A gente sabe muito mais do que a gente pensa que sabe – já tracei todos os planos para a “galerinha”. Seria óbvio dispêndio desmedido de energia tomar consciência de todas essas medidas profiláticas. Um sanitarista é o que eu sou. Lido com saúde pública, condições de higiene e remoção do lixo. Lixo: por definição, o indesejável. O que é lixo para uns não é lixo para outros. Pouco a pouco engatinha até mim o exército de Anti-Édipos. É preciso ter o lado cômico; e é preciso ter o lado perfeito. Se soubessem que tipo de verdadeiro tesouro se concentra neste magro – magro! – corpo!… E quão precárias são as fundações desse incalculável monstro sacro da engenharia. Me admira que os religiosinhos sejam os últimos a enxergar qualquer traço messiânico em mim! Quem está em ostracismo agora? Eu conto a história do meu tempo para todo bem-instruído do porvir que queira saber. A única perspectiva humana e que os trouxe – sim, a ponte!
Originalmente postado em 10 de outubro de 2009, aos 21 anos. Apenas acrescentei uma nota de rodapé ao 4º parágrafo e negritei alguns trechos.
Detesto o contraste promovido pelas visitas à casa dos outros. Entender minha superioridade é trabalhoso para mim. Não achar minha franqueza algo espantoso, só mesmo por estar na minha carne e saber o quanto eu sou constante. O viajante cansado parece um saco de bosta para os outros. Seu esforço não deixa de ser a regularidade da sua alma por isso. Imprevisível só para quem está longe de efetuar minha compreensão… Os jovens não percebem que sempre são mais burros que pessoas de 40 anos, por mais que se tenham por gênios. Acham que é fácil ser o que eu sou!
Querer só as vantagens de ser bem-dotado – já passei dessa fase. Se não posso acreditar o quão longe cheguei, as braçadas que dei, os canais e abismos que atravessei, as chamas que transpus… Meu instinto não falha quando me dou conta da facilidade da vida dos outros. Como são lisos e reclamões! Deveriam entender o que implica ser eu.
Bandejas cheias de uva, sala de estar abarrotada de balões, dias repletos de paparicos, família desprovida de dinamite. Carta branca para deitar e rolar, fazer da vida o que quiser. Não conviver com pressões. Não estar à beira de um colapso, não saber o que é conviver com a morte, fazer pouco caso dela (inúmeras vezes)!
A única coisa que deveria me deixar boquiaberto: estar vivo. E tão bem. Estou tão sozinho e em posição desprivilegiada em casa, acuado, o bode perfeito para o ataque, que até o irmão é apenas um episódio a mais, um algoz a mais. Não é outra vítima preferencial. Não se trata de alguém que atingiu a independência. Quem dirá um alienado. É um pai fracassado – no sentido em que é mais jovem, bruto, estúpido, preguiçoso, débil e imprevidente que o primeiro (mas o molde é o mesmo). Nem se pode dizer que essa vontade de ser golpista, essas espertezas irrisórias, cheiram à ambição. É antes de tudo um sujeito que quer passar a perna em meio mundo, mas é o primeiro a se dar uma rasteira. Em suma, um estagnado. Aquele tipo de membro, de zero, de estorvo, que não é “o primogênito”; fica até difícil de defender o ponto de vista de que os outros vêm tomar o que é dele. É uma existência tão mesquinha, que eu, o caçula, posso dizer: a única função, a única característica de peso, o singular traço de relevo desta presença, é que ele me atrapalha. Por isso passa a ser considerado. O inexpressivo que consegue ser um incômodo. Idade de marmanjo, vivência de moleque. Um mau vigarista, conquanto experiente, porque não consegue encontrar outro ofício.¹ Um corpo anômalo. Uma perfeita aberração. O lado da balança que deveria me favorecer, equilibrar a equação, nivelar a disputa. Mas esse empatar é diferente! Trata-se de um lixo que deveria ser removido. Só que é tão degradante, sem propósito, um amontoado de ridículo… Um sugador de energia, esta que é tão necessária!
¹ Hoje, aos 35 anos, percebo mais do que nunca, mais do que àquela época, o quanto meu pai biológico e meu irmão mais velho são almas gêmeas. Nenhuma dessemelhança de caráter e temperamento entre ambos.
Caso semelhante eu não averigüei. Uma mortalha que arrisca me assombrar até a hora da minha partida, “outro pai”, dessa vez um que necessita ser sustentado, espécime mais aproveitador, vil, dissimulado que o anterior. Vendo o quanto eu produzi, os picos em que finquei bandeira… E o pensamento de que se não tivesse tantas camisas-de-força para me desperdiçar eu não poderiasonhar com as coisas que faço sobrevém – o supremo consolo!
Nos céus límpidos ao lado… Nada perturba, nada machuca, nem existem marimbondos sobrevoando. Apenas uma cegueira disfarçada de azar. A culpa é sempre dos outros, eles próprios não precisam melhorar, maturar, insistir, eles só têm de esperar… Eu sou o que vocês chamam de milagre. Mas não passo de um acontecimento tão banal quanto as suas lamentações. Uma condição óbvia, embora diferente.
adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros
Que ou quem estudou e sabe muitas coisas ou muitas ciências (ex.: Santa Hildegarda era uma freira polímata; os polímatas são peritos em muitas áreas do conhecimento). = POLÍMATE, POLÍMATO
Nascido em 22 de setembro de 1791 e morto em 25 de agosto de 1867, Michael Faraday foi um cientista inglês indispensável para as disciplinas físico-químicas do eletromagnetismo e da eletroquímica. Ele enumerou os princípios da indução eletromagnética, do diamagnetismo e da eletrólise. Praticamente um autodidata, se enquadra entre os maiores cientistas da História. Antes de Faraday não se podia falar em campo eletromagnético. Faraday também foi o primeiro a indicar que o magnetismo podia afetar os raios de luz, demonstrando que são forças físicas são só diferentes como interdependentes ou interativas entre si. Foi um dos precursores do uso da eletricidade em massa, mudando o mundo, talvez, mais nos últimos 150 anos que nos 10 mil precedentes.
Como químico, Faraday descobriu o benzeno, investigou o hidrato de clatrato a partir do cloro e estabeleceu o sistema numérico de oxidação dos átomos. Os termos ânodo, cátodo, eletrodo e íon são suas criações. Faraday divulgava suas descobertas em linguagem absolutamente didática e popular.
Em compensação, seu conhecimento matemático não ultrapassava a trigonometria euclidiana, com conhecimentos básicos de álgebra. James Maxwell converteu as descobertas faradayanas em equações hoje consideradas a base da teoria moderna do eletromagnetismo. Faraday usava conceitos de “linhas de força” vetoriais em suas explanações – isso indica que ele possuía concepções matemáticas em alto grau, embora não as realizasse no papel – pois matemáticas envolvendo vetores foram desenvolvidas apenas após o próprio Maxwell. A unidade de medida internacional de capacitância foi batizada farad em sua homenagem.
BIOGRAFIA GERAL
Michael Faraday é natural da atual cidade de Londres, de origem plebéia. Foi o terceiro de 4 irmãos. Aos 14 anos conheceu o livreiro George Riebau, que ajudou em sua educação. Os autores que mais o influenciaram nesse período constam como Isaac Watts e Jane Marcet.
Aos 20, estabeleceu conexões com o químico Humphry Davy e com John Tatum, fundador da Sociedade Filosófica de Londres. William Dance atuou como seu mecenas nesse período. Seu primeiro emprego como assistente químico laboratorial foi obtido em 1813. Ele e seu superior, Davy, foram vitimados por uma explosão do composto tricloreto de nitrogênio, felizmente sem conseqüências graves. Em 1821 Faraday casou-se com Sarah Barnard (1800-1879). O casamento não gerou descendência.
Em 1832 Faraday recebeu o título honorário de doutor em em Direito Civil pela Universidade de Oxford. Foi-lhe oferecido o título de Sir em decorrência de suas descobertas científicas, o qual ele dispensou por motivos religiosos. Além disso, era membro honorário das academias científicas de inúmeros países.
Faraday declinou ao convite britânico para ajudar na produção de armamentos químicos para uso na Guerra da Criméia (1853-56).
POLIMATIA
QUÍMICA
As primeiras descobertas de Faraday foram dois compostos envolvendo cloro e carbono: o hexacloroetano, decorrente da cloração do etileno; e o tetracloreto, oriundo da decomposição deste primeiro. Também desempenhou experimentos complexos sobre a difusão de gases, dando continuidade às primeiras teses e descobertas de John Dalton. Thomas Graham e Joseph Loschmidt explorariam mais a fundo o legado experimental de Faraday no subcampo dos gases aplicados à física. Faraday pôde liquefazer vários gases, investigou as propriedades das ligas metálicas e produziu novos vidros destinados a aplicações em ótica. Um dos vidros de Faraday foi usado num importante experimento que demonstrou modificações na propagação da luz. Faraday desenvolveu uma versão prototípica do Bico de Bunsen, importante instrumento de laboratório. Quando descobriu o benzeno, batizou-o provisoriamente de bicarbureto de hidrogênio.
Faraday foi precursor no estudo das chamadas nanopartículas metálicas. Em 1847, anunciou as propriedades únicas do composto de ouro coloidal, diferentes do ouro “puro”. Alguns reportam esta investigação como o marco zero da nanociência.
ELETRICIDADE E MAGNETISMO
Seu principal campo de atuação. Seu primeiro construto foi uma pilha voltaica feita de 7 moedas de meio centavo da libra, enfileiradas com 7 discos de folhas de zinco e 6 folhas de papel umedecidas de água marinha (ionizadas). Com ajuda desta pilha, Faraday decompôs o sulfato de magnésio.
O físico e químico danês Hans Christian Ørsted é apontado como o real descobridor do eletromagnetismo em si, mas físicos posteriores como Davy (o chefe de Faraday) e William Hyde Wollaston não conseguiram desenvolver um motor elétrico baseado na descoberta. Faraday desenvolveu então um motor homopolar capaz de produzir movimento circular de um fio com a ajuda de um ímã, ambos imersos em mercúrio. A invenção teria advindo de uma contribuição teórica tripla entre Davy, Wollaston e Faraday. Por não atribuir crédito aos outros dois no invento, as relações entre Faraday e Davy azederam, e essa pode ter sido a razão central de sua mudança para outros campos do conhecimento, afastando-se do eletromagnetismo (senão até sua morte, por alguns anos).
Foi somente 2 anos após a morte de seu mentor Davy que Faraday anunciou a descoberta da indução eletromagnética (1831). Nessa época nasceu a teoria do campo (magnético)¸ abrangendo o escopo do trabalho teórico de Ørsted. Aplicando a teoria em laboratório, Faraday construiu o dínamo, “avô” dos geradores de energia e motores elétricos atuais.
Investigando a eletricidade em seus fundamentos, Faraday cunhou os termos eletrostática, atração, eletrólise e magnetismo (sem o prefixo eletro-). Ele concluiu que não existia uma divisão rígida entre os fenômenos de eletricidade (na época falava-se em vários tipos de eletricidade com leis próprias, sendo eletromagnetismo apenas a interação entre eletricidade e eletromagnetismo e não uma força física una). O segredo estaria nas variáveis de quantidade e intensidade (corrente e voltagem, respectivamente), o que mudava as propriedades da única e mesma corrente elétrica, fenômeno básico da física. Os trabalhos de Faraday impactariam de maneira majoritária os avanços em engenharia do último terço do século XIX, que ele não viveu para ver.
DIAMAGNETISMO
Em 1845 Faraday descobriu a repulsão (de caráter fraco) de certos materiais ao campo magnético, o que batizou de diamagnetismo. Foi na mesma época que cunhou o que viria a ser chamado post mortem de Efeito Faraday, sobre a mudança da rotação polar de um feixe de luz linear sob interferência magnética.
A caixa de Faraday ou gaiola de Faraday, talvez seu instrumento mais conhecido, comprovou que descargas elétricas afetavam apenas a superfície exterior do condutor elétrico (metálico). Não é uma lenda que Faraday tinha confiança plena no resultado do experimento e se posicionou dentro da gaiola a fim de provar, saindo vivo, que a eletricidade não se propagaria como um fluido para dentro da gaiola, já na primeira tentativa, posto que era uma força que se propagava por outras regras, como ele mesmo já sabia.
PREVENÇÃO CONTRA EXPLOSÕES FATAIS EM MINAS
Faraday investigou o efeito de grandes explosões e acidentes com múltiplas vítimas em minas inglesas. Ele descobriu que a poeira destes túneis subterrâneos potencializava as explosões e encorajava a construção de dutos de ventilação para mitigar o poder de expansão das chamas. Apesar de suas severas advertências, apenas em 1913, após outro grande desastre, suas idéias começaram a ser acolhidas pelos empresários mineiros.
PEDAGOGIA
Faraday se posicionou e palestrou sobre os perigos das modas correntes do mesmerismo (magnetismo animal, fenômeno psicológico, não da física), das tentativas de comunicação com os mortos e dos fenômenos de Poltergeist ou “mesas giratórias”, desaconselhando qualquer ensino de paraciências, fenômenos paranormais (nunca comprovados) e misticismos nas escolas britânicas.
Ele deu aulas de iniciação científica para alunos do ciclo básico. Um dos livros que produziu a partir dessas lições, de mais fama, é A História Química de uma Vela (1851). São incursões consideradas populares, instrutivas e filosóficas ao mesmo tempo.
QUERO SABER MAIS!
Havendo publicado poucos livros qua livros em vida, as melhores fontes para seu pensar em via direta são seus diários, que foram, ao longo do tempo, organizados e traduzidos para vários idiomas.
Originalmente postado em 5 de outubro de 2009. Parágrafo novo no final.
Sob o que paira tão alto, sua casa e sua família. Contornos mais nítidos, mas coração mais apertado. O que é sensível para nós seria falável, se não fosse doloroso falar do que mais se conhece! Quanto ao insensível e incorpóreo, tanto faz que tenhamos imparcialidade, ele é obscuro e distante mesmo… Claro, até voltar a ser familiar; digo, familial. E o quanto das cabeças dos nossos pais não é absolutamente indecifrável, por mais autômato e robótico?
Escrevo para tentar parar de pensar sem cessar no mesmo corpo de problemas todos os dias, o que vem me atrapalhando a manter minha rotina de leituras. Não me importam a sociologia e seus entreveros entre autores, todos corretos e todos errados ao mesmo tempo. Chega!
Só me importam alguns pontos, tais quais: se um sujeito bem gordo completa a travessia de uma ponte de madeira sobre um rio, envergando-a para baixo, e um segundo sujeito, magrinho, apenas pele e osso, tenta passar e racha a madeira, caindo na água quando estava justamente no meio do caminho, de quem é a culpa? O cristão instaurará um inquérito de imediato. Estes ocasionaram o Estado, a polícia. Se o gordo não é ricaço, a culpa é dele, ele vai preso. Ou, se não houver provas de que alguém ali passou antes, o ônus vai todo para o magricela. Bodes expiatórios são unidades carnais. Cristo era um homem. Nesse nosso mundo não é costume a partilha de responsabilidades. Vai ver é por isso que a Terra está assim, que a camada de ozônio…
Ninguém? Deus? Não falemos de vazios, sigamos no Mundo dos Homens falando de Homens, e não de Idéias. Afinal, em tudo que importa, só Homem, o ato, a matéria, o tangível, é que entram na conta. E que se dane se o gordão fez de propósito ou o magro estava sendo coagido. O que você faz não é voluntário nem desinteressado.
Então por que eu aqui? Sinceramente, o que mais me preocupa no momento é dinheiro. Não dinheiro para a vida toda, não meu dinheiro, mas o dinheiro dos meus pais que vai pra mim. Atualmente, é assim que eu vivo, e até 2ª ordem continuarei pedindo toda semana algumas notas, retirando-as da carteira do meu pai sob as vistas do dono. Ele ser murrinha e eu ser um universitário desempregado são duas coisas que não casam bem. Mas tem de casar, de alguma forma – é a vida. O chefe da família diz que não há conversa nessa casa, os filhos mondrongos são os responsáveis. Eu digo que ele é um bicho-do-mato escroto que não tem solução, é um daqueles casos perdidos.
Não importa quem tem razão, nem qual é o lado fraco. Ele vai morrer como mau pai e sem conquistar os filhos. Vai viver cada segundo do resto de sua vida com o peso (será que o elefante sente?) de não ter conseguido estabelecer o mínimo diálogo intergeracional. Se há um consolo – certamente ele pensa nesses esquemas –, é que ele acha que algo extraordinário irá acontecer e ele ainda poderá realizar sua meta (opa, nós – estranhamente, ele não se encara como ator). A esperança morre só depois do defundo…
P.S. 2023: Hoje moro só e meu pai está em fase final do Alzheimer. Até hoje nunca admitiu seus erros e ainda acusa todos a sua volta por não ter-se tornado o Rei da Inglaterra.
Colchetes []: quando faço observações dentro das aspas
Cor vermelha, grifos: mais importante
Cor verde: raciocínios perniciosos (normalmente, citação de autores ou realizadores da opressão)
Cor azul: meus comentários quando fora de colchetes
PREFÁCIO (Ou: resumo de Ser e Tempo) – Ernani Maria Fiori
“Uma cultura tecida com a trama da dominação, por mais generosos que sejam os propósitos de seus educadores, é barreira cerrada às possibilidades educacionais dos que se situam nas subculturas dos proletários e marginais.”
“A pedagogia do oprimido é, pois, liberadora de ambos, do oprimido e do opressor.”
“o processo em que a vida como biologia passa a ser vida como biografia. (Ortega)”
“a pedagogia faz-se antropologia.” “contínua recriação de um mundo que, ao mesmo tempo, obstaculiza e provoca o esforço de superação liberadora da consciência humana. A antropologia acaba por exigir e comandar uma política.”
“círculo de cultura” “Como unir consciências autênticas quando cada consciência implica uma cisão com o mundo do outro? Pois cultura é crítica. Toda cultura, todo círculo de cultura, é uma crítica de culturas e outros círculos culturais.(*)”
(Sobre a alfabetização): “não há professor, há um coordenador, que tem por função dar as informações solicitadas pelos respectivos participantes e propiciar condições favoráveis à dinâmica do grupo, reduzindo ao mínimo sua intervenção direta no curso do diálogo.”
“objetivação das palavras geradoras”
“Pensar o mundo é julgá-lo; e a experiência dos círculos de cultura mostra que o alfabetizando, ao começar a escrever livremente, não copia palavras, mas expressa juízos.” “o alfabetizando (…) vai assumindo, gradualmente, a consciência de testemunha de uma história de que se sabe autor.”
testemunha responsável por (terminologia mais explorada no último capítulo)
“a empresa educativa, que não é senão aprendizagem permanente desse esforço de totalização – jamais acabada – através do qual o homem tenta abraçar-se inteiramente na plenitude de sua forma.” “Mas, para isto, para assumir responsavelmente sua missão de homem, há de aprender a dizer a sua palavra, pois, com ela, constitui a si mesmo e a comunhão humana em que se constitui”
“Tudo foi resumido por uma mulher simples do povo, num círculo de cultura, diante de uma situação representada em quadro: ‘Gosto de discutir sobre isto porque vivo assim. Enquanto vivo, porém, não vejo. Agora sim, observo como vivo’. § A consciência é essa misteriosa e contraditória capacidade que tem o homem de distanciar-se das coisas para fazê-las presentes, imediatamente presentes.”
Trajeto Schopenhauer-Heidegger: “presença não é representação, mas (condição de) apresentação.” Demiurgia antropomórfica. Quem não tem um presente, em que é livre, não vive, não é homem.
“e o coito de suas respostas mede-se por sua maior ou menor adaptação: naturaliza-se.” Naturaliza-se: anti-culturaliza-se (mas toda cultura é ‘natural’).
coisas desafios
limitação (dogma da liberdade relativa) não é aprisionamento ou confinamento. Mas a condição de possibilidade da existência livre e original.
“consciência do além-limite” (além-animal)
“transubstanciação do meio físico”
“o homem não se naturaliza, humaniza (culturaliza) o mundo (a natureza).”
“hominização”
adaptar: processo estacionário, dado – o revolucionário não se adapta, transgride.
hominizar: processo dinâmico, criação
“a interrogação nunca é pergunta exclusivamente especulativa: [a pedagogia inútil e livresca de hoje] no processo de totalização da consciência é sempre provocação que a incita a totalizar-se. O mundo é espetáculo, [observação passiva] mas sobretudo convocação. [chamada a subir ao palco]”
PENSAR OU AGIR? PENSAR & AGIR: “Se a consciência se distancia do mundo e o objetiva, é porque sua intencionalidade transcendental a faz reflexiva.”
“a distância é a condição da presença.” Não há zero distância ou presença absoluta. Por outro lado, nada está infinitamente distante ou é irrecuperável. Quem não se vê de fora, se objetificando em exercício abstrato, não compreende a própria existência.
(*)(Retomada do dilema introdutório:) “Se cada consciência tivesse o seu mundo, as consciências se desencontrariam em mundos diferentes e separados – seriam mônadas incomunicáveis.”
“convergência das intenções”
Infelizmente, convergimos até com fascistas.
“As consciências não são comunicantes porque se comunicam; mas comunicam-se porque comunicantes. A intersubjetivação das consciências é tão originária quanto sua mundanidade ou sua subjetividade.” Trocando em miúdos para o pedagogês-sem-filosofês: Antes de existir o eu, já existia o nós.
“Na intersubjetivação, as consciências também se põem como consciências de um certo mundo comum e, nesse mundo, se opõem como consciência de si e consciência do outro. Comunicamo-nos na oposição” Não há espaço para solipsismos.
“A solidão – não o isolamento – só se mantém enquanto renova e revigora as condições do diálogo. [A solidão é como o distanciar-se a fim de estar verdadeiramente presente.]
O diálogo fenomeniza e historiciza a essencial intersubjetividade humana; ele é relacional; e, nele, ninguém tem iniciativa absoluta. Os dialogantes ‘admiram’[esta palavra, ainda veremos, tem conotação afirmativa em Freire] um mesmo mundo; afastam-se dele e com ele co[-]incidem; nele põem-se e opõem-se. Vimos que, assim, a consciência se existencia e busca perfazer-se.”
Todo quartel é um quadrante errado (isolado) da existência.
“Então, o mundo da consciência não é criação, [divina, destino] mas sim, elaboração humana. Esse mundo não se constitui na contemplação, [diferente de admiração, acima] mas no trabalho.”
“o espetáculo, em verdade, é compromisso.” O espetáculo é o mundo admirado do qual pode-se escolher ou vir a participar. Esse é o compromisso, uma escolha consciente. “Reencontrar-se como sujeito e liberar-se é todo o sentido do compromisso histórico.”
“Em diálogo circular, [dialético, não-repetitivo, mas recursivo] intersubjetivando-se mais e mais, vai assumindo, criticamente, o dinamismo de sua subjetividade criadora. Todos juntos, em círculo, [representa a igualdade entre os participantes da proposta pedagógica – todos estão a igual distância do centro comum] e em colaboração, reelaboram o mundo e, ao reconstruí-lo, apercebem-se de que, embora construído também por eles, esse mundo não é verdadeiramente para eles. Humanizado por eles, esse mundo não os humaniza. As mãos que o fazem não são as que o dominam. [falta de controle sobre o produto do próprio trabalho] Destinado a liberá-los como sujeitos, escraviza-os como objetos.”
“não se davam conta de que também eram presença que presentifica um mundo que não é de ninguém, porque originariamente é de todos.”
“Como todo bom método pedagógico, [o método Paulo Freire] não pretende ser método de ensino, mas sim de aprendizagem” Recomendo consultar os termos na internet, mas um rápido resumo: método de ensino – educação tradicional, professor como protagonista, ênfase no conteúdo, ‘cápsulas de saber’, contextualizadas ou não com os estudantes; método de aprendizagem – mais moderno, se preocupa com o que se passa com o aluno após a transmissão do saber, enfatiza conteúdos importantes para o contexto do aluno, a denúncia de que o método de ensino, antigo, era a perpetuação de uma necessidade de decorar conteúdos sem-sentido, aprender por aprender, e ainda pior: aprender por um tempo curto, pois inútil na ‘vida real’. Podemos grosso modo dizer, ainda: a aprendizagem é um meio para um fim; o ensino enquanto método pedagógico já é um fim em si mesmo.
“A cultura marca o aparecimento do homem no largo processo da evolução cósmica. A essência humana existencia-se, autodesvelando-se como história. Mas essa consciência histórica, objetivando-se reflexivamente, surpreende-se a si mesma, passa a dizer-se, torna-se consciência historiadora: o homem é levado a escrever sua história. Alfabetizar-se é aprender a ler essa palavra escrita em que a cultura se diz e, dizendo-se criticamente, deixa de ser repetição intemporal do que passou, para temporalizar-se, para conscientizar sua temporalidade constituinte, que é anúncio e promessa do que há de vir.” O educar não faz sentido se não é agente transformador dos educandos.
HORA DO DITADO (DITADURA DO DITO): “Ensinar a ler as palavras ditas e ditadas é uma forma de mistifìcar as consciências, despersonalizando-as na repetição – é a técnica da propaganda massificadora.” Ditado, prática comum dos primeiros níveis da escola fundamental: o pior exemplo do método de ensino, sem aprendizagem. Exemplo extremo: Aprendi a escrever lápis, mas talvez nem saiba o que é um lápis e para quê serve (ironicamente, usando o lápis para escrever lápis).
“Aprender a dizer a sua palavra é toda a pedagogia, e também toda a antropologia.” Lápis, acima, não é a sua palavra, mas uma palavra despida de sentido, porque despida de contexto. A alfabetização verdadeira vem depois, quando se formulam enunciados, expressando visões de mundo.
“A palavra pessoal, criadora, pois a palavra repetida é monólogo das consciências que perderam sua identidade, isoladas, imersas na multidão anônima e submissas a um destino que lhes é imposto e que não são capazes de superar, com a decisão de um projeto.” Palavra repetida me lembra: coral de igreja: os anjinhos que não sabem o que lêem. Mas lêem e capricham na leitura. Recebem aplausos do padre.
“O enfrentamento com o mundo é ameaça e risco. O homem substitui o envoltório protetor do meio natural por um mundo que o provoca e desafia. Num comportamento ambíguo, enquanto ensaia o domínio técnico desse mundo, tenta voltar a seu seio, imergir nele, enleando-se na indistinção entre palavra e coisa.¹ A palavra, primitivamente, é mito. Interior ao mito e condição sua, o ‘logos’ humano vai conquistando primazia, com a inteligência das mãos que transformam o mundo.”²
¹ O descompasso entre as maiores maravilhas tecnológicas e ainda o mesmo primitivismo de sempre na pedagogia: a maioria dos homens pensa que palavras e coisas são atributos absolutos, já dados desde que o mundo é mundo, e que não foram criadas pelo próprio homem.
² De certa forma, a alfabetização-para-o-mundo (o método Freire) é apenas a repetição, em nível individual, da história conhecida da cultura: como viemos das trevas para nos tornarmos seres ativos, culturas, civilizações. E para que continuemos sendo ativos, é necessário repetir o processo, que nunca se fará por si mesmo. Nada do que foi conquistado no passado garante o presente do homem, que afinal não é o mesmo indivíduo que dominou o fogo e que filosofou na Grécia. Mas agora temos uma dimensão histórica que aquele mesmo homem, tão esclarecido, ainda não possuía.
“A narração do mito, no entanto, objetivando o mundo mítico e entrevendo o seu conteúdo racional, acaba por devolver à consciência a autonomia da palavra, distinta das coisas que ela significa e transforma.” O mito, como ponto de origem do saber, não é mal em si mesmo; e sim uma má utilização do mito para falsear a realidade. Somos intérpretes de mitos.
“a cultura letrada é um epifenômeno [instrumento] da cultura, que, atualizando sua reflexividade virtual, encontra na palavra escrita uma maneira mais firme e definida de dizer-se, isto é, de existenciar-se discursivamente na ‘práxis’ histórica. Podemos conceber a ultrapassagem da cultura letrada: o que, em todo caso, ficará, é o sentido profundo que ela manifesta: escrever e não conservar e repetir a palavra dita, mas dizê-la com a força reflexiva que sua autonomia lhe dá – a força ingênita que a faz instauradora do mundo da consciência, criadora da cultura.”Diferente de todas as toneladas de teses e papers de hoje, meras repetições analfabetas de um mundo velho. Ernani, ao dizer “Podemos conceber a ultrapassagem da cultura letrada”, além de lembrar que existe uma cultura popular (mesmo escrita), pode estar falando do cinema ou das comunicações audiovisuais em geral, hoje imperantes. Tudo isso é ainda logos (razão e palavra), no entanto.
“a sua palavra humana imita a palavra divina” Ainda estamos muito aquém. Circundados por escravos que são todo-orgulho (me refiro aos acadêmicos e seu monopólio sobre o saber). E são acadêmicos cada vez piores (basta olhar para os séculos passados).
“Aos que constroem juntos o mundo humano, compete assumirem a responsabilidade de dar-lhe direção.” “então conscientizar é politizar. E a cultura popular se traduz por política popular; não há cultura do Povo, sem política do Povo.”
“[Paulo Freire] Não absorve o político no pedagógico, mas também não põe inimizade entre educação e política. Distingue-as, sim, mas na unidade do mesmo movimento em que o homem se historiciza e busca reencontrar-se, [outro motivo de falar-se de círculo] isto é, busca ser livre. Não tem a ingenuidade de supor que a educação, só ela, decidirá dos rumos da história, mas tem, contudo, a coragem suficiente para afirmar que a educação verdadeira conscientiza as contradições do mundo humano, sejam estruturais, superestruturais ou inter-estruturais, contradições que impelem o homem a ir adiante. As contradições conscientizadas não lhe dão mais descanso, tornam insuportável a acomodação.” O homem que aprendeu a problematizar o mundonão se é mais mero macaco, autômato desesperado e agitado, que pula de galho em galho, estruturalmente correlato, i.e., no tédio da existência, só sabe ir de um extremo ao outro, procurando um sentido absoluto que jamais encontrará (comentário dedicado a um fascista que cruzou meu caminho, que mascaro sob um inteligente apelido para evitar processinhos: Acefaloísio).
“Um método pedagógico de conscientização alcança as últimas fronteiras do humano. E como o homem sempre se excede, o método também o acompanha.”
“Em regime de dominação de consciências, em que os que mais trabalham menos podem dizer a sua palavra e em que multidões imensas nem sequer têm condições para trabalhar, os dominadores mantêm o monopólio da palavra, com que mistificam, massificam e dominam. Nessa situação, os dominados, para dizerem a sua palavra, têm que lutar para tomá-la. Aprender a tomá-la dos que a detêm e a recusam aos demais é um difícil mas imprescindível aprendizado – é a ‘pedagogia do oprimido’.” A missão da minha geração é ser o pesadelo número 1 da mídia tradicional. Propagar a verdade.
Santiago, 1957
PRIMEIRAS PALAVRAS (agora sim Paulo Freire em pessoa entra em cena!)
“As páginas que se seguem e que propomos como uma introdução à Pedagogia do Oprimido são o resultado de nossas observações nestes 5 anos de exílio. Observações que se vêm juntando às que fizemos no Brasil.” “Parta de quem parta, a sectarização é um obstáculo à emancipação dos homens. Daí que seja doloroso observar que nem sempre o sectarismo de direita provoque o seu contrário, isto é, a radicalização do revolucionário.”
“o sectário de direita que, no nosso ensaio anterior, chamamos de ‘sectário de nascença’ pretende frear o processo, ‘domesticar’ o tempo e, assim, os homens. Esta é a razão também porque o homem de esquerda, ao sectarizar-se, se equivoca totalmente na sua interpretação ‘dialética’ da realidade, da história, deixando-se cair em posições fundamentalmente fatalistas.”
Santiago, 1968[significa que esteve exilado já antes da ditadura militar – um forte indício de que seu trabalho incomodava e muito; ou seja, de que estava no bom caminho.]
CAPÍTULO 1. JUSTIFICATIVA DA “PEDAGOGIA DO OPRIMIDO”
“Reconhecemos a amplitude do tema que propomos tratar neste ensaio, com o qual pretendemos, em certo aspecto, aprofundar alguns pontos discutidos em nosso trabalho anterior Educação como Prática da Liberdade. Daí que o consideremos como mera introdução”
“A desumanização, que não se verifica, apenas, nos que têm sua humanidade roubada, mas também, ainda que de forma diferente, nos que a roubam, é distorção da vocação do ser mais. É distorção possível na história, mas não vocação histórica. Na verdade, se admitíssemos que a desumanização é vocação histórica dos homens, nada mais teríamos que fazer, a não ser adotar uma atitude cínica ou de total desespero.”
“A violência dos opressores que os faz também desumanizados, não instaura uma outra vocação – a do ser menos. Como distorção do ser mais, o ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde, a lutar contra quem os fez menos.”
“A ‘ordem’ social injusta é a fonte geradora, permanente, desta ‘generosidade’ que se nutre da morte, do desalento e da miséria.”
“[os oprimidos-não-conscientes do verdadeiro problema dialético da opressão] querem a reforma agrária, não para libertar-se, mas para passar a ter terra e, com esta, tornar-se proprietários ou, mais precisamente, patrões de novos empregados. Raros são os camponeses que, ao serem ‘promovidos’ a capatazes, não se tornam mais duros opressores de seus antigos companheiros do que o patrão mesmo.” O Movimento dos Sem Terra está informado desta contradição.
“A liberdade, que é uma conquista, e não uma doação, exige uma permanente busca. Busca permanente que só existe no ato responsável de quem a faz. Ninguém tem liberdade para ser livre: pelo contrário, luta por ela precisamente porque não a tem. Não é também a liberdade um ponto ideal, fora dos homens, ao qual inclusive eles se alienam.”
“Não basta saber-se numa relação dialética com o opressor – seu contrário antagônico – descobrindo, por exemplo, que sem eles o opressor não existiria, (Hegel) para estarem de fato libertados. É preciso, enfatizemos, que se entreguem à práxis libertadora.”
“Descobrir-se na posição de opressor, mesmo que sofra por este fato, não é ainda solidarizar-se com os oprimidos. Solidarizar-se com estes é algo mais que prestar assistência a 30 ou a 100, mantendo-os atados, contudo, à mesma posição de dependência. Solidarizar-se não é ter a consciência de que explora e ‘racionalizar’ sua culpa paternalistamente. A solidariedade, exigindo de quem se solidariza, que ‘assuma’ a situação de com quem se solidarizou, é uma atitude radical.”
“O opressor só se solidariza com os oprimidos quando o seu gesto deixa de ser um gesto piegas e sentimental, de caráter individual, e passa a ser um ato de amor àqueles. Quando, para ele, os oprimidos deixam de ser uma designação abstrata e passam a ser os homens concretos, injustiçados e roubados. Roubados na sua palavra, por isto no seu trabalho comprado, que significa a sua pessoa vendida.”
“A objetividade dicotomizadada subjetividade, a negação desta na análise da realidade ou na ação sobre ela, é objetivismo. Da mesma forma, a negação da objetividade, na análise como na ação, conduzindo ao subjetivismo que se alonga em posições solipsistas, nega a ação mesma, por negar a realidade objetiva, desde que esta passa a ser criação da consciência. Nem objetivismo, nem subjetivismo ou psicologismo, mas subjetividade e objetividade em permanente dialeticidade.
Confundir subjetividade com subjetivismo, com psicologismo, e negar-lhe a importância que tem no processo de transformação do mundo, da história (…) É admitir o impossível: um mundo sem homens, tal qual a outra ingenuidade, a do subjetivismo, que implica homens sem mundo.”
“O que Marx criticou, e cientificamente destruiu, não foi a subjetividade, mas o subjetivismo, o psicologismo.” “Se os homens são os produtores desta realidade e se esta, na ‘inversão da práxis’, se volta sobre eles e os condiciona, transformar a realidade opressora é tarefa histórica, é tarefa dos homens.”
“Este é um dos problemas mais graves que se põem à libertação. É que a realidade opressora, ao constituir-se como um quase mecanismo de absorção dos que nela se encontram, funciona como uma força de imersão das consciências.” Opressores que não se julgam opressores, oprimidos que se pensam – e favoravelmente! – opressores, ou ao menos não-oprimidos, ou ‘oprimidos conformados’.
“Hay que hacer la opresión real todavia más opresiva añadiendo a aquella la consciencia de la opresión, haciendo la infamia todavia más infamante, al pregonarla.”
Marx e Engels, Sagrada Família
O NOVO ENSINO MÉDIO: “Por isto, inserção crítica e ação já são a mesma coisa. Por isto também é que o mero reconhecimento de uma realidade que não leve a esta inserção crítica (ação já) não conduz a nenhuma transformação da realidade objetiva, precisamente porque não é reconhecimento verdadeiro.”
“A ‘racionalização’, como mecanismo de defesa, termina por identificar-se com o subjetivismo. Ao não negar o fato, mas distorcer suas verdades, a ‘racionalização’ ‘retira’ as bases objetivas do mesmo.” Diz o racionalista inautêntico: o problema da pedagogia existe e é profundo, está-aí. Mas é insolúvel. Não tem a ver com a luta de classes, precisamos propor ‘soluções pragmáticas’, etc., etc. Ao dizer que a educação anda mal e precisa melhorar, é tido superficialmente como um crítico do sistema, mas não avança no problema, estanca-o mesmo. Ou a educação sempre andará mal porque não é possível fazer nada a respeito, ou formulam-se soluções mirabolantes, eternamente fadadas ao fracasso, e não se modifica o discurso, e não cessa o ciclo de formulação de soluções mirabolantes.
« il doit, pour employer les mots de Marx, expliquer aux masses leur propre action non seulement afin d’assurer la continuité des expériences revolutionnaires du prolétariat, mais aussi d’activer consciemment le développement ultérieur de ces expériences. »
Lukács, Lenin
quê-fazer/quefazer X puro fazer
ação organizada dos oprimidos X ação alienada
“Para nós, contudo, a questão não está propriamente em explicar às massas, mas em dialogar com elas sobre a sua ação. De qualquer forma, o dever que Lukács reconhece ao partido revolucionário de ‘explicar às massas a sua ação’ coincide com a exigência que fazemos da inserção crítica das massas na sua realidade através da práxis, pelo fato de nenhuma realidade se transformar a si mesma.”
“Nenhuma pedagogia realmente libertadora pode ficar distante dos oprimidos, quer dizer, pode fazer deles seres desditados, objetos de um ‘tratamento’ humanitarista,¹ para tentar, através de exemplos retirados de entre os opressores, modelos para a sua ‘promoção’. Os oprimidos hão de ser o exemplo para si mesmos, na luta por sua redenção.
¹ ideologia(do)humanismo(ta) X ideologia (do) humanitarismo(ta)
práxis revolucionária X discurso liberal da meritocracia, demagogia
A pedagogia do oprimido, que busca a restauração da intersubjetividade, se apresenta como pedagogia do Homem. (…) Pelo contrário, a pedagogia que, partindo dos interesses egoístas dos opressores, egoísmo camuflado de falsa generosidade, faz dos oprimidos objetos de seu humanitarismo, mantém e encarna a própria opressão.”
“Se, porém, a prática desta educação implica o poder político e se os oprimidos não o têm, como então realizar a pedagogia do oprimido antes da revolução?”
trabalhos educativos X educação sistemática
Trabalho de base, contínuo, implementando a conscientização paulatina dos oprimidos, que segundo Freire com o tempo e o sucesso da primeira etapa do trabalho de base passam a ser, já, ‘sujeitos em direção à libertação’, ex-oprimidos conscientes e emergentes, já capazes de co-conduzir o processo da luta, e não apenas submeter-se à inércia da pedagogia do opressor. X Tomar-o-poder-para-depois-revolucionar-a-educação (reforma vertical, de alto escalão, de cima para baixo)
tese-antítese-síntese em operação:
De: homens opressores vs. homens oprimidos… A: homens libertando-se.
“A situação de opressão em que se ‘formam’, em que ‘realizam’ sua existência, os constitui nesta dualidade, na qual se encontram proibidos de ser. Basta, porém, que homens estejam sendo proibidos de ser mais para que a situação objetiva em que tal proibição se verifica seja, em si mesma, uma violência. Violência real, não importa que, muitas vezes, adocicada pela falsa generosidade a que nos referimos, porque fere a ontológica e histórica vocação dos homens — a do ser mais.”
“Como poderiam os oprimidos dar início à violência, se eles são o resultado de uma violência? § Como poderiam ser os promotores de algo que, ao instaurar-se objetivamente, os constitui?”
“Inauguram a violência os que oprimem, os que exploram, os que não se reconhecem nos outros; não os oprimidos, os explorados, os que não são reconhecidos pelos que os oprimem como outro. § Inauguram o desamor (…) porque apenas se amam.
Os que inauguram o terror não são os débeis, que a ele são submetidos, mas os violentos que, com seu poder, criam a situação concreta em que se geram os ‘demitidos da vida’, os esfarrapados do mundo.”
“Quem inaugura a negação dos homens não são os que tiveram a sua humanidade negada, mas os que a negaram, negando também a sua.”
“Para os opressores, porém, na hipocrisia de sua ‘generosidade’, são sempre os oprimidos, que eles jamais obviamente chamam de oprimidos, mas, conforme se situem, interna ou externamente, de ‘essa gente’ ou de ‘essa massa cega e invejosa’, ou de ‘selvagens’, ou de ‘nativos’, ou de ‘subversivos’, [os ‘favelados’] são sempre os oprimidos os que desamam. São sempre eles os ‘violentos’, os ‘bárbaros’, os ‘malvados’, os ‘ferozes’, quando reagem à violência dos opressores.” Veja a repetição dessa lógica agora em Gaza.“Consciente ou inconscientemente, o ato de rebelião dos oprimidos, que é sempre tão ou quase tão violento quanto a violência que os cria, este ato dos oprimidos, sim, pode inaugurar o amor.” “Os opressores, violentando e proibindo que os outros sejam, não podem igualmente ser; os oprimidos, lutando por ser, ao retirar-lhes o poder de oprimir e de esmagar, lhes restauram a humanidade que haviam perdido no uso da opressão.”
“Os freios que os antigos oprimidos devem impor aos antigos opressores para que não voltem a oprimir não são opressão daqueles a estes. A opressão só existe quando se constitui em um ato proibitivo do ser mais dos homens. Por esta razão, estes freios, que são necessários, não significam, em si mesmos, que os oprimidos de ontem se tenham transformado nos opressores de hoje.” “Um ato que proíbe a restauração deste regime não pode ser comparado com o que o cria e o mantém; não pode ser comparado com aquele através do qual alguns homens negam às maiorias o direito de ser.”
SINAL VERMELHO:“No momento, porém, em que o novo poder se enrijece em ‘burocracia’ dominadora, se perde a dimensão humanista da luta e já não se pode falar em libertação.”
“os opressores de ontem não se reconhecem em libertação. Pelo contrário, vão sentir-se como se realmente estivessem sendo oprimidos. É que, para eles, ‘formados’ na experiência de opressores, tudo o que não seja o seu direito antigo de oprimir significa opressão a eles. Vão sentir-se, agora, na nova situação, como oprimidos porque, se antes podiam comer, vestir, calçar, educar-se, passear, ouvir Beethoven, enquanto milhões não comiam, não calçavam, não vestiam, não estudavam nem tampouco passeavam, quanto mais podiam ouvir Beethoven, qualquer restrição a tudo isto, em nome do direito de todos, lhes parece uma profunda violência a seu direito de pessoa. Direito de pessoa que, na situação anterior, não respeitava nos milhões de pessoas que sofriam e morriam de fome, de dor, de tristeza, de desesperança.”
HUMANOS ‘DIREITOS’… “É que, para eles, pessoa humana são apenas eles. Os outros, estes são ‘coisas’. Para eles, há um só direito — o seu direito de viverem em paz, ante o direito de sobreviverem, que talvez nem sequer reconheçam, mas somente admitam aos oprimidos. E isto ainda porque, afinal, é preciso que os oprimidos existam, para que eles existam e sejam ‘generosos’…” Pois quem irá esfregar suas roupas sujas?
“Esta violência, como um processo, passa de geração a geração de opressores, que se vão fazendo legatários dela e formando-se no seu clima geral. Este clima cria nos opressores uma consciência fortemente possessiva. Possessiva do mundo e dos homens. Fora da posse direta, concreta, material, do mundo e dos homens, os opressores não se podem entender a si mesmos. (…) A terra, os bens, a produção, a criação dos homens, os homens mesmos, o tempo em que estão os homens, tudo se reduz a objeto de seu comando.
Nesta ânsia irrefreada de posse, desenvolvem em si a convicção de que lhes é possível transformar tudo a seu poder de compra. Daí a sua concepção estritamente materialista da existência. O dinheiro é a medida de todas as coisas. E o lucro, seu objetivo principal.” “Ser, para eles, é ter e ter como classe que tem.”
“humanização é apenas sua. A dos outros, dos seus contrários, se apresenta como subversão. Humanizar é, naturalmente, segundo seu ponto de vista, subverter, e não ser mais.”
“Esta tendência dos opressores de inanimar tudo e todos, que se encontra em sua ânsia de posse, se identifica, indiscutivelmente, com a tendência sadista.” “O sadismo aparece, assim, como uma das características da consciência opressora, na sua visão necrófila do mundo. Por isto é que o seu amor é um amor às avessas — um amor à morte e não à vida.”
“Daí que vão se apropriando, cada vez mais, da ciência também, como instrumento para suas finalidades. Da tecnologia, que usam como força indiscutível de manutenção da ‘ordem’ opressora, com a qual manipulam e esmagam.”
DOS RICOS QUE VÃO PARA O CÉU: “Em face de tudo isto é que se coloca a nós mais um problema de importância inegável a ser observado no corpo destas considerações, que é o da adesão e consequente passagem que fazem representantes do polo opressor ao polo dos oprimidos. De sua adesão à luta destes por libertar-se.”
TODO FILANTROPO É BEM-INTENCIONADO, MAS NEM TODO BEM-INTENCIONADO É BEM-VINDO À LUTA: “Acontece, porém, que, ao passarem de exploradores (1) ou de espectadores indiferentes (2) ou de herdeiros da exploração (3)¹ — o que é uma conivência com ela — ao pólo dos explorados, quase sempre levam consigo, condicionados pela ‘cultura do silêncio’,(*) toda a marca de sua origem. Seus preconceitos. Suas deformações, entre estas, a desconfiança do povo. Desconfiança de que o povo seja capaz de pensar certo. De querer. De saber. § Deste modo, estão sempre correndo o risco de cair num outro tipo de generosidade, tão funesto quanto o que criticamos nos dominadores. (…) acreditam que devem ser os
fazedores da transformação.” O mito dos heróis escolhidos, de raiz aristocrata. Os reformadores não-dialéticos, liberais, da educação.
¹ Três subtipos da classe dominadora. O quarto subtipo seriam os traidores ou explorados voluntários. Paulo Freire citará Guevara na parte final da obra sobre a classe dos traidores.
(*) FREIRE, Ação cultural para a liberdade e outros escritos
“crer no povo é a condição prévia, indispensável, à mudança revolucionária. Um revolucionário se reconhece mais por esta crença no povo, que o engaja, do que por mil ações sem ela.” Serei eu mesmo revolucionário? A que ponto? Considero-me de uma elite intelectual privilegiada e incompreensível, impotente para participar positivamente das mudanças históricas? “Àqueles que se comprometem autenticamente com o povo é indispensável que se revejam constantemente. Esta adesão é de tal forma radical que não permite a quem a faz comportamentos ambíguos.”
“Fazer esta adesão e considerar-se proprietário do saber revolucionário, que deve, desta maneira, ser doado ou imposto ao povo, é manter-se como era antes.” Nem Marx era proprietário do marxismo, e o sabia – e este é um aspecto intencionalmente ou não esquecido por toda a crítica ao marxismo. Se o povo não pode atuar livremente, ainda não estão dadas as condições da revolução (momento 1 de 2 em Paulo Freire). Stalin surgiu cedo demais, teve de impor para subsistir; se surgira mais tarde, não seria um Stalin, sendo genuinamente revolucionário.
“Dizer-se comprometido com a libertação e não ser capaz de comungar com o povo, a quem continua considerando absolutamente ignorante, é um doloroso equívoco. § Aproximar-se dele, mas sentir, a cada passo, a cada dúvida, a cada expressão sua, uma espécie de susto, e pretender impor o seu status, é manter-se nostálgico de sua origem. § Daí que esta passagem deva ter o sentido profundo do renascer. Os que passam têm de assumir uma forma nova de estar sendo; já não podem atuar como atuavam; já não podem permanecer como estavam sendo.”
“Daí que, quase sempre, enquanto não chegam a localizar o opressor concretamente, como também enquanto não cheguem a ser ‘consciência para si’, assumam atitudes fatalistas em face da situação concreta de opressão em que estão.”
O ‘SOFRIDO E FELIZ’ POVO BRASILEIRO (A MAIOR DAS MENTIRAS): “Este fatalismo, às vezes, dá a impressão, em análises superficiais, de docilidade, como caráter nacional, o que é um engano.”
FALAMOS SOBRE OS SÁDICOS ACIMA – AQUI APRESENTAMOS OS MASOQUISTAS: “Quase sempre este fatalismo está referido ao poder do destino ou da sina ou do fado — potências irremovíveis — ou a uma distorcida visão de Deus. Dentro do mundo mágico ou místico em que se encontra, a consciência oprimida, sobretudo camponesa, quase imersa na natureza, encontra no sofrimento, produto da exploração em que está, a vontade de Deus, como se Ele fosse o fazedor desta ‘desordem organizada’.”
“violência horizontal com que agridem os próprios companheiros.” “Ao agredirem seus companheiros oprimidos estarão agredindo neles, indiretamente, o opressor também ‘hospedado’ neles e nos outros. Agridem, como opressores, o opressor nos oprimidos.”
O PROBLEMA DO LUMPENPROLETARIADO
“uma irresistível atração pelo opressor.”
“Participar destes padrões constitui uma incontida aspiração.”
“Imitá-lo. Segui-lo. Isto se verifica, sobretudo, nos oprimidos de ‘classe média’, cujo anseio é serem iguais ao ‘homem ilustre’ da chamada classe ‘superior’.”
Consciência colonizada: misto de repulsa e admiração pelo próprio colonizador (Memmi, The Colonizer and the Colonized. Boston: Beacon Press, 1967).
“autodesvalia”:
“De tanto ouvirem de si mesmos que são incapazes, que não sabem nada, que não podem saber, que são enfermos, indolentes, que não produzem em virtude de tudo isto, terminam por se convencer de sua ‘incapacidade’.”
“Não são poucos os camponeses que conhecemos em nossa experiência educativa que, após alguns momentos de discussão viva em torno de um tema que lhes é problemático, param de repente e dizem ao educador: ‘Desculpe, nós devíamos estar calados e o senhor falando. O senhor é o que sabe; nós, os que não sabemos.’
Muitas vezes insistem em que nenhuma diferença existe entre eles e o animal e, quando reconhecem alguma, é em vantagem do animal. ‘É mais livre do que nós’, dizem.
É impressionante, contudo, observar como, com as primeiras alterações numa situação opressora, se verifica uma transformação nesta autodesvalia.”
“Diziam de nós que não produzíamos porque éramos borrachos, preguiçosos. Tudo mentira. Agora, que estamos sendo respeitados como homens, vamos mostrar a todos que nunca fomos borrachos, nem preguiçosos. Éramos explorados, isto sim” Camponês chileno
“É preciso que comecem a ver exemplos da vulnerabilidade do opressor para que, em si, vá operando-se convicção oposta à anterior. Enquanto isto não se verifica, continuarão abatidos, medrosos, esmagados.”
Enquanto para o opressor ‘ser é ter’, para o oprimido nos seus níveis mais baixos de percepção da relação de dominação ‘ser é depender (do senhor)’.
“Se esta descoberta não pode ser feita em nível puramente intelectual, mas da ação, o que nos parece fundamental é que esta não se cinja a mero ativismo, mas esteja associada a sério empenho de reflexão, para que seja práxis.”
“O que pode e deve variar, em função das condições históricas, em função do nível de percepção da realidade que tenham os oprimidos, é o conteúdo do diálogo. Substituí-lo pelo antidiálogo, sloganização, verticalidade e comunicados é pretender a libertação dos oprimidos com instrumentos da ‘domesticação’.” “É fazê-los cair no engodo populista e transformá-los em massa de manobra.”
Como ensinar quem não é ou não é mais a ser mais ou querer-ser-mais?
“Ao defendermos um permanente esforço de reflexão dos oprimidos sobre suas condições concretas, não estamos pretendendo um jogo divertido em nível puramente intelectual.”
“A ação política junto aos oprimidos tem de ser, no fundo, ‘ação cultural’ para a liberdade, por isto mesmo, ação com eles. A sua dependência emocional, fruto da situação concreta de dominação em que se acham e que gera também a sua visão inautêntica do mundo, não pode ser aproveitada a não ser pelo opressor. Este é que se serve desta dependência para criar mais dependência.”
Indo além do slogan popular mal-repercutido, pescar para o pobre e dar o peixe é pouquíssimo. Mas ensinar a pescar é ainda pouquíssimo, embora um pouco melhor. Criar, via diálogo, independência sem doação de pseudo-independência, ajudar a tornar um ser dependente em independente na ação e na teoria é o maior desafio do revolucionário.
“se não é autolibertação — ninguém se liberta sozinho —, também não é libertação de uns feita por outros.” “É necessário que a liderança revolucionária descubra esta obviedade: que seu convencimento da necessidade de lutar, que constitui uma dimensão indispensável do saber revolucionário, não lhe foi doado por ninguém, se é autêntico. Chegou a este saber, que não é algo parado ou possível de ser transformado em conteúdo a ser depositado nos outros, por um ato total, de reflexão e de ação. § Foi a sua inserção lúcida na realidade, na situação histórica, que a levou à crítica desta mesma situação e ao ímpeto de transformá-la.”
“Se os líderes revolucionários de todos os tempos afirmam a necessidade do convencimento das massas oprimidas para que aceitem a luta pela libertação — o que de resto é óbvio —, reconhecem implicitamente o sentido pedagógico desta luta. Muitos, porém, talvez por preconceitos naturais e explicáveis contra a pedagogia, terminam usando, na sua ação, métodos que são empregados na ‘educação’ que serve ao opressor. Negam a ação pedagógica no processo de libertação, mas usam a propaganda para convencer…” A propaganda sempre vence, mas é uma vitória que dura pouco. Os melhores propagandistas e piores mantenedores de regime são os fascistas. Vivem de influxos e refluxos de ondas intermitentes.
“Não basta que os homens não sejam escravos; [formais] se as condições sociais fomentam a existência de autômatos, o resultado não é o amor à vida, mas o amor à morte.” “Não podem comparecer à luta como quase-coisas para depois serem homens. É radical esta exigência. A ultrapassagem deste estado, em que se destroem, para o de homens, em que se reconstroem, não é a posteriori. A luta por esta reconstrução começa no autorreconhecimento de homens destruídos.”
Notas do capítulo
“Talvez dês esmolas. Mas de onde as tiras, senão de tuas rapinas cruéis, do sofrimento, das lágrimas, dos suspiros? Se o pobre soubesse de onde vem o teu óbolo, ele o recusaria porque teria a impressão de morder a carne de seus irmãos e de sugar o sangue de seu próximo. Ele te diria estas palavras corajosas: não sacies a minha sede com as lágrimas de meus irmãos. Não dês ao pobre o pão endurecido com os soluços de meus companheiros de miséria. Devolve a teu semelhante aquilo que reclamaste e eu te serei muito grato. De que vale consolar um pobre, se tu fazes outros cem?”
São Gregório de Nissa (330-395), Sermão contra os usurários
“A verdade da consciência independente é (por coerência) a consciência da escravidão[e de que existem senhores e escravos].”Hegel [tradução minha do inglês]
“La teoría materialista de que los hombres son producto de las circunstancias y de la educación, y de que, por tanto, los hombres modificados son producto de circunstancias distintas y de una educación distinta, olvida que las circunstancias se hacen cambiar precisamente por los hombres y que el proprio educador necesita ser educado.”
Marx, ‘Tercera Tesis sobre Feuerbach’
“Recentemente, num país latino-americano, segundo depoimento que nos foi dado por sociólogo amigo, um grupo de camponeses, armados, se apoderou do latifúndio. Por motivos de ordem tática, se pensou em manter o proprietário como refém. Nenhum camponês, contudo, conseguiu dar guarda a ele. Só sua presença já os assustava. Possivelmente também a ação mesma de lutar contra o patrão lhes provocasse sentimento de culpa. O patrão, na verdade, estava ‘dentro’ deles…”
“Desabafa sua ‘pena’ em casa, onde grita com os filhos, bate, desespera-se. Reclama da mulher. Acha tudo mal. Não desabafa sua ‘pena’ com o patrão porque considera um ser superior. Em muitos casos, o camponês desabafa sua ‘pena’ bebendo.”
Mais um camponês. Curiosamente acabo de ler um trecho muito parecido no livro de pseudo-literatura infantil (pois é para adultos) de Lewis Carroll, Sílvia e Bruno.
CAPÍTULO 2. A CONCEPÇÃO “BANCÁRIA” DA EDUCAÇÃO COMO INSTRUMENTO DA OPRESSÃO. SEUS PRESSUPOSTOS, SUA CRÍTICA
“Há uma quase enfermidade da narração. A tônica da educação é preponderantemente esta — narrar, sempre narrar.” Se os bolsominions soubessem que seu maior algoz utiliza a expressão narrativa tantas vezes… capaz que se apaixonassem!
“Falar da realidade como algo parado, estático, compartimentado e bem-comportado, quando não falar ou dissertar sobre algo completamente alheio à experiência existencial dos educandos, vem sendo, realmente, a suprema inquietação desta educação. (…) A palavra, nestas dissertações, se esvazia da dimensão concreta que devia ter ou se transforma em palavra oca, em verbosidade alienada e alienante. Daí que seja mais som que significação e, assim, melhor seria não dizê-la.
Por isto mesmo é que uma das características desta educação dissertadora é a ‘sonoridade’ da palavra e não sua força transformadora. Quatro vezes quatro, dezesseis; Pará, capital Belém, que o educando fixa, memoriza, repete, sem perceber o que realmente significa quatro vezes quatro. O que verdadeiramente significa capital, na afirmação, Pará, capital Belém. Belém para o Pará e Pará para o Brasil.”
“Quanto mais vá ‘enchendo’ os recipientes com seus ‘depósitos’, tanto melhor educador será. Quanto mais se deixem docilmente ‘encher’, tanto melhores educandos serão.” “Em lugar de comunicar-se, o educador faz ‘comunicados’ e depósitos que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem.”
GENEALOGIA DO FICHAMENTO: “Margem para serem colecionadores ou fichadores das coisas que arquivam.”
“Educador e educandos se arquivam na medida em que, nesta distorcida visão da educação, não há criatividade, não há transformação, não há saber.”
“absolutização ou alienação da ignorância”
O PROFESSOR QUE SORRI AO ENTREGAR A PROVA CORRIGIDA ASSINALADA COM UM ZERO (“Fiz meu trabalho!”):“O educador, que aliena a ignorância, se mantém em posições fixas, invariáveis. Será sempre o que sabe, enquanto os educandos serão sempre os que não sabem. A rigidez destas posições nega a educação e o conhecimento como processos de busca.”
“Os educandos, alienados, por sua vez, à maneira do escravo na dialética hegeliana, reconhecem em sua ignorância a razão da existência do educador, mas não chegam, nem sequer ao modo do escravo naquela dialética, a descobrir-se educadores do educador.”
“c. o educador é o que pensa; os educandos, os pensados” Descartes diria: os educandos nem existem (são robôs).
“o educador escolhe o conteúdo programático” Hoje nem isso: o tecnocrata fascista escolhe o conteúdo programático do educador. (escrito em 2022)
“autoridade funcional”I’m a number, I’m a restrained man!
“Não é de estranhar, pois, que nesta visão ‘bancária’ da educação, os homens sejam vistos como seres da adaptação, do ajustamento. Quanto mais se exercitem os educandos no arquivamento dos depósitos que lhes são feitos, tanto menos desenvolverão em si a consciência crítica de que resultaria a sua inserção no mundo, como transformadores dele. Como sujeitos.” São o(a)s caixas do dinheiro(conteúdo) alheio.
“adaptar-se ingenuamente ao mundo”
ingenuidade X criticidade
passividade X atuação
autuado X sujeito do processo
ensino banal e ensino medíocre
no lugar dos nexos, os anexos, apensos inertes na mente decaída inutilizada.
“os oprimidos recebem o nome simpático de ‘assistidos’.”
Estudante ou um outro poetastro sem valor?
Pó-e-traste (nosso alfa e nosso ômega com um violão no colo cantando nossas dores)
“Os oprimidos, como casos individuais, são patologia da sociedade sã, que precisa, por isto mesmo, ajustá-los a ela, mudando-lhes a mentalidade de homens ineptos e preguiçosos.”
integrados(o que me lembra a sociologia chapa branca do séc. XX) Xcríticos
educa(n)dos bancários X trânsfugas, desertores, infelizes (sempre voluntários)
“Ada deu o dedo ao urubu”
Como diria Macunaíma, o autômato é o capim que se corta a si mesmo.
“É que, se os homens são estes seres da busca e se sua vocação ontológica é humanizar-se, podem, cedo ou tarde, perceber a contradição em que a ‘educação bancária’ pretende mantê-los e engajar-se na luta por sua libertação. Um educador humanista, revolucionário, não há de esperar esta possibilidade. Sua ação, identificando-se, desde logo, com a dos educandos, deve orientar-se no sentido da humanização de ambos. Do pensar autêntico e não no sentido da doação, da entrega do saber.”
“…profunda crença nos homens. Crença no seu poder criador.” Meu eu-filósofo rema contra isso, mas meu eu-artista abraça de toda a causa. O artista vencerá o pensador na ‘guerra intestina da arte contra a academia’ que se dá no seio do movimento revolucionário.
“companheiro dos educandos”Descer do pedestal ou ampliar o pedestal para todos do recinto, eis a única questão. Uma kestão, não uma cuestão (gringuismo acéfalo).
Não sente no banquinho, e saia fazendo estardalhaço.
consciências-piscinas
sopa de letrinhas: pior que bóia fria de presídio, forçam a engolir o cardápio de palavras desconexas. – Toma tua refeição, aspirante-a-sábio!
FILHO-CONE: “Ah, como seu filho é educado – quietinho ele!”
Quem muito prescreve, um dia prescreve… Contradições auto-superadoras da língua…
“controle de leitura”
necrofilia X biofilia(central no livro, décadas antes da moda sociológica da “necropolítica” como explicação do fenômeno Bolsonaro.)
“El individuo necrófilo puede realizarse con un objeto — una flor o uma persona — únicamente si la posee”
Fromm
“A opressão, que é um controle esmagador, é necrófila. Nutre-se do amor à morte e não do amor à vida.” Necropolítica já descrita. O terror dos fascistas encontrar sua descrição num “autor morto” (justamente porque ele não está morto, mas influi no presente, isso o torna inimigo).
“participação simbólica”O que eles não aturam é que um comun-ista é co-partícipe com-o-povo, não com Fulano ou Sicrano que “fez e aconteceu”, pintado de verde, amarelo, azul e branco. Todos se identificam com alguma coisa maior, algum movimento de homens; mas se este for um espelho autêntico (o que é difícil), é uma projeção ou associação válida, um modus vivendi digno.
“manifestações populistas … líderes carismáticos … uso de sua potência”
Um líder ex-oprimido, não-formado na educação ‘bancária’, é uma manifestação popular, despida do ‘ista’ insultante. É ele que se vê no povo carente de atuação, vê como foi e o que eles podem vir a ser.
BORRACHA NOS ALUNOS E PROFESSORES: “…repressão feita em nome, inclusive, da liberdade e do estabelecimento da ordem e da paz social.”
“Ao denunciá-la, não esperamos que as elites dominadoras renunciem à sua prática. Seria demasiado ingênuo esperá-lo.”
“A sociedade revolucionária que mantenha a prática da educação ‘bancária’ ou se equivocou nesta manutenção ou se deixou ‘morder’ pela desconfiança e pela descrença nos homens.”
“Disto, infelizmente, parece que nem sempre estão convencidos os que se inquietam pela causa da libertação. É que, envolvidos pelo clima gerador da concepção ‘bancária’ e sofrendo sua influência, não chegam a perceber o seu significado ou a sua força desumanizadora.” Um longo caminho pela frente.
“consciência especializada”, espécie de oxímoro.
“Já agora ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo.” Por assim dizer, eu sou um achado se achando.
“em nome da ‘preservação da cultura e do conhecimento’, não há conhecimento, nem cultura, verdadeiros.”
“Estes, em lugar de serem recipientes dóceis de depósitos, são agora investigadores críticos, em diálogo com o educador, investigador crítico, também.”
DA DOXA AO LOGOS
anestesia dentro dum mundo-cela X desvelamento-do-mundo
“reconhecimento-que-engaja”
“Relações em que consciência e mundo se dão simultaneamente. Não há uma consciência antes e um mundo depois e vice-versa.” Sejamos realistas aqui: enquanto o cristianismo não for mera curiosidade mórbida de pé de página na História da humanidade, este dia da educação libertadora não se concretizará nunca.
“E quando o educador lhe disse: ‘Admitamos, absurdamente, que todos os homens do mundo morressem, mas ficasse a terra, ficassem as árvores, os pássaros, os animais, os rios, o mar, as estrelas, não seria tudo isto mundo?’ ‘Não!’, respondeu enfático, ‘faltaria quem dissesse Isto é mundo’. O camponês quis dizer, exatamente, que faltaria a consciência do mundo que, necessariamente, implica o mundo da consciência.” E no entanto para 99 de 100 camponeses estará lá deus todo-poderoso com seu mundo-coisa – e não só eles: talvez os ‘cientistas’, na mesma proporção!
“visões de fundo” (Husserl, Ideas Pertaining to a Pure Phenomenology and to a Phenomenological Philosophy: General Introduction to a Pure Phenomenology, 3.ed, 1969)
“O que antes já existia como objetividade, mas não era percebido em suas implicações mais profundas e, às vezes, nem sequer era percebido, se ‘destaca’ e assume o caráter de problemas, portanto, de desafio.” Infelizmente isso só diz respeito a uma nata de pensadores em todos os tempos. A pedagogia de Freire pode ser resumida como uma sistematização do que acontece com todo sábio por contingência: por que somos o que somos?
“A primeira ‘assistencializa’; a segunda, criticiza.”
#offtopic “Eu sou o cartório!”, uma espécie de título de filme com impacto frasal, em que Will Smith não diz que é o homem ou a lenda, mas o único e genuíno cartório: o único de que emanam coisas AUTÊNTICAS.
“diferentemente dos outros animais, que são apenas inacabados, mas não são históricos, os homens se sabem inacabados. (…) Aí se encontram as raízes da educação mesma, como manifestação exclusivamente humana”
“Sua ‘duração’ — no sentido bergsoniano do termo—, como processo, está no jogo dos contrários permanência-mudança.” Às vezes é mais um exibicionismo bibliográfico, ‘bancário’, infelizmente, e menos pedagogia revolucionária…Força seu ávido leitor a ler outros autores por décadas, tempo que levará para dele discordar, tempo que poderia ter sido mais bem-empregado. É preciso tomar cuidado com a hipertrofia da consciência histórico-revolucionária, no entanto, algo que ainda não estava muito presente nos autores que Freire estudou (mas estava presente em Nietzsche, p.ex.): se se vive sempre na dinâmica e na fluidez, pura e simples, tem-se um mundo tão destroçado e uma completa falta de formação do homem, idem ibidem, como se vê na educação imobilista. O rio escorre tanto que não se o vê passar, não se sente a água, nele não se toma banho nunca… Vertigem e náusea com pinta de sabedoria, cegas como Tirésias, mas inconscientes como um não-profeta. E tudo isso num livro introdutório de Freire!
“A percepção ingênua ou mágica da realidade da qual resultava a postura fatalista cede seu lugar a uma percepção que é capaz de perceber-se. E porque é capaz de perceber-se enquanto percebe a realidade que lhe parecia em si inexorável, é capaz de objetivá-la[no bom sentido de objetivar].”
CURA vs. FATALISMO: “Seria, realmente, uma violência, como de fato é, que os homens, seres históricos e necessariamente inseridos num movimento de busca, com outros homens, não fossem o sujeito de seu próprio movimento.” Contanto que se esclareça, na verdade: não se trata realmente de um lado ou outro, mas a superação dessa contradição em algo impossível de nomear a não ser por ser-aí e ser-no-mundo, responsabilidade, liberdade sem má-fé, etc.
“Não importam os meios usados para esta proibição [de ser sujeito da própria busca ou vida]. Fazê-los objetos é aliená-los de suas decisões, que são transferidas a outro ou a outros.”CICLO AVÔ-PAI-FILHO/PAI-FILHO-NETO:O pai idiota que ‘escolhe a carreira do filho’, sua extensão objetal. Filho-caminhonete, filho-contracheque.“Já que meu pai, escravo, me fez escravo e eu não quero me libertar, tu também escravo serás…”
Qual é a diferença entre uma abertura e uma fechadura? O olho de quem vê. O pathos de quem vê.
“Ninguém pode ser, autenticamente, proibindo que os outros sejam.”
amenização X resolução
Notas do capítulo
Ao menos admite seu arcabouço teórico, i.e., sua falta de originalidade (ninguém “cria” na roda do saber, só repercute): “A concepção do saber, da concepção ‘bancária’, é, no fundo, o que Sartre (El hombre y las cosas, Buenos Aires: Losada, 1965) chamaria de concepção ‘digestiva’ ou ‘alimentícia’ do saber. Este é como se fosse o ‘alimento’ que o educador vai introduzindo nos educandos, numa espécie de tratamento de engorda…”
“Em Ação cultural para a liberdade e outros escritos (op. cit.) discutimos mais amplamente este sentido profético e esperançoso da educação (ou ação cultural) problematizadora.”
CAPÍTULO 3. A DIALOGICIDADE: ESSÊNCIA DA EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA DA LIBERDADE
“A palavra inautêntica, por outro lado, com que não se pode transformar a realidade, resulta da dicotomia que se estabelece entre seus elementos constituintes. Assim é que, esgotada a palavra de sua dimensão de ação, sacrificada, automaticamente, a reflexão também, se transforma em palavreria, verbalismo, blá-blá-blá.”
“Existir, humanamente, é pronunciar o mundo, é modificá-lo. O mundo pronunciado, por sua vez, se volta problematizado aos sujeitos pronunciantes, a exigir deles novo pronunciar.”
CONTRA A REVELAÇÃO (PARADIGMA MOSAICO): “ninguém pode dizer a palavra verdadeira sozinho, ou dizê-la para os outros, num ato de prescrição, com o qual rouba a palavra aos demais.”
“Esta é a razão por que não é possível o diálogo entre os que querem a pronúncia do mundo e os que não a querem” Com fascista não se conversa.
“Não é também discussão guerreira, polêmica, entre sujeitos que não aspiram a comprometer-se com a pronúncia do mundo, nem a buscar a verdade, mas a impor a sua.”
“A conquista implícita no diálogo é a do mundo pelos sujeitos dialógicos, não a de um pelo outro. Conquista do mundo para a libertação dos homens.”
“Sendo fundamento do diálogo, o amor é, também, diálogo. Daí que seja essencialmente tarefa de sujeitos e que não possa verificar-se na relação de dominação. Nesta, o que há é patologia de amor: sadismo em quem domina; masoquismo nos dominados. Amor, não. Porque é um ato de coragem, nunca de medo, o amor é compromisso com os homens.”
“Como ato de valentia, não pode ser piegas; como ato de liberdade, não pode ser pretexto para a manipulação, senão gerador de outros atos de liberdade. A não ser assim, não é amor.” Amor livre como redundância em si mesma.
“Se não amo o mundo, se não amo a vida, se não amo os homens, não me é possível o diálogo. Não há, por outro lado, diálogo, se não há humildade. A pronúncia do mundo, com que os homens o recriam permanentemente, não pode ser um ato arrogante.”
“Como posso dialogar, se me admito como um homem diferente, virtuoso por herança, diante dos outros, meros ‘isto’, em quem não reconheço outros eu?”
DE CERTO MODO, ANTI-ZARATUSTRA: “Como posso dialogar, se parto de que a pronúncia do mundo é tarefa de homens seletos e que a presença das massas na história é sinal de sua deterioração que devo evitar?”
DE CERTO MODO, PRÓ-ZARATUSTRA: “Como posso dialogar se temo a superação e se, só em pensar nela, sofro e definho?”
“Não há também diálogo se não há uma intensa fé nos homens. Fé no seu poder de fazer e de refazer. De criar e recriar. Fé na sua vocação de ser mais, que não é privilégio de alguns eleitos, mas direito dos homens. A fé nos homens é um dado a priori do diálogo.” “O homem dialógico tem fé nos homens antes de encontrar-se frente a frente com eles. Esta, contudo, não é uma ingênua fé.”
“Esta possibilidade, [a da alienação] porém, em lugar de matar no homem dialógico a sua fé nos homens, aparece a ele, pelo contrário, como um desafio ao qual tem de responder.” “Este poder (…) Pode renascer. Pode constituir-se.”
QUANDO SACAR É UM VERBO TÃO BOM QUANTO DEPOSITAR, E NADA TEM QUE VER COM ARMAS: “Ao fundar-se no amor, na humildade, na fé nos homens, o diálogo se faz uma relação horizontal, em que a confiança de um polo no outro é consequência óbvia. Seria uma contradição se, amoroso, humilde e cheio de fé, o diálogo não provocasse este clima de confiança entre seus sujeitos. Por isto inexiste esta confiança na antidialogicidade da concepção ‘bancária’ da educação.”
“A confiança vai fazendo os sujeitos dialógicos cada vez mais companheiros na pronúncia do mundo. Se falha esta confiança, é que falharam as condições discutidas anteriormente.” “A confiança implica o testemunho que um sujeito dá aos outros de suas reais e concretas intenções. Não pode existir, se a palavra, descaracterizada, não coincide com os atos.” Derrocada do sonho americano, não mais praticado-no-real.
“Falar, por exemplo, em democracia e silenciar o povo é uma farsa. Falar em humanismo e negar os homens é uma mentira.”
“Não existe, tampouco, diálogo sem esperança. A esperança está na própria essência da imperfeição dos homens, levando-os a uma eterna busca. Uma tal busca, como já vimos, não se faz no isolamento, mas na comunicação entre os homens — o que é impraticável numa situação de agressão. O desespero é uma espécie de silêncio, de recusa do mundo, de fuga.” “Não é, porém, a esperança um cruzar de braços e esperar. Movo-me na esperança enquanto luto e, se luto com esperança, espero.”
“<Banha-se> permanentemente de temporalidade cujos riscos não teme. § Opõe-se ao pensar ingênuo, que vê o ‘tempo histórico como um peso, como uma estratificação das aquisições e experiências do passado’, de que resulta dever ser o presente algo normalizado e bem-comportado. § Para o pensar ingênuo, o importante é a acomodação a este hoje normalizado.”
“Para o pensar crítico, diria Pierre Furter, ‘a meta não será mais eliminar os riscos da temporalidade, agarrando-se ao espaço garantido, mas temporalizar o espaço. O universo não se revela a mim (diz ainda Furter) no espaço, impondo-me uma presença maciça a que só posso me adaptar, mas como um campo, um domínio, que vai tomando forma na medida de minha ação’.” O fim da luta clássica pelo espaço estanque (século XX).
O BOM PROFESSOR NÃO É O SUBPRODUTO DA SALA DE AULA (TABULA RASA): “Daí que, para esta concepção como prática da liberdade, a sua dialogicidade comece, não quando o educador-educando se encontra com os educando-educadores em uma situação pedagógica, mas antes, quando aquele se pergunta em torno do que vai dialogar com estes.”
“Para o ‘educador-bancário’, na sua antidialogicidade, a pergunta, obviamente, não é a propósito do conteúdo do diálogo, que para ele não existe, mas a respeito do programa sobre o qual dissertará a seus alunos. E a esta pergunta responderá ele mesmo, organizando seu programa.
Para o educador-educando, dialógico, problematizador, o conteúdo programático da educação não é uma doação ou uma imposição — um conjunto de informes a ser depositado nos educandos —, mas a devolução organizada, sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou de forma desestruturada.”
“Um dos equívocos de uma concepção ingênua do humanismo está em que, na ânsia de corporificar um modelo ideal de ‘bom homem’, se esquece da situação concreta, existencial, presente, dos homens mesmos. (Rousseau, apartado em sua floresta)” “Simplesmente, não podemos chegar aos operários, urbanos ou camponeses, estes, de modo geral, imersos num contexto colonial quase umbilicalmente ligados ao mundo da natureza de que se sentem mais partes que transformadores, para, à maneira da concepção ‘bancária’, entregar-lhes ‘conhecimento’ ou impor-lhes um modelo de bom homem, contido no programa cujo conteúdo nós mesmos organizamos.” Educação dos sem-terra para os sem-terra, do indígena para os indígenas. E para mantê-los ligados às origens, não para embranquecê-los (duplo sentido, aliás).
COMO SER UM BOM HOKAGE: “Não seriam poucos os exemplos que poderiam ser citados, de planos, de natureza política ou simplesmente docente, que falharam porque os seus realizadores partiram de uma visão pessoal da realidade. Porque não levaram em conta, num mínimo instante, os homens em situação a quem se dirigia seu programa, a não ser com puras incidências de sua ação.” O mesmo poderia ser dito do fundador da CAPES, por exemplo. Uma singularidade no espaço-tempo, sem continuidade.
ESCOLA COM SENHORIO (significado real de ‘SEM PARTIDO’): “Quem atua sobre os homens para, doutrinando-os, adaptá-los cada vez mais à realidade que deve permanecer intocada são os dominadores. Lamentavelmente, porém, neste ‘conto’ da verticalidade da programação, ‘conto’ da concepção ‘bancária’, caem muitas vezes lideranças revolucionárias, no seu empenho de obter a adesão do povo à ação revolucionária.”
“Acercam-se das massas camponesas ou urbanas com projetos que podem corresponder à sua visão do mundo, mas não necessariamente à do povo. § Esquecem-se de que o seu objetivo fundamental é lutar com o povo pela recuperação da humanidade roubada e não conquistar o povo. Este verbo não deve caber na sua linguagem, mas na do dominador. Ao revolucionário cabe libertar e libertar-se com o povo, não conquistá-lo.” Chega de Césares.
“As elites dominadoras, na sua atuação política, são eficientes no uso da concepção ‘bancária’ (em que a conquista é um dos instrumentos) porque, na medida em que esta desenvolve uma ação apassivadora, coincide com o estado de ‘imersão’ da consciência oprimida.”
“Afinal, o empenho dos humanistas não pode ser o de opor os seus slogans aos dos opressores, tendo como intermediários os oprimidos, como se fossem ‘hospedeiros’ dos slogans de uns e de outros.”
No sentido estrito, se qualquer conservador ou reacionário tivesse miolos, perceberia que Paulo Freire não é perigoso, ainda mais sendo lido por ignorantes (pessoas da própria direita), senão na hipótese muito remota (pouco provável no presente, ou no sentido de um futuro ainda distante) de que seu discurso fosse compreendido pela esquerda como um todo, principalmente quando ele diz, exatamente referendando, que ainda que fosse verdade a hipótese do <marxismo cultural> em nada revoluciona a educação, mas apenas perpetua o que ele já denominou como pedagogia do opressor-oprimido (grifos meus): “Por isto é que não podemos, a não ser ingenuamente, esperar resultados positivos de um programa, seja educativo num sentido mais técnico ou de ação política, se, desrespeitando a particular visão do mundo que tenha ou esteja tendo o povo, [0% educado em luta de classes]se constitui numa espécie de ‘invasão cultural’, [sinônimo de marxismo cultural neste contexto]ainda que feita com a melhor das intenções. Mas ‘invasão cultural’ sempre.”
Na prática, a esquerda não revolucionou a educação ou a formação do homem – a inclusão no sistema educacional dos antes excluídos não fá-los inverter os valores (Nietzsche), só cria mais carvão ou bucha de canhão (cannon fodder) para o querer-ser-burguêsou morrer tentando. Mensagem mais clara, impossível (e, sendo impossível, significa que o público de direita não entende o que está escrito, pois nesse caso, para ele, o texto precisaria ser mais claro; e mais claro que isso seria inautêntico ou já distorceria o conteúdo que se quer transmitir – é por isso que eles só podem ler o que Olavo pensa ser Freire, e não Freire mesmo).
“pregar no deserto”
PEDALÍTICOS E POLIGOGOS: “Por isto mesmo é que, muitas vezes, educadores e políticos falam e não são entendidos. Sua linguagem não sintoniza com a situação concreta dos homens a quem falam. E sua fala é um discurso a mais, alienado e alienante.” Presencie qualquer reunião de governe e sinta este parágrafo na pele.
Podemos sequer enumerar 5 educadores-políticos ou políticos-educadores dos tempos modernos? Lenin, Mao, quem mais?… Figura também próxima ao filósofo-legislador do Zaratustra. É natural, e não chocante, a aparição de Nietzsche cada vez mais numerosa conforme nos aprofundemos na questão da formação do “novo” homem – como se um dia ele se opusesse à “doutrina” marxista, e não o contrário (apesar dos equívocos que ele alimentava sobre o ‘socialismo’, já que ele não só conheceu o ‘socialismo pré-marxista’, o mesmo que desconhecer em absoluto o socialismo)!… Até para que marxistas e nietzscheanos se congratulem pelos achados uns dos outros e pela “incrível coincidência” de objetivos, ao menos um século e meio da data em que escrevo terão se passado.Quanto mais que isto chegue ao vulgo… O tal “marxismo cultural”, se pudesse ser implantado, exigiria 500 anos para gerar qualquer fruto. Ainda estamos muito longe de vislumbrar este pomar do saber e da eliminação da opressão.
“Antes de perguntar-nos o que é um ‘tema gerador’, cuja resposta nos aclarará o que é o ‘universo mínimo temático’, nos parece indispensável desenvolver algumas reflexões.”
“Se o ‘tema gerador’ fosse uma hipótese que devesse ser comprovada, a investigação, primeiramente, não seria em torno dele, mas de sua existência ou não.”
“por viver num presente esmagador, o animal é a-histórico.”
“O mundo humano, que é histórico, se faz, para o ‘ser fechado em si’, mero suporte. Seu contorno não lhe é problemático, mas estimulante. Sua vida não é um correr riscos, uma vez que não os sabe correndo.”
“Não pode, tampouco, saber-se destruído em vida” (o animal)
“os homens, ao contrário do animal, não somente vivem, mas existem, e sua existência é histórica.” Sujeito à má interpretação do rebotalho. No sentido aqui empregado, a frase sartreana “a existência precede a essência” não se aplica. A existência no sentido da hermenêutica exige a compreensão da história, não é algo de que bebês usufruam. O mais correto seria atualizar Sartre e dizer: “a vivência precede a existência”. Deixemos, no entanto, para não complicar demais as coisas, “essência” de fora neste momento. Existir é estar-na-história.
“situações-limite”: limite intransponível no animal; apenas um limite temporário no devir humano.
“percebidos destacados”:situações-limite que não conseguem ser transpostas. Nas palavras de Freire, “dimensões concretas e históricas de uma dada realidade”. A História como a conhecemos, “cristalizada”, a história acadêmica dada (fora do escopo marxista da determinação e criação da história – presente-futuro – pelo homem e do escopo da reinterpretação constante do próprio passado, que nunca é fixo ou rígido). São um desafio a ser enfrentado para aqueles que não sucumbem ao desespero (aqueles capazes da percepção crítica). Quem está em desespero recai na “aceitação dócil e passiva”dessa situação histórica.
A rigor, se o homem é ser-no-mundo, em Freire o animal é ser-no-suporte. O suporte é como uma coisa no mundo humano. O ser-no-suporte é incapaz de decisões. Já o mundo é o palco por excelência das decisões. Imaginar um homem que permanecesse se deslocando apenas numa esteira.
“O próprio do animal, portanto, não é estar em relação com seu suporte — se estivesse, o suporte seria mundo —, mas adaptado a ele.”
“este mundo não existiria, se este ser não existisse.”: sine qua non da hermenêutica ou fenomenologia.
“Uma unidade epocal se caracteriza pelo conjunto de ideias, de concepções, esperanças, dúvidas, valores, desafios, em interação dialética com seus contrários, buscando plenitude. A representação concreta de muitas destas ideias, destes valores, destas concepções e esperanças, como também os obstáculos ao ser mais dos homens, constituem os temas da época.”
“Desta forma, não há como surpreender os temas históricos isolados, soltos, desconectados, coisificados, parados, mas em relação dialética com outros, [suportes-no-mundo] seus opostos. Como também não há outro lugar para encontrá-los que não seja nas relações homens-mundo. O conjunto dos temas em interação constitui o ‘universo temático’ da época.”
O BRASIL VIVE ESSE ANTAGONISMO AGUDO NA SUA EXPRESSÃO MAIS APROFUNDADA DESDE 2002, E A ‘LUTA’ SEGUE EM CURSO: “Na medida em que se aprofunda o antagonismo entre os temas que são a expressão da realidade, há uma tendência para a mitificação da temática e da realidade mesma, o que, de modo geral, instaura um clima de ‘irracionalismo’ e de ‘sectarismo’.” No mundo, vemos a tão esperada transição de poder decorrente do declínio dos Estados Unidos (econômico-cultural), tornado claro apenas há poucos anos, após mais de duas décadas do Consenso de Washington e da interrupção temporária oficial da Guerra Fria. Rússia e China são os protagonistas da Nova Ordem Mundial. O Brasil se inserirá no lado oriental contra o imperialismo ianque.
“Este clima ameaça esgotar os temas de sua significação mais profunda, pela possibilidade de retirar-lhes a conotação dinâmica que os caracteriza.” Meia dúzia de anos muito inócuos (2016-2022).
SÍNTESE DA CONDIÇÃO PÓS-MODERNA (QUE FINALMENTE APRESENTA RACHADURAS): “Neste caso, os temas se encontram encobertos pelas ‘situações-limite’, que se apresentam aos homens como se fossem determinantes históricas, esmagadoras, em face das quais não lhes cabe outra alternativa senão adaptar-se. Desta forma, os homens não chegam a transcender as ‘situações-limite’ e a descobrir ou a divisar, mais além delas e em relação com elas, o inédito viável.” O freio-de-mão estava puxado desde o pós-guerra.
ALUSÃO DIRETA A SARTRE (O MAIS POPULAR DOS FENOMENÓLOGOS DE ESTIRPE BURGUESA, OU PELO MENOS REPRESENTANTES DO LIBERALISMO INDIVIDUALISTA): “No momento em que estes [homens] as percebem [às situações-limite] não mais como uma ‘fronteira entre o ser e o nada’,¹ mas como uma ‘fronteira entre o ser e o mais ser’, se fazem cada vez mais críticos na sua ação,² ligada àquela percepção.”
¹ Expressão (em Sartre) que é esvaziada de sentido: a rigor, não quer dizer nada; apenas que vivemos em perpétuo devir. Falta aí uma concepção esperançosa da estabilidade de valores nobres, como a Idéia em Platão. Tendência ao niilismo e ao absurdo.
² O que os olavistas ou “os idiotas no meio do caminho” chamariam de “perigo vermelho”. Bem vermelho – e inevitável! Não importa o nome que dêem. O homem está fadado à liberdade é uma frase famosa de Sartre, mas talvez interpretada na verve pessimista de sua época. A verdade é que o homem está fadado a nunca querer o nada, destarte ele agora quer alguma coisa, enjoou do nada, e só pode querer mais do ser, ser mais, como no jargão freireano.
O OLAVISMO: “A tendência então, dos primeiros, [os que servem, negam e freiam –porque até o senhor nega e freia o homem, e a si mesmo, ao não compreender a dialética do senhor-escravo] é vislumbrar no inédito viável, ainda como inédito viável, uma ‘situação-limite’ ameaçadora[Cuba, Venezuela, a União Soviética que vence a Guerra Fria, etc., ‘o Brasil que não queremos’, etc.] que, por isto mesmo, precisa não concretizar-se.” Defendem a pátria e a família cristã para que os radicais não mudem a ancestralidade primitiva dada desde o sempre.
“a investigação da temática significativa”
“Temas de caráter universal, contidos na unidade epocal mais ampla, que abarca toda uma gama de unidades e subunidades, continentais, regionais, nacionais etc., diversificadas entre si. Como tema fundamental desta unidade mais ampla, que poderemos chamar ‘nossa época’, se encontra, a nosso ver, o da libertação, que indica o seu contrário, o tema da dominação. É este tema angustiante que vem dando à nossa época o caráter antropológico a que fizemos referência anteriormente.” A descoberta do ser-no-mundo implica na tentativa da execução da tarefa da libertação.
O PROBLEMA DO TERCEIRO MUNDO (nomenclatura já em desuso pelas forças dominantes, pois ela escancara o problema): “Em círculos menos amplos, nos deparamos com temas e ‘situações-limite’, característicos de sociedades de um mesmo continente ou de continentes distintos, que têm nestes temas e nestas ‘situações-limite’ similitudes históricas.”
“‘situação-limite’ do subdesenvolvimento, ao qual está ligado o problema da dependência, é a fundamental característica do Terceiro Mundo.” Por incrível que pareça, citei o TERCEIRO MUNDO antes de ler essa passagem. Sinal de que Freire e eu estamos sintonizados. O momento em que o princípio da soberania de todos os povos passa a ser questionado pelas nações que não lideram a geopolítica.
“Em círculo mais restrito, observaremos diversificações temáticas, dentro de uma mesma sociedade, em áreas e subáreas em que se divide, todas, contudo, em relação com o todo de que participam. (…) Em uma unidade nacional mesma, encontramos a contradição da ‘contemporaneidade do não-coetâneo’.” Os dois Brasis dentro do Brasil. As regiões norte e nordeste; o centro-oeste (capital do poder, porém agrário); o sul e sudeste, motores industrais, e no entanto¹ reacionários.
¹ Ou melhor: e por isso mesmo reacionários, pois vêem a possibilidade da perda relativa de influência no jogo total.
“Nas subunidades referidas, os temas de caráter nacional podem ser ou deixar de ser captados em sua verdadeira significação, ou simplesmente podem ser sentidos. Às vezes, nem sequer são sentidos.” Desde Paulo Freire até o presente a subunidade temática é a mesma, mas a postura diante dela sofre flutuações. Os oprimidos intelectualizados sentem o problema ‘mais cedo’. As elites contra-atacam. O povo passa quase inconscientemente pela época (mesmo que continuamente oprimido, mais oprimido que o oprimido intelectualizado, inclusive, naturalizando sua própria opressão). Estamos no ponto em que há discussão aberta sobre essa temática; e os contrários ao desenvolvimento da luta contra a opressão negam o problema (literalmente o campo negacionista).
“a existência de uma ‘situação-limite’ de opressão em que os homens se encontram mais imersos que emersos.” Virada (emersão > imersão):O “CHEGA DE POLARIZAÇÃO” midiático como mensagem desesperada dos donos do poder tentando “puxar o freio de mão” de uma situação ou desafio já lançados no horizonte: a polarização é inevitável, o crescimento da esquerda organizada diante da opressão a desencadeia.
“faltando aos homens uma compreensão crítica da totalidade em que estão, captando-a em pedaços nos quais não reconhecem a interação constituinte da mesma totalidade, não podem conhecê-la.” Discurso popular inócuo: não gosto de política; todos os políticos são corruptos; sou indiferente a quem está sazonalmente no poder, etc.
“lhes seria indispensável ter antes a visão totalizada do contexto para, em seguida, separarem ou isolarem os elementos ou as parcialidades do contexto, através de cuja cisão voltariam com mais claridade à totalidade analisada.” É o sociólogo (para citar o meu exemplo) que capta a realidade presente de modo crítico. O povo é um pólo passivo no presente. Não é ‘na escola’ que a sociologia (ou as humanidades) consegue(m) ‘abrir os olhos da população’, pois a sociologia (e as disciplinas-irmãs) está(ão) inscrita(s) ela(s) mesma(s) na educação bancária que combate. O marxismo é adverso ao conteudismo didático-pedagógico do modelo atual.
“…insere ou começa a inserir os homens numa forma crítica de pensarem seu mundo.” Negrito em ‘começa’!
“se faz indispensável que a sua busca se realize através da abstração.” “A descodificação da situação existencial provoca esta postura normal, que implica um partir abstratamente até o concreto; que implica uma ida das partes ao todo e uma volta deste às partes, que implica um reconhecimento do sujeito no objeto (a situação existencial concreta)¹ e do objeto como situação em que está o sujeito.²”
¹ Sou um trabalhador/desempregado: faço parte de estatísticas.
² O capitalismo é criação do homem e inter-relação entre homens. Não é um sistema inerte e imutável.
cisão ou descrição da situação: “a tendência dos indivíduos é dar o passo da representação da situação (codificação) à situação concreta mesma em que e com que se encontram. § Teoricamente, é lícito esperar que os indivíduos passem a comportar-se em face de sua realidade objetiva da mesma forma, do que resulta que deixe de ser ela um beco sem saída para ser o que em verdade é: um desafio ao qual os homens têm que responder.”
“percepção fatalista”, “percepção estática”, “percepção dinâmica” TEMAS GERADORES
“Ainda quando um grupo de indivíduos não chegue a expressar concretamente uma temática geradora, o que pode parecer inexistência de temas sugere, pelo contrário, a existência de um tema dramático: o tema do silêncio.” A resposta da maioria é a adaptação (mercado de trabalho, família, ‘despreocupação’ com o que está ‘em tese’ fora da ‘órbita individual’, que aliás é apenas um construto da visão de mundo individual).Por isso o praticante da práxis (pensamento e ação) é chamado pejorativamente de ativista ou militante. Quando na verdade o puro pensador ou o puro agitador seriam protótipos – se é que realizáveis – indesejáveis. O ativista – o crítico da esquerda, ‘progressista’ – é aquele que age sobre o mundo em postura e com caráter transformadores.
“Poderá dizer-se que o fato de serem os homens do povo, tanto quanto os investigadores, sujeitos da busca de sua temática significativa, sacrifica a objetividade da investigação. Que os achados já não serão ‘puros’ porque terão sofrido uma interferência intrusa. No caso, em última análise, daqueles que são os maiores interessados — ou devem ser — em sua própria educação.
Isto revela uma consciência ingênua da investigação temática, para a qual os temas existiriam em sua pureza objetiva e original, fora dos homens, como se fossem coisas.” Estágio atual da luta de classes, confinada aos eruditos. Isso ainda éFrancis Bacon (1561-1626)!
“É através dos homens que se expressa a temática significativa e, ao expressar-se, num certo momento, pode já não ser, exatamente, o que antes era, desde que haja mudado sua percepção dos dados objetivos aos quais os temas se acham referidos.” É dessa forma que o átomo de Demócrito já não é o átomo de Niels-Bohr (Nobel de Física de 1922), i.e., o homem (o físico contemporâneo) não o enxerga como a menor unidade da matéria, mas como partícula dual (matéria e luz). Nesse “simples ato” (em verdade uma revolução epistemológica) o homem acaba de transformar a natureza; embora não tenha modificado de forma alguma a realidade ipsis literis (o átomo sempre foi dual), para ele agora o átomo é dual.Longe de ser uma curiosidade de pé de página, essa descoberta ajudou a reconfigurar as forças militares e ameaçou a vida na Terra num intervalo de poucas décadas.
“Assim como não é possível — o que salientamos no início deste capítulo — elaborar um programa a ser doado ao povo, também não o é elaborar roteiros de pesquisa do universo temático a partir de pontos prefixados pelos investigadores que se julgam a si mesmos os sujeitos exclusivos da investigação.” Não existe o investigador social que investiga os fatos sociais (“os fatos sociais são coisas”, disse Durkheim, ultrapassado). Existimos “nós”, os homens. “Investigadores profissionais e povo, nesta operação simpática, que é a investigação do tema gerador, são ambos sujeitos deste processo.”
“O investigador da temática significativa que, em nome da objetividade científica, transforma o orgânico em inorgânico, o que está sendo no que é, o vivo no morto, teme a mudança.” A decadência do Ocidente não deve ser combatida ou refreada, mas aprofundada, diz Nietzsche. Ela é sempre a aurora de novas culturas, mais frescas e arejadas.
“Pensar que não se dá fora dos homens, nem num homem só, nem no vazio, mas nos homens e entre os homens, e sempre referido à realidade.” Antropologia: retorno aos homens. Mitologia: estudo dos enredos originários. Religião enquanto saber: reanimação do transcendental perdido no Ocidente. “A investigação do pensar do povo não pode ser feita sem o povo, mas com ele, como sujeito de seu pensar. E se seu pensar é mágico ou ingênuo, será pensando o seu pensar, na ação, que ele mesmo se superará. E a superação não se faz no ato de consumir ideias, mas no de produzi-las e de transformá-las na ação e na comunicação.”
“a inserção[contrário de imersão? Confesso que aqui P.F. se torna confuso…]é um estado maior que a emersão e resulta da conscientização da situação. É a própria consciência histórica.” A emersão sendo, portanto, apenas o início da compreensão crítica da história, ‘semi-consciência’ histórica…
“Enquanto na prática ‘bancária’ da educação, antidialógica por essência, por isto, não-comunicativa, o educador deposita no educando o conteúdo programático da educação, que ele mesmo elabora ou elaboram para ele, na prática problematizadora, dialógica por excelência, este conteúdo, que jamais é ‘depositado’, se organiza e se constitui na visão do mundo dos educandos, em que se encontram seus temas geradores.”
“A tarefa do educador dialógico é, trabalhando em equipe interdisciplinar este universo temático recolhido na investigação, [caráter coletivo totalmente ausente da escola hoje] devolvê-lo, como problema, não como dissertação, aos homens de quem recebeu.” Dissertação: algo referendado, exatamente como o Papa referenda qualquer decisão inferior de bispo.
“Se, na etapa da alfabetização, a educação problematizadora e da comunicação busca e investiga a ‘palavra geradora’,¹ na pós-alfabetização, busca e investiga o tema gerador.”
¹ Referência exclusiva aos campos da lingüística e psicologia. Questão de somenos importância: métodos de alfabetização do homem ainda incapaz da codificação da linguagem escrita, levando em conta a cultura a que pertence o alfabetizado.
“Que fazermos, por exemplo, se temos a responsabilidade de coordenar um plano de educação de adultos em uma área camponesa, que revele, inclusive, uma alta porcentagem de analfabetismo? O plano incluirá a alfabetização e a pós-alfabetização. Estaríamos, portanto, obrigados a realizar tanto a investigação das palavras geradoras quanto a dos temas geradores, à base de que teríamos o programa para uma e outra etapas do plano.”
MESMO CÓDIGO DE ÉTICA DA ETNOGRAFIA: “É que, neste encontro, os investigadores necessitam obter que um número significativo de pessoas aceite uma conversa informal com eles, em que lhes falarão dos objetivos de sua presença na área. Na qual dirão o porquê, o como e o para quê da investigação que pretendem realizar e que não podem fazê-lo se não se estabelece uma relação de simpatia e confiança mútuas.”
“Uma série de informações sobre a vida na área, necessárias à sua compreensão, terá nestes voluntários [<tutores>, nativos] os seus recolhedores. Muito mais importante, contudo, que a coleta destes dados, é sua presença ativa na investigação.”
“A maneira de conversar dos homens; a sua forma de ser. O seu comportamento no culto religioso, no trabalho. Vão registrando as expressões do povo; sua linguagem, suas palavras, sua sintaxe, que não é o mesmo que sua pronúncia defeituosa, mas a forma de construir seu pensamento.”
“Esta descodificação ao vivo implica, necessariamente, que os investigadores, em sua fase, surpreendam a área em momentos distintos. É preciso que a visitem em horas de trabalho no campo; que assistam a reuniões de alguma associação popular, observando o procedimento de seus participantes, a linguagem usada, as relações entre diretoria e sócios; o papel que desempenham as mulheres, os jovens. É indispensável que a visitem em horas de lazer; que presenciem seus habitantes em atividades esportivas; que conversem com pessoas em suas casas, registrando manifestações em torno das relações marido-mulher, pais-filhos; afinal, que nenhuma atividade, nesta etapa, se perca para esta compreensão primeira da área.”
“Poderíamos pensar que, nesta primeira etapa da investigação, ao se apropriarem, através de suas observações, dos núcleos centrais daquelas contradições, os investigadores já estariam capacitados para organizar o conteúdo programático da ação educativa. Realmente, se o conteúdo desta ação reflete as contradições, indiscutivelmente estará constituído da temática significativa da área.
Não tememos, inclusive, afirmar que a margem de acerto para a ação que se desenvolvesse a partir destes dados seria muito mais provável que a dos conteúdos resultantes das programações verticais.
Esta, contudo, não deve ser uma tentação pela qual os investigadores se deixem seduzir.
Na verdade, o básico, a partir da inicial percepção deste núcleo de contradições, entre as quais estará incluída a principal da sociedade como uma unidade epocal maior, é estudar em que nível de percepção delas se encontram os indivíduos da área.
No fundo, estas contradições se encontram constituindo ‘situações-limite’, envolvendo temas e apontando tarefas.
Se os indivíduos se encontram aderidos a estas ‘situações-limite’, impossibilitados de ‘separar-se’ delas, o seu tema a elas referido será necessariamente o do fatalismo e a ‘tarefa’ a ele associada é a de quase não terem tarefa.” A velha tarefa de resignação (mortos por dentro)!
“Por isto é que, embora as ‘situações-limite’ sejam realidades objetivas e estejam provocando necessidades nos indivíduos, se impõe investigar, com eles, a consciência que delas tenham.” Normalmente pessoas de um vilarejo pobre de um país com áreas menos pobres sonham em ‘ir embora’ do local; para eles isso é o ‘crescer na vida’…
“Uma ‘situação-limite’, como realidade concreta, pode provocar em indivíduos de áreas diferentes, e até de subáreas de uma mesma área, temas e tarefas opostos, que exigem, portanto, diversificação programática para o seu desvelamento.
Daí que a preocupação básica dos investigadores deva centrar-se no conhecimento do que Goldmann chama de ‘consciência real’ (efetiva) e ‘consciência máxima possível’.
Real consciousness is the result of the multiple obstacles and deviations that the different factors of empirical reality put into opposition and submit for realization by this potential consciousness.Daí que, ao nível da ‘consciência real’, os homens se encontrem limitados na possibilidade de perceber mais além das ‘situações-limite’,
o que chamamos de ‘inédito viável’.” O inédito viável do ocidente por inteiro é o que todo o mundo precisa desvendar junto. O inédito viável de uma pequena comunidade pode quem sabe ser elucidada pelos moradores locais com a intermediação de investigadores aptos. Acima eu havia pensado no inédito viável global, como bom filósofo da crise!
“Por isto é que, para nós, o ‘inédito viável’ (que não pode ser apreendido no nível da ‘consciência real’ ou efetiva [um só indivíduo, ou um grupo de forasteiros, ou a coletividade nativa deixada ‘sem iluminação’]) se concretiza na ‘ação editanda’, cuja viabilidade antes não era percebida.” Resultado do trabalho etnográfico bem-feito.
“A ‘consciência possível’ parece poder identificar-se com o que Nicolaj chama de ‘soluções praticáveis despercebidas’ (nosso ‘inédito viável’), em oposição às ‘soluções praticáveis percebidas’ e às ‘soluções efetivamente realizadas’, [plano mais baixo] que correspondem [as duas últimas nomenclaturas] à ‘consciência real’.”
Esta é a razão por que o fato dos investigadores, na primeira etapa da investigação, terem chegado à apreensão mais ou menos aproximada do conjunto de contradições, não os autoriza [ainda] a pensar na estruturação do conteúdo programático da ação educativa. § Até então, esta visão é deles ainda, e não a dos indivíduos em face de sua realidade.”
“A segunda fase da investigação começa precisamente quando os investigadores, com os dados que recolheram, chegam à apreensão daquele conjunto de contradições.”
“Na medida em que as codificações (pintadas ou fotografadas e, em certos casos, preferencialmente fotografadas) são o objeto que, mediatizando os sujeitos descodificadores, se dá à sua análise crítica, sua preparação deve obedecer a certos princípios que são apenas os que norteiam a confecção das puras ajudas visuais.” Se eu fosse obrigado a desenhar, sairia uma obra de arte rupestre!
“Uma primeira condição a ser cumprida é que, necessariamente, devem representar situações conhecidas pelos indivíduos cuja temática se busca, o que as faz reconhecíveis por eles, possibilitando, desta forma, que nelas se reconheçam.
Não seria possível, nem no processo da investigação, nem nas primeiras fases do que a ele se segue, o da devolução da temática significativa como conteúdo programático, propor representações de realidades estranhas aos indivíduos.” Freire pede uma suspensão do juízo para que o investigador evite neste momento comparações entre sua própria realidade e a da comunidade que investiga.
NEM FALAR UM PORTUGUÊS TAXATIVO E BUROCRÁTICO DEMAIS, NEM GREGO! “Igualmente fundamental para a sua preparação é a condição de não poderem ter as codificações, [todos os produtos culturais sendo interpretados] de um lado, seu núcleo temático demasiado explícito; de outro, demasiado enigmático. No primeiro caso, correm o risco de transformar-se em codificações propagandísticas, em face das quais os indivíduos não têm outra descodificação a fazer, [Diretrizes do MEC: não! O MEC, a instância burocrática mais afastada, ‘não sabe de nada’ neste momento! Essa é a razão precípua de haver um investigador in loco fazendo o trabalho de base, i.e., construindo o conteúdo programático horizontalmente, previamente a uma suposta programática vertical/holística, digamos, de zonas rurais do país inteiro, ou de uma região inteira do país] senão a que se acha implícita nelas, de forma dirigida. [dirigir o investigado a confirmar suas próprias hipóteses, procedimento do ‘dominador’] No segundo, o risco de fazer-se um jogo de adivinhação ou ‘quebra-cabeça’.”
“As codificações não são slogans, são objetos cognoscíveis” Slogans, termo publicitário, nasce da política: condensa idéias complexas em poucas palavras, sempre retóricas. Seria poluir toda a pesquisa.
“as codificações, na organização de seus elementos constituintes, devem ser uma espécie de ‘leque temático’. Desta forma, na medida em que sobre elas os sujeitos descodificadores incidam sua reflexão crítica, irão ‘abrindo-se’ na direção de outros temas.” Os fascistas não gostam de leques, gostam de rolos compressores.
“[Ora,] no processo da descodificação os indivíduos, exteriorizando sua temática, explicitam sua ‘consciência real’”
“Na medida em que, ao fazê-lo, vão percebendo como atuavam ao viverem a situação analisada, chegam ao que chamamos antes de percepção da percepção anterior. § Ao terem a percepção de como antes percebiam, percebem diferentemente a realidade, e, ampliando o horizonte do perceber, mais facilmente vão surpreendendo, na sua ‘visão de fundo’,¹ as relações dialéticas entre uma dimensão e outra da realidade.”
¹ Visão de fundo, termo já usado anteriormente mas não citado nestes “melhores momentos” do livro, seria uma espécie de leitmotiv do indivíduo que conecta sua consciência real à capacidade de, via práxis, atingir uma consciência do inédito viável. A ação editanda de Freire nada mais é que esta práxis, no âmbito da pedagogia de campo (da pedagogia etnográfica, não conotando ‘campo’ vs. cidade, para esclarecer).
“A nova percepção e o novo conhecimento, cuja formação já começa nesta etapa da investigação, se prolongam, sistematicamente, na implantação do plano educativo, transformando o ‘inédito viável’ na ‘ação editanda’, com a superação da ‘consciência real’ pela ‘consciência máxima possível’.” Consciência máxima possível não é uma expressão de Freire, mas podemos igualá-la, pelo menos num momento inicial ao inédito viável. Não gosto do sufixo –máxima possível porque não é possível (com o perdão do trocadilho!) determinar o impossível, a menos que sejamos oniscientes, ainda mais durante o desenrolar do processo.
“Neste sentido, um jovem chileno, Gabriel Bode, que há mais de 2 anos trabalha com o método na etapa de pós-alfabetização, trouxe uma contribuição da mais alta importância. § Na sua experiência, observou que os camponeses somente se interessavam pela discussão quando a codificação dizia respeito, diretamente, a aspectos concretos de suas necessidades sentidas. Qualquer desvio na codificação, como qualquer tentativa do educador de orientar o diálogo, na descodificação, para outros rumos que não fossem os de suas necessidades sentidas, provocavam o seu silêncio e o seu indiferentismo.” O mais apressado dos filisteus (ou o europeu médio do séc. XVIII) diria: camponeses são animais incapazes do pensamento.
“Por outro lado, observava que, embora a codificação se centrasse nas necessidades sentidas, os camponeses não conseguiam, no processo de sua análise, fixar-se, ordenadamente, na discussão, ‘perdendo-se’, não raras vezes, sem alcançar a síntese.” Quão genial não foi Dostoievsky em captar o espírito camponês russo em pleno séc. XIX!
“Faltava-lhes, diremos nós, a percepção do ‘inédito viável’ mais além das ‘situações-limite’, geradoras de suas necessidades.” Mas isso é o óbvio: essa é a exceção da exceção, o nível mais alto da decodificação. O sujeito plenamente liberto da alienação.
“Desta forma, [Gabriel Bode] resolveu experimentar a projeção simultânea de situações, e a maneira como desenvolveu seu experimento é que constitui a contribuição indiscutivelmente importante que trouxe.”
experimento bodiano (não confundir com bodiniano!):
1. codificação a mais simples (a 1ª realizada) da situação existencial do nativo.
2. após abrir o leque (com mais codificações), ele obtém um arcabouço que chama de codificações auxiliares. núcleo+periferia do “leque”
3. é pela ligação das codificações auxiliares que os sujeitos (os nativos) não perdem de vista a codificação nuclear ou simples, e continuam engajados no diálogo. atingem uma melhor percepção de sua situação existencial.
4. momento da síntese (espécie de aprimoramento do ‘leque’), feito pelo pesquisador com os nativos.
“No fundo, o grande achado de Gabriel Bode está em que ele conseguiu propor à cognoscitividade dos indivíduos, através da dialeticidade entre a codificação ‘essencial’ e as ‘auxiliares’, o sentido da totalidade. Os indivíduos imersos na realidade, com a pura sensibilidade de suas necessidades, emergem dela e, assim, ganham a razão das necessidades.” Primeiro nível de abstração obtido com sucesso. Ainda é uma consciência real (nível mais baixo), mas mais fortalecida.
“Preparadas as codificações, estudados pela equipe interdisciplinar todos os possíveis ângulos temáticos nelas contidos, iniciam os investigadores a terceira fase da investigação. Nesta, voltam à área para inaugurar os diálogos descodificadores, nos ‘círculos de investigação temática’.”
“vão sendo gravadas as discussões que serão, no que se segue, analisadas pela equipe interdisciplinar.” Primeiro as fotos, agora os registros de áudio.
“presença crítica de representantes do povo desde seu começo até sua fase final, a da análise da temática encontrada, que se prolonga na organização do conteúdo programático da ação educativa, como ação cultural libertadora.
A estas reuniões de descodificação nos ‘círculos de investigação temática’, além do investigador como coordenador auxiliar da descodificação, assistirão mais 2 especialistas — um psicólogo e um sociólogo — cuja tarefa é registrar as reações mais significativas ou aparentemente pouco significativas dos sujeitos descodificadores.”
“os participantes do ‘círculo de investigação temática’ vão extrojetando, pela força catártica da metodologia, uma série de sentimentos, de opiniões, de si, do mundo e dos outros, que possivelmente não extrojetariam em circunstâncias diferentes.”
DISCURSO-FETICHE: “Numa das investigações realizadas em Santiago (esta infelizmente não concluída), ao discutir um grupo de indivíduos residentes num ‘cortiço’ (conventillo) uma cena em que apareciam um homem embriagado, que caminhava pela rua, e, em uma esquina, 3 jovens que conversavam, os participantes do círculo de investigação afirmavam que ‘aí apenas é produtivo e útil à nação o borracho que vem voltando para casa, depois do trabalho, em que ganha pouco, preocupado com a família, a cujas necessidades não pode atender. É o único trabalhador. É um trabalhador decente como nós, que também somos borrachos’.”
“O interesse do investigador, o psiquiatra Patrício Lopes, a cujo trabalho fizemos referência no nosso ensaio anterior, era estudar aspectos do alcoolismo. Provavelmente, porém, não haveria conseguido estas respostas se se tivesse dirigido àqueles indivíduos com um roteiro de pesquisa elaborado por ele mesmo. Talvez, ao serem perguntados diretamente, negassem, até mesmo que tomavam, vez ou outra, o seu trago. Frente, porém, à codificação de uma situação existencial, reconhecível por eles e em que se reconheciam, em relação dialógica entre si e com o investigador, disseram o que realmente sentiam.
Há dois aspectos importantes nas declarações destes homens. De um lado, a relação expressa entre ganhar pouco, sentirem-se explorados, com um ‘salário que nunca alcança’, e se embriagarem. Embriagarem-se como uma espécie de fuga à realidade, como tentativa de superação da frustração do seu não-atuar. Uma solução, no fundo, autodestrutiva, necrófila. De outro, a necessidade de valorizar quem bebe. Era o ‘único útil à nação, porque trabalhava, enquanto os outros o que faziam era falar mal da vida alheia’.” Estima de alcoviteiro.
“Imaginemos, agora, o insucesso de um educador do tipo que Niebuhr chama de ‘moralista’, que fosse fazer prédicas a esses homens contra o alcoolismo, [padrecos] apresentando-lhes como exemplo de virtude o que, para eles, não é manifestação de virtude.” J., a abstêmia religiosa até o fanatismo, seria massacrada nesta comunidade. E quem há de dizer quem no caso é mais cristão? Um dos cristãos? Dificilmente. É o mesmo que auto-declaração: eu posso me autodeclarar branco, pardo, amarelo – não é exatamente um indício de verdade!
“Em outra experiência, de que participamos, esta, com camponeses, observamos que, durante toda a discussão de uma situação de trabalho no campo, a tônica do debate era sempre a reivindicação salarial e a necessidade de se unirem, de criarem seu sindicato para esta reivindicação, não para outra. Discutiram 3 situações neste encontro e a tônica foi sempre a mesma — reivindicação salarial e sindicato para atender a esta reivindicação. Imaginemos, agora, um educador que organizasse o seu programa ‘educativo’ [vertical, imposto a priori] para estes homens e, em lugar da discussão desta temática, lhes propusesse a leitura de textos que, certamente, chamaria de ‘sadios’, e nos quais se fala, angelicalmente, de que ‘a asa é da ave’.” Eu mesmo não entendi patavinas da referência!
“E isto é o que se faz, em termos preponderantes, na ação educativa como na política, porque não se leva em conta que a dialogicidade da educação começa na investigação temática.” Textos de apoio que nada apoiam. Muletas fendidas.
“A sua última etapa[quarta] se inicia quando os investigadores, terminadas as descodificações nos círculos, dão começo ao estudo sistemático e interdisciplinar de seus achados.”
“Estes temas devem ser classificados num quadro geral de ciências, sem que isto signifique, contudo, que sejam vistos, na futura elaboração do programa, como fazendo parte de departamentos estanques.” Ou não chamariam um psicólogo e um sociólogo para a equipe.
“O tema do desenvolvimento, por exemplo, ainda que situado no domínio da economia, não lhe é exclusivo.” Isso é o que nenhum doutor economista de Harvard está maduro para aceitar. Ele precisa ser submetido urgentemente à “educação problemática (crítica) pós-alfabetização” delineada por Paulo Freire.
“os temas que foram captados dentro de uma totalidade jamais serão tratados esquematicamente. Seria uma lástima se, depois de investigados na riqueza de sua interpenetração com outros aspectos da realidade, ao serem ‘tratados’, [autocensurados] perdessem esta riqueza, esvaziando-se de sua força, na estreiteza dos especialismos.”
“Feita a delimitação temática, caberá a cada especialista, dentro de seu campo, apresentar à equipe interdisciplinar o projeto de ‘redução’ de seu tema. No processo de ‘redução’ deste, o especialista busca os seus núcleos fundamentais que, constituindo-se em unidades de aprendizagem e estabelecendo uma sequência entre si, dão a visão geral do tema ‘reduzido’.”
“Neste esforço de ‘redução’ da temática significativa, a equipe reconhecerá a necessidade de colocar alguns temas fundamentais que, não obstante, não foram sugeridos pelo povo, quando da investigação. (…) Se a programação educativa é dialógica, isto significa o direito que também têm os educadores-educandos de participar dela, incluindo temas não-sugeridos.A estes, por sua função, chamamos ‘temas dobradiça’.”Não precisa chamar de nada. Essas nomenclaturas excessivas e esquemáticas só atrapalham…
“O conceito antropológico de cultura é um destes ‘temas dobradiça’, que prendem a concepção geral do mundo que o povo esteja tendo ao resto do programa. Esclarece, através de sua compreensão, o papel dos homens no mundo e com o mundo, como seres da transformação e não da adaptação.” A argamassa da ‘porra-toda’.
“a escolha do canal visual, pictórico ou gráfico, depende não só da matéria a codificar, mas também dos indivíduos a quem se dirige. Se têm ou não experiência de leitura.”
“Figuremos, entre outros, o tema do desenvolvimento. A equipe procuraria dois ou mais especialistas (economistas),¹ inclusive de escolas diferentes, e lhes falaria de seu trabalho, convidando-os a dar uma contribuição que seria a entrevista em linguagem acessível sobre tais pontos.”
¹ Um neoliberal e um não-neurodivergente, no caso. O primeiro dificilmente conseguiria traduzir suas abobrinhas em que nem ele mesmo acredita em ‘linguagem acessível’.
“Se é um professor de universidade, ao declinar-se sua condição de professor universitário já se poderia discutir com o povo o que lhe parecem as universidades de seu país. Como as vê. O que delas espera. O grupo estaria sabendo que, após ouvir a entrevista, seria discutido o seu conteúdo, o qual passaria a funcionar como uma codificação auditiva. [não-autoritária sobre o contéudo programático, nem definitiva]”
“Do debate realizado, faria posteriormente a equipe um relatório ao especialista em torno de como o povo reagiu à sua palavra.” Prevejo os egos de vidro se estilhaçando… “Desta maneira, se estariam vinculando intelectuais, muitas vezes de boa vontade, mas, não-raro, alienados da realidade popular, a esta realidade. E se estaria também proporcionando ao povo conhecer e criticar o pensamento do intelectual.” O povo emitirá sempre comentários mais lúcidos. Será muito mais fácil a desalienação do povo do que a do economista de cátedra, cuja vida não mudará mesmo que participe voluntariamente (o que é utópico) de cem dessas experiências!
“Como nas entrevistas gravadas, aqui também, antes de iniciar a leitura de artigo ou do capítulo do livro, se falaria de seu autor. Em seguida, se realizaria o debate em torno do conteúdo da leitura.”
“Na linha do emprego destes recursos, parece-nos indispensável a análise do conteúdo dos editoriais da imprensa, a propósito de um mesmo acontecimento. Por que razão os jornais se manifestam de forma diferente sobre um mesmo fato?” Mentira! No Brasil, todos os jornais se pronunciam em uníssono – e estão sempre errados!
PERIGOSÍSSIMO PARA O SISTEMA GLOBO! “Que o povo então desenvolva o seu espírito crítico para que, ao ler jornais ou ao ouvir o noticiário das emissoras de rádio, [creio que Freire escreveu antes da popularização da televisão nos lares] o faça não como mero paciente, como objeto dos ‘comunicados’ que lhes prescrevem, mas como uma consciência que precisa libertar-se.” O paradigma dos ‘comunicados’ permanece intocado nos podcasts de internet, infelizmente.
“O primeiro trabalho dos educadores de base será a apresentação do programa geral da campanha a iniciar-se. Programa em que o povo se encontrará, de que não se sentirá estranho, pois que dele saiu.”
“Como fazer, porém, no caso em que não se possa dispor dos recursos para esta prévia investigação temática, nos termos analisados?”
TUDO COMEÇA E TERMINA EM ANTROPOLOGIA… “Sejam homens camponeses ou urbanos, em programa de alfabetização ou de pós-alfabetização, o começo de suas discussões em busca de mais conhecer, no sentido instrumental do termo, é o debate deste conceito.”
“Com a experiência que hoje temos, podemos afirmar que, bem-discutido o conceito de cultura, em todas ou em grande parte de suas dimensões, nos pode proporcionar vários aspectos de um programa educativo. Mas, além da captação, que diríamos quase indireta, de uma temática, na hipótese agora referida, podem os educadores, depois de alguns dias de relações horizontais com os participantes do ‘círculo de cultura’, perguntar-lhes diretamente:
Que outros temas ou assuntos poderíamos discutir além deste?
(…)
Admitamos que um dos membros do grupo diz: ‘Gostaria de discutir sobre o nacionalismo.’” Assunção muito otimista! Esse termo, além de problemático (no sentido não-freireano!), dificilmente é evocado por pessoas ainda não-críticas, imersas na ‘realidade’ cotidiana.
(cont.)
“‘Muito bem (diria o educador, após registrar a sugestão, e acrescentaria): Que significa nacionalismo? Por que pode interessar-nos a discussão sobre o nacionalismo?’
É provável que, com a problematização da sugestão ao grupo, novos temas surjam. Assim, na medida em que todos vão se manifestando, o educador vai problematizando, uma a uma, as sugestões que nascem do grupo.”
“Se, por exemplo, numa área em que funcionam 30 ‘círculos de cultura’, na mesma noite, todos os ‘coordenadores’ (educadores) procedem assim, terá a equipe central[um círculo de cultura ‘coordenador-geral’?] um rico material temático a estudar, dentro dos princípios descritos na primeira hipótese de investigação da temática significativa.” Não entendi a envergadura desses círculos de cultura. Estariam todos instalados no mesmo município? Ou um por município ou área? Pergunta quase retórica, já que Freire cita“numa área em que funcionam 30…”e depois arremata com“na mesma noite”. Mas é irreal imaginar sequer que tenhamos profissionais competentes em número para tal tarefa – por grande que seja o contingente de educadores de elite brasileiros. Território imenso – quase russo! E os ‘melhores’ estão provavelmente em outros vínculos empregatícios mais atrativos (o poder do Capital!), infelizmente…
“O importante (…) é que (…) os homens se sintam sujeitos de seu pensar, discutindo o seu pensar, sua própria visão do mundo, manifestada implícita ou explicitamente, nas suas sugestões e nas de seus companheiros.”
Ao contrário do Ensaio sobre a dádiva, aqui não é bom doar (enquanto educador): quem doa são os nativos, o professor é quem recebe o conteúdo programático (se seguir todos os passos acima).
Notas do capítulo (muitas referências bibliográficas)
(*) Sobre o “silêncio” como fracasso da educação crítica: “Não nos referimos, obviamente, ao silêncio das meditações profundas em que os homens, numa forma só aparente de sair do mundo, dele ‘afastando-se’ para ‘admirá-lo’ em sua globalidade, com ele, por isto, continuam. [‘a vida é bela’, mas só à distância, em muitos casos!] Daí que estas formas de recolhimento só sejam verdadeiras quando os homens nela se encontrem ‘molhados’ de realidade e não quando, significando um desprezo ao mundo, sejam maneiras de fugir dele, numa espécie de ‘esquizofrenia histórica’.” O lado anti-hindu de P.F.! Nota subscrita, porém, por Zaratustra.
(*) A AUTÊNTICA REVOLUÇÃO É UM PROJETO AMOROSO: “Cada vez nos convencemos mais da necessidade de que os verdadeiros revolucionários reconheçam na revolução, porque um ato criador e libertador, um ato de amor. Para nós, a revolução, que não se faz sem teoria da revolução, portanto, sem ciência, não tem nesta uma inconciliação com o amor. Pelo contrário, a revolução, que é feita pelos homens, o é em nome de sua humanização. Que leva os revolucionários a aderirem aos oprimidos, senão a condição desumanizada em que se acham estes?
Não é devido à deterioração a que se submete a palavra amor no mundo capitalista que a revolução vá deixar de ser amorosa, nem os revolucionários fazer silêncio de seu caráter biófilo. Guevara, ainda que tivesse salientado o ‘risco de parecer ridículo’, não temeu afirmá-lo. Déjeme decirle (declarou dirigindo-se a Carlos Quijano) a riesgo de parecer ridículo que el verdadero revolucionario es animado por fuertes sentimientos de amor.Es imposible pensar un revolucionario autentico, sin esta cualidad.Ernesto Guevara, Obra revolucionaria.México: Ediciones Era S.A., 1967, pp. 637-38.”
(*) Pierre Furter, Educação e vida.Petrópolis: Vozes, 1966.
(*) « Em uma longa conversação com Malraux, declarou Mao: Vous savez que je proclame depuis longtemps: nous devons enseigner aux masses avec précision ce que nous avons reçu d’elles avec confusion.André Malraux, Anti-memoires. Paris: Gallimard, 1967, p. 531. Nesta afirmação de Mao está toda uma teoria dialógica de constituição do conteúdo programático da educação, que não pode ser elaborado a partir das finalidades do educador, do que lhe pareça ser o melhor para seus educandos.”E veja onde está a China hoje! E onde está o Brasil!
(*) “Pour établir une liaison avec les masses, nous devons conformer à leurs désirs. [Até mesmo quando Mao mais errou – na revolução cultural – a motivação de suas ações foi a mais nobre e popular possível] Dans tout travail pour les masses, nous devons partir de leurs besoins, et non de nos propres désirs, si louables soient-ils. Il arrive souvent que les masses aient objetivement besoin de telles ou telles transformations, mais que subjetivement, elles ne soient conscients de ce besoin, qu’elles n’aient ni la volonté ni le désir de les réaliser; dans ce cas, nous devons attendre avec patience; [e quem poderá acusar Mao de « mencheviquismo » ?]c’est seulement lorsque, à la suite de notre travail, les masses seront, dans leurs majorité, conscientes de la nécessité de ces transformations, lorsqu’elles auront la volonté et le désir de les faire aboutir, qu’on pourra les réaliser; sinon, l’on risque de se couper des masses. […] Deux principes doivent nous guider: premièrement, les besoins réels des masses et non les besoins nés de notre imagination; deuxièment, le désir librement exprimé par les masses, les resolutions qu’elles ont prises elles mêmes et non celles que nous prenons à leur place.Mao Tsé-Tung, ‘Le Front uni dans le travail culturel’, in Oeuvres choisies de Mao Tse-Toung.Pequim: Ed. du Peuple, 1966.” Hmm, Mao me cai muito bem em francês. Depois desse par de declarações, estou disposto a adquirir sua obra nessa tradução!
(*) “é mais contraditório que homens verdadeiramente humanistas usem a prática ‘bancária’ da educação que homens de direita se empenhem num esforço de educação problematizadora. Na verdade é uma contradição meramente teórica. Estes são sempre mais coerentes — jamais aceitam uma pedagogia da problematização.” Nosso maior desafio é que a direita é sempre prejudicial. A esquerda é ora prejudicial, ora benéfica à própria esquerda. Somos uma minoria absoluta.
(*) “O prof. Álvaro Vieira Pinto analisa, com bastante lucidez, o problema das ‘situações-limite’, cujo conceito aproveita, esvaziando-o, porém, da dimensão pessimista que se encontra originariamente em Jaspers.”Normal!
(*) Karel Kosik, Dialética do concreto, 3ed., RJ: Paz e Terra, 1985.
(*) Hans Freyer, Teoría de la época actual, México: Fondo de Cultura Econ., 1958.
(*) O CAMPONÊS É NOSSO AMIGO METAFÍSICO, A CLASSE MÉDIA É O MAIOR DOS PROBLEMAS:“Esta forma de proceder se observa, não raramente, entre homens de classe média, ainda que diferentemente de como se manifesta entre camponeses. Seu medo da liberdade os leva a assumir mecanismos de defesa e, através de [ir]racionalizações, escondem o fundamental, enfatizam o acidental e negam a realidade concreta. Em face de um problema cuja análise remete à visualização da ‘situação-limite’, cuja crítica lhes é incômoda, [a ascensão dos pobres, em resumo] sua tendência é ficar na periferia dos problemas, rechaçando toda tentativa de adentramento no núcleo mesmo da questão. Chegam, inclusive, a irritar-se quando se lhes chama a atenção para algo fundamental que explica o acidental ou o secundário, [ex: por que as cidades estão apinhadas de mendicantes] aos quais estão dando significação primordial.”
(*) Lucien Goldmann, The Human Sciences and Philosophy. Londres: The Chancer Press, 1969.
(*) André Nicolaj, Comportement économique et structures sociales.Paris: PUF, 1960.
(*) “Em cada ‘círculo de investigação’ deve haver um máximo de 20 pessoas, existindo tantos círculos quantos a soma de seus participantes atinja a da população da área ou da subárea em estudo.”
(*) EXPLICAÇÃO DA REDUÇÃO: “Na redução temática, que é a operação de ‘cisão’ dos temas enquanto totalidades, se buscam seus núcleos fundamentais, que são as suas parcialidades. Desta forma, ‘reduzir’ um tema é cindi-lo em suas partes para, voltando-se a ele como totalidade, melhor conhecê-lo.”
CAPÍTULO 4. A TEORIA DA AÇÃO ANTIDIALÓGICA
“Não é possível à liderança tomar os oprimidos como meros fazedores ou executores de suas determinações; como meros ativistas a quem negue a reflexão sobre o seu próprio fazer. Os oprimidos, tendo a ilusão de que atuam, na atuação da liderança, continuam manipulados exatamente por quem, por sua própria natureza, não pode fazê-lo. § Por isto, na medida em que a liderança nega a práxis verdadeira aos oprimidos, se esvazia, consequentemente, na sua.” Por uma <semi-ditadura do proletariado> ou uma <ditadura do semi-proletariado>?
“Instala, com este proceder, uma contradição entre seu modo de atuar e os objetivos que pretende, ao não entender que, sem o diálogo com os oprimidos, não é possível práxis autêntica, nem para estes nem para ela.”
“Na práxis revolucionária há uma unidade, em que a liderança — sem que isto signifique diminuição de sua responsabilidade coordenadora e, em certos momentos, diretora — não pode ter nas massas oprimidas o objeto de sua posse.”
admirar (quem admira termina por problematizar ecriar) X adaptar-se
“clima sectário”: “Do mesmo modo, uma liderança revolucionária, que não seja dialógica com as massas, ou mantém a ‘sombra’ do dominador ‘dentro’ de si e não é revolucionária, ou está redondamente equivocada e, presa de uma sectarização indiscutivelmente mórbida, também não é revolucionária.” Sectarização: corrosão do testemunho.
“Se são levadas ao processo como seres ambíguos, metade elas mesmas, metade o opressor ‘hospedado’ nelas, e se chegam ao poder vivendo esta ambiguidade que a situação de opressão lhes impõe, terão, a nosso ver, simplesmente, a impressão de que chegaram ao poder.”
“Estamos convencidos de que o diálogo com as massas populares é uma exigência radical de toda revolução autêntica. Ela é revolução por isto. Dos golpes, seria uma ingenuidade esperar que estabelecessem diálogo com as massas oprimidas. Deles, o que se pode esperar é o engodo para legitimar-se ou a força que reprime.”
“Se, na educação como situação gnosiológica, o ato cognoscente do sujeito educador (também educando) sobre o objeto cognoscível não morre, ou nele se esgota, porque, dialogicamente, se estende a outros sujeitos cognoscentes, de tal maneira que o objeto cognoscível se faz mediador da cognoscitividade dos dois, na teoria da ação revolucionária se dá o mesmo.”
“Talvez se pense que, ao fazermos a defesa deste encontro dos homens no mundo para transformá-lo, que é o diálogo, estejamos caindo numa ingênua atitude, num idealismo subjetivista. § Não há nada, contudo, de mais concreto e real do que os homens no mundo e com o mundo. Os homens com os homens, enquanto classes que oprimem e classes oprimidas.”
“Não há realidade histórica — mais outra obviedade — que não seja humana. Não há história sem homens, como não há uma história para os homens, mas uma história de homens que, feita por eles, também os faz, como disse Marx.”
“Falsamente realistas seremos se acreditarmos que o ativismo, que não é ação verdadeira, é o caminho para a revolução.”
“Por que não fenecem as elites dominadoras ao não pensarem com as massas? Exatamente porque estas são o seu contrário antagônico, a sua ‘razão’, na afirmação de Hegel já citada. Pensar com elas seria a superação de sua contradição. Pensar com elas significaria já não dominar.”
AUTOCONFISSÃO BURGUESA:“Por especial que pudesse ser em teoria o projeto de dar educação às classes trabalhadoras dos pobres, seria prejudicial para sua moral e sua felicidade; ensinaria a desprezar sua missão na vida, em lugar de fazer deles bons servos para a agricultura e outros empregos; em lugar de ensinar-lhes subordinação os faria rebeldes e refratários, como se pôs em evidência nos condados manufatureiros, habilitá-los-ia a ler folhetos sediciosos, livros perversos e publicações contra a cristandade; torná-los-ia insolentes para com seus superiores e, em poucos anos, se faria necessário à legislatura dirigir contra eles o braço forte do poder.”Mr. Giddy apud Niebuhr.
“No fundo, o que o tal Mr. Giddy, citado por Niebuhr, queria, tanto quanto os de hoje, que não falam tão cínica e abertamente contra a educação popular, é que as massas não pensassem. Os Mr. Giddy de todas as épocas, enquanto classe opressora, ao não poderem pensar com as massas oprimidas, não podem deixar que elas pensem.”
ESTAMOS NUM HIATO ‘INTERESSANTE’ (EPISTEMOLOGICAMENTE FALANDO), AQUELE EM QUE OS OPRESSORES AINDA NÃO SABEM CAIR E OS REVOLUCIONÁRIOS NÃO SABEM SUBIR: “Não é o mesmo o que ocorre com a liderança revolucionária. Esta, ao não pensar com as massas, fenece. As massas são a sua matriz constituinte, não a incidência passiva de seu pensar.”
“Enquanto o outro é um pensar de senhor, este é um pensar de companheiro. E só assim pode ser.” “Esta liderança, que emerge, ou se identifica com as massas populares, como oprimida também, ou não é revolucionária. § Assim é que, não pensar com elas para, imitando os dominadores, pensar simplesmente em torno delas, não se dando a seu pensar, é uma forma de desaparecer como liderança revolucionária.”
“Enquanto, no processo opressor, as elites vivem da ‘morte em vida’ dos oprimidos e só na relação vertical entre elas e eles se autenticam, no processo revolucionário só há um caminho para a autenticidade da liderança que emerge: ‘morrer’ para reviveratravés dos oprimidos e com eles.
Na verdade, enquanto no primeiro é lícito dizer que alguém oprime alguém, no segundo, já não se pode afirmar que alguém liberta alguém, ou que alguém se liberta sozinho, mas os homens se libertam em comunhão.”
comunhão-com X esmagamento-dos
“E o mundo não é um laboratório de anatomia nem os homens são cadáveres que devam ser estudados passivamente.” Infelizmente minha rotina é o sentir-me rato de laboratório.
O PROBLEMA DA ELITE <ANTI-SÓCRÁTICA>: “…deixar-se cair num dos mitos da ideologia opressora, o da absolutização da ignorância, que implica a existência de alguém que a decreta a alguém.”
MASTURBADORES HIERÁRQUICOS: “Quanto mais diz a palavra sem a palavra daqueles que estão proibidos de dizê-la, tanto mais exercita o poder e o gosto de mandar, de dirigir, de comandar. Já não pode viver se não tem alguém a quem dirija sua palavra de ordem.”
“A liderança revolucionária (…) [n]ão tem sequer o direito de duvidar, por um momento, de que isto é mito. Não pode admitir, como liderança, que só ela sabe e que só ela pode saber — o que seria descrer das massas populares. Ainda quando seja legítimo reconhecer-se em um nível de saber revolucionário, em função de sua mesma consciência revolucionária, diferente do nível de conhecimento ingênuo das massas, não pode sobrepor-se a este, com o seu saber.”
“Há os que pensam, às vezes, com boa intenção, mas equivocamente, ‘que sendo demorado o processo dialógico — o que não é verdade — se deve fazer a revolução sem comunicação, através dos comunicados’ e, depois de feita, então, se desenvolverá um amplo esforço educativo. ‘Mesmo porque’, continuam, ‘não é possível fazer educação antes da chegada ao poder. Educação libertadora’.”
“Ao admitirem que não é possível uma forma de comportamento educativo-crítica antes da chegada ao poder por parte da liderança, negam o caráter pedagógico da revolução, como revolução cultural.” O problema da “revolução cultural” na China.
“a chegada ao poder é apenas um momento, por mais decisivo que seja.”
“Por isto é que, numa visão dinâmica e não estática da revolução, ela não tem um antes e um depois absolutos, de que a chegada ao poder seria o ponto de divisão.”
“a contrarrevolução também é dos revolucionários que se tornam reacionários.”
MAO, ‘On Contradictions’, in: Four Essays on Philosophy, 1968.
Gajo Petrovic, Marx in the Mid-Twentieth Century, 1967.
“E, se não é possível o diálogo com as massas populares antes da chegada ao poder, porque falta a elas experiência do diálogo, também não lhes é possível chegar ao poder, porque lhes falta igualmente experiência dele. Precisamente porque defendemos uma dinâmica permanente no processo revolucionário, entendemos que é nesta dinâmica, na práxis das massas com a liderança revolucionária, que elas e seus líderes mais representativos aprenderão tanto o diálogo quanto o poder. Isto nos parece tão óbvio quanto dizer que um homem não aprende a nadar numa biblioteca, mas na água.
O diálogo com as massas não é concessão, nem presente, nem muito menos uma tática a ser usada, como a sloganização o é, para dominar. O diálogo, como encontro dos homens para a ‘pronúncia’ do mundo, é uma condição fundamental para a sua real humanização.”
“Destas considerações gerais, partamos, agora, para uma análise mais detida a propósito das teorias da ação antidialógica e dialógica.”
“O primeiro caráter que nos parece poder ser surpreendido na ação antidialógica é a necessidade da conquista.” Gradação do paternalismo à tirania.
NAPOLEÃO NÃO PODERIA TER REVOLUCIONADO A EUROPA, COMO CÉSAR NÃO O FEZ COM ROMA: “O sujeito da conquista determina suas finalidades ao objeto conquistado, que passa, por isto mesmo, a ser algo possuído pelo conquistador. Este, por sua vez, imprime sua forma ao conquistado que, introjetando-o, se faz um ser ambíguo.”
“O desejo de conquista, talvez mais que o desejo, a necessidade da conquista, acompanha a ação antidialógica em todos os seus momentos.”
“os opressores se esforçam por matar nos homens a sua condição de ‘ad-miradores’ do mundo.¹ Como não podem consegui-lo, em termos totais, é preciso, então, mitificar o mundo.”
¹ Ir ao encontro do mundo, até o.
MUNDO-VERDADE DO FALSO MOEDEIRO: “Daí que, na ação da conquista, não seja possível apresentar o mundo como problema, mas, pelo contrário, como algo dado, como algo estático, a que os homens se devem ajustar.”
“A falsa ‘ad-miração’ não pode conduzir à verdadeira práxis”
“O mito, por exemplo, de que a ordem opressora é uma ordem de liberdade.”
“O mito de que esta <ordem> respeita os direitos da pessoa humana e que, portanto, é digna de todo apreço.”
“o mito de que o homem que vende, pelas ruas, gritando: ‘doce de banana e goiaba’ é um empresário tal qual o dono de uma grande fábrica.”
“O mito do direito de todos à educação, quando o número de brasileiros que chegam às escolas primárias do país e o dos que nelas conseguem permanecer é chocantemente irrisório.”
“O mito da igualdade de classe, quando o <sabe com quem está falando?> é ainda uma pergunta dos nossos dias.”
“O mito do heroísmo das classes opressoras, como mantenedoras da ordem que encarna a ‘civilização ocidental e cristã’, que elas defendem da ‘barbárie materialista’.”
“O mito da propriedade privada, como fundamento do desenvolvimento da pessoa humana, desde, porém, que pessoas humanas sejam apenas os opressores.”
“Os conteúdos e os métodos da conquista variam historicamente, o que não varia, enquanto houver elite dominadora, é esta ânsia necrófila de oprimir.”
“Na medida em que as minorias, submetendo as maiorias a seu domínio, as oprimem, dividi-las e mantê-las divididas são condição indispensável à continuidade de seu poder.” “Conceitos, como os de união, de organização, de luta, são timbrados, sem demora, como perigosos. E realmente o são – mas para os opressores.”
“Estas formas focalistas de ação, intensificando o modo focalista de existência das massas oprimidas, sobretudo rurais, dificultam sua percepção crítica da realidade e as mantêm ilhadas da problemática dos homens oprimidos de outras áreas em relação dialética com a sua.” Por uma crítica à pedagogia estrita do campo. Insulamento das culturas indígenas a somente ‘eles mesmos’, etc.
AS <ESCOLAS DE LÍDERES>: “No momento em que, depois de retirados da comunidade, a ela voltam, com um instrumental que antes não tinham, ou usam este para melhor conduzir as consciências dominadas e imersas, ou se tornam estranhos à comunidade, ameaçando, assim, sua liderança.”
“A harmonia viável e constatada só pode ser a dos opressores entre si. Estes, mesmo divergentes e, até em certas ocasiões, em luta por interesses de grupos, se unificam, imediatamente, ante uma ameaça à classe.”
“Sua interferência nos sindicatos, favorecendo certos ‘representantes’ da classe dominada que, no fundo, são seus representantes, e não de seus companheiros; a ‘promoção’ de indivíduos que, revelando certo poder de liderança, podiam significar ameaça e que, ‘promovidos’, se tornam ‘amaciados’; a distribuição de benesses para uns e de dureza para outros, tudo são formas de dividir para manter a ‘ordem’ que
lhes interessa.” “A perda do emprego e o seu nome numa ‘lista negra’, que significa portas que se fecham a eles para novos empregos, são o mínimo que lhes pode suceder.”
“Desta maneira, para dividir, os necrófilos se nomeiam a si mesmos biófilos e aos biófilos, de necrófilos. A história, contudo, se encarrega sempre de refazer estas ‘nomeações’. § Hoje, apesar de a alienação brasileira continuar chamando o Tiradentes de inconfidente e ao movimento libertador que encarnou, de Inconfidência, o herói nacional não é o que o chamou de bandido e o mandou enforcar e esquartejar, e espalhar pedaços de seu corpo sangrando pelas vilas assustadas, como exemplo. O herói é ele. A história rasgou o ‘título’ que lhe deram e reconheceu o seu gesto.”
“E os pactos somente se dão quando estas [massas oprimidas], mesmo ingênuas, emergem no processo histórico e, com sua emersão, ameaçam as elites dominantes.”
“Toda política de esquerda se apoia nas massas populares e depende de sua consciência. Se vier a confundi-la, perderá as raízes, pairará no ar à espera da queda inevitável, ainda quando possa ter, como no caso brasileiro, a ilusão de fazer a revolução pelo simples giro à volta do poder”Weffort, in: Política e revolução social no Brasil, 1965.
“Daí que o populismo se constitua, como estilo de ação política, exatamente quando se instala o processo de emersão das massas em que elas passam a reivindicar sua participação, mesmo que ingenuamente.”
O PERIGO PARA O STATUS QUO CHAMADO LULA:“Somente quando o líder populista supera o seu caráter ambíguo e a natureza dual de sua ação e opta decididamente pelas massas, deixando assim de ser populista, renuncia à manipulação e se entrega ao trabalho revolucionário de organização. Neste momento, em lugar de mediador entre massas e elites, é contradição destas, o que leva as elites a arregimentar-se para freá-lo tão rapidamente quanto possam.”
“Venho dizer que, neste momento, o governo ainda está desarmado de leis e de elementos concretos de ação imediata para a defesa da economia do povo. É preciso, pois, que o povo se organize, não só para defender seus próprios interesses, mas também para dar ao governo o ponto de apoio indispensável à realização dos seus propósitos. … Preciso de vossa união, preciso de que vos organizeis solidariamente em sindicatos; preciso que formeis um bloco forte e coeso ao lado do governo para que este possa dispor de toda a força de que necessita para resolver os vossos próprios problemas. Preciso de vossa união para que possa lutar contra os sabotadores, para que não fique prisioneiro dos interesses dos especuladores e dos gananciosos em prejuízo dos interesses do povo. … Chegou, por isto mesmo, a hora do governo apelar para os trabalhadores e dizer-lhes: uni-vos todos nos vossos sindicatos, como forças livres e organizadas. Na hora presente nenhum governo poderá subsistir ou dispor de força suficiente para as suas realizações se não contar com o apoio das organizações operárias.”Vargas, num 1º de maio. Recado claro, efetivamente.
“Se Vargas não tivesse revelado, na sua última etapa de governo, uma inclinação tão ostensiva à organização das massas populares, consequentemente ligada a uma série de medidas que tomou no sentido da defesa dos interesses nacionais, possivelmente as elites reacionárias não tivessem chegado ao extremo a que chegaram. § Isto ocorre com qualquer líder populista ao aproximar-se, ainda que discretamente, das massas populares, não mais como exclusivo mediador das oligarquias, se estas dispõem de força para freá-lo. § Enquanto a ação do líder se mantém no domínio das forças paternalistas e sua extensão assistencialista, pode haver divergências acidentais entre ele e grupos oligárquicos feridos em seus interesses, dificilmente, porém, diferenças profundas.”
FILA DO OSSO, NUNCA MAIS: “Há, contudo, em toda esta assistencialização manipuladora, um momento de positividade. § É que os grupos assistidos vão sempre querendo indefinidamente mais e os indivíduos não-assistidos, vendo o exemplo dos que o são, passam a inquietar-se por serem assistidos também.”
HURRAH, USA!“Uma condição básica ao êxito da invasão cultural é o conhecimento por parte dos invadidos de sua inferioridade intrínseca.”
“É preciso que o eu oprimido rompa esta quase ‘aderência’ ao tu opressor, dele ‘afastando-se’, para objetivá-lo, somente quando se reconhece criticamente em contradição com aquele.”
“Renunciar ao ato invasor significa, de certa maneira, superar a dualidade em que se encontram — dominados por um lado; dominadores, por outro.”
“O ‘medo da liberdade’, então, neles se instala. Durante todo esse processo traumático, sua tendência é, naturalmente, racionalizar o medo, com uma série de evasivas.
Este ‘medo da liberdade’, em técnicos que não chegaram sequer a fazer a descoberta de sua ação invasora, é maior ainda, quando se lhes fala do sentido desumanizante desta ação.”
“Uma das educadoras do Full Circle, de Nova York, instituição que realiza um trabalho educativo de real valor, nos relatou o seguinte caso: ao problematizar uma situação codificada a um dos grupos das áreas pobres de Nova York que mostrava, na esquina de uma rua — a rua mesma em que se fazia a reunião —, uma grande quantidade de lixo, disse imediatamente um dos participantes: ‘Vejo uma rua da África ou da América Latina’.
‘E por que não de Nova York?’, perguntou a educadora.
‘Porque, afirmou, somos os Estados Unidos e aqui não pode haver isto.’”
“Este é um dos sérios problemas que a revolução tem de enfrentar na etapa em que chega ao poder.”
“a formação técnico-científica não é antagônica à formação humanista dos homens, desde que ciência e tecnologia, na sociedade revolucionária, devem estar a serviço de sua libertação permanente, de sua humanização.”
“Este poder burocrático, violentamente repressivo, por sua vez, pode ser explicado através do que Althusser [Pourx Marx] chama de ‘reativação de elementos antigos’, toda vez que circunstâncias especiais o favoreçam, na nova sociedade.”
sociedade ser-para-si X sociedade metropolitana (sociedade ser-para-outro, “invadida”)
“Por tudo isto, é preciso não confundir desenvolvimento com modernização. Esta, sempre realizada induzidamente, ainda que alcance certas faixas da população da ‘sociedade-satélite’, no fundo interessa à sociedade metropolitana.
A sociedade simplesmente modernizada, mas não desenvolvida, continua dependente do centro externo, mesmo que assuma, por mera delegação, algumas áreas mínimas de decisão.” “Estamos convencidos de que, para aferirmos se uma sociedade se desenvolve ou não, devemos ultrapassar os critérios que se fixam na análise de seus índicesper capita de ingresso que, ‘estatisticados’, não chegam sequer a expressar a verdade, bem como os que se centram no estudo de sua renda bruta. Parece-nos que o critério básico, primordial, está em sabermos se a sociedade é ou não um ‘ser para si’. Se não é, todos estes critérios indicarão sua modernização, mas não seu desenvolvimento.”
“Superada a contradição, o que antes era mera transformação ‘assistencializadora’ em benefício, sobretudo, da matriz, se torna desenvolvimento verdadeiro, em benefício do ‘ser para si’.
Por tudo isto é que as soluções puramente reformistas que estas sociedades tentam, algumas delas chegando a assustar e até mesmo a apavorar a faixas mais reacionárias de suas elites, não chegam a resolver suas contradições.
Quase sempre, senão sempre, estas soluções reformistas são induzidas pela própria metrópole, como uma resposta nova que o processo histórico lhe impõe, no sentido de manter sua hegemonia.”
“façamos as reformas, antes que as sociedades dependentes façam a revolução”
“Queremos referir-nos ao momento de constituição da liderança revolucionária e algumas de suas consequências básicas, de caráter histórico e sociológico, para o processo revolucionário.”
“Em um dado momento de sua experiência existencial, em certas condições históricas, estes, num ato de verdadeira solidariedade (pelo menos assim se deve esperar), renunciam à classe à qual pertencem e aderem aos oprimidos.” Cfr. Guzmán, Camilo, el cura guerrillero, 1967.
EM CASO DE ÊXITO INICIAL: “Há uma empatia quase imediata entre as massas e a liderança revolucionária. O compromisso entre elas se sela quase repentinamente. Sentem-se ambas, porque coirmanadas na mesma representatividade, contradição das elites dominadoras. § Daí em diante, o diálogo entre elas se instaura e dificilmente se rompe. Continua com a chegada ao poder, em que as massas realmente se sentem e sabem que estão.”
Lukács, Histoire et conscience de classe, 1960.
“A liderança de Fidel Castro e de seus companheiros, na época chamados de ‘aventureiros irresponsáveis’ por muita gente, liderança eminentemente dialógica, se identificou com as massas submetidas a uma brutal violência, a da ditadura de Batista.
Com isto não queremos afirmar que esta adesão se deu tão facilmente. Exigiu o testemunho corajoso, a valentia de amar o povo e por ele sacrificar-se. Exigiu o testemunho da esperança nunca desfeita de recomeçar após cada desastre, animados pela vitória que, forjada por eles com o povo, não seria apenas deles, mas deles e do povo, ou deles enquanto povo.
Fidel polarizou pouco a pouco a adesão das massas que, além da objetiva situação de opressão em que estavam, já haviam, de certa maneira, começado, em função da experiência histórica, a romper sua ‘aderência’ com o opressor.”
“Daí que Fidel jamais se haja feito contradição delas. Uma ou outra deserção, uma ou outra traição registradas por Guevara no seu Relatos de la Guerra Revolucionaria, em que se refere às muitas adesões também, eram de ser esperadas.”
“Quase nunca, porém, a liderança revolucionária percebe que está sendo contradição das massas. § Realmente, é dolorosa esta percepção e, talvez por um mecanismo de defesa, ela resista em percebê-lo. § Afinal, não é fácil à liderança, que emerge por um gesto de adesão às massas oprimidas, reconhecer-se como contradição exatamente de com quem aderiu.”
“Na hipótese em que as contradiz, ao buscar esta adesão e ao surpreender nelas um certo alheamento, uma certa desconfiança, pode tomar esta desconfiança e aquele alheamento como se fossem índices de uma natural incapacidade delas. (…) E, como precisa de sua adesão à luta para que possa haver revolução, mas desconfia das massas desconfiadas, se deixa tentar pelos mesmos procedimentos que a elite dominadora usa para oprimir.”
“Em seu diário sobre a luta na Bolívia, o comandante Guevara se refere várias vezes à falta de participação camponesa, afirmando textualmente: ‘La mobilización campesina es inexistente, salvo en las tareas de información que molestan algo, pero no son muy rápidos ni eficientes; los podremos anular’. E em outro momento: ‘Falta completa de incorporación campesina aunque nos van perdiendo el miedo y se logra la admiración de les campesinos. Es una tarea lenta y paciente.’” Cfr. El diário de Che en Bolívia
“Por esta razão é que afirmamos antes ser tão paradoxal que a elite dominadora problematize as relações homens-mundo aos oprimidos, quanto o é que a liderança revolucionária não o faça.”
(*) Buber, Yo y tú
(*) Mikel Dufrenne, Pour l’homme, 1968.
(*) John Gerassi, A invasão da América Latina, 1965.
“o eu e o tu passam a ser, na dialética destas relações constitutivas, dois tu que se fazem dois eu.”
“O diálogo, que é sempre comunicação, funda a colaboração. Na teoria da ação dialógica, não há lugar para a conquista das massas aos ideais revolucionários, mas para a sua adesão.”
“Adesão conquistada não é adesão porque é aderência do conquistado ao conquistador através da prescrição deste àquele.” “A adesão verdadeira é a coincidência livre de opções.”
“A confiança das massas na liderança implica a confiança que esta tenha nelas. Esta confiança nas massas populares oprimidas, porém, não pode ser uma confiança ingênua. § A liderança (…) há de desconfiar, sempre desconfiar, da ambigüidade dos homens oprimidos. § Desconfiar dos homens oprimidos, não é, propriamente, desconfiar deles enquanto homens, mas desconfiar do opressor ‘hospedado’ neles. § Desta maneira, quando Guevara chama a atenção ao revolucionário para a ‘necessidade de desconfiar sempre — desconfiar do camponês que adere, do guia que indica os caminhos, desconfiar até de sua sombra’, não está rompendo a condição fundamental da teoria da ação dialógica. Está sendo, apenas, realista.”
“a confiança, ainda que básica ao diálogo, não é um a priori deste, mas uma resultante do encontro em que os homens se tornam sujeitos da denúncia do mundo, para a sua transformação. § Daí que, enquanto os oprimidos sejam mais o opressor ‘dentro’ deles que eles mesmos, seu medo natural à liberdade pode levá-los à denúncia, não da realidade opressora, mas da liderança revolucionária.” Ah, gado brasileiro – que queres? Preferes não ter nem pão nem liberdade, és o último dos fachos!O amedrontado de Dostoievsky, ao menos, recusava a liberdade para devorar seu pão diário…Tu, brasileiro do século XXI, minoria recalcitrante, és o mais vil dos párias rastejantes, um famélico agrilhoado e de olhar cinza, incendiário que tem medo do próprio fogo. Inconscientemente, tens medo de sobreviver a uma guerra, a ter de posicionar-se nesse mundo frívolo – por isso aceitas (apressas-te a, em verdade) ir à Ucrânia ou Israel, pois preferes a morte a questionar-te a ti mesmo!
“Algumas vezes, no seu relato, ao reconhecer a necessidade da punição ao que desertou para manter a coesão e a disciplina do grupo, reconhece também certas razões explicativas da deserção. Uma delas, diremos nós, talvez a mais importante, é a ambiguidade do ser do desertor.”
“A guerrilha e o campesinato, continua, se iam fundindo numa só massa, sem que ninguém possa dizer em que momento se fez intimamente verídico o proclamado e fomos partes do campesinato.”
“Veja-se como um líder como Guevara, que não subiu a Sierra com Fidel e seus companheiros à maneira de um jovem frustrado em busca de aventuras, reconhece que a sua ‘comunhão com o povo deixou de ser teoria para converter-se em parte definitiva de seu ser’ (no texto: nosso ser).”
“Não há vida sem morte, como não há morte sem vida, mas há também uma ‘morte em vida’. E a ‘morte em vida’ é exatamente a vida proibida de ser vida. Acreditamos não ser necessário sequer usar dados estatísticos para mostrar quantos, no Brasil e na América Latina em geral, são ‘mortos em vida’, são ‘sombras’ de gente, homens, mulheres, meninos, desesperançados e submetidos a uma permanente ‘guerra invisível’ em que o pouco de vida que lhes resta vai sendo devorado pela tuberculose, pela esquistossomose, pela diarréia infantil, por mil enfermidades da miséria, muitas das quais a alienação chama de ‘doenças tropicais’…”
(Parênteses não inteiramente fora de contexto, já que Freire cita muitos. Não sei de onde os latino-americanos tiraram que padres conduziriam qualquer revolução por aqui – ou que suas opiniões a respeito eram de relevo! Uma coisa de época, imagino…)
UNIR PARA NÃO CONQUISTAR, O PARADIGMA MAIS DIFÍCIL DA CIÊNCIA POLÍTICA ATÉ AQUI:“a liderança se obriga ao esforço incansável da união dos oprimidos entre si, e deles com ela, para a libertação.” Tem de ser muito corajoso para ser revolucionário num mundo em que as desistências são freqüentes, múltiplas e diárias. Os senhores só desonrariam nossas botas ao lambê-las.
“Se, para a elite dominadora, lhe é fácil, ou pelo menos não tão difícil, a práxis opressora, já não é o mesmo o que se verifica com a liderança revolucionária, ao tentar a práxis libertadora. Enquanto a primeira conta com os instrumentos do poder, a segunda se encontra sob a força deste poder. A primeira se organiza a si mesma livremente e, mesmo quando tenha as suas divisões acidentais e momentâneas, se unifica rapidamente em face de qualquer ameaça a seus interesses fundamentais.” Viva a hubris dos fracos no poder; sem ela, nenhum episódio revolucionário teria se verificado na História, apesar da inevitabilidade da decadência burguesa. O que se deu em Cuba, na Rússia, na China são eventos grandiosos, milenares.A conjunção da mais impecável união proletária com erros e estupidezes daqueles no comando em cada nação. A obscenidade que é ter em mãos a máquina do Estado, só para… perdê-la! Lembra-me a capacidade de gestão de um adolescente sem apoio enfrentando adultos competentes e com a cabeça no lugar… Quem diria que poderia vencer?!
“A própria situação concreta de opressão, ao dualizar o eu do oprimido, ao fazê-lo ambíguo, emocionalmente instável, temeroso da liberdade, facilita a ação divisória do dominador nas mesmas proporções em que dificulta a ação unificadora indispensável à prática libertadora. § Mais ainda, a situação objetiva de dominação é, em si mesma, uma situação divisória. Começa por dividir o eu oprimido na medida em que, mantendo-o numa posição de ‘aderência’ [pejorativo; apenas risca a superfície] à realidade, que se lhe afigura como algo todo-poderoso, esmagador, o aliena a entidades estranhas, explicadoras deste poder.” Como os imbecis do 8 de janeiro perderam qualquer noção dessa grandeza insondável do poder estatal… eis algo que me assombra, e deveria assombrar a teoria do conhecimento em si!Os multi-coloridos que bailaram sobre cacos de vidro… sentindo-se em Paris. Sim, tivemos nossa efêmera revanche, quando os fascistas não tinham mais o poder e então tiveram de se agitar como ovelhas a fim da mais vã tentativa de recuperá-lo! Não poderiam saber que era vã, é claro… Financiamento algum gera resultado sem organização, paixão, sabedoria.
“Parte de seu eu se encontra na realidade a que se acha ‘aderido’, parte fora, na ou nas entidades estranhas, às quais responsabiliza pela força da realidade objetiva, frente à qual nada lhe é possível fazer. Daí que seja este, igualmente, um eu dividido entre o passado e o presente iguais e o futuro sem esperança que, no fundo, não existe.”
AGORA, AQUI & SEMPRE: “Um eu que não se reconhece sendo, por isto que não pode ter, no que ainda vem, a futuridade que deve construir na união com outros.”
“É necessário desideologizar.”Janela de oportunidade e ao mesmo tempo o momento mais perigoso para os oprimidos. Intervalo entre ideologias que é o céu e inferno de nossas aspirações e frustrações.
“Contra burguês, vote 16”: a sloganização risível de um movimento que se quer revolucionário. Revolução e horário político como antípodas perfeitos. “É que este, distorcendo a relação autêntica entre o sujeito e a realidade objetiva, divide também o cognoscitivo do afetivo e do ativo que, no fundo, são uma totalidade não-dicotomizável.” (Não sei por que P.F. grifou apenas dos do tripé – esses itálicos cognoscitivo e ativo não são meus! –, sendo conhecimento teórico e ação os eixos da práxis, deixando de fora – do sublinhado apenas, mas isso me causa estranhamento! –, no entanto, o afeto, as emoções, a razão real, por assim dizer.)
“Propor a um camponês europeu, como um problema, a sua condição de homem, lhe parecerá, possivelmente, algo estranho. Já não é o mesmo fazê-lo a camponeses latino-americanos, cujo mundo, de modo geral, se ‘acaba’ nas fronteiras do latifúndio, [cada latifúndio uma pequena Europa, aliás] cujos gestos repetem, de certa maneira, os animais e as árvores e que, ‘imersos’ no tempo, não-raro se consideram iguais àqueles.” A verdade é que todos nós depositávamos fichas demais nos europeus. Está mais perto do que imaginávamos o total ocaso da Europa!
“Ação cultural, cuja prática para conseguir a unidade dos oprimidos vai depender da experiência histórica e existencial que eles estejam tendo, nesta ou naquela estrutura.” Faltou a Paulo Freire ser um pouco mais anti-cristão. É isso o que a igreja faz com o passar dos séculos: torna trabalhadores em pedras.
De manipulação e progresso para ordem e progresso (no legítimo sentido da palavra ordem)
testemunho, esforço comum
anti-dirigismo
REGIONALISMO OU PONTO FOCAL NA ECLOSÃO DA REVOLUÇÃO QUE TEM DE SER POR NECESSIDADE GLOBAL: “Sendo históricas estas dimensões do testemunho, o dialógico, que é dialético, não pode importá-las simplesmente de outros contextos sem uma prévia análise do seu. A não ser assim, absolutiza o relativo e, mitificando-o, não pode escapar a alienação.” O britânico bem podia “copiar” Marx (apenas figurativamente, pois a práxis nunca copia),¹ mas os russos tiveram de adaptar o conteúdo crítico às próprias condições; como a Iugoslávia e demais países do Leste; como Cuba; como a China, ao romper com o Stalinismo. Como a própria Coréia do Norte, se se quiser pensá-la como projeto socialista-dinástico (um culto à personalidade à Soviética, porém com suas próprias características).
¹ Marx era alemão mas estudou principalmente o capitalismo inglês, o mais avançado em seu tempo de vida.
“a existência como um risco permanente, a radicalização”A radicalização se tornou o único caminho quando o “normal” é a deterioração climática do planeta e a ascensão de bilionários loucos desconexos de qualquer cosmovisão, brincando com a vida de bilhões de humanos. Não é mais necessária tanta coragem assim.
atu(r)ar[,] na massa[,] [é ignorar, relevar, insistir em quebrar] todos os seus defeitos.
“Um testemunho que, em certo momento e em certas condições, não frutificou, não está impossibilitado de, amanhã, vir a frutificar.”
o diálogo revolucionário vicia. torna-se doloroso voltar à manipulação uma vez que se entende o processo. por isso é um ‘ato imparável’, e a soma de atos dos indivíduos revolucionários, e das massas aderentes, têm necessariamente de se perpetuar no tempo-espaço até sua realização. não existe o aborto final ou definitivo das tentativas pela classe dos opressores, que em dado momento ‘perde o trilho’, e cai como peças de dominó.
Como insinuado acima pelo lema da bandeira nacional, há ordem e há ordem (a ordem de quartel e a ordem das ruas, a ordem da morte em vida contra a ordem biófila): “Se, para a elite dominadora, a organização é a de si mesma, para a liderança revolucionária, a organização é a dela com as massas populares.”
disciplina & disciplina
anarquismo: fora de questão
a pronúncia inicial (talvez seja a denúncia, mas não estou seguro se apreendi os conceitos freireanos nesse grau de qualidade) sempre será proibida. e daí? o mundo é feito de pronúncias em sucessão. há pronúncias tão coletivas que amedrontam os maiores conglomerados de donos dos meios de produção.
diálogo não implica licenciosidades, exceções, procrastinações: dar “direitos demais” à massa, direitos que, enquanto agregado de homens, ela não tem, pois se justapõem aos interesses de classe.
“A teoria dialógica da ação nega o autoritarismo como nega a licenciosidade. E, ao fazê-lo, afirma a autoridade e a liberdade.” Uma tática do neofascismo que se tornou clichê é associar toda organização revolucionária ao libertinismo ou à balbúrdia. Os fascistas podem se alongar muito neste tema, já que entendem como ninguém destes assuntos. Aliás, houve a apropriação para a própria causa do termo “libertário”, que antes descrevia um progressista radical (há 1, 2 séculos, em outros regiões do mundo). Hoje, e aqui, e nos EUA, libertário, libertarianismo, significa uma coisa só: Fascismo da iniciativa privada.Libertinagem no sentido mais imoral da pecúnia.
liberdade&autoridade, e não liberdade vs. autoridade
GENERAIS NÃO SABEM DISSO (nunca confiam plenamente em seus subordinados – nunca confiam em si mesmos, pois já foram ‘o subordinado’): “É por isto que a verdadeira autoridade não se afirma como tal na pura transferência, mas na delegação ou na adesão simpática.”
autoridade X autoritarismo
O pacto da pornochanchada é um indício de que o autoritarismo tupiniquim já estava molenga. O “pau duro” participava do “pão e circo” do povo, que se fingia de cego, mas os militares e seu abrandamento covarde não era menos dissimulado (‘deixai passar…’)
“Em todo o corpo deste capítulo se encontra firmado, ora implícita, ora explicitamente, que toda ação cultural é sempre uma forma sistematizada e deliberada de ação que incide sobre a estrutura social, ora no sentido de mantê-la como está ou mais ou menos como está, ora no de transformá-la.”
“A ação cultural ou está a serviço da dominação — consciente ou inconscientemente por parte de seus agentes — ou está a serviço da libertação dos homens.”
PRIMEIRAS RACHADURAS NA TORRE DOS <QUE MANDAM>: “Daí que estes, não aceitando jamais a transformação da estrutura, que supere as contradições antagônicas, aceitem as reformas que não atinjam seu poder de decisão”
“Enquanto, na invasão cultural, [o colonizador, externo ou não – pois o colonizador da mesma nacionalidade é apenas um alienígena que ganha a tarimba de ‘nacional’] os atores — que nem sequer necessitam de, pessoalmente, ir ao mundo invadido,[segue atualíssimo em 2023] sua ação é mediatizada cada vez mais pelos instrumentos tecnológicos — são sempre atores que se superpõem, com sua ação, aos espectadores, seus objetos; na síntese cultural, [revolucionária, não-alienígena] os atores se integram com os homens do povo, atores, também, da ação que ambos exercem sobre o mundo.”
expectadores de nós mesmos
“Desta maneira, este modo de ação cultural, como ação histórica, se apresenta como instrumento de superação da própria cultura alienada e alienante.” Só se pode destruir e criar a cultura culturalmente. “Neste sentido é que toda revolução, se autêntica, tem de ser também revolução cultural.”
“Daí que não seja possível dividir, em dois, os momentos deste processo: o da investigação temática e o da ação como síntese cultural.” “Esta dicotomia implicaria que o primeiro seria todo ele um momento em que o povo estaria sendo estudado, analisado, investigado, como objeto passivo dos investigadores, o que é próprio da ação antidialógica. Deste modo, esta separação ingênua significaria que a ação, como síntese, partiria da ação como invasão.” O velho mote ‘o brasileiro precisa ser estudado’ (justo por quem… pela NASA!) se converte no muito mais salutar: ‘o brasileiro precisa ser o Sócrates de si mesmo e dos demais e se unir em um mesmo estrado (falando de palco, já que foram citados atores da revolução ou da contra-revolução, acima), em uma mesma classe, em igualdade, numa relação de-homem-para-homem’. Torna-te aquilo que tu és como um slogan (não-entendido pejorativamente) revolucionário – contra a intenção original de Nietzsche (pelo menos no que toca à forma dessa transvaloração).
Tornar implica de antemão conhecer; conhecer é fraco, implica resignar-se, se não houver um acréscimo à frase da sibila Conhece-te a ti mesmo. Para quê? Para perceber as próprias limitações, dir-se-ia num sentido epistemológico. Mas aqui se trata do saber dialético, da práxis, e este conhecer deveria ser já uma ação, ou seria sempre um autoconhecimento distorcido e individualista. Tornar-se quem se é como lema-resumo da luta de um povo é perfeito para conotar a luta revolucionária para inverter o quadro de opressor-oprimido. Quem é o homem senão aquele que pode modificar o próprio destino?
“clima da criatividade”
O mito americano do alienígena (vida fora da Terra que nos visita ou invade) é um grito de socorro disfarçado: nem eles próprios se agüentam como dominadores. Claro, os alienígenas, na ficção (e onde mais, quando falamos aqui literalmente de seres extra-terrenos?), estão sempre em conluio com os poderosos, a Casa Branca, etc., confundem-se com eles. A ufologia é a última saída dos oprimidos da nação que menos aceita a revolução na superfície da Terra: uma nova religião recrudescedora dos males que intentaria de bom grado extirpar! Como esses sofredores inconscientes do dia-a-dia gostariam de ser abduzidos para não mais ter de servir de bucha de canhão ao governo americano! E isso que estamos falando do folclore do branco classe-média; o que dizer dos mais cruelmente afetados pelas políticas ianques fora de seu território, e dos negros? Eles são muito mais inteligentes, passaram por uma luta social de libertação racial antes. Não se apegam a ninharias, bobajadas hollywoodianescas. Porém, tudo isso não deixa de ser sintomático: os próprios “senhores da guerra” (Warlords) estão cansados de comandar as guerras… querem delegar essa difícil e árdua tarefa da manipulação constante a SERES EXÓTICOS, não-humanos (e daí que se identifiquem com eles: atualmente não passam de coisas, máquinas de destruição em massa, autômatos sem redenção).
Tudo, do topo (após a derrubada do opressor) à classe popular, incluindo aí a classe média, mais do que cooptável, termo chulo… conversível, termo mais sincero, pode ser integrado e sintetizado em prol da revolução… E também os camponeses, que consideramos a base. Mas a real base, a degradação humana que já não nos permite redimi-los como coisas-homens, o lumpenproletariado, este deve ser rechaçado ou controlado. Talvez seja um mal necessário e eterno. Mas ele é um fator de pura desagregação, e deve ser tratado como se trataria o opressor: impossível contorná-lo, dialogar com ele. Só resta o uso da força, neste caso preciso. A nova sociedade não é dos opressores antigos incapazes de se integrar, como não é da massa falida que jamais aderiria à revolução, que já tem o opressor dentro de seu coração, fincado até o dia de sua morte.
“as suas crenças religiosas, [do povo] quase sempre sincréticas, o seu fatalismo, a sua reação rebelde.” Isto significa: passíveis de transformação (quanto ao credo religioso).
“em nome do respeito [unilateral] à visão popular do mundo, respeito que realmente deve haver, terminaria a liderança revolucionária apassivada àquela visão.”
“Se, em um dado momento histórico, a aspiração básica do povo não ultrapassa a reivindicação salarial, a nosso ver, a liderança pode cometer dois erros. (I) Restringir sua ação ao estímulo exclusivo desta reivindicação, (II) ou sobrepor-se a esta aspiração, propondo algo que está mais além dela. [inserção dum ‘além’ no mundo secular: um dia as contradições serão abolidas e o Estado autodissolvido – até lá, por favor agüentem, suportem a miséria]” O povo quer salário e cultura já é uma boa frase: o povo quer salário, liberdade de escolha no consumo – e uma nova pedagogia, pois isto que é cultura, não a cultura alienada do opressor (ainda que no marco zero o povo não tenha ciência disso).
“No primeiro caso, incorreria a liderança revolucionária no que chamamos de adaptação ou docilidade à aspiração popular. [neste caso, sujeito perpetuamente à perda instantânea do poder, provisório, pois nem venceu em definitivo os opressores como nem sequer conquistou a adesão genuína das massas – equilíbrio precário] No segundo, desrespeitando a aspiração do povo, cairia na invasão cultural [reiteração da dominação sob novos avatares].”
“Ter a consciência crítica de que é preciso ser o proprietário de seu trabalho e de que ‘este constitui uma parte da pessoa humana’ e que a ‘pessoa humana não pode ser vendida nem vender-se’ é dar um passo mais além das soluções paliativas e enganosas.”
“Parece-nos, contudo, que o fato de não termos tido uma experiência no campo revolucionário [no Brasil] não nos retira a possibilidade de uma reflexão sobre o tema.” Brasil XX (é daqui que Paulo Freire parte) – Alemanha XIX (foi daqui que Marx e Engels partiram).
1.1 DESCRIPTION DES PHÉNOMÈNES PROVOQUÉS PENDANT L’ÉTAT CATALEPTIQUE
1.2 INTERPRÉTATION MÉCANIQUE OU PHYSIQUE DE CES PHÉNOMÈNES
1.3 INTERPRETATIONS PSYCHOLOGIQUES. — LA CATALEPSIE ASSIMILÉE AU SOMNAMBULISME.
1.4 UNE FORME RUDIMENTAIRE DE LA CONSCIENCE. — LA SENSATION ET L’IMAGE ISOLÉES.
1.5 LA NATURE DE LA CONSCIENCE PENDANT LA CATALEPSIE
2. L’OUBLI ET LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES
2.1 LES DIFFÉRENTS CARACTÈRES QUI ONT ÉTÉ PROPOSÉS POUR RECONNAÎTRE LE SOMNAMBULISME
2.2 CARACTÈRES ESSENTIELS DU SOMNAMBULISME : L’OUBLI AU RÉVEIL ET LA MÉMOIRE ALTERNANTE
2.3 VARIÉTÉS ET COMPLICATIONS DE LA MÉMOIRE ALTERNANTE
2.4 ÉTUDE SUR UNE CONDITION PARTICULIÈRE DE LA MÉMOIRE ET DE L’OUBLI DES IMAGES
2.5 UNE CONDITION DE LA MÉMOIRE ET DE L’OUBLI POUR LES PHÉNOMÈNES COMPLEXES
2.6 INTERPRÉTATION DE L’OUBLI AU RÉVEIL APRÈS LE SOMNAMBULISME
2.7 LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES : MODIFICATIONS SPONTANÉES DE LA PERSONNALITÉ
2.8 LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES. — LES CHANGEMENTS DE PERSONNALITÉ DANS LES SOMNAMBULISMES ARTIFICIELS.
2.9 IMPORTANCE RELATIVE DES DIVERSES EXISTENCES SIMULTANÉES
2.10 L’ANESTHÉSIE ET LA PARALYSIE
2.11 LES PARALYSIES ET LES CONTRACTURES EXPLIQUÉES PAR LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
2.12 CONCLUSION
3. LA SUGGESTION ET LE RÉTRÉCISSEMENT [RECOLHIMENTO] DU CHAMP DE LA CONSCIENCE
3.1 RÉSUMÉ HISTORIQUE DE LA THÉORIE DES SUGGESTIONS
3.2 DESCRIPTION DE QUELQUES PHÉNOMÈNES PSYCHOLOGIQUES PRODUITS PAR SUGGESTION
3.3 DIVERSES THÉORIES PSYCHOLOGIQUES SUR LA SUGGESTION
3.4 L’AMNÉSIE ET LA DISTRACTION
3.5 LE RÉTRÉCISSEMENT DU CHAMP DE LA CONSCIENCE
3.6 INTERPRÉTATION DES PHÉNOMÈNES DE SUGGESTION. – LE RÈGNE DES PERCEPTIONS.
3.7 CONCLUSION
DEUXIÈME PARTIE. AUTOMATISME PARTIEL
1. LES ACTES SUBCONSCIENTS
1.1 LES CATALEPSIES PARTIELLES
1.2 LA DISTRACTION ET LES ACTES SUBCONSCIENTS
1.3 LES SUGGESTIONS POSTHYPNOTIQUES. HISTORIQUE ET DESCRIPTION.
1.4 EXÉCUTION DES SUGGESTIONS PENDANT UN NOUVEL ÉTAT SOMNAMBULIQUE
1.5 EXÉCUTION SUBCONSCIENTE DES SUGGESTIONS POSTHYPNOTIQUES
1.6 CONCLUSION
2. LES ANESTHÉSIES ET LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES
2.1 LES ANESTHÉSIES SYSTÉMATISÉES – HISTORIQUE
2.2 PERSISTANCE DE LA SENSATION MALGRÉ L’ANESTHÉSIE SYSTÉMATISÉE
2.3 ÉLECTIVITÉ OU ESTHÉSIE SYSTÉMATISÉE
2.4 ANESTHÉSIE COMPLÈTE OU ANESTHÉSIE NATURELLE DES HYSTÉRIQUES
2.5 DIFFÉRENTES HYPOTHÈSES RELATIVES AUX PHÉNOMÈNES D’ANESTHÉSIE
2.6 LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
2.7 LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES
2.8 LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES COMPARÉES AUX EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES
3. DIVERSES FORMES DE LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
3.1 LA BAGUETTE DIVINATOIRE. – LE PENDULE EXPLORATEUR. – LA LECTURE DE PENSÉES.
3.2 RÉSUMÉ HISTORIQUE DU SPIRITISME
3.3 HYPOTHÈSES RELATIVES AU SPIRITISME
3.4 LE SPIRITISME ET LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
3.5 COMPARAISON DES MÉDIUMS ET DES SOMNAMBULES
3.6 LA DUALITÉ CÉRÉBRALE COMME EXPLICATION DU SPIRITISME
3.7 DE LA FOLIE IMPULSIVE
3.8 LES IDÉES FIXES. – LES HALLUCINATIONS.
3.9 LES POSSESSIONS
4. LA FAIBLESSE ET LA FORCE MORALES
4.1 LA MISÈRE PSYCHOLOGIQUE
4.2 LES FORMES INFÉRIEURES DE L’ACTIVITÉ NORMALE
4.3 LE JUGEMENT ET LA VOLONTÉ
4.4 CONCLUSION
CONCLUSION (général)
APPENDICE
ÍNDICE DE OBRAS RECOMENDADAS, ORDENADAS PELA PRIORIDADE DA LEITURA
GLOSSAIRE (glossário francês)
INTRODUCTION
“C’est l’activité humaine dans ses formes les plus simples, les plus rudimentaires, qui fera l’objet de cette étude.”
“une poupée mécanique qui marche seule sera dite un automate, une pompe [bomba de ar] que l’on fait mouvoir à l’extérieur ne pourra pas en être un.” “Or, les premiers efforts de l’activité humaine ont précisément ces 2 caractères: ils sont provoqués et non pas crées par les impulsions extérieures; ils sortent du sujet lui-même, et cependant ils sont si réguliers qu’il ne peut être question à leur propos du libre arbitre réclamé par les facultés supérieures. Mais on ajoute ordinairement au mot automatique un autre sens que nous n’acceptons pas aussi volontiers. Une activité automatique est, pour quelques auteurs, non seulement une activité régulière et rigoureusement déterminée, mais encore une activité puremente mécanique et absolument sans conscience. Cette interprétations a été l’origine de confusions nombreuses, et beaucoup de philosophes se refusent à reconnaître dans l’esprit humain un automatisme, qui est cependant réel et sans lequel beaucoup de phénomènes sont inexplicables, parce qu’ils se figurent qu’admettre l’automatisme, c’est supprimer la conscience et réduire l’homme à un pur mécanisme d’élements étendus et insensibles. Nous croyons que l’on peut admettre simultanément et l’automatisme et la conscience, et par là donner satisfaction à ceux qui constatent dans l’homme une forme d’activité élémentaire tout à fait déterminée, comme celle d’un automate, et à ceux qui veulent conserver à l’homme, jusque dans ses actions les plus simples, la conscience et la sensibilité. En d’autres termes, il ne nous semble pas que, dans un être vivant, l’activité qui se manifeste au dehors par le mouvement puisse être séparée d’une certaine forme d’intelligence et de conscience qui l’accompagne au dedans, et notre but est de démontrer non seulement qu’il y a une activité humaine méritant le non d’automatique, mais encore qu’il est légitime de l’appeler un automatisme psychologique.
Les philosophes qui ont consideré l’activité comme un phénomène psychologique, mais qui ne l’ont examinée que dans ses manifestations les plus parfaites, l’ont séparée très nettement des autres phénomènes de l’esprit et l’ont considérée comme une faculté particulière distincte de l’intelligence et de la sensibilité.” Teoria do elo perdido : ver « solução » na conclusão.
“L’unité et la systématisation nous semblent être le terme et non le point de départ de la pensée, et l’automatisme que nous étudions se manifeste souvent par des sentiments et des actions multiple et indépendantes les unes des autres, avant de céder la place à la volonté une et personnelle.”
Lange, Histoire du matérialisme, 1877, II.
“Stuart Mill, quand il soutient contre Auguste Comte la légitimité d’une psychologie scientifique, ne répond pas que d’une manière embarrassée à cette difficulté” “Il faut admettre pour le moral ce grand principe universellement admis pour le physique depuis Claude Bernard, c’est que les lois de la maladie sont les mêmes que celles de la santé et qu’il n’y a dans celle-là que l’exagération ou la diminution de certains phénomènes qui se trouvaient déjà dans celle-ci. Si l’on connaissait bien les maladies mentales, il ne serait pas difficile d’étudier la psychologie normale.”
“On ne fait de véritables expériences psychologiques que si l’on modifie artificiellement l’état de la conscience d’une personne d’une manière déterminée et calculée d’avance. Moreau de Tours, l’un des plus philosophes parmi les aliénistes, prétendit arriver à ce résultat au moyen de l’ivresse procurée par le haschich.¹ Tout en partageant ce désir d’expérimentation psychologique que Moreau est l’un des premiers à exprimer, je n’apprécie guère le procédé qu’il a employé. (…) j’aí trouvé que la perturbation physique causée par cette sustance était bien grave et bien dangereuse pour un assez maigre résultat psychologique.”
¹ Leitura fortemente indicada, apesar das críticas tecidas por Pierre Janet ao longo da obra, precursora em toda a psiquiatria.
“Déjà Maine de Biran, l’un des précurseurs de la psychologie scientifique, dans ses nouvelles considérations sur le sommeil, les songes [daydreams] et le somnambulisme, insiste sur le parti que la psychologie pourrait tirer de l’étude de ces phénomènes”
“Nous ne discuterons pas ici la réalité du somnambulisme ni le danger de la simulation”
“Les sujets sur lesquels ces études ont été faite étaient presque tous, sauf des exceptions que nous signalerons, des femmes atteintes de maladies nerveuses plus ou moins graves, particulièrement de cette maladie très variable que l’on désigne sous le nom d’hystérie.”
“Il est nécessaire de les suivre pendant longtemps et avec beaucoup d’attention, <de les étudier non pas un instant mais à toutes les phases de leur maladie> (Despine)¹ pour savoir exactement dans quelles circonstances et dans quelles conditions on expérimente. En suite, en raison même de leur mobilité, ils subissent très facilement toutes les influences extérieures et se modifient très rapidemente suivant les livres qu’on leur laisse lire ou les paroles que l’on prononce imprudemment devant eux.” “Il est également impossible de constater aucun fait naturel, si on les interroge en public, si on indique à des personnes présentes les expériences que l’on fait et les résultats que l’on attend. Il faut les étudier souvent et il faut toujours expérimenter seul”
¹ « La famille Despine, que l’on trouve également écrit sous les formes d’Espine, de Lepine, de Lespine, de l’Espine, est une ancienne famille savoyarde de notables, originaire des Bauges, dont la filiation est prouvée depuis le XVIe siècle. »wiki
Este é o Despine mais famoso, Prosper Pierre (ver seção BIBLIOGRAFIA).
PREMIÈRE PARTIE. AUTOMATISME TOTAL
1. LES PHÉNOMÈNES PSYCHOLOGIQUES ISOLÉS
“Eh bien, l’expérience que rêvait Condillac et qu’il ne pouvait essayer, il nous est possible aujourd’hui de la réaliser presque complètament.” “C’est la maladie nerveuse désignée le plus souvent sous le nom de catalepsie qui nous procurera ces suppressions brusque et complètes, puis ces restaurations graduelles de la conscience dont nous voulons profiter pour nos expériences.”
“La catalepsie, dit Saint-Bourdin, un des premiers auteurs qui ait fait une étude précise de cette maladie, est une affection du cerveau, intermittente, apyrétique, caractérisé par la suspension de l’entendement et de la sensibilité et par l’aptitude des muscles à recevoir et à garder tous les degrés de la contraction qu’on leur donne.”
“Il nous importera peu de savoir si tel ou tel trouble de la parole ou de l’écriture est produit par une tumeur, un foyer de ramollissement, un agent toxique. Les roues d’une montre, a dit Buzzard, peuvent aussi bien être errêtées par un cheveu que par un grain de sable, et le désordre qui surgit alors reste toujours le même, quelle que soit la cause qui l’ait produit.”
Ballet
“Sans doute une personne atteinte de catalepsie n’aura pas la simplicité idéale de la statue de Condillac (…) Mais une expérience réele, quand même elle présenterait quelque obscurité, vaut 100x mieux qu’une théorie simple, mais imaginaire.”
1.1 DESCRIPTION DES PHÉNOMÈNES PROVOQUÉS PENDANT L’ÉTAT CATALEPTIQUE
“Nous avons seulement recueilli la description de 2 crises naturelles, l’une observée à Paris à l’hôpital de la Pitié par mon frère Jules Janet,¹ l’autre qui a été produite par un coup de foudre sur un sujet que je connaissais, mais que je n’ai pas pu voir à ce moment. J’ai pu observer plus fréquemment des catalepsies artificielles, mais sur 3 sujets seulement.
[¹ Seu nome não está em vermelho porque sua contribuição é inexpressiva perto da do próprio Pierre, e se deu maciçamente em forma de artigos para revistas científicas.]
On pouvait quelquefois provoquer la catalepsie chez Lucie [histérica, ver mais detalhes no ANEXO ao final] en lui montrant brusquement une vive lumière de magnésium, ou bien en luis comprimant légèrement les yeux pendant le somnambulisme. La catalepsie survenait naturellement à de certains moments pendant le somnambulisme provoqué de Rose ou de Léonie.”
“Jamais une personne normale ne reste plusieurs minutes sans aucun mouvement; quelques mouvements des mains, des paupières, des lèvres, quelques légers frémissements de la peau manifestent toujours l’activité de la pensée et le sentiment des choses extérieures.”
“Les yeux eux-mêmes tout grands ouverts, sans aucun clignement des paupières, conservent avec fixité la même direction. En un mot, les mouvements de la vie organique, battements du pouls et respiration subsistent seuls, et tous les mouvements qui dépendent de la vie de relation et qui expriment la conscience sont supprimés. Si l’on n’intervient pas et surtout si on s’abstient de toucher le sujet, cet état persiste sans aucune modification pendant un temps plus ou moins long: on a vu des catalepsies naturelles durer des journées et des catalepsies artificielles se prolonger pendant plusieurs heures. Chez les sujets que j’ai pu étudier, cet état ne dure jamais longtemps et ne se prolonge pas plus d’un quart d’heure; il se modifie naturellement et cesse de présenter ce caractère de l’absolue inertie morale.”
a.“La continuation, la persistance de toutes les modifications que l’on peut produire dans l’état du sujet. – Si l’on touche les membres, on s’aperçoit qu’ils sont extrêmement mobiles et pour ainsi dire légers, qu’ils n’offrent aucune résistance et que l’on peut très facilement les déplacer. Si on les abandonne dans une position nouvelle, ils ne retombent pas suivant les lois de la pesanteur, ils restent absolument immobiles à la place où on les a laissés. Les bras, les jambes, la tête, le tronc du sujet peuvent êtres mis dans toutes les positions même les plus étranges; aussi a-t-on comparé tout naturellement ces sujets à des mannequins de peintre que l’on plie dans tous les sens. Le visage même chez Léonie est susceptible d’être modifié de cette façon: ouvre-t-on la bouche, lève-t-on ou baisse-t-on les sourcils, la figure, comme un masque de cire, se laisse modeler et conserve son expression nouvelle; chez l’autres, les muscles de l’abdomen eux mêmes gardent l’empreinte de la main (Paul Richer, Hystéro-épilepsie).”
“au lieu de trembler, comme fait toujours et très rapidement le bras étendu d’un individu normal, les membres de ces personnes restent longtemps en l’air sans bouger; au lieu de produire una accélération et une modification du rythme respiratoire, comme cela arrive toujours chez l’homme normal, cette position fatigante du bras ne change en rien le mouvement lent de la poitrine. Ce n’est qu’au bout d’un temps assez long, une heure et plus, d’après certains auteurs, 20 ou 25 minutes, suivant les autres, que le bras commence à descendre à cause de la fatigue ou de l’usure musculaire, mais cette descente s’effectue très lentement et très réguliérement sans ces secousses et ces oscillations que l’on constate chez l’homme normal.”
« …Il luis parle, elle n’entend pas ; il la touche, elle ne paraît pas le sentir ; il lui lève un bras, le bras reste dans la position où il l’a mis; on dressa la malade debout, on pencha le col, on leva une jambe, tout garda la position donnée. »
« Chez d’autres malades, les corps est dans un tel état de rigidité que, si on les pousse, ils tombent sans changer d’attitude. » Chavo del 8.
b.« L’imitation ou la répétition.” “le sujet imite ordinairement avec sob bras gauche le mouvement que nous faisons avec le bras droit et ressemble à notre propre image dans un miroir. »
« écholalieou parole en écho. »
c.« Généralisation ou expression des phénomènes. » « syncinésie »
d.« Association des états les uns avec les autres. » « Je mets les mains de Léonie dans l’attitude de la prière et la figure prend une expression extatique. »
« Si on fait entendre une musique gaie devant le sujet, il rit, puis se met à danser ; une musique triste le fait pleurer. »
« Si on lui met un crayon dans la main, elle fait le geste d’écrire, mais ne fait que des barres indéfiniment »
« Un cataleptique naturel, étudié par Forestier,¹ mangeait avec avidité (vorabat) tout ce qu’on lui mettait dans la bouche. »
¹ Não encontrado.
1.2 INTERPRÉTATION MÉCANIQUE OU PHYSIQUE DE CES PHÉNOMÈNES
« Ces femmes immobiles, pareilles à des statues, sans résistance d’aucune sorte et sans parole, pensent-elles encore, ont-elles encore quelque conscience qui les rapproche de nous ? Il est permis d’en douter et de se demander si la vie organique qui semble subsister seule ne suffirait pas pour expliquer tous les phénomènes constatés. C’est l’explication que l’on trouverait dans les ouvrages d’Haidenhain.¹ (…) C’est aussi à cette opinion que se rattacherait l’aliéniste anglais Maudsley. C’est enfin la doctrine que l’on trouve exprimée et défendue de la manière la plus complète dans les ouvrages du Dr. Despine. » « Comme notre but dans cet ouvrage, si nous ne sommes pas trop ambitieux, est précisément de démontrer le contraire, nous devons insister sur l’étude des opinions du Dr. Despine qui semblent arrêter notre travail dès le début. »
¹ Não encontrado!
« Prétendre qu’une personne qui parle, résoud des problèmes, manifeste spontanément des sympathies et des antipathies, agit à sa guise et résiste souvent à nos ordres, n’a pas plus de conscience qu’une poupée mécanique, c’est remonter bien en arrière de la célèbre théorie des animaux-machines de Descartes. Car la conscience d’une somnambule est bien plus évidente que la conscience d’un chien et personne ne doute aujourd’hui de la conscience d’un chien. Mais, appliquée aux états cataleptiques, cette théorie ne laisse pas d’avoir quelque force, et, comme il faut toujours mettre les théories que l’on veut discuter dans leur meilleur jour, c’est en nous plaçant à ce dernier point de vue que nous étudierons la thèse du Dr. Despine. Nous espérons montrer que, même dans ce dernier cas, ses arguments ne sont pas suffisamment démonstratifs et laissent le champ libre à d’autres suppositions. »
« La plupart des preuves sont tirées du fait de l’oubli qui caractérise les phénomènes du somnambulisme et surtout ceux de la catalepsie » « D’une pareille définition de la conscience il résulte que s’il y a des actes que le moi ne s’attribue pas à lui-même, qu’il ne reconnaît pas avoir faits, ces actes n’ont pas dû être conscients. »
« Or il n’est pas d’état après lequel cet oubli soit plus caractéristique qu’après l’état cataleptique. Des somnambules ont pu quelquefois conserver une partie des souvenirs de leurs actions; mais les cataleptiques se réveillent de leur accès convaincus qu’il ne s’est rien passé d’anormal. »
« Ce même caractère se retrouve chez les individus qui ont été soumis à des inhalations d’éther ou de chloroforme. Quelles que soient les paroles qu’ait prononcées le patient, ‘son moi, son être conscient n’avait point participé à tout ce qui s’était passé, car le malade, bientôt revenu à lui, affirmait n’avoir rien senti, ignorer complètement qu’il avait été opéré ou pansé, qu’il avait proféré les paroles et qu’il avait accompli les actes; les réactions violentes dont on lui parlait, ces divers phénomènes étaient donc purement automatiques.’ »
« Cet oubli serait inexplicable, dit Despine, quand il s’agit des somnambules. Soit, il faudra chercher les raisons de cet oubli, qui peut-être seront fort difficiles à trouver; mais, quand même on ne pourrait pas toujours l’expliquer, l’oubli d’une chose qui a été réellement consciente n’en est pas moins une chose possible et très souvent réelle. » Seria uma maravilha eu passar todo o meu expediente ‘inconsciente’, hehe!
« Si, comme le dit un auteur anglais, un lecteur du Times est tué brusquement après sa lecture, il n’aura certainement pas de mémoire, faut-il en conclure que toute sa lecture aura été sans conscience ? » HAHAHA !
« Mais admettons pour un moment, ce qui paraît inadmissible, que l’oubli soit une preuve suffisante de l’absolue inconscience, est-il bien certain qu’il n’existe aucune mémoire des phénomènes cataleptiques ? Il est vrai que, au moins pour les sujets que j’ai étudiés, il n’y a jamais de souvenir quand ils rentrent dans l’état que par convention on appelle état de veille ou état normal. Mais un certain souvenir se manifeste d’abord dans les catalepsies suivantes par l’habitude qu’acquiert rapidement le sujet de faire avec plus de perfection les actes qu’on lui fait faire plus souvent. Ensuite, et cela est plus important, il existe chez ces mêmes individus certains états psychologiques, certains somnambulismes, puisque c’est encore le nom convenu, où le sujet retrouve parfaitement le souvenir de la catalepsie. » « Il est vrai que cette mémoire ne se retrouve que dans des somnambulismes très profonds et si difficiles quelquefois à obtenir qu’on les a longtemps ignorés. Nous reprendrons plus tard l’étude de ces somnambulismes »
TÓPICO FRASAL DE TODO O LIVRO, DE CERTO MODO: « Ainsi donc le souvenir, s’il reparaissait dans l’état normal, serait une bonne preuve de la conscience; mais, puisqu’il reparaît dans un autre état, il n’est plus qu’une preuve de l’automatisme physique. Cela ne prouve-t-il pas que le souvenir n’est une preuve ni de la conscience ni de l’inconscience et qu’il faut chercher en dehors de la mémoire des indications sur l’état des cataleptiques. »
« ‘Un apoplectique frappé à mort, sans sortir du coma où il était plongé, prenait sa montre au chevet de son lit et faisait sonner l’heure avec l’air d’une profonde attention.’ Cette observation ne prouve pas grand’chose, car d’un côté cet individu, au moment où il fit cet acte, n’était pas encore mort, et avait peut-être (nul ne peut prouver le contraire) quelque reste de conscience et, d’autre part, comme il mourut peu de temps après, il ne put jamais dire s’il avait senti ou non ce qu’il faisait. Dans un chapitre très intéressant, l’auteur énumère tous les actes accomplis par une grenouille décapitée, un triton coupé en deux, par les tronçons [parte, segmento] de la mante religieuse, etc., et il montre sans cesse que ces actes ressemblent parfaitement à ceux que l’intelligence consciente commande dans d’autres cas par les mêmes appareils, mais qu’ils doivent être faits sans conscience maintenant, parce que l’organe nécessaire à la conscience a été enlevé. »
« ‘Ce pouvoir intelligent manifesté par le tronçon inférieur, ne saurait dériver d’un moi, d’un être se sentant être; autrement il y aurait 2 êtres séparés chez cet animal : un pour le tronçon supérieur, lequel peut agir avec intelligence, et l’autre pour le tronçon inférieur. Or, cela n’est pas admissible dans l’état actuel de la science.’ Nous répondrons : pourquoi donc cela est-il inadmissible ?L’unité absolue du moi est une conclusion métaphysique,vraie peut-être, mais qui doit résulter des faits et non pas s’imposer à eux. » Células têm alma ? He he he
« M. Despine insiste sur le caractère inconscient de l’habitude : ce n’est pas l’intelligence qui retient un morceau de musique et qui l’exécute consciemment; l’artiste doit avoir son morceau ‘dans les doigts, dans la bouche’. » « Je n’insisterai pas sur la description de ces actes inconscients empruntés à la vie normale : l’auteur en décrit les détails avec un véritable talent psychologique, d’autant plus curieux qu’il refuse à ces faits tout caractère psychologique. »
« Ainsi les phénomènes du souvenir, le réveil des idées sous l’influence de l’association sont incontestablement des résultats de l’habitude; ils s’accomplissent néanmoins avec conscience. » Excelente refutação involuntária da associação de palavras psicanalítica.
attention vs. conscience
(o velho estribilho)
« Il faudrait maintenant prouver que ces actes inconscients pour nous sont inconscients en eux-mêmes. »
« Buffon a attribué aux molécules organiques coordonnées dans le corps animal des espèces de sensations matérielles étrangères à la pensée et au moi. » « La discussion de toutes ces théories, peut-être aventureuses, serait inutile et nous entraînerait trop loin; mais leur énoncé suffît pour faire comprendre qu’un acte habituel ou même organique n’est pas nécessairement inconscient parce qu’il est ignoré de moi. »
TÃO ROTUNDO E AO MESMO TEMPO TÃO OBSCURO:« En réalité, nous ne connaissons jamais directement qu’une seule conscience, c’est la nôtre au moment où nous la sentons; toute autre conscience n’est connue que par une induction ou une supposition. Personne ne pourra jamais démontrer mathématiquement que la personne qui me parle n’est pas une poupée mécanique à langage articulé, et les cartésiens raisonnaient rigoureusement en disant d’un chien blessé ‘Cela crie et ne sent rien.’ » « Or, nous supposons ordinairement l’existence de la conscience d’après 2 signes, la parole et les actions intelligemment coordonnées. Le premier signe, la parole, est considéré comme le plus décisif, et cela est juste ; mais il n’est qu’un cas plus complexe et plus parfait du second, un ensemble de mouvements plus compliqués et plus intelligemment coordonnés que les autres »
« Les cataleptiques ne parlent pas, cela est vrai, et nous aurons plus tard à revenir sur ce fait important, mais ils agissent intelligemment. Si je mets sur le bras étendu d’une cataleptique un poids de 2 kilos, les muscles du bras et ceux de tout le corps se tendent pour que le bras supporte le poids sans fléchir. Si je lui mets dans les mains une aiguille, l’ensemble des mouvements se coordonne d’une autre manière que si je mets les mains en prière. »
« ‘Plusieurs actes fort compliqués, intelligents, atteignant un but parfaitement déterminé et varié suivant les circonstances, actes ressemblant exactement à ceux que le moi commande… peuvent être automatiques.’ Despine(c’est-à-dire ici inconscients). »
« L’homme, disait Maudsley, dans le même sens, ne serait pas une plus mauvaise machine intellectuelle sans la conscience qu’avec elle. » Herzen, Le cerveau et l’activité cérébrale, 1887.
« En un mot, la conscience n’est qu’un accessoire, un épiphénomène dont l’absence ne dérange rien. On a, je ne sais pourquoi, attribué cette théorie à M. Ribot, qui cependant, avec d’excellents arguments, avait protesté contre elle (Maladies de la personnalité). »
« Que veut-on dire quand on parle ‘des raisonnements de la moelle et de l’intelligence du cerveau’ ? Rien autre chose sinon qu’il y a une autre conscience que la nôtre dans la moelle ou dans le cerveau, car un raisonnement sans conscience n’a absolument aucun sens. » « Le fait de la conscience nous paraît au contraire fort important dans la série des phénomènes organiques : sa présence ou son absence, comme on le verra de plus en plus, modifie considérablement les choses. »
1.3 INTERPRETATIONS PSYCHOLOGIQUES. — LA CATALEPSIE ASSIMILÉE AU SOMNAMBULISME.
« Les actes accomplis pendant la catalepsie sont sous la dépendance des phénomènes psychologiques : voilà une proposition qui semble bien simple, mais qui est susceptible d’interprétations fort différentes. »
« Je ne parlerai pas d’une interprétation facile, qui fut de mode bien longtemps. Elle consistait à rattacher tous les faits qu’on ne comprenait pas à une simulation volontaire et parfaitement consciente. C’est une idée complètement fausse de croire qu’une maladie psychologique ou même imaginaire soit toujours une maladie simulée,et d’ailleurs la catalepsie est de tous les phénomènes anormaux celui qui peut le moins être simulé. Mais, sans rattacher la catalepsie à une intelligence complète calculant ses ruses, on peut l’expliquer par une demi-intelligence comprenant les pensées de l’opérateur, se rendant compte de ses actes, sans avoir la force de s’y opposer; en un mot, on peut rapprocher la catalepsie du somnambulisme et expliquer tous ces actes par la suggession. »
« Pour mettre un membre en catalepsie, il n’est pas nécessaire d’ouvrir les yeux du sujet, ni de le soumettre à une lumière vive ou à un bruit violent, comme cela se fait à la Salpêtrière; il suffit de lever ce membre, de le laisser quelque temps en l’air, au besoin d’affirmer que le membre ne peut plus être baissé; il reste en catalepsie suggestive : l’hypnotisé dont la volonté ou le pouvoir de résistance est affaibli conserve passivement l’attitude imprimée. »
Bernheim; cf. aussi Liébault.¹
¹ Bernheim e Liébault já foram muito citados em posts anteriores de psiquiatria, principalmente Ellenberger, por isso não estão nesta BIBLIOGRAFIA de Janet, com exceção de 2 obras de Bernheim mais adiante, citadas nominalmente no livro.
« La catalepsie et le somnambulisme ne sont que des degrés l’un de l’autre, cela est incontestable, et nous verrons entre eux bien des intermédiaires » « Tâchons donc de préciser le degré où s’arrête la conscience des cataleptiques. » « Une somnambule n’exécute pas toujours le même acte de la même manière; elle le fait tantôt vite, tantôt lentement, tantôt avec bonne humeur, tantôt en protestant, tantôt d’une façon, tantôt d’une autre. Rien n’égale au contraire la régularité des cataleptiques : point de changement de caractère, point d’impressions extérieures qui les distraie ou les modifie; leurs gestes, leurs pas sont toujours mathématiquement les mêmes ; Léonie fera toujours le même nombre de pas en face et à droite pour aller communier, et elle se heurtera contre un mur sans avancer plutôt que de tourner à gauche. Une somnambule qui sera toujours capable d’adapter ses actes aux circonstances montre donc une tout autre intelligence. »
« le sujet ne sait pas parler. Il ne s’agit pas de la parole articulée qu’il possède quand il répète les sons dans l’écholalie, il s’agit du langage comme signe de la pensée. » Car, sinon, le perroquet saurait parler !
« Rose, dans certains sommeils profonds, avait la bouche plus ou moins paralysée, mais elle me répondait par un signe de la main qui voulait dire ‘oui’, ou un autre qui voulait dire ‘non’. Quand elle a un moment de catalepsie pendant la crise hystérique ou pendant le somnambulisme, elle ne me répond plus du tout par aucun signe, quoiqu’elle n’ait rien de paralysé, qu’elle puisse parler en écho ou répéter des gestes. »
« Peu importe d’ailleurs que l’on désigne l’état que j’ai décrit sous le nom de premier somnambulisme ou état de suggestibilité complète ; la seule chose importante, c’est de bien comprendre les modifications psychologiques des sujets dans cet état, car il n’y a absolument que des différences psychologiques pour distinguer tous les états. »
« Cette conscience est capable de sensations, mais incapable d’idées; capable d’entendre, mais incapable de comprendre.Il ne faudrait pas en conclure que l’on peut parler au hasard devant les cataleptiques sans aucun danger pour les expériences futures; elles peuvent retenir les paroles même sans les comprendre et si, comme nous le verrons plus tard, ce souvenir se réveille dans un état ultérieur plus intelligent, il sera alors compris et aura sa puissance suggestive. »
« Il résulte de ce fait que, tout en paraissant extrêmement inerte et docile, le sujet est en réalité peu maniable et obéit beaucoup plus à ses propres inspirations qu’à celles de l’opérateur. Si je montre Léonie jouant la scène de la communion que j’ai décrite, on croira qu’elle obéit à un commandement donné par moi. En réalité, je n’avais point commandé ni même prévu ce qu’elle allait faire, et la 1e fois j’en ai été fort surpris. Je sais maintenant par expérience qu’en mettant les mains de ce sujet dans une certaine position, puis en le laissant quelques minutes, je vais amener la scène de la communion. » « si je voulais (…) lui faire embrasser un crucifix avant la communion, je n’y réussirais point. » « je suis donc simple spectateur plutôt qu’acteur. »
« Aujourd’hui qu’il est de mode d’expliquer tout par la suggestion, comme autrefois par la simulation, on pourrait dire que tous ces caractères psychologiques de la catalepsie ont été appris au sujet qui a été dressé dans ce sens. Il serait dangereux de pousser à l’extrême ce raisonnement, qui deviendrait vite lui aussi une sorte d’argument paresseux. Mais il est juste d’en tenir compte; car, bien souvent sans doute, dans les milieux où les sujets sont nombreux et s’imitent les uns les autres, certains états réels chez un sujet ont pu être artificiels chez le second. Mais, pour les cas dont il s’agit ici, nous remarquerons que les sujets ne se connaissaient nullement les uns les autres et qu’il ne faut pourtant pas supposer les opérateurs assez naïfs pour avoir suggéré sans le savoir tous ces caractères positifs et négatifs de la catalepsie. »
« Je faisais un jour quelques expériences avec Lucie et une personne étrangères était présente : cette dernière circonstance me déplaisait fort, car il ne faut conserver avec soi que les personnes indispensables habituées à l’attitude qu’il faut avoir pendant des expériences de ce genre. Cette personne étrangère me posait sans cesse des questions fort embarrassantes; car, selon mon habitude, je ne voulais pas répondre devant le sujet; cependant un mot malheureux m’échappa: ‘Qu’est-ce que la catalepsie ?’demandait-on. ‘C’est un état où le sujet demeure immobile et laisse les membres dans la position où on les met.’ À peine avais-je dit ces mots que j’en eus du regret : ‘Désormais, pensai-je, il sera juste de dire qu’elle fait de la catalepsie suggesitive’, et je voulus vérifier de suite l’effet de mon imprudence. ‘Tenez, dis-je tout haut, quand je vais frapper dans mes mains, elle va tomber en catalepsie.’ Je frappe et voilà Lucie qui reste complètement immobile, les yeux grands ouverts : je soulève ses bras, ils restent en l’air, j’incline son corps, il demeure incliné. Etait-elle en catalepsie ? Il me fut facile de vérifier qu’aucun autre signe de la catalepsie, ni l’expression de la physionomie, ni l’imitation, ni l’écholalie ne pouvait être constaté, et surtout le sujet comprenait si bien la parole qu’il me suffît pour terminer l’affaire de lui dire : ‘C’est fini, tu n’es plus en catalepsie.’Eh bien ! qu’on essaye d’arrêter une véritable attaque de catalepsie, comme Lucie elle-même en avait eu, mais très rarement, en disant simplement au sujet que c’est fini, et on verra quelle différence il y a entre cet état de docilité suggestive, forme du petit sommeil hypnotique, et l’accès cataleptique véritable, pendant lequel la pensée est ramenée à un état tout à fait rudimentaire et qui est une des formes de la grande attaque hystéro-épileptique. »
1.4 UNE FORME RUDIMENTAIRE DE LA CONSCIENCE. — LA SENSATION ET L’IMAGE ISOLÉES.
« Certains philosophes, à l’exemple des cartésiens, se sont représenté la conscience comme quelque chose d’invariable et d’immuable sans nuances et sans degrés. Pour Descartes, la pensée existait complète avec le doute, la réflexion, le raisonnement et le langage, ou bien n’existait pas du tout et se trouvait remplacée par le mécanisme pur et simple, par l’étendue et le mouvement. Leibniz au contraire, dans cette philosophie profonde, à laquelle aujourd’hui toutes les sciences physiques et morales semblent nous ramener, avait une toute autre conception de la conscience. Il admettait un nombre infini de degrés et certaines de ces formes lui semblaient tellement inférieures à la pensée normale ‘que les esprits humains étaient comme de petits dieuxau prix d’elles’. C’est cette dernière théorie qu’il nous faut maintenant rappeler dans ses traits principaux, pour comprendre la possibilité des consciences inférieures et rudimentaires. Prenons la conscience humaine dans sa forme ordinaire et achevée et enlevons-lui successivement tous les perfectionnements qu’elle a acquis, mais qui ne lui sont pas essentiels. Tout le monde reconnaît qu’il faut séparer de la conscience vulgaire l’intelligence scientifique, cette faculté, qui existe chez tous les hommes à un degré plus ou moins élevé, d’expliquer et de comprendre les choses. »
« En effet, quand nous examinons les actions des autres hommes, nous sommes trop portés à leur prêter les idées et les raisonnements que nous faisons nous-mêmes pour interpréter leur conduite. Bien souvent nous croyons qu’un homme a agi avec intention, qu’il a calculé les conséquences de ses actions, qu’il a fait de ses idées un tout systématique relié par des rapports bien compris, tandis qu’en réalité cet individu a laissé ses pensées s’évoquer mécaniquement les unes les autres sans avoir saisi entre elles aucun rapport systématique. Il ne faut pas confondre la loi ou l’interprétation des faits de conscience telle que notre intelligence la trouve, ou croit la trouver, avec la conscience elle-même. Si les phénomènes de conscience présentés par un homme nous paraissent liés entre eux par des rapports de ressemblance, de différence ou de finalité, il ne faut pas en conclure qu’il y ait eu dans l’esprit de cet homme la conscience de la ressemblance, de la différence ou de la finalité. (Voir, à ce sujet, Rabier, Cours de philosophie, I, 74 et I, 254.)¹C’est dans cette erreur que semblent tomber les philosophes anglais quand ils disent que toute conscience est la perception d’une différence. C’est aussi une exagération de ce genre que je reprocherais quelquefois aux travaux si intéressants de M. Paulhan, qui semble prêter à la conscience élémentaire les notions de finalité dont il se sert lui-même pour les interpréter. »
¹ Figura completamente apagada do conhecimento público!
« si nous sommes en présence des actes compliqués qu’accomplit Léonie quand je lui ai joint les mains, nous penserons, nous, qu’elle fait la communion et nous réunirons tous ces actes dans cette idée systématique que nous désignons par le mot ‘communion’; mais il n’est pas du tout prouvé qu’elle ait, elle, l’idée de la communion et qu’elle réunisse ses actions sous cette idée générale; il est bien plus vraisemblable qu’elle a des images qui s’évoquent les unes les autres, et rien de plus. »
« Il est certain, disait Reid,¹ qu’il n’y a point d’homme dans l’univers qui puisse concevoir ou croire que l’odeur existe en elle-même sans un esprit ou un sujet quelconque qui ait la faculté de sentir. »
¹ Em breve publicaremos uma obra completa do britânico Reid, traduzida do inglês, no Seclusão, nossa primeira tradução na íntegra. Schopenhauer também cita este desconhecido filósofo, situando-o acima de Hume na compreensão dos sentidos ou na descrição dos fenômenos (acepção schopenhaueriana); ou seja, ele é um precursor da fenomenologia.
TRECHO CONFUSO, ATÉ PORQUE, NESTE SENTIDO, REID DIFICILMENTE PODE SER CONSIDERADO UM FILÓSOFO METAFÍSICO, ESTANDO CONECTADO À TRADIÇÃO DO EMPIRISMO OU CETICISMO BRITÂNICO (MAS NO FINAL ENSAIAMOS UMA EXPLICAÇÃO): « Si on se place au point de vue métaphysique, comme ces auteurs, si on cherche l’origine, la cause de la sensation, peut-être pensera-t-on, comme eux, qu’il n’y a pas de sensation sans une âme pour la produire et la connaître. Mais, si on se place à un point de vue exclusivement psychologique, si on considère le moi non plus comme un être et une cause, mais comme une certaine idée qui accompagne la plupart des phénomènes psychologiques, on sera forcé de penser qu’il y a des sensations sans moi, qu’il peut y avoir des phénomènes de vision, quoique cependant personne ne dise : ‘Je vois’. » Mas isso precisamente é ser metafísico, i.e., pejorativamente: idealista no sentido mais abstruso, escolástico, etc. Janet está se referindo ao ‘eu’ consciente clássico; Reid já tem conhecimento do inconsciente; é apenas necessário observar que “metafísico” para um filósofo é uma nobre denominação (um verdadeiro filósofo), para um psicólogo é proibitiva. Ora, Reid é quem vem na esteira de Locke, Hume E KANT, podendo já se contrapor ao empiricismo britânico como escola de pensamento viciado e solipsista. Deste ponto de vista, é um renascimento da metafísica, ou seja, realmente empírico, e não inocuamente empírico, como dantes. Janet também revitaliza o empírico e entende a metafísica tanto quanto Reid, Schopenhauer e eu, mas “toma partido” pela psicologia experimental, isso se vê em toda sua obra (toma sempre o cuidado de ‘não se exceder em filosofia’, embora devesse, sinceramente, fazê-lo). Tanto é assim que ele reconhece “métodos experimentais” diversos, sendo crítico de Wundt (mais abaixo).
Buffon, Discours sur la nature des animaux, 1839.
« Maine de Biran distingue 3 degrés dans le développement de l’intelligence et il les appelle : la vie animale, la vie humaine et la vie de l’esprit. Nous n’avons pas à nous occuper ici de la troisième existence ou de la vie de l’esprit, mais nous devons signaler le caractère qui distingue la vie animale de la vie humaine. »
« des effets internes appelés sensations animales, modes généraux de plaisir ou de douleur qui constituent l’existence de l’animal, lequel, pour exister et pour sentir ainsi, à son titre propre d’animal, n’a pas besoin de savoir qu’il existe ou d’apercevoir qu’il sent, c’est-à-dire d’avoir la conscience, l’idée de sensation, d’être une personne, un moi constitué un, simple, identique, restant le même quand la sensation passe et varie »
M. de Biran, Anthropologie
E no entanto os animais estavam certos o tempo todo!
« Entre la conscience complète et le mécanisme cartésien, il y a place pour des êtres qui ont la sensation sans conscience, sans moi capable de l’apercevoir. » Ibid.
Mas não o contrário (« consciência pura »).
« L’affection est ce qui reste d’une sensation complète quand on en sépare l’individualité personnelle ou le moi et avec lui toute forme de temps et d’espace, pour me servir de l’expression des Kantiens, tout sentiment de causalité externe ou interne, ou, dans le langage de Locke, quand l’idée de sensation se trouve réduite à la simple sensation sans idée d’aucune espèce, ou enfin, dans le point de vue de Condillac, quand la statue devient sensation sans être encore rien de plus…[conceituação perfeita]Cet état affectif simple n’est pas une pure hypothèse; c’est un mode positif et complet dans son genre qui a formé dans l’origine notre existence tout entière et qui constitue celle d’une multitude d’êtres vivants de l’état desquels nous nous rapprochons toutes les fois que notre pensée intellectuelle s’affaiblit et se dégrade, que la pensée sommeille, que la volonté est nulle, [não grifo em verde porque discorde – embora não exista vontade nula, podemos dizer que o conceito é a esterilização de algo até sua pura racionalidade : este é o conceito filosófico de afecção – não é algo que possa ser sentido pelo indivíduo, mas é subjacente à nossa natureza] que le moi est comme absorbé dans les impressions sensibles, que la personne morale n’existe plus. [mera abstração, mas não que afecção caia no reino da hipótese: é um dado factual do Ser] »
M.B., Essai sur les fondements de la psychologie
« Il ne faut pas être trop étonné si ces passages de Maine de Biran s’appliquent exactement à l’état cataleptique. »Se a pessoa moral não mais existisse na catalepsia, como pôde Léonie ajoelhar-se fazendo mímica de prece? Não, não era uma prece real (sentimental), era repetição meramente vazia, mas ligada ao significado espiritual de uma prece, pois da religião e da moral jamais se subestima a importância (a não ser entre os Iluministas e seus derivados).
« Une sensation pour eux n’était rien si elle n’était pas jointe à la conscience de l’être qui l’éprouve. Cette discussion m’a fait voir combien j’étais encore loin de bien faire entendre mon point de vue. La théorie de Leibniz qui caractérise si bien cet état où la monade simplement vivante est réduite à des perceptions obscures, d’où elle s’élève aux aperceptions claires et à la conscience, [a-percepção : perceção sem linguagem ; percepção : descritível] me servirait d’introduction à l’exposition de ma doctrine qu’il me sera bien difficile de faire entendre. »
Id.,Journal intime, 1877
« Qu’est-ce qu’une sensation qu’on ne sent pas ? Je demande à mon tour à quoi se rapporte cet on ? L’homme sent, il sait sa sensation parce qu’il est une personne identique permanente qui se distingue de ses sensations… L’animal ne sent pas, ne sait pas sa sensation parce qu’il n’est pas une personne constituée pour savoir ou apercevoir au dedans son existence individuelle. Il sent sans se savoir sentant, comme il vit sans se savoir vivant. »
O animal é o ser cândido: para ele, o domesticável, podemos mentir, sem medo de estarmos agindo mal: tudo vai ficar bem; pois para ele fica. E isso, como um bônus, alivia nossa angústia.
« Pendant la syncope, dit un auteur qui a pu étudier sur lui-même ce phénomène, c’est le néant psychique, absolu, l’absence totale de toute conscience, puis on commence à avoir un sentiment vague, illimité, infini, un sentiment d’existence en général sans aucune délimitation de sa propre individualité, sans la moindre trace d’une distinction quelconque entre le moi et le non-moi; on est alors une partie organique de la nature ayant conscience du fait de son existence, mais n’en ayant aucune du fait de son unité organique; on a, en deux mots, une conscience impersonnelle. »
Herzen, Le cerveau et l’activité cérébrale
« des sensations stupides »
1.5 LA NATURE DE LA CONSCIENCE PENDANT LA CATALEPSIE
« C’est précisément une conscience de ce genre, purement affective, réduite aux sensations et aux images,[o purement é decerto exagerado] sans aucune de ces liaisons, de ces idées de relation qui constituent la personnalité et les jugements, que nous croyons légitime de supposer pendant la catalepsie et les états analogues. »Eu diria que isso coaduna mais com a psicopatia aguda : tudo isso, inclusive com coordenação motora e funcionamento muscular normal, possibilitando atitudes como o homicídio.
« Ni le néant de la conscience et le pur mécanisme, ni la connaissance capable de comprendre et d’obéir ne nous paraissent ici vraisemblables; il s’agit au contraire d’une forme particulière de la conscience intermédiaire entre ces deux extrêmes. »
« Attendons encore quelques instants : si je parle maintenant et si je dis tout haut : ‘Lève le bras’, la bouche s’ouvre et répète comme un écho : ‘Lève le bras’. Quelques instants après cette période d’écholalie, le sujet ne répète plus les commandements, mais il les exécute, il lève le bras en réalité. Encore un moment et il me répond avec une vivacité croissante et une conscience qui semble de plus en plus complète. » Estado intermédio (na verdade o próprio histerismo e o sonambulismo são ‘estados intermédios’ sobrepostos entre si) entre a crise histérica e a sonambulia. Também chamado de estado de “síncope hipnótica”. « syncope hypnotique ou sommeil hystérique (peu importe le nom) »
« Je constatai en effet que chaque muscle pressé, même légèrement, se contractait immédiatement et isolément, puis se relâchait très vite. Il était possible d’étudier sur elle l’action isolée de tous les muscles du corps. C’était presque l’état léthargique décrit par M. Charcot, avec cette différence que la contraction musculaire ne persistait pas sous forme de contracture. » Critica o nome ‘letargia’, charcotiano, cuja acepção é de “death trance”: nem sequer guarda qualquer relação ou analogia próxima com a morte ou o rigor mortis.
« la léthargie naturelle présente bien quelquefois des contractures générales, mais ordinairement n’amène pas cette hyperexcitabilité neuromusculaire. »
Gilles de la Tourette, L’hypnotisme et les états analogues, 1887.
« La léthargie hypnotique me paraît être plutôt un degré de conscience élémentaire, une sensation musculaire si rudimentaire qu’elle reste tout à fait isolée et ne se généralise pas assez pour diriger le mouvement de tout un bras. Un troisième exemple sera plus net encore. Un caractère singulier de Léonie, c’est que tout changement d’état quel qu’il soit est toujours signalé par un soupir brusque, une sorte de petite convulsion respiratoire. » « J’avais cru utile autrefois de désigner cet état qui participait de la léthargie et de la catalepsie par un nom particulier. Mais cette nomenclature n’a pas en réalité grand avantage; on peut établir autant de degrés que l’on voudra dans ce réveil graduel de la conscience. »
« Chez Léonie, il y a 3 degrés de catalepsie avec les yeux fermés (…) Après ce dernier degré, les yeux s’ouvrent d’eux-mêmes, et il y a 4 formes de catalepsie avec les yeux ouverts. » Há quantas catalepsias se quiser que haja, é o que Janet diz no fundo.
1.6 NATURE DE LA CONSCIENCE PENDANT DES ÉTATS ANALOGUES À LA CATALEPSIE
« Lucie tourne toujours les yeux vers ses rideaux, et je me suis souvent demandé si elle aurait la même crise dans une chambre sans rideaux. Marie rêve d’incendie pendant sa crise, si elle survient pendant la nuit, et ne songe pas à l’incendie si la crise survient pendant le jour. C’est très probablement parce que la nuit elle voit une lampe allumée à peu de distance de son lit. Mais, dira-t-on, il est très difficile de transformer les poses d’une hystérique; elle semble ne pas vous sentir et ne pas vous voir. »
« il suffit de voir Léonie immobile, les mains jointes et les yeux levés au ciel pour comprendre ce que le moyen âge appelait une extatique. Les sainte Thérèse, les sainte Hildegarde, les Marie Chantai, les Catherine Emmerich et bien d’autres avaient tout simplement des attaques de catalepsie, pendant lesquelles les idées religieuses dominantes ou communiquées quelquefois au moment même de leur attaque donnaient à tout le corps une attitude harmonieuse et expressive. L’une prend la pose de l’Immaculée Conception; l’autre prend successivement toutes les attitudes représentées dans un chemin de la croix. L’étude la plus curieuse à ce point de vue est celle de Louise Lateau dont la description faite par le Dr. Lefèvre est résumée dans l’ouvrage du Dr. Despine. »
Luc Desages. De l’extase, 1866.
1.7 INTERPRÉTATION DES PHÉNOMÈNES PARTICULIERS DE LA CATALEPSIE
« Les forces physiques de la pesanteur tendraient à le faire tomber : il faut, en effet, une contraction délicatement systématisée de tous les muscles pour le maintenir. Qu’est-ce qui peut donner à ces contractions leur unité et leur persistance ? Je ne vois point d’autre réponse que celle-ci : c’est une sensation persistante. » « Cette sensation étant seule dans l’esprit n’a rencontré aucun phénomène antagoniste et réducteur, elle n’a pas disparu avec l’excitation productrice, elle a subsisté et elle dure encore. »
« Cette sensation kinesthésique eut-elle reproduire ou, dans le cas présent, maintenir l’attitude? C’est là ce qui est plus discuté. On établit d’ordinaire une grande distinction entre les phénomènes sensitifs et les phénomènes moteurs. La grande découverte de la différence entre les nerfs sensitifs et les nerfs moteurs amena la distinction moins certaine (si j’ose avoir une opinion sur ce sujet) des centres sensitifs et des centres moteurs, et celle-ci inspira le désir de trouver dans les phénomènes psychologiques une séparation analogue entre les phénomènes de sensibilité et les fonctions ou les phénomènes du mouvement. »
« On fit alors diverses suppositions : les uns, comme Wundt et M. Charcot, admirent qu’il y avait toujours une sensation de mouvement coïncidant avec l’émission de la force nerveuse et précédant tout mouvement; les autres, comme Bastian, considérant les sensations kinesthésiques comme absolument centripètes, venant exclusivement de l’extérieur, admirent ‘l’inconscience absolue de tous les courants centrifuges’ ou en général de tous les actes moteurs. Sans préjuger toutes les difficultés que soulève cette question et que nous rencontrerons peut-être plus tard, je crois que le phénomène cataleptique de la conservation des attitudes nous offre un cas simple ‘prérogatif’ où cette question des rapports entre la sensibilité et le mouvement est plus facile à étudier que dans aucun autre. »
« Pourquoi supposer 2 phénomènes qui se confondraient ? Nous devons nous représenter ici les choses de la manière la plus simple : l’excitation E produit la sensation kinesthésique SK, laquelle suffit pour produire à son tour le mouvement M. Il n’y a pas lieu de supposer d’autres intermédiaires. Dans ce cas simple, il n’y a plus lieu de soulever les difficultés dont parlait Bastian : nous n’avons pas à chercher si le phénomêne moteur a, oui ou non, une conscience distincte de celle du phénomène sensitif, puisque les 2 phénomènes ne forment qu’une seule et même chose. » « l’image kinesthésique, ne rencontrant aucun obstacle dans cet esprit qui est complètement vide, se prolonge tant que nous ne l’avons pas remplacée par une autre en déplaçant le bras. » « il n’y a pas de mouvement sans une sensation de mouvement et point de sensation ou même d’image de mouvement sans un mouvement. »
« Les actes produits par imitation et par répétition vont nous faire avancer un peu plus dans l’étude du même problème. Au lieu de lever le bras du sujet, je lui montre mon bras levé et il met le sien lui-même dans une position identique. Ici, les phénomènes sensitifs (voir un mouvement) et les phénomènes moteurs (lever le bras) ne se confondent pas comme précédemment, et il semble naturel de les séparer. » « l’excitation visuelle E’ produite par mon mouvement amènerait la sensation visuelle SV, celle-ci éveillerait par association l’image de la sensation kinesthésique SK, qui était tout à l’heure éveillée directement, et cette image, d’après la loi précédente, amènerait le mouvement M auquel elle correspond. » « Est-ce que la sensation visuelle SV ne pourrait pas produire directement le mouvement M sans l’intervention d’aucune image musculaire? » « Cette hypothèse est confirmée par les recherches sur les hystériques anesthésiques dont nous parlerons plus tard. À mon avis, il est impossible d’expliquer comment ces personnes peuvent souvent conserver tous leurs mouvements malgré la perte absolue des sensations et même des images kinesthésiques, si l’on n’admet pas que le mouvement peut être produit directement par des images visuelles ou auditives. »
« Il y a, au point de vue du langage, des visuels, des auditifs, des moteurs, c’est-à-dire des individus qui, pour se représenter des paroles, emploient des images visuelles, auditives, motrices d’articulations ou motrices graphiques. Ces représentations jouent un grand rôle dans la parole elle-même et il existe des individus qui parlent avec le sens auditif, c’est-à-dire chez qui l’image auditive d’un mot suffit pour en amener la prononciation. Nous pouvons étendre cette théorie célèbre à tous les mouvements et dire que certains mouvements du bras ou de la jambe peuvent accompagner immédiatement l’image visuelle de ce mouvement sans image kinesthésique intermédiaire. »Conforme com Saussure e com os estudos contemporâneos sobre libras e surdos-mudos e aquisição da linguagem. Só faltou dizer que o cego que cresceu cego tem mais apetência para a aquisição da linguagem que o surdo/meramente gestual de nascença.
« Il est probable que, dans l’enfance, nous commençons tous par être ‘des moteurs’ agissant et pensant au moyen des images du sens musculaire. Plus tard seulement des images visuelles et auditives d’abord associées aux images motrices deviendraient prédominantes et pourraient seules produire le mouvement. Ce serait une application de ‘cette coordination, de cette synthèse psychique’ dont M. Paulhan a montré la nécessité, ce serait ‘une systématisation préétablie’ des phénomènes psychiques et des phénomènes organiques qui permettrait à toute image de jouer le rôle d’une image motrice. »
« Il faut donc généraliser notre loi précédente et dire de toute sensation et de toute image ce que nous avons dit du sens kinesthésique. Une image de mouvement dans la conscience se manifeste toujours, à l’extérieur, pour un témoin étranger, par un mouvement réel, et d’autre part cette image tend à durer, à persévérer dans son être et par conséquent amène la continuation du mouvement, tant qu’elle n’a pas été remplacée par quelque image nouvelle. »
« Hamilton¹ avait déjà compris d’une manière intéressante l’association des idées quand il disait : ‘Sont suggérées les unes par les autres les pensées qui auparavant ont fait partie d’un même tout, d’un même acte de connaissance.’M. Taine considère de même les associations comme des renaissances partielles de totalités qui tendent à se reformer complètement. »
¹ Não localizado.
« La connaissance véritable, le jugement, les idées générales ne doivent pas être mêlées à ces phénomènes automatiques de la pensée rudimentaire. » « Les émotions désignées par le langage sous le nom de peur, colère, amour, etc., sont peu nombreuses et peu précises; mais leurs variétés doivent être en réalité innombrables et correspondre chez chaque individu à un ensemble déterminé d’images et de mouvements. C’est l’une de ces émotions très précises que nous faisons naître chez les cataleptiques et qui amène leurs expressions et leurs actes associés. »
« L’automatisme ne crée pas de synthèses nouvelles,il n’est que la manifestation des synthèses qui ont déjà été organisées à un moment où l’esprit était plus puissant. » « Nous n’avons vu jusqu’ici que l’association automatique la plus simple, qui suffît pour expliquer tous les phénomènes présentés par les sujets dans les états que nous venons de décrire. »
« Une des meilleures expressions qui puissent caractériser cet état a été proposée par M. Ochorowicz. La catalepsie était, disait-il, un état de monoïdéisme. ‘Certains sujets, capables de présenter ces 2 phases opposés d’a-ïdeïe (syncope hypnotique) et de polyïdeïe (somnambulisme), ne passent pas directement, ou tout au moins peuvent ne pas passer directement, de l’une à l’autre; ils s’arrêtent plus ou moins longtemps dans la phase monoïdéïque . . . C’est un cerveau qui concentre toute son action sur une seule idée unique, dominante, qui n’est contrebalancée par aucune autre.’ »
A ANALOGIA CEREBRAL DE HERZEN:« Le cerveau peut être comparé à une salle fournie d’un nombre immense de becs de gaz, mais éclairé seulement par un nombre relativement petit et relativement constant de becs allumés qui ne sont pas toujours les mêmes, au contraire, qui changent à chaque instant. A mesure que les uns s’éteignent, d’autres se rallument. Jamais ils ne sont tous allumés, de temps en temps ils seront tous éteints. » Eu só repararia que sempre há algum bujão de gás ativo enquanto o ser está vivo, ainda que em coma, p.ex.
Vemos, num contínuo, como algumas idéias são arquétipos sempre corretos do espírito humano, embora expressos de maneiras distintas e até, na aparência, antitéticas: No princípio era o verbo (Deus) – No princípio era a ação (Goethe). Tudo isso é apenas o devir necessário do cristianismo desde os remotos escritos judaicos da era de ouro aos desdobramentos psicológicos da cultura européia. O mesmo, em menor escala, para ângulos distintos da análise do mesmo fenômeno numa mesma geração, sintetizando perfeitamente um fato: O homem é a medida de todas as coisas – Deus é a medida de todas as coisas.
2. L’OUBLI ET LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES
2.1 LES DIFFÉRENTS CARACTÈRES QUI ONT ÉTÉ PROPOSÉS POUR RECONNAÎTRE LE SOMNAMBULISME
« Cependant il est fort difficile de trouver un signe qui le caractérise d’une manière générale, et la plupart des caractères qui ont été ainsi désignés nous semblent insuffisants; en les passant en revue, nous verrons quelques caractères accessoires de cet état, mais il nous restera à en chercher le signe distinctif. »
« La plupart des anciens magnétiseurs considéraient l’insensibilité absolue de la peau comme étant la règle constante et le signe indubitable du somnambulisme. »
« Il n’y a pas de sommeil magnétique sans insensibilité complète du corps et des sens, de telle sorte que nous nous aiderons, pour la constatation du sommeil, de tout ce qui peut nous convaincre de cette insensibilité. »
Baragnon
« M. Dubois d’Amiens se plaint qu’on ne lui ait laissé faire pour vérifier le somnambulisme ‘qu’un simple tatouage à coups d’épingle sur la figure et sur les mains’. » « Eh bien, le procédé de M. Dubois n’aurait pas grand résultat si on l’appliquait aux somnambules que j’ai étudiées. La plupart de ces personnes, presque toutes, étaient déjà anesthésiques sur une partie plus ou moins considérable du corps avant tout sommeil hypnotique, dans leur état le plus normal. (…) au contraire, j’ai été amené, pour certaines d’entre elles et dans certains cas, à considérer le retour de la sensibilité comme une preuve du somnambulisme le plus profond. »
« l’absence complète de déglutition pendant certains états somnambuliques. » Baragnon
« Ce détail m’a frappé, car, chez une personne, chez Léonie, il est absolument constant. Elle n’a aucune déglutition pendant le somnambulisme et jamais je ne suis arrivé à lui faire avaler une goutte d’eau. » « Mais le phénomène, loin d’être caractéristique, est assez rare; la plupart des somnambules mangent et boivent sans aucune gêne dans leur sommeil. » « Rose n’était jamais aussi heureuse que lorsqu’elle déjeunait en somnambulisme. Il y a même des hystériques dysphagiques à l’état de veille, qui mangent assez facilement quand elles dorment, et c’est un détail qu’il est quelquefois utile de connaître. Mon frère a réussi à alimenter ainsi une femme hystérique qui, à cause de vomissements incoercibles, était près de mourir de faim. »
« La croyance populaire se représente, en général, les somnambules comme des personnes qui parlent en ayant les yeux fermés. Cette croyance résulte probablement de cette idée, en réalité assez fausse, que le somnambulisme est un sommeil : on répète aux somnambules qu’elles dorment, d’où elles concluent qu’elles doivent avoir les yeux fermés. »« C’est alors que M. Despine prétend que leur regard a toujours un caractère tout particulier et distinctif : les pupilles largement dilatées restent immobiles à l’action de la lumière; la conjonctive insensible ne sent pas le besoin d’être lubréfîée par les larmes, aussi le clignotement des paupières est supprimé ou fort rare. » « Il faut avouer que je n’aurais pas une pareille hardiesse ni une pareille conviction. § Sans doute, ce regard existe quelquefois, et M. Despine indique très bien dans quelle circonstance : lorsque la rétine est paralysée » « ce regard amaurotique [amaurose, a cegueira sem lesão física] a assez de ressemblance avec celui de l’individu qui est assez myope pour ne pouvoir distinguer aucun des objets environnants »
« D’après une opinion assez ancienne, que Maine de Biran lui-même a soutenue, le somnambule se conduirait toujours d’après ses rêves, d’après des hallucinations qui lui représentent les objets tels qu’il les connaît et non d’après de véritables sensations visuelles. » « J’ai envoyé plusieurs fois Lucie, en plein somnambulisme, parler à des personnes étrangères qui n’étaient pas prévenues et elle a toujours été prise pour une personne normale. »
« Sans doute, il y a, pour moi qui les connais bien, quelques traits caractéristiques et je n’aurais pas toujours besoin d’interroger leur sensibilité ou leur mémoire pour savoir dans quel état elles se trouvent : Marie est plus pâle en somnambulisme qu’à l’état de veille; Lucie, qui a plusieurs tics au visage quand elle est éveillée, a une figure calme et régulière dans le second état. Mais ce sont des signes individuels et de minime importance qui ne permettent pas de fonder une distinction scientifique. »
« En réalité, j’en suis maintenant convaincu, il n’y a pas de signe physique qui permette de reconnaitre si une femme est en somnambulisme ou si elle n’y est pas, et c’est s’avancer beaucoup que de prétendre reconnaître cet état au premier coup d’oeil.M. Despine soutenait que la psychologie n’a pas à s’occuper du somnambulisme et que la physiologie seule peut l’expliquer.Eh bien, loin de pouvoir l’expliquer, la physiologie ne peut même pas le reconnaître. »
À PROCURA DA ANALOGIA MAIS GROTESCA: « Le Dr. Carpenter parle de l’état de distraction du sujet hypnotisé. Il compare son état à la rêverie d’un poète devant un beau passage ou à la distraction d’un savant absorbé par la recherche d’un problème.[estado elogioso!] » « D’ailleurs Stanley-Hall (sic)¹ a pu dire au contraire que l’hypnose est une crampe [cãibra, depreciativo] de l’attention sur un objet. »
¹ Granville Stanley Hall (1846-1924), um dos maiores psicólogos americanos de todos os tempos.
« Léonie, quand on exige d’elle de l’attention pour des expériences délicates, demande de temps en temps un peu de récréation pour se reposer et pour s’amuser. »
« Bertrand, Braid¹ et surtout Bernheim ont cherché dans l’état de l’activité ou de la volonté la caractéristique du somnambulisme et ont constaté que le somnambule n’a pas de volonté personnelle, de spontanéité active et qu’il obéit à tous les ordres. »
¹ James Braid (1795-1860). Não confundir com o já citado Thomas Reid! A bibliografia deste polímata é complicada (muitos ensaios esparsos e reescritos), então faz-se recurso a um de seus sistematizadores póstumos, John Wilkinson. Idéia para o futuro (#offtopic): ESCREVER UM LIVRO COM MINIBIOGRAFIAS DE POLÍMATAS!
« rien n’est plus variable que l’état de la volonté dans le somnambulisme aussi bien que dans la veille. »
« Mais comment expliquer alors ces sujets qui, comme Rose, comme Lucie et bien d’autres, deviennent de plus en plus indépendants à mesure que le somnambulisme augmente de profondeur, et arrivent à un état où leur volonté est parfaitement normale, plus spontanée et plus indépendante qu’à l’état de veille ? »
2.2 CARACTÈRES ESSENTIELS DU SOMNAMBULISME : L’OUBLI AU RÉVEIL ET LA MÉMOIRE ALTERNANTE
« Or, dans toute la pathologie mentale, il n’y a pas de modification de la mémoire plus complexe et en même temps plus régulière que celle de la mémoire du somnambule. »
« On constate en effet régulièrement dans la pensée des individus qui, pour une raison ou pour une autre, ont eu des périodes de somnambulisme, 3 caractères ou 3 lois de la mémoire qui leur sont particuliers: 1º L’oubli complet pendant l’état de veille normale de tout ce qui s’est passé pendant le somnambulisme; 2° souvenir complet pendant un somnambulisme nouveau de tout ce qui s’est passé pendant les somnambulismes précédents;3º souvenir complet pendant le somnambulisme de tout ce qui s’est passé pendant la veille. La troisième loi présente peut être plus d’exceptions et d’irrégularités que les 2 autres, aussi dans cette étude, qui a surtout pour but de donner une idée générale du somnambulisme, insisterons-nous un peu moins sur elle. Mais les deux premières, malgré la diversité que présentent toujours des phénomènes aussi complexes, sont si générales et si importantes qu’elles peuvent être considérées comme le signe caractéristique de l’état somnambulique. § Le phénomène de l’oubli, au réveil, de tout ce qui s’est passé pendant le somnambulisme est si curieux et si frappant qu’il a été constaté dès les premières études de ce genre. »
« Ce caractère seul est constant et distingue essentiellement le somnambulisme. »Deleuze, Histoire critique du magnétisme animal, 1819.Muito cedo para fazer uma história crítica do magnetismo animal! – será que este antepassado de Gilles é outro precursor? « Il est inutile de multiplier ces citations que l’on pourrait emprunter à tous les écrivains aussi bien anciens que récents. »
« Si elle est endormie au milieu d’un acte ou d’une conversation, elle continue presque toujours au réveil son action ou ses paroles comme s’il n’y avait rien eu d’anormal : le somnambulisme, quelle qu’ait été sa durée, semble n’avoir pas existé et les 2 moments de la veille paraissent se rejoindre. Rose est restée 4 ½ jours en somnambulisme (nous voulions essayer de guérir ainsi une paralysie des jambes qui avait résisté à tous les autres procédés et nous avons d’ailleurs parfaitement réussi); mais, pendant ces 4 jours, elle parle à plusieurs personnes et reçoit même des visites. Au réveil elle a tout oublié, se trompe sur le jour de la semaine et croit être 4 jours en arrière. Il en est ainsi pour toutes les somnambules que j’ai pu voir, que leur état anormal soit court ou prolongé, que les événements soient insignifiants ou graves, l’oubli est toujours complet et absolu, c’est une page entièrement effacée dans leur vie. »
« Une autre somnambule, N., que j’ai endormi 2 fois, à un an d’intervalle, retrouva dans le second somnambulisme le souvenir minutieux de tout ce qu’elle avait fait dans le premier et me rappela des détails que j’avais moi-même complètement oubliés. Tous ceux qui ont endormi plusieurs fois la même personne ont remarqué ce phénomène aussi banal que singulier. Le second état possède ordinairement en plus le souvenir complet des actes et des idées de la veille normale : le sujet, pendant le somnambulisme, peut raconter ce qu’il a fait ou senti pendant la journée et connaît encore les mêmes personnes. Une seule fois j’ai assisté à un somnambulisme de Rose, differant accidentellement des autres, pendant lequel elle ne me reconnaissait plus et paraissait avoir oublié la plupart des événements arrivés depuis son séjour à l’hôpital. »
« Considérer cet état de la mémoire comme le caractère essentiel du somnambulisme, n’est-ce pas se fier à un signe facilement simulable et difficile à bien constater. Nous répondrons d’abord que jusqu’à présent on n’en possède pas de meilleur, ensuite que ce critérium est plus sûr qu’on ne le suppose.Contrairement à l’opinion générale, je considère les phénomènes psychologiques comme bien plus difficiles à simuler que les phénomènes physiques, et je crois qu’il serait plus aisé de jouer même une crise d’épilepsie que de feindre la folie pendant plusieurs jours devant un aliéniste. Pour le sujet qui nous occupe, il suffît d’un petit nombre de renseignements et d’un peu d’habitude pour simuler une contracture; il faudrait beaucoup d’intelligence, d’attention et de mémoire pour ne jamais confondre les souvenirs acquis pendant le somnambulisme et les souvenirs acquis pendant la veille et n’être jamais pris en défaut. » « il faut vérifier leurs souvenirs par leur conversation même, sans avoir l’air de les interroger directement. »
« On connaît aussi le rêveur de Despine qui, toutes les nuits, se vole à lui-même des pièces d’or et va toujours les cacher au même endroit. »
« Rose avait la mauvaise habitude d’injurier régulièrement une servante de l’hôpital à la fm de ses crises. Elle ne s’en souvenait plus après son réveil, et ne pouvait y croire quand on le lui disait. Cependant, à la crise suivante, elle reprenait ses injures au même point et insistait en criant : ‘J’ai eu bien raison de dire ceci et cela, c’était bien vrai’, et elle répétait tous les détails du délire précédent. » Sem traço de ironia, posso conceber por que pode ser tão arraigada a impressão do fanático de que um demônio ocupa o corpo do doente/possuído, afinal seria mesmo uma explicação satisfatória!
« On trouverait dans le travail de M. Myers de bons exemples, trop longs pour être rapportés ici, où un songe [daydream] est évidemment le souvenir d’un autre songe oublié pendant la veille. Ce qui me paraît plus curieux à rappeler et plus utile pour éclaircir ces problèmes de la mémoire, c’est que l’on a constaté des faits analogues pendant l’ivresse de l’opium et l’ivresse de l’alcool. Les faits sont surtout nets quand il s’agit de l’alcool; chacun sait qu’un homme ivre oublie au réveil ce qu’il a fait pendant l’ivresse. »O interessante é pensar na continuidade duma história todas as vezes que volto à ebriedade: o Rafael “brigão” da sexta à noite, split-personality em doses homeopáticas. Relembra as ofensas a sua honra como se, no lugar de 3 semanas, meia hora se houvesse passado! Pobre do So…. Se bem que dono de bar conhece a ‘raça’ com que lida na lide diária… Não é este Rafael que terá de ir ao médico, ao chaveiro ou ao posto de polícia depois, se perder algum documento ou se machucar, então ele é completamente indiferente a esses desdobramentos – eis o perigo supremo! Até fala, ao contrário do tipo ideal do bêbado, de forma mais fluente e incisiva… Porém, a despeito de toda a teatralidade, mantém-se um pacifista, ironia das ironias… Meu traço mais característico, até quando sou outro!
« J’ai eu quelquefois l’occasion de faire une petite expérience bien simple : on propose à un individu… trop gai… un bon moyen de prouver qu’il est resté dans son état normal, on lui indique un chiffre et on le prie d’en garder le souvenir pour le répéter le lendemain. En général, si l’ivresse était sérieuse, il serait absolument incapable le lendemain, malgré ses efforts, de retrouver le chiffre qu’on lui a dit. Mais je n’ai pas vérifié le retour de la mémoire dans une ivresse consécutive. »Sempre pedimos que façam um 4; mas é a primeira vez que vejo pedirem que digam um 4!
« et nous ne tarderons pas à voir qu’il y a en effet d’autres traits encore qui rapprochent l’ivresse du somnambulisme. » É um embebedamento dirigido e com guia.
« Cette mémoire nécessaire à l’exécution de la suggestion se présente sous les formes les plus variées, tantôt complètement consciente, tantôt ignorée par le sujet, tantôt elle envahit l’esprit subitement comme une impulsion dont il ignore l’origine, tantôt elle se développe lentement. »
« Si un sujet exécute une suggestion avec conscience et mémoire au moment où il l’exécute, il ne tarde pas, quelques instants après, à perdre complètement le souvenir non seulement du commandement, mais même de son exécution. »
« Il y a cependant naturellement une certaine mémoire persistante après les sommeils hypnotiques très légers, qui d’ailleurs se rapprochent beaucoup de la veille. »
« Un sujet hypnotisé pour la première fois se souvenait de tout, non seulement des actions qu’il avait faites, mais encore des sentiments de surprise qu’il avait eus en les faisant. Il semblait qu’il y eût deux moi, l’un regardant les actions involontaires de l’autre sans penser qu’il fût utile de les faire cesser. »
Edmund Gurney
« Pourquoi ne pas dire qu’il y a eu chez ces personnes des phénomènes suggestifs à l’état de veille, qu’ils n’ont point changé d’état pour avoir leurs bras ou leurs paupières paralysées, qu’ils ont simplement présenté quelques phénomènes inconscients et que le souvenir des autres s’est conservé tout naturellement ? »
« Que, dans bien des cas, surtout lorsqu’il s’agit d’un somnambulisme peu profond, il y ait lieu de rapprocher à bien des points de vue le sommeil hypnotique du sommeil normal, cela est tout à fait incontestable, mais que l’identité soitabsolue et que les modifications de la mémoire ne soient pas bien plus considérables dans le cas du sommeil hypnotique, c’est ce que les faits ne permettent pas d’admettre. »
« Quand on réveille le sujet brusquement au milieu de l’accomplissement d’un acte suggéré, il en garde le souvenir comme d’un rêve. » « Lorsqu’un sujet est endormi pour la première fois, il a d’ordinaire un sommeil léger et il peut être réveillé brusquement; lorsqu’il est endormi souvent, il prend un sommeil profond dont il ne peut plus être tiré facilement. Tout au début de mes études sur Lucie, je pouvais facilement répéter l’expérience précédente; au bout de quelque temps, je ne pus y parvenir; car il fallait au moins une minute pour la réveiller, ce qui interrompait complètement l’acte somnambulique et ne laissait pas persister le souvenir. » « Le réveil difficile accompagne toujours le somnambulisme profond. »
« Même pour ceux-ci, il faut faire une remarque importante : le souvenir ainsi obtenu par le réveil brusque n’est pas de longue durée : il existe au moment même du réveil et on peut le saisir si on interroge le sujet à ce moment ; mais il disparaît peu à peu et ne laisse bientôt plus aucune trace dans la conscience. »
« En réalité, les états psychologiques sont continus et le sujet ne saute pas de l’un dans l’autre. Il y a une période posthypnotique qui se prolonge quelquefois assez longtemps après le réveil, et il est tout naturel que le souvenir du somnambulisme persiste quelque temps pendant cette période. »
« Au moyen âge, paraît-il, on considérait l’oubli après le somnambulisme comme un signe de sorcellerie : les malheureuses somnambules, par peur du bûcher, dit Bertrand, se suggéraient à elles-mêmes la conservation du souvenir et y réussissaient quelquefois. » Motivo da morte: o viajante no tempo viajou no tempo… para a Idade Média; e por isso foi queimado na fogueira.
« Aussi conservons-nous le caractère de l’oubli au réveil comme le signe le plus important de l’état somnambulique et persistons-nous à croire que, s’il fait complètement défaut, il y a eu suggestibilité à l’état de veille et non point somnambulisme. »
2.3 VARIÉTÉS ET COMPLICATIONS DE LA MÉMOIRE ALTERNANTE
« Le docteur Herbert Mayo cite un cas de quintuple mémoire : l’état normal du sujet était interrompu par 4 variétés d’états morbides dont il ne conservait pas le souvenir au réveil, mais chacun de ses états présentait une forme de mémoire qui lui était propre. »
« À l’exemple de M. Azam, nous dirons donc maintenant état 1, état 2, état 3 du même sujet pour désigner les phases par lesquelles il passe, et pour désigner le sujet dans ces états nous dirons, ainsi que M. Jules Janet l’a très bien proposé, le prénom du sujet avec un numéro d’ordre correspondant à l’état dans lequel il se trouve : ainsi, Lucie 1, c’est le sujet Lucie en état de veille; Lucie 2, c’est le même sujet dans le second état qui est ici le somnambulisme ordinaire. La suite de notre travail fera voir de plus en plus combien l’emploi de ces notations est justifié. »Rafael 25
« [Rose:] le troisième et le quatrième se superposent comme les somnambulismes successifs de Lucie et de Léonie, le dernier état présentant le souvenir de tous les autres et de la vie tout entière. Mais, en dehors du somnambulisme, la vie de cette personne présente un grand nombre d’accidents hystériques très variés, des crises convulsives, des délires hystériques qui se prolongent quelquefois pendant des journées entières et dont elle ne garde aucun souvenir, en outre des amnésies, des oublis singuliers qui ont déjà été souvent décrits. Il lui arrive d’oublier complètement, sans que l’on sache pourquoi, des parties importantes de sa vie qui avaient cependant paru normales. Ainsi, un jour, après une crise, elle perd la mémoire des 3 semaines qui ont précédé. Eh bien, le souvenir de l’un ou de l’autre de ces états oubliés revient facilement, quand elle rentre dans certaines périodes déterminées de son somnambulisme artificiel. » « le deuxième somnambulisme de Rose serait un état psychologique analogue à son délire hystérique, et son quatrième somnambulisme serait un état analogue à ces périodes de la vie qui sont subitement oubliées. C’est là une hypothèse qui ne s’appuie, jusqu’à présent, que sur un caractère, celui de la mémoire, et que nos études vont justifier de plus en plus. »
« C’est grâce à la connaissance de ces divers états psychologiques des hystériques que l’on peut guérir leurs paralysies et leurs contractures, et il faudra entrer dans des études bien plus ardues, si on cherche un jour le véritable traitement moral de la folie qui est bien plus compliquée que l’hystérie. »
2.4 ÉTUDE SUR UNE CONDITION PARTICULIÈRE DE LA MÉMOIRE ET DE L’OUBLI DES IMAGES
« D’où viennent ces changements d’états psychologiques ? Pourquoi ces oublis et ces retours bizarres de la mémoire ? Toutes les hypothèses possibles ont été proposées et les passer toutes en revue serait parcourir toute l’histoire du magnétisme animal. La plupart de ces théories ayant été déjà résumées dans les ouvrages de Maury, de Despine, de Ribot, il nous suffira de citer les plus célèbres et de montrer combien elles tiennent peu compte des véritables éléments du problème. » « Il y a peut-être quelque chose de vrai dans cette théorie de la disparition du moi; mais en conclure que toute conscience est supprimée pendant le somnambulisme, cela nous semble vraiment paradoxal et inadmissible. »
« Toute hypothèse, disent les logiciens, comprend 3 parties : une observation fortuite, une suite d’idées et de raisonnements destinée à l’expliquer et des expériences instituées pour vérifier les conséquences de cette supposition. C’est cet ordre que nous suivrons dans l’exposition de nos recherches. »
« Le souvenir des 3 mois oubliés était totalement revenu, ainsi que je pus le vérifier. Mais dès que ce somnambulisme changea et que le sujet entra dans l’état de veille ou dans un autre somnambulisme, ces souvenirs disparurent de nouveau complètement. »
« Rose était totalement anesthésique et sa conscience ne percevait aucune sensation tactile ou musculaire. Dans ce somnambulisme particulier qui amenait le retour des souvenirs, Rose recouvrait subitement la sensibilité tactile et musculaire du côté droit et devenait hémi-anesthésique. » « En effet, elle avait reçu alors une petite blessure causée par un coup de couteau au bras droit et en avait beaucoup souffert. Or, en ce moment, quand elle est éveillée, elle est si insensible qu’elle ne souffre d’aucune blessure, même quand, dans ses crises, elle se fait de véritables plaies aux membres. »
« Cette observation fortuite m’amena tout naturellement à supposer qu’il devait y avoir une relation entre l’état de la sensibilité et l’état de la mémoire. Les souvenirs acquis par une certaine sensibilité semblaient ne pouvoir être remémorés ou reproduits que si cette sensibilité subsistait dans le même état. Pour discuter la valeur de cette hypothèse et pour l’appliquer à des cas nouveaux, il me semble nécessaire de distinguer 2 cas et d’étudier à part 2 espèces de mémoires. »
« Un individu, qui aurait complètement perdu un sens [tátil, imagino] et qui ne pourrait plus à aucun degré apprécier les sensations que ce sens procurait, aurait perdu en même temps toutes les images et par conséquent tous les souvenirs relatifs à ces sensations. Mais, dira-t-on, un homme devenu subitement aveugle par un accident conserve encore, quoiqu’il ne puisse plus rien voir, le souvenir des sensations visuelles. C’est que cet individu n’a perdu que l’oeil, organe extérieur de la vision et non pas la faculté psycho-physiologique de voir. S’il avait perdu les centres nerveux de la vision, la faculté même d’apprécier les sensations visuelles, il n’aurait plus le souvenir d’avoir vu et, comme un aveugle de naissance, il ne saurait plus ce que c’est que voir. Il y a des individus de ce genre; on peut montrer que les choses se passent ainsi dans les anesthésies hystériques. »
« Rose fut, à un moment, anesthésique totale et en même temps dyschromatopsique des deux yeux, c’est-à-dire qu’elle ne sentait le contact sur aucun point du corps et qu’elle ne distinguait aucune couleur ni par l’oeil droit, ni par l’oeil gauche; elle voyait tous les objets gris et blancs. » « si je lui suggérais un chatouillement, une douleur, une température anormale, elle ne sentait absolument rien. Au même moment, on pouvait éveiller par un mot toutes les hallucinations auditives, ce qui prouve qu’elle était très suggestible. Je l’ai interrogée sur ses rêves et elle m’a assuré voir les objets en rêve de la même manière que pendant la veille, gris et blancs, et ne jamais sentir aucun contact. »
« Inversement, quand on arrive, ce qui est quelquefois possible, à provoquer une hallucination malgré l’anesthésie du sujet, on fait réapparaître en même temps la sensibilité normale. Il faut aussi remarquer que, chez certains sujets dont l’anesthésie est peu profonde et d’origine récente, les suggestions peuvent réveiller les images sensibles, surtout par l’intermédiaire d’autres images qui ont été conservées. (Paul Richer) »
« Quand j’ai montré à Lucie qu’elle ne sentait aucune douleur ni aucun contact, elle m’a répondu : ‘Tant mieux.’ Quand je l’ai amenée à constater qu’elle ne savait jamais la position de ses bras sans les voir et qu’elle perdait ses jambes dans son lit, elle m’a répondu : ‘Mais c’est tout naturel, du moment que je ne les vois pas; tout le monde est comme cela.’En un mot, elles ne peuvent pas faire de comparaison entre une sensation ancienne dont elles ont complètement perdu le souvenir et leur état présent, et elles ne souffrent pas plus de leur insensibilité que nous ne souffrons de ne pas entendre ‘l’harmonie des sphères célestes’. Quand une hystérique, comme Marie, se plaint d’être insensible, c’est qu’elle ne l’est pas totalement; quand l’insensibilité est complète, l’absence de souvenirs est aussi complète. »
« Après quelques tâtonnements, j’ai reconnu que l’on pouvait rendre momentanément à Rose la sensibilité d’une partie de son corps par 3 procédés : ou bien par l’application prolongée d’un fort aimant, ou par l’apphcation de plaques métalliques d’étain [estanho] ou de plomb, ou enfin et plus facilement encore au moyen d’un courant électrique de moyenne intensité (20 ou 30 éléments Trouvé). » « La suggestion se sert d’un état psychologique, elle ne le crée pas. Ici, sous l’influence d’un de ces trois agents, la sensibilité tactile réapparaissait dans le bras droit et alors on pouvait suggérer des hallucinations tactiles de ce membre, tandis que cela était impossible auparavant. »
« Inutile d’insister plus longtemps sur cette même personne, le phénomène est chez elle constant : ramenez par un procédé quelconque, électricité, plaques métalliques, somnambulisme, etc., un état particulier de sensibilité et vous ramenez en même temps tous les souvenirs élémentaires qui ont été acquis par cette même sensibilité à un moment quelconque. »
« En effet, le souvenir chez Marie persistait plus longtemps que la sensibilité. Fallait-il considérer comme fausses les expériences faites avec Rose ?Non, un fait n’est jamais faux, on l’oublie trop souvent; mais il peut dépendre de circonstances complexes et, si on ne le vérifie pas, c’est que l’on se place, sans le savoir, dans d’autres conditions. »
« Marie n’est pas sensible au courant électrique, je ne sais pourquoi; il faut nous servir des plaques de Burcq et, après quelques essais, des plaques de fer qui agissent très fortement. »
« L’activité sensorielle forme la base de la pensée; quand on l’éteint, la pensée disparait ou s’endort. »
Bastian, Le cerveau et la pensée
2.5 UNE CONDITION DE LA MÉMOIRE ET DE L’OUBLI POUR LES PHÉNOMÈNES COMPLEXES
« Après cette étude beaucoup trop rapide des conditions de rappel pour la mémoire élémentaire, passons à la mémoire complexe ou intellectuelle, c’est-à-dire la mémoire complète des idées et des actes. »
« Le langage est formé par un grand nombre d’images associées avec nos idées et nos mouvements, et ces images, ainsi que les médecins l’ont appris aux psychologues (Bastian), ne sont pas les mêmes chez tous les individus. Les uns, les plus nombreux peut-être, pensent par ces images motrices ou kinesthésiques dont nous avons déjà parlé et qui ont une tendance, lorsqu’elles sont isolées, à se traduire au dehors par le mouvement réel ou la parole réelle. Ces gens-là pensent en parlant tout haut ou tout bas, mais toujours par les images du mouvement de la parole. Les autres [nós, os superiores] pensent au moyen des images auditives ou visuelles, leur pensée est formée par une suite d’images de paroles entendues et non prononcées, ou par une suite d’images d’écritures, ou de signes vus et non entendus.Comment ces dernières personnes parlent-elles et agissent-elles ? leurs images visuelles et auditives vont-elles éveiller d’abord les images motrices plus ou moins faibles qui se traduisent par du mouvement ? Nous avons déjà discuté cette question et nous avons conclu qu’il en a été peut-être ainsi au début de la vie, mais que maintenant les choses se passent plus simplement. »
« On voit très bien, dans l’ouvrage de M. Ballet, [Langage intérieur, 1886] comment une même lésion produit des effets très différents sur l’intelligence et la mémoire, suivant qu’elle frappe des individus usant habituellementde telle ou telle catégorie d’images. La perte des images visuelles, pour un individu dont tous les souvenirs sont cristallisés autour des images motrices, n’a pas grande importance; elle supprimerait toute mémoire et toute parole chez un autre sujet qui se sert de ces images visuelles.Chez ce dernier, une nouvelle éducation plus ou moins facile peut grouper maintenant les idées et les actions autour d’une autre catégorie d’images, celles du sens musculaire par exemple ou du sens auditif, et cet homme, en apparence guéri, pourra de nouveau penser et agir.Mais il vivra entièrement de ces nouveaux souvenirs et ne pourra jamais retrouver les anciens, à moins que, par miracle, les anciennes images visuelles ne lui soient un jour rendues. Cette restitution des images perdues n’a pas lieu chez les malades aphasiques étudiés par M. Charcot, parce qu’une maladie cérébrale les a complètement détruites ; mais n’est-il pas possible que, chez d’autres sujets, ces images ne soient que momentanément supprimées et puissent être restaurées dans différentes conditions ? L’étude précédente sur la mémoire élémentaire nous a précisément montré que c’est ainsi que les choses se passent chez les hystériques et les somnambules. »
« Quiconque examinera avec attention la conduite de Lucie à l’état de veille reconnaîtra facilement qu’elle est <un type visuel> extrêmement net. Elle pense, elle parle et elle agit presque uniquement par le sens de la vue. » « Outre cette perte du sens tactile, Lucie a presque complètement perdu le sens de l’ouïe: elle n’entend parler que si la voix est forte et assez proche, elle ne perçoit pas le tic tac de ma montre, même si je l’applique contre son oreille. La vue, quoique très diminuée (acuité visuelle, un tiers, champ visuel restreinte 20°), est encore le meilleur sens qu’elle possède. Aussi s’en sert-elle continuellement; elle ne fait pas un mouvement, ne marche pas sans regarder sans cesse ses bras, ses jambes, le sol, etc. C’est ainsi d’ailleurs qu’un grand nombre d’hystériques peuvent conserver la faculté de coudre, de tricoter, d’écrire, sans avoir aucunement le sens musculaire.On s’y est souvent trompé et c’est pour cela que plusieurs auteurs déclarent l’anesthésie musculaire rare dans l’hystérie, tandis qu’elle est très fréquente. »
« Si on lui fermait les yeux entièrement, elle ne pourrait même plus parler, et elle dormirait. » « C’est pour cela qu’il ne faut jamais toucher les yeux d’une hystérique quand on fait une étude sur son état de veille. » « En un mot, Lucie 3 n’est plus une femme du type visuel, c’est une femme du type moteur. [mais próxima da infância] »
« Les malades de M. Charcot ont eu besoin pour effectuer un pareil changement d’une longue rééducation. Je répondrai : son éducation comme type moteur est déjà faite depuis longtemps, parce qu’elle est hystérique, c’est-à-dire le type de l’instabilité psychologique. Depuis 15 ans qu’elle est malade, elle a passé son temps à changer ses sens et a s’exercer à parler et à agir tantôt avec l’un tantôt avec l’autre. M. Charcot, dans sa classification des types de langage, a parlé du type indifférent qui, au même moment, se sert d’une image ou d’une autre. Je demande une petite place pour le type alternatif, qui se sert successivement d’un sens puis d’un autre.
Quelle preuve a-t-on que Lucie ait été déjà antérieurement une motrice, comme elle paraît être dans cet état qui est maintenant artificiel ? On en trouve une assez bonne dans l’état de ses souvenirs. Interrogeons-la maintenant en état de Lucie 3 : elle va nous raconter son enfance jusqu’à 9 ans que Lucie 1 a entièrement oubliée ; elle va nous parler de la grande peur qu’elle a eue un jour quand des hommes se sont cachés dans les rideaux [cortinas] et ont brusquement sauté sur elle, émotion qui formera la scène principale de toutes les crises hystériques. Elle va nous raconter ces crises mêmes et les mouvements qu’elle a faits et ses promenades dans la maison la nuit en somnambulisme naturel. Elle va surtout nous raconter cette année, qui a été si pénible pour elle, où pendant plusieurs mois on a voulu la tenir enfermée dans une chambre noire, parce qu’elle avait mal aux yeux, ne voyait pas clair et que le médecin, croyant avoir affaire à une lésion banale, la maintenait dans l’obscurité. Or, toutes ces histoires, Lucie, tout à l’heure ne pouvait pas nous les raconter et les ignorait absolument. Ne pouvons-nous pas supposer légitimement que, dans ces circonstances ignorées de Lucie 1, mais connues de Lucie 3, les souvenirs pour différentes raisons ne s’étaient pas associés aux images visuelles ? Tantôt elle se portait bien dans son enfance et pensait, peut-être comme tout le monde dans l’enfance, par les images musculaires, tantôt le sens musculaire fonctionnait seul comme pendant les crises, tantôt le sens visuel étant supprimé comme dans son attaque d’anesthésie oculaire, il fallait bien penser autrement, et les souvenirs s’étaient alors réunis autour d’autres images. »
« Les passes, je ne sais vraiment pas pourquoi, ont agi comme auraient fait des plaques métalliques (des plaques d’or pour elle [refinada!]), ou comme aurait agi l’électrisation par une machine statique, et lui ont rendu les sens perdus. » « Lucie va se retrouver la même qu’au début, va promener ses yeux de tous côtés et recommencer à penser avec ses images visuels. »
« La même démonstration serait interminable s’il fallait la répéter sur tous les sujets. On pourrait démontrer facilement, croyons-nous, que Léonie est visuelle à l’état de veille, auditive en somnambulisme ordinaire où elle a une ouïe hyperexcitée, et motrice ou tactile en état 3. » « Mais elle a au contraire une ouïe à peu près normale ; elle aime la musique, a été chanteuse dans un café concert et s’irrite quand elle entend chanter faux. Cette analyse des sens nous montre que c’est une auditive, ce qui est assez rare chez les hystériques à l’état de veille » « On parle bien avec le sens auditif, mais on ne marche pas, car les mouvements des jambes s’associent difficilement avec des images de l’ouïe ; aussi cette malheureuse devient-elle paraplégique dès quelle perd la sensibilité musculaire des membres inférieurs. Pour une hystérique il n’est pas bon d’être musicienne. Elle a appris tant bien que mal à remuer son bras gauche par des images visuelles et ne peut s’en servir qu’en le regardant; elle n’a de mouvements libres que ceux du bras droit par le sens musculaire conservé et ceux du langage par le sens auditif. »
« Il semble, je n’ose pas conclure avec certitude, que, retrouvant le sens visuel, elle entrait dans un état auquel elle n’était pas accoutumée et dans lequel elle ne savait pas user du langage. Comme elle ne savait pas, ainsi que faisait Lucie, remuer ses jambes au moyen des images visuelles, je ne pouvais pas non plus dans cet état détruire sa paraplégie. Dans un autre état somnambulique, que je n’obtins que beaucoup plus tard et avec mille difficultés, elle retrouvait le sens tactile et musculaire d’abord du côté droit, puis du côté gauche, et alors il lui suffisait d’un faible effort pour décontracturer ses jambes et se mettre à les remuer sur mon simple commandement. Elle était devenue motrice, ce qu’elle avait été probablement une grande partie de sa vie, car elle parlait alors très facilement, retrouvait tous les souvenirs en apparence perdus à l’état de veille et n’avait plus aucune paralysie. Lorsqu’on réveillait Rose, elle perdait de nouveau toutes ces sensibilités surajoutées, oubliait tout et malheureusement ne savait plus marcher. »
2.6 INTERPRÉTATION DE L’OUBLI AU RÉVEIL APRÈS LE SOMNAMBULISME
« Je suis convaincu que les appareils électriques seront prochainement le véritable instrument scientifique pour produire à volonté et régulièrement toutes les variétés du somnambulisme. »
« Une hystérique anesthésique, morphinée à la dose de 8 centigrammes par jours, vit ses douleurs disparaître et sa sensibilité normale se réveiller… L’abstinence ramena les symptômes hystériques. »
Benjamin Ball, La Morphinomanie
« Le somnambulisme est chez les hystériques un accroissement de l’esprit par une excitation quelconque et non une diminution. » Por isso os começos da psicanálise até poderiam realmente curar histéricas, ao menos, desde que o tratamento fosse bem-feito. Outra coisa é a pseudanálise posterior alegando ou tentando curar neuróticos, até psicóticos, ansiosos, depressivos, fóbicos, com tratamentos cretinos! Janet 1 x 0 fraudismo.
« Peut-être existe-t-il des somnambulismes différents. L’hypnotisation des sujets sains possédant déjà tous leurs sens et toutes les images ne peut guère, si elle est possible, que les diminuer et leur supprimer diverses sensations. » « En réalité, il n’y a ni 2, ni 3 mémoires indispensables; il peut s’en présenter un nombre quelconque et indéterminé. Rose a au moins 4 ou 5 somnambulismes différents, ayant chacun une mémoire particulière. Il y a des sujets, comme N…, qui sont tellement instables, qu’ils ne reprennent le même somnambulisme qu’en étant endormis par la même personne et de la même manière »
« Cependant, dans cette série d’états de sensibilité et de mémoire qui peuvent se produire suivant une même loi, on peut, comme font les mathématiciens dans leurs séries, distinguer des points intéressants. » « Mais surtout on s’attachera à distinguer comme capital le dernier somnambulisme. J’appelle ainsi l’état dans lequel le sujet a retrouvé l’intégrité absolue de toutes les sensibilités qui sont naturelles à l’homme bien portant, et par conséquent l’intégrité absolue de la mémoire, en un mot, l’état dans lequel le sujet n’a plus aucune anesthésie ni aucune amnésie. » « Mais il est quelquefois très difficile à obtenir, et les sujets y parviennent plus ou moins vite, quelquefois après un seul somnambulisme intermédiaire, comme Lucie ou Wittm… (dans l’étude de Jules Janet), ou bien après plusieurs intermédiaires, comme Rose, ou même ne l’atteignent pas complètement, comme Léonie, qui, dans le dernier somnambulisme que je puisse obtenir avec elle, a encore des anesthésies. »
« Tout le monde remarquera, comme j’en ai été frappé dès la première fois, que Lucie se sert du sens de la vue quand elle est éveillée et du sens du tact quand elle est endormie : cela est manifeste. Mais, chez d’autres sujets, les modifications seront beaucoup moins visibles »
« Le somnambulisme change ces images prédominantes, sans donner précisément des sensibilités nouvelles ; il relève de leur effacement certaines images particulières et en fait un centre nouveau autour duquel la pensée s’oriente d’une manière différente. Réveillés, ces sujets reprennent leur pensée habituelle, négligent par distraction ces images et par conséquent les souvenirs qui y sont liés; ils ne peuvent plus les retrouver, car ils sont incapables du petit effort qu’il faudrait faire pour modifier un peu la forme habituelle de leur pensée. »
« Un jeune homme H., qui avait un somnambulisme de ce genre, avait tout oublié au réveil, mais, peu à peu, dans le courant de la journée, il retrouvait un à un tous les souvenirs du somnambulisme : le lendemain il pouvait tout me raconter. »
« Ce qui produit l’oubli des rèves au réveil, c’est que l’orientation de l’esprit change soudainement. »
Paulhan
« J’ai essayé de préciser un peu plus cette explication générale des phénomènes de l’oubli et de l’adapter plus exactement aux faits que j’avais étudiés. Sans doute, les exemples que j’ai donnés sont insuffisants pour démontrer qu’il en est toujours ainsi, et nous n’avons pas toujours un moyen bien précis et bien sûr pour apprécier les différences dans les images qui amènent les différences dans les souvenirs. »
2.7 LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES : MODIFICATIONS SPONTANÉES DE LA PERSONNALITÉ
« Le jugement synthétise les faits différents, constate leur unité, et, à propos des différents phénomènes psychologiques éveillés par les impressions sensibles ou le jeu automatique de l’association, forme une idée nouvelle : celle de la personnalité. Nous n’avons pas, dans cette étude sur la partie automatique et non sur la partie active de l’esprit, à étudier ce jugement d’unité. »
« Dans le cours d’une longue vie, un homme peut être successivement plusieurs personnes si dissemblables que, si chacune des phases de cette vie pouvait s’incarner dans des individus distincts et si l’on réunissait ces divers individus, ils formeraient un groupe très hétérogène, se feraient mutuellement opposition, se mépriseraient les uns les autres et se sépareraient vite sans souci de se revoir jamais. »
Forster¹
¹ Não identificado.
« C’est moi qui ai tremblé devant ce péril imaginaire? C’est moi qui ai pu aimer cette coquette? C’est moi qui me suis dévoué à ces croyances? Mais c’est impossible et je ne me reconnais pas. »
« Heureusement, ces changements sont survenus peu à peu et ils n’ont porté en réalité que sur les phénomènes complexes et secondaires de notre esprit, nos croyances, nos ambitions, nos désirs. »
« Les hommes les plus sains d’esprit présentent presque toujours, dans leurs rêves, le premier signe, la première ébauche des changements beaucoup plus graves qui peuvent se produire dans la personnalité de certains malades. »
« Si je puis me décrire moi-même dans ces études expérimentales, je crois appartenir entièrement au ‘type moteur’ ; quand je suis éveillé, je ne pense qu’en parlant tout haut ou en écrivant, et ma pensée est toujours un geste à demi arrêté. La nuit, au contraire, je garde, ainsi que je l’ai souvent constaté, l’immobilité la plus absolue, je suis simple spectateur et non plus acteur »
« chez les hommes bien portants, cette tendance à la formation d’une mémoire et d’une personnalité secondaire dans le songe, reste rudimentaire. »
« Un de mes amis a remarqué que sa femme, qui souvent parle beaucoup et distinctement dans le sommeil, ne peut jamais se ressouvenir de ses rêves lorsque cela lui arrive ; mais qu’au contraire elle se les rappelle fort bien lorsqu’elle n’a pas parlé en dormant. »
Erasmus Darwin
O PORQUÊ DO PRIMEIRO PORRE SER TÃO DIFERENTE: « L’éther, le chloroforme ou simplement l’alcool, quand ils agissent pour la première fois, désagrègent simplement la pensée normale, empêchent les jugements d’unité de se former et ne laissent subsister dans le délire que des éléments psychologiques épars. Mais si ces empoisonnements se répètent, ces fragments de pensée se réunissent et forment une nouvelle synthèse psychologique, avec sa mémoire qui lui est propre, semblable à une vie somnambulique. »
« Les crises de ce genre sont, en général, d’assez courte durée : c’est que la personnalité n’y est pas assez complète, car la durée d’un état psychologique est ordinairement comme celle d’un être en raison de sa perfection. » « Aussi ce composé instable ne tarde pas à se défaire et le composé plus complet et plus ancien, qui formait la vie normale, réapparaît à son tour. Mais supposons que, par certains hasards, la rencontre des atomes intellectuels ait formé un composé plus complet et plus stable, la nouvelle vie psychologique, qui se forme peu à peu et qui est anormale pour le sujet, ressemble tout à fait à ce qui est la vie normale pour une autre personne. »
« Le sujet était ordinairement un visuel, il est maintenant un moteur ; cela aura sans doute des inconvénients plus tard, car, s’il revient au premier état, il ne se souviendra plus du second, mais maintenant il ressemble aux gens qui sont ordinairement moteurs et il ne s’en porte pas plus mal. C’est là ce qui se passe, croyons-nous, chez ces personnes devenues célèbres dans l’histoire de la science, Félida X, Louis V et bien d’autres. »
« La somnambule de Dufay,¹ quand elle tombe en état second, n’est plus myope comme en état premier, elle a un langage enfantin et parle nègre : ‘Moi pas bête maintenant’, dit-elle. »
¹ Não identificado.
« Tous ces personnages, comme on le sait aussi, changent de caractère et de conduite en même temps qu’ils changent de sens et de langage. Félida, qui est triste et qui pense au suicide dans son état prime, est gaie et courageuse dans l’état second ; elle est égoïste et froide dans la première existence, elle a plus d’affection et de dévouement dans la seconde. Louis V est tantôt doux, obéissant et timide, tantôt colère, insubordonné et arrogant, tantôt enfant et craintif, tantôt jeune homme emporté : à aucun point de vue il ne reste le même. »
2.8 LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES. — LES CHANGEMENTS DE PERSONNALITÉ DANS LES SOMNAMBULISMES ARTIFICIELS.
« il n’y a pas un seul phénomène constaté pendant le somnambulisme, anesthésie ou excitation sensorielle, paralysies, contractures, émotions ou faiblesse intellectuelle, etc., qui ne se retrouve fréquemment chez une autre personne pendant sa vie ordinaire. » « Un sujet qui est idiot, ou aveugle, ou intelligent en somnambulisme, ne l’est pas autrement que celui qui est idiot, aveugle ou intelligent pendant sa vie normale, seulement il ne l’est pas toute sa vie. »
« Mais cet état, que nous qualifions de somnambulisme chez Rose, est en ce moment la vie normale de Marie, qui depuis 1 mois est hémi-anesthésique gauche, et les caractères de cet état sont exactement les mêmes chez elle. Bien plus, Rose elle-même, il y a quelque temps, a passé 3 mois, comme nous l’avons vu, en hémi-anesthésie gauche. Elle était donc naturellement pendant ces 3 mois dans l’état qui est maintenant un somnambulisme. »
« l’hypnotisme est très rare chez les véritables épileptiques. »
« D’abord, la seconde personnalité qui vient de naître subira l’influence des idées et des manières de son magnétiseur comme un enfant subit l’influence de ses parents. »
« Pourquoi Léonie est-elle catholique pratiquante à l’état de veille et protestante convaincue en somnambulisme ? C’est tout simplement parce que son premier magnétiseur était protestant, il ne faut pas chercher là d’autre mystère. Pourquoi certains somnambules ont-ils sans cesse une attitude dramatique ? C’est parce qu’on les a exhibés sur des planches comme des bêtes curieuses et qu’ils ont appris à jouer un rôle et à simuler quoique étant réellement en somnambulisme. »
« M. Beaunis nous dit qu’il n’a jamais rencontré de mensonges de la part d’une somnambule. C’est qu’il a été bien heureux: il y a des somnambules qui mentent comme Lucie, ou qui sont l’honnêteté même comme Léonie, ainsi que, dans la vie normale, il y a des mauvais et des bons. »
« Les somnambules disent qu’ils dorment parce qu’on leur a dit qu’on les endormait et que, dans la pensée populaire, magnétiser veut dire endormir. Il est même mauvais de trop répéter cela au somnambule, car il finit par se croire obligé de dormir réellement et prend une expression abrutie qui n’est pas indispensable. »
« Souvent aussi les choses se passent autrement et, soit peu à peu par le progrès de la seconde existence, soit brusquement à la suite d’un changement trop fort, le sujet refuse de se reconnaître, se moque de son ancienne personnalité et prétend être une nouvelle personne. »
« Les somnambules parlent d’eux-mêmes à la troisième personne, dit Delenze, comme si leur individu dans l’état de veille et leur individu dans l’état de somnambulisme étaient 2 personnes différentes… Mlle. Adélaïde ne convenait jamais de l’identité d’Adélaïde avec Petite, nom qu’elle recevait et se donnait pendant sa manie (somnambulisme), etc. »
« Tous les écrivains du magnétisme animal ont d’ailleurs décrit ce fait, qui est aussi fréquent qu’il est curieux. »
« N’insistant pas sur cette singulière réponse qui n’est peut-être pas absurde, je lui demandais de quel nom il fallait l’appeler, elle voulut prendre le nom de ‘Nichette’. Ce petit nom ne doit pas faire sourire : aucun détail n’est insignifiant dans ces phénomènes délicats. C’était là le petit nom par lequel on désignait cette personne dans sa première enfance et elle le reprenait en somnambulisme. »
« M. le Dr. Gibert m’a raconté qu’une femme de 30 ans, endormie pour la première fois, parlait d’elle-même sous le nom de la petite Lilie. Pourquoi ce retour à l’enfance? Est-ce parce que les hystériques, ordinairement visuelles à l’état de veille, reprennent leur sens musculaire dans ces somnambulismes profonds et que ce sens a été probablement le plus utilisé dans l’enfance ? »
« Enfin, il peut arriver que tout changement d’état soit assez accentué pour produire l’illusion du dédoublement de la personnalité. Léonie, dès le premier somnambulisme que nous avons décrit, refuse son nom ordinaire et prend celui de Léontine auquel ses premiers magnétiseurs l’avaient habituée. »
« Ce nouveau personnage, Léonie 2, s’attribue toutes les sensations et toutes les actions, en un mot, tous les phénomènes psychologiques qui ont été conscients pendant le somnambulisme y et elle les réunit pour former l’histoire de sa vie déjà fort longue ; elle attribue au contraire à Léonie 1, c’est-à-dire à la personne normale pendant la veille, tous les phénomènes qui ont été conscients pendant la veille. » « Léonie, à l’état normal, a un mari et des enfants, Léonie 2, pendant le somnambulisme, attribue le mari à l’autre, mais s’attribue à elle les enfants. Ce choix était peut-être explicable, mais il ne semblait pas régulier. J’ai fini par apprendre que les magnétiseurs anciens, tout aussi audacieux que certains hypnotiseurs d’aujourd’hui, avaient provoqué le somnambulisme au moment des premiers accouchements, et que l’état second était revenu de lui-même au moment des derniers. Léonie 2 n’avait pas tort de s’attribuer les enfants, car c’était bien elle qui les avait eus »
« Cette séparation d’un même être en 3 personnes successives, qui se méprisent réciproquement quand elles peuvent se connaître, forme un spectacle des plus curieux et donne lieu à quantité d’incidents que je ne pourrais rapporter sans allonger indéfiniment mon livre. Léonie s’endort en chemin de fer et passe à l’état 2 ; au bout de quelque temps Léonie 2 veut redescendre pour aller chercher à la station précédente cette pauvre Léonie 1 ‘qui, dit-elle, y est restée et qu’il faut prévenir.’ Si je montre à Léonie 2 un portrait de Léonie 1 : ‘Pourquoi a-t-elle pris mon bonnet ?, s’écrie-t-elle, c’est quelqu’un qui s’est habillé comme moi.’Quand elle vient au Havre, il faut que je dise bonjour successivement aux 3 personnages qui recommencent successivement la même émotion d’une manière bien amusante.Il est inutile d’insister sur ces anecdotes, on devine les situations singulières qui doivent résulter d’une semblable subdivision. »
« Sans doute certains sujets ne peuvent pas rester indéfiniment dans certains états somnambuliques. Léonie 1 ne pouvant absolument rien manger en état de Léonie 2, ne pourra pas y rester plus d’une journée, mais ce n’est pas parce que l’état est second qu’il ne peut pas durer, c’est parce qu’il ne contient pas certains éléments nécessaires à la vie. Il est dangereux, écrivent quelques auteurs, de laisser un sujet plus de 24h en somnambulisme, car il commence alors à se refroidir. Certainement, si vous laissez un sujet immobile, incapable de remuer et de manger, il doit se refroidir assez vite. Mais si, au contraire, on choisit un état somnambulique complet qui forme une seconde vie sans doute, mais une seconde vie régulière, analogue, comme nous l’avons dit, à la vie normale de telle ou telle autre personne, il n’y a pas de raison pour que le sujet n’y reste pas fort longtemps. »
« Le célèbre Abbé Faria prétend que certains de ses sujets sont restés endormis pendant des années et oubliaient à leur réveil tout ce qui s’était passé pendant cette longue période. Un magnétiseur nommé Chardel¹ endormit 2 jeunes filles pendant l’hiver et ne les réveilla que plusieurs mois après au milieu du printemps; elles furent bien surprises en se réveillant de voir des feuilles et des fleurs sur les arbres qu’elles se souvenaient d’avoir vus couverts de neige avant de s’endormir. »
¹ Frédéric Charles Chardel (1776-1849), sem obras relevantes.
« Ces récits ne doivent pas être mensongers, car la vérification en est assez facile à faire : j’ai maintenu moi-même Rose en somnambulisme pendant 4 jours et demi sans aucune difficulté, car elle se portait très bien pendant ce temps, mangeait et dormait beaucoup mieux que dans son état normal. »
« Pourrait-on laisser les sujets indéfiniment dans ce second état ? ce serait un moyen bien facile de guérir complètement l’hystérie. Malheureusement la chose me paraît fort difficile. Cet état a paru, au moins pour mes sujets, être une fatigue et les épuiser rapidement. Certaines, comme Léonie et Lucie, ont besoin de dormir fréquemment pendant quelques minutes pour se reposer, et les hystériques en général ne se maintiennent dans cet état d’intégrité sensorielle qu’au moyen d’excitations renouvelées de temps en temps, passes, courant électrique, etc. Il est probable que peu à peu les hystériques reprendraient leurs tares, leurs anesthésies habituelles et rentreraient dans leur état normal avec l’oubli de tout ce qui s’est passé pendant leur existence plus complète. »
« Est-ce une décadence ou un progrès pour un sujet de passer de l’une à l’autre ? Beaucoup d’auteurs se sont prononcés pour la seconde solution. » « Il y a un nombre infini de formes d’existences psychologiques, depuis celle qui ne contient qu’un seul fait isolé rudimentaire sans jugement et même sans personnalité jusqu’à la pensée de la monade supérieure dont parle Leibniz et qui représenterait en raccourci tout l’univers. » « Il est évident que Lucie 3, Rose 4 ou Léonie 3 sont supérieures et de beaucoup à Lucie 1, Rose 1, Léonie 1. Mais il s’agit là de femmes hystériques, et cette existence supérieure qu’on leur rend est simplement une existence normale, celle dont elles devraient jouir continuellement, si elles n’étaient pas malades. »
« Est-il possible d’aller au delà? Peut-on dépasser ces états somnambuliques chez ces sujets, ou donner à d’autres sujets sains, qui sont déjà naturellement en possession de cette forme d’existence, une autre forme d’existence supérieure ? C’est ce qu’ont pensé presque tous les anciens magnétiseurs quand ils étudiaient sur leurs sujets des sens nouveaux ou des facultés surnaturelles. C’est ce que pense M. Myers quand il parle de réadaptations nouvelles de notre personnalité en rapport avec de nouveaux besoins. C’est là une étude dans laquelle nous ne pouvons pas entrer; il nous suffît d’avoir montré à quel point elle touche notre sujet et comment elle est possible. »
3. LA SUGGESTION ET LE RÉTRÉCISSEMENT [RECOLHIMENTO] DU CHAMP DE LA CONSCIENCE
« On a donné le nom de suggestion à cette influence d’un homme sur un autre qui s’exerce sans l’intermédiaire du consentement volontaire. » « Après una revue historique rapide et forcément incomplète, qui a surtout pour but de montrer combien l’étude de la suggestion est ancienne, nous nous contenterons de rappeler par quelques exemples les faits les plus importants. »
3.1 RÉSUMÉ HISTORIQUE DE LA THÉORIE DES SUGGESTIONS
« Faire l’histoire de la suggestion à notre époque ce serait faire l’histoire complète de l’hypnotisme, que nous ne puvons avoir l’intention d’entreprendre. »
« Beaucoup de charlatans se sont couverts et essayent encore de se revêtir de ce nom de magnétiseurs, mais ce n’est pas une raison pour jeter un mépris général sur tous ceux qui ont été les véritables précurseurs de la psychologie expérimentale. »
« Rien ne serait plus facile, pour tous les faits sans exception qui ont été signalés dans les ouvrages d’hypnotisme moderne, que d’emprunter des exemples aux ouvrages publiés de 1850 à 1870. Mais, si les magnétiseurs connaissaient ces phénomènes, ils les expliquaient mal et faisaient intervenir inutilement un fluide mystérieux. » « Leurs théories de physiologie fantaisiste ne s’appliquaient guère qu’au premier fait, c’est-à-dire aux procédés à employer pour amener le sujet à l’état de suggestibilité, et quant à la suggestion elle-même, ils l’expliquaient par des lois uniquement psychiques. »
« Si on préfère des théories outrées dans lesquelles on rapporte à l’influence morale du magnétiseur (…) tous les phénomènes possibles, il est facile d’en trouver bien des exemples. Bertrand explique ainsi les croyances singulières des somnambules ; la prétendue vue du fluide, la prévision des maladies et même l’action des métaux. ‘Ce sont toujours les idées des magnétiseurs qui ont de l’influence sur les sensations des somnambules… les métaux, lorsque les magnétiseurs le veulent, ne doivent avoir aucun empire sur les personnes magnétisées, c’est l’idée qui les rend nuisibles.’ »
« les explications les plus nettement psychologiques des stigmates des convulsionnaires se trouvent complètement exposées dans les ouvrages de Charpignon. »
3.2 DESCRIPTION DE QUELQUES PHÉNOMÈNES PSYCHOLOGIQUES PRODUITS PAR SUGGESTION
1er Phénomènes d’apparence cataleptique. « L’individu cataleptique ne parle pas, ne comprend pas ce qu’il fait, semble n’avoir aucune idée ni de sa personnalité ni des actes qu’il exécute ; il a, comme disait Maine de Biran, la sensation et non l’idée de sa sensation. Les sujets dont nous parlons maintenant sont tout différents : ils parlent et comprennent la parole, ils ont une personnalité, ils se rendent compte de ce qu’ils font. »
2e Actes et hallucinations déterminés par la parole.« Le véritable intérêt de la suggestion se trouve dans les commandements que l’on peut donner par la parole. En effet, les paroles que l’on adresse à ces sujets, au lieu d’être répétées sans intelligence comme par les cataleptiques, sont comprises, et par leur sens déterminent toujours, sans le consentement de la personne, des actes et des hallucinations. (…) Aussitôt le sens des paroles compris, l’acte est exécuté. [malgré le pacient] »
« On lui fait entendre ainsi le son des cloches, des chants, des fanfares, on lui fait voir des fleurs, des oiseaux, sentir des odeurs, apprécier des goûts, soulever des fardeaux imaginaires, etc. »
« Léonie est capable de relire par hallucination des pages entières d’un livre qu’elle a lu autrefois, et elle distingue l’image avec tant de netteté qu’elle remarque encore des signes particuliers, comme les numéros des pages et les numéros des feuilles au bas de certaines pages »
« Au début de mes recherches sur le somnambulisme, n’étant qu’à demi convaincu de la puissance de ces commandements, je commis l’étourderie grave de faire voir à une somnambule un tigre entrant dans la chambre. Ses mouvements convulsifs de terreur et les cris épouvantables qu’elle poussa m’ont appris qu’il fallait être plus prudent, et depuis je ne montre plus à l’imagination de ces personnes que des belles fleurs et des petits oiseaux. » « Marie caresse doucement les petits oiseaux ; Lucie les saisisse vivement à 2 mains pour les embrasser ; Léonie, qui se souvient de la campagne, leur jette du grain à la volée (…) aucune femme ne peut voir une fleur par hallucination sans la porter à son nez, puis la mettre à son corsage. »Hahaha!
« D’après les observations de M. Féré, ‘l’état de la pupille varie avec la distance présumée de l’hallucination.’ »
« En un mot, il y a aussi bien mouvement à propos de la suggestion d’hallucination, que hallucination à propos de la suggestion de mouvement ; les 2 choses ne peuvent pas être séparées. »
3e Actes ou hallucinations avec point de repère [vue].« Si je dis à Marie qu’elle verra un papillon traverser la chambre quand l’heure sonnera, ou qu’elle verra un oiseau sur l’appui de la fenêtre, le phénomène est identique » « À n’importe quel moment du somnambulisme, si Marie regarde du côté de la fenêtre, elle reverra son oiseau, et cette liaison peut persister indéfiniment (…) Si maintenant Marie ne voit plus l’appui de la fenêtre, elle ne verra plus l’oiseau (…) Enfin, si le point de repère varie d’une manière quelconque, grandit, diminue, se dédouble, etc., l’hallucination aura exactement le même sort. C’est là le phénomène qui a été si bien étudié par MM. Binet et Féré dans leurs expériences originales de la lorgnette, du miroir, du prisme. (…) En un mot, l’acte ou l’hallucination suggérés peuvent être rattachés à une certaine sensation qui sert de signal ou de point de repère et en dépendent alors absolument. »
« le champ de la représentation, plus étendu que le champ de la sensation, est formé par une synthèse des champs visuels. »
Binet¹
¹ Alfred Binet já possui muitas obras recomendadas no Seclusão.
« Si on précise l’endroit où l’objet doit se trouver en disant qu’il est à gauche, ou bien si on ferme l’oeil droit du sujet en laissant l’oeil gauche ouvert, on ne peut plus produire chez Marie aucune hallucination visuelle. M. Paul Richer a signalé ce fait l’un des premiers. » « Si, après avoir donné une hallucination à Marie au moment où elle a les 2 yeux ouverts, je lui ferme l’oeil droit, elle ne voit plus clair et ne distingue plus les points de repère auxquels son hallucination était rattachée ; elle a alors complètement perdu de vue l’oiseau ou la fleur que je lui montrais. Si, au contraire, on lui donne une hallucination quand elle a les yeux fermés, cette image ne se rattache à aucun point de repère et peut persister malgré la fermeture des yeux. »
« Il est possible de faire éprouver à un même sujet 2 hallucinations différentes simultanément, une à droite et l’autre à gauche ; ainsi, on lui fera sentir le goût du rhum sur le côté droit de la langue et le goût d’un sirop sur le côté gauche, on lui fera voir par un oeil une scène horrible et par l’autre un riant tableau champêtre. »
Bérillon, La dualité cérébrale, 1884
« Ces auteurs [além de Bérillon,DumontpalliereMagnan] tirent de ce fait des conclusions qui me paraissent bien graves sur l’indépendance fonctionnelle des 2 hémisphères cérébraux. Sans préjuger de la théorie en elle-même, je crois qu’il faut renoncer à employer ce fait particulier comme moyen de démonstration. [Car] Les hallucinations simultanées et de nature différente sont faciles à reproduire pour les sens qui sont répandus sur une assez large surface et qui peuvent fournir au sujet plusieurs points de repère simultanés. [dos pés à cabeça! não só em longitude, mas em latitude, transversalidade, etc., por que não?]»
“Sur mon ordre, Marie a simultanément la sensation de chaleur au pouce de la main droite et de froid au petit doigt de la même main » Bem como vê duas ilusões antitéticas pelo mesmo olho.
« Les sujet ne trompe pas, comme on pourrait le croire, car il ne consent pas plus à cette suggestion qu’aux autres, c’est l’opérateur qui se trompe lui-même en ne tenant pas assez compte des lois psychologiques quand il s’occupe de phénomênes qui sont psychologiques. »
4e Actes et hallucinations complexes ou à développement automatique. « Au lieu de commander l’un après l’autre chaque mouvement ou chaque hallucination, il suffit, avec certains sujets, de leur indiquer une idée initiale qui, avec une apparente spontanéité, se développe dans leur esprit de toutes manières et se manifeste par une longue suite d’actes et d’hallucinations diverses. ‘Tu vas écrire une lettre,… tu vas chanter un air,’ dis-je à Lucie ou à Rose, et elles vont faire leurs préparatifs pour écrire, composent une lettre ou bien chantent indéfiniment toutes sortes de morceaux. »
« Une pièce d’or réelle produit chez ce sujet une contracture générale si elle est appliquée au front ; une pièce d’or imaginaire que l’on met dans sa main et qu’il s’applique lui-même au front produit le même résultat. L’ongle du pouce est hyperesthésié ; si on le frappe, le sujet a des petites convulsions et des contractures ; l’hallucination d’un oiseau sur sa main la fait pensar à un coup de bec imaginaire donné par l’oiseau sur son ongle et elle a une petite crise convulsive. (…) C’est là ce qui rend ces rêves mimés si amusants quand on a affaire à un sujet vif e assez intelligent. L’hallucination ‘d’un voyage’, comme elle disait, devenait chez Lucie une véritable comédie avec milles de péripéties inattendues. Non seulement elle éprouvait le mal de mer sur les bateaux, comme le sujet dont parle Richet, mais elle se figurait tomber dans l’eau, nageait sur le parquet et se relevait dans une île déserte en grelottant. Naturelement je lui ai fait faire les plus belles expéditions sur la lune, au crente de la terre, etc. : il me suffisait de lui donner un thème sur lequel son imagination brodait les complications les plus extravagantes. Je ne puis insister sur ces spectacles comiques ; ils sont toujours surprenants à voir, mais ils sont maintenant trop connus pour qu’on les décrive. »
« Léonie étant en somnambulisme, je la pique avec une épingle du côté droit (côté sensible), elle pousse un cri et la voilà qui se fâche contre sa main gauche »
« L’expérimentateur est sans cesse exposé à prendre une association d’idées de son sujet pour une loi générale de la psychologie. »
5e Hallucinations générales ou modification de toute la personnalité par suggestion. « Si on affirme au sujet qu’il recommence une période passée de sa vie, qu’il n’a plus que tel âge, ou simplement si on lui donne une attitude, une contracture, un état de sensibilité particulier qu’il avait à tel ou tel âge, on le voit prendre en même temps tous les caractères physiques et moraux qu’il avait à cette époque et revivre pour ainsi dire complètement une période écoulée de son existence. Le sujet sent, pense et parle comme il faisait à ce moment ; il croit voir et entendre ce qui existait alors, il n’a plus d’autres souvenirs que ceux qu’il pouvait avoir à cette époque. »
O ESTADO DE SUGESTÃO SERIA DIFERENTE DA PERSONALIDADE SECRETA AUTÔNOMA DO SONAMBULISMO: « Pendant un de ces changements de personnalité obtenus par suggestion lors du premier somnambulisme, le sujet ne garde aucun souvenir des autres changements. (…) étant princesse, il ne sait pas ce qu’est Léonie et ne veut même pas croire que ce soit une pauvre paysanne habitant sur ses terres ; il ne souvient pas non plus de l’état de somnambulisme ordinaire et du personnage de Léonie 2 » « elle ne sait plus mon nom ; si elle me parle, elle m’incorpore à son rêve et me donne un nom de fantaisie, Marquis de Lauzun » « quand elle est général, elle me prend pour un colonel et m’offre… une absinthe. » « Elle garde en outre, dans un de ces changements, le souvenir du changement exactement pareil qui a eu lieu autrefois. » « Quand l’hallucination est terminée, quand elle cesse d’être princesse, Léonie revient à son somnambulisme ordinaire sans passer par aucun intermédiaire, ni léthargie, ni catalepsie. (…) Léonie 2 de retour garde le souvenir du changement de personnalité [l’être princesse, comme s’il venait d’un rêve curieux] (…) Si quelquefois ce souvenir manque complètement dans le somnambulisme de Léonie 2, nous sommes certains de le retrouver dans le second somnambulisme, Léonie 3, qui se souvient de tout le reste de sa vie (…) Est-elle assez bête, cette pauvre Léonie ? dit-elle ; elle a cru être une princesse, c’est vous qui lui faites croire cela. »
« l’état de la mémoire a tant d’importance dans ces phénomènes que je crois pouvoir me servir de cette différence pour séparer ces 2 changements dans la notion de la personnalité sans en méconnaître les analogies. »
« il faudrait un volume de citations pour rappeler les guérisons miraculeuses des saints et des apôtres et les guérisons par des pilules de mie de pain baptisées de beaux noms. »
3.3 DIVERSES THÉORIES PSYCHOLOGIQUES SUR LA SUGGESTION
« quelques médecins et même quelques philosophes d’aujourd’hui n’hésitent pas à expliquer dans tous ses détails la physiologie des centres nerveux pendant l’hypnose. J’admire ce courage, mais je ne me sens pas capable de l’imiter et je m’en tiendrai aux études uniquement psychologiques qui ont été faites sur ce curieux phénomène. » Haha!
1e La suggestien considérée comme un fait psychologique normal. « Les auteurs qui recherchent attentivement ces faits dans la vie normale citent toujours la marche au pas, la rougeur des timides, le fou rire des jeunes filles¹ et le bâillement contagieux : mais il y a un abîme entre ces faits, tout réels qu’ils soient, et les hallucinations complexes ou les changements de personnalité par suggestion. »
¹ Interessante: risada involuntária, ataque ou crise de riso, risada histérica assim mesmo dicionarizada… E restrita ao sexo feminino tendo em vista se tratar ainda do século XIX, quando a moral exigia dos rapazes não se equiparar a costumes tidos pelos homens da sociedade como irritantes ou indignos, i.e., “coisa de mulher”.
“Cette doctrine, qui assimile trop le phénomène de la suggestion à l’automatisme normal, présente un autre inconvénient assez grave. Elle nous dispose à considérer la suggestion comme un fait primitif existant naturellement, indépendent de tout autre phénomène et capable au contraire d’expliquer tous les autres. Anesthésie, amnésie, changement de personnalité, somnambulisme, etc., tout devient un résultat de la suggestion. Quant à la suggestion elle-même qui explique tout, on n’en cherche pas l’origine, car elle est un fait naturel donné. »
« La suggestion ne peut ni se créer ni se détruire elle-même : pas plus qu’il n’est logique de croire que l’on peut suggérer à un individu d’être suggestible quand il ne l’est pas, on ne peut dire que l’on va suggérer à un malade de ne plus être suggestible quand il l’est. (…) La suggestion est, comme l’éducation, elle se sert de dispositions antérieures, elle ne les crée pas ;de même qu’il y a des animaux et même des hommes rebelles à l’éducation et qui ne peuvent être transformés par elle, il y a des hommes, et c’est heureusement la majorité, qui sont rebelles à la suggestion et qui ne la subissent qu’après une modification accidentelle et étrangère de leur organisme psychologique. »
« il y a lieu de chercher quel est l’état, le caractère anormal dont dépendent les phénomènes que nous avons énumérés. »
2e La suggestion expliquée par l’état somnambulique.
« L’automatisme ou l’aboulie caractérisent le somnambulisme au point de vue psychique comme au point de vue somatique. »
Richet
« Dans le somnambulisme, l’automatisme est absolue et le sujet ne conserve de spontanéité et de volonté que ce que veut bien lui en laisser son hypnotiseur. »
Beaunis
« Sans doute, il y a dans cette hypothèse qui rattache la suggestion à l’état de somnambulisme un certain degré de vérité qu’il ne faut pas nier… Mais, au point de vue théorique, cette assimilation entre les deux phénomènes me parait présenter des inconvenients et amener à une interprétation inexacte du somnambulisme. »
« la suggestibilité peut être très complète en dehors du somnambulisme artificiel ; elle peut être totalement absente dans un état somnambulique complet ; en un mot, elle ne varie pas en même temps et dans le même sens que cet état lui-même. » « Le somnambulisme naturel présente déjà quelques différences qui le séparent du somnambulisme hypnotique » « et je ne puis vraiment pas comprendre cette habitude de plusieurs auteurs d’assimiler l’état d’un sujet hypnotisé avec le sommeil véritable. »
« Il en est de même dans l’ivresse du haschich : je ne rapporterai pas mes propres observations, car je n’ai pu observer cette ivresse qu’une seule fois et dans de mauvaises conditions ; d’ailleurs, les descriptions de Moreau de Tours sont trop belles et trop précises pour que je ne les cite pas : ‘Livré à lui-même, le haschiché subira les influences de tout ce qui frappera ses yeux, ses oreilles : un mot, un geste, un son, le moindre bruit donnera à ses illusions un cachet déterminé ; quelques paroles font passer de la joie à la tristesse et toutes les idées précédemment si joyeuses deviennent lugubres’ » « mais cela ne se produit ainsi que lorsque le délire est très fort ; autrement les idées ne font que traverser l’esprit et ne s’y fixent pas. »
« On sait que certaines personnes sont suggestibles à l’état de veille sans avoir subi aucune modification de leur conscience »
« On s’y trompe bien souvent, et on croit avoir mis un individu en état de somnambulisme, alors qu’on ne l’a pas modifié le moins du monde. On constate simplement une docilité, une passivité que l’on attribue au prétendu somnambulisme, parce que l’on n’a pas recherché si elles n’existaient pas exactement semblables avant le sommeil. »
« La plupart des auteurs (cfr. Richer) insistent sur l’inertie des sujets, incapables de faire un mouvement spontané et qui par eux-mêmes ne pensent à rien. C’est qu’ils n’ont pas dépassé dans leurs étude cete première période du somnambulisme, cet état presque cataleptique dans lequel certains sujets demeurent assez longtemps. »
« Ce n’est donc ni dans la définition du somnambulisme ni dans les causes qui le provoquent, qu’il faut chercher l’explication de la suggestion et de son singulier pouvoir. »
3e L’hyperexcitabilité psychique. « J’aurais d’abord quelques réserves à faire que l’on trouvera peut-être bien abstraites et pour ainsi dire métaphysiques sur cette expression : ‘l’intensité des phénomènes psychologiques.’Dans une discussion très remarquable à propos de la psycho-physique, un mathématicien anonyme, qui est en même temps un philosophe, faisait remarquer que les sensations ne peuvent ni s’égaliser ni s’additionner ; qu’en un mot 2 sensations, fussent-elles toutes 2 des minima, n’étaient pas comparables comme des unités mathémathiques. »
REMETE-TE A KANT : « Sans doute, les causes extérieures de nos sensations, le son, la température, etc., et même les effets de nos sensations dans le monde extérieur, mouvements, contractions musculaires, etc., sont mesurables et peuvent avoir des intensités différentes ; mais les sensations elles-mêmes, considérées par leur côté interne et vraiment seul réel, ont-elles des quantités correspondantes? Cela ne me parait pas évident. La température passe de 0º à 15º et de 15° à 30°, et ma sensation passe du froid au tiède et du tiède au chaud. Peut-on dire que ma sensation de chaud soit un multiple de ma sensation de froid ? »
« Avant de soutenir qu’une image est plus intense ou moins intense qu’une autre, il serait bon de nous prouver que les 2 images sont restées identiques en nature et qu’on ne prend pas une différence de qualité pour une différence de quantité. »Nem Pavlov poderá lhe ajudar!
SALTO QUÂNTICO (NÃO-QUANTITATIVO!): « il peut penser à un chien sans le voir, entendre parler d’une action sans l’exécuter; mais si on insiste, si on commande plus longtemps, l’idée devient hallucination et action. C’est qu’au début elle devait être faible et qu’elle est maintenant plus forte. Je pense au contraire que cette différence dans les résultats est due à ce que l’idée est maintenant toute différente. Les théories psychologiques qui assimilent à juste titre l’image et la sensation ne sont vraies que pour les phénomènes simples »
« L’idée d’un chien peut n’être qu’un rapport abstrait entre diverses images ou divers caractères; elle peut être un simple mot de nature différente suivant les personnes, ou n’être qu’une image très vague de couleur uniforme, en un mot quelque chose de très simple. La sensation réelle ou l’hallucination d’un chien est un ensemble d’images visuelles, tactiles, auditives même, très variées. Pour passer de l’une à l’autre, il faut, non pas renforcer, mais compléter l’image. »
« En un mot, considérez en fait les gens suggestibles et vous les trouverez faibles, hypo-excités, si l’on peut ainsi dire, et non hyperexcités. » « la suggestibilité serait plutôt une preuve de la faiblesse que de la force des phénomènes psychologiques. »
3.4 L’AMNÉSIE ET LA DISTRACTION
« C’est la théorie exprimée déjà à plusieurs reprises par M. Richet qui nous paraît avoir le plus de vraisemblance et à laquelle nos propres expériences nous poussent à nous rallier. » « elles ont d’abord perdu la notion de leur ancienne existence, puis elles vivent, parlent, pensent absolument comme le type qu’on leur a présenté. »
« pour entraver un sentiment, un autre plus fort doit prendre naissance. »
« une amnésie considérable accompagne toujours les actes accomplis par suggestion. »
ADMINISTRAÇÃO DA ENERGIA: « Il faut reconnaître, ici encore, l’existence d’une seconde espèce d’anesthésie moins connue, mais dont l’importance psychologique est très grande. Un individu qui a une sensibilité normale est capable non seulement d’exercer tous ses sens successivement, mais, en outre, dans une certaine mesure, d’apprécier diverses sensations simultanément. Placé dans une réunion de plusieurs personnes, il peut suivre une conversation particulière, et entendre cependant une question qu’on lui adresse derrière lui, voir une personne nouvelle qui entre et se retourner à propos. Ce sont là des choses fort simples dont les personnes au tempérament suggestible sont complètement incapables. Si elles regardent une personne et lui parlent, elles n’entendent plus et même ne voient plus les autres. »
« Que Léonie tricote ou qu’elle écrive, c’est toujours avec la même tension d’esprit apparente ; on peut ouvrir la porte, lui toucher les bras ou la figure, lui parler sans qu’elle s’en aperçoive. Chose plus singulière, elle a sous les seins et sur l’ongle du pouce des points hyperesthésiés et hystérogènes dont le simple frôlement provoque des cris de douleur et même des convulsions. Quand elle est ainsi occupée par un travail ou par une simple conversation, je puis frapper sur sa poitrine ou sur son pouce sans qu’elle dise mot. »
« C’est un état exagéré de distraction, qui n’est pas momentané et ne résulte pas d’une attention volontaire dirigée uniquement dans un sens ; c’estun état de distraction naturelle et perpétuelle qui empêche ces personnes d’apprécier aucune autre sensation en dehors de celle qui occupe actuellement leur esprit. » « Elle se figure que les gens sont sortis dès qu’elle cesse de leur parler, et, quand on la force à faire de nouveau attention à eux, elle dit: ‘Tiens, vous êtes donc rentré ?’ » « Elle commence par me dire qu’elle ne veut causer qu’avec moi et qu’elle ne me quittera pas. Je la fais causer avec une autre personne et je cesse de lui parler, alors elle m’oublie complètement et, quand cette personne sort, elle veut la suivre comme s’il n’y avait plus qu’elle au monde. Il n’est pas plus difficile de comprendre maintenant pourquoi Léonie, quand je lui parle d’une princesse, a oublié sa situation de paysanne »
« De même que l’anesthésie tactile générale enlève tous les souvenirs liés au sens tactile, de même cette anesthésie, variable et momentanée pour certains objets que cause la distraction, enlève momentanément tous les souvenirs qui sont liés à la sensation de ces objets. »
« On sait les sottises que nous pouvons commettre dans un instant de distraction ; eh bien, si l’on tient compte des conditions de sa production, un acte suggéré qu’exécute le sujet est l’idéal de la distraction. »
3.5 LE RÉTRÉCISSEMENT DU CHAMP DE LA CONSCIENCE
« Les phénomènes qui font l’objet de la physiologie, écrivait Herbert Spencer,se présentent sous la forme d’un nombre immense de séries réunies ensemble. Ceux qui font l’objet de la psychologie ne se présentent que sous la forme d’une simple série. »
SENHOR K: « Sans doute, nous avons bien l’idée de la coexistence et même la notion des objets disséminés dans l’espace; mais cette notion, loin d’être primitive, serait dérivée de la notion de succession et de l’idée du temps. » Dê um chute no bordão (sociologuês)!
« depuis Stuart Mill, l’école anglaise s’est attachée à démontrer que ‘le temps est père de l’espace’. Si l’on adopte entièrement cette opinion, comme semble le faire Taine qui regarde la conscience comme un centre inétendu, une sorte de point mathématique, on trouvera peut-être singulier de parler encore du nombre des phénomènes psychologiques dans la conscience à un moment donné »
RELATIVITÉ AVANT LA LETTRE : « ainsi que l’ont montré les beaux travaux de Wundt et de ses élèves sur la durée des phénomènes psychiques, ces phénomènes ne se succèdent pas toujours avec la même rapidité, et 2 individus pourraient encore, dans un temps donné, présenter une quantité très différente d’images mentales. »
« Il ne nous parait guère possible, malgré les démonstrations curieuses données par les psychologues anglais, de faire sortir la notion d’espace de la notion de temps et le rapport de coexistence du rapport de succession. L’idée d’espace, qui est une idée originale, dérive en réalité de la sensation d’étendue que nous procure la coexistence réelle d’un grand nombre de sensations simultanées du sens de la vue ou du sens tactile (Voir Rabier, Leçons de philosophie, I).[de novo citação de um Rabier que sequer podemos encontrar na internet…]D’autre part, l’observation de nous-même ne nous montre pas la conscience ainsi réduite à l’unité. Pendant que j’écris cette page et que je pense aux différentes opinions des philosophes sur l’étendue de la conscience, je vois mon papier, ma lumière, ma chambre et j’entends en même temps le bruit sourd d’un concert dans la maison voisine, ce qui ne laisse pas de me causer une impression désagréable. » « D’ailleurs est-il possible qu’il en soit autrement ? Un seul acte, celui d’écrire, ne demande-t-il pas plusieurs phénomènes conscients, la vue du papier, de la plume, des traits noirs, l’image sonore ou musculaire des mots, l’expression parlée des idées, etc. Si je n’avais en tête qu’une seule image, je l’exprimerais sans doute parfaitement, car elle serait traduite par tout mon corps, mais je ne bougerais plus, je ne penserais plus, je deviendrais une statue, comme les cataleptiques que nous avons étudiées. »
« Mais la vie ordinaire de la pensée ne tombe pas si bas et ne s’élève pas si haut : elle se maintient à une hauteur moyenne à laquelle les images présentées à l’esprit sont nombreuses et où leur systématisation est loin d’être complète. »
« ce petit groupe de phénomènes mieux connus que les autres, c’est la part de l’attention, de l’aperception, comme dirait Wundt après Leibniz, qui ne s’étend pas aussi loin que la conscience elle-même. » « Spencer nous fournit même un terme excellent, très précis et très utile que nous conserverons : l’aire ou le champ de la conscience. »
PONTO DE VISTA, PONTO DE MENTE: « Ne pourrait-on pas appeler de même champ de la conscience ou étendue maximum de la conscience, le nombre le plus grand de phénomènes simples ou relativement simples qui peuvent se présenter à la fois dans une même conscience, en réservant, comme le propose Wundt, le terme de ‘point de regard interne’ pour cette partie des phénomènes de la conscience vers laquelle est dirigée l’attention ? Il serait, je crois, de la plus haute importance pour la psychologie expérimentale de pouvoir déterminer, ne fût-ce que d’une manière approximative, le champ de la conscience, comme on mesure le champ visuel avec un campimètre ou un périmètre. Wundt est le seul, croyons-nous, qui ait essayé une détermination expérimentale de ce genre (Éléments de psychologie physiologique). Malheureusement, il se sert de procédés et de raisonnements qui ne nous paraissent ni bien clairs, ni bien certains, et il passe très vite sur cette question difficile. Sa conclusion est que ‘nous serons autorisés à considérer 12 représentations simples comme étant l’étendue maximum de la conscience’. »
O QUE É O NÚMERO, SENÃO UMA OUTRA ABSTRAÇÃO PARA TENTAR QUANTIFICAR ABSTRAÇÕES? “Le champ visuel binoculaire, qui n’est cependant qu’une petite partie du champ total de la conscience, renferme évidemment bien plus de 12 phénomènes visuels simultanés; la conscience, qui contient en outre les autres sensations et leurs images, doit en contenir bien davantage. Mais il y a ici une foule de questions à soulever sur le sens même des mots, sur l’idée que l’on se fait d’une représentation simple, qui font de ce problème l’un des plus délicats de la psychologie expérimentale”
« Une hystérique pense peu de choses, mais le peu qu’elle pense, elle ne le connaît pas mieux pour cela, car les sens qui lui restent sont diminués de toute façon et elle n’a que des notions fort confuses des objets même qu’elle regarde. L’anesthésie chez elle, même quand elle est momentanée et due à la distraction, est une perte sans compensation. »
« Les individus dont le champ de la conscience est restreint d’une manière anormale me paraissent former 2 groupes : ce sont des malades ou des enfants. » « l’hypnotisme, pour amener l’état somnambulique, doit déranger l’orientation actuelle de la pensée pour lui en substituer une autre. Or, les enfants, heureusement, n’ont pas d’ordinaire l’instabilité mentale et les anesthésie qui permettent ce bouleversement. Un somnambulisme véritable se produisant facilement chez un enfant me paraîtrait la marque d’une tare héréditaire et d’une névrose commençante. »
« Rien n’est plus curieux en effet que de voir des femmes de 30 ans, sérieuses et froides à l’état de veille, prendre, une fois en somnambulisme, des airs de bébés, gesticuler, jouer sans cesse, rire à tout propos, parler en zézayant, réclamer des petits noms comme Nichette ou Lili, et en réalité prendre toutes les allures de très jeunes enfants. »
3.6 INTERPRÉTATION DES PHÉNOMÈNES DE SUGGESTION. – LE RÈGNE DES PERCEPTIONS.
« Un médecin du XVIIIe siècle, précurseur à certains points de vue de Maine de Biran, Rey Régis,¹ disait déjà que le mouvement des membres peut être déterminé par 3 choses : par la volonté, par la pensée, par la passion. ‘Cette doctrine d’une détermination immédiate de la faculté motrice par la pensée sans l’intermédiaire de la volonté est une de celles par lesquelles Rey Régis se distingue de Maine de Biran et va rejoindre la psychologie anglaise de nos jours,’ ‘Penser, disait en effet Bain, c’est se retenir de parler et d’agir.’ Cela est juste pour nous qui pouvons nous retenir, mais, pour les individus que nous décrivons, penser c’est parler et agir. »
¹ Totalmente ignorado hoje.
« Quand le champ de la conscience est aussi restreint que possible et ne renferme plus qu’un seul phénomène à la fois, ce fait se présente sous forme de sensation ou d’image, et, en étudiant les actions des individus cataleptiques, nous ne pouvions voir que l’automatisme des images.Mais dès que le champ de la conscience est un peu plus étendu, chaque sensation ne reste plus isolée, elle est accompagnée de nombreuses images accessoires et interprétatives qui permettent la formation de l’idée du moi, de l’idée du monde extérieur et du langage (…) nous pouvons nous rendre compte de l’automatisme des perceptions. »
« Une perception, comme une émotion, mais avec un degré de complexité bien plus grand, est une synthèse, une réunion d’un très grand nombre d’images. (…) Nous savons déjà, par nos études sur les émotions et sur les mémoires, que de pareils systèmes sont durables et tendent à se conserver le plus longtemps possible. »
« il suffit de montrer : 1° comment cet automatisme des perceptions ressemble au mécanisme des sensations et des émotions, et 2° par quels traits, grâce à sa complexité plus grande, il en diffère. »
« Le développement automatique des perceptions amène un phénomène nouveau, celui de l’hallucination, qui semble demander une explication particulière. » « Si j’osais faire une semblable comparaison, je dirais que les cataleptiques ressemblent à ces canards sans cerveau que M. Richet a eu l’obligeance de me montrer dans son laboratoire. Au premier abord, les canards sans cerveau ne se distinguaient pas des autres, ils fuyaient en criant et en écartant les ailes comme leurs camarades; mais quand toute la bande était arrivée contre un mur, leur infériorité éclatait ; tandis que les canards au cerveau intact se dispersaient à droite et à gauche, les canards sans cerveau se heurtaient du bec contre la muraille et ne bougeaient plus. » « Malheureusement la plupart, à mon avis du moins, se contentent de quelques termes scientifiques récoltés au hasard et croient avoir tout dit quand ils ont parlé d’une crise de nerfs à 4 phases et d’une héroïne hémi-anesthésique. »
« M. Richet demandait à une somnambule l’heure où une chose était arrivée : ‘Attendez, disait-elle… je ne vois pas’ ; puis elle dit: ‘Je sais maintenant.’ Elle voyait devant elle un cadran dont les aiguilles marquaient l’heure. Une pensée qui se présente avec cette vivacité ne peut guère être hésitante et variable comme la nôtre. ‘Je l’ai vu, de mes propres yeux vu,’ disons-nous quand nous sommes certains »
« Tout fantôme interne renferme une conception affirmative » Taine
« Sainte Thérèse a décrit d’une manière bien précise cet état d’esprit qu’elle devait connaître : ‘Je connais, dit elle, des personnes dont l’esprit est si faible qu’elles s’imaginent voir tout ce qu’elles pensent. Cet état est bien dangereux.’ » (Grande ironia.)
« quand je veux modifier une conviction de Léonie, j’obtiens toujours cette réponse qui, au fond, est pleine de bon sens : ‘Je vois que cela est ainsi, pourquoi voulez-vous que je ne croie pas que cela est? vous croyez bien, vous, ce que vous voyez . . . Vous ne voyez pas la même chose que moi . . . que voulez-vous que j’y fasse ? c’est que vous ne savez pas voir, tant pis pour vous.’ N’est-ce pas ainsi que parlent les croyants dans les religions : ‘Vous ne comprenez pas cela . . . c’est que vous n’avez pas la foi, c’est un sens qui vous manque ; mais moi je sens, je vois… donc je crois.’Et cette conviction pourra devenir l’origine de tous les dévouements et de tous les fanatismes. » « Le plus invraisemblable exemple que j’aie vu de cette crédulité est le suivant: une hystérique entend dire dans sa jeunesse, par un maladroit, que les femmes atteintes de sa maladie mouraient à la ménopause. Vingt ans plus tard, au moment des premières manifestations de l’âge critique, elle se prépare à mourir, étouffe et serait peut-être morte, si nous n’avions fini par découvrir son secret et par lui modifier, non sans peine, sa conviction. »
CRIANCINHAS PREGADORAS: « ‘On ne me guérira pas; ce n’est pas une maladie que j’ai, je suis ensorcelée par ce vieux sorcier que j’ai fâché contre moi ; il n’y a rien à faire.’ Je lui fis avouer cette singulière histoire; je parvins avec bien des difficultés à lui enlever cette conviction vraiment délirante, et je n’eus plus de peine à supprimer la paraplégie. Mais laissons de côté ces cas extrêmes où la crédulité a des conséquences dramatiques ; constatons d’une manière générale que les hystériques éveillées ou endormies, peu importe, sont comme les petits enfants, qu’elles n’ont point besoin de pratiques hypnotiques pour être convaincues et qu’elles croient tout ce qui frappe leur esprit. »
« aussitôt une idée conçue, il faut l’exécuter, et le mouvement est accompli comme par une décharge convulsive. » « Des exemples nombreux sont inutiles ; il faudrait citer toute la vie et toutes les actions, car on retrouve toujours ce même caractère de précipitation irraisonnée. » « L’insouciance des femmes hystériques est invraisemblable et elle se retrouve dans la conduite de tous les êtres faibles ou dégradés. »
« Un malheureux imagina de se jeter sous les roues d’une locomotive ; l’instantanéité de ce nouveau genre de suicide a aussitôt donné l’éveil à ceux qui aspirent à déserter la vie, et les imitateurs sont venus maculer de leur sang les roues de la lourde machine. » Legrand du Saulle
« et, pendant toute une période, les assassinats seront du même genre et les cadavres seront mutilés de la même manière. »
« Les maladies nerveuses acquises par imitation, le somnambulisme naturel produit par la lecture de l’histoire du somnambule Caselli, les épidémies démonopathiques, le mal des Andous en Belgique,¹ les possessions du monastère de Kérndrep, de Loudun, de Morzine, sont des faits trop connus pour que j’y insiste. »
¹ Descrito por Esquirol.
« Trois hystériques étaient dans la même salle de l’hôpital et, comme cela arrive souvent, ne s’aimaient guère et affectaient des manières toutes différentes, pendant leur état normal ; mais, quand elles étaient en crise, elles se copiaient si bien qu’elles avaient le même délire et prononçaient exactement les mêmes paroles. »
« L’ivresse du haschich ressemble d’ailleurs, dit M. Richet,à l’état hystérique et on y trouve la même exaggération du sentiment et la même impuissance de la volonté. Toutes les idées se traduisent sans que nous puissions les empêcher. »
« Il ne faut pas chercher à consoler une hystérique, comme l’on ferait pour une personne ordinaire, en lui parlant de l’objet de son chagrin et en lui montrant qu’il est futile. Non, si on parle de l’objet qui a causé leur colère ou leur désespoir, de quelque manière qu’on en parle, on augmente leurs cris et leurs larmes. Il faut tout simplement, sans aucun art des transitions, parler brusquement de tout autre chose : elles restent un moment interloquées, hésitantes; puis, en quelques secondes, se donnent tout entières au nouveau sujet et rient avec gaieté quand elles ont encore les larmes dans les yeux. » « Dès que sa figure s’attristait et qu’elle commençait à crier : ‘Oh! ma pauvre petite’, de suite, je lui parlais brusquement d’autre chose, elle se mettait à rire et c’était fini. »
« elle ne crie pas parce qu’elle souffre réellement, ici je crois qu’elle ne sentait rien, mais parce qu’elle doit souffrir. Une idée plus ou moins vague de la souffrance, peut-être avec une image hallucinatoire très faible d’une douleur ancienne, voilà tout ce qu’il y avait au-dessous de ces grands cris et de ce désespoir. »
« Un psychologue américain dont le nom est bien connu, M. William James, a soutenu une théorie très séduisante sur l’origine des émotions (What is an emotion). D’après lui, c’est un tort de dire avec le sens commun : Nous perdons notre fortune > nous sommes chagrins > nous pleurons. ‘Cet ordre n’est pas correct, le second état mental n’est pas immédiatement introduit par le premier, les manifestations physiques doivent être interposées entre eux. L’ordre rationnel est que nous nous sentons chagrins parce que nous pleurons, colères parce que nous frappons, etc.’ »
SÍNTESE PERFEITA DO AUTOMATISMO PSICOLÓGICO: « L’auteur en concluait qu’un individu totalement insensible ne devrait pas avoir conscience de ces changements organiques et par conséquent ne plus éprouver d’émotions, et il m’écrivit à ce sujet quand, dans mes premières études, j’avais signalé Lucie comme anesthésique totale. Je lui répondis que les hystériques me semblaient assez mal choisies pour vérifier cette théorie, d’abord parce que leur anesthésie n’était pas bien réelle, ensuite parce qu’elles étaient au contraire très émotionnables. Il m’a semblé depuis que ces observations étaient en réalité plus favorables à l’opinion de M. William James, mais d’une autre manière qu’il ne le croyait lui-même. L’émotion n’est pas supprimée chez l’hystérique par son anesthésie ; car, si elle ne sent pas les modifications de sa peau, elle voit ses propres mouvements et entend ses cris; mais elle semble être produite chez elle et entretenue par l’exagération même des manifestations. »
« Oh ! comme je crie bien, pourrait dire Lucie ; je dois être bien en colère, donc je le suis. »
« Sur une quinzaine de personnes que j’ai étudiées et qui, certes, n’étaient pas parfaites, je n’en ai guère rencontré qu’une, chez qui l’habitude du mensonge fût véritablement curieuse. Lorsque ce caractère existe, et, comme je viens de le dire, il se rencontre, il ne faut pas s’indigner, ce qui est ici parfaitement déplacé, il vaut mieux chercher à l’expliquer.
Beaucoup de psychologues, qui raisonnaient plus qu’ils n’observaient, ont soutenu que la véracité, l’habitude d’aimer et de dire la vérité, était une chose naturelle à l’homme qui se retrouvait constamment, lorsque l’esprit humain était observé dans toute sa candeur primitive, chez l’enfant et chez le sauvage. Je ne parlerai pas du sauvage que je ne connais pas, mais je remarquerai queles enfants, à moins d’être de petits prodiges, sont loin de dire toujours scrupuleusement la vérité, qu’ils embellissent leurs récits, et qu’ils savent mentir aussitôt qu’ils savent parler. »
« L’esprit de vérité et l’esprit scientifique sont 2 choses analogues, et celui qui ne comprend pas l’intérêt qu’il y a à savoir ce qui est, ne sent pas l’importance qu’il y a à dire ce qui est. » « Or, l’esprit de l’hystérique est justement, par la perte de plusieurs sens et par le rétrécissement de la conscience, un esprit rudimentaire ; elle ne comprend rien à la science et ne s’imagine pas que l’on puisse s’y intéresser; elle dit ce qui lui vient à l’esprit, sans autre préoccupation. »
« L’idée du bien, l’idée du devoir sont des rapports abstraits, des jugements, de véritables découvertes ; pour les concevoir, il faut réunir dans une même pensée un très grand nombre de termes en apparence étrangers : l’idée de l’acte présent, de ses conséquences futures même lointaines, la pensée des autres hommes, de leur ressemblance avec nous-mêmes, de leurs droits, etc. »
« Ils sont égoïstes, vaniteux, jaloux, car ce sont leurs principaux vices, mais ils ne peuvent pas être autrement; la force de leur esprit est devenue suffisante pour former l’idée de personnalité et diriger la conduite d’après cette idée ; mais elle ne peut s’élever au delà et donner aux actions des motifs plus généraux. La morale est comme la science »
3.7 CONCLUSION
« Parmi les auteurs qui, de nos jours, ont étudié le phénomène de la suggestion, il en est qui, entraînés par la discussion, semblent avoir élargi démesurément le sens de ce mot. Pour eux, toute action, toute pensée humaine, déterminée et régulière, semble être de la suggestion. Sans doute, ils se servaient surtout de cette expression pour faire comprendre que tous ces états réguliers, tous ces actes déterminés, étaient dus avant tout à des causes psychologiques et non à des causes physiques : en cela ils avaient complètement raison, et ils ont contribué à rendre à la conscience l’importance qu’elle doit avoir dans l’explication de la personne humaine. Mais, cela une fois admis, il faut pourtant constater que tous les phénomènes psychologiques ne sont pas identiques et qu’il n’y a aucun avantage à remplacer les anciens mots connus de mémoire, émotion, association des idées, par ce mot nouveau de suggestion, comme si tous ces phénomènes venaient d’être découverts. Pour nous, la suggestion désigne un automatisme d’un genre particulier, celui auquel donnent naissance le langage, et en général les perceptions. »
« Cette synthèse [linguagem + percepção] une fois faite, puisque nous n’avons pas à nous occuper, dans ce travail, de l’activité qui a présidé à sa formation, se conserve; lorsqu’un de ses termes est donné, la perception totale qui est commencée se complète et amène les autres images qui la constituent. Par des lois, sur lesquelles nous n’avons pas à revenir, ces images successives forment des hallucinations, des croyances et des actes. Cela était déjà contenu dans l’automatisme des sensations et dans celui de la mémoire, il est tout naturel que ce même caractère se retrouve dans l’automatisme des perceptions. »
« l’automatisme des perceptions, fondement de la suggestion, est le résultat d’une activité ancienne qui continue à agir de la même façon, mais qu’elle est en opposition avec l’activité actuelle de la pensée. Plus celle-ci se développe, plus elle est capable de faire des combinaisons nouvelles avec les éléments plus nombreux qui sont apportés à la conscience, plus l’automatisme est réduit. »
« Aussi ne pouvons-nous pas pousser plus loin notre étude dans la direction que nous avons suivie jusqu’à présent : en passant des phénomènes conscients les plus simples aux plus complexes, nous avons vu l’automatisme décroître de plus en plus. Il nous faut maintenant passer à un autre point de vue et voir si cette activité régulière et déterminée ne se dissimule pas et n’existe pas sous une autre forme quand elle paraît avoir disparu de la conscience. »
DEUXIÈME PARTIE. AUTOMATISME PARTIEL
1. LES ACTES SUBCONSCIENTS
« La psychologie ne peut pas se constituer si elle reste incomplète et si elle néglige des phénomènes dont la connaissance est nécessaire pour expliquer les problèmes qu’elle pose. » « Ce n’est donc pas une nouvelle recherche que nous entreprenons, c’est une application particulière de nos études précédentes à des circonstances nouvelles. »
1.1 LES CATALEPSIES PARTIELLES
« on entend par acte inconscient une action ayant tous les caractères d’un fait psychologique sauf un, c’est qu’elle est toujours ignorée par la personne même qui l’exécute au moment même où elle l’exécute. » « Nous ne considérons donc pas comme acte inconscient l’action qu’une personne oublie immédiatement après l’avoir faite, mais qu’elle connaissait et décrivait pendant qu’elle l’accomplissait. »
« C’est un cas analogue à ceux que nous avons longuement étudiés en parlant de la catalepsie, nous n’y reviendrons plus maintenant. Tantôt, au contraire, l’individu conserve la conscience claire de tous les autres phénomènes psychologiques, sauf d’un certain acte qu’il exécute sans le savoir. L’individu parle alors avec facilité, mais d’autres choses que de son action; nous pouvons alors vérifier, et il le peut lui-même, qu’il ignore entièrement l’action que ses mains accomplissent. C’est cette forme d’inconscience particulière qu’il nous semble maintenant très important de bien comprendre. »
« On connaît la doctrine des petites perceptions ou perceptions sourdes de Lebniz. »
« J’accorde aux cartésiens que l’âme pense toujours actuellement; mais je n’accorde point qu’elle s’aperçoit de toutes ses pensées, car nos grandes perceptions et nos grands appétits dont nous nous apercevons sont composés d’une infinité de petites perceptions et de petites inclinations dont on ne saurait s’apercevoir. Et c’est dans ces perceptions insensibles que se trouve la raison de ce qui se passe en nous, comme la raison de ce qui se passe dans les corps sensibles consiste dans les mouvements insensibles. »
« Ainsi, il est bon de faire distinction entre la perception qui est l’état intérieur de la monade représentant les choses externes[imediata, ‘irracional’] et l’aperception qui est la concience ou la connaissance réfléchie de cet état intérieur, [mediata] laquelle n’est point donnée à toutes les âmes ni toujours à la même âme. »
Principes de la natur et de la grâce
« En écartant ce qu’il y a d’absolu dans le système de Leibniz, on conçoit que les affections propres aux monades composantes ou éléments sensibles peuvent avoir lieu sans être représentées ou aperçues par la monade centrale qui fait le moi, ou le principe d’unité. »
Maine de Biran, sempre ele!
« Tous ces philosophes n’ont parlé des phénomènes inconscients que d’une manière théorique; ils ont montré que, d’après leurs systèmes, de pareils faits étaient possibles ; tout au plus ont-ils essayé d’interpréter dans ce sens quelques faits d’observation journalière. »
« Il arrive souvent que la bouche des orateurs prononce une suite de paroles indépendantes de leur volonté, en sorte qu’ils s’écoutent eux-mêmes comme les assistants et qu’ils n’ont connaissance de ce qu’ils disent qu’à mesure qu’ils le prononcent. »
Carré de Montgeron¹ apud Bérillon
¹ Jurista sem bibliografia conhecida
« Il faut le reconnaître, ce sont les adeptes d’une des plus curieuses superstitions de notre époque, les spirites, qui, en faisant tourner les tables vers 1850 et en interrogeant les esprits, ont le plus attiré l’attention sur les phénomènes inconscients. Ils les ont observés et même produits dans toutes leurs variétés ; mais la façon dont ils les expliquent est si étrange, leurs descriptions sont tellement altérées par leur enthousiasme religieux que l’on ne peut prendre leurs études sur l’inconscient comme le point de départ d’un travail. Il sera plus naturel de revenir à leurs descriptions quand nous aurons observé assez de choses pour pouvoir les comprendre et quelquefois les expliquer. Mais le problème soulevé par eux fut étudié avec plus de précision dans les travaux de Faraday et de Chevreul,(*) 1854, qui, les premiers, montrèrent l’intervention de véritables phénomènes psychologiques inconcients.
(*) Chevreul. Lettre à M. Ampère sur une classe particulière de mouvetnents musculaires. Revue des Deux-Mondes, 1833. De la baguette divinatoire, du pendule dit explorateur et des tables tournantes, au point de vue de l’histoire, de la critique et de la méthode expérimentale. 1854. »
« Les actes inconscients les plus simples de tous ont été désignés par Lasègue,(*) qui les signala le premier, sous le nom de catalepsies partielles, expression fort juste et que nous conserverons.
(*) Études médicales, II. »
« des somnambules gardent leur bras étendu sans paraitre s’en apercevoir (Liébault) »
« On voit donc que tous les phénomènes de la catalepsie peuvent exister partiellement, tandis que la conscience ordinaire du sujet semble, d’autre part, rester intacte. »
« Les mots conscience et inconscience sont pris tantôt dans un sens relatif et tantôt dans un sens absolu. On dira, par exemple, qu’un phénomène est inconscient pour exprimer l’idée que le moi n’en a pas conscience, mais sans affirmer par là que le phénomène n’est pas conscient en lui-même et pour son propre compte. La physiologie tend à établir qu’il s’accomplit ainsi, dans l’organisme humain, un nombre immense de faits de conscience qui sont, pour le moi, comme s’ils appartenaient à d’autres personnes et, même avec ce désavantage en plus, qu’ils ne se trouvent pas en rapport avec des facultés d’expression. »
Dumont,¹ Sensibilité
¹ Há um médico francês do XIX, Édouard Denis-Dumont, mas ele não escreveu essa obra. Este outro permanece ignoto.
« Les catalepsies partielles nous montrent le premier germe des consciences partielles que nous verrons grandir et se préciser dans nos autres études. »
1.2 LA DISTRACTION ET LES ACTES SUBCONSCIENTS
« nous sommes plutôt, comme nous le verrons, en présence d’un somnambulisme partiel, où les actes sont déterminés par des perceptions intelligentes. Le sujet ne répète pas les paroles, il les interprète et les exécute » « Ce genre d’écriture est connu sous le nom d’écriture automatique, expression assez juste si l’on veut dire qu’elle est le résultat du développement régulier de certains phénomènes psychologiques, mais par laquelle il ne faut pas entendre, je crois, que cette écriture n’est accompagnée d’aucune espèce de conscience. »
1.3 LES SUGGESTIONS POSTHYPNOTIQUES. HISTORIQUE ET DESCRIPTION.
« Puisque, dès cette époque (1823), la suggestion posthypnotique était ainsi connue et utilisée, il n’est pas surprenant que tous les écrivains postérieurs nous donnent des exemples très nets et très curieux de ce phénomène. »
« Cependant, tel était, à cette époque, le mépris puéril que l’on affectait pour le magnétisme animal que toutes ces descriptions psychologiques furent complètement oubliées et l’on crut véritablement à une découverte toute récente quand M. Richet publia en 1875 ses observations sur quelques suggestions exécutées après le réveil. On eut de la peine à croire qu’une femme, ayant oublié tout ce qu’on lui avait dit pendant le somnambulisme, pût cependant revenir au bout de 8 jours à l’heure dite sans savoir pourquoi. Mais, en 1823, Bertrand considérait déjà cette expérience comme banale. »
1.4 EXÉCUTION DES SUGGESTIONS PENDANT UN NOUVEL ÉTAT SOMNAMBULIQUE
« Son oeil droit (elle était alors complètement aveugle de l’oeil gauche) a, pendant la veille une acuité visuelle très faible, 1/8 du tableau de Wecker ; pendant le somnambulisme, si on lui fait ouvrir les yeux, l’acuité visuelle de l’oeil droit monte toujours sans aucune suggestion à ¼ ou 1/3. »
1.5 EXÉCUTION SUBCONSCIENTE DES SUGGESTIONS POSTHYPNOTIQUES
« J’admets que ces souvenirs ignorés, comme les appelle M. Richet, puissent se réveiller à une époque quelconque, suivant telle ou telle circonstance. Je comprendrais encore le retour même à une époque fixe de ces images et de ces actes qui en sont la suite, si l’opérateur les associait à l’apparition d’une sensation vive ; par exemple, ‘le jour où vous verrez M. un tel, vous l’embrasserez’, la vue de M. un tel devant servir de stimulant au réveil de l’idée. Mais ce que je ne comprends absolument pas, c’est le réveil à jour fixe sans aucun point de rattache que la numération du temps, par exemple, dans 13 jours. Treize jours ne représentent pas une sensation ; c’est une abstraction. Pour rendre compte de ces faits, il faut supposer une faculté inconsciente de mesurer le temps ; or, c’est là une faculté inconnue. »
Paul Janet
« l’intelligence peut travailler en dehors du moi et, puisqu’elle travaille, elle peut mesurer le temps ; c’est une opération évidemment plus simple que de trouver un nom, de faire des vers, de résoudre un problème de géométrie, toutes choses qu’elle peut accomplir sans que le moi y participe. »
Richet
« Nous avons ici, non pas une association, c’est-à-dire une pure possibilité persistant à l’état latent, mais de véritables phénomènes psychologiques, des remarques, des comptes, en un mot des jugements persistant pendant 13 jours dans la tète d’un individu, sans qu’il en ait conscience : un jugement inconscient est tout autre chose qu’une association latente. »
« La somnambule avait aussi dû compter, car je m’appliquais à faire les coups égaux et le 12e ne se distinguait pas des précédents; mais, au lieu de compter des jours, ce qui avait fait croire à une mesure de temps, elle avait compté des bruits. » « Le tout s’exécute presque sans erreur, sauf quand l’opération devient trop compliquée et ne pourrait plus être faite de tête. »
HAJA PAPEL: « L’écriture de ces lettres est intéressante ; elle est analogue à l’écriture normale de Lucie, mais non identique ; c’est une écriture penchée et très lâche ; les mots ont une tendance à s’allonger indéfiniment. M. Ch. Richet, à qui j’ai montré ces fragments d’écriture automatique, m’a appris que ce caractère était fréquent dans les écritures de médiums dont nous parlerons plus tard et que, dans leurs lettres, souvent un mot remplissait toute une ligne. »
« La formation d’une plaque rouge sur la peau en forme d’une étoile, qu’elle ait lieu après le réveil ou pendant le somnambulisme comme précédemment, ne peut également s’expliquer que par une pensée. Il ne suffit pas de dire que cette rougeur est due à l’excitation d’un nerf vaso-moteur, car il n’y a pas de nerf qui se distribue précisément à cet endroit sous forme d’une étoile à 6 branches. C’est une excitation partielle et systématique de plusieurs nerfs que je ne puis comprendre sans l’intervention d’une pensée qui coordonne ces excitations. Pendant le somnambulisme, le sujet exprimait directement cette pensée et nous disait : ‘J’ai tout le temps pensé à votre sinapisme.’ Maintenant qu’il est réveillé aussitôt après la suggestion, il semble n’y plus penser et n’a conscience de rien, mais quelque chose doit y penser en lui de la même manière quoique à son insu. On voit quelquefois cette pensée thérapeutique se manifester par des actes subconscients. »
1.6 CONCLUSION
« or, l’étude des actes est propre à révéler une conscience, mais non à l’expliquer. Il faut, pour comprendre cette nouvelle pensée, étudier les sensations ou les images qu’elle renferme et joindre à l’étude des actes subconscients celle des sensibilités subconscientes. »
2. LES ANESTHÉSIES ET LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES
2.1 LES ANESTHÉSIES SYSTÉMATISÉES – HISTORIQUE
« suggestion d’hallucination négative ou suggestion d’anesthésie systématisée. (…) En effet, grâce à la suggestion, on peut interdire une chose à une somnambule, aussi facilement que l’on peut lui en commander une, et, lorsque l’interdiction porte sur les sensations, elle peut produire une surdité ou une cécité artificielle, comme le commandement positif amenait une hallucination. »
« On profite souvent de l’heure du somnambulisme pour faire prendre au malade un remède pour lequel il a de la répugnance. J’ai vu une dame qui avait de l’horreur pour les sangsues s’en faire appliquer aux pieds pendant le somnambulisme et dire à son magnétiseur : ‘Défendez-moi maintenant de regarder mes pieds, quand je serai éveillée.’ En effet, elle ne s’est jamais doutée qu’on lui eût posé des sangsues. »
Deleuze, Instruction pratique
« On a vivement reproché à M. Bernheim le nom qu’il a choisi pour désigner ce fait. Ce n’est pas là une hallucination, dit-on, mais la suppression de la perception d’un objet déterminé qui laisse intacte la perception d’un autre objet… » « Sans doute, le fait en question se rapproche plutôt des anesthésies que des hallucinations, et il est, comme nous le verrons, de la même nature que les paralysies ; les 2 mots hallucination négative forment aussi une association assez incorrecte ; à moins d’appeler l’anesthésie générale une hallucination négative totale, ce qui n’est pas l’habitude, il semble plus naturel de désigner ce fait par l’expression d’anesthésie systématisée, que MM. Binet et Féré ont adoptée. »
« Si on a suggéré à une somnambule qu’une personne, M. X…, avait disparu, la somnambule ne peut plus le voir à quelque endroit de la chambre qu’il se tienne; mais si on ajoute un objet sur M. X…, un chapeau par exemple, comme il n’est pas compris dans la suggestion, ce chapeau reste visible et paraît alors se tenir en l’air. Au contraire, si M. X… tire un mouchoir de sa poche, ce mouchoir reste invisible comme lui. » « J’ai vu une fois une personne qui voyait l’objet à moitié, comme coupé en deux, quand il était tenu à la fois par la personne invisible et par une personne visible. »
« La personne ou l’objet que l’on a rendu invisible cache réellement les objets qu’il recouvre, mais la somnambule supplée à la vision de ces objets par une hallucination qui les remplace ; c’est d’ailleurs ce que nous faisons journellement pour les objets qui viennent se peindre sur la tache aveugle de la rétine. Cette hallucination peut aller fort loin : j’ai vu une fois un sujet, à qui j’avais suggéré de ne point voir la chambre, la remplacer par l’hallucination d’un autre appartement dont je n’avais pas parlé. »
« L’objet invisible doit être réellement perçu, car il produit quelquefois une image consécutive de couleur complémentaire qui, elle, est visible : fait-on disparaître un papier rouge, la somnambule ne le voit pas, mais, au bout de quelque temps, verra une couleur verdâtre à la même place. Je n’ai pas observé ce phénomène d’une manière assez nette, mais les conditions physiques et morales dont le somnambulisme dépend sont si complexes qu’il ne faut jamais s’étonner de ne pas rencontrer exactement les mêmes phénomènes que d’autres observateurs. »
« Il y a toujours un raisonnement inconscient qui précède, prépare et guide le phénomène d’anesthésie. »
Binet et Féré
« réveillée, la somnambule ne se souvient plus de ce qu’on lui a commandé, elle ne sait pas qu’il y a un objet qu’elle ne doit pas voir, ni quel est cet objet. »
« Il me semble qu’il y a quelque analogie entre cette question et l’un des problèmes que nous avons étudiés dans le chapitre précédent. »
2.2 PERSISTANCE DE LA SENSATION MALGRÉ L’ANESTHÉSIE SYSTÉMATISÉE
« Cet objet qui parait invisible est donc vu. Cela est vraisemblable ; mais nous savons, et nous ne sommes pas le seul à le constater, que le sujet est sincère quand il dit qu’il ne le voit pas. La vision de ces objets doit être du même genre, du même niveau que les actes subconscients dont nous parlions tout à l’heure. »
« Lucie ne voyait aucunement l’objet supprimé ; mais le groupe des phénomènes subconscients, que nous ne savons pas encore désigner autrement, répondait par l’écriture automatique qu’il les voyait parfaitement. »
« Cette répartition intelligente de l’anesthésie de manière à dessiner un cercle ou une étoile ne peut se faire que par une idée consciente. Pour me répondre correctement quand je l’interroge en piquant son bras, il faut que le sujet sache, même sans regarder, quand ma piqûre entre dans le cercle ; il faut donc qu’il la sente. Aussi ne serons-nous pas surpris que l’inconscient nous réponde par écriture automatique qu’il sent très bien ce que nous faisons et qu’il distingue une piqûre, un attouchement, un objet chaud ou froid même sur cette plaque anesthésiée.
Ayant ainsi déterminé l’existence d’une sorte de conscience nouvelle pendant les anesthésies systématisées, j’ai voulu examiner l’étendue de cette conscience, c’est-à-dire le nombre des phénomènes qu’elle pouvait contenir. »
« Ainsi tous les papiers ont été vus, et remis, mais les un l’ont été par Lucie et les autres par un personnage au-dessous d’elle qu’elle paraît ignorer, mais ni l’une ni l’autre ne les a vus tous. »
« J’avais remarqué que le personnage secondaire ne se servait pas des yeux pour écrire et qu’en général il ne voyait pas ; je lui suggère de se servir de ses yeux et de voir clair. C’est ce qui a lieu, mais aussitôt Lucie s’écrie : ‘Qu’y a-t-il donc, je ne vois plus’, et je suis obligé de la rendormir pour dissiper son trouble. »
« J’ai dit à Léonie de me faire un pied de nez ; au réveil, elle lève ses mains et les met au bout de son nez sans le savoir ; c’est un acte inconscient, soit, mais elle ne voit pas ses mains qui sont devant ses yeux. »
« Dans la suggestion d’anesthésie systématisée, la sensation n’est pas supprimée et ne peut pas l’être, elle est simplesment déplacée, elle est enlevée à la conscience normale, mais peut être retrouvée comme faisant partie d’un autre groupe de phénomênes, d’une sorte d’autre conscience. »
2.3 ÉLECTIVITÉ OU ESTHÉSIE SYSTÉMATISÉE
« Les somnambules sont toujours ou presque toujours électives, telle est l’observation qui a été faite sans cesse depuis l’époque de Mesmer et de Puységur. On entend par là que, dans cet état particulier du somnambulisme, les sujets ne ressentent pas toutes les sensations indifféremment, mais qu’ils semblent faire un choix parmi les différentes impressions qui tombent sur leurs sens, pour percevoir celles-ci et non point celles-là. La pluplart des sujets une fois endormis entendent très bien leur magnétiseur et causent avec lui, mais paraissent n’entendre aucune autre personne, aucun autre bruit, pas même celui d’un pistolet que l’on tire auprès d’eux, comme dans les expériences de Dupotet. »
« Un bouquet n’a d’odeur que s’il a reçu le souffle du magnétiseur. »
Baréty
« Ce lien entre le sujet et certaines personnes ou certains objets qui lui permet de les sentir à l’exclusion des autres, a reçu le nom de rapport magnétique »
« Léonie en premier somnambulisme ne présente guère ce caractère, elle entend et voit tout le monde ; elle le présente beaucoup plus fortement en 2e somnambulisme, car alors elle n’entend que moi et encore seulement quand je la touche. (…) Marie et Rose sont en général plus électives que Léonie; dès l’instant oú elles s’endorment, elles semblent perdre la notion du monde extérieur pour ne plus voir, entendre ou sentir que celui qui les a endormies. Marie garde seulement pour les autres personnes un peu de sensibilité tactile, si on peut l’appeler ainsi, car elle éprouve un sentiment de souffrance et de répugnance très marqué quand elle est touchée par une personne étrangère non en rapport avec elle. Rose ne sent jamais rien de semblable. Je ne parle pas ici de Lucie, qui était très peu élective et ne me distinguait des autres personnes que pour m’obéir. »
« Quand j’ai endormi fréquemment une personne, aucun autre observateur ne peut se substituer à moi, et je puis facilement la reprendre en ma possession, même si un autre a commencé le somnambulisme. »
« Dans quelques cas plus complexes, on peut établir ce rapport au moyen de la chaîne magnétique, comme disaient les anciens opérateurs. »
SONAMBULISMO NATURAL: « Qui ne connaît la description si souvent citée du somnambule Castelli, qui n’était éclairé que par sa chandelle à lui et qui se croyait dans l’obscurité, quand elle s’éteignait ? Il n’y a pas d’observation plus curieuse et plus complête, à ce point de vue, que celle de l’automate étudié par le Mesnet. »
« Ces phénomènes d’électivité ne diffèrent des anesthésies systématisées qu’en un point, c’est qu’ils sont ou paraissent être inverses. » « esthésie systematisée » « audition latente » etc. « Ainsi, un jeune homme, H…, qui, dans un somnambulisme, avait paru ne pas entendre 2 personnes qui s’efforçaient de lui parler, put me répéter plus tard, sur ma demande, tout ce qu’elles lui avaient dit, en remarquant que, sur le moment, il ne pouvait pas leur répondre. »
« Lucie, qui avait à un si haut degré l’écriture automatique, ne présentait pas d’électivité naturelle. »
2.4 ANESTHÉSIE COMPLÈTE OU ANESTHÉSIE NATURELLE DES HYSTÉRIQUES
(*) « L’anesthésie hystérique a été si complètament étudiée dans le dernier ouvrage de Pitres : Des anesthésies hystériques (1887), que je ne puis insistir que sur les faits particuliers qui justifient mon interprétation. »
« Il a quelquefois de l’électivité même dans ces anesthésies naturelles, et les malades qui ont en apparence complètement perdu toute sensibilité peuvent cependant reconnaître encore certains objets en particulier. »
« l’anesthésie complète, c’est-à-dire portant sur tous les objets extérieurs, est rarement générale, elle s’étend rarement à tout le corps et même à un organe sensoriel tout entier. L’anesthésie cutanée n’existe pas sur toute la peau, mais sur quelques parties seulement, souvent sur une moitié du corps, et alors le plus souvent sur la moitié gauche, mais parfois aussi sur des plaques irrégulières disséminées sur tous les membres et sur le tronc.L’anesthésie du goût, de l’odorat, même de la vue, est aussi rarement complète … elle s’étend irrégulièrement sur la rétine, tantôt rétrécissant concentriquement le champ visuel, tantôt le coupant par la moitié, tantôt formant des scotomes irréguliers, c’est-à-dire des taches d’insensibilité au milieu d’une rétine restée normale. »
« Voilà quelque chose qui n’est guère anatomique, mais qui rappelle singulièrement les carrés et les cercles que l’on pouvait par suggestion rendre insensibles sur la peau de Léonie. »
« Tous les observateurs qui se sont occupés de cette cécité partielle des hystériques qui semble leur enlever complètement un oeil, ont remarqué avec étonnement un fait bien singulier : les malades prétendent ne voir absolument rien par l’oeil gauche et être plongés dans la nuit la plus complète quand on ferme l’oeil droit ; mais si on leur laisse les 2 yeux ouverts, ils voient, sans s’en douter, aussi bien à gauche qu’à droite. »
« L’amblyopie [catarata negra no dicionário, mas suspeito que seja neste contexto a estrabismo convergente ou exotropia – estrabismo divergente –, pois não é fato orgânico!] hystérique se corrige d’elle-même, parce qu’il est dans sa nature d’exister seulement dans la vision monoculaire. »
Pitres
« Ce qui revient à dire : l’hystérique est aveugle de l’oeil gauche quand elle y fait attention et qu’elle croit ne voir que par cet oeil ; elle n’est plus aveugle du tout, quand elle n’y pense pas et quand elle croit voir tout de l’oeil droit.
La proposition de M. Pitres résumait bien les observations précédantes, mais je crois qu’il faut aller beaucoup plus loin et constater des faits nouveaux et plus graves. Je prétends que l’hystérique amaurotique[amaurose ou gota-serena, mesma coisa que ambliopia causada por atrofia do nervo ótico, ‘catarata histérica’ (a-fisiológica e portanto a-nevrálgica), neste caso em especial]y voit parfaitement de son oeil gauche, même quand l’oeil droit est fermé, que cette amblyopie n’existe même pas dans la vision monoculaire, et qu’en général les anesthésies hystériques mêmes les plus complètes ne suppriment aucune sensation. »
« S’il est un point admis en psychologie, c’est que la mémoire n’est que la conservation des sensations : toute sensation peut, pour différentes raisons, ne pas devenir un souvenir, mais tout souvenir a été une sensation consciente. » « Nous ne pénétrons jamais réellement la conscience d’une personne ; nous ne l’apprécions que d’après les signes extérieurs qu’elle nous en donne. »
2.5 DIFFÉRENTES HYPOTHÈSES RELATIVES AUX PHÉNOMÈNES D’ANESTHÉSIE
« On a usé et abusé de la simulation hystérique pour supprimer des problèmes qu’on ne comprenait pas, et cette hypothèse trop simple n’a ici aucun sens. » « Nous n’étudierons pas davantage les suppositions physiologiques ou anatomiques qui ont été faites, d’abord, parce qu’elles ne sont pas de notre competence, et ensuite, parce qu’elles ne nous semblent être qu’une manière détournée de présenter des hypothèses psychologiques. » « Ce parallèlisme entre les hypothèses anatomiques et psychologiques n’a rien qui doive surprendre, il serait même à souhaiter, pour le progrès des 2 sciences, qu’il fût poussé beaucoup plus loin. »
« l’anesthésie histérique …[na psiquiatria atual]est une lésion de la sensation brute.
Nous ne pouvons pas partager cette opinion. »
« Au point de vue expérimental, les faits sont en complète opposition avec cette théorie et nous montrent constamment que la sensation brute n’a pas été détruite. »
« une personne dont la rétine fatiguée ne distingue plus les rayons rouges, ne sent dans une couleur blanche que les rayons verts et la voit verte. C’est du moins l’explication que l’on donne des images consécutives de couleur complémentaire. Si l’anesthésie modifie les sensations comme la fatigue de la rétine, Lucie qui ne distingue plus le rouge doit donc voir aussi un papier blanc avec la couleur verte. Je lui montre du papier blanc, et elle le trouve absolument blanc, le rouge seul est invisible et sa disparition n’influence en rien les autres couleurs qui sont vues normalement (avec une certaine confusion pour quelques-unes due à une légère achromatopsie qui existait déjà avant l’expérience). »
« Ce n’est donc pas dans l’étude des sensations en elles-mêmes que l’on pourra trouver la raison de ces insensibilités ; il faut la chercher plus haut, dans le mécanisme de la perception élémentaire. »
« Ces phénomènes sont dus à une illusion de l’esprit…, la cécité des hystériques est une cécité psychique. »
Bernheim, De l’amaurose hystérique et de l’amaurose suggestive
« On mesure l’acuité visuelle en faisant lire des lettres petites, on mesure l’acuité du sens tactile en faisant distinguer des sensations tactiles rapprochées, c’est-à-dire presque semblables. »
« Mais Bernheim cherche à expliquer le phénomène dans un langage qui me semble manquer un peu de précision et de clarté : ‘L’image visuelle perçue, l’hystérique la neutralise inconsciemment avec son imagination… La cécité psychique est la cécité par l’imagination ; elle est due à la destruction de l’image par l’agent psychique.’» Seria como a psicanálise explicaria o fenômeno. Nós, querendo ou não, no séc. XXI, estamos informados deste linguajar.
« Je ne comprends pas comment l’hystérique peut neutraliser inconsciemment avec son imagination les perceptions monoculaires et ne pas neutraliser inconsciemment aussi les perceptions binoculaires ou, tout au moins, la partie des perceptions binoculaires qui provient de l’oeil amblyopique. »
Pitres
« Bernheim répondrait sans doute, si je puis me permettre de parler pour lui, que l’hystérique ne neutralise pas les perceptions binoculaires, parce qu’elle ne se figure pas être aveugle des 2 yeux, mais seulement de l’oeil gauche, qu’elle ne neutralise pas non plus une partir de ces perceptions binoculaires, parce qu’elle ne sait pas que ces perceptions viennent de l’oeil gauche, parce qu’elle croit voir tout par l’oeil droit. Faites-lui remarquer, dans les expériences, que tel objet ne peut être vu que par l’oeil gauche, et elle ne le verra plus. »
« En outre, cette image n’a pas eu besoin d’être neutralisée, car elle n’a jamais été dans la conscience du sujet : on ne peut pas dire que Marie commence par voir mon dessin, puis cesse de le voir ; elle n’a pas de pareille négation à faire, car elle n’a jamais vu ce dessin. »
2.6 LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
« Le fait, simple en apparence, qui se traduit par ces mots : ‘Je vois, je sens’, même sans parler des idées d’extériorité, de distance, de localisation, est déjà une perception complexe. »
« Nous pouvons, tout en n’attachant à ces représentations qu’une valeur purement symbolique, nous figurer notre perception consciente comme une opération à 2 temps : 1º existence simultanée d’un certain nombre de sensations conscientes tactiles comme T T’ T’’, musculaires comme M M’ M’’, visuelles comme V V’ V’’, auditives comme A A’ A’’. Ces sensations existent simultanément et isolément les unes des autres, comme une quantité de petites lumières qui s’allumeraient dans tous les coins d’une salle obscure. Ces phénomènes conscients primitifs, antérieurs à la perception peuvent être de différentes espèces, des sensations, des souvenirs, des images, et peuvent avoir différentes origines : les uns peuvent provenir d’une impression actuelle faite sur les sens, les autres être amenés par le jeu automatique de l’association à la suite d’autres phénomènes. »
« 2º Une opération de synthèse active et actuelle par laquelle ces sensations se rattachent les unes aux autres, s’agrègent, se fusionnent, se confondent dans un état unique auquel une sensation principale donne sa nuance, mais qui ne ressemble probablement d’une manière complète à aucun des éléments constituants ; ce phénomène nouveau, c’est la perception P. (…) Cette activité, qui synthétise ainsi à chaque moment de la vie les différents phénomènes psychologiques et qui forme notre perception personnelle, ne doit pas être confondue avec l’association automatique des idées. Celle-ci, comme nous l’avons déjà dit, n’est pas une activitéactuelle, c’est le résultat d’une ancienne activité qui autrefois a synthétisé quelques phénomènes en une émotion ou une perception unique et qui leur a laissé une tendance à se produire de nouveau dans le même ordre. La perception dont nous parlons maintenant, c’est la synthèse au moment où elle se forme, au moment où elle réunit des phénomènes nouveaux en une unité à chaque instant nouvelle.
Nous n’avons pas à expliquer comment ces choses se passent ; nous avons seulement à constanter qu’elles se passent ainsi ou, si l’on préfère, à le supposer et à expliquer que cette hypothèse permet de comprendre les caractères précédants des anesthésies hystériques. »
« Chez un homme théorique, tel qu’il n’en existe probablement pas, toutes les sensations comprises dans la première opération T T’ T’’, etc., seraient réunies dans la perception P, et cet homme pourrait dire : ‘Je sens’, à propos de tous les phénomènes qui se passent en lui. (…) dans l’homme le mieux constituté il doit y avoir une foule de sensations produites par la première opération et qui échappent à la seconde. Je ne parle pas seulement des sensations qui échappent à l’attention volontaire et qui ne sont pas comprises ‘dans le point de regard’ le plus net ; je parle de sensations qui ne sont absolument pas rattachées à la personnalité et dont le moi ne reconnaît pas avoir conscience, car, en effet, il ne les contient pas. (…) La puissance de synthèse ne peut plus s’exercer, à chaque moment de la vie, que sur un nombre de phénomènes déterminé, sur 5 par exemple et non sur 12. Des 12 sensations supposées T T’ T’’ M M’ M’’ V V’ V’’ A A’ A’’, etc., le moi n’aura la perception que de 5, de T T’ M V A, par exemple. À propos de ces 5 sensations, il dira : ‘Je les ai senties, j’en ai eu conscience’ »
« Or, nous avons étudié avec soin un état particulier des hystériques et des névropathes en général que nous avons appelé le rétrécissement du champ de la conscience. Le caractère est précisément produit, dans notre hypothèse, par cette faiblesse de synthèse psychique poussée plus lois qu’à l’ordinaire, qui ne leur permet pas de réunir dans une même perception personnelle un grand nombre des phénomènes sensitifs qui se passent réellement en eux. »
P = perception personnelle
~P (não-P) – não-percepção, e não percepção impessoal!
« Quand les choses se passent ainsi, il y a bien à chaque moment des phénomènes ignorés et qui restent non perçus, comme M’ au premier moment, ou V au second ; mais, d’une part, ces phénomènes ignorés ne sont pas perpetuellement inconscients, ils ne le sont que momentanément, et, de l’autre, ces phénomènes, qui sont inconscients n’appartiennent pas toujours au même sens ; ils sont tantôt des sensations musculaires, tantôt des sensations visuelles. »
« rétrécissement du champ de la conscience par distraction, (I) par électivité ou esthésie systématisée, en un mot, dans toutes les anesthésies à limites variables. (II) »
« les hystériques sans anesthésies sont fort rares »
« L’electivité n’est ici qu’apparente, elle est due au développement automatique de telle ou telle sensation qui se répète plus fréquemment, qui s’associe plus facilement avec telle ou telle autre. »
« Mais les choses peuvent se passer d’une tout autre manière. Le faible pouvoir de synthèse peut s’exercer souvent dans un même sens, réunir dans la perception des sensations toujours d’une même espèce et perdre l’habitude de réunir les autres. Le sujet se sert plus des images visuelles et ne s’adresse que rarement aux images du toucher ; si sa puissance de synthèse diminue, s’il ne peut plus réunir que 3 images, il va renonce totalement à percevoir les sensations de telle ou telle espèce. Au début, il les perd momentanément, et il peut à la rigueur les retrouver ; mais bientôt les perceptions qui lui permettaient de connaître ces images ne se faisant pas, il ne peut plus, même s’il l’essaye, rattacher à la synthèse de la personnalité des sensations qu’il a laissé s’échapper. Il renonce ainsi, sans s’en rendre compte, tantôt aux sensations qui viennent d’une partie de la surface cutanée, tantôt aux sensations de tout un côté du corps, tantôt aux sensations d’un oeil ou d’une oreille. »
Potencial razão para eu mesmo ou para um míope de grau alto (sempre?) ter muito mais dificuldade em fixar e associar rostos a pessoas que qualquer outro dado abstrato ou a voz, por exemplo. Poderia dizer que o fato de eu digitar sem olhar o teclado mesmo de olhos fechados sem muitos erros de ortografia e que, no entanto, quando apago a luz começo a errar mais tem também a ver com o que Janet expôs? Afinal não parece ser um fenômeno visual, mas sensação exclusivamente motora. Mas o que muda com o “corte” da visão periférica, tatilmente? Pior ainda: coloque alguém atrás de mim, que eu saiba que está ali, de pé, e os erros se multiplicarão!
« Les hystériques perdent plus volontiers la sensibilité tactile, parce que c’est la moins importante, non pas psychologiquement, mais practiquement. »
Un seul oeil pour regarder le soleil.
« Si je suis à la droite de Marie et si je lui parle, les personnes qui s’approchent à gauche ne sont pas vues, quoiqu’elle ait les 2 yeux ouverts ; si je passe à sa gauche, en attirant son attention, elle continue à me voir de l’oeil gauche. L’anesthésie semblait avoir ici une limite fixe, mais, comme il n’y a entre ces diverses sortes d’anesthésie aucune séparation absolue, elle se comporte dans bien des cas comme une anesthésie systématisée à limite variable. C’est l’importance de la perception dominante qui fait changer la sensation et qui amène au jour, suivant les besoins, telle ou telle image, puisque aucune n’était réellement disparue. » « Les anesthésies complètes qui embrassent tout un organe ne différent donc des anesthésies systématisées que par le degré. »
« il y a 2 manières différentes de connaître un phénomène : la sensation impersonelle et la perception personnelle, la seule que le sujet puisse indiquer par son langage conscient. »
« l’anesthésie systématisée (ou même générale) est une lésion, un affaiblissement – non de la sensation, mais – de la faculté de synthétiser les sensation en perception personnelle, qui amène une véritable désagrégation des phénomènes psychologiques. »
2.7 LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES
P’ é a segunda personalidade dos pacientes de Janet.
“secondary self”, “normal self”
O artifício da escritura automática:
Janet: “M’entendez-vous?”
Lucie-2 : « Non. »
Janet : « Mais pour répondre il faut entendre. »
Lucie-2 : « Oui, absolument. »
Janet : « Alors, comment faites-vous ? »
Lucie-2 : « Je ne sais. »
Janet : « Il faut bien qu’il y ait quelqu’un qui m’entende ? »
Lucie-2 : « Oui. »
Janet : « Qui cela ? »
Lucie-2 : « Autre que Lucie. »
Janet : « Ah bien ! une autre personne. Voulez-vous que nous luis donnions un nom ? »
Lucie-2 : « Non. »
Janet : « Si, ce sera plus commode. »
Lucie-2 : « Eh bien, Adrienne.(*) »
Janet : « Alors, Adrienne, m’entendez-vous ? »
Adrienne : « Oui. »
(*) « Il y eut une petite difficulté à propos du nom de ce personnage, il changea 2 fois de nom. Je n’insiste pas sur ce détail insignifiant dont j’ai parlé ailleurs. Revue philosophique, 1886, II, 589. »
« Sans doute c’est moi qui ai suggéré le nom de ce personnage et lui ai donné ainsi une sorte d’individualité, mais on a vu combien il s’était développé spontanément. (…) d’ailleurs l’écriture automatique prend presque toujours un nom de ce genre, sans que l’on ait rien suggeré, comme je l’ai constaté dans des lettres automatiques écrites spontanément par Léonie.
Une fois baptisé, le personnage inconscient est plus déterminé et plus net, il montre mieux ses caractères psychologiques. Il nous fait voir qu’il a surtout connaissance de ces sensations négligées par le personnage primaire ou normal ; c’est lui qui me dit que je pince le bras, ou que je touche le petit doigt, tandis que Lucie a depuis bien longtemps perdu toute sensation tactile (…) Il use de ces sensations qu’on lui a abandonnées pour produire ses mouvements. »
« Lucie ne peut écrire que par des images visuelles, elle se baisse et suit sans cesse des yeux sa plume et son papier ; Adrienne, qui est la seconde personnalité simultanée, écrit sans regarder le papier, c’est qu’elle se sert des images kinesthésiques de l’écriture. »
« Adrienne, qui m’obéit fort bien et qui cause volontiers avec moi, ne se donne pas la peine de répondre à tout le monde. Qu’une autre personne examine en mon absence ce même sujet, comme cela est arrivé, elle ne constatera ni catalepsie partielle, ni actes subconscients par distraction, ni écriture automatique, et viendra me dire que Lucie est une personne normale très distraite et très anesthésique. »
« Si ces phénomènes sont très isolés, ils sont provoqués par tout expérimentateur, mais s’ils sont groupés en personnalité (ce qui arrive très fréquemment chez les hystériques fortement malades), ils manifestent des préférences et n’obéissent pas à tout le monde. (…) Il faut se souvenir de ce caractère d’électivité qui appartient au personnage subconscient et qui nous servira plus tard à mieux préciser sa nature. »
« J’ai eu des querelles bien amusantes avec ce personnage d’Adrienne si docile au début et qui, en grandissant, le devenait de moins en moins. Il me répondait souvent d’une manière impertinente et écrivait : ‘Non, non’, au lieu de faire ce que je lui commandais. » « Je fus forcé alors de causer avec le personnage normal, avec Lucie, qui, tout à fait ignorante du drame qui se passait au dedans d’elle-même, était de très bonne humeur. »
« Mon cher bon monsieur, je viens vous dire que Léonie tout vrai, tout vrai, me fait souffrir beaucoup, elle ne peut pas dormir, elle me fait bien du mal ; je vais la démolir, elle m’embête, je suis malade aussi et bien fatiguée. C’est la part de votre bien dévouée Léontine. »
« Léonie avait conservé un souvenir très exact de la première lettre ; elle pouvait m’en dire encore le contenu ; elle se souvenait de l’avoir cachetée dans l’enveloppe et même des détais de l’adresse qu’elle avait écrite avec peine ; mais elle n’avait pas le moindre souvenir de la seconde lettre[transcrita acima]. Je m’expliquais d’ailleurs cet oubli : ni la familiarité de la lettre, ni la liberté du style, ni les expressions employées, ni surtout la signature n’appartenaient à Léonie dans son état de veille. Tout cela appartenait au contraire au personnage inconscient qui s’était déjà manifesté à moi par bien d’autres actes. Je crus d’abord qu’il y avait eu une attaque de somnambulisme spontané entre le moment où elle terminait la première lettre et l’instant où elle cachetait l’enveloppe. Le personnage secondaire du somnambulisme qui savait l’intérêt que je prenais à Léonie et la façon dont je la guérissais souvent de ses accidents nerveux, aurait apparu un instant pour m’appeler à son aide ; le fait était déjà fort étrange. Mais depuis, ces lettres subconscientes et spontanées se sont multipliées et j’ai pu mieux étudier leur production. Fort heureusement, j’ai pu surprendre Léonie, une fois, au moment où elle accomplissait cette singulière opération. Elle était près d’une table et tenait encore le tricot auquel elle venait de travailler. Le visage était fort calme, les yeux regardaient en l’air avec un peu de fixité, mais elle ne semblait pas en attaque cataleptique ; elle chantait à demi-voix une ronde campagnarde, la main droite écrivait vivement et comme à la dérobée. Je commençai par lui enlever son papier à son insu et je lui parlai ; elle se retourne aussitôt bien éveillée, mais un peu surprise, car, dans son état de distraction, elle ne m’avait pas entendu entrer. » « Cette forme de phénomènes subconscients n’est pas aussi facile à étudier que les autres ; étant spontanée, elle ne peut être soumise à une experimentation régulière. »
« une lettre contenait le récit de l’enfance même de Léonie ; il montre du bon sens dans des remarques ordinairement justes. (…) La personne subconsciente s’aperçut un jour que la personne consciente, Léonie, déchirait les papiers qu’elle avait écrits quand elle les laissait à sa portée à la fin de la distraction. Que faire pour les conserver ? Profitant d’une distraction plus longue de Léonie, elle recommença sa lettre, puis elle alla la porter dans un album de photographies. Cet album, en effet, contenait autrefois une photographie de M. Gibert qui, par association d’idées, avait la propriété de mettre Léonie en catalepsie. Je prenais la précaution de faire retirer ce portrait quand Léonie était dans la maison ; mais l’album n’en conservait pas moins sur elle une sorte d’influence terrifiante. Le personnage secondaire était donc sûr que ses lettres mises dans l’album ne seraient pas touchées par Léonie. (…) Léonie distraite chantait ou rêvait à quelques pensées vagues, pendant que ses membres, obéissant à une volonté en quelque sorte étrangère, prenaient ainsi des précautions contre elle-même. »
« Nous avons insité sur ces développements d’une nouvelle existence psychologique, non plus alternante avec l’existence normale do sujet, mais absolument simultanée. La connaissance de ce fait est en effet indispensable pour comprendre la conduite des névropathes et celle des aliénés. » « Cette notion, importante, croyons-nous, dans l’étude de la psychologie pathologique, ne manque pas non plus d’une certaine gravité au point de vue philosophique. (…) Il faudra reculer plus encore la nature véritable de la personne métaphysique et considérer l’idée même de l’unité personnelle comme une apparence qui peut subir des modifications. Les systèmes philosophiques réussiront certainement à a’accommoder de ces faits nouveaux, car ils cherchent à expliquer la réalité des choses, et une expression de la vérité ne peut pas être en opposition avec une autre. » Nesses mesmos anos, a poucos km, na Alemanha, um célebre filósofo dizia “o ‘eu’ não existe, é um preconceito, o maior preconceito do homem, com efeito.”. Ao mesmo tempo, toda essa necessidade da compreensão global do sujeito como unidade informaria o existencialismo, a fenomenologia e a própria Gestalt como escola psicológica no século que se abria…
« dédoublement »
2.8 LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES COMPARÉES AUX EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES
« On avait eu le tort de parler de spiritisme devant Léonie pendant qu’elle était en somnambulisme. (…) la seconde personne pensait toujours aux esprits. »
« – Qu’avez-vous donc aujourd’hui ?
– Je ne vous entends pas, je suis trop loin.
– Et où êtes-vous ?
– Je suis à Alger sur une grande place, il faut me faire revenir.
(…) on connait ces voyages des comnambules par hallucination. (…)
– M’expliquerez-vous maintenant ce que vous faisiez à Alger ?
– Ce n’est pas ma faute ; c’est M. X… qui m’y a envoyée il y a 1 mois ; il a oublié de me faire revenir, il m’y a laissée… Tout à l’heure vous vouliez me commander, me faire lever le bras (c’était la suggestion que j’avais essayé de faire pendant la veille), j’étais trop loin, je ne pouvais pas obéir.
Vérification faite, cette singulière histoire était vraie : une autre personne avait endormi ce sujet dans l’intervalle de mes 2 études, avait provoqué différentes hallucinations, entre autres celle d’un voyage à Alger ; n’attachant pas assez d’importance à ces phénomènes, elle avait réveillé le sujet sans enlever l’hallucination. N., la personne éveillée, était restée en apparence normale ; mais le personnage subconscient qui était en elle conservait plus ou moins latente l’hallucination d’être à Alger. Et quand, sans somnambulisme préalable, je voulus lui faire des commandements, il entendit mais ne crut pas devoir obéir. »
« Léonie reste bien éveillée près de moi tant que je ne provoque pas de phénomènes de ce genre [muitas perguntas e exercícios de escrita automática] ; mais quand ceux-ci deviennent trop nombreux et trop compliqués, elle s’endort. Cette remarque assez importante nous explique un détail que nous avions noté, sans le comprendre, dans l’exécution des suggestions posthypnotiques. Tant qu’elles sont simples, Léonie les exécute à son insu, en parlant d’autre chose ; quand elles sont longues et compliquées, le sujet parle de moins en moins en les exécutant, finit par s’endormir et les exécute rapidement en plein somnambulisme. La suggestion posthypnotique s’exécute quelquefois dans un second somnambulisme, non pas que l’on ait suggéré au sujet de se rendormir, mais parce que le souvenir de cette suggestion et l’exécution elle-même forment une vie subconsciente si analogue au somnambulisme que, dans quelques cas, elle le produit complètement. »
« l’analogie entre les états que nous voulons comparer va se montrer encore d’une autre manière. Tous les auteurs ont remarqué que le sujet exécute au réveil les suggestions posthypnotiques sans savoir qui les lui a données, mais que, dans un nouveau somnambulisme, il retrouve ce souvenir.(Gilles de la Tourette) »
« Lucie ne retrouve dans ce premier somnambulisme [Lucie 2 ou Adrienne, porém com Lucie 1 totalmente inativa, isto é, dormindo, o que faculta a Lucie 2, por fim, se comunicar oralmente ; ao passo que se pode, com Lucie 1 acordada, pedir que Lucie 2 responda por escrito – quer dizer que a memória da Lucie 2 que se comunica por escrito é mais abrangente que a da Lucie 2 que aparece exclusivamente por sonambulismo em vez de por distração da nº 1¹] aucun souvenir de ses actes subconscients, Léonie, Rose ou Marie ne retrouvent dans ce même état que le souvenir d’un certain nombre d’actes de ce genre. »
¹ Quereria isso dizer que existe uma Lucie 2’ (P’’), ou uma “Lucie 1.5”?
« Quand les choses se présentent ainsi, il faut endormir davantage le sujet, car la persistance des actes subconscients ainsi que des anesthésies indique qu’il y a des somnambulismes plus profonds. » O sujeito não tem energia para se manter em “dois estados perceptivos” ao mesmo tempo, e elege sempre, se assim é sua inclinação, o inconsciente ou a consciência mais remota. Dessa forma Lucie, p.ex., não precisa dividir sua ‘atenção total’ (consciência + inconsciência acessível por Janet) entre 2 ordens diferentes de fenômenos; pode produzir muito mais escrita automática em sonambulismo.
« Léonie 3 est la premiére à se souvenir de certains actes et se les attribue. » « Lucie qui n’avait, dans le premier somnambulisme, [Lucie 1.5] absolument aucun souvenir des actes subconscients, ni du personnage d’Adrienne [Lucie 2 propriamente dita; é como se Lucie tivesse uma cisão dentro da cisão, 2a e 2b e não apenas uma Lucie 2; daí eu chamar Adrienne de Lucie 2 p.d. e a Lucie 2 sonambúlica de Lucie 1.5; me parece que Lucie 3 refaz a síntese, sabendo tudo de Lucie 1, de ambas as “Lucie 2” e também de si própria, claro], reprend ces souvenirs de la façon la plus complète dans son 2e somnambulisme. Il ne faut donc pas nier le rapport entre les existences successives et les existences simultanées, parce que le sujet ne retrouve pas, tout de suite, dans son 1er somnambulisme, le souvenir de certains actes subconscients »
« Quelquefois ces systèmes psychologiques subconscients, [paralelos ou alternados] formés à part de la perception personnelle, sont en petit nombre, 2 chez Lucie ou Léonie, 1 seul chez Marie, 3 ou 4 chez Rose ; quelquerfois ils sont, je crois, très nombreux. »
ESQUEMATIZANDO A COMPLEXIDADE DA SITUAÇÃO: « La vie consciente de Lucie semble se composer de 3 courants parallèles les uns sous les autres. Quand le sujet est réveillé, les 3 courants existent : le premier est la conscience normale du sujet qui nous parle, les 2 autres sont des groupes de sensations et d’actes plus ou moins associés entre eux, mais absolument ignorés par la personne qui nous parle. Quand le sujet est endormi en premier somnambulisme, le premier courant est interrompu et le second affleure, il se montre au grand jour et nous fait voir les souvenirs qu’il a acquis dans sa vie souterraine. Si nous passons au 2e somnambulisme, le second courant est interrompu à son tour, pour laisser subsister seul le troisième qui forme alors toute la vie consciente de l’individu, [felizmente minha explicação acima estava correta!] dans laquelle on ne voit plus ni anesthésies ni actes subconscients. Au réveil les courants supérieurs reparaissent en ordre inverse. »
2.9 IMPORTANCE RELATIVE DES DIVERSES EXISTENCES SIMULTANÉES
« que la vie subconsciente ressemble à la vie somnambulique, cela est évident ; qu’elle soit absolument identique au somnambulisme et puisse lui être assimilée, c’est ce qu’on ne peut admettre. Léonie 2, le personnage somnambulique, bavard, pétulant, enfantin, ne peut pas exister complet et tel quel au-dessous de Léonie 1, cette femme âgée, calme et silencieuse. Ce mélange amènerait un délire perpétuel. En outre, le personnage somnambulique qui a les sensibilités absentes viendrait toujours compléter le personnage normal et ne lui laisserait aucune paralysie visible. Voici à ce propos un détail que mon frère m’a raconté. Une hystérique ayant les jambes anesthésiques, Witt…, appuie ses pieds sur une boule d’eau chaude et, ne sentant rien, ne s’aperçoit pas que l’eau est trop chaude et lui brûle les pieds. Ce sujet renfermait cependant une 2e personnalité qui se manifestait parfaitement par des signes subconscients ou dans un somnambulisme profond et qui avait alors la sensibilité tactile. Quando on l’interrogea, ce 2e personnage prétendit avoir très bien senti la douleur aux pieds. ‘Eh bien, alors, pourquoi n’as-tu pas retiré les jambes ? – Je ne sais pas.’ Il est évident que le 2e personnage qui posséde la sensibilité tactile des jambes ne devait pas exister pendant la veille de la même manière qu’il existe maintenant en somnambulisme profond. En un mot, la 2e personnalité n’existe pas toujours de la même manière et les rapports ou les proportions entre les différentes existences psychologiques doivent être fort variables. » Como o caso de Lucie 2 e Lucie 1.5. Memória de que o pé doía, memória sutil de um passado em que a inação diante da dor era a única possibilidade.
« L’état de santé psychologique parfaite. La puissance de synthèse étant assez grande, tous le phénomènes psychologiques, quelle que soit leur origine, sont réunis dans une même perception personnelle, et par conséquent la 2e personnalité n’existe pas. Dans un pareil état, [théorique] il n’y aurait aucune distraction, aucune anesthésie, ni systématique ni générale, aucune suggestibilité et aucune possibilité de produire le somnambulisme, puisqu’on ne peut développer des phénomènes subconscients qui n’existent pas. Les hommes les plus normaux sont loin d’être toujours dans un pareil état de santé morale, et, quant à nos sujets, ils y parviennent bien rarement. »
« l’état de désagrégation » X « l’état hystérique »
« les phénomènes désagrégés restent encore incohérents, tellement isolés que, sauf pour quelques-uns qui amènent encore des réflexes très simples, ils n’ont, pour la pluplart, aucune action sur la conduite de l’individu, ils sont comme s’ils n’existaient pas. »
Normalmente a 2ª personalidade é « l’état dans lequel les spirites sont si heureux de voir leurs médiums, afin d’évoquer les esprits par l’intermédiaire des phénomènes désagrégés. ». =« somnovigil ; veille somnambulique » (Beaunis) – semi-hipnotismo? Voilà, c’est l’« hémi-somnambulisme », nome de Richet.
« somnambulisme véritable »
gráfico-resumo
« Il est facile d’observer un très grand nombre de variétés et de complications dans lesquelles les 2 personnages peuvent plus ou moins se connaître mutuellement et réagir l’un sur l’autre. Nous évitons d’entrer maintenant dans l’étude de ces complications. »
« Si nos sujets, après le réveil, ne conservent pas le souvenir de leur somnambulisme, c’est qu’ils ne reviennent pas à la santé parfaite et qu’ils gardent toujours des anesthésies et des distractions plus ou moins visible ; s’ils guérissaient radicalement, s’ils élargissaient leur champ de conscience jusqu’à embrasser définitivement, dans leur perception personnelle, toutes les images, ils devraient retrouver tous les souvenir qui en dépendent et se rappeller complètement même de leurs périodes de crise ou de somnambulisme. Je dois dire que je n’ai jamais constaté ce retour de la mémoire et que cette remarque est fondée sur l’examen d’une figure schématique et sur le raisonnement plus que sur l’expérience. » « jamais je n’ai vu ces personnes hystériques retrouver après leur guérison apparente le souvenir de leurs secondes existences. » « N’est-il pas possible qu’à 60 ans, l’hystérie, la désagrégation mentale qui existait à 20 ans, ait totalement disparu et que l’esprit entièrement reconstitué ait récupéré toutes les images, comme pendant un somnambulisme parfait. » « Les existences psychologiques simultanées, que nous avons été obligé d’admettre pour comprendre les anesthésies, sont dues à cette persistance plus ou moins complète de l’état somnambulique pendant la veille. »
2.10 L’ANESTHÉSIE ET LA PARALYSIE
SOBRE A EXISTÊNCIA DE UM REPOSITÓRIO, CHAMADO INCONSCIENTE, QUE GUARDA TODAS AS MEMÓRIAS ESQUECIDAS (muito antes da Pseudanálise): « C’est une théorie bien séduisante et à certains points de vue bien vraisemblable ; elle est admirablement exprimée dans saint Augustin et a été défendue avec beaucoup d’adresse par des philosophes contemporains, comme M.Bouillier (Ce que deviennent les idées in Revue philosophique, 1887) et M. Colsenet (La vie inconsciente de l’esprit). (…) Nous avons eu, en composant ce travail, la prétention, justifiée ou non, de faire un ouvrage de psychologie expérimentale et de nous écarter le moins possible des faits que nous avons pu, plus ou moins bien, observer nous-mêmes ; or nous n’avons pas constaté de faits qui se rattachent directement à cette hypothèse un peu transcendante. La grande différence entre une étude expérimentale et une théorie philosophique c’est que la première n’a pas besoin de pousser les idées jusqu’à leurs plus lointaines conséquences et qu’elle s’arrête au point où la base solide des observations et de l’expérience paraît se dérober. »
« Nous n’insisterons pas non plus sur ce fait, car nous avons assez étudié les conditions de la mémoire pour admettre sans examen nouveau que les diverses amnésies de ce genre s’expliquent de la même manière que les diverses anesthésies. »
« Mais on rencontre souvent dans les études de psychologie pathologique 2 phénomènes nouveaux et très importants : les paralysieset les contractures. Si ces faits peuvent être rattachés à cette théorie de la désagrégation psychologique que nous avons esquissée, ils lui apporteront une vérifications assez sérieuse ; nous devons donc leur consacrer une étude particulière.
En règle générale, toute anesthésie et toute amnésie amènent toujours à leur suite una paralysie : si j’ai oublié le nom ou la place d’un objet, je ne puis pas prononcer ce nom, ni faire le mouvement pour prendre l’objet à sa place. Une hystérique qui perd complètement le souvenir de toute espèce d’images verbale, ou qui perd toute sensibilité d’un membre, ne peut plus parler ou ne peut plus remuer ce membre. D’autre part, les paralysies et les contractures sont presque toujours, sauf dans des cas tout à fait exceptionnels, accompagnées par des anesthésies. ‘L’anesthésie tactile et musculaire accompagne toujours la paralysie hystérique’, disait Charcot. ‘Le malade,’ dit un autre auteur, ‘n’a conscience de son membre que comme d’un corps étranger dont le poids est gênant et se fait sentir dans la partie du thorax restée sensible’. (Berbez, Hystérie et traumatisme, 1887) De même les contractures sont en général indolentes et accompagnées d’une anesthésie profonde du muscle et presque toujours également de la peau qui le recouvre. (…) inversement, quand les anesthésies disparaissent, on voit les contractures céder et les membres paralysés recouvrer leurs mouvements. » « Une théorie, autrefois assez répandue et qui aujourd’hui n’est plus guère soutenue, semble s’opposer à l’assimilation que nous voulons faire ; car elle sépare absolument, comme 2 phénomènes différents et indépendants l’un de l’autre, les paralysies et les anesthésies. »
« Un épervier¹ à qui l’on coupe les nerfs sensitifs de la patte ne sent plus dans ce membre les attouchements ou les piqûres, disait Claude Bernard, mais il conserve la faculté de se tenir sur son perchoir² et de marcher. » D’une manière plus générale, on peut, par la section des racines sensitives, supprimer la sensibilité en laissant persister la motilité ; c’est l’ancienne expérience de Bell et de Magendie [Lei de Bell-Magendie sobre compartimentação nervocerebral sensório-motora – ambos não escreveram em parceria, foram descobertas simultâneas e independentes]. Donc, dit Joly (Sensibilité et mouvement), le mouvement existe sans la sensibilité.En aucune façon ;les lésions chirurgicales sont, à mon avis, un mauvais procédé d’expérimentation psychologique, car jusqu’à présent elles ne sont pas assez délicates et n’atteignent pas avec précision le fait que l’on veut supprimer. La section d’une racine sensitive supprime simplement la communication matérielle entre les impressions extérieures et la faculté de sensibilité de l’animal ; elle ne détruit absolument pas cette faculté. L’épervier de Claude Bernard est toujours capable de sentir les sensations relatives à sa patte et, par conséquent, il conserve la mémoire de toutes les images des sensations anciennes qui lui ont été transmises par ce nerf autrefois intact. Personne n’a jamais prétendu que le mouvement fût toujours produit par une sensation actuelle :nous pouvons écrire maintenant sans avoir des modèles d’écriture sous les yeux ; mais cela ne prouve pas que l’écriture ne soit pas un mouvement produit par des images d’anciennes sensations visuelles ou musculaires. (…) l’anesthésie dont l’auteur parle n’est produite que par des lésions anatomiques, hémorragies, tumeurs, etc., qui interrompent la conduction, mais ne suppriment point la faculté psycho-physiologique de la sensation et de l’image.Il n’y a pas de paralysie sans doute, mais c’est qu’il n’y a pas d’amnésie, parce que l’anesthésie n’est pas complète. »
¹ Accipiter nisus: gavião-da-europa.
² Apoiador do pássaro na gaiola.
« C’est uniquement dans les névroses que le psychologue peut étudier avec fruit les troubles de la sensibilité et du mouvement. (…) Voyons donc si, dans les névroses, il y a des troubles de la sensibilité sans troubles du mouvement. Cela est certain ; tous les observateurs, en effet, ont remarqué qu’il y a des hystériques absolument anesthésiques et qui remuent fort bien. L’observation célèbre de Deneaux¹ nous dispensera de description : ‘Elle mettait ses muscles en jeu sous l’influence de la volonté, mais elle n’avait pas conscience des mouvements qu’elle exécutait. Elle ne savait pas quelle était la position de son bras, il lui était impossible de dire s’il était étendu ou fléchi. Si on disait à la malade de porter la main à son oreille, elle exécutait immédiatement le mouvement ; mais lorsque ma main était interposée entre la sienne et son oreille elle n’en avait pas conscience….’ C’est là un bel exemple d’anesthésie tactile et musculaire complète sans paralysie. Beaucoup des sujets que j’ai étudiés, Marie surtout, donneraient lieu à une description absolument identique. »
¹ Médico ou anatomista caído no olvido.
« Les hystériques ne sentent pas leur bras remuer, mais elles le remuent cependant, parce qu’elles se représent l’image visuelle du mouvement de leur bras et que cette image visuelle, comme nous l’avons vu dans toutes les expériences relatives à l’imitation, suffit pour produire le mouvement effectif. »
« pour des femmes surtout, le mouvement des bras est beaucoup plus visible que le mouvement des jambes et laisse dans la mémoire des images visuelles bien plus nettes » O mesmo não ocorreria hoje, portanto.
« Les exceptions rentrent donc assez facilement dans la règle : s’il a des anesthésies musculaires qui ne soient pas accompagnées de paralysies, c’est que toute sensibilité relative au mouvement n’a pas été supprimée, que les sensations et les images visuelles sont intervenues pour remplacer celles qui étaient perdues, et on ne peut pas en conclure que le mouvement existe indépendamment des images sensorielles. »
« des paralysies sans anesthésie. (Dans toute cette discussion, d’ailleurs, nous ne faison aucune allusion aux paralysies et aux contractures dues à une cause organique, qui peuvent présenter de tout autres caractères.) » « Il faut encore ici, pour l’étude psychologique, rechercher des paralysies sans lésion et voir comment elles peuvent se produire malgré la conservation de la sensibilité. »
« On peut faire beaucoup d’expériences de ce genre, dire à un sujet que son bras est collé à la table, qu’il ne peut prendre un objet, etc. Bernheim remarque que, si on a dit, pendant le somnambulisme, que tel objet paralysait, cet effet se produit encore après le réveil, sans que le sujet sache pourquoi. (De la suggestion) » « immobilité apparente » « idée fixe subconsciente qui arrête le mouvement au moment où le sujet veut le produire et pourrait d’ailleurs le faire au moyen des images sensorielles qu’il a complètement conservées. »
« les études précédentes ne nous semblent pas avoir réussi à la séparer [la paralysie] de l’anesthésie. »
2.11 LES PARALYSIES ET LES CONTRACTURES EXPLIQUÉES PAR LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
« paralysie totale … contracture totale … plus simple et … les plus fréquentes »
« paralysie complète … le membre retombe toujours inerte, obéissant aux lois de la pesanteur … contracture générale, un membre, et quelquefois le corps entier, prend une position fixe, invariable, déterminée par la position et la force relative des différents muscles. » « Cette attitude des membres dans la contracture générale a été souvent décrite à propos des attaques de tétanos ou de certaines crises d’épilepsie : la jambe, p.ex., sera dans l’extension forcée, parce que les muscles extenseurs prédominent sur les fléchisseurs, le poing sera fermé, légèrement tourné en dedans, le corps courbé en arrière légèrement en arc, etc. »
« paralysie ou contracture partielles … un même nerf » « C’est dans cette classe qu’il faut ranger les griffes cubitales, médianes et radiales qui ont été si souvent décrites. »
« un troisième groupe d’anesthésies … systematisées. Il est facile de constater qu’il y a des paralysies et des contractures exactement correspondantes. § Les anciens magnétiseurs avaient déjà remarqué que l’on peut défendre à un sujet de faire un certain mouvement, de prononcer tel mot, ou d’écrire telle lettre. ‘Les paralysies systématiques consistent dans la perte de mouvements spéciaux, de mouvements adaptés. Le sujet qui en est atteint ne perd pas complètement l’usage de son membre ; il est seulement incapable de s’en servir pour exécuter un acte determiné et cet acte seul’ (Binet et Féré, Magnétisme animal) Il est facile de comprendre combien un sujet qui peut faire de son bras tous les mouvements possibles, sauf ceux qui sont nécessaires pour écrire un A, ressemble au sujet qui peut avec son oeil voir tous les objets, sauf une seule personne désignée. Il y a même, quoique ce soit un fait moins connu, des contractures systématisées, c’est-à-dire des contractures dans lesquelles tous les muscles du bras ou de la main ne sont pas contracté au plus haut degré, mais dans lesquelles quelques-uns seulement sont contractés et les uns plus, les autres moins, de manière à donner au membre une attitude également rigide, mais expressive. Les bras, p.ex., pourront rester contracturés dans la posture de la menace ou dans celle de la prière. Les paralysies et les contractures peuvent donc présenter toutes les modifications que présentaient les anesthésies et être classés de la même manière. »
« La suggestion posthypnotique amenait des insensibilités partielles et des anesthésies systématiques ; elle produira des paralysies et des contractures du même genre. »
« Je fais, par ce procédé, écrire l’alphabet, Lucie [1] ne le sait plus. Je demande au personnage subconscient [Lucie 2] l’orthographe d’un mot, ‘chapeau, maison, etc.’, il l’écrit correctement ; mais si on le demande à Lucie [1] à ce même moment, elle cherche et prétend l’avoir oubliée. Bien mieux si, avec quelques précautions, on arrête cette écriture automatique, sans détruire l’état d’hémisomnambulisme qui subsiste alors, on constate que Lucie a, en ce moment, totalement perdu la faculté d’écrire consciemment et qu’elle ne peut s’exprimer que par la parole. »
« Les contractures hystériques sont beaucoup plus fréquentes que les paralysies, car les muscles anesthésiques ont une tendance curieuse à se contracturer sans cesse sous la plus légère influence, le massage, la pression circulaire, l’approche d’un aimant, etc. »
« Une femme de 26 ans, évidemment hystérique, a une querelle avec son mari et lève le poing pour le frapper : comme par une punition céleste, le bras droit reste contracturé dans la position du coup de poing. Elle vint au bout de 3 jours demander assistance, car la contracture n’avait pas cédé : M. le Dr. Gibert eu l’obligeance de me la montrer. J’ai d’abord essayé les expériences avec l’aimant qui, je dois le dire, n’eut aucune influence sur cette paysanne très ignorante des théories du transfert. Mais elle fut très émotionnée, pleurait et ne comprenait plus rien à ce qu’on lui disait. Je profitai de son émotion pour lui faire des suggestions à l’état de veille ; par un mot, je fis passer la contracture de droite à gauche, de gauche à droite et enfin je la fis disparaître. »
« En réalité, ces 2 choses, l’oubli et la paralysie, ne sont qu’un seul et même phénomène considéré de 2 côtés différents, comme l’image et le mouvement. » « [en un mot,] c’est une désagrégation »
« Il faut admettre que ces images existent encore et font simplement partie d’un autre groupe plus ou moins coordonné de phénomènes psychologie [P e P’], afin de comprendre comment le mouvement des membres paralysés se conserve et a lieu, quand on le désire, à l’insu du sujet lui-même. »
2.12 CONCLUSION
« Les choses se passent comme si les phénomènes psychologiques élémentaires étaient aussi réels et aussi nombreux que chez les individus les plus normaux, mais ne pouvaient pas, à cause d’une faiblesse particulière de la faculté de synthèse, se réunir en une seule perception, en une seule conscience personnelle »
3. DIVERSES FORMES DE LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
3.1 LA BAGUETTE DIVINATOIRE. – LE PENDULE EXPLORATEUR. – LA LECTURE DE PENSÉES.
« Une des pratiques les plus anciennes et les plus simples pour ces révélations mystérieuses est l’usage de la baguette divinatoire. C’est une baguette, ordinairement de coudrier, qui a la forme d’une fourche [uma forquilha de madeira] et qui servait autrefois dans les campagnes pour découvrir les sources, les métaux cachés et mêmes les traces des criminels. Le devin, car ce n’est qu’une personne privilégiée qui peut se servir de cet instrument, prend dans ses 2 mains les 2 branches de la fourche et s’avance sur le terrain qu’il doit explorer, en ayant soin de ne pas bouger volontairement les bras. Si, sur un point du parcours, la baguette oscille, s’incline jusqu’à tordre les poignets du devin qui ne peut résister, c’est là qu’il faut fouiller pour trouver les sources ou les trésors. Le fameux Jacques Aymar conduisit même ainsi les magistrats sur la piste de 2 criminels depuis Lyon jusqu’à Toulon.(*)
(*) Gasparin, Des tables tournantes, 1855, II. – De Mirville, Des esprits et de leurs manifestations fluidiques, 1963, I. »
« Un anneau suspendu au bout d’un fil plonge dans un verre : la sybille tient l’extrémité de ce pendule explorateur et lui pose des questions auxquelles il doit répondre par les mouvements ou les battements de l’anneau contre le verre. Ce petit jeu mérite quelque célébrité, car il a provoqué les premières recherches de M. Chevreul et il a été le point de départ des études expérimentales sur les phénomènes subconscients de l’esprit humain. »
« willing game, le jeu du vouloir, appelé en France la lecture des pensées ou le cumberlandisme, du nom de celui qui l’a introduit il y a quelques années. J’emprunte la description du cumberlandisme à des auteurs qui en ont fait une étude minutieuse et qui nous indiquent les termes usuels qui le caractérisent. (…) un membre de la société qui doit jouer le rôle de thought reader ou de percipient, devin, quitte la salle ; les autres personnes qui restent choisissent quelque action simples qu’il doit accomplir ou cachent quelque objet qu’il doit trouver ; le devin est alors ramené et un ou plusieurs willers, conducteurs, lui touchent légèrement la main ou l’épaule. Dans ces conditions, l’action choisie est souvent assez vite accomplie ou bien l’objet est retrouvé. Le willer affirme cependant et avec une parfaite bonne foi qu’il n’a donné aucune impulsion directrice.(*)
(*) Myers, Gurney & Podmore, Phantasms of the living, 1886, I.»
“Quoique des séances de ce genre, surtout lorsqu’elles sont publiques, laissent toujours quelque doute et ne puissent pas être rapportées avec autant de confiance que des expériences personnelles, je crois que, dans ce cas, les mesures de précaution contre des supercheries possibles étaient assez bien prises. Dans cette séance de mentévisme, comme il disait, Osip Feldmann arrivait, non pas toujours, mais assez souvent, à exécuter l’acte auquel on pensait en lui serrant fortement le poignet. Il réussissait mieux les expériences compliquées que les plus simples, celles qui comportaient beaucoup de mouvements que celles qui devaient être faites sur place. Il réussissait également mieux avec certaines personnes qu’avec d’autres : ainsi, j’essayai en vain de le diriger, il ne comprit rien à ce que je pensai, tandis qu’il comprenait très bien plusieurs de mes amis. Il parvenait même à comprendre une personne qui ne le touchait pas, mais se contentait de le suivre partout en restant à un mètre de distance : cette expérience est déjà décrite en Angleterre. (…) Au lieu de se faire tenir directement par la personne qui avait choisi l’action à accomplir et qui jouait le rôle de willer, il interposait entre elle et lui une 3e personne totalement ignorante de ce qu’il y avait à faire et dont le rôle consistait uniquement à tenir d’un côté le poignet du devin et de l’autre la main du willer sans penser elle-même à rien de précis. »
« En Angleterre, où l’on a, pour toutes ces questions, une curiosité intelligente et active, plusieurs observateurs ont entrepris, afin d’étudier la baguette divinatoire, une série d’expériences longues et coûteuses que l’on n’aurait jamais songé à faire en France. On trouverait le compte rendu de ces expériences dans les articles de MM. Sollas et Edw. Pease¹ »
¹ Bibliografia não-encontrada.
« Lorsque je tenais le pendule à la main, un mouvement musculaire de mon bras, quoique insensible pour moi, fit sortir le pendule de l’état de repos et les oscillations une fois commencées furent bientôt augmentées par l’influence que la vue exerça pour me mettre dans cet état particulier de disposition ou de tendance au mouvement… »
Chevreul
« J’ai remarqué, écrit un observateur anglais, que si un objet a été d’abord caché dans un endroit, puis déplacé pour être mis dans un autre, la personne qui me conduit ne manque pas de me mener d’abord à la première place, puis elle m’entraîne à la véritable. »
« Plusieurs personnes à qui j’ai fait tenir le pendule de Ch. furent stupéfaites et effrayées de voir l’anneau m’obéir et osciller dans le sens que j’indiquais. Le mouvement est cependant réel [et involontaire, et inconscient] »
« Não pisque! » E então a pessoa pisca nervosamente.
Círculos de língua traçados pela boca, serão mesmo circulares?
“Pour pouvoir reproduire cette expérience, il faut appartenir au type visuel et avoir habituellement des mouvements déterminés par des images visuelles. C’est pourquoi plusieurs personnes, qui agissent d’ordinaire autrement, ne peuvent pas mettre le pendule en mouvement par ce procédé. »
« Mais (…) pourquoi ces individus font-ils ces mouvements sans le savoir ? Un mouvement automatique déterminé par une image n’est pas forcément un mouvement ignoré. Quand nous bâillons en voyant bâiller quelqu’un, nous savons bien ce que nous faisons. Le mouvement est provoqué par l’image visuelle ou auditive [e eis que bocejo!]» E provavelmente quando reler bocejarei de novo. Dito e efeito… E você que me lê?
« J’ai cru observer que les individus qui appartiennent au type moteur ou musculaire ne sont pas, comme on pourrait le penser, les meilleurs sujets pour ce genre d’expériences. Habitués à se servir de leurs sensations musculaires et à y faire attention, ils ne laissent pas passer inaperçus ces mouvements involontaires de leur main et les arrêtent dès leur début. »
Nós, os auditivos e visuais, precisamos de muitos estímulos para correr, por exemplo. Aí ignoramos a dor.
« on peut donc dire que, dans toutes les expériences que nous avons rappelées, il y a au moins un commencement de désagrégation psychologique avec sensations et mouvements subconscients. »
« Entre les doigts d’une hystérique anesthésique, le pendule fait merveille et exécute tous les mouvements possibles, parce que l’anesthésie musculaire est déjà complète et que ces sensations ne viennent pas gêner le mouvement produit par les images visuelles ou auditives. »
« La communication entre les 2 personalités est ici le son de la parole, comme entre des personnes normales. » O Rafael do sonho, do banho, das caminhadas (o cantante, o fumante).
“Il faut aller plus loin que M. Chevreul et, après avoir admis des actes sans volonté, il faut parler des pensées sans conscience ou en dehors de notre conscience, si l’on veut se débarrasser des innombrables petits diables de M. de Mirville. »
3.2 RÉSUMÉ HISTORIQUE DU SPIRITISME
« Il y a des années que les chefs du spiritisme connaissent ces faits de désagrégation psychologique que nous venons de décrire. Il semble que toute science doive passer par une période de superstition bizarre : l’astronomie et la chimie ont commencé par être l’astrologie et l’alchimie. La psychologie expérimentale aura commencé par être le magnétisme animal et le spiritisme : ne l’oublions pas et ne nous moquons pas de nos ancêtres. » Discurso ok para o fim do séc. XIX. Mas se vemos espíritas (e muito mais estúpidos que os espíritas franceses daquele tempo) a nossa frente, evidentemente que devemos cair na gargalhada (um dos poucos prazeres restantes nesse mundo tão insosso)! O espiritismo não é respeitável sequer como religião – não se trata aqui de rir do que é « pseudo » ou « proto » científico, mas de algo bem mais profundo…Não rio de quem lê horóscopos e professa fé na deusa Astarte (por exemplo). Há nisso um quê de dignidade indefinível. Kardecistas, porém?! Não, que a tolerância com malucos de branco escapados de camisas-de-força tenha seus limites, meus caros!
« Les ouvrages des spirites, comme ceux des magnétiseurs, peuvent se diviser en 2 groupes. Les uns qui exposent une quantité de théories plus ou moins banales ou fantastiques pour expliquer un petit nombre de faits à peine décrits : ceux-là sont en général complètement illisibles. Les autres, tout en parlant encore beaucoup trop des esprits et de leur hiérarchie, insistent davantage sur les faits observés et les descriptions des séances ; ils sont intéressants et plus agréables à lire que l’on ne croirait.
Après avoir commencé, non sans effroi, la lecture des gros volumes de M. de Mirville, l’étude de la Revue spirite, celle des théories de Gasparin ou de Chevillard sur le spiritisme, j’ai fini par y prendre un certain plaisir. On trouve de tout dans ces ouvrages, qui sont quelquefois écrits avec une verve et un enthousiasme presque communicatifs. Tantôt ce sont des histoires délicieuses, comme celle de ce bon M. Bénézet et de son guéridon [mesa de centro; incrivelmente sonante com guérison] qui interrompt sa conversation pour courir après des papillons, celle de ces esprits malins et peu convenables qui se dissimulent sur les chaises et mordent les personnes… quand elles s’asseoient, et surtout le récit des mésaventures de ce pauvre M. X… qui fuit devant la révolte de son mobilier et se cache derrière un canapé resté fidèle ; tantôt ce sont des recherches d’érudition absolument dépourvues de critique, il est vrai, mais quelquefois bien curieuses ; tantôt ce sont des observations psychologiques très intéressantes et très fines et qui sont loin d’être inutiles pour les observateurs de nos jours. Il est fâcheux que les dimensions de cet ouvrage ne me permettent pas d’insister suffisamment sur ces différents auteurs. Nous ne pouvons que rechercher les faits les plus fréquemment observés par des écrivains opposés les uns aux autres et, par conséquent, les plus vraisemblables, et les extraire de toutes ces réflexions, ces discussions, ces théories qui les étouffent. Une science naissante donne beaucoup plus de place aux systèmes qu’aux faits ; c’est justement l’inverse qui a lieu dans une science un peu plus avancée. »Dá o que pensar. Mas não poderia ser o contrário? Vejamos a sociologia: tão fértil e ligada a coisas ainda reais antes das sistematizações que a tornam estéril e mero apêndice estatístico hoje, sem vida.
« On connaît, dans ses grands traits, l’histoire du spiritisme, et je ne puis entrer ici dans des détails qui formeraient tout un volume. On sait que, vers 1848, 2 jeunes filles américaines, misses Fox,(*) ont eu le singulier honneur d’entendre les premières des coups mystérieux que rien ne pouvait expliquer : elles les attribuèrent tout naturellement à l’âme d’un individu décédé dans la maison, et, avec un courage au-dessus de tout éloge, engagèrent la conversation avec ce personnage. D’après une convention établie par ces demoiselles, un coup signifiait ‘oui’ et deux coups signifiaient ‘non’. M. de Mirville semble réclamer le mérite de cette invention pour un des témoins dans l’affaire du presbytère de Cideville.(**)C’est une question de priorité à débattre entre la France et l’Amérique. Je ne crois pas, cependant, que la question ait grande importance, car un passage d’Ammien Marcellin assure qu’au IVe siècle de notre ère, les chefs d’une conspiration contre l’empereur Valence interrogèrent des tables magiques d’une façon à peu près analogue.(***) Le procédé serait donc fort ancien. En tout cas, c’est en Amérique [la terre des fous], de Mirville en convient lui-même, que, grâce aux misses Fox et au juge Edmonds, l’épidémie spirit fit ses premiers progrès. Ce dernier fut surtout stupéfait de la connaissance que les esprits qu’il interrogeait avaient de ses propres pensées.
(*) Sur l’histoire des misses Fox, Cf. Bersot : Mesmer. Le magnétisme et les tables tournantes, 4e éd. 1879, 119.
(**) De Mirville, Pneumatologie. Des esprits et de leurs manifestations diverses. Mémoires adressés aux académies, 4 vols. [!] in-8, 4e éd., 1863, I, 328.
(***) Lafontaine, Art de magnétiser, 27. »
O mais provável é que os indígenas exterminados pelo colonizador britânico tenham lançado uma grande maldição nessa terra desértica de bens e de idéias.
Deus morreu, mas a mesa sobreviveu. I am… I am… I AM!
« Bientôt les dames pussèrent de grands cris, car la table tremblait sous leur main et se mettait à tourner. » « on commanda à la table : ‘danse’, et elle dansa »
« L’épidémie ne tarda pas à passer en France : quoique certains auteurs prétendent qu’il eut des tentatives de ce genre dès 1842, ce n’est vraiment qu’en 1853 que l’on trouve des expériences bien authentiques à Bourges,(*) à Strasbourg, à Paris. Le succès fut complet et ne tarda pas à dépasser même celui des Allemands. [mais românticos que os românticos!] Sous la pression des mains rangées autour d’elle avec méthode, la table ne se contenta plus de tourner et de danser, elle imita les diverses batteries du tambour, la petite guerre avec feux de file ou de peloton, la canonnade, puis le grincement de la scie, les coups de marteaux, le rythme de différents airs » Mesa Napoleão.Memórias: Quinta série e brincadeira do compasso… – Não sabíamos, na sala, que as “bics” que terminaram voando pela janela eram resultado de nossas contrações musculares inconscientes…
(*) « Allan Kardec, Le livre des médiums, 19e éd. [puta que pariu…]. »
OS FINS JUSTIFICAM OS MÉDIUMS : « On ne tarda pas à remarquer, en effet, que les 10 ou 12 personnes réunies autour de la table ne jouaient pas toutes un rôle également important. La plupart pouvaient se retirer sans inconvénient, sans que les mouvements de la table fussent arrêtés ou modifiés. Quelques-unes, au contraire, semblaient indispensables, car, si elles se retiraient, tous les phénomènes étaient supprimés et la table ne bougeait plus. On désigna sous le nom de médiums ces personnes dont la présence, dont l’intermédiaire était nécessaire pour obtenir les mouvements et les réponses des tables parlantes. »
METÁFORA DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: « Grâce à ces progrès, les opérations deviennent plus simples et plus régulières : au lieu d’une douzaine de personnes debout autour d’une table, écoutant et comptant le nombre des bruits qu’elle produit dans son mouvement, il n’y a plus que le médium, la main appuyée sur une petite planchette mobile, ou même, dans la plupart des cas, tenant directement un crayon. » Chaplin bem podia ter gravado mais um filme, O GRANDE CHARLATÃO.
E como em toda revolução industrial, seguem sucessivas especializações do especialista:“Les médiums, ces individus essentiels et privilégiés, n’ont pas, tous, les mêmes pouvoirs et se rangent en catégories innombrables que nous ne pouvons énumérer toutes : les médiums à effets physiques ou les médiums typtologues, comme les misses Fox en Amérique, provoquent, par leur seule présence, des bruits dans les murs ou sous les tables ; les médiums mécaniques se servent d’une planchette, d’une toupie, d’une corbeille à bec, etc. ; les médiums gesticulants répondent aux questions par des mouvements involontaires de la tête, du corps, de la main, ou bien en promenant les doigts sur les lettres d’un alphabet avec une extrême vitesse ; les médiums écrivants tiennent le crayon eux-mêmes, et écrivent à l’endroit ou à l’envers, [ALLAN ATRAVÉS DO ESPELHO] ou se servent de l’écriture spéculaire,(*) ou obtiennent des écritures diversement transformées ; les médiums dessinateurs laissent leur main errer au hasard et sont tout surpris de voir ‘la maison habitée par Mozart dans la planète Jupiter toute en notes de musique’.(*) (…) Il y a des médiums pantomimes‘qui imitent, sans pouvoir s’en rendre compte, la figure, la voix, la tournure des personnes qu’ils n’ont jamais vues, et jouent des scènes de la vie de ces personnes d’une telle façon qu’on ne peut s’empêcher de reconnaître l’individu qu’ils représentent’. » + os ‘inventores’ de línguas (hoje fazendo carreira nas neo-pentecostais) + médiums auditivos e visuais, etc.
(*) « Gibier, Le spiritisme ou fakirisme occidental, 1887. »
O SUMO ÓBVIO:« Ce qui distingue l’école spirite, dite américaine, écrit la Revue spirite, c’est la prédominance de la partie phénoménale ; dans l’école européenne on remarque au contraire la prédominance de la partie philosophique. » É como dizer que um espiritismo que fosse desenvolvido por cavalos de competição contaria com percursos com obstáculos! O americano inventa Arquivo X; o tipo europeu inventa o Black Lodge… Eu me comunicaria com Zaratustra, não com alienígenas imbecis que gostam de se envolver com a Casa Branca, é evidente!
« Ce fut l’oeuvre d’un certain M. Rival, ancien vendeur de contre-marques, [cunhas de moeda] parait-il,(*) qui rédigea, sous le nom d’Allan Kardec, le code et l’évangile du spiritisme.
(*) Gilles de la Tourette, Hypnotisme. »
« Il est absolument inutile de résumer ici ce système philosophique qui n’a d’ailleurs aucune espèce d’intêrêt ; cette étude a été faite dans le petit livre de M. Tissandier qui examine moins les faits que les théories du spiritisme. (Des sciences occultes et du spiritisme, 1866.) Il suffit de savoir que cette doctrine est un mélange des idées religieuses courantes et d’un spiritualisme banal, [hahahaha] qu’elle soutient naturellement la doctrine de l’immortalité des âmes et la complète par une théorie vague de réincarnation analogue à la transmigration et à la métempsychose des anciens. » A História se repete como farsa.
Perispírito, o éter desses lunáticos.
« D’innombrables sociétés se formèrent dans lesquelles on conversait facilement avec l’âme de son arrière-grand-père ou avec l’esprit de Socrate. »
« Il ne faudrait pas, je crois, confondre complètement ce spiritisme d’aujourd’hui avec celui que existait autrefois et qui provoquait l’enthousiasme d’Allan Kardec et les terreurs religieuses de Mirville : ce sont 2 choses très différentes. Les quelques croyants sincères qui subsistent encore défendent péniblement les doctrines du maître contre des sectes et des religions nouvelles, l’occultisme ou la théosophie, beaucoup plus ambitieuses et plus compliquées que cette modeste conversation avec les âmes des trépassés. » Trespassados como Aquele pela lança de Longino. Às vezes tenho a impressão que o Brasil é o lixão do mundo, ou diria jardim fértil do mundo: aqui, tudo floresce.
3.3 HYPOTHÈSES RELATIVES AU SPIRITISME
“Le movement qui a provoqué la fondation d’une cinquantaine de journaux différents en Europe, qui a inspiré les croyances d’un nombre considerable de personne est loin d’être insignifiant. Il est trop général et trop persistant pour être dû à une simple plaisanterie locale et passagère.”
“La crédulité exagérée qui consisterait à prendre au sérieux toutes les balivernes [nonsense, folly] qui encombrent les revues de ce genre serait plus ridicule encore que le scepticisme”
“Que le médium agisse au moyen de son bras et écrive comme tout le monde, ou qu’il manifeste sa pensée par le mouvement du crayon placé loin de lui, cela est très different au point de vue physique; mais au point de vue psychologique, cela ne modifie pas la nature de la pensée qui se manifeste et les problèmes qui nous intéressent restent exactement les mêmes. Je me hâte d’ajouter que ces phénomènes réservés sont infiniment rares et que je serais fort embarrassé pour en parler, car, malgré toute ma curiosité, je n’ai jamais vu rien qui y ressemblât. Les 9/10 au moins des personnes qui se sont occupés de spiritisme avoueront, si elles sont sincères, que ce ne sont pas ces phénomènes d’écriture directe ou de soulèvements sans contact qui ont déterminé leurs convictions, car elles ne les connaissent aussi que de reputation. Contentons-nous d’étudier le problème d’un phénomène physique dont l’existence est encore au moins problématique.
Un premier effort pour expliquer le mouvement des tables tournantes fut fait dès les débuts de leurs succès par quelques physiciens. M. l’abbé Moigno¹ s’efforce de prouver, dans le Cosmos du 8 juillet 1854, que les tables ne tournent que parce qu’on les pousse. Il cite plusieurs expériences ingénieuses imaginées par M. Strombo [a.k.a. Dimitrios Stroumpos], professeur de physique à l’université d’Athènes, qui mettent cette impulsion en évidence. Si, p.ex., on recouvre la surface de la table d’une couche de tale très mobile, les doigts des expérimentateurs glissent sur la table et ne parviennent pas à lui communiquer le mouvement. Les appareils de Babinet et de Faraday, les couches de papier successives qui tournaient sous la pression dans le sens du mouvement de la table, l’aiguille indicatrice qui prévenait les assistants de leurs moindres mouvements, sont trop connus pour que j’y insiste; ces procédés mettaient en évidence le mouvement des expérimentateurs et des médiums. Mais, répondrons-nous avec M. de Mirville, il n’est pas nécessaire d’inventer tant d’appareils pour nous prouver que la main du médium remue, nous nous em doutions bien un peu;les meilleurs médiums sont ceux qui n’ont point besoin de tables et qui tiennent eux-mêmes le crayon, et tout le monde peut voir les mouvements de leur main. Ce qu’il faut nous expliquer, c’est de quelle manière ce mouvement peut être involontaire et inconscient, tout en restant cependant intelligent.”
¹ Citarei alguns livros fora do tema na bibliografia complementar.
Guldenstubbe, La réalité des esprits, 1873
“J’ai vu John Stuart Mill passer le long de Cheapside l’après-midi, lorsque cette rue est pleine de monde, et circuler sans peine sur le trottoir étroit sans coudoyer personne ni se heurter aux becs de gaz, et lui-même m’a assuré que son esprit était tout occupé de son système de logique, dont il avait médité la plus grande partie en allant chaque jour de Kesington aux bureaux de la compagnie des Indes, et qu’il avait si peu conscience de ce qui se passait autour de lui qu’il ne reconnaissait pas ses meilleurs amis…”
Carpenter, Revue scientifique, 1878.
“Nous bâillons quand nous voyons bâiller, nous rougissons quand nous voyons rougir, donc il est tout simple qu’un sujet ramasse des fleurs quand on le lui commande et qu’une flamme imaginaire lui brûle la peau. Sans doute il y a une légère analogie entre la marche involontaire du logicien distrait et l’écriture automatique des mediums; mais quelle difference, quell hiatus entre les 2 phénomènes. Les actes involontaires que l’on allègue sont habituels, de simples répétitions, sans originalité et sans intelligence; l’écriture automatique au contraire, il ne faut pas l’oublier, est fort intelligente.”
“On admet en Belgique que, pour aller plus vite, la table parlera avec ses 3 pieds: pour cela, on divise l’alphabet en 3 groupes de lettres: 1o de A à H, 2o de I à P; 3o de Q à Z; on numérote les lettres dans chaque groupe, A est désigné par un coup, B par 2, etc., I de nouveau par 1, J par 2, etc. Mais chaque pied correspond à un de ces groups et ne s’occupe pas des autres. Ainsi, si le premier pied frappé 3 coups, c’est un C., la troisième lettre du premier groupe, si le deuxième pied frappe un coup, c’est un I, la première lettre du 2e groupe, et ainsi de suite.”
Gasparin
“Comment peut-on comparer un calcul de ce genre à l’acte automatique de se gratter ou de cligner des yeux? Les communications écrites de cette manière sont très loin, comme nous le verrons, d’être des oeuvres de genie, mais encore sont-elles incomparablement plus qu’un simple réflexe mécanique.”
Myers, Automatic writing, 1885.
“It is time to go to sleep, go to bed.”
E por que raios um livro só sobre os médiuns e outro sobre os espíritos? Grr.
NÉON, A COLECIONADORA DE PARTES HUMANAS: “Le médium sait si peu ce que sa main écrit qu’il ne peut pas se relire et qu’il est obligé de faire appel à d’autres personnes pour comprendre ce que contient son message; ou bien, ce qui est plus curieux encore, il est obligé de prier l’esprit de répéter et d’écrire plus lisiblement, ce que ce dernier fait d’ailleurs avec assez de bonne volonté; ou bien encore, le médium se trompe em lisant le message, il lit par exemple J. Celen au lieu de Helen, et l’esprit est obligé de le reprendre et de rectifier.”
“L’histoire de l’esprit qui s’intitule lui-même Clelia forme réellement um document psychologique dont on ne saurait exagérer l’importance.”
ESCRITOR AUTOMÁTICO (MÉDIUM):“What is man?”
ESCRITA (INCONSCIENTE): “Tefi Hasl Esble Lies”
MÉD.: “How shall I believe?”
INC.: “neb 16 vbliy ev 86 e earf ee”
MÉD.: “Is this an anagram?”
INC.: “Yes”
“Ce n’est que le lendemain et après bien des efforts que le médium put disposer les lettres de manière à leur donner un sens à peu près intelligible: ‘Life is the less able’ ‘believe by fear even 1866’”
“Wundt, après avoir assisté à une séance de spiritisme, se plaint vivement de la dégénérescence qui a atteint, après leur mort, l’esprit des plus grands personnages, car ils ne tiennent plus que des propos de dements et de gâteux.” Cf. Wundt, Spiritisme (artigo), 1879.
“his quos durus amor crudeli tabe peredit”
“Illa solo fixos oculos aversa tenebat…” Dido
“Chez des protestants, les tables n’ont plus peur de l’eau bénite, n’ont plus de respect pour les scapulaires et annoncent avant 10 ans la chute de la papauté.” “Chez ceux qui croient à l’ancienne magie noire, les esprits obéissent aux formules magiques et tremblent devant les triangles sacrés. Il est vrai, comme l’a vérifié Morin,¹ que l’on peut, au lieu de réciter les formules fatales, déclamer des ver d’Horace et que l’on obtient le même succès.”
¹ Figura não-identificada.
3.4 LE SPIRITISME ET LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
“Tout est dit…”
Frase de um moralista francês, século XVII
(s/ autor), Seconde lettre de gros Jean à son évêque au sujet des tables parlantes, des possessions et autres diableries. Paris, Ledoyen, 1855. (93 páginas)
“Quelques citations nous permettront de résumer la théorie psychologique contenue dans cette petite brochure: ‘Incitées par le monde extérieur, ou fécondant les matériaux déjà conquis, nos facultes intellectuelles forment en nous des idées ou des pensées; la conscience ou sens intime nous en donne connaissance; notre volonté ou faculté de réagir sur nous-mêmes fournit en même temps à la conscience l’idée de notre personnalité, l’idée du moi. Reste à établir le lien. Par ce mouvement de la volonté sur l’intelligence qu’on appelle l’attention, l’idée ou pensée est affirmée dans ses relations avec le moi, rapportée, unie à lui. Voilà ce qui se pase dans l’état ordinaire normal…’”
“Le phénomène qui nous occupe (les tables parlantes) n’est autre chose en effet que cette suspension plus ou moin complète, plus ou moins prolongée, de l’action de la volonté sur l’organisme, sur la sensibilité, sur l’intelligence conservant toute leur activité, et les divers degrés de cette disjonction comme les formes diferentes qu’elle revêt, se succèdent fort naturellement les unes aux autres… Dans les expériences des tables parlantes, la jeune fille entend la question et forme bien la réponse dans son esprit où doit être préalablement déposée la connaissance du mode convenu pour traduire, au moyen des mouvements de la table, toutes les idées et pensées possible: tels sont les premiers éléments du phénomène: mais ici se présentent plusieurs états ou degrés différents du même êtat.”
“La volonté ayant commencé à faire scission avec l’intelligence, la jeune personne n’a qu’une demi-connaissance de la réponse qui est plus complète, plus étendue ou même exprimée en d’autres termes; l’esprit, en un mot, est dans une situation semi-anormale.”
“La jeune fille sait la réponse qui se forme dans son intelligence, mais elle la connaît en elle comme si elle ne venait pas d’elle; l’attention la recueille, mais sans établir de lien entre cette pensé et le moi (ce degré me paraît correspondre aux possessions et aux folies impulsives dont nous parlerons plus loin).”
“Que faut-il pour que la plume soit remplacée par la parole? que l’impulsion se communique à d’autres nerfs… Cela est accompagné ordinairement d’um grave désordre de l’innervation: il n’y a rien d’étonnant à cela.”
“Chez nos paisibles writing médiums, la pensée ordinaire persiste calme, mais quand la crise physique revêtait un caractère violent, oh! alors la division interne était complète, absolue, persistante; bien plus, la seconde personallité exaltée, ardente, effrénée, étouffait l’autre pour un moment anéantie et, sous les noms de Jupiter ou d’Apollon, possédait seule toute l’intelligence et tout l’organisme de la prêtresse en délire. Deus, ecce Deus…” “Tel est le somnambulisme ou sybilisme parfait…”
“sybilisme… [parce que] d’après son mode de manifestation le plus élevé et celui sans aucun doute qui a joué dans le monde le rôle le plus important, puisque, transformé en institution publique, il a été pendant des siècles la base et la sanction des religions.”
* * *
« On me pardonnera, je l’espere, cette longue citation en raison de son importance et de la difficulté de se procurer la brochure : il faut reconnaître que, sous son titre bizarre, se trouve trés bien résumé tout ce que quelques auteurs contemporains et moi-même nous croyions avoir découvert en étudiant l’écriture automatique et le somnambulisme. »
« D’où proviennent les bruits entendus dans les tables ou dans les murs et répondant à des questions ? Est-ce d’un mouvement des orteils, de cette contraction du tendon péronier supposées par Jobert de Lamballe et qui a fait tant de bruit à l’Académie ? Est-ce d’une contraction de l’estomac et d’une véritable ventriloquie, comme Gros Jean le suppose, ou bien d’une autre action physique particulière encore inconnue ? Sont-ils produits par des mouvements automatiques du médium lui-même, ou bien, comme cela me paraît probable dans certains cas, au milieu de l’obscurité réclamée par les spirites, par des actions subconscientes de quelqu’un des assistant, qui trompe les autres et se trompe lui-même, et qui devient compère [cúmplice] sans le savoir ? Cela importe peu (…) ‘la parole involontaire des intestins n’est pas plus miraculeuse que la parole involontaire de la bouche’. »
« Quoique l’ouvrage que nous venons d’analyser ait été écrit en 1855, il ne fut pas compris et n’eut aucune influence, ni sur les spirites, ce qui est naturel, ni sur les psychologues, ce qui est plus étonnant ; les uns continuèrent à admirer, les autres à railler les tables parlantes, sans que leur étude avançât autrement. »
« Littré, dans sa Philosophie positive, 1878, et Dagonet dans les Annales médico-psychologiques, 1881, font allusion à des théories du même genre pour expliquer les discours des convulsionnaires des Cévennes. »
« Il faut arriver jusqu’à ces denières annés pour trouver, dans un article de M. Ch. Richet, l’expression précise d’une théorie du spiritisme, comparable à celle que nous venons de lire : ‘Supposons, dit-il, qu’il y ait chez quelques individus un état d’hémi-somnambulisme tel qu’une partie de l’encéphale produise des pensées, reçoive des perceptions, sans que le moi en soit averti. La conscience de cet individu persiste dans son intégrité apparente : toutefois des opérations très compliquées vont s’accomplir en dehors de la conscience, sans que le moi volontaire et conscient paraisse ressentir une modification quelconque.’ (La suggestion mentale et le calcul des probabilitiés, 1884) »
Baron du Prel, Philosophie der mystick
Hellenbach, Geburt und Tod
« Nous n’exposerons pas ici les théories de Myers sur le spiritisme, elles sont plus développées que les précédentes, et entrent davantage dans le détail des phénomènes. Nous préférons exposer d’abord, d’une manière générale, comment nous rattachons ces faits aux études que nous venons de faire dans cet ouvrage, pour revenir ensuite sur les points de débat qui séparent notre interprétation de celle de Myers. »
« Tandis que ces auteurs partaient de l’étude du spiritisme pour arriver à la théorie des personnalités multiples et à l’étude de l’hypnotisme, nous nous trouvions les rejoindre quoique en étant parti d’un point de départ tout opposé. Cette rencontre nous porte à croire, ce qui nous paraît facile à démontrer, que les phénomènes observés par les spirites sont exactement identiques à ceux du somnambulisme naturel ou artificiel et que nous avons le droit d’appliquer littéralement à cette question nouvelle les théories et les conclusions auxquelles nous sommes parvenus dans le chapitre précédent. »
3.5 COMPARAISON DES MÉDIUMS ET DES SOMNAMBULES
« presque toujours les médiums sont des névropathes, quand ce ne sont pas franchement des hystériques. Le mouvement des tables ne commence que lorsque des femme ou des enfants, c’est-à-dire des personnes prédisposées aux accidents nerveux, viennent y mettre les mains (Baragnon,Magnétisme animal) »
« Quand les esprits se fâchent, les médiums sont plongés subitement dans un état de perturbation nerveuse ou de raideur tétanique… »
Mirville
« Rien n’est plus décisif, à ce point de vue, qu’une observation de Charcot sur plusieurs jeunes gens d’une même famille qui deviennent tous hystériques à la suite des pratiques du spiritisme. Cette coïncidence entre la crise de nerfs et l’acte d’écrire inconsciemment se retrouve chez nos sujets. »
« Si les médiums ne présentent pas d’accidents nerveux au moment où ils évoquent les esprits, ils ne restent pas cependant toujours indemnes, et ils terminent souvent d’une manière fatale leur brillante carrière. Tôt ou tard beaucoup d’entre eux tombent dans ‘la subjugation’, comme dit Allan Kardec avec un heureux euphémisme, c’est-à-dire qu’ils finissent tout simplement par la folie. (Maudsley, Pathologie de l’esprit, 1883) »
« la médiumnité est un symptôme et non pas une cause. »
« Les médiums sont des somnambules incomplets » Perrier, magnetizador.
« Voilà qui est parfait, mais ces auteurs n’expliquent pas comment tout cela est possible, comment l’existence somnambulique peut se continuer sous la veille en une seconde personnalité. »
« Ah ! c’est embêtant d’être mort ! (Le vaillant Achille a déjà dit cela quand il venait boire le sang noir des victimes, décidément les médiums spirites n’ont pas l’esprit inventif.) »
« Eh bien, essayons cette combinaison ingénieuse. Pendant que Lucie est en somanmbulisme, je lui suggère qu’elle n’est plus elle-même, mais qu’elle est un petit garçon de 7 ans nommé Joseph, scène de comédie qui est connue et sur laquelle je passe. Sans défaire l’hallucination, je la réveille brusquement, et la voici que ne se souvient de rien et qui semble dans son état normal ; quelque temps après, je lui mets un crayon dans la main et je la distrais en lui parlant d’autre chose. La main écrit lentement et péniblement sans que Lucie s’en aperçoive, et quand je lui prends le papier, voici la lettre que je lis : ‘Cher grand-papa, à l’occasion du jour de l’an, je te souhaite une santé parfaite et je te promets d’être bien sage. Ton petit enfant, Joseph.’ Nous n’étions pas au jour de l’an et je ne sais pas pourquoi elle à écrit cela, peut-être parce que, dans sa pensée, une lettre d’un enfant de 7 ans éveillait l’idée des souhaits de bonne année ; mais n’est-il pas manifeste que l’hallucination s’est conservée dans la 2e personnalité. Un autre jour, je la mets encore en somnambulisme ; pour voir des transformations de caractère et pour profiter de son érdution littéraire, je la transforme en Agnès de Molière et lui fais jouer le rôle de la candeur naïve ; je lui demande cette fois d’écrire une lettre sur un sujet que je lui indique ; mais, avant qu’elle ait commencé, je la réveille. La lettre fut écrite inconsciemment pendant la veille, manifesta le même caractère et fut signée de ce nom d’Agnès. Encore un exemple : je la change cette fois en Napoléon avant de la réveiller ; la main écrivit automatiquement un ordre à un général quelconque de rallier les troupes pour une grande bataille et signa avec un grand paraphe Napoléon. Je demande encore : en quoi l’histoire de Mme Hugo d’Alésy diffère-t-elle de celle de Lucie ? Jusqu’à preuve du contraire, je suis disposé à croire que les 2 phénomènes sont absolument les mêmes, et que, par conséquent, ils doivent s’expliquer de la même manière par la désagrégation de la perception personnelle et par la formation de plusieurs personnalités qui tantôt se succèdent et tantôt se développent simultanément. »
3.6 LA DUALITÉ CÉRÉBRALE COMME EXPLICATION DU SPIRITISME
« Cette division du cerveau en 2 parties a déjà donné lieu à bien des hypothèses. Depuis La Mettrie¹ qui dit que Pascal avait un cerveau fou et un cerveau intelligent, depuis Gaétan de Launay,¹ qui considère les rêves faits sur le côté droit comme absurdes et ceux faits sur le côté gauche comme logiques,(*) il y a eu bien des anatomistes et des physiologistes qui ont rapporté à cette dualité tous les phénomènes compliqués et embarrasants de l’esprit humain.
¹ Muitas obras. Não é relevante para o tema aqui exposto.
(*) Cf. Bérillon, La dualité cérébrale et l’indépendance fonctionnelle des deux hémisphères cérébraux, 1884. »
« Mais Myers, quand il revient à cette théorie, à propos du spiritisme, l’expose avec des arguments qui sont plus nettement psychologiques et qui, par conséquent, demandent ici une discussion. »
« Le médium qui écrit de cette manière ne sent pas sa propre main qui écrit, il ressemble à un individu atteint de cécité verbale¹ qui ne peut lire l’écriture. »
Myers, Multiplex personality, 1887.
¹ Cegueira verbal!!!
« C’est que le message est mal écrit ; il m’arrive à moi aussi de ne pas pouvoir lire ma propre écriture, et je ne suis pas atteint de cécité verbale. »
« Enfin remarquons que l’écriture en miroir n’est pas si difficile qu’on le croit généralement. Après 2 ou 3 essais de quelques instants, je suis arrivé à écrire de cette façon assez rapidement. »
« Les arguments de Myers ne nous semblent pas suffisants pour que l’on puisse assimiler l’écriture automatique des médiums aux troubles de l’agraphie produits par une lésion localisée d’un hémisphère. » « Léonie et Lucie ont 3 personnalités et non 2 ; Rose en a 4 au moins bien distinctes ; faut-il supposer qu’elles ont 3 ou 4 cerveaux ? »
« Les médiums, quand ils sont parfaits, sont des types de la division la plus complète dans laquelle les 2 personnalités s’ignorent complètement et se développent indépendamment l’une de l’autre. »
3.7 DE LA FOLIE IMPULSIVE
« bien des malheureux sont naturellement et pendant toute leur vie sous la domination d’une idée fixe de ce genre et se sentent pousées par une puissance invincible à un acte qui leur fait horreur. »
« Laissons de côté les actes commis brusquement par certains épileptiques pendant une éclipse momentanée de la conscience. (…) Les impulsions qui nous intéressent le plus sont celles qui ont lieu pendant la veille du malade, pendant qu’il est capable de perception et de réflexion. Il peut les constater, et sent qu’il se laisse entraîner comme par une force étrangère.
Les actes les plus simples de ce genre seront des mouvements nerveux, des tics, des grimaces saccadées de la face, tu tronc, des extrémites, mouvements que le sujet déclare accomplir malgré lui, mais qu’il connaît et auxquels il pourrait à la rigueur résister. »
« il est juste, en effet, de distinguer la choréee vulgaire ou gesticulatoire, qui se rapproche des simples tics, de la grande chorée rhythmique, qui en diffère en ce que les mouvements irrésistibles ne sont pas faits au hasard, mais paraissent ordonnés et avoir un but déterminé. Mirville les décrit très bien, quoique en les rapportant, comme toujours, au diable. »
« certaines expressions, dit M. Luys,¹semblent se figer en permanence sur la physionomie, les traits de terreur persistèrent 8 mois après l’accident qui les avait causés. »Odium pater. Senti-lhe tanto ódio que desfigurou meu rosto!
¹ “Jules Bernard Luys (1828-1897), neurologista, neuro-anatomista e psiquiatra francês. Devem-se numerosos átrlas do sistema nervoso central ilustrados por fotografias. Seu nome caracteriza ainda hoje a descrição pioneira do centro sub-talâmico (corpo de Luys), realizada em 1865.”
“Toutes ces folies choréïques, disait Maudsley (op. cit.), sont caractérisées par leur caractère automatique, chaque centre nerveux semble agir pour son propre compte. Ce sont bien des impulsions pendant la veille et la durée de la conscience normale, mais l’individu qui les sent semble ne pas y résister.
Mais, dans d’autres cas qui sont plus dramatiques, l’individu qui a conscience de son impulsion peut y résister plus ou moins longtemps et ne succombe qu’après une lutte désespérée. Ce sont des désir violents et subits qui leur traversent l’esprit et qui les poussent à accomplir une action absurde ou criminelle. »
« L’acte est accompli, alors ils respirent, se calment, se réjouissent, non pas de l’acte qu’ils ont fait et qui leur est toujours en horreur, mais du soulagement qu’ils éprouvent à ne plus sentir cette horrible torture et à reprendre la libre disposition de leur esprit.On trouverait, dans tous les ouvrages sur l’aliénation, des exemples innombrables de cette maladie morale vraiment cruelle ;M. Jean Saury¹ a résumé, dans son dernier livre sur ‘les dégénérés’, les formes les plus typiques et les plus fréquentes que prennent les impulsions. »
¹ O enésimo polímata citado, do século XVIII! Também padre e astrônomo, entre outras ocupações.
« Tandis que le fou véritable s’abandonne à son délire et s’y complaît, l’impulsif le repousse comme quelque chose d’étranger. »
« Un malheureux jeune homme de 17 ans, D…, est fils de père et mère aliénés tous les deux et qui tous 2 ont terminé leur vie par le suicide. Il a eu, jusqu’à ces derniers temps, une existence relativement calme, quoique troublée de temps en temps par des accidents nerveux. Il eut ainsi de violente accès de mélancolie durant lesquels il se cache, s’isole et reste à pleurer sans aucune raison sur son sort. Il se demande avec angoisse comment il gagnera son pain, comment il apprendra son métier, etc. ; en même temps il se raisonne lui-même, constate que ces inquiétudes n’ont pas de raison d’être, et cependant il recommence à gémir ; à d’autres moments, il a des bouffées de chaleur à la face et des tremblements choréiques de la jambe gauche qui durent des nuits entières. Une fois, ces tremblements convulsifs se sont généralisés à tous les membres, jusqu’à faire croire (tout à fait à faux, à mon avis) à une crise d’épilepsie. Il a presque constamment, depuis quelques années, la terreur d’être seul, et cependant il déteste la société, aussi ne sait-il que faire, et se met-il encore à gémir. Il a une agoraphobie intense, et quand il faut traverser une place, il supplie une personne de l’accompagner ou bien suit les gens à la trace, en ayant une peur affreuse qu’on ne le renvoie. Voici le dernier accident plus tragique qui l’a amené à l’hôpital : Un soir il sent une des ses crises d’angoisse qui commence, ne peut arriver à manger ni à boire, passe la nuit éveillé à gémir ; la jambe gauche tremble et se secoue continuellement. Cependant il fait un effort le matin pour se rendre à son ouvrage habituel et, comme il est garçon coiffeur,[cabeleireiro]se met en devoir de raser[raspar, fazer a barba de]un client.À peine tient-il le rasoir[navalha] en main, que la sueur lui vient à la face, que ses tremblements augmentent et gagnent les bras.Une pensée horrible lui traverse l’esprit, il désire, il veut couper la gorge[cortar a garganta]de cet individu qu’il est en train de raser. Épouvanté de cet acte, il résiste avec une sorte de rage et s’accroche à la chaise pour ne pas tomber. Il essaie encore de lever [largar] son rasoir, mais l’impulsion revenant plus terrible, il se sauve dans sa chambre en poussant de grands cris.On court après lui et on n’a que le temps de le saisir au moment où il allait se couper la gorge à lui-même.(…) il est persuadé que tôt ou tard il se tuera[se suicidará]comme ont fait ses parents, et cette idée ne contribue pas peu à l’attrister. » Um dos relatos mais pesados de todo o livro.
« Il en est ainsi dans bien des suggestions exécutées soi-disant avec conscience ; le sujet continue avec bonne volonté un acte qu’il n’a pas commencé lui-même, il en prend même la responsabilité et il invente des raisons pour l’expliquer ; mais l’acte n’en était pas moins un phénomêne subconscient soumis aux lois de la désagrégation psychologique. » « Si l’on distrait le sujet pendant qu’il exécute l’acte, il ne s’apercevra de rien et les choses seront très régulières ; si on ne le distrait pas, il va employer sa petite force de perception à regarder ses propres actes et il pourra les accepter ou leur résister. »
PEDIDOS IMORAIS (COMO «PICK-POCKET »: “Elle faisait 3 pas dans la direction de la personne que je lui avais indiquée, puis s’arrêtait net et s’en retournait ; elle avançait de nouveau de 3 pas et s’arrêtait encore. Elle frappait du pied, grinçait des dents, prenait un ouvrage pour faire autre chose, puis se levait pour recommencer. (…) Pendant un instant de distraction, les jambes marchaient pour faire l’acte que la 2e personnalité voulait exécuter. Lucie, qui n’était pas assez distraite, s’apercevait de ce mouvement et se disait en trépignant : ‘Ah ça, qu’est-ce que je vais faire là ?’ (…) Cette lutte entre les 2 consciences dura plus de 20 minutes, avant que l’acte fût exécuté entièrement dans un moment de distraction plus durable ; tandis que, au contraire, la suggestion aurait été exécutée immédiatement, si j’avais pris quelques précautions pour éviter cette conscience en retour et pour empêcher Lucie de se préocuper de ses actes subconscients. »
« quand vous lisez un livre ou que vous entendez un discours peu récréatif, vous pouvez rester quelque temps dans un état d’indifférence, mais, si vous sentez quelque bâillement involontaire, alors vous ne doutez plus, vous êtes avertis authentiquement de votre ennui et la conscience que vous en avez l’augmente. »
Joly, Sensibilité et mouvement, Revue Philosophique, 1886.Bem sartriano. Ou devemos dizer, já que é um escrito do séc. XIX: Sartre é que é bem janetiano, digo, jolyano?
« Qu’est-ce qu’ils pensent d’eux-mêmes en se voyant ainsi agir d’une façon bizarre ? Ils emploient toujours le même mot pour désigner leur état. ‘Mais qu’est’ce que tu as donc ?’ dis-je à Lucie dans une circonstance analogue à celle que j’ai décrite. – ‘C’est drôle comme j’ai envie de faire cela, et c’est pourtant si bête.’ » A vontade, mestra suprema.
« il est dominé, il est esclave, son corps est une machine obéissant à une volonté qui n’est pas la sienne. »
Leuret
« – J’avais une peur affreuse de couper la gorge a l’homme que je rasais, me disait ce malheureux D…
– Pourquoi aviez-vous peur de faire cela ? lui demandai-je.
– Je voyais bien ma main qui se levait pour frapper, je n’ai eu que le temps de me sauver.
Le malade ne comprend pas que l’idée et, par suite, l’acte de couper la gorge a été suggéré, par l’attouchement du rasoir, à un groupe de phénomènes dont il ne soupçonne pas l’existence en lui. Il n’a vu que le résultat de la suggestion, le mouvement du bras, et c’est pour cela qu’il interprète en disant ‘J’avais une envie affreuse de lui couper la gorge.’ »
« une forme intéressante d’acte désagrégé incomplet »
3.8 LES IDÉES FIXES. – LES HALLUCINATIONS.
São diferentes do sub-capítulo anterior por não “forçarem” o paciente à comissão de um ato tresloucado.
“L’un entend une voix qui lui répète : ‘Ne bouge pas ou tu es perdu’, et il reste alors immobile dans une apparente stupeur. (Ellis, Aliénation mentale)¹ Une autre entend une voix qui lui commande de jeter 10 francs dans la Seine. (Ball, d’après Paulhan, Revue philosophique, 88) Tantôt ces idées semblent rester plus abstraites, sans prendre la forme d’une hallucination de l’ouïe. (Ribot, Psychologie de l’attention) » « idée de persécution » « ou tout simplement une idée insignifiante et absurde » « Ces malheureux n’acceptent pas leur idée fixe comme faisant partie de leur pensée, comme nous faison dans nos rêves pour les idées les plus absurdes, ils résistent à ces idées et ils ont conscience de l’absurdité de leur état. »
¹ Ellis desconhecido. Havelock Ellis foi um grande psicólogo, fora do movimento da psiquiatria dinâmica per se.
« Si je pouvais penser comme vous, disait l’un, je serais heureux, mais je suis accablé par des idées sinistres auxquelles je ne puis m’empêcher de croire, j’aimerais mieux être fou complètement que d’avoir conservé mon intelligence sur la plupart des sujets… »
Pinel, De la monomanie
« Le problème est le même que pour les impulsions motrices : le phénomène anormal n’est pas intégré dans la personnalité, il est étranger au moi qui voudrait le repousser, il semble appartenir à un autre groupe psychique, comme les phénomènes désagrégés, et cependant il est conscient, tandis que ces faits de désagrégation étaient inconscients. »
« LÉONIE : Oh ! qui donc me parle ainsi ? cela me fait peur.
JANET : Personne ne vous parle, je suis seul avec vous.
L. : Mais si, là à gauche.
Et la voici qui se lève et veut ouvrir une armoire placée à sa gauche pour voir si quelqu’un y est caché.
J. : Qu’entendez-vous donc ?
L. : J’entends à gauche une voix qui répéte ‘Assez, assez, tiens-toi donc tranquille, tu nous ennuies.’
Certes la vois qui parlait ainsi était dans son droit, mais je n’avais rien suggéré de pareil et ne pensais guère à provoquer à ce moment une hallucination de l’ouïe. Un autre jour, le même sujet, pendant le premier somnambulisme, était bien calme, mais refusait obstinément de répondre à ce que je luis demandais. Elle entendit encore à gauche la même voix qui lui dit : ‘Allons, sois donc sage, il faut dire.’ Ces paroles provenaient évidemment, on connaît assez ce sujet pour le deviner, du personnage inférieur qui existait au-dessous de cette couche de conscience. [Léonie 2] »
« Mais comment, d’après les théories de la désagrégation que nous avons exposées, est-il possible que les idées du 2e personnage subconscient deviennent des hallucinations de l’ouïe pour le premier ? »
« Reproduisons le fait expérimentalement ? pendant un état somanmbulique profond, je charge Léonie 3 de dire quelque chose à l’autre, par exemple de lui dire ‘Bonjour’, puis je la réveille. L’hallucination se produit de même et Léonie demande encore : ‘Qui donc dit <Bonjour> ?’ Mais cette fois, moi aussi j’ai entendu le mot ‘Bonjour’, car la bouche l’a parfaitement prononcé, quoique tout bas. Ces hallucinations d’origine subconsciente étaient dues, dans ce cas, à l’audition d’une véritable parole automatique analogue à l’écriture automatique »
« Enfin les dégénérés, dont parle Saury, ont très souvent des impulsions à dire des jurons et des obscénités malgré eux, comme les médiums avaient des dispositions à en écrire. »
« Un malade parle lui-même tout haut et prétend ensuite que c’est une voix qu’il entend ; si on lui tient les lèvres fermées, il entend encore la voix, mais on sent les lèvres remuer sous les doigts. »
Moreau de Tours, Haschich
« Comment ces phénomènes peuvent-ils à la fois se rattacher l’un à l’autre par association et cependant être désagrégés ? »
« Je commande à Léonie pendant qu’elle est distraite et qu’elle cause avec une autre personne, et je murmure tout bas que cette personne a un bel habit vert. Léonie n’a pas entendu ce que je disais (phénomène subconscient désagrégé appartenant au 2e champ de conscience), et cependant elle pousse un cri et dit : ‘Oh ! comme votre habit est drôle, il est tout vert, ja ne l’avais pas remarqué’ (phénomène conscient appartenant au 1er champ de conscience). » Cf. Binet, Les altérations de la conscience chez les hystériques, Revue philosophique, 1889, I.
« l’association automatique des idées est une chose, et … la synthèse qui forme la perception personnelle à chaque moment de la vie et l’idée du moi en est une autre. Celle-ci peut être détruite, tandis que celle-là subsiste. » « L’association des idées est la manifestation d’une synthèse élémentaire qui a déjà été effectuée autrefois et qui a rattaché les phénomènes les uns aux autres une fois pour toutes. La perception personnelle est formée par l’activité synthétique actuelle qui, par un effort continuel répété à chaque instant, ramène à l’unité du moi tous les phénomènes qui se produisent, quelle que soit leur origine. » Pode ser que hoje eu não seja um eu, mas eu eu já fui.
« Cette force de synthèse peut être aujourd’hui affaiblie, rendre le sujet incapable de percevoir telle sensation auditive ou telle sensation tactile et cependant, par un automatisme d’origine ancienne qui n’a pas été détruit, cette sensation non perçue peut amener d’autres images faisant partie de celles que le sujet perçoit encore. »
3.9 LES POSSESSIONS
« un perpétuel état de terreur ou de tristesse »
« Avoir son corps dans l’attitude de la terreur, c’est sentir l’émotion de la terreur, et, si cette attitude est déterminée par une idée subconsciente, le malade n’aura dans la conscience que l’émotion seule sans savoir pourquoi il és ému. »
« Je pleure et je ne sais pourquoi, cela me rend triste sans raison et c’est ridicule » Léonie. « c’est la 2e personne qui est désolée d’être partie du Havre et qui provoque les larmes. »
« (Marie) La scène se terminait par plusieurs vomissements de sang après lesquels tout rentrait à peu près dans l’ordre. Après une ou 2 journées de repos, M. se calmait et ne se souvenait de rien. » « des poses de terreur »
« Elle resta ainsi 7 mois à l’hôpital sans que les diverses médications et l’hydrothérapie qui furent essayées eussent amené la moindre modification. D’ailleurs les suggestions thérapeutiques, en particulier, les suggestions relatives aux règles, n’avaient que de mauvais effets et augmentaient le délire. » « Je songeai alors à la mettre dans un somnambulisme profond, capable, comme on l’a vu, de ramener des souvenirs en apparence oubliés, et je pus ainsi retrouver la mémoire exacte d’une scène qui n’avait jamais été connue que très incomplètement. »
« À l’age de 13 ans, elle avait été réglée pour la première fois, mais, par suite d’une idée enfantine ou d’un propos entendu et mal compris, elle se mit en tête qu’il y avait à cela quelque honte et chercha le moyen d’arrêter l’écoulement le plus tôt possible. Vingt heures à peu près après le début, elle sortit en cachette[esconderijo]et alla se plonger dans un grand baquet[banheira]d’eau froide. Le succès fut complet, les règles furent arrêtées subitement, et, malgré un grand frisson qui survint, elle put rentrer chez elle.Elle fut malade assez longtemps et eut plusieurs jours de délire. Cependant tout se calma et les menstrues ne reparurent plus pendant 5 ans. Quand elles ont réapparu, elles ont amené les troubles que j’ai observés. Or, si l’on compare l’arrêt subit, le frisson, les douleurs qu’elle fait en somnambulisme et qui, d’ailleurs, a été confirmé indirectement, on arrive à cette conclusion : Tous les mois, la scène du bain froid se répète, amène le même arrêt des règles et un délire qui est, il est vrai, beaucoup plus fort qu’autrefois, jusqu’à ce qu’une hémorrhagie supplémentaire ait lieu par l’estomac. Mais, dans sa conscience normale, elle ne sait rien de tout cela et ne comprend même pas que le frisson est amené par l’hallucination du froid ; il est donc vraisemblable que cette scène se passe au-dessous de cette conscience et amène tous les autres troubles par contre-coup. »
« Il fallut la ramener par suggestion à l’âge de 13 ans, la remettre dans les conditions initiales du délire, et alors la convaincre que les règles avaient duré 3 jours et n’avaient été interrompues par aucun accident fâcheux. Eh bien, ceci fait, l’époque suivante arriva à sa date et se prolongea pendant 3 jours, sans amener aucune souffrance, aucune convulsion ni aucun délire. »
« les crises de terreur étaient la répétition d’une émotion que cette jeune fille avait éprouvée en voyant, quand elle avait 16 ans, une vieille femme se tuer en tombant d’un escalier, le sang dont elle parlait toujours dans ses crises était un souvenir de cette scène ; quant à l’image de l’incendie, elle survenait probablement par association d’idées, car elle ne se rattache à rien de précis. »
« Enfin je voulais étudier la cécité d’oeil gauche, mais Marie s’y opposait lorsqu’elle était éveillée, en disant qu’elle était ainsi depuis sa naissance. Il fut facile de vérifier, au moyen du somnambulisme, qu’elle se trompait : si on la change en petit enfant de 5 ans suivant les procédés connus, elle reprend la sensibilité qu’elle avait à cet âge et l’on constate qu’elle y voit alors très bien des 2 yeux. C’est donc à l’âge de 6 ans que la cécité a commencé. (…) un incident futile.On l’avait forcée, malgré ses cris, à coucher avec un enfant de son âge qui avait de la gourme [impetigo] sur tout le côté gauche de la face. »
« Je la ramène [em hipnose, artificialmente] avec l’enfant dont elle a horreur, je lui fais croire que l’enfant est très gentil et n’a pas la gourme, elle n’en est qu’à demi-convaincue.Après 2 répétitions de la scène, j’obtiens gain de cause et elle caresse sans crainte l’enfant imaginaire.La sensibilité du côté gauche réapparait sans difficulté et, quand je la réveille, Marie voit clair de l’oeil gauche. »
« j’ai trouvé cette histoire intéressante pour montrer l’importance des idées fixes subconscientes et le rôle qu’elles jouent dans certaines maladies physiques aussi bien que dans les maladies morales. »
« N’est-il pas raisonnable quand il se dit possédé par un esprit, persécuté par un démon qui habite au dedans de lui-même ? Comment douterait-il, quand cette 2e personnalité, empruntant son nom aux superstitions dominantes, se déclare elle-même Astaroth, Léviathan ou Belzébuth ? La croyance à la possession n’est que la traduction populaire d’une vérite psychologique. »
« Certaines femmes sont même assez fières de ce détraquement de leur personnalité et se plaisent à consulter, sur toutes les affaires de la vie, ‘la petite affaire qu’elles croient avoir au coeur ou à l’estomac et qui leur donne de bons conseils’. (Deleuze, Mémoire sur la faculté de prévision, 1836) »
O SÓCRATES DOS TEMPOS PÓS-PSIQUIÁTRICOS: « Un sujet ne répondait jamais aux questions, disait Charpignon, sans dire : ‘Je vais consulter l’autre…, c’est le génie chargé de me guider et de m’éclairer.’»
Paul Richer, La grande hystérie, (op. cit.) para histórias de loucura coletiva como a do convento de Loudun, em que todos os monges sentiam-se possuídos e assombrados por espíritos malignos.+ Bérillon, Dualité cérébrale, p. 102(ib., o depoimento do padre Surin) + Regnard, La sorcellerie, 1887.
“Quelquefois il y a plusieurs esprits dans une même personne, les uns bons, les autres mauvais, qui se disputent entre eux : ‘Un enfant est possédé par 2 esprits, l’un mauvais, l’autre bon ; dans ses crises, sa bouche changeant de ton, parlait successivement pour l’un et pour l’autre.’ (Maudsley) »
« Nous n’avons pas cherché dans ce chapitre des lois nouvelles, nous avons simplement constaté des applications nombreuses, et quelquefois compliquées, de lois anciennes. »
4. LA FAIBLESSE ET LA FORCE MORALES
4.1 LA MISÈRE PSYCHOLOGIQUE
« Les sujets hypnotisables, ainsi que les médiums spirites, puisque nous savons qu’ils sont identiques, sont-ils des malades ou des gens bien portants ? Cette question a donné lieu aux controverses les plus vives et les plus embarrassantes. (…) Pour ceux-là, un somnambulisme est une crise d’hystérie; pour les autres, c’est une forme du sommeil naturel. (…) nous essayerons seulement, sans parler d’une manière générale, de montrer à quelle position intermédiaire nos propres observations nous ont amené. »
« Il est même difficile de comprendre comment certains auteurs ont pu penser que les manifestations hystériques rendaient les expériences difficiles. » « A mon avis, les plus belles études sur les somnambulismes ou existences successives, sur les suggestions, sur les actes subconscients ou existences simultanées, sont faites sur des hystériques, et afin de fournir des exemples nets et faciles à étudier je n’ai guère cité dans cet ouvrage que des expériences accomplies avec ces malades. »
« Le meilleur signe du retour à la santé parfaite c’est la cessation de l’aptitude au somnambulisme. »
Despine
« Lors de mes premières études sur Lucie, j’ignorais absolument cette loi ; je cherchais, dans l’intérêt du sujet et pour la commodité même de mes expériences, à faire disparaître les symptômes hystériques, mais je comptais bien conserver le somnambulisme. Aussi ai-je été fort désappointé quand il a fallu constater que mes expériences devenaient impossibles, car le sujet n’avait plus d’actes subconscients et ne pouvait plus être hypnotisé. (…) 18 mois plus tard, elle vint se plaindre de quelques troubles nerveux, migraines, cauchemars, etc. : l’anesthésie était revenue et elle fut hypnotisée en un instant. »
« Trois hystériques qui avaient, comme je le savais, des crises fort différentes les unes des autres, avaient été réunies dans la même salle. Je fus tout étonné de voir qu’elles avaient confondu leurs symptômes et qu’elles avaient maintenant toutes les 3 la même crise, avec les mêmes mouvements et le même délire, les mêmes invectives contre le même individu. »
« L’ivresse de l’alcool, comme nous en avons montré un exemple curieux, rend un homme plus suggestible et plus automatique qu’une somnambule. Les études de Moreau de Tours sur l’ivresse du haschich sont encore plus précises sur ce point. (…) Les époques menstruelles, comme je l’ai constaté chez Lucie et chez Marie, rendent de nouveau hypnotisables et suggestibles des personnes qui ne l’étaient plus. Enfin, les impulsions et les idées fixes sont bien des formes de désagrégation mentale et de suggestion, et elles se présentent chez une foule d’individus qui ne sont pas des névropathes, au sens précis du mot. »
« Que l’on fasse une expérience simple, que l’on prenne une vingtaine de personnes, des hommes de préférence, de 30 à 40 ans, bien portants au physique et au moral, n’ayant aucune hérédité, ni aucun antécédent névropathique, [isso está cada vez mais difícil] et que, sans procédés fatigants qui commencent par les rendre malades, on essaye de provoquer chez eux le somnambulisme caractéristique ou l’écriture automatique. Si on obtient ces phénomênes sur la moitié seulement de ces personnes, nous nous rendrons très volontiers et nous reconnaîtrons que le somnambulisme est normal. »
« Ce n’est pas l’hystérie qui constitue un terrain favorable à l’hypnotisme, mais c’est la sensibilité hypnotique qui constitue un terrain favorable pour l’hystérie et pour d’autres maladies. »
Ochorowicz, Suggestion mentale
« En quoi consiste cet état maladif : il est assez difficile de le déterminer exactement ; nous ne pouvons en avoir qu’une notion approximative par le raisonnement et par l’observation. »
« On s’apercevait que, de temps en temps, elle interrompait son discours et en commençait un autre, sans se souvenir de ce qui avait été en question auparavant. »
Saint-Bourdin, Catalepsie, descrevendo a Síndrome de Edson
« la désagrégation n’est pas une excitation, c’est une dépression et une faiblesse. C’est une illusion naturelle, en entendant un fou crier et une hystérique babiller, que de les croire excités. » (Polêmica com Moreau de Tours)
« On sait que les hystériques, comme les anémiques, ne mangent pas et n’assimilent [no sentido psicológico] pas ; comme dans ces cercles vicieux pathologiques qui sont fréquents, c’est là à la fois le principe et la conséquence de leur mal. » Daí deriva o quadro de misère psychologique ou miséria psicológica (descrito também por Durkheim quase à mesma época), conquanto ele a chamaria de miséria neurastênica.
« la force morale de l’individu n’est pas en rapport avec son âge, avec le nombre de sensations qu’il éprouve et le nombre d’images que sa mémoire renferme, c’est un esprit d’enfant dans un corps de femme. »
« L’hystérique a des sens subtils qui s’exercent sans cesse et une riche mémoire, ou vivent indéfiniment toutes les images du passé et tous les systèmes psychologiques, organisés autrefois, mais elle n’a qu’un pouvoir ordonnateur actuel analogue à celui de l’enfant et de l’idiot : aussi ne sait-elle que faire de sa fortune. » Diferente também de Bread, aqui não vejo uma analogia com a “economia diária” do sujeito nervoso ou neuropata, mas algo mais grave: com minhas limitações fisiológicas, ou herdadas psiquicamente, ou seja, produto de pais decadentes, o meu grau superior de intelecção e meu talento… tudo isso é posto em xeque, é deitado a perder, porque eu não tenho os meios, eu não tenho o corpo físico necessário, para suportar e administrar tamanho poder/saber. Fui longe demais, até mais longe do que minha linhagem me permitiria normalmente, então começo a ratear depois do grande amadurecimento dos 18-22 anos. Em suma, vivo adoecido, sábio e estagnado ao mesmo tempo, sem poder sair desse quadro congelado – e o que é duplamente mais torturante, ciente dele eu mesmo! Não tenho o cinismo dos carreiristas nem a energia de sobra demandada do artista para triunfar em uma sociedade que nega a subsistência via arte o tempo todo – limbo infernal.
« c’est le même administrateur très médiocre, à la tête d’une grande usine, qui oublie ses fonctions et qui laisse les employés et les machines s’amuser et s’affoler sans surveillance. (…) Le même état de misère psychologique, durant sans cesse, permet au jeu automatique des éléments de prendre toutes les formes.Un autre fait caractéristique, c’est qu’il est très facile de modifier artificiellement la nature des accidents ou la forme que l’automatisme prend à tel ou tel moment, car, en raison de sa faiblesse, l’esprit du sujet est d’une plasticité extraordinaire.
Supprimer l’existence personnelle que le sujet a en ce moment et la remplacer par une autre, ce n’est pas une chose bien difficile, puisque cette forme d’existence n’est qu’une centralisation très instable d’un petit nombre d’éléments pris presque au hasard au milieu d’un grand nombre d’autres qui ne demandent qu’à agir et à se manifester. »
« …la fatigue causée par une fixation prolongée seront de bonnes occasions, pour les autres éléments jusqu’alors incohérents, de se centraliser un peu à leur tour et de prendre l’avantage » Poderíamos aplicar o mesmo raciocínio à mania?
« on peut aussi … exciter un des éléments de cet état nouveau qui existe au-dessous de la conscience actuelle. Il suffisait de parler de vipère à Louis V…, ou de grenouilles à une malade du Dr. Pitres, pour amener la crise d’hystérie ; il suffit de mettre les bras de Lucie dans la posture de la terreur pour provoquer la grande crise d’hystéro-épilepesie. » A visão e audição do Pai Mau: gatilho do modo “sobrevivendo na trincheira”. PTSD.
« le point de départ des accidents … [de] l’état de misère psychologique » F. leu Janet e o perverteu. Achou sua mina de ouro (pseudanálise).
PONTO DE VISTA PESSIMISTA SOBRE A POSSIBILIDADE DA CURA: « …Très souvent à l’hérédité; ce n’est pas seulement en psychologie que la richesse et la pauvreté seraient héréditaires. Peut-être à un état d’affaiblissement physique survenu accidentellement, comme dans la convalescence de certaines maladies. Peut-être à d’autres causes morales que nous ne connaissons pas. Sauf des cas très rares, il ne me semble pas que l’on puisse arriver à guérir par suggestion l’état même de misère psychologique qui est une condition essentielle de l’exécution des suggestions. Mais les progrès de la médecine et de la psychologie unies désormais permettront peut-être de mieux comprendre et de mieux traiter cet état maladif. [É aqui em que não avançamos nada.] »
« Cet état, au lieu d’être constitutionnel et permanent, peut être accidentel et passager. Une femme peut être normalement forte et sensée et tomber, à certains moments, dans un état de faiblesse irritable avec la distraction, les anesthésies systématisées et la suggestibilité caractéristiques. Un homme, qui d’ordinaire résisterait à toute idée fausse, peut prendre un esprit étroit et suggestible, dans un état de fatigue, de sommeil ou d’ivresse. L’épuisement consécutif à de grands efforts d’attention, à des travaux intellectuels prolongés, a souvent ce résultat. »A morte de um pai abusivo já foi a cura de alguém?! Bêbado de livros…
« Une des causes les plus curieuses et les plus fréquentes d’une misère psychologique momentanée, c’est aussi l’émotion, dont la nature est encore si mal connue. »
« Hack-Tuke [Le corps et l’esprit] cite à plusieurs reprises des individus qui sont devenus aveugles ou sourds à la suite d’une forte émotion. »
« C’est en vain que les circonstances fâcheuses disparaissent et que l’esprit essaye de reprendre sa puissance accoutumée, l’idée fixe, comme un virus malsain, a été semée en lui et se développe à un endroit de sa personne qu’il ne peut plus atteindre, elle agit subconsciemment, trouble l’esprit conscient et provoque tous les accidents de l’hystérie ou de la folie. »
« On a amené a l’hôpital une jeune fille de 17 ans qui a commencé des crises de terreur parce qu’elle a été suivie la nuit dans les rues par un inconnu au moment de ses époques ; c’est au même moment que Marie a fait les sottises qui ont laissé une si forte marque sur sa vie ; les exemples de ce genre sont innombrables. »
« C’est pour cela que les idées fixes de ces malheureux sont rattachées à leur profession, aux livres qu’ils ont l’occasion de lire, aux paroles qu’ils entendent dans leurs moments de faiblesse. » Terrível…
« C’est l’actualité qui décide des formes de la folie, parce que ce sont les circonstances actuelles qui les provoquent, mais ces idées ne créent ni la folie ni la prédisposition à la folie, elles n’expliquent pas cet état nerveux, cette hyperesthésie physique et morale que l’hérédité a déposée au fond de leur être et qui finit tôt ou tard par emporter et la raison et la conscience. »
Moreau de Tours, Psychologie morbide
« L’idée fixe ne survient pas sans raison, c’est le résultat d’une modification profonde, radicale de toute l’intelligence. [2008…] C’est une faute énorme de psychologie que de la confondre avec l’erreur… Le fou ne se trompe pas, il agit dans uns sphère intellectuelle différente de la nôtre qu’on ne peut pas plus redresser, que la veille ne peut redresser les rêves… Les idées fixes sont les partie détachées d’un état de rêve qui se poursuit dans la veille… C’est un rêve partiel… »
ibid.
« …c’est l’idée principale d’un rêve qui survit au rêve qui l’a engendrée. »Há algo especial em eu ter tido o « sonho perfeito » justo ao terminar a UnB e no intervalo de poucos dias entre a diplomação e a entrada em exercício na escola… Com a morte dele.
« Vous ne modifiez pas de la même manière un aliéné, [comparado ao histérico] parce que vous ne l’étudiez d’ordinaire que dans la période où son délire est organisé et quand l’intelligence est revennue à un état d’équilibre stable qu’on ne peut déranger. »
« Ainsi, j’aurais essayé d’enivrer una 2e fois le malade d’Érasme [Erasmus] Darwin [avô de Charles Darwin], afin de rechercher si l’on ne pourrait pas, dans une nouvelle ivresse, avoir plus de pouvoir sur l’idée fixe. On pourrait aussi attendre quelquefois des états périodiques qui ramèneraient les conditions initiales du délire. Mais on comprend que, de toutes manières, on se trouve en présence de toutes autres difficultés. Je persiste cependant à croire que la psychologie pathologique, qui fait depuis quelques années ses premiers pas, réserve des secours inattendus pour le soulagement des aliénés. » Maldito século XX, maldita psicanálise! Destruiu todas as esperanças e experiências de uma ciência em seu berço!
E a miséria psicológica nada mais é que epifenômeno derradeiro de uma miséria social e cultural profunda!
4.2 LES FORMES INFÉRIEURES DE L’ACTIVITÉ NORMALE
« Recherchons rapidement dans la vie normale les faits analogues à ceux que nous avons étudiés et qui semblent être soumis aux mêmes lois. »
« Pas plus que le somnambule suggestible, le rêveur ne s’étonne, ne doute de ce qu’il pense ; [mais ou menos…] il subit sans résistance l’automatisme des éléments auxquels son ésprit est reduit. Un léger bruit, une lueur, un pli du drap, un état du corps provoquent la suggestion ; la disposition des organes de telle ou telle manière propre à exprimer une émotion ou une passion, donne au rêve sa direction générale, et tout se passe comme dans un automatisme régulier. Nous avons également, même pendant la veille normale, des phénomènes psychologique qui nous échappent entièrement. »
Análise, no homem «normal», e em vigília, do(a)(s):
– distração;
– instinto;
– hábito;
– paixão.
Distração
« Nous disons qu’un homme est distrait quand il ne voit pas ou n’entend pas une chose qu’il devrait voir ou entendre, et ensuite quand il accomplit sans le savoir des actes qu’il n’aurait pas consenti à accomplir s’il les avait connus complètement.
Un homme préocuppé chassera une mouche de son front sans la sentir, répondra à des questions qu’il n’a pas entendues, ou, comme Biren, duc de Courlande, qui avait l’habitude de porter à sa bouche des morceaux de parchemin, [!] détruira un important traité de commerce sans le voir. (Garnier,Facultées de l’âme, I) Qui n’a entendu parler des exploits de ces personnages qui, lorsqu’ils parlent à table, versent de l’eau indéfiniment jusqu’à inonder les convives ou continuent à mettre du sucre dans leur tasse jusqu’à la remplir ? les anecdotes de ce genre sont innombrables. »
« Journée de misère et d’abattement extrême, écrit Maine de Biran dans ce journal si curieux où il fait sur lui-même des études de psychologie expérimentale, j’ai dîné chez le chancelier, je me suis trouvé dans un état de trouble, d’embarras, de surdité momentanée… Je suis comme un somnambule au milieu de ce monde gai et léger, mécontent des autres parce que je le suis de moi-même. »
Finalmente:« Mais la même distraction pourra être due à une concentration excessive de la pensée, d’un autre côté, à une grande puissance d’attention qui sans retrécir la pensée véritablement déplace le champ de la conscience. »
« je vois trop au dedans pour bien voir au dehors. »
Instintos
« On entend dans le bruit des cloches des paroles scandées, on voit les personnages auxquels on pense, ou bien on fait des gestes brusques et l’on parle tout haut. Tout ces réflexes psychiques ont été étudié ailleurs quand ils étaient isolés et grossis, il suffit de rappeler qu’ils jouent aussi un rôle considérable dans l’attitude et la physionomie de l’homme le plus normal [ou genial]. (…) les actes instinctifs qui sont assez rares chez l’homme, tandis qu’ils jouent un rôle important chez l’animal. »
Lemoine, Habitude et instinct
Espinas, L’évolution mentale chez les animaux
Hábito, costume ou memória
« Les phénomènes conscients ne sont pas supprimés, car nous pouvons retrouver la conscience des choses que nous conservons dans le souvenir, ou que nous faisons par habitude, mais elle est négligée, comme si ces phénomènes suffisamment exercés pouvaient être sans inconvénient livrés à eux-mêmes. » Exemplo: fumar e jogar o cigarro fora. “Quando foi que o fiz? Nem me dei conta!”
O homem distraído se diz: traiu!
“pour trouver l’orthographe d’un mot que nous ignorons, nous laissons notre plume [ou mãos no teclado] écrire automatiquement, à peu près comme le médium interroge son esprit. »
« Je me rappelle, écrit Erasme Darwin, avoir vu cette jeune et jolie actrice qui répétait sa partie de chant, en s’accompagnant du forte-piano sous les yeux de son maître, avec beaucoup de goût et de délicatesse ; j’aperçus sur sa figure une émotion dont je ne pus définir la cause ; à la fin, elle fondit en larmes ; je vis alors que, pendant tout les temps qu’elle avait employé à chanter, elle avait contemplé son serin qu’elle aimait beaucoup, qui paraissait souffrir et qui, dans ce moment, tomba mort dans sa cage. » Mesmo princípio de aprender a ler e entender a leitura e ouvir a música e apreciar a música simultaneamente, para não dizer do escrever (se bem que consigo me absorver bem mais, ou melhor, não consigo deixar de me absorver quase exageradamente no ato da escrita, sem atenção flutuante…). Agora entendo o talento musical de tocar guitarra e cantar ao mesmo tempo, por exemplo! Nada extraordinário para um grande guitarrista e/ou cantor que já ensaiou o suficiente!
Paixão
“La plus curieuse manifestation de l’automatisme psychologique chez l’homme normal est la passion qui ressemble, beaucoup plus qu’on ne se le figure généralement, à la suggestion et à l’impulsion et qui, pendant un moment, rabaisse notre orgueil en nous mettant au niveau des fous. (…) Tout le monde sait que la passion ne dépend pas de la volonté et ne commence pas quand nous voulons; pour prendre un exemple, il ne suffit pas de le vouloir pour devenir amoureux. » Minha incapacidade após certos anos: denota fraqueza, i.e., miséria psíquica/psicológica? Ou controle do incontrolável (imponderável)?!
“De même, c’est en vain qu’on s’exciterait soi-même à l’ambition ou à la jalousie ; on aurait beau déclarer ces passions utiles ou nécessaires, on ne pourrait pas les éprouver. »
« la passion ne peut commencer en nous qu’à certains moments, lorsque nous sommes dans une situation particulière. On dit ordinairement que l’amour est une passion à laquelle l’homme est toujours exposé et qui peut le surprendre à un moment quelconque de sa vie, depuis 15 ans [haha!] jusqu’à 75 [haha!]. Cela ne me parait pas exact et l’homme n’est pas toute sa vie, à tout moment, susceptible de devenir amoureux.Lorsqu’un homme est bien portant au physique et au moral, qu’il a la possession facile et complète de toutes ses idées, il peut s’exposer aux circonstances les plus capables de faire naître en lui une passion, mais il ne l’éprouvera pas. Les désirs seront raisonnés et volontaires, n’entraînant l’homme que jusqu’où il veut bien aller et disparaissant dès qu’il veut en être débarrassé. Au contraire, qu’un homme soit malade au moral, [também não exageremos tanto!] que, par suite de fatigue physique ou de travaux intellectuels excessifs, ou bien après de violentes secousses et des chagrins prolongés, il soit épuisé, triste, distrait, timide, incapable de réunir ses idées, déprimé en un mot, et il va tomber amoureux ou prendre le germe d’une passion quelconque à la première et à la plus futile occasion. » Nem para isso eu servi por vários anos – o que explicaria? Que eu não estava no fundo do poço como acreditava?! Sobre algumas paixões colegiais, concordo, no entanto!
“Les romanciers, quand ils sont psychologues, l’ont bien compris : ce n’est pas dans un instant de gaieté, [pode sim acontecer] de hardiesse et de santé morale que commence l’amour, c’est dans un instant de tristesse, de langueur et de faiblesse. Il suffit alors de la moindre chose ; la vue d’un visage quelconque, un geste,[hmm] un mot qui nous aurait l’instant précédent laissés tout à fait indifférents, nous frappe et devient le point de départ d’une longue maladie amoureuse.¹ Bien mieux, un objet, qui n’avait fait en nous aucune impression, dans un instant où notre esprit mieux portant n’était pas inoculable, a laissé un souvenir insignifiant qui réapparaît dans un moment de réceptivité morbide. Cela suffit, le germe est maintenant semé dans un terrain favourable, il va se développer et grandir. »
¹ Chamar de doença é já defeito ou conseqüência da única doença nisso tudo: o Romantismo europeu.
“Il y a d’abord, comme dans toute maladie virulente, une période d’incubation ; l’idée nouvelle passe et repasse dans les rêveries vagues de la conscience affaiblie, puis semble, pendant quelques jours, disparaître et laisser l’esprit se rétablir de son trouble passager. Mais elle a accompli un travail souterrain, elle est devenue assez puissante pour ébranler le corps et provoquer des mouvements dont l’origine n’est pas dans la conscience personnelle. Quelle est la surprise d’un homme d’esprit quand il se retrouve piteusement sous les fenêtres de sa belle où ses pas errant l’ont transporté sans qu’il s’en doute, quand au milieu de son travail il entend sa bouche murmurer sans cesse un nom toujours le même ! »
« Tel est la passion réele, non pas idéalisée par des descriptions fantaisistes, mais ramenée à ses caractères psychologiques essentiels. »
« Si l’on peut parler d’une autre passion bien plus minime, la passion du tabac chez un fumeur, nous trouvons dans un article de M. Delboeuf une confession qui a toute la valeur d’un document psychologique : ‘Le pot à tabac est à quelque distance de moi à sa place habituelle, je le sens qui m’attire. Tout à coup je me lève et me dirige inconsciemment vers lui. Je m’aperçois de ma faiblesse, je me rassieds et reprends ma lecture. Voilà que machinalement ma main plonge dans me poche et en tire le cahier à cigarettes. Irrité contre moi, je remets violemment le cahier à sa place,’ etc. »Delboeuf, Le sentiment de l’effort, Revue Philosophique, 1882, II, p. 516.
j’ai fu mer
fui mer
fut, chère
« On aura beau nous démontrer d’une manière irréfutable que cet amour est absurde, que cette frayeur est ridicule, nous en serons convaincus, mais nous serons toujours amoureux et effrayés. La passion se guérit quelquefois par sa satisfaction, quand l’idée fixe a amené définitivement l’acte auquel elle correspond, et disparaît par épuisement ; elle peut aussi se guérir par une secousse nouvelle qui bouleverse encore les couches de la conscience et nous permet de reprendre possession des idées émancipées. » Águas em que se banha duas vezes, Hera & Clito ?
« Nous n’avons vraiment pas besoin de prendre du haschisch comme faisait Moreau de Tours pour savoir par nous-mêmes ce qu’est la folie : qui donc peut se vanter de n’avoir jamais été fou ? »
« la lutte ‘des 2 hommes’ qui se partagent notre coeur et conscience a été décrite dans toutes les religions et dans toutes les philosophies. »
« Que la peinture est un art sublime, pensait mon âme, heureux celui que le spectacle de la nature a touché…… Pendant que mon âme faisait ces réflexions, l’autre allait son train, et Dieu sait où elle allait ! — Au lieu de se rendre à la cour, comme elle en avait reçu l’ordre, elle dériva tellement sur la gauche, qu’au moment où mon âme la rattrapa, elle était à la porte de Mademoiselle de Hautcastel, à un demi-mille du palais royal. Je laisse à penser au lecteur ce qui serait arrivé, si elle était entré toute seule chez une aussi belle dame….. Je donne ordinairement à ma bête [segund’alma, a paixão] le soin des apprêts de mon déjeuner ; c’est elle qui fait griller mon pain et le coupe en tranches. Elle fait à merveille le café et le prend même très souvent sans que mon âme s’en mêle, à moins que celle-ci ne s’amuse à la voir travailler…… J’avais couché mes pincettes sur la braise pour faire griller mon pain ; et, quelque temps après, tandis que mon âme voyageait, voilà qu’une souche enflammée roule sur le foyer. — Ma pauvre bête porta la main aux pincettes et je me brûlai les doigts. (…) là, ma main s’était emparée machinalement du portrait de Mme de Hautcastel et l’autre, s’amusait à ôter la poussière qui le couvrait. Cette occupation lui donnait un plaisir tranquille, et ce plaisir se faisait sentir à mon âme, quoiqu’elle fût perdue dans les vastes pleines du ciel…….. Toute la figure parut renaître et sortir du néant. Mon âme se précipita du ciel comme une étoile tombante ; elle trouva l’autre dans une extase ravissante et parvint à l’augmenter en la partageant… (…) C’est un parfait honnête homme que M. Joannetti(son domestique). Il est accoutumé aux fréquents voyages de mon âme, et ne rit jamais des inconséquences de l’autre ; il la dirige même quelquefois lorsqu’elle est seule : en sorte qu’on pourrait dire alors qu’elle est conduite par 2 âmes. Lorsqu’elle s’habille, p.ex., il m’avertit par un signe qu’elle est sur le point de mettre ses bas à l’envers, ou son habit avant sa veste. Mon âme s’est souvent amusée à voir le pauvre Joannetti courir après la folle sous les berceaux de la citadelle, pour l’avertir qu’elle avait oublié son chapeau, une autrefois son mouchoir ou son épée. » Spencer, Psychologie, I.
A BELA & A FERA: SOLIPSISMO!
« Décrire davantage ces phénomènes serait renouveler des études déjà faites »
4.3 LE JUGEMENT ET LA VOLONTÉ
« Il est fort difficile, je ne dis même pas d’expliquer la nature de la volonté, mais même de reconnaître et de décrire un acte volontaire, car les psychologues sont loin d’être d’accord sur les signes qui le caractérisent. »
« C’est dans le même sens que beaucoup de physiologistes, comme Bastian, disent qu’un acte volontaire est simplement précédé par l’idée ou la représentation du genre de mouvement à exécuter. » « Si on admet cette définition, tous les mouvements possibles exécutés par un être vivant seront des mouvements volontaires : ainsi que toutes nos études l’ont démontré, il n’y a pas d’action même chez les somnambules, même chez les cataleptiques, qui ne soit précédée ou mieux accompagnée par la représentation qui amène l’action et les mouvements. »
« L’hésitation provient simplement de la lutte de plusieurs idées qui s’opposent les unes aux autres avant que la plus forte n’ait triomphé, et cette lutte peut exister dans les actions mécaniques comme dans les autres. »
« la théorie bien connue du sentiment de l’effort »« après les études de M. William James (The feeling of effort), qui ne me semblent pas avoir été réfutées, je ne crois pas qu’il y ait encore lieu de discuter cette théorie. Le sentiment particulier dont parle Rey Régis est un ensemble de sensations musculaires qui existent dans tous les mouvements volontaires ou non, mais qui sont toutes particulières quand nous portons nous-mêmes le poids de notre bras et surtout quand nous le chargeons d’un objet. »
« L’acte volontaire ne pouvant pas s’intercaler entre l’idée et le mouvement qui sont toujours indissolublement unis, c’est dans l’idée elle-même, dans le phénomène intellectuel proprement dit qu’il faut le chercher. »
« les jugements ou idées de rapports sont, dans l’intelligence, des phénomènes différents des sensations, des images et des perceptions, qui ne sont que des groupes d’images associées entre elles. » (sempre a velha distinção a priori x experiência)
« L’idée de ressemblance, p.ex., n’est pas une sensation, ni una image, car elle n’est ni rouge, ni bleue, ni chaude, ni sonore ; elle n’est pas non plus un groupe d’images, car une addition de ce genre formerait une image nouvelle et la ressemblance ne peut en aucune façon être représentée. » « La ressemblance à laquelle je pense en voyant Pierre et Paul n’est identique ni à Pierre ni à Paul »
« le jugement esthétique n’est pas identique à une mosaïque de sensations agréables juxtaposées. Que l’on appelle ces phénomènes nouveaux des réflexions, comme fait Maine de Biran, ou des aperceptions, comme les nomme Wundt après Leibniz, ou simplement des jugements, peu importe, pourvu qu’on ne les confonde pas avec des phénomênes psychologiques tout différents. »
« Je ne fais que répéter les conclusions brillamment soutenues par plusieurs auteurs et en particulier par M. Rabier. » Como alguém tão brilhante pôde recair tanto no esquecimento? Não me parece um autor original!
« nous jugeons[que l’acte est]en plus … utile ou nécessaire. »
« Au lieu d’agir semblablement dans les cas semblables, disait M. Fouillée, par un pur automatisme sans aucune conscience de la similitude comme la bête, il agira semblablement dans les cas semblables avec conscience de la similitude, c’est-à-dire avec un sentiment de la ressemblance assez fort pour être réfléchi et aperçu. »
« les paroles sont déterminées par les images visuelles ou auditives du mot ‘ressemblance’ et non par l’idée de rapport qu’il exprime. »
« …synthétisent d’une manière nouvelle… »
« ‘L’effort volontaire’ consisterait justement dans cette systématisation »
« La faiblesse de synthèse que nous avions reconnue chez les malades ne leur permet même pas complètement les synthèses élémentaires qui forment les perceptions personnelles » + « synthèses plus élevées »
« Les auteurs qui ont fait une étude si complète sur le mécanisme par lequel l’attention se développe et se conserve n’ont peut-être pas insisté suffisamment sur ce rôle du jugement dans l’attention : car c’est son intervention qui, à notre avis, caractérise la véritable attention volontaire. » « l’activité volontaire tend à faire régner l’unité dans notre esprit et tend à rendre réel l’idéal des philosophes, l’âme une et identique. »
Todo julgamento ou juízo é moral e transcendental. (resumo das próximas páginas)
“Il n’y a rien de plus libre, je ne dis pas d’une manière absolue ce qui ne signifie rien, mais relativement à la raison et à la science humaine, que ce qui ne peut pas être prévu, que ce dont la prévision est incompréhensible pour nous. » A liberdade está nos olhos de quem vê. Obviamente, como o mundo é humano, somos livres. Se houvesse um “terceiro olho cósmico e neutro”, isto é, um tipo de vida fora da vida, perceber-nos-ia como mero fatum.
« Une grande découverte scientifique qui bouleverserait la science ne peut pas être prévue par la science actuelle, puisque, par définition, elle en est la négation. (…) C’est (…) au moins dans sa forme et dans la nouvelle synthèse imposée aux éléments, une véritable création ex nihilo. » Voilà! Homem, o amigo do Nada. O nada, e o tudo, por ser o nada!
“C’est une illusion des esprits faibles que de croire sentir au fond de leur coeur des idées sublimes qu’ils ne peuvent réaliser. » Nem todos podem ser Goethe. Aliás, ninguém a não ser Goethe!
4.4 CONCLUSION
“Toute l’histoire de la folie, comme l’a soutenu Baillarger et après lui beaucoup d’aliénistes, n’est que la description de l’automatisme psychologique livré à lui-même »
« Les hommes ordinaires oscillent entre ces 2 extrêmes [genialidade e idiotia ou automatismo puro; o universal-no-individual contra o objetivo-e-onipresente-despersonalizado]”
CONCLUSION (général)
« Au début des travaux de psychologie, les philosophes insistérent sur une remarque, juste en général, nécessaire peut-être, la séparation radicale de l’esprit et du corps. Cette conception, qui avait sa raison d’être, fut très utile à un certain moment et contribua puissamment à fonder les études de psychologie ; mais elle avait aussi ses exagérations et ses dangers. Les inconvénients de cette hypothèse se manifestèrent d’abord dans la métaphysique, et la difficulté d’expliquer l’action réciproque de l’âme et du corps força les philosophes à construire les systèmes les plus bizarres. (…) la philosophie modifia peu à peu sa conception primitive et, sous l’influence de Leibniz, puis sous celle de Kant, rapprocha singulièrement les 2 natures quelle avait crues inconciliables. Ce mouvement est tout naturel et se rattache parfaitement aux lois générales de l’intelligence. Pour comprendre les choses, il faut commencer par les séparer : la discrimination est le premier pas de la science ; mais, séparer, ce n’est pas comprendre, il faut ensuite réunir, synthétiser les termes différentes qu’on a distingués et établir cette unité dans la diversité, qui est propremente l’oeuvre de l’esprit humain. »
« Les théories de la faculté motrice, de l’effort musculaire, et même de la volonté me paraissent, dans la science, des suppositions absolument parallèles aux fameuses hypothèses du médiateur plastique, des causes occasionnelles ou de l’harmonie préetablie, dans la métaphysique. Ces intermédiaires cependant ne furent pas suffisants et, de plus en plus, on constate le rôle de l’activité et même du mouvement dans la pensée, et réciproquement le rôle de la pensée dans le mouvement. »
« Une théorie de l’intelligence pure, indépendante de l’organisme et du mouvement, n’est plus possible aujourd’hui, et bientôt une théorie de l’organisme purement mécanique sans intervention de la conscience sera également insoutenable. [Confirmado.]On ne peut plus considérer la psychologie et la physiologie comme indépendantes, on ne peut plus faire de l’une un appendice insignifiant de l’autre ; il faut avouer qu’il y a, entre ces 2 sciences, des rapports particuliers qui n’existent entre aucune autre, et qu’en se plaçant à des points de vue différents, elles font toutes 2 descriptions parallèles d’une seule et même chose. »
« Qui s’avisera de faire la théorie psychologique de la digestion ou la théorie physiologique du syllogisme ? » « La connaissance de l’homme, cela est certain, ne serait complète, dans une science idéale, que si chaque loi psychologique trouvait son pendant dans une loi physiologique. » « Dans l’étude qui nous occupe (…) il semble qu’aujourd’hui ce soit, pour un moment, la psychologie qui ait la prééminence, et les physiologistes eux-mêmes, ou doit le remarque comme un fait important, n’ont cru pouvoir expliquer les actes des somnambules qu’ils observaient qu’en faisant appel à des lois psychologiques. » A neurociência COM TODA A CERTEZA não é a resposta. Estamos mal…
« Cette création se répète pour chaque être nouveau qui réussit à former une conscience de ce genre, car, à proprement parler, la conscience de cet être qui vient de naître n’existait pas dans le monde et semble sortir du néant. La conscience est donc bien par elle-même, dès ses débuts, une activité de synthèse. »
NÃO HÁ ALFA OU ORIGO : « De même que la physiologie trouve l’organisation dans tous les éléments du corps organisé, la psychologie trouve déjà une organisation et une synthèse dans tous les éléments de la conscience auxquels elle peut remonter. »
APPENDICE
Alguns dos pacientes (provavelmente em grande parte apenas mulheres) citados na obra:
« Be. Jeune femme de 25. Père bien portant, mère nerveuse irritable sans accidents précis, un oncle maternel aliéné. (…) [Depois de crises histéricas aos 15, conseguiu a guérison.] Aujourd’hui, elle est bien portante [adoro a expressão!] et ne présente aucune espèce d’anesthésie ; au contraire, quand on examine chacun de ses sens séparément, elle a partout une sensibilité extrêmement fine. Le seul caractère anormal c’est une distraction très forte, un rétrécissement du champ de la conscience très visible et qui l’empêche de suivre 2 choses à la fois. »
« Blanche. Jeune fille de 18. Mère bien portante, père nerveux, bizarre, un tante maternelle aliénée. Elle est la dernière de 15 enfants dont 9 sont morts en bas âge, tous avant 3 ans, et dont les survivants sont assez bien portants. (…) [‘demi-epilética já aos 3; inteligência baixa, bulímica; cleptomaníaca em relação a comidas; come até o limite do estômago. Continua, em idade adulta, tendo convulsões análogas à epilepsia, mais raras, restritas ao eixo esquerdo. Sensibilidade só do lado direito. Progrediu pouco nos estudos.] »
“D. Jeune homme de 17 ans, cas de folie impulsive dont l’observation a été rapportée plus haut. » O BARBEIRO
« G. Jeune fille agée de 17. (…) [Histérica. Histórico dos pais desconhecido.]”
…
Não há pacientes com os dois pais sadios. Revelador.
“Léonie. F. 45. [Pai e avô epiléticos. Outros alienados na família paterna. Submeteu-se a tratamentos com magnetizadores na vida pregressa. Demi-histérica. Recidiva de crises violentas à menopausa. Anestesia total do lado esquerdo. Merecedora, segundo Janet, de uma biografia – mas foi tratada por uma década por outro médico.]”
“Lucie. F, 20. [Pai histero-epilético. Ataques na infância. Cegueira histérica temporária aos 9. Na idade adulta, as crises duram mais tempo, cerca de 5 horas. Anestésica total, diminuição da visão e audição. Hipnose suprimiu as crises temporariamente; em seguida vários outros sintomas associados. Quase recentemente saudável, por 18 meses. Recidiva parcial: pesadelos intensos e sonambulismo natural. Cura total por fim, durante mais 12 meses. Crises espaçadas e leves, tratáveis, até última atualização.]”
“Marie. Jeune fille de 19. Mère nerveuse irritable, aucun renseignement sur le père. [Crises de cólera desde a infância, seguidas de falta de ar. Aos 6 anos perdeu a visão do olhos esquerdo; retardou a segunda menstruação após menarca traumática, o que gerou histeria e crises de delírio anos depois. Atualmente dá sinais de recuperação total.]”
“Rose. Femme de 32, appartenant à une famille dont presque tous les membres du côté maternel, grand-père maternel, mère, tante, neveux, sont des hystériques convulsifs ; son frère aussi (…) [Paciente histérica do tipo mais grave na idade adulta. Anestesia e contrações crônicas. Cegueira histérica aos 15. Grandes períodos de crise, sucedidos de grande letargia. Menarca aos 20. Teve 8 filhos, todos mortos em tenra idade, antes de completar 1 ano de vida. Daltonismo ‘adquirido’, pois não era daltônica de nascença. Recuperava movimento das pernas após sessões de hipnose. Acessos cataléticos em hipnose. Contrações curadas a duras penas. Sintomas de histeria persistentes. Alta do hospital por 3 meses, depois recaída em paraplegia (insensibilidade das pernas) e retorno também das contrações.]”
« V. Femme de 28. Parents n’ayant présenté aucun accident nerveux.(…) [Aos 15 anos começou a padecer de crises de sonambulismo em que recitava um livro de história da França. Delírios. Dez anos de saúde. Aos 26 teve uma grande crise histérica após um acontecimento desestabilizador do emocional. Volta da recitação da história da França. 1 ano depois teve um ataque catalético ocasionado por um raio. À idade atual, angina, necessidade de se manter deitada. Após cura da angina, paralisia das pernas. Anestesia foi se alastrando para todo o corpo. Dores uterinas. Causa fisiológica descartada. Hipnose inútil contra a paralisia dos membros inferiores. Segunda personalidade recalcitrante. Depois de artifícios de Janet, ‘alucinada’, foi ‘convencida’, em hipnose, que podia movimentar as pernas. De repente recuperou toda a sensibilidade corpórea e cessaram dores uterinas. Um ano sem sintomas de histeria.] »
ÍNDICE DE OBRAS RECOMENDADAS, ORDENADAS PELA PRIORIDADE DA LEITURA E POR CATEGORIA
MYERS, F.W.H. Phantasms of the living, 1886, em 2 vols.(talvez as duas “obras” abaixo sejam apenas artigos deste livro maior!)
____. Automatic writing
____. Multiplex personality (a atual desordem de múltiplas personalidades, DID em inglês)
[sem autor] Seconde lettre de gros Jean à son évêque au sujet des tables parlantes, des possessions et autres diableries. Paris, Ledoyen, 1855 [vários parágrafos citados por J.]
MOREAU, Jacques-Joseph. Psychologie morbide. (artigo ou livro – Moreau de Tours foi o fundador dos Annales médico-psychologiques)
MAINE DE BIRAN. Essai sur les fondements de la psychologie
____. Du Hachisch et de l’aliénation mentale(disponível em archive.org/)
RIBOT, Théodule-Armand Constant.Psychologie de l’attention (Atenção para não confundir com o pintor Théodule Ribot! Aquele de que aqui se trata é o fundador da Revue philosophiquee, de modo geral, da psicologia na França.)
WUNDT. Éléments de psychologie physiologique
SPENCER, H. Principles of Psychology, 2 vols.
AZAM, E. Hypnotisme, double conscience et altérations de la personnalité : le cas Félida X
RIBOT. Maladies de la personnalité
MAINE DE BIRAN. Sur la décomposition de la pensée
BALLET, Gilbert.Langage intérieuret les Diverses Formes de l’Aphasie, 1886
GILLES DE LA TOURETTE, Georges. L’hypnotisme et les états analogues du point de vue médico-légal, 1887 (melhor fonte para estudar seriamente o espiritismo)
FOUILLEÉ. La psychologie des idées-forces
CHEVREUL. De la baguette divinatoire, du pendule dit explorateur et des tables tournantes, au point de vue de l’histoire, de la critique et de la méthode expérimentale
MAURY, Alfred. Le Sommeil et les rêves
DESPINE, Prosper Pierre. Théorie physiologique de l’hallucination (1881)
____. De La Contagion Morale: Faits Démontrant Son Existence (1870)
DESAGES, Luc. De l’extase
LEFEBVRE DE LOUVAIN. Louise Lateau de Bois d’Haine. Sa vie. Ses extases. Ses stigmates, 1870
DELBOEUF. « Le sentiment de l’effort » (artigo)
JAMES, W. What is an emotion
____. The feelinf of effort
JOLY. Sensibilité et mouvement
HACK-TUKE, Le corps et l’esprit
BAILLARGER. Recherches sur les maladies mentales, 2 volumes, 1890
BASTIAN, Adolf. Beiträge zur vergleichenden Psychologie, 1868
DESPINE. Étude scientifique sur le somnambulisme, sur les phénomènes qu’il présente et sur son action thérapeutique dans certaines maladies nerveuses, 1880
LASÈGUE. Études médicales
BÉRILLON. La dualité cérébrale
HERZEN. Le cerveau et l’activité cérébrale, 1887
BASTIAN. Die Lehre vom Denken « La science de la pensée », 3 vols.
____. Le cerveau et la pensée
LUYS. Études de physiologie et de pathologie cérébrales
RICHER, Paul. Études cliniques sur l’hystéro-épilepsie ou grande hystérie (1881) [não confundir com Charles RICHET]
SAINT-BOURDIN. Traité de la Catalepsie, 1841
BUZZARD, Thomas. Clinical Lectures on Diseases of the Nervous System (pioneiro da neurologia, epilepsia e Mal de Parkinson!)
BINET. « Les altérations de la conscience chez les hystériques » (artigo)
BINET & FÉRÉ. Le magnétisme animal
CHARPIGNON. Physiologie, médecine et métaphysique du magnétisme
____. Instruction pratique ou Introduction pratique sur le magnétisme animal, 1836
BERTRAND, A.J.F. Du magnétisme en France et des jugements qu’en ont porté les sociétés savantes, 1826 (tradução inglesa de 2004 – um dos primeiros estudiosos do mesmerismo)
____. Traité du somnambulisme et des différentes modifications qu’il présente, 1823
DAGONET.Annales médico-psychologiques
BERNHEIM. De la suggestion
RICHET. La suggestion mentale et le calcul des probabilitiés
BAIN, Alexander. Physiological Expression in Psychology(ver mais livros de Bain nas seções abaixo)
____. Mental and moral science: A compendium of psychology and ethics(archive.org)
BARAGNON. Magnétisme animal
LAFONTAINE. Art de magnétiser
GIBIER, Le spiritisme ou fakirisme occidental
CARPENTER. Mesmerism, Spiritualism, etc, Historically and Scientifically Considered
BERSOT. Mesmer. Le magnétisme et les tables tournantes
GASPARIN. Des tables tournantes
BEAUNIS, Étienne. Le somnambulisme provoqué: études physiologiques et psychologiques
CARPENTER. Principles of Mental Physiology, with their Applications to the Training and Discipline of the Mind, and the Study of its Morbid Conditions.
OCHOROWICZ. De la suggestion mentale
MAUDSLEY, Henry. Responsibility in Mental Disease, D. Appleton and Co., 1896 (disponível em archive.org/)
____. Pathologie de l’esprit
FARIA. De la cause du sommeil lucide
LEGRAND DU SAULLE. Le délire des persécutions
REGNARD. Les maladies épidémiques de l’esprit : sorcellerie, magnétisme, morphinisme, délire des grandeurs
PITRES. Des anesthésies hystériques
BERNHEIM. De l’amaurose hystérique et de l’amaurose suggestive
BARÉTY, Alexandre. Le magnétisme animal, étudié sous le nom de force neurique, rayonnante et circulante : dans ses propriétés physiques, physiologiques et thérapeutiques (archive.org)
MESNET, Urbain-Antoine-Ernest. O sonambulismo e a fascinação(já pelo fato de ter encontrado a bibliografia somente em português deve ser um livro dificílimo de achar)
WILKINSON, J.J.G. On Hypnotism(sobre a obra de James Braid)
BALL, B. La Morphinomanie
DUMONTPALLIER. Note sur l’analgésie thérapeutique locale déterminée par l’irritation de la région similaire du côté opposé du corps
MAGNAN, Valentin. De l’alcoolisme, des diverses formes de délire alcoolique et de leur traitement
BERNARD, Claude. Leçons de physiologie expérimentale appliquée à la médecine, 2 vols., 1855-56
GARNIER, Faculté de l’âme
LEMOINE. Habitude et instinct
SAURY. L’Hydroscope et le ventriloque, ouvrage dans lequel on explique d’une manière naturelle à la portée de tout le monde comment un jeune Provençal voit à travers la terre et par quel artifice ceux qu’on nomme ventriloques peuvent parler de manière que la voix paraisse venir du côté qu’ils veulent
LEURET. Du traitement des idées ou conceptions délirantes
RICHET, Charles. L’homme et l’Intelligence : fragments de psychologie et de physiologie
BERBEZ. Hystérie et traumatisme
MAGENDIE. Précis élémentaire de physiologie (2 vols.)
LANGE, Friedrich Albert. Geschichte des Materialismus und Kritik seiner Bedeutung in der Gegenwart. (History of Materialism and Critique of its Present Significance.), 1866 (Incluso no google drive, ver outras obras de Lange abaixo. Além disso, o curioso filósofo Fouillée tem um livro só sobre ele e Nietzsche.)
3. FILOSOFIA
LEIBNIZ. Principes de la natur et de la grâce
CONDILLAC, Étienne. Traité des sensations
BAIN, Alexander. Mental science: a compendium of psychology, and the history of philosophy, designed as a text-book for high-schools and colleges
____. The Emotions and the Will
____. The Senses and the Intellect
____. Pleasure and Pain
COLSENET. La vie inconsciente de l’esprit
BOUILLIER, Francisque. Théorie de la raison impersonnelle (1844)
LITTRÉ. Philosophie positive
PAULHAN, Fréderic. L’activité mentale et les éléments de l’esprit
4. BIOLOGIA & PROTO-ANTROPOLOGIA
MAINE DE BIRAN.Anthropologie
ESPINAS. L’évolution mentale chez les animaux
BUFFON. Discours sur la nature des animaux
____. Histoire naturelle (15 vols.)
5. BIOGRAFIAS & AUTOBIOGRAFIAS
MAINE DE BIRAN. Journal intime
6. PEDAGOGIA
DARWIN, E. A plan for the conduct of female education in boarding schools
BAIN, A. Education as a Science, 1884
7. SOCIOLOGIA
BAIN, A. Review of Herbert Spencer’s Principles of Sociology
8. FÍSICO-QUÍMICA
FARADAY, Michael. Experimental Researches in Chemistry and Physics(archive.org)
STROUMPOS. Scientific Paradoxes
9. OFTALMOLOGIA
DE WECKER, Louis. Échelle métrique pour mesurer l’acuité visuelle, 1877
10. CIÊNCIAS OCULTAS
DE MIRVILLE. Des esprits et de leurs manifestations fluidiques
DUPOTET. La magie dévoilée et la science occulte, 1852
TISSANDIER. Des sciences occultes et du spiritisme
GULDENSTUBBE. La réalité des esprits
BARON DU PREL. Philosophie der mystick
HELLENBACH, Geburt und Tod
11. PSEUDO-RELIGIÃO
Para quem tiver a cara e a coragem… Pois seria o último livro de toda essa bibliografia que eu leria… Recomendaria, no lugar, Gilles de la Tourette mais acima.
KARDEC. Livro dos médiums
12. SUGESTÕES EXTERNAS BASEADAS NA BIBLIOGRAFIA CITADA POR JANET (autores em ordem alfabética; dentro de cada autor, a ordem é a de relevância do tema):
BAIN. Elements of chemistry and electricity: in two parts(mais um polímata semi-tardio!)
____. Astronomy
____. Is There Such a Thing As Pure Malevolence?
BALL. Du délire des persécutions, ou Maladie de Lasègue
BALLET. Swedenborg; histoire d’un visionnaire aux XVIIIe siècle, 1897.
____. Psychoses et affections nerveuses, 1897.
____. Traité de pathologie mentale, 1903.
BALLET, G. & PROUST, A. L’Hygiène du neurasthénique (The Treatment of Neurasthenia)
BASTIAN. Die Vorgeschichte der Ethnologie
____. Kulturhistorische Studien unter Rückbeziehung auf den Buddhismus, 1900.
____. Der Buddhismus in seiner Psychologie, 1882.
____. Die Denkschöpfung umgebender Welt aus kosmogonischen Vorstellungen
____. Religionsphilosophische Probleme auf dem Forschungsfelde buddhistischer Psychologie und der vergleichenden Mythologie
____. Kontroversen in der Ethnologie
____. Die Völkerkunde und der Völkerverkehr
____. Allgemeine Grundzüge der Ethnologie
____. Ethnische Elementargedanken in der Lehre vom Menschen
____. Die Probleme humanistischer Fragestellungen und deren Beantwortungsweise unter den Zeichen der Zeit, 1901.
____. Vorgeschichtliche Schöpfungslieder
____. Die Seele indischer und hellenistischer Philosophie in den Gespenstern moderner Geisterseherei
____. In Sachen des Spiritismus
____. Wie das Volk denkt
____. Zur Mythologie und Psychologie der Nigritier in Guinea
____. Die samoanische Schöpfungssage und Anschließendes aus der Südsee
____. Über Klima und Acclimatisation
____. Das Geschichtsdrama am Kap der guten Hoffnung aus der Vogelperspektive
BUCHHEIT. Adolf Bastian and his universal archive of humanity. The origins of German anthropology(artigo sobre Adolf Bastian – procurar)
BUZZARD. With the Turkish Army in the Crimea and Asia Minor: A personal narrative. John Murray, London, 1915.
CARPENTER, W.B. (1839) Principles of General and Comparative Physiology, Intended as an Introduction to the Study of Human Physiology and as a Study Guide to the Persuit of Natural History.
CONDILLAC. Traité des animaux, une critique de l’Histoire naturelle de Buffon de 1749, 1755.
____. Le Commerce et le gouvernement considérés relativement l’un à l’autre, 1776. (grande polímata! suas obras completas dão 30 tomos…)
DESPINE. Psychologie naturelle. Étude sur les facultés intellectuelles et morales dans leur état normal et dans leurs manifestations anormales chez les aliénés et chez les criminels, F. Savy, 1868.
____. La Science du cœur humain, ou la Psychologie des sentiments et des passions, d’après les œuvres de Molière, F.Savy, 1884.
____. De la Folie au point de vue philosophique, ou plus spécialement psychologique, étudiée chez le malade et chez l’homme en santé, Savy, 1875.
____. Le Démon alcool, ses effets désastreux sur le moral, sur l’intelligence et sur le physique, moyens d’y porter remède, Savy, 1871.
____. Du Rôle de la science dans la question pénitentiaire, quelles sont les lumières dont la science peut éclairer cette question. (1878)
DESPINE, Charles-Humbert-Antoine(mais conhecido como Despine père). De l’emploi du magnétisme animal et des eaux minérales dans le traitement des maladies nerveuses : suivi d’une observation très curieuse de guérison de névropathie, 1840.
DICTIONNAIRE DE L’ETHNOLOGIE ET DE L’ANTHROPOLOGIE, 1991 (2008).
DUBOIS D’AMIENS & BURDIN. Histoire académique du magnétisme animal (1841).
EMMERICK, Anna Katharina & BRENTANO, Clemens. La Douloureuse Passion de Jésus-Christ – éditions F.X. de Guibert, Paris – 2004 (ISBN 2-86839-942-8).(Cette réédition récente, qui correspond à la première œuvre publiée, la seule du vivant de C. Brentano, a été adaptée par Lina Murr Nehmé.)
MAINE DE BIRAN. Œuvres de Maine de Biran (ed. Pierre Tisserand) (em 9 vols.)
MAURY, Alfred. Histoire des grandes forêts de la Gaule et de l’ancienne France (1850) « une 3e édition corrigée parut en 1867 sous le titre Les Forêts de la Gaule et de l’ancienne France »
MAYO. Philosophy of Living, 1851.
____. Powers of the Roots of the Nerves in Health and in Disease, 1837.
____. Observations on Injuries and Diseases of the Rectum, 1833.
LANGE. Über den Zusammenhang der Erziehungssysteme mit den herrschenden Weltanschauungen verschiedener Zeitalter.(On the Connection Between the Educational Systems with the Dominant World Views of Different Eras.), 1855.
____. Die Leibesübungen. Eine Darstellung des Werdens und Wesens der Turnkunst in ihrer pädagogischen und kulturhistorischen Bedeutung.(Physical Exercise: A Presentation of the History and Essence of Gymnastics in its Pedagogical and Cultural-Historical Significance.), 1863.
____. Die Grundlegung der mathematischen Psychologie. Ein Versuch zur Nachweisung des fundamentalen Fehlers bei Herbart und Drobisch.(Foundations of Mathematical Psychology. Attempt at a Demonstration of the Fundamental Error of Herbart and Drobisch.), 1865.
RIBOT. La Philosophie de Schopenhauer (1874)
____. Les Maladies de la volonté (1909)
____. La Psychologie allemande contemporaine : école expérimentale (1879)
____. La Psychologie anglaise contemporaine (1870)
____. Psychologie des grands calculateurs et des joueurs d’échecs (1894)
RICHER. Les Démoniaques dans l’art, with Jean-Martin Charcot (1887)(DV) (déjà vu – recomendação antiga!)
____. Les Difformes et les malades dans l’art, with Jean-Martin Charcot (1889)
____. Physiologie artistique de l’homme en mouvement (1895) (Artistic Anatomy, translated and edited by Robert Beverly Hale, 1971)
____. Introduction à l’étude de la figure humaine (1902)
____. Nouvelle anatomie artistique. Les animaux (1910) (New Artistic Anatomy: Female Morphology, translated and edited by Allana M. Benham, 2015) [que equiparem o animal à mulher… em 2015!… não posso crer nos meus olhos!]
RICHET, Charles. L’Anaphylaxie(tese ganhadora do prêmio Nobel; também foi tradutor de Gurney, outra bibliografia citada; ver ainda o trabalho no tópico 1, em psicologia.)
____. La Sélection humaine(e do mesmo autor, no entreguerras, umtratado eugenista)
SAURY. Précis d’astronomie à la portée des jeunes gens de l’un et de l’autre sexe et de tous ceux qui veulent s’initier dans cette science en peu de temps et sans beaucoup de peine
____. Histoire naturelle du globe ou Géographie physique
Trechos selecionados de antigas postagens do primeiro blog do autor, de 18 de setembro de 2009 e 6 de novembro de 2009. Duas obras serviram de bibliografia para as citações e comentários: Vida de Federico, biografia de Daniel Halevy traduzida ao espanhol e My Sister and I, obra anônima, falsamente atribuída a Nietzsche, ambas, se e quando vertidas ao português, citadas em traduções minhas. Exemplares consultados na biblioteca da Universidade de Brasília à época.
* * *
Carl Ludwig. Pai luterano e também enfermiço. Gosto pela música e pela solidão! Tinha os reis em alta conta, daí provindo o nome do filho, Frederico Guilherme.
Desde sempre muito introspectivo: só foi falar aos 2 anos e meio!
Famoso registro de um sonho que teve aos 14 anos: prenúncio da morte de seu irmão caçula.
“el Señor de los cielos fue nuestro único consuelo”
“el pastorcito”, assim N. era chamado no círculo familiar.
Intensa produtividade literária já aos dez anos. Eu também tive esses impulsos – que pena que tratavam de jogar tudo o que eu fazia no lixo!
Pp. 19-30: ausentes do exemplar que li.
“Embriagado de si mesmo, escreveu a história de sua infância” em 14 dias!
P. 37: será que seu ódio pela cerveja tem origens em um embebedamento que o fez se machucar a cavalo?
Na escola, gostava de brigar e chamar para o duelo.
“Esta alegría infantil dura poco”
Hiato poético. Aluno de Ritschl.
SOBRE OS POSITIVISTAS: “N. os leu… mas não os releu”
Hegel, Fichte e Schelling viviam o seu auge no ambiente acadêmico.
Iniciou estudos em Bonn, mas transferiu-se para Leipzig. Na festa local, a do centenário da entrada de Goethe na instituição, o reitor desaconselha ser como ele (Goethe): um mau aluno! Um paradoxo: reconhece-se o fermento do grande homem, mas o homem erudito se recusa a replicá-lo.
“este brônzeo monstro de força”, em referência a Schopenhauer. O pai que N. arranjou para si mesmo na idade em que é preciso ter um, biológico ou não (20).
CRISE FILOLÓGICA (PP. 53-4): “Que uma multidão de cabeças medíocres se ocupe de coisas cuja importância e conseqüência sejam graves e reais é um pensamento aterrador.”
Míope e aquartelado durante a guerra. Cai do cavalo e quebra uma costela.
“A sutileza e a doçura platônica mostram já os signos da decadência.” Hipérbole!
“Os gregos criam, então, como hoje os europeus, na fatalidade das forças naturais. E criam também que o homem deve se criar a si mesmo, e a suas virtudes e seus deuses. Um sentimento trágico, um valente pessimismo, que não os apartava da vida, pelo contrário, animava-os.”
Quando Nietzsche começa a ler Montaigne, ele mesmo o declara, sua desde sempre frágil amizade com Wagner, homem de outra geração, começa espiritualmente a derrocar…
“Ciência, arte e filosofia crescem tão bem-ligadas em mim que creio que darei a luz a um centauro.”
“no leía nunca los periódicos”
1870: A reunificação alemã em seu ápice imperialista, engolindo o sul ainda rupestre e provincial.
Aqui recomenda-se a leitura de “De Dioniso a Bismarck. Tragédia e Política em Nietzsche”, tradução de um artigo deBaeumler, 1931.
“as guerras modernas são supérfluas”
Burckhardt
Na época de Nascimento da Tragédia Nietzsche soa como um discípulo hegeliano envergonhado. Seu objetivo é buscar uma finalidade na História a fim de lutar por ela – um longo caminho até Vontade de Potência…
“E se é certo que os gregos foram destruídos pela escravidão, ainda é mais certa esta outra afirmação: a falta de escravidão é causa de que essa nossa época pereça” Como negar? Criticar a democracia só pode significar apologia de um novo sistema hierárquico (não-burguês). Os direitos humanos nunca funcionaram na prática, não há senhores, apenas escravos. O artista é o protótipo do homem superior: não pensa no trabalho como trabalho, não pensa na riqueza como dinheiro. Tem fins maiores em vista.
Será que nos distanciamos tanto assim da ética da guerra antiga, em que os vencidos se tornavam escravos dos vencedores? O que se tornarão os ucranianos para os europeus desde este instante? Os ucranianos que não preferirem se tornar o que são, i.e., russos?
P. 116: Os sanguessugas inevitáveis do Estado-nação moderno: o general, o empresário obscuro (o oficial que nunca foi soldado, burocrata, homem de gabinete, anti-herói). Efeito colateral da “onda pacifista” européia. Homens da paz: homens do dinheiro. Assim como a humanidade não é mais digna de reis, não é mais digna de comandantes militares à antiga, apenas chefes nominais, farsas. O que se viu nos avanços bélicos da Prússia imperialista foram gritos de desespero de uma Alemanha nostálgica dos tempos nobres e épicos das guerras. Hoje continuariam havendo mais e mais gritos nostálgicos (mais do que os que já ocorrem por todo o planeta) não fosse a constatação de que quase todo conflito militar que se tem a intenção de iniciar não seria estrategicamente interessante, i.e., NÃO GERARIA LUCRO. “Lucro” é o único ser vivo do planeta habitado pelos economistas de Estado. Como dança uma nação atrofiada: tudo o que ela faz acaba por matar – dos miseráveis aos burgueses.
Polêmica contra o sufrágio universal: historicamente, é justificado como uma recompensa pela bravura da sociedade, dos nossos ancestrais. Efeito colateral: esteriliza as populações.
“Quando um Estado não pode alcançar seu mais alto fim, cresce desmesuradamente. O império mundial dos romanos não tem nada de sublime frente a Atenas”: denúncia do perigo expansionista. Ademais, exemplar pulverização da teoria do espaço vital, a Lebensraum alemã.
N. se torna pensionista da Universidade da Basiléia aos 27 anos de idade devido à precarização de sua saúde.
P. 123: pérola do autor da biografia: “Nascimento da Tragédia, único verdadeiro livro que N. levara a cabo.”
“Será o filósofo sempre um ser inútil para os homens?” “um lírico que não chega a ser artista”
De 3 mil em 3 mil anos as palavras se invertem? Há também um esgotamento do homem artístico, um niilismo às avessas? Morre-se de sede e afogado sucessivamente na História?!
“Talvez se possa falar dos fins inconscientes de um formigueiro; mas de todos os formigueiros da Terra?…” Alusão à abstração do conceito de humanidade.
“TALES – tudo deriva de um único elemento.
ANAXIMANDRO – a fuga das coisas é seu castigo.
HERÁCLITO – uma lei rege a fuga e a permanência das coisas.
PARMÊNIDES – a fuga e a permanência são mera ilusão. Apenas o Um existe.
ANAXÁGORAS – todas as qualidades são eternas: nelas não há devir.
PITAGÓRICOS – todas as qualidades são quantidades.
EMPÉDOCLES – todas as causas são mágicas.
DEMÓCRITO – todas as causas são mecânicas.
SÓCRATES – só o pensamento é imperturbável.”
Todos estão certos. Os germes mais antigos. Contra e por Homero.
“De vez em quando me sobrevém uma repugnância infantil pelo papel impresso; parece-me não ver nele senão papel manchado.”
DAVID STRAUSS, A PRIMEIRA VÍTIMA: “Federico ha encontrado al hombre que desea destruir”
As idades do homem de Flaubert: paganismo, cristianismo e porquismo.
NIETZSCHE & ENGELS:O Anti-Dühring poderia ser uma obra conjunta, pois ambos gostavam de detratar o mesmo intelectual!
P. 206: “Me alimento quase exclusivamente de leite.”
IMPRESSÕES GERAIS DA FIGURA DE NIETZSCHE: “voz musical (…) falar lento (…) vista fixa (…) cabelos curtos escovados para trás (…) maçã do rosto eslava”
O método peripatético não diz respeito só a “filosofar em movimento”, como muito se veicula. Maneira de aprendizagem horizontal de dois ou mais sábios – significaria que Aristóteles não se considerava um mestre de escola nem que possuía “discípulos” no rigor da palavra. Uma conversa enquanto se passeia pelo bosque, por exemplo.
“Não deves amar nem odiar o povo¹
Não te deves ocupar da política²
Não deves ser rico nem indigente³
Deves evitar o caminho dos ilustres e poderosos
Deves desposar uma mulher estrangeira4
Deves deixar a teus amigos o cuidado de educar teus filhos
Não deves aceitar nenhuma das cerimônias da Igreja”
¹ Anti-Dostoievski!
² Não deves ser ativista político se queres ser filósofo, que se ocupa, entretanto, totalmente da política.
³ Está muito além da própria escolha individual, mas sem dúvida seria um filtro para o exercício da vocação do filosofar.
4 Indecifrável em relação a tudo que deixou por escrito.
A influência da estilística de Pascal e La Rochefoucauld sobre a escrita de N.
Pseudônimos e iniciais: a salvação dos imorais! Que pena que a Constituição veda o anonimato. Não é mais possível fazer boa literatura de polêmica sem ser processado.
“envelheci dez anos em uns poucos meses.”
“um enfermo não tem o direito de ser pessimista.”
“…e a saúde recomeça seu jogo mágico.” – Muitas das convalescenças de N. foram no clima prazenteiro do sul da Itália.
“O espírito voltado para a oposição da dor vê as coisas debaixo de uma nova luz; e o indizível encanto que acompanha toda luz nova basta às vezes para vencer a tentação do suicídio, e para fazer a vida desejável. Aquele que sofre pensa com desprezo no mundo vago, tíbio e cômodo em que se compraz o homem são; pensa com desprezo nas ilusões mais nobres e mais queridas em que se deixa absorver; este desprezo é seu gozo, o contrapeso que o ajuda a se defrontar com o sofrimento físico, contrapeso cuja necessidade sente então… Seu orgulho se rebela como jamais se havia rebelado: defende com deleite a vida contra um tirano como o sofrimento, contra todas as insinuações desse tirano que nos quis obrigar a blasfemar contra a vida. Representar a vida frente a esse tirano é uma tarefa de incomparável sedução.”
Aurora
Este aforismo sempre representou minha vida. Atualmente dedico-o a W.O.
“Uma independência que não moleste a ninguém; um orgulho doce, velado, um orgulho que, não invejando as honras e satisfações dos demais e se abstendo de burlas, não incomode a gente… Um sono ligeiro, uns modos livres e pacíficos; ausência de álcool, de amizades ilustres ou principescas, de mulheres e de jornais, de honras e de sociedade – que não seja a de espíritos superiores e, à falta destes, de gente humilde (da que é tão impossível prescindir quanto da contemplação de uma vegetação poderosa e sã) –; os pratos mais fáceis de preparar, se possível preparados por mim mesmo, ou que mal tenham necessidade de preparação.” Curiosidades insólitas e sem valor.
“Por fim encontra N. aquela idéia cujo pressentimento o agita com tanta violência. Um dia em que caminhava pelos bosques de Sils-Maria, em direção a Silvaplana, sentou-se, não longe de Surlee, ao pé de uma rocha piramidal; naquele momento e naquele local concebeu o eterno retorno.” Romantização de biógrafo precoce.
“a música e a nostalgia de um passado melhor”
Observações pessoais minhas: Cabal, Senhorita, 2005 – sensação de potência desperdiçada – por quê? À época eu apenas queria ser o que sou hoje, a própria vontade niet. Porém iludo-me dalguma forma, querendo retroagir para reaver estas possibilidades perdidas. E contudo, como minha cabeça era ali, só podia me levar até aqui – o INESPERADO, apenas agora verificável. Se eu voltasse no tempo com ESTA consciência, amadurecida, todas as cores imaginadas desbotariam em desprezo – não foi o mundo que piorou em 3 (18!) anos. Eu me tornei mais sensível em relação à essência deste mundo. Atenuante invencível: 2005 e sua sensação de estar no topo de um monte sagrado, isso se repetirá INDEFINIDAMENTE…
Pp. 265-6: “O tempo, cuja duração é infinita, deve repetir, de período em período, uma disposição idêntica das coisas. Isto é inadiável, uma necessidade; logo é necessário que todas as coisas voltem a ser. Dentro de tal número de dias, número imprevisível, imenso, apesar de limitado, um homem, semelhante em tudo a mim, eu mesmo, em suma, sentado à sombra deste rochedo, encontrarei de novo esta mesma idéia. E esta mesma idéia voltará a se encontrar com este homem, não somente uma vez, mas um número infinito de vezes, pois o movimento que repete as coisas é infinito. Logo devemos abandonar toda esperança e pensar firmemente: nenhum mundo celestial receberá os homens, nem os consolará nenhum destino melhor. Somos as sombras de uma natureza cega e monótona, os prisioneiros de cada instante. Mas não esqueçamos que esta tremenda idéia que nos proíbe toda esperança enobrece e exalta cada minuto de nossas vidas; se o instante se repete eternamente em um monumento eterno, dotado de valor infinito e – se a palavra divino tem algum sentido – divino. (…) Ápice da meditação.” (1881)
“Aurora não teve o menor êxito [comercial]”
“Eis aqui a pedra em formato de pirâmide, no lugar da qual, em 600, 1000 anos, se erigirá uma estátua ao autor de Aurora.” Carta a Paul Rée. Demorou muito menos do que isso.
“ninguém se interessa por esse Zaratustra”
N. supostamente interdito de lecionar em Leipzig por seu “ateísmo” – como se tivera saúde restante para tal!
Inicialmente, por ter passado um hiato sem editor, Assim Falou Zaratustra foi entregue apenas para 7 chegados: a irmã Elizabeth, Erwin Rohde, Overbeck, Paul Lanzky (jovem admirador niet., desconhecido hoje), Peter Gast (futuro co-editor), Mme. von Maysenbug e Burckhardt. Outro contato de N., Gersdorff, aparentemente já falecera. Rohde como que já havia rompido com o antigo amigo.
P. 380: páginas devotadas a Dostoievski e o “cristianismo revolucionário russo”.
P. 399: “As tendências humanitárias não são anti-vitais, pois convêm às massas, que vivem com lentidão; e, convindo a elas, convêm à humanidade, que necessita da satisfação das massas. As tendências cristãs são igualmente bonacheironas, e nada é tão desejável como a sua permanência, pois convém a todos os que sofrem, todos os débeis, e é necessário para a saúde das sociedades humanas que o sofrimento e as debilidades inevitáveis sejam recebidos sem rebelião, de modo submisso e, se possível, amorosamente. § Diga o que diga o cristianismo, não posso esquecer que lhe devo as melhores experiências da minha vida espiritual, e espero não ser nunca ingrato com ele no fundo do coração…” Já se imaginou tamanha isenção intelectual? Um homem que entende que o melhor para o futuro e para outros homens não é ou não será aquilo que é ou foi melhor para si mesmo? Houve filósofo mais probo?
P. 411: “Quando se estudam os últimos meses dessa vida, parece como se se assistisse ao trabalho de uma máquina de guerra que a mão humana já não governa mais”
O Código ou as Leis de Manu teriam sido uma das últimas leituras de N. Livro extenso e cansativo. Estou lendo-o há meses (agora em hiato).
* * *
O primeiro ou principal a refutar a obra Minha Irmã e Eu (Ich und meine Schwester) como de autoria nietzschiana foiWalter Kaufmann (1952, 1955). WIKI: “If legitimate, My Sister and I would be Nietzsche’s second autobiographical and final overall work, chronologically following his Wahnbriefe (Madness Letters), written during his extended time of mental collapse. (…) The book was tied quickly to controversial publisher Samuel Roth, the putative owner of Seven Sirens, who had spent jail time for the unlawful distribution of a version of James Joyce’s Ulysses (1922). In the book’s introduction, an anonymous publisher claimed to have received the manuscript from a fellow inmate of Nietzsche’s in Jena and to have hired Oscar Levy to translate the work only to have both German and English manuscripts confiscated, with only the latter surviving. (…) Kaufmann claimed in a footnote in his Nietzsche: Philosopher, Psychologist, Antichrist (first published 1950) to have received a ghostwriting confession from minor author David George Plotkinin 1965.” Creio que não preciso opinar que segundo o cânone da arquivologia ou filologia é impossível ceder e duvidar de que seja uma fraude. A ausência do manuscrito original e o lapso de tempo até o misterioso aparecimento das cópias são dois detrimentos inexcusáveis para o sucesso da teoria da autenticidade, por mais que seja um livro bem-escrito e prazeroso, e o estilo de N. seja até replicado com sucesso em suas páginas! Ainda assim: “Nietzsche scholar Walter K. Stewart, in his 185 page monograph Nietzsche: My Sister and I — A Critical Study published in 2007, argues for the original’s potential legitimacy by conducting a point-by-point analysis of Kaufmann’s book review.”
As informações mais sensacionalistas nessa pseudo-segunda autobiografia de N. são que teve envolvimento amoroso-incestuoso (assexual) com “Lama” Förster (como N. chamava sua irmã Elizabeth), que podemos dizer com segurança que ele odiava, e profundamente, e com Cosima Wagner, viúva de Richard Wagner – é até engraçado!! À época (2009), eu cria na possibilidade da autenticidade desta fabulosa história, tecendo o comentário de que os ciúmes muito intensos por Elizabeth demonstrados nas cartas de N. não eram “normais”. Porém, não levava em conta então costumes de família na Alemanha do séc. XIX, uma sociedade muito mais androcêntrica.
Eis a desculpa médica para tornar a história da escrita desse livro plausível: “Sua deterioração cerebral prejudicou seriamente a capacidade de N. responder as pessoas, mas seu fluxo de pensamentos não tinha sofrido alterações significativas, e ele não verificava, ao despejar suas idéias no papel, a mesma hesitação do contato falado.”
O primeiro capítulo já abre com uma “paródia” do relato niet. do sonho com a morte do irmão menor: no asilo, sonhava com a morte da mãe. A mãe de N. morreu poucos meses antes do próprio.
“Para o odiador, a Alemanha é o lugar. Em primeiro lugar, há o kaiser, que se pode detestar a vida inteira.”
“Tenho mãos e pés pequenos como os de uma mulher. Teria sido eu destinado a ser mulher? Sou acaso um descuido de Deus?”
“meu cérebro vai se tornando pedra” “Como uma múmia egípcia que esqueceu de morrer por inteiro, eu sou o expectador da minha própria morte, sentindo meus olhos se tornarem poeira”
“Esse é o paradoxo da minha existência? eu amei a vida ao máximo, mas não pude direcionar essa paixão do modo clássico” “Essa grande mente, a maior desde Aristóteles, está sendo dissolvida na imbecilidade da massa”
“Eu cortei a história do mundo em duas ao escrever o Ecce Homo”
“Antes de mim os filósofos guerreavam em trincheiras contra o cristianismo. Eu promovi uma guerra total, e isso me deixou sem amigos.” Veja o anacronismo das expressões guerra de trincheiras e guerra total, compreensíveis apenas a partir dos anos 30 do séc. XX!
“Sócrates e Schopenhauer são eunucos que perderam a capacidade de amar”
“Na Grécia Antiga a riqueza de um homem era avaliada por seu número de filhos – em correlação positiva”
“Voltaire foi a França que respirava aquele ar de liberdade ideológica inglês”
“Todo pensador socialista falha ao não entender que a distribuição desigual de sabedoria, poder e talento é essencial em uma comunidade, para o contínuo exercício, ali, de sentimentos como piedade, compaixão, generosidade e proteção, que são os ingredientes das únicas civilizações que tiveram qualquer tipo de duração” O autor se esquece de que a ditadura do proletariado leva tudo isso em conta – como não levaria?
“Talvez a autêntica tragédia na história do homem tenha se dado, não quando o homem se viu pela 1ª vez nu diante de sua comparsa, mas quando percebeu que era necessário sair de si para mostrar tributo à divindade. Ele não sabia que tinha sido expulso do Paraíso até se ver do lado de fora do portão.”
“É difícil crer que aqueles pés das estátuas gregas precisavam mesmo da mediação de sandálias. Se tivéssemos pés tão fortes provavelmente arruiná-los-íamos com pedicures!”
“Uma nação que tenha abdicado do sonho da conquista já abdicou há muito do sonho de viver” E no entanto isso colide com a crítica das nações expansionistas, vista mais acima.
“Estamos excedendo as contas em tudo. O universo não é, para começar, tão grande quanto se relata. O mundo como um organismo é tremendamente importante para si mesmo, mas da mais banal significância para o sujeito. E, com todas as suas perfeições creditadas, o homem é uma criatura extremamente imperfeita! Sendo assim, poderíamos deixar de lado o sentimento de extravagância sobre o que não temos, ou de angústia pelo que possivelmente deixamos de fazer ou experimentar. Tudo humano que valha a pena está contido em alguns prédios em Roma, Paris e Londres, e eu não trocaria o resto do universo pelo conteúdo de um deles. Ainda assim, no momento em que escrevo pode ser que as forças armadas da humanidade estejam se preparando para devastar esses prédios para começar uma briguinha de homens, cuja real potencialidade é tal que se fossem estes os últimos e únicos homens sobre o globo toda a raça teria de morrer sem deixar herdeiros.”
CRISES ECONÔMICAS COMO CRISES PERMANENTES DE QUALQUER ESTADO E MORAL QUE NÃO SÃO INSTITUÍDAS POR UM POETA-LEGISLADOR
“Como resultado da mistura dos economistas com leis científicas puras, sem legislação, certos princípios de economia aparentemente adquiriram um caráter duplo – o da generalização científica e o das regras que serão impunemente desobedecidas.”
“Você por acaso já viu uma única jovem com a metade da beleza do mais abandonado dos gatos de rua?”
“Se eu puder voltar a minha casa de novo, lerei o Livro dos Mortos egípcio” Mais sobre esta obra a seguir.
“O europeu aspira a uma sinceridade cristã no viver, mas treina sua consciência de modo que solte uma risada sempre que cruza uma igreja”
“Decidir o destino da comunidade via voto igualitário é tão razoável quanto escolher a mulher via loteria”
“Quatro mulheres em minha vida: duas, prostitutas, me fizeram feliz. Felicidade de momento.” Mais um aforismo nada característico da pudicícia nietzschiana em revelar detalhes íntimos que encerra o debate sério sobre a inautenticidade deste livro.
“Já fui tão maior que Schopenhauer que duvido que terei um sucessor” Alguém tendo-o escrito nos anos 50 tinha já cem por cento de segurança na afirmação…
“A vitória militar, se por algum engano do destino for nossa, não vai nem ao menos por isso curar nosso jeito azedo e turrão”
“Eu preferia ser um psicólogo do que o Deus do Gênesis”
“Como a Alemanha é a negação da França, a Rússia é a negação da Alemanha. A Rússia tem 2 vantagens em relação a nós: tem mais salas onde se lutar e mais judeus com quem lutar.”
“Uma querela entre 2 filósofos deve ser levada tão a sério quanto uma discussão filosófica entre 2 pedreiros.”
“Toda mulher é uma prostituta no coração e até compreender isso um homem não pode conhecer a pureza virgem de seu ser”
“Não só eu, mas os sofistas modernos estão em seu pôr-do-sol: por sofistas da modernidade quero dizer os humanistas, os empiristas, os relativistas, os utilitaristas e os individualistas.”
“Um Aristófanes [comediante, sátiro] do séc. XX vai me tachar como um Demócrito, pilhando-me como este foi pilhado: Longa vida ao Deus Furacão que destronou Zeus!”
“quando em Turim eu vi um cavalo ser açoitado pelo cocheiro eu corri da minha casa e abracei o animal, preocupando-me com seu devir. [esse detalhe biográfico de N. é autêntico] § Essa foi a causa de minha ruína: a divisória entre minha pregação e minha prática, e isto foi parte também da grande linha entre o antes e o depois do pensamento ocidental, que como eu ficará louco.”
“Se Deus tem pena de nós, ele está jogando com um dado interminável.”
“Aquilo sobre o que outros filósofos escrevem livros eu me contento em escrever parágrafos.”
“Só desenvolvemos 3 sistemas numéricos – contra mil línguas e 10 mil sistemas de raciocínio”
“Kant teria sido um filósofo melhor se tivesse dado ao menos 10 anos de aula de Filologia, o que ter-lhe-ia aclarado a importância de se fazer entender antes de ter certeza de que é entendido”
“A democracia é de números e é sustentada diretamente pelos matemáticos anônimos cujas obras foram destruídas no incêndio da biblioteca de Alexandria. Que pena que a natureza humana não é delineada pelas simples linhas, vamos dizer, das proposições euclidianas!”
“Se você é incapaz de ler Platão pelo simples prazer de lê-lo, leia-o visando ao ensinamento que ‘grita’ nas entrelinhas de cada diálogo: há somente um mundo, o mundo da experiência dos homens.”
CITAÇÃO DE MARX: “Os egípcios nos legaram uma verdadeira história de seu caráter nacional no Livro dos Mortos. Para caracterizar nosso tempo alguém deveria escrever um Livro dos Alemães Renegados – para incluir alguns que quiseram escapar mas não conseguiram – como eu. Se – os céus me proíbam – eu me tornasse o autor de tal obra, abriria com uma dedicatória a Heinrich Heine e encerraria com um comentário sobre Karl Marx, diante de quem os fins da criação teriam servido muito melhor se ele tivesse permanecido na Prússia, onde ele seria finalmente germanizado ou levaria um tiro. Como se sabe, Marx encontrou resguardo do germanismo na Inglaterra, de onde ainda nos dispara suas teorias pelo Canal da Mancha. [O humor do anacronismo do falsificador, o ‘Pseudo-Nietzsche’ que compôs a obra, é que isto devera ter sido escrito, se pela mão nietzschiana, em 1989, porém Marx morrera já em 1983 – tudo indica que jamais tendo ouvido falar de Nietzsche, e vice-versa.] Nesse cenário eu me desejaria qualquer lugar no centro, onde, aproximadamente, estou. [referência ao manicômio de Naumburg – wiki: “Naumburg is a town in the district Burgenlandkreis, in the state of Saxony-Anhalt, Central Germany.”]”
“Quanto a Marx, ele escreve num alemão tão ruim, o qual ele adorna com copiosas citações do latim e do francês [ironicamente a mesma crítica de estilo, pelo menos na parte das citações, poderia ser facilmente atribuída ao próprio N.] – línguas que ele parece não conhecer muito bem – a fim de impressionar a massa e confundir aqueles que esperavam poder entender.” Exagero evidente. Comparar Kant e Marx em questão estilística, p.ex., seria uma heresia – o segundo leva ampla vantagem!
“Em Heine os judeus nos deram muito; em Marx, muito pouco”
“Marx está para a lei da oferta e da demanda como Darwin está para a lei de sobrevivência do mais forte. Ambas as leis são o resultado de uma nova paixão produzida pelo séc. XVIII – pesquisa com ponto de vista.” Divertido especular sobre este comentário, sabendo que foi produzido no séc XX. Darwin não formulou a lei de sobrevivência do mais apto fora do reino animal, mas influenciou decisivamente seu emprego nas gerações posteriores. O que acontece com Marx sobre a lei de oferta-procura/demanda é um pouco diferente: ela é anterior a ele (efetivamente do próprio séc. XVIII); porém ele deve ser estudado mesmo pelos economistas liberais para que outros fundamentos da economia sejam compreendidos em relação com ela. Não há nada de correto em Adam Smith que não esteja em Marx, mas a lei da oferta e da demanda não é nada diante do escopo d’O Capital. Como Darwin deve ter muito mais informações preciosas em seus diários de viagem do que essa infame conseqüência política involuntária que gerou!
“A verdade ainda ludibria; mas não é mais aquela moça formosa, e sim uma velha rabugenta e desdentada.”
“Não quero ser mal-entendido: eu evito ler Marx tão apaixonadamente quanto enveredo por cada nova estrofe de Heine.”
“O Capital descobriu duas coisas que são os temas básicos dos congressos socialistas: 1) a mais-valia, pois o operário trabalha para gerar mais do que é vitalmente necessário para si, e até para si e para o capitalista juntos; 2) esse novo poder de exploração da classe trabalhadora é levado a um extremo tal que o burguês se torna, no mundo do dinheiro, tão poderoso e superior aos homens quanto uma vez fôra o divino senhor feudal.”
“O que não conseguirmos pela fé conseguiremos através dos métodos mágicos”
“Hegel é um Spinoza guiado pela velocidade de nossa idade industrial”
“É melhor que o mundo não saiba – ao menos enquanto ela viver – que Elizabeth cumpriu o mesmo papel em minha vida reservado a Augusta frente a seu [meio-]irmão caçula Byron.” WIKI: “Augusta Maria Leigh was the only daughter of John ‘Mad Jack’ Byron, the poet Lord Byron’s father, by his first wife, Amelia, née Darcy.” Aparentemente, todo o significado do dito é que N. usava as cartas para E. a fim de caluniar sua mãe: “Augusta’s half-brother, George Lord Byron, did not meet her until he went to Harrow School, and even then only very rarely. From 1804 onward, however, she wrote to him regularly and became his confidante, especially in his quarrels with his mother. Their correspondence ceased for 2 years after Byron had gone abroad, and was not resumed until she sent him a letter expressing her sympathy on the death of his mother, Catherine in 1811.” Não gostaria de crer que o autor-falsificador de Minha Irmã & Eu quisesse pôr em evidência o ‘lado negro’ da relação entre Byron e sua irmã: “Not having been brought up together, they were almost like strangers to each other. But they got on well together and appear to have fallen in love with each other. When Byron’s marriage collapsed and he sailed away from England never to return, rumours of incest were rife.” Seja como for, a quem interessar possa: “Augusta is also the subject of Byron’s Epistle to Augusta (1816) and Stanzas to Augusta.”
“Cinquenta anos depois de minha morte, quando eu tiver me tornado um mito, minha estrela brilhará no firmamento enquanto o Ocidente será eclipsado na escuridão, e pela própria luz que eu emito. Minha filosofia do poder será reexaminada, então, não como poder [político] mas como Providência.”
“Mulheres são a única propriedade privada que tem total controle sobre seu proprietário.”
“A idéia da transmigração das almas não é tão tola quanto parece, e meu conceito do eterno retorno é meramente a reencarnação moderna do credo pitagórico. Uma vez fomos cães e ainda regressaremos ao domínio primata dos caninos.”
IRA-ATA: AINDA VAMOS REGRESSAR AO DOMÍNIO PRIMATA DOS CANINOS
Torturando, espremendo cães. Qual foi o último que eu vi? Hoje sonhei de novo. Meus sonhos agora se relacionam a estar preso com os pais em algum lugar que não é a minha casa, e algo sem forma me tortura, algo de que eu não podia me esquecer. Foi o cão da Connie o último que toquei. Eu beijava a R. e de alguma forma me ocultava dos anfitriões indesejados. E por que tantos banheiros? Supra-homem Bill Lunch. “I spread disease like a dog…” Ter vivenciado caninamente a idade média não é absurdo, mas nada seria sem a CONDIÇÃO HUMANA, esse pathos que olha para baixo e para cima das cadeias com seus próprios olhos. Também já fui pedra e fui estrela. O pequeno príncipe me revive um tipo de consciência cósmica longamente entalada. A National Acrobat. Raul Seixas. Engraçado… o que eu estava fazendo dia 19 de janeiro de 2008? Tianguá e o demente. Surpreendente autocontrole. E interesse pelo tio-avô tão camponês. Moscas malditas e R. Eu sou a bomba atômica e sou a flor.
(06/11/2009)
“Hegel incorreu num sexto sentido – o senso histórico”
“O Homem do Subsolo de Dostoievski e o meu supra-homem são a mesma pessoa”
“Talvez os pregadores de Alá me inscrevam em suas memórias como o único cristão honesto da Europa – um cristão honesto demais para aceitar a escravidão moral paulina e que preferiu, como Jesus ele mesmo, cremar-se no relâmpago do Velho Testamento.”
“Salomão, o único judeu com ganas de imperador, promotor da Pax Judaica no mundo bárbaro. Seu império poderia se esticar até o fim do mundo, paraíso e terra sob a propaganda de Jeová.”
“A suprema doutrina das mulheres seria a obtenção do infinito orgasmo.”
DEMOCRACIA X EUCLIDES, O “TRIGONOMÉTRICO”
estatísticas forma
redução ao ideal não-números
paradigma do hospício potências
controle da maioria (eu sou um círculo maior)
razão desprezo das minorias¹
¹ Provável alusão ao fato de que os gregos não se preocupavam com quantidades irracionais ou desprezíveis nas exressões matemáticas.
“Há dois tipos de bárbaros; aquele que precede séculos de iluminismo e aquele que os sucede” Na mesma página cita Condillac, polímata da época iluminista.
“O idealismo moral não pode suplantar a compulsão econômica de nossa era: Ruskin, Carlyle e outros britânicos obsoletos, especialmente o cabeça-de-vento John Stuart Mill, não aprenderam o básico sobre a modernidade. Se eu não fosse César seria Cristo, o Socialista, montaria num jumento e cavalgaria até Jerusalém com Marx. A ambição de poder dos marxistas complementa a ambição de poder dos nietzschianos, mas eu prefiro chegar a Jerusalém num cavalo de batalha árabe, ao invés de no lombo dum burro proletário.”
“Brandes me chama de um anarquista aristocrático – e é exatamente o que eu sou. Quem, senão um judeu, para me desmascarar e contemplar esta face de Disraeli, o tory radical? O radical extremado e o reacionário extremado são irmãos debaixo da pele: ambos têm inclinação para demagogias liberais e humanitárias, e só conhecem um caminho rumo ao triunfo – a vontade de potência.” Moderados, demasiado moderados, assim nós da esquerda teríamos de nos classificar hoje.
“As pessoas precisam ser governados com mãos de ferro, e eu profetizo uma época de Césares proletários [Lenin e Stalin?] que agirão como Rousseaus, enquanto Marx acaba construindo e sendo a vanguarda ideológica de ditaduras democráticas onde as iniciativas da companhia de água e esgoto e do fabricante de calças [!] são identificadas como a vontade de Deus e codificadas em leis draconianas escritas em letras de sangue.”
“Dizem que por tomar o lugar do Senhor no meu sistema filosófico eu provei minha egomania. Mas na verdade eu sou extremamente modesto. Para mim, ocupar o lugar de Deus é um rebaixamento e humilhação, não uma rara promoção aos picos do Monte Sinai! § Ao invés disso, eu sequer deveria ter falado em deus na minha obra, deixando esse problema para os ingleses – Carlyles com mania de grandeza – resolverem.”
“Não há lugar que não fique tedioso a longo prazo”
“Me pergunto o que seria de Kant se tivesse sido induzido a viajar de navio”
“Só num país como a Alemanha eu, o autor de Zaratustra, teria a necessidade de pagar do próprio bolso sua quarta e última parte!” Esse fato é verdadeiro.
“O supra-homem não é uma fantasia privada: é nossa realidade biológica e transcendental”
“Se Deus não tivesse morrido seguramente o século XX não ocorreria”
“há mais segurança na caverna de Platão”
“eu sou o fulcro da História (…) ainda que também o encontrem no Príncipe de Maquiavel”
“o veneno anti-semita que cada alemão bebe do leite da mãe”
“espero não viver o suficiente para ultrapassar este século”
“Eu nunca imaginei o fim da raça humana porque eu tenho uma visão trágica da vida”
Berlioz,“o supra-homem da música”.
“Em menos de 50 anos ser chamada de ‘wagnerete’ provocará processo por calúnia e difamação contra o ofensor, e quando uma ópera wagneriana for mencionada em nobre companhia haverá mal-estar na sala.”
Me ssa lina
“Impregnemos nossas vidas com a impressão da eternidade! Vamos viver de modo que desejássemos sempre viver de novo: esse é meu credo, ontem, hoje, amanhã, e nos ontens que sucederão o amanhã.”
Originalmente publicado em 5 de dezembro de 2016, em homenagem aos “colaboradores” e “prestadores” de (des)serviço lotados na velha Diretoria de Relações Internacionais da CAPES da gestão Michel Temer (divisão “primeiro mundo” – o dos últimos imundos).
Eles estão
em decomposição
Viver é uma compulsão,
abstração diuturna
Máquina ininterrupta de defecação bucal
YOUR HIGHNESS!
Gerador Rancoroso de Asneira Çalada Aparvalhada
Vertigem da intolerância encarnada numa pessoa só
“numa pessoa só”
Não-me-toque em nenhuma das minhas 2 mil caras.
Bruna Surfistinha das personalidades messiânicas e cristãs.
Caráter promíscuo quebrando a cabeça
tentando, com coração de pedra,
estilhaçar o vidro do vizinho.
Danação alheia.
Potezinho,
cheio de lágrimas de croc’
o’ dillo
Estamos todos a descoberto
Mas deixem os perfeccionistas entregues a si mesmos
Poema de 14 de dezembro de 2016, dedicado aos golpistas que eram meus colegas de trabalho e aos arrependidos de rasgar a constituição e bradar que “não foi golpe!”.
Catecismo Revolucionário por Sergey Nechayev (primavera de 1869) ou MANIFESTO DO NIILISMO POLÍTICO
“I – O revolucionário é um homem com um destino. Não tem nem negócios ou interesses pessoais, nem sentimentos ou afeições, nem propriedade, nem mesmo um nome. Nele tudo está absorvido por um só interesse exclusivo, um só pensamento, uma só paixão: A Revolução.”Pré-história da definição de revolucionário (pensando que a Revolução Francesa nada tem de revolucionária per se). Caricato.
“III – Um revolucionário despreza toda a teoria; renuncia à ciência atual e abandona-a para as gerações vindouras.”Um revolucionário sem método é um revolucionário derrotado.
“Entre ele e a sociedade, um combate de morte é travado, uma luta aberta ou clandestina, sem tréguas e sem misericórdia. Deve estar preparado para suportar todos os tormentos.” A descrição subjetiva do indivíduo é acertada.
“VII – A natureza do verdadeiro revolucionário exclui todo o romantismo, toda a sensibilidade, todo o entusiasmo, todo o impulso. Exclui também todo o sentimento de ódio ou de vinganças pessoais. A paixão revolucionária, tomada nele um hábito constante e quotidiano, deve unir-se ao cálculo frio.”Estranho desprezo pelo artista, o tipo mais revolucionário de todos.
“IX – É supérfluo falar de solidariedade entre revolucionários: é sobre ela que repousa toda força de trabalho revolucionário. (…) Logo que se trate de executar uma série de atos de destruição, cada um deve operar por sua conta e risco e não reclamar ajuda ou assistência aos seus camaradas, porque isto é absolutamente indispensável para o sucesso do empreendimento.” Insights, se otimistas em demasia, ao menos interessantes, em retrospecto…
“X – Todo o militante revolucionário deve ter à sua disposição alguns revolucionários de segunda ou terceira categoria, quer dizer, aqueles que ainda não foram admitidos em definitivo. Deve considerá-los como uma parte do capital comum posto à sua disposição. Deve gerir a sua parte de capital com economia e retirar o máximo de benefício. Deve-se considerar a si próprio como um capital necessário ao triunfo da revolução, capital que não pode, contudo, dispor sozinho e sem consentimento do conjunto dos outros camaradas.” Não deixa de ser verdadeiro. Implícito numa ditadura do proletariado.
“XI – Todas as vezes que um camarada se encontra em perigo, o revolucionário, para saber se o deve salvar ou não, não tem que consultar o seu sentimento pessoal, mas só e unicamente o interesse da causa revolucionária. Também lhe é necessário pensar por uma parte na utilidade que representa o seu camarada, por outra parte no dispêndio de forças revolucionárias que exigirá a sua libertação, e agir no sentido para onde pende a balança.” O que nem o Genei Ryodan foi capaz de fazer!
“É-lhe necessário odiar igualmente tudo e todos. O pior para ele, é de ter ainda neste mundo laços de parentesco, de amizade ou de amor: não é um revolucionário, se semelhantes laços podem prender o seu braço.” É menos difícil do que foi pintado por Nechayev, por incrível que pareça… O que é menos difícil? Dissociar-se dessas coisas que nos tornam quem somos? Não, mas que elas não sejam obstáculos absolutos da revolução.
“XIV – O revolucionário pode e deve frequentemente, viver no seio da sociedade, em vista da sua implacável destruição, e dar ilusão de ser totalmente diferente do que realmente é. Um revolucionário deve procurar entradas em toda a parte, na alta sociedade como na classe média, nos comerciantes, no clero, na nobreza, no mundo dos funcionários, dos militares e dos escritores, na polícia secreta e até no palácio imperial.” Uma espécie de início da paranóia dos tempos da Guerra Fria, a era dos super-espiões.
“Deve-se somente ter em conta o grau de utilidade que representa a morte de tal ou tal pessoa para a obra revolucionária. É necessário executar primeiramente os indivíduos mais perigosos para a organização revolucionária, e aqueles cuja morte violenta e súbita é a mais apropriada para assustar o governo e enfraquecer sua força, privando-os dos seus auxiliares mais enérgicos e mais inteligentes.
XVII – A segunda categoria compreende aqueles a quem se deixa provisoriamente a vida, e cujos atos sublevarão a indignação do povo e o conduzirão inevitavelmente à revolta.
XVIII – A terceira categoria é composta por um grande número de bestas brutas altamente colocadas, que não brilham nem pela inteligência, nem pela energia, mas que possuem, em razão da sua situação, riquezas, altas relações, de influência e de poder. É necessário explorá-los por todos os meios possíveis, agarrá-los nas nossas redes, fazer-lhes perder o controle, penetrar até o fundo dos seus segredos desonestos, e assim fazer deles os nossos escravos. Desta maneira o seu poder, as suas relações, a sua influência e a sua riqueza serão para nós um tesouro inesgotável e um precioso socorro nos múltiplos empreendimentos.” Lúcido.
PARVENUS: “XIX – A quarta categoria compreende toda a espécie de funcionários ambiciosos, assim como os liberais das diferentes tendências. Pode-se conspirar com estes últimos adotando o seu próprio programa fazendo-lhes acreditar que o seguem cegamente. É necessário tomar bem em mãos, apoderar-se dos seus segredos, comprometê-los a fundo para lhes tornar impossível qualquer retirada, e servir-se deles para provocar perturbações no Estado.
XX – A quinta categoria compreende os doutrinários, os conspiradores, os revolucionários, todas as pessoas que tagarelam nas reuniões ou escrevem no papel. É necessário, sem cessar, empurrá-los, comprometê-los com manifestações práticas e perigosas: o resultado será o desaparecimento do maior número, enquanto que alguns se revelarão os verdadeiros revolucionários.”
QUESTÃO FEMININA: “XXI – A sexta categoria é de uma grande importância: trata-se das mulheres, que convém dividir em três classes. A primeira compreende as mulheres superficiais, sem espírito e sem coração, de que é necessário servir-se da mesma maneira como os homens da terceira e quarta categorias. Incluímos na segunda classe as mulheres inteligentes, apaixonadas, prontas a dedicarem-se, que não estão ainda nas nossas fileiras, porque elas não chegam ainda a uma inteligência revolucionária prática e sem verborragia. É necessário utilizá-las como aos homens da quinta categoria. Vem enfim, as mulheres que estão completamente conosco, quer dizer, que estão totalmente integradas e aceitaram integralmente o nosso programa. Devemos considerá-las como o nosso tesouro mais precioso e a sua ajuda é indispensável em todos os nossos empreendimentos.”
“XXIII – Pelo nome de Revolução Popular a nossa sociedade não entende um movimento de tipo clássico ocidental, que não atinge em nenhum caso nem propriedade privada, nem a ordem social transmitida pela dita civilização e a pretensa moralidade, e que se limitou até agora a suprimir um sistema político para o substituir por um outro e fundar um Estado dito revolucionário. Só pode trazer a salvação ao povo uma revolução que condene absolutamente toda a idéia de Estado, perturbe completamente na Rússia as tradições, as instituições e as classes sociais do Estado.
XXIV – Neste objetivo a Associação não tem de modo algum a intenção de impor ao povo qualquer organização vinda de cima. A futura organização sairá, sem dúvida, do movimento da vida popular, mas isto será obra das gerações vindouras. A nossa tarefa é de destruir, uma destruição terrível, total, implacável, universal.” Paixão que se consumiu rapidamente.
“É necessário aliarmo-nos com o mundo dos aventureiros e dos bandidos, que são, na Rússia, os únicos verdadeiros revolucionários.”
(X) passar longe ( ) dar uma jogadinha de leve ( ) dar uma boa jogada ( ) jogar freneticamente ( ) chamar a rua toda pra jogar (X) um tipo específico de jogador. Qual? Psicopatas. ( ) incógnita
Chávez zicou, e o jogo “anti-com.” flopou!
DROP EXPECTATIONS, NOT BOMBS!
Imagine um jogo com mundos gigantescos cheios de power-ups incríveis que permitam ao gamer dar vazão total a seu instinto primordial (principalmente no caso dum shooter), que é a destruição pura e simples, catarse tão gratuita quanto bem-vinda… Porém, agregue alguns ingredientes antes que pense ter finalizado sua sopinha antes de nanar: glitches que podem interromper a ação, inteligência artificial digna de zumbis (e não, você não enfrenta zumbis em Mercenaries 2, pelo menos não enquanto gente morta não começar a reviver das cinzas!), armas em abundância mas terríveis de manusear, enredo pífio e uma incorrigível falta de variedade. O mundo está em chamas, só não sabemos se dentro da sua TV ou na sua cabeça, após se irritar com algumas das (várias) falhas… Contenha-se, não incendeie seu console por algo tão bobo: há muitas outras opções no mercado, mesmo para esse tipo de detonação em terceira pessoa em ambientes abertos, como a franquia onipresente Grand Theft Auto e Mercenaries “1” (Xbox, PS2). Por que recomendaríamos o próprio Mercenários? Porque a primeira versão é muito mais gratificante!
Versão PS2
O ESTADO ZERO DA CINEMATOGRAFIA DE “GUERRA” (CIVIL)
Escolhe-se entre três mercenários – cada um deles com uma biografia muito similar. A narrativa diz respeito a uma vingança de proporções absurdas contra um homem que o(s) contratou e não pagou (ora, tudo isso faz parte de ser um mercenário, por isso eles cobram um preço tão alto!). A quem se pergunta, o jogo não é um licenciamento da trilogia – ou sei lá quantas continuações mais – com Schwarzza e Stallone, mas na minha franca opinião usar o roteiro do filme não melhoraria nem pioraria este game… Não há dúvidas de que o enredo é fraco como o do longa, mesmo não sendo o do longa, que aliás só é Mercenários no Brasil, o que exigiu essa minha nota explicativa. Outro elemento de má qualidade no produto é o trabalho de dublagem dos personagens poligonais. A vantagem é que o jogador não terá de se preocupar com a storyline ou mesmo suportá-la: as cutscenes entre as missões são tão inconseqüentes que podem ser tranqüilamente puladas.
MODO TREINO, OK
As primeiras missões são especialmente para que se acostume com a mecânica de jogo de tiro em terceira pessoa. Esse não é daqueles títulos em que você pensa antes de atirar (Rainbow Six) ou nem atira se puder evitar (Metal Gear Solid), ou bola (não a tecla O) uma estratégia antes da fase começar (podendo levar consigo apenas 2 ou 3 armas): num intervalo de 30 minutos, o protagonista escolhido experimentará uma miríade de armas, granadas e C4, dirigirá carros, barcos e jipes enquanto defende o que será, eventualmente, daqui em diante, sua base militar. Depois disso, ainda haverá um razoável lote de missões divertidas, enquanto o modus operandi continuar fresco.
MODO PRA VALER, UH! SÓ DETONAÇÃO… E DA PIOR.
É depois da primeira hora de jogo que se vai começar a notar que algo ficou pelo caminho. Para um jogo que faz todas as suas apostas no arsenal à disposição, executar soldados inimigos não é tão satisfatório. As armas soam fracas, é difícil acertar alvos em movimento, e o dano causado é inconsistente. É simplesmente mais fácil tomar um tanque ou se chocar contra um helicóptero do que tentar destruir um dos dois. Armas mais pesadas, como as granadas com propulsão de foguete, apesar de poderem esmigalhar praticamente tudo que estiver no raio da explosão, não contam, obviamente, com muita munição, o que tornaria o game fácil em demasia. É entediante, ainda, a peculiaridade de ter de ir à loja, reservar a arma, sair, telefonar para confirmar a compra e a chegada da arma à loja e aguardar (enquanto leva e dá muitos tiros pelas ruas) até ser, finalmente, capaz de sacá-la. Por que não apenas entrar na loja, comprar a maldita gun no balcão e sair atirando sem delongas, que nem nas vendinhas dos Estados Unidos?
Versão PS3 – o fogo parece um raio laser de um Star Fox rodando no GameCube!
A versão virtual da Venezuela contida nesta mídia é imensa, porém isso traz pontos negativos na esteira. Os desenvolvedores não incluíram muita coisa para se fazer nas estruturas com bastante potencial espalhadas pela capital Caracas (que no game não chamam de Caracas por motivos óbvios), então o gamer será tentado, quase que exclusivamente, a estabelecer seus próprios critérios de desafios, não-raro explodir edificações, transformar carros em carcaças ou aterrorizar civis pilotando um tanque no meio das principais vias. (Ah, o sonho americano: detonar países autoproclamados socialistas… Nojento!) Pode ser um hobby especialmente afeito aos destruidores e revoltados de carteirinha, porém é uma péssima notícia para quem espera aquela clássica relação com um jogo em que ele possa ser “zerado”. É-se penalizado por machucar ou matar cidadãos normais, que não têm nada a ver com suas brigas de facções – o que mostra que os mercenários são muito mais éticos que a Casa Branca –, mas além disso uma simples bala perdida durante uma de suas rodadas de diversão aloprada no meio urbano pode enfurecer uma facção inteira. As facções são a principal fonte de novos trabalhos e podem ser essenciais para progredir, mas quando uma em específico está indignada com o jogador, pararão de oferecer serviços sujos e começarão a abordá-lo de forma “pouco amistosa” a cada esquina (elemento copiadíssimo de GTA2 em diante).
A extensão incomum das fases oferece outro problema: a não ser que conte com a opção do transporte instantâneo, vai demorar uma eternidade para passar de uma zona da cidade à vizinha, quanto mais de uma ponta à outra do mapa! É fácil se perder nos afluentes das ruas; o GPS incorre em erros que fazem um Waze desregulado parecer a melhor bússola do mundo; soldados aliados abrirão fogo de súbito enquanto você tenta se localizar; (!!) se estiver de helicóptero, ele é freqüentemente derrubado dos céus por mísseis que tem acurácia quase perfeita e mal se anunciam no radar. Para tornar as coisas ainda piores, quando se é morto depois de ter atingido um checkpoint em um ponto diferente da fase, é, ainda assim, necessário voltar ao marco zero (à base) para ser re-incumbido da missão e só em seguida voltar (é como se o check/save point não servisse pra nada!).
PS3
Três personagens não-selecionáveis surgem para suprir o jogador de veículos/serviços sem os quais ele não poderia cumprir todas as missões: uma mecânica, um piloto de helicóptero e um piloto de jatinho. O piloto de helicóptero talvez seja o mais útil dentre eles. Servirá para jogar suprimentos (que podem ser inclusive soldados) e transportá-lo, desde que o jogador disponha de dinheiro para gasolina e munição. O piloto do avião, um russo bêbado rei-dos-estereótipos, joga bombas à menor solicitação. Porém, esses bombardeios aéreos são muito menos eficazes do que transparecem: é muito raro que o veículo esteja próximo o bastante para causar estrago significativo, além do que é terrível se concentrar em um alvo por mais do que alguns segundos, porque o adversário agredirá com muito mais perspicácia e precisão e estar-se-á correndo o risco de explodir com o russo e sua vodca, todos juntos, de um segundo para o outro! Se pelo menos ele enfiasse toda aquela vodca no c…omplemento de combustível do veículo!
Apesar das missões terem algum tipo de enfoque (proteger tal objeto ou agredir tal porção das forças inimigas), o método mais fácil para cumpri-las é explodir tudo que houver à frente e que esteja atrapalhando. Táticas específicas seriam perda de tempo, porque não funcionam. A mecânica é consideravelmente inútil, uma vez que tudo o que ela pode oferecer é um carrinho novo, o que não satisfaz as ambições do mercenário apelão, e custa um preço anormal: sucata encontrada em caixas espalhadas pela cidade inteira, que não valem o suor dos polegares do jogador.
Na prática, Mercenários, em sua segunda versão gamística, funciona como um Grand Theft Auto cadeirante: promete muito, realiza pouco. Para quem não gosta de sair pela cidade causando pandemônios aleatórios, quase nada sobra no fundo da panela. Quanto às diferentes facções com que se pode entrosar ou rivalizar, é uma só, tipicamente, que oferecerá todos os contratos importantes para se avançar na narrativa. Houvesse maior preocupação com variedade, o jogador teria de intercambiar favores entre os times envolvidos em rixas, tornando-se um verdadeiro camaleão maquiavélico, o que não é o caso. Maioria dos objetivos é tomar um prédio para servir de novo entreposto mercenário. [bocejos]
Quando se foge muito dessa premissa, é para pior: escoltas ou duelos de corrida sem muito sentido (Need for Speed Underground agora, família?). Há ainda tarefas secundárias optativas, como os high value targets, ou cabeças premiadas, naquele esquema “vivo ou morto”. Nos casos mais simples, basta capturar a vítima e fotografá-la para ser financeiramente remunerado. Não obstante, e de novo, não vale a pena correr atrás de esmolas quando fazer barbaridades e promover o caos de modo pouco inteligente rendem muito mais doletas! Mesmo que se tentasse bancar o bom samaritano e eliminar os cartazes com o rosto dos mais cobiçados estampados nas paredes do seu escritório (dentre eles não vi a cara do Shanks!), soldados do próprio time do jogador podem acabar matando aqueles que ele desejaria ter vivos sob seu poder, no meio do bangue-bangue!
O CONSOLO É QUE SÓ PIORA: ASSIM VOCÊ PÁRA LOGO DE JOGAR!
Os problemas mais graves, que DEVERIAM EXPLICAR uma avaliação numérica baixa para Mercenaries 2 (mas as notas da crítica e dos fãs foram e são boas, e o game vendeu bem, o que é o mais incrível!), começam pela IA deprimente. Correr para trás de um edifício fora do alcance dos disparos dos mercenários rivais salvará a pele do seu personagem (graças à regeneração automática da life bar), visto que eles não o perseguirão até pontos distantes do mapa. E na hora de destruir um veículo ou equipamento, o mais fácil é se aproximar ou mesmo entrar no local e esperar que os próprios imbecis que querem enterrá-lo façam o serviço sujo no lugar de impedirem que o gamer o faça. Brilhante!!!
PS3
Segure-se, porque a lista de deficiências apenas começou: helicópteros sumirão do espaço aéreo, como num malfadado tilt; ou os suprimentos que eles deviam deixar num bom lugar vão parar em telhados, inacessíveis sob qualquer circunstância; faróis flutuarão no meio do nada (uma ode a Super Mario 64?); pessoas que você deveria resgatar talvez se afoguem sozinhas ou apenas uma parte do corpo delas entre no helicóptero (defeitos poligonais de primeira geração dos consoles caseiros, como venho dizendo!); aliados se rebelarão contra o jogador sem motivação aparente (talvez por mal-entendidos anteriores em suas biografias? – coisa que o enredo infelizmente não se esforça para esclarecer); atirar é tão complicado que correr até os oponentes e socá-los pode ser mais interessante; soldados mortos renascem nas torres de comando e retomam postos que você já havia roubado para si (o que é isso, fizeram um trato escuso com Mefistófeles?); balas atravessam paredes; pedestres entram na frente do seu carro buscando o suicídio simples e rápido; o game pode travar durante uma tela de loading; o personagem pode sofrer morte súbita com energia restante para combater; e sequer será estranho caso os dados salvos sumam sem aviso prévio!…
Pararei por aqui, mas é um relato categórico de erros inaceitáveis para qualquer deep 3D game do século XXI, ou qualquer jogo divertido desde a era Pong. Quando falamos em 3D profundo, falo dos open-world de proporções épicas que começamos a ver desde o PlayStation3 e o Xbox 360 (com Red Dead Redemption como o template-referência na temática faroeste), mas nem por isso fazemos vista grossa à versão PS2, que apresenta limitações equiparáveis, só que sentidas como se fossem maiores, dadas as limitações naturais de hardware.
PS2
FLIP THE COIN, VEJA AS GOTAS DO COPO VAZIO!
Há um modo cooperativo online para 2 jogadores que ajuda a elevar um pouco a nota final. É possível reviver o colega para evitar o interrompimento da ação. Normalmente, ter o dobro do poder de fogo tornará as missões muito mais fáceis, contudo um parceiro imprudente vai direcionar as milícias e gangues rivais também para cima de você (o que, agora, pelo menos é engraçado)! Continua a haver uma série de bugs, talvez maior, devido à interface via internet, propícia a uma menor fluidez. Considerando-se o montante de erros do single player, não é uma possibilidade desprezível ter seu dia arruinado, mesmo sendo o modo mais divertido do DVD!
ASPECTOS TÉCNICOS: PREGOS FINAIS DO CAIXÃO & RESSALVA (DUVIDOSA) PARA CONSUMIDORES MICROSOFT
Os gráficos estão longe da solidez. As versões do X360 e do PS3 são praticamente idênticas, com exceção de problemas de aliasing mais comuns nas máquinas da Sony, desde a primeira geração do PlayStation: texturas mais embaçadas do que o normal (Lembrem-se, meus caros, que o próprio Nintendo 64 já vinha com um recurso chamado anti-aliasing? Pois é, mas o grau de limpeza das texturas continuou progredindo marginalmente século XXI adentro…). Como se pode ver pelas imagens, os carros possuem rodas patéticas, dificilmente aprovadas por Pitágoras. Inimigos parecem ter sempre o mesmo rosto e apresentam uma animação de morte das mais estúpidas e rocambolescas! Por último, a paleta de cores é apagada, cinzenta demais (parecida com a de Gears of War), defeito quase inescapável para jogos do gênero na segunda metade da década 2000. Mesmo os tributos (obviamente involuntários) a sucessos da indústria dos anos 90 (Mario, GTA bidimensional, Need for Speed) não são o bastante para capturar a atenção dos gamers em 2023. Alguém que tenha experimentado a versão de Xbox 360 poderia me dizer por que ela é tão boa (aparentemente melhor que a dos “vizinhos”) – se é que já jogou as demais para comparar pessoalmente?
CURIOSIDADE: DESSA NOS LIVRAMOS!
A Pandemic Studios (mas que nome!) faliu pouco depois de Mercenaries 2, e a Electronic Arts, rainha dos jogos overrated, chegou a iniciar a produção de uma continuação pelo selo EA Los Angeles. Felizmente perceberam a tempo que a franquia era uma bosta e cancelaram o projeto!
CEREJA DO BOLO: UM JOGO NÃO EXISTE NO VÁCUO
(TUDO É POLÍTICA, ATÉ EXPLOSÕES INSOSSAS SEM-SENTIDO – aliás, quer mais política que isso?)
“Eu acho que o governo americano sabe como preparar campanhas de terror psicológico a fim de realizar futuras ações, ainda mais ligadas a reservas de petróleo.”
Ismael García, congressista venezuelano do partido PODEMOS à época. Interessantíssimo observar que o Podemos, de esquerda, já havia rompido com Hugo Chávez, então presidente venezuelano, em 2007, antes de Mercenaries 2, e hoje (2023) Ismael é do Primero Justicia, de centro-direita (trajetória parecida com a de ex-petistas não-bolsonaristas, embora este assunto por si só merecesse um artigo dedicado). Portanto, sua declaração não reflete sequer qualquer interesse em concordar com o governo venezuelano da época, mas demonstra que todo político responsável do Executivo de um Estado pode se sentir ameaçado quando um jogo produzido pelo maior mercado de games e incidentalmente maior superpotência militar do planeta “passa uma péssima imagem” do próprio país contemplado no jogo que criou – para dizer o mínimo – com fins de puro entretenimento (essa nós não engolimos!). E, assim, legitimamente protesta em nome do povo venezuelano. Exercício mental para programadores brasileiros ousados: criem um jogo em que o objetivo seja matar Biden ou Trump e vejamos o que não lhes acontece (a vocês, não aos velhinhos bilionários)!
versão 2 – 2012: criação original. 2023: resenha ampliada e articulada politicamente.
® 2002-2023 0ldbutg8ld / RAFAZARDLY!
Este post está sendo excepcionalmente publicado em simultâneo nos dois blogs do autor devido à intercessão de assuntos (games & política), rafazardly.com e seclusao.art.blog. (versões de fundo negro ou branco, conforme preferência do leitor)
Dando continuidade ao post de 17 de abril último, “SINOPSES DE (ALGUNS) LIVROS INDISPENSÁVEIS PARA A FORMAÇÃO DO HISTORIADOR – Episódio I”,¹ com 11 sinopses de importantes obras de introdução ao estudo da História, e conforme combinado àquela altura, dedicaremos outro post somente a sinopses de obras ligadas à historiografia da esquerda marxiana num segundo episódio das SINOPSES DE CLÁSSICOS DA HISTORIOGRAFIA. Antes, porém, uma ligeira tradução do início do verbete Marxist Historiography (https://en.wikipedia.org/wiki/Marxist_historiography) do wikipedia, para situar o leitor e aprendiz.
“A historiografia marxista, ou historiografia materialista histórica, é uma escola muito influente da historiografia. Os pontos-chaves da historiografia marxista incluem a centralidade do conceito de classe social, as relações sociais de produção em sociedades divididas em classes em incessante conflito entre si e o estudo das limitações econômicas na determinação de resultados históricos (materialismo histórico). Os historiadores marxistas estudam o desenvolvimento da divisão de classes, especialmente nas sociedades moderno-capitalistas.
A historiografia marxista se expandiu de uma tal forma que deu lugar a ramificações regionais e políticas as mais díspares. É diferente falar de uma historiografia marxista ocidental e de uma historiografia marxista soviética, ou indiana, ou pan-africanista ou ainda de tradição afro-americana,¹ havendo sempre a adaptação a circunstâncias geográficas e políticas dos objetos de estudo.
¹ Chama a atenção o artigo wikia não citar sequer a China!
Com as lentes da historiografia marxista estabeleceram-se histórias do proletariado e uma metodologia para a história social ou popular.[1][2][3]
A historiografia marxista é criticada por seus adversários como sendo de veio determinista,[4][5][6] supostamente apontando uma direção futura e inevitável da História, incluindo, nessa premissa, o fim do Estado e uma sociedade sem-classes. A historiografia marxista nos círculos marxistas mais fiéis ao ideário original do autor é vista, honestamente, o que nega essa crítica acerba acima, mais como ferramenta de estudo histórico que como ideologia ou ambição política (o que o marxismo, sem o prefixo historiografia, sem dúvida é). É notável que há classes oprimidas pelos que até hoje criaram a História e até hoje não foram agentes de sua própria narrativa, entre outros fatores graças à ausência da consciência de classe, liberdade no sentido estrito. A História que precede a descoberta da luta de classes não deixa de ser uma história mecanicista ou “natural”, pseudo-história, destino ou fado, em que as reais questões ainda não foram colocadas e se encontravam inconscientes. De qualquer modo, para o marxista e, em geral, para o historiador marxista, a historiografia marxista conduzirá naturalmente a movimentos de liberação mundo afora.
Nem toda historiografia marxista é socialista ou comunista no senso acima apresentado. Métodos de historiografia marxista, como análise das classes, podem estar divorciados de interesses do espectro da esquerda. Historiadores podem usar sua metodologia ainda que discordem pessoalmente dos resultados ou do projeto político como um todo. Criou-se, devido a essa complexidade e ambigüidade, a nomenclatura “marxiano” para se diferenciar de “marxista”. A historiografia marxiana usa os métodos historiográficos inaugurados por Karl Marx e Friedrich Engels para analisar a sociedade, sem aderirem conscientemente a ideais revolucionários.[7]¹
¹ Acho essa tese da dicotomia –ista –iana bem fraca! Coisa de americano…
Enfim, essa tradução nos serve mais para nos pormos desconfiados e prevenidos quanto a “discursos neutros” nos círculos conservadores da História enquanto disciplina acadêmica do que como fonte informativa, e este foi meu intuito momentâneo! Não estaremos escavando material bem-vindo ou amigável aos senhores deste planeta no próximo post…
Referências
[1] BEN FINE; ALFREDO SAAD-FILHO; MARCO BOFFO (jan/2012). The Elgar Companion to Marxist Economics. Edward Elgar Publishing. p. 212. ISBN 9781781001226.
[2] O’ROURKE, J.J. (06/12/12). The Problem of Freedom in Marxist Thought. Springer Science & Business Media. p. 5. ISBN 9789401021203.
[3] STUNKEL, Kenneth (23/05/12). Fifty Key Works of History and Historiography. Routledge. p. 247. ISBN 9781136723667.
[4] = 1
[5] = 2
[6] = 3 [Curioso! Utilizavam-se 3 adversários do marxismo para conceituá-lo na “enciclopédia livre”! Interessante…]
Algumas pessoas, cientes de meus vícios, me dirigem perguntas como: Por onde devo começar a ler Nietzsche? São perguntas honestas e que eu mesmo faria, e aliás fiz, antes de “ter algum conhecimento” em alguma matéria que muito me interessava… Do tipo: quais marxistas do século XX devo ler primeiro?, uma questão para a qual nunca recebi respostas repetidas. E no entanto as respostas são mais difíceis, quão mais “especialista” na matéria me julgo, uma espécie de dilema socrático. Quanto ao próprio Nietzsche, podemos deixá-lo de lado até uma próxima oportunidade.
Hoje gostaria de responder à pergunta de um amigo: Por onde devo iniciar a apreciação de Fiodor Dostoievski (nunca censurem alguém por escrever um nome russo errado – só escrevemos certo quando usamos a língua e os caracteres russos – tudo o mais é convenção, até mesmo se Tolstoi leva acento ou nãoo, sem falar na grafia Tolstoy, preferida pelos anglos – sem falar, também, que não se pronuncia Tolstoi, mas tem uns “a”s e “r”s invisíveis na prosódia, o que muita gente se admira de saber, inclusive eu!)?
Dostoievski escreveu clássicos atrás de clássicos. Poderíamos nos aventurar a ranqueá-los em grupos (o que não faremos), mas seus livros “A-” talvez em nada devam aos “SS”. Vamos citar suas principais obras, e defender, no fim, por que eu pessoalmente não recomendo que o primeiro livro a se ler de Dostoievski sejam os seus mais icônicos, Crimes e Castigo e Irmãos Karamazovi, em primeiro lugar. Livros que eu já considerei perfeitos – mas todos os livros têm falhas, e até esses podem ser criticados com fundamento. Ainda que fossem perfeitos, poderia haver razões muito mundanas (e nem por isso incorretas) de recomendar que sejam leituras apenas posteriores… Enfrentemos o caso em vista!
Gente Pobre, A Vila de Spatchikovo, Humilhados e Ofendidos, O Jogador e O Eterno Marido eu classificaria como novelas menos densas, monotemáticas, por assim dizer: geralmente o foco é a pobreza ou comportamentos obsessivos (como o vício no jogo ou ciúmes patológicos). Embora sejam “simples e diretos” comparados a outros trabalhos de D., são por si só ricos e obras-primas em seu gênero. Talvez não dêem a impressão de estarmos lidando potencialmente com o maior escriba russo, no caso de ser a primeira leitura de alguém.
Dos escritos precoces de D., sem dúvida os mais interessante são O Duplo, Memórias do Subsolo e Memórias da Casa dos Mortos. Sempre achei O Duplo e Subsolo contos (são maiores que contos, embora não tenham nem de perto a espessura de Irmãos Karamazovi ou O Adolescente) que se misturavam, a ponto de, ao passar alguns anos que os havia lido, confundir cenas de um como se fossem do outro. Achava que isso podia se dar pelo fato de eu os ter comprado juntos, tendo o livro físico de ambos, da mesma editora e da mesma coleção (a 34). Tendo-os relido recentemente, confirmei minha impressão ancestral, porém: apesar dos anos que separam ambas as composições, tanto um livro como o outro tratam de um protagonista espiritualmente miserável que descreve aos leitores anódinos como acabou por se apartar dos homens, ao que tudo indica sem possibilidade de retorno. Não as recomendo como primeiras leituras, no entanto, especialmente O Duplo, por serem narrativas muito pesadas, capazes de assustar e voltar a assombrar, tamanha a perspicácia do pensamento dos protagonistas e seu descaro em resumir as hipocrisias da vida social, mesmo leitores veteranos do querido autor. No caso d’O Duplo o agravo é ainda maior, por tratar ao mesmo tempo da degeneração mental, da subserviência de um funcionário público sem perspectivas e do abismo infinito que separa a aristocracia russa dessa gente “classe média”, que tem renda para possuir seu próprio servo mas que precisa pegar empréstimos ou empenhar bens a fim de comprar roupas que a faria aceitável ou pelo menos tolerada em círculos mais refinados. Portanto, se fosse escolher uma primeira leitura dentre a trinca do “D. jovem”, optaria pela Casa dos Mortos, um relato semi-autobiográfico sobre os anos de Dostoievski no degredo siberiano, por razões políticas. Por ser um material menos fictício e mais historiográfico, e em primeira pessoa, vai interessar sobretudo os que buscam conhecer quem foi o homem D., e não só o que ele escrevia. Muitas reflexões sobre a culpa contidas neste tratado já antecipam os tormentos de Raskolnikov, de Crime e Castigo, um dos protagonistas mais conhecidos da literatura universal.
Talvez o próprio Crime e Castigo seja incensado demais. Fiquei com essa impressão à segunda leitura. Não acontece muita coisa, materialmente falando, na estória; o aspecto grotesco, entrecortado e febril dos capítulos se deve sobretudo à crise interior do personagem principal. Aos 20 anos eu podia me identificar muito mais com Raskolnikov. Talvez agora, e vendo o tema do crime e suas consequências mais bem-apresentado em outras obras de D., eu seja reticente em recomendar C&C – entre as novelas mais indispensáveis, pelo menos.
Irmãos Karamazovi é a obra mais ambiciosa de D., e sua última, enquanto novela. Consumiu 3 anos de sua velhice; foi publicada em vida. Mas era prometido um segundo volume. Como nunca ocorreu, tratamos o (já bojudo) tomo inicial como uma narrativa completa e autônoma. E com efeito a vida dos três irmãos não prescinde de três epílogos muito bem-elaborados. Alguém só pode pensar que tipo de desenvolvimentos D. planejava para essa trinca de personagens tão distintos uns dos outros. Há fortes indicações de que Aliocha, o “irmão santo”, desempenharia o papel principal. São feitas alusões proféticas a seu futuro, carregado de martírio, mas simultaneamente auspicioso, se ele se mantivesse na senda reta. Sem revelar detalhes minuciosos ou muito relevantes da trama, Aliocha teria de lidar com os pecados de outrem, se tornar um mártir; e como cristão ortodoxo sua relação amorosa, proto-desenvolvida no livro que D. pôde nos legar, provavelmente nunca se consumaria. O que temos do “projeto Karamazov” ainda contém passagens que representam, em minha opinião, o acme da literatura ocidental, mas acho que o leitor de D. pode conhecê-lo abrindo outras portas, e deixar este umbral maciço para depois!
Restam os clássicos que ainda não citei: O Idiota, Os Demônios (ou Os Possuídos) e O Adolescente. D. foi, ao que parece, diminuindo gradativamente a idade de seus protagonistas. O Adolescente era mais um degrau em sua escada como autor, que ele pretendia percorrer até o final, com uma novela focada na importância das crianças russas – projeto impossibilitado por sua morte. O Adolescente é sobre a relação de um jovem que não tem posição no mundo público petersburguês e após muito tempo recebe a notícia de que reencontrará seu pai, figura ambígua, da qual ele não sabe o que esperar. Ou talvez o protagonista seja muito impressionável, e não consiga definir seu pai a não ser recaindo em extremos ao longo das páginas da história. Está claro que sua irmã, uma pessoa bem mais simples, já amadureceu emocionalmente muito mais depressa nesta compreensão de laços de parentesco. Tudo em que o adolescente se baseia são em memórias longínquas da meninice, antes do pai abandonar a família. As razões não são claras. A mãe ainda ama o marido e nunca permitiu que o protagonista masculino e sua irmã falassem ou pensassem mal de seu progenitor ausente. Como é uma figura que, ainda quando presente, se mostra misteriosa e lacônica, o jovem terá de ser um detetive da alma até sacar uma conclusão final, em meio a relações com figuras nobres que se iniciam relações com sua família, tudo aparentemente por causa do retorno de seu pai, ou seria tudo uma grande coincidência – e o jovem começa a sentir que tanto se sua irmã for a noiva quanto se sua irmã for rejeitada como a noiva de um certo magnata imoral, o nome da família ficará manchado e na lama, o que fere seu orgulho e suas ambições como uma adaga afiada. É uma novela que li em tempo recorde, durante férias, e não vejo qualquer ressalva a estabelecê-lo como uma porta de entrada convidativa em todos os sentidos.
Os Demônios pode ser considerado o livro mais sombrio de D., se excluirmos o mal-estar que O Duplo e o tal “Homem do Subterrâneo”, apócrifo, podem causar a naturezas como a minha, pelo menos. Um grupo de niilistas terroristas quer estabelecer o caos numa cidade russa, com vários personagens se reencontrando após longas ausências. Suas relações interrompidas e recém-retomadas estão carregadas de antigos ressentimentos, mas também de muita empatia escondida e difícil de comunicar. E o protagonista é um mistério para o leitor e todos a sua volta até o grande final. Uma passagem desta obra que lida com um crime de pedofilia foi censurada no século XIX, mas reintroduzida em algumas traduções mais modernas, ainda que como anexo. Creio que o personagem principal deste longo conto foi o protótipo depois fendido ao meio para dois dos três irmãos Karamazovi. As reflexões dostoievskianas sobre a religião só são maiores n’O Idiota que n’Os Demônios.
O Idiota também supõe como um epiléptico retraído, “santo e ingênuo” subitamente tornado milionário se comportaria, jogado diante de uma das situações mais problemáticas ao iniciar sua vida na mais alta sociedade: se apaixona por uma mulher de má-fama, tem dó de seu destino, e por isso acha paradoxalmente que não tem o direito de possuí-la, não por egoísmo, mas porque não a merece, é-lhe inferior; pois só a piedade não é o suficiente para o amor autêntico. Natasha, a mulher co-protagonista, também é apaixonada pelo Príncipe Michkin, o “idiota” do caso, mas a sua maneira. Estabelece-se um esboço de triângulo amoroso. Eu ainda acho as duas novelas descritas mais acima mais apropriadas para um “primeiro passo”, se bem que O Idiota não está mal; o caso é que acho que só adquire o efeito desejado quando a relemos, para entender melhor o intrigante protagonista…
A estória curta mais fenomenal de D., muitos concordam, é O Sonho de um Homem Ridículo, e pode ser lida em algumas coletâneas de seus contos e ensaios.
Desapontar os outros é sempre algo horrível. Geralmente o concurso de pessoas bem-intencionadas em uma ação coletiva e planejada culmina em tragédias indizíveis. Ou pelo menos ocasionalmente, não me tirem de pessimista inveterado! No caso de Baroque, até mesmo quando estamos falando de individualidades separadas da própria divindade… o concurso de suas ações pode ser estéril. A raiz, o erro original, pode estar além de suas forças. Pode-se imaginar algo mais paralisante do que isso? Encontrar o limite das faltas de limite? Deus supostamente enlouqueceu, e por isso está acorrentado no fundo da torre. Você, dissociado, assassino do próprio irmão gêmeo, parcela-clone de deus, também não está muito bem do juízo. Na ânsia de restaurar a sanidade e de refundir as essências, simultâneos suicídio e ressurreição… Não, não falemos de fusão nuclear… Essa já aconteceu, e de modo piorado: o “mundo”, o mundo gregário da técnica, como era conhecido nos manuais, já se foi, só sobrou a Torre do Nervo. Mas há redenção?, é a pergunta premente, para os que estão presentes neste vácuo futuro. A verdade dói. E após a fusão planejada, com a ajuda insuspeita de Eliza e Alice… A Verdade do mundo é re-revelada. Ou re-velada, se é que me entende. Pois posta a nu a verdade já não tem qualquer valor. O mundo pós-apocalíptico é, afinal, tanto quanto o mundo pré-apocalíptico, obra de um mesmo Deus. Não há capacidade, ou melhor dizendo, não há necessidade de retroagir ou recuperar algo perdido. Isso seria negar a divindade, blasfêmia suprema (deus duvidar de si mesmo). Paradoxo existencial. Contrassenso. Se o universo tivesse um coração, esse coração jamais pararia, é um axioma cósmico perdido na noite dos tempos, sem autor, sem desgaste. O que aconteceu, aconteceu. O mundo presente, o resquício de mundo, é a obra de Deus. O Arcanjo, conspirador, desejava, em sua sanha e insânia, “purificar” a essência da própria corrupção. O plano era desde o início a própria consunção suprema da distorção que queria combater e refrear, uma Sefirah criada pela ruindade do mundo, um derivado, um produto, incapaz de criação de novos valores. E se… mesmo antes, mesmo agora, em nossa realidade, antediluviana em certo sentido, o mundo é distorção, e é feito para ser assim? E não há nada intrinsecamente mal nisso: as pessoas, suas vivências, são distorções, é seu modo de ser. Desesperadas, atrás de um ideal de pureza que é na verdade iníquo, por não entenderem que as pessoas devem viver com o peso de serem incompletas, elas querem a completude na ‘purificação’. E começam a inventar quimeras, ilusões, pedras barrocas e preciosas, com que adornam suas almas falidas, Sefirahs… O botão de reset apenas recoloca 12 no último andar da torre (o terraço). Esta é a condição humana, escolhida pelo homem, que afinal foi criado por e também cria deus, a cada instante renovado. Livre-se da culpa ou não livre-se da culpa. A culpa continua a existir, em algum lugar, de alguma consciência, e faz parte do universo, como o coração faz parte do universo. E é preciso aceitar. E quem aceita? Quem se recusa a aceitar?, perguntava-se #12… Horrível é sempre os outros desapontarem.
MORAL DA ESTÓRIA: O 6 e o 9 implicam o 0, independentemente da gênese, que é o rabicho da cobra. Sisifolândia.
“His intimate acquaintance with manuscripts and other not easily accessible literature made Hardy a 1st-rate authority on all questions relating to the subjects he treated in his particular line of research.” Outros livros do autor: On The Connection of the British Government with the Idolatry of Ceylon, 1834; Eastern Monachism, an Account of the Laws of the Order of the Mendicants, 1850.
PREFACE
“It has been my simple aim to answer the question What is Budhism as it is now professed by its myriads of votaries?” “with the exception of one brief interval, I have been at a distance from any public library; I have received no assistance from any society, literary or religious, though that assistance has not been unasked” Deve ser por isso, como veremos, que o livro é tão enfadonho!
“My previous work, On Eastern Monachism, describes the discipline, rites, and present circumstances of the Budhist priesthood.” “By the perusal of both these works, the student will be prepared to understand the general outline of the system; as, although its literature is elaborate, its elementary principles are few.”Desconfie desse tipo de religião!
“The native authors are not studious of method; and it is a formidable task to reduce their materials to order. [muito menos ‘os Gotamas’…]”
“it must be remembered that this is the 1st attempt to form an analysis of the deeds and doctrines attributed to Gotama.” E foi uma tentativa fracassada, ou então o budismo está ranqueado caso tão mal quanto o espiritismo na hierarquia dos monoteísmos… Lembrando que eu considero o teísmo ou ateísmo sub-seitas do Grande Monoteísmo.
“In the ontological terms I have usually adopted the nomenclature of the Rev. D.J. Gogerly, of the Wesleyan Mission in Ceylon. [a seção ‘metafísica’ nada tem de metafísica ou de diferente das outras, como veremos] It is greatly to be regretted that the writings of that gentleman are so limited; as they are an invaluable treasure to the student of Budhism.”
1. THE SYSTEM OF THE UNIVERSE
“THE cycles of chronology are reckoned by asankyas; a word that conveys the idea of innumerable, incalculable, from a, negative, and sankya, number, that of which the sum of quantity can be determined.
The number of the years to which the life of man is extended never remains at one stay. It is always on the increase or undergoing a gradual diminution; but it never exceeds an asankya in length, and never diminishes to less than 10 years; [haha] and the progress of the change is so slow as to be imperceptible, except after long intervals of time. A decrease in the age of man is attached by a correspondent deterioration in his stature, intellect, and morals.” Vivemos um quadro peculiar nos últimos séculos: nossa estatura e expectativa de vida só aumentam, mas também diminuem intelecto e moral. De quanto tempo será a infância dum homem que aos 10 anos já está senil? Menos de 2 anos! É necessário imaginar a gravidez dos grandes homens como a de elefantes, e a vida como a da tartaruga marinha.
“From the time that man’s age increases from 10 years to an asankya, and again decreases from an asankya to 10 years, is an antah-kalpa. 80 antah-kalpas make a maha-kalpa.” 80 cycles of ascension & fall (Overkill)
“The space to which the light of one sun or moon extends is called a sakwala. Each sakwala includes an earth, with its continents, islands and oceans, and a mountain in the center called Maha Meru; as well as a series of hells and heavens, the latter being divided into dewa-lokas and brahma-lokas. The sakwalas are scattered throughout space, in sections of 3 and 3. All the sakwalas in one section touch each other, [diâmetro triangular] and in the space between the 3 is the Lokantarika hell. Each sakwala is surrounded by a circular wall of rock, called the sakwala-gala.
Were a high wall to be erected around the space occupied by 100,000 kelas of sakwalas (each kela being 10,000,000) [= 1 trilhão de <sistemas solares>], reaching to the highest of the heavens, and the whole space filled with mustard seeds, a rishi[sábio, santo, asceta] might take these seeds, and looking towards any of the cardinal points, throw a single seed towards each sakwala, until the whole of the seeds were exhausted; but though there would be no more seeds, there would still be more sakwalas, in the same direction, to which no seed had been thrown, without reckoning the sakwalas in the 3 other points. [Tudo isso os homenzinhos antigos chamavam de grandiosidade!]
The sakwala systems are divided into 3 classes: 1. Wisayak-setra, the systems that appear to Budha. 2. Agnya-setra, the systems, a 100,000 kelas in number, that receive the ordinances of Budha, or to which the exercise of his authority extends. 3. Jammak-setra, the systems, 10,000 in number, [contagem muito mais restrita: no número 2 era 1 trilhão de sistemas, aqueles que Buda ‘governa’; mas ele só pode nascer num perímetro como o do núcleo de um átomo, quer seja, 10 mil] in which a Budha may be born (between the birth in which he becomes a claimant for the Budhaship, or a Bodhisat, and the birth in which he attains the supremacy), or in which the appearance of a Budha is known, and to which the power of pirit, or priestly exorcism, extends.
There are 3 other sections into which each sakwala is divided: 1. Arúpawachara, the lokas, or worlds, in which there is no perceptible form. 2. Rúpawachara, the worlds in which there is form, but no sensual enjoyment. 3. Kámá-wachara, the worlds in which there is form, with sensual enjoyment.”
Satwa-loka: world of sentient being
Awakasa-loka: world of void
Sanskara-loka: material world (trees, rock, etc.)
“At the base of each sakwala is the vacuum called Ajatakasa, above which is the Wa-polowa, or world of wind, or air, 960 yojanas in thickness; the world of air supports the Jala-polowa, or world of water, 480,000 yojanas in thickness and immediately above the world of water is the Maha Polowa, or the great earth, 240,00 yojanas in thickness, which is composed of 2 superior strata, viz. the Sala, or Gal-polowa, consisting of hard rock, and the Pas-polowa, consisting of soft mould, each of which is 120,000 yojanas in thickness. The under surface of the earth is composed of a nutritious substance like virgin honey. In the center of the earth is the mountain called Maha Meru, which, from its base to its summit, is 168,000 yojanas in height. On its top is the dewa-loka called Tawutisa, of which Sekra[rei dos devas, espécie de deus – às vezes sinônimo do próprio Indra]is the regent, or chief. Between Maha Meru and the rocks at the extreme circumference of the earth are 7 concentric circles of rocks, each circle diminishing in height as it increases in extent. Between the different circles of rocks there are seas, the waters of which gradually decrease in depth, from Maha Meru to the outermost circle, near which they are only 1 inch. In the waters of these seas there are various species of fish, some of which are many thousands of miles in size.
In each earth there are 4 dwipas, or continents, the inhabitants of which have faces of the same shape as the continent in which they are born.”
1. Uturukurudiwayina (norte)
2. Puyrwawidesa (leste)
3. Aparagodana (oeste)
4. Jambudwipa (sul)
+. Ao centro dos continentes está Maha Meru.
“The sakwala in which Gotama appeared is called magul, festive, or joyous, because it is the only one in which a supreme Budha is ever born [4 acima].”
O umbigo de Jambudwipa se chama Bódhi-mandala. “it contains the bodha, or bo-tree, under which Gotama became a Budha.”
“In the earlier ages there were 199,00 kingdoms in Jambudwipa; in the middle ages, 84,000 or 63,000 [depending of the time]; and in more recent ages about 100. In the time of Gotama Budha this continent contained 9,6 million towns”
“The sun and moon are at regular intervals seized by the asuras Rahu and Ketu; and these periods are called grahanas, or seizures (eclipses).”
6 dewa-lokas (worlds of happiness)
16 brahma-lokas (worlds of tranquillity and unconsciousness) [alguém tem convites?]
8 narakas (places of suffering)
“Under the rock Maha Meru is the residence of the asuras.”
“The earth, inhabited by men, with the various continents, lokas, and sakwalas connected with it, is subject alternately to destruction and renovation, in a series of revolutions, to which no beginning, no end, can be discovered. Thus it ever was; thus it will be, ever.”
“sakwalas and their destructions:
normally, it is destroyed by fire;
each 8 times, it is destroyed by water instead;
each 64 times, it becomes destructed by wind.
Which means that after 7 fire destructions, comes water destruction. And after 7 water destructions, comes, after the other 7 fire destructions of the next cycle, the first wind destruction, replacing the water destruction that should be the 8th of that cycle.”
80
“When the destruction is by the agency of fire, from the period at which the fire begins to burn to the time when the destruction is complete, and the fire entirely burnt out, there are 20 antah-kalpas. This period is called a sangwartta-asankya-kalpa.
From the period at which the fire ceases to burn to the falling of the great rain by which the future world is to be formed, there are 20 antah-kalpas. This period is called a sangwarttastayi-asankya-kamlpa.
From the first falling of the seminal rain to the formation of the sun, moon, rocks, oceans, &c., there are 20 antah-kalpas. This period is called a wiwartta-asankya-kalpa.
After the elapse of 20 antah-kalpas more, a great rain begins to fall; and this period is called a wiwarttastayi-asankya-kalpa.”
“the 4 cycles of mundane revolution:
1. destruction
2. continuance of destruction
3. formation
4. continuance of formation
When all 4 cycles (asankya-kalpas) happen, we have a maha-kalpa.”
Um Asankya (ou pseudo-eternidade)
100 milênios = 100 mil anos = 1 laksha
100 lakshas = = 100 x 100.000 = 10 milhões de anos = 1 kóti or kela
100 lakshas de kótis = 10 milhões x 10 milhões = 100 trilhões = 10^14 = 1 prakóti
1 koti de prakotis = 10 milhões x 100 trilhões = 10^8 x 10^14 = 10^20 = 1 kótiprakóti
1 koti de kotiprakotis = 1 nahuta = 10^28
1 koti de nahutas = 1 ninnahuta = 10^36
1 koti de ninnahutas = 1 hutanahuta = 10^44
1 koti de hutanahutas = 1 khamba = 10^52
1 koti de khambas = 1 wiskhamba = 10^60
1 koti de wishkhamba = 1 ababa = 10^68
1 koti de ababas = 1 attata = 10^76
1 koti de attatas = 1ahaha = 10^84
Quanto não custa rir! ahaha!
The system of the universe:
1 koti de ahahas = 1 kumuda = 10^92
1 koti de kumudas = 1 gandhika = 10^100
1 koti de gandhikas = 1 utpala = 10^108
1 koti de utpalas = 1 pundaríka = 10^116
1 koti de pundarikas = 1 paduma = 10^124
1 koti de padumas = 1 katha = 10^132
1 koti de kathas = 1 maha katha = 10^140
1 koti de maha kathas = 1 asankya = 10^148
De modo que asankya não é propriamente incontável ou infinito… Enfim, patafísica horrorosa!
Os Kalpas
“Were the surface of the earth to increase in elevation at the rate of 1 inch in a 1,000 years, and the process to continue in the same proportion, the elevation would extend to 28 miles before the antah-kalpa [ciclo de máximo envelhecimento e a volta à menor duração da vida humana, i.e., 10 anos] would be concluded.”
20 antah-kalpas = 1 asankya-kalpa
4 asankya-kalpas = maha-kalpa
“To 1 antah-kalpa there are 8 yugas, 4 of which are called utsarppani and 4 arppani. The 4 utsarppani yogas are progressive, and therefore called urdhamukha; but the 4 arppani are retrograde, and are therefore called adhomukha.”
“The 4 utsarppani yugas are called kali, dwapara, treta, krita, respectively; the 4 arppani yogas, krita, treta, dwapara and kali.”
“In the Kali age a man will be grey when he is 12; and no one will exceed 20 years of life.” – Wilson’s Vishnu Purana.
“It would be as great a miracle for a supreme Budha to be born in a kali yuga as for a beautiful and sweet-scented lotus to blow amidst the flames of hell.” “It is only in the asunya kalpas that the Budhas appear (…) When one Budha is born in a kalpa, it is called sara; when 2, manda; when 3, wara; when 4, saramanda; and when 5, bhadra. It is only after very long intervals that the bhadra kalpa occurs.”
1 satya yoga = 1,728,000 anos
1 treta = 1,296,000
1 dwapar = 864,000
kali = 432,000
“The year 1852 is the 4,936th year of the kali yug, and the 3,892,936th of the kalpa. (…) It has been remarked that these yugs correspond, in number, succession and character with the golden, silver, bronze and iron ages of the Greek and Roman mythologies.”
“The brahmanical kalpa, equal to the whole period of the 4 yugs, consists of 4,320,000,000 (4,32bi) of solar years, which is a day of Brahma; and his night has the same duration. 360 of these days and nights compose a year of Brahama, and a 100 of these years constitute his life, which therefore exceeds in length 300,000,000,000 solar years. This system originates in the descending progression of 4, 3, 2 and 1, according to the notion of diminishing virtue in the several ages, applied to a circle of 12,000 divine years, each of which is equal to 360 years of mortals; and 12,000 multiplied by 360 is equal to 4,320,000. [??? – diferença da ordem de 1000] (…) The chronology of Manetho[sacerdote egípcio] appears to have been constructed upon similar principles, as his dynasties are so arranged as to fill up an exact number of Sothaic circles, or periods of the star Sirius, each comprehending 1460 Julian, or 1461 Egyptian years. Cf.Grote, History of Greece.”
The Sakwalas
1,000 sakwalas = 1 sahasri-lokadhatu
10 lacs x sakwalas = 1 madyama-lokadhatu
1,000 kelas x sakwalas = 1 maha-sahasri-lokadhatu
“That space is infinite, that the beings inhabiting it are infinite, and that the sakwalas are infinite is known to Budha, and by him alone is it perceived.”
“The doctrine of an infinity of world was taught in Greece by Anaximander and Xenophanes, 428 BC, and by Democritus, 361 BC. They taught that there is at all times an infinity of co-existent worlds (world-islands) throughout endless and unbounded space; and that it is as absurd to think there should be only one world in space as that in an extensive field properly cultivated should grow up no more than one single blade of corn. It was the opinion of Democritus that some of these worlds resemble each other, whilst others are entirely dissimilar.”
“By the practice of the rite called kasina, to see to the verge of the rocks that bound the sakwala, and then to conclude that the world is finite, i.e., that beyond these rocks there are no other worlds, is the error called antawada. By the practice of the same rite, to see many other sakwalas and then conclude that the world is infinite, is the error called anantawada.To conclude that the world is finite vertically, but infinite horizontally is the error called anantanantawada.To conclude that the world is neither finite nor infinite, is the error called nawantananantawada. These errors are enumerated by Gotama in the Brahama-jala-sutra as being professed by some of the heretics[cortem-lhe a cabeça!] included in the 62 sects that existed in his day.” Ver último capítulo – ou não, já que dá um sono do cacete!
Maha Meru
Tolices sem fim.
“Were a stone to fall from the summit it would be 4 months and 15 days in reaching the earth.”
The Rocky Circles
“The idea of the 7 concentric circles around Meru, like that of the 7 strings of the lyre of Orpheus, or the 7 steps of the ladder of Zoroaster, was probably suggested by the previous idea of the orbit of the 7 planets, which it is not unreasonable to suppose had its origin in the number of the days of the week, as appointed in the beginning by God. The city of Ecbatana (the Achmetha of Ezra, 6:2, and the Ecbatana of the Apocrypha, supposed to be the present Hamadan) as described by Herodotus, 1:98, might have been erected as the model of sakwala. The Brahmans teach that there are 7 great insular continents, surround severally by great seas. According to the Bhagavata, Priyavrata drove his chariot 7x round the earth and the rust left by the wheels became the beds of the oceans, separating it into 7 dwipas.”
The Oceans
(*) “Thales held the opinion that the earth floats on the ocean, like a great ship; but this was denied by Democritus, who taught that the earth rests upon the air, after the manner of an immense bird, with its wings outspread. The opinion of the Budhists, that the earth is supported by a world of air, is more scientific than that of those Hindus who believe that it is borne upon a turtoise.”
(*) “The mariners of Phoeacia, according to Homer, had ships endowed with consciousness, that required no steersman.”Bom pra eles!
Uturukurudiwayina
(*) “It is supposed that the legends respecting square-faced or square-headed animals (Herod. iv.109) have had their origin in the appearance of the sea-dogs (phocae vitulinae) that inhabit the lakes of Siberia.”Em nada melhor que Plínio, o Velho
(*) “In speaking of the 4 points, the people of India, like the Hebrews, suppose themselves to be looking towards the rising sun. Hence the same word, both in Sanskrit and Hebrew, signifies alike the front, the eastern quarter and aforetime.”
(*) “There is a resemblance, in position and general character, between the inhabitants of Uturukuru and the Hyperboreans. This happy people, dwelling beyond the influence of Boreas, never felt the cold north wind. Their females were delivered without the sense of pain. The songs and dances at their festivals were accompanied by innumerable flocks of swans. They lived to the age of 1,000 years, and yet without any of the usual accompaniments of senility. (…) When tired of their long existence, they leapt, crowned with garlands, from a rock into the sea.¹ This custom of leaping from high rocks occurs, in precisely the same manner, in Scandinavian legends. – Müller’s Dorians. (…)The opinion that the northern regions of the Earth were formerly warm and pleasant has been confirmed by the investigations and discoveries of geologists.”
¹ Meta de vida, digo, de morte.
(*) “According to Zoroaster, in the reign of Jemshid, the ancient sovereign of Iran, men appeared until death to retain the age of 15.”
“This tree is 100 yojanas high, and when the people require anything, it is not necessary that they should go to it to receive it, as the tree extends its branches, and gives whatever is desired.”
“There is no relationship, as of father, mother or brother. The females are more beautiful than the dewas. There is no rain, and no houses are required. In the whole region, there is no low place or valley.”
“As there is no wood of which to form a pyre, [the dead] are taken to the cemetery and there left.”
“When the people of this region pass away, they are always born as dewas or as men, and never in any of the 4 hells.”
The Great Forest
(*) “The most northern parts of the earth are always regarded by the natives of India as the highest. This was also the opinion of the Hebrews, and of the ancients generally. Hence the expression to go down, or descend, is frequently used of going to the south. – 1 Sam. 25:1; 30:15.”
“E Davi se levantou e desceu ao deserto de Parã.”
“E disse-lhe Davi: Poderias, descendo, guiar-me a essa tropa? E disse-lhe: Por Deus jura-me que não me matarás, nem me entregarás na mão de meu senhor, e, descendo, te guiarei a essa tropa.”
(*) “It has been supposed the word Caesar is derived from the Sanskrit kesa, <hair>, and that the future emperor was so called because he had much hair on his head when he was born.”Many things have been supposed…
The Sun, Moon and Planets
O sol é de corais e ouro.
A lua é de cristal (que me faz sonhar) e prata.
O diâmetro e circunferência do sol e da lua
são basicamente equivalentes.
(*) O CLIMA E A LUA: “modern science has proved¹ that there is a real connection between the clearness of the atmosphere and the cold produced at night by the radiation of heat from the earth’s surface, which is impeded by the presence of clouds. As the moon-beam is of course brighter when the atmosphere is clear, it has been supposed that this is the cause of the greater degree of cold, instead of its being a correlative effect.”
¹ Suspeitar desse tipo de construção frasal, sobretudo vindo de homens espiritualistas do séc. XIX!
São caracterizadas 3 estações (ao menos no que tange ao volume de chuvas – alto, baixo e mediano).
Durante a estação seca os gnats (mosquitos) não saem de suas casas; são eles que presidem as precipitações.
“the dewas of rain, called ABRA; the dewas of dew, called MAHIKA; the dewas of mist, called DHUMA; the dewas of dust, or motes, called RAJA; and the asur[a] RAHU. The regent of the moon descended to take refuge in Gotama Budha, when attacked by Rahu.” Naruto deve ser Buda.
(*) “Nearly all the astronomical works possessed by the Singhalese are translations from the Sanskrit; but many of the statements that are incidentally made upon this subject in their own books differ materially from the systems now considered to be the most popular upon the continent of India. 1. The Jainas maintain that Meru is in the centre of the earth, around which lies Jambudwipa; that the earth is without support, and is continually falling in space (which may have some relation to the fact that ‘the sun, with his planets, is rapidly darting towards a point in the constellation Hercules’, as taught by modern astronomers); and that the moon is 80 yojanas above the sun, beyond which are the planets, at a still greater distance.”
Os 12 signos do zodíaco:
“1. Mesha, red ram. 2. Wrashaba, white bull. 3. Mithuna, woman & man, blue skin-colored, holding an iron rod and a lute. 4. Karkkataka, red crab. 5. Singha, red lion. 6. Kanya, virgin, black skin-colored, in a ship, holding a handful of ears of rice and a lamp. 7. Tula, white man, with a pair of scales in his hand. 8. Wraschika, black elk [alce]. 9. Dhanu, figure of a golden color, half-man, half-horse, with a bow in his hand. 10. Makara, marine monster. 11. Kumbha, white man, holding a water-jar. 12. Mina, 2 fishes, looking opposite ways.” Os mais diferentes são capricórnio e escorpião. Um alce negro no lugar do escorpião; uma figura antropomorfa, muito distante de um inseto.
Os 12 meses:
1 Bak 30 dias 55h 32min¹ 7 Wap 29 dias 54h 7min¹
2 Wesak 31 dias 24h 12min² 8 Il 29 dias 30h 24min²
3 Poson 31 dias 36h 38min² 9 Unduwap 29 dias 30h 53min²
4 Aesala 31 dias 28h 12min² 10 Durutu 29 dias 27h 24min²
5 Nikini 31 dias 2h 10min 11 Nawan 29 dias 30h 24min²
6 Binara 30 dias 27h 22min² 12 Medin-dina 30 dias 20h 21min
¹ Não significaria 2 dias a mais? Implicando o mês mais longo do ano sendo Bak, o janeiro deles, com 32 dias. Ou Poson (nota 2), pois seriam 32 dias e ½!
² Não significaria pelo menos 1 dia a mais? O mês mais curto do ano teria pelo menos 30 dias.
O sol tem 12 casas; a lua, 27.
Os 9 planetas (grahas):
1. Rawi, o sol 6. Chandra, a lua
2. Sukra, Vênus 7. Budha, Mercúrio
3. Kuja, Marte 8. Guru, Júpiter
4. Rahu, 1º asur (deus que causa eclipses) 9. Ketu, 2º asur
5. Saeni, Saturno
The Dewa-Lokas and Brahma-Lokas
“There are in all 6 dewa-lokas: 1. Chaturmaharajika, in which one day is equal to 50 of the years of men; 30 of these days make a month, and 12 of these months a year; and as the dewas live 500 of these years, their age is equal to 9 million of the years of men. (…)”
(*) “In the rupa[corporal]-brahma-lokas there are no sensual pleasures, and there is no pain, the enjoyments being intellectual, although there is bodily form, resembling in some measure that which St. Paul may mean by ‘a spiritual body’.” Os arupa-brahma-lokas são mundos de existência somente espiritual.
“Thus if the ages in the 6 dewa-lokas and 20 brahma-lokas be added together, it will give a total of 231,628 maha kalpas, 12,285,000,000 [quase 13 bilhões] years.” Pelo menos se parece com a idade do universo segundo a física moderna. Ou seja: há fundamento. Místico – mas há.
Newasannyanasannyayatana, o mundo mais próximo do Nirvana.
The Narakas (Os Infernos)
Há 136 mundos do inferno, mas 8 principais. “The walls [between them] are 9 yojanas in thickness, and of so dazzling a brightness that they burst the eyes of those who look at them, even from the distance of 100 yojanas.”
A etimologia do submundo ou sheol, hades, infernum, hell sempre implica um mundo localizado na Terra, embora escondido (normalmente debaixo da terra) – geralmente um abismo, como em annwn do Druidismo celta. Âmago da alma humana.
“Under the great bo-tree, at the depth of 100 yojanas, is the roof of Awichi, the flames from which burst forth beyond the walls, and rise to the height of 100 yojanas.”
a- não
-wichi refúgio
O lugar sem refúgio ou escapatória.
(*) “Homer makes the seat of hell as far beneath the deepest pit of earth as the heaven is above the earth.Virgil makes it twice as far. And Milton thrice.”
(*) “Periphlegethon flows into an extensive district burning with fierce fire; where it forms a lake larger than our own sea, boiling with water and mud. From hence it moves in circles round the earth, turbid and muddy.” Phedro
(*) “Volcanic scoriae and lava streams were portions of Periphlegethon itself, portions of the subterranean melted and evermoving mass.” Humbolt, Kosmos
The Periodical Destruction and Renovation of the Universe
YS: “The part where the sacred tree of Budha is to appear is the first spot of earth that is formed, as it is the last spot destroyed at the end of a kalpa.”
“A 100,000 years previous to the commencement of this destruction, one of the dewas from a Kamawachara dewa-loka, pitying the condition of the world, appears with disordered hair, eyes streaming with tears, and a form of woe.(*)
(*) This mission of the déwa bears some resemblance to that of Noah, the preacher of righteousness, during the respite of 120 years previous to the deluge. Gen. 6:3; 1 Pet. 3:20; 2 Pet. 2:5.”
“Aftter a long period, a 2nd sun appears suddenly in the sky, and by its rays the 11,575 rivers, and the smaller ponds, tanks and other places are dried up, and white sand is formed. § After another long period a 3rd sun appears, that burns up the 5 great rivers.”
“The sun still remains in the sky, but there is no living existence connected with it.”
Um quarto sol destrói até o naraka mais profundo.
OS OCEANOS SÃO MAIS FUNDOS QUE OS ÍNFEROS (Muito além de Cássia Eller): “In due time, a 5th sun appears. By means of this sun the waters of the great ocean are dried up to the depth of 100 yojanas, then of 200, and gradually on to 1,000. They are afterwards dried up to the depth of 10,000 yojanas, and the diminution of the water proceeds until it has extended to the depth of 80,000 yojanas; and thus there will be only 4,000 yojanas of water left.”
TUDO EM VÃO, POIS NÃO HÁ OBSERVADORES:“There is at last about the depth of one tala, then of 7 porisas (the height of a man when his hand is held up over his head, or 5 cubits); gradually it diminishes to the height of a man, to the loins, the knees, and the ancle, to as much as would fill the feet marks of cattle, just as the rain does on the surface of the earth in April or October; and finally, out of all the water of the lakes, seas, and oceans, not so much is left as would moisten the end of the finger. § After another long interval, a 6th sun is formed, when the earth and Meru send forth smoke; and there is thicker smoke, and still thicker, in succession.”
7th sun (of a 7th sum), o número cabalístico que não poderia faltar.
“Thus the earth and Meru are entirely destroyed, so as to be no more seen.”
Os sóis continuam a queimar. “whirling, roaring, bursting, blasting, thundering, until the work of destruction is perfect.”Um verdadeiro hino do black metal.
“dark void”“This destruction is called Tejo-sangwartta.”
Mas essa 1ª destruição é só aquela pelo fogo; há ainda os ciclos de destruição pela água. O que tornaria essa exposição o sonífero perfeito, caso entrássemos no mesmo nível de detalhes…
“This rain is so acrid that it dissolves entirely the earth and all things connected with it, after which the body of water thus produced mingles with the water of the Jala-polowa, upon which the earth had previously rested” “This destruction Is called Apo-sangwartta.”
Perdão, eu estava enganado sobre os tipos de destruição: não são 2 que se alternam somente. Há o “apocalipse do vento”…
“The dewas are born, through the exercise of the meditative rite called bhawana, in the brahma-lokas that survive the destruction. The beings in the narakas, through the power obtained from their karma, or moral action, are born in the naraka of some other sakwala; or in an akasa, or aerial abode, [era uma casa muito engraçada… não tinha chão…] formed by the same power. There are other beings that by the power of the rite called wayokasina are born in the brahma-lokas”
“Previous to the destruction by water, cruelty, or violence, prevails in the world; previous to that by fire, licentiousness; and previous to that by wind, ignorance.” Talvez estejamos na véspera do MMC das 3 destruições!
“That immutable power, Brahma, by waking and reposing alternately, revivifies and destroys in eternal succession, the whole assemblage of locomotive and immoveable creatures.”
Código de Manu
(*) “But by the Peripatetics and others a different doctrine was taught. They were of opinion that the world had never been created and could never be destroyed; as they could trace in the universe no seminal principles, they believed it to be ‘fatherless and eternal, destitute of origin, and beyond the influence of fate.’”
2. THE VARIOUS ORDERS OF SENTIENT EXISTENCE
“He who is now the most degraded of the demons, may one day rule the highest of the heavens; he who is at present seated upon the most honorable of the celestial thrones may one day writhe amidst the agonies of a place of torment; and the worm that we crush under our feet may, in the course of ages, become a supreme Budha.”
5 gati ou condições:
Dewa, divina
Manusya, humana
Preta, monstruosa
Tirisan, dos brutos
Niraya, infernal
O TOPO DA HIERARQUIA HOMENS-DEUSES: “I. The Pase-Budhas are sages of wondrous power, who never appear at the same time as a supreme Budha; yet in the kalpa in which there is no supreme Budha there is no Pase-Budha. They attain to their high state of privilege by their own unaided powers. Their knowledge is limited; but they never fall into any error that would involve the transgression of the precepts. In the 5 gradations of being enumerated by Nagasena, the Pase-Budhas are placed between the rahat and the supreme Budha. Their relative dignity may be learnt from the announcement, that when alms are given to them it produces greater merit by 100x than when given to the rahats. And that when given to the supreme Budhas it produces greater merit by 16x than when given to them. The supreme Budhas reveal the paths leading to nirwana to all beings; but the Pase-Budhas can only obtain nirwana for themselves.[Assim como um suicida consciencioso apenas se mata; o genocida-suicida, mata muitas pessoas consigo.]They cannot release any other being from the miseries of successive existence. They cannot preach the perfect bana, even as the dumb man, though he may have seen a remarkable dream, cannot explain it to others; or as the savage, who enters a city and is sumptuously fed by some respectable citizen who meets with him, is unable, on his return to the forest, to give his fellow-savages an idea of the taste of the food he has eaten, because they are not accustomed to food of the same kind. But although they cannot teach others, they may themselves attain to a perfect acquaintance with the 4 pratisambhidas, or modes of supernatural illumination.” “It is a rule of the priests in Ceylon who belong to the sect of the Amarapuras not to follow the observances of the Pase-Budhas, unless they have received the sanction of Gotama.
II. The 4th[? – perdi alguma coisa?] of the paths leading to nirvana is called arya, or aryahat. The ascetic who has entered this path is called a rahat. He is free from all cleaving to sensuous objects.” As três anteriores seriam: ser o Buda supremo, ser encaminhado pelo Buda supremo e ser o Pase-Buda?
“The mind of the rahat is incapable of error upon any subject connected with religious truth”
“There are 5 great powers that the rahat possesses: – 1. Irdhi, or the power of working miracles; he can rise into the air, overturn the earth, or arrest the course of the sun. (…)” Já li o bastante sobre esses poderes de X-Men!…
COMPARAÇÃO MÓRBIDA: “as the trunk of the tree remains unmoved in the storm, though the branches may be subject to violent oscilations.” (Para dizer que o rahat não sente tristeza; é um tronco oco!)
“This high state of privilege was sometimes received in an instant; as when the ascetic Nigrodha became a rahat whilst his hair was being cut off to prepare him for the reception of the priesthood.”
“In the earlier ages of Budhism, the rahatship was attained by females.” Desde então, só queda no nirvaniilismo, digo, machismo…
“At his death, the rahat invariably enters nirvana, or ceases to exist. [E não dá no mesmo?] As the cause of reproduction, karma, is destroyed, it is not possible for him to enter upon any other mode of existence”
“To make a false profession of the attainment of rahatship is one of the 4 crimes that involve permanent exclusion from the priesthood.” Punição justa aos Malafaias do Oriente…
“III. The moment that man loses the aid of induction, and enters the unseen world, his littleness becomes manifest” ???
“There is, therefore, no part of heathenism that is less interesting than its description of other worlds”Sou obrigado a concordar. E lembro os leitores, neste ponto, que demarca aproximadamente 1/3 de nosso percurso, que este grande explanador do budismo é na verdade um cristão! Admiro-o, não ironicamente, pela paciência de um supra-Jó! Publicar um livro em matéria tão insossa… que grande asceta involuntário!
“The Pase-Budhas and rahats are equally partakers of humanity; but we must now pass on to the consideration of the unearthly and the monstrous.” Autocrítica?!
“The devas resemble the saints of the Romanists, or the kindred dii minores of a more ancient faith, as they are beings who were once men but are now reaping the reward of their prowess or virtue. They reside in a place of happiness; but do not possess the higher attributes of divinity. They receive birth by the apparitional form,¹ are subject to various passions, and in size are more than colossal. Their number must be incalculable by the numeration of mortals”
¹ Essa é uma das maiores baboseiras da doutrina búdica. Veremos mais detalhes à frente!
“They endeavour to prevent the acquirement of merit by those whom they fear will supplant them in the possession of the various pleasures and dignities they respectively enjoy.” Deuses invejosos… Mas nem estamos falando de Cristianismo ou Judaísmo!!
“The grand principles of Budhism would be complete without the existence of any other orders of being beside those that inhabit our earth, and are perceptible to the senses; and it would agree better with the genius of the system pronounced by Gotama to suppose that, like other sceptics, he believed in neither angel nor demon, than to imagine that the accounts of the devas and other supernatural beings we meet with in works called Budhistical were known at its first promulgation.” Matou a charada. Tudo isso faz com que não devamos dar o menor crédito aos praticamentes do budismo que sustentam que sua crença é atéia. É tão atéia quanto um rosário é usado por devotos sem segundos interesses…
“All the accounts of his interviews with devas and brahmas, as well as those which represent these agencies as listening to his words and doing him homage must, it is unnecessary to say, have been the product of a more recent age.[E como essas interpolações são chatíssimas!] It is possible that he may have enunciated the mundane system now attributed to him, and have spoken of other worlds, which his disciples peopled with imaginary beings, in deference to vulgar prejudice or from pride of office, making them ancillary to the exaltation of the sage in whose glory they so largely participated. [Todo discípulo é assim: estraga o mestre.] There is the greater reason to believe that this class of legends has been grafted upon Budhism from a foreign source; as nearly the whole of them may be traced to opinions that are common to almost every school that arose among the Hindus in the period that succeeded the age of Gotama.[Pera lá, meu amigo! Acusar a religião da qual o budismo nasceu como seita herética de ter desvirtuado os ensinamentos de Buda… Quando os hindus tinham mais o que fazer durante todos estes séculos! Talvez o budismo seja apenas uma doutrina ruim e autodestrutiva!]We have a similar process in the hagiology of all the ancient churches of Christendom; and in the traditions of the Jews and Mussulmans, which came not from the founders of the systems, but from the perverted imaginations of their followers in after days.” Comparar os hindus com estes seguidores de Paulo de Tarso é um insulto gravíssimo, fique sabendo!
“In some instances the names of the devas and brahmas are the same as those we meet with among the records of Brahmanism; but we are not on that account to confound the religion of the Pitakas with that of the Puranas. Budhism knows nothing of an infinite nihility like Brahm; nor of Brahma, the creator, Vishnu, the preserver, or Siva, the destroyer.”Infinite nihility é meu ovo, de onde nascerá um universo cedo o bastante…“The honour that the Budhists who best understand their religion pay to the devas is extremely small. The priests believe themselves to be higher than the most exalted of these celestial agencies. [no hinduísmo passa-se o mesmo, tolinho – os devas são apenas uma metáfora sobre nosso próprio potencial ilimitado de alçarmo-nos ao divino…]There are dewalas (places of worship dedicated to the dewas) in nearly every village in the Singhalese provinces of Ceylon; but there are few instances, if any, in which a temple is dedicated to any dewa who is prominently mentioned in the sacred books of the Budhists; [Xenofobia contra os habitantes do Sri Lanka!] which is an additional proof that the whole system is an unauthorised adjunct, being either engrafted upon Budhism from the practices of the Brahmans, or brought down from the times preceding the introduction of the bana into Ceylon.”
“[sobre a criação de deuses que representam a criação de alguma arte,] the native of India would despise rather than reverence the being who is in any way connected with manual exercises, even in their most pleasing beneficial form. The devas are feared rather than loved; and if their aid is asked, it is in sullenness or with ill-concealed contempt. [há controvérsias]
In many of the accounts that are given us of the attempts of the devas to prevent the rishis [sábios hindus] and others from attaining the high rank that their merit would ensure if permitted to go on to its full development, we have a parallel to the envy with which the gods of the Greeks looked upon the advancement of man in those branches of knowledge that they regarded as being exclusively their own heritage. The story of Prometheus was of most terrible import to all who wished to pass beyond the bounds of common mortality; and the lesson it teaches is heard, with more or less distinctness, in almost every tradition of the mythic age.” Sua antropologia comparada deficitária esqueceu de citar o castigo a todos os descendentes de Adão e Eva por quererem provar do fruto da árvore do conhecimento! Mas o senhor é um reverendo, senhor Spence! Seria pedir muito do senhor tamanho nível de integridade!
“IV. The inhabitants of the brahma-lokas have attained to a more exalted state than the dewas. In the worlds in which they have sensuous enjoyment, they are brighter and larger than the dewas, have a larger retinue, more extensive riches, and live to a greater age.[E isso é bom, numa religião que exorta o desapego material e a abstinência?]The rupa (the aggregate of the elements that constitute the body) of the Brahmas differs from that of men, and is one peculiar to themselves. They are insensible to heat and cold, and are entirely free from sexual passion. They have attained their present state of exaltation by the exercise of the rite called dhyana;¹ and when the age allotted to them has passed away, they may be born as men, as animals, or in any other world. (…)”
¹ Nenhum rito é necessário ao verdadeiro bramana. Os ritos são o caminho exotérico às benesses do atingimento da verdade do Um (Brahma).
“the lord of the 3 worlds, Budha.”
“VI. The Garundas have the shape of immense birds, and are represented as being great enemies to the nagas. § “VII. The Nagas (…) have the shape of the spectacle-snake (…) but many actions are attributed to them that can only be done by one possessing the human form. They are demi-gods.” Nunca passou pela sua cabeça que o Gênese retirou seu conto desta mitologia oriental? Uma serpente que fala e que poderia até andar sobre duas patas – pense a respeito!
“If their name be derived from the root naga, a mountain, it may have reference to the place of their abode, under Meru.” “it is possible that the mythological nagas may have had their origin in the fears produced by the ravages of the ancient mountaineers. Another name by which they are known, nayas, bears a considerable resemblance to that of the naiades of the Greeks, who also resided in rivers, lakes and streams. As vigilant as a naya who guards a hidden treasure is a common expression, giving to these beings the same office that is borne by the genii of the Arabs. Even in England there is a current opinion that near abbeys and other old places there are treasures watched over by snakes.” Cobrassss sssão perssuasssivas, assim como o gênio da lâmpada das Mil e Uma Noites!
“VII. The Yakas are not to be classed with devils, though this is their popular designation. They are beings whose karma has placed them in the situation they now occupy in the scale of existence; but many of their acts might be attributed to the dewas, as many of the acts of the dewas might be attributed to them [???]”
“their enmity is to be overcome by exorcism, not by sacrifice.”
“They marry, and delight in dances, songs, and other amusements”
“in one birth, after he became a candidate of the Budhaship, Gotama was himself a yaka.” Não acredite em deuses que não saibam dançar!
“What is the reason, my lord, that many demons are opposed to Budha?”
“My lord, there are disciples of Budha who reside in solitary parts of forests, free from noise and tumult, in quiet and retirement, remote from men. In those retired places demons of great power reside, who are opposed to the doctrines of Budha.”Então, talvez, fosse melhor ficar nas cidades!
“if any priest or priestess, male or female disciple, fully and perfectly learn this defence, none of the amanusa (not-men), no male or female yaka, etc., will approach him with an evil design, whether walking, standing, sitting, or reclining.” Rev. D.J. Gogerly,Ceylon Friend. Significa que o asceta já se tornou uma bo-tree, ou seja, uma árvore.
“X. The Asurs reside under Meru. There were formerly contests carried on between them and the dewas of Tawutisa, but when Manamanawakaya became Sekra, they were finally defeated, and from that time have been kept in subjection.”
“The asurs have been compared to the Titans and Giants of the Greeks, as in stature they are immensely greater than any order of being; and as they are connected with eclipses and made war with the dewas, there appears to be some ground for the comparison; it being generally agreed that the giants were personifications of the elements, and that their wars with the gods refer to the throes of the world in its state of chaos.” Dizem que descendemos de gigantes. Isso significa que descendemos verdadeiramente do caos.
“XI. The Rakshasresemble the yakas; but they have not, like them, the power to assume any shape that they choose. When appearing to men, they must assume their own proper form. They live principally in the forest of Himala, and feed on the flesh of the dead, whether of beasts or of men.” Personificações do vício da gula.
“XIII. The inhabitants of the Narakas endure intense misery; and it was declared by Gotama that those who transgress the precepts will be born in these worlds. To tell the fearfulness of their affliction is difficult; it is like the joining together of all evil things; it is not possible rightly to declare it.” Alguma semelhança com o credo cristão?
“The other beings that are introduced as living in different regions and worlds are mere deformities; and are presented before us in all their repulsiveness, without any equivalent to the covering with which the Greeks, in their more cultivated ages, invested beings who in their original shape were equally monstrous.”
The Pase(*)-Budhas
(*) “The word pachcheko, derived from pati-ekan, by permutation of letters contracted into pachcheko and pachche (in Singhalese, pase) signifies severed from unity (with supreme Budhahood): and is a term applied to an inferior being or saint, who is never co-existent with a supreme Budha, as he is only manifested during the period intervening between the nibbana of one and the advent of the succeeding supreme Budha, and attain nibbana without rising to supreme Budhahood.”Turnour, Mahawanso.
“It is necessary that he be born of one of the 3 superior castes, as he can belong to no other”
The Dewas
“In 1 of our years the devas breathe 216 times, which is 18 times in one of our months, and once in 100 hours. In 100 of our years they eat once.”
The Legend of Lomasa Kasyapa
“I am Sekra; if you would become lord of the whole earth you must entreat the rishi Kasyapa, now living in the forest of Himala, to offer a sacrifice of all kinds of animals, from the elephant downwards.”
Primeira recusa
“After this Sekra again appeared to the king, and recommended him to send his daughter Chandrawati-dewi to make the same request.”
Segunda recusa – e onde eu mesmo perderia o “jogo”, pois oferecer uma linda princesa já é sacanagem (literalmente)!
“At the sight of the princess the rishi forgot the obligations by which he was bound, and was willing to accompany her to the city. On their arrival, the animals were all assembled in the place of sacrifice; but when he lifted up the knife to slay the elephant, the affrighted beast cried out, and all the rest joined in the lamentation. This brought the rishi to his senses; and throwing down the knife, he fled at once to the forest, where he accomplished the requisite amount of merit, and was afterwards born in a brahma-loka. This rishi was the Bodhisat who afterwards became Gotama Budha; [Mas Buda não era infalível? Precisou do grito de um elefante para ‘voltar a si’? Talvez que Buda seja igual o Lula: muito, muito sortudo, segundo os ‘economistas’] as he was under the influence of a temporary madness[paixão!] when he thus resolved upon taking life [away], it is not contrary to the declaration that in every birth he received as a human being he was kind to all sentient existence.” Digamos que Buda praticou o coito interrompido, religiosamente falando!
The Faithful Priest
“coming to a place where 4 ways met, [the crooked cross] he was in perplexity as to which was the right path, until the dewa of a neighbouring rock stretched forth a hand, and said In this direction. [Mas os devas não estão sempre dispostos a enganar os ascetas?]Having remained at the wihara[mosteiro] 4 months, he thought of departing on the following morning. But, in the night, as he was walking in the hall of ambulation, he saw a dewa near the steps at the entrance, weeping. (…) ‘Whilst you have remained here, the priests have been at peace with each other; but when you depart, they will again begin to quarrel; therefore I weep.’ The priest, listening, resolved not to leave, and abode there until he attained nirvana.” Zzzzzzzzzzzzzz… Tá difícil, Schopenhauer, tá muito difícil embarcar nesse trem e nesse barco furado!
(…)
Leitura dinâmica em trechos dignos de 1,001 Noites (ou seja: péssimos).
(*) “Brahma put forth in darkness beings emaciate with hunger, of hideous aspects, and with long beards. Those beings hastened to the deity. Such of them as exclaimed, Oh, preserve us! were thence called rakshawas (from raksha, to preserve): others, who cried out, Let us eat, were denominated from that expression yakshas (from yaksha, to eat).” Vishnu Purana
3. THE PRIMITIVE INHABITANTS OF THE EARTH; THEIR FALL FROM PURITY; AND THEIR DIVISION INTO 4 CASTES.
Mais ou menos uma genealogia do racismo, hahaha.
“NEARLY all the ancient nations of the world, of whom we have any record, carry back their origin to a period immensely remote; nor is this to be wondered at, when we consider that the traditions of the diluvian age must then have been fresh in the memories of men.”
“Nimrod, from whom was ‘the beginning of the kingdom of Babel’, was the great grandson of Noah; and the kingdom of Egypt is supposed to have had its origin from Mizraim, the son of Ham. The founders of these kingdoms, therefore, conversed with men who had seen the flood, and who had been witnesses of the most fearful mundane convulsion that had taken place since the formation of our species. Who, in the days of his childhood, when the mind yearns after information relative to the past, and the strangest fiction is received as sober truth, has ever listened to the tales that none are so ready to tell as the aged, whether grandsire or gammer, without the receiving of impressions which the experience of future years can never entirely obliterate?” “the wildest romance ever heard in our day, from lips all garrulous, must be poor and spiritless when compared with the wondrous revelations that the members of the Noachic family could impart”
“The traditions of the Budhists are in unison with this order of development [judaísmo].”
“the whole space was void, like the inside of a drum.”
“The monarchs of the brahma-lokas, coming to see whether the lotus was formed that indicated whether a supreme Budha will appear in the same kalpa or not, dispersed the darkness in an instant”
Os 5 Budas
“there was no necessity for a sun or a moon. (…) no change of seasons was known; there was no difference between night and day; and there was no diversity of sex. Throughout many ages did the brahmas thus live, in all happiness” etc., etc.
As 4 castas de Brahma eram todas perfeitas. O que não faz rigorosamente sentido algum! Mas está no Vishnu Purana!
A NATA da sociedade.
Somente depois fez-se a luz. Uma estranha gênese…
“The whole of the brahmas assembled together; and after expressing to each other their regret for the loss of the privileges they had once enjoyed, they determined upon forming a sun.”
SOL
surya > sura > might
wirya > energy
“The name of Sun-day was given to the day upon which this luminary was formed.”
LUA
chanda > channa > thought, determination
Do sol à lua. De Brahma aos chandala.
“To this day they gave the name of M[o]onday.”
“Upon the 5 subsequent days, they caused the 5 planets to appear in order, viz., Kuja, Budha, Guru, Sekra and Saeni”
O LEITE E O IOGURTE CRIARAM AS RAÇAS!“When the brahmas had been long accustomed to eat the terrene production, their skins became coarse; and the complexion of one was light, whilst that of another was dark. This produced pride and contention, by which the substance was deprived of its delicious flavour, and in time entirely disappeared. But in its stead there arose a kind of fungus, in taste like cream mingled with butter, by subsisting upon which the difference in their complexions was increased, in proportion as the brahmas partook of it with more or less avidity. [o melhor é ser do meio, pois!] In process of time the fungus also disappeared, and was followed by a climbing plant called badalata, after which rice of a superior kind was produced. It was pure as a pearl, and had no outward pellicle.”
O SIGNIFICADO DO ARROZ NO CASAMENTO: “By subsisting upon the rice, the apertures of the body were produced, and the generative powers were developed; which led to passion and sexual intercourse.”
“the banished [inferior] brahmas were led to build houses as places of concealment and privacy. They then became too indolent to fetch each meal as it was wanted, and accordingly at one journey brought away as much rice as sufficed for many days.” O arroz era um grão sagrado que crescia da semente à madurez em uma só noite. “By degrees an outer integument was formed upon the grain, then a coarse husk, and at last, when it had been cut down it was not renewed. This loss occasioned the necessity of setting limits to the places where it grew” “some of the brahmas became discontented with what they received as their share; and coveting the property of others, they began to make aggressions, and commit theft.”
O governante foi escolhido por sorteio para ser o protetor dos bons contra os ladrões, maus e corruptos. Sammata, o apontado, o eleito. khettani (terra cultivável), Khattiyo, kshatriya (o administrador da terra cultivável). Notar que o governante desse caso não é um rei ou primeiro-entre-os-brahmas, mas um azarado, subordinado! Vê-se que Brahma em verdade tinha criado apenas uma casta de homem; o texto é que se exprimiu de forma tola ao dizer que “as 4 castas eram iguais” (simplesmente eram uma).
Brahmana, aquele que suprime ou pune. Legislador.
HIERARQUIA QUADRIPARTITE
1. OCIOSOS
2. AGRÔNOMOS OU CULTIVADORES DE PLANTAS (PRIMEIROS POLÍTICOS OU SÍNDICOS!)
3. MANIPULADORES DE DINHEIRO
4. CAÇADORES, HOMICIDAS DE ANIMAIS, FUTURAMENTE OS SERVOS.
“There were others again who built habitations, and became skilful in the arts, by which wealth is acquired, on which account they were called wessa; and from them originated the waisyas, or caste of merchants.
Again, there were other brahmas who became addicted to hunting; whence they were called ludda or sudda, and from them came the sudras.
Thus arose the 4 great castes; but all the brahmas were originally of one race, and were all equally illustrious. From each of the 4 castes, certain individuals repaired to the wilderness, and became recluses, on which account they were called sumano, or sramanas, ascetics.” Como que à margem dos degraus da escada.
(*) “A.J. Pott supposes that Xerxes is a compound of the Zend ksathra, king (with the loss of the t) and ksahya, also meaning king, the original form of shah.”
“more than 150 millions of people are at the present moment subject to the power of the castes.”
“[in the Bible,] before the flood there were hereditary distinctions among mankind, founded upon the same causes whence caste is represented by the Budhists to have had its origin. There was first a disctinction moral and religious; ‘the sons of God’, on the one side; and ‘the daughters of men’, the children of an evil generation, on the other. There was, secondly, a professional distinction. It is said that Abel was ‘a keeper of sheep’, and that Cain was a ‘tiller of the ground’, so that in the 1st human family there was a division of labour; but we have no reason to conclude that this distinction was hereditary in the respective households of Adam and Eve”
A ORIGEM DO REBANHO DE OVELHAS PIAS: “after ‘Cain went out from the presence of the Lord’, his former occupation was continued, as God said unto him: ‘When thou tillest the ground, it shall not henceforth yield unto thee her strength.’ – Gen. 4:12.” Mas se a terra já não dava frutos, qual o sentido? O mais inteligente, até moralmente, na estória de Abel e Caim, seria que o assassino fratricida fosse condenado a desempenhar o ofício do irmão no lugar dele! “Cain (…) abandoned the labour of tillage and ‘builded a city’” Ah bom. MAS FODEU PARA O HOMEM!
JABAL & JUBAL: “It is said of Jabal, who was of the race of Cain, that he was ‘the father of such as dwell in tents, and such as have cattle’, which would seem to intimate that there was a return, on the part of certain families, to the occupations that were abandoned by the rest of their race. Another individual of the same race, Jubal, is said to be ‘the father of all such as handle the harp and organ’.”
Os “abelardos” não trabalham, só os cainianos! Só rezavam, bancavam os ascetas e, eventualmente, quando o pau endurecia, praticavam a pedofilia!
Gênese 4 é o livro das profissões como um todo.
“The most ancient documents that speak decisively of caste are to be found among the Hindus.” O Sudra vem do pé de Brahma, mas o brâmane vem da boca.
“Jatimala, or Garland of Classes”
brahma veda, divine sciences
Castas egípcias:
Colchians
Iberians
Medes
Persians
Etrureans
Mais parecem nacionalidades atuais!
Castas mexicanas e peruanas também são citadas.
“Wherever tribes are mentioned, in ancient history, before an irresistible change of circumstances led to democratical institutions, there, so far as anything can be discovered of their nature, a difference either of caste or of national descent, is clearly apparent.”
Niebuhr
Müller, Dorians– sobre as castas dos ancestrais dos gregos
“The denomination of the 4 Attic or Ionian tribes are supposed to have referred originally to the occupation of those who bore them.” Cf. Grote, História da Grécia (op. cit.)
“The descendants of a foreigner remained foreigners to the end of time (…) community of place could no more convert aliens into citizens than it could convert domestic animals into men. (…) but distinctions from race were not of that odious and fantastic character which they have borne in modern times; they implied real differences, often of the most important kind, religious and moral.” Arnold, Thucydides. Ainda não existia algo chamado formação, educação, pedagogia – que lástima!
“The number of the Egyptian castes is variously estimated, but in every enumeration the priests are named first, and next to them the military.” Parece que mudanças de casta no Egito eram permitidas e até menos do que raras.
O BOTO & O DRAGÃO:“among the Hindus, a change of caste is as impossible as for the quadruped to become a fish, or the crawling serpent to take unto itself wings and soar towards the sun as an eagle.”
“That the Egy. had the power to change their caste is further confirmed by the statement of Herodotus, that the other castes despised the swineherds so much as never to intermarry with them” Ok, tão possível quanto um aristocrata inglês casar com uma mendiga, digamos.
“The 3 classes of society that existed among the Saxons were so strongly divided by the laws of caste that no marriage could take place between persons in the different ranks. The severest penalties prohibited intrusion into another rank.
The establishment of caste could not be the work of a moment. For a length of time after the principle began to be manifested, its power would be comparatively trifling and its restrictions few. It would be regarded rather as tending to mutual disadvantage in the social economy, than as necessary or essential. But in India there must have been peculiar circumstances that favoured its development; and when the wearing of the chain had become familiar, the Brahmans rivetted its links most firmly by declaring that its origin was divine, its existence coeval with man, and its character immutable. In other countries there arose institutions that acted as an antagonist to this principle; so that its influence was never paramount, and in time it ceased to exist.
The Brahmans and the Budhists agree as to their estimate of the number of the castes.(*)
(*) In Persia there was a similar division of the human race. <The whole system of Zoraster reposed on a 4-fold division of castes: that of the priests, the warriors, the agriculturists, and the artificers of whatever denomination.> — Zend-avesta, 1:141.”
FORÇAÇÃO DE BARRA: “In this light Noah, who in the earlier ages must have been regarded by all mankind with profound reverence, would be represented as adumbrating the Kshatriyas, or the race of the kings; Shem, [Caim?] whose ‘God was blessed’, would be made to represent the Brahmans, or the race of the priests; Japhet, ‘dwelling in the tents of Shem’, would be made to represent the Vaisyas, or the race of the merchants, wandering from place to place,[o judeu atemporal]as was their primitive custom, and taking up their abode in other lands for the purpose of traffic; and Ham, the father of Canaan, ‘cursed’, and ‘the servant of servants unto his brethren’, would be prominently exhibited as the exemplar of the Sudras, the servile race.
When we name the Brahmans as the sacerdotal tribe, we must not regard them as directing their attention to religious duties alone. In the first ages we have no instance of such a restriction. The first priest of whom we read, Melchisedec, was a king regnant. [Mas isso não era no extremo Oriente!] Of the 2nd, Potipherah, we know only his name, title and place of residence; and though he is called a priest, the Chaldee translator renders the word by prince in their idiom. On his appointment as 1st-minister of the king, Joseph was probably admitted into the sacerdotal tribe. Among the Jews, previous to the time of David, the high-priests were generally considered as the rulers of the people, under God as the supreme monarch of Israel; and the Levites appear to have exercised an inferior authority in the provincial towns. There are also instances in after times wherein the king’s ministers, those who were ‘at his hand’, are called priests. 2 Sam. 8:18; 20:23; 1 Reis 4:2; 1 Crôn. 18:17. The priestly office was hereditary after the time of Aaron.”
“The high priests of Hephaestos professed to have registers that proved their dignity to have been transmitted through 341 generations, and they had colossal statues of this number of individuals. (Herod. 2, 82)”
(*) “The priests of Egypt resembled, in many aspects, the character given of the ancient Brahmans, inasmuch as they were judges, physicians, and astrologers.”
“They were thus the professors of the various branches of science said to have been revealed by the chief Brahma, from whom all the sciences are supposed to be derived, such as astrology, magic, astronomy, etc.”
“In the Dasa-brahma-jataka, Gotama is represented as relating the history of a certain noble, Widhura, who in a former age informed Korawya, king of the city of Indupat, in Kuru, that there were 10 kinds of Brahmans.”
1. o médicos ambulantes ou peripatéticos (incluía a função de exorcista);
2. músicos de côrte;
3. “carroceiros”, indivíduos que “pediam esmola” aos reis andando de carruagem – geralmente os reis eram forçados a conceder essa esmola para mantê-los vivos e ociosos;
4. pedintes mais tradicionais, a pé, que batiam de porta em porta e se conservavam tão privados da higiene que viraram verdadeiras árvores, símbolo de que buscavam a purificação espiritual;
5. comerciantes de frutos e mel;
6. agricultores, boieiros, treinadores de aves e proprietários de escravos, todos da mesma categoria – esses davam imensos dotes para suas filhas no himeneu; outrossim, recebiam imensos dotes ao casar um varão;
7. contadores de nekatas, [?] sacrificadores de animais e espécies de açougueiros (vendedores de carne); [No Código de Manu essa função é claramente da terceira casta]
8. oleiros ou vasilheiros, mas diferente dos artesãos também peregrinam para vender sua mercadoria – essa classe também trabalha como guia para pessoas atravessando regiões selvagens;
9. ermitões, vivem da carne de caça de coelhos, iguanas, veados, alguns animais de rio e anfíbios, tartarugas, etc.;
10. os ascéticos propriamente ditos ou ascéticos profissionais (aspirantes a Budas), que iriam às côrtes fazer rituais de bênção aos reis, muito bem-pagos.”
Ressalva:“These are the words of an adversary, or they would lead us to conclude that the ancient Brahmans were something like the Gypsies of Spain and other countries in our own days.”
“although there must have been commerce, in the shape of barter, [escambo] during the earliest ages, a considerable period would elapse before the merchant had gained sufficient wealth to cause his occupation to be looked upon as respectable [or calamitous!].”
“It is under the character of a wanderer that the ancient merchant is generally represented; he has not only to superintend the sale of his wares, but to accompany them in their transit. Thus is Hebrew the name of the merchant is derived from a root that signifies <to go about, to wander>; in Greek, from transitus; and our own word merchant has a similar signification in the Gothic mergan, to spread.”
“By the Singhalese the 3rd caste is generally regarded as being exclusively mercantile, whilst the cultivators form the 1st class of the Sudras. It is said in one of their legends that the 1st merchant was called Wessama, who, having discovered the properties of certain medical productions, afterwards disposed of them for gain.” O Hipócrates lazarento!
“It is the more usual course for the cultivators of the soil to be regarded as forming the noblest class of the people, next to those who hold rank as hereditary princes; they are the eupatrids; they form the timocracy; and it is from them the rulers of the State are chosen; as delegates of the king, when the government is monarchical, or as temporary chiefs, when it is an aristocracy. The circumstances of those who reside in the country, whether as proprietors or as labourers, is favourable to the maintenance of respectability of character, as they are exposed to fewer temptations than the merchant, who was necessarily to live in the midst of the luxuries that produce vice. The higher classes among the Greeks were averse to any profession except arms, agriculture, and musical exercises; and the Spartans carried their disdain of all manual occupations so far as to leave even agriculture to the Helots. [ou seja: a segurança alimentar dos espartanos ficava nas mãos dos escravos] The Thracian chiefs also held it disgraceful to cultivate the earth; war and robbery were with them the only paths to honour. On the other hand, the earlier Romans were eminently an agricultural people. (…) But to the Persians, buying and selling appeared to be a mean practice, as they thought it impossible to carry it on without falsehood and cheating; and when Cyrus heard that the Lacedaemonians had a regular market at Sparta, he expressed great contempt for the nation. – Herod. 1:153. When the Lydians revolted against Cyrus, he was advised by Croesus to enforce upon them the wearing of effeminate clothing, the practice of music, and shop-keeping, as by this means they would become women instead of men. [velha anedota conhecida – real ou não, já se tornou algo tão sabido na História Antiga que nem se julga mais necessário citar]Kleon, the tanner, and Hyperbolus, the lamp-maker, are greatly derided by Aristophanes for presuming to engage in politics. [o comediante aristocrata]”
“The philosophers themselves were not exempt from these prejudices; they supposed that as mechanical arts rendered the body languid, whereby the mind loses its energy, the man who exercises them is unable to fulfil the duties required of him in a free state.”
“The ancients, with one mind, esteemed agriculture to be the proper business of the freeman, as well as the school of the soldier. Cato says, the countryman has the fewest evil thoughts. (…) In him the whole stock of the nation is preserved; it changes in cities where foreign merchants and tradesmen are wont to settle, even as those who are natives remove withersoever they are lured by gain. In every country where slavery prevails the freedman seeks his maintenance by occupations of this kind, in which he not unfrequently grows wealthy (…) hence the opinion, that the admitting the artisans to full civic rights is hazardous, and would transform the character of a nation.”
Niebuhr
“It therefore appears to be contrary to the analogy presented in other nations, when we see the tribe of merchants in India holding so high a rank” Terceiro em 4 classes não me parece uma posição elevada!
“The earliest cause of dissention among the primitive brahmas is said to have arisen from the difference in the colour of their skin. When 2 descendants of an illustrious Brahman became converts to Budhism, Gotama enquired if their change of profession had excited the displeasure of the other Brahmans; and in reply they said it was alleged by their kinsmen, that the Brahmans are ‘the sons of Brahma, sprung from his mouth, pure and fair, while the other castes and sects are sprung from his feet, black and impure’. This statement is in favour of the supposition that the Br. at first confined themselves to some region not far from the place whence the 1st dispersion of mankind commenced, by which the fairness of their complexion was preserved; whilst the other tribes of the Hindus went on towards the south, spreading themselves throughout the entire extent of the peninsula, and penetrating even to Ceylon; by which their complexions would be gradually rendered darker, from their residence under a vertical sun.”Assunção extremamente simplista. “Fairer race” implicaria por um acaso cor da pele, porra?! “hence the proverb Never trust a black Brahman, nor a white Pariah.” [!!!]
“The Budhist legends agree with revelation in teaching that all men were originally of one race; but with this truth they have mixed up the error that the aborigines of mankind were many. There is also an agreement with the Scriptures, in the statement that men were originally pure, and that they fell from eating a product of the earth.”
“There appears to be an intimate connexion between the institutions of caste and the doctrine of the transmigration of souls. Almost in every place where the former has existed we can trace the presence of the latter. Indeed, the custom of caste is so contrary to right reason that its establishment seems to be impossible w/o calling in the aid of some supernatural power to assist in its confirmation.[Engenhosa ligação, mas um ocidental pouco versado em Platão nada sabe das conseqüências sociais deste pensamento tão elevado!]In this respect[ao menos!] there is consistency in the teachings of Gotama; as he rejects caste, and his doctrine on the origin of the intellectual powers, and their extinction at death, is not transmigration. There is caste among the Budhists of Ceylon, but this is contrary to the tenets of the founder of their religion; and their notions on the subject of that which constitutes the ego, the individual man, have been modified in a similar manner; the custom on the one part, and the popular notion on the other, being homogeneous derivations from primitive Budhism.” Seria o budismo a doutrina exotérica do credo esotérico das castas brâmanes?
JUSTIFICATIVA INANE DA EXPLORAÇÃO: “That which gives to caste its real importance, and by which it is exhibited in its most repulsive aspect, is, however, held as firmly by the Budhists as the Brahmans; inasmuch as they teach that the present position of all men is the result of the merit or demerit of former births; a doctrine which, if true, would make the scorn with which the outcast is regarded a natural feeling, as he would be in reality a condemned criminal, undergoing the sentence that has been pronounced against him by a tribunal that cannot err in its decrees. By the Brahman, the Sudra is represented as an object of contempt, because he at first proceeded from the feet of Brahma; but for this statement to have any power, it must be proved [???] that the Sudra was in every previous birth from the beginning of the kalpa, a Sudra; and if the Brahman be honourable on account of having proceeded from the mouth of Br., it must be proved that he has never been any other than a Brahman in all previous generations. Yet it is said by Manu (2:168): ‘A twice-born man, who not having studied the Veda, applies diligent attention to a different and worldly study, soon falls, even when living, to the condition of a Sudra and his descendants after him.’” Ou mesmo para a de um proscrito (abaixo dos Sudras).
COMPLACÊNCIA & RESIGNAÇÃO: “In the Sambhuta Jataka[livros budistas] there is an account of 2 low-caste youths who attempted to acquire learning; but for this they were attacked by people of the higher castes, and left for dead. They then went to a distant city, assumed a different dress, that their design might not be frustrated, and passed for Brahmans. [tricksters!] One of them completed his education, but whilst the other was yet at school, a stranger, who was detained all night at the same place on account of a storm, had some hot food placed before him; when, as he seized it too eagerly, his mouth was burnt, and he cried out from pain. The scholar called out to him to put it away quickly, but in so doing he used a low-caste word from forgetfulness, by which his caste was discovered. In the same Jataka, the Sadol, or Chandala, is represented as one who is born in the open air, his parents not being possessed of the smallest hut, where, as he lies among the pots when his mother goes to cut firewood, he is suckled by the bitch along with her own pups. But it was uniformly declared by Gotama that there is no essential difference between the 4 tribes.”
“There are more than 100 classes of the Brahmanical caste, each of which has a different name. There appears to be a greater leaning towards caste in Ceylon than in any other Budhistical country, which in part may have arisen from the circumstance that their recent monarchs were of Malabar extraction.”
“In Nepal, where Budhism is yet [?]professed, the original inhabitants were all of one caste, or had no caste; but their descendants, in the course of time, became divided into many castes, according to the trades or professions that they followed; but even now we are told that in Nepal caste is merely a popular usage, w/o the sanction of religion, and altogether a very different thing from caste, properly so called. In Tibet and Burma, both of which are Budhistical countries, caste is unknown. In China there are clans, resembling those of the Scottish Highlanders; but this institution differs from caste, and has many features that are peculiar to this singular race.”
“[Castes] defy all government; it robs the state of the best energies of many of its most able subjects; it scowls at all innovation; there can be no change, no improvement, wherever it ensconces in its strength” Hoje existe uma casta mundial chamada bilionários.
“At an early period after the establishment of Christianity in India by Europeans, it was deemed necessary to institute rules for the guidance of native converts in relation to caste. At the synod of Diamper, in 1599, it was declared that ‘it would rejoice the synod to see the superstitious and absurd customs of the heathen Malabars of the better sort not mixing with the lower, and having no correspondence or communication with those that have but touched any of them, totally abolished among the Christians of this bishopric’; but as many of the Christians resided under heathen princes, it was considered that in these circumstances the customs might be observed lawfully, and w/o scruple. Where these impediments did not exist, as ‘there is no distinction of persons with God, who is Lord of all’, ‘the synod doth command that all that shall be guilty of forbearing to touch such, or having touched them shall wash themselves, to be severely punished as superstitious followers of the heathen customs, and commands the preachers and confessors to admonish them thereof in their sermons and confessions’.” Hm, e aí, e depois, o que aconteceu? Por um acaso algum brâmane em sã consciência se converteria ao cristianismo?James Hough, History of Christianity in India.
Aqui acaba virtualmente qualquer interesse cultural deste livro!
4. THE BUDHAS WHO PRECEDED GOTAMA
“The Budhas appear after intervals regularly recurring, in a series that knows neither beginning nor end.” “The whole of the 24 Budhas who preceded Gotama were Kshatriyas, with the exception of the 3 last, Brahmans.”
A VERDADE DO BILHETE: “According to Major Forbes, Kakusanda became a Budha B.C. 3101; Konagamana, B.C. 2099; and Kasyapa, B.C. 1014.” “the Maha Bhadra kalpa of the Budhists [would be] the same as the Kali yug of the Brahmans; but neither of these ideas can be made to agree with the system as it is received in Ceylon.”
“The beings who will in due course become Budhas are called Bodhisat.”
I. The era of resolution;
II. The era of expression;
III. The era of nomination.
“We have little information of the innumerable Budhas who have appeared in past ages, until we come to the 24 who immediately preceded Gotama; and even their history consists of little more than names and correlative incidents.”
The era of Resolution
“The kalpa in which we now live is called Maha Bhadra.”
“By virtue of this act may I hereafter become a Budha; and as this is sidharttha oil [of white mustard-seed], may my name in that birth be Sidharttha.”
The era of Expression
“During the whole of these ages, in which 387,000 Budhas appeared, Gotama Bodhisat expressed his wish to become a Budha. This was the period called wakpranidhana.” Ridículo.
The era of Nomination; including the History of the Budhas who preceded Gotama
Depreende-se da história dos Budas pretéritos que é muito mais fácil se tornar um nascendo filho de rei! Se você, plebeu, ou chandala, ficar triste com as notícias, console-se: em breve reencarnará como a pessoa certa!
“he reigned 10,000 years before he became an ascetic … he exercised asceticism, previous to the reception of the Budhaship … he lived 100,000 years” Dez vezes mais que a “humanidade”.
“This long period of remediless ignorance was succeeded by the Maha-bhadra kalpa [período da grande excelência, mostrando que, quando quer, cada fé pode ser tão etnocêntrica quanto a da Europa branca], in which 5 Budhas are to appear; Kakusenda, Konagamana, Kasyapa, Gotama and Maitri. The first 4 have already appeared; and Maitri will be the next Budha who will arive to bless the world.”
NENHUM INTERESSE PARA O ASPIRANTE À INSERÇÃO NA FÉ (QUE ALIÁS É DESINTERESSANTE EM SI!): “Kakusanda remained a laic for the space of 4,000 years, and had an establishment of 30,000 females, but Rochani was his principal queen. At the birth of his son Uttara he left the palace in a chariot drawn by 6 horses, and after performing the necessary rites of asceticism for the space of 8 months, he received the rice-cakes from Wajirendraya, and the kusagrass from Gunasubhadra; and at the root of the tree called sirisa, or mara, he attained the power of a supreme Budha.”
5. GÓTAMA BÓDHISAT: HIS VIRTUES AND STATES OF BEING
Numa quantidade infinita de tempo, toda invidualidade humana passível de existência seria não só todas as demais individualidades humanas como também todas as demais existências animais, vegetais, se é que não outras mais! Por conseguinte, venerar Buda é puro egoísmo. Veneração de nosso ego transcendental.
“It is thought that myriads of ages previous to his reception of the Budhaship, he might have become a rahat, and therefore ceased to exist; but that of his own free will, he forewent the privilege, and threw himself into the stream of successive existence, for the benefit of the 3 worlds.”Eu não acredito que em minha reencarnação como Arthur Schopenhauer fui capaz de me prescrever a mim mesmo no século XXI este livro! E ademais Buda é contraditório: tendo alcançado a aniquilação total, ele volta para perpassar todos os sofrimentos para atingir… o nirvana. Absurdo em estado bruto.
“the Singhalese Pansiya-anas-jataka-pota, or the Book of the 550 Births, was compiled.”
“The work known by this title is a Pali commentary on one of the 15 books belonging to the 5th section of the Sutra Pitaka, or Discourses of Budha, and forms no part therefore of the sacred code; but according to a decision that the comments are of equal authority with the text, it is regarded as of indisputable authority. There is a Singhalese translation of the greater part of it, which is exceedingly popular, not on account of the peculiar doctrines of Budhism contained in it, for these are but incidentally referred to, but from its being a collection of amusing stories which they believe to be unquestionably true. [Mais um livro ruim de estorietas amadas pelo vulgo, como Arabian Nights!]The copy of the Pali comment now before me is written on olas 29 inches long, having 9 lines on a page, and occupies 1,000 leaves or 2,000 pages. The text itself is very scarce; my copy was made from one in the possession of the late chief priest of the Matura district, Bowilla; it contains 340 pages of 9 lines each, written on olas 23 inches long. It is named Jataka Gatha or Birth Stanzas, although a large proportion of them has no reference to any birth, being general maxims or miscellaneous observations.” Rev. D.J. Gogerly, 1838, descrevendo informações absolutamente inúteis.
98% DE NOSSA LITERATURA É MENTIROSA (E CONSIDERO AQUI A PROSA FICCIONAL E OS VERSOS POÉTICOS COMO VERDADES); AS RELIGIÕES, TANTO QUANTO AS GERAÇÕES DE HOMENS, SE SUCEDEM NO TEMPO E NO ESPAÇO ENCHARCANDO O MUNDO COM NOVAS, SEMPRE NOVAS, MENTIRAS ORGULHOSAS:“Not a few of the fables that pass under the name ofAesopare here to be found; and the schoolboy is little aware, as he reads of the wit of the fox or the cunning of the monkey, that these animals become, in the course of ages, the teacher of the 3 worlds, Budha.”
“Each Jataka begins with the formula yata-giya-dawasa” – era uma vez
CADA UM PUXA A SARDINHA PARA O QUE LHE CONVÉM, E NINGUÉM TEM A PALAVRA FINAL: “The Hindu collection of fables, called the Hitopadesa, is well known. The Jataka-pota bears a considerable resemblance to those parts of the Talmud that are described as consisting of ‘aphorisms and moral sentiments, illustrated by similes and parables, and also by narratives, sometimes real and sometimes fictitious’.” Que código moral apresentaria narrativas ou aforismos tão diferentes um do outro? Nem mesmo seitas da senda da mão esquerda! “Etimologia (origem da palavra senda). Do latim semita, -ae.” (dicio.com.br/senda)
MIL E UM RONCOS EM RELATOS ENFADONHOS: “One tale, after the usual manner of eastern compositions, presents the opportunity for the introduction of several other stories that are only slightly dependent upon the principal narrative. The Singhalese will listen the night through to recitations from this work, w/o any apparent weariness; and a great number of the Jatakas are familiar even to the women.”Esses “bichos”, de acordo com sociedades patriarcais!
O Jataka esta dividido em 9 livros modernos: “The Sujata Jataka [o 1º de todos] is here translated in full, with its introduction; but in the other Jatakas the introduction is omitted, and the narrative much abridged. The 1st Jataka recorded in the original text is the Apanaka[que é com efeito o 2º]; and the last, the Wessantara [9º].”
The virtues and Privileges of the Bodhisat
FAIXA BRANCA, FAIXA CINZA E FAIXA PRETA DO JUDÔ DA VIRTUDE: “There are 10 primary virtues, called paramitas (…) each (…) divided into 3 degrees, ordinary, upa (superior) and paramartha (pre-eminent), (…) [resulting in] 30 paramitas”
JESUITISMO OU ASSISISMO: “3. In the Chulla Suttasoma, and other similar births, he abandoned vast treasures of gold and silver, and numberless slaves, cattle, buffaloes, and other sources of wealth, and thus fulfilled the naiskrama-paramita, which requires retirement from the world.”
“…the giving of that which involves the loss of life, as the head upon which the royal crown has been placed, or the body, to feed lions, tigers, yakas, and rakshas, is the pre-eminent dana.” !?!?!?
“Because of his merit, he might always be born in a dewa or brahma-loka, but as in these places he cannot further the purposes of his great intention he prefers being born in the world of men. Other beings must remain the appointed time in these worlds, there being no dangers or accidents by which their departure can be hastened; but as the Bodhisat cannot there perform the paramitas, he has the power to depart at his pleasure. For this purpose he lies down upon a couch, and resolves upon being born in this world (…) This kind of death [after his resolve] is called adhimukti”
Teria Togashi se inspirado no credo budista para divisar seu sistema nen?“There are some who excel in purity, and in them wisdom is less evident; others who excel in wisdom, and in them purity is less evident; and others excel in determined courage, and in them purity and wisdom are less apparent.” “After the assurance of the Budhaship has been received, were the Bodhisat to give the most valuable alms everyday during many ages to hasten its reception, no effect of this kind would be produced.” “When there is rice that is accustomed to ripen in 3, 4 or 5 months, no labour of the husbandman can accelerate the period of the harvest, however often he may water it, or whatever pains he may take” Péssima analogia.
* * *
Os 8 tresloucados pré-requisitos do atingimento do status de Buda:
1. ser um humano, e não dewa (o budismo é também uma doutrina ‘blasfema’, falando de todas as outras religiões conhecidas, em que o homem pode mais que deus).
2. ser homem, não mulher (esse era assaz previsível…).
3. estar destinado ao rahat (lembrando que o rahat é já o asceta que atingiu a perfeição em seu modo de vida meritório).
4. deve fazer em algum momento um ritual dedicado ao Buda Supremo, ritual este que por sua vez exige a fé firme e sincera e não apenas o cumprimento da liturgia. (Outra SUPREMA contradição do credo: o Buda Supremo conhecido é só um, Gotama, mas é intuitivo, dados os elementos da doutrina já explanados, que existe potencial para INFINITOS BUDAS SUPREMOS ao longo de uma infinidade de anos e eras e mesmo de mundos de reencarnação. Não contraditório per se, mas paradoxal no sentido de que, ad infinitum, até mesmo o Buda Supremo torna-se algo banal como os Budas menores, que também se tornam banais como qualquer outra existência. A longo prazo, “tudo é indiferente”, mas assim mesmo algumas almas predestinadas sempre se tornam SUPERBUDAS.)
5. deve viver como um asceta (o número 3 indica a apetência a ser asceta; o número 5, a conversão ascética propriamente dita).
6. praticar as virtudes incansavelmente, recebendo de alguém de hierarquia superior no sistema budista a confirmação de que está destinado a ser Buda.
7. deve ter fé na ausência de defeitos de virtude na pessoa deste Buda que o orienta (nº 6), [apesar de ser de hierarquia superior!] e sobretudo fé em que tem a mesma capacidade de atingir a impecabilidade meritória. Em síntese, nesta etapa o candidato a Buda confirma a si mesmo.
8. o exercício diuturno da determinação de ser Buda, ainda que lhe fosse dito que sofreria o tormento do inferno por inúmeras existências para obter este grau.
“There are some persons who, on hearing of the afflictions of the Bodhisat, might suppose that his sufferings are excessive; but in reality his enjoyment preponderates.” O Buda mais-nietzschiano-que-schopenhaueriano? “Were a kalpa to be divided into 8 parts, to other beings there is enjoyment in 7 parts; and in one part suffering; [quanto otimismo!] but to the Bodhisat there is enjoyment throughout the whole of the 8 parts.”
“He is never born as any kind of vermin; he is never a louse, bug, ant or worm; all other beings receive these births, but the Bodhisat is never born less than a snipe;¹ nor is he born as a serpent or as any other animal of a similar species.” E qual a relevância disso para a moral búdica?
¹ “Any of various long-billed shorebirds of the family Scolopacidae, especially the widely distributed species Gallinago gallinago.”
“He is never born blind, dumb, deaf, a cripple or leprous. He is never born as a female. He is never born as one of a doubtful sex.” etc., etc., etc.
INTERESSANTE ALEGORIA ARQUETÍPICA: “The unwise merchant listened to the words of the yaka, [lembrando, demônio disfarçado de gente] and breaking the water vessels so that not a particle of water was left, he drove on. But they did not meet with anything like the appearance of water; the men became exhausted from thirst; and when evening came, they untied the wagons and placed them in a circle, fastening the oxen to the wheels; there was no water for the oxen to drink of for the men to prepare their rice; exhausted, they threw themselves down here and there, and fell asleep. When the night was about half over, the demons came from their city, slew the oxen and men, and devoured them, leaving at their departure nothing but their bones. Thus, through the folly of the merchant, all these beings came to destruction; their bones were scattered abroad; and the 500 wagons were left in the path, full of goods.
About a month and a half after the departure of the unwise merchant, Bodhisat [em uma de suas reencarnações] commenced his journey, after l[e]ading his 500 wagons with goods, and by degrees came to the beginning of the desert. Here he filled his large jars with water, and when the people were encamped, he called them together by beat of drum, and said, ‘No one is allowed to touch even a drop of water without permission from me; there are poisonous trees in this desert; therefore let no one eat any leaf, fruit or flower that he has not been accustomed to before, without my consent.’ After giving this advice, he entered the desert, along with his wagons. When he had arrived at about the middle, the yaka, in the same manner as in the former instance, appeared in the path; but Bodhisat knew him, and reflected, ‘There is no water in this desert; it is on this account that it has received its name of waterless; this person has fearless, red eyes; his shadow does not appear; without doubt, the unwise merchant who preceded me has thrown away his water, so that the men have become exhausted, and then been devoured; this demon knows not my superior wisdom, nor my readiness in expedients.’”
‘My lord, these people say that the verge of a green forest appears in the distance; from thence the rains are constant; they are adorned with lotus flowers, and carry red and white water flowers in their hands; they are eating the roots of water plants; and their garments are dripping with wet; it will be better, therefore, to throw away our water, that we may lighten our wagons, and proceed more quickly.’
‘Did you ever hear from anyone that there is either lake or pond in this desert?’
‘We never heard of any such thing; is it not called the Waterless Desert?’[ótimo nome!]
‘The men we saw told us that the verge of a green forest, where the rains are constant, appears in the distance. Now to what distance does the rainy wind extend?’
‘It blows about a yojana.’
‘Well, has anyone of you all felt this wind?’
‘No, sir.’
‘How far may the rain-cloud be seen?’
‘About a yojana.’
‘Has anyone of you all seen it?’
‘No, sir.’
‘To what distance does the lightning appear?’
‘About a yojana.’
‘Has any one of you all seen its flash?’
‘No, sir.’
‘How far can the sound of the thunder be heard?’
‘We have not heard it, sir.’
‘Good people, these are not men; they are demons; they wish us to throw away our water, that when we are exhausted they may devour us; the unwise merchant who preceded us, will have thrown away his water and been destroyed; the 500 wagons will be left in the road, full of goods, and we shall find them; do not throw away a single drop of water, but drive on with all haste.’Além de escapar à tentação do deserto, enriqueceu! Benjamin Franklin ficaria encantado!
“On their arrival at the place of merchandise, Bodhisat sold his goods at a high price, and the whole company returned in safety to their own city.”
‘The followers of the reasoner came to a great destruction; whilst the followers of the non-reasoner (who has an intuitive perception of the truth) were preserved from the demon, went in safety to the place at which they wished to arrive and then with great satisfaction returned in safety”
“One day, when at the house of a carpenter, whose head was bald, like a copper porringer, a mosquito alighted thereon; and the carpenter called to his son, who was near, to drive it away. The son, taking a sharp axe for this purpose, aimed a blow at the insect, but split his father’s head in two, and killed him. On seeing what was done, Bodhisat said that an enemy was better than a foolish relative or friend.”
O LEÃO E O CHACAL: Uma história de amizade no reino animal.
“Wessantara … This son was the Bodhisat who in the next birth but one became Gotama Budha. From the moment he was born … he could speak”
“The prince enquired why she had come at an improper hour, when she said that she had been troubled by a dream, in which a black man came and cut off her 2 arms and plucked out her heart. Wessantara rejoiced to hear her dream, as he saw that the time for fulfilling the paramitas had come”
“After the brahman had partaken of some fruits that were set before him, Wessantara enquired why he had come; and he replied that he had come to ask the gift of his 2 children. On hearing this request, the prince told him that he was the best friend he had yet met with, as others had asked only the elephant or the chariot; but that their mother was thus absent, and as it would be right for her to see them before their departure, he would have to remain until the next day. The brahman said that he could not stay so long; and that if he did not receive the children now he must go away without them. Wessantara then informed him that if he took them to his royal parents, he would be rewarded with many gifts; but he replied that if he were to take them to the city it would cost him his life, when it became known in what way he had received them, [as slaves] and that the prince must decide whether he would give up the children or not. Jaliya and Krishnajina, on hearing this conversation, fled away in extreme terror, and hid themselves under the leaves of a lotus growing in a pond near their dwelling.
By this time Wessantara had resolved upon giving his children to the brahman without any further delay; but when he called them they did not make their appearance.”
‘The brahman may take me; I am willing to become his servant; I cannot remain here and listen to my father’s cries’
“as Wessantara reflected that if he did not give up his children he could not become a Budha, and would be unable to release sentient beings from the miseries of repeated existence, he called them to the pansal, and pouring water on the hands of the brahman, delivered them to him, saying, ‘May I by this become the all-knowing!’” Aonde não chega o fanatismo!
“Wessantara made no reply, and as Jaliya was asking him why he was silent, Jujaka approached bleeding, and looking like an executioner who had just been taking the life of some criminal. The children trembled with fear when they saw him. Unable to retain them both, as Kirshnajina ran away when he seized Jaliya, and the sister when he seized her brother, he tied them together by a with [corda de vime], and began to drive them along with a stick, beating them as they went. Looking at their father, they told him to see the blood streaming down their backs, and to consider the pain they endured.”
‘If my children have to suffer this before my eyes, what will they not have to endure when they are at a distance. How can they pass over hills, thorns, and stones? When they are hungry, who will feed them? When their feet are swollen, who will give them relief? When the cold wind chills them, who will administer unto them comfort? How will the mother who has borne them in her bosom grieve when she returns at night, and finds that they are gone?’ Thus thinking, he resolved to drive away the brahman, and receive them again.
O super-indeciso.
‘Ye well-known dewas, and ye animals with whom we have sported, let our mother know the manner in which we thus pass along the road!’
“The prince now informed her that he had given them away in alms to an aged brahman, that the pre-requisites of the Budhaship might be fulfilled. Then Madri-dewi replied, ‘The Budhaship is more excellent than a 100,000 children!’ and rejoicing in the reward that was to be obtained from this gift, wished that it might be extended to all the beings in the world.”
“Wessantara, on seeing him, asked why he had come, and he replied, ‘I am now old and powerless; I have no one to assist me; I have therefore come to receive the princess as my slave.’ The prince looked in the face of Madri-dewi; and she, knowing his thoughts, expressed her willingness to comply with the wish that had been expressed; whereupon he delivered her to the supposed brahman, that the gift might assist in the reception of the Budhaship. When the brahman received her, he said, ‘The princess now belongs to me; that which belongs to another, you have not the right to give away; therefore keep her for me until I shall return.’ Then, assuming his own form, Sekra informed Wessantara that all the dewas and brahmas had rejoiced in the gifts he had offered; and assuring him that he would most certainly attain the Budhaship, he informed him that in 7 days his relatives would come to him, together with his children, and that he would again receive the kingdom.”
“When Sanda [pai de Wessantara, rei] found that they were his grandchildren, he placed the boy upon one knee, and the girl upon the other, greatly rejoicing, and ordered many presents to be given to the brahman, who, however, from eating too much, died at midnight. The next day his body was burnt upon a costly pyre.”
“When the prince perceived that among the elephants was the animal he had given to the king of Kalinga he felt ashamed, as it had been presented in alms; when told, however, that it had been returned by the people, as there was now plenty in the land, he was satisfied.”
“Wessantara and the princess again received the kingdom; and after reigning in conformity with the 10 precepts of kings, he was reborn in the dewa-loka called Tusita.”
“the dewa Sekra became the priest Anurudha” Poderia não ser este? https://en.wikipedia.org/wiki/%C5%9Aakra_(Buddhism)Mas este livro possui inúmeras divergências de grafias, então não apostaria, neste momento. Creio que sejam as mesmas figuras. “Kirshnajina became the priestess Upphala”
6. THE ANCESTORS OF GOTAMA BUDHA
“Maha Sammata, the first monarch of the world. Several of the names, and some of the events, are met with in the Puranas of the Brahmans, but it is not possible to reconcile one order of statement with the other; and it would appear that the Budhist historians have introduced races, and invented names, that they may invest their venerated sage with all the honors of heraldry, in addition to the attributes of divinity.”
“The chakrawartii is a universal emperor. There are never 2 persons invested with this office at one time. The grammatical etymology is, He who abides in, or rules over, an extensive territory, called a chakra. (Vishnu Purana)”
“The ancient Egyptians had a king who reigned 3 myriads of years; but even this period is nothing to an asankya. Satyavarta, the first of the solar race of princes among the Hindus, reigned the whole of the satya-yug, or 1,728,000 years. Berosus informs us that the first 10 kings of Chaldaea reigned 120 sari, the sarus being a period of 3600 years. Thus the 10 kings give 432,000 years, the same extend as a kali-yug.” “From the time the untruth was told, the dewas ceased to be guardians of the kings, and 4 princes were appointed in their place. (…) the Ganawara.” “This was the first murder committed in the world. The evil that came upon these kings was a warning to their successors, so that they pursued a different course”
“The Jews have a tradition that Abraham was the first man who ever turned grey. His beard became grey when Isaac attained the age of manhood, that he might be distinguished from his son, who exactly resembled his father.” Hahaha.
Os 29 primeiros reis eram supremos e cheios de luz, blá-blá-blá…
“The Maha-sammata-wansa was now lost, and the Makhadewa race commenced. There were 84,000 princes of this race(…) The last of these kings, Kalaranjanaka, did not become an ascetic, as his predecessors had done, and the Makhadewa race ceased.” “The last of these kings was Okkaka II.” “The last of these princes had a son called Amba, or Okkaka III.”
“These women are witches, and have overcome my better judgement by their wiles”
“At this time, the Bodhisat who afterwards became Gotama Budha was the ascetic Kapila, and resided in a forest, near a lake”
“The eldest sister was therefore appointed as the queen-mother, and each of the brothers took one of the other sisters as his wife.”
7. THE THE LEGENDARY LIFE OF GOTAMA BUDHA
“unless a boldness of divination, liable as it is to abuse, be permitted, all researches into the earlier history of nations must be abandoned.”
Niebuhr, nas únicas sábias palavras desse resumo e compêndio insosso de mentiras
“and a gifted critic may one day arise, who, by his discriminating skill, will be enabled to arrange every subject under one or other of these 4 classes – the pure fiction, the uncertain, the probable and the established fact. In the mean time, we must be content with the legend in its received version, with all the accumulations it has gathered in successive ages.” Puro detrito “histórico”.
Com efeito, tudo é baboseira ilegível!
“Well, Kantaka, you must assist me tonight, that by your aid I may be enabled to release all sentient beings from the perils of existence, and he then mounted upon his back.”
“If I receive as much food as a sesamum seed in size, it would be sufficient; I require nothing more than a pepper pod, or a small fruit; with only this I can still live.”
“The prince has endeavoured to become Budha, but has failed in the attempt; he is now dead.”
8. THE DIGNITY, VIRTUES AND POWERS OF BUDHA
(…)
9. THE ONTHOLOGY OF BUDHISM
“We have now done with the ancient legend, and its supernatural accompaniments.” Já não era tempo! Começa agora um CURSO INTENSIVÃO de budismo (o que o livro deveria ter se dedicado a ser pelo menos 400 páginas atrás!!). Como veremos, entretanto, a expectativa de que fosse um bom material foi vã!
9.1 PREFÁCIO DO “CURSO”
OS SEIS KHANDAS
1. Os cinco Khandas ou partes do Khanda
2. O corpo organizado ou rupan (a alma no sentido laico, pseudo-alma no budismo)
3. Sensação ou wedana (con-tato)
4. Percepção ou sannya (subordinada à sensação)
5. Discriminação ou sankharo (subordinada à sensação)
6. Consciência ou winyana (subordinada ao corpo organizado)
62 seitas heterodoxas do budismo (hmmmm…)
Seitas “voltadas para o passado” (18):
4 seitas: reconhecem a eternidade da existência mediante a reminiscência ou “indução”.
4 seitas: alguns seres são eternos e alguns vivem apenas em mutabilidade (transcendência x mundanidade).
4 seitas: o mundo é finito ou infinito ou infinito “lateralmente” mas não “perpendicularmente” ou é de natureza indeterminável. (urgh!)
1 seita: os céticos e os em erro (rá!)
5 seitas: o mundo não possui uma causa primeira, pois na existência pregressa do Ser no mundo de Brahma não há consciência.
Seitas “voltadas para o futuro” (44):
16 seitas: existe a vida após a morte, com consciência, seja material, imaterial ou um estado híbrido ou “nenhum dos dois”, finita ou indefinidamente extensa, ou uma mistura de ambos (finita e infinita), ou nenhuma.
8 seitas: existe apenas insciência após a morte.
8 seitas: existe um estágio intermediário entre a consciência e a inconsciência.
7 seitas: a morte é aniquilação.
5 seitas: existe um caminho para a felicidade suprema. (?!)
“Nenhuma das 62 seitas possui a verdade.” Ó!
“Não pode haver, de acordo com o budismo, um processo como a transmigração, no sentido usual do termo.”
“A mente oriental muito sofreu por sua inclinação pela analogia e pela metáfora.”
“O que é o homem? São os olhos o homem? É evidente que nem os olhos, nem os pés, nem o coração, nem outra nomenclatura de partes do corpo são o homem. SILOGISMO: Logo, não há homem. Homem é um nome. MAS eles esquecem que, diferente duma carroça e suas rodas, que só estão conectadas espacialmente, há um mistério não esclarecido entre os membros do corpo e o corpo (…) um nexo da vitalidade”
paticha samuppada, ou causas da existência continuada.
Três tópicos do vocabulário búdico:
I. ignorância (awidya)
II. apego a objetos existentes (upadana)
III. mérito e demérito (karma)(*)
(*) Escopo claramente mais restrito que no hinduísmo.
“Como adveio a ignorância?”
“Como a cadeia da existência foi forjada?”
“O karma primário não deve ser discutido.”
“O relato bramânico da origem da ignorância é mais inteligível, embora não mais satisfatório (do que a remissão a uma desconhecida causa primeira).”
Segundo o Vishnu Purana, Brahma tentou criar o universo 9 vezes. Na primeira, criou apenas o amovível e ignorante. Tendo aprendido com seu erro, repetiu a operação 8 vezes, cada vez obtendo maior sucesso. Awidya é o próprio Brahma.
“O mundo é um ovo da noite”
Demócrito
mus araneus: mesmo conceito provindo do Egito.
O erro, no budismo, se concentra num só ponto: se os seres vivos não reproduzem (abominam a ignorância), não existe upadana a longo prazo. Essa sentença resume toda esta filosofia de vida. O que a existência faz diante do budismo? Pois upadana sempre vence. O mundo não acaba. A Europa não acaba. Budismo é epifenômeno insignificante de upadana. Nirvana nada mais é que o reconhecimento do mal absoluto, e a fraqueza diante dele. Além disso, o budismo é uma criação do último homem: antinatural, uma blasfêmia contra a natureza. A revolta da razão.
O nascimento espectral: quando um gênio destoante nasce, impossível de explicar logicamente. Exemplo: eu em minha família sou um nascimento espectral. Não estou ligado ao mérito-demérito daquela árvore, sou indiferente a ela, fenômeno novo, “absurdo”, porém predito e necessário.
“Este conceito fabuloso e todo-poderoso chamado karma é mera abstração. É dito que é achinteyya, sem consciência. É uma potência criadora e cega, como a terra fértil.”
“O karmaage como uma doença hereditária; seu mal pode estar latente por gerações [de renascimentos], e de repente irromper com violência descontrolada.”
“O budista, no sentido correto, portanto, está fadado a morrer sem esperança. [no status de sua próxima vida]”
O karma será destino até que deixe de regular a moral no universo, ponto de viragem em que a coletividade senciente “o vence”. E no entanto nunca se falou em salvação coletiva universal, como é impossível que reproduções aconteçam (no fundo: cada um que cuide do seu cu, digo, de seu pênis e de sua vagina). O budismo não é revolucionário, é apenas egóico como todo cisma.
MAU SINAL:“Não tenho conhecimento de nenhuma teoria ou sistema com que o budismo concorde. Nem qualquer teoria moderna, salvo a de Johan Gottlieb Fichte, quem ensinou: o arranjo dos sentimentos morais e as relações, a ordem moral do universo, é Deus.’”
“Cometas surgem como os peixes, por generatio spontanea”
Kepler
Zeus vs. Moirae
“Enquanto o budismo declara o karma como sendo o poder supremo que controla o universo, ele é um sistema ateu. Ignora a existência de uma divindade pessoal e inteligente. Reconhece que há um governo moral do mundo; mas honra o livro em vez do legislador; e adora o cetro em vez do rei.”
“Todos os seres são causados, mas é impossível descobrir a causa do ser.”
9.2.2 O corpo organizado
Mais futilidades pseudometafísicas… “O corpo organizado está dividido em 28 partes ou setores. 1. terra; 2. água; 3. fogo; 4. vento; 5. olho [!]. 6. ouvido; 7. nariz. 8. língua. 9 o ‘corpo’. 10. a aparência externa. 11. o som. 12. o cheiro. 13. o gosto. 14. a substância, ou seja, aquilo sensível ao toque. 15. o feminin. 16 o masculino. 17. o coração. 18. a vitalidade. 19. o espao. 20. a comunicação silenciosa. 21. a faculdade da fala. 22. a leveza. 23. a elasticidade. 24. a adaptação. 25. a agregação. 26. a duração. 27. a decadência. 28. a impermanência.”
1. terra. dividida em 20. O cabelo da cabeça é terra, a carne é terra, o cabelo do corpo é terra, bem como as unhas, os dentes, a pele, as veias, os ossos, a medula, os rins, o coração (físico), o fígado, o abdôme (intestino, estômago), o baço, os pulmões, as fezes, o cérebro.
2. água. 12. bile, fleuma, pus, sangue, suor, gordura, lágrimas, soro ou sangue, saliva, muco, lubrificação das juntas, urina.
3. fogo. 4. fogo da vida, fogo da tristeza, fogo da enfermidade e fogo do estômago que queima a comida (hahaha!). Gotama não era tão bem-dotado intelectualmente se demorou tantos kali-yugas para fazer um sisteminha tão mequetrefe…
4. vento ou ar. 6. o sopro que ascende; o sopro que descende; o sopro da respiração; o sopro excretório (esse pessoal tem mesmo fixação por isso!), outro sopro relacionado aos intestinos (???) e o sopro total, regulador do movimento. Causa secundária da ação, em conjunto com hita, a mente.
5 a 9. os cinco órgãos dos sentidos (e lá vamos nós de novo!). prasada-rupas.
…
“Khandas que são conectados a algum objeto sensível, ou por esse objeto são nutridos, são chamados aharaja; aqueles conectados às faculdades mentais (abstratas) não podem ser divididos, e são chamados chittaja.”
…
17. coração, a sede do pensamento. A causa da mano-winyana (consciência).
18. vitalidade. o princípio da vida. O karmaatua sobre o corpo organizado para produzir a essência da existência. Interliga todos os rupa-khandas.
19. espaço. 9 aberturas, buracos ou não-preenchimentos no corpo (vazios inerentes à vida). já comentado.
…
22. a leveza pode ser kaya (corporal) ou chitta (mental).
…
“o coração possui wastu, substância; mas não dwara, apertura, ou uma ‘porta’, como o olho; alguns [dos 28 atributos] não têm substância nem abertura, por ser invisíveis. (…) os ekaja, procedentes de uma causa; os dwija, procedentes de duas causas ou mais.”
9.2.3 Sensação
(…)
9.2.4 Percepção
(…)
9.2.5 Discriminação
55 categorias, dentre as quais as faculdades morais.
1. Phassa, o que Kant poderia chamar de apercepção (percepção a-conceituada).
2. wedana; explicado como sensação, então não sabemos por que não está no tópico anterior. No entanto, pode incluir “sensações” mais elaboradas, como a “felicidade” no sentido filosófico, além da “gratificação” por comer uma boa comida (sensação inferior).
3. sannya, percepção – reflexão sobre a percepção das formas, seria mais bem-dito.
4. chetana, pensamento – considerada a faculdade mais ágil das 55. A explicação, entretanto, parece muito mais a de reflexo ou de instinto, no lugar de reflexão, o que aliás explicaria sua enumeração como ágil, quase instantânea. Capacidade incessante, está sempre alerta, nunca sofre interrupções.
“se não houvera partilha do pensamento o ofício do professor seria em vão”
16 formas da produção do pensar: reflexão, incluindo reminiscências; instrução de outrem; consciência (memória); satisfação (?); aversão; verossimilhança; separação/análise; diálogo; signos; impressões; números (os dois últimos poderiam ser linguagem – separação muito incompetente); instrução; meditação; mediante livros;vizinhança (proximidade geográfica!); hábito. Enfim, uma grande porcaria de “análise”…
5. manaskara, a reflexão reiterada.
…
7. individualidade
8. atenção
9. exame e obtenção da certeza (análogo à lógica aristotélica)
10. resolução
11. alegria
12. determinação
13. firmeza
…
15. ética
…
19. afeição
…
34. compaixão
…
39. cobiça
…
44. falta de vergonha
…
50. preguiça [que isso, afinal, os pecados capitais?]
…
9.2.6 Consciência
89 categorias. Chega! Não quero mais esses catálogos e inventários inúteis!
9.2.7 Identidade; Individualidade; e Retribuição Moral.
“(Assim como os elementos da existência são incluídos dentre os 5 khandas, é evidente que o budismo não reconhece a existência de um espírito ou alma; e essa asserção não é feita gratuitamente, sem a autoridade adequada, provinda de fontes adicionais [ao próprio Buda], principalmente das Perguntas de Milinda.)”
Milinda x Nagasena
NAGASENA: Eu sou chamado Nagasena por meus pais e pelos gurus e pelos outros; mas Nagasena não é uma existência, um ser, um homem.
REI MILINDA: Então quem recebe seus sacrifícios? Quem pratica os preceitos? Se alguém matara Nagasena, este alguém não seria então apontado como assassino? Você não foi ensinado, nem se tornou sacerdote brâmane? Quem é Nagasena? O que é Nagasena? São os dentes Nagasena? Pele, carne, coração ou sangue são Nagasena? Seu semblante é Nagasena? São os 5 sentidos Nagasena? Tirando-se os 5 sentidos, o que sobra é Nagasena?
NAGASENA: Não para todas as perguntas.
MILINDA: Disse inverdades.
NAGASENA: Vossa Majestade veio a pé ou em carroça?
MILINDA: Em carroça.
NAGASENA: O que é uma carroça? É o ornamento que cobre a carroça? As rodas, o raio das rodas? (…)
MILINDA: A carroça é só um som, um nome. Ao dizer que veio transportado por uma carroça, Vossa Majestade mentiu.”
Oratória manjada…
“(Mediante uma interrupção da narrativa de Nagasena, um fragmento da obra chamada Amawatura explicará seu argumento relativo ao Eu, o self.)”
Trechos extremamente aborrecidos…
9.2.8 Reprodução
“Devas, pretas and the beings in hell are born by the apparitional birth, not from the womb”
blablablá…
9.2.9 Karma
O autor disse que percorreria a ontologia do budismo, mas continua contando apenas diálogos lendários e insípidos.
9. THE ETHICS OF BUDHISM
Quem sabe não é agora que esse livro preste alguma serventia…
Brincadeira! Muito longe disso…
Enumera os pecados humanos. Ceticismo, ingerir drogas e adultério aparecem igualados ao homicídio. zZzZzZz.
Texto ininteligível e sem alma. Para mim significa apenas ceticismo moral extremo, a.k.a., niilismo.
“Whosoever will, may come to the cross, and be made happy. The stream that issues therefrom ‘cleanses from all sin’. This doctrine may be, as in the days of its first manifestation, ‘unto the Jews a stumbling-block, and unto the Greeks foolishness’, but unto all who are willing to test its truthfulness, it will prove to be ‘the power of God and the wisdom of God’.” Ótimo! Nada como terminar o livro com um pouco de xenofobia!
“the now myriad-worshipped Budha will not have a single votary; and Jesus of Nazareth, ‘who over all, God blessed for ever’, will be the life, and the blessedness, and the glory of universal man.” Portanto, não custa lembrar, o livro foi escrito por um cristão entusiasta! Mas ele está errado: nem Buda, nem Cristo… Ninguém!
NOTA PÓSTUMA OU NÃO-DIRETAMENTE CONECTADA COM A LEITURA
Consta de pesquisa na matéria na internet que o budismo Mahayana, ainda que esotérico, contradiz muito do afirmado neste manual do séc. XIX: “[o Mahayana] defende que todas as pessoas são possuidoras da felicidade absoluta, o estado de buda (iluminação).” O que é o mesmo que dizer nada e tudo ao mesmo tempo.
septem. Sete. Os sete sábios (da Grécia). (Septem Stellae = Setentrião, as Plêiades; Septem Marĭa = os lagos junto à foz do rio Pó, onde Veneza foi mais tarde fundada; Septem Aquae = lago no território reatino).
september, septembris, (m.). (septem). O sétimo mês (no ano Romano, que se iniciava em Março). Setembro.
septemflŭus,-a,-um. (septem-fluo). Que possui sete embocaduras (epíteto do Rio Nilo).
septemgemĭnus,-a,-um. (septem-gemĭnus). De sete vezes, composto de sete.
septempedalis, septempedale. (septem-pedalis). De sete pés de altura.
septemplex, septemplĭcis. (septem-plico). De sete vezes, composto de sete.
septemuir,-i, (m.). (septem-uir). Setênviro (um dos sete membros do conselho encarregado da partilha das terras).
septenarĭus,-a,-um. (septem). Que contém sete, formado de sete elementos, setenário.
septendĕcim. (septem-decem). Dezessete.
septeni,-ae,-a. (septem). Em grupos de sete, de sete em sete. Sete. Sete vezes.
septentrionalis, septentrionale. (septentriones). Relativo ao norte, que se localiza ao norte.
septentriones, septentrionum, (m.). (septem-trio).As sete estrelas próximas ao Pólo Norte, a constelação da Ursa (denominada Ursa Maior e Ursa Menor). O Setentrião (vento norte). Território ao norte.
septĭe(n)s. (septem). Sete vezes.
septiflŭus,-a,-um. (septem-fluo). De sete braços.
septimani,-orum, (m.). (septem). Soldados da sétima legião.
septĭmus,-a,-um. (septem). Sétimo. (septĭmus casus = caso instrumental, caso adverbial sem preposição).
septingenti,-ae,-a. (septem-centum). Setecentos.
septiremis, septireme. (septem-remus). Que possui sete fileiras de remos.
septuageni,-ae,-a. (septuaginta). Em grupos de setenta, de setenta em setenta.
septuagesĭmus,-a,-um. (septuaginta). Setuagésimo.
septuaginta. Setenta. (irá interessar para os apreciadores do Velho Testamento que não sabem o hebraico!)
septuennis, septuenne. (septem-annus).De sete anos de idade.
septunx, septuncis, (m.). (septem-uncĭa). 7/12 de uma unidade. Sete onças (unidade de peso). Sete unidades, sete partes.
A família do sete, no Latim, ou seja, septum e os vocábulos dela derivados, nos oferece alguns esclarecimentos sobre nomenclaturas que nem imaginávamos ter relação etimológica com o número 7.
Primeiro recapitulemos que até hoje 7 é um nº muito ligado a superstições. Não me arriscaria a dizer que tem qualquer relação com sep-ultura, ou morte, no entanto, pois não teria condições de comprovar – seria cair no erro do lingüista empolgado e tosco, que devido a assonâncias começa a estipular etimologias e genealogias arbitrárias. Vide a genealogia incrivelmente fake da palavra aluno como despido de luz, uma piada de mau gosto que circulava muito antes de conhecermos o termo fake news e que não tem qualquer razão de ser, sendo o designativo aluno tão pouco (ou nada) pejorativo quanto seus sinônimos mais empregados, discente e estudante. Havia até campanhas de pedagogos (e alunos!) na internet (creio que nos anos 2000, quiçá até a década passada!) pedindo a remoção da palavra do uso cotidiano, o mesmo que se deu ou se dá agora com o verbo denegrir, o que está completamente equivocado no meu juízo (seria como estipular que em jogos de xadrez, a partir deste momento, as peças negras é que determinam o jogador que irá principiar o jogo – aspecto arbitrário completamente despido, até onde sabemos, de qualquer conotação racial). Tão ingênuo e deletério, outrossim, quanto crer que o quadro clínico da septicemia guarda qualquer relação com a palavra septem e se originaria do latim.
* * *
Como estudante intermediário do Latim e lingüista amador me atribuo a autoridade de desmistificar algumas noções que por aí circulam. Essa parte do primeiro parágrafo dissertativo, entretanto, foi apenas um bônus da postagem, concebido à última hora. Gostaria mesmo de apontar, dentre as palavras/verbetes dicionarizado(a)s mais acima, alguns nortes que recebemos sobre por que utilizamos tais e tais palavras no português hodierno. O trocadilho com norte, no sentido de rumo, direção, ficará logo esclarecido!
Começando pela alusão mais óbvia de todas: setembro, muita gente já sabe, se refere, na Roma Antiga, a nosso nono mês ser o sétimo do calendário daquela civilização, que não contava nem com janeiro nem com fevereiro. Até dezembro é mantida essa forma original de batizar os meses entre os romanos.
Algumas expressões foram completamente obliteradas na lenta transição ao português. Septempedalis não tem qualquer lugar num conjunto de países que adotou o sistema métrico, por exemplo!
Indo para o lado do cômico, já vi duplex(es?), triplex(ex), até quadriplexes, mas nunca chegaram a meu conhecimento “apartamentos” de cinco, seis ou até sete andares (já em si mesmo prédios de todo direito!). Um septe(m)plex, diferente de um septuagenário, seria dificílimo de encontrar no Brasil! Se bem que o mais provável seria chamar tal morada monstruosa de um multimilionário de heptaplex! A determinado ponto paramos de ser influenciados pelos latinos e tomamos de empréstimo denominações gregas (pentágono, hexágono…), como, aliás, os próprios latinos soíam fazer! Obs.: ao que consta, octa- é de influência latina, quebrando a seqüência, mas enea- e deca- regressam à tutela grega! Desenvolvimentos tortuosos…
Sempre me perguntei por que setentrional se chamava setentrional e meridional, meridional. Ora, meridional guarda relação com o meridiano, mas o meridiano seria a linha que separa os hemisférios. Então por que essa dissimetria bizarra? Seria por que nos trópicos bate mais sol, e meridiano é relativo ao meio-dia, quando bate mais sol em nossas cabeças? Bem, pouco importa, pois o objeto aqui é o setentrional: creio mesmo que descobri na astronomia-astrologia (então indistinguíveis) a causa de tamanhas superstições relativas ao número 7 e, de sobra, ao número 3, pois há uma palavra que reúne ambas as numerações e um pouco complicada de explicar, logo abaixo de septentrionalis no dicionário latim, embora este vocábulo já contivesse o “mistério”. 7-3-… Não é à toa, forçação de barra ou coincidência. Talvez uma coincidência dos astros, isso sim: é que do hemisfério norte podem-se ver 7 estrelas em conjunto. Trata-se da constelação da Ursa, para quem gosta de um horóscopo… O 3 associado e embutido no termo tem a ver com observações feitas por múltiplos autores latinos: sempre que se admira o conjunto de 7 estrelas, 3 parecem estar interconectadas no quadro menor, e pode-se mesmo permutar entre o trio de estrelas para obter a mesma impressão! Neste caso, uma só imagem vale mais do que todas estas entradas de dicionário, para me tornar mais compreensível. Veja quantos triângulos se pode traçar mentalmente olhando a disposição da Ursa:
Ao passo que um quadrilátero (à dir.) sempre implica a formação de 2 triângulos quaisquer que, somados, formam a primeira figura, na parte de cima ou à esq. visualizamos claramente outro triângulo, isolado. E, se chamássemos cada estrela, da esquerda para a direita, A, B, C, D, E, F e G, temos que ABD ou ACD, ou ADE, ou BDE, ou tantas outras combinações, como AFG ou AEG também formariam triângulos, dos mais variados ângulos internos. Antigamente havia mais tempo para apreciar o firmamento; nós, leitores de livros por excelência, temos de descobrir essas coisas, em nossas cidades poluídas (e principalmente nós, habitantes do hemisfério sul ou meridional), estudando sobre as observações dos contempladores e escritores daquele tempo remoto!
Vai saber se não tem a ver com isso o jogo do dominó parar nas pedras de número 6?! Nada cravo, só infiro bobamente… Essa pesquisa fica para outro dia!
Por fim, na ordem cronológica dos verbetes, percebemos como a “meia-dúzia” dos romanos, i.e., uma unidade de medida que lhes importava no dia a dia tanto quanto nossa principal maneira de comprar ovos no mercado ou enumerar “meio time” de futebol que joga mal (apesar de um time de futebol ser composto de 11, não 12!), era uma fração que nossos matemáticos chamariam de quantidade irracional ou dízima periódica simples, porque seu inusitado numeral é o 7, e o denominador, 12. Sete doze avos, em vez de, no fundo, o muito mais descomplicado ½. Apesar dos romanos também adotarem o sistema decimal na matemática, temos ainda em comum com eles o fato de que o dia e a noite (o relógio, o tempo, em suma) giram em torno de ciclos duodecimais, daí a importância de frações do número 12 para todos nós (12 é duodecim em latim) – tanto que transformamos o ano numa divisão por 12, o que nem estes antigos haviam pensado ainda em efetuar!
Sobreviver a mais um ano, para nós, é repetir os Doze Trabalhos de Hércules!