“Certa ocasião, perguntaram a Sérgio Buarque de Holanda se o Chico Buarque era filho dele e ele respondeu:
– Não, o Chico não é meu filho, eu é que sou pai dele.”
A Pragmática é a ciência do uso e da prática lingüísticas.
Papa(i)s da Pragmática: John Austin & Paul Grice
– Você tem fogo, Prometeu?
– Você tem promessa, candidato?
ENUNCIAÇÕES
a) dêiticas: eu, tu, aqui, lá, este, agora, ontem
“Um dêitico só pode ser entendido dentro da situação de comunicação e, quando aparece, num texto escrito, a situação enunciativa deve ser explicitada.”
b) performativas: juro que, peço desculpas
c) conectivas: mas, porque
d) negativas: não gosto, adoro! (pseudo-paradoxo); ruim não, péssimo! (enfático)…
e) adverbiais: sinceramente, infelizmente, francamente
INFERÊNCIAS
“A frase é um fato lingüístico caracterizado por uma estrutura sintática e uma significação calculada com base na significação das palavras que a compõem, enquanto o enunciado é uma frase a que se acrescem as informações retiradas da situação em que é produzida. A mesma frase pode estar vinculada a diferentes enunciados.”
INSTRUÇÕES
“Nos anos 1970, a Pragmática era considerada por muitos a <lata de lixo da Linguística>” BENZADEUS
PRAGMÁTICA VS. SEMÂNTICA OU PRAGMÁTICA & SEMÂNTICA
“um enunciado será performativo quando puder transformar-se em outro enunciado que tenha um verbo performativo na primeira pessoa do singular do presente do indicativo da voz ativa. Os enunciados que não contêm um verbo performativo na pessoa, no tempo, no modo e na voz indicados serão chamados performativos implícitos”
– Vai me perdoar, mas você está demitido – é para o seu bem!!!
Austin: “quando se diz algo, realizam-se 3 atos: o ato locucionário (ou locucional), o ato ilocucionário (ou ilocucional) e o ato perlocucionário (ou perlocucional).”
ato locucionário: dizer (1)
a. iloc.: realização (interna) (2)
a. perloc.: realização (efeito, impacto sobre o interlocutor/ouvinte) (3)
(1) Digo isto; (2) isto é uma advertência (dou sinais suficientes para que você perceba); (3) você entendeu (captou) a advertência, seja lá como foi que reagiu.
Lembrar da “marcação” funcionalista: o ato ilocucional está marcado (sensível na língua, ato de comunicação), o ato perlocucional não.
a t o d e s c r i a t i v o
Searle: reformulação: ato ilocucional + conteúdo proposicional
atos de fala indiretos
súcubente de seaman de naranja
suckumbent for leather
– E esse cigarro aí, cumpadi…
– É um Camel com 0.8mg de alcatrão, conhece?
teoria interacionista
“Na sociedade brasileira da primeira metade do séc. XX, como se lê nos manuais de etiqueta, não se agradecia aos criados, aos garçons, etc. Hoje, agradece-se a eles por qualquer serviço que nos prestam. (…) Por outro lado, fórmulas religiosas de agradecimento, como Que Deus lhe dê em dobro ou Que Deus lhe abençoe só subsistem nas áreas menos modernas do país.”
“Austin mostrou que dizer é fazer; os interacionistas, na fórmula de Orecchioni, mostram que dizer é fazer fazer. Isso significa que os atos de linguagem têm um efeito muito grande nas relações interpessoais, o que abriu um novo campo para a Linguística, o estudo da polidez lingüística.” Infelizmente já tiramos o chapéu para o próximo cabide humano que nos “força” a falar e gesticular: como sinaleiros de trânsito que alternam do vermelho para o verde.
O mero caráter da ode “c” e a e lhe a “dá”.
OLHO NO LINCEEEEE
ÉÉÉ
do camisa 10 foi foi foi
ERATÓSTENES
OLÊ OLÊ OLÁ
A LINGUAGEM AOS 60 VAI VIRÁ
“Essas regras de polidez articulam-se sobre a teoria das faces, desenvolvida por Brown e Levinson, na seqüência dos trabalhos de Goffman. Face é o amor-próprio do sujeito.”
Eu pequei contra o Espírito Santo Comteano
O Campeão Absoluto Nietzsche-ano
EcceHomodoAno2.018
atualização antivirótica
Acorda.
No aeroporto de Viracopos
Todo re-virado
no Jirinoraiya
dará, faz-se
AO DEUS DAR-A-FACE
aqui se face aqui se apaga
À qui? Ao cu de praxe
É que se mete a vara
O conselheiro teclava em seu ordenador pedindo ameaças gentis.
Faça uma ordem de pizzagora!
Vou pitar agora
Sua exigência foi atendida com sucesso.
Dando conselhos a e(s)mo.
Deposite sua proibição na caixinha de recepções januárias.
“não se critica um trabalho, sem fazer uma série de preliminares que mostram que ele está bom.” Aos mal-educados basta argumentar “eu não nasci inclinado para essas falas rituais”. Isso salva a falta de educação: eu sou assim, não escolhi ser assim, os padrões impostos pela sociedade ferem minha espontaneidade que me é cara, amem-me!
“tenta-se evitar o excesso de atos valorizadores da face, pois o falante poderia parecer hipócrita ou bajulador, bem como a falta de minimização de atos ameaçadores da face, pois o falante poderia parecer grosseiro.”
UMA CONVERSA MUDERNA
– Ou, você tem que mudar esse seu jeito!…
– Eu tô logada, véi!
quem diz a verdade só chama a-tensão
divulga fatos
Paulo o espalhafatoso
testemunha de Jeovaia
testículo de Jeová
DATAÇÃO DE CARBONO-14 DO TEXTO ELEVADA, QUANDO NÃO SE INCORRIA EM RISCO DE SER APEDREJADO PELOS “HOMENS DE BEM” AO ILUSTRAR CONTEÚDOS IMPLÍCITOS DESTA FORMA: “Quando se sabe que o PT é um partido que denuncia sistematicamente a corrupção nos diversos escalões do governo e se diz Certos deputados do PT são corruptos, o que se está significando é que o PT é um partido como qualquer outro e, portanto, não se pode considerar ao abrigo da corrupção.” “P.ex., é uma informação banal no Brasil dizer que o PT não ocupa a Presidência da República nem ministérios.”
versão pura 10ntada e recatada
O replicante 10rd
NEOLOGISMAR É A ULTRATRANSMITIDA MISSÃO: “Grice não usa o termo implicação, porque a noção de implicatura é mais ampla do que a de implicação, já que esta só pode ser provocada por uma expressão lingüística, enquanto aquela pode ser suscitada por expressões lingüísticas e pelo contexto ou pelos conhecimentos prévios do falante.”
LOGO SE ESTARÁ SUSPEITANDO DA PRÓPRIA SOMBRA CAÇANDO SUBENTENDIDOS A CADA VÍRGULA HONESTA (O SEGUNDO GRAU DO PARENTESCO DA SENHORA DESCONFIANÇA): “Em Ele é aluno de Letras, mas sabe escrever, há uma implicatura desencadeada pela conexão entre as duas orações com a conjunção mas: os alunos de Letras não sabem escrever. É uma implicatura convencional. No enunciado A defesa da tese de Mário correu bem, não o reprovaram, há uma implicatura de que a tese não presta. É uma implicatura conversacional, pois não advém da significação de nenhuma palavra da frase, mas dos conhecimentos prévios do interlocutor. No caso, sabe-se que dificilmente uma tese é reprovada, portanto a menção ao fato de que ele não foi reprovado significa que o falante está dizendo, implicitamente, que a tese não é boa.”
MENTE POLUÍDA (VIRGENS DA ACADEMIA): “Quando se diz André vai encontrar uma mulher à noite, a implicatura é que a mulher com quem vai encontrar-se não é sua mãe, sua irmã, sua esposa, etc., mas que esse encontro é de natureza sexual.”
princípio da cooperação
penso nos esquizos que não sabem conversar (T. & M.)
máximas conversacionais multivetoriais
what about nonsense¿
Samuel boquete
uniconversascórniocórneasfecheosolhosclimatempo
“O que comprova a existência da máxima da qualidade é a impossibilidade de produzir enunciados como Comprei um revólver, mas não acredito que o tenha comprado.”
“Quando no conto <A negrinha>, de Monteiro Lobato, o narrador diz A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças, não se pode inferir a implicatura de que ele acredite que Dona Inácia era excelente, pois a ironia obriga a entender o contrário do que foi dito.”
“Quando um falante diz A mulher de João o está traindo e o interlocutor percebe que João está ouvindo a conversa e diz Onde você comprou esta camisa?, a resposta não é incoerente, mas apresenta a implicatura Mudemos de assunto.”
“Gosto de dois tipos de homens: os que têm bigode e os que não têm.”
Mae West
“Quando dois amigos estão discutindo se vão a um jogo de futebol ou a um restaurante e um deles diz O Morumbi é muito desconfortável, infere-se que ele está dizendo que não quer ir ao jogo.”
“O discurso poético cultiva a ambivalência, o discurso eufêmico infringe a máxima da quantidade, o discurso irônico viola a máxima da qualidade.”
Não se pode ser irônico o tempo todo, ou se pode?
Pode-se ser poeta a noite toda.
Principalmente dormindo.
eu-feminado à flor da pele
“Quando se toma o exemplo clássico Pedro parou de fumar, nota-se que há um conteúdo explícito, Pedro não fuma atualmente, e dois conteúdos implícitos, Pedro fumava antes e Que isso sirva de exemplo para você.”
“Quando alguém diz Minha mulher gastou neste ano 100 mil reais, o verdadeiro objeto do dizer não é Sou casado (pressuposto), mas Gastou neste ano 100 mil reais (posto).”
“Enquanto a Linguística que tem por objeto o sistema ou o conhecimento dirá que a célebre frase de Chomsky As verdes idéias incolores dormem furiosamente é agramatical, a Pragmática afirmará que, num contexto em que se discorre sobre as idéias dos ecologistas (verdes idéias) que perderam o apelo que tinham (incolores), mas que continuam a atuar ativamente no substrato da sociedade (dormem furiosamente), ela pode perfeitamente ser usada, pois a Pragmática explica o uso real.”
APROFUNDAMENTO
Austin – Quando dizer é fazer. Palavra e ação, 1990.
Ducrot – Princípios de semântica lingüística: dizer e não dizer, 1977. (considerada uma obra clássica da pré-Pragmática)
Grice – Lógica e conversação (capítulo, disponível em diferentes coletâneas)
Ottoni – Visão performativa da linguagem, 1998. (revisão de Austin e seu legado)
Searle – Os actos de fala: um ensaio de filosofia da linguagem, 1991.
