O PESSIMISMO DE ARTHUR SCHOPENHAUER

OS ENSAIOS DE ARTHUR SCHOPENHAUER;

ESTUDOS SOBRE O PESSIMISMO

Uma seleção criteriosa dos melhores trechos, traduzidos do Inglês para o Português por Rafael “Cila” de Araújo Aguiar, para que outras pessoas venham a ter contato com esta supina filosofia. Com comentários de próprio cunho em verde, quando sem relação direta com a obra mesma, ou na mesma cor do texto, entre colchetes ou como nota de parágrafo, quando diretamente relacionados.

Uma não-pequena parte do tormento da existência reside nisso, que o Tempo está continuamente nos pressionando, nunca nos deixando respirar, mas sempre a nos perseguir, como um capataz com um chicote. Se em algum momento o Tempo <dá um tempo>, só pode ser quando estamos entregues à miséria do tédio.”

Na juventude precoce, quando contemplamos nossa vida por vir, somos como crianças no teatro antes da cortina levantar, ali sentadas eufóricas e na expectativa pelo começo da peça. É uma bênção que não saibamos o que realmente vai acontecer. Pudéssemos antevê-lo, há ocasiões em que crianças seriam vistas como prisioneiros sem culpa, condenados, não à morte, mas à vida, e ainda plenamente ignorantes do que suas sentenças significam. E no entanto todo homem quer chegar à velhice; em outras palavras, um estado da vida do qual talvez se diga: <Está ruim hoje, e vai estar pior amanhã; e assim vai até o pior dos dias.>”

ainda que as coisas para você tenham dado razoavelmente certo, quanto mais você viver mais claramente você vai sentir que, em geral, a vida é um desapontamento, melhor ainda, uma fraude.”

Aquele que vive o bastante para ver duas ou três gerações é como um homem que senta algum tempo à tenda do feiticeiro durante a feira, e testemunha a performance duas ou três vezes em sucessão. Os truques foram feitos para ser vistos só uma vez; e quando não são mais novidade e deixam de enganar, seu efeito está findo.”

o homem culto desenvolve sua suscetibilidade à felicidade e à miséria num grau tal que, num só instante, ele é transportado a um estado de deleite que pode inclusive se mostrar fatal, e, já em outro, às profundezas do desespero e suicídio.”

honra e vergonha; para ser mais direto, o que ele pensa sobre a opinião que outras pessoas têm dele. Sob milhares de formas, amiúde bem estranhas, isso se torna o objeto de quase todos os esforços que ele produz que não tenham suas raízes no prazer ou dor físicos.”

O tédio é uma forma de sofrimento desconhecida aos brutos de qualquer espécie em seu estado natural”

So what if… to love is to suffer?

quanto mais ansiamos por algo, menos satisfação achamos quando a coisa acontece”

É justamente esse modo característico como o bruto se abandona inteiramente ao momento presente que tanto contribui para o contentamento que tiramos de nossos animais domésticos.” No presente não estou neste avião – estou dormindo; meditando na terça-feira trabalhando na segunda usando o cartão para despesas emeuroem2019

O pássaro que foi feito tal que perambula sobre metade do mundo, o homem o confina ao espaço de 30cm³” “E quando eu vejo como o homem maltrata o cachorro, seu melhor amigo; como ele aprisiona esse animal inteligente com correntes, eu sinto a maior das simpatias pela indignação ardente e bruta contra seu mestre.

Devemos ver adiante como ao tomar um ponto de vista muito distante é possível justificar os sofrimentos da humanidade. Mas essa justificação não funciona para os animais, cujos sofrimentos, enquanto que em grande medida trazidos pelo homem, são amiúde consideráveis mesmo nossa agência estando à parte.” Nenhum Hegel com cara de cavalo invertera sua condição invariável de escravos.

a vontade de viver, que subsiste em todo o mundo dos fenômenos, deve, no caso dos animais, satisfazer sua fome insaciável alimentando-se de si mesma. Isso ela faz formando uma gradação de fenômenos, cada um dos quais existe às expensas de outro. Eu mostrei, no entanto, que a capacidade para sofrer é menor em animais do que no homem. Qualquer explanação adicional que pudesse ser dada para seu destino seria de natureza hipotética, se é que não mítica em caráter; então eu devo deixar o leitor especular sobre a matéria por si mesmo.

Brahma teria criado o mundo por causa de uma queda ou erro; e para se redimir de sua tolice, ele está destinado a permanecer nele até conseguir sua própria redenção. Como um conto da origem das coisas, isso é admirável! De acordo com as doutrinas do Budismo, o mundo veio a ser graças a um inexplicável desequilíbrio na calma paradisíaca do Nirvana, esse estado abençoado obtido pela expiação, que durou tão longo tempo

Subseqüentemente, por uma série de erros morais, o mundo foi ficando gradualmente pior e pior – o que é verdadeiro também dos ângulos da Física – até assumir o aspecto deprimente que o reveste hoje. Excelente! Os Gregos viam o mundo e os deuses como o trabalho de uma inescrutável necessidade. Uma explicação tolerável: podemos nos contentar com ela até termos uma melhor. Mais uma vez, Ormuzd e Ahriman são poderes rivais, continuamente em guerra. Nada mal. Mas que um deus como Jeová tenha criado esse mundo de miséria e pesar, por puro capricho, e porque ele se comprouve em fazê-lo, e tenha aplaudido o feito em louvor da própria obra, e declarado que tudo era muito bom – esse relato não vai colar! Em sua explanação da origem do mundo, o Judaísmo é inferior a qualquer outra forma de doutrina religiosa professada por uma nação civilizada; e é positivamente devido a essa crença que ele é o único credo sem traços da fé na imortalidade da alma.”

duas coisas nos impedem de considerar o mundo uma obra perfeita de um ser simultaneamente onipotente, onisciente e infinitamente benévolo: 1) a miséria que abunda em todo lugar; 2) a óbvia imperfeição de sua criatura mais elevada, o homem, que é uma paródia do que devera ser. (…) ver o mundo como o produto de nossas próprias malfeitorias; logo, como algo que jamais deveria ter sido. De acordo com a primeira hipótese, formula-se uma acusação amarga contra o Criador, alimentando, assim, tão-só o sarcasmo; conquanto, de acordo com a segunda, auto-impomo-nos uma severa lição de humildade, voltamo-nos contra nossa própria vontade. Ambas as hipóteses nos ensinam que, como as crianças de uma libertina, já vimos ao mundo esmagados pelo peso do pecado; e é apenas por ter de suportar a cada segundo esse imenso peso que nossa existência é tão miserável, e que seu fim é a morte.”

Igualmente, a única coisa que me reconcilia com o Velho Testamento é a estória da Queda. Ao meu ver, é a única verdade metafísica neste livro, ainda que apareça sob a forma de alegoria. Não me parece haver melhor explanação de nossa existência que a de que ela é o resultado de um passo em falso, pecado cuja parcela estamos pagando. Não posso me eximir de recomendar ao leitor reflexivo um tratado popular, mas ao mesmo tempo profundo, na matéria, de Claudius[*], que manifesta a espiritualidade essencialmente pessimista do Cristianismo. Ele se intitula: Amaldiçoado é o chão para o teu bem [Cursed is the ground for thy sake].

[*] Nota do Tradutor Inglês – Matthias Claudius (1740-1815), poeta popular, e amigo de Klopstock, Herder e Leasing [Lessing?]. Ele editava as Wandsbecker Bote, em cuja quarta parte foi publicado o ensaio mencionado acima. Ele geralmente escrevia sob o pseudônimo de Asmus, e Schopenhauer costuma se referir a ele por esse nome.

Entre a ética dos Gregos e a ética dos Hindus, há um contraste evidente. No primeiro caso (com a exceção, confesse-se, de Platão), o objeto da ética é possibilitar a um homem levar uma vida feliz; no segundo, é libertá-lo e redimi-lo da vida como um todo – como é diretamente declarado logo nas primeiras palavras do Sankhya Karika [escrito que está entre as raízes do Budismo contemporâneo – seu suposto autor é o sábio Krishna].”

O contraste que o Novo Testamento apresenta quando comparado ao Antigo Testamento, de acordo com a visão eclesiástica do problema, é apenas aquele existente entre meu sistema ético e a filosofia moral da Europa. O Antigo Testamento apresenta o homem como sob o domínio da Lei, através da qual, entretanto, não há redenção. O Novo Testamento declara a Lei como algo que falhou, liberta o homem de seu jugo[*], e em prol dele prega o reino da graça, a ser ganho pela fé, amor ao próximo e o inteiro sacrifício do eu. Essa é a passagem da redenção do mal do mundo. O espírito do Novo Testamento é indubitavelmente o asceticismo, muito embora seus protestantes e racionalistas distorçam-no para exprimir seus propósitos. O asceticismo é a negação da vontade de viver; e a transição do Antigo ao Novo Testamento, do domínio da Lei ao da Fé, da justificação por obras à redenção pelo Mediador, do domínio do pecado e da morte à vida eterna em Cristo, significa, quando tomamos seu significado real, a transição das virtudes meramente morais à negação da vontade de viver. Minha filosofia (…) é realmente una com o espírito do Novo Testamento, enquanto todos os outros sistemas estão assentados no espírito do Antigo; isto é, tanto teórica quanto praticamente, seu resultado é o Judaísmo – teísmo despótico e nada mais. Nesse sentido, então, minha doutrina deveria ser chamada a única verdadeira filosofia cristã – em que pese soe esta afirmação tão paradoxal para pessoas que consideram só a superfície das coisas no lugar de penetrar na matéria de coração.”

[*] Veja Romanos VII; Gálatas II e III.

Entre os Padres Cristãos, Orígenes, com louvável coragem, assumiu essa visão[*], que é adiante justificada por algumas teorias objetivas da vida. Eu me refiro, não à minha filosofia somente, mas à sabedoria de todas as eras, como expressa no Bramanismo e no Budismo, e nos ditos dos filósofos gregos tais quais Empédocles e Pitágoras; ou ainda por Cícero, em sua observação de que os sábios de outrora soíam ensinar que nós vimos ao mundo para pagar a pena de crimes cometidos em outro estado da existência – uma doutrina que faz parte da iniciação nos mistérios[**]. E Vanini – que seus contemporâneos queimaram, achando-o mais fácil do que refutá-lo – diz o mesmo de forma bastante convincente. O homem, ele diz, está tão repleto de todos os tipos de miséria que, não fosse repugnante à religião cristã, eu deveria me aventurar a afirmar que se espíritos malignos existem de fato, eles se transfiguraram em humanos e estão agora expiando seus pecados[***].

[*] Cf. Santo Agostinho, Cidade de Deus, 50:11:23.

[**] Cf. Fragmenta de philosophia.

[***] Cf. De admirandis naturae arcanis; diálogo 50; p. 35.”

tudo é como devera ser, num mundo em que cada um de nós cumpre a pena da existência em sua maneira toda particular. Entre os males de uma colônia penal está a sociedade daqueles que a formaram; e se o leitor é digno de melhor companhia, não necessitará de palavras minhas para lembrá-lo aquilo que ele deve suportar no presente. Se ele tem uma alma superior à média, ou se é um homem de gênio, sentir-se-á ocasionalmente como algum nobre prisioneiro de Estado, condenado a trabalhar nas galés com os criminosos comuns; e ele seguirá seu exemplo e tentará se isolar ao máximo.”

Perdão é a palavra para tudo! [Pardon’s the word to all!][*] Quaisquer que sejam as asneiras cometidas pelos homens, sejam quais forem suas fraquezas e vícios, exercitemos a tolerância; recordando que quando essas faltas aparecem nos outros, são as nossas asneiras e os nossos vícios que nós enxergamos. São os defeitos da humanidade, à qual pertencemos; cujas falhas, uma e todas juntas, nós dividimos; sim, mesmo essas falhas que reverberamos tão indignados, só porque ainda não apareceram em nós mesmos. São falhas que não residem na superfície.

[*] <Cymbeline>, Ato V, Seção V.”

De fato, a convicção de que o mundo e o homem são algo que não deveriam ter existido é dum tipo que nos enche de indulgência um para com o outro. Aliás, desse ponto de vista, podíamos muito bem considerar que a forma adequada de se dirigir a alguém seria, não Monsieur, Sir, mein Herr, Senhor, mas my fellow-sufferer, Socî malorum, compagnon de misères, meu companheiro sofredor!”

acima de tudo a coisa mais necessária na vida – a tolerância, a paciência, a consideração, e o amor ao próximo, dos quais todos estão igualmente carentes, e os quais, portanto, todo homem deve ao seu conviva.”

* * *

O tempo é aquilo em que todas as coisas vão embora; é meramente a forma sob a qual a vontade de viver – a coisa-em-si e portanto imperecível – se revelou um esforço em vão”

Aquilo que foi não existe mais; existe tão pouco quanto aquilo que nunca foi. Mas de tudo o que existe você deve dizer, no instante seguinte, que aquilo já foi. Daí que algo de suma importância agora já passado é inferior a qualquer insignificância vigente, já que a última é uma realidade, e é comparável ao primeiro como algo se compara ao nada.

Um homem se acha, para seu grande espanto, de repente existindo, depois de milhares e milhares de anos de não-existência: ele vive uma pequenitude; e depois, de novo, vem um período igualmente longo em que ele deve deixar de existir. O coração se rebela contra isso, e sente que não pode ser verdade. O intelecto mais cru não pode especular neste assunto sem ter um pressentimento de que o Tempo é algo ideal em sua própria natureza. Essa idealidade do Tempo e Espaço é a chave para qualquer verdadeiro sistema de metafísica; porque subsidia uma outra ordem das coisas da qual não suspeitaríamos estando simplesmente no puro domínio da natureza. Essa é a razão de Kant ser tão grandioso.”

nas profundezas mais profundas de nosso ser estamos secretamente conscientes de nosso naco na inextinguível primavera da eternidade, de modo que sempre podemos esperar achar vida nova.

Considerações do naipe desta acima, com efeito, nos levam a aderir à crença de que a maior sabedoria consiste em fazer do saboreio do presente o supremo objetivo da vida; porque essa é a única realidade, tudo o mais sendo meramente o teatro do pensamento. Por outro lado, tal postura poderia ainda ser chamada de a maior das tolices: uma vez que aquilo que no momento seguinte já não existe mais, e desaparece sem volta, como um sonho, nunca poderia ser levado a sério.”

Somos como um homem correndo ladeira abaixo, que não pode se manter sobre as próprias pernas a não ser que continue correndo, e vai inevitavelmente cair se parar” “como um acrobata sobre a corda – em um mundo tal, a felicidade é inconcebível.” “E depois, dá na mesma se ele foi feliz ou miserável”

POR TRÁS DO TRAMPOLIM

embora estejamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, ao mesmo tempo não nos arrependemos com menos freqüência, almejando apenas ter o passado de volta. Olhamos para o presente como algo a ser sofrido enquanto tiver que durar, presente que serve unicamente de rota até nosso objetivo final” “O primeiro objetivo é ganhar algo; o segundo, banir o sentimento de que esse algo foi ganho; doutra forma, tornar-se-ia um peso.”

ECLÉTICO VAZIO: “o que é o tédio, senão a sensação da vacuidade da vida?”

O anseio pelo que é estranho e incomum – uma tendência inata e inerradicável da natureza humana – mostra o quão agradecidos estamos por qualquer interrupção do curso natural das coisas, que é sempre tão tedioso.”

Quão ridículo tudo parece! É como uma gota d’água vista ao microscópio; uma simples gota fervilhante com infusoria [vida primitiva; celenterados]; ou um pontinho de queijo cheio de ácaros invisíveis a olho nu. Como rimos quando eles perambulam agitados, chocando-se uns contra os outros, num espaço tão reduzido!”

* * *

Até onde eu sei, ninguém a não ser os devotos de religiões monoteístas, isto é, judias, olha para o suicídio como um crime. Isso é ainda mais surpreendente quando nem no Antigo nem no Novo Testamento há qualquer proibição ou desaprovação positiva do ato; tanto que professores religiosos são obrigados a basear sua condenação do suicídio em dogmas filosóficos de seu próprio punho.”

Eles nos dizem que o suicídio é o maior exemplo de covardia; que só um louco poderia cometê-lo; e outras insipidezes de correlato calibre; ou então fazem aquela observação disparatada de que o suicídio é errado; quando é bem óbvio que não há nada no mundo com mais autoridade sobre sua vida que o próprio sujeito.

O suicídio, como eu afirmei, é reputado um crime; e um crime que, especialmente sob a intolerância vulgar prevalecente na Inglaterra, é seguido por um enterro ignominioso e o confisco da propriedade do falecido; por essa razão, num caso de suicídio, o júri quase certamente conclui pelo veredito da insanidade.”

Pense na impressão causada pela notícia de que um conhecido seu cometeu o crime, vamos dizer, de assassinato ou roubo, ou que foi culpado por algum ato de crueldade ou engodo; compare agora com seus sentimentos quando ouve que ele conheceu uma morte voluntária. Ao passo que no primeiro caso um vivo sentido de indignação e de extremo ressentimento irá desabrochar, e que você irá clamar em alto e bom som por punição ou vingança, no segundo caso você será abatido pelo pesar e a simpatia; e embrenhada em seus pensamentos estará a admiração pela sua coragem, ao invés da desaprovação moral que logo sucede a uma má ação.”

O principal dos remédios para uma mente aturdida é a sensação de que, entre as bênçãos que a Natureza concede ao homem, nenhuma há maior do que uma morte oportuna; e o melhor de tudo é que qualquer um pode se a proporcionar.” Plínio – História Natural, cap. 28; §1.

Nem a Deus tudo é possível; porque a ele não cabe se matar, mesmo que quisesse morrer e, mesmo em meio a todas as misérias de nossa vida mundana, esse é o maior presente que ele nos deu.” Plínio – História Natural, cap. 2; §1.

Em Massilia e na ilha de Ceos, o homem que pudesse dar razões válidas para abandonar a própria vida recebia uma taça de cicuta do magistrado; tudo isso era feito em público.” Cf. Valerius Maximus, Heráclides Pôntico e Estrabão.

O homem bom deve fugir da vida quando suas desgraças se tornarem demasiadas; o homem mau, também, quando se tornar muito próspero.” Estobeu

E encontramos que os Estóicos elogiavam o suicídio como uma ação nobre e heróica, como centenas de passagens nos mostram”

Como é bem sabido, os hindus enxergam o suicídio como um ato religioso, especialmente quando vem sob a forma da auto-imolação das viúvas; mas também quando consiste em jogar-se debaixo das rodas da charrete do deus na Jamanta, ou ser devorado por crocodilos no Ganges, ou afogar-se nos tanques sagrados nos templos, e assim por diante.”

Em O Órfão da China (L’Orphelin de la Chine)[*], uma celebrada peça chinesa, quase todos os personagens nobres se suicidam; sem o menor indício em lugar nenhum, ou qualquer impressão causada no expectador, do cometimento de um crime. Nos nossos próprios teatros é igual – Palmira, por exemplo, em Mahomet, ou Mortimer em Maria Stuart, Othello, a Condessa Terzky[**]. É o monólogo de Hamlet a meditação de um criminoso?

[*] Tradução francesa de Saint Julien, 1834.

[**] N.T.I. – Palmira: escrava na peça Maomé de Goethe; Mortimer: um pretendente amoroso de Mary, que realiza a façanha de resgatá-la em Maria Stuart de Schiller. Condessa Terzky: uma das protagonistas de A Morte de Wallenstein [fecho de uma trilogia também de Schiller].”

Hume escreveu um Ensaio sobre o Suicídio[*], mas a obra não atraiu atenções até depois da morte do autor, quando foi imediatamente suprimida, devido à abominável tirania eclesiástica e à escandalosa intolerância preponderantes na Inglaterra de outrora; pouquíssimas cópias, desde então, foram vendidas, sob total segredo e a preços elevados.

[*] Essays on Suicide and the Immortality of the Soul [Ensaios sobre o Suicídio e a Imortalidade da Alma], do velho David Hume, Basiléia, 1799, ed. James Decker.”

Ver meu tratado, denominado Dos Fundamentos da Moral.”

A poupa mais entranhada das verdades do Cristianismo, o seu mais profundo ensinamento, é que o sofrimento – a Cruz – é o verdadeiro fim e objetivo da vida. É por isso que o Cristianismo condena o suicídio, por frustrar esse fim; ao mesmo tempo, o mundo antigo, tomando um ponto de vista menos elevado, aprovava o suicídio, aliás, honrava-o mesmo[*]. Mas se tiver de ser enumerada uma razão válida contra o suicídio, ela envolve o reconhecimento do asceticismo; ou seja, ela é válida somente sob um ponto de referência ético muito mais elevado do que qualquer um jamais adotado pelos filósofos morais da Europa. Se abandonarmos estes cumes, não há qualquer sustentabilidade, moralmente falando, para a condenação do suicídio. A energia e o zelo extraordinários com os quais o clero das religiões monásticas ataca o suicídio não são ancorados seja por qualquer passagem da Bíblia seja por qualquer consideração de peso; a ponto de que parece haver alguma razão secreta para sua contenda. Não seria essa – que a desistência voluntária da vida é um péssimo cumprimento àquele que disse que todas as coisas eram maravilhosas? Se assim for, eis outro exemplo do crasso otimismo dessas religiões, – revelado ao condenarem o suicídio antes que ele mesmo pudesse condená-las.

[*] N.T.I. – Schopenhauer se refere ao parágrafo 69 do primeiro volume de O Mundo como Vontade e Representação, onde o leitor se deparará com o mesmo argumento defendido de forma mais pormenorizada. De acordo com Schopenhauer, a liberdade moral – a maior meta ética – só poderia ser adquirida pela via da negação da vontade de viver. Mas longe de se apresentar como uma negação, o suicídio é uma asserção enfática dessa vontade. Porque a negação consiste em fugir dos prazeres, e não dos sofrimentos da vida. Quando um homem destrói sua existência como um indivíduo, não está de forma alguma destruindo sua vontade de viver. Ao contrário, ele até gostaria de continuar a viver se pudesse vir a fazê-lo com auto-satisfação, se pudesse asseverar sua vontade contra o poder da circunstância; mas a circunstância é forte demais para ele.

Será geralmente aceito que, assim que os horrores da vida tiverem atingido o ponto em que ultrapassam os horrores da morte, um homem aceitará pôr fim a sua vida. Mas os terrores da morte oferecem considerável resistência; pairam como uma sentinela diante do portão que conduz para fora desse mundo. Talvez que não existisse homem vivo que não tivesse já colocado um fim a sua vida, se esse fim tivesse puramente um caráter negativo, uma parada súbita da existência. Há algo de positivo nele; é a destruição do corpo; e um homem estremece diante dessa possibilidade, porque seu corpo é a manifestação da vontade de viver.

Entretanto, a luta com esta sentinela é, via de regra, menos difícil do que poderia parecer de uma distância ainda muito longa, principalmente em decorrência do antagonismo entre os males do corpo e os males da mente. Se estamos em grande dor corporal, ou a dor perdura por um longo período, tornamo-nos indiferentes a outros problemas; tudo no que pensamos é em melhorar. Da mesma forma, grande sofrimento mental nos torna insensíveis à dor física; desprezamo-la; aliás, se esta ultrapassar a outra, até distrai nossos pensamentos, e a saudamos como uma pausa bem-vinda ao nosso sofrimento mental. É essa sensação que torna o suicídio fácil; a dor corporal que o acompanha perde toda significância aos olhos daquele torturado por um excesso de conturbação mental. Isso é especialmente evidente no caso daqueles levados ao suicídio por um mau-humor puramente mórbido e exagerado. Nenhum esforço especial para superar seus sentimentos é necessário, nem precisam essas pessoas de incentivo para se decidirem; assim que o protetor delas encarregado se ausenta por poucos minutos, dão rapidamente cabo da vida.

Quando, num sonho pavoroso e horripilante, atingimos o ápice do terror, automaticamente despertamos; isso basta para banir todas as formas hediondas que nasceram da noite. E a vida é um sonho”

O suicídio também deve ser contemplado como um experimento – uma questão que o homem coloca à Natureza, tentando forçá-la a responder.”

* * *

IMORTALIDADE: UM DIÁLOGO

N.T.I. – A palavra imortalidade – Unsterblichkeit – não consta do original; nem encontraria lugar, em sua forma usual, no vocabulário de Schopenhauer. A palavra por ele usada é Unzerstörbarkeit – indestructibility, indestrutibilidade. Mas preferi imortalidade, já que esta palavra está intimamente associada com a matéria tratada neste pequeno debate.”

[Abaixo, alguns trechos significativos da paródia de diálogo platônico entre dois doutrinários, Trasímaco e Filaletes. Note-se que em nenhum dos trechos significativos assinalados temos a citação da palavra imortal ou indestrutível ou qualquer uma de suas derivações.]

TRASÍMACO. (…) “Mas basta dessa ladainha kantiana: está antiquada e não se aplica às idéias modernas. Ultimamente tivemos incríveis linhagens de espíritos eminentes na metrópole chamada Pensamento Alemão—”

TRASÍMACO. “O imponente Schleiermacher, por exemplo, e aquele intelecto gigantesco, Hegel; e a essa hora da razão abandonamos todos esses disparates. Diria, inclusive, que estamos tão além deles que não podemos nem mais agüentar voltar a essas coisas.” (…)

FILALETES. (…) “Seu verdadeiro eu não conhece nem tempo, nem começo, nem fim, nem os limites de qualquer indivíduo dado. (…) Isso é o que eu quis dizer quando disse que depois da morte você seria tudo e nada. (…) Você vê o que acontece quando tentamos transportar o transcendental para os limites do conhecimento imanente.” (…)

FILALETES. (…) “Quando você está morto, tanto faz 3 meses no mundo da consciência, ou 10 mil anos. Num caso como noutro, trata-se afinal de contas de acreditar na resposta que lhe dão quando você desperta.” (…)

FILALETES. “Pense no que você está fazendo! Quando você insiste nesse eu, eu, eu quero existir, não é você sozinho que fala assim. Tudo o repete, absolutamente tudo com o traço mais vago de consciência. Segue daí que esse desejo seu é só a parte de você que não é individual – a parte que é comum a todas as coisas sem distinção. É o grito, não do indivíduo, mas da existência em si mesma; é o elemento intrínseco em tudo que existe, aliás, é a causa de qualquer existência. Esse desejo clama por, então é satisfeito por, nada menos que a existência em geral – não qualquer existência individual definida. Não! não é seu objetivo. Parece ser somente porque esse desejo – essa Vontade – alcança consciência só no individual, e por isso parece estar relacionada apenas com o indivíduo. (…) se ele refletir, poderá quebrar os grilhões e se libertar (…) De tudo que discutimos fica claro que a individualidade não é uma forma de perfeição, mas, ao contrário, de limitação; livrar-se dela não é uma perda, e sim um ganho. Não perca mais seu tempo com o problema. Depois da completa compreensão do quê você é, o que é realmente sua existência, a saber, a vontade universal de viver, tudo o mais se torna infantil, o sumo do ridículo!”

TRASÍMACO. “Você é que é infantil e o sumo do ridículo, como todos os filósofos! e se um homem da minha idade se deixa levar por 15 minutos por uns papos tolos como estes, a única razão é que isso me diverte, ajuda a passar o tempo. Tenho mais o que fazer, então adeus.”

* * *

Há uma propriedade inconsciente na forma como, em todas as línguas européias, a palavra pessoa [person] é comumente usada para denotar um ser humano. O real significado de persona é uma máscara, como as que os atores estavam acostumados a vestir no palco antigo; e é bem verdade que ninguém se mostra como realmente é, mas veste sua máscara e encena suas partes. De fato, o todo de nossos arranjos sociais poderia ser comparado a uma perpétua comédia; e é por isso que um homem que valha alguma coisa considera a sociedade tão insípida, enquanto um tonto se sente em casa ao estar nela.”

a razão é um excelente freio em momentos nos quais nos sentimos possuídos por paixões instintuais, um impulso de ira, algum desejo ávido, qualquer coisa que nos levasse a cometer loucuras de que depois nos arrependeríamos.”

POR QUE DESPREZAR É UMA CONTRADIÇÃO EM TERMOS

O ódio vem do coração; o desprezo da cabeça; e nenhum dos dois sentimentos está basicamente sob nosso controle. Não podemos modificar nosso coração; seu núcleo é determinado por motivos, estímulos; e nossa cabeça lida com fatos objetivos, e a eles aplicamos regras imutáveis. Dado indivíduo é a união toda única de um coração particular com uma cabeça particular.

Ódio e desprezo são diametralmente opostos e mutuamente exclusivos. Não são poucos os casos em que o ódio a alguém radica na forçosa estima por suas qualidades. Além do mais, se um homem decide odiar todas as miseráveis criaturas que encontra pela frente, não terá muita energia para mais nada; no lugar, ele poderia desprezar cada uma, uma e todas, com a maior facilidade. O autêntico e genuíno desprezo é tão-somente o inverso do autêntico e genuíno orgulho; mantém-se quase sempre quieto e não emite sinais de sua existência. Porque se um homem mostra que o despreza, ele deixa entrever o quanto se preocupa com o outro, ele quer que ao menos seja visto quão pouco você é apreciado; seu sentimento é ditado pelo ódio, que não pode conviver com o desprezo real. Ao contrário, se for genuíno, esse desprezo é simplesmente a convicção de que o objeto desprezado é um homem sem qualquer valor. Desprezo não é incompatível com indulgência e tratamento gentil, e, visando à própria paz e segurança, aqueles não deveriam ser omitidos; prevenirá irritação; lembrando que não há ninguém incapaz de prejudicar, se devidamente provocado. O problema é que se esse desprezo puro, frio e sincero se revelar uma vez que seja, será confrontado com o mais truculento ódio; já que a pessoa desprezada não está na posição de enfrentar o desprezo com suas próprias armas [um desprezo superior, que seria invisível].”

Melancolia é uma coisa bem diferente de mau-humor, e das duas, não é a mais distante de um temperamento alegre e contente. A melancolia atrai, enquanto o mau-humor repele.

A hipocondria é uma espécie de tormento que não só nos faz cruzar desarrazoadamente com as coisas do presente; não só nos enche de ansiedade infundada no relativo a desgraças futuras que partem inteiramente de nossa imaginação; mas leva, ainda, a uma não-merecida auto-censura pelo que fizemos no passado.

A hipocondria se mostra numa perpétua caça atrás de coisas que vexem e importunem, tratando em seguida de ruminar sobre elas [consolo: ter sempre falsas esperanças também seria uma merda!]. A causa disso é um descontentamento mórbido inato, freqüentemente coexistindo com um temperamento naturalmente incansável. Na forma extrema, esse descontentamento e essa incansabilidade levam ao suicídio.

Por que é que comum é uma expressão que designa desprezo? e que incomum, extraordinário, distinguido, denotam aprovação? Por que tudo que é comum é desprezível?

Comum em seu significado original denota aquilo que é peculiar a todos os homens, i.e., compartilhado igualmente por toda a espécie, e conseqüentemente uma parte inerente de sua natureza. De acordo, se um indivíduo não possui qualidades além daquelas que se atribui à humanidade em geral, ele é um homem comum. Ordinário é uma palavra ainda mais modesta, e se refere ao caráter intelectual; enquanto comum tem aplicação eminentemente moral.

Que valor pode ter uma criatura que não é uma vírgula diferente de milhões de seus semelhantes? Milhões, digo eu? uma infinitude de criaturas que, século após século, numa torrente sem-fim, a Natureza envia borbulhando de suas fontes inesgotáveis; tão generosa com elas quanto o ferreiro com as faíscas inúteis que saltam de sua bigorna.

É obviamente acertado que uma criatura que não tem qualidades a não ser as da espécie deveria se limitar a levar uma existência inteiramente confinada aos limites da espécie, e a viver uma vida condicionada por esses limites.

(…) ao passo que um animal inferior não possui nada a mais do que o caráter genérico de sua espécie, o homem é o único animal que pode reivindicar possui um caráter individual. Mas na maioria deles esse caráter individual é muito pouco, quase nada (…) eles são de um caráter trivial, cotidiano, comum, e existem aos milhares. Você pode dizer de antemão o que eles vão dizer e fazer[*]. Eles não têm carimbo ou marca especiais que os distingam; são como bens manufaturados, todos advindos de um mesmo tecido.

[*] Nota do Tradutor para o Português (eu, Rafael C.!) – O tipo Th.-Ne. Com efeito, até as fotos no Instagram são plenamente previsíveis!

(…) Qualquer coisa que é elevada ou grandiosa ou nobre deve, pois, por sua própria natureza, manter-se sozinha num mundo em que nenhuma expressão pode retratar melhor o que é baixo e desprezível como a que eu citei no início do capítulo, de uso universal: comum.”

o que coloca um sobre o outro e cria diferenças entre homem e homem é o intelecto e o conhecimento; portanto, em qualquer manifestação do eu deveríamos, tanto quanto possível, dar vazão puramente ao intelecto; afinal, como vimos, a vontade é a parte comum a todos nós. Toda exibição violenta da vontade é comum e vulgar; em outros termos, ela nos reduz ao nível da espécie, e nos torna mero tipo, exemplar, amostra; nisso, estamos mostrando apenas o caráter da espécie. Qualquer rompante de fúria não passa de algo comum – qualquer demonstração desenfreada de júbilo, ou ódio, ou medo – em suma, toda forma de emoção (…)

Ao ser complacentes com emoções desse tipo violento, os maiores gênios se rebaixam ao mesmo nível do mais vulgar filho da terra. Contrariamente, se um homem deseja ser absolutamente incomum, ou seja, grande, ele nunca deve permitir que sua consciência seja dominada pelo movimento de sua vontade, não importa o quanto seja premido a isso. Por exemplo, ele deve ser capaz de observar que outras pessoas são mal-intencionadas quanto a ele, sem sentir qualquer ódio por elas ele mesmo; não há nenhum indício mais seguro de uma mente grandiosa do que sua recusa a dar importância a expressões incômodas e insultuosas, atribuindo-as aliás, como essa mente atribui incontáveis outros erros, ao conhecimento deficitário do interlocutor, sem sentir nada em decorrência de sua observação. Esse é o sentido daquele comentário de [Baltasar] Gracián, de que nada é mais indigno dum homem que deixar que vejam que ele é umo maior desdouro de um homem é dar mostras de que é homem[*].

[*] N.T.P. – Preferi traduzir a própria citação do original, que estava em Espanhol, também em itálico, uma vez que não corresponde literalmente à tradução de Schopenhauer imediatamente anterior.

(…) os trabalhos dos escritores trágicos franceses, que não vislumbram nada além da delineação das paixões; e ao deixarem-se cair por um momento num tipo de pathos vaporoso que os torna ridículos, e incorrerem num outro em chistes epigramáticos, tentam esconder a vulgaridade de seu discurso. (…) o verdadeiro sentimento trágico, do qual, de fato, os franceses não têm a menor noção. (…) a natureza italiana, embora em muitos respeitos tão diferente da alemã, compartilha com ela sua apreciação pelo que é profundo, sério e verdadeiro na Arte (…)

O elemento nobre, ou seja, incomum, no drama – o que nele é sublime – não é atingido a menos que o intelecto seja posto para trabalhar, em oposição à vontade; até o intelecto sobrevoar livremente todos esses movimentos apaixonados da vontade, e subjugá-los a sua contemplação. Shakespeare, em particular, mostra que esse é o método geral, sobretudo no Hamlet. E só quando o intelecto emerge ao ponto em que a vaidade de qualquer esforço é manifesta, e a vontade procede a um ato de auto-anulação, é que o drama é trágico na verdadeira acepção da palavra”

todo homem que quer atingir alguma coisa, seja na vida prática, na literatura, ou na arte, deve seguir as regras sem conhecê-las.”

Homens de grande capacidade acharão, em regra, a companhia de pessoas muito estúpidas preferível àquela do homem médio; pela mesma razão que o tirano e as massas e o avô e os netos são aliados naturais.”

Que o homem comum está centrado inteiramente no prazer e bem-estar físico não é provado só pelo seu modo de vida e as coisas que diz, mas essa verdade se mostra também no jeito como olha, na expressão de sua fisiognomonia, seus passos e gestos [(So-) Ma(-rria)niac (, flor do dia!)]. Tudo nele[a] grita: in terram prona [terra de ninguém]!

Não é a ele, é só às naturezas mais nobres e bem-dotadas – homens que realmente pensam e percebem os seus arredores, e formam espécimes excepcionais da humanidade – que as linhas seguintes se aplicam:

Os homini sublime dedit coelumque tueri Jussit et erectos ad sidera tollere vultus.” [“Deus deu ao homem uma postura ereta para investigar os céus e contemplar as estrelas” – Ovídio – Metamorfoses]

Ninguém conhece a própria capacidade para agir e sofrer que guarda dentro de si mesmo, até algo vir e despertar sua atividade (…) Quando a água é tão fria como o gelo, não se faz idéia do calor latente nela contido.”

Por que é que, a despeito de todos os espelhos do mundo, ninguém sabe como realmente é e aparenta ser?

Um homem poderia lembrar o rosto de um amigo, mas não o próprio. Aqui, pois, jaz uma dificuldade inicial na aplicação da máxima, Conhece-te a ti mesmo. [A frase é atribuída a 11 filósofos gregos diferentes.]

Isso se atribui, em parte, sem dúvida, à impossibilidade dum homem se ver refletido exceto com o rosto voltado rigorosamente para a superfície de vidro, e desde que em perfeita imobilidade; porquanto nesta postura a expressão dos olhos, que conta tanto, e dá todo o caráter à face, está quase toda perdida. (…) Um homem não pode olhar seu próprio reflexo como se a pessoa apresentada ali fosse um estranho a ele; todavia, isso seria necessário se se quisesse tomar uma visão objetiva. (…) algo advindo de sua própria natureza egotística cochicha: lembre-se que não é estranho nenhum, é você mesmo para quem você está olhando; e isso opera como um noli me tangere[*], e o previne de tomar uma visão objetiva.”

[*] N.T.P. – “Não me segures” ou “Não me detenhas”, conforme a tradução do Novo Testamento, João 20:17, Cristo a Madalena depois de ressuscitar.

Conforme a energia mental de um homem é exortada ou relaxada, a vida parecerá a ele ou curta demais, e petulante, e passageira, a ponto de nada poder suceder que merecesse sua consideração ou desgaste emocional; daí ele concluir que nada realmente importa, prazer ou riquezas, ou mesmo fama, e que qualquer que tenha sido o fracasso de um homem, ele não perdeu muito – ou, partindo para o lado oposto, a vida parecerá tão longa, tão relevante, tão integral e minuciosa, tão momentosa e cheia de dificuldades, que temos de mergulhar nela com toda nossa alma se quisermos obter um naco de seus bens, ter certeza de ser recompensado e concretizar nossos planos. Essa última é a visão imanente e mais comum da vida (…) A primeira é a visão transcendente, mais bem-expressa pela citação ovídica non est tanti [não é pra tanto] (…) Essa condição da mente é proporcionada pelo intelecto tomando a rédea da consciência, quando, liberta do serviço da vontade, esta consciência analisa o fenômeno da vida objetivamente (…)

Um homem é grande ou pequeno conforme ele se incline para a primeira ou a segunda dessas perspectivas.

Pessoas dotadas de brilhantes habilidades desvalorizam o ato de admitir seus erros e fraquezas, ou de deixar os outros os perceberem. Eles consideram esses mesmos erros algo pelo que já pagaram devidamente; e ao invés de simularem que esses defeitos são uma desgraça para eles, vêem-nos como honrosos. Isso é especialmente verdadeiro quando os erros são visíveis sempre acompanhados de suas maiores qualidades – conditiones sine quibus non [sem um, sem o outro, se um vem, o outro também!] – ou, como George Sand dizia, les défausts de ses vertus [os defeitos de suas virtudes].

Contrariamente, há pessoas de bom caráter e capacidade intelectual irreprochável que, longe de admitir suas poucas debilidades, escondem-nas com zelo, e se mostram bastante sensíveis a qualquer sugestão de sua existência; e isso porque todo seu mérito consiste em ser livres de erros e fraquezas. Se essas pessoas forem flagradas cometendo alguma falha, sua reputação decai de imediato.”

Nas pessoas de habilidade moderada, a modéstia é mera honestidade; mas nos de grande talento, hipocrisia.”

Não freqüentar o teatro é como fazer a toalete sem um espelho[*]. Mas é ainda pior tomar uma decisão sem consultar um amigo. Porque um homem pode ter o juízo mais perfeito em outros assuntos, e ainda assim se precipitar quando se trata de si mesmo”

[*] N.T.P. – Essa frase envelheceu tanto de um século e meio para cá que eu diria, para recontextualizá-la: Não ir ao cinema é como sair com os amigos e não tirar selfies.

deve ser admitido que muitos homens têm um grau de existência pelo menos 10x mais elevado que outros – em outras palavras, existem 10x mais. (…)

(no norte da Europa a ansiedade produzida pelos meses de inverno torna as pessoas mais pensativas e portanto reflexivas) (…)

Os homens comuns nunca refletem sobre sua vida como um todo interconectado, quanto mais sobre a existência em geral; até certa medida, pode-se dizer que existem sem realmente saber disso. [Dg.] (…) Observe o pobre[, e como ele é o feliz inconsciente]. § Depois, passando por esse tipo de homem, considere, em seguida, o mercador, sóbrio e sensato (…) § Depois olhe para o homem culto, que investiga, quem sabe, a história do passado. Ele terá chegado ao ponto em que um homem se torna consciente da existência como um todo, enxerga além do período de sua própria vida, além de seus próprios interesses, meditando acerca do curso inteiro da história do mundo. § Por fim, dê uma olhada no poeta e no filósofo, em quem a reflexão atingiu tal dimensão que, ao invés de estar inclinado à investigação de fenômenos particulares, ele paira absorto diante da existência ela mesma, essa grande esfinge, e faz disso seu problema. (…) Se, portanto, o grau de consciência é o grau de realidade, esse homem, dir-se-á, existe mais do que tudo, existe mais que os demais, e fará sentido e terá um significado descrevê-lo assim.

Entre os dois extremos aqui esboçados, e os seus estágios intermediários, cada leitor saberá achar o seu lugar.”

Schopenhauer rules. Over nothing, but he rules.

Um inglês, por exemplo, considera um insulto mortal dizerem que ele não é um gentleman; ou, pior ainda, que ele é um mentiroso; um francês terá o mesmo sentimento ao ser chamado de covarde, e um alemão se você chamá-lo de estúpido.

(…) sentimos que a imaginação é ativa na exata proporção em que nossos sentidos não são excitados por objetos externos. Um longo período de solidão, ou na prisão ou numa ala de hospital; quietude, crepúsculo, escuridão – são essas as coisas que produzem a atividade mental; e sob sua influência a imaginação cresce espontaneamente. Por outro lado, quando uma grande quantidade de materiais é apresentada às nossas faculdades de observação, como acontece numa viagem, ou no vaivém do mundo, ou, ainda, por oposição, à luz do dia, a imaginação é pueril, e, por mais que se a convoque, ela se recusa a tornar-se ativa, como se entendesse que não é a hora mais indicada.

(…) A fantasia é alimentada praticamente do mesmo jeito que o corpo, que é menos capaz de qualquer trabalho e prefere não fazer nada no exato momento em que recebe sua comida, que tem que digerir.[*]

[*] N.T.P.Reflexões pessoais: O tédio e a falta de brinquedos; infância-adolescência-madurez: de expectador a criador de games, RPGs, canções e obras. Televisão só serve pra isso: pra desligar nossa tevê interna. A festa é o dia do lixo do artista. Pé na jaca da sociedade. O diplomata é o tipo do eterno-passivo. Artista de caravana: será tão artista assim? Nada mais movimentado do que o gabinete do escritor… Guarda noturno e seus fantasmas… Quão mais doente, mais filósofo. Certamente o celibatário Kant nunca precisou pedir mais tempo ou espaço para alguém! Flor sobrecar-regada. Hoje não vou à academia, porque ontem filosofei a noite toda. Gandaia da gaia-ciência. Uma nota ao pé-de-página (pede mas não dou) da partitura: você não pode errar do samba desses versos a cadência.

Devido a um processo de contradição, a distância no espaço faz as coisas parecerem pequenas, e conseqüentemente livres de defeitos. É por isso que uma paisagem parece tão melhor num espelho contraído ou numa camera obscura, do que na realidade. O mesmo efeito é produzido pela distância no tempo.”

nossa memória de alegrias e tristezas é sempre imperfeita, e se torna um problema de indiferença para nós assim que elas acabam. Explica-se, assim, a vaidade da tentativa, que fazemos às vezes, de reviver os prazeres e as dores do passado. (…) a vontade, como tal, é desprovida de memória, que é função do intelecto”

uma boa imaginação deixa mais fácil aprender línguas; já que com seu auxílio a nova palavra é de uma vez incorporada ao objeto referente; ao passo que, sem imaginação, é colocada puramente em paralelo com a palavra equivalente na língua-mãe.

Mnemônicos deviam não somente ser a arte de guardar coisas indiretamente na memória através de trocadilhos explícitos ou tiradas; deviam ser aplicados a uma teoria sistemática da memória, e explicar seus diversos atributos com referência tanto a sua natureza real quanto à relação desses atributos uns com os outros.”

Não podemos atribuir nenhuma razão nem explicar o porquê de esse momento em especial, dentre tantos milhares de momentos parecidos, ser rememorado. Parece mais uma questão de acaso, tanto quanto quando alguns meros espécimes duma espécie animal agora extinta são descobertos nas camadas de uma rocha; ou quando, ao abrir um livro, nos deparamos com um inseto acidentalmente esmagado pelas folhas. Memórias desse tipo são sempre doces e prazerosas.”

Acontece ocasionalmente, sem razão em particular, que cenas há muito esquecidas se iluminam de súbito na memória. Isso pode ser atribuído em muitos casos à intervenção de odores de difícil percepção, que acompanhavam essas cenas e agora ressurgem idênticos. É muito sabido que o sentido do olfato é excepcionalmente eficaz no despertar de memórias, e em geral não se requer muito esforço para a partir de uma só lembrança trazer à baila toda uma cadeia de idéias.” Se bem se comece a ficar louco pelos tímpanos…

enquanto a intoxicação aperfeiçoa a memória do que passou, atrofia nossa capacidade de recuperar o presente.”

Os homens necessitam de algum tipo de atividade externa quando são inativos interiormente. Contrariamente, quando são interiormente ativos, não consideram ser arrastados para fora de si mesmos; na verdade os atrapalharia e impediria sua cadeia de pensamentos duma forma que amiúde é desastrosa para eles.”

Os animais inferiores nunca riem, sozinhos ou em companhia. Myson, o misantropo, foi certa vez surpreendido por uma dessas pessoas enquanto ria sozinho. Por que você ri? ele foi perguntado; não há ninguém com você! É exatamente por isso que estou rindo, respondeu Myson.”

a gesticulação tem alguma analogia com a lógica e a gramática, uma vez que tem a ver com a forma, ao invés de com o conteúdo da conversação [D*** o eloqüente], mas, na outra mão, aquela é distinguível destas por ser mais moral do que intelectual; em outras palavras, reflete os movimentos da vontade. Como acompanhamento de uma conversação, é o baixo de uma melodia; e se, como na música, ela se mantiver condizente com o progresso do soprano, intensificará o efeito.

(…) qualquer que seja o assunto, com uma recorrência da forma, o mesmo gesto é inevitavelmente repetido. Então se acontecer de eu ver – da minha janela, digamos – duas pessoas tendo uma vívida conversação, sem poder pescar uma palavra sequer, eu poderei, não obstante, compreender a natureza geral do diálogo perfeitamente bem; melhor dizendo, o tipo de coisa que está sendo dita e a forma que ela exibe. (…)

Os ingleses nutrem um desprezo peculiar pelos gestos, considerando-os vulgares e indignos. Isso me parece um preconceito tolo de sua parte, e o resultado de tamanha rigidez nas coisas.”

* * *

após um longo caminho [escolar] de aprendizagem e leituras, entramos no mundo em nossa mocidade, parte com uma ignorância desafetada das coisas, parte com noções equívocas sobre elas; é aí que nossa conduta saboreia ora uma ansiedade nervosa, ora uma confiança infundada. A razão é simples: nossa cabeça está prenhe de conceitos que nos empenhamos em aplicar ao real, procedimento que quase nunca surte o efeito desejado. Esse é o resultado quando se age na direção oposta ao desenvolvimento natural da mente, tratando de fazê-la obter primeiro as idéias gerais, depois as observações particulares. (…) Os pontos de vista equivocados na vida, que nascem de uma falsa aplicação dos conceitos, têm de ser, em seguida, corrigidos por longos anos da experiência; e não-raro esses pontos de vista acabam mesmo sendo inteiramente corrigidos. Eis a razão de tão poucos homens cultos possuírem o senso comum num grau semelhante ao de pessoas sem qualquer instrução.” Dedicado ao Imperativista Categórico Luan.

Ninguém pode olhar dentro de sua própria cabeça sem observar que foi só depois de atingir uma idade muito madura, e em alguns casos quando menos se esperava, que se chegou a um entendimento correto ou a uma visão clara de tantos problemas da vida, que, afinal, não eram assim tão difíceis ou complicados.”

um cuidado especial teria de ser tomado para prevenir as crianças de usar palavras sem claramente entender seu significado e aplicação. A tendência fatal em se satisfazer com palavras ao invés de tentando entender as coisas – a tendência a aprender as frases por decoreba, de modo que sirvam de refúgio em tempos de necessidade, é uma regra, mesmo para a infância”

preconceitos, que ao cabo se tornam idéias fixas.”

Ao invés de nos apressarmos em depositar livros, e livros tão-só, em suas mãos, deveríamos familiarizar os jovens, passo a passo, com as coisas

Desaprender o mal foi a resposta que, de acordo com Diógenes Laércio, Antístenes deu, quando perguntado qual o ramo do conhecimento mais necessário; podemos entender o que ele quis dizer.

Nenhuma criança abaixo dos 15 deveria receber instrução em assuntos que podem ser o veículo de sério erro, como a filosofia, a religião, ou qualquer outro ramo do conhecimento em que seja necessário adotar pontos de vista abrangentes; porque noções equivocadas assimiladas desde cedo podem com freqüência ser arrancadas fora, mas de todas as faculdades intelectuais o julgamento é a última a chegar à maturidade. A criança deveria dedicar sua atenção ou a matérias em que o erro não é de fato possível, como na matemática, ou àquelas em que errar não representa perigo, como nas línguas, ciências naturais, história e assim por diante.

Em compensação, a memória deveria ser bastante usada na infância, visto que é nessa fase da vida que ela se mostra mais forte e tenaz. Acontece que a escolha das coisas com que a memória deverá se comprometer nessa idade deve ser a mais cuidadosa e previdente possível; já que lições no tempo da infância jamais são esquecidas.”

O conhecimento que derivamos de nossa própria observação é usualmente distinto daquele que adquirimos através de idéias abstratas; aquele vem de forma natural, esse do que outras pessoas nos dizem e da seqüência da instrução que recebemos, seja ela boa ou má. O resultado é que na juventude há geralmente muito pouca concordância ou correspondência entre nossas idéias abstratas, que são meras frases em nossa cabeça, e o autêntico conhecimento que tenhamos obtido graças a nossa própria observação. (…)

Essa maturidade ou perfeição do conhecimento é algo relativamente independente de outro tipo de perfeição, que pode ser de um grau alto ou baixo – estou falando da perfeição a que um homem pode conduzir suas faculdades individuais; ela é mensurada não por qualquer correspondência entre os dois tipos de conhecimento, mas pelo grau de intensidade que cada tipo obtém.”

Na aquisição do conhecimento do mundo, é enquanto é-se um novato, expressamente na infância ou adolescência, que as primeiras e mais difíceis lições são-nos imputadas; mas acontece quase sempre de mesmo em anos tardios haver ainda um bom naco que aprender.

O estudo já é difícil o bastante por si mesmo; mas a dificuldade é duplicada pelos romances, que representam um estado de coisas na vida e no mundo que simplesmente não existe. A juventude é crédula, e aceita esses pontos de vista, que depois se tornam parte e parcela da mente; em vez de uma condição de ignorância meramente negativa, você tem o erro positivo – um tecido inteiro de falsas noções para começar; numa data vindoura, esse tecido virá de fato a arruinar o próprio aprendizado pela experiência, e erigirá construções defeituosas nas lições que ela puder ensinar. (…) expectativas foram alimentadas que jamais serão atingidas. Isso geralmente produz uma influência nefasta por toda uma vida. Nesse respeito, aqueles cuja juventude não lhes permitiu a leitura de romances – esses que trabalham com suas mãos e por aí vai – estão uma posição de decidida vantagem. São poucos os romances para os quais essa repreensão não pode ser dirigida – que aliás têm um efeito o contrário ao mau. Primeiro de tudo, para exemplificar, Gil Blas, e os demais trabalhos de Le Sage [Alain-René Lesage – o sábio?] (ou, melhor ainda, seus hispânicos originais); além dele, The Vicar of Wakefield [Oliver Goldsmith], e, até certo ponto, os romances de Sir Walter Scott. Dom Quixote poderia ser visto como uma exibição satírica dos erros aos quais venho me referindo.”

* * *

[Victor-Joseph Étienne de] Jouy: Sem mulheres, o começo de nossa vida seria desamparado; o meio, despido de prazer; e o final, sem consolo.

Mulheres são feitas para ser as enfermeiras e professoras de nossa tenra infância pelo fato de serem elas mesmas infantis, frívolas e inconseqüentes.”

Com as donzelas a Natureza parece ter tido em mente o que, na linguagem do drama, se chama um efeito de choque; por poucos anos ela as dota com tal riqueza de beleza e as enche do dom do charme, às custas de todo o resto de suas vidas; assim, durante esses anos elas talvez cativem a fantasia de algum homem num grau o bastante para que ele se apresse em garantir seu honorável cuidado e sustento, de um jeito ou de outro, enquanto viverem – um passo para o qual não pareceria haver garantias suficientes se só a razão governasse seus pensamentos.”

exatamente como a formiga-fêmea, depois da fecundação, perde suas asas, que se tornam então supérfluas, aliás, um perigo para o negócio do acasalamento; ao dar a luz a uma ou duas crianças, uma mulher geralmente perde sua beleza; provavelmente por razões similares.

Encontramos que jovenzinhas, em seus corações, vêem os afazeres domésticos ou o trabalho sob qualquer aspecto como de importância secundária, senão como mera pilhéria. O único assunto que clama sua atenção mais sincera é o amor, o que inclui a conquista e qualquer coisa com ela relacionada – vestidos, danças, etc.

Quanto mais uma coisa é nobre e perfeita, mais tarde e mais devagar essa coisa aparece na maturidade do sujeito. Dificilmente um homem atinge a maturidade de seus poderes de raciocínio e de suas faculdades mentais antes da idade de 28; uma mulher, dos 18. (…) Esse é o porquê de as mulheres permanecerem crianças o resto de suas vidas; nunca vendo nada a não ser o que está realmente próximo delas, apegando-se ao momento presente, tomando a aparência por realidade, e preferindo bagatelas a problemas de primeira importância. É em virtude de sua faculdade de raciocinar que o homem não vive apenas no presente, como o bruto, mas percebe em redor de si e considera o passado e o futuro; e essa é a origem da prudência, bem como daquele zelo e ansiedade que tantas pessoas exibem. (…) é assim que as coisas que estão ausentes, ou passaram, ou estão por vir, têm muito menos efeito sobre as mulheres que sobre os homens. Esta é a razão por que as mulheres estão mais inclinadas à extravagância, e às vezes levam essa inclinação a extremos que beiram a loucura [M*******]. Em seu íntimo, as mulheres acham que é papel do homem ganhar dinheiro e o seu gastá-lo. – se possível durante a vida do marido, mas, em última instância, após sua morte. O próprio fato de o marido dar-lhes parte de seus ganhos para a administração do lar reforça essa crença.”

Não é de forma alguma uma má idéia consultar mulheres sobre grandes dificuldades, como os alemães costumavam fazer em tempos antanhos; porque sua maneira de ver as coisas é consideravelmente divergente do nosso, principalmente pelo fato de elas preferirem adotar o caminho mais curto até suas metas, e, em geral, fitar a vista no que está logo à frente; enquanto que nós, via de regra, vemos muito além, ignorando o que está imediatamente diante do nariz. Nesses casos, conselhos femininos nos trazem de volta a uma perspectiva acertada, recuperando-nos a visão simples e aproximada dos problemas.

As mulheres são decididamente mais sóbrias em seus julgamentos do que nós; (…) caso nossas paixões sejam despertadas, tendemos a ver tudo de maneira exagerada, ou então imaginar o que não existe.

As debilidades de suas faculdades racionais explicam, ainda, por que as mulheres exibem mais simpatia pelos desafortunados, tratando-os com mais afabilidade e interesse; e esse é ainda o motivo de, em contrapartida, vermos as mulheres serem inferiores ao homem no tocante à justiça, sendo menos honoráveis e conscienciosas[*].

[*] A esse respeito, elas podem ser comparadas a um organismo animal que contém um fígado mas não uma vesícula biliar. Deixe-me referenciar o que relatei no meu tratado Sobre os Fundamentos da Moral, §17.

Destarte, será concluído que o defeito fundamental do caráter feminil é que ele não possui senso de justiça. (…) Elas são dependentes, não da força, mas do artifício; vem daí sua capacidade instintiva para a artimanha, e sua tendência inerradicável para contar mentiras. Assim como leões são providos de garras e presas, e elefantes e javalis estão dotados de dentes enormes, touros com chifres, e alguns moluscos com nuvens de fluido preto, assim também a Natureza equipou as mulheres, para sua defesa e proteção, com as artes da dissimulação. (…) a dissimulação é inata na mulher, e uma qualidade presente tanto na estúpida quanto na esperta. (…) Donde: uma mulher perfeitamente confiável e não dada à dissimulação é talvez uma impossibilidade, e justamente por isso ela é tão célere para enxergar a dissimulação nas outras, a ponto de ser tolice tentar a mesma tática contra ela. (…) O perjúrio numa côrte de justiça é muito mais amiúde cometido por mulheres que por homens. Deveria ser, inclusive, questionado se as mulheres poderiam fazer juramento! De tempos em tempos acham-se casos repetidos, em todo lugar, de senhoras, que não passam necessidade alguma, que subtraem itens de prateleiras no mercado quando ninguém está olhando, ausentando-se rapidamente em seguida.

A regra inata que governa a conduta das mulheres, embora secreta e jamais formulada, ou melhor, inconsciente em seu funcionamento, é essa: Estamos justificadas ao ludibriar aqueles que pensam que têm o direito de dominar a espécie ao dedicar pouca atenção ao individual, isto é, a nós. A constituição, por conseguinte o bem-estar, da espécie foram depositados em nossas mãos e atribuídos aos nossos cuidados, através do controle que adquirimos da próxima geração, que vem de nosso ventre; deixem-nos cumprir nossas obrigações escrupulosamente. Mas as mulheres não possuem o conhecimento abstrato desse princípio-mor; estão conscientes dele apenas como fato concreto; e elas não possuem outro método de dar expressão a ele do que seu modo de agir quando a oportunidade surge. Sua consciência não as incomoda tanto quanto pensamos; porque nos recessos mais escuros de seu coração elas estão cientes de que ao falharem em suas obrigações para com o indivíduo, elas estão cumprindo sua missão perante a espécie, o que é infinitamente superior.

(…) Essa característica dota sua vida e seu ser de uma certa frivolidade; a inclinação geral de seu caráter está para uma direção fundamentalmente diferente do do homem; e é isso que produz aquela discórdia na vida em casal que é tão freqüente, quase o estado normal.

O sentimento natural entre os homens é mera indiferença, mas entre as mulheres é de fato inimizade. A razão é aquele ciúme recíproco – odium figulinum – que, no caso dos homens, não excede os confins de suas ocupações particulares; com as mulheres, ele envolve todo o sexo; pois elas só têm um objetivo na vida. Até mesmo quando cruzam na rua, as mulheres se vêem como Guelfos e Gibelinos. E é um fato patente que quando duas mulheres são apresentadas uma a outra agem com mais constrangimento e dissimulação do que dois homens na mesma situação; advém daí o caráter ridículo de uma troca de comprimentos entre duas mulheres. Além do mais, enquanto um homem vai, como regra geral, preservar sempre um certo nível de consideração e humanidade ao se dirigir a outros, mesmo àqueles em posição tremendamente baixa, é intolerável ver o modo arrogante e desdenhoso como uma dama de sociedade se porta frente uma fêmea de mais baixa extração (e eu sequer estou falando de uma sua serviçal) (…) enquanto que uma centena de considerações importam para nós, no caso mulher-mulher só uma consideração é feita: com que homem se deram bem (…)

É só o homem cujo intelecto foi obscurecido por seus impulsos sexuais que poderia dar o nome de o belo sexo a essa raça nanica, de ombros estreitos, quadris largos e pernas curtas, uma vez que toda a beleza do sexo está ligada a este impulso. Em vez de chamarmo-las de bonitas, haveria mais precisão em descrever mulheres como o sexo antiestético. Nem por meio de música, poesia ou quadro algum fazem elas verdadeiramente sentido ou têm elas suscetibilidade; é mera zombaria se elas têm a pretensão de fazê-lo ou tê-la em seus esforços para agradar. Como resultado, elas são incapazes de mostrar um interesse puramente objetivo no que quer que seja. Um homem tenta adquirir maestria direta sobre as coisas, ou ao compreendê-las ou subjugando-as a sua vontade. Mas a mulher está sempre e em todo canto limitada à maestria indireta das coisas, isto é, pelo homem (…) até Rousseau declarou: As mulheres não demonstram, em regra, amor por nenhuma arte; elas não aprendem nenhuma; e não possuem gênio. [Na Carta a d’Alembert, nota 20.]

Ninguém que veja um pouco abaixo da superfície pode deixar de notar o mesmo. Basta observar como as mulheres prestam atenção a um concerto, à ópera ou a uma peça – a simplicidade infantil com que insistem em papagaiar mesmo durante as melhores passagens das maiores obras-primas. Se é verdade que os Gregos excluíam totalmente a mulher dos teatros, estavam certos ao fazê-lo; de qualquer lugar você iria poder escutar as falas do palco. Nos nossos dias seria mais proveitoso, no lugar de dizer Que a vossa mulher esteja calada na igreja[*], Que a vossa mulher esteja calada na peça! Poderia estar assim escrito em letras grandes nas cortinas!

[*] N.T.P. – Cf. o igualitário Apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 14:34.

E não se pode esperar nada a mais das mulheres se se considerar que as mais distinguidas intelectuais dentre todo este sexo jamais chegaram a produzir qualquer obra de respeito, genuína e original; nem regalaram o mundo com qualquer trabalho de valor permanente em qualquer esfera. Isso é especialmente notável na Pintura, em que a maestria da técnica está ao alcance de suas mãos ao menos tanto quanto está das nossas – percebe-se que elas são diligentes em cultivar esse talento; e mesmo assim não há nenhum quadro ou imagem de que possam jactar-se; não é questão de técnica, mas deficiência no juízo objetivo, indispensável na Pintura. O ponto de vista subjetivo é o seu limite.

(…) Mas, além do mais, é só por elas serem umas filistéias que a sociedade moderna, onde elas tomam a liderança e escolhem o tom, vai tão mal. O dito de Napoleão – que as mulheres não possuem pedigree – deveria ser adotado como o ponto de referência para determinar o lugar da mulher na sociedade; e, sobre suas demais qualidades, Chamfort[*] bem observa: Elas são feitas para barganhar com nossas fraquezas e tolices, mas não com nossa razão. As afinidades que existem entre elas e os homens são tão profundas quanto a pele, e não penetram a mente ou os sentimentos ou o caráter. Elas formam o sexus sequior – o segundo sexo, inferior em qualquer respeito ao primeiro; suas fragilidades deviam ser tratadas com consideração; já mostrar-lhes grande reverência é extremamente ridículo, e inclusive nos rebaixa a seus próprios olhos. (…)

[*] Conselhos e Máximas

Essa é precisamente a visão que os antigos tinham da mulher, e a visão que os povos orientais conservam até hoje; e seu julgamento acerca da posição que cabe à mulher é muito mais correto que o nosso, nós e nossas noções francesas arcaicas de galanteria e nosso sistema ilógico de reverência – esse produto-mor da estupidez teutônico-cristã. Essas noções serviram apenas para tornar a mulher mais arrogante e autoritária; ao ponto de sermos lembrados ocasionalmente dos macacos sagrados de Benares, que ao estarem conscientes de sua santidade e posição inviolável acham que podem fazer exatamente o que entenderem.

(…) É apenas por existirem pessoas como as ladies da Europa que as mulheres de classes mais baixas, a grande maioria do sexo, são muito mais infelizes do que seriam no Oriente.”

Lord Byron diz: Observação sobre o estado das mulheres sob os gregos antigos – conveniente o bastante. Estado presente, um reminiscente do barbarismo da cavalaria e da era feudal – artificial e inatural. (…) [recomenda-se-lhes] que não leiam poesia nem política – nada a não ser livros devotos e culinários. Música – desenho – dança – também um pouco de jardinagem e lavragem aqui e ali.

Quando a lei equiparou os direitos de homens e mulheres, devia ter presenteado as últimas com um intelecto masculino. Mas o fato é que, na exata proporção em que as honras e privilégios concedidos pela nova lei excedem o que a natureza dotou, há uma diminuição no número de mulheres que realmente participa desses mesmos privilégios; e todas as restantes são excluídas de seus direitos naturais no mesmo montante que é dado a umas poucas escolhidas, muito além de seu merecimento.”

Enquanto em nações polígamas toda mulher é sustentada, onde a monogamia prevalece o número de mulheres casadas é limitado; e uma larga margem de mulheres fica sem qualquer suporte: nas classes altas, vegetam como solteironas inúteis, e nas baixas sucumbem ao trabalho pesado, para o qual não nasceram; ou quem sabe se tornam filles de joie [garotas de programa][*], cuja vida é tão destituída de prazer quanto o é de honra.”

[*] N.T.P. – Literalmente, o termo para prostitutas corrente em toda a Europa na época de Schopenhauer teria de ser traduzido, do Francês, como “filhas (ou servas) do prazer”, dando ensejo ao comentário irônico na seqüência.

Apenas em Londres existem 80.000 prostitutas.”

não há qualquer boa razão para um homem cuja esposa sofre de doença crônica ou esterilidade, ou que se tornou gradativamente velha demais para ele, não tomar uma segunda.”

N.T.I. – Em troca de desistirem da poligamia, os Mormons ganharam uma colônia na América.”

a condição humana é tal que prestamos atenção à opinião dos outros numa proporção totalmente descabida para com seu real valor.”

É inútil argumentar contra a poligamia; ela deve ser assumida como existente de facto em todo canto, e a única questão é como deveria ser regulada. Onde há, então, monogamistas reais? Todos nós vivemos, em algum grau, por algum tempo, e aliás maioria de nós sempre, em poligamia. Uma vez que todo homem necessita de várias mulheres, nada há de mais justo que permitir-lhe, aliás, obrigá-lo mesmo, o acesso a muitas mulheres.”

Na Índia não há mulher independente; de acordo com a lei de Manu [Cap. V, v.148], ela deve permanecer sob o controle de seu pai, seu marido, seu irmão ou seu filho.”

O primeiro amor da mãe por sua cria é, seja nos animais inferiores ou no homem, de um caráter puramente instintivo, então ele acaba quando a criança já não é mais fisicamente indefesa. Depois desse primeiro amor, um outro baseado no hábito e na razão aflorará; mas esse segundo amor amiúde não aparece, sobretudo quando a mãe não ama o pai. O amor do pai pela sua criança é de uma ordem diferente, e mais propício a continuar; porque tem seu fundamento no fato de reconhecer-se a si mesmo na criança; ou seja, seu amor por ela é metafísico de origem.

Em quase todas as nações, dos mundos antigo ou moderno, até entre os Hotentotes[*], a propriedade é herdada apenas pelos descendentes masculinos; é só na Europa que uma ruptura se deu; mas atenção: não dentro da nobreza.

[*] Leroy – Lettres philosophiques sur l’intelligence et la perfectibilité des animaux, avec quelques lettres sur l’homme, p. 298.”

Entre os homens, a vaidade com freqüência conduz a vantagens imateriais, como intelecto, aprendizado, coragem.”

* * *

A demonstração superabundante de vitalidade, que toma a forma de bater, martelar e rolar as coisas por aí, constituiu-se para mim um tormento diário durante toda a minha vida. Há pessoas, é bem verdade – aliás, um grande número de pessoas –, que riem dessas coisas, porque não são sensíveis ao barulho; mas são as mesmas pessoas que também não são sensíveis a argumentos, pensamentos, à poesia, ou à arte; numa palavra, a qualquer tipo de influência intelectual. A razão é que o tecido de seus cérebros é de uma qualidade áspera e inferior. Já para os intelectuais, o barulho é uma tortura. Nas biografias de quase todos os maiores escritores, ou onde quer que seja que suas notas pessoais fiquem registradas, eu encontro reclamações sobre o barulho; no caso de Kant, por exemplo, e Goethe, Lichtenberg, Jean Paul; e se acontece de qualquer escritor omitir a exprimir-se dessa maneira, é unicamente por falta de oportunidade.”

um grande intelecto afunda até o nível de um ordinário, assim que interrompido e assaltado, sua atenção distraída e repelida do objeto em questão; sua superioridade depende de seu poder de concentração – de trazer toda sua força para se escorar num só tema, da mesma forma que um espelho côncavo coleta num só ponto todos os raios de luz que incidem sobre si. A interrupção barulhenta é um incômodo para essa concentração. Eis por que mentes distinguidas sempre demonstraram um excessivo desgosto pela perturbação sob qualquer aspecto, como algo que surge de súbito e arranca-lhes seu pensar. (…) A gente ordinária não sucumbe a nada do tipo. A mais sensível e inteligente das nações européias não foge à regra, Não interromperás! sendo seu décimo primeiro mandamento. (…) Mas é óbvio: onde nada há para interromper, o barulho não será particularmente doloroso. (…) Tudo o que sinto é um contínuo crescimento no trabalho do pensar – como se estivesse tentando caminhar com um peso nos pés. (…) O mais indesculpável e o mais desgraçado dos barulhos é o estalar de chicotes – uma coisa verdadeiramente infernal quando é desempenhado nas estreitas e reverberantes ruas de uma cidade. Eu denuncio esse estalar como algo que faz da vida pacata impossível; aborta todo pensamento tranqüilo. Que o estalar de chicotes seja permitido em qualquer circunstância me parece demonstrar da forma mais prístina como a natureza da humanidade é tão insensível e disparatada. (…) Toda vez que esse barulho é produzido, deve irritar uma centena de pessoas que estão concentradas nalgum negócio, não interessa o quão trivial ele seja (…) Nenhum som, por mais estridente, penetra de forma tão aguda os recôncavos do cérebro como esse maldito estalar de chicotes; você sente a ferroada do açoite diretamente dentro da cabeça”

Marteladas, o latido de cães, e o choro de crianças são horríveis de ouvir; mas o único e genuíno assassino de pensamentos como tal é o estalar do chicote (…) Esse maldito estalar de chicotes não só é desnecessário, como inútil mesmo. (…) O cavalo não acelera nem um pouco por causa dele. A maior demonstração disso é que o cocheiro precisa chicoteá-lo sem parar, e mesmo assim ele segue devagar o seu trote de sempre. (…) Supondo, no entanto, que fosse absolutamente necessário estalar o chicote a fim de manter o cavalo ciente de que deve manter um ritmo, um centésimo do barulho que escutamos já seria o suficiente. É um fato bem-conhecido que, em termos de visão e audição, os animais são ultra-sensíveis aos menores sinais; eles estão alertas para coisas que escassamente percebemos. Canários e cães treinados são a prova. (…) Que tamanha infâmia seja tolerada na cidade é um pedaço de barbárie e iniqüidade, ainda mais quando uma simples notificação policial podia resolver o problema, obrigando cada chicote a ter um nó em sua extremidade. (…) Um sujeito que cavalga pelos becos e vielas duma cidade com um cavalo de aluguel ou de carga improdutivo, e que continua a fustigá-lo por várias jardas com toda a força, mereceria aqui e ali ser desmontado e levar umas 5 boas varadas com um pau.

Todos os filantropos do mundo, todos os legisladores, num encontro para advogar e decretar a total abolição da punição corporal, não poderiam jamais me persuadir do contrário! (…) O corpo de um homem e as suas necessidades são agora, em toda parte, tratados com uma terna indulgência. É a mente pensadora, pois então, a única que nunca obterá a menor medida de consideração ou proteção, isso para não falar de respeito? (…) Quantos pensamentos grandes e esplêndidos, gostaria eu de saber, foram perdidos pelo mundo graças ao estalar de chicotes?”

Torçamos agora para que as mais inteligentes e refinadas das nações tomem uma iniciativa na matéria, e que enfim os alemães copiem o exemplo[*].

[*] De acordo com uma notícia veiculada pela Sociedade para a Proteção dos Animais de Munique, o chicoteamento supérfluo e o estalar de chicotes foram, em dezembro de 1858, positivamente proibidos em Nuremberg.”

Quem não se perturba enquanto lê ou pensa, é simplesmente porque não lê nem pensa; só fuma, o que é o substitutivo contemporâneo do pensar. A tolerância geral a ruídos desnecessários – as batidas de portas, por exemplo, coisa mal-educada e chula – é evidência direta de que os hábitos mentais em voga são o torpor e a vacuidade.”

Recomendo uma epístola poética in terzo rimo do famoso pintor Bronzino, intitulada De’ Romori: a Messer Luca Martini. Ela dá uma descrição detalhada da tortura a que as pessoas se submetem diante dos vários barulhos de uma pequena cidade italiana. Escrita num estilo tragicômico, é deleitante! A epístola poderá ser encontrada em Opere burlesche del Berni, Aretino et altri, Vol. II, p. 258

* * *

Há alguns panoramas realmente bonitos no mundo, mas as figuras humanas neles são pobres, e seria melhor não contemplá-los.”

A mosca devia ser empregada como o símbolo da impertinência e audácia; enquanto todos os demais animais evitam o homem mais do que qualquer coisa, e disparam em retirada mesmo antes dele se achegar, a mosca pousa sobre o seu nariz.”

Dois chineses peregrinando pela Europa foram ao teatro pela primeira vez. Um deles não fez nada a não ser estudar todo o maquinário, e teve êxito em entender como ele funcionava. O outro tentou compreender o significado da peça a despeito de sua ignorância da língua. Aqui você tem o Astrônomo e o Filósofo.”

Enquanto criança, enquanto jovem, amiúde mesmo como um adulto, aliás, sua vida toda, ele segue acompanhado de seus amigos, parecendo-se com eles e assemelhando ser tão desimportante quanto cada um deles. Deixe-o sozinho; ele não irá morrer. O tempo virá e trará aqueles que sabem como valorizá-lo.”

O homem que sobe num balão não sente como se ascendesse; ele só observa a terra afundando debaixo de si.

Há um mistério que só esses que dele sentem a verdade irão entender.”

Bebemos intensamente da beleza das obras antes de entrarmos na vida nós mesmos; e quando, depois disso, comparecemos pessoalmente para testemunhar os trabalhos da Natureza, o verniz se foi: os artistas abusarem dele e aproveitamos dele cedo demais. É assim que o mundo com tanta freqüência parece tão duro e desprovido de charme, repulsivo, inclusive. (…) não deveríamos ter pinturas acabadas, poemas perfeitos”

mayance

A Catedral de Mayence [gravura] é tão coberta pelas casas que foram construídas ao seu redor que não há nenhum ponto do qual se possa observá-la inteira. Isso é simbólico de toda coisa grande ou bela no mundo. Deveria existir por si mesma, mas antes que decorra muito tempo é desapropriada, usada para fins estranhos. Pessoas vêm de todos os cantos desejando encontrar apoio e acolhimento; mas há obstáculos no caminho que estragam seus efeitos.”

Todo herói é um Sansão. Os homens fortes sucumbem à intriga dos fracos e inúmeros; e se no final ele perde a paciência, esmaga ambos, os outros e a si. Ou então ele é como Gulliver em Lilliput, soterrado por um número enorme de homens pequenos.”

O DILEMA DO OURIÇO

Do mesmo jeito que a necessidade do social leva todos os porcos-espinhos humanos a se aproximarem, repelem-se no instante seguinte, devido às muitas qualidades indesejáveis e espinhosas de suas naturezas. A distância moderada que finalmente descobrem ser a única condição tolerável de intercurso é o código da polidez e das boas-maneiras; e aqueles que o transgridem são asperamente censurados – na frase inglesa – to keep their distance [a manter a distância]. (…) Um homem que tenha algum calor interno prefere permanecer do lado de fora, onde ele não vai espetar outras pessoas nem ser espetado.”

A produção industrial de Tânatos: a construção de modelos de corpo e de sexualidade e sua relação com o consumo à luz da última Teoria das Pulsões – Guilherme di Angellis da Silva Alves (mestrado em Comunicação)

“O nascimento da sexualidade tem a ver com a dissociação do objeto sexual do objeto da função vital, separando a necessidade do desejo, que é um fluxo psíquico de retorno da experiência de satisfação.”

“O tabu da menstruação seria derivado do recalque orgânico, uma <defesa contra uma fase do desenvolvimento que foi superada>.” “A educação é definida por Freud como sendo fundamentalmente um processo de recalcamento dos estímulos sexuais olfativos anteriores à bipedia.”

“A excitação sexual se torna contínua e não mais cíclica. Essa mudança diz respeito à passagem do funcionamento instintivo para o pulsional, determinante para o desenvolvimento da cultura. A instituição da família, que representa o início da civilização humana, não seria possível sem esta mudança do instinto para a pulsão, definida por Freud como força constante.”

“É na perspectiva do desejo que se pode falar em angústia. Lacan nos ensina que esta é o melhor remédio para aquele, pois reintroduz a referência à falta originária da estrutura. A angústia, diz Lacan, é um afeto – e um afeto que não engana, já que possui relação estrutural com o que constitui o sujeito, isto é, a falta, a incompletude.”

T&T: “O violento pai primevo fôra sem dúvida o modelo de cada um do grupo de irmãos: e, pelo ato de devorá-lo, realizavam a identificação com ele, cada um deles adquirindo uma parte de sua força. A refeição totêmica, que é talvez o mais antigo festival da humanidade, seria assim uma repetição e uma comemoração desse ato memorável e criminoso, que foi o começo de tantas coisas: da organização social, das restrições morais e da religião.”

“Para ilustrar essa assertiva, há um mito grego que diz que Afrodite e Ares tiveram vários filhos, entre eles Eros, deus do amor. Diferente dos outros filhos do casal, Eros não crescia. Era um bebê pequeno, frágil, rosado, de asas transparentes e covinhas no rosto. Preocupada com a saúde do filho, Afrodite consultou Têmis, deusa guardiã da lei, que respondeu que seu filho era assim porque o Amor não podia crescer sem Paixão.”

“O amor se atém à passagem do que cessa de não se escrever para o que não cessa de se escrever. É nessa região de intercessão entre os regimes simbólico e imaginário que o amor se inscreve, e, sendo assim, o amor é essencialmente produção de sentido. Por isso, o amor é não só produtor de um discurso fragmentado, porque infinitizado, como também constitui um legítimo estilo literário, a correspondência amorosa: o amor exige reciprocidade, exige correspondência, o que leva Lacan a afirmar que <amar é querer ser amado>”

“Cada uma das três artes gregas de conduta – a Dietética, a Econômica e a Erótica – propõem modelos específicos de comportamento em relação ao sexo. A Dietética trata da temperança por meio do uso moderado dos atos de prazeres, chamado pelos gregos de aphrodisia – os atos de Afrodite. O exercício dessa moderação exigia um cuidado com os momentos específicos em que esses atos deveriam ser praticados, manifestando preocupação com a sobrevivência do indivíduo e com a manutenção da espécie. Já a Econômica não dizia respeito ao uso comedido e oportuno dos atos de prazer, mas à manutenção, por parte do marido, da estrutura hierárquica dentro de sua casa. O problema a ser apreendido neste campo é como assegurar o privilégio e o poder que o homem mantém em relação à esposa e aos escravos. O marido deve temer qualquer excesso e praticar o domínio de si sobre os outros para garantir essa permanência. Por fim, o cuidado solicitado pela Erótica diz respeito à virilidade do adolescente e ao seu status futuro de homem livre. Não se trata apenas do homem ser senhor do seu prazer, mas de compreender de que maneiras ele pode dar lugar à liberdade do outro no domínio que exerce sobre si mesmo. No pensamento grego clássico, a relação com os rapazes é o núcleo mais delicado e ativo de reflexão e elaboração.”

“A exigência de moderação e austeridade não se apresenta como lei a qual todos deveriam se submeter. Está mais para um princípio de conduta para aqueles que querem dar à existência uma forma mais elevada.” “O amor não era compartilhado com as mulheres, mas entre seus iguais. Já a relação sexual era sempre feita com o homem ocupando o papal ativo, que representava seu caráter dominante sobre os demais. O papel ativo é um princípio norteador dessa moral, demonstrado especialmente na pederastia, a relação de amor e de aprendizado entre o erasta e o erômano, o amante e o amado, o homem livre e o rapaz em formação. O excesso e a passividade são, para o homem grego, as duas principais formas de imoralidade.”

“A temperança é a palavra-chave. A maneira como se considerava esses atos, os questionamentos que são feitos, os regimes a serem adotados, tudo tinha como norte esse princípio. Não se trata de não ter desejos, portanto, mas de não deixar que esses desejos impeçam os homens de serem senhores de si.”

“É somente a esposa que pode dar filhos legítimos e garantir a continuidade da instituição familiar. Dessa forma, a relação entre os esposos não tinha outra função diferente da de produzir uma descendência. Toda a atividade sexual das mulheres deve se situar dentro da relação conjugal, o marido como parceiro exclusivo. Elas se encontram sempre a seu poder. Em caso de adultério, as sanções são tanto de ordem privada como pública. Já o homem tem por obrigação respeitar uma mulher casada ou que está sob a guarda paterna, mas a ofensa nestes casos é voltada ao homem que detém o controle da mulher.”

“A aphrodisia em relação aos rapazes constitui, para o pensamento grego, objeto de grande inquietação. Não há uma oposição excludente entre amar alguém de seu próprio sexo e amar alguém do sexo oposto. As linhas que demarcavam a sexualidade não eram tão radicais assim. Do ponto de vista da moral, a oposição entre o homem temperante, senhor de si, e aquele que se entregava desmedidamente aos prazeres era muito mais grave.” “o desejo que visa o próprio ato e que se realiza ao acaso poderia ser destinado tanto às mulheres quanto aos rapazes, mas o amor mais nobre e mais racional só é direcionado aos homens.” “Havia o encanto da conquista, do cortejo, da juventude, da beleza, do exercício do poder. Mas ao mesmo tempo em que os rapazes eram objetos de desejo, também eram homens livres em formação, daí a necessidade de formá-los. Além de uma relação de desejo, a pederastia tinha um papel pedagógico importante”

“havia um desprezo pelos jovens que cediam facilmente ou que se demonstravam muito interessados, os homens efeminados eram desqualificados etc.” “Com o rapaz, o cortejo se dava em espaços públicos, às vistas de todos. Além disso, o jovem era livre para escolher o amante que quisesse, o que fortalecia os jogos de conquista. À medida que os jovens amadureciam, as relações deixavam de se tornar interessantes.”

“Podia-se até atribuir aos rapazes a forma mais elevada de amor, mas a abstenção também era solicitada para que se pudesse preservar o valor espiritual da relação. Essa idade de transição, tão frágil, era uma oportunidade para provar seu valor, se formar, se medir. Quem aceitasse o papel passivo na relação podia perder seus direitos de cidadão. Após esse período de formação, ele estava apto a constituir família e exercer a sua condição de domínio sobre outros.”

FORMAÇÃO DO CARÁTER E A HORA DE PASSAR O BASTÃO: “entre um homem e um rapaz, que estão em posição de independência recíproca, e entre os quais não existe constrição institucional, mas um jogo aberto (com preferência, escolha, liberdade de movimento, desfecho incerto), o princípio de regulação das condutas deve ser buscado na própria relação, na natureza do movimento que os leva um para o outro, e da afeição que os liga reciprocamente.” “as jovens mulheres é que posteriormente passam a ter tais cuidados, proteções e cortejos”

desprezar o desprazer, dás o que prezar?

“a imagem do jovem quadro sobrecarregado de tarefas e responsabilidades é estranha ao espírito grego, como lhe são estranhas as virtudes positivas que o mundo industrial inclui nas palavras produtividade e rendimento. Na ética do grego de outrora, a guerra é um meio de aquisição muito mais defensável do que o comércio.” Amouretti

“A educação era constituída da alfabetização básica e da aritmética, do ensino da música e da educação física.”

“Um senhor poderia fazer sexo com um escravo, desde que ocupasse o papel ativo na relação. A postura dominante era realmente o fundamental, independente do tipo de relação.”

FLERTANDO COM O PERIGO: NAS CERCANIAS DA TOCA DA RAPOSA:“a abordagem de um erastes (o parceiro ativo e mais velho) era um meio pelo qual um rapaz jovem podia sentir-se querido e valorizado por si mesmo. (…) O amor de uma mulher, membro dependente da sociedade, talvez não fosse tão valoroso quanto o de um homem, em especial se fosse mais velho, rico, bonito e influente. Mesmo assim, o eromenos (o rapaz que o erastes tentava conquistar) só chegava até certo ponto. Permitir a penetração anal era, para um grego, ser tratado como uma mulher e, portanto, uma humilhação degradante. É interessante notar que os cidadãos atenienses eram privados da cidadania, se condenados por prostituição masculina. Em Atenas, tal atividade podia ser deixada com segurança à prática dos não-atenienses.” Jones [!]

“É importante salientar que a arte grega demorou até o século IV a.C para representar a figura feminina também como ideal de beleza.”

“o conceito de cidadania era restrito apenas aos homens que tivessem mães e pais atenienses. (…) Quando o marido trazia amigos para jantar em sua casa, a mulher e os filhos se retiravam. Cabia a elas todo o serviço doméstico. Não tinham direitos à educação formal e nem podiam participar da política. Seus atributos deveriam ser a castidade, a obediência, o conhecimento das tarefas domésticas e a economia dos gastos.”

“O homem podia repudiar a esposa sem qualquer motivo. Isto era direito legal; a mulher só podia fazê-lo em casos de provocação extrema por parte do marido. Alguns direitos à mulher autorizavam-na a freqüentar o teatro e o festival destinado às mulheres. Contudo, para os homens ela continuava a ser apenas gyne – portadora dos filhos.” CABRAL, Juçara

“Havia o dildo, um objeto no formato do pênis que era esculpido em madeira, que era lubrificado em azeite para ser usado pelas mulheres para se satisfazerem sexualmente. A homossexualidade feminina é bem documentada, talvez num misto de sexualidade reprimida e sentimento de solidariedade entre elas.”

Se a mulher era tão “objetal”, como uma só conseguiu desencadear a Guerra de Tróia?

O penetra, o superior das festas.

“O fim dessa moral romana é claro: a subordinação da pessoa à cidade, que necessitava de habitantes dispostos a se sacrificar por ela nas guerras.”

“Este desejo de glória, de renome eterno, é sem dúvida a vingança do indivíduo que a sociedade reprimia, em vida, de mil maneiras: magistrado, não podia prosseguir a sua obra para além de um ano, chefe militar, se não tinha a sorte de obter qualquer vitória decisiva durante o seu comando, cabia ao sucessor a colheita dos louros. É perante a morte que volta a ser ele próprio, que a vida adquire valor exemplar na medida em que respeitou a disciplina em todas as suas formas: virtus, pietas e fides.Grimal

“Na Grécia, os (…) esportes eram um exercício com um fim em si, uma arte. Em Roma, essa prática de ginástica pura foi ignorada. Os exercícios dos jovens eram uma preparação para a guerra, sem arte, sem preocupação estética.”

“As mulheres tinham uma paixão tão exagerada pelo luxo a ponto de alguns historiadores terem atribuído a isso o declínio do império, devido ao enorme gasto com importações. Elas se contentavam com isso frente ao fato de não terem direitos plenos e de ficarem basicamente restritas ao lar.”

“A forma mais comum do matrimônio era a de usus, que só tornava a união legal depois de um ano de convivência. Enquanto isso, a mulher continuava pertencendo ao pai. Essa espécie de estágio probatório era benéfica aos dois cônjuges. Outro tipo de matrimônio era o coemptio, em que se comprava a mulher pagando em dinheiro ao pai da noiva.

           O exagero prevalecia entre os homens livres. Era uma forma de se extrapolar a repressão e as exigências da vida pública, cheia de moralidades e demandas por virtude e severidade. Se na vida pública, havia uma série de restrições, no sexo tudo era permitido.

           <O conto do romano casto, corrompido pelos ‘maus vizinhos’ – os gregos – realmente é um conto. Deleitar-se em fartura de comida, de bebida e orgias não significa ‘viver à grega’, pois alugar, comprar mulheres e viver entregue aos prazeres era costume comum entre os romanos.> Cabral

           Gregos e romanos consideravam a prostituição uma peça importante na ordem social. Garantia a segurança das mulheres casadas e era vista como uma necessidade à higiene pública. Contando que os homens e as mulheres que se prostituíssem não fossem de nascimento livre, tudo era permitido, como comprar, alugar, raptar. Até as crianças que fossem escravas poderiam servir para a prostituição.”

“As orgias [de] que os romanos participavam – e que contavam com pessoas de todas as classes – ajudavam a diminuir [a] tensão da severidade que era exigida. Tudo era feito com muito exagero e[,] além do sexo, havia comida e principalmente muita bebida. Terminava com vômitos; como que para limpar a alma e se preparar novamente para as obrigações da vida pública.”

“Os novos tempos de recessão exigiam que o comportamento dos romanos também se modificasse. Antes epicuristas, os romanos passaram adotar uma moral mais austera, mais exigente. Já não se podia mais esbanjar luxo e exagero na vida social e na vida sexual. O estoicismo grego ganhava forças ao privilegiar a negação dos prazeres mundanos. Em tempos de pobreza e recessão, até a economia dos corpos se faz necessária.” Estoicismo compulsório não é estoicismo.

“Dentre as diversas religiões que sobreviviam clandestinamente em Roma, o imperador Constantino viu no cristianismo a que mais se adequava ao novo modelo econômico, que agora exigia temperança em todos os aspectos da vida.”

“A imposição das leis do Estado eram substituídas pelas ameaças do inferno e pela promessa de uma vida eterna e feliz.” Cabral

“O cristianismo não introduziu um pensamento novo. Seu grande feito foi ter dado ar sacro e metafísico a uma moral que já existia, mas sob a forma pagã. Ele nasce como um socialismo primitivo, para confortar pobres e oprimidos em sua pobreza e opressão.”

João Crisóstomo e Metódi[c]o admitiam que, se os casais limitassem as carícias e a paixão, teriam chances de salvação eterna. Era consenso de toda a igreja a permissão de um só casamento, pois diziam os padres: o segundo será considerado adultério, o terceiro, fornicação[,] e o quarto, ignóbil” Cabral

A vergonha está abaixo do pecado. E eu pensando que as vergonhas eram o próprio pecado!

“O verdadeiro prazer está no mundo metafísico.”

“Santo Agostinho havia afirmado que o sexo precisava ser feito de forma pura e sem prazer para não ser pecaminoso.”

“As classes médias começavam a substituir a aristocracia na estrutura do poder.” ???

“As mulheres da era vitoriana, período compreendido entre 1840 e 1900, eram seres apáticos e de uma moralidade exagerada. O desconhecimento do próprio corpo era sinal de pureza.”

“no espaço social, como no coração de cada moradia, um único lugar de sexualidade reconhecida, mas utilitário e fecundo: o quarto dos pais. Ao que sobra só resta encobrir-se; o decoro das atitudes esconde os corpos, a decência das palavras limpa os discursos Foucault

fecundidade do cu

“O exagero da moralidade chegava ao ponto de se proibir consultas ginecológicas a não ser em extrema necessidade.”

“Com a transformação das esposas em guardiãs da moralidade, os homens apelavam para a prostituição, que cresceu vertiginosamente no período vitoriano. Não demorou muito para uma onda de doenças venéreas invadir novamente o mundo cristão – como havia acontecido no século XV. Com medo da infecção em massa, os governos adotaram diversas medidas para coibir a prostituição. Os maridos tiveram de voltar ao lar matrimonial.”

“Com o estudo do mundo antigo, é possível perceber que não foi por falta de capacidade técnica que o desenvolvimento da indústria se deu muito aquém do possível. Ramos cita Tales de Mileto, que desviou o curso do rio Halys, Eupalinos, que escavou um túnel de um quilômetro de comprimento na montanha de Castro, e muitos outros.”

“Vale lembrar que a etimologia da palavra trabalho é tripalium, três paus, um instrumento que subjugava escravos e animais e os forçava a produzir.”

“Os monges passam a adotar em sua vida monástica uma série de procedimentos de rotina, de sistematização, de aumento da produção e de investimento científico na agricultura, na pecuária, na botânica. Desse período surge uma série de importantes invenções para a agricultura e para a economia, como a luneta, a roda dentada, os óculos, o moinho hidráulico, o moinho de vento e tantas outras.”

“É no mosteiro medieval que as categorias de tempo e de espaço se modificam radicalmente, o relógio e o sino – elementos fundamentais no período industrial – os novos reguladores. Lá, as horas canônicas são disciplinadas pela mecânica do tempo, com as atividades sempre realizadas em intervalos regulares. Ramos destaca que é dentro da etapa medieval que transcorre uma história secreta da revolução industrial.”

“Entre as invenções mais importantes no período anterior à Primeira Guerra estão a luz incandescente, o cinema, a aviação, os raios-X, a psicanálise, a física quântica. Esses inventos proporcionaram um admirável mundo novo. O homem realiza o sonho de Ícaro, se comunica a distância, guarda o som em uma caixa de cera, vê a fotografia em movimento.

           Mas talvez a mais revolucionária e impactante invenção tenha sido o automóvel. Ele é mais que um meio de transporte: origina um novo mercado e reestrutura a organização do trabalho, modifica as bases econômicas e sociais e dá origem a novos comportamentos e costumes. No início, sua produção era artesanal e escassa, até o desenvolvimento do modelo T da Ford, em 1908, marco da história automobilística. É um veículo barato, seguro, simples de dirigir e que funcionava a base de qualquer produto que produzisse combustão. (…) Ford queria adaptar a organização do trabalho ao processo reverso de se abater e desmantelar o animal.”

“Só depois que as mulheres começarem a navegar pelo oceano e empurrar o arado; quando elas gostarem de ser acossadas e cercadas por todos os tipos de homem nas vias públicas do comércio e do mundo dos negócios; quando elas amarem a traição e o torvelinho da política; quando elas amarem a devassidão do campo de luta, o fumo dos ribombos e o sangue da batalha, mais do que amam os afetos e as alegrias do lar e da família, então será tempo de falarmos sobre as tornarmos eleitoras.” George H. Williams, senador norte-americano, 1866

“O Brasil teve sua primeira eleitora em 1927 e sua primeira prefeita em 1928, na cidade de Lajes, Rio Grande do Norte.”

“Foi Hollywood, desde os dias em que sua popularidade se disseminou – nos anos 20 – até a televisão solapar sua influência nos anos 50, que da maneira mais consistente, conscienciosa e na moda, sustentou a imagem do casamento como o objetivo natural da mulher, a culminação romântica de sua vida. Muitas mensagens foram vendidas ao público, antes e desde então, mas nunca nenhuma o foi tão efetivamente como a mensagem hollywoodiana do glamour, romance e casamento. Muito depois que a <mulher moderna> se libertou das idéias e hábitos de sua avó vitoriana, Hollywood continua a condicioná-la à crença de que o lugar e o destino da mulher estavam no lar. Não porque, como no passado, inexistissem opções para ela, mas porque essa mulher estava atada lá, pelo mágico poder do amor.” Tannahill

“O folhetim no lugar do romance, o teatro de revista no lugar do teatro”

“Surge entre os veículos de comunicação, por exemplo, o pennypress, jornal de custo irrisório, que contém notícias sobre celebridades, escândalos com homens públicos, tragédias, folhetins e faits divers. Ele não tem por objetivo informar a população acerca dos temas mais relevantes, e sim de divertir, entreter.”

“A primeira exibição feita pelos irmãos Lumière em dezembro de 1895 choca os presentes, que veem não só a descoberta científica, mas a capacidade que ela tem para espantar e surpreender.” “O cinema diverte multidões a preços baixíssimos (no século XX, ao menos) e proporciona um distanciamento da realidade. (…) Ele se projeta no outro para que não lembre de si, e no dia seguinte retorne ao trabalho – seja uma fábrica ou uma repartição pública – bem disposto.”

OS IRRECONCILIÁVEIS BENJAMIN E ADORNO: “Divertir-se significa concordar; (…) significa sempre: não ter de pensar, esquecer a dor, inclusive quando ela é mostrada. Em sua base está a impotência. Com efeito, é uma fuga: não, como se pretende, fuga da terrível realidade, mas do último pensamento de resistência que a realidade ainda pode ter deixado.” T.A. apud Wolf

Squizo-jazz of a lost soul

“Como uma droga, o prazer que advém da fuga, da diversão, vicia. Em uma estrutura social em que o tempo livre se torna cada vez mais escasso, o divertimento acaba por se tornar uma necessidade fisiológica.”

Cazuza de Massa

“Importante ressaltar que tanto na publicidade voltada para o público masculino quanto na direcionada às mulheres, é o corpo feminino que é erotizado. No primeiro caso, numa incitação da libido; no segundo, uma incitação nascisística e identificatória.”

O SUZANAVIEIRISMO: “O que conta, diz Morin, não é mais a experiência acumulada, mas a adesão ao movimento.”

“Historicamente, ela [a devoção ao belo] acelera o vir-a-ser, ele mesmo acelerado, de uma civilização. Sociologicamente, ela contribui para o rejuvenescimento da sociedade. Antropologicamente, ela verifica a lei do retardamento contínuo do bolk [termo pejorativo para designar pessoa velha e ultrapassada, caretona, ou o ato de vomitar voluntariamente, se em verbo – “to bolk”], prolongando a infância e a juventude junto ao adulto. Metafisicamente, ela é um protesto ilimitado contra o mal irremediável da velhice” Morin

“É do período pós-guerra o baby-boom, a reafirmação do papel histórico de parideira, só que desta vez com adjetivos como rainha do lar, dona de casa. Foi só na década de 60 que as mulheres começaram a perceber que a conquista do voto foi apenas simbólica.”

“No lugar da eterna alegria, havia tédio, tédio infindável.”

“Os relatórios de Alfred Kinsey mostravam que 40% dos homens eram infiéis e que 70% tinham visitado prostitutas [??]. Além disso, um sexto dos homens do campo já havia tido relações zoofílicas.”

“Nos Estados Unidos de 65, havia 1 divórcio para cada 4 casamentos. Em 77, 1 divórcio para cada 2 casamentos.”

O que é uma pequena e maleável ética que se veste todo dia antes de sair à rua? Uma etiqueta.

“O final de semana é redentor. Todo feriado é santo, na medida em que salva a existência de uma morte por asfixia.”

“Foi-se o tempo da temperança. Dá-se ao consumo um valor instintivo. Ao conseguir atribuir esse valor, o consumo vira consumismo, uma necessidade do corpo que precisa ser saciada, tal a angústia que se cria quando não a alimentamos”

SAFETY COURSE

A linha de chegada é muito chata, me deixe enrolar nesta corrida circular sem ineditismos ou saídas do script.

* * *

A metodologia é o cerne da chatice. Trabalho achatado na clínica de Pasteur.

“A palavra revista vem do inglês magazine, de origem árabe, cujo significado é depósito de mercadorias. Foi no inglês que a palavra adquiriu o significado de <publicação periódica, de caráter literário, contendo leituras amenas e instrutivas, e adornada de estampas>.” NIMER, Miguel. Influências Orientais na Língua Portuguesa: os vocábulos árabes, arabizados, persas e turcos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005.

“Em 1937, é lançada a revista Marie-Claire. Com um preço popular e uma tiragem de 800 mil exemplares, a revista introduz às classes menos abastadas os tratamentos cosméticos e os cuidados com moda e comportamento. Esses processos são interrompidos durante a segunda guerra, mas retornam logo após, acompanhando e estruturando as mudanças sociais. A Marie-Claire é publicada em mais de 30 edições internacionais, cada uma seguindo um modelo diferente, de acordo com a cultura do país. No Brasil, é publicada desde 1991.

“Na Itália, a imprensa feminina é o segmento mais sólido da indústria cultural. Em alguns casos, a publicidade chega a significar mais de metade do conteúdo das revistas. Entre 53 e 63, o número chega ao triplo na relação publicidade/reportagens. Além disso, nota-se um oligopólio na produção desses conteúdos, já que quatro empresas controlam ¾ da produção editorial.”

“O primeiro periódico brasileiro voltado ao público feminino foi a revista Espelho Diamantino, editada no Rio de Janeiro em 1827. Editada por homens, versava sobre literatura, política, arte e moda. Ainda nessa época de imprensa artenasal (sic!), surgiram as revistas Espelho das Brasileiras, de 1831, Jornal das Senhoras, de 1852, a primeira publicação a conter artigos de cunho feminista. Em 1875, aparece o periódico O Sexo Feminino, que contava com 800 assinaturas, feito considerável para a época. A revista possuía um olhar crítico sobre a dominação masculina através do casamento, contendo vários artigos que manifestavam apoio ao divórcio e à maior participação das mulheres no mercado de trabalho.”

Capricho, de 1952, é a revista feminina mais antiga ainda em circulação. Com suas fotonovelas, chegou a vender 500 mil exemplares por mês. Em 61, surge Cláudia. Em 1973, a editora Abril lança a revista Nova, a primeira publicação feminina a abordar temas mais polêmicos, como sexo, relacionamento e vida profissional.”

“Já Men’s Health surge nos Estados Unidos em 1987, com a proposta de criar um estilo de vida para os homens, com matérias sobre fitness, nutrição, moda e sexualidade. No Brasil, a primeira publicação de Men’s Health é de maio de 2006. Apesar de existirem no mercado diversas outras revistas voltadas ao público masculino, Men’s Health é a primeira que aborda temas que se relacionam diretamente com o conteúdo das revistas femininas, marcando uma nova etapa na construção do ideal de masculino e feminino.”

“Para as mulheres, o cuidado com o corpo antecede a exigência de um bom desempenho sexual e de se afirmar por meio dele. Para os homens, o desempenho estético do corpo é que é mais recente. Ambas as publicações reforçam e dão mais ênfase aos elementos menos consolidados nesse ideal de masculinidade hegemônica e de feminilidade enfatizada, o que explica por que em Nova o sexo é o tema mais recorrente e em Men’s Health é o cuidado com o corpo.” “Enquanto em Nova o tom autoritário prevalece, em Men’s Health ele é muito mais fraternal. A revista se propondo, como define no site e em vários de seus editoriais, a ser um mentor disposto a liberar todo o potencial do leitor.” “A ansiedade preenche o espaço entre a imagem vista no espelho e na capa da revista, e ela é um excelente motivador, pois as respostas (aparentes) para as inseguranças dos leitores também estão impressas nas mesmas revistas.”

Repetitio ad infinitum!

“Não é na depressão que devemos pensar aqui, mas na afanise, no ascetismo, na anorexia de viver. É este o verdadeiro sentido de Além do princípio do prazer. A metáfora do retorno à matéria inanimada é mais forte que se pensa, pois esta petrificação do Eu visa a anestesia e a inércia na morte psíquica. É apenas uma aporia, mas é uma que permite compreender o objetivo e o sentido do narcisismo de morte” Green

“o homem enfermo retira suas catexias libidinais de volta para seu próprio ego, e as põe para fora novamente quando se recupera.” Freud – A História do Movimento Psicanalítico

Catexia: termo cult para excitação, descarga.

“o narcisismo primário estaria do lado deste aquém do recalcamento, do lado de um mundo não-ordenado, ilimitado, onde o Eu se confundiria com o cosmo de onde decorre sua qualificação ego-cósmica. Ora, como dissemos, a característica do narcisismo primário absoluto é a procura de um nível zero da excitação.” Stephen Hawking e o Bilhete de Suicídio do Universo (Alergia a Nozes)

“A inveja do objeto alcança seu ápice quando se supõe que este goza sem conflito. O pênis narcisista projetado (não importa qual sexo) é aquele que pode gozar sem inibição, sem culpa e sem vergonha.” Green

“Green faz o retrato de Narciso e é quase impossível separá-lo dos olimpianos de Morin.”

Torna-te quem tu és? Conhece-te a ti mesmo? Que nada: sê feliz! “Ontologicamente, o modelo da capa é a representação da realização de todos os desejos e do fim de todas as angústias, o que para as revistas se resume em pilares de posse e de consumo. Isso representa, na verdade, o instinto de morte, é Tânatos sendo produzido em escala industrial. Vende-se a solução para angústias e necessidades ontológicas, impossíveis, portanto, de serem solucionadas. A indústria cultural faz isso em essência, mudando apenas as máscaras que a encobrem. É esta a sua metafísica: é a salvação que está em jogo, que é prometida, mas ela não precisa mais esperar a morte para redimir seus crentes. Ela se encontra aqui na Terra, em valores individuais, precários e transitórios. Mas a redenção só existe para quem acredita que precisa ser redimido – e é por isso que o mal-estar exerce um papel tão fundamental na construção desses modelos de comportamento.”

“Surge a repulsa do próprio corpo e do próprio ser. O próximo passo seria a esperança.”

Algumas citações são repercutidas 2, 3 vezes. No total, temos 220 páginas. Custa tão barato iludir e tornar-se um mestre?

SCHOPENHAUER POR THOMAS MANN: O Panóptico da Perseguida de Pandora

“O tempo, segundo uma bela fórmula de Platão, é a imagem móvel da eternidade.”

“Com efeito, conceber o mundo como uma fantasmagoria multicolor e móvel de imagens que deixam transparecer a Idéia, o Espírito, é atitude eminentemente artística, que, por assim dizer, de pronto restitui o artista a si mesmo.”

“O símbolo da lua, este emblema cósmico de toda mediação, é próprio da arte.”

“Nietzsche, o discípulo de Schopenhauer, que renegou seu mestre em espírito, escreveu sobre ele estes versos:

O que ele ensinou não mais existe. O que ele viveu permanece de pé. Contemplai-o, pois! Nada pôde submetê-lo.

“Tôdas as vezes que Schopenhauer evoca o sofrimento do mundo, a lamentável angústia e a fúria de viver das múltiplas encarnações do querer (ele trata disso freqüentemente e com minúcias), sua já excepcional eloqüência e seu gênio de escritor atingem os cimos mais resplandecentes e mais gélidos de sua perfeição.”

“nós regozijamos por nos sentirmos vingados pelo verbo grandioso.”

“todos os males oriundos da contradição interna da vontade surgem da boceta de Pandora”

A seita que dói mais. Mas deu isso. Deu nisso e naquilo e naqueloutro. Escravo do pelourinho chamado negra vida.

“para um desejo satisfeito, dez ao menos restam insatisfeitos.”

“erro que não foi ainda”

“a esmola que, dada ao mendigo, prolonga sua lamentável existência de hoje para amanhã.”

transpiro literalmente por dias mais secos e felizes.

“Perseguir, evitar, recear a infelicidade, procurar avidamente o gôzo – tudo se assemelha”

Os 50 tonéis de cinzas

Tântalo faz como tântalo fez. De que vale rômulo ninar sobre isso, vaquinha?

A soleira da humanidade (Lei de Lúcia): “o suicídio é absurdo e imoral, pois nada conserta” “O sentido da vida é a morte, Rafael.”

“É o estado sem dor que Epicuro celebrava como o maior dos bens e como condição dos deuses; nesse instante, nós nos libertamos da necessidade desprezível de querer, celebramos o sabbat dos trabalhos forçados da vontade, a roda de Íxion pára.”

“Goethe fala complacentemente de <méritos inatos>, o que é uma reunião de palavras deveras absurda do duplo ponto de vista da lógica e da moral. Porque o <mérito> é inteiramente e por natureza um conceito moral, e o que é inato, como a beleza, a inteligência, a distinção, o talento, ou, conferindo-lhe o valor do destino, a felicidade, nada disso, logicamente, pode ser mérito.”

O VÉU DE MAIA: “feliz ou infeliz, cada um sempre recebe apenas o que lhe é devido.” “Diferença e injustiça não são mais do que as conseqüências que a multiplicidade no seio do tempo e do espaço implica”

“O que, ao mesmo tempo, tu fazes de mau, o mal que cometes, tua revolta contra a injustiça da vida, e também a inveja, a aspiração e o desejo, a tua cobiça do mundo, tudo isso provém da ilusão da multiplicidade, deste erro, que tu não és o mundo e o mundo não é tu. Sim, tudo isso vem desta diferença entre <eu> e <tu>, que não é mais que uma ilusão, a ilusão de Maia. Vem daí igualmente teu medo da morte.”

“Crês que, à tua morte, este resto do mundo continuará a existir, ao passo que tu – horrível pensamento! – não existirás mais.”

“ter o sentimento de que por tudo e em todos os seres não há mais que uma só e mesma vontade é o começo e a essência de toda ética.” “A resolução que, chegado a tal compreensão, toma um homem é a da renúncia, da resignação, da suprema impassibilidade. Nele se realiza a passagem da virtude para o nobre paradoxo da ascese, um grande paradoxo, na verdade; porque acontece então que uma individuação da vontade renega o ser que nela aparece e que se exprime por seu corpo, que seus atos desmentem sua aparência e entram em luta aberta com ela.”

Seria um paradoxo afirmar que a concepção cronológica das coisas é um anacronismo?

“<O que determina a hierarquia é a aptidão para sofrer profundamente> – escreveu Nietzsche, seguindo sem reserva e até o fim o aristocratismo do sofrimento de Schopenhauer, doutrina segundo a qual a vocação do homem e do gênio, sua mais alta distinção e seu enobrecimento, é o sofrimento.”

re(t)ificação da existência

o mundo é rei ou res

o crescimento geni(t)al

das vel(h)as

“tudo o que ele escreveu durante os 72 anos de sua vida, não foram mais que peças de confirmação obstinadamente reunidas, arrimos de reforço [à obra]: <O mundo como vontade e representação>”

“o sexo perturba diabolicamente a contemplação pura e o conhecimento renega o sexo”

“na medida em que tende para uma objetividade apolínea, esta concepção do espírito e da arte se encontra com a de Goethe, apresenta caráter clássico. Mas seu extremismo e seu ascetismo são nitidamente românticos, tomada esta palavra em sentido oposto ao do gosto de Goethe, que conhecemos melhor por suas atitudes a respeito de Kleist.”

CURTINDO O ETERNO RETORNO ADOIDADO: “a forma de espírito de Schopenhauer, a sensibilidade e o ardor excessivos de seu gênio, cujo dualismo é caricatural, são menos românticos que modernos; desejaria dizer muito com esta designação, mas relacionando-a totalmente com uma alma moderna, cujo calvário [DIC – cruel sofrimento moral] só é bastante visível neste século entre Goethe e Nietzsche [o século XIX em que viveu Sch. ou o século XX de Mann, numa meridiana emocional entre esses 2 escritores?].”

AZEDO 8, PICANTE E ALTISSONANTE OITAVA, ACRE 88

O sensual que não sabe dançar

O bom pai inimaginável

O pornógrafo pouco afeito a pornografias

Extremoso em sua temperança e auto-cobrança

Pagando os boletos da vida em parcelas de centavos

Sentai-vos, e escutai-me,

Ardem esses hematomas da alma!

Massacrante massa crente arde no inferno de mármore de sua gasosa crença espirituosa,

ardente sem saber, pendente de crer,

nalgo sólido só lido não sentido,

sem auto-crítica real ter tido.

“Schopenhauer: mais moderno, mais doloroso, mais complicado que Goethe, mas muito mais <clássicos>, robusto, são que Nietzsche”

Eu 2008: clássico

não são sãos

são carecas

“o paradoxo de sua prosa clássica e clara, que revela o mais profundo, o mais noturno abismo”

THE QUEEN OF SHEBA AND HER ONLY SON MENYELEK (KEBRA NAGAST)

Translated by Wallis Budge

And He drove him out of the Garden, because of his apostasy through the sin of the Serpent and the plotting of the Devil. And at that sorrowful moment Cain was born, and when Adam saw that the face of Cain was ill-tempered and his appearance evil he was sad. And then Abel was born, and when Adam saw that his appearance was good and his face good-tempered he said, <This is my son, the heir of my kingdom.> (…) Cain was envious, first because of the words of his father; and secondly, because of his sister with the beautiful face, who was born with him and who had been given unto Abel, even as God commanded them to multiply and fill the earth – now the face of the sister who had been born with Abel resembled that of Cain [quantos gêmeos cruzados nesta historieta!], and their father had transferred the two sisters when giving them in marriage; – and thirdly, because when the two brothers offered up sacrifice, God accepted the offering of Abel and rejected the offering of Cain. (…) And having killed his brother, Cain fell into a state of trembling and horrible fright, and he was repulsed by his father and his Lord. And then Seth was born, and Adam looked upon him and said, <Now hath God shown compassion upon me, and He hath given unto me the light of my face. In sorrowful remembrance I will console myself (?) with him. The name of him that shall slay my heir shall be blotted out, even to his ninth generation.Que espécie de livro não é entendido nem pelos próprios tradutores? E então, não eram nem 4, nem 7, mas 9 gerações?

the sons of Cain ate, drank and danced, and they played upon stringed instruments, and sang lewd songs thereto, and they worked uncleanness without law, without measure, and without rule.” E eles introduziram a semente do burro na égua, e a mula nasceu, o que Deus não comandou. E no meio de todas essas coisas, o homem se poluiu com o homem, e a mulher trabalhou com a mulher na coisa abominável.

Segundo o Segundo Pacto que Deus fez com Noé, após o Dilúvio, não haveria novo Dilúvio, mas nascera aí a distinção Outono-Primavera, Primavera-Outono.

Though heaven and earth pass away My word shall not pass away.”

Deus, o Bipolar

Deus criou Zion; o útero de Maria criou Deus.

Canaã, o neto de Noé, quebrou o pacto, e não Shem (seu pai). “And in later days God took vengeance upon the sons of Canaan, and made the sons of Shem to inherit their country.”

And they slaughtered their sons and their daughters to the devils” Que ironia.

Abraão é o nono descendente de Canaã. Seu pai se chamava Terah.

Numa chuva de fiel, no meu colo cai herético, pecado e ignomínia.

And I will bring down the Tabernacle of My Convenant upon the earth 7 generations after thee”

Antes havia para onde viajar e se tornar rei. Hoje o Oeste já foi desvelado e é só repetição.

Isaque e Jacó são irrelevantes na “historiografia”.

Gênesis 35:22-27: “Quando Israel habitava naquela terra, foi Rúben e deitou-se com Bila, concubina de seu pai; e Israel o soube. Eram doze os filhos de Jacó: Os filhos de Léia: Rúben o primogênito de Jacó, depois Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom; os filhos de Raquel: José e Benjamim; os filhos de Bila, serva de Raquel: Dã e Naftali; os filhos de Zilpa, serva de Léia: Gade e Aser. Estes são os filhos de Jacó, que lhe nasceram em Padã-Arã. Jacó veio a seu pai Isaque, a Manre, a Quiriate-Arba, onde peregrinaram Abraão e Isaque” Não se dão 1000 anos de perdão para quem torna corno aquele que corneou?

Judá viria da raiz etíope da palavra, que quer dizer “ladrão”. “and although he [Rubem] was the firstborn son the kingdom was rent from him. And his younger brother reigned, and he was called Judah because of this.”

and He opened to them salvation. And he spake with them from the pillar of cloud

And again he saith by the mouth of the Holy Ghost, <And My habitation is here, for I have chosen it.>”

The Emperor of Rôm [Constantinopla] is the son of Solomon, and the Emperor of Ethiopia is the firstborn and eldest son of Solomon.”

Mt. 12:42//Lc. 11:31: “A rainha do sul se levantará no juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui quem é maior do que Salomão.”

Now in the days of Solomon the King gold was as common as bronze, and silver as lead, and bronze and lead and iron were as abundant as the grass of the fields and the reeds of the desert and cedarwood was also abundant.”

for wisdom is far better than treasure of gold and silver, and wisdom is the best of everything that hath been created on the earth. Now unto what under the heavens shall wisdom be compared? It is sweeter than honey, and it maketh one to rejoice more than wine, and it illumineth more than the sun, and it is to be loved more than precious stones. And it fatteneth more than oil, and it satisfieth more than dainty meats, and it giveth more renown than thousands of gold and silver. (…) it is a teacher of those who are learned, and it is a consoler of those who are discreet and prudent, and it giveth fame to those who seek after it. (…) no man can filch [surrupiar] it from his heart. That which fools heap up the wise consume.” Queen Mâkedâ, um dos nomes da Rainha do Sabá ou dos Sabeus [diferente da Etiópia – note como as versões conflituam o tempo todo], que quer dizer “Not thus”, “Não assim”, “Não deste modo”, assinalando a mudança do politeísmo e paganismo primitivo à Verdadeira Religião (cof, cof).

So she made ready to set out. And 797 camels were loaded, and mules and asses innumerable were loaded, and she set out on her journey and followed her road without pause, and her heart had confidence in God.”

And thou, although thou dost not know the God is Israel, hast this wisdom which thou hast made to grow in thine heart”

And this speech of mine springeth not from myself, but I give utterance only to what He maketh me to utter.”

I am a man and dust and ashes, who tomorrow will become worms and corruption, and yet at this moment I appear like one who will never die.”

As is his death is my death; and as is his life is my life. Yet this man is stronger to work than I am”

We worship the sun according as our fathers have taught us to do, because we say that the sun is the king of the gods; some worship stones, and some worship wood, and some worship carved figures, and some worship images of gold and silver. And we worship the sun, for he cooked our food, and moreover, he illumned the darkness, and removed fear; we call him <Our King>, and we call him <Our Creator>, and we worship him as our god; for no man had told us that beside him there is another god. But we have heard that there is with you, Israel, another God Whom we do not know”

No one can chide Him, for He is the Lord of the Universe, and there is no one who can say unto Him, <What hast Thou done?>”

(and it was not only human beings who came to him, but the wild animals and the birds used to come to him and hearken unto his voice, and hold converse with him)”

A woman of such splendid beauty had come to me from the ends of the earth! What do I know? Will God give me seed in her?”

I Rs. 11:1-2: “Ora, o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, das nações de que o Senhor dissera aos filhos de Israel: Não ireis para elas, nem elas virão para vós; doutra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão, levado pelo amor.”

A diferença das partes não altera o produto: “And he had 400 queens and 600 concubines. Now this which he did was not for fornication, but as a result of the wise intent that God had given unto him, and his remembering that God had said unto Abraham, <I will make thy seed like the stars of heaven for number, and like the sand of the sea.> And Solomon said in his heart, <What do I know? Peradventure God will give me ten children from each one of these women. My children shall inherit the cities of the enemy, and shall destroy those who worship idols.>”

to those after Christ, it was given to live with one woman under the law of marriage. And the Apostles laid down for them an ordinance: <as concerning Solomon no law had been laid down for him in respect of women, and no blame can be imputed to him in respect of marrying many wives. But for those who believe, the law and the command have been given that they shall not marry many wives, even as Paul saith, ‘Those who marry many wives seek their own punishment. He who marrieth one wife hath no sin.’ [I Corinthians, VII]>”

Lv. 18:18: “E não tomarás uma mulher juntamente com sua irmã, durante a vida desta, para tornar-lha rival, descobrindo a sua nudez ao lado da outra.”

And they destroyed His light and cast themselves upon Him and they set a guard over His tomb wherein they had cast Him. And He came forth where they did not look for Him, and illumined the whole world, more especially the First Sea and the Last Sea, Ethiopia and Rôm. And He paid no heed whatsoever to Israel, and He ascended His former throne.”

And he gave her whatsoever she wished, everything on which great store was set in the country of Ethiopia, and camels and wagons, 6000 in number, which were laden with beautiful things of the most desirable kind, and wagons wherein loads were carried over the desert, and a vessel wherein one could travel over the sea, and a vessel wherein one could traverse the air (or winds) [!], which Solomon had made by the wisdom that God had given unto him.

and she brought forth a man child, and she gave it to the nurse with great pride and delight.” “And the child grew and she called his name Bayna-Lehkem. And the child reached the age of 12 years, and he asked his friends among the boys who were being educated with him, and said unto them, <Who is my father?> And they said unto him, <Solomon the King.> And he went to the Queen his mother, and said unto her, <O Queen, make me to know who is my father.> And the Queen spake unto him angrily, wishing to frighten him so that he might not desire to go, <Why dost thou ask me about thy father? I am thy father and thy mother; seek not to know any more.> (…) And a second time, and a third time he asked her, and he importuned her to tell him. One day, she told him, <His country is far away, and the road thither is very difficult; wouldst thou not rather be here?> And the youth Bayna-Lehkem was handsome, and his whole body and his members, and the bearing of his shoulders resembled those of King Solomon his father, and his eyes, and his legs, and his whole gait [porte] resembled those of Solomon the King.”

At. 8:26-39: “Mas um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te, e vai em direção do sul pelo caminho que desce de Jerusalém a Gaza, o qual está deserto. E levantou-se e foi; e eis que um etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace [Mâkedâ], rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros e tinha ido a Jerusalém para adorar, regressava e, sentado no seu carro, lia o profeta Isaías. Disse o Espírito a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro. E correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes, porventura, o que estás lendo? Ele respondeu: Pois como poderei entender, se alguém não me ensinar? e rogou a Filipe que subisse e com ele se sentasse. Ora, a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Foi levado como a ovelha ao matadouro, e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim ele não abre a sua boca. Na sua humilhação foi tirado o seu julgamento; quem contará a sua geração? porque a sua vida é tirada da terra. Respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? de si mesmo, ou de algum outro? Então Filipe tomou a palavra e, começando por esta escritura, anunciou-lhe Jesus. E indo eles caminhando, chegaram a um lugar onde havia água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? [E disse Felipe: é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.] mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e Filipe o batizou. Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco, que jubiloso seguia o seu caminho.”

His eyes are gladsome, like unto those of a man who hath drunk wine” “in those days Solomon had no children, except a boy who was 7 years old and whose name was Îyôrbe’âm (Rehoboam).”

[De 1000 esposas, Deus só lhe deu] 3 filhos. Seu filho mais velho era o Rei da Etiópia, o filho da Rainha da Etiópia, e era o primogênito daquele com que Deus falou profeticamente, <Deus jurou perante Davi o justo, e não se arrepende, ‘Do fruto do teu corpo eu vou fazer sentar de novo em teu trono’>”

I Co. 1:20-31: “Onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o questionador deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste? Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem. Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens. Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Pelo contrário, Deus escolheu as coisas confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são; para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.”

Besides travailing with him and suckling him, what else had a woman to do with a son? A daughter belonged to the mother, and a boy to the father. God cursed Eve, saying, <Bring forth children in anguish and with sorrow of heart, and after thy bringing forth shall take place thy return to thy husband. As for this my son, I will not give him to the Queen, but I will make him king over Israel.”

For no man hated the place where he was born, and everyone loved the things of his native country.”

Since thou speakest in this wise, according to the law I myself am not the son of my father David, for he took the wife of another man whom he caused to be slain in battle, and he begot me by her; but God is compassionate and He had forgiven him. Who is wickeder and more foolish than men? and who is as compassionate and as wise as God? God had made me of my father, and thee had He made of me, according to His Will. And as for thee, O my son, thou fearer of our Lord God, do not violence to the face of thy father, so that in times to come thou mayest not meet with violence from him that shall go forth from thy loins, and that thy seed may prosper upon the earth. My son Rehoboam is a boy 6 years old, and thou art my firstborn son, and thou hast come to reign, and to lift up the spear of him that begot thee. Behold, I have been reigning for 29 years, and thy mother came to me in the 7th year of my kingdom; and please God, He shall make me to attain to the span of the days of my father. And when I shall be gathered to my fathers, thou shalt sit upon my throne, and thou shalt reign in my stead, and the elders of Israel shall love thee exceedingly; and I will make a marriage for thee, and I will give thee as many queens and concubines as thou desirest. And thou shalt be blessed in this land of inheritance with the blessing that God gave unto our fathers, even as He covenanted with Noah His servant, and with Abraham His friend, and the righteous men their descendants after them down to David my father. Thou seest me, a weak man, upon the throne of my fathers, and thou shalt be like myself after me, and thou shalt judge nations without number, and families that cannot be counted.” “Now Balt.âsôr, the King of Rôm, wished that I would give my son to his daughter, and to make him with his daughter king over the whole country of Rôm. For besides her he had no other child, and he had sworn that he will only make king a man who is of the seed of David my father. And if we rule there we shall be 3 kings. And Rehoboam shall reign here over Israel. For thus said the prophecy of David my father <The seed of Solomon shall become 3 heads of kingdoms upon the earth.>”

It is meet and right that thy dominion of Ethiopia shall be from the River of Egypt to the west of the sun (i.e., to the setting sun); blessed be thy seed upon the earth – and from Shoa to the east of India”

I the Lord thy God am a jealous God. I am He Who visited the sin of the father on the children to the third and fourth generation of those who hate Me, and I perform mercy to a thousand, to ten thousand generations of those who love Me and keep My commandments.” “Observa o dia do Sabá e santifica-o, assim como o Senhor teu Deus comandou. Por seis dias deves fazer o teu trabalho, e no sétimo dia, o Sabá do Senhor teu Deus, tu não deves fazer trabalho algum, nem tu mesmo, nem teu filho, nem tua filha, nem teu burro nem tua mula, nem qualquer besta, nem o estranho que mora contigo. Porque em seis dias Deus fez os céus e a terra, e o mar e tudo que neles se encontra, e descansou no sétimo dia, e por isso Deus abençoou este sétimo dia e o declarou livre de todo trabalho.”

uncover the shame”: eufemismo para dar umazinha

descobrir as pudendas (Cláudia Ohanas!)!

And they cursed the King secretly and reviled him because he had seized their sons against their will.”

Os primogênitos “extraditados” pela Vontade do Senhor planejaram o roubo do Tabernáculo para levá-lo consigo à Etiópia. A paródia do seqüestro de Helena: “I would offer up a sacrifice to the holy city Jerusalem, and to my Lady Zion, the holy and heavenly Tabernacle of the Law of God.” “And had it not been that God willed it Zion could not have been taken away forthwith.”

and they were then even as they were when God slew the firstborn of Egypt.” “the dogs howled, and the asses screamed, and all those who were left there mingled their tears together.” “From this moment our glory had passed away, and our kingdom had been carried off unto a strange people who know not God, even as the prophet said, <The people who have not sought Me have found Me.>” “I will turn My face away from thee because thou hast treated My offerings with contempt, and hast preferred thy sons to Me.”

the sons of the warriors of Israel saw that they had come in one day a distance of thirteen days’ march, and that they were not tired, or hungry, or thirsty, neither man nor beast”

the plan the pan the pun the pen the pin the spoon of God, oh, Majesty, Have you Forgotten?

Esse, o filho de um profeta, será ele enumerado entre os profetas?”

And there was joy to the Sea of Eritrea, and to the people of Ethiopia, who went forth to the sea and rejoiced exceedingly, and with a greater joy than did Israel when they came out of Egypt.”

Verily the sun that appeared unto me long ago when I was sleeping with the Queen of Ethiopia was the symbol of the holy Zion.”

and they were swifter than the eagles that are in the sky”

And thou, O King, whose wisdom had no counterpart under the heavens, why hast thou given away the Tabernacle of the Law of the Lord thy God, which thy fathers kept pure for thee?”

Os lamentos salomônicos (os antípodas dos Cânticos?): “Our name was honoured, to-day it is nothing. Woe be unto us!”

E quando os Filisteus guerrearam com Saul o Rei, Saul foi sobrepujado e morreu com Jônâthân seu filho. E aqueles de seus filhos que restaram quiseram levar o Tabernáculo (Sião), ao saberem que seu pai e irmão mais velho estavam mortos. (…) Mas era impossível levar Sião embora sem que ela quisesse e Deus quisesse.” “quando seu pai [Davi] reinou com justeza sobre Israel ele a levou da cidade de Samaria e trouxe a arca para Jerusalém, dançando sobre seus pés diante dela, batendo palmas por conta de sua imensa alegria”

And Solomon lived for eleven years after the taking away of Zion from him, and then his heart turned aside from the love of God, and he forgot his wisdom, through his excessive love of women. And he loved very greatly the daughter of Pharaoh, the king of Egypt, whose name was Mâkshârâ, and he brought her into the house wich he had made; and there were figures of the sun, moon, and stars in the roof thereof, and it was illumined by night as brightly as by day. Its beams were made os brass, and its roof of silver (…) and its floor was of blocks of sapphire stone and sardius.” “And she multiplied her sacrifices, and her worship, and her folly, according to the stupidity of the Egyptians” “and she spoke to him with honeyed words, and with the tender speech of women, and with the sweet smile that accompanied the presentment of an evil deed, and with the turning of the face and the assumption of a look of good intent, and with the noddling of the head. With actions of this kind she caused his heart to turn away from his good intent, and she enticed him to the evil of her work, wishing to drag him down into the folly of the foolish service of idols through carelessness. And as the deep sea drawed down into its depths the man who cannot swim, until the water overwhelmed him and destroyed his life, even so did that woman wish to submerge Solomon the King.”

Thy son had carried away thy Lady Zion, thy son whom thou hast begotten, who springed from an alien people into which God had not commanded you to marry, that is to say, from an Ethiopian woman, who is not of thy colour, and is not akin to thy country, and who is, moreover, black.”

And thy kin is her kin, for ye are all the children of Ham. And God, having destroyed of the seed of Ham 7 kings, had made us to inherit this city, that we and our seed after us may dwell therein for ever. And as concerning Zion, the will of God had been performed, and He had given her unto them so that they may worship her. And as for me, I will neither sacrifice to nor worship thine idols, and I will not perform thy wish.” “Who was wiser than Solomon? yet he was seduced by a woman. Who was more righteous than David? yet he was seduced by a woman. Who was stronger than Samson? yet he was seduced by a woman. Who was handsomer than ‘Amnôn? yet he was seduced by Tamar the daughter of David his father. And Adam was the first creation of God, yet he was seduced by Eve his wife. And through that seduction death was created for every created thing.”

Come now, and consider, which was the greater of the two, the sin of his father David or the sin of his son Solomon? David caused Uriah to be slain in battle by means of a plan of deceit so that he might take his wife Bêrsâbêh (Bathsheba), the mother of Solomon; and he repented, and God had compassion on him, And when he was dying he advised his son Solomon, saying, <Kill Joab as he killed ‘Amêr (Abner), and kill Shimei because he cursed me>; and he performed the will of his father and slew them after the death of David his father. And Solomon killed no one except his brother when he wished to marry the Samênâwât, a sulamita, the wife of his father David whose name was ‘Abîs (Abishag).”

De acordo com a interpretação da profecia, o nome Salomão significava na língua secreta <Cristo>. E como Salomão construiu a casa de Deus, Cristo encarnou em Seu Corpo e consubstanciou a Igreja. E quando Ele disse aos Judeus, <Deitem abaixo esta casa, e em 3 dias eu a erguerei novamente> [João 2:19], Ele estava falando da casa que era Seu Corpo. E como Salomão multiplicou mulheres de povos forasteiros devido a sua beleza e charme, e o desejo o consumiu, assim mesmo Cristo reuniu rebanhos de gentios que não conheciam a Lei, mas que acreditavam Nele. E não havia incircuncisos para Ele, nenhum pagão; e não havia escravo, e nenhum judeu, e nenhum servo e nenhum homem livre [Gálatas 3:28]; Ele os juntou todos em Seu reino celeste através de Sua Carne e Sangue. E no Cântico dos Cânticos o próprio Salomão cantou e disse, <Há 60 homens poderosos em torno da cama de Salomão, todos treinados na guerra e possuindo espadas, cada homem com sua espada à destra> [Cânticos 3:7-8]. O número de 60 indicava o número dos Patriarcas virtuosos, e dos Profetas, e dos Apóstolos, e dos Mártires, e dos Crentes, e dos Santos, e dos Monges que resistiram aos pensamentos maus e à guerra de Satã. E a palavra <espada> é, sendo analisada, a palavra das Escrituras. A palavra do Senhor corta com sua lâmina afiada, e desta mesma maneira as Escrituras também cortam dos corações dos homens os perigos causados pelos sonhos fantasiosos da madrugada. E as palavras <cama de Salomão> são, se analisadas, a Igreja de Cristo.”

Elias e Eliseu sabiam a verdade, e inscreveram os pecados de Salomão no Livro dos Reis para envergonhar os Judeus, que são cegos de coração e os inimigos da virtude.”

Salomão, Rei e Profeta, nos legou 4 livros de profecias” Viveu 60 anos, 20 a menos que seu pai Davi.

Mas a tolice de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens, e Ele te deu apenas 3 filhos: um que levou-lhe a glória para uma terra desconhecida, estabelecendo a morada do Senhor na Etiópia; outro que é coxo do pé, que deverá sentar em teu trono para os de Israel, o filho da raça de tua raça de Tarbâna, da casa de Judá; e por último aquele que é filho de uma mulher grega, uma faxineira, que nos últimos dias destruirá Roboão e toda sua linhagem de Israel; e toda essa terra será dele, porque ele acredita n’Aquele que virá, o Salvador. Mas a tribo de Roboão, e daqueles que restaram em Israel, O crucificará, Àquele que há de vir, o Redentor, e sua memória deverá ser extirpada da terra. Porque eles tramarão um plano que não poderão concluir, e Ele se zangará com eles e obliterará a sua memória.”

Salomão sofrerá no Seol até seu Filho ir buscá-lo. “E como Moisés afogou o Faraó com os egípcios no Mar da Eritréia, também o Salvador afogará Satanás e seus demônios no Seol; porque o mar é para ser tido pelo Seol, e o Faraó por Satanás, e suas hostes egípcias pelos demônios.” “E como Josué massacrou os Reis de Canaã, o Salvador massacrará as sete cabeças de ‘Iblîs.”

Davi seria um sétimo filho, segundo o Kebra Nagast original. Mas uma nota de rodapé desmente: foi o oitavo. E Salomão o sexto.

Conclui-se do conceito de Seol dos hebreus e deste K.N. que o Inferno já deveria ter sido destruído e todos nós redimidos… Aforismo de sabedoria condensada (supercondensação estilo Big Bang): Se a História tivesse de ter um fim, Pôncio Pilatos seria seu Autor… Esse fato de per se comprova a existência do Inconsciente. Território iníquo inato da maldade.

a madeira da Cruz, o terceiro meio de salvação que deverá ser enviado à terra” A ficção que ficou mais embolada que Star Wars… A Pérola [?!?], Sião – a mesa – e a Cruz… E depois virá a linhagem dos Belmondo…

E se eu virar pó, não ficarei triste, porque pó não tem sentimento!

<Meu Senhor, está a vinda do Salvador de que falaste próxima ou distante?>

<Ele virá em 3 ou 30 gerações da tua linhagem e da tua semente vai salvá-lo.>”

Deus responde em módulo ou variação estatística.

O primeiro Schopenhauer: “Of what use are we who are men? We are created in vain, and after a little time we become as if we had never been created.” “O quê então? Multiplicar a fala é sem propósito, e a nobreza da estatura é destruída, e a força dos reis é pulverizada (…) Depois de 3 gerações de nossas crianças, não há quem lembre nosso nome.”

They called Rehoboam <King of Judah>, and they called the King of Samaria <King of Israel>. And of the generations of Rehoboam, from Rehoboam to ‘Îyâkêm (Joachim) were 41 generations.”

And the name of Esau’s kingdom was called, according to his name of contempt, <Edom>, for the interpretation of <Edom> is <lentiles>”

Como Salomão o sábio disse, <Há 3 coisas que são difíceis para minha mente, e a quarta delas eu não posso conceber: – O rastro da águia nos céus, a trilha da serpente na rocha, a trilha do navio no mar.> E a quarta coisa de que ele falava concernia à mulher má, que, tento traído seu marido, e se lavado, sentava como uma santa que nada tinha feito de errado, e jurava falsamente.”

A lenda do nascimento de Nabucodonosor: a criança fruto de um adultério; mas, aparentemente destinado a ser jogado no rio ao nascer, o filho bastardo de um mercador acaba sendo criado em berço real. Nabudonosor significa pelos auspícios do pássaro. “ele era extremamente arrogante e costumava dizer <Eu faço o sol brilhar no céu>; e idolatrava ídolos.”

Ló, não se vire depois de sair da cidade, não volte as costas se não quiser morrer”, disse o Anjo do Senhor. Mas a esposa de Ló se virou, e virou sal. Isso foi antes de Ló se recolher às montanhas como eremita e enrabar suas filhas.

E Noé estava bêbado e nu perante sua mulher e filhos, e amaldiçoou seu filho quando este riu-lhe; e o ter dormido com sua filha não foi reconhecido como pecado de Ló, uma vez que ele o fez inconscientemente, embriagado.”

E então Dalîlâ (Delilah) concebeu de Sansão, e enquanto ela estava grávida Sansão morreu com os Filisteus; e Dalila deu a luz a um filho que chamou <Menahem>, que quer dizer <semente do homem forte>.”

Dalila e sua irmã Maksâbâ, ambas viúvas, eram belas, e se amavam muito. E seu amor não era como o amor de irmãs, mas como o da mãe pelo filho, e do filho pela mãe. E viveram juntas. Maksâbâ foi a única sobrevivente do massacre de Sansão, e por isso reinou sobre os Filisteus.” Seus filhos cresceram juntos como irmãos, mas o filho de Sansão, o caçula, assassinou o Rei dos Filisteus, aos 15.

Eu ouvi dizer que os hábitos dos egípcios são sem-lei, e que eles vivem em idolatria e fornicação. E quando te virem, vão tramar contra mim, e me matar por causa da excelência de tua bela forma; porque entre eles não há quem se compare a ti. Para que salves minha vida, fala por favor, se acontecer de perguntarem-te coisas sobre mim, <Sou a irmã dele>, e então quem sabe os estranhos pouparão minha alma da morte.” Abraão

A serva Hagar, que não devia se comparar à ama, foi presente do Faraó a Abraão, depois que ele se borrou com o poder do Anjo vingador!

Ismael, o bastardo, que significa “Deus ouviu minhas preces”.

Ishmael tinha 14 anos antes de Isaac nascer. E Deus disse a Abraão, <O que Sara falou por ciúmes é verdade; deserde a serva com seu filho Ishmael. Deixe que Ishmael viva perante Mim, e farei dele uma grande nação, e ele deverá possuir 12 nações e reinar sobre todas elas. Mas eu vou estabelecer Meu Pacto com Isaac Meu servo, o filho de Sara, que será com todas as nações da Terra.>” El Hayek realmente gosta de aproveitar apenas o estritamente conveniente de suas queridas histórias…

And therefore the children of Ishmael became kings over Tereb, and over Kebet, and over Nôbâ, and Sôba, and Kuergue, and Kîfî, and Mâkâ and Môrnâ, and Fînkânâ, and Arsîbânâ, and Libâ, and Mase’a, for they were the seed of Shem. And Isaac reigned over Judah and over Amôrêwôn, and over Kêtêwôn, and Îyabûsêwôn, and Fêrzêwôn, and Eêwêwôn, and Kêkêdewôn, and Rômyâ, and Ansôkyâ (Antiochia), and Sôryâ (Syria), and Armenia, and Felesteêm (Palestine), And Ethiopia, and Edom, and Philistia, and Îyôâb, and Amalek, and Phrygia, and Babylon, and Yônânest, and Ebrâyast. For as God sware He gave all kingdoms to the seed of Shem, and an exalted throne and dominion to the seed of Shem, even as his father Noah, by the word of God, blessed his son Shem, saying, <Be lord to thy brethren and reign over them.>”

And the Queen said unto her nobles: <Speak ye now, and swear ye by the heavenly Zion that ye will not make women queens or set them upon the throne of the kingdom of Ethiopia, and that no one except the male seed of David, the son of Solomon the King, shall ever reign over Ethiopia, and that ye will never make women queens.[!]>” “E se depois desse dia for achado qualquer homem que observe todos os seus costumes antigos, sua casa será pilhada, e ele e sua esposa e suas crianças deverão ser condenados.”

And thus the eastern boundary of the kingdom of the King of Ethiopia is the beginning of the city of Gâzâ in the land of Judah, that is, Jerusalem; and its boundary is the Lake of Jericho, and it passed on by the coast of its sea to Lêbâ and Sâbâ; and its boundary goes down to Bîsîs and ‘Asnêt; and its boundary is the Sea of the Blacks and Naked Men [?], and goes up Mount Kêbêrênêyôn into the Sea of Darkness, that is to say, the place where the sun setted and its boundary extended to Fênê’êl and Lasîfâlâ and its borders are the lands near the Garden (Paradise)”

David waged war wheresoever he pleased; no man conquered him, on the contrary, whosoever attacked him was conquered. (…) This I found among the manuscripts of the Church of Sophia in Rôm/Constantinople.”

He performed many miracles, some of which are written down and some of which are not, even as said John the Evangelist, the son of Zebedee”

Moses spake unto God and said, <Shew me Thy Face.> And God said unto Moses, <No one can look upon My Face and live, but only as in a mirror. Turn thy face to the west and thou shalt see in the rock the mirroring of My Face.> And when Moses saw the shadow of the Face of God, his own face shone with a brightness which was 7x brighter than the sun, and the light was so strong that the children of Israel could not look upon his face except through a veil. And thereupon he saw that they did not desire to look upon the Face of God”

E quando Abraão levou seu filho Isaque ao Monte Carmelo, Deus enviou do paraíso um carneiro para a redenção de Isaque. (…) Abraão deve ser entendido como Deus o Pai, e Isaque como um símbolo de Cristo o Filho.”

And the daughters of Cain with whom the angels had companied conceived, but they were unable to bring forth their children, and they died. And of the children who were in their wombs, some died, and some came forth; having split open the bellies of their mothers they came forth by their navels. And when they were grown up and reached man’s estate they became giants, whose height reached unto the clouds”

I was with Daniel in the den, and I was with Jonah in the belly of the great fish, and I was with Joseph in the pit, and I was with Jeremiah in the well fed from the lake. I stand under the deepest deep so that the mountains may not sink down under the waters”

A estranha autobiografia: “Wearied and miserable, they made Him sad when they rejected Him and hated Him; but strong and glorious, what could sadden Him when they brought false charges against Him? For He Himself knew His Godhead, and He knew His glory, and He new Himself.”

And in it is the throne of the Most High, which is surrounded with fire, and 4 beasts bear it in their place, which is the 6th heaven. And a throne goeth up to the 7th heaven, the habitation of the Father”

O que aconteceria se Abraão fosse contemporâneo de Jesus Cristo e testemunha na praça do Gólgota? Aliás, suponha que Abraão fosse José de Jesus…

Tirando a narrativa salomônica, esse livro é um desperdício de tempo!

Sealed in the cavewomb

Ano 409 do Perdão (nosso séc. XIV). Amém.

Prefácio-Posfácio (Colofão)

The first summary of the contents of the K.N. was published by Bruce as far back as 1813”

Nenhum livro religioso faz a apologia do tempo presente nem é best-seller imediato.

when Nectanebus II, the last native king of Egypt, fled from Egypt he went to Macedon, where he established himself as a magician. Here he became acquainted with Queen Olympias, who wished to find out from him if her husband, Philip, intended to put her away. An intimacy sprang up between Nectanebus and Olympias, and he appeared to the queen one night in the form of the god Amen of Libya, arrayed in all the attributes of the god, and begot Alexander the Great. Tradition transferred the horns of Amen to Alexander, and ancient Arab writers call Alexander <Dhu’l-Karnên>, i.e. <provided with two horns>, a title that translates exactly one of the titles of Amen, <Sept abui>.”

The Tabernacle of the Law had much in common with the arks or divine tabernacles of the Babylonians and Egyptians, which formed the places of abode of figures of gods or their most characteristic emblems.” “The Ark of the Law which Menyelek [David Son or Grandson] covered and stole from the Temple of Jerusalem was probably a copy of that made by Moses, and to all intents and purposes it was a rectangular box, made of hard wood plated with gold, and measuring about 4ft. long, 2ft. 6inc. wide, and 2ft. 6in. deep. It was provided with a cover upon which rested the Mercy seat and figures of the Cherubim.”

Apologies: “A full discussion of every portion of the work, with extracts giving the original texts of the authorities used and quoted by Isaac [o copista ou inspirado a escrever o Kebra Nagast], would fill another volume, and the cost of printing, paper, and binding is now so great that the idea of producing such a book has been abandoned.”

Os portugueses foram os primeiros europeus a descobrir o Kebra Nagast, no século XVI. Destaca-se o papel dos jesuítas, os historiadores mais capacitados do período.

Primeira versão integral do texto: Abhandlungen der Königlich Bayerischen Akademie, Munich, 1909.

Ester ou Judite quebraram a seqüência de reis homens da semente de Salomão, na historiografia oficial.

reference may be made here to a series of chapters which try to prove that the kings of the Moabites, Philistines, Egyptians, Persians, Babylonians and the Byzantines, are of Semitic origin. The fantastic legends which the author invented or reproduced contain much falsified history and bad philology, but it would be interesting to know their source and their author; these chapters seem to suggest that he was a Semite, probably a Jew.”

And when the mother of this Queen was with child of her she saw a fat and handsome-looking goat, and she looked upon him with greedy desire, and said, <How handsome the beast is! And how handsome its feet are!> And she longed for it after the manner of women who are with child. And when the afore-mentioned daughter was fashioned completely in the womb of her mother, she had onefoot like the foot of a man and another like the foot of a goat. (…) she did not want to marry any man because of her malformed foot; and she continued in her virginity until she began to reign.” Depois Salomão teria curado sua perna sem dificuldades e a revertido à forma natural (antropomórfica). Ou não seria uma mulher (ainda mais rainha) uma loba em pele de cordeira? PIN-PON! Versão alcorânica menos lisonjeira: “Jalâl ad-Dîn says that Solomon thought of marrying Balkîs [Makeda], but could not bring himself to do so because of the hair on her feet and legs. The devils who were always in attendance on Soloom removed the hair by the use of some infernal depilatory, but it is doubtful if even then Solomon married her.”

12-04-17

I

 

DESCRIÇÃO

Deitado na cama dos meus pais. Namorada ou moça bonita qualquer ao lado (não consigo identificar). Eu estou deitado na cama, na posição da minha mãe. Já a outra pessoa está ou de pé ou sentada, mas do lado direito, fora da cama. Um DVD do Metallica toca na TV.

Deitado na cama dos meus pais, só que do lado esquerdo, onde ficaria o meu pai, o Aloísio, meu melhor amigo de infância, hoje mero borrão. Nós cantamos junto com o James Hetfield, mas a voz dele sai idêntica; a minha não. Além disso, eu hesito, erro e esqueço alguns trechos das letras.

COMENTÁRIOS

Ele se deu – ele se dá – na vida melhor que eu. Mas quem? O Aloísio, ou o meu pai?

O Aloísio foi a pessoa que me apresentou ao Metallica, quando eu tinha 13 anos e ele 14. Recentemente ele se casou. Em breve eu me casarei. No casamento dele, uma mini-orquestra tocou Nothing Else Matters do “Black Album” ou álbum epônimo; creio que ainda seja a banda favorita dele, mas não somos mais pessoas íntimas, então nem tenho interesse em perguntar-lhe ou saber a resposta. Essa música é uma das mais populares da banda, embora muitos “fãs conservadores” do Metallica a detestem. Posso dizer que os gostos musicais do Aloísio e o meu destoam completamente, e que esse é um dos raros pontos de convergência (o Metallica está entre minhas 3 bandas favoritas). Já passei pela fase xiita de odiar tal música; hoje, gosto de todas as fases, e aprendi a apreciar bastante a melancolia passada pelo solo principal, realmente parece que entro na canção. Todavia, mesmo com toda minha evolução pessoal na relação com a banda, ainda estou mais para a apreciação da década de 80 do Metallica (fase áurea endeusada pelos fãs conservadores) e dos momentos mais underground e menos radiofônicos do grupo (o que inclui, paradoxalmente, os 2 últimos trabalhos, mais pesados do que nunca, com faixas de 8 ou 9 minutos que jamais tocariam na programação de uma rádio sem cortes) do que para um fã como o Aloísio (certa vez, ele me disse que a faixa favorita dele era The Outlaw Torn, do contestado Load; e vale lembrar que ele não gosta de nada no heavy metal fora o próprio Metallica).

Assim como nos gostos musicais, na vida eu e o Aloísio não podíamos ser pólos mais opostos. Ele se tornou tudo que eu mais abomino. No entanto, há um componente indisfarçável de inveja na posição que ele ocupa: tendo feito aulas de música e de canto, tendo tido uma banda e sendo um “jovem popular”, ele também cantou em seu casamento; coisa que eu não seria capaz de fazer no meu. Se tornou um advogado, funcionário público, que anda de carrão, pertence literalmente à nata de Brasília. Embora eu quisesse ter sua condição financeira (e esse desejo é retrospectivo: seus pais sempre lhe deram tudo, e eu cresci convivendo com a sovinice do meu pai; ele tinha todos os brinquedos que eu apenas sonhava em ter), confesso que se o preço fosse necessariamente se tornar alguém padrão como ele, não pagaria preço tão alto: a supressão dos traços mais benquistos por mim de minha personalidade. Contestatória, criativa, para resumir em dois termos. O Aloísio é apenas um burguesinho alienado, fã auto-declarado de Jair Bolsonaro e católico que se orgulha da sua educação moral e de suas origens insípidas e medianas (o típico casal pouco inteligente do Plano Piloto, que mima e blinda os filhos). Outra coisa que me deixa fulo com os caminhos que o Destino toma: eu sempre amei o futebol; já trabalhei como jornalista esportivo, sempre escrevi muito sobre o assunto, colecionei figurinhas, vi muitos programas de mesa-redonda na TV, já vi até 55 dos 64 jogos de uma Copa do Mundo (a de 2006)! Mas sou péssimo jogador. O Aloísio tinha um talento para a coisa, e sempre esteve vários e vários degraus acima de mim, tanto que me surpreende que ele não tenha mesmo tentado ou conseguido seguir essa carreira profissional.

Meu pai é outra pessoa que eu tenho, na minha concepção de mundo e de vida, como um contra-exemplo absoluto, alguém que não devo seguir sob nenhum pretexto, em nenhum aspecto, alguém que se possível deve ser invertido ao invés de copiado. Funcionário público aposentado; com talento para o comércio e a administração de empresas. Nasceu no interior do Ceará. Pode-se dizer que ganhou bem a vida, materialmente. Por golpe do destino, trabalhamos no mesmo órgão do governo: ele foi concursado da CAPES no cargo de Analista em C&T entre 79 e 2002. Eu sou atualmente Analista em C&T da CAPES desde 05/2014; depois de ter fracassado nas minhas duas primeiras escolhas profissionais (jornalista; professor).

Certa feita meu pai me perguntou o que eu estava lendo. Era o ano de 2008. Eu estava no segundo semestre do curso de Ciências Sociais. Respondi: Max Weber. Uma leitura muito prazerosa. Ele declarou que aquilo seria a última coisa que ele leria por gosto. Que na Administração foi obrigado a degluti-lo, mas que felizmente esses anos já se haviam passado. E é verdade: somos pessoas antônimas. De certa forma, ele e o Aloísio representam o sucesso material e mundano que eu penso que nunca atingirei. Como funcionário público que detesta suas funções, que não tem muito talento para nada aplicado ou pragmático, enfim, lucrativo, e escritor ainda-não-lido-por-quase-ninguém… Acho que a representação onírica “I” condensa toda essa celeuma muito bem.

II

 

DESCRIÇÃO
Leio um grosso volume, um livro que parece um fascículo de enciclopédia, de capa-dura cor vinho. A ordem é a mesma do mangá: da direita para a esquerda. Parecem listas de recomendação de outras pessoas em termos de livros e CDs de música, mas eu não reconheço um item sequer! Leio o perfil biográfico das pessoas que estão indicando as obras: uma é uma mulher de 38 anos, outra uma adolescente de 16. Intercalados com essas informações, em algumas das páginas, anúncios de jogos de videogame, que me permitem classificar a impressão desse livro no tempo. Uma das propagandas é sobre Starcraft I, edição digital/remasterizada (não lembro). Meu irmão chega em casa e me impede de terminar a leitura. É tarde da noite e eu quero que pensem que estou dormindo. Corro para o banheiro do quarto de empregada com o livro em mãos e me tranco.

CURIOSIDADE PITORESCA
Nunca joguei Starcraft, mas um dos primeiros que joguei foi o Warcraft II, jogo da mesma produtora, a Blizzard, de ambientação medieval e fantástica ao invés de espacial e futurista, como a de Starcraft. Seja como for, Starcraft é um jogo de real-time strategy bastante conhecido dos PCs (e alguns outros consoles). Sua primeira aparição foi na segunda metade dos anos 90. Dei uma googlada e, que coisa!, soube agora que lançarão um Starcraft Remastered esse ano (2017)!

III

 

DESCRIÇÃO

Enquanto urino, percebo que não é mais o meu banheiro. Estou morando no Guará. Esta é a casa do meu tio Nilo, dos meus primos André e Adriano. Parece estar tudo em obras. Não tem piso, azulejo, nada, e o plano é reclinado. Eu lembro com alguma nostalgia: há muito tempo costumava ter nojo desse lugar; agora ele é natural para mim.

Antes que eu termine de urinar aparece um gato branco com manchas marrons ou beges, estranho, deformado. Cara feia, alongado, “torto”, fisicamente absurdo. Pego um cabo de vassoura para enxotá-lo de minha casa (agora o banheiro não é mais um cômodo minúsculo, e parece haver muitos outros aposentos, que em nada lembram minha casa), mas me falta força na mão (sonho muitas vezes que quero socar alguém, e o soco não sai forte – nunca briguei na vida real). O gato é mais rápido do que eu. Há outro bichano, todo branco, mas na perseguição ao primeiro acabo ignorando-o.

COMENTÁRIOS

Meu tio Nilo é pobre. Significa que eu sou pobre agora? Que estou preparado para a pobreza? Meu poder aquisitivo não é o mesmo do meu pai. Ainda moro com ele, mas minha mudança está próxima. Será que é alguma apreensão nesse sentido? Atualmente estou sufocado por gastos [só na releitura percebi a semelhança fonética], principalmente de ordem médica, e tenho insegurança quanto a poder juntar dinheiro daqui para frente. Sobretudo, como detesto meu trabalho, tenho insegurança sobre meu próprio sustento, e o de minha futura família, devido ao meu quadro clínico.

Sobre o gato, ou bichos de estimação ou animais: não está claro o que eles simbolizam para mim, dada a frequência com que aparecem nos meus sonhos. Nunca tive gato ou cachorro. Conheço muitas pessoas que têm gato, que veneram gatos [o Aloísio venera gastos]. A Brenda, minha noiva, não é uma delas. Inclusive, ela tem alergia a pêlo de gato. No entanto, uma vez um gato de rua entrou na casa dela e pareceu se afeiçoar a todos os presentes (só queria comida, no fundo). A amiga da Brenda, Fernanda, tem um gato esquisito, o Nelson, que na verdade é do sexo feminino. Era semelhante ao gato branco de manchas marrons do sonho. Mais do que representar minha superioridade diante de alguém (certamente eu não conseguiria humilhar o Aloísio ou o meu pai num sonho, pois eles têm algo que eu queria ter, por mais que os despreze) – pois o gato não tem como se defender de mim –, uma hipótese que eu avento é: simplesmente vejo fotos e gifs de gatinhos demais ao longo do dia na Internet!

EXCERTOS AGRADÁVEIS DE SEMANÁRIOS

ou …E VIVA O ÓCIO! Vol. II

planeta #525 outubro/2016 ano 44

fleursdeprovence

FESTA PARA OS SENTIDOS

Das praias da Côte d’Azur aos Alpes, a Provença, no sul da França, tem uma formidável galeria de paisagens para encantar os visitantes, enriquecida pelos perfumes da lavanda e pelos sabores únicos de sua culinária e de seus vinhos

Por Luis Pellegrini

É fácil entender por que tantas pessoas, de imperadores romanos a estrelas de Hollywood, deixaram-se seduzir pela Provença (Provence, em francês) a ponto de abandonar tudo e compulsivamente comprar uma casa nessa região do sul da França. São em geral pessoas de temperamento artístico, cuja alma sensível ficou intoxicada pela beleza da paisagem e pelos muitos charmes desse jardim do Éden que começa nas praias da Côte d’Azur mediterrânea e vai até o sopé das montanhas dos Alpes.

(…)

REGIÃO DISPUTADA

A Provença foi a primeira província romana fora da Itália, e essa é a origem do seu nome. Após a queda de Roma, ela foi disputada por vários povos conquistadores, francos, sarracenos, senhores feudais, sendo finalmente dividida entre o reino da França e o papado. (…) o vaivém da política, dos exércitos e das guerras deu a esse povo a convicção de que não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe. (…)

          Avignon foi sede da Igreja Católica Romana de 1309 a 1377, depois que o papa Clemente V deixou Roma devido às lutas pelo poder no seio da Igreja. Seu Palácio dos Papas é uma cidade dentro da cidade. Leva-se um dia inteiro para visitá-lo sem pressa, e fazê-lo é mergulhar em ambientes da Idade Média que chegaram intactos até os nossos dias.

(…) Edificadas ao longo da Idade Média, são cidadelas quase inexpugnáveis, onde as construções se espremem aproveitando cada espaço disponível, muitas vezes à beira de precipícios espantosos.

(…)

          Jogo de desafio e de honra, de prática exclusivamente masculina, a pétanque é uma partida de arremesso de bolas metálicas similar à bocha italiana. Os torneios são realizados em toda parte, ao ar livre, diante de um público gozador que não perde o menor lance para arremessar chistes, piadas e impropérios aos jogadores menos afortunados.

          Aos domingos, depois da pétanque, começa o ritual do almoço provençal. O aioli é o prato oficial dessas reuniões de amigos e familiares, sobretudo no verão. É feito de peixes, frutos do mar e legumes cozidos e comidos com um molho cremoso à base de alho, azeite de oliva e várias especiarias regionais. O aioli pode ser substituído [Bela Gil mode on?] pela adola, a carne de panela à provençal, outro prato muito popular. Ou pela bouillabaisse, sopa que se prepara com peixes de água doce e temperados com azeite de oliva, cebola, alho-poró, alho, tomates sem pele e sem sementes, plantas aromáticas e especiarias (foto).

(…)

bouilla

RESPEITO À TERRA

Há dicionários inteiros dedicados aos vinhos provençais. Só a lista dos melhores Côtes de Provence, Côtes du Rhône, Château-neuf-du-Pape e do supercélebre Bandol ocuparia muitas páginas. (…)”

* * *

O TRABALHO REVISTO

Trabalhar precisa ser duro e penoso ou deve ser um suporte para a realização pessoal? Esse debate estava presente no texto a seguir, parte de um exercício de futurologia do francês Patrick Ravignant sobre grandes problemas da humanidade publicado em PLANETA 3, de 1972

(…)

meramenteilustrativo

Retomando a idéia do pecado original, que condena o homem a trabalhar com o suor do seu rosto, a sociedade industrial erigiu, ou tenta erigir, o trabalho como objetivo supremo da existência e lança contra a ociosidade a pior das condenações. A maior parte das pessoas considera hoje que o trabalho é o destino natural do homem, e esse trabalho deve ser duro, cansativo, penoso.

(…) Não é, como se pretendeu muitas vezes, o aspecto monótono do trabalho que gasta e consome o indivíduo. O trabalho é destruidor no plano psicológico quando utiliza uma pequeníssima parte das faculdades humanas, isto é, quando o indivíduo, incapaz de explorar o conjunto de suas aptidões, termina por atrofiá-las e destruí-las. O artista ou cientista, que nos seus trabalhos exerce a maior parte de suas faculdades, raramente considera suas tarefas penosas ou cansativas. Os momentos mais difíceis são também os mais estimulantes.

(…) De fato, todo homem procura uma atividade que lhe permita desenvolver o conjunto de suas funções psicofisiológicas. Se essa atividade coincide com um meio de subsistência, tanto melhor. O essencial, porém, não é a subsistência, mas a realização do indivíduo. (…)

Todos os homens, mesmo os mais iletrados, ao contemplarem um crepúsculo ou sonhar diante de um céu estrelado, interrogam-se sobre a finalidade da existência. (…) Os dirigentes atuais, contudo, não tomam nenhuma providência para que o lazer, no futuro, não se torne um fator geral de padronização, ou de tédio mortal, fonte de todas as neuroses.”

HISTORY OF THE ROMANS UNDER THE EMPIRE – VOL. VII: Subterfúgio: Polêmicas Judias

Reverendo Charles Merivale

 

(pente fino no capítulo sobre a destruição de Jerusalém sob Tito; circa p. 237)

 

At. 19:13-17: “Ora, também alguns dos exorcistas judeus, ambulantes, tentavam invocar o nome de Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega. E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, um dos principais sacerdotes. Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: A Jesus conheço, e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois? Então o homem, no qual estava o espírito maligno, saltando sobre eles, apoderou-se de dois e prevaleceu contra eles, de modo que, nus e feridos, fugiram daquela casa. Isto tornou-se conhecido de todos os que moravam em Éfeso, tanto judeus como gregos”

 

“The extreme party now reigned unresisted in Jerusalem. Jehovah, they proclaimed, had manifestly declared Himself on their side. Judea stood once more erect and independent, and invited her children dispersed throughout the world to fulfil, by a common effort, her imperial destiny. But in Rome they had been crushed; in Alexandria they were baffled; Nero had cajoled Vologesus, and engaged him to control their movements in Ctesiphon and Seleucia; the summons of the patriots met, it seems, with no response beyond the confines of Palestine, and the army of Titus confronted in closed lists the defenders of the city of David.”

Mt. 24:15-21: “Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes; quem estiver no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa, e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a sua capa. Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não suceda no inverno nem no sábado; porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.”

“While the chiefs of the Roman army were occupied with manoeuvres for securing the empire, the leaders of the Jews were actively engaged in plotting against each other. The Zealots, in the moment of victory, were split into three factions. (…) John and Simon might dispute the superiority in numbers and equipment; but the stronghold of Eleazar was regarded by the Romans as the real citadel of Jerusalem. After many open attacks and secret stratagems, John contrived to assassinate this powerful rival, and obtained possession of the whole Temple with the eminence on which it stood.”

Nota de rodapé p. 226: o Mito de Sião – nunca houve uma Cidade Sagrada, metafórica, “mesal”. Tratava-se da colina mais alta da orla montanhosa de Jerusalém. Citado em Macabeus, mas nunca, de novo, em Josephus[?] ou no Novo Testamento. “The temple of Jerusalem, planted nearly on the southern extremity of this second hill, was completely overlooked by Zion, and also by the fortress Antonia, with which Herod protected it on its northern flank.”

[?] Fariseu contemporâneo (séc. I d.C.) do cerco e que “virou a casaca” depois de uma carreira pregressa como agitador (//Paulo). Teria deixado relatos históricos sobre os eventos em que ele próprio participou (consultados no original em grego por Merivale), tentando dissuadir as duas lideranças rebeldes remanescentes até o fim do cerco.

“Acra, or Moriah, as it has been called by a vulgar error, might thus represent the Capitoline, and Zion the Palatine at Rome: the depression between them, crossed by a bridge or causeway, was thronged with the dwellings of the lowest classes, and occupied the place of the Velabrum or the Suburra.”

“The hill of Zion was almost a perfect square: but Acra, more oblong in shape, overlapped it considerably to the north-east, and in the rectangle between them, a third hill, to which we may give the name of Calvary, rose a little lower than the one, and as much higher than the other. The venerable tradition which assigns this spot for the place of our Lord’s crucifixion, and has consecrated it with the existing church of the Holy Sepulchre, may be accepted with reasonable confidence. At the date of the Crucifixion it stood outside the walls; but Herod Agrippa undertook to enclose it, together with a large suburb to the north, in a third line of defences. Bezetha, or the New City, for so it was denominated, embraced an area towards the north and north-east, fully equal to all the rest of Jerusalem together.”

Trecho destacado por El Hayek: “The circuit of these exterior defences may have measured about four miles, and the ordinary population could scarcely amount to 200,000; but this number was vastly increased on occasion of the great festivals when the Jews thronged to their national temple from all quarters. (…) Tacitus estimates at 600,000 the number enclosed within the walls at the period of the siege; and this estimate, great as it is compared with the extent of accommodation, is far less than what we might infer from certain statements of Josephus. Eusebius states the number roundly at 3,000,000 (Hist. Eccl. iii. 5.), from a passage in Josephus” Segundo o mesmo Jos., essa prévia do Holocausto matou 1 milhão de judeus, número reputado como absurdo.

 

“The perseverance with which Titus renewed his elaborate constructions after every failure was not less eminent than the fortitude of John and Simon.” “The siege had already lasted three months. Seven days were now employed in the destruction of the citadel, one wing only being reserved as a watchtower. All the buildings round it were thrown down to make room for the works required for the attack on the Temple, and the Lower City was at the same time demolished. Titus had now relaxed from his earlier severity. Large numbers of the population received their lives on submission, while the more desperate fled for refuge to the Temple and to Mount Zion.” um monte sagrado, um monte de mentiras

“Josephus addressed them, like the Assyrian of old, in the Hebrew language that all might understand him; but John, perceiving (so at least Joseph us assures us) the impression he was making, sternly interrupted him, declaring that they had nought to fear, for Jerusalem was the Lord’s, and the Lord would protect it.”

Profético (prefácio do “show de 6 milhões”): “Hundreds of the Jews perished in this storm of fire.” 70 d.C. apud Hayek apud AGUIAR (2017). Titus ou Tito teria sido clemente e tentado até o último esforço do cansativo cerco salvar o Templo, mas ele terminou incendiado graças à teimosia judia e à imperícia e codícia dos soldados romanos, que viram no incêndio a única possibilidade de dar um fim à resistência inesgotável dos fanáticos e foram “hipnotizados” pelo ouro dos adornos templares: “Titus looked back with a sigh, but made no further attempt to save it [o Tabernáculo]. He withdrew despondingly from the spot, and the divine decree was accomplished.” “The Jewish chronicler [Josephus] exhausts all his rhetoric in describing the horrors of the scene he had himself witnessed from the camp of the victors. The hill of the Temple was enveloped in a sheet of flame, and the whole city seemed to be involved in a general conflagration. The shouts of the conquerors, the shrieks of the victims, the groans and howls of a nation of spectators in the streets and on the hills surrounding Jerusalem, surpassed all horrors recorded or imagined.”

“A few unarmed priests, who had cowered among the ruins of the Temple, had just before descended, pressed by hunger, and thrown themselves on his mercy [Tito]; they had been led straightway to execution, with the brutal sarcasm that those who live by the altar should perish with the altar.” E os sacerdotes restantes, já vencidos, mas que não davam o braço a torcer, enfureceram o paciente Tito, que ordenou que Jerusalém inteira fosse deitada abaixo.

Apocalypse Yesterday: teria sido num 2 de setembro.

“Depois que o censo dos civis sobreviventes terminou, os velhos e imprestáveis foram atravessados a sangue frio pelo fio da espada. Os mais altos e mais formosos foram escolhidos a seguir para honrar o triunfo do conquistador; do restante, todos acima de 17 anos foram levados como cativos para o Egito, ou condenados a lutar contra feras nos teatros de Antioquia e Cesaréia. Todas as crianças foram vendidas como escravos.” “While John was granted his life, and kept without public disgrace in perpetual confinement, Simon was reserved for the special ornament of the triumph, for ignominy, and for death.”

“Diz-se que Jerusalém foi tomada 17 vezes – mas ela foi destruída e liquidada unicamente por Nabucodonosor e Tito. O de Tito foi apenas o sexto saque.” Foi a chegada ao trono mais triunfal das 320 registradas até então em Roma.

“The residence of Titus at Berytus, and again at Caesarea, was marked by bloody shows in the circus, where he solemnized the birthdays of his father [imperador Vespasiano] and brother with the slaughter of multitudes of Jewish captives. From thence he returned to witness the completion of his instructions with regard to Jerusalem, and, leaving the Tenth legion in garrison on the spot, carried with him the Fifth and Fifteenth into Egypt.”

 

“With the reduction of Palestine the consolidation of the empire was completed. From the Mersey to the Dead Sea no nation remained erect, and the resistance of the last free men on her frontiers had been expiated with their blood. The overthrow of Judea, with all the monuments of an ancient but still living civilization, was the greatest crime of the conquering republic. It commenced in wanton aggression, and was effected with a barbarity, of which no other example occurs in the records of civilization. Jerusalem shared the fate of Tarquinii and Corinth; but the Romans, stalking amongst the ruins of Zion, seemed unconscious that they had annihilated a nation more important in the history of the world than Etruria, or even than Greece. Yet not altogether annihilated. The homeless Jews, scattered, as captives or fugitives, more widely than ever, bore throughout the empire and beyond it the seeds of the law delivered from Sinai, the fortitude which neither Egyptian, nor Syrian, nor Roman could bend or break, the hopes which delay had not extinguished, the maxims which patriarchs and prophets had revered.”

A ÚLTIMA TIA

Hoje tanto faz

Constatar que não há irmão, irmã de pai meu que não seja burro, incapacitado

Mas quando descobri, foi um choque

Todos os antigos amigos descartados

Aqueles que brincam contigo,

porque és criança, fofa, reluzente, a todos agrada

Vão minguando com o passar dos anos

Uma ou duas respostas truculentas e adolescentes

bastam para que virem-te as costas

permanentemente

Então sobram uma, duas ou três

entidades

Uma que se isolou, não que se importe

Outra que se endividou, depois reapareceu

pedindo dinheiro, não tem interesse

no teu âmago verdadeiro

Mas ficava a (falsa?) lembrança de uma tia

que te reconhecia

que sabia que tu eras uma criança

especial, ainda na fase adulta

Quando finalmente tua tia risonha e afável

abre a boca para falar de terceiros

sem demagogia

do teu país, do que é o brasileiro

com sinceridade,

Vês que passaste deslumbrado e tolo esta segunda idade

Melhor é envelhecer e esquecer que já tiveste parentes

pois os mais promissores são maior flagrante

que bocas se deleitando na sarjeta

Não são nada, são um aborto,

um não-potencial

Escória nascida de avós com quem nunca

simpatizaste

E eis que

revelam sua real e cruda natureza

a de animais auto-empaláveis

sempre se crucificando com novas cruzes

que eles mesmos carpem

AH, Carpe diem! Em Cristo

Pelo pai, pelo tio, pela tia

Mas nem em Espírito!

Afasta de mim esse FALE!

Na festa dos embriagados corneteiros

Tu és o calado, único sábio,

Enquanto os palhaços do século dos sofistas são endeusados

teu posto é relegado

Até nunca!

Tu és órfão em segundo grau,

Não és semente desta jeira,

ultrapassaste todo o adubo

Bastardo, diante de teu sangue

Milagre inexplicável

Único

Só te lembra:

tu também os decepcionaste,

ah, oh! uh! urticária, só de imaginar…

– que trastes!

 

Avante!,

há famílias nascidas dos encontros casuais

com força maior que a de galhos apodrecidos

equiparável ao diamante

HISTORY  OF THE DECLINE AND FALL OF THE ROMAN EMPIRE: Subterfúgio: Polêmicas Agostinianas e Maometanas

Edward Gibbon

 

Vol. III

CHAPTER 33

A Conquista da África pelos Vândalos

 

Consta que Maomé praticava o incesto com sua filha Fátima.

 

“the terrible Genseric [Gizericus]; a name, which, in the destruction of the Roman empire, has deserved an equal rank with the names of Alaric and Attila. The king of the Vandals [território espanhol] is described to have been of a middle stature, with a lameness in one leg, which he had contracted by an accidental fall from his horse. His slow and cautious speech seldom declared the deep purposes of his soul”

 

Abraão teria nascido em 2015 a.C. Quem segue seu calendário está em 4032 d.A.

 

“and the fair complexions of the blue-eyed warriors of Germany [vândalos] formed a very singular contrast with the swarthy [trigueiro] or olive hue which is derived from the neighborhood of the torrid zone [mouros].” Aqui devemos acrescentar os importantes parênteses: no caso específico dos “genseritas”, eram guerreiros cristianizados; no entanto, sua “cruzada pessoal” africana não era religiosa, e podia contar com aliados pagãos ou heresiarcas; e ajudou a ruir o Grande Império do Resíduo Católico.

 

“the calendar of martyrs received on both sides a considerable augmentation.” Belo eufemismo.

 

No fim da vida Santo Agostinho se tornou piedoso e deixou de combater belicamente cismáticos como os masdeístas ou maniqueus. O “santo” se demonstrava bastante ativo em termos de correspondência política (principalmente na tentativa de dissuadir qualquer confronto letal entre cristãos).

 

“Careless of the distinctions of age, or sex, or rank, they employed every species of indignity and torture, to force from the captives a discovery of their hidden wealth. The stern policy of Genseric justified his frequent examples of military execution: he was not always the master of his own passions, or of those of his followers; and the calamities of war were aggravated by the licentiousness of the Moors, and the fanaticism of the Donatists [ordem de padres excomungados].”

 

A África, próspero continente que alimentava a megalópole da Antiguidade Roma com trigo a perder de vista, começou a parecer o cenário desolado que é hoje muito também devido a lendas e exagerações cristãs, que depreciavam o trabalho dos Vândalos na conquista da região e até lhes atribuíam a deliberada falta de assepsia e “empilhamento arbitrário de cadáveres” que gerava pestes negras em cada cidade dominada…

 

“The youth of Augustin had been stained by the vices and errors which he so ingenuously [artfully!] confesses; but from the moment of his conversion to that of his death, the manners of the bishop of Hippo were pure and austere: and the most conspicuous of his virtues was an ardent zeal against heretics of every denomination; the Manichaeans, the Donatists, and the Pelagians [“não somos afetados pelo Pecado Original; o livre-arbítrio de cada qual permite chegar de forma autônoma ao Bem Supremo…”], against whom he waged a perpetual controversy. When the city [Hippo], some months after his death, was burnt by the Vandals, the library was [un]fortunately saved, which contained his voluminous writings; 232 separate books or treatises on theological subjects,[*] besides a complete exposition of the psalter and the gospel, and a copious magazine of epistles and homilies. According to the judgment of the most impartial critics, the superficial learning of Augustin was confined to the Latin language; and his style, though sometimes animated by the eloquence of passion, is usually clouded by false and affected rhetoric. But he possessed a strong, capacious, argumentative mind; he boldly sounded the dark abyss of grace, predestination, free will, and original sin; and the rigid system of Christianity which he framed or restored, has been entertained, with public applause, and secret reluctance, by the Latin church.”

 

[*] “Such, at least, is the account of Victor Vitensis (de Persecut. Vandal. 50. 1. 100. 3); though Gennadius seems to doubt whether any person had read, or even collected, all the works of St. Augustin (see Hieronym. Opera, tom. I p. 319, in Catalog. Scriptor. Eccles.). They have been repeatedly printed; and Dupin (Bibliotheque Eccles. tom. III p. 158-257) has given a large and satisfactory abstract of them as they stand in the last edition of the Benedictines. My personal acquaintance with the bishop of Hippo does not extend beyond the Confessions, and the City of God [ao fim e ao cabo as duas obras que realmente importam].

 

Cada vez mais vejo que o verbete do Wikipédia estava repleto de razão: a influência de Gibbon se faz sentir principalmente a partir de suas fantásticas notas de rodapé, cheias de “spoilers” sobre a vida particular das personalidades que cunharam o mundo!

 

“In his early youth (Confess. i. 14) St. Augustin disliked and neglected the study of Greek; and he frankly owns that he read the Platonists in a Latin version, (Confes. vii. 9) Some modern critics have thought that his ignorance of Greek disqualified him from expounding the Scriptures; and Cicero or Quintilian would have required the knowledge of that language in a professor of rhetoric.”

 

The church of Rome has canonized Augustin, and reprobated Calvin. Yet as the real difference between them is invisible even to a theological microscope, the Molinists are oppressed by the authority of the saint, and the Jansenists are disgraced by their resemblance to the heretic. In the mean while, the Protestant Arminians stand aloof, and deride the mutual perplexity of the disputants (see a curious Review of the Controversy, by Le Clerc, Bibliotheque Universelle, tom. XIV pp. 144-398.) Perhaps a reasoner still more independent may smile in his turn, when he peruses an Arminian Commentary on the Epistle to the Romans.”

 

Bonifácio e Aécio, os dois maiores generais de então (e os últimos grandes de Roma), decidiram num duelo o destino da África: ganhou Bonifácio, mas o estrago feito pelo sublevado e amigo dos bárbaros, Aécio, era já irreparável. Cartago, a “capital” africana, cairia em 8 anos. Uma verdadeira Babilônia no coração do continente negro, aliás: “The streets of Carthage were polluted by effeminate wretches, who publicly assumed the countenance, the dress, and the character of women. If a monk appeared in the city, the holy man was pursued with impious scorn and ridicule”

 

Pére Jobert – Science des Medailles

 

Prosper – Chronicle, A.D. 442. (Sobre as crueldades de Genseric.)

 

* * *

 

OS SETE DORMINHOCOS

 

“Among the insipid legends of ecclesiastical history, I am tempted to distinguish the memorable fable of the Seven Sleepers; whose imaginary date corresponds with the reign of the younger Theodosius, and the conquest of Africa by the Vandals. When the emperor Decius persecuted the Christians, seven noble youths of Ephesus concealed themselves in a spacious cavern in the side of an adjacent mountain; where they were doomed to perish by the tyrant, who gave orders that the entrance should be firmly secured by a pile of huge stones. They immediately fell into a deep slumber, which was miraculously prolonged without injuring the powers of life, during a period of 187 years. At the end of that time, the slaves of Adolius, to whom the inheritance of the mountain had descended, removed the stones to supply materials for some rustic edifice: the light of the sun darted into the cavern, and the Seven Sleepers were permitted to awake. After a slumber, as they thought of a few hours, they were pressed by the calls of hunger; and resolved that Jamblichus, one of their number, should secretly return to the city to purchase bread for the use of his companions. The youth (if we may still employ that appellation) could no longer recognize the once familiar aspect of his native country; and his surprise was increased by the appearance of a large cross, triumphantly erected over the principal gate of Ephesus. His singular dress, and obsolete language, confounded the baker, to whom he offered an ancient medal of Decius as the current coin of the empire; and Jamblichus, on the suspicion of a secret treasure, was dragged before the judge. Their mutual inquiries produced the amazing discovery, that two centuries were almost elapsed since Jamblichus and his friends had escaped from the rage of a Pagan tyrant. The bishop of Ephesus, the clergy, the magistrates, the people, and, as it is said, the emperor Theodosius himself, hastened to visit the cavern of the Seven Sleepers; who bestowed their benediction, related their story, and at the same instant peaceably expired.

 

The origin of this marvellous fable cannot be ascribed to the pious fraud and credulity of the modern Greeks, since the authentic tradition may be traced within half a century of the supposed miracle. James of Sarug, a Syrian bishop, who was born only two years after the death of the younger Theodosius, has devoted one of his 230 homilies to the praise of the young men of Ephesus. Their legend, before the end of the 6th century, was translated from the Syriac into the Latin language, by the care of Gregory of Tours. The hostile communions of the East preserve their memory with equal reverence; and their names are honorably inscribed in the Roman, the Abyssinian, and the Russian calendar. Nor has their reputation been confined to the Christian world. This popular tale, which Mahomet might learn when he drove his camels to the fairs of Syria, is introduced as a divine revelation, into the Koran. The story of the Seven Sleepers has been adopted and adorned by the nations, from Bengal to Africa, who profess the Mahometan religion; and some vestiges of a similar tradition have been discovered in the remote extremities of Scandinavia. This easy and universal belief, so expressive of the sense of mankind, may be ascribed to the genuine merit of the fable itself. We imperceptibly advance from youth to age, without observing the gradual, but incessant, change of human affairs; and even in our larger experience of history, the imagination is accustomed, by a perpetual series of causes and effects, to unite the most distant revolutions. But if the interval between two memorable aeras could be instantly annihilated; if it were possible, after a momentary slumber of 200 years, to display the new world to the eyes of a spectator, who still retained a lively and recent impression of the old, his surprise and his reflections would furnish the pleasing subject of a philosophical romance.

 

The scene could not be more advantageously placed, than in the two centuries which elapsed between the reigns of Decius and of Theodosius the Younger. During this period, the seat of government had been transported from Rome to a new city on the banks of the Thracian Bosphorus; and the abuse of military spirit had been suppressed by an artificial system of tame and ceremonious servitude. The throne of the persecuting Decius was filled by a succession of Christian and orthodox princes, who had extirpated the fabulous gods of antiquity: and the public devotion of the age was impatient to exalt the saints and martyrs of the Catholic church, on the altars of Diana and Hercules. The union of the Roman empire was dissolved; its genius was humbled in the dust; and armies of unknown Barbarians, issuing from the frozen regions of the North, had established their victorious reign over the fairest provinces of Europe and Africa.” Outras evocações: Schopenhauer, Platão, Vanilla Sky, um coma dentre tantos possíveis, o sonho de criogenia enfermiço de Walt Disney (Baudrillard)…

 

“Two Syriac writers, as they are quoted by Assemanni (Bibliot. Oriental. tom. I pp. 336, 338), place the resurrection of the Seven Sleepers in the year 736 (A.D. 425) or 748 (A.D. 437), of the aera of the Seleucides. Their Greek acts, which Photius had read, assign the date of the 38th year of the reign of Theodosius, which may coincide either with A.D. 439, or 446. The period which had elapsed since the persecution of Decius is easily ascertained; and nothing less than the ignorance of Mahomet, or the legendaries [hagiólogos], could suppose an interval of 300 or 400 years.”

 

…welcome to the seat of madness

                         the sea of madman

                                   & mermaids!

FLOWERS FOR HITLER

Here we are eating the sacred mushrooms

out of the Japanese heaven”

 

Listen to the stories

men tell of last year

that sound of other places

though they happened here”

History is a needle

for putting men asleep

anointed with the poison

of all they want to keep”

Now a name that saved you

has a foreign taste”

After the third ring I said

I’ll let it ring five more times then what will I do

The telephone is a fine instrument

but I never learned to work it very well

Five more rings and I’ll put the receiver down”

I don’t believe opium or money

though they’re hard to get

and punished with long sentences”

I will forget my style

I will have no style

I hear a thousand miles of hungry static

and the old clear water eating rocks

I hear the bells of mules eating

I hear the flowers eating the night

under their folds”

and now I know for certain

I will forget my style

America will have no style

Russia will have no style”

a silence develops for every style

for the style I laboured on

an external silence like the space”

O NOVELISTA E O PINTOR?

Goebbels Abandons His Novel

and Joins the Party

His last love poem

broke in the harbour

where swearing blondes

loaded scrap

into rusted submarines.”

Out in the sun

he was surprised

to find himself lustless

as a wheel.”

maquinal e cabisbaixo como o motorista sonolento duma roda de caminhão

memory white from loss of guilt.”

a Doctor of Reason

he began to count the ships”

Will dreams threaten

this discipline

will favourite hair favourite thighs

last life’s sweepstake winners

drive him to adventurous cafes?”

Ameaçarão sonhos

essa disciplina?

Irão o cabelo favorito as coxas favoritas

os vencedores da última rifa da vida

dirigi-lo a cafés aventureiros?”

Cheiram

as coisas favoritas

GOSPEL GRAYPINK FLOID

<É verdade!> Eu gritei vinte anos depois, puxando meu pai de sua cama suja <Pobre paizinho,

você me disse a verdade.>

<Deixe estar. Eu sou um velho Pai.>

<Não! Empine esse nariz. A janela é feita de eixos. O que é essa matéria cinzenta no cinzeiro? Não é de cigarro, aposto. A sala de estar é um estojo de relíquias!”

…“decaying like food between teeth”…

Acontece a todo mundo. Para aqueles com olhos, que sabem em seu íntimo que o horror é mútuo, então essa comunidade sólida tem uma beleza por si só.”

IT USES US!

(…)

In our leaders’ faces

(albeit they deplore

the past) can you read how

they love Freedom more?

(…)

Kiss me with your teeth.

All things can be done

whisper museum ovens of

a war that Freedom won.”

let us sell snow

to under-developed nations,

(Is it true one of our national leaders

was a Roman Catholic?)

let us terrorize Alaska,

let us unite

Church and State”

my good demon said:

<Lay off documents!>

Everybody was watching me

burn my books-

I swung my liberty torch

happy as a gestapo brute;

the only thing I wanted to save

was a scar

a burn or two but

my good demon said:

<Lay off documents!

The fire’s not important!>

The pile was safely blazing.

I went home to take a bath.

I phoned my grandmother.

She is suffering from arthritis.

<Keep well,> I said, <don’t mind the pain.>

<You neither,> she said.

Hours later I wondered

did she mean

don’t mind my pain

or don’t mind her pain?

Whereupon my good demon said:

<Is that all you can do?>”

meu gênio bom disse:

<Livre-se dos documentos!>

Todos me observavam

queimar meus livros-

eu sacudi minha tocha da liberdade

feliz como um bruto da gestapo;

a única coisa que eu queria salvar

era uma cicatriz

uma queimadura ou duas mas

meu gênio bom disse:

<Livre-se dos documentos!

O fogo não importa!>

A pilha estava ardendo em segurança.

Fui pra casa tomar um banho.

Liguei pra minha avó.

Ela sofre de artrite.

<Fica bem,> disse eu, <vê se releva a dor.>

<Você também,> ela disse.

Horas depois, caiu minha ficha

será que ela quis dizer

relevar a minha dor

ou relevar a sua dor?

Nisso meu gênio bom disse:

<Isso é tudo que você pode fazer?>”

Fragmento traduzido de “Millenium”

Quando não paramos de sentir a dor e o terror

Somos os policiais

de nossa própria transgressão

e os outros olham horrorizados

carrascos covardes!

Vesti uma máscara para esconder minha gargalhada de escárnio

Eu tenho saúde onde importa

Eu não sigo o circuito

Inquisição auto-socrática

No use to tell a man he’s a Jew

I’m making a lampshade [abajur] out of your kiss

Confess! confess!

is what you demand

although you believe you’re giving me everything”

girls with whom he shared his power

now old and powerful.

His strategies returned

diagrammed like a geodesic sphere,

He balanced them on his forehead

weaving like a seal.”

He fell near the balloon.

Children hushed back

as if their toy

could catch the disease.

Secret Service men,

ex-athletes chosen for their height,

made a ring around the body.”

The ambulance!

Havana

April 1961

Alexander Trocchi, Public Junkie,

Priez Pour Nous

Who is purer

more simple than you?

Priests play poker with the burghers,

police in underwear

leave Crime at the office,

our poets work bankers’ hours

retire to wives and fame-reports.

The spike flashes in your blood

permanent as a silver lighthouse.”

I tend to get distracted

by hydrogen bombs,

by Uncle’s disapproval

of my treachery

to the men’s clothing industry.

I find myself

believing public clocks,

taking advice

from the Dachau generation.”

She is getting old.

Her body tells her everything.

She has put aside cosmetics.

She is a prison of truth.

Make her get up!

dance the seven veils!

Poems! silence her body!

Make her friend of mirrors!

(…)

Can’t I pretend

she grows prettier?

be a convict?

Can’t my power fool me?

Can’t I live in poems?

Hurry up! poems! lies!

Damn your weak music!

You’ve let arthritis in!

You’re no poem

you’re a visa.

Não posso fingir

que ela envelhece e embeleza?

ser um presidiário?

Meu poder não pode me enganar?

Não posso eu viver em poemas?

Vamos logo! poemas! mentiras!

Foda-se sua musiquinha ruim!

Você agora tem artrite!

Você não é um poema

você é um visto estrangeiro.

Fragmento traduzido de “On the Sickness of My Love”

A política das desculpas

Parliamends

The Failure of a Secular Life

The pain-monger came home

from a hard day’s torture.

He came home with his tongs.

He put down his black bag.

O Fracasso de uma Vida Secular

O promotor de desgraças chegou em casa

depois de um duro dia de torturas.

Ele chegou com suas pinças.

E deixou no chão sua sacola negra.

Deveria me aborrecer por não me darem uma segunda chance, se eu nunca lhes dei uma primeira?

O remorso morde ou morre

Seja gentil: exclua o gentio

Mesmo o escrofuloso tem seus dias bons

Falso acha falso verdadeiro.

O aperreio vem de dentro, não de fora.

Ora, ora, se não é absurdo termos vivido outras vidas iguais e condenarmos veemente quem tenha manifestado vivamente essa impressão (o déjà vu), não podemos saber se nunca vivemos outra vida igual, afinal, porque até o que nos parece inédito é só repetição literal, e disso havendo até provas!… Eu já não havia escrito isso antes? É, agora estou lembrado…

My zen master is a grand old fool.

I caught him worshipping me yesterday,

so I made him stand in a foul corner

with my rabbi, my priest, and my doctor.”

mothers, statues, madonnas, ruins-

I’m stripped, suckled, weaned,

I leap, love, anonymous as insect.”

To love you

is to live

my ideal diary

which I have

promised my body

I will never write!”

Sky

The great ones pass

they pass without touching

they pass without looking

each in his joy

each in his fire

Of one another

they have no need

they have the deepest need

The great ones pass

(…)

they pass

like stars of different seasons

like meteors of different centuries

Fire undiminished

by passing fire

laughter uncorroded

by comfort

they pass one another

without touching without looking

needing only to know

the great ones pass”

Now more than ever

I want enemies

You who thrive

in the easy world of modern love

look out for me

for I have developed a terrible virginity

and meeting me

all who have done more than kiss

will perish in shame

with warts and hair on their palms”

Jews who walk

too far on Sabbath

will be stoned

Catholics who blaspheme

electricity applied

to their genitals

Buddhists who acquire property

sawn in half”

A CURIOSA E VELHA DANÇA DO PECADO

PERFUME INDIANO

QUE EXALA PESCADO

A girl I knew

sleeps in some bed

and of all the lovely things

I might say I say this

I see her body puzzled

with the mouthprints

of all the kisses of all the men

she’s known

like a honky-tonk [gafieira] piano

ringed with years of cocktail glasses

and while she cranks and tinkles [gira e tilinta; trocadilho: ou gira e mija]

in the quaint old sinful dance

I walk through

the blond November rain [outra alusão a chuva dourada?]

punishing her with my happiness”

The food has no hope of real life, but still, in these regained, however mutilated shapes, it resists, and for its victories claims the next day’s hunger and the body’s joy. (…) Oh to stand in the Ganges wielding a yard of intestine.”

I always wanted to set fire to your houses. I’ve been in them. Through the front doors and the back. I’d like to see them burn slowly so I could visit many and peek in the falling windows. I’d like to see what happens to those white carpets you pretended to be so careless about. I’d like to see a white telephone melting. We don’t want to trap too many inside because the streets have got to be packed with your poor bodies screaming back and forth.”

“—Quando você se expôs pela última vez?

Domingo de manhã para uma grande multidão no saguão da Rainha Elizabeth.

Engraçadinho. Você sabe o que eu quero dizer.

Me expor a quê?

Uma mulher.

Ah.”

A rosy sky would improve the view from anywhere. It would be a mercy. Oh, to see the roofs devoured and the beautiful old level of land rising again.”

Mary runs the Cafeteria and the Boss exposes himself to her regularly.”

The Boss has a wife to whom he must expose himself every once in a while. She has her milkmen. The city is orderly.

There are white bottles standing in front of a million doors.And there are Conventions. Multitudes of bosses sharing the pleasures of exposure.

I shall go mad. They’ll find me at the top of Mount Royal impersonating Genghis Khan. Seized with laughter and pus.”

Fire would be best. Flames. Bright windows. Two cars exploding in each garage. But could I ever manage it. This way is slower. More heroic in a way. Less dramatic of course.”

The windows leaked like a broken meat freezer.”

his father was the one who had the oven contract.”

the sky clean but only for him, free to shiver, free to hate, free to begin.”

NA FEIRA TUDO EM PAZ

SÓ OS CABIDES HUMANOS

The demons of adulterers, everyday drunks,

professional irrationalists, the fatuous possessed,

these cheap easy demons so common

to the courting procedure,

refused to appear due to insufficient publicity.”

I once believed a single line

in a Chinese poem could change

forever how blossoms fell”

cattle have carved out of time

wandering from meadowlands to feasts”

O pão da lei é seco como a nuvem sem chuva.

Don’t bite your nails, I told him.

Don’t eat carpets.

Be careful of the rabbits.

Be cute.

Don’t stay up all night watching

parades on the Very Very Very Late Show.

Don’t ka-ka in your uniform.”

I don’t like the way you go to work every morning.

How come the buses still run?

How come they’re still making movies?

I believe with a perfect faith in the Second World War.

I am convinced that it happened.

I am not so sure about the First World War.

The Spanish Civil War – maybe.

I believe in gold teeth.

I believe in Churchill.

Don’t tell me we dropped fire into cribs [cradles].

I think you are exaggerating.

The Treaty of Westphalia has faded like a lipstick smudge on the Blarney Stone.

Napoleon was a sexy brute.

Hiroshima was Made in Japan out of paper.

I think we should let sleeping ashes lie.

I believe with a perfect faith in all the history I remember, but it’s getting harder and harder to remember much history.

There is sad confetti sprinkling

from the windows of departing trains.

I let them go. I cannot remember them.

They hoot mournfully out of my daily life.

I forget the big numbers,

I forget what they mean.”

The Bus

I was the last passenger of the day,

I was alone on the bus,

I was glad they were spending all that money

just getting me up Eighth Avenue.

Driver! I shouted, it’s you and me tonight,

let’s run away from this big city

to a smaller city more suitable to the heart,

let’s drive past the swimming pools of Miami Beach,

you in the driver’s seat, me several seats back,

but in the racial cities we’ll change places

so as to show how well you’ve done up North,

and let us find ourselves some tiny American fishing village

in unknown Florida

and park right at the edge of the sand,

a huge bus pointing out,

metallic, painted, solitary,

with New York plates.”

A Negress with

an appetite

helped him think

he wasn’t white.”

A lot of people think you are beautiful

How do I feel about that

I have no feeling about that

I had a wonderful reason for not merely

courting you

It was tied up with the newspapers

I saw secret arrangements in high offices

I saw men who loved their worldliness

even though they had looked through

big electric telescopes

they still thought their worldliness was serious

Muitas pessoas pensam que você é bonita

O que penso a respeito

Nada em particular

Eu tinha ótimas razões para nem sequer

cantar você

Tinha relação com os jornais

Eu vi arranjos secretos em importantes gabinetes

Eu vi homens que amavam sua mundanidade

mesmo que tivessem olhado por aqueles

grandes telescópios elétricos

ainda pensavam que sua mundanidade era séria

Fragmento traduzido de I Had It for A Moment”

Eu olho pasmo para a luxúria de minha cor

Alguém marcha por mim em mim até mim”

Pensei que heróis éramos nós

Andei lendo muita história”

Acho que os Aztecas nunca estiveram adormecidos

não importa o que ensinei às crianças

Acho que ninguém nem nunca dormiu a não ser ele

que reúne o passado em histórias

A magia vai de mão em mão”

Destiny! why do you find me in this bathtub,

idle, alone, unwashed, without even

the intention of washing except at the last moment? Why don’t you find me at the top of a telephone pole, repairing the lines from city to city?

Why don’t you find me riding a horse through Cuba, a giant of a man with a red machete?

Why don’t you find me explaining machines

to underprivileged pupils, negroid Spaniards,

happy it is not a course in creative writing?”

Queen Victoria

The 20th century belongs to you and me

Let us be two severe giants

(not less lonely for our partnership)

who discolour test tubes in the halls of science

who turn up unwelcome at every World’s Fair

heavy with proverb and correction

confusing the star-dazed tourists

with our incomparable sense of loss”

Very few people have thighs”

To watch her pull on her nylons is all one needs of ballet or art.”

Now what could be more normal than marriage? Can you think of anything more normal? Of course you can’t. It makes you feel less isolated, part of the whole community. Our people are getting married all the time.”

Desire is the last church”

Winter Bulletin

Toronto has been good to me

I relaxed on TV

I attacked several dead horses

I spread rumours about myself

I reported a Talmudic quarrel

with the Montreal Jewish Community

I forged a death certificate

in case I had to disappear

(…)

I thought about the future

and how little I know about animals

The future seemed unnecessarily black and strong

as if it had received my casual mistakes

through a carbon sheet

Now you must learn to read

newspapers without laughing.

No hysterical headline breakfasts.

Police be your Guard,

Telephone Book your Brotherhood.

Action! Action! Action!

Goodbye Citizen.”

ASILO DE LUXÚRIA

the sun stuck a gun in his mouth

the wind started to skin him

Give up the Plan give up the Plan”

The Music Crept By Us

I would like to remind

the management

that the drinks are watered

and the hat-check girl

has syphilis

and the band is composed

of former S.S. monsters

However since it is

New Year’s Eve

and I have lip cancer

I will place my

paper hat on my

concussion and dance”

Answer the phone, another family

Someone wants to say hello about nothing

Answer the phone, you who followed your career

past the comfort of gossip

who listen to the banal regular ringing

and give your venom to it

enforce it with your hatred

(…)

Your parents rush to stop the ringing

(…)

you shall set aside a hiding place

you shall not alter your love”

I am sorry that the old worker must go

who called me mister when I was twelve

and sir when I was twenty”

I loved your puns about snow

even if they lasted the full seven-month

(…) Go write your memoirs

for the Psychedelic Review.”

and now they are ashamed

like a successful outspoken Schopenhauerian

whose room-mate has committed suicide.

Suddenly they are all making movies.

I have no one to buy coffee for.”

Long live you chronic self-abusers!

you monotheists!

you familiars of the Absolute

sucking at circles!”

daughters of the new middle-class

who wear your mouths like Bardot

Come my darlings

the movies are true”

Narcissus

You don’t know anyone

You know some streets

hills, gates, restaurants

The waitresses have changed”

Cherry Orchards [Pomares de Cereja]

Canada some wars are waiting for you

some threats

some torn flags

Inheritance is not enough

Faces must be forged under the hammer

of savage ideas

Mailboxes will explode

in the cherry orchards

and somebody will wait forever

for his grandfather’s fat cheque

From my deep cafe I survey the quiet snowfields

like a U.S. promoter

of a new plastic snowshoe

looking for a moving speck

a troika perhaps

an exile

an icy prophet

an Indian insurrection

a burning weather station

There’s a story out there boys

Canada could you bear some folk songs

about freedom and death

I carry a banner:

<The Past is Perfect>

my little female cousin

who does not believe

in our religious destiny

rides royally on my nostalgia”

Bullets

Listen all you bullets

that never hit:

a lot of throats are growing

in open collars

like frozen milk bottles

on a 5 a.m. street

throats that are waiting

for bite scars

but will settle

for bullet holes”

It will all come round again: the heartsick teachers who make too much of poetry, their students who refuse to suffer, the cache of rifles in the lawyer’s attic: and then the magic, the 80-year comet touching the sturdiest houses.”

when poems grew like butterflies on the garbage of his life.”

…they who whip their minds to recall an ancient lucky orgasm (…) they are the founders, they are the bankers-of History!…”

Let me be neither

father nor child

but one who spins

on an eternal unimportant loom”

POR QUE ME MIRAS ASÍ? AUTODIDACTA

Por que me olhas assim?

Com este olhar desafiador

Se sou eu na verdade

Quem te desafia

O Tempo Todo,

Ó Faca Cortante!

Professora,

Inverte Teu Lugar,

Torna-te Aluna!

Sendo alguém sem dó

Não desmereço o ofício de ensinar

Foi-se o tempo, eu sei

Das aulas de Literatura

Mas trago ainda alojadas no peito

Muitas Cantigas, Sonetos,

Roncos e Canções

Só sei que Gênio Precoce

É o Primeiro a deitar

A se trancar

No Mausoléu da História

Com a chave do lado de fora

Eu respeitei o signo da tardança

Ignorei o livro didático,

Argh! Sou péssimo gramático

E a despeito do ofício burocrático

Me alenta das infinitas e ensolaradas tardes

A Temperança

O GRAU 0 DA ESCRITURA + NOVOS ENSAIOS CRÍTICOS

Roland Barthes

03/08/15 a 17/11/15

Por sua origem biológica, o estilo se situa fora da arte, i.e., fora do pacto que liga o escritor à sociedade. Pode-se então imaginar autores que preferem a segurança da arte à solidão do estilo. O tipo mesmo de escritor sem estilo é Gide, cuja maneira artesanal explora o prazer moderno de certo etos clássico, tal como Saint-Saëns refez Bach ou Poulenc refez Schubert.”

Mallarmé Mérimée

Mesmerize Marmelade

In your size, on your side, arise the Lady.

Próspera e Má

Tendo-se retirado do francês falado, o <passé simple>, pedra angular da Narrativa, indica sempre uma arte; faz parte de um ritual das Belas-Letras.”

A Literatura é como o fósforo: brilha mais no momento em que tenta morrer.”

por trás de cada palavra da poesia moderna subjaz uma espécie de geologia existencial”

não há humanismo poético da modernidade” “há apenas estilos sem sociabilidade”

<A forma custa caro>, dizia Valéry quando lhe perguntavam por que ele não publicava os seus cursos do Collège de France.”

A escrita neutra é um fato tardio, só será inventada bem depois do realismo, por autores como Camus, menos sob o efeito de uma estética do refúgio do que pela busca de uma escrita finalmente inocente. A escrita realista está longe de ser neutra, ela está ao contrário carregada dos sinais mais espetaculares da fabricação.”

Qual é verdadeiramente a minha necessidade de advérbios?

Garaudy, o escritor realista medíocre.

mudança sim tática à la @jetrotal

Mallarmé, espécie de Hamlet da escrita, exprime bem esse momento frágil da História, em que a linguagem literária não se mantém a não ser para melhor cantar a sua necessidade de morrer. Essa linguagem mallarmeana é Orfeu que só pode salvar aquilo que ama pela renúncia”

Essa [escrita branca ou] palavra transparente, inaugurada pelo Estrangeiro (l’Étranger) de Camus, realiza um estilo da ausência que é quase uma ausência ideal do estilo (…) modo negativo (…)” nada de elegância ou ornamentação Out with Time(p)OWT tô ponto

tu

(r)ando

a situ

ação

pronto soco roxo uê—uên…

O homem no ponto cego certo, fazer o quê?

So corageous!

P. 75 – Contra-Pablo: “Vê-se que uma obra-prima moderna é impossível, por estar o escritor colocado em sua escrita numa contradição sem saída: ou o objeto da obra está ingenuamente concorde com as convenções da forma, a literatura permanece surda à nossa História presente e o mito literário não é ultrapassado; ou o escritor reconhece o vasto frescor do mundo presente, mas para prestar conta dele só dispõe de uma linguagem esplêndida e morta”

Como a arte moderna em sua totalidade, a escrita literária porta ao mesmo tempo a alienação da História e o sonho da História”

A contestação de La Rochefoucauld, ao mesmo tempo áspera e inadequada, define bastante bem os limites que uma casta deve dar à sua própria interrogação se a quer a uma só vez purificadora e sem perigo: os limites mesmo do que 3 séculos mais tarde se chamará psicologia.”

Quem sou? é a pergunta permanentemente formulada pelo herói raciniano, Erífilo, p. ex., que não cessa de querer conhecer-se e que morre disso”

P. 126: “A que a Vida de Rancé pode nos converter, nós que lemos Marx, Nietzsche, Freud, Sartre, Genet ou Blanchot?” (Chateaubriand)

Aos 29 anos, antes de se converter, Chateaubriand escreveu: <Morramos por completo por temor de sofrer noutro lugar. Esta vida deve corrigir da mania de ser.>

o tédio é a expressão de um tempo a mais, de uma vida a mais.”

(Deus é um meio cômodo para falar do nada)”

escrever: só a escrita pode dar um sentido ao insignificante” Anti-Tharscylla

a existência não é mais regulada pela fisiologia, mas pela memória; desde que esta pode coordenar, estruturar (isso pode acontecer na tenra juventude), a existência se torna destino, mas por esse fato mesmo termina, pois o destino nunca se pode conjugar a não ser no passado anterior, ele é um tempo fechado.” Anti-Graça

a lembrança é o início da escrita e a escrita é por sua vez o começo da morte (por mais jovem que se seja ao empreendê-la).” “(escrever não é falar)”

PRINCÍPIO NÃO-MATEMÁTICO:

Se você é um bilhão ou um, qual é a diferença? Um bilhão.

No Princípio era o cérebro hiper-desenvolvido imperfeito marchando sob um sol em perpétuo âcender e declínio.

Meu tornozelo já dói

Pura vaidade

Idade de ouro puro

Valor absoluto

Um metro um pouco impreciso

De água pra viver, quando não sou dissoluto

Água e óleo talvez se misturem

Sob a limpeza cristalina da consciência do álcool

Molécula de dor

Tem de ter um conteúdo por trás da frondosa forma, esta é minha sina.

sua conversão religiosa (de juventude), ele converteu-a imediatamente em Literatura (O Gênio do Cristianismo)”

a alma <sensível> está condenada à palavra, e por conseguinte ao teatro mesmo dessa palavra. Essa contradição vem rondando há quase 2 séculos os nossos escritores.” “O escritor moderno é e não é Abraão: deve estar ao mesmo tempo fora da moral e na linguagem: tem de fazer o geral com o irredutível, reencontrar a amoralidade de sua existência através da generalidade moral da linguagem.” “Para que ela serve então? (…) para sofrer menos.” Menos é mais, que não obstante acaba por ser mesmo menos!

é a linguagem que renova o patético”

Desistir de escrever “o meu grande livro” foi importante para que eu reouvesse a felicidade. Como despir a armadura de cavaleiro de uma guerra jamais batalhada.

viverá o bastante para escrever a sua obra? Sim, se consentir em se retirar do mundo, em perder a sua vida mundana para salvar a sua vida de escritor.”

Passagens estranhamente profético-nostálgicas:

e como a do narrador, essa iniciação negativa, por assim dizer, se faz através de certa experiência da Literatura: os livros dos outros fascinaram, depois decepcionaram Proust, como os de Bergotte ou dos Goncourt [os outros dos outros] fascinaram e decepcionaram o narrador”

uma ilusão e uma decepção; desses dois momentos nasce a verdade, isto é, a escrita”

contar nunca é mais do que interligar, por processo metonímico, um número reduzido de unidades plenas”

Platão – Crátilo

SYLVIECOLA

Sylvieolentar estará perdida Kevin ho, quer vir medes afiar? VieSyl da vida. Vi se o amor ia durar. Viajando.

Rafaeldorado

SylvieVicious e Punkyndie

os franceses estão habituados por sua cultura escolar, essencialmente escrita, a perceber uma oposição tirânica entre as rimas masculinas e femininas, sentidas as primeiras como breves e as outras como longas. (…) Toda a poesia francesa tradicional, desde o séc. XVI, impõe a regra da <alternância das rimas>, ou seja, a uma rima <masculina> deve suceder obrigatoriamente uma rima <feminina>”

a função poética, no sentido mais amplo do termo, poderia definir-se assim por uma consciência cratiliana [que os nomes têm poder maior do que a convenção] dos signos e o escritor seria o recitante desse grande mito secular que quer que a linguagem imite as idéias e que, contrariamente às precisões da ciência lingüística, os signos sejam motivados.”

Rousseau trabalhou o Émile durante 3 anos” “o estilo, para Flaubert, é a dor absoluta” “Proust acrescenta sem fim [sou mais ele!]; Flaubert retira, rasura”

IDÉIA GENIAL: making of das alterações promovidas para publicação a ser postado no blog, para meu sonhado livro. Metalinguagem 1000! Um excelso consolo aos pães-duros e um pedido de desculpas necessário ao “meio” que me catapulotou-catapultará!

Alguém seria tentado a evocar Joseph Mitchell e Joe Gould nestes momentos…

Florentin – Dominique

Castrado, o macho tem direito a atitudes geralmente reputadas femininas: cai de joelhos (diante da mulher vingadora, castradora, cuja mão está falicamente levantada num gesto de intimidação), desmaia, (<Cai rígido por terra>). Uma vez barrado o sexo, a fisiologia se torna luxuriante”

<Madeleine está perdida e eu a amo!>, exclama Dominique; há que se ler o contrário: eu amo Madeleine porque ela está perdida; é, de acordo com o velho mito de Orfeu, a própria perda que define o amor.”

Essa separação entre o saber e a espera é próprio da tragédia: lendo Sófocles, toda gente sabe que Édipo matou o pai mas toda gente estremece por não sabê-lo.”

uma vida conformista é detestável quando estamos em estado de vigília; mas, nos momentos de fadiga, de derreamento, no mais forte da alienação urbana ou da vertigem da linguagem da relação humana, um sonho passadista é impossível”

dizer nada é logo preencher o nada, desmenti-lo” “É necessário então trapacear. O nada só pode ser assumido pelo discurso de maneira enviesada, à bandoleira, por uma espécie de alusão deceptiva.”

NADOSTALGIA: “fala-se do tempo para não dizer nada: estou falando com você, você existe para mim, quero existir para você (assim é uma atitude falsamente superior a de zombar do tempo que está fazendo); o tempo remete a uma espécie de existência complexa do mundo (daquilo que é) (…) o meu corpo está presente, sentindo-se existir (sem falar das conotações felizes ou tristes do tempo, conforme favoreça nosso projeto do dia)”

Prefiro que a minha alma minta a que mintam os meus trajes!”

o sujeito contraditório, o homem jovem e muito sábio, que a antiga retórica exaltava – verdadeira impossibilidade da natureza – sob o nome de puer senilis: com as características de todas as idades, fora do tempo porque os possui a todos de uma só vez.”

L’ÎLE DES ESCLAVES – Marivaux

22/12/15 a 01/03/16

O que não me mata me faz entender.

Só os que não morrem entenderão.

Só os fortes

DIC – egérie: musa

         Iphicrate: aquele que domina pela força

Du point de vue de l’importance du rôle d’Arlequin, L’Île des esclaves représente aussi un sommet, car, après 1725, sa présence, et surtout son importance actantielle déclinent, parallèlement au déclin de l’acteur Thomassin qui l’encarne, vieillissant et malade.”

* * *

IPHICRATE

Eh, ne sais-tu pas que je t’aime?

ARLEQUIN

Oui, mais les marques de votre amitié tombent toujours sur mes épaules, et cela est mal placé. (…) s’ils sont morts, en voilà pour longtemps, s’ils sont en vie, cela se passera

TRIVELIN

vous êtes moins nos esclaves que nos malades, et nous ne prenons que 3 ans pour vous rendre sains

CLÉANTHIS

S’il faut que j’excuse toutes ses mauvaises manières à mon égard, il faudra donc qu’elle excuse aussi la rancune que j’en ai contre elle; car je suis femme autant qu’elle, moi

l’usage voulait qu’une femme <en déshabillé> portât une cornette, sorte de coiffe de toile qui dissimulait une partie du visage.”

Nous tout pourrons

ARLEQUIN

nous n’en irons que meilleur train

ARLEQUIN

Voilà ce que c’est: tombez amoureuse d’Arlequin, et moi de votre suivante; nous sommes assez forts pour soutenir cela.

ARLEQUIN

Je le peux, puisque je le fais.

Je le peux, pvodca je le fé

        prum

ARLEQUIN

mes plus grands défauts, c’était ta mauvaise humeur, ton autorité, et le peu de cas que tu faisais de ton pauvre esclave.

TRIVELIN

La différence des conditions n’est qu’une épreuve que les dieux font sur nous.

* * *

AUTRE ARLEQUIN:

Apprenez qu’un homme tel que moi, devenu le seul de son espèce, est plus rare qu’un dieu, et plus nécessaire ici-bas que ne le seront jamais vos soeurs, vous et votre benêt [simplório] d’Apollon!

Guillaume Valleyre (?) – L’Étatt de servitude ou misère des domestiques

Au debut du XVIIIe siècle, l’utopie envahit tous les genres, associant étroitement la philosophie et un régard satirique sur notre civilisation, des troglodytes des Lettres persanes (1721) de Montesquieu aux Abaquis de Cleveland (1731) de l’abbé Prévost. La vogue <insulaire> et utopique s’épanouit également dans la littérature anglaise: Robinson Crusoe de Defoe date de 1719, Swift écrit Les Voyages de Gulliver en 1726.”

Diderot – Supplément au voyage de Bougainville (1773), “où Tahiti devient le lieu d’une remise en cause des valeurs de la civilisation”

AUTRE ARLEQUIN II:

Puisque vous cherchez des époux

Indigents misérables,

Mesdames, vous trouvez en nous

Deux partis admirables.

Marivaux et Delisle sont les 2 principaux auteurs des Italiens au début des années 1720, et des concurrents directs.”

La Harpe: “Ces 2 drames de Delisle [Arlequin Sauvage et Timon le Misanthrope] seront ailleurs pour nous un sujet de réflexions sérieuses, comme étant les premiers où les sophismes aussi captieux que pernicieux contre la société et les lois, développés depuis dans les écrits de Rousseau, aient été produits sur la scène, non pas en facéties bouffones mais en action et en dialogue […]”

FRANCOEUR:

…dans l’état où nous vous avons réduits [, mon Roi!], la mort serait une faveur pour vous…

L’esclavage est aboli en 1793 par un décret de la Convention nationale, jamais appliqué: il faudra attendre 1848 pour que Victor Schoelcher impose une abolition effective de l’esclavage dans les colonies.”

PETIT COURS DE SCIENCES… Pour ceux qui n’y comprennent rien – Natalie Angier

Traduction française par Julien Randon-Furling

24/02/15 – 22/12/15

DIC – échouer: falhar

         cellule souche: célula-tronco (“toco”, literalmente)

         boucle: brinco, argola; cacho. Destarte: Boucle d’Or – Cachinhos Dourados.

         foudroyant: full-minante! louco-gata-contra

         paratonnerre: pára-raio

         sous-jacente (não é o dinheiro que jaz!)

mon for intérieur” que bom que não é seu after extérieur ou seu five!

A pronúncia de “Liszt” é mesa em determinada língua

         pile: pilha

         bégayer: gaguejar; balbuciar; travar.

         grain de beauté: sinal na pele

         échelle: escala; escada.

lembrete: 1 billion = 1 trilhão!

         dette publique: dívida pública

         roue: roda

les cheveux des chevaux dans le chevrolet

         moquette: carpete

         amincissant: emagrecedor

         caoutchouc: borracha

         orage: tempestade

         chiche: sovina, avarento

         our de peluche

qui est ceux qui a ce ki?

         cholestérol

         couvercle: tampa

         allumette: isqueiro

         glucose

Em Francês, “filme de horror B” é chamado, no lugar, de “film d’horreur de série Z”.

         tamanoir: tamanduá!

         épais: grosso

Premièrement,

Deuxièmement…

gencives qui saignent”

chien de combat”

c’est notre b-a ba quotidien”

Les signes du zodiaque (quelques uns): Taureau, Gémeaux, Balance…

l’épreuve du temps”

mâle x femelle

J’ai de la foi, toutes les fois, dans mon foie.

des cellules nucléées”

         trous noirs: matéria escura

Ouais, bon, on choisit pas ses parents”

A defesa do indefensável. A apologia do “nerd” como se fosse sinônimo de científico – um dos erros mais primatas. Na realidade, o cientista é absolutamente inábil porque é um nerd, quando o é. Não inábil para a ciência, mas para a vida, ou seja…

Tchik, tchik, tchik…” tsc, tsc, tsc

Malgré les annés d’inflation, le 4 conserve, dans la mémoire collective, sa place de note standard en chimie.”

Seuls 7% trouvaient que les scientifiques étaient des gens <cools> et quand on leur demandait de choisir le scientifique le plus célebre dans une liste incluant Albert Einstein et Isaac Newton, beaucoup d’entre eux choisissaient Christophe Colomb.”

Aviso para usuários de transportes na França: “ATTACHEZ VOTRE CEINTURE”.

Por enquanto “só” atacou Proust e a astrologia.

HAUSSE

BAISSE

tecnocrata descarada

xenófoba

Critica os EUA mas, como eles, não considera a História ou a Sociologia integrantes desta seleta audiência de cérebros chamada Academia. É uma fervorosa adepta da Engenharia, ainda que não saiba vestir um simples capacete-de-obra. N’est pas son métier, elle est écrivain!

Un écrivain est quelqu’un pour qui écrire est plus difficile que ce ne l’est pour les autres.” Thomas Mann

Quand je rentre déjeuner à la maison après avoir passé la matinée à écrire, ma femme dit que j’ai l’air de revenir d’un enterrement” Carl Hiaasen, escritor de romances humorísticos “Quando volto pra casa pra almoçar depois de escrever a manhã toda, minha mulher diz que tenho a cara de quem acaba de sair dum enterro”

l’écriture, ce processus douloureux, la transformation d’expériences tridimensionnelles traitées en temps réel en un récit linéaire bidimensionel. C’est pire que la quadrature du cercle, c’est la quadrature de la sphère.” Susan Hockfield

UNE VITE BLAGUE

Heisenberg doit donner une conférence au MIT mais il est en retard et roule à vive allure dans les rues de Cambridge avec sa voiture de location. Un policier l’arrête et lui dit: <Vous avez une idée de la vitesse à laquelle vous rouliez!?> Et H. de répondre: <Non, mais je sais exactement où je me trouve!>.”

Parcourez un manuel scolaire ou un site educatif et des mots en gras [lit. engorduradas; polpudas; em negrito] vous sautent aus yeux.”

O mundo é como o quarto de um adolescente: tem de tudo.”

Tu es poussière et tu retourneras à la poussière – poussière d’étoile.”

Uma das inimitáveis pérolas desta vencedora do Pulitzer: “Une autre méthode cent pour cent garantie pour changer votre vision du monde est d’investir dans un microscope.”

la chose la plus étonnante concernant l’Univers est qu’il soit susceptible d’être compris” Kant

Em princípio, toda equação pode ser expressa por uma frase” Brian Greene – mas atenção: o inverso não se aplica.

même si vous ne déchiffrez pas les chiffres, vous pouvez comprendre ce qu’ils nous disent de l’Univers.”

Arrivé à la trentaine, le cerveau a pris position”

Je peux faire mes comptes si j’ai une calculette”

vous pouvez demander qu’il vous soit servi saignant, à point ou bien cuit”

Je pense donc je suis celui qui a raison”

la théorie des origines de l’Univers, universellement acceptée chez les astronomes”

professeur émérite, un âge de la vie que certains appellent la <philopause>.”

J’entends déjà Stephen Jay Gould bougonner depuis l’au-delà: les dinosaures sont un cliché.”

No presente, a exceção que confirma a regra: “nonobstant Stendhal, les hommes qui portent une barbe optent généralement également pour la moustache.”

Detesto todas as premissas a que a autora chega. Até me impressiono com a baixa probabilidade que isso tinha de acontecer com tamanha insistência. Com a mesma com que se recusam a dar Nobéis e Oscars a brasileiros.

Votre professeur vous hait!”

Je vous parie, dit’elles, qu’au moins 2 personnes dans cette salle ont le même jour d’anniversaire.” E qual é a probabilidade da sua primeira namorada nascer no dia do seu aniversário, mesmo sendo mais velha?

aux États-Unis, 35 pour cent des personnes n’ayant pas terminé le lycée sont fumeurs, alors que seuls 14 pour cent des diplômés de l’enseignement supérieur le sont.” “la nicotine, composé qui détend [descontrai] et stimule à la fois, est exactement le genre de drogue à double face que les dépressifs recherchent?”

GYN-écologie”

l’immeuble dans lequel nous vivions a été démoli et remplacé par un parc de stationnement”

90% d’entre nous sont droitiers”

Quand le gens me demandaient, au vu de mon nom de famille, si j’étais française, je répondais: pas dernièrement, et j’explicais que la famille Angier était venue d’Anglaterre em Amérique au XVIIe siècle et, tant que j’y étais, j’ajoutais une référence au lien héraldique me rattachant à la fondation de notre nation”

Contrairement au mythe, le temps ne passe pas particulièrement vite après la mort.”

L’empereur Charlemagne [Carlos Magno!] décréta ainsi au IXe siècle que la longueur de son pied serait désormais la longueur du pied” “3 siècles plus tard, le roi Henry Ier d’Anglaterre décida que le yard serait égal à la distance entre son nez et le bout de son annulaire, bras tendu.”

<mile> vient du latin milia passuum

j’ai la vague impression, bien que celle-ci ne repose sur rien de concret, que ce qui empêche vraiment l’Amérique (sic) de passer au mètre, c’est le terrain de football américain, avec le sacro-sant quantum de la ligne des 10 yards.” L’Amérique pour les gros américains!

Quelle taille pour Ebola, et combien peut-on en faire danser sur la tête d’une épingle?”

un millionième de milliardième de milliardième de seconde”, c’est “le temps qu’il faut à la lumière pour traverser un proton” <Les gens disent: C’est ridicule!> et je dis: Oui!”

Continuez à manger la moitié droite du champignon d’Alice”

notre Terre, si indomptable qu’elle puisse paraître, n’a effectué que 5 fois 109 révolutions autour du Soleil durant ses 5 milliards d’années d’existence”

Les évenements le plus courts que les scientifiques peuvent chronométrer se mesurent em attosecondes. Il faut 24 attosecondes à un électron pour accomplir une révolution autour du noyau d’un atome d’hydrogène – un voyage que l’électron effectue 40.000 billions [40 quadrilhões, 4×1016] de fois par seconde. Il s’écoule plus d’attosecondes en une minute qu’il ne s’est écoulé de minutes depuis la naissance de l’Univers.”

Um comentário por incrível que pareça dentro de contexto: a vida é essa eterna procura por aquilo que nos aflige e nos atormenta, porque senão não valeria a pena, não teria graça, eu não seria produtivo, não chegaria aos meus picos de criação. Seja diante de lívidas frutinhas – cuja falsidade não me engana – ou da conivência da patota galhofeiro-altruísta-dietético-cosmética. Falo mal pelas costas, como pela frente – Ecce Ratus!

Finnegans Wake – Titre d’un roman de J.J., réputé illisible, traduit en français sous le même titre en 1982, soit 43 ans après sa parution. C’est dans ce livre qu’on trouve la fameuse expression < Three quarks for Muster Mark >, à l’origine de la dénomination < quark > en physique des particules.” “Bien que l’intention problable de Joyce ait été de faire rimer < quark > avec Mark et bark, le nom de cette particule subatomique est souvent prononcé [en anglais, N.d.T.] kwôrk, ce qui se trouve également être la prononciation du nom d’un fromage crêmeux et légèrement acide très apprécié en Allemagne.” “Considérons le temps terrestre, qui est justement ce que Joyce décrivait comme un < riverrun, past Eve and Adam’s >. Si vous avez tout le temps du monde, combien de temps auriez vous? Les créationistes, en compulsant les pages de la Génèse, des Galates et autres sources bibliques et en comptant les < engendra >, s’écrient: < 6 mille ans! >.” É impressionante e ingênuo como podem pensar que a terra é tão velha – cientificamente, ainda por cima! A Terra sou eu e esta caneta, nada mais. A Terra é quantas vezes na vida saímos para trabalhar ou ir à escola. (200×30) “À peine entrée dans l’adolescence le Terre a fait ce qu’une adolescent ne devrait pas faire: elle a donné naissance aux premières formes de vie.” E como poderiam pensar que estamos no último capítulo de qualquer coisa que seja – quanta petulância! Mania de época. Há dois séculos que a Humanidade está de TPM. “depuis que le Big Bang a donné le coup d’envoi de tout ce qui existe.” Há alguns bilhões de anos nasceu o tempo. E ainda chamam de ciência!

William Blake de novo (Shaw).

La Nature, il semble, adore le vide.” “Mais entre notre noyau Wilson (marque de ballons de basket)(…)”

Pourquoi le ciel est-il bleu?” – Voyez http://xfilesfiles1.zip.net/arch2006-12-17_2006-12-23.html, 20/12/06.

Leon Ledermann possède cette chevelure blanche quasi fluorescente qu’arborent souvent les grandes figures de la physique.”

La mutualisation d’électrons tend à renforcer les liaisons entre atomes, et c’est ce qui confère aux métaux leur solidité légendaire et leur utilité historique dans l’armée.”

L’utilisation constante et peu rigoureuse du terme <électricité> IRRITE certains engénieurs et scientifiques, et pourrait même les conduire à PÉTER UN PLOMB.”

Pour récompenser ses efforts, Faraday s’est vu attribuer non pas une mais deux unités du système international – le farad et le faraday. Quant à Maxwell, nous lui rendons hommage à chaque fois que nous prononçons le mot qu’il a forgé: électromagnétisme.”

Quando o cânone dos 300.000 vai cair? Não tão rápido quanto eu aperto o interruptor, talvez.

banquet

années-lumière pour toi

O anônimo inventor do raio X, Wilhelm Roentgen. “Les gens qui voyagent souvent sur de longs vols intercontinentaux (vols qui s’effectuent à travers la diaphane stratosphère, à une dizaine de kilomètres au dessus du sol) peuvent être à la longue exposés à des quantités indésirable de rayons gamma solaires.”

La conservation de l’énergie est, en effet, une promesse d’existence éternelle. L’univers est, en pratique, un système fermé.”

la foire perpétuelle qu’a lancée le grand Bang.” Talvez se se dissesse la foire perpétuelle qui a lancée le grand Bang chegariam mais próximos da verdade cosmológica e fenomênica das coisas, sem prejuízos também para a gramática!

<Après ma mort, j’espère que certains de mes atomes se retrouveront dans un chat.>”

O bom de não entender tudo neste livro é que perco as piadas idiomáticas sem-graça.

Quand ion-plus cherche ion-moins, vous pouvez être tranquille, il n’y a aucun risque d’inceste.” “On ne peut pas manger du sodium pur et il est déconseillé de respirer du chlore: tous deux sont toxiques. Mais, mettez-les ensenble et bon appétit.” “d’où le mot <salaire>, du latin <salarius>, une allocation pour le sel.” “il y a dans chaque grain plus d’atomes que d’étoiles dans la Voie Lactée.”

O “v” também é “fau” no Holandês?

graphite – d’innombrables feuilles d’atomes de carbone empilées les unes sur les autres, un peu comme les couches de toffee caramélisé à l’intérieur de certaines friandrises. (…) Pressez la pointe de votre crayon sur le papier pour noircir une case, et ce sont une strate ou deux de cristaux de carbones qui s’en vont.”

un piéton qui n’ose se glisser dans les toilettes STRICTEMENT RÉSERVÉS À LA CLIENTÈLE des cafés et restaurants”

Même les virus, considérés par beaucoup comme n’étant pas vraiment vivants, contiennent malgré tout du carbone, dans le sac à dos génétique qu’ils transportent d’un hôte à l’autre. Il n’est pas très étonnant que la moitié de tous les chimistes travaillent dans le domaine de la chimie organique, qui est l’étude des composés contenant du carbone.”

Le carbone collabore volontiers avec presque tous les acteurs du tableau périodique, sauf l’hélium, le néon et les quatre autres gaz nobles (argon, krypton, xénon et radon), ainsi nommés en raison de leur refus hautain de se connecter chimiquement à quoi que ce soit. En outre, le carbone est incomparable parmi les éléments pour sa capacité à se lier à lui-même quasiment indéfiniment (…) En outre, la liasons entre deux atome de carbone est la liaison la plus forte que l’on connaisse, bien plus forte que celle entre deux atome de silicium (…)” “l’intransigeant diamant, la substance la plus dure que l’on connaisse, exception faite d’un coeur humain devenu indifférent.” “De temps à autre, une éruption volcanique recrachait quelques-uns de ces diamants vers la surface, et un autre monarque pouvait avoir sa couronne, ou Marilyn son ami en forme de poire.”

En chinois, <chimie> et <changement> partagent un même idéogramme, qui réprésente un changement de posture, simple mais non équivoque: une personne passant de la station debout à la station assise.”

Le Grand Sir Isaac Newton, un alchimiste passionné bien qu’occasionnel, considérait moins le mercure comme un élément distinct que comme un principe fondamental, comme l’essence de tous les métaux, qu’il recherchait dans sa forme la plus noble et la plus <philosophique>. Dans son laboratoire de Cambridge, Newton manipulait des gouttelettes de mercure; il en inhala les vapeurs jusqu’à devenir fou qu’un chapelier ou aussi excentrique qu’un [fou]rrier [inglês furrier; vendedor-de-peles] – artisans tristement célèbres pour les effets que produisait sur eux le mercure utilisé pour traiter les fourrures [as peles].”

les Montaigu et les Capulet”

O mais irônico sobre o argumento do ridículo que seria que o homem tivesse vindo do macaco é que ele é talvez o único “ad hominem” simiesco da História!

Dizer que não usamos a capacidade total de nosso cérebro é uma espécie de fuga dos prepotentes do “ser humano como estágio final”: ao mesmo tempo que desprezam essa criatura, até hoje coletora de fracassos, querendo que ela mude por inteiro, fabricam um álibi para que a mudança seja “totalmente invisível”, ou seja, que se opere milagrosamente neste ser humano corrompido. Porque ele tem um potencial infinito ainda dormente, é o que reza a crença neste novo Além. Obviamente esse disparate tinha mesmo de surgir na época da celebridade dos neurocientistas. Do seu consultório damos 2 saltos e… estamos lendo a sorte na borra do café e cheirando incenso.

Ils ont aujourd’hui des indices forts tendant à montrer que le géniteur de Moby Dick ressemblait à un loup, courait comme un loup mais mangeait comme un porc, car il était très proche des anciens Artiodactyles, le groupe d’ongulés à sabots qui regroupe aujourd’hui les porcs, les chameaux, les vaches et les hippopotames.” Fenrir, le chevalier-loup!

ditado popular que se tornou satânico em português: “quand on parle du loup en voit la queue” “falando no diabo…”

Un superbe Muséum d’Histoire de la Terre tout neuf, à Eureka Springs dans l’Arkansas, expose des modèles fastidieusement détaillés, moulés sur des fossiles authentiques, de Tyrannosaure, Thescelosaure et autres dinosaures, mais les juxtapose à Adam et Ève en attribuant la disparition des dinosaure essentiellement au Déluge.” Deleuze déluge deluxédition Deus loses

Quand le monde entier est votre spécialité, il vaut mieux avoir la tête sur les épaules. Les géologues se considèrent comme les champions de l’interdisciplinarité. Ils font du terrain et de la paillasse, empruntent à la chimie, la physique, l’écologie, la microbiologie, la botanique, la paléontologie, la théorie des systèmes complexes, la mécanique et, bien sûr, la modélisation numérique.”

Quando o mundo inteiro é sua especialidade, é melhor ter a cabeça sobre os ombros. Os geólogos se consideram como os campeões da interdisciplinaridade. Eles se utilizam dos terrenos a céu aberto e dos laboratórios, se servem da química, da física, da ecologia, da microbiologia, da botânica, da paleontologia, da teoria dos sistemas complexos, da mecânica e, decerto, da modelização numérica.”

Il y a 1,3 milliard de billions de litres d’eau sur Terre, suffisamment pour couvrir les ¾ de la surface de la planète avec des océans d’une profondeur moyenne de 4 kilomètres.”

Há 1,3 bilhão de trilhões de litros d’água sobre a Terra, o suficiente para cobrir ¾ da superfície do planeta com oceanos duma profundidade média de 4 kilômetros.”

311-312: da “genealogia” dos oceanos. Como é segura esta exposição acadêmica! Tão provável quanto a SINGULARIDADE do ponto de densidade infinita, infinitesimal, que “gerou” o DEVIR! A necessidade desesperada de uma tal “chuva noélica”, alfa/ômega da História da empiricidade, o meta é a meta. Mata a alma. As águas sempre foram um rio (DICA).

nous inspirons et expirons près de 13 kilogrammes d’espace personnel par jour.”

Observez n’importe laquelle des cellules de votre corps au microscope et regardez les mitochondries, ces composants en forme de saucisses dans lequels l’oxygène est brûlé et les molécules des aliments transformées en paquets d’énergie, pour être stockés ou utilisés selon les besoin. Ces mitochondries sont les descendants d’anciennes cellules indépendentes; et bien qu’elles aient depuis longtemps abandonné les moyens de vivre seules, les mitochondries conservent quelques attributs de leur ancienne liberté, au sein de leur pétite réserve de gènes. L’ADN mitochondrial est différent du génome bien plus grand de la cellule entière, stocké dans le noyau. Son nombre limité de gènes code pour des protéines dévouées essentiellement aus affaires aérobies et à la production d’énergie.”

Observe não importa qual das células de seu corpo ao microscópio e veja as mitocôndrias, esses componentes em forma de salsicha dentro dos quais o oxigênio é queimado e as moléculas dos alimentos transformadas em pacotes de energia, para ser estocados ou utilizados segundo as necessidades. Essas mitocôndrias são os descendentes das antigas células independentes; e se bem que elas tenham abandonado há muito tempo os meios de viver sozinhas, as mitocôndrias conservam certos atributos de sua antiga liberdade, no seio de sua pequena reserva de genes. O ADN mitocondrial é diferente do genoma bem maior da célula inteiriça, estocado no seu núcleo. Seu número limitado de genes programa proteínas que se devotam essencialmente aos assuntos aeróbicos e à produção de energia.”

les plantes modernes vivent une vie de Dr Jekyll et Mr Hyde: le jour, tandis que l’énergie solaire galvanise leurs équipements photosynthétiques, les plantes absorbent du dyoxide de carbone, produisent du sucre et dégagent du dioxygène; la nuit, elles reprennent une partie du dioxygène, le réabsorbent et l’utilisent pour transporter partout dans la plante la nourriture faite maison.”

as plantas modernas vivem uma vida de Dr. Jekyll e Mr. Hyde: durante o dia, enquanto a energia solar galvaniza seus equipamentos fotossintéticos, as plantas absorvem dióxido de carbono, produzem açúcar e liberam di-oxigênio; à noite, elas recapturam uma parte do di-oxigênio, o reabsorvem e o utilizam para transportar por toda a planta a comida feita em casa.”

Oui, mon ami, la vie serait si belle, si nous avions une cervelle!” Mágico de Oz

À ce stade, je dois dire qu’il est regrettable que les respectables théologiens de la chrétienté aient abandonné depuis longtemps l’idée que l’enfer puisse être un lieu bien tangible, très chaud et insupportable, enfoui profondément sous terre, et qu’ils l’aient remplacé par quelque molle métaphore du genre <l’enfer est le désert spirituel dans lequel on vit si l’on se détourne de Dieu>.”

Você sabia? A NASA é que pesquisou e dominou a técnica do “suco em pó”, o famoso Tang™, ideal para as explorações espaciais!

Le mot <planète> vient en fait du mot grec signifiant <vagabond>.”

AUTODESVELO, DOS 3 AOS 6

Sonhei que descrevia um sonho: eu tinha 6 anos e descrevia como no sonho possuía 3, estava com a boca ensangüentada e com os dentes quebrados, com enorme dificuldade para falar; e descobria que tinha um irmão mais velho que até então ignorava. Seja porque meus pais o ocultaram de mim, seja porque algum acidente me o fez lembrar. E o mais irônico é que eu passava a contar o sonho que tive, em detalhes, para minha mãe. E dizia que somente ao me tornar adulto é que eu me lembraria deste meu irmão, como se isso não fosse absolutamente contraditório. Minha mãe se mostrava incrédula e confusa; eu não conseguia explicar que ao mesmo tempo “vim de ser adulto”; seja porque viajei no tempo, na verdade minha alma viajou no tempo, vindo se instalar no corpo de criança, ou porque era uma espécie de profeta e já havia previsto meu destino, e fosse capaz de vivê-lo simultaneamente, sincronicamente, como o próprio presente. No sonho, eu constatava, apesar de usar uma linguagem infantil, própria das crianças dessa idade, que a fonte de todos os meus males de humor e dos meus sentimentos depressivos se ligava à existência dessa quimera, esse meu irmão imaginário. Noutro segmento do sonho eu estava na escola, de posse desse conhecimento. Todos eram jovens experimentados, ou eram adultos infantilizados… E não é isso o adolescente? De alguma forma esse meu “novo velho” irmão estava lá comigo… Eu “sabia que” não devia me comportar de maneira bagunceira mas “não podia” controlar meu corpo. E eu contornava mal e mal um desenho (na carteira? no caderno?), com bastante peso no lápis, pensando: “somos sempre iguais, somos sempre os mesmos, não importa o que fazemos, o que já fomos, como mudamos, a essência perdura, não podemos fugir desse simples fato”…

THE BOOK OF ENOCH

Fonte: http://wesley.nnu.edu/index.php?id=2126

 

SEÇÃO I

 

“And you seek shade and shelter by reason of the heat of the sun, and the earth also burns with growing heat, and so you cannot tread on the earth, or on a rock by reason of its heat.”

 

PRIMEIROS VAMPIROS, GOLIAS, CANIBAIS, HOMENS TECNOLÓGICOS E BRUXAS: AVATARES DO DIABO, O BELO ANJO VIRIL: PARTOS DO PACTO

 

“And it came to pass when the children of men had multiplied that in those days were born unto them beautiful and comely daughters. And the angels, the children of the heaven, saw and lusted after them, and said to one another: <Come, let us choose us wives from among the children of men and beget us children.> And Semjaza, who was their leader, said unto them: <I fear ye will not  indeed agree to do this deed, and I alone shall have to pay the penalty of a great sin.> And they all answered him and said: <Let us all swear an oath, and all bind ourselves by mutual imprecations not to abandon this plan but to do this thing.> Then sware they all together and bound themselves by mutual imprecations upon it. And they were in all 200; who descended in the days of Jared on the summit of Mount Hermon, and they called it Mount Hermon, because they had sworn and bound themselves by mutual imprecations upon it. And these are the names of their leaders: Samlazaz [?], their leader, Arakiba, Rameel, Kokabiel, Tamiel, Ramiel, Daniel, Ezeqeel, Baraqijal, Azazel [Lulu, segundo outras passagens, adiante, relacionadas com MEU nome], Armaros, Batarel, Araqiel, Zaqiel, Shamsiel, Satariel, Turiel, Jomjael, Sariel. These are their chiefs of tens. And all the others together with them took unto themselves wives, and each chose for himself one, and they began to go in unto them and to defile themselves with them, and they taught them charms and enchantments, and the cutting of roots, and made them acquainted with plants. And they became pregnant, and they bare great giants, whose height was 3,000 ells [varas]: Who consumed all the acquisitions of men. And when men could no longer sustain them, the giants turned against them and devoured mankind. And they began to sin against birds, and beasts, and reptiles, and fish, and to devour one another’s flesh, and drink the blood. Then the earth laid accusation against the lawless ones. And [the luciferean angel] Azazel taught men to make swords, and knives, and shields, and breastplates, and made known to them the metals of the earth and the art of working them, and bracelets, and ornaments, and the use of antimony, and the beautifying of the eyelids, and all kinds of costly stones, and all colouring tinctures. And there arose much godlessness, and they committed fornication, and they were led astray, and became corrupt in all their ways. (…) Baraqijal (taught) astrology, Kokabiel the constellations, Ezeqeel the knowledge of the clouds, Araqiel the signs of the earth, Shamsiel the signs of the sun, and Sariel the course of the moon.

 

O CASTIGADOR

 

“And again the Lord said to Raphael: <Bind Azazel hand and foot, and cast him into the darkness: and make an opening in the desert, which is in Dudael, and cast him therein. And place upon him rough and jagged rocks, and cover him with darkness, and let him abide there for ever, and cover his face that he may not see light. And on the day of the great judgement he shall be cast into the fire.”

 

“And destroy all the spirits of the reprobate and the children of the Watchers, because they have wronged mankind.”

O Mito do Para-Homem. Não é nossa ultrapassagem, não é o macaco. É só um Titã, um Alternativo, que entrou em Guerra conosco em algum ponto da Antiguidade e desapareceu sem deixar vestígios além dos orais ou das Escrituras. Twisted Giant Enemies. Nosso Outro Eu não podia ser mais odiável; mas nunca os apreciaremos senão com nossa visão necessariamente defensiva e concernente à sobrevivência da espécie. Esses Zentraedis!

Algo banguela e sem prece dentes.

“And now, the giants, who are produced from the spirits and flesh, shall be called evil spirits upon the earth, and on the earth shall be their dwelling. Evil spirits have proceeded from their bodies; because they are born from men and from the holy Watchers is their beginning and primal origin”

Wie gehen Reisen: “And I saw a deep abyss, with columns of heavenly fire, and among them I saw columns of fire fall, which were beyond measure alike towards the height and towards the depth. And beyond that abyss I saw a place which had no firmament of the heaven above, and no firmly founded earth beneath it: there was no water upon it, and no birds, but it was a waste and horrible place. I saw there 7 stars like great burning mountains, and to me, when I inquired regarding them, The angel said: <This place is the end of heaven and earth: this has become a prison for the stars and the host of heaven. And the stars which roll over the fire are they which have transgressed the commandment of the Lord in the beginning of their rising, because they did not come forth at their appointed times.>”

“<Here shall stand the angels who have connected themselves with women, and their spirits assuming many different forms are defiling mankind and shall lead them astray into sacrificing to demons as gods (…) And the women also of the angels who went astray shall become sirens.> And I, Enoch, alone saw the vision, the ends of all things: and no man shall see as I have seen.” Está certo: cada autor tem a sua obra.

“This place is the prison of the angels, and here they will be imprisoned for ever.” Uriel

“This is the spirit which went forth from Abel, whom his brother Cain slew, and he makes his suit [prece] against him till his seed is destroyed from the face of the earth, and his seed is annihilated from amongst the seed of men.” Raphael

En. 26:6: “And I marveled at the rocks, and I marveled at the ravine, yea, I marveled very much.”

En 33:1-4: “And from thence I went to the ends of the earth and saw there great beasts, and each differed from the other; and birds also differing in appearance and beauty and voice, the one differing from the other. And to the east of those beasts I saw the ends of the earth whereon the heaven rests, and the portals of the heaven open. And I saw how the stars of heaven come forth, and I counted the portals out of which they proceed, and wrote down all their outlets, of each individual star by itself, according to their number and their names, their courses and their positions, and their times and their months, as Uriel the holy angel who was with me showed me. He showed all things to me and wrote them down for me: also their names he wrote for me, and their laws and their companies.”

“And from thence I went towards the west to the ends of the earth, and saw there three portals of the heaven open such as I had seen in the east, the same number of portals, and the same number of outlets.”

O homem de então não sabia que o Pólo Sul também continha gelo.

 

SEÇÃO II

 

Enoque é o sétimo descendente desde Adão.

“Now three Parables were imparted to me”

“Then shall the kings and the mighty perish And be given into the hands of the righteous and holy.”

“He knows before the world was created what is for ever and what will be from generation unto generation. Those who sleep not bless Thee: they stand before Thy glory and bless, praise, and extol, saying: <Holy, holy, holy, is the Lord of Spirits:>”

No juízo final enoquiano há apenas 100 milhões de julgados. Para onde foram os bilhões e bilhões de outros?

“This first is Michael, the merciful and long-suffering; and the second, who is set over all the diseases and all the wounds of the children of men, is Raphael; and the third, who is set over all the powers, is Gabriel; and the fourth, who is set over the repentance unto hope of those who inherit eternal life, is named Phanuel.”

Ruth of all Evils

A raiz de todos os

Eva & Ivo

“Wisdom found no place where she might dwell;

Then a dwelling-place was assigned her in the heavens.

Wisdom went forth to make her dwelling among the children of men, And found no dwelling-place:

Wisdom returned to her place, And took her seat among the angels.”

 

IRRUPÇÃO

 

Você venta e mexe com os meus cabelos

Você cava e cutuca minhas tripas

Você se precipita e faz eu correr atrás

Você irrompe e me mergulha na lava

cardíaca

do Ser

 

$$$

 

Quando eu vou ganhar meu JUSTO dinheiro

Por me espetar e me perfurar com uma faca cega?

 

Justiça, Justiça Paga

Rá, rá, rá, Anjo,

Isso inexiste…

 

“Also another phenomenon I saw in regard to the lightnings: how some of the stars arise and become lightnings and cannot part with their new form.”

 

ERMO & PARADOXOS

 

Simulador de Euforia Virtual

 

Simulador de Ficção

 

Simulador de Lágrimas de Crocodilo

 

Colgate que escurece o esmalte

 

Véu revelador!

 

Fedida e tímida essa flor!…

 

Mantive o sangue frio de tanto que ele esquentou

 

(co-autoria com Brenda Melo)

 

* * *

 

5 SENSES AND THE NONSENSE

 

Doers and seers – and also the sinners! – off all earth, Unite!

Hear my pray, O Unholy One

Without Whom I could perfectly live!

Smellers and Tasters

All go to Hell for Curiosity

Deceived by my own Feelings

 

Assignado o Gato Bunda|rioso

Pel&Osso

 

* * *

 

VOCÊ CONCORDA?

 

A vida é muito curta para ler Termos de Uso e Condição.

Aceito Sim, até que a Morte me prepare.

O Paraíso é só um Lugar em que se deve entrar descalço

Ou na ponta do pé de qualquer jeito

Depois de ler a placa: CUIDADO! CÃO BRAVO!

 

“And worms shall be their bed”

 

Não é mole não!

 

Sofia morreu afogada na água do padre.

 

Não é pedra azarada sob o milionésimo ataque da água,

Mas me Meti numa Furada!

 

* * *

 

“he shall be the light of the Gentiles,

And the hope of those who are troubled of heart.”

 

É PAVIO ou pa explodir? Perguntou a banana de dinamite.

#PAZ

 

“And there shall be no iron for war, Nor shall one clothe oneself with a breastplate. Bronze shall be of no service, And tin shall not be esteemed, And lead shall not be desired. And all these things shall be destroyed from the surface of the earth, When the Elect One shall appear before the face of the Lord of Spirits.”

“And in those days shall punishment come from the Lord of Spirits, and he will open all the chambers of waters which are above the heavens, and of the fountains which are beneath the earth. And all the waters shall be joined with the waters: that which is above the heavens is the masculine, and the water which is beneath the earth is the feminine.”

“In those days Sheol shall open its jaws, And they shall be swallowed up therein”

 

BLIND LIGHT

 

Temo o tempo

Bright is right

Tempere o temor,

meu Amor!

 

“A Fragment of the Book of Noah

 

In the year 500, in the 7th month, on the 14th day of the month in the life of Enoch. In that Parable I saw how a mighty quaking made the heaven of heavens to quake, and the host of the Most High, and the angels, a thousand thousands and ten thousand times ten thousand [1 trilhão]”

 

“And on that day were two monsters parted, a female monster named Leviathan, to dwell in the abysses of the ocean over the fountains of the waters. But the male is named Behemoth, who occupied with his breast a waste wilderness named Duidain, on the east of the garden where the elect and righteous dwell, where my grandfather was taken up, the 7th from Adam, the 1st  man whom the Lord of Spirits created.” O dragão do deserto sobrevém…

 

“For lead and tin are not produced from the earth like the first: it is a fountain that produces them, and an angel stands therein, and that angel is pre-eminent.”

 

Origem das termas (ou seria dos pólos?): “for when those angels are punished in these waters, these water-springs shall change their temperature, and when the angels ascend, this water of the springs shall change and become cold. And I heard Michael answering and saying: <This judgement wherewith the angels are judged is a testimony for the kings and the mighty who possess the earth.> Because these waters of judgement minister to the healing of the body of the kings and the lust of their body; therefore they will not see and will not believe that those waters will change and become a fire which burns for ever.”

Louvado seja Penemue: “And the fourth was named Penemue: he taught the children of men the bitter and the sweet, and he taught them all the secrets of their wisdom. And he instructed mankind in writing with ink and paper, and thereby many sinned from eternity to eternity and until this day. For men were not created for such a purpose, to give confirmation to their good faith with pen and ink. For men were created exactly like the angels, to the intent that they should continue pure and righteous, and death, which destroys everything, could not have taken hold of them, but through this their knowledge they are perishing, and through this power it is consuming me.”

 

“And I saw the holy sons of God. They were stepping on flames of fire: Their garments were white, And their faces shone like snow.”

A cueca cagada de Deus: “And with them the Head of Days, His head white and pure as wool, And His raiment indescribable.” Guarda a cabeça dos dias!

 

SEÇÃO III

ENGENHOSO, ADMITO: “On that day the day is longer than the night by a ninth part, and the day amounts exactly to ten parts and the night to eight parts. And the sun rises from that fourth portal, and sets in the fourth and returns to the fifth portal of the east thirty mornings, and rises from it and sets in the fifth portal. And then the day becomes longer by two parts and amounts to eleven parts, and the night becomes shorter and amounts to seven parts. And it returns to the east and enters into the sixth portal…” “And on that day the night becomes longer than the day, and night becomes longer than night, and day shorter than day till the thirtieth morning, and the night amounts exactly to ten parts and the day to eight parts.” “…and the year is exactly as to its days 364.” “…and his light is sevenfold brighter than that of the moon; but as regards size they are both equal.”

THE DARK SIDE OF THE EARTH: “And I saw another course, a law for her, how according to that law she performs her monthly revolution.” “And in certain months she alters her settings, and in certain months she pursues her own peculiar course. In two months the moon sets with the sun: in those two middle portals the third and the fourth. She goes forth for seven days, and turns about and returns again through the portal where the sun rises, and accomplishes all her light: and she recedes from the sun, and in eight days enters the sixth portal from which the sun goes forth.”

“And if 5 years are added together the sun has an overplus of 30 days, and all the days which accrue to it for one of those 5 years, when they are full, amount to 364 days. And the overplus of the sun and of the stars amounts to 6 days: in 5 years 6 days every year come to 30 days” “In 3 years there are 1,092 days, and in 5 years 1,820 days, so that in 8 years there are 2,912 days. For the moon alone the days amount in 3 years to 1,062 days, and in 5 years she falls 50 days behind”

“And the leaders of the heads of the thousands, who are placed over the whole creation and over all the stars, have also to do with the 4 intercalary days, being inseparable from their office, according to the reckoning of the year, and these render service on the 4 days which are not reckoned in the reckoning of the year.“ ???

“And the first quarter is called the east, because it is the first: and the second, the south, because the Most High will descend there, yea, there in quite a special sense will He who is blessed for ever descend. And the west quarter is named the diminished, because there all the luminaries of the heaven wane and go down. And the fourth quarter, named the north, is divided into 3 parts: the first of them is for the dwelling of men: and the second contains seas of water, and the abysses and forests and rivers, and darkness and clouds; and the third part contains the garden of righteousness.“ “Seven great islands I saw in the sea and in the mainland: 2 in the mainland and 5 in the Great Sea.”

“And the names of the sun are the following: the first Orjares, and the second Tomas. And the moon has four names: the first name is Asonja, the second Ebla, the third Benase, and the fourth Erae.” “and her circumference is empty, void of light.”

“And in the days of the sinners the years shall be shortened, And their seed shall be tardy on their lands and fields, And all things on the earth shall alter, And shall not appear in their time: And the rain shall be kept back (…) And the whole order of the stars shall be concealed from the sinners, And the thoughts of those on the earth shall err concerning them, Yea, they shall err and take them to be gods.”

“And I observed the heavenly tablets, and read everything which was written and understood everything, and read the book of all the deeds of mankind, and of all the children of flesh that shall be upon the earth to the remotest generations.”

“And now, my son Methuselah, all these things I am recounting to thee and writing down for thee! and I have revealed to thee everything, and given thee books concerning all these: so preserve, my son Methuselah, the books from thy father’s hand, and see that thou deliver them to the generations of the world.”

“And these are the names of the leaders who divide the four parts of the year which are ordained: Milki’el, Hel’emmelek, and Mel’ejal, and Narel. And the names of those who lead them: Adnar’el, and Ijasusa’el, and ‘Elome’el– these three follow the leaders of the orders, and there is one that follows the three leaders of the orders which follow those leaders of stations that divide the four parts of the year. (…) These are the names, and the orders, and the leaders of those heads of thousands”

SEÇÃO IV

 

“And in it there shall be the first end. And in it a man shall be saved; And after it is ended unrighteousness shall grow up, And a law shall be made for the sinners. And after that in the third week at its close A man shall be elected as the plant of righteous judgement, And his posterity shall become the plant of righteousness for evermore. And after that in the fourth week, at its close, Visions of the holy and righteous shall be seen, And a law for all generations and an enclosure shall be made for them. And after that in the fifth week, at its close, The house of glory and dominion shall be built for ever. And after that in the sixth week all who live in it shall be blinded, And the hearts of all of them shall godlessly forsake wisdom. And in it a man shall ascend; And at its close the house of dominion shall be burnt with fire, And the whole race of the chosen root shall be dispersed. And after that in the seventh week shall an apostate generation arise, And many shall be its deeds, And all its deeds shall be apostate. And at its close shall be elected The elect righteous of the eternal plant of righteousness, To receive sevenfold instruction concerning all His creation.” “And the first heaven shall depart and pass away, And a new heaven shall appear, And all the powers of the heavens shall give sevenfold light. And after that there will be many weeks without number for ever, And all shall be in goodness and righteousness, And sin shall no more be mentioned for ever.”

“For ye shall have manifold experiences on the earth. For ye men shall put on more adornments than a woman, And coloured garments more than a virgin: In royalty and in grandeur and in power, And in silver and in gold and in purple, And in splendour and in food they shall be poured out as water.”

“And see ye not the sailors of the ships, how their ships are tossed to and fro by the waves, and are shaken by the winds, and are in sore trouble? And therefore do they fear because all their goodly possessions go upon the sea with them, and they have evil forebodings of heart that the sea will swallow them and they will perish therein. Are not the entire sea and all its waters, and all its movements, the work of the Most High, and has He not set limits to its doings, and confined it throughout by the sand And at His reproof it is afraid and dries up, and all its fish die and all that is in it; But ye sinners that are on the earth fear Him not.”

 

SEÇÃO V

 

“And after some days my son Methuselah took a wife for his son Lamech, and she became pregnant by him and bore a son. And his body was white as snow and red as the blooming of a rose, and the hair of his head and his long locks were white as wool, and his eyes beautiful. And when he opened his eyes, he lighted up the whole house like the sun, and the whole house was very bright. And thereupon he arose in the hands of the midwife, opened his mouth, and conversed with the Lord of righteousness. And his father Lamech was afraid of him and fled, and came to his father Methuselah. And he said unto him: <I have begotten a strange son, diverse from and unlike man, and resembling the sons of the God of heaven; and his nature is different and he is not like us, and his eyes are as the rays of the sun, and his countenance is glorious. And it seems to me that he is not sprung from me but from the angels, and I fear that in his days a wonder may be wrought on the earth. And now, my father, I am here to petition thee and implore thee that thou mayest go to Enoch, our father, and learn from him the truth, for his dwelling-place is amongst the angels.>”

PATIENCE – Tertullian

“Let us, then, with regard to impatience, consider whether, as patience in God, its opposite was born and discovered in our adversary.” Se tem uma coisa que Dite é, é paciente e resignado.

 

TERTULIANDO // TURTLEANDO

 

OC é Cético?

 

A impaciência que eclode exige uma ou duas ou três represas.

Dir-se-ia que o irascível é o pai do dinheiro e da propriedade.

A impaciência que espera, ela, ó, amigos, é a esperança

Impaciente esperança!

O Cavaleiro do Infinito Desdém

Contra

O Eternista-Presentista

O inconsolável reformado

não reforma só se deixa formatar

O mendigo saciado a cada grão,

Bom homem bom!

Isso que se chama, literalmente,

Esperar o seu bocado até o Fim dos Tempos!

 

Você bota Fé na falta de crença? Você não bota fé em nada,

nem rende juros

sua conta bancária!

 

O paciente é um hipócrita

O médico é o hipocrático.

 

“For, as soon as he perceived that it was through his impatience that he had committed the first sin, having learned from his own experience what would assist in wrong-doing, he availed himself of this same impatience to lead men into sin.”

 

PECA12RO

 

A TPM existencial de Eva gerou a TPM fisiológica. Desde então o círculo se fechou. Ouroboros don’t bother! O que está sepultado, ao menos, não incomoda, certo? Deixai-o quieto.

 

O absurdo de tudo isso é que “animais também pecam”, enquanto animais… Que eles possam ser o invólucro de almas penadas pecadoras, expiações feitas de carne e sofrimento, isso os indianos já nos haviam ensinado, e Schopenhauer e Nietzsche poderiam, escusados nisso, deixar de se condoer por cães e cavalos. Mas o mais hilário é que o macaco não é mais que o macaco de Adão, se é que manjam desse manjericão! Qual a virtude em ser o inconsciente estóico? Em virtude do vício, me encontro a repetir a perdição.

 

Tudo me dá idéia, então não dá idéia!

Tudo me dá medo do esgoto

Se eu me esgoto significa

que sou Homem?!

O Cão Late Já dentro de Mim

 

Uma peça de dominó, um peão de vanguarda do jogo ocidental e da hierarquia, pode se zangar e arrevesar? O jogo é claro como as pedras que começam, minha dama!

 

“Since it had plunged Adam and Eve into death, it taught their son, also, to commit the first murder.”

 

“Who has ever attempted adultery save one who was unable to withstand his lustful desires?” Veja que eu não tenho a menor paciência para a poligamia…

 

Monomãemania

 

Não sei como você tem saco pra essas coisas!

 

“After the rain of manna as food, after the water that followed and flowed from the rock, they gave up hope in the Lord, unable to endure a three-days’ thirst.”

 

“This severe command, which the Lord did not intend should be carried out, Abraham heard with patience and, had God so willed, he would have fulfilled it.”

 

Added insult to injury: “added grace to the Law”.

 

“Heretofore, men demanded an eye for an eye and a tooth for a tooth and they returned evil for evil. As yet, patience was not found upon the earth, for as yet, you see, there was not faith. Meanwhile, impatience was enjoying the opportunities occasioned by the Law.” “the poison of the tongue was removed.”

 

Honor Thy Father (Teatro dos Sonhos): “The Law acquired more than it lost when Christ said: <Love your enemies and bless those who curse you and pray for those who persecute you, so that you may be children [teacher] of your Father in heaven.>”

 

Nada pertence a mim mesmo

nem sequer os meus pecados

 

Um dos argumentadores mais fracos de toda a Cristandade. “It is for pagans to be unable to sustain all loss; they would set worldly goods before their life perhaps.”

 

“by your meekness you will strike a more severe blow to the wrong-doer; for he will suffer at the hands of Him by whose grace you practice meekness.” Não creia que tenha sido essa a conotação de Cristo ao expressar-se sobre levar golpes indistintamente nos dois lados da face.

 

“When men reproach you, rejoice.”

 

“Grieve not  over one who has fallen asleep even as the gentiles who have no hope.” Uma religião tão funesta não tem o direito de pedir que cessem as lamentações!

 

Não é à toa que homem começa com “h” de hipocrisia, religião com “r” de recompensa e Cristo com “c” de cobiça: “Why, then, do we believe Him a judge, but not also an avenger? Of this He assures us when He says: <Revenge is mine and I will repay them,> that is: <Have patience with Me and I will reward your patience.>”

 

Eu fui feito à vossa escrita e a à vossa dessemelhança.

 

“and everything done with violence has either met with no success or has collapsed or has plunged to its own destruction.” HE-HE!

 

“If you are too mild in your self-defense, you will be acting like a madman; if your defense is excessive, you will be depressed. Why should I be concerned about revenge when I cannot regulate its extent because of my inability to endure pain? Whereas, if I yield and suffer the injury, I shall have no pain; and if I have no pain, I shall have no desire for revenge.” Excelente psicologia. A dor da ação na época de Tertuliano devia ser condizente com a nossa!

 

“Aqueles que eu amo eu castigo” Deus

 

“In the case of the prodigal son, too, it is the patience of his father that welcomes him and clothes him and feeds him and finds an excuse for him in the face of the impatience of his angry brother.”

 

“Tongues, knowledge, prophecies are made void, but there persist faith, hope, and charity”

 

“How God laughed, and how the Evil One was split asunder, when Job, with perfect calm, would wipe away the discharge oozing from his ulcer and, with a jesting remark, would call back to the cavity and sustenance of his open flesh the tiny creatures that were trying to make their way out!” “he was willing to endure the loss of his children that he might not live without something to suffer!”

 

“The eyebrows are relaxed, giving an impression of joyousness.”

 

“The mouth is closed in becoming silence. Its complexion is that of the serene and blameless. It shakes its head frequently in the direction of the Devil, and its laughter conveys a threat to him [?]. The upper part of its garment is white and close-fitting so that it is not blown about or disturbed (by the wind).”

 

“a patience not like the patience practiced by the peoples of the earth, which is false and disgraceful. (…) the Devil also taught his own a special brand of patience.” “it  is only God alone whom they cannot endure. But let their patience and the patience of their chief take care: there is fire beneath the earth awaiting this kind of patience.”

O GUARANI

DIC – fanqueiro: comerciante de tecidos

urutau: ave noturna de rapina

ananás: abacaxi

librar: suspender; equilibrar.

sofrer, o: (Brasil) ave cujo canto imita a pronúncia so-frer (anàlogamente ao bem-te-vi)

pequiá: pequi (derivado do Tupi)

viuvinha: (Portugal) jogo popular; (Portugal) dança de roda; (Portugal) peixe; (Brasil) planta (quando no singular); (Portugal) planta (quando no plural); pássaro; corda (coloquial).

viúva-alegre: camburão; (Moçambique) pássaro.

corrupio: rodopiar ou andar em círculos; atividade frenética; (Brasil) cata-vento.

chuço: lança; (Portugal) peixe; (Portugal) guarda-chuva); (Portugal) o gentio em relação ao judeu; tamanco ou bota de má qualidade.

bugre: rústico, primata; sujeito intratável. “Brinco de ouro do Bugre.”

carocha: inseto, mormente a barata; chapéu depreciativo que recebiam os condenados à fogueira na Idade Média; chapéu depreciativo (a.k.a. carapuça) para humilhar os piores alunos da classe; fogão de funileiro; (Portugal) mulher horrível; mentira (quando no plural); bruxaria (quando no plural); sexo oral no ânus ou beijo grego (apenas no Nordeste do Brasil); (Portugal) o mesmo que Fusca para nós.

endecha: poesia ou canção fúnebre

coleóptero: inseto de 4 asas, das quais 2 são especialmente duras

dédalo: labirinto; confusão; florido.

alçácar: alcácer, palácio-fortaleza

montante: enchente da maré; lado de cima da nascente; a montante – o que precede de imediato; alabarda (espada pesada que necessitava ser empunhada com as duas mãos).

anime: resina

íris: membrana ocular interna; borboleta diurna; planta.

* * *

o cupim, esse roedor eterno, que antes do dilúvio já se havia agarrado à arca de Noé, e pôde assim escapar ao cataclisma.”

uma dessas guitarras espanholas que os ciganos introduziram no Brasil quando expulsos de Portugal”

A habitação que descrevemos pertencia a D. Antônio de Mariz, fidalgo português de cota d’armas e um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro.” “Em 1567 acompanhou Mem de Sá ao Rio de Janeiro, e depois da vitória alcançada pelos portugueses, auxiliou o governador nos trabalhos da fundação da cidade e consolidação do domínio de Portugal nessa capitania.” “Homem de valor, experimentado na guerra, ativo, afeito a combater os índios, prestou grandes serviços nas descobertas e explorações do interior de Minas e Espírito Santo.” “A derrota de Alcácer-Quibir, e o domínio espanhol que se lhe seguiu, vieram modificar a vida de D. Antônio de Mariz. Português de antiga têmpera, fidalgo leal, entendia que estava preso ao rei de Portugal pelo juramento da nobreza, e que só a ele devia preito e menagem. Quando pois, em 1582, foi aclamado no Brasil D. Felipe II como o sucessor da monarquia portuguesa, o velho fidalgo embainhou a espada e retirou-se do serviço. Por algum tempo esperou a projetada expedição de D. Pedro da Cunha, que pretendeu transportar ao Brasil a coroa portuguesa, colocada então sobre a cabeça do seu legítimo herdeiro, D. Antônio, prior do Crato. Depois, vendo que esta expedição não se realizava, e que seu braço e sua coragem de nada valiam ao rei de Portugal, jurou que ao menos lhe guardaria fidelidade até a morte. Tomou os seus penatos, o seu brasão, as suas armas, a sua família, e foi estabelecer-se naquela sesmaria que lhe concedera Mem de Sá.”

Naquele tempo dava-se o nome de bandeira a essas caravanas de aventureiros que se entranhavam pelos sertões do Brasil, à busca de ouro, os brilhantes e esmeraldas, ou à descoberta de rios e terras ainda desconhecidas. A que nesse momento costeava a margem do Paraíba, era da mesma natureza”

nada é mais natural a quem viaja, do que o desejo de chegar.”

continuava a assobiar entredentes uma cançoneta de condottiere, de quem ele apresentava o verdadeiro tipo.”

“– Em que quereis que um homem gaste seu tempo neste sertão, senão a olhar para seus semelhantes, e ver o que eles fazem?

Com efeito é uma boa distração.”

“– Sabeis uma coisa, Sr. Loredano?

Saberei, cavalheiro, se me fizerdes a honra de dizer.”

Tinha então, sempre em sonho, um desses assomos de cólera de rainha ofendida, que fazia arquear as sobrancelhas louras, e bater sobre a relva a ponta de um pezinho de menina. Mas o escravo suplicante erguia os olhos tão magoados, tão cheios de preces mudas e de resignação, que ela sentia um quer que seja de inexprimível, e ficava triste, até que fugia e ia chorar. (…) mas conservava sempre uma sombra de melancolia, que só a pouco e pouco o seu gênio alegre conseguia desvanecer.”

“– É para veres! Tudo cansa neste mundo.

Ah! compreendo! estás enfastiada de viver aqui nestes ermos.

Já me habituei tanto a ver estas árvores, este rio, estes montes, que quero-lhes como se me tivessem visto nascer.

Então o que é que te faz triste?

Não sei; falta-me alguma coisa.”

(…)

Olha, respondeu Isabel; ali está a tua rola esperando que a chames, e o teu veadinho que te olha com os olhos doces; só falta o outro animal selvagem.

Peri! exclamou Cecília rindo-se da idéia de sua prima.

Ele mesmo! Só tens dois cativos para fazeres as tuas travessuras; e como não vês o mais feio, e o mais desengraçado, estás aborrecida.

(…)

Ora, Cecília, como queres que se trate um selvagem que tem a pele escura e o sangue vermelho? Tua mãe não diz que um índio é um animal como um cavalo ou um cão?

Estas últimas palavras foram ditas com uma ironia amarga, que a filha de Antônio de Mariz compreendeu perfeitamente.

Isabel!… exclamou ela ressentida.”

“– Sim! e isto me causou um prazer, que tu não imaginas. Se eu fosse tua irmã!…”

imediatamente a rola saltou dos galhos da acácia, e veio aninhar-se no seu seio, estremecendo de prazer ao contato da mãozinha que alisava a sua penugem macia.”

“– Não achas que voltaram muito depressa? perguntou Isabel sem reparar na perturbação de sua prima.

Muito; quem sabe se houve alguma coisa!

19 dias apenas… disse Isabel maquinalmente.”

(…)

Nos trazem, sim; porque eu encomendei um fio de pérolas para ti. Devem ir-te bem as pérolas, com tuas faces cor de jambo! Sabes que eu tenho inveja do teu moreninho, prima?

E eu daria a minha vida para ter a tua alvura, Cecília.”

Cometestes uma ação má assassinando uma mulher, uma ação indigna do nome que vos dei; isto mostra que ainda não sabeis fazer uso da espada que trazeis à cinta.”

“– Tratais esse filho sempre com excessivo rigor, Sr. D. Antônio!

E vós com extrema benevolência, D. Lauriana. Assim, como não quero que o vosso amor o perca, vejo-me obrigado a privar-vos da sua companhia.

(…)

Quem vos fala em desterro, senhora? Quereis que D. Diogo passe toda a sua vida agarrado ao vosso avental e à vossa roca?”

D. Antônio desejava saber notícias do Rio de Janeiro e de Portugal, onde se haviam perdido todas as esperanças de uma restauração, que só teve lugar 40 anos depois com a aclamação do duque de Bragança.”

Como é solene e grave no meio das nossas matas a hora misteriosa do crepúsculo, em que a natureza se ajoelha aos pés do Criador para murmurar a prece da noite!” “O urutau no fundo da mata solta as suas notas graves e sonoras, que, reboando pelas longas crastas [claustros] de verdura, vão ecoar ao longe como o toque lento e pausado do ângelus.” “Todas as pessoas reunidas na esplanada sentiam mais ou menos a impressão poderosa desta hora solene, e cediam involuntariamente a esse sentimento vago, que não é bem tristeza, mas respeito misturado de um certo temor. De repente, os sons melancólicos de um clarim prolongaram-se pelo ar quebrando o concerto da tarde; era um dos aventureiros que tocava a Ave-Maria.”

Loredano foi o único que conservou o seu sorriso desdenhoso, e seguia com o mesmo olhar torvo [terrível] os menores movimentos de Álvaro, ajoelhado perto de Cecília e embebido em contemplá-la, como se ela fosse a divindade a quem dirigia a sua prece.”

Os aventureiros e seus chefes viviam num lado da casa inteiramente separados da família; durante o dia corriam os matos e ocupavam-se com a caça ou com diversos trabalhos de cordoagem e marcenaria. Era unicamente na hora da prece que se reuniam um momento na esplanada, onde, quando o tempo estava bom, as damas vinham também fazer a sua oração da tarde.” “o domingo era consagrado ao repouso, à distração e à alegria; então dava-se às vezes um acontecimento extraordinário como um passeio, uma caçada, ou uma volta em canoa pelo rio. Já se vê pois a razão por que Álvaro tinha tantos desejos, como dizia o italiano, de chegar ao Paquequer em um sábado, e antes das seis horas; o moço sonhava com a aventura desses curtos instantes de contemplação e com a liberdade do domingo, que lhe ofereceria talvez ocasião de arriscar uma palavra.”

“– Brincava com uma onça como vós com o vosso veadinho, D. Cecília.

Meu Deus! exclamou a moça soltando um grito.”

viam-se aos cantos do alpendre, grossas talhas cheias de vinho de caju e ananás, onde os aventureiros podiam beber à larga. O vício tinha suprido os licores europeus pelas bebidas selvagens; afora uma pequena diferença de sabor, havia no fundo de todas elas o álcool que excita o espírito, e produz a embriaguez.”

“– E vós, Loredano, nada dizeis? Estais aí que não há modo de vos ouvir uma palavra!

Certo, acudiu outro, Bento Simões diz verdade; se não é a fome que vos traz mudo, algo tendes, misser italiano.

Voto a Deus, Martim Vaz, disse um terceiro, que são penares por alguma moçoila que andou reqüestando em São Sebastião.

Tirai-vos lá com os vossos penares, Rui Soeiro; achais que Loredano seja homem de se amofinar com coisa de tal jaez?

E por que não, Vasco Afonso? Todos calçamos pelo mesmo sapato, em que o aperte mais a uns do que a outros.

Não julgueis os mais por vós, dom namorado; homens há que trazem seu pensamento empregado em coisa de mor valia do que requebros e galanteios.

O italiano conservava-se taciturno, e deixava que os outros o trouxessem à baila, sem dar-se por achado: era fácil ver que ele seguia com afinco uma idéia que lhe trabalhava no espírito.”

Loredano, levantando-se, fez um gesto a Rui Soeiro e a Bento Simões; e os 3 seguiram juntos até ao meio do terreiro; o italiano murmurou-lhes ao ouvido uma simples palavra:

Amanhã!”

É que as paixões no deserto, e sobretudo no seio desta natureza grande e majestosa, são verdadeiras epopéias do coração.”

As cortinas da janela cerraram-se; Cecília tinha-se deitado. Junto da inocente menina adormecida na isenção de sua alma pura de virgem, velavam 3 sentimentos profundos, palpitavam 3 corações bem diferentes. Em Loredano, o aventureiro de baixa extração, esse sentimento era um desejo ardente, uma sede de gozo, uma febre que lhe requeimava o sangue; o instinto brutal dessa natureza vigorosa era ainda aumentado pela impossibilidade moral que a sua condição criava, pela barreira que se elevava entre eles, pobre colono, e a filha de D. Antônio de Mariz, rico fidalgo de solar e brasão. Para destruir esta barreira e igualar as posições, seria necessário um acontecimento extraordinário, um fato que alterasse completamente as leis da sociedade naquele tempo mais rigorosas que hoje; era preciso uma dessas situações em face das quais os indivíduos, qualquer que seja a sua hierarquia, nobres e párias, nivelam-se; e descem ou sobem à condição de homens. O aventureiro compreendia isto; talvez que o seu espírito italiano já tivesse sondado o alcance dessa idéia; em todo o caso o que afirmamos é que ele esperava, e esperando vigiava o seu tesouro com um zelo e uma constância a toda a prova; os 20 dias que passara no Rio de Janeiro tinham sido verdadeiro suplício. Em Álvaro, cavalheiro dedicado e cortês, o sentimento era uma afeição nobre e pura, cheia de graciosa timidez que perfuma as primeiras flores do coração, e do entusiasmo cavalheiresco que tanta poesia dava aos amores daquele tempo de crença e lealdade. Sentir-se perto de Cecília, vê-la e trocar alguma palavra a custo balbuciada; corarem ambos sem saberem por quê, e fugirem desejando encontrar-se; era toda a história desse afeto inocente, que se entregava descuidosamente ao futuro, librando-se nas asas da esperança. Nesta noite Álvaro ia dar um passo que na sua habitual timidez, ele comparava quase com um pedido formal de casamento; tinha resolvido fazer a moça aceitar, malgrado seu, o mimo que recusara, deitando-o na sua janela; esperava que encontrando-o no dia seguinte, Cecília lhe perdoaria o seu ardimento, e conservaria a sua prenda. Em Peri o sentimento era um culto, espécie de idolatria fanática, na qual não entrava um só pensamento de egoísmo; amava Cecília não para sentir um prazer ou ter uma satisfação, mas para dedicar-se inteiramente a ela, para cumprir o menor dos seus desejos, para evitar que a moça tivesse um pensamento que não fosse imediatamente uma realidade. Ao contrário dos outros ele não estava ali, nem por um ciúme inquieto, nem por uma esperança risonha; arrostava a morte unicamente para ver se Cecília estava contente, feliz e alegre; se não desejava alguma coisa que ele adivinharia no seu rosto, e iria buscar nessa mesma noite, nesse mesmo instante. Assim o amor se transformava tão completamente nessas organizações, que apresentava 3 sentimentos bem distintos; um era uma loucura, o outro uma paixão, o último uma religião. Loredano desejava; Álvaro amava; Peri adorava. O aventureiro daria a vida para gozar; o cavalheiro arrostaria a morte para merecer um olhar; o selvagem se mataria, se preciso fosse, só para fazer Cecília sorrir. Entretanto nenhum desses 3 homens podia tocar a janela da moça, sem correr um risco iminente; e isto pela posição em que se achava o quarto de Cecília.”

O que havia dentro desta redoma, de tão poderoso, de tão forte, que justificasse aquela exclamação, e o olhar brilhante que iluminava a pupila negra de Isabel? (…) Era o pó sutil do curare, o veneno terrível dos selvagens.”

“– Isto não é razão, continuou ela; porventura um animal feroz é a mesma coisa que um pássaro, e apanha-se como uma flor?

Tudo é o mesmo, desde que te causa prazer, senhora.

Mas então, exclamou a menina com um assomo de impaciência, se eu te pedisse aquela nuvem?…

(…)

Peri ia buscar.

A nuvem? perguntou a moça admirada.

Sim, a nuvem.

Cecília pensou que o índio tinha perdido a cabeça; ele continuou:

Somente como a nuvem não é da terra e o homem não pode tocá-la, Peri morria e ia pedir ao Senhor do céu a nuvem para dar a Ceci.

(…)

A sua fingida severidade não pôde mais resistir; deixou pairar nos seus lábios um sorriso divino.

Obrigada, meu bom Peri! Tu és um amigo dedicado; mas não quero que arrisques tua vida para satisfazer um capricho meu; e sim que a conserves para me defenderes como já fizeste uma vez.”

A moça e o índio nem se olharam; odiavam-se mutuamente; era uma antipatia que começara desde o momento em que se viram, e que cada dia aumentava.

Agora, Peri, Isabel e eu vamos ao banho.

Peri te acompanha, senhora?

Sim, mas com a condição de que Peri há de estar muito quieto e sossegado.

(…)

Peri, com o seu arco, companheiro inseparável e arma terrível na sua mão destra, sentava-se longe, à beira do rio, numa das pontas mais altas do rochedo ou no galho de alguma árvore, e não deixava ninguém aproximar-se num raio de 20 passos do lagar onde as moças se banhavam.

(…)

Entretanto Cecília e sua prima tinham o costume de banhar-se vestidas com um trajo feito de ligeira estamenha que ocultava inteiramente sob a cor escura as formas do corpo, deixando-lhes os movimentos livres para nadarem. Mas Peri entendia que apesar disto seria uma profanação consentir que um olhar de quem quer que fosse visse a senhora no seu trajo de banho; nem mesmo o dele que era seu escravo, e por conseguinte não podia ofendê-la, a ela que era o seu único deus.

(…)

Cecília podia ser ofendida pelo tronco que a correnteza carregava, pela fruta que caía; podia assustar-se com o contato do limo julgando ser uma cobra; e Peri não perdoaria a si mesmo a mais leve mágoa que a moça sofresse por falta de cuidado seu. Enfim ele estendia ao redor dela uma vigilância tão constante e infatigável, uma proteção tão inteligente e delicada, que a moça podia descansar, certa de que, se sofresse alguma coisa, seria porque todo o poder do homem fôra impotente para evitar. Eis pois a razão por que Cecília recomendava a Peri que estivesse quieto e sossegado; é verdade que ela sabia que essa recomendação era sempre inútil, e que o índio faria tudo para que uma abelha sequer não viesse beijar os seus lábios vermelhos confundindo-os com uma flor de pequiá.”

Descendo a escada de pedras da esplanada Cecília perguntava à sua prima:

Dize-me uma coisa, Isabel; por que é que tu não falas ao Sr. Álvaro?

Isabel estremeceu.

(…)

Confessa que não gostas dele. Tens-lhe antipatia?

A moça calou-se.

Não falas?… olha que então vou pensar outra coisa! continuou Cecília galanteando.

Isabel empalideceu; e levando a mão ao coração para comprimir as pulsações violentas, fez um esforço supremo e arrancou algumas palavras que pareciam queimar-lhe os lábios:

Bem sabes que o aborreço!…

(…)

Quanto a Isabel, temendo trair o seu segredo, tinha arrancado do seu coração cheio de amor, essa palavra de ódio, que para ela era quase uma blasfêmia. Mas antes isso do que revelar o que se passava em sua alma; esse mistério, essa ignorância que envolvia o seu amor, e o escondia a todos os olhos, tinha para ela uma voluptuosidade inexprimível. Podia assim fitar horas e horas o moço, sem que ele o percebesse, sem o incomodar talvez com a prece muda do olhar suplicante; podia rever-se em sua alma sem que um sorriso de desdém ou de zombaria a fizesse sofrer.

O sol vinha nascendo.

(…)

Era a hora em que o cacto, a flor da noite, fechava o seu cálice cheio das gotas de orvalho com que destila o seu perfume, temendo que o sol crestasse a alvura diáfana de suas pétalas.”

Mas quando o corpinho da anágua caindo, descobriu suas alvas espáduas e seu colo puro e suave, a menina quase morreu de pejo e de susto. Um passarinho, escondido entre as folhas, um gárrulo travesso e malicioso, gritava distintamente: – Bem-te-vi! Cecília riu-se do susto que tivera, e acabou o seu vestuário de banho que a cobria toda, deixando apenas nus os braços e o pezinho de menina.”

Por diferentes vezes a dama tinha procurado persuadir seu marido a expulsar o índio que ela não podia sofrer, e cuja presença bastava para causar-lhe um faniquito. Mas todos os seus esforços tinham sido baldados; o fidalgo com a sua lealdade e o cavalheirismo apreciava o caráter de Peri, e via nele embora selvagem, um homem de sentimentos nobres e de alma grande.”

É natural, minha filha, as lágrimas são um bálsamo que Deus deu à fraqueza da mulher, e que negou à força do homem.”

Toda a noite rondaram em torno da habitação, e nessa manhã vendo sair as duas moças, resolveram vingar-se com a aplicação dessa lei de talião que era o único princípio de direito e justiça que reconheciam. Tinham morto sua filha, era justo que matassem também a filha do seu inimigo; vida por vida, lágrima por lágrima, desgraça por desgraça.” “Agora é fácil conhecer a razão por que Peri perseguia a índia, resto da infeliz família. Sabia que ela ia direto ter com seus irmãos, e que à primeira palavra que proferisse, toda a tribo se levantaria como um só homem para vingar a morte do seu cacique e a perda da mais bela filha dos Aimorés. Ora, o índio conhecia a ferocidade desse povo sem pátria e sem religião, que se alimentava de carne humana e vivia como feras, no chão e pelas grutas e cavernas; estremecia com a idéia de que pudesse vir assaltar a casa de D. Antônio de Mariz.” “Aquela morte, pensava ele, não podia ter sido feita senão por uma criatura humana; qualquer outro animal usaria dos dentes ou das garras, e deixaria traços de ferimento. O cão pertencia à índia; fora ela pois quem o havia estrangulado há bem poucos momentos, porque a fratura do pescoço era de natureza a produzir a morte quase imediatamente.”

“– E nesse papel escrevestes que o pretendeis assassinar a ele e a sua mulher, e lançar fogo à casa se preciso for para a realização de vossos intentos?

Escrevi tudo!

Tivestes o arrojo de confessar que tencionais roubar sua filha e fazer dela, nobre moça, a barregã [concubina, amásia] de um aventureiro e réprobo como vós?

Sim!

E dissestes também, continuou Rui no auge da desesperação, que a outra sua filha nos pertencerá, a nós que jogaremos a sorte para decidir a qual deverá tocar?

Não me esqueci de nada, e menos desse ponto importante, respondeu o italiano com um sorriso; tudo isso está escrito em um pergaminho, nas mãos de D. Antônio de Mariz. Para sabê-lo, basta que o fidalgo rompa os pingos de cera preta com que mestre Garcia Ferreira, tabelião do Rio de Janeiro, o cerrou na minha penúltima viagem.

Loredano pronunciou estas palavras com a maior calma, contemplando os dois aventureiros pálidos e humilhados diante dele.

(…)

…Quando uma vez se pôs o pé sobre o precipício, amigos, é preciso caminhar por cima dele, para não rolar e ir ao fundo.

Aqui tendes, disse ele lentamente, o tesouro de Robério Dias; pertence-nos. Um pouco detento, e seremos mais ricos que o sultão de Bagdá, e mais poderosos que o doge de Veneza.”

“– Mais alguns dias, amigos, continuou Loredano, e seremos ricos, nobres, poderosos como um rei. Tu, Bento Simões, serás marquês de Paquequer; tu, Rui Soeiro, duque das Minas; eu… Que serei eu, disse Loredano com um sorriso que iluminou a sua fisionomia inteligente. Eu serei…

Uma palavra partiu do seio da terra, surda e cavernosa, como se uma voz sepulcral a houvesse pronunciado:

Traidores!…

Os três aventureiros ergueram-se de um só movimento, hirtos e lívidos: pareciam cadáveres surgindo da campa.”

Roteiro verídico e exato em que se trata da rota que fez Robério Dias, o pai, em o ano da graça de 1587 às paragens de Jacobina, onde descobriu com o favor de Deus as mais ricas minas de prataria que existam no mundo; com a suma de todas as indicações de marcos, balizas e linha equinocial onde demoram aquelas ditas minas; começado em 20 de janeiro, dia do mártir São Sebastião, e terminado na primeira dominga de Páscoa em que chegamos com a mercê da Providência nesta cidade do Salvador.”

Que pensava ele?… Não pensava; delirava. Diante de seus olhos, a imaginação exaltada lhe apresentava um mar argênteo, um oceano de metal fundido, alvo e resplandecente, que ia se perder no infinito. As vagas desse mar de prata, ora achamalotavam-se, ora rolavam formando frocos de espumas, que pareciam flores de diamantes, de esmeraldas e rubins cintilando à luz do sol. Às vezes também nessa face lisa e polida desenhavam-se como em um espelho palácios encantados, mulheres belas como as huris do profeta, virgens graciosas como os anjos de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Assim decorreu meia hora, em que o silêncio era apenas interrompido pelo estertor do moribundo, pelo trovão que rugia; depois houve uma calma sinistra; o pecador expirava impenitente.”

O carmelita teve uma vertigem; lembrou-se da cena da tarde, do tremendo castigo que ele próprio havia evocado na sua hipocrisia, e se realizara tão prontamente. Mas o deslumbramento passou; estremecendo ainda e pálido de terror, o réprobo levantou o braço como desafiando a cólera do céu, e soltou uma blasfêmia horrível:

Podeis matar-me; mas se me deixardes a vida, hei de ser rico e poderoso, contra a vontade do mundo inteiro!”

O carmelita acompanhado pelo selvagem partiu: vagou pela floresta e pelo campo em todas as direções; alguma coisa procurava. Ele avistou depois de duas horas a touça de cardos junto da qual se passou a última cena que narramos; examinou-a por todos os lados e sorriu de satisfeito.” “Era um aventureiro destemido e audaz, em cuja fisionomia se reconheciam ainda os traços do carmelita Fr. Ângelo di Luca. Este aventureiro chamou-se Loredano. Deixava naquele lugar e sepultado no seio da terra um terrível segredo; isto é, um rolo de pergaminho, um burel de frade e um cadáver. Cinco meses passados, o vigário da ordem participava ao geral em Roma que o irmão Fr. Ângelo di Luca morrera como santo e mártir no zelo de sua fé apostólica.”

ouviu-se um grito vibrante e uma palavra de língua estranha: Iara! É um vocábulo guarani: significa a senhora.

Quanto ao sentimento que ditara esse proceder, D. Antônio não se admirava; conhecia o caráter dos nossos selvagens, tão injustamente caluniados pelos historiadores; sabia que fora da guerra e da vingança eram generosos, capazes de uma ação grande, e de um estímulo nobre.”

“– De que nação és?, perguntou-lhe o cavalheiro em guarani.

Goitacá, respondeu o selvagem erguendo a cabeça com altivez.

Como te chamas

Peri, filho de Ararê, primeiro de sua tribo.

Eu sou um fidalgo português, um branco inimigo de tua raça, conquistador de tua terra; mas tu salvaste minha filha; ofereço-te a minha amizade.

Peri aceita; tu já eras amigo.

Como assim? perguntou D. Antônio admirado.”

As mulheres chegaram e disseram: <Peri, primeiro de todos, tu és belo como o sol, e flexível como a cana selvagem que te deu o nome; as mulheres são tuas escravas>.”

Na casa da cruz, no meio do fogo, Peri tinha visto a senhora dos brancos; era alva como a filha da lua; era bela como a garça do rio. Tinha a cor do céu nos olhos; a cor do sol nos cabelos; estava vestida de nuvens, com um cinto de estrelas e uma pluma de luz. O fogo passou; a casa da cruz caiu. De noite Peri teve um sonho; a senhora apareceu; estava triste e falou assim: <Peri, guerreiro livre, tu és meu escravo; tu me seguirás por toda a parte, como a estrela grande acompanha o dia>.” “Viu passar o gavião. Se Peri fosse o gavião, ia ver a senhora no céu. Viu passar o vento. Se Peri fosse o vento, carregava a senhora no ar. Viu passar a sombra. Se Peri fosse a sombra, acompanhava a senhora de noite. Os passarinhos dormiram três vezes. Sua mãe veio e disse: <Peri, filho de Ararê, guerreiro branco salvou tua mãe; virgem branca também>. Peri tomou suas armas e partiu; ia ver o guerreiro branco para ser amigo; e a filha da senhora para ser escravo.”

“– …O vinho é o licor que dá a força, a coragem, a alegria. Beber por um amigo é uma maneira de dizer que o amigo é e será forte, corajoso e feliz. Eu bebo pelo filho de Ararê.

E Peri bebe por ti, porque és pai da senhora; bebe por ti, porque salvaste sua mãe; bebe por ti, porque és guerreiro.”

Em Isabel o índio fizera a mesma impressão que lhe causava sempre a presença de um homem daquela cor; lembrara-se de sua mãe infeliz, da raça de que provinha, e da causa do desdém com que era geralmente tratada.”

Homens mercenários que vendem a sua liberdade, consciência e vida por um salário, não têm dedicação verdadeira senão a um objeto, o dinheiro; seu senhor, seu chefe e seu amigo é o que mais lhe paga.”

Toda a continência de sua vida monástica, todos os desejos violentos que o hábito tinha selado como uma crosta de gelo, todo esse sangue vigoroso e forte da mocidade, passada em vigílias e abstinências, refluíram ao coração e o sufocaram um momento. Depois um êxtase de voluptuosidade imensa embebeu essa alma velha pela corrupção e pelo crime, mas virgem para o amor. O seu coração revelava-se com toda a veemência da vontade audaz, que era o móvel de sua vida. Sentiu que essa mulher era tão necessária à sua existência, como o tesouro que sonhava; ser rico para ela, possuí-la para gozar a riqueza, foi desde então o seu único pensamento, a sua única idéia dominante.”

À vista do roteiro era impossível que não sentissem a febre da riqueza, a auri sacra fames que se havia apoderado dele próprio, no momento em que vira abrir-se diante de seus olhos um mar de prata fundida em que os seus lábios podiam matar a sede ardente que o devorava.”

A nação Goitacá dominava todo o território entre o Cabo de São Tomé e o Cabo Frio; era um povo guerreiro, valente e destemido, que por diversas vezes fizera sentir aos conquistadores a força de suas armas. Tinha arrasado completamente a colônia da Paraíba fundada por Pero de Góis; e depois de um assédio de 6 meses conseguira destruir igualmente a colônia de Vitória, fundada no Espírito Santo por Vasco Fernandes Coutinho.”

Ver aquela alma selvagem, livre como as aves que planavam no ar ou como os rios que corriam na várzea; aquela natureza forte e vigorosa que fazia prodígios de força e coragem; aquela vontade indomável como a torrente que se precipita do alto da serra; prostrar-se a seus pés submissa, vencida, escrava!… Era preciso que não fosse mulher para não sentir o orgulho de dominar essa organização e brincar com a força obrigando-a a curvar-se diante do seu olhar. As mulheres têm isso de particular; reconhecendo-se fracas, a sua maior ambição é reinar pelo ímã dessa mesma fraqueza, sobre tudo o que é forte, grande e superior a elas: não amam a inteligência, a coragem, o gênio, o poder, senão para vencê-los e subjugá-los. Entretanto a mulher deixa-se bastantes vezes dominar; mas e sempre pelo homem que, não lhe excitando a admiração, não irrita a sua vaidade e não provoca por conseguinte essa luta da fraqueza contra a força. Cecília era uma menina ingênua e inocente, que nem sequer tinha consciência do seu poder, e do encanto de sua casta beleza; mas era filha de Eva, e não podia se eximir de um quase nada de vaidade.”

“– Peri é escravo da senhora.

Mas Peri é um guerreiro e um chefe.

A nação Goitacá tem cem guerreiros fortes como Peri, mil arcos ligeiros como o vôo do gavião.

Assim, decididamente queres ficar?

Sim; e como tu não queres dar a Peri a tua hospitalidade, uma árvore da floresta lhe servirá de abrigo.

Tu me ofendes, Peri! exclamou o fidalgo; a minha casa está aberta para todos, e sobretudo para ti que és amigo e salvaste minha filha.

Não, Peri não te ofende; mas sabe que tem a pele cor de terra.

E o coração de ouro.”

<Na guerra os guerreiros combatem; há sangue. Na paz as mulheres trabalham; há vinho. A estrela brilhou; é hora de partir. A brisa soprou; é tempo de andar.> A pessoa que modulava esta canção selvagem era uma índia já idosa; encostada a uma árvore da floresta ela vira por entre a folhagem a cena que passava na esplanada.”

“– Peri não voltará!

Sua mãe fez um gesto de espanto e desespero.

O fruto que cai da árvore, não torna mais a ela; a folha que se despega do ramo, murcha, seca e morre; o vento a leva. Peri é a folha; tu és a árvore, mãe. Peri não voltará ao teu seio.

(…)

…Uma mãe sem seu filho é uma terra sem água; queima e mata tudo que se chega a ela.

Estas palavras foram acompanhadas de um olhar de ameaça, em que se revelava a ferocidade do tigre que defende os seus cachorrinhos.”

CECI N’EST PAS UNE PIPE

Ceci era o nome que o índio dava à sua senhora, depois que lhe tinham ensinado que ela se chamava Cecília.”

“– Por que me chamas tu Ceci?

O índio sorriu tristemente.

Não sabe dizer Cecília?

Peri pronunciou claramente o nome da moça com todas as sílabas; isto era tanto mais admirável quanto a sua língua não conhecia quatro letras, das quais uma era o L.

Mas então, disse a menina com alguma curiosidade, se tu sabes o meu nome, por que não o dizes sempre?

Porque Ceci é o nome que Peri tem dentro da alma.

Ah! é um nome de tua língua?

Sim.

O que quer dizer?

O que Peri sente.

Mas em português?

Senhora não deve saber.

A menina bateu com a ponta do pé no chão e fez um gesto de impaciência. D. Antônio passava; Cecília foi ao seu encontro.

Meu pai, dizei-me o que significa Ceci nessa língua selvagem que falais.

Ceci?… disse o fidalgo procurando lembrar-se. Sim! É um verbo que significa doer, magoar.

A menina sentiu um remorso; reconheceu a sua ingratidão; e lembrando-se do que devia ao selvagem e da maneira por que o tratava, achou-se má, egoísta e cruel.”

Mas Álvaro sabia que só um homem podia lutar com ele, e levar-lhe vantagem em qualquer arma, e esse era Peri; porque juntava à arte a superioridade do selvagem habituado desde o berço à guerra constante que é a sua vida. Loredano tinha pois razão de hesitar em atacar de frente um inimigo desta força; mas a necessidade urgia, e o italiano era corajoso e ágil também. Endireitou para o cavalheiro, resolvido a morrer ou a salvar a sua vida e a sua fortuna.”

Não é ódio que me inspirais, é desprezo; é mais do que desprezo; é asco. O réptil que se roja pelo chão causa-me menos repugnância do que o vosso aspecto.”

Álvaro tinha recebido de D. Antônio de Mariz todos os princípios daquela antiga lealdade cavalheiresca do século XV, os quais o velho fidalgo conservava como o melhor legado de seus avós; o moço moldava todas as suas ações, todas as suas idéias, por aquele tipo de barões portugueses que haviam combatido em Aljubarrota ao lado do Mestre de Avis, o rei cavalheiro.” “Álvaro fitou no índio um olhar admirado. Onde é que este selvagem sem cultura aprendera a poesia simples, mas graciosa; onde bebera a delicadeza de sensibilidade que dificilmente se encontra num coração gasto pelo atrito da sociedade? A cena que se desenrolava a seus olhos respondeu-lhe; a natureza brasileira, tão rica e brilhante, era a imagem que produzia aquele espírito virgem, como o espelho das águas reflete o azul do céu. Quem conhece a vegetação de nossa terra desde a parasita mimosa até o cedro gigante; quem no reino animal desce do tigre e do tapir [anta], símbolos da ferocidade e da força, até o lindo beija-flor e o inseto dourado; quem olha este céu que passa do mais puro anil aos reflexos bronzeados que anunciam as grandes borrascas; quem viu, sob a verde pelúcia da relva esmaltada de flores que cobre as nossas várzeas deslizar mil répteis que levam a morte num átomo de veneno, compreende o que Álvaro sentiu. Com efeito, o que exprime essa cadeia que liga os dois extremos de tudo o que constitui a vida? Que quer dizer a força no ápice do poder aliada à fraqueza em todo o seu mimo; a beleza e a graça sucedendo aos dramas terríveis e aos monstros repulsivos; a morte horrível a par da vida brilhante? Não é isso a poesia? O homem que nasceu, embalou-se e cresceu nesse berço perfumado; no meio de cenas tão diversas, entre o eterno contraste do sorriso e da lágrima, da flor e do espinho, do mel e do veneno, não é um poeta? Poeta primitivo, canta a natureza na mesma linguagem da natureza; ignorante do que se passa nele, vai procurar nas imagens que tem diante dos olhos, a expressão do sentimento vago e confuso que lhe agita a alma. Sua palavra é a que Deus escreveu com as letras que formam o livro da criação; é a flor, o céu, a luz, a cor, o ar, o sol; sublimes coisas que a natureza fez sorrindo. A sua frase corre como o regato que serpeja, ou salta como o rio que se despenha da cascata; às vezes se eleva ao cima da montanha, outras desce e rasteja como o inseto, delicada e mimosa.”

“– Peri só ama o que a senhora ama; porque só ama a senhora neste mundo: por ela deixou sua mãe, seus irmãos e a terra onde nasceu.

Mas se Cecília não me quisesse como julgas?

Peri faria o mesmo que o dia com a noite; passaria sem te ver.

E se eu não amasse a Cecília?

Impossível!

Quem sabe? disse o moço sorrindo.

Se a senhora ficasse triste por ti!… exclamou o índio cuja pupila irradiou.

Sim? o que farias?

Peri te mataria.

(…)

Escuta, Peri é filho do sol; e renegava o sol se ele queimasse a pele alva de Ceci. Peri ama o vento; e odiava o vento se ele arrancasse um cabelo de ouro de Ceci. Peri gosta de ver o céu; e não levantava a vista, se ele fosse mais azul do que os olhos de Ceci.

(…)

…Antes que me matasses, creio que me mataria a mim mesmo se tivera a desgraça de fazer Cecília infeliz.

Tu és bom; Peri quer que a senhora te ame.

O índio contou então a Álvaro o que se tinha passado na noite antecedente; o moço empalideceu de cólera, e quis voltar em busca do italiano; desta vez não lhe perdoara.”

Aqui era uma casa de marimbondos, que ele assanhava com o chapéu, e o faziam bater em retirada honrosa, correndo a todo o estirão das pernas; ali era um desses lagartos de longa cauda que pilhado de improviso se enrolara pelas pernas do escudeiro com uma formidável chicotada. Isto sem falar das urtigas, e das unhas-de-gato, cabeçadas e quedas, que faziam o digno escudeiro arrenegar-se, e maldizer da selvajaria de semelhante terra! Ah! quem o dera nos tojos e charnecas de sua pátria!”

Quando eu digo que não é possível, é como se a nossa madre igreja… Que diabo ia rezar-lhe? Ai! que chamei sem querer a madre igreja de diabo! Forte heresia! Quem se mete a tagarelar dos santos com esta casta de pagão… Tagarelar dos santos!… Virgem Santíssima! Estou incapaz! Cala-te, boca! não me pies mais!” “por força ainda ninguém levou o filho de meu pai, que bom é que saibas, foi homem de faca e calhau.”

Cecília não compreendia essa luta do amor com os outros sentimentos do coração, luta terrível em que quase sempre a paixão vitoriosa subjuga o dever, e a razão. Na sua ingênua simplicidade acreditava que podia ligar perfeitamente a veneração que tinha por seu pai, o respeito que votava à sua mãe, o afeto que sentia por Álvaro, o amor fraternal que consagrava a seu irmão e a Isabel, e a amizade que tinha a Peri. (…) Enquanto pudesse beijar a mão de seu pai e de sua mãe, receber uma carícia de seu irmão e de sua prima, sorrir a seu cavalheiro e brincar com o seu escravo, a existência para ela seria de flores.” “era uma esperança, um desses lindos coleópteros verdes que a poesia popular chama lavandeira-de-deus. A alma nos momentos supremos de aflição suspende-se ao fio o mais tênue da esperança; Cecília sorriu-se entre as lágrimas, tomou a lavandeira entre os seus dedos rosados e acariciou-a.” “A caixinha continha um simples bracelete de pérolas; mas estas eram do mais puro esmalte e lindas como pérolas que eram; bem mostravam que tinham sido escolhidas pelos olhos de Álvaro, e destinadas ao braço de Cecília. A menina admirou-as um momento com o sentimento de faceirice que é inato na mulher, e lhe serve de sétimo sentido.”

“– Tenho uma filha natural: a estima que voto a minha mulher e o receio de fazer essa pobre menina corar de seu nascimento, obrigaram-me a dar-lhe em vida o título de sobrinha.

Isabel?… exclamou D. Diogo.”

O fidalgo abriu os braços e deu em Peri o abraço fraternal consagrado pelos estilos da antiga cavalaria, da qual já naquele tempo apenas restavam vagas tradições.”

“– Não recusais o que vos peço, disse ele afetuosamente, aceitai-me por vosso irmão.

Assim deve ser, respondeu Isabel tristemente. Cecília me chama sua irmã; vós deveis ser meu irmão. Aceito! Sereis bom para mim?

Sim, D. Isabel!

Um irmão não deve tratar sua irmã pelo seu nome, simplesmente? perguntou ela com timidez.

Álvaro hesitou.

Sim, Isabel.

A moça recebeu essa palavra como um gozo supremo; parecia-lhe que os lábios do cavalheiro, pronunciando assim familiarmente o seu nome, a acariciavam.

Obrigada! Não sabeis que bem me faz ouvir-vos chamar-me assim. É preciso ter sofrido muito para que a felicidade esteja em tão pouco.

Contai-me as vossas mágoas.

Não; deixai-as comigo; talvez depois as conte; agora só quero mostrar-vos que não sou tão culpada como pensais.

Culpada! Em quê?

Em querer-vos, disse Isabel corando.

Álvaro tornou-se frio e reservado.

Sei que vos incomodo; mas é a primeira e a última vez; ouvi-me, depois ralhareis comigo, como um irmão com sua irmã.

A voz de Isabel era tão doce, seu olhar tão suplicante, que Álvaro não pôde resistir.

Falai, minha irmã.

Sabeis o que eu sou; uma pobre órfã que perdeu sua mãe muito cedo, e não conheceu seu pai. Tenho vivido da compaixão alheia; não me queixo, mas sofro. Filha de duas raças inimigas devia amar a ambas; entretanto minha mãe desgraçada fez-me odiar a uma, o desdém com que me tratam fez-me desprezar a outra.

Pobre moça! murmurou Álvaro lembrando-se segunda vez das palavras de D. Antônio de Mariz.

Assim isolada no meio de todos, alimentando apenas o sentimento amargo que minha mãe deixara no meu coração, sentia a necessidade de amar alguma coisa. Não se pode viver somente de ódio e desprezo!…

Tendes razão, Isabel.

(…)

Isto me bastava. Quando vos tinha olhado horas e horas, sem que o percebêsseis, julgava-me feliz; recolhia-me com a minha doce imagem, e conversava com ela, ou adormecia sonhando bem lindos sonhos.

O cavalheiro sentia-se perturbado; mas não ousava interromper a Isabel.

Não sabeis que segredos tem esse amor que vive só de suas ilusões, sem que um olhar, uma palavra o alimente. A mais pequenina coisa é um prazer, uma ventura suprema. Quantas vezes não acompanhava o raio de lua que entrava pela minha janela e que vinha a pouco e pouco se aproximando de mim; julgava ver naquela doce claridade o vosso semblante, e esperava trêmula de prazer como se vos esperasse. Quando o raio se chegava, quando a sua luz acetinada caía sobre mim, sentia um gozo imenso; acreditava que me sorríeis, que vossas mãos apertavam as minhas, que vosso rosto se reclinava para mim, e vossos lábios me falavam…

Isabel pendeu a cabeça lânguida sobre o ombro de Álvaro; o cavalheiro palpitando de emoção passou o braço pela cintura da moça e apertou-a ao coração; mas de repente afastou-se com um movimento brusco.

Não vos arreceeis de mim, disse ela com melancolia, sei que não me deveis amar. Sois nobre e generoso; o vosso primeiro amor será o último. Podeis-me ouvir sem temor.

Que vos resta dizer-me ainda? perguntou Álvaro.

Resta a explicação que há pouco me pedíeis.

Ah! enfim!

Isabel contou então como apesar de toda a força de vontade com que guardava o seu segredo, se havia traído; contou a conversa de Cecília e o modo por que a menina lhe fizera aceitar o bracelete.

Agora sabeis tudo; o meu afeto vai de novo entrar no meu coração, donde nunca sairia se não fosse a fatalidade que fez com que vos aproximásseis de mim, e me dirigisse algumas palavras doces. A esperança para as almas que não a conheceram ainda, ilude tanto e fascina, que devo merecer-vos desculpa. Esquecei-me, meu irmão, antes que lembrar-vos de mim para odiar-me!

(…)

Estava convencido que Cecília não o amava, e nunca o havia amado; e esta descoberta tinha lugar no mesmo dia em que D. Antônio de Mariz lhe dava a mão de sua filha! Sob o peso da mágoa dolorosa, como é sempre a primeira mágoa do coração, o cavalheiro afastou-se distraído, com a cabeça baixa; caminhou sem direção, seguindo a linha que lhe traçavam os grupos de árvores, destacados aqui e ali sobre a campina. Estava quase a anoitecer: a sombra pálida e descorada do crepúsculo estendia-se como um manto de gaza sobre a natureza; os objetos iam perdendo a forma, a cor, e ondulavam no espaço vagos e indecisos. A primeira estrela engolfada no azul do céu luzia a furto como os olhos de uma menina que se abrem ao acordar, e cerram-se outra vez temendo a claridade do dia: um grilo escondido no toco de uma árvore começava a sua canção; era o trovador inseto saudando a aproximação da noite.”

“– Tu dás a Peri as tuas cores, senhora? disse o índio.

Não tenho, respondeu a menina; mas vou tomar umas para te dar; queres?

Peri te pede.

Quais achas mais bonitas?

A de teu rosto, e a de teus olhos.

Cecília sorriu.

Toma-as; eu tas dou.

Desde este dia, Peri enramou todas as suas setas de penas azuis e brancas; seus ornatos, além de uma faixa de plumas escarlates que fora tecida por sua mãe, eram ordinariamente das mesmas cores.”

O fidalgo era amado e respeitado por todos os aventureiros; nunca durante dez anos que o moço o acompanhava, se tinha dado na banda um só ato de insubordinação contra a pessoa do chefe; havia faltas de disciplina, rixas entre os companheiros, tentativas de deserção; mas não passava disto. O índio sabia que Álvaro duvidaria do que se passava; e por isso se obstinava em guardar parte do segredo, receando que o moço com seu cavalheirismo não tomasse o partido dos três aventureiros.”

“– Tu não amas Ceci!

Álvaro estremeceu.

Se tu a amasses, matarias teu irmão para livrá-la de um perigo.”

sacrificaria o mundo se possível fosse; contanto que pudesse, como o Noé dos índios, salvar uma palmeira onde abrigar Cecília.”

“– Olha, continuou a menina; Ceci vai te ensinar a conhecer o Senhor do Céu, e a rezar também e ler bonitas histórias. Quando souberes tudo isto, ela bordará um manto de seda para ti; terá uma espada, e uma cruz no peito. Sim?

A planta precisa de sol para crescer; a flor precisa de água para abrir; Peri precisa de liberdade para viver.

Mas tu serás livre; e nobre como meu pai.

Não!… O pássaro que voa nos ares cai, se lhe quebram as asas. o peixe que nada no rio morre, se o deitam em terra; Peri será como o pássaro e como o peixe, se tu cortas as suas asas e o tiras da vida em que nasceu.”

<Tu és mouro; eu sou cristã>:

Falou

A formosa castelã.

<Mouro, tens o meu amor;

Cristão,

Serás meu nobre senhor.>

(…)

<Antes de ver-te, senhora,

Fui rei;

Serei teu escravo agora.

Por ti deixo meu alçácar

Fiel”

Para que sorrisse era necessário que alguma inspiração infernal tivesse subido do centro da terra a essa inteligência votada ao crime.”

É coisa singular como a melancolia inspira! Seja por uma necessidade de expansão, seja porque a música e a poesia suavizem a dor, toda a criatura triste acha no canto um supremo consolo.”

“– Se Peri fosse cristão, e um homem quisesse te ofender, ele não poderia matá-lo, porque o teu Deus manda que um homem não mate outro. Peri selvagem não respeita ninguém; quem ofende sua senhora é seu inimigo, e, morre!

Cecília, pálida de emoção, olhou o índio, admirada não tanto da sublime dedicação, como do raciocínio”

Lembrava-se de suas palavras, e perguntava a si mesma como tivera a coragem de dizer aquilo, que antes nem mesmo os seus olhos se animavam a exprimir silenciosamente.” “era preciso que não fosse homem para não se sentir profundamente comovido pelo amor de uma mulher bela, e pelas palavras de fogo que corriam dos lábios de Isabel”

Matando-a, para que a mesma cova receba nossos dois corpos; não sei por quê, mas parece-me que ainda cadáver, o contato dessa mulher deve ser para mim um gozo imenso.”

Sois menos que escravos, menos que cães, menos que feras! Sois traidores infames e refeces!… Mereceis mais do que a morte; mereceis o desprezo.”

É preciso amar para compreender essa voluptuosidade do olhar que se repousa sobre o objeto amado, que não se cansa de ver aquilo que está impresso na imaginação, mas que tem sempre um novo encanto.”

O instinto selvagem supria a indústria do homem civilizado; a primeira das artes foi incontestavelmente a arte da guerra, – a arte da defesa e da vingança, os dois mais fortes estímulos do coração humano.” “tacapes, espécie de longas espadas de pau que cortavam como ferro” “Então encostou-se a uma lasca de pedra que descansava sobre uma ondulação do terreno, e preparou-se para o combate monstruoso de um só homem contra 200.” “Peri abaixou o seu montante e esperou; seu braço direito fatigado desse enorme esforço não podia mais servir-lhe e caía inerte; passou a arma para a mão esquerda. Era tempo. O velho cacique dos Aimorés se avançava para ele sopesando a sua imensa clava crivada de escamas de peixe e dentes de fera; alavanca terrível que o seu braço possante fazia jogar com a ligeireza da flecha. Os olhos de Peri brilharam; endireitando o seu talhe, fitou no selvagem esse olhar seguro e certeiro, que não o enganara nunca. O velho aproximando-se levantou a sua clava e imprimindo-lhe o movimento de rotação, ia descarregá-la sobre Peri e abatê-lo; não havia espada nem montante que pudesse resistir àquele choque. O que passou-se então foi tão rápido, que não é possível descrevê-lo; quando o braço do velho volvendo a clava ia atirá-la, o montante de Peri lampejou no ar e decepou o punho do selvagem; mão e clava foram rojar pelo chão. O velho selvagem soltou um bramido, que repercutiu ao longe pelos ecos da floresta, e levantando ao céu o seu punho decepado atirou as gotas de sangue que vertiam, sobre os Aimorés, como conjurando-os à vingança. Os guerreiros lançaram-se para vingar o seu chefe; mas um novo espetáculo se apresentava aos seus olhos. Peri, vencedor do cacique, volveu um olhar em torno dele, e vendo o estrago que tinha feito, os cadáveres dos Aimorés amontoados uns sobre os outros, fincou a ponta do montante no chão e quebrou a lâmina. Tomou depois os dois fragmentos e atirou-os ao rio. Então passou-se nele uma luta silenciosa, mas terrível para quem pudesse compreendê-la. Tinha quebrado a sua espada, porque não queria mais combater; e decidira que era tempo de suplicar a vida ao inimigo. Mas quando chegou o momento de realizar essa súplica, conheceu que exigia de si mesmo uma coisa sobre-humana, uma coisa superior às suas forças. (…) Finalmente a lembrança de Cecília foi mais forte do que a sua vontade. Ajoelhou.” “Os selvagens abaixaram as armas e não deram um passo; esse povo bárbaro tinha seus costumes e suas leis; e uma delas era esse direito exclusivo do vencedor sobre o seu prisioneiro de guerra, essa conquista do fraco pelo forte. Tinham em tanto conta a glória de trazerem um cativo do combate e sacrificá-lo no meio das festas e cerimônias que costumavam celebrar, que nenhum selvagem matava o inimigo que se rendia; fazia-o prisioneiro. Quanto a Peri, vendo o gesto do cacique e o efeito que produzia, a sua fisionomia expandiu-se; a humildade fingida, a posição suplicante que por um esforço supremo conseguira tomar, desapareceu imediatamente.”

Havia nos olhos da menina tanto fogo, tanta lubricidade no seu sorriso; as ondulações mórbidas do seu corpo traíam tantos desejos e tanta voluptuosidade, que o prisioneiro compreendeu imediatamente qual era a missão dessa enviada da morte, dessa esposa do túmulo, destinada a embelezar os últimos momentos da vida! O índio voltou o rosto com desdém; recusava as flores como tinha recusado os frutos; repelia a embriaguez do prazer como havia repelido a embriaguez do vinho. A menina enlaçou-o com os braços, murmurando palavras entrecortadas de uma língua desconhecida, da língua dos Aimorés, que Peri não entendia; era talvez uma súplica, ou um consolo com que procurava mitigar a dor do vencido.” “Contudo Peri sentia o hálito ardente da menina que lhe requeimava as faces: entreabriu os olhos, e viu-a na mesma posição, esperando uma carícia; um afago daquele a quem a sua tribo mandara que amasse, e a quem ela já amava espontaneamente. Na vida selvagem, tão próxima da natureza, onde a conveniência e os costumes não reprimem os movimentos do coração, o sentimento é uma flor que nasce como a flor do campo, e cresce em algumas horas com uma gota de orvalho e um raio de sol. Nos tempos de civilização, ao contrário, o sentimento torna-se planta exótica; que só vinga e floresce nas estufas, isto é, nos corações onde o sangue é vigoroso, e o fogo da paixão ardente e intenso. Vendo Peri no meio do combate, só contra toda a sua tribo, a índia o admirara: contemplando-o depois quando prisioneiro, o achara mais belo do que todos os guerreiros. Seu pai a destinara para esposa do inimigo que ia ser sacrificado; e portanto ela que começara por admirá-lo, acabava por desejá-lo, por amá-lo, algumas horas apenas depois que o tinha visto.”

Chegando em face do prisioneiro, a fisionomia do velho esclareceu-se com um sorriso feroz, reflexo dessa embriaguez do sangue, que dilata as narinas do jaguar prestes a saltar sobre a presa.

Sou teu matador! disse em guarani.

Peri não se admirou ouvindo a sua bela língua adulterada pelos sons roucos e guturais que saíam dos lábios do selvagem.”

Guerreiro goitacá, tu és forte e valente; tua nação é temida na guerra. A nação Aimoré é forte entre as mais fortes, valente entre as mais valentes. Tu vais morrer.”

Segundo as leis tradicionais do povo bárbaro, toda a tribo devia tomar parte no festim: as mulheres moças tocavam apenas na carne do prisioneiro; mas os guerreiros a saboreavam como um manjar delicado, adubado pelo prazer da vingança; e as velhas com a gula feroz das harpias que se cevam no sangue de suas vítimas.”

Ele os puniria a todos com a morte ou com o desprezo, essa outra morte moral; mas o castigo na sua opinião elevava a morte à altura de um exemplo; enquanto que a vingança a fazia descer ao nível do assassinato.” “Fincaram no meio do terreiro um alto poste e o cercaram com uma grande pilha de madeira e outros combustíveis; depois sobre essa pira ligaram o frade, que sofria todos os insultos e todas as injúrias sem proferir uma palavra. Uma espécie de atonia se apoderara do italiano desde o momento em que os aventureiros o haviam arrastado da sala de D. Antônio de Mariz; ele tinha a consciência do seu crime e a certeza de sua condenação. (…) O que o consolava na sua última hora era a idéia de que esse segredo que possuía, e do qual não pudera utilizar-se, ia morrer com ele, e ficaria perdido para todos; que ninguém gozaria do tesouro que lhe escapava. Por isso apenas o aventureiro tirou-lhe a cinta onde guardava o roteiro; soltou um rugido de cólera e de raiva impotente; seus olhos injetaram-se de sangue, e seus membros crispando-se feriram-se contra as cordas que os ligavam ao poste. Era horrível de ver nesse momento; se aspecto tinha a expressão brutal e feroz de um hidrófobo; seus lábios espumavam, silvando como a serpente; e seus dentes ameaçavam de longe os seus algozes como as presas do jaguar. (…) A raiva do italiano redobrou quando Martim Vaz atou a cinta ao corpo, e disse-lhe sorrindo:

Bem sabeis o provérbio: <O bocado não é para quem o faz>.”

Para quem conhecia, como D. Antônio, os costumes desses povos bárbaros, para quem sabia quanto era ativa, agitada, ruidosa esta existência nômada, o silêncio em que estava sepultada a margem do rio era um sinal certo de que os Aimorés já ali não estavam. Contudo o fidalgo, demasiadamente prudente para se fiar em aparências, recomendara aos seus homens que redobrassem de vigilância para evitar alguma surpresa.”

É que o prazer e o sofrimento não passam de um contraste; em luta perpétua e contínua, eles se acrisolam um no outro, e se deparam: não há homem verdadeiramente feliz senão aquele que já conheceu a desgraça.”

A esperança, esse anjo invisível, essa doce amiga dos que sofrem, tinha vindo pousar no seu coração, e murmurava-lhe ao ouvido palavras confusas, cantos misteriosos, que ela não compreendia, mas que a consolavam e vertiam em sua alma um bálsamo suave.”

enquanto a natureza sorria, o seu coração chorava. No meio dessa festa esplêndida do nascer do dia, a sua dor, só, isolada, não achava uma simpatia, e repelida pela criação voltava a recalcar-se em seu seio.”

Tudo estava deserto: não se viam mais no campo os vasos de barro, as peças de caça suspensas aos galhos da árvore, e as redes grosseiras”

Peri trazia nos seus ombros o corpo inanimado de Álvaro; e no rosto uma expressão de tristeza profunda.” “o amor, mesmo em face de um cadáver, tem o seu pudor e a sua castidade” “Julgou que se iludia, mas não; Álvaro estava vivo, realmente vivo, suas mãos apertavam as dela convulsamente; seus olhos, brilhando com um fogo estranho, se tinham fitado no rosto da moça; um sopro reanimou seus lábios, que exalaram uma palavra quase imperceptível:

Isabel!…

A moça soltou um grito débil de alegria, de espanto, de medo; entre as idéias confusas que se agitavam na sua cabeça desvairada, lembrou-se com horror que era ela quem matava seu amante, quem o ia sacrificar por causa de um engano fatal. Fazendo um esforço extraordinário, conseguiu erguer a cabeça e ia precipitar-se para a janela, abri-la e dar entrada ao ar livre; sabia que a sua morte era inevitável; mas salvaria Álvaro. No momento, porém, em que se levantava, sentiu as mãos do moço que a apertavam as suas, e a obrigavam a reclinar-se sobre o leito; seus olhos encontraram de novo os olhos de seu amante. Isabel não tinha mais forças para resistir e realizar o seu heróico sacrifício; deixou cair a cabeça desfalecida, e seus lábios se uniram outra vez num longo beijo, em que essas duas almas irmãs, confundindo-se numa só, voaram ao céu, e foram abrigar-se no seio do Criador.”

Os Aimorés tinham voltado, depois do combate em que os aventureiros venderam caro a sua vida; e cada vez mais sequiosos de vingança, esperavam que anoitecesse para assaltar a casa.”

“– Se tu fosses cristão, Peri!…

O índio voltou-se extremamente admirado daquelas palavras.

Por quê?… perguntou ele.

Por quê?… disse lentamente o fidalgo. Porque se tu fosses cristão, eu te confiaria a salvação de minha Cecília, e estou convencido de que a levarias ao Rio de Janeiro, à minha irmã.

O rosto do selvagem iluminou-se; seu peito arquejou de felicidade; seus lábios trêmulos mal podiam articular o turbilhão de palavras que lhe vinham do íntimo da alma.

Peri quer ser cristão! exclamou ele.

D. Antônio lançou-lhe um olhar úmido de reconhecimento.

A nossa religião permite, disse o fidalgo, que na hora extrema todo o homem possa dar o batismo. Nós estamos com o pé sobre o túmulo. Ajoelha, Peri!”

A canoa, vogando sobre as águas do rio, abria essas flores de espuma, que brilham um momento à luz das estrelas, e se desfazem como o sorriso da mulher.”

Por que interrogava ela assim os dias que tinha vivido no remanso da felicidade? Por que o seu espírito voltava ao passado, e procurava ligar todos esses fatos a que na descuidosa ingenuidade dos primeiros anos dera tão pouco apreço? Ela mesma não saberia explicar as emoções que sentia; sua alma inocente e ignorante tinha-se iluminado com uma súbita revelação; novos horizontes se abriam aos sonhos castos do seu pensamento. Volvendo ao passado admirava-se de sua existência, como os olhos se deslumbram com a claridade depois de um sono profundo; não se reconhecia na imagem do que fôra outrora, na menina isenta e travessa.” “É ao mesmo tempo o nada com o seu vácuo profundo, imenso, infinito; e o caos com a sua confusão, as suas trevas, as suas formas incriadas; a alma sente que falta-lhe a vida ou a luz em torno.” “a menina admirou-se da beleza inculta dos traços, da correção das linhas do perfil altivo, da expressão de força e inteligência que animava aquele busto selvagem moldado pela natureza. Como é que até então ela não tinha percebido naquele aspecto senão um rosto amigo? Como seus olhos tinham passado sem ver sobre essas feições talhadas com tanta alegria? (…) dantes via com os olhos do corpo, agora via com os olhos da alma.”

Peri não sofreria que uma vespa e uma mosca sequer ofendesse a cútis de sua senhora, e sugasse uma gota desse sangue precioso” “Apesar de sua fé cristã, não pôde vencer essa inocente superstição do coração: pareceu-lhe, olhando o íris, que já não estava só e que a alma de Peri a acompanhava. Qual é o seio de dezesseis anos que não abriga uma dessas ilusões encantadoras, nascidas com o fogo dos primeiros raios do amor? Qual é a menina que não consulta o oráculo de um malmequer, e não vê numa borboleta negra a sibila fatídica que lhe anuncia a perda da mais bela esperança? Como a humanidade na infância, o coração nos primeiros anos tem também a sua mitologia; mitologia mais graciosa e mais poética do que as criações da Grécia; o amor é o seu Olimpo povoado de deusas ou deuses de uma beleza celeste e imortal. Cecília amava; a gentil e inocente menina procurava iludir-se a si mesma, atribuindo o sentimento que enchia sua alma a uma afeição fraternal, e ocultando, sob o doce nome de irmão, um outro mais doce que titilava nos seus lábios, mas que seus lábios não ousavam pronunciar.”

Pensava no passado que não voltaria; no presente que devia escoar-se rapidamente; e no futuro que lhe aparecia vago, incerto e confuso.”

A MURCHA MARCHA

a flor que Peri te deu já murchou porque saiu de sua planta; e a flor estava no teu seio. Peri na taba dos brancos, ainda mesmo junto de ti, será como esta flor”

Quero que apanhes muito algodão para mim e me tragas uma pele bonita. Sim? Assim, disse a menina sorrindo, tu me deixarás acompanhar-te, os espinhos não me farão mal.” “Peri não pode viver junto de sua irmã na cidade dos brancos; sua irmã fica com ele no deserto, no meio das florestas.”

Peri havia lutado com o tigre, com os homens, com uma tribo de selvagens, com o veneno; e tinha vencido.” “De repente um rumor surdo e abafado, como de um tremor subterrâneo, propagando-se por aquela solidão, quebrou o silêncio profundo do ermo.” “Logo todo o leito do rio cobriu-se com esse delgado sendal que se desdobrava com uma velocidade espantosa, rumorejando como um manto de seda. Então no fundo da floresta troou um estampido horrível, que veio reboando pelo espaço; dir-se-ia o trovão correndo nas quebradas da serrania. Era tarde. Não havia tempo para fugir; a água tinha soltado o seu primeiro bramido, e, erguendo o colo, precipitava-se furiosa, invencível, devorando o espaço como algum monstro do deserto.” “Dir-se-ia que algum monstro enorme, dessas jibóias tremendas que vivem nas profundezas da água, mordendo a raiz de uma rocha, fazia girar a cauda imensa, apertando nas suas mil voltas a mata que se estendia pelas margens.” “As árvores estalavam, arrancadas do seio da terra ou partidas pelo tronco, prostravam-se vencidas sobre o gigante, que, carregando-as ao ombro, precipitava para o oceano.” “Em face desses transes solenes, desses grandes cataclismas da natureza, a alma humana sente-se tão pequena, aniquila-se tanto, que se esquece da existência; o receio é substituído pelo pavor, pelo respeito, pela emoção que emudece e paralisa.” “Tudo era água e céu. A inundação tinha coberto as margens do rio até onde a vista podia alcançar; as grandes massas de água, que o temporal durante uma noite inteira vertera sobre as cabeceiras dos confluentes do Paraíba, desceram das serranias, e, de torrente em torrente, haviam formado essa tromba gigantesca que se abatera sobre a várzea.” “Cecília esperava o seu último momento com a sublime resignação evangélica, que só dá a religião do Cristo; morria feliz; Peri tinha confundido as suas almas na derradeira prece que expirara dos seus lábios. Podemos morrer, meu amigo! disse ela com uma expressão sublime. Peri estremeceu; ainda nessa hora suprema seu espírito revoltava-se contra aquela idéia, e não podia conceber que a vida de sua senhora tivesse de perecer como a de um simples mortal.”

“– Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.

Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus… É o seu poder infinito!”

Foi longe, bem longe dos tempos de agora. As águas caíram, e começaram a cobrir toda a terra. Os homens subiram ao alto dos montes; um só ficou na várzea com sua esposa. Era Tamandaré; forte entre os fortes; sabia mais que todos. O Senhor falava-lhe de noite; e de dia ele ensinava aos filhos da tribo o que aprendia do céu. Quando todos subiram aos montes ele disse: <Ficai comigo; fazei como eu, e deixai que venha a água.> Os outros não o escutaram; e foram para o alto; e deixaram ele só na várzea com sua companheira, que não o abandonou. (…) A água veio, subiu e cresceu; o sol mergulhou e surgiu uma, duas e três vezes. A terra desapareceu; a árvore desapareceu; a montanha desapareceu. A água tocou o céu; e o Senhor mandou então que parasse. O sol olhando só viu céu e água, e entre a água e o céu, a palmeira que boiava levando Tamandaré e sua companheira. (…) Desceu com a sua companheira, e povoou a terra.”

Testament of Solomon, son of David, who was king in Jerusalem, and mastered and controlled all spirits of the air, on the earth, and under the earth. By means of them also he wrought all the transcendent works of the Temple. Telling also of the authorities they wield against men, and by what angels these demons are brought to naught.

Italics: commentator

 

“Whenever men come to be enamoured of women, I metamorphose myself into a comely female; and I take hold of the men in their sleep, and play with them. And after a while I again take to my wings, and hide me to the heavenly regions. I also appear as a lion, and I am commanded by all the demons. I am offspring of the archangel Uriel, the power of God.”

 

“The sea monsters are named Behemoth (the male) and Leviathan (the female) in 4 Ezra 6:48-52, 1 En 60:7.”

 

Beelzeboul cried aloud with a mighty voice, and shot out a great burning flame of fire; and he arose, and followed Ornias [a súcubo-leoa], and came to Solomon.”

 

“I then asked of the demon if there were females among them. And when he told me that there were, I said that I desired to see them. So Beelzeboul went off at high speed, and brought unto me Onoskelis, that had a very pretty shape, and the skin of a fair-hued woman; and she tossed her head” “fair complexion, but her legs were those of a mule.” “Oftentimes, however, do I consort with men in the semblance of a woman, and above all with those honey-colored”

 

Asmodeus also appears in Tobit 3:8, and is ultimately derived from the Avestan demon Aeshma-daeva (<demon of wrath>).” Meu ancestral remoto. “Wherefore also my star is bright in heaven, and men call it, some the Wain, and some the dragon’s child. I keep near unto this star. So ask me not many things; for thy kingdom also after a little time is to be disrupted, and thy glory is but for a season. And short will be thy tyranny over us; and then we shall again have free range over mankind, so as that they shall revere us as if we were gods, not knowing, men that they are, the names of the angels set over us.” “Destarte, minha estrela é também brilhante no céu, e os homens a chamam, alguns a Ursa Maior, e outros o bebê-dragão. Eu me conservo sob esta estrela. Então não me perguntes muitas coisas; já que teu reinado também não vai durar muito, e tua glória é apenas passageira. Curta será sua tirania sobre todos nós; depois, havemos todos de ter livre trânsito entre os mortais, a ponto de sermos reverenciados pelos homens como se fôssemos deuses, não sabendo, carne corruptível como eles são, os nomes que recebemos como anjos do Senhor outrora.”

 

“<my business is to plot against the newly wedded, so that they may not know one another. (…) I transport men into fits of madness and desire, when they have wives of their own, so that they leave them, and go off by night and day to others that belong to other men; with the result that they commit sin, and fall into murderous deeds.> And I adjured him by the name of the Lord Sabaôth, saying: <Fear God, Asmodeus, and tell me by what angel thou art frustrated.> But he said: <By Raphael, the archangel that stands before the throne of God.>” “<meu negócio é tramar contra os recém-casados, para que não mais se reconheçam. Eu transporto os homens ao transe e ao desejo, quando têm esposas, então eles as deixam, e andam por aí noite e dia atrás de outras que pertencem a outros maridos; com isso, eles cometem pecado, e sujam suas mãos a cada ação.> Então eu o abjurei em nome do Senhor Sabaôth, dizendo: <Tema a Deus, Asmodeus, e me diga por qual anjo você é combatido.>  Mas ele disse: <Por Rafael, o arcanjo que fica diante do trono de Deus.>” “Eu reverencio o peixe-gato”

 

“Eu fui, antes, anjo, no paraíso de outrora, e intitularam-me Beelzeboul. E agora eu controlo todos os que foram confinados no Tártaro. Mas até mesmo eu tenho um filho, e ele caça no Mar Vermelho. E em qualquer ocasião propícia ele volta a mim e se submete; e revela o que ele fez, e eu o sustenho.”

 

Se não há mais Reis, é óbvio que não há mais deus. A coroa está vaga. Nenhum sucessor possui os predicados. Seremos a lenda. Ainda não.

 

“<Tell me by what angel thou art frustrated.> And he answered: <By the holy and precious name of the Almighty God, called by the Hebrews by a row of numbers, of which the sum is 644, and among the Greeks it is Emmanuel>”

 

Conspiração para esconder o fóssil do grande dragão.

 

Salomão, Jesus e até Plínio atribuíam à saliva caracteres curativos especiais.

 

Na pontinha do chifre da Lua.

 

“And there came seven spirits, females, bound and woven together, fair in appearance and comely. And I Solomon, seeing them, questioned them and said: <Who are ye?> But they, with one accord, said with one voice: <We are of the 33 elements of the cosmic ruler of the darkness.> And the first said: <I am Deception.> The second said: <I am Strife.> The third: <I am Klothod, which is battle.> The fourth: <I am Jealousy.> The fifth: <I am Power.> The sixth: <I am Error.> The seventh: <I am the worst of all, and our stars are in heaven. Seven stars humble in sheen [fracas em brilho], and all together. And we are called as it were goddesses. We change our place all and together, and together we live, sometimes in Lydia, sometimes in Olympus, sometimes in a great mountain.>

 

“As Plêiades parecem ser evocadas em Jó 38:31, na versão revisada: <Pode você amarrar o bando das Plêiades, Ou afrouxar as cordas de Órion?> Elas tinham uma influência maligna. A reunião de espíritos malignos no número de 7 é comum nos folclores judeu e babilônico. Como exemplos, posso citar o Testamento de Rubens, II, e os sete espíritos maus do Novo Testamento. Possivelmente é uma referência aos Sete Planetas (<estrelas que se movem juntas>).”

 

O Sétimo Satélite do Sétimo Planeta

 

Eu estimulo intrigas

Eu excito hereges e heresias

Unissexuais.

 

Vou te matar a pedradas e pauladas

Vou te escurraçar, vou te esfolar

Até da sua alma cristã nada sobrar.

 

Vou cegá-lo com a luz do

Seu Orgulho

Tornar o delicado belicoso!

 

Cansei de me entregar

Deve ser efeito colateral

Desse marasmo em espiral.

 

Sobriedade e moderação

Comigo não têm vez

Na minha mesa só comem pândegos

No meu salão só bebem fel.

 

O que uma queda de braços

Costuma unir

Meu muro vai separar.

 

Irmão contra irmã

Tia contra sobrinho

Neto contra avó.

 

Eu incito a humanidade

a desfazer todos os laços

Contanto que a Ira

 

Lhe determine os passos.

 

Rebelião! Rebelião!

Contra os bons princípios

Julgo que torno mau o homem pio.

 

Erros crassos pararei de cometer

Hipnotizar o outro para o crime perfazer

É perfídia que cai com os burros na

 

Anágua do Prazer

 

which witch is gonna twitch my little fingers?

 

O Cavaleiro Sem-Cabeça: “I am called Envy. For I delight to devour heads, being desirous to secure for myself a head; but I do not eat enough, but am anxious to have such a head as thou hast.”

 

but I burrrrrrrrrn the sacrificial butter the starter for your butt

 

Gangrena é meu nome, Meu pescoço é minha boca.

 

“I, O King Solomon, am wholly voice, for I have inherited the voices of many men. For in the case of all men who are called dumb, I it is who smashed their heads, when they were children and had reached their eighth day.”

 

Você é tão reservado que vive na sua própria bolha do pé

 

a luz faiscante do trovão

 

before thou wast was I

what a waste!

 

“The dwelling-places are the persons of whom the spirit, good or evil, takes possession.”

 

A lenda diz que a cruz de Cristo está sobre a ossada de Adão.

 

“I blind children in women’s wombs, and twirl their ears round. And I make them deaf and mute. And I have again in my third head means of slipping in. And I smite men in the limbless part of the body, and cause them to fall down, and foam, and grind their teeth.”

 

Crista do grande dragão

ora se não vejo um perfeito cristão!

 

“The Sophia, identified by Philo and the early Fathers with the Logos, is supposed to have entered into and taken possession of Solomon as it afterwards did with Jesus.”

 

 

“[Medusa Head:] By the angel of God called Afarôt, which is interpreted Raphael, by whom I am frustrated now and for all time. His name, if any man know it, and write the same on a woman in childbirth, then I shall not be able to enter her. Of this name the number is 640.”

 

Um pouco de numerologia:

r = 100

a = 1

f = 500

e = 8

l = 30

 

I simply can’t be possessed!

 

O dragão alado à íncubo que come as mulheres bonitas pelo cu.

 

“And the second [demon] said: <I am called Barsafael, and I cause those who are subject to my hour to feel the pain of migraine. If only I hear the words, ‘Gabriel, imprison Barsafael,’ at once I retreat.>”

 

“The sixth said: <I am called Sphendonaêl. I cause tumours of the parotid gland, and inflammations of the tonsils, and tetanic recurvation. If I hear, ‘Sabrael, imprison Sphendonaêl,’ at once I retreat.>. And the Seventh said: <I am called Sphandôr, and I weaken the strength of the shoulders, and cause them to tremble; and I paralyze the nerves of the hands, and I break and bruise the bones of the neck. And I, I suck out the marrow. But if I hear the words, ‘Araêl, imprison Sphandôr,’ I at once retreat.>”

 

Um verdadeiro tratado metamedicinal!

 

“Solomon is fairer than eleven fathers”

 

“The seventeenth said: <I am called Ieropaêl. On the stomach of men I sit, and cause convulsions in the bath and in the road; and wherever I be found, or find a man, I throw him down. But if any one will say to the afflicted into their ear these names, three times over, into the right ear: ‘Iudarizê, Sabunê, Denôê,’ I at once retreat.>”

 

“The twentieth said: <I am called Marderô. I send on men incurable fever. If any one write on the leaf of a book: ‘Sphênêr, Rafael, retire, drag me not about, flay me not,’ and tie it round his neck, I at once retreat.>”

 

“The twenty-eighth said: <I am called Harpax, and I send sleeplessness on men. If one write ‘Kokphnêdismos,’ and bind it round the temples, I at once retire.>”

 

“The thirty-third said: <I am called Agchoniôn. I lie among swaddling-clothes and in the precipice. And if any one write on fig-leaves ‘Lycurgos,’ taking away one letter at a time, and write it, reversing the letters, I retire at once. ‘Lycurgos, ycurgos, kurgos, yrgos, gos, os’>.”

 

“And among them also the queen of the South, being a witch, came in great concern and bowed low before me to the earth. And having heard my wisdom, she glorified the God of Israel, and she made formal trial of all my wisdom, of all love in which I instructed her, according to the wisdom imparted to me.”

 

“We demons ascend into the firmament of heaven, and fly about among the stars. And we hear the sentences which go forth upon the souls of men, and forthwith we come, and whether by force of influence, or by fire, or by sword, or by some accident, we veil our act of destruction; and if a man does not die by some untimely disaster or by violence, then we demons transform ourselves in such a way as to appear to men and be worshipped in our human nature.”

 

SUBDUE TO THE BELL: FIGHT MEN WITH FIRE – DEMÔNIOS SÃO ESTRELAS CADENTES FAISCANTES ELETRIZANTES

 

“Tell me how ye can ascend into heaven, being demons, and amidst the stars and holy angels intermingle.” “we lose strength and fall off like leaves from trees. And men seeing us imagine that the stars are falling from heaven.” “and so we fall down like lightnings in the depth of night and suddenly. And we set cities in flames and fire the fields.” Cf. Lc. 10:18.

 

* * *

 

THE LEGEND OF ZEALOUS: THE WISDOM OF THE PRINCE

or…

GOOD VS. EVIL – Expanded Edition: 7th Strike: Solomon’s Rise & Fall

Link esqueceu Zelda e se curvou a Salomão, o Sábio Amado por Bruxas, Justiceiro do Mundo (Hyrulistan):

 

“forasmuch as the spirit is a wind, contrive something according to the wisdom given in thee by the Lord thy God, and deign to send a man able to capture it. And behold, King Solomon, I and my people and all my land will serve thee unto death. And all Arabia shall be at peace with thee, if thou wilt perform this act of righteousness for us.” The Zora’s Wasteland

 

“And there was a stone, the end stone of the corner lying there, great, chosen out, one which I desired lay in the head of the corner of the completion of the Temple. And all the workmen, and all the demons helping them came to the same place to bring up the stone and lay it on the pinnacle of the holy Temple, and were not strong enough to stir it, and lay it upon the corner allotted to it.”

 

“§119. And after 7 days, being reminded of the epistle of Adares, King of Arabia, I called my servant and said to him: <Order thy camel [Epona] and take for thyself a leather flask [empty bottle], and take also this seal [carta de amigo da família real]. And go away into Arabia to the place in which the evil spirit blows [wind or shadow or spirit temple]; and there take the flask, and the signet-ring [a ocarina] in front of the mouth of the flask, and (hold them) towards the blast of the spirit [dungeon boss’ attacks]. And when the flask is blown out, thou wilt understand that the demon is (in it). Then hastily tie up the mouth of to flask, and seal it securely with the seal-ring, and lay it carefully on the camel and bring it me hither. [emerald or stone] And if on the way it offer thee gold or silver or treasure [rupees] in return for letting it go, see that thou be not persuaded. But arrange without using oath to release it. And then if it point out to the places where are gold or silver, mark the places [map & compass / checkpoints] and seal them with this seal. And bring the demon to me. And now depart, and fare thee well.”

 

MAURÍCIO GONTIJO TEM TODA A RAZÃO (“O GÊNIO DA LÂMPADA?”)!: “Then the youth did as was bidden him [<Hey! Listen!>]. And he ordered his camel [Epona’s Song – drink milk!], and laid on it a flask, and set off into Arabia. And the men of that region would not believe that he would be able to catch the evil spirit [NPCs estúpidos]. And when it was dawn, the servant stood before the spirit’s blast, and laid the flask on the ground, and the finger-ring on the mouth of the flask. And the demon blew through the middle of the finger-ring into the mouth of the flask, and going in blew out the flask. But the man promptly stood up to it and drew tight with his hand the mouth of the flask, in the name of the Lord God of Sabaôth [or the Three Goddesses]. And the demon remained within the flask. And after that the youth remained in that land three days to make trial [Sun’s Song]. And the spirit no longer blew against that city. And all the Arabs knew that he had safely shut in the spirit [Kakariko’s Village].”

 

Game Shark Attack, Bitch!

 

“I marvelled that even along with the bottle the demon still had power and could walk about; and I commanded it to stand up. And the flask stood up, and stood on its feet all blown out [Boring Brat Ruto!]. And I questioned him, saying: <Tell me, who art thou?> And the spirit within said: <I am the demon called Ephippas [Ganon], that is in Arabia [Gerudo’s].>”

 

Força! Coragem! Salomônica! The chosen Hylian disguised in a Kokiri brat body.

 

Sheik’s Affair

 

Always the SON: “He doth frustrate me, and enfeeble me of my great strength, which has been given me by my father the devil.”

 

“Canst thou raise this stone, and lay it for the beginning of this corner which exists in the fair plan of the Temple?” [Master Sword] And he said: “Not only raise this, O king; but also, with the help of the demon who presides over the Red Sea [Volvagia], I will bring up the pillar of air, and will stand it where thou wilt in Jerusalem [Golden Gauntlets].”

 

“I, O King Solomon, am called Abezithibod. I was present when Moses went in before Pharaoh, king of Egypt, and I hardened his heart.”

 

Demônio, Emanação de Deus

Peido, Minha Emanação.

 

“I, O King Solomon, am called Abezithibod. I am a descendant of the archangel. Once as I sat in the first heaven, of which the name is Ameleouth — I then am a fierce spirit and winged, and with a single wing, plotting against every spirit under heaven. I was present when Moses went in before Pharaoh, king of Egypt, and I hardened his heart.”

 

“<How wast thou found in the Red Sea?> <In the Exodus I caused the Pharaoh to pursue after the children of Israel. And I followed with him and all the Egyptians. And we all came up upon the Red Sea. And it came to pass when the children of Israel had crossed over, the water returned and hid all the host of the Egyptians and all their might. And I remained in the sea, being kept under this pillar. But when Ephippas [The Son of Satan] came, being sent by thee, shut up in the vessel of a flask, he fetched me up to thee.” Objetivo final do jogo: Maniqueu, o Equilíbrio do Bem do Mal.

 

“This legend of the heavy cornerstone and of the spirits supporting a column in the Temple reappears in the Georgian Acts of Nouna in the fourth century. There it is a huge wooden column that is lifted by spirit-agency, when the king and workmen had failed to move it into place. The spirits support it in the air before letting it sink into its place. These Acts will shortly appear in an English translation by Miss Wardrop in the forthcoming number of the Studie Biblica, Clarendon Press, 1898.”

 

“And I was glad in spirit in my kingdom, and there was peace in my days. And I took wives of my own from every land, who were numberless. And I marched against the Jebusaeans, and there I saw Jebusaean, daughter of a man: and fell violently in love with her, and desired to take her to wife along with my other wives.”

 

EPÍLOGO: O HOMEM VENCIDO PELO POLITEÍSMO, ESCRAVO DO SOL E DA VAIDADE

 

“And when I answered that I would on no account worship strange gods, they told the maiden not to sleep with me until I complied and sacrificed to the gods. I then was moved, but crafty Eros [o ardiloso cupido] brought and laid by her for me five grasshoppers, saying: <Take these grasshoppers, and crush them together in the name of the god Moloch; and then will I sleep with you.> And this I actually did. And at once the Spirit of God departed from me, and I became weak as well as foolish in my words. And after that I was obliged by her to build a temple of idols to Baal, and to Raphan, and to Moloch, and to the other idols.”

 

* * *

 

Bonus tracks (always the same lead)

 

Romanos 11:6-7: “se é pela graça, já não o é mais pelas obras; caso fosse, a graça deixaria de ser graça. A que conclusão chegar? Israel não conseguiu a bênção pela qual tanto buscava, mas os eleitos a receberam. Os demais foram endurecidos”

 

Rom. 11:10: A soberba dos que se humilham:

 

“Os gentios: ramos enxertados” É o seu DeVer ser humilde

 

Romário 11:1000, o Segundo

 

Comentário pagão: ninguém sabe quem são os gentios de sua época. Ninguém tem espelho em casa, nem telhado de barro, nem a janela aberta o suficiente para deixar de filtrar o sol do meio-dia e a luz sufocante da tardinha cheia de moscas que zumbem.

 

Ecos de Schopenhauer: Rom. 11:17-19: “E se alguns dos ramos foram podados, e, tu, sendo oliveira brava, foste enxertado entre outros, e agora participas da mesma seiva que flui da oliveira cultivada, não te vanglories contra esses ramos. Porém, se o fizeres, recorda-te, pois, que não és tu que sustentas a raiz, mas, sim, a raiz a ti. Então, vós direis: <Os ramos foram cortados, para que eu fosse enxertado>.” Sentei na janela quando foi o último a subir, estava na parada final, mas assim Moira quis! Chantagem infinita do imanente, entretanto… Prisão nauseante Sartre-ana neo-meta-anti-ante-batista… Não se bata com o crente. Tu terás o paraíso, desde que

 

Rom. 11:26-27: E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: “Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando Eu remover os seus pecados.”

 

Paulo, o Maldito Silogista: “Pois, assim como vós antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia em virtude da desobediência deles, assim também estes, agora, tornaram-se desobedientes, para também alcançarem misericórdia em virtude da misericórdia a vós demonstrada. Porquanto Deus colocou todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.”