus oxycedrus in Koehler’s classic book on medicinal herbs, remarking that ‘the plant in Koehler shares the same shrubby, branching habit around the central stem as the Voynich version. It’s also interesting that the Voynich depiction seems to show the soft, sappy immature leaves before they become spiky.’”

“Uses.—Oil of cade has been used locally, by the peasantry, in the treatment of the cutaneous diseases of domestic animals almost from time immemorial. More recently it has been largely employed in the treatment of chronic eczema, psoriasis, and other skin diseases of man …
This medicinal use of Juniper in mediaeval times as a treatment for skin disease is of special interest because the word OROR also occurs on the very last page of the VM (page f116v), which – as was noted above – has been convincingly analysed as a Latin/German recipe or prescription for wet rot, a skin complaint (Albus 2012).”
“Despite the apparently convincing identification of the VM image as a species of Juniper, along with the linguistic evidence of the name ‘arar’, and the use of Juniper as a medicine, there are a number of problems with the interpretation. Although POROR is the first word of page 15v, the plant depicted there – unlike its neighbour on the facing page – looks nothing like any known form of Juniper, rather resembling a species of Orchis. The fact that OROR occurs here and on the next page with a prefixed P and T also renders the interpretation uncertain, since they could arguably be different words altogether, even though it has also long been felt that the symbols transcribed as P and T might be merely decorative, or prefixes in some way. These and other reservations were noted by readers of my 2012 paper, for example Rich SantaColoma”
“In languages such as Arabic, it is common for the same letter to have different shapes depending on their position in the word, but this might be a variant – unusually – owing to the position of the word in the sentence. In other words it could be merely a variant of R, in line-final or sense-final position. Statistical analysis of OROM in the VM tends to confirm this possibility, revealing 8 instances, all of which are isolates, or in line final position, or apparently decorative” “The fact that OROM occurs always as an isolate, as a decorative, or at the end of a line, suggests that it might indeed be the equivalent of OROR, but in an isolate, decorative or sense-ending position. This is an intriguing possibility, since it would give us an additional mention of OROR on the page depicting the possible Juniperus Oxycedrus plant.”
“It was noted at the beginning of this article that no word of the VM has been convincingly translated or glossed, but in fact there is one word which has received a degree of consensus. On page 68r, in a dramatic diagram apparently showing the moon in the heavens, a set of 7 stars has been suggested to show the ‘Pleiades’, sometimes known as the Seven Sisters, in the constellation of Taurus and the accompanying word has sometimes be interpreted to indicate TAURUS (Zandbergen 2004-2013).
Historically the word Taurus is thought to derive from Proto-Indo-European *tau-ro, *tawros, *teh₂wros. meaning bull (http://www.etymonline.com); it is also linked with Semitic variants such as the Arabic word ‘thaur’, which signifies both ‘bull’ and also the constellation.”
“We could posit the idea that the initial letter, shaped somewhat like the numeral 8, represent some sort of alveolar or dental sound in the region of /t/, /d/ and /θ/ (as in the first sound of thing, which is approximately the Arabic sound in ‘thaur’), and indeed it resembles the Greek ‘theta’ to some extent.” “Of course, although this reading seems to support and be supported by, the reading of OROR as /arar/, it should still at this stage be treated as speculative.”
“The reason for the final /n/ at the end is not entirely clear, although it could represent or be borrowed from the Arabic/semitic vowelling called ‘nunation’ in the nominative singular of the word meaning ‘bull’ and the Constellation Taurus”
“In isolation, each of the above readings of /arar/ and /taərn/ is insubstantial and must be considered speculative; it will only be possible to verify them if they fit in with a larger emerging pattern which explains other words, for example the names of other plants. The process can be compared to doing a crossword puzzle: at first we might doubt one possible answer in the crossword, but gradually, as we solve other words around it which serve to confirm letters we have already placed, we gradually gain more confidence in our first answer until eventually we are confident of the solution as a whole.
In order therefore to obtain more evidence, I will now proceed to identify and discuss 4 further plants with their proposed plant names in the text. In methodological terms, however, in order to avoid the danger of ‘subjective interpretation’ which Kennedy and Churchill rightly critique in previous attempts at decoding (Kennedy & Churchill 2004), it is important to follow a systematic procedure” “Wherever possible, I will draw on independent identification of the plant by another analyst to ensure greater objectivity.”
“The reason for focusing on the first word of the herbal page in particular is that it is too easy to find any word on a page of text and to ‘imagine’ some relevant reading. For this reason the analysis below will focus strictly on the first word of plant pages, which, as was noted above, was frequently where the plant was named in mediaeval herbal manuscripts.”
A HIPÓTESE DO CORIANDRO: “While examining the plant pages I noted a curious feature of folio 41v, which depicts the plant which you can see below, a feature which seems not to have been mentioned in the literature previously. This is the fact that above the first word of the text appears to be an extra word written as a marginal gloss. This is rare, if not unique, in the VM, but in many mediaeval herbal manuscripts such marginalia do appear, most commonly giving an alternative name of the plant, perhaps in or from another language (see examples from the Harley herbal 1585, and also e.g. the Vienna Dioscorides, which has marginalia in Greek, Arabic and Hebrew naming the plants).”

“Step 1 (plant identification): The plant itself in f41v has been convincingly identified by Sherwood as Coriander/Cilantro (Coriandrum sativum), for example with reference to the leaves at the base of the plant being ‘broadly lobed becoming more feathery higher up, with umbels of white to pale pink flowers at the top of the stem’ (Sherwood 2013, np), though bluish flowers are also common, as in the VM example.
Step 2 (nomenclature): The plant has a wide range of names in different languages. Even those related etymologically to the word ‘coriander’ (deriving from the Greek ‘korion’) are very varied in their range of vowels and consonants, including the following sample:
Cilantro (English et al.)
Coentro (Portuguese)
Coriander (English et al.)
Coriandolo (Italian)
Coriandre (French)
Coriandro (Italian, Spanish et al.)
Koendoro (Japanese)
Kolendra (Polish)
Koljandra (Russian)
Korander (Dutch)
Koriander (Danish, German)
Koriandr (Russian)
Koriannon (Greek)
Korijander (Croatian)
Korion (Greek)
Koriyun (Greek)
Koryander (Polish)
Kothambri (Kannada)
Coriandru (Romanian)
Culantro (Spanish)
Koriandrze (Polish)
Silantro (Spanish – Peru)
“This selection demonstrates the wide variety of pronunciations and spelling typical of plant names across languages – the list does not even contain the many names of coriander in other language families, for example those related to Dhania in Hindi. (…) In particular there is a regular alternation between the liquid sounds /r/ and /l/, a common alternation across many languages, and also between the (alveolar) dentals /d/ and /t/ (both exemplified in ciLanTro v. coRianDer).”
“Drawing from the readings of /arar/ and /taərn/ discussed previously, I suggest that the marginal note above the first word of the text on page 41v could represent the name of the plant in the picture, and be related to the word Coriander. Drawing on our previous identification of 3 of the signs, R A and T, in the middle part of the word, we can then provisionally reconstruct the start of the word as KOO or similar, and thereby tentatively read the word as approximately KOORATU?” “Curiously, if this reading is correct, its closest correlate is arguably the Cretan Linear B Greek version discovered following Ventris’ decipherment, i.e. ko-ri-ja-da-na, which is considered to be the earliest of all known versions of the word ‘coriander’.”
“The next plant to be considered is that on page f2r”
“Step 1 (plant identification): The plant on page 2r of the VM has been identified by Sherwood and others, apparently uncontroversially, as belonging to the genus Centaurea (Velinska 2013, Sherwood 2013). Sherwood identifies it more specifically as Centaurea diffusa:
‘Diffuse Knapweed (Centaurea diffusa), is native of Greece and Asia Minor. This weed has a long taproot, and pale-green alternate leaves that are deeply divided into lobes, measuring 1 to 3 inches in length. The single, upright stem produces several spreading branches that end with pink or white thistle-like flowers. During the Middle Ages knapweed had a reputation for curing wounds and was an ingredient in a 14th century ointment called ‘salve’. This folio could also be represented by spotted knapweed (Centaurea biebersteinii), also native to Eurasia.’
As Sherwood notes, the genus contains a large number of common species in Europe, the Caucasus, Turkey and Iran, including knapweed and cornflower.”
“Step 2 (nomenclature): The genus Centaurea is named after the Centaur Chiron (Greek Χείρων), who was reputed to have discovered its medicinal value.
‘In the history of the mythologic founders of medicine, Chiron was considered the discoverer of the medicinal properties of many herbs, who mastered the soft-handed lore of drugs and passed it on to his pupils. His name became part of the pharmaco-botanical nomenclature; we still have the genus Centaurea. According to Pliny the panacea Centaurion was discovered by Chiron, as was another panacea, Chironium.’ (Sigerist 1987:50)
This mythology concerning Chiron was well-known in medieval times, and is mentioned and depicted frequently in herbals. An attractive example can be found in the Egerton herbal”
Cf. Vienna Dioscorides: http://exhibits.hsl.virginia.edu/hist-images/herbs/kentaureion.jpg
“the Arabic version of the name is given as Qnturiyun, a direct borrowing from the Greek”
“In fact, the Voynich manuscript has many examples of what looks like ‘ai’ and ‘aii’. If we consider the lettering which represents the words Centaura major as written in a 15th century herbal in the Wellcome Library close to the age of the VM, we note that single vertical lines in various combinations could rather confusingly be used to form all of the four letters n, u, m and i. In particular the combination ‘a’ plus one vertical line stood for ‘ai’ and with two stood for ‘au’. It seems possible, at least, that the similar Voynich clusters of letters were borrowed from contemporary Latin calligraphy, and likewise represent vowel clusters or diphthongs in the same way. Since this also fits well with the reading of KNT/ə/IRN as Kantaron/Centaurea, we will therefore provisionally read the Voynich ‘ai’ symbol as /əi/ and the aii symbol as /əu/.
To those unfamiliar with Abjad scripts it might seem objectionable that this reading begins with 3 consonants together (K + N + T) with no intervening vowel. However, this is precisely the way in which Arabic, for example, or other Abjad scripts, would write this word even today.” “For readers in many languages this is not problematic, and it strongly suggests that the writers of the VM were using a script which in this respect resembled an Abjad, with some vowel omission. We recall that at first this feature of Egyptian hieroglyphs confused Champollion, and it has perhaps hindered decoding of the VM up to now as well.”
“Step 1 (plant identification): Sherwood identifies this plant as Dungwort or Bear’s foot (Helleborus foetidus), referring to its ‘thick, succulent stem; palmately compound leaves; drooping green, cup-shaped flowers; and short rhyzomes for roots’ (Sherwood 2013). Whilst her specific identification of Helleborus foetidus may be overconfident, it does seem plausible that it is a species of the genus Helleborus.
Two sorts of hellebore were commonly identified in antiquity for medicinal purposes, called black and white respectively on account of their roots. Dioscorides recommended the black hellebore as a cure for melancholia, and as a purge, while white Hellebore was used as an emetic [inductor de vômito] (Leyel 2007:223) and also used as a sneezing agent. Although the white hellebore is now considered a different genus and species altogether (Veratrum album) the visual resemblance of the two is still plain to see. However, given that the black hellebore was far more prominent in ancient herbal remedies and mediaeval herbal manuscripts, the VM picture could well represent Helleborus niger.” “A much earlier Greek herbal, the 6th-7th century Naples Dioscorides depicts the black hellebore with similarly distinctive jagged leaves and a reddish flower”
“In mediaeval Arabic herbal manuscripts the hellebore is called Kharbaq, with both white and black varieties commonly cited and discussed. To my mind an illustration which, although stylized, has several features similar to those of the VM picture, is that in the Princeton Arabic herbal. In this image we see not only clear purple flowers/pods just as in the VM, but also oddly jagged leaves themselves resembling bears’ feet. Another Arabic version, also with similarly purple-blue flowers and jagged leaves, is found in the Leiden Dioscorides.”
“Step 2 (nomenclature): (…) it can be seen that the first word of the page appears to be repeated again near the end of the same line, apparently with a prefix.” “If we adopted a European perspective and anticipated some form of the word ‘hellebore’, we would be disappointed, since the first word on page f3v in the Voynich manuscript looks nothing like any known version of the Greek word.” “I directly translated the word according to my scheme so far, and read it as KA/ə/UR, a word unfamiliar to me. In order to test out whether this reading could possibly be correct I simply typed ‘Kaur Hellebore’ into the Google search engine. To my surprise and gratification, this immediately offered a possible solution, since it returned numerous references to the name ‘Kaur’ as a name for the black hellebore, many in Indian herbal guides. When I did this in July 2012, the first result which Google produced was the book by Panda on Indian medicinal herbs (Panda 2000:311)”
“This shows clearly that the word Kaur is used for Hellebore in Kashmir, and that cognate names are also used in a variety of other languages, many including the pattern K + vowels + R, or the possibly cognate K + vowel + L, and KH (/x/) + vowel + R/L. Salient among these in Panda’s spelling are: Khartu(*) and Kuer-Beck in Arabic, Kharabekhindi in Persian/Farsi, Khorasani-kuti in Hindi and so on. Other works on Indian plants report similar nomenclatures, most frequently Kaur in the Punjab.
(*) Panda’s reference to an Arabic word Khartu for hellebore may be in error. No corroboration can be found for it in Arabic sources.
This gives immediate and graphic support to the possibility that the first word on the VM page f3v is indeed some form of the name KAUR, meaning hellebore, as my analysis predicted. This in turn supports the larger analysis above regarding other plants and names, and lends further support to the method as a whole.”
“The earliest available instance of the pattern ‘K + vowels + R’ meaning hellebore appears to be the Sumerian KUR.KUR (Campbell Thompson 1949:151). In his earlier research Campbell Thomson took this form definitively to refer to black hellebore, saying that ‘…KUR.KUR thus coincides very closely in almost every way with the ancient black hellebore’, though he added the caveat that ‘even in Assyrian times it is possible that white and black were confused.’ (Campbell Thomson 1924:671). In his later authoritative Dictionary of Assyrian Botany, he was less sure, associating the name rather with White hellebore (Veratrum Alba L.), linking it also with the delightfully onomatopoeic synonym a-ti-šu referring to white hellebore’s use as a sneezing powder.
In the same discussion Campbell Thomson cites the Akkadian ‘qarbuhu’ which can be seen also to contain a variant of the pattern ‘K + vowel + R’, this time with the guttural semitic consonant transcribed as Q. He compares this with the Arabic ḫarbaq (or kharbaq) and the Syriac ḫurbakhnâ (both beginning with the sound /x/ like the last sound of the Scottish word ‘loch’). The Arabic form kharbaq was the standard mediaeval Arabic base word for hellebore, with the adjectives ‘white’ and ‘black’ added to distinguish the two; for example, the Princeton Arabic herbal (…) shows the plant called kharbaq aswad, black hellebore”
“The second part of the Arabic word, i.e. -baq would appear to derive from the Persian word beḵẖ meaning ‘root’, indicating again that the first part, ‘khar’, is a separable lexeme for the plant itself. This analysis is supported, curiously, by two Georgian loanwords for hellebore, namely ḫarbaqi and ḫarisjira, both beginning with the /x/ or ‘kh’ sound. The first of these is cognate with the Arabic and Persian ‘kharbaq’, while the second literally means root (jira) of the ḫar, (Apridonidze et al. 2006). This once again supports the analysis that the ‘K + vowels + R’ pattern is a separate lexeme indicating one variety or other of the plant hellebore, in this case with the KH variant: KHAR.
From this trail of evidence, then, the appearance of the pattern K + vowel + R in modern Indian herbals can be explained not necessarily as a native Indian form, but as a probable early borrowing from Sumerian and Akkadian, transmitted eastwards perhaps via Arabic and/or Persian, in some cases retaining the pronunciation kaur with the harder /k/ sound (as in Punjabi kaur) in preference to the Arabic/Persian khar with /x/ (kh).
Subsequently it appears to have been associated with, or confused with, a native Indian plant whose formal species name even today retains the K + vowel + R pattern: Picrorhiza kurrooa.”
“Baden-Powell offers an insightful account of how the process of transmission and re-identification probably occurred, referring to a number of drugs which, in his analysis, ‘…were introduced by the Mahomedan hakims (wise men) who had studied from the Arabian school of medicine who, themselves, derived their knowledge from the Greeks.’ (Baden-Powell 1868:318).”
“A final irony is that, as we saw in Panda’s list above, one current Farsi/Persian word for black hellebore is Kharabekhindi, literally ‘Indian Khar-root’. This implies a retransmission of the plant and its name back westwards to Persia, but now with new Indian ‘branding’.
In summary, there is therefore strong evidence for the idea that the pattern ‘K + vowel + R’ represents an even older word for hellebore than the Greek version, and was known in one form or another for centuries across a wide area as the name of that plant. The name appears in the Caucasus (with the two forms seen above in Georgian, and also a form of kharbaq in Armenian, according to Kouyoumdjian 1981), across the Middle East and into India, with slight variations in the realization of the first consonant and the vowelling, in a manner which is normal across such a wide geographical and historical range. It sometimes also has the suffix ‘baq’ or similar, meaning ‘root’. For example, we noted its appearance in mediaeval Arabic herbals as kharbaq for black hellebore.”
“Continuing the attempt to examine the first word of plant pages and matching them with the plants depicted, let us consider the case of page f29v:
Step 1 (plant identification): This plant can be identified with relative confidence as Nigella sativa, largely because of the distinctive seed pods and leaves, which can be seen in images from Katzer’s website. Both Velinska (2013) and Sherwood agree on the identification, the latter offering also the following description:
Roman coriander (Nigella sativa), is an annual plant in the ranunculus family, native to Southern Europe, North Africa, and Southwest Asia. It has finely divided, linear leaves and pale blue or white flowers with 5 to 10 petals. The fruit is a balloon-like capsule containing numerous seeds. The seeds are frequently referred to as black cumin … (Sherwood 2013)
As seen from the name, which derives from the Latin niger (black) the defining feature of this plant has always, and across different cultures, been the black colour of the seeds, which have a long history of use in cookery and medicine, being found even in the tomb of Tutankhamen (Peter 2004). However, they have frequently been confused with the seeds of other plants such as Bunium bulbocastanum and also Caroway (Carum carvi), all of which have been called ‘black cumin’.
Step 2 (nomenclature): (…) the first word on that page is the same as the word already analysed as KA/ə/UR, for hellebore. This at first appears anomalous, but when read with the second word it can be interpreted as KA/ə/UR CHAR”
“it is not clear whether, in the construction K A /ə/ UR CH/X A R the origin of both words derives from the idea of blackness, through different routes, or whether the second means ‘seed’, related to the Persian ‘zireh’, which was also adapted eastwards with /j/ and /tʃ/ as the first consonant”
“To summarise, the precise meaning of each part of the first two words of f29v, which is taken to name the plant Nigella Sativa pictured alongside, is not entirely clear; it would seem to read either ‘Kaur black’ or ‘Black Seed’. However, the important point for this paper is that both interpretations allow a plausible link between the words and the illustration, and both support the overall analysis of the sounds and letters in this paper. In short, further analysis will help to elucidate precisely what those words signify, but in either case the argument for the sound-letter analysis presented so far is strengthened.”
“However, as also noted above, I do not underestimate the difficulty of the next steps. Many of the first words on the plant pages contain what are known as ‘Gallows’ characters, with elaborate decorative swirls. It is not clear whether these are letters identical in sound to other non-decorative letters, or different letters entirely, or merely ornamentation. Some of them overlay, and overlap with, other signs in a manner also obscure. Many of the plant illustrations are odd and insubstantial.”
“These concern the plants on pages f31r and f27r respectively. Unlike the plants discussed above, it has not been possible to research these in detail as yet, and – as will be apparent – their identification and naming still require verification.”
“It will be seen that, drawing on signs which we have seen before, the word can arguably be read as ‘KOOTON’, and it is tempting to see this as indicating ‘cotton’. The word cotton came into English from the Old French coton (12c.), and ultimately (via Provençal, Italian, or Old Spanish) from Arabic qutn, and is perhaps ultimately of Egyptian origin. The name for this plant with the basic structure ‘K/Q + T + N’, which we still have in English, was known from Western Europe (thanks to the Arabic influence in Spain) through into many parts of Asia well before the date of the VM.”
“However, it is not clear that the plant depicted on this page of the VM is in any way similar to known cotton plants. In the first place it is unusual to have cotton in a mediaeval herbal manuscript. Secondly, it would be curious if anyone wishing to depict cotton neglected to show the crucially important white cotton buds themselves, which do not appear in the VM illustration. Even so, this might not in itself rule out the identification with cotton, since plant illustrators have been known to depict cotton with scant reference to the cotton bud itself.”
“Likewise, the main plant in f27r is difficult to identify with any certainty. However, the first word of the page appears, on the basis of the analysis above, potentially to read K ? A R.” “There is no supporting evidence as yet for identifying the unknown sign, but if it were read speculatively as indicating the sound /s/, on the basis of its shape, a reading could be KSAR, which is reminiscent of a common Indian name for the Crocus¹ (i.e. kesar), from which saffron is obtained. However – as is typical of the obstacles involved in analysing the Voynich plants – the leaves of the VM plant in the picture are unlike the grassy leaves of Crocus sativus, the most common variety, and the source of saffron itself. For this reason it is tempting to identify the VM plant with another variety, such as Colchicum Autumnale, often also called Kesar, which could be a closer match.”
¹ Família do açafrão.
“Even so, as with cotton, it seems odd that an illustrator who has seen the crocus would illustrate it without showing its best known features, namely the flowers or stamen.”
“We can now turn to more general discussion, summarising the findings so far and considering the implications for the language of the Voynich manuscript, and its possible provenance and authorship.”
“for the first time we can claim with some confidence to have successfully read a number of words in this mysterious document. In particular, the naming of the constellation Taurus, the plant Centaury, the centaur Chiron and the plant ‘Kaur’ for hellebore, seem to me to be most persuasive.”
LISTA DE CONCLUSÕES PRELIMINARES
“The script is not an elaborate cipher, but resembles normal human scripts, with more or less regular sign-sound correspondences;
The content of the manuscript, at least on the plant pages, seems to be completely in accordance with its outward appearance, namely information about the plants and perhaps their medicinal and other uses. If we look back at the earlier description of typical features of mediaeval herbals, every one of them is evidenced in the analysis in this paper. In other words, the manuscript is probably not a trick document disguising secrets behind a different genre.
(…)
On the evidence of this paper there is no reason to believe that the script encodes more than one language. As regards which language it might be, this is still unknown.
(…)
On balance, then, the analysis in this paper confirms a European element to the manuscript. However, with regard to the linguistic elements and plant names considered in this paper, e.g. ‘Kaur’ for hellebore, the underlying language is probably not European.
(…)
Echoes of illustrated Arabic herbal manuscripts also suggest a possible element of interaction with Arabic cultural traditions. However, at this stage it is not possible to identify the underlying language as a whole with any known Near East language, and indeed these words could be simply borrowings. Several of the plants discussed also appear to have a Near Eastern connection.
(…)
Not only do several countries in the Caucasus have early herbal and script traditions, including Georgia and Armenia, along with Christian links which would fit elements of the manuscript, but some of the local languages also show evidence of the words discussed in this paper (…)
Some of the plant names discussed in this paper appear to have an Indian subcontinent resonance, the most salient being ‘kaur’, still used in the Punjab for hellebore (…)
One of the largest language families to be considered as possibly influencing the VM is the Turkic, which includes languages as diverse as Turkish, Azeri, and Mongol. Although the evidence for Turkic influence in this paper is slender, the form of the word Kantaron for Centaury appears on Turkish and Azeri, as does the form ‘kara’ for ‘black’. Although the agglutinative nature of Turkic languages seems not to resemble the VM word patterns, a Turkic influence cannot be ruled out;
In summary, the language of the Voynich manuscript is probably not European, but is more likely to be Near Eastern, Caucasian or Asian. We need further evidence to see whether it is of Indo-European, Semitic, Turkic, Kartvelian (e.g. related to Georgian) or from another language family.”
Nada se prova, nada se confuta. Me parece ainda mais fabuloso que um herbanário da idade média seja praticamente um híbrido de todos os continentes então conhecidos em sua composição!
“It is feasible that the script is a deliberately constructed cipher designed to hide information of some sort. However, given the fact that the plant pages seem in practice to concern the plants depicted, presumably offering knowledge which was available to others already, it is more likely that the script is not aimed at concealment, but was instead constructed simply to write a language which had not previously been written down. To put it another way, if the underlying language already had a script (such as Georgian, or Arabic, or Greek), it seems highly unlikely that anyone would invent a whole new one merely to encode information about plants and nature which was already known.”
“Given that the 15th century was a time of upheaval, in Europe in the Balkans, in the Near East with Timurid expansion as far as Turkey and the Black Sea, and also with the fall of Constantinople to the Ottomans in 1453, it is plausible to consider this ‘cultural extinction’ to be a possibility, with the group in question developing a script and literacy, only for it to be extinguished. Other examples of script which have been devised, only for those who can read it to die out include the interesting Rongorongo script from Easter Island, which again attests to the viability of the theory.”
“Thanks also to the Beineke Library at Yale for allowing use of the images of the Voynich manuscript, and I also acknowledge the copyright holders of other images in this paper.”
Francamente! Não se pode usar nem imagens de um manuscrito xexelento que ninguém sabe o que significa porque ele tem direitos autorais?! Não se sabe nem remotamente quem pode ter sido o autor, o que é mais triste – e vem uma universidade e capitaliza com isso!
[+] (citados no artigo ou simplesmente interessantes)
Brumbaugh, R. 1977, The World’s Most Mysterious Manuscript, Weidenfeld & Nicolson, London.
Daniels, P. & Bright, W. (eds) 1996, The world’s writing systems, Oxford University Press, New York, Oxford.
Kennedy, G. & Churchill, R. 2004, The Voynich manuscript: the unsolved riddle of an extraordinary book which has defied interpretation for centuries, Orion, London.
Parsumean-Tatoyean, S. 2011, The Armenians in the medieval Islamic world: paradigms of interaction: seventh to fourteenth centuries, Transaction Publishers, New Brunswick, N.J.
Rawlinson, H.C. 1846, The Persian cuneiform inscription at Behistun: decyphered and translated; with a memoir on Persian cuneiform inscriptions in general, and on that of Behistun in particular, J.W. Parker, London.
Sherwood, E. 2013, The Voynich Botanical plants. Available at: http://www.edithsherwood.com/voynich_botanical_plants/.
Sigerist, H.E. 1987, A history of medicine: Vol. 2: early Greek, hindu, and persian medicine, Oxford University Press, New York.
Sussex, R. & Cubberley, P.V. 2006, The Slavic languages, Cambridge University Press, Cambridge.
Vlasto, A.P. 1970, The entry of the Slavs into Christendom: an introduction to the medieval history of the Slavs, Cambridge University Press, London.
THE PERIPLUS OF HANNO – A voyage of discovery down the West African coast, by a Carthaginian admiral of the 5th century B.C., with explanatory passages quoted from numerous authors (trans. from the Greek by Wilfred H. Schoff), 1913.
“To the Libyan regions of the earth beyond the Pillars of Hercules, which he dedicated also in the Temple of Baal, affixing this
1. It pleased the Carthaginians that Hanno should voyage outside the Pillars of Hercules, and found cities of the Libyphoenicians. And he set forth with 60 ships of 50 oars, and a multitude of men and women, to the number of 30,000, and with wheat and other provisions.
2. After passing through the Pillars we went on and sailed for 2 days’ journey beyond, where we founded the 1st city, which we called Thymiaterium; it lay in the midst of a great plain.
3. Sailing thence toward the west we came to Solois, a promontory of Libya, bristling with trees.
4. Having set up an alter here to Neptune, we proceeded again, going toward the east for half the day, until we reached a marsh lying no great way from the sea, thickly grown with tall reeds, Here also were elephants and other wild beasts feeding, in great numbers.
5. Going beyond the marsh a day’s journey, we settled cities by the sea, which we called Caricus Murus, Gytta, Acra, Melitta and Arambys.
6. Sailing thence we came to the Lixus, a great river flowing from Libya. By it a wandering people, the Lixitae, were pasturing their flocks; with whom we remained some time, becoming friends.
7. Above these folk lived unfriendly Aethiopians, dwelling in a land full of wild beasts, and shut off by great mountains, from which they say the Lixus flows, and on the mountains live men of various shapes, cave-dwellers, who, so the Lixitae say, are fleeter of foot than horses.
8. Taking interpreters from them, we sailed 12 days toward the south along a desert, turning thence toward the east one day’s sail. There, within the recess of a bay we found a small island, having a circuit of 15 stadia; which we settled and called it Cerne. From our journey we judged it to be situated opposite Carthage; for the voyage from Carthage to the Pillars and thence to Cerne was the same.
9. Thence, sailing by a great river whose name was Chretes, we came to a lake, which had 3 islands, larger than Cerne. Running a day’s sail beyond these, we came to the end of the lake, above which rose great mountains, peopled by savage men wearing skins of wild beasts, who threw stones at us and prevented us from landing from our ships.
10. Sailing thence, we came to another river, very great and broad, which was full of crocodiles and hippopotami. And then we turned about and went back to Cerne.
11. Thence we sailed toward the south 12 days, following the shore, which was peopled by Aethiopians who fled from us and would not wait. And their speech the Lixitae who were with us could not understand.
12. But on the last day we came to great wooded mountain. The wood of the trees was fragrant, and of various kinds.
13. Sailing around these mountains for 2 days, we came to an immense opening of the sea, from either side of which there was level ground island; from which at night we saw fire leaping up every side at intervals, now greater, now less.
14. Having taken in water there, we sailed along the shore for 5 days, until we came to a great bay, which our interpreters said was called Horn of the West. In it there was a large island, and within the island a lake of the sea, in which there was another island. Landing there during the day, we saw nothing but forests, but by night many burning fires, and we heard the sound of pipes and cymbals, and the noise of drums and a great uproar. Then fear possessed us, and the soothsayers commanded us to leave the island.
15. And then quickly sailing forth, we passed by a burning country full of fragrance, from which great torrents of fire flowed down to the sea. But the land could not be come at for the heat.
16. And we sailed along with all speed, being stricken by fear. After a journey of 4 days, we saw the land at night covered with flames. And in the midst there was one lofty fire, greater than the rest, which seemed to touch the stars. By day this was seen to be a very high mountain, called Chariot of the Gods.
17. Thence, sailing along by the fiery torrents for 3 days, we came to a bay called Horn of the South.
18. In the recess of this bay there was an island, like the former one, having a lake, in which there was another island, full of savage men. There were women, too, in even greater number. They had hairy bodies, and the interpreters called them Gorillae.¹ When we pursued them we were unable to take any of the men; for they all escaped, by climbing the steep places and defending themselves with stones; but we took 3 of the women, who bit and scratched their leaders, and would not follow us. [!!] So we killed them and flayed them, and brought their skins to Carthage. For we did not Voyage further, provisions failing us.”
¹ Montesquieu comenta com muito humor no Espírito das Leis: os navegadores (ou o cronista!) pensaram haver se deparado com mulheres peludas, mas eram apenas primatas! Será o nome gorila, hoje utilizado, derivado dessa literatura?!
Toda essa expedição não foi além do contorno setentrional do continente africano!
THE GEOGRAPHY OF THE VOYAGE OF HANNO
“The Carthaginian colonies mentioned in this text can be identified only in the most general way with any existing settlement. They were destroyed and abandoned so many centuries ago that no traces are likely to remain, although the unsettled condition of the country, which has remained to the present time, has prevented any exploration of the interior or even of the coast itself.
§ 1. The Pillars of Hercules are, of course, the Straits of Gibraltar.
§ 2. The 1st city, called in the text Thymiaterium, is identified by Müller as Mehedia at the mouth of the Sbou River at about 34º 20’ N. The name of this city as we have it is a Greek corruption and to the eyes of various commentators suggests Dumathir – flat ground, or city of the plain. [Bolsominionlândia]
§ 3. The Promontory of Solois is probably the same as Cape Cantin at 32º 30’ N.
(…)
§ 5. The location of the 5 colonies mentioned in this paragraph is uncertain. Müller places the 1st at the ruins of Agouz, 32º 5’ at the mouth of the Tensift River. The 2nd perhaps at Mogador, 31º 30’. The 3rd at Agadir, 30º 25’. The 4th at the mouth of the Messa River, 30º 5’. The 5th, perhaps, at the mouth of the Gueder River, 29º 10’, or at Araouas, 29º.
§ 6. The Lixus River is quite certainly the modern Wadi Draa, emptying into the ocean at 28º 30’.
§ 8. The island of Cerne, lying in the recess of a bay, is identified with the modern Herne Island within the mouth of the Rio de Oro at about 23º 45’ N. The relative distances as mentioned in this paragraph from the Straits of Gibraltar to Carthage and to Herne Island respectively, are very nearly correct.
§ 9. The Chretes River Müller identifies with the modern St. Jean at 19º 25’, at the mouth of which the 3 islands exist as the text describes.
§ 10. The great river full of crocodiles and hippopotami is identified with the Senegal at about 16º 30’ N.
§§ 12 and 13. These great wooded mountains around which the expedition sailed, can be nothing but Cape Verde, and the immense opening of the sea is the mouth of the Gambia River at 13º 30’ N.
§ 14. The bay called Horn of the West reaches from 12º to 11º N. and the islands are the modern Bissagos.
§ 16. The high mountain called Chariot of the Gods, Müller identifies with Mt. Kakulima at 9º 30’ N.
§§ 17 and 18. The island enclosed within the bay called Horn of the South, it is now agreed by all commentators, is the modern Sherboro Sound in the British colony of Sierra Leone, about 7º 30’ N.
This identification of the places named in the text extends Hanno’s voyage about 29 degrees of latitude along the West African coast, or a total length outside of Gibraltar, following the direction of the shore line, of about 2600 miles.”
EDITIONS OF THE PERIPLUS OF HANNO
“(From Bunbury, History of Ancient Geography, I, 332-3)
The narrative of Hanno was certainly extant in Greek at an early period. It is cited in the work ascribed to Aristotle on Marvellous Narratives which belongs to the 3rd century; as well as by Mela, Pliny and many later writers; and Pliny expressly speaks of it as the source whence many Greek and Roman writers had derived their information, including, as he considered, many fables.”
“The authenticity of the work may be considered as unquestionable. The internal evidence is conclusive upon that point. There is considerable doubt to the date of the voyage. On this point the narrative itself gives no information, [que belo diário de bordo!] and the name Hanno was very common at Carthage. (See Smith’s Dict. of Biog., Art. HANNO). But it has been generally agreed that this Hanno was either the father or the son of the Hamilcar who led the great Carthaginian expedition to Sicily in B.C. 480. In the former case the Periplus may be probably assigned to a date about 520; in the latter it must be brought down to about 470. This last view is that adopted by C. Müller in his edition of the Periplus (Geographi Graeci Minores, I, xxi-xxiv), where the whole subject is fully discussed; but as between him and his grandfather, the choice is hardly more than conjectural. M. Vivien de St. Martin prefers the date of 570, which had been previously adopted by Bougainville (Mémoires de l’Académie des Inscriptions, xxviii, 287).
The Periplus of Hanno was 1st published at Basle in 1533 (as an appendix to the Periplus of the Erythraean Sea), from a manuscript in the Heidelberg library (Cod. Pal. Graec., 398), the only one in which it is found. There have been numerous subsequent editions; of these the one by Falconer, 8vo, 1797, and Kluge, 8vo, Leipzig, 1829, are the most valuable. The treatise is also included in the editions of the Geographi Graeci Minores by Hudson, Gail and C. Müller. The valuable and elaborate commentary by the latest editor may be considered as in a great measure superseding all others. Besides all these editions, it has been made the subject of elaborate investigations by Gosselin, Bougainville, Major Rennell, Heeren, Ukert, Vivien de St. Martin and other geographical writers.” Cf. História da Geografia Antiga de Tozer (1897).
“Indeed there are few ancient writings that have been the subject of more copious commentary in proportion to its very limited extent. The earliest of these commentaries, inserted by Ramusio in his collection of Voyages (Venice, 1550), is curious and interesting as being derived from Portuguese sources, who were in modern times the earliest explorers of these coasts.”
CARTHAGINIAN CHRONOLOGY
“B.C. 2800 – Migration of the Phoenicians from the Persian Gulf to South Arabia and the Mediterranean, about Phoenician cities on the Mediterranean subject alternately to Babylon and Egypt.
1300 B.C. – Rise of Assyria, about Greek activity and extension of Israel.
circa 1183 B.C. – fall of Troy. [!]
1049-976 B.C. – Temporary weakness of both Assyria and Egypt makes possible the independence and alliance of Israel and Phoenicia.
~1000 B.C. – Phoenician colonies westward.
~868 B.C. – Founding of Carthage.
800-600 B.C. – At this period the Semitic commercial system centering in Mesopotamia, Phoenicia and Carthage controlled the trade of the world; continued expansion of Greece, and foundation of Greek colonies in Asia Minor and the Black Sea and westward in Italy, Sicily and Gaul.
753 B.C. – Founding of Rome [!]
650 B.C. – Decline of Assyria (…)
631 B.C. – Greek colony established at Cyrene in North Africa
(…)
606 B.C. – Fall of Nineveh
550 B.C. – Extension of Carthaginian dominions in Africa, Sicily and Sardinia.
549 B.C. – Defeat of the Carthaginians by the Greeks
548 B.C. – Fall of Babylon and rise of the Persian Empire
533 B.C. – War between Carthage and Syracuse for the possession of Sicily; Change of Carthaginian policy toward African tribes and enforcement of tribute.
528 B.C. – Rome under Etruscan kings extends its dominion in Italy
525 B.C. – Egypt conquered by the Persians
524 B.C. – Cyrene and Africa as far as the Carthaginian possessions conquered by the Persians
520 B.C. – Invasion of Italy by the Gauls
512 B.C. – Northern India conquered by the Persians
509 B.C. – Expulsion of the Tarquins and establishment of the Republic of Rome
(…)
490 B.C. – Marathon defeat [os gregos derrotam os persas]
480 B.C. – [Xerxes perde em duas frentes para os gregos na segunda guerra contra a confederação grega – Sicília e Salamina]
(…)
470 B.C. – Probable date of the Voyage of Hanno, marking the decline of Carthaginian supremacy in the northern Mediterranean and the movement to extend its trade westward by the Atlantic Ocean
390 B.C. – Invasion of Itlay by the Gauls, capture and destruction of Rome.
310 B.C. – [Romanos vencem os Etruscos]
(…)
275 B.C. – [Derrota de Pirro após invasão da Itália]
(…)
264-241 B.C. – [Primeiras Guerras Púnicas – Roma X Cartago – Cartago perde a Sicília]
218-201 B.C. – [Segundas Guerras Púnicas – Roma toma a Espanha, a Sardenha e a Córsega]
149-146 B.C. – [Terceiras Guerras Púnicas – derrota definitiva, Cartago é dizimada.]
A.D. 13 – [Roma consuma sua expansão de boa parte do mundo conhecido, controlando o Mediterrâneo – mesmo ano da morte de Augusto César]
THE “BURNING COUNTRY” OF §§14-16
“Mungo Park (Travels in the Interior Districts of Africa. London, 1799: Chap. 20) thus describes the burning of the grass in the dry season in Senegambia:
The termination of the rainy season is likewise attended with violent tornadoes; after which the wind shifts to the northeast, and continues to blow from that quarter during the rest of the year. . . . The grass soon becomes dry and withered, the rivers subside very rapidly, and many of the trees shed their leaves. . . . This wind, in passing over the great desert of Sahara, acquires a very strong attraction for humidity, and parches up everything exposed to the current. . . . Whenever the grass is sufficiently dry, the Negroes set it on fire; but in Ludamar and other Moorish countries this practice is not allowed, for it is on the withered stubble that the Moors feed their cattle until the return of the rains. The burning of the grass in Manding exhibits a scene of terrific grandeur. In the middle of the night I could see the plains and mountains, as far as my eye could reach, variegated with lines of fire; and the light reflected on the sky made the heavens appear in a blaze. In the daytime pillars of smoke were seen in every direction; while the birds of prey were observed hovering round the conflagration and pouncing down upon the snakes, lizards and other reptiles, which attempted to escape from the flames. This annual burning is soon followed by a fresh and sweet verdure, and the country is thereby rendered more healthful and pleasant.” [!!!]
CARTHAGE AND THE CARTHAGINIANS (by BOSWORTH SMITH, 1877)
“The land-locked sea, the eastern extremity of which washes the shores of Phoenicia proper, connecting as it does 3 continents, and abounding in deep gulfs, in fine harbors, and in fertile islands, seems to have been intended by nature for the early development of commerce and colonization. By robbing the ocean of half its mystery and more than half its terrors, it allured the timid mariner, even as the eagle does her young, from headland on to headland, or from islet to islet, till it became the highway of the nations of the ancient world; and the products of each of the countries whose shores it laves became the common property of all.” O único e verdadeiro mercantilismo!
Etruscos, os primeiros piratas.
“Even Egypt, with her immemorial antiquity and her exclusive civilization, deigned to open an emporium at Naucratis (550 BC) for the ships and commerce of the Greeks, creatures of yesterday as they must have seemed in comparison with her.” Ecos do Timeu-Crítias.
“But (…) it is to the Phoenicians that unquestionably belongs the foremost place. In the dimmest dawn of history, many centuries before the Greeks had set foot in Asia Minor or in Italy, before even they had settled down in secure possession of their own territories, we hear of Phoenician settlements in Asia Minor and in Greece itself, in Africa, in Macedon, and in Spain. There is hardly an island in the Mediterranean which has not preserved some traces of these early visitors (…) all have either yielded Phoenician coins and inscriptions, have retained Phoenician proper names and legends, or possess mines, long, perhaps, disused, but which worked as none but Phoenicians ever worked them.”
“The rising African factory was known to its inhabitants by the name of Kirjath-Hadeschath, or New Town, to distinguish it from the much older settlement of Utica, of which it may have been, to some extent, an offshoot. The Greeks, when they came to know of its existence, called it Karchedon, and the Romans Carthago. The date of its foundation is uncertain; but the current tradition refers it to a period about 100 years before the founding of Rome.”
“Her inhabitants cultivated friendly relations with the natives, looked upon themselves as tenants at will rather than owners of the soil, and, as such, cheerfully paid a rent to the African Berbers for the ground covered by their dwellings. Thus much, if thus much only, of truth is contained in the legend of Dido, which, adorned as it has been by the genius of Virgil, and resting in part on early local traditions, must always remain indissolubly bound up with the name of Carthage.
It was the instinct of self-preservation alone which, in the course of the 6th century, dictated a change of policy at Carthage, and transformed her peace-loving mercantile community into the war-like and conquering state, of which the whole of the western Mediterranean was so soon to feel the power. A people far less keen-sighted than the Phoenicians must have discerned that it was their very existence which was at sake; at all events, unless they were willing to be dislodged from Africa and Sicly and Spain, as they had already been dislodged by the flood of Hellenic colonization, they must alter their policy. Accordingly they joined hands with their inveterate enemies, the Etruscans, to prevent a threatened settlement of some exiled Phocaeans on the important island of Corsica. In Africa they took up arms to make the inhabitants of Cyrene feel that it was towards Egypt or the interior, not towards Carthage, that they must look for an extension of their boundaries; and in Sicily, by withdrawing half voluntarily from the eastern side of the island in which the Greeks had settled, they tightened their grip upon the western portion which, as being nearer to Carthage, was more important to them, and where the original Phoenician settlements of Panormus, Motye and Soloeis had been planted.
The result of this change of policy was that the western half of the Mediterranean became, with one exception, what the whole of it had once bidden fair to be – a Phoenician lake, in which no foreign merchantmen dared to show themselves.”
“No promontory was so barren, no islet so insignificant, as to escape the jealous and ever watchful eye of the Carthaginians.”
“theirs the tiny Elba, with its inexhaustible supply of metals”
“The Nomadic tribes were beaten back beyond the river Triton into the country named, from the roving habits of its inhabitants, Numidia, or into the desert of Tripolis” “The agricultural tribes were forced to pay tribute to the conquerors for the right of cultivating their own soil or to shed their blood on the field of battle in the prosecution of further conquests from the tribes beyond.”
“Utica alone, owing probably to her antiquity and to the semi-parental relation in which she stood to Carthage, was allowed to retain her walls and full equality of rights with the rising power; but Hippo Zarytus, and Adrumetum, the greater and the lesser Leptis, were compelled to pull down their walls and acknowledge the supremacy of the Carthaginian city.”
Os “Libyphoenicians” citados logo no 1º parágrafo do manuscrito nada mais são do que os descendentes da miscigenação dos fenícios e cartagineses comerciando desde sempre nessas regiões mais remotas e dos nativos. Espécies de ‘neo-brasileiros’, fazendo uma comparação grosseira com a situação da nossa colonização por Portugal.
“equidistant from the Berbers on the one hand, and from the Carthaginians proper on the other, and composed of those who were neither wholly citizens nor yet wholly aliens, experienced the lot of most half castes, and were alternately trusted and feared, pampered and oppressed, loved and hated, by the ruling state.”
Havia dois supremos magistrados simultâneos de acordo com os comentários de Aristóteles, provavelmente em derivação da constituição de Tiro. Esse cargo seria o mesmo dos Shofetim (do hebraico), erroneamente traduzidos, segundo o autor, para Juízes em nossa tradição bíblica.
Ou seja: Amílcares e Hanons das linhagens cartaginesas eram os protótipos do que ficamos conhecendo como Gideões e Sansões do Livro dos Juízes; eram menos juízes propriamente ditos do que protetores (função executivo-legislativa) de seus respectivos Estados. Os gregos comparam tal instituição aos dois reis espartanos; os romanos, aos seus próprios cônsules. Nos tempos mais remotos este era um cargo vitalício, e não uma eleição de período curto. Nesse sentido eles parecem mais os sacerdotes religiosos de ambas as nações (Grécia e Roma).
“Carthage was, beyond doubt, the richest city of antiquity. Her ships were to be found on all known seas, and there was probably no important product, animal, vegetable, or mineral, of the ancient world, which did not find its way into her harbours and pass through the hands of her citizens. Her commercial policy was not more far-sighted or more liberal than has been that of other commercial stated, even till very modern times.” Liberal, rsrs.
Colônia nunca será metrópole, como empregado nunca será patrão e servo jamais será senhor.
“But the most important factor in the history of a people – especially if it be a Semitic people – is its religion. The religion of the Carthaginians was what their race, their language and their history would lead us to expect. It was, with slight modification, the religion of the Canaanites, the religion, that is, which, in spite of the purer Monotheism of the Hebrews and the higher teaching of their prophets, so long exercised a fatal fascination over the great bulk of the Hebrew race. The Phoenician religion has been defined to be ‘a deification of the powers of Nature, which naturally developed into an adoration of the objects in which those powers seemed most active.’ Of this adoration the Sun and Moon were the primary objects. The Sun can either create or destroy, he can give life or take it away. The Moon is his consort; she can neither create nor destroy, but she can receive and develop, and, as the queen of night, she presides alike over its stillness and its orgies. Each of these ruling deities, Baal-Moloch or the Sun-god and the horned Astarte or the crescent Moon worshipped at Carthage, it would seem, under the name of Tanith, would thus have an ennobling as well as a degrading, a more cheerful as well as a more gloomy aspect. Unfortunately, it was the gloomy and debasing side of their worship which tended to predominate alike in Phoenicia proper and in the greatest of the Phoenician colonies.
But there was one of these inferior gods who stood in such a peculiar relation to Carthage, and whose worship seems to have been so much more genial and so much more spiritual than the rest, that we are fain to dwell upon it as a foil to what has preceded. This god was Melcarth, that is Melech-Kirjath, or the king of the city; he is called by the Greeks ‘the Phoenician Hercules’, and his name itself has passed, with a slight alteration, into Greek mythology as Melicertes. The city of which he was preeminently the god was Tyre.”
“At Carthage Melcarth had not even a temple. The whole city was his temple, and he refused to be localized in any particular part of it. He received, there is a reason to believe, no sacrifices of blood; and was his comparatively pure and spiritual worship which, as we see repeatedly in Carthaginian history, formed a chief link in the chain that bound the parent to the various daughter-cities scattered over the coasts and islands of the Mediterranean.”
“Hamilcar is he whom Melcarth protects; Hasdrubal is he whose help is in Baal; Hannibal, the Hanniel of the Bible, the grace of Baal; and so on with Bomilcar, Himilco, Ethbaal, Maherbal, Adherbal, and Mastanabal.”
“If we know little of the rich, how much less do we know of the poor of Carthage and her dependencies? The city population, with the exception—a large exception doubtless —of those engaged in commerce, well contented, as it would seem, like the Romans under the Empire, if nothing deprived them of their bread and their amusement, went on eating and marrying and multiplying until their numbers became excessive, and then they were shipped of by the prudence of their rulers to found colonies in other parts of Africa or in Spain.” Tão divertido que haja racistas na Europa, esse “depósito” de civilizações tão mais antigas!
“To so vast an extent did Carthage carry out the modern principle of relieving herself of a superfluous population and at the same time of extending her empire, by colonization, that, on one occasion, the admiral Hanno, whose ‘Periplus’ still remains, was dispatched with sixty ships of war of fifty oars each, and with a total of not less than 30,000 half-caste emigrants on board, [provado pelo fato de o cronista citar ‘mulheres’ a bordo, o que mostra que não era apenas uma expedição conquistadora ou meramente exploradora] for the purpose of founding colonies on the shores of the ocean beyond the Pillars of Hercules.” Ironia terem voltado apenas com a pele de três macacas!
“But the document recording this voyage is of an interest so unique, being the one relic of Carthaginian literature which has come down to us entire, that we must dwell for a moment on its contents. It was posted up by the admiral himself, as a thank-offering, in the temple of Baal, on his return from his adventurous voyage, the first attempt, made by the Phoenicians to reach the equator from the northwest of Africa. It is preserved to us in a Greek translation only, the work probably of some inquisitive Greek traveller, some nameless Herodotus who went wandering over the world like his matchless fellow-countryman, his note-book always in his hand, and always jotting down everything that was of interest to himself, or might be of importance to posterity.”
“There was in Libya—so the Carthaginians told Herodotus—beyond the Pillars of Hercules, an inhabited region where they used to unload their cargoes, and leave them on the beach. After they had returned to their ships and kindled a fire there, the natives seeing the rising column of smoke, ventured down to the beach, and depositing by the merchandise what they considered to be its equivalent in gold, withdrew in their turn to their homes. Once more the Carthaginians disembarked, and if they were satisfied with the gold they found, they carried it off with them, and the dumb bargain was complete. If not, they returned a second time to their ships to give the natives the chance of offering more. The law of honor was strictly observed by both parties; for neither would the Carthaginians touch the gold till it amounted, in their opinion, to the full value of the merchandise; nor would the natives touch the merchandise till the Carthaginians had clinched the transaction by carrying off the gold.
This strange story, long looked upon as fabulous, has, like many other strange stories in Herodotus, been proved by the concurrent testimony of modern travelers to be an accurate account of the dumb trade which still exists in many parts of Africa, and which traversing even the Great Desert, brings the Marroquin into close commercial relations with the Negro, and supplies the great Mohammedan kingdoms of the Soudan with the products of the Mediterranean. It proves also that the gold-fields of the Niger, so imperfectly known to us even now, were well known to the Carthaginians, and that the gold-dust with which the natives of Ashanti lately purchased the retreat of the European invader was the recognized medium of exchange in the days of the father of history.”
“The taxes paid by the natives sometimes amounted to a half of their whole produce, and among the Phoenician dependent cities themselves we know that the lesser Leptis alone paid into the Carthaginian treasury the sum of a talent daily. The tribute levied on the conquered Africans was paid in kind, as is the case with the rayahs of Turkey to the present day, and its apportionment and collection were doubtless liable to the same abuses and gave rise to the same enormities as those of which Europe has lately heard so much. Hence arose that universal disaffection, or rather that deadly hatred, on the part of her foreign subjects, and even of the Phoenician dependencies, towards Carthage on which every invader of Africa could safely count as his surest support. Hence the ease with which Agathocles, with his small army of 15,000 men, could overrun the open country, and the monotonous uniformity with which he entered, one after another, 200 towns, which Carthaginian jealousy had deprived of their walls, hardly needing to strike a blow. Hence, too, the horrors of the revolt of the outraged Libyan mercenaries, supported as it was by the free-will contributions of their golden ornaments by the Libyan women, who hated their oppressors as perhaps women only can, and which is known in history by the name of the ‘War without Truce’, or the ‘Inexpiable War’.
It must, however, he borne in mind that the inherent differences of manners, language, and race between the natives of Africa and the Phoenician incomer were so great; the African was so unimpressible, and the Phoenician was so little disposed to understand, or to assimilate himself to his surroundings, that even if the Carthaginian government had been conducted with any equity, and the taxes levied with a moderation which we know was far from being the case, a gulf profound and impassable must probably have always separated the two peoples. This was the fundamental, the ineradicable weakness of the Carthaginian Empire, and in the long run outbalanced all the advantages obtained for her by her natives, her ports and her well-stocked treasury”
Men are we, and must grieve when e’en the name
Of that which once was great has passed away.
“But if under the conditions of ancient society, and the savagery of the warfare which is tolerated, there was an unavoidable necessity for either Rome or Carthage to perish utterly, we must admit, in spite of the sympathy which the brilliancy of the Carthaginian civilization, the heroism of Hamilcar and Hannibal, and the tragic catastrophe itself call forth, that it was well for the human race that the blow fell on Carthage rather than on Rome. A universal Carthaginian empire could have done for the world, as far as we can see, nothing comparable to that which the Roman universal empire did for it. It would not have melted down national antipathies, it would not have given a common literature or language, it would not have prepared the way for a higher civilization and an infinitely purer religion. Still less would it have built up that majestic fabric of law which forms the basis of the legislation of all the states of Modern Europe and America.” Certamente depois do século XIX nós já não temos o cacife de fazer afirmações tão decisórias!
PHOENICIANS AND CARTHAGINIANS
O pai confinado e sua descendência aventureira…
“The Phoenicians for some centuries confined their navigation within the limits of the Mediterranean, the Propontis, and the Euxine, land-locked seas, which are tideless and far less rough than the open ocean. But before the time of Solomon they had passed the Pillars of Hercules and affronted the dangers of the Atlantic. Their frail and small vessels, scarcely bigger than modern fishing-smacks, proceeded southwards along the West African coast, as far as the tract watered by the Gambia and Senegal, while northwards they coasted along Spain, braved the heavy seas of the Bay of Biscay, and passing Cape Finisterre, ventured across the mouth of the English Channel to the Cassiterides. Singularly, from the West African shore, they boldly steered for the Fortunate Islands (the Canaries), visible from certain elevated points of the coast, though at 170 miles distance. Whether they proceeded further, in the south to the Azores, Madeira, and the Cape Verde Islands, in the north to the coast of Holland, and across the German Ocean to the Baltic, we regard as uncertain. It is possible that from time to time some of the more adventurous of their traders may have reached thus far; but their regular, settled and established navigation did not, we believe, extend beyond the Scilly Islands and coast of Cornwall to the northwest, and to the southwest Cape Non and the Canaries.”
“It appears from the famous chapter Ezekiel 27, which describes the richness and greatness of Tyre in the 6th century B.C, that almost the whole of Western Asia was penetrated by the Phoenician caravans, and laid under contribution to increase the wealth of the Phoenician trader.”
“Translating this glorious burst of poetry into prose, we find the following countries mentioned as carrying on an active trade with the Phoenician metropolis: Northern Syria, Syria of Damascus, Judah and the land of Israel, Egypt, Arabia, Babylonia, Assyria, Upper Mesopotamia, Armenia, Central Asia Minor, Ionia, Cyprus, Hellas or Greece, and Spain.—G. Rawlinson, History of Phoenicia, ch. 9.”
“the rise of the Greek maritime settlements banished their commerce to a great degree from the Aegean Sea, and embarrassed it even in the more westerly waters.”
“And as neither Egyptians, Assyrians, Persians or Indians addressed themselves to a sea-faring life, so it seems that both the importation and the distribution of the products of India and Arabia into Western Asia and Europe were performed by the Idumaean Arabs between Petra and the Red Sea—by the Arabs of Gerrha on the Persian Gulf, joined as they were in later times by a body of Chaldaean exiles from Babylonia—-and by the more enterprising Phoenicians of Tyre and Sidon in these two seas as well as in the Mediterranean.—G. Grote, History of Greece, pt. 2, ch. 18.”
“The goods with which the Carthaginian merchants traded with the African tribes were doubtless such as those which civilized nations have always used in their dealings with savages. Cheap finery, gaudily colored clothes, and arms of inferior quality, would probably be their staple. Salt, too, would be an important article. . . . The articles which they would receive in exchange for their goods are easily enumerated. In the first place comes . . . gold. Carthage seems to have had always at hand an abundant supply of the precious metal for use, whether as money or as plate. Next to gold would come slaves. . . . Ivory must have been another article of Carthaginian trade, though we hear little about it. The Greeks used it extensively in art. . . . Precious stones seem to have been another article which the savages gave in exchange for the goods they coveted. . . . Perhaps we may add dates to the list of articles obtained from the interior. The European trade dealt, of course, partly with the things already mentioned, and partly with other articles for which the Carthaginian merchants acted as carriers, so to speak, from one part of the Mediterranean to another. Lipara, and the other volcanic islands near the extremity of Italy, produced resin; Agrigentum, and possibly other cities of Sicily, traded in sulphur brought down from the region of Etna; wine was produced in many of the Mediterranean countries. Wax and honey were the staple goods of Corsica. Corsican slaves, too, were highly valued. The iron of Elba, the fruit and the cattle of the Balearic islands, and to go further, the tin and copper of Britain, and even amber from the Baltic, were articles of Carthaginian commerce. Trade was carried on not only with the dwellers on the coast, but with inland tribes. Thus goods were transported across Spain to the interior of Gaul, the jealousy of Massilia (Marseilles) not permitting the Carthaginians to have any trading stations on the northern coast of that country.—A.J. Church & A. Filman, The Story of Carthage, pt. 3, ch. 3.”
THE DOMINION OF CARTHAGE
“All our positive information, scanty as it is, about Carthage and her institutions, relates to the fourth, third and second centuries B.C.; yet it may be held to justify presumptive conclusions as to the fifth century B.C., especially in reference to the general system pursued. The maximum of her power was attained before her first war with Rome, which began in 364 B.C.; the first and second Punic wars both of them greatly reduced her strength and dominion. Yet in spite of such reduction we learn that about 150 B.C. shortly before the third Punic war, which ended in the capture and depopulation of the city, not less than 700,000 were computed in it, as occupants of a fortified circumference of above 20 miles, covering a peninsula with its isthmus. Upon this isthmus its citadel Byrsa was situated, surrounded by a triple wall of its own, and crowned at its summit by a magnificent temple of Esculapius [deus da medicina, de origem grega]. The numerous population is the more remarkable, since Utica (a considerable city, colonized from Phoenicia more anciently than even Carthage itself, and always independent of the Carthaginians, though in the condition of an inferior and discontented ally) was within the distance of 7 miles of Carthage on the one side, and Tunis seemingly not much further off on the other. Even at that time, too, the Carthaginians are said to have possessed 300 tributary cities in Libya. Yet this was but a small fraction of the prodigious empire which had belonged to them certainly in the fourth century B.C., and in all probability also between 480-410 B.C.”
“A chosen division of 2,500 citizens, men of wealth and family, formed what was called the Sacred Band of Carthage, distinguished for their bravery in the field as well as for the splendour of their arms, and the gold and silver plate which formed part of their baggage.” Longe de ser uma potência militarista, ao menos no que tange à infantaria…
“We shall find these citizen troops occasionally employed on service in Sicily; but most part of the Carthaginian army consists of Gauls, Iberians, Libyans, etc., a mingled host got together for the occasion, discordant in language as well as in customs.—G. Grote, History of Greece, pt. 2, ch. 81.”
THE NEGRITOS (THE HAIRY PEOPLE OF §18)
“We have seen that the African pygmies probably reached Europe during the Stone Ages, and were certainly frequent visitors at the Courts of the Pharaohs. At present they are all denizens of the woodlands, everywhere keeping to the shelter of the Welle, Ituri, Ruwenzori, Congo, and Ogoway forests within the tropics. To this may be due the fact that they are not black but of a yellowish colour, with reddish-brown woolly head, somewhat hairy body, and extremely low stature ranging from 3 ft. (Lugard) to perhaps 4 ft. 6 in. at most.” Tudo isso me parece muito fabuloso para ainda ser crível na historiografia contemporânea!
“The hirsuteness and dwarfish size were already noticed 2,500 years ago by the Carthaginian Admiral Hanno, to whom we owe the term gorilla applied by him, not to the anthropoid ape so named by Du Chaillu, but to certain hairy little people seen by him on the west coast—probably the ancestors of the dwarfs still surviving in the Ogoway district.
Here they are called Abongo and Obongo, and elsewhere are known by different names—Tikitiki, Akka, or Wochua in the Welle region, Dume in Gallaland, Wandorobo in Masailand, Batwa south of the Congo, and many others. Dr. Ludwig Wolf connects the Batwa both with the northern Akka and the southern Bushmen, all being the scattered fragments of a primeval dwarfish race to be regarded as the true aborigines of equatorial Africa. They live exclusively by the chase and the preparation of palm-wine, hence are regarded by their Bantu friends as benevolent little people whose special mission is to provide the surrounding tribes with game and palm-wine in exchange for manioc, maize, and bananas. Many are distinguished by sharp powers of observation, amazing talent for mimicry, and a good memory. Junker describes the comic ways and nimble action of an Akka who imitated with marvelous fidelity the peculiarities of persons he had once seen—Moslems at prayer, Emin Pasha with his ‘four eyes’ (spectacles), another in a towering rage, storming and abusing everybody, and Junker himself, ‘whom he took off to the life, rehearsing down to the minutest details, and with surprising accuracy, my anthropometric performance when measuring his body at Rumbek 4 years before.’—A.H. Keane, The World’s Peoples, 148-9.”
“The cranes go up as far as the lakes above Egypt, where the Nile originates; there the pygmies are living; and this is not a fable, but pure truth; men and horses are, as they say, of small stature, and live in grottoes.” Aristóteles
“2,600 years ago his ancestors captured the 5 young Nassamonian explorers, and made merry with them at their villages on the banks of the Niger. Even as long as 4,000 ago they were known as pygmies, and the famous battle between them and the storks was rendered into song. On every map since Hecatseus’ time, 500 years B.C, they have been located in the region of the Mountains of the Moon. When Mesu led the children of Jacob out of Goshen, they reigned over Darkest Africa undisputed lords: they are there yet, while countless dynasties of Egypt and Assyria, Persia, Greece and Rome, have flourished for comparatively brief periods, and expired. And these little people have roamed far and wide during the elapsed centuries. From the Niger banks, with successive waves of larger migrants, they have come hither to pitch their leafy huts in the unknown recesses of the forest. Their kinsmen are known as Bushmen in Cape Colony, as Watwa in the basin of the Lulungu, as Akka in Monbuttu, as Balia by the Mabode, as Wambutti in the Ihuru basin, and as Batwa under the shadows of the Lunae Montes.” H.M. Stanley, In Darkest Africa, Vol. 2
AS OPINIÕES E AS CRENÇAS – Gustave Le Bon, 1911.
APRESENTAÇÃO (Nelson Jahr Garcia)
“Dificilmente se poderia estudar temas como: teoria do conhecimento, ideologia, religiões, superstições, comportamento das massas, propaganda, persuasão sem estudar e se apoiar em Le Bon.” “É uma obra de incrível atualidade; talvez tenham conseguido aprofundá-la, superar ainda não.” Digamos que seja uma mescla de preciosidades muito relevantes em assuntos como a gênese das crenças com as pérolas mais grotescas sobre movimentos sociais!
LIVRO I. OS PROBLEMAS DA CRENÇA E DO CONHECIMENTO
1. OS CICLOS DA CRENÇA E DO CONHECIMENTO
“O domínio da crença sempre pareceu repleto de mistérios. É por isso que os livros sobre as origens da crença são tão pouco numerosos, ao passo que são inúmeros os que se referem ao conhecimento.”
“Aceitando a velha opinião de Descartes, os autores repetem que a crença é racional e voluntária. Um dos objetivos desta obra será precisamente mostrar que ela não é voluntária nem racional.”
“Por que se observam, simultaneamente, em certos espíritos, ao lado de elevadíssima inteligência, superstições muito ingênuas? Por que é tão fraca a razão para modificar as nossas convicções sentimentais? Sem uma teoria da crença, essas questões e muitas outras ficam insolúveis.”
“Se o problema da crença tem sido tão mal-compreendido pelos psicólogos e pelos historiadores, é porque eles têm tentado interpretar com os recursos da lógica racional fenômenos que ela jamais regeu. Veremos que todos os elementos da crença obedecem a regras lógicas muito seguras, porém inteiramente alheias às que são empregadas pelo sábio nas suas investigações.”
“Tribos nômades, perdidas no fundo da Arábia, adotam uma religião que um iluminado lhes ensina, e graças a ela fundam, em menos de 50 anos, um império tão vasto quanto o de Alexandre, ilustrado por uma esplêndida manifestação de maravilhosos monumentos.
Poucos séculos antes, povos semibárbaros se convertiam à fé pregada por apóstolos que vinham de obscuros lugares da Galiléia, e sob a luz regeneradora dessa crença, o velho mundo desabava, substituído por uma civilização inteiramente nova, de que cada elemento permanece impregnado da lembrança do Deus que o originou.
Cerca de vinte séculos mais tarde, a antiga fé é abalada, estrelas luminosas surgem no céu do pensamento, um grande povo se subleva, pretendendo romper os elos do passado. A sua fé destruidora, porém possante, confere-lhe, a despeito da anarquia em que essa grande Revolução o submerge, a força necessária para dominar a Europa armada e atravessar vitoriosamente todas as suas capitais.”
“Compreende-se, por exemplo, sem dificuldade, que o Cristianismo se haja propagado facilmente entre os escravos e todos os deserdados, aos quais prometia uma felicidade eterna. Mas, que forças secretas podiam determinar um cavalheiro romano, um personagem consular, a despojar-se dos seus bens e afrontar vergonhosos suplícios, para adotar uma religião nova e vedada pelas leis?”
“Facilmente concebemos que Newton, Pascal, Descartes, vivendo num meio social saturado de certas convicções, sem discussão aí tenham admitido, como admitiam as leis inelutáveis da natureza. Mas como, nos nossos dias, em meios sobre os quais a ciência projeta tanta luz, não se acham essas mesmas crenças inteiramente desagregadas? Por que as vemos nós, quando por acaso se desagregam, originar outras ficções, maravilhosas, como prova a propagação das doutrinas ocultas, espirituais etc., entre sábios eminentes?”
“Tudo quanto é aceito por um simples ato de fé deve ser qualificado de crença. Se a exatidão da crença é verificada mais tarde pela observação e a experiência, cessa de ser uma crença e torna-se um conhecimento.”
“Um mistério é a alma ignorada das coisas.”
“Claramente se qualifica a civilização, dando-lhe o nome da fé que a inspirou. Civilização búdica, civilização muçulmana, civilização cristã são designações muito justas, porquanto, ao tornar-se um centro de atração, a crença se transforma num centro de deformação.
As únicas verdadeiras revoluções são as que despertam as crenças fundamentais de um povo. Têm sido sempre muito raras. Ordinariamente, só o nome da convicção se transforma; a fé muda de objeto, mas nunca morre.
Não poderia morrer, pois a necessidade de crer constitui um elemento psicológico tão irredutível quanto o prazer ou a dor. A alma humana tem aversão à dúvida e à incerteza. O homem atravessa, por vezes, fases de ceticismo, mas nelas não se detém longamente; sente a ânsia de ser guiado por um credo religioso, político ou moral que o domine e lhe evite o esforço de pensar. Os dogmas, que se dissipam, são sempre substituídos. A razão nada pode contra essas indestrutíveis necessidades.
A idade moderna contém tanta fé quanto tiveram os séculos precedentes. Nos novos templos pregam-se dogmas, tão despóticos quanto os do passado, e eles contam fiéis igualmente numerosos. Os velhos credos religiosos que outrora escravizavam a multidão são substituídos por credos socialistas ou anarquistas, tão imperiosos e tão pouco racionais como aqueles, mas não dominam menos as almas. A igreja é substituída muitas vezes pela taverna, mas aos sermões dos agitadores místicos que aí são ouvidos atribui-se a mesma fé.” O problema: o pós-moderno matou o socialismo e o anarquismo, restou apenas o liberalismo de mãos dadas com a velha e boa religião ecumênica – absorveram a parte religiosa (durkheimiana) do social, e agora essa neo-crença dá sinais de ser realmente indestrutível…
“A fé num dogma qualquer é, sem dúvida, de um modo geral, apenas uma ilusão. Cumpre, contudo, não a desdenhar. Graças à sua mágica pujança, o irreal torna-se mais forte do que o real. Uma crença aceita dá a um povo uma comunhão de pensamentos de que se originam a sua unidade e a sua força.”
“As opiniões representam geralmente pequenas crenças, mais ou menos transitórias.”
Crença e conhecimento não são opostos, como parece crer o autor. O conhecimento é apenas a crença sedimentada, e ainda não erodida. Resquício positivista, embora seja bem mais cético do que Comte, por exemplo. Tampouco deixam as opiniões de ser conhecimentos – recém-nascidos, é verdade, fetos ou bebês num mundo de alto morticínio.
2. OS MÉTODOS DE ESTUDO DA PSICOLOGIA
“O mais antigo método psicológico, o único praticado durante muito tempo, foi o que se denomina de introspecção. Encerrado no seu gabinete de estudos e ignorando voluntariamente o mundo exterior, o pensador refletia em si mesmo e com os resultados das suas meditações fabricava grossos volumes. Hoje, já não acham leitores.” EXCELENTE DESCRIÇÃO DO ERUDITO! PORÉM, os primeiros “psicólogos” eram homens que viviam ao ar livre e não sabiam o que era o papel…
“Lady Macbeth é uma alucinada, Otelo um histero-epilético, Hamlet um alcoólico perseguido por fobias, o rei Lear um maníaco melancólico, vítima de loucura intermitente. Cumpre, aliás, reconhecer que, se todos esses ilustres personagens tivessem sido individualidades normais, ao invés de possuírem uma patologia alterada e instável, a literatura e a arte não teriam tido necessidade de ocupar-se deles.”
“A psicologia dos animais, mesmo superiores, está ainda no começo. Para compreendê-los, cumpre examiná-los de muito perto, e a essa tarefa ninguém se entrega.
Facilmente aprenderíamos a adivinhá-los, contudo, mediante um exame atento. Consagrei outrora muitos anos à observação dos animais. Os resultados que colhi foram expostos numa memória sobre a psicologia do cavalo, publicada na Revue Philosophique. Dali deduzi regras novas para a educação desse animal. Essas pesquisas foram-me úteis quando redigi o meu livro atinente à Psicologia da Educação.” [!] Tentador, objeto curioso, mas eu não leria tal livro…
“A enumeração precedente permite pressentir que nenhum dos métodos psicológicos clássicos, nem os inquéritos, nem a psicofísica, nem as localizações, nem a própria psicopatologia podem revelar a gênese e a evolução das opiniões e das crenças.”
“Veremos ilustres físicos afirmarem que desdobraram seres vivos e viveram com fantasmas materializados; um célebre professor de filosofia evocar os mortos e conversar com eles; outro, não menos eminente, declarar que viu um guerreiro, armado de capacete, sair do corpo de uma mulher, com os seus órgãos completos, como provava o estado da sua circulação e o exame dos produtos da sua respiração.” As Paralógicas em Psicologia: desafiando Aristóteles!
“Os mais eminentes psicólogos modernos, principalmente William James, viram-se forçados a reconhecer ‘a fragilidade de uma ciência que poreja a crítica metafísica por todas as suas articulações … Ainda esperamos o primeiro clarão que deve penetrar na obscuridade das realidades psicológicas fundamentais’.” “a psicologia clássica não contém ‘uma única lei, uma só fórmula de que possamos deduzir uma consequência, como se deduz um efeito da sua causa’.”
LIVRO II. O TERRENO PSICOLÓGICO DAS OPINIÕES E DAS CRENÇAS
1. OS GRANDES FATORES DA ATIVIDADE DOS SERES: O PRAZER E A DOR
“Prazer e dor (…) são efeitos, como os sintomas patológicos são as conseqüências de uma moléstia.” Bom, Le Bon! Esse é o caminho…
“A fome é a dor mais temida; o amor, o prazer mais procurado, e pode-se repetir o que disse o grande poeta Schiller, isto é, que a máquina do mundo se sustenta pela fome e pelo amor.”
2. CARACTERES DESCONTÍNUOS DO PRAZER E DA DOR
“O único prazer um pouco durável é o (…) desejo.”
“O tique-taque do relógio mais ruidoso acaba, no fim de algum tempo, por não ser mais ouvido, e o moleiro não será despertado pelo ruído das rodas do seu moinho, mas pela sua parada.”
“A felicidade paradisíaca sonhada pelos crentes deixaria logo de possuir atrativos (…) [em relação ao] inferno.”
“A dor de hoje torna-se o prazer de amanhã e inversamente.”
“O prazer do operário que bebe e vocifera na taverna sensivelmente difere do prazer do artista, do sábio, do inventor, do poeta, ao comporem as suas obras. O prazer de Newton, ao descobrir as leis da gravitação, foi, sem dúvida, mais vivo do que se ele houvesse herdado as numerosas mulheres do rei Salomão.”
“Do pólipo aos homens, todos os seres são movidos pelo desejo. Inspira a vontade, que não pode existir sem ele, e depende da sua intensidade.” Por que separar vontade e desejo? Como que antecipando minha objeção: “Cumpre, no entanto, não confundir vontade e desejo, como fizeram muitos filósofos, tais como Condillac e Schopenhauer. Tudo quanto é querido é, evidentemente, desejado; mas desejamos muitas coisas que, sabemos, não podíamos querer.” Falta CLAREZA!
“A vontade traduz deliberação, determinação e execução, estados de consciência que não se observam no desejo. O desejo estabelece a escala dos nossos valores, variável, aliás, com o tempo e as raças. O ideal de cada povo é a fórmula do seu desejo.” Mera questão de semântica. Não entendeu a Vontade schopenhaueriana-nietzschiana.
“Não existindo em si mesmo o valor das coisas, ele é apenas determinado pelo desejo e proporcionalmente à intensidade desse desejo. A variável apreciação dos objetos de arte fornece desse fato uma prova diária.”
“Somente o grande reformador Buda compreendeu que o desejo é o verdadeiro dominador das coisas, o fator da atividade dos seres. Para libertar a humanidade das suas misérias e conduzi-la ao perpétuo repouso ele tentou suprimir esse grande móvel das nossas ações. A sua lei submeteu milhões de homens, mas não subjugou o desejo.” Perigo: o budismo europeu!
Buda vs Realpolitik
“A esperança é filha do desejo, mas não é o desejo.” “Toda gente deseja a fortuna, muito poucos a esperam. Os sábios desejam descobrir a causa primitiva dos fenômenos; eles não têm nenhuma esperança de consegui-lo.”
“O desejo aproxima-se algumas vezes da esperança, a ponto de confundir-se com ela. Na roleta, eu desejo e espero ganhar.
A esperança é uma forma de prazer em expectativa que, na sua atual fase de espera, constitui uma satisfação freqüentemente maior do que o contentamento produzido pela sua realização.”
“Ela constitui uma espécie de vara mágica que transforma tudo. Os reformadores nunca fizeram mais do que substituir uma esperança por outra.”
“O hábito é o grande regulador da sensibilidade; ele determina a continuidade dos nossos atos, embota o prazer e a dor e nos familiariza com as fadigas e com os mais penosos esforços. O mineiro habitua-se tão bem à sua dura existência que dela se recorda saudoso quando a idade o obriga a abandoná-la e o condena a viver ao sol.”
“A dificuldade para um povo consiste, primeiramente, em criar hábitos sociais, depois em não permanecer muito tempo neles. Quando o jugo dos hábitos pesou muito tempo num povo, ele só se liberta desse jugo por meio de revoluções violentas. O repouso na adaptação, em que o hábito consiste, não se deve prolongar.” Por que não?
“Povos envelhecidos, [Europa] civilizações adiantadas, indivíduos idosos tendem a sofrer demasiado o jugo do costume, isto é, do hábito.”
“A existência de um indivíduo ou de um povo ficaria instantaneamente paralisada se, por um poder sobrenatural, ele se visse subtraído à influência do hábito. É ele que diariamente nos dita o que devemos dizer, fazer e pensar.”
“Não é o pensamento, mas a sensibilidade, que nos revela o nosso ‘eu’. Se dissesse: ‘Sinto, logo existo’ ao invés de: ‘Penso, logo existo’, Descartes estaria muito perto da verdade.”
“Fornecem uma resposta segura à eterna pergunta tão repetida desde o Eclesiastes: por que tanto trabalho e tantos esforços, já que a morte nos espera e o nosso planeta se resfriará um dia?
Por quê? Porque o presente ignora o futuro e no presente a Natureza nos condena a procurar o prazer e evitar a dor.” Último homem (primeiro homem).
“O operário, curvado sob o peso do trabalho, a irmã de caridade, a quem não repugna nenhuma chaga, o missionário torturado pelos selvagens, o sábio que procura a solução de um problema, o obscuro micróbio que se agita no fundo de uma gota d’água, todos obedecem aos mesmos estimulantes de atividade: o atrativo do prazer, o receio da dor.” Uma meia-verdade
“Não poderíamos mesmo imaginar móveis diferentes desses. Só os nomes podem variar.” Sim, e o mais correto seria vontade de no lugar de prazer.
2. AS VARIAÇÕES DA SENSIBILIDADE COMO ELEMENTOS DA VIDA INDIVIDUAL E SOCIAL
“Para que a sensação aumente em progressão aritmética, cumpre que a excitação cresça em proporção geométrica. Segundo Fechner, a sensação cresce segundo o logaritmo da excitação. Assim, para dobrar a sensação produzida por uma excitação, a de um instrumento de música, por exemplo, seria necessário decuplar o número dos instrumentos; para triplicá-la, dever-se-ia centuplicar esse número.”
“A placa fotográfica pode, com uma ‘pose’ suficiente, reproduzir estrelas sempre invisíveis à vista desarmada, precisamente porque a retina não possui a propriedade de acumular as pequenas impressões.”
“É vantajoso que assim seja. Se o organismo se achasse constituído de modo a acumular as pequenas dores, a vida tornar-se-ia logo insuportável.” Sobre um acidente de trem com 300 vítimas chocar muito mais que uma doença, por exemplo, que leve essas mesmas 300 pessoas no decorrer de um ano ou, para deixar o exemplo simétrico, 300 pessoas que morrem em acidentes individuais de trem no mesmo período alongado. Torna-se evidente que isso se aplica à pandemia: 400 mortos diários na Itália chocaram os brasileiros; 2 mil mortes diárias em solo nacional, pela centésima vez, 1 ano depois, já não têm o poder de chocar.
“Certos fatores das opiniões podem igualmente limitar as oscilações da sensibilidade. Tal é o contágio mental, criador de maneiras susceptíveis de estabilizar um pouco a nossa mobilidade. As sensibilidades coletivas, momentaneamente fixas, traduzem-se, então, em obras diversas, que são o espelho de uma época.”
“Comparai, por exemplo, os pesados desenhos de Daumier com esses sóbrios esboços modernos, em que só se guardou o traço saliente dos personagens, deixando à vista o cuidado de completá-los. Do mesmo modo, em literatura, as longas descrições de paisagens são hoje substituídas por algumas linhas breves, porém evocadoras.

Apurando-se, a sensibilidade se embota também. A música simples de Lulli, que encantava nossos pais, nos enfastia. As operações de há 50 anos nos parecem, na maioria, muito envelhecidas. A harmonia tem cada vez mais dominado a melodia, e agora é necessário, para excitar sensibilidades fatigadas, o emprego de certas dissonâncias que os antigos compositores teriam considerado como erros.
Só as obras de uma época, sobretudo, artísticas e literárias, permitem conhecer a sensibilidade dessa época e as suas variações.
É precisamente porque elas são a verdadeira expressão da sensibilidade de uma época que as obras de arte são facilmente datadas. Pela mesma razão, são muito mais instrutivas do que metódicos livros de história. O historiador julga o passado com a sua sensibilidade moderna. A sua interpretação, forçosamente falsa, pouco nos ensina. O menor conto, romance, quadro, monumento da época considerada, encerra um ensinamento mais exato e interessante.”
“As sensibilidades não se transportam no espaço nem no tempo. Uma obra arquitetônica formada de uma mescla de elementos de épocas afastadas ou procedentes de raças diversas nos causará, necessariamente, má impressão, porque se origina de sensibilidades dissemelhantes da nossa.
Se, em virtude da evolução da nossa espécie, a nossa sensibilidade se transformasse, todas as obras do passado, as que são mais admiradas hoje: o Partenon, as catedrais góticas, os grandes poemas, as pinturas célebres, seriam consideradas como produções indignas de atrair a atenção.”
“Bastaria que a educação persistisse na sua tendência atual especialista e técnica, e continuasse a rápida ascensão ao poder das multidões. Todas as formas da arte representam para elas apenas um luxo desprezível. A Comuna, expressão bastante fiel da alma popular, não hesitou em incendiar os mais belos monumentos de Paris, como a Municipalidade e as Tuileries. Unicamente por acaso o Louvre, com as suas coleções, escapou a esse vandalismo.”
“Sem esses elementos de informação, fornecidos pela literatura e pela arte, a sensibilidade de uma época permaneceria tão ignorada quanto a dos habitantes de Júpiter.”
“Uma nação sem ideal desaparece rapidamente da história.”
3. AS ESFERAS DAS ATIVIDADES VITAIS E PSICOLÓGICAS: A VIDA CONSCIENTE E A VIDA INCONSCIENTE
“É errôneo deixar de lado o exame dos fenômenos vitais como fazem os psicólogos, que o abandonam aos fisiologistas.”
“Os sentimentos só entram na consciência após uma elaboração automática praticada nessa obscuríssima zona do inconsciente, qualificada hoje de subconsciente e cuja exploração apenas se acha iniciada.”
MAIS PARA JUNG QUE PARA FREUD: “O inconsciente é em grande parte um resíduo ancestral. A sua força é devida à circunstância de ser o inconsciente a herança de uma longa série de gerações, a que cada uma juntou alguma coisa.
O seu papel, outrora ignorado, tornou-se tão preponderante hoje que certos filósofos, principalmente W. James e Bergson, nele procuraram a explicação da maior parte dos fenômenos psicológicos.”
“A prática de um ofício ou de uma arte facilmente se exerce, desde que os dirija o inconsciente, educado de um modo satisfatório. Uma moral sólida é o inconsciente bem-educado.”
“Acima do inconsciente orgânico vemos o inconsciente afetivo. É de formação mais recente, é um pouco menos estável, conquanto ainda o seja muito. Por isso, quando podemos mudar o assunto no qual se exercem os nossos sentimentos, a nossa ação nele influi de maneira muito fraca. No alto dessa escala acha-se o inconsciente intelectual, que muito tarde surgiu na história do mundo e não possui profundas raízes ancestrais. Ao passo que o inconsciente orgânico e o afetivo acabaram por criar instintos transmitidos pela hereditariedade, o inconsciente intelectual só se manifesta ainda sob a forma de predisposições e de tendências, e a educação deve completá-lo em cada geração.”
ANTI-JUSSARA PR*DO: “A educação influi grandemente no inconsciente intelectual, precisamente porque ele é menos fixo do que as outras formas do inconsciente. Ela exerce, ao contrário, uma influência diminuta nos sentimentos, que são os elementos fundamentais do nosso caráter, fixos desde muito tempo. O inconsciente afetivo é, freqüentemente, um dominador imperioso, indiferente às decisões da razão. É por isso que tantos homens, muito sensatos nos seus escritos e nos seus discursos, tornam-se, na sua maneira de proceder, simples autômatos, dizendo o que não queriam dizer e fazendo o que não queriam fazer.”
“A educação, já disse em outro livro, é a arte de fazer passar o consciente para o inconsciente.”
“A biologia moderna baniu, há muito tempo, e com razão, a finalidade do universo; os fatos ocorrem, no entanto, como se ela dominasse o seu encadeamento. Todas as nossas explicações racionais deixam a natureza repleta de manifestações impenetráveis. A julgar pelos seus resultados, poderia parecer que o inconsciente — forma moderna da finalidade — abriga gênios sutis, desejosos de cegar-nos, fazendo-nos sacrificar, incessantemente, os nossos interesses em favor da espécie. Os gênios da finalidade inconsciente são, sem dúvida, simples necessidades selecionadas que o tempo fixou.
Qualquer que seja a razão, o inconsciente muitas vezes nos domina e sempre nos cega. Não o lamentemos demasiado, porquanto uma clara visão da sorte futura tornaria a existência muito triste. O boi não comeria tranqüilamente a erva do caminho que o conduz ao matadouro, e os entes, na sua maioria, estremeceriam de horror perante o seu destino.”
4. O EU AFETIVO E O EU INTELECTUAL
PREFIGURAÇÕES DO FASCISMO: “Legiões de políticos quiseram assentar em raciocínios o que só se pode basear em sentimentos.”
“Ilustres filósofos foram vítimas da mesma confusão entre a lógica afetiva e a lógica racional. Kant pretendia edificar a moral sobre a razão. Ora, entre as duas diversas origens, a razão quase nunca figura.”
“qualquer ciência seria impossível se não tivéssemos aprendido a criar uma parte descontínua no contínuo.”
“O eu afetivo, evolvendo a despeito da nossa vontade e muitas vezes contra nós, torna a vida cheia de contradições.” “Assim, não temos razão quando censuramos alguém por ter mudado. Essa censura subentende a idéia muito falsa de que a inteligência pode modificar um sentimento. Erro completo. Quando o amor, por exemplo, se torna indiferença ou antipatia, a inteligência assiste a essa mudança, mas não é ela que a causa. As razões que são imaginadas para explicar tais transformações não têm relação alguma com os seus verdadeiros motivos. Nós os ignoramos.”
“Freqüentemente imagina-se sentir por uma pessoa uma dedicação profunda e sólida (amor, amizade); a ausência ou a necessidade de uma ruptura demonstra a real fragilidade dessa dedicação.” Ribot
“É, pois, impossível, como justamente observa o mesmo autor, julgar com o eu intelectual a maneira de agir do eu afetivo.” “Todo o nosso sistema de educação latina é uma prova dessa asserção. A persuasão de que o desenvolvimento da inteligência pela instrução desenvolve também os sentimentos, cuja associação constitui o caráter, é um dos mais perigosos preconceitos da nossa Universidade. Os educadores ingleses sabem há muito tempo que a educação do caráter não se faz por meio dos livros.
Sendo distintos o eu afetivo e o eu intelectual, não pode surpreender que uma inteligência muito elevada coexista com um caráter muito baixo.” “[Como muito bem o demonstra] o ilustre chanceler Bacon. Nenhum homem do seu tempo possuiu uma inteligência mais elevada, mas muito poucos revelaram uma alma tão baixa. Começou, na esperança de obter um emprego da rainha Isabel, por trair o seu único benfeitor, o conde d’Essex, que foi decapitado. Teve de esperar, contudo, o reino de Thiago I [James? Que tradução escrota!], para conseguir, recomendado pelo duque de Buckingham, que ele igualmente logo traiu, o lugar de solicitor geral, depois o de chanceler. Revelou-se nesse ponto cortesão humilde e ladrão impudente. As suas concussões [corrupções ao Erário] foram de tal ordem que se tornou preciso processá-lo. Em vão tentou enternecer os seus juízes por uma humílima confissão escrita, na qual confessava as suas faltas e ‘renunciava a defender-se’. Foi condenado à perda de todos os postos que ocupava e à prisão perpétua.” O que Le Bon omite é que a sentença foi revogada depois de poucos dias, e a multa a que também havia sido condenado foi paga pelo rei! “Subsequently, the disgraced viscount devoted himself to study and writing.” Parece que foi para o nosso bem. Pelo verbete do Wikipédia, não está claro que ele tivesse uma personalidade tão sórdida!
Mas, voltando: premissa irretocável. Conclusão interessante, porém é a partir dela que eu e Le Bon discordamos. Não se trata de uma inteligência muito elevada, quando é esse o caso – apenas na aparência vulgar (ou que o sujeito seja um traste, isso é um engano, se for inteligente)! Popularmente se diz que a sabedoria é individualmente rara, e que o bom caráter é-o mais ainda, ou o contrário: o bom caráter raro, a sabedoria raríssima. Porém, quem avalia a ambos está distante das condições requeridas para fazer uma avaliação correta: ambos são raros em igual medida – assim que se depara com a verdadeira sabedoria, esbarra-se também com o verdadeiro e genuíno caráter elevado. Tão raro como se apresenta, ainda há aqueles que não são reconhecidos como tais em seu próprio tempo por ninguém. Homens sábios e bons (homens sábios; homens bons – é indiferente aqui a escolha do qualificativo) que passam incógnitos pelo mundo. Pode haver a “canonização” póstuma se este homem lega obras ou tem sorte o bastante.
“Mme. de Stael observava que entre os alemães o sentimento e a inteligência ‘não têm aparentemente relação alguma; uma não pode admitir limites, o outro se submete a todos os jugos’.” Cada vez mais vejo citações de De Stael. Nação de filisteus: nenhum era realmente sábio, e os estouvados foram engolfados no – quando não autores do – fascismo. É paradoxal e contra-intuitivo, mas deve ser aceita a possibilidade de uma nação burra onde floresce a filosofia. Ademais, via de regra, todo povo é burro; a sabedoria e o bom caráter devem ser procurados sempre nos indivíduos singulares.
“a inteligência, variando consideravelmente de um assunto para outro e, não sendo contagiosa como os sentimentos, nunca pode revestir uma forma coletiva. Os indivíduos de uma mesma raça possuem, ao contrário, certos sentimentos comuns, que facilmente se fundem quando se acham agrupados.” A busca pelos privilegiados cosmopolitas…
“O eu afetivo constitui o elemento fundamental da personalidade. Mui lentamente elaborado por aquisições ancestrais, ele evolve nos indivíduos e nos povos muito menos depressa que a inteligência.”
“Um sentimento primeiramente refreado torna-se preponderante numa época e domina de maneira mais ou menos durável os outros estados afetivos. O homem em sociedade vê-se certamente forçado a submeter os seus sentimentos às sucessivas necessidades que lhe são impostas pelas circunstâncias e, sobretudo, pelo ambiente social.”
“A emoção é um sentimento espontâneo, mais ou menos efêmero. Nasce de um fenômeno súbito: acidente, anúncio de uma catástrofe, ameaça, injúria, etc. A cólera, o medo, o terror são emoções.
O sentimento representa um estado afetivo durável, como a bondade, a benevolência, etc.
A paixão é constituída por sentimentos que adquirem grande intensidade e podem momentaneamente anular outros: ódio, amor, etc.”
“A transformação em sentimento ou em pensamento de um processo químico-orgânico é agora completamente inexplicável.
Os sentimentos e as emoções variam conforme o estado fisiológico da pessoa ou segundo a influência de diversos excitantes: café, álcool, etc.
O sentimento mais simples é sempre muito complexo; desde, porém, que se torna irredutível a outro pela análise, devemos, para facilidade da linguagem, tratá-lo como se fosse simples. Também o químico denomina corpos simples aqueles que ele não sabe decompor.
Os psicólogos referem-se, por vezes, a sentimentos intelectuais. ‘Esse termo’, diz Ribot, ‘designa estados afetivos agradáveis ou mistos, que acompanham o exercício das operações da inteligência’.
Eu não poderia admitir essa teoria, que confunde uma causa com o seu efeito. Um sentimento pode ser produzido por influências tão diversas quanto a ação de um alimento agradável ou a de uma descoberta científica, mas resta sempre um sentimento. Quando muito poder-se-ia dizer que as nossas idéias têm um equivalente emocional.”
“Os psicólogos não conseguiram ainda definir nem classificar as paixões. Spinoza admitia três: o desejo, a alegria e a tristeza, das quais deduzia todas as outras. Descartes admitia seis primitivas: a admiração, o amor, o ódio, o desejo, a alegria e a tristeza. São, evidentemente, meras formas de linguagem que nada podem explicar e que não resistem à discussão.”
“As paixões que duravam muito tempo são paixões que se reavivam, como, por exemplo, os ódios políticos.”
“A inteligência só influi numa paixão quando a representação mental de um sentimento é oposta a outro. A luta existe, então, não entre representações intelectuais e representações afetivas, mas unicamente entre representações afetivas postas em presença pela inteligência.”
“A memória dos sentimentos [memória afetiva] existe como a da inteligência, mas num grau muito menor. O tempo muito depressa a enfraquece.” Perfumes e canções como máquinas do tempo voláteis.
“Na época em que os livros eram raros e custosos, por exemplo, no século XIII, os estudantes sabiam reter os cursos que lhes eram ditados. Atkinson assegura ‘que se os clássicos chineses viessem a ser hoje destruídos, mais de 1 milhão de chineses poderiam reconstituí-los de memória’.”
“Um ódio que não se entretém não subsiste. O ódio dos alemães contra os franceses teria desaparecido desde muito tempo se os jornais germânicos não o atiçassem incessantemente.” Ódio intelectual a pobre, eis tudo que a elite brasileira lega uma geração após a outra… Retórica do intelectualismo mais bárbaro, entretanto.
“A aversão que os holandeses votam aos ingleses, que outrora lhes tomaram as colônias, persiste somente porque fatos numerosos, principalmente a guerra contra os colonos holandeses do Transvaál, vêm reavivá-la, e porque a Holanda se julga sempre ameaçada.
A aliança russa e o acordo franco-inglês mostram com que rapidez povos, outrora inimigos, esquecem os ódios que não são alimentados. Quando a Inglaterra se tornou a nossa amiga, nós não nos achávamos longe da terrível humilhação de Fashoda [1898, símbolo do fim da era colonialista].”
“Nas associações por semelhança, a impressão atual reaviva as impressões anteriores análogas. Nas associações por contigüidade, a impressão nova faz reviver outras, ressentidas ao mesmo tempo, mas sem analogia entre elas.”
5. OS ELEMENTOS DA PERSONALIDADE: COMBINAÇÕES DE SENTIMENTOS QUE FORMAM O CARÁTER
“O caráter é constituído por um agregado de elementos afetivos aos quais se sobrepõem, mesclando-se muito pouco a eles, alguns elementos intelectuais. São sempre os primeiros que dão ao indivíduo a sua verdadeira personalidade.
Sendo numerosos os elementos afetivos, a sua associação formará os elementos variados: ativos, contemplativos apáticos, sensitivos, etc.”
COMO UM GATO LÍQUIDO NUM RECIPIENTE: “Aos agregados sólidos correspondem às individualidades fortes, que se mantêm não obstante as variações de meio e de circunstâncias. Aos agregados mal-cimentados correspondem às mentalidades moles, incertas e mutáveis. Elas se modificariam a cada instante sob as influências mais insignificantes se certas necessidades da vida quotidiana não as orientassem, como as margens de um rio canalizam seu curso.
Por mais estável que seja o caráter, permanece sempre ligado, no entanto, ao estado dos nossos órgãos. Uma nevralgia, um reumatismo, uma perturbação intestinal, transformam o júbilo em melancolia, a bondade em maldade, a vontade em indolência. Napoleão, doente em Warteloo, já não era Napoleão. César, dispéptico, não teria, sem dúvida, transposto o Rubicon.”
“Depois de uma conversão, o amor profano se tornará amor divino. O clerical fanático e perseguidor acabará, por vezes, como livre-pensador, igualmente fanático e não menos perseguidor.”
A TSUNAMI CHINESA VEM AÍ: “Admito facilmente, com Faguet, que a Europa, ao tornar-se pacifista, será conquistada ‘pelo último povo que permaneceu militar e ficou relativamente feudal’. Esse povo reduzirá os outros à escravidão e fará trabalhar em seu proveito pacifistas muito inteligentes, mas destituídos da energia que a vontade proporciona.” Interessante também notar como os europeus, nem mesmo na segunda década do século XX, enxergavam os Estados Unidos, tão auto-suficientes se crêem.
“Cada povo possui caracteres coletivos, comuns à maioria dos seus membros, o que faz das diversas nações verdadeiras espécies psicológicas.”
“Consideremos os ingleses, por exemplo. Os elementos que orientam a sua história podem ser resumidos em poucas linhas: culto do esforço persistente, que impede de recuar diante do obstáculo e de considerar uma desgraça como irremediável; respeito religioso dos costumes e de tudo o que é validado pelo tempo; necessidade de ação e desdém das vãs especulações do pensamento; desprezo da fraqueza, muito intensa compreensão do dever, vigilância de si mesmo julgada como qualidade essencial e entretida cuidadosamente por especial educação.
Certos defeitos de caráter, insuportáveis nos indivíduos, tornam-se virtudes quando são coletivos; por exemplo, o orgulho.” “A inquebrantável coragem dos japoneses, na sua última guerra, provinha de um orgulho idêntico.” Quebrar o orgulho em nível subatômico…
“Desde que uma nação se convence da sua superioridade, ela leva ao máximo os esforços necessários para mantê-la. [ou conquistá-la, quando ela se convence de que é superior mas não o é; no entanto, seu esforço apenas acelerará sua própria decadência]”
COMMUNISM IS THE END, WINTER IT WILL SEND: “O amor da família, depois da tribo, da cidade e, enfim, da pátria são adaptações de um sentimento idêntico a agrupamentos diferentes, e não a criação de sentimentos novos. O internacionalismo e o pacifismo representam as últimas extensões desse mesmo sentimento.”
“Há apenas um século, o patriotismo alemão era desconhecido, a Alemanha se achava dividida em províncias rivais. Se o pangermanismo atual constitui uma virtude, essa virtude é unicamente a extensão de sentimentos antigos a categorias novas de indivíduos.”
“Para adquirir, por exemplo, um pouco — muito pouco — essa forma de altruísmo, qualificada de tolerância, foi preciso, disse justamente o Sr. Lavisse, ‘que morressem mártires por milhares em suplícios e o sangue corresse em ondas nos campos de batalha’.
É um grande perigo para um povo querer criar, por meio da razão, sentimentos contrários aos que a natureza lhe fixou na alma. Semelhante erro pesa sobre o povo desde a Revolução. Ele provocou o desenvolvimento do socialismo, que pretende mudar o curso natural das coisas e refazer a alma das nações.” O mundo pede a criação de um SOCIALISMO IRRACIONAL.
“São poderosas essas influências econômicas. A difusão da propriedade, por exemplo, tem como conseqüência a diminuição da natalidade, pois surge o egoísmo familiar do proprietário, pouco desejoso de ver divididos os seus bens. Se todos os cidadãos de um país se tornassem proprietários, a população diminuiria provavelmente em enormes proporções.”
“se, atualmente, o futuro se apresenta muito sombrio, é porque os sentimentos das classes populares tendem a sofrer uma nova orientação. Sob o impulso das ilusões socialistas, cada qual, do operário ao professor, se tornou descontente da sua sorte e persuadido de que merece outro destino. Todo o trabalhador julga-se explorado [correção: é explorado] pelas classes dirigentes e ambiciona apoderar-se das suas riquezas por meio de um golpe de força. No domínio do afetivo, as ilusões têm uma força que as torna muito perigosa, porque a razão não as influencia.” Sociologia de época. Não podia ir além dessa compreensão escrevendo nos 1910s… Ou podia, mas ainda era possível ser bem-intencionado e “liberal” ao mesmo tempo, ainda que a História estivesse galgando o caminho da desolação a passos de guepardo…
6. A DESAGREGAÇÃO DO CARÁTER E AS OSCILAÇÕES DA PERSONALIDADE
TUDO QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR: “A noção de equilíbrio entre o meio em que vivemos e os elementos que nos compõem é capital. Sem que seja absolutamente especial à psicologia, ela domina a química, a física e a biologia. Um ente qualquer, matéria bruta ou matéria viva, resulta de certo estado de equilíbrio entre ele e o seu meio. O primeiro não poderia mudar sem que logo se transformasse o segundo. Uma barra de aço rígida pode, sob a influência de uma modificação conveniente de meio, tornar-se um leve vapor.”
“A diminuição de sensibilidade dos caracteres, no tocante à influência de certas ações exteriores por diversos processos, tem o nome, como se sabe, de imunização. O futuro estudo da patologia dos caracteres compreenderá também o da sua imunização.”
Vamos ver o que Le Bon oferece como contraponto (ou em concordância com a?) falida teoria da degenerescência. Provavelmente, ele apenas a ignora em toda a sua obra.
“O verdadeiro homem de Estado possui a arte, ainda misteriosa, de saber modificar, se for necessário, o equilíbrio dos elementos do caráter nacional, fazendo predominar os elementos úteis nas necessidades do momento.”
“É inútil objetar que a personalidade dos seres parece, em geral, bastante estável. Se ela nunca varia, com efeito, é porque o meio social permanece mais ou menos constante. Se subitamente esse meio se modifica, como em tempo de revolução, a personalidade de um mesmo indivíduo se poderá transformar inteiramente. Foi assim que se viram, durante o Terror, bons burgueses reputados pela sua brandura tornarem-se fanáticos sanguinários. Passada a tormenta e, por conseguinte, representando o antigo meio e o seu império, eles readquiriram sua personalidade pacífica. Desenvolvi, há muito tempo, essa teoria e mostrei que a vida dos personagens da Revolução era incompreensível sem ela.” O que limita muito o poder de análise da teoria é que vivemos numa longa revolução (de coisa de 2 ou 3 séculos), então não existe nenhum contraste com um “mundo exterior estável” em que apoiemos e testemos a validação de nossas conclusões.
“Excitações emocionais violentas, certos estados patológicos observáveis nos médiuns, nos extáticos, nos indivíduos hipnotizados, etc., fazem variar essas combinações e, por conseguinte, determinam, pelo menos momentaneamente, no mesmo ente, uma personalidade diversa, inferior ou superior à superioridade ordinária. Todos possuímos possibilidades de ação que ultrapassam a nossa capacidade habitual e que certas circunstâncias virão despertar.”
PUBLIC ENEMY N. 1: “Aquele que se quer diferenciar do seu grupo tem-no inteiramente por inimigo.”
OS COROAS DO GUARÁ, AUTÔMATOS: “Se os homens não tivessem por guia as opiniões e a maneira de proceder daqueles que os cercam, onde achariam a direção mental necessária à maior parte? Graças ao grupo que os enquadra, eles possuem um modo de agir e de reagir quase constante. Graças ainda a ele, naturezas um pouco amorfas são orientadas e sustentadas na vida.”
“Assim canalizados, os membros de um grupo social qualquer possuem, com uma personalidade momentânea ou durável, porém bem-definida, uma força de ação que jamais sonharia qualquer dos indivíduos que a compõem. As grandes matanças da Revolução não foram atos individuais. Os seus autores atuavam em grupos: girondinos, dantonistas, hebertistas, robespierristas, termidorianos, etc. Esses grupos, muito mais do que indivíduos, então se combatiam. Deviam, portanto, empregar nas suas lutas a ferocidade furiosa e o fanatismo estreito, característicos das manifestações coletivas violentas.”
“Sendo variável o nosso eu, que é dependente das circunstâncias, um homem jamais deve supor que conhece outro. Pode somente afirmar que, não variando as circunstâncias, o procedimento do indivíduo observado não mudará. O chefe de escritório que já redige há 20 anos honestos relatórios, continuará sem dúvida a redigi-los com a mesma honestidade, mas cumpre não o afirmar em demasia. Se surgirem novas circunstâncias, se uma paixão forte lhe invadir a mente, se um perigo lhe ameaçar o lar, o insignificante burocrata poderá tornar-se um celerado ou um herói.
As grandes oscilações da personalidade observam-se quase exclusivamente na esfera dos sentimentos. Na da inteligência, elas são muito fracas. Um imbecil permanecerá sempre imbecil.
As possíveis variações da personalidade, que impedem de conhecer a fundo os nossos semelhantes, também obstam a que cada qual conheça a si próprio. O adágio Nosce te ipsum dos antigos filósofos constitui um conselho irrealizável. O eu exteriorizado representa habitualmente uma personalidade de empréstimo”
“Cada qual só se conhece um pouco depois de ter observado a sua maneira de agir em circunstâncias determinadas. Pretender adivinhar como procederemos numa situação dada é muito quimérico. O marechal Ney, quando jurou a Luís XVIII que lhe traria Napoleão numa gaiola de ferro, estava de muito boa fé, mas não se conhecia; um simples olhar do Imperador bastou para mudar a sua resolução; o infortunado marechal pagou com a vida a ignorância da sua própria personalidade. Se estivesse mais familiarizado com as leis da psicologia, Luís XVIII lhe teria provavelmente perdoado.”
“Quanto mais se aprofunda o assunto, tanto mais firmemente se reconhece que a educação e as instituições políticas desempenham um papel bastante fraco no destino dos indivíduos e dos povos. Essa doutrina, contrária, aliás, às nossas crenças democráticas, parece, por vezes, contrariada também pelos fatos observados em certos povos modernos, e é isso que sempre a impedirá de ser facilmente admitida.
Na introdução que escreveu para a tradução japonesa das minhas obras, um dos mais eminentes estadistas do Extremo-Oriente, o barão Motono, embaixador em São Petersburgo, me objeta com várias mudanças realizadas na mentalidade japonesa, sob a influência das idéias européias. Não creio, entretanto, que isso prove uma modificação real dessa mentalidade. As idéias européias simplesmente entram na armadura ancestral da alma japonesa, sem modificar as suas partes essenciais. A substituição do canhão pela funda mudaria completamente o destino de um povo, sem transformar por isso os seus caracteres nacionais.”
LIVRO III. AS DIVERSAS FORMAS DE LÓGICA QUE REGEM AS OPINIÕES E AS CRENÇAS
1. CLASSIFICAÇÃO DAS DIVERSAS FORMAS DE LÓGICA
“A lógica tem sido considerada até aqui como a arte de raciocinar e demonstrar. Mas viver é agir e, na maior parte das vezes, não é a demonstração que faz agir.” “Constituindo a ação, no nosso modo de ver, o único critério de uma lógica, consideraremos como diversas as lógicas que conduzem a resultados dessemelhantes.”
“Há ações virtuosas ou criminosas, hábeis ou inábeis, não as há ilógicas. Elas procedem, simplesmente, de lógicas distintas e nenhuma pode exclusivamente servir no julgamento das outras.”
“Pode-se, julgamos, estabelecer cinco formas de lógica: 1º. lógica biológica; 2º. lógica afetiva; 3º. lógica coletiva; 4º. lógica mística; 5º. lógica racional.”
“a lógica biológica (…) não traz nenhum traço de influência das nossas influências, mas produz adaptações, dirigidas em determinado sentido, por forças que não conhecemos. Essas forças parecem agir como se possuíssem uma razão superior à nossa e nada têm de mecânicas, porquanto a sua ação varia a cada instante, conforme o objetivo a satisfazer.
A adjunção às outras formas de lógica da lógica biológica, que domina grandemente a maioria das outras, preencherá uma lacuna dissimulada pelas velhas teorias metafísicas.”
“as associações intelectuais podem ser conscientes, ao passo que as dos estados afetivos permanecem inconscientes.”
“Mostramos, há já muitos anos, que o homem em multidão procede diferentemente do homem isolado. Ele é, pois, guiado por uma lógica especial [a terceira]”
“Para as mentalidades místicas o encadeamento das coisas não oferece nenhuma regularidade, mas depende de seres ou de forças superiores, cujas vontades nos são simplesmente impostas.” A lógica que Freud converteu no seu horrendo conceito de compulsão à repetição, patologizando a nomenclatura inutilmente, doravante.
LÓGICA RACIONAL: “Desde Aristóteles, inumeráveis livros lhe têm sido consagrados.”
“A lógica afetiva levava um general, invejoso dos seus rivais, a declarar-lhes a guerra. A lógica mística fazia [com] que ele consultasse os oráculos relativamente à data útil das operações a empreender. A lógica racional guiava a sua tática. Durante todos esses atos, a lógica biológica o fazia viver.” Kira do Death Note é um general que sofre de uma hipertrofia da lógica racional. Frio e calculista (risos). Diria o PSDB que faltou a Kira fazer a sua autocrítica…
“A existência das diversas formas de lógica só é demonstrada pelos seus resultados. Elas representam postulados que só se verificam pelas conseqüências decorrentes. As ciências mais exatas, a física, por exemplo, são igualmente obrigadas a colocar na sua base puras hipóteses, transformadas em verdades prováveis quando se demonstra a sua necessidade.” O gato de Schrödinger é um “reconhecimento tácito” de que outras lógicas operam, também nesse nível…
“Todas as explicações da luz, do calor, da eletricidade, isto é, a física quase integral, repousam na hipótese do éter. A essa substância totalmente desconhecida foi preciso atribuir propriedades incompreensíveis e mesmo inconciliáveis, como, por exemplo, uma rigidez superior à do aço, conquanto os corpos materiais nela se movam sem dificuldade. Um fenômeno novo obriga os físicos a darem ao éter propriedades novas contrárias às que já estão admitidas. Assim, depois de lhe haver atribuído uma densidade infinitamente mais fraca que a dos gases, agora se lhe concebe uma que é milhões de vezes superior à dos mais pesados metais.” Excelente insight. E Le Bon parece não ter sobrevivido até a refutação final do éter e a fragmentação da física.
“O físico não afirma que o éter existe. Diz simplesmente que as coisas se passam como se o éter existisse e que todos os fenômenos ficariam incompreensíveis sem essa suposta existência.”
2. A LÓGICA BIOLÓGICA
“o que escrevi sobre esse assunto no meu livro A Evolução da Matéria:
Os edifícios atômicos que células microscópicas conseguem fabricar compreendem não só as mais sábias operações dos nossos laboratórios: eterificação, oxidação, redução, polimerização, etc., como também muitas outras mais difíceis, que não poderíamos imitar. Por meios insuspeitos, as células vitais constroem esses compostos complicados e variados albuminóides, celulose, gorduras, amido, etc., necessários para a conservação da vida. Elas sabem decompor os corpos mais estáveis, como o cloreto de sódio, extrair o azoto dos sais amoniacais, o fósforo dos fosfatos, etc. Todas essas obras tão precisas, tão admiravelmente adaptadas a um objetivo, são dirigidas por forças de que não temos nenhuma idéia e que atuam exatamente como se elas possuíssem uma sagacidade muito superior à nossa razão. A obra que elas executam a cada momento da existência, paira muito acima do que pode realizar a ciência mais adiantada. O sábio capaz de resolver com a sua inteligência os problemas resolvidos a cada instante pelas humildes células de uma ínfima criatura seria de tal modo superior aos outros homens que se poderia considerá-lo como um deus.”
“Se um corpo inútil ou perigoso for introduzido no organismo, será neutralizado ou rejeitado. O elemento útil é, ao contrário, expedido a órgãos diferentes e sofre transformações físicas muito sábias. Esses milhares de pequenas operações parciais se emaranham sem se contrariar, porque são orientadas com uma precisão perfeita. Desde que a rigorosa lógica diretriz dos centros nervosos se detém, é a morte.”
“Quando uma célula evolve para certa forma, quando o animal regenera inteiramente um órgão amputado, com nervos, músculos e vasos, verificamos que a lógica biológica funda, para esses acidentes imprevistos, uma série de fenômenos que nenhum esforço da lógica racional poderia imitar ou mesmo compreender.” As manifestações mais cruas da Vontade.
“As espécies parecem desaparecer quando, muito estabilizadas por uma pesada hereditariedade ancestral, já não se podem adaptar às variações do meio. Essa história do mundo vegetal e animal foi também a de muitos povos. § A infância de uma espécie, de um indivíduo ou de um povo caracteriza-se por uma plasticidade excessiva, que lhe permite adaptar-se a todas as variações de meio.”
“Tendo os sentimentos por sustentáculo a vida, concebe-se que a lógica biológica não somente influa na lógica afetiva, como também possa parecer confundir-se, por vezes, com ela. Não permanecem ambas, por isso, menos nitidamente separadas, pois a vida biológica é simplesmente o terreno no qual a vida afetiva vem germinar. § É, portanto, inexplicável que os psicólogos ignorem a lógica biológica. Ela é a mais importante de todas as formas de lógica, por ser a mais imperiosa.”
“Bergson tem razão quando separa o instinto da inteligência, mas só parcialmente tem razão nesse ponto. Uma multidão de instintos constituem hábitos intelectuais ou afetivos acumulados pela hereditariedade. Para os fenômenos biológicos, não somente os mais simples, a fome ou o amor, como também os muito complicados, que se observam nos insetos, a separação entre eles e a inteligência parece completa.”
“Uma ameba, isto é, um simples glóbulo de protoplasma formado de granulações vivas, quando se quer apoderar de uma presa, executa atos adaptados ao fim que tem em mira, variando segundo as circunstâncias como se esse esboço de ser pudesse ter certos raciocínios. Observando os minuciosos cuidados de certos insetos na proteção dos ovos de que sairão larvas de uma forma muito diferente da sua e que, na maioria dos casos, eles jamais verão, Darwin declarava ‘que é infrutífero especular sobre esse assunto’.”
“O seu mecanismo permanece ignorado, mas o sentido do seu esforço é acessível.”
“Numerosos naturalistas, Blanchard, Fabre, etc., mostraram a perfeição dos atos dos insetos, como também o seu discernimento e a sua aptidão para mudar de proceder segundo as circunstâncias. Eles sabem, por exemplo, modificar a qualidade das matérias alimentares preparadas para as suas larvas, conforme devem ser machos ou fêmeas. Certos insetos que não são carnívoros, mas cujas larvas só se podem nutrir de presas vivas, paralisam-nas de modo que elas possam esperar, sem decomposição, o nascimento dos seres que as hão de devorar. Determinar uma paralisia semelhante seria uma operação difícil para um anatomista hábil. Ela não embaraça, entretanto, o inseto. Ele sabe atacar os únicos coleópteros cujos centros nervosos se aproximem até tocar-se, o que permite provocar a paralisia com um só golpe de aguilhão. Na considerável quantidade de coleópteros, somente dois grupos, os charanções e os buprestes, satisfazem a essas condições. Fabre reconhece que ao instinto geral do inseto que o dirige nos atos imutáveis da sua espécie se sobrepõe alguma coisa de ‘consciente e de perceptível pela experiência. Não ousando chamar inteligência a essa aptidão rudimentar, pois aquela denominação seria muito elevada para ela. Eu a denominarei’, diz ele ‘discernimento (…) ‘o inseto nos maravilha e nos apavora pela sua alta lucidez’”
“Numerosos fatos da mesma ordem, observados nas formigas e nas abelhas por um sábio acadêmico, Gaston Bonnier, conduziram-no a atribuir aos insetos uma faculdade por ele denominada raciocínio coletivo.” “Se, por exemplo, a comissão manda buscar água a uma bacia, em vão se espalhariam ao lado gotas de xarope ou de mel, o inseto não tocará nisso. Aqueles que estão prepostos à colheita do néctar não se ocuparão de recolher o pólen, etc.” “É o ideal do coletivismo realizado.”
“Esses fatos, multiplicados pela observação, embaraçam cada vez mais os adeptos da velha psicologia racionalista. Tinha-se, outrora, para interpretá-los, um termo precioso, o instinto; mas é preciso reconhecer que, sob esse vocábulo gasto, se abriga uma ordem completa de fenômenos profundamente desconhecidos.” “Outrora, o instinto era considerado como uma espécie de faculdade imutável, concedida pela natureza aos animais no próprio momento da sua formação, para guiá-los através dos atos da vida, como o pastor conduz o seu rebanho.”
“Tendo os animais sido mais bem-estudados, foi preciso reconhecer a variabilidade desses pretensos instintos imutáveis. A abelha, por exemplo, sabe perfeitamente transformar a sua colméia, desde que isso se torne necessário. Numa nota intitulada gradação e aperfeiçoamento do instinto nas vespas solitárias da África, inserta nas atas da Academia das Ciências, de 19 de outubro de 1908, o sr. Roubaud mostra entre as espécies do gênero sinagris ‘diferenças das mais notáveis, a tal ponto que se podem aí seguir as fases principais de uma insuspeita evolução do instinto dos solitários para o das vespas sociais’. Os ninhos, primeiramente solitários, antes de se aproximarem, representam sem dúvidas a forma primitiva das colônias de vespas sociais.”
A seguir, a exposição de que o pássaro não é “tão burro como o homem”: conheceu antes de seu próprio Newton a gravidade! Terá sempre conhecido (princípios antagônicos dos instinto estático x instinto dinâmico)? Pode ser até que não, mas então não era ainda pássaro!
“Renunciar às explicações puramente mecânicas como as de Descartes é compreender, ao mesmo tempo, que existe uma esfera imensa da vida física, completamente inexplorada, e de que apenas entrevemos a existência.” “Quando analisarmos os fatores das nossas opiniões e das nossas crenças, não nos deveremos esquecer de que, sob a superfície das coisas, se oculta um mundo de forças inacessíveis à nossa razão, mais pujantes do que essa razão, e que muitas vezes a conduzem.”
“Se a sua ação se interrompesse, o nosso planeta se tornaria um triste deserto, submetido às forças cegas da natureza, isto é, às forças ainda não-organizadas.” Abandono da concepção do instinto como força cega da natureza!
3. A LÓGICA AFETIVA E A LÓGICA COLETIVA
“Antes de conhecer, todos sentiram.”
E se a transmutação de todos os valores a um além-homem fosse não um upgrade de qualquer forma do Homo sapiens sapiens, mas apenas aquele ponto histórico irreversível (point of no return) em que enquanto coletividade decidimos conscientemente abandonar este que é o mais central de todos os preconceitos, i.e., toda a nossa fonte de amor-próprio: “Não somos aquele que sabe que sabe! Demo-nos de uma vez por todas um outro nome que corresponda melhor a nossa essência!”? Que é o Homem, perguntou Drácula: perguntou, porque ele já não era um Homem!
As Luzes da Emoção
MUITO ALÉM DA LINGUAGEM: “As palavras, por meio das quais tentamos representar os sentimentos, muito mal os traduzem. Só o consentem um pouco por associação. O hábito de ligar os sentimentos ao som de certos vocábulos dá a estes últimos o poder de evocar representações mentais afetivas.” “A música, verdadeira linguagem dos sentimentos, evoca-os melhor do que as palavras, mas, pela falta de precisão, só permite relações muito vagas entre os seres.”
“Não podendo as regras da lógica afetiva serem universais como as da lógica racional, um tratado de lógica afetiva, verdadeiro para um indivíduo ou para certa categoria de indivíduos, não o seria para os outros. Um livro de lógica racional possui, ao contrário, um valor invariável para todos.”
“Percebe-se, todavia, o caminho percorrido, quando se vê, pelo estudo dos selvagens, o que foram os primitivos dominados pela sentimentalidade pura.” Aqui sou obrigado a refutar qualquer presença de sentimentalidade pura.
“A lógica afetiva é um dos sustentáculos da lógica coletiva. Não estudaremos agora esta última, porquanto nos devemos ocupar dela no capítulo consagrado às opiniões e às crenças coletivas.”
4. A LÓGICA MÍSTICA
“A lógica mística, de que nos vamos ocupar agora, corresponde a uma fase superior da vida mental. Os animais não a conhecem, conquanto possuam grande número dos nossos sentimentos.” “Semelhante à lógica afetiva, a lógica mística aceita as contradições; não é, porém, inconsciente como a primeira e traduz, freqüentes vezes, uma deliberação.”
Desfazendo alguns mal-entendidos do míope século XIX: “O ateu pode ser tão místico quanto um perfeito devoto; freqüentemente ele o é ainda mais.”
“O misticismo muda incessantemente de forma, porém conserva como fundo imutável o papel atribuído a poderes misteriosos. O tempo, que faz variar o objeto do misticismo, mantém a intangibilidade daquele elemento.” O tempo: último misticismo, aliás.
“Muitos homens que se qualificam de livres-pensadores porque rejeitam os dogmas religiosos, firmemente crêem nos pressentimentos, nos presságios, na força mágica da corda do enforcado ou do número 13.” “Não há jogador cuja convicção nesse ponto não esteja solidamente estabelecida.” Quem tem cu tem superstição, já diria o outro (Mestre Zagallo).
“Os progressos da razão não hão de poder, sem dúvida, abalar o misticismo, porquanto ele terá sempre como refúgio o domínio do além-túmulo, inacessível à ciência. Os espíritos curiosos desse além-túmulo são, naturalmente, inumeráveis.”
“A credulidade do verdadeiro crente é geralmente ilimitada, e nenhum milagre o poderia surpreender, porquanto é infinito o poder do Deus que ele invoca. Vê-se na catedral de Orviedo um cofre que, diz a notícia distribuída aos visitantes, foi instantaneamente transportado de Jerusalém através dos ares. Encerra: ‘o leite da mão de Jesus Cristo, os cabelos com que Maria Madalena enxugou os pés do Salvador, a vara com que Moisés separou as águas do mar Vermelho, a carteira de S. Pedro, etc.’.”
A Lógica de Pandora
“A época literária chamada romântica é disso uma manifestação. Os artistas têm somente convicções místicas. Os métodos da análise racional são, geralmente, ignorados por eles.” A unio mystica entre mim e o eu-escritor.
PURO ZEITGEIST DE LE BON: “Mas é principalmente em política que se observa a influência do espírito místico. Radicais, anticlericais, maçons e todos os sectários de partidos extremos vivem em pleno misticismo. A classe operária é, igualmente, dominada por um misticismo intenso.” A mania do intelectual de até 100 anos atrás de enxergar o liberalismo como a-místico. Não leu Marx e sua análise do fetichismo econômico.
“Lógica mística, lógica sentimental e lógica racional representam 3 formas da atividade mental irredutíveis uma na outra. Seria, portanto, inútil pô-las em conflito.”
5. A LÓGICA INTELECTUAL
“A lógica intelectual tem sido o assunto de inúmeros escritos de uma utilidade, aliás, medíocre. Se a ela aludimos aqui, é, primeiramente, porque representa certo papel na gênese das opiniões e, em seguida, para precisar os pontos em que ela difere das outras formas de lógica”
“A vontade é a faculdade de resolver-se a praticar um ato; compreende, geralmente, 3 fases: deliberação, determinação, execução. Uma determinação chama-se volição, uma resolução tem também o nome de decisão.”
“A vontade é, ao mesmo tempo, de origem afetiva e racional. É de origem afetiva porque todos os móveis dos nossos atos têm um substratum afetivo.”
“Descartes, imitado nisso por muitos filósofos modernos, fazia da vontade uma espécie de entidade aposta à inteligência” “Aristóteles se aproximava muito mais do que Descartes das idéias aqui expostas, quando fundava a sua psicologia na distinção entre as faculdades sensitivas e as faculdades intelectuais. Da combinação das duas resultava, no seu juízo, a vontade”
“A atenção é o ato pelo qual, sob a ação de um excitante ou da vontade, o espírito se concentra num objeto, com exclusão dos outros, ou na representação mental desse objeto, ou ainda nas idéias que ele suscita.”
“A criança e o selvagem possuem muito diminuta atenção voluntária. Quanto mais suscetível de atenção e, por conseguinte, de reflexão, for o homem, tanto mais considerável será a sua força intelectual. Um Newton sem grande capacidade de atenção não é concebível.”
“A aptidão para refletir implica sempre a aptidão para a atenção. A capacidade de atenção fácil comporta a faculdade de reflexão medíocre.”
“O seu domínio é o da matéria bruta, isto é, momentaneamente estabilizada pela morte ou pelo tempo. Sobre os fenômenos que representam um movimento constante, como a vida, ela projetou luzes muito incertas.”
“Para mover, cumpre comover.”
“Esse imenso poder [de tudo que não é lógico-racional] é talvez maior ainda do que a ciência o supõe. Nós estamos sujeitos à natureza, mas não se acha ela também submetida, segundo as palavras atribuídas por Ésquilo a Prometeu, acorrentada ao seu rochedo, às necessidades que regem o destino e às quais os próprios deuses devem obedecer?” Mas a necessidade é a natureza.
LIVRO IV. OS CONFLITOS DAS DIVERSAS FORMAS DE LÓGICA
1. O CONFLITO DOS ELEMENTOS AFETIVOS, MÍSTICOS E INTELECTUAIS
“O equilíbrio que acabamos de indicar não é uma fusão, porém uma superposição das diversas formas de lógica, cada uma das quais mantém independente a sua ação.”
“Nas suas concepções científicas, esses espíritos são guiados pela lógica racional. Nas suas crenças, obedecem às leis da lógica mística ou da lógica afetiva. § Um sábio passa da esfera do conhecimento à da crença, como mudaria de habitação. O erro de que é vítima muitas vezes consiste em querer aplicar às interpretações das lógicas místicas ou afetiva os métodos da lógica intelectual, a fim de basear cientificamente as suas crenças.
Destruído o equilíbrio entre as várias formas de lógicas, elas entram em luta. Raramente nesse conflito vence a lógica racional, que se deixa facilmente torturar, aliás, a fim de colocar-se ao serviço das concepções mais infantis. Por isso, em matéria de crença religiosa, política ou moral, toda a contestação é inútil. Discutir racionalmente com outrem uma opinião de origem afetiva ou mística só terá como resultado exaltá-lo. Discuti-la consigo mesmo também não a abala, salvo quando ela chegou a um grau de enfraquecimento tal que a sua força inteiramente se dissipou.
Os resultados de uma luta entre a lógica mística e a lógica racional não poderiam ser postas mais em evidência do que pelo exemplo de Pascal, examinado minuciosamente em outro capítulo desta obra.”
“Nós nos limitaremos, portanto, no que se vai seguir, a estudar o conflito entre a lógica afetiva e a lógica racional.”
“A idéia só é, geralmente, a conclusão de um sentimento, cuja evolução permanece inconsciente e, portanto, ignorada.”
“Uma palavra, um gesto, quase insignificantes em determinado momento, podem, com o tempo, transformar a amizade em indiferença e, algumas vezes, mesmo em antipatia.
O verdadeiro papel da inteligência no agregado de sentimentos que formam o caráter consiste em isolar alguns, torná-los mais intensos por meio de uma contínua representação mental, dando-lhes a força necessária para dominar certas impulsões. Ela pode chegar, por esse predomínio de um estado afetivo relativamente a outro, a elevar o indivíduo acima de si mesmo, pelo menos momentaneamente.”
“se os sentimentos são muito intensos, a inteligência perde todo o poder. A força de certos sentimentos pode tornar-se tal que, não só a inteligência, como também os interesses mais evidentes do indivíduo perdem a influência.”
“Se os sentimentos não se transformam diretamente em idéias, são, contudo, criadores de idéias, evocadoras, por seu turno, de outros sentimentos. Mantendo assim a sua independência, essas duas esferas da atividade mental atuam constantemente uma na outra.”
“Como as idéias surgem dos sentimentos, as lutas entre idéias não são, na realidade, mais do que lutas entre sentimentos. Os povos que combatem aparentemente por idéias, lutam por sentimentos dos quais essas idéias se derivam.”
“Assim, as funções outrora exercidas pelas nobrezas inglesa e francesa apresentavam qualidades de caráter que desapareceram com a cessação das funções. Tendo essas classes sociais perdido as suas qualidades de ordem moral, sem adquirir a inteligência, que elas não tinham tido ensejo de exercer, tornaram-se inferiores às classes outrora dominadas. Era, pois, inevitável que a influência da nobreza, depois de haver sido destruída em França pela Revolução, ficasse hoje muito abalada na Inglaterra.
Essa lei, ignorada pelos nossos educadores, de que um sentimento não praticado se atrofia, parece ter uma aplicação geral.” “Os nossos instintos guerreiros, tão desenvolvidos na época da Revolução e do Império, acabaram por dar lugar a um pacifismo e a um antimilitarismo cada dia mais divulgados, não somente nas massas, como também entre os intelectuais. Daí resulta este estranho contraste: à medida que as nações se tornam mais pacíficas, os seus governos não cessam de aumentar os armamentos.”
“Os indivíduos obedecem ao seu egoísmo pessoal, ao passo que os governantes são obrigados a preocupar-se do interesse coletivo. Mais esclarecidos do que as multidões e os retóricos, eles sabem, por experiências seculares, que toda a nação que se enfraquece é logo invadida e saqueada pelos vizinhos.
As nações modernas não escaparam mais a essa lei do que as suas predecessoras das civilizações antigas. Polacos, turcos, egípcios, sérvios, etc., só evitaram as invasões destruidoras deixando-se despojar do todo ou de parte dos seus territórios.”
“Os códigos civis ou religiosos sempre tiveram por objetivo principal exercer uma ação inibidora nas manifestações de certos sentimentos.”
“Aprendendo, sob a rigorosa lei das primeiras obrigações sociais, a dominar um pouco as suas impulsões, o primitivo desprendeu-se da animalidade pura e chegou à barbárie. Forçado a refrear-se mais, ele se elevou até à civilização. Esta só se mantém enquanto persiste o domínio do homem sobre si mesmo.”
“Os sentimentos nos conduzirão sempre, mas nenhuma sociedade pode subsistir sem que os membros aprendessem a mantê-los nos limites abaixo dos quais começam a anarquia e a decadência.”
2. O CONFLITO DAS DIVERSAS FORMAS DE LÓGICA NA VIDA DOS POVOS
“O seu primeiro sintoma é um rápido acréscimo da criminalidade, tal como o que hoje se observa em França. É favorecido, aliás, pelo desenvolvimento do humanitarismo, que paralisa a repressão e tende, por conseguinte, a destruir todos os freios.
A nossa democracia atual sofre cada vez mais as conseqüências da supressão dessas ações inibidoras, as únicas que podiam contrabalançar os sentimentos antissociais.” Grande paradoxo da democracia.
“O ódio das superioridades e a inveja, que se tornaram os flagelos da democracia e ameaçam a sua existência, derivam de sentimentos muito naturais para que não tivessem subsistido sempre.
Tendo adquirido hoje livre impulso, incessantemente alentados por políticos ávidos de popularidade e universitários descontentes da sua sorte, esses sentimentos exercem constantemente a sua desastrosa tirania.” Bolsonarismo e jovem periférico reacionário (o preto que acessou a universidade e depois se tornou antipetista) in a nutshell.
“Uma sociedade subsiste graças ao fator de manter a convicção hereditária de que cumpre respeitar religiosamente as leis em que se funda o organismo social. § A força que os códigos possuem para impor a obediência é, sobretudo, moral. Nenhuma potência material conseguiria tornar respeitada uma lei que toda a gente violasse.”
“Se um gênio malfazejo quisesse destruir uma sociedade em poucos dias, bastar-lhe-ia sugerir a todos os seus membros a recusa de obedecer às leis. O desastre seria muito maior do que uma invasão a que se seguisse a conquista. Um conquistador limita-se geralmente, com efeito, a mudar o nome dos senhores que dispõem do poder, mas é seu interesse conservar cuidadosamente os quadros sociais cuja ação é sempre mais eficaz do que a dos exércitos.” Alexandre é o melhor exemplo disso. Portugal, um dos piores.
“Os monumentos saqueados rapidamente se reconstroem, mas para refazer a alma de um povo, são necessários, em muitos casos, alguns séculos.”
“Combatendo a tradição em nome do progresso e sonhando destruir a sociedade para apoderar-se das suas riquezas, como Átila sonhava saquear Roma, os sectários não vêem que a sua vida é um estreito tecido de aquisições ancestrais, sem as quais não viveriam um só dia.”
“só a experiência repetida instrui.” Nem isso!
“Se só tratarmos dos tempos modernos, não ouvimos repetir, por toda parte, que a Revolução teve por origem as dissertações dos filósofos e que o seu principal objetivo foi obter que triunfassem as ideias racionais?
Em nenhuma época, com efeito, a razão foi tão invocada. Chegou-se mesmo a deificá-la e a construir-lhe um templo. Na realidade, não existe período em que ela haja representado um papel menos importante. Isso se verificará seguramente quando, dissipados os atavismos que nos cegam, for possível escrever uma psicologia da Revolução Francesa.”
“Os burgueses, que foram os seus primeiros instigadores, eram, sobretudo, guiados por um sentimento de intensa inveja contra uma classe que eles supunham ter igualado. O povo não pensava, a princípio, em invejar certas situações, tão longe dele que jamais esperaria alcançá-la; acolheu, todavia, com entusiasmo o movimento revolucionário. Sentimento muito natural, pois a destruição legal das peias sociais e as promessas que se fazia luzir aos seus olhos lhe desvendavam a perspectiva de ser igual aos seus antigos senhores e de apoderar-se das suas riquezas. Na divisa revolucionária, recordada nas nossas moedas e nas nossas muralhas, um único vocábulo, igualdade, apaixonou os espíritos, como ainda os apaixona. De fraternidade não se fala mais hoje, pois a luta das classes se tornou a divisa dos novos tempos. Quanto à liberdade, as multidões jamais perceberam seu sentido e sempre a recusaram.”
“A guerra de 1870, por exemplo, é repleta de ensinamentos desse gênero. O imperador, doente, e o rei da Prússia, idoso, queriam, a todo o custo, evitar o conflito. Nesse intuito, o rei da Prússia tinha, finalmente, renunciado à candidatura de seu parente ao trono da Espanha, e a paz parecia firme.
Atrás, porém, desses espíritos incertos e de vontade fraca, um cérebro possante, dotado de uma vontade enérgica, tinha nas mãos os fios do destino. Suprimindo habilmente algumas palavras de um telegrama, soube exasperar até ao furor a sentimentalidade de um povo demasiado sensível e obrigou-o a declarar, sem preparo militar, a guerra a inimigos preparados desde muito tempo. Utilizando, em seguida, os sentimentos de cada nação, conseguiu manter a neutralidade que convinha aos seus desígnios. Cega pelos sentimentos que esse profundo psicólogo fizera vibrar, a Inglaterra recusou associar-se a um projeto de congresso, sem prever o que, mais tarde, lhe custaria a formação de uma potência militar preponderante, seu pesadelo atual.”
“Do conflito das várias formas da lógica resulta a maior parte das oscilações da história. Quando predomina o elemento místico, são as lutas religiosas com a sua imperiosa violência. Quando sobressai o elemento afetivo, notam-se, conforme o fator sentimental mais evidente, ou os grandes empreendimentos guerreiros ou, ao contrário, a florescência do humanitarismo e do pacifismo, cujas consequências finais não são menos mortíferas.”
“Nos nossos dias, as multidões e os seus agitadores mostram-se, como já dissemos, tão saturados de misticismo quanto os seus mais remotos antepassados. Palavras e fórmulas dotadas de um poder mágico herdaram a força atribuída às divindades que nossos pais adoravam.”
“Sendo consideráveis os progressos que ela tem realizado nas ciências, tomou-se natural supor que métodos suscetíveis de produzir tais resultados podiam transformar as sociedades e criar a felicidade universal.”
“A própria Inglaterra, tradicional, começa a assistir a esse conflito. As instituições políticas que fizeram a sua grandeza estão agora em luta com os ataques racionalistas de partidos adiantados, os quais pretendem reconstruir o edifício em nome da razão, isto é, da sua razão.”
3. A BALANÇA DOS MOTIVOS
“Esses móveis de ação podem, algumas vezes, ser razões, mas aos móveis conscientes de ordem intelectual juntam-se, as mais das vezes, os móveis inconscientes já descritos, que pesam grandemente em um dos pratos. Em última análise, os motivos são energias em luta. Vencem os mais fortes. § Quando as energias contrárias têm, mais ou menos, a mesma intensidade, os pratos oscilam muito tempo antes de fixar-se numa posição definitiva. Caracteres incertos, hesitantes.”
“Não é com as multidões, cegos joguetes dos seus instintos, que as civilizações progridem, mas com a pequena elite que sabe pensar por elas e orientá-las. Procurando pôr a lógica intelectual ao serviço da lógica coletiva para justificar todos os seus impulsos, a terrível legião dos políticos não fez mais do que criar uma profunda anarquia.”
“Uma lógica afetiva demasiada leva a ceder sem reflexão a impulsos freqüentemente funestos. Uma lógica mística excessiva suscita as exigências religiosas, dominadas pela preocupação egoísta da sua salvação, e sem utilidade social. Uma lógica coletiva exagerada promove a predominância dos elementos inferiores de um povo e o conduz à barbárie. Uma lógica racional em demasia provoca a dúvida e a inação.”
LIVRO V. AS OPINIÕES E AS CRENÇAS INDIVIDUAIS
1. OS FATORES INTERNOS DAS OPINIÕES E DAS CRENÇAS: O caráter, o ideal, as necessidades, o interesse, as paixões, etc.
“O jornal inglês Comentator escrevia recentemente, a propósito da psicologia política: ‘Nascerá, talvez, um dia, um livro maravilhoso sobre a arte de persuadir. Se supusermos que a psicologia chega a ser uma ciência tão adiantada quanto a geometria e a mecânica, será possível predizer os efeitos de um argumento sobre o espírito do homem tão seguramente quanto podemos agora predizer um eclipse de lua. Uma psicologia desenvolvida até esse ponto possuirá uma série de regras que permitem converter um indivíduo a uma opinião qualquer. O mecanismo de um espírito será, então, comparável a máquina de escrever, em que basta apoiar numa alavanca para ver sair imediatamente a letra desejada. Uma ciência tão pujante e, por conseguinte, tão perigosa, tornar-se-á necessariamente um monopólio do governo’.”
“O mais refletido dos filósofos não escapa à sua influência. As suas doutrinas otimistas ou pessimistas resultam muito mais do seu caráter que da sua inteligência. W. James assegura, pois, com razão, que ‘a história da filosofia é, em grande parte, a do conflito dos temperamentos humanos. Essa diferença particular dos temperamentos’, acrescenta ele, ‘sempre entrou em linha de conta no domínio da literatura, da arte, do governo e dos costumes, tanto quanto no da filosofia.’”
“Compenetrados dessa influência do caráter individual nas opiniões, facilmente conceberemos por que certos homens são conservadores e outros revolucionários. Estes últimos tendem sempre a revoltar-se, unicamente por temperamento, contra o que os cerca, qualquer que seja a ordem das coisas estabelecidas. Encontram-se, geralmente, entre caracteres cuja estabilidade ancestral foi dissociada por influências diversas. Eles já não se acham, por conseguinte, adaptados ao seu meio. Muitos dentre eles pertencem à grande família dos degenerados, que estão sobretudo no domínio da patologia.” HAHAHAHAHA!
“O exército dos revolucionários se recruta, principalmente hoje, nessa multidão de degenerados, com que o alcoolismo, a sífilis, o paludismo, o saturnismo, etc., povoam as grandes cidades. É um resíduo cujo número os progressos da civilização diariamente aumentam. Um dos mais temíveis problemas do futuro será subtrair as sociedades aos furiosos ataques desse exército de inadaptados.” Toma sintoma por causa. Filósofo de província.
“Semi-alienados [?!] como Pedro o Ermitão [?] e Lutero subverteram o mundo.”
[?] Ou Eremita. Um dos promotores das Primeiras Cruzadas.
“Se tantos homens se mostram hoje hesitantes nas suas opiniões, nas suas crenças e obedecem às impulsões mais contrárias é porque, com uma inteligência por vezes muito elevada, possuem um ideal muito fraco.” O problema hoje é o contrário…
“A força dos fanáticos reside precisamente na rigorosa obediência ao seu ideal perigoso. É o que se pode observar hoje no tocante ao ideal socialista, o único que ainda seduz as multidões. Ele pesa inteiramente na nossa vida nacional e suscita numerosas leis destruidoras da sua prosperidade.
Um ideal não é, absolutamente, portanto, uma concepção teórica, cuja ação possa ser negligenciada. Quando se generaliza, exerce uma influência preponderante nas minúcias mais insignificantes da vida. Mesmo aqueles que ignoram a sua influência, a elas se submetem.”
“Já disse, com razão, que o socialismo é uma questão de estômago.” Ninguém pode dizer que diz com razão: deve apenas dizer, e deixar arrazoamentos para os outros.
“A evolução científica da indústria promoveu necessidades novas, que se tornaram logo, como os caminhos de ferro e o telefone, necessidades indispensáveis. Infelizmente, essas necessidades aumentaram mais depressa do que os meios de satisfazê-las. Representam uma das fontes do descontentamento que desenvolve o socialismo.”
“O germano de há 50 anos, modesto comedor de ‘choucroute’, era pacífico, porque não tinha desejos. Tendo subitamente crescido as suas necessidades, tornou-se guerreiro e ameaçador. Aumentando, além disso, rapidamente, a sua população e ultrapassando logo o número de indivíduos que o país pode nutrir, aproxima-se o momento em que, sob um pretexto qualquer, e mesmo sem outro pretexto a não ser o direito do mais forte, a Alemanha invadirá, para viver, as nações vizinhas. Só essa razão podia decidi-la a fazer as esmagadoras despesas exigidas pelo aumento da sua marinha e do seu exército.”
2. OS FATORES EXTERNOS DAS OPINIÕES E DAS CRENÇAS: A sugestão, primeiras impressões, necessidade de explicações, palavras e imagens, ilusões, necessidade, etc.
“Convencer não é absolutamente sugerir. Uma sugestão faz obedecer. Um raciocínio pode persuadir, mas não obriga a ceder.” Conceituação complicadinha de sugestão, já que exige muito… Uma hipnose!
“repetir a afirmação com ardor é levar ao seu máximo a ação sugestiva.” E no entanto aqui está a boa e velha acepção de sugestão…
“Os efeitos da sugestão são de uma intensidade muito variável. Ela se estende desde a ação diminuta do vendedor que se procura desfazer de uma mercadoria, até a que é exercida pelo hipnotizador no espírito do neuropata, o qual cegamente obedece a todas as suas vontades. Na política, o hipnotizador se chama agitador; sua influência é considerável.
Os efeitos de uma sugestão dependem do estado mental do indivíduo que a recebe. Sob uma influência pessoal intensa: ódio, amor, etc., que limita o campo da sua consciência, ele será muito sugestionável e as suas opiniões facilmente se transformarão.”
“Questões escandalosas, tais como a de Mme. Humbert e de Dupray de la Mahérie, provaram que banqueiros hábeis, advogados e homens de negócios experientes podiam ser sugestionados, a ponto de abandonar a fortuna a vulgares velhacos, que só tinham ao seu favor a força fascinadora.”
O FASCISMO É FASCINANTE… “Essa fascinação é uma irresistível forma de sugestão. O homem a ela se submete como o pássaro diante da cobra.”
“Muitos crimes tiveram como origem essa ação fascinadora. A formosa condessa Tarnowska sugeria sem dificuldade assassinatos aos seus adoradores. A sua força era tal que se tornou preciso mudar muitas vezes os carabineiros que a acompanhavam, assim como os guardas da sua prisão.”
“Tornando-se cada vez mais preponderante o papel das multidões e sendo estas unicamente influenciadas pela sugestão, a influência dos agitadores cresce dia a dia. Um governo supostamente popular é, na realidade, uma oligarquia de agitadores, cuja influência tirânica se manifesta a cada instante. Eles ordenam as greves, obrigam os ministros a obedecer-lhes e impõem leis absurdas.”
“Sendo de ordem afetiva, a sugestão só pela sugestão pode ser combatida. Ceder aos agitadores, como sem cessar se procede, é fortalecer a sua influência.” Dente por dente? Fake News por fake news?
“O principal inconveniente das opiniões baseadas em explicações errôneas é que, admitindo-as como definitivas, o homem não procura outras. Supor que se conhece a razão das coisas é um meio seguro de não a descobrir. A ignorância da nossa ignorância tem retardado de longos séculos os progressos das ciências e ainda, aliás, os restringe.”
“Certas palavras, como precisamente observou a propósito o sr. Barrès, são dotadas de uma sonoridade mística. Gozam dessa propriedade as expressões favoritas dos políticos: capitalismo, proletariado, etc.” E quem é este senhor Barres?
“O inacessível elétron sucedeu ao não menos inacessível átomo. Essas expressões baseadas no desconhecido concedem suficiente satisfação à nossa necessidade de explicações.”
“Diante da rápida diminuição dos alistamentos voluntários na cavalaria, um sensato psicólogo militar teve, há alguns anos, a idéia de mandar colar, por toda parte, cartazes ilustrados coloridos que representavam elegantes cavaleiros, fazendo várias sortes de exercícios. Na parte inferior figurava a enumeração das vantagens outorgadas aos que se alistavam pela primeira e pela segunda vez. Os resultados foram tais que, em muitos regimentos, os coronéis recusaram os candidatos por falta de lugar.”
“Uma inteligência que possui o poder atribuído aos deuses de abranger, num golpe de vista, o presente e o futuro, a nada mais se interessaria e os seus móveis de ação ficariam paralisados para sempre.”
“Conquanto muito breve, a enumeração dos fatores de opiniões e de crenças precedentemente exposta basta para provar como são pesadas as fatalidades de que está carregada a alma humana.” Realmente Le Bon prima pela concisão. Prima até demais.
3. POR QUE DIFEREM AS OPINIÕES E POR QUE A RAZÃO NÃO AS CONSEGUE RETIFICAR
“Aperfeiçoando os homens, a civilização não os transformou, portanto, igualmente. Longe de caminharem para a igualdade, como as nossas ilusões democráticas procuram persuadir, eles tendem, ao contrário, para uma desigualdade crescente. A igualdade, que foi a lei dos primeiros tempos, não poderia ser a do presente e ainda menos a do futuro.
Assim, só pelo fato da sua ascensão progressiva, a civilização realizou a façanha de um mágico que ressuscitasse, no mesmo momento, no mesmo solo, homens das cavernas, senhores feudais, artistas da Renascença, operários e sábios modernos.”
“A árdua tarefa dos governos modernos é fazer viver, sem excessivo desacordo, todos esses herdeiros de mentalidades tão desigualmente adaptadas ao seu meio. Inútil seria pensar em nivelá-las. Isso não é possível pelas instituições, pelas leis nem pela educação.
Um dos maiores erros do nosso tempo é supor que a educação iguala os homens. Ela os utiliza, mas não os nivela nunca. Numerosos políticos ou universitários, carregados de diplomas, possuem mentalidade de bárbaros e somente podem, portanto, ter por guia na vida uma alma de bárbaro.”
“Uma mulher culpada de grave crime, porém cercada de filhos lacrimosos que a reclamem, está certa da indulgência do júri. A mulher formosa que, num acesso de ciúme, matou o amante, pode estar ainda certa disso. Um júri inglês a condenaria à forca; um júri francês a absolve quase sempre.”
“Um pouco acima dessa categoria, dominada por mera sentimentalidade, acham-se os juízes dos tribunais de primeira instância. São ainda bastante jovens e os argumentos de ordem afetiva podem-nos comover. O prestígio de um advogado célebre sempre os impressiona. Pode-se, entretanto, exercer influência nos seus espíritos por meio de provas racionais, unicamente, porém, se elas não tiverem de lutar contra interesses pessoais. A esperança de promoção, as pressões políticas, exercem, por vezes, uma influência preponderante nas suas opiniões. Eles formulam julgamentos bastante incertos, porquanto os magistrados do Tribunal de Apelação reformam cerca de um terço desses julgamentos. Eles se iludem, portanto, mais ou menos 1 vez em 3.
Os magistrados de Tribunais de Apelação formam um grau superior ao da classificação precedente. Mais idosos e mais instruídos, são menos subordinados à lógica afetiva do que à lógica racional.
No vértice, finalmente, surgem os juízes do Tribunal Supremo. Envelhecidos, um pouco decrépitos, nada mais tendo a esperar, desprovidos de toda sentimentalidade, tão indiferentes ao interesse individual quando à compaixão, ignoram os casos particulares e permanecem confinados no direito estrito. Nenhum advogado procuraria invocar um ar sentimental diante deles. Só a prova racional os pode impressionar. As meticulosas precauções da lei inteiramente os dominam. Ela tornou-se para eles uma espécie de entidade mística, isolada dos homens. Esse excesso de racionalismo não é destituído de perigo, pois o direito, eqüitável no momento em que acaba de ser fixo, cessa logo de o ser em virtude de evolução social, que rapidamente o excede. É então que se deve interpretá-lo, a fim de preparar a sua transformação, como fazem alguns magistrados cujas sentenças formam uma jurisprudência, [ou um calhamaço de jurisprudências…] filha de novos costumes e mãe de novas leis. O duelo passou, assim, do estado de crime ao de delito não-condenável; o adultério, acarretando outrora anos de prisão para os culpados e julgado pelo código como um crime tão grave que ao marido se desculpava matar a mulher, acabou por ser incluído entre os delitos de tal modo secundários que um novo projeto de lei propôs, como única punição para o adultério, uma insignificante multa.”
Assembléias: “Os votos são unicamente sugeridos pelos interesses do partido ou pelos dos eleitores, aos quais devem agradar.” Se houver resquícios do segundo, dêem-se por satisfeitos!
“Sem dúvida, a razão é constantemente invocada nas assembléias parlamentares, mas, na realidade, é o menos importante dentre os fatores suscetíveis de influenciá-la.”
“As divergências de opinião não resultam, como por vezes supomos, das desigualdades de instrução daqueles que as manifestam. Elas se notam, com efeito, em indivíduos dotados de inteligência e de instrução equivalentes.” Bourdieu pesquisou temperamentos e caracteres em sua nascida-defasada-teoria social dos gostos? Tudo o que vale para esses mentes-vazias é a erudição e a classe econômica!
“A história da Alemanha e a da França nestes últimos 50 anos fornece numerosas provas das vantagens inconvenientes destes dois métodos: a tirania individual e a tirania coletiva.” Infelizmente o conhecimento político de Le Bon parece se limitar ao século XIX de dois ou três países vizinhos, o que é teoricamente um nada.
4. A RETIFICAÇÃO DAS OPINIÕES PELA EXPERIÊNCIA
“Todas as nações verificam, desde as origens do mundo, que a anarquia termina pela ditadura. Mas dessa eterna lição elas não tiram nenhum proveito.”
“A experiência mostra, igualmente, que, por seguros motivos de ordem psicológica, todo o produto fabricado pelo Estado ultrapassa sempre os preços da indústria particular, não obstante essa prova, os socialistas obrigam o Estado a monopolizar constantemente alguma fabricação nova.” Que coisa! Israel devia terceirizar sua indústria bélica, então!
SIM, ESSE É UM DOGMA DO CAPITALISMO: “Os socialistas aprenderam, assim, experimentalmente, porém à custa dos seus administradores, que as leis econômicas desdenhadas, quando não são compreendidas, tornarão sempre impossível o estabelecimento de uma taxa qualquer numa classe única de cidadãos. Por incidência, ela se reparte logo entre todas as outras classes, e quem paga não é aquele contra o qual o imposto foi votado.”
LIVRO VI. AS OPINIÕES E AS CRENÇAS COLETIVAS
1. AS OPINIÕES FORMADAS SOB INFLUÊNCIAS COLETIVAS: A raça, o meio, o costume, os grupos sociais, etc.
“Já não existem hoje raças puras, no sentido antropológico da expressão; mas, quando povos da mesma origem ou origens diversas, sem que sejam muito afastadas, estiveram submetidos durante muitos séculos às mesmas crenças, às mesmas instituições, às mesmas leis, e falam a mesma língua, constituem o que denomino uma raça histórica.” “A alma de um povo não é, portanto, uma concepção metafísica, mas uma realidade palpitante. É formada de uma estratificação atávica, de tradições, modos de pensar e mesmo preconceitos. Da sua solidez depende a força de uma nação.” “Destruir as influências do passado na alma de um povo teve sempre como invariável resultado conduzi-lo à barbárie.” “Os tchecos e os húngaros na Áustria, os irlandeses na Inglaterra, etc., confirmaram a exatidão dessa lei. A pretensão de impor os nossos códigos aos indígenas das nossas colônias prova que ela é mal-compreendida.”
“Um povo de mestiços é ingovernável. A anarquia em que vivem as repúblicas latinas da América é uma prova dessa asserção.”
“As violentas revoluções por meio das quais os povos procuram então, por vezes, subtrair-se ao jugo opressor de um passado demasiadamente penoso, não têm uma ação durável. Podem destruir as coisas, porém modificam muito pouco as almas. Assim, as opiniões e as crenças da velha França pesam sobre a nova de um modo irresistível. Só as fachadas mudaram.” Tanto criticam a ineficácia das revolução nos séculos XVIII e XIX e se esquecem do advento do Cristianismo: teria mudado o homem? Não, em absoluto!
“Um perfeito socialista revolucionário facilmente se torna um conservador intransigente, desde que chegue ao poder. Sabe-se com que facilidade Napoleão transformou em duques, camaristas e barões, os terríveis convencionais que ainda não tinham tido tempo de matar-se uns aos outros.” Pouco se fala, no entanto, do estranho fenômeno dos comunistas na velhice ou maturidade: FhC, Mandetta, Mark Zuckerberg, se bobear até o Musk… Todos xingados de comunistas pelos “cérebros de gelatina” que ajudaram a destruir o Brasil elegendo Bolsonaro.
QUE AZEDO E ULTRAPASSADO! “Imaginando, segundo a afirmação dos seus agitadores, que eles são os criadores únicos da riqueza, não suspeitam absolutamente o papel que o capital e a inteligência representam. Considerando-se muito mais compatriotas dos operários estrangeiros do que dos burgueses franceses, eles se tornaram internacionalistas e antimilitaristas. A sua verdadeira pátria é o grupo de homens do seu ofício, a qualquer nação que pertençam.”
2. OS PROGRESSOS DA INFLUÊNCIA DAS OPINIÕES COLETIVAS E AS SUAS CONSEQÜÊNCIAS
“O ponto mais essencial, talvez, da psicologia das multidões é a nula influência que a razão exerceu nelas. (…) Tais verdades deveriam ser banais desde muito tempo, mas a maneira de agir dos políticos de raça latina indica que eles não as compreendem ainda. Eles só se libertarão da anarquia depois de a terem compreendido.” Mas de que adianta compreender, se continuarão sentindo e sendo mistificados, Le Bon?
“As mais revolucionárias multidões latinas mantêm um espírito muito conservador, muito tradicionalista. E isso explica por que os regimes que ela destrói são logo restaurados sob novas designações.”
“A ação das opiniões populares, que hoje se tornou preponderante, igualmente se exerceu nas diversas épocas da História. Ela não é sempre percebida, porque a crônica das nações não foi, durante muito tempo, mais do que a dos soberanos. Todos os atos dos reinados pareciam resultar meramente da vontade dos reis.”
“Quando, depois de haver terminado a história dos soberanos, o cronista se ocupar da história dos povos, claramente se verá que as multidões foram as verdadeiras criadoras de acontecimentos memoráveis: cruzadas, guerra de religião, matança de S. Bartolomeu,¹ revogação do edito de Nantes, restauração monárquica e napoleônica, etc. Nenhum déspota teria jamais tido a força de ordenar a matança de São Bartolomeu e, a despeito do seu poder absoluto, Luís XIV não haveria podido revogar o edito de Nantes.”
¹ wiki: “O massacre da noite de São Bartolomeu ou a noite de São Bartolomeu foi um episódio da história da França na repressão ao protestantismo, engendrado pelos reis franceses, que eram católicos. [Pelos reis, no plural, se foram somente em duas noites?] Esses assassinatos aconteceram em 23 e 24 de agosto de 1572, em Paris, no dia de São Bartolomeu. Estima-se que entre 5 e 30 mil pessoas tenham sido mortas, dependendo da fonte atribuída.”
“Os acontecimentos provocados pelas multidões são, na maioria, os que têm na História o papel mais funesto. As catástrofes de origem popular foram, felizmente, pouco numerosas, graças à ação das elites que, tão fracas hoje, conseguiam, então, na maior parte das vezes, limitar os caprichos e os furores do número.” Que coisa, não? Como envelheceste mal!
Se tudo é permitido para muitos ou quase todos, nada é permitido a ninguém.
“Se um povo aspira à liberdade, o que raramente lhe acontece, ou se ele se arremessa à servidão, tendência muito mais freqüente, sempre achará professores e advogados que dêem uma forma intelectual às suas impulsões, por mais perigosas que possam ser.”
“As opiniões da multidão ditam sempre hoje aos legisladores leis que eles devem votar e, como essas leis correspondem a efêmeras fantasias e não a necessidades, o seu resultado final é a desorganização da vida industrial, social e econômica do país.” Se assim o é, poderia me explicar como e por que a maconha e o aborto não são ainda legais? E por que não existe um programa de renda mínima consolidado no Brasil?
Que saudades do que não vivi (as greves sendo realmente temidas!)…
“Isso é apenas, cumpre notar, um começo. [!!!] Os operários, aos quais são propostas pensões de 200 ou 300 francos já não se contentarão com isso, desde que se certificarem de que, mediante violência, os seus colegas das estradas de ferro obtêm 2 ou 3 mil. Depois do voto do Senado, os pedidos de aposentadorias proporcionais principiaram a aparecer, naturalmente, em avultado número: cantoneiros, operários dos arsenais, da manufatura do fumo reclamaram energicamente. Mas tudo isso é o futuro, um temível futuro, que só as preocupações eleitorais impedem de ver. Que sinistra cegueira!”
“Sem os pesquisadores solitários, jamais haveria civilização ou progresso; mas a obra individual somente adquire toda a força pela sua absorção na alma coletiva.”
3. A DISSOLUÇÃO DA ALMA INDIVIDUAL NA ALMA COLETIVA
“Essa desagregação de uma sociedade em fragmentos sem elos comuns constitui o que se denominou movimento sindicalista. Longe de permanecer, como o socialismo, um produto de puros teóricos, alheios às realidades, ele representa uma criação espontânea, devida a necessidades econômicas, que por toda a parte se impuseram, como prova a sua generalização, sob formas diversas, em povos de mentalidades distintas. As únicas diferenças são que o sindicalismo, revolucionário em alguns países, é pacífico em outros.” Que distinção absurda é essa???
“A evolução industrial, que provocou esse movimento, conduz as grandes pátrias modernas a se subdividirem em pequenas pátrias, que só respeitam as próprias leis e desdenham as da coletividade geral que as contém.” Intui (mas articula mal) o reacionarismo e a fragmentação pós-modernos subseqüentes à falência do socialismo…
“Desde que o antigo bloco social tiver sido inteiramente dissolvido em pequenos fragmentos solidamente constituídos, as suas divergências de interesses fatalmente os conduzirão a incessantes lutas. Se cada grupo for, com efeito, composto de elementos homogêneos, dotados de interesse e opiniões semelhantes, ele se achará em conflito com outros grupos, tão pujantes, mas que encerrem interesses nitidamente opostos.
É possível pressentir desde já essas futuras lutas entre interesses contrários, pois assim nos revela a história das antigas repúblicas italianas, principalmente a de Siena e a de Florença. Governadas por sindicatos operários, estes ensangüentaram com as suas dissensões intestinas, durante séculos, todas as cidades em que se exerceu o seu domínio. § Não objetemos que se trata de tempos muito remotos. As grandes leis sociais não são numerosas e sempre se repetem. § As lutas de grupos apenas começam porque o poder central, ainda forte, refreia as suas rivalidades, mas esse poder perde cada vez mais a sua ação. Desde que ele a tiver perdido inteiramente contra ele, [ele contra ele quem?] como em Narbona, depois entre eles, como na Champagne, onde os sindicatos rivais de dois departamentos de interesses contrários encarniçadamente lutaram um contra o outro.” Alusão a fenômenos sociais hoje ininteligíveis para quem não conhece os episódios com muita especificidade!
“Nos capítulos consagrados ao estudo das opiniões individuais, tivemos, muitas vezes, dificuldade em precisar, entre os fatores que podiam agir, aqueles que desempenham um papel preponderante. Nada é, porém, mais fácil quando se trata de grupos muito homogêneos, muito circunscritos, tais como aqueles cuja formação acabamos de indicar.
Eles são, efetivamente, compostos de indivíduos que possuem unicamente as opiniões do seu pequeno meio. Para conservar a sua força, o grupo é obrigado a não tolerar nenhuma dissidência. Pela opinião de um dos seus membros, conhece-se a de todos os outros.”
“Caiam as sociedades futuras sob o jugo do socialismo, do sindicalismo ou dos déspotas, suscitados pelas anarquias precedentes dessas doutrinas, elas serão, de qualquer modo, mentalmente escravizadas.” HAHAHA!
“A evolução moderna tende, como acabamos de ver, a desagregar as sociedades em pequenos grupos distintos, que possuem sentimentos, idéias e opiniões idênticas, isto é, uma alma comum. É inútil discutir o valor dessa evolução, porquanto a razão não altera os fatos. § Mas, sem que os julguemos, é possível, pelo menos, tentar interpretá-los. Ora, é fácil mostrar que essa fusão das almas individuais em almas coletivas constitui um retrocesso a fases extremamente remotas da história, observadas ainda no estado de sobrevivência entre os povos primitivos inferiores.” Interessante. Simplesmente enuncia o conceito de aldeia global ou “tribos urbanas”! “e é por isso que todos os membros de uma mesma tribo são considerados como responsáveis pelos atos de um só.”
“Um administrador da Indochina, o Sr. Paul Giran, observa justamente que ‘o direito coletivo desse país parece incompreensível aos magistrados europeus que aí são enviados, porquanto eles consideram como indiscutível evidência que somente o autor de um delito tem a responsabilidade do ato cometido. A idéia de que uma pessoa alheia a um crime possa, pelo fato desse crime, sofrer uma pena qualquer, parece-lhes monstruosa’.
Ela não o é, entretanto, para o anamita.¹ Em numerosos casos, os parentes, que pertencem ao grupo familiar do culpado, são executados. E por quê? Pela razão psicológica acima indicada, isto é, que não estando diferenciados os elementos de cada grupo social, são considerados como tendo apenas uma alma coletiva.” Mas se está falando da individualização do crime?!?
¹ Antigo povo autóctone do território atual do Camarões (melhor resultado na pesquisa)? Ininteligível…
“Os próprios europeus empregam esse direito primitivo em tempo de guerra, quando fuzilam os reféns, apoiando-se no princípio da responsabilidade coletiva,”
“A não-diferenciação psicológica dos diversos membros de uma tribo, entre os primitivos, é também acompanhada de uma não-diferenciação anatômica. Provei, outrora, por investigações feitas em milhares de crânios, que a homogeneidade anatômica de um povo é tanto maior quanto mais alto se remonta às suas origens, e os crânios dos seus diversos membros se diferenciam gradualmente, à medida que esse povo progride.” Difícil provar algo em arqueologia, amigo!
“A alma individual, que só em séculos conseguira desprender-se um pouco da alma coletiva, atualmente se volta para ela.” Oxalá!
LIVRO VII. A PROPAGAÇÃO DAS OPINIÕES E DAS CRENÇAS
1. A AFIRMAÇÃO, A REPETIÇÃO, O EXEMPLO E O PRESTÍGIO
“O hábito de louvar a virtude teria acabado, talvez, por tornar virtuoso o próprio Tartufo.”
Mais forte que o hábito é o enjôo, a náusea. É o que vem depois de dois mil anos de “ele morreu por nós”…
“Enquanto na Alemanha a mocidade universitária, a mocidade burguesa, inteligente e letrada, outrora atraídas pelo socialismo, hoje se afastam dele e voltam a sentimentos de patriotismo exclusivo e exaltado, a tal ponto que a social-democracia alemã já não obtém, por assim dizer, adeptos entre eles; em França, ao contrário, é moda alistar-se entre os estudantes coletivistas e internacionalistas. O exemplo vem de cima, dos professores de filosofia, dos normalistas. A Escola Normal se transforma numa escola do socialismo.” Que bom, Le Bon: evitastes o fascismo francês – orgueil! Estranho poder místico possuído por esses professores… Os do século XXI não conseguem mais influenciar seus alunos e pensarem por si mesmos!
“A autoridade do mestre é hoje soberana, inteiramente como no tempo em que reinava Aristóteles. Ela se torna mesmo cada vez mais onipotente à medida que a ciência mais se especializa.” Defina mestre. Hoje ele é o bobo-da-côrte.
CLOROQUINERS IN A NUTSHELL: “O completo imbecil, entretanto, alcança êxito, algumas vezes, porquanto, não tendo consciência da sua imbecilidade, jamais hesita em afirmar com autoridade.” “O mais vulgar dos ‘camelos’, quando energicamente afirma a imaginária superioridade de um produto, exerce prestígio na multidão que o circunda.” Seja lá o que for camelo, está correto…
2. O CONTÁGIO MENTAL
Minha sensação é que Le Bon – logo ele! – subestima a inteligência da sua própria massa; ignaro em sua própria psicologia! Ele pressupõe que seu público não sabia das verdades imorredouras (as obviedades, melhor dizendo) que ele elenca com sua automática, sua metralhadora verbal. Tudo isso (o que é uma opinião, o que é uma crença, seu poder absoluto) o populacho sempre soube, sempre saberá.
2014- : “Na vida ordinária, o contágio pode ser limitado pela ação inibidora da vontade, mas, se uma causa qualquer — violenta mudança de meio em tempo de revolução, excitações populares, etc. — vêm paralisá-la, o contágio exercerá facilmente a sua influência e poderá transformar seres pacíficos em ousados guerreiros, plácidos burgueses ou terríveis sectários. Sob a sua influência, os mesmos indivíduos passarão de um partido para outro e empregarão tanta energia em reprimir uma revolução quanto em fomentá-la.” PARADOXO DE SININHO, a “esquerdista” que ajudou a acordar o Gigante e derrubar o Partido dos Trabalhadores…
“Quanto mais se multiplicam os meios de comunicação tanto mais se penetram e se contagiam. A cada dia estamos mais ligados àqueles que nos cercam. A mentalidade individual facilmente reveste uma forma coletiva.”
UM HOMEM DE ÉPOCA (E PÕE ÉPOCA NISSO!): “Os magistrados são, com efeito, indulgentes em demasia para com todos os criminosos, e bons filantropos, um pouco imbecis, constroem para eles elegantes prisões bem-aquecidas e providas de todo o conforto moderno.”
“O contágio criminal produz-se, muitas vezes, assim, graças às narrações de assassinatos profissionais, referidos pelos jornais.” Engraçado que nunca ninguém imitou Pelé! Uma teoria de contágio com partido (se for ruim, é contagiante…). Típica do reacionarismo fim-de-milênio.
“O terror do último cometa, que devia, segundo se afirmava, encontrar a Terra, provocou a morte voluntária de muitas pessoas.”
O rol de exemplos eqüestres é invejável! Mas não terei saco para ler sua obra sobre equinos…
“Se um dos cães ladra, os outros imediatamente o imitam.” Será mesmo uma imitação, ou apenas um ato contíguo e inédito, impossível de ser distinguido de uma reação instintiva pelo homem?
“Tem-se muitas vezes repetido a história dos 15 inválidos que se enforcaram no mesmo gancho de um corredor e a dos soldados que se suicidaram na mesma guarita.” É mesmo? Diga-me o nome de 3 deles, por favor.
“O Sr. Stohoukine cita um caso de uma fogueira que devorou 2500 indivíduos que se sacrificavam na esperança de uma vida melhor.”
“O contágio mental pode, portanto, escravizar todas os inteligências. À semelhança do contágio pelos micróbios, ele poupa apenas naturezas muito resistentes e pouco numerosas.” Imagina quanta tolice não foi reverberada graças às passagens mais histriônicas do seu livro?
TOUCHÉ: “As opiniões propagadas por contágio só se destroem por meio de opiniões contrárias propagadas do mesmo modo. Aplicada por estadistas, essa regra de ordem psicológica lhes permitiria, graças aos meios de que dispõem, combaterem o contágio pelo contágio.” Meu país sempre será vermelho, etc.
3. A MODA
“Com a vida mais rápida, a mulher teve de se masculinizar exteriormente para seguir o homem nas suas vertiginosas corridas pelas grandes estradas. O vestido tailleur, primeiramente reservado a certos esportes, generalizou-se em tudo quanto tinha de cômodo e de adequado. Quanto aos outros vestidos, as mangas largas dos corpetes tornaram-se estreitas para deslizarem facilmente nos paletós. Mas, então, a vista sentiu-se impressionada desagradavelmente pelo busto assim estreito. Para corrigir esse defeito e porque uma transformação determina outra, diminuiu-se a amplitude das saias, para que ficassem mais largas as espáduas e se afinasse a silhueta, modificação que suscitou a supressão dos bolsos e, depois, as saias inferiores. A mulher, na sua necessidade de sentir em torno de si uma atmosfera de desejo, sublinhou essa simplicidade por uma estreiteza excessiva. Ela mostrou tudo quanto era possível e deixou adivinhar o resto. Saias, rendas e roupa branca cederam o lugar às peças inferiores, chamadas combinaisons, que preservam do pó e do frio.”
“A moda é tão poderosa entre as mulheres que elas suportam, em obediência aos seus ditames, os mais terríveis enfados, como as obrigações, há alguns anos, de manter constantemente erguido, por uma das mãos, um vestido de cauda, sendo a outra mão ocupada em carregar a bolsa, destinada a encerrar o conteúdo dos bolsos; é análogo o suplício no andar, determinado pelos vestidos chamados entraves e aceito há longos meses. Nesse ponto, as civilizadas rivalizam com as selvagens, que suportam a tortura de um anel espetado no nariz, em obediência à moda.”
“A moda não conhece revoltadas; só a extrema pobreza lhe recusa escravas. Nenhum dos deuses do passado foi mais respeitosamente obedecido.”
4. OS JORNAIS E OS LIVROS
“Alguns foram, contudo, bastante poderosos pela sua influência sugestiva para provocar a morte de milhares de homens. Tais são as obras de Rousseau, verdadeira bíblia dos chefes do Terror, ou A Cabana do Pai Tomás, que contribuiu muito para a sanguinolenta guerra de secessão na América do Norte.”
“A leitura da Bíblia no tempo de Cromwel criou na Inglaterra um número avultado de fanáticos. Sabe-se que na época em que foi escrito Dom Quixote, os romances de cavalaria exerciam uma ação tão perniciosa em todos os cérebros que os soberanos espanhóis vedaram, finalmente, a venda desses livros.”
“A simples repetição de uma fórmula breve só é útil para um produto já conhecido. Ela atua, então, por uma espécie de obsessão, mas, para um produto novo, será necessariamente preciso enumerar todas as suas qualidades.”
“A dificuldade de lutar contra o hábito, que combate a influência psicológica do anúncio, ficou muito bem provada pela história da adaptação dos pneumáticos aos carros. Tendo os alugadores recusado a compra desse artigo, o inventor o distribuiu gratuitamente a uma pequena companhia. O êxito foi tão rápido que, não somente essa empresa fez fortuna, como, diante das reclamações dos que tomavam carro, todas as outras companhias se viram obrigadas, com grandes despesas, a munir da borracha, primeiramente desdenhada, os seus veículos.”
“A batalha de Iena para os alemães, a guerra de 1870 para os franceses, foram necessárias para que criassem correntes de opiniões suscetíveis de impor o serviço militar obrigatório universal.(*) Só uma corrente de opiniões análoga, resultante de decisivos sucessos marítimos, podia permitir ao governo japonês aumentar de mais de um bilhão por ano as despesas da sua marinha de guerra.
(*) O chanceler do Império da Alemanha exprimiu muito bem essa verdade num discurso proferido em março de 1911 no Reichstag, e de que damos um resumo: ‘A questão do desarmamento é, para todo o observador sério, insolúvel enquanto os homens forem homens e os Estados forem Estados. Por mais que façam, os fracos serão sempre a presa dos fortes. O povo que não quer despender com o seu armamento, decai, e um povo mais forte toma o seu lugar’. [Carniça!] Como muito bem disse o mesmo estadista, ‘as disposições de que podem hoje surgir a guerra têm as suas raízes em sentimentos populares, que se deixam facilmente influenciar’.”
Os mais temíveis tiranos nunca foram bastante fortes para lutar muito tempo contra correntes de opiniões. Observa Juvenal que Domiciano pôde matar impunemente personagens ilustres, porém ‘pereceu quando os sapateiros começaram a ter medo dele’.”
“Essas explosões de opiniões populares, muito perigosas porque a razão não exerce nelas nenhuma influência, são felizmente pouco duráveis. Resistir-lhes diretamente é excitá-las ainda mais. Entre os diversos fatores das explosões de furor provocadas pela questão Dreyfus, um dos mais ativos foi a obstinação do Estado-maior em afrontar a opinião, contestando a evidência de certos documentos. Um simples erro judiciário não teria produzido mais efeito do que tantos outros, cotidianamente cometidos, e logo se teria cessado de pensar nisso.”
LIVRO VIII. A VIDA DAS CRENÇAS
1. CARACTERES FUNDAMENTAIS DE UMA CRENÇA
“Se os romanos aceitaram as divindades de todos os povos estrangeiros, foi porque elas constituíam para eles uma hierarquia de seres poderosos, que cada qual devia atrair em seu favor pela adoração.
Conquanto animado de princípios diferentes, o budismo triunfante não foi mais perseguidor. Ensinando a indiferença ao desejo e considerando os deuses e os entes como vãs ilusões sem importância, ele não tinha nenhuma razão para ser intolerante.”
“Os sectários modernos da deusa Razão são tão violentos, tão intolerantes, tão sequiosos de sacrifícios quanto os seus predecessores. A regra de todo o verdadeiro crente será sempre a que foi ensinada na Suma de S. Tomás: ‘A heresia é um pecado pelo qual se merece ser excluído do mundo pela morte’.”
“Todos os progressos da civilização procedem, evidentemente, desses espíritos superiores, mas não se pode desejar a sua multiplicação sucessiva. Inapta a adaptar-se imediatamente a progressos rápidos e profundos em demasia, uma sociedade se tornaria logo anárquica. A estabilidade necessária à sua existência é precisamente estabelecida graças ao grupo compacto dos espíritos lentos e medíocres, governados por influências de tradições e de meio.”
“A mediocridade de espírito pode, pois, ser benéfica para um povo, sobretudo associada a certas qualidades de caráter. Instintivamente, a Inglaterra o compreendeu, e é por isso que nesse país, embora seja um dos mais liberais do universo, o livre-pensamento sempre foi bastante mal-visto.”
“A mentalidade dos mártires de toda a espécie, política, religiosa ou social, é idêntica. Hipnotizados pela fixidez do seu sonho, sacrificam-se alegremente a fim de estabelecer a vitória da sua idéia, sem mesmo nenhuma esperança de recompensa neste mundo ou no outro. A história dos niilistas e dos terroristas russos é abundante em ensinamentos que demonstram este último ponto. Não é sempre a esperança do céu que faz os mártires.” “O estudo dos mártires pertence, sobretudo, ao domínio da patologia mental. Os alucinados das crenças mais variadas apresentam tal analogia que, depois de examinados dois ou três, todos os outros ficam conhecidos.” HAHAHAHAHAAHA!
“Eles podem ter como tipo o exemplo de Vivia Perpétua, venerada pelos cristãos sob o nome de santa Perpétua, e que vivia no reinado de Sétimo Severo. Filha de um senador três vezes cônsul, presidente do Senado de Cartago, a bela e rica patrícia, [afinal ela era cartaginesa ou romana?] secretamente convertida ao Cristianismo, preferiu ser exposta nua diante do povo e devorada viva pelos animais ferozes a fazer o simulacro de queimar um pouco de incenso no altar do gênio do Imperador. Os crentes consideraram tais atos como provas do poder dos seus Deuses. É, evidentemente, uma pura ilusão, porquanto os mártires foram igualmente numerosos em todas as religiões e em todas as seitas políticas.”
“Os povos jamais sobreviveram muito tempo à morte dos seus deuses.”
2. AS CERTEZAS DERIVADAS DAS CRENÇAS: A natureza das provas com que se contentam os crentes
“Lutero tinha certeza de que o papa era o Anti-Cristo, que não existia purgatório e, em nome de verdades dessa ordem, a Europa foi posta a fogo e sangue, durante muitos séculos. Os padres da Inquisição tinham certeza de que Deus queria ver queimados os hereges, e eles despovoaram a Espanha com as suas fogueiras.”
“A leitura das obras relativas aos meios de descobrir os feiticeiros, descritos por doutos magistrados outrora qualificados de eminentes, é, nesse ponto de vista, extremamente instrutiva. Os documentos dessa natureza, tanto quanto os livros dos teólogos, mostram o abismo que separa a prova exigida pelo sábio da que satisfaz o espírito encerrado no ciclo da crença.
É inútil dar aqui exemplos. Todos seriam análogos aos que foram revelados no processo que se intentou contra o escritor italiano d’Albano. Provou-se claramente que havia aprendido ‘as 7 artes liberais’ com o auxílio de 7 demônios, por se ter descoberto em sua casa uma garrafa que continha 7 drogas diferentes, cada uma das quais representava um demônio. A despeito dos seus 80 anos, ia ser queimado vivo, quando, protegido sem dúvida pelos 7 demônios captados, morreu subitamente. Os juízes tiveram de limitar-se a desenterrá-lo e a queimar o cadáver numa praça pública.
No reinado de Luís XIV, só excepcionalmente os feiticeiros foram queimados, mas ninguém duvidava do poder que eles possuíam. O processo da feiticeira Voisin revelou que as maiores personalidades da época, o marechal de Luxembourg, o bispo de Langres, primeiro capelão da rainha e outros, tinham recorrido à força mágica que lhe atribuíam. O bispo Simiane de Gorges se dirigira a ela, a fim de obter, por influência do diabo, a fita azul do Espírito Santo!
Se as cartomantes e as pitonisas modernas referissem as visitas que recebem, ver-se-ia que a credulidade humana não tem diminuído. Eu poderia citar um ex-ministro, conhecido pelo seu rígido anticlericalismo, que nunca sai sem ter no bolso o pedaço de uma corda de enforcado. Um dos nossos mais eminentes embaixadores imediatamente se levanta de uma mesa em que se acham 13 convivas. É o fetichismo desses ilustres homens de Estado verdadeiramente superior às crenças religiosas que eles proscrevem com tanto vigor?”
“Uma doutrina deve ser julgada verdadeira, dizia ele, desde que todos os homens assim pensam. No juízo de Bossuet, um único ente não poderia ter razão contra a totalidade dos outros. Foram necessários os progressos das ciências modernas para provar que muitas descobertas se realizaram, precisamente porque um único homem teve razão contra todos os outros.”
“Uma mentalidade religiosa indestrutível nos fará voltar sempre os olhos para o sobrenatural, mas o estudo atento dos fatos milagrosos sempre mostrará também que eles são apenas alucinações criadas pelo nosso espírito.”
3. PAPEL ATRIBUÍDO À RAZÃO E À VONTADE NA GÊNESE DE UMA CRENÇA
“O exemplo de Pascal mostra o que podem ser os resultados dessa luta entre a lógica afetiva e mística de um lado e a lógica racional do outro. O ilustre pensador escrevia numa época em que as verdades religiosas eram aceitas sem contestação, e só um gênio como o seu podia ousar submeter as suas certezas a uma discussão racional. O completo insucesso da sua tentativa demonstra, ainda uma vez, a fraqueza da razão perante a crença.
Pascal era dotado de muita sagacidade para não perceber o ilogismo racional de uma lenda que supõe um Deus a vingar em seu filho uma injúria cometida na origem do mundo por uma das suas criaturas, e não hesita em qualificá-la de ‘tolice’.” “Impressionado pelo receio do inferno (…) ele chega a considerar a vida futura como o objeto de uma temível aposta.” O e se… ético da vida aqui e agora, só que mal-aplicado…
“Todo o homem pode fazer o que fez Maomé, porquanto este não fez milagres e não foi predito. Nenhum homem pode fazer o que fez Jesus Cristo.”
4. COMO AS CRENÇAS SE MANTÊM E SE TRANSFORMAM
“uma crença que não é continuamente defendida logo se desagrega. A história está repleta de destroços de crenças que, por essa razão, tiveram apenas uma existência efêmera.” Mas pode-se reavivar crenças há séculos perdidas.
“Confinado num deserto, privado de qualquer símbolo, o crente mais convicto veria rapidamente declinar a sua fé. Se, entretanto, anacoretas e missionários a conservam, é porque incessantemente relêem os seus livros religiosos e, sobretudo, se sujeitam a uma multidão de ritos e de preces. A obrigação para o padre de recitar diariamente o seu breviário foi imaginada pelos psicólogos que conheciam bem a virtude sugestiva da repetição.”
“Os iconoclastas eram guiados por um instinto seguro, quando quebravam as estátuas e os templos das divindades que eles queriam destruir.”
“O bramanismo, por exemplo, só tem muito vaga relação com os livros védicos que o inspiraram. O mesmo se diria do budismo.” Não existem dois brâmanes iguais, diria Heráclito.
“Uma crença triunfante acaba sempre por fragmentar-se em seitas, cada uma das quais mantém apenas os elementos fundamentais da crença primitiva.”
“Considerar a Reforma, como freqüentemente se faz, como uma vitória da liberdade do pensamento é não compreender absolutamente a natureza de uma crença. O protestantismo foi, primeiramente, mais rígido do que o catolicismo, e se ele evolveu, em seguida, para formas por vezes um pouco liberais, não ficou, por isso, menos intolerante. Lutero e os seus sucessores professavam doutrinas muito decisivas, destituídas de todo o espírito filosófico e impregnadas de uma intransigência absoluta. Tendo dividido os homens em eleitos e réprobos, Calvino julgava que os primeiros não devem ter nenhuma consideração para os segundos. Tendo-se tornado senhor de Genebra, impôs à cidade a mais terrível tirania e organizou um tribunal tão sanguinário quanto o Santo Ofício. O seu contraditor, Michel Servet, foi queimado a fogo lento.
Na época da matança de S. Bartolomeu, resultado de todas essas querelas em França, os protestantes foram os massacrados; mas, em todos os países em que eles eram os mais fortes, tornaram-se massacradores. A intolerância era a mesma dos dois lados.
A perpétua subdivisão das crenças é devida à circunstância de que cada qual adota os elementos que o impressionam com mais força e não é influenciado pelos outros. Certos fiéis que possuem o temperamento de apóstolos procuram logo formar uma pequena igreja. Se o conseguem, funda-se um cisma ou uma heresia e o contágio mental logo intervém para propagá-la. A divisão de uma crença em seitas foi sempre favorecida pela extrema imprecisão dos livros sacros. Cada teólogo pode, desde então, interpretá-los ao seu modo.
É útil percorrer obras como as que foram consagradas às discussões sobre a graça, entre tomistas e congruístas, jansenistas e jesuítas, etc., a fim de ver a que grau de aberração podem descer mentalidades influenciadas pela fé.
Os próprios espíritos mais eminentes parecem estar tomados de vertigem, desde que penetram no domínio da crença. Como exemplo, citaríamos as Meditações do célebre Malebranche. O êxito desse livro foi tal que, ao ser publicado em 1684, 4 mil exemplares foram vendidos em uma semana.”
“Se há mal no mundo, é porque Deus negligenciou um pouco a sua obra; assim era, aliás, preciso, porquanto o mundo é a morada dos pecadores.”
“Os crentes de todos os tempos têm procurado racionalizar a sua fé, sem compreender que a sua força era devida justamente à circunstância de não ser influenciada pelo raciocínio.”
“A desagregação de uma crença em seitas rivais perpetuamente em luta não se poderia produzir nas religiões politeístas. Elas também evolveram, mas por simples anexação, depois por fusão de deuses novos, todos considerados como muito poderosos e, conseguintemente, muito respeitados. Eis por que as guerras de religião que devastaram a Europa ficaram mais ou menos ignoradas na antiguidade pagã.
Foi, pois, um grande benefício para os povos terem começado pelo politeísmo. Considero, contrariamente a uma opinião muito generalizada, que eles lucrariam muito se permanecessem nesse terreno. Longe de favorecer o progresso, o monoteísmo os atrasou, pelas lutas sanguinolentas com que encheu o mundo. Moderou durante séculos a evolução das artes, da filosofia e das letras, desenvolvidas pelos gregos politeístas a um ponto tal que eles são tidos como nossos mestres.” “O culto da pátria tinha bastado para dotar os romanos politeístas, na época da sua grandeza, de uma identidade de sentimentos que nunca foi ultrapassada.”
“Se, conforme o juízo de tantos historiadores e de meios-filósofos como Renan, o monoteísmo houvesse constituído uma superioridade, seria preciso colocar acima de todas as outras religiões o islamismo, a única mais ou menos monoteísta.
Digo ‘mais ou menos’ porquanto as religiões realmente monoteístas só existiram nos livros. O cristianismo, por exemplo, logo anexou legiões de anjos, santos e demônios, que correspondem exatamente às divindades secundárias do mundo antigo e são venerados ou temidos como aquelas.
Essa multiplicidade de deuses secundários nas crenças monoteístas e a divisão rápida destas últimas em seitas mostram claramente que o monoteísmo é um conceito teórico, que não satisfaz às nossas necessidades afetivas e místicas.”
5. COMO MORREM AS CRENÇAS
“Exato no sentido histórico, o título deste capítulo é muito menos preciso no sentido filosófico. Semelhantes à energia física moderna, as crenças se transformam algumas vezes, mas nunca perecem. Mudam, contudo, de nome, e é esse fenômeno que pode ser considerado como a sua morte.”
“Essa fase, na qual o ceticismo e a fé se aproximam, produz-se quando o tempo ou outros motivos abalaram as crenças antes que estejam ainda nitidamente formuladas aquelas que as devem substituir. Os últimos defensores dos dogmas desfeitos a eles se prendem desesperadamente, sem que neles acreditem muito. Parece recearem ‘esse incurável tédio’, segundo Bossuet, ‘que constitui o fundo da vida dos homens, desde que perderam o gosto de Deus’.”
“Atravessamos precisamente um desses períodos de instabilidade em que os povos se sentem vacilantes entre as influências das divindades antigas e as que se acham em via de formação. A nossa época constitui um dos pontos críticos da história das crenças. Enquanto se espera a adoção de uma grande fé nova, a alma popular flutua entre pequenos dogmas momentâneos, sem duração, mas não sem força. Defendidos por grupos, comissões ou partidos, eles exercem, muitas vezes, um poder considerável.” “Os imperativos categóricos gerais de outrora tornaram-se pequenos imperativos de seitas, tendo de comum apenas um ódio intenso contra a ordem de coisas estabelecidas.”
“Robespierre, encarnação típica da estreita mentalidade religiosa do seu tempo, julgava-se um apóstolo que recebera do céu a missão de estabelecer o reino da virtude. Muito deísta, muito conservador e grão-sacerdote infalível de uma nova teocracia, supunha um dever sagrado imolar implacavelmente ‘os inimigos da virtude’ e, como outrora os pontífices da Inquisição, não excluía ninguém. Os seus discursos faziam incessantemente apelo ao Ente Supremo. O seu agente Couthon invocava também a cada instante o Altíssimo.”
O DEUS DO SOCIALISMO É O TRABALHO RESTITUÍDO AO HOMEM: “Se o socialismo possuísse alguma divindade precisa que cumprisse adorar, o seu êxito seria muito mais rápido. Os seus apóstolos reconhecem instintivamente essa necessidade, mas, não ousando oferecer à adoração popular a cabeça do principal teórico da doutrina, o judeu Karl Marx, eles se voltaram para a deusa Razão.” Qual é a necessidade de designá-lo como judeu neste contexto? Eu mesmo respondo: anti-semitismo.
“Infelizmente, as divindades abstratas nunca seduziram as multidões, e é por isso que a religião socialista possui dogmas, mas ainda espera o seu deus. Ele não se fará esperar muito tempo. Os deuses surgem quando se tornam necessários.” Erro crasso ou acertou por tabela ao chutar o vento, acertando na Mãe-Rússia?
“É inútil recriminar.” Dessa perspectiva, seu livro inteiro foi inútil.
“Pilatos, hoje, já não formularia sem dúvida a pergunta, à qual nenhum filósofo jamais respondeu definitivamente. Ele diria que, sendo a verdade o que se crê, toda a crença estabelecida constitui uma verdade.”
LIVRO IX. PESQUISAS EXPERIMENTAIS SOBRE A FORMAÇÃO DAS CRENÇAS E SOBRE FENÔMENOS INCONSCIENTES DE QUE ELAS DERIVAM
1. INTERVENÇÃO DA CRENÇA NO CICLO DO CONHECIMENTO. GÊNESE DAS ILUSÕES CIENTÍFICAS.
“Um dos mais flagrantes é a aventura de que foram vítimas, há mais ou menos 40 anos, a quase totalidade dos membros da Academia das Ciências, e que inspirou a Daudet o seu célebre romance O imortal. Acreditando num eminente geômetra, aureolado de grande prestígio, a ilustre assembléia inseriu, como autênticas, nas suas atas, uma centena de cartas atribuídas a Newton, Pascal, Galileu, Cassini, etc. Fabricadas, inteiramente, por um falsário pouco letrado, encerravam numerosos erros e vulgaridades, mas os nomes dos supostos autores e do sábio que as apresentava fizeram aceitar tudo. Os acadêmicos, na sua maioria, e principalmente o secretário perpétuo, não conceberam nenhuma dúvida no tocante à autenticidade desses documentos, até ao dia em que o falsário confessou a fraude. Dissipado o prestígio, declarou-se que era miserável o estilo das cartas, que, ao princípio, se afirmara ser maravilhoso e digno dos escritores de gênio considerados como os seus autores.
RAIOS N: “Durante 2 anos, as atas da Academia de Ciências publicaram inúmeras notas de vários físicos profissionais: Broca, J. Becquerel, Bichot, etc., sobre as propriedades, cada dia mais maravilhosas, desses raios. O Sr. Jean Becquerel anunciava mesmo tê-los cloroformizado. Sábios distintos, notavelmente o sr. D’Arsonval, faziam a respeito deles entusiásticas conferências. A Academia de Ciências, julgando necessário recompensar tão importante descoberta, encarregou vários dos seus membros, entre os quais o físico Marcart, de verificarem na residência do autor a exatidão das suas pesquisas. De lá voltaram maravilhados, e um prêmio de 50 mil francos foi concedido ao inventor.(*)
(*) Esse prêmio devia, primeiramente, ser conferido exclusivamente pelos raios N, mas, no último momento, por um excesso de prudência, que se afigurou excessivo a alguns membros da comissão, no relatório se declarou que o prêmio seria atribuído ao sr. Becquerel pelo conjunto dos seus trabalhos, sem especificação.
Durante esse tempo, sábios estrangeiros, para os quais os físicos franceses são destituídos de prestígio, repetiam em vão as experiências, sem o menor resultado. Muitos se decidiram, então, a ir observá-las na residência do inventor, e rapidamente se certificaram de que este era vítima das mais completas ilusões e continuaram a medir, por exemplo, os desvios dos raios N sob a influência de um prisma, conquanto se houvesse retirado sorrateiramente esse prisma na escuridão, etc.
A Revue Scientifique encetou, então, um vasto inquérito junto a todos os físicos do universo. Os seus resultados foram desastrosos para os raios N. Foi preciso reconhecer que eles constituíam um mero produto da sugestão mental e do contágio, e nunca tinham tido existência.
Dissipada a sugestão, nenhum dos físicos franceses persuadidos de terem visto os raios N conseguiu uma só vez vê-los de novo. As comunicações sobre esse assunto, outrora tão abundantes nas atas da Academia de Ciências, subitamente e totalmente cessaram.”
“Nas ciências em via de formação, como é a medicina, [!] na qual são extremamente difíceis as verificações — porquanto jamais se sabe que resultados cumpre atribuir à sugestão e ao remédio —, os erros se perpetuam muito mais. Enumerá-los seria relatar a história da medicina e mostrar que teorias, remédios e raciocínios mudam todos os quartos de século.”
“Há 50 anos, mais ou menos, o tratamento da pneumonia pela sangria era considerado como uma das belas conquistas da arte médica. O seu valor parecia fartamente provado por estatísticas, as quais indicavam que, graças a esse tratamento, só morriam 30 doentes em 100. (…) Os médicos matavam, pois, pela sangria, 25 por 100 dos seus doentes.”
2. A FORMAÇÃO MODERNA DE UMA CRENÇA: O ocultismo
“Queimados por milhares, os feiticeiros reapareciam sempre. Essa potência rival da Igreja foi vencida pelo tempo muito mais do que pelos suplícios.”
“Se inúmeros testemunhos, afirmações obstinadamente repetidas, mesmo à custa da vida, bastassem para estabelecer a existência de um fato, nada seria mais incontestavelmente provado do que a existência do sabbat. Incalculável é, com efeito, o número de indivíduos que confessaram tê-lo visitado através dos ares, montados numa vassoura, e haver tido aí relações sexuais com os demônios.”
“O papel da sugestão e do contágio mental aí se manifesta em grande escala. Os testemunhos ouvidos no decurso dos processos de feitiçaria em vários países são concordes, as descrições de satã idênticas, o modo de ir ao sabbat é o mesmo em toda parte. Nenhum interesse pessoal parece ter influenciado a alma desses alucinados. O diabo lhes dava, verdadeiramente, muito pouco em troca da sua salvação eterna”
“Raramente havia, aliás, necessidade de recorrer às torturas para obter a confissão dos seus supostos crimes. Os inculpados descreviam, sem resistência alguma, as cenas do sabbat. O diabo aí os esperava sob formas variadas: sapo, gato, cão preto, bode, etc. Oferecia aos seus fiéis refeições geralmente compostas de fragmentos de cadáveres e distrações mui pouco numerosas. Afora as danças e as relações sexuais com feios demônios ou velhas feiticeiras, as mais freqüentes ocupações consistiam em fustigar vigorosamente grandes sapos para que segregassem um líquido esverdeado e pegajoso, destinado a fabricar unguentos e pós mágicos.”
“A magia antiga devia, ainda uma vez, reaparecer, mudando de nome sem sofrer notável modificação. Chama-se hoje ocultismo de espiritismo, os áugures se denominam médiuns, os deuses inspiradores de oráculos se intitulam espíritos, as evocações dos mortos têm o nome de materialização. Durante muito tempo a nova crença foi desdenhada pelos sábios; mas, há uns 20 anos que assistimos a este fenômeno muito imprevisto: eminentes professores tornam-se convencidos adeptos de todas as formas de magia.
Assim, reputados antropologistas, como Lombroso, [só um racista de merda] afirmam que evocaram as sombras dos mortos e com elas conversaram; ilustres químicos, tais como Crookes, dizem ter vivido meses com um espírito que diariamente se materializava e desmaterializava, professores de filosofia célebres, como Richet, [enxame de perfeitos anônimos] declaram ter visto um guerreiro de capacete surgir espontaneamente do corpo de uma menina, físicos distintos, como d’Arsonval, referem que um ‘médium pode fazer variar, à vontade e de um modo considerável, o peso de um objeto’. Vemos, enfim, ilustres filósofos, como o sr. Boutroux, dissertarem em brilhantes conferências sobre os espíritos, as comunicações sobrenaturais, e afirmarem que ‘a porta subliminal é a abertura pela qual o divino pode penetrar na alma humana’.”
“A palavra materialização significa que um espírito, o de um morto ou mesmo o de uma pessoa viva, pode subtrair ao organismo do médium, o ‘fluido’, isto é, uma substância imponderável, suscetível, entretanto, de condensar-se e tornar-se matéria. Essa substância se agrega em matéria e se apresenta sob formas diversas, conforme a vontade da inteligência que a manipula. Ordinariamente é um corpo análogo a um corpo vivo que essa inteligência fabrica; lembra a forma que tinha, quando vivo, o defunto, se se trata de um morto. Tais corpos têm a denominação de materializados.” “Dr.” Maxwell
“Além do nosso corpo material, possuímos em duplicata, um corpo astral, por vezes separável do primeiro depois da morte. Ele se pode materializar, servindo-se dos elementos materiais de um corpo vivo, o do médium, por exemplo.
Naturalmente, as explicações dos espíritas sobre tal assunto são bastante confusas e variam com a imaginação de cada autor. Cumpre unicamente reter que do corpo de um ente vivo poderia instantaneamente surgir outro ser, possuindo os mesmos órgãos e não o seu simples aspecto.
A famosa Katy King, de Williams Crookes, tinha, com efeito, um coração muito regular, e os pulmões do fantasma de capacete, materializado em presença do professor Richet, segregavam ácido carbônico como os de um ente ordinário, como se pode verificar, mediante a insuflação de ar num tubo banhado em água de barita.” HAHAHA?!
“O sr. Bottazi e os seus auxiliares estavam persuadidos de que do corpo de Eusápia podiam sair um braço e uma mão invisíveis, que lhe permitiam levantar uma mesa de 22 quilos e deslocar numerosos objetos.”
“Outros sábios conhecidos, o Dr. Venzano, o professor Morselli, etc., anunciam ter observado com o mesmo médium fenômenos análogos, principalmente ‘um vulto de mulher que tinha nos braços uma criança de cabelos muito curtos’.”
“Os povos de todas as raças adoraram, sob nomes diversos, uma única divindade: a Esperança.” Menos os gregos.
3. MÉTODOS DE EXAME APLICÁVEIS AO ESTUDO EXPERIMENTAL DE CERTAS CRENÇAS E DE DIVERSOS FENÔMENOS SUPOSTAMENTE MARAVILHOSOS
“As pessoas um pouco familiarizadas com a psicologia das multidões sabem como é diminuta a utilidade dos inquéritos coletivos. Os observadores transmitem sugestão uns aos outros e perdem inteiramente o espírito crítico; o nível de sua credulidade aumenta e eles chegam apenas a conclusões incertas. Não creio que uma só grande descoberta haja sido feita por uma coletividade.”
“Todos os inquéritos relativos ao ocultismo empreendidos na Inglaterra, na França e na Itália, nada adiantaram e amplamente justificaram as reflexões precedentes. Conforme a mentalidade dos assistentes e o seu grau de sugestibilidade, o mesmo médium foi considerado como um vulgar embusteiro ou, ao contrário, como possuidor de poderes tão maravilhosos quanto os que foram outrora atribuídos ao diabo pela feitiçaria.
O mais importante desses inquéritos, tanto pelo tempo e pelo dinheiro despendido quanto pela qualidade dos observadores, foi o que organizou o Instituto Psicológico de Paris. Os resultados não foram brilhantes, apesar dos 25 mil francos sacrificados e das 43 sessões consagradas às experiências.”
Seria preciso imaginar um Mulder que não consegue provar a farsa ou embuste de nenhum autor de fenômenos paranormais!
“Não se podia objetar às condições precedentes que os fenômenos de levitação somente se produzem na obscuridade, [os médiuns] tinham renunciado a essa exigência. O sr. Maxwell não cessa de insistir, no seu livro, na possibilidade de obter os fenômenos de levitação em plena luz. O sr. Boirac, reitor da Academia de Dijon, afirma também ter, por várias vezes, à luz, atraído uma mesa, sem tocar. Por que, gozando de tão curiosa propriedade, não quis obter o prêmio de 2 mil francos?
O anúncio desse prêmio valeu-me, naturalmente, a recepção de muitas centenas de cartas, porém somente 5 médiuns se apresentaram para ganhá-lo. Referi-lhes as condições acima indicadas prometendo, aliás, o número de sessões que quisessem. Disseram-me que voltariam. Não os tornei a ver.”
“O fenômeno da levitação das mesas representa o ABC do espiritismo. Nesse particular, já não há dúvida possível! A mesa se levanta inteiramente só, sem estratagemas nem embustes, e fica suspensa até 78 segundos… Aqui em Gênova um jovem poeta, excelente médium, imprimiu movimento a uma caixa que pesava 180 quilos.” Prof. Morseff
“por que os médiuns, capazes, há 40 anos, de erguer 75 quilogramas, já não podem levantar hoje alguns gramas?”
“Um erro muito generalizado é o que consiste em imaginar que um sábio, distinto na sua especialidade, possui por essa única razão uma aptidão particular na observação dos fatos alheios a essa especialidade, principalmente aqueles em que a ilusão e a fraude desempenham um papel preponderante. Vivendo na sinceridade, habituados a crer no testemunho dos seus sentidos, completados pela precisão dos instrumentos, os sábios são, na realidade, os homens mais facilmente iludíveis.”
“Os fenômenos do espiritismo não poderiam, portanto, ser eficazmente observados por sábios. Os únicos observadores competentes são os homens habituados a criar ilusões e, por conseguinte, a desvendá-las, isto é, os prestidigitadores. É muito lamentável que o Instituto Psicológico não o tenha compreendido.”
“Não sendo os verdadeiros crentes influenciáveis por um raciocínio, seria inútil discutir com eles. Mas, ao lado desses agita-se a imensa legião dos simples curiosos, dos meio-convencidos.” Cético pero no mucho.
4. ESTUDO EXPERIMENTAL DE ALGUNS FENÔMENOS INCONSCIENTES GERADORES DE CRENÇAS
“Está hoje mais ou menos demonstrado que as peregrinações, levando milhares de crentes tanto a Meca quanto a Lourdes, ou às margens do Ganges, não lhes foram sempre inúteis. As forças misteriosas do inconsciente, postas em jogo por uma fé ardente, muitas vezes se revelam mais pujantes que os meios de que dispõe a terapêutica.
Julgo que é do mais elevado interesse, porquanto pode desvendar imprevistos horizontes à fisiologia, pôr nitidamente em evidência os limites das influências que consegue determinar no organismo a sugestão produzida pelas preces, pelas relíquias, pelos amuletos, etc.
Sem dúvida, durante muito tempo ainda, esse estudo capital não poderá ser seriamente iniciado. As curas, qualificadas de milagrosas, só foram até aqui examinadas por céticos intransigentes ou crentes irredutíveis. Ora, essas duas formas de mentalidade paralisam, igualmente, a faculdade de observar. E como o cético nesses assuntos se torna facilmente um crente, por vezes sem consciência disso, vê-se que não é fácil chegar a conclusões muito nítidas.”
O QUERIDINHO DE FRAUD, O PRESTIDIGITADOR: “A cura pela fé foi numerosas vezes utilizada nos nossos dias pelo célebre médico Charcot.”
“Eusápia, diz o relator, pede ao sr. D’Arsonval que tente erguer uma pequena mesa, o que ele facilmente faz; veda-lhe, em seguida, que o faça o sr. D’Arsonval não consegue deslocar o objeto. ‘Parecia pregado ao solo.’ Eusápia coloca de novo o cotovelo sobre a mesa, e o Sr. D’Arsonval ergue a mesa sem dificuldade. Alguns instantes, após, Eusápia diz ao objeto: ‘Sê leve’ e o Sr. D’Arsonval mais facilmente ainda o levanta. Essa experiência, que os magnetizadores profissionais facilmente conseguem nas feiras, escolhendo os seus ‘motivos’ entre os neuropatas da assistência, demonstra simplesmente o poder sugestionante de certos médiuns.”
“É infinitamente provável que o sr. d’Arsonval, supondo, sob a influência da vontade de Eusápia, observar as variações de peso de um corpo, teve uma ilusão análoga à que se deu com os raios N, à qual lhe inspirou uma conferência entusiástica, e à qual afirmou a realidade de todos os fenômenos anunciados.”
OUIJA? “Está desde muito tempo provado que os movimentos dessas mesas são devidos às impulsões inconscientes dos operadores. Mas por que gira a mesa sempre num sentido determinado, sem ser contrariada por impulsões diferentes? Por que, tocando no solo, de um modo que corresponda a certas letras do alfabeto, e colocada sob as mãos dos diversos indivíduos que a cercam, pára a mesa no momento necessário, como se obedecesse a uma vontade única?” A hipótese da “alma coletiva” transitória.
“É inútil insistir nesse esboço de explicação. O fenômeno constituído pelo nascimento, pela evolução e pela dissolução de uma alma coletiva é um dos enigmas da psicologia. Ela pode apenas afirmar que essa alma coletiva sempre desempenhou um papel essencial na vida dos povos.”
5. COMO O ESPÍRITO SE FIXA NO CICLO DA CRENÇA: Tem limites a credulidade?
“É por essas fases diversas, começando por uma incredulidade total para chegar a uma credulidade completa, que têm passado muitos sábios modernos, tais como o célebre Lombroso. Muito cético no começo das suas investigações, adquiriu, finalmente, uma fé ingênua, de que fornece triste testemunho o seu último livro.”
“A ciência se nega a discutir o que ela denomina o incognoscível, e é precisamente nesse incognoscível que a alma humana coloca o seu ideal e as suas esperanças. Com uma paciência que seculares insucessos não puderam fatigar, ela encontra, incessantemente, um obstáculo no mundo sempre inviolado do mistério, a fim de descobrir aí a origem das coisas e o segredo do seu destino. Não tendo aí podido penetrar, acabou por povoá-lo dos seus sonhos.”
“o ocultismo, último ramo da fé religiosa, que nunca morre.” O cadáver fétido de Deus.
LADRÕES DE PARABÓLICA, OU: DOS VÁRIOS PARADOXOS QUE CIRCUNDAM O HOMEM BERLUSCONI
Originalmente publicado em 23 de maio de 2007
Mais de meio século depois a depressão econômica deixou a Itália. A Itália é mais uma das duzentas nações pós-modernas do globo terrestre, dominada pela televisão. Tanto que elegeram presidente um dono de canal, Silvio Berlusconi. Nada mais quixotesco, infame, risível. Quixotesco porque, ao verem o erro que haviam cometido, tentaram lutar contra o mau governante usando a mídia, e isso é dar de cabeça no moinho.
Mas, mudando de entrevero, que tal falar da atualização dos famosos “ladrões de bicicleta”, suposta alegoria (e quando podemos dizer que o cinema neorrealista é alegórico?) da situação de penúria na Itália da Segunda Guerra, presente na película homônima de Vittorio de Sica? Os ladrões de bicicleta roubavam bicicletas e tinham suas bicicletas roubadas. Todos eram pobres. Rico não anda de bicicleta. Se anda, não depende dela para ir trabalhar, nem a obtém roubando dos pobres (não pelos meios clássicos – ele “manda roubar”, ele vende seus suvenires!). Uma bicicleta vai passando de mão em mão até que quebre ou seja jogada no fundo de um lago, porque quase não há dinheiro para compra; quando um pobre a compra é porque vendeu até o cobertor do filho; e logo, logo ela troca de dono, na primeira esquina obscura – das muitas obscuras – da Milão daquele tempo. É o grotesco de ser a vítima e se ver praticando o ato facínora horas depois – e sendo apanhado. Se houvesse justiça, dir-se-ia, seria uma punição injusta.
Porém, assim como não existe uma Verdade – e a queda de Mussolini isso atesta –, também não existe uma Justiça, e fica por isso mesmo. Daí a classificação do dramalhão por trás de Ladrões de Bicicleta de De Sica (por trás, jamais explícito) como “neorrealista”: é a reprodução – não menos artística, por isso – da realidade, sem cargas emotivas. Gerald Thomas diria que tudo é uma GREAT BULLSHIT, que a arte é desligada da realidade e falha em copiá-la. Mas fato é que o teor, a emoção, ou seja, a constatação dos roubos sucessivos de bicicletas como alegoria de um padrão endêmico social, não é obra do autor, é obra do espectador. Nossos olhos fazem Arte, ao diagnosticarem uma crítica social por trás de uma mera narração semi-estática (câmeras paradas pelas ruas, personagens se distanciando, saindo do foco e às vezes do próprio campo de visão), amoral e perfeita em sua singularidade.
A referida atualização dos Ladrões de Bicicleta aconteceu hoje, dia 23 de maio de 2007, nos mesmos domínios da Bota. E agora não há motivos para um “filme neo-neo-realista” (vulgo noticiário, embora um noticiário seja mil vezes mais sensacionalista que qualquer filme) chocar alguém. A civilização já perdeu seu resquício de moral e seus ideais. Cada um faz o que bem lhe convém, e nisso ele é apoiado pela ditadura de informações e torrente de imagens despejadas sobre si. Opa, Berlusconi aí de novo!
Fato é que passou, vindo das agências de notícias, trafegando pelos meios de reprodução, e aportando nos lares – e ninguém se deu conta. Ninguém se deu conta de que houve a reprise da série de furtos do filme de De Sica, com a diferença de que não é mais um veículo de duas rodas sem motor o objeto do roubo, isto é! Ninguém percebeu – e, se percebesse, daria de ombros. Muitos não perceberam porque não fazem idéia de quem seja De Sica. Outros tantos porque seu cinismo diário, erguido tijolo a tijolo, isolando-o dos sobressaltos característicos do bicho-homem, não tolera reflexão. Fato é que esta manhã, da data já referida na primeira linha do parágrafo anterior, um homem foi preso em flagrante de roubo. Carregava consigo uma antena parabólica. Seu intuito era assistir à decisão da Liga dos Campeões da Europa, o último suspiro da maior competição de clubes de futebol do planeta. Um dos times que chegou à final é o Milan, onde há jogadores de todas as nacionalidades. Essa globalização nos gramados deve explicar a seguinte cifra: a partida é televisionada todo ano para mais de 1 bilhão de pessoas. Muitos prestigiam o espetáculo sem uma preferência, pelo ideal utópico da contemplação imparcial. Já o homem em questão (o ladrão de parabólica) é milanês, torcedor convicto. O que dificultava seu intuito de acompanhar o time do coração e incentivou terminantemente seu ato desesperado foi o bloqueio estatal (estatal!) dos sinais da TV aberta de todos os moradores de sua cidadezinha. Em outras palavras, qualquer cidadão, dotado do livre acesso à informação e do pleno direito de se expressar perante a constituição, sem poder aquisitivo para instalar uma antena parabólica ou assinar canais a cabo no seu televisor, ficará na mão durante a exibição do jogo!
Na Itália mais neorrealista que já vi, o governo prepara o crime e o proletário – ops, “consumidor latente”, o que seria mais politicamente correto – o comete. Paralelamente ao personagem do filme, que teve sua bicicleta, instrumento de trabalho, usurpada não mais que de repente enquanto colava cartazes e se viu obrigado a repetir a indocilidade num bairro que parecia deserto e cujo único objeto exposto, a uma parede, era uma lustrosa bicicleta, o protagonista do neorrealismo das agências de notícia do dia 23 de maio de 2007 foi prejudicado pela mão do Estado e, quando pôs a própria mão na massa para consertar a situação e se dar bem (sem pensar nos outros, exatamente como cada um de seus pares, nós humanos), o mesmo Estado, na forma dos guardas, lá estava para exibi-lo às televisões (que ironicamente ele trouxe para si, sejam as abertas, as parabólicas ou as a cabo), num estilo grande-irmão, no pior sentido: “O homem com uma antena na mão”, não é vergonhoso ler uma manchete dessas? Por que um homem roubaria uma antena?! Não estava roubando pão, não era miséria, era canalhice! Ele não tem motivos pra isso – ninguém tem! Quem imaginaria toda essa situação neossurreal?
No desfecho da produção de De Sica, o roubado que se torna ladrão não é preso ou espancado até a morte. Talvez se assim filmasse De Sica fosse taxado de maquiavélico, frio, insensível. Ou o oposto: moralista! Ele odiava juízos de valor, não queria seu dedo na estória. Não queria apenas um enredo com “happy end” invertido. Seu enredo era a falta de enredo, tomadas tiradas ao acaso de uma família que se vê às voltas nem com o primeiro nem com o último de seus problemas. Pois então, mesmo que fosse até esperado, realisticamente, que depois de ser pego montado na bicicleta que encontrou quase sozinha o homem pudesse ser morto a bordoadas, pela sensação de que aquilo era panfletário demais, De Sica o tratou de evitar. Ao contrário: preferiu inserir ali um filho pequeno e algumas falas pouco boas dos homens, a primeira vez no filme que alguém despeja alguma lição de moral de modo explícito: “Vagabundo! E ainda rouba na frente do seu filho, que exemplo!”. Ao roubado que virou ladrão resta a resignação, e o orgulho para sempre ferido, não por causa de outros adultos que o apanharam em flagrante, mas pelo testemunho da criança, do próprio filho. A prova (se é que se pode dizer prova) de que isso não é “construído” para virar uma fábula, a encerrar uma moral, de que é puro produto do acaso, é que o protagonista podia ter conseguido se safar dos perseguidores. E seu filho poderia ter pegado o bonde que seu pai mandara que ele pegasse minutos antes – e que não o fez por uma margem de segundos, porque o bonde saiu da estação antes que o menino chegasse… Na verdade o roubo poderia nem acontecer. Assim como o próprio filme. A película é, no final, uma daquelas peças com que topamos mais dia, menos dia – e temos o direito de achá-la ou não alegoria de algo maior. O ser humano tem muito disso: gosta de enaltecer as pequenas coisas.
Quer saber? Talvez o Milan ganhe – e talvez nosso ator (o neorrealismo proíbe as denominações “vítima” ou “herói”) anônimo do roubo de uma antena parabólica consiga assistir à vitória: ouvi dizer que na cadeia tem uma parabólica e uma legião de torcedores.
E Berlusconi? Hoje ele não governa mais o país. Seu hobby predileto é, nestes tempos, gerenciar seu clube de futebol: Associazione Calcio Milan.
PSYCHOLOGY OF SPACE EXPLORATION (NASA): Contemporary research in historical perspective – Douglas Vakoch (ed.), 2011.
1. INTRODUCTION: PSYCHOLOGY AND THE U.S. SPACE PROGRAM: Albert Harrison & Edna Fiedler
“Looking back over the history of aviation, Grether remarked that despite a few contributions to military aviation in World War I, for roughly 35 years after the Wright brothers’ initial flight at Kitty Hawk, aviation and psychology pretty much went separate ways. Then, beginning with research to benefit civilians in the late 1930s and followed by a powerful military program in World War II, aviation psychology became prominent and influential. <How much different the role of psychology has been in man’s early ventures into space!> Grether wrote (Psychology and the Space Frontier, 1962). Psychological testing, he continued, was prominent in the selection of the initial 7 Mercury astronauts, and beyond selection psychologists were productively engaged in vehicle design, training, task design, and workload management.
Grether pointed to 4 areas for future research: moving about the interior of spacecraft (once they became large enough for this to occur), conducting extravehicular activities (EVAs) or <spacewalks>, performing rendez-vous, and living and working under conditions of prolonged isolation and confinement. Highly optimistic about America’s future in space, Grether foresaw a strong continuing partnership between psychology and space exploration. One of his few notes of pessimism – that it would not be possible to use the science fiction writer’s rocket gun to move from place to place during EVAs – would soon be proven wrong.”
“although NASA has been forthright about medical and biological insights gained from previous spaceflights . . . the agency has been hesitant on styudying or releasing information on the psychological experience of its personnel in space. Generally, NASA has limited the access to astronauts by social science researchers, even by its own psychiatrists and psychologists; the agency has failed to capitalize [?] on the data it collected that could improve spaceflight and living for others to follow.” P.H. Harris, “Personal Deployment Systems: Managing People in Polar and Outer Space Environments”, From Antarctica to Outer Space: Life in Isolation and Confinement, ed. A.A. Harrison, Y.A. Clearwater, and C.P. McKay (NY: Springer, 1990)
“Margaret Weitekamp points out how interest in high-altitude flight in the 1930s initiated research that evolved into aerospace medicine in the 1940s. Research to support pilots flying very fast and high provided basis for sending astronauts into space. The first conference with <space> in the title was prior to 1950, notes Weitekamp, but some space-oriented research was clandestine or integrated into aviation medicine and psychology in order to avoid the wrath of superiors who thought it wasteful to study Buck Rogers issues.”
“In 2001, the National Academy of Sciences issued Safe Passage: Astronaut Care for Exploration Missions, prepared by the Committee on Creating a Vision for Space Medicine During Travel Beyond Earth Orbit of the Institute of Medicine of the N.A.S.. This panel of experts identified some of the medical and behavioral issues that should be resolved quickly in anticipation of a return to the Moon and a mission to Mars. This far-ranging work covers astronaut health in transit to Earth orbit and beyond, health maintenance, emergency and continuing care, the development of a new infrastructure for space medicine, and medical ethics.”
“Following Apollo and the race to the Moon, NASA entered new eras in 1981, when the Space Shuttle took flight, and again in 1993, when astronauts joined cosmonauts first on Russia’s Mir space station and then on the International Space Station (ISS) in 2000. Topics such as habitability, loneliness, cultural conflicts, the need to sustain a high level of performance over the long haul, and postflight adjustment gained a degree of immediacy and could no longer be ignored.”
“In their discussion of post-Apollo psychological issues, Connors and her associates noted that as missions change, so do behavioral requirements. Perhaps the most conspicuous trench are in the direction of increased crew size, diversity, and mission duration. The first round of US flights, under Project Mercury, were solo but rapidly gave way to 2-person crews with the advent of Project Gemini in 1965, followed by 3-person crews during the Apollo program. After Mercury, note Clay Foushee and Robert Helmreich, the test pilot became a less relevant model than the multi-engine aircraft commander, who not only requires technical skills but also requires human relations skills as the leader of a team. America’s first space station, Skylab, provided a <house in space> for 3-person crews; apart from occasional emergencies or visitors, 3-person crews were also typical for Soviet (1970-89) and then Russian (1990 and onwards) space stations and the ISS. Shuttles are relatively capacious and usually carry 6 to 8 crewmembers. Other than during brief visits from Shuttle crews, the ISS has been home to crews of 2 to 6 people. We suspect that later space stations will house larger crews. Although it is possible to envision huge orbiting platforms and communities on the Moon and Mars, foresseable missions are unlikely to exceed 8 people, so crews will remain within the <small group> range.
A second salient trend is toward increasing diversity of crew composition. The initial vision was for a highly diverse pool of astronaut candidates, including mountain climbers, deep sea divers, and arctic explorers, but it was military pilots who got the nod. The military remains well represented, but over the years, the astronaut corps has been expanded to include people from many different professions and a greater number of women and minorities. Further complexity was added with the Soviet guest cosmonaut program beginning in the 70s, the inclusion of international crewmembers on the Shuttle, and international missions on Mir and the ISS. Already, tourists have entered the mix, and the first industrial workers in commercial space ventures may not be far behind.
Third, initial spaceflights were measured in hours, then days. (Indeed, within each series of flights, successive Mercury and then Gemini flights were longer and longer, to establish that astronauts could withstand the long trip to the Moon.) The third Skylab crew remained on orbit 84 days. Skylab was short-lived, but the Soviets set endurance records in this area; the present record of 366 days was set by a Russian cosmonaut on Mir during a 1987-88 mission. ISS missions have usually lasted about 3 months, but individuals are staying on the Space Station for up to 6 months, as demonstrated in 2007 and 2008 by Sunni Williams and Peggy Whitson. Extended stays can also result from unexpected circumstances, such as the loss of the Shuttle Columbia, which delayed the retrieval of one crew. If and when humans go to Mars, the sheer distance may require a transit time of 2 years.”
“Harvey Wichman points out that soon, spaceflight may no longer be a government monopoly and future spacefarers may require departing from the government agency form of organization that has dominated space exploration so far in favor of a private enterprise model of commercial space exploration; it will also require accommodating people who lack the qualifications of today’s astronauts and cosmonauts. In his view, society is at a historical threshold that will require a shift in how engineers, designers, flight managers, and crews perform their tasks. He illustrates some of these points with his industry-sponsored simulation study intended to gauge tourist reactions to spaceflight.
Group dynamics is a focal point for Jason Kring and Megan Kaminski, who explore gender effects on social interaction and the determinants of interpersonal cohesion (commitment to membership in the group) and task cohesion (commitment to the work at hand). Their review of the basic literature on mixed-gender groups, as well as findings from spaceflight and other extreme environments, points to the conclusion that whereas there are many benefits to mixed-gender crews (typically men and women bring different skills to the mix), the issue is multifaceted and complex and poses challenges for spaceflight operations.”
“Through studying reminiscences of majority and minority participants in multinational and international missions, they test the hypothesis that multinational flights are a source of frustration and annoyance, that are not evident in the true partnerships of international flights.”
“although most of the chapters in this book are authored or coauthored by psychologists and make repeated references to psychology, understanding and managing human behavior in space is an interdisciplinary effort. In essence, <spaceflight psychology> includes contributions from architecture and design, enineering, biology, medicine, anthropology, sociology, communications, and organizational studies, as well as many hybrids (such as cognitive science) and disciplines within psychology (such as environmental, social, and clinical). In a similar vein, the delivery of psychological services to astronauts involve physicians, psychiatrists, social workers, and peers, as well as psychologists.”
“Our essays do not provide in-depth tratment of the interface between engineering and psychology, nor do they attend to the interface of biology and behavior, f.ex., the effects of cumulative fatigue and circadian rhythms on performance and risk. With respect to this, we note a recent chapter by Barbara Woolford and Frances Mount that described how, over the past 40 years, research on anthropometrics, biomechanics architecture, and other ergonomics issues slowly shifted from surviving and functioning in microgravity to designing space vehicles and habitats to produce the greatest returns for human knowledge.”
2. BEHAVIORAL HEALTH: Albert Harrison & Edna Fiedler
“As early as the late 40s, biological specimens were launched on balloons and sounding rockets. In 1958, the Russians successfully launched a dog, Laika, who survived several days in orbit even though she could not be brought back to Earth.” “In 1958-9, America’s first primate spacefarers, 2 squirrel monkeys named Able and Baker were launched on 15-minute flights reaching an altitude of 300 miles on a 1,500-mile trajectory and were successfully recovered following splashdown.”
“During the early 60s, the United States and Soviet Russia were locked in a race to the Moon, and in many ways, the 2 programs paralleled each other. In the United States, solo missions (Mercury) gave way to two-person missions (Gemini) and then to three-person missions (Apollo) that, in July of 1969, brought astronauts to the Moon.” “By the late 70s, the U.S. and Soviet programs were following different paths: Americans awaited the orbiter, or Space Shuttle, and Soviets launched a series of space stations. In 1984, President Ronald Reagan approved the development of a U.S. space station, but construction was delayed almost 15 years. President Bill Clinton approved the station as a multi-national venture, and it became the International Space Station, or ISS. Prior to its construction, American astronauts joined Russian cosmonauts on Mir”
“Since there were practically no studies of astronauts, researchers relied heavily on studies conducted in Antarctica, submarines and research submersibles, and simulators. Research continues in all three venues; Antarctica took an early lead and remained prominent for many years.” “Other factors that favored Antarctica were the large number of people who ventured there and that, as an international site, it offers opportunities for researchers from many different nations. By picking and choosing research locations, one can find conditions that resemble those of many different kinds of space missions, ranging from relatively luxurious space stations to primitive extraterrestrial camps.”
“Compared with earlier formulations (such as mental health), behavioral health is less limited in that it recognizes that effective, positive behavior depends on an interaction with the physical and social environments, as well as an absence of neuropsychiatric dysfunction. [?] Behavioral health is evident not only at the level of the individual, but also at the levels of the group and organization. [Ô, cê jura?]”
GRINGOS: “many people strongly associate psychology with mental illness and long-term psychotherapy.”
“The historian Roger Launius points out that, from the moment the astronauts were first introduced to the public in 1959, America was enthralled by the <virtuous, no nonsense, able and professional men> who <put a very human face on the grandest technological endeavor in history> and <represented the very best that we had to offer>. From the beginning, the press was never motivated to dig up dirt on the astronauts; rather, reporters sought confirmation that they embodied America’s deepest virtues. <They wanted to demonstrate to their readers that the Mercury 7 strode the Earth as latter-day saviors whose purity coupled with noble deeds would purge this land of the evils of communism by besting the Soviet Union on the world stage.>”
Assim que o Homem pisou na lua não demorou muito para Clark Kent ceder a Xavier, Magneto e Wolverine na preferência mundial (ou ianque).
“Michael Collins and his colleagues liked the John Wayne–type image created for the early astronauts and did not want it tarnished. Flying in space was a macho, masculine endeavor, and there were those who made an effort to reserve the term astronaut for men, referring to women who sought to fly in space as astronautrix, astro-nettes, feminauts, and space girls.”
“Many kinds of workers, including those in the military and law enforcement, worry about breaches of confidentiality that have adverse repercussions on their careers. Worries about a breach of confidentiality are periodically reinforced by officials who release information despite assurances to the contrary. Efforts to protect the astronauts’ image are evident in the cordon that NASA public relations and legal teams establish to prevent outsiders from obtaining potentially damaging information, the micromanagement of astronauts’ public appearances, and the great care with which most astronauts comport themselves in public.”
A REALIDADE IMITA A ARTE: “By the beginning of the 21st century, cracks began to appear in this image.”
“On the debit side of the balance sheet, members of isolated and confined groups frequently report sleep disturbances, somatic complaints (aches, pains, and a constellation of flu-like symptoms sometimes known as the space crud), heart palpitations, anxiety, mood swings including mild depression, inconsistent motivation, and performance decrements. Crewmembers sometimes withdraw from one another, get into conflicts with each other, or get into disputes with Mission Control. Eugene Cernan reports that the conflicts between the Apollo 7 crew and Mission Control were so severe that the astronauts never flew again. [ver bibliografia]” “Burrough writes that Soyuz 21 (1976), Soyuz T-14 (1985), and Soyuz TM-2 (1987) were shortened because of mood, performance, and interpersonal issues.”
“After their return, some astronauts reported depression, substance abuse issues, marital discord, and jealousy.”
“The Mercury astronauts lobbied aggressively to fly as pilots rather than to ride as mere passengers (<Spam in a can>) whose spacecraft were controlled from the ground.”
“To get the most information from this final trip in the Apollo program, ground control in Houston had removed virtually all the slack from the astronauts’ schedule of activities and had treated the men as if they were robots. To get everything in, ground control shortened meal times, reduced setup times for experiments, and made no allowance for the fact that previous crews aboard Skylab had stowed equipment in an unsystematic manner. The astronauts’ favorite pastimes—watching the sun and earth—were forbidden.” Weick
“Thus, on 27 December 1973, the Skylab 4 astronauts conducted a day-long <sit-down strike>. Cooper described the crew pejoratively as hostile, irritable, and down-right grumpy, while other writers have described the strike as a legitimate reaction to overwork.”
“NASA appears to have taken the lesson to heart. In 2002, Space.com’s Todd Halvorson conducted an interview with enthusiastic ISS astronaut Susan Helms. <It’s not that the crew isn’t busy maintaining the station, testing the remote manipulator and conducting science, it’s that there remains enough time to look out the window, do somersaults in weightlessness, watch movies, and sit around chatting.>”
“Many of the two dozen or so astronauts and cosmonauts interviewed by Frank White reported <overview effects>, truly transformative experiences including senses of wonder and awe, unity with nature, transcendence, and universal brotherhood.”
“Studies of the mental health of cosmonauts conducted 2 or 3 years after their return to Earth found that they had become less anxious, hypochondriacal, depressive, and aggressive.”
“By the mid-80s, Oleg Gazenko, head of Soviet space medicine, concluded that the limitations of living in space are not medical, but psychological.”
“The Russians have experienced longer spaceflights than their American counterparts and have given considerable attention to ways of maintaining individuals’ psychological health and high morale in space . . . In the Soviet Union, the Group for Psychological Support is an acknowledged and welcomed component of the ground team. Concern over such issues as intragroup compatibility and the effects of boredom on productivity seem to be actively studied by cosmonauts and psychologists alike. There appears to be little if any loss of status associated with confirmation of psychological or social problems associated with confinement in space.”
“Thus, Russians had to confront in the 70s issues that became pressing for Americans two decades later. As a result, when looking for models for a psychological support program, NASA turned to the Russian program to support cosmonauts on Mir. It is interesting that America’s international partners in space—European as well as Japanese—share the Russians’ interest in spaceflight psychology.”
“NASA, chartered as a civilian space agency, initially intended to select Mercury astronauts from a relatively broad range of explorers: military and commercial aviators; mountain climbers; polar explorers; bathysphere operators [câmaras impermeáveis para mergulhos em altas profundidades oceânicas, baixadas e erguidas via cabos]; and other fit, intelligent, highly motivated individuals who had demonstrated capabilities for venturing into dangerous new areas. Strong pressure from the White House limited the pool to military test pilots.”
“Furthermore, because they were under military command, they were used to taking orders and were already cleared for top-secret technology. Mercury candidates had to be under 40 years of age, have graduated from college with a bachelor’s degree in science or engineering, have logged at least 1,500 hours flying jet planes, and have graduated from test pilot school. Of course, they were expected to be free of disease or illness and to demonstrate resistance to the physical stressors of spaceflight, such as temperature extremes and rapid acceleration and deceleration. To fit in the cramped confines of the Mercury capsule, their height could not exceed 5 feet 9 inches [1.75m]. The first astronauts had 5 duties: survive, perform effectively, add reliability to the automated system, complement instrument and satellite observation with scientific human observation, and improve the flight system through human engineering capabilities.” “As Robert Voas and Raymond Zedekar point out, psychological qualifications fell into 2 categories: abilities and personality.” “At that time, of 508 military test pilots, 110 met the general requirements and 69 were considered highly qualified. These were invited to the Pentagon for a briefing and interviews. Then, 32 were sent to the Lovelace clinic for an extraordinary physical exam and, after certification at Lovelace, to Wright Air Development Center in Dayton, Ohio, for tests of performance under stress.”
“Two of the more interesting personality and motivation studies seemed like parlor games at first, until it became evident how profound an exercise in Socratic introspection was implied by conscientious answers to the test questions <Who am I?> and <Whom would you assign to the mission if you could not go yourself?>”
“After five Mercury flights, NASA officials decided that, given the absence of serious performance deficits to date, there was no need to continue exhaustive testing procedures. Although ongoing research would have provided an excellent basis for refining selection methods, by the end of 1962, NASA had prohibited research teams from collecting data on astronaut job performance, thus making it impossible to validate selection methods. At that point, according to Patricia Santy’s authoritative work, Choosing the Right Stuff: The Psychological Assessment of Astronauts and Cosmonauts, normal reluctance to participate in psychological research was transformed into <outright hostility>. Psychiatric and psychological data from the Mercury program were confiscated, and researchers were told that apart from incomplete information that had already appeared in an obscure interim report, nothing could be published about astronaut psychology. The reasons for this are not entirely clear—for example, confidentiality was a growing concern, and data that could provide a basis for invidious comparisons could work against crew morale—but Santy favors the view that <NASA became fearful that information on the psychological status and performance of their astronauts would be detrimental to the agency.> She also documents the minimal role that psychiatrists and psychologists played in the selection process from Gemini until well into the early Shuttle missions.”
“in 1983, no psychological testing was involved. Rather, the approach had evolved into an entirely psychiatric process completed by two psychiatrists who separately interviewed each candidate. Whereas the original examination sought the best-qualified candidates, later procedures simply ensured that each candidate met the minimum qualifications.
Candidates were no longer rated against one another, but they were screened for various psychopathologic conditions that could be detrimental or unsafe in a space environment. (…) Neuroses, personality disorders, fear of flying, disabling phobias, substance abuse, the use of psychotropic medications, or any other psychiatric conditions that would be hazardous to flight safety or mission accomplishment were among the grounds for rejection.
Thus, a selection program that began in 1959 as a model rooted in psychiatry and clinical psychology, and in industrial and organizational psychology, had been reduced to subjective evaluation.”
“The development of standardized, semistructured interviews and diagnostic criteria, aided by the work done by the Working Group on Psychiatric and Psychological Selection of Astronauts, resulted in a rewrite of NASA psychiatric standards based on the then-current American Psychiatric Association’s Diagnostic and Statistical Manual III and recommendations for a select-in process.” (1999)
“Although these researchers developed a profile of needed knowledge, skills, and abilities, NASA’s prohibition against obtaining in-training or on-the-job performance ratings effectively killed any longitudinal or predictive validation of the proposed astronaut select-in procedures.” “To prevent coaching, the specific tests and interview content are not publicly available. The current selection process resembles the selection procedures for other high-risk jobs and incorporates highly validated tests that are quantitatively scored, along with in-depth, semistructured interviews.”
“Well before Apollo astronauts set foot on the Moon, there were political pressures to increase the diversity of the astronaut corps by including women and representatives of different racial and ethnic groups. Accommodating people with different cultural backgrounds became a practical matter in the Apollo-Soyuz rendezvous, in the course of the Russian <guest cosmonaut> program, in Shuttle missions with international crews, and, of course, aboard the ISS.”
“Women offered certain potential advantages over men; one of the most notable of these was their smaller size (and reduced life-support requirements), which would make them easier to lift into orbit and keep alive at a time when engineers had to fret every extra pound of weight. After word of the program’s existence leaked, it was abandoned by the Air Force and taken over by Dr. Randall Lovelace, of the same Lovelace Clinic that conducted the physicals for project Mercury. Aviatrix Jackie Cochran and her wealthy philanthropist husband, Floyd Odlum, provided funding [$$$] so that Lovelace could put the women through the same rigorous evaluation. Of the 25 women who took the physical, 13 passed. The next step in the process, which involved centrifuges and jet flights, depended on the availability of military facilities and equipment. Although it appeared that the procedures could be done at the Naval Air Station in Pensacola, Florida, the ability to do so depended on NASA’s officially <requiring> and then reimbursing the testing. Since the program was unofficial (despite widespread perceptions that it was connected with NASA), the space agency did not intervene on the women’s behalf. Some of the women continued to press for further testing and flight training, and, eventually, there was a congressional hearing, but public clamor and aggressive lobbying got no results. Kennedy’s decision to place a man on the Moon before the decade was finished was interpreted by NASA to mean that it could not divert resources to sending women to orbit. But there were other barriers to women’s participation in space exploration, including the inability of some of the people in NASA’s white-male-dominated culture to conceive of women in the <masculine> role of astronaut.”
“At a very basic level, it never occurred to American decision makers to seriously consider a woman astronaut. In the late 50s and early 60s, NASA officials and other American space policy makers remained unconscious of the way their calculations implicitly incorporated postwar beliefs about men’s and women’s roles. Within the civilian space agency, the macho ethos of test piloting and military aviation remained intact. The tacit acceptance that military jet test pilots sometimes drank too much (and often drove too fast) complemented the expectation that women wore gloves and high heels—and did not fly spaceships.”
“In the congressional report, NASA admitted that as of the end of fiscal year (FY) 1971, of all NASA employees, only 16.6%were women and 4.6% minorities. Only 3% of the supervisors and 2.4% of the engineers were women.”
“On 16 January 1978, the first female and black candidates were selected; only a few years later, in 1983, the public wildly acclaimed mission specialist Sally Ride’s orbital flight aboard Challenger.” “Despite the long road that American women and minorities traveled to prove their worth, the U.S. experience has shown that talented women and minorities, given no special treatment because of gender or ethnicity, are as adept as their white, male colleagues in the world of space.”
“During the flight stage, in addition to the crew care packages and private weekly videoconferences with families, psychological support services include extensive communication with people on the ground (including Mission Control personnel, relatives, and friends), psychological support hardware and software, special events such as surprise calls from celebrities, and semimonthly videos with a behavioral health clinician. Astronauts in flight have e-mail accessibility and can use an Internet protocol phone on board the ISS to call back to Earth. As in the past, ham radio allows contact between the ISS and schools throughout the world.”
3. FROM EARTH ANALOGS TO SPACE: GETTING THERE FROM HERE: Sheryl L. Bishop
“Many of our earliest myths, such as the flight of Daedalus and Icarus too close to the Sun on wings made of wax, expressed our desire to explore beyond the boundaries of Earth as well as our willingness to push current technology to its limits. Considerations by the earliest philosophers and scientists, including Archimedes, Galileo Galilei, Nicolaus Copernicus, Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Jules Verne, H.G. Wells, or Percival Lowell, eventually generated a whole new genre of fictional literature built upon scientific extrapolations, dubbed science fiction, and gave voice to their speculations about the nature of extraterrestrial environments. Modern scientists and pioneers led by the Wright brothers, Robert Goddard, Konstantin Tsiolkovsky, Hermann Oberth, Wernher von Braun, Sergey Korolev, Yuri Gagarin, and Neil Armstrong pushed the boundaries of knowledge about flight and extended human inquiry beyond our terrestrial boundaries into our local and extended galactic neighborhood.”
“Since there is no direct equivalent for space, all analog environments are simulations of greater or lesser fidelity along varying dimensions of interest. Some analog environments provide extremely good characterizations of expected challenges in testing equipment or hardware, e.g., environmental chambers such as the Space Shuttle mock-ups of the various decks or the cargo bay in NASA’s Weightless Environmental Training Facility (WET-F), but lack any relevance to assessing how human operators will fare psychologically or as a team.”
“The tradition of publishing personal diaries and mission recounts has been similarly observed by the earliest explorers of space. Secondary analyses of historical expeditions have become increasingly popular in recent years.” Ver bibliografia ao final para várias referências.
“In real-world groups that have higher degrees of structure and control, such as military teams, the command and control structure is distinctly different from the current scientist-astronaut organizational structure of space missions. Fundamental differences in group structures, such as leadership and authority, represent significant elements in whether findings from terrestrial analogs translate to future space crews.”
“the tendency of crews to direct aggression toward personnel at Mission Control.”
“A more recent, hybrid approach of situating research facilities within extreme environments offers a good compromise between the artificial conditions of the laboratory and the open-ended, full access of an expeditionary mission. When teams or individuals operate in extreme environments, their responses are more purely a product of either situational drivers or internal personal characteristics. To the extent that an extreme environment is well characterized and known, it gains in fidelity and allows more accurate inferences about key phenomena to be drawn. For these very reasons, Palinkas has strongly argued that the cumulative experience with year-round presence in Antarctica makes it an ideal laboratory for investigating the impact of seasonal variation on behavior, gaining understanding about how biological mechanisms and psychological processes interact, and allowing us to look at a variety of health and adaptation effects.”
“One could argue that chronicles such as the Iliad and the Odyssey were early examples of more recent diaries such as those that recounted the historic race to reach the South Pole between modern polar expeditions lead by Roald Amundsen, who reached the South Pole in 1911, and Robert F. Scott, who reached the South Pole in 1912. (…) The first winter-over in Antarctica occurred during 1898–99 on board an icebound ship, the Belgica, on which Amundsen served as a second mate. A continuous presence on our furthermost southern continent has only been in place since the International Geophysical Year of 1956–7.”
“Analyses of critical incidents in medical operating rooms indicate that 70% to 80% of medical mishaps are due to team and inter-personal interactions among the operating room team.”
“While an emergency on the International Space Station certainly poses difficulties regarding time to rescue, one can argue that the difficulties inherent in a Mars mission or even here on Earth from the Antarctic in midwinter, where weather conditions may absolutely make rescue impossible for long periods, carry a qualitatively different psychological impact. An emergency on a mission to Mars will preclude any chance of rescue and necessitate a high degree of autonomy for the crew in making decisions without any real-time mission support. The degree to which such factors magnify the negative effects of isolation and confinement is critical to assess.”
“in a study of Antarctic winter-over personnel, Palinkas found that personnel at Palmer (a small station) spent 60% of their waking hours alone and retreated to their bedrooms extensively for privacy. These behaviors could be considered fission factors as they promote withdrawal, social isolation, and distancing from one’s teammates. On the other hand, if the use of privacy served to control the amount of contact and decreased tensions and group conflict, they would be considered fusion factors. He also found that intermittent communication was a major source of conflict and misunderstanding between crews and external support personnel, a clear source of fission influence. Examples of fusion factors for this group were effective leadership styles, which played a significant role in station and crew functioning, as well as the ability to move furniture and decorate both common and private areas, which facilitated adaptation and adjustment.”
“Whereas polar teams evidenced a delay interval with a marked drop in aggression until after the first quarter, with concomitant increase in homesickness, chamber teams displayed a steady gradual increase in coping over time. A number of researchers have noted that it is not the site that seems to matter, but rather it is the differences in the mission profiles, e.g., tasks (daily achievement of a distance goal versus stationkeeping) or duration (short versus long).”
“Similarly, an apparently adaptive personality profile has emerged from winter-overers that is characterized by low levels of neuroticism, desire for affection, boredom, and need for order, as well as a high tolerance for lack of achievement, which would fit well in an environment where isolation and confinement prevented accomplishments and the participants experienced frequent short-ages and problems.”
“The expedition may be intended to recreate experiences of earlier explorers, such as the Polynesian Kon-Tiki oceanic traverse; set records or discover new territory, e.g., discover a route to India or explore a cave system; achieve personal challenges, such as climbing mountains or skiing to the North Pole; conduct scientific research, e.g., by means of ocean-going research vessels or polar ice drilling teams; or conduct commercial exploration, such as mineral and oil exploration.”
“Voyages of scientific discovery began in the late 18th century, an age, Finney points out, that many have argued foreshadowed the space race of the 1960s. The first exploratory voyage to include scientists as crew and mission goals with explicit scientific objectives instead of commercial goals that serendipitously collected science data was the 3-year-long English expedition of the Endeavour to Tahiti, 1768–71, led by Captain James Cook. The on-board scientists were tasked to observe the transit of Venus across the face of the Sun to provide data needed to calculate the distance between Earth and the Sun. The success of the Endeavour’s expedition led to a 2nd expedition, which sailed with a number of scientists, 2 astronomers, and a naturalist, an expedition that, in contrast to the first, was rife with contentious relationships between the seamen and the scientists. Subsequent voyages with scientists on board were similarly plagued by conflicts between those pursuing scientific goals and those tasked with the piloting and maintenance of the ship.”
“Not until a hundred years after Cook, in 1872, would the Royal Navy’s Challenger, a 3-masted, square-rigged, wooden vessel with a steam engine, sail around the world with 6 marine scientists and a crew and captain who were totally dedicated to the research.”
“Such troubles were not limited to the English. The French followed a similar pattern, beginning in 1766 and continuing through 1800, when scientists sailed with numerous expeditions that were summarily characterized by conflict and contention between the crews and scientists. Finney further notes that such complaints are found in journals of early Russian scientists, as well as American scientists on the 4-year-long United States Exploring Expedition that sailed from Norfolk in 1838 with a contingent of 12 scientists.
Modern development of specialized ships complete with laboratories and equipment dedicated to oceanographic research has been primarily organized and maintained by universities and oceanographic institutes. Yet even aboard these dedicated floating research vessels, conflict between the ship’s crew and the scientists whom they serve has not been eliminated. A dissertation study conducted by a resident at the Scripps Institute of Oceanography during 1973 concluded that tension between the 2 groups was inevitable because they formed two essentially separate and distinct subcultures with different values and goals, as well as different educational backgrounds and class memberships.”
“If space research were to be made as routine to the extent that ocean research now is, subcultural differences, and hence tensions, between scientist and those pilots, station-keepers, and others whose job it will be to enable researchers to carry out their tasks in space may become critical considerations. If so, space analogues of the mechanisms that have evolved to accommodate differences between scientists and seamen aboard oceanographic ships may have to be developed.”
“An example of how examination of the records from past expeditions contributes to the current state of knowledge and provides the impetus for future studies in space can be seen in a metastudy by Dudley-Rowley et al. that examines written records from a sample of space missions and polar expeditions for similarities and differences in conflicts and perceptions of subjective duration of the mission. Ten missions were compared across a number of dimensions. The metastudy included 3 space missions that represented both long- and short-duration mission profiles: Apollo 11 (1969) and Apollo 13 (1970), ranging from 6 to 8 days apiece, and Salyut 7 (1982), which lasted over 200. Four Antarctic expeditions were included: the western party field trip of the Terra Nova Expedition (1913, 48 days), an International Geophysical Year (IGY) traverse (1957–58, 88 days), the Frozen Sea expedition (1982–84, 480 days), and the International Trans-Antarctic expedition (1990, 224 days). Finally, 3 early Arctic expeditions were also included: the Lady Franklin Bay (1881–84, 1,080 days), Wrangel Island (1921–23, 720 days), and Dominion Explorers’ (1929, 72 days). Seven factors emerged that seemed to coincide with the subjectivization of time and the differentiation of situational reality for the crews from baseline:
1. increasing distance from rescue in case of emergency (lessening chances of <returnability>);
2. increasing proximity to unknown or little-understood phenomena (which could include increasing distance from Earth);
3. increasing reliance on a limited, contained environment (where a breach of environmental seals means death or where a fire inside could rapidly replace atmosphere with toxins);
4. increasing difficulties in communicating with Ground or Base;
5. increasing reliance on a group of companions who come to compose a micro-society as time, confinement, and distance leave the larger society behind, in a situation where innovative norms may emerge in response to the new sociophysical environment;
6. increasing autonomy from Ground’s or Base’s technological aid or advice; and
7. diminishing available resources needed for life and the enjoyment of life.”
“The Lady Franklin Bay Expedition [ao Ártico, que durou de 1881 a 1884] suffered 18 deaths of its complement of 25, and the rest were starving when found. The Wrangel Island expedition [idem, porém de 1921 a 23] suffered 4 deaths out of its crew of 5. Apollo 13 was a catastrophe that was remarkable in its recovery of the crew intact. The Salyut 7 mission [espacial, 1982, 200 dias], the Terra Nova western field party [1913, 48 dias na Antártida], and the Apollo 11 mission all had high degrees of risk.”
“the presence of similar factors in space and early polar exploration that contributed to perceptions of mission/expedition duration or of how their situational reality deviates from baseline is important to note. These results suggest that as control over their environment decreases, team members’ subjective experiences of time and the situation increasingly differ from their baselines.”
“Initially, it was believed that space would represent a significant loss of normal sensory stimulation due to isolation from people, reduction in physical stimulation, and restricted mobility. Thus, sensory deprivation chambers were argued to be good analogs for astronauts. Selection procedures, therefore, included stints in dark, small, enclosed spaces for several hours to observe how potential astronauts handled the confinement and loss of perceptual cues. As Dr. Bernard Harris, the first African American to walk in space, recounts, <They put me in this little box where I couldn’t move or see or hear anything. As I recall, I fell asleep after a while until the test ended.>”
“The first systematic attempts to investigate psychological adaptation factors to isolation and confinement in simulated operational environments were conducted in the 60s and early 70s by putting volunteers in closed rooms for several days, subjecting them to sleep deprivation and/or various levels of task demands by having them complete repetitive research tasks to evaluate various aspects of performance decrements. Chamber research, as it was to become known, encompassed a variety of artificial, constructed environments whose raison d’être was control over all factors not specifically under study. Later, specially constructed confinement laboratories such as the facility at the Johns Hopkins University School of Medicine or simulators at Marshall Space Flight Center in Huntsville, Alabama; the McDonnell Douglas Corporation in Huntington Beach, California; or Ames Research Center at Moffett Field, California, housed small groups of 3 to 6 individuals in programmed environments for weeks to months of continuous residence to address a variety of space-science-related human biobehavioral issues related to group dynamics”
“The epitome example of chamber research may be the series of 4 hyperbaric-chamber studies, sponsored by the European Space Agency and designed to investigate psychosocial functioning, in which groups were confined for periods lasting from 28 to 240 days.” “However, skepticism regarding the verisimilitude of studies in which discontented members can simply quit has continued to raise real concerns as to how generalizable the findings from chamber studies are to space missions.”
“Occupying the middle ground between traditional expeditionary missions with moving trajectories and the artificiality of laboratory spaces designated as space station habitats are capsule habitats, sharing the controlled, defined enclosure of the laboratory situated within an extreme unusual environment (EUE). Characterized by a controlled, highly technological habitat that provides protection and life support from an environment that is harsh, dangerous, and life-threatening, capsule habitats occupy a wide range of environments. Some are true operational bases with missions in which biobehavioral research is only secondary. Others run the gamut from fundamental <tuna can> habitats with spartan support capabilities situated in locations of varying access to a full-fidelity Antarctic base constructed solely for the purposes of biobehavioral space analog research.”
“Due to their high military relevance, the best-studied of capsule habitats are submarines. As an analog for space, submarines share a number of common characteristics: pressurization concerns (hyperpressurization for submarines and loss of pressurization for space), catastrophic outcomes for loss of power (e.g., the inability to return to the surface for submarines and degraded orbits for space), dependence on atmosphere revitalization and decontamination, radiation effects, and severe space restrictions. Prenuclear submarine environments were limited in the duration of submersions (72 hours), crew size (9 officers and 64 enlisted men), and deployment periods without restocking of fuel and supplies. Structurally, these short-duration mission parameters mimicked those of the early years of space, albeit with vastly larger crews. With the launch of the nuclear-powered Nautilus in 1954, the verisimilitude of the submersible environment as an analog for long-duration space missions was vastly improved. With the nuclear submarine, mission durations were extended to 60 to 90 days, crews were increased to 16 officers and 148 enlisted men, and resupply could be delayed for months.”
“An extension of the submersible operational environment of a military submarine is the NASA Extreme Environment Mission Operations program (NEEMO) being conducted in the Aquarius underwater habitat situated off Key Largo, Florida—the only undersea research laboratory in the world. Owned by the U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) and operated by the National Undersea Research Center (NURC) of the University of North Carolina at Wilmington on behalf of NOAA, Aquarius is the submerged analog to NOAA oceanic research vessels. First deployed in 1988 in the U.S. Virgin Islands and relocated to Key Largo in 1992, the underwater facility has hosted more than 80 missions and 13 crews of astronauts and space researchers since 2001. Aquarius provides a capsule habitat uniquely situated within an environment that replicates many of the closed-loop constraints of the vacuum of space, a hostile, alien environment that requires total dependency on life support; poses significant restrictions to escape or access to immediate help; and is defined by limited, confined habitable space and physical isolation. The complexity of NEEMO missions further parallels space missions in their mission architecture, with similar requirements for extensive planning, training, control, and monitoring via an external mission control entity. However, it has only been the most recent NEEMO missions in which stress, fatigue, and cognitive fitness, as well as individual and intrapersonal mood and interaction, have been the focus of study.”
“While there are other polar bases in the Arctic and subarctic, the bulk of sustained psychological research has been conducted in Antarctica. (…) There are 47 stations throughout the Antarctic and sub-Antarctic regions, operated by 20 different nations, with populations running from 14 to 1,100 men and women [!!] in the summer to 10 to 250 during the winter months. The base populations vary from mixed-gendered crews to male-only crews, from intact families (Chile) to unattached singletons, for assignments that last from a few months to 3 years.
In 1958, after the IGY (1956–57) produced the 1st permanent bases in Antarctica, C.S. Mullin, H. Connery, and F. Wouters conducted the first systematic psychological study of 85 men wintering over in Antarctica. Their study was the first of many to identify the Antarctic fugue state later dubbed the <big-eye>, characterized by pronounced absent-mindedness, wandering of attention, and deterioration in situational awareness that surfaced after only a few months in isolation.” “Those that did address psychosocial factors tended to focus on the negative or pathological problems of psychological adjustment to Antarctic isolation and confinement, with persistent findings of depression, hostility, sleep disturbance, and impaired cognition, which quickly came to be classified as the <winter-over syndrome>.”
“One of Antarctica’s most prolific researchers, Dr. Larry Palinkas has analyzed 1,100 Americans who wintered over between 1963 and 2003 over four decades of research [uma vida inteira na região mais remota do planeta!] in Antarctica and proposed 4 distinct characteristics to psychosocial adaptation to isolation, confinement, and the extreme environment” “Crews with clique structures report significantly more depression, anxiety, anger, fatigue, and confusion than crews with core-periphery structures.”
“Palinkas found that a depressed mood was inversely associated with the severity of station physical environments—that is, the better the environment, the worse the depression—and that the winter-over experience was associated with reduced subsequent rates of hospital admissions.”
“Dome C is one of the coldest places on Earth, with temperatures hardly rising above –25°C in summer and falling below –80°C in winter. Situated on top of the Antarctic plateau, the world’s largest desert, it is extraordinarily dry and supports no animals or plants. The first summer campaign lasted 96 days, from 5 November 2005 until 8 February 2006, with 95 persons participating. The 2006 season included 7 crewmembers with 2 medical experiments and the first 2 psychological experiments sponsored by the European Space Agency for which the crew acted as subjects during their stay. The 2 experiments investigated psychological adaptation to the environment and the process of developing group identity, issues that will also be important factors for humans traveling to Mars.”
4. PATTERNS IN CREW-INITIATED PHOTOGRAPHY OF EARTH FROM THE ISS—IS EARTH OBSERVATION A SALUTOGENIC EXPERIENCE? Julie A. Robinson, Kelley J. Slack, Valerie A. Olson, Michael H. Trenchard, Kimberly J. Willis, Pamela J. Baskin & Jennifer E. Boyd
“John Glenn, the first U.S. astronaut in orbit, talked NASA into letting him carry a camera on Friendship 7 on 20 February 1962. (…) Glenn proceeded to describe each of the 3 sunrises and sunsets he saw during the flight, and he continues to recount that experience in interviews today. A number of the astronauts who have followed have verbally recounted emotional experiences related to seeing and photographing Earth, and several astronauts have documented in written form their responses to views of Earth linked to their photography activities while in space.”
“First of all, there’s the astounding beauty and diversity of the planet itself, scrolling across your view at what appears to be a smooth, stately pace . . . I’m happy to report that no amount of prior study or training can fully prepare anybody for the awe and wonder this inspires.” Kathryn D. Sullivan
“All the imagery is archived in a searchable online database maintained by the descendant of the previous programs on the International Space Station, CEO, which provided statistics summarized here. Over 2,500 photographs of Earth were taken by Mercury and Gemini astronauts. Apollo astronauts photographed both Earth and Moon views, with over 11,000 photographs taken, and have been credited with initiating the interest in Earth observations from space. Handheld photography of Earth by astronauts on Skylab accompanied the extensive imagery obtained by an automated multispectral camera system. Over the 3 Skylab missions, crewmembers took around 2,400 images of Earth, and the automated camera systems an additional 38,000 photographs with specialized films.
Building from this experience and the growing interest in Earth observations from space, a program called the Space Shuttle Earth Observations Project (SSEOP) was established in 1982 to support the acquisition and scientific use of Earth photography from Space Shuttle flights.”
“Astronauts were trained in geology, geography, meteorology, oceanography, and environmental change for a total of approximately 12 instructional hours prior to flight. Also before flight, about 20 to 30 sites were chosen for the crew to photograph while on orbit. The mission-specific sites were chosen from a list of previously identified environmentally dynamic terrestrial areas visible from the Space Shuttle. Each crew was given a preflight manual consisting of their unique sites that included photographs and scientific information. The decision on when to take photographs was at the astronauts’ discretion. A list of targets was sent to the Shuttle crew on a daily basis during the flight. The main camera used for Earth observation was the 70-millimeter Hasselblad with the 50-, 100-, 110-, and 250-millimeter lenses commonly used, and both color and infrared film was made available per crew preference.” “To date, Shuttle crewmembers have captured over 287,000 images of Earth.”
“Although SSEOP was dissolved, individual Shuttle crewmembers on missions to the ISS could still use the on-board cameras to take images of Earth, but without scientific support.”
“The digital camera was favored by ISS crews over the film cameras because it allowed them to review their imagery while on orbit. The immediate review of their imagery enabled the crews to view and improve their photographic techniques. Digital images could also be down-linked to the CEO scientists for review, and the scientists in turn could provide feedback to the crew. The issue of film versus digital cameras was settled in 2003 when mission length was extended to about 6 months. The extension of crew time on orbit made film more susceptible to radiation ‘fogging’. While digital cameras are not immune to radiation, they are better able to cope with longer exposures to the space environment, and eliminating the need to return film to Earth was also an important improvement.”
“With the use of the 400-millimeter lens and 2× extender available for the digital camera, ISS crews have been able to document dynamic events at a higher resolution than was possible from the Shuttle with the 250-millimeter lens.”
JURO QUE NÃO ENTENDO ESSA OBSESSÃO: “A particular concern is maintaining crew psychological well-being for the duration of a round-trip mission to Mars that could last as long as 3 years.
Positive (or ‘salutogenic’) experiences while in space may promote psychological well-being by enhancing personal growth and may be important for offsetting the challenges of living and working in a confined and isolated environment. In a survey of flown astronauts aimed at identifying the positive or salutogenic effects of spaceflight, Eva Ihle and colleagues identified positive changes in perceptions of Earth as the most important change experienced by astronauts.
If viewing Earth is an important component of positive experiences in spaceflight, then having Earth ‘out of view’ may be an important challenge for crews going to Mars because it could increase the sense of isolation.” De novo isso? Ora, leve cada um uma foto do Blue Planet na ‘carteira’!
“Typically, crewmembers have fewer set tasks to accomplish on weekends, so they have increased periods of time in which they can choose their activities.” É fim de semana aqui na lua!
“While the term phasing is more general, the term third-quarter effect specifically refers to a period of lowered psychological well-being during the third quarter of an extended confinement.”
“The cameras automatically record the date and time when the photograph was taken, as well as specific photographic parameters. The data do not identify the individuals using the camera, as any crewmember may pick up any camera to take pictures, and individuals often stop briefly at a window to take pictures throughout the day. Crews are cross-trained in the use of the imagery equipment. Some crews share the responsibility of taking images of Earth; in other crews, one member might have more interest and thus be the primary photographer. Regardless, crewmembers report photographing areas known to be of interest to fellow crewmembers.” “Occasionally, battery changes and camera resets were conducted on orbit without resetting the date and time on the camera. Because of this, not all camera time stamps were accurate. We screened those data for inaccuracies (such as an incorrect year for a specific expedition), and these records were eliminated from the analyses.”
“The use of the 800-millimeter lens was tracked because it represents a significant skill that requires much effort to achieve the best results, and the resulting images provide the most detail (up to 6-meter spatial resolution).” O que isso significa exatamente? Que o zoom com nitidez vai até um pixel representar 6m? Ou que é como se a fotografia fosse tirade da altura de 6m de uma camera comum ou, enfim, semipro? A segunda possibilidade parece ser improvável, então vamos com a 1ª caso o texto não esclareça mais à frente!
Dados estatísticos para o estudo analisados pelo SAS (mesmo programa que estou aprendendo a usar no meu trabalho!).
“From December 2001 (Expedition 4) through October 2005 (Expedition 11), crewmembers took 144,180 images that had accurate time and date data automatically recorded by the camera. Of time-stamped photographs, 84.5% were crew-initiated and not in response to CEO requests.”
“A crew containing a member, for example, whose childhood home was in a small town in Illinois, would be more likely to take images of that area than of areas not holding personal significance for any member of that crew.”

Foi possível fotografar a Golden Gate Bridge (San Francisco) como se sua largura fosse da espessura da metade do meu dedo mindinho. Mas mais impressionantes ainda são as fotos de picos no Alaska, que parecem laterais e não panorâmicas, provavelmente devido à proximidade do pólo da Terra!
“Earth photography is clearly a leisure activity. However, crews are more likely to take self-initiated images as the mission progresses—perhaps due to acclimation and familiarity with life and duties on the Station or a growing realization that their time in space, and thus their ability to photograph Earth from space, is limited. This trend over the duration of the mission was the only mission phasing observed. A more careful examination of figure 3 suggests that the phasing effect might be due more to individual differences pertaining to specific missions or perhaps to an increasing competency with the photographic equipment. It is not clear to what extent this phasing effect might reflect differences in mission profiles or characteristics of the particular crewmembers assigned to the particular missions.”
“As we begin to plan for interplanetary missions, it is important to consider what types of activities could be substituted. Perhaps the crewmembers best suited to a Mars transit are those individuals who can get a boost to psychological well-being from scientific observations and astronomical imaging.” Deixe de ver a Terra e então você terá um derrame logo (Desmond Effect)!
5. MANAGING NEGATIVE INTERACTIONS IN SPACE CREWS: THE ROLE OF SIMULATOR RESEARCH – Harvey Wichman
“In the 47 years since Yuri Gagarin became the first person in space and the first person to orbit Earth, several hundred cosmonauts and astronauts have successfully flown in space. Clearly, there is no longer any doubt that people can live and work successfully in space in Earth orbit. This ability has been demonstrated in spacecraft as tiny as the Mercury capsules, in Space Shuttles, and in various (and much more spacious) U.S. and Soviet/Russian space stations. Spending up to half a year in space with a small group of others is no longer unusual. However, plans are afoot to return to the Moon and establish a permanent settlement there and then to proceed to Mars. Big challenges are on the horizon, and their likely success is predicated on 3 historical series of events: first, the long series of successes in Earth-orbital flights since the launch of Sputnik on 4 October 1957; second, the 6 successful excursions of Apollo astronauts on the Moon; and third, the success-ful robotic landings to date on Mars.”
“is there any chance that space tourism, with a much more fluid social structure and a vastly broader spectrum of participants than in the current space program, will work at all?”
New “extreme environment” since 2020: our houses!
“The density intensity hypothesis stated that whatever emotion is extant when crowding occurs will be enhanced by the crowding. Crowding per se is not necessarily aversive. This was a nonintuitive but valuable finding. This phenomenon can be witnessed at most happy social gatherings. A group of people may have a whole house at their disposal, but one would seldom find them uniformly distributed about the premises. It is much more likely that they will be gathered together in 2 or 3 locations, happily interacting in close proximity. The reverse of this is also true, as can be seen in mob behavior, where the crowding amplifies the anger of the members.”
“In the early days of the space program, when anecdotal studies of life in extreme environments such as submarines were all we had, these studies proved valuable and served us well. But spaceflight simulators can be used to create situations more specific to spaceflight and do so in a laboratory setting in which extraneous variables can be much better controlled.
Of course, spaceflight simulators on Earth cannot simulate weightlessness. That is unfortunate because the higher the fidelity of the simulator, the better the transfer to real-world situations. We have seen in aviation that extremely high-fidelity flight simulators can be so effective for training that airline pilots transitioning to a new airplane can take all of their training in a simulator and then go out and fly the airplane successfully the first time.”
“Since there have been few such studies involving civilian participants, the general public knows little of what goes on in such a study. Therefore, I will describe a study conducted in my laboratory that will demonstrate how simulator studies can address both applied and theoretical research questions.”
“McDonnell Douglas Aerospace (now Boeing Space Systems) in Huntington Beach, California, was in the process of developing a new, single-stage-to-orbit rocket to replace the Space Shuttles. This vehicle would take off vertically the way the Shuttles do, but instead of gliding in for a landing, it would land vertically using the thrust of its engines the way the Moon landers did in the Apollo program. The rocket, which was to be called the Delta Clipper, was first conceived of as a cargo vehicle. Soon, engineers began thinking about having both a cargo bay and, interchangeable with it, a passenger compartment. The passenger compartment was to accommodate 6 passengers and a crew of 2 for a 2-day orbital flight. Former astronaut Charles ‘Pete’ Conrad was then a vice-president of McDonnell Douglas Aerospace and a key player in the development of the Delta Clipper. At the time, all of the McDonnell Douglas designers were fully occupied with work under a NASA contract on the design of what would eventually become the International Space Station.”
“remember that when orbiting Earth, one is in darkness half the time”
“Once the passenger compartment design was satisfactorily completed, there was considerable excitement among the McDonnell Douglas engineers about the idea of taking civilian passengers to space (no one spoke words such as ‘space tourism’ yet at that time). The designers were excited about such ideas as not putting full fuel on board the vehicle for orbital flight but keeping it lighter, adding more passengers, remaining suborbital, and flying from Los Angeles to Tokyo in 40 minutes or Los Angeles to Paris in 38 minutes. However, when the euphoria of the daydreaming was over, the Delta Clipper team was left with the question, can you really take a group of unselected, relatively untrained civilians; coop them up in a cramped spacecraft for 2 days of orbital spaceflight; and expect them to have a good time?”
“We accepted the challenge and built a spaceflight simulator in our laboratory that had the same volume per person as the one designed for the Delta Clipper”

Planta do simulador-laboratório
“The Delta Clipper team wanted to know whether people such as those we would select could tolerate being enclosed in a simulator for 45 hours, whether this experience could be an enjoyable space vacation adventure, and whether anything could be done prior to a flight to ensure a high quality of interpersonal interactions among the participants during the flight.”
“we decided to conduct 2 simulated flights with equivalent groups. The flights would have to be essentially identical except that one group (the experimental group) would get pre-flight training in effective group behavior techniques, and the other group (the control group) would spend the same preflight time in a placebo treatment without group training.”
“Participants soon were oblivious to being observed, as was often demonstrated when an observer on the outside would be startled by a participant suddenly using the one-way window as the mirror it appeared to be on the inside.
In an effort to recruit participants who would approximate the kinds of people who might book a spaceflight, we contacted a travel company that booked adventure travel tours such as to Antarctica and got from them the demographics of the people who book such tours. We then advertised in a local paper for volunteers to act as participants in a simulated space ‘vacation’. Those applying would have to commit to participating for 48 hours, from 5p.m. on a Friday evening until 5p.m. on the following Sunday evening. Six passengers were selected for each of the 2 groups: they ranged in age from 34 to 72, half of them were men and half were women, and each group had one married couple. In addition, each group had its own 2-membercrew, a white male and a black female. We knew of no spaceflight simulation study that involved such diversity of age, gender, and ethnicity involving civilians resembling those who might one day be involved in space travel. Participants wore their own light sport clothing and soft slippers or warm socks because, as they were informed, in space, where people will be floating about and might bump into others or delicate equipment, shoes would not be worn. The crewmembers were mature college students who were recruited and trained ahead of time. They wore uniforms similar to NASA-type coveralls. They were unaware of the fact that there were 2 groups and of the variables being studied.
Observers were trained to a high degree of reliability to observe the groups at all times. The analytical system used was the Bales Interaction Analysis technique. Using operationally defined criteria, the observers measured whether interpersonal interactions, both verbal and nonverbal (e.g., postures, gestures, and expressions), were positive, neutral, or negative.
During their duty shifts, the observers each monitored the behavior of 2 participants. An observer would monitor 1 participant for a 1-minute period, assign a score, and then switch to the other participant for a 1-minute period and assign that person a score. Then it was back to the first person for a minute and so on until the end of the shift.”
“A simulator is, in a way, equivalent to a stage set. If it looks sufficiently like a spaceship and has the sounds and smells of a spaceship, and if the things that take place within it are those that take place in spaceflight, then the participants, so to speak, ‘buy into it’ and experience the event as a spaceflight. Our spaceflight simulator seems to have worked very well in this respect. Loudspeakers produced sounds mimicking those in Space Shuttles and were kept at amplitudes similar to the Shuttle averages (72 decibels). For lift-off and touchdown, very loud engine exhaust vibration and sound were produced by large, hidden speakers.
Because the participants in the simulator did not float about in weightlessness as they would in orbit, we had to have bunks for them to sleep in.” Bom saber que astronauta não tem cama!
“During the simulated lift-off and insertion into orbital flight, the participants remained strapped in their bunks. The participants reported in postflight questionnaires that they felt they really had a sense of what a spaceflight would be like—that they often forgot that this was ‘make believe’ and that they ‘really were living the real experience’, to quote 2 of the participants.”
“The passengers had unstrapped from their bunks and were assembled in their seats facing forward toward the window area. Mission Control advised that they were preparing to remotely retract the radiation shield over the window and that everyone would soon have a view of Earth from space. By watching the changing postures of the participants, observers could easily see that tension was mounting during the 10-second countdown. Suddenly, a view of Earth taken from one of the Shuttle flights filled the window (actually a 27-inch television screen). One participant gasped and placed her hand to her mouth while staring at the scene.”
“Exit from the simulator was delayed in both flights because the participants took the unplanned-for time to trade telephone numbers and addresses before leaving. People who came to the experiment as strangers left as friends. Participants’ moods during the simulated flights remained positive, and the number of negative interactions in both groups was small. In the year following the study, my lab received so many telephone calls from participants in both groups requesting a reunion that we felt compelled to go back to McDonnell Douglas and request that they sponsor such an event. They did, and it was a very well-attended, robust party.”
“For months after the experiment, the lab kept receiving calls from participants requesting answers to all sorts of space questions. It seemed that now that they were perceived by others as authorities on space, people called to ask space-related questions of them. When they could not answer them, they turned to us for the answers. What is important here is that this post-simulation experience gave us the opportunity to see how this simulation had changed the participants’ lives in a positive, space-related way.”
“In the postflight questionnaires, the participants of both flights indicated that the discussions with Mission Control while flying were the favorite parts of the trip. Very clearly, the participants enjoyed the spaceflight aspects of the simulation very much. All of the subsystems of the simulator worked as planned. No extraneous variables intruded, such as outside noises. From the standpoint of the equipment, the experiment was uneventful.
Just before entering the simulator, the experimental group received a 2-hour-long program designed to enhance interpersonal prosocial behavior. It was designed much like the type of program corporations provide for their executives in order to develop team building and enhance effective workplace interactions.” Então não serviu pra nada!
“In our simulations, the experimental group index of amicability was 44.3. The control group had an index of amicability of 14.8. Thus, using the difference in index of amicability between the 2 groups as a measure of the efficacy of the preflight training, we find a very large improvement in social functioning of 299% from a small investment of 2 hours in a training program.” “We found that our short-duration experimental study corroborated the findings of both the long-duration experimental studies and the anecdotal studies.”
“As the history of spaceflight unfolds, I contend that now we are at a transition point between the exploratory and settlement stages of spaceflight that is similar to the opening of the American West in the United States. The early exploration of the West was conducted by a relatively few brave and hardy explorer sorts with an emphasis on daring and pushing back frontiers. There was much ambiguity about the challenges and dangers that lay in uncharted territory. These beginning forays into the unknown were followed by the incursion of hardy trappers, hunters, miners, and various tradesmen. Settlers soon followed, and eventually tourists did as well. In parallel with the western movement of people, technology was improving to facilitate the western expansion—transportation evolved from stage coaches and Conestoga wagons to steamboats and trains.” Comparação grosseira. Um bando de covardes com pólvora, isso que eram os americanos ‘colonizadores territoriais’…
“space vehicles are currently very noisy. The noise is due to the fact that warm air does not rise in weightless environments. Without convection currents, any air that is to be moved must be moved mechanically. The large number of fans and bends in ductwork create much of the noise.” “This [72db] is about like driving a car at 100 kilometers per hour (kph) with the windows rolled down. By comparison, a living room on Earth would be about 45db.”
“As this paper is being written, the European Space Agency has just issued a worldwide invitation for volunteers to participate in a 520-day simulated Mars mission.” Loucura e estultícia!
6. GENDER COMPOSITION AND CREW COHESION DURING LONG-DURATION SPACE MISSIONS: Jason Kring & Megan Kaminski
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Estou cansado! Já não há nenhuma idéia nova há ALGUNS artigos, e estou somente no sexto! Mau sinal, mau sinal… Só se fala em MARTE, MARTE, MARTE… MARTEla outra tecla, Houston!
7. FLYING WITH STRANGERS: Postmission Reflections of Multinational Space Crews: Peter Suedfeld, Kassia Wilk & Lindi Cassel
“Long before technology made real space voyages possible, fictional explorations can be traced to the myth of Daedalus and Icarus and its counterparts in other traditions, to the writings of Cyrano de Bergerac, and eventually to the imaginations of Jules Verne and the multitude of early-20th-century science fiction writers.” Depois disso (principalmente na segunda metade do XX, i.e., desde que existe a Nasa) o ser humano perdeu a criatividade.
“The first decades of human spaceflight were a series of competitions between the Soviet Union and the United States: who would be the first to launch an orbiting spacecraft, a piloted spacecraft, a space crew, a Moon rocket, a space station . . . . Flights were scheduled to preempt media publicity from the competition. Temporary victory veered from one bloc to the other, with each claiming—or at least implying—that being momentarily ahead in the race was proof of the superiority of its political and economic system, just as Olympic gold medals were (and are) risibly interpreted as markers of national quality.”
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8. SPACEFLIGHT AND CROSS-CULTURAL PSYCHOLOGY: Juris Draguns & Albert Harrison
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AFTERWORD. FROM THE PAST TO THE FUTURE: Gro Mjeldheim Sandal & Gloria Leon
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BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
Cernan & Davis, The Last Man on the Moon: Astronaut Eugene Cernan and America’s Race to Space (New York: St. Martin’s Press, 1999).
Dunmore, French Explorers of the Pacific, vol. 1 (Oxford: Clarendon Press, 1965).
Greely, Three Years of Arctic Service: An Account of the Lady Franklin Bay Expedition of 1881–1884, and the Attainment of the Farthest North (New York: Scribner, 1886).
Harrison, Spacefaring: The Human Dimention (Berkeley: University of California Press, 2001).
Lebedev, Diary of a Cosmonaut: 211 Days in Space (College Station, TX: Phytoresource Research, Inc., 1988).
Linklater, The Voyage of the Challenger (London: John Murray, 1972).
Lovell & Kluger, Lost Moon: The Perilous Voyage of Apollo 13 (New York: Pocket Books, 1994).
Mears & Cleary, “Anxiety as a Factor in Underwater Performance,” Ergonomics 23, no. 6 (1980): 549.
Pearce, “Marooned in the Arctic: Diary of the Dominion Explorers’ Expedition to the Arctic, August to December 1929,” in: Northern Miner (Winnipeg, MB, 1930).
Petrov, Lomov, & Samsonov, eds., Psychological Problems of Spaceflight (Moscow: Nauka Press, 1979).
Ryan, The Pre-Astronauts: Manned Ballooning on the Threshold of Space (Annapolis, MD: Naval Institute Press, 1995).
Stefansson, The Adventure of Wrangel Island (New York: MacMillan Company, 1925).
Von Chamisso [o mesmo autor de Peter Schlemiel], Reise um die Welt mit der Romanoffischen Entdeckungs Expedition in den Jahren 1815–1818 (Berlin: Weidmann, 1856).
Weitekamp, Right Stuff, Wrong Sex: America’s First Women in Space Program (Baltimore, MD: Johns Hopkins University Press, 2004).
THE IMPACT OF MONOLINGUAL AND BILINGUAL SUBTITLES ON VISUAL ATTENTION, COGNITIVE LOAD, AND COMPREHENSION – Sixin Liao, Jan-Louis Kruger and Stephen Doherty
“Bilingual subtitles, a unique subtitle mode that presents subtitles in two different languages simultaneously, are gaining popularity around the world, especially in Mainland China (Li 2016). This is partly attributed to the belief that bilingual subtitles could deliver the benefits of both intralingual and interlingual subtitles, with intralingual subtitles providing the written forms of spoken words that can facilitate vocabulary learning and interlingual subtitles providing the meaning (translation) of words that can enhance viewers’ comprehension and absorption of the content (García 2017).
There exists however an inherent risk that subtitles, as a written form of spoken dialogue, generate redundant information that may overburden the visual processing channel and deplete people’s limited cognitive resources that could have been used to process other essential information (Zheng et al. 2016). When watching subtitled videos, viewers have to cope with a rich combination of multimodal and multiple-source information: visual images (visual-nonverbal), spoken dialogue (audio-verbal), subtitles (visual-verbal) and background sounds (audio-nonverbal) (Gottlieb 1998). This could place high demands on viewers’ attentional and cognitive resources because processing too much information simultaneously has been shown to exceed the capacity of working memory and result in cognitive overload (Kalyuga et al. 1999).”
“Compared with monolingual subtitles, watching videos with bilingual subtitles could be more cognitively demanding due to the concurrent presence of subtitles in two different languages, which, if the audience understands both languages, is likely to generate more redundancy and impose additional cognitive load on working memory. However, due to the scant research in this field, little is currently known about the actual visual and cognitive processing of bilingual subtitles.”
“The conceptualisation of cognitive load has been well-established in CLT (Sweller et al. 2011), one of the most influential theoretical frameworks accounting for cognitive processing during learning (Martin 2014). As this study approaches bilingual subtitles for the purpose of enhancing learning, we argue that CLT is a most appropriate theoretical framework for the current study since it has a well-established empirical basis in educational psychology, instructional design, and educational technology.
Three components of cognitive load have been identified in CLT literature, namely intrinsic cognitive load, extraneous cognitive load and germane cognitive load. Intrinsic cognitive load is created by dealing with the inherent complexity of the task (Van Merriënboer and Sweller 2005; Sweller 2010), while extraneous cognitive load is generated by dealing with instructional features that do not contribute to learning. Germane cognitive load, on the other hand, is created when learners are engaged in processing essential information that contributes to learning (Sweller et al. 1998; Sweller 2010).”
“Learners have also been shown to be more likely to experience high extraneous cognitive load when they process redundant information that is unnecessary for learning (Kalyuga and Sweller 2005). More specifically, numerous empirical studies on cognitive load effects have found that presenting the same information in different forms (e.g. presenting verbal information in both written and audio forms) would hinder learning and cause the redundancy effect (Mayer et al. 2001; Diao and Sweller 2007). The redundancy effect is very relevant to subtitling in that subtitles transfer auditory information into a written form and thus could produce verbal redundancy, which is likely to induce extraneous cognitive load. However, subtitles in different linguistic formats generate different degrees of redundancy and could exert a differential impact on cognitive load and, as a consequence, on task performance and learning outcomes within educational settings.”
“Based on formal linguistic parameters, subtitles can be categorised into three types, namely intralingual subtitles, interlingual subtitles, and bilingual subtitles (Díaz Cintas and Remael 2007). Intralingual subtitles (or same-language subtitles or bimodal subtitles), which are presented in the same language as the spoken dialogue, are primarily used by deaf and hard-of-hearing viewers, but also in language learning and other educational contexts (Doherty 2016; Kruger and Doherty 2016; Doherty and Kruger 2018). Interlingual subtitles (or standard subtitles or L1 subtitles) refer to subtitles that are displayed in a language different from that of the dialogue, normally in the viewers’ native language (Raine 2012). Different from intralingual and interlingual subtitles, which consist of only one language, bilingual subtitles (also known as dual/double subtitles) present subtitles simultaneously in 2 different languages. This category is mostly used in multilingual countries or regions where two or more languages are spoken, such as Finland, Belgium, Israel, Singapore, Malaysia and Hong Kong (Gottlieb 2004; Kuo 2014; Corrizzato 2015). In Mainland China, for example, bilingual subtitles are gaining currency as China’s dominant TV broadcaster is stepping up its effort to present television programs with subtitles in both English and Chinese in order to attract a wider audience. The increasing usage of bilingual subtitles in online videos is attributed to the efforts of amateur subtitlers who translate foreign language videos online on a voluntary basis (Zhang 2013; Hsiao 2014).”
“Thus, our research question aims to identify the effects, if any, of bilingual subtitles on viewers’ distribution of visual attention, cognitive load, and comprehension of audiovisual stimuli.”
“This also provides support to previous arguments that ‘the number of lines does not play as big a role in the processing of subtitles as previously thought’ (Kruger and Steyn 2014: 105). However, it is worth noting that adding subtitles in a non-native language may cause a different interaction between the language of the subtitles and the language of the soundtrack, which could consequently impact on the attention allocated to subtitles, as the viewer may automatically try to read along with the narration, in what we could call the karaoke effect. This assumption is being investigated in our other studies.”
“It is also possible that in the bilingual condition, with two lines of subtitles presented in different languages, subtitles presented on the first line (i.e. L1 subtitles) can grasp viewers’ attention more easily and viewers may feel less motivated to read L2 subtitles once they have gained sufficient information from L1 subtitles. To sanction this assumption, more empirical research is needed to investigate the impact that subtitle positioning in bilingual subtitles has on the distribution of visual attention. Another possibility is that L2 subtitles render more redundancy than L1 subtitles when L2 audio information is available and therefore are less attended to by participants.”
“Moreover, the fact that viewers spent time reading subtitles in both languages in spite of their redundancy provides evidence for the automatic subtitle reading behaviour hypothesis as originally proposed by d’Ydewalle et al. (1991).”
“we propose that adding bilingual subtitles that contain both L1 and L2 subtitles makes the video easier to understand and allows for more available cognitive resources than not providing viewers with any written text as linguistic support. This finding also supports the growing body of evidence that processing subtitles is cognitively effective and does not cause cognitive overload if optimised spatio-temporally (Kruger, Hefer and Matthew 2013; Lång 2016; Perego et al. 2010).”
INVESTIGATING THE RELATION BETWEEN THE SUBTITLING OF SENSITIVE AUDIOVISUAL MATERIAL AND SUBTITLERS’ PERFORMANCE: An empirical study – Katerina Perdikaki and Nadia Georgiou
“This fast-paced consumption, which characterises today’s media culture, is enabled, among others, by the expansion of video streaming services and video-on-demand platforms. In turn, the abundance of audiovisual products and the necessity to make them accessible to all audiences increases the demand for audiovisual translation (AVT) which needs to be prompt, while maintaining all other quality requirements.
In this environment, AVT professionals need to develop a skill-set which goes beyond the acquisition of technological literacy and linguistic aptitude to embrace adaptability, which may be hard to achieve when the audiovisual programme deals with sensitive and/or controversial topics because of the emotional impact inflicted upon the translator.”
“To look into this issue, we designed an online questionnaire which was completed by 170 professional and amateur subtitlers.”
“Schäffner (1997) examines sensitive texts from the perspective of the reaction they prompt in a reader (or viewer, in the case of audiovisual texts) and argues that any text causing irritation or confusion can be considered sensitive.” Exemplos recentes meus: Infância (Graciliano Ramos), Rayuela (Cortázar)…
“It should be noted that the study focuses on negative emotions, as these are assumed to have the most drastic impact on subtitling performance.”
“In areas such as public service interpreting (PSI), healthcare interpreting and, more specifically, mental health interpreting, professionals often face emotionally demanding situations and are affected when relaying traumatic experiences (Hsieh and Nicodemus 2015; Doherty et al. 2010). Similar observations can be made when it comes to emotionally-loaded cases involving interpreting, as in the Nuremberg trials, where simultaneous interpreting first appeared, and in the interpreting conducted in Nazi concentration camps during World War II (Tryuk 2016). The fact that interpreters experience distress and anxiety at some point in their careers has been affirmed in related studies (Loutan et al. 1999; Valero-Garcés 2005; Doherty et al. 2010).”
“meaning that individuals with higher EI tend to be more creative.” Jussara’s EI or QE: 0.
“the emotional potential of audiovisual texts is relatively greater than that of a literary text because of the different layers of information involved.”
“In addition, given the tight deadlines governing the subtitling industry (Georgakopoulou 2009), rarely is there the luxury of time to first watch the programme and then translate it. Therefore, subtitlers often need to switch between the different hats of viewer and translator while experiencing the text for the first time, which arguably allows them less time to crystallise the viewing experience and to follow a more clinical approach in subtitling.”
“Out of the 16 amateur subtitlers in the sample, only three answered that their performance is affected by their emotions.” Típico.
“It is possible that the participants misunderstood the option of humour as referring to a linguistic challenge in subtitling, and not to a potentially emotion-eliciting aspect of the audiovisual text. Taking this into account, the fact that humour was the option with the most responses (80 – 47%) can be interpreted in two ways: either humour is one of the most challenging elements to relay in subtitling, as has been confirmed in the relevant literature (Díaz Cintas and Remael 2007; Chiaro 2010), or humour embedded in sensitive material, e.g. jokes that can be considered obscene, profane, racist or sexist, elicits a more intense emotional reaction.”
“This sentiment of desensitisation may also be evident in the fact that 36 participants (21%) chose not to answer this question, making it the question with the lowest response rate in the questionnaire. Another interpretation for the low response rate would be that the participants, as language professionals, are comfortable with such aspects of language and their non-responsiveness to sensitive language is a meditated stance they adopt to demonstrate their professionalism.”
“Out of these 133 participants, 24 of them proceeded to report an example where their performance was shown to be affected in one way or another. More specifically, they acknowledged that they sometimes have physical reactions to the material (e.g. crying, feeling nauseated) and, thus, have to take frequent breaks while subtitling, or they avoid looking at the screen, focus solely on the audio, and work quickly through the material. Others defer part of the project to other subtitlers and refuse to take on similar projects in the future. In fact, these participants’ narratives are similar to those that answered that their performance was affected by their emotions.”
“The fact that some participants answered that their performance is not affected by their emotions and yet showed evidence of such effect in their free-text responses suggests that some may initially misperceive the extent of the emotional impact experienced when subtitling sensitive material. Alternatively, as it was noted above, a reluctance to admit the impact of emotions on subtitling performance may be connected to the subtitlers’ sense of professionalism and the attitude it entails. Notably, 10 out of the 133 participants that gave a negative response highlighted the subtitler’s responsibility to remain impartial and persevere with the translation, thus demonstrating how norms of the field of translation are often internalised by its agents.”
“I don’t linger much on the translation. I don’t think how to render it best. I just want […] to get it over with” !!!
“Overall, 16 participants (9%) remark that they tend to take frequent breaks in order to cope with the emotional impact, which results in their being less productive and needing more time to complete the job. This may also cause them to ask for an extension to the deadline, if circumstances allow it, or resort to a last-minute translation, as happens with the subtitlers that delay working on the sensitive material. Six participants (3%), all professional subtitlers, note that they refuse work that they know will have such a strong emotional impact on them. Admittedly, this presupposes an established presence in the subtitling industry and a good rapport with one’s clients, so that there is the professional, and financial, flexibility to turn down work. Indeed, the participants that made this point have more than 10 years of subtitling experience.”
“Given that the subtitles co-exist with, and heavily depend on, the visual channel, it is obvious that an obscured image may negatively impact the translation. Furthermore, templates usually contain an abbreviated version of the dialogue, and thus do not correspond to the full onscreen content. As a participant attests, when working through torture scenes, they ‘avoid watching, which makes [their] work prone to error’” Não entendo: como pode trabalhar com isso?
“Twelve of these participants reported that they may consciously tone down language that they find too offensive, particularly in regard to racial discrimination and swearing. The participants’ responses indicate that this also occurs when the depicted images are especially emotive (e.g. images of slaughterhouses or active war zones). Therefore, although language in isolation seems to leave many participants emotionally unaffected, perhaps because translators are trained and expected to be able to handle abusive, offensive, and colourful language, coping with images is arguably more challenging.”
“Eleven participants (6%) highlighted that their performance improved because they felt an even greater responsibility to convey the intended message to the target viewers. As the participants noted, despite the intense emotional impact they experienced, they persevered in order to do justice to the ST, either to match its high cinematographic quality, in the case of fictional films/TV series, or to raise awareness of the issues involved, in the case of documentaries. One participant points out that they took extra care ‘to convey the speakers’ message to the target audience’ when subtitling a documentary about Ugandan child soldiers, in order to communicate their life stories as accurately as possible. Similarly, another participant notes that the emotions of sadness and helplessness they experienced when working on a documentary about cancer patients helped them produce more natural subtitles because they felt that they were the patients’ voice for the target audience. The same participant highlights that in cases where they are overwhelmed with emotion, their empathy with the depicted characters is strengthened, which, in their opinion, ultimately has a positive effect on their subtitling performance.”
“The emotions that the subtitlers in our study experience most commonly are sadness, anger, and disgust, and the topic that emotionally affects them the most is abuse. In terms of imagery, scenes of rape, torture, and animal abuse appear to be particularly sensitive for most participants. In contrast, language usage (e.g. swearing) does not seem to have a significant emotional impact on the majority of the participants.”
“Given that an emotional impact can either hinder or enhance subtitling performance, as discussed above, it seems necessary that subtitlers learn how to process and cope with the elicited emotions first so that they can reap the potential benefits of emotional impact.”
“Further research can also examine relevant training practices that could benefit subtitlers, either in an institutionalised academic context or in the professional environment.”
