“PEIRCE, O que é o pragmatismo.Em: PEIRCE, Semiótica. DEWEY, The development of American pragmatism.Em: RUNES, D.D. (org.) Living schools of philosophy.”
II. A OCUPAÇÃO DO ESPAÇO PSICOLÓGICO
“Os vitalistas tomam partido: são a favor da ‘vida’ e contra a razão.” “a inteligência conceitual deve ser substituída pela intuição, pela apreensão imediata da natureza ‘naturante’ [capaz de autocriação] das coisas” “mística da vivência autêntica” “No lugar do interesse tecnológico domina aqui o interesse estético” “a obra da decrepitude de W. Reich (…) a terapia gestáltica e outras técnicas corporais”
“Os estruturalismos são de fato reações anti-românticas de índole tendencialmente cientificista, enquanto a fenomenologia é um dos coroamentos da tradição filosófica racionalista, iluminista e, portanto, anti-romântica.” “as três matrizes se inscrevem n…a problemática da expressão.”
“O problema de difícil solução para o historicismo ideográfico é o do método.”
“operacionalização de uma antecipação de compreensão.”
“círculo hermenêutico”
“A grande preocupação dos estruturalismos é a de elaborar métodos e técnicas de interpretação que conquistem o mesmo grau de segurança e objetividade que o obtido pelas ciências da natureza.”
“estruturas profundas da vida simbólica”
“Finalmente, encontramos na fenomenologia uma tentativa de superação tanto do cientificismo como do historicismo.”
DESDE KANT, O TEMPO ESTÁ EM NÓS: “A legitimação naturalista do conhecimento – como ocorre no empirismo – é inadequada porque as formas do mundo se apresentar à consciência não são oriundas da própria experiência, senão que a precedem e estabelecem suas condições de possibilidade.”
“É necessário supor, para não cair no ceticismo, que todo conhecimento ou juízo empírico retire sua certeza de uma estrutura cognitiva apriorística que defina as formas, as categorias e os mecanismos da cognição de acordo com os quais as evidências possam se constituir e validar.”
“O fundamento deve ser procurado do lado da consciência pura, do sujeito transcendental que determina as condições de existência para a consciência de todos os objetos da vida espiritual.”
“A fenomenologia (ciência eidética)”—por causa do “de”: consciência (de algo). Consciência disso e daquilo…
Eidética no dicionário: “[Filosofia] Pertencente à essência abstrata das coisas, dos sentidos idealizados, por oposição ao que existe realmente.” Ironicamente, o que existe realmente é somente a essência abstrata das coisas.
“Significado de Noese
substantivo feminino
[Filosofia] Na fenomenologia, aspecto subjetivo da vivência, constituído por todos os atos tendentes a apreender o objeto: o pensamento, a percepção, a imaginação etc.”
“Não podemos admitir a completa irredutibilidade das épocas” Bem como seu inverso (estruturalismo).
O paradoxo de todo historicismo é negar-se à época que lhe sucede. “Em outras palavras, o ceticismo seria a conseqüência direta do relativismo radical historicista.”
“A fenomenologia da consciência transcendental, confluindo com outras tradições filosóficas, e literárias, está na origem dos existencialismos, cujas repercussões no pensamento psicológico são mais profundas que as diretamente provenientes da filosofia fenomenológica.”
“A antropologia fenomenológica existencialista dá o quadro de referências (os elementos e a norma, o ‘modelo’ de sujeito) que será investigado pelas ciências humanas empíricas.”
“o que há de mais subjetivo, i.e., o projeto”
“ideologias pararreligiosas”
“Se nada me prende e minha vida é meu projeto, a solução é minha e para mim.”
“retraimento do sujeito sobre si mesmo numa inflação inconseqüente da subjetividade”
“Do behaviorismo tosco de J.B. Watson ao sofisticado de B.F. Skinner, à Psicanálise e a toda a obra de Jean Piaget reflete-se a mesma intenção.”
“grandes tentativas de síntese, gestaltismo.”
“psicologia social… recentemente … Harré e Hecord” + S. Koch + Nuttin + Howarth “senso comum”
Harré, Making social psychology scientific. Em: GILMOUR, DUCK (org.), The development of social psychology, 1980.
KOCH, Psicologia e ciências humanas. Em: GADAMER, VOGLER (org.), Nova antropologia, 1977.
NUTTIN, O comportamento humano: o homem e seu mundo fenomenal. EM: GADAMER, VOGLER (org.) op. cit.
“Este texto de Nuttin é extremamente claro e penetrante. O que, somado ao seu fácil acesso ao leitor brasileiro, o torna uma indicação obrigatória para leitura”
HOWARTH, The structures of effective psychology. Em: CHAPMAN, JONES (org.) Models of man, 1980.
Wundt naturalmente listado como impressionante pioneiro do ecletismo epistemológico maduro e atual.
(*) “A irrelevância dos objetos e resultados de grande parte da pesquisa básica em psicologia é um dos principais alvos de seus detratores.” “função crítica da irrelevância” “O leigo acaba vendo no difícil de entender [hermético] um sinal de profunda sabedoria e alta ciência. Para uma boa aparência de cientificidade, quanto mais irrelevante melhor.”
(*) “A duplicidade e a complexidade do projeto de Wundt, durante muito tempo confundido com o de E.B. Titchener, vem sendo recentemente o tema de vários trabalhos, entre os quais se recomendam: BLUMENTAHL, A reappraisal of Wilhelm Wundt, American psychologist, 1975. … DANZIGER, The positivist repudiation of Wundt, Journal of the History of the Behavioral Sciences, 1979. LEAHEY, The mistaken mirror: on Wundt’s and Titchener’s psychologies, Journal of the History of the Behavioral Sciences, 1981.”
III. MATRIZ NOMOTÉTICA E QUANTIFICADORA
BACON: “A emergência da ‘metodologia científica’ corresponde exatamente a um estágio em que a auto-reflexão das práticas produtivas já permite que a estrutura do trabalho seja posta a serviço da produção e validação de conhecimentos. As idéias de caráter preditivo chamar-se-ão hipóteses, e suas origens serão atribuídas a processos denominados indução, abdução ou invenção; as práticas produtivas serão os procedimentos de observação controlada e, em especial, os procedimentos experimentais de teste; o resultado obtido será confrontado com o resultado esperado – que, na medida do possível, deve ser rigorosamente [palavra que não combina] deduzido das hipóteses iniciais; a finalidade deste processo é a de, com base neste confronto, aceitar ou refutar as hipóteses.”
“O positivismo foi concebido e desenvolvido não pelos filósofos do séc. XIII mas pelos astrônomos gregos que, tendo elaborado e aperfeiçoado o método do pensamento científico – observação, teoria hipotética, dedução e, finalmente, verificação por novas observações –, encontraram-se na incapacidade de penetrar no mistério dos movimentos verdadeiros dos corpos celestes e que, conseqüentemente, limitaram suas ambições à salvação dos fenômenos, isto é, a um tratamento puramente formal dos dados da observação. Tratamento que lhes permitia previsões válidas, mas cujo preço era a aceitação de um divórcio definitivo entre a teoria matemática e a realidade subjacente”KOYRÉ, Les étapes de la cosmologie scientifique. + Do mundo fechado ao universo infinito
“As hipóteses descritivas e explicativas, como pretendem representar a essência dos fenômenos naturais, devem convergir para um sistema e, de preferência, ser dedutíveis de alguns poucos axiomas – o que foi finalmente alcançado no séc. XVIII por Isaac Newton.”
“Quando as grandes conquistas da física moderna, nos sécs. XIX e XX, revelaram-se como meras hipóteses que exigiam correções radicais, abateu-se sobre a comunidade um certo descrédito diante da atitude realista que vê nas funções matemáticas expressões objetivas da ordem natural. Reanimaram-se, então, as posições instrumentalistas”
“Em momento algum, todavia, deixou de progredir a matematização da física e o distanciamento entre a experiência científica e a experiência leiga.”
“A química enterrou definitivamente a alquimia quando Lavoisier – versado em lógica, matemática, física e astronomia – trouxe para a nova ciência o espírito de exatidão, da mensuração e da análise experimental. Os estudos biológicos, a partir da fisiologia, diretamente tributária da mecânica e da química, e dos empreendimentos taxonômicos de Lineu, também avançaram na direção da biologia científica.”
“o cálculo de probabilidades e os procedimentos estatísticos em geral que, no campo das ciências não-exatas, asseguram a ligação entre o domínio empírico – marcado por uma certa margem de variabilidade intrínseca – e o domínio racional.”
“A possibilidade de submeter os fenômenos psíquicos aos procedimentos matemáticos, de forma a criar-se uma psicologia empírica, foi expressamente negada por Kant com a alegação de que estes fenômenos não se prestavam à análise e à observação e só tinham uma dimensão, a temporal, quando a mensuração de um processo exige duas dimensões, a temporal e a espacial. Não obstante, o projeto de uma psicometria apareceu já no séc. XVIII na obra do filósofo alemão Christian Wolff, que esperava desta nova ciência a mensuração dos graus de prazer e desprazer, perfeição e imperfeição, certeza e incerteza.”
“o mesmo fizeram outros autores como De Maupertuis, Buck, Mendelssohn, Ploucquet, Mérian e Lambert. (…) Nenhum deles, porém, dedicou ao tema mais que algumas páginas marginais de suas obras de matemáticos, filósofos e naturalistas. No séc. XVIII apenas Hagen, Krüger e Körber trataram com mais detalhe do assunto.”
“a psicofísica de Weber e Fechner … Ebbinghaus”
“O modelo de Herbart se propõe a representar a estática e a dinâmica dos processos mentais a partir da idéia de conflito entre representações (todos os fenômenos, conscientes ou inconscientes, são denominados representações).”
“Hoje a construção de modelos matemáticos e lógicos não encontra a resistência que a partir do final do séc. XIX o positivismo opôs à pretensão de apreender os mecanismos, indo além das leis empíricas. Ainda assim, a prática da construção de modelos é apenas um dos momentos do procedimento científico, momento aliás subordinado ao de teste: a partir de um modelo devem-se atribuir valores plausíveis às variáveis quantitativas nele implicadas para em seguida – freqüentemente através de simulação computadorizada em que se variam parametricamente estes valores – deduzir os comportamentos do modelo nas diferentes condições programadas. Finalmente, confrontam-se os comportamentos do modelo com os do organismo nele representado. Convém assinalar que dificilmente o comportamento do modelo será idêntico ao do seu original, o que conduzirá a um processo infinito de ajuste com a introdução de novas variáveis e/ou com a postulação de novas relações funcionais entre elas. A psicologia matemática de Herbart carece completamente desta possibilidade de autocorreção”“É necessário que se mencione, a propósito, a semelhança entre o modelo de Herbart e o que veio a ser proposto por Freud.”
“a dinâmica herbartiana é puramente mecanicista e a análise se orienta para a identificação das relações de causalidade eficiente; já na dinâmica freudiana há presença da intencionalidade.” Conversão para as ciências humanas, para nunca sair da preferência – tão prejudicial! – dos cientistas sociais…
“O estudo dos limiares diferenciais – diferenças apenas perceptíveis – foi a área pioneira na concretização do ideal de quantificação em psicologia.”
“dR/R=C, em que R é o estímulo-padrão com o que os outros devem ser comparados, dR é o incremento mínimo de R para que a diferença seja percebida, e C é uma constante.”
“S=ClogR, em que S é a sensação, R o estímulo e C uma constante a ser obtida empiricamente. Esta função descreve os desvios sistemáticos da subjetividade em relação às mudanças do mundo exterior”
“O estudo experimental das sensações permaneceu na segunda metade do séc. XIX e continua até hoje uma área de pesquisa muito ativa e rigorosa, aonde (sic) a matriz nomotética e quantificadora tem produzido alguns de seus melhores resultados.”
“Com freqüência esta psicologia das diferenças individuais – ou psicologia diferencial – [McKeen Cattel, Galton, Binet, Thorndike] estava claramente empenhada em tarefas práticas no âmbito da escola, da indústria e da burocracia civil e militar, classificando a situando os sujeitos em escalas numéricas de acordo com medidas de inteligência geral, capacidades cognitivas específicas, velocidade de aprendizagem e desempenho de diferentes tipos de tarefas.”
“não arrefeceu em momento algum o impulso nomotético e quantificador.”
GARRET, Grandes experimentos da psicologia, 1979.
IV. MATRIZ ATOMICISTA E MECANICISTA
“A física do impetus ao final da Idade Média havia crescido a ponto de desalojar a física de Aristóteles, explicando em termos de impulso impresso também os movimentos ‘naturais’.”
“A lei da inércia [de Galileu] atribui o mesmo valor e as mesmas propriedades ao repouso e ao movimento e libera este último da dependência de qualquer motor externo.”
“Na química a análise elementar foi uma constante desde os trabalhos pioneiros de Priestley e Cavendish até a sistematização de Lavoisier. A subdivisão dos elementos em átomos progrediu no século XIX sob a direção de Dalton e Mendeleiev.”
“a química é testemunha das transformações de qualidade produzidas por diferenças estruturais. Contudo, ao final do século passado, ainda era o procedimento analítico da química, e não seus resultados[,] que punham em questão o atomicismo físico, que servia de guia e exemplo para as demais ciências, entre as quais a psicologia.”
“Os estudos de Pavlov, principalmente, são a contraparte fisiologizante e mais rigorosa dos estudos experimentais da associação iniciados por Ebbinghaus.”
“Não se pode assim concordar com a idéia, amplamente divulgada, que associa o behaviorismo, fundamentalmente, ao mecanicismo e ao atomicismo. De qualquer forma, a sobrevivência de vestígios elementaristas e mecanicistas na psicologia behaviorista exigirá que no próximo capítulo uma atenção especial seja dada às combinações das duas matrizes.”
V. MATRIZ FUNCIONALISTA E ORGANICISTA NA PSICOLOGIA AMERICANA
“A referência inicial e obrigatória é a chamada psicologia funcional8 que se desenvolveu nos EUA no final do século XIX e início do XX. Representantes notáveis desta corrente são J. Dewey (1859-1952), J. Angell (1869-1949), J.M. Baldwin (1861-1934) e, como grande precursor, William James (1842-1910).”
“O estudo do comportamento animal com o objetivo de ‘conhecer o desenvolvimento da vida mental na escala filogenética e buscar a origem da inteligência humana’, tal como se expressa Thorndike em 1898, foi iniciada por Darwin e continuada por Romanes (1848-1894), Morgan (1852-1936), Thorndike (1874-1949) e Jennings (1868-1947), para ficar apenas com os pioneiros.”
“Dois autores modernos assumiram integralmente, embora de formas muito diversas, o legado funcionalista: E.C. Tolman (1886-1959) e B.F. Skinner (1904-[1990]).”
“Tolman, além de condensar e elevar a um nível superior todo o movimento da psicologia funcional, antecipou o movimento cognitivista americano.”
“A solução mais original, contudo, foi elaborada por Skinner e batizada por ele de behaviorismo radical. Não me proponho aqui dar conta do conjunto desta obra que, pela extraordinária riqueza e penetração, é uma das mais notáveis realizações intelectuais da nossa época.”
VI. MATRIZ FUNCIONALISTA E ORGANICISTA NA PSICOLOGIA EUROPÉIA, NA PSICANÁLISE E NA PSICOSSOCIOLOGIA
“Na obra de Jean Piaget—um dos mais completos, consistentes e articulados representantes da matriz funcionalista e organicista em psicologia—ficam dissolvidos os limites entre filosofia, psicologia e biologia, mas serão os métodos e conceitos da última que dominarão ao longo de toda a sua fecundíssima carreira.”
“<A psicanálise é uma ciência natural—o que mais poderia ser?>, diz Fraud em 1925.”
VII. SUBMATRIZES AMBIENTALISTA E NATIVISTA NA PSICOLOGIA
(…)
VIII. MATRIZ VITALISTA E NATURISTA
“Talvez seja necessário novamente esclarecer que não há relações diretas entre Bergson e os autores que serão nomeados neste capítulo. Na filosofia bergsoniana estão reunidos, isto sim, temas e atitudes que caracterizam muito do senso comum psicológico e que se encontram dispersos em várias orientações, escolas e seitas contemporâneas. Nenhuma delas, todavia, pode ser apresentada como uma ‘psicologia bergsoniana’ e em muitas há também vestígios de outras matrizes.”
IX. MATRIZES COMPREENSIVAS: HISTORICISMO IDIOGRÁFICO E SEUS IMPASSES
“Hegel e Marx, cujas contribuições para o desenvolvimento da psicologia e das demais ciências empíricas foram negligenciáveis”
“esta maneira dissecadora de lidar com a natureza provavelmente não atrai o leigo. Eu argúo que esta maneira pode ser inadequada mesmo para os iniciados e que, talvez, haja lugar para um outro método, um que não ataque a natureza dissecando e particularizando, mas a mostre viva e operante, manifestando se em sua totalidade em cada parte do seu ser.” Goethe
“… devo-lhe confidenciar que estou muito perto de descobrir o segredo da criação e organização das plantas… A Urpflanze é a mais extraordinária criatura do mundo; a própria natureza a invejará. A partir deste modelo será possível inventar plantas ad infinitum e todas serão consistentes, isto é, todas poderiam existir, ainda que de fato não existam; elas não seriam meros sonhos ou sombras poéticas ou figuradas, mas possuiriam uma verdade interna e uma necessidade.” Goethe a Herder
“A verdade é uma revelação que emerge no ponto em que o mundo interno do homem encontra a realidade externa”
“Os românticos opõem-se fundamentalmente a todo revolucionarismo progressista que pretenda subverter a ordem natural da sociedade, rompendo com suas origens e tradições. A filosofia de Schelling condensa toda a temática romântica, e todas as soluções românticas e anti-racionalistas numa grande cosmovisão e numa teoria do conhecimento. Schelling constrói uma filosofia da totalidade, que é aí dotada de um movimento próprio, criativo e autônomo no qual o espírito, através da intuição, reconhece sua própria atividade criadora. O motor deste movimento é o conflito.”
“a natureza desta totalidade (organismo, comunidade, nação, espírito popular, ou que outro nome receba) é tal que não a subordina às leis da sobrevivência e da adaptação, antes exibindo um caráter essencialmente produtor e criativo.”
“O romantismo, de fato, é antes de tudo uma filosofia da expressão, da representação simbólica. Assim, enquanto a intuição de Bergson se move numa imediaticidade natural que visa unir o sujeito à vida pré-simbólica, dissolver o indivíduo no élan vital, a intuição romântica procura apreender a imediaticidade simbólica estabelecendo uma relação empática entre formas expressivas e comunicativas. Ora, esta apreensão imediata de uma forma expressiva, esta compreensão dos símbolos exige um esforço intelectual desconhecido tanto de Bergson como de todas as matrizes cientificistas: o esforço de interpretação.”
“A preocupação em definir uma metodologia para as ciências morais manifestou-se durante todo o séc. XIX, sobressaindo as contribuições de Schleiermacher para a arte da compreensão—a hermenêutica—aplicada à filosofia e à teologia e as de historiadores como Ranke e Droysen. Foi, entretanto, o filósofo Wilhelm Dilthey (1833-1911) quem se propôs a desempenhar em relação às ciências morais o papel que Kant havia representado no âmbito das ciências naturais do séc. XVIII”
“A preocupação com a verdade não costuma ser muito acentuada em vários arraiais psicológicos, e, desta maneira, variantes do discurso diltheyano aparecem com freqüência na psicologia clínica. Os chamados humanistas, p.ex., usam e abusam desta terminologia (compreensão, significado, etc.), reduzindo quase sempre estes conceitos ao nível de Bergson, ao vitalismo pré-crítico.”
“A afirmação de Spranger de haver encontrado as leis universais da produção e da interpretação do sentido não encontrou muito eco no desenvolvimento posterior da psicologia.”
(*) “Convém, talvez, assinalar que embora use o termo com esta acepção ampla e acompanhe os autores em muitos pontos da análise, não encampo o enfoque pessimista, aterrorizante e algo obscurantista de Horkheimer e Adorno.” HAHAHA
HELLER, E. The Disinherited mind
(*) “Acerca da ideologia política romântica, ver ROMANO, R. Conservadorismo romântico. Origem do totalitarismo. São Paulo, Brasiliense, 1981.”
X. MATRIZES COMPREENSIVAS: OS ESTRUTURALISMOS
“A grande dificuldade era encontrar para estas ciências critérios positivos cuja aplicação discriminasse o verdadeiro do falso. Os estruturalismos nasceram no contexto desta problemática e formam o conjunto de soluções mais rigoroso, do ponto de vista metodológico. As totalidades simbólicas são submetidas a uma investigação imanente que as objetiviza e desprende tanto das conexões subjetivas, que as constituíram (intenções comunicativas), como das que as interpretam (intenções compreensivas). A neutralização do sujeito caracteriza o ideal científico dos estruturalismos e os coloca como uma espécie de positivismo das ciências humanas.”
“Há assim dois níveis de organização: um, empírico, em que a organização aparece nas interconexões das ocorrências do mundo fenomenal, nas formas que se oferecem à consciência; um outro, teórico e construído (jamais vivenciado) em que a organização se manifesta no processo de dotação de forma e sentido. E a este nível – profundo e inconsciente – que se voltam preferencialmente os estruturalismos, ainda quando, como ocorre na psicologia da gestalt, as formas fenomenais da vivência espontânea dão o fio da meada para a investigação científica.”
“Nas origens da matriz estruturalista encontramos movimentos intelectuais que no final do século XIX e no início do XX revolucionaram a psicologia, a teoria da literatura e a lingüística. No campo da psicologia foi a chamada psicologia da forma, ou da gestalt, que ofereceu a mais consistente alternativa européia à velha psicologia elementarista, associacionista e introspeccionista (nos EUA coube ao funcionalismo e ao behaviorismo esta missão).”
“Ampliando ainda mais o foco de suas preocupações, o gestaltismo se projetou como uma filosofia geral das ciências e como uma fundamentação da ética e da estética. Grande parte desta imensa contribuição foi sistematizada nos Princípios da psicologia da gestalt, redigidos por K. Koffka(1886-1941) na década de 30. Outros nomes de primeiro plano são os do pioneiro Max Wertheimer (1880-1943), o de Wolfgang Koehler (1887-1949) e o de Kurt Lewin (1890-1947).”
“O dado básico da psicologia da forma é a experiência imediata. Só que, ao contrário de Wundt, ao invés de dissecar esta experiência para identificar as suas unidades mínimas e, em seguida, reconstituir os fenômenos complexos, tratava-se para os gestaltistas, antes de mais nada, de descrever e compreender os fenômenos que espontaneamente se ofereciam na experiência dos sujeitos e dos seus observadores.”
“Os psicólogos da forma, contudo, estão convencidos de que é possível superar o nível da pura compreensão e elaborar leis gerais explicativas.”
“Enquanto a noção de forma contemplada pelos gestaltistas exerceu notável influência sobre a teoria das artes plásticas, simultaneamente desenvolvia-se na Rússia uma teoria da literatura também formalista e estruturalista. Para os formalistas russos colocava-se a tarefa de proceder a uma leitura das obras literárias que, pondo de parte o psicologismo e o sociologismo, visasse a obra mesma de maneira a captar nela, não as intenções do autor ou o efeito das pressões sociais, mas a sua estrutura imanente e os seus procedimentos constitutivos.”
(*) “Uma ótima apresentação e crítica do gestaltismo é encontrada em MERLEAU-PONTY, M. A estrutura do comportamento. Belo Horizonte, Inter livros, 1975.”
XI. MATRIZ FENOMENOLÓGICA E EXISTENCIALISTA
(…)
XII. CONSIDERAÇÕES FINAIS E PERSPECTIVAS
“Este livro nasceu das aulas que dava na disciplina História da psicologia. Convinha, então, no término do semestre, justificar o porquê de, no final das contas, não ter oferecido nada que parecesse com a história da psicologia. Tenho para mim que história da psicologia, como talvez também a de outras disciplinas que visam a vida em sociedade, não se pode nortear pelos modelos disponíveis de historiografia das ciências naturais. No conjunto da disciplina não encontramos, seja a acumulação regular de fatos e teorias, seja as revisões radicais e revolucionárias dos paradigmas dominantes, seja o confronto crítico de enfoques alternativos em condições de testes cruciais.”
Originalmente publicado em 8 de janeiro de 2011 (digressões abreviadas)
“Se a revolução Francesa devesse repetir-se eternamente, a historiografia francesa se mostraria menos orgulhosa de Robespierre.”
“Não se dava conta de que aquilo que julgava irreal (seu trabalho no isolamento das bibliotecas) era sua vida real, enquanto as passeatas que ele julgava reais eram apenas um espetáculo de teatro, uma dança, uma festa, em outras palavras: um sonho.”
“As pessoas nunca perdem a ocasião de falar mal dos amigos.”
“[kitsch] Esta é uma palavra alemã que apareceu em meados do sentimental século XIX e que, em seguida, se espalhou por todas as línguas. O uso repetido da palavra fez com que se apagasse seu sentido metafísico original: em essência, o kitsch é a negação absoluta da merda; tanto no sentido literal quanto no sentido figurado: o kitsch exclui de seu campo visual tudo que a existência humana tem de essencialmente inaceitável.”
“É preciso evidentemente que os sentimentos suscitados pelo kitsch possam ser compartilhados pelo maior número possível de pessoas (…) a lembrança do primeiro amor [por exemplo].” “como é bonito ficar emocionado, junto com toda a humanidade, diante de crianças correndo no gramado! Somente isso faz com que o kitsch seja o kitsch.” “Paz, amor e a fraternidade entre todos os homens não poderá nunca ter outra base senão o kitsch.” “O kitsch é o ideal estético de todos os homens políticos, de todos os partidos e movimentos políticos.”
“O gulag pode ser considerado como uma fossa sanitária em que o kitsch totalitário joga seus detritos.”
DOS QUATRO TIPOS DE OLHARES-SOBRE-SI (TRÊS NÃO IMPORTAM MUITO): “Por fim, existe a 4ª categoria, a mais rara, a daqueles que vivem sob o olhar imaginário dos ausentes. São os sonhadores. P.ex., Franz. Se chegou até a fronteira do Camboja, foi unicamente por causa de Sabina. O ônibus sacoleja na estrada da Tailândia e ele sente que Sabina tem os olhos pousados nele.”
“Odeia-se mais aqueles de cuja opinião já nos livramos com muito custo”
“Antes de sermos esquecidos, seremos transformados em kitsch. O kitsch é a estação intermediária entre o ser e o esquecimento.”
“O amor que se tem por um cachorro escandaliza.”
“O homem dominou a natureza – isto é, enrolou cordões de marionete no próprio pescoço.”
“Karenin cometeu o erro de sempre: largou seu pedaço de croissant para tentar pegar o pedaço que seu dono segurava na boca. Como sempre, esquecera que Tomas não era cachorro e que tinha mãos. Tomas não largou o pedaço que tinha na boca, e apanhou o pedaço que caíra no chão.”
“A nostalgia do Paraíso é o desejo do homem de não ser homem.”
“O amor entre o homem e o cão é idílico. É um amor sem conflitos, sem cenas dramáticas, sem evolução.”
“Por isso o homem não pode ser feliz, pois a felicidade é o desejo da repetição.”
“Como determinar o instante em que não vale mais a pena viver.”
“De ahí surge el presente Manual de Psiquiatría aprovechando la oportunidad del nuevo Programa de formación para la especialidad de psiquiatría, con planteamientos novedosos relacionados con áreas de acreditación específica y con nuevas exigencias de capacitaciones, y la ausencia en nuestro país de un libro de referencia que pueda cumplir similares funciones al de otros que sí existen en otros ámbitos culturales de nuestro entorno, especialmente anglosajones. Por tanto, aunque surge inspirado en el Manual del Residente de Psiquiatría, escrito por residentes y realizado aprovechando la oportunidad del Programa de 1996, el presente Manual está escrito por psiquiatras expertos, con responsabilidad directa o indirecta en la formación de los residentes de psiquiatría con el objetivo de proporcionar un manual que sea moderno, atractivo, inspirado en la filosofía y contenido del nuevo Programa de 2008, y que sea en un sólo volumen, al estilo británico del Companion to Psychiatric Studies de Edimburgo (Churchill Livingston) o el Core Psychiatry de Londres (Elsevier Saunders).
En el momento actual de globalización del conocimiento y el acceso inmediato a su progresión a través de internet en una disciplina, la psiquiatría, en constante evolución, podría parecer que la existencia de textos de psiquiatría es innecesaria y obsoleta. Sin embargo, es precisamente este contexto el que ha llevado a los editores a considerar la necesidad de realizar un manual riguroso de psiquiatría que sirva de mapa entre tanta información disponible y cambiante y con frecuencia difícil de contrastar.”
“Aunque este Manual se ha elaborado pensado como libro de texto para los residentes de psiquiatría, resulta igualmente útil para residentes de psicología y estudiantes de pregrado en medicina, psicología, y en general ciencias de la salud y del comportamiento.”
1. BASES DE LA PSIQUIATRÍA
“hoy por hoy es, sin duda, la epidemiología la que ha trazado los datos más seguros sobre aspectos básicos de muchos trastornos mentales.” “Los límites de nuestra disciplina son tan amplios, que sólo el interés y la curiosidad individual puede definir hasta dónde quiere o necesita un psiquiatra en formación profundizar en algunos de los aspectos aquí mencionados. Estos capítulos constituyen, en cualquier caso, un excelente punto de partida y un primer paso para abrir el apetito a mentes más inquietas.”
1. HISTORIA DE LA PSIQUIATRÍA
“La psicopatología descriptiva es definida como un lenguaje descriptivo, que abarca un léxico, sintaxis y reglas de aplicación e impone orden en un universo comportamental complejo. La patogénesis es la vía por la que determinados mecanismos cerebrales alterados generan síntomas mentales. Esto no es entendido de una forma crudamente mecanicista sino que los fenómenos psiquiátricos <son la expresión final de señales biológicas moduladas por gramáticas personales y culturales>. Y, por último, la taxonomía atiende a las reglas que gobiernan las clasificaciones de las enfermedades.
Histórica y conceptualmente la psicopatología descriptiva (en cuanto semiología) debe mucho a las corrientes lingüísticas del siglo XVIII. Las teorías etiológicas y la patogénesis a los avances de la medicina general, anatomía patológica y teorías psicológicas del XIX. Por su parte la taxonomía está vinculada a las metáforas generativas sobre el sentido del orden producidas en los siglos XVII y XVIII.
En todo caso, concluye Berrios, será de nuevo el siglo XIX el que contemple los grandes cambios que habrían de tener una importancia determinante en la psiquiatría, a saber: la trasformación del concepto multiforme de <locuras> en el restrictivo de psicosis; el estrechamiento, como categoría general, del concepto de neurosis y, por último, la fragmentación de las antiguas descripciones monolíticas de la locura en lo que llamamos síntomas mentales.
Como regla de oro y para evitar confusión, enfoques anacronísticos o psicohistoricismos banales, el estudioso de la historia de la psiquiatría debe siempre mantener separadas en su aproximación lo que es la historia de los términos, de los comportamientos y de los conceptos en psicopatología y psiquiatría.
Respecto a la protohistoria de la disciplina, como indica el autor precitado, la creación de la psicopatología descriptiva llevó unos 100 años. Comenzó durante la segunda década del siglo XIX y fue completada justo antes de la primera guerra mundial. Ha cambiado poco desde entonces. Esto significa que el éxito de los esfuerzos clínicos y de investigación actuales dependen en gran medida de la maquinaria conceptual construida durante el XIX.”
“Comenzando con los trabajos pioneros de recopilación de textos clásicos hay que mencionar los de Richard Hunter e Ida MacAlpine recorriendo tres siglos de psiquiatría y los volúmenes colectivos (The anatomy of madness) de Bynum, Porter y Shepherd. Las monografías sobre temas clínicos encuentran su expresión en los trabajos interesantes de Jackson sobre la melancolía, con el estudio de su terminología diacrónica, metáforas generativas de su estudio y teorías explicativas desde la Grecia y Roma clásicas hasta nuestros días.”
Berrios, The history of mental symptoms. Descriptive psychopathology since the nineteenth century
“La figura de Pinel, como es lógico, ha sido motivo frecuente de investigación y la dedicación a su obra por parte de autores como Weiner (Comprendre et soigner) es fundamental para entender el Zeitgeist pineliano. Bercherie se detiene en la historia y la estructura del saber psiquiátrico (autores, nosología, clínica), génesis de los conceptos freudianos y su inserción en el marco de las corrientes de la psicología positiva del siglo XIX así como su aportación a la psicologización de la histeria.
Dos autoras son fundamentales en la reconstrucción de la historia de la psiquiatría francesa. Nos referimos a Dora Weiner quién en The citizen-patientestudia el devenir de la enfermedad en el París revolucionario e imperial analizando las políticas de salud en Francia durante la Revolución y bajo Napoleón y a Jan Goldstein. Esta última en Console and classify ofrece el emerger del alienismo a lo largo del siglo XIX subsumiendo en su urdimbre las diversas historias (intelectual, social y política) que concurren en su determinación.”
“la apasionante edad de oro de la psiquiatría en la Alemania imperial.” “La teoría de la degeneración, omnipresente en la literatura y en el alienismo como <the condition of conditions, the ultimate signifier in pathology>, devino denominador común de una cultura literaria, médica y antropológica y un crudo antecedente de los marcadores biológicos.”
“Tony James, respecto a los estados alterados de conciencia, revisó fenómenos como los sueños, el sonambulismo, el éxtasis o las alucinaciones en algunos escritores franceses del XIX fundamentalmente en la relación entre sueño y locura.”
“En el campo del análisis histórico de las instituciones merece destacarse el trabajo consagrado por Jean Delamare y Thérèse Delamare-Riche al Hospital de Bicêtre:Le grand renfermement. Histoire de l´hospice de Bicêtre 1657-1974 donde se estudia el microcosmos custodial con el ritmo de los trabajos y los días.”
O MONGE & O LOUCO: “No cabe duda de que el estudio del monacato en tanto microsociedad letrada y con amplia introspección sobre los estados mentales de los profesos es sumamente iluminadora en sus narrativas de la melancolía.”
“Séverine Jouve en Obsessions et perversions dans la littérature et les demeures à la fin du dix-neuvième siècle reúne una serie de temas, desde el imaginario decadente a las metáforas de la imagen del cuerpo o del alma, pasando por los consabidos tópicos de la misoginia y las atmósferas arquitectónicas febriles o <malditas> en la estela literaria de Mario Praz.”
Pobres coitados dos editores de manual que consideram Foucault uma grande contribuição para sua disciplina…
“Mención especial requiere la obra de Lantéri-Laura. (…) la Histoire de la phrénologie, donde plantea un recorrido desde Gall hasta la psicopatología actual.” + Lantéri-Laura G. Les hallucinations. Paris: Masson; 1991.
“En la misma línea de reflexión histórico-conceptual sobre la clínica se sitúa el trabajo de Garrabé sobre la esquizofrenia, en un recorrido que abarca desde la conceptualización kraepeliniana de la dementia praecox a las formas de pensamiento y existencia esquizofrénicas.”
2. BASES PSICOLÓGICAS Y PSIQUIATRÍA. SU DEVENIR HISTÓRICO
“Resulta curioso, o mejor tal vez sorprendente, constatar la existencia de una zona oscura, poco desarrollada, en las obras de historiadores relevantes de la psicología y de la medicina, así como de la psicopatología, en la presentación de relaciones entre ellas. Historiadores como Dörmer, Laín, Rosen, incluso Foucault, mencionan, a lo más, referentes o denominaciones filosóficas al establecer parámetros teóricos generales de la psicología para una obra médica.
Llama por tanto la atención la carencia en la exposición de la existencia o conexiones entre concepciones acerca de los trastornos mentales o su asistencia y las teorías psicológicas existentes en cada momento (fenómenos psicológicos, conexiones materia-conocimiento-mente, sobre conducta e instinto, sobre diferencia en la naturaleza psicológica entre los seres humanos y los animales, por poner algunos ejemplos), más aún cuando precisamente el desarrollo de muy importantes concepciones psicológicas que han ejercido influencia tanto en su momento como posteriormente, se produce a partir del siglo XVII y hasta el XIX (sin querer negar el interés y la importancia de los habidos antes, particularmente en el Renacimiento; Juan Huarte de San Juan es buena muestra), cuando la imprenta, la universidad, la investigación y los viajes facilitaban tanto la intercomunicación y difusión de conocimientos. El interaccionismo psicofísico, el empirismo psíquico, el automatismo conductual, el asociacionismo, la explicación de las actividades mentales en términos de actividades sujetas a funciones corporales, las distinciones entre cualidades ‘primarias’ y ‘secundarias’ de la sensación y la percepción, pueden ser buenos ejemplos. Destaca Coto que estas ideas debieron de estar presentes en las coexistentes o coetáneas concepciones sobre la psicopatología, la medicina o la locura, pero no aparecen reflejadas, o lo están muy escasamente, en los textos de historia.
La suposición de alejamiento entre ramas de la ciencia, no resulta explicación adecuada, pues no era entonces tan relevante como pudiera serlo hoy: el alejamiento entre los médicos y los filósofos, lugar común que podría facilitar una explicación rápida, no se compadece con la discriminación arborescente del conocimiento en esos tiempos, que no se había producido aún de manera relevante. De hecho tanto los espacios universitarios y sus foros, como los encuentros y tertulias de intelectuales y científicos eran muy comunes y compartidos.Cabanis presenta que la física y la moral se enseñaban en los mismos lugares y un autor podría escribir sobre filosofía, moral, psicología, medicina, religión o política sucesiva e incluso simultáneamente.
De hecho, la consulta de obra original permite contrastar el conocimiento y manejo de muchas de ellas por los autores y así la monadología de Leibniz, las teorías sobre la sensación y la percepción de Locke, la teoría copernicana, las descripciones de metodologías inductiva y deductiva para la ciencia, la química de Lavoisier, las teorías sobre el reflejo de Willis, el pensamiento sobre la conciencia y el método de Descartes, son objeto de citas y claros referentes en diferentes autores y para lo que hoy son diferentes ciencias o ramas de la ciencia. Pero lo que cabe y quiero aquí destacar, es la necesaria existencia de referencias comunes que se actualizaban en producción y debates. Es decir, la mezcla de conocimientos y la transmisión de los mismos se producía, era un hecho. Sin embargo, ello no se traduce en la presentación historiográfica de hoy, que más bien parece escotomizar y parcelar de manera excluyente la globalidad confluyente del conocimiento, sus desarrollos y sus vertientes de aplicación entre la medicina y la psicología, habiéndose generalizado así una imagen sesgada de desarrollos paralelos que más bien parece querer amparar hoy (cuando la profesionalización se ha producido) intereses gremialistas de preponderancias y poderes con estas presentaciones parceladas (más allá de la intención de sus autores).
Veamos, buscando hacer ciencia sobre la locura, las teorías renacentistas retomadas por las ilustradas se separaban radicalmente de las teorías demonológicas, y para ello resultaban muy relevantes, por ejemplo, las aportaciones de Hartle, Priestley y Hobbes, que buscaban explicar la conducta animal y humana desde el ‘mecanicismo fisiológico’. Sin embargo, ello prácticamente está oculto en los textos actuales (precisamente el ‘mecanicismo’ para el pensamiento científico de la época fue una marca de progreso científico) y en cambio se subraya con demasiada frecuencia a mi juicio que se producía un alejamiento entre las teorías sobre la locura y la psicología en evitación de pseudociencia filosófica, cuando es sabido que los científicos de la época (filósofos, biólogos, fisiólogos) y con ellos los pensadores e intervinientes que generaban conocimiento en medicina y psicología, tomaban como modelos las ciencias físicas y químicas.
Estamos por tanto en un terreno marcado por los desajustes y tal vez las sombras de la incongruencia. Conocerlo podría facilitar dar cuenta de las batallas, de los conflictos de hoy que parecen querer reescribir el pasado para resignificar posiciones e intereses de la ciencia profesionalizada del presente.”
OS QUATRO CAVALEIROS: “Gall (1758-1828), Spurzheim (1776-1834), Brown (1778-1820) y Hall (1790-1857) son señalados como primordialmente interesados en la investigación de las leyes que rigen los fenómenos psicológicos y de conducta, la relación de las funciones mentales con el medio y entre la mente y el cerebro. Gall inició el estudio empírico de la localización cerebral y buscó definir las funciones que pudiesen dar cuenta del pensamiento, de la conducta humana y de los animales en su medio ambiente. De hecho, es el responsable de la generalización en la comunidad científica de la época, de que era el cerebro el órgano específico de la mente, defendiendo que era a través de la observación de cómo su estructura y funciones podían ser descritas y analizadas y llamó la atención sobre las semejanzas con los animales, posiblemente conociendo las teorías evolucionistas de Lamarck (1744-1829).
Gall defendía que las facultades y características mentales eran innatas, dependían de estructuras del cerebro que se correspondían con protuberancias de la superficie del cráneo.¹ Bernstein y Nietzel resumen las ideas fundamentales de Gall:
[¹ Tantos seminários e pesquisas para NADA.]
a. Cada área cerebral (físicamente identificable) se asocia con una facultad o función psicológica.
b. A mayor desarrollo de un área cerebral mayor presencia en el comportamiento.
c. El mayor o menor desarrollo de cada una de las facultades se refleja en las protuberancias o depresiones del cráneo que les correspondan.
Gall estableció la existencia identificada de órganos diferentes del cerebro humano e igualmente sus facultades mentales innatas no modificables por la educación (entrando así en el debate suscitado con motivo de las ideas roussonianas en la pedagogía), alcanzando notoriedad sus mediciones craneales. Sus trabajos sufrieron los rigores de la jerarquía eclesiástica: el papa Pío VII le excomulgó e incluyó sus obras en el Índice, pero la investigación de la relación entre facultades psicológicas, conducta y cerebro quedó consolidada como ámbito de interés científico”
“Ferrier en 1886 conecta las aportaciones de Bain y Spencer con los trabajos de Broca y Fritsch e Hitzig y se abre así el fructífero periodo de localización cerebral experimental.”
“Así, no es posible entender en psicología el funcionalismo americano (y sus posteriores desarrollos conductistas), las concepciones de la enfermedad mental como regresiones a fases evolutivamente anteriores, la psicología del desarrollo, la psicología de la motivación, etc., sin las influencias de Darwin, cuyo primo F. Galton es quien introduce los trabajos de medición de las diferencias individuales entre los seres humanos, verdadero precedente del psicodiagnóstico y que a su vez difunde con verdadera eficacia las tesis darwinistas entre los investigadores y artífices de la psicología de la época.
De hecho, en el último cuarto del siglo XIX el estudio de los procesos psicológicos guardaba íntima relación con trabajos filosóficos (que a su vez impregnaban diferentes líneas de investigación en otras ciencias y sus aplicaciones), fisiológicos y biológicos y estos no podrían entenderse suficiente y adecuadamente a mi juicio si no es también sobre las aportaciones de la psicología sobre las funciones mentales, la conducta, la conciencia, el aprendizaje, la adaptación, etc.”
“Existe un asentado consenso en reconocer el inicio de la psicología como ciencia independiente con W. Wundt (1832-1920) a partir de la creación en Leipzig del primer laboratorio de psicología experimental.” “Pero veamos cómo lo logra a partir de los equilibrios de los que dan cuenta posiblemente hechos como que esta consolidación en la Academia se produce en una cátedra de filosofía, construyendo su obra en psicología apoyado en el marco de debates (y disputas) entre idealistas kantianos, empiristas y positivistas y desde su profundo conocimiento de las técnicas experimentales de la fisiología por haberse formado con investigadores de valía como Helmholtz y Du Bois-Reymond sobre lo que había publicado previamente.”
“La sustancia es una noción metafísica sobrante que no es útil para la psicología. Esto concuerda con el carácter fundamental de la vida mental. La mente no consiste en la conexión inalterable de objetos y diversos estados. En todas sus fases es ‘proceso’, una existencia ‘activa’ más que pasiva, un desarrollo más que un estado fijo. Conocer las leyes básicas de este desarrollo es la meta principal de la psicología.”
“Coto, destaca que el laboratorio de Leipzig además no fue el inicio, sino la continuación de los trabajos en la década de 1860 antecediendo en más de 15 años la creación del laboratorio desde el que introdujo un programa en su cátedra dirigido al estudio de cuestiones específicamente psicológicas.” “Coherentemente con lo anterior, Wundt tomó posiciones críticas ante el movimiento de la introspección sistemática de comienzos de siglo XX (Külpe, Titchener) protagonizado por los psicólogos de la Escuela de Würzburgo.”
“Por otra parte, las posiciones de Wundt en torno al papel de la voluntad en los procesos psicológicos, le enfrentaron a la fisiología del momento, pues influido por el evolucionismo biologicista por una parte y la filosofía kantiana por otra, abogaba por una concepción de los organismos y particularmente de los procesos psicológicos humanos como marcados por la experiencia y dirigidos a metas.”
“Pinillos señala que la ‘ley de la causalidad psíquica’ de Wundt, representa un salto cualitativo respecto al asociacionismo positivista. Por otra parte Wundt busca la imbricación adecuada de la psicología y sus desarrollos, en el mapa de los conocimientos científicos, de las ciencias en función de su objeto de estudio. Y así, Leary muestra que Wundt consideraba la psicología como ciencia experimental (o natural) en tanto su objeto fuese el estudio de actividades psicológicas como la sensación o la percepción, mientras que cuando el objeto de estudio se centraba en procesos psicológicos superiores como el lenguaje, la costumbre o el pensamiento, su consideración era que la psicología debía incluirse entre las ciencias sociales”
“Y también cabe destacar junto a su rigor, su posición abierta y plural que le llevó a apoyar intereses y estudios muy diversos entre sus discípulos, que se abrían en abanico. Así, las aportaciones de psicólogos como Judd, Mead, Cattell, Külpe, Titchener, Dewey y otros tan relevantes en la psicología moderna, no puede entenderse sin Wundt, al que por tanto no sólo el consenso de hoy le señala como el primer psicólogo que establece la independencia de la psicología como ciencia, sino que además su contribución, sus aportaciones y sus discípulos sin duda representan un hito y ejerce una gran influencia en el pensamiento científico para otras ciencias”
“Sin embargo, la ‘caída’ no sólo de la influencia, sino también de la obra (incluso el conocimiento de la misma) de Wundt producido entre las dos guerras mundiales fue muy grande y muy rápido. Posiblemente a ello contribuyó la política nazi, el desmantelamiento de las universidades centroeuropeas y sin duda, el surgimiento de movimientos ‘rompedores’, como el conductismo, el psicoanálisis, el positivismo, la Gestalt que buscaban junto a la investigación de procesos básicos, el establecimiento de conocimiento aplicado a necesidades humanas en campos diversos, uno de ellos y muy relevante, la clínica.”
“La idea de un ‘pensamiento inconsciente’ desató un potentísimo debate pues generó oponentes que se basaban en la posición de que lo no-consciente era fisiológico y, por tanto, no debía ser objeto de la psicología científica.”
“Esta idea de ‘disposición mental’ se incorporó rápidamente en EE.UU entre los psicólogos (funcionalismo americano) interesados en las operaciones mentales más que en el pensamiento sin imágenes y ha impregnado (pese a la disolución de la Escuela [Würz.] en el primer cuarto del siglo XX) trabajos posteriores en diversos ámbitos, como por poner un ejemplo, el experimental sobre esquizofrenia de Shakow con sus aportaciones sobre la ‘disposición mental fraccionada’.
En realidad la Escuela de Würzburgo surge a partir de un alumno de Wundt, Külpe (1862-1915), profesor de Würzburgo de 1894 a 1909, que cuando se trasladó a Bonn desapareció la Escuela prácticamente como tal.”
“El movimiento evolucionó hacia la ‘fenomenología’ de Brentano y de Husserl, que rompía con Mach (que analizaba únicamente la experiencia de las sensaciones), proponiendo el análisis del propósito como elemento clave de la introspección (Titchener permaneció cerca de las posiciones de Mach), alejándose de las técnicas experimentales: Ach en 1905 llega a denominar esta escuela como ‘movimiento de la introspección sistemática’. § Publicaron protocolos de introspección causando fuerte impacto fundamentalmente durante la primera década del siglo XX.”
“Elemento central de la Escuela de Würzburgo fue, como hemos visto, el ‘propósito’, la intención. Consecuencia de ello fue su evolución hacia la fenomenología: un enfoque que concibe la configuración y organización de la percepción como actividad específicamente propia y singular del sujeto.
La fenomenología pronto se desarrolló en 2 líneas: la filosófica, con Husserl como mayor exponente, y la experimental, con Stumpf siendo este último clave en la Escuela de Würzburgo.”
“La obra de Brentano, de tan alto impacto en su época, resulta altamente desconocida entre los psicólogos (clínicos y no clínicos) y médicos”
“Fue Titchener quien, en sus específicos desarrollos introspeccionistas de Wundt, lleva a éste a los EE.UU. Frente a ello se establece el funcionalismo que crean James y Dewey.”
“La reflexología soviética busca una psicología objetiva psicofisiológica que trata de establecer los elementos de los procesos psicológicos desde los mecanismos fisiológicos que los determinan.”
“Tras la revolución de octubre de 1917, con Kornilov, la escuela soviética retoma y adapta algunos elementos de Wundt que habían quedado descalificados hasta entonces entre ellos. Y así, como recoge Rivière, conciben la psicología como estudio de las reacciones de la mente al mundo material y la conciencia como una cualidad de la materia organizada.
Vygotsky y Luria, continuadores, adjudican especial valoración a la interacción del individuo con el medio que le rodea y a la genética de las funciones psicológicas superiores.”
“La psicología dinámica, que tanto rechazo suscitaba en la medicina oficial de la época, principalmente Mesmer, es a finales del siglo XIX, particularmente con Charcot (1825-1893) y sus trabajos y colegas en La Salpetrière, Bernheim (1825-1919) y Lièbeault (1823-1904), la que alcanza cierta consideración más en los terrenos aplicados que académicos y de investigación, de los que queda periférica cuando no alejada.
Es preciso considerar, siguiendo a Ellenberger, que la psicología dinámica que parte del magnetismo animal y del sonambulismo artificial (antecedente del hipnotismo) se inicia y desarrolla al margen tanto de los desarrollos en medicina y orientaciones científicas biologicistas, como de otras psicologías; con intereses directamente relacionados a aplicaciones en procesos mórbidos específicos como la catalepsia, la letargia, el sonambulismo y finalmente, al finalizar el siglo XIX, en la histeria incorporando el hipnotismo como vía de acceso a la mente inconsciente; incorporó rápidamente una noción de mente humana dual y de oposición interna (consciente-inconsciente); elaboró teorías de la ‘enfermedad nerviosa’ relacionadas con ideas de energía dinámica y ‘anclajes’ indebidos; y fue pionera en el diseño y desarrollo de teorías y técnicas terapéuticas que contaban 2 dos instrumentos técnicos referentes: la relación terapéutica y la palabra, configurando así precedente inexcusable de la psicoterapia.
Pese a su indudable identidad psicológica, durante muchos años, la progresiva incorporación (insuficiente posiblemente, pero indudable) de la psicología dinámica a cierta práctica médica y a lecturas y discursos de la psicopatología profesionalizadamente ejercida desde la medicina neuropsiquiátrica, junto a su alejamiento de las líneas de investigación y escuelas académicamente reconocidas de la psicología, posiblemente ha hecho que se configurase la estereotipada idea de que la psicología dinámica no ha sido (o es) parte de la psicología, olvidando que la tardía configuración de la profesionalización de la psicología, favoreció con ésta como con otras líneas de la psicología, que las aplicaciones de la misma las realizasen y ejerciesen otros profesionales (como pedagogos y médicos) durante mucho tiempo, lo que posiblemente ha traído un beneficio añadido o no buscado específicamente: la alta valoración de la psicología en otras profesiones y la consideración de su necesidad en distintos campos para acceder a comprensiones globales e intervenciones integrales, seguramente hoy imprescindibles.”
“Ya Torrey señalaba que el entonces característico (y aún hoy en vigencia) énfasis biologicista de las ideas en psicopatología estaba extremadamente lejos del ámbito de la investigación y experimentación rigurosas, del método clínico y aparecía dominada más bien por una especie de magma de creencias y supuestos poco o mal contrastados.
Tal vez impelidos por supuestas “garantías” de lo orgánico en medicina, la insistente búsqueda de incorporarse históricamente a concepciones organicistas, ha resultado ser una de las constantes en la medicina interesada en el ámbito del estudio e intervención en trastornos psicopatológicos. Así nos encontramos con quienes situaban el foco de atención en la patología anatómica o en quienes situaban su atención esperanzada en la etiología o bien quienes lo hacían en la fisiopatología. De ahí la incorporación asimilada del término ‘enfermedad mental’ que continúa oponiéndose al científicamente establecido ‘trastorno mental’.”
A MANIA DA ‘COMPREENSIBILIDADE’
“Posiblemente Kahlbaum (1828-1899)es quien, con un empeño más logrado, hace una primera clasificación de enfermedades mentales (4 grandes grupos de ‘especies morbosas’) que incorporaban con gran fragilidad científica ‘conocimientos’ de clínica, etiopatogenia, causas y síntomas psíquicos y corporales y descripciones de curso y terminación.”
“Kraepelin (1855-1926) fue quien logró alto impacto con su propuesta de sistema nosológico, pese a su explicitación de que esa tarea no era posible realizarla desde lo establecido ya entonces para otras ramas de la medicina. De este modo estableció un sistema que suponía un ordenamiento que se generalizó rápidamente, pese a que contenía muy relevantes inconsistencias internas.”
“Así, por ejemplo, P. Ranschburg (médico húngaro) realizó estudios e investigaciones experimentales sobre los trastornos de la memoria y en 1902 dirigía un laboratorio, subvencionado por el gobierno para estudiar las ‘anomalías mentales’.
También Kraepelin estudió y aplicó el método experimental como discípulo de Wundt, bajo cuya influencia y auspicios creó un laboratorio de psicología experimental y un laboratorio de neuropatología (Alzheimer realizó con él sus hallazgos sobre la enfermedad que ha quedado denominada con su nombre).”
“Volviendo a Kraepelin y su sistema nosológico cabe decir, pese al impacto e influencia que generó, que tomó criterios diversos (a veces dispares) para establecer diferencias entre las diversas formas. Fue en su quinta edición del Compendio de psiquiatría (la primera la escribió siguiendo consejo de Wundt) que toma en consideración como elemento clave del cuadro clínico, la evolución y el desenlace o terminación. Incorporó que en pocos casos, como el de la parálisis general, era factible recabar etiología orgánica si bien precisamente en ella no podían establecerse síntomas específicos.”
“el impacto que produjeron sus libros estuvo relacionado con la claridad de la exposición, que abogaba por una etiología orgánica y simultáneamente por el estudio e investigación de la conducta anormal y el análisis de la conducta de los pacientes y que fue adecuando sus formulaciones en función de las críticas recibidas. En realidad, las críticas a aspectos centrales de la clasificación nosológica empiezan pronto y Kraepelin en su última obra Las formas de manifestación de la locura (1920) da cuenta de su convencimiento de la imposibilidad de seguir el modelo médico en la patología mental.” Como sua nosologia não tem peso hoje, essa é a razão da falta de livros impactantes na pesquisa preliminar feita para fechar o meu O Desejo de Deleuze.
“Si Bleuler había enfrentado desde su propia obra posiciones de Kraepelin, destacando la importancia de los factores psicológicos a nivel etiológico y terapéutico, Bonhöffer propuso directamente el abandono de la noción y denominación ‘especie morbosa’ por otra que consideraba más exacta y alejada de los parámetros de modelo médico y que fue ‘tipo de reacción’, entendiendo que el individuo, ante diferentes tipos de causas externas, respondía con un determinado tipo de reacción psicopatológica, lo que se acomodaba a la investigación psicológica y los datos que se obtenían.”
“Meyer consideraba los ‘desórdenes mentales’ efecto de una acumulación progresiva de hábitos, por lo que el tratamiento debía dirigirse a eliminarlos y enseñar hábitos nuevos, muy en línea con las ideas pedagógicas de la época predominantes en torno a la importancia y valor de la educación como elemento modulador de la buena condición humana.”
“Con el antecedente de la “psicología del acto” de Brentano, que desarrolla el método fenomenológico, si bien más en la línea filosófica de Husserl (1859-1939) que en la experimental de Stumpf, Karl Jaspers hace una clara adscripción por una fundamentación psicológica de la psicopatología y considera el objeto de ésta, la fenomenología, el fenómeno de la ‘enfermedad’ mental.”
“Añadía que sus necesarios conocimientos de medicina no le aportaban elementos ni respuestas a cuestiones centrales de la psicopatología y de la intervención terapéutica ante ella. Propone como objeto de la psicopatología ‘el acontecer psíquico realmente consciente’ y para ello reclama la psicología ‘como la fisiopatología necesita de la fisiología’, pues, dado que la noción de ‘enfermedad’ en psicopatología ‘no es unitaria’, es preciso trabajar con los mismos conceptos fundamentales en psicología que en psicopatología.”
“Para Laín Entralgo la fenomenología jaspersiana tiene 2 referentes directos ‘wundtianos’ y ‘brentanianos’: Husserl que retoma y trabaja la idea psicológica de la intencionalidad como eje organizador en la vida mental y los actos psíquicos, y W. Dilthey (1833-1911) para quien desde su ‘psicología descriptiva y comprensiva’ es la comprensión psicológica de sentido frente a la explicación física de mecanismo lo que permite el acceso al conocimiento de la vida mental humana.”
“La influencia de la obra de Jaspers y la escuela de Heidelberg fue importante y duradera en la psiquiatría. Sin embargo, fue más breve en la psicología clínica, que situó su interés y debates en esos momentos en el funcionalismo americano, el conductivismo, la psicología de la Gestalt y la ‘psicología dinámica’, si bien hoy es visible (aunque poco citada) su influencia en el cognitivismo.”
Entralgo, Historia de la medicina.Barcelona: Salvat; 1978.
Leary, Wundt and after: Psychology’s shifting relations with the natural sciences, social sciences and philosophy
Torrey, La muerte de la psiquiatría. Barcelona: Martínez Rica. 1980.
3. MODELOS PSICOLÓGICOS
“Como consecuencia, hemos asistido a lo que los historiadores llaman ‘la aceleración de la historia’ que consiste en una constante anticipación del futuro, que se convierte en pasado muy rápido.” Ora, vejam só!
“Aunque todo encasillamiento de autores es discutible, se suele distinguir entre la ‘tradición neopsicoanalítica’, en la que se incluyen las aportaciones de autores tan relevantes como Fenichel, Ferenczi, Horney, Rank, Sullivan y Fromm, y la ‘tradición analítica del yo’ que incluye autores como M. Klein, Fairbairn, Winnicot, A. Freud, Eriksson, Hartmann, [¿?] Rappaport y Guntrip.”
“En otra órbita distinta, hay que situar a Lacan, un psicoanalista francés, que ha llevado a cabo una relectura de la obra de Freud a partir de la tesis de que el inconsciente está estructurado como un lenguaje y ha convertido el psicoanálisis en algo cercano al análisis semiótico sólo comprensible para los iniciados en el lenguaje particular que él mismo ha creado.” Dizer que só entende Lacan quem é lacaniano é uma ótima forma de dizer que Lacan não faz nenhum sentido!
“Kant estableció una distinción entre el noúmeno, la realidad en sí a la que no tenemos acceso, y el fenómeno, que es la realidad en cuanto conocida. La fenomenología (representada por autores como Brentano, Husserl, Heidegger, Merleau-Ponty y Ricoeur, entre otros) es una corriente de la filosofía que vino a poner de manifiesto el carácter intencional de la conciencia.” “simplemente, no existe la res pensante desencarnada que Descartes imaginó.”
“A diferencia de los modelos psicodinámicos, que tienen la obra de Freud como referente, los modelos fenomenológicos en psicología clínica no cuentan con un referente claro y se suelen agrupar bajo este epígrafe teorías muy dispares. Por un lado, hay que mencionar la obra de Jaspers, Blondel, Minkowski y Binswanger, entre otros psiquiatras europeos de orientación fenomenológico-existencial que se preocuparon por entender, por ejemplo, qué se siente al tener una alucinación.” Algum deles era um alucinado?
“Pero la divulgación más notoria del enfoque fenomenológico en psicología clínica se produjo en el marco de lo que se llamó la ‘psicología humanista’, que fue un movimiento que surgió en EE.UU durante los años 60 del pasado siglo y que aglutinó a autores como Allport, Murray, Bugental, G. Kelly, Murphy, Rogers, Maslow y May, entre los más destacados. Todas las teorías desarrolladas por estos autores coincidían en enfatizar la experiencia inmediata como fenómeno primario que ocurre en el aquí y ahora.” Só ILUSTRE DESCONHECIDO nessa lista!
“A modo de ilustración de estos enfoques, mencionaremos brevemente la terapia de Rogers, que junto con la terapia Gestalt de Perls, han sido los enfoques más populares para trabajar en el nivel de la experiencia inmediata desde el punto de vista fenomenológico.” “En consecuencia, la psicoterapia debía dirigirse a facilitar la emergencia de una imagen del sí mismo (ideal) más congruente con el sí mismo real. Para ello, el terapeuta debía sintonizar emocionalmente con la experiencia real del paciente tal como ésta ocurría en la sesión, de modo que pudiera devolvérsela por medio del reflejo empático y se esperaba que, por medio de este espejo, el paciente pudiera verla, aceptarla y, en definitiva, entrar en contacto con sus deseos más auténticos, resolviendo así sus discrepancias consigo mismo o con los demás.”
“La conducta es lo que un organismo hace, como dijo Watson en el manifiesto conductista de principios del siglo XX, o mejor, como matizó Skinner, lo que un organismo observa que otro organismo está haciendo.” “Pero la definición funcional de la conducta, lejos de ser objetiva, es ambigua y depende del observador; observar siempre es observar algo. A pesar de estas dificultades, la perspectiva conductista sirvió para que la investigación psicológica se ajustara al rigor de la ciencia experimental, y la conducta humana se concibió como una máquina de precisión que paso a paso está regulada por las condiciones y contingencias ambientales.”
“El paradigma del condicionamiento clásico, iniciado por Pavlov, sirvió para entender cómo estímulos neutros (o nuevos) pueden llegar a provocar respuestas innatas como consecuencia del emparejamiento con otros estímulos. Por ejemplo, un sonido, previamente incapaz de suscitar una respuesta incondicionada (parpadeo), puede acabar provocándola como consecuencia de su asociación con el estímulo que suscita esta última (un soplo de aire). Este paradigma hizo posible concebir la ansiedad como una respuesta condicionada, lo cual dio lugar a nuevas técnicas de tratamiento, tales como las técnicas de exposición, desarrolladas por Marks entre otros y la desensibilización sistemática, creada por Wolpe. Esta última, que es la técnica que más investigación científica ha recibido en la historia de los tratamientos psicológicos, consiste en 4 pasos: primero, se entrena al paciente a discriminar la intensidad de su respuesta de ansiedad en una escala de 0 a 100, utilizando para ello ‘unidades subjetivas de ansiedad’. En segundo lugar, se lleva a cabo un minucioso análisis conductual y se construye una jerarquía de escenas temidas ordenada de menor a mayor. En tercer lugar, se entrena al paciente en relajación. En el cuarto paso, en la sesión de desensibilización en sí, cuando el paciente está relajado, se van presentando las escenas¹ de la jerarquía comenzando por la que suscita menos ansiedad. Así, los estímulos que antes suscitaban ansiedad, ahora se van emparejando con la respuesta de relajación, que es incompatible con la respuesta de ansiedad.”
¹ Apenas verbalmente? No que isso me ajudaria num encontro indesejado com meu pai?
“El condicionamiento clásico y el operante se combinaron a la hora de explicar trastornos psicopatológicos como las conductas fóbicas.” Esse deve ser o limite terapêutico em Skinner.
“Como propuso Mowrer en 1946, la ansiedad se adquiere mediante procesos de condicionamiento clásico, pero se mantiene por medio de procesos de condicionamiento operante. La ansiedad activaría respuestas de evitación que resultarían reforzantes porque producirían alivio de la ansiedad e impedirían que el proceso de extinción se llevara a cabo. Esta visión continúa vigente en la actualidad en lo que se conoce como ‘terapia de aceptación y compromiso’, en la que los trastornos psicopatológicos son vistos como formas de ‘evitación experiencial’, de modo que antes de poder facilitar el cambio de conducta, la terapia debe facilitar la aceptación de la experiencia, habilitando al paciente para reconocer como tales sus tendencias a la evitación.”
“No es posible hacer referencia a los modelos cognitivos sin mencionar los nombres de Piaget y Vygotsky, cuyas obras han resultado imprescindibles para comprender el desarrollo cognitivo en la infancia y también después.”
“Autores como Kanfer, Bandura, Eysenck, Cautela, Mahoney, Meichenbaum, Goldfried, entre otros, hicieron contribuciones importantes en el modelo cognitivo-conductual, que es la denominación más extendida en la actualidad.” Uma corrente de merda para um tempo de merda.
Por que todo ex-psicanalista vira cognitivista? Porque é cognitivamente deficitário! Haha.
4. DESARROLLO DE LA PERSONALIDAD: TEMPERAMENTO Y CARÁCTER
“Hipócrates, Galeno, Juan Huarte de San Juan, Kretschmer, Sheldon, Eysenck y un largo etcétera de autores han realizado aproximaciones más o menos científicas al estudio de la personalidad y su desarrollo.”
“Una de las definiciones más aceptadas del concepto de temperamento fue propuesta por el eminente psicólogo Gordon W. Allport. Definió el temperamento como el conjunto de fenómenos característicos de la naturaleza del individuo, incluyendo su susceptibilidad ante la estimulación emocional, su energía habitual y la rapidez de respuesta, la cualidad de su estado de ánimo prevalente y todas las peculiaridades de fluctuación e intensidad del ánimo, siendo considerados estos fenómenos como dependientes del conjunto constitucional y, por tanto, de origen hereditario. De esta forma, la constitución somática, el temperamento y la inteligencia constituirían el substrato de la personalidad porque serían elementos que se heredan.” “el carácter, frente a la estabilidad y constancia del temperamento, sería modificable por la experiencia, surgiendo a partir de la interacción del individuo con el ambiente.”
“Las personas podrían diferir unas de otras en:
• Productividad
• Salud
• Sociabilidad”
Extremamente produtivo (morbidamente, eu diria), no limiar da saúde e da doença, não-sociável via de regra (após muito me estrepar).
“Dado el gran número de teorías de la personalidad que existen, se han realizado diferentes clasificaciones. Liebert y Liebert consideran 4 estrategias de abordaje de la personalidad que son: disposicional (p.ej. enfoques de rasgos y tipos), ambiental (p.ej. conductismo), psicodinámica (p.ej. psicoanálisis) y basada en las representaciones (p.ej. fenomenología o humanismo).”
ESQUEMA-RESUMO DO TEMPERAMENTO-PERSONALIDADE:
“Hipócrates y Galeno
4 tipos temperamentales: melancólico, colérico, flemático y sanguíneo, en función de 4 humores (bilis negra, bilis amarilla, flema y sangre)
Kretschmer
3 tipos constitucionales: leptosomático, atlético y pícnico [¿??]
Sheldon
3 somatotipos: ectomorfo, mesomorfo y endomorfo
Eysenck
3 dimensiones de la personalidad normal: neuroticismo-control, extraversión-introversión y psicoticismo
Cattell
16 rasgos de la personalidad normal: afabilidad, razonamiento, estabilidad, dominancia, animación, atención a las normas, atrevimiento, sensibilidad, vigilancia, abstracción, privacidad, aprensión, apertura al cambio, autosuficiencia, perfeccionismo y tensión [Aí vira bagunça, meu cumpadi!]
(…)
Cloninger [pasticheiro]
4 dimensiones temperamentales: búsqueda de novedades, evitación del daño, dependencia de la recompensa y persistencia [patología-no-patología]. 3 dimensiones caracteriales: autodirección, cooperación y autotrascendencia”
“[K.] Distinguió los tipos constitucionales leptosomático (cuerpo alargado y delgado), atlético (desarrollo del esqueleto y la musculatura) y pícnico (grueso, con tendencia a la obesidad). Al relacionar estos tipos constitucionales con características psicológicas, definió los tipos esquizotímico(constitución leptosomática y temperamento introvertido), ciclotímicos (constitución pícnica y temperamento extravertido) y el tipo viscoso (constitución atlética).”
“[S.] Los ectomorfos se caracterizarían por ser sociables, ansiosos y con tendencia al aislamiento; los mesomorfos serían agresivos, bruscos y en una constante búsqueda del triunfo; y, por último, los endomorfos serían muy sociables.”
“la primera descripción de las dimensiones de personalidad introversión-extraversión se debe a Jung.” “Aunque Eysenck pertenecía a la corriente conductista, sus investigaciones en el campo de la personalidad prestaron una especial atención a la genética al explicar las diferencias interindividuales.”
“Citando ejemplos de los rasgos típicos, en el caso del neuroticismo-control estaría la ansiedad; para la extraversión, la asertividad; en el caso de la apertura a la experiencia, la imaginación; para la amabilidad, el altruismo; y para la responsabilidad, la minuciosidad.”
5. PSIQUIATRÍA SOCIAL, SOCIOLOGÍA Y CULTURA
“El primer estudio empírico en sociología sobre la enfermedad mental es El suicidio de Durkheim. Publicado en 1897 es clave en psiquiatría social tanto por su contenido como por su método.”
Brown G.W., Harris T., Social origins of depression: a study of psychiatric disorder in women. London: Tavistock Publications; 1978.
Newton J., Preventing mental illness in practice.London: Routledge; 1992.
6. NEUROANATOMÍA FUNCIONAL
“El presente capítulo trata específicamente de aportar los avances recientes a la construcción del puente, ya bien establecido, entre las neurociencias y la psiquiatría. La enfermedad mental es una condición o estado de la persona que se origina y se expresa no solamente en un cambio de su actividad psíquica (cerebral en último término), sino también en un cambio de su conducta, de sus relaciones con los demás y viceversa y de su capacidad para crear cultura.”
“El neocórtex está constituido por cientos de miles de millones de neuronas colocadas en seis capas. La estructura no es exactamente la misma para las diferentes partes del neocórtex y Brodmann realizó un mapa de unas 47 a 52 áreas de acuerdo con la citoarquitectura histológica de la corteza cerebral. Existen dos tipos fundamentales de neuronas: neuronas eferentes y neuronas intrínsecas. Las neuronas eferentes dejan la corteza para alcanzar estructuras nerviosas inferiores. Las principales neuronas eferentes son las células fusiformes y las células piramidales. Las neuronas intrínsecas conectan las diferentes neuronas de la corteza cerebral sin dejar el neocórtex (neuronas de asociación). Ejemplos de éstas son: células horizontales, células estrelladas, células de Martinotti, etc.”
“Los módulos, por consiguiente, trabajan mediante conflicto: produciendo y almacenando poder dentro de ellas mismas e inhibiendo las células de las columnas vecinas.”
“El lóbulo frontal tiene que ver fundamentalmente con la planificación de la acción futura y con el control motor. El lóbulo parietal, con las sensaciones somáticas, con la imagen corporal y con la relación entre la imagen corporal propia y el espacio extrapersonal. El lóbulo occipital, con la visión. El lóbulo temporal, con la audición y a través de sus estructuras profundas (hipocampo) y sus conexiones, con aprendizaje, memoria y las emociones. El surco central separa el giro precentral, relacionado con la función motora, del giro postcentral, que se relaciona con la función sensorial. Cada hemisferio es responsable primariamente de los procesos sensoriales y motores del lado contralateral del cuerpo. Aunque los hemisferios parecen similares, no son completamente simétricos ni en estructura ni en la función equivalente. En la mayoría de la gente el hemisferio izquierdo es considerado como dominante controlando los movimientos de la mano derecha normalmente más precisa que la izquierda. En este hemisferio izquierdo es donde se localizan las áreas del lenguaje.”
“La percepción, el movimiento, el lenguaje, el pensamiento y la memoria son todas posibles por la interconexión en serie y en paralelo de varias regiones cerebrales cada una con funciones específicas. Como resultado, la lesión de una sola área no tiene por qué traer consigo la pérdida de la facultad completa. Incluso aunque la capacidad desaparezca inicialmente puede recuperarse parcialmente gracias a las partes no dañadas del cerebro que reorganizan sus conexiones.
En resumen, todas las funciones mentales son divisibles en subfunciones. Los procesos mentales están compuestos de numerosos componentes independientes de procesamiento de la información. Así por ejemplo una pequeña lesión en el lóbulo temporal izquierdo puede destruir la capacidad de un paciente de reconocer a la gente por su nombre sin que afecte la capacidad de reconocerles visualmente. Ni siquiera la conciencia de uno mismo es un proceso unitario, como demostraron Sperry y Gazzaniga, al estudiar pacientes epilépticos a los que se les había seccionado el cuerpo calloso para tratar su epilepsia. La independencia de cada hemisferio en la respuesta a las instrucciones llegaba hasta el punto de que podrían responder a órdenes contrarias como si cada hemisferio tuviera una mente propia e incluso interfirieran una con la otra en su función.”
“Desde un punto de vista anatómico descriptivo, el cerebro consiste en dos hemisferios cerebrales unidos por una gran estructura comisural: el cuerpo calloso, y conectados al tálamo y a los ganglios basales. Millones de conexiones unen los hemisferios cerebrales y el tálamo a niveles inferiores: mesencéfalo, puente, cerebelo, bulbo raquídeo y médula espinal. La superficie de los hemisferios cerebrales constituye la corteza cerebral y está compuesta de materia gris. La corteza cerebral está dividida en lóbulos mediante fisuras que recorren su superficie. Debajo de la corteza cerebral existe una masa de sustancia blanca. Enterrados en esta sustancia blanca se encuentran algunos núcleos grandes de sustancia gris: tálamo y ganglios basales. La sustancia blanca está constituida por vías que van hacia la corteza o desde la corteza, fibras de asociación, y fibras comisurales que unen los hemisferios. Los detalles anatómicos pueden ser consultados en los libros habituales de anatomía. Un área importante en relación con la psiquiatría es el tronco cerebral (entre el cerebro y la médula espinal), lugar donde se originan los neurotransmisores más significativos en psiquiatría: las neuroaminas.”
“Para el estudio más detallado de la corteza cerebral pueden consultarse tratados de neuroanatomía y en particular el libro de Kandel, Schwartz y Jessell que ha servido de base para la descripción de algunas estructuras a las que se hace referencia en el presente capítulo. En los párrafos que siguen nos limitamos al estudio de la corteza prefrontal implicada en los circuitos córtico-subcorticales y límbicos, particularmente relevantes para la psiquiatría.”
“La corteza orbitofrontal juega un papel importante en las reacciones emocionales. Lesiones de esta región reducen las respuestas inhibitorias y llevan a que el individuo se torne irresponsable, impulsivo, descuidado, y pierda la habilidad para planear y tomar decisiones.
Es de gran importancia la estrecha relación entre estas estructuras límbicas y el estriado, especialmente su parte ventral o núcleo accumbens, considerado parte central de los procesos de aprendizaje basado en la recompensa”
“El giro del cíngulo proporciona una interfase entre el proceso de toma de decisiones (corteza orbitofrontal), las funciones relacionadas con las emociones del complejo amigdalino y los sistemas que controlan el movimiento. La corteza cingular anterior constituye la base de las conductas ejecutivas mientras que la corteza cingular posterior sirve de base para las funciones evaluadoras. La corteza cingular anterior tiene particular importancia por su implicación en trastornos psiquiátricos.”
“La habilidad de la corteza cerebral para procesar información sensorial, para asociarla con estados emocionales, para almacenarla en su memoria, y para iniciar la acción, es modulada por 3 estructuras enterradas dentro de los hemisferios cerebrales: los ganglios basales, la amígdala y la formación hipocampal. Además de estas estructuras existen 2 grandes núcleos diencefálicos, tálamo e hipotálamo, que también forman parte de los circuitos córtico-subcorticales”
“La amígdala, justo delante del hipocampo, está implicada en el análisis del significado emocional o motivacional de los estímulos sensoriales y en coordinar las acciones de diferentes sistemas del cerebro para permitir al individuo realizar la respuesta adecuada.” “Por ejemplo, las respuestas al peligro (la sensación de miedo, el cambio en la frecuencia cardiaca y de la respiración ante una amenaza) son mediadas por la amígdala y sus conexiones. La ablación de la amígdala, elimina no solamente la respuesta aprendida al miedo, sino también la respuesta innata al miedo. La visión más clásica considera que la amígdala basolateral es responsable de los procesos de condicionamiento que conforman el aprendizaje asociativo, mientras que la amígdala central actúa como un controlador del tronco cerebral, utilizando sus profusas conexiones sobre estas zonas para modular la respuesta ante las señales de amenaza. En la actualidad se considera que estas funciones se reparten de forma más compleja, especialmente en lo que al aprendizaje se refiere, de forma que ambos núcleos participan junto con otras estructuras con las que interactúan”
“El complejo amigdalino también está implicado específicamente en las funciones de memoria explícita así como en las conductas sociales. De este modo, habría 2 sistemas neuronales separados anatómicamente: uno localizado en la corteza temporal anterior implicado en la memoria explícita y en la identificación de caras, el otro localizado en la amígdala, que estaría relacionado con la memoria implícita de las señales apropiadas de las emociones expresadas en el rostro. El reconocimiento de las expresiones faciales es esencial para una conducta social exitosa.”
“Los 4 núcleos principales de los ganglios basales son: el estriado, el globus pallidus, la sustancia negra (pars recticulata y pars compacta), y el núcleo subtalámico. El estriado consiste a su vez en 3 importantes subdivisiones: el núcleo caudado, el putamen y el estriado ventral (que incluye el núcleo accumbens). Desde un punto de vista motor, los ganglios basales junto con los núcleos motores del tronco del encéfalo, forman el llamado sistema extrapiramidal, cuya función principal es la participación en los movimientos automáticos y en el control de la postura y el tono muscular. El caudado y putamen reciben aferencias de todas las partes de la corteza, y proyectan manteniendo la disposición topográfica sobre el globo pálido. Éste proyecta sobre el núcleo ventral del tálamo y de aquí a la corteza premotora que permite una monitorización y modulación fina de la actividad motora. Por otro lado, existen 2 sistemas paralelos de conexión recíproca con los núcleos dopaminérgicos, uno relacionado con la sustancia negra mesencefálica, y el otro, específicamente entre estriado ventral, donde se encuentra el núcleo accumbens y las neuronas dopaminérgicas del área tegmental ventral.”
“En los últimos años existe evidencia creciente del papel del estriado en funciones relacionadas con la atención y otras funciones cognitivas, y muy especialmente con el aprendizaje. El núcleo accumbens en el estriado ventral es el centro del sistema cerebral de aprendizaje basado en la recompensa.”
“Suele hablarse de un sistema cerebral de recompensa como unidad independiente, aunque se trata de circuitos directamente implicados también en el control atencional, la toma de decisiones, o el control de impulsos. Sin embargo, su estudio independiente resulta interesante debido a que estas estructuras y vías son la base del desarrollo de las conductas adictivas.” Accumbens viciado em ler. Movido a nicotina: “todas las sustancias susceptibles de inducir abuso y dependencia acaban produciendo, de forma directa o indirecta, un aumento de la transmisión dopaminérgica en el núcleo accumbens.”
“La formación hipocampal es un conjunto de estructuras corticales modificadas y, de hecho, el hipocampo es un pliegue de la corteza temporal inferior sobre sí misma. El hipocampo tiene solamente un papel indirecto en la emoción. El papel más prominente adscrito al hipocampo en el hombre tiene que ver con la memoria y el aprendizaje. En la mayoría de los sujetos el hipocampo izquierdo se relaciona principalmente con el aprendizaje y la memoria verbal, mientras que el hipocampo derecho lo hace con la memoria no verbal. Sin embargo, el hipocampo no es el almacén permanente de las memorias, y así las lesiones del hipocampo hacen que el paciente sea incapaz de almacenar nuevas memorias pero no afecta a las antiguas: amnesia anterógrada.”
“el giro dentado del hipocampo también produce nuevas neuronas, neurogénesis, durante la vida adulta en diferentes especies incluyendo el hombre. Esta propiedad tiene un papel importante en los trastornos afectivos. Así los estresores psicológicos reducen de manera importante la velocidad a la que se forman nuevas neuronas y pueden junto con la elevación en la producción de corticoesteroides¹ relacionada con el estrés, promover la muerte celular y de ahí la reducción en el volumen hipocampal descrita en pacientes con depresión crónica y otros trastornos relacionados con el estrés. Del mismo modo, los tratamientos antidepresivos actúan protegiendo, o revertiendo, estos cambios. Esto sucede tanto con los tratamientos farmacológicos antidepresivos, como con la estimulación electroconvulsiva que evita la reducción de la neurogénesis inducida por los corticoesteroides.”
¹ Corticóides
“El hipotálamo por tanto se considera una estación entre lo cognitivo y lo visceral, comunicándose de un lado con estructuras superiores como el tálamo y la corteza límbica y de otro lado, con los sistemas ascendentes provenientes del tronco del encéfalo y de la médula espinal.”
“En general los trastornos asociados con la disfunción de los circuitos córtico-prefrontales y córtico-basales-ganglio-talamo-corticales implican acción más que percepción o sensación. Estos trastornos se asocian tanto con intensificación de la acción (impulsividad) como aplanamiento de la acción (apatía). La conducta obsesivo-compulsiva se puede ver como una forma de hiperactividad. Los trastornos del humor asociados con la disfunción de estos circuitos van desde la manía a la depresión. Tanto la dopamina como la serotonina, aminas biógenas que modulan la actividad neuronal dentro de los circuitos, son importantes en la depresión”
“El sistema límbico constituye también la interfase entre lo psicológico y lo somático, de forma que la actividad generada en él va a repercutir por diferentes vías en la psicomotricidad y en todas las manifestaciones somáticas de la vida emocional con su repercusión visceral a través de los sistemas nerviosos vegetativos simpático y parasimpático y del sistema neuroendocrino. El sistema límbico además constituye una estructura que, dependiendo del estado emocional del sujeto y de sus necesidades, va a filtrar la información que recibimos de forma que atendemos a unos estímulos y desatendemos a otros.”
7. NEUROTRANSMISIÓN
“El descubrimiento por parte de Santiago Ramón y Cajal de las neuronas como unidades celulares y funcionales básicas del sistema nervioso planteó rápidamente el problema del intercambio de información entre ellas. Hoy en día sabemos que la transmisión de los impulsos nerviosos, de tipo eléctrico, a lo largo de los axones neuronales produce la liberación de sustancias químicas (neurotransmisores) que actúan sobre determinadas proteínas (receptores) localizadas en la membrana de otras neuronas, en un proceso que se conoce como neurotransmisión química. Además, existen sinapsis o uniones de tipo eléctrico, en las que las membranas de 2 células adyacentes están unidas físicamente mediante hemicanales formados por proteínas denominadas conexinas, aunque este tipo de sinapsis parecen estar restringidas a algunos tipos neuronales (p. ej., redes de interneuronas GABAérgicas inhibitorias).” “La integración de todas las señales, tanto excitatorias como inhibitorias, recibidas por la neurona, se realiza en la región somatodendrítica y en el segmento inicial del axon. Este proceso genera nuevos potenciales de acción que viajan a lo largo de los axones, liberando neurotransmisores que a su vez actúan sobre receptores situados en otras neuronas, excitándolas o inhibiéndolas según cual sea el neurotransmisor liberado y el receptor activado. La actividad del cerebro, y en definitiva nuestro comportamiento, es el resultado de los millones de comunicaciones de este tipo que se producen de forma simultánea en diversas áreas cerebrales.”
“Las principales vías neuronales del cerebro utilizan glutamato como neurotransmisor. Entre ellas, circuitos excitadores locales y distales en el cortex, hipocampo, cerebelo y otras regiones. El glutamato es también el neurotransmisor utilizado por algunas poblaciones de células bipolares y ganglionares en la retina.”
8. NEUROBIOLOGÍA INTERPERSONAL
(…)
9. BASES GENÉTICAS DE LOS TRASTORNOS PSIQUIÁTRICOS
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10. FACTORES DE RIESGO Y VULNERABILIDAD: LO BIOLÓGICO Y LO AMBIENTAL
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2. SEMIÓTICA Y DIAGNÓSTICO PSIQUIÁTRICO
11. EXAMEN CLÍNICO DE LOS PACIENTES PSIQUIÁTRICOS
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12. EXPLORACIÓN PSICODINÁMICA
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13. PSICOPATOLOGÍA DESCRIPTIVA
“Husserl, considerado ‘padre’ de la fenomenología, postula que la principal característica de la conciencia es su intencionalidad (ser intencional es la característica básica que diferencia el fenómeno psíquico del físico, con el consiguiente componente motivacional), al tiempo que analiza la estructura de los actos mentales, y cómo estos se dirigen a objetos reales e irreales (noesis, acto de conciencia y el fenómeno al que va dirigido, esto es desear; y noema, objeto o contenido que aparece en el acto noético, esto es lo deseado). De este modo, lo que vemos no es el objeto en sí mismo, sino cómo y cuándo nos es dado en los actos intencionales. El conocimiento de ‘las esencias’ sólo es posible obviando todas las presunciones sobre la existencia de un mundo exterior, así como los aspectos sin esencia (subjetivos) del cómo el objeto es dado a nosotros. Este proceso es denominado epojé (etimológicamente del griego εποχη ‘suspensión’) por Husserl, quien años más tarde introduce el método de ‘reducción fenomenológica’ para eliminar la existencia de los objetos externos, y así centrarse en lo ideal, en la estructura esencial de la conciencia, en el ‘ego trascendental’ contrapuesto al ‘ego empírico’. Muchos autores encuentran una influencia decisiva de la fenomenología en la Psicopatología general de Jaspers, autor que por su vinculación con la obra de Husserl sostiene la posibilidad de efectuar descripciones neutrales y a-teóricas de las conductas anómalas, condición indispensable para el desarrollo de una psicopatología descriptiva.”
“Atendiendo brevemente a los albores históricos de la psicopatología, los alienistas europeos de finales del XVIII fueron pioneros a la hora de acercarse con curiosidad científica a aquellos individuos (alienados) que se comportaban de un modo extraño e incomprensible para el resto de personas de la época. Cuando comenzaron a describir los fenómenos observados en sus nuevos pacientes, los alienistas se encontraron con que no disponían de un lenguaje semiológico propio que les ayudara en su tarea. Por ello recurrieron a la psicología y a la filosofía decimonónica para apoyarse en la creación, tanto de conceptos referidos a las funciones mentales ‘normales’, como secundariamente a las anomalías encontradas en los individuos objeto de su atención clínica. Esta construcción de un nuevo lenguaje semiológico se desarrolló a lo largo del siglo XIX y las primeras décadas del XX. En este tiempo, tanto la psicología como la filosofía de la mente cambiaron en varias ocasiones, por lo cual podemos afirmar que aquellos conceptos sobre los que se cimentaron los síntomas mentales ‘clásicos’ terminaron por desaparecer, al modo de las civilizaciones antiguas. Sin embargo, sorprendentemente [¡!] esos mismos síntomas mentales y muchos de los conceptos unidos a ellos siguen siendo utilizados por los psiquiatras de hoy en día, ya que aún no ha surgido ningún sistema semiológico capaz de sustituir al que con tanto esfuerzo se construyó durante siglo y medio. No podemos asegurar si este hecho obedece a la robustez del ‘modelo antiguo’, o a la insuficiencia de los psiquiatras contemporáneos para construir uno propio, nuevo y más eficaz a la hora de conceptualizar las enfermedades mentales de un modo acorde con la filosofía de la mente y con las ciencias psicológicas y biológicas modernas.”Hahaha!
“La psicopatología ha seguido tradicionalmente este modelo, de forma que los signos y síntomas mentales se clasifican en función de la facultad putativamente afectada. Sin embargo, esta clasificación aunque necesaria es claramente imperfecta, ya que cada síntoma mental comparte características propias de distintas facultades mentales.”
“La investigación neurobiológica ha aportado hasta el momento escasos resultados en el ámbito psicopatológico, bien sea por la utilización de una metodología deficiente, o bien por la posibilidad de que el objeto a estudio (la conducta humana) sea intrínsicamente opaca y, por tanto, no pueda ser captada su especificidad por parte de ningún lenguaje”
“Todo ello nos lleva a plantearnos la necesidad de una remodelación de la psicopatología del futuro (‘psicopatología científica’). La psicopatología descriptiva actual ha avanzado poco desde sus orígenes en el siglo XIX, y si entonces el nivel de descripción se acoplaba a la perfección al de las necesidades del trabajo de la microscopía y a la anatomía macroscópica de la época, hoy en día la investigación neurobiológica debe de incluir análisis cuantitativos, estadísticos y dimensionales que distan mucho del poder resolutivo de la psicopatología tradicional.”
“Así, los esquemas descriptivos psicopatológicos se obtienen forzando los distintos estados mentales de los pacientes y adecuándolos a los conocimientos de cada época, al tiempo que se ignoran y se engloban aquellos otros síntomas que por razones diversas nunca han sido descritos.”
“podemos preguntarnos dónde encontramos en la clínica actual las floridas manifestaciones sintomáticas motoras de la histeria (‘conversión’) o de la esquizofrenia (‘catatonia’) que nutren innumerables páginas de los tratados psicopatológicos clásicos.”
“Los conceptos de proceso, desarrollo y reacción, así como el de comprensibilidad, fueron completados y popularizados por Jaspers en su obra cumbre” “Resulta imprescindible para cualquier clínico el adecuado conocimiento de su significado contextual, así como de su repercusión académica. Pese a todo, Berrios defiende que la psicopatología descriptiva comienza a desarrollarse significativamente un siglo antes de que Jaspers publique su obra, y que tanto esta última como la fenomenología no parecen haber resultado tan cruciales para la evolución psicopatológica como muchos autores afirman.”
“Jaspers, junto con autores de la talla de Weber, Dilthey, Husserl o Heidegger, considera que las ciencias ‘humanas’ necesitan una técnica diferenciada del método científico (observación más explicación) propio de las ciencias ‘naturales’.”
“Para Jaspers un proceso se corresponde con la modificación duradera e incomprensible para el observador de la vida psíquica de un individuo, la cual conlleva una alteración permanente, una descomposición y transformación de su personalidad premórbida, que acaba generando algo ‘nuevo’, totalmente distinto a su vida y personalidad previas.”
14. NEUROPSICOLOGÍA
“En la segunda mitad del siglo XIX, los trabajos de Broca y Wernicke sobre las afasias (síndrome neuropsicológico por antonomasia) establecieron por primera vez un sustrato neuroanatómico para disfunciones cognitivas específicas. Esta visión localizacionista, que puede rastrearse hasta las propuestas de la frenología, encaja mejor en la neurología porque las funciones más elementales pueden localizarse de manera precisa en el córtex cerebral.”
“En cambio, las enfermedades psiquiátricas no se caracterizan por lesiones cerebrales focales y su psicopatología es la de las funciones cognitivas más complejas.”
“una serie de estudios comparativos entre pacientes con esquizofrenia y pacientes con daño cerebral, siguiendo la distinción que se hacía antaño entre trastornos funcionales y orgánicos, coincidieron en señalar a finales de la década de 1970 que los rendimientos neuropsicológicos de ambos grupos eran indistinguibles. Este dato, junto con los signos de atrofia cortical y dilatación ventricular detectados en los estudios pioneros de neuroimagen, sentó las bases para considerar la esquizofrenia como una enfermedad cerebral.”
“De manera intencional, se han excluido el lenguaje y las habilidades visuoconstructivas y la cognición social por considerar que no forma parte de la neuropsicología convencional.”
“Típicamente, las tareas de recuerdo, como generar una lista de palabras o un dibujo, requieren un esfuerzo cognitivo mayor que las de reconocimiento, como decidir si una palabra o una imagen han sido presentadas o no con anterioridad.”
“En realidad [la atención] es un concepto multidimensional que incluye: atención focalizada (atender la información relevante), atención sostenida o vigilancia (mantener la atención en el tiempo), atención selectiva (ignorar estímulos distractores o irrelevantes), atención alternante (flexibilidad para cambiar de una tarea a otra) y atención dividida (realizar dos tareas diferentes de manera simultánea, lo que indica la habilidad de trabajar en paralelo).”
“la evaluación del cociente intelectual (CI) no es un método adecuado para estudiar funciones neurocognitivas concretas.”
“Para poder hablar propiamente de deterioro cognitivo es preciso determinar el nivel de funcionamiento cognitivo previo a la enfermedad, es decir, la inteligencia premórbida del sujeto. Como poquísimas veces se dispone de evaluaciones previas para poder compararlas con el rendimiento actual, habitualmente debe recurrirse a realizar una estimación mediante diversos métodos, ninguno de los cuales es completamente satisfactorio. La estimación cualitativa tiene en cuenta los logros educativos o profesionales alcanzados por un sujeto, lo que no está exento de sesgos. Por ello, es preferible hacer una estimación cuantitativa a partir de los rendimientos en tareas verbales que se supone son relativamente resistentes (‘inteligencia cristalizada’) a los efectos de la disfunción cerebral o de la edad, como el vocabulario, la comprensión verbal o la información general.” “En cualquier caso, el mejor método para confirmar un deterioro cognitivo progresivo es la realización de evaluaciones repetidas en el tiempo. La estimación de la inteligencia premórbida tiene también utilidad para el pronóstico, ya que establece unas expectativas de recuperación, y en el pareamiento con el grupo control en investigación.”
“Es muy importante poder determinar si un anciano con quejas de memoria presenta el inicio de una demencia, una depresión con manifestaciones cognitivas o un trastorno específico de la memoria.”
THE UNCANNY WRITER: “Las funciones relativamente preservadas en la esquizofrenia son los conocimientos verbales y el lenguaje en sus vertientes de comprensión y denominación.”
“[En la depresión unipolar] la función cognitiva más afectada es la memoria declarativa, seguida de la fluidez verbal, la atención sostenida y la velocidad psicomotora, estando más conservadas la memoria semántica, la memoria de trabajo, el razonamiento conceptual y las habilidades visuo-perceptivas. En los trastornos afectivos, uno de los datos más consistentes es la disociación que se produce en memoria, estando alterada la explícita y conservada la implícita. Hasta fechas relativamente recientes se habían asumido las alteraciones neuropsicológicas como un mero epifenómeno de la sintomatología depresiva, es decir, transitorias y reversibles de forma paralela a la mejoría clínica. Hoy se sabe, sin embargo, que pueden persistir más allá de la remisión clínica.”
15. (…)
16. (…)
17. DIAGNÓSTICO Y CLASIFICACIÓN EN PSIQUIATRÍA
“El futuro DSM-V verá la luz en 2010, siguiendo el esquema neo-kraepeliniano[,] intentará dar cabida a las tendencias desde las más biológicas hasta las formulaciones culturales.”
2. GRANDES SÍNDROMES PSIQUIÁTRICOS
“El estudio de los síntomas fue fructífero en la psiquiatría del siglo XIX, que gracias a la influencia de la escuela francesa construyó, entre 1820 y 1850, bajo el impulso de la psicopatología descriptiva, las bases de una psiquiatría de orientación médica en la que el conjunto de síntomas estables permitía perfilar enfermedades de base presumiblemente biológica.
La dinámica de la escuela francesa y posteriormente la alemana, de la mano de Griesinger, culminó, hacia finales del siglo XIX, con la clasificación de Kraepelin, que se erigió en guía de las futuras clasificaciones durante el siglo XX. Sin embargo, hacia finales del siglo XX la psiquiatría americana elaboró una clasificación, el DSM III (1980), que rehuyendo la ideología y basándose solamente en la clínica, obviase los problemas ideológicos de las clasificaciones europeas. Con esta pretensión se han ido elaborando posteriores clasificaciones (DSM III-R, DSM IV, DSM IV-TR) cuyo mayor acierto ha sido mejorar notablemente la fiabilidad pero no la validez.
Toda esta situación ha cristalizado en una aceptación internacional de la clasificación americana pero un empobrecimiento de la clínica, que se ha convertido en una suma aséptica de síntomas desde los cuales se diagnostican enfermedades.
Por estas razones se impone una vuelta a la clínica refinada, que tenga en cuenta síntomas y signos, para diagnosticar enfermedades de una forma precisa. Otros factores, además de los síntomas, pueden ayudar a la construcción de patología, como los marcadores biológicos, los antecedentes familiares, el curso, el pronóstico y la respuesta terapéutica. (…) Sin embargo, la primera parte, que supone una clínica refinada, está obstaculizada por una psiquiatría que desde hace casi 30 años se ha ido relajando en torno a diagnósticos fáciles y de manual, como los DSM. Volver a adquirir la precisión clínica, la valoración de las categorías y el abandono de los espectros y la hegemonía de la ideología psiquiátrica y el ojo clínico, no es tarea fácil, si bien hay que intentarlo.”
“En el capítulo 21, Manuel Camacho se enfrenta a temas clásicos en psiquiatría como la paranoia, todavía aceptada en la nueva psiquiatría, y la parafrenia, de corte clásico, actualmente en desuso, pero con aún vigencia clínica. Puede celebrarse la presencia de estos trastornos señeros de la psiquiatría en este libro.”
“El conjunto de los trastornos nucleares de la ansiedad se aborda por parte de Guillem Pailhez y Antonio Bulbena en el capítulo 26. Aunque el capítulo engloba trastornos de ansiedad, fobias y crisis de angustia, se profundiza más en los trastornos de angustia que en las fobias, aún abordándose los aspectos más sobresalientes de las mismas. Asimismo, hay que celebrar que se emplee el clásico término de crisis de angustia, tan querido en la psiquiatría europea.
Siguiendo los criterios actuales de clasificación, Margarita Vives, Saray Monzón y Miguel Roca, abordan los trastornos somatomorfos y conversivos de forma sucinta y clara en el capítulo 27. Deshauciada y desmembrada la histeria como enfermedad, estos trastornos conforman un heterogéneo grupo que crea dificultades prácticas al clínico, sobre todo en el plano terapéutico.
Finalmente, Pau Pérez-Sales se enfrenta al trastorno adaptativo y reacciones de estrés en el capítulo 28, que como el autor señala es una categoría puente entre la normalidad y el trastorno. Son las clásicas reacciones frente a estresores ambientales. Por su frecuencia afectan al clínico que debe discernir entre conceder al cuadro la naturaleza de patológico o ubicarlo entre las reacciones humanas normales. Por otra parte, tal como se concreta en el propio capítulo la farmacología tiene un papel discutido y discreto frente a opciones de tipo psicológico.”
(…)
26. TRASTORNOS DE ANSIEDAD, FOBIAS Y CRISES DE ANGUSTIA
“Aunque hoy día ansiedad y angustia se utilizan de forma casi indistinta, el término anxietas describe una vivencia más larvada y permanente, mientras que angustia tiene su origen en angor y remite a una mayor intensidad y a un sufrimiento ‘somático’ (angor deriva del verbo ango: oprimir, estrangular, estrechar).” (1)(referências bibliográficas ao final do capítulo)
“El común denominador de las fobias es la angustia desplazada con un pretexto hacia objetos, actividades o situaciones específicas que son vividas por el sujeto como temores irracionales, persistentes, exagerados y patológicos.”
“Según Ey(4), la angustia patológica se distingue por:
a. Ser anacrónica, pues lleva a revivir situaciones pasadas.
b. Ser fantasmagórica, pues su génesis no es el mundo real, sino la representación imaginaria de un conflicto inconsciente. [eu vulnerável vs. meu pai no auge]
c. Ser estereotipada o repetitiva por cuanto está afincada en el carácter del sujeto.”
“El término neurosis, acuñado por primera vez por el médico escocés Cullen en 1769, facilita la comprensión de una conexión estrecha entre distintas formas clínicas con origen fundamentalmente psicológico, sin olvidar su asociación a determinados factores morfofisiológicos. Con la finalidad de centrarse en criterios clínicos y descriptivos, la psiquiatría norteamericana prescindió del término neurosis a partir de la aparición del DSM-III en 1980(5), aunque su uso se mantiene en el ámbito de la psiquiatría europea. En el actual DSM-IV-TR(6) las neurosis quedan recogidas en 3 apartados de trastornos: los de ansiedad, los somatomorfos y los disociativos.
Siguiendo a Vallejo(3), en las neurosis, la distinción sano/enfermo es más tenue, requieren de un abordaje de tipo más dimensional que categorial y posiblemente comparten un temperamento nuclear ansioso. En el campo de la investigación biosomática de las neurosis, diversos estudios clásicos y actuales confirman la presencia de factores morfofisiológicos particulares que acompañan a la personalidad neurótica. Entre otros, el hábito corporal asténico o ectomorfo, la disfunción del sistema nervioso vegetativo y la mayor elasticidad tisular.”
“En el DSM-III (1980) y siguiendo los trabajos de Klein en la década de los 60 [que idade tinha Klein quando publicou esses trabalhos?],¹ se distinguen las categorías de trastorno por crisis de angustia y trastorno de ansiedad generalizada.(7)” Que lástima que dependamos do conhecimento original de psicanalistas a este respeito – ou seja, estamos no escuro!
¹ O Wikipédia diz que ela morreu em 22/9/60, ora! Klein e anos 60 são dois conjuntos que não intersecionam!
“En la CIE-108, las neurosis se mantienen agrupadas bajo el epígrafe ‘trastornos neuróticos, secundarios a situaciones estresantes y somatomorfos’ que recoge hasta 7 categorías:
a. Trastornos fóbicos
b. Otros trastornos de ansiedad
c. Trastorno obsesivo-compulsivo
d. Reacción a estrés grave y trastorno de adaptación
e. Trastornos disociativos
f. Trastornos somatomorfos
g. Otros trastornos neuróticos
A diferencia del DSM, en la CIE-10 aparece antes la distinción entre los trastornos de ansiedad propiamente dichos (pánico, ansiedad generalizada, trastorno mixto ansioso-depresivo) y las fobias (agorafobia, fobia social y fobia específica).”
Quase 1 entre 10 pessoas (nos países de primeiro mundo, pelo menos) possui algum tipo de fobia específica.
“En general, las mujeres son 2 veces más proclives a padecer trastorno de angustia y de ansiedad generalizada que los hombres. La edad de inicio de ambos trastornos se sitúa entorno a los 20 y los 40 años, y la duración media de los síntomas antes de recibir un tratamiento, en el caso del trastorno de angustia, es de 5 años. Cabe recordar que la mayoría de cuadros de gran ansiedad de inicio en edades avanzadas son en realidad depresiones ansiosas(7).”
“En la población infantil son frecuentes los temores (90%) con una incidencia manifiesta a los 3 años, y la mayor parte van disminuyendo hasta desaparecer en la adolescencia. El promedio de edad de inicio de la fobia social se sitúa entre la adolescencia y el principio de la tercera década de la vida, y es muy raro que lo haga a partir de los 25 años.”
FACTORES BIOLÓGICOS DEL TRASTORNO DE ANSIEDAD GENERALIZADA(13)
“Los estudios sobre una posible base familiar y genética en el trastorno de ansiedad generalizada muestran resultados poco definitorios. Aunque existen estudios que avalan un patrón familiar, los estudios gemelares han arrojado resultados contradictorios. En conclusión, la diátesis genética para el trastorno de ansiedad generalizada no basta para explicar la aparición de todos los casos.”
Nos estudos neuroquímicos, para variar, não sabem porra nenhuma!
“El eje hipotálamo-hipófiso-suprarrenal (HHS) parece estar hiperactivado en el trastorno de ansiedad generalizada, y probablemente contribuye a perpetuar el trastorno.” “Otro sistema evaluado es el eje tiroideo, aunque con resultados menos claros.”
“Se han implicado de forma clara con estados de ansiedad las siguientes estructuras: amígdala, hipocampo, corteza prefrontal, locus coeruleus y la sustancia gris perisilviana. Sin embargo, destaca el núcleo central de la amígdala como regulador de la respuesta vegetativa al miedo. Recibe aferencias sensoriales del prosencéfalo y envía eferencias a la sustancia gris perisilviana (respuesta de huida, bloqueo o defensa), al núcleo motor dorsal del vago (activación cardíaca), al núcleo parabraquial (activación respiratoria), al núcleo paraventricular del hipotálamo, locus coeruleus y a la región tegmentaria ventral (responsables de la activación del eje HHS).”
“El trastorno de ansiedad generalizada se ha asociado con alteraciones de la función respiratoria y cardiovascular, respaldando la idea que la preocupación crónica se acompaña de una disfunción del sistema nervioso vegetativo (tensión arterial sistólica más baja después de levantarse, acortamiento del intervalo entre latidos en el ECG, etc.). Destaca el perfil EEG del sueño con un descenso de la fase de ondas lentas (sobre todo de la fase IV) y los cambios en las ondas alfa de bajo voltaje, aunque sin ser estos cambios específicos de este trastorno.”
TRASTORNO DE ANGUSTIA(14)
“Es ya conocida la naturaleza hereditaria del trastorno de angustia. Las últimas investigaciones para hallar las anomalías genéticas implicadas tratan de identificar un endofenotipo que reuniría el trastorno de angustia, un biotipo asténico o ectomorfo(15) y las enfermedades médicas con las que se asocia muy a menudo.”
“Posteriormente se ha comprendido el PVM como una entidad propia del síndrome de hiperlaxitud articular (SHA), un trastorno hereditario benigno asociado a un incremento de la flexibilidad del tejido conectivo. El SHA ha resultado un potente marcador biológico subyacente a los trastornos de ansiedad, en especial al espectro crisis de angustia/fobias, tanto en estudios epidemiológicos, como en población general y en estudios clínicos con pacientes(16)(17)(18). La tesis de la autoinmunidad en el trastorno de angustia se apoya en la observación de un aumento de los anticuerpos antiserotonínicos y de los anticuerpos antiidiotípicos dirigidos contra los receptores de serotonina. Entre otras asociaciones frecuentes con el trastorno de angustia (además del SHA) se encuentran la fibromialgia, el síndrome de fatiga crónica, el síndrome del colon irritable, el hipotiroidismo, el asma, la rinitis alérgica, la sinusitis y una disfunción del sistema nervioso vegetativo.”
“Según este modelo, los síntomas neuróticos son patrones aprendidos de conducta inadaptativos que se originan por los mismos mecanismos de aprendizaje (condicionamiento) que la conducta normal. Después de producido el condicionamiento, en un segundo estadio, por un proceso de condicionamiento operante o instrumental, se fija y se refuerza la conducta neurótica al reducir ésta la ansiedad. A pesar de su capacidad explicativa para algunos cuadros neuróticos (manejo de la ansiedad anticipatoria y conductas de evitación agorafóbicas), las teorías conductistas se muestran insuficientes para aclarar la etiopatogenia del trastorno de ansiedad generalizada o la emergencia de la crisis de angustia espontánea.
La valoración cognitiva permanente de los estímulos externos como amenazantes y la infravaloración de las capacidades personales está en la base de la génesis de la angustia.”
“En el trastorno de ansiedad generalizada, se han señalado 2 tipos de cogniciones, la primera en relación con preocupaciones por estímulos externos e internos (sensaciones corporales) y la segunda, en relación con una sobrevaloración de la probabilidad o la intensidad de los acontecimientos amenazantes, lo que mantiene el trastorno.”
“Existen autores que defienden que estos trastornos son en realidad una constelación de rasgos de personalidad desadaptativos, una personalidad alterada en su desarrollo caracterial y en su infraestructura neurovegetativa o temperamental (estructura y funcionamiento innato del sujeto; ver constitución y ansiedad). El rasgo de ansiedad puede definirse como una disposición bastante estable para responder con un estado de ansiedad a una amplia gama de situaciones.(22) Además el rasgo de ansiedad se asocia a una tendencia a la preocupación y a una estimación alta del peligro. Así pues, el trastorno de ansiedad generalizada podría ser el resultado de un estilo de afrontamiento caracterizado por hiperactivación y preocupación ante el más mínimo estrés(13).” Imagina a merda: ter um pai tirânico e depois encarar a reascensão do fascimo!
“Cloninger ha propuesto un modelo para explicar la ansiedad crónica mediante la combinación de rasgos temperamentales. En concreto, propone que un grado extremadamente alto (sobrevaloración del riesgo) o bajo (alto riesgo de experiencias traumáticas) de evitación del daño predispone a la ansiedad crónica.” Não dar muita fé a esse autor, pelo que vi nos capítulos precedentes…
“Generalmente, el enfermo pone los elementos somáticos en primer plano.”
“Para el diagnóstico se requieren 4 de estos síntomas, aunque pueden existir formas mitigadas con menos síntomas (crisis sintomáticas limitadas) o crisis sin componente psíquico (non-panic attacks), motivo que puede favorecer la elevada frecuencia de consultas médicas no-psiquiátricas entre los pacientes con crisis de angustia en los servicios ambulatorios o de urgencias.”
“Desde su primera descripción en el DSM-III, el trastorno de ansiedad generalizada fue considerado una categoría residual. Actualmente, diversos autores han criticado su estatus nosológico y se propone, para los siguientes DSM, el uso de una concepción diagnóstica dimensional(3)(24).”
OTORRINO MAS É SÉRIO: “La tensión muscular ocasiona bastantes cefaleas y dolores musculares crónicos. Si el cuadro se prolonga, se pueden sobreañadir síntomas depresivos como tristeza, apatía, astenia intensa, desinterés, pérdida del impulso vital, etc. Como en el trastorno de angustia, aunque sin una manifestación crítica de los síntomas, en la ansiedad generalizada los síntomas vegetativos son variados y pueden remedar a una serie de enfermedades médicas, de modo que suelen ser atendidos por especialistas ajenos a la salud mental.(24)”
“El curso del trastorno de angustia suele ser crónico con fluctuaciones. Un 50% de los pacientes no vuelve a presentar crisis de angustia, un 30-40% presentan formas mitigadas y un 10-20% no remiten.(7) La respuesta al tratamiento es rápida, pero son frecuentes las recaídas tras el abandono temprano de la medicación.(26)”
“Si no se trata adecuadamente, el cuadro puede empeorar con conductas agorafóbicas y terminar en un estado de desmoralización, hipocondría y abuso de tranquilizantes o alcohol.
La evolución del trastorno de ansiedad generalizada también es crónica con fluctuaciones. Comienza hacia los 20 años, pero con peor evolución en pacientes con manifestaciones antes de los 10 años por su efecto en el carácter. La remisión prolongada sin tratamiento se da pocas veces. La evolución a largo plazo varía. La intensidad depende de diversos factores, entre ellos la comorbilidad, el apoyo ambiental, el temperamento y la duración de la enfermedad.”
Sintomas secundários ligados marginalmente a outros distúrbios:
“Pueden aparecer crisis pero ante exposición o pensamientos obsesivos, las preocupaciones no son por problemas diarios de la vida real” (TOC) – Sempre as insônias se referem a acontecimentos remotos do passado.
“Crisis o síntomas de angustia centrados en situaciones sociales” (fobia social)
“Crisis o síntomas de angustia ante objetos o situaciones determinadas” (fobia específica) – PAIFOBIA!
“Crisis o síntomas de angustia ante recuerdos del desencadenante” (transtorno de estresse pós-traumático)
“crisis infrecuentes en melancolía” (depressão)
“Otros fármacos utilizados con más o menos eficacia son el antidepresivo de acción dual venlafaxina, los eutimizantes gabapentina y ácido valproico, y los neurolépticos atípicos olanzapina y quetiapina a dosis bajas.
Junto a la utilización de la terapéutica farmacológica ansiolítica para la estabilización sintomática debe estudiarse siempre la posibilidad de iniciar una psicoterapia psicoanalítica o cognitivo-conductual.”
ANSIEDADE GENERALIZADA – PROFILAXIA (29)
“Los antidepresivos también se han utilizado para el tratamiento del trastorno de ansiedad generalizada. Cualquier ISRS, los ISRN o los ADT pueden ser útiles para el tratamiento a largo plazo de la angustia crónica. En la angustia a corto plazo pueden utilizarse las benzodiazepinas de vida media larga como el clonazepam (0,5-2 mg/día), el cloracepato dipotásico (5-15 mg/día) o el diazepam (10-30 mg/día). Otras posibilidades de tratamiento avaladas por ensayos clínicos son la buspirona (agonista 5-HT1A) a dosis de 20-40 mg/día, la hidroxizina (antagonista H1) a dosis de 50 mg/día o la pregabalina (modulador de la hiperexcitación neuronal por unión a los canales calcio dependientes) a dosis de 150-600 mg/día.”
BIBLIOGRAFIA:
(1) Vallejo J, Sánchez Planell L, Díez C, Menchón JM. Editores. La neurosis de angustia en el siglo XXI. Barcelona: Ars Medica; 2004.
(3) Vallejo J. Editor. Introducción a la psicopatología y la psiquiatría.5ª ed. Barcelona: Masson; 2002.
(4) Ey H, Bernard P, Brisset C. Tratado de psiquiatría.8ª ed. Barcelona: Masson; 1996.
(5) = (1)
(6) DSMerda
(7) = (3)
(13) Stein DJ, Hollander E. Editores. Tratado de los trastornos de ansiedad. Barcelona: Ars Medica; 2004.
(14) = (13)
(15) Bulbena A, Martin-Santos R, Porta M, et al. ‘Somatotype in panic patients.’Anxiety 1996; 2(2): 80-5.
(16) Bulbena A, Agullo A, Pailhez G, et al. ‘Is joint hypermobility related to anxiety in a nonclinical population also?’ Psychosomatics 2004; 45(5): 432-7.
(17) Bulbena A, Gago J, Martín-Santos R, et al. ‘Anxiety Disorder & Joint Laxity. A definitive link.’ Neurology, Psychiatry and Brain Research 2004; 11: 137-40.
(18) Martín-Santos R, Bulbena A, Porta M, et al. ‘Association between the joint hypermobility syndrome and panic disorder.’Am J Psychiatry 1998; 155: 1578-83.
(22) Spielberger CD. Editor. Anxiety: current trends in theory and research. New York: Academic Press; 1972
(24) = (13)
(26) Kaplan HI, Sadock BJ, Grebb JA. Sinopsis de psiquiatría. 7ª ed. Buenos Aires: Editorial Médica Panamericana; 1996.
(29) = (13)
27. TRASTORNOS SOMATOMORFOS Y CONVERSIVOS
“Los trastornos somatomorfos, sumergidos en la actualidad en una amplia controversia nosológica, suponen una importante repercusión en el funcionamiento psicosocial de los pacientes así como una clara incidencia en el sistema asistencial. Se trata de cuadros sumamente problemáticos en su manejo por parte de los clínicos, especialmente los médicos de atención primaria, que ven cómo una parte muy importante de su tiempo es consumido por estos pacientes, sin grandes estrategias terapéuticas disponibles. Su característica principal es la presencia de síntomas físicos que sugieren una enfermedad médica, pero que no se explican completamente por ella, causan discapacidad ocupacional o social y no son intencionados.
Entre ellos se incluyen, si seguimos las actuales nosologías:
• Trastorno de somatización
• Trastorno somatomorfo indiferenciado
• Trastorno de conversión
• Trastorno por dolor
• Hipocondría
• Trastorno dismórfico corporal
• Trastorno somatomorfo no especificado”
“El término trastorno somatomorfo tiene grandes dificultades conceptuales y de validez, hasta el punto que podría ser una de las categorías diagnósticas que sufra mayores cambios en las futuras clasificaciones. Se utilizó por primera vez en el DSM-III como un conjunto de ‘síntomas físicos no explicables por enfermedades o mecanismos fisiopatológicos conocidos y por la fuerte presunción de que estaban vinculados a factores psicológicos’. Se pretendía así, en falso, cerrar el círculo en torno a un grupo de pacientes con un diagnóstico confuso, como consecuencia de la supresión del epígrafe de ‘neurosis’. Posteriormente fue incluido en la CIE-10 como un trastorno caracterizado por ‘la presencia de síntomas somáticos con demandas persistentes de exploraciones clínicas, a pesar de los resultados negativos repetidos en las mismas y de las continuas garantías de los médicos de que los síntomas no tienen justificación somática’.
El antecedente histórico de los trastornos somatomorfos se halla en el concepto de histeria, que perduró como un trastorno cuya causa residía en el útero hasta la época del Renacimiento. Paracelso, Thomas Willis, Sydenham, Mesmel y Pinel fueron los primeros en asociar la histeria a factores psicológicos y eliminaron la relación que existía entre este trastorno y el útero. En concreto, el trastorno de somatización tiene su origen en el ‘síndrome de Briquet’. A mediados del siglo XIX, Briquet separó la somatización de la conversión a partir de una descripción de un síndrome de múltiples síntomas motores y sensoriales en su Traité clinique et thérapeutique de l’hystérie. En 1911, Stekel utilizó por primera vez el término ‘somatización’ y lo definió como ‘el proceso por el cual los conflictos neuróticos pueden presentarse como un trastorno físico’.(10) En la década de los 70 se acuñó el término somatoform disorder en los Research Diagnostic Criteria (RCD).”
“Los 2 sistemas clasificatorios más utilizados actualmente, DSM-IV y CIE-10, consideran la presencia de síntomas somáticos para realizar el diagnóstico de los trastornos somatomorfos, excluyendo cualquier tipo de causalidad, excepto para el trastorno conversivo.”
“la categoría neurastenia, no contemplada en el DSM-IV.”
a) “TRASTORNO DE SOMATIZACIÓN (CIE-10, DSM-IV-TR)
La característica principal de este trastorno es la presencia de múltiples y recurrentes síntomas somáticos, no completamente explicados por causas orgánicas ni por los efectos directos de una sustancia, que conducen al paciente a una incesante demanda de atención de los servicios de atención primaria y especializados (en la terminología anglosajona, doctor shopping). Puede existir afectación de cualquier órgano o sistema, aunque son más frecuentes los problemas gastrointestinales (dolor abdominal, náuseas, vómitos, regurgitación, meteorismo, [acúmulo de gases] etc.) y de la piel (prurito, quemazón, hormigueo, entumecimiento, dolorimiento, enrojecimiento, etc.), así como síntomas de la esfera sexual y menstruales.”
“El trastorno de somatización suele presentarse en la adolescencia y generalmente se diagnostica antes de los 25 años de edad.”
“El curso tiende a ser crónico y se presenta de manera fluctuante, con periodos de remisión no superiores a un año de duración y sucesivas recaídas.”
“Diversos trabajos señalan índices diferentes de prevalencia, que oscilan entre un 0,2 y un 2% en mujeres y menos de un 0,2% en hombres.”
“Existen dificultades para diferenciar los trastornos de ansiedad con el trastorno de somatización.” “A diferencia de estos pacientes, en el trastorno de somatización las quejas aparecen de forma independiente al estado de ánimo del individuo.” “Finalmente, el trastorno de somatización se distingue del trastorno facticio y de simulación por la falta de intencionalidad en la producción de los síntomas.”
b) TRASTORNO SOMATOMORFO INDIFERENCIADO “Está relacionado con otros trastornos psiquiátricos entre los que destacan los trastornos depresivos y de ansiedad (50% de los pacientes con este trastorno frente al 7% de la población general). El curso de estos síntomas tiende a ser crónico y recurrente, aunque hay pocos estudios al respecto. Provoca deterioro laboral, discapacidad y un consumo inadecuado de recursos, aunque en menor medida que el trastorno de somatización.”
“El (c)diagnóstico de trastorno por dolor debe efectuarse únicamente en el caso de que el dolor sea centro de atención clínica independiente y altere significativamente la vida del individuo.”
“Este trastorno [(d) hipocondría] presenta un alto índice de comorbilidad psiquiátrica: ansiedad generalizada, distimia, depresión mayor, trastorno de somatización y trastorno de angustia.”
“Las preocupaciones hipocondríacas no son creencias delirantes, a diferencia de lo que ocurre en los trastornos psicóticos.”
“Durante los siglos XVII y XVIII una gran variedad de trastornos tales como la hipocondríasis, la histeria o la dispepsia se incluyeron dentro del término general ‘trastornos nerviosos’, creado por Briefe en 1603 y que fue reemplazado más tarde por el de ‘temperamento nervioso’.”
“Briquet fue el primero en señalar la asociación entre el trastorno de conversión y los trastornos del sistema nervioso central, y en sugerir que la causa de dicho trastorno se encontraba en el estrés y situaciones ambientales, que afectan las áreas ‘afectivas’ del cerebro de una persona con una hipersensibilidad premórbida.”
“Janet concebía la histeria como ‘una forma de depresión mental caracterizada por la limitación del campo de la conciencia y por la tendencia a la disociación y la emancipación de los sistemas de ideas y funciones que constituyen la personalidad’, que podía afectar a un amplio conjunto de funciones mentales y físicas en personas temperamentalmente predispuestas, después de experimentar situaciones estresantes o traumáticas.(29)
“La clasificación del trastorno de conversión ha sido siempre un hecho controvertido. Buena muestra de ello es el hecho de que desde los años 50 haya sufrido diversas variaciones en su nomenclatura, y que en la actualidad se adscriba a categorías diferentes en función del modelo clasificatorio.”
“A pesar de la impresión generalizada de que la prevalencia de este trastorno en los países desarrollados está en declive, existen pocos estudios al respecto. En población general las cifras varían en función de los estudios, desde el 11 al 500/100.000. [0,0001% a 0,005%] La distribución por género indica que las mujeres adultas presentan el trastorno de conversión de 2 a 5 veces más que los hombres.”
“Los síntomas de parálisis, afonía y ceguera ofrecen mejor pronóstico que los temblores y las convulsiones.” “La probabilidad de que se produzca una remisión espontánea a los 2 años se estima en torno al 50%. Otros estudios indican tasas de remisión del 60 al 75% en los primeros 5 años desde el inicio de los síntomas.”
“A diferencia de lo que ocurre con las crisis epilépticas neurológicas, a menudo tras una crisis conversiva el paciente será capaz de recordar lo que ocurría a su alrededor durante las convulsiones. El diagnóstico de un trastorno de origen no orgánico se establece a partir de hallazgos inconsistentes, incoherencia entre los hallazgos físicos y funcionales e inconsistencia entre los síntomas y los sistemas anatómico o fisiológico.”
“Algunos estudios afirman que entre el 25 y el 50% de los pacientes diagnosticados de trastorno de conversión recibirán posteriormente un diagnóstico de enfermedad médica que explica la presencia de los síntomas. Este porcentaje es mucho menor en publicaciones recientes, probablemente debido al mayor conocimiento que en la actualidad existe sobre el trastorno y a los grandes avances en las técnicas diagnósticas.”
“Prácticamente la mitad de los ensayos incluían pacientes con cefaleas y otros 18 con el diagnóstico de fibromialgia.”
“Con fármacos antidepresivos existen resultados positivos con fluoxetina, hierba de San Juan, opipramol y venlafaxina en lo que respecta a determinados síntomas somáticos como el dolor.” “los resultados son malos en los estudios que incluyen tratamientos alternativos como la hipnosis.”
BIBLIOGRAFIA:
(10) Stekel W. Die sprache des traumes.Wiesbaden: Bergmann, 1911.
(29) Hare E. The history of “nervous disorders” from 1600 to 1840, and a comparison with modern views.Br J Psychiatry, 1991.
28. TRASTORNOS ADAPTATIVOS Y REACCIONES DE ESTRÉS
“La categoría de ‘trastorno adaptativo’ y las denominadas ‘reacciones de estrés’ constituyen entidades únicas dentro de la nosología psiquiátrica, por cuanto son las únicas que refieren a un agente etiológico y no a la presencia de un síndrome. Recogen las múltiples reacciones posibles ante situaciones de cambio, amenaza o pérdida frente a las que no es posible adaptarse o cuando las personas se sienten subjetivamente sobrepasadas por los acontecimientos. Se trata, en este sentido, de lo más cercano a una ‘patología de la vida cotidiana’ o patología psicosocial.”
“El trastorno adaptativo es uno de los diagnósticos limítrofes entre patología y normalidad más frecuentemente usados por el personal de salud.”
“Desde un modelo ‘psicologizante’ se ha considerado la necesidad de reconocer y legitimar las dificultades de adaptación al medio para poder brindar desde el sistema de salud la atención adecuada. El máximo exponente son las patologías psicosociales contemporáneas (acoso laboral (mobbing), acoso escolar (bullying), síndrome de estrés laboral (burnout), síndromes de cansancio crónico etc.). Desde un modelo ‘salutógeno’ del ser humano se entiende por el contrario que existe una tendencia social contemporánea a una intolerancia a las emociones negativas y una medicalización de la vida cotidiana ante cualquier forma de sufrimiento. Así, se convertirían en problemas psiquiátricos la ausencia de una vida gratificante, las disputas con las personas del entorno o los problemas laborales, convirtiendo en enfermedad (y por tanto en problema individual a dirimir en la intimidad de la consulta) lo que antaño eran las diferencias habituales con el grupo natural, los reveses esperables de la vida o los problemas sindicales o colectivos.” Senhores salutogênicos: se não for via médica, por que via se dará essa luta por uma vida menos pior?
“El trastorno adaptativo no ha sido incluido en ninguno de los grandes estudios de epidemiología psiquiátrica.”
“Reacción a estrés agudo (CIE-10) / Trastorno por estrés agudo REA (DSM-IV-TR). La CIE-10 defiende una tesis ‘normalizadora’ en la que conceptualiza estas reacciones como un estado transitorio tras un hecho amenazante extremo, que dura unos días (a lo sumo 2-3) y en los que lo que predominaría sería un estado de shock o aturdimiento. El DSM-IV-TR en cambio, habla de trastorno y no de reacción, prolonga su posible duración hasta las 4 semanas, sólo incluye las amenazas de carácter físico y no considera las psicológicas (lo que resulta incoherente con que si acepte el estrés vicario, es decir, el producido por oír hablar o contemplar hechos que suceden en otros)” “síntomas de reexperimentación, evitación acusada de recuerdos del trauma y experimentar malestar significativo o deterioro en el funcionamiento.”
“La epidemiología muestra, además, que no todos los hechos traumáticos tienen un impacto similar. Mientras se estima que entre un 5-10% de personas desarrollan secuelas a un accidente de tráfico con riesgo vital, en el abuso sexual con violencia física esta se eleva al 35 al 50% (según estudios) y hasta al 50% a 65% si ésta se produce por un familiar o amigo cercano.”
“aquellos de quienes más cabe esperar protección y afecto son precisamente quienes se constituyen en agresores. ¿Cómo confiar en otros? Por otro lado, ¿quién y cómo soy que ni de mi familia merezco afecto?”
4. PERSONALIDAD, CONTROL DE IMPULSOS Y RITMOS BIOLÓGICOS
29. TRASTORNOS DE LA PERSONALIDAD
“A estas alturas aún tenemos más preguntas que respuestas en lo relativo a los trastornos de la personalidad”
“Entendemos por personalidad el conjunto de formas de comportarse, sentir, pensar, y en suma, de relacionarse, de un individuo concreto.”
“Por otro lado, hay trastornos como el borderline que: por su complejidad, la diferencia entre el DSM y la CIE en su clasificación y las conexiones que se han encontrado con el trastorno bipolar y su espectro, condicionarán en donde situarle. Los trastornos del espectro esquizoide tienen muchas similitudes fenomenológicas, neurobiológicas y de agregación familiar con el grupo de las esquizofrenias y por tanto su posicionamiento en un eje u otro será revisado, como lo ha sido en la CIE-10 el trastorno esquizotípico. Los trastornos fóbicos sociales y la personalidad evitativa tienen a su vez similitudes que requerirán un replanteamiento.”
“Los datos que tenemos en la actualidad, hacen que la problemática de los trastornos de personalidad sea un asunto de una gravedad evidente, por la seriedad de los mismos, así como por su alta prevalencia en la población general.”
“la prevalencia de los trastornos de personalidad en la población general oscila entre un 4,4% y un 22,3%, con una tasa media estimada de prevalencia en torno al 11,3% de la población.”
“El trastorno paranoide de la personalidad es más frecuente en hombres de clase social baja y más común en familiares de primer grado de pacientes con esquizofrenia. Asimismo, en las muestras forenses es frecuente encontrar el trastorno paranoide con comorbilidad con el trastorno antisocial vinculado a crímenes violentos.”
“El trastorno esquizoide de la personalidad es poco común en entornos clínicos pero es más prevalente en poblaciones carcelarias, donde a su vez es más frecuente en hombres.” “se ha sugerido que esta categoría diagnostica debe de ser clasificada en un futuro como un trastorno del desarrollo, más que como un trastorno de la personalidad.”
“El trastorno narcisista de la personalidad presenta una baja prevalencia en la población general y es diagnosticado con más frecuencia en varones, encontrándose con una mayor prevalencia en muestras forenses donde se encuentra una alta comorbilidad con el trastorno antisocial de la personalidad.”
“El trastorno histriónico de la personalidad, en las investigaciones iniciales, se encontró que la prevalencia era más común en mujeres. Los datos más recientes indican que la ratio según género es similar. Es más común en personas divorciadas y separadas, se encuentra asociado a conductas parasuicidas y es más frecuente en mujeres con trastornos de somatización y en hombres con uso inadecuado de sustancias.”
“En relación al trastorno límite de la personalidad, es más frecuente en grupos jóvenes de edad, entre 19 y 35 años y en mujeres. Está asociado con una pobre adaptación sociolaboral, es más común en áreas urbanas y existe una comorbilidad con el abuso de sustancias, fobia, depresión, y trastornos de ansiedad, presentando una tasa de suicidios en ocasiones hasta el 10%.”
“El trastorno antisocial de la personalidad tiene una prevalencia media en las sociedades occidentales del 2 al 3% y es 4 o 5 veces más frecuente en hombres que en mujeres. La prevalencia más alta se sitúa en la orquilla de edad entre 22 y 44 años y los trastornos antisociales están asociados con abandonos prematuros de la escolarización y mayor mortalidad en la adolescencia.”
“En relación al trastorno evitativo de la personalidad, en muestras clínicas, este trastorno es frecuentemente comórbido con el trastorno dependiente de la personalidad y con los trastornos fóbicos. Específicamente, la fobia social que tiene características clínicas muy similares. Esta similitud con la fobia social hace que la separación entre el eje 1 y el eje 2 en este trastorno específico sea muy cuestionada.”
“El trastorno obsesivo compulsivo de la personalidad es más común en varones blancos, con un nivel educacional alto, casados y con empleo.”
“La crítica a los modelos categoriales es mayoritaria entre los investigadores y el descontento de los profesionales con el actual sistema clasificatorio llega a un 74%.”
“Las síntesis de los modelos categoriales y dimensionales tendrá consecuencias en los futuros sistemas de clasificación”
O PARANÓIDE: “él tiende a verse como una persona honrada y noble, incluso inocente, con facilidad para dejarse engañar o manipular, pudiendo hablar de sí mismo como vulnerable; por el contrario, describe a los demás como sujetos amenazantes, invasivos, que realizan comentarios alusivos a él con suma frecuencia, considerándoles individuos entrometidos, insultantes, que con frecuencia tienden a discriminarle y manipularle, lo que le hace tener esas conductas defensivas. § En la entrevista con el paciente paranoide, éste se muestra defensor de las argumentaciones racionales, de los datos objetivos, pero obviamente, desde su punto de vista. Sus argumentaciones son muy repetitivas y sistemáticamente se sitúa como víctima de las situaciones.” “Alberga rencores durante mucho tiempo, por ejemplo, no olvida los insultos, injurias o desprecios.” “Percibe ataques a su persona o a su reputación que no son aparentes para los demás y está predispuesto a reaccionar con ira o a contraatacar.”
“Lo diferencia del trastorno esquizotípico el que éste presenta un pensamiento mágico, experiencias perceptivas peculiares, extrañeza en el pensamiento y en el lenguaje. A diferencia del trastorno límite de personalidad, el paranoide no presenta la marcada inestabilidad emocional que presenta el trastorno límite de la personalidad (TLP). El trastorno paranoide de la personalidad y el evitativo, comparten cierta suspicacia hacia los demás, pero este último la tiene por el temor al rechazo. El trastorno narcisista puede presentar ideación autoreferencial y cierta suspicacia, ya que siente la necesidad de ocultar sus imperfecciones, complejos e inseguridades, y teme ser descubierto por los demás.”
“Trastorno esquizoide de la personalidad
Este trastorno, se presenta con un patrón de desconexión del sujeto de las relaciones sociales y fundamentalmente interpersonales, con un serio déficit de su capacidad de expresión emocional. Estos pacientes tienden a verse a sí mismos como autosuficientes y tener la sensación de estar separados del mundo, por lo cual desarrollan un comportamiento con una marcada tendencia a la soledad. Ven a los demás como sujetos a los que no necesitan, de los que es mejor mantenerse aislado y viéndoles específicamente como potenciales intrusos que vienen a perturbar su precaria estabilidad emocional.”
brincadeira do check (S/N)
“No desea ni disfruta de las relaciones personales, incluido el formar parte de una familia.” S
“Escoge casi siempre actividades solitarias.” S
“Tiene escaso o ningún interés en tener experiencias sexuales con otra persona.” S
“Disfruta con pocas actividades o con ninguna.” S
“No tiene amigos íntimos o personas de confianza, aparte de los familiares de primer grado.” S
“Se muestra indiferente a los halagos o las críticas de los demás.” (N)
“Muestra frialdad emocional, distanciamiento o aplanamiento de la afectividad.” (N)
“El trastorno esquizoide de la personalidad se diferencia de la esquizofrenia por no compartir, entre otras cosas, la presencia de antecedentes familiares ni trastornos formales del pensamiento.”
“hay un aislamiento social voluntario.”
“La visión que los pacientes esquizotípicos tienen de sí mismos, es de sentirse especiales y pueden asumir el que son sujetos raros con comportamientos que no son compartidos con las demás personas, sin que esto les preocupe mucho, por su interés de mantenerse distante de ellos. Tienden a ver a los demás como sujetos normativos, robots, que no tiene ningún interés mantener (sic) ninguna relación con ellos.”
“Creencias raras o pensamiento mágico que influye en el comportamiento y no es consistente con las normas subculturales (p. ej., superstición, creer en la clarividencia, telepatía o ‘sexto sentido’; en niños y adolescentes, fantasías o preocupaciones extrañas).” Hahaha
“Experiencias perceptivas inhabituales, incluidas las ilusiones corporales.”
“Ansiedad social excesiva que no disminuye con la familiarización y que tiende a asociarse con los temores paranoides más que con juicios negativos sobre uno mismo.”
“Trastorno antisocial de la personalidad
Presentan estos pacientes, un patrón persistente de abuso, violación de los derechos y utilización del prójimo.” “Con frecuencia la entrevista con pacientes con este diagnóstico puede resultar fácil, pero esconde una manipulación sistemática del entrevistador para satisfacer los intereses, los que fueren, del entrevistado.”
“Trastorno de la personalidad por evitación
Estos pacientes presentan un patrón persistente de evitación social, con sentimientos subjetivos de incompetencia y excesiva hipersensibilidad a la evaluación negativa por parte del otro. Estos pacientes tienden a verse a sí mismos como muy vulnerables ante conductas despectivas por parte de los demás y especialmente cuando son objeto de rechazo. Se ven a sí mismos como incompetentes y con serias dificultades para el desempeño de conductas sociales adaptadas. Tienden a ver a los demás como personas exigentes, críticas, orgullosas y amenazantes, en el sentido de que pueden ser aquellos que realicen el rechazo.”
“Los estudios longitudinales sobre los trastornos de la personalidad tienen un antes y un después entre la literatura previa a 1999 y la literatura del siglo XXI. Los estudios anteriores al año 2000 presentan datos que apuntan hacia la estabilidad a lo largo del tiempo de los trastornos de personalidad, con alguna excepción puntual. A partir de 1999, coinciden varios estudios longitudinales muy importantes en EE.UU que constatan que la estabilidad de los trastornos de personalidad no es como se planteaba.”
“Una limitación de espacio como la de este capítulo, deja en el tintero mucha información relevante. Aquellos interesados en profundizar en la temática de los trastornos de la personalidad, les será útil las siguientes lecturas recomendadas:
Miguel Roca Bennasar. Trastornos de la personalidad. Ed. Ars Medica 2003.
Oldham JM, Skodol AE, Bender, DS. Tratado de los trastornos de la personalidad.Ed. Elsevier Masson 2007.
Livesley JW. Practical management of personality disorders. Ed. The Guilford Press 2003.”
31. ALCOHOL Y OTRAS DROGODEPENDENCIAS
“Tabaco: es la droga más consumida en España. Según la encuesta epidemiológica que se realiza a residentes de 15 a 64 años de hogares españoles por el observatorio para el plan nacional sobre drogas (PND, 2006), el tabaco es una de las drogas que se consume más temprano, sobre todo en hombres, siendo la media de edad del primer consumo 16,4 años. Es más consumida por población joven y de predominio masculino, aunque en los más jóvenes la diferencia se acorta. El consumo medio de cigarrillos es de 14,5. [por dia ou por mês??]”
Na cultura pop nipônica, lolicon (ロリコン, em algumas instâncias transliterado lolicom) é um gênero de mídia ficcional em que garotas jovens (ou apenas de aparência jovem) surgem em contextos sexuais ou ao menos românticos. O termo, um portmanteau (contração, fusão) das palavras inglesas “Lolita” e “complexo” (como em “complexo de Édipo” – ironicamente, Vladimir Nabokov, autor de Lolita, odiava a psicanálise; para um conceito de complexo “melhorado” no reino da psicologia, cfr. Jung, Os arquétipos e o inconsciente coletivo). Mas lolicon pode também significar afeto ou desejo, por parte do consumidor, direcionado a personagens com essa característica (ロリ, as lolis), e por extensão ser empregado para designar fãs dos respectivos personagens ou obras que os contemplam.
Associado com formas irrealistas e estilizadas presentes nos mangás, animes e videogames, [conforme abaixo] lolicon na cultura otaku é entendido como diferente da atração por materiais reais vinculados a garotas jovens ou atração direta por garotas jovens (parafilia, pedofilia, efobofilia) (Galbraith 2016, McLelland 2011b, Kittredge 2014). Dessa forma, o conceito de lolicon cruza com o de moe.
POLÊMICA ATRÁS DE POLÊMICA:
SOCIOLOGIA, PSICOLOGIA, SEXOLOGIA, LITERATURA, ECONOMIA, RELIGIÃO, HISTÓRIA JAPONESA E DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA NOS SÉCULOS XX E XXI:Não há esfera que fique de fora da discussão!
O primeiro termo deriva da novela Lolita, vertida pela primeira vez ao japonês na década de 1970, época em que no Japão imagens hoje chamadas “do gênero shōjo” (idealização artística da mulher não-adulta) se expandiam e adquiriam imensa popularidade. Durante o “lolicon boom”, como chamaremos esse período iniciado nos anos 1970 e completamente desenvolvido nos anos 80 (no Japão), a terminologia se sedimentou entre os otakus, querendo dizer atração por bishōjo (idealização artística da mulher não-adulta considerada esteticamente bela – é isso que o prefixo bi- acrescenta à conceituação de shoujo dada acima: a idéia, ademais, de beleza) precoces.
Onde, no shoujo, a idade da “heroína” pode flutuar dos 8 aos 18 anos, aproximadamente, o acréscimo do adjetivo jovem tende a restringir o alvo da atração do leitor a uma faixa etária mais estrita e inferior, flutuando entre os 8 e os 15, genericamente falando, isto é, a pubescência tardia ou a maturidade do desenvolvimento feminino são descartadas, havendo preferência por personagens mais jovens que “colegiais” (equivalentes à idade em que cursariam o ensino médio).
Com o tempo, essa restrição etária, baseada nas preferências dos otakus, foi baixando, isto é, se tornando ainda mais estreitamente intervalada. O alvo da atração ou afeição recuou para uma preferência por representações maisinfantis, variando dos 8 aos 12 anos, de forma geral, excluindo-se, agora, as séries finais do ensino fundamental, oitavo e nono ano, antigas sétima e oitava série (para tomar as séries escolares como referência-base). Doze anos era a idade da protagonista da novela de Vladimir Nabokov (idade em que, se espera, conclua-se a sexta série ou sétimo ano).
O artwork comum nesse boom (explosão, em termos midiáticos) foi fortemente influenciado pelo caráter arredondado dos traços dos mangás shōjo já existentes antes do fenômeno (é importante destacar que inicialmente este gênero é/era marqueteado, no Japão, para garotas como leitoras-padrão ou consumidoras finais). Isso significa que na arte destinada aos homens houve um recuo do realismo dos traços para favorecer formas mais “graciosas” e estilizadas, o que por fim é entendido como a aproximação a um conceito de “eroticismo” ou “erotização” fofos (kawaii ero). Nos anos 80 este era um estilo artístico subcultural, porém hoje em dia, em escala global, trata-se de fenômeno mainstream.
Para quem desconhece o histórico do fenômeno, no entanto, pareceria que o lolicon boom seria extinto no fim da década 1980 e não seria exportado do Japão, pois houve um grande arrefecimento do movimento e o que sobrou do subgênero foram alguns poucos mangás de natureza abertamente erótica. O que explica que o fenômeno tenha se revigorado desde então, após um hiato que será discutido mais abaixo, e com receio de tornar-me repetitivo aqui, é que o lolicon boom representava um tempo em que o material era dirigido a garotas jovens e no entanto houve a reapropriação do material pelo público masculino como efeito colateral imprevisto (podemos dizer, então, que duas vezes num período de 20 anos). Quando o público reage de uma forma diferente e amplia-se a base de consumo, mudam as regras da produção cultural.
Além disso, uma onda de pânico moral direcionado contra “mangás [ditos] perniciosos”, especificamente na década de 90, quando atingiu seu auge, tornou lolicon quase uma palavra proibida ou maculada, sendo a explicação “extra-estética” de sua decadência temporária. Leis de pornografia infantil em certos países abrangem material ficcional (desenhos provocativos de crianças), enquanto que noutros a legislação é mais branda, incluindo o próprio Japão (McLelland 2016). Logo houve uma divisão geral em dois campos mutuamente opostos, ditos militantes ou ativistas, nos pólos mais extremos: os adversários e os apoiadores da tese de que representar crianças imageticamente em atos pré-sexuais ou sexuais seria um crime de abuso sexual e contra os direitos da infância.
Críticos de mídia geralmente associam o lolicon a uma separação muito mais discernível entre ficção e realidade do que seria permitido, antes de tudo, para que o debate acima referido fizesse sentido. Antes de tudo – a repetição da expressão não é à toa –, o que se quer entender é a sexualidade sui generis daqueles que se enquadram no rótulo otaku (parte desse complexo debate já foi empreendida nos primeiros artigos enciclopédicos desta série no rafazardly, que chega com este post ao terceiro episódio, e faz sua primeira ‘ponta’ ou participação no blog-afiliado Seclusão Anagógica, devido à natureza eminentemente mais filosófica da discussão; os dois anteriores tratavam diretamente do fenômeno moe – recomendo a leitura, aqui e aqui).
Embora a referência principal seja ao trabalho de Nabokov,¹ os japoneses também extraíram sua concepção de “Lolita”, “loli” e “Lolita complex” do livro – e particularmente do título do livro – de outro autor, quase no mesmo período, que leu ou não leu Nabokov (certamente sabia do livro e do título do livro), mas que escreveu de forma não-ficcional sobre o assunto: Russell Trainer, The Lolita Complex (1966, traduzido ao japonês em 1969) (Takatsuki 2010).
¹ Que, a essa altura do campeonato (embora me seja irritante ter de esclarecer algo tão patente e óbvio), exige a imediata clarificação, para evitar mal-entendidos e novos pânicos morais: a novela de Nabokov que – eu dizia – NÃO faz apologia à pedofilia (concepção muito difundida por quem não leu ou leu mal o livro), sendo um trabalho de ficção que antes contém uma mensagem subjacente contrária, pois retrata Dolores Haze –“Lolita”– como uma criança abusada cuja infância foi roubada pelo protagonista e narrador. Este seu abusador, primeiro padrasto e depois amante de Lolita (ou talvez primeiro amante e depois padrasto, dependendo da perspectiva), auto-apelidando-se Humber Humbert, vem a ser claramente, na novela, desde as primeiras páginas, quando inicia sua história num presídio, como confessa, um doente psiquiátrico, além de criminoso e homicida (ele não assassina Lolita, receio dar o spoiler, mas quem ainda quiser conferir a obra depois deste alerta, não tendo-o feito até hoje, fique à vontade para descobrir a que me refiro quando chamo o protagonista de autor de um homicídio…).
O livro de Trainer é o que se pode chamar de um tratado de psicologia “popular” (compreensível para não-iniciados) em que seu autor usa o termo complexo de Lolita para designar os homens adultos que sentem atração por garotas pré-pubescentes e púberes (Stapleton 2016). A única diferença entre o sentido antigo de Trainer (década de 70) e o mais atual do termo, usado na esfera otaku, seria a transposição da atração erótica, de forma completa, de pessoas reais para representações gráficas e ficcionais, o que Trainer não pesquisou. Daí ser este um assunto necessariamente polêmico, mas não-necessariamente condenável, ao menos para quem puder manter uma posição impessoal e algo compreensiva ou tolerante (no sentido de que não é preciso concordar com uma determinada estética para entender que ela é possível de existir, ou que mesmo que seja repulsiva isso não signifique automaticamente que é criminosa ou apologética da prática da pedofilia; no sentido, ainda, de que concepções morais de um pesquisador, sobretudo ocidental, não deveriam preestabelecer o resultado de suas pesquisas e antecipar suas conclusões sobre o assunto) (Matt 2014, Galbraith 2021).
Por fim, lolicon, defendem outros estudos mais recentes que a exposição de Trainer, seria apenas um macrocosmo de representações visuais em que o erotismo velado ou o erotismo explícito (pornografia) representam apenas microcosmos, de forma que o conteúdo leve e associado apenas ao carisma de tais personagens costuma recair sob o manto do conceito de moe, o que complexifica sobremaneira a questão, fazendo ver que existem no mínimo duas vertentes do que vem se chamando todo este tempo de lolicon. Portanto, a primeira asserção que podemos elaborar em resposta à pergunta mais imediata que com certeza o parágrafo inicial deste artigo suscita é (a pergunta seria: “Lolicon é pornografia?”): Depende. Há obras lolicon pornográficas e obras lolicon não-pornográficas.
PULSÃO & SENTIMENTO:
Tentando equilibrar extremos inconciliáveis
Conforme Akira Akagi (1993), que além de acadêmico ocupa posição editorial no mercado japonês, o termo se afastou muito do que seria intuível de acordo com a novela de Nabokov: a anteposição de um parceiro, homem, muito mais velho a uma – basicamente – criança do sexo feminino. Para Akagi não há dúvida de que lolicon descreve ou exprime um desejo ou necessidade por coisas “fofas, agradáveis, bonitas[…] impregnadas de feminilidade infantil” nas páginas dos mangás e nos quadros dos animes lidos e assistidos pelo público otaku ou lolicon em específico. Além disso, Akagi já não vê o fenômeno como confinado ao universo masculino, nem ao adulto masculino: essa pulsão viria de diferentes extratos do público, tanto homens quanto mulheres, de qualquer faixa etária.
Galbraith pesquisou enfaticamente a obsessão do público japonês pelo 2D da questão: a bidimensionalidade e inanidade do alvo da preferência loli, citando os conceito parelhos de “two-dimensional fetishism” (nijikon fechi, fetichismo bidimensional) e “two-dimensional syndrome” (nijikon shōkōgun, síndrome bidimensional ou síndrome das duas dimensões).
Por mais que soe repulsiva ao leitor-padrão qualquer tentativa de tolerar esse comportamento considerado “anômalo” por nossos standards, é salutar observar que, como todas as fake news e qualquer clima de histeria suscitado em nossas sociedades, os eventos repressivos ao lolicon boom dos anos 90 no Japão sucederam a um gatilho sensacionalista que partiu da dita imprensa marrom ou de tablóide estilo inglês, como sói acontecer: por causa de manchetes de jornais pouco esclarecedoras e artigos no geral contendo assunções, lolicon passou a ser uma ofensa ou estigma, sobretudo depois da prisão, em 1989, de Tsutomu Miyazaki, serial killer (incomum o suficiente na sociedade japonesa) de garotas jovens reputadas como lolitas. Miyazaki foi retratado como o estereótipo perfeito do que queriam demonizar como otakulolicon.Mais adiante entraremos em detalhes sobre os crimes de Miyazaki e seus traços de personalidade. O que nos interessa agora, independentemente da veracidade das alegações, seria colocar o caso num contexto adequado de causa-efeito sem tentar extrapolá-lo ou situá-lo como o big bang de vários males sociais que – sim – existem na cultura conservadora do Japão.
Para esse fim gosto de evocar um exemplo mais próximo de nós. Culpar toda a indústria e todos os fãs de um determinado gênero pelas ações de um criminoso, seja uma série de crimes ou um crime, seria como dizer que um assassino em série brasileiro que fosse fã da seleção brasileira exemplificaria que o futebol é pernicioso para as pessoas. Uma hipérbole simplificadora. Faz-nos lembrar como o Ocidente passou a demonizar os videogames em inúmeras instâncias, principalmente na era Mortal Kombat – também nos “puritanos” 90, mas dessa vez nos Estados Unidos – e depois, de novo, após o Massacre de Columbine (o que é uma longa, longa história para ser tratada aqui…). Até hoje nenhum estudo concluiu que videogames aumentam a violência no mundo real e, creia-me, há milhares deles, partindo de todos os espectros – portanto, ajamos com prudência e cautela neste assunto “parente” (violência e sexo parecem estar sempre coligados em nossa sociedade, seja a ocidental específica ou quando travamos conhecimento e intercâmbio com os gostos orientais, já repararam?).
(*) Aproveito este ponto da discussão para explicar o termo “supramoral” presente no título do post: aplico-o aqui no mesmo sentido de “extra-moral” no artigo de Nietzsche, Sobre a Verdade e a Mentira em um Sentido Extra-Moral, uma lição de humildade em epistemologia e perspectivismo (algumas traduções trazem não-moral no lugar, mas esse termo tende a confundir o leitor, sendo mais próximo de amoral ou mesmo de imoral, o que geraria o que aqui queremos evitar, o clássico pânico moral). Como Nietzsche também escreveu Muito além do bem e do mal, continuando suas idéias deste primeiro artigo em época mais madura de sua filosofia, super- ou supra- é um bom termo ou prefixo para designar a tentativa de uma discussão que esteja ou pretenda estar acima da moral (burguesa, em que vivemos), não sem prescindir da ética, mas tentando desviar de suas principais armadilhas limitadoras (a moral de uma época e sua capacidade de achatar e deformar o pensamento dos observadores, efeito jamais subestimado o bastante, i.e., a noção de que o bem e o mal são conceitos absolutos definidos desde o início dos tempos e imutáveis).
Esse mesmo episódio catalisador (a prisão de Miyazaki) pode ter influenciado a criação, na subcultura otaku, do termo moe, justamente para evitar as conotações pejorativas que contaminaram o termo lolicon (Galbraith 2016), pelo menos durante a postura da mídia japonesa de atacar o fenômeno (o que foi revertido posteriormente). O termo lolicon, no entanto, nunca foi abandonado de todo. Desde a passagem do ápice do pânico moral da grande mídia e do “furacão caso Miyazaki” parece ser menos pejorativo e menos malvisto (embora eu não tenha como avaliar como se dá seu uso cotidiano no próprio território japonês em diferentes contextos públicos).
A LONGA HISTÓRIA DO MANGÁ E O ETERNO BINARISMO SHOUNEN-SHOUJO/BISHOUNEN-BISHOUJO
Por incrível que possa parecer, o que vem acima foi tencionado como mera introdução ao tópico! Primeiro precisamos traçar o histórico do veículo mangá antes de compreendermos ainda melhor o lolicon (dos três meios de comunicação de massa invariavelmente citados ao lado dessa estética, o mangá é o mais influente de todos, tendo ditado vários cânones às animações televisivas e cinematográficas e aos jogos eletrônicos).
Após certa estagnação (seja de vendas ou de inovações estéticas) nos mangás direcionados ao público feminino jovem durante os anos 50 e 60, os anos 1970 foram muito prolíficos no terreno do shōjo. Novas maneiras de desenho, novas narrativas e roteiros, novos temas envolvidos nas páginas, como conflitos psicológicos, papéis sociais e, por que não, a sexualidade. Inegavelmente foi a incorporação deste último tema pelos mangakas que atraiu mais homens a consumir também shoujo em detrimento de apenas seus “mangás típicos”, os shounen. Alguma assimetria pode ser percebida aqui: enquanto que hoje muitas mulheres lêem shounen, tendo esse termo perdido seu significado de raiz, nos anos 70 era menos comum que garotas lessem mangás de garotos, ou pelo menos não na mesma proporção avassaladora que os gostos masculinos se metamorfosearam. O que acontece com a cultura japonesa e é difícil para um não-iniciado introjetar é que a intenção mercadológica não determinou o interesse público neste contexto, e lá a indústria tentara segmentar as leituras por sexo, o que, se é feito aqui, tem contornos menos pronunciados. Por exemplo: nunca fui censurado ou tratado pejorativamente porque via Powerpuff Girls na infância; meninas não são necessariamente tomboy só porque lêem Marvel e DC (excluamos os gatekeepers da análise, os fãs tóxicos, que existem em qualquer terreno cultural!).
Sucede que o fenômeno japonês não é nada curioso, olhando de uma perspectiva mais afastada. Continuando com exemplificações, e mal comparando, seria como se Alice no País das Maravilhas, um livro em tese destinado a crianças, fosse um dia lido por gente adulta, e muito comentado e pesquisado –– Ora, isso realmente aconteceu e acontece, contrariando “o intuito original do criador”, se é que Lewis Carroll pensava que sua multifacetada obra era tão unidimensional assim… Talvez os editores ingleses da época tivessem uma visão mais estreita? De todo modo, pouco adiantou, e o público, que é também agente, seguiu seus próprios gostos e orientações.
Por falar em Alice e Carroll, a primeira aparição do termo “Lolita complex” num mangá (e não num livro de psicologia) deu-se precisamente em Kyabetsu-batake de Tsumazuite, Stumbling Upon a Cabbage Patch [Deparando-se com/Tropeçando em uma folha de repolho é como eu traduzo, mas não cacei uma tradução oficial em português], inspirado em Alice no País das Maravilhas, serialização iniciada em junho de 1974 na revista de shoujo Bessatsu Margaret. Shinji Wada, o autor, desenhou uma cena em que um personagem masculino diz num balão que “Lewis Carroll era um homem de caráter bizarro por gostar só de crianças pequenas”, fala que evidentemente não deve ser confundida com a opinião do autor nem servir para subestimar o leitor, que não encara falas ficcionais como verdades, ainda mais tendo em conta que era um mangá humorístico. Uma piada inocente, estilo Michael Jackson, que não é nada estranha a qualquer conhecedor 101 de Alice no País das Maravilhas e o processo de criação do livro, parte da biografia do matemático e poeta Lewis Carroll. (Mais um caso em que teremos que encerrar o debate ou recorrer a opiniões infundadas, pois não há nada que comprove mais do que realmente se sabe, i.e., que Carroll era um sujeito apartado e nunca cometeu nenhum ato de pedofilia nem manifestava expressa atração por “garotinhas”, nem por Alice Liddell, sua “musinha” inspiradora – inclusive esse epíteto é questionável; ela apenas recebeu o livro, mas a heroína parece ter sido criada com outros arquétipos infantis em vista, fora da família Liddell, talvez uma síntese mental de todas as crianças vitorianas, como sói acontecer com escritores. Dou a mesma margem de presunção de inocência ao vilipendiado rei do pop Michael Jackson até que me provem o contrário.)
COMPLICAÇÕES:
A CULTURA JAPONESA NÃO É PARA PRINCIPIANTES!
Os primeiros exemplos da estética lolicon foram influenciados por desenhistas homens que conscientemente introjetaram traços shōjo em sua técnica (Schodt 1996, Kinsella 1998), bem como por mangás eróticos criados por mulheres mesmas, material esse em tese dirigido a homens conforme os editoriais das revistas em que era publicado (Shigematsu 1999). O nu artístico, fotografia de crianças reais, no âmbito shōjo, era popular na época (anos 70): uma coleção intitulada Nymphet: The Myth of the 12-Year-Old (Ninfeta: O mito dos doze anos de idade) foi publicado na Terra do Sol Nascente em 1969, até antes da década em estudo. Em 1972 e 1973 é que se reportam “ondas de Alice” ou um Alice boom específico, dentro do boom shoujo maior. Nessa onda estratificada, fotos de pessoas reais eram o tema.¹
¹ Mais uma vez: sobre fotografias nudistas de crianças (não-pornográficas) e a época vitoriana de Carroll, indico a leitura cuidadosa de https://seclusao.org/2023/12/02/lewis-carroll-serieosultimospolimatas/, em particular as seções “Hobby (em alto nível) da fotografia (1856–1880)”, “Sexualidade de Carroll & Algumas considerações sobre o surgimento da arte da fotografia” e “Os diários perdidos”.
A tendência não se limitou aos mangás. Na mídia impressa, revistas dedicadas ao homem adulto possuíam fotos eróticas, relatos ficcionais e ensaios sobre a beleza única da garota jovem. Por que essa evolução da preferência do homem japonês, entretanto? Teoriza-se que a própria legislação coercitiva fomentou esse gosto: havia a interdição de mostrar pêlos das partes íntimas; uma saída menos óbvia – talvez para nós – do que promover ensaios com mulheres em idade legal que praticavam a raspagem total (o que nós só fomos adotar também mais tarde, no Ocidente, como “prática higiênica” ou “padrão”) foi então adotada pelas editoras: procurar modelos femininas na idade em que ainda não exibiam pelugem. Essa lei “anti-obscenidade” que data do Japão imperial só foi corrigida de fato em 1991, quando já não importava muito. Mesmo assim, a lei continua proibindo pêlos, por exemplo, na indústria pornô. Mas em representações artísticas e desenhos a restrição caiu. Às vezes parece que as autoridades japonesas se preocupam mais com a aparição de pêlos vaginais ou escrotais que com toda a psique do ser humano, todavia.
Primeira página do mangá mais famoso de Hideo Azuma (1950-2019), Cybele. Gō Itō identifica este trabalho como a transposição do erotismo ficcional para figuras mais redondas e irrealistas (Circularidade, redondez – atributos que raramente associamos a imagens que suscitem sex appeal no Ocidente, pelo menos nas últimas décadas – nosso ideal de beleza prefere linhas magras nas personagens, tornando o trabalho de Azuma imensamente inocente e pueril a quaisquer olhos contemporâneos!), mais próximas aos traços revolucionários e à “redondez” ou rotundidade dos personagens (totalmente a-sexualizados) de Osamu Tezuka nos anos 50 (Tezuka é praticamente o Pai do Mangá, e sua arte é AINDA MAIS RECHONCHUDA que o visto acima!).
ANOS 80:
FORMAÇÃO DA ESTÉTICA LOLI & IMPORTÂNCIA DAS CONVENÇÕES OU ANIME EVENTS NIPÔNICOS
O advento do lolicon não teria sido possível sem a criação da Comiket (sigla para Comic Market), uma convenção feita principalmente para comercializar dōjinshi (material de fãs, sem intermediação de editoras) entre o público leitor e autores amadores. A feira foi criada em 1975 pelo grupo Meikyu (Labirinto), composta por homens adultos fãs dos traços shōjo. Em 1979 apareceu o fanzineCybele, de Hideo Azuma, que continha em seu primeiro exemplar uma paródia erótica do conto da Chapeuzinho Vermelho. Azuma seria batizado posteriormente como o “fundador oficial” do lolicon. Antes de Cybele o estilo dominante nos seinen (o shoujo para adultos) e nos mangás abertamente pornográficos era o gekiga, resumível em seu ultra-realismo, ângulos pontudos, certa atmosfera carregada (sombria e séria) e dark hatching (não traduzirei o termo – para entendê-lo, verificar o esquema de cores, digo, sombreamentos, já que mangás nascem em preto e branco, de Berserk, que personifica muito bem essa técnica). Em suma, havia mangás eróticos até esse momento, basicamente fotorrealistas em suas representações. O que o trabalho de Azuma fez foi uma abrangente estilização imagética, com sombreamentos, quando necessários, bastante tendentes ao branco ou cinza mais claro, linhas circulares, atmosfera fantástica, tomada de empréstimo dos shōjo, segundo o próprio Azuma. Essa indicação é muito importante na compreensão do fenômeno loli como, se é que é, uma perversão ficcional, que se desconecta do desejo por crianças do mundo real.
Embora as figuras tenham deixado de ter tão “circulares” ou “rechonchudas” quanto eram sob o lápis de Azuma, o espírito de “irrealismo” cartunesco das personagens foi o que perdurou na estética lolicon até a atualidade. Mas além do fator erótico Azuma nunca se levou a sério – todas as suas criações eram mangás de humor ou sátira. Em que pese Azuma achar que seus cartuns tivessem um apelo erótico, somente uma minoria concordava consigo a princípio. Porém, gradualmente o gekiga foi sendo deixado de lado mesmo pelos leitores de pornografia, que aderiram a sua revolução no traço. Houve um período de transição com corpos mais realistas e faces infantilizadas, até que o azumismo (tanto corpo quanto rosto) se tornasse hegemônico no mangá.
E a feira Comiket, introduzida acima, ironicamente criada por homens para receber majoritariamente mulheres, teve uma “invasão” de otakus homens em edições de anos subseqüentes. Registra-se que no primeiro ano do evento, 1975, 9 em cada 10 participantes eram do sexo feminino. Em 1981 a demografia já era parelha (50-50%) (Lam 2010). Argumenta-se, ainda, que o lolicon ganhou força como reação ao yaoi(mangá com imagens homoeróticas de homens vendido mais entre as mulheres, e desenhados também por autoras mulheres).
Faltava a “profissionalização” do fenômeno de nicho, que veio a acontecer principalmente por intermédio das publicações de grande porte Lemon People e Manga Burikko, ambas iniciadas em 1982. No primeiro editorial, a Lemon People até declarava com orgulho: “Temos o monopólio dos quadrinhos lolicon!”, demonstrando que naqueles anos pioneiros o termo não era derrogatório (como se tornou nos 90) (Kimi 2021). Houve ainda magazines (mensais, com vários mangás serializados dentro) como Manga Hot Milk (nome sugestivo…), Melon Comice Halfliter. Tudo como que se confundia nessa época despida ainda dos conceitos norteadores da atualidade: ilustrativamente, a própria palavra otaku só foi cunhada na própria revista Burikko, e em 1983!
Inicialmente uma revista sem fins lucrativos exclusivamente com arte gekiga, a Burikko se transformou totalmente um ano depois, esse mesmo 1983, quando passou a ser editada por Eiji Ōtsuka (Nagayama 2020), que sempre propalou a idéia de “vender mangás shoujo para garotos”. Em novembro daquele ano, ainda dividindo páginas entre gekiga e lolicon, a equipe da revista começou a receber cartas de leitores solicitando que parassem com os traços gekiga. De dezembro em diante o subtítulo da Burikko se tornou “Totally Bishōjo Comic Magazine” [revista para quadrinhos completamente bishoujo].¹
¹ Se não é uma instância de dessexualização popular de uma mídia consumível, diria que é pelo menos uma bidimensionalização e caricaturização dessa sexualização (além do caráter 2D associado a fotografias em contraste com as “mulheres reais”, as mesmas que são fotografadas, é importante reparar no “salto” da foto ao desenho, retirando os resquícios de 3D que ainda havia no hobby, e em seguida o salto do desenho realístico ao desenho cada vez mais auto-referente ou inverossímil).
Manga artists mulheres ficaram famosas durante esse boom de publicações, como Kyoko Okazaki e Erika Sakurazawa. Essas eram “rainhas” ou precursoras do movimento. Se há um “pai do lolicon”, Azuma, há um “rei do loli”, Aki Uchiyama, quem produzia 160 páginas de mangá por mês para cumprir suas metas.¹ Uchiyama teve mangás publicados não só na Lemon People como na revista ainda mais mainstream Shōnen Champion.
¹ Mais de 5 páginas por dia. Levando em conta que os autores de shounen que adoecem cumprindo agendas de séries semanais com poucos recessos anuais precisam cumprir uma cota de aproximadamente 3 páginas/dia hoje, essa cifra é assustadora e terrível na esfera das leis trabalhistas japonesas – quanta desumanidade!
Imagens de Clarisse (1979) são mais difíceis de encontrar do que se pensa! Créditos: https://fullfrontal.moe/
AS PRIMEIRAS ANIMAÇÕES DE MANGÁS EROGE
&
AS PRIMEIRAS VEDETES (ASSEXUALIZADAS COMO ROBÔS)
O primeiro anime pornô foi o nada-criativamente-batizado Lolita Anime, que durou de 1984 a 1985. Personagens icônicas desse período são Clarisse do filme Lupin III: Castle of Cagliostro (1979) e Lana do desenho para TV Future Boy Conan (1978), ambos dirigidos por Hayao Miyazaki (que odeia o fato de Clarisse ter se tornado um ícone loli). Clarisse se tornou instantaneamente objeto de culto, ajudada por resenhas em Gekkan Out, Animec e Animage. Uma série de zines ou mangás amadores com novas estórias de Clarisse era tão numerosa que virou um subgênero em si: Clarisse mangas! Essas mangás quase nunca eram abertamente eróticos, tendiam mais para uma leitura segura para garotas e garotos a partir dos 14 ou 15 anos.
Uma peculiaridade que só mesmo sendo japonês para entender por completo é que muitas das primeiras personagens lolicon nasceram do entrecruzamento entre mecha e bishoujo, mecha sendo o segmento com estórias que contenham e que se centrem em máquinas futuristas.¹ Kaoru Nagayama destaca a estréia de Daicon III Opening Animation (um anime que nem veio a ser comercializado ou terminado, mas que hoje é cultuado apenas com base na sua abertura, um grande feito técnico para o período, tendo sido mostrada numa convenção em 1981) como o marco zero desse crossover tão bizarro lolicon/sci-fi.
¹ A versão japonesa de “carros possantes e mulheres”? Cremos que não falte o elemento musical (os japoneses adoram o rock), mas com certeza a cerveja, ou doses copiosas de saquê, não entram nessa equação tríplice ou quádrupla!
Como já foi verificado neste artigo, animes inicialmente propagandeados para meninas, como Magical Princess Minky Momo (1982–1983), um dos primeiros do subgênero hoje profuso magical girls/isekai, explodiram em audiência – de ambos os sexos. Helen McCarthy sugere que os animes (diferente dos mangás, mais antigos, lembre-se) lolicon estão enraizados em shows de garotas com poderes mágicos como Minky Momo, pois a presença de heroínas metamorfas teria o poder de nublar as linhas entre a menina e a mulher (McCarthy & Clements 1998).¹,²
¹ Eu como criança não podia esconder a fascinação que as seqüências de transformação das sailors me provocavam – mesmo que eu fosse um pirralho de 7-8 anos vendo o anime na finada Rede Manchete. OBS: Repare no tamanho das pernocas – sempre me dizem, gracejando, que 2/3 do corpo dessas beldades são pura perna. Nada chubby como a arte dos 70/80-85, e tampouco nada loli: são legítimas adolescentes (no enredo) com aparência/corpo de mulher, diria Naoko Takeuchi, autora do mangá que explodiu mesmo quando virou anime. Isso se explica pelo que será dito no próximo tópico, já que Sailor Moon é dos anos 90.Acima, Minako, a Sailor Venus, como “garota normal” e depois de se transformar com a ajuda do broche, com uniforme estilizado de marinheiro. Veremos o “fetiche do uniforme” ressurgir em comentários sobre Evangelion e Kill la Kill, mais abaixo!
² Quantas teorias da genealogia do lolicon já percorremos? Isso mostra a complexidade do fenômeno. Com o perdão da expressão, a complexidade do complexo…
FLUTUAÇÕES: RETRAÇÃO DO BOOM E REVIVAL 90
(+ TODO PAÍS TEM SEU CHARLES MANSON)
Na reta final do boom, que extinguir-se-ia por si mesmo, segundo alguns, porque “os leitores/espectadores não tinham qualquer compromisso com o loliconper se” e “não tinham meninas jovens como seu objeto sexual”, a maioria dos criadores e consumidores do nicho erótico já havia migrado para um estilo mais diversificado e mesclado de traço bishoujo, resumível em “caras de bebê e peitões”, híbrido fetichista menina-mulher o que já não se consideram aspectos lolicon. Na própria Comiket, mangás lolicon declinaram sensivelmente em popularidade a partir de 1989, sendo substituídos por dōjinshi eróticos nas novas bases, abrangendo “novos tipos de fetiche” e uma onda de “erotismo softcore” que caía e ainda cai bem, segundo as demografias, entre homens e mulheres indistintamente, em particular quando se fala de yuri (subgênero de mangá de romance lésbico).¹
¹ Uma coisa que me chama a atenção é que o mangá erótico homem-homem surgiu e proliferou primeiro que o lésbico no Japão: normalmente em sociedades patriarcais a aceitação do lesbianismo se dá muito antes, ou desde o início (vide a Grécia Antiga), enquanto que o homoerotismo macho-macho é visto com muito mais reticência, senão completa interdição (Europa moderna ~1500-~1950). Os gregos tinham uma sociedade regulada pelo amor pederasta homem mais velho-moço, mas havia um código de ética tão estrito sobre essas relações que este assunto não podia ser discutido em público nem interferir na vida familiar heteronormativa da polis (seria mais grave que pular a cerca entre casados entre nós – não, pior do que falar abertamente sobre ‘ser traído’ pelo parceiro formal!). Já o lesbianismo era “ignorado” e não sofria sanções (ainda falando de Grécia Antiga), ao passo que imaginamos que, se uma mulher sáfica fosse descoberta, em coordenadas geográficas não muito distantes de onde floresceu a Filosofia, 1000 anos depois, seria levada imediatamente às torturas, ao “julgamento” (unilateral da Igreja Católica) e à sentença de queimar na fogueira.
Apesar de ser um parágrafo policialesco, temos que cobrir esta parte da história também: no mesmo 1989, lolicon e otaku se transformaram da noite para o dia em tópicos controversos, com o pânico moral pós-prisão de Tsutomu Miyazaki, um adulto na casa dos 20 anos que seqüestrou e matou 4 garotas entre os 4 e os 7 anos, além de violar os corpos já sem vida. Fotos do quarto de Miyazaki abarrotaram os jornais de então: uma extensa coleção de VHS, incluindo filmes de terror/slashers (subgênero de maníaco que age sozinho e mata suas vítimas com armas brancas em estórias ficcionais) supostas inspirações de seus atos; volumes de mangá, dentre eles shōjo e lolicon, etc. A “culpa” dos atos de Miyazaki foi atribuída pelo jornalismo japonês à cultura de então (poderíamos dizer que a mídia estava culpando a própria mídia? sim, o nicho ultra-conservador dos telejornais e mídia impressa para velhos ortodoxos culpando mídias que não compreendiam ou que eram fenômenos de menos de 20 anos de idade). Diziam que ao ler e assistir o que leu e assistiu Miyazaki sentiu sua inibição para cometer crimes reduzida, e achou mais fácil trafegar a tênue linha que separa ficção de realidade. Todos argumentos espúrios. Até onde sei a linha que separa páginas de mangá ou o écran da vida real continua sendo grossíssima! Curiosamente, nenhum outro Miyazaki apareceu, para confirmar a “empiria” da tese criminalística… De qualquer forma, o que aqui nos interessa é que este serial killer foi tachado de otaku, e a imagem do otaku impressa na população nacional como “gente social e sexualmente imatura”. Talvez os imperadores pedófilos que causavam guerras envolvendo milhões de vidas fossem gente social e sexualmente muito mais madura – que regressão, meu Japão!! (contém #ironia) A conseqüência natural e imediata foi um expurgo das redações, estúdios, bancas e livrarias de material “tendente ao grotesco” ou a estéticas ditadas pelo mundo otaku. Muitos subgêneros de mangá foram considerados perniciosos por um tempo. Alguns artistas da subcultura dōjinshi foram presos na esteira do escândalo Miyazaki. E demoraria alguns anos até a poeira voltar a baixar…
Em suma, os anos 90 viveram basicamente da volta da dicotomia shounen/shoujo, com séries como Sailor Moon (vide nota acima) e Magic Knight Rayearthsupostamente fazendo sucesso apenas com seu público tencionado: garotas. Não sei se aqui no Brasil é que a atração por algo tão “diferente do que estávamos acostumados” funcionou diferente, mas desconfio que o fenômeno do “macho que assistiu/leu Sailor Moon religiosamente” no Japão está subestimado pela fonte bibliográfica do artigo da Wikipédia e outros consultados!
Como tudo na vida, a estética lolicon não mais parecia decadente e enjoativa para o público otaku e nem voltou a ser problematizada com o mesmo ardor pelos veículos de comunicação quando voltou a despontar no fim do milênio e começo dos 2000. A principal revista mensal com compilados de capítulos de mangás lolicon deste período revivalista foi a Comic LO.¹
¹ Obviamente que LOli era um trocadilho intencional a ser evocado, mas o O também é acrônimo para “only”: “Só” lolitas.
E ENTÃO, O QUE É (UM)A LOLITA JAPONESA?
Deu para perceber que nenhum conceito de lolicon é exaustivo e definitivo – infelizmente. Alguns persistem em defini-lo com base na idade dos personagens expostos (mas principalmente personagens femininas), outros entendem ser um tipo de traço, estilo ou técnica de desenho, resultando em personagens necessariamente pequenos, normalmente representando mulheres de busto chato, independentemente da idade (adultas podem ser lolis, segundo a cultura japonesa, modificando o que Nabokov instalou com sua obra). Para tentar adicionar algum conteúdo a tais definições já tentadas, diríamos que a maioria dos lolicon works fixa-se em tropos como personagens ingênuos, antagonizando ou contrastando com personagens “precoces” (com um senso anômalo de perversão ou conhecimento erótico-sexual), ou personagens nuançados, coquettes. Para complicar, lolicon é usado indiscriminadamente para artes explicitamente eróticas, implicitamente eróticas ou com zero erotismo (Aoki 2019).
Kaoru Nagayama (2020) constata que leitores de mangá eles mesmos definem lolicon como mangás a conter “heroínas [protagonistas] de idade inferior à de uma estudante do ensino médio”, o que novamente não nos ajuda, pois os tais “leitores de mangá” discordam entre si, segundo o próprio Nagayama. Outros nichos “preferem” caracterizar o lolicon como estrelando “qualquer figura menor de idade”, outros dizem que “abrange a sociedade inteira, desde que as personagens se enquadrem na estética”, outros vão além e citam “que não tenham excedido o ensino primário” (ala fanática e considerada abertamente pedofílica em seus gostos). Elisabeth Klar (2013) observa que female characters“oscilam em idade”, seja porque cada mangá estabelece seus parâmetros, seja porque uma mesma personagem pode apresentar uma idade física “x” com comportamento atribuível a uma idade mental “y”, e Klar alega que é esse contraste, o mais das vezes, que gera o conflito que possibilita o relato da estória, ou sua categorização no lolicon. Ilustração peculiar seria a roribabā, (arquétipo da “Lolita vovó”), deliberadamente de design infantil e que se porta como alguém idoso. Ao contrário do que se disse acima (que quando o fenômeno arrefeceu nos 80 os traços mais curvilíneos para o corpo já não eram loli), traços secundários que denotem madurez corporal podem ser tolerados ou catalogados dentro do lolicon (Galbraith 2011). Argumentos da plot podem ainda justificar a aparência demasiado jovem de entidades não-humanas ou sobre-humanas (vampiras, bruxas, monstros que tomaram a forma humana) (Galbraith 2009).¹
¹ Me reservo ao direito de explicar, neste momento, um personagem que vem a calhar para enriquecer a discussão: trata-se de Biscuit Krüger de Hunter X Hunter, que considero uma subversão ou paródia do tropo. Sempre faço questão de ressaltar, para os que não sabem, que o autor do mangá, Yoshihiro Togashi, é casado com Takeuchi, a autora de Sailor Moon. Não significa que ela o influenciou – mas ao mesmo tempo significa. Explico: Togashi com certeza está informado e influenciado por toda a repercussão do shoujo que veio antes de sua própria produção. Ambos são quase da mesma idade, mas Hunter X Hunter, sendo um mangá de 1999, incorpora todas as lições dos anos 90, diferentemente de Yu Yu Hakusho, mangá de Togashi contemporâneo a Sailor Moon e, com efeito, bastante diferente – enquanto que HxH produz uma quebra do binarismo de gêneros e é mais do que nunca uma aproximação com o shoujo – na época de YYH ambos não eram casados, então podemos considerar que Togashi era um fã de Takeuchi (talvez vice-versa?), mais famosa então –: Togashi não tinha como não se interessar por uma produção tão influente como foi Sailor Moon, independentemente de quem a criou. Sigamos à personagem que para mim sintetiza uma forma de “contar a estória de uma loli de forma inusitada para o fã, sem desagradá-lo” (e destaco que só seria loli segundo aqueles que defendem que o lolicon é definível pelo traço, não pelo psicológico ou idade das personagens):
TRANSITANDO ENTRE O LOLI E O NÃO-LOLI:
Estudo de caso de Biscuit Krüger
Biscuit Krueger (Bisky ou Bisky-chan para os íntimos) é uma mulher de 57 anos, mestra do shingen-ryu (espécie de karate neste mundo ficcional) e é um hunter (caçador) de 2 estrelas. Na obra de Togashi, hunters são as criaturas mais poderosas, pois a seleção para se tornar um caçador são bastante rigorosas e secretivas; dentre os próprios hunters, aqueles que obtêm mais destaque (como possuir 2 estrelas de mérito, das 3 possíveis) são a nata em termos de poder e eficiência. Eis uma dessas pessoas, no frágil corpo que se contempla acima. Embora muito nos interessasse discorrer sobre todas as suas técnicas e um pouco do sistema de poder do anime, nos ateremos ao que é necessário para a discussão do lolicon (ou crítica ao lolicon) aqui.
Introduzida num momento tardio da estória, ela é supostamente, por alguns episódios, uma antagonista dos 2 co-protagonistas, garotos de 12 anos de idade (Gon e Killua): “Garotinhos são tão inocentes. E é tão divertido arruinar suas amizades…”, ela diz, de si para si, enquanto banca a stalker ou parte rumo à captura de suas presas, em sentido metafórico.
Porém, sua antipatia por ambos era só uma fachada para conseguir aproximar-se: testemunhando a inexperiência conjugada com o talento não-polido de ambos durante a missão em que os três estavam envolvidos (vencer um jogo entre caçadores numa ilha gigantesca), ela não pode evitar, dada sua natureza de “mãezona”, se converter de imediato em figura de mestre e conselheira para os dois (a segunda mestra oficial de nen da dupla – nen sendo o equivalente ao ki ou força vital neste universo). “Vou treinar vocês a partir de agora, e de graça. Mas definitivamente não pegarei leve!!” (aos dois) / “Por que coisas que brilham como pérolas polidas sempre aceleram o meu coração?” (para si mesma)
A primeira subversão vem do fato de que Bisky não é um “artefato”, “coisa”, cobiçado(a) por homens mais velhos e que ignora suas intenções (paradigma dos personagens ingênuos ou tapados), resiste ou tenta “transitar” entre os dois (tornando-se uma companheira coquete do bando). Antes, a relação dela com os personagens é absolutamente assexual – mesmo quando Gon e Killua pensavam que ela fosse apenas uma garota, como eles – Bisky não está em relação com homens mais velhos, então o estereótipo de loli fica comprometido –– por outro lado seu design evoca o lolicon… E, ao mesmo tempo, bem no princípio parecia que ela seria a predadora e eles os predados… Dupla, tripla subversão…
Cedo na estória – desde a introdução de Biscuit, i.e. – o espectador aprende algo que os garotos continuarão ignorando por um bom tempo, através de outro personagem (Gon, em realidade, a série inteira; Killua sendo o único a desvendar o segredo, eventualmente): Binolt, um assassino infiltrado no jogo, possui o talento de aprender tudo sobre o físico e mental de seu adversário ao comer fios de seu cabelo. É nesse momento que o personagem ergue sua guarda e entra em desesperação, pois ao “comer” alguns cachos de Biscuit após cortá-los com sua tesoura de assassino, se dá conta de que seu alvo não é uma pobre e vulnerável criança, mas uma verdadeira senhora in disguise, a Loba e não Chapeuzinho num vestido mais claro… Porém os motivos de por que Biscuit é ou está dessa maneira são ainda obscuros para o expectador por mais alguns episódios… Pode ter a ver com sua técnica antropomórfica, uma espécie de boneca espiritual massagista que ajuda usuários de nen a relaxar e conservar por mais tempo a juventude… Mas isso fica como hipótese ou conjetura – e ainda não explica o ar cutesy e a falta de intenção de Bisky de confessar sua idade (ela até a revela para os garotos, mas há evidentemente alguma peça faltando, e isso aumenta a intriga de quem acompanha a trama…).
Como caçadora de tesouros, ela ingressa na ilha atrás de uma das cartas, que para o vencedor será convertida no item que contém; mas durante a competição, ao treinar os protagonistas, o presente sai melhor do que a encomenda: ela descobriu duas jóias humanas que ajudou a polir. Sua personalidade deliberadamente astuta e mentirosa num corpo “que não deveria ser o seu” é o cerne da personagem. E o talento de Biscuit para ludibriar é atestado quando o grupo é forçado a se aliar temporariamente com uma figura ambígua, pode-se dizer, um rival do tenro passado de Gon: o veterano e caprichoso hunter Hisoka. Bisky percebe instintiva e instantaneamente que ele mente, porque está acostumada a mentir e enganar pessoas, sendo sincero no que diz, mas escondendo coisas dos garotos. Ela própria consegue enganá-lo, ou mantê-lo curto na coleira, demonstrando que é mestra no quesito.
Vários eventos depois, fica claro que para ganhar o jogo o trio teria de lutar fisicamente com um esquadrão terrorista que estava mais perto de coletar as cartas necessárias para se sagrarem campeões. O problema é que esse trio de rivais não cogitava a possibilidade de dividir o prêmio nem travar um duelo honroso, recorrendo a táticas extremas, manipulando e matando suas vítimas se necessário. E – um dos charmes do anime em todo seu curso, aliás – Killua e Gon especialmente são mais fracos que os três adultos: eles são hunters (o que já é excepcional o bastante) crianças tentando sobreviver entre outros hunters adultos. Pelo menos dessa vez eles estão acompanhados de Bisky, que sabe muito bem o que fazer. O trio forma um plano cuidadoso e há lutas individuais para sanar a situação (o grupo de Gon não cederá as cartas a Genthru, o Bomber, usuário de um nen com características literalmente explosivas). No momento mais fenomenal da personagem, Biscuit se isola com um dos lutadores do trio Bomber. Ele não entende por que ela se afastaria de seus amigos, se isso a deixaria em visível desvantagem, afinal ela era a “menininha” do trio. Mostrando seu grande trunfo, ela responde que seu oponente é um tolo e não percebeu a diferença de nível de poder entre os dois: ela quer eliminá-lo sem testemunhas (nesse momento Bara, o alvo, sente o suor frio descer-lhe a nuca). Bisky começa a reverter de forma: seu corpo adquire uma massa incomparável e ela libera sua verdadeira força, ficando com este aspecto:
Com um só soco ela deixa seu adversário inconsciente – parece que não precisava matá-lo, afinal de contas. Mas antes disso ele havia, de olhos arregalados, perguntado por que ela se escondia sob a aparência de uma criança. Ela diz que tem dois motivos: 1) esconder seu real potencial dos inimigos; 2) ela odeia sua aparência verdadeira e pouco feminina. O tropo que Togashi gostaria de comentar fica aqui muito mais claro: por conveniência, até personagens que não são loli gostariam de ser loli se pudessem, sendo algo esteticamente mais aprazível e bastante vantajoso num shounen ou coisa do tipo (mangá de batalhas). É como uma queda da quarta parede na discussão do lolismo. Gostaria de me estender ainda mais sobre essa personagem fascinante que ainda ajuda os dois garotos-protagonistas ulteriormente no enredo, porém sairia do escopo do artigo!
Folha de designs de Bisky, incluindo sua “massagista de nen”, criatura artificial.
Coloração equivocada: não é tão raro nas adaptações mangá-anime. No mangá, obviamente, ela possui um design preto e branco, exceto quando aparece na capa (e o erro parece ter decorrido daí mesmo, cf. capa do volume 15, que não deve ter tido a aprovação prévia de Togashi), que DEVERIA CORRESPONDER à iteração mais conhecida de Bisky (o anime iniciado em 2011, retificado). Antes disso, porém, o anime de 1999 (num arco OVA) a representou com base no cabelo e olhos colorizados de forma errônea na capa do vol. 15, em que aparece com mechas castanhas e íris azul no lugar dos olhos rosa e cachos louros canônicos (talvez internamente não tenham entendido que Togashi quis realmente posicionar apenas a boneca que serviu de inspiração para o design da personagem como cover da edição, e não a personagem per se!). Essa Bisky “equivocada” dos anos 90 é hoje considerado um design mais realista (?) devido às cores mais escuras e expressões mais sérias dos rostos como eram a praxe então.
Um exemplo mais moderno, ainda “em execução” ou “em andamento”, do “tropo comentado/invertido” da loli ou do pós-loli, como eu batizaria, é Jewelry Bonney de One Piece. Esperaria o término do mangá ou de sua participação no mangá antes de uma análise idêntica à que fiz com Bisky.
FUTURO E INOVAÇÕES?¹
¹ Este tópico do Wikipedia já estaria mais para “passado”, por isso eu o abreviei aqui.
O lolicon é proeminente hoje no Superflat,¹ a uma espécie de escola de arte fundada por Takashi Murakami. Entre os desenhistas desse movimento encontramos Mr. (esse é o nome estilizado do artista!) e Henmaru Machino (Darling 2001). Murakami ficou famoso por promover um ensaio de fotos com Britney Spears na temática lolicon¹ para a capa da revista japonesa Pop (Ashcraft 2010).
¹ Sobre o SUPOSTO envolvimento da pop idol ocidental e Princess of Pop em controvérsias relativas à sexualização de under-age girls no Japão (!), vide a partir do 3º parágrafo do tópico “ANATOMIA DO LOLICONISMO”, abaixo!
LOLICON X MOE
A resposta típica a moe characters seria o amor platônico. No lolicon isso não é tão simples. Estamos presos numa tempestade nebulosa aqui: o moe está incluso, inclui o lolicon, ou ambos são antagônicos, ou interpenetram-se em alguns pontos? Por exemplo: em Neon Genesis Evangelion, qual é o “coeficiente de sexualização das personagens”? Das colegiais e da principal adulta da trama, Misato, que num spin-off beija o protagonista Shinji de 14 anos de idade (para apimentar aqui a discussão), um beijo romântico, não apenas “selinho” – na cena, a personagem adulta sabia que morreria nos segundos subseqüentes e que o destino da criança era provavelmente o mesmo… na sua opinião isso atenua o impacto do “beijo molhado” na cena? Asuka e Rei, para começo de conversa, são moe ou loli? É possível que sejam moe eloli? O que elas insinuam e não mostram pode ser catalogado como “do gênero”? Por exemplo, não vemos nada erótico partindo de Asuka, vemos cenas semi-eróticas de Rei; por outro lado, Asuka fala quase sempre em sexo, e Rei é “frígida” e andrógina. São designs fofos, mas são também atraentes para o público masculino mais velho? E qual das pulsões prevalece no final, se é possível dar uma resposta unívoca? O autor de Neon Genesis Evangelion evoca em várias entrevistas a vontade de subverter o próprio gênero anime como um todo, quem dirá as sub-noções a ele atreladas de moe e lolicon – porém não podemos deixar o autor falar pela obra, até porque: 1) ele pode estar errado; 2) pode estar apenas fazendo campanha de marketing, autopromoção. Para complicar a equação, Shinji tem um envolvimento homoerótico velado – talvez interpretável como narcisismo, uma vez que a criatura em questão, Kaworu, não é humana, é, aliás, no lore de Evangelion, um anjo, denominação per se de entidades assexuadas – no anime clássico; mais explícito nos filmes Rebuild – mas não se consuma, é um relacionamento platônico. Já com Asuka, o “herói melindroso e realista” Shinji divide seu primeiro beijo…
Com o perdão da rima, menos em comum com o moe/loli, mais em comum com a estética adulta e angular de Sailor Moon.Além disso, Asuka “se transforma” num mecha, componente essencial dos anos 70 resgatado por Anno 20 anos depois.
Kaworu Nagisa, “o último anjo” ou “a tentação final”, um anjo antropomorfo que dá a liberdade de escolha ao EVA-01 e provavelmente serve de gatilho para o fim do projeto da Instrumentalidade Humana (fim da individuação, e da humanidade como a conhecemos, o bad ending da estória).
A icônica cena no elevador entre Asuka e Rei, o que mais se aproxima de uma DR entre “amigas” em NGE.
Curiosamente, no último filme de Evangelion (Evangelion: 3.0+1.0 Thrice Upon A Time), que estende a estória original (na verdade contradizendo-a, inclusive no sobrenome de personagens como Asuka), Shinji, envolto no acidente que demarca o fim do antigo anime, fica suspenso em criogenia por alguns anos. A realidade que ele conhecia (se o anime já era pós-apocalíptico, digamos que este quarto filme da série final de Hideaki Anno seria pós-pós-apocalíptico em seu máximo) não existe mais. Todos os seus companheiros de escola se tornaram pessoas adultas. Mesmo o seu novo interesse amoroso (ou antes o interesse é que parte dela…), MariMakinami (não mais Asuka) – que é capaz de se abrir quanto aos sentimentos mais íntimos, ao contrário de Asuka –, é uma mulher mais velha (não tanto quanto Misao, que já está morta) – menos Rei, mas Rei descobre não ser humana, num sentido bastante melancólico… Fato é que os personagens da trama foram tão deslocados do ambiente original que já não há qualquer traço de loliconismo feminino na produção (antes, há lolilaconismo, se puderem perdoar o poeta). A vedetização das heroínas em seus supersuits e supermechas obliterando Anjos (os “vilões” da narrativa) ainda são presença obrigatória, servindo de pretextos excitantes por alguns minutos, mas num soft adult mode, conjugado com o carisma moe de suas atuações e falas um tanto infantis ou menos pretensiosas que o enredo total no meio das trocas de tiro.
Redesign anos 2010 de Asuka e a personagem-piloto exclusiva da tetralogia Rebuild of Evangelion, Mari Makinami (“retirando sex-appeal da piloto-mulher”, diriam alguns). Sobre Asuka Langley: “O character designer, Yoshiyuki Sadamoto, concebeu Asuka para ser a protagonista da série, mas ao contemplar melhor as opções percebeu que haveria muita verossimilhança com outros animes já co-digiridos por Anno e desenhados por ele, como Gunbuster e Nadia.” Sobre este último anime, conferir a dinâmica do casal protagonista Jean-Nadia, dita como protótipo da relação Shinji-Asuka.
John Oppliger da AnimeNation identifica Ro-Kyu-Bu!, Kodomo no Jikan e Moetan como exemplos de séries que desafiam a distinção entre moe e lolicon mediante o uso de innuendos sexuais: “Satiriza-se a santidade casta do moe”; “Essas produções não hesitam em brincar com os espectadores e demonstrar como as linhas demarcatórias entre loli e moe são puramente perspectivísticas e idiossincráticas”. Por fim: “O ’moe-style’ lolicon apresenta um erotismo leve e domado, com meros traços gráficos eróticos, como vislumbres de roupa íntima, desistindo de qualquer cena sexual propriamente dita”.¹
¹ TERCEIRO ESTUDO DE CASO?
Bom, quase tudo sobre isso eu já expressei em minha análise de NGE acima. Gostaria de citar Kill la Kill como outra produção (também do estúdio Gainax, não há coincidência aí) como obra (deliberadamente) divisiva, com uma protagonista andrógina, tomboy, voz grossa – demorou até o episódio 2 para eu identificar que era do sexo feminino –, obrigada a vestir um uniforme de batalha sexy (ridiculamente sexy, over-the-top, como se diz na gringa, e que parece nada tapar, quase só mesmo os mamilos e a própria vagina) – uma entidade viva – para ganhar poderes, embora com o tempo ela se torne a melhor amiga do dito uniforme e o introjete casualmente, como faria uma sailor transformada. A protagonista, Ryuko Matoi, não deixa de lutar de maneira rude e bárbara, exibindo tantos panty-shots (panchira, grande tropo do gênero) quantos murros e golpes no estilo JoJo’s Bizarre Adventure old school ou Hokuto no Ken (protótipos da porradaria de macho alfa, com ligeiras nuances de romance bem no pano de fundo), ao contrário de Sailor Moon e seus movimentos de balé graciosos e magia ou os mechs envenenados e que entram em “modo berserk” de Evangelion (sendo, numa palavra, uma protagonista badass). Neste caso, porém, há um innuendo, como o artigo original do Wikipedia dizia – innuendo é insinuação –, de que, se há, o interesse amoroso de Ryuko é sua melhor amiga Mako, mas o final é “aberto” nesse sentido.
Numa só palavra, sendo grosseiro como não permite um artigo acadêmico: se Ryuko Matoi fosse de verdade, e se nós fôssemos outro personagem do enredo, preferencialmente um(a) colega de sua idade, gostaríamos tanto de abraçá-la, compadecendo-nos de seu indizível sofrimento emocional durante a saga, quanto de fodê-la e de sermos seu/sua namoradinho(a) e andarmos de mãos dadas por aí. De novo a Gainax acertou no meio da cultura otaku, com bombas de efeito moral (pun intended) capazes de confundir os próprios otakus-receptores tanto ou mais que a crítica especializada e as autoridades “policialescas” (já que não podemos dizer que haja padrecos ou crentes “enchendo o saco” por bobagens no Japão como os há por aqui).
Nota extra: meu primeiro pensamento sobre a série, confirmado, diria, em sua maior parte após terminar de assistir o curto anime, foi que Kill la Kill é a mais ambiciosa e mais bem-conduzida paródia-hômage a Sailor Moon jamais produzida. Se pode ser argumentado qualquer ponto antitético a essa tese e “pró-moe” em relação a Kill la Kill é que apesar de ser mais velha que uma sailor no começo da estória de Takeuchi (14), Ryuko, 17, parece mais jovem.
A comilona Mako Mankanshoku: essa cena faz sem dúvida referência ao último episódio de Evangelion clássico, em que, após a recusa da instrumentalidade humana, Rei aparece correndo para a aula atrasada, também com trajes azuis, segurando uma torrada com a boca.
ANATOMIA DO LOLICONISMO E MESCLA COM DADDY ISSUES OCIDENTAIS
(Inútil, inútil, inútil!…, diria Dio Brando)
Akira Akagi identificou 5 temas primordiais dos lolicon mangas em sua análise de 1993: sadomasoquismo, “objetos tentaculares” [agora eu ri] (literalmente tentáculos aliens ou robôs em formato peniano), fetiches “mecha” [isso não estaria incluso no tema anterior?] (fusão máquina-mulher), paródias eróticas de animes e mangás do mainstream e “material simplesmente indecente ou pervertido”, observando também [mas que observador tendencioso… quase me arrependo de tê-lo colocado nesse artigo, pois ele retirou a discussão das profundezas oceânicas e a atirou na superfície de uma piscina de plástico!] “lesbianismo” e “masturbação” [ou seja, esse autor carola considera que lolicon representa tudo que é degenerado, e na mente de pessoas caducas tudo é degenerado… mesmo o amor sáfico ou o ato de masturbar-se!]. O crítico de mídia [creio que a esse ponto da minha matéria, que traduz alguns trechos da Wikipedia, devo esclarecer que no Brasil essa expressão certamente seria substituída por “antropólogo” ou “sociólogo”, que são as faculdades que formam os críticos dos mass media por excelência – nada tem que ver com jornalismo, embora um jornalista possa ser crítico de mídia também…] Setsu Shigematsu argumenta que essas formas de substituição e mímica possibilitam ao lolicon“transformar o sexo heteronormativo e tradicional numa paródia completa da sociedade”. Obras mais extremas neste universo figuram ainda coerção, estupro, incesto, bondage [já foi citado acima em sadomasoquismo] e hermafroditismo [não há nada de extremo nisso!!!], este último tópico corroborado por Matthews 2011.
Nagayama, terceiro estudioso citado neste subtítulo, diz que maioria dos mangás lolicon PORNOGRÁFICOS [agora sim foi traçada uma linha, porque o lolicon-sem-mais não pode ser resumido aos atributos do parágrafo precedente de forma alguma] lidam com “a consciência do pecado”, ou servem como sensibilizantes de tabus, da culpa e da compulsão [isso por si só explicaria sua origem específica na sociedade japonesa – mas hoje trata-se de fenômeno mundial]. Alguns mangás retratam a mulher como a beneficiária da experiência libertadora como resultado, a parceira realmente ativa da relação, a sedutora de homens. Noutros, o tropo e a realidade misógina do “homem como mal absoluto que preda vítimas indefesas” têm mais relevância. Seria uma exposição nua e crua da fragilidade dos personagens, ou quase sempre das personagens, das mulheres. O autor alega que se um mangá mostra o sexo entre duas crianças estaria isento da “consciência do pecado” validado pela inocência mútua do ato, além de evocar no leitor nostalgia e uma visão idealizada do passado, mais puro. Outros mangás tentam instilar esse desejo de nostalgia-agora, de repetir a infância, na psique problemática de seus personagens, principalmente nos mais abstratos em termos de estória e também character design. Mas Nagayama alerta: “É só porque é ficção e porque a ficção se distingue claramente da realidade que alguém experiencia a parte moe”, estando implícito na fala que a “parte lolicon” é o resto maldito da equação. Não saberia o público (especificamente lolicon) apreciar a diferença entre ficção e realidade mais – teria perdido essa capacidade, que presumo inata no homem?
O governo da cidade de Tóquio já lançou campanhas maciças de banimento de artes eróticas questionáveis em animes, mangás e videogames. Durante um destes fuzuês que parecem cíclicos, My Wife Is A Grade Schooler [Minha Esposa é uma Colegial], mangá hoje fora de circulação, foi lançado. E esse trabalho foi a maior vítima da campanha. Quando o mangá foi mostrado na TV (não como anime, mas em canais de notícia, que filmaram suas páginas), post-its foram usados para censurar os locais mais sugestivos das caricaturas. Porém, aí ocorreu um efeito histérico reverso: os tais post-its induziram o público a imaginar as cenas ainda mais sugestivas do que eram de fato. O mangá era de “humor extremo” ou gag manga e criticava o cinismo da sociedade japonesa, incluindo sua hipocrisia pedofílica. Não são poucas as teorias de que o mangá foi parar no noticiário para servir de bode expiatório para toda uma geração de content creators, mas, novamente, o público underground passou a ter mais acesso à obra graças a essa tática asinina (mostrar o que se quer esconder… e mostrar apenas de forma censurada). Faremos um cruzamento inesperado do mundo totalmente japa ao mundo mais american way impossível ao descrever a capa do primeiro tankoubon de My Wife… como bastante alusivo a uma série de fotografias da super pop idol Britney Spears… Com efeito, a ascensão de Britney ao estrelato coincide com a exportação definitiva (segunda, terceira onda, não importa qual onda, mas dessa vez sem a recessão das outras, pois que vige até o momento) do modelo mangá-anime-videogames com estética japonesa traduzidos para os nossos continentes. Basta ver que digitando-se o nome do mangá “proibido” o google remete primeiro a sites sobre Britney Spears. Como se deu essa súbita associação transoceânica inimaginável? Não sei se essa capa e esse material é tão difícil de encontrar mesmo hoje na internet, mas vejo paródias-de-paródias como “If my wife became a high school student…” aparecendo na pesquisa… o que isso conota é o famoso meme: a namorada pergunta ao namorado: “Você ainda me amaria se eu virasse um verme?”. E creio que fique no terreno do meme. Ou, o que é mais grave e sensacionalista por parte da mídia ocidental, existe a hipótese de que o título japonês sempre tenha comportado a restritiva “se…” e que não estejamos falando de um mangá que parodia um gag manga, i.e., o círculo completo da auto-paródia, mas apenas de um e mesmo produto, da década passada, conforme encontrei visualmente na seguinte forma:
No que isso divergiria de um Goku magicamente transformado em criança num shounen absolutamente de classificação livre, ainda casado com uma idosa, faz meu cérebro coçar… pois não há resposta possível! Talvez o problema seja que a estória aqui contada seja mais interessante que Dragon Ball GT (uma chance de mais de 99,9%)… Realmente indignante para os puritanos. Desculpe não manter um tom neutro, mas às vezes a neutralidade é mentirosa, e aqui a desfaçatez da “discussão” (nem chamaria disso) ultrapassa todos os limites da inocuidade das picuinhas humanas… Que políticos japoneses percam tempo com esse tipo de palavrório contra “esse tipo de mangá” em vez de convencer sua população de que precisam de emigrantes (do ponto de vista do resto do globo), e jovens, e racialmente ecléticos, isso sim me deixa possesso! Uma sociedade que prefere, sendo uma exportadora de cultura, deixar-se morrer aos poucos por pura e simples xenofobia… Não deixa de ser irônico!
Mesma mochila vermelha, [parece que a obra da capa acima É a original; logo, a tradução anglófona da Wikipedia conduz a um erro fatal] mesma camisa de malha azul, vestido de noiva tal qual. Não é coincidência. Murakami, fotógrafo, dentre outros ofícios, e Seiji Matsuyama, o autor de My Wife Is A Grade Schooler (IF MY WIFE WAS, retificando, o que é grotescamente diferente, ainda mais no mundo da ficção – aliás, IF já denota que é ficção!), estiveram conversando no twitter sobre fotografia e sua relação com mangás ero. Matsuyama postou alguns links da Pop Magazine em seu website, com trabalhos que ele realizou como freela. Matsuyama chama suas criações de “Takashi Murakami x Britney Spears x My Wife Is A Grade Schooler collaboration” (uma tríade do mangá do polêmico autor, do ditocujo autor e do fotógrafo avant-garde com a cantora – diria influencer se essa palavra já existisse até seu auge lá pelos 2007 – que mais vendia no momento, e ainda sustenta inúmeros recordes que, se pensarmos nas mudanças no mercado da música, parecem inquebrantáveis para sempre). Murakami defende no twitter que esse tipo de projeto se destina precipuamente a indicar que mangá é arte. Aqui eu pego o bonde sensacionalista de um artigo da Kotaku (que não sabe se é pró-ocidente, pró-oriente, anti-todo mundo, site de fofoca, de games…).¹ Ashcraft (jornalista da Kotaku) pondera, a respeito:
“Se a legislação [japonesa] sobre crianças virtuais deveria ter passado [sido aprovada] ou se essas imagens são arte ou pornografia [veremos abaixo que COM CERTEZA não são (mais) pornografia, in this day an age, e felizmente!] está além do escopo deste artigo [5 parágrafos mal-redigidos!]. O que está em discussão aqui é se Britney Spears ‘sabia o que estava fazendo’. Ela sabia que estava participando? [em quê, esclareça o leitor! nas filmagens de Eyes Wide Shut, de Kubrick por acaso?!?] Estava por dentro do plano? Que essas imagens nessas fotografias estão conectadas ao que alguns críticos [que críticos?] estão chamando de pornografia infantil?”
Título isentão da matéria: Was Britney Spears Bamboozled Into Virtual Child Porn Protest Art?
¹ Pergunte-se por que Tim Rogers, o mais celebrado resenhista de lá, pulou do barco e hoje consegue muito mais audiência em seu canal-solo no YouTube!
MINHA PRAGMÁTICA E SUPRAMORAL OPINIÃO SOBRE TODA ESSA POLÊMICA-CHINFRIM, NÃO SEM ANTES APRESENTAR AS TAIS FOTOS DO “POLÊMICO” ENSAIO DE BRITNEY POR MURAKAMI, SE É QUE PRECISA (Hollywood, você já foi bem melhor com suas vedetes!):
Uma coisa podemos dizer: não é uma mulher recatada e do lar! Ah, e nem de longe as poses mais provocativas da diva, sou obrigado a dizer a quem não sabe ainda… Acho que homens babões atrás de mero fetiche imagético ficaram bastante decepcionados… E peraí… quantos anos Britney tem aqui? “Pornografia infantil”?!? Faz-me rir!
Se algo o desagrada, você, leitor, censor, ou se algo soa-lhe eticamente inconveniente, ignore, faça shadow ban, mas NÃO TENTE SUPRIMIR O MATERIAL com a ajuda de leis governamentais – isso fomentará a circulação do material de forma ilícita. Esse raciocínio ÓBVIO ainda não chegou à mente da maioria do público nem muito menos das autoridades escandalizadas, por sinal, daí a profusão de polêmicas inócuas com que lidamos! E especificamente sobre Spears: não subestimem a inteligência desta mulher e artista! “Sim e não”, caro Ashcraft (repórter homem sem qualquer tipo de suscetibilidade ou mesmo libido, imagino, o que inclui senso artístico); ela sabia “no que estava se metendo”, mas sua opinião era de que essas fotos ingénues nada tinham a ver com pornografia infantil, nem com pornografia dela mesma – fim do debate e da “polêmica”!
Meme que flagrei hoje, 20 de janeiro de 2024, na minha timeline: “If my father was a…?” parece ser a “idéia” central, para além de algumas referências implícitas a alguns animes para quem souber saborear os detalhes. Memes não possuem uma lógica que deva ser encarada com um códice moral ou olhar de julgador, simplesmente se ri deles ou se os ignora… Quanto mais eu demorar para publicar este artigo, mais referencial memético encontrarei para acrescentar, então é melhor terminar de uma vez!
PALAVRAS FINAIS, POR ORA
(estou ficando cansado…)
Em 2014 estabeleceu-se que obras lolicon ficariam de fora das leis de restrição japonesas em pornografia infantil. Um jurista do caso declarou que “Pornografia de mangá, anime e feita em CG [computer graphics] não viola diretamente os direitos de garotas e garotos. Não foi cientificamente validado que esse material possa vir a causar danos mesmo de modo indireto. Sem essa validação, punir autores, veiculadores e usuários se torna ditatorial”.
Estatisticamente, o abuso de menores está em queda no Japão desde os anos 60-70, justamente anos do boom lolicon. McLelland diz que “garotos” ou “garotas”, personagens desse tipo de mídia, são na verdade a hipóstase de um “terceiro gênero”. Steven Smet defende que o lolicon é um “exorcismo de fantasias” que inclusive ajuda a explicar a queda da criminalidade sexual no país. Galbraith sustenta ainda que esse tipo de arte e movimento, tornando-se profundo, promove o debate aberto dos temas da otaku culture com os meios de comunicação de massa, pondo a descoberto seus principais problemas éticos.
Um estudo de 2012 da Sexologisk Klinik (governo dinamarquês) não encontrou evidências de que desenhos que ilustrem explícito abuso sexual de crianças conduzam a abusos no mundo real. Sharalyn Orbaugh defende que mangás que contêm menores vítimas de abuso ou pelo menos engajados em atividades sexuais podem ser uma ferramenta de auxílio para menores que foram vítimas lidarem com o trauma.
Hiroshi Nakasatomi, do campo do direito, diz que a estética lolicon pode distorcer os desejos sexuais do leitor e induzir a crimes [alguém do direito falando em causa-efeito de forma tão simples, quanta novidade!]. Nakasatomi crê ainda que esse tipo de arte viola os direitos da criança, visão compartilhada pela ONG CASPAR (fundada em meio à repercussão do caso do serial killer Miyazaki).
A feminista Kuniko Funabashi entende que o lolicon contribui, sim, para a violência sexual por iconografar principalmente garotas em posições passivas e subordinadas e “apresentar o corpo feminino como uma posse do homem”. Mais um do Direito, o sr. Shin’ichirou Harata, toma o cuidado de ressalvar que qualquer lei sobre o assunto não pode indistintamente tratar material ficcional e real sob o mesmo crivo, cabendo ao “fã” ter discrição e “noção da quarta parede” em trabalhos potencialmente ambivalentes. Este jurista acredita que há ética no meio, e que o selo moe representaria justamente o lado ou metade “mais benigno(a)” deste universo, sendo o baluarte de uma ética otaku (a segunda vez que lemos essa opinião nesta espécie de suma de resenha crítica que vimos desempenhando).
Dilton Rocha Ferraz Ribeiro analisa que até o momento atual leis para restrição e leis que são contra restrição de materiais lolicon se mantêm estáveis nos últimos anos, sem tendência para reviravoltas acentuadas seja para um lado, seja para outro. Catherine Driscoll e Liam Grealy acreditam que há pressão internacional sobre o Japão para aprovar leis de censura e que no direito local tende-se a falar de um “excepcionalismo cultural” aplicável à cultura nipo. Deveríamos nos perguntar também por que legislações anti-armamentistas aprovadas pela própria ONU não encontram qualquer salvaguarda nos Estados Unidos da América, se não queremos ser aqui hipócritas!
Alguns mangakás e estudiosos dos mangás comparam o caso do lolicon (obviamente a taxa de pedófilos entre os leitores é muito baixa, como em qualquer segmento social) com a do público yaoi: a maioria dos leitores habituais desses mangás com enredos homossexuais masculinos é composta por heteros. Uma preferência literária não-condizente com a sexualidade cotidiana, portanto.
O teórico queer Yuu Matsuura (não confundir com o personagem fictício de mesmo nome) afirma em alto e bom som que personagens 2D são artefatos não-humanos e que desejo orientado a tais dispositivos não é qualificável como desejo sexual, a não ser que fosse de uma outra espécie não-humana, não-animal, figurativa, nova, sem precedentes, mesmo no campo do imaginário (pois é diferente até de ler um romance de cavalaria e sonhar com uma consumação platônica ou carnal). Matsuura diz que quem qualifica lolicon como “pornografia infantil” incorre num conceito para isso por ele formulado, “hiper-sexualismo antropomorfo”(*), alegando que há mais na natureza e nas pulsões humanas que essa visão clássica e ultrapassada. Segundo Matsuura essa tendência possui implicações bem desumanas, quer seja, a marginalização dos classificáveis como adeptos do nijikon, palavra que apareceu mais cedo no texto quando expusemos Galbraith (se quisermos passar grosso modo por esse conceito sem perder tanto de seu conteúdo originário, pensar basicamente na categorização “assexual” que cunhamos no Ocidente em tempos recentes). Só o que sabemos é que, enquanto seres vivos, temos pulsão-por-algo, esse algo não necessitando ser de nossa espécie, ou mesmo tridimensional, ou real.
(*) 対人性愛中心主義, taijin seiai chūshin shugi.
Akira Akagi entende que de décadas para cá a idealização do herói típica do público masculino sofreu intensa metamorfose (fenômeno ligado à decadência do gekiga): “Leitores de lolicon não necessitam de um pênis para ter prazer, eles sentem necessidade de êxtase por uma garota. […] Identificam-se COM A garota, e sentem com isso um prazer que o Ocidente até Freud classificaria de masoquista”. Gō Itō vai além e diz que já ouviu em entrevistas com mangakás: “A criança loli que eu desenhei sendo estuprada era eu”. Ele entende esse tipo de comentário, generalizadamente, como uma metáfora: o sujeito sendo estuprado pela sociedade e seu grito de protesto.
Kaoru Nagayama complementa essas posições dizendo que o leitor de lolicon não é estático e flui entre a perspectiva do observador voyeur onisciente e insensível num segundo para no outro identificar-se com cada personagem da trama e seus sofrimentos ou deleites, fazendo sínteses existenciais dessa experiência em poucos instantes. Co-autora do Book of Otaku (1989), a feminista Chizuko Ueno entende que o lolicon, sendo uma orientação clara para o bishōjo fictivo, é “completamente alheio à pedofilia”, e não perdeu a essência cute atribuída ao fenômeno moe em nenhum momento de sua evolução. Teria sido, sim, uma resposta masculina, dos que se sentiam excluídos dessa estética mais “fofa”, para também passarem a fazer parte do circuito bishoujo, apesar da demografia das editoras inicialmente direcionar-lhes apenas material shoujo. Em outros termos, o “homem”, para o “japonês médio”, já não é o mesmo, dos anos 50 para cá. Isso é tão óbvio, e tão corrente para nós, que até esquecemos que o Japão viveu um sistema rígido de patriarcado muito mais severo e estendido que os nossos diferentes patriarcados (considerando os dois tipos de colonização da América, a Europa, a Oceania, a Rússia, etc.), e que a revolução de costumes deles, ao menos nos meios de expressão artística, foi muito mais acelerada.
Partindo para a análise da sexualidade japonesa e deixando um pouco de lado os mangás, abstraindo o fenômeno evidente de que “a arte-influencia-a-vida-e-a-própria-arte” por um parágrafo apenas, e considerando somente as mudanças sociais e seus efeitos na arte (análise de causação linear), o sociólogo Kimio Itou atribui a emergência do lolicon às mudanças progressivas das relações intergênero no país. Para Itou a resposta mais óbvia que a juventude masculina japonesa do pós-guerra encontrou ao se sentir inferiorizada e imatura diante de mulheres cada vez mais independentes e assertivas, liberadas para o mercado de trabalho, foi procurar um refúgio imediato em formas de arte em que “dispunham de objetos passionais ainda fáceis de administrar, como na época de seus próprios pais [pais no coletivo de ‘apenas homens’] para com suas esposas submissas”. Eixo simplista de pensamento, como o dos que espumam por uma isonomia completa entre material de ficção e realidade para punição por pedofilia, porém agrega à discussão, sem dúvida, pois é uma das facetas do fenômeno.
Kinsella, informado pelo comentário de Itou, concorda, mas diz que há obviamente a influência feminina: a parcela das consumidoras mulheres também se interessa por ver homens mais vulneráveis e “desnudos”, mais convincentese vulneráveis, em suas estórias, o que efetivamente acontece nos mangás que derrubam os tropos clássicos do shounen. Kinsella resume: o lolicon é um modo de lidar com a ansiedade social, prevalente na sociedade japonesa, em que participam ambos os sexos.
Este artigo é parte de uma série de traduções da Wikipédia inglesa sobre animes ou tópicos tangentes, mas acrescento ou removo detalhes ou conteúdos conforme minha predileção – a ponto de o artigo final se tornar quase irreconhecível se cotejado ao artigo da Wikipedia, tantas modificações e inserções eu faço. De fato, se tornou meu artigo em vez de apenas mera tradução. Às vezes – mas não sempre –, com o intuito de facilitar ao leitor, grifo os trechos mais pessoais de azul. Meus hiper-links não conduzem ao próprio site wikia, mas a outros artigos do rafazardly ou do seclusão (meus blogs), quando presentes.
próximo da série “anime & mangá”: O QUE É SHOTACON? (o oposto diametral de LOLICON, ou antes a complementaridade de sexo do LOLICON, i.e., o mesmo fenômeno, só que espelhado para o masculino)
Publicado originalmente em 1º de dezembro de 2009.
Um dia de saldo zero que vai ficar para mim. Quatro cigarros fumados, um não achado. Pingos e pingos e pingos. Aquela chuva capaz de humilhar um homem, pois é fraca demais para que se seja visto de guarda-chuva em punho, mas é irritante o suficiente para afundar o moral, molhar os papéis em embaçar a vista de um míope. Do que me servem os papéis, se sempre tenho de refazê-los? Eu sou o homem-projeto, tudo o que eu não tenho é um projeto. Estou sempre em primeiro, mas isso parece ser estar em último. Estou sem identidade. Talvez devesse ficar assim.
Eu gosto de estar com febre (a febre do ânimo).
Férias?
No dia em que a hesitação oral se me escapou, em que me senti professor pela primeira vez, vi meu sonho chafurdar com pancadas insolentes, num recinto fechado, escuro e úmido, no subsolo de um campus semi-abandonado. Greve de fome para contornar as caganeiras. O que para mim é o impossível e inconcretizável, mistério, interrogação, loucura e crepúsculo feliz de um menino doente, é para os outros a obrigação sem gosto, ou o facilmente evitável, suplantável, por novas metas. O “pesadelo” deles é o meu sonho. Qualquer um pode sonhar com Freddy Krueger, cometer pecados e ir para o inferno. Mas o eldorado, o eldorado terreno que eu escolhi, esse é meu além. O dia em que eu morrerei de fome, farei trabalho braçal ou escorrerá sangue do meu peito, e eu estatelado na quina daquela passarela como um Vincent conformado, esse dia há de ser um dos meus milhares. Só mais uma sessão de jazz mortífero de um precoce guitarrista dos limites da distorção…
Publicado originalmente em 19 de novembro de 2009.
Me divido atualmente entre dois grandes vícios. Quis dizer: a humanidade se divide atualmente em duas grandes necessidades: atender à demanda irresistível pelo novo, diferente e mais bem-acabado tecnologicamente, ampliando o abraço orgiástico de todos com todos na malha digital; manter a fisiologia sã nos imprescindíveis momentos de (auto-)desligamento (desse gigante mecânico-biótipo, maníaco-depressivo, ambivalente, dentro e fora de nós), com práticas contraditórias como fumar, beber, repousar, contemplar, dançar, dissipar ou simplesmente se esconder. O perfeito blasé se acha um idiota no espelho. A crise do palhaço, começar o discurso (de que se vai arrepender depois), é intrínseca a esse comportamento, uma reação ao embotamento das sensações. À superexcitação, a máquina sofre solavancos que sabemos não serem fatais, embora desgastantes e, retroativamente falando, “evitáveis”.
Ou correto – ou impossível – está em idealizar o natural ou o digital? Em contra-atacar improficuamente com a alopatia ou a homeopatia? É sempre ineficaz. Mas ainda assim, somos artilheiros. Atacar com o quê? Isolar-se e adoecer encolhido diante do verme familial, tentando tecer um futuro finalmente não-monótono nem embaraçoso (de quantas drogas fazemos uso sem sequer nos darmos conta?)? Não dar atenção a ninguém – mas contar com o melindre embutido de que eles também o apagaram do mapa. Ou ter possibilidades, só que completamente amarradas pelo exército com ilimitadas reposições das pessoinhas? Desativado ou excessivamente ligado? Não se destrói afetos, mas é preferível concentrá-los diante dos punhos ou insistir em pisar em baratas? De qualquer jeito, com este arranjo, somos sempre abertos apesar de sermos entrópicos. Ninguém nunca sabe com quem vai topar amanhã na calçada enquanto divagava de cabeça baixa. Desgoverno como chance de governo? E a intolerância pesa no momento em que a troca seria o mais válido. Dar. Cooptar? O que levar aos olhos? O que chega aos meus ouvidos? Tateio alguma coisa.
Em suma, não preciso de tantas perguntas. Tendo perdido um bocado de viagens, efetuado várias recapitulações, saldo – finjamos – meio que zerado… Embarcar ou não?
Nossa alma é grande e cabe um pouco de tudo. Até um meio-termo.
1.1 DESCRIPTION DES PHÉNOMÈNES PROVOQUÉS PENDANT L’ÉTAT CATALEPTIQUE
1.2 INTERPRÉTATION MÉCANIQUE OU PHYSIQUE DE CES PHÉNOMÈNES
1.3 INTERPRETATIONS PSYCHOLOGIQUES. — LA CATALEPSIE ASSIMILÉE AU SOMNAMBULISME.
1.4 UNE FORME RUDIMENTAIRE DE LA CONSCIENCE. — LA SENSATION ET L’IMAGE ISOLÉES.
1.5 LA NATURE DE LA CONSCIENCE PENDANT LA CATALEPSIE
2. L’OUBLI ET LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES
2.1 LES DIFFÉRENTS CARACTÈRES QUI ONT ÉTÉ PROPOSÉS POUR RECONNAÎTRE LE SOMNAMBULISME
2.2 CARACTÈRES ESSENTIELS DU SOMNAMBULISME : L’OUBLI AU RÉVEIL ET LA MÉMOIRE ALTERNANTE
2.3 VARIÉTÉS ET COMPLICATIONS DE LA MÉMOIRE ALTERNANTE
2.4 ÉTUDE SUR UNE CONDITION PARTICULIÈRE DE LA MÉMOIRE ET DE L’OUBLI DES IMAGES
2.5 UNE CONDITION DE LA MÉMOIRE ET DE L’OUBLI POUR LES PHÉNOMÈNES COMPLEXES
2.6 INTERPRÉTATION DE L’OUBLI AU RÉVEIL APRÈS LE SOMNAMBULISME
2.7 LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES : MODIFICATIONS SPONTANÉES DE LA PERSONNALITÉ
2.8 LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES. — LES CHANGEMENTS DE PERSONNALITÉ DANS LES SOMNAMBULISMES ARTIFICIELS.
2.9 IMPORTANCE RELATIVE DES DIVERSES EXISTENCES SIMULTANÉES
2.10 L’ANESTHÉSIE ET LA PARALYSIE
2.11 LES PARALYSIES ET LES CONTRACTURES EXPLIQUÉES PAR LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
2.12 CONCLUSION
3. LA SUGGESTION ET LE RÉTRÉCISSEMENT [RECOLHIMENTO] DU CHAMP DE LA CONSCIENCE
3.1 RÉSUMÉ HISTORIQUE DE LA THÉORIE DES SUGGESTIONS
3.2 DESCRIPTION DE QUELQUES PHÉNOMÈNES PSYCHOLOGIQUES PRODUITS PAR SUGGESTION
3.3 DIVERSES THÉORIES PSYCHOLOGIQUES SUR LA SUGGESTION
3.4 L’AMNÉSIE ET LA DISTRACTION
3.5 LE RÉTRÉCISSEMENT DU CHAMP DE LA CONSCIENCE
3.6 INTERPRÉTATION DES PHÉNOMÈNES DE SUGGESTION. – LE RÈGNE DES PERCEPTIONS.
3.7 CONCLUSION
DEUXIÈME PARTIE. AUTOMATISME PARTIEL
1. LES ACTES SUBCONSCIENTS
1.1 LES CATALEPSIES PARTIELLES
1.2 LA DISTRACTION ET LES ACTES SUBCONSCIENTS
1.3 LES SUGGESTIONS POSTHYPNOTIQUES. HISTORIQUE ET DESCRIPTION.
1.4 EXÉCUTION DES SUGGESTIONS PENDANT UN NOUVEL ÉTAT SOMNAMBULIQUE
1.5 EXÉCUTION SUBCONSCIENTE DES SUGGESTIONS POSTHYPNOTIQUES
1.6 CONCLUSION
2. LES ANESTHÉSIES ET LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES
2.1 LES ANESTHÉSIES SYSTÉMATISÉES – HISTORIQUE
2.2 PERSISTANCE DE LA SENSATION MALGRÉ L’ANESTHÉSIE SYSTÉMATISÉE
2.3 ÉLECTIVITÉ OU ESTHÉSIE SYSTÉMATISÉE
2.4 ANESTHÉSIE COMPLÈTE OU ANESTHÉSIE NATURELLE DES HYSTÉRIQUES
2.5 DIFFÉRENTES HYPOTHÈSES RELATIVES AUX PHÉNOMÈNES D’ANESTHÉSIE
2.6 LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
2.7 LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES
2.8 LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES COMPARÉES AUX EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES
3. DIVERSES FORMES DE LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
3.1 LA BAGUETTE DIVINATOIRE. – LE PENDULE EXPLORATEUR. – LA LECTURE DE PENSÉES.
3.2 RÉSUMÉ HISTORIQUE DU SPIRITISME
3.3 HYPOTHÈSES RELATIVES AU SPIRITISME
3.4 LE SPIRITISME ET LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
3.5 COMPARAISON DES MÉDIUMS ET DES SOMNAMBULES
3.6 LA DUALITÉ CÉRÉBRALE COMME EXPLICATION DU SPIRITISME
3.7 DE LA FOLIE IMPULSIVE
3.8 LES IDÉES FIXES. – LES HALLUCINATIONS.
3.9 LES POSSESSIONS
4. LA FAIBLESSE ET LA FORCE MORALES
4.1 LA MISÈRE PSYCHOLOGIQUE
4.2 LES FORMES INFÉRIEURES DE L’ACTIVITÉ NORMALE
4.3 LE JUGEMENT ET LA VOLONTÉ
4.4 CONCLUSION
CONCLUSION (général)
APPENDICE
ÍNDICE DE OBRAS RECOMENDADAS, ORDENADAS PELA PRIORIDADE DA LEITURA
GLOSSAIRE (glossário francês)
INTRODUCTION
“C’est l’activité humaine dans ses formes les plus simples, les plus rudimentaires, qui fera l’objet de cette étude.”
“une poupée mécanique qui marche seule sera dite un automate, une pompe [bomba de ar] que l’on fait mouvoir à l’extérieur ne pourra pas en être un.” “Or, les premiers efforts de l’activité humaine ont précisément ces 2 caractères: ils sont provoqués et non pas crées par les impulsions extérieures; ils sortent du sujet lui-même, et cependant ils sont si réguliers qu’il ne peut être question à leur propos du libre arbitre réclamé par les facultés supérieures. Mais on ajoute ordinairement au mot automatique un autre sens que nous n’acceptons pas aussi volontiers. Une activité automatique est, pour quelques auteurs, non seulement une activité régulière et rigoureusement déterminée, mais encore une activité puremente mécanique et absolument sans conscience. Cette interprétations a été l’origine de confusions nombreuses, et beaucoup de philosophes se refusent à reconnaître dans l’esprit humain un automatisme, qui est cependant réel et sans lequel beaucoup de phénomènes sont inexplicables, parce qu’ils se figurent qu’admettre l’automatisme, c’est supprimer la conscience et réduire l’homme à un pur mécanisme d’élements étendus et insensibles. Nous croyons que l’on peut admettre simultanément et l’automatisme et la conscience, et par là donner satisfaction à ceux qui constatent dans l’homme une forme d’activité élémentaire tout à fait déterminée, comme celle d’un automate, et à ceux qui veulent conserver à l’homme, jusque dans ses actions les plus simples, la conscience et la sensibilité. En d’autres termes, il ne nous semble pas que, dans un être vivant, l’activité qui se manifeste au dehors par le mouvement puisse être séparée d’une certaine forme d’intelligence et de conscience qui l’accompagne au dedans, et notre but est de démontrer non seulement qu’il y a une activité humaine méritant le non d’automatique, mais encore qu’il est légitime de l’appeler un automatisme psychologique.
Les philosophes qui ont consideré l’activité comme un phénomène psychologique, mais qui ne l’ont examinée que dans ses manifestations les plus parfaites, l’ont séparée très nettement des autres phénomènes de l’esprit et l’ont considérée comme une faculté particulière distincte de l’intelligence et de la sensibilité.” Teoria do elo perdido : ver « solução » na conclusão.
“L’unité et la systématisation nous semblent être le terme et non le point de départ de la pensée, et l’automatisme que nous étudions se manifeste souvent par des sentiments et des actions multiple et indépendantes les unes des autres, avant de céder la place à la volonté une et personnelle.”
Lange, Histoire du matérialisme, 1877, II.
“Stuart Mill, quand il soutient contre Auguste Comte la légitimité d’une psychologie scientifique, ne répond pas que d’une manière embarrassée à cette difficulté” “Il faut admettre pour le moral ce grand principe universellement admis pour le physique depuis Claude Bernard, c’est que les lois de la maladie sont les mêmes que celles de la santé et qu’il n’y a dans celle-là que l’exagération ou la diminution de certains phénomènes qui se trouvaient déjà dans celle-ci. Si l’on connaissait bien les maladies mentales, il ne serait pas difficile d’étudier la psychologie normale.”
“On ne fait de véritables expériences psychologiques que si l’on modifie artificiellement l’état de la conscience d’une personne d’une manière déterminée et calculée d’avance. Moreau de Tours, l’un des plus philosophes parmi les aliénistes, prétendit arriver à ce résultat au moyen de l’ivresse procurée par le haschich.¹ Tout en partageant ce désir d’expérimentation psychologique que Moreau est l’un des premiers à exprimer, je n’apprécie guère le procédé qu’il a employé. (…) j’aí trouvé que la perturbation physique causée par cette sustance était bien grave et bien dangereuse pour un assez maigre résultat psychologique.”
¹ Leitura fortemente indicada, apesar das críticas tecidas por Pierre Janet ao longo da obra, precursora em toda a psiquiatria.
“Déjà Maine de Biran, l’un des précurseurs de la psychologie scientifique, dans ses nouvelles considérations sur le sommeil, les songes [daydreams] et le somnambulisme, insiste sur le parti que la psychologie pourrait tirer de l’étude de ces phénomènes”
“Nous ne discuterons pas ici la réalité du somnambulisme ni le danger de la simulation”
“Les sujets sur lesquels ces études ont été faite étaient presque tous, sauf des exceptions que nous signalerons, des femmes atteintes de maladies nerveuses plus ou moins graves, particulièrement de cette maladie très variable que l’on désigne sous le nom d’hystérie.”
“Il est nécessaire de les suivre pendant longtemps et avec beaucoup d’attention, <de les étudier non pas un instant mais à toutes les phases de leur maladie> (Despine)¹ pour savoir exactement dans quelles circonstances et dans quelles conditions on expérimente. En suite, en raison même de leur mobilité, ils subissent très facilement toutes les influences extérieures et se modifient très rapidemente suivant les livres qu’on leur laisse lire ou les paroles que l’on prononce imprudemment devant eux.” “Il est également impossible de constater aucun fait naturel, si on les interroge en public, si on indique à des personnes présentes les expériences que l’on fait et les résultats que l’on attend. Il faut les étudier souvent et il faut toujours expérimenter seul”
¹ « La famille Despine, que l’on trouve également écrit sous les formes d’Espine, de Lepine, de Lespine, de l’Espine, est une ancienne famille savoyarde de notables, originaire des Bauges, dont la filiation est prouvée depuis le XVIe siècle. »wiki
Este é o Despine mais famoso, Prosper Pierre (ver seção BIBLIOGRAFIA).
PREMIÈRE PARTIE. AUTOMATISME TOTAL
1. LES PHÉNOMÈNES PSYCHOLOGIQUES ISOLÉS
“Eh bien, l’expérience que rêvait Condillac et qu’il ne pouvait essayer, il nous est possible aujourd’hui de la réaliser presque complètament.” “C’est la maladie nerveuse désignée le plus souvent sous le nom de catalepsie qui nous procurera ces suppressions brusque et complètes, puis ces restaurations graduelles de la conscience dont nous voulons profiter pour nos expériences.”
“La catalepsie, dit Saint-Bourdin, un des premiers auteurs qui ait fait une étude précise de cette maladie, est une affection du cerveau, intermittente, apyrétique, caractérisé par la suspension de l’entendement et de la sensibilité et par l’aptitude des muscles à recevoir et à garder tous les degrés de la contraction qu’on leur donne.”
“Il nous importera peu de savoir si tel ou tel trouble de la parole ou de l’écriture est produit par une tumeur, un foyer de ramollissement, un agent toxique. Les roues d’une montre, a dit Buzzard, peuvent aussi bien être errêtées par un cheveu que par un grain de sable, et le désordre qui surgit alors reste toujours le même, quelle que soit la cause qui l’ait produit.”
Ballet
“Sans doute une personne atteinte de catalepsie n’aura pas la simplicité idéale de la statue de Condillac (…) Mais une expérience réele, quand même elle présenterait quelque obscurité, vaut 100x mieux qu’une théorie simple, mais imaginaire.”
1.1 DESCRIPTION DES PHÉNOMÈNES PROVOQUÉS PENDANT L’ÉTAT CATALEPTIQUE
“Nous avons seulement recueilli la description de 2 crises naturelles, l’une observée à Paris à l’hôpital de la Pitié par mon frère Jules Janet,¹ l’autre qui a été produite par un coup de foudre sur un sujet que je connaissais, mais que je n’ai pas pu voir à ce moment. J’ai pu observer plus fréquemment des catalepsies artificielles, mais sur 3 sujets seulement.
[¹ Seu nome não está em vermelho porque sua contribuição é inexpressiva perto da do próprio Pierre, e se deu maciçamente em forma de artigos para revistas científicas.]
On pouvait quelquefois provoquer la catalepsie chez Lucie [histérica, ver mais detalhes no ANEXO ao final] en lui montrant brusquement une vive lumière de magnésium, ou bien en luis comprimant légèrement les yeux pendant le somnambulisme. La catalepsie survenait naturellement à de certains moments pendant le somnambulisme provoqué de Rose ou de Léonie.”
“Jamais une personne normale ne reste plusieurs minutes sans aucun mouvement; quelques mouvements des mains, des paupières, des lèvres, quelques légers frémissements de la peau manifestent toujours l’activité de la pensée et le sentiment des choses extérieures.”
“Les yeux eux-mêmes tout grands ouverts, sans aucun clignement des paupières, conservent avec fixité la même direction. En un mot, les mouvements de la vie organique, battements du pouls et respiration subsistent seuls, et tous les mouvements qui dépendent de la vie de relation et qui expriment la conscience sont supprimés. Si l’on n’intervient pas et surtout si on s’abstient de toucher le sujet, cet état persiste sans aucune modification pendant un temps plus ou moins long: on a vu des catalepsies naturelles durer des journées et des catalepsies artificielles se prolonger pendant plusieurs heures. Chez les sujets que j’ai pu étudier, cet état ne dure jamais longtemps et ne se prolonge pas plus d’un quart d’heure; il se modifie naturellement et cesse de présenter ce caractère de l’absolue inertie morale.”
a.“La continuation, la persistance de toutes les modifications que l’on peut produire dans l’état du sujet. – Si l’on touche les membres, on s’aperçoit qu’ils sont extrêmement mobiles et pour ainsi dire légers, qu’ils n’offrent aucune résistance et que l’on peut très facilement les déplacer. Si on les abandonne dans une position nouvelle, ils ne retombent pas suivant les lois de la pesanteur, ils restent absolument immobiles à la place où on les a laissés. Les bras, les jambes, la tête, le tronc du sujet peuvent êtres mis dans toutes les positions même les plus étranges; aussi a-t-on comparé tout naturellement ces sujets à des mannequins de peintre que l’on plie dans tous les sens. Le visage même chez Léonie est susceptible d’être modifié de cette façon: ouvre-t-on la bouche, lève-t-on ou baisse-t-on les sourcils, la figure, comme un masque de cire, se laisse modeler et conserve son expression nouvelle; chez l’autres, les muscles de l’abdomen eux mêmes gardent l’empreinte de la main (Paul Richer, Hystéro-épilepsie).”
“au lieu de trembler, comme fait toujours et très rapidement le bras étendu d’un individu normal, les membres de ces personnes restent longtemps en l’air sans bouger; au lieu de produire una accélération et une modification du rythme respiratoire, comme cela arrive toujours chez l’homme normal, cette position fatigante du bras ne change en rien le mouvement lent de la poitrine. Ce n’est qu’au bout d’un temps assez long, une heure et plus, d’après certains auteurs, 20 ou 25 minutes, suivant les autres, que le bras commence à descendre à cause de la fatigue ou de l’usure musculaire, mais cette descente s’effectue très lentement et très réguliérement sans ces secousses et ces oscillations que l’on constate chez l’homme normal.”
« …Il luis parle, elle n’entend pas ; il la touche, elle ne paraît pas le sentir ; il lui lève un bras, le bras reste dans la position où il l’a mis; on dressa la malade debout, on pencha le col, on leva une jambe, tout garda la position donnée. »
« Chez d’autres malades, les corps est dans un tel état de rigidité que, si on les pousse, ils tombent sans changer d’attitude. » Chavo del 8.
b.« L’imitation ou la répétition.” “le sujet imite ordinairement avec sob bras gauche le mouvement que nous faisons avec le bras droit et ressemble à notre propre image dans un miroir. »
« écholalieou parole en écho. »
c.« Généralisation ou expression des phénomènes. » « syncinésie »
d.« Association des états les uns avec les autres. » « Je mets les mains de Léonie dans l’attitude de la prière et la figure prend une expression extatique. »
« Si on fait entendre une musique gaie devant le sujet, il rit, puis se met à danser ; une musique triste le fait pleurer. »
« Si on lui met un crayon dans la main, elle fait le geste d’écrire, mais ne fait que des barres indéfiniment »
« Un cataleptique naturel, étudié par Forestier,¹ mangeait avec avidité (vorabat) tout ce qu’on lui mettait dans la bouche. »
¹ Não encontrado.
1.2 INTERPRÉTATION MÉCANIQUE OU PHYSIQUE DE CES PHÉNOMÈNES
« Ces femmes immobiles, pareilles à des statues, sans résistance d’aucune sorte et sans parole, pensent-elles encore, ont-elles encore quelque conscience qui les rapproche de nous ? Il est permis d’en douter et de se demander si la vie organique qui semble subsister seule ne suffirait pas pour expliquer tous les phénomènes constatés. C’est l’explication que l’on trouverait dans les ouvrages d’Haidenhain.¹ (…) C’est aussi à cette opinion que se rattacherait l’aliéniste anglais Maudsley. C’est enfin la doctrine que l’on trouve exprimée et défendue de la manière la plus complète dans les ouvrages du Dr. Despine. » « Comme notre but dans cet ouvrage, si nous ne sommes pas trop ambitieux, est précisément de démontrer le contraire, nous devons insister sur l’étude des opinions du Dr. Despine qui semblent arrêter notre travail dès le début. »
¹ Não encontrado!
« Prétendre qu’une personne qui parle, résoud des problèmes, manifeste spontanément des sympathies et des antipathies, agit à sa guise et résiste souvent à nos ordres, n’a pas plus de conscience qu’une poupée mécanique, c’est remonter bien en arrière de la célèbre théorie des animaux-machines de Descartes. Car la conscience d’une somnambule est bien plus évidente que la conscience d’un chien et personne ne doute aujourd’hui de la conscience d’un chien. Mais, appliquée aux états cataleptiques, cette théorie ne laisse pas d’avoir quelque force, et, comme il faut toujours mettre les théories que l’on veut discuter dans leur meilleur jour, c’est en nous plaçant à ce dernier point de vue que nous étudierons la thèse du Dr. Despine. Nous espérons montrer que, même dans ce dernier cas, ses arguments ne sont pas suffisamment démonstratifs et laissent le champ libre à d’autres suppositions. »
« La plupart des preuves sont tirées du fait de l’oubli qui caractérise les phénomènes du somnambulisme et surtout ceux de la catalepsie » « D’une pareille définition de la conscience il résulte que s’il y a des actes que le moi ne s’attribue pas à lui-même, qu’il ne reconnaît pas avoir faits, ces actes n’ont pas dû être conscients. »
« Or il n’est pas d’état après lequel cet oubli soit plus caractéristique qu’après l’état cataleptique. Des somnambules ont pu quelquefois conserver une partie des souvenirs de leurs actions; mais les cataleptiques se réveillent de leur accès convaincus qu’il ne s’est rien passé d’anormal. »
« Ce même caractère se retrouve chez les individus qui ont été soumis à des inhalations d’éther ou de chloroforme. Quelles que soient les paroles qu’ait prononcées le patient, ‘son moi, son être conscient n’avait point participé à tout ce qui s’était passé, car le malade, bientôt revenu à lui, affirmait n’avoir rien senti, ignorer complètement qu’il avait été opéré ou pansé, qu’il avait proféré les paroles et qu’il avait accompli les actes; les réactions violentes dont on lui parlait, ces divers phénomènes étaient donc purement automatiques.’ »
« Cet oubli serait inexplicable, dit Despine, quand il s’agit des somnambules. Soit, il faudra chercher les raisons de cet oubli, qui peut-être seront fort difficiles à trouver; mais, quand même on ne pourrait pas toujours l’expliquer, l’oubli d’une chose qui a été réellement consciente n’en est pas moins une chose possible et très souvent réelle. » Seria uma maravilha eu passar todo o meu expediente ‘inconsciente’, hehe!
« Si, comme le dit un auteur anglais, un lecteur du Times est tué brusquement après sa lecture, il n’aura certainement pas de mémoire, faut-il en conclure que toute sa lecture aura été sans conscience ? » HAHAHA !
« Mais admettons pour un moment, ce qui paraît inadmissible, que l’oubli soit une preuve suffisante de l’absolue inconscience, est-il bien certain qu’il n’existe aucune mémoire des phénomènes cataleptiques ? Il est vrai que, au moins pour les sujets que j’ai étudiés, il n’y a jamais de souvenir quand ils rentrent dans l’état que par convention on appelle état de veille ou état normal. Mais un certain souvenir se manifeste d’abord dans les catalepsies suivantes par l’habitude qu’acquiert rapidement le sujet de faire avec plus de perfection les actes qu’on lui fait faire plus souvent. Ensuite, et cela est plus important, il existe chez ces mêmes individus certains états psychologiques, certains somnambulismes, puisque c’est encore le nom convenu, où le sujet retrouve parfaitement le souvenir de la catalepsie. » « Il est vrai que cette mémoire ne se retrouve que dans des somnambulismes très profonds et si difficiles quelquefois à obtenir qu’on les a longtemps ignorés. Nous reprendrons plus tard l’étude de ces somnambulismes »
TÓPICO FRASAL DE TODO O LIVRO, DE CERTO MODO: « Ainsi donc le souvenir, s’il reparaissait dans l’état normal, serait une bonne preuve de la conscience; mais, puisqu’il reparaît dans un autre état, il n’est plus qu’une preuve de l’automatisme physique. Cela ne prouve-t-il pas que le souvenir n’est une preuve ni de la conscience ni de l’inconscience et qu’il faut chercher en dehors de la mémoire des indications sur l’état des cataleptiques. »
« ‘Un apoplectique frappé à mort, sans sortir du coma où il était plongé, prenait sa montre au chevet de son lit et faisait sonner l’heure avec l’air d’une profonde attention.’ Cette observation ne prouve pas grand’chose, car d’un côté cet individu, au moment où il fit cet acte, n’était pas encore mort, et avait peut-être (nul ne peut prouver le contraire) quelque reste de conscience et, d’autre part, comme il mourut peu de temps après, il ne put jamais dire s’il avait senti ou non ce qu’il faisait. Dans un chapitre très intéressant, l’auteur énumère tous les actes accomplis par une grenouille décapitée, un triton coupé en deux, par les tronçons [parte, segmento] de la mante religieuse, etc., et il montre sans cesse que ces actes ressemblent parfaitement à ceux que l’intelligence consciente commande dans d’autres cas par les mêmes appareils, mais qu’ils doivent être faits sans conscience maintenant, parce que l’organe nécessaire à la conscience a été enlevé. »
« ‘Ce pouvoir intelligent manifesté par le tronçon inférieur, ne saurait dériver d’un moi, d’un être se sentant être; autrement il y aurait 2 êtres séparés chez cet animal : un pour le tronçon supérieur, lequel peut agir avec intelligence, et l’autre pour le tronçon inférieur. Or, cela n’est pas admissible dans l’état actuel de la science.’ Nous répondrons : pourquoi donc cela est-il inadmissible ?L’unité absolue du moi est une conclusion métaphysique,vraie peut-être, mais qui doit résulter des faits et non pas s’imposer à eux. » Células têm alma ? He he he
« M. Despine insiste sur le caractère inconscient de l’habitude : ce n’est pas l’intelligence qui retient un morceau de musique et qui l’exécute consciemment; l’artiste doit avoir son morceau ‘dans les doigts, dans la bouche’. » « Je n’insisterai pas sur la description de ces actes inconscients empruntés à la vie normale : l’auteur en décrit les détails avec un véritable talent psychologique, d’autant plus curieux qu’il refuse à ces faits tout caractère psychologique. »
« Ainsi les phénomènes du souvenir, le réveil des idées sous l’influence de l’association sont incontestablement des résultats de l’habitude; ils s’accomplissent néanmoins avec conscience. » Excelente refutação involuntária da associação de palavras psicanalítica.
attention vs. conscience
(o velho estribilho)
« Il faudrait maintenant prouver que ces actes inconscients pour nous sont inconscients en eux-mêmes. »
« Buffon a attribué aux molécules organiques coordonnées dans le corps animal des espèces de sensations matérielles étrangères à la pensée et au moi. » « La discussion de toutes ces théories, peut-être aventureuses, serait inutile et nous entraînerait trop loin; mais leur énoncé suffît pour faire comprendre qu’un acte habituel ou même organique n’est pas nécessairement inconscient parce qu’il est ignoré de moi. »
TÃO ROTUNDO E AO MESMO TEMPO TÃO OBSCURO:« En réalité, nous ne connaissons jamais directement qu’une seule conscience, c’est la nôtre au moment où nous la sentons; toute autre conscience n’est connue que par une induction ou une supposition. Personne ne pourra jamais démontrer mathématiquement que la personne qui me parle n’est pas une poupée mécanique à langage articulé, et les cartésiens raisonnaient rigoureusement en disant d’un chien blessé ‘Cela crie et ne sent rien.’ » « Or, nous supposons ordinairement l’existence de la conscience d’après 2 signes, la parole et les actions intelligemment coordonnées. Le premier signe, la parole, est considéré comme le plus décisif, et cela est juste ; mais il n’est qu’un cas plus complexe et plus parfait du second, un ensemble de mouvements plus compliqués et plus intelligemment coordonnés que les autres »
« Les cataleptiques ne parlent pas, cela est vrai, et nous aurons plus tard à revenir sur ce fait important, mais ils agissent intelligemment. Si je mets sur le bras étendu d’une cataleptique un poids de 2 kilos, les muscles du bras et ceux de tout le corps se tendent pour que le bras supporte le poids sans fléchir. Si je lui mets dans les mains une aiguille, l’ensemble des mouvements se coordonne d’une autre manière que si je mets les mains en prière. »
« ‘Plusieurs actes fort compliqués, intelligents, atteignant un but parfaitement déterminé et varié suivant les circonstances, actes ressemblant exactement à ceux que le moi commande… peuvent être automatiques.’ Despine(c’est-à-dire ici inconscients). »
« L’homme, disait Maudsley, dans le même sens, ne serait pas une plus mauvaise machine intellectuelle sans la conscience qu’avec elle. » Herzen, Le cerveau et l’activité cérébrale, 1887.
« En un mot, la conscience n’est qu’un accessoire, un épiphénomène dont l’absence ne dérange rien. On a, je ne sais pourquoi, attribué cette théorie à M. Ribot, qui cependant, avec d’excellents arguments, avait protesté contre elle (Maladies de la personnalité). »
« Que veut-on dire quand on parle ‘des raisonnements de la moelle et de l’intelligence du cerveau’ ? Rien autre chose sinon qu’il y a une autre conscience que la nôtre dans la moelle ou dans le cerveau, car un raisonnement sans conscience n’a absolument aucun sens. » « Le fait de la conscience nous paraît au contraire fort important dans la série des phénomènes organiques : sa présence ou son absence, comme on le verra de plus en plus, modifie considérablement les choses. »
1.3 INTERPRETATIONS PSYCHOLOGIQUES. — LA CATALEPSIE ASSIMILÉE AU SOMNAMBULISME.
« Les actes accomplis pendant la catalepsie sont sous la dépendance des phénomènes psychologiques : voilà une proposition qui semble bien simple, mais qui est susceptible d’interprétations fort différentes. »
« Je ne parlerai pas d’une interprétation facile, qui fut de mode bien longtemps. Elle consistait à rattacher tous les faits qu’on ne comprenait pas à une simulation volontaire et parfaitement consciente. C’est une idée complètement fausse de croire qu’une maladie psychologique ou même imaginaire soit toujours une maladie simulée,et d’ailleurs la catalepsie est de tous les phénomènes anormaux celui qui peut le moins être simulé. Mais, sans rattacher la catalepsie à une intelligence complète calculant ses ruses, on peut l’expliquer par une demi-intelligence comprenant les pensées de l’opérateur, se rendant compte de ses actes, sans avoir la force de s’y opposer; en un mot, on peut rapprocher la catalepsie du somnambulisme et expliquer tous ces actes par la suggession. »
« Pour mettre un membre en catalepsie, il n’est pas nécessaire d’ouvrir les yeux du sujet, ni de le soumettre à une lumière vive ou à un bruit violent, comme cela se fait à la Salpêtrière; il suffit de lever ce membre, de le laisser quelque temps en l’air, au besoin d’affirmer que le membre ne peut plus être baissé; il reste en catalepsie suggestive : l’hypnotisé dont la volonté ou le pouvoir de résistance est affaibli conserve passivement l’attitude imprimée. »
Bernheim; cf. aussi Liébault.¹
¹ Bernheim e Liébault já foram muito citados em posts anteriores de psiquiatria, principalmente Ellenberger, por isso não estão nesta BIBLIOGRAFIA de Janet, com exceção de 2 obras de Bernheim mais adiante, citadas nominalmente no livro.
« La catalepsie et le somnambulisme ne sont que des degrés l’un de l’autre, cela est incontestable, et nous verrons entre eux bien des intermédiaires » « Tâchons donc de préciser le degré où s’arrête la conscience des cataleptiques. » « Une somnambule n’exécute pas toujours le même acte de la même manière; elle le fait tantôt vite, tantôt lentement, tantôt avec bonne humeur, tantôt en protestant, tantôt d’une façon, tantôt d’une autre. Rien n’égale au contraire la régularité des cataleptiques : point de changement de caractère, point d’impressions extérieures qui les distraie ou les modifie; leurs gestes, leurs pas sont toujours mathématiquement les mêmes ; Léonie fera toujours le même nombre de pas en face et à droite pour aller communier, et elle se heurtera contre un mur sans avancer plutôt que de tourner à gauche. Une somnambule qui sera toujours capable d’adapter ses actes aux circonstances montre donc une tout autre intelligence. »
« le sujet ne sait pas parler. Il ne s’agit pas de la parole articulée qu’il possède quand il répète les sons dans l’écholalie, il s’agit du langage comme signe de la pensée. » Car, sinon, le perroquet saurait parler !
« Rose, dans certains sommeils profonds, avait la bouche plus ou moins paralysée, mais elle me répondait par un signe de la main qui voulait dire ‘oui’, ou un autre qui voulait dire ‘non’. Quand elle a un moment de catalepsie pendant la crise hystérique ou pendant le somnambulisme, elle ne me répond plus du tout par aucun signe, quoiqu’elle n’ait rien de paralysé, qu’elle puisse parler en écho ou répéter des gestes. »
« Peu importe d’ailleurs que l’on désigne l’état que j’ai décrit sous le nom de premier somnambulisme ou état de suggestibilité complète ; la seule chose importante, c’est de bien comprendre les modifications psychologiques des sujets dans cet état, car il n’y a absolument que des différences psychologiques pour distinguer tous les états. »
« Cette conscience est capable de sensations, mais incapable d’idées; capable d’entendre, mais incapable de comprendre.Il ne faudrait pas en conclure que l’on peut parler au hasard devant les cataleptiques sans aucun danger pour les expériences futures; elles peuvent retenir les paroles même sans les comprendre et si, comme nous le verrons plus tard, ce souvenir se réveille dans un état ultérieur plus intelligent, il sera alors compris et aura sa puissance suggestive. »
« Il résulte de ce fait que, tout en paraissant extrêmement inerte et docile, le sujet est en réalité peu maniable et obéit beaucoup plus à ses propres inspirations qu’à celles de l’opérateur. Si je montre Léonie jouant la scène de la communion que j’ai décrite, on croira qu’elle obéit à un commandement donné par moi. En réalité, je n’avais point commandé ni même prévu ce qu’elle allait faire, et la 1e fois j’en ai été fort surpris. Je sais maintenant par expérience qu’en mettant les mains de ce sujet dans une certaine position, puis en le laissant quelques minutes, je vais amener la scène de la communion. » « si je voulais (…) lui faire embrasser un crucifix avant la communion, je n’y réussirais point. » « je suis donc simple spectateur plutôt qu’acteur. »
« Aujourd’hui qu’il est de mode d’expliquer tout par la suggestion, comme autrefois par la simulation, on pourrait dire que tous ces caractères psychologiques de la catalepsie ont été appris au sujet qui a été dressé dans ce sens. Il serait dangereux de pousser à l’extrême ce raisonnement, qui deviendrait vite lui aussi une sorte d’argument paresseux. Mais il est juste d’en tenir compte; car, bien souvent sans doute, dans les milieux où les sujets sont nombreux et s’imitent les uns les autres, certains états réels chez un sujet ont pu être artificiels chez le second. Mais, pour les cas dont il s’agit ici, nous remarquerons que les sujets ne se connaissaient nullement les uns les autres et qu’il ne faut pourtant pas supposer les opérateurs assez naïfs pour avoir suggéré sans le savoir tous ces caractères positifs et négatifs de la catalepsie. »
« Je faisais un jour quelques expériences avec Lucie et une personne étrangères était présente : cette dernière circonstance me déplaisait fort, car il ne faut conserver avec soi que les personnes indispensables habituées à l’attitude qu’il faut avoir pendant des expériences de ce genre. Cette personne étrangère me posait sans cesse des questions fort embarrassantes; car, selon mon habitude, je ne voulais pas répondre devant le sujet; cependant un mot malheureux m’échappa: ‘Qu’est-ce que la catalepsie ?’demandait-on. ‘C’est un état où le sujet demeure immobile et laisse les membres dans la position où on les met.’ À peine avais-je dit ces mots que j’en eus du regret : ‘Désormais, pensai-je, il sera juste de dire qu’elle fait de la catalepsie suggesitive’, et je voulus vérifier de suite l’effet de mon imprudence. ‘Tenez, dis-je tout haut, quand je vais frapper dans mes mains, elle va tomber en catalepsie.’ Je frappe et voilà Lucie qui reste complètement immobile, les yeux grands ouverts : je soulève ses bras, ils restent en l’air, j’incline son corps, il demeure incliné. Etait-elle en catalepsie ? Il me fut facile de vérifier qu’aucun autre signe de la catalepsie, ni l’expression de la physionomie, ni l’imitation, ni l’écholalie ne pouvait être constaté, et surtout le sujet comprenait si bien la parole qu’il me suffît pour terminer l’affaire de lui dire : ‘C’est fini, tu n’es plus en catalepsie.’Eh bien ! qu’on essaye d’arrêter une véritable attaque de catalepsie, comme Lucie elle-même en avait eu, mais très rarement, en disant simplement au sujet que c’est fini, et on verra quelle différence il y a entre cet état de docilité suggestive, forme du petit sommeil hypnotique, et l’accès cataleptique véritable, pendant lequel la pensée est ramenée à un état tout à fait rudimentaire et qui est une des formes de la grande attaque hystéro-épileptique. »
1.4 UNE FORME RUDIMENTAIRE DE LA CONSCIENCE. — LA SENSATION ET L’IMAGE ISOLÉES.
« Certains philosophes, à l’exemple des cartésiens, se sont représenté la conscience comme quelque chose d’invariable et d’immuable sans nuances et sans degrés. Pour Descartes, la pensée existait complète avec le doute, la réflexion, le raisonnement et le langage, ou bien n’existait pas du tout et se trouvait remplacée par le mécanisme pur et simple, par l’étendue et le mouvement. Leibniz au contraire, dans cette philosophie profonde, à laquelle aujourd’hui toutes les sciences physiques et morales semblent nous ramener, avait une toute autre conception de la conscience. Il admettait un nombre infini de degrés et certaines de ces formes lui semblaient tellement inférieures à la pensée normale ‘que les esprits humains étaient comme de petits dieuxau prix d’elles’. C’est cette dernière théorie qu’il nous faut maintenant rappeler dans ses traits principaux, pour comprendre la possibilité des consciences inférieures et rudimentaires. Prenons la conscience humaine dans sa forme ordinaire et achevée et enlevons-lui successivement tous les perfectionnements qu’elle a acquis, mais qui ne lui sont pas essentiels. Tout le monde reconnaît qu’il faut séparer de la conscience vulgaire l’intelligence scientifique, cette faculté, qui existe chez tous les hommes à un degré plus ou moins élevé, d’expliquer et de comprendre les choses. »
« En effet, quand nous examinons les actions des autres hommes, nous sommes trop portés à leur prêter les idées et les raisonnements que nous faisons nous-mêmes pour interpréter leur conduite. Bien souvent nous croyons qu’un homme a agi avec intention, qu’il a calculé les conséquences de ses actions, qu’il a fait de ses idées un tout systématique relié par des rapports bien compris, tandis qu’en réalité cet individu a laissé ses pensées s’évoquer mécaniquement les unes les autres sans avoir saisi entre elles aucun rapport systématique. Il ne faut pas confondre la loi ou l’interprétation des faits de conscience telle que notre intelligence la trouve, ou croit la trouver, avec la conscience elle-même. Si les phénomènes de conscience présentés par un homme nous paraissent liés entre eux par des rapports de ressemblance, de différence ou de finalité, il ne faut pas en conclure qu’il y ait eu dans l’esprit de cet homme la conscience de la ressemblance, de la différence ou de la finalité. (Voir, à ce sujet, Rabier, Cours de philosophie, I, 74 et I, 254.)¹C’est dans cette erreur que semblent tomber les philosophes anglais quand ils disent que toute conscience est la perception d’une différence. C’est aussi une exagération de ce genre que je reprocherais quelquefois aux travaux si intéressants de M. Paulhan, qui semble prêter à la conscience élémentaire les notions de finalité dont il se sert lui-même pour les interpréter. »
¹ Figura completamente apagada do conhecimento público!
« si nous sommes en présence des actes compliqués qu’accomplit Léonie quand je lui ai joint les mains, nous penserons, nous, qu’elle fait la communion et nous réunirons tous ces actes dans cette idée systématique que nous désignons par le mot ‘communion’; mais il n’est pas du tout prouvé qu’elle ait, elle, l’idée de la communion et qu’elle réunisse ses actions sous cette idée générale; il est bien plus vraisemblable qu’elle a des images qui s’évoquent les unes les autres, et rien de plus. »
« Il est certain, disait Reid,¹ qu’il n’y a point d’homme dans l’univers qui puisse concevoir ou croire que l’odeur existe en elle-même sans un esprit ou un sujet quelconque qui ait la faculté de sentir. »
¹ Em breve publicaremos uma obra completa do britânico Reid, traduzida do inglês, no Seclusão, nossa primeira tradução na íntegra. Schopenhauer também cita este desconhecido filósofo, situando-o acima de Hume na compreensão dos sentidos ou na descrição dos fenômenos (acepção schopenhaueriana); ou seja, ele é um precursor da fenomenologia.
TRECHO CONFUSO, ATÉ PORQUE, NESTE SENTIDO, REID DIFICILMENTE PODE SER CONSIDERADO UM FILÓSOFO METAFÍSICO, ESTANDO CONECTADO À TRADIÇÃO DO EMPIRISMO OU CETICISMO BRITÂNICO (MAS NO FINAL ENSAIAMOS UMA EXPLICAÇÃO): « Si on se place au point de vue métaphysique, comme ces auteurs, si on cherche l’origine, la cause de la sensation, peut-être pensera-t-on, comme eux, qu’il n’y a pas de sensation sans une âme pour la produire et la connaître. Mais, si on se place à un point de vue exclusivement psychologique, si on considère le moi non plus comme un être et une cause, mais comme une certaine idée qui accompagne la plupart des phénomènes psychologiques, on sera forcé de penser qu’il y a des sensations sans moi, qu’il peut y avoir des phénomènes de vision, quoique cependant personne ne dise : ‘Je vois’. » Mas isso precisamente é ser metafísico, i.e., pejorativamente: idealista no sentido mais abstruso, escolástico, etc. Janet está se referindo ao ‘eu’ consciente clássico; Reid já tem conhecimento do inconsciente; é apenas necessário observar que “metafísico” para um filósofo é uma nobre denominação (um verdadeiro filósofo), para um psicólogo é proibitiva. Ora, Reid é quem vem na esteira de Locke, Hume E KANT, podendo já se contrapor ao empiricismo britânico como escola de pensamento viciado e solipsista. Deste ponto de vista, é um renascimento da metafísica, ou seja, realmente empírico, e não inocuamente empírico, como dantes. Janet também revitaliza o empírico e entende a metafísica tanto quanto Reid, Schopenhauer e eu, mas “toma partido” pela psicologia experimental, isso se vê em toda sua obra (toma sempre o cuidado de ‘não se exceder em filosofia’, embora devesse, sinceramente, fazê-lo). Tanto é assim que ele reconhece “métodos experimentais” diversos, sendo crítico de Wundt (mais abaixo).
Buffon, Discours sur la nature des animaux, 1839.
« Maine de Biran distingue 3 degrés dans le développement de l’intelligence et il les appelle : la vie animale, la vie humaine et la vie de l’esprit. Nous n’avons pas à nous occuper ici de la troisième existence ou de la vie de l’esprit, mais nous devons signaler le caractère qui distingue la vie animale de la vie humaine. »
« des effets internes appelés sensations animales, modes généraux de plaisir ou de douleur qui constituent l’existence de l’animal, lequel, pour exister et pour sentir ainsi, à son titre propre d’animal, n’a pas besoin de savoir qu’il existe ou d’apercevoir qu’il sent, c’est-à-dire d’avoir la conscience, l’idée de sensation, d’être une personne, un moi constitué un, simple, identique, restant le même quand la sensation passe et varie »
M. de Biran, Anthropologie
E no entanto os animais estavam certos o tempo todo!
« Entre la conscience complète et le mécanisme cartésien, il y a place pour des êtres qui ont la sensation sans conscience, sans moi capable de l’apercevoir. » Ibid.
Mas não o contrário (« consciência pura »).
« L’affection est ce qui reste d’une sensation complète quand on en sépare l’individualité personnelle ou le moi et avec lui toute forme de temps et d’espace, pour me servir de l’expression des Kantiens, tout sentiment de causalité externe ou interne, ou, dans le langage de Locke, quand l’idée de sensation se trouve réduite à la simple sensation sans idée d’aucune espèce, ou enfin, dans le point de vue de Condillac, quand la statue devient sensation sans être encore rien de plus…[conceituação perfeita]Cet état affectif simple n’est pas une pure hypothèse; c’est un mode positif et complet dans son genre qui a formé dans l’origine notre existence tout entière et qui constitue celle d’une multitude d’êtres vivants de l’état desquels nous nous rapprochons toutes les fois que notre pensée intellectuelle s’affaiblit et se dégrade, que la pensée sommeille, que la volonté est nulle, [não grifo em verde porque discorde – embora não exista vontade nula, podemos dizer que o conceito é a esterilização de algo até sua pura racionalidade : este é o conceito filosófico de afecção – não é algo que possa ser sentido pelo indivíduo, mas é subjacente à nossa natureza] que le moi est comme absorbé dans les impressions sensibles, que la personne morale n’existe plus. [mera abstração, mas não que afecção caia no reino da hipótese: é um dado factual do Ser] »
M.B., Essai sur les fondements de la psychologie
« Il ne faut pas être trop étonné si ces passages de Maine de Biran s’appliquent exactement à l’état cataleptique. »Se a pessoa moral não mais existisse na catalepsia, como pôde Léonie ajoelhar-se fazendo mímica de prece? Não, não era uma prece real (sentimental), era repetição meramente vazia, mas ligada ao significado espiritual de uma prece, pois da religião e da moral jamais se subestima a importância (a não ser entre os Iluministas e seus derivados).
« Une sensation pour eux n’était rien si elle n’était pas jointe à la conscience de l’être qui l’éprouve. Cette discussion m’a fait voir combien j’étais encore loin de bien faire entendre mon point de vue. La théorie de Leibniz qui caractérise si bien cet état où la monade simplement vivante est réduite à des perceptions obscures, d’où elle s’élève aux aperceptions claires et à la conscience, [a-percepção : perceção sem linguagem ; percepção : descritível] me servirait d’introduction à l’exposition de ma doctrine qu’il me sera bien difficile de faire entendre. »
Id.,Journal intime, 1877
« Qu’est-ce qu’une sensation qu’on ne sent pas ? Je demande à mon tour à quoi se rapporte cet on ? L’homme sent, il sait sa sensation parce qu’il est une personne identique permanente qui se distingue de ses sensations… L’animal ne sent pas, ne sait pas sa sensation parce qu’il n’est pas une personne constituée pour savoir ou apercevoir au dedans son existence individuelle. Il sent sans se savoir sentant, comme il vit sans se savoir vivant. »
O animal é o ser cândido: para ele, o domesticável, podemos mentir, sem medo de estarmos agindo mal: tudo vai ficar bem; pois para ele fica. E isso, como um bônus, alivia nossa angústia.
« Pendant la syncope, dit un auteur qui a pu étudier sur lui-même ce phénomène, c’est le néant psychique, absolu, l’absence totale de toute conscience, puis on commence à avoir un sentiment vague, illimité, infini, un sentiment d’existence en général sans aucune délimitation de sa propre individualité, sans la moindre trace d’une distinction quelconque entre le moi et le non-moi; on est alors une partie organique de la nature ayant conscience du fait de son existence, mais n’en ayant aucune du fait de son unité organique; on a, en deux mots, une conscience impersonnelle. »
Herzen, Le cerveau et l’activité cérébrale
« des sensations stupides »
1.5 LA NATURE DE LA CONSCIENCE PENDANT LA CATALEPSIE
« C’est précisément une conscience de ce genre, purement affective, réduite aux sensations et aux images,[o purement é decerto exagerado] sans aucune de ces liaisons, de ces idées de relation qui constituent la personnalité et les jugements, que nous croyons légitime de supposer pendant la catalepsie et les états analogues. »Eu diria que isso coaduna mais com a psicopatia aguda : tudo isso, inclusive com coordenação motora e funcionamento muscular normal, possibilitando atitudes como o homicídio.
« Ni le néant de la conscience et le pur mécanisme, ni la connaissance capable de comprendre et d’obéir ne nous paraissent ici vraisemblables; il s’agit au contraire d’une forme particulière de la conscience intermédiaire entre ces deux extrêmes. »
« Attendons encore quelques instants : si je parle maintenant et si je dis tout haut : ‘Lève le bras’, la bouche s’ouvre et répète comme un écho : ‘Lève le bras’. Quelques instants après cette période d’écholalie, le sujet ne répète plus les commandements, mais il les exécute, il lève le bras en réalité. Encore un moment et il me répond avec une vivacité croissante et une conscience qui semble de plus en plus complète. » Estado intermédio (na verdade o próprio histerismo e o sonambulismo são ‘estados intermédios’ sobrepostos entre si) entre a crise histérica e a sonambulia. Também chamado de estado de “síncope hipnótica”. « syncope hypnotique ou sommeil hystérique (peu importe le nom) »
« Je constatai en effet que chaque muscle pressé, même légèrement, se contractait immédiatement et isolément, puis se relâchait très vite. Il était possible d’étudier sur elle l’action isolée de tous les muscles du corps. C’était presque l’état léthargique décrit par M. Charcot, avec cette différence que la contraction musculaire ne persistait pas sous forme de contracture. » Critica o nome ‘letargia’, charcotiano, cuja acepção é de “death trance”: nem sequer guarda qualquer relação ou analogia próxima com a morte ou o rigor mortis.
« la léthargie naturelle présente bien quelquefois des contractures générales, mais ordinairement n’amène pas cette hyperexcitabilité neuromusculaire. »
Gilles de la Tourette, L’hypnotisme et les états analogues, 1887.
« La léthargie hypnotique me paraît être plutôt un degré de conscience élémentaire, une sensation musculaire si rudimentaire qu’elle reste tout à fait isolée et ne se généralise pas assez pour diriger le mouvement de tout un bras. Un troisième exemple sera plus net encore. Un caractère singulier de Léonie, c’est que tout changement d’état quel qu’il soit est toujours signalé par un soupir brusque, une sorte de petite convulsion respiratoire. » « J’avais cru utile autrefois de désigner cet état qui participait de la léthargie et de la catalepsie par un nom particulier. Mais cette nomenclature n’a pas en réalité grand avantage; on peut établir autant de degrés que l’on voudra dans ce réveil graduel de la conscience. »
« Chez Léonie, il y a 3 degrés de catalepsie avec les yeux fermés (…) Après ce dernier degré, les yeux s’ouvrent d’eux-mêmes, et il y a 4 formes de catalepsie avec les yeux ouverts. » Há quantas catalepsias se quiser que haja, é o que Janet diz no fundo.
1.6 NATURE DE LA CONSCIENCE PENDANT DES ÉTATS ANALOGUES À LA CATALEPSIE
« Lucie tourne toujours les yeux vers ses rideaux, et je me suis souvent demandé si elle aurait la même crise dans une chambre sans rideaux. Marie rêve d’incendie pendant sa crise, si elle survient pendant la nuit, et ne songe pas à l’incendie si la crise survient pendant le jour. C’est très probablement parce que la nuit elle voit une lampe allumée à peu de distance de son lit. Mais, dira-t-on, il est très difficile de transformer les poses d’une hystérique; elle semble ne pas vous sentir et ne pas vous voir. »
« il suffit de voir Léonie immobile, les mains jointes et les yeux levés au ciel pour comprendre ce que le moyen âge appelait une extatique. Les sainte Thérèse, les sainte Hildegarde, les Marie Chantai, les Catherine Emmerich et bien d’autres avaient tout simplement des attaques de catalepsie, pendant lesquelles les idées religieuses dominantes ou communiquées quelquefois au moment même de leur attaque donnaient à tout le corps une attitude harmonieuse et expressive. L’une prend la pose de l’Immaculée Conception; l’autre prend successivement toutes les attitudes représentées dans un chemin de la croix. L’étude la plus curieuse à ce point de vue est celle de Louise Lateau dont la description faite par le Dr. Lefèvre est résumée dans l’ouvrage du Dr. Despine. »
Luc Desages. De l’extase, 1866.
1.7 INTERPRÉTATION DES PHÉNOMÈNES PARTICULIERS DE LA CATALEPSIE
« Les forces physiques de la pesanteur tendraient à le faire tomber : il faut, en effet, une contraction délicatement systématisée de tous les muscles pour le maintenir. Qu’est-ce qui peut donner à ces contractions leur unité et leur persistance ? Je ne vois point d’autre réponse que celle-ci : c’est une sensation persistante. » « Cette sensation étant seule dans l’esprit n’a rencontré aucun phénomène antagoniste et réducteur, elle n’a pas disparu avec l’excitation productrice, elle a subsisté et elle dure encore. »
« Cette sensation kinesthésique eut-elle reproduire ou, dans le cas présent, maintenir l’attitude? C’est là ce qui est plus discuté. On établit d’ordinaire une grande distinction entre les phénomènes sensitifs et les phénomènes moteurs. La grande découverte de la différence entre les nerfs sensitifs et les nerfs moteurs amena la distinction moins certaine (si j’ose avoir une opinion sur ce sujet) des centres sensitifs et des centres moteurs, et celle-ci inspira le désir de trouver dans les phénomènes psychologiques une séparation analogue entre les phénomènes de sensibilité et les fonctions ou les phénomènes du mouvement. »
« On fit alors diverses suppositions : les uns, comme Wundt et M. Charcot, admirent qu’il y avait toujours une sensation de mouvement coïncidant avec l’émission de la force nerveuse et précédant tout mouvement; les autres, comme Bastian, considérant les sensations kinesthésiques comme absolument centripètes, venant exclusivement de l’extérieur, admirent ‘l’inconscience absolue de tous les courants centrifuges’ ou en général de tous les actes moteurs. Sans préjuger toutes les difficultés que soulève cette question et que nous rencontrerons peut-être plus tard, je crois que le phénomène cataleptique de la conservation des attitudes nous offre un cas simple ‘prérogatif’ où cette question des rapports entre la sensibilité et le mouvement est plus facile à étudier que dans aucun autre. »
« Pourquoi supposer 2 phénomènes qui se confondraient ? Nous devons nous représenter ici les choses de la manière la plus simple : l’excitation E produit la sensation kinesthésique SK, laquelle suffit pour produire à son tour le mouvement M. Il n’y a pas lieu de supposer d’autres intermédiaires. Dans ce cas simple, il n’y a plus lieu de soulever les difficultés dont parlait Bastian : nous n’avons pas à chercher si le phénomêne moteur a, oui ou non, une conscience distincte de celle du phénomène sensitif, puisque les 2 phénomènes ne forment qu’une seule et même chose. » « l’image kinesthésique, ne rencontrant aucun obstacle dans cet esprit qui est complètement vide, se prolonge tant que nous ne l’avons pas remplacée par une autre en déplaçant le bras. » « il n’y a pas de mouvement sans une sensation de mouvement et point de sensation ou même d’image de mouvement sans un mouvement. »
« Les actes produits par imitation et par répétition vont nous faire avancer un peu plus dans l’étude du même problème. Au lieu de lever le bras du sujet, je lui montre mon bras levé et il met le sien lui-même dans une position identique. Ici, les phénomènes sensitifs (voir un mouvement) et les phénomènes moteurs (lever le bras) ne se confondent pas comme précédemment, et il semble naturel de les séparer. » « l’excitation visuelle E’ produite par mon mouvement amènerait la sensation visuelle SV, celle-ci éveillerait par association l’image de la sensation kinesthésique SK, qui était tout à l’heure éveillée directement, et cette image, d’après la loi précédente, amènerait le mouvement M auquel elle correspond. » « Est-ce que la sensation visuelle SV ne pourrait pas produire directement le mouvement M sans l’intervention d’aucune image musculaire? » « Cette hypothèse est confirmée par les recherches sur les hystériques anesthésiques dont nous parlerons plus tard. À mon avis, il est impossible d’expliquer comment ces personnes peuvent souvent conserver tous leurs mouvements malgré la perte absolue des sensations et même des images kinesthésiques, si l’on n’admet pas que le mouvement peut être produit directement par des images visuelles ou auditives. »
« Il y a, au point de vue du langage, des visuels, des auditifs, des moteurs, c’est-à-dire des individus qui, pour se représenter des paroles, emploient des images visuelles, auditives, motrices d’articulations ou motrices graphiques. Ces représentations jouent un grand rôle dans la parole elle-même et il existe des individus qui parlent avec le sens auditif, c’est-à-dire chez qui l’image auditive d’un mot suffit pour en amener la prononciation. Nous pouvons étendre cette théorie célèbre à tous les mouvements et dire que certains mouvements du bras ou de la jambe peuvent accompagner immédiatement l’image visuelle de ce mouvement sans image kinesthésique intermédiaire. »Conforme com Saussure e com os estudos contemporâneos sobre libras e surdos-mudos e aquisição da linguagem. Só faltou dizer que o cego que cresceu cego tem mais apetência para a aquisição da linguagem que o surdo/meramente gestual de nascença.
« Il est probable que, dans l’enfance, nous commençons tous par être ‘des moteurs’ agissant et pensant au moyen des images du sens musculaire. Plus tard seulement des images visuelles et auditives d’abord associées aux images motrices deviendraient prédominantes et pourraient seules produire le mouvement. Ce serait une application de ‘cette coordination, de cette synthèse psychique’ dont M. Paulhan a montré la nécessité, ce serait ‘une systématisation préétablie’ des phénomènes psychiques et des phénomènes organiques qui permettrait à toute image de jouer le rôle d’une image motrice. »
« Il faut donc généraliser notre loi précédente et dire de toute sensation et de toute image ce que nous avons dit du sens kinesthésique. Une image de mouvement dans la conscience se manifeste toujours, à l’extérieur, pour un témoin étranger, par un mouvement réel, et d’autre part cette image tend à durer, à persévérer dans son être et par conséquent amène la continuation du mouvement, tant qu’elle n’a pas été remplacée par quelque image nouvelle. »
« Hamilton¹ avait déjà compris d’une manière intéressante l’association des idées quand il disait : ‘Sont suggérées les unes par les autres les pensées qui auparavant ont fait partie d’un même tout, d’un même acte de connaissance.’M. Taine considère de même les associations comme des renaissances partielles de totalités qui tendent à se reformer complètement. »
¹ Não localizado.
« La connaissance véritable, le jugement, les idées générales ne doivent pas être mêlées à ces phénomènes automatiques de la pensée rudimentaire. » « Les émotions désignées par le langage sous le nom de peur, colère, amour, etc., sont peu nombreuses et peu précises; mais leurs variétés doivent être en réalité innombrables et correspondre chez chaque individu à un ensemble déterminé d’images et de mouvements. C’est l’une de ces émotions très précises que nous faisons naître chez les cataleptiques et qui amène leurs expressions et leurs actes associés. »
« L’automatisme ne crée pas de synthèses nouvelles,il n’est que la manifestation des synthèses qui ont déjà été organisées à un moment où l’esprit était plus puissant. » « Nous n’avons vu jusqu’ici que l’association automatique la plus simple, qui suffît pour expliquer tous les phénomènes présentés par les sujets dans les états que nous venons de décrire. »
« Une des meilleures expressions qui puissent caractériser cet état a été proposée par M. Ochorowicz. La catalepsie était, disait-il, un état de monoïdéisme. ‘Certains sujets, capables de présenter ces 2 phases opposés d’a-ïdeïe (syncope hypnotique) et de polyïdeïe (somnambulisme), ne passent pas directement, ou tout au moins peuvent ne pas passer directement, de l’une à l’autre; ils s’arrêtent plus ou moins longtemps dans la phase monoïdéïque . . . C’est un cerveau qui concentre toute son action sur une seule idée unique, dominante, qui n’est contrebalancée par aucune autre.’ »
A ANALOGIA CEREBRAL DE HERZEN:« Le cerveau peut être comparé à une salle fournie d’un nombre immense de becs de gaz, mais éclairé seulement par un nombre relativement petit et relativement constant de becs allumés qui ne sont pas toujours les mêmes, au contraire, qui changent à chaque instant. A mesure que les uns s’éteignent, d’autres se rallument. Jamais ils ne sont tous allumés, de temps en temps ils seront tous éteints. » Eu só repararia que sempre há algum bujão de gás ativo enquanto o ser está vivo, ainda que em coma, p.ex.
Vemos, num contínuo, como algumas idéias são arquétipos sempre corretos do espírito humano, embora expressos de maneiras distintas e até, na aparência, antitéticas: No princípio era o verbo (Deus) – No princípio era a ação (Goethe). Tudo isso é apenas o devir necessário do cristianismo desde os remotos escritos judaicos da era de ouro aos desdobramentos psicológicos da cultura européia. O mesmo, em menor escala, para ângulos distintos da análise do mesmo fenômeno numa mesma geração, sintetizando perfeitamente um fato: O homem é a medida de todas as coisas – Deus é a medida de todas as coisas.
2. L’OUBLI ET LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES
2.1 LES DIFFÉRENTS CARACTÈRES QUI ONT ÉTÉ PROPOSÉS POUR RECONNAÎTRE LE SOMNAMBULISME
« Cependant il est fort difficile de trouver un signe qui le caractérise d’une manière générale, et la plupart des caractères qui ont été ainsi désignés nous semblent insuffisants; en les passant en revue, nous verrons quelques caractères accessoires de cet état, mais il nous restera à en chercher le signe distinctif. »
« La plupart des anciens magnétiseurs considéraient l’insensibilité absolue de la peau comme étant la règle constante et le signe indubitable du somnambulisme. »
« Il n’y a pas de sommeil magnétique sans insensibilité complète du corps et des sens, de telle sorte que nous nous aiderons, pour la constatation du sommeil, de tout ce qui peut nous convaincre de cette insensibilité. »
Baragnon
« M. Dubois d’Amiens se plaint qu’on ne lui ait laissé faire pour vérifier le somnambulisme ‘qu’un simple tatouage à coups d’épingle sur la figure et sur les mains’. » « Eh bien, le procédé de M. Dubois n’aurait pas grand résultat si on l’appliquait aux somnambules que j’ai étudiées. La plupart de ces personnes, presque toutes, étaient déjà anesthésiques sur une partie plus ou moins considérable du corps avant tout sommeil hypnotique, dans leur état le plus normal. (…) au contraire, j’ai été amené, pour certaines d’entre elles et dans certains cas, à considérer le retour de la sensibilité comme une preuve du somnambulisme le plus profond. »
« l’absence complète de déglutition pendant certains états somnambuliques. » Baragnon
« Ce détail m’a frappé, car, chez une personne, chez Léonie, il est absolument constant. Elle n’a aucune déglutition pendant le somnambulisme et jamais je ne suis arrivé à lui faire avaler une goutte d’eau. » « Mais le phénomène, loin d’être caractéristique, est assez rare; la plupart des somnambules mangent et boivent sans aucune gêne dans leur sommeil. » « Rose n’était jamais aussi heureuse que lorsqu’elle déjeunait en somnambulisme. Il y a même des hystériques dysphagiques à l’état de veille, qui mangent assez facilement quand elles dorment, et c’est un détail qu’il est quelquefois utile de connaître. Mon frère a réussi à alimenter ainsi une femme hystérique qui, à cause de vomissements incoercibles, était près de mourir de faim. »
« La croyance populaire se représente, en général, les somnambules comme des personnes qui parlent en ayant les yeux fermés. Cette croyance résulte probablement de cette idée, en réalité assez fausse, que le somnambulisme est un sommeil : on répète aux somnambules qu’elles dorment, d’où elles concluent qu’elles doivent avoir les yeux fermés. »« C’est alors que M. Despine prétend que leur regard a toujours un caractère tout particulier et distinctif : les pupilles largement dilatées restent immobiles à l’action de la lumière; la conjonctive insensible ne sent pas le besoin d’être lubréfîée par les larmes, aussi le clignotement des paupières est supprimé ou fort rare. » « Il faut avouer que je n’aurais pas une pareille hardiesse ni une pareille conviction. § Sans doute, ce regard existe quelquefois, et M. Despine indique très bien dans quelle circonstance : lorsque la rétine est paralysée » « ce regard amaurotique [amaurose, a cegueira sem lesão física] a assez de ressemblance avec celui de l’individu qui est assez myope pour ne pouvoir distinguer aucun des objets environnants »
« D’après une opinion assez ancienne, que Maine de Biran lui-même a soutenue, le somnambule se conduirait toujours d’après ses rêves, d’après des hallucinations qui lui représentent les objets tels qu’il les connaît et non d’après de véritables sensations visuelles. » « J’ai envoyé plusieurs fois Lucie, en plein somnambulisme, parler à des personnes étrangères qui n’étaient pas prévenues et elle a toujours été prise pour une personne normale. »
« Sans doute, il y a, pour moi qui les connais bien, quelques traits caractéristiques et je n’aurais pas toujours besoin d’interroger leur sensibilité ou leur mémoire pour savoir dans quel état elles se trouvent : Marie est plus pâle en somnambulisme qu’à l’état de veille; Lucie, qui a plusieurs tics au visage quand elle est éveillée, a une figure calme et régulière dans le second état. Mais ce sont des signes individuels et de minime importance qui ne permettent pas de fonder une distinction scientifique. »
« En réalité, j’en suis maintenant convaincu, il n’y a pas de signe physique qui permette de reconnaitre si une femme est en somnambulisme ou si elle n’y est pas, et c’est s’avancer beaucoup que de prétendre reconnaître cet état au premier coup d’oeil.M. Despine soutenait que la psychologie n’a pas à s’occuper du somnambulisme et que la physiologie seule peut l’expliquer.Eh bien, loin de pouvoir l’expliquer, la physiologie ne peut même pas le reconnaître. »
À PROCURA DA ANALOGIA MAIS GROTESCA: « Le Dr. Carpenter parle de l’état de distraction du sujet hypnotisé. Il compare son état à la rêverie d’un poète devant un beau passage ou à la distraction d’un savant absorbé par la recherche d’un problème.[estado elogioso!] » « D’ailleurs Stanley-Hall (sic)¹ a pu dire au contraire que l’hypnose est une crampe [cãibra, depreciativo] de l’attention sur un objet. »
¹ Granville Stanley Hall (1846-1924), um dos maiores psicólogos americanos de todos os tempos.
« Léonie, quand on exige d’elle de l’attention pour des expériences délicates, demande de temps en temps un peu de récréation pour se reposer et pour s’amuser. »
« Bertrand, Braid¹ et surtout Bernheim ont cherché dans l’état de l’activité ou de la volonté la caractéristique du somnambulisme et ont constaté que le somnambule n’a pas de volonté personnelle, de spontanéité active et qu’il obéit à tous les ordres. »
¹ James Braid (1795-1860). Não confundir com o já citado Thomas Reid! A bibliografia deste polímata é complicada (muitos ensaios esparsos e reescritos), então faz-se recurso a um de seus sistematizadores póstumos, John Wilkinson. Idéia para o futuro (#offtopic): ESCREVER UM LIVRO COM MINIBIOGRAFIAS DE POLÍMATAS!
« rien n’est plus variable que l’état de la volonté dans le somnambulisme aussi bien que dans la veille. »
« Mais comment expliquer alors ces sujets qui, comme Rose, comme Lucie et bien d’autres, deviennent de plus en plus indépendants à mesure que le somnambulisme augmente de profondeur, et arrivent à un état où leur volonté est parfaitement normale, plus spontanée et plus indépendante qu’à l’état de veille ? »
2.2 CARACTÈRES ESSENTIELS DU SOMNAMBULISME : L’OUBLI AU RÉVEIL ET LA MÉMOIRE ALTERNANTE
« Or, dans toute la pathologie mentale, il n’y a pas de modification de la mémoire plus complexe et en même temps plus régulière que celle de la mémoire du somnambule. »
« On constate en effet régulièrement dans la pensée des individus qui, pour une raison ou pour une autre, ont eu des périodes de somnambulisme, 3 caractères ou 3 lois de la mémoire qui leur sont particuliers: 1º L’oubli complet pendant l’état de veille normale de tout ce qui s’est passé pendant le somnambulisme; 2° souvenir complet pendant un somnambulisme nouveau de tout ce qui s’est passé pendant les somnambulismes précédents;3º souvenir complet pendant le somnambulisme de tout ce qui s’est passé pendant la veille. La troisième loi présente peut être plus d’exceptions et d’irrégularités que les 2 autres, aussi dans cette étude, qui a surtout pour but de donner une idée générale du somnambulisme, insisterons-nous un peu moins sur elle. Mais les deux premières, malgré la diversité que présentent toujours des phénomènes aussi complexes, sont si générales et si importantes qu’elles peuvent être considérées comme le signe caractéristique de l’état somnambulique. § Le phénomène de l’oubli, au réveil, de tout ce qui s’est passé pendant le somnambulisme est si curieux et si frappant qu’il a été constaté dès les premières études de ce genre. »
« Ce caractère seul est constant et distingue essentiellement le somnambulisme. »Deleuze, Histoire critique du magnétisme animal, 1819.Muito cedo para fazer uma história crítica do magnetismo animal! – será que este antepassado de Gilles é outro precursor? « Il est inutile de multiplier ces citations que l’on pourrait emprunter à tous les écrivains aussi bien anciens que récents. »
« Si elle est endormie au milieu d’un acte ou d’une conversation, elle continue presque toujours au réveil son action ou ses paroles comme s’il n’y avait rien eu d’anormal : le somnambulisme, quelle qu’ait été sa durée, semble n’avoir pas existé et les 2 moments de la veille paraissent se rejoindre. Rose est restée 4 ½ jours en somnambulisme (nous voulions essayer de guérir ainsi une paralysie des jambes qui avait résisté à tous les autres procédés et nous avons d’ailleurs parfaitement réussi); mais, pendant ces 4 jours, elle parle à plusieurs personnes et reçoit même des visites. Au réveil elle a tout oublié, se trompe sur le jour de la semaine et croit être 4 jours en arrière. Il en est ainsi pour toutes les somnambules que j’ai pu voir, que leur état anormal soit court ou prolongé, que les événements soient insignifiants ou graves, l’oubli est toujours complet et absolu, c’est une page entièrement effacée dans leur vie. »
« Une autre somnambule, N., que j’ai endormi 2 fois, à un an d’intervalle, retrouva dans le second somnambulisme le souvenir minutieux de tout ce qu’elle avait fait dans le premier et me rappela des détails que j’avais moi-même complètement oubliés. Tous ceux qui ont endormi plusieurs fois la même personne ont remarqué ce phénomène aussi banal que singulier. Le second état possède ordinairement en plus le souvenir complet des actes et des idées de la veille normale : le sujet, pendant le somnambulisme, peut raconter ce qu’il a fait ou senti pendant la journée et connaît encore les mêmes personnes. Une seule fois j’ai assisté à un somnambulisme de Rose, differant accidentellement des autres, pendant lequel elle ne me reconnaissait plus et paraissait avoir oublié la plupart des événements arrivés depuis son séjour à l’hôpital. »
« Considérer cet état de la mémoire comme le caractère essentiel du somnambulisme, n’est-ce pas se fier à un signe facilement simulable et difficile à bien constater. Nous répondrons d’abord que jusqu’à présent on n’en possède pas de meilleur, ensuite que ce critérium est plus sûr qu’on ne le suppose.Contrairement à l’opinion générale, je considère les phénomènes psychologiques comme bien plus difficiles à simuler que les phénomènes physiques, et je crois qu’il serait plus aisé de jouer même une crise d’épilepsie que de feindre la folie pendant plusieurs jours devant un aliéniste. Pour le sujet qui nous occupe, il suffît d’un petit nombre de renseignements et d’un peu d’habitude pour simuler une contracture; il faudrait beaucoup d’intelligence, d’attention et de mémoire pour ne jamais confondre les souvenirs acquis pendant le somnambulisme et les souvenirs acquis pendant la veille et n’être jamais pris en défaut. » « il faut vérifier leurs souvenirs par leur conversation même, sans avoir l’air de les interroger directement. »
« On connaît aussi le rêveur de Despine qui, toutes les nuits, se vole à lui-même des pièces d’or et va toujours les cacher au même endroit. »
« Rose avait la mauvaise habitude d’injurier régulièrement une servante de l’hôpital à la fm de ses crises. Elle ne s’en souvenait plus après son réveil, et ne pouvait y croire quand on le lui disait. Cependant, à la crise suivante, elle reprenait ses injures au même point et insistait en criant : ‘J’ai eu bien raison de dire ceci et cela, c’était bien vrai’, et elle répétait tous les détails du délire précédent. » Sem traço de ironia, posso conceber por que pode ser tão arraigada a impressão do fanático de que um demônio ocupa o corpo do doente/possuído, afinal seria mesmo uma explicação satisfatória!
« On trouverait dans le travail de M. Myers de bons exemples, trop longs pour être rapportés ici, où un songe [daydream] est évidemment le souvenir d’un autre songe oublié pendant la veille. Ce qui me paraît plus curieux à rappeler et plus utile pour éclaircir ces problèmes de la mémoire, c’est que l’on a constaté des faits analogues pendant l’ivresse de l’opium et l’ivresse de l’alcool. Les faits sont surtout nets quand il s’agit de l’alcool; chacun sait qu’un homme ivre oublie au réveil ce qu’il a fait pendant l’ivresse. »O interessante é pensar na continuidade duma história todas as vezes que volto à ebriedade: o Rafael “brigão” da sexta à noite, split-personality em doses homeopáticas. Relembra as ofensas a sua honra como se, no lugar de 3 semanas, meia hora se houvesse passado! Pobre do So…. Se bem que dono de bar conhece a ‘raça’ com que lida na lide diária… Não é este Rafael que terá de ir ao médico, ao chaveiro ou ao posto de polícia depois, se perder algum documento ou se machucar, então ele é completamente indiferente a esses desdobramentos – eis o perigo supremo! Até fala, ao contrário do tipo ideal do bêbado, de forma mais fluente e incisiva… Porém, a despeito de toda a teatralidade, mantém-se um pacifista, ironia das ironias… Meu traço mais característico, até quando sou outro!
« J’ai eu quelquefois l’occasion de faire une petite expérience bien simple : on propose à un individu… trop gai… un bon moyen de prouver qu’il est resté dans son état normal, on lui indique un chiffre et on le prie d’en garder le souvenir pour le répéter le lendemain. En général, si l’ivresse était sérieuse, il serait absolument incapable le lendemain, malgré ses efforts, de retrouver le chiffre qu’on lui a dit. Mais je n’ai pas vérifié le retour de la mémoire dans une ivresse consécutive. »Sempre pedimos que façam um 4; mas é a primeira vez que vejo pedirem que digam um 4!
« et nous ne tarderons pas à voir qu’il y a en effet d’autres traits encore qui rapprochent l’ivresse du somnambulisme. » É um embebedamento dirigido e com guia.
« Cette mémoire nécessaire à l’exécution de la suggestion se présente sous les formes les plus variées, tantôt complètement consciente, tantôt ignorée par le sujet, tantôt elle envahit l’esprit subitement comme une impulsion dont il ignore l’origine, tantôt elle se développe lentement. »
« Si un sujet exécute une suggestion avec conscience et mémoire au moment où il l’exécute, il ne tarde pas, quelques instants après, à perdre complètement le souvenir non seulement du commandement, mais même de son exécution. »
« Il y a cependant naturellement une certaine mémoire persistante après les sommeils hypnotiques très légers, qui d’ailleurs se rapprochent beaucoup de la veille. »
« Un sujet hypnotisé pour la première fois se souvenait de tout, non seulement des actions qu’il avait faites, mais encore des sentiments de surprise qu’il avait eus en les faisant. Il semblait qu’il y eût deux moi, l’un regardant les actions involontaires de l’autre sans penser qu’il fût utile de les faire cesser. »
Edmund Gurney
« Pourquoi ne pas dire qu’il y a eu chez ces personnes des phénomènes suggestifs à l’état de veille, qu’ils n’ont point changé d’état pour avoir leurs bras ou leurs paupières paralysées, qu’ils ont simplement présenté quelques phénomènes inconscients et que le souvenir des autres s’est conservé tout naturellement ? »
« Que, dans bien des cas, surtout lorsqu’il s’agit d’un somnambulisme peu profond, il y ait lieu de rapprocher à bien des points de vue le sommeil hypnotique du sommeil normal, cela est tout à fait incontestable, mais que l’identité soitabsolue et que les modifications de la mémoire ne soient pas bien plus considérables dans le cas du sommeil hypnotique, c’est ce que les faits ne permettent pas d’admettre. »
« Quand on réveille le sujet brusquement au milieu de l’accomplissement d’un acte suggéré, il en garde le souvenir comme d’un rêve. » « Lorsqu’un sujet est endormi pour la première fois, il a d’ordinaire un sommeil léger et il peut être réveillé brusquement; lorsqu’il est endormi souvent, il prend un sommeil profond dont il ne peut plus être tiré facilement. Tout au début de mes études sur Lucie, je pouvais facilement répéter l’expérience précédente; au bout de quelque temps, je ne pus y parvenir; car il fallait au moins une minute pour la réveiller, ce qui interrompait complètement l’acte somnambulique et ne laissait pas persister le souvenir. » « Le réveil difficile accompagne toujours le somnambulisme profond. »
« Même pour ceux-ci, il faut faire une remarque importante : le souvenir ainsi obtenu par le réveil brusque n’est pas de longue durée : il existe au moment même du réveil et on peut le saisir si on interroge le sujet à ce moment ; mais il disparaît peu à peu et ne laisse bientôt plus aucune trace dans la conscience. »
« En réalité, les états psychologiques sont continus et le sujet ne saute pas de l’un dans l’autre. Il y a une période posthypnotique qui se prolonge quelquefois assez longtemps après le réveil, et il est tout naturel que le souvenir du somnambulisme persiste quelque temps pendant cette période. »
« Au moyen âge, paraît-il, on considérait l’oubli après le somnambulisme comme un signe de sorcellerie : les malheureuses somnambules, par peur du bûcher, dit Bertrand, se suggéraient à elles-mêmes la conservation du souvenir et y réussissaient quelquefois. » Motivo da morte: o viajante no tempo viajou no tempo… para a Idade Média; e por isso foi queimado na fogueira.
« Aussi conservons-nous le caractère de l’oubli au réveil comme le signe le plus important de l’état somnambulique et persistons-nous à croire que, s’il fait complètement défaut, il y a eu suggestibilité à l’état de veille et non point somnambulisme. »
2.3 VARIÉTÉS ET COMPLICATIONS DE LA MÉMOIRE ALTERNANTE
« Le docteur Herbert Mayo cite un cas de quintuple mémoire : l’état normal du sujet était interrompu par 4 variétés d’états morbides dont il ne conservait pas le souvenir au réveil, mais chacun de ses états présentait une forme de mémoire qui lui était propre. »
« À l’exemple de M. Azam, nous dirons donc maintenant état 1, état 2, état 3 du même sujet pour désigner les phases par lesquelles il passe, et pour désigner le sujet dans ces états nous dirons, ainsi que M. Jules Janet l’a très bien proposé, le prénom du sujet avec un numéro d’ordre correspondant à l’état dans lequel il se trouve : ainsi, Lucie 1, c’est le sujet Lucie en état de veille; Lucie 2, c’est le même sujet dans le second état qui est ici le somnambulisme ordinaire. La suite de notre travail fera voir de plus en plus combien l’emploi de ces notations est justifié. »Rafael 25
« [Rose:] le troisième et le quatrième se superposent comme les somnambulismes successifs de Lucie et de Léonie, le dernier état présentant le souvenir de tous les autres et de la vie tout entière. Mais, en dehors du somnambulisme, la vie de cette personne présente un grand nombre d’accidents hystériques très variés, des crises convulsives, des délires hystériques qui se prolongent quelquefois pendant des journées entières et dont elle ne garde aucun souvenir, en outre des amnésies, des oublis singuliers qui ont déjà été souvent décrits. Il lui arrive d’oublier complètement, sans que l’on sache pourquoi, des parties importantes de sa vie qui avaient cependant paru normales. Ainsi, un jour, après une crise, elle perd la mémoire des 3 semaines qui ont précédé. Eh bien, le souvenir de l’un ou de l’autre de ces états oubliés revient facilement, quand elle rentre dans certaines périodes déterminées de son somnambulisme artificiel. » « le deuxième somnambulisme de Rose serait un état psychologique analogue à son délire hystérique, et son quatrième somnambulisme serait un état analogue à ces périodes de la vie qui sont subitement oubliées. C’est là une hypothèse qui ne s’appuie, jusqu’à présent, que sur un caractère, celui de la mémoire, et que nos études vont justifier de plus en plus. »
« C’est grâce à la connaissance de ces divers états psychologiques des hystériques que l’on peut guérir leurs paralysies et leurs contractures, et il faudra entrer dans des études bien plus ardues, si on cherche un jour le véritable traitement moral de la folie qui est bien plus compliquée que l’hystérie. »
2.4 ÉTUDE SUR UNE CONDITION PARTICULIÈRE DE LA MÉMOIRE ET DE L’OUBLI DES IMAGES
« D’où viennent ces changements d’états psychologiques ? Pourquoi ces oublis et ces retours bizarres de la mémoire ? Toutes les hypothèses possibles ont été proposées et les passer toutes en revue serait parcourir toute l’histoire du magnétisme animal. La plupart de ces théories ayant été déjà résumées dans les ouvrages de Maury, de Despine, de Ribot, il nous suffira de citer les plus célèbres et de montrer combien elles tiennent peu compte des véritables éléments du problème. » « Il y a peut-être quelque chose de vrai dans cette théorie de la disparition du moi; mais en conclure que toute conscience est supprimée pendant le somnambulisme, cela nous semble vraiment paradoxal et inadmissible. »
« Toute hypothèse, disent les logiciens, comprend 3 parties : une observation fortuite, une suite d’idées et de raisonnements destinée à l’expliquer et des expériences instituées pour vérifier les conséquences de cette supposition. C’est cet ordre que nous suivrons dans l’exposition de nos recherches. »
« Le souvenir des 3 mois oubliés était totalement revenu, ainsi que je pus le vérifier. Mais dès que ce somnambulisme changea et que le sujet entra dans l’état de veille ou dans un autre somnambulisme, ces souvenirs disparurent de nouveau complètement. »
« Rose était totalement anesthésique et sa conscience ne percevait aucune sensation tactile ou musculaire. Dans ce somnambulisme particulier qui amenait le retour des souvenirs, Rose recouvrait subitement la sensibilité tactile et musculaire du côté droit et devenait hémi-anesthésique. » « En effet, elle avait reçu alors une petite blessure causée par un coup de couteau au bras droit et en avait beaucoup souffert. Or, en ce moment, quand elle est éveillée, elle est si insensible qu’elle ne souffre d’aucune blessure, même quand, dans ses crises, elle se fait de véritables plaies aux membres. »
« Cette observation fortuite m’amena tout naturellement à supposer qu’il devait y avoir une relation entre l’état de la sensibilité et l’état de la mémoire. Les souvenirs acquis par une certaine sensibilité semblaient ne pouvoir être remémorés ou reproduits que si cette sensibilité subsistait dans le même état. Pour discuter la valeur de cette hypothèse et pour l’appliquer à des cas nouveaux, il me semble nécessaire de distinguer 2 cas et d’étudier à part 2 espèces de mémoires. »
« Un individu, qui aurait complètement perdu un sens [tátil, imagino] et qui ne pourrait plus à aucun degré apprécier les sensations que ce sens procurait, aurait perdu en même temps toutes les images et par conséquent tous les souvenirs relatifs à ces sensations. Mais, dira-t-on, un homme devenu subitement aveugle par un accident conserve encore, quoiqu’il ne puisse plus rien voir, le souvenir des sensations visuelles. C’est que cet individu n’a perdu que l’oeil, organe extérieur de la vision et non pas la faculté psycho-physiologique de voir. S’il avait perdu les centres nerveux de la vision, la faculté même d’apprécier les sensations visuelles, il n’aurait plus le souvenir d’avoir vu et, comme un aveugle de naissance, il ne saurait plus ce que c’est que voir. Il y a des individus de ce genre; on peut montrer que les choses se passent ainsi dans les anesthésies hystériques. »
« Rose fut, à un moment, anesthésique totale et en même temps dyschromatopsique des deux yeux, c’est-à-dire qu’elle ne sentait le contact sur aucun point du corps et qu’elle ne distinguait aucune couleur ni par l’oeil droit, ni par l’oeil gauche; elle voyait tous les objets gris et blancs. » « si je lui suggérais un chatouillement, une douleur, une température anormale, elle ne sentait absolument rien. Au même moment, on pouvait éveiller par un mot toutes les hallucinations auditives, ce qui prouve qu’elle était très suggestible. Je l’ai interrogée sur ses rêves et elle m’a assuré voir les objets en rêve de la même manière que pendant la veille, gris et blancs, et ne jamais sentir aucun contact. »
« Inversement, quand on arrive, ce qui est quelquefois possible, à provoquer une hallucination malgré l’anesthésie du sujet, on fait réapparaître en même temps la sensibilité normale. Il faut aussi remarquer que, chez certains sujets dont l’anesthésie est peu profonde et d’origine récente, les suggestions peuvent réveiller les images sensibles, surtout par l’intermédiaire d’autres images qui ont été conservées. (Paul Richer) »
« Quand j’ai montré à Lucie qu’elle ne sentait aucune douleur ni aucun contact, elle m’a répondu : ‘Tant mieux.’ Quand je l’ai amenée à constater qu’elle ne savait jamais la position de ses bras sans les voir et qu’elle perdait ses jambes dans son lit, elle m’a répondu : ‘Mais c’est tout naturel, du moment que je ne les vois pas; tout le monde est comme cela.’En un mot, elles ne peuvent pas faire de comparaison entre une sensation ancienne dont elles ont complètement perdu le souvenir et leur état présent, et elles ne souffrent pas plus de leur insensibilité que nous ne souffrons de ne pas entendre ‘l’harmonie des sphères célestes’. Quand une hystérique, comme Marie, se plaint d’être insensible, c’est qu’elle ne l’est pas totalement; quand l’insensibilité est complète, l’absence de souvenirs est aussi complète. »
« Après quelques tâtonnements, j’ai reconnu que l’on pouvait rendre momentanément à Rose la sensibilité d’une partie de son corps par 3 procédés : ou bien par l’application prolongée d’un fort aimant, ou par l’apphcation de plaques métalliques d’étain [estanho] ou de plomb, ou enfin et plus facilement encore au moyen d’un courant électrique de moyenne intensité (20 ou 30 éléments Trouvé). » « La suggestion se sert d’un état psychologique, elle ne le crée pas. Ici, sous l’influence d’un de ces trois agents, la sensibilité tactile réapparaissait dans le bras droit et alors on pouvait suggérer des hallucinations tactiles de ce membre, tandis que cela était impossible auparavant. »
« Inutile d’insister plus longtemps sur cette même personne, le phénomène est chez elle constant : ramenez par un procédé quelconque, électricité, plaques métalliques, somnambulisme, etc., un état particulier de sensibilité et vous ramenez en même temps tous les souvenirs élémentaires qui ont été acquis par cette même sensibilité à un moment quelconque. »
« En effet, le souvenir chez Marie persistait plus longtemps que la sensibilité. Fallait-il considérer comme fausses les expériences faites avec Rose ?Non, un fait n’est jamais faux, on l’oublie trop souvent; mais il peut dépendre de circonstances complexes et, si on ne le vérifie pas, c’est que l’on se place, sans le savoir, dans d’autres conditions. »
« Marie n’est pas sensible au courant électrique, je ne sais pourquoi; il faut nous servir des plaques de Burcq et, après quelques essais, des plaques de fer qui agissent très fortement. »
« L’activité sensorielle forme la base de la pensée; quand on l’éteint, la pensée disparait ou s’endort. »
Bastian, Le cerveau et la pensée
2.5 UNE CONDITION DE LA MÉMOIRE ET DE L’OUBLI POUR LES PHÉNOMÈNES COMPLEXES
« Après cette étude beaucoup trop rapide des conditions de rappel pour la mémoire élémentaire, passons à la mémoire complexe ou intellectuelle, c’est-à-dire la mémoire complète des idées et des actes. »
« Le langage est formé par un grand nombre d’images associées avec nos idées et nos mouvements, et ces images, ainsi que les médecins l’ont appris aux psychologues (Bastian), ne sont pas les mêmes chez tous les individus. Les uns, les plus nombreux peut-être, pensent par ces images motrices ou kinesthésiques dont nous avons déjà parlé et qui ont une tendance, lorsqu’elles sont isolées, à se traduire au dehors par le mouvement réel ou la parole réelle. Ces gens-là pensent en parlant tout haut ou tout bas, mais toujours par les images du mouvement de la parole. Les autres [nós, os superiores] pensent au moyen des images auditives ou visuelles, leur pensée est formée par une suite d’images de paroles entendues et non prononcées, ou par une suite d’images d’écritures, ou de signes vus et non entendus.Comment ces dernières personnes parlent-elles et agissent-elles ? leurs images visuelles et auditives vont-elles éveiller d’abord les images motrices plus ou moins faibles qui se traduisent par du mouvement ? Nous avons déjà discuté cette question et nous avons conclu qu’il en a été peut-être ainsi au début de la vie, mais que maintenant les choses se passent plus simplement. »
« On voit très bien, dans l’ouvrage de M. Ballet, [Langage intérieur, 1886] comment une même lésion produit des effets très différents sur l’intelligence et la mémoire, suivant qu’elle frappe des individus usant habituellementde telle ou telle catégorie d’images. La perte des images visuelles, pour un individu dont tous les souvenirs sont cristallisés autour des images motrices, n’a pas grande importance; elle supprimerait toute mémoire et toute parole chez un autre sujet qui se sert de ces images visuelles.Chez ce dernier, une nouvelle éducation plus ou moins facile peut grouper maintenant les idées et les actions autour d’une autre catégorie d’images, celles du sens musculaire par exemple ou du sens auditif, et cet homme, en apparence guéri, pourra de nouveau penser et agir.Mais il vivra entièrement de ces nouveaux souvenirs et ne pourra jamais retrouver les anciens, à moins que, par miracle, les anciennes images visuelles ne lui soient un jour rendues. Cette restitution des images perdues n’a pas lieu chez les malades aphasiques étudiés par M. Charcot, parce qu’une maladie cérébrale les a complètement détruites ; mais n’est-il pas possible que, chez d’autres sujets, ces images ne soient que momentanément supprimées et puissent être restaurées dans différentes conditions ? L’étude précédente sur la mémoire élémentaire nous a précisément montré que c’est ainsi que les choses se passent chez les hystériques et les somnambules. »
« Quiconque examinera avec attention la conduite de Lucie à l’état de veille reconnaîtra facilement qu’elle est <un type visuel> extrêmement net. Elle pense, elle parle et elle agit presque uniquement par le sens de la vue. » « Outre cette perte du sens tactile, Lucie a presque complètement perdu le sens de l’ouïe: elle n’entend parler que si la voix est forte et assez proche, elle ne perçoit pas le tic tac de ma montre, même si je l’applique contre son oreille. La vue, quoique très diminuée (acuité visuelle, un tiers, champ visuel restreinte 20°), est encore le meilleur sens qu’elle possède. Aussi s’en sert-elle continuellement; elle ne fait pas un mouvement, ne marche pas sans regarder sans cesse ses bras, ses jambes, le sol, etc. C’est ainsi d’ailleurs qu’un grand nombre d’hystériques peuvent conserver la faculté de coudre, de tricoter, d’écrire, sans avoir aucunement le sens musculaire.On s’y est souvent trompé et c’est pour cela que plusieurs auteurs déclarent l’anesthésie musculaire rare dans l’hystérie, tandis qu’elle est très fréquente. »
« Si on lui fermait les yeux entièrement, elle ne pourrait même plus parler, et elle dormirait. » « C’est pour cela qu’il ne faut jamais toucher les yeux d’une hystérique quand on fait une étude sur son état de veille. » « En un mot, Lucie 3 n’est plus une femme du type visuel, c’est une femme du type moteur. [mais próxima da infância] »
« Les malades de M. Charcot ont eu besoin pour effectuer un pareil changement d’une longue rééducation. Je répondrai : son éducation comme type moteur est déjà faite depuis longtemps, parce qu’elle est hystérique, c’est-à-dire le type de l’instabilité psychologique. Depuis 15 ans qu’elle est malade, elle a passé son temps à changer ses sens et a s’exercer à parler et à agir tantôt avec l’un tantôt avec l’autre. M. Charcot, dans sa classification des types de langage, a parlé du type indifférent qui, au même moment, se sert d’une image ou d’une autre. Je demande une petite place pour le type alternatif, qui se sert successivement d’un sens puis d’un autre.
Quelle preuve a-t-on que Lucie ait été déjà antérieurement une motrice, comme elle paraît être dans cet état qui est maintenant artificiel ? On en trouve une assez bonne dans l’état de ses souvenirs. Interrogeons-la maintenant en état de Lucie 3 : elle va nous raconter son enfance jusqu’à 9 ans que Lucie 1 a entièrement oubliée ; elle va nous parler de la grande peur qu’elle a eue un jour quand des hommes se sont cachés dans les rideaux [cortinas] et ont brusquement sauté sur elle, émotion qui formera la scène principale de toutes les crises hystériques. Elle va nous raconter ces crises mêmes et les mouvements qu’elle a faits et ses promenades dans la maison la nuit en somnambulisme naturel. Elle va surtout nous raconter cette année, qui a été si pénible pour elle, où pendant plusieurs mois on a voulu la tenir enfermée dans une chambre noire, parce qu’elle avait mal aux yeux, ne voyait pas clair et que le médecin, croyant avoir affaire à une lésion banale, la maintenait dans l’obscurité. Or, toutes ces histoires, Lucie, tout à l’heure ne pouvait pas nous les raconter et les ignorait absolument. Ne pouvons-nous pas supposer légitimement que, dans ces circonstances ignorées de Lucie 1, mais connues de Lucie 3, les souvenirs pour différentes raisons ne s’étaient pas associés aux images visuelles ? Tantôt elle se portait bien dans son enfance et pensait, peut-être comme tout le monde dans l’enfance, par les images musculaires, tantôt le sens musculaire fonctionnait seul comme pendant les crises, tantôt le sens visuel étant supprimé comme dans son attaque d’anesthésie oculaire, il fallait bien penser autrement, et les souvenirs s’étaient alors réunis autour d’autres images. »
« Les passes, je ne sais vraiment pas pourquoi, ont agi comme auraient fait des plaques métalliques (des plaques d’or pour elle [refinada!]), ou comme aurait agi l’électrisation par une machine statique, et lui ont rendu les sens perdus. » « Lucie va se retrouver la même qu’au début, va promener ses yeux de tous côtés et recommencer à penser avec ses images visuels. »
« La même démonstration serait interminable s’il fallait la répéter sur tous les sujets. On pourrait démontrer facilement, croyons-nous, que Léonie est visuelle à l’état de veille, auditive en somnambulisme ordinaire où elle a une ouïe hyperexcitée, et motrice ou tactile en état 3. » « Mais elle a au contraire une ouïe à peu près normale ; elle aime la musique, a été chanteuse dans un café concert et s’irrite quand elle entend chanter faux. Cette analyse des sens nous montre que c’est une auditive, ce qui est assez rare chez les hystériques à l’état de veille » « On parle bien avec le sens auditif, mais on ne marche pas, car les mouvements des jambes s’associent difficilement avec des images de l’ouïe ; aussi cette malheureuse devient-elle paraplégique dès quelle perd la sensibilité musculaire des membres inférieurs. Pour une hystérique il n’est pas bon d’être musicienne. Elle a appris tant bien que mal à remuer son bras gauche par des images visuelles et ne peut s’en servir qu’en le regardant; elle n’a de mouvements libres que ceux du bras droit par le sens musculaire conservé et ceux du langage par le sens auditif. »
« Il semble, je n’ose pas conclure avec certitude, que, retrouvant le sens visuel, elle entrait dans un état auquel elle n’était pas accoutumée et dans lequel elle ne savait pas user du langage. Comme elle ne savait pas, ainsi que faisait Lucie, remuer ses jambes au moyen des images visuelles, je ne pouvais pas non plus dans cet état détruire sa paraplégie. Dans un autre état somnambulique, que je n’obtins que beaucoup plus tard et avec mille difficultés, elle retrouvait le sens tactile et musculaire d’abord du côté droit, puis du côté gauche, et alors il lui suffisait d’un faible effort pour décontracturer ses jambes et se mettre à les remuer sur mon simple commandement. Elle était devenue motrice, ce qu’elle avait été probablement une grande partie de sa vie, car elle parlait alors très facilement, retrouvait tous les souvenirs en apparence perdus à l’état de veille et n’avait plus aucune paralysie. Lorsqu’on réveillait Rose, elle perdait de nouveau toutes ces sensibilités surajoutées, oubliait tout et malheureusement ne savait plus marcher. »
2.6 INTERPRÉTATION DE L’OUBLI AU RÉVEIL APRÈS LE SOMNAMBULISME
« Je suis convaincu que les appareils électriques seront prochainement le véritable instrument scientifique pour produire à volonté et régulièrement toutes les variétés du somnambulisme. »
« Une hystérique anesthésique, morphinée à la dose de 8 centigrammes par jours, vit ses douleurs disparaître et sa sensibilité normale se réveiller… L’abstinence ramena les symptômes hystériques. »
Benjamin Ball, La Morphinomanie
« Le somnambulisme est chez les hystériques un accroissement de l’esprit par une excitation quelconque et non une diminution. » Por isso os começos da psicanálise até poderiam realmente curar histéricas, ao menos, desde que o tratamento fosse bem-feito. Outra coisa é a pseudanálise posterior alegando ou tentando curar neuróticos, até psicóticos, ansiosos, depressivos, fóbicos, com tratamentos cretinos! Janet 1 x 0 fraudismo.
« Peut-être existe-t-il des somnambulismes différents. L’hypnotisation des sujets sains possédant déjà tous leurs sens et toutes les images ne peut guère, si elle est possible, que les diminuer et leur supprimer diverses sensations. » « En réalité, il n’y a ni 2, ni 3 mémoires indispensables; il peut s’en présenter un nombre quelconque et indéterminé. Rose a au moins 4 ou 5 somnambulismes différents, ayant chacun une mémoire particulière. Il y a des sujets, comme N…, qui sont tellement instables, qu’ils ne reprennent le même somnambulisme qu’en étant endormis par la même personne et de la même manière »
« Cependant, dans cette série d’états de sensibilité et de mémoire qui peuvent se produire suivant une même loi, on peut, comme font les mathématiciens dans leurs séries, distinguer des points intéressants. » « Mais surtout on s’attachera à distinguer comme capital le dernier somnambulisme. J’appelle ainsi l’état dans lequel le sujet a retrouvé l’intégrité absolue de toutes les sensibilités qui sont naturelles à l’homme bien portant, et par conséquent l’intégrité absolue de la mémoire, en un mot, l’état dans lequel le sujet n’a plus aucune anesthésie ni aucune amnésie. » « Mais il est quelquefois très difficile à obtenir, et les sujets y parviennent plus ou moins vite, quelquefois après un seul somnambulisme intermédiaire, comme Lucie ou Wittm… (dans l’étude de Jules Janet), ou bien après plusieurs intermédiaires, comme Rose, ou même ne l’atteignent pas complètement, comme Léonie, qui, dans le dernier somnambulisme que je puisse obtenir avec elle, a encore des anesthésies. »
« Tout le monde remarquera, comme j’en ai été frappé dès la première fois, que Lucie se sert du sens de la vue quand elle est éveillée et du sens du tact quand elle est endormie : cela est manifeste. Mais, chez d’autres sujets, les modifications seront beaucoup moins visibles »
« Le somnambulisme change ces images prédominantes, sans donner précisément des sensibilités nouvelles ; il relève de leur effacement certaines images particulières et en fait un centre nouveau autour duquel la pensée s’oriente d’une manière différente. Réveillés, ces sujets reprennent leur pensée habituelle, négligent par distraction ces images et par conséquent les souvenirs qui y sont liés; ils ne peuvent plus les retrouver, car ils sont incapables du petit effort qu’il faudrait faire pour modifier un peu la forme habituelle de leur pensée. »
« Un jeune homme H., qui avait un somnambulisme de ce genre, avait tout oublié au réveil, mais, peu à peu, dans le courant de la journée, il retrouvait un à un tous les souvenirs du somnambulisme : le lendemain il pouvait tout me raconter. »
« Ce qui produit l’oubli des rèves au réveil, c’est que l’orientation de l’esprit change soudainement. »
Paulhan
« J’ai essayé de préciser un peu plus cette explication générale des phénomènes de l’oubli et de l’adapter plus exactement aux faits que j’avais étudiés. Sans doute, les exemples que j’ai donnés sont insuffisants pour démontrer qu’il en est toujours ainsi, et nous n’avons pas toujours un moyen bien précis et bien sûr pour apprécier les différences dans les images qui amènent les différences dans les souvenirs. »
2.7 LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES : MODIFICATIONS SPONTANÉES DE LA PERSONNALITÉ
« Le jugement synthétise les faits différents, constate leur unité, et, à propos des différents phénomènes psychologiques éveillés par les impressions sensibles ou le jeu automatique de l’association, forme une idée nouvelle : celle de la personnalité. Nous n’avons pas, dans cette étude sur la partie automatique et non sur la partie active de l’esprit, à étudier ce jugement d’unité. »
« Dans le cours d’une longue vie, un homme peut être successivement plusieurs personnes si dissemblables que, si chacune des phases de cette vie pouvait s’incarner dans des individus distincts et si l’on réunissait ces divers individus, ils formeraient un groupe très hétérogène, se feraient mutuellement opposition, se mépriseraient les uns les autres et se sépareraient vite sans souci de se revoir jamais. »
Forster¹
¹ Não identificado.
« C’est moi qui ai tremblé devant ce péril imaginaire? C’est moi qui ai pu aimer cette coquette? C’est moi qui me suis dévoué à ces croyances? Mais c’est impossible et je ne me reconnais pas. »
« Heureusement, ces changements sont survenus peu à peu et ils n’ont porté en réalité que sur les phénomènes complexes et secondaires de notre esprit, nos croyances, nos ambitions, nos désirs. »
« Les hommes les plus sains d’esprit présentent presque toujours, dans leurs rêves, le premier signe, la première ébauche des changements beaucoup plus graves qui peuvent se produire dans la personnalité de certains malades. »
« Si je puis me décrire moi-même dans ces études expérimentales, je crois appartenir entièrement au ‘type moteur’ ; quand je suis éveillé, je ne pense qu’en parlant tout haut ou en écrivant, et ma pensée est toujours un geste à demi arrêté. La nuit, au contraire, je garde, ainsi que je l’ai souvent constaté, l’immobilité la plus absolue, je suis simple spectateur et non plus acteur »
« chez les hommes bien portants, cette tendance à la formation d’une mémoire et d’une personnalité secondaire dans le songe, reste rudimentaire. »
« Un de mes amis a remarqué que sa femme, qui souvent parle beaucoup et distinctement dans le sommeil, ne peut jamais se ressouvenir de ses rêves lorsque cela lui arrive ; mais qu’au contraire elle se les rappelle fort bien lorsqu’elle n’a pas parlé en dormant. »
Erasmus Darwin
O PORQUÊ DO PRIMEIRO PORRE SER TÃO DIFERENTE: « L’éther, le chloroforme ou simplement l’alcool, quand ils agissent pour la première fois, désagrègent simplement la pensée normale, empêchent les jugements d’unité de se former et ne laissent subsister dans le délire que des éléments psychologiques épars. Mais si ces empoisonnements se répètent, ces fragments de pensée se réunissent et forment une nouvelle synthèse psychologique, avec sa mémoire qui lui est propre, semblable à une vie somnambulique. »
« Les crises de ce genre sont, en général, d’assez courte durée : c’est que la personnalité n’y est pas assez complète, car la durée d’un état psychologique est ordinairement comme celle d’un être en raison de sa perfection. » « Aussi ce composé instable ne tarde pas à se défaire et le composé plus complet et plus ancien, qui formait la vie normale, réapparaît à son tour. Mais supposons que, par certains hasards, la rencontre des atomes intellectuels ait formé un composé plus complet et plus stable, la nouvelle vie psychologique, qui se forme peu à peu et qui est anormale pour le sujet, ressemble tout à fait à ce qui est la vie normale pour une autre personne. »
« Le sujet était ordinairement un visuel, il est maintenant un moteur ; cela aura sans doute des inconvénients plus tard, car, s’il revient au premier état, il ne se souviendra plus du second, mais maintenant il ressemble aux gens qui sont ordinairement moteurs et il ne s’en porte pas plus mal. C’est là ce qui se passe, croyons-nous, chez ces personnes devenues célèbres dans l’histoire de la science, Félida X, Louis V et bien d’autres. »
« La somnambule de Dufay,¹ quand elle tombe en état second, n’est plus myope comme en état premier, elle a un langage enfantin et parle nègre : ‘Moi pas bête maintenant’, dit-elle. »
¹ Não identificado.
« Tous ces personnages, comme on le sait aussi, changent de caractère et de conduite en même temps qu’ils changent de sens et de langage. Félida, qui est triste et qui pense au suicide dans son état prime, est gaie et courageuse dans l’état second ; elle est égoïste et froide dans la première existence, elle a plus d’affection et de dévouement dans la seconde. Louis V est tantôt doux, obéissant et timide, tantôt colère, insubordonné et arrogant, tantôt enfant et craintif, tantôt jeune homme emporté : à aucun point de vue il ne reste le même. »
2.8 LES DIVERSES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES. — LES CHANGEMENTS DE PERSONNALITÉ DANS LES SOMNAMBULISMES ARTIFICIELS.
« il n’y a pas un seul phénomène constaté pendant le somnambulisme, anesthésie ou excitation sensorielle, paralysies, contractures, émotions ou faiblesse intellectuelle, etc., qui ne se retrouve fréquemment chez une autre personne pendant sa vie ordinaire. » « Un sujet qui est idiot, ou aveugle, ou intelligent en somnambulisme, ne l’est pas autrement que celui qui est idiot, aveugle ou intelligent pendant sa vie normale, seulement il ne l’est pas toute sa vie. »
« Mais cet état, que nous qualifions de somnambulisme chez Rose, est en ce moment la vie normale de Marie, qui depuis 1 mois est hémi-anesthésique gauche, et les caractères de cet état sont exactement les mêmes chez elle. Bien plus, Rose elle-même, il y a quelque temps, a passé 3 mois, comme nous l’avons vu, en hémi-anesthésie gauche. Elle était donc naturellement pendant ces 3 mois dans l’état qui est maintenant un somnambulisme. »
« l’hypnotisme est très rare chez les véritables épileptiques. »
« D’abord, la seconde personnalité qui vient de naître subira l’influence des idées et des manières de son magnétiseur comme un enfant subit l’influence de ses parents. »
« Pourquoi Léonie est-elle catholique pratiquante à l’état de veille et protestante convaincue en somnambulisme ? C’est tout simplement parce que son premier magnétiseur était protestant, il ne faut pas chercher là d’autre mystère. Pourquoi certains somnambules ont-ils sans cesse une attitude dramatique ? C’est parce qu’on les a exhibés sur des planches comme des bêtes curieuses et qu’ils ont appris à jouer un rôle et à simuler quoique étant réellement en somnambulisme. »
« M. Beaunis nous dit qu’il n’a jamais rencontré de mensonges de la part d’une somnambule. C’est qu’il a été bien heureux: il y a des somnambules qui mentent comme Lucie, ou qui sont l’honnêteté même comme Léonie, ainsi que, dans la vie normale, il y a des mauvais et des bons. »
« Les somnambules disent qu’ils dorment parce qu’on leur a dit qu’on les endormait et que, dans la pensée populaire, magnétiser veut dire endormir. Il est même mauvais de trop répéter cela au somnambule, car il finit par se croire obligé de dormir réellement et prend une expression abrutie qui n’est pas indispensable. »
« Souvent aussi les choses se passent autrement et, soit peu à peu par le progrès de la seconde existence, soit brusquement à la suite d’un changement trop fort, le sujet refuse de se reconnaître, se moque de son ancienne personnalité et prétend être une nouvelle personne. »
« Les somnambules parlent d’eux-mêmes à la troisième personne, dit Delenze, comme si leur individu dans l’état de veille et leur individu dans l’état de somnambulisme étaient 2 personnes différentes… Mlle. Adélaïde ne convenait jamais de l’identité d’Adélaïde avec Petite, nom qu’elle recevait et se donnait pendant sa manie (somnambulisme), etc. »
« Tous les écrivains du magnétisme animal ont d’ailleurs décrit ce fait, qui est aussi fréquent qu’il est curieux. »
« N’insistant pas sur cette singulière réponse qui n’est peut-être pas absurde, je lui demandais de quel nom il fallait l’appeler, elle voulut prendre le nom de ‘Nichette’. Ce petit nom ne doit pas faire sourire : aucun détail n’est insignifiant dans ces phénomènes délicats. C’était là le petit nom par lequel on désignait cette personne dans sa première enfance et elle le reprenait en somnambulisme. »
« M. le Dr. Gibert m’a raconté qu’une femme de 30 ans, endormie pour la première fois, parlait d’elle-même sous le nom de la petite Lilie. Pourquoi ce retour à l’enfance? Est-ce parce que les hystériques, ordinairement visuelles à l’état de veille, reprennent leur sens musculaire dans ces somnambulismes profonds et que ce sens a été probablement le plus utilisé dans l’enfance ? »
« Enfin, il peut arriver que tout changement d’état soit assez accentué pour produire l’illusion du dédoublement de la personnalité. Léonie, dès le premier somnambulisme que nous avons décrit, refuse son nom ordinaire et prend celui de Léontine auquel ses premiers magnétiseurs l’avaient habituée. »
« Ce nouveau personnage, Léonie 2, s’attribue toutes les sensations et toutes les actions, en un mot, tous les phénomènes psychologiques qui ont été conscients pendant le somnambulisme y et elle les réunit pour former l’histoire de sa vie déjà fort longue ; elle attribue au contraire à Léonie 1, c’est-à-dire à la personne normale pendant la veille, tous les phénomènes qui ont été conscients pendant la veille. » « Léonie, à l’état normal, a un mari et des enfants, Léonie 2, pendant le somnambulisme, attribue le mari à l’autre, mais s’attribue à elle les enfants. Ce choix était peut-être explicable, mais il ne semblait pas régulier. J’ai fini par apprendre que les magnétiseurs anciens, tout aussi audacieux que certains hypnotiseurs d’aujourd’hui, avaient provoqué le somnambulisme au moment des premiers accouchements, et que l’état second était revenu de lui-même au moment des derniers. Léonie 2 n’avait pas tort de s’attribuer les enfants, car c’était bien elle qui les avait eus »
« Cette séparation d’un même être en 3 personnes successives, qui se méprisent réciproquement quand elles peuvent se connaître, forme un spectacle des plus curieux et donne lieu à quantité d’incidents que je ne pourrais rapporter sans allonger indéfiniment mon livre. Léonie s’endort en chemin de fer et passe à l’état 2 ; au bout de quelque temps Léonie 2 veut redescendre pour aller chercher à la station précédente cette pauvre Léonie 1 ‘qui, dit-elle, y est restée et qu’il faut prévenir.’ Si je montre à Léonie 2 un portrait de Léonie 1 : ‘Pourquoi a-t-elle pris mon bonnet ?, s’écrie-t-elle, c’est quelqu’un qui s’est habillé comme moi.’Quand elle vient au Havre, il faut que je dise bonjour successivement aux 3 personnages qui recommencent successivement la même émotion d’une manière bien amusante.Il est inutile d’insister sur ces anecdotes, on devine les situations singulières qui doivent résulter d’une semblable subdivision. »
« Sans doute certains sujets ne peuvent pas rester indéfiniment dans certains états somnambuliques. Léonie 1 ne pouvant absolument rien manger en état de Léonie 2, ne pourra pas y rester plus d’une journée, mais ce n’est pas parce que l’état est second qu’il ne peut pas durer, c’est parce qu’il ne contient pas certains éléments nécessaires à la vie. Il est dangereux, écrivent quelques auteurs, de laisser un sujet plus de 24h en somnambulisme, car il commence alors à se refroidir. Certainement, si vous laissez un sujet immobile, incapable de remuer et de manger, il doit se refroidir assez vite. Mais si, au contraire, on choisit un état somnambulique complet qui forme une seconde vie sans doute, mais une seconde vie régulière, analogue, comme nous l’avons dit, à la vie normale de telle ou telle autre personne, il n’y a pas de raison pour que le sujet n’y reste pas fort longtemps. »
« Le célèbre Abbé Faria prétend que certains de ses sujets sont restés endormis pendant des années et oubliaient à leur réveil tout ce qui s’était passé pendant cette longue période. Un magnétiseur nommé Chardel¹ endormit 2 jeunes filles pendant l’hiver et ne les réveilla que plusieurs mois après au milieu du printemps; elles furent bien surprises en se réveillant de voir des feuilles et des fleurs sur les arbres qu’elles se souvenaient d’avoir vus couverts de neige avant de s’endormir. »
¹ Frédéric Charles Chardel (1776-1849), sem obras relevantes.
« Ces récits ne doivent pas être mensongers, car la vérification en est assez facile à faire : j’ai maintenu moi-même Rose en somnambulisme pendant 4 jours et demi sans aucune difficulté, car elle se portait très bien pendant ce temps, mangeait et dormait beaucoup mieux que dans son état normal. »
« Pourrait-on laisser les sujets indéfiniment dans ce second état ? ce serait un moyen bien facile de guérir complètement l’hystérie. Malheureusement la chose me paraît fort difficile. Cet état a paru, au moins pour mes sujets, être une fatigue et les épuiser rapidement. Certaines, comme Léonie et Lucie, ont besoin de dormir fréquemment pendant quelques minutes pour se reposer, et les hystériques en général ne se maintiennent dans cet état d’intégrité sensorielle qu’au moyen d’excitations renouvelées de temps en temps, passes, courant électrique, etc. Il est probable que peu à peu les hystériques reprendraient leurs tares, leurs anesthésies habituelles et rentreraient dans leur état normal avec l’oubli de tout ce qui s’est passé pendant leur existence plus complète. »
« Est-ce une décadence ou un progrès pour un sujet de passer de l’une à l’autre ? Beaucoup d’auteurs se sont prononcés pour la seconde solution. » « Il y a un nombre infini de formes d’existences psychologiques, depuis celle qui ne contient qu’un seul fait isolé rudimentaire sans jugement et même sans personnalité jusqu’à la pensée de la monade supérieure dont parle Leibniz et qui représenterait en raccourci tout l’univers. » « Il est évident que Lucie 3, Rose 4 ou Léonie 3 sont supérieures et de beaucoup à Lucie 1, Rose 1, Léonie 1. Mais il s’agit là de femmes hystériques, et cette existence supérieure qu’on leur rend est simplement une existence normale, celle dont elles devraient jouir continuellement, si elles n’étaient pas malades. »
« Est-il possible d’aller au delà? Peut-on dépasser ces états somnambuliques chez ces sujets, ou donner à d’autres sujets sains, qui sont déjà naturellement en possession de cette forme d’existence, une autre forme d’existence supérieure ? C’est ce qu’ont pensé presque tous les anciens magnétiseurs quand ils étudiaient sur leurs sujets des sens nouveaux ou des facultés surnaturelles. C’est ce que pense M. Myers quand il parle de réadaptations nouvelles de notre personnalité en rapport avec de nouveaux besoins. C’est là une étude dans laquelle nous ne pouvons pas entrer; il nous suffît d’avoir montré à quel point elle touche notre sujet et comment elle est possible. »
3. LA SUGGESTION ET LE RÉTRÉCISSEMENT [RECOLHIMENTO] DU CHAMP DE LA CONSCIENCE
« On a donné le nom de suggestion à cette influence d’un homme sur un autre qui s’exerce sans l’intermédiaire du consentement volontaire. » « Après una revue historique rapide et forcément incomplète, qui a surtout pour but de montrer combien l’étude de la suggestion est ancienne, nous nous contenterons de rappeler par quelques exemples les faits les plus importants. »
3.1 RÉSUMÉ HISTORIQUE DE LA THÉORIE DES SUGGESTIONS
« Faire l’histoire de la suggestion à notre époque ce serait faire l’histoire complète de l’hypnotisme, que nous ne puvons avoir l’intention d’entreprendre. »
« Beaucoup de charlatans se sont couverts et essayent encore de se revêtir de ce nom de magnétiseurs, mais ce n’est pas une raison pour jeter un mépris général sur tous ceux qui ont été les véritables précurseurs de la psychologie expérimentale. »
« Rien ne serait plus facile, pour tous les faits sans exception qui ont été signalés dans les ouvrages d’hypnotisme moderne, que d’emprunter des exemples aux ouvrages publiés de 1850 à 1870. Mais, si les magnétiseurs connaissaient ces phénomènes, ils les expliquaient mal et faisaient intervenir inutilement un fluide mystérieux. » « Leurs théories de physiologie fantaisiste ne s’appliquaient guère qu’au premier fait, c’est-à-dire aux procédés à employer pour amener le sujet à l’état de suggestibilité, et quant à la suggestion elle-même, ils l’expliquaient par des lois uniquement psychiques. »
« Si on préfère des théories outrées dans lesquelles on rapporte à l’influence morale du magnétiseur (…) tous les phénomènes possibles, il est facile d’en trouver bien des exemples. Bertrand explique ainsi les croyances singulières des somnambules ; la prétendue vue du fluide, la prévision des maladies et même l’action des métaux. ‘Ce sont toujours les idées des magnétiseurs qui ont de l’influence sur les sensations des somnambules… les métaux, lorsque les magnétiseurs le veulent, ne doivent avoir aucun empire sur les personnes magnétisées, c’est l’idée qui les rend nuisibles.’ »
« les explications les plus nettement psychologiques des stigmates des convulsionnaires se trouvent complètement exposées dans les ouvrages de Charpignon. »
3.2 DESCRIPTION DE QUELQUES PHÉNOMÈNES PSYCHOLOGIQUES PRODUITS PAR SUGGESTION
1er Phénomènes d’apparence cataleptique. « L’individu cataleptique ne parle pas, ne comprend pas ce qu’il fait, semble n’avoir aucune idée ni de sa personnalité ni des actes qu’il exécute ; il a, comme disait Maine de Biran, la sensation et non l’idée de sa sensation. Les sujets dont nous parlons maintenant sont tout différents : ils parlent et comprennent la parole, ils ont une personnalité, ils se rendent compte de ce qu’ils font. »
2e Actes et hallucinations déterminés par la parole.« Le véritable intérêt de la suggestion se trouve dans les commandements que l’on peut donner par la parole. En effet, les paroles que l’on adresse à ces sujets, au lieu d’être répétées sans intelligence comme par les cataleptiques, sont comprises, et par leur sens déterminent toujours, sans le consentement de la personne, des actes et des hallucinations. (…) Aussitôt le sens des paroles compris, l’acte est exécuté. [malgré le pacient] »
« On lui fait entendre ainsi le son des cloches, des chants, des fanfares, on lui fait voir des fleurs, des oiseaux, sentir des odeurs, apprécier des goûts, soulever des fardeaux imaginaires, etc. »
« Léonie est capable de relire par hallucination des pages entières d’un livre qu’elle a lu autrefois, et elle distingue l’image avec tant de netteté qu’elle remarque encore des signes particuliers, comme les numéros des pages et les numéros des feuilles au bas de certaines pages »
« Au début de mes recherches sur le somnambulisme, n’étant qu’à demi convaincu de la puissance de ces commandements, je commis l’étourderie grave de faire voir à une somnambule un tigre entrant dans la chambre. Ses mouvements convulsifs de terreur et les cris épouvantables qu’elle poussa m’ont appris qu’il fallait être plus prudent, et depuis je ne montre plus à l’imagination de ces personnes que des belles fleurs et des petits oiseaux. » « Marie caresse doucement les petits oiseaux ; Lucie les saisisse vivement à 2 mains pour les embrasser ; Léonie, qui se souvient de la campagne, leur jette du grain à la volée (…) aucune femme ne peut voir une fleur par hallucination sans la porter à son nez, puis la mettre à son corsage. »Hahaha!
« D’après les observations de M. Féré, ‘l’état de la pupille varie avec la distance présumée de l’hallucination.’ »
« En un mot, il y a aussi bien mouvement à propos de la suggestion d’hallucination, que hallucination à propos de la suggestion de mouvement ; les 2 choses ne peuvent pas être séparées. »
3e Actes ou hallucinations avec point de repère [vue].« Si je dis à Marie qu’elle verra un papillon traverser la chambre quand l’heure sonnera, ou qu’elle verra un oiseau sur l’appui de la fenêtre, le phénomène est identique » « À n’importe quel moment du somnambulisme, si Marie regarde du côté de la fenêtre, elle reverra son oiseau, et cette liaison peut persister indéfiniment (…) Si maintenant Marie ne voit plus l’appui de la fenêtre, elle ne verra plus l’oiseau (…) Enfin, si le point de repère varie d’une manière quelconque, grandit, diminue, se dédouble, etc., l’hallucination aura exactement le même sort. C’est là le phénomène qui a été si bien étudié par MM. Binet et Féré dans leurs expériences originales de la lorgnette, du miroir, du prisme. (…) En un mot, l’acte ou l’hallucination suggérés peuvent être rattachés à une certaine sensation qui sert de signal ou de point de repère et en dépendent alors absolument. »
« le champ de la représentation, plus étendu que le champ de la sensation, est formé par une synthèse des champs visuels. »
Binet¹
¹ Alfred Binet já possui muitas obras recomendadas no Seclusão.
« Si on précise l’endroit où l’objet doit se trouver en disant qu’il est à gauche, ou bien si on ferme l’oeil droit du sujet en laissant l’oeil gauche ouvert, on ne peut plus produire chez Marie aucune hallucination visuelle. M. Paul Richer a signalé ce fait l’un des premiers. » « Si, après avoir donné une hallucination à Marie au moment où elle a les 2 yeux ouverts, je lui ferme l’oeil droit, elle ne voit plus clair et ne distingue plus les points de repère auxquels son hallucination était rattachée ; elle a alors complètement perdu de vue l’oiseau ou la fleur que je lui montrais. Si, au contraire, on lui donne une hallucination quand elle a les yeux fermés, cette image ne se rattache à aucun point de repère et peut persister malgré la fermeture des yeux. »
« Il est possible de faire éprouver à un même sujet 2 hallucinations différentes simultanément, une à droite et l’autre à gauche ; ainsi, on lui fera sentir le goût du rhum sur le côté droit de la langue et le goût d’un sirop sur le côté gauche, on lui fera voir par un oeil une scène horrible et par l’autre un riant tableau champêtre. »
Bérillon, La dualité cérébrale, 1884
« Ces auteurs [além de Bérillon,DumontpalliereMagnan] tirent de ce fait des conclusions qui me paraissent bien graves sur l’indépendance fonctionnelle des 2 hémisphères cérébraux. Sans préjuger de la théorie en elle-même, je crois qu’il faut renoncer à employer ce fait particulier comme moyen de démonstration. [Car] Les hallucinations simultanées et de nature différente sont faciles à reproduire pour les sens qui sont répandus sur une assez large surface et qui peuvent fournir au sujet plusieurs points de repère simultanés. [dos pés à cabeça! não só em longitude, mas em latitude, transversalidade, etc., por que não?]»
“Sur mon ordre, Marie a simultanément la sensation de chaleur au pouce de la main droite et de froid au petit doigt de la même main » Bem como vê duas ilusões antitéticas pelo mesmo olho.
« Les sujet ne trompe pas, comme on pourrait le croire, car il ne consent pas plus à cette suggestion qu’aux autres, c’est l’opérateur qui se trompe lui-même en ne tenant pas assez compte des lois psychologiques quand il s’occupe de phénomênes qui sont psychologiques. »
4e Actes et hallucinations complexes ou à développement automatique. « Au lieu de commander l’un après l’autre chaque mouvement ou chaque hallucination, il suffit, avec certains sujets, de leur indiquer une idée initiale qui, avec une apparente spontanéité, se développe dans leur esprit de toutes manières et se manifeste par une longue suite d’actes et d’hallucinations diverses. ‘Tu vas écrire une lettre,… tu vas chanter un air,’ dis-je à Lucie ou à Rose, et elles vont faire leurs préparatifs pour écrire, composent une lettre ou bien chantent indéfiniment toutes sortes de morceaux. »
« Une pièce d’or réelle produit chez ce sujet une contracture générale si elle est appliquée au front ; une pièce d’or imaginaire que l’on met dans sa main et qu’il s’applique lui-même au front produit le même résultat. L’ongle du pouce est hyperesthésié ; si on le frappe, le sujet a des petites convulsions et des contractures ; l’hallucination d’un oiseau sur sa main la fait pensar à un coup de bec imaginaire donné par l’oiseau sur son ongle et elle a une petite crise convulsive. (…) C’est là ce qui rend ces rêves mimés si amusants quand on a affaire à un sujet vif e assez intelligent. L’hallucination ‘d’un voyage’, comme elle disait, devenait chez Lucie une véritable comédie avec milles de péripéties inattendues. Non seulement elle éprouvait le mal de mer sur les bateaux, comme le sujet dont parle Richet, mais elle se figurait tomber dans l’eau, nageait sur le parquet et se relevait dans une île déserte en grelottant. Naturelement je lui ai fait faire les plus belles expéditions sur la lune, au crente de la terre, etc. : il me suffisait de lui donner un thème sur lequel son imagination brodait les complications les plus extravagantes. Je ne puis insister sur ces spectacles comiques ; ils sont toujours surprenants à voir, mais ils sont maintenant trop connus pour qu’on les décrive. »
« Léonie étant en somnambulisme, je la pique avec une épingle du côté droit (côté sensible), elle pousse un cri et la voilà qui se fâche contre sa main gauche »
« L’expérimentateur est sans cesse exposé à prendre une association d’idées de son sujet pour une loi générale de la psychologie. »
5e Hallucinations générales ou modification de toute la personnalité par suggestion. « Si on affirme au sujet qu’il recommence une période passée de sa vie, qu’il n’a plus que tel âge, ou simplement si on lui donne une attitude, une contracture, un état de sensibilité particulier qu’il avait à tel ou tel âge, on le voit prendre en même temps tous les caractères physiques et moraux qu’il avait à cette époque et revivre pour ainsi dire complètement une période écoulée de son existence. Le sujet sent, pense et parle comme il faisait à ce moment ; il croit voir et entendre ce qui existait alors, il n’a plus d’autres souvenirs que ceux qu’il pouvait avoir à cette époque. »
O ESTADO DE SUGESTÃO SERIA DIFERENTE DA PERSONALIDADE SECRETA AUTÔNOMA DO SONAMBULISMO: « Pendant un de ces changements de personnalité obtenus par suggestion lors du premier somnambulisme, le sujet ne garde aucun souvenir des autres changements. (…) étant princesse, il ne sait pas ce qu’est Léonie et ne veut même pas croire que ce soit une pauvre paysanne habitant sur ses terres ; il ne souvient pas non plus de l’état de somnambulisme ordinaire et du personnage de Léonie 2 » « elle ne sait plus mon nom ; si elle me parle, elle m’incorpore à son rêve et me donne un nom de fantaisie, Marquis de Lauzun » « quand elle est général, elle me prend pour un colonel et m’offre… une absinthe. » « Elle garde en outre, dans un de ces changements, le souvenir du changement exactement pareil qui a eu lieu autrefois. » « Quand l’hallucination est terminée, quand elle cesse d’être princesse, Léonie revient à son somnambulisme ordinaire sans passer par aucun intermédiaire, ni léthargie, ni catalepsie. (…) Léonie 2 de retour garde le souvenir du changement de personnalité [l’être princesse, comme s’il venait d’un rêve curieux] (…) Si quelquefois ce souvenir manque complètement dans le somnambulisme de Léonie 2, nous sommes certains de le retrouver dans le second somnambulisme, Léonie 3, qui se souvient de tout le reste de sa vie (…) Est-elle assez bête, cette pauvre Léonie ? dit-elle ; elle a cru être une princesse, c’est vous qui lui faites croire cela. »
« l’état de la mémoire a tant d’importance dans ces phénomènes que je crois pouvoir me servir de cette différence pour séparer ces 2 changements dans la notion de la personnalité sans en méconnaître les analogies. »
« il faudrait un volume de citations pour rappeler les guérisons miraculeuses des saints et des apôtres et les guérisons par des pilules de mie de pain baptisées de beaux noms. »
3.3 DIVERSES THÉORIES PSYCHOLOGIQUES SUR LA SUGGESTION
« quelques médecins et même quelques philosophes d’aujourd’hui n’hésitent pas à expliquer dans tous ses détails la physiologie des centres nerveux pendant l’hypnose. J’admire ce courage, mais je ne me sens pas capable de l’imiter et je m’en tiendrai aux études uniquement psychologiques qui ont été faites sur ce curieux phénomène. » Haha!
1e La suggestien considérée comme un fait psychologique normal. « Les auteurs qui recherchent attentivement ces faits dans la vie normale citent toujours la marche au pas, la rougeur des timides, le fou rire des jeunes filles¹ et le bâillement contagieux : mais il y a un abîme entre ces faits, tout réels qu’ils soient, et les hallucinations complexes ou les changements de personnalité par suggestion. »
¹ Interessante: risada involuntária, ataque ou crise de riso, risada histérica assim mesmo dicionarizada… E restrita ao sexo feminino tendo em vista se tratar ainda do século XIX, quando a moral exigia dos rapazes não se equiparar a costumes tidos pelos homens da sociedade como irritantes ou indignos, i.e., “coisa de mulher”.
“Cette doctrine, qui assimile trop le phénomène de la suggestion à l’automatisme normal, présente un autre inconvénient assez grave. Elle nous dispose à considérer la suggestion comme un fait primitif existant naturellement, indépendent de tout autre phénomène et capable au contraire d’expliquer tous les autres. Anesthésie, amnésie, changement de personnalité, somnambulisme, etc., tout devient un résultat de la suggestion. Quant à la suggestion elle-même qui explique tout, on n’en cherche pas l’origine, car elle est un fait naturel donné. »
« La suggestion ne peut ni se créer ni se détruire elle-même : pas plus qu’il n’est logique de croire que l’on peut suggérer à un individu d’être suggestible quand il ne l’est pas, on ne peut dire que l’on va suggérer à un malade de ne plus être suggestible quand il l’est. (…) La suggestion est, comme l’éducation, elle se sert de dispositions antérieures, elle ne les crée pas ;de même qu’il y a des animaux et même des hommes rebelles à l’éducation et qui ne peuvent être transformés par elle, il y a des hommes, et c’est heureusement la majorité, qui sont rebelles à la suggestion et qui ne la subissent qu’après une modification accidentelle et étrangère de leur organisme psychologique. »
« il y a lieu de chercher quel est l’état, le caractère anormal dont dépendent les phénomènes que nous avons énumérés. »
2e La suggestion expliquée par l’état somnambulique.
« L’automatisme ou l’aboulie caractérisent le somnambulisme au point de vue psychique comme au point de vue somatique. »
Richet
« Dans le somnambulisme, l’automatisme est absolue et le sujet ne conserve de spontanéité et de volonté que ce que veut bien lui en laisser son hypnotiseur. »
Beaunis
« Sans doute, il y a dans cette hypothèse qui rattache la suggestion à l’état de somnambulisme un certain degré de vérité qu’il ne faut pas nier… Mais, au point de vue théorique, cette assimilation entre les deux phénomènes me parait présenter des inconvenients et amener à une interprétation inexacte du somnambulisme. »
« la suggestibilité peut être très complète en dehors du somnambulisme artificiel ; elle peut être totalement absente dans un état somnambulique complet ; en un mot, elle ne varie pas en même temps et dans le même sens que cet état lui-même. » « Le somnambulisme naturel présente déjà quelques différences qui le séparent du somnambulisme hypnotique » « et je ne puis vraiment pas comprendre cette habitude de plusieurs auteurs d’assimiler l’état d’un sujet hypnotisé avec le sommeil véritable. »
« Il en est de même dans l’ivresse du haschich : je ne rapporterai pas mes propres observations, car je n’ai pu observer cette ivresse qu’une seule fois et dans de mauvaises conditions ; d’ailleurs, les descriptions de Moreau de Tours sont trop belles et trop précises pour que je ne les cite pas : ‘Livré à lui-même, le haschiché subira les influences de tout ce qui frappera ses yeux, ses oreilles : un mot, un geste, un son, le moindre bruit donnera à ses illusions un cachet déterminé ; quelques paroles font passer de la joie à la tristesse et toutes les idées précédemment si joyeuses deviennent lugubres’ » « mais cela ne se produit ainsi que lorsque le délire est très fort ; autrement les idées ne font que traverser l’esprit et ne s’y fixent pas. »
« On sait que certaines personnes sont suggestibles à l’état de veille sans avoir subi aucune modification de leur conscience »
« On s’y trompe bien souvent, et on croit avoir mis un individu en état de somnambulisme, alors qu’on ne l’a pas modifié le moins du monde. On constate simplement une docilité, une passivité que l’on attribue au prétendu somnambulisme, parce que l’on n’a pas recherché si elles n’existaient pas exactement semblables avant le sommeil. »
« La plupart des auteurs (cfr. Richer) insistent sur l’inertie des sujets, incapables de faire un mouvement spontané et qui par eux-mêmes ne pensent à rien. C’est qu’ils n’ont pas dépassé dans leurs étude cete première période du somnambulisme, cet état presque cataleptique dans lequel certains sujets demeurent assez longtemps. »
« Ce n’est donc ni dans la définition du somnambulisme ni dans les causes qui le provoquent, qu’il faut chercher l’explication de la suggestion et de son singulier pouvoir. »
3e L’hyperexcitabilité psychique. « J’aurais d’abord quelques réserves à faire que l’on trouvera peut-être bien abstraites et pour ainsi dire métaphysiques sur cette expression : ‘l’intensité des phénomènes psychologiques.’Dans une discussion très remarquable à propos de la psycho-physique, un mathématicien anonyme, qui est en même temps un philosophe, faisait remarquer que les sensations ne peuvent ni s’égaliser ni s’additionner ; qu’en un mot 2 sensations, fussent-elles toutes 2 des minima, n’étaient pas comparables comme des unités mathémathiques. »
REMETE-TE A KANT : « Sans doute, les causes extérieures de nos sensations, le son, la température, etc., et même les effets de nos sensations dans le monde extérieur, mouvements, contractions musculaires, etc., sont mesurables et peuvent avoir des intensités différentes ; mais les sensations elles-mêmes, considérées par leur côté interne et vraiment seul réel, ont-elles des quantités correspondantes? Cela ne me parait pas évident. La température passe de 0º à 15º et de 15° à 30°, et ma sensation passe du froid au tiède et du tiède au chaud. Peut-on dire que ma sensation de chaud soit un multiple de ma sensation de froid ? »
« Avant de soutenir qu’une image est plus intense ou moins intense qu’une autre, il serait bon de nous prouver que les 2 images sont restées identiques en nature et qu’on ne prend pas une différence de qualité pour une différence de quantité. »Nem Pavlov poderá lhe ajudar!
SALTO QUÂNTICO (NÃO-QUANTITATIVO!): « il peut penser à un chien sans le voir, entendre parler d’une action sans l’exécuter; mais si on insiste, si on commande plus longtemps, l’idée devient hallucination et action. C’est qu’au début elle devait être faible et qu’elle est maintenant plus forte. Je pense au contraire que cette différence dans les résultats est due à ce que l’idée est maintenant toute différente. Les théories psychologiques qui assimilent à juste titre l’image et la sensation ne sont vraies que pour les phénomènes simples »
« L’idée d’un chien peut n’être qu’un rapport abstrait entre diverses images ou divers caractères; elle peut être un simple mot de nature différente suivant les personnes, ou n’être qu’une image très vague de couleur uniforme, en un mot quelque chose de très simple. La sensation réelle ou l’hallucination d’un chien est un ensemble d’images visuelles, tactiles, auditives même, très variées. Pour passer de l’une à l’autre, il faut, non pas renforcer, mais compléter l’image. »
« En un mot, considérez en fait les gens suggestibles et vous les trouverez faibles, hypo-excités, si l’on peut ainsi dire, et non hyperexcités. » « la suggestibilité serait plutôt une preuve de la faiblesse que de la force des phénomènes psychologiques. »
3.4 L’AMNÉSIE ET LA DISTRACTION
« C’est la théorie exprimée déjà à plusieurs reprises par M. Richet qui nous paraît avoir le plus de vraisemblance et à laquelle nos propres expériences nous poussent à nous rallier. » « elles ont d’abord perdu la notion de leur ancienne existence, puis elles vivent, parlent, pensent absolument comme le type qu’on leur a présenté. »
« pour entraver un sentiment, un autre plus fort doit prendre naissance. »
« une amnésie considérable accompagne toujours les actes accomplis par suggestion. »
ADMINISTRAÇÃO DA ENERGIA: « Il faut reconnaître, ici encore, l’existence d’une seconde espèce d’anesthésie moins connue, mais dont l’importance psychologique est très grande. Un individu qui a une sensibilité normale est capable non seulement d’exercer tous ses sens successivement, mais, en outre, dans une certaine mesure, d’apprécier diverses sensations simultanément. Placé dans une réunion de plusieurs personnes, il peut suivre une conversation particulière, et entendre cependant une question qu’on lui adresse derrière lui, voir une personne nouvelle qui entre et se retourner à propos. Ce sont là des choses fort simples dont les personnes au tempérament suggestible sont complètement incapables. Si elles regardent une personne et lui parlent, elles n’entendent plus et même ne voient plus les autres. »
« Que Léonie tricote ou qu’elle écrive, c’est toujours avec la même tension d’esprit apparente ; on peut ouvrir la porte, lui toucher les bras ou la figure, lui parler sans qu’elle s’en aperçoive. Chose plus singulière, elle a sous les seins et sur l’ongle du pouce des points hyperesthésiés et hystérogènes dont le simple frôlement provoque des cris de douleur et même des convulsions. Quand elle est ainsi occupée par un travail ou par une simple conversation, je puis frapper sur sa poitrine ou sur son pouce sans qu’elle dise mot. »
« C’est un état exagéré de distraction, qui n’est pas momentané et ne résulte pas d’une attention volontaire dirigée uniquement dans un sens ; c’estun état de distraction naturelle et perpétuelle qui empêche ces personnes d’apprécier aucune autre sensation en dehors de celle qui occupe actuellement leur esprit. » « Elle se figure que les gens sont sortis dès qu’elle cesse de leur parler, et, quand on la force à faire de nouveau attention à eux, elle dit: ‘Tiens, vous êtes donc rentré ?’ » « Elle commence par me dire qu’elle ne veut causer qu’avec moi et qu’elle ne me quittera pas. Je la fais causer avec une autre personne et je cesse de lui parler, alors elle m’oublie complètement et, quand cette personne sort, elle veut la suivre comme s’il n’y avait plus qu’elle au monde. Il n’est pas plus difficile de comprendre maintenant pourquoi Léonie, quand je lui parle d’une princesse, a oublié sa situation de paysanne »
« De même que l’anesthésie tactile générale enlève tous les souvenirs liés au sens tactile, de même cette anesthésie, variable et momentanée pour certains objets que cause la distraction, enlève momentanément tous les souvenirs qui sont liés à la sensation de ces objets. »
« On sait les sottises que nous pouvons commettre dans un instant de distraction ; eh bien, si l’on tient compte des conditions de sa production, un acte suggéré qu’exécute le sujet est l’idéal de la distraction. »
3.5 LE RÉTRÉCISSEMENT DU CHAMP DE LA CONSCIENCE
« Les phénomènes qui font l’objet de la physiologie, écrivait Herbert Spencer,se présentent sous la forme d’un nombre immense de séries réunies ensemble. Ceux qui font l’objet de la psychologie ne se présentent que sous la forme d’une simple série. »
SENHOR K: « Sans doute, nous avons bien l’idée de la coexistence et même la notion des objets disséminés dans l’espace; mais cette notion, loin d’être primitive, serait dérivée de la notion de succession et de l’idée du temps. » Dê um chute no bordão (sociologuês)!
« depuis Stuart Mill, l’école anglaise s’est attachée à démontrer que ‘le temps est père de l’espace’. Si l’on adopte entièrement cette opinion, comme semble le faire Taine qui regarde la conscience comme un centre inétendu, une sorte de point mathématique, on trouvera peut-être singulier de parler encore du nombre des phénomènes psychologiques dans la conscience à un moment donné »
RELATIVITÉ AVANT LA LETTRE : « ainsi que l’ont montré les beaux travaux de Wundt et de ses élèves sur la durée des phénomènes psychiques, ces phénomènes ne se succèdent pas toujours avec la même rapidité, et 2 individus pourraient encore, dans un temps donné, présenter une quantité très différente d’images mentales. »
« Il ne nous parait guère possible, malgré les démonstrations curieuses données par les psychologues anglais, de faire sortir la notion d’espace de la notion de temps et le rapport de coexistence du rapport de succession. L’idée d’espace, qui est une idée originale, dérive en réalité de la sensation d’étendue que nous procure la coexistence réelle d’un grand nombre de sensations simultanées du sens de la vue ou du sens tactile (Voir Rabier, Leçons de philosophie, I).[de novo citação de um Rabier que sequer podemos encontrar na internet…]D’autre part, l’observation de nous-même ne nous montre pas la conscience ainsi réduite à l’unité. Pendant que j’écris cette page et que je pense aux différentes opinions des philosophes sur l’étendue de la conscience, je vois mon papier, ma lumière, ma chambre et j’entends en même temps le bruit sourd d’un concert dans la maison voisine, ce qui ne laisse pas de me causer une impression désagréable. » « D’ailleurs est-il possible qu’il en soit autrement ? Un seul acte, celui d’écrire, ne demande-t-il pas plusieurs phénomènes conscients, la vue du papier, de la plume, des traits noirs, l’image sonore ou musculaire des mots, l’expression parlée des idées, etc. Si je n’avais en tête qu’une seule image, je l’exprimerais sans doute parfaitement, car elle serait traduite par tout mon corps, mais je ne bougerais plus, je ne penserais plus, je deviendrais une statue, comme les cataleptiques que nous avons étudiées. »
« Mais la vie ordinaire de la pensée ne tombe pas si bas et ne s’élève pas si haut : elle se maintient à une hauteur moyenne à laquelle les images présentées à l’esprit sont nombreuses et où leur systématisation est loin d’être complète. »
« ce petit groupe de phénomènes mieux connus que les autres, c’est la part de l’attention, de l’aperception, comme dirait Wundt après Leibniz, qui ne s’étend pas aussi loin que la conscience elle-même. » « Spencer nous fournit même un terme excellent, très précis et très utile que nous conserverons : l’aire ou le champ de la conscience. »
PONTO DE VISTA, PONTO DE MENTE: « Ne pourrait-on pas appeler de même champ de la conscience ou étendue maximum de la conscience, le nombre le plus grand de phénomènes simples ou relativement simples qui peuvent se présenter à la fois dans une même conscience, en réservant, comme le propose Wundt, le terme de ‘point de regard interne’ pour cette partie des phénomènes de la conscience vers laquelle est dirigée l’attention ? Il serait, je crois, de la plus haute importance pour la psychologie expérimentale de pouvoir déterminer, ne fût-ce que d’une manière approximative, le champ de la conscience, comme on mesure le champ visuel avec un campimètre ou un périmètre. Wundt est le seul, croyons-nous, qui ait essayé une détermination expérimentale de ce genre (Éléments de psychologie physiologique). Malheureusement, il se sert de procédés et de raisonnements qui ne nous paraissent ni bien clairs, ni bien certains, et il passe très vite sur cette question difficile. Sa conclusion est que ‘nous serons autorisés à considérer 12 représentations simples comme étant l’étendue maximum de la conscience’. »
O QUE É O NÚMERO, SENÃO UMA OUTRA ABSTRAÇÃO PARA TENTAR QUANTIFICAR ABSTRAÇÕES? “Le champ visuel binoculaire, qui n’est cependant qu’une petite partie du champ total de la conscience, renferme évidemment bien plus de 12 phénomènes visuels simultanés; la conscience, qui contient en outre les autres sensations et leurs images, doit en contenir bien davantage. Mais il y a ici une foule de questions à soulever sur le sens même des mots, sur l’idée que l’on se fait d’une représentation simple, qui font de ce problème l’un des plus délicats de la psychologie expérimentale”
« Une hystérique pense peu de choses, mais le peu qu’elle pense, elle ne le connaît pas mieux pour cela, car les sens qui lui restent sont diminués de toute façon et elle n’a que des notions fort confuses des objets même qu’elle regarde. L’anesthésie chez elle, même quand elle est momentanée et due à la distraction, est une perte sans compensation. »
« Les individus dont le champ de la conscience est restreint d’une manière anormale me paraissent former 2 groupes : ce sont des malades ou des enfants. » « l’hypnotisme, pour amener l’état somnambulique, doit déranger l’orientation actuelle de la pensée pour lui en substituer une autre. Or, les enfants, heureusement, n’ont pas d’ordinaire l’instabilité mentale et les anesthésie qui permettent ce bouleversement. Un somnambulisme véritable se produisant facilement chez un enfant me paraîtrait la marque d’une tare héréditaire et d’une névrose commençante. »
« Rien n’est plus curieux en effet que de voir des femmes de 30 ans, sérieuses et froides à l’état de veille, prendre, une fois en somnambulisme, des airs de bébés, gesticuler, jouer sans cesse, rire à tout propos, parler en zézayant, réclamer des petits noms comme Nichette ou Lili, et en réalité prendre toutes les allures de très jeunes enfants. »
3.6 INTERPRÉTATION DES PHÉNOMÈNES DE SUGGESTION. – LE RÈGNE DES PERCEPTIONS.
« Un médecin du XVIIIe siècle, précurseur à certains points de vue de Maine de Biran, Rey Régis,¹ disait déjà que le mouvement des membres peut être déterminé par 3 choses : par la volonté, par la pensée, par la passion. ‘Cette doctrine d’une détermination immédiate de la faculté motrice par la pensée sans l’intermédiaire de la volonté est une de celles par lesquelles Rey Régis se distingue de Maine de Biran et va rejoindre la psychologie anglaise de nos jours,’ ‘Penser, disait en effet Bain, c’est se retenir de parler et d’agir.’ Cela est juste pour nous qui pouvons nous retenir, mais, pour les individus que nous décrivons, penser c’est parler et agir. »
¹ Totalmente ignorado hoje.
« Quand le champ de la conscience est aussi restreint que possible et ne renferme plus qu’un seul phénomène à la fois, ce fait se présente sous forme de sensation ou d’image, et, en étudiant les actions des individus cataleptiques, nous ne pouvions voir que l’automatisme des images.Mais dès que le champ de la conscience est un peu plus étendu, chaque sensation ne reste plus isolée, elle est accompagnée de nombreuses images accessoires et interprétatives qui permettent la formation de l’idée du moi, de l’idée du monde extérieur et du langage (…) nous pouvons nous rendre compte de l’automatisme des perceptions. »
« Une perception, comme une émotion, mais avec un degré de complexité bien plus grand, est une synthèse, une réunion d’un très grand nombre d’images. (…) Nous savons déjà, par nos études sur les émotions et sur les mémoires, que de pareils systèmes sont durables et tendent à se conserver le plus longtemps possible. »
« il suffit de montrer : 1° comment cet automatisme des perceptions ressemble au mécanisme des sensations et des émotions, et 2° par quels traits, grâce à sa complexité plus grande, il en diffère. »
« Le développement automatique des perceptions amène un phénomène nouveau, celui de l’hallucination, qui semble demander une explication particulière. » « Si j’osais faire une semblable comparaison, je dirais que les cataleptiques ressemblent à ces canards sans cerveau que M. Richet a eu l’obligeance de me montrer dans son laboratoire. Au premier abord, les canards sans cerveau ne se distinguaient pas des autres, ils fuyaient en criant et en écartant les ailes comme leurs camarades; mais quand toute la bande était arrivée contre un mur, leur infériorité éclatait ; tandis que les canards au cerveau intact se dispersaient à droite et à gauche, les canards sans cerveau se heurtaient du bec contre la muraille et ne bougeaient plus. » « Malheureusement la plupart, à mon avis du moins, se contentent de quelques termes scientifiques récoltés au hasard et croient avoir tout dit quand ils ont parlé d’une crise de nerfs à 4 phases et d’une héroïne hémi-anesthésique. »
« M. Richet demandait à une somnambule l’heure où une chose était arrivée : ‘Attendez, disait-elle… je ne vois pas’ ; puis elle dit: ‘Je sais maintenant.’ Elle voyait devant elle un cadran dont les aiguilles marquaient l’heure. Une pensée qui se présente avec cette vivacité ne peut guère être hésitante et variable comme la nôtre. ‘Je l’ai vu, de mes propres yeux vu,’ disons-nous quand nous sommes certains »
« Tout fantôme interne renferme une conception affirmative » Taine
« Sainte Thérèse a décrit d’une manière bien précise cet état d’esprit qu’elle devait connaître : ‘Je connais, dit elle, des personnes dont l’esprit est si faible qu’elles s’imaginent voir tout ce qu’elles pensent. Cet état est bien dangereux.’ » (Grande ironia.)
« quand je veux modifier une conviction de Léonie, j’obtiens toujours cette réponse qui, au fond, est pleine de bon sens : ‘Je vois que cela est ainsi, pourquoi voulez-vous que je ne croie pas que cela est? vous croyez bien, vous, ce que vous voyez . . . Vous ne voyez pas la même chose que moi . . . que voulez-vous que j’y fasse ? c’est que vous ne savez pas voir, tant pis pour vous.’ N’est-ce pas ainsi que parlent les croyants dans les religions : ‘Vous ne comprenez pas cela . . . c’est que vous n’avez pas la foi, c’est un sens qui vous manque ; mais moi je sens, je vois… donc je crois.’Et cette conviction pourra devenir l’origine de tous les dévouements et de tous les fanatismes. » « Le plus invraisemblable exemple que j’aie vu de cette crédulité est le suivant: une hystérique entend dire dans sa jeunesse, par un maladroit, que les femmes atteintes de sa maladie mouraient à la ménopause. Vingt ans plus tard, au moment des premières manifestations de l’âge critique, elle se prépare à mourir, étouffe et serait peut-être morte, si nous n’avions fini par découvrir son secret et par lui modifier, non sans peine, sa conviction. »
CRIANCINHAS PREGADORAS: « ‘On ne me guérira pas; ce n’est pas une maladie que j’ai, je suis ensorcelée par ce vieux sorcier que j’ai fâché contre moi ; il n’y a rien à faire.’ Je lui fis avouer cette singulière histoire; je parvins avec bien des difficultés à lui enlever cette conviction vraiment délirante, et je n’eus plus de peine à supprimer la paraplégie. Mais laissons de côté ces cas extrêmes où la crédulité a des conséquences dramatiques ; constatons d’une manière générale que les hystériques éveillées ou endormies, peu importe, sont comme les petits enfants, qu’elles n’ont point besoin de pratiques hypnotiques pour être convaincues et qu’elles croient tout ce qui frappe leur esprit. »
« aussitôt une idée conçue, il faut l’exécuter, et le mouvement est accompli comme par une décharge convulsive. » « Des exemples nombreux sont inutiles ; il faudrait citer toute la vie et toutes les actions, car on retrouve toujours ce même caractère de précipitation irraisonnée. » « L’insouciance des femmes hystériques est invraisemblable et elle se retrouve dans la conduite de tous les êtres faibles ou dégradés. »
« Un malheureux imagina de se jeter sous les roues d’une locomotive ; l’instantanéité de ce nouveau genre de suicide a aussitôt donné l’éveil à ceux qui aspirent à déserter la vie, et les imitateurs sont venus maculer de leur sang les roues de la lourde machine. » Legrand du Saulle
« et, pendant toute une période, les assassinats seront du même genre et les cadavres seront mutilés de la même manière. »
« Les maladies nerveuses acquises par imitation, le somnambulisme naturel produit par la lecture de l’histoire du somnambule Caselli, les épidémies démonopathiques, le mal des Andous en Belgique,¹ les possessions du monastère de Kérndrep, de Loudun, de Morzine, sont des faits trop connus pour que j’y insiste. »
¹ Descrito por Esquirol.
« Trois hystériques étaient dans la même salle de l’hôpital et, comme cela arrive souvent, ne s’aimaient guère et affectaient des manières toutes différentes, pendant leur état normal ; mais, quand elles étaient en crise, elles se copiaient si bien qu’elles avaient le même délire et prononçaient exactement les mêmes paroles. »
« L’ivresse du haschich ressemble d’ailleurs, dit M. Richet,à l’état hystérique et on y trouve la même exaggération du sentiment et la même impuissance de la volonté. Toutes les idées se traduisent sans que nous puissions les empêcher. »
« Il ne faut pas chercher à consoler une hystérique, comme l’on ferait pour une personne ordinaire, en lui parlant de l’objet de son chagrin et en lui montrant qu’il est futile. Non, si on parle de l’objet qui a causé leur colère ou leur désespoir, de quelque manière qu’on en parle, on augmente leurs cris et leurs larmes. Il faut tout simplement, sans aucun art des transitions, parler brusquement de tout autre chose : elles restent un moment interloquées, hésitantes; puis, en quelques secondes, se donnent tout entières au nouveau sujet et rient avec gaieté quand elles ont encore les larmes dans les yeux. » « Dès que sa figure s’attristait et qu’elle commençait à crier : ‘Oh! ma pauvre petite’, de suite, je lui parlais brusquement d’autre chose, elle se mettait à rire et c’était fini. »
« elle ne crie pas parce qu’elle souffre réellement, ici je crois qu’elle ne sentait rien, mais parce qu’elle doit souffrir. Une idée plus ou moins vague de la souffrance, peut-être avec une image hallucinatoire très faible d’une douleur ancienne, voilà tout ce qu’il y avait au-dessous de ces grands cris et de ce désespoir. »
« Un psychologue américain dont le nom est bien connu, M. William James, a soutenu une théorie très séduisante sur l’origine des émotions (What is an emotion). D’après lui, c’est un tort de dire avec le sens commun : Nous perdons notre fortune > nous sommes chagrins > nous pleurons. ‘Cet ordre n’est pas correct, le second état mental n’est pas immédiatement introduit par le premier, les manifestations physiques doivent être interposées entre eux. L’ordre rationnel est que nous nous sentons chagrins parce que nous pleurons, colères parce que nous frappons, etc.’ »
SÍNTESE PERFEITA DO AUTOMATISMO PSICOLÓGICO: « L’auteur en concluait qu’un individu totalement insensible ne devrait pas avoir conscience de ces changements organiques et par conséquent ne plus éprouver d’émotions, et il m’écrivit à ce sujet quand, dans mes premières études, j’avais signalé Lucie comme anesthésique totale. Je lui répondis que les hystériques me semblaient assez mal choisies pour vérifier cette théorie, d’abord parce que leur anesthésie n’était pas bien réelle, ensuite parce qu’elles étaient au contraire très émotionnables. Il m’a semblé depuis que ces observations étaient en réalité plus favorables à l’opinion de M. William James, mais d’une autre manière qu’il ne le croyait lui-même. L’émotion n’est pas supprimée chez l’hystérique par son anesthésie ; car, si elle ne sent pas les modifications de sa peau, elle voit ses propres mouvements et entend ses cris; mais elle semble être produite chez elle et entretenue par l’exagération même des manifestations. »
« Oh ! comme je crie bien, pourrait dire Lucie ; je dois être bien en colère, donc je le suis. »
« Sur une quinzaine de personnes que j’ai étudiées et qui, certes, n’étaient pas parfaites, je n’en ai guère rencontré qu’une, chez qui l’habitude du mensonge fût véritablement curieuse. Lorsque ce caractère existe, et, comme je viens de le dire, il se rencontre, il ne faut pas s’indigner, ce qui est ici parfaitement déplacé, il vaut mieux chercher à l’expliquer.
Beaucoup de psychologues, qui raisonnaient plus qu’ils n’observaient, ont soutenu que la véracité, l’habitude d’aimer et de dire la vérité, était une chose naturelle à l’homme qui se retrouvait constamment, lorsque l’esprit humain était observé dans toute sa candeur primitive, chez l’enfant et chez le sauvage. Je ne parlerai pas du sauvage que je ne connais pas, mais je remarquerai queles enfants, à moins d’être de petits prodiges, sont loin de dire toujours scrupuleusement la vérité, qu’ils embellissent leurs récits, et qu’ils savent mentir aussitôt qu’ils savent parler. »
« L’esprit de vérité et l’esprit scientifique sont 2 choses analogues, et celui qui ne comprend pas l’intérêt qu’il y a à savoir ce qui est, ne sent pas l’importance qu’il y a à dire ce qui est. » « Or, l’esprit de l’hystérique est justement, par la perte de plusieurs sens et par le rétrécissement de la conscience, un esprit rudimentaire ; elle ne comprend rien à la science et ne s’imagine pas que l’on puisse s’y intéresser; elle dit ce qui lui vient à l’esprit, sans autre préoccupation. »
« L’idée du bien, l’idée du devoir sont des rapports abstraits, des jugements, de véritables découvertes ; pour les concevoir, il faut réunir dans une même pensée un très grand nombre de termes en apparence étrangers : l’idée de l’acte présent, de ses conséquences futures même lointaines, la pensée des autres hommes, de leur ressemblance avec nous-mêmes, de leurs droits, etc. »
« Ils sont égoïstes, vaniteux, jaloux, car ce sont leurs principaux vices, mais ils ne peuvent pas être autrement; la force de leur esprit est devenue suffisante pour former l’idée de personnalité et diriger la conduite d’après cette idée ; mais elle ne peut s’élever au delà et donner aux actions des motifs plus généraux. La morale est comme la science »
3.7 CONCLUSION
« Parmi les auteurs qui, de nos jours, ont étudié le phénomène de la suggestion, il en est qui, entraînés par la discussion, semblent avoir élargi démesurément le sens de ce mot. Pour eux, toute action, toute pensée humaine, déterminée et régulière, semble être de la suggestion. Sans doute, ils se servaient surtout de cette expression pour faire comprendre que tous ces états réguliers, tous ces actes déterminés, étaient dus avant tout à des causes psychologiques et non à des causes physiques : en cela ils avaient complètement raison, et ils ont contribué à rendre à la conscience l’importance qu’elle doit avoir dans l’explication de la personne humaine. Mais, cela une fois admis, il faut pourtant constater que tous les phénomènes psychologiques ne sont pas identiques et qu’il n’y a aucun avantage à remplacer les anciens mots connus de mémoire, émotion, association des idées, par ce mot nouveau de suggestion, comme si tous ces phénomènes venaient d’être découverts. Pour nous, la suggestion désigne un automatisme d’un genre particulier, celui auquel donnent naissance le langage, et en général les perceptions. »
« Cette synthèse [linguagem + percepção] une fois faite, puisque nous n’avons pas à nous occuper, dans ce travail, de l’activité qui a présidé à sa formation, se conserve; lorsqu’un de ses termes est donné, la perception totale qui est commencée se complète et amène les autres images qui la constituent. Par des lois, sur lesquelles nous n’avons pas à revenir, ces images successives forment des hallucinations, des croyances et des actes. Cela était déjà contenu dans l’automatisme des sensations et dans celui de la mémoire, il est tout naturel que ce même caractère se retrouve dans l’automatisme des perceptions. »
« l’automatisme des perceptions, fondement de la suggestion, est le résultat d’une activité ancienne qui continue à agir de la même façon, mais qu’elle est en opposition avec l’activité actuelle de la pensée. Plus celle-ci se développe, plus elle est capable de faire des combinaisons nouvelles avec les éléments plus nombreux qui sont apportés à la conscience, plus l’automatisme est réduit. »
« Aussi ne pouvons-nous pas pousser plus loin notre étude dans la direction que nous avons suivie jusqu’à présent : en passant des phénomènes conscients les plus simples aux plus complexes, nous avons vu l’automatisme décroître de plus en plus. Il nous faut maintenant passer à un autre point de vue et voir si cette activité régulière et déterminée ne se dissimule pas et n’existe pas sous une autre forme quand elle paraît avoir disparu de la conscience. »
DEUXIÈME PARTIE. AUTOMATISME PARTIEL
1. LES ACTES SUBCONSCIENTS
« La psychologie ne peut pas se constituer si elle reste incomplète et si elle néglige des phénomènes dont la connaissance est nécessaire pour expliquer les problèmes qu’elle pose. » « Ce n’est donc pas une nouvelle recherche que nous entreprenons, c’est une application particulière de nos études précédentes à des circonstances nouvelles. »
1.1 LES CATALEPSIES PARTIELLES
« on entend par acte inconscient une action ayant tous les caractères d’un fait psychologique sauf un, c’est qu’elle est toujours ignorée par la personne même qui l’exécute au moment même où elle l’exécute. » « Nous ne considérons donc pas comme acte inconscient l’action qu’une personne oublie immédiatement après l’avoir faite, mais qu’elle connaissait et décrivait pendant qu’elle l’accomplissait. »
« C’est un cas analogue à ceux que nous avons longuement étudiés en parlant de la catalepsie, nous n’y reviendrons plus maintenant. Tantôt, au contraire, l’individu conserve la conscience claire de tous les autres phénomènes psychologiques, sauf d’un certain acte qu’il exécute sans le savoir. L’individu parle alors avec facilité, mais d’autres choses que de son action; nous pouvons alors vérifier, et il le peut lui-même, qu’il ignore entièrement l’action que ses mains accomplissent. C’est cette forme d’inconscience particulière qu’il nous semble maintenant très important de bien comprendre. »
« On connaît la doctrine des petites perceptions ou perceptions sourdes de Lebniz. »
« J’accorde aux cartésiens que l’âme pense toujours actuellement; mais je n’accorde point qu’elle s’aperçoit de toutes ses pensées, car nos grandes perceptions et nos grands appétits dont nous nous apercevons sont composés d’une infinité de petites perceptions et de petites inclinations dont on ne saurait s’apercevoir. Et c’est dans ces perceptions insensibles que se trouve la raison de ce qui se passe en nous, comme la raison de ce qui se passe dans les corps sensibles consiste dans les mouvements insensibles. »
« Ainsi, il est bon de faire distinction entre la perception qui est l’état intérieur de la monade représentant les choses externes[imediata, ‘irracional’] et l’aperception qui est la concience ou la connaissance réfléchie de cet état intérieur, [mediata] laquelle n’est point donnée à toutes les âmes ni toujours à la même âme. »
Principes de la natur et de la grâce
« En écartant ce qu’il y a d’absolu dans le système de Leibniz, on conçoit que les affections propres aux monades composantes ou éléments sensibles peuvent avoir lieu sans être représentées ou aperçues par la monade centrale qui fait le moi, ou le principe d’unité. »
Maine de Biran, sempre ele!
« Tous ces philosophes n’ont parlé des phénomènes inconscients que d’une manière théorique; ils ont montré que, d’après leurs systèmes, de pareils faits étaient possibles ; tout au plus ont-ils essayé d’interpréter dans ce sens quelques faits d’observation journalière. »
« Il arrive souvent que la bouche des orateurs prononce une suite de paroles indépendantes de leur volonté, en sorte qu’ils s’écoutent eux-mêmes comme les assistants et qu’ils n’ont connaissance de ce qu’ils disent qu’à mesure qu’ils le prononcent. »
Carré de Montgeron¹ apud Bérillon
¹ Jurista sem bibliografia conhecida
« Il faut le reconnaître, ce sont les adeptes d’une des plus curieuses superstitions de notre époque, les spirites, qui, en faisant tourner les tables vers 1850 et en interrogeant les esprits, ont le plus attiré l’attention sur les phénomènes inconscients. Ils les ont observés et même produits dans toutes leurs variétés ; mais la façon dont ils les expliquent est si étrange, leurs descriptions sont tellement altérées par leur enthousiasme religieux que l’on ne peut prendre leurs études sur l’inconscient comme le point de départ d’un travail. Il sera plus naturel de revenir à leurs descriptions quand nous aurons observé assez de choses pour pouvoir les comprendre et quelquefois les expliquer. Mais le problème soulevé par eux fut étudié avec plus de précision dans les travaux de Faraday et de Chevreul,(*) 1854, qui, les premiers, montrèrent l’intervention de véritables phénomènes psychologiques inconcients.
(*) Chevreul. Lettre à M. Ampère sur une classe particulière de mouvetnents musculaires. Revue des Deux-Mondes, 1833. De la baguette divinatoire, du pendule dit explorateur et des tables tournantes, au point de vue de l’histoire, de la critique et de la méthode expérimentale. 1854. »
« Les actes inconscients les plus simples de tous ont été désignés par Lasègue,(*) qui les signala le premier, sous le nom de catalepsies partielles, expression fort juste et que nous conserverons.
(*) Études médicales, II. »
« des somnambules gardent leur bras étendu sans paraitre s’en apercevoir (Liébault) »
« On voit donc que tous les phénomènes de la catalepsie peuvent exister partiellement, tandis que la conscience ordinaire du sujet semble, d’autre part, rester intacte. »
« Les mots conscience et inconscience sont pris tantôt dans un sens relatif et tantôt dans un sens absolu. On dira, par exemple, qu’un phénomène est inconscient pour exprimer l’idée que le moi n’en a pas conscience, mais sans affirmer par là que le phénomène n’est pas conscient en lui-même et pour son propre compte. La physiologie tend à établir qu’il s’accomplit ainsi, dans l’organisme humain, un nombre immense de faits de conscience qui sont, pour le moi, comme s’ils appartenaient à d’autres personnes et, même avec ce désavantage en plus, qu’ils ne se trouvent pas en rapport avec des facultés d’expression. »
Dumont,¹ Sensibilité
¹ Há um médico francês do XIX, Édouard Denis-Dumont, mas ele não escreveu essa obra. Este outro permanece ignoto.
« Les catalepsies partielles nous montrent le premier germe des consciences partielles que nous verrons grandir et se préciser dans nos autres études. »
1.2 LA DISTRACTION ET LES ACTES SUBCONSCIENTS
« nous sommes plutôt, comme nous le verrons, en présence d’un somnambulisme partiel, où les actes sont déterminés par des perceptions intelligentes. Le sujet ne répète pas les paroles, il les interprète et les exécute » « Ce genre d’écriture est connu sous le nom d’écriture automatique, expression assez juste si l’on veut dire qu’elle est le résultat du développement régulier de certains phénomènes psychologiques, mais par laquelle il ne faut pas entendre, je crois, que cette écriture n’est accompagnée d’aucune espèce de conscience. »
1.3 LES SUGGESTIONS POSTHYPNOTIQUES. HISTORIQUE ET DESCRIPTION.
« Puisque, dès cette époque (1823), la suggestion posthypnotique était ainsi connue et utilisée, il n’est pas surprenant que tous les écrivains postérieurs nous donnent des exemples très nets et très curieux de ce phénomène. »
« Cependant, tel était, à cette époque, le mépris puéril que l’on affectait pour le magnétisme animal que toutes ces descriptions psychologiques furent complètement oubliées et l’on crut véritablement à une découverte toute récente quand M. Richet publia en 1875 ses observations sur quelques suggestions exécutées après le réveil. On eut de la peine à croire qu’une femme, ayant oublié tout ce qu’on lui avait dit pendant le somnambulisme, pût cependant revenir au bout de 8 jours à l’heure dite sans savoir pourquoi. Mais, en 1823, Bertrand considérait déjà cette expérience comme banale. »
1.4 EXÉCUTION DES SUGGESTIONS PENDANT UN NOUVEL ÉTAT SOMNAMBULIQUE
« Son oeil droit (elle était alors complètement aveugle de l’oeil gauche) a, pendant la veille une acuité visuelle très faible, 1/8 du tableau de Wecker ; pendant le somnambulisme, si on lui fait ouvrir les yeux, l’acuité visuelle de l’oeil droit monte toujours sans aucune suggestion à ¼ ou 1/3. »
1.5 EXÉCUTION SUBCONSCIENTE DES SUGGESTIONS POSTHYPNOTIQUES
« J’admets que ces souvenirs ignorés, comme les appelle M. Richet, puissent se réveiller à une époque quelconque, suivant telle ou telle circonstance. Je comprendrais encore le retour même à une époque fixe de ces images et de ces actes qui en sont la suite, si l’opérateur les associait à l’apparition d’une sensation vive ; par exemple, ‘le jour où vous verrez M. un tel, vous l’embrasserez’, la vue de M. un tel devant servir de stimulant au réveil de l’idée. Mais ce que je ne comprends absolument pas, c’est le réveil à jour fixe sans aucun point de rattache que la numération du temps, par exemple, dans 13 jours. Treize jours ne représentent pas une sensation ; c’est une abstraction. Pour rendre compte de ces faits, il faut supposer une faculté inconsciente de mesurer le temps ; or, c’est là une faculté inconnue. »
Paul Janet
« l’intelligence peut travailler en dehors du moi et, puisqu’elle travaille, elle peut mesurer le temps ; c’est une opération évidemment plus simple que de trouver un nom, de faire des vers, de résoudre un problème de géométrie, toutes choses qu’elle peut accomplir sans que le moi y participe. »
Richet
« Nous avons ici, non pas une association, c’est-à-dire une pure possibilité persistant à l’état latent, mais de véritables phénomènes psychologiques, des remarques, des comptes, en un mot des jugements persistant pendant 13 jours dans la tète d’un individu, sans qu’il en ait conscience : un jugement inconscient est tout autre chose qu’une association latente. »
« La somnambule avait aussi dû compter, car je m’appliquais à faire les coups égaux et le 12e ne se distinguait pas des précédents; mais, au lieu de compter des jours, ce qui avait fait croire à une mesure de temps, elle avait compté des bruits. » « Le tout s’exécute presque sans erreur, sauf quand l’opération devient trop compliquée et ne pourrait plus être faite de tête. »
HAJA PAPEL: « L’écriture de ces lettres est intéressante ; elle est analogue à l’écriture normale de Lucie, mais non identique ; c’est une écriture penchée et très lâche ; les mots ont une tendance à s’allonger indéfiniment. M. Ch. Richet, à qui j’ai montré ces fragments d’écriture automatique, m’a appris que ce caractère était fréquent dans les écritures de médiums dont nous parlerons plus tard et que, dans leurs lettres, souvent un mot remplissait toute une ligne. »
« La formation d’une plaque rouge sur la peau en forme d’une étoile, qu’elle ait lieu après le réveil ou pendant le somnambulisme comme précédemment, ne peut également s’expliquer que par une pensée. Il ne suffit pas de dire que cette rougeur est due à l’excitation d’un nerf vaso-moteur, car il n’y a pas de nerf qui se distribue précisément à cet endroit sous forme d’une étoile à 6 branches. C’est une excitation partielle et systématique de plusieurs nerfs que je ne puis comprendre sans l’intervention d’une pensée qui coordonne ces excitations. Pendant le somnambulisme, le sujet exprimait directement cette pensée et nous disait : ‘J’ai tout le temps pensé à votre sinapisme.’ Maintenant qu’il est réveillé aussitôt après la suggestion, il semble n’y plus penser et n’a conscience de rien, mais quelque chose doit y penser en lui de la même manière quoique à son insu. On voit quelquefois cette pensée thérapeutique se manifester par des actes subconscients. »
1.6 CONCLUSION
« or, l’étude des actes est propre à révéler une conscience, mais non à l’expliquer. Il faut, pour comprendre cette nouvelle pensée, étudier les sensations ou les images qu’elle renferme et joindre à l’étude des actes subconscients celle des sensibilités subconscientes. »
2. LES ANESTHÉSIES ET LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES
2.1 LES ANESTHÉSIES SYSTÉMATISÉES – HISTORIQUE
« suggestion d’hallucination négative ou suggestion d’anesthésie systématisée. (…) En effet, grâce à la suggestion, on peut interdire une chose à une somnambule, aussi facilement que l’on peut lui en commander une, et, lorsque l’interdiction porte sur les sensations, elle peut produire une surdité ou une cécité artificielle, comme le commandement positif amenait une hallucination. »
« On profite souvent de l’heure du somnambulisme pour faire prendre au malade un remède pour lequel il a de la répugnance. J’ai vu une dame qui avait de l’horreur pour les sangsues s’en faire appliquer aux pieds pendant le somnambulisme et dire à son magnétiseur : ‘Défendez-moi maintenant de regarder mes pieds, quand je serai éveillée.’ En effet, elle ne s’est jamais doutée qu’on lui eût posé des sangsues. »
Deleuze, Instruction pratique
« On a vivement reproché à M. Bernheim le nom qu’il a choisi pour désigner ce fait. Ce n’est pas là une hallucination, dit-on, mais la suppression de la perception d’un objet déterminé qui laisse intacte la perception d’un autre objet… » « Sans doute, le fait en question se rapproche plutôt des anesthésies que des hallucinations, et il est, comme nous le verrons, de la même nature que les paralysies ; les 2 mots hallucination négative forment aussi une association assez incorrecte ; à moins d’appeler l’anesthésie générale une hallucination négative totale, ce qui n’est pas l’habitude, il semble plus naturel de désigner ce fait par l’expression d’anesthésie systématisée, que MM. Binet et Féré ont adoptée. »
« Si on a suggéré à une somnambule qu’une personne, M. X…, avait disparu, la somnambule ne peut plus le voir à quelque endroit de la chambre qu’il se tienne; mais si on ajoute un objet sur M. X…, un chapeau par exemple, comme il n’est pas compris dans la suggestion, ce chapeau reste visible et paraît alors se tenir en l’air. Au contraire, si M. X… tire un mouchoir de sa poche, ce mouchoir reste invisible comme lui. » « J’ai vu une fois une personne qui voyait l’objet à moitié, comme coupé en deux, quand il était tenu à la fois par la personne invisible et par une personne visible. »
« La personne ou l’objet que l’on a rendu invisible cache réellement les objets qu’il recouvre, mais la somnambule supplée à la vision de ces objets par une hallucination qui les remplace ; c’est d’ailleurs ce que nous faisons journellement pour les objets qui viennent se peindre sur la tache aveugle de la rétine. Cette hallucination peut aller fort loin : j’ai vu une fois un sujet, à qui j’avais suggéré de ne point voir la chambre, la remplacer par l’hallucination d’un autre appartement dont je n’avais pas parlé. »
« L’objet invisible doit être réellement perçu, car il produit quelquefois une image consécutive de couleur complémentaire qui, elle, est visible : fait-on disparaître un papier rouge, la somnambule ne le voit pas, mais, au bout de quelque temps, verra une couleur verdâtre à la même place. Je n’ai pas observé ce phénomène d’une manière assez nette, mais les conditions physiques et morales dont le somnambulisme dépend sont si complexes qu’il ne faut jamais s’étonner de ne pas rencontrer exactement les mêmes phénomènes que d’autres observateurs. »
« Il y a toujours un raisonnement inconscient qui précède, prépare et guide le phénomène d’anesthésie. »
Binet et Féré
« réveillée, la somnambule ne se souvient plus de ce qu’on lui a commandé, elle ne sait pas qu’il y a un objet qu’elle ne doit pas voir, ni quel est cet objet. »
« Il me semble qu’il y a quelque analogie entre cette question et l’un des problèmes que nous avons étudiés dans le chapitre précédent. »
2.2 PERSISTANCE DE LA SENSATION MALGRÉ L’ANESTHÉSIE SYSTÉMATISÉE
« Cet objet qui parait invisible est donc vu. Cela est vraisemblable ; mais nous savons, et nous ne sommes pas le seul à le constater, que le sujet est sincère quand il dit qu’il ne le voit pas. La vision de ces objets doit être du même genre, du même niveau que les actes subconscients dont nous parlions tout à l’heure. »
« Lucie ne voyait aucunement l’objet supprimé ; mais le groupe des phénomènes subconscients, que nous ne savons pas encore désigner autrement, répondait par l’écriture automatique qu’il les voyait parfaitement. »
« Cette répartition intelligente de l’anesthésie de manière à dessiner un cercle ou une étoile ne peut se faire que par une idée consciente. Pour me répondre correctement quand je l’interroge en piquant son bras, il faut que le sujet sache, même sans regarder, quand ma piqûre entre dans le cercle ; il faut donc qu’il la sente. Aussi ne serons-nous pas surpris que l’inconscient nous réponde par écriture automatique qu’il sent très bien ce que nous faisons et qu’il distingue une piqûre, un attouchement, un objet chaud ou froid même sur cette plaque anesthésiée.
Ayant ainsi déterminé l’existence d’une sorte de conscience nouvelle pendant les anesthésies systématisées, j’ai voulu examiner l’étendue de cette conscience, c’est-à-dire le nombre des phénomènes qu’elle pouvait contenir. »
« Ainsi tous les papiers ont été vus, et remis, mais les un l’ont été par Lucie et les autres par un personnage au-dessous d’elle qu’elle paraît ignorer, mais ni l’une ni l’autre ne les a vus tous. »
« J’avais remarqué que le personnage secondaire ne se servait pas des yeux pour écrire et qu’en général il ne voyait pas ; je lui suggère de se servir de ses yeux et de voir clair. C’est ce qui a lieu, mais aussitôt Lucie s’écrie : ‘Qu’y a-t-il donc, je ne vois plus’, et je suis obligé de la rendormir pour dissiper son trouble. »
« J’ai dit à Léonie de me faire un pied de nez ; au réveil, elle lève ses mains et les met au bout de son nez sans le savoir ; c’est un acte inconscient, soit, mais elle ne voit pas ses mains qui sont devant ses yeux. »
« Dans la suggestion d’anesthésie systématisée, la sensation n’est pas supprimée et ne peut pas l’être, elle est simplesment déplacée, elle est enlevée à la conscience normale, mais peut être retrouvée comme faisant partie d’un autre groupe de phénomênes, d’une sorte d’autre conscience. »
2.3 ÉLECTIVITÉ OU ESTHÉSIE SYSTÉMATISÉE
« Les somnambules sont toujours ou presque toujours électives, telle est l’observation qui a été faite sans cesse depuis l’époque de Mesmer et de Puységur. On entend par là que, dans cet état particulier du somnambulisme, les sujets ne ressentent pas toutes les sensations indifféremment, mais qu’ils semblent faire un choix parmi les différentes impressions qui tombent sur leurs sens, pour percevoir celles-ci et non point celles-là. La pluplart des sujets une fois endormis entendent très bien leur magnétiseur et causent avec lui, mais paraissent n’entendre aucune autre personne, aucun autre bruit, pas même celui d’un pistolet que l’on tire auprès d’eux, comme dans les expériences de Dupotet. »
« Un bouquet n’a d’odeur que s’il a reçu le souffle du magnétiseur. »
Baréty
« Ce lien entre le sujet et certaines personnes ou certains objets qui lui permet de les sentir à l’exclusion des autres, a reçu le nom de rapport magnétique »
« Léonie en premier somnambulisme ne présente guère ce caractère, elle entend et voit tout le monde ; elle le présente beaucoup plus fortement en 2e somnambulisme, car alors elle n’entend que moi et encore seulement quand je la touche. (…) Marie et Rose sont en général plus électives que Léonie; dès l’instant oú elles s’endorment, elles semblent perdre la notion du monde extérieur pour ne plus voir, entendre ou sentir que celui qui les a endormies. Marie garde seulement pour les autres personnes un peu de sensibilité tactile, si on peut l’appeler ainsi, car elle éprouve un sentiment de souffrance et de répugnance très marqué quand elle est touchée par une personne étrangère non en rapport avec elle. Rose ne sent jamais rien de semblable. Je ne parle pas ici de Lucie, qui était très peu élective et ne me distinguait des autres personnes que pour m’obéir. »
« Quand j’ai endormi fréquemment une personne, aucun autre observateur ne peut se substituer à moi, et je puis facilement la reprendre en ma possession, même si un autre a commencé le somnambulisme. »
« Dans quelques cas plus complexes, on peut établir ce rapport au moyen de la chaîne magnétique, comme disaient les anciens opérateurs. »
SONAMBULISMO NATURAL: « Qui ne connaît la description si souvent citée du somnambule Castelli, qui n’était éclairé que par sa chandelle à lui et qui se croyait dans l’obscurité, quand elle s’éteignait ? Il n’y a pas d’observation plus curieuse et plus complête, à ce point de vue, que celle de l’automate étudié par le Mesnet. »
« Ces phénomènes d’électivité ne diffèrent des anesthésies systématisées qu’en un point, c’est qu’ils sont ou paraissent être inverses. » « esthésie systematisée » « audition latente » etc. « Ainsi, un jeune homme, H…, qui, dans un somnambulisme, avait paru ne pas entendre 2 personnes qui s’efforçaient de lui parler, put me répéter plus tard, sur ma demande, tout ce qu’elles lui avaient dit, en remarquant que, sur le moment, il ne pouvait pas leur répondre. »
« Lucie, qui avait à un si haut degré l’écriture automatique, ne présentait pas d’électivité naturelle. »
2.4 ANESTHÉSIE COMPLÈTE OU ANESTHÉSIE NATURELLE DES HYSTÉRIQUES
(*) « L’anesthésie hystérique a été si complètament étudiée dans le dernier ouvrage de Pitres : Des anesthésies hystériques (1887), que je ne puis insistir que sur les faits particuliers qui justifient mon interprétation. »
« Il a quelquefois de l’électivité même dans ces anesthésies naturelles, et les malades qui ont en apparence complètement perdu toute sensibilité peuvent cependant reconnaître encore certains objets en particulier. »
« l’anesthésie complète, c’est-à-dire portant sur tous les objets extérieurs, est rarement générale, elle s’étend rarement à tout le corps et même à un organe sensoriel tout entier. L’anesthésie cutanée n’existe pas sur toute la peau, mais sur quelques parties seulement, souvent sur une moitié du corps, et alors le plus souvent sur la moitié gauche, mais parfois aussi sur des plaques irrégulières disséminées sur tous les membres et sur le tronc.L’anesthésie du goût, de l’odorat, même de la vue, est aussi rarement complète … elle s’étend irrégulièrement sur la rétine, tantôt rétrécissant concentriquement le champ visuel, tantôt le coupant par la moitié, tantôt formant des scotomes irréguliers, c’est-à-dire des taches d’insensibilité au milieu d’une rétine restée normale. »
« Voilà quelque chose qui n’est guère anatomique, mais qui rappelle singulièrement les carrés et les cercles que l’on pouvait par suggestion rendre insensibles sur la peau de Léonie. »
« Tous les observateurs qui se sont occupés de cette cécité partielle des hystériques qui semble leur enlever complètement un oeil, ont remarqué avec étonnement un fait bien singulier : les malades prétendent ne voir absolument rien par l’oeil gauche et être plongés dans la nuit la plus complète quand on ferme l’oeil droit ; mais si on leur laisse les 2 yeux ouverts, ils voient, sans s’en douter, aussi bien à gauche qu’à droite. »
« L’amblyopie [catarata negra no dicionário, mas suspeito que seja neste contexto a estrabismo convergente ou exotropia – estrabismo divergente –, pois não é fato orgânico!] hystérique se corrige d’elle-même, parce qu’il est dans sa nature d’exister seulement dans la vision monoculaire. »
Pitres
« Ce qui revient à dire : l’hystérique est aveugle de l’oeil gauche quand elle y fait attention et qu’elle croit ne voir que par cet oeil ; elle n’est plus aveugle du tout, quand elle n’y pense pas et quand elle croit voir tout de l’oeil droit.
La proposition de M. Pitres résumait bien les observations précédantes, mais je crois qu’il faut aller beaucoup plus loin et constater des faits nouveaux et plus graves. Je prétends que l’hystérique amaurotique[amaurose ou gota-serena, mesma coisa que ambliopia causada por atrofia do nervo ótico, ‘catarata histérica’ (a-fisiológica e portanto a-nevrálgica), neste caso em especial]y voit parfaitement de son oeil gauche, même quand l’oeil droit est fermé, que cette amblyopie n’existe même pas dans la vision monoculaire, et qu’en général les anesthésies hystériques mêmes les plus complètes ne suppriment aucune sensation. »
« S’il est un point admis en psychologie, c’est que la mémoire n’est que la conservation des sensations : toute sensation peut, pour différentes raisons, ne pas devenir un souvenir, mais tout souvenir a été une sensation consciente. » « Nous ne pénétrons jamais réellement la conscience d’une personne ; nous ne l’apprécions que d’après les signes extérieurs qu’elle nous en donne. »
2.5 DIFFÉRENTES HYPOTHÈSES RELATIVES AUX PHÉNOMÈNES D’ANESTHÉSIE
« On a usé et abusé de la simulation hystérique pour supprimer des problèmes qu’on ne comprenait pas, et cette hypothèse trop simple n’a ici aucun sens. » « Nous n’étudierons pas davantage les suppositions physiologiques ou anatomiques qui ont été faites, d’abord, parce qu’elles ne sont pas de notre competence, et ensuite, parce qu’elles ne nous semblent être qu’une manière détournée de présenter des hypothèses psychologiques. » « Ce parallèlisme entre les hypothèses anatomiques et psychologiques n’a rien qui doive surprendre, il serait même à souhaiter, pour le progrès des 2 sciences, qu’il fût poussé beaucoup plus loin. »
« l’anesthésie histérique …[na psiquiatria atual]est une lésion de la sensation brute.
Nous ne pouvons pas partager cette opinion. »
« Au point de vue expérimental, les faits sont en complète opposition avec cette théorie et nous montrent constamment que la sensation brute n’a pas été détruite. »
« une personne dont la rétine fatiguée ne distingue plus les rayons rouges, ne sent dans une couleur blanche que les rayons verts et la voit verte. C’est du moins l’explication que l’on donne des images consécutives de couleur complémentaire. Si l’anesthésie modifie les sensations comme la fatigue de la rétine, Lucie qui ne distingue plus le rouge doit donc voir aussi un papier blanc avec la couleur verte. Je lui montre du papier blanc, et elle le trouve absolument blanc, le rouge seul est invisible et sa disparition n’influence en rien les autres couleurs qui sont vues normalement (avec une certaine confusion pour quelques-unes due à une légère achromatopsie qui existait déjà avant l’expérience). »
« Ce n’est donc pas dans l’étude des sensations en elles-mêmes que l’on pourra trouver la raison de ces insensibilités ; il faut la chercher plus haut, dans le mécanisme de la perception élémentaire. »
« Ces phénomènes sont dus à une illusion de l’esprit…, la cécité des hystériques est une cécité psychique. »
Bernheim, De l’amaurose hystérique et de l’amaurose suggestive
« On mesure l’acuité visuelle en faisant lire des lettres petites, on mesure l’acuité du sens tactile en faisant distinguer des sensations tactiles rapprochées, c’est-à-dire presque semblables. »
« Mais Bernheim cherche à expliquer le phénomène dans un langage qui me semble manquer un peu de précision et de clarté : ‘L’image visuelle perçue, l’hystérique la neutralise inconsciemment avec son imagination… La cécité psychique est la cécité par l’imagination ; elle est due à la destruction de l’image par l’agent psychique.’» Seria como a psicanálise explicaria o fenômeno. Nós, querendo ou não, no séc. XXI, estamos informados deste linguajar.
« Je ne comprends pas comment l’hystérique peut neutraliser inconsciemment avec son imagination les perceptions monoculaires et ne pas neutraliser inconsciemment aussi les perceptions binoculaires ou, tout au moins, la partie des perceptions binoculaires qui provient de l’oeil amblyopique. »
Pitres
« Bernheim répondrait sans doute, si je puis me permettre de parler pour lui, que l’hystérique ne neutralise pas les perceptions binoculaires, parce qu’elle ne se figure pas être aveugle des 2 yeux, mais seulement de l’oeil gauche, qu’elle ne neutralise pas non plus une partir de ces perceptions binoculaires, parce qu’elle ne sait pas que ces perceptions viennent de l’oeil gauche, parce qu’elle croit voir tout par l’oeil droit. Faites-lui remarquer, dans les expériences, que tel objet ne peut être vu que par l’oeil gauche, et elle ne le verra plus. »
« En outre, cette image n’a pas eu besoin d’être neutralisée, car elle n’a jamais été dans la conscience du sujet : on ne peut pas dire que Marie commence par voir mon dessin, puis cesse de le voir ; elle n’a pas de pareille négation à faire, car elle n’a jamais vu ce dessin. »
2.6 LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
« Le fait, simple en apparence, qui se traduit par ces mots : ‘Je vois, je sens’, même sans parler des idées d’extériorité, de distance, de localisation, est déjà une perception complexe. »
« Nous pouvons, tout en n’attachant à ces représentations qu’une valeur purement symbolique, nous figurer notre perception consciente comme une opération à 2 temps : 1º existence simultanée d’un certain nombre de sensations conscientes tactiles comme T T’ T’’, musculaires comme M M’ M’’, visuelles comme V V’ V’’, auditives comme A A’ A’’. Ces sensations existent simultanément et isolément les unes des autres, comme une quantité de petites lumières qui s’allumeraient dans tous les coins d’une salle obscure. Ces phénomènes conscients primitifs, antérieurs à la perception peuvent être de différentes espèces, des sensations, des souvenirs, des images, et peuvent avoir différentes origines : les uns peuvent provenir d’une impression actuelle faite sur les sens, les autres être amenés par le jeu automatique de l’association à la suite d’autres phénomènes. »
« 2º Une opération de synthèse active et actuelle par laquelle ces sensations se rattachent les unes aux autres, s’agrègent, se fusionnent, se confondent dans un état unique auquel une sensation principale donne sa nuance, mais qui ne ressemble probablement d’une manière complète à aucun des éléments constituants ; ce phénomène nouveau, c’est la perception P. (…) Cette activité, qui synthétise ainsi à chaque moment de la vie les différents phénomènes psychologiques et qui forme notre perception personnelle, ne doit pas être confondue avec l’association automatique des idées. Celle-ci, comme nous l’avons déjà dit, n’est pas une activitéactuelle, c’est le résultat d’une ancienne activité qui autrefois a synthétisé quelques phénomènes en une émotion ou une perception unique et qui leur a laissé une tendance à se produire de nouveau dans le même ordre. La perception dont nous parlons maintenant, c’est la synthèse au moment où elle se forme, au moment où elle réunit des phénomènes nouveaux en une unité à chaque instant nouvelle.
Nous n’avons pas à expliquer comment ces choses se passent ; nous avons seulement à constanter qu’elles se passent ainsi ou, si l’on préfère, à le supposer et à expliquer que cette hypothèse permet de comprendre les caractères précédants des anesthésies hystériques. »
« Chez un homme théorique, tel qu’il n’en existe probablement pas, toutes les sensations comprises dans la première opération T T’ T’’, etc., seraient réunies dans la perception P, et cet homme pourrait dire : ‘Je sens’, à propos de tous les phénomènes qui se passent en lui. (…) dans l’homme le mieux constituté il doit y avoir une foule de sensations produites par la première opération et qui échappent à la seconde. Je ne parle pas seulement des sensations qui échappent à l’attention volontaire et qui ne sont pas comprises ‘dans le point de regard’ le plus net ; je parle de sensations qui ne sont absolument pas rattachées à la personnalité et dont le moi ne reconnaît pas avoir conscience, car, en effet, il ne les contient pas. (…) La puissance de synthèse ne peut plus s’exercer, à chaque moment de la vie, que sur un nombre de phénomènes déterminé, sur 5 par exemple et non sur 12. Des 12 sensations supposées T T’ T’’ M M’ M’’ V V’ V’’ A A’ A’’, etc., le moi n’aura la perception que de 5, de T T’ M V A, par exemple. À propos de ces 5 sensations, il dira : ‘Je les ai senties, j’en ai eu conscience’ »
« Or, nous avons étudié avec soin un état particulier des hystériques et des névropathes en général que nous avons appelé le rétrécissement du champ de la conscience. Le caractère est précisément produit, dans notre hypothèse, par cette faiblesse de synthèse psychique poussée plus lois qu’à l’ordinaire, qui ne leur permet pas de réunir dans une même perception personnelle un grand nombre des phénomènes sensitifs qui se passent réellement en eux. »
P = perception personnelle
~P (não-P) – não-percepção, e não percepção impessoal!
« Quand les choses se passent ainsi, il y a bien à chaque moment des phénomènes ignorés et qui restent non perçus, comme M’ au premier moment, ou V au second ; mais, d’une part, ces phénomènes ignorés ne sont pas perpetuellement inconscients, ils ne le sont que momentanément, et, de l’autre, ces phénomènes, qui sont inconscients n’appartiennent pas toujours au même sens ; ils sont tantôt des sensations musculaires, tantôt des sensations visuelles. »
« rétrécissement du champ de la conscience par distraction, (I) par électivité ou esthésie systématisée, en un mot, dans toutes les anesthésies à limites variables. (II) »
« les hystériques sans anesthésies sont fort rares »
« L’electivité n’est ici qu’apparente, elle est due au développement automatique de telle ou telle sensation qui se répète plus fréquemment, qui s’associe plus facilement avec telle ou telle autre. »
« Mais les choses peuvent se passer d’une tout autre manière. Le faible pouvoir de synthèse peut s’exercer souvent dans un même sens, réunir dans la perception des sensations toujours d’une même espèce et perdre l’habitude de réunir les autres. Le sujet se sert plus des images visuelles et ne s’adresse que rarement aux images du toucher ; si sa puissance de synthèse diminue, s’il ne peut plus réunir que 3 images, il va renonce totalement à percevoir les sensations de telle ou telle espèce. Au début, il les perd momentanément, et il peut à la rigueur les retrouver ; mais bientôt les perceptions qui lui permettaient de connaître ces images ne se faisant pas, il ne peut plus, même s’il l’essaye, rattacher à la synthèse de la personnalité des sensations qu’il a laissé s’échapper. Il renonce ainsi, sans s’en rendre compte, tantôt aux sensations qui viennent d’une partie de la surface cutanée, tantôt aux sensations de tout un côté du corps, tantôt aux sensations d’un oeil ou d’une oreille. »
Potencial razão para eu mesmo ou para um míope de grau alto (sempre?) ter muito mais dificuldade em fixar e associar rostos a pessoas que qualquer outro dado abstrato ou a voz, por exemplo. Poderia dizer que o fato de eu digitar sem olhar o teclado mesmo de olhos fechados sem muitos erros de ortografia e que, no entanto, quando apago a luz começo a errar mais tem também a ver com o que Janet expôs? Afinal não parece ser um fenômeno visual, mas sensação exclusivamente motora. Mas o que muda com o “corte” da visão periférica, tatilmente? Pior ainda: coloque alguém atrás de mim, que eu saiba que está ali, de pé, e os erros se multiplicarão!
« Les hystériques perdent plus volontiers la sensibilité tactile, parce que c’est la moins importante, non pas psychologiquement, mais practiquement. »
Un seul oeil pour regarder le soleil.
« Si je suis à la droite de Marie et si je lui parle, les personnes qui s’approchent à gauche ne sont pas vues, quoiqu’elle ait les 2 yeux ouverts ; si je passe à sa gauche, en attirant son attention, elle continue à me voir de l’oeil gauche. L’anesthésie semblait avoir ici une limite fixe, mais, comme il n’y a entre ces diverses sortes d’anesthésie aucune séparation absolue, elle se comporte dans bien des cas comme une anesthésie systématisée à limite variable. C’est l’importance de la perception dominante qui fait changer la sensation et qui amène au jour, suivant les besoins, telle ou telle image, puisque aucune n’était réellement disparue. » « Les anesthésies complètes qui embrassent tout un organe ne différent donc des anesthésies systématisées que par le degré. »
« il y a 2 manières différentes de connaître un phénomène : la sensation impersonelle et la perception personnelle, la seule que le sujet puisse indiquer par son langage conscient. »
« l’anesthésie systématisée (ou même générale) est une lésion, un affaiblissement – non de la sensation, mais – de la faculté de synthétiser les sensation en perception personnelle, qui amène une véritable désagrégation des phénomènes psychologiques. »
2.7 LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES
P’ é a segunda personalidade dos pacientes de Janet.
“secondary self”, “normal self”
O artifício da escritura automática:
Janet: “M’entendez-vous?”
Lucie-2 : « Non. »
Janet : « Mais pour répondre il faut entendre. »
Lucie-2 : « Oui, absolument. »
Janet : « Alors, comment faites-vous ? »
Lucie-2 : « Je ne sais. »
Janet : « Il faut bien qu’il y ait quelqu’un qui m’entende ? »
Lucie-2 : « Oui. »
Janet : « Qui cela ? »
Lucie-2 : « Autre que Lucie. »
Janet : « Ah bien ! une autre personne. Voulez-vous que nous luis donnions un nom ? »
Lucie-2 : « Non. »
Janet : « Si, ce sera plus commode. »
Lucie-2 : « Eh bien, Adrienne.(*) »
Janet : « Alors, Adrienne, m’entendez-vous ? »
Adrienne : « Oui. »
(*) « Il y eut une petite difficulté à propos du nom de ce personnage, il changea 2 fois de nom. Je n’insiste pas sur ce détail insignifiant dont j’ai parlé ailleurs. Revue philosophique, 1886, II, 589. »
« Sans doute c’est moi qui ai suggéré le nom de ce personnage et lui ai donné ainsi une sorte d’individualité, mais on a vu combien il s’était développé spontanément. (…) d’ailleurs l’écriture automatique prend presque toujours un nom de ce genre, sans que l’on ait rien suggeré, comme je l’ai constaté dans des lettres automatiques écrites spontanément par Léonie.
Une fois baptisé, le personnage inconscient est plus déterminé et plus net, il montre mieux ses caractères psychologiques. Il nous fait voir qu’il a surtout connaissance de ces sensations négligées par le personnage primaire ou normal ; c’est lui qui me dit que je pince le bras, ou que je touche le petit doigt, tandis que Lucie a depuis bien longtemps perdu toute sensation tactile (…) Il use de ces sensations qu’on lui a abandonnées pour produire ses mouvements. »
« Lucie ne peut écrire que par des images visuelles, elle se baisse et suit sans cesse des yeux sa plume et son papier ; Adrienne, qui est la seconde personnalité simultanée, écrit sans regarder le papier, c’est qu’elle se sert des images kinesthésiques de l’écriture. »
« Adrienne, qui m’obéit fort bien et qui cause volontiers avec moi, ne se donne pas la peine de répondre à tout le monde. Qu’une autre personne examine en mon absence ce même sujet, comme cela est arrivé, elle ne constatera ni catalepsie partielle, ni actes subconscients par distraction, ni écriture automatique, et viendra me dire que Lucie est une personne normale très distraite et très anesthésique. »
« Si ces phénomènes sont très isolés, ils sont provoqués par tout expérimentateur, mais s’ils sont groupés en personnalité (ce qui arrive très fréquemment chez les hystériques fortement malades), ils manifestent des préférences et n’obéissent pas à tout le monde. (…) Il faut se souvenir de ce caractère d’électivité qui appartient au personnage subconscient et qui nous servira plus tard à mieux préciser sa nature. »
« J’ai eu des querelles bien amusantes avec ce personnage d’Adrienne si docile au début et qui, en grandissant, le devenait de moins en moins. Il me répondait souvent d’une manière impertinente et écrivait : ‘Non, non’, au lieu de faire ce que je lui commandais. » « Je fus forcé alors de causer avec le personnage normal, avec Lucie, qui, tout à fait ignorante du drame qui se passait au dedans d’elle-même, était de très bonne humeur. »
« Mon cher bon monsieur, je viens vous dire que Léonie tout vrai, tout vrai, me fait souffrir beaucoup, elle ne peut pas dormir, elle me fait bien du mal ; je vais la démolir, elle m’embête, je suis malade aussi et bien fatiguée. C’est la part de votre bien dévouée Léontine. »
« Léonie avait conservé un souvenir très exact de la première lettre ; elle pouvait m’en dire encore le contenu ; elle se souvenait de l’avoir cachetée dans l’enveloppe et même des détais de l’adresse qu’elle avait écrite avec peine ; mais elle n’avait pas le moindre souvenir de la seconde lettre[transcrita acima]. Je m’expliquais d’ailleurs cet oubli : ni la familiarité de la lettre, ni la liberté du style, ni les expressions employées, ni surtout la signature n’appartenaient à Léonie dans son état de veille. Tout cela appartenait au contraire au personnage inconscient qui s’était déjà manifesté à moi par bien d’autres actes. Je crus d’abord qu’il y avait eu une attaque de somnambulisme spontané entre le moment où elle terminait la première lettre et l’instant où elle cachetait l’enveloppe. Le personnage secondaire du somnambulisme qui savait l’intérêt que je prenais à Léonie et la façon dont je la guérissais souvent de ses accidents nerveux, aurait apparu un instant pour m’appeler à son aide ; le fait était déjà fort étrange. Mais depuis, ces lettres subconscientes et spontanées se sont multipliées et j’ai pu mieux étudier leur production. Fort heureusement, j’ai pu surprendre Léonie, une fois, au moment où elle accomplissait cette singulière opération. Elle était près d’une table et tenait encore le tricot auquel elle venait de travailler. Le visage était fort calme, les yeux regardaient en l’air avec un peu de fixité, mais elle ne semblait pas en attaque cataleptique ; elle chantait à demi-voix une ronde campagnarde, la main droite écrivait vivement et comme à la dérobée. Je commençai par lui enlever son papier à son insu et je lui parlai ; elle se retourne aussitôt bien éveillée, mais un peu surprise, car, dans son état de distraction, elle ne m’avait pas entendu entrer. » « Cette forme de phénomènes subconscients n’est pas aussi facile à étudier que les autres ; étant spontanée, elle ne peut être soumise à une experimentation régulière. »
« une lettre contenait le récit de l’enfance même de Léonie ; il montre du bon sens dans des remarques ordinairement justes. (…) La personne subconsciente s’aperçut un jour que la personne consciente, Léonie, déchirait les papiers qu’elle avait écrits quand elle les laissait à sa portée à la fin de la distraction. Que faire pour les conserver ? Profitant d’une distraction plus longue de Léonie, elle recommença sa lettre, puis elle alla la porter dans un album de photographies. Cet album, en effet, contenait autrefois une photographie de M. Gibert qui, par association d’idées, avait la propriété de mettre Léonie en catalepsie. Je prenais la précaution de faire retirer ce portrait quand Léonie était dans la maison ; mais l’album n’en conservait pas moins sur elle une sorte d’influence terrifiante. Le personnage secondaire était donc sûr que ses lettres mises dans l’album ne seraient pas touchées par Léonie. (…) Léonie distraite chantait ou rêvait à quelques pensées vagues, pendant que ses membres, obéissant à une volonté en quelque sorte étrangère, prenaient ainsi des précautions contre elle-même. »
« Nous avons insité sur ces développements d’une nouvelle existence psychologique, non plus alternante avec l’existence normale do sujet, mais absolument simultanée. La connaissance de ce fait est en effet indispensable pour comprendre la conduite des névropathes et celle des aliénés. » « Cette notion, importante, croyons-nous, dans l’étude de la psychologie pathologique, ne manque pas non plus d’une certaine gravité au point de vue philosophique. (…) Il faudra reculer plus encore la nature véritable de la personne métaphysique et considérer l’idée même de l’unité personnelle comme une apparence qui peut subir des modifications. Les systèmes philosophiques réussiront certainement à a’accommoder de ces faits nouveaux, car ils cherchent à expliquer la réalité des choses, et une expression de la vérité ne peut pas être en opposition avec une autre. » Nesses mesmos anos, a poucos km, na Alemanha, um célebre filósofo dizia “o ‘eu’ não existe, é um preconceito, o maior preconceito do homem, com efeito.”. Ao mesmo tempo, toda essa necessidade da compreensão global do sujeito como unidade informaria o existencialismo, a fenomenologia e a própria Gestalt como escola psicológica no século que se abria…
« dédoublement »
2.8 LES EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SIMULTANÉES COMPARÉES AUX EXISTENCES PSYCHOLOGIQUES SUCCESSIVES
« On avait eu le tort de parler de spiritisme devant Léonie pendant qu’elle était en somnambulisme. (…) la seconde personne pensait toujours aux esprits. »
« – Qu’avez-vous donc aujourd’hui ?
– Je ne vous entends pas, je suis trop loin.
– Et où êtes-vous ?
– Je suis à Alger sur une grande place, il faut me faire revenir.
(…) on connait ces voyages des comnambules par hallucination. (…)
– M’expliquerez-vous maintenant ce que vous faisiez à Alger ?
– Ce n’est pas ma faute ; c’est M. X… qui m’y a envoyée il y a 1 mois ; il a oublié de me faire revenir, il m’y a laissée… Tout à l’heure vous vouliez me commander, me faire lever le bras (c’était la suggestion que j’avais essayé de faire pendant la veille), j’étais trop loin, je ne pouvais pas obéir.
Vérification faite, cette singulière histoire était vraie : une autre personne avait endormi ce sujet dans l’intervalle de mes 2 études, avait provoqué différentes hallucinations, entre autres celle d’un voyage à Alger ; n’attachant pas assez d’importance à ces phénomènes, elle avait réveillé le sujet sans enlever l’hallucination. N., la personne éveillée, était restée en apparence normale ; mais le personnage subconscient qui était en elle conservait plus ou moins latente l’hallucination d’être à Alger. Et quand, sans somnambulisme préalable, je voulus lui faire des commandements, il entendit mais ne crut pas devoir obéir. »
« Léonie reste bien éveillée près de moi tant que je ne provoque pas de phénomènes de ce genre [muitas perguntas e exercícios de escrita automática] ; mais quand ceux-ci deviennent trop nombreux et trop compliqués, elle s’endort. Cette remarque assez importante nous explique un détail que nous avions noté, sans le comprendre, dans l’exécution des suggestions posthypnotiques. Tant qu’elles sont simples, Léonie les exécute à son insu, en parlant d’autre chose ; quand elles sont longues et compliquées, le sujet parle de moins en moins en les exécutant, finit par s’endormir et les exécute rapidement en plein somnambulisme. La suggestion posthypnotique s’exécute quelquefois dans un second somnambulisme, non pas que l’on ait suggéré au sujet de se rendormir, mais parce que le souvenir de cette suggestion et l’exécution elle-même forment une vie subconsciente si analogue au somnambulisme que, dans quelques cas, elle le produit complètement. »
« l’analogie entre les états que nous voulons comparer va se montrer encore d’une autre manière. Tous les auteurs ont remarqué que le sujet exécute au réveil les suggestions posthypnotiques sans savoir qui les lui a données, mais que, dans un nouveau somnambulisme, il retrouve ce souvenir.(Gilles de la Tourette) »
« Lucie ne retrouve dans ce premier somnambulisme [Lucie 2 ou Adrienne, porém com Lucie 1 totalmente inativa, isto é, dormindo, o que faculta a Lucie 2, por fim, se comunicar oralmente ; ao passo que se pode, com Lucie 1 acordada, pedir que Lucie 2 responda por escrito – quer dizer que a memória da Lucie 2 que se comunica por escrito é mais abrangente que a da Lucie 2 que aparece exclusivamente por sonambulismo em vez de por distração da nº 1¹] aucun souvenir de ses actes subconscients, Léonie, Rose ou Marie ne retrouvent dans ce même état que le souvenir d’un certain nombre d’actes de ce genre. »
¹ Quereria isso dizer que existe uma Lucie 2’ (P’’), ou uma “Lucie 1.5”?
« Quand les choses se présentent ainsi, il faut endormir davantage le sujet, car la persistance des actes subconscients ainsi que des anesthésies indique qu’il y a des somnambulismes plus profonds. » O sujeito não tem energia para se manter em “dois estados perceptivos” ao mesmo tempo, e elege sempre, se assim é sua inclinação, o inconsciente ou a consciência mais remota. Dessa forma Lucie, p.ex., não precisa dividir sua ‘atenção total’ (consciência + inconsciência acessível por Janet) entre 2 ordens diferentes de fenômenos; pode produzir muito mais escrita automática em sonambulismo.
« Léonie 3 est la premiére à se souvenir de certains actes et se les attribue. » « Lucie qui n’avait, dans le premier somnambulisme, [Lucie 1.5] absolument aucun souvenir des actes subconscients, ni du personnage d’Adrienne [Lucie 2 propriamente dita; é como se Lucie tivesse uma cisão dentro da cisão, 2a e 2b e não apenas uma Lucie 2; daí eu chamar Adrienne de Lucie 2 p.d. e a Lucie 2 sonambúlica de Lucie 1.5; me parece que Lucie 3 refaz a síntese, sabendo tudo de Lucie 1, de ambas as “Lucie 2” e também de si própria, claro], reprend ces souvenirs de la façon la plus complète dans son 2e somnambulisme. Il ne faut donc pas nier le rapport entre les existences successives et les existences simultanées, parce que le sujet ne retrouve pas, tout de suite, dans son 1er somnambulisme, le souvenir de certains actes subconscients »
« Quelquefois ces systèmes psychologiques subconscients, [paralelos ou alternados] formés à part de la perception personnelle, sont en petit nombre, 2 chez Lucie ou Léonie, 1 seul chez Marie, 3 ou 4 chez Rose ; quelquerfois ils sont, je crois, très nombreux. »
ESQUEMATIZANDO A COMPLEXIDADE DA SITUAÇÃO: « La vie consciente de Lucie semble se composer de 3 courants parallèles les uns sous les autres. Quand le sujet est réveillé, les 3 courants existent : le premier est la conscience normale du sujet qui nous parle, les 2 autres sont des groupes de sensations et d’actes plus ou moins associés entre eux, mais absolument ignorés par la personne qui nous parle. Quand le sujet est endormi en premier somnambulisme, le premier courant est interrompu et le second affleure, il se montre au grand jour et nous fait voir les souvenirs qu’il a acquis dans sa vie souterraine. Si nous passons au 2e somnambulisme, le second courant est interrompu à son tour, pour laisser subsister seul le troisième qui forme alors toute la vie consciente de l’individu, [felizmente minha explicação acima estava correta!] dans laquelle on ne voit plus ni anesthésies ni actes subconscients. Au réveil les courants supérieurs reparaissent en ordre inverse. »
2.9 IMPORTANCE RELATIVE DES DIVERSES EXISTENCES SIMULTANÉES
« que la vie subconsciente ressemble à la vie somnambulique, cela est évident ; qu’elle soit absolument identique au somnambulisme et puisse lui être assimilée, c’est ce qu’on ne peut admettre. Léonie 2, le personnage somnambulique, bavard, pétulant, enfantin, ne peut pas exister complet et tel quel au-dessous de Léonie 1, cette femme âgée, calme et silencieuse. Ce mélange amènerait un délire perpétuel. En outre, le personnage somnambulique qui a les sensibilités absentes viendrait toujours compléter le personnage normal et ne lui laisserait aucune paralysie visible. Voici à ce propos un détail que mon frère m’a raconté. Une hystérique ayant les jambes anesthésiques, Witt…, appuie ses pieds sur une boule d’eau chaude et, ne sentant rien, ne s’aperçoit pas que l’eau est trop chaude et lui brûle les pieds. Ce sujet renfermait cependant une 2e personnalité qui se manifestait parfaitement par des signes subconscients ou dans un somnambulisme profond et qui avait alors la sensibilité tactile. Quando on l’interrogea, ce 2e personnage prétendit avoir très bien senti la douleur aux pieds. ‘Eh bien, alors, pourquoi n’as-tu pas retiré les jambes ? – Je ne sais pas.’ Il est évident que le 2e personnage qui posséde la sensibilité tactile des jambes ne devait pas exister pendant la veille de la même manière qu’il existe maintenant en somnambulisme profond. En un mot, la 2e personnalité n’existe pas toujours de la même manière et les rapports ou les proportions entre les différentes existences psychologiques doivent être fort variables. » Como o caso de Lucie 2 e Lucie 1.5. Memória de que o pé doía, memória sutil de um passado em que a inação diante da dor era a única possibilidade.
« L’état de santé psychologique parfaite. La puissance de synthèse étant assez grande, tous le phénomènes psychologiques, quelle que soit leur origine, sont réunis dans une même perception personnelle, et par conséquent la 2e personnalité n’existe pas. Dans un pareil état, [théorique] il n’y aurait aucune distraction, aucune anesthésie, ni systématique ni générale, aucune suggestibilité et aucune possibilité de produire le somnambulisme, puisqu’on ne peut développer des phénomènes subconscients qui n’existent pas. Les hommes les plus normaux sont loin d’être toujours dans un pareil état de santé morale, et, quant à nos sujets, ils y parviennent bien rarement. »
« l’état de désagrégation » X « l’état hystérique »
« les phénomènes désagrégés restent encore incohérents, tellement isolés que, sauf pour quelques-uns qui amènent encore des réflexes très simples, ils n’ont, pour la pluplart, aucune action sur la conduite de l’individu, ils sont comme s’ils n’existaient pas. »
Normalmente a 2ª personalidade é « l’état dans lequel les spirites sont si heureux de voir leurs médiums, afin d’évoquer les esprits par l’intermédiaire des phénomènes désagrégés. ». =« somnovigil ; veille somnambulique » (Beaunis) – semi-hipnotismo? Voilà, c’est l’« hémi-somnambulisme », nome de Richet.
« somnambulisme véritable »
gráfico-resumo
« Il est facile d’observer un très grand nombre de variétés et de complications dans lesquelles les 2 personnages peuvent plus ou moins se connaître mutuellement et réagir l’un sur l’autre. Nous évitons d’entrer maintenant dans l’étude de ces complications. »
« Si nos sujets, après le réveil, ne conservent pas le souvenir de leur somnambulisme, c’est qu’ils ne reviennent pas à la santé parfaite et qu’ils gardent toujours des anesthésies et des distractions plus ou moins visible ; s’ils guérissaient radicalement, s’ils élargissaient leur champ de conscience jusqu’à embrasser définitivement, dans leur perception personnelle, toutes les images, ils devraient retrouver tous les souvenir qui en dépendent et se rappeller complètement même de leurs périodes de crise ou de somnambulisme. Je dois dire que je n’ai jamais constaté ce retour de la mémoire et que cette remarque est fondée sur l’examen d’une figure schématique et sur le raisonnement plus que sur l’expérience. » « jamais je n’ai vu ces personnes hystériques retrouver après leur guérison apparente le souvenir de leurs secondes existences. » « N’est-il pas possible qu’à 60 ans, l’hystérie, la désagrégation mentale qui existait à 20 ans, ait totalement disparu et que l’esprit entièrement reconstitué ait récupéré toutes les images, comme pendant un somnambulisme parfait. » « Les existences psychologiques simultanées, que nous avons été obligé d’admettre pour comprendre les anesthésies, sont dues à cette persistance plus ou moins complète de l’état somnambulique pendant la veille. »
2.10 L’ANESTHÉSIE ET LA PARALYSIE
SOBRE A EXISTÊNCIA DE UM REPOSITÓRIO, CHAMADO INCONSCIENTE, QUE GUARDA TODAS AS MEMÓRIAS ESQUECIDAS (muito antes da Pseudanálise): « C’est une théorie bien séduisante et à certains points de vue bien vraisemblable ; elle est admirablement exprimée dans saint Augustin et a été défendue avec beaucoup d’adresse par des philosophes contemporains, comme M.Bouillier (Ce que deviennent les idées in Revue philosophique, 1887) et M. Colsenet (La vie inconsciente de l’esprit). (…) Nous avons eu, en composant ce travail, la prétention, justifiée ou non, de faire un ouvrage de psychologie expérimentale et de nous écarter le moins possible des faits que nous avons pu, plus ou moins bien, observer nous-mêmes ; or nous n’avons pas constaté de faits qui se rattachent directement à cette hypothèse un peu transcendante. La grande différence entre une étude expérimentale et une théorie philosophique c’est que la première n’a pas besoin de pousser les idées jusqu’à leurs plus lointaines conséquences et qu’elle s’arrête au point où la base solide des observations et de l’expérience paraît se dérober. »
« Nous n’insisterons pas non plus sur ce fait, car nous avons assez étudié les conditions de la mémoire pour admettre sans examen nouveau que les diverses amnésies de ce genre s’expliquent de la même manière que les diverses anesthésies. »
« Mais on rencontre souvent dans les études de psychologie pathologique 2 phénomènes nouveaux et très importants : les paralysieset les contractures. Si ces faits peuvent être rattachés à cette théorie de la désagrégation psychologique que nous avons esquissée, ils lui apporteront une vérifications assez sérieuse ; nous devons donc leur consacrer une étude particulière.
En règle générale, toute anesthésie et toute amnésie amènent toujours à leur suite una paralysie : si j’ai oublié le nom ou la place d’un objet, je ne puis pas prononcer ce nom, ni faire le mouvement pour prendre l’objet à sa place. Une hystérique qui perd complètement le souvenir de toute espèce d’images verbale, ou qui perd toute sensibilité d’un membre, ne peut plus parler ou ne peut plus remuer ce membre. D’autre part, les paralysies et les contractures sont presque toujours, sauf dans des cas tout à fait exceptionnels, accompagnées par des anesthésies. ‘L’anesthésie tactile et musculaire accompagne toujours la paralysie hystérique’, disait Charcot. ‘Le malade,’ dit un autre auteur, ‘n’a conscience de son membre que comme d’un corps étranger dont le poids est gênant et se fait sentir dans la partie du thorax restée sensible’. (Berbez, Hystérie et traumatisme, 1887) De même les contractures sont en général indolentes et accompagnées d’une anesthésie profonde du muscle et presque toujours également de la peau qui le recouvre. (…) inversement, quand les anesthésies disparaissent, on voit les contractures céder et les membres paralysés recouvrer leurs mouvements. » « Une théorie, autrefois assez répandue et qui aujourd’hui n’est plus guère soutenue, semble s’opposer à l’assimilation que nous voulons faire ; car elle sépare absolument, comme 2 phénomènes différents et indépendants l’un de l’autre, les paralysies et les anesthésies. »
« Un épervier¹ à qui l’on coupe les nerfs sensitifs de la patte ne sent plus dans ce membre les attouchements ou les piqûres, disait Claude Bernard, mais il conserve la faculté de se tenir sur son perchoir² et de marcher. » D’une manière plus générale, on peut, par la section des racines sensitives, supprimer la sensibilité en laissant persister la motilité ; c’est l’ancienne expérience de Bell et de Magendie [Lei de Bell-Magendie sobre compartimentação nervocerebral sensório-motora – ambos não escreveram em parceria, foram descobertas simultâneas e independentes]. Donc, dit Joly (Sensibilité et mouvement), le mouvement existe sans la sensibilité.En aucune façon ;les lésions chirurgicales sont, à mon avis, un mauvais procédé d’expérimentation psychologique, car jusqu’à présent elles ne sont pas assez délicates et n’atteignent pas avec précision le fait que l’on veut supprimer. La section d’une racine sensitive supprime simplement la communication matérielle entre les impressions extérieures et la faculté de sensibilité de l’animal ; elle ne détruit absolument pas cette faculté. L’épervier de Claude Bernard est toujours capable de sentir les sensations relatives à sa patte et, par conséquent, il conserve la mémoire de toutes les images des sensations anciennes qui lui ont été transmises par ce nerf autrefois intact. Personne n’a jamais prétendu que le mouvement fût toujours produit par une sensation actuelle :nous pouvons écrire maintenant sans avoir des modèles d’écriture sous les yeux ; mais cela ne prouve pas que l’écriture ne soit pas un mouvement produit par des images d’anciennes sensations visuelles ou musculaires. (…) l’anesthésie dont l’auteur parle n’est produite que par des lésions anatomiques, hémorragies, tumeurs, etc., qui interrompent la conduction, mais ne suppriment point la faculté psycho-physiologique de la sensation et de l’image.Il n’y a pas de paralysie sans doute, mais c’est qu’il n’y a pas d’amnésie, parce que l’anesthésie n’est pas complète. »
¹ Accipiter nisus: gavião-da-europa.
² Apoiador do pássaro na gaiola.
« C’est uniquement dans les névroses que le psychologue peut étudier avec fruit les troubles de la sensibilité et du mouvement. (…) Voyons donc si, dans les névroses, il y a des troubles de la sensibilité sans troubles du mouvement. Cela est certain ; tous les observateurs, en effet, ont remarqué qu’il y a des hystériques absolument anesthésiques et qui remuent fort bien. L’observation célèbre de Deneaux¹ nous dispensera de description : ‘Elle mettait ses muscles en jeu sous l’influence de la volonté, mais elle n’avait pas conscience des mouvements qu’elle exécutait. Elle ne savait pas quelle était la position de son bras, il lui était impossible de dire s’il était étendu ou fléchi. Si on disait à la malade de porter la main à son oreille, elle exécutait immédiatement le mouvement ; mais lorsque ma main était interposée entre la sienne et son oreille elle n’en avait pas conscience….’ C’est là un bel exemple d’anesthésie tactile et musculaire complète sans paralysie. Beaucoup des sujets que j’ai étudiés, Marie surtout, donneraient lieu à une description absolument identique. »
¹ Médico ou anatomista caído no olvido.
« Les hystériques ne sentent pas leur bras remuer, mais elles le remuent cependant, parce qu’elles se représent l’image visuelle du mouvement de leur bras et que cette image visuelle, comme nous l’avons vu dans toutes les expériences relatives à l’imitation, suffit pour produire le mouvement effectif. »
« pour des femmes surtout, le mouvement des bras est beaucoup plus visible que le mouvement des jambes et laisse dans la mémoire des images visuelles bien plus nettes » O mesmo não ocorreria hoje, portanto.
« Les exceptions rentrent donc assez facilement dans la règle : s’il a des anesthésies musculaires qui ne soient pas accompagnées de paralysies, c’est que toute sensibilité relative au mouvement n’a pas été supprimée, que les sensations et les images visuelles sont intervenues pour remplacer celles qui étaient perdues, et on ne peut pas en conclure que le mouvement existe indépendamment des images sensorielles. »
« des paralysies sans anesthésie. (Dans toute cette discussion, d’ailleurs, nous ne faison aucune allusion aux paralysies et aux contractures dues à une cause organique, qui peuvent présenter de tout autres caractères.) » « Il faut encore ici, pour l’étude psychologique, rechercher des paralysies sans lésion et voir comment elles peuvent se produire malgré la conservation de la sensibilité. »
« On peut faire beaucoup d’expériences de ce genre, dire à un sujet que son bras est collé à la table, qu’il ne peut prendre un objet, etc. Bernheim remarque que, si on a dit, pendant le somnambulisme, que tel objet paralysait, cet effet se produit encore après le réveil, sans que le sujet sache pourquoi. (De la suggestion) » « immobilité apparente » « idée fixe subconsciente qui arrête le mouvement au moment où le sujet veut le produire et pourrait d’ailleurs le faire au moyen des images sensorielles qu’il a complètement conservées. »
« les études précédentes ne nous semblent pas avoir réussi à la séparer [la paralysie] de l’anesthésie. »
2.11 LES PARALYSIES ET LES CONTRACTURES EXPLIQUÉES PAR LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
« paralysie totale … contracture totale … plus simple et … les plus fréquentes »
« paralysie complète … le membre retombe toujours inerte, obéissant aux lois de la pesanteur … contracture générale, un membre, et quelquefois le corps entier, prend une position fixe, invariable, déterminée par la position et la force relative des différents muscles. » « Cette attitude des membres dans la contracture générale a été souvent décrite à propos des attaques de tétanos ou de certaines crises d’épilepsie : la jambe, p.ex., sera dans l’extension forcée, parce que les muscles extenseurs prédominent sur les fléchisseurs, le poing sera fermé, légèrement tourné en dedans, le corps courbé en arrière légèrement en arc, etc. »
« paralysie ou contracture partielles … un même nerf » « C’est dans cette classe qu’il faut ranger les griffes cubitales, médianes et radiales qui ont été si souvent décrites. »
« un troisième groupe d’anesthésies … systematisées. Il est facile de constater qu’il y a des paralysies et des contractures exactement correspondantes. § Les anciens magnétiseurs avaient déjà remarqué que l’on peut défendre à un sujet de faire un certain mouvement, de prononcer tel mot, ou d’écrire telle lettre. ‘Les paralysies systématiques consistent dans la perte de mouvements spéciaux, de mouvements adaptés. Le sujet qui en est atteint ne perd pas complètement l’usage de son membre ; il est seulement incapable de s’en servir pour exécuter un acte determiné et cet acte seul’ (Binet et Féré, Magnétisme animal) Il est facile de comprendre combien un sujet qui peut faire de son bras tous les mouvements possibles, sauf ceux qui sont nécessaires pour écrire un A, ressemble au sujet qui peut avec son oeil voir tous les objets, sauf une seule personne désignée. Il y a même, quoique ce soit un fait moins connu, des contractures systématisées, c’est-à-dire des contractures dans lesquelles tous les muscles du bras ou de la main ne sont pas contracté au plus haut degré, mais dans lesquelles quelques-uns seulement sont contractés et les uns plus, les autres moins, de manière à donner au membre une attitude également rigide, mais expressive. Les bras, p.ex., pourront rester contracturés dans la posture de la menace ou dans celle de la prière. Les paralysies et les contractures peuvent donc présenter toutes les modifications que présentaient les anesthésies et être classés de la même manière. »
« La suggestion posthypnotique amenait des insensibilités partielles et des anesthésies systématiques ; elle produira des paralysies et des contractures du même genre. »
« Je fais, par ce procédé, écrire l’alphabet, Lucie [1] ne le sait plus. Je demande au personnage subconscient [Lucie 2] l’orthographe d’un mot, ‘chapeau, maison, etc.’, il l’écrit correctement ; mais si on le demande à Lucie [1] à ce même moment, elle cherche et prétend l’avoir oubliée. Bien mieux si, avec quelques précautions, on arrête cette écriture automatique, sans détruire l’état d’hémisomnambulisme qui subsiste alors, on constate que Lucie a, en ce moment, totalement perdu la faculté d’écrire consciemment et qu’elle ne peut s’exprimer que par la parole. »
« Les contractures hystériques sont beaucoup plus fréquentes que les paralysies, car les muscles anesthésiques ont une tendance curieuse à se contracturer sans cesse sous la plus légère influence, le massage, la pression circulaire, l’approche d’un aimant, etc. »
« Une femme de 26 ans, évidemment hystérique, a une querelle avec son mari et lève le poing pour le frapper : comme par une punition céleste, le bras droit reste contracturé dans la position du coup de poing. Elle vint au bout de 3 jours demander assistance, car la contracture n’avait pas cédé : M. le Dr. Gibert eu l’obligeance de me la montrer. J’ai d’abord essayé les expériences avec l’aimant qui, je dois le dire, n’eut aucune influence sur cette paysanne très ignorante des théories du transfert. Mais elle fut très émotionnée, pleurait et ne comprenait plus rien à ce qu’on lui disait. Je profitai de son émotion pour lui faire des suggestions à l’état de veille ; par un mot, je fis passer la contracture de droite à gauche, de gauche à droite et enfin je la fis disparaître. »
« En réalité, ces 2 choses, l’oubli et la paralysie, ne sont qu’un seul et même phénomène considéré de 2 côtés différents, comme l’image et le mouvement. » « [en un mot,] c’est une désagrégation »
« Il faut admettre que ces images existent encore et font simplement partie d’un autre groupe plus ou moins coordonné de phénomènes psychologie [P e P’], afin de comprendre comment le mouvement des membres paralysés se conserve et a lieu, quand on le désire, à l’insu du sujet lui-même. »
2.12 CONCLUSION
« Les choses se passent comme si les phénomènes psychologiques élémentaires étaient aussi réels et aussi nombreux que chez les individus les plus normaux, mais ne pouvaient pas, à cause d’une faiblesse particulière de la faculté de synthèse, se réunir en une seule perception, en une seule conscience personnelle »
3. DIVERSES FORMES DE LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
3.1 LA BAGUETTE DIVINATOIRE. – LE PENDULE EXPLORATEUR. – LA LECTURE DE PENSÉES.
« Une des pratiques les plus anciennes et les plus simples pour ces révélations mystérieuses est l’usage de la baguette divinatoire. C’est une baguette, ordinairement de coudrier, qui a la forme d’une fourche [uma forquilha de madeira] et qui servait autrefois dans les campagnes pour découvrir les sources, les métaux cachés et mêmes les traces des criminels. Le devin, car ce n’est qu’une personne privilégiée qui peut se servir de cet instrument, prend dans ses 2 mains les 2 branches de la fourche et s’avance sur le terrain qu’il doit explorer, en ayant soin de ne pas bouger volontairement les bras. Si, sur un point du parcours, la baguette oscille, s’incline jusqu’à tordre les poignets du devin qui ne peut résister, c’est là qu’il faut fouiller pour trouver les sources ou les trésors. Le fameux Jacques Aymar conduisit même ainsi les magistrats sur la piste de 2 criminels depuis Lyon jusqu’à Toulon.(*)
(*) Gasparin, Des tables tournantes, 1855, II. – De Mirville, Des esprits et de leurs manifestations fluidiques, 1963, I. »
« Un anneau suspendu au bout d’un fil plonge dans un verre : la sybille tient l’extrémité de ce pendule explorateur et lui pose des questions auxquelles il doit répondre par les mouvements ou les battements de l’anneau contre le verre. Ce petit jeu mérite quelque célébrité, car il a provoqué les premières recherches de M. Chevreul et il a été le point de départ des études expérimentales sur les phénomènes subconscients de l’esprit humain. »
« willing game, le jeu du vouloir, appelé en France la lecture des pensées ou le cumberlandisme, du nom de celui qui l’a introduit il y a quelques années. J’emprunte la description du cumberlandisme à des auteurs qui en ont fait une étude minutieuse et qui nous indiquent les termes usuels qui le caractérisent. (…) un membre de la société qui doit jouer le rôle de thought reader ou de percipient, devin, quitte la salle ; les autres personnes qui restent choisissent quelque action simples qu’il doit accomplir ou cachent quelque objet qu’il doit trouver ; le devin est alors ramené et un ou plusieurs willers, conducteurs, lui touchent légèrement la main ou l’épaule. Dans ces conditions, l’action choisie est souvent assez vite accomplie ou bien l’objet est retrouvé. Le willer affirme cependant et avec une parfaite bonne foi qu’il n’a donné aucune impulsion directrice.(*)
(*) Myers, Gurney & Podmore, Phantasms of the living, 1886, I.»
“Quoique des séances de ce genre, surtout lorsqu’elles sont publiques, laissent toujours quelque doute et ne puissent pas être rapportées avec autant de confiance que des expériences personnelles, je crois que, dans ce cas, les mesures de précaution contre des supercheries possibles étaient assez bien prises. Dans cette séance de mentévisme, comme il disait, Osip Feldmann arrivait, non pas toujours, mais assez souvent, à exécuter l’acte auquel on pensait en lui serrant fortement le poignet. Il réussissait mieux les expériences compliquées que les plus simples, celles qui comportaient beaucoup de mouvements que celles qui devaient être faites sur place. Il réussissait également mieux avec certaines personnes qu’avec d’autres : ainsi, j’essayai en vain de le diriger, il ne comprit rien à ce que je pensai, tandis qu’il comprenait très bien plusieurs de mes amis. Il parvenait même à comprendre une personne qui ne le touchait pas, mais se contentait de le suivre partout en restant à un mètre de distance : cette expérience est déjà décrite en Angleterre. (…) Au lieu de se faire tenir directement par la personne qui avait choisi l’action à accomplir et qui jouait le rôle de willer, il interposait entre elle et lui une 3e personne totalement ignorante de ce qu’il y avait à faire et dont le rôle consistait uniquement à tenir d’un côté le poignet du devin et de l’autre la main du willer sans penser elle-même à rien de précis. »
« En Angleterre, où l’on a, pour toutes ces questions, une curiosité intelligente et active, plusieurs observateurs ont entrepris, afin d’étudier la baguette divinatoire, une série d’expériences longues et coûteuses que l’on n’aurait jamais songé à faire en France. On trouverait le compte rendu de ces expériences dans les articles de MM. Sollas et Edw. Pease¹ »
¹ Bibliografia não-encontrada.
« Lorsque je tenais le pendule à la main, un mouvement musculaire de mon bras, quoique insensible pour moi, fit sortir le pendule de l’état de repos et les oscillations une fois commencées furent bientôt augmentées par l’influence que la vue exerça pour me mettre dans cet état particulier de disposition ou de tendance au mouvement… »
Chevreul
« J’ai remarqué, écrit un observateur anglais, que si un objet a été d’abord caché dans un endroit, puis déplacé pour être mis dans un autre, la personne qui me conduit ne manque pas de me mener d’abord à la première place, puis elle m’entraîne à la véritable. »
« Plusieurs personnes à qui j’ai fait tenir le pendule de Ch. furent stupéfaites et effrayées de voir l’anneau m’obéir et osciller dans le sens que j’indiquais. Le mouvement est cependant réel [et involontaire, et inconscient] »
« Não pisque! » E então a pessoa pisca nervosamente.
Círculos de língua traçados pela boca, serão mesmo circulares?
“Pour pouvoir reproduire cette expérience, il faut appartenir au type visuel et avoir habituellement des mouvements déterminés par des images visuelles. C’est pourquoi plusieurs personnes, qui agissent d’ordinaire autrement, ne peuvent pas mettre le pendule en mouvement par ce procédé. »
« Mais (…) pourquoi ces individus font-ils ces mouvements sans le savoir ? Un mouvement automatique déterminé par une image n’est pas forcément un mouvement ignoré. Quand nous bâillons en voyant bâiller quelqu’un, nous savons bien ce que nous faisons. Le mouvement est provoqué par l’image visuelle ou auditive [e eis que bocejo!]» E provavelmente quando reler bocejarei de novo. Dito e efeito… E você que me lê?
« J’ai cru observer que les individus qui appartiennent au type moteur ou musculaire ne sont pas, comme on pourrait le penser, les meilleurs sujets pour ce genre d’expériences. Habitués à se servir de leurs sensations musculaires et à y faire attention, ils ne laissent pas passer inaperçus ces mouvements involontaires de leur main et les arrêtent dès leur début. »
Nós, os auditivos e visuais, precisamos de muitos estímulos para correr, por exemplo. Aí ignoramos a dor.
« on peut donc dire que, dans toutes les expériences que nous avons rappelées, il y a au moins un commencement de désagrégation psychologique avec sensations et mouvements subconscients. »
« Entre les doigts d’une hystérique anesthésique, le pendule fait merveille et exécute tous les mouvements possibles, parce que l’anesthésie musculaire est déjà complète et que ces sensations ne viennent pas gêner le mouvement produit par les images visuelles ou auditives. »
« La communication entre les 2 personalités est ici le son de la parole, comme entre des personnes normales. » O Rafael do sonho, do banho, das caminhadas (o cantante, o fumante).
“Il faut aller plus loin que M. Chevreul et, après avoir admis des actes sans volonté, il faut parler des pensées sans conscience ou en dehors de notre conscience, si l’on veut se débarrasser des innombrables petits diables de M. de Mirville. »
3.2 RÉSUMÉ HISTORIQUE DU SPIRITISME
« Il y a des années que les chefs du spiritisme connaissent ces faits de désagrégation psychologique que nous venons de décrire. Il semble que toute science doive passer par une période de superstition bizarre : l’astronomie et la chimie ont commencé par être l’astrologie et l’alchimie. La psychologie expérimentale aura commencé par être le magnétisme animal et le spiritisme : ne l’oublions pas et ne nous moquons pas de nos ancêtres. » Discurso ok para o fim do séc. XIX. Mas se vemos espíritas (e muito mais estúpidos que os espíritas franceses daquele tempo) a nossa frente, evidentemente que devemos cair na gargalhada (um dos poucos prazeres restantes nesse mundo tão insosso)! O espiritismo não é respeitável sequer como religião – não se trata aqui de rir do que é « pseudo » ou « proto » científico, mas de algo bem mais profundo…Não rio de quem lê horóscopos e professa fé na deusa Astarte (por exemplo). Há nisso um quê de dignidade indefinível. Kardecistas, porém?! Não, que a tolerância com malucos de branco escapados de camisas-de-força tenha seus limites, meus caros!
« Les ouvrages des spirites, comme ceux des magnétiseurs, peuvent se diviser en 2 groupes. Les uns qui exposent une quantité de théories plus ou moins banales ou fantastiques pour expliquer un petit nombre de faits à peine décrits : ceux-là sont en général complètement illisibles. Les autres, tout en parlant encore beaucoup trop des esprits et de leur hiérarchie, insistent davantage sur les faits observés et les descriptions des séances ; ils sont intéressants et plus agréables à lire que l’on ne croirait.
Après avoir commencé, non sans effroi, la lecture des gros volumes de M. de Mirville, l’étude de la Revue spirite, celle des théories de Gasparin ou de Chevillard sur le spiritisme, j’ai fini par y prendre un certain plaisir. On trouve de tout dans ces ouvrages, qui sont quelquefois écrits avec une verve et un enthousiasme presque communicatifs. Tantôt ce sont des histoires délicieuses, comme celle de ce bon M. Bénézet et de son guéridon [mesa de centro; incrivelmente sonante com guérison] qui interrompt sa conversation pour courir après des papillons, celle de ces esprits malins et peu convenables qui se dissimulent sur les chaises et mordent les personnes… quand elles s’asseoient, et surtout le récit des mésaventures de ce pauvre M. X… qui fuit devant la révolte de son mobilier et se cache derrière un canapé resté fidèle ; tantôt ce sont des recherches d’érudition absolument dépourvues de critique, il est vrai, mais quelquefois bien curieuses ; tantôt ce sont des observations psychologiques très intéressantes et très fines et qui sont loin d’être inutiles pour les observateurs de nos jours. Il est fâcheux que les dimensions de cet ouvrage ne me permettent pas d’insister suffisamment sur ces différents auteurs. Nous ne pouvons que rechercher les faits les plus fréquemment observés par des écrivains opposés les uns aux autres et, par conséquent, les plus vraisemblables, et les extraire de toutes ces réflexions, ces discussions, ces théories qui les étouffent. Une science naissante donne beaucoup plus de place aux systèmes qu’aux faits ; c’est justement l’inverse qui a lieu dans une science un peu plus avancée. »Dá o que pensar. Mas não poderia ser o contrário? Vejamos a sociologia: tão fértil e ligada a coisas ainda reais antes das sistematizações que a tornam estéril e mero apêndice estatístico hoje, sem vida.
« On connaît, dans ses grands traits, l’histoire du spiritisme, et je ne puis entrer ici dans des détails qui formeraient tout un volume. On sait que, vers 1848, 2 jeunes filles américaines, misses Fox,(*) ont eu le singulier honneur d’entendre les premières des coups mystérieux que rien ne pouvait expliquer : elles les attribuèrent tout naturellement à l’âme d’un individu décédé dans la maison, et, avec un courage au-dessus de tout éloge, engagèrent la conversation avec ce personnage. D’après une convention établie par ces demoiselles, un coup signifiait ‘oui’ et deux coups signifiaient ‘non’. M. de Mirville semble réclamer le mérite de cette invention pour un des témoins dans l’affaire du presbytère de Cideville.(**)C’est une question de priorité à débattre entre la France et l’Amérique. Je ne crois pas, cependant, que la question ait grande importance, car un passage d’Ammien Marcellin assure qu’au IVe siècle de notre ère, les chefs d’une conspiration contre l’empereur Valence interrogèrent des tables magiques d’une façon à peu près analogue.(***) Le procédé serait donc fort ancien. En tout cas, c’est en Amérique [la terre des fous], de Mirville en convient lui-même, que, grâce aux misses Fox et au juge Edmonds, l’épidémie spirit fit ses premiers progrès. Ce dernier fut surtout stupéfait de la connaissance que les esprits qu’il interrogeait avaient de ses propres pensées.
(*) Sur l’histoire des misses Fox, Cf. Bersot : Mesmer. Le magnétisme et les tables tournantes, 4e éd. 1879, 119.
(**) De Mirville, Pneumatologie. Des esprits et de leurs manifestations diverses. Mémoires adressés aux académies, 4 vols. [!] in-8, 4e éd., 1863, I, 328.
(***) Lafontaine, Art de magnétiser, 27. »
O mais provável é que os indígenas exterminados pelo colonizador britânico tenham lançado uma grande maldição nessa terra desértica de bens e de idéias.
Deus morreu, mas a mesa sobreviveu. I am… I am… I AM!
« Bientôt les dames pussèrent de grands cris, car la table tremblait sous leur main et se mettait à tourner. » « on commanda à la table : ‘danse’, et elle dansa »
« L’épidémie ne tarda pas à passer en France : quoique certains auteurs prétendent qu’il eut des tentatives de ce genre dès 1842, ce n’est vraiment qu’en 1853 que l’on trouve des expériences bien authentiques à Bourges,(*) à Strasbourg, à Paris. Le succès fut complet et ne tarda pas à dépasser même celui des Allemands. [mais românticos que os românticos!] Sous la pression des mains rangées autour d’elle avec méthode, la table ne se contenta plus de tourner et de danser, elle imita les diverses batteries du tambour, la petite guerre avec feux de file ou de peloton, la canonnade, puis le grincement de la scie, les coups de marteaux, le rythme de différents airs » Mesa Napoleão.Memórias: Quinta série e brincadeira do compasso… – Não sabíamos, na sala, que as “bics” que terminaram voando pela janela eram resultado de nossas contrações musculares inconscientes…
(*) « Allan Kardec, Le livre des médiums, 19e éd. [puta que pariu…]. »
OS FINS JUSTIFICAM OS MÉDIUMS : « On ne tarda pas à remarquer, en effet, que les 10 ou 12 personnes réunies autour de la table ne jouaient pas toutes un rôle également important. La plupart pouvaient se retirer sans inconvénient, sans que les mouvements de la table fussent arrêtés ou modifiés. Quelques-unes, au contraire, semblaient indispensables, car, si elles se retiraient, tous les phénomènes étaient supprimés et la table ne bougeait plus. On désigna sous le nom de médiums ces personnes dont la présence, dont l’intermédiaire était nécessaire pour obtenir les mouvements et les réponses des tables parlantes. »
METÁFORA DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: « Grâce à ces progrès, les opérations deviennent plus simples et plus régulières : au lieu d’une douzaine de personnes debout autour d’une table, écoutant et comptant le nombre des bruits qu’elle produit dans son mouvement, il n’y a plus que le médium, la main appuyée sur une petite planchette mobile, ou même, dans la plupart des cas, tenant directement un crayon. » Chaplin bem podia ter gravado mais um filme, O GRANDE CHARLATÃO.
E como em toda revolução industrial, seguem sucessivas especializações do especialista:“Les médiums, ces individus essentiels et privilégiés, n’ont pas, tous, les mêmes pouvoirs et se rangent en catégories innombrables que nous ne pouvons énumérer toutes : les médiums à effets physiques ou les médiums typtologues, comme les misses Fox en Amérique, provoquent, par leur seule présence, des bruits dans les murs ou sous les tables ; les médiums mécaniques se servent d’une planchette, d’une toupie, d’une corbeille à bec, etc. ; les médiums gesticulants répondent aux questions par des mouvements involontaires de la tête, du corps, de la main, ou bien en promenant les doigts sur les lettres d’un alphabet avec une extrême vitesse ; les médiums écrivants tiennent le crayon eux-mêmes, et écrivent à l’endroit ou à l’envers, [ALLAN ATRAVÉS DO ESPELHO] ou se servent de l’écriture spéculaire,(*) ou obtiennent des écritures diversement transformées ; les médiums dessinateurs laissent leur main errer au hasard et sont tout surpris de voir ‘la maison habitée par Mozart dans la planète Jupiter toute en notes de musique’.(*) (…) Il y a des médiums pantomimes‘qui imitent, sans pouvoir s’en rendre compte, la figure, la voix, la tournure des personnes qu’ils n’ont jamais vues, et jouent des scènes de la vie de ces personnes d’une telle façon qu’on ne peut s’empêcher de reconnaître l’individu qu’ils représentent’. » + os ‘inventores’ de línguas (hoje fazendo carreira nas neo-pentecostais) + médiums auditivos e visuais, etc.
(*) « Gibier, Le spiritisme ou fakirisme occidental, 1887. »
O SUMO ÓBVIO:« Ce qui distingue l’école spirite, dite américaine, écrit la Revue spirite, c’est la prédominance de la partie phénoménale ; dans l’école européenne on remarque au contraire la prédominance de la partie philosophique. » É como dizer que um espiritismo que fosse desenvolvido por cavalos de competição contaria com percursos com obstáculos! O americano inventa Arquivo X; o tipo europeu inventa o Black Lodge… Eu me comunicaria com Zaratustra, não com alienígenas imbecis que gostam de se envolver com a Casa Branca, é evidente!
« Ce fut l’oeuvre d’un certain M. Rival, ancien vendeur de contre-marques, [cunhas de moeda] parait-il,(*) qui rédigea, sous le nom d’Allan Kardec, le code et l’évangile du spiritisme.
(*) Gilles de la Tourette, Hypnotisme. »
« Il est absolument inutile de résumer ici ce système philosophique qui n’a d’ailleurs aucune espèce d’intêrêt ; cette étude a été faite dans le petit livre de M. Tissandier qui examine moins les faits que les théories du spiritisme. (Des sciences occultes et du spiritisme, 1866.) Il suffit de savoir que cette doctrine est un mélange des idées religieuses courantes et d’un spiritualisme banal, [hahahaha] qu’elle soutient naturellement la doctrine de l’immortalité des âmes et la complète par une théorie vague de réincarnation analogue à la transmigration et à la métempsychose des anciens. » A História se repete como farsa.
Perispírito, o éter desses lunáticos.
« D’innombrables sociétés se formèrent dans lesquelles on conversait facilement avec l’âme de son arrière-grand-père ou avec l’esprit de Socrate. »
« Il ne faudrait pas, je crois, confondre complètement ce spiritisme d’aujourd’hui avec celui que existait autrefois et qui provoquait l’enthousiasme d’Allan Kardec et les terreurs religieuses de Mirville : ce sont 2 choses très différentes. Les quelques croyants sincères qui subsistent encore défendent péniblement les doctrines du maître contre des sectes et des religions nouvelles, l’occultisme ou la théosophie, beaucoup plus ambitieuses et plus compliquées que cette modeste conversation avec les âmes des trépassés. » Trespassados como Aquele pela lança de Longino. Às vezes tenho a impressão que o Brasil é o lixão do mundo, ou diria jardim fértil do mundo: aqui, tudo floresce.
3.3 HYPOTHÈSES RELATIVES AU SPIRITISME
“Le movement qui a provoqué la fondation d’une cinquantaine de journaux différents en Europe, qui a inspiré les croyances d’un nombre considerable de personne est loin d’être insignifiant. Il est trop général et trop persistant pour être dû à une simple plaisanterie locale et passagère.”
“La crédulité exagérée qui consisterait à prendre au sérieux toutes les balivernes [nonsense, folly] qui encombrent les revues de ce genre serait plus ridicule encore que le scepticisme”
“Que le médium agisse au moyen de son bras et écrive comme tout le monde, ou qu’il manifeste sa pensée par le mouvement du crayon placé loin de lui, cela est très different au point de vue physique; mais au point de vue psychologique, cela ne modifie pas la nature de la pensée qui se manifeste et les problèmes qui nous intéressent restent exactement les mêmes. Je me hâte d’ajouter que ces phénomènes réservés sont infiniment rares et que je serais fort embarrassé pour en parler, car, malgré toute ma curiosité, je n’ai jamais vu rien qui y ressemblât. Les 9/10 au moins des personnes qui se sont occupés de spiritisme avoueront, si elles sont sincères, que ce ne sont pas ces phénomènes d’écriture directe ou de soulèvements sans contact qui ont déterminé leurs convictions, car elles ne les connaissent aussi que de reputation. Contentons-nous d’étudier le problème d’un phénomène physique dont l’existence est encore au moins problématique.
Un premier effort pour expliquer le mouvement des tables tournantes fut fait dès les débuts de leurs succès par quelques physiciens. M. l’abbé Moigno¹ s’efforce de prouver, dans le Cosmos du 8 juillet 1854, que les tables ne tournent que parce qu’on les pousse. Il cite plusieurs expériences ingénieuses imaginées par M. Strombo [a.k.a. Dimitrios Stroumpos], professeur de physique à l’université d’Athènes, qui mettent cette impulsion en évidence. Si, p.ex., on recouvre la surface de la table d’une couche de tale très mobile, les doigts des expérimentateurs glissent sur la table et ne parviennent pas à lui communiquer le mouvement. Les appareils de Babinet et de Faraday, les couches de papier successives qui tournaient sous la pression dans le sens du mouvement de la table, l’aiguille indicatrice qui prévenait les assistants de leurs moindres mouvements, sont trop connus pour que j’y insiste; ces procédés mettaient en évidence le mouvement des expérimentateurs et des médiums. Mais, répondrons-nous avec M. de Mirville, il n’est pas nécessaire d’inventer tant d’appareils pour nous prouver que la main du médium remue, nous nous em doutions bien un peu;les meilleurs médiums sont ceux qui n’ont point besoin de tables et qui tiennent eux-mêmes le crayon, et tout le monde peut voir les mouvements de leur main. Ce qu’il faut nous expliquer, c’est de quelle manière ce mouvement peut être involontaire et inconscient, tout en restant cependant intelligent.”
¹ Citarei alguns livros fora do tema na bibliografia complementar.
Guldenstubbe, La réalité des esprits, 1873
“J’ai vu John Stuart Mill passer le long de Cheapside l’après-midi, lorsque cette rue est pleine de monde, et circuler sans peine sur le trottoir étroit sans coudoyer personne ni se heurter aux becs de gaz, et lui-même m’a assuré que son esprit était tout occupé de son système de logique, dont il avait médité la plus grande partie en allant chaque jour de Kesington aux bureaux de la compagnie des Indes, et qu’il avait si peu conscience de ce qui se passait autour de lui qu’il ne reconnaissait pas ses meilleurs amis…”
Carpenter, Revue scientifique, 1878.
“Nous bâillons quand nous voyons bâiller, nous rougissons quand nous voyons rougir, donc il est tout simple qu’un sujet ramasse des fleurs quand on le lui commande et qu’une flamme imaginaire lui brûle la peau. Sans doute il y a une légère analogie entre la marche involontaire du logicien distrait et l’écriture automatique des mediums; mais quelle difference, quell hiatus entre les 2 phénomènes. Les actes involontaires que l’on allègue sont habituels, de simples répétitions, sans originalité et sans intelligence; l’écriture automatique au contraire, il ne faut pas l’oublier, est fort intelligente.”
“On admet en Belgique que, pour aller plus vite, la table parlera avec ses 3 pieds: pour cela, on divise l’alphabet en 3 groupes de lettres: 1o de A à H, 2o de I à P; 3o de Q à Z; on numérote les lettres dans chaque groupe, A est désigné par un coup, B par 2, etc., I de nouveau par 1, J par 2, etc. Mais chaque pied correspond à un de ces groups et ne s’occupe pas des autres. Ainsi, si le premier pied frappé 3 coups, c’est un C., la troisième lettre du premier groupe, si le deuxième pied frappe un coup, c’est un I, la première lettre du 2e groupe, et ainsi de suite.”
Gasparin
“Comment peut-on comparer un calcul de ce genre à l’acte automatique de se gratter ou de cligner des yeux? Les communications écrites de cette manière sont très loin, comme nous le verrons, d’être des oeuvres de genie, mais encore sont-elles incomparablement plus qu’un simple réflexe mécanique.”
Myers, Automatic writing, 1885.
“It is time to go to sleep, go to bed.”
E por que raios um livro só sobre os médiuns e outro sobre os espíritos? Grr.
NÉON, A COLECIONADORA DE PARTES HUMANAS: “Le médium sait si peu ce que sa main écrit qu’il ne peut pas se relire et qu’il est obligé de faire appel à d’autres personnes pour comprendre ce que contient son message; ou bien, ce qui est plus curieux encore, il est obligé de prier l’esprit de répéter et d’écrire plus lisiblement, ce que ce dernier fait d’ailleurs avec assez de bonne volonté; ou bien encore, le médium se trompe em lisant le message, il lit par exemple J. Celen au lieu de Helen, et l’esprit est obligé de le reprendre et de rectifier.”
“L’histoire de l’esprit qui s’intitule lui-même Clelia forme réellement um document psychologique dont on ne saurait exagérer l’importance.”
ESCRITOR AUTOMÁTICO (MÉDIUM):“What is man?”
ESCRITA (INCONSCIENTE): “Tefi Hasl Esble Lies”
MÉD.: “How shall I believe?”
INC.: “neb 16 vbliy ev 86 e earf ee”
MÉD.: “Is this an anagram?”
INC.: “Yes”
“Ce n’est que le lendemain et après bien des efforts que le médium put disposer les lettres de manière à leur donner un sens à peu près intelligible: ‘Life is the less able’ ‘believe by fear even 1866’”
“Wundt, après avoir assisté à une séance de spiritisme, se plaint vivement de la dégénérescence qui a atteint, après leur mort, l’esprit des plus grands personnages, car ils ne tiennent plus que des propos de dements et de gâteux.” Cf. Wundt, Spiritisme (artigo), 1879.
“his quos durus amor crudeli tabe peredit”
“Illa solo fixos oculos aversa tenebat…” Dido
“Chez des protestants, les tables n’ont plus peur de l’eau bénite, n’ont plus de respect pour les scapulaires et annoncent avant 10 ans la chute de la papauté.” “Chez ceux qui croient à l’ancienne magie noire, les esprits obéissent aux formules magiques et tremblent devant les triangles sacrés. Il est vrai, comme l’a vérifié Morin,¹ que l’on peut, au lieu de réciter les formules fatales, déclamer des ver d’Horace et que l’on obtient le même succès.”
¹ Figura não-identificada.
3.4 LE SPIRITISME ET LA DÉSAGRÉGATION PSYCHOLOGIQUE
“Tout est dit…”
Frase de um moralista francês, século XVII
(s/ autor), Seconde lettre de gros Jean à son évêque au sujet des tables parlantes, des possessions et autres diableries. Paris, Ledoyen, 1855. (93 páginas)
“Quelques citations nous permettront de résumer la théorie psychologique contenue dans cette petite brochure: ‘Incitées par le monde extérieur, ou fécondant les matériaux déjà conquis, nos facultes intellectuelles forment en nous des idées ou des pensées; la conscience ou sens intime nous en donne connaissance; notre volonté ou faculté de réagir sur nous-mêmes fournit en même temps à la conscience l’idée de notre personnalité, l’idée du moi. Reste à établir le lien. Par ce mouvement de la volonté sur l’intelligence qu’on appelle l’attention, l’idée ou pensée est affirmée dans ses relations avec le moi, rapportée, unie à lui. Voilà ce qui se pase dans l’état ordinaire normal…’”
“Le phénomène qui nous occupe (les tables parlantes) n’est autre chose en effet que cette suspension plus ou moin complète, plus ou moins prolongée, de l’action de la volonté sur l’organisme, sur la sensibilité, sur l’intelligence conservant toute leur activité, et les divers degrés de cette disjonction comme les formes diferentes qu’elle revêt, se succèdent fort naturellement les unes aux autres… Dans les expériences des tables parlantes, la jeune fille entend la question et forme bien la réponse dans son esprit où doit être préalablement déposée la connaissance du mode convenu pour traduire, au moyen des mouvements de la table, toutes les idées et pensées possible: tels sont les premiers éléments du phénomène: mais ici se présentent plusieurs états ou degrés différents du même êtat.”
“La volonté ayant commencé à faire scission avec l’intelligence, la jeune personne n’a qu’une demi-connaissance de la réponse qui est plus complète, plus étendue ou même exprimée en d’autres termes; l’esprit, en un mot, est dans une situation semi-anormale.”
“La jeune fille sait la réponse qui se forme dans son intelligence, mais elle la connaît en elle comme si elle ne venait pas d’elle; l’attention la recueille, mais sans établir de lien entre cette pensé et le moi (ce degré me paraît correspondre aux possessions et aux folies impulsives dont nous parlerons plus loin).”
“Que faut-il pour que la plume soit remplacée par la parole? que l’impulsion se communique à d’autres nerfs… Cela est accompagné ordinairement d’um grave désordre de l’innervation: il n’y a rien d’étonnant à cela.”
“Chez nos paisibles writing médiums, la pensée ordinaire persiste calme, mais quand la crise physique revêtait un caractère violent, oh! alors la division interne était complète, absolue, persistante; bien plus, la seconde personallité exaltée, ardente, effrénée, étouffait l’autre pour un moment anéantie et, sous les noms de Jupiter ou d’Apollon, possédait seule toute l’intelligence et tout l’organisme de la prêtresse en délire. Deus, ecce Deus…” “Tel est le somnambulisme ou sybilisme parfait…”
“sybilisme… [parce que] d’après son mode de manifestation le plus élevé et celui sans aucun doute qui a joué dans le monde le rôle le plus important, puisque, transformé en institution publique, il a été pendant des siècles la base et la sanction des religions.”
* * *
« On me pardonnera, je l’espere, cette longue citation en raison de son importance et de la difficulté de se procurer la brochure : il faut reconnaître que, sous son titre bizarre, se trouve trés bien résumé tout ce que quelques auteurs contemporains et moi-même nous croyions avoir découvert en étudiant l’écriture automatique et le somnambulisme. »
« D’où proviennent les bruits entendus dans les tables ou dans les murs et répondant à des questions ? Est-ce d’un mouvement des orteils, de cette contraction du tendon péronier supposées par Jobert de Lamballe et qui a fait tant de bruit à l’Académie ? Est-ce d’une contraction de l’estomac et d’une véritable ventriloquie, comme Gros Jean le suppose, ou bien d’une autre action physique particulière encore inconnue ? Sont-ils produits par des mouvements automatiques du médium lui-même, ou bien, comme cela me paraît probable dans certains cas, au milieu de l’obscurité réclamée par les spirites, par des actions subconscientes de quelqu’un des assistant, qui trompe les autres et se trompe lui-même, et qui devient compère [cúmplice] sans le savoir ? Cela importe peu (…) ‘la parole involontaire des intestins n’est pas plus miraculeuse que la parole involontaire de la bouche’. »
« Quoique l’ouvrage que nous venons d’analyser ait été écrit en 1855, il ne fut pas compris et n’eut aucune influence, ni sur les spirites, ce qui est naturel, ni sur les psychologues, ce qui est plus étonnant ; les uns continuèrent à admirer, les autres à railler les tables parlantes, sans que leur étude avançât autrement. »
« Littré, dans sa Philosophie positive, 1878, et Dagonet dans les Annales médico-psychologiques, 1881, font allusion à des théories du même genre pour expliquer les discours des convulsionnaires des Cévennes. »
« Il faut arriver jusqu’à ces denières annés pour trouver, dans un article de M. Ch. Richet, l’expression précise d’une théorie du spiritisme, comparable à celle que nous venons de lire : ‘Supposons, dit-il, qu’il y ait chez quelques individus un état d’hémi-somnambulisme tel qu’une partie de l’encéphale produise des pensées, reçoive des perceptions, sans que le moi en soit averti. La conscience de cet individu persiste dans son intégrité apparente : toutefois des opérations très compliquées vont s’accomplir en dehors de la conscience, sans que le moi volontaire et conscient paraisse ressentir une modification quelconque.’ (La suggestion mentale et le calcul des probabilitiés, 1884) »
Baron du Prel, Philosophie der mystick
Hellenbach, Geburt und Tod
« Nous n’exposerons pas ici les théories de Myers sur le spiritisme, elles sont plus développées que les précédentes, et entrent davantage dans le détail des phénomènes. Nous préférons exposer d’abord, d’une manière générale, comment nous rattachons ces faits aux études que nous venons de faire dans cet ouvrage, pour revenir ensuite sur les points de débat qui séparent notre interprétation de celle de Myers. »
« Tandis que ces auteurs partaient de l’étude du spiritisme pour arriver à la théorie des personnalités multiples et à l’étude de l’hypnotisme, nous nous trouvions les rejoindre quoique en étant parti d’un point de départ tout opposé. Cette rencontre nous porte à croire, ce qui nous paraît facile à démontrer, que les phénomènes observés par les spirites sont exactement identiques à ceux du somnambulisme naturel ou artificiel et que nous avons le droit d’appliquer littéralement à cette question nouvelle les théories et les conclusions auxquelles nous sommes parvenus dans le chapitre précédent. »
3.5 COMPARAISON DES MÉDIUMS ET DES SOMNAMBULES
« presque toujours les médiums sont des névropathes, quand ce ne sont pas franchement des hystériques. Le mouvement des tables ne commence que lorsque des femme ou des enfants, c’est-à-dire des personnes prédisposées aux accidents nerveux, viennent y mettre les mains (Baragnon,Magnétisme animal) »
« Quand les esprits se fâchent, les médiums sont plongés subitement dans un état de perturbation nerveuse ou de raideur tétanique… »
Mirville
« Rien n’est plus décisif, à ce point de vue, qu’une observation de Charcot sur plusieurs jeunes gens d’une même famille qui deviennent tous hystériques à la suite des pratiques du spiritisme. Cette coïncidence entre la crise de nerfs et l’acte d’écrire inconsciemment se retrouve chez nos sujets. »
« Si les médiums ne présentent pas d’accidents nerveux au moment où ils évoquent les esprits, ils ne restent pas cependant toujours indemnes, et ils terminent souvent d’une manière fatale leur brillante carrière. Tôt ou tard beaucoup d’entre eux tombent dans ‘la subjugation’, comme dit Allan Kardec avec un heureux euphémisme, c’est-à-dire qu’ils finissent tout simplement par la folie. (Maudsley, Pathologie de l’esprit, 1883) »
« la médiumnité est un symptôme et non pas une cause. »
« Les médiums sont des somnambules incomplets » Perrier, magnetizador.
« Voilà qui est parfait, mais ces auteurs n’expliquent pas comment tout cela est possible, comment l’existence somnambulique peut se continuer sous la veille en une seconde personnalité. »
« Ah ! c’est embêtant d’être mort ! (Le vaillant Achille a déjà dit cela quand il venait boire le sang noir des victimes, décidément les médiums spirites n’ont pas l’esprit inventif.) »
« Eh bien, essayons cette combinaison ingénieuse. Pendant que Lucie est en somanmbulisme, je lui suggère qu’elle n’est plus elle-même, mais qu’elle est un petit garçon de 7 ans nommé Joseph, scène de comédie qui est connue et sur laquelle je passe. Sans défaire l’hallucination, je la réveille brusquement, et la voici que ne se souvient de rien et qui semble dans son état normal ; quelque temps après, je lui mets un crayon dans la main et je la distrais en lui parlant d’autre chose. La main écrit lentement et péniblement sans que Lucie s’en aperçoive, et quand je lui prends le papier, voici la lettre que je lis : ‘Cher grand-papa, à l’occasion du jour de l’an, je te souhaite une santé parfaite et je te promets d’être bien sage. Ton petit enfant, Joseph.’ Nous n’étions pas au jour de l’an et je ne sais pas pourquoi elle à écrit cela, peut-être parce que, dans sa pensée, une lettre d’un enfant de 7 ans éveillait l’idée des souhaits de bonne année ; mais n’est-il pas manifeste que l’hallucination s’est conservée dans la 2e personnalité. Un autre jour, je la mets encore en somnambulisme ; pour voir des transformations de caractère et pour profiter de son érdution littéraire, je la transforme en Agnès de Molière et lui fais jouer le rôle de la candeur naïve ; je lui demande cette fois d’écrire une lettre sur un sujet que je lui indique ; mais, avant qu’elle ait commencé, je la réveille. La lettre fut écrite inconsciemment pendant la veille, manifesta le même caractère et fut signée de ce nom d’Agnès. Encore un exemple : je la change cette fois en Napoléon avant de la réveiller ; la main écrivit automatiquement un ordre à un général quelconque de rallier les troupes pour une grande bataille et signa avec un grand paraphe Napoléon. Je demande encore : en quoi l’histoire de Mme Hugo d’Alésy diffère-t-elle de celle de Lucie ? Jusqu’à preuve du contraire, je suis disposé à croire que les 2 phénomènes sont absolument les mêmes, et que, par conséquent, ils doivent s’expliquer de la même manière par la désagrégation de la perception personnelle et par la formation de plusieurs personnalités qui tantôt se succèdent et tantôt se développent simultanément. »
3.6 LA DUALITÉ CÉRÉBRALE COMME EXPLICATION DU SPIRITISME
« Cette division du cerveau en 2 parties a déjà donné lieu à bien des hypothèses. Depuis La Mettrie¹ qui dit que Pascal avait un cerveau fou et un cerveau intelligent, depuis Gaétan de Launay,¹ qui considère les rêves faits sur le côté droit comme absurdes et ceux faits sur le côté gauche comme logiques,(*) il y a eu bien des anatomistes et des physiologistes qui ont rapporté à cette dualité tous les phénomènes compliqués et embarrasants de l’esprit humain.
¹ Muitas obras. Não é relevante para o tema aqui exposto.
(*) Cf. Bérillon, La dualité cérébrale et l’indépendance fonctionnelle des deux hémisphères cérébraux, 1884. »
« Mais Myers, quand il revient à cette théorie, à propos du spiritisme, l’expose avec des arguments qui sont plus nettement psychologiques et qui, par conséquent, demandent ici une discussion. »
« Le médium qui écrit de cette manière ne sent pas sa propre main qui écrit, il ressemble à un individu atteint de cécité verbale¹ qui ne peut lire l’écriture. »
Myers, Multiplex personality, 1887.
¹ Cegueira verbal!!!
« C’est que le message est mal écrit ; il m’arrive à moi aussi de ne pas pouvoir lire ma propre écriture, et je ne suis pas atteint de cécité verbale. »
« Enfin remarquons que l’écriture en miroir n’est pas si difficile qu’on le croit généralement. Après 2 ou 3 essais de quelques instants, je suis arrivé à écrire de cette façon assez rapidement. »
« Les arguments de Myers ne nous semblent pas suffisants pour que l’on puisse assimiler l’écriture automatique des médiums aux troubles de l’agraphie produits par une lésion localisée d’un hémisphère. » « Léonie et Lucie ont 3 personnalités et non 2 ; Rose en a 4 au moins bien distinctes ; faut-il supposer qu’elles ont 3 ou 4 cerveaux ? »
« Les médiums, quand ils sont parfaits, sont des types de la division la plus complète dans laquelle les 2 personnalités s’ignorent complètement et se développent indépendamment l’une de l’autre. »
3.7 DE LA FOLIE IMPULSIVE
« bien des malheureux sont naturellement et pendant toute leur vie sous la domination d’une idée fixe de ce genre et se sentent pousées par une puissance invincible à un acte qui leur fait horreur. »
« Laissons de côté les actes commis brusquement par certains épileptiques pendant une éclipse momentanée de la conscience. (…) Les impulsions qui nous intéressent le plus sont celles qui ont lieu pendant la veille du malade, pendant qu’il est capable de perception et de réflexion. Il peut les constater, et sent qu’il se laisse entraîner comme par une force étrangère.
Les actes les plus simples de ce genre seront des mouvements nerveux, des tics, des grimaces saccadées de la face, tu tronc, des extrémites, mouvements que le sujet déclare accomplir malgré lui, mais qu’il connaît et auxquels il pourrait à la rigueur résister. »
« il est juste, en effet, de distinguer la choréee vulgaire ou gesticulatoire, qui se rapproche des simples tics, de la grande chorée rhythmique, qui en diffère en ce que les mouvements irrésistibles ne sont pas faits au hasard, mais paraissent ordonnés et avoir un but déterminé. Mirville les décrit très bien, quoique en les rapportant, comme toujours, au diable. »
« certaines expressions, dit M. Luys,¹semblent se figer en permanence sur la physionomie, les traits de terreur persistèrent 8 mois après l’accident qui les avait causés. »Odium pater. Senti-lhe tanto ódio que desfigurou meu rosto!
¹ “Jules Bernard Luys (1828-1897), neurologista, neuro-anatomista e psiquiatra francês. Devem-se numerosos átrlas do sistema nervoso central ilustrados por fotografias. Seu nome caracteriza ainda hoje a descrição pioneira do centro sub-talâmico (corpo de Luys), realizada em 1865.”
“Toutes ces folies choréïques, disait Maudsley (op. cit.), sont caractérisées par leur caractère automatique, chaque centre nerveux semble agir pour son propre compte. Ce sont bien des impulsions pendant la veille et la durée de la conscience normale, mais l’individu qui les sent semble ne pas y résister.
Mais, dans d’autres cas qui sont plus dramatiques, l’individu qui a conscience de son impulsion peut y résister plus ou moins longtemps et ne succombe qu’après une lutte désespérée. Ce sont des désir violents et subits qui leur traversent l’esprit et qui les poussent à accomplir une action absurde ou criminelle. »
« L’acte est accompli, alors ils respirent, se calment, se réjouissent, non pas de l’acte qu’ils ont fait et qui leur est toujours en horreur, mais du soulagement qu’ils éprouvent à ne plus sentir cette horrible torture et à reprendre la libre disposition de leur esprit.On trouverait, dans tous les ouvrages sur l’aliénation, des exemples innombrables de cette maladie morale vraiment cruelle ;M. Jean Saury¹ a résumé, dans son dernier livre sur ‘les dégénérés’, les formes les plus typiques et les plus fréquentes que prennent les impulsions. »
¹ O enésimo polímata citado, do século XVIII! Também padre e astrônomo, entre outras ocupações.
« Tandis que le fou véritable s’abandonne à son délire et s’y complaît, l’impulsif le repousse comme quelque chose d’étranger. »
« Un malheureux jeune homme de 17 ans, D…, est fils de père et mère aliénés tous les deux et qui tous 2 ont terminé leur vie par le suicide. Il a eu, jusqu’à ces derniers temps, une existence relativement calme, quoique troublée de temps en temps par des accidents nerveux. Il eut ainsi de violente accès de mélancolie durant lesquels il se cache, s’isole et reste à pleurer sans aucune raison sur son sort. Il se demande avec angoisse comment il gagnera son pain, comment il apprendra son métier, etc. ; en même temps il se raisonne lui-même, constate que ces inquiétudes n’ont pas de raison d’être, et cependant il recommence à gémir ; à d’autres moments, il a des bouffées de chaleur à la face et des tremblements choréiques de la jambe gauche qui durent des nuits entières. Une fois, ces tremblements convulsifs se sont généralisés à tous les membres, jusqu’à faire croire (tout à fait à faux, à mon avis) à une crise d’épilepsie. Il a presque constamment, depuis quelques années, la terreur d’être seul, et cependant il déteste la société, aussi ne sait-il que faire, et se met-il encore à gémir. Il a une agoraphobie intense, et quand il faut traverser une place, il supplie une personne de l’accompagner ou bien suit les gens à la trace, en ayant une peur affreuse qu’on ne le renvoie. Voici le dernier accident plus tragique qui l’a amené à l’hôpital : Un soir il sent une des ses crises d’angoisse qui commence, ne peut arriver à manger ni à boire, passe la nuit éveillé à gémir ; la jambe gauche tremble et se secoue continuellement. Cependant il fait un effort le matin pour se rendre à son ouvrage habituel et, comme il est garçon coiffeur,[cabeleireiro]se met en devoir de raser[raspar, fazer a barba de]un client.À peine tient-il le rasoir[navalha] en main, que la sueur lui vient à la face, que ses tremblements augmentent et gagnent les bras.Une pensée horrible lui traverse l’esprit, il désire, il veut couper la gorge[cortar a garganta]de cet individu qu’il est en train de raser. Épouvanté de cet acte, il résiste avec une sorte de rage et s’accroche à la chaise pour ne pas tomber. Il essaie encore de lever [largar] son rasoir, mais l’impulsion revenant plus terrible, il se sauve dans sa chambre en poussant de grands cris.On court après lui et on n’a que le temps de le saisir au moment où il allait se couper la gorge à lui-même.(…) il est persuadé que tôt ou tard il se tuera[se suicidará]comme ont fait ses parents, et cette idée ne contribue pas peu à l’attrister. » Um dos relatos mais pesados de todo o livro.
« Il en est ainsi dans bien des suggestions exécutées soi-disant avec conscience ; le sujet continue avec bonne volonté un acte qu’il n’a pas commencé lui-même, il en prend même la responsabilité et il invente des raisons pour l’expliquer ; mais l’acte n’en était pas moins un phénomêne subconscient soumis aux lois de la désagrégation psychologique. » « Si l’on distrait le sujet pendant qu’il exécute l’acte, il ne s’apercevra de rien et les choses seront très régulières ; si on ne le distrait pas, il va employer sa petite force de perception à regarder ses propres actes et il pourra les accepter ou leur résister. »
PEDIDOS IMORAIS (COMO «PICK-POCKET »: “Elle faisait 3 pas dans la direction de la personne que je lui avais indiquée, puis s’arrêtait net et s’en retournait ; elle avançait de nouveau de 3 pas et s’arrêtait encore. Elle frappait du pied, grinçait des dents, prenait un ouvrage pour faire autre chose, puis se levait pour recommencer. (…) Pendant un instant de distraction, les jambes marchaient pour faire l’acte que la 2e personnalité voulait exécuter. Lucie, qui n’était pas assez distraite, s’apercevait de ce mouvement et se disait en trépignant : ‘Ah ça, qu’est-ce que je vais faire là ?’ (…) Cette lutte entre les 2 consciences dura plus de 20 minutes, avant que l’acte fût exécuté entièrement dans un moment de distraction plus durable ; tandis que, au contraire, la suggestion aurait été exécutée immédiatement, si j’avais pris quelques précautions pour éviter cette conscience en retour et pour empêcher Lucie de se préocuper de ses actes subconscients. »
« quand vous lisez un livre ou que vous entendez un discours peu récréatif, vous pouvez rester quelque temps dans un état d’indifférence, mais, si vous sentez quelque bâillement involontaire, alors vous ne doutez plus, vous êtes avertis authentiquement de votre ennui et la conscience que vous en avez l’augmente. »
Joly, Sensibilité et mouvement, Revue Philosophique, 1886.Bem sartriano. Ou devemos dizer, já que é um escrito do séc. XIX: Sartre é que é bem janetiano, digo, jolyano?
« Qu’est-ce qu’ils pensent d’eux-mêmes en se voyant ainsi agir d’une façon bizarre ? Ils emploient toujours le même mot pour désigner leur état. ‘Mais qu’est’ce que tu as donc ?’ dis-je à Lucie dans une circonstance analogue à celle que j’ai décrite. – ‘C’est drôle comme j’ai envie de faire cela, et c’est pourtant si bête.’ » A vontade, mestra suprema.
« il est dominé, il est esclave, son corps est une machine obéissant à une volonté qui n’est pas la sienne. »
Leuret
« – J’avais une peur affreuse de couper la gorge a l’homme que je rasais, me disait ce malheureux D…
– Pourquoi aviez-vous peur de faire cela ? lui demandai-je.
– Je voyais bien ma main qui se levait pour frapper, je n’ai eu que le temps de me sauver.
Le malade ne comprend pas que l’idée et, par suite, l’acte de couper la gorge a été suggéré, par l’attouchement du rasoir, à un groupe de phénomènes dont il ne soupçonne pas l’existence en lui. Il n’a vu que le résultat de la suggestion, le mouvement du bras, et c’est pour cela qu’il interprète en disant ‘J’avais une envie affreuse de lui couper la gorge.’ »
« une forme intéressante d’acte désagrégé incomplet »
3.8 LES IDÉES FIXES. – LES HALLUCINATIONS.
São diferentes do sub-capítulo anterior por não “forçarem” o paciente à comissão de um ato tresloucado.
“L’un entend une voix qui lui répète : ‘Ne bouge pas ou tu es perdu’, et il reste alors immobile dans une apparente stupeur. (Ellis, Aliénation mentale)¹ Une autre entend une voix qui lui commande de jeter 10 francs dans la Seine. (Ball, d’après Paulhan, Revue philosophique, 88) Tantôt ces idées semblent rester plus abstraites, sans prendre la forme d’une hallucination de l’ouïe. (Ribot, Psychologie de l’attention) » « idée de persécution » « ou tout simplement une idée insignifiante et absurde » « Ces malheureux n’acceptent pas leur idée fixe comme faisant partie de leur pensée, comme nous faison dans nos rêves pour les idées les plus absurdes, ils résistent à ces idées et ils ont conscience de l’absurdité de leur état. »
¹ Ellis desconhecido. Havelock Ellis foi um grande psicólogo, fora do movimento da psiquiatria dinâmica per se.
« Si je pouvais penser comme vous, disait l’un, je serais heureux, mais je suis accablé par des idées sinistres auxquelles je ne puis m’empêcher de croire, j’aimerais mieux être fou complètement que d’avoir conservé mon intelligence sur la plupart des sujets… »
Pinel, De la monomanie
« Le problème est le même que pour les impulsions motrices : le phénomène anormal n’est pas intégré dans la personnalité, il est étranger au moi qui voudrait le repousser, il semble appartenir à un autre groupe psychique, comme les phénomènes désagrégés, et cependant il est conscient, tandis que ces faits de désagrégation étaient inconscients. »
« LÉONIE : Oh ! qui donc me parle ainsi ? cela me fait peur.
JANET : Personne ne vous parle, je suis seul avec vous.
L. : Mais si, là à gauche.
Et la voici qui se lève et veut ouvrir une armoire placée à sa gauche pour voir si quelqu’un y est caché.
J. : Qu’entendez-vous donc ?
L. : J’entends à gauche une voix qui répéte ‘Assez, assez, tiens-toi donc tranquille, tu nous ennuies.’
Certes la vois qui parlait ainsi était dans son droit, mais je n’avais rien suggéré de pareil et ne pensais guère à provoquer à ce moment une hallucination de l’ouïe. Un autre jour, le même sujet, pendant le premier somnambulisme, était bien calme, mais refusait obstinément de répondre à ce que je luis demandais. Elle entendit encore à gauche la même voix qui lui dit : ‘Allons, sois donc sage, il faut dire.’ Ces paroles provenaient évidemment, on connaît assez ce sujet pour le deviner, du personnage inférieur qui existait au-dessous de cette couche de conscience. [Léonie 2] »
« Mais comment, d’après les théories de la désagrégation que nous avons exposées, est-il possible que les idées du 2e personnage subconscient deviennent des hallucinations de l’ouïe pour le premier ? »
« Reproduisons le fait expérimentalement ? pendant un état somanmbulique profond, je charge Léonie 3 de dire quelque chose à l’autre, par exemple de lui dire ‘Bonjour’, puis je la réveille. L’hallucination se produit de même et Léonie demande encore : ‘Qui donc dit <Bonjour> ?’ Mais cette fois, moi aussi j’ai entendu le mot ‘Bonjour’, car la bouche l’a parfaitement prononcé, quoique tout bas. Ces hallucinations d’origine subconsciente étaient dues, dans ce cas, à l’audition d’une véritable parole automatique analogue à l’écriture automatique »
« Enfin les dégénérés, dont parle Saury, ont très souvent des impulsions à dire des jurons et des obscénités malgré eux, comme les médiums avaient des dispositions à en écrire. »
« Un malade parle lui-même tout haut et prétend ensuite que c’est une voix qu’il entend ; si on lui tient les lèvres fermées, il entend encore la voix, mais on sent les lèvres remuer sous les doigts. »
Moreau de Tours, Haschich
« Comment ces phénomènes peuvent-ils à la fois se rattacher l’un à l’autre par association et cependant être désagrégés ? »
« Je commande à Léonie pendant qu’elle est distraite et qu’elle cause avec une autre personne, et je murmure tout bas que cette personne a un bel habit vert. Léonie n’a pas entendu ce que je disais (phénomène subconscient désagrégé appartenant au 2e champ de conscience), et cependant elle pousse un cri et dit : ‘Oh ! comme votre habit est drôle, il est tout vert, ja ne l’avais pas remarqué’ (phénomène conscient appartenant au 1er champ de conscience). » Cf. Binet, Les altérations de la conscience chez les hystériques, Revue philosophique, 1889, I.
« l’association automatique des idées est une chose, et … la synthèse qui forme la perception personnelle à chaque moment de la vie et l’idée du moi en est une autre. Celle-ci peut être détruite, tandis que celle-là subsiste. » « L’association des idées est la manifestation d’une synthèse élémentaire qui a déjà été effectuée autrefois et qui a rattaché les phénomènes les uns aux autres une fois pour toutes. La perception personnelle est formée par l’activité synthétique actuelle qui, par un effort continuel répété à chaque instant, ramène à l’unité du moi tous les phénomènes qui se produisent, quelle que soit leur origine. » Pode ser que hoje eu não seja um eu, mas eu eu já fui.
« Cette force de synthèse peut être aujourd’hui affaiblie, rendre le sujet incapable de percevoir telle sensation auditive ou telle sensation tactile et cependant, par un automatisme d’origine ancienne qui n’a pas été détruit, cette sensation non perçue peut amener d’autres images faisant partie de celles que le sujet perçoit encore. »
3.9 LES POSSESSIONS
« un perpétuel état de terreur ou de tristesse »
« Avoir son corps dans l’attitude de la terreur, c’est sentir l’émotion de la terreur, et, si cette attitude est déterminée par une idée subconsciente, le malade n’aura dans la conscience que l’émotion seule sans savoir pourquoi il és ému. »
« Je pleure et je ne sais pourquoi, cela me rend triste sans raison et c’est ridicule » Léonie. « c’est la 2e personne qui est désolée d’être partie du Havre et qui provoque les larmes. »
« (Marie) La scène se terminait par plusieurs vomissements de sang après lesquels tout rentrait à peu près dans l’ordre. Après une ou 2 journées de repos, M. se calmait et ne se souvenait de rien. » « des poses de terreur »
« Elle resta ainsi 7 mois à l’hôpital sans que les diverses médications et l’hydrothérapie qui furent essayées eussent amené la moindre modification. D’ailleurs les suggestions thérapeutiques, en particulier, les suggestions relatives aux règles, n’avaient que de mauvais effets et augmentaient le délire. » « Je songeai alors à la mettre dans un somnambulisme profond, capable, comme on l’a vu, de ramener des souvenirs en apparence oubliés, et je pus ainsi retrouver la mémoire exacte d’une scène qui n’avait jamais été connue que très incomplètement. »
« À l’age de 13 ans, elle avait été réglée pour la première fois, mais, par suite d’une idée enfantine ou d’un propos entendu et mal compris, elle se mit en tête qu’il y avait à cela quelque honte et chercha le moyen d’arrêter l’écoulement le plus tôt possible. Vingt heures à peu près après le début, elle sortit en cachette[esconderijo]et alla se plonger dans un grand baquet[banheira]d’eau froide. Le succès fut complet, les règles furent arrêtées subitement, et, malgré un grand frisson qui survint, elle put rentrer chez elle.Elle fut malade assez longtemps et eut plusieurs jours de délire. Cependant tout se calma et les menstrues ne reparurent plus pendant 5 ans. Quand elles ont réapparu, elles ont amené les troubles que j’ai observés. Or, si l’on compare l’arrêt subit, le frisson, les douleurs qu’elle fait en somnambulisme et qui, d’ailleurs, a été confirmé indirectement, on arrive à cette conclusion : Tous les mois, la scène du bain froid se répète, amène le même arrêt des règles et un délire qui est, il est vrai, beaucoup plus fort qu’autrefois, jusqu’à ce qu’une hémorrhagie supplémentaire ait lieu par l’estomac. Mais, dans sa conscience normale, elle ne sait rien de tout cela et ne comprend même pas que le frisson est amené par l’hallucination du froid ; il est donc vraisemblable que cette scène se passe au-dessous de cette conscience et amène tous les autres troubles par contre-coup. »
« Il fallut la ramener par suggestion à l’âge de 13 ans, la remettre dans les conditions initiales du délire, et alors la convaincre que les règles avaient duré 3 jours et n’avaient été interrompues par aucun accident fâcheux. Eh bien, ceci fait, l’époque suivante arriva à sa date et se prolongea pendant 3 jours, sans amener aucune souffrance, aucune convulsion ni aucun délire. »
« les crises de terreur étaient la répétition d’une émotion que cette jeune fille avait éprouvée en voyant, quand elle avait 16 ans, une vieille femme se tuer en tombant d’un escalier, le sang dont elle parlait toujours dans ses crises était un souvenir de cette scène ; quant à l’image de l’incendie, elle survenait probablement par association d’idées, car elle ne se rattache à rien de précis. »
« Enfin je voulais étudier la cécité d’oeil gauche, mais Marie s’y opposait lorsqu’elle était éveillée, en disant qu’elle était ainsi depuis sa naissance. Il fut facile de vérifier, au moyen du somnambulisme, qu’elle se trompait : si on la change en petit enfant de 5 ans suivant les procédés connus, elle reprend la sensibilité qu’elle avait à cet âge et l’on constate qu’elle y voit alors très bien des 2 yeux. C’est donc à l’âge de 6 ans que la cécité a commencé. (…) un incident futile.On l’avait forcée, malgré ses cris, à coucher avec un enfant de son âge qui avait de la gourme [impetigo] sur tout le côté gauche de la face. »
« Je la ramène [em hipnose, artificialmente] avec l’enfant dont elle a horreur, je lui fais croire que l’enfant est très gentil et n’a pas la gourme, elle n’en est qu’à demi-convaincue.Après 2 répétitions de la scène, j’obtiens gain de cause et elle caresse sans crainte l’enfant imaginaire.La sensibilité du côté gauche réapparait sans difficulté et, quand je la réveille, Marie voit clair de l’oeil gauche. »
« j’ai trouvé cette histoire intéressante pour montrer l’importance des idées fixes subconscientes et le rôle qu’elles jouent dans certaines maladies physiques aussi bien que dans les maladies morales. »
« N’est-il pas raisonnable quand il se dit possédé par un esprit, persécuté par un démon qui habite au dedans de lui-même ? Comment douterait-il, quand cette 2e personnalité, empruntant son nom aux superstitions dominantes, se déclare elle-même Astaroth, Léviathan ou Belzébuth ? La croyance à la possession n’est que la traduction populaire d’une vérite psychologique. »
« Certaines femmes sont même assez fières de ce détraquement de leur personnalité et se plaisent à consulter, sur toutes les affaires de la vie, ‘la petite affaire qu’elles croient avoir au coeur ou à l’estomac et qui leur donne de bons conseils’. (Deleuze, Mémoire sur la faculté de prévision, 1836) »
O SÓCRATES DOS TEMPOS PÓS-PSIQUIÁTRICOS: « Un sujet ne répondait jamais aux questions, disait Charpignon, sans dire : ‘Je vais consulter l’autre…, c’est le génie chargé de me guider et de m’éclairer.’»
Paul Richer, La grande hystérie, (op. cit.) para histórias de loucura coletiva como a do convento de Loudun, em que todos os monges sentiam-se possuídos e assombrados por espíritos malignos.+ Bérillon, Dualité cérébrale, p. 102(ib., o depoimento do padre Surin) + Regnard, La sorcellerie, 1887.
“Quelquefois il y a plusieurs esprits dans une même personne, les uns bons, les autres mauvais, qui se disputent entre eux : ‘Un enfant est possédé par 2 esprits, l’un mauvais, l’autre bon ; dans ses crises, sa bouche changeant de ton, parlait successivement pour l’un et pour l’autre.’ (Maudsley) »
« Nous n’avons pas cherché dans ce chapitre des lois nouvelles, nous avons simplement constaté des applications nombreuses, et quelquefois compliquées, de lois anciennes. »
4. LA FAIBLESSE ET LA FORCE MORALES
4.1 LA MISÈRE PSYCHOLOGIQUE
« Les sujets hypnotisables, ainsi que les médiums spirites, puisque nous savons qu’ils sont identiques, sont-ils des malades ou des gens bien portants ? Cette question a donné lieu aux controverses les plus vives et les plus embarrassantes. (…) Pour ceux-là, un somnambulisme est une crise d’hystérie; pour les autres, c’est une forme du sommeil naturel. (…) nous essayerons seulement, sans parler d’une manière générale, de montrer à quelle position intermédiaire nos propres observations nous ont amené. »
« Il est même difficile de comprendre comment certains auteurs ont pu penser que les manifestations hystériques rendaient les expériences difficiles. » « A mon avis, les plus belles études sur les somnambulismes ou existences successives, sur les suggestions, sur les actes subconscients ou existences simultanées, sont faites sur des hystériques, et afin de fournir des exemples nets et faciles à étudier je n’ai guère cité dans cet ouvrage que des expériences accomplies avec ces malades. »
« Le meilleur signe du retour à la santé parfaite c’est la cessation de l’aptitude au somnambulisme. »
Despine
« Lors de mes premières études sur Lucie, j’ignorais absolument cette loi ; je cherchais, dans l’intérêt du sujet et pour la commodité même de mes expériences, à faire disparaître les symptômes hystériques, mais je comptais bien conserver le somnambulisme. Aussi ai-je été fort désappointé quand il a fallu constater que mes expériences devenaient impossibles, car le sujet n’avait plus d’actes subconscients et ne pouvait plus être hypnotisé. (…) 18 mois plus tard, elle vint se plaindre de quelques troubles nerveux, migraines, cauchemars, etc. : l’anesthésie était revenue et elle fut hypnotisée en un instant. »
« Trois hystériques qui avaient, comme je le savais, des crises fort différentes les unes des autres, avaient été réunies dans la même salle. Je fus tout étonné de voir qu’elles avaient confondu leurs symptômes et qu’elles avaient maintenant toutes les 3 la même crise, avec les mêmes mouvements et le même délire, les mêmes invectives contre le même individu. »
« L’ivresse de l’alcool, comme nous en avons montré un exemple curieux, rend un homme plus suggestible et plus automatique qu’une somnambule. Les études de Moreau de Tours sur l’ivresse du haschich sont encore plus précises sur ce point. (…) Les époques menstruelles, comme je l’ai constaté chez Lucie et chez Marie, rendent de nouveau hypnotisables et suggestibles des personnes qui ne l’étaient plus. Enfin, les impulsions et les idées fixes sont bien des formes de désagrégation mentale et de suggestion, et elles se présentent chez une foule d’individus qui ne sont pas des névropathes, au sens précis du mot. »
« Que l’on fasse une expérience simple, que l’on prenne une vingtaine de personnes, des hommes de préférence, de 30 à 40 ans, bien portants au physique et au moral, n’ayant aucune hérédité, ni aucun antécédent névropathique, [isso está cada vez mais difícil] et que, sans procédés fatigants qui commencent par les rendre malades, on essaye de provoquer chez eux le somnambulisme caractéristique ou l’écriture automatique. Si on obtient ces phénomênes sur la moitié seulement de ces personnes, nous nous rendrons très volontiers et nous reconnaîtrons que le somnambulisme est normal. »
« Ce n’est pas l’hystérie qui constitue un terrain favorable à l’hypnotisme, mais c’est la sensibilité hypnotique qui constitue un terrain favorable pour l’hystérie et pour d’autres maladies. »
Ochorowicz, Suggestion mentale
« En quoi consiste cet état maladif : il est assez difficile de le déterminer exactement ; nous ne pouvons en avoir qu’une notion approximative par le raisonnement et par l’observation. »
« On s’apercevait que, de temps en temps, elle interrompait son discours et en commençait un autre, sans se souvenir de ce qui avait été en question auparavant. »
Saint-Bourdin, Catalepsie, descrevendo a Síndrome de Edson
« la désagrégation n’est pas une excitation, c’est une dépression et une faiblesse. C’est une illusion naturelle, en entendant un fou crier et une hystérique babiller, que de les croire excités. » (Polêmica com Moreau de Tours)
« On sait que les hystériques, comme les anémiques, ne mangent pas et n’assimilent [no sentido psicológico] pas ; comme dans ces cercles vicieux pathologiques qui sont fréquents, c’est là à la fois le principe et la conséquence de leur mal. » Daí deriva o quadro de misère psychologique ou miséria psicológica (descrito também por Durkheim quase à mesma época), conquanto ele a chamaria de miséria neurastênica.
« la force morale de l’individu n’est pas en rapport avec son âge, avec le nombre de sensations qu’il éprouve et le nombre d’images que sa mémoire renferme, c’est un esprit d’enfant dans un corps de femme. »
« L’hystérique a des sens subtils qui s’exercent sans cesse et une riche mémoire, ou vivent indéfiniment toutes les images du passé et tous les systèmes psychologiques, organisés autrefois, mais elle n’a qu’un pouvoir ordonnateur actuel analogue à celui de l’enfant et de l’idiot : aussi ne sait-elle que faire de sa fortune. » Diferente também de Bread, aqui não vejo uma analogia com a “economia diária” do sujeito nervoso ou neuropata, mas algo mais grave: com minhas limitações fisiológicas, ou herdadas psiquicamente, ou seja, produto de pais decadentes, o meu grau superior de intelecção e meu talento… tudo isso é posto em xeque, é deitado a perder, porque eu não tenho os meios, eu não tenho o corpo físico necessário, para suportar e administrar tamanho poder/saber. Fui longe demais, até mais longe do que minha linhagem me permitiria normalmente, então começo a ratear depois do grande amadurecimento dos 18-22 anos. Em suma, vivo adoecido, sábio e estagnado ao mesmo tempo, sem poder sair desse quadro congelado – e o que é duplamente mais torturante, ciente dele eu mesmo! Não tenho o cinismo dos carreiristas nem a energia de sobra demandada do artista para triunfar em uma sociedade que nega a subsistência via arte o tempo todo – limbo infernal.
« c’est le même administrateur très médiocre, à la tête d’une grande usine, qui oublie ses fonctions et qui laisse les employés et les machines s’amuser et s’affoler sans surveillance. (…) Le même état de misère psychologique, durant sans cesse, permet au jeu automatique des éléments de prendre toutes les formes.Un autre fait caractéristique, c’est qu’il est très facile de modifier artificiellement la nature des accidents ou la forme que l’automatisme prend à tel ou tel moment, car, en raison de sa faiblesse, l’esprit du sujet est d’une plasticité extraordinaire.
Supprimer l’existence personnelle que le sujet a en ce moment et la remplacer par une autre, ce n’est pas une chose bien difficile, puisque cette forme d’existence n’est qu’une centralisation très instable d’un petit nombre d’éléments pris presque au hasard au milieu d’un grand nombre d’autres qui ne demandent qu’à agir et à se manifester. »
« …la fatigue causée par une fixation prolongée seront de bonnes occasions, pour les autres éléments jusqu’alors incohérents, de se centraliser un peu à leur tour et de prendre l’avantage » Poderíamos aplicar o mesmo raciocínio à mania?
« on peut aussi … exciter un des éléments de cet état nouveau qui existe au-dessous de la conscience actuelle. Il suffisait de parler de vipère à Louis V…, ou de grenouilles à une malade du Dr. Pitres, pour amener la crise d’hystérie ; il suffit de mettre les bras de Lucie dans la posture de la terreur pour provoquer la grande crise d’hystéro-épilepesie. » A visão e audição do Pai Mau: gatilho do modo “sobrevivendo na trincheira”. PTSD.
« le point de départ des accidents … [de] l’état de misère psychologique » F. leu Janet e o perverteu. Achou sua mina de ouro (pseudanálise).
PONTO DE VISTA PESSIMISTA SOBRE A POSSIBILIDADE DA CURA: « …Très souvent à l’hérédité; ce n’est pas seulement en psychologie que la richesse et la pauvreté seraient héréditaires. Peut-être à un état d’affaiblissement physique survenu accidentellement, comme dans la convalescence de certaines maladies. Peut-être à d’autres causes morales que nous ne connaissons pas. Sauf des cas très rares, il ne me semble pas que l’on puisse arriver à guérir par suggestion l’état même de misère psychologique qui est une condition essentielle de l’exécution des suggestions. Mais les progrès de la médecine et de la psychologie unies désormais permettront peut-être de mieux comprendre et de mieux traiter cet état maladif. [É aqui em que não avançamos nada.] »
« Cet état, au lieu d’être constitutionnel et permanent, peut être accidentel et passager. Une femme peut être normalement forte et sensée et tomber, à certains moments, dans un état de faiblesse irritable avec la distraction, les anesthésies systématisées et la suggestibilité caractéristiques. Un homme, qui d’ordinaire résisterait à toute idée fausse, peut prendre un esprit étroit et suggestible, dans un état de fatigue, de sommeil ou d’ivresse. L’épuisement consécutif à de grands efforts d’attention, à des travaux intellectuels prolongés, a souvent ce résultat. »A morte de um pai abusivo já foi a cura de alguém?! Bêbado de livros…
« Une des causes les plus curieuses et les plus fréquentes d’une misère psychologique momentanée, c’est aussi l’émotion, dont la nature est encore si mal connue. »
« Hack-Tuke [Le corps et l’esprit] cite à plusieurs reprises des individus qui sont devenus aveugles ou sourds à la suite d’une forte émotion. »
« C’est en vain que les circonstances fâcheuses disparaissent et que l’esprit essaye de reprendre sa puissance accoutumée, l’idée fixe, comme un virus malsain, a été semée en lui et se développe à un endroit de sa personne qu’il ne peut plus atteindre, elle agit subconsciemment, trouble l’esprit conscient et provoque tous les accidents de l’hystérie ou de la folie. »
« On a amené a l’hôpital une jeune fille de 17 ans qui a commencé des crises de terreur parce qu’elle a été suivie la nuit dans les rues par un inconnu au moment de ses époques ; c’est au même moment que Marie a fait les sottises qui ont laissé une si forte marque sur sa vie ; les exemples de ce genre sont innombrables. »
« C’est pour cela que les idées fixes de ces malheureux sont rattachées à leur profession, aux livres qu’ils ont l’occasion de lire, aux paroles qu’ils entendent dans leurs moments de faiblesse. » Terrível…
« C’est l’actualité qui décide des formes de la folie, parce que ce sont les circonstances actuelles qui les provoquent, mais ces idées ne créent ni la folie ni la prédisposition à la folie, elles n’expliquent pas cet état nerveux, cette hyperesthésie physique et morale que l’hérédité a déposée au fond de leur être et qui finit tôt ou tard par emporter et la raison et la conscience. »
Moreau de Tours, Psychologie morbide
« L’idée fixe ne survient pas sans raison, c’est le résultat d’une modification profonde, radicale de toute l’intelligence. [2008…] C’est une faute énorme de psychologie que de la confondre avec l’erreur… Le fou ne se trompe pas, il agit dans uns sphère intellectuelle différente de la nôtre qu’on ne peut pas plus redresser, que la veille ne peut redresser les rêves… Les idées fixes sont les partie détachées d’un état de rêve qui se poursuit dans la veille… C’est un rêve partiel… »
ibid.
« …c’est l’idée principale d’un rêve qui survit au rêve qui l’a engendrée. »Há algo especial em eu ter tido o « sonho perfeito » justo ao terminar a UnB e no intervalo de poucos dias entre a diplomação e a entrada em exercício na escola… Com a morte dele.
« Vous ne modifiez pas de la même manière un aliéné, [comparado ao histérico] parce que vous ne l’étudiez d’ordinaire que dans la période où son délire est organisé et quand l’intelligence est revennue à un état d’équilibre stable qu’on ne peut déranger. »
« Ainsi, j’aurais essayé d’enivrer una 2e fois le malade d’Érasme [Erasmus] Darwin [avô de Charles Darwin], afin de rechercher si l’on ne pourrait pas, dans une nouvelle ivresse, avoir plus de pouvoir sur l’idée fixe. On pourrait aussi attendre quelquefois des états périodiques qui ramèneraient les conditions initiales du délire. Mais on comprend que, de toutes manières, on se trouve en présence de toutes autres difficultés. Je persiste cependant à croire que la psychologie pathologique, qui fait depuis quelques années ses premiers pas, réserve des secours inattendus pour le soulagement des aliénés. » Maldito século XX, maldita psicanálise! Destruiu todas as esperanças e experiências de uma ciência em seu berço!
E a miséria psicológica nada mais é que epifenômeno derradeiro de uma miséria social e cultural profunda!
4.2 LES FORMES INFÉRIEURES DE L’ACTIVITÉ NORMALE
« Recherchons rapidement dans la vie normale les faits analogues à ceux que nous avons étudiés et qui semblent être soumis aux mêmes lois. »
« Pas plus que le somnambule suggestible, le rêveur ne s’étonne, ne doute de ce qu’il pense ; [mais ou menos…] il subit sans résistance l’automatisme des éléments auxquels son ésprit est reduit. Un léger bruit, une lueur, un pli du drap, un état du corps provoquent la suggestion ; la disposition des organes de telle ou telle manière propre à exprimer une émotion ou une passion, donne au rêve sa direction générale, et tout se passe comme dans un automatisme régulier. Nous avons également, même pendant la veille normale, des phénomènes psychologique qui nous échappent entièrement. »
Análise, no homem «normal», e em vigília, do(a)(s):
– distração;
– instinto;
– hábito;
– paixão.
Distração
« Nous disons qu’un homme est distrait quand il ne voit pas ou n’entend pas une chose qu’il devrait voir ou entendre, et ensuite quand il accomplit sans le savoir des actes qu’il n’aurait pas consenti à accomplir s’il les avait connus complètement.
Un homme préocuppé chassera une mouche de son front sans la sentir, répondra à des questions qu’il n’a pas entendues, ou, comme Biren, duc de Courlande, qui avait l’habitude de porter à sa bouche des morceaux de parchemin, [!] détruira un important traité de commerce sans le voir. (Garnier,Facultées de l’âme, I) Qui n’a entendu parler des exploits de ces personnages qui, lorsqu’ils parlent à table, versent de l’eau indéfiniment jusqu’à inonder les convives ou continuent à mettre du sucre dans leur tasse jusqu’à la remplir ? les anecdotes de ce genre sont innombrables. »
« Journée de misère et d’abattement extrême, écrit Maine de Biran dans ce journal si curieux où il fait sur lui-même des études de psychologie expérimentale, j’ai dîné chez le chancelier, je me suis trouvé dans un état de trouble, d’embarras, de surdité momentanée… Je suis comme un somnambule au milieu de ce monde gai et léger, mécontent des autres parce que je le suis de moi-même. »
Finalmente:« Mais la même distraction pourra être due à une concentration excessive de la pensée, d’un autre côté, à une grande puissance d’attention qui sans retrécir la pensée véritablement déplace le champ de la conscience. »
« je vois trop au dedans pour bien voir au dehors. »
Instintos
« On entend dans le bruit des cloches des paroles scandées, on voit les personnages auxquels on pense, ou bien on fait des gestes brusques et l’on parle tout haut. Tout ces réflexes psychiques ont été étudié ailleurs quand ils étaient isolés et grossis, il suffit de rappeler qu’ils jouent aussi un rôle considérable dans l’attitude et la physionomie de l’homme le plus normal [ou genial]. (…) les actes instinctifs qui sont assez rares chez l’homme, tandis qu’ils jouent un rôle important chez l’animal. »
Lemoine, Habitude et instinct
Espinas, L’évolution mentale chez les animaux
Hábito, costume ou memória
« Les phénomènes conscients ne sont pas supprimés, car nous pouvons retrouver la conscience des choses que nous conservons dans le souvenir, ou que nous faisons par habitude, mais elle est négligée, comme si ces phénomènes suffisamment exercés pouvaient être sans inconvénient livrés à eux-mêmes. » Exemplo: fumar e jogar o cigarro fora. “Quando foi que o fiz? Nem me dei conta!”
O homem distraído se diz: traiu!
“pour trouver l’orthographe d’un mot que nous ignorons, nous laissons notre plume [ou mãos no teclado] écrire automatiquement, à peu près comme le médium interroge son esprit. »
« Je me rappelle, écrit Erasme Darwin, avoir vu cette jeune et jolie actrice qui répétait sa partie de chant, en s’accompagnant du forte-piano sous les yeux de son maître, avec beaucoup de goût et de délicatesse ; j’aperçus sur sa figure une émotion dont je ne pus définir la cause ; à la fin, elle fondit en larmes ; je vis alors que, pendant tout les temps qu’elle avait employé à chanter, elle avait contemplé son serin qu’elle aimait beaucoup, qui paraissait souffrir et qui, dans ce moment, tomba mort dans sa cage. » Mesmo princípio de aprender a ler e entender a leitura e ouvir a música e apreciar a música simultaneamente, para não dizer do escrever (se bem que consigo me absorver bem mais, ou melhor, não consigo deixar de me absorver quase exageradamente no ato da escrita, sem atenção flutuante…). Agora entendo o talento musical de tocar guitarra e cantar ao mesmo tempo, por exemplo! Nada extraordinário para um grande guitarrista e/ou cantor que já ensaiou o suficiente!
Paixão
“La plus curieuse manifestation de l’automatisme psychologique chez l’homme normal est la passion qui ressemble, beaucoup plus qu’on ne se le figure généralement, à la suggestion et à l’impulsion et qui, pendant un moment, rabaisse notre orgueil en nous mettant au niveau des fous. (…) Tout le monde sait que la passion ne dépend pas de la volonté et ne commence pas quand nous voulons; pour prendre un exemple, il ne suffit pas de le vouloir pour devenir amoureux. » Minha incapacidade após certos anos: denota fraqueza, i.e., miséria psíquica/psicológica? Ou controle do incontrolável (imponderável)?!
“De même, c’est en vain qu’on s’exciterait soi-même à l’ambition ou à la jalousie ; on aurait beau déclarer ces passions utiles ou nécessaires, on ne pourrait pas les éprouver. »
« la passion ne peut commencer en nous qu’à certains moments, lorsque nous sommes dans une situation particulière. On dit ordinairement que l’amour est une passion à laquelle l’homme est toujours exposé et qui peut le surprendre à un moment quelconque de sa vie, depuis 15 ans [haha!] jusqu’à 75 [haha!]. Cela ne me parait pas exact et l’homme n’est pas toute sa vie, à tout moment, susceptible de devenir amoureux.Lorsqu’un homme est bien portant au physique et au moral, qu’il a la possession facile et complète de toutes ses idées, il peut s’exposer aux circonstances les plus capables de faire naître en lui une passion, mais il ne l’éprouvera pas. Les désirs seront raisonnés et volontaires, n’entraînant l’homme que jusqu’où il veut bien aller et disparaissant dès qu’il veut en être débarrassé. Au contraire, qu’un homme soit malade au moral, [também não exageremos tanto!] que, par suite de fatigue physique ou de travaux intellectuels excessifs, ou bien après de violentes secousses et des chagrins prolongés, il soit épuisé, triste, distrait, timide, incapable de réunir ses idées, déprimé en un mot, et il va tomber amoureux ou prendre le germe d’une passion quelconque à la première et à la plus futile occasion. » Nem para isso eu servi por vários anos – o que explicaria? Que eu não estava no fundo do poço como acreditava?! Sobre algumas paixões colegiais, concordo, no entanto!
“Les romanciers, quand ils sont psychologues, l’ont bien compris : ce n’est pas dans un instant de gaieté, [pode sim acontecer] de hardiesse et de santé morale que commence l’amour, c’est dans un instant de tristesse, de langueur et de faiblesse. Il suffit alors de la moindre chose ; la vue d’un visage quelconque, un geste,[hmm] un mot qui nous aurait l’instant précédent laissés tout à fait indifférents, nous frappe et devient le point de départ d’une longue maladie amoureuse.¹ Bien mieux, un objet, qui n’avait fait en nous aucune impression, dans un instant où notre esprit mieux portant n’était pas inoculable, a laissé un souvenir insignifiant qui réapparaît dans un moment de réceptivité morbide. Cela suffit, le germe est maintenant semé dans un terrain favourable, il va se développer et grandir. »
¹ Chamar de doença é já defeito ou conseqüência da única doença nisso tudo: o Romantismo europeu.
“Il y a d’abord, comme dans toute maladie virulente, une période d’incubation ; l’idée nouvelle passe et repasse dans les rêveries vagues de la conscience affaiblie, puis semble, pendant quelques jours, disparaître et laisser l’esprit se rétablir de son trouble passager. Mais elle a accompli un travail souterrain, elle est devenue assez puissante pour ébranler le corps et provoquer des mouvements dont l’origine n’est pas dans la conscience personnelle. Quelle est la surprise d’un homme d’esprit quand il se retrouve piteusement sous les fenêtres de sa belle où ses pas errant l’ont transporté sans qu’il s’en doute, quand au milieu de son travail il entend sa bouche murmurer sans cesse un nom toujours le même ! »
« Tel est la passion réele, non pas idéalisée par des descriptions fantaisistes, mais ramenée à ses caractères psychologiques essentiels. »
« Si l’on peut parler d’une autre passion bien plus minime, la passion du tabac chez un fumeur, nous trouvons dans un article de M. Delboeuf une confession qui a toute la valeur d’un document psychologique : ‘Le pot à tabac est à quelque distance de moi à sa place habituelle, je le sens qui m’attire. Tout à coup je me lève et me dirige inconsciemment vers lui. Je m’aperçois de ma faiblesse, je me rassieds et reprends ma lecture. Voilà que machinalement ma main plonge dans me poche et en tire le cahier à cigarettes. Irrité contre moi, je remets violemment le cahier à sa place,’ etc. »Delboeuf, Le sentiment de l’effort, Revue Philosophique, 1882, II, p. 516.
j’ai fu mer
fui mer
fut, chère
« On aura beau nous démontrer d’une manière irréfutable que cet amour est absurde, que cette frayeur est ridicule, nous en serons convaincus, mais nous serons toujours amoureux et effrayés. La passion se guérit quelquefois par sa satisfaction, quand l’idée fixe a amené définitivement l’acte auquel elle correspond, et disparaît par épuisement ; elle peut aussi se guérir par une secousse nouvelle qui bouleverse encore les couches de la conscience et nous permet de reprendre possession des idées émancipées. » Águas em que se banha duas vezes, Hera & Clito ?
« Nous n’avons vraiment pas besoin de prendre du haschisch comme faisait Moreau de Tours pour savoir par nous-mêmes ce qu’est la folie : qui donc peut se vanter de n’avoir jamais été fou ? »
« la lutte ‘des 2 hommes’ qui se partagent notre coeur et conscience a été décrite dans toutes les religions et dans toutes les philosophies. »
« Que la peinture est un art sublime, pensait mon âme, heureux celui que le spectacle de la nature a touché…… Pendant que mon âme faisait ces réflexions, l’autre allait son train, et Dieu sait où elle allait ! — Au lieu de se rendre à la cour, comme elle en avait reçu l’ordre, elle dériva tellement sur la gauche, qu’au moment où mon âme la rattrapa, elle était à la porte de Mademoiselle de Hautcastel, à un demi-mille du palais royal. Je laisse à penser au lecteur ce qui serait arrivé, si elle était entré toute seule chez une aussi belle dame….. Je donne ordinairement à ma bête [segund’alma, a paixão] le soin des apprêts de mon déjeuner ; c’est elle qui fait griller mon pain et le coupe en tranches. Elle fait à merveille le café et le prend même très souvent sans que mon âme s’en mêle, à moins que celle-ci ne s’amuse à la voir travailler…… J’avais couché mes pincettes sur la braise pour faire griller mon pain ; et, quelque temps après, tandis que mon âme voyageait, voilà qu’une souche enflammée roule sur le foyer. — Ma pauvre bête porta la main aux pincettes et je me brûlai les doigts. (…) là, ma main s’était emparée machinalement du portrait de Mme de Hautcastel et l’autre, s’amusait à ôter la poussière qui le couvrait. Cette occupation lui donnait un plaisir tranquille, et ce plaisir se faisait sentir à mon âme, quoiqu’elle fût perdue dans les vastes pleines du ciel…….. Toute la figure parut renaître et sortir du néant. Mon âme se précipita du ciel comme une étoile tombante ; elle trouva l’autre dans une extase ravissante et parvint à l’augmenter en la partageant… (…) C’est un parfait honnête homme que M. Joannetti(son domestique). Il est accoutumé aux fréquents voyages de mon âme, et ne rit jamais des inconséquences de l’autre ; il la dirige même quelquefois lorsqu’elle est seule : en sorte qu’on pourrait dire alors qu’elle est conduite par 2 âmes. Lorsqu’elle s’habille, p.ex., il m’avertit par un signe qu’elle est sur le point de mettre ses bas à l’envers, ou son habit avant sa veste. Mon âme s’est souvent amusée à voir le pauvre Joannetti courir après la folle sous les berceaux de la citadelle, pour l’avertir qu’elle avait oublié son chapeau, une autrefois son mouchoir ou son épée. » Spencer, Psychologie, I.
A BELA & A FERA: SOLIPSISMO!
« Décrire davantage ces phénomènes serait renouveler des études déjà faites »
4.3 LE JUGEMENT ET LA VOLONTÉ
« Il est fort difficile, je ne dis même pas d’expliquer la nature de la volonté, mais même de reconnaître et de décrire un acte volontaire, car les psychologues sont loin d’être d’accord sur les signes qui le caractérisent. »
« C’est dans le même sens que beaucoup de physiologistes, comme Bastian, disent qu’un acte volontaire est simplement précédé par l’idée ou la représentation du genre de mouvement à exécuter. » « Si on admet cette définition, tous les mouvements possibles exécutés par un être vivant seront des mouvements volontaires : ainsi que toutes nos études l’ont démontré, il n’y a pas d’action même chez les somnambules, même chez les cataleptiques, qui ne soit précédée ou mieux accompagnée par la représentation qui amène l’action et les mouvements. »
« L’hésitation provient simplement de la lutte de plusieurs idées qui s’opposent les unes aux autres avant que la plus forte n’ait triomphé, et cette lutte peut exister dans les actions mécaniques comme dans les autres. »
« la théorie bien connue du sentiment de l’effort »« après les études de M. William James (The feeling of effort), qui ne me semblent pas avoir été réfutées, je ne crois pas qu’il y ait encore lieu de discuter cette théorie. Le sentiment particulier dont parle Rey Régis est un ensemble de sensations musculaires qui existent dans tous les mouvements volontaires ou non, mais qui sont toutes particulières quand nous portons nous-mêmes le poids de notre bras et surtout quand nous le chargeons d’un objet. »
« L’acte volontaire ne pouvant pas s’intercaler entre l’idée et le mouvement qui sont toujours indissolublement unis, c’est dans l’idée elle-même, dans le phénomène intellectuel proprement dit qu’il faut le chercher. »
« les jugements ou idées de rapports sont, dans l’intelligence, des phénomènes différents des sensations, des images et des perceptions, qui ne sont que des groupes d’images associées entre elles. » (sempre a velha distinção a priori x experiência)
« L’idée de ressemblance, p.ex., n’est pas une sensation, ni una image, car elle n’est ni rouge, ni bleue, ni chaude, ni sonore ; elle n’est pas non plus un groupe d’images, car une addition de ce genre formerait une image nouvelle et la ressemblance ne peut en aucune façon être représentée. » « La ressemblance à laquelle je pense en voyant Pierre et Paul n’est identique ni à Pierre ni à Paul »
« le jugement esthétique n’est pas identique à une mosaïque de sensations agréables juxtaposées. Que l’on appelle ces phénomènes nouveaux des réflexions, comme fait Maine de Biran, ou des aperceptions, comme les nomme Wundt après Leibniz, ou simplement des jugements, peu importe, pourvu qu’on ne les confonde pas avec des phénomênes psychologiques tout différents. »
« Je ne fais que répéter les conclusions brillamment soutenues par plusieurs auteurs et en particulier par M. Rabier. » Como alguém tão brilhante pôde recair tanto no esquecimento? Não me parece um autor original!
« nous jugeons[que l’acte est]en plus … utile ou nécessaire. »
« Au lieu d’agir semblablement dans les cas semblables, disait M. Fouillée, par un pur automatisme sans aucune conscience de la similitude comme la bête, il agira semblablement dans les cas semblables avec conscience de la similitude, c’est-à-dire avec un sentiment de la ressemblance assez fort pour être réfléchi et aperçu. »
« les paroles sont déterminées par les images visuelles ou auditives du mot ‘ressemblance’ et non par l’idée de rapport qu’il exprime. »
« …synthétisent d’une manière nouvelle… »
« ‘L’effort volontaire’ consisterait justement dans cette systématisation »
« La faiblesse de synthèse que nous avions reconnue chez les malades ne leur permet même pas complètement les synthèses élémentaires qui forment les perceptions personnelles » + « synthèses plus élevées »
« Les auteurs qui ont fait une étude si complète sur le mécanisme par lequel l’attention se développe et se conserve n’ont peut-être pas insisté suffisamment sur ce rôle du jugement dans l’attention : car c’est son intervention qui, à notre avis, caractérise la véritable attention volontaire. » « l’activité volontaire tend à faire régner l’unité dans notre esprit et tend à rendre réel l’idéal des philosophes, l’âme une et identique. »
Todo julgamento ou juízo é moral e transcendental. (resumo das próximas páginas)
“Il n’y a rien de plus libre, je ne dis pas d’une manière absolue ce qui ne signifie rien, mais relativement à la raison et à la science humaine, que ce qui ne peut pas être prévu, que ce dont la prévision est incompréhensible pour nous. » A liberdade está nos olhos de quem vê. Obviamente, como o mundo é humano, somos livres. Se houvesse um “terceiro olho cósmico e neutro”, isto é, um tipo de vida fora da vida, perceber-nos-ia como mero fatum.
« Une grande découverte scientifique qui bouleverserait la science ne peut pas être prévue par la science actuelle, puisque, par définition, elle en est la négation. (…) C’est (…) au moins dans sa forme et dans la nouvelle synthèse imposée aux éléments, une véritable création ex nihilo. » Voilà! Homem, o amigo do Nada. O nada, e o tudo, por ser o nada!
“C’est une illusion des esprits faibles que de croire sentir au fond de leur coeur des idées sublimes qu’ils ne peuvent réaliser. » Nem todos podem ser Goethe. Aliás, ninguém a não ser Goethe!
4.4 CONCLUSION
“Toute l’histoire de la folie, comme l’a soutenu Baillarger et après lui beaucoup d’aliénistes, n’est que la description de l’automatisme psychologique livré à lui-même »
« Les hommes ordinaires oscillent entre ces 2 extrêmes [genialidade e idiotia ou automatismo puro; o universal-no-individual contra o objetivo-e-onipresente-despersonalizado]”
CONCLUSION (général)
« Au début des travaux de psychologie, les philosophes insistérent sur une remarque, juste en général, nécessaire peut-être, la séparation radicale de l’esprit et du corps. Cette conception, qui avait sa raison d’être, fut très utile à un certain moment et contribua puissamment à fonder les études de psychologie ; mais elle avait aussi ses exagérations et ses dangers. Les inconvénients de cette hypothèse se manifestèrent d’abord dans la métaphysique, et la difficulté d’expliquer l’action réciproque de l’âme et du corps força les philosophes à construire les systèmes les plus bizarres. (…) la philosophie modifia peu à peu sa conception primitive et, sous l’influence de Leibniz, puis sous celle de Kant, rapprocha singulièrement les 2 natures quelle avait crues inconciliables. Ce mouvement est tout naturel et se rattache parfaitement aux lois générales de l’intelligence. Pour comprendre les choses, il faut commencer par les séparer : la discrimination est le premier pas de la science ; mais, séparer, ce n’est pas comprendre, il faut ensuite réunir, synthétiser les termes différentes qu’on a distingués et établir cette unité dans la diversité, qui est propremente l’oeuvre de l’esprit humain. »
« Les théories de la faculté motrice, de l’effort musculaire, et même de la volonté me paraissent, dans la science, des suppositions absolument parallèles aux fameuses hypothèses du médiateur plastique, des causes occasionnelles ou de l’harmonie préetablie, dans la métaphysique. Ces intermédiaires cependant ne furent pas suffisants et, de plus en plus, on constate le rôle de l’activité et même du mouvement dans la pensée, et réciproquement le rôle de la pensée dans le mouvement. »
« Une théorie de l’intelligence pure, indépendante de l’organisme et du mouvement, n’est plus possible aujourd’hui, et bientôt une théorie de l’organisme purement mécanique sans intervention de la conscience sera également insoutenable. [Confirmado.]On ne peut plus considérer la psychologie et la physiologie comme indépendantes, on ne peut plus faire de l’une un appendice insignifiant de l’autre ; il faut avouer qu’il y a, entre ces 2 sciences, des rapports particuliers qui n’existent entre aucune autre, et qu’en se plaçant à des points de vue différents, elles font toutes 2 descriptions parallèles d’une seule et même chose. »
« Qui s’avisera de faire la théorie psychologique de la digestion ou la théorie physiologique du syllogisme ? » « La connaissance de l’homme, cela est certain, ne serait complète, dans une science idéale, que si chaque loi psychologique trouvait son pendant dans une loi physiologique. » « Dans l’étude qui nous occupe (…) il semble qu’aujourd’hui ce soit, pour un moment, la psychologie qui ait la prééminence, et les physiologistes eux-mêmes, ou doit le remarque comme un fait important, n’ont cru pouvoir expliquer les actes des somnambules qu’ils observaient qu’en faisant appel à des lois psychologiques. » A neurociência COM TODA A CERTEZA não é a resposta. Estamos mal…
« Cette création se répète pour chaque être nouveau qui réussit à former une conscience de ce genre, car, à proprement parler, la conscience de cet être qui vient de naître n’existait pas dans le monde et semble sortir du néant. La conscience est donc bien par elle-même, dès ses débuts, une activité de synthèse. »
NÃO HÁ ALFA OU ORIGO : « De même que la physiologie trouve l’organisation dans tous les éléments du corps organisé, la psychologie trouve déjà une organisation et une synthèse dans tous les éléments de la conscience auxquels elle peut remonter. »
APPENDICE
Alguns dos pacientes (provavelmente em grande parte apenas mulheres) citados na obra:
« Be. Jeune femme de 25. Père bien portant, mère nerveuse irritable sans accidents précis, un oncle maternel aliéné. (…) [Depois de crises histéricas aos 15, conseguiu a guérison.] Aujourd’hui, elle est bien portante [adoro a expressão!] et ne présente aucune espèce d’anesthésie ; au contraire, quand on examine chacun de ses sens séparément, elle a partout une sensibilité extrêmement fine. Le seul caractère anormal c’est une distraction très forte, un rétrécissement du champ de la conscience très visible et qui l’empêche de suivre 2 choses à la fois. »
« Blanche. Jeune fille de 18. Mère bien portante, père nerveux, bizarre, un tante maternelle aliénée. Elle est la dernière de 15 enfants dont 9 sont morts en bas âge, tous avant 3 ans, et dont les survivants sont assez bien portants. (…) [‘demi-epilética já aos 3; inteligência baixa, bulímica; cleptomaníaca em relação a comidas; come até o limite do estômago. Continua, em idade adulta, tendo convulsões análogas à epilepsia, mais raras, restritas ao eixo esquerdo. Sensibilidade só do lado direito. Progrediu pouco nos estudos.] »
“D. Jeune homme de 17 ans, cas de folie impulsive dont l’observation a été rapportée plus haut. » O BARBEIRO
« G. Jeune fille agée de 17. (…) [Histérica. Histórico dos pais desconhecido.]”
…
Não há pacientes com os dois pais sadios. Revelador.
“Léonie. F. 45. [Pai e avô epiléticos. Outros alienados na família paterna. Submeteu-se a tratamentos com magnetizadores na vida pregressa. Demi-histérica. Recidiva de crises violentas à menopausa. Anestesia total do lado esquerdo. Merecedora, segundo Janet, de uma biografia – mas foi tratada por uma década por outro médico.]”
“Lucie. F, 20. [Pai histero-epilético. Ataques na infância. Cegueira histérica temporária aos 9. Na idade adulta, as crises duram mais tempo, cerca de 5 horas. Anestésica total, diminuição da visão e audição. Hipnose suprimiu as crises temporariamente; em seguida vários outros sintomas associados. Quase recentemente saudável, por 18 meses. Recidiva parcial: pesadelos intensos e sonambulismo natural. Cura total por fim, durante mais 12 meses. Crises espaçadas e leves, tratáveis, até última atualização.]”
“Marie. Jeune fille de 19. Mère nerveuse irritable, aucun renseignement sur le père. [Crises de cólera desde a infância, seguidas de falta de ar. Aos 6 anos perdeu a visão do olhos esquerdo; retardou a segunda menstruação após menarca traumática, o que gerou histeria e crises de delírio anos depois. Atualmente dá sinais de recuperação total.]”
“Rose. Femme de 32, appartenant à une famille dont presque tous les membres du côté maternel, grand-père maternel, mère, tante, neveux, sont des hystériques convulsifs ; son frère aussi (…) [Paciente histérica do tipo mais grave na idade adulta. Anestesia e contrações crônicas. Cegueira histérica aos 15. Grandes períodos de crise, sucedidos de grande letargia. Menarca aos 20. Teve 8 filhos, todos mortos em tenra idade, antes de completar 1 ano de vida. Daltonismo ‘adquirido’, pois não era daltônica de nascença. Recuperava movimento das pernas após sessões de hipnose. Acessos cataléticos em hipnose. Contrações curadas a duras penas. Sintomas de histeria persistentes. Alta do hospital por 3 meses, depois recaída em paraplegia (insensibilidade das pernas) e retorno também das contrações.]”
« V. Femme de 28. Parents n’ayant présenté aucun accident nerveux.(…) [Aos 15 anos começou a padecer de crises de sonambulismo em que recitava um livro de história da França. Delírios. Dez anos de saúde. Aos 26 teve uma grande crise histérica após um acontecimento desestabilizador do emocional. Volta da recitação da história da França. 1 ano depois teve um ataque catalético ocasionado por um raio. À idade atual, angina, necessidade de se manter deitada. Após cura da angina, paralisia das pernas. Anestesia foi se alastrando para todo o corpo. Dores uterinas. Causa fisiológica descartada. Hipnose inútil contra a paralisia dos membros inferiores. Segunda personalidade recalcitrante. Depois de artifícios de Janet, ‘alucinada’, foi ‘convencida’, em hipnose, que podia movimentar as pernas. De repente recuperou toda a sensibilidade corpórea e cessaram dores uterinas. Um ano sem sintomas de histeria.] »
ÍNDICE DE OBRAS RECOMENDADAS, ORDENADAS PELA PRIORIDADE DA LEITURA E POR CATEGORIA
MYERS, F.W.H. Phantasms of the living, 1886, em 2 vols.(talvez as duas “obras” abaixo sejam apenas artigos deste livro maior!)
____. Automatic writing
____. Multiplex personality (a atual desordem de múltiplas personalidades, DID em inglês)
[sem autor] Seconde lettre de gros Jean à son évêque au sujet des tables parlantes, des possessions et autres diableries. Paris, Ledoyen, 1855 [vários parágrafos citados por J.]
MOREAU, Jacques-Joseph. Psychologie morbide. (artigo ou livro – Moreau de Tours foi o fundador dos Annales médico-psychologiques)
MAINE DE BIRAN. Essai sur les fondements de la psychologie
____. Du Hachisch et de l’aliénation mentale(disponível em archive.org/)
RIBOT, Théodule-Armand Constant.Psychologie de l’attention (Atenção para não confundir com o pintor Théodule Ribot! Aquele de que aqui se trata é o fundador da Revue philosophiquee, de modo geral, da psicologia na França.)
WUNDT. Éléments de psychologie physiologique
SPENCER, H. Principles of Psychology, 2 vols.
AZAM, E. Hypnotisme, double conscience et altérations de la personnalité : le cas Félida X
RIBOT. Maladies de la personnalité
MAINE DE BIRAN. Sur la décomposition de la pensée
BALLET, Gilbert.Langage intérieuret les Diverses Formes de l’Aphasie, 1886
GILLES DE LA TOURETTE, Georges. L’hypnotisme et les états analogues du point de vue médico-légal, 1887 (melhor fonte para estudar seriamente o espiritismo)
FOUILLEÉ. La psychologie des idées-forces
CHEVREUL. De la baguette divinatoire, du pendule dit explorateur et des tables tournantes, au point de vue de l’histoire, de la critique et de la méthode expérimentale
MAURY, Alfred. Le Sommeil et les rêves
DESPINE, Prosper Pierre. Théorie physiologique de l’hallucination (1881)
____. De La Contagion Morale: Faits Démontrant Son Existence (1870)
DESAGES, Luc. De l’extase
LEFEBVRE DE LOUVAIN. Louise Lateau de Bois d’Haine. Sa vie. Ses extases. Ses stigmates, 1870
DELBOEUF. « Le sentiment de l’effort » (artigo)
JAMES, W. What is an emotion
____. The feelinf of effort
JOLY. Sensibilité et mouvement
HACK-TUKE, Le corps et l’esprit
BAILLARGER. Recherches sur les maladies mentales, 2 volumes, 1890
BASTIAN, Adolf. Beiträge zur vergleichenden Psychologie, 1868
DESPINE. Étude scientifique sur le somnambulisme, sur les phénomènes qu’il présente et sur son action thérapeutique dans certaines maladies nerveuses, 1880
LASÈGUE. Études médicales
BÉRILLON. La dualité cérébrale
HERZEN. Le cerveau et l’activité cérébrale, 1887
BASTIAN. Die Lehre vom Denken « La science de la pensée », 3 vols.
____. Le cerveau et la pensée
LUYS. Études de physiologie et de pathologie cérébrales
RICHER, Paul. Études cliniques sur l’hystéro-épilepsie ou grande hystérie (1881) [não confundir com Charles RICHET]
SAINT-BOURDIN. Traité de la Catalepsie, 1841
BUZZARD, Thomas. Clinical Lectures on Diseases of the Nervous System (pioneiro da neurologia, epilepsia e Mal de Parkinson!)
BINET. « Les altérations de la conscience chez les hystériques » (artigo)
BINET & FÉRÉ. Le magnétisme animal
CHARPIGNON. Physiologie, médecine et métaphysique du magnétisme
____. Instruction pratique ou Introduction pratique sur le magnétisme animal, 1836
BERTRAND, A.J.F. Du magnétisme en France et des jugements qu’en ont porté les sociétés savantes, 1826 (tradução inglesa de 2004 – um dos primeiros estudiosos do mesmerismo)
____. Traité du somnambulisme et des différentes modifications qu’il présente, 1823
DAGONET.Annales médico-psychologiques
BERNHEIM. De la suggestion
RICHET. La suggestion mentale et le calcul des probabilitiés
BAIN, Alexander. Physiological Expression in Psychology(ver mais livros de Bain nas seções abaixo)
____. Mental and moral science: A compendium of psychology and ethics(archive.org)
BARAGNON. Magnétisme animal
LAFONTAINE. Art de magnétiser
GIBIER, Le spiritisme ou fakirisme occidental
CARPENTER. Mesmerism, Spiritualism, etc, Historically and Scientifically Considered
BERSOT. Mesmer. Le magnétisme et les tables tournantes
GASPARIN. Des tables tournantes
BEAUNIS, Étienne. Le somnambulisme provoqué: études physiologiques et psychologiques
CARPENTER. Principles of Mental Physiology, with their Applications to the Training and Discipline of the Mind, and the Study of its Morbid Conditions.
OCHOROWICZ. De la suggestion mentale
MAUDSLEY, Henry. Responsibility in Mental Disease, D. Appleton and Co., 1896 (disponível em archive.org/)
____. Pathologie de l’esprit
FARIA. De la cause du sommeil lucide
LEGRAND DU SAULLE. Le délire des persécutions
REGNARD. Les maladies épidémiques de l’esprit : sorcellerie, magnétisme, morphinisme, délire des grandeurs
PITRES. Des anesthésies hystériques
BERNHEIM. De l’amaurose hystérique et de l’amaurose suggestive
BARÉTY, Alexandre. Le magnétisme animal, étudié sous le nom de force neurique, rayonnante et circulante : dans ses propriétés physiques, physiologiques et thérapeutiques (archive.org)
MESNET, Urbain-Antoine-Ernest. O sonambulismo e a fascinação(já pelo fato de ter encontrado a bibliografia somente em português deve ser um livro dificílimo de achar)
WILKINSON, J.J.G. On Hypnotism(sobre a obra de James Braid)
BALL, B. La Morphinomanie
DUMONTPALLIER. Note sur l’analgésie thérapeutique locale déterminée par l’irritation de la région similaire du côté opposé du corps
MAGNAN, Valentin. De l’alcoolisme, des diverses formes de délire alcoolique et de leur traitement
BERNARD, Claude. Leçons de physiologie expérimentale appliquée à la médecine, 2 vols., 1855-56
GARNIER, Faculté de l’âme
LEMOINE. Habitude et instinct
SAURY. L’Hydroscope et le ventriloque, ouvrage dans lequel on explique d’une manière naturelle à la portée de tout le monde comment un jeune Provençal voit à travers la terre et par quel artifice ceux qu’on nomme ventriloques peuvent parler de manière que la voix paraisse venir du côté qu’ils veulent
LEURET. Du traitement des idées ou conceptions délirantes
RICHET, Charles. L’homme et l’Intelligence : fragments de psychologie et de physiologie
BERBEZ. Hystérie et traumatisme
MAGENDIE. Précis élémentaire de physiologie (2 vols.)
LANGE, Friedrich Albert. Geschichte des Materialismus und Kritik seiner Bedeutung in der Gegenwart. (History of Materialism and Critique of its Present Significance.), 1866 (Incluso no google drive, ver outras obras de Lange abaixo. Além disso, o curioso filósofo Fouillée tem um livro só sobre ele e Nietzsche.)
3. FILOSOFIA
LEIBNIZ. Principes de la natur et de la grâce
CONDILLAC, Étienne. Traité des sensations
BAIN, Alexander. Mental science: a compendium of psychology, and the history of philosophy, designed as a text-book for high-schools and colleges
____. The Emotions and the Will
____. The Senses and the Intellect
____. Pleasure and Pain
COLSENET. La vie inconsciente de l’esprit
BOUILLIER, Francisque. Théorie de la raison impersonnelle (1844)
LITTRÉ. Philosophie positive
PAULHAN, Fréderic. L’activité mentale et les éléments de l’esprit
4. BIOLOGIA & PROTO-ANTROPOLOGIA
MAINE DE BIRAN.Anthropologie
ESPINAS. L’évolution mentale chez les animaux
BUFFON. Discours sur la nature des animaux
____. Histoire naturelle (15 vols.)
5. BIOGRAFIAS & AUTOBIOGRAFIAS
MAINE DE BIRAN. Journal intime
6. PEDAGOGIA
DARWIN, E. A plan for the conduct of female education in boarding schools
BAIN, A. Education as a Science, 1884
7. SOCIOLOGIA
BAIN, A. Review of Herbert Spencer’s Principles of Sociology
8. FÍSICO-QUÍMICA
FARADAY, Michael. Experimental Researches in Chemistry and Physics(archive.org)
STROUMPOS. Scientific Paradoxes
9. OFTALMOLOGIA
DE WECKER, Louis. Échelle métrique pour mesurer l’acuité visuelle, 1877
10. CIÊNCIAS OCULTAS
DE MIRVILLE. Des esprits et de leurs manifestations fluidiques
DUPOTET. La magie dévoilée et la science occulte, 1852
TISSANDIER. Des sciences occultes et du spiritisme
GULDENSTUBBE. La réalité des esprits
BARON DU PREL. Philosophie der mystick
HELLENBACH, Geburt und Tod
11. PSEUDO-RELIGIÃO
Para quem tiver a cara e a coragem… Pois seria o último livro de toda essa bibliografia que eu leria… Recomendaria, no lugar, Gilles de la Tourette mais acima.
KARDEC. Livro dos médiums
12. SUGESTÕES EXTERNAS BASEADAS NA BIBLIOGRAFIA CITADA POR JANET (autores em ordem alfabética; dentro de cada autor, a ordem é a de relevância do tema):
BAIN. Elements of chemistry and electricity: in two parts(mais um polímata semi-tardio!)
____. Astronomy
____. Is There Such a Thing As Pure Malevolence?
BALL. Du délire des persécutions, ou Maladie de Lasègue
BALLET. Swedenborg; histoire d’un visionnaire aux XVIIIe siècle, 1897.
____. Psychoses et affections nerveuses, 1897.
____. Traité de pathologie mentale, 1903.
BALLET, G. & PROUST, A. L’Hygiène du neurasthénique (The Treatment of Neurasthenia)
BASTIAN. Die Vorgeschichte der Ethnologie
____. Kulturhistorische Studien unter Rückbeziehung auf den Buddhismus, 1900.
____. Der Buddhismus in seiner Psychologie, 1882.
____. Die Denkschöpfung umgebender Welt aus kosmogonischen Vorstellungen
____. Religionsphilosophische Probleme auf dem Forschungsfelde buddhistischer Psychologie und der vergleichenden Mythologie
____. Kontroversen in der Ethnologie
____. Die Völkerkunde und der Völkerverkehr
____. Allgemeine Grundzüge der Ethnologie
____. Ethnische Elementargedanken in der Lehre vom Menschen
____. Die Probleme humanistischer Fragestellungen und deren Beantwortungsweise unter den Zeichen der Zeit, 1901.
____. Vorgeschichtliche Schöpfungslieder
____. Die Seele indischer und hellenistischer Philosophie in den Gespenstern moderner Geisterseherei
____. In Sachen des Spiritismus
____. Wie das Volk denkt
____. Zur Mythologie und Psychologie der Nigritier in Guinea
____. Die samoanische Schöpfungssage und Anschließendes aus der Südsee
____. Über Klima und Acclimatisation
____. Das Geschichtsdrama am Kap der guten Hoffnung aus der Vogelperspektive
BUCHHEIT. Adolf Bastian and his universal archive of humanity. The origins of German anthropology(artigo sobre Adolf Bastian – procurar)
BUZZARD. With the Turkish Army in the Crimea and Asia Minor: A personal narrative. John Murray, London, 1915.
CARPENTER, W.B. (1839) Principles of General and Comparative Physiology, Intended as an Introduction to the Study of Human Physiology and as a Study Guide to the Persuit of Natural History.
CONDILLAC. Traité des animaux, une critique de l’Histoire naturelle de Buffon de 1749, 1755.
____. Le Commerce et le gouvernement considérés relativement l’un à l’autre, 1776. (grande polímata! suas obras completas dão 30 tomos…)
DESPINE. Psychologie naturelle. Étude sur les facultés intellectuelles et morales dans leur état normal et dans leurs manifestations anormales chez les aliénés et chez les criminels, F. Savy, 1868.
____. La Science du cœur humain, ou la Psychologie des sentiments et des passions, d’après les œuvres de Molière, F.Savy, 1884.
____. De la Folie au point de vue philosophique, ou plus spécialement psychologique, étudiée chez le malade et chez l’homme en santé, Savy, 1875.
____. Le Démon alcool, ses effets désastreux sur le moral, sur l’intelligence et sur le physique, moyens d’y porter remède, Savy, 1871.
____. Du Rôle de la science dans la question pénitentiaire, quelles sont les lumières dont la science peut éclairer cette question. (1878)
DESPINE, Charles-Humbert-Antoine(mais conhecido como Despine père). De l’emploi du magnétisme animal et des eaux minérales dans le traitement des maladies nerveuses : suivi d’une observation très curieuse de guérison de névropathie, 1840.
DICTIONNAIRE DE L’ETHNOLOGIE ET DE L’ANTHROPOLOGIE, 1991 (2008).
DUBOIS D’AMIENS & BURDIN. Histoire académique du magnétisme animal (1841).
EMMERICK, Anna Katharina & BRENTANO, Clemens. La Douloureuse Passion de Jésus-Christ – éditions F.X. de Guibert, Paris – 2004 (ISBN 2-86839-942-8).(Cette réédition récente, qui correspond à la première œuvre publiée, la seule du vivant de C. Brentano, a été adaptée par Lina Murr Nehmé.)
MAINE DE BIRAN. Œuvres de Maine de Biran (ed. Pierre Tisserand) (em 9 vols.)
MAURY, Alfred. Histoire des grandes forêts de la Gaule et de l’ancienne France (1850) « une 3e édition corrigée parut en 1867 sous le titre Les Forêts de la Gaule et de l’ancienne France »
MAYO. Philosophy of Living, 1851.
____. Powers of the Roots of the Nerves in Health and in Disease, 1837.
____. Observations on Injuries and Diseases of the Rectum, 1833.
LANGE. Über den Zusammenhang der Erziehungssysteme mit den herrschenden Weltanschauungen verschiedener Zeitalter.(On the Connection Between the Educational Systems with the Dominant World Views of Different Eras.), 1855.
____. Die Leibesübungen. Eine Darstellung des Werdens und Wesens der Turnkunst in ihrer pädagogischen und kulturhistorischen Bedeutung.(Physical Exercise: A Presentation of the History and Essence of Gymnastics in its Pedagogical and Cultural-Historical Significance.), 1863.
____. Die Grundlegung der mathematischen Psychologie. Ein Versuch zur Nachweisung des fundamentalen Fehlers bei Herbart und Drobisch.(Foundations of Mathematical Psychology. Attempt at a Demonstration of the Fundamental Error of Herbart and Drobisch.), 1865.
RIBOT. La Philosophie de Schopenhauer (1874)
____. Les Maladies de la volonté (1909)
____. La Psychologie allemande contemporaine : école expérimentale (1879)
____. La Psychologie anglaise contemporaine (1870)
____. Psychologie des grands calculateurs et des joueurs d’échecs (1894)
RICHER. Les Démoniaques dans l’art, with Jean-Martin Charcot (1887)(DV) (déjà vu – recomendação antiga!)
____. Les Difformes et les malades dans l’art, with Jean-Martin Charcot (1889)
____. Physiologie artistique de l’homme en mouvement (1895) (Artistic Anatomy, translated and edited by Robert Beverly Hale, 1971)
____. Introduction à l’étude de la figure humaine (1902)
____. Nouvelle anatomie artistique. Les animaux (1910) (New Artistic Anatomy: Female Morphology, translated and edited by Allana M. Benham, 2015) [que equiparem o animal à mulher… em 2015!… não posso crer nos meus olhos!]
RICHET, Charles. L’Anaphylaxie(tese ganhadora do prêmio Nobel; também foi tradutor de Gurney, outra bibliografia citada; ver ainda o trabalho no tópico 1, em psicologia.)
____. La Sélection humaine(e do mesmo autor, no entreguerras, umtratado eugenista)
SAURY. Précis d’astronomie à la portée des jeunes gens de l’un et de l’autre sexe et de tous ceux qui veulent s’initier dans cette science en peu de temps et sans beaucoup de peine
____. Histoire naturelle du globe ou Géographie physique
Originalmente postado em 11 de agosto de 2009. Com adaptações e ampliações para constar no Seclusão.
“A partir de um sistema de forças determinadas (…) não pode resultar um NÚMERO INCONTÁVEL de situações.” O eterno retorno. O fim é já o começo. Não existe morte. consultar a página da “nova concepção de mundo” do Der Wille zur Macht(“número máximo de combinações”, “dado”, etc.). Este dado ainda será melhor trabalhado no parágrafo abaixo subtitulado O PARADOXO DA PEDRA NO RIO DE HERÁCLITO.
O que implica – ou, antes, o que determinou – a moda de fim de séc. XIX chamada espiritismo-kardecismo? Que não há o indivíduo, tudo são impulsos nervosos. Buckle¹ (não falo do cinto sem fivela) e sua nova-velha doutrina da imortalidade da alma. Mas ei! A moeda maussiana (Marcel Mauss), o hau, é ela mesma espiritismo. Ele sempre esteve em voga entre os ágrafos. Os mortos nunca evadem nosso plano: melhor dizendo, eles nunca morrem.
¹ Trata-se de Henry Thomas Buckle (1821-1862), historiador de segunda linha. Trecho esclarecedor da wikia: “On 1 April 1859, Buckle’s mother died. Shortly after, under the influence of this ‘crushing and desolating affliction’, he added an argument for immortality to a review he was writing of J.S. Mill’s Essay on Liberty. Buckle’s argument was not based on theologians ‘with their books, their dogmas, their traditions, their rituals, their records, and their other perishable contrivances’ [claro, porque só o que nós inventamos é eterno!]. Rather he based his argument on ‘the universality of the affections; the yearning of every mind to care for something out of itself’. Buckle asserted ‘it is in the need of loving and of being loved, that the highest instincts of our nature are first revealed’. As if reflecting on his mother’s death, Buckle continued that ‘as long as we are with those whom we love …, we rejoice. But when <the enemy (death)> approaches, when the very signs of life are mute … and there lies before us nought save the shell and husk of what we loved too well, then truly, if we believed the separation were final … the best of us would succumb,(*) but for the deep conviction that all is not really over, we have a forecast of another and a higher state’. Thus, Buckle concludes, ‘it is, then, to that sense of immortality with which the affections inspire us, that I would appeal for the best proof of the reality of a future life’. § He also said, ‘If immortality be untrue it matters little if anything else be true or not.’”
(*) Na minha opinião, não passa de um garotinho da mamãe necessitando de uma justificativa para viver. E vê-se que não viveu muito (sem ela)! Ele era um grande enxadrista. E todos sabem que enxadristas são burros socialmente. A mesma ingenuidade pueril, a mesma má-fé intelectual de um Miguel de Unamuno… “Já que assim eu quero, TEM de ser!” A filosofia não aceita esse tipo de egomania – mas como poetas decerto seriam ótimos!
Mais uma curiosidade, na mesma página, o perfeito contraponto dessa patifaria toda: “The paranoid narrator of Fyodor Dostoevsky’s Notes From Underground discusses Buckle’s theories: ‘Why, to maintain this theory of the regeneration of mankind by means of the pursuit of his own is to my mind almost the same thing . . . as to affirm, for instance, following Buckle, that through civilisation mankind becomes softer, and consequently less blood-thirsty and less fitted for warfare. Logically it does seem to follow from his arguments. But man has such a predilection for systems and abstract deductions that he is ready to distort the truth intentionally, he is ready to deny the evidence of his senses only to justify his logic. I take this example because it is the most glaring instance of it. Only look about you: blood is being spilt in streams, and in the merriest way, as though it were champagne.Take the whole of the 19th century in which Buckle lived. Take Napoleon—the Great and also the present one. Take North America—the eternal union (an ironic reference to the ongoing American Civil War). Take the farce of Schleswig-Holstein. . . . And what is it that civilisation softens in us? The only gain of civilisation for mankind is the greater capacity for variety of sensations—and absolutely nothing more.’”
Descobri que eu não guardo os elogios que me fazem.
“A imensa expectativa quanto às relações sexuais estraga nas mulheres o olho para todas as outras perspectivas” Incel Nietzsche?
“O estilo deve ser adequado em vista de uma pessoa bem-determinada, com a qual tu queiras te comunicar” Ora, se não estou tendo isso AGORA! A questão é: UM ou vários? Pode ser VOCÊ?! Como que um eu acima de mim, embora quase intragável de tão platônico. Mas você não é uma pedra fixa…
(Na escrita) O oral antes do escrito (CRUCIAL): “Porque ao escritor FALTAM muitos MEIOS do conferencista” – eis o que procurava! É benquisto explorar entonações, gestos, meras interjeições, que afinal no falar são tudo! (2023: Grande conselho para a estilística – sempre modificamos o texto final ao lê-lo em voz alta. Itálicos, negritos, sublinhados também ajudam, além da pontuação. Não me recordo onde o li, mas um autor disse que excesso de grifos num texto era comportamento aparentado à loucura – o escritor é um louco, tem de ter sintomas neuróticos, ou não desempenha direito seu ofício!)
Devo escrever frases mais curtas. Porque sou muito RETICENTE no oral (não vá confundir – isto é, vindo de alguém quem teria muito a dizer e não pode). Meus textos técnicos (resenhas filosóficas ou de games, p.ex.) possuem períodos mais longos, com mais interpolações. A técnica não está errada, faz parte do meio e da comunicação profissional desejada. Meus textos literários, no entanto, seguem a lei dos períodos curtos e significativos (lei da condensação).
“O perigo do sábio está em se apaixonar pela irracionalidade.”
O sábio deve apenas namorá-la, não casar.
“eu menosprezo mais o louvor do que a crítica”
Aquele que é mau está bem com o mundo. Como se pode ser feio e defeituoso e não ser mau? Eu não sou feio ou defeituoso, mas tenho um cálice de dignidade que beira o transbordamento. Eu gosto de ir ao Conjunto Nacional comprar cuecas e jeans (hábitos de filósofos para quem sair na rua já é se aventurar)…
EU E O OFÍCIO DE LER
“O que mais gostamos de fazer gostaríamos que fosse considerado como o que acaba sendo o mais difícil para nós”
Inclusive eu gosto mais de ler do que escrever, tomando o aforismo como exato!
“Nós fazemos também na vigília o que fazemos no sonho”
Jogamos o jogo da vida, nos perdemos, nos pomos furiosos com pessoas (o que tem acontecido ultimamente nas madrugadas… 2023)
“Os criativos são os mais odiados”
“De tempos em tempos é preciso deixar suas virtudes dormirem”
Agradecer nossas maiores falhas! Exemplos antigos, da década retrasada: A desobediência militar; o Pinho-Sol que me obrigaram a ingerir (não, me desafiaram a ingerir) na festa de calouros das ciências sociais/UnB (e eu joguei o jogo do desafio, e ri por dentro enquanto os mesmos que mais haviam “botado pilha” eram os mais desesperados em me fazer vomitar o pequeno gole dado, não, provavelmente, por se preocuparem com minha saúde, mas com punições posteriores de que pudessem ser vítimas). O porre da M. (quando somos imaturos, bebemos, ofendemos nossa ex-namorada ou objeto amoroso e depois nos arrependemos). Os ciúmes doentios dos primeiros relacionamentos. Nunca ter trabalhado. (Tenho imensas saudades dessa virtude anotada em 2009! A verdade é que já havia trabalhado, mas sem receber dinheiro em troca! Um “uber driver primitivo”: cansado e desmonetizado! Redações porcas de jornais, agências incubadoras cheias de publicitários playboys, a reencenação de Mad Man, Brasília, séc. XXI… E ainda tinha de pagar a passagem de ônibus…)
Por outro lado, virtudes que nunca desliguei, pois não são do meu feitio: nunca traí.
Dois medíocres não se entendem (tampouco um sábio e um medíocre). (2009: Mário como figura-síntese do que se deve evitar como interlocutor. Thomas: outro que escuta mal, talvez faça bem falar-lhe qualquer coisa, assim que nos livramos dos mais chatos.) (2023: R.K.)
Proveito próprio + paixão = egoísmo. Ora, eu sou a pessoa que merece o meu amor! Não sou pobre em amor! E isso custa caro, se se entende o trocadilho.
“Tudo o que é longamente pensado se torna problemático”
“Quem quer se tornar um líder dos humanos precisa querer ser por eles considerado um BOM tempo como o seu inimigo mais perigoso” Na política contemporânea isso cai como uma luva, do Brasil à China, passando pela Europa (que agora abraça o fascismo em bases mais duradouras do que nunca). Há até aqueles líderes que são odiados a vida inteira e adquirem seu novo status apenas post mortem (Che Guevara, Fidel Castro, Stalin…).
Outra grande característica minha: detesto ser (romanticamente) amado. Jamais rastejei quando foi assim. Veja: quando foi algo centrípeto unilateral (não-correspondido, ainda que interessante), não lembro de ter movido uma palha – desprezei, mesmo. É que é raro. O homem de hoje sente-se impelido, forçado, obrigado a embarcar, a ceder, não tem vontade própria.
“Jesus de Nazaré queria ser o aniquilador da moral” – trágico.
“Ver as naturezas trágicas e ainda conseguir rir é divino” – “Como podes rir dormindo?”
DO MISTERIOSO AFORISMO TRAGICÔMICO PÓSTUMO DE NIETZSCHE:
Do macaco de si mesmo
“Em torno do herói tudo se torna tragédia; em torno do semi-deus – tudo sátira”
Por muito tempo, mesmo depois da publicação deste post em 2009, eu meditei sobre esse aforismo, que não tinha entendido. Podemos evocar a famosa frase de Marx para nos ajudar a explicar. Mas eu ainda diria mais: a) nosso mundo não tem mais heróis, não tem mais o caráter heróico; tem, sim, a necessidade antropológica mesmo, do homem superar o homem; antes que substituir o deus morto seja uma realidade, o grau máximo que pode ser descrito é uma figura, a do semi-deus. Ele é um Zaratustra que aprendeu a rir de si mesmo. Tragédias são coisas do passado. Não há lugar para Édipos na atualidade; b) pode ser apenas um comentário psicológico, despido de qualquer historicidade, e por isso nem Marx se aplica: depende da seriedade do próprio personagem, e com que gravidade ele enxerga a própria biografia. Mas por que “semi-deus”? Num mundo em que deus está morto, ter sido herói, ser um sábio, já é estar semi-morto. Não vale muita coisa. Quem deixou de ser herói e com isso não se tornou um vilão, não degenerou completamente… ainda tem o aspecto exterior de um bufão. E onde já se viu palhaço triste? Menos Pierrots, mais respeito ao nosso passado que nos trouxe aqui, mas nunca em excesso… Nunca se tornar prisioneiro dos nossos (bons) feitos… Nem temos saúde para bancar de novo os Dons Quixotes, ainda que isso fosse possível! Resta reconhecer que hoje somos diferentes, menos rijos, mas que não podemos e nem queremos apagar nosso passado, mais ou menos distante… Ele ainda mora em nós. Antes, que eu tivesse um pai tirano era questão de vida ou morte. Hoje, sobrevivente, independente, ainda psicologicamente afetado pela experiência, e com ele ainda vivo, tudo é muito cômico e risível. Como pode e pôde uma pedra tão enxuta num sapato tão largo (ou o sapato era firme e apertado, o que impedia o seixo de rolar e atrapalhar? Sim, bufões usam sapatões maiores que os próprios pés!) me causar tantos problemas num nível tão fundamental? Como pôde a mais inferior das criaturas se interpor entre mim e o sol (Diógenes)? Mas nem era imperador – e daí que fosse? De todo jeito não lhe resta solução senão sair do caminho, nem que fosse para vir atrás de briga… E com o tempo toda coroa… vira areia. Quanto mais tempo bloqueou minha luz solar, mais se queimou. E pra quê, se tive meu banho caloroso do mesmo jeito? É verdade que ele, este pai, é o “macaco de Zaratustra”: gostaria de ser eu. Hoje é ele que me imita, sem saber o que ou como imita. Mas ele quer fazer o dono, o original, ficar bravo. E se a indignação for só uma máscara da gargalhada, e se o macaco é que está enfezado por dentro? Sim, sinto pânico, mas essa é a parte doentia da árvore genealógica, o orgânico que atingiu seu limite. Até ele, porém, é uma atuação, em último grau. É sempre material para ressurgir. Toda podridão pode ser cinzas para uma fênix. E macaco não é fênix. O ruim de dar azo pra macaco é que é um bicho muito folgado, por isso, mesmo descontraídos, precisamos manter meia-distância. Quem é mais triste? O macaco ignorado ou o macaco perseguido (letalmente perseguido)? O esgar dos dois por debaixo da máscara deve ser o mesmo. Talvez o macaco seja, então, nosso espelho? Com ele é o inverso, ele viveu a paródia e agora tudo termina em tragédia? Macaco com capa. Versão completa deste texto em https://seclusao.art.blog/2023/06/26/do-misterioso-aforismo-tragicomico-postumo-de-nietzsche-o-macaco-de-si-mesmo/.
“A dança é a prova da verdade”
“Mais um século de jornais – e todas as palavras vão feder”
“Pensar no suicídio é um consolo muito forte. Com isso se consegue passar bem a ‘má-noite’” Não é à toa que este costumava ser meu livro de cabeceira nos meus 20-21 anos…
“Nossos suicidas difamam o suicídio, – não o contrário.” A constatação mais sensível já levantada no quesito.
“Demora muito até que se morra pela segunda vez”
“Agora é primeiro pelo eco que os acontecimentos adquirem ‘grandeza’ – o eco dos jornais”
“Corre um falso dito: ‘quem não salva a si mesmo, como pode ele salvar os outros?’. Se tenho a chave para as tuas cadeias, por que a tua fechadura e a minha teriam de ser a mesma?” Existe um crítico de Nietzsche chamado Dr. Flávio Kothe, meu contemporâneo e vizinho (UnB), que escreveu exatamente isso, se não nestas palavras, neste sentido: como pode N. salvar os outros, se não salvou nem a si mesmo? A primeira tarefa do bom crítico é saber ler seu criticado.
“O que inventa (o conhecedor), o que intermedeia (o artista), o que simplifica (o apaixonado).”
Nós, homens-da-meia-noite. O homem do eternamente retornável, do meio-dia. Para nós tudo é escuro. Demanda-se um novo – e primeiro – Iluminismo. Uma religião sem secular (até hoje exclusividade dos mais decantados esoterismos). Uma religião sem o secular, e além do mais de massa. Seria factível? Dentro de quantos milênios? Pergunta boba e retórica.
“Ascetismo do espírito como PREPARAÇÃO PARA CRIAR. EMPOBRECIMENTO intencional dos instintos criativos.”
“A todo efeito segue-se um efeito – essa crença na causalidade tem sua sede no mais forte dos instintos, o da vingança” Ainda não escapamos da Física, para fundar uma Metafísica que valha esse nome.
“Não se confunda: atores ficam arrasados à falta de elogios.”
“O ceticismo em relação a todos os valores morais é um sintoma de que uma nova tábua de valores está se formando.”
“Para a mulher, há apenas um ponto de honra: ela precisa acreditar que mais ama do que é amada. Depois desse ponto principia de imediato a prostituição.”
“Os utilistaristas são burros” (Pode parecer simples, mas demorei muitos anos para ler esta frase na literatura. E que eu não tenha lido mais cedo só pode ser indício de burrice generalizada. Ou se conforma a um aforismo de N. mais adiante: quando há uma verdade sabida por todos, todos a “esquecem”…)
O verdadeiro póstumo não é combatido, mas ignorado.
“A paixão de duas pessoas uma pela outra – isso são em todos os casos duas paixões e com diferentes curvas picos velocidades: suas linhas podem se CRUZAR, nada mais.” Creio que Barthes citou esse aforismo (Fragmentos del Discurso Amoroso, já resenhado no seclusão).
CONTRA A ALFABETIZAÇÃO UNIVERSAL:“Que qualquer um possa aprender a ler e leia, com o tempo isso deixa em ruínas não só os escritores, como até os espíritos em geral” A corretude desse aforismo será posta à prova na nova era do “alfabetismo visual compulsório”, em que o analfabetismo gráfico é quase que uma complementaridade necessária.
“Ter ENTENDIDO um filósofo e estar CONVENCIDO sobre ele.” Platão, Nie., Marx e alguns pelo caminho…
“Não vos deixeis enganar! Os povos mais antigos são agora os mais cansados! Eles não têm mais energia suficiente para a preguiça!” Grifos meus: perfeito se se refere aos europeus; porém julgo um grande erro se o juízo for sobre os asiáticos. Nenhum “povo” que cria e cultiva o budismo tem menos do que uns bons milênios pela frente…
Meta na falta de metas. Como não perder a firmeza? I.e., como não perder a meta de vista (até encontrá-la)? Um olhar para o futuro que justifica o passado. Mas é como se houvesse uma perda aí. Se não acontecesse esse futuro, todos nós estaríamos numa condenação eterna? Os mortos hoje foram em vão, não se pode dizer que antes de se cumprir o destino haja qualquer anel. Ou pode-se? Tanto faz? E se sim, tanto faz, então por quê?
“regressão à animalidade”
“Não precisais temer o fluxo das coisas: esse rio flui de volta para dentro de si: ele não foge de si apenas duas vezes.¹ § Todo ‘era’ há de ser novamente um ‘é’. Todo vindouro morde o pretérito no rabo.”
O PARADOXO DA PEDRA NO RIO DE HERÁCLITO
¹ Ambigüidade na tradução: em duas ocasiões ele cessa de fugir de si mesmo ou ele foge bem mais vezes (e por que dizer duas vezes neste caso)? A fluência do rio é a angústia humana (encarado como aspecto negativo do Ser: ‘temer’). Fluir de volta para dentro de si é harmonizar-se, ainda que temporariamente no tempo (linguajar voluntariamente heideggeriano). É atingir a essência (o Ser) no próprio devir. Ora, que ele sempre foge é um lugar-comum. Ele foge infinitamente de si mesmo. O que Nietzsche é celebrado por haver ensinado pela primeira vez na modernidade? Que o rio retorna. O rio retorna infinitas vezes, é o modo de dizer, é verdade. Mas para o indivíduo, para o filósofo, para o ser vivo: quantas vezes? Minha opção é pela primeira semântica da tradução. Se o rio pára de fluir e se reencontra Uno consigo duas vezes, só pode ser em dois momentos: no nascimento e na morte. Porém para nós não faz diferença: é uma vez, na interseção dos dois. Há angústia pelo fluir do rio, não pela morte. Tanto quanto não pode haver angústia por haver nascido, se esse é o total do ser e ele nunca foi, por exemplo, pedra. E, supondo que tivesse sido, ainda carregar a sabedoria de ser pedra (novo absurdo) dentro de si. Nem a pedra nem o homem têm por que angustiar-se, jamais. Ainda assim, o homem se angustia. É só uma constatação. A pedra mais desesperada do universo não sentiria o menor átimo de ansiedade. O homem no mais remoto dos Shangri-Las e nirvanas ainda sofreria, se angustiaria, bastante. É nosso modo de existir. Por que se angustiar “ao quadrado” com isso? Mesmo que existisse a cura, o homem a preteriria, pois preferiria continuar sendo homem. Versão completa deste parágrafo em https://seclusao.art.blog/2023/06/26/o-paradoxo-da-pedra-no-rio-de-heraclito-mais-um-aforismo-de-nietzsche/.
“Surgimento do amor: – amor como decorrência da moral”
algo supremo parece se esfacelar em banal num mundo atomizado – o erótico é a demonstração par excellence. E o amor vai buscar esse “algo unificado” novamente, ao mesmo tempo instalando o embrião de uma sucessora divisão…
Se você está para frente demais no tempo você não está para trás? Ou no mesmo lugar? Talvez fosse sensato reconhecer que o Cristianismo, como trecho do anel, é uma espécie qualquer de redenção que deveria ser um objetivo pelo qual lutar – mas e então? Nietzsche acaso é um fraco, moribundo, débil? Tudo é “logo”, tudo é “o supra-homem”! Para o diabo com essa conversa!! NOVA GUINADA? Não, só fantasmas apolíneos. Maldito deus-homem! Meu destino é praguejá-lo (a despeito de sê-lo).
“Ninguém vem a mim. E eu mesmo – eu fui a todos e CHEGUEI A NINGUÉM.”
Se todos os mundos fracassam igual, por que Nietzsche seria melhor do que Platão? [Evidente.] Não existe máquina do tempo porque o universo é a própria máquina do tempo (frase recorrente nas minhas anotações do período 2009).
CADERNO DO NIILISTA. UM DIA COMO OUTRO QUALQUER, MAS ELE DENOTA CANSAÇO.
O que é que eu ganho por antecipar um detalhe ou outro da roda que ainda não beijou o asfalto nessa rotação? O que é que a pergunta ganha sendo sibilada 400 bilhões de vezes?! O mito do moto perpétuo e aliás qualquer mito… Tudo verdade, uma idade ancestral e/ou onipresente. Por que, no entanto, as coisas não são melhores e eu não posso viver como nos meus sonhos? Será um período excruciante excepcional? Só não quero morrer sem ter feito vingar esta esperança – e não quero ler esta palavra “esperança” de mãos sujas…
Falta honestidade para admitir: o Cristianismo se apresentava como método para dispor igualmente o fatigado espírito humano de metas supremas, e o que é endeusado hoje como tragédia podia ser a fonte de todas as noções de pecado e talvez necessitasse da racionalização. Talvez Apolo àquela altura fosse sinônimo de dignidade. Talvez? Ah, a quem estou querendo enganar? O devir é MAU. Porque de onde estou só posso pensar nessa palavra. Minha missãozinha tola é ser alguém que colabora com dois séculos que aí vêm para, em troca, não viver a vida de seu presente (visto que nasci antes do meu tempo, estou adiantado em relação a minha época), sua única vida.
Descobrir que se se fosse mais como as pessoas por aqui são eu seria igualmente nobre e transgressor, pois superaria os trágicos! Rá, quão sórdido… Basta meu auto-objetivo de sair daqui, eventualmente matando alguém, escrevendo coisas que chamo de arte, e mantendo minha linha máxima de consumo lá embaixo – para, sabe-se lá, morrer de dor de dente!
Ah, se todos os mitos pegam! Meu guia será minha vergonha. Ler o horóscopo não rende mais vexame – falar com acadêmicos sim!
“Essa é uma razão contrária, e eu te sou grato. Agora me rebata, porém, ainda a razão contrária, amigo!”
* * *
“Com orgulho se venera quando não se consegue ser ídolo”
“Todo ser humano é uma causa criativa do acontecimento, um primum mobile com um movimento original”
“Quando Deus entendeu a si mesmo, ele gerou a si mesmo e a sua antítese” (*)
“Com ombros firmes, ele está escorado contra o nada e onde há espaço, aí há estar, há ser.”
“O homem se define por ficar de pé, como o supermacaco, imagem do último homem, que é o eterno.”
“Esses querem jogar dados e aqueles querem calcular e contar e aqueloutros querem ver sempre ondas e danças das ondas – eles chamam isso de ciência e ficam suando em cima disso. Mas são crianças que querem o seu jogo. E, realmente, é uma bela brincadeira de criança, mas um pouco de risada não prejudicaria o jogo” “Há muito a calcular no mundo: mas calcular o próprio mundo – isso é enfadonho.”
(*) “A antítese do ser-acima-do-humano é o último ser humano: fabriquei este junto com aquele” Como o diabo de nós próprios, este “ser-mais” é atemporal. Coexistência e rivalidade necessárias.
“História: evolução das finalidades no tempo.”
O ANTI-DARWIN:“O inverso, de que tudo até nós é decadência, também é demonstrável (…) até agora a natureza VAI A PIQUE.”
“A liberdade da vontade é mais bem-demonstrada como causa e efeito (a rigor, causa-efeito é apenas uma seqüência popular).” A liberdade da vontade só existe em Schopenhauer. Não é a vontade nietzscheana.
“Sentido do casamento: um filho que represente um tipo mais elevado que os pais” “eles precisam te desprezar quando tu vais mais longe do que eles – eles não entendem o acima-de-si” Lei inconteste. Até eu posso ser dela vítima, quem sabe? Posso, como autor, imaginar que minha prole regride no anel, e na verdade ela avança! Incompreensíveis para mim. “Tu suspiras por amor – mas não, tu precisas aprender a suportar desprezo.”¹ Meu doutorado em engolir sapos. Ou não engolir nada, não vomitar nada. Publicamente.
A cavalo concebido se olham, sim, os dentes!
O paradoxo de José na sociedade do trabalho: agrilhoar-se para libertar-se!
¹ desprezar, v. trans. dir.
1. Troçar de.
2. Subestimar.
3. Ignorar.
Eis as acepções clássicas do verbo português, quando ele não se aplica no reflexivo (desprezar-se). De uma forma ou de outra, ambos os meus pais se alternam nisto. E se ao menos fosse um só, meu sofrimento estaria reduzido menos que à metade! Bom, N. também teve 2 estorvos na família íntima – em realidade, eu me enquadro mais num três-contra-um, se contar o irmão mais velho!
A dor mais pungente: toda vez arrepender-se de se abrir.
Nada entre um imprestável e um prestável: aí está a contraposição do ser, Sartre!
Tenho 4 pais. Seria um erro cósmico que não houvesse um pregador cristão quase debaixo do meu teto, afinal não há nada menos aparentado conosco que nossos pais batismais. (2009)
Um ano torna caducos muitos sonhos e ridiculariza muitos pesadelos. (2023)
“Minha orientação para a Arte: não mais continuar poetando onde estão as fronteiras! Mas o futuro dos humanos! Muitas IMAGENS precisam estar aí de acordo com as quais se possa VIVER!” Talvez N. estivesse recuando da terminologia metafísica do supra-homem neste esboço?
“O grande MEIO-TERMO: a decisão sobre querer-viver e querer-morrer”:provavelmente um aforismo que foi plagiado pela integralidade da filosofia de Albert Camus, o supervalorado!
“A decisão. É preciso haver inúmeras vítimas. Uma tentativa.” Muito simples usar este aforismo para malversá-lo, como fez sua irmã. Não se referia a nenhum evento histórico do século XX.
“Ainda a mais doce das mulheres tem sabor amargo”
“É preciso proteger o mal como se precisa proteger o mato. É verdade que pelo rareamento e pela destruição das matas a Terra ficou mais aquecida –”e muito boazinha.
“O nojo pela sujeira pode ser tão grande que nos impede de nos limparmos”
“Buscar conhecimento é um desejo e uma ânsia (…) Não há nenhuma forma de conhecimento que não seja antes um refazer”
“Esses são meus inimigos: querem derrubar tudo e não reconstruir a si mesmos. Dizem: ‘nada disso tem valor’ – e eles mesmos não querem gerar nenhum valor.”
“O animal nada sabe do seu si-mesmo”
“Temos de ser um ESPELHO do ser: somos Deus em miniatura”
P. 202, af. 263: sobre o aumento da expectativa de vida e o paradigma estreito da medicina moderna.
Af. 267:“Há muitos que não sabem nada melhor sobre a Terra do que ficar na cama com uma mulher. O que sabem estes da felicidade!”
Às vezes o que é enxergado como crepúsculo é apenas o preâmbulo do sol de meio-dia.
“Os judeus estragados pelo aprisionamento egípcio” O paradoxo: essa ‘paganização forçada’ foi que resultou no Cristianismo e na adulteração das práticas do judaísmo antigo, apenas nas entrelinhas do Antigo Testamento, quando não completamente invisíveis, práticas e preceitos esses contidos, pelo menos, no Talmude, disponível para nossa investigação contemporânea.
“Odeia-se mais aquele que nos seduz de volta a percepções sobre as quais nos tornamos vitoriosos com extrema dificuldade” Eu já fui um liberal de tipo PSDBista. Odeio liberais. Odeio os ‘social-democratas’ (falsa esquerda, quinta-coluna). Eu já fui um ateu militante (na pré-adolescência, é verdade). Odeio esses ateus mais cristãos que os cristãos (leia-se: mais anticristãos que os anticristãos!). Odeio quem ama a sociologia. Odeio os hedonistas. Odeio metaleiros. Odeio são-paulinos. Odeio otakus. Odeio “gamers”. Odeio os que levam o trabalho a sério demais e adoecem por isso. Adoro aqueles que sabem ser anti-monoteístas, stalinistas, maoístas, fidelistas, chavistas, putinistas, aqueles que sabem usar a sociologia como anti-sociologia, para o verdadeiro progresso da sociedade (no sentido oposto a Comte-Durkheim), aqueles que sabem ouvir heavy metal, assistir e falar de futebol, apreciar jogos de videogame e desenhos japoneses sem parecerem completos imbecis infantilizados e extremistas desnorteados. Com efeito, odeio hoje todo e qualquer colega dos tempos de escola (avatares de todas estas categorias reunidas). Eles não acompanham o ritmo da dança. A classe média insossa do DF, minha grande nêmese. Já fui o mais insosso dos sem-sal, hoje sou um tempero exótico da Índia.
Há duas Histórias completamente diferentes, que a disciplina não costuma diferenciar: a História das Intenções e a História dos Fatos.
O ideal de liberdade: quando fatalismo vira uma razão suficiente kantiana.
“somente as naturezas ordinárias podem ver no Estado o instrumento da desforra”
“A era dos reis acabou, pois os povos não são mais dignos deles” Usado no Zaratustra
“Moral como mímica dos afetos”
A música CONFESSA o afeto, muito ao contrário da escrita, que é tão diferente da modalidade oral. Nisso ao menos Schopenhauer tinha razão…
“quanto mais as religiões forem morrendo, tanto mais SANGRENTO E VISÍVEL há de se tornar esse combate” – auxílio da mass media: “Estamos no início!” Resta saber onde termina o início…
A conhecida teoria do Hamlet como a grande obra frustrada de Shakespeare: redundância ou inefabilidade do estado de não-ser. Não-relacionado com a morte (ao contrário). Hamlet disse o tempo todo sim, sobretudo quando decidiu morrer herói. Não ser seria não virar tema de um drama, nada fazer.
“O quanto nós vivemos mais no BEM-ESTAR que nossos antepassados revela-se no fato de que a dor isolada é tão MAIS FORTEMENTE sentida do que o prazer isolado” – e, sendo assim, tem-se o poderoso estímulo que findará por sepultar a própria sociedade do bem-estar (nada a ver com o Estado social, mas com o modo de vida ocidental consumista).
“o ódio e o nojo ao estranho são do mesmo tamanho que o prazer consigo”Eu me amo, eu me amo, não posso mais viver sem mim… O turista contumaz: o tipo que se odeia.
Pragmatismo vs. heroísmo: a diferença entre o inteligente e o sábio: não se importar em ser prejudicado.
“aparece como a aspiração máxima do ser humano tornar-se UNOcom o mais poderoso que existe.” <Poderoso> pode estar um tanto mal-empregado aqui, mas isto, esta aspiração, é Brahman.
“que nós tomemos o mais próximo [o sistema nervoso consciente] como o mais importante é justamente o velho preconceito – Portanto, reaprender!”
“Toda essa ânsia pelo imorredouro é conseqüência da insatisfação”
“Os nossos ‘ricos’ – esses são os mais pobres! A finalidade autêntica de toda riqueza é esquecer!”
“‘Endeusamento da natureza’ – isso é conseqüência de pobreza, vergonha, medo, idiotice!”
“Eu quero não ser entendido por longo tempo”
O que Nietzsche diria do homem na Lua?
“Luto com o dragão do futuro: e vós, pequenos, tereis de lutar com minhocas”
A vida é uma tragédia para aquele que sente, e é uma comédia para aquele que pensa. O semi-deus já sentiu muito, hoje sente menos, pensa mais no que sentiu. Pensa e ri de coisas ardidas e ardilosas do próprio ontem.
“Todos aqueles que produzem criativamente [o semi-deus] procuram novas linguagens: ficaram cansados de uma fina língua desgastada: tempo demais o espírito andou sobre tais solas.”
“Dos judeus, tirar-lhes o dinheiro e dar-lhes outra direção.”
O que são as “sete solidões”? Acredito que se refira a alguma passagem da Gaia-Ciência ou mesmo d’Aurora.
“ponho a mão no fogo pelo próximo milênio”
“Vivo como que em outras épocas: minha altitude me dá trânsito com solitários e ignorados de todas as épocas” MEU AMIGO NIETZSCHE
“muralhas destruídas”: um enigmático pré-requisito da formação do supra-homem… Deleuze & Guattari entenderam errado a expressão!
“Mostrar a ‘metafísica da metafísica’!”
ANTI-FORBES: “Os seres humanos mais influentes do mundo são os mais escondidos”
“Cultura é apenas uma fina película de maçã sobre um caos efervescente” (e civilização uma parte finíssima ainda mais insignificante dessa mesma película)
“Mais cultura!” = MAIS CAOS! necessariamente
“Opiniões públicas – preguiças privadas”
“Corre-se maior perigo de ser atropelado quando se acaba de escapar de um carro”
“O discípulo de um mártir sofre mais que o mártir” Mesmo que lute apenas com minhocas. Isso não é uma depreciação do seu valor como discípulo.
“Quando não se tem um bom pai, então é preciso se arranjar um”
Rafael de Araújo Lula da Silva
“Não se sente a monotonia quando nunca se aprendeu a trabalhar para valer” Os hedonistas não sabem o que é tédio, embora passem a vida fugindo, entediados… Talvez persigam uma ocupação, e erram na escolha dos meios…
“Alguns homens choraram o rapto das suas mulheres; muitos, que ninguém as quisesse raptar.”
“O fantasista nega a verdade diante de si; o mentiroso, só diante de outros” Retifico uma convicção minha: meus pais não são uns mentirosos, são uns fantasistas!
“Os seguidores de um grande homem costumam se deixar ofuscar para melhor poderem entoar os seus louvores; pobres pássaros canoros!” Muito melhor as aspas que sua mera atualização. Sou apenas o pedreiro deste magnífico engenheiro. E mais além: “É preciso saber obscurecer a própria luz para se livrar das moscas e dos fãs”O Ocidental Obscuro bem o sabe.A persona do Ocidental Obscuro, adotada por mim em textos a partir dessa época (2009) surge nominalmente pela primeira vez no blog aqui. É inclusive provável que o livro Cila ou Caribde Vol. IIconte com este subtítulo. (Não prevejo seu lançamento para antes de 2024.)
Eu refundei a maldade.
É preciso saber colher os louros da fama e da vitória, como do ostracismo e da derrota.
Os direitos humanos no sentido não-bolsonarizado do termo recrudescem a cretinice da modernidade.
O que pode ser pior do que uma cidade repleta de pedintes? Uma cidade repleta de cristãos.
“Uma boa sentença é dura demais até para o dente do tempo”
“A maior doadora de esmolas é a covardia”
“Para o amigo do estilo rebuscado, o estilo solto é uma tortura para os ouvidos” Y vai-se ver ça!
“É preciso acabar com os mendigos, pois a gente se incomoda lhes dando e se incomoda não lhes dando”
Indigesta sociedade, que se cansou de descansar. O dispéptico chato da mesa.
O que é a fome? É o produto da digestão! Mas a digestão ocorre – com fome ou não!
Conhecer certos efeitos inesperados de um desejo não resolve a equação (mesmo que a psicanálise estivesse certa, ela seria como uma face dum dado de 6 lados, irrelevante, incompleta, incapaz): há sempre outros efeitos adversos ignotos.
Herói: aquele que se faz passar por ridículo para salvar a humanidade. Logo, ele é o semi-deus dos outros, o herói apenas de si mesmo. Revolta e herói: duas palavras que não sabem andar divorciadas.
“Aquilo que todos sabem, por todos é esquecido”
“imortalidade é apenas uma metáfora”
O que é 1? A falha fundamental. Brahman precisa do herói, de se dividir em carrascos, vítimas, heróis, anti-heróis, etc. Quem morre também se sacrifica por si mesmo. Para que possa nascer na mesma vida.
Queres a paz? Toma a paz! Neste “toma” já está implícita a guerra – é uma ordem unilateral.
Quem é Pana?
(*) “Na mitologia inuit Pana era a divindade que cuidava das almas no submundo (Adlivun) antes que elas reencarnassem.”
“Visível deve se tornar o mundo ainda no menor de tudo: então vós pensais estar ENTENDENDO: essa é a bobagem do olho”
“Nada é mais claro do que um falso delírio sobre bem e mal!
‘O homem bom é impossível: na própria vida o não-bem é delírio e injustiça. E essa seria a última vontade voltada para a bondade: negar toda a vida!’
Com o vosso bem e mal, vós vos magoastes a vida, cansastes a vossa vontade; e vossa própria apreciação era o sinal da vontade declinante, que busca a morte.”
“A onda rugiu ao passar: a criança chora porque ela arrastou consigo o seu brinquedo para o abismo. Mas a mesma onda joga-lhe cem outros brinquedos na alva areia. Portanto, não choreis por mim, meus irmãos, por eu estar passando!”
“A flor quer a semente”
Trechos que parecem ser os finais, usados nos livros mais conhecidos, na verdade são esboços modificados. Não se sabe aliás se são mesmo rascunhos preteridos, versões alternativas igualmente válidas ou mesmo versões melhoradas e que pretendia ainda publicar em bloco.
A famosa frase de Aristóteles sobre a raiva: Sem raiva não se vence nada.
Constantes da minha inconstante vida (2009-2023): rompimentos interpessoais (dolorosos, mas positivos, a despeito da solidão que se segue – brinquedos são sempre devolvidos pelas ondas, como diz Zaratustra),doenças (não-graves, renitentes) que me atacam sobretudo em períodos de ócio (feriadões, férias – sintoma de que trabalho duro), sonhos com essas figuras passadas (às vezes a separação não foi um rompimento, apenas parte dos desencontros da vida). Exemplos: Liz, Antonielle, Tavares o Corinthiano. Pessoas com quem gostaria de falar de novo – mas sinceramente me decepcionariam, porque, francamente, quase ninguém vê o que quase ninguém vê (velhos ou novos ou novos velhos amigos…). Amigos de internet tão importantes por uns anos que depois… já nem sei quem são apenas pelo nome… Como se nunca houvessem existido! Uma outra constante: as únicas aulas que dou são por escrito, e não-remuneradas.
“Meta: formação mais elevada de todo o CORPO e não só do cérebro!” Uma grande arte mais individual do que imaginam os atletas, nutricionistas, médicos, vaidosos em geral e personal trainers…
“História dos seres humanos mais elevados”Isso vem sendo toda a seara historiográfica, Nietzsche, pode ficar tranqüilo…
O ferido sempre se irrita consigo mesmo – esse é o poder da dialética trágica: ele estará MAIS FORTE da próxima vez.
VERDADE SOBRE O CARÁTER RESSENTIDO DO DIREITO MODERNO: “O prejudicador é compensado – é a forma mais antiga, não a intencionalidade hostil. A indignação surge por se ter sido prejudicado, portanto em função do êxito do inimigo, não em função da hostilidade. É a sensação do vencido – a ânsia de vingança: não a sensação de que tenha ocorrido uma injustiça.” Quase ininteligível para qualquer jurista, pois não se fala aqui a língua deles. E o que é um filósofo do direito senão um filósofo – o contrário de um jurista?!
À p. 340 a tese de que a justiça deveria exilar mais e prender menos.
“A relação suprema continua sendo a do sujeito criador com o seu material: essa é a última forma de arrogância e supremacia.”
“Arrependimento: isso é vingança contra si mesmo”
“Quando o ouro tilinta, a puta pisca os olhos. E há mais putas do que moedas de ouro. Quem é venal, esse chamo de puta. E há mais venais que moedas de ouro!”
“Desprezo a vida supremamente: e eu amo a vida ao máximo: não há nisso nenhum contra-senso – nenhuma contradição”
A ARENA DO POLITEÍSMO
“Com os deuses, há muito já se está no fim: eles todos morreram – de rir.
Isso ocorreu quando começou a rodar o dito mais ateu já vindo de um deus – o dito: tu não deverás ter nenhum outro deus além de mim: uma velha barba iracunda de Deus esqueceu portanto a si.
Tão pobre jamais fôra um deus em seu ciúme a ponto de impor: ‘tu não deverás ter nenhum outro deus além de mim!’
E todos os deuses riram então e se sacudiram nas cadeiras e exclamaram: ‘Não será justamente divino que haja deuses, mas nenhum Deus único?’”
Jeová, nesse conto nada barroco, é o herói, grave e auto-imolado(r). Zeus, Indra, Odin & cia. os semi-deuses (ironia de nomenclatura). Nosso mundo é invertido: conosco, os homens ocidentais, os últimos são os primeiros: o Deus cristão inaugura esse mundo; mas também morre primeiro. Morre de descrença em si mesmo, do que nenhum mortal morre (esse é nosso inferno, nosso nada, aliás). Assim como o semi-deus… – esse é imune aos efeitos colaterais da risada, i.e., não se engasga com azeitonas, vive rindo, ri vivendo. Aprendeu com a história e com o mito. E nossa risada é nosso néctar (riqueza útil). Não é irônico que o Deus que curava aleijados no mercado não soubesse dançar?
Trecho de BAUDRILLARD, Jean. The Illusion of The End (1994), seguido de especulações e desdobramentos meus acerca da figura do autista que devora o seu duplo e absorve seu irmão gêmeo, seja na vida real ou na ficção, com ou sem êxito:
“[Not anymore] the delirium of the schizophrenic [personalidade cindida] but of the isophrenic, [idêntico tão-só a si mesmo]without shadow, other, transcendence or image (…) the autist who has devoured his double and absorbed his twin brother¹ (being a twin is, conversely, a form of autism à deux). (…) deprived of hereditary otherness, affected with hereditary sterility, they have no other destiny than desperately to seek out an otherness by eliminating all the Others one by one (whereas <vertical> madness [o tipo antigo da loucura, a família da esquizofrenia, formas arquetípicas do <desejo> de Gilles Deleuze & Guattari] suffered, by contrast, from a dizzying excess of otherness). The problem of Frankenstein, for example, is that he has no Other and craves otherness. This is the problem of racism.”
¹ The Black-Zamasu Syndrome! a Ou a Era Messi?b
O ANTES & DEPOIS DO “PERSONAGEM DUPLICADO” ZAMASU
aBlack & Zamasu: dois lados de uma mesma moeda: Dois personagens de mangá/anime que são, no enredo, a mesma pessoa, porém provindos de universos alternativos (o que seria muito demorado explicar em suas minúcias), “um deles” mortal, um tanto impulsivo e dotado de um corpo “ágil e perfeito” (em que residiria essa agilidade e perfeição será deslindado a seguir – este mortal de que falo é chamado de “Goku Black” pelos demais personagens da trama), “outro deles” imortal, possuidor de extensos conhecimentos sobre o universo e não obstante dotado de um corpo um tanto menos versátil que o de sua contraparte espelhada (este é Zamasu, a identidade ‘original’ do ‘falso duo’). “Ambos” formam um par astuto e eficiente, pode-se dizer que “se completam” de forma platônica.
A solução final encontrada pelo(s) personagem(ns) desdobrado(s) Black-Zamasu na sua tentativa de cumprir o ambicioso propósito que persegue(m) com afinco na estória – o singelo plano da extinção da humanidade não só na Terra como em todo o universo (Ningen Zero Keikaku,(*) ‘Plano Zero Humanos’), e com humanos, nesta narrativa, não entender apenas criaturas antropomórficas, os terráqueos, mas todos os seres que a filosofia existencialista classificaria como conscientes de que um diairão morrer dada “sua natureza meramente finita, recalcitrante e imperfeita, de pecadores natos, enfim”, como diriao vilão ou a dupla de vilões em questão –, envolve a precipitada decisão de “fundir-se consigo mesmo”, acarretando a transformação de duas entidades em uma.
(*) Acho divertida a inadvertida – cacofonia intencional – coincidência acústica que a transposição da obra para o português acaba gerando: ningen, sendo o japonês para ‘humano’, corresponde exatamente à idéia que Black-Zamasu tem/têm do homem: um zé(ro)-ninguém.
Este Narciso que conseguiu mergulhar no espelho d’água e não se afogar, este Fausto do universo ficcional de Dragon Ball, após vender a alma para chegar aonde quer, percebe tarde demais que o “diabo” (neste caso ele mesmo) o ludibriou na barganha, ao constatar que, uma vez fundido com sua cara-metade, sua principal vantagem tática na trama até aquele momento é, como num simples passe de mágica, desfeita: seu senso de cooperação com um Outro (ainda que esse outro fosse apenas ele desdobrado), sua sincronia e trabalho em equipe ideais na paciente execução de um projeto maquiavélico, acabam dando lugar a uma criatura “semi-imortal e auto-suficiente”. Ora, só que não existe a semi-imortalidade (algo intrinsecamente inútil, inferior à imortalidade) nem uma auto-suficiência genuína.
A sutil tragédia desta estória, nem sempre capturada pelo leitor/espectador, está em que a fim de chegar tão longe em seus planos diabólicos Zamasu teve de roubar o corpo do artista-marcial “perfeito”, Goku, o protagonista, que encarna o próprio sentido do humano arquetípico, cheio de defeitos, carências e tolas expectativas, dotado de uma fé cega e ingênua no futuro a despeito da certeza da morte e até de uma certa dose de despeito pelo conceito de divindade (justamente o que nos torna cônscios de nossa capacidade inerente de nos corrigirmos e nos superarmos diversas vezes ao longo de nossa curta vida), conjunto de características tão abominado pelo mesmo Zamasu. A parte “humana” de Zamasu, Goku Black, ao ser incorporada ao próprio Zamasu original, constituindo a partir daí um corpo só, desestabiliza seu Ser Eterno. Seu novo invólucro, em vez de onipotente, se revela uma falsificação, um embuste. Zamasu, o Uno, não dispõe mais da vida eterna.
E este nem é o pior de seus problemas após a fusão: logo se evidencia que, contra os humanos – raça que aprende com os erros e enquanto não perece ousa tentar outra vez, mesmo sem ter idéia do desfecho, de se seus esforços serão inúteis ou não, entregando, de qualquer maneira, tudo de si –, a própria habilidade de Zamasu, da parte do Goku Black em Zamasu, que ele tomou emprestada do corpo mortal de Goku quando uma de suas metades se transformara em Black no passado, a habilidade do contínuo e incessante auto-aperfeiçoamento pessoal, não passa de uma cópia barata da versão dos humanos autênticos dessa mesma habilidade. Zamasu, principalmente agora que contaminou sua antiga parte “humana” (parte que, reitera-se, era um mal necessário para que ele sobressaísseno combate) com traços divinos (e não o contrário: em Zamasu, é o humano que decai graças a sua metade deus, e não o inverso!), não possui a vontade e a determinação necessárias que lhe possibilitariam, em última instância, ultrapassar seus próprios limites.
Ao escolher se fundir consigo próprio, Zamasu apenas antecipou o fim do combate: se tornou um adversário facilmente vencível, incapaz de acompanhar o ritmo das proezas dos rivais e de compreender o ethos do inimigo. (Em sua cabeça, devia se perguntar: Por que eles lutam comigo, em intensa solidariedade uns com os outros o tempo todo, mesmo quando se acham em nítida desvantagem na correlação de forças? E por que eles não desistem nunca de realizar o impossível? O que faz criaturas tão frágeis e insignificantes se comportarem de maneira tão absurda e ao mesmo tempo exibirem uma invejável serenidade no olhar? Que impulso é esse que os move, que nem mesmo um deus como eu entende?!) O resultado final icônico do embate é que Black-Zamasu termina cortado em dois por um dos humanos que o antagonizam. Seu corpo imortal tinha o dom da auto-regeneração, mas sozinho não poderia vencer os humanos super-poderosos da trama fantástica. Quando se fundiu consigo mesmo, seu novo corpo semi-imortal foi aos poucos se deformando e perdendo aquela capacidade restauradora, embora ele calculasse que o ganho de poder resultante da fusão decidiria a guerra a seu favor.
Aquilo que fôra cortado pela espada de um humilde ser humano (a espada, apenas uma espada como qualquer outra, nada mais é do que o símbolo da inquebrantável perseverança dos mortais) não era bem a carne de Zamasu, a dizer verdade, mas seu espírito, sua própria essência, e este profundo ferimento metafísico se mostrou uma chaga incurável.
A evolução tremendamente satisfatória (em sua ascensão e queda) do multifacetado e secretamente atormentado Zamasu – esse Prometeu negativo, esse deus presunçoso e anti-socrático, que “não sabia que nada sabia” –, e seu estratagema cínico de forjar uma hipócrita aliança com seu duplo ou Doppelgänger, um duplo que ao mesmo tempo que imitava os seres humanos teria de ser seu principal instrumento para finalmente extingui-los, tornam este personagem, de longe, no melhor antagonista jamais apresentado por esta série shounen de lutinhas acéfalas, em que normalmente imperam a superficialidade mais boçal e os velhos clichês maniqueístas.
OBS: Deve haver uma mística ligação entre Jean Baudrillard e Dragon Ball, pois não é a primeira vez que eu associo a ambos – e ser mais distintos um do outro é impossível! – em posts do Seclusão (aqui vai a pista de uma possível explicação racional: novamente o assunto abordado se refere à ‘síndrome de deus’ de que padece o animal homem em todas as culturas conhecidas)!
bLional “La Pulga” Messi: O conhecido jogador de futebol foi tachado por muitos “entendidos” de “autista” nos seus anos iniciais de carreira porque ‘se comunicava’ e ‘atuava’ de forma supostamente bizarra e muitodiferente da habitual, tanto nos gramados quanto na vida privada. Diferente até de outros gênios do passado, principalmente do ícone-mor argentino, o extremamente sociável e integrado com o seu povo, extrovertido e burlesco Diego Maradona, que por muitos anos foi uma sombra na trajetória de Messi.
Vemos, num dégradé perfeito, como Lionel Messi foi se tornando, com a idade, cada vez mais e mais maradônico, seja porque assim quisemos passar a enxergar após começarmos a prestar mais atenção ou porque o meia-atacante foi se tornando, sem afetação, de modo orgânico e natural, grande e irreverente tal qual seu ídolo de infância, não só através de suas quebras rotineiras de recordes e a técnica cada vez mais precisa e apurada, como também pela maturidade com que aprendeu a chamar toda a responsabilidade e estrelato para si, aglutinando os companheiros pelo bem maior da equipe e confrontando com personalidade e malemolência os críticos e adversários, cada vez mais estupefatos e rendidos.
Messi soube se desdobrar, enquanto se movimentava como uma flecha durante os jogos, separou o Messi indivíduo comum do Messi lendário, o cidadão do mago protagonista de espetáculos, se situou num ângulo favorável, numa distância confortável, diante do espelho em que se punha a observar seu próprio Outro, que na verdade são duas coisas distintas, seus dois Outros – 1) o seu futuro como será contado pela História, que só pode ser decidido por ele mesmo; 2) e aquela antiga sombra ou reflexo pertencente ao passado, que mais parecia um destino inexorável a pesar como uma bigorna sobre as suas costas, ele, Diego Armando Maradona. Por muito tempo, no entanto, pensaram, e talvez Messi tenha pensado, que seus dois Outros eram um só: Messi é Maradona; mas se Messi não tem uma Copa, então Messi não é Maradona… então,a na realidade, Messi não é ninguém… Não!… Messi será Maradona!… contanto que…Entende-se onde quero chegar.
Os anos profissionais de um jogador de futebol passam muito mais depressa que nossa já efêmera vida. E, para Messi, sua trajetória como jogador, o capítulo mais importante de sua biografia, culminou com a decretação oficial de sua “santidade atlética”, a atribuição sem direito a controvérsia de seu status de craque atemporal, diante de toda a imprensa e da atual geração de torcedores do esporte mais popular do planeta, após a apoteótica exibição na final da Copa do Mundo de 2022, no momento em que erguia a Taça Fifa. Hoje, mesmo antes da aposentadoria, Messi já é apontado (e não aposentado, leia bem!) – e por não poucos, talvez pelos mesmos que antes tentavam explicar suas performances sobrenaturais apelando para diagnósticos clínicos! – como “melhor que Maradona” enquanto jogador e “tão influente e carismático quanto Dieguito” fora das quatro linhas, façanha notável, outrora até impensável, quando nos damos conta de que na Argentina Diego Maradona é venerado como um deus…
Primeiro erro de Ellenberger: dispor o marxismo ao lado de tranqueiras históricas como “racionalismo, darwinismo social, mecanicismo, utilitarismo”.
Segundo erro: chama Nietzsche de uma espécie de “último romântico”.
“La enfermedad le obligó a renunciar a su puesto en 1879.” O que significa que deu aula de filología greco-latina por longos 10 anos. Numa vida tão curta como foi a sua, e em que cada ano deve ser muito grato para a Filosofia ocidental, é realmente uma pena. Mas cabe lembrar que destes 10 anos, 7 já contaram com suas publicações puramente filosóficas que o mundo todo conhece. Teve mais 10 anos de viagens, muita produção metafísica e uma ‘saúde relativa’. E, curiosamente, arredondando, 10 anos de paralisia, antes da norte.
“Nietzsche representa em alto grau o que os alemães denominam uma natureza problemática, isto é, uma personalidade difícil de valorar e que dá lugar a opiniões contraditórias.”
“patrón de crisis sucesivas.”Infelizmente a historiografia está ATRAPALHADA pela sanguessuga Salomé!
“pérdida dramática de su fe cristiana en la 1ª juventud”Mas se não se suspeita disso em momento algum lendo toda sua obra!
“graves sufrimientos físicos y neuróticos”(diagnóstico a posteriori!)
Vontade de tirar uma estrela da avaliação deste livro (4/5 para 3/5) [ver post seguintedo Seclusão]. Porém, ele segue sendo fundamental para desmistificar a real importancia de Sigmund Fraude!
“un hombre que se separa de la sociedad, que vive en solitario en las montañas suizas al igual que Z. en su cueva, y que lanza un anatema sobre la sociedad contemporánea. A continuación surgió su enfermedad mental, que algunos atribuían a una venganza del destino contra un humano que pretendía elevarse por encima de sus iguales.”HAHAHA!
“Geneviève Bianquis, Nietzsche devant ses contemporains. Textes recueillis et choisis, Mónaco, Editions du Rocher, sin fecha, ha demostrado que N. no era un absoluto tan solitario como la leyenda le ha hecho sino que tenía, por el contrario, amigos muy devotos.”
Erich F. Podach, Friedrich’s Werke des Zusammenbruchs, 1961.Algo como O Trabalho Nietzschiano de Destruição do Todo, o que Adorno (felizmente) chamaria, com mais tato, de O Trabalho Metafísico Negativo de Nie..
“El origen de la tragedia es su único libro de contornos perfectamente claros.”Sou obrigado a discordar frontalmente!
“Zaratustra (…) ejerció una fascinación extraordinaria sobre la juventud europea entre 1890 y 1910.”
“ELLENBERGER, ACHO QUE SEU FILHO DE 5 ANOS MEXEU NO SEU LIVRO”:“Negaba la existencia de la causalidad, de las leyes naturales, y la posibilidad de que el hombre alcance ninguna verdad, conclusión ésta expresada en uno de sus aforismos: <Nada es verdad, todo está permitido>.”PS: Não ler Hans Wolff!
“Ludwig Klages llega a denominarle el verdadero fundador de la psicología moderna.”
“Él más grande crítico y psicólogo moral conocido en la historia de la mente humana.” Thomas Mann,N. Philosophy in the Light of Contemporary Events, 1947.
Mittasch, Friedrich Nietzsche als Naturphilosoph, 1952.
Imensa saudade do que não vivi: quando os psicólogos eram necessariamente grandes sábios. Digam-me: como um imbecil pretende tirar conclusões aproveitáveis de um processo terapêutico em que meu inconsciente é o tratado?!
“la frase del Evangelio el que se humilla será ensalzado se podría traducir por el que se humilla desea ser ensalzado.” Aquele que se humilha e ‘o humilhado’ são, a propósito, mundos aparte! Humilhar-se e ser humilhado – nada mais díspar. Antes, poderíamos também dizer: aqueles que são humilhados se exaltam bastante, querendo até ir às vias de fato!
“N. concebía el inconsciente como una zona de pensamientos, emociones, e instintos confusos, además de como un lugar de representación de estados pasados del individuo y de la especie.”
“Sob o nome de inibição(Hemmung), N. descreve o que hoje [na psicología do século XX] se denomina repressão, e aplica-a à percepção e à memória.”
“A palavra ressentimento, que compreendia todo tipo de sentimentos de rancor, despeito, inveja, hostilidade e ódio, recebeu em N. um novo significado. (…) O conceito de ressentimento nietzschiano seria adotado, modificado e desenvolvido por Max Scheler e Marañón (Tiberius. A Study in Resentment, 1956).”
A MERDA ESTANQUE:“Ademais, o indivíduo leva dentro de si todo tipo de opiniões e sentimentos que provêm de seus pais e antepassados, ainda que creia que são propriamente seus.”
Benz (ed.), Der Übermensch, 1961.
(*) “Ernst, Die romantische Ironie, 1915, demuestra, a la página 125, que la famosa frase ‘el hombre debe ser superado’ estaba ya contenida en el Athenäumde Schlegel.”
W.D. Williams, Nietzsche and the French, 1952.– é sempre um prazer ler alguém que, em citação incontroversa sua, demonstra compreender corretamente o conceito de eterno retorno!
O problema do conceito de Übermensch enquanto tal é que ele só funciona em caráter de coletividade.
“Lou Andreas-Salomé fue el 1º en comprender la estrecha relación existente entre los sufrimientos físicos y nerviosos de N….”Além de usar a pior fonte à disposição, como pode confundi-la com um homem?!?
Para Ellenberger, em resumo, N. é o homem que explica ou mantém coesa a Santíssima Trindade da Pseudanálise!
“A él se remonta también el concepto dinámico de la mente con las nociones de energía mental, cuantos de energía latente o inhibida, o liberación de energía o transferencia de un impulso a otro. Antes que Fraud, Nietzsche concibió la mente como un sistema de impulsos que puede colisionar o fundirse unos en otros. En contraste con Fraud, sin embargo, no dio preponderancia al impulso sexual (cuya importancia conocía bien), sino a los impulsos agresivos y autodestructores. Comprendió muy bien los procesos que F. calificó de mecanismos de defensa, en particular la sublimación (término que aparece por lo menos una docena de veces en los trabajos de N.), la represión y la vuelta de los instintos hacia uno mismo. El concepto de imagen del padre y la madre está también implícito en su obra. Las descripciones del resentimiento, de la falsa conciencia y de la falsa moralidad se anticiparon a las descripciones FRAUDIANAS de la culpabilidad neurótica y del superyó.” Sobre a divisão esquemática do inconsciente em 2 instâncias arbitrárias (ou da individualidade total em 3 instâncias arbitrárias, com a própria consciência ou eu sendo uma espécie de ‘cópula’ entre o inconsciente e a ‘consciência’ no sentido em que se empregava o termo até o séc. XIX – uma grotesca confusão fraudiana!): o super-eu é o conceito mais desnecessário do ponto de vista psicológico, qualquer que fosse a escola a considerar. É simplesmente um refinamento obscuro da palabra ‘moral’, que facilitaria imensamente neste contexto! Tudo isso para ter de entender (se se começa a querer entender esas coisas por Fraud, o que é um grande azar na vida!) ao fim do processo o fato basilar e pedestre de que o eu da PSEUDANÁLISE funciona como a mistura da moral vigente com os instintos animais. A cultura individuada. Ou seja, é como se o inconsciente, esse caos sem forma de onde não se pode tirar nada literalmente como é ou seria, fosse se preocupar em organizar o que é animalesco e o que é “regra de etiqueta” ou “educação inculcada pelos pais”.
Alfred Adler como uma espécie de Nietzsche embrutecido para a vulgata.
“Al contrario de Fraud, Jung proclamó siempre abiertamente el enorme estímulo que recibió de N..”
“His Essays, which are at once the most celebrated and the most permanent of his productions, form a magazine out of which such minds as those of Baconand Shakespeare did not disdain to help themselves; and, indeed, as Hallam observes, the Frenchman’s literary importance largely results from the share which his mind had in influencing other minds, coeval and subsequent.”
“He was, without being aware of it, the leader of a new school in letters and morals. His book was different from all others which were at that date in the world. It diverted the ancient currents of thought into new channels. It told its readers, with unexampled frankness, what its writer’s opinion was about men and things, and threw what must have been a strange kind of new light on many matters but darkly understood. Above all, the essayist uncased himself, and made his intellectual and physical organism public property. He took the world into his confidence on all subjects.” “Of all egotists, Montaigne, if not the greatest, was the most fascinating, because, perhaps, he was the least affected and most truthful.”
“The text of these volumes is taken from the first edition of Cotton’s version, printed in 3 vols. 8vo, 1685-6, and republished in 1693, 1700, 1711, 1738, and 1743, in the same number of volumes and the same size. In the earliest impression the errors of the press are corrected merely as far as page 240 of the 1st volume, and all the editions follow one another. That of 1685-6 was the only one which the translator lived to see. He died in 1687, leaving behind him an interesting and little-known collection of poems, which appeared posthumously, 8vo, 1689.
It was considered imperative to correct Cotton’s translation by a careful collation with the ‘variorum’ edition of the original, Paris, 1854, 4 vols. 8vo or 12mo, and parallel passages from Florin[ou Florio?]’s earlier undertaking have occasionally been inserted at the foot of the page. A Life of the Author and all his recovered Letters, 16 in number, have also been given; but, as regards the correspondence, it can scarcely be doubted that it is in a purely fragmentary state.”
* * *
ALGUNS EXCERTOS DE CARTAS
“they say that a sensible person may take a wife indeed, but that to espouse her is to act like a fool.”
“Let us live, my wife, you and I, in the old French method. Now, you may recollect that the late M. de la Boétie, my brother and inseparable companion, gave me, on his death-bed, all his books and papers, which have remained ever since the most precious part of my effects. I do not wish to keep them niggardly to myself alone, nor do I deserve to have the exclusive use of them; so that I have resolved to communicate them to my friends; and because I have none, I believe, more particularly intimate than you, I send you the Consolatory Letter written by Plutarch to his Wife, translated by him into French”
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(Ao rei Henrique IV, que, como, a parecer, todos os reis do período, se encontrava em contínuas campanhas de conquista…)
“If there is to be severity and punishment, let it be deferred till success has been assured. A great conqueror of past times boasts that he gave his enemies as great an inducement to love him, as his friends. And here we feel already some effect of the favourable impression produced upon our rebellious towns by the contrast between their rude treatment, and that of those which are loyal to you.”
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FIRST BOOK
CHAPTER I——THAT MEN BY VARIOUS WAYS ARRIVE AT THE SAME END.
“The Emperor Conrad III having besieged Guelph, Duke of Bavaria, [In 1140, in Weinsberg, Upper Bavaria.] would not be prevailed (…) to condescend to milder conditions than that the ladies and gentlewomen only who were in the town with the duke might go out without violation of their honour, on foot, and with so much only as they could carry about them. Whereupon they, out of magnanimity of heart, presently contrived to carry out, upon their shoulders, their husbands and children, and the duke himself; a sight at which the emperor was so pleased, that, ravished with the generosity of the action, he wept for joy, and immediately extinguishing in his heart the mortal and capital hatred he had conceived against this duke, he from that time forward treated him and his with all humanity.” Algo parecido com o conto do Barão de Munchhausen!
“And yet pity is reputed a vice amongst the Stoics, who will that we succour the afflicted, but not that we should be so affected with their sufferings as to suffer with them.”
“Man (in good earnest) is a marvellous vain, fickle, and unstable subject, and on whom it is very hard to form any certain and uniform judgment. For Pompey could pardon the whole city of the Mamertines, though furiously incensed against it, upon the single account of the virtue and magnanimity of one citizen, Zeno, who took the fault of the public wholly upon himself; neither entreated other favour, but alone to undergo the punishment for all. And yet Sylla’s host, having in the city of Perugia manifested the same virtue, obtained nothing by it, either for himself or his fellow-citizens.
And, directly contrary to my first examples, the bravest of all men, and who was reputed so gracious to all those he overcame, Alexander, having, after many great difficulties, forced the city of Gaza, and, entering, found Betis, who commanded there, and of whose valour in the time of this siege he had most marvellous manifest proof, alone, forsaken by all his soldiers, his armour hacked and hewed to pieces, covered all over with blood and wounds, and yet still fighting in the crowd of a number of Macedonians, who were laying on him on all sides, he said to him, nettled at so dear-bought a victory (for, in addition to the other damage, Alexander had two wounds newly received in his own person), <Thou shalt not die, Betis, as thou dost intend; be sure thou shall suffer all the torments that can be inflicted on a captive.> To which menace the other returning no other answer, but only a fierce and disdainful look; <What,> says Alexander, observing his haughty and obstinate silence, <is he too stiff to bend a knee! Is he too proud to utter one suppliant word! Truly, I will conquer this silence; and if I cannot force a word from his mouth, I will, at least, extract a groan from his heart.>And thereupon converting his anger into fury, presently commanded his heels to be bored through [atravessados], causing him, alive, to be dragged, mangled, and dismembered at a cart’s tail.—(Quintus Curtius, 4. 6. This act of cruelty has been doubted, notwithstanding the statement of Curtius.)—Was it that the height of courage was so natural and familiar to this conqueror, that because he could not admire, he respected it the less? Or was it that he conceived valour to be a virtue so peculiar to himself, that his pride could not, without envy, endure it in another? Or was it that the natural impetuosity of his fury was incapable of opposition? Certainly, had it been capable of moderation, it is to be believed that in the sack and desolation of Thebes, to see so many valiant men, lost and totally destitute of any further defence, cruelly massacred before his eyes, would have appeased it: where there were above 6,000 put to the sword, of whom not one was seen to fly, or heard to cry out for quarter; but, on the contrary, every one running here and there to seek out and to provoke the victorious enemy to help them to an honourable end. Not one was seen who, however weakened with wounds, did not in his last gasp yet endeavour to revenge himself, and with all the arms of a brave despair, to sweeten his own death in the death of an enemy. Yet did their valour create no pity, and the length of one day was not enough to satiate the thirst of the conqueror’s revenge, but the slaughter continued to the last drop of blood that was capable of being shed, and stopped not till it met with none but unarmed persons, old men, women, and children, of them to carry away to the number of 30,000 slaves.” Discordo dos devaneios morais de Montaigne. Todo essa massacre, toda essa matança, que ele atribui à empáfia alexandrina, poderiam ter sido evitados se esses homens simplesmente se rendessem, o que é nobre, pois que contra o mesmo orgulho invencível que Montaigne tanto ataca no parágrafo.
CHAPTER II——OF SORROW
“The Italians have more fitly baptized by this name—(La tristezza)—malignity; for ‘tis a quality always hurtful, always idle and vain; and as being cowardly, mean, and base, it is by the Stoics expressly and particularly forbidden to their sages.”
Quem mais pranteia no enterro é quem menos sofre.
“Petrified with her misfortunes.—Ovid, Met., vi. 304.” Penso que li isso em algum outro lugar – Virginia Woolf cita, talvez? Agora entendo o contexto: a mãe que, de tanto perder filhos, não podendo expressar externamente sua tristeza, converteu-se súbito em pedra.
“oppressed with accidents greater than we are able to bear.”
“He who can say how he burns with love, has little fire”
—Petrarca, Sonetto 137.
“hence that frigidity which by the force of an immoderate ardour seizes him even in the very lap of fruition”
“Light griefs can speak: deep sorrows are dumb.”
—Seneca, Hippolytus, act ii. scene 3.
“Besides the examples of the Roman lady, who died for joy to see her son safe returned from the defeat of Cannae; and of Sophocles (…) who died [laughing, reportedly]” Suspeito quando se fala do obituário de alguém famoso, mas demos crédito quando a pessoa é anônima!
“And for a more notable testimony of the imbecility of human nature, it is recorded by the ancients—(Pliny)—that Diodorus the dialectician died upon the spot, out of an extreme passion of shame, for not having been able in his own school, and in the presence of a great auditory, to disengage himself from a nice argument that was propounded to him. I, for my part, am very little subject to these violent passions; I am naturally of a stubborn apprehension, which also, by reasoning, I everyday harden and fortify.”
(…)
CHAPTER IV——THAT THE SOUL EXPENDS ITS PASSIONS UPON FALSE OBJECTS, WHERE THE TRUE ARE WANTING
“So it seems that the soul, being transported and discomposed, turns its violence upon itself, if not supplied with something to oppose it, and therefore always requires an object at which to aim, and whereon to act. Plutarch says of those who are delighted with little dogs and monkeys, that the amorous part that is in us, for want of a legitimate object, rather than lie idle, does after that manner forge and create one false and frivolous. And we see that the soul, in its passions, inclines rather to deceive itself, by creating a false and fantastical a subject, even contrary to its own belief, than not to have something to work upon. After this manner brute beasts direct their fury to fall upon the stone or weapon that has hurt them”
“And the philosopher Bion said pleasantly of the king, who by handsful pulled his hair off his head for sorrow, <Does this man think that baldness is a remedy for grief?>—(Cicero, Tusc. Quest., iii. 26.)—Who has not seen peevish gamesters chew and swallow the cards, and swallow the dice, in revenge for the loss of their money? Xerxes whipped the sea, and wrote a challenge to Mount Athos; Cyrus employed a whole army several days at work, to revenge himself of the river Gyndas, for the fright it had put him into in passing over it; and Caligula demolished a very beautiful palace for the pleasure his mother had once enjoyed there.”
“I remember there was a story current, when I was a boy, that one of our neighbouring kings—(Probably Alfonso XI. of Castile)—having received a blow from the hand of God, swore he would be revenged, and in order to it, made proclamation that for 10 years to come no one should pray to Him, or so much as mention Him throughout his dominions, or, so far as his authority went, believe in Him; by which they meant to paint not so much the folly as the vainglory of the nation of which this tale was told. They are vices that always go together, but in truth such actions as these have in them still more of presumption than want of wit. Augustus Caesar, having been tossed with a tempest at sea, fell to defying Neptune, and in the pomp of the Circensian games, to be revenged, deposed his statue from the place it had amongst the other deities. Wherein he was still less excusable than the former, and less than he was afterwards when, having lost a battle under Quintilius Varus in Germany, in rage and despair he went running his head against the wall, crying out, <O Varus! give me back my legions!> for these exceed all folly, forasmuch as impiety is joined therewith, invading God Himself, or at least Fortune, as if she had ears that were subject to our batteries; like the Thracians, who when it thunders or lightens, fall to shooting against heaven with Titanian vengeance, as if by flights of arrows they intended to bring God to reason.” Fantástico!
CHAPTER V——WHETHER THE GOVERNOR OF A PLACE BESIEGED OUGHT HIMSELF TO GO OUT TO PARLEY
Astúcia: um longo enredo de Tróia ao leão de Zaratustra.
Orgulho ferido, mas nada amputado.
“In the kingdom of Ternate, amongst those nations which we so broadly call barbarians, they have a custom never to commence war, till it be first proclaimed; adding withal an ample declaration of what means they have to do it with, with what and how many men, what ammunitions, and what, both offensive and defensive, arms; but also, that being done, if their enemies do not yield and come to an agreement, they conceive it lawful to employ without reproach in their wars any means which may help them to conquer.”So?
“The ancient Florentines were so far from seeking to obtain any advantage over their enemies by surprise, that they always gave them a month’s warning before they drew their army into the field, by the continual tolling of a bell they called Martinella.”
“Where the lion’s skin is too short, we must eke it out with a bit from that of a fox”
(…)
CHAPTER VII——THAT THE INTENTION IS JUDGE OF OUR ACTIONS
“Death discharges us of all our obligations.”
“Henry VII, King of England, articled with Don Philip, son to Maximilian the emperor, or (to place him more honourably) father to the Emperor Charles V, that the said Philip should deliver up the Duke of Suffolk of the White Rose, his enemy, who was fled into the Low Countries, into his hands; which Philip accordingly did, but upon condition, nevertheless, that Henry should attempt nothing against the life of the said Duke; but coming to die, the king in his last will commanded his son to put him to death immediately after his decease. (…) Unjust judges, who defer judgment to a time wherein they can have no knowledge of the cause!”
(…)
CHAPTER IX——OF LIARS
“above all, old men who retain the memory of things past, and forget how often they have told them, are dangerous company”
“It is not without good reason said <that he who has not a good memory should never take upon him the trade of lying.> I know very well that the grammarians distinguish betwixt an untruth and a lie, and say that to tell an untruth is to tell a thing that is false, but that we ourselves believe to be true; and that the definition of the word to lie in Latin, from which our French is taken, is to tell a thing which we know in our conscience to be untrue; and it is of this last sort of liars only that I now speak.”
“I see that parents commonly, and with indiscretion enough, correct their children for little innocent faults, and torment them for wanton tricks, that have neither impression nor consequence; whereas, in my opinion, lying only, and, which is of something a lower form, obstinacy, are the faults which are to be severely whipped out of them, both in their infancy and in their progress, otherwise they grow up and increase with them; and after a tongue has once got the knack of lying, ‘tis not to be imagined how impossible it is to reclaim it whence it comes to pass that we see some, who are otherwise very honest men, so subject and enslaved to this vice.”
“a dog we know is better company than a man whose language we do not understand.”
CHAPTER X——OF QUICK OR SLOW SPEECH
“All graces were never yet given to any one man.”
“So we see in the gift of eloquence, wherein some have such a facility and promptness, and that which we call a present wit so easy, that they are ever ready upon all occasions, and never to be surprised; and others more heavy and slow, never venture to utter anything but what they have long premeditated, and taken great care and pains to fit and prepare.”
O PADRE E O ADVOGADO: “If I were worthy to advise, the slow speaker, methinks, should be more proper for the pulpit, and the other for the bar: and that because the employment of the first does naturally allow him all the leisure he can desire to prepare himself, and besides, his career is performed in an even and unintermitted line, without stop or interruption; whereas the pleader’s business and interest compels him to enter the lists upon all occasions, and the unexpected objections and replies of his adverse party jostle him out of his course, and put him, upon the instant, to pump for new and extempore answers and defences.”
“But he who remains totally silent, for want of leisure to prepare himself to speak well, and he also whom leisure does noways benefit to better speaking, are equally unhappy.”
“I know, experimentally, the disposition of nature so impatient of tedious and elaborate premeditation, that if it do not go frankly and gaily to work, it can perform nothing to purpose.”
“I am always worst in my own possession, and when wholly at my own disposition: accident has more title to anything that comes from me than I; occasion, company, and even the very rising and falling of my own voice, extract more from my fancy than I can find, when I sound and employ it by myself. By which means, the things I say are better than those I write, if either were to be preferred, where neither is worth anything.”
“when I come to speak, I am already so lost that I know not what I was about to say, and in such cases a stranger often finds it out before me.”
CHAPTER XI——OF PROGNOSTICATIONS
“Socrates’ demon might, perhaps, be no other but a certain impulsion of the will, which obtruded itself upon him without the advice or consent of his judgment; and in a soul so enlightened as his was, and so prepared by a continual exercise of wisdom and virtue, ‘tis to be supposed those inclinations of his, though sudden and undigested, were very important and worthy to be followed. Every one finds in himself some image of such agitations, of a prompt, vehement, and fortuitous opinion; and I may well allow them some authority, who attribute so little to our prudence, and who also myself have had some, weak in reason, but violent in persuasion and dissuasion, by which I have suffered myself to be carried away so fortunately, and so much to my own advantage, that they might have been judged to have had something in them of a divine inspiration.”
CHAPTER XII——OF CONSTANCY
“there is no supple [flexível] motion of body, nor any movement in the handling of arms, how irregular or ungraceful soever, that we need condemn, if they serve to protect us from the blow that is made against us.”
“Neither do the Stoics pretend that the soul of their philosopher need be proof against the first visions and fantasies that surprise him; but, as to a natural subjection, consent that he should tremble at the terrible noise of thunder, or the sudden clatter of some falling ruin, and be affrighted even to paleness and convulsion; and so in other passions, provided his judgment remain sound and entire, and that the seat of his reason suffer no concussion nor alteration, and that he yield no consent to his fright and discomposure.”
CHAPTER XIII——THE CEREMONY OF THE INTERVIEW OF PRINCES
“To what end do we avoid the servile attendance of courts, if we bring the same trouble home to our own private houses?”
CHAPTER XV——OF THE PUNISHMENT OF COWARDICE
“But as to cowardice, it is certain that the most usual way of chastising it is by ignominy and it is supposed that this practice brought into use by the legislator Charondas; and that, before his time, the laws of Greece punished those with death who fled from a battle; whereas he ordained only that they be for 3 days exposed in the public dressed in woman’s attire, hoping yet for some service from them, having awakened their courage by this open shame:
Suffundere malis hominis sanguinem, quam effundere. //
Rather bring the blood into a man’s cheek than let it out of his body. (Tertullian in his Apologetics.)” Não sei como isso pode infundir coragem, entretanto…
CHAPTER XVI——A PROCEEDING OF SOME AMBASSADORS [O PERIGO DE QUERER-SER-POLÍMATA-TENDO-APENAS-UM-GRANDE-TALENTO-QUE-EXCEDE-TODOS-OS-OUTROS-DE-DILETANTE – PRINCIPALMENTE NO QUE CONCERNE AO MONARCA, PARA NÃO SE TORNAR MAU GOVERNANTE OU MESMO DÉSPOTA]
“I observe in my travels this custom, ever to learn something from the information of those with whom I confer (which is the best school of all others), and to put my company upon those subjects they are the best able to speak of:—
Basti al nocchiero ragionar de’ venti,
Al bifolco dei tori; et le sue piaghe
Conti’l guerrier; conti’l pastor gli armenti.
Let the sailor content himself with talking of the winds; the cowherd of his oxen; the soldier of his wounds; the shepherd of his flocks.—An Italian translation of Propertius, ii. i, 43
For it often falls out that, on the contrary, every one will rather choose to be prating of another man’s province than his own, thinking it so much new reputation acquired; witness the jeer Archidamus put upon Pertander, <that he had quitted the glory of being an excellent physician to gain the repute of a very bad poet>.—And do but observe how large and ample Caesar is to make us understand his inventions of building bridges and contriving engines of war,—and how succinct and reserved in comparison, where he speaks of the offices of his profession, his own valour, and military conduct. His exploits sufficiently prove him a great captain, and that he knew well enough; but he would be thought an excellent engineer to boot; a quality something different, and not necessary to be expected in him.”
“By this course a man shall never improve himself, nor arrive at any perfection in anything. He must, therefore, make it his business always to put the architect, the painter, the statuary, every mechanic artisan, upon discourse of their own capacities.”
“I have, in my time, known men of command checked for having rather obeyed the express words of the king’s letters, than the necessity of the affairs they had in hand. Men of understanding do yet, to this day, condemn the custom of the kings of Persia to give their lieutenants and agents so little rein, that, upon the least arising difficulties, they must fain have recourse to their further commands; this delay, in so vast an extent of dominion, having often very much prejudiced their affairs; and Crassus, writing to a man whose profession it was best to understand those things, and pre-acquainting him to what use this mast was designed, did he not seem to consult his advice, and in a manner invite him to interpose his better judgment?”
CHAPTER XVII——OF FEAR
“So much does fear dread even the means of safety.”—Quint. Curt., ii. II.
“And the many people who, impatient of the perpetual alarms of fear, have hanged or drowned themselves, or dashed themselves to pieces, give us sufficiently to understand that fear is more importunate and insupportable than death itself.”
CHAPTER XVIII——THAT MEN ARE NOT TO JUDGE OF OUR HAPPINESS TILL AFTER DEATH.
“And, in this sense, this good advice of Solon may reasonably be taken; but he, being a philosopher (with which sort of men the favours and disgraces of Fortune stand for nothing, either to the making a man happy or unhappy, and with whom grandeurs and powers are accidents of a quality almost indifferent) I am apt to think that he had some further aim, and that his meaning was, that the very felicity of life itself, which depends upon the tranquillity and contentment of a well-descended spirit, and the resolution and assurance of a well-ordered soul, ought never to be attributed to any man till he has first been seen to play the last, and, doubtless, the hardest act of his part.”
“To death do I refer the assay of the fruit of all my studies: we shall then see whether my discourses came only from my mouth or from my heart. I have seen many by their death give a good or an ill repute to their whole life.”
“that I may die well—that is, patiently and tranquilly.”
CHAPTER XIX——THAT TO STUDY PHILOSOPY IS TO LEARN TO DIE
“The reason of which is, because study and contemplation do in some sort withdraw from us our soul, and employ it separately from the body, which is a kind of apprenticeship and a resemblance of death; or, else, because all the wisdom and reasoning in the world do in the end conclude in this point, to teach us not to fear to die.”
“All the opinions of the world agree in this, that pleasure is our end, though we make use of divers means to attain it: they would, otherwise, be rejected at the first motion; for who would give ear to him that should propose affliction and misery for his end?”
“Let the philosophers say what they will, the thing at which we all aim, even in virtue is pleasure. (…) This pleasure, for being more gay, more sinewy, more robust and more manly, is only the more seriously voluptuous, and we ought give it the name of pleasure, as that which is more favourable, gentle, and natural, and not that from which we have denominated it.”
“The felicity and beatitude that glitters in Virtue, shines throughout all her appurtenances and avenues, even to the first entry and utmost limits. Now, of all the benefits that virtue confers upon us, the contempt of death is one of the greatest, as the means that accommodates human life with a soft and easy tranquillity, and gives us a pure and pleasant taste of living, without which all other pleasure would be extinct.”
“Xenophilus the musician, who lived 106 years in a perfect and continual health”
“The end of our race is death; ‘tis the necessary object of our aim, which, if it fright us, how is it possible to advance a step without a fit of ague? The remedy the vulgar use is not to think on’t; but from what brutish stupidity can they derive so gross a blindness?”
“They affright people with the very mention of death, and many cross themselves, as it were the name of the devil. And because the making a man’s will is in reference to dying, not a man will be persuaded to take a pen in hand to that purpose, till the physician has passed sentence upon and totally given him over, and then betwixt and terror, God knows in how fit a condition of understanding he is to do it.”
“Young and old die upon the same terms; no one departs out of life otherwise than if he had but just before entered into it; neither is any man so old and decrepit, who, having heard of Methuselah, does not think he has yet 20 good years to come. Fool that thou art! who has assured unto thee the term of life? Thou dependest upon physicians’ tales: rather consult effects and experience.”
“thou wilt find more who have died before than after 35 years of age.” “He ended His life at 33 years. The greatest man, that was no more than a man, Alexander, died also at the same age.”
“Aeschylus, threatened with the fall of a house, was to much purpose circumspect to avoid that danger, seeing that he was knocked on the head by a tortoise falling out of an eagle’s talons in the air.” “Ésquilo, com sua vida ameaçada pelo soterramento de uma casa, foi circunspecto o bastante para se prevenir desse perigo, mas não para deixar de ser atingido na cabeça por uma tartaruga que caiu das garras duma águia – e assim ele morreu.”
“Se, porém, devo completar os casos com um de meu próprio sangue, meu irmão, Capitão St. Martin, muito jovem ainda, 23 anos, que já havia dado provas de seu valor, jogando um duelo de tênis, recebeu uma bolada um pouco acima da orelha direita; sem nada sentir da gravidade da lesão no momento, ele nem sequer achou prudente interromper a partida. Cinco ou seis horas depois ele faleceu de uma apoplexia causada por essa mesma contusão.”
“But ‘tis folly to think of doing anything that way. They go, they come, they gallop and dance, and not a word of death. All this is very fine; but withal, when it comes either to themselves, their wives, their children, or friends, surprising them at unawares and unprepared, then, what torment, what outcries, what madness and despair! Did you ever see anything so subdued, so changed, and so confounded? A man must, therefore, make more early provision for it; and this brutish negligence, could it possibly lodge in the brain of any man of sense (which I think utterly impossible), sells us its merchandise too dear.”
“Let him hide beneath iron or brass in his fear, death will pull his head out of his armour.” Propertius
“let us converse and be familiar with him, and have nothing so frequent in our thoughts as death. Upon all occasions represent him to our imagination in his every shape; at the stumbling of a horse, at the falling of a tile, at the least prick with a pin, let us presently consider, Well, and what if it had been death itself?”
“The Egyptians were wont to do after this manner, who in the height of their feasting and mirth, caused a dried skeleton of a man to be brought into the room to serve for a memento to their guests:
Omnem crede diem tibi diluxisse supremum
Grata superveniet, quae non sperabitur, hora.
Think each day when past is thy last; the next day, as unexpected, will be the more welcome.—Hor., Ep., i. 4, 13.”
“he who has learned to die has unlearned to serve. There is nothing evil in life for him who rightly comprehends that the privation of life is no evil: to know how to die delivers us from all subjection and constraint.”
“In truth, in all things, if nature do not help a little, it is very hard for art and industry to perform anything to purpose. I am in my own nature not melancholic, but meditative; and there is nothing I have more continually entertained myself withal than imaginations of death, even in the most wanton time of my age” “In the company of ladies, and at games, some have perhaps thought me possessed with some jealousy, or the uncertainty of some hope, whilst I was entertaining myself with the remembrance of some one, surprised, a few days before, with a burning fever of which he died, returning from an entertainment like this, with his head full of idle fancies of love and jollity, as mine was then, and that, for aught I knew, the same destiny was attending me.” “Every minute, methinks, I am escaping, and it eternally runs in my mind, that what may be done to-morrow, may be done to-day.” “A friend of mine the other day turning over my tablets, found therein a memorandum of something I would have done after my decease, whereupon I told him, as it was really true, that though I was no more than a league’s distance only from my own house, and merry and well, yet when that thing came into my head, I made haste to write it down there, because I was not certain to live till I came home. As a man that am eternally brooding over my own thoughts, and confine them to my own particular concerns, I am at all hours as well prepared as I am ever like to be, and death, whenever he shall come, can bring nothing along with him I did not expect long before. We should always, as near as we can, be booted and spurred, and ready to go, and, above all things, take care, at that time, to have no business with anyone but one’s self” Montaigne era um hipocondríaco.
“Why for so short a life tease ourselves with so many projects?” Hor.
LADRAR O CÃO SABIA: “One man complains, more than of death, that he is thereby prevented of a glorious victory; another, that he must die before he has married his daughter, or educated his children; a third seems only troubled that he must lose the society of his wife; a fourth, the conversation of his son, as the principal comfort and concern of his being. For my part, I am, thanks be to God, at this instant in such a condition, that I am ready to dislodge, whenever it shall please Him, without regret for anything whatsoever. I disengage myself throughout from all worldly relations; my leave is soon taken of all but myself. Never did any one prepare to bid adieu to the world more absolutely and unreservedly, and to shake hands with all manner of interest in it, than I expect to do. The deadest deaths are the best”
“We are to discharge ourselves from these vulgar and hurtful humours. To this purpose it was that men first appointed the places of sepulture adjoining the churches, and in the most frequented places of the city, to accustom, says Lycurgus, the common people, women, and children, that they should not be startled at the sight of a corpse, and to the end, that the continual spectacle of bones, graves, and funeral obsequies should put us in mind of our frail condition”
“It was formerly the custom to enliven banquets with slaughter, and to combine with the repast the dire spectacle of men contending with the sword, the dying in many cases falling upon the cups, and covering the tables with blood.”—Silius Italicus, xi. 51.
“If I were a writer of books, I would compile a register, with a comment, of the various deaths of men: he who should teach men to die would at the same time teach them to live.”
“The vigour wherein I now am, the cheerfulness and delight wherein I now live, make the contrary estate appear in so great a disproportion to my present condition, that, by imagination, I magnify those inconveniences by one-half, and apprehend them to be much more troublesome than I find them really to be, when they lie the most heavy upon me; I hope to find death the same.”
“Caesar, to an old weather-beaten soldier of his guards, who came to ask him leave that he might kill himself, taking notice of his withered body and decrepit motion, pleasantly answered, <Thou fanciest, then, that thou art yet alive.>”
“Should a man fall into this condition on the sudden, I do not think humanity capable of enduring such a change: but nature, leading us by the hand, an easy and, as it were, an insensible pace, step by step conducts us to that miserable state, and by that means makes it familiar to us, so that we are insensible of the stroke when our youth dies in us, though it be really a harder death than the final dissolution of a languishing body, than the death of old age; forasmuch as the fall is not so great from an uneasy being to none at all, as it is from a sprightly and flourishing being to one that is troublesome and painful.” Esse luto eu já atravessei há muito tempo…
“I will keep thee in fetters and chains, in custody of a savage keeper.—A god will when I ask Him, set me free. This god I think is death. Death is the term of all things.” —Hor.
“why should we fear to lose a thing, which being lost, cannot be lamented?”
“To him that told Socrates, <The 30 tyrants have sentenced thee to death>; <And nature them>, said he.—(CORRECTION: Socrates was not condemned to death by the 30, but by the Athenians. As in Diogenes Laertius, ii.35.)”
“to lament that we shall not be alive 100 years hence, is the same folly as to be sorry we were not alive 100 years ago. Death is the beginning of another life. So did we weep, and so much it cost us to enter into this, and so did we put off our former veil in entering into it. Nothing can be a grievance that is but once.”
“Long life, and short, are by death made all one; for there is no long, nor short, to things that are no more. Aristotle tells us that there are certain little beasts upon the banks of the river Hypanis, that never live above a day: they which die at 8 of the clock in the morning, die in their youth, and those that die at 5 in the evening, in their decrepitude: which of us would not laugh to see this moment of continuance put into the consideration of weal or woe? The most and the least, of ours, in comparison with eternity, or yet with the duration of mountains, rivers, stars, trees, and even of some animals, is no less ridiculous.”
“Your death is a part of the order of the universe, ‘tis a part of the life of the world.”
“Shall I exchange for you this beautiful contexture of things? ‘Tis the condition of your creation; death is a part of you, and whilst you endeavour to evade it, you evade yourselves. This very being of yours that you now enjoy is equally divided betwixt life and death. The day of your birth is one day’s advance towards the grave”
“The first hour that gave us life took away also an hour.”
—Seneca
“Why not depart from life as a sated guest from a feast?”
—Lucretius
But: “If you have not known how to make the best use of it, if it was unprofitable to you, what need you care to lose it, to what end would you desire longer to keep it?”
“Life in itself is neither good nor evil; it is the scene of good or evil as you make it.”
“if you have lived a day, you have seen all”
“There is no other light, no other shade; this very sun, this moon, these very stars, this very order and disposition of things, is the same your ancestors enjoyed, and that shall also entertain your posterity” Eu gostaria de ver o sol alaranjado ou vermelho de meio-dia: o crepúsculo da civilização ocidental!
“Your grandsires saw no other thing; nor will your posterity.”
—Manilius
“And, come the worst that can come, the distribution and variety of all the acts of my comedy are performed in a year. If you have observed the revolution of my 4 seasons, they comprehend the infancy, the youth, the virility, and the old age of the world: the year has played his part, and knows no other art but to begin again; it will always be the same thing”
“We are turning in the same circle, ever therein confined.”
—Lucretius
“I am not prepared to create for you any new recreations”
“Give place to others, as others have given place to you. Equality is the soul of equity. Who can complain of being comprehended in the same destiny, wherein all are involved? Besides, live as long as you can, you shall by that nothing shorten the space you are to be dead; ‘tis all to no purpose; you shall be every whit as long in the condition you so much fear, as if you had died at nurse”
“Know you not that, when dead, there can be no other living self to lament you dead, standing on your grave?”
“Death is less to be feared than nothing, if there could be anything less than nothing.”
“Make use of time while it is present with you. It depends upon your will, and not upon the number of days, to have a sufficient length of life. Is it possible you can imagine never to arrive at the place towards which you are continually going?”
“No night has followed day, no day has followed night, in which there has not been heard sobs and sorrowing cries, the companions of death and funerals.”
“To what end should you endeavour to draw back, if there be no possibility to evade it? you have seen examples enough of those who have been well pleased to die, as thereby delivered from heavy miseries; but have you ever found any who have been dissatisfied with dying? It must, therefore, needs be very foolish to condemn a thing you have neither experimented in your own person, nor by that of any other. Why dost thou complain of me and of destiny? Do we do thee any wrong? Is it for thee to govern us, or for us to govern thee? Though, peradventure, thy age may not be accomplished, yet thy life is: a man of low stature is as much a man as a giant; neither men nor their lives are measured by the ell. Chiron refused to be immortal, when he was acquainted with the conditions under which he was to enjoy it, by the god of time itself and its duration, his father Saturn. Do but seriously consider how much more insupportable and painful an immortal life would be to man than what I have already given him. If you had not death, you would eternally curse me for having deprived you of it”
“It was I that taught Thales, the most eminent of your sages, that to live and to die were indifferent; which made him, very wisely, answer him, ‘Why then he did not die?’ ‘Because,’ said he, ‘it is indifferent.’”
“Why dost thou fear thy last day? it contributes no more to thy dissolution, than every one of the rest” “Every day travels towards death; the last only arrives at it.”
* * * “These are the good lessons our mother Nature teaches.” * * *
“I believe, in truth, that it is those terrible ceremonies and preparations wherewith we set it out, that more terrify us than the thing itself (…) our beds environed with physicians and divines; in sum, nothing but ghostliness and horror round about us; we seem dead and buried already.”
“Children are afraid even of those they are best acquainted with, when disguised in a visor; and so ‘tis with us; the visor must be removed as well from things as from persons, that being taken away, we shall find nothing underneath but the very same death that a mean servant or a poor chambermaid died a day or two ago, without any manner of apprehension. Happy is the death that deprives us of leisure for preparing such ceremonials.”Die young!
CHAPTER XX——OF THE FORCE OF IMAGINATION [OU SOBRE HERMAFRODITAS]
A imaginação não precisa de eventos, mas os eventos sempre precisam de imaginação…
“A perpetual cough in another tickles my lungs and throat. (…) Simon Thomas was a great physician of his time: I remember, that happening one day at Toulouse to meet him at a rich old fellow’s house, who was troubled with weak lungs, and discoursing with the patient about the method of his cure, he told him, that one thing which would be very conducive to it, was to give me such occasion to be pleased with his company, that I might come often to see him, by which means, and by fixing his eyes upon the freshness of my complexion, and his imagination upon the sprightliness and vigour that glowed in my youth, and possessing all his senses with the flourishing age wherein I then was, his habit of body might, peradventure, be amended; but he forgot to say that mine, at the same time, might be made worse. Gallus Vibius so much bent his mind to find out the essence and motions of madness, that, in the end, he himself went out of his wits, and to such a degree, that he could never after recover his judgment, and might brag that he was become a fool by too much wisdom.”
“We start, tremble, turn pale, and blush, as we are variously moved by imagination; and, being a-bed, feel our bodies agitated with its power to that degree, as even sometimes to expiring.”
“Although it be no new thing to see horns grown in a night on the forehead of one that had none when he went to bed, notwithstanding, what befell Cippus, King of Italy, is memorable; who having one day been a very delighted spectator of a bullfight, and having all the night dreamed that he had horns on his head, did, by the force of imagination, really cause them to grow there. Passion gave to the son of Croesus the voice which nature had denied him. And Antiochus fell into a fever, inflamed with the beauty of Stratonice, too deeply imprinted in his soul. Pliny pretends to have seen Lucius Cossitius, who from a woman was turned into a man upon her very wedding-day. Pontanus and others report the like metamorphosis to have happened in these latter days in Italy.”
“Myself passing by Vitry le François, saw a man the Bishop of Soissons had, in confirmation, called Germain, whom all the inhabitants of the place had known to be a girl till 22 years of age, called Mary. He was, at the time of my being there, very full of beard, old, and not married. He told us, that by straining himself in a leap his male organs came out; and the girls of that place have, to this day, a song, wherein they advise one another not to take too great strides, for fear of being turned into men, as Mary Germain was.” HAHAHAHAHA!
“to the end it may not so often relapse into the same thought and violence of desire, it were better, once for all, to give these young wenches the things they long for.”
“St. Augustine makes mention of another, who, upon the hearing of any lamentable or doleful cries, would presently fall into a swoon, and be so far out of himself, that it was in vain to call, bawl in his ears, pinch or burn him, till he voluntarily came to himself; and then he would say, that he had heard voices as it were afar off, and did feel when they pinched and burned him; and, to prove that this was no obstinate dissimulation in defiance of his sense of feeling, it was manifest, that all the while he had neither pulse nor breathing.”
“I am not satisfied whether those pleasant ligatures—(Les nouements d’aiguillettes, as they were called, knots tied by some one, at a wedding, on a strip of leather, cotton, or silk, and which, especially when passed through the wedding-ring, were supposed to have the magical effect of preventing a consummation of the marriage until they were untied. See Louandre, La Sorcellerie, 1853, p. 73. The same superstition and appliance existed in England. – NT)—with which this age of ours is so occupied, that there is almost no other talk, are not mere voluntary impressions of apprehension and fear; for I know, by experience, in the case of a particular friend of mine, one for whom I can be as responsible as for myself, and a man that cannot possibly fall under any manner of suspicion of insufficiency, and as little of being enchanted, who having heard a companion of his make a relation of an unusual frigidity that surprised him at a very unseasonable time; being afterwards himself engaged upon the same account, the horror of the former story on a sudden so strangely possessed his imagination, that he ran the same fortune the other had done; and from that time forward, the scurvy remembrance of his disaster running in his mind and tyrannising over him, he was subject to relapse into the same misfortune. He found some remedy, however, for this fancy in another fancy, by himself frankly confessing and declaring beforehand to the party with whom he was to have to do, this subjection of his, by which means, the agitation of his soul was, in some sort, appeased; and knowing that, now, some such misbehaviour was expected from him, the restraint upon his faculties grew less. And afterwards, at such times as he was in no such apprehension, when setting about the act (his thoughts being then disengaged and free, and his body in its true and natural estate) he was at leisure to cause the part to be handled and communicated to the knowledge of the other party, he was totally freed from that vexatious infirmity. After a man has once done a woman right, he is never after in danger of misbehaving himself with that person, unless upon the account of some excusable weakness. Neither is this disaster to be feared, but in adventures, where the soul is overextended with desire or respect, and, especially, where the opportunity is of an unforeseen and pressing nature; in those cases, there is no means for a man to defend himself from such a surprise, as shall put him altogether out of sorts. I have known some, who have secured themselves from this mischance, by coming half-sated elsewhere, purposely to abate the ardour of the fury, and others, who, being grown old, find themselves less impotent by being less able; and one, who found an advantage in being assured by a friend of his, that he had a counter-charm of enchantments that would secure him from this disgrace.” Quanto jogo de esconde para falar de impotência sexual, a.k.a. pinto mole! Será que o termo frígido era unissex, pois?
“Amasis, King of Egypt, having married Laodice, a very beautiful Greek virgin, though noted for his abilities elsewhere, found himself quite another man with his wife, and could by no means enjoy her; at which he was so enraged, that he threatened to kill her, suspecting her to be a witch. As ‘tis usual in things that consist in fancy, she put him upon devotion, and having accordingly made his vows to Venus, he found himself divinely restored the very first night after his oblations and sacrifices. Now women are to blame to entertain us with that disdainful, coy, and angry countenance, which extinguishes our vigour, as it kindles our desire; which made the daughter-in-law of Pythagoras—(Theano, the lady in question was the wife, not the daughter-in-law of Pythagoras.)— say, <That the woman who goes to bed to a man, must put off her modesty with her petticoat, and put it on again with the same.>”
“Married people, having all their time before them, ought never to compel or so much as to offer at the feat, if they do not find themselves quite ready”
8=====D “The indocile liberty of this member is very remarkable, [HAHAHAHA] so importunately unruly in its tumidity and impatience, when we do not require it, and so unseasonably disobedient, when we stand most in need of it: so imperiously contesting in authority with the will, and with so much haughty obstinacy denying all solicitation, both of hand and mind. (…) For let any one consider, whether there is any one part of our bodies that does not often refuse to perform its office at the precept of the will, and that does not often exercise its function in defiance of her command.” “The same cause that animates this member, does also, without our knowledge, animate the lungs, pulse, and heart, the sight of a pleasing object imperceptibly diffusing a flame through all our parts, with a feverish motion. Is there nothing but these veins and muscles that swell and flag without the consent, not only of the will, but even of our knowledge also? We do not command our hairs to stand on end, nor our skin to shiver either with fear or desire; the hands often convey themselves to parts to which we do not direct them; the tongue will be interdict, and the voice congealed, when we know not how to help it. When we have nothing to eat, and would willingly forbid it, the appetite does not, for all that, forbear to stir up the parts that are subject to it, no more nor less than the other appetite we were speaking of, and in like manner, as unseasonably leaves us, when it thinks fit. The vessels that serve to discharge the belly have their own proper dilatations and compressions, without and beyond our concurrence, as well as those which are destined to purge the reins; and that which, to justify the prerogative of the will, St. Augustine urges, of having seen a man who could command his rear to discharge as often together as he pleased, Vives, his commentator, yet further fortifies with another example in his time,—of one that could break wind in tune; but these cases do not suppose anymore pure obedience in that part; for is anything commonly more tumultuary or indiscreet? To which let me add, that I myself knew one so rude and ungoverned, as for 40 years together made his master vent with one continued and unintermitted outbursting, and ‘tis like will do so till he die of it.”
“A woman fancying she had swallowed a pin in a piece of bread, cried and lamented as though she had an intolerable pain in her throat, where she thought she felt it stick; but an ingenious fellow that was brought to her, seeing no outward tumour nor alteration, supposing it to be only a conceit taken at some crust of bread that had hurt her as it went down, caused her to vomit, and, unseen, threw a crooked pin into the basin, which the woman no sooner saw, but believing she had cast it up, she presently found herself eased of her pain.”
“witness dogs, who die of grief for the loss of their masters; and bark and tremble and start in their sleep; so horses will kick and whinny in their sleep.”
“When we look at people with sore eyes, our own eyes become sore.
Many things are hurtful to our bodies by transition.”
—Ovid
“Tortoises and ostriches hatch their eggs with only looking on them, which infers that their eyes have in them some ejaculative virtue. And the eyes of witches are said to be assailant and hurtful”
“There was at my house, a little while ago, a cat seen watching a bird upon the top of a tree: these, for some time, mutually fixing their eyes one upon another, the bird at last let herself fall dead into the cat’s claws, either dazzled by the force of its own imagination, or drawn by some attractive power of the cat.”
“For my part, I think it less hazardous to write of things past, than present, by how much the writer is only to give an account of things every one knows he must of necessity borrow upon trust.”Não foi o que vimos em vários relatos de médicos e de noivos logo acima!
“there is nothing so contrary to my style as a continued narrative; I so often interrupt and cut myself short in my writing for want of breath; I have neither composition nor explanation worth anything, and am ignorant, beyond a child, of the phrases and even the very words proper to express the most common things; and for that reason it is, that I have undertaken to say only what I can say, and have accommodated my subject to my strength.” “Plutarch would say of what he has delivered to us, that it is the work of others: that his examples are all and everywhere exactly true: that they are useful to posterity, and are presented with a lustre that will light us the way to virtue, is his own work. It is not of so dangerous consequence, as in a medicinal drug, whether an old story be so or so.”
CHAPTER XXI——THAT THE PROFIT OF ONE MAN IS THE DAMAGE OF ANOTHER
“Demades the Athenian—(Seneca, De Beneficiis, 6:38, whence nearly the whole of this chapter is taken.)—condemned one of his city, whose trade it was to sell the necessaries for funeral ceremonies, upon pretence that he demanded unreasonable profit, and that that profit could not accrue to him, but by the death of a great number of people. A judgment that appears to be ill grounded, forasmuch as no profit whatever can possibly be made but at the expense of another, and that by the same rule he should condemn all gain of what kind soever. The merchant only thrives by the debauchery of youth, the husband man by the dearness of grain, the architect by the ruin of buildings, lawyers and officers of justice by the suits and contentions of men: nay, even the honour and office of divines are derived from our death and vices. A physician takes no pleasure in the health even of his friends, says the ancient Greek comic writer, nor a soldier in the peace of his country, and so of the rest. And, which is yet worse, let every one but dive into his own bosom, and he will find his private wishes spring and his secret hopes grow up at another’s expense. Upon which consideration it comes into my head, that nature does not in this swerve from her general polity; for physicians hold, that the birth, nourishment, and increase of everything is the dissolution and corruption of another”
CHAPTER XXII——OF CUSTOM, AND THAT WE SHOULD NOT EASILY CHANGE A LAW RECEIVED
“He seems to me to have had a right and true apprehension of the power of custom, who first invented the story of a country-woman who, having accustomed herself to play with and carry a young calf in her arms, and daily continuing to do so as it grew up, obtained this by custom, that, when grown to be a great ox, she was still able to bear it. For, in truth, custom is a violent and treacherous schoolmistress. She, by little and little, slily and unperceived, slips in the foot of her authority, but having by this gentle and humble beginning, with the benefit of time, fixed and established it, she then unmasks a furious and tyrannic countenance, against which we have no more the courage or the power so much as to lift up our eyes. We see her, at every turn, forcing and violating the rules of nature”
“I refer to her Plato’s cave in his Republic, and the physicians, who so often submit the reasons of their art to her authority; as the story of that king, who by custom brought his stomach to that pass, as to live by poison, and the maid that Albertus reports to have lived upon spiders. In that new world of the Indies, there were found great nations, and in very differing climates, who were of the same diet, made provision of them, and fed them for their tables; as also, they did grasshoppers, mice, lizards, and bats; and in a time of scarcity of such delicacies, a toad was sold for 6 crowns, all which they cook, and dish up with several sauces. There were also others found, to whom our diet, and the flesh we eat, were venomous and mortal”
“The power of custom is very great: huntsmen will lie out all night in the snow, or suffer themselves to be burned up by the sun on the mountains; boxers, hurt by the caestus [a luva romana, de ferro e couro], never utter a groan.”—Cicero
NOISE – ACQUIRED TASTE:“what philosophers believe of the music of the spheres, that the bodies of those circles being solid and smooth, and coming to touch and rub upon one another, cannot fail of creating a marvellous harmony, the changes and cadences of which cause the revolutions and dances of the stars; but that the hearing sense of all creatures here below, being universally, like that of the Egyptians, deafened, and stupefied with the continual noise, cannot, how great soever, perceive it—(This passage is taken from Cicero, Dream of Scipio; see his De Republica, 6:2. The Egyptians were said to be stunned by the noise of the Cataracts.)— Smiths, millers, pewterers, forgemen, and armourers could never be able to live in the perpetual noise of their own trades, did it strike their ears with the same violence that it does ours.” Schopenhauer e Goethe discordam.
“I myself lie at home in a tower, where every morning and evening a very great bell rings out the Ave Maria: the noise shakes my very tower, and at first seemed insupportable to me; but I am so used to it, that I hear it without any manner of offence, and often without awaking at it.”
“Mothers are mightily pleased to see a child writhe off the neck of a chicken, or to please itself with hurting a dog or a cat; and such wise fathers there are in the world, who look upon it as a notable mark of a martial spirit, when they hear a son miscall, or see him domineer over a poor peasant, or a lackey, that dares not reply, nor turn again; and a great sign of wit, when they see him cheat and overreach his playfellow by some malicious treachery and deceit. Yet these are the true seeds and roots of cruelty, tyranny, and treason; they bud and put out there, and afterwards shoot up vigorously, and grow to prodigious bulk, cultivated by custom. And it is a very dangerous mistake to excuse these vile inclinations upon the tenderness of their age, and the triviality of the subject: first, it is nature that speaks, whose declaration is then more sincere, and inward thoughts more undisguised, as it is more weak and young; secondly, the deformity of cozenage does not consist nor depend upon the difference betwixt crowns and pins; but I rather hold it more just to conclude thus: why should he not cozen in crowns since he does it in pins, than as they do, who say they only play for pins, they would not do it if it were for money?”
“I know very well, for what concerns myself, that from having been brought up in my childhood to a plain and straightforward way of dealing, and from having had an aversion to all manner of juggling and foul play in my childish sports and recreations (and, indeed, it is to be noted, that the plays of children are not performed in play, but are to be judged in them as their most serious actions), there is no game so small wherein from my own bosom naturally, and without study or endeavour, I have not an extreme aversion from deceit.”
“I saw the other day, at my own house, a little fellow, a native of Nantes, born without arms, who has so well taught his feet to perform the services his hands should have done him, that truly these have half forgotten their natural office; and, indeed, the fellow calls them his hands; with them he cuts anything, charges and discharges a pistol, threads a needle, sews, writes, puts off his hat, combs his head, plays at cards and dice, and all this with as much dexterity as any other could do who had more, and more proper limbs to assist him. The money I gave him—for he gains his living by showing these feats—he took in his foot, as we do in our hand. I have seen another who, being yet a boy, flourished a 2-handed sword, and, if I may so say, handled a halberd with the mere motions of his neck and shoulders for want of hands; tossed them into the air, and caught them again, darted a dagger, and cracked a whip as well as any coachman in France.”
“Is it not a shame for a natural philosopher, that is, for an observer and hunter of nature, to seek testimony of the truth from minds prepossessed by custom?”
“A French gentleman was always wont to blow his nose with his fingers (a thing very much against our fashion), and he justifying himself for so doing, and he was a man famous for pleasant repartees, he asked me, what privilege this filthy excrement had, that we must carry about us a fine handkerchief to receive it, and, which was more, afterwards to lap it carefully up, and carry it all day about in our pockets, which, he said, could not but be much more nauseous and offensive, than to see it thrown away, as we did all other evacuations. I found that what he said was not altogether without reason, and by being frequently in his company, that slovenly action of his was at last grown familiar to me; which nevertheless we make a face at, when we hear it reported of another country.”
“There are peoples, where, his wife and children excepted, no one speaks to the king but through a tube. In one and the same nation, the virgins discover those parts that modesty should persuade them to hide, and the married women carefully cover and conceal them. To which, this custom, in another place, has some relation, where chastity, but in marriage, is of no esteem, for unmarried women may prostitute themselves to as many as they please, and being got with child, may lawfully take physic, in the sight of every one, to destroy their fruit. And, in another place, if a tradesman marry, all of the same condition, who are invited to the wedding, lie with the bride before him; and the greater number of them there is, the greater is her honour, and the opinion of her ability and strength: if an officer marry, ‘tis the same, the same with a labourer, or one of mean condition; but then it belongs to the lord of the place to perform that office; and yet a severe loyalty during marriage is afterward strictly enjoined. There are places where brothels of young men are kept for the pleasure of women; where the wives go to war as well as the husbands, and not only share in the dangers of battle, but, moreover, in the honours of command. Others, where they wear rings not only through their noses, lips, cheeks, and on their toes, but also weighty gimmals of gold thrust through their paps and buttocks; where, in eating, they wipe their fingers upon their thighs, genitories, and the soles of their feet: where children are excluded, and brothers and nephews only inherit; and elsewhere, nephews only, saving in the succession of the prince: where, for the regulation of community in goods and estates, observed in the country, certain sovereign magistrates have committed to them the universal charge and overseeing of the agriculture, and distribution of the fruits, according to the necessity of everyone where they lament the death of children, and feast at the decease of old men: where they lie 10 or 12 in a bed, men and their wives together: where women, whose husbands come to violent ends, may marry again, and others not: where the condition of women is looked upon with such contempt, that they kill all the native females, and buy wives of their neighbours to supply their use; where husbands may repudiate their wives, without showing any cause, but wives cannot part from their husbands, for what cause soever; where husbands may sell their wives in case of sterility; where they boil the bodies of their dead, and afterward pound them to a pulp, which they mix with their wine, and drink it; where the most coveted sepulture is to be eaten by dogs, and elsewhere by birds; where they believe the souls of the blessed live in all manner of liberty, in delightful fields, furnished with all sorts of delicacies, and that it is these souls, repeating the words we utter, which we call Echo; where they fight in the water, and shoot their arrows with the most mortal aim, swimming; where, for a sign of subjection, they lift up their shoulders, and hang down their heads; where they put off their shoes when they enter the king’s palace; where the eunuchs, who take charge of the sacred women, have, moreover, their lips and noses cut off, that they may not be loved; where the priests put out their own eyes, to be better acquainted with their demons, and the better to receive their oracles; where every one makes to himself a deity of what he likes best; the hunter of a lion or a fox, the fisher of some fish; idols of every human action or passion; in which place, the sun, the moon, and the earth are the principal deities, and the form of taking an oath is, to touch the earth, looking up to heaven; where both flesh and fish is eaten raw; where the greatest oath they take is, to swear by the name of some dead person of reputation, laying their hand upon his tomb; where the new-year’s gift the king sends every year to the princes, his vassals, is fire, which being brought, all the old fire is put out, and the neighbouring people are bound to fetch of the new, every one for themselves, upon pain of high treason; where, when the king, to betake himself wholly to devotion, retires from his administration (which often falls out), his next successor is obliged to do the same, and the right of the kingdom devolves to the 3rd in succession: where they vary the form of government, according to the seeming necessity of affairs: depose the king when they think good, substituting certain elders to govern in his stead, and sometimes transferring it into the hands of the commonality: where men and women are both circumcised and also baptized: where the soldier, who in one or several engagements, has been so fortunate as to present 7 of the enemies’ heads to the king, is made noble: where they live in that rare and unsociable opinion of the mortality of the soul: where the women are delivered without pain or fear: where the women wear copper leggings upon both legs, and if a louse [piolho] bite them, are bound in magnanimity to bite them again, and dare not marry, till first they have made their king a tender of their virginity, if he please to accept it: where the ordinary way of salutation is by putting a finger down to the earth, and then pointing it up toward heaven: where men carry burdens upon their heads, and women on their shoulders; where the women make water standing, and the men squatting: where they send their blood in token of friendship, and offer incense to the men they would honour, like gods: where, not only to the 4th, but in any other remote degree, kindred are not permitted to marry: where the children are 4 years at nurse, and often 12; in which place, also, it is accounted mortal to give the child suck the 1st day after it is born: where the correction of the male children is peculiarly designed to the fathers, and to the mothers of the girls; the punishment being to hang them by the heels in the smoke: where they circumcise the women: (DV) where they eat all sorts of herbs, without other scruple than of the badness of the smell: where all things are open the finest houses, furnished in the richest manner, without doors, windows, trunks, or chests to lock, a thief being there punished double what they are in other places: where they crack lice with their teeth like monkeys, and abhor to see them killed with one’s nails: where in all their lives they neither cut their hair nor pare their nails; and, in another place, pare those of the right hand only, letting the left grow for ornament and bravery: where they suffer the hair on the right side to grow as long as it will, and shave the other; and in the neighbouring provinces, some let their hair grow long before, and some behind, shaving close the rest: where parents let out their children, and husbands their wives, to their guests to hire: where a man may get his own mother with child, and fathers make use of their own daughters or sons, without scandal: [fake news] where, at their solemn feasts, they interchangeably lend their children to one another, without any consideration of nearness of blood. In one place, men feed upon human flesh; in another, ‘tis reputed a pious office for a man to kill his father at a certain age; elsewhere, the fathers dispose of their children, whilst yet in their mothers’ wombs, some to be preserved and carefully brought up, and others to be abandoned or made away. Elsewhere the old husbands lend their wives to young men; and in another place they are in common without offence; in one place particularly, the women take it for a mark of honour to have as many gay fringed tassels at the bottom of their garment, as they have lain with several men. Moreover, has not custom made a republic of women separately by themselves? has it not put arms into their hands, and made them raise armies and fight battles? And does she not, by her own precept, instruct the most ignorant vulgar, and make them perfect in things which all the philosophy in the world could never beat into the heads of the wisest men? For we know entire nations, where death was not only despised, but entertained with the greatest triumph; where children of 7 years old suffered themselves to be whipped to death, without changing countenance; where riches were in such contempt, that the meanest citizen would not have deigned to stoop to take up a purse of crowns. And we know regions, very fruitful in all manner of provisions, where, notwithstanding, the most ordinary diet, and that they are most pleased with, is only bread, cresses, [agrião] and water. Did not custom, moreover, work that miracle in Chios that, in 700 years, it was never known that ever maid or wife committed any act to the prejudice of her honour?”
“Darius asking certain Greeks what they would take to assume the custom of the Indians, of eating the dead bodies of their fathers (for that was their use, believing they could not give them a better nor more noble sepulture than to bury them in their own bodies), they made answer, that nothing in the world should hire them to do it; but having also tried to persuade the Indians to leave their custom, and, after the Greek manner, to burn the bodies of their fathers, they conceived a still greater horror at the motion. (Herodotus, 3:38)”
“testemunhai Crísipo (Sextus Empiricus, Pyyrhon. Hypotyp., 1:14), quem, em tantos de seus escritos, espargiu sua soberana indiferença frente a conjunções incestuosas, não importa quão próximo fosse o grau de parentesco entre os partícipes.”
“I shall ask him, what can be more strange than to see a people obliged to obey laws they never understood; bound in all their domestic affairs, as marriages, donations, wills, sales, and purchases, to rules they cannot possibly know, being neither written nor published in their own language, and of which they are of necessity to purchase both the interpretation and the use? Not according to the ingenious opinion of Isocrates,—(Discourse to Nicocles)—who counselled his king to make the traffics and negotiations of his subjects, free, frank, and of profit to them, and their quarrels and disputes burdensome, and laden with heavy impositions and penalties; but, by a prodigious opinion, to make sale of reason itself, and to give to laws a course of merchandise. I think myself obliged to fortune that, as our historians report, it was a Gascon gentleman, a countryman of mine, who first opposed Charlemagne, when he attempted to impose upon us Latin and imperial laws.”
“there are double laws, those of honour and those of justice, in many things altogether opposite one to another; the nobles as rigorously condemning a lie taken, as the other do a lie revenged: by the law of arms, he shall be degraded from all nobility and honour who puts up with an affront; and by the civil law, he who vindicates his reputation by revenge incurs a capital punishment: he who applies himself to the law for reparation of an offence done to his honour, disgraces himself; and he who does not, is censured and punished by the law. Yet of these 2 so different things, both of them referring to one head, the one has the charge of peace, the other of war; those have the profit, these the honour; those the wisdom, these the virtue; those the word, these the action; those justice, these valour; those reason, these force; those the long robe, these the short;—divided betwixt them.”
“for the most fantastic, in my opinion, that can be imagined, I will instance amongst others, our flat caps, that long tail of velvet that hangs down from our women’s heads, with its party-coloured trappings; and that vain and futile model of a member we cannot in modesty so much as name, which, nevertheless, we make show and parade of in public.” Curiosamente análogo ao trecho narrado por Dolgoruki em O Adolescente
“The Ephoros who so rudely cut the 2 strings that Phrynis had added to music never stood to examine whether that addition made better harmony, or that by its means the instrument was more full and complete; it was enough for him to condemn the invention, that it was a novelty, and an alteration of the old fashion. Which also is the meaning of the old rusty sword carried before the magistracy of Marseilles.”Não entendeu o mundo grego.
O QUE AGUARDA JAIR BOLSONARO:“Alas! The wounds were made by my own weapons.
—Ovid, Ep. Phyll. Demophoonti, vers. 48.
They who give the first shock to a state, are almost naturally the first overwhelmed in its ruin; the fruits of public commotion are seldom enjoyed by him who was the first motor; he beats and disturbs the water for another’s net.”
CHAPTER XXIII——VARIOUS EVENTS FROM THE SAME COUNSEL
“What then, is it possible that I am to live in perpetual anxiety and alarm, and suffer my would-be assassin, meantime, to walk abroad at liberty? Shall he go unpunished, after having conspired against my life, a life that I have hitherto defended in so many civil wars, in so many battles by land and by sea? And after having settled the universal peace of the whole world, shall this man be pardoned, who has conspired not only to murder, but to sacrifice me?” Júlio (ou Augusto?) César
“<Why livest thou, if it be for the good of so many that thou shouldst die? must there be no end of thy revenges and cruelties? Is thy life of so great value, that so many mischiefs must be done to preserve it?> His wife Livia, seeing him in this perplexity: <Will you take a woman’s counsel?> said she. <Do as the physicians do, who, when the ordinary recipes will do no good, make trial of the contrary. By severity you have hitherto prevailed nothing; Lepidus has followed Salvidienus; Murena, Lepidus; Caepio, Murena; Egnatius, Caepio. Begin now, and try how sweetness and clemency will succeed. Cinna is convict; forgive him, he will never henceforth have the heart to hurt thee, and it will be an act to thy glory.> Augustus was well pleased that he had met with an advocate of his own humour; wherefore, having thanked his wife, and, in the morning, countermanded his friends he had before summoned to council, he commanded Cinna all alone to be brought to him; who being accordingly come, and a chair by his appointment set him, having ordered all the rest out of the room, he spake to him after this manner: <In the first place, Cinna, I demand of thee patient audience; do not interrupt me in what I am about to say, and I will afterwards give thee time and leisure to answer. Thou knowest, Cinna, that having taken thee prisoner in the enemy’s camp, and thou an enemy, not only so become, but born so, I gave thee thy life, restored to thee all thy goods, and, finally, put thee in so good a posture, by my bounty, of living well and at thy ease, that the victorious envied the conquered. The sacerdotal office which thou madest suit to me for, I conferred upon thee, after having denied it to others, whose fathers have ever borne arms in my service. After so many obligations, thou hast undertaken to kill me.” At which Cinna crying out that he was very far from entertaining any so wicked a thought: <Thou dost not keep thy promise, Cinna, that thou wouldst not interrupt me. Yes, thou hast undertaken to murder me in such a place, on such a day, in such and such company, and in such a manner.> At which words, seeing Cinna astounded and silent, not upon the account of his promise so to be, but interdict with the weight of his conscience: <Why, to what end wouldst thou do it? Is it to be emperor? Believe me, the Republic is in very ill condition, if I am the only man betwixt thee and the empire. Thou art not able so much as to defend thy own house, and but t’other day was baffled in a suit, by the opposed interest of a mere manumitted slave. What, hast thou neither means nor power in any other thing, but only to undertake Caesar? I quit the throne, if there be no other than I to obstruct thy hopes. Canst thou believe that Paulus, that Fabius, that the Cossii and the Servilii, and so many noble Romans, not only so in title, but who by their virtue, honour and their nobility, would suffer or endure thee?> After this, and a great deal more that he said to him (for he was 2 long hours in speaking), <Now go, Cinna, go thy way: I give thee that life as traitor and parricide, which I before gave thee in the quality of an enemy. Let friendship from this time forward begin betwixt us, and let us show whether I have given, or thou hast received thy life with the better faith>; and so departed from him. Some time after, he preferred him to the consular dignity, complaining that he had not the confidence to demand it; had him everafter for his very great friend, and was, at last, made by him sole heir to all his estate. Now, from the time of this accident which befell Augustus in the 40th year of his age, he never had any conspiracy or attempt against him, and so reaped the due reward of this his so generous clemency. But—so vain and futile a thing is human prudence; throughout all our projects, counsels and precautions, Fortune will still be mistress of events. “
“The poetic raptures, the flights of fancy, that ravish and transport the author out of himself, why should we not attribute them to his good fortune, since he himself confesses that they exceed his sufficiency and force, and acknowledges them to proceed from something else than himself, and that he has them no more in his power than the orators say they have those extraordinary motions and agitations that sometimes push them beyond their design? It is the same in painting, where touches shall sometimes slip from the hand of the painter, so surpassing both his conception and his art, as to beget his own admiration and astonishment. But Fortune does yet more evidently manifest the share she has in all things of this kind, by the graces and elegances we find in them, not only beyond the intention, but even without the knowledge of the workman: a competent reader often discovers in other men’s writings other perfections than the author himself either intended or perceived, a richer sense and more quaint expression.”
“all that our wisdom can do alone is no great matter; the more piercing, quick, and apprehensive it is, the weaker it finds itself, and is by so much more apt to mistrust itself. I am of Sylla’s opinion (<Who freed his great deeds from envy by ever attributing them to his good fortune, and finally by surnaming himself Faustus, the Lucky.>—Plutarch, How far a Man may praise Himself, IX); and when I closely examine the most glorious exploits of war, I perceive, methinks, that those who carry them on make use of counsel and debate only for custom’s sake, and leave the best part of the enterprise to Fortune, and relying upon her aid, transgress, at every turn, the bounds of military conduct and the rules of war.”
“You will read in history, of many who have been in such apprehension, that the most part have taken the course to meet and anticipate conspiracies against them by punishment and revenge; but I find very few who have reaped any advantage by this proceeding; witness so many Roman emperors. Whoever finds himself in this danger, ought not to expect much either from his vigilance or power; for how hard a thing is it for a man to secure himself from an enemy, who lies concealed under the countenance of the most assiduous friend we have, and to discover and know the wills and inward thoughts of those who are in our personal service.”
“whosoever despises his own life, is always master of that of another man.” Sêneca
“And moreover, this continual suspicion, that makes a prince jealous of all the world, must of necessity be a strange torment to him. Therefore it was, that Dion, being advertised that Callippus watched all opportunities to take away his life, had never the heart to inquire more particularly into it, saying, that he had rather die than live in that misery, that he must continually stand upon his guard, not only against his enemies, but his friends also”
“Those who preach to princes so circumspect and vigilant a jealousy and distrust, under colour of security, preach to them ruin and dishonour: nothing noble can be performed without danger. Those who preach to princes so circumspect and vigilant a jealousy and distrust, under colour of security, preach to them ruin and dishonour: nothing noble can be performed without danger.”
“Courage, the reputation and glory of which men seek with so greedy an appetite, presents itself, when need requires, as magnificently in cuerpo, as in full armour; in a closet, as in a camp; with arms pendant, as with arms raised.” E tudo aquilo foi como se não fôra nada… Quando olhei para trás, em retrospecto, já havia sido corajoso!
Confiança obriga à fidelidade. O que é uma verdade tanto para o senhor quanto para o súdito.
“The most mistrustful of our kings—Louis XI—established his affairs principally by voluntarily committing his life and liberty into his enemies’ hands, by that action manifesting that he had absolute confidence in them, to the end they might repose as great an assurance in him.”
Só merece ser temido quem escolhe não temer.
“to represent a pretended resolution with a pale and doubtful countenance and trembling limbs, for the service of an important reconciliation, will effect nothing to purpose.”
“There is nothing so little to be expected or hoped for from this many-headed monster, in its fury, as humanity and good nature”
“I look upon Julius Caesar’s way of winning men to him as the best and finest that can be put in practice. First, he tried by clemency to make himself beloved even by his very enemies, contenting himself, in detected conspiracies, only publicly to declare, that he was pre-acquainted with them; which being done, he took a noble resolution to await without solicitude or fear, whatever might be the event, wholly resigning himself to the protection of the gods and fortune: for, questionless, in this state he was at the time when he was killed.”
“A stranger having publicly said, that he could teach Dionysius, the tyrant of Syracuse, an infallible way to find out and discover all the conspiracies his subjects could contrive against him, if he would give him a good sum of money for his pains, Dionysius hearing of it, caused the man to be brought to him, that he might learn an art so necessary to his preservation. The man made answer, that all the art he knew was that he should give him a talent, and afterwards boast that he had obtained a singular secret from him. Dionysius liked the invention, and accordingly caused 600 crowns to be counted out to him. It was not likely he should give so great a sum to a person unknown, but upon the account of some extraordinary discovery, and the belief of this served to keep his enemies in awe. Princes, however, do wisely to publish the informations they receive of all the practices against their lives, to possess men with an opinion they have so good intelligence that nothing can be plotted against them, but they have present notice of it.”
“To invite a man’s enemies to come and cut his throat, seems a resolution a little extravagant and odd; and yet I think he did better to take that course, than to live in continual feverish fear of an accident for which there was no cure. But seeing all the remedies a man can apply to such a disease are full of unquietness and uncertainty, ‘tis better with a manly courage to prepare one’s self for the worst that can happen, and to extract some consolation from this, that we are not certain the thing we fear will ever come to pass.”
CHAPTER XXIV——OF PEDANTRY
“as plants are suffocated and drowned with too much nourishment, and lamps with too much oil, so with too much study and matter is the active part of the understanding which, being embarrassed, and confounded with a great diversity of things, loses the force and power to disengage itself, and by the pressure of this weight, is bowed, subjected, and doubled up.”
“the philosopher is so ignorant of what his neighbour does, that he scarce knows whether he is a man, or some other animal” Plato – Montaigne pensa que isso é uma crítica, mas é um elogio ao filósofo.
“For what concerns the philosophers, as I have said, if they were in science, they were yet much greater in action. And, as it is said of the geometrician of Syracuse (Archimedes), who having been disturbed from his contemplation, to put some of his skill in practice for the defence of his country, that he suddenly set on foot dreadful and prodigious engines, that wrought effects beyond all human expectation; himself, notwithstanding, disdaining all his handiwork, and thinking in this he had played the mere mechanic, and violated the dignity of his art, of which these performances of his he accounted but trivial experiments and playthings so they, whenever they have been put upon the proof of action, have been seen to fly to so high a pitch, as made it very well appear, their souls were marvellously elevated, and enriched by the knowledge of things.”
“In plain truth, the cares and expense our parents are at in our education point at nothing but to furnish our heads with knowledge; but not a word of judgment and virtue.”
“so our pedants go picking knowledge here and there, out of books, and hold it at the tongue’s end, only to spit it out and distribute it abroad. (…) do I not the same thing throughout almost this whole composition? I go here and there, culling out of several books the sentences that best please me, not to keep them (for I have no memory to retain them in), but to transplant them into this; where, to say the truth, they are no more mine than in their first places. (…) We can say, Cicero says thus; these were the manners of Plato; these are the very words of Aristotle: but what do we say ourselves? What do we judge? A parrot would say as much as that.”
“I know one, who, when I question him what he knows, he presently calls for a book to show me, and dares not venture to tell me so much, as that he has piles in his posteriors, till first he has consulted his dictionary, what piles and what posteriors are.”
“We are in this very like him who, having need of fire, went to a neighbour’s house to fetch it, and finding a very good one there, sat down to warm himself without remembering to carry any with him home.” Plutarch, How a Man should Listen
“What good does it do us to have the stomach full of meat, if it do not digest, if it be not incorporated with us, if it does not nourish and support us?” Cicero
“Would I fortify myself against the fear of death, it must be at the expense of Seneca: would I extract consolation for myself or my friend, I borrow it from Cicero. I might have found it in myself, had I been trained to make use of my own reason.”
“Diogenes the cynic laughed at the grammarians, who set themselves to inquire into the miseries of Ulysses, and were ignorant of their own; at musicians, who were so exact in tuning their instruments, and never tuned their manners; at orators, who made it a study to declare what is justice, but never took care to do it. If the mind be not better disposed, if the judgment be no better settled, I had much rather my scholar had spent his time at tennis, for, at least, his body would by that means be in better exercise and breath. Do but observe him when he comes back from school, after 15 or 16 years that he has been there; there is nothing so unfit for employment; all you shall find he has got is that his Latin and Greek have only made him a greater coxcomb [dândi] than when he went from home.”
“These pedants of ours, as Plato says of the Sophists, their cousin-germans, are, of all men, they who most pretend to be useful to mankind, and who not only do not better and improve that which is committed to them, as a carpenter or a mason would do, but make them much worse, and make us pay them for making them worse, to boot.”
“you see the husbandman and the cobbler go simply and fairly about their business, speaking only of what they know and understand; whereas these fellows, to make parade and to get opinion, mustering this ridiculous knowledge of theirs, that floats on the superficies of the brain, are perpetually perplexing, and entangling themselves in their own nonsense.”
“They are wonderfully well acquainted with Galen, but not at all with the disease of the patient; they have already deafened you with a long ribble-row of laws, but understand nothing of the case in hand; they have the theory of all things, let who will put it in practice.”
“O you, of patrician blood, to whom it is permitted to live without eyes in the back of your head, beware of grimaces at you from behind.”
“Whosoever shall narrowly pry into and thoroughly sift this sort of people, wherewith the world is so pestered, will, as I have done, find, that for the most part, they neither understand others, nor themselves; and that their memories are full enough, but the judgment totally void and empty; some excepted, whose own nature has of itself formed them into better fashion. As I have observed, for example, in Adrian Turnebus, who having never made other profession than that of mere learning only, and in that, in my opinion, he was the greatest man that has been these thousand years, had nothing at all in him of the pedant, but the wearing of his gown, and a little exterior fashion, that could not be civilised to courtier ways, which in themselves are nothing. I hate our people, who can worse endure an ill-contrived robe than an ill-contrived mind, and take their measure by the leg a man makes, by his behaviour, and so much as the very fashion of his boots, what kind of man he is.”
“For it is not for knowledge to enlighten a soul that is dark of itself, nor to make a blind man see. Her business is not to find a man’s eyes, but to guide, govern, and direct them, provided he have sound feet and straight legs to go upon. Knowledge is an excellent drug, but no drug has virtue enough to preserve itself from corruption and decay, if the vessel be tainted and impure wherein it is put to keep.”
“Plato’s principal institution in his Republic is to fit his citizens with employments suitable to their nature. Nature can do all, and does all. Cripples are very unfit for exercises of the body, and lame souls for exercises of the mind. Degenerate and vulgar souls are unworthy of philosophy. If we see a shoemaker with his shoes out at the toes, we say, ‘tis no wonder; for, commonly, none go worse shod than they. In like manner, experience often presents us a physician worse physicked, a divine less reformed, and (constantly) a scholar of less sufficiency, than other people.”
“Old Aristo of Chios had reason to say that philosophers did their auditors harm, forasmuch as most of the souls of those that heard them were not capable of deriving benefit from instruction, which, if not applied to good, would certainly be applied to ill”
“They proceeded effeminate debauchees from the school of Aristippus, cynics from that of Zeno.”
—Cicero,De Natura Deor., iii., 31.
“It is a thing worthy of very great consideration, that in that excellent and, in truth, for its perfection, prodigious form of civil regimen set down by Lycurgus, though so solicitous of the education of children, as a thing of the greatest concern, and even in the very seat of the Muses, he should make so little mention of learning; as if that generous youth, disdaining all other subjection but that of virtue, ought to be supplied, instead of tutors to read to them arts and sciences, with such masters as should only instruct them in valour, prudence, and justice; an example that Plato has followed in his laws.”
“A great boy in our school, having a little short cassock, by force took a longer from another that was not so tall as he, and gave him his own in exchange: whereupon I, being appointed judge of the controversy, gave judgment, that I thought it best each should keep the coat he had, for that they both of them were better fitted with that of one another than with their own: upon which my master told me I had done ill, in that I had only considered the fitness of the garments, whereas I ought to have considered the justice of the thing, which required that no one should have anything forcibly taken from him that is his own.” Ciro, o rei persa
“it is nothing strange if, when Antipater demanded of the spartans 50 children for hostages, they made answer, quite contrary to what we should do, that they would rather give him twice as many full-grown men, so much did they value the loss of their country’s education.”
“The most potent empire that at this day appears to be in the whole world is that of the Turks, a people equally inured to the estimation of arms and the contempt of letters. I find Rome was more valiant before she grew so learned. The most warlike nations at this time in being are the most rude and ignorant: the Scythians, the Parthians, Tamerlane, serve for sufficient proof of this. When the Goths overran Greece, the only thing that preserved all the libraries from the fire was that some one possessed them with an opinion that they were to leave this kind of furniture entire to the enemy, as being most proper to divert them from the exercise of arms, and to fix them to a lazy and sedentary life. When our King Charles VIII, almost without striking a blow, saw himself possessed of the kingdom of Naples and a considerable part of Tuscany, the nobles about him attributed this unexpected facility of conquest to this, that the princes and nobles of Italy more studied to render themselves ingenious and learned than vigorous and warlike.”
CHAPTER XXV——OF THE EDUCATION OF CHILDREN
“I never seriously settled myself to the reading any book of solid learning but Plutarch and Seneca; and there, like the Danaides, I eternally fill, and it as constantly runs out; something of which drops upon this paper, but little or nothing stays with me.” Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que Plutarco é um mentiroso patológico, mero criptomitólogo!
“many words so dull, so insipid, so void of all wit or common sense, that indeed they were only French words!”
“the greatest and most important difficulty of human science is the education of children.” “The symptoms of their inclinations in that tender age are so obscure, and the promises so uncertain and fallacious, that it is very hard to establish any solid judgment or conjecture upon them.” “we often take very great pains, and consume a good part of our time in training up children to things, for which, by their natural constitution, they are totally unfit.”
“‘Tis the custom of pedagogues to be eternally thundering in their pupil’s ears, as they were pouring into a funnel, whilst the business of the pupil is only to repeat what the others have said” “Socrates, and since him Arcesilaus, made first their scholars speak, and then they spoke to them”
“Such as, according to our common way of teaching, undertake, with one and the same lesson, and the same measure of direction, to instruct several boys of differing and unequal capacities, are infinitely mistaken; and ‘tis no wonder, if in a whole multitude of scholars, there are not found above two or three who bring away any good account of their time and discipline. Let the master not only examine him about the grammatical construction of the bare words of his lesson, but about the sense and let him judge of the profit he has made, not by the testimony of his memory, but by that of his life.”
“I was privately carried at Pisa to see a very honest man, but so great an Aristotelian, that his most usual thesis was: <That the touchstone and square of all solid imagination, and of all truth, was an absolute conformity to Aristotle’s doctrine; and that all besides was nothing but inanity and chimera; for that he had seen all, and said all.>” “Who follows another, follows nothing, finds nothing, nay, is inquisitive after nothing.”
“and no matter if he forget where he had his learning, provided he know how to apply it to his own use.”
“Men that live upon pillage and borrowing expose their purchases and buildings to everyone’s view: but do not proclaim how they came by the money.”
“I would that a boy should be sent abroad very young, and first, so as to kill two birds with one stone, into those neighbouring nations whose language is most differing from our own, and to which, if it be not formed betimes, the tongue will grow too stiff to bend.”
“when wrestlers counterfeit the philosophers in patience, ‘tis rather strength of nerves than stoutness of heart.”
O trabalho enobrece ou termina de estragar.™
“When the vines of my village are nipped with the frost, my parish priest presently concludes, that the indignation of God has gone out against all the human race, and that the cannibals have already got the pip. Who is it that, seeing the havoc of these civil wars of ours, does not cry out, that the machine of the world is near dissolution, and that the day of judgment is at hand; without considering, that many worse things have been seen, and that in the meantime, people are very merry in a thousand other parts of the earth for all this? For my part, considering the licence and impunity that always attend such commotions, I wonder they are so moderate, and that there is no more mischief done. To him who feels the hailstones patter about his ears, the whole hemisphere appears to be in storm and tempest; like the ridiculous Savoyard, who said very gravely, that if that simple king of France could have managed his fortune as he should have done, he might in time have come to have been steward of the household to the duke his master: the fellow could not, in his shallow imagination, conceive that there could be anything greater than a Duke of Savoy. And, in truth, we are all of us, insensibly, in this error, an error of a very great weight and very pernicious consequence. But whoever shall represent to his fancy, as in a picture, that great image of our mother nature, in her full majesty and lustre, whoever in her face shall read so general and so constant a variety, whoever shall observe himself in that figure, and not himself but a whole kingdom, no bigger than the least touch or prick of a pencil in comparison of the whole, that man alone is able to value things according to their true estimate and grandeur.”
“So many humours, so many sects, so many judgments, opinions, laws, and customs, teach us to judge aright of our own, and inform our understanding to discover its imperfection and natural infirmity, which is no trivial speculation. So many mutations of states and kingdoms, and so many turns and revolutions of public fortune will make us wise enough to make no great wonder of our own. So many great names, so many famous victories and conquests drowned and swallowed in oblivion, render our hopes ridiculous of eternising our names by the taking of half-a-score of light horse, or a henroost, [galinheiro] which only derives its memory from its ruin.”
“‘Tis a great foolery to teach our children what influence Pisces have, or the sign of angry Leo, or Capricorn, washed by the Hesperian wave.”—Propertius
“To what purpose should I trouble myself in searching out the secrets of the stars, having death or slavery continually before my eyes?”Anaximenes to Pythagoras
“‘Tis for such as are puzzled about inquiring whether the future tense of the verb ——— is spelt with a double A, or that hunt after the derivation of the comparatives ——- and ——-, and the superlatives —— and ———, to knit their brows whilst discoursing of their science: but as to philosophical discourses, they always divert and cheer up those that entertain them, and never deject them or make them sad.”Heracleon the Megarean
“‘Tis Baroco and Baralipton—(Two terms of the ancient scholastic logic.)—that render their disciples so dirty and ill-favoured, and not philosophy; they do not so much as know her but by hearsay. What! It is she that calms and appeases the storms and tempests of the soul, and who teaches famine and fevers to laugh and sing; and that, not by certain imaginary epicycles, but by natural and manifest reasons.”
“If this pupil shall happen to be of so contrary a disposition, that he had rather hear a tale of a tub than the true narrative of some noble expedition or some wise and learned discourse; who at the beat of drum, that excites the youthful ardour of his companions, leaves that to follow another that calls to a morris [baile campesino] or the bears; who would not wish, and find it more delightful and more excellent, to return all dust and sweat victorious from a battle than from tennis or from a ball, with the prize of those exercises; I see no other remedy, but that he be bound prentice in some good town to learn to make minced pies, though he were the son of a duke; according to Plato’s precept, that children are to be placed out and disposed of, not according to the wealth, qualities, or condition of the father, but according to the faculties and the capacity of their own souls.”
“They begin to teach us to live when we have almost done living.”
“And how many have I seen in my time totally brutified by an immoderate thirst after knowledge? Carneades was so besotted with it, that he would not find time so much as to comb his head or to pare his nails.”
(*) “Hobbes said that if he had been at college as long as other people he should have been as great a blockhead as they. And Bacon, before Hobbes’ time had discussed the futility of university teaching.” (nota do editor, séc. XIX.)
“To our little monsieur, a closet, a garden, the table, his bed, solitude, and company, morning and evening, all hours shall be the same, and all places to him a study. Philosophy, who, as the formatrix of judgment and manners, shall be his principal lesson, has that privilege to have a hand in everything.”
“As to the rest, this method of education ought to be carried on with a severe sweetness, quite contrary to the practice of our pedants, who, instead of tempting and alluring children to letters by apt and gentle ways, do in truth present nothing before them but rods and ferules, horror and cruelty.” “‘Tis a real house of correction of imprisoned youth. They are made debauched by being punished before they are so. Do but come in when they are about their lesson, and you shall hear nothing but the outcries of boys under execution, with the thundering noise of their pedagogues drunk with fury. A very pretty way this, to tempt these tender and timorous souls to love their book, with a furious countenance, and a rod in hand!”
“‘Tis marvellous to see how solicitous Plato is in his Laws concerning the gaiety and diversion of the youth of his city, and how much and often he enlarges upon the races, sports, songs, leaps, and dances: of which, he says, that antiquity has given the ordering and patronage particularly to the gods themselves, to Apollo, Minerva, and the Muses. He insists long upon, and is very particular in, giving innumerable precepts for exercises; but as to the lettered sciences, says very little, and only seems particularly to recommend poetry upon the account of music.” Misconception on poetry! E eu devo ter perdido essa parte tão ‘despojada’ d’As Leis! No máximo, a ênfase na ‘liberdade do exercício’ deve ser uma concessão à unilateralidade oposta (e também excessiva) d’A República…
“All singularity in our manners and conditions is to be avoided, as inconsistent with civil society.”
“There is a vast difference betwixt forbearing to sin, and not knowing how to sin.”—Seneca
Uma coisa é verdade: deve-se comer pimenta entre os mexicanos, e não se deve ser um grande devasso no Tibete!
“A Westfalia ham makes a man drink; drink quenches thirst: ergo a Westfalia ham quenches thirst. Why [what will our boy do?], let him laugh at it; it will be more discretion to do so, than to go about to answer it”
“Most of those I converse with, speak the same language I here write; but whether they think the same thoughts I cannot say.”
“Not that fine speaking is not a very good and commendable quality; but not so excellent and so necessary as some would make it; and I am scandalised that our whole life should be spent in nothing else. I would first understand my own language, and that of my neighbours, with whom most of my business and conversation lies.”
SOPA CONTRADITÓRIA DE IDÉIAS: “No doubt but Greek and Latin are very great ornaments, and of very great use, but we buy them too dear. (…) I was above 6 years of age before I understood either French or Perigordin, any more than Arabic; and without art, book, grammar, or precept, whipping, or the expense of a tear, I had, by that time, learned to speak as pure Latin as my master himself, for I had no means of mixing it up with any other. If, for example, they were to give me a theme after the college fashion, they gave it to others in French; but to me they were to give it in bad Latin, to turn it into that which was good.”
CHAPTER XXVI——THAT IT IS FOLLY TO MEASURE TRUTH AND ERROR BY OUR OWN CAPACITY
“If we give the names of monster and miracle to everything our reason cannot comprehend, how many are continually presented before our eyes?”
CHAPTER XXVII——OF FRIENDSHIP
La Boétie escreveu sua Servidão voluntária antes dos 18 anos.
“But he has left nothing behind him, save this treatise only (and that too by chance, for I believe he never saw it after it first went out of his hands), and some observations upon that edict of January (1562, which granted to the Huguenots the public exercise of their religion.) made famous by our civil wars, which also shall elsewhere, peradventure, find a place. These were all I could recover of his remains, I to whom with so affectionate a remembrance, upon his death-bed, he by his last will bequeathed his library and papers, the little book of his works only excepted, which I committed to the press. And this particular obligation I have to this treatise of his, that it was the occasion of my first coming acquainted with him; for it was showed to me long before I had the good fortune to know him; and the first knowledge of his name, proving the first cause and foundation of a friendship, which we afterwards improved and maintained, so long as God was pleased to continue us together, so perfect, inviolate, and entire, that certainly the like is hardly to be found in story, and amongst the men of this age, there is no sign nor trace of any such thing in use”
“The father and the son may be of quite contrary humours, and so of brothers: he is my son, he is my brother; but he is passionate, ill-natured, or a fool.”
“As the hunter pursues the hare, in cold and heat, to the mountain, to the shore, nor cares for it farther when he sees it taken, and only delights in chasing that which flees from him.”—Aristo of Cuios, x. 7.
“O my friends, there is no friend” Aristotle
“If two at the same time should call to you for succour, to which of them would you run? Should they require of you contrary offices, how could you serve them both? Should one commit a thing to your silence that it were of importance to the other to know, how would you disengage yourself? A unique and particular friendship dissolves all other obligations whatsoever: the secret I have sworn not to reveal to any other, I may without perjury communicate to him who is not another, but myself. ‘Tis miracle enough certainly, for a man to double himself, and those that talk of tripling, talk they know not of what.”
CHAPTER XXIX——OF MODERATION
“Those who say there is never any excess in virtue, forasmuch as it is not virtue when it once becomes excess, only play upon words”
“An immoderate zeal, even to that which is good, even though it does not offend, astonishes me, and puts me to study what name to give it.”
“The archer that shoots over, misses as much as he that falls short, and ‘tis equally troublesome to my sight, to look up at a great light, and to look down into a dark abyss.”
“Marriage is a solemn and religious tie, and therefore the pleasure we extract from it should be a sober and serious delight, and mixed with a certain kind of gravity; it should be a sort of discreet and conscientious pleasure.” “Aelius Verus, the emperor, answered his wife, who reproached him with his love to other women, that he did it upon a conscientious account, forasmuch as marriage was a name of honour and dignity, not of wanton and lascivious desire”
CHAPTER XXX——OF CANNIBALS
“I am sorry that Lycurgus and Plato had no knowledge of them; for to my apprehension, what we now see in those nations does not only surpass all the pictures with which the poets have adorned thegolden age, and all their inventions in feigning a happy state of man, but, moreover, the fancy and even the wish and desire of philosophy itself; so native and so pure a simplicity, as we by experience see to be in them, could never enter into their imagination, nor could they ever believe that human society could have been maintained with so little artifice and human patchwork. I should tell Plato that it is a nation wherein there is no manner of traffic, no knowledge of letters, no science of numbers, no name of magistrate or political superiority; no use of service, riches or poverty, no contracts, no successions, no dividends, no properties, no employments, but those of leisure, no respect of kindred, but common, no clothing, no agriculture, no metal, no use of corn or wine; the very words that signify lying, treachery, dissimulation, avarice, envy, detraction, pardon, never heard of.
—(This is the famous passage which Shakespeare, through Florio’s version, 1603, or ed. 1613, p. 102, has employed in the Tempest, ii. 1.]”PLAGIÁRIO!
“As to the rest, they live in a country very pleasant and temperate, so that, as my witnesses inform me, ‘tis rare to hear of a sick person, and they moreover assure me that they never saw any of the natives, either paralytic, bleareyed, toothless, or crooked with age. The situation of their country is along the sea-shore, enclosed on the other side towards the land, with great and high mountains, having about 100 leagues in breadth between. They have great store of fish and flesh, that have no resemblance to those of ours: which they eat without any other cookery, than plain boiling, roasting, and broiling. The first that rode a horse thither, though in several other voyages he had contracted an acquaintance and familiarity with them, put them into so terrible a fright, with his centaur appearance, that they killed him with their arrows before they could come to discover who he was. [HAHAHA] Their buildings are very long, and of capacity to hold 200 or 300 people, made of the barks of tall trees, reared with one end upon the ground, and leaning to and supporting one another at the top, like some of our barns, of which the covering hangs down to the very ground, and serves for the side walls. They have wood so hard, that they cut with it, and make their swords of it, and their grills of it to broil their meat. Their beds are of cotton, hung swinging from the roof, like our seamen’s hammocks, every man his own, for the wives lie apart from their husbands. They rise with the sun, and so soon as they are up, eat for all day, for they have no more meals but that; they do not then drink, as Suidas reports of some other people of the East that never drank at their meals; but drink very often all day after, and sometimes to a rousing pitch. Their drink is made of a certain root, and is of the colour of our claret, and they never drink it but lukewarm. It will not keep above 2 or 3 days; it has a somewhat sharp, brisk taste, is nothing heady, but very comfortable to the stomach; laxative to strangers, but a very pleasant beverage to such as are accustomed to it. They make use, instead of bread, of a certain white compound, like coriander seeds; I have tasted of it; the taste is sweet and a little flat. The whole day is spent in dancing. Their young men go a-hunting after wild beasts with bows and arrows; one part of their women are employed in preparing their drink the while, which is their chief employment. One of their old men, in the morning before they fall to eating, preaches to the whole family, walking from the one end of the house to the other, and several times repeating the same sentence, till he has finished the round, for their houses are at least 100 yards long. Valour towards their enemies and love towards their wives, are the two heads of his discourse, never failing in the close, to put them in mind, that ‘tis their wives who provide them their drink warm and well seasoned. The fashion of their beds, ropes, swords, and of the wooden bracelets they tie about their wrists, when they go to fight, and of the great canes, bored hollow at one end, by the sound of which they keep the cadence of their dances, are to be seen in several places, and amongst others, at my house. They shave all over, and much more neatly than we, without other razor than one of wood or stone. They believe in the immortality of the soul, and that those who have merited well of the gods are lodged in that part of heaven where the sun rises, and the accursed in the west.
They have I know not what kind of priests and prophets, who very rarely present themselves to the people, having their abode in the mountains. At their arrival, there is a great feast, and solemn assembly of many villages: each house, as I have described, makes a village, and they are about a French league distant from one another. This prophet declaims to them in public, exhorting them to virtue and their duty: but all their ethics are comprised in these 2 articles, resolution in war, and affection to their wives. He also prophesies to them events to come, and the issues they are to expect from their enterprises, and prompts them to or diverts them from war: but let him look to’t; for if he fail in his divination, and anything happens otherwise than he has foretold, he is cut into a thousand pieces, if he be caught, and condemned for a false prophet: [HAHAHA] for that reason, if any of them has been mistaken, he is no more heard of.”
“They have continual war with the nations that live further within the mainland, beyond their mountains, to which they go naked, and without other arms than their bows and wooden swords, fashioned at one end like the head of our javelins. The obstinacy of their battles is wonderful, and they never end without great effusion of blood: for as to running away, they know not what it is. Every one for a trophy brings home the head of an enemy he has killed, which he fixes over the door of his house. After having a long time treated their prisoners very well, and given them all the regales they can think of, he to whom the prisoner belongs, invites a great assembly of his friends. They being come, he ties a rope to one of the arms of the prisoner, of which, at a distance, out of his reach, he holds the one end himself, and gives to the friend he loves best the other arm to hold after the same manner; which being done, they 2, in the presence of all the assembly, despatch him with their swords. After that, they roast him, eat him amongst them, and send some chops to their absent friends. They do not do this, as some think, for nourishment, as the Scythians anciently did, but as a representation of an extreme revenge; as will appear by this: that having observed the Portuguese, who were in league with their enemies, to inflict another sort of death upon any of them they took prisoners, which was to set them up to the girdle in the earth, to shoot at the remaining part till it was stuck full of arrows, and then to hang them, they thought those people of the other world (as being men who had sown the knowledge of a great many vices amongst their neighbours, and who were much greater masters in all sorts of mischief than they) did not exercise this sort of revenge without a meaning, and that it must needs be more painful than theirs, they began to leave their old way, and to follow this.[Querer imputar o costume da antropofagia aos portugueses é ir longe demais!]I am not sorry that we should here take notice of the barbarous horror of so cruel an action, but that, seeing so clearly into their faults, we should be so blind to our own. I conceive there is more barbarity in eating a man alive, than when he is dead; in tearing a body limb from limb by racks and torments, that is yet in perfect sense; in roasting it by degrees; in causing it to be bitten and worried by dogs and swine (as we have not only read, but lately seen, not amongst inveterate and mortal enemies, but among neighbours and fellow-citizens, and, which is worse, under colour of piety and religion), than to roast and eat him after he is dead.”Surpreendente apologia do canibalismo das Américas. Não esperava essa “mente aberta” do cristão e pudico Montaigne!
“Chrysippus and Zeno, the 2 heads of the Stoic sect, were of opinion that there was no hurt in making use of our dead carcasses, in what way soever for our necessity, and in feeding upon them too; as our own ancestors, who being besieged by Caesar in the city Alexia, resolved to sustain the famine of the siege with the bodies of their old men, women, and other persons who were incapable of bearing arms.”
“We may then call these people barbarous, in respect to the rules of reason: but not in respect to ourselves, who in all sorts of barbarity exceed them. Their wars are throughout noble and generous, and carry as much excuse and fair pretence, as that human malady is capable of; having with them no other foundation than the sole jealousy of valour. Their disputes are not for the conquest of new lands, for these they already possess are so fruitful by nature, as to supply them without labour or concern, with all things necessary, in such abundance that they have no need to enlarge their borders. And they are, moreover, happy in this, that they only covet so much as their natural necessities require: all beyond that is superfluous to them: men of the same age call one another generally brothers, those who are younger, children; and the old men are fathers to all. These leave to their heirs in common the full possession of goods, without any manner of division, or other title than what nature bestows upon her creatures, in bringing them into the world. If their neighbours pass over the mountains to assault them, and obtain a victory, all the victors gain by it is glory only, and the advantage of having proved themselves the better in valour and virtue: for they never meddle with the goods of the conquered, but presently return into their own country, where they have no want of anything necessary, nor of this greatest of all goods, to know happily how to enjoy their condition and to be content. And those in turn do the same; they demand of their prisoners no other ransom, than acknowledgment that they are overcome: but there is not one found in an age, who will not rather choose to die than make such a confession, or either by word or look recede from the entire grandeur of an invincible courage. There is not a man amongst them who had not rather be killed and eaten, than so much as to open his mouth to entreat he may not.They use them with all liberality and freedom, to the end their lives may be so much the dearer to them; but frequently entertain them with menaces of their approaching death, of the torments they are to suffer, of the preparations making in order to it, of the mangling their limbs, and of the feast that is to be made, where their carcass is to be the only dish. All which they do, to no other end, but only to extort some gentle or submissive word from them, or to frighten them so as to make them run away, to obtain this advantage that they were terrified, and that their constancy was shaken; and indeed, if rightly taken, it is in this point only that a true victory consists”
“The Hungarians, a very warlike people, never pretend further than to reduce the enemy to their discretion; for having forced this confession from them, they let them go without injury or ransom, excepting, at the most, to make them engage their word never to bear arms against them again. We have sufficient advantages over our enemies that are borrowed and not truly our own; it is the quality of a porter, and no effect of virtue, to have stronger arms and legs; it is a dead and corporeal quality to set in array; ‘tis a turn of fortune to make our enemy stumble, or to dazzle him with the light of the sun; ‘tis a trick of science and art, and that may happen in a mean base fellow, to be a good fencer. The estimate and value of a man consist in the heart and in the will: there his true honour lies. Valour is stability, not of legs and arms, but of the courage and the soul; it does not lie in the goodness of our horse or our arms but in our own.”
“The part that true conquering is to play lies in the encounter, not in the coming off; and the honour of valour consists in fighting, not in subduing.”
“Those that paint these people dying after this manner, represent the prisoner spitting in the faces of his executioners and making wry mouths at them. And ‘tis most certain, that to the very last gasp, they never cease to brave and defy them both in word and gesture. In plain truth, these men are very savage in comparison of us; of necessity, they must either be absolutely so or else we are savages; for there is a vast difference betwixt their manners and ours.”
“the same jealousy our wives have to hinder and divert us from the friendship and familiarity of other women, those employ to promote their husbands’ desires, and to procure them many spouses; for being above all things solicitous of their husbands’ honour, ‘tis their chiefest care to seek out, and to bring in the most companions they can, forasmuch as it is a testimony of the husband’s virtue. [Só na vontade da poligamia, né, pervertido!] Most of our ladies will cry out, that ‘tis monstrous; whereas in truth it is not so, but a truly matrimonial virtue, and of the highest form. In the Bible, Sarah, with Leah and Rachel, the 2 wives of Jacob, gave the most beautiful of their handmaids to their husbands” Mais um motivo para achar tal postura condenável.
“To which it may be added, that their language is soft, of a pleasing accent, and something bordering upon the Greek termination.”
CHAPTER XXXI——THAT A MAN IS SOBERLY TO JUDGE OF THE DIVINE ORDINANCES
“In a nation of the Indies, there is this commendable custom, that when anything befalls them amiss in any encounter or battle, they publicly ask pardon of the sun, who is their god, as having committed an unjust action, always imputing their good or evil fortune to the divine justice, and to that submitting their own judgment and reason.”
CHAPTER XXXIII——THAT FORTUNE IS OFTEN-TIMES OBSERVED TO ACT BY THE RULE OF REASON
(*) “The term Fortune, so often employed by Montaigne, and in passages where he might have used Providence, was censured by the doctors who examined his Essays when he was at Rome in 1581. See his Travels”
“The Duc de Valentinois,—(Caesar Borgia)—having resolved to poison Adrian, Cardinal of Corneto, with whom Pope Alexander VI his father and himself were to sup in the Vatican, he sent before a bottle of poisoned wine, and withal, strict order to the butler to keep it very safe. The Pope being come before his son, and calling for drink, the butler supposing this wine had not been so strictly recommended to his care but only upon the account of its excellency, presented it forthwith to the Pope, and the duke himself coming in presently after, and being confident they had not meddled with his bottle, took also his cup; so that the father died immediately upon the spot,(*) and the son, after having been long tormented with sickness, was reserved to another and a worse fortune.”
(*) “Other historians assign the Pope several days of misery prior to death.”
“Constantine, son of Helen, founded the empire of Constantinople, and so many ages after, Constantine, the son of Helen, put an end to it.”
CHAPTER XXXV——OF THE CUSTOM OF WEARING CLOTHES
“I was disputing with myself in this shivering season, whether the fashion of going naked in those nations lately discovered is imposed upon them by the hot temperature of the air, as we say of the Indians and Moors, or whether it be the original fashion of mankind. Men of understanding, forasmuch as all things under the sun, as the Holy Writ declares, are subject to the same laws, were wont in such considerations as these, where we are to distinguish the natural laws from those which have been imposed by man’s invention, to have recourse to the general polity of the world, where there can be nothing counterfeit. Now, all other creatures being sufficiently furnished with all things necessary for the support of their being it is not to be imagined that we only are brought into the world in a defective and indigent condition, and in such a state as cannot subsist without external aid.”
“of those nations who have no manner of knowledge of clothing, some are situated under the same temperature that we are, and some in much colder climates. And besides, our most tender parts are always exposed to the air, as the eyes, mouth, nose, and ears; and our country labourers, like our ancestors in former times, go with their breasts and bellies open. Had we been born with a necessity upon us of wearing petticoats and breeches, there is no doubt but nature would have fortified those parts she intended should be exposed to the fury of the seasons with a thicker skin, as she has done the finger-ends and the soles of the feet. And why should this seem hard to believe? I observe much greater distance betwixt my habit and that of one of our country boors, than betwixt his and that of a man who has no other covering but his skin. How many men, especially in Turkey, go naked upon the account of devotion? Someone asked a beggar, whom he saw in his shirt in the depth of winter, as brisk and frolic as he who goes muffled up to the ears in furs, how he was able to endure to go so? ‘Why, sir,’ he answered, ‘you go with your face bare: I am all face.’”
“Herodotus tells us, that in the battles fought betwixt the Egyptians and the Persians, it was observed both by himself and by others, that of those who were left dead upon the field, the heads of the Egyptians were without comparison harder than those of the Persians, by reason that the last had gone with their heads always covered from their infancy, first with biggins, and then with turbans, and the others always shaved and bare. King Agesilaus continued to a decrepit age to wear always the same clothes in winter that he did in summer. Caesar, says Suetonius, marched always at the head of his army, for the most part on foot, with his head bare, whether it was rain or sunshine, and as much is said of Hannibal”
“and Plato very earnestly advises for the health of the whole body, to give the head and the feet no other clothing than what nature has bestowed. He whom the Poles have elected for their king,—Stephen Bathory—since ours came thence, who is, indeed, one of the greatest princes of this age, never wears any gloves, and in winter or whatever weather can come, never wears other cap abroad than that he wears at home. Whereas I cannot endure to go unbuttoned or untied; my neighbouring labourers would think themselves in chains, if they were so braced.”
“Varro is of opinion, that when it was ordained we should be bare in the presence of the gods and before the magistrate, it was so ordered rather upon the score of health, and to inure us to the injuries of weather, than upon the account of reverence”
“At the mouth of Lake Maeotis the frosts are so very sharp, that in the very same place where Mithridates’ lieutenant had fought the enemy dryfoot and given them a notable defeat, the summer following he obtained over them a naval victory. The Romans fought at a very great disadvantage, in the engagement they had with the Carthaginians near Piacenza, by reason that they went to the charge with their blood congealed and their limbs numbed with cold, whereas Hannibal had caused great fires to be dispersed quite through his camp to warm his soldiers, and oil to be distributed amongst them, to the end that anointing themselves, they might render their nerves more supple and active, and fortify the pores against the violence of the air and freezing wind, which raged in that season.” Gostaria de confirmar estes relatos futuramente. Bom, pelo menos não vêm de Plutarco, o que já é bom sinal!
“But, so far as clothes go, the King of Mexico changed 4 times a day his apparel, and never put it on again, employing that he left off in his continual liberalities and rewards; and neither pot, dish, nor other utensil of his kitchen or table was ever served twice.”
CHAPTER XXXVI——OF CATO THE YOUNGER
“These rare forms, that are culled out by the consent of the wisest men of all ages, for the world’s example, I should not stick to augment in honour, as far as my invention would permit, in all the circumstances of favourable interpretation; and we may well believe that the force of our invention is infinitely short of their merit.”
“as Plutarch [ihhh…]complains that in his time some attributed the cause of the younger Cato’s death to his fear of Caesar, at which he seems very angry, and with good reason; and by this a man may guess how much more he would have been offended with those who have attributed it to ambition. Senseless people! He would rather have performed a noble, just, and generous action, and to have had ignominy for his reward, than for glory. That man was in truth a pattern that nature chose out to show to what height human virtue and constancy could arrive.”
“we have far more poets than judges and interpreters of poetry”
But who is Cato (general romano//Merivale)? Pois é. Parece que até onde cheguei na História Romana do autor, só li sobre Cato the Old.
CHAPTER XXXVII——THAT WE LAUGH AND CRY FOR THE SAME THING
“When Pompey’s head was presented to Caesar, the histories tell us that he turned away his face, as from a sad and unpleasing object.”
“Who for seeing me onewhile cold and presently very fond towards my wife, believes the one or the other to be counterfeited, is an ass.”
“‘Tis said, that the light of the sun is not one continuous thing, but that he darts new rays so thick one upon another that we cannot perceive the intermission”
“We have resolutely pursued the revenge of an injury received, and been sensible of a singular contentment for the victory; but we shall weep notwithstanding. ‘Tis not for the victory, though, that we shall weep: there is nothing altered in that but the soul looks upon things with another eye and represents them to itself with another kind of face; for everything has many faces and several aspects.”
“When Timoleon laments the murder he had committed upon so mature and generous deliberation, he does not lament the liberty restored to his country, he does not lament the tyrant; but he laments his brother: one part of his duty is performed; let us give him leave to perform the other.”
CHAPTER XXXVIII——OF SOLITUDE
“Let us tell ambition that it is she herself who gives us a taste of solitude; for what does she so much avoid as society? What does she so much seek as elbowroom?”
“‘Tis not that a wise man may not live everywhere content, and be alone in the very crowd of a palace; but if it be left to his own choice, the schoolman will tell you that he should fly the very sight of the crowd”
“There is nothing so unsociable and sociable as man, the one by his vice, the other by his nature.”
“there is little less trouble in governing a private family than a whole kingdom.”
“One telling Socrates that such a one was nothing improved by his travels, he answered: I very well believe it, for he took himself along with him”
“If a man do not first discharge both himself and his mind of the burden with which he finds himself oppressed, motion will but make it press the harder and sit the heavier, as the lading of a ship is of less encumbrance when fast and bestowed in a settled posture. You do a sick man more harm than good in removing him from place to place; you fix and establish the disease by motion, as stakes sink deeper and more firmly into the earth by being moved up and down in the place where they are designed to stand.”
“Wives, children, and goods must be had, and especially health, by him that can get it; but we are not so to set our hearts upon them that our happiness must have its dependence upon them; we must reserve a backshop, wholly our own and entirely free, wherein to settle our true liberty, our principal solitude and retreat.” “as if without wife, children, goods, train, or attendance, to the end that when it shall so fall out that we must lose any or all of these, it may be no new thing to be without them.”
“In our ordinary actions there is not one of a thousand that concerns ourselves. (…) our own affairs do not afford us anxiety enough; let us undertake those of our neighbours and friends, still more to break our brains and torment us” “We have lived enough for others; let us at least live out the small remnant of life for ourselves; let us now call in our thoughts and intentions to ourselves, and to our own ease and repose. ‘Tis no light thing to make a sure retreat; it will be enough for us to do without mixing other enterprises. Since God gives us leisure to order our removal, let us make ready, truss our baggage, take leave betimes of the company, and disentangle ourselves from those violent importunities that engage us elsewhere and separate us from ourselves.” Fala como um tonto que não entende a si mesmo. Não existe essa falsa oposição. Para quem eu escrevo senão para os outros?
CHAPTER XXXIX——A CONSIDERATION UPON CICERO
“they both [Cicero and Pliny the younger], in the sight of all the world, solicit the historians of their time not to forget them in their memoirs; and fortune, as if in spite, has made the vanity of those requests live upon record down to this age of ours, while she has long since consigned the histories themselves to oblivion.”
“as if a man should commend a king for being a good painter, a good architect, a good marksman, or a good runner at the ring: commendations that add no honour, unless mentioned altogether and in the train of those that are properly applicable to him, namely, justice and the science of governing and conducting his people both in peace and war.” Isso fica muito mal para “Cícero, o Orador”!
“Plutarch says, moreover, that to appear so excellent in these less necessary qualities is to produce witness against a man’s self, that he has spent his time and applied his study ill, which ought to have been employed in the acquisition of more necessary and more useful things. So that Philip, king of Macedon, having heard that great Alexander his son sung once at a feast to the wonder of the best musicians there: ‘Art thou not ashamed, said he to him, to sing so well?’ And to the same Philip a musician, with whom he was disputing about some things concerning his art: ‘Heaven forbid, sir, said he, that so great a misfortune should ever befall you as to understand these things better than I.’ A king should be able to answer as Iphicrates did the orator, who pressed upon him in his invective after this manner: ‘And what art thou that thou bravest it at this rate? art thou a man at arms, art thou an archer, art thou a pikeman?’—‘I am none of all this; but I know how to command all these.’”
“And how many stories have I scattered up and down in this book that I only touch upon, which, should anyone more curiously search into, they would find matter enough to produce infinite essays.” Indeed. Not a good thing, though!
“But returning to the speaking virtue: I find no great choice betwixt not knowing to speak anything but ill, and not knowing to speak anything but well.”
“There is something like this in these 2 other philosophers, for they also promise eternity to the letters they write to their friends; but ‘tis after another manner, and by accommodating themselves, for a good end, to the vanity of another; for they write to them that if the concern of making themselves known to future ages, and the thirst of glory, do yet detain them in the management of public affairs, and make them fear the solitude and retirement to which they would persuade them, let them never trouble themselves more about it, forasmuch as they shall have credit enough with posterity to ensure them that were there nothing else but the letters thus written to them, those letters will render their names as known and famous as their own public actions could do.” Se isso é um elogio, eu não queria ser elogiado…
“For to traffic with the wind, as some others have done, and to forge vain names to direct my letters to, in a serious subject, I could never do it but in a dream, being a sworn enemy to all manner of falsification. I should have been more diligent and more confident had I had a judicious and indulgent friend whom to address, than thus to expose myself to the various judgments of a whole people, and I am deceived if I had not succeeded better. I have naturally a humorous and familiar style; but it is a style of my own, not proper for public business, but, like the language I speak, too compact, irregular, abrupt, and singular; and as to letters of ceremony that have no other substance than a fine contexture of courteous words, I am wholly to seek. I have neither faculty nor relish for those tedious tenders of service and affection; I believe little in them from others, and I should not forgive myself should I say to others more than I myself believe.” Freud ganharia tendo-o lido, M.!
“The Italians are great printers of letters; I do believe I have at least 100 several volumes of them; of all which those of Annibale Caro seem to me to be the best. If all the paper I have scribbled to the ladies at the time when my hand was really prompted by my passion were now in being, there might, peradventure, be found a page worthy to be communicated to our young inamoratos, that are besotted with that fury.”
CHAPTER XL——THAT THE RELISH FOR GOOD AND EVIL DEPENDS IN GREAT MEASURE UPON THE OPINION WE HAVE OF THEM
“And amongst that mean-souled race of men, the buffoons, there have been some who would not leave their fooling at the very moment of death.”
“What a world of people do we see in the wars betwixt the Turks and the Greeks rather embrace a cruel death than uncircumcise themselves to admit of baptism? An example of which no sort of religion is incapable.”
“Should I here produce a long catalogue of those, of all sexes and conditions and sects, even in the most happy ages, who have either with great constancy looked death in the face, or voluntarily sought it, and sought it not only to avoid the evils of this life, but some purely to avoid the satiety of living, and others for the hope of a better condition elsewhere, I should never have done. Nay, the number is so infinite that in truth I should have a better bargain on’t to reckon up those who have feared it. This one therefore shall serve for all: Pyrrho the philosopher being one day in a boat in a very great tempest, showed to those he saw the most affrighted about him, and encouraged them, by the example of a hog that was there, nothing at all concerned at the storm. Shall we then dare to say that this advantage of reason, of which we so much boast, and upon the account of which we think ourselves masters and emperors over the rest of all creation, was given us for a torment? To what end serves the knowledge of things if it renders us more unmanly? if we thereby lose the tranquillity and repose we should enjoy without it? and if it put us into a worse condition than Pyrrho’s hog?Shall we employ the understanding that was conferred upon us for our greatest good to our own ruin; setting ourselves against the design of nature and the universal order of things, which intend that everyone should make use of the faculties, members, and means he has to his own best advantage?”
“Posidonius being extremely tormented with a sharp and painful disease, Pompeius came to visit him, excusing himself that he had taken so unseasonable a time to come to hear him discourse of philosophy. ‘The gods forbid,’ said Posidonius to him, ‘that pain should ever have the power to hinder me from talking,’ and thereupon fell immediately upon a discourse of the contempt of pain: but, in the meantime, his own infirmity was playing his part, and plagued him to purpose; to which he cried out, ‘Thou mayest work thy will, pain, and torment me with all the power thou hast, but thou shalt never make me say that thou art an evil.’”
“Death has been, or will come: there is nothing of the present in it.”
—Étienne de la Boétie, Satires
“The delay of death is more painful than death itself.”
—Ovid, Ep. Ariadne to Theseus, v. 42.
“All ills that carry no other danger along with them but simply the evils themselves, we treat as things of no danger: the toothache or the gout, painful as they are, yet being not reputed mortal, who reckons them in the catalogue of diseases?”
“Courage is greedy of danger.”
—Seneca, De Providentia, c. 4
“As an enemy is made more fierce by our flight, so pain grows proud to see us truckle under her. She will surrender upon much better terms to them who make head against her: a man must oppose and stoutly set himself against her. In retiring and giving ground, we invite and pull upon ourselves the ruin that threatens us.”
“We are more sensible of one little touch of a surgeon’s lancet than of 20 wounds with a sword in the heat of fight. The pains of childbearing, said by the physicians and by God himself to be great, and which we pass through with so many ceremonies—there are whole nations that make nothing of them. I set aside the Lacedaemonian women, but what else do you find in the Swiss among our foot-soldiers, if not that, as they trot after their husbands, you see them today carry the child at their necks that they carried yesterday in their bellies?”
CHAPTER XLI——NOT TO COMMUNICATE A MAN’S HONOUR
“we lend our goods and stake our lives for the necessity and service of our friends; but to communicate a man’s honour, and to robe another with a man’s own glory, is very rarely seen.”
“Continuador da tradição empirista inaugurada por Bacon e desenvolvida por Locke e Berkeley, levou-a a sua mais extrema conclusão, culminando em um sistema que tem sido injustamente acusado de ser excessivamente cético e de privar a ciência e a moral de qualquer justificação racional. Os dois textos aqui apresentados têm uma origem comum, sendo ambos condensações e reelaborações de partes de uma obra mais vasta, o Tratado da natureza humana, que David Hume (1711-1776) redigiu em sua juventude (1737)”
“Convencido de que o problema não estava no conteúdo de seu Tratado mas no estilo de sua exposição, Hume decidiu, alguns anos mais tarde, extrair dele duas obras mais curtas, nas quais procurou dar um tom acessível ao texto, eliminar a prolixidade argumentativa, suprimir os tópicos não-essenciais para a condução de seu argumento central e cuidar ao máximo da clareza da expressão.¹ São essas as duas Investigações reunidas no presente volume: a Investigação sobre o entendimento humano e a Investigação sobre os princípios da moral, extraídas do primeiro e do terceiro livros do Tratado e publicadas respectivamente em 1748 e 1751. Uma terceira obra, a Dissertação sobre as paixões, extrato do Livro II do Tratado e publicada em 1757, carece de maior relevância. De fato, os tópicos de maior interesse filosófico do Livro II, como a discussão da liberdade e da necessidade, já haviam sido incluídos na primeira Investigacão.”
¹ Se ao menos metade dos filósofos clássicos tivesse se preocupado em fazê-lo…
“Acrescento algumas palavras sobre as presentes traduções. As duas Investigações já haviam sido anteriormente publicadas no Brasil – a primeira (em duas traduções distintas) na coleção Os Pensadores, e a segunda, traduzida por mim para a Editora da Unicamp, em 1995, tomando-se como base, em todos esses casos, a clássica edição de L.A. Selby-Bigge, à época a edição mais respeitada desses textos de Hume. O aparecimento, em 1998 e 1999, das novas edições preparadas por Tom L. Beauchamp para a série Oxford Philosophical Texts, da Oxford University Press, estabeleceu um novo standard acadêmico e abriu a oportunidade para o preparo de novas traduções brasileiras, o que fui feito quase imediatamente no caso da Investigação sobre o entendimento humano, publicada já em 1999 pela Editora UNESP.”
* * *
UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO
SEÇÃO 1. DAS DIFERENTES ESPÉCIES DE FILOSOFIA
P. 19: crítica da filosofia moral até sua época (encarnada nos pragmatistas); chamemo-la de Filosofia A, doravante.
P. 20: crítica do racionalismo cartesiano (encarnada pelos pensantes), a Filosofia B doravante.
Hume efetuará a sua síntese entre ambas.
Um prefácio digno de um britânico fleumático: “É certo que, para o grosso da humanidade, a filosofia simples e acessível [A] terá sempre preferência sobre a filosofia exata e abstrusa, [B] e será louvada por muitos não apenas como mais agradável, mas também como mais útil que a outra.”
“É fácil para um filósofo profundo cometer um engano em seus sutis raciocínios, e um engano é necessariamente o gerador de outro; ele, entretanto, segue todas as conseqüências e não hesita em endossar qualquer conclusão a que chegue, por mais inusitada ou conflitante com a opinião popular.” Podemos dizer que Schopenhauer foi o representante da filosofia B de maior calibre, e que errou exatamente desta maneira. Os “filósofos A”, enquanto pregadores morais, estão mais para “ensaístas”, concatenam idéias provisoriamente apenas, sem compromisso. Ex: La Rochefoucauld.
Ruim de chute (é impossível sepultar escolas filosóficas, elas sempre voltam à moda): “A fama de Cícero floresce no presente, mas a de Aristóteles está completamente arruinada. La Bruyère atravessa os mares e ainda mantém sua reputação, mas a glória de Malebranche está confinada à sua própria nação e à sua própria época. E Addison, talvez, ainda será lido com prazer quando Locke estiver inteiramente esquecido.”
“O filósofo puro é um personagem que em geral não é muito bem-aceito pelo mundo, pois supõe-se que ele em nada contribui para o proveito ou deleite da sociedade, ao viver longe do contato com os seres humanos e envolvido com princípios e idéias não menos distantes da compreensão destes. Por outro lado, o mero ignorante é ainda mais desprezado; e, em uma época e nação em que florescem as ciências, não há sinal mais seguro de estreiteza de espírito que o de não se sentir minimamente atraído por esses nobres afazeres.”
“chega[mos] mesmo à absoluta rejeição de todos os raciocínios mais aprofundados (…) [da] metafísica”
“O anatomista põe-nos diante dos olhos os objetos mais horrendos e desagradáveis, mas sua ciência é útil ao pintor para delinear até mesmo uma Vênus ou uma Helena.”
Um otimista incubado: “E embora um filósofo possa viver afastado dos assuntos práticos, o espírito característico da filosofia, se muitos o cultivarem cuidadosamente, não poderá deixar de se difundir gradualmente por toda a sociedade e conferir uma similar exatidão a todo ofício e vocação.” “A estabilidade dos governos modernos, em comparação aos antigos, e a precisão da moderna filosofia têm-se aperfeiçoado e provavelmente irão ainda se aperfeiçoar por gradações similares.”
“E embora essas pesquisas possam parecer penosas e fatigantes, ocorre com algumas mentes o mesmo que com alguns corpos, os quais, tendo sido dotados de uma saúde vigorosa e exuberante, requerem severo exercício e colhem prazer daquilo que parece árduo e laborioso à humanidade em geral.”
“Todo gênio audaz continuará lançando-se ao árduo prêmio e considerar-se-á antes estimulado que desencorajado pelos fracassos de seus predecessores, esperando que a glória de alcançar sucesso em tão difícil empreitada esteja reservada apenas para si.”
“devemos dedicar algum cuidado ao cultivo da verdadeira metafísica a fim de destruir aquela que é falsa e adulterada.”
“Constitui, assim, uma parte nada desprezível da ciência a mera tarefa de reconhecer as diferentes operações da mente, distingui-las umas das outras, classificá-las sob os títulos adequados e corrigir toda aquela aparente desordem na qual mergulham quando tomadas como objetos de pesquisa e reflexão.”
“Tampouco pode restar alguma suspeita de que essa ciência seja incerta ou quimérica, a menos que alimentemos um ceticismo tão completo que subverta inteiramente toda especulação e, mais ainda, toda a ação.”
“E deveríamos porventura considerar digno do trabalho de um filósofo fornecer-nos o verdadeiro sistema dos planetas e conciliar a posição e a ordem desses corpos longínquos, ao mesmo tempo que simulamos desconhecer aqueles que com tanto sucesso delineiam as partes da mente que de tão perto nos dizem respeito?” “Os astrônomos por muito tempo se contentaram em deduzir dos fenômenos visíveis os verdadeiros movimentos, ordem e magnitude dos corpos celestes, até surgir finalmente um filósofo que, pelos mais afortunados raciocínios, parece ter determinado também as leis e forças que governam e dirigem as revoluções dos planetas.”
“Renunciar imediatamente a todas as expectativas dessa espécie pode ser com razão classificado como mais brusco, precipitado e dogmático que a mais ousada e afirmativa filosofia que já tenha tentado impor suas rudes doutrinas e princípios à humanidade.”
SEÇÃO 2. DA ORIGEM DAS IDÉIAS
Diga a um racionalista: Filosofe sobre a tortura, se queres tanto filosofar!
“Entendo pelo termo impressão, portanto, todas as nossas percepções mais vívidas, sempre que ouvimos, ou vemos, ou sentimos, ou amamos, ou odiamos, ou desejamos ou exercemos nossa vontade. E impressões são distintas das idéias, que são as percepções menos vívidas, das quais estamos conscientes quando refletimos sobre quaisquer umas das sensações ou atividades já mencionadas.”
“…e nada há que esteja fora do alcance do pensamento, exceto aquilo que implica uma absoluta contradição.” Ainda sob a sombra da opaca lógica aristotélica. Veremos isso com muito mais detalhes a seguir. Mas é curioso que a última página (e o limite teórico, por igual) da maior obra de Schopenhauer também seja inteiramente dominada pela mesma “sombra”…
INTUIÇÃO + MATEMÁTICA: “A idéia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e bondoso, surge da reflexão sobre as operações de nossa própria mente e do aumento ilimitado dessas qualidades de bondade e sabedoria.”
“um lapão ou um negro não têm idéia do sabor do vinho.”
“Portanto, sempre que alimentamos alguma suspeita de que um termo filosófico esteja sendo empregado sem nenhum significado ou idéia associada (como freqüentemente ocorre), precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta idéia?”
“a palavra idéia parece ter sido tomada usualmente num sentido muito amplo por Locke e outros, como significando qualquer uma de nossas percepções, nossas sensações e paixões, bem como pensamentos.” “L. caiu na armadilha dos escolásticos, os quais, ao fazerem uso de termos não-definidos, alongam tediosamente suas disputas sem jamais tocar no ponto em questão.”
SEÇÃO 3. DA ASSOCIAÇÃO DE IDÉIAS
“Pelo menos 250 anos de antecipação a Freud: “Mesmo em nossos devaneios mais desenfreados e errantes – e não somente neles, mas até em nossos próprios sonhos – descobrimos, se refletirmos, que a imaginação não correu inteiramente à solta, mas houve uma ligação entre as diferentes idéias que se sucederam umas às outras.”
“Embora o fato de que diferentes idéias estejam conectadas seja demasiado óbvio para escapar à observação, não é de meu conhecimento que algum filósofo tenha tentado enumerar ou classificar todos os princípios de associação; um assunto que, entretanto, parece digno de investigação. De minha parte, parece haver apenas 3 princípios de conexão entre as idéias, a saber, semelhança, contigüidade no tempo ou no espaço, e causa ou efeito.”
“Como o homem é um ser dotado de razão e está continuamente em busca de uma felicidade…”
“Como essa regra não admite nenhuma exceção, segue-se que, em composições narrativas, os acontecimentos ou ações que o escritor relata devem estar conectados por algum vínculo ou liame.”
“Ovídio baseou seu plano no princípio de conexão por semelhança.”
“Um analista ou historiador que se propusesse a escrever a história da Europa em um determinado século seria influenciado pela conexão de contigüidade”
“Mas a espécie mais usual de conexão entre os diferentes acontecimentos que figuram em qualquer composição narrativa é a de causa e efeito”
“Parece também que mesmo um biógrafo que fosse escrever a vida de Aquiles iria conectar os acontecimentos, mostrando suas relações e dependências mútuas, tanto quanto um poeta que fosse fazer da ira desse herói o assunto de sua narrativa, contrariamente a Aristóteles, Poética.” Talvez Ar. tenha sido enganado pelo procedimento de Homero na Ilíada. A propósito do quê H. não esquecerá de comentar: “Surge daí o artifício da narrativa oblíqua, empregada na Odisséia e na Eneida, em que o herói é inicialmente apresentado próximo à consecução de seus desígnios e posteriormente nos revela, como que em perspectiva, as causas e eventos mais distantes. Com esse método excita-se de imediato a curiosidade do leitor: os eventos seguem-se com rapidez e em estreita conexão, a atenção mantém-se viva e, por meio da relação próxima dos objetos, cresce continuamente do começo ao fim da narrativa.”
“A mesma regra vale para a poesia dramática, não se permitindo, em uma composição regular, a introdução de um ator que tenha pouca ou nenhuma relação com os personagens principais do enredo.”
“Pode-se objetar a Milton que ele foi muito longe no traçado de suas causas, e que a rebelião dos anjos produz a queda do homem por uma sucessão de eventos que é ao mesmo tempo muito longa e muito fortuita, para não mencionar que a criação do mundo, da qual ele dá um extenso relato, não é a causa dessa catástrofe mais do que da batalha de Farsália ou de qualquer outro evento já ocorrido. Mas se considerarmos que esses eventos todos: a rebelião dos anjos, a criação do mundo e a queda do homem assemelham-se uns aos outros por serem miraculosos e estarem fora do curso ordinário da natureza; que eles são considerados contíguos no tempo; e que, estando desconectados de todos os outros eventos e sendo os únicos fatos originais dados a conhecer pela revelação, chamam de imediato a atenção e evocam-se naturalmente uns aos outros no pensamento e na imaginação (…) [é] uma unidade suficiente”
“A explicação completa deste princípio e de todas as suas conseqüências levar-nos-ia a raciocínios demasiado vastos e profundos para esta investigação.”
SEÇÃO 4. DÚVIDAS CÉTICAS SOBRE AS OPERAÇÕES DO ENTENDIMENTO
Parte 1
O ANTI-KANT: “Arrisco-me a afirmar, a título de uma proposta geral que não admite exceções, que o conhecimento dessa relação [de qualquer relação de fatos] não é, em nenhum caso, alcançado por meio de raciocínios a priori, mas provém inteiramente da experiência”
O mesmo conteúdo que em Schopenhauer: “Quanto às causas dessas causas gerais, entretanto, será em vão que procuremos descobri-las; e nenhuma explicação particular delas será jamais capaz de nos satisfazer. Esses móveis princípios fundamentais estão totalmente vedados à curiosidade e à investigação humanas. Elasticidade, gravidade, coesão de partes, comunicação de movimento por impulso – essas são provavelmente as últimas causas e princípios que será dado descobrir na natureza” Todos o afirmariam antes da eletricidade.
“o resultado de toda filosofia é a constatação da cegueira e debilidade humanas”
“Mesmo a geometria, quando chamada a auxiliar a filosofia natural, é incapaz de corrigir esse defeito ou de nos levar ao conhecimento das causas últimas”
Parte 2
“Se houver qualquer suspeita de que o curso da natureza possa vir a modificar-se, e que o passado possa não ser uma regra para o futuro, toda a experiência se tornará inútil e incapaz de dar origem a qualquer inferência ou conclusão. (…) Por mais regular que se admita ter sido até agora o curso das coisas, isso, isoladamente, sem algum novo argumento ou inferência, não prova que, no futuro, ele continuará a sê-lo. (…) sua natureza secreta e, conseqüentemente, todos os seus efeitos e influências podem modificar-se sem que suas qualidades sensíveis alterem-se minimamente.”
SEÇÃO 5. SOLUÇÃO CÉTICA DESSAS DÚVIDAS
Parte 1
“É certo que, ao buscarmos atingir a elevação e a firmeza espiritual do sábio filósofo e esforçarmo-nos para confinar nossos prazeres exclusivamente ao campo de nossas próprias mentes, poderemos acabar tornando nossa filosofia semelhante à de Epicteto e outros estóicos, ou seja, simplesmente um sistema mais refinado de egoísmo”
“Há no entanto uma espécie de filosofia que parece pouco sujeita a esse inconveniente, pois não se harmoniza com nenhuma paixão desordenada da mente humana, nem se mistura, ela própria, a nenhuma afecção ou inclinação naturais; essa é a filosofia acadêmica ou cética.” “uma filosofia como essa é o que há de mais contrário à indolência acomodada da mente, sua arrogância irrefletida, suas grandiosas pretensões e sua credulidade supersticiosa.” “Surpreende que essa filosofia – que em quase todas as ocasiões deve mostrar-se inofensiva e inocente – seja objeto de tantas censuras e reprovações infundadas.”
Parte 2
Segue-se uma clássica crítica do catolicismo por parte de um inglês protestante do século XVIII.
“nossas emoções são mais fortemente despertadas quando vemos os locais que se diz terem sido freqüentados por homens ilustres do que quando ouvimos contar seus feitos ou lemos seus escritos. É assim que me sinto agora. Vem-me à mente Platão, de quem se diz ter sido o primeiro a entreter discussões neste lugar [a Academia de Atenas], e de fato o pequeno jardim acolá não apenas traz sua memória mas põe, por assim dizer, o próprio homem diante de meus olhos. E aqui está Espêusipo, aqui Xenócrates e seu discípulo Polemo, que costumava ocupar o próprio assento que ali vemos. E mesmo nosso edifício do Senado (refiro-me à Cúria Hostília, não ao novo edifício, que me parece ter-se tornado menor depois da ampliação)¹ trazia-me ao pensamento os vultos de Cipião, Catão, Lélio e principalmente de meu avô. Tal é o poder de evocação que reside nos locais, e não é sem razão que neles se baseia a arte da mnemônica.”Marco Piso
¹ Os homens são rabugentos e apegados ao passado em todas as eras.
“Suponhamos que nos fosse apresentado o filho de um amigo há muito tempo morto ou ausente; é claro que esse objeto faria instantaneamente reviver sua idéia correlativa e traria a nossos pensamentos todas as lembranças dos momentos íntimos e familiares do passado, em cores mais vívidas do que de outro modo nos teriam aparecido. Eis aqui outro fenômeno que parece comprovar o princípio já mencionado.”
“A influência do retrato supõe que acreditemos que nosso amigo tenha alguma vez existido. A contiguidade ao lar não poderia excitar as idéias que temos dele a menos que acreditemos que realmente exista.”
“Não é verdade que, quando uma espada é empunhada contra meu peito, a idéia do ferimento e da dor me afeta mais fortemente do que quando me é oferecida uma taça de vinho, mesmo que tal idéia viesse por acidente a ocorrer-me quando do aparecimento desse último objeto?” Aonde você quer chegar, meu caro?
“Assim como a natureza ensinou-nos o uso de nossos membros sem nos dar o conhecimento dos músculos e nervos que os comandam, [?] do mesmo modo ela implantou em nós um instinto que leva adiante o pensamento em um curso corresponde ao que ela estabeleceu para os objetos externos, [??] embora ignoremos os poderes e as forças dos quais esse curso e sucessão regulares de objetos totalmente depende. [!]”
[?] E quem é esta natureza, ente transcendental de seu sistema?
[??] “Implantaram-nos” instintos (voz passiva) que levam adiante pensamentos relativos a objetos exteriores? Características inatas cujo objetivo mesmo é lidar com o contingente? Mal-formulado!
[!] Finalmente uma afirmação competente no parágrafo – porém só mostra a vaidade da “filosofia cética”…
SEÇÃO 6. DA PROBABILIDADE
“Embora não haja no mundo isso que se denominou acaso”
SEÇÃO 7. DA IDÉIA DE CONEXÃO NECESSÁRIA
Parte 1
“Na realidade, dificilmente se encontrará em Euclides uma proposição tão simples que não contenha mais partes do que se pode encontrar em qualquer raciocínio moral que não enverede pela fantasia e presunção.” “Como a filosofia moral [A] parece ter recebido até agora menos aperfeiçoamentos que a geometria ou a física, podemos concluir que, se há alguma diferença a esse respeito entre essas ciências, as dificuldades que atravancam o progresso da 1ª requerem maior cuidado e aptidão para serem sobrepujadas.
Não há, entre as idéias que ocorrem na metafísica, [B] outras mais incertas e obscuras que as de poder, força, energia ou conexão necessária, das quais nos é forçoso tratar a cada instante em todas as nossas investigações.” E no entanto, nada há de mais certo que a existência e ubiqüidade mesmo desse poder.
“O cenário do universo está em contínua mutação, e os objetos seguem-se uns aos outros em sucessão ininterrupta, mas o poder ou força que põe toda essa máquina em movimento está completamente oculto de nossa vista e nunca se manifesta em nenhuma das qualidades sensíveis dos corpos.”
“Pode-se dizer que a todo instante estamos conscientes de um poder interno, quando sentimos que, pelo simples comando de nossa vontade, podemos mover os órgãos de nosso corpo ou direcionar as faculdades de nosso espírito. Um ato de volição produz movimento em nossos membros ou faz surgir uma nova idéia em nossa imaginação. Essa influência da vontade nos é dada a conhecer pela consciência. Dela adquirimos a idéia de poder ou energia, e ficamos certos de que nós próprios e todos os outros seres inteligentes estamos dotados de poder. Essa idéia, então, é uma idéia de reflexão, dado que a obtemos refletindo sobre as operações de nossa própria mente e sobre o comando que a vontade exerce tanto sobre os órgãos do corpo como sobre as faculdades da alma.”
“Essa influência, observa-se, é um fato que, como todos os outros acontecimentos naturais, pode ser conhecido apenas pela experiência” “a energia pela qual a vontade executa uma tão extraordinária operação, tudo isso está tão longe de nossa consciência imediata que deve para sempre escapar às nossas mais diligentes investigações.” Touché!
“Se estivesse em nosso poder remover montanhas por um recôndito desejo, ou controlar os planetas em suas órbitas, essa vasta autoridade não seria mais extraordinária nem estaria mais distante de nossa compreensão.”
“deveríamos conhecer a união secreta entre a alma e o corpo e a natureza dessas 2 substâncias que torna uma delas capaz de operar sobre a outra em um número tão grande de casos.”
“Por que a vontade tem uma influência sobre a língua e os dedos, mas não sobre o coração e o fígado?” Curiosidade de colegial…
“aprendemos em anatomia que o objeto imediato do poder no movimento voluntário não é o próprio membro movido, mas certos músculos, nervos, e espíritos animais, [?] ou talvez algo ainda mais minúsculo e mais desconhecido, através dos quais o movimento sucessivamente se propaga antes de atingir propriamente o membro cujo movimento é o objeto imediato da volição.” Então estávamos ou estamos inclusive hoje, antes das próximos descobertas, experimentando tudo errado, senhor?
“O que ocorre aqui é que a mente executa um ato da vontade que tem como objeto um certo acontecimento e imediatamente se produz um outro acontecimento que nos é desconhecido e difere totalmente daquele que se tencionava produzir. E esse acontecimento produz outro, também desconhecido, até que, por fim, após uma longa sucessão, produz-se o acontecimento desejado.”
“nossa idéia de poder não é copiada de nenhum sentimento ou consciência de poder que porventura experimentemos em nosso interior ao darmos início ao movimento animal ou empregarmos nossos membros nos usos e afazeres que lhes são próprios.” “Este nisus, ou esforço intenso do qual estamos conscientes, é a impressão original da qual essa idéia é copiada. Mas, em 1º lugar, atribuímos poderes a um vasto número de objetos com referência aos quais não é lícito supor a ocorrência de tal resistência ou exercício de força: ao Ser Supremo, que nunca depara com nenhuma resistência (…) Em segundo lugar, esse sentimento de um esforço para sobrepujar uma resistência não tem conexão conhecida com nenhum acontecimento (…) não poderíamos sabê-lo a priori.” “O que se tem aqui é uma genuína criação: a produção de alguma coisa a partir do nada”
“Nossa autoridade sobre os nossos sentimentos e paixões é muito mais tênue que sobre nossas idéias, e mesmo esta última autoridade está circunscrita a limites bem estreitos. Quem pretenderá indicar a razão última?” Hume já sente a ponta do iceberg do niilismo…
“Dominamos melhor nossos pensamentos pela manhã do que à noite”
IN COVID TIMES… “É só com a descoberta de fenômenos extraordinários como terremotos, peste e prodígios de qualquer outro tipo que a gente comum se sente incapaz de indicar uma causa adequada e de explicar o modo pelo qual o efeito é produzido por ela. É comum que pessoas em tais dificuldades recorram a algum princípio inteligente invisível (deus ex machina) como causa imediata do acontecimento que as surpreende e que elas julgam não mais poder ser explicado pelos poderes usuais da natureza.”
“Aqui, então, muitos filósofos sentem-se obrigados pela razão a recorrer, em todas as ocasiões, ao mesmo princípio que o vulgo não emprega a não ser em casos que parecem miraculosos ou sobrenaturais.”
“Nossa linha é demasiado curta para sondar abismos tão imensos.”
“Nunca foi intenção de sir Isaac Newton destituir as causas segundas¹ de toda sua força ou energia, embora alguns de seus seguidores tenham se esforçado para estabelecer essa teoria valendo-se de sua autoridade. Pelo contrário, aquele grande filósofo [hm] lançou mão de um fluido ativo etéreo para explicar sua atração universal, embora tenha sido suficientemente cauteloso e modesto para admitir que se tratava de mera hipótese sobre a qual não se deveria insistir sem mais experimentos.² (…) Descartes sugeriu aquela doutrina da eficácia única e universal da Divindade, sem nela insistir. Malebranche e outros cartesianos tornaram-na o fundamento de toda sua filosofia.”
¹ Lei de causalidade, gravitação, etc.!
² O que desagradou os positivistas de então é que ele recuou demais: escolasticamente, atribuiu tudo a Deus! Laplace (da geração seguinte a Hume) refutaria o deísmo newtoniano com leis mais abrangentes sobre o sistema solar inteiro (avanço da matemática no período).
Parte 2
“Todos os acontecimentos parecem inteiramente soltos e separados. Um acontecimento segue outro, mas jamais nos é dado observar qualquer liame entre eles. Eles parecem conjugados, mas nunca conectados. E como não podemos ter nenhuma idéia de uma coisa que nunca se apresentou ao nosso sentido exterior ou sentimento interior, a conclusão inevitável parece ser que não temos absolutamente nenhuma idéia de conexão ou de poder, e que essas palavras acham-se totalmente desprovidas de significado quando empregadas tanto no raciocínio filosófico quanto na vida ordinária.” “ele agora sente que esses acontecimentos estão conectados em sua imaginação”
SEÇÃO 8. DA LIBERDADE E NECESSIDADE
Parte 1
“Espero tornar evidente que todos os homens sempre concordaram tanto sobre a doutrina da necessidade quanto sobre a da liberdade, em qualquer sentido razoável que se possa dar a esses termos, e que toda a controvérsia girou até agora meramente em torno de palavras.”
“Quer-se conhecer os sentimentos, inclinações e modo de vida dos gregos e romanos? Estude-se bem o temperamento e a as ações dos franceses e ingleses” Far-fetched!
“a terra, a água e outros elementos examinados por Ar. e Hipócrates não se assemelham mais aos que estão presentemente dados à nossa observação do que os homens descritos por Políbio e Tácito assemelham-se aos que agora governam o mundo.”
“A veracidade de Quinto Cúrcio é tão suspeita quando descreve a coragem sobrenatural de Alexandre que o impelia a atacar sozinho multidões, como quando descreve sua força e atuação sobrenaturais que o tornavam capaz de resistir a essas mesmas multidões.”
“A necessidade de qualquer ação, quer da matéria quer da mente, não é, propriamente, uma qualidade que esteja no agente, mas em um ser qualquer, dotado de pensamento e intelecto, que possa observar a ação; e consiste principalmente no fato de seus pensamentos estarem determinados a inferir a existência daquela ação a partir de alguns objetos precedentes”
“sentimos que a vontade se move facilmente em todas as direções e produz uma imagem de si própria (ou uma veleidade, como se diz nas escolas) mesmo naquele lado no qual não veio a se fixar.”
Parte 2
(…)
SEÇÃO 9. DA RAZÃO DOS ANIMAIS
“E não é igualmente a experiência que o faz até mesmo responder a seu nome e inferir, a partir desse som arbitrário, que referimo-nos a ele e não a algum outro de seus companheiros, e que o estamos chamando quando pronunciamos esse som de uma certa maneira e com um certo tom e inflexão?”
“Formular máximas gerais a partir de observações particulares é uma operação muito delicada, e nada é mais usual do que enganar-se nessa atividade, pela pressa ou por uma estreiteza da mente que não examina a questão sob todos os seus ângulos.” Procedimento muito corriqueiro na Filosofia A.
SEÇÃO 10. DOS MILAGRES
Parte 1
“a evidência que temos para a veracidade da religião cristã é menor que a evidência para a veracidade de nossos sentidos, porque já não era maior que esta nem mesmo nos primeiros autores de nossa religião, devendo certamente diminuir ao passar deles para seus discípulos, e ninguém pode depositar nos relatos destes tanta confiança quanto no objeto imediato de seus sentidos.” “Nada é tão convincente quanto um argumento conclusivo dessa espécie, que deve no mínimo silenciar o fanatismo e a superstição mais arrogantes e livrar-nos de suas exigências descabidas.”
“Não fosse a memória dotada de um certo grau de obstinação, não se inclinassem comumente os homens à verdade e a um princípio de probidade, não fossem eles sensíveis à vergonha de serem apanhados mentindo, se estas qualidades, eu digo, não fossem reveladas pela experiência como inerentes à natureza humana, então não teríamos por que depositar a menor confiança no testemunho humano. Um homem que delira, ou é famoso pela sua falsidade e baixeza, não tem perante nós a menor autoridade.” Vivo no século do vil delírio.
“A razão pela qual damos algum crédito a testemunhas e historiadores não deriva de qualquer conexão que percebamos a priori entre o testemunho e a realidade, mas de estarmos acostumados a encontrar uma concordância entre essas coisas.”
“Eu não acreditaria em tal história, ainda que ela me fosse contada pelo próprio Catão, era um dito proverbial em Roma.”
“Raciocinava corretamente o príncipe indiano que se recusou a acreditar nos primeiros relatos acerca dos efeitos do congelamento; e seria naturalmente necessário um testemunho muito poderoso para fazê-lo admitir fatos que decorrem de uma condição da natureza com a qual ele não estava familiarizado e que apresentavam tão pouca analogia com os acontecimentos dos quais tinha tido experiência constante e uniforme.”
Parte 2
“não se encontra em toda a história nenhum milagre atestado por um número suficiente de homens de bom senso, educação e saber tão inquestionáveis que nos garantam contra toda possibilidade de estarem eles próprios enganados; de integridade tão indubitável que os coloque acima de qualquer suspeita de pretenderem iludir outros; de tal crédito e reputação aos olhos da humanidade que tenham muito a perder no caso de serem apanhados em qualquer falsidade; e, ao mesmo tempo, que atestem fatos realizados de maneira tão pública e em uma parte do mundo tão conhecida que não se pudesse evitar o desmascaramento.”
“os efeitos que com muita dificuldade um Túlio ou um Demóstenes poderia obter sobre uma platéia romana ou ateniense, qualquer capuchinho, qualquer mestre itinerante ou estabelecido pode alcançar sobre o grosso da humanidade, e num grau mais elevado, manipulando essas paixões rudes e vulgares.”
“nem bem 2 jovens de mesma condição vêem-se por duas vezes e a vizinhança inteira já os une imediatamente por casamento.”
“Quando examinamos as histórias primevas de todas as nações, sentimo-nos como que transportados a algum mundo novo, no qual todo o arcabouço da natureza se acha desarticulado, e cada elemento realiza suas operações de uma maneira diferente da que o faz presentemente.”
“nem sempre ocorre que todo Alexandre depare com um Luciano pronto a denunciar e desmascarar suas imposturas.” Personagens desconhecidos.
“Um dos mais bem-atestados milagres em toda a história profana é aquele que Tácito conta de Vespasiano, que curou um cego em Alexandria por meio de sua saliva e um coxo com o simples toque de seu pé, em obediência a uma visão que estes tiveram do deus Serápis, o qual lhes ordenara recorrer ao imperador para obter essas curas milagrosas. Além disso, Suetônio oferece quase o mesmo relato em sua Vida de Vespasiano.” “Tácito era um autor contemporâneo aos fatos, famoso pela sinceridade e fidedignidade e, além disso, o maior e mais penetrante gênio, talvez, de toda a Antiguidade” “as testemunhas oculares do fato continuaram a confirmar seu depoimento depois que a família dos Flávios foi despojada do império e não poderia mais oferecer recompensas em troca de uma mentira.”
“A sabedoria, inteligência e honradez dos cavalheiros e a austeridade das freiras de Port-Royal têm sido muito louvadas por toda a Europa. E, contudo, todos eles depõem em favor de um milagre acontecido à sobrinha do famoso Pascal, cuja santidade de vida e extraordinária capacidade são bem-conhecidas. [A sobrinha de Pascal escreveu-lhe a biografia] O famoso Racine relata esse milagre em sua famosa história de Port-Royal, e a reforça com todas as provas que uma multidão de freiras, padres, médicos e homens da sociedade – todos eles de crédito inquestionável – puderam conferir a ele. Diversos homens de letras, particularmente o bispo de Tournay, consideraram esse milagre tão genuíno a ponto de empregá-lo na refutação de ateístas e livres-pensadores. A rainha-regente da França, que alimentava imensa hostilidade contra Port-Royal, enviou seu médico particular para investigar o milagre, o qual retornou absolutamente convertido. Em resumo, a cura sobrenatural era tão incontestável que salvou por um tempo o famoso monastério da ruína com a qual os jesuítas o ameaçavam. Se tivesse sido um logro [e não um autologro], teria sido certamente detectado por antagonistas tão sagazes e poderosos, e deveria ter apressado a ruína dos perpetradores. Nossos teólogos, capazes de construir um castelo formidável com materiais tão insignificantes, que prodigiosa estrutura não teriam erguido com todas essas circunstâncias e muitas outras que não mencionei! Quão freqüentemente teriam os grandes nomes de Pascal, Racine, Arnaud, Nicole ressoado em nossos ouvidos? Mas, se forem sábios, é melhor que adotem o milagre por ser mil vezes mais valioso que todo o restante de sua coleção.” Hume já estava tão cansado de contar ‘causos’ numa nota de rodapé que ocupa 4 páginas que até abandonou o relato a meio caminho!
“Nos primórdios das novas religiões, os sábios e instruídos comumente julgam que o assunto é demasiado insignificante para merecer seu cuidado e atenção. E quando mais tarde se interessam em desmascarar a fraude para abrir os olhos à multidão iludida, a hora certa já passou e os registros e testemunhas, que poderiam esclarecer a questão, estão para sempre perdidos.”
“A autoridade do testemunho humano provém apenas da experiência, mas é essa mesma experiência que nos assegura sobre as leis da natureza. Quando, portanto, esses 2 tipos de experiência se opõem, nada nos resta a fazer senão subtrair um do outro, e abraçar uma opinião, seja de um lado, seja de outro, com a confiança que o resíduo pode produzir. Mas, de acordo com o princípio aqui explicado, essa subtração, no que diz respeito a todas as religiões populares, equivale a uma completa aniquilação, e podemos estabelecer, portanto, como uma máxima, que nenhum testemunho humano pode ter força suficiente para provar um milagre e torná-lo uma genuína fundação para qualquer sistema religioso dessa espécie.”
“Embora o Ser ao qual o milagre é atribuído seja Todo-poderoso, o fato não se torna por isso minimamente mais provável, dado que nos é impossível conhecer os atributos ou ações de um tal Ser, a não ser pela experiência que temos de suas operações no curso usual da natureza.”
“Devemos fazer uma coleção ou história particular de todos os monstros e produções ou nascimentos prodigiosos, e, em suma, de todas as coisas novas, raras e extraordinárias na natureza. Mas esse exame deve ser feito com o máximo rigor, para não nos afastarmos da verdade. Acima de tudo, todos os relatos que dependem em algum grau da religião devem ser considerados suspeitos, como os prodígios de Lívio. E no mesmo grau todas as coisas que se encontram nos escritos de magia natural ou alquimia, ou em autores que parecem todos dotados de insaciável apetite por mentiras e fábulas.” Bacon,Novum Organum, II
“Para isso, teremos então de considerar inicialmente um livro que recebemos de um povo bárbaro e ignorante, escrito numa época em que eram ainda mais bárbaros e, muito provavelmente, longo tempo depois dos fatos nele narrados, um livro que não conta com a corroboração de nenhum testemunho concordante e que se assemelha aos relatos fabulosos que todas as nações fazem de suas origens.”
“todo aquele que aceita a religião cristã movido pela fé está consciente de um permanente milagre em sua própria pessoa, milagre esse que subverte todos os princípios de seu entendimento e o faz acreditar no que há de mais oposto ao costume e à experiência.” Tão kierkegaardiano!
SEÇÃO 11. DE UMA PROVIDÊNCIA PARTICULAR E DE UM ESTADO VINDOURO
“exceto pelo banimento de Protágoras e a morte de Sócrates – este último evento resultou parcialmente de outros motivos –, dificilmente se encontram, na história antiga, exemplos desse zelo fanático que tanto infesta a época presente. Epicuro viveu em Atenas até idade provecta, gozando de paz e tranqüilidade, e os epicuristas foram mesmo admitidos ao sacerdócio e oficiaram, diante do altar, os ritos mais sagrados da religião estabelecida. E o encorajamento público dos estipêndios e remunerações foi concedido igualmente, pelos mais sábios dos imperadores romanos, aos seguidores de todas as seitas filosóficas.” Cf. Luciano, O Banquete, Os Lápitas eO Eunuco. Este é o mesmo Luciano acima que “desmistificou” o homem Alexandre, O Grande?
SEÇÃO 12. DA FILOSOFIA ACADÊMICA OU CÉTICA
Parte 1
“Não há maior número de raciocínios filosóficos desenvolvidos sobre um assunto qualquer do que aqueles que provam a existência de uma Divindade e refutam as falácias dos ateístas; e, contudo, os filósofos religiosos continuam debatendo se algum homem pode ser tão cego a ponto de ser um ateísta especulativo. Como poderíamos reconciliar essas contradições?”
“que se entende por um cético?”
“A dúvida cartesiana, portanto, se fosse alguma vez capaz de ser atingida por qualquer criatura humana (o que obviamente não é), seria totalmente incurável, e nenhum raciocínio poderia jamais levar-nos a um estado de segurança e convencimento acerca de qualquer assunto.
Deve-se confessar, contudo, que essa espécie de ceticismo, quando exercida com mais moderação, pode ser entendida em um sentido muito razoável, e constitui um preparativo necessário para o estudo da filosofia”
Com efeito: ironicamente, Descartes foi muito mais cético que Hume, “o cético”!
“Até mesmo nossos próprios sentidos são postos em questão por uma certa espécie de filósofos, e as máximas da vida ordinária são sujeitas à mesma dúvida que os mais profundos princípios ou conclusões da metafísica e teologia. Como essas doutrinas paradoxais podem ser encontradas em alguns filósofos, e sua refutação em diversos outros, elas naturalmente excitam nossa curiosidade”
* * *
[POST SEPARADO] INTRODUÇÃO À EPISTEMOLOGIA HUME-KANTIANA
HUME ESTÁ PARA KANT COMO FEUERBACH ESTÁ PARA MARX: “sempre supomos um universo externo que não depende de nossa percepção, mas existiria ainda que nós a todas as outras criaturas sensíveis estivéssemos ausentes ou fôssemos aniquilados.”
Ainda com mais detalhes: Hegel Feuerbach (compreende Hegel, incapaz de prosseguir) Marx (compreende Hegel, compreende as falhas de Fuerbach, prossegue); Platão Hume (compreende a Idéia ou Representação, incapaz de prosseguir) Kant (criticismo kantiano ao estabelecer o a priori do espaço-tempo que leva em conta Platão e corrige as falhas de Hume).
Base de Hume:
instintos (naturalismo)
sentidos – sistema dos sentidos
ceticismo – crítica dos instintos e dos sentidos, sistema aperfeiçoado dos sentidos
“[A filosofia] não pode mais recorrer ao instinto infalível e irresistível da natureza (naturalismo, mera noção enganosa ou antes verificada como impossível de ser alcançada através da ‘equipagem’ do ser humano no mundo), pois tal caminho nos conduz a um sistema completamente diferente, que se demonstrou falível e mesmo enganoso.” Refutação do naturalismo e do idealismo cartesiano, duas correntes de pensamento filosóficas – ambas refutáveis já por suas contrárias através de ceticismos incompletos ou parciais. “E justificar esse pretenso sistema filosófico por uma série de argumentos claros e convincentes, ou sequer por algo que se assemelhe a um argumento, é algo que está fora do alcance de toda a capacidade humana.” Descoberta de que a raiz da imperfeição tanto do naturalismo quanto do pseudo-ceticismo cartesiano são a mesma: o racionalismo, ou a fé na razão, que os primeiros filósofos da modernidade elevaram a uma categoria superior aos instintos e aos sentidos, mas que é mera ficção ou arbitrariedade, i.e., apresenta um conteúdo vazio, contaminado pelos próprios instintos e sentidos de maneira inconsciente (nestes filósofos, cujo ceticismo, grande ferramenta da filosofia, deixava a desejar).
“Por qual argumento se poderia provar que as percepções da mente [sentidos e raciocínios] devem ser causadas por objetos externos inteiramente distintos delas, embora a elas assemelhados (se isso for possível), e não poderiam provir, seja da energia da própria mente, (I) seja da sugestão de algum espírito invisívele desconhecido, seja de alguma outra causa que ignoramos ainda mais?” (II) Começo da compreensão da dialética interior-exterior. Sujeito e objeto são díspares. Porém categorias os intersecionam num uno: cores e formas. A mente e uma mesa são objetos materiais, vermelhos, marrons, brancos, pouco importa, sólidos, etc. (I) é uma alusão avant la lettre a um tipo de solipsismo: conjetura-se: e se… todos os objetos exteriores que apreendemos são apenas criações nossas? Despidas de materialidade, apenas ilusões. Evocação do mito da caverna, do ainda-por-vir criticismo kantiano e das próprias considerações de uma filosofia ainda mais tardia a Hume e Kant eles mesmos, i.e., a fenomenologia do século XX, em que – com a ajuda manifesta de Kant – entendemos os fenômenos como aparências e ao mesmo tempo como nossa realidade relativa (posto descartar-se um absoluto). O (II) seria uma alusão direta à Coisa-Em-Si de Kant. Uma causa que está além do homem, e que incita à metafísica, ou seja, a meras especulações, sem poder ser refutada ou provada. “Reconhece-se, de fato, que muitas dessas percepções não surgem de nada exterior, como nos sonhos, na loucura e em outras enfermidades. E nada pode ser mais inexplicável que a maneira pela qual um corpo deveria operar sobre a mente para ser capaz de transmitir uma imagem de si mesmo a uma substância que se supõe dotada de uma natureza tão distinta e mesmo oposta.” Assunção humeana de corpo e mente como instâncias irrevocavelmente separadas. O corpo representa, nesta instância, os sentidos. A mente a capacidade de abstração. Que a substância? A matéria cinzenta, o cérebro, nosso sistema cognitivo. Sentidos e razão não possuem qualquer coincidência entre si. Nenhum pode sobrepor o outro, ambos são sempre contraditos e contradizem o outro, mas isto, esta conjugação paradoxal, é o homem. Nós sequer possuímos uma “imagem objetiva” de nosso próprio corpo, seja internamente seja externamente. Ex: não sabemos a priori como são nossas entranhas e como funcionam nossos sistemas biológicos como o digestório-excretório, o circulatório, o respiratório, etc., antes de uma investigação racional sobre tais temas. A mente também não pode comunicar conceitos ao corpo, e ela mesma não se conhece fisicamente ou, como queira, no nível espiritual, de forma objetiva, dadas nossas limitações. Não há uma instância maior-que-o-real a que se possa recorrer para arbitragem imparcial de todo esse impasse: no sonho, basta que se acorde. A causa está fora do sonho, por isso o sonho pode ser objeto de investigação. Na loucura, o louco não pode investigar-se, mas pode ser objeto de estudo. O homem, o filósofo, não pode investigar-se e investigar o mundo da mesma forma como o sonhador investiga o sonho e a medicina investiga o paciente. Neste caso, estamos dentro de um sonho, chamado mundo, e somos portadores de monomanias ou loucuras parciais que não podemos exatamente explicar ou esclarecer. Eis o que se pode construir contra todo ceticismo esclarecido. Nossos limites epistemológicos.
“PERGUNTA – É uma questão de fato se as percepções dos sentidos são produzidas por objetos externos a elas assemelhadas – como se decidirá esta questão?”
Nossos olhos enxergam outras matérias porque são matéria também (idênticas, em última instância, ao que observam), ou nossa visão (sentido) cria a matéria tal qual a observamos? Neste estágio, Hume está em um problema de “o ovo ou a galinha”, a que não tem certeza a qual concede prioridade causal. Tal debate parece hoje inocente, mesmo da perspectiva epistemológica. Até por isso é necessário esclarecer o leitor, no entanto, que tampouco fala-se aqui da investigação física sobre o fenômeno da visão (já que usamos presentemente este sentido, aquele que é mais explorado pela filosofia ocidental, em detrimento do tato, paladar, audição e olfato), que até a época de Hume não estava esclarecido na base atual (a resposta encontrando-se na luz em interação tanto com a retina humana quanto com o objeto). Não é este “ângulo cru” que interessa neste livro de Hume. Ele está, ao invés, a se perguntar: que é a verdade, qual é o fundamento do real? Essas mesmas perguntas, repito, são para nós inocentes, pois a filosofia pós-kantiana decidiu-se sobre esse aspecto, sem recorrer quer ao ovo, quer a galinha, no que ficou conhecida como a síntese kantiana (ou ainda crítica, simplesmente) das correntes filosóficas importantes que o precederam. Não é dada primazia à faculdade do olho (uma câmera senciente, por assim dizer, i.e., uma câmera ligada a um sistema nervoso) nem à dos objetos, mas sim ao caráter relativista da apreensão do mundo inerente ao ser humano e ao ‘fenômeno’, conceito que detalharemos mais a seguir.
Nem existe nada de que se possa falar que seja externo ao ser (um cogitado real ou coisa-em-si), nem é o sentido do ser que cria ilusões sensórias em detrimento de acessar uma suposta realidade não-sensível, independente (o que poderíamos, hoje, tanto chamar de coisa-em-si – de novo – como de absurdo). O ser é a própria realidade que observa; a mesa, a luz, o olho humano são fenômenos (aparências), única forma da realidade regida pelo tempo-espaço, nosso único modo de vivência. Nosso corpo e mente não se encontram cingidos à maneira humeana no sistema kantiano, posto que enquanto fenômeno eternamente aparente (ou seja, em modificação) ele é em si a elucidação dos conceitos de espaço e de tempo, conteúdo e forma e sua variação, que estão embutidos em nossos instintos, sentidos e cognição (se desdobra num e noutro desde que existe, até que deixe de existir). A realidade é relativa ao indivíduo porque dois corpos não podem ser conhecidos ao mesmo tempo da mesma perspectiva, nem ‘no mesmo espaço’, sendo cada apreensão fenomênica um ‘caso isolado’ na perspectiva de um só indivíduo ou de vários. Se Hume ainda falava de um Absoluto, mas ao mesmo tempo defendia haver uma impossibilidade prática de acessá-lo, Kant, na medida em que não trata da coisa-em-si de forma moral (na Crítica da Razão Pura Prática, abordagem que não nos interessa nesta epistemologia humeana), dispensa o absoluto, ao tempo em que, justamente, o conserva, somente que sob a forma do fenômeno (que não conhece distinção sujeito-objeto), único absoluto de seu sistema.
“RESPOSTA – Pela experiência.”
Como Hume não segue pela senda kantiana, ele entende que o real (o fenômeno) possa ser paulatinamente investigado pela experiência (“sentidos acumulados”, “sentidos orientados pela razão”, “razão orientada pelos sentidos” até, como queiram – também “memória”).¹ Sucede que, na fenomenologia póstuma chega-se ao veredito: a experiência humana não “acumula” fatores necessários para o entendimento da própria experiência ou do real, como diz Hume, simplesmente porque os fatores necessários são tempo e espaço,¹ que é inerente ao ser enquanto ser (e a única manifestação do ser é através do devir fenomenológico). Em outros termos, Hume procura uma solução que já estava solucionada, sendo sua investigação tautológica ou até mesmo pré-tautológica, contraproducente e falsificadora (já que podemos entender o mundo dos fenômenos como a tautologia ela mesma).
¹ Como esta é uma INTRODUÇÃO À EPISTEMOLOGIA destes dois autores, achei por bem não complicar a exposição logo de início com um último fator enunciado por Kant na sua primeira Crítica que completa um “tripé de fundamentos”. Se possível gostaria de ter deixado esta parte fora, mas como Hume, a dado ponto das Investigações cita a própria “memória” e o termo que aqui é conveniente citar, i.e., “aprendizado das causas e efeitos”, vejo que ao menos dessa nota de rodapé o “terceiro elemento” da tríade kantiana deve constar, embora a explanação seja auto-suficiente recorrendo-se estritamente a tempo e espaço. O fator que explica a memória e o acúmulo de experiências, no sistema kantiano, é o princípio inato de apreensão de causa-efeito; se já não fôssemos equipados desta intuição elementar, a própria passagem do tempo ou as mudanças do espaço (que são, em realidade, um único fenômeno que se separa na expressão da linguagem) não seriam apreensíveis, o que demoliria todo o sistema. E na verdade quando falamos em espaço e em tempo já intuímos, por assim dizer, noções como e hegemonia de causas e efeitos no real ou nos fenômenos. Nosso próprio conceito ou abstração do que seria nossa memória envolve um recipiente, um contêiner, uma caixa, por exemplo, extensa e tridimensional, finita, capaz de armazenar, em diferentes etapas e períodos, informações, sendo que esta caixa nunca nos parecerá totalmente vazia nem cheia, embora intuamos naturalmente suas limitações – ainda que nem evoquemos aqui o esquema de um cérebro esta imagem inocente da caixa já é o suficiente; o cérebro que, antes de dissecar um corpo, um ser humano não conhece em sua aparência nem em outros atributos (o mesmo que se poderia dizer do intestino, p.ex.) a não ser pela educação ou instrução, direta ou indireta, por seres humanos que obtiveram estes dados no passado, i.e., numa palavra, pela razão. Em suma, a noção de causa-efeito nada mais é do que a articulação lógica que possibilita nossa compreensão (inata) de tempo e espaço como fundamentos do real e articulados em unidade regendo todos os fenômenos.
“Recorrer à veracidade do Ser supremo para provar a veracidade de nossos sentidos é, certamente, tomar um caminho muito inesperado.” Desta vez Hume está certo, e o próprio Kant, na Crítica da Razão Pura Prática, continuação moral de sua clássica e inauguradora Crítica da Razão Pura, retrocedeu e recaiu no próprio erro que já havia superado anos antes: atribuiu ao Ser supremo mediado pela ética cristã no mundo fenomênico o fundamento de nossa conduta social. Ele fez isso porque não encontrou outra solução metodológica para o dilema moral que suas conclusões no primeiro livro traziam: a queda no niilismo desenfreado, uma vez que os fenômenos são relativos e, portanto, realidades últimas individualmente falando. Faltava a explicação de como é possível a ética, isto é, a ação-no-mundo de forma que fosse possível a vida estabilizada em sociedade, fora da situação hipotética hobbesiana do estado de natureza (todos os homens contra todos os homens) e guiada por fins mais nobres do que a própria mundanidade fenomênica. Sua resposta bem conhecida é o enunciado do imperativo categórico. Sua premissa é válida para poucos séculos europeus de civilização cristã, ignorando portanto qualquer desenvolvimento histórico (a manifestação do Estado antes do modelo constitucional moderno, as civilizações anteriores, as civilizações não-européias e as civilizações póstumas, todas elas fenômenos transcendentais e estáveis, porém regidos por morais, culturas, religiões e códigos de ética alternativos ao tempo-espaço de Kant, i.e., o Estado de Direito cristão europeu do século XVIII). Kant retomaria uma epistemologia independente da coisa-em-si no seu terceiro trabalho clássico, a Crítica da Faculdade do Juízo, para explicar a possibilidade da Estética.
“Este é um tópico, portanto, no qual os céticos mais profundos e mais filosóficos sempre haverão de triunfar quando se propuserem a introduzir uma dúvida universal em todos os objetos de conhecimento e investigação humanos.” No sentido aqui atribuído ao ceticismo, todos os trabalhos filosóficos ainda válidos para nossa própria idade foram efetivamente legados por indivíduos céticos, sem reparos.
“É universalmente reconhecido, pelos modernos pesquisadores, que todas as qualidades sensíveis dos objetos, tais como o duro e o mole, o quente e o frio, o branco e o preto, etc., são meramente secundárias e não existem nos objetos eles mesmos, mas são percepções da mente que não representam nenhum arquétipo ou modelo externo. Se isso se admite com relação às qualidades secundárias, o mesmo deve igualmente seguir-se com relação às supostas qualidades primárias de extensão e solidez, as quais não podem ter mais direito a essa denominação que as anteriores. A idéia de extensão é inteiramente adquirida a partir dos sentidos da visão e do tato, e se todas as qualidades percebidas pelos sentidos estão na mente, não no objeto, a mesma conclusão deve alcançar a idéia de extensão, que é inteiramente dependente das idéias sensíveis, ou idéias de qualidades secundárias. Nada pode nos resguardar dessa conclusão a não ser declarar que as idéias dessas qualidades primárias são obtidas por abstração, uma opinião que, examinada cuidadosamente, revelar-se-á ininteligível e mesmo absurda. Uma extensão que não é nem tangível nem visível não pode ser minimamente concebida, e uma extensão visível ou tangível que não é nem dura nem mole, nem preta nem branca [Hume quis dizer: sem cor], está igualmente além do alcance da concepção humana. Que alguém tente conceber um triângulo em geral que não seja nem isósceles nem escaleno, nem tenha qualquer particular comprimento ou proporção entre seus lados, e logo perceberá o absurdo de todas as noções escolásticas referentes à abstração e às idéias gerais. (Em nota) Tomou-se de empréstimo esse argumento ao Dr. Berkeley; e, de fato, a maior parte dos escritos desse autor extraordinariamente habilidoso compõe as melhores lições de ceticismo que se pode encontrar entre os filósofos antigos ou modernos, incluindo Bayle. (…) Ele declara, entretanto, na folha de rosto (e sem dúvida com grande sinceridade), ter composto seu livro contra os céticos, bem como contra os ateus e os livres-pensadores. Mas todos os seus argumentos, embora visem a outro objetivo, são, na realidade, meramente céticos, o que fica claro ao se observar que não admitem nenhuma resposta e não produzem nenhuma convicção. Seu único efeito é causar aquela perplexidade, indecisão e embaraço momentâneos que são o resultado do ceticismo. [do filosofar]”Aqui Hume estava muito próximo de chegar ao criticismo kantiano, por exemplo. Diríamos que estava “quente”, mas que alguns parágrafos à frente “esfriou” de novo…
Parte 2
“Pode parecer muito extravagante que os céticos tentem destruir a razão por meio de argumentos e raciocínios, contudo esse é o grande objetivo de todas as suas disputas e investigações.”
“A principal objeção contra todos os raciocínios abstratos deriva das idéias de espaço e tempo; idéias que, na vida ordinária e para um olhar descuidado, passam por muito claras e inteligíveis, mas, quando submetidas ao escrutínio das ciências profundas (e elas são o principal objeto dessas ciências), geram princípios que parecem recheados de absurdos e contradições.” Significa: podemos abstrair inúmeras conclusões físico-matemática falsas acerca do espaço e do tempo, o que é o uso indiscriminado e mal-feito da razão, mas o que há de empírico e sensível no tempo e no espaço é irrefutável, indiscutível mesmo, ignorando e destruindo qualquer conceito ou abstração em última instância; daí ser fácil intuirmos por que espaço-tempo seja a base do kantismo: eis as noções mais imediatas e impregnadas no Ser, a condição de possibilidade de todos os fenômenos e representações.
Em mais algumas passagens de considerável extensão (!), Hume antecipa a eclosão, em um não-curto prazo, como a História verificou, dos famosos paradoxos das ciências exatas, principalmente na matemática pós-euclidiana, decorrente do próprio hiper-desenvolvimento e exaustão do modelo da geometria clássica, bem como podemos chamar já a matemática analítica (a álgebra), nascida aproximadamente com Descartes, do espelhamento desta situação, já adiantado, relativo à aritmética.
* * *
“A grande destruidora do pirronismo, ou ceticismo de princípios excessivos, é a ação, e os afazeres e ocupações da vida cotidiana.”
“Um seguidor de Copérnico, ou um de Ptolomeu, defendendo cada qual seu diferente sistema de astronomia, pode esperar produzir em sua audiência uma convicção que permanecerá constante e duradoura. Um estóico ou um epicurista expõem princípios que não apenas podem ser duradouros, mas também têm uma influência na conduta e nas maneiras. Mas um pirrônico não pode esperar que sua filosofia venha a ter alguma influência constante na mente humana; ou, se tiver, que essa influência seja benéfica para a sociedade. Ao contrário, ele deverá reconhecer – se puder – que toda vida humana seria aniquilada se seus princípios fossem adotados de forma constante e universal.” “Quando desperta de seu sonho, ele é o primeiro a rir-se de si mesmo e a confessar que suas objeções são puro entretenimento, e só tendem a mostrar a estranha condição da humanidade, que está obrigada a agir, a raciocinar e a acreditar sem ser capaz, mesmo pelas mais diligentes investigações, de convencer-se quanto às bases dessas operações ou de afastar as objeções que podem ser levantadas contra elas.”
Parte 3
“Existe, com efeito, um ceticismo mais mitigado, ou filosofia acadêmica, que pode ser tanto útil quanto duradouro” O famoso ‘pra que arrumar a cama se vou dormir de novo ainda hoje?’.
“Aqueles que têm propensão para a filosofia prosseguirão em suas pesquisas, porque ponderam que, em adição ao prazer imediato que acompanha essa ocupação, as decisões filosóficas nada mais são que as reflexões da vida ordinária, sistematizadas e corrigidas.”
“Parece-me que os únicos objetos das ciências abstratas, ou objetos de demonstração, são a quantidade e o número, e que todas as tentativas para estender essa espécie mais perfeita de conhecimento além desses limites não passam de sofística e ilusionismo.”
“Que o quadrado da hipotenusa é igual aos quadrados dos 2 outros lados, isso não pode ser conhecido, por mais exatamente que estejam definidos os termos, sem um processo de raciocínio e investigação.”
“A ímpia máxima da filosofia antiga Ex nihilo, nihil fit (Do nada, nada procede), pela qual se negava a criação da matéria, deixa de ser uma máxima, de acordo com a presente filosofia.”
“Os assuntos ligados à moral e à crítica são menos propriamente objetos do entendimento que do gosto e do sentimento. A beleza, quer moral ou natural, é mais propriamente sentida que percebida. Ou, se raciocinamos sobre ela, e tentamos estabelecer seu padrão, tomamos em consideração um novo fato, a saber, o gosto geral da humanidade ou algum outro fato desse tipo, que possa ser objeto do raciocínio e da investigação.” Longe de mim, ao demonstrar que a epistemologia kantiana é em síntese a superação da epistemologia humeana, rebaixar ou relegar Hume a um canto irrelevante da história dos pensadores.Nesta passagem, por exemplo, se vê com assaz clareza que Hume, apenas 13 anos mais velho que seu ainda mais celebrado “rival”, respirando a mesma cultura portanto, poderia muito bem ter sido o autor de todo o criticismo kantiano, se rumasse por veredas não muito distintas de seu próprio método, posto que essas linhas por si só contêm em germe não só as conclusões kantianas mais sublimes, como os postulados da primeira e da terceira Críticas, como até o sensato corretivo dos devaneios kantianos sobre a moral (segunda Crítica).
“Quando percorrermos as bibliotecas, convencidos destes princípios, que devastação não deveremos produzir! Se tomarmos em nossas mãos um volume qualquer, de teologia ou metafísica escolástica, p.ex., façamos a pergunta: Contém ele qualquer raciocínio abstrato referente a números e quantidades? Não. Contém qualquer raciocínio experimental referente a questões de fato e de existência? Não. Às chamas com ele, então, pois não pode conter senão sofismas e ilusão.”
UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE OS PRINCÍPIOS DA MORAL
SEÇÃO 1. DOS PRINCÍPIOS GERAIS DA MORAL
“é inútil esperar que qualquer lógica – que não se dirige aos afetos – seja jamais capaz de levá-los a abraçar princípios mais sadios.”
“Por mais insensível que seja um homem, ele será freqüentemente tocado pelas imagens do certo e do errado, e, por mais obstinados que sejam seus preconceitos, ele deve certamente observar que outras pessoas são suscetíveis às mesmas impressões. O único modo, portanto, de converter um antagonista dessa espécie é deixá-lo sozinho.”
“Os filósofos da Antiguidade, embora afirmem muitas vezes que a virtude nada mais é que a conformidade com a razão, parecem em geral considerar que a moral deriva sua existência do gosto e do sentimento.”
“Extingam-se todos os cálidos sentimentos e propensões em favor da virtude, e toda repugnância ou aversão ao vício; tornem-se os homens totalmente indiferentes a essas distinções, e a moralidade não mais será um estudo prático nem terá nenhuma tendência a regular nossa vida e ações.”
“Mas em muitas espécies de beleza, particularmente no caso das belas-artes, é preciso empregar muito raciocínio para experimentar o sentimento adequado, e um falso deleite pode muitas vezes ser corrigido por argumentos e reflexão. Há boas razões para se concluir que a beleza moral tem muitos traços em comum com esta última espécie, e exige a assistência de nossas faculdades intelectuais para adquirir uma influência apropriada sobre a mente humana.”
“Dado que essa é uma questão factual e não um assunto de ciência abstrata, só podemos esperar obter sucesso seguindo o método experimental e deduzindo máximas gerais a partir de uma comparação de casos particulares.” Larochefoucauldismo
“Os homens estão hoje curados de sua paixão por hipóteses e sistemas em filosofia natural, e não darão ouvidos a argumentos que não sejam derivados da experiência.” Que otimismo!
“Já é tempo de que façam uma reforma semelhante em todas as investigações morais e rejeitem todos os sistemas éticos, por mais sutis e engenhosos, que não estejam fundados em fatos e na observação.”
SEÇÃO 2. DA BENEVOLÊNCIA
Parte 1
“Os epítetos ‘sociável’, ‘de boa índole’, ‘humano’, ‘compassivo’, ‘grato’, ‘amistoso’, ‘generoso’, ‘benfazejo’, ou seus equivalentes, são conhecidos em todas as linguagens e expressam universalmente o mais alto mérito que a natureza humana é capaz de atingir.”
“Uma elevada aptidão, uma coragem indomável, um sucesso florescente só podem expor um herói ou um político à inveja e má vontade do público; mas tão logo se acrescentem os louvores de humanitário e beneficente, tão logo sejam dadas demonstrações de brandura, enternecimento e amizade, a própria inveja se cala ou junta-se ao coro geral de aprovação e aplauso.”
“Em homens de talentos e capacidades mais ordinários, as virtudes sociais (se é que isto é possível) são requeridas de forma ainda mais essencial, já que não há, nesses casos, nada que se sobressaia para compensar sua ausência ou para preservar a pessoa da mais profunda aversão ou desprezo.”
“Deve-se de fato reconhecer que é apenas pela prática do bem que um homem pode verdadeiramente gozar das vantagens de ser eminente. Sua posição elevada, por si só, apenas o deixa mais exposto ao perigo e à tempestade.”
Parte 2
“Plantar uma árvore, cultivar um campo, gerar filhos: atos meritórios, segundo a religião de Zoroastro.” Faltou um quarto ato: ler meu blog.
“O ato de dar esmolas a pedintes vulgares é compreensivelmente elogiado, pois parece trazer alívio aos aflitos e indigentes; mas, quando observamos o encorajamento que isso dá à ociosidade e à devassidão, passamos a considerar essa espécie de caridade antes como uma fraqueza que uma virtude.”
“O tiranicídio, ou assassinato de usurpadores e príncipes opressivos, foi sumamente enaltecido em tempos antigos porque livrou a humanidade desses monstros e parecia, além disso, impor o temor a outros que a espada ou o punhal não podiam alcançar. Mas como a história e a experiência desde então nos convenceram de que essa prática aumenta a suspeita e a crueldade dos príncipes, um Timoleão e um Bruto, embora tratados com indulgência em vista das predisposições de sua época, são hoje considerados como modelos muito impróprios para imitação.”
“O luxo, ou refinamento nos prazeres e confortos da vida, foi durante muito tempo tomado como a origem de toda a corrupção no governo, e como a causa imediata de discórdia, rebelião, guerras civis e perda total de liberdade.”
SEÇÃO 3. DA JUSTIÇA
Parte 1
“A água e o ar, embora sejam as mais necessárias de todas as coisas, não são disputados como propriedades de indivíduos, e ninguém comete injustiça por mais prodigamente que se sirva e desfrute dessas bênçãos.” Como Hume envelheceu mal nesses 250 anos!
“Para quê erigir marcos limítrofes entre meu campo e o de meu vizinho se meu coração não fez nenhuma divisão entre nossos interesses, mas compartilha todas as suas alegrias e tristezas com a mesma força e vivacidade que experimentaria caso fossem originalmente as minhas próprias?”
O ANTI-HOBBES I: “Esta ficção poética de uma idade de ouro está, sob certos aspectos, em pé de igualdade com a ficção filosófica de um estado de natureza (…) Essa ficção de um estado de natureza como um estado de guerra não se iniciou com Thomas Hobbes, como se costuma imaginar (Leviatã, capítulo 13). Platão esforça-se para refutar uma hipótese muito semelhante a essa nos 2º, 3º e 4º livros da República. Cícero, ao contrário, toma-a como certa e universalmente admitida [Cícero é péssimo!]”
“Pode-se com razão duvidar de que uma tal condição da natureza humana tenha jamais existido, ou, se existiu, que tenha durado por tanto tempo a ponto de merecer a denominação de um estado.”
Hume não pôde prever um direito dos animais (p. 125 do PDF, 251 da edição); mais, aliás: não pôde prever nem direitos dos povos autóctones! “A grande superioridade dos europeus civilizados em relação aos índios selvagens inclinou-nos a imaginar que estamos, perante eles, em idêntica situação [àquela dos homens com os animais], e fez com que nos desembaraçássemos de todas as restrições derivadas da justiça e mesmo de considerações humanitárias.”Em seguida, sobre a situação isenta de esperança da mulher! Segundo Hume, pela força bruta, o homem jamais perderia seus direitos exclusivos à propriedade, p.ex.; ocorre que o charme da mulher ‘democratizou’ tais relações. Nada, portanto, mais etno-antropo-androcêntrico que este parágrafo!
Parte 2
“Fanáticos podem supor que o poder se funda na graça, e que somente os santos herdarão a terra, mas o magistrado civil muito corretamente põe esses sublimes teóricos em pé de igualdade com os assaltantes comuns e lhes ensina pela disciplina mais severa que uma regra que, do ponto de vista especulativo, parece talvez a mais vantajosa para a sociedade, pode revelar-se, na prática, totalmente perniciosa e destrutiva.”
PREFIGURAÇÕES DO SOCIALISMO: “Talvez os ‘Levellers’, que reclamavam uma distribuição igualitária da propriedade, tenham sido um tipo de fanáticos políticos que brotaram da espécie religiosa e confessavam mais abertamente suas pretensões, como tendo uma aparência mais plausível de poderem ser postas em prática e serem de utilidade para a sociedade humana.”
“a mínima gratificação de um frívolo capricho de um indivíduo custa freqüentemente mais do que o pão de muitas famílias, e até de muitas províncias.” Cita Esparta como a república que teria realizado o ideal da igualdade sobre a terra. E em seguida: “Sem mencionar que as leis agrárias, tão freqüentemente reivindicadas em Roma e postas em prática em muitas cidades gregas, procederam todas elas de uma concepção geral da utilidade desse princípio.” Claro que, como bom liberal do XVII, H. vai dizer que essas idéias não são mais exeqüíveis nem desejáveis, de forma alguma. Uma das razões é que tal disposição geraria a necessidade de uma justiça draconiana, praticamente uma comissão inquisitorial. Não deixa de ser verdade que Esparta e Roma foram assim, mas que, em Esparta pelo menos, isso não era sentido como peso devido à arete dos cidadãos.
“Quem não vê (…) que a propriedade deve passar por herança para os filhos e parentes, tendo em vista o mesmo útil propósito?”
“um sistema [o de Montesquieu!] que, em minha opinião, jamais poderá ser reconciliado com a verdadeira filosofia.” Posso entender por que Hume deve ter exercido influência do mais alto grau em mentes como Smith e Stuart-Mill! Aliás, Smith foi contemporâneo tanto de Montesquieu quanto de Hume, e conterrâneo de Hume (escocês)!
“Um sírio morreria de fome antes de saborear um pombo, um egípcio não se aproximaria de um pedaço de toucinho” “Uma ave na quinta-feira é um alimento lícito, na sexta-feira torna-se abominável; ovos são permitidos nesta casa e nesta diocese durante a Quaresma, cem passos adiante, comê-los é um pecado mortal; este terreno ou edifício ontem era profano, hoje, após serem murmuradas certas palavras, tornou-se pio e sagrado.”
Adoro o Hume antirreligioso: “Se os interesses da sociedade não estivessem de nenhum modo envolvidos, a razão pela qual a articulação de certos sons implicando consentimento por parte de uma pessoa deveria alterar a natureza de minhas ações com respeito a um objeto particular seria tão ininteligível quanto a razão pela qual uma fórmula litúrgica recitada por um padre, com um certo hábito e numa certa postura, deveria consagrar uma pilha de madeira e tijolos e torná-la desde então sagrada para todo o sempre.”
MALDITOS JESUÍTAS, ESSES “SUPERESCOLÁSTICOS”: “ver no Dicionáriode Bayle o verbete ‘Loyola’.”
“As sutilezas casuísticas podem não ser maiores que as sutilezas dos advogados aqui mencionadas, mas como as primeiras são perniciosas e as últimas inocentes e mesmo necessárias, compreende-se a razão das recepções bastante diferentes que encontraram no mundo. § É uma doutrina da Igreja de Roma que o sacerdote, por um direcionamento secreto de sua intenção, pode invalidar qualquer sacramento.”
“E estas próprias palavras, herança e contrato, representam idéias infinitamente complicadas, e uma centena de volumes de legislação mais um milhar de volumes de comentários não se mostraram suficientes para defini-las com exatidão. Poderia a natureza, cujos instintos nos seres humanos são de todo simples, abarcar objetos tão complicados e artificiosos, e criar uma criatura racional sem nada consignar à operação de sua razão?” “Teríamos então idéias inatas originárias acerca de pretores, chanceleres e júris? Quem não vê que todas essas instituições surgem simplesmente das necessidades da sociedade humana?” Sedutor, mas errado.
O Zeitgeist é tão forte que mesmo um “anti-Iluminista” como Hume acaba chegando às mesmas conclusões que os baluartes do Esclarecimento: “A vantagem, ou antes a necessidade, que leva à justiça é tão universal e conduz em todas as partes de modo tão pronunciado às mesmas regras que o hábito toma assento em todas as sociedades e só com algum esforço investigativo somos capazes de descobrir sua verdadeira origem.”
SEÇÃO 4. DA SOCIEDADE POLÍTICA
“Alianças e tratados são formalizados todos os dias entre Estados independentes, o que constituiria desperdício de pergaminho se a experiência não tivesse mostrado que eles têm alguma influência e autoridade.”
“No caso de confederações como a antiga república dos aqueus ou, modernamente, os Cantões Suíços e as Províncias Unidas,(*) como a aliança tem, nesses casos, uma peculiar utilidade, as condições de união têm um caráter particularmente sagrado e impositivo, e uma violação delas será considerada tão ou mais criminosa que qualquer dano ou injustiça de caráter privado.
(*) Os Países Baixos, constituídos em 1579 pelo tratado de Utrecht. (N.T.)”
“A única solução que Platão oferece a todas as objeções que poderiam ser levantadas contra a posse em comum das mulheres estabelecida em sua comunidade imaginária é ‘pois sempre houve e haverá boa razão para se afirmar que o útil é belo, e o nocivo é feio’ (Rep., V).”
“Odeio um companheiro de bebedeiras que nunca esquece, diz o provérbio grego. As loucuras da última esbórnia devem ser sepultadas em eterno olvido a fim de abrir o máximo espaço para as loucuras da próxima.”
ÉTICA DO CARONEIRO PARTE II! (PREQUEL): “Que o veículo mais leve ceda passagem ao mais pesado, e, em veículos de mesmo porte, que o que está vazio dê preferência ao carregado são regras fundadas na conveniência. Que aqueles que estão se dirigindo para a capital têm precedência sobre os que estão retornando parece fundar-se em alguma representação da dignidade da grande cidade, e a uma preferência do futuro sobre o passado. Por análogas razões, entre pedestres, a mão direita dá direito a caminhar junto à parede e evita os esbarrões que as pessoas pacíficas acham muito desagradáveis e inconvenientes.”
SEÇÃO 5. POR QUE A UTILIDADE AGRADA
Parte 1
“Se a natureza não tivesse feito essa distinção com base na constituição original da mente, as palavras ‘honroso’ e ‘vergonhoso’, ‘estimável’ e ‘odioso’, ‘nobre’ e ‘desprezível’ não existiriam em nenhuma linguagem; e mesmo que os políticos viessem a inventar esses termos, jamais seriam capazes de torná-los inteligíveis ou fazê-los veicular alguma idéia aos ouvintes. Nada mais superficial, portanto, que esse paradoxo dos céticos”
“Essa dedução da moral a partir do amor de si mesmo, ou de uma atenção aos interesses privados, é uma idéia óbvia” “Mas (…) a voz da natureza e da experiência parecem se opor claramente à teoria egoísta.”
“O descumprimento das obrigações para com os pais é desaprovado por todos os homens” Mas Políbio vê que essas considerações são também egoístas: <quando eu tiver filhos…>
“Que tem isso a ver comigo? Há poucas ocasiões em que essa pergunta não é pertinente”
“Um homem trazido à beira de um precipício não pode olhar para baixo sem tremer, e o sentimento de um perigo imaginário atua sobre ele em oposição à opinião e crença de uma segurança real.” Poderíamos inverter os vocábulos imaginário e real nesta frase e ela manteria o mesmo sentido, se é que não faria ainda mais sentido…
Parte 2
“Poucos gêneros poéticos trazem mais entretenimento do que o gênero pastoral”
“A leitura atenta da história parece ser um entretenimento tranqüilo, mas não seria de nenhum modo um entretenimento se nossos corações não batessem em movimentos correspondentes aos que são descritos pelo historiador.”
“Tucídides e Guicciardini mantêm com dificuldade nossa atenção quando o 1º descreve os triviais confrontos das pequenas cidades da Grécia e o 2º as guerras inofensivas de Pisa. (…) Mas a profunda aflição do numeroso exército ateniense diante de Siracusa e o perigo que tão de perto ameaçava Veneza, esses despertam compaixão, esses incitam o terror e a ansiedade.” Hoje tudo isso para nós está unido sob uma única alcunha: passado remoto; igualmente indiferente, igualmente apaixonante, dependendo da circunstância e do receptor.
“Se admitíssemos que a crueldade de Nero era inteiramente voluntária e não antes o efeito de um constante temor e ressentimento, é evidente que Tigelino, de preferência a Sêneca e Burro, deveria ter gozado de sua constante e invariável aprovação.”
NACIONALISMO: FÓSSIL: “Dedicamos sempre uma consideração mais apaixonada a um estadista ou patriota que serve nosso próprio país em nossa própria época do que a um outro cuja influência benéfica operou em eras remotas ou em nações distantes, nas quais o bem resultante de sua generosa benevolência, estando menos relacionado conosco, parece-nos mais obscuro, afeta-nos com uma simpatia menos vívida.” Essa regra só se aplicaria aos seres humanos que conhecemos em nossa vida diária: os fascistas com quem convivo me inspiram aversão infinitamente maior que qualquer traste que eu venha a conhecer lendo a história do Nazismo.
SEÇÃO 6. DAS QUALIDADES ÚTEIS A NÓS MESMOS
Parte 1
“Para um Cromwell, talvez, ou para um De Retz, a discrição pode parecer uma virtude típica de vereador, no dizer do Dr. Swift; e, sendo incompatível com aqueles vastos desígnios inspirados por sua coragem e ambição, poderia neles constituir realmente um defeito ou imperfeição.”
“Um dos extremos da frugalidade é a avareza, que, ao privar um homem de todo uso de suas riquezas e simultaneamente impedir a hospitalidade e qualquer prazer sociável, sofre, com razão, uma dupla censura.”
“Mas, em épocas antigas, quando ninguém podia sobressair-se sem o dom da oratória e a audiência era demasiado refinada para suportar as arengas cruas e mal-digeridas com que nossos improvisados oradores se dirigem às assembléias públicas, a faculdade da memória tinha então a mais alta importância e era, em conseqüência, muito mais valorizada do que no presente.”
Parte 2
“As justas proporções de um cavalo descritas por Xenofonte e Virgílio são as mesmas hoje aceitas pelos que lidam com esses animais, porque seu fundamento é o mesmo, a saber, a experiência do que é prejudicial ou útil nesses animais.”
“Quanto escárnio e desdém, por parte de ambos os sexos, acompanham a impotência! O infeliz indivíduo é visto como privado de um prazer essencial na vida e, ao mesmo tempo, incapaz de proporcioná-lo a outros.”
SEÇÃO 7. DAS QUALIDADES IMEDIATAMENTE AGRADÁVEIS A NÓS MESMOS
DÊNIS & CABELINHO: “A chama se propaga a todo o círculo, e mesmo os mais rabugentos e taciturnos são contagiados por ela. Embora Horácio o tenha afirmado, tenho certa dificuldade em admitir que as pessoas tristes detestam as alegres, porque sempre observei que, quando a jovialidade é moderada e decente, as pessoas sérias são as que mais se deliciam, já que ela dissipa as trevas que comumente as oprimem e proporciona-lhes uma rara diversão.” “surge uma cordial emoção dirigida para a pessoa que transmite tanta satisfação. Ela constitui um espetáculo mais tonificante, sua presença difunde sobre nós uma satisfação e um contentamento mais serenos; nossa imaginação, penetrando em seus sentimentos e disposições, é afetada de uma maneira mais agradável do que se nos tivesse sido apresentado um temperamento triste, abatido, sombrio e angustiado.”
“Não há ninguém que não seja afetado, em certas ocasiões, pelas desagradáveis paixões do medo, cólera, abatimento, aflição, tristeza, ansiedade, etc. Mas essas paixões, por serem naturais e universais, não fazem nenhuma diferença entre uma pessoa e outra, e não podem jamais constituir motivo de censura. É apenas quando a disposição produz uma propensão a uma dessas desagradáveis paixões que desfiguram o caráter e, ao produzir desconforto, transmitem o sentimento de desaprovação ao espectador.”
“Poucos invejariam o caráter que César atribui a Cássio:
He loves no play,
As thou do’st, Anthony: he hears no music:
Seldom he smiles; and smiles in such a sort,
As if he mock’d himself, and scorn’d his spirit
That could be mov’d to smile at any thing.”
Shakespeare, Júlio César, ato I, cena II,203-207, trecho tão comentado por Deleuze no Anti-Édipo!
“Ide!, exclamou o mesmo herói a seus soldados quando estes se recusaram a segui-lo até as Índias, ide e dizei a vossos compatriotas que deixastes Alexandre completando a conquista do mundo! E o Príncipe de Condé, grande admirador dessa passagem, complementa: Alexandre, abandonado por seus soldados entre bárbaros ainda não totalmente subjugados, sentia em si uma tamanha dignidade e direito de comando que não podia acreditar ser possível que alguém se recusasse a obedecer-lhe. Na Europa ou na Ásia, entre gregos ou persas, pouco lhe importava: onde quer que encontrasse homens, imaginava que haveria de encontrar súditos.”
RUBENEUS ADRIANUS: “E se, como freqüentemente acontece, a mesma pessoa que rasteja diante de seus superiores é insolente com seus subordinados, essa contradição em seu comportamento, longe de corrigir o vício anterior, agrava-o extraordinariamente pelo acréscimo de um vício ainda mais odioso.”
“Contemplei Filipe, contra quem lutastes, expondo-se resolutamente, em sua busca de poder e domínio, a todos os ferimentos; o olho coberto de uma crosta de sangue, o pescoço contorcido, o braço e coxa trespassados, pronto a abandonar de bom grado qualquer parte de seu corpo que a fortuna agarrasse desde que pudesse, com o restante, viver com honra e renome. Quem diria que, nascido em Pela, lugar até então vil e ignóbil, ele tenha sido inspirado por tão grande ambição e sede de celebridade, ao passo que vós, atenienses, . . . .” Demóstenes
“Os suevos arranjavam seus cabelos com um louvável intento; não para amar ou serem amados: eles se adornavam apenas para seus inimigos e para parecerem mais terríveis.” – Tácito. O penteado coque-samurai dos bárbaros germânicos massacrados por César – acabei de ler a mesma citação na History of The Romans Under the Empire de Merivale (em breve no Seclusão)!
“Os citas, de acordo com Heródoto em seu Livro 4, após escalpelarem seus inimigos, tratavam a pele como um couro e usavam-na como uma toalha, e quem possuísse o maior número dessas toalhas era o mais merecedor de apreço entre eles.”
“E esse [a ética da coragem guerreira] também, até muito recentemente, foi o sistema ético predominante em muitas das regiões bárbaras da Irlanda, se podemos dar crédito a Spenser em seu judicioso relato do estado daquele reino: ‘É comum que os filhos das boas famílias, tão logo sejam capazes de usar suas armas, reúnam-se imediatamente a 3 ou 4 vagabundos ou mercenários os quais vagueiam à toa durante algum tempo pelo país, apoderando-se apenas de comida, até que afinal se lhe ofereça alguma má aventura, a qual, logo que se torna conhecida, faz com que ele seja considerado daí em diante como um homem de valor, em quem há coragem.”
“A serenidade filosófica pode, na verdade, ser considerada simplesmente como um ramo da grandeza de espírito.”
“Epicteto não tinha sequer uma porta no casebre em que morava, e por isso logo perdeu seu lampião de ferro, o único de seus objetos que valia a pena ser furtado. E tendo decidido frustrar todos os futuros ladrões, substituiu-o por um lampião de barro, que manteve pacificamente desde então em sua posse.”
“sofremos por contágio e simpatia, e não podemos manter-nos como espectadores indiferentes, mesmo estando certos de que nenhuma conseqüência danosa nos advirá dessas ameaçadoras paixões.”
“A coragem excessiva e a resoluta inflexibilidade de Carlos XII arruinaram seu país e assolaram todos os vizinhos, mas exibem um tal esplendor (…) que poderiam ser até (…) aprovadas (…) se não traíssem (…) sintomas (…) evidentes de loucura”
SEÇÃO 8. DAS QUALIDADES IMEDIATAMENTE AGRADÁVEIS AOS OUTROS
“Um espanhol sai de sua casa à frente de seu hóspede, significando com isso que o deixa como senhor dela. Em outros países, o dono da casa sai em último lugar, como um sinal usual de respeito e consideração.”
“pouca satisfação é obtida pelo contador de longas histórias ou pelo declamador empertigado.”
“Há um tipo inofensivo de mentirosos, comumente encontrados nas reuniões, que se comprazem muitíssimo com relatos fantásticos. Em geral sua intenção é agradar, mas, como as pessoas se encantam mais com aquilo que supõem verdadeiro, esses indivíduos se equivocam redondamente sobre as formas de entreter e incorrem em uma censura universal.”
“As pessoas têm, em geral, uma propensão muito maior para se sobrevalorizarem do que para se menosprezarem, não obstante a opinião de Aristóteles sobre o assunto em Ética a Nicômaco.”
“Ninguém poderá censurar Maurício, príncipe de Orange, por sua resposta de caráter bem-humorado e velado quando lhe perguntaram quem ele considerava o maior general de sua época: O marquês de Spinola é o segundo.”
“A magnífica obstinação de Sócrates, como Cícero a denominava, tem sido grandemente celebrada em todas as épocas, e, quando conjugada à usual modéstia de seu comportamento, compõe um caráter luminoso. (…) Em suma, um generoso temperamento e amor-próprio, quando bem-fundamentados, disfarçados com decoro e corajosamente defendidos contra as calúnias e vicissitudes, é uma grande virtude e parece derivar seu mérito da nobre elevação de seu sentimento, ou do fato de ser imediatamente agradável a seu possuidor.”
“Por que essa ansiedade em relatar que estivemos em companhia de pessoas ilustres e que recebemos referências elogiosas, como se essas não fossem coisas corriqueiras que todos poderiam imaginar sem que lhes fossem contadas?”
SEÇÃO 9. CONCLUSÃO
Parte 1
O ANTI-SCHOPENHAUER: “Celibato, jejum, penitência, mortificação, negação de si próprio, submissão, silêncio, solidão e todo o séquito das virtudes monásticas – por que razão são elas em toda parte rejeitadas pelas pessoas sensatas a não ser porque não servem a nenhum propósito; não aumentam a fortuna de um homem nem o tornam um membro mais valioso da sociedade; não o qualificam para as alegrias da convivência social nem o tornam mais capaz de satisfazer-se consigo mesmo?” “Um fanático sombrio e ignorante pode, após sua morte, ganhar uma data no calendário, mas dificilmente seria admitido, enquanto vivo, à intimidade e ao convívio social, exceto por aqueles tão transtornados e lúgubres quanto ele.”
O ANTI-HOBBES II: “aqueles pensadores que sinceramente sustentam o predominante egoísmo do ser humano não se escandalizarão em absoluto ao ouvir falar desses tênues sentimentos de virtude implantados em nossa natureza.”
“Quando um homem chama outro de seu inimigo, seu rival, seu antagonista, seu adversário, entende-se que ele está falando a linguagem do amor de si mesmo e expressando sentimentos que lhe são próprios e que decorrem das situações e circunstâncias particulares em que está envolvido. Mas, quando atribui a alguém os epítetos de corrupto, odioso ou depravado, já está falando outra linguagem e expressando sentimentos que ele espera que serão compartilhados por toda sua audiência.”
“Quando o coração está cheio de ira, nunca lhe faltam pretextos dessa natureza, embora sejam às vezes tão ridículos como os de Horácio que, ao ser quase esmagado pela queda de uma árvore, pretendeu acusar de parricídio quem a havia plantado (Odes, livro 2, ode 13).” [!!!]
NOVAMENTE ME ESPANTO QUE HUME NÃO TENHA VIVIDO APÓS LAPLACE! “quando reflito que, embora se tenha medido e delineado o tamanho e a forma da Terra, explicado os movimentos das marés, submetido a ordem e organização dos corpos celestes a leis apropriadas, e reduzido o próprio infinito a um cálculo, ainda persistem as disputas relativas ao fundamento de seus deveres morais (…) recaio na desconfiança e no ceticismo, [não diga! logo você, sr. Hume?!] e suspeito que, se fosse verdadeira (…) esta hipótese tão óbvia (…) teria já há muito tempo recebido o sufrágio e a aceitação unânimes da humanidade.”
Parte 2
(…)
APÊNDICE 1. Sobre o sentimento moral
(…)
APÊNDICE 2.
(…)
APÊNDICE 3.
(…)
APÊNDICE 4.
“Em tempos mais recentes, toda espécie de filosofia e em especial a ética têm estado mais estreitamente unidas à teologia do que jamais estiveram entre os pagãos; e como essa última ciência não faz quaisquer concessões às demais, mas verga todos os ramos do conhecimento para seus propósitos particulares, sem dar muita atenção aos fenômenos da natureza ou a sentimentos mentais livres de preconceitos, segue-se que o raciocínio e mesmo a linguagem foram desviados de seu curso natural, e fez-se um esforço para estabelecer distinções em situações em que a diferença entre os objetos era quase imperceptível. Filósofos, ou antes teólogos sob esse disfarce, ao tratar toda a moral em pé de igualdade com as leis civis, protegidas pelas sanções de recompensa ou punição, foram necessariamente levados a fazer da característica do voluntário ou involuntário o fundamento de toda a sua teoria.”
“Que temos um dever em relação a nós mesmos é algo que até o mais vulgar sistema de moral reconhece”
UM DIÁLOGO
“Parece que Alcheic tinha sido muito belo em sua juventude, tinha sido cortejado por muitos amantes, mas concedera seus favores especialmente ao sábio Elcouf, a quem se supunha que ele devia o espantoso progresso que fizera em filosofia e na virtude.
Surpreendeu-me também o fato de que a esposa de Alcheic (que, aliás, era também sua irmã) não se mostrasse minimamente escandalizada com essa espécie de infidelidade.
Mais ou menos à mesma época descobri (…) que Alcheic era um assassino e um parricida, e que mandara para a morte uma pessoa inocente, que lhe era estreitamente aparentada e a quem estava obrigado a proteger e defender por todos os laços da natureza”
“Recebi recentemente uma carta de um correspondente em Fourli, pela qual fiquei sabendo que, após minha partida, Alcheic apropriadamente se enforcou, e morreu universalmente lamentado e aplaudido em todo o país.”
“mal poderíeis distinguir se ele estava zombando ou falando sério.”
“Cuidado, gritou ele, tende cuidado! Não percebeis que estais blasfemando e insultando os vossos favoritos, os gregos, especialmente os atenienses, que eu ocultei o tempo todo sob os nomes bizarros que empreguei?”
“Mas não dissestes que Usbek era um usurpador!”
“Não o fiz, para que não descobrísseis o paralelo que tinha em mente. Mas, mesmo acrescentando essa circunstância, não deveríamos hesitar, de acordo com nosso sentimento de moral, em classificar Bruto e Cássio como traidores ingratos e assassinos, embora saibais que são talvez as mais altas personalidades de toda a Antiguidade, e que os atenienses erigiram-lhes estátuas, [?] colocadas próximas às de Harmódio e Aristogiton, seus próprios libertadores.”
“Creio que com justiça mostrei que um ateniense de mérito poderia ser alguém que entre nós passaria hoje por incestuoso, parricida, assassino, ingrato, pérfido traidor e outra coisa demasiado abominável para ser nomeada; [gay] sem contar sua rusticidade”
“Geometria, física, astronomia, anatomia, botânica, geografia, navegação: em todas estas reivindicamos com razão a superioridade. Mas que temos a opor a seus moralistas? Vossa representação das coisas é falaciosa.”
“Ser-me-ia permitido informar aos atenienses de que houve uma nação em que o adultério, tanto ativo quanto passivo, gozava da mais alta popularidade e estima? Na qual cada homem educado escolhia para sua amante uma mulher casada, talvez a esposa de seu amigo e companheiro, e vangloriava-se dessas infames conquistas tanto quanto se tivesse sido várias vezes vencedor no boxe ou na luta nos Jogos Olímpicos? Na qual cada homem também se orgulhava de sua mansidão (…) com relação a sua própria mulher, e alegrava-se de fazer amigos e obter vantagens permitindo que ela prostituísse seus encantos; e que dava-lhe plena liberdade e indulgência? Pergunto, então, que sentimentos os atenienses experimentariam por um tal povo”
Ser-me-ia preciso acrescentar que esse mesmo povo era tão orgulhoso de sua escravidão e dependência como os atenienses de sua liberdade, e embora um homem desse povo estivesse oprimido, desgraçado, empobrecido, insultado ou aprisionado pelo tirano, ainda consideraria altamente meritório amá-lo, servi-lo e obedecer-lhe?”
“E se um homem que lhes é absolutamente estranho desejasse que, sob ameaça de morte, cortassem a garganta de um velho amigo, eles imediatamente obedeceriam e se julgariam altamente favorecidos e honrados por essa comissão.”
“Mas embora estejam tão prontos a sacar sua espada contra seus amigos, nenhuma desgraça, dor ou miséria jamais levará essas pessoas a apontarem-na contra seu próprio peito. Um homem de posição irá remar nas galés, mendigar seu pão, definhar na prisão, sofrer todas as torturas, conquanto conserve sua ignóbil existência.”
“É também muito usual entre esse povo construir prisões nas quais todas as artes de afligir e atormentar os infelizes prisioneiros são cuidadosamente estudadas e praticadas. E é comum que pais voluntariamente encerrem vários de seus filhos nessas prisões, a fim de que um outro filho, que admitem não ter mais mérito, ou até tê-lo menos, que os outros, possa gozar integralmente de sua fortuna e chafurdar em toda espécie de voluptuosidade e prazeres.”
“Mas o mais singular nessa caprichosa nação é que vossos folguedos durante as saturnais, quando os escravos são servidos por seus senhores, são seriamente estendidos por eles de modo a cobrir o ano inteiro e todo o tempo de sua vida, acompanhados ainda de algumas circunstâncias que aumentam o absurdo e o ridículo. (…) em todo o tempo a superioridade das mulheres é prontamente reconhecida e aceita por todos (…) Dificilmente um crime seria mais universalmente condenado do que uma infração a essa regra.”
“Também os franceses, sem dúvida, são um povo muito civilizado e inteligente; no entanto, seus homens de mérito poderiam, entre os atenienses, ser objetos do maior desprezo e ridículo, e mesmo de ódio. O que torna a questão mais extraordinária é que esses dois povos são considerados os mais similares em seu caráter nacional entre todos os povos antigos e modernos! E enquanto os ingleses se gabam de assemelhar-se aos romanos, seus vizinhos no continente traçam um paralelo entre os cultivados gregos e si próprios.”
“Os amores gregos (…) provêm de uma causa muito inocente, a freqüência dos exercícios de ginástica entre esse povo, e eram recomendados, embora absurdamente, como uma fonte de amizade, simpatia, apego mútuo e fidelidade”
“Como se poderia recuperar a liberdade pública das mãos de um usurpador ou tirano, se seu poder o protege da rebelião pública e de nossos escrúpulos da vingança privada?”
“reconheço que há uma dificuldade quase tão grande de justificar a galanteria francesa quanto a grega, exceto, talvez, que a 1ª é muito mais natural e agradável.”
“Certamente nada pode ser mais absurdo e bárbaro que a prática do duelo”
“Horácio enalteceu uma testa baixa, e Anacreonte sobrancelhas unidas; mas o Apolo e a Vênus da Antiguidade são ainda nossos modelos de beleza masculina e feminina”
“De todas as nações do mundo nas quais não se permitia a poligamia, os gregos parecem ter sido os mais reservados em suas relações com o belo sexo”
“vemos que, exceto pelas fabulosas histórias de Helena e Clitemnestra, quase não há nenhum acontecimento na história grega que decorra das intrigas femininas. Nos tempos modernos, entretanto, particularmente em uma nação vizinha, as mulheres participam de todas as transações e arranjos da Igreja e do Estado (…) Henrique III pôs em perigo sua coroa e perdeu sua vida por ter incorrido no desagrado das mulheres”
“quem poderia imaginar que os romanos tivessem um tão grande desinteresse pela música e considerassem a dança aviltante; ao passo que os gregos passassem todo o tempo a tocar flauta, cantar e dançar?”
“Hoje, quando a filosofia perdeu a atração da novidade, não tem mais uma influência tão extensa, mas parece confinar-se principalmente a especulações de gabinete, da mesma maneira como a antiga religião estava limitada a sacrifícios no templo. Seu lugar está agora ocupado pela moderna religião, que inspeciona por inteiro nossa conduta e prescreve uma regra universal a nossas ações, a nossas palavras, a nossos próprios pensamentos e inclinações”
“Diógenes é o modelo mais célebre de filosofia extravagante. Procuremos um seu paralelo nos tempos modernos. Não devemos desonrar nenhum autor filosófico comparando-o com os Domingos ou Loyolas, [dominicanos e jesuítas] ou algum padre ou monge canonizado. [No lugar disso,] comparemos Diógenes a Pascal” “O filósofo antigo se sustentava por sua magnanimidade, exibição, orgulho, e pela idéia de sua própria superioridade perante seus conterrâneos. O filósofo moderno professava constantemente humildade e aviltamento, desprezo e ódio de si mesmo, e esforçava-se por alcançar essas supostas virtudes, tanto quanto fosse possível alcançá-las. As austeridades do grego visavam habituá-lo aos desconfortos e impedir que jamais viesse a sofrer. As do francês eram adotadas meramente por elas próprias, com o fito de fazê-lo sofrer o máximo possível. O filósofo entregava-se aos prazeres mais bestiais, mesmo em público; [quanto escândalo, ui, ui!] o santo recusava a si próprio os mais inocentes deles, mesmo em privado. O primeiro julgava seu dever amar seus amigos, ralhar com eles, censurá-los, descompô-los. O último esforçava-se por tornar-se absolutamente indiferente às pessoas que lhe eram mais próximas, e amar e falar bem de seus inimigos. O grande alvo dos sarcasmos de Diógenes era a superstição de qualquer tipo (…) A mortalidade da alma era seu princípio-padrão (…) As mais ridículas superstições dirigiam a fé e os atos de Pascal, e um extremo desprezo desta vida em comparação com uma vida futura era o principal fundamento de sua conduta.”
“Onde está, então, o padrão universal da moral de que falais?”
Dos dois diálogos hipostasiados por David Hume apreendi que: para vencer uma discussão tens de ser o último a falar!
Hoje eu compreendo o sentido de três mudanças na minha vida: ter sido expulso do Colégio Militar; ter rompido com a quase totalidade dos meus colegas de curso; não ter me casado. Quando Nietzsche formulou o conceito de Deus ex machina¹ ele escrevia a serviço do cristão Richard Wagner. O Deus ex machina, se fosse atualizado, seria entendido como parte do indivíduo e de sua força – o sabor da roda do acaso. Sinto que estas três linhas divisórias da minha vida foram de obtenção inconsciente. Mas é o inconsciente nossa verdadeira fatalidade.
¹ Não “formulou”, mas utilizou de forma muito característica em seu primeiro livro. – 01/01/21.
Não houvesse sido inconseqüentemente submetido a processo disciplinar na escola-quartel em que estudava aos 14 anos, provavelmente hoje eu teria profunda ligação com amizades daquele tempo. Faria parte de um círculo razoavelmente sólido na Universidade de Brasília. Gosto de pensar que sou um barco à deriva ao invés de uma ilha, então minha base fluida me permite conhecer novas águas. Hoje eu entendo a modalidade de comportamento daqueles garotos, uma vez crescidos, como não tendo sido alterada mesmo após tantos anos. Sinto uma diferença muito dilatada entre nossos pontos de vista. Eles são minha antinomia: os filhos, os profissionais e os cidadãos que eu jamais seria. Conversas tediosas, rotina hedonista (cujo sinônimo mais próximo é “pessimismo”: falta de capacidade e de claridade mental para suportar a dor e até querê-la, como nascedouro de novas vitórias), projetos ligados ao dinheiro e falta de discernimento psicológico. Sem dúvida esta última característica é a que mais me irrita: não conseguem compreender as atitudes dos outros (eu posso estar feliz com a cara mais séria!). Tal deficiência é óbvia, pois seus universos são como a viseira de um cavalo.
O mesmo problema – exatamente o mesmo – se verifica entre novos jovens. Não tão novos assim: parecem cópias dos primeiros. Ao entrar no curso de sociologia, procurei avidamente me entrosar. Conhecimento e reconhecimento instantâneos. Estava caindo na mesma cilada de quatro anos antes sem perceber. Mas novamente houve uma interferência do que eu posso chamar de “o manobreiro-eu”, sua parte mais colada à essência, sua personalidade verdadeira, que opera sua casa-das-máquinas. Contra os incuráveis hedonistas – perguntem-nos por que bebem tanto, o que querem esquecer, por que preferem a palavra “solução” a “problema”! – encontrei a solução da mímica: me tornei o superlativo do beberrão. O que aconteceu depois disso foi a quebra de um dente da frente numa escada e o dano moral. Finalmente o operador se recostou aliviado e emitiu um suspiro: seu pupilo absorveu o recado. Pude iniciar meus rompimentos no campus: uma série que ainda não acabou. Disposição havia, mas faltava o motivo: um para cada um, como seria desgastante! Mas, ao fim, bela manobra! Infelizmente, depois de baixar a poeira, percebi que algumas cabeças permaneciam fiéis. Mas eram fidelidades que doíam. Querer-se todo para si: esse é o extremo do amor! O próximo trabalho, em curso, está sendo revolver essa gente, que também me faz sentir apequenado. Já não basta a carência de rivais dignos, para injetar um pouco de graça? O que há no momento são mil sombras indiferentes e alguns adolescentes que ainda me incomodam por estarem do lado que se chama de “os amigos”: não há grupelho mais propenso a destruir o que um tem de mais valoroso do que esse. É preciso tomar muito cuidado com cada coisa que deles se ouve e com cada postura que eles sub-repticiamente nos incitam a tomar.
Meu plano inicial – e falo de outro tipo de relacionamento agora, ocorrido cronologicamente entre esses dois primeiros marcos citados – era terminar a faculdade de jornalismo já despachando num jornal e me casar. Havia pressão da namorada para que isso acontecesse, e como ela era “o bem mais precioso” eu tinha de me esforçar. Uma vida inteira ao lado de quem se ama, a segurança sexual almejada pelo homem, quem sabe daí a vôos mais altos: lindos filhos, a propalada vida do bem-estar. Era o vírus do hedonismo, do ser humano sempre apático diante do que a vida tem para oferecer, esse querer-se enclausurar num conto-de-fadas, que me atacava outra vez. Como o ferrão de uma abelha, ou a agulha de uma injeção, de quem espera a anestesia, a sonolência, a amnésia profunda. Eu havia me esquecido que o amor perverte mais do que a amizade, é a amizade que dorme consigo na cama! A amizade de papel lavrado. A amizade não é o problema. Mas ser a amizade errada, e não sabermos onde raios se encontram as certas. Parece que não há naturezas como a minha. É esse o preço a se pagar por se desejar um pouco de desafio, querer tomar um gole d’água gostoso, e não porque se diz por aí que beber água faz bem para a saúde? Que bem é esse? Viver mais enquanto se nega a viver? Minha potencial noiva se apaixonou por outro e o sonho americano foi pulverizado. Aos 20 anos, eu confesso que sei demais: muito mais do que jovens hedonistas, cuja preguiça me cansa. É preciso aprender, tolinhos, que o gole d’água só é gostoso quando se está com sede…
“Nos países de língua alemã, o pedagogo Johann Heinrich Pestalozzi teve dois grandes sucessores: Johann Friedrich Herbart e Friedrich Fröbel. Cheios de entusiasmo juvenil, os dois começaram seguindo o modelo fascinante do filantropo suíço. Cada um à sua maneira, ambos conseguiram mais tarde ir além do trabalho de Pestalozzi, abrindo à ação pedagógica novos caminhos, aliando estreitamente a teoria e a prática.
Pestalozzi entrou para a história da educação como o pai dos órfãos de Stans (Suíça) e o fundador da nova escola primária. Fröbel, além de sua filosofia pedagógica romântica, deu ao mundo o termo ‘jardim da infância’. O perfil do educador e pensador pedagógico J.F. Herbart pode, também, ser delineado a partir de um ponto central marcante, a ideia de instrução educativa.”
“Entre 1794 e 1797, foi aluno do filósofo Johann Gottlieb Fichte (1762-1814) na Universidade de Iena. No entanto, o jovem Herbart rapidamente tomará distância da ‘teoria da ciência’ e da filosofia prática de seu mestre. No terreno fértil das contradições do pensamento idealista, fará germinar sua própria filosofia realista.”
“As principais obras filosóficas de Herbart são: Hauptpunkte der Metaphysik (Elementos essenciais da metafísica) (1806); Allgemeine Praktische Philosophie (Filosofia prática geral) (1808); Psychologie als Wissenschaft: neugegründet auf Erfahrung,Metaphysik und Mathematik (A psicologia como ciência, novamente fundada na experiência, na metafísica e nas matemáticas) (1824-1825) e Allgemeine Metaphysik nebst den Anfängen der Philosophischen Naturlehre (Metafísica geral com os primeiros elementos de uma filosofia das ciências da natureza) (1828-1829).”
“Em sua metafísica, Herbart retoma a doutrina das mônadas de Gottfried Willhelm Leibniz. Levando em consideração os problemas levantados por Immanuel Kant na Crítica da razão pura, Herbart busca em suas deduções metafísicas apreender o real pelos conceitos. A metafísica de Herbart compreende, especialmente, uma psicologia minuciosamente elaborada, que se tornou um marco na história desta disciplina. Herbart foi o primeiro a utilizar com uma lógica implacável os métodos do cálculo infinitesimal moderno para resolver problemas da pesquisa filosófica. (…) Embora a investigação psicológica empírica do século XIX não o tenha acompanhado, sua psicologia exerceu uma influência inegável na psicologia empírica de Wilhelm Wundt, por exemplo, e na psicanálise de Sigmund Freud.
A filosofia prática de Herbart se caracteriza pelo fato de os juízos morais serem interpretados como julgamentos estéticos particulares. Os juízos morais expressam aprovação ou reprovação com base nas manifestações da vontade. As ideias morais não passam de juízos estéticos com base nas manifestações elementares da vontade. Os juízos morais da vida cotidiana podem ser corrigidos em função de ideias éticas de perfeição, de liberdade interior, de boa vontade, de direito e de equidade.”
“No início de 1809, foi chamado à Universidade de Königsberg para tornar–se o segundo sucessor de Immanuel Kant. Königsberg queria um filósofo de alto nível científico que fosse, também, um especialista da pedagogia.”
“Herbart distingue entre educação (Erziehung, em latim educatio) e instrução (Unterricht, em latim instructio). A educação se preocupa em formar o caráter e aprimorar o ser humano. A instrução veicula uma representação do mundo, transmite conhecimentos novos, aperfeiçoa aptidões preexistentes e faz despontar capacidades úteis.”
“Se tivesse sido completado, o sistema pedagógico de Herbart se comporia, assim, de duas partes ligadas (vinculadas), respectivamente, à ética e à psicologia. As duas partes podem ser desenvolvidas tanto analiticamente (partindo da experiência pedagógica) quanto sinteticamente (partindo de princípios filosóficos).”
“No início, Herbart tinha tentado exercer uma influência direta sobre o desenvolvimento do caráter de seus alunos. Logo, porém, constata, ao menos em relação a Ludwig que já estava, então, com 14 anos, que não teria o sucesso esperado. Disto concluiu que deveria doravante ‘dirigir-se ao entendimento de Ludwig’. Era a única maneira de afastar o perigo de ver as disposições (de modo algum más) de Ludwig se congelarem em um ‘egoísmo sábio (sensato, cauteloso), refletido e obstinado (persistente)’. Segue-se, então, o que se pode considerar como a primeira descrição da instrução educativa. Em Ludwig, a única oportunidade que se poderia ainda jogar para formar seu caráter seria
seu entendimento enquanto capacidade passiva de apreender aquilo que lhe é apresentado lentamente (vagarosamente) após tê-lo bem preparado e a esperança de que esta fraca centelha fará um dia surgir a reflexão autônoma ativa e a aspiração de viver conforme os seus ensinamentos. (Herbart, Os Relatórios para Karl Friedrich Steiger, p. 23.)”
“Herbart inculcou em seus alunos capacidades linguísticas surpreendentes, assim como um excelente conhecimento de história e de literatura clássica da Antiguidade. Deu-lhes uma bagagem matemática sólida e até, um feito extraordinário para a época em torno de 1800, uma iniciação aos métodos experimentais das ciências da natureza que estavam se constituindo. No entanto, esta instrução não era educativa apenas porque Herbart sempre subordinou os múltiplos fins do ensino estético e literário e do ensino matemático e científico à formação do caráter.”
“Este encaminhamento da educação moral encontra sua justificativa na psicologia de Herbart, sobrepondo-a à mais antiga psicologia das faculdades [Kant?]. (…) A força de vontade e a constância do comportamento são vistas como fenômenos que se explicam pela estabilidade das estruturas cognitivas. Inversamente, a falta de seriedade e a incoerência do comportamento se devem ao fato de contextos de comportamento do mesmo tipo receberem interpretações diferentes.”
“O interesse, como o desejo, é considerado como uma atividade mental, embora de intensidade menor. O interesse cria as primeiras ligações entre o sujeito e o objeto e determina, assim, o ‘horizonte’ do homem como campo daquilo que ele percebe ou não do mundo. Ao contrário do desejo, que pode ser aumentado pelo interesse, o interesse não dispõe ainda de seus objetos.”
“Um interesse no qual nenhum aspecto particular teria se desenvolvido, permanece em um estado bruto. Um interesse em que apenas aspectos isolados são desenvolvidos permanece unilateral. O interesse múltiplo (polivalente) é aquele no qual todos os aspectos se harmonizam, formando um todo. Isso tudo não deve variar segundo os indivíduos. Ao contrário, os interesses respectivos múltiplos devem se harmonizar de tal modo que cada indivíduo seja receptivo a todas as formas de atividade que caracterizam o homem como um ser espiritual. Com essa noção de interesse múltiplo (polivalente), Herbart adere à concepção de humanismo corrente à sua época.”
“Herbart menciona 6 orientações do espírito humano (do humanismo) [teste vocacional? haha]: no âmbito do conhecimento, distingue um interesse empírico, um interesse especulativo e um interesse estético; no âmbito das relações humanas (‘simpatia’), ele opõe o interesse voltado aos indivíduos aos interesses sociais e ao interesse religioso. Com sua fórmula de ‘interesse múltiplo’, Herbart traduziu a expressão consagrada em sua época ‘desenvolvimento harmonioso das forças humanas’, na linguagem de sua própria psicologia.”
“apenas um interesse permanente permite ampliar constantemente e sem esforço o círculo de idéias, de explorar o mundo e estimular uma simpatia calorosa pelo destino do outro. Assim, o ‘pecado capital do ensino’ é o tédio.”
“No início, o ensino tem uma missão específica de apresentar aos olhos das crianças, com base na poesia, relações humanas tão simples quanto possível. Quando havia um interesse suficiente para as línguas antigas, Herbart começava a formação estético-literária pela leitura de Homero, especialmente da Odisséia. Contudo, esta iniciação às línguas antigas servia, inicialmente, para apresentar as relações humanas e, só depois, para ensinar a língua.
A iniciação às matemáticas também era orientada para a formação do caráter, embora isso estivesse longe de ser seu fim exclusivo. Em seu tratado de 1802, A ideia de um ABC da intuição de Pestalozzi, Herbart esboçou não apenas um programa de iniciação às matemáticas ultramoderno para sua época, mas também respondeu à questão de saber em que o ‘ensino’ das matemáticas deve contribuir para a ‘educação’. Não é somente pela sua utilidade prática ou sua importância tecnológica que as matemáticas devem figurar no programa, mas, sobretudo, porque é um meio de exercer a atenção.”
“A disposição à atenção não deve, contudo, ser desenvolvida em contato com os objetos da arte ou da literatura. Com efeito, se os exercícios de atenção estivessem apoiados nas relações humanas, eles destruiriam todo sentimento de simpatia pelas personagens apresentadas; pela mesma razão, a instrução religiosa não constitui um quadro (situação) conveniente aos exercícios de atenção.” De acordo. Nada há nos números que possa estragá-los. Mas focar-se excessivamente nas personalidades romanescas e heróicas e sobretudo em Deus corrompe o homem-em-miniatura.
“Uma tal representação do mundo, de todas as suas partes e de todas as épocas conhecidas, visando impedir as más impressões de um meio desfavorável, poderia com razão ser tomada como o principal objeto da educação, no qual a disciplina, que desperta o desejo ao mesmo tempo em que o domina, só serviria como preparação necessária.” A disciplina nada é em e por si mesma.
“Herbart não exclui a possibilidade, ou a utilidade, de um ensino não-educativo. Na sua Pedagogia geral, afirma: ‘E confesso que não posso conceber educação sem a instrução; ao contrário, não reconheço nenhuma instrução que não seja educativa’”
“Em um texto circunstancial de 1818 intitulado Avaliação pedagógica de classes escolares, Herbart fez, mais uma vez, uma excelente exposição sobre as características da instrução educativa que a distingue do ensino tradicional¹ tanto pela escolha de seus objetivos quanto dos seus meios. O ensino tradicional tinha por finalidade inculcar no aluno o máximo de conhecimentos e de competências (saber-fazer) úteis. Seu objetivo era o ‘treinamento’ e a ‘qualificação’ do aprendiz.” E cá estamos nós de novo na hipervalorização das escolas técnicas…
¹ Muito distante do ensino antigo, no entanto.
“o homem que percorreu o mundo por terra ou por mar poderia cansar-se dela, e é justamente o desgosto pelas coisas e pelas ocupações e o aborrecimento que constituem esta depravação e esta indiferença que são o adversário, e até o inimigo mais cruel, da cultura e do interesse. (…) Qualquer um que entenda outra coisa pela palavra cultura poderá conservar seu vocabulário, mas suas ideias deverão ser banidas da pedagogia.”
“O treinamento e as qualificações podem ser obtidos pelo constrangimento ou pela autodisciplina, enquanto que o desenvolvimento do interesse múltiplo não pode ser outra coisa a não ser o fruto de uma motivação interna. O interesse do aluno é o fio de Ariadne ao longo do qual a instrução educativa avança regularmente”
“A Pedagogia geral de 1806 é fundada na experiência do preceptor que, mesmo após ter deixado Berna, a colocou sempre à prova em seu ensino privado. O ponto de vista de um preceptor é, todavia, diferente daquele de um mestre-escola. É possível que a instrução educativa dê excelentes resultados num quadro familiar, mas fracasse nas condições mais difíceis da vida escolar.” Não só possível, como provável e quase certo.
“O único meio de refutar a objeção consiste em mostrar, pela experiência, que uma instrução educativa escolar pode também ser bem-sucedida.”
“Entre minhas ocupações, o ensino da pedagogia me é particularmente caro. Mas isso exige mais do que um simples ensino; é necessário, também, que ele se torne o objeto de demonstrações e de exercícios. Além do mais, eu queria prolongar a série de experiências realizadas por quase dez anos. É por isso que considero, já há algum tempo, a possibilidade de eu mesmo dar uma hora de ensino a um pequeno grupo de meninos convenientemente escolhidos, por volta de uma hora por dia, na presença de jovens que seriam familiarizados com minha pedagogia e que poderiam, pouco a pouco, tentar, diante de mim, revezar comigo a aula e prosseguir o que eu havia começado. Dessa forma, seriam progressivamente formados mestres cujo método deveria se aperfeiçoar graças à observação mútua e à troca de experiências. Sabendo-se que um programa não é nada sem mestres, e por isto entendo mestres imbuídos do espírito deste programa e tendo adquirido o domínio do método, uma pequena escola experimental tal como eu imagino poderia ser a melhor preparação para um dispositivo futuro de maior envergadura. Conforme diz Kant, primeiro escolas experimentais, depois escolas normais.”
“A proposta de Herbart encontrou acolhida favorável na Prússia de 1809: a reforma do sistema educativo era considerada parte integrante da reforma de todo o sistema político que vinha sendo empreendida. Por meio de reformas internas, esforçava-se por compensar as perdas infligidas por Napoleão à Prússia na batalha de Iena e Auerstedt em 14 de Outubro de 1806. A reforma educacional prussiana foi conduzida vigorosamente em 1809 e 1810 por Wilhelm von Humboldt.”
“O ensino das matemáticas e das ciências naturais iniciava-se com exercícios de percepção. A estes se seguiam a geometria, a álgebra, a teoria dos logaritmos e, finalmente, o cálculo diferencial e integral.¹ Nesses dois ramos [poesia e matemáticas] foram enxertadas (acrescentadas) a religião, as narrativas históricas, a gramática e as ciências naturais.”
¹ Tá doido porra?! Ensinar cálculo no ciclo básico?
“No geral, Herbart pensa ter provado que seu método era independente de sua pessoa e que, mesmo nas condições mais difíceis do ensino público, por assim dizer, reformado, ele poderia ser posto em prática.”
“Para o ensino da literatura, a escola primária superior se distingue do liceu à medida que abandona as línguas antigas.” Não entendi nada? O que é ensino fundamental e médio nessas nomenclaturas?
“Segundo Herbart, a instrução educativa que parte de uma língua antiga faz um ‘détour’ que ele recomenda vivamente para os [poucos] espíritos mais brilhantes.”
“O caráter aristocrático do liceu, tal como o concebe Herbart, é inegável.” Liceu = ginásio = ensino médio?
Hoje nem mesmo o doutorado chega a ser aristocrático.
“As ideias reformadoras de Herbart não ganharam aceitação na Prússia de seu tempo. A Restauração superou o ‘élan’ reformador que havia prevalecido de 1809 a 1813. [Malditos monarcas!] Havia disposição em recrutar professores para cuja formação Herbart tinha contribuído, mas eles tinham que submeter-se a programas concebidos com objetivos diferentes dos seus. Não se considerava mais, se é que alguém já o havia feito, reformar os programas escolares no espírito do programa da instrução educativa. Também o método desenvolvido por Herbart para os liceus nunca foi adotado em nível nacional.”
“O Esboço de lições pedagógicas não se limita apenas a considerações isoladas e, inevitavelmente, incompletas. Ele revela a concepção global da pedagogia que Herbart havia exposto em sua introdução à Pedagogia geral, mas que não havia desenvolvido a não ser pela metade nesta sua obra de início de carreira.”
“Aquele que aprende para ganhar a vida e fazer seu caminho ou para se divertir não se põe a questão de saber se ele se tornará melhor ou pior. Dessa forma, tem a intenção de aprender isto ou aquilo, seja o fim bom, mau ou indiferente, e ficará satisfeito com todo mestre que lhe inculque o saber-fazer requerido tuto, cito, iucunde.”
“Além disso, o Esboço aborda problemas de método trazidos pelo ensino de algumas matérias”
“Apesar disso, o Esboço não vai além do que promete seu título escolhido com precisão: renunciando à discussão aprofundada desejável, Herbart se limita a delinear problemas e possíveis soluções.” Morreu antes das “Lições pedagógicas completas”.
“Teve, certamente, êxito em elaborar seu sistema filosófico e desenvolver seu método pedagógico tanto no plano teórico quanto no prático, mas suas principais obras filosóficas não tiveram a repercussão esperada. Herbart, particularmente, lamentava que sua psicologia matemática tivesse sido quase completamente ignorada pelos seus colegas filósofos.”
“É tanto mais surpreendente de ver que após a morte de Herbart sua pedagogia marcou profundamente as orientações de um movimento pedagógico ao qual se deu o nome de herbartismo. Este é implantado e se desenvolve no seio das universidades de Leipzig, Iena e Viena, contribuindo de maneira decisiva na formação do crescente grupo profissional de professores. É então que surgem associações e revistas dedicadas à pedagogia de Herbart. Convém mencionar, em especial, a Associação de Pedagogia Científica criada em Leipzig em 1868 e sua revista anual. São incontáveis as publicações sobre a filosofia e a pedagogia de Herbart.”
“em 1895 a Pedagogia geral surge em Paris em tradução francesa e, em 1898, em Londres e Boston a tradução inglesa.”
“Pouco a pouco, a reforma pedagógica do início do século XX excluirá o herbartismo e a pedagogia de Herbart foi gradualmente ameaçada de cair no esquecimento. (…) não foi somente na Alemanha que a reforma pedagógica do sistema escolar foi elaborada em oposição ao herbartismo. Como não se conhecia mais o primeiro Herbart, poder-se-ia ver nele o campeão de uma ‘escola livresca’ onde os alunos repetem as palavras do mestre sem poder chegar a uma experiência pessoal de aprendizagem. Critica-se Herbart de ter querido formar os espíritos pela ação externa, inculcando-lhes conteúdos educativos vindos de fora (ver, por exemplo, John Dewey, em Democracia e Educação, capítulo 6). [Ah, John! Tsc…] Herbart teria ignorado a presença de funções ativas na mente humana. As objeções deste tipo, justificadas em face dos excessos do herbartismo, ameaçaram lançar no descrédito o próprio Herbart. Sua doutrina da instrução educativa tinha se tornado incompreensível. Esqueceu-se que a instrução educativa tinha a experiência do aluno como função central e o interesse do aluno, traço de sua atividade mental própria, não apenas como fim, mas como o meio mais importante da instrução educativa.” “a pedagogia de Dewey é, efetivamente, em muitos aspectos, diametralmente oposta à de Herbart.”
“A partir dos anos 1950, verifica-se na Alemanha e em países vizinhos um renascimento da admiração por Herbart. [Como toda moda neste mundo, vai e volta.] Seus protagonistas tomaram distância em relação à imagem deformada passada pelos proponentes do herbartismo e de sua doutrina original e querem reencontrar o caminho do ‘Herbart vivo’ (H. Nohl). O meio de chegar a isso consistiria em renunciar à filosofia de Herbart enquanto fundamento dedutivo de sua pedagogia. Dever-se-ia, ao contrário, considerar a pedagogia como uma ciência relativamente independente da filosofia.”
TRECHOS SELECIONADOS
(*) “No Brasil nenhuma das obras de Herbart chegou a ser publicada, em que pese a importância das suas proposições acerca do fenômeno educativo no debate educacional havido na Europa, no século XIX.”
(*) “No período pós-guerra, quando o pensamento de Herbart começa a ser novamente resgatado na Europa, temos, no Brasil, a disseminação e o fortalecimento do escolanovismo entre os educadores, devido, principalmente, a ação dos ‘pioneiros’ da educação dentre os quais se destaca Lourenço Filho que teve uma atuação fundamental para que se difundisse entre nós a psicologia como base da educação.”
(*) “No Brasil os passos formais foram os poucos elementos de sua didática, mais aceitos e divulgados.”
(*) “No que toca à psicologia, a posição metafísica de Herbart radica-o na corrente do associacionismo, na qual encontramos a figura de David Hume, importante para Herbart como, por outros motivos filosóficos, o foi para Kant. A psicologia de Herbart não é, com efeito, aristotélica: a psicologia herbartiana não consiste no estudo da alma. Também não contempla, por conseguinte, o estudo das faculdades da alma, dado não existirem tais faculdades […] A psicologia é algo como uma física do mundo da psique.”
(*) “A antologia que se segue foi organizada a partir de 4 temas gerais, estabelecidos com base nas principais contribuições de Herbart para a pedagogia do seu tempo e da atualidade, presentes na obra Pedagogia geral derivada das finalidades da educação: a educação e a pedagogia, o ensino educativo, a psicologia educacional, e os educadores.”
* * *
Seleção muito ruim, com parágrafos soltos que não fazem sentido… Esses três quartos da obra que seguem são dispensáveis. Tudo de que se necessitava era de uma introdução ao pensador. Economizar-se-ia tinta, papel e paciência. E o que é pior: essa verdadeira MUTILAÇÃO CONTEXTUAL pode estragar o autor aos olhos dos incautos.
“Os educadores não param de se lamentar sobre o modo como as circunstâncias os afetaram negativamente, e ainda relativamente aos empregados, aos parentes, aos companheiros, ao instinto sexual e à universidade!”
“uma boa cabeça encontra o seu melhor mestre na sua autossuficiência, na sua participação e no seu gosto, para em determinada altura ser capaz de se acomodar às convenções da sociedade, conforme quiser.”
“Um mestre de escola da aldeia nonagenário tem a experiência de noventa anos de vida rotineira, tem o sentido do seu longo esforço, mas será que também tem o sentido crítico dos seus resultados e do seu método?”
“Os resíduos das experiências pedagógicas são os erros cometidos pelo educando na idade adulta”
“No longo percurso da juventude há tantos e tão variados momentos, cada um dos quais afetando por si fortemente a alma, que mesmo o mais forte pode ser subjugado, se com o tempo se não multiplicar ou for renovado em numerosas outras manifestações.”
“Daí o aviso: não educar demais – é preciso evitar o emprego desnecessário do poder, através do qual se dobra e redobra, se domina o ânimo e se perturba a alegria. Perturbam-se igualmente as futuras recordações alegres da infância e a alegre gratidão, que é a única forma autêntica de gratidão”
“Rousseau queria, pelo menos, endurecer o seu educando. Ele definira para si mesmo um determinado ponto de vista, ao qual permaneceu fiel. Ele segue a natureza. Mediante a educação deverá garantir-se um desenvolvimento livre e alegre de todas as manifestações da vida vegetativa humana, desde a primeira infância ao matrimônio. A vida é o ofício que ele ensina. E, no entanto, vemos que ele aprova a máxima do nosso poeta: ‘A vida não é o bem supremo!’, pois sacrifica em pensamento toda a vida particular do educador, que se dedica a companheiro constante do jovem! (…) Mas será simplesmente viver assim tão difícil para o homem? Julgávamos que a planta humana se assemelhava à rosa: assim como a rainha das flores é a flor que menos preocupa o jardineiro, também o homem seria capaz de crescer em qualquer ambiente, de se alimentar de toda a espécie de alimentos, de aprender mais facilmente, de se servir de tudo e de tirar vantagem.”
“Quem, porventura, melhor sabe como comportar-se em sociedade é o educando de Locke. Aqui o mais importante é o convencional. Depois de Locke já não será preciso escrever um livro sobre educação para os pais que destinam os seus filhos à sociedade. O que quer que acrescentasse degeneraria, provavelmente, em artificialidade. Comprai por qualquer preço um homem grave, ‘de boas maneiras, que conheça as regras de cortesia e de conveniência com todas as variações resultantes da diferença das pessoas, dos tempos e dos lugares, capaz de orientar constantemente o seu educando, na medida em que a idade deste o permita, no cumprimento destas coisas’. Aqui, é forçoso uma pessoa calar-se. Seria totalmente inútil argumentar contra a vontade de verdadeiros homens de sociedade, de querer converter igualmente os seus filhos em homens de sociedade, uma vez que esta vontade se constitui em virtude das impressões da realidade, sendo confirmada e reforçada através de novas impressões a cada novo momento. Bem podem pregadores, poetas e filósofos transpor para prosa e verso toda e qualquer consagração, leviandade ou formalidade, porque um simples olhar em redor desfaz qualquer efeito, acabando essas pessoas por parecerem atores ou sonhadores.”
“Poder-se-ia pôr em dúvida, se este capítulo faz ou não efetivamente parte da pedagogia ou se não se deveria incluí-lo nas seções da filosofia prática, que na realidade tratam do governo, uma vez que é seguramente diferente de base a preocupação pela formação intelectual daquela que se limita a querer manter a ordem. E se a primeira tem o nome de educação, se precisa de artistas especiais que são os educadores, se ao fim e ao cabo qualquer arte tem de ser separada de todas as ocupações secundárias heterogêneas para que se chegue à perfeição mediante a força concentrada do gênio, não poderá desejar-se menos à boa causa em questão, bem como ao rigor dos conceitos, que se retire o governo das crianças àqueles a quem cabe penetrar com seu olhar e com sua ação no íntimo das almas.”
“Um governo que se satisfaça sem educar destrói a alma, e uma educação que não se ocupe da desordem das crianças, não conheceria as próprias crianças.”
“Primeiro, não se desenvolve na criança uma autêntica vontade capaz de tomar decisões, mas tão somente um ímpeto selvagem que a arrasta para aqui e para ali que é de si um princípio de desordem:, contrariando as disposições dos adultos e, inclusivamente, capaz de pôr em perigo de vária ordem a pessoa futura da própria criança. Esta impetuosidade tem de ser subjugada, senão a desordem terá de ser atribuída como culpa aos que tratam da criança. A submissão processa-se através do poder e o poder tem de ser suficientemente forte e repetir-se as vezes que forem necessárias para ter completo êxito, antes que se manifestem na criança os traços de uma vontade própria.”
“O adulto e aquele que chegou à idade da razão assumem naturalmente com o tempo governarem-se a si próprios. Existem, porém, também pessoas que nunca atingem esse ponto. A estas é a sociedade que as mantém sob tutela, designando-as de loucas ou de dissipadoras. Existem também aqueles que formam em si uma vontade contrária à sociabilidade e a sociedade encontra-se com eles numa disputa inevitável, acabando finalmente por submeter-se ao que é justo em relação a elas.”
“O amor não aprova hesitações, nem tampouco espera por imperativos categóricos”
“No ensino há sempre qualquer coisa de terceiro, com que o professor e aluno estão simultaneamente ocupados, ao passo que em todas as outras preocupações da educação é o educando que está diretamente na mente do educador, como o ser em que tem que atuar e que, em relação a si próprio, se deve manter passivo”
Tradução de “PLATÓN. Obras Completas (trad. espanhola do grego de Patricio de Azcárate, 1875), Ed. Epicureum (digital)”.
“SÓCRATES. — Pois bem, não te parece que a oração exige muita prudência, porque, sem sabê-lo, podem pedir-se aos deuses grandes males, crendo pedir-se-lhes bens, e os deuses não se encontrar em disposição de conceder o que se lhes pede? Por exemplo, Édipo pediu-lhes num arrebato de cólera que seus filhos decidissem com a espada seus direitos hereditários e, quando devia pedir aos deuses que o livrassem das desgraças de que era vítima, atraiu sobre si outras novas; porque foram escutados os seus rogos, e daí vieram essas enormes e terríveis calamidades, que não necessito te referir em pormenor.”
“SÓCRATES. — Te pergunto se te parece imprescindível que todo homem seja sensato ou insensato. Ou se há um terceiro estágio intermediário, no qual não se é sensato nem insensato.”
“todos são artesãos mas nem todos são arquitetos, sapateiros ou estatuários, por mais que em conjunto sejam todos artesãos. (…) Da mesma forma, os homens dividiram a loucura. Ao ponto mais alto da loucura denominamos delírio, e em um grau menor, estupidez ou imbecilidade. Mas aqueles que querem empregar palavras decorosas chamam os homens que deliram de exaltados, e os imbecis ou estúpidos de simplórios; para outros, são gente sem malícia, sem experiência, crianças.”
“Arquelau, rei da Macedônia, tinha um favorito que amava com paixão; este favorito, mais apaixonado pelo trono do que estava Arquelau por ele, matou-o para reinar em seu lugar,(*) lisonjeando-se de que desde aquele momento seria um homem feliz; mas desfrutou sua tirania apenas 3 ou 4 dias, quando sucumbiu vítima das tramóias que consolidaram contra ele outros ambiciosos.
(*) Platão incorre aqui em um anacronismo; [voluntário] Sócrates, tendo morrido antes de Arquelau, não podia ter descrito o fim deste rei.”
“E o que eu digo das honras digo igualmente dos filhos. Quantos não vimos que, depois de pedir com insistência aos deuses para ter uma sucessão, e tê-la obtido, com isso atraíram sobre si as desgraças e os tormentos mais cruéis! Uns, por terem tido filhos radicalmente viciosos, passaram o resto de suas vidas em dor; outros, que tiveram bons filhos, não foram por isso mais felizes, porque sua própria morte sobrevindo-lhes apenas após a morte de seus próprios descendentes, esses pais teriam preferido que seus filhos nunca tivessem nascido.”
“<Poderoso Júpiter, dá-nos bens, peçamo-te-os ou não; e afasta de nós os males, ainda quando te os peçamos.> Esta oração me parece muito preciosa e segura.”
“toda poesia é naturalmente enigmática, e não é fácil a um qualquer penetrar em seu sentido. E, além de sua natureza enigmática, se a poesia tem por órgão um poeta envaidecido com seu saber, e que em vez de revelar-no-lo procura ocultá-lo, então é quase impossível penetrar seu pensamento.”
“Estando os atenienses em guerra com os espartanos, calhou de aqueles terem sido sempre vencidos em todos os combates realizados por mar e por terra, sem terem podido conseguir jamais a superioridade.”
“gastamos no culto, nós sozinhos, mais que todos os outros gregos juntos. Os espartanos, pelo contrário, nunca desperdiçam assim seu dinheiro; são tão avaros para com seus deuses que lhes oferecem sempre vítimas mutiladas, e estão sempre gastando muito menos que os atenienses em termos de religião, por mais que sejam mais ricos. (…) Mas eis aqui o que Ámon(*) responde às objeções atenienses: <estimo mais as bênçãos dos espartanos do que todos os sacrifícios dos atenienses>. Então o profeta se calou.
(*) Sacerdote tebano do deus egípcio.”
“<Enquanto construíam um forte, os troianos ofereciam aos imortais grandes hecatombes, e os ventos levavam da terra ao céu um odor agradável; e contudo os deuses se negaram a apreciá-lo, porque tinham aversão à cidade de Tróia, a Príamo e ao povo deste rei hábil no manejo da lança.>
“«C’est déjà du passé», dit-il de tout ce qu’il accomplit, dans l’instant même de l’acte” “Le mal, le vrai mal est pourtant derrière, non devant nous. C’est ce qui a échappée au Christ, c’est ce qu’a saisi le Bouddha”
“Pode-se suportar qualquer verdade, por mais destrutiva que ela seja, contanto que ela abarque tudo, e que ela contenha tanta vitalidade quanto fosse a esperança depositada naquilo que ela substituiu”
“Não se deve constringir a uma obra, mas tão-só dizer qualquer coisa que se pudesse murmurar ao pé-do-ouvido de um bêbado ou um moribundo.”
“Se indignar contra a hereditariedade é se indignar contra bilhões de anos, contra a primeira célula.”
“Jamais em gratidão no imediato, não me seduz senão o que me precede, senão o que me afasta daqui, os instantes sem-número em que não fui: o não-nascido.”
“Necessidades de desonra física. Teria amado ser filho de carrasco.”
“Não posso tolerar que se inquietem de minha saúde.”
“Desfazer, descriar, é a única tarefa que o homem pode se subscrever, se ele aspira, como tudo indica, a se distinguir do Criador.” Um niilista passivo que não crê na possibilidade de voltar a criar (Zaratustra, etc.).
“Ter cometido todos os crimes, menos o de ser pai.”
“<Não posso te encontrar no teu futuro. Não temos um só instante que nos seja comum.> É que pra ele a conjunção do futuro já está lá.”
“se eu conseguisse de um jeito ou de outro resolver a questão do ser ou nada, ainda assim pereceria de saúde.”
“Minha faculdade de ser decepcionado ultrapassa o entendimento. É ela que me faz compreender o Buda, mas é ela também que me impede de segui-lo.”
“Aquilo pelo que não podemos mais nos penalizar, não conta e não existe mais. Percebe-se por que nosso passado cessa tão-logo de nos pertencer ao tomar a forma de história, de algo que não tem nada a ver com ninguém.”
presença mútua muda que nada muda
“O verdadeiro contato entre os seres não se estabelece senão pela presença muda, pela aparente não-comunicação, pela troca misteriosa e sem palavras que lembra a reza interior.”
“O que eu sei aos 60, sabia tão bem aos 20. Quarenta anos de um longo, de um supérfluo trabalho de verificação…”
“De que tudo seja desprovido de consistência, de fundamento, de justificação, estou de ordinário tão convencido que aquele que ousasse me contradizer, fosse ele o homem que mais estimo, me apareceria como um charlatão ou embrutecido.”
“Desde a infância eu percebia o escoamento das horas, independentes de toda referência, de todo ato e de todo evento, a disjunção do tempo daquilo que não é o tempo, sua existência autônoma, seu estatuto particular, seu império, sua tirania. Lembro-me, mais claramente impossível, desse meio-dia quando, pela primeira vez, em face do universo vazio, em que não senti nada a não ser uma fuga de instantes rebeldes no seu fado de cumprir sua própria e única função, fugir. O tempo se descolava do ser às minhas expensas.”
“À diferença de Jó, eu não maldisse o dia do meu nascimento; os outros dias, em compensação, eu os cobri todos de anátemas…”
“Se a morte só tivesse lados negativos, morrer seria um ato impraticável.”
“Estar em vida – de repente sou afetado pela estranheza dessa expressão, como se ela não se aplicasse a ninguém.”
“Toda vez que as coisas não estão indo e que tenho pena do meu cérebro, sou tomado por uma irresistível vontade de proclamar. É então que descubro de que patéticos abismos surgem os reformadores, profetas e messias.”
“Se na lucidez entram tantas ambigüidades e problemas, é que eles são o resultado de um mau uso de nossa vigília.”
“A fixação da nascença, nos transportando para antes do nosso passado, nos faz perder o gosto do futuro, do presente e do passado mesmo.”
“Raros são os dias em que, projetado na pós-história, não assisto à hilaridade dos deuses ao sair do episódio humano. § É preciso uma visão de mudança, quando a do Juízo Final não satisfaz mais ninguém.”
“Frustração do resultado. Jamais evadir-se do possível, luxuriar-se na indecisão eterna, esquecer de nascer.”
“A única, verdadeira desgraça: aquela de ver o dia. Ela remonta à agressividade, ao princípio de expansão e de fúria contidos nas origens, ao ímpeto rumo ao pior, que os sacode.” Minha interpretação: de ver odia significa de ver o nascer do dia. Um novo dia é quando, mais uma vez, os seres se lançam em seus afazeres e ocupações. Toda a impressão escatológica do filósofo insone se dissipa no barulho e movimento da cidade e do cotidiano. Toda origem é uma liberação de energia, mesmo nas ciências empíricas, que chegam à especulação do início do devir num big bang ou singularidade de expansão ainda em curso a partir de um ponto impossível, de densidade infinita. O ato de criação, se é que pode haver uma cultura que não o supervalorize, é supervalorizado pela cultura do Ocidente. A física moderna, que equivale toda ação a energia vê na criação a entrada em atividade de todo o potencial de energia do marco zero até o fim dos tempos, pois não pode fugir da preconcepção da termodinâmica, da não-criação após esse começo, da dissipação lentíssima, gradual porém absoluta, dessa energia ao longo de uma quantidade abstrata, virtualmente infinita, de tempo. O ser humano como passivo e rendido a esse processo. Todo novo dia acordamos sabendo de antemão que iremos lidar com novos conflitos e gastos energéticos. Todo elevar do sol no horizonte é uma decadência do homem.
“Quando pessoas se revêem após longos anos, dever-se-iam sentar um diante do outro e não se dizer nada durante várias horas, a fim de que, graças ao silêncio, a consternação possa se saborear a ela mesma.”
maturidade desapego vitória esterilidade? festa festejar agradecer gratidão deixar-se invadir desprezo mau humor bile bills contas destruição de sete universos contra tebas complexo enredo trágico tenacidade já nessa idade circular canalha remordedora remorsura do inteleito baba de vaca mastiga as intrigas rumar a um novo ar impossível formatar grr
“Sou requisitado pela filosofia hindu, cujo propósito essencial é soterrar o eu; e tudo que eu faço e tudo em que eu penso é no eu e na desgraça do eu.”
“Enquanto agimos, temos uma meta; a ação terminada, esta não tem para nós mais nada de real que a própria meta que buscávamos. Logo, nada havia de bem nisso tudo, era só parte do jogo. Há quem tenha consciência desse jogo enquanto a ação transcorre: esse tipo de homem vive a conclusão já nas premissas, realiza-a virtualmente, degrada o sério a partir do fato mesmo de sua existência.”
“Toda vertigem ou agonia não é senão uma experiência metafísica abortada.”
A gente mete-se à besta de querer sondar e afrontar abismos inexauríveis, inextinguíveis… O que isso poderia fazer, matar?! [Claquete.] [Risadas.]
I am a losing shadow. Under the light of the last happenings I say that nothing utters to exist. Actually, I’d say not
with
standing
the nausea we
live now
and see
the sea
and other things
without pointing
blamelessly
our
thing…ers
fingers
stranger thingers
tinkerman?
people are immense
just like the doors of perception
one more verse and
two more
deceptions
“esse evento, crucial para mim, é inexistente, aliás, inconcebível sequer, para o resto dos seres, para todos os demais seres. Salvo para Deus, se essa palavra pode ter um sentido.”
Se tudo é fútil, nem mesmo tudo é fútil.
Um rei jamais entenderia que tudo é igual debaixo do sol.
“Eu reajo exatamente como todo mundo e mesmo como aqueles que eu mais menosprezo; mas ao menos eu compenso deplorando-me a cada ato que cometo, bom ou mau.”
COMO PODE?
Se eu sou exatamente a soma de todas as sensações evaporadas que não estão mais aqui (em mim), onde é eu–?
“A clarividência é o único vício que torna livre – livre num deserto.”
“À medida que os anos passam, o número daqueles com quem se pode conversar decresce. Quando não houver mais ninguém a que se dirigir, finalmente ser-se-á como se era antes de recair sob um nome.”
PLATÃO NÃO PROSAVA
“Quando a gente se recusa ao lirismo, <sangrar> uma página se torna uma provação: pra quê escrever bem para dizer exatamente o que se tem a dizer?”
“É impossível aceitar ser julgado por qualquer um que sofreu menos que nós. E como cada qual se crê um Jó ignorado…”
“Se o paraíso fosse suportável, o primeiro homem ali teria se acomodado. Mas esse mundo também não o é mais.” Seria preciso um paraíso dessa nova versão de paraíso para ver se dessa vez as coisas iriam funcionar (a terra?)…
“Aqueles que possuem saúde não estão conscientes disso, caso contrário significa que já é uma saúde comprometida ou em vias de se comprometer. Como ninguém tira proveito, portanto, de sua ausência de deficiências, podemos falar, sem exagero algum, de uma punição justa dos saudáveis.”
“Alguns sofrem de infortúnios; outros de obsessões. Quais são os mais dignos de simpatia?”
la vida es [nir]vana
“O que é uma crucificação única comparada à crucificação cotidiana que suporta o insone?”
“J’étais ivre de mille évidences inattendues, dont je ne savais que faire…”
“Seria ótimo que nos preferíssemos ao universo, no entanto nós nos odiamos muito mais do que imaginamos. Se o sábio é uma aparição tão insólita, é porque ele parece engatilhado pela aversão que, tanto quanto por todos os demais homens, ele é obrigado a cultivar por si mesmo.”
Só a visão do fracasso nos aproxima de Deus (seria a visão que Deus tem de nós). O sucesso apenas aliena e nos corta de nossa própria intimidade.
“À medida que a gente acumula os anos, se forma uma imagem mais e mais sombria do futuro. Seria só para se consolar de ser excluída? Sim em aparência, não de fato, porque o futuro sempre foi atroz, sem poder o homem remediar seus males a não ser agravando-os, de sorte que a cada época a existência é bem mais tolerável antes de encontrada a solução às dificuldades do momento.”
“Nas grandes perplexidades, force-se a viver como se a história estivesse fechada e a reagir como um monstro devorado pela serenidade.”
“Se, antigamente, perante um morto, eu me perguntava: <De que serviu pra ele nascer?>, a mesma questão, agora, eu me coloco diante de qualquer ser vivo.”
“O excesso de peso que ganha a questão do nascimento não é outra coisa senão o gosto pelo insolúvel levado à insanidade.”
IM.Fucked
Entre a Pirâmide e o Necrotério.
Entre o FMI, o FBI e o IML.
“X me insulta. Eu me preparo para revidar. Reflexão feita, eu me abstenho.
Quem sou eu? Qual é meu verdadeiro eu: o da réplica ou o da recuada? Minha primeira reação é sempre enérgica; a segunda, molenga. Aquilo que se denomina <sabedoria> não é mais que uma perpétua <reflexão feita>, ou seja, a não-ação como primeiro movimento.”
“Na ansiedade e no pânico, a calma súbita ao pensamento do feto que se foi.”
“o pensamento da morte auxilia em tudo, menos a morrer!”
“A grande sorte de Nietzsche de ter terminado como terminou. Na euforia!”
“Não ter nascido, nada com que se preocupar, que felicidade, que liberdade, que espaço!”
“Se o desgosto do mundo lhe conferia a ele apenas a santidade, eu não vejo como eu poderia evitar a canonização.”
“É mais fácil avançar com vícios do que com virtudes. Os vícios se entendem uns com os outros, já as virtudes são mutuamente invejosas, se anulando na intolerância.”
“Perdoo X. por tudo, por causa de seu sorriso démodé.”
“Não é humilde quem se odeia.”
“O Tempo, fecundo em recursos, mais inventivo e mais caridoso do que se pensa, possui uma capacidade marcante de vir em nossa ajuda, de nos trazer a qualquer hora alguma nova humilhação.”
“Eu sempre cacei a paisagem de antes de Deus. Daí o meu fraco pelo Caos.”
“Decidi não mais me prender a ninguém depois que observei que eu sempre terminava por parecer com meu último inimigo.”
“Por muito tempo eu vivi com a idéia de que eu era o ser mais normal que já houve. Essa idéia me dava o gosto, a paixão, da improdutividade: qual a vantagem de se fazer valer em um mundo infestado de loucos, chafurdado na estupidez ou no delírio? Por que se desgastar e para qual fim? Só me resta saber se estou inteiramente livre dessa certeza, salvaguarda no absoluto, ruinosa no imediato.”
Não se deveria escrever livros a não ser para dizer as coisas que não se ousa confiar a ninguém.
CAPÍTULO DA TENTAÇÃO
Jesus X Diabo
Buda X Mara
“As pessoas não sabem fazer a divisão entre aqueles que pagam caro pelo menor passo em direção ao conhecimento e aqueles, incomparavelmente mais numerosos, que compartilham de uma sabedoria cômoda, indiferente, um saber sem testes ou provas de fogo.”
“Dizem, injustamente: ele não tem talento, o que ele tem é estilo.”
“Olhar sem compreender, eis o Paraíso. O Inferno, conseqüentemente, seria o lugar em que se compreende, ou se compreende demais…”
“É ao julgar sem piedade seus contemporâneos que alguém tem toda a probabilidade de fazer a figura, aos olhos da posteridade, de espírito clarividente. Na mesma machadada, esse alguém renuncia ao lado contingente da admiração, aos riscos maravilhosos que ela impõe. A admiração é uma aventura, a mais imprevisível que há, porque pode até ser que ela termine bem.”
“As idéias vêm durante a caminhada, dizia Nietzsche. A caminhada dissipa o pensar, professava Sankara. As duas teses têm fundamento, são igualmente verdadeiras, e cada um pode se assegurar em uma hora, ou quem sabe em um minuto, de suas validades…”
“Nenhuma espécie de originalidade literária é ainda possível se não se tortura, se não se tritura a linguagem. Obtém-se o contrário se se restringe à expressão da idéia como tal. Eis aí um setor onde as exigências não variaram desde os pré-socráticos.”
“Imagine como seria se um réptil metesse as patas à obra no mundo literário: reformularíamos todos os conceitos, registraríamos todas as percepções dos sentidos, as variações mais ínfimas do toque!”
“Tudo que nos pode acontecer de bom vem de nossa indolência, de nossa incapacidade para passar ao ato, para colocar em execução nossos projetos e nossos planos. É a impossibilidade ou a recusa de nos realizar que entretém nossas <virtudes>, e é a vontade de dar nosso máximo que nos conduz ao excesso e aos desarranjos.”
“Ame ser ignorado. Não se chega ao auto-contentamento sem se conformar a esse preceito.”
“O valor intrínseco dum livro não tem nada a ver com a importância do conteúdo (sem a qual os teólogos o anulariam, e de longe), mas com a maneira de abordar o acidental e insignificante, de dominar o ínfimo. O essencial nunca exigiu o menor talento.”
“A sensação de ter 10 mil anos de retardo, ou de antecipação, em relação aos outros, de pertencer aos começos ou aos estertores da humanidade…”
“A negação não nasce de um raciocínio, mas de qualquer coisa obscura e anciã. Os argumentos surgem depois, para justificá-la e sustentá-la. Todo não surge do sangue.”
“Toda vez que a morte não faz parte dos meus devaneios, tenho a impressão de estar enganando ou induzindo ao erro alguma parte de mim mesmo.”
“Há noites que nem os mais engenhosos dos torturadores seriam capazes de inventar. Sai-se às ruas em migalhas, estúpido, absolutamente desorientado, sem lembranças ou pressentimentos, e mesmo sem saber o que se é. Nessas horas é que o dia parece inútil, a luz perniciosa, e mais opressora até do que as trevas.”
“Fosse uma larva consciente, ela desbravaria exatamente as mesmas dificuldades, o mesmo gênero do insolúvel que têm de desbravar o homem.”
“É melhor ser animal que homem, inseto que animal, planta que inseto, e assim por diante. A salvação? Tudo que apequena o reino da consciência e compromete a sua supremacia.”
“Tenho todos os defeitos dos outros e, não obstante, tudo que eles fazem me parece inconcebível.”
“Julgando conforme a natureza, o homem foi feito para viver virado para o exterior. Se ele quiser ver em si mesmo, ele precisa fechar os olhos, renunciar a empreender, sair do corrente. Aquilo que se chama <vida interior> é um fenômeno tardio que só foi possível mediante uma desaceleração de nossas atividades vitais, a <alma> não podendo mais emergir nem se satisfazer a não ser às expensas do bom funcionamento dos órgãos.”
“A menor variação atmosférica compromete meus projetos, não ouso pronunciar minhas convicções. Essa forma de dependência, a mais humilhante imaginável, nunca deixa de me abater, ao mesmo tempo que ela dissipa o menor naco de ilusões que me restaria sobre minhas possibilidades de ser livre, sobre a possibilidade da própria liberdade como um todo. De que adianta se envaidecer, se se está à mercê do Úmido e do Seco? Desejaríamos antes uma escravidão menos lamentável, e deuses de outra índole.”
“Não é nem a dor de se matar, já que a gente sempre se mata tarde demais.”
“Quando se sabe de forma absoluta que tudo é irreal, também não se vê por que se fatigar provando-o.”
“O que se diria duma reza cujo objeto fosse a religião?”
“O espírito que tudo questiona e que todos atinge, depois de mil interrogações, uma apatia quase total, uma situação que o apático conhece precisamente de antemão. Por que a apatia não passa ela mesma de uma perplexidade congênita?”
“Que decepção que Epicuro, o sábio de que mais tenho precisão, tenha escrito mais de 300 tratados! E que alívio que eles tenham se perdido!”
“– O que você faz da manhã à noite?
– Eu me agüento.”
“A velhice é a autocrítica da natureza.”
“Tendo desde sempre vivido com medo de ser surpreendido pelo pior; em toda circunstância eu me esforcei por assumir a dianteira, me jogando na desgraça bem antes que ela surgisse.”
“Cada qual crê, de uma maneira inconsciente, subentenda-se, perseguir ele só a verdade, que os outros são incapazes de buscá-la e indignos de tê-la. Essa loucura é tão enraizada e tão útil que é impossível representar-se o que adviria conosco caso um dia ela desaparecesse.”
OS AFLITOS POR NATUREZA: “O primeiro pensador foi sem dúvida nenhuma o primeiro maníaco do porquê. Mania inabitual, nada contagiosa. Raros são, com efeito, aqueles que dela sofrem, que são carcomidos pela interrogação, e que não podem aceitar nenhum dado porque eles nasceram na consternação.”
“Este segundo aqui desapareceu para sempre, ele se perdeu na massa anônima do irrevogável. Ele jamais voltará. Sofro e não sofro. Tudo é único – e insignificante”
“Emily Brontë. Tudo que d‘Ela emana tem a propriedade de me comocionar. Haworth é meu lugar de peregrinagem.”
“Só Deus tem o privilégio de nos abandonar. Os homens só podem nos soltar.”
“Sem a faculdade do esquecimento, nosso passado pesaria de forma tão esmagadora sobre nosso presente que não teríamos a força de encará-lo e revivê-lo um só instante, quem dirá confrontá-lo. A vida não parece suportável senão às naturezas leves, aos esquecidos.” Quem sabe ser viciado em ler não é uma maneira extrema de esquecer quando se tem uma memória muito acima da média.
“Plotino, conta Porfírio, tinha o dom de ler as almas. Um dia, sem outro preâmbulo, ele disse a seu discípulo, grandemente surpreso, para não tentar se matar e empreender uma viagem. Porfírio partiu para a Sicília: ele se curou de sua melancolia mas, acrescenta ele repleto de arrependimento, ausentou-se assim à morte de seu mestre, que sobreveio assim que ele partira.”
“Faz tempo que os filósofos não lêem mais as almas. Não é seu métier, dir-se-á. É possível. Mas que eles não se admirem se perderem toda a relevância para nós.”
“Uma obra só existe se preparada nas sombras com atenção, com o cuidado do assassino que medita seu golpe. Nos dois casos, o que prevalece é a vontade de [a]bater.”
“O auto-conhecimento, o mais amargo dos conhecimentos, é também o menos cultivado: pra que, afinal, se surpreender da manhã à noite em flagrante delito de ilusão, rememorar sem piedade até as raízes de cada ato, perdendo causa após causa no seu próprio tribunal?”
“Todas as vezes que me dá um branco, penso na angústia que devem sentir aqueles que sabem que não se lembram mais de nada. Mas algo me diz que após certo tempo uma alegria secreta os possui, que eles não aceitariam trocar por nenhuma lembrança, mesmo a mais exaltante.”
fanático da indiferença
“Quanto mais se é submetido a impulsos contraditórios, menos se sabe a qual deles ceder. Prescindir de caráter é isso e nada mais.”
TEMPONIX, O FILHO DE NIX E CRONOS: “O tempo puro, o tempo decantado, livre de eventos, de seres e de coisas, não se assinala salvo em certos momentos da noite, quando sente-se-a avançar, com a única preocupação de preparar a gente para uma catástrofe exemplar.”
“Sentir, bruscamente, que você sabe tanto quanto Deus sobre todas as coisas e tão logo, bruscamente, ver desaparecer essa sensação.”
“Eu não amo mais que um vulcão resfriado”
“Se se pudesse ver pelos olhos dos outros, desaparecer-se-ia ato contínuo.”
“Eu dizia a um amigo italiano que os latinos são sem segredos, abertos demais, pra lá de tagarelas, e que eu prefiro as pessoas desfiguradas pela timidez, e que um escritor que não a conhece na vida não vale nada em seus escritos.<É verdade, me respondeu ele. Quando, nos livros, relatamos nossas experiências, elas carecem de intensidade e prolongamento, porque já as contamos cem vezes antes.> E a esse respeito nós ainda conversamos sobre a literatura feminina, sobre sua falta de mistério nos países onde perduraram os salões e o confessionário.”
Cesse l’ascèse!
Vient l’abscès!
“A fisionomia da pintura, da poesia, da música, daqui a um século? Ninguém pode figurar. Como após a queda de Atenas ou de Roma, uma longa pausa intervirá, devido à extenuação dos meios de expressão, assim como a extenuação da consciência ela mesma. § A humanidade, para se reconciliar com o passado, deverá se inventar uma segunda inocência, sem a qual ela não poderá jamais recomeçar as artes.”
“É impossível ler uma linha de Kleist sem pensar que ele se matou. É como se seu suicídio tivesse precedido sua obra.”
“No Oriente, os pensadores ocidentais mais curiosos, mais estranhos, nunca foram levados a sério, por causa de suas contradições. Para nós, é aí precisamente que reside a razão do interesse de que os dotamos. Não amamos um pensamento, mas as peripécias, a biografia de um pensamento, as incompatibilidades e as aberrações que nele se acham, em suma os espíritos que, não sabendo como se pôr em conformidade com os demais e muito menos consigo mesmos, mentem tanto por capricho quanto por fatalidade. Sua marca distintiva? Um naco de astúcia no trágico, um nada de jogo até no incurável…” Porém, diria que, sem paradoxo algum, nós ocidentais também apreciamos no oriental justamente as justaposições de pensamentos impossíveis emanando da suposta unidade…
“Se, nas suas Fondations, Thérèse d’Ávila [uma das principais influências de René Descartes] discorre muito tempo sobre a melancolia, é justamente porque ela a considera incurável. Os médicos, diz, nada podem, e a superior de um convento, na presença de doentes desse gênero, só tem um recurso: inspirar-lhes o medo da autoridade, ameaçá-los, despertar-lhes pavor. O método que preconiza a santa segue sendo o melhor: em face dum <depressivo>, sente-se bem que o único eficaz são pontapés, bofetadas, enfim, uma boa duma surra. E é isso mesmo que faz o <depressivo> ele mesmo quando se decide a exterminar sua melancolia: ele emprega grandes meios.”
“Com relação a qualquer ato da vida, o espírito faz o papel do estraga-prazeres.”
“Tudo que se faz me parece pernicioso, na melhor hipótese inútil. A rigor, eu posso me agitar mas não posso agir. Eu compreendo perfeitamente a expressão de Wordsworth sobre Coleridge: Atividade eterna sem ação.”
“Todas as vezes que algo me parece ainda possível, tenho a impressão de ter sido enfeitiçado.”
“A única confissão sincera é a que fazemos indiretamente – falando dos outros.”
“A consciência é bem mais que a espinha, ela é o punhal na carne.”
“Há ferocidade em todos os estados, menos no da alegria. A palavra Schadenfreude, alegria maligna, é um contra-senso. Fazer o mal é um prazer, não uma alegria. A alegria, única verdadeira vitória sobre o mundo, é pura na sua essência, ela, é, pois, irredutível ao prazer, sempre suspeito em si mesmo e nas suas manifestações.”
“Uma existência constantemente transfigurada pelo fracasso.”
“O sábio é aquele que consente com tudo, porque ele não se identifica com nada. Um oportunista sem desejos.”
“Só conheço uma visão da poesia que seja inteiramente satisfatória: é a de Emily Dickinson quando diz que, em presença de um verdadeiro poema, dela se apodera um tal frio que ela tem a impressão de que nenhum fogo poderá reaquecê-la.”
“O grande erro da natureza foi não ter sabido se confinar a um só reino. Ao lado do vegetal, tudo parece inoportuno, mal-vindo. O sol devia ter desdenhado o advento do primeiro inseto, e se mudado assim que irrompera o chimpanzé.”
“Se, à medida que se envelhece, a gente escava mais e mais o próprio passado em detrimento dos <problemas> [supostamente o presente, aquilo que vige ainda diante de nós], é sem dúvida porque é muito mais fácil remoer lembranças do que idéias.”
“Os últimos a quem perdoamos a infidelidade para conosco são aqueles que decepcionamos.”
“<Eu já era Profeta, nos adverte Maomé, quando Adão estava ainda entre a água e a argila.>
… Quando alguém não tem o orgulho de ter podido fundar uma religião – ou ao menos de arruinar uma – como é que se ousa mostrar à luz do dia?”
“Só se pode ruminar sobre a eternidade estirado num leito. Não foi ela durante um período considerável a principal preocupação dos Orientais? Não supervalorizam eles a posição horizontal?
Assim que se deita, o tempo pára de se desbordar, e de contar. A história é um produto de uma canalha vertical.
Enquanto animal vertical que é, o homem deveria adquirir o hábito de olhar diante de si, não somente para o espaço mas também para o tempo. A que lamentável origem não remonta o Devir!”
“Todo misantropo, por mais sincero que seja, lembra por momentos aquele velho poeta imobilizado em seu leito e completamente esquecido, quem, furioso contra seus contemporâneos, decretara que não mais desejava receber qualquer um. Sua mulher, por caridade, chama-o de tempos em tempos à porta.”
“Uma obra está terminada quando não se a pode melhorar, conquanto se a reconheça como insuficiente e incompleta. O autor já se esforçou tanto, encontra-se de tal forma excedido e nos seus limites, que não tem mais a coragem de mexer numa só vírgula, por mais indispensável ou supérflua que ela seja ao texto, numa milésima revisão. O que decide do grau de completude duma obra não é de forma alguma uma exigência da arte ou da verdade, mas tão-só a fadiga, e, ainda mais, o desgosto.”
“Atenção ao contraste: ao passo que exige-se um simulacro de invenção da menor frase que se deve escrever, basta um pouquinho só de atenção para entrar num texto, mesmo que difícil. Bosquejar um simples cartão-postal se aproxima mais duma atividade criativa que ler a Fenomenologia do Espírito.”
“O budismo designa a cólera <mancha do espírito>; o maniqueísmo, <raiz da árvore da morte>. Eu sei. Mas do que isso me serve?”
“Ela me era completamente indiferente. Pensando, de repente, depois de tantos anos, que, acontecesse o que acontecesse, eu não a veria de novo, faltou pouco para eu ter um troço. Não compreendemos o que é a morte se não lembramos, de supetão, da figura de alguém que nada significou para nós.”
“À medida que a arte se afunda no impasse, os artistas se multiplicam. Essa anomalia cessa, enquanto anomalia, se se considera que a arte, em vias de desaparecimento, agora é ao mesmo tempo impossível e fácil.”
“Ninguém é responsável por aquilo que é e nem mesmo por aquilo que faz. Isso está na cara e todo mundo nisso mais ou menos convém. Por que então exaltar ou denegrir? Porque existir equivale a avaliar, a emitir julgamentos, e também porque a abstenção, quando não se trata de efeito da apatia ou covardia, demanda um trabalho que ninguém deseja assumir.”
“Toda forma de ódio, mesmo direcionada ao bem, traz consigo alguma comoção mental.”
“Os pensamentos menos impuros são aqueles que surgem entre as nossas preocupações, nos intervalos de tédio, nesses instantes de luxo que se auto-oferece nossa miséria.”
“As dores imaginárias são de longe as mais reais, uma vez que delas temos necessidade constante e as inventamos porque não teriam meios de acontecer jamais.”
“Se é próprio do sábio o não fazer nada inútil, ninguém me ultrapassará em sabedoria: eu não me rebaixo nem mesmo às coisas úteis.”
“É impossível imaginar um animal degradado, um sub-animal.”
“Se pudéssemos ter nascido antes do homem!”
“Devo confessar que não menosprezo todos esses séculos nos quais não se ocuparam doutra coisa que chegar a uma definição de Deus.”
“A maneira mais eficaz de se subtrair de um abatimento motivado ou gratuito é pegar um dicionário, de preferência de uma língua que se conhece, mas pouco, e procurar várias palavras, desde que sejam palavras que, com certeza, nunca vamos utilizar na vida.”
Traduzir antes de ler, um novo ofício. Vagas abertas!
“Enquanto se vive aquém do terrível, encontra-se uma multidão de palavras para exprimi-lo; assim que se o conhece por dentro, já não se acha expressão.”
“As desconsolações de toda sorte passam, mas o fundo de que elas procedem subsiste sempre, e ninguém tem o domínio sobre ele. Ele é inatacável e inalterável. Ele é nosso fatum.”
“Lembrar-se, em meio ao furor e à desolação, que a natureza, como diz Bossuet, não consentirá em nos deixar demasiado tempo <esse pouco de matéria que ela nos emprestou>.
<Esse pouco de matéria> – de tanto pensar nisso chegamos à calma, a uma calma, isso lá é verdade, que mais valeria nunca termos conhecido.”
“O paradoxo não é a entrada em cena de enterros, matrimônios, nascenças. Os eventos sinistros – ou grotescos – exigem o lugar-comum, o terrível, como o penoso, não se acomodam senão no cliché.”
“Por mais desenganado que se seja, é impossível viver sem alguma esperança. Todos a sustém, ainda que à revelia, e essa última esperança inconsciente compensa todas as outras, explícitas, que já foram rejeitadas ou exauriram.”
“Quanto mais anos a gente acumula, mais a gente fala da desaparição como de um evento distante, altamente improvável até. Quem se tornou tão apegado à vida adquire uma inaptidão para a morte.”
“Não perdoamos senão as crianças e os loucos por serem francos conosco: os outros, se eles têm a audácia de imitá-los, arrepender-se-ão cedo ou tarde.”
“Para ser <feliz>, é necessário ter constantemente presente ao espírito a imagem das desgraças de que se escapou. Essa seria para a memória uma forma de se readquirir, visto que, não conservando, de hábito, senão as infelicidades passadas, ela se dedica a sabotar a felicidade e assim chega ao êxito.”
“Depois de uma noite em branco, os passantes parecem uns autômatos.Ninguém parece respirar ou andar. Cada qual parece movido por uma energia estranha: nada de espontâneo; sorrisos mecânicos, gesticulações de espectros. Espectro você mesmo, como seria você capaz de ver nos outros seres viventes?”
“Ser estéril – com tantas sensações! Perpétua poesia sem palavras.”
“A fadiga pura, sem causa, a fadiga que sobrevém como que caída do céu: é através dela que me reintegro ao meu eu, que me sei <eu>. Se ela desaparece, não sou mais que um objeto inanimado.”
“Tudo que ainda vive no folclore vem de antes do cristianismo. – Tudo que ainda vive dentro de nós também.”
“Quem teme o ridículo não irá jamais longe demais, para o bem ou para o mal, e continuará aquém de seus talentos, e mesmo que tivesse algum gênio seria tido como um medíocre.”
NÓS, CONTEMPLADORES PROFISSIONAIS: “<Em meio a vossas atividades mais intensas, detende-vos um só instante a fim de ‘contemplardes’ vosso espírito>, – essa recomendação certamente não está destinada a quem <contempla> seu espírito noite e dia, e que, portanto, não tem por que se interromper, sob a boa desculpa de que ele não desenvolve nenhuma <atividade>.” Quando não contemplamos nosso espírito enfim é que nos sentimos donos de uma identidade a-problemática.
“Só dura aquilo que foi concebido na solidão, em face de Deus, acredite-se n’Ele ou não.”
“A paixão pela música é já ela mesma uma confissão. Sabemos mais sobre um desconhecido que a admira que sobre qualquer um que lhe seja insensível e com quem trombemos todos os dias.”
“Não se medita sem gostar de repetições.”
“Enquanto o homem estava a reboque de Deus, avançava lentamente, tão lentamente que ele nem mesmo se apercebia disso. Desde que não vive mais à sombra de ninguém, ele se agita, se estressa, e daria qualquer coisa para recuperar a cadência ancestral.”
“Perdemos ao nascer tanto quanto perdemos ao morrer. Tudo.”
“Saciedade – acabo de pronunciar essa palavra, e já não sei mais a propósito do quê, já que ela se aplica a tudo que sinto e penso, a tudo que amo e detesto, à própria saciedade.”
“Nunca matei ninguém, eu faço melhor: matei o Possível, e, exatamente como Macbeth, o que mais tenho necessidade é de orar, se bem que, não mais que ele, não posso dizer Amém.”
“É um milagre não sofrer de insônia na cidade.”
ME DEIA
remedeio a falta de remédios com remendos
remedeia ela os pecados do mundo e do sangue matando os filhos e
extirpando suas vidas secando seus corpos duros
sem fluxos nem eflúvios a não ser progressivamente os da
podridão.
bistrot, o barcOpOSujO francês.
O BARZINHO
O barzinho é freqüentado por velhos que dormem no asilo que fica no fundo da cidadezinha. Lá eles ficam por horas, todos os dias, se bobear, copo na mão, se olhando sem falar nada. É aí que, como à intervenção dum relâmpago, um deles se desembesta a contar algum causo engraçado ou curioso, alguma anedota fictícia muito antiga de sua vida, quando tinha bem mais cores. Ninguém escuta, se bem que ninguém ri. Ninguém ri dele nem ninguém ri de coisa alguma. Ninguém troça ou despreza. Ninguém ignora ou é seletivo na atenção. Não ficam na sua, porque não existe mais “sua”. Ninguém é solícito ou bom ouvinte, mas todos o são, ao mesmo tempo, porque não existe a menor resistência. Entre mesas, cadeiras e essas “pessoas”, ninguém nunca sabe o que pode ser mais móvel ou interativo. Na verdade a pessoa, para chegar a esse estado, tem de decair e decair por anos a fio, numa longa viagem ladeira da senilidade e da banalidade abaixo, num se-foder diário imperceptível a olho nu. Se fosse antigamente, na vida camponesa, teriam sufocado um desses velhotes com uma almofada, por compaixão e praticidade. Melhor que vê-lo babar que nem um idiota o resto de seus dias, consumindo recursos da lavoura. Fórmula incomparavelmente mais sábia e humanizada, aperfeiçoada por cada família num insólito consenso independente. Conduta muito superior a pegar velhos inválidos, reuni-los em rebanho, confiná-los a aposentos fedorentos e apertados, sem circulação do ar, para refletir sua penosamente involuída conformação mental. A cura do tédio pelo mais cretino estupor – ou a cura do estupor via o tédio mais cru e cruel?!
Às vezes quem joga água no chopp só quer hidratar sua vida
Às vezes quem joga sêmen no café só quer despertá-la para novas sensações
“Une ancienne femme de chambre à mon «Ça va?» me répondit sans s’arrêter : « Ça suit son cours ». Cette réponse archibanale m’a secoué jusqu’aux larmes.”
“Vivíamos no campo, eu estava na escola, e, detalhe importante, eu dormia no mesmo quarto que os meus pais. À noite meu pai tinha o costume de ler para minha mãe. Conquanto fosse padre, ele lia todo tipo de coisa, pensando sem dúvida que, haja vista minha pouca idade, não me era possível compreender. Na maioria das vezes não escutava nada e acabava dormindo, a não ser que por alguma razão a estória me fisgasse. Uma noite afiei minha audição. [<É fan-tás-ti-co!!>] Meu pai lia uma biografia de Rasputin, na cena em que o pai, no leito de morte, chama o seu filho e diz: <Vai para São Petersburgo, torna-te mestre de toda a cidade, não te curves diante de ninguém e nada teme, porque Deus não passa de um porco velho.>
Uma tal enormidade na boca de meu pai, para quem o sacerdócio não era nenhuma brincadeira, me impressionou tanto quanto um incêndio ou um terremoto. Não cesso de lembrar cada segundo claramente – e já faz mais de meio século desse dia –, e depois da comoção senti uma espécie de prazer desconhecido, não-familiar, não ousaria dizer perverso…”
“Mais de um desequilíbrio – que digo eu, talvez todo desequilíbrio! – provém de uma vingança longamente adiada. Saibamos explodir! Qualquer doença é mais saudável que aquilo que suscita um rancor entesourado.” Os sonhos do idílio infantil que não pode mais ser revivido se tornando o palanque político da execração e do escracho de quem sempre mereceu ser rebaixado, e que agora eu rebaixo até quando estou descansando em paz: A****** FASCISTA, A****** RACISTA! Ninguém vai votar em você, seu B********!
“«Mon neveu, c’est clair, n’a pas réussi; s’il avait réussi, il aurait eu une autre fin. — Vous savez, madame, ai-je répondu à cette grosse matrone, qu’on réussisse ou qu’on ne réussisse pas, cela revient au même. — Vous avez raison», me répliqua-t-elle après quelques secondes de réflexion. Cet acquiescement si inattendu de la part d’une telle commère me remua presque autant que la mort de mon ami.”
MAIS NATURAL DO QUE SE PENSA
“— Oh, que pena, me dizia você, que Fulano não tenha produzido nada…
— E daí?! Ele existe. Se ele tivesse deixado livros, se ele tivesse tido o azar de <realizar-se>, nós nem estaríamos, pra começo de conversa, falando sobre ele! A vantagem de ser um qualquer é mais rara que a de autor. Produzir é fácil; o que é difícil é desdenhar fazer o uso de suas habilidades.”
“ginecologistas se apaixonam por suas clientes (o que não é normal, pois todo corpo por dentro é feio), coveiros têm filhos, doentes incuráveis fazem mil projetos, até os céticos escrevem…”
“os grandes desastres nada subsidiam no plano literário ou religioso. Só as meias-desgraças são fecundas, porque, primeiro, elas podem ser, e segundo, são um ponto de partida; já os pastos de um inferno bem-acabado são tão estéreis quanto o paraíso.”
Essas pessoas que entra década, sai década continuam as mesmas são literalmente zumbis, nada de ser vivo. Não estão cumprindo com o devir. Não sabemos reagir a essas <aparições> diurnas!
“Eu sei que eu não valho nada, mas em compensação não creio ter chafurdado tanto assim para que me retratem num livro!”
Não faz sentido ter dó de um cachorro. Ele não se lembra de nada do que vive. Ele não retém o ruim que lhe sucede…
“Um desconhecido vem me contar que ele matou não sei quem. Ele não é procurado pela polícia, porque ninguém suspeita dele. Sou o único a saber que ele é o assassino. O que fazer? Eu não tenho a audácia nem a deslealdade (porque ele me confiou um segredo, e que segredo!) de denunciá-lo. Me sinto seu cúmplice, e me resigno a ser preso e punido como tal. Ao mesmo tempo, considero que isso seria a suprema tolice. Talvez vá denunciá-lo agora mesmo. E é quando eu acordo.
O interminável é a especialidade dos indecisos. Nada se resolve na vida desses sujeitos, e ainda menos nos pesadelos, digo, sonhos, onde não cessam de perpetuar suas hesitações, sua covardia, seus inesgotáveis escrúpulos. Estes são os mais aptos a péssimas noites de sono.”
JOWDAY: “Um filme sobre as bestas selvagens: crueldade sem parar a todas as latitudes. A <natureza>, torturadora do gênio, imbuída dela mesma e de sua obra, exulta não sem razão: a cada segundo, tudo que vive arrepia e faz arrepiar.A piedade é um luxo bizarro, que só os mais pérfidos e mais ferozes dos seres poderiam ter inventado, por precisão de se autopunirem e de se autotorturarem, por ferocidade pura e simples.”
“Sobre o outdoor que, à entrada duma igreja, anuncia A Arte da Fuga, alguém pichou: Deus está morto. E tudo isso a propósito de um músico que testemunha que Deus, à hipótese de que ele seja mesmo um defunto, pode ressuscitar, pelo menos o tempo que durar nossa audição dessa cantata ou, justamente, daquela fuga [fuga é um modo clássico de compor, daí o trocadilho]!”
DESCRIÇÃO DE UM ALOÍSIO: “Passamos pouco mais de uma hora juntos. Ele aproveitou cada minuto se gabando. De tanto se esforçar para dizer algo interessante de si mesmo, ele obteve sucesso, eu diria que ele me venceu. Se ele tivesse se dirigido apenas elogios razoáveis, tê-lo-ia achado incrivelmente entediante e arranjaria um jeito de me escafeder em 15 minutos. Mas, ao exagerar, ao fazer direitinho o seu papel de fanfarrão, ao dar tudo de si, ele praticamente chegou lá: da aparência ao espírito faltou bem pouco! O desejo de parecer refinado não depõe contra o refinamento! Um débil mental, se pudesse recuperar o orgulho, a vontade de se ostentar, conseguiria mudar totalmente seu aspecto, de fato voltaria a ser uma pessoa inteligente.”
O ELOGIO DO DOIDIVANAS
DE TANTO QUERER SER ACABOU SENDO
COMIDA DE LOBO SEU NOME
ACREDITE NO SEU POTENCIAL
POTENCILA
He…sito, logo sou.
Quem disse que o pavão não é elegante?
A diferença entre um presumido e um idiota é que um presumido não se acha de modo algum um idiota!
DESCRIÇÃO DE UM JESUS: “X., que já ultrapassou a idade dos patriarcas, depois de teimar, durante um bom bocado, numa discussão coletiva, contra uns e outros, me disse: <A grande fraqueza da minha vida teria sido nunca odiar ninguém.>
O ódio não diminui com a passagem dos anos: ele só aumenta. Aquele de um senil atinge níveis complicados até de imaginar: tornado insensível a suas antigas afecções, todas as suas faculdades são dirigidas aos rancores, os quais, miraculosamente revigorados, sobreviverão mesmo à erosão de sua memória e razão.
… O perigo de conviver demais com velhos vem de observá-los tão distanciados e desapegados dos outros, e tão incapazes de qualquer aproximação a essa altura do campeonato, que fantasiamos muito mais as vantagens de sua condição do que eles jamais usufruem na realidade. E essa estima, real ou fictícia, da lassidão ou da rabugice naturais da idade incitam à presunção.”
“Cada família tem sua filosofia. Um dos meus primos, morto ainda jovem, me escrevia: <Tudo é assim, sempre foi e sempre será sem dúvida nenhuma até que já não haja mais nada.>
Minha mãe, por seu turno, sempre encerrava assim suas cartas: <De tudo que o homem tente, ele se arrependerá, cedo ou tarde.>
Esse vício do arrependimento, eu não posso nem mesmo me gabar de ter adquirido por minhas próprias desilusões. Ele me precede, faz parte do patrimônio da minha tribo. Meu principal legado é a inaptidão à ilusão!”
“Em contínua insurreição contra minha ascendência, toda a minha vida eu desejei ser outro… Espanhol, russo, canibal,–tudo, tudo, menos o que eu sou. É uma aberração se valorar diferente do que se é, de esposar em teoria todas as condições exceto a sua própria.”
“O dia que li a lista de quase todos os sinônimos disponíveis em sânscrito para se referir à palavra <absoluto>, compreendi que errei de caminho, de país, e de idioma.”
“Uma amiga, depois de não sei quantos anos de silêncio, me escreveu dizendo que não tinha mais muito tempo, que se avizinhava da entrada do <Desconhecido>… Esse clichê me faz franzir. Não discirno bem no quê se poderia entrar pela morte. Qualquer afirmação nesse terreno já me parece abusiva. A morte não é um estado, ela não é nem sequer uma passagem. O que ela é, pois? E, sendo clichê, vou me meter a responder minha amiga?”
“É capaz de eu mudar de opinião sobre um mesmo assunto, um mesmo evento, 10, 20, 30 vezes no espaço de um dia. E dizer, a cada vez, como o último dos impostores, que ouso pronunciar a <última palavra>!”
“Algumas pessoas são tão velhas que parecem apopléticas, jurássicas. Uma velha, uma vez, <avançava> em semi-círculo por horas, à minha frente, contemplando o solo (curvada, a única coisa que podia contemplar), em passinhos inimaginavelmente lentos e hesitantes. Poder-se-ia acreditar que aquela criatura aprendia ali a caminhar, que ela tinha medo a cada novo gesto de não saber ou de ter esquecido como se colocam os pés em movimento.
… Tudo que me aproxima do Buda me soa bom.”
Somos pulgas e a Terra é o caixão-cachorro.
“<Tudo é desprovido de fundamento e substância>, eu sempre mo repito, nunca sem sentir qualquer coisa próxima à felicidade. O chato é que há uma quantidade imensa de vezes em que não chego a mo repetir…”
Ah! que pena que nunca nos afogamos!… Mais fácil dizer que nos afogueamos.
Alguns escritores, na língua nativa, soam como se estivéssemos lendo alguém num idioma estrangeiro que conhecemos apenas razoavelmente: reconhecemos um sentido aqui, um grupamento de palavras ali, nada mais que isso, mas damos braçadas em sopas de letras insignificantes entre essas ilhas. Um bom exercício de atletismo úmido.
Me é absconso o ritmo dos mares!
“Atividade e desonestidade são termos correlacionados.”
“A risada desapareceu, depois desapareceu o sorriso.” – autor desconhecido
“Não é fácil falar de Deus quando não se é um crente nem um ateu: e este é sem dúvida nosso drama particular, o de todos nós, teólogos inclusos, de não mais podermos ser nem um nem outro.”
“Para um escritor, o progresso rumo à autonomia e à felicidade é um desastre sem precedentes. Ele, mais do que ninguém, tem necessidade de seus defeitos: se ele triunfa, está perdido. Que ele se guarde de se tornar alguém melhor, porque se conseguir, se arrependerá amargamente.”
“Deve-se desconfiar das luzes que se possui sobre si próprio. O conhecimento que temos de nós mesmos indispõe e paralisa nosso demônio. É aí mesmo que deve ser buscada a razão de por que Sócrates jamais escreveu.”
“O que torna maus poetas ainda piores é que eles só lêem poetas (como o mau filósofo só lê filósofos), embora fossem tirar muito mais proveito de um livro de botânica ou geologia. Não nos enriquecemos a não ser freqüentando disciplinas estrangeiras à nossa. Isso só é verdade, bem entendido, para os domínios em que o eu participa.”
“Tertuliano nos indica que, para se curar, os epilépticos iam <chupar com avidez o sangue dos criminosos derramado na arena>. Se eu desse ouvidos aos meus instintos, seria esse o único gênero de terapêutica que eu adotaria para todas as doenças.”
“Tem você o direito de se indignar contra alguém que o chame de monstro? O monstro é sozinho por definição, e a solidão, mesmo a da infâmia, supõe qualquer coisa de positivo, uma eleição um pouco especial, mas de qualquer forma eleição, inegavelmente.”
“Dois inimigos são um mesmo homem dividido.”
“«Não julgue ninguém antes de se pôr no lugar dessa pessoa.» Esse velho provérbio torna impossível qualquer julgamento, porque julgamos alguém justamente porque não podemos nos pôr em seu lugar.”
“Quem ama sua independência deve se prestar, a fim de salvaguardá-la, a qualquer depravação, se arriscar até, se for preciso, a ser ignominioso.”
“Nada mais abominável que a crítica e, com muito mais razão, o filósofo em cada um de nós: se eu fosse poeta, reagiria como Dylan Thomas, que, assim que alguém comentava seus poemas em sua presença, se jogava no chão e começava a se contorcer.”
“Todos que se iram cometem injustiça atrás de injustiça, sem sentir o menor remorso. Do mau humor somente. – O remorso é reservado aos que não agem, aos que não podem agir. Ele os previne de qualquer ação, ele os consola de sua ineficácia.”
“A maioria de nossas decepções vêm de nossos primeiros movimentos. O menor élan se paga mais caro que um crime.”
“Os aventureiros e os aleatórios estão em desvantagem em relação aos doentes, os perseguidos e as vítimas de toda sorte de coisas e circunstâncias. Porque, se eles vivem, eles não têm lembranças de uma vida. As lembranças exigem provas, testemunhas e a fixação da sensação.”
“Gostamos de quem causa uma forte impressão. Vamos atrás dessas pessoas no nosso dia a dia. O vaidoso é quase sempre irritante, na massa de energia que ele é obrigado a pôr em movimento a cada aparição: é um chato que bem gostaria de não sê-lo, a bem da verdade. No fim, todos acabam suportando o chato, e ele se torna uma figura indispensável. Em compensação, quem não visa a efeitos nos deixa pálidos de raiva. Que dizer-lhe, que esperar dele?Ou exploramos o que resta do macaco em nós, ou é melhor nem sairmos em público.”
“Não é o medo de empreender, é o medo de ter sucesso que explica mais de um fracasso.”
“Eu gostaria de uma reza cheia de palavras acutilantes. Mas, infelizmente, toda reza é igual pra todo mundo. Essa é uma das maiores dificuldades da fé.”
“Só podemos suportar o futuro enquanto não tivermos a segurança de poder nos matar no momento desejado.”
“Nem Bossuet, nem Malebranche, nem Fénelon se dignaram a comentar os Pensées. Aparentemente, Pascal não lhes parecia grave o bastante.”
“O antídoto do tédio é o medo. O remédio deve ser mais forte que o mal.”
“Inclusive para emergir à minha superfície sou obrigado a estratagemas que só de pensar já me ruborizam.”
“Houve um tempo em que, cada vez que eu sofria qualquer afronta, para afastar de mim toda veleidade de vingança, eu me imaginava bem calmo em minha própria tumba. E logo eu serenava. Não subestime seu cadáver: ele pode servir à ocasião. Mas não exagere o recurso: o próprio papa Inocêncio IX só olhava seu retrato, figurado num caixão, quando precisava tomar decisões de vida ou morte.”
“Todo pensamento deriva de uma sensação contrariada.”
“A única maneira de conhecer os outros em profundidade é seguir rumo ao mais profundo de si mesmo. Noutros termos, é tomar o caminho inverso dos que se dizem espíritos <generosos>.”
“<A bendição da minha vida foi que eu jamais tive necessidade de uma coisa antes de possuí-la!>, me disse uma vez um rabino.”
“Ao permitir o homem, a natureza cometeu muito mais que um erro de cálculo: um atentado contra si mesma.”
“O medo torna consciente, o medo mórbido e não o medo natural. Se assim não fosse, os animais teriam atingido um grau de consciência superior ao nosso.”
“Quanto ao orangotango propriamente dito, o homem é antigo; quanto ao orangotango histórico, ele é relativamente recente: um recém-chegado que ainda não teve o tempo de aprender a se portar na vida.”
“Depois de certas experiências, o mais correto seria mudar de nome, porque então já somos outros. Tudo ganha um novo aspecto, a começar pela morte. Ela parece próxima e desejável, reconciliamo-nos com ela, e até aprendemos a tomá-la pela <melhor amiga do homem>, como a chama Mozart numa carta a seu pai agonizante.” Eu me rebatizei aos 20.
“Deve-se sofrer até o fundo, até o momento em que cessa-se de acreditar no sofrimento.”
“«A verdade permanece oculta a quem alimenta o desejo e o ódio.» (Buda)
… Ou seja, a todos os vivos.”
“Atraído pela solidão, ele continua, no entanto, no século: um monge sem coluna.”
“«Você fez mal em apostar em mim.»
Quem poderia usar essa linguagem? – Deus e o Fudido.”
“Tudo que completamos, tudo que sai de nós, aspira a esquecer suas origens, e não prospera a não ser se voltando contra nós. Daí o signo negativo que demarca todos os nossos sucessos.”
“Não se pode falar nada de porra nenhuma. Não haveria um limite para o número de livros.”
“O fracasso, mesmo reprisado, parece sempre novo, enquanto que o sucesso, ao se multiplicar, perde todo o interesse, toda a atração. Não é a desgraça, é a felicidade, a felicidade insolente, é vero, que conduz à acidez e ao sarcasmo.” Depois da pizza é que vem a azia!
“Um inimigo é tão útil quanto um Buda. (…) ele deixa tudo em ordem para que não nos demonstremos indignos da idéia que ele faz de nós.” Dignidade é meu nome, se eu tenho um só.
“Firmamo-nos, chegamos melhor a ser seres firmes, quando aprendemos a reagir contra os livros negadores,¹ dissolventes, contra sua força nociva. Os livros fortificantes, em suma, pois eles suscitam a energia que os nega.² Quanto mais um livro contém de veneno, mais ele exerce um efeito salutar, desde que seja lido à contra-corrente, como todo livro deve ser lido, começando pelo catecismo.”
¹ (20-04-2023) Nota interessante: minha restrição a ler Émil Cioran por vários anos foi o que se falava sobre Émil Cioran. Pensava que ele era um destes autores de livros negadores! Suponho que o leitor ingênuo assim o trate, e teria motivos, em sua visão estreita – mas o caso é bem outro…
² (id.) O fim da frase inverte todo o raciocínio explicitado na nota 1: os livros negadores são os afirmadores, os melhores. Nesse sentido, a Bíblia não é nada negadora, etc. Cioran estaria sendo bem-avaliado pelos “leigos”: porém os leigos, aqueles referidos na primeira nota, são meros niilistas passivos, jovens, jovens demais. I am Orangutan! O princípio retirado por Cioran mais adiante não é nada misterioso ou nonsense: todo veneno é um antídoto também; o que não mata fortalece.
“O maior serviço que se pode prestar a um autor é o de interditá-lo de trabalhar durante um tempo determinado. É necessário aplicar tiranias de curta duração, extensíveis a toda atividade intelectual. A liberdade de expressão sem interrupção alguma expõe os talentos a um perigo mortal, obriga-os a se desgastar além de seus recursos e os impede de estocar as sensações e experiências. A liberdade sem limites é um atentado contra o espírito.” O escritor milionário deve ser um verdadeiro asceta, muito disciplinado, se não quiser ser apenas uma piada para a próxima geração.
“A pena de nós mesmos é menos estéril do que se pensa. Desde que se sinta o menor acesso, adquire-se uma pose de pensador, e, maravilha das maravilhas, chega-se mesmo a pensar.”
“A máxima estóica segundo a qual devemos sofrer resignada e silenciosamente as coisas que não dependem de nós leva em conta apenas as desgraças exteriores, que escapam à nossa vontade. Mas e às que vêm de nós mesmos, como reagir? Se nós formos a fonte de nossos males, a quem nos dirigir? a que recorrer? a nós mesmos? Providenciaremos, de forma contente, o esquecimento de que nós somos os verdadeiros culpados; logo, a existência só é tolerável se renovamos a cada dia essa mentira e esse olvido.”
“Minha vida toda eu vivi com o sentimento de ter sido afastado de meu verdadeiro lugar. Se a expressão «exílio metafísico» não tivesse nenhum sentido, minha existência sozinha lhe emprestaria um.”
“A fim de salvar a palavra «grandeza» da pompa excessiva, não nos deveríamos servir dela a não ser a propósito da insônia ou da heresia.”
“Quer a ironia que não haja pessoa mais vulnerável, mais suscetível, menos disposta a reconhecer seus próprios defeitos que o maledicente. Basta com citar-lhe uma ligeira reserva para que ele perca a continência, se superexcite e se afunde em sua bile.” Keila Virgínia.
“É normal que o homem não se interesse mais pela religião, mas pelas religiões, porque é só através delas que ele estará em vias de compreender as múltiplas versões de seu colapso espiritual.”
“as irrecusáveis verdades do marasmo”
“«Maldito seja aquele que, nas futuras reimpressões das minhas obras, modificar deliberadamente o que quer que seja, uma frase, ou somente uma palavra, uma sílaba, uma letra, um sinal de pontuação!»
Foi o filósofo Schopenhauer ou foi o escritor Schopenhauer que fez Schopenhauer falar assim? Os dois ao mesmo tempo, e essa conjunção (estilo deslumbrante com que se sonha deparar em qualquer obra filosófica) é muito rara. Um Hegel jamais proferiria maldição semelhante! Nem algum outro filósofo de primeira grandeza, salvo Platão.”
“Não há nada de mais exasperante que a ironia sem falha, sem intervalo, que não deixe tempo para respirar, e ainda menos para refletir, que, ao invés de ser elusiva, ocasional, é massiva, automática, nos antípodas da sua natureza essencialmente delicada. Tal é em geral o uso que dela faz o alemão, o ser que, por ter sido o que mais meditou acerca da ironia, é o menos apto a manejá-la.” A ironia é que ele foi irônico demais… Deixe para os britânicos, pois eles levam isso a sério (ou não)!
“Nada provoca a ansiedade, ela procura se justificar, e, para conseguir, se serve de qualquer método, dos pretextos mais miseráveis, nos quais pega carona, uma vez que os tenha inventado. Realidade em si que precede suas expressões particulares, suas variedades, ela se suscita, ela se engendra por si mesma, ela é «criação infinita», mais propícia, como tal, a evocar maquinações da divindade que a da psique.”
“Tristeza automática: um robô elegíaco.”
“Diante de uma tumba, as palavras: jogo, impostura, brincadeirinha, sonho, se impõem. Impossível pensar que existir seja um fenômeno sério. A certeza de uma fraude de começo, lá da base. Dever-se-ia cunhar no frontão dos cemitérios: «Nada é trágico. Tudo é irreal.»”
“Não esquecerei tão cedo a expressão de horror em seu rosto, o esgar, o pavor, a desconsolação extrema, e a agressividade. Ele não estava feliz, não mesmo. Jamais vi alguém tão mal na alegria de seu caixão.”
“Não procura nem adiante nem detrás de ti, procura em ti mesmo, sem medo ou arrependimento. Ninguém se ensimesma tanto a ponto de se tornar por isso escravo do passado ou do futuro.”
“É deselegante se desaprovar alguém por sua esterilidade, quando ela é postulada [voluntária], quando ela é seu modo de auto-realização, seu sonho…”
“As noites que nós dormimos são como se jamais tivessem sido. Só nos restam na memória aquelas em que não pregamos o olho: noite quer dizer noite branca.”
“Eu transformei, porque não consegui resolvê-las, todas as minhas dificuldades práticas em dificuldades teóricas. Face ao Insolúvel eu respiro, enfim…” Demonstra que é um bom filósofo. Se isso é bom ou ruim, há que se filosofar a respeito…
“A um estudante que queria saber minha opinião acerca do autor do Zaratustra, eu respondi que eu tinha parado de lê-lo há muito tempo. Por quê? mo perguntou. – Porque eu o acho ingênuo demais…
Repreendo seus entusiasmos e até seus fervores. Ele demoliu os ídolos unicamente para substituí-los por outros. Um falso iconoclasta, com facetas adolescentes, e não sei que virgindade, que inocência, inerentes à carreira de solitário. Ele não observou os homens a não ser de longe. [E como poderia tê-los observado de perto? Só por memórias muito antigas…] Se os visse de perto, jamais poderia conceber nem exaltar o supra-homem, visão excêntrica, risível, senão grotesca, quimera ou capricho que só podia surgir no espírito d’alguém que não tivera tempo de envelhecer, de conhecer a indiferença, o longo desgosto sereno. [Nós solitários somos muito severos especialmente com os de nossa própria espécie; defeito inocente, incorrigível, de nossa natureza.]
Muito mais próximo me é um Marco Aurélio. Nenhuma hesitação de minha parte entre o lirismo do frênesi e a prosa da aceitação: encontro mais conforto, e mais esperança, mesmo, aos pés de um imperador fatigado que ao lado dum profeta fulgurante.”
“«Tem o talento necessidade de paixões? Sim, de muitas paixões reprimidas.» (Joubert)¹ Não há um só moralista que não possamos converter em precursor de Freud.”
“Escrever é o ato menos ascético que pode haver. É paradoxal que os místicos do cristianismo primitivo tenham nos legado tantas obras. Quiçá não era apenas a vontade de renome na posterioridade o que os movia?”
“Sempre se deseja a morte na forma duma enfermidade vaga; mas se a teme ao menor sinal de uma doença precisa.” O mal dos românticos. Tuberculose: uma metáfora. Câncer: uma metáfora de um século científico.
“Se eu detesto o homem, não poderia dizer com a mesma facilidade: eu detesto o ser humano, porque apesar de tudo há nessa palavra ser qualquer coisa de pleno, de enigmático e de sedutor, qualidades estranhas à idéia de homem.”
“No Dhammapada, recomenda-se, para obter a felicidade, seguir a dupla corrente do Bem e do Mal. Que o Bem seja em si mesmo um entrave, nós ainda somos espiritualmente involuídos demais para admitir. Destarte, não alcançaremos a salvação.”
“Eu creio, com esse doidivanas do Calvino, que estamos predestinados ao sucesso ou à reprovação dentro da barriga da mãe. Já se viu antes de nascer.”
“É livre aquele que discerniu a inanidade de todos os pontos de vista, e liberto aquele que disso soube tirar as conseqüências.” Tudo é vaidade sob o sol, DESTARTE… incipit tragoedia.
“Eu suprimia do meu vocabulário palavra atrás de palavra. O massacre acabou. Uma só sobreviveu: Solidão. Acordei realizado.”
Se pude agüentar até o presente, é que a cada abatimento, que me parecia intolerável, um segundo sucedia, mais atroz, depois um terceiro, e assim sucessivamente. Devo estar no inferno, que eu desejaria ver multiplicar em círculos, para poder descobrir uma nova provação, mais rica que a precedente, debaixo do nono, debaixo do décimo círculo. Tudo isso para me convencer da minha teoria mirabolante. É uma boa política, em termos de tormentos, pelo menos. Talvez essa ansiedade seja a sensação predominante do sujeito infernizado, consista em seu único castigo de uma outra vida onde nada parecido se pudesse conceber. [Quem nunca o pensou que empurre o primeiro grande seixo sisífico!]
“Chega de corpo. Já basta o eu!”
“um sono de muitos períodos cósmicos me revitalizará”
“Almas atormentadas se erigem em teoricistas do desapego, em convulsionários que bancam os céticos.”
«Ele era jovem ainda, se muito nos sessenta. Encontraram-no morto no campo. Que queria você? É desse jeito… É desse jeito… É desse jeito…»
“Tantos anos para despertar desse sono em que se embalam todos os demais; e em seguida anos e anos para fugir dessa vigília…”
Adão Shepherd Crusoe quis sair de sua Ilha paradisíaca. Ele ia ficar que nem as árvores. Dane-se religião, juramento, prudência, obediência…
“Viver é perder o terreno.”
“Num livro gnóstico do segundo século de nossa era, diz-se: «A oração do homem triste nunca tem a força para chegar até Deus.»
… Como não se ora a não ser no abatimento, deduzir-se-á que nunca uma oração foi bem-sucedida.”
“Na China Antiga, as mulheres, quando estavam com o humor colérico ou depressivas, subiam em pequenos estrados, reservados especialmente para elas nas ruas, e se deixavam levar por suas torrentes de furor e lamentação. Esse gênero de confessionário deveria ser ressuscitado e adotado em todo lugar, nem que fosse só para substituir o da Igreja, obsoleto, ou o dessa ou daquela terapia, inoperante.”
“Um livro é um suicídio procrastinado.” Mais de 10.
“O único meio de salvaguardar sua solidão é agredir o mundo inteiro, começando por quem se ama.”
“Se vossas provações, no lugar de vos expandir, de vos colocardes num estado de euforia enérgica, vos deprimem e vos amarguram, saibais que vós não tendes vocação espiritual.”
“Viver na expectativa, depositar sobre o futuro ou sobre um simples simulacro de futuro todo o imaginável, nos é corriqueiro a tal ponto que não concebêramos a idéia da imortalidade senão por pura necessidade de esperar pela eternidade.”
“Toda amizade é um drama às escondidas, uma sucessão de feridas sutis.”
“Lutero morto por Lucas Fortnagel. Máscara terrificante, agressiva, plebéia, de um leitão sublime… que retrata bem os modos de quem nunca será louvado o bastante por ter dito: «Os sonhos são mentirosos; caga na tua cama, só isso é o verdadeiro.»”
“Mais se vive, menos útil se nos parece o ter vivido.”
“Nenhum autocrata jamais deteve tanto poder quanto um miserável na situação de se dispor a se matar ou não.”
“Existir é um estado tão inconcebível quanto seu contrário”
“Na Antiguidade, os <livros> eram tão custosos que não era possível colecioná-los, a não ser sendo rei, tirano ou… Aristóteles, o primeiro a possuir uma biblioteca digna do nome. Um cômodo a mais a cargo desse filósofo, um homem já tão repleto de ocupações e atribulações…”
“Se eu me conformasse a minhas convicções as mais íntimas, cessaria de me manifestar, de reagir de qualquer forma concebível. Porém, sou ainda capaz de sensações…”
Se eu tivesse um mascote, ele seria o Frankenstein.
“Durante um exorcismo da Idade Média, enumeravam-se todas as partes do corpo, mesmo as mais mínimas, das quais o demônio era convidado a se retirar: dir-se-ia um verdadeiro tratado louco e oral de anatomia, que seduz pelo seu excesso de precisão, a profusão de minúcias e o inesperado. Uma encantação minuciosa. Saia das unhas! É insensato mas não isento de efeito poético.”
A noite é um grande lixo incomensurável.
“A força dissolvente da conversação: entende-se bem por que a meditação e a ação exigem silêncio.”
“Ir à Índia por causa do Vedanta ou do budismo, ou à França por causa do jansenismo. Esse último é o mais recente, pois só sucumbiu há 3 séculos.”
“Por que o Gitaeleva tão alto a <renúncia ao fruto de seus atos>?
Porque essa renúncia é rara, irrealizável, contrária a nossa natureza e realizá-la é destruir o homem que se foi e que se é, matar em si mesmo todo o passado, a obra de milênios, se emancipar, numa só palavra, da Espécie, dessa ralé ignominiosa e imemorial.”
Êxtase embrionário-larval
“A verdade reside no drama individual.”
“Os verdadeiros escritores-espelhos de um povo são os figurantes, os secundários.”
“Minhas afinidades com o byronianismo russo, de Pétchorine[Lermontov] a Stavroguine, meu tédio e minha paixão pelo tédio.”
“Os velhos, faltos de ocupações, têm o ar de querer resolver qualquer coisa de muito complicada e de empregar todas as suas capacidades restantes tão logo e tanto quanto possível. Talvez essa seja a única razão de não haver suicídios em massa nessa idade, como deveria haver se eles estivessem um tiquinho menos absorvidos.”
“O amor o mais apaixonado não aproxima tanto dois seres quanto o faz a calúnia. Inseparáveis, o caluniador e o caluniado constituem uma unidade <transcendente>, estão colados inexoravelmente. Um calunia, o outro suporta, mas se ele suporta ele está acostumado. E quem se acostuma reclama pela coisa. Ele sabe que seus desejos serão realizados, que não será esquecido jamais, que ele estará, aonde for, eternamente presente no espírito de seu infatigável bem-feitor.” Os canalhas nunca morrem.
“O ermitão nômade é a melhor coisa que já fizeram. Chegar a não ter mais ao quê renunciar! Tal deveria ser o sonho de todo espírito desenganado.”
“A negação desesperada – a única negação possível.”
“Felizardo Jó, tu que não fostes obrigado a resenhar teus gritos!”
“Madame d’Heudicourt, [ama de Luís XIV] observa Saint-Simon, não falava bem de ninguém senão com severas restrições. Sem o saber, este pensador formulou uma lei, não da maledicência, mas da conversação em geral.”
Tudo o que vive faz barulho. – Excelente advocacia pelos minerais!
“Bach era brigão, competitivo, metódico, mesquinho, ambicioso, ávido por títulos, honras, etc. Ah, então! o que é que isso pode trazer? Um musicólogo, enumerando as cantatas que têm a morte por tema principal, afirmou que nenhum mortal fôra mais nostálgico. Só isso conta. O resto deriva da biografia.”
“As questões penosas e daninhas que nos imputam os mal-educados nos irritam, nos desconcertam, e podem ter sobre nós o mesmo efeito dalguns procedimentos técnicos utilizados no Oriente. Uma estupidez grosseira, agressiva, por que não provocaria ela a iluminação? Ela bem vale uma porrada na cabeça.”
“O conhecimento é impossível, e, mesmo que não fosse, ele não resolveria nada. Tal é a posição do cético. O que se quer, o que se busca então? Nem ele nem pessoa alguma jamais saberá. O ceticismo é a bebedeira do impasse.”
“Assediado pelos outros, tento me descolar, sem grande sucesso. Chego, no entanto, a alcançar, diariamente, por alguns segundos, um diálogo com aquele que eu gostaria de ser.”
“Refletir e ser modesto é uma utopia. Desde que começa a masturbação do espírito, ele troca de lugar com Deus e quem quer que seja. Reflexão é indiscrição, trespassamento, profanação. O espírito não <trabalha>, desarranja. A tensão que trai seus progressos e denuncia suas pegadas revela o caráter brutal, implacável. Sem uma boa dose de ferocidade, não se saberia conduzir um pensamento até o final.”
“A maioria dos tumultuadores, dos visionários e dos sábios foi ou de epilépticos ou de dispépticos. [quem tem gastrite, azia crônica, gases] Sobre as virtudes do mal mais nobre, há unanimidade; sobre os embaraços gástricos, em contrapartida, reconhecem-se menos méritos. Contudo, nada convida mais a causar tumulto e revolução que uma dor de barriga.”
“Minha missão é de sofrer por todos aqueles que sofrem sem o saber. Eu devo pagar por eles, expiar sua inconsciência, a sorte que eles têm de ignorar até que ponto eles são infelizes.” Ah, meu irmão…
“Cada vez que o Tempo me martiriza, eu repito que um de nós dois deve saltar, que é impossível continuar indefinidamente nesse tête-à-tête cruel…”
Todo aquele ou tudo aquilo que socorre o depressivo na hora mais fatal lhe parecerá um semi-deus ou um manjar divino. Uma bíblia diferente no meu criado-mudo… Bible Green and Thin… Two books also. Sans ordre alcune. Postmorten and no resurrection.
É incrivelmente irracional acima de qualquer medida antropológica que Deus tenha sido considerado por longo tempo uma solução, e incrivelmente honesta a previsão de que será impossível uma solução melhor – ou mesmo uma equivalente – aparecer daqui em diante.
Fazer figo da opinião dos outros seria encarnar um deus.
“César morreu porque não era um tirano. Fosse tirano, teria executado primeiro todos os seus ofensores. Mas eles não podiam suportar sua clemência.”
Não se enterram deuses impunemente, sabe disso a Filosofia cristã.
“O fanatismo é a morte da conversação.Não se discute com um candidato a mártir. O que se poderia dizer a alguém que se recusa a penetrar suas razões e que, a partir da hora em que não se inclinam às dele, preferiria perecer que ceder? Viva os diletantes e sofistas, que, pelo menos, penetram em todas as razões…”
“Nossos mais próximos são os primeiros a pôr em dúvida nossos méritos. A regra é universal: nem o próprio Buda escapou: era um primo seu principal desafeto, e, somente após esse prelúdio familiar, Mara, o diabo.”
“Para o ansioso, não existe diferença entre o sucesso e o fiasco. Sua reação diante de um ou outro é a mesma. Os dois o desarranjam por igual.”
PARA OS DESEMPREGADOS: “Quando eu me preocupo um pouco demais sobre eu não trabalhar, eu me consolo dizendo que poderia muito bem estar morto e que assim trabalharia ainda menos…”
“Melhor dentro do esgoto que acima do pedestal.”
“Se debater tanto nas conversas quanto um epilético na crise.”
“Não há negador que não fique tentado por qualquer sim catastrófico.”
“Pode-se estar assegurado de que o homem jamais atingirá de novo profundezas compatíveis com aquelas exploradas no decorrer dos séculos de diálogo egoísta com seu Deus.”
“os termos com os quais eu qualifico minha desgraça são os mesmos que definem, em primeiro lugar, <o ser supremo>: Nem um só instante em que não me encontre fora do Universo!”
“Aristóteles, Tomás de Aquino, Hegel – três serviçais do espírito. A pior forma de despotismo é a do sistema, em filosofia e em tudo.”
“Deus é o que sobrevive à evidência de que nada merece ser pensado.”
“Jovem, nada me dava mais prazer que criar inimigos. Hoje em dia, quando me faço um, meu primeiro pensamento é o de me reconciliar com ele, pra que eu não tenha que me ocupar disso. Ter inimigos é uma grande responsabilidade. Meu fardo só me basta, não posso carregar ainda o dos outros.”
“A alegria é uma luz que se devora inexaustivamente; é o sol nos seus começos.”
“O insólito não é um critério. Paganini é mais surpreendente e mais imprevisível que Bach.”
NINGUÉM NESSE MUNDO É PORRA NENHUMA, FRANGO, GENTE OU URSO POLAR!
“Todo dia devíamos repetir: Eu sou um dos que, aos bilhões e borbotões, se movem na superfície da terra. Um deles e nada mais. Essa banalidade justifica qualquer conclusão, desconsiderando todo tipo de comportamento ou ação: voluptuosidade, castidade, suicídio, trabalho, crime, indolência ou rebelião.
… Disso decorre que cada um tem razão de fazer o que faz.”
“Tzintzoum. Essa palavra risível designa um conceito maior da Cabala [Zohar]. Para que o mundo existisse, Deus, que era tudo e estava em tudo, consentiu em se contrair, para deixar um espaço vazio que não fosse habitado por ele: é nesse <buraco> que o mundo tomou lugar.
Sendo assim, ocupamos o terreno vago que ele nos concedeu por misericórdia ou por capricho. Para que nós fôssemos, ele se contraiu e desmilingüiu, limitou sua soberania. Nós somos o produto de seu emagrecimento voluntário, de seu apagamento, de sua abstenção parcial. Em sua loucura, ele se amputou de nós. Que falta de bom senso e de bom gosto teve esse Deus, para não se conservar inteiro!”
“No Evangelho segundo os Egípcios, [este manuscrito não chegou até nós] Jesus proclama: <Os homens serão vítimas da morte enquanto as mulheres embarrigarem.> E precisa: <Eu vim destruir as obras da mulher.> [WIKIA: <O perdido Evangelho Grego dos Egípcios, provavelmente escrito no segundo quarto do século II d.C., foi citado por Clemente na sua ‘Miscelâneas’ (Stromata), que é a fonte de quase todos os trechos que chegaram até nossos dias.>]
Quando se embarca nas verdades extremas dos gnósticos, amar-se-ia, se possível, ir muito mais longe, dizer qualquer coisa jamais dita antes, algo que petrifique ou pulverize a história, qualquer coisa oriunda de um neronismo[Nero–ismo, crueldade gratuita, particularmente contra os cristãos]cósmico, duma demência do nível da matéria.”
“Traduzir uma obsessão é projetá-la fora de si, é alvejá-la, é exorcizá-la. As obsessões são os daemon de um mundo sem fé.”
“O homem aceita a morte, mas não a hora de sua morte. Morrer quando quer que seja, salvo na hora que se deve morrer!”
“O absoluto é um tique do espírito.”
“Quando eu recapitulo meus projetos que continuaram projetos e os que se realizaram, me bate o arrependimento de ver que esses últimos não tiveram a sorte dos primeiros.”
“«Aquele que é inclinado à luxúria é simpático e misericordioso; os que são inclinados à pureza não o são.» (Clímacus [alter ego de Kierkegaard])
Para denunciar com uma tal clareza e vigor, não as mentiras, mas a essência mesma da moral cristã, e de toda moral, é preciso ser um santo, nem mais nem menos do que isso.”
“Aceitamos sem medo a idéia de um sono ininterrupto; em compensação, uma vigília eterna (a imortalidade, se ela fosse concebível, seria bem isso) nos deixa de cabelo em pé.
O inconsciente é uma pátria; o consciente, um exílio.”
A LUGUBRIDADE DO ÚLTIMO PÔR DO SOL
Um povo perece. Outros existem e persistem. Muitas vezes os povos perecem um por causa do outro, se é que não é uma lei universal que não comporta exceções, desde os dinossauros. Decadências e ascensões estão intimamente entrelaçadas, como atesta Roma e a barbárie. Os muçulmanos e a Europa. De forma que ao invés da morte pura e simples podemos falar em “fusão de corpos”. O inglês de hoje é o indiano de ontem. O americano de amanhã será o mexicano de hoje. Todos seremos uns japoneses súditos de imperadores exóticos trajando mantos que representam o Astro-Rei. Continuaremos vivos embora sejamos outro alguém. Podemos mesmo registrar “o último moicano” em filmes, documentários, narrativas ou furos jornalísticos. O último quilombola, o último bicho-do-mato, o último africano subsaariano faminto, o último branquelo egresso da União Européia, até o último moscovita comunista. Mas o triste de perecer como um todo, quando a humanidade perecer, com “p” de petrodólares, é que não haverá testemunhas, não será nem fusão, nem pacto. Não será lei de Darwin, onde os animais continuam a prosperar. O gélido sonho dos finados não seguirá sorridente e intransigente nas veias quentes dos conquistadores na moda. Poderia mesmo restar um último homem, judeu errante, holandês rastejante, perambulando sobre e entre destroços hiper-tecnológicos. Mas sem o Olho que Vê e festeja. Não há uma Babilônia a quem se prostituir. Fim da linha. Fim dos avatares. Nem o sol nasce amanhã. Haverá festa mesmo assim?
“Sem a crença num universo falhado, o espetáculo da injustiça vigorante sob todos os regimes da Terra conduziria necessariamente mesmo os abúlicos [abulia: falta de vontade extrema, caracterizada como psicopatologia] à camisa de força.”
“Cada geração vive no absoluto: ela se comporta como se ela tivesse chegado ao topo, senão ao fim, da história.”
“Todo e qualquer povo, num determinado momento de seu progresso, se crê eleito. É nessa fase que ele apresenta do seu melhor e do seu pior.”
“Que a guilhotina tenha nascido na França antes de na Itália ou na Espanha não é por acaso. Os espanhóis e os italianos falam sem parar, também, mas eles não se escutam enquanto isso; já os franceses, falando e falando, saboreiam sua eloqüência, e não esquecem jamais o que o escutam; chegam ao cume da consciência. Eles, e só eles, podiam considerar o silêncio como uma prova e uma ascese.”
“Que as sociedades prósperas são de longe mais frágeis que as outras, é óbvio: só lhes resta esperar a ruína certeira; o bem-estar não é mais um ideal quando já se o possui, e ainda menos quando ele existe entre os cidadãos há gerações. Sem contar que a natureza não o incluiu em seus cálculos e ela não saberia proporcioná-lo sem perecer.”
“Se as nações se tornassem apáticas ao mesmo tempo, não haveria mais conflitos, guerras nem impérios. Mas o azar quer que sempre haja povos jovens, e aliás jovens de alto a baixo em todas as sociedades – obstáculo maioral para os sonhos dos filantropos: fazer com que todos os homens atinjam o mesmo grau de lassidão e moleza…”
“As revoluções são o sublime da má literatura.”
“O cansativo nas comoções públicas é que qualquer um se julga competente o bastante para comentar o assunto.”
DA EDUCAÇÃO NÃO-CÍNICA DO FUTURO: “A única coisa que deveria ser adequadamente ensinada ao jovem é que não há nada a se esperar da vida – vá lá, quase nada. O ideal educacional seria um Quadro das Decepções afixado em classe onde figurassem todos os prováveis descontentamentos reservados a cada um. Haveria alguns exemplos gerais pré-fixados. O aluno teria espaço para completar o seu quadro ele mesmo com o passar dos dias.”
NO ZIL: “Um povo nunca faz mais do que uma revolução. Os alemães pararam na Reforma. A França é o país do 89. E lá vão os russos com seu 17. Essa característica singular, a de que qualquer revolução posterior não passa de um simulacro baseado na primordial e única verdadeira, é ao mesmo tempo aflitiva e reconfortante.”
“Toda civilização esgotada espera seu bárbaro, e todo bárbaro espera seu daemon.”
“O Ocidente é um cadáver que tem cheiro de flor.”
“Os brancos merecem cada dia mais o título de pálidos que os índios americanos lhes davam.”
“Os romanos, os turcos e os ingleses puderam fundar impérios duráveis porque, refratários a toda doutrina, eles não impuseram nenhuma às nações sujeitadas. Estes povos jamais teriam conseguido exercer uma hegemonia tão durável se fossem afligidos por qualquer vício messiânico. Opressores inesperados, administradores e parasitas, senhores sem convicções, eles possuíam a arte de combinar autoridade e indiferença, rigor edeixar-passar. É essa arte, segredo do verdadeiro mestre, que faltara aos espanhóis lá atrás.”
Qual será o aspecto de nossa sociedade contemporânea que nossos bisnetos apreciarão com mais nostalgia ao ler os livros de História?“Ah, tempos dourados, quando…”?!?!?! “Nós fomos os últimos que ainda tinham uma certa noção de ‘Paraíso Perdido’”
“Minha visão do amanhã é tão precisa que, se eu tivesse filhos, estrangulá-los-ia na hora.”
“Hesíodo foi o primeiro a elaborar uma filosofia da história.¹ Foi ele também que lançou a idéia de declínio. Só com ela, quanta luz ele não jogou sobre o devir histórico! Se, no núcleo das origens, em pleno mundo pós-homérico, ele estimava que a humanidade estava na idade do ferro, o que ele teria dito séculos mais tarde? o que diabos ele diria hoje? Exceto em épocas obnubiladas pela frivolidade ou a utopia, o homem sempre pensou que estava no limiar do pior. Sabendo o que ele sabia e sempre soube, por qual milagre pôde ainda assim variar tanto seus desejos e terrores?”
¹ Boa proposta. Muitos são um tanto conservadores nessa atribuição: dizem que foi Ibn Khaldun!
“Quando, na ressaca da guerra de 14, foi introduzida a energia elétrica na minha cidade natal, foi um murmúrio e tanto, e depois a desolação muda. Durante a instalação da eletricidade nas igrejas (eram 3), cada qual estava persuadido de que o Anticristo havia aterrissado e, com ele, o fim dos tempos. Esses camponeses dos Cárpatos viram direitinho, viram muito longe. Eles, que acabavam de sair da pré-história, já sabiam, à época, o que os civilizados foram aprender só um pouco depois.”
“Foi do meu preconceito contra tudo que termina bem que veio meu gosto pelas leituras históricas. As idéias são impróprias ao ponto da agonia; elas morrem, decerto, mas sem saber morrer, enquanto que um acontecimento não existe senão com vistas a seu fim. Razão suficiente para que se prefira a companhia dos historiadores à dos filósofos.”
“Se repetir é provar que ainda se acredita em si mesmo.”
“A idéia de progresso desabona o intelecto.”
“À la longue, la tolérance engendre plus de maux que l’intolérance. — Si ce fait est exact, il constitue l’accusation la plus grave qu’on puisse porter contre l’homme.”
“O historiador que se mete a julgar o passado faz jornalismo num outro século.”
“Em coisa de 200 anos (porque é necessário ser preciso!), os sobreviventes dos povos mais azarados serão confinados em reservas, e o público pagará ingressos para contemplá-los, cheios de desgosto, comiseração ou estupor, e também com uma admiração maligna no rosto.”
“— Você é contra tudo que aconteceu desde a última guerra, me dizia a madame.
— Você se confundiu de data. Eu sou contra tudo que aconteceu desde Adão.”
“Hitler é sem dúvida alguma o personagem mais sinistro da história. E o mais patético. Ele conseguiu realizar o contrário exato do que queria, destruiu ponto por ponto seu ideal. É por isso que ele é um monstro à parte, quer seja, duas vezes monstro, porque seu próprio patético é monstruoso.”
“O sábio é um destruidor aposentado.”
“Indivíduo maldito e indivíduo desgraçado não são a mesma coisa.”
Satanás é superior ao agitador, porque se destruir é muito mais difícil e honrado que destruir o que está fora de si.
“Dividido ao meio, entre a violência e o desapontamento, eu me penso como o terrorista que, saindo de casa com a idéia de perpetrar um atentado qualquer, acaba parando no meio do caminho para consultar o Eclesiastes ou um Epicteto.”
“O <despotismo esclarecido> é o único regime que segue sedutor para o espírito que já viu e viveu tudo.”
“Em todo relato antropológico que se me faz constar o homem civilizado foi, num primeiro contato, considerado como um morto-vivo pelo aborígene.”
“X. sustenta que nós estamos no fim de um «ciclo cósmico» e que tudo vai cedo ou tarde (cedo ou cedo) ser aniquilado. Disso ele não duvida um só instante.
Ao mesmo tempo, ele é pai de família, e duma família assaz numerosa. Com convicções como as dele, que aberração explica ele atirar nesse mundo sem conserto um filho atrás do outro? Se alguém prevê o Fim, se está certo de que ele logo virá, se inclusive conta com esse Fim, deveria ao menos esperar por ele sozinho. Não se procria em Patmos¹!”
¹ Ilha grega, no mar Egeu, famosa por ter sido o suposto lugar das visões que foram acometidas a João para que ele as descrevesse aos cristãos (Livro do Apocalipse).
“Montaigne, um sábio, não teve posteridade; Rousseau, um histérico, ainda agita as nações. Só consigo amar os pensadores que não inspiraram nenhum orador.” Montaigne é assustadoramente superestimado. Só sabia citar autores antigos. Só sabia ler.
“Em 1441, no concílio de Florença, foi decretado que os pagãos, judeus, heréticos e cismáticos não teriam parte alguma na <vida eterna> e que todos, a menos que se convertessem à verdadeira religião antes de morrer, irão direto para o inferno.”
“O homem que venceu completamente o egoísmo, que não guarda mais traço algum, não pode durar além de 21 dias, é o que é ensinado numa escola moderna do Vedanta.
Nenhum moralista ocidental, mesmo o mais soturno, jamais ousou estipular sobre a natureza humana uma previsão tão seca e exata.”
“Primeiro, a crença decidida no progresso; depois, a crença na evolução e sobrevivência do mais forte; depois, a crença na mutação; quarto estágio – a sensação iminente de uma catástrofe sem paralelos.”
“Zeus sim era malvado, e ele engendrava Ésquilos.”
“Pascal reescreveu à mão algumas de suasProvinciais 17 vezes. É inconcebível como tal homem perdeu tanto tempo com algo tão irrelevante, de interesse hoje menos do que mínimo. Já sua magnum opus, Pensées, por ser um debate entre homem e deus, e não entre homem e homem, ainda merece um bocadinho mais de atenção.”
“O ansioso se agarra a todo estímulo excitante de seu desconforto providencial: querer curá-lo é prejudicar seu equilíbrio, a ansiedade sendo a base de sua existência e de sua prosperidade. O confessor astuto sabe que ela é necessária. O padre exalta a ansiedade, essa máquina de remorso. É a sua clientela. O laico não compreende e quer exterminar esse mal.”
“Ó, você me diz que a morte não existe. Eu lho concedo, sob a condição de precisar ainda melhor: nada existe. Aceitar a realidade em tudo e então refutá-la no ponto em que parece manifestamente mais real é pura extravagância.”
“Por que o homem não hiberna? Por que passa sua época estéril em mortificações e acessos de cólera?”
“A vantagem não-negligenciável de ter odiado bastante os homens é de chegar a um ponto em que se os pode suportar, justamente graças à exaustão natural de qualquer ódio.”
É lá o Aqui
é aqui o Lá
ECCE HONTE:Virtudes se consomem rápido, quão mais virtuosas são em si. Os vícios só se agravam com a idade.
“<Tudo está repleto de deuses>, dizia Tales à aurora da filosofia. Do crepúsculo, devemos dizer, não só por mania de simetria: <Tudo está vazio de deuses>.”
VISÕES RETUMBANTES
Uma grávida num cemitério é uma visão e tanto!
Nasceu onde morreu.
Viveu como morreu,
cavando
o próprio fracasso.
Pagando caro
o ter(re)no.
Esse maldito
importunado
pelas criancinhas travessas
que pulam o muro à noite!
Atchim!
Os ossos do crânio espirraram
* * *
Há mais em comum entre bocejos e orações do que a vã filosofia reza.
* * *
O duro é que pra dizer que a Literatura morreu é preciso ser um Artista.
* * *
Todos proclamam a morte de Deus, mas ninguém quer exumar o cadáver.
* * *
Minha maior ambição é continuar um bom tempo sem ambições.
* * *
“A gente se arrepende dos gestos nobres que faz. Mas é verdade, também, que a gente se arrepende dos gestos ignóbeis.”
«Infeliz aquele de que todos falam bem!»
Jesus Cristo
“O que me segura num livro de psiquiatria são as aspas dos doentes; o que me segura num livro de crítica são as aspas.”
“Os períodos de esterilidade que atravessamos coincidem com uma exacerbaçãode nosso discernimento, com o eclipse do demente que há em nós.”
“Ir até as extremidades de sua arte e, mais, de seu ser, essa é a lei de quem quer que se ame, tanto faz se tem realmente talento ou não.”
“«Se uma doutrina se espalha, é porque o céu quis.» (Confúcio)
… É nessas horas que eu adoraria me persuadir, todas as vezes, diante de tal ou qual aberração vitoriosa, que minha raiva beira a apoplexia.”
“A quantidade de exaltados, de desvalidos e degenerados que eu pude admirar! Alívio vizinho ao orgasmo à idéia de que nunca mais vou abraçar uma causa, qualquer que seja ela…”Sobre seu passado associado à apologia do nazismo.
NUNCA SE TERÁ FALADO O BASTANTE DESSE TIPO DE PESSOA
“É um acrobata? É um maestro fisgado pela Idéia? Ele se embala, depois se modera, ele alterna entre alegro e andante, ele é mestre de si como o são os faquires ou os escroques. Todo o tempo que ele fala, dá a impressão de procurar, mas não se sabe o quê: um especialista na arte de desbaratar os pensadores.Se ele dissesse uma só coisa perfeitamente clara e inquestionável, estaria perdido. Como ele ignora, tanto quanto sua audiência, onde ele quer chegar, pode continuar durante horas a fio, sem pôr a perder esse embasbacamento dos fantoches na platéia.”
EmbasBACANTES
“É um privilégio viver em conflito com seu tempo. A cada momento é-se consciente de que não se pensa como as outras pessoas. Esse estado de dissonância aguda, por mais indigente, por mais estéril que ele possa parecer, possui entretanto um estatuto filosófico que se procuraria em vão nas cogitações que concordam com os eventos em marcha.”
“<Não se pode nada>, não cessava de responder aquela nonagenária a tudo que eu lhe dizia, a tudo que eu grunhisse ao pé de sua orelha, fosse sobre o presente, sobre o futuro, sobre a marcha das coisas…
Na esperança de arrancar-lhe qualquer outra resposta, continuei com minhas apreensões, pesares, reclamações. Não obtendo dela nada além do sempiterno <Não se pode nada>, achei que já tinha tido o suficiente e me fui dali, irritado comigo, irritado com ela. Que idéia foi essa de se abrir para uma imbecil!
Mas uma vez fora, reviravolta completa: <Mas a velha tem razão. Como não me dei conta imediatamente que sua cantilena encerrava uma verdade, a mais importante, sem dúvida, já que tudo que surge a proclama e tudo em nós a ignora?>”
“Duas sortes de intuição: as originais (Homero, Upanishads, folclore) e as tardias (budismo, Mahayana, estoicismo romano, gnose alexandrina). Relâmpag
“For the existentialist Rollo May (1950), anxiety <is described on the philosophical level as the realization that one may cease to exist as a self. . . i.e., the threat of meaninglessness> (p. 193).”
Etimologia greco-latina: sendo pressionado para baixo por tristezas e misérias (pesares).
“Jablensky (1985) notes that the English word anxiety does not cover the same semantic space as the French anxieté or the Spanish ansiedad although they all derive from a common root. In French, angoisse is used as a near-synonym for anxiety but connotes more strongly the physical sensations accompanying the experience and may be closer to the English anguish than to anxiety. And the German word angst implies, besides anxiety and anguish, agony, dread, fear, fright, terror, consternation, alarm and apprehension.”
“the indefinable nature of the feeling gives it its peculiarly unpleasant and intolerable quality.”
“Lay people, in particular, use the terms anxiety, stress and tension interchangeably. There is little agreement in the scientific community as to the definition and nature of stress, and the term is best avoided as it only causes confusion.”
“Se o paciente é prejudicado pela ansiedade, procura tratamento, ou se envolve em comportamentos auto-destrutivos a fim de controlá-la, a ansiedade deve ser considerada clínica.”
Generalizada e/ou episódica (ataque de pânico)
CORE CHAT
palpitação do coração
não deixe estranhos dar
palpite, não
pit of emotions
the inverted peak
shadow&light
negative&positive
yes and no world against
you
who am I
a genius, a demon,
Socrates or a man
a single and
pitagorean
human being
that was not
and will not be
just live
with the leaves
leave me
alone
can you?
all of you
levee of emotions
lake of discharge
storm and thunder
revenge
vengeance
action of genius
evil genius
gentle
until
kindle the
sweetness
draw
out
now!
* * *
jittery man
“The bullied are afterwards the greatest bullies” Juice R, pessoa sem-graça nota 7 que não quis se identificar. Possui características de liderança. Falam mal pelas suas costas, mas ela não está nem aí…
Queria ter consulta com o dentista a qualquer dia menos hoje!
aquiescente com o tumulto
Eu já havia lido Sartre, mas fui saber o que é náusea quando trabalhei na DRI.
“depois eu começo a sentir que estou separado do meu corpo e, sabe, que vou cair ou/hmm/como se eu estivesse fora do meu corpo e não tivesse mais controle sobre minhas funções motoras – não consigo nem caminhar nem conversar”
mas finjo para os trouxas
terapia de impacto
tratamento de choque
de coxinhas estou cheio,
ops, grogue
boxeador
madVanity beats
but the countdown never comes in…
minha boca mais seca que a tua consciência
verme sem olhos, ouvidos, miolos!
miolo mole miolo-oco
guacamole
cabeça-de-ovo
azedo
como abacate
eXtra-
(degra)
(d/g)ado
GG
gado.golpista
odeiam regras então
meu K.O.
será letal
matarei em
legítima defesa
dessa vez
eis meu lema
tímido
em time que está ganhando
mexe-se sim,
para fazer cera
“between dizziness and almost vertigo”
Não se sabe o que é mais irritante, se, numa palestra, ninguém prestar atenção… ou todo mundo prestar atenção.
Sintomas muscular-esqueléticos da ansiedade: dores, espasmos, paralisias, rigidez, mioclonia (contrações musculares involuntárias), bater de dentes, voz irregular, tônus muscular crescente, tremores, sensação constante de cansaço, pernas bambas, corpo desajeitado.
No sistema sensório:Tinnitus (doença do ouvido mais freqüente em depressivos; condição também associada com a gradual perda da audição), vista embaçada, hiper-sensibilidade ao calor e frio, sensação generalizada de fraqueza, arrepios repentinos, face corada, face pálida, suor, coceiras.
(…) respiratório: (…) sensação de engasgo. (…) gastro-intestinal: (…) flatulências, dor abdominal, azia, desconforto abdominal, náusea, vômitos, frouxidão intestinal, perda de peso, perda do apetite, constipação (…)genital-urinário: urina freqüente, perda da menstruação, menstruação excessiva, ejaculação precoce, perda da libido. (…) sistema automático: boca seca, tontura, dor de cabeça de tensão, cabelos eriçados.
“sentimentos de irrealidade”
“impotência para controlar o pensamento”
“perda de objetividade e perspectiva”
“medo de não conseguir lidar”
“medo de se machucar ou morrer”
“medo de ficar louco ou incapaz”
“medo de avaliações negativas”
“imagens visuais aterradoras”
“ideação de medo repetitiva”
“mobilização do corpo para enfrentar/fugir”
“Immobility is classified as attentiveness, in which the animal remains inert while carefully observing its environment—a phenomenon suggested by the phrase <freeze in your tracks,> or as tonic immobility, in which a previously active animal exhibits prolonged freezing and decreased responsiveness.”
“For instance, during anxiety episodes some patients feel that their coordination is impaired, that they might faint and that they can’t move their feet.”
vista evitativa
“The behavior associated with anxiety frequently becomes independent of the anxiety itself. Furthermore, behavior engaged in for the purpose of controlling anxiety sometimes exacerbates the anxiety. For example, some patients drink excessive amounts of coffee when they feel anxious, yet the caffeine in coffee produces anxiety and even panic.”
“The most serious complications of anxiety disorders are often associated with the patient’s attempts to cope with anxiety. Patients may become severely avoidant or depressed, abuse drugs or alcohol, or become helplessly dependent on their family, friends, and the medical system. The avoidance, when manifested as agoraphobia, may be one of the most disabling of all psychiatric problems. (…) Thus, chronic symptoms such as avoidance, which result from efforts to cope with anxiety, are often more disabling than the anxiety itself and need to become the focus of treatment. [lógica da insistência dos terapeutas]”
“Very uncomfortable. Shopping in store. Unable to wait through check-out stand. I went and sat in car while my Mom paid for the items.”
“The septo-hippocampus, thalamus, locus coeruleus, and their afferents and efferents, and various neurotransmitters are clearly involved with anxiety.”
“Contemporary psychodynamic theories of anxiety began with Fr.. His first major discussion of anxiety was published in 1894 and his last in 1926, but his writings before and after these also address major issues of anxiety. New insight, observations, experience, and discussions led Fr. to reformulate and elaborate his views. In his final model, and the one still followed by most psychoanalysts, Fraud argued that the generation of anxiety occurs unconsciously, outside of the individual’s awareness.”
“She reported that the number of the street the bus was approaching corresponded to the age at which her father had died and that her father had had his heart attack near the hour that corresponded to the time her anxiety attack on the bus occurred.”
“Deutsch (1929) presented 4 cases of agoraphobia where defense against aggressive impulses towards parents or parental figures resulted in panic attacks.”
catástrofe narcisista
“all the awful sexual things that I was always taught can happen to you when you walk around the streets in the dark”
“Threat of loss creates anxiety, and actual loss causes sorrow; both, moreover, are likely to arouse anger.”
“beta-blockers, which block many of the peripheral sensations of anxiety, are not effective in blocking panic.”
“We have glimpses of some of the systems involved with anxiety, but an integrated model will require new neuroscientific methods capable of observing the actual functioning of the central nervous system under various conditions.” “The limbic system is concerned with integrating emotional and motivational behavior, particularly motor coordination in emotional responses (Watson et al., 1986).” “For instance, low intensity stimulation of the LC causes head and body turning, eye scanning, chewing, tongue movement, grasping and clutching, scratching, biting fingers or nails, pulling hair or skin, hand wringing, yawning, and spasmodic total body jerking (Redmond et al., 1976).”
“Neurotransmitter systems are distributed only partially in the classical anatomic pathways. Neurotransmitters are the chemical <messengers> that control transmission between nerves. In general, they are released at the end of a nerve into the synaptic cleft, the space between the end of one nerve and the beginning of another. These neurotransmitters diffuse across the synaptic cleft to the postsynaptic neuron, where they activate specific sites on the cell membrane called receptors. Attachment to the receptor causes the postsynaptic neuron to alter its standing electrical charge, which in turn may cause it to discharge.” “Already, over 40 neurotransmitters and neurohormones have been isolated from the CNS. However, 2 neurotransmitter systems, the noradrenergic and serotinergic, seem particularly important to anxiety, and each has strong proponents arguing for its central role in anxiety disorders.”
“It is possible that patients prone to anxiety disorders have too few noradrenergic receptors, that their system is too sensitive to input (it tends to overshoot), and that their receptors are subsensitive. Neurotransmitter systems are dynamic and it may be that environmental events, like a traumatic experience or separation, are necessary for the noradrenergic system to become disequilibrated.” Que é possível Homero já podia dizê-lo, não carece um neurocientista afirmar com tanta pompa. Seria melhor virem a público quando tivessem qualquer informação certa e transmitir usando seus preciosos neurorreceptores!
“Experimentally, the serotonergic system seems to be involved in behavioral inhibition. The suppression of behavioral inhibition following punishment is a phenomenon that seems to be affected by drugs with antianxiety properties.” “The antianxiety drugs counteract the behavioral effects of 3 classes of stimuli: those associated with punishment, with the omission of expected reward, and with novelty.” Classificação puramente abstrata e convencional.
VOCÊ É UM HOMEM OU EU MATO? “a rat conditioned to expect a shock when a red light is flashed (stimulus of punishment), will exhibit freezing (behavioral inhibition), increase in heart rate and other physiological functions (increment in arousal), and scanning (increased attention).” Vejo que avançamos milhas e milhas desde Pavlov!
TODO GARÇOM TEM CARA DE BUNDA:“toughening up by repeated exposure to a feared situation should be enhanced by drugs that increase noradrenergic activity. Exposure combined with imipramine is more effective than exposure alone.”
“5. Mild episodic anxiety. Mild episodic anxiety occurs for reasons that are difficult for the patient to identify. [TODA razão de ansiedade é difícil de identificar.] Such anxiety is a common phenomenon in therapy. We include so-called death or existential anxiety in this category.
6. Mild anxiety and mild depression, sometimes called distress. This is probably the most common anxiety disorder. Patients with mild anxiety and depression and concomitant medical problems are the most frequent users of sedative medications. [80% da população mundial – embora apenas traços de porcentagem provavelmente tenham consciência e recebam medicação…]
7. Anxiety related to specific social, family, or work situations. In such patients the anxiety is usually bearable and is seen as secondary to the primary problem. Such patients sometimes meet the criteria for social phobia.”
“Traditionally, psychoanalysts have classified distress and generalized and panic anxiety together.”
“Panic disorder with agoraphobia is the most severe condition and includes all of the pathology of the other disorders.”
“The extreme rituals and obsessive thoughts characteristic of individuals with obsessive-compulsive disorder distinguish this group from other anxiety sufferers.”
“DSM-III-R is a necessary evil. It is necessary because it often determines reimbursement, helps with clinical formulation and treatment, and facilitates communication of scientific and clinical information. The drawbacks of DSM-III-R are that it forces clinicians to classify patients into categories that only partially fit their complex problems; it makes assumptions not shared by many therapists (for instance, that mental health problems should be considered medical problems), and it gives undue emphasis to psychiatry over other mental health disciplines since psychiatrists were the ones who mainly developed and implemented the system.”
Pennys-silvana
“The syndrome of recurrent panic attacks was recognized as a separate disorder as far back as 1871 when Da Costa described the <irritable heart> and later in 1894 when Fraud first applied the name anxiety neurosis to the syndrome, separating it from the category of neurasthenia.”
“The 1869 American Medico-Psychological Association diagnostic system included only simple, epileptic, paralytic, senile and organic dementia, idiocy, cretinism, and ill-defined forms. The next major change in the U.S. occurred in 1917 when the American Psychiatric Association developed a 22-item nosology based on etiology. By then psychoanalytic theory had introduced the concept of neurosis, in which anxious symptoms were attributed to unconscious conflicts. Thus <psychoneurosis> was introduced as a diagnostic category. Disorders subsumed under this heading included hysteria (of which anxiety hysteria was a variant), [afinal, ao que tudo indica a histeria nem existe mais, fato nunca excessivamente sublinhado] psychasthenia or compulsive states, neurasthenia, hypochondriasis, reactive depression, anxiety state, and mixed psychoneurosis.”
DSM-I: 1952
DSM-II: 1968
DSM-III-R: 1980 “In 1980 the term <neurosis> was replaced by <disorder>.” PARA TRANS-TORNO DOS PACI-ENTES
DSM-IV: 1992 (previsão – livro velho!)
“A patient often meets the criteria for generalized anxiety disorder, panic disorder, and agoraphobia simultaneously, or, over time, exhibits changing symptomology that at one time may seem most consistent with one diagnosis and at another time with an alternative one. (…) the rigid hierarchical system of DSM-III, in which one anxiety diagnosis precluded another, is loosened.”
“feelings of impending doom.”Dá uma música do Black Sabbath
“Attacks usually last minutes; occasionally they will last for an hour or more. The individual often develops varying degrees of nervousness and apprehension between attacks. The initial attacks are unexpected or spontaneous, although over time, they may become associated with specific situations, persons or places.”
Não precisa ser um DSM recente para me deixar “apreensivo” (mas o que é isso na vida de um eternamente apreensivo?):
PANIDOG SYMPTOMS – Spair (12/13)!
“(1) shortness of breath (dyspnea) or smothering [asfixia] sensations
(2) dizziness, unsteady feelings, or faintness
(3) palpitations or accelerated heart rate
(4) trembling or shaking
(5) sweating
(6) choking
(7) nausea or abdominal distress
(8) depersonalization or derealization
(9) numbness or tingling sensations (paresthesias)
(10) flushes (hot flashes) or chills [rubores (quentura) ou calafrios]
(11) chest pain or discomfort
(12) fear of dying [more like fear of never dying…]
(13) fear of going crazy or doing something uncontrolled”
“As a result of this fear, the person either restricts travel or needs a companion when away from home, or else endures agoraphobic situations despite intense anxiety.”
WORKABHORRENT
“anxiety is almost invariably experienced if the individual attempts to resist the obsessions or compulsions.” “Obsessions and compulsions secondary to panic and agoraphobia are often readily amenable to treatment; obsessions and compulsions characteristic of obsessive compulsive disorder are far more refractory to change.”
TRAUMATIC SYMPTOMS – Strike!!
Part I
“(1) recurrent and intrusive recollections
(2) recurrent and distressing dreams of the event
(3) sudden acting or feeling as if the traumatic event were recurring
(4) intense psychological distress at exposure to events that resemble the traumatic event [síndrome de E. temote]”
Espere, uma pausa para distender os músculos…
LITTLE JEW SYNDROME
remote memory
remote control
of your own business
dare your church [synagogue?] matters
and live the secular world
for us sinners you ultra-fool
you’re fuel
for my combustions
my hellish combustions
oh how does it feel to be alone
like some Achilles standing by
beneath the shadows,
repentlessly?
YouReaTraumA
IRA @ YOU
Assunto: Re: calque (Recalc. de cimento – retificação)
To (destino otário): vai.a.a.merda.com.agua.sanitaria@no.teu.cu
cof cof, more coffee coffee please!
Part II
“(1) efforts to avoid thoughts, or feelings associated with the trauma
(2) efforts to avoid activities or situations that arouse recollections of the trauma
(3) inability to recall an important aspect of the trauma
(4) marked diminished interest in significant activities
(5) feeling of detachment or estrangement from others
(6) restricted range of affect
(7) sense of foreshortened future”
What about “sense of being superior”?!
Part III
“(1) difficulty falling or staying asleep [Grande Bog!]
(2) irritability or outbursts of anger
(3) difficulty concentrating
(4) hypervigilance
(5) exaggerated startle response (?)
(6) physiologic reactivity upon exposure to events that symbolize or resemble an aspect of the trauma”
GENERALIZED A. SYMPTOMS
“Motor Tension
(1) trembling, twitching, or feeling shaky [“enrolado”, como dizem alguns]
(2) muscle tension, aches, or soreness
(3) restlessness
(4) easy fatigability
Autonomic hyperactivity
(5) Shortness of breath or smothering sensations
(6) palpitations or accelerated heart rate
(7) sweating, or cold clammy hands
(8) dry mouth
(9) dizziness or lightheadedness
(10) nausea, diarrhea, or other abdominal distress
(11) flushes (hot flashes) or chills
(12) frequent urination
(13) trouble swallowing or <lump in throat> [Pomo de Adão? Sensação de ter engolido um tubo?!]
Vigilance and scanning
(14) feeling keyed up or on edge
(15) exaggerated startle response (?)
(16) difficulty concentrating or <mind going blank>because of anxiety
(17) trouble falling or staying asleep
(18) irritability”
“<The Europeans have taken a slightly different approach to the classification of anxiety disorders. The main European classification system is the International Classification of Diseases (ICD). ICD is not a true nomenclature in that it has a limited number of categories that are not systematically ordered. ICD does not use operational rules but describes the classification for purposes of making the diagnosis. Anxiety states are defined in ICD-9 as ‘various combinations of physical and medical manifestations of anxiety, not attributable to real danger and occurring either in attacks or as a persisting state.’ The anxiety is usually diffuse and may extend to panic. Other neurotic features such as obsessional or hysterical symptoms may be present but do not dominate the clinical picture> (Jablensky, 1985, p. 755). Presumably, there will be some reconciliation between ICD-10 and DSM-IV when they are published in the future.”
“a patient may come close to meeting the DSM-III-R criteria for panic disorder but may have too few panic attack episodes to qualify for that diagnosis. The focus of treatment should still be on the panic attacks if they are disabling.” “Some patients with recent onset of panic attacks may see a psychotherapist early in the course of their disorder, but this is rare, as most consult a medical specialist first.”
Hipotensão ortostática: condição fisiológica de quem tem níveis de pressão abaixo da média exclusivamente após mais de 3 minutos na posição vertical (em pé); pode ser ignorada e confundida com a condição da tontura ou náusea ansiosas.
“lightheadedness (a feeling that one might be about to faint)” Alarme falso desde sempre.
Vertigem de fumar na sacada.
Comer não dá prazer antes de grandes eventos.
Intolerância ao calor e suor excessivo: hipertireoidismo também pode ser a resposta.
“Depersonalization or derealization: (may be attributed to) Temporal lobe epilepsy: (Symptoms) Perceptual distortions, hallucinations” Jesus tinha um rombo no lobo.
“Keep in mind that anxiety disorder patients often overuse the medical system and caution must be taken to make the appropriate diagnosis while avoiding or minimizing unnecessary tests.”
“Drogas ansiosas”: aspirina, cocaína, anfetamina, alucinógenos. Álcool, cafeína e nicotina são conhecidas facas de dois gumes. Qual seria a taxa de nicotina “com moderação”? O antitabagista da rodada.
Fluxograma habitual da nicotina: leve excitação seguida de tensão-relaxação. Abuso: ansiedade (superexcitação).
Café: ansiedade quando abusivo ou em pessoas predeterminadas à sensibilidade.
“Somatoform Disorders. (…) The two types of somatoform disorders most likely to present with panic-like symptoms are somatization disorder and hypochondriasis.”
“Somatization disorder is distinguished from the anxiety disorders by its course, number of symptoms, and phenomenology. The main feature of somatization disorder is a history of physical symptoms of several years’ duration, beginning before the age of 30. To meet the DSM-III-R criteria, patients must complain of at least 12 symptoms in 4 different body systems, to have sought medical evaluation and treatment of these symptoms without a medical explanation being uncovered. At any one time, these patients usually have at least one or two symptoms that dominate the clinical picture and are present night and day.” Voilà! My research has finally ended…
O QUE É, O QUÉ? SÓ GANHAMOS, MAS COM ISSO SÓ PERDEMOS? O fato de que a cada dia somos brindados com o diagnóstico de novos transtornos e desordens.
“compared to patients with somatoform disorders, most panic patients have symptom-free episodes and times when they are not bothered by somatic symptoms.”
“Assessing the presence and extent of avoidance is somewhat problematic, particularly for patients who must work or take transportation despite dread of doing so. They may appear to have little restriction, when in fact they live with frequent dread. Four self-report instruments are available to assess avoidance: the Mobility Inventory (Chambless et al., 1985), the Phobic Avoidance Inventory (Telch, 1985), (see Appendix 2), the Stanford Agoraphobia Severity Scale (Telch, 1985), and the Fear Inventory (Marks & Mathews, 1979). Of these, the latter two are easiest to use.”
APPENDIX 2
“The Hamilton Anxiety Rating Scale (Hamilton, 1959) is the standard pharmacology outcome rating scale for anxiety. It is designed to be completed by an interviewer. The Stanford Panic Appraisal Inventory (Telch, 1985) was designed to assess patients’ panic cognitions. The Common Fears and Phobias questionnaire is an adaption of the Fear Survey (Wolpe & Lang, 1964). The Stanford Panic Diary is used to collect information on the intensity, symptomatology, place of occurrence, cognition, and patient response to panic attacks. Patients should be given a sufficient number of forms for them to be able to record this information on all the panic attacks they may experience from one visit to another. The Panic Attack Self-Efficacy form is used to monitor treatment. Patients need to be taught how to use the form. Finally, the Phobic Avoidance Inventory, developed by Michael Telch, Ph.D., for the Stanford Agoraphobia Avoidance Research Projects, is a useful clinical tool. Some of the items will need to be changed if the form is used in geographic locations other than the San Francisco Bay area. For instance, the <Driving an Automobile> section refers to Route 280 and Highway 101.”
~(Neste ponto: consultar caderno Goethe com anotações pessoais.)~
OUT OF THE BLUE: randomly, “do nada”…
o nada é o limite
pálido ponto abstrato
vórtice zero do buraco negro
fedro
belo
fim
HAMILTON ANXIETY RATING SCALE
Anxious mood – 68,75%
Tension – 45,75%
Fears – 41,5%
Insomnia – 45,75%
Insomnia during UnB – 54% (only!)
Intellectual compromising – 25%
Depressed mood – 31,25% (Am+Dm=100%!)
Somatic (muscular) – 39,27%
Somatic II – 40%
Cardiovascular symptoms – 41,5%
Respiratory symptoms – 37,5%
Gastrointestinal symptoms – 30,5%
Genitourinary – 31,25%
Autonomic symptoms (boca seca, suor, dor de cabeça) – 58,25%
Behavior at interview – 63,75%
Se meu humor fosse dividido em 10 pedaços, eu seria “6 torrões de ansiedade”, “3 torrões de depressão” e 1 de capricho indeciso. Olá, garçom, vou querer um café. O que vai ser, (ran)cinzas ou azedante? Soda cáustica.
Mais volátil que pedras de granizo em precipitação.
* * *
“As many therapists are ambivalent about or opposed to symptom-focused treatment we would like to begin this chapter by briefly attempting to persuade the reader of our point of view, if he or she does not already share it.” “In general, psychodynamic approaches proceed with somewhat diffuse or general goals, while behavioral, cognitive, and pharmacological treatments are more specific in their foci. Specific and non-specific therapies, which have often seen themselves in competition with one another—witness the sometimes acrimonious exchanges between behaviorally oriented clinicians and their dynamic counterparts—have dissimilar goals. (…) To oversimplify a bit, psychodynamic therapy primarily offers insight, self-awareness, and general growth and development, while behavioral and other forms of brief, symptom-focused treatment concentrate on helping the patient achieve palpable relief from certain specific complaints.”
“Saia mais!” – talvez signifique: saia mais da sala destes analistas superficiais.
“Several authorities on psychodynamic treatment have noted that patients with phobic and other anxiety-related complaints are not receptive to such therapy, or that they do not respond well once engaged in psychodynamic psychotherapy.” “Consider, for example, the agoraphobic patient. In the most severe cases, all facets of the person’s day-to-day life are compromised: work is problematic and often impossible because of the difficulty traveling far from, or even leaving, home; personal and family relationships are distorted by the demands imposed upon intimates to organize their lives to protect the agoraphobic from exposure to anxiety; mundane, everyday tasks such as grocery shopping are either delegated to others, or are undertaken only after carehil [sic – careful?] planning to minimize <unsafe> features of the situation such as lines or traffic; and socializing and other recreational activities are severely curtailed or entirely avoided.” “they would like to be able to grocery-shop independently, or travel more freely, or shop in a department store, or attend a movie, or return to work. And it is here that treatment must begin.” “Often what they want to deal with is another problem such as a difficulty in establishing close relationships or ambivalence about a particular partner, but they seem to need to formulate a more disabling problem in order to justify the need for psychotherapy to themselves or to others. Some, who may have a well-defined anxiety disorder, enter treatment with an a priori bias against behavioral or symptom-focused treatment as <superficial> [mas não é bias, é fato] and seek a therapy that is focused on the promotion of insight and self-understanding. But for the vast majority of patients presenting with anxiety disorders, symptom relief is the most salient initial goal.”
PROFUNDEZA DEMAIS NÃO É REALEZA
“even if one assumes that behavioral symptoms have their roots in unconscious conflict, they may become functionally autonomous (Fraud, 1936; Sluzki, 1981), and be maintained by a variety of other factors. Stated differently, the processes that <cause> a problem and those that maintain the problem are likely to be distinct. As the etiological factors may no longer be significant at the time of treatment, symptoms may be relieved without fresh outbreaks [meu caso na fase Victor Hugo].”
ALIMENTE-SE DE COISAS BOAS (MAS PODE CONTINUAR COMENDO FAST FOOD)
“as he begins to behave in a less helpless fashion, others in his relationship network are likely to come to treat him as though he is more competent, which will, in turn, enhance his self-perception.”
“Just as many psychiatrists never receive training in the administration of exposure therapy and so confine their treatment of anxious patients to pharmacotherapy, many psychologists and social workers trained to conduct exposure therapy are negatively disposed toward the use of medication and do not seek a medical consultation for patients who are failing to carry out therapeutic tasks because the symptoms are too distressing. Further, even when it is employed, medication is often improperly or inadequately applied. That is, the dosage is often too small to reduce the symptoms or it is so great that the anxious symptoms temporarily disappear, and the patient fails to learn to cope more effectively with them should they arise.”
“For example, one elderly agoraphobic patient, Mrs. H., with a 40-year history of avoidances of various kinds, made considerable progress in her ability to travel freely and comfortably over a 6-month period. After years of being housebound, she was able to visit her children and grandchildren who lived nearby, take a course at a local college, attend church, and shop in department stores, all without a companion. At one point, she and the therapist agreed that the next task was for her to drive to a nearby city by herself to visit a relative. Like most other activities involving travel, this was something that she had always done with her husband. At this point, progress stopped. For several weeks, she would arrive for her sessions not having done the task, offering a variety of explanations involving inconvenience, but it quickly became clear that there were other issues involved.”
SÍNDROME DA HONESTIDADE: “At the time of the initial consultation, symptoms of panic, which included palpitations, sweatiness, chest pain, dizziness, nausea, and fears of death and insanity were a daily occurrence. (…) She described her parents as very supportive and loving, but when she talked about her interaction with them it was clear that they were extremely demanding, with a very rigid sense of right and wrong. The family had clear and definite rules regarding virtually all areas of behavior—what church to attend and how often, what kind of car one should and shouldn’t drive, what kind of furniture one should have in one’s house, when was a proper time to go to bed, how a dinner table was to be set, what color the napkins should be, and so on. Virtually all behavior was evaluated in terms of its <rightness> or <wrongness> (…) Mrs. K. was the clear favorite among the three siblings in her family.” “K. was somewhat envious of her siblings, who had been <rebellious> as children but seemed to her to have developed a sense of adventure and to enjoy life considerably more than she.” “Considerable time was spent addressing her compliance as it manifested itself in the transference, including her over-enthusiasm for the therapist’s interpretations and her beliefs that she would be abandoned and the therapy relationship terminated if she failed to please the therapist and meet the expectations she imagined he had for her.” “During the course of treatment, Mrs. K. became considerably more assertive, and reported losing the general sense of bemused detachment that formerly had characterized her relationships and activities and were a direct outgrowth of her compliant posture.”
“one particular agoraphobic patient of ours dealt with the demands of others in an outwardly compliant way, but when uncomfortable or unhappy with such demands found ways to sabotage them passively. The way this emerged in the therapy was that when the patient felt the therapist did not understand the severity of her problem and was <pushing> too hard for her to complete certain tasks on her own, she would agree to carry out the tasks and then <not find the time>.”
“While some patients elect to stay in treatment beyond the point where their presenting symptoms have been reduced or have remitted, it is beyond the scope of our current effort to describe the long-term treatment of the anxious patient.”
“The main symptomology of patients with acute anxiety was reviewed in the first chapter. The patient feels anxious, tense, nervous; he is preoccupied and worried and ruminates about some, perhaps, indefinable problem; he may appear worried, with a furrowed brow or tense muscles; he may sweat excessively and have trouble sleeping and concentrating. (…) It is usually not possible to determine when an acute problem will become chronic, but most acute anxiety and tension disorders resolve within 6 months.”
“Past history of vulnerability to stress suggests continuation of the same vulnerability to stress, other factors being similar. We have seen patients with panic disorder, for instance, who experience recurrence of panic symptoms only when they feel stressed. In these people stress always seems to produce recurrence of the panic symptoms. Effective and early coping with stress minimizes adverse consequences.”
THE THIN LINE BETWEEN… “The boundary between generalized anxiety disorder and panic disorder is somewhat arbitrary. Generalized anxiety is often a feature of panic disorder, although some patients with panic disorder have all the symptoms of generalized anxiety; conversely, patients with generalized anxiety disorder are likely to have at least infrequent panic attacks, perhaps occurring with only one or two symptoms. Patients with chronic anxiety score high on <neuroticism> on standard personality inventories. The neuroticism factor includes anxious, depressive, and somatic symptoms, low self-esteem and low self-confidence, and irritability.” “Patients report that they are frequently preoccupied, worried, or ruminative; their preoccupations often concern events that are highly improbable. For instance, a wealthy patient may worry that he will become a pauper; an excellent college student may worry that he will fail his classes. When the content of the ruminations involves anticipated problems whose occurrence is more probable, the experience is more accurately described as anticipatory anxiety[parrifobia].”
“When compared with those who did not suffer panic attacks, patients who did found their thoughts more clearly articulated, intrusive, credible, and difficult to exclude. Most patients who had experienced panic attacks reported a physical feeling as the most frequent precipitant to episodes of anxiety, whereas patients in the generalized anxiety disorder group reported an anxious thought or a change in mood as the trigger. These data suggest that generalized anxiety disorder patients may be less likely than patients with panic attacks to systematically misconstrue their somatic experiences as dangerous.”
O balão de pensamentos dos quadrinhos foi a invenção literária mais genial do século XX. Talvez a invenção humana por excelência deste século, tirante o avião.
rivotril, nicotine, ecstasy, vicodin, marijuana and alcohol…
“In retrospect, she decided that her asthma attack was actually a panic attack. Medical examination was normal. She reported feeling anxious 80-90 percent of the time even when she was not having panic attacks. She reported worrying continuously about her children, her health, and the health of her children. On a scale from 0 to 10, with 10 being the highest anxiety and 0 being none, she rated her anxiety a 10 most of the time.”
“Although the electromyographic activity recorded from the frontalis muscle is reliably higher in anxious patients than in controls, EMG activity from forearm, masseter, and other muscle sites does not appear to differ (Lader & Marks, 1971). (…) There is no evidence of EEG abnormalities among anxious patients. Respiration is more rapid and shallow. Finally, although dry mouth is a common symptom of anxiety, there do not appear to be differences in salivation between anxious subjects and controls (Peck, 1966).” “individual differences are sufficient to prevent generalizations regarding the physiological reactivity of anxious patients as a group.” “Evans et al. (1986) found that average daily heart rate was not correlated with anxiety measures.” “at present, we lack a reliable peripheral biologic measure of anxiety.”
“As anxiety and depression are closely associated, distinguishing between the two can pose a problem. In a community sample, 67% of subjects with a psychiatric disorder had features of both anxiety and depression that could not be differentiated (Tennant et al., 1981).”
“Thyer et al. (1985a) reported that the mean age of onset for GAD [Generalized Anxiety Disorder] patients was 22.8 years. Noyes et al. (1980) have suggested that the onset is gradual. Studies indicating the stability of <neurotic traits> are also relevant here; in adults such traits seem stable from one decade to another. Given the chronic nature of the problem, helping patients learn to tolerate symptoms without abusing prescribed medications or other substances seems particularly important.”
“Among the most interesting theories regarding etiology is that generalized anxiety disorder in humans is analogous to sensitization observed in animals. There are 2 basic processes involved in defensive learning: habituation, which is the response decrement that occurs on repeated presentation of a noxious stimulus, and sensitization, which is the increase in defense evoked by strong or noxious stimuli. Habituation is the process that allows an animal to eventually ignore repeated innocuous events, and sensitization is the process that leads it to attend to potentially dangerous ones. (…) Perhaps generalized anxiety disorder represents chronic sensitization characterized by continuous over-attention to potentially noxious or dangerous stimuli.” Uau, como são geniais os psiquiatras de nossa era! Como se houvesse mesmo a possibilidade de ser até outra coisa!
“Benson notes that hypnosis, autogenic training, relaxation and transcendental meditation have been shown to lower oxygen consumption, respiration, and heart rate while increasing alpha activity and skin resistance—all responses compatible with inhibited sympathetic activity.” “For instance, the subject is invited to imagine floating in a hot bath or a lake and may be told that each breath out will leave him feeling a bit more comfortable and that he will be able to breathe more deeply and easily. Spiegel encourages the patient to picture an imaginary screen in his mind’s eye, a movie screen or a TV screen, and to visualize on that screen a pleasant scene, somewhere the patient enjoys being. After the patient has achieved the ability to produce a comforting scene and is able to achieve body relaxation, he is asked to imagine anxious images. The patient moves from anxious scenes back to comfort and floating—a process similar to desensitization.”
“After patients have identified what they would like to say to whom, we model and role-play the situation. Often we suggest the kinds of things that the patient might say and play the role of the patient in the feared situation. We then reverse roles and have the patient practice the interaction. We provide feedback. When the patient feels comfortable with the role-played interaction we then encourage them to use the skills in the actual situation, cautioning them that such situations are rarely identical to the ones created in the office but offer some variations and challenges for them to work on. We agree on the situation they will try and then review it during the next session. Such review may also be useful in elaborating troublesome thoughts. Patients will usually downplay obviously successful interactions or attribute their success to some external factor. Thus, developing a proper cognitive appraisal of their performance is a part of the assertion training.”
“It is probably unrealistic to expect patients presenting with GAD to adopt what amounts to a <heart-healthy> life-style (i.e., avoidance of smoking; exercising at aerobic levels 3-5[!] times per week for 20-30 minutes; eating a low-fat, low cholesterol diet, and maintaining a serum cholesterol below 200 mg/dl; blood pressure below 140 systolic and 90 diastolic; and weight no more than 10-20 pounds above ideal for height sex, and age).” “Patients with GAD who drink several cups of caffeinated coffee daily should certainly be encouraged to cut down to no more than one. Those who clearly work an excessive amount of hours should be encouraged to reduce their work load if possible and to build in time for recreation.” Não dê ao escravo o gosto do que ele não pode ter.
“The longterm pharmacologic treatment of chronic or generalized anxiety is one of the most controversial issues in medicine. The debate centers on the risk/benefit of such treatment. On one hand, some argue that effective agents should not be withheld from people who are suffering from anxiety disorders. Others argue that the agents are not, in fact, effective and that they carry considerable risk for longterm dependence, unknown side-effects, and life-threatening withdrawal.”
“While there is general consensus that benzodiazepines are effective in the short run, given the importance of the question, it is surprising how limited our knowledge is regarding the long-term effectiveness of benzodiazepines. In 1980, after reviewing studies on benzodiazepine effects, the British Medical Association concluded that the tranquilizing effects of such drugs do not persist beyond 3 to 4 months. However, other experts have argued that benzodiazepines are effective beyond 4 months, particularly in patients with severe anxiety.”
“He was seriously considering resigning from his firm because he dreaded meetings with clients and other professionals and was hardly able to stand the anxiety. He was drinking 1-2 oz. [?] of alcohol per week; there were no medical causes for his anxiety. He had taken diazepam, 5-10mg per week intermittently for the past 3 years with no apparent benefit. He met the DSM-III-R criteria for panic disorder and for uncomplicated and generalized anxiety disorder. Because of the panic attacks and an unwillingness to take imipramine, he was started on Alprazolam 0.5mg BID. On this dose, he achieved immediate and almost complete relief of his symptoms. For the first time in his life, he said, he no longer dreaded going to work and no longer experienced anguish from hour to hour. (…) Coincident with his improvement, one of his senior partners in the accounting firm decided to retire and wanted to have the patient buy out his interest. Because of the reduced anxiety, the patient was now more confident to deal with clients and to try to obtain new business. He decided to buy the firm, a move that caused him some stress and demanded more intensive effort. This new business venture coincided with the end of the first 6 months on the medication and the patient did not want to stop the medication and possibly jeopardize both his ability to function effectively and his monetary investment. Over the 6 months, he had not increased his medication, was not using alcohol, did not have evidence of withdrawal symptoms, and remained improved. We agreed to continue the medication for another 6 months and then to try a drug-free period.”
O perigo de estar por cima da onda… Assumir riscos em excesso. Contribuir para o próprio fracasso. Ingenuamente. Como se fosse a primeira vez.
“At the end of 6 months, now a year into therapy, the patient continued to use the medication as prescribed and maintained his improvement. We strongly encouraged him to try a drug-free period, reviewed the possible long-term risks associated with the drug, and reminded him of our initial agreement. Reluctantly, he gradually stopped the medication, and although he did not seem to have withdrawal symptoms, his anxiety and panic attacks had returned within 3 months and had begun to impair his work. The medication was resumed for another 6 month period.
Although this case is somewhat unusual in the dramatic relief obtained from the medication, the issues are typical for many patients; the medication was associated with improved functioning and alternative therapies seemed ineffective. However, the patient continues to rely on the medication in order to function effectively.”
“In a few patients the withdrawal syndrome can be sufficiently severe to cause epileptic seizures, confusion, and psychotic symptoms (Owen & Tyrer, 1983; Noyes et al., 1986.). For most patients, withdrawal symptoms are more diffuse, including anxiety, panic, tremor, muscle twitching, perceptual disturbances, and depersonalization (Petursson & Lader, 1984; Owen & Tyrer, 1983; Busto et al., 1986).” “Benzodiazepine withdrawal is a real and serious problem and sometimes life-threatening in chronic benzodiazepine users.”
CHOCANDO OS OVOS NO NINHO DA SERPENTE: “Jennifer had a difficult family history. She described her father, also a lawyer, as extremely critical, distant, and contemptuous of her and her older sister. She reported that as an adolescent, he would frequently end arguments by saying <You’re fat,> [also known as young] as though this fact disqualified her from rendering opinions or having feelings worthy of consideration, and as though she was to be dismissed on all counts for this reason. She reported that her mother was a loving, <reasonable,> person, who, however, never confronted the father, and, instead, attempted to accommodate to his irascibility.
The patient proved to be highly sensitive to a variety of medications including imipramine, desipramine, protriptyline, nortriptyline, and amitriptyline, complaining that each either caused increased fatigue or increased agitation. We continued with cognitive therapy during this period of about 4 months when numerous medications were tried, but the patient’s depression and anxiety continued. Family therapy with a colleague of the primary therapist was also arranged. The patient reported that the first session <made a huge difference> in her outlook. While nothing was resolved, and she remained unsure whether she and her father could have an acceptable relationship, having her father hear her concerns seemed to lift a weight from her. She reported fears prior to the session that he would dismiss her, deny the validity of her complaints, or storm out of the session. (…) She no longer felt hopeless about the future.”
“PARADOXAL INTENTION or REVERSAL PSYCHOLOGY (…) Everytime he felt a little wave of spontaneous alarm, he was not to push it aside but was to enhance it, to augment it, to try to experience it more profoundly and more vividly. If he did not spontaneously feel fear, every 20 or 30 minutes, he was to make a special effort to try and do so, however difficult and ludicrous it might seem. I arranged to see him twice a day over the next two days until his examination. He was an intelligent man, and an assiduous patient. He practiced the exercises methodically, and by the time of the examination he reported himself as almost totally unable to feel frightened. … He passed his examination without apparent difficulty.”
“Many of our patients have read books about anxiety before coming to the clinic or wish to do so in the course of therapy. Ghosh and Marks (1986) have even reported that bibliotherapy works as effectively as therapist instruction for self-exposure, at least with agoraphobics. We have yet to see a patient benefit from bibliotherapy to the extent indicated by the Ghosh and Marks study. However, we have found such books useful to help patients gain an understanding of their problem and to feel less alone in struggling with their difficulties. Two books that provide a good discussion of panic are The Anxiety Disease by Sheehan (1984) and Panic: Facing Fears, Phobias and Anxiety by Agras (1985); these books are not designed as self-help manuals.” Then they are probably good lectures.
“we have seen patients who avoid speaking in public situations; in most such cases, they fear that their anxiety will become evident to others either through a tremor in their voice or through an inability to speak.”
“while the agoraphobic’s fear of losing control and driving his or her car off the road during a panic attack can be easily viewed as <irrational,> the social phobic’s fear of verbally stumbling during a talk or fear of being rejected as a suitor on a date might reasonably occur. (…) Thus a vicious cycle often develops in which the anxiety is actually instrumental in potentiating the consequences most feared by the patient through interaction of the cognitive, physiological, and behavioral aspects of the problem.”
“Beck and Emery (1985) have made certain important observations on the phenomenon of shame as it applies to individuals who experience anxiety regarding evaluation. As they note, shame involves insult to one’s public image. Strangers, who are perceived as representatives of a group, may more easily arouse feelings of shame than those with whom we are on intimate terms. (…) Such judgements are viewed as <absolute, finalistic, irrevocable.>”
“One final observation made by Beck and Emery that may have important treatment implications is that one may feel shame whether the perceived disapproval is communicated or not; shame is tied to the perception of how others think, rather than what they specifically communicate. Thus, an individual might expose him or herself to problematic situations regularly without diminution of anxiety, if he or she continued to believe that others’ negative evaluations continued to be present.”
“unlike anxiety, which usually ends when the individual exits the fear-evoking situation, the experience of shame continues beyond the individual’s participation, fits with Liebowitz et al.’s (1985a) report that the anxiety of the social phobics they have seen <does not seem to attenuate during the course of a single social event or performance . . . (but rather) augment(s), as initial somatic discomfort becomes a further distraction and embarrassment to the already nervous individual>” Seria possível que eu fosse sociofóbico entre 2006-2012 e tenha me tornado progressivamente “apenas” ansioso-depressivo?
who copes with difficulties
is cop(y)ing (with) the
winners
cannot copy without you two!
“the social performance standards of those with increased levels of social anxiety are unrealistically high. Thus, the discrepancy between actual performance and the desired standard may be more likely to be pronounced”
“being introduced, meeting people in authority, and being watched while doing something are among the more difficult situations for this group, while agoraphobics fear circumstances including being alone, being in unfamiliar places, and open spaces.” <Ele é tímido> são as piores aspas da história.
“In our experience, alcohol abuse is a significant problem among social phobics and must be carefully assessed before proceeding with treatment.”
“He had begun to avoid small seminars in which he felt class participation would be required. Though verbally appropriate and attractive, he had done little dating, and had had no sexual experiences of any kind with women. He would also become sufficiently nervous over the prospect of asking a young woman for a date that in this situation too, he worried about his voice quavering and was avoiding such encounters. During the sixth week of treatment, he confided to the therapist that he believed that when he thinks about women, he emits an offensive odor that causes others who may be physically near him to leave. This idea had started when he was 17 and a senior in high school. His parents had gone out for the evening and he had masturbated in the family room. His parents however, came home unexpectedly early, within a minute or so of the time he had finished masturbating. Though he had managed to collect himself before they entered the family room, and there was no overt evidence they knew what he had done, he believed that in the act of masturbating he had given off an odor that they could detect. This idea had progressed to the point where he now believed that just thinking about an attractive woman caused him to give off such an odor. He was in the habit of sitting by himself in a corner of the library or cafeteria due to fears that others could smell when he was thinking about women.
The patient’s questionable reality testing and other phenomenology raised the possibility that he might be schizophrenic. However, after discussing these issues with the therapist, and feeling somewhat reassured, he agreed to a consultation with a urologist who was quite understanding and also reassured him. He was greatly relieved by this reassurance, and stopped isolating himself in the school library and cafeteria. Social isolation is often a feature of social phobia, and in such cases, without the availability of corrective feedback, ideas such as the above can develop.”
“The onset of social phobia appears typically between ages 15 and 20. Marks (1969) noted that among a sample he studied onset appeared to peak in the late teens. Amies et al. (1983) reported a mean onset of 19, as opposed to 24 among the agoraphobics. Nichols (1974) reported that two thirds of his sample developed the problem before age 25. Shaw (1976) reported that 60% of the social phobics in her sample had developed the problem by age 20 (as compared with 20% of agoraphobics), and 19% of the social phobics rated the onset as acute (as compared with 53% of the agoraphobics).”
“Several other hypotheses have been suggested. Nichols (1974) has noted the presence among social phobics of unusual sensitivity to criticism, disapproval, and scrutiny from others, low self-evaluation, rigid ideas regarding appropriate social behavior, a tendency to overestimate the extent to which visible symptoms of anxiety are evident to others, and a fear of being seen as ill or losing control. He argues that perception of loss of regard by others leads the individual to become hyper-aware of his or her anxiety in social situations, leading to increased sensitivity to physical cues and increasing concern that further lack of regard will ensue should such symptoms be noticed.” “poor performance in social situations leads the individual to expect negative evaluation and rejection from others (Curran, 1977). Another hypothesis is that social anxiety and social phobias are mediated by faulty cognitions regarding performance demands and the consequences of negative evaluation, which then, in fact, interfere with effective performance (Beck & Emery, 1985). [Óbvio.] Some of the avoidant strategies employed by social phobics such as gaze aversion, facial inexpressiveness, and reduced talkativeness can engender rejecting responses from others” O que não ensinam na escola: que não querer, conseguir ou suportar olhar no rosto dos outros não é covardia, mas condição. O tagarela é o primeiro a ser punido, mas também o primeiro a ser abordado (pelas mesmas pessoas!): “O que está acontecendo? Tudo bem com você, o que é que tá pegando? O gato comeu sua língua?”. Outrora tive um chefe que ria das pessoas que não conseguiam olhar nos olhos dos outros. Esse chefe, longe de ser um pacato cidadão mediano, era um dos mais neuróticos patológicos não só do setor, mas do órgão inteiro. Sua característica mais pusilânime era chegar dando um bom dia mais animado que o apresentador do Balanço Geral. Com o tempo, entretanto, e a percepção de que as pessoas no trabalho não o enxergavam como sua mãe o enxergava (e portanto ele mesmo se enxergava), graças a sua arrogância, hipocrisia e acerbas observações, e a certeza cada vez maior de que não passava de um chato de galocha, ele começou a se comportar de modo um tanto errático, auto-isolando-se além de toda medida, aproveitando-se do expediente de ser chefe para passar o dia trancado, longe de nossos olhos perscrutadores. Alguns realmente aprendem na prática a baixar a bola.
“Beta-blockers have been prescribed to block the peripheral manifestations of anxiety on the assumption that peripheral autonomic arousal increases social anxiety. Beta-blockers have been shown to reduce performance anxiety among such groups as musicians and college students.” “in patients with atypical depression, MAOIs seem to reduce interpersonal sensitivity, which is a measure of sensitivity to rejection, criticism and indifference on the part of others”
“As a group, social phobics suffer from a number of cognitive errors. While it is true that the underlying theme of these errors involves sensitivity to the evaluation of others, they may take a variety of forms. The most common cognitive errors we have encountered among social phobics are the following: (1) overestimating the extent to which their behavior will be noticed by others, thus exposing them to scrutiny or evaluation; (2) overestimations about the likelihood of rejection, embarrassment, or humiliation in a particular situation; (3) unrealistic assessments about the character of others’ responses to displays of anxiety; (4) attributional errors; and (5) overresponsiveness to actual rejection or lack of acceptance.” (Aloisiofobia)
“Fenigstein (1979) has differentiated between private self-consciousness, which involves heightened awareness of one’s thoughts and feelings, and public self-consciousness, which involves similar awareness of how one is viewed by others. Those in the latter group report a sense of being observed when with other people, an increased awareness of how others regard them, and they assign considerable importance to others’ responses toward them (Fenigstein, 1979). Their attention is focused on their appearance and behavior to an extent that effectively turns them into observers. Social situations often trigger an assessment process (Schlenker & Leary, 1982) in which the individual monitors his effect on others in hypervigilant fashion much as the panic disorder patient monitors internal sensations hypervigilantly. (…) The social phobic often erroneously assumes that others are monitoring his social performance as closely as he is. Thus if his voice trembles, or if he has a tendency to blush, or shake while holding a glass, he assumes that the attention of others is equally focused on such displays.” Mais eu leio sobre isso, mais eu “condeno meu passado” (o que é quase uma prova empírica de que eu sou um sociófobo até para mim mesmo – o eu do passado!) e mais eu penso na Tharsila como um papagaio que sempre me relia uma cartilha de tópicos prontos semanalmente, inutilmente… Adendum 2022: me distanciei bastante dessa tendência – rara vez que releio o blog e NÃO me identifico com descrições de tipo psicológico!
“Several studies have indicated the presence of perfectionistic social standards among the socially anxious (Alden & Cappe, 1981; Alden & Safran, 1978; Goldfried & Sobocinski, 1975). To put the same concept slightly differently, what we have encountered among many social phobics is an unrealistic appraisal of what is required of them in social situations.[WE’RE SO FUCKED… HARDWIRED TO…] For example, they may assume that in an initial heterosocial encounter they will inevitably be rejected if they are not <totally at ease,> or if they fail to demonstrate a quick sense of humor. As the hypothesized demands of social situations become higher and more unreasonable, [graças aos youtubers, instagramers e tiktokers imbecis esse padrão se generalizou] the social phobic’s self-efficacy drops, and the risk of perceived failure is increased, leading to overestimating the likelihood of rejection, embarrassment or humiliation.”
“Specifically, social phobics tend to assume that the anxiety or awkwardness they experience in social situations marks them as different, defective, and strange. Yet in many instances, the situations arousing anxiety for the social phobic arouse anxiety in many of us (e.g., public speaking, first dates, job interviews, etc.). The labels social phobics attach to themselves as a consequence of their anxiety, which are often global, absolute, and self-blaming, have the effect of increasing their arousal and levels of anxiety. In general, these labels reflect their lack of self-acceptance.” “Those who present with extreme avoidance across a wide variety of social situations usually manifest an oversensitivity to rejection, and the reverse attributional bias discussed above. These individuals are the most difficult to treat and usually require longer-term therapy, in which deeper cognitive structures relating to self-esteem and personal identity (Guidano & Liotti, 1983) become the focus of treatment.”
“In general, we have been more impressed with the cognitive errors common among social phobics which, as we noted, distort the demands and risks involved in social encounters. Most of the social phobics we see appear to have adequate skills but have difficulty in deploying them or underestimate their own performance.”
“The patient indicated that what disturbed her about blushing was that people would see she was anxious. (…) Her supervisor at work frequently commented about it when he noticed her blushing in a way that embarrassed her. Accordingly, she was instructed not to avoid this supervisor but, in fact, to seek him out, and when blushing did occur to say, <Uh-oh, menopause already,> or <Oh no, not those hot flashes again,> or to fan herself with her hand and say, <Whew, it’s hot in here.>” Mais um pouco e o sujeito pensaria que estava sendo abordado…
“She did not have problems interacting with strangers; symptoms of anxiety were experienced only with those whom she regarded as <potential friends.>” “Linda’s sensitivity to rejection was clearly related to doubts about her self-worth. Part of the fear of rejection in social situations had to do with the extent to which she was searching for evidence regarding her own worth in such encounters.”
“Alcohol is the earliest and probably still the most widely used drug with antianxiety properties. Sedative-hypnotics with antianxiety properties were widely used during the 19th century. For instance, it is estimated that by the 1870s a single hospital in London specialized in nervous diseases might dispense several tons of bromides annually. Barbiturates, first synthesized in 1864, began to be widely used in medicine after 1900. Meprobamate, originally developed as a potential muscle relaxant in the 1950s, achieved rapid popularity and was widely prescribed until its addictive properties became apparent. The discovery of the effectiveness of the benzodiazepines was serendipitously made by Stembach in 1957 who, when cleaning up his laboratory, decided to screen a group of compounds he had synthesized many years before (Stembach, 1983). One compound, 1,4-benzodiazepine-chlordiazepoxide, was 2x to 5x more potent than meprobamate in producing relaxation in rats.” “Because of their clinical effectiveness and their low potential for fatal overdosage, BZDs have largely replaced other sedative hypnotics. In the early 1960s Klein reported that the monoamine oxidase inhibitors (MAOIs) and tricyclic antidepressants (TCAs) blocked anxiety attacks in patients prone to anxiety, even in those who were not depressed. Drugs that block the peripheral manifestations of anxiety, like the beta-blockers, have been used in some patients. More recently, drugs that increase serotonin levels in the brain amongst other effects, the azaspirodecanediones, have shown promise as antianxiety agents.”
“Other agents that are potent inhibitors of amine uptake, notably amphetamine and cocaine, are poor antidepressants. Furthermore, some TCAs affect the reuptake of serotonin, while others have a greater effect on norepinephrine.”
“The other group of antidepressants with significant antipanic effect are the MAO inhibitors. The monoamine oxidase (MAO) inhibitors comprise a heterogeneous group of drugs, which, as the name implies, block the enzyme monoamine oxidase. MAO inhibitors were first used to treat tuberculosis. Because the drugs seemed to have mood-elevating effects in tuberculosis patients, they were given to depressed psychiatric patients with favorable results.” “MAO is widely distributed throughout the body, although its important biological effects relate to its action within the mitochondria.”
“Another group of theoretical importance in treating anxiety are central adrenergic agonists. On the assumption that central noradrenergic activity is increased, agents that reduce central noradrenergic activity should have antianxiety effects. One agent that has been evaluated for its antianxiety effects is clonidine, which reduces central sympathetic activity through potent agonistic activity on alpha-2 presynaptic receptors in the CNS. Clonidine has been found to be effective in the treatment of panic attacks (Liebowitz et al., 1981), anxiety experienced during opiate withdrawal, and anxiety accompanying depression (Uhde et al., 1984).”
“Antipsychotic medications, like thioridazine, chlorpromazine, haldol and mesoridazine have been advocated for the treatment of anxiety. Indeed, such agents are effective in reducing anxiety in patients with psychotic disorders. However, autonomic and extra-pyramidal side effects and the risk of tardive dyskinesia make them generally inappropriate for patients with primary anxiety disorders.”
“Alcohol is rapidly absorbed from the stomach, small intestine, and colon. After absorption, it is rapidly distributed throughout all tissues and all fluids of the body. Alcohol is metabolized through oxidation. The rate of metabolism is roughly proportional to body weight and probably to liver weight. Many other factors, such as diet, hormones, drug interactions, and enzyme mass affect alcohol metabolism. Alcohol use is also associated with tolerance, physical dependence and can lead to a life-threatening withdrawal reaction.”